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Numero do processo: 10730.003520/2005-04
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
SUPOSTA RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 SUPOSTA RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 35 20 /2 00 5- 04 Fl. 227DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2001, anocalendário de 2000, por meio do qual formalizouse a cobrança da restituição indevida a devolver corrigida de R$ 4.133,02 ( quatro mil cento e trinta e três reais e dois centavos). Inconformado, o contribuinte, por intermédio de sua representante legal, apresentou impugnação, de fls.01/09, alegando, em síntese, que é portador do Mal de Alzheimer o que lhe permite isenção do imposto de renda pessoa física, nos termos da legislação tributaria, razão pela qual apresentou declaração retificadora para o anocalendário 2000. Sustenta que quando intimado pela fiscalização apresentou documentos que comprovavam seu direito à isenção do imposto de renda pessoa física. Ressalta a necessidade de ser analisada a ilegalidade da lavratura de Auto de Infração determinando devolução de restituição de IR aprovada pelo próprio Fisco, passando, inclusive, pela malha fina. Alega que a administração não pode desconstituir ato que ela achou por certo decidir em favor do contribuinte e embasa seu entendimento com a opinião de doutrinadores e por fim, solicita o cancelamento do crédito tributário e que seja comprovado o direito à isenção por ser portador de doença degenerativa. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda tendo em vista que a doença contida nos laudos, qual seja Alzheimer, não se encontra elencada no rol das doenças passíveis de isenção previstas no inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito do direito a isenção por moléstia grave Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10730.003520/200504 Acórdão n.º 2001000.807 S2C0T1 Fl. 3 3 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. Sustenta a DRJ que a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção é literal (art. 111 do CTN). Portanto, deveria estar expressamente previsto no laudo a alienação mental da contribuinte. Discordo da DRJ . Entendo que Alzheimer é uma espécie de “alienação mental”, e portanto deve ser considerada para fins de isenção do pagamento do tributo. Tanto que por diversas vezes a declaração e o laudo pericial emitido por serviço oficial reconhece a alienação mental, em razão do mal de Alzheimer. Inclusive questão semelhante já foi julgada pelo ministro Luiz Fux em Recurso Especial Ou seja, ainda que o mal de Alzheimer não esteja expressamente relacionado na lista das doenças que autorizam a isenção do imposto de renda, a jurisprudência passou a reconhecêlo como uma espécie do gênero ‘’alienação mental’’, concedendo assim, isenção do tributo para os portadores da doença, bastando que seja comprovada através de laudo emitido por médico que faça parte do serviço público de saúde. Fl. 229DF CARF MF 4 A isenção neste caso não será concedida por causa da doença de Alzheimer, mas por causas de seus sintomas e suas conseqüências, neste caso, a alienação mental. Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se nos fatos e argumentos acima expostos, entendo que deve ser exonerado o crédito tributário lançado pela autoridade fiscal. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10730.003520/200504 Acórdão n.º 2001000.807 S2C0T1 Fl. 4 5 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar a contribuinte como portador de moléstia grave e por conseqüência, reconhecer a sua isenção para fins de imposto de renda. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.910033/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.910035/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
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COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastandose entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.910035/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 00 33 /2 00 9- 35 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 15374.910033/200935 Acórdão n.º 1402003.431 S1C4T2 Fl. 3 2 Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que estimativas recolhidas a maior/indevidamente só podem ser objeto de compensação ao final ou após o período de apuração do IRPJ e da CSLL. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que a Lei nº 9430/96 garante a compensação de quaisquer indébitos, fruto de recolhimento indevido ou maior, não se sustentando legalmente a impossibilidade invocada pela Autoridade Fiscal. Traz excertos jurisprudenciais e doutrinários. Também pugna pela inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 600/05 e invoca do princípio da busca pela verdade material. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, deixando de conhecer a matéria constitucional invocada e, na parte conhecida, negando provimento à defesa, por entender haver vedação expressa no art. 10 da IN nº 600/05 que impediria essa pretensão compensatória da Contribuinte. Ressaltase lá a vinculação daqueles N. Julgadores aos entendimentos da Receita Federal do Brasil. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, abandonando as alegações de inconstitucionalidade, mas reiterando e frisando a legalidade da compensação das estimavas, no mesmo período em que apurado o indébito, trazendo novos julgados deste E. CARF que corroboram sua pretensão e infirmam o posicionamento do v. Acórdão combatido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.428, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.910035/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.428): Fl. 112DF CARF MF Processo nº 15374.910033/200935 Acórdão n.º 1402003.431 S1C4T2 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. O tema exclusivo agora sob análise é a possibilidade legal da Contribuinte utilizar em compensação, via DCOMP, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente, ainda no mesmo período de apuração. Como fica muito claro nos autos, o único fundamento para a denegação da compensação foi a suposta vedação da manobra intentada, como se verifica tanto no r. Despacho Decisório como, posteriormente, no v. Acórdão, ora recorrido, que expressamente invocam o art. 10 da IN SRF nº 600/05, vigente à época da transmissão da DCOMP. Registrese que não houve qualquer análise da materialidade do crédito ou da sua quantificação, ainda que a Recorrente tenha carreado documentação aos autos, sendo a motivação da não homologação da compensação exclusivamente jurídica. Pois bem, tal matéria sob apreço é tema há muito debatido neste E. CARF (e no predecessor E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da Súmula CARF nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como se observa da leitura de tal entendimento sumular, da mesma forma como defende a Recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Logo, o óbice imposto à Contribuinte não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Inclusive, não há qualquer limitação temporal da aplicabilidade da Súmula nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito de compensação. Contudo, apenas para robustecer o presente julgamento, esclarecese que existem inúmeros precedentes desta C. 1ª Seção que, especificamente, abordam e afastam a vedação Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.910033/200935 Acórdão n.º 1402003.431 S1C4T2 Fl. 5 4 contida no art. 10 da IN nº 600/05, para promover a devida e mandatória aplicação da referida Súmula. Nesse sentido, ilustrando aquilo acima consignado, confirase o recente Acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta C. 1ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (destacamos) Desse modo, merece reforma o v. Acórdão (assim como r. Despacho Decisório, digase), vez que lícita e viável a postura procedimental da Contribuinte. Porém, como já esclarecido, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do crédito empregado, fruto do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa (por consequência lógica do afastamento sumário da regularidade da postura da Recorrente, não havendo, então, em se falar de lapso nos julgamentos pretéritos). De forma reversa, agora, uma vez aceita a circunstância jurídica da compensação, mister proceder à devida análise de materialidade do valor utilizado. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15374.910033/200935 Acórdão n.º 1402003.431 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, tal análise não deve ser direta e imediatamente feita por esta C. 2ª Instância, sobre pena de supressão do iter regular processual, bem como do próprio direito de defesa da Contribuinte, devendo os autos serem remetidos à Unidade Local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindose novo Despacho Decisório, com o prosseguimento do regular do processo (garantida, inclusive, a apresentação de nova Manifestação de Inconformidade, Recurso Voluntário e todos outros apelos contemplados pela legislação). Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser os autos encaminhados à D. Unidade Local competente para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos e sistemas de informações internos da RFB. Deverá também ser retomado o curso natural e ordinário do processo administrativo após tal nova decisão." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.721188/2017-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2013 a 30/09/2014
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há de se falar em cerceamento do direito de defesa quando o Termo de Verificação Fiscal encontra-se elaborado de forma a descrever com precisão os elementos fáticos e jurídicos norteadores da exigência fiscal. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE.
A relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo enseja a observância pelo sujeito passivo do valor tributável mínimo previsto na legislação que rege a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados.
COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA.
Provada a participação de estabelecimento, único distribuidor dos produtos, ou seja, distribuidor exclusivo, no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a definição do valor tributável mínimo, previsto no Art. 195, I, RIPI/2010.
Numero da decisão: 3302-006.111
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Walker Araújo que lhe dava provimento integral.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE CARTUCHOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 30/09/2014 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há de se falar em cerceamento do direito de defesa quando o Termo de Verificação Fiscal encontrase elaborado de forma a descrever com precisão os elementos fáticos e jurídicos norteadores da exigência fiscal. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. A relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo enseja a observância pelo sujeito passivo do valor tributável mínimo previsto na legislação que rege a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados. COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA. Provada a participação de estabelecimento, único distribuidor dos produtos, ou seja, distribuidor exclusivo, no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a definição do valor tributável mínimo, previsto no Art. 195, I, RIPI/2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Walker Araújo que lhe dava provimento integral. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 11 88 /2 01 7- 81 Fl. 737DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de auto de infração lavrado para a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI"), supostamente devido pela Recorrente, relativo aos exercícios de 2013 e 2014, incidente em operações de venda de mercadorias destinadas à empresa interdependente CBC Brasil Comércio e Distribuição Ltda. De acordo com as informações contidas no Relatório de Verificação Fiscal ("RVF"), que acompanhou aludido auto de infração, a Recorrente teria recolhido a menor o IPI por não ter respeitado o Valor Tributável Mínimo ("VTM") aplicável ao presente caso (fls. 24/67). O lançamento presume a existência de um "mercado atacadista notoriamente monopolista caso em que seria aplicável o Parecer Normativo n0 89/1970 e, por isso, o VTM a ser considerado não podería "ser inferior ao preço de venda do adquirentd' que, na exclusiva visão do fisco, seria relativo ao preço praticado pela CBC Brasil na venda aos seus clientes. O lançamento se baseou nas seguintes premissas: ü A Impugnante e a CBC Brasil atuariam no mesmo mercado e, portanto, os seus preços seriam comparáveis; ü Haveria um monopólio de mercado detido pela CBC Brasil; ü Os únicos preços confiáveis seriam aqueles praticados pela CBC Brasil; ü A CBC Brasil seria a única adquirente dos produtos da empresa autuada. Tomase por esteio o Relatório do Acórdão de Impugnação exarado pela 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG. Em julgamento o auto de infração de fls.2 a 19, que exige da contribuinte o montante de R$ 141.408.695,26, assim discriminado: Ø IPI: R$ 65.325.233,97; Ø MULTA: R$ 48.993.925,38; Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 3 3 Ø JUROS: R$ 27.089.535,91 A razão de existência do lançamento foi minuciosamente descrita no TVF, dele sendo possível extrairse a seguinte síntese: III DA AÇÃO FISCAL Distribuidora A CBC Brasil Com. Distribuição Ltda é considerada uma atacadista em consonância com o disposto pelo artigo 14, inciso I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 7.212, de 15.06.2010. A CBC (CNPJ 57.494.031/000163) e a Distribuidora fazem parte de um mesmo grupo econômico uma detém 99,99% do capital da outra e mantêm relação de interdependência, nos termos do artigo 612, incisos I e IV, do RIPI/2010 abaixo transcrito: Companhia Brasileira de Cartuchos CBC Montenegro. A empresa CBC realiza operações comerciais com a Distribuidora, com pessoas físicas, com pessoas jurídicas públicas e com pessoas jurídicas privadas diversas. A característica principal das operações da CBC com a Distribuidora é o destaque de IPI sobre as operações com as mercadorias comercializadas, diferente das que realiza com o consumidor final onde não há destaque do IPI sobre praticamente todas as operações comerciais. As operações sem destaque de IPI ocorrem, na maioria das vezes, com pessoas jurídicas públicas como por exemplo: Secretária de Segurança, Brigada Militar, Polícia Civil, etc. ...Das operações comerciais sujeitas a destaque do IPI com NCM em comum entre a Distribuidora e demais clientes da CBC, apenas as NCM 90131010, 93059900 e 96170010 são para atacadistas e apenas as da NCM 9617001 referemse ao mesmo item (GARRAFA TÉRMICA CARTUCHO). As NCM que não são comuns se referem a operações comerciais entre a CBC e consumidor final, sendo eles pessoas físicas, órgãos públicos e PJ. Esses adquirentes são fabricantes de armas de fogo ou utilizam as mercadorias em seus produtos e em testes (ex: Forjas Taurus SA, ER Amantino e Cia, Condor S/A (em coletes). Semelhante ao AC 2013, observouse que apenas as operações com a Distribuidora e as operações comerciais dos itens classificados na NCM 90131010, 93059900 são por atacado. Diferente do AC 2013, no AC 2014 NÃO HOUVE comercialização do item "garrafa térmica cartucho", NCM 96170010, diretamente da CBC para terceiros pessoa jurídica (atacadistas). Fl. 739DF CARF MF 4 Como se observa, a Distribuidora é um mercado atacadista notoriamente monopolista, isto é, exercido por único estabelecimento atacadista interdependente da CBC, que revende, com exclusividade, os produtos adquiridos da CBC para todo País. Em outros termos, tratase de mercado atacadista monopolizado, em todo território nacional, pelo estabelecimento interdependente e distribuidor exclusivo dos produtos fabricados e/ ou comercializados pela CBC. Conforme demonstrado em item específico as vendas da CBC para a Distribuidora são efetuadas por um preço bem inferior aos das vendas de mesmo produto efetuado diretamente da CBC para pessoas físicas e órgão públicos. Ressaltese que as operações entre a CBC e a Distribuidora são concentradas nas mercadorias em que há destaque de IPI, sendo as vendas com mercadorias sem destaque de IPI efetuadas diretamente da CBC para o consumidor final. Também ficou claramente demonstrado que a Distribuidora funciona como um setor do grupo industrial, possuindo um comando e gestão centralizado nos mesmos administradores da CBC Indústria, um reduzido quadro operacional efetivo e terceirização dos demais setores com a própria indústria Matriz. A CBC, do ponto de vista empresarial, tem toda liberdade de adotar o modelo gerencial mais conveniente e adequado para a obtenção de melhores resultados econômicos, por meio da redução de custos e despesas e, consequentemente da elevação dos lucros. No entanto, não se pode esquecer que há exigências na legislação tributária que não podem ser desconsideradas. No caso, ainda que não tenha sido o propósito da empresa, as diferenças de preços praticados entre o estabelecimento industrial e o distribuidor interdependente nas operações onde há destaque de IPI destoam enormemente dos preços praticados entre o estabelecimento industrial e outros adquirentes, sem interdependência. Fica evidente que por serem produtos submetidos a elevadas alíquotas do IPI, alcançando em torno de 45%, qualquer redução no preço de venda dos referidos produtos, que compõe a base cálculo do citado imposto, tem elevada repercussão em relação à redução do valor do IPI devido nas correspondentes operações de saída, o que representa elevada economia tributária, fato confirmado pelos elevados valores do IPI que deixaram de ser devidos pela recorrente nos anos de 2013 e 2014 conforme demonstrativos em anexo e que são objeto do presente procedimento fiscal. Diante das constatações, fica evidenciado que os únicos preços por atacado confiáveis e que se revelam apropriados para fim de cálculo do VTM, sem dúvida, são os preços médios por atacado praticados pela Distribuidora, estabelecimento atacadistas exclusivo, nas operações de revenda para os seus clientes situados em todo território nacional, excluídos o valor do frete e do IPI. DO VALOR TRIBUTÁVEL. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 4 5 O valor tributável a ser utilizado nas operações entre a CBC e a Distribuidora é definido conforme os artigos 195 e 196 do Decreto n° 7.212, de 26/12/2010 RIPI/2010), Para o presente caso, o de mercado atacadista monopolizado, a definição do procedimento de apuração do VTM encontrase definido no Parecer Normativo CST 89/1970, a seguir reproduzido: PARECER NORMATIVO CST N.° 89/70 Produto destinado a estabelecimento de firma interdependente: o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente (RIPI, art. 21, inciso I). Estabelecimento que vende seus produtos a terceiros atacadistas e, além destes, para uma empresa, também atacadista, com a qual mantém relação de interdependência. Neste último caso, o valor tributável "não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", conforme dispõe o inciso I do art. 21 do Decreto n.° 61.514/67. O "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente" é, evidentemente, o preço de venda por atacado feita pelo mencionado estabelecimento, a terceiros, não interdependentes. Na falta de outros adquirentes, ou melhor, na remessa para estabelecimento que seja o único comprador do produto (firma interdependente), o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda do adquirente, salvo se este operar, excl usivamente, na venda a varejo, devendo, neste caso, ser observado o disposto no inciso II e §§ 4.° e 5.° do art. 21 do RIPI. (grifos não originais) O texto em destaque deixa claro que, diante da existência de estabelecimento atacadista exclusivo ou monopolista, o VTM "não poderá ser inferior ao preço de venda praticado pelo estabelecimento adquirente"', que, no caso em tela, correspondem aos preços por atacado praticados pela Distribuidora. Deuse da forma seguinte a insurgência da Interessada: Embora a acusação seja de descumprimento das regras relativas ao VTM, ensejando suposto recolhimento a menor do IPI, a d. Fiscalização, presumindo que haveria um mercado monopolista, no qual a CBC Brasil figuraria como único adquirente dos produtos da Impugnante, sem explicar os motivos pelos quais os valores praticados pela Impugnante não estariam de acordo com a legislação, utilizouse dos preços praticados pela CBC Brasil para determinar a base de cálculo do IPI. Nesse ponto, ainda que se extraia do lançamento que a d. Fiscalização desconsiderou os valores praticados pela Impugnante e se utilizou dos preços praticados pela CBC Brasil, não . foram apresentadas quais as razoes de . fato e de direito Fl. 741DF CARF MF 6 que a levaram a concluir pela desconsideração dos referidos valores. Como se sabe, em se tratando de operações entre partes interdependentes, a apuração e recolhimento do IPI devem seguir os critérios legais relativos ao VTM que, como será detalhado adiante, devem observar a seguinte ordem: (i) preço corrente do produto no mercado atacadista da praça do remetente; (ii) inexistindo tal valor, o custo de fabricação acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade e margem; e (iii) sendo tais custos omissos ou não merecedores de fé, o resultado de arbitramento a ser realizado nos termos da legislação. Devido a inexistência de preço corrente do produto no mercado atacadista da praça da Impugnante (fato este não questionado pela d. Fiscalização), no desenvolvimento de suas atividades, o VTM é calculado com base nos custos e margens de seus produtos, conforme previsto na legislação. O afastamento de tal critério, todavia, dependeria da efetiva demonstração de sua irregularidade. Ou seja, em atendimento ao disposto na legislação, a d. Fiscalização deveria ter apresentado os fundamentos que a levaram a concluir que os valores utilizados pela Impugnante nas operações realizadas com a CBC Brasil estariam em desconformidade com a legislação relativa ao VTM ou, ainda, que as informações por ela prestadas seriam omissas ou não merecedoras de fé. Não é, todavia, o que ocorre no caso concreto. Afinal, basta uma leitura do Relatório de Verificação Fiscal para se verificar que não há qualquer informação a respeito das razões que levaram a d. Fiscalização a desconsiderar os valores informados pela Impugnante e concluir que "os únicos valores por atacado confiáveis" seriam aqueles praticados pela CBC Brasil. Nem se alegue que eventual fundamentação pudesse estar implícita no referido documento e que o fato de a Impugnante apresentar a presente Impugnação implicaria em eventual superação do vício constante da autuação. MÉRITO Ao dispor sobre os critérios para apuração do VTM, a própria administração tributária reconhece a limitação do conceito de praça aos limites de um município, cidade ou localidade, conforme se verifica dos trechos abaixo extraídos do PN CST n.° 44/81: "5. A norma superveniente determina, pois, ser 'o preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente a base mínima para o valor tributável nas hipóteses que menciona. 6. Registram os Dicionários da Língua Portuguesa que mercado, convencionalmente, significa a referência feita em relação à compra e venda de determinados produtos. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 5 7 6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, deforma isolada. (...)" (grifos nossos) Tal interpretação é corroborada, ainda, pela jurisprudência do E. CARF que, em diversas oportunidades reconhece expressamente a correspondência entre praça e cidade, bem como a impossibilidade de extensão de tal conceito. Vejamos: "IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. No caso de saídas para empresas interdependentes o valor tributável mínimo a ser considerado como base de cálculo do imposto é o preço corrente no mercado atacadista da praça comercial do remetente (...). As vendas realizadas pela empresa adquirente do produto, localizada em outra praça, não se prestam para cálculo do valor mínimo tributável (...). Recurso negado/' (Acórdãos n.° 204.02.706 e 204.02.707, julgados em 15/08/2007) Do critério adotado pela Impugnante Regularidade do VTM calculado com base no parágrafo único, inciso II, do artigo 196, do RIPI/2010 Não obstante a d. Fiscalização tenha desconsiderado os valores apresentados pela Impugnante sem apresentar os motivos pelos quais estes não poderiam ter sido considerados, o que como demonstrado preliminarmente é causa evidente da nulidade do Auto de Infração, fato é que, conforme se passa a demonstrar, o valor por ela adotado está em total conformidade com a legislação, não havendo que se falar em recolhimento a menor de IPI. No caso sob análise, considerando a inexistência de mercado atacadista na praça da Impugnante (Montenegro/RS) fato este sequer questionado pela d. Fiscalização e a consequente impossibilidade de se aplicar o primeiro critério para apurar o VTM aplicável às operações por ela realizadas, adotouse o segundo critério, previsto no parágrafo único, inciso II, do artigo 196, do RIPI/2010. Assim, valendose do referido critério, a Impugnante calculou o VTM aplicável às operações realizadas com a CBC Brasil, calculandoo a partir do preço do custo de fabricação dos produtos, acrescido dos demais custos (custos financeiros, de venda, de administração, de publicidade, bem como margem de lucro, etc). Nesse sentido, ao se deparar com preços distintos praticados pela Impugnante e pela CBC Brasil, sem sequer intimála para aprofundar quais seriam as práticas adotadas em seu mercado, com o objetivo de compreender melhor o seu modelo de Fl. 743DF CARF MF 8 negócios, a d. Fiscalização p r e s u m i u q u e " os únicos preços por atacado confia veis e que se re velam apropriados para fim de cálculo do VTM' seriam os da CBC Brasil, empresa atuante em mercado completamente distinto ao da Impugnante. Ocorre que, diferentemente do que faz entender a d. Fiscalização, tal entendimento, não merece prosperar. Afinal, os valores informados pela Impugnante se encontram em consonância com a legislação, não havendo razões para a sua desconsideração. Inicialmente, cumpre esclarecer que, considerando o tipo de negócio realizado pela Impugnante e as obrigações regulatórias a serem observadas na fabricação de seus produtos, o custo de produção varia de acordo com a quantidade de produtos fabricados no período. Como amplamente demonstrado em tópico anterior, a Impugnante fabrica diversos tipos de produtos, classificados em diversas categorias. Considerando a sua destinação, tais produtos podem ser vendidos para um mercado especializado (Forças Armadas, Polícias, etc.) ou para um mercado não especializado (segurança privada, tiro e caça esportivos), apresentando produtos de uso restrito ou permitido. A despeito da existência de critério regular adotado pela Impugnante para apuração do VTM, a d. Fiscalização procedeu a sua desconsideração arguindo que haveria supostas divergências nos preços praticados entre CBC e Distribuidora, CBC e outros cliente e CBC Brasil e clientes. Ademais, como detalhado anteriormente, há outras empresas que atuam no nicho de mercado da CBC Brasil, tais como Rossi, Fixxar, Gamo, QGK e que, por sua vez, deixam claro a existência de concorrência e reforçam a inexistência de monopólio no setor. Não obstante o exposto, fato é que a jurisprudência é pacífica ao reconhecer que o preço praticado pelo adquirente, seia este exclusivo ou não, não figura como critério a ser adotado para . fins de VTM e, portanto, não deve ser aplicado. Nesse sentido, já entendeu o antigo Conselho de Contribuintes: "IPI BASE DE CÁLCULO. FIRMAS INTERDEPENDENTES. Caracterizada a interdependência entre os estabelecimentos remetente e adquirente, o valor mínimo tributável é o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, conforme preceitua o art. 123, I, 'a', do RIPI/98, que equivale ao preço médio praticado na localidade, e não o _praticado pelo adcpiirente. Recurso de ofício negado" (g.n Processo n° 202 18215). Não obstante o posicionamento da jurisprudência sobre o tema, destacase que os próprios atos administrativos PN CST n.° 44/8113 e ADN CST n.° 5/8214 reforçam tal impossibilidade e apresentam vedação expressa sobre a possibilidade de Fl. 744DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 6 9 consideração de preços praticados por um único estabelecimento, como verificado no presente caso. Assim, considerando que a Impugnante e a CBC Brasil são localizados em praças distintas, estando a Impugnante situada na cidade de Montenegro, Estado do Rio Grande do Sul, e a CBC Brasil em São Paulo, capital, não haveria que se falar na aplicação de tal critério, sendo necessário o afastamento da base de cálculo determinada pela d. Fiscalização. Nesse sentido, citase o acórdão n.° 340100.768, que dispõe expressamente acerca da impossibilidade de se considerar preços praticados em outra praça, que não a do remetente, para fins de determinação do VTM: "Como muito bem observado nestes autos, a resposta a este quesito é de extrema valia, uma vez que o Ato Declaratório CST n° 5/82, o Parecer Normativo CST n° 44/81 e os artigos 68 do RIPI/82 e 123, I, do RIPI/98 determinam que o valor tributável do IPI base de cálculo do IPI nas operações entre empresas interdependentes será o preço corrente no mercado atacadista na praça do remetente, ou seja, na praça da cidade onde está localizada a autuada, in casu, cidade de São Paulo. Que fique bem claro, por oportuno, que tais dispositivos afastam quaisquer hipóteses de inclusão na média ponderada de preços praticados por empresas atacadistas localizadas em outras praças que não a do remetente. Não obstante o exposto, ainda que se admita a existência de um único adquirente no caso concreto, permanece imperiosa a necessidade de afastamento dos preços praticados pela CBC Brasil como base de cálculo do IPI. Isso porque, caso essa premissa fosse verdadeira, o que se admite apenas em respeito ao princípio da eventualidade, seguindo o raciocínio adotado pela d. Fiscalização, com o qual não se concorda, a Impugnante pratica vendas em grandes volumes para a CBC Brasil, devendo seus valores serem considerados no cálculo da média de preços para se chegar ao VTM pretendido. Não obstante, a corroborar pela impossibilidade de aplicação da lógica pretendida pela d. Fiscalização, a Impugnante e a CBC Brasil, embora interdependentes, atuam em mercados completamente distintos: enquanto a primeira é responsável pela industrialização dos produtos a serem vendidos em grandes lotes e quantidades para um mercado especializado no setor de defesa e segurança nacional (órgãos públicos e exportação), a CBC Brasil (que adquire parte dos produtos produzidos pela Impugnante) é responsável pela venda de produtos a um mercado não especializado (segurança privada, caça e tiro Fl. 745DF CARF MF 10 esportivo), voltado para o setor do varejo e com vendas pulverizadas. Diferentemente da Impugnante, a CBC Brasil incorre em gastos com logística, gastos comerciais e operacionais inerentes a sua atividade altamente regulamentada de promover a distribuição e a venda dos seus produtos de forma pulverizada, em todo o Brasil. Destaquese, ainda, que, como decorrência dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, é imperioso que nos processos administrativos seja adotado critério da vedação da aplicação de multas em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. *A imposição da multa, nesse patamar, revela que o critério utilizado desconsidera as circunstâncias do fato, da situação do contribuinte e de sua atividade, bem como qualquer outro parâmetro razoável para balizar o cálculo da penalidade, incluindo a intenção do contribuinte. Neste sentido, em primeiro lugar, ressaltese que o artigo 3o do CTN estabelece que o tributo é uma prestação pecuniária que não constitui sanção por ato ilícito. Por esse motivo, o tributo não pode ser utilizado para punir, da mesma forma que as sanções não podem ser utilizadas como instrumento de arrecadação disfarçado. *Assim, demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ü) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal20. Nesse sentido, citese, por oportuno, trecho do voto proferido no Acórdão n° 20178.718 que deixa claro o entendimento manifestado pela então denominada Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: "A portaria n° 379, de 23 de dezembro de 1988, tinha por pressuposto outra legislação já revogada. No caso da Selic, não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa, mas apenas sobre o tributo", (g.n.) Em 23 de fevereiro de 2018, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: ü Não vejo consistência na alegação de que a fundamentação do lançamento não teria sido explicitada no Termo de VerificaçãoTVF. O referido documento é claro, abrangente e descreve pormenorizadamente a trilha operacional e legal seguida pela Autoridade Fiscal. Depois de analisar todos os produtos comercializados pela CBC e de explicitálos em comparativo de Fl. 746DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 7 11 preços por meio de tabelas explicativas, o Autuante concluiu com um texto objetivo, que nenhuma dúvida deixou acerca do objetivo da fiscalização e das conclusões advindas da auditoria; ü Não se vislumbra alternatividade na obrigação tributária em questão. Há, em lugar disso, uma hierarquização bem delineada pelo legislador. Se há mercado atacadista na praça de quem remete o produto, imperiosa é a utilização do disposto no inciso I do artigo 195 do RIPI/2010; se não há, que se utilize a regra residual que elege a soma dos elementos de formação do preço do produto como base imponível do IPI; ü A CBC Brasil revestese da condição de revendedor atacadista monopolista e que, nessa condição, representaria ela, em carreira solo, o mercado atacadista demandado pelo RIPI cujos preços serviriam de parâmetro para aplicação do valor tributário mínimo; ü Claro está que ao separar os nichos de mercado, a CBC: 1 reservou para si as vendas dos produtos fabricados e destinados a grandes clientes; 2 repassou para sua ü interdependente, CBC Brasil, a comercialização de produtos outros, destinados, em operações ü pulverizadas, a consumidores os mais diversos. E conforme constatou a Fiscalização, os produtos não se confundem; e como não se confundem, assomase a condição da CBC Brasil de revendedor exclusivo atacadista dos produtos que comercializa, gerador portanto dos preços a serem tomados como parâmetro para aplicação do inciso I do artigo 195 do RIPI; ü O posicionamento da Receita Federal é claro: se há um único distribuidor interdependente de estabelecimento industrial fabricante, o VTM corresponderá aos preços praticados pelo distribuidor. E no presente caso, temos, sim, um único distribuidor de todos os produtos objeto do auto de infração, qual sejam os produtos comercializados pela CBC Brasil; ü A Terceira Turma da DRJ/JFA adotou posicionamento expresso no Acórdão nº 60.794/2016; ü Fechando o raciocínio, temos um atacadista interdependente corretamente identificado como distribuidor exclusivo dos produtos que revende, localizado no perímetro de atuação comercial do fabricante e que portanto pode ser eleito como gerador de parâmetro de preços para fins de cumprimento do Valor Tributável Mínimo nos termos do inciso I do artigo 195 do RIPI/2010; ü A discussão acerca do suposto aspecto confiscatório da multa aplicada nos termos do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 tem contornos de questionamento de validade de norma jurídica em pleno vigor, o que Fl. 747DF CARF MF 12 extrapola o perímetro de atuação do julgador administrativo. E mais, em se tratando de matéria constitucional, como é o caso do argumento de presença de confisco, aplicase de imediato a Súmula CARF n° 2, que repele a legitimidade de juízo de valor a respeito de tal matéria por parte dos órgãos de julgamento administrativos. A empresa autuada foi cientificada do Acórdão de Impugnação em 28/02/2018, folhas 453, ingressando com Recurso Voluntário em 02/04/2018, folhas 455, de folhas 457 a 506. Em síntese, foi alegado que: ü O mercado em que atua a Recorrente não se confunde com o mercado de atuação da CBC Brasil, sendo que o modelo de negócios decorre das próprias especificidades regulatórias; ü Os custos, as exigências regulatórias, logísticas e comerciais, bem como riscos nos mencionados negócios são completamente diferentes. Consequentemente, o custo, a margem e o preço de cada nicho de mercado observa as suas respectivas especificidades; ü Em que pese a d. Fiscalização afirme que não se poderia esquecer do cumprimento das exigências da legislação tributária, os esclarecimentos necessários quanto aos nichos de mercado existentes evidenciam que não se pode presumir a existência de "mercado atacadista notoriamente monopoiistat', pois: a configuração do mercado armamentista não condiz com referida suposição; sustentar o contrário do afirmado pelo CADE no que se refere à inexistência de mercado monopolista afrontaria o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional ("CTN"); inaplicáveis os preços de mercado do nicho da distribuidora como passíveis de adoção nas operações praticadas pela Recorrente, as quais possuem nichos com especificidades únicas, as quais não podem ser sumariamente desconsideradas; ü A r. decisão proferida pela E. DRJ deve ser declarada nula por vício de fundamentação e cerceamento do direito de defesa, já que deixou de analisar argumentos e provas apresentados e se limitou à transcrição de trechos diversos cerca de 24 páginas de transcrição em um acórdão com 29 folhas; ü Adoção de presunções pela r. decisão recorrida e desconsideração das provas apresentadas pela Recorrente em sede de Impugnação; ü Da necessidade de reforma da r. decisão recorrida Dos equívocos da E. DRJ que serviram de premissa para a manutenção do lançamento; ü Nulidade da Autuação por ausência de pressupostos de validade; ü Necessidade de reforma da r. decisão recorrida Impossibilidade de se aplicar o preço praticado pela CBC Brasil no caso concreto Inobservância dos critérios legais para a definição do VTM; ü Presunção de mercado monopolista; Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 8 13 ü Impossibilidade de consideração do preço de venda da Distribuidora para definição do VTM à luz do artigo 195, I, do RIPI; ü Improcedência e ilegalidade da multa de ofício Vedação ao Confisco; ü Ilegalidade da Cobrança dos Juros sobre a Multa. DO PEDIDO Diante do exposto, requer a este E. Conselho que o presente Recurso seja recebido para que o Auto de Infração seja declarado nulo por inobservância dos requisitos de validade do lançamento. Caso assim não se entenda, requer seja declarada nula a r. decisão recorrida por descumprimento dos requisitos legais de sua validade, especialmente por violação aos princípios da ampla defesa e contraditório. Por fim, na remota hipótese de não acolhimento das preliminares de nulidade arguidas, no mérito, requer a reforma da r. decisão recorrida pelos fundamentos acima determinandose o cancelamento integral do Auto de Infração. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Contrarrazões de folhas 634 a 670. Em síntese, foi alegado que: ü Da validade do lançamento e da decisão recorrida; ü Da irrelevância da análise da legalidade do modelo de negócio da recorrente; ü Do valor tributável mínimo; ü Do conceito de praça; ü O legislador não utiliza palavras inúteis; ü O comércio não conhece fronteiras geopolíticas; ü O conceito comercial de “praça”; ü A finalidade da norma tributária do VTM; ü O “mercado atacadista” quando o interdependente é destinatário exclusivo; ü O conceito de “praça” na jurisprudência do CARF ü Dos juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Fl. 749DF CARF MF 14 Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 28 de fevereiro de 2018, por via eletrônica, às folhas 453 do processo digital. A contagem do prazo de 30 (trinta) dias se iniciou em 01/03/2018. No dia 30/03/2018, término do prazo, foi feriado nacional (Paixão de Cristo). O prazo restou prorrogado para o dia 02/04/2018, primeiro dia útil subsequente. O recurso voluntário foi apresentado em 02 de abril de 2018, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. Foram alegados os seguintes pontos: ü A r. decisão proferida pela E. DRJ deve ser declarada nula por vício de fundamentação e cerceamento do direito de defesa; ü Adoção de presunções pela r. decisão recorrida e desconsideração das provas apresentadas pela Recorrente em sede de Impugnação; ü Da necessidade de reforma da r. decisão recorrida Dos equívocos da E. DRJ que serviram de premissa para a manutenção do lançamento; ü Nulidade da Autuação por ausência de pressupostos de validade; ü Necessidade de reforma da r. decisão recorrida Impossibilidade de se aplicar o preço praticado pela CBC Brasil no caso concreto Inobservância dos critérios legais para a definição do VTM; ü Presunção de mercado monopolista; ü Impossibilidade de consideração do preço de venda da Distribuidora para definição do VTM à luz do artigo 195, I, do RIPI; ü Improcedência e ilegalidade da multa de ofício Vedação ao Confisco; ü Ilegalidade da Cobrança dos Juros sobre a Multa. Passase à análise. Iniciase a presente análise com a transcrição do artigo 612 do RIPI/2010, tendo por destaque os incisos I e IV: Art. 612. Considerarseão interdependentes duas firmas: I quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem como por intermédio de parentes destes até o Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 9 15 segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física (Lei n° 4.502, de 1964, art. 42, inciso I, e Lei no 7.798, de 1989, art. 9°); II quando, de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de gerência, ainda que exercidas sob outra denominação (Lei n° 4.502, de 1964, art. 42, inciso II); III quando uma tiver vendido ou consignado à outra, no ano anterior, mais de vinte por cento no caso de distribuição com exclusividade em determinada área do território nacional, e mais de cinquenta por cento, nos demais casos, do volume das vendas dos produtos tributados, de sua fabricação ou importação (Lei n° 4.502, de 1964, art. 42, inciso III); IV quando uma delas, por qualquer forma ou título, for a única adquirente, de um ou de mais de um dos produtos industrializados ou importados pela outra, ainda quando a exclusividade se refira à padronagem, marca ou tipo do produto (Lei n° 4.502, de 1964, art. 42, parágrafo único, inciso I); ou V quando uma vender à outra, mediante contrato de participação ou ajuste semelhante, produto tributado que tenha fabricado ou importado (Lei n° 4.502, de 1964, art. 42, parágrafo único, inciso II). Parágrafo único. Não caracteriza a interdependência referida nos incisos III e IV a venda de matériasprimas e produtos intermediários, destinados exclusivamente à industrialização de produtos do comprador. (Grifo e negrito nossos) Tipificação no inciso I do artigo 612 do RIPI/2010: A empresa industrial COMPANHIA BRASILEIRA DE CARTUCHOS, informou, através do TIPF – Item 02 , que de acordo com a DIPJ AC 2013, ficha 62, o percentual de participação permanente em coligadas ou controladas é de 99,99%: A Companhia Brasileira de Cartuchos (CNPJ nº 57.494.031/000163) é sócia da CBC Brasil Comércio e Distribuição Ltda (CNPJ 61.482.725/000158) detentora de cotas que representam mais de 15% do capital social e, portanto, há relação de interdependência entre elas. Fl. 751DF CARF MF 16 A CBC (CNPJ 57.494.031/000163) e a Distribuidora fazem parte de um mesmo grupo econômico: uma detém 99,99% do capital da outra e, portanto, mantêm relação de interdependência. Tipificação no inciso IV do artigo 612 do RIPI/2010: No presente caso, temos, um único distribuidor de todos os produtos objeto do auto de infração, qual sejam os produtos comercializados pela CBC Brasil. Portanto, a situação em análise se enquadra tanto no inciso I. quanto no inciso IV, do artigo 612 do RIPI/2010, o que implica em interdependência de duas firmas, por força de Lei. Consequência normativa da situação de interdependência de duas firmas: a aplicação do Valor Tributável Mínimo. Comprovada a interdependência, é imperiosa a aplicação do art. 15, I da Lei n° 4.502, para determinação do valor tributável mínimo. Art. 15. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, quando o produto fôr remetido a outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica ou a estabelecimento de terceiro incluído no artigo 42 e seu parágrafo único; (Grifo e negrito nossos) Para o cálculo do valor tributável mínimo, a legislação prescreve: Decreto n° 7.212, de 2010 RIPI Valor Tributável Mínimo Art. 195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei n° 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e DecretoLei no 34, de 1966, art. 2o, alteração 5a); (...) Art. 196. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 195, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais Fl. 752DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 10 17 elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. (Grifo e negrito nossos) Assim, para fins de determinação do preço mínimo, deve a autoridade autuante: 1. verificar a existência de relação de interdependência entre os estabelecimentos da contribuinte fiscalizada, nos termos do art. 612 do RIPI/2010; 2. caso configurada tal relação, deverá verificar se a contribuinte obedeceu, por sua vez, à regra do valor tributável mínimo, assim entendido como o "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", em conformidade com o art. 195 do RIPI/2010. Nulidade da r. decisão recorrida Vício de fundamentação e cerceamento do direito de defesa É alegado às folhas 10 e 11 do Recurso Voluntário: A r. decisão recorrida é nitidamente nula, pois se limitou a reproduzir argumentos e fundamentos já constantes no processo, atos normativos, raciocínios de outros julgamentos, sem, contudo, explicar o motivo concreto de sua relação/incidência no caso concreto. De fato, do confronto entre as razões apresentadas em sua peça impugnatória e as alegações insertas na r. decisão recorrida, constatase que a r. decisão recorrida desconsiderou sumariamente pontos essenciais ao deslinde do presente processo administrativo, afetando, assim, o exercício do contraditório e da ampla defesa pela Recorrente. Nesse sentido, vejase que a r. decisão recorrida não examina os fatos e argumentos trazidos no tópico II da Impugnação, relativos à inexistência do suposto monopólio presumido pelo lançamento. Ao contrário, se limitou a repisar as premissas e presunções adotadas pelo lançamento, omitindose em enfrentálos. (Negrito nosso) Às folhas 11 do Recurso Voluntário é introduzido argumento referente a existência de empresas concorrentes do mesmo nicho de mercado da CBC Brasil, o que implicaria na inexistência de monopólio: Fl. 753DF CARF MF 18 Além disso, embora a Recorrente tenha indicado a existência de empresas concorrentes do mesmo nicho de mercado da CBC Brasil, colacionando até mesmo imagens dos produtos similares por elas comercializados, a r. decisão recorrida furtouse de combater os argumentos trazidos, tendo afirmado vagamente que não há nos autos qualquer indício de que haveria no mercado a que se dedica a Autuada produtos com similaridade significativa àqueles produzidos pela CBC (fl. 434). Igualmente, a r. decisão recorrida não traz qualquer menção à estrutura comercial e operacional da Recorrente, tampouco quanto à alta regulação do mercado e quanto aos seus impactos no modelo adotado que foi fiscalizado. Não bastasse, a r. decisão recorrida repisa as mesmas presunções e equívocos adotados pelo lançamento, não tendo indicado a motivação para a adoção como critério para a apuração da base de cálculo do IPI o preço praticado pela CBC Brasil, novamente deixando de avaliar a inaplicabilidade de adoção do critério pretendido frente às especificidades do nicho de mercado de atuação da Recorrente. A questão foi enfrentada pelo Acórdão de Impugnação, às folhas 14, da seguinte forma: E no presente caso, temos, sim, um único distribuidor de todos os produtos objeto do auto de infração, qual sejam os produtos comercializados pela CBC Brasil. Além disso, frisese que não há nos autos qualquer indício de que haveria no mercado a que se dedica a Autuada produtos com similaridade significativa àqueles produzidos pela CBC. A vaga indicação, por parte da Autuada, de que empresas como a Rossi, Fixxar, Gamo e QGK pertenceriam ao mesmo ramo de atividade não comprova a presença de similaridade técnico funcional capaz de afastar a ilação de que estamos tratando de um fabricante que destina determinada parcela de seus produtos a um distribuidor interdependente exclusivo, que comercializa produtos exclusivos, o que nos faz zelar pela aplicação do inciso I do artigo 195 do RIPI/2010, devendo, em decorrência do citado dispositivo, ser obedecido o VTM na forma preconizada na norma em comento. Por via de conseqüência, resta afastada a possibilidade de utilização do critério estabelecido no parágrafo único, inciso II, do artigo 196, erroneamente utilizado pela Contribuinte. Em nosso auxílio, transcrevese o PARECER NORMATIVO CST N.° 89/70: 01.08.01 VALOR TRIBUTÁVEL Produto destinado a estabelecimento de firma interdependente: o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente (RIPI, art. 21, inciso I). Estabelecimento que vende seus produtos a terceiros atacadistas e, além destes, para uma empresa, também atacadista, com a qual mantém relação de interdependência. Neste último caso, o Fl. 754DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 11 19 valor tributável "não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", conforme dispõe o inciso I do art. 21 do Decreto n° 61.514/67. O "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente" é, evidentemente, o preço de venda por atacado feita pelo mencionado estabelecimento, a terceiros, não interdependentes. Na falta de outros adquirentes, ou melhor, na remessa para estabelecimento que seja o único comprador do produto (firma interdependente), o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda do adquirente, salvo se este operar, exclusivamente, na venda a varejo, devendo, neste caso, ser observado o disposto no inciso II e §§ 4.° e 5.° do art. 21 do RIPI. (grifos não originais) O preâmbulo do presente VOTO trouxe dois elementos fáticos, que não mereceram qualquer esforço de refutação por parte da Recorrente, que implicam em interdependência das duas firmas por força normativa (incisos I e IV do artigo 612 do RIPI/2010) que exigirá o valor tributável mínimo, ou seja, o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. A situação descrita no Termo de Verificação Fiscal expõe a presença de um único distribuidor interdependente de estabelecimento industrial fabricante, que nos moldes do PARECER NORMATIVO CST N.° 89/70 também exigirá o valor tributável mínimo Independentemente de estar configurado monopólio ou não, da presença no mercado interno de outros concorrentes ou não, foi constatada a situação tipificada no inciso I do artigo 195 do RIPI/2010 e aquela descrita no PARECER NORMATIVO CST N.° 89/70, o que indica precisa e adequada a aplicação do valor tributável mínimo. Adoção de presunções pela r. decisão recorrida e desconsideração das provas apresentadas pela Recorrente em sede de Impugnação É alegado às folhas 15 e 16 do Recurso Voluntário: Aqui é possível observar outra arbitrariedade cometida no lançamento: acusação indiciária de que as diferenças de preço não seriam confiáveis sem, contudo, existir qualquer comprovação da existência ou autoria de qualquer fato ilícito. Entretanto, o que salta aos olhos é o fato de que a r. decisão recorrida, mais uma vez, se refutou em analisar as considerações da Recorrente e, novamente, não dedicou sequer 1 (uma) linha para abordar a confiabilidade do critério adotado pela Recorrente, bem como a sua motivação para imputar a aplicação de critério diverso. Ocorre que, diferentemente do que faz entender a d. Fiscalização e como alegado pela Recorrente em sede de Impugnação, tal entendimento, não merece prosperar. Afinal, os valores informados pela Recorrente se encontram em consonância com a legislação, não havendo razões para a sua desconsideração. Fl. 755DF CARF MF 20 Nesse sentido, ao se deparar com preços distintos praticados pela Recorrente pela CBC Brasil, sem sequer enfrentar quais seriam as práticas adotadas em seu mercado, com o objetivo de compreender melhor o seu modelo de negócios, referida decisão reproduziu a presunção, sem trazer qualquer elemento de prova e/ou apresentar qualquer justificativa. Ademais, na tentativa de combater as demonstrações da Recorrente acerca dos produtos similares comercializados por seus concorrentes, a r. decisão recorrida se limitou a afirmar que "a vaga indicação, por parte da Autuada, de que empresas como a Rossi, Fixxar, Gamo e QGK pertenceríam ao mesmo ramo de atividade não comprova a presença de similaridade técnicofuncionai'\f\s. 434). Entretanto, como é possível observar às fls. 19 da Impugnação, a Recorrente não indicou vagamente os produtos, mas colacionou imagens palpáveis de outros fornecedores de armamentos no mercado brasileiro. Ou seja, na verdade, a r. decisão recorrida, mais uma vez, se furtou em analisar argumentos e provas colacionadas à Impugnação, buscando ainda imputar à Recorrente o ônus da prova, em patente tentativa de se punir com base em presunções. E nem se alegue que eventual fundamentação pudesse estar implícita no referido documento e que o fato de a Recorrente ter apresentado a Impugnação implicaria em eventual superação do vício constante da autuação. Como dito. A postura da fiscalização não foi desprovida de critério, posicionamento que a Recorrente quer fazer prevalecer em sua argumentação. Como evidenciado, dois fatos trazidos pelo Termo de Verificação Fiscal ( incisos I e IV do artigo 612 do RIPI/2010) apontam para a interdependência entre empresas e exigem a aplicação do Valor Tributável Mínimo ( inciso I, artigo 195 do RIPI/2010 ). Nulidade da Autuação por ausência de pressupostos de validade Após a transcrição do artigo 142 do Código Tributário Nacional, o Recorrente assim se manifestou às folhas 21 do Recurso Voluntário: Da leitura do artigo acima depreendese que a validade do ato administrativo de lançamento tributário depende da observância de requisitos básicos inerentes ao próprio procedimento correspondente ao lançamento, como a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável e apuração do montante do tributo devido. Isto é, considerando o disposto no artigo 142 do CTN, a autoridade fiscal não pode simplesmente imputar ao contribuinte o cometimento de uma infração à legislação tributária, sem demonstrar e comprovar precisamente a ocorrência dos fatos identificados/apontados e a sua consequência lógica que é a suposta infração à legislação tributária. Em outras palavras, o lançamento tributário somente será válido se restar perfeitamente comprovada a correspondência lógica Fl. 756DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 12 21 entre os fatos identificados e a consequente infração imputada ao contribuinte. No mesmo sentido, a legislação federal também condiciona a validade do Auto de Infração à observância de certos requisitos formais e de conteúdo, dentre os quais destacamse a necessidade de descrição dos fatos e determinação da exigência, como se pode observar do art. 10 do Decreto n. 70.235/72: E foi exatamente assim que a fiscalização procedeu: Identificados fatos que apontavam para a interdependência entre empresas ( incisos I e IV do artigo 612 do RIPI/2010) houve a aplicação do Valor Tributável Mínimo, por força normativa do inciso I, artigo 195 do RIPI/2010. DO MÉRITO Necessidade de reforma da r. decisão recorrida Impossibilidade de se aplicar o preço praticado pela CBC Brasil no caso concreto Inobservância dos critérios legais para a definição do VTM É alegado às folhas 26 do Recurso Voluntário: ü Presunção de mercado monopolista Como descrito, no entendimento da d. Fiscalização, entendimento repisado pela r. decisão recorrida, a Recorrente teria deixado de observar as regras relativas ao VTM, pois, diante do contexto de um mercado monopolista, de acordo com o Parecer Normativo CST n.0 89/70, o VTM a ser considerado em operações destinadas a um único adquirente "não poderá ser inferior ao preço de venda do adquirente' que, no caso sob análise, seria relativo ao preço praticado pela CBC Brasil. Ou seja, de acordo com a fiscalização, fato repisado pela r. decisão recorrida, havería a caracterização de um "mercado atacadista notoriamente monopolista', atraindo a aplicação do Parecer Normativo CST n0 89/70. Nesse ponto, a r. decisão recorrida repisa tal presunção de monopólio sob a fundamentação de que "não há nos autos qualquer indício de que havería no mercado a que se dedica a Autuada produtos com similaridade significativa àqueles produzidos peia CBC' (fl. 434). Outra vez o Recorrente se apega a uma argumentação desconexa, pois o que ocasionou a aplicação do Valor Tributável Mínimo, não foi a presunção de monopólio, mas a interdependência entre empresas ( incisos I e IV do artigo 612 do RIPI/2010) que exigiu a aplicação do Valor Tributável Mínimo, por força normativa do inciso I, artigo 195 do RIPI/2010. É alegado às folhas 28 do Recurso Voluntário: Portanto, a total desconsideração dos preços praticados pela Recorrente sem fundamentação, atrelada à imposição de valores das operações da distribuidora não se sustenta, eis que Fl. 757DF CARF MF 22 desconsidera o contexto e as especificidades regulatórias do nicho de mercado, o que não se pode admitir. Não bastasse o acima exposto, devese evidenciar a existência de concorrência no mercado de atuação da Recorrente. Nesse ponto, novamente apresentamos provas que evidenciam claramente a existência de concorrência, a qual é passível de identificação não apenas da simples análise das fotos apresentadas, como no que se refere ao aspecto técnico funcional dos produtos comercializados no mercado de armas e munições. Considerando a grande variedade de produtos autuados, a demonstrar a absoluta impropriedade da presunção adotada no sentido de existência de mercado monopolista, a Recorrente destaca abaixo, por amostragem, algumas das provas colacionadas com vistas a evidenciar a existência de concorrência no mercado de atuação da Recorrente: A fiscalização não desconsiderou preços praticados pela Recorrente ao seu alvedrio. Em estrita observância à Lei, uma vez constatada a interdependência entre empresas ( incisos I e IV do artigo 612 do RIPI/2010), a própria legislação exige a aplicação do Valor Tributável Mínimo, por força normativa do inciso I, artigo 195 do RIPI/2010. ü Regras de VTM As laudas 33 a 36 do Recurso Voluntário reforçam o entendimento até aqui esposado, que pode ser sintetizado no seguinte fragmento de folhas 33: Em se tratando de operações entre partes interdependentes (artigo 612, do RIPI/2010), a legislação prevê regras específicas, nas quais a determinação da base de cálculo do IPI deverá observar certos limites e parâmetros. Nesse sentido, considerando que a Recorrente e a CBC Brasil são partes interdependentes, a determinação da base de cálculo do IPI incidente em suas operações deve levar em consideração as regras atinentes ao chamado valor tributável mínimo VTM. O valor tributável mínimo corresponde ao limite a partir do qual deve ser calculado o IPI em situação específica, definida pelo legislador complementar. É uma base de cálculo presumida mínima que deve ser considerada em determinadas situações na qual o legislador identificou uma circunstância especial, para a qual entendeu que deveria ser estabelecido um limite de base de cálculo específico. (Grifo e negrito nossos) Portanto, o próprio argumento apresentado pelo Recorrente, corrobora com a linha de raciocínio apresentada no VOTO até agora. Especificamente, às folhas 36 e 37 a Recorrente nos remete a uma outra questão: Assim, não havendo mercado atacadista na praça do remetente, deve ser aplicado, invariavelmente o segundo critério para Fl. 758DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 13 23 apuração do VTM, previsto no inciso II do parágrafo único do artigo 196, cuja redação define que, para produtos nacionais, a base de cálculo do IPI será calculada a partir do (i) custo de fabricação acrescido dos (ii) custos financeiros, dos (/ii) custos de venda, dos (/V) custos de administração e dos (v) custos de publicidade, bem como de sua (vi) margem de lucro normal e (vii) das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos tenham sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Caso não seja possível auferir tal valor ou se demonstre a impossibilidade de utilizar as informações e dados detidos pelo contribuinte, no artigo seguinte, 197 do RIPI/2010, o legislador estabeleceu que "o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes'. Tratase, todavia, de exceção à regra, que deve ser aplicada apenas em última hipótese e diante da demonstração da impossibilidade de se calcular o VTM conforme os parâmetros estabelecidos na lei, o que não ocorre no caso em análise. Aqui já é possível perceber, portanto, a regularidade do VTM adotado pela Recorrente. Como visto, restou incontroverso nos autos que não há mercado atacadista na praça da Recorrente. Dessa forma, inexistindo o "preço corrente no mercado atacadista" da praça do remetente a que alude o artigo 195,1, do RIPI, a legislação determina a aplicação do segundo critério, tal como disposto no inciso II, parágrafo único, do artigo 196 do RIPI. (Grifo e negrito próprios do original) Como se sabe, em conformidade com o art. 46 do Código Tributário Nacional, o imposto sobre produtos industrializados, previsto no inciso IV do art. 153 da Constituição de 1988, tem, como fato gerador: 1. o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; 2. a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51 da norma; e 3. a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. O art. 51 do diploma em referência, por sua vez, determina que a contribuinte do imposto é o industrial (ou equiparado) e o comerciante de produtos sujeitos ao IPI que os forneça a industriais ou equiparados. Da simples leitura de tais dispositivos, é possível se concluir, e.g., que a venda de distribuidora para consumidor final não se convola como fato gerador do imposto. Uma vez definida a sua materialidade, depreendese da leitura do art. 474 a base de cálculo do IPI correspondente em uma operação de saída do produto interno: Fl. 759DF CARF MF 24 a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria, ou b) na falta dele, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente. Nos termos do quanto preceituado pelo art. 190 do Decreto n° 7212/2010 (Regulamento do IPI), constitui "valor tributável" dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, assim entendido como o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. O art. 195 do RIPI/2010, por seu turno, de forma a ecoar o preceptivo normativo do alínea b do inciso II do art. 47 do Código Tributário Nacional, dispõe a respeito da necessidade de um valor mínimo tributável no caso de produto destinado a outro Estabelecimento do próprio remetente: o preço corrente no mercado atacadista da praça do próprio remetente, cf. inciso I do art. 15 da Lei n° 4.502/1964 e art. 2° do DecretoLei no 34/1966. O propósito do legislador foi garantir que o IPI viesse a incidir sobre uma base de cálculo cuja dimensão econômica resguardasse o valor do mercado, evitando artificialismo na fixação dessa base de cálculo. O posicionamento da Receita Federal é claro: se há um único distribuidor interdependente de estabelecimento industrial fabricante, o VTM corresponderá aos preços praticados pelo distribuidor. Solução de Consulta Interna n° 08 COSIT, de 13 de junho de 2012 O inciso I do art. 195 do RIPI/2010 assim dispõe sobre a matéria, in verbis: Art.195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência; Observase que o dispositivo legal acima não faz qualquer referência ao número mínimo de ofertantes que devem atuar no mercado para que este seja caracterizado como um “mercado atacadista”. Tampouco faz qualquer distinção entre mercados monopolizados, oligopolizados, livre concorrência ou monopsônio. Desse modo, não havendo base legal para se estabelecer o número mínimo de ofertantes, nem distinções entre os tipos de mercado, deve ser aplicada a regra prevista no inciso I do art. 195 do RIPI/2010 sempre que o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. Já o Parecer Normativo CST n° 44, de 1981, ao tratar do valor tributável para efeito de cálculo do IPI, assim dispôs sobre “mercado atacadista”, in verbis: Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 14 25 6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 7. Por isso, os preços praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do contribuinte interessado em encontrar o valor tributável do IPI através do preço corrente do mercado atacadista devem ser considerados para o cálculo da média ponderada de que trata o§ 5° do artigo 46 do RIPI/79. Ou seja, existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado. Devese levar em conta “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”. 9.1. Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. 9.2. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. 10. Dessa forma, as operações realizadas por este estabelecimento corresponderão ao “universo das vendas” a que se refere o Parecer Normativo CST n° 44, de 1981, e tais operações de compra e venda configurarão o “mercado atacadista” de que trata o inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Conclusão 11. Diante do exposto, na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto (sem similar para efeito de comparação de preços), o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. (grifos não constam no original) Fl. 761DF CARF MF 26 Caso se constate que a parte interdependente é o único fornecedor/distribuidor da praça do remetente ("mercado monopolista local"), o valor tributável mínimo aplicável será a média ponderada dos preços praticados por este distribuidor único para aquele produto. No presente caso, como já ressaltado, decidido em outras oportunidades e bem acentuado na SCI Cosit n° 8/12, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no art. 195, I, do RIPI/2010, em detrimento de arbitramentos de ofício, seja por meio do cálculo de ofício, portanto, arbitramento em relação ao cálculo feito pelo contribuinte, proposto pelo parágrafo único, do art.196; seja pelo arbitramento propriamente dito, do art. 197. Entender de outra forma, nos casos de interdependente adquirente como único distribuidor, seria negar a aplicação da regra de apuração direta da base de cálculo sobre o preço de venda efetivamente praticado. O "mercado atacadista" da praça do remetente (art. 195 RIPI/2010) é composto pelas vendas do mesmo produto "efetuadas pelos remetentes e pelos interdependentes do remetente [estes, caso existam], no atacado, na mesma localidade" (Ato Declaratório Normativo CST n° 5/1982). Do conceito de praça. Pelo já exposto, entendo não merecer reparos nos cálculos da fiscalização. O art. 47 do Código Tributário Nacional é expresso ao se referir ao preço "o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente". Em igual sentido, de maneira igualmente expressa, o inciso I do art. 195 do Decreto n° 7212/2010 (RIPI), ao tratar do valor tributável mínimo, referese ao "ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente'". Uníssonos e uniconcordes, como não poderiam deixar de ser, o Parecer Normativo CST n° 44/1981 e o Ato Declaratório Normativo CST n° 5/1982, cujo trecho a seguir se transcreve: "deverão ser consideradas as vendas efetuadas pelo remetente e pelos interdependentes do remetente". Harmoniosa com tal determinação legal também a Solução de Consulta Interna Cosit n° 8, de 13/06/2012: "o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único". A fixação da "regra do remetente" encontrou ressonância, ainda, na jurisprudência deste Conselho: Acórdão CARF n° 20216475, proferido em sessão de 09/08/2005, sob a relatoria da Conselheira Maria Cristina Roza da Costa. Ementa: "IPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INTERDEPENDÊNCIA. Aplicase o disposto no inciso I, letra “a”, c/c § 5° do art. 68 do RIPI/82, com a interpretação dada pelo ADN CSTn° 5/82, quando ocorrer interdependência entre fabricante e adquirente nos termos do art. 394, inciso IV, do RIPI/82. Recurso provido". Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 15 27 A respeito da ambiguidade do conceito jurídico, averbou DARCY ARRUDA MIRANDA JÚNIOR (fonte: Acórdão n.° 3401003.954): 'Podemos tomar a expressão Praça de Comércio em dois sentidos, um amplo e outro restrito. No primeiro sentido, é um centro onde as operações comerciais assumem grande vulto e enorme desenvolvimento e é assim que se fala em Praça de São Paulo, Praça do Rio, Praça de Belém etc.; no segundo, é o lugar onde os comerciantes se retinem para tratar de seus negócios, [...] A origem de tais institutos [praças e bolsas] perdese na névoa dos tempos, pois desde que existe o comércio, reuniões em determinados locais, das pessoas envolvidas no tráfego mercantil, para tratar de seus recíprocos interesses, nâ'o são, não foram e não serão incomuns. Foram conhecidas por emporium na Grécia, collegium mercatoum em Roma, Praça de Comércio ou Bolsa, em Portugal'. Também a contribuição de Fábio Ulhoa Coelho sobre o sentido de "praça" (fonte: Acórdão n.° 3401003.954): Também em razão do princípio constitucional da legalidade tributária, o contribuinte só está obrigado a mensurar o montante devido do tributo segundo os critérios estabelecidos em lei para a base de cálculo. Quando a lei tributária, ao estabelecer o critério de quantificação de certo tributo, valese, na identificação da base de cálculo, da expresso "praça" (e não de outras, como "mercado", "campo de atuação do comerciante", etc (33), ela está definindo o Município, ou sua fração, como elemento territorial na mensuração a ser feita pelo contribuinte e pela Administração Tributária. (...) Pelo que se demonstrou ao longo do Parecer, quem pesquisa a lei referente à matéria (Lei n° 4.502/64), bem como todos os seus sucessivos regulamentos, a jurisprudência e a maioria das decisões administrativas, não chega a outra conclusão sendo a de que o secular conceito de praça, adotado pelo direito comercial, como referência a Município, ou_ fração, é o critério para a construção do sentido da expressão contida no quesito. Quando o art. 195 do RIPI20I0 menciona, na definição do Valor Mínimo Tributável era operações entre partes interdependentes, a locução 'preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", cabe unicamente a interpretação de que se refere ao preço normalmente praticado entre os empresários que comercializam o produto entre si (excluindo, portanto, os das vendas aos consumidores) no Município em que o estabelecimento remetente encontrase situado. Qualquer outra interpretação representa uma reinvenção do conceito de praça, tal como secularmente empregado pelo direito comercial." (seleção e grifos nossos). Fl. 763DF CARF MF 28 Certo é que o direito tributário não definiu objetivamente o significado de "praça", para fins de aferição do VTM. Não por outra razão emergemse variantes interpretativas que, buscando apoio em outros ramos do direito, acabam por apresentarem fundamentos e conclusões divergentes entre si, frutos de visões relativas, ainda que, r.g., ancoradas em fundadas interpretações, igualmente válidas juridicamente. Assim, não obstante a validade fática e jurídica dos precedentes trazidos pela recorrente, deles não me vinculo, fazendo a seguir minhas próprias considerações. Para o presente lançamento tributário, no caso específico das circunstâncias de mercado em que inseriamse os atores únicos e exclusivos, o conceito de praça não exerce maior influência, pois, entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida e da Solução de Consulta Interna Cosit n° 8, de 13 de junho de 2012) que, na hipótese de existir no mercado atacadista apenas um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto, o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante remetente corresponde aos próprios preços praticados pelo distribuidor único adquirente, nas vendas por atacado do citado produto, até porque, tratandose de distribuidor monopolista, restam esses preços como sendo os preços correntes do mercado atacadista, aplicável às praças do adquirente e do remetente, independente do entendimento restritivo de praça como a circunscrição territorial do município onde situase o adquirente ou o remetente. O art. 15, da Lei n° 4.502/64, estabelece que o valor tributável, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica ou a estabelecimento de terceiro interdependente, não poderá ser inferior ao 'preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente', restando em situações como a presente, existindo no mercado atacadista apenas o interdependente como único distribuidor, descritas na SCI Cosit n° 8/12, a adoção do único preço praticado no mercado atacadista, pois, monopolizado pelo distribuidor interdependente, ditando o preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente. Como bem acentuado na SCI Cosit n° 8/12, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no art. 195, inc., I, do RIPI/2010. Entender de outra forma, nos casos de interdependente adquirente como único distribuidor, seria negar a aplicação da regra de apuração direta da base de cálculo sobre o preço de venda efetivamente praticado, ainda que inequívoco, pois, monopolizado por um único vendedor, entendendo inexistente o preço corrente no mercado atacadista do remetente, quando estes estiverem situados em 'praças' ou municípios distintos, aplicandose, como regra, as subsidiárias bases de cálculo indiretas, calculadas na forma das normas do parágrafo único, do art. 196 e no art. 197, do RIPI/2010, não resultando esta na interpretação mais adequada ou em consonância com a finalidade antielisiva das normas: garantir que as saídas dos produtos entre empresa fabricante e comercial interdependente sejam tributados, no mínimo, pelo valor efetivamente praticado no mercado atacadista. Assumir a posição proposta, seria negar a finalidade da norma e o valor do preço efetivamente praticado no mercado atacadista, em detrimento de arbitramentos de ofício. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 16 29 Assim sendo, diante dos preços únicos, praticados por distribuidor único, nas vendas por atacado do citado produto, resta analisar a sistemática de apuração do preço mínimo tributável utilizado pela fiscalização. No caso em análise, a Recorrente enviou seus produtos exclusivamente a CBC Brasil, o que por si só já justifica a apuração do valor tributável mínimo VTM a partir da saída de sua distribuidora quase que exclusiva. O preço será do estabelecimento atacadista, apurado no mês anterior ao de saída do estabelecimento remetente e aplicado às saídas deste estabelecimento (remetente), conforme preceitua o artigo 195, inciso I, do Decreto n° 7.212, de 2010 RIPI. Apenas para deixar ainda mais claro, como ficou configurada a relação de interdependência e, no caso em análise, a Recorrente possui praticamente um único mercado atacadista na mesma praça, que é CBC Brasil, a partir do preço de saída desta deve ser considerado o valor tributável mínimo. Na espécie, uma vez configurada a interdependência, nos exatos termos da legislação do IPI, cabe ao Auditor Fiscal da RFB aplicála. O lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada, consoante dispõem os arts. 3° e 142, parágrafo único, do CTN, logo a autoridade fiscal deve obrigatoriamente observar a legislação específica, ao apurar os valores que compõem o crédito tributário, não podendo negar aplicação a lei ou ato normativo em vigor. Intrinsecamente, tenho que "praça", na acepção do artigo 195, I, do RIPI/2010, deve representar a região onde o preço do produto será o mesmo em qualquer parte desse território, sem interferência externa como frete, seguro, comissões, entre outras despesas, que, em se existindo, provocaria um desnivelamento do preço a ser comparado, não havendo que se falar, a meu ver, em limite geográfico, genericamente estabelecido. Ademais, repitase, não se vislumbra, na letra da Lei, qualquer definição objetiva referente ao termo "praça comercial", tampouco menção territorial que a limite ao espaço de Município. Sob esse diapasão, convidase a seguinte reflexão: Tomase a situação de dois irmãos. Dois jovens, prematuros empreendedores que resolvem tentar a sorte assumindo o risco de um negócio, cada qual em sua área. O primeiro irmão se apropria de uma receita de empanadas de sua avó, monta uma carrocinha toda enfeitada, com direito a toldo e letreiro luminoso, e a posiciona em uma praça movimentada que é confluência de um grande número de transeuntes, além de possuir naquele local diversos prédios públicos e pontos comerciais. O segundo irmão opta por comprar chinelos e sandálias e enfeitálos com missangas e outros badulaques e ofertalos em páginas de ecomerce na internet. Ambos obtém sucesso. O primeiro consegue uma freguesia cativa daqueles que trabalham naquela quadra, além de angariar diariamente um sem número de compradores transeuntes que passam por aquele ponto, nas mais diversas horas do dia. Fl. 765DF CARF MF 30 O segundo, inusitadamente, tem 90% der suas vendas concentradas na localidade de Pantai Nampu, na Indonésia, uma vez que seu produto caiu nas graças das adolescentes daquele lugar e passou a ser a febre do último verão. Se partimos de um conceito hermético de “praça”, ancorado em sua concepção inicial formulada pelo Código Comercial de 1.850, calcada no critério de localidade geográfica, fica inviável conjugar os dois exemplos sob esse mesmo denominador comum. Isso porque no primeiro exemplo, a “praça” das empanadas é literalmente uma praça. Já no segundo exemplo, as vendas estão concentradas em uma localidade do outro lado do planeta. As novas tecnologias tornaram o planeta uma “aldeia global”, sendo capaz de conectar instantaneamente duas localidades, por mais equidistante que estejam. Sistemas interligados de logística, apoiados em um sistema de transporte de carga multimodal, garantem a eficaz dispersão de mercadorias através do Comércio Internacional, O Código Comercial de 1.850 foi concebido em uma sociedade agrária e escravagista que se servia de tropas de mulas para transporte de cargas, servindose inclusive de rotas traçadas pelos indígenas. A própria Via Dutra, que ligou os dois maiores polos urbanos do Brasil, foi construída em cima de uma antiga rota indígena. Partindo dessa premissa, temos que no contexto atual o conceito de praça de comércio não deve mais ser atrelado a um único critério geográfico território de Município . Outros fatores que integram a operação, a depender da situação, são tão ou mais importantes para se estabelecer o novo critério de “praça” a saber: produto, concorrência, exclusividade, região de destino, etc. Logo, dentro do novo paradigma de “aldeia global”, arriscase a afirmar que a praça do produto é onde a sua presença alcança. Em se tratando de mercado monopolizado, o preço praticado será único, sendo determinado pelo atacadista, único distribuidor, que detém o poder de lançar, distribuir o produto para o mercado consumidor. Na espécie, temos um mercado atacadista formado por uma única empresa, CBC Brasil, quem determina o preço desse mercado, ainda que situado em cidade diversa da unidade produtora, sua interdependente. Portanto, CBC Brasil compõe com exclusividade o marcado atacadista dos produtos que comercializa, porquanto única distribuidora, com quem mantém relação de interdependência, razão pela qual estão inseridas na mesma praça comercial, para fins do art. 195, I, do RIPI/2010. Nesse caso, a consideração do preço de saída do distribuidor interdependente e único é o parâmetro acertado para o valor tributável mínimo (VTM), nos termos da SCI: os próprios preços praticados por esse distribuidor único. Resta cristalino que, em se havendo no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante, o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado. Transcrevese excertos do Acórdão 3401003.954 4a Câmara/1a Turma Ordinária, de 29 de agosto de 2017, processos n° 18470.720682/201594 da relatoria do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, cujo teor bem ilustra e converge com os fundamentos uso expostos : Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 17 31 No presente caso, entendo mesmo inócua a interpretação restritiva pretendida, sobre o conceito de 'praça', entre os municípios do Rio de Janeiro/RJ e de São João de Meriti/RJ, pois, o monopólio da distribuição garante à empresa Delly Distribuidora a fixação dos preços, em todo mercado atacadista, não existindo outros distribuidores dos mesmos produtos à formar preços distintos. Como bem acentuado na SCI Cosit n° 8/12, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no art. 136, inc. I, do RIPI/2002, e art. 195, inc., I, do RIPI/2010. Citese ainda excertos do Acórdão n° 3101001.806 1a Câmara 1a Turma Ordinária, de 24 de fevereiro de 2015, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes: No presente caso, tratase de produto industrializado por Memphis Industrial, possuindo características específicas, identificados por códigos próprios, de forma a distinguilos de produtos de marcas fabricadas por outras empresas do mesmo setor. Neste caso, estando a primeira distribuição destes bens restrita às empresas comerciais interdependentes, não alcançando pessoas jurídicas independentes, há mercado atacadista e o Valor Tributável Mínimo será determinado a partir das vendas efetuadas pelo interdependente, nos termos do que definido pela Solução de Consulta Interna COSIT n° 08/2012 (Grifo nossos) Improcedência e ilegalidade da multa de ofício Vedação ao Confisco Multa de ofício. Previsão legal e percentual. O litigante investe contra a aplicação da multa qualificada de 75%, que diz ser confiscatória e injustificada. O dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351 DE 22 DE JANEIRO DE 2007 DOU DE 22/1/2007 Edição extra) Alterada pela LEI Nº 11.488 DE 15 DE JUNHO DE 2007 DOU DE 15/5/2007 Edição extra I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 767DF CARF MF 32 (…)” (Grifouse.) A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 75 % o legalmente previsto para a situação descrita no Termo de Verificação Fiscal, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre os valores do imposto não recolhido, rejeitandose a contestação de que não haveria previsão legal para tanto. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Legalidade da Cobrança dos Juros sobre a Multa A matéria já se encontra pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através de Súmula. Súmula CARF n° 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13005.721188/201781 Acórdão n.º 3302006.111 S3C3T2 Fl. 18 33 Com estas considerações, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Jorge Lima Abud. Fl. 769DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001289/2005-54
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A inexistência de dissídio jurisprudencial, caracterizada pela ausência de similitude fática e pela indicação de dispositivos legais distintos, que conferem aos tributos regimes também diferentes, impede o conhecimento e processamento do recurso especial interposto.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora, calculados de acordo com a taxa SELIC.
Numero da decisão: 9101-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à incidência dos juros de mora calculados pela taxa SELIC sobre a multa de ofício e, no mérito, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A inexistência de dissídio jurisprudencial, caracterizada pela ausência de similitude fática e pela indicação de dispositivos legais distintos, que conferem aos tributos regimes também diferentes, impede o conhecimento e processamento do recurso especial interposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora, calculados de acordo com a taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à incidência dos juros de mora calculados pela taxa SELIC sobre a multa de ofício e, no mérito, na parte conhecida, acordam em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 89 /2 00 5- 54 Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional contra o acórdão nº 101 96.858, de 13 de agosto de 2008, em que a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para, por unanimidade de votos, cancelar as exigências a título de PIS e de COFINS e admitir a compensação dos prejuízos fiscais remanescentes, apurados nos anoscalendário de 1989 a 1998, sem a limitação de 30% e, por maioria de votos, afastar a aplicação dos juros de mora sobre a multa por lançamento de ofício. A matéria em discussão nos autos diz respeito a infrações no âmbito do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, decorrentes das seguintes irregularidades: IRPJ 1. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL 1.1 Adição de provisão para devedores duvidosos em valor inferior, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 271/272. 1.2 Excesso de despesas com previdência privada glosa de valor superior aos 20% permitidos, consoante demonstração constante do Teimo de Verificação Fiscal às fls. 269/271. 2. EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Exclusão indevida do créditoprêmio de exportação na apuração do lucro real, consoante demonstração constante do Termo de Verificação Fiscal às fls. 266/269. PIS (fls. 249/252): Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 4 3 1 FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS Omissão de receitas relativa aos valores do créditoprêmio exportação que o contribuinte deixou de oferecer à. tributação, consoante demonstração constante do Termo de Verificação Fiscal às fls. 266/269. COFINS (fl. 253/256): 1 FALTA/INSUFICIÊNCIA DA COFINS Omissão de receitas relativas aos valores do créditoprêmio exportação que o contribuinte deixou de oferecer a tributação, consoante demonstração constante do Termo de Verificação Fiscal às fls. 266/269. CSLL (fls. 239/241 e 257/263): 1. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Referente a adição de provisão para devedores duvidosos em valor inferior, conforme está demonstrado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 271/272). 2. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LIQUIDO Relativa à exclusão indevida do créditoprêmio exportação e de excesso de despesas com previdência privada (despesas indedutíveis), da base de cálculo da CSLL, consoante demonstração constante do Termo de Verificação Fiscal às fls. 266/269. Com a ciência das autuações, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 284, cujo principal argumento foi de que os créditosprêmio de IPI não são receitas de exportação e, portanto, não se sujeitam à tributação, além do fato de que a empresa possuía projetos aprovados desde 1998 no âmbito de incentivos fiscais do BEFIEX. A 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve, na íntegra, os lançamentos efetuados. Com a ciência da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 486 e seguintes), no qual, em síntese, alegou: que a fiscalização não contestou, em momento algum, a validade do Programa BEFIEX, isto é, não há qualquer discussão nos autos acerca do cumprimento das metas estabelecidas nos termos de compromissos referentes ao programa firmado pela recorrente; tampouco houve contestação quanto à existência de direito a isenção do IRPJ e da CSL no âmbito do referido programa; também não foi objeto de questionamento a validade do créditoprêmio de IPI, nem quanto à existência desse direito, muito menos quanto à forma de aproveitamento do benefício fiscal; Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 5 4 destarte, todas as questões acima mencionadas são incontroversas e não podem ser objeto de discussão nos presentes autos, sob pena de inovação do feito, vedada pela legislação em vigor e pela jurisprudência; o único argumento utilizado pela fiscalização, no que diz respeito às exigências do IRPJ e da CSL, é que os créditos em questão não estariam abrangidos pela isenção concedida no âmbito do Programa BEFIEX; com relação à contribuição para o Pis e a Cofins, o Sr. AFRF considerou que os ingressos decorrentes do créditoprêmio de IPI seriam receitas novas para a recorrente, razão pela qual seriam tributáveis por tais contribuições; no que tange ao IRPJ e à CSL foi demonstrado que os valores aproveitados a título do créditoprêmio, embora contabilizados como receita operacional, poderiam ser excluídos da base de cálculo de tais tributos, haja vista que compunham o resultado decorrente das exportações, o qual é isento de tributação, nos termos da legislação que rege os benefícios fiscais relativos ao Programas BEFIEX; no que se refere a contribuição para o Pis e a Cofins, a recorrente evidenciou tratarse de transferências patrimoniais que não se confundem com receitas e que por isso não devem ser tributadas pelas referidas contribuições; finalmente, a recorrente requereu que, na hipótese de manutenção das glosas, total ou parcialmente, fosse reconhecida a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSL. E com relação a parte desses resultados negativos, requereu a compensação sem a "trava" dos trinta por cento, haja vista que uma parcela dos prejuízos em questão foi apurada no âmbito do Programa BEFIEX. Ao apreciar o recurso voluntário, a Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento parcial para cancelar as exigências a título de PIS e de COFINS e admitir a compensação dos prejuízos fiscais remanescentes, apurados nos anos calendário de 1989 a 1998, sem a limitação de 30%, além de, por maioria de votos, afastar a aplicação dos juros de mora sobre a multa por lançamento de oficio, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoscalendário: 2000 a 2002 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Deficiências no enquadramento legal não inquinam de nulidade o auto de infração se a descrição dos fatos for de modo a permitir o perfeito conhecimento da acusação. CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. PROGRAMAS BEFIEX. Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 6 5 Para os projetos aprovados a partir de 01/01/88, não obstante o valor do crédito prêmio represente receita de exportação, não há previsão legal para sua exclusão do lucro líquido, devendo ser computado para fins de lucro da exploração relativo à atividade incentivada, para fins de tributação por alíquota reduzida (se aprovados ou apreciados pelo CDI entre 01/01/88 e 19/05/88), ou são tributados alíquota normal (programas apreciados após 20/05/88). RECEITAS OPERACIONAIS. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. Os valores das receitas operacionais, ainda que decorrentes de estímulo à exportação, integram o lucro líquido do período em que ocorre sua disponibilidade econômica ou jurídica, e só podem ser excluídos, para fins de tributação, se houver previsão expressa na legislação ou determinação judicial nesse sentido. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DE BASES NEGATIVAS DE CSLL. EMPRESAS TITULARES DE PROGRAMAS BEFIEX. Os prejuízos apurados na vigência do programa podem ser compensados no prazo de seis anos, desde sua apuração, sem limitação de 30%. Após esse prazo, considerando que, pela legislação em vigor, os prejuízos se tornaram imprescritíveis, o saldo não compensado pode ser utilizado para compensações, porém observando o limite de 30%. Para as bases de cálculo negativas de CSLL não há previsão na legislação para afastar o limite. PIS E COFINS. CRÉDITO PREMIO DE IPI. PROGRAMAS BEFIEX. Não obstante representar receita de exportação, o crédito prêmio tem a natureza de recuperação de custos, não estando compreendido no conceito de faturamento. Por conseguinte, sua inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS está amparada no alargamento do conceito de faturamento trazido pelo § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98, e não pode subsistir em face da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, desse dispositivo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, nos termos do art. 61 da Lei n.° 9.430/96, e sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Inaplicável a incidência da taxa Selic e dos juros do art. 161 do CTN sobre a multa de ofício. Ainda, é vedado ao órgão administrativo julgador inovar o lançamento efetuado. Com a ciência da decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 733), em que questionou dois pontos da decisão: a) possibilidade de incidência de PIS e COFINS sobre receitas decorrentes de créditoprêmio de exportação; Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 7 6 b) incidência de juros sobre multa de ofício. O recurso especial fazendário foi analisado pelo despacho de fls. 788, que lhe deu integral seguimento. Por seu turno, ao tomar ciência da decisão, o contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 801), sob os argumentos de que a decisão teria inovado os fundamentos do lançamento e se omitido em relação às informações passadas pela embargante durante os procedimentos de fiscalização. Ato contínuo, o contribuinte também apresentou contrarrazões (fls. 814) ao recurso especial da Fazenda Nacional, em que questiona o conhecimento do apelo, posto que o fundamento da autuação já teria sido declarado inconstitucional pelo STF, ante o alargamento indevido das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo legislador ordinário. Quanto ao mérito, o contribuinte discorre sobre os elementos do conceito de receita para concluir que o créditoprêmio de IPI é uma subvenção econômica, destinada aos produtoresexportadores de mercadorias nacionais e que consiste em um crédito financeiro calculado com base no valor da exportação, como forma de ressarcimento dos tributos incidentes nas etapas produtivas anteriores à venda para o exterior. Nesse contexto, defende que os valores ingressados no patrimônio a título de créditoprêmio não possuem natureza jurídica de receitas, pois decorrem da lei que instituiu o beneficio, de sorte que não é a exportação que enseja o seu pagamento, mas sim o dispositivo legal que previu tal incentivo. Por fim, o contribuinte, ainda em contrarrazões, pugna pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício. Os embargos de declaração do contribuinte foram inicialmente aceitos, conforme despacho de fls. 850. Posteriormente, sobreveio outro despacho (fls. 853), que os rejeitou. Ao perceber o erro in procedendo, o Presidente da 1a Câmara da 1a Seção do CARF, mediante decisão de fls. 859, entendeu que o segundo despacho não poderia prevalecer, porque contraditório ao anterior, que não foi expressamente revogado, razão pela qual o superveniente foi declarado nulo, de ofício, com o encaminhamento dos autos para apreciação dos embargos do contribuinte. Em 02 de março de 2016, os embargos foram julgados pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, que proferiu o acórdão n. 1302001.800 e decidiu, por unanimidade de votos, rejeitálos. O contribuinte interpôs novos embargos de declaração (fls. 1.006), sob os argumentos de superveniência de questão de ordem pública e de erros de fato na decisão. Os embargos foram analisados pelo despacho de fls. 1.072, que os rejeitou. Na sequência, o contribuinte apresentou recurso especial (fls. 1.091), em que indicou a existência de diversos dissídios jurisprudenciais em relação às matérias discutidas no processo e mantidas pelo acórdão do CARF. Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 8 7 O recurso foi analisado pelo despacho de fls. 1.390, que não o conheceu. Inconformado, o contribuinte apresentou agravo, reiterando os termos do recurso especial e pugnando pelo seu seguimento integral. O agravo foi apreciado pela Presidência do CARF (fls. 1.463), que decidiu confirmar a negativa de seguimento ao recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Inicialmente, convém ressaltar que só se encontra sob julgamento o recurso especial fazendário, posto que, conforme relatado, ao recurso especial do contribuinte foi negado seguimento, em caráter definitivo, nos termos da decisão proferida em sede de agravo pela presidência do CARF. O recurso especial da Fazenda Nacional, por sua vez, foi admitido, conforme despacho de fls. 788, e o contribuinte, em contrarrazões, defendeu que este não deve ser conhecido, por não atender aos preceitos regimentais. Passo, então, a análise de seus pressupostos. Como se sabe, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. A Fazenda Nacional, em seu recurso, questiona, como relatado, dois pontos de divergência: a) possibilidade de incidência de PIS e COFINS sobre receitas decorrentes de créditoprêmio de exportação; Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 9 8 b) incidência de juros sobre multa de ofício. A primeira matéria recorrida foi sintetizada pela recorrente nos seguintes termos (destaques no original): DO FUNDAMENTO DE VALIDADE DA INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS SOBRE A RECEITA DECORRENTE DO CRÉDITOPRÊMIO DO IPI O r. acórdão ora recorrido entendeu que a receita advinda do crédito incentivado de IPI, enquanto receita operacional, não deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da COFINS, haja vista que o alargamento concedido pela Lei n° 9.718/1998 fora declarado inconstitucional pelo STF em sede de controle difuso. Inferese, assim, que o julgado soluciona a questão cotejando o conceito de receita à atividade do contribuinte. Considera que receita é aquilo que decorre somente da venda de bens ou de bens e serviços. Em razão disso, afasta a possibilidade de se entender o montante ressarcido/compensado a titulo de crédito incentivado de IPI como receita. Tal posicionamento, apesar de respaldado em antiga jurisprudência do STF, não se conforma à definição atual de receita propalada pela doutrina moderna. É importante ter em mente que o conceito de receita vem sendo reformulado dia após dia, e não se pode negar que a tendência é ampliar sua interpretação. (...) Ora, parece que a intenção da doutrina moderna vem sendo a de entender a palavra receita como aquele ingresso que represente um plus jurídico em favor do contribuinte, esteja ou não sua origem relacionada A atividade fim da empresa, ou ainda, seja ou não decorrente de esforço do contribuinte. Não é de modo algum impróprio, desta feita, considerar um crédito concedido legalmente em favor de empresas que realizem determinadas atividades empresariais como receita, principalmente se ele decorre de forma direta de sua atividade principal. É exatamente isso que ocorre com o crédito incentivado de IPI. São créditos oriundos de incentivo para empresas que realizam específica atividade, no caso, a de exportação. Neste ponto, cumpre asseverar que o próprio STF ainda não fechou de modo definitivo o conceito de receita para fins de incidência do PIS e da COFINS, tanto assim que em voto da lavra do Ministro Cezar Peluzo, a Corte (2a Turma), precisamente por ocasião do julgamento de Embargos de declaração no RE 444.6014/RJ, decidiu que o conceito de receita bruta para fins de incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 10 9 serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais. Nesse ponto, o apelo fazendário indicou o Acórdão nº 20179.962, que trata de crédito presumido de IPI, assim ementado: Processo n: 11065.003858/200420 Recurso n: 130.414 Acórdão n: 20179.962 Recorrente: INDÚSTRIA DE PELES MINUANO LTDA. Recorrida: DRJ em Porto Alegre RS PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência de PIS e de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. A receita relativa ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363/96, apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação e contabilizada como receita operacional, deverá ser oferecida à tributação do PIS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária e/ou juros sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa. Em contrapartida, o contribuinte aduz que o recurso não merece ser conhecido quanto a este ponto, visto que o caso dos autos difere daquele analisado no paradigma. Com efeito, a própria Fazenda Nacional reconhece que as figuras analisadas nos dois processos são distintas e possuem matrizes jurídicas diversas, pois o acórdão paradigma trata do crédito presumido de IPI, estabelecido pela Lei nº 9.363/96, enquanto que o acórdão recorrido cuida do créditoprêmio de IPI, criado pelo DecretoLei nº 491/69, décadas antes daquela primeira figura. Contudo, a Recorrente aduz que ambos se enquadram no conceito de "crédito tributário incentivado" e seriam espécies de subvenções econômicofinanceiras, nos termos do art. 12, § 3°, da Lei nº 4.320/64, bem como receitas operacionais na forma do art. 44, IV, da Lei n° 4.506/64 e do art. 392 do RIR/99. Entendo que não assiste razão à Recorrente, pois resta evidente que os acórdãos versam sobre normas tributárias distintas, em confronto com o que preconiza o art. 67, § 1º, do RICARF. Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 11 10 O créditoprêmio de IPI, instituído a partir dos arts. 1o e 5o do DecretoLei nº 491/69, época em que sequer existiam as contribuições para o PIS e a COFINS, tem a seguinte característica: Art. 1º As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozarão, a título estimulo fiscal, créditos tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento de tributos pagos internamente. (...) Art. 5º É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. Por outro lado, o crédito presumido estabelecido pela Lei nº 9.363/96 foi especificamente desenhado para as referidas contribuições, como se pode depreender do art. 1o do referido diploma legal: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Além da evidente distinção nas matrizes jurídicas, a situação fática dos dois processos também não guarda qualquer semelhança. No acórdão paradigma o caso versava sobre compensação de débito de contribuição social com créditos de PIS nãocumulativo decorrentes de operações de exportação. Já no caso dos autos cuidase, como visto, de autuação fiscal na qual PIS e COFINS seriam reflexos das autuações a título de IRPJ e CSLL, com fundamento no fato de que o contribuinte, ao receber créditosprêmio de IPI decorrentes de adesão ao BEFIEX, não os ofereceu à tributação, circunstância que levou a autoridade fiscal aos lançamentos ora questionados, por entender que a partir da edição da Lei nº 9.718/98 essas contribuições passaram a incidir sobre toda e qualquer receita, independentemente da denominação ou classificação contábil. Vejase que, no ponto, temse por irrelevante a circunstância de que as duas decisões teriam considerado, para fins de classificação, tais incentivos como receitas, até porque não se pode desconsiderar que no paradigma analisouse a incidência do PIS no regime de não cumulatividade, enquanto que no presente caso tratase da possibilidade de incidência Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 12 11 de PIS e COFINS sob o regime cumulativo, o que também denota a presença de matrizes jurídicas completamente distintas. Diante disso, resta evidente que não foi demonstrada a divergência jurisprudencial necessária para o processamento do recurso especial, não devendo ser conhecido o apelo fazendário nessa matéria. No que tange ao segundo ponto de debate, aduz a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido discrepa da jurisprudência deste CARF em relação à possibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício, com a indicação de dois paradigmas, acórdãos n° 910100.539 e CSRF/0400.651, cujas ementas, na parte que nos interessa, foram assim redigidas, respectivamente: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à Selic. e JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Diante disso, constatase que a Recorrente logrou êxito em demonstrar a divergência jurisprudencial, posto que os paradigmas aceitaram a incidência dos juros de mora, calculados de acordo com a taxa SELIC, enquanto que o recorrido afastou tal possibilidade, tudo com base nos mesmos dispositivos legais. Portanto, quanto a este segundo ponto, reconheço a similitude e o dissídio interpretativo indicados pela Fazenda Nacional e voto por conhecer do recurso especial apresentado. Quanto ao mérito, a questão que remanesce é amplamente conhecida e debatida no âmbito deste CARF e diz respeito à possibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício, que foi afastada pelo acórdão recorrido. Nesse caso, a exigência deve ser restabelecida, haja vista que a matéria encontrase atualmente pacificada no âmbito deste E. Conselho, a partir da recente edição da Súmula CARF nº 108, que dispõe: Súmula CARF nº 108 Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 13 12 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso fazendário, apenas quanto à incidência dos juros de mora calculados pela taxa SELIC sobre a multa de ofício e, na parte conhecida, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720263/2016-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
CSLL. GLOSA DE EXCLUSÕES NA APURAÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. RECEITAS SUJEITAS AO REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL (RET). COMPROVAÇÃO.
Comprovado que a exclusão de valores na apuração do lucro líquido ajustado, base de cálculo da CSLL, refere-se a receitas submetidas ao RET da Lei 10.631/2004, deve ser cancelada a exigência.
Numero da decisão: 1201-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 CSLL. GLOSA DE EXCLUSÕES NA APURAÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. RECEITAS SUJEITAS AO REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL (RET). COMPROVAÇÃO. Comprovado que a exclusão de valores na apuração do lucro líquido ajustado, base de cálculo da CSLL, referese a receitas submetidas ao RET da Lei 10.631/2004, deve ser cancelada a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 63 /2 01 6- 32 Fl. 504DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 3 2 1. Tratase de processo administrativo decorrente de auto de infração lavrado para a cobrança de CSLL, referente ao anocalendário de 2012, no montante de R$ 5.801.236,55, com o acréscimo de juros de mora e multa de ofício de 75%. 2. Em síntese, a infração apontada pela fiscalização consiste na suposta exclusão indevida a título de receitas do Regime Especial de Tributação (RET). A DIPJ do anocalendário de 2012 demonstra que a contribuinte ofereceu à tributação o montante de R$ 63.963.929,61 pelo RET e as exclusões remontam R$ 94.710.405,40 (DIPJ Retificadora não transmitida). A autoridade fiscalizadora conclui, então, que somente as receitas correspondentes ao RET confessadas em DCTF (R$ 63.963.929,61) poderiam ser excluídas para fins de apuração do lucro real. 3. Valendose dos números apresentados pela contribuinte, com exceção das exclusões relativas ao RET, a autoridade lançadora apurou a base de cálculo relativa ao período de 2012 no importe de R$ 30.803.075,47, sobre o qual aplicou as alíquotas da CSLL. Do valor apurado, subtraiu as importâncias pagas a título de CSLL por estimativa, no importe de R$ 2.925,71. Desta forma, formalizou o crédito tributário no valor de R$ 5.801.236,55, composto pela exigência da CSLL no valor de R$ 2.769.351,04, multa no importe de R$ 2.077.013,28 e juros de R$ 954.872,23. 4. Em análise das declarações apresentadas pela contribuinte (DIPJ e DCTF), a fiscalização detectou as seguintes inconsistências, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 379/389): “O contribuinte, apurou o seu lucro na sistemática do Lucro Real Anual, e nada informou na DIPJ sobre valores de IRPJ por Estimativa. Da mesma forma, nenhum valor de estimativa foi confessado em DCTF como também nada foi recolhido em DARF em nenhum código de IRPJ. No entanto, na mesma DIPJ, na Ficha 12 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – ajuste anual, o contribuinte informou na Linha 22. Imposto de Renda a Pagar o valor de R$ R$ 6.246.717,87. Analisamos a DCTF entregue pelo contribuinte bem como os recolhimentos do grupo Imposto de Renda Pessoa Jurídica e nada foi encontrado. Esta análise se encontra na planilha anexa “Diferenças Encontradas IRPJ e CSLL J J Rodrigues” INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES (...) O contribuinte preencheu uma DIPJ retificadora a qual submete à fiscalização, onde apresenta os saldos devidos e pagos de IRPJ e CSLL através dos comprovantes de pagamento nos códigos 2484 CSLL e 2362 IRPJ, sendo estes impostos pagos na forma de estimativa conforme apuração anexa. Como atendimento à intimação, o contribuinte apresentou nos anexos 8, 9 e 10, as planilhas de cálculo e comprovantes de pagamento do imposto unificado pelo RET – Patrimônio de Fl. 505DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 4 3 Afetação referente aos três empreendimentos, comprovando assim os recolhimentos do código 4095 referente aos três empreendimentos. Constatamos que os recolhimentos efetuados no código 4095, referentes aos três empreendimentos perfizeram o montante de R$ 3.837.835,77 em 2012. Quanto às correções pretendidas por ele na DIPJ “retificadora” não transmitida, fizemos uma planilha comparativa entre a DIPJ original (objeto da revisão) e a pretendida retificadora, transcrita abaixo: Analisando as correções pretendidas pelo contribuinte, a L03 da retificadora é maior que a original, favorável ao fisco. Nada a observar quanto às adições, visto que tanto a L06 quanto à L33 são maiores que a DIPJ original. No entanto, a exclusão da L67 – Receitas tributadas pelo RET no valor de 94 milhões devem ser comparadas com as receitas constantes dos Anexos 8, 9 e 10 do atendimento ao Termo Nº 1. Nesses anexos referentes aos empreendimentos realizados pelo contribuinte em 2012, constam as receitas tributadas pelo RET mês a mês em cada empreendimento e o valor de RET a ser recolhido também em todo o período de 2012. Consultando a DCTF do contribuinte constatamos que somente os valores de RET correspondentes às receitas abaixo foram confessados. Somente as receitas que efetivamente foram tributadas pelo RET poderão ser excluídas. (...) Serão reconhecidas pela fiscalização somente o valor da exclusão de R$ 63.963.929,61. A L87 também não será considerada, pois veio desacompanhada de qualquer comprovação. O Lucro Real então será: Fl. 506DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 5 4 (...) Notese que o contribuinte apresentou comprovante de um recolhimento de Contribuição Social por Estimativa realizado que será́ considerado. A Contribuição Social a Pagar da Declaração de Ajuste será́: (…) Em vista das irregularidades apontadas neste termo, fica o contribuinte, desde já, intimado a efetuar as correções devidas na parte B do LALUR e demais registros contábeis”. 5. Cumpre ressaltar que, o procedimento fiscal se desdobrou em dois processos administrativos fiscais relativos ao anocalendário de 2012: (i) Processos nº 19515.720263/201632, referente a exigência de CSLL e (ii) Processo nº 19515.720262/201698, referente a exigência de IRPJ. 6. Devidamente intimada (AR de 03/05/2016, fl. 402), a Contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 407/433), na qual trouxe as seguintes razões de Fl. 507DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 6 5 defesa: (i) no Regime Especial de Tributação as receitas são tributadas no regime de caixa e, por sua vez, na contabilidade devem ser reconhecidas no regime de competência; (ii) toda a sua receita operacional está submetida ao RET; e (iii) o erro cometido pela contribuinte no preenchimento de declaração não é suficiente para a lavratura de auto de infração que distorce a natureza de suas receitas. Por fim, requer seja realizada perícia para confirmar que todas as receitas excluídas na DIPJ retificadora dizem respeito efetivamente ao RET e, por consequência, declarada a invalidade do lançamento. 7. Em sessão de 22 de março de 2017 a 3ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1464.795 (fls. 481/495), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 CSLL. GLOSA DE EXCLUSÕES NA APURAÇÃO DO LUCRO LIQUIDO AJUSTADO. RECEITAS SUJEITAS AO REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL RET (Lei 10.631/2004). COMPROVAÇÃO. Comprovado que a exclusão de valores na apuração do lucro liquido ajustado, base de calculo da CSLL, referese a receitas submetidas ao RET da Lei 10.631/2004, cancelase a exigência. Impugnação Procedente Credito Tributário Exonerado”. 8. Diante da documentação acostada aos autos, a DRJ exonerou o crédito exigido ao concluir que (i) a contribuinte fez prova de que quase a totalidade de suas receitas estavam submetidas ao RET em 2012 e (ii) ainda que a totalidade não esteja absolutamente comprovada, o correto seria tributar eventuais diferenças no RET e não no regime do lucro real. 9. Cientificada da decisão (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem em 11/04/2017, fl. 499) a Contribuinte não interpôs Recurso Voluntário. 10. Diante da exoneração do sujeito passivo do pagamento de tributo em limite superior ao fixado na Portaria MF nº 63 de 2017, foi interposto Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 11. Para analisar a admissibilidade do recurso de ofício devese considerar o teor do artigo 1º, da Portaria MF nº 63/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total Fl. 508DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 7 6 superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. 12. No caso em tela, o valor exonerado (R$ 2.769.351,04) supera o limite estabelecido pela norma em referência de 2,5 milhões. Portanto, concluo que o recurso de ofício é cabível, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Premissas Técnicas sobre o Regime Especial de Tributação 13. Por considerar imprescindíveis para o desenrolar do presente julgamento, trago ponderações acerca do Regime Especial de Tributação (RET), previsto na Lei nº 10.931/04, regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 934/2009, posteriormente revogada pela vigente Instrução Normativa RFB nº 1.435/2013. 14. O RET é um regime aplicável às incorporações imobiliárias, em caráter opcional e irretratável, conforme artigo 1º da Lei nº 10.931/2004, verbis: Art. 1º Fica instituído o regime especial de tributação aplicável às incorporações imobiliárias, em caráter opcional e irretratável enquanto perdurarem direitos de crédito ou obrigações do incorporador junto aos adquirentes dos imóveis que compõem a incorporação. (grifos nossos) 15. A Lei nº 10.931/2004 estabelece uma série de contrapartidas para as incorporadoras que optem pelo benefício fiscal do RET como (i) a impossibilidade de sujeitar créditos deste regime especial a parcelamento fiscal; (ii) elaboração de escrituração contábil individualizada para cada incorporação; e (iii) a criação de patrimônio de afetação. 16. Nesse regime especial é permitido ao Contribuinte Incorporador optar pela incidência de tributação definitiva sobre a receita mensal recebida relativamente a cada patrimônio afetado. Em 2012, período objeto do presente processo, a redação do artigo 4º, da Lei nº 10.931/04, previa uma alíquota unificada de 6% correspondente ao pagamento mensal de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, verbis: “Art. 4º Para cada incorporação submetida ao regime especial de tributação, a incorporadora ficará sujeita ao pagamento equivalente a 6% (seis por cento) da receita mensal recebida, o qual corresponderá ao pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: I Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; II Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; III Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; e Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 8 7 IV Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS. § 1º Para fins do disposto no caput, considerase receita mensal a totalidade das receitas auferidas pela incorporadora na venda das unidades imobiliárias que compõem a incorporação, bem como as receitas financeiras e variações monetárias decorrentes desta operação. § 2º O pagamento dos tributos e contribuições na forma do disposto no caput deste artigo será considerado definitivo, não gerando, em qualquer hipótese, direito à restituição ou à compensação com o que for apurado pela incorporadora. § 3º As receitas, custos e despesas próprios da incorporação sujeita a tributação na forma deste artigo não deverão ser computados na apuração das bases de cálculo dos tributos e contribuições de que trata o caput deste artigo devidos pela incorporadora em virtude de suas outras atividades empresariais, inclusive incorporações não afetadas. (...) § 5º A opção pelo regime especial de tributação obriga o contribuinte a fazer o recolhimento dos tributos, na forma do caput deste artigo, a partir do mês da opção”. (grifos nossos). 17. A partir da leitura dos dispositivos acima transcritos, fica evidente que tanto a escolha do sistema de tributação quanto a tributação em si das receitas pela sistemática do RET são definitivas e irretratáveis, enquanto perdurarem direitos de crédito ou obrigações do incorporador junto aos adquirentes dos imóveis que compõem a incorporação. No mais, é possível concluir que o RET segue o regime de reconhecimento de receitas efetivamente recebidas (regime de caixa). 18. Os valores correspondentes as receitas mensais (caput do artigo 4º da Lei nº 10.931/04) não devem ser considerados em eventuais ajustes para efeito de apuração no regime regular de tributação, seja pelo lucro real ou presumido. II. Das Circunstâncias Fáticas 19. No presente caso, a opção da contribuinte pelo RET é matéria incontroversa, vez que o foco da autuação é a suposta exclusão indevida de receitas tributadas por esse regime. 20. Não é demais ressaltar que, conforme descrito nos itens 13 a 18, a opção pelo Regime de Tributação Especial é uma faculdade da Contribuinte que se torna definitiva enquanto perdurarem os direitos de crédito ou obrigações do incorporador junto aos adquirentes dos imóveis. Logo, a escolha da Contribuinte pelo RET vincula as receitas dos empreendimentos imobiliários à tributação de acordo com o artigo 4º, da Lei nº 10.931/04, com a redação vigente no ano de 2012 dada pela Lei nº 12.024/09. 21. Partindo deste entendimento, resta apurar se o montante de R$ 94.710.405,40 está submetido ao RET ou não. Em consonância com a r. decisão de piso, verifico que a Contribuinte foi capaz de comprovar que suas atividades operacionais estão relacionadas com as incorporações imobiliárias (único objeto social da Sociedade de Propósito Fl. 510DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 9 8 Específico) e que quase a totalidade de suas receitas relativas ao anocalendário de 2012 está submetida ao Regime Especial de Tributação, conforme trecho do voto condutor da r. decisão da DRJ: “Na DIPJ original a contribuinte havia registrado R$ 102.907.553,97 de receitas na linha 07 da Ficha 06A (fl. 7 e seguintes). Tratase exatamente do valor constante no Balancete da empresa, apresentado à Fiscalização durante a auditoria (fl. 316). Vejamos o facsímile:” 22. Segundo a Contribuinte, a diferença entre valores lançados na DCTF (R$ 63.963.929,61) e os valores submetidos ao RET (R$ 94.710.405,40) existe porque o reconhecimento das receitas para fins de recolhimento seguiu o regime de caixa enquanto as receitas que constam nos registros contábeis seguiram o regime de competência. 23. E, ainda que a composição do valor excluído pela contribuinte, qual seja a diferença entre receitas efetivamente realizadas e as reconhecidas, mas pendentes de recebimento, apresente alguma inconsistência/diferença (a contribuinte fez prova de quase a totalidade das receitas, mas não da totalidade), esta só poderia ser tributada no RET e não no regime do lucro real, nos termos do artigo 4º da Lei nº 10.931/04 (itens 13 a 18 – a opção pelo RET é definitiva). 24. Em vista das razões fáticas e jurídicas aqui apresentadas, considero que deve ser cancelada integralmente a exigência em questão. Conclusão 25. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO DE OFÍCIO interposto e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900210/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2005
CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
Numero da decisão: 3301-005.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 10 /2 00 9- 73 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13819.900210/200973 Acórdão n.º 3301005.143 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando, em suma, que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12065.695. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que discorre sobre sua atividade, o contrato de exploração de patente e uso de marca que firmou com empresa estrangeira, as remessas de royalties, o direito ao crédito de CIDE, sob o amparo da MP n° 2.15970/01, e a correção do procedimento adotado utilização do crédito da CIDE para liquidação de débitos vincendos, via PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.136, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.136): Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13819.900210/200973 Acórdão n.º 3301005.143 S3C3T1 Fl. 4 3 "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão DRJ n° 1265.687, de 22/05/14, da lavra do i.julgador Bernardo Moraes Fiuza Pequeno: "(. . .) Verificase que o interessado fundamenta sua defesa no art. 4º da MP Nº 2.15970/2001, deste modo, transcrevo o referido dispositivo legal por ser de suma importância para a solução da lide (grifos de minha autoria). 'Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5º da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico.' Percebese na leitura deste artigo, que a MP nº 2.15970/2001 concedeu crédito ao contribuinte nos casos de remessas ao exterior a título de róialties, o qual é calculado com base na contribuição devida. No entanto, o interessado informou na Declaração de Compensação crédito oriundo de pagamento indevido, ou seja, o crédito previsto na MP nº 2.15970/2001 não tem relação com o Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13819.900210/200973 Acórdão n.º 3301005.143 S3C3T1 Fl. 5 4 crédito de pagamento indevido, haja vista que o pagamento só é indevido se a CIDE não é devida. Por outro lado, o crédito da MP nº 2.15970/2001 só é gerado com base na CIDE que é devida. Portanto, percebese que a defesa sustenta um crédito distinto daquele informado na Declaração de Compensação. Ademais, ainda que o interessado obtivesse êxito em comprovar o suposto crédito previsto na MP nº 2.15970, este não poderia ser utilizado através de Declaração de Compensação, mas tão somente por meio de dedução da CIDE de períodos subseqüentes, em conformidade com o art. 4º, § 1º, inciso II, que diz (grifos meus): 'II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.' Portanto, diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722234/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/03/2007 a 30/09/2008
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. REPRESENTAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. DECRETOS-LEIS 2.445/88 E 2.449/88. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS DCOMP. SUPERVENIENTE PEDIDO EXPRESSO DE DESISTÊNCIA DO PROCESSO POR ADESÃO AO REFIS. LEI 11.941/09 E PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 11/09. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL E IRREVOGÁVEL.
Optando pelo parcelamento da Lei 11.941/09 e fazendo pedido expresso de desistência do processo, incidem os efeitos da confissão (irrevogabilidade e irretratabilidade) que aludem os artigos 5( da Lei 11.941/09 e 13 da Portaria PGFN/RFB 11/09.
Numero da decisão: 3401-005.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/03/2007 a 30/09/2008 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. REPRESENTAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. DECRETOS-LEIS 2.445/88 E 2.449/88. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS DCOMP. SUPERVENIENTE PEDIDO EXPRESSO DE DESISTÊNCIA DO PROCESSO POR ADESÃO AO REFIS. LEI 11.941/09 E PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 11/09. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL E IRREVOGÁVEL. Optando pelo parcelamento da Lei 11.941/09 e fazendo pedido expresso de desistência do processo, incidem os efeitos da confissão (irrevogabilidade e irretratabilidade) que aludem os artigos 5( da Lei 11.941/09 e 13 da Portaria PGFN/RFB 11/09.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/03/2007 a 30/09/2008 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. REPRESENTAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS DCOMP. SUPERVENIENTE PEDIDO EXPRESSO DE DESISTÊNCIA DO PROCESSO POR ADESÃO AO REFIS. LEI 11.941/09 E PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 11/09. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL E IRREVOGÁVEL. Optando pelo parcelamento da Lei 11.941/09 e fazendo pedido expresso de desistência do processo, incidem os efeitos da confissão (irrevogabilidade e irretratabilidade) que aludem os artigos 5° da Lei 11.941/09 e 13 da Portaria PGFN/RFB 11/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 22 34 /2 01 1- 25 Fl. 6175DF CARF MF 2 convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Adotase o relatório do acórdão 1145.955 2ª Turma da DRJ/REC de piso (efls. 6.082 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: 1. Tratase de Auto de Infração do IPI, abrangendo nove períodos de apuração, de 31/03/2007 a 30/09/2008, lavrado pela DRF/Contagem. Os valores globais, em Reais, são os seguintes: 2. A descrição dos fatos, contida no detalhado Termo de Verificação Fiscal (fls. 014 a 039), em apertada síntese, diz que o Auto de Infração é decorrente da falta de lançamento do imposto nas saídas para o mercado interno de produtos industrializados importados pelo estabelecimento, equiparado a industrial, por força do inciso I do art. 9º do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), vigente à época dos fatos geradores: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); 3. Do encontro dos créditos com os débitos, resultaram saldos devedores em apenas quatro períodos de apuração. Nos demais períodos, não houve falta de recolhimento, mas, da mesma forma, foi aplicada a multa por falta de lançamento, desta feita com cobertura de créditos, também prevista no art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Grifo do Relator. 4. Foram ainda consideradas no lançamento as saídas para outros estabelecimentos da mesma empresa, pois não constava nas Notas Fiscais que se deu com suspensão do imposto. 5. A autuada foi intimada pessoalmente da exigência em 07/06/2011 e, irresignada, apresentou Impugnação, em 07/07/2011 (fls. 6.011 a 6.037) – considerada tempestiva pela SACAT/DRF/Contagem, conforme Despacho às fls. 6.063. Fl. 6176DF CARF MF Processo nº 13603.722234/201125 Acórdão n.º 3401005.346 S3C4T1 Fl. 6.176 3 5.1. No tocante à falta de lançamento, ataca dois aspectos: 1) A ilegalidade (frente aos arts. 46, I, c/c 51, I, do CTN) e, em decorrência, a inconstitucionalidade da sua equiparação a industrial, já que o art. 146, III, “a” da nossa Carta Magna diz que cabe à lei complementar a “definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes”. Entende, assim, que só é contribuinte no desembaraço aduaneiro, pois, neste caso, está claramente estabelecida a ocorrência do fato gerador no art. 46, I, do CTN, e, como não realiza nenhuma operação de industrialização, não poderia ser tributado na saída para o mercado interno (procura estribar sua defesa na jurisprudência dos TRF e do STJ); 2) Mesmo que admitida a incidência nas saídas para o mercado interno, não se poderia tributálas quando são para estabelecimentos da mesma empresa, pois se dá com suspensão, conforme art. 42, X, do RIPI/2002 (vigente à época dos fatos geradores), que seria um direito do contribuinte, independentemente do fato de ele citar ou não esta excepcionalidade na Nota Fiscal de Saída. 5.2. Quanto às multas de ofício aplicadas, diz que houve cerceamento do direito de defesa, pois o autuante enquadra duas multas distintas (por falta de lançamento – resultando falta de recolhimento ou não, pois havia cobertura de créditos), no mesmo dispositivo legal (art. 80 da Lei nº 4.502/64 e alterações), não podendo ele saber a qual das hipóteses elas se subsumem. Também alega que não é possível exigir duas sanções sobre a mesma suposta ilicitude e que as duas multas previstas seriam autoexcludentes. 5.3. Em seguida, suscita o efeito confiscatório da multa de ofício, que ofenderia o princípio esculpido no art. 150, IV, da Constituição Federal. 5.4. Ao final, requer que (in verbis): “ Diante todo o exposto ... seja julgado totalmente improcedente o lançamento tributário, tendo em vista que a operação de saída de mercadorias pela Impugnante de seu estabelecimento, sem que haja, conforme resta incontroverso nos autos, procedimento de industrialização, não é fato gerador de IPI; Sucessivamente ... seja anulado o Auto de Infração, por flagrante violação ao art. 10, IV do Decreto 70.235/72, uma vez que inexiste a devida capitulação legal para dar suporte à aplicação de duas multas distintas; Caso os pedidos anteriores não sejam acatados, esperase que o Auto de Infração seja parcialmente anulado e as multas aplicadas sejam afastadas; Fl. 6177DF CARF MF 4 Superados os pedidos acima, nos termos do art. 80 da Lei n. 4.502/64 ... ocorra a aplicação de uma só sanção tributária e não de duas, tendo em vista a falta de previsão legal para tanto. Por conseguinte, na hipótese de ser mantida (s) uma ou duas multas ... o percentual de 75% seja afastado ou parcialmente, sob pena de efeito confiscatório.” (Negritos do Relator). Diante de tais fatos a DRJ/REC julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento de forma integral. Irresignada, a contribuinte, mediante intimação perfectibilizada em 10 de junho de 2014 (efl. 6.096), interpôs recurso voluntário (em 27 de junho de 2014 efl. 6.105), no qual argumenta, em síntese: A não incidência do IPI na saída de produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, diante da inexistência de fato gerador; Sucessivamente, pleiteia a ilegitimidade da exigência do IPI e consectários sobre operações de remessa de bens para outros estabelecimentos da recorrente – suspensão da exigência; Sucessivamente, a exclusão dos valores lançados a título de multa; A nulidade do auto de infração por erro no enquadramento legal; Pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos Inicialmente, denotase, conforme relatado, que o presente recurso atende os requisitos do art. 5º, do Decreto nº 70.235/72, de modo que conheço dele. O primeiro argumento da Recorrente é a impossibilidade de incidência do IPI na saída de produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, diante da inexistência de fato gerador. Advoga que as decisões utilizadas pela DRJ/REC não haviam transitado em julgado e que a 1ª Seção do c. STJ, quando do julgamento do EREsp nº 139302/SC , anexado efl. 6.147. Conforme demonstra o informativo nº 0574 do STJ, a discussão em voga foi objeto de recurso repetitivo. Extraise do referido informativo: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE IPI SOBRE A SAÍDA DE PRODUTO DE ESTABELECIMENTO IMPORTADOR. RECURSO REPETITIVO (ART. 543C DO CPC E RES. N. 8/2008STJ). TEMA 912. Fl. 6178DF CARF MF Processo nº 13603.722234/201125 Acórdão n.º 3401005.346 S3C4T1 Fl. 6.177 5 Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. Efetivamente, o fato de o nomen juris do tributo ser "Imposto sobre Produtos Industrializados" não significa que seu fato gerador esteja necessariamente atrelado a uma imediata operação de industrialização. O fato de o tributo incidir sobre o produto industrializado significa somente que é necessário e relevante que essa operação de industrialização, em algum momento, tenha ocorrido pois a circulação que se tributa é de um produto industrializado , mas não que a industrialização tenha que ocorrer simultaneamente a cada vez que se realize uma hipótese de incidência do tributo (fato gerador). A toda evidência, quando se está a falar da importação de produtos, a primeira incidência do IPI encontra guarida no art. 46, I, do CTN, que assim define o fato gerador: "Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira". Vejase que, para essa hipótese de incidência, não há a necessidade de operação de industrialização imediatamente associada ao desembaraço aduaneiro. Essa mesma lógica subsiste quando se tributa "o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os fornece a estabelecimento industrial ou equiparado a industrial" (art. 51, III, do CTN), ou "o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados" (art. 51, IV, do CTN), pois, nesses dois casos, também não há atividade de industrialização desenvolvida pelos contribuintes. Não foge a esta linha a segunda incidência do tributo sobre o importador, no momento em que promove a saída do produto do seu estabelecimento a título de revenda ("Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: [...] II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51"; "Art. 51. [...] Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante"). No CTN, não foi repetida a regra contida no art. 2º, II, da Lei n. 4.502/1964 que limitou o critério temporal "saída" apenas para os produtos de produção nacional. Sendo assim, a lei permitiu que também os produtos de procedência estrangeira estejam sujeitos novamente ao fato gerador do imposto quando da saída do estabelecimento produtor ou equiparado. Observese que essa autorização é perfeitamente compatível com o art. 4º, I, da Lei n. 4.502/1964, que equipara os importadores a estabelecimento produtor, isso porque o próprio art. 51, II, do CTN admitiu a equiparação. Outrossim, legislação mais recente estabeleceu a referida equiparação entre estabelecimento industrial e estabelecimentos atacadistas ou varejistas que adquirem produtos de procedência estrangeira (art. 79 da MP n. 2.158 35/2001 e art. 13 da Lei n. 11.281/2006). Dessa forma, seja pela combinação dos arts. 46, II, e 51, parágrafo único, do CTN, seja pela combinação dos arts. 51, II, do CTN, 4º, I, da Lei n. 4.502/1964, 79 da MP n. 2.15835/2001 e 13 da Lei n. 11.281/2006 nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade , os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda. Também se observe que essa incidência do IPI não se caracteriza como bis in idem, dupla tributação ou bitributação. Isto porque a Lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai Fl. 6179DF CARF MF 6 sobre o preço de compra no qual embutida a margem de lucro da empresa estrangeira, e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, no qual já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Ademais, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. Do mesmo modo quanto à tão falada questão da bitributação entre o IPI e o ICMS na revenda interna do produto importado. Nesse ponto, esclareço que a Lei Kandir (LC n. 87/1996) admite hipóteses expressas de bitributação entre o IPI e o ICMS. O art. 13, § 2º, estabelece que o valor do IPI não integra a base de cálculo do ICMS toda a vez que a operação configurar fato gerador de ambos os impostos, ou seja, a lei permite a bitributação, mas minora seus efeitos ao retirar o IPI da base de cálculo do ICMS. Essa regra é uma mera reprodução do disposto no art. 155, § 2º, XI, da CF, que parte do pressuposto justamente da possibilidade de se bitributar pelo IPI e pelo ICMS. Tal não transforma, de modo algum, o IPI em ICMS, ou cria o chamado "ICMS federal", dadas as competências tributárias distintas das exações. Quanto ao GATT, registrese que a cláusula de obrigação de tratamento nacional tem aplicação somente na primeira operação (a de importação). A segunda operação já é interna. Há dois fatos geradores. Desse modo, a igualdade ao tratamento nacional resta preservada para a primeira operação. Precedentes citados: REsp 1.386.686SC, Segunda Turma, DJe 24/10/2013; e REsp 1.385.952SC, Segunda Turma, DJe 11/9/2013. EREsp 1.403.532SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para o acórdão Min. Mauro Campbell Marques, Corte Especial, julgado em 14/10/2015, DJe 18/12/2015. (Grifase). Diante da decisão do E. STJ proferida em recurso repetitivo nada há de se acrescentar, e se denota que o entendimento adotado pela DRJ/REC deve ser mantido, motivo qual não merece guarida o argumento da recorrente. O segundo argumento da Recorrente se refere à ilegitimidade da exigência do IPI e consectários sobre operações de remessa de bens para outros estabelecimentos da Recorrente. Alegou que o entendimento disposto no acórdão recorrido não deve prevalecer, “pois o decreto prevê a suspensão no caso em exame de forma incondicionada, não sendo lícito à fiscalização estabelecer um requisito adicional para o seu gozo (a saber, a informação em nota fiscal da intenção de se valer da suspensão)”. Bom, conforme inciso X do art. 42 e inciso III do art. 341, do RIPI /2002 (Decreto nº 4.544/2002), vigente à época dos fatos, estabelecem que: Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: [...] X os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um para outro estabelecimento, industrial ou equiparado a industrial, da mesma firma; Fl. 6180DF CARF MF Processo nº 13603.722234/201125 Acórdão n.º 3401005.346 S3C4T1 Fl. 6.178 7 Art. 341. Sem prejuízo de outros elementos exigidos neste Regulamento, a nota fiscal dirá, conforme ocorra, cada um dos seguintes casos: [...] III "Saído com Suspensão do IPI", nos casos de suspensão do tributo, declarado, do mesmo modo, o dispositivo legal ou regulamentar concessivo; Diante da legislação exposta, denotase que o produto “poderá” sair com suspensão, ou seja, uma faculdade/opção, cabendo ao contribuinte a adesão. Para tanto, deve o contribuinte informar na nota fiscal a informação “Saído com Suspensão do IPI”, conforme determina o art. 341, III, do RIPI/2002. No caso em exame, a Recorrente não adicionou esta informação nas notas fiscais, implicando renúncia ao direito de suspensão. Até porque tal informação é requisito essencial – uma condicionante para que haja a suspensão do IPI. A recorrente não adicionou a informação “Saído com Suspensão do IPI”, o que demonstra sua não opção pela suspensão, logo, deveria ter recolhido o IPI devido, o que não fez, motivo pelo qual sobreveio o lançamento tributário em questão. O terceiro argumento da Recorrente diz respeito à exclusão dos valores lançados a título de multa. Vejase: Extraise da decisão do acórdão recorrido: 13. Quanto às multas, as infrações à legislação tributária pela falta de recolhimento de exações internas detectadas em procedimento fiscal são penalizadas com a multa de ofício, sendo a proporcionalidade básica, em relação ao tributo, de 75 %. 13.1. Ocorre que, no caso do IPI, imposto escritural, há créditos e débitos apurados em um mesmo período, o que pode não implicar falta de recolhimento, ainda que haja uma infração, quando os créditos superam os débitos, após devidamente reconstituída a escrita fiscal. 13.2 Mas a infração, ainda que coberta por créditos, não pode deixar de sofrer sanção, daí a razão de haver duas multas previstas em um mesmo artigo: uma quando os débitos superam os créditos (multa por falta de recolhimento) e outra quando os créditos ainda superam os débitos (multa com cobertura de créditos). E não são cumulativas, mas alternativas. Vejamos novamente o dispositivo legal em questão (art. 80 da Lei nº 4.502/64): (Grifo do Relator). Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de Fl. 6181DF CARF MF 8 ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 13.3 E isto está bem explicitado no Auto de Infração, pelo que não há razão para o contribuinte insurgirse contra esta exigência, por cerceamento do direito de defesa. 13.4. Não há “sobreposição” de multas, como quer dizer a impugnante. O valor das infrações apuradas (fls. 005) é de R$ 29.498,92 + R$ 1.058,97 + R$ 1.851,40 + R$ 521,15 + R$ 27.037,32 + R$ 133.077,67 + R$ 113.219,79 + R$ 27.362,43 + R$ 16.119,31 + R$ 39.326,06 = R$ 389.072,92. 13.5. Se somarmos a multa por falta de recolhimento (R$ 141.871,03) com a multa pelo imposto não lançado com cobertura de crédito (R$ 149.161,37), chegaremos a R$ 291.804,77, que representam exatamente 75 % do valor das infrações (R$ 389.072,92), pelo que não procede a alegação de duplicidade na aplicação das sanções. Conforme exposto, a DRJ/REC analisou este ponto, e proferiu decisão motivada, a qual se ratifica como razões de decidir no presente voto. Por fim, a Recorrente sustenta a nulidade do auto de infração por erro no enquadramento legal, “isto porque, apesar de o auto de infração ter imposto à ora Recorrente duas penalidades de natureza distintas (multa proporcional e multa exigida isoladamente), foi indicado um único dispositivo como enquadramento legal da penalidade (art. 80 da Lei nº 4.502/64), sem a exposição no auto de infração da penalidade à qual ele se aplica (multa proporcional ou multa exigida isoladamente) e das razões que fundamental a sua aplicação”. Extraise do auto de infração (efl. 06): Percebese no que tange aos fatos geradores entre 01/03/2007 e 31/05/2007, foi enquadrado no art. 80 da Lei 4.502/64 com a redação dada pela medida provisória 351/07 e no que tocante aos fatos geradores ocorridos entre 01/06/2007 e 30/09/2008, no art. 80 da Lei 4.502/64 com a redação dada pela Lei 11.488/07. Cabe expor que ambas as multas (multa proporcional e multa exigida isoladamente) se originam do art. 80 da Lei 4.502/64. Uma quando os débitos superam os créditos (multa por falta de recolhimento) e outra quando os créditos ainda superam os débitos (multa com cobertura de créditos). Ademais, as duas redações dadas ao art. 80 da Lei 4.502/64, citadas no auto de infração demonstram que as multas (multa proporcional e multa exigida isoladamente) são alternativas, ou uma ou outra, ou seja, não são cumulativas. Vejase: Art.13. O art. 80 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do Fl. 6182DF CARF MF Processo nº 13603.722234/201125 Acórdão n.º 3401005.346 S3C4T1 Fl. 6.179 9 valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (MP 351/07). Grifo do Relator. Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Deste modo, temse que ambas as multas possuem amparo no art. 80 da Lei 4.502/64; logo, não há se falar em nulidade do auto de infração por erro no enquadramento legal. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 6183DF CARF MF
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Numero do processo: 13837.720416/2013-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1522; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 50 1 49 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13837.720416/201380 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.377 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente AMARILIS VIRGINIA BUENO SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 72 04 16 /2 01 3- 80 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 51 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 11/15), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$7.802,08 para saldo de imposto a pagar de R$14.279,70. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$23.555,00, consignando (fls.12/13): Impugnação Cientificada à contribuinte em 16/5/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 3/6/2013, à fl. 2/16 dos autos. A defesa apresentada foi assim sintetizada na decisão recorrida: Estaria trazendo provas de que tem direito às deduções pleiteadas, e afirma que os tributos não podem ter efeito confiscatório. Contesta a exigência do Fisco no sentido de que apresente provas do efetivo pagamento das despesas, uma vez que os recibos são documentos hábeis e suficientes para comprovar as despesas. Transcreve trechos de doutrina e jurisprudência para apoiar seus argumentos. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua improcedente em decisão assim ementada (fls. 24/29): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 52 3 Exercício: 2011 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 14/10/2016, sextafeira (fl. 45), a contribuinte, em 16/11/2016 (fl. 32), apresentou recurso voluntário, às fls. 32/43, no qual alega, em apertado resumo, que: a fiscalização só poderia exigir a comprovação do efetivo pagamento se demonstrasse a inidoneidade dos recibos apresentados. a legislação de regência disporia que a prova das despesas médicas se daria mediante apresentação dos recibos, não podendo o Fisco exigir a prova da forma que entender conveniente. inexistiria dispositivo legal que respaldasse a exigência de apresentação de documentos bancários, de nexo causal entre saques e pagamentos, de cheques. a jurisprudência do CARF iria no sentido de acatar os recibos como provas suficientes para comprovar as deduções declaradas. deveria se prestigiar a boafé do contribuinte, que teria apresentado a documentação necessária a comprovar suas despesas. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 53 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 54 5 Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida, quanto à prestação dos serviços. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 55 6 seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. É preciso registrar que no presente lançamento a recorrente não está sendo acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 56 7 (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, ainda que intimada a apresentar comprovação do efetivo pagamento das despesas, a recorrente não se desincumbiu do seu ônus, limitandose a apresentar os recibos, como consigna a autuação. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000665/2007-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LEI COMPLEMENTAR 160, de 2017. LEI 12.973/2014, ART. 30, §4º E §5º. PUBLICAÇÃO, REGISTRO E DEPÓSITO DE BENEFÍCIO. DISTRITO FEDERAL. CONFAZ. ATIVO PERMANENTE.
A Lei Complementar nº 160, de 2017, inseriu o §5º no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, determinando que seria aplicável aos processos pendentes. Ademais, esta Lei inseriu o §4º, no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, para impedir a exigência de outros requisitos ou condições, além daqueles estabelecidos pelo próprio artigo 30.
Com a publicação, registro e depósito do incentivo do Distrito Federal em discussão nos autos, perante o CONFAZ, não são exigíveis outros requisitos para o reconhecimento da subvenção para investimento, além dos enumerados pelo artigo 30.
O investimento em ativo permanente não consta do art. 30, da Lei nº 12.973/2014, sendo improcedente o lançamento fundado em tal exigência.
Numero da decisão: 9101-003.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
1.0 = *:*
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LEI COMPLEMENTAR 160, de 2017. LEI 12.973/2014, ART. 30, §4º E §5º. PUBLICAÇÃO, REGISTRO E DEPÓSITO DE BENEFÍCIO. DISTRITO FEDERAL. CONFAZ. ATIVO PERMANENTE. A Lei Complementar nº 160, de 2017, inseriu o §5º no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, determinando que seria aplicável aos processos pendentes. Ademais, esta Lei inseriu o §4º, no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, para impedir a exigência de outros requisitos ou condições, além daqueles estabelecidos pelo próprio artigo 30. Com a publicação, registro e depósito do incentivo do Distrito Federal em discussão nos autos, perante o CONFAZ, não são exigíveis outros requisitos para o reconhecimento da subvenção para investimento, além dos enumerados pelo artigo 30. O investimento em ativo permanente não consta do art. 30, da Lei nº 12.973/2014, sendo improcedente o lançamento fundado em tal exigência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
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LEI COMPLEMENTAR 160, de 2017. LEI 12.973/2014, ART. 30, §4º E §5º. PUBLICAÇÃO, REGISTRO E DEPÓSITO DE BENEFÍCIO. DISTRITO FEDERAL. CONFAZ. ATIVO PERMANENTE. A Lei Complementar nº 160, de 2017, inseriu o §5º no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, determinando que seria aplicável aos processos pendentes. Ademais, esta Lei inseriu o §4º, no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, para impedir a exigência de outros requisitos ou condições, além daqueles estabelecidos pelo próprio artigo 30. Com a publicação, registro e depósito do incentivo do Distrito Federal em discussão nos autos, perante o CONFAZ, não são exigíveis outros requisitos para o reconhecimento da subvenção para investimento, além dos enumerados pelo artigo 30. O investimento em ativo permanente não consta do art. 30, da Lei nº 12.973/2014, sendo improcedente o lançamento fundado em tal exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 06 65 /2 00 7- 19 Fl. 943DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de auto de infração de IRPJ e CSLL quanto a diversos trimestres nos anos de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, com imposição de multa de 75%, sendo efetuada a “glosa de despesas não incorridas, advindas de benefícios fiscais concedidos pelo Governo do Distrito Federal, conforme Termos de Acordo de Regime Especial” (fls. 110, volume 1). Extraise do Temo de Verificação Fiscal (fls. 147): Foram apresentados os Termos de Acordo de Regime Especial nº 63/2000 (fls. 33) e nº 25/2002 (fls. 39), firmados entre o Governo do Distrito Federal e as filiais 000760 e 000840, com fulcro na Lei 1.254/96 e Decreto nº 20.322/99. (...) Em correspondência datada de 23 de março de 2007 (fls. 46) o contribuinte confirma e detalha que: o Termo de Acordo autoriza as unidades da empresa, estabelecidas em Guará e Taguatinaga, a utilizar o tratamento tributário definido no artigo 37, II, da Lei 1.254, de 08/11/1996, com a redação dada pela Lei nº 2.381, de 20/05/1999, e sua regulamentação; O Decreto 25.372 de dispõe sobre este tratamento tributário para o segmento atacadista/distribuidor autorizando o atacadista a abater percentuais sobre o montante das operações de saídas de mercadoria. Daí concluise que o contribuinte trata os abatimentos advindos dos Regimes Especiais firmados com o Governo do Distrito Federal como “subvenções para investimento”, ao contabilizá los como reserva de capital. A distinção entre subvenções para investimento e subvenções para custeio (estas, ao contrário das primeiras, computadas na determinação do lucro operacional conforme disposto no artigo 392 do Decreto 3.000/99) foi exaustivamente estudada pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 944 3 Receita Federal, cujas conclusões encontramse no Parecer Normativo CST n° 112, de 1978 (DOU de 11.01.1979) (...) Do exposto, percebese que as subvenções para investimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo Poder Público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente, na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenção deve estar prévia e expressamente determinada pelo Poder Público que o concedeu. Vale frisar que, nos termos do próprio Parecer, a simples aplicação dos recursos em investimentos não autoriza a sua classificação como subvenção para investimentos. Subentende se, por fim, que não havendo expressa vinculação entre o recurso e a aplicação, o beneficiário poderá aplicalo da maneira que mais lhe convier, constituindo, assim, uma subvenção para custeio ou operação. Ressaltase que os atos reguladores dos Termos de Acordo de Regime Especial n° 063/2000 e 025/2002, firmados entre o contribuinte fiscalizado e o Governo do Distrito Federal não garantem, necessariamente, a aplicação integral da quantia subvencionada em investimentos. Tampouco tem o registro contábil da subvenção como reserva de capital o condão de determinar que o montante tenha esse destino. (...) O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (fls. 541, volume 3) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário; 2001 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO As subvenções para investimento oriundas de isenção ou redução de impostos, para receberem tal qualificação e deixarem assim de ser computadas na determinação do lucro real e na base de cálculo da contribuição social sobre o lucro lÍquido, devem ser concedidas pelo Poder Público já com a finalidade específica de sua necessária e integral aplicação em investimentos concernentes na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos da empresa beneficiária. Se a lei, o ato normativo administrativo ou o acordo firmado entre o Poder concedente e a contribuinte não estabelece essa exigência, os recursos oriundos de isenção ou redução de impostos não podem ser qualificados como subvenção para investimento, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Lançamento Procedente Fl. 945DF CARF MF 4 O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 552, volume 3), ao qual a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção negou provimento (acórdão 120200.045, fls 573, pdf 38). O acórdão tem a ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. As subvenções para Investimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo poder público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenção deve estar prévia e expressamente determinada pelo Poder Público que o concedeu. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte foi intimado em 24/11/2009, terçafeira (fls. 588), apresentando embargos de declaração em 30/09/2009, segundafeira (fls. 589). O Presidente de Turma não admitiu os Embargos de declaração (fls. 802). Nesse contexto, o contribuinte foi intimado em 19/07/2016 (fls. 807), interpondo recurso especial em 03/08/2016 (fls. 809). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito de subvenção para investimento, constando como acórdãos paradigmas os de nº 9101002.329 e 9101001.798 O recurso foi admitido, conforme decisão do Presidente de Câmara: Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que "a concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. As subvenções para investimentos devem ser registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados." O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "as subvenções para Investimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo poder público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenção deve estar prévia e expressamente determinada pelo Poder Público que o concedeu". Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 945 5 plenamente configurada a divergência jurisprudencial pelo Sujeito Passivo. (...) Com fundamento nos artigos 18, inciso III, 67 e 68, do Anexo, II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, DOU TOTAL SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pelo Sujeito Passivo, admitindo a rediscussão da matéria em relação a subvenção de investimento. A Procuradoria apresentou contrarrazões, pleiteando seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte, sem que tenha questionado o conhecimento (fls. 908). O contribuinte apresentou petição, em 23/08/2018, na qual alega fato superveniente: publicação da Lei Complementar nº 160/2017. Apresentou comprovante de certificado de registro e depósito emitido pelo CONFAZ, além de informar a publicação da Portaria distrital nº 71/2018 (fls. 924). É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte O recurso especial do contribuinte é tempestivo, tendo sido admitido pelo Presidente de Câmara quanto à matéria subvenção para investimento. A Procuradoria não questionou o conhecimento do recurso especial em suas contrarrazões. Nesse contexto, adoto as razões da Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial na matéria referida. Mérito: O recurso especial do contribuinte trata dos incentivo fiscal (Distrito Federal) como subvenção para investimento. A subvenção para investimento é regrada pelo artigo 443, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital Fl. 947DF CARF MF 6 social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. No caso destes autos, tratase de benefício distrital, regulado pelas normas estaduais acima referidas (Lei distrital 1.254/1996, Lei distrital 2.381/1999, Decretos distritais 20.322/1999 e 25.372). Ocorre que foi aprovada a Lei Complementar nº 160/2017, que alterou a Lei nº 12.973/2014, inserindo os §4º e §5º ao artigo 30. O artigo 30 restou assim expresso em sua integralidade: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2º As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1º ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3º Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4 º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 946 7 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5 º O disposto no § 4º deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) As novas regras, estabelecidas pela Lei Complementar nº 160, portanto, tem efeitos retroativos para aplicação aos processos administrativos pendentes, para que se considerem subvenções para investimento os benefícios concedidos pelos Estados e Distrito Federal, na forma do artigo 155, II, da Constituição Federal, sem a exigência de requisitos não previstos no próprio artigo 30. Remanesce, quando concedido benefício na forma do artigo 155, II, a exigência de cumprimento dos requisitos do caput do artigo 30, quais sejam: (i) intenção do Estado da em estimular a implantação e expansão de empreendimentos (ii) registro em reserva de lucros. Vale lembrar, ainda, a previsão do artigo 155, II, §2º, inciso XII, alínea g, da Constituição Federal: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (...) XII cabe à lei complementar: (...) g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. A Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar. Fl. 949DF CARF MF 8 Art. 3º O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2 º A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro fiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às Fl. 950DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 947 9 operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5º O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro fiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro fiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que estabelece procedimento para reconhecimento dos benefícios fiscais: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; Fl. 951DF CARF MF 10 II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula Terceira do Convênio: Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 948 11 feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Em consulta ao sítio do CONFAZ (https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificadoregistrodepositocvicms190171/distrito federal/2018/sei_mf0895926certificadoderegistroedeposito2118.pdf), constatei Certificado de Registro de Depósito – SE / CONFAZ 21/2018, do qual se extrai: O Secretário Executivo do CONFAZ, no uso de suas atribuições prevista no art. 5º, incisos I, II, e XIV do Regimento do Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ, aprovado pelo Convênio ICMS 133/97, de 02 de janeiro de 1998; bem como no inciso II do art. 3º da Portaria nº 525, de 7 de dezembro de 2017, que aprovou o regimento interno da Secretaria Executiva do CONFAZ, para os fins do disposto na Lei Complementar nº 160, de 07 de agosto de 2017, e nos termos do §3º da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, de 15 de dezembro de 2017, torna público e CERTIFICA o seguinte: Que o DISTRITO FEDERAL, representado pelo seu Secretário de Fazenda Wilson José de Paula, efetuou o depósito nesta Secretaria Executiva do CONFAZ, nos termos do inciso II da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, das PLANILHAS DOS ATOS NORMATIVOS E DOS ATOS CONCESSIVOS DOS BENEFÍCIOS FISCAIS E DA CORRESPONDENTE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA, cuja relação dos atos normativos foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal, por meio da Portaria nº 71, de 15 de março de 2018, alterada pela Portaria n° 76, de 27 de março de 2018, publicadas nos dias 16 e 29 de março de 2018, respectivamente. O depósito foi efetuado no dia 29 de junho de 2018por meio do Ofício SEIGDF nº 948/2018 SEF/GAB acompanhado de mídia física (pen drive) na forma do Despacho nº 39/18, de 12 de março de 2018. O Distrito Federal declarou que a documentação incluída pela Secretaria Executiva do CONFAZ no processo específico no Sistema Eletrônico de Informações SEI nº 12004.101313/2018 61, possui o mesmo teor da documentação depositada nesta Secretaria Executiva, por meio do Ofício SEIGDF nº 948/2018 SEF/GAB acompanhado de mídia física (pen drive). Fl. 953DF CARF MF 12 O depósito efetuado foi registrado sob nº 21/2018. (grifo nosso) Ademais, verifico a publicação no sítio da Fazenda do Distrito Federal da Portaria 71, referida pelo documento do CONFAZ acima citado. (http://www.fazenda.df.gov.br/aplicacoes/legislacao/legislacao/TelaSaidaDocumento.cfm?txtNumero= 71&txtAno=2018&txtTipo=7&txtParte=.) Esta Portaria 71 foi alterada pela Portaria nº 76/2018 – também mencionada na certidão do CONFAZ – e pela Portaria 146/2018, não mencionada na certidão do CONFAZ. De toda forma, a citada Portaria nº 71 dá publicidade à relação de atos normativos de que trata o inciso I da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17. Dentre estes atos normativos, destacase o seguinte do Anexo II à citada Portaria 71, com redação conferida pela Portaria 71: ATOS NORMATIVOS NÃO VIGENTES EM 8 DE AGOSTO DE 2017 Unidade Federada: Distrito Federal Item Atos Número Ementa ou Assunto Dispositivo Específico Data de Publicação no DODF Termo Inicial Termo Final Obser vações 1 Lei 1.254/1996 Regime Especial de Apuração que faculta ao contribuint e a opção pelo abatimento a título de montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores. Art. 37, inciso II (redação dada pela Lei nº 2.381/1999) 21/05/1999 21/05/1999 03/03/20 08 (revogação : art. 1º da Lei nº 4.100/2008 ) O fato, portanto, atesta o cumprimento dos requisitos tratados pelos artigos 2º e 3º, da Lei Complementar nº 160 e, assim, a aplicabilidade do artigo 10, da mesma Lei Complementar ao caso dos autos. Afinal, os Termo de Acordo questionados pela fiscalização (fls. 35) tratam exatamente de incentivo estadual fundado no artigo 37, II, da Lei distrital nº 1.254. Lembro que a Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 15, XII, §2º, verbis: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 949 13 art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar. Nesse contexto, cumpridos os requisitos tratados pelo artigo 3º referido expressamente ao final do artigo 10 há que se observar apenas os requisitos tratados pelo artigo 30, da Lei nº 12.973/2014: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2º As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1º ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3º Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. Fl. 955DF CARF MF 14 § 4 º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário, fundamentalmente, por aplicar o Parecer COSIT 112, de 1978, interpretando necessário o investimento em ativo permanente (fls. pdf 43, volume 3) Primeiramente, fazse necessário conceituar subvenção para investimento. Assim, transcrevo o Parecer Normativo CST nº 112, de 1978 (...) Como vemos o ilustre autor entende que as subvenções para investimento servem para acréscimos ao ativo permanente. Este entendimetno se coaduna com parecer CST citado. Assim, concluo que as Subvenções para invesimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo poder público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenão devre estar prévia e expressamente determinarda pelo Poder Público que o concedeu. (...) Assim, concluo que as Subvenções para Investimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo poder público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenção deve estar prévia e expressamente determinada pelo Poder Publico que o concedeu. (...) No caso em questão, a suposta subvenção para investimento consistia que na operação interna era destacado na nota fiscal de saída o ICMS na alíquota de 17% a qual é escriturada no livro Registro de Saídas. Ao se apurar o ICMS para pagamento era considerado o ICMS de 3,5%, e não 17%. A contribuinte reconheceu a despesa de ICMS em conta de resultado (ICMS sobre vendas) em contrapartida à conta ICMS a pagar (passivo). Os abatimentos de ICMS foram debitados da conta do passivo de ICMS e creditados em conta do Patrimônio líquido chamada Créditos tributários. A fiscalização entendeu que os valores levados a crédito da conta Créditos Tributários não configurariam Subvenções para investimento, mas sim, um simples estorno de despesa de ICMS contabilizada na venda da mercadoria. Como já concluído anteriormente as subvenções para investimento teriam que ter sua destinação vinculada à aplicação em investimentos. Assim, o poder público deveria condicionar a subvenção à finalidade de implementação ou expansão e integralmente. Assim, não entendo o benefício auferido como subvenção para investimento, pois não há nos Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 950 15 autos nenhum dispositivo que determine que os recursos obtidos sejam necessariamente e integralmente aplicados em investimentos de implementação ou expansão dos empreendimentos. As contrapartidas exigidas pelo Governo do Distrito Federal não se coadunam com investimentos de implementação ou expansão. Este também foi o apontamento do lançamento tributário, extraindose do Termo de Verificação Fiscal que o acompanha: A distinção entre subvenções para investimento e subvenções para custeio (estas, ao contrário das primeiras, computadas na determinação do lucro operacional conforme disposto no artigo 392 do Decreto 3.000/99) foi exaustivamente estudada pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, cujas conclusões encontramse no Parecer Normativo CST n° 112, de 1978 (DOU de 11.01.1979) (...) Do exposto, percebese que as subvenções para investimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo Poder Público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente, na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenção deve estar prévia e expressamente determinada pelo Poder Público que o concedeu. A exigência de investimento em ativo permanente, entretanto, não consta do art. 30, razão pela qual dou provimento ao recurso especial do contribuinte, aplicando o regramento da Lei Complementar nº 160. Conclusão: Pelas razões expostas, conheço do recurso especial, dandolhe provimento. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 957DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000462/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.717
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que, em relação aos períodos de apuração 07/2002, 08/2002,04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005, a unidade preparadora indique, nos autos, as planilhas que informam o valor das respectivas bases de cálculo.
(assinado digitalemte)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalemte)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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(assinado digitalemte) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalemte) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de embargos de declaração (efls 600/603) em face do Acórdão nº 230101.815, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 331 e ss), julgado na sessão plenária de 9 de fevereiro de 2011, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2005 IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 46 2/ 20 07 -3 0 Fl. 692DF CARF MF Processo nº 16095.000462/200730 Resolução nº 2301000.717 S2C3T1 Fl. 3 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. SALÁRIOUTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Se a empresa já adiciona ao LALUR parte das despesas com veículos, temos a confissão de que parte das despesas são dispensáveis, o que autoriza a inclusão dessa parte na base de cálculo da contribuição previdenciária DIÁRIAS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DA RELAÇÃO DE EMPREGADOS. O valor das diárias até 50% da remuneração é isento de contribuição previdenciária em todos os casos, conforme interpretação harmonizada da alínea “h” do §9º do art. 28 com o §8º do art. 28 da Lei 8.212/91. Não prevalece o lançamento não instruído com a individualização exata de cada empregado e sua respectiva remuneração, de modo a permitir a verificação do limite legal. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO 3º CC E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 3 do antigo 2º Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16095.000462/200730 Resolução nº 2301000.717 S2C3T1 Fl. 4 3 administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Sustenta o embargante que o Acórdão guerreado teria incorrido em omissão nos seguintes termos: 15. O levantamento BIC compreende as competências de 07/2002, 08/2002 e de 10/2002 a 12/2005, enquanto nas folhas 101/164, indicadas no acórdão n.º 230101.815/2012 do CARF, só é possível individualizar as bases de cálculo das competências de 10/2002 a 03/2003, 12/2003 a 11/2004 e 01/2005, com a ressalva de que as bases de cálculo indicada para as competências de 01/2004, 10/2004 e 01/2005 são maiores do que aquelas utilizadas pela Fiscalização no lançamento de ofício. Logo, podemos concluir que o acórdão foi omisso ao especificar as bases de cálculo que deverão ser utilizadas nas competências de 07/2002, 08/2002, 04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005. 16. Diante de todo o exposto, propondo que sejam opostos embargos declaratórios em face do acórdão n.º 2301 01.815/2012 a fim de que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais esclareça quais as bases de cálculo deverão ser consideradas para o cálculo das contribuições devidas no levantamento BIC nas seguintes competências: 07/2002, 08/2002,04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005. Os embargos foram admitidos nos seguintes termos: Da omissão Resta configurada a omissão apontada; decorrentemente, a Turma deve se manifestar acerca do que apontado pelo embargante, esclarecendo as bases de cálculo devidas e sanando a omissão apresentada. Assim, os embargos devem ser admitidos. È o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Os Embargos são tempestivos por isso deles conheço. De fato entendo ter ocorrido uma omissão/contradição no acórdão embargado, passível de saneamento do por este colegiado. É que quando do julgamento, ao entender pela exclusão parcial em relação ao levantamento BIC, os julgadores utilizaram como base de cálculo nas planilhas de fls. 101/164 (efls.148/211) a coluna denominada "Base" quando o correto seria a coluna denominada "Fração". Isto porque a parcela denominada "Base" é composta dos valores considerados indedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda acrescidos de 35% relativos ao IRRF. Por isso a DRFB encontrou valores acima dos lançados pela fiscalização. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 16095.000462/200730 Resolução nº 2301000.717 S2C3T1 Fl. 5 4 Contudo, compulsando os autos não conseguimos identificar de onde a autoridade fiscal encontrou os valores relativos ao lançamento nas competências 07/2002, 08/2002,04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005. Ante ao exposto voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que, em relação aos períodos de apuração 07/2002, 08/2002,04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005, a unidade preparadora indique, nos autos, as planilhas que informam o valor das respectivas bases de cálculo. assinado digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 695DF CARF MF
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