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Numero do processo: 11868.000604/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2003
Ementa: APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO CONTENDO INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-002.940
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Bernadete De Oliveira Barros
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2003 Ementa: APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO CONTENDO INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 286DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 28/04/2004, por ter a empresa acima identificada apresentado documento ou livro sem que atendam as formalidades legais exigidas, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3o, da Lei 8.212/91, c/c o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Segundo Relatório Fiscal da Infração (fls. 10), a escrita contábil da recorrente, no período de 01/99 a 12/03, não espelha a realidade econômica e financeira da empresa , conforme livros diários analisados. A autoridade autuante observa que não há registro, nos livros contábeis, de despesas usuais de empresas, acarretando um numerário elevado na conta caixa e alterando o valor do lucro. Relata que não foi observado, na contabilidade, registro de despesas administrativas, tais como taxas de água, luz, telefone, materiais de escritório, aluguéis, etc, além de não constar qualquer patrimônio, como móveis e utensílios, e nenhum tipo de aquisição de ferramentas necessárias à atividade de pedreiro, pintor, encanador, nem de EPI, sendo que consta, dos Contratos de Prestação de Serviço com a tomadora YOKI Alimentos S/A, que o prestador de serviço deve fornecer uniformes, crachás e equipamentos de proteção individual aos seus empregados. Esclarece que não há contabilização de despesas de transporte de empregados e não foram apresentadas copias de cheques nos anos em que houve movimento bancário, quais sejam, 2001, 2002 e 2003,. Informa que, conforme contrato social de constituição da empresa, o sócio gerente exerce a função de construtor, tendo sido contabilizado o pagamento de apenas um salário mínimo pelo serviço prestado, a título de pro labore e conclui que a contabilidade não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa. A recorrente apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, conforme Despacho de fls. 66, para que a fiscalização esclarecesse, entre outras coisas, sobre a constatação da insuficiência da mãodeobra declarada na contabilidade. Em atendimento à solicitação de diligência, a fiscalização se manifestou (fls. 71), esclarecendo, entre outras coisas, que o montante de mão de obra formal para a realização dos serviços de construção civil prestados pela recorrente era totalmente desproporcional ao usualmente utilizado pelas demais empresas desse mesmo de atividade, ou seja, a remuneração total paga pela recorrente no período fiscalizado não ultrapassou 10,21 % do total do faturamento. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente se manifestou aditando a impugnação e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN 21.423.4/0256/2005 (fls. 88), julgou a autuação procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 98), alegando, em síntese, o que se segue. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11868.000604/200838 Acórdão n.º 2301002.940 S2C3T1 Fl. 142 3 Inicialmente, discorre sobre as duas fases do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário, a inquisitiva e a contenciosa, salientado que as duas são informadas pelo primado da verdade real ou material, de forma que, para aplicação da norma jurídica tributária, fazse imprescindível a constatação efetiva, pela Administração, dos fatos eleitos pelo legislador como núcleo objetivo da norma. Ressalta que perpetrouse, no caso, uma ilegalidade ante o desconhecimento da verdade e, havendo dúvida, inarredável a incidência do princípio do “in dubio pro contribuinte", conforme prevê o art. 112, do CTN. Nota que está havendo a transferência para a Recorrente do dever de realizar prova negativa com vistas a demonstrar que a contabilidade não retrata, fidedignamente, a ocorrência dos fatos geradores das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados, sendo que cabe à autoridade administrativa a tarefa de se atestar a ocorrência das hipóteses de incidência das normas jurídicas de tributação para que se proceda à subsunção lastreada em elementos de certeza. Entende que, ao se deslocar a realização deste mister para os contribuintes, além de se vulnerar a regra traçada no art. 142, do CTN, estarseá depondo contra a própria finalidade da fase inquisitorial de constituição do crédito tributário (procedimento administrativo), justamente porque nesta etapa, conforme abordado, não se permite a produção de provas por parte do sujeito passivo. Sustenta que a assertiva de que os valores mostravamse desproporcionais em relação ao usualmente utilizado pelas demais empresas é extremamente frágil e nada demonstra, uma vez que no ambiente empresarial não há espaço para afirmações desse talante, já que cada empresa representa um universo diferente e, não fosse assim, todas as empresas deste País seriam bem sucedidas. Assevera que o Sr Cícero, representante legal da Recorrente, sempre foi pessoa humilde, simples, honesta e trabalhadora, condições que continuam norteando os seus passos até hoje e que lhe proporcionaram levar à diante o desafio de sobreviver, promover o sustento da sua família e o estudo de seus filhos. Esclarece que o Sr. Cícero sempre exerceu o oficio de pedreiro, mas que, pretendendo desempenhar a sua atividade dentro da formalidade e diante de exigências formatadas pelos tomadores dos seus préstimos, o Sr. Cícero se viu compelido a constituir uma sociedade empresária. Registra que a Recorrente, como boa parte das sociedades empresárias e firmas individuais brasileiras, não é um modelo de boa administração, valendose, assim, de procedimentos rudimentares de gestão, motivo pelo qual sequer há um local utilizado somente como sede da empresa, já que o imóvel utilizado se confunde com a residência do seu sócio, o que não significa que a sua contabilidade deixa de retratar com fidelidade os eventos ocorridos. Defende o entendimento de que o percentual de arbitramento em 40% não consta de nenhuma lei, o que implica em ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, I, da CF, e também ao art. 97, IV, do CTN. Afirma que o raciocínio empregado pelo Sr. Auditor implica na incidência do tributo sobre um "não fato", ou seja, ele não comprova o fato e considera, por presunção, que Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 ele tenha ocorrido, e o que é pior, escondendose atrás dos permissivos flexíveis e inexatos contemplados pelos indigitados §§ 2°, 3° e 6° do art. 33, da Lei n° 8.212/91. Explica que não se pretende o reconhecimento de inconstitucionalidades em sede administrativa, mas que não se pode conceber com o comportamento adotado pela administração que, sob a alegação de os seus atos se sujeitarem incondicionalmente ao primado da estrita legalidade, sobrepõe a legislação infraconstitucional ao Texto Magno. Argumenta que, apesar de a administração estar vinculada a determinações contidas em lei, tais regras, para legitimar os atos administrativos, devem se mostrar absolutamente afinizadas com a vontade do Constituinte Originário e, se assim não o for, plenamente possível é o afastamento de sua aplicação, o que não se confunde com a efetiva declaração da sua inconstitucionalidade. Traz a doutrina e jurisprudência para tentar demonstrar que afigurase plenamente possível às autoridades julgadoras em âmbito administrativo deixar de aplicar leis flagrantemente vulneradoras da Lei Maior, argumentando que, se assim não fosse, acabarseia por admitir a existência de uma garantia constitucional capenga. Alega que menos insustentável, ainda, é a afirmação de que ilegalidades não podem ser reconhecidas na fase contenciosa do processo administrativo, e questiona qual seria a serventia do processo administrativo então. Reitera que o importante para o deslinde da questão é que os custos com mãodeobra indicados na contabilidade são os verdadeiros, não tendo a Fiscalização demonstrado o contrário, sendo que esse ônus de prova a ela compete, sobretudo porque o lançamento é privativo da autoridade administrativa, como determina o caput do art. 142 do CTN. Reafirma que os outros elementos trazidos ao processo administrativo de lançamento são irrelevantes e decorrem da tentativa de desclassificar a contabilidade, invertendo o ônus de prova, mas, como esses pontos foram abordados nas informações e diante do engodo arquitetado pela Fiscalização, entende que a Recorrente não pode se furtar de tecer considerações. Insiste em asseverar que todos os documentos solicitados pela Sra. Auditora foram devidamente apresentados pela Recorrente, com exceção das cópias dos cheques, cuja ausência de obrigatoriedade foi reconhecida pela própria Fiscal, que, segundo entende, extrapolou os limites de suas atribuições, na medida em que investiu contra elementos que fogem da sua esfera de competência. Repete que não há materiais de escritório , móveis, utensílios, luz, telefone, ferramentas e equipamentos, despesas com transporte de empregados, justamente porque a Recorrente não conta com estrutura administrativa adequada, mantendo procedimentos antiquados, além do que a sua sede coincide com o endereço residencial do seu sócio, uma vez que a pessoa jurídica se encontra instalada na casa do Sr. Cícero. Sustenta que a existência desses elementos não é obrigatória, tanto que eles não se fazem presentes, motivo pelo qual a contabilidade não poderia retratálos, sendo uma clara demonstração de desconhecimento a afirmação de que as despesas com telefone, água, luz, etc, não são custos ou despesas das pessoas físicas porquanto a pessoa jurídica é titular de direitos e obrigações. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11868.000604/200838 Acórdão n.º 2301002.940 S2C3T1 Fl. 143 5 Esclarece que a pessoa jurídica, dotada de personalidade jurídica que é, somente é titular dos direitos e obrigações que assumiu, registrando em sua contabilidade apenas as operações que a ela competem e, se a casa onde está instalada a empresa é a residência do seu sócio, e se lá há despesas com luz, telefone ou coisas do tipo, tais despesas são indispensáveis à sobrevivência da sua família, permitindose, por mera liberalidade, que estes serviços sejam, quando necessário, franqueados às atividades da empresa. Lembra que o titular desses contratos é o sócio, Sr. Cícero e, portanto, as despesas não podem ser atribuídas à empresa, tampouco ser contabilizadas por ela, como também o valor dos lucros distribuídos condiz com a realidade, sendo que a Fiscalização não conseguiu reunir elementos para descaracterizar a sua veracidade, baseandose em meras suposições, ressaltando que o acréscimo patrimonial auferido pela empresa e a sua respectiva distribuição foram devidamente tributados de acordo com a legislação do imposto de renda, não havendo qualquer irregularidade quanto a isso. Finaliza requerendo o recebimento do presente Recurso Voluntário, com vistas a lhe dar total provimento, desconstituindose, assim, o lançamento guerreado. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a recorrente alega que o procedimento administrativo de constituição do crédito deve ser informado pelo primado da verdade real ou material, de forma que, para aplicação da norma jurídica tributária, fazse imprescindível a constatação efetiva, pela Administração, dos fatos eleitos pelo legislador como núcleo objetivo da norma e que, no caso, perpetrouse uma ilegalidade ante o desconhecimento da verdade e, havendo dúvida, inarredável a incidência do princípio do “in dubio pro contribuinte", conforme prevê o art. 112, do CTN. Porém, não ocorreu, no caso presente, “desconhecimento da verdade” de modo a ser aplicado o disposto no citado dispositivo legal, uma vez que a fiscalização constatou, e comprovou, que a autuada deixou de registrar, em sua contabilidade, despesas administrativas necessárias a todas empresas que atuam no ramo de construção civil, tais como taxas de água, luz, telefone, materiais de escritório, aluguéis, aquisição de ferramentas necessárias à atividade de pedreiro, pintor, encanador, nem de EPI. Em diligência realizada na tomadora de serviços da recorrente, a YOKI Alimentos S/A, constatouse que o prestador de serviço era o responsável por fornecer uniformes, crachás e equipamentos de proteção individual aos seus empregados, além de ferramentas e outros utensílios necessários na execução do serviço. No entanto, conforme observado pela autoridade autuante, não há registro, nos livros contábeis, de despesas usuais de empresas, acarretando um numerário elevado na conta caixa e alterando o valor do lucro. Dessa forma, não houve presunção da ocorrência da infração, como quer fazer crer a recorrente, e sim a constatação da sua ocorrência, comprovada por meio dos documentos analisados. A recorrente insiste em afirmar que todos os documentos solicitados pela fiscalização foram apresentados e que a autoridade autuante extrapolou os limites de suas atribuições na medida em que investiu contra elementos que fogem da sua esfera de competência. Contudo, toda empresa está obrigada a registrar todos os movimentos financeiros realizados durante a prestação dos serviços, como todas as despesas necessárias para o funcionamento da pessoa jurídica, como mobiliário, material de escritório, água, luz etc, e de aquisições de bens, como ferramentas, utensílios, material de mobiliário, EPI etc. E ao apresentar Livros Diário com informações diversas da realidade e/ou omissão de informação verdadeira, a recorrente infringiu a legislação previdenciária. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11868.000604/200838 Acórdão n.º 2301002.940 S2C3T1 Fl. 144 7 Os parágrafos 2° e 3o, do art. 33, da Lei n.° 8.212/91, na redação vigente à época, estabelecem que: § 2° A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Fedem! – DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Da mesma forma, o artigo 233, do RPS, dispõe que: Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifei) E o AFPS, ao constatar que a contabilidade da recorrente não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, por omissão de qualquer lançamento contábil relativos às despesas da empresa ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, agiu em conformidade com os ditames legais e lavrou o competente AI, uma vez que sua atividade é vinculada aos ditames legais. À recorrente caberia provar que as irregularidades verificadas durante a ação fiscal não procedem e apresentar elementos que comprovem a regularidade dos registros contábeis. A autuada não nega a falta de escrituração de despesas, mas se justifica afirmando que não há materiais de escritório, móveis, utensílios, luz, telefone, ferramentas e equipamentos, despesas com transporte de empregados, justamente porque a Recorrente não conta com estrutura administrativa adequada, mantendo procedimentos antiquados, além do que a sua sede coincide com o endereço residencial do seu sócio, uma vez que a pessoa jurídica se encontra instalada na casa do Sr. Cícero. Ou seja, a recorrente afirma que é seu sócio, como pessoa física, quem arca com todas as despesas administrativas da pessoa jurídica. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Tal fato e mais os narrados no relatório fiscal, comprovam que houve violação ao princípio contábil da entidade, pois não há distinção entre as despesas da empresa e as despesas das pessoas físicas que lhe prestam serviço. Da análise dos fatos relatados, restou evidente a confusão patrimonial da recorrente, que não contabilizou despesas que foram suas, ao argumento de terem sido arcadas por seu sócio. A recorrente afirma que isso não é proibido. Todavia, a contabilidade de qualquer empresa deve observar os Princípios Fundamentais da Contabilidade, estabelecidos pela Resolução CFC n° 750/93, e às Normas Brasileiras de Contabilidade, e espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa, sob pena de ser descaracterizada, ensejando a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, transferindo à empresa o ônus da prova em contrário. A autuada argumenta que o acréscimo patrimonial auferido pela empresa e a sua respectiva distribuição foram devidamente tributados de acordo com a legislação do imposto de renda, não havendo qualquer irregularidade quanto a isso. Porém, cumpre observar que as normas expedidas para o imposto de renda e aquelas relativas à contribuição previdenciária não são excludentes entre si, cabendo ao contribuinte cumprilas. No caso, conforme exaustivamente exposto acima, houve descumprimento do art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/91, bem como do art. 233, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A fiscalização observou, ainda, que o montante de mão de obra formal para a realização dos serviços de construção civil prestados pela recorrente não ultrapassou 10,21 % do total do faturamento. Todos os fatos narrados pela fiscalização, aliados à falta de documentos que pudessem comprovar as alegações da recorrente, levam à convicção de que a contabilidade da empresa autuada não espelha a sua realidade econômicofinanceira, pois as despesas citadas, bem como os custos ou aquelas relacionadas a sua atividade fim deixaram de ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorreram. À recorrente caberia provar que as irregularidades verificadas durante a ação fiscal não procedem e apresentar elementos que comprovem a regularidade dos registros contábeis. Com relação ao argumento de que o julgador administrativo não pode escusarse da apreciação dos argumentos ofertados pela recorrente alegando tratarse de matéria inconstitucional, é oportuno esclarecer que a Portaria 520/2004, que regia o Contencioso Administrativo Fiscal à época da emissão da DN combatida, determinava que: Art. 20 É vedado ao Instituto Nacional do Seguro Social afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I – já tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11868.000604/200838 Acórdão n.º 2301002.940 S2C3T1 Fl. 145 9 publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II – haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República. Esse também é o entendimento manifestado pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, conforme Parecer/CJ nº 2.547/2001: (...) Ante o exposto, esta Consultoria Jurídica posicionase no sentido de que a Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. Da mesma forma, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Nesse sentido, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. Dessa forma, ao contrário do que afirma a recorrente, verificase que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Por todo o exposto e, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 17 /09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13839.912644/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/10/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 26 44 /2 00 9- 88 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13839.912644/200988 Acórdão n.º 2401005.646 S2C4T1 Fl. 176 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 11.309,01, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 31/10/2006) veiculado na PER/DCOMP 03773.60297.291106.1.3.046985, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 15/09/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/10/2009 alegando, em síntese: a) O recolhimento do IRRF incidente sobre e assistência técnica (Cód. 0422), no importe de R$ 23.066,77 em 31/10/2006 referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato este que não aconteceu. b) Apesar de equívocos iniciais, envolvendo inclusive recolhimento incorreto de CIDE, o pagamento do IRRF restou a maior. Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O recolhimento noticiado encontrase integralmente alocado ao débito de IRRF (Código de Receita 0422) especificado do despacho decisório. O contribuinte efetuou a transmissão da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório. b) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13839.912644/200988 Acórdão n.º 2401005.646 S2C4T1 Fl. 177 3 Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). c) O apoio de defesa pautado em meras alegações não tem a força de Verdade Material em sede dos ritos e formalidades disciplinados para o Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 15 e 16, III e § 4°). A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 27/06/2014, o contribuinte interpôs em 24/07/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. Além disso, apesar de equívocos iniciais, envolvendo inclusive recolhimento incorreto de CIDE, o pagamento do IRRF restou a maior. b) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. c) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Destaquese que as incorreções inicialmente alegadas, envolvendo em especial a CIDE, não interferem na caracterização do pretenso recolhimento a maior de IRRF. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13839.912644/200988 Acórdão n.º 2401005.646 S2C4T1 Fl. 178 4 O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13839.912644/200988 Acórdão n.º 2401005.646 S2C4T1 Fl. 179 5 possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II1). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) 1 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13839.912644/200988 Acórdão n.º 2401005.646 S2C4T1 Fl. 180 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)2, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)3. Em homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente 2 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 3 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13839.912644/200988 Acórdão n.º 2401005.646 S2C4T1 Fl. 181 7 fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)4 ou, após a decisão de primeira instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)5, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com procuração, cópia do contrato social, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia com o recurso voluntário foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório. 4 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13839.912644/200988 Acórdão n.º 2401005.646 S2C4T1 Fl. 182 8 Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos são extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. Sem a regular exibição da documentação contábil, não há como valorar a planilha intitulada "07/10/2009;LALUR 2006 AUDITADOSIM:ONATODIPJ.xls.;IRPJ" e nem a compilação de lançamentos de conta de Livro Razão entre 29/09/2006 e 01/06/2007 apresentados com a manifestação de inconformidade (fls. 42/43). O Contrato de Licença (em inglês e vernáculo sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato) e o Certificado de Averbação apresentados, como reconhece a própria recorrente teriam validade de cinco anos a contar de 27/12/2007. Como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 31/10/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos o alegado erro (antecipação de pagamento e inocorrência do fato gerador). Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.001103/2003-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOA FÍSICA.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Recurso especial da Fazenda parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-007.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento, considerando como termo final a data do efetivo pagamento de cada glosa revertida, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO IPI AQUISIÇÕES DE PESSOA FÍSICA. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Recurso especial da Fazenda parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento, considerando como termo final a data do efetivo pagamento de cada glosa revertida, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 11 03 /2 00 3- 52 Fl. 935DF CARF MF Processo nº 13896.001103/200352 Acórdão n.º 9303007.158 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda (fls. 894/908), admitido pelo despacho de fls. 910/912, contra o Acórdão 3202001.017 (fls. 886/809), de 26/11/2013, o qual proveu o recurso voluntário para reconhecer que os insumos adquiridos de pessoa física devem entrar no cálculo do crédito presumido e que sobre os valores ressarcidos é devida a atualização monetária, com base na SELIC desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito. A Fazenda postula a reforma do recorrido para que não seja admitido nos cálculos do crédito presumido os insumos adquiridos de pessoa física e para que sobre os valores ressarcíveis não seja aplicada a taxa SELIC. O contribuinte, em contrarrazões (fls. 921/932), pugnou pelo improvimento do especial interposto pela Fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso da Fazenda nos termos em que foi admitido. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS Em que pese meu entendimento de que se o objetivo da legislação do crédito presumido fosse desonerar a incidência de PIS e COFINS na exportação, não haveria que se falar do incentivo quando essas contribuições não incidissem na compra de insumos, como, p. ex., compra de produtores rurais (pessoas físicas) Contudo, em que pese entender indevida sua inclusão no cálculo do benefício, a matéria já foi objeto de decisão do STJ em sede de recurso repetitivo (REsp 993.164), a qual, por força regimental (art. 62), devo, necessariamente, aplicála. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 13896.001103/200352 Acórdão n.º 9303007.158 CSRFT3 Fl. 4 3 Portanto, negase provimento ao recurso da Fazenda, mantendo a inclusão dos valores decorrentes de aquisição de insumos de produtores rurais (pessoas físicas) no cálculo do crédito presumido. Nesse sentido, reiterada jurisprudência desta CSRF1. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC O contribuinte postula em seu recurso que seja aplicada a taxa SELIC desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento. Vem se consolidando de forma majoritária nesta Turma da CSRF que só há que se falar em aplicação de taxa SELIC quando restar caracterizada a oposição estatal ao pedido de ressarcimento2. No caso em tela, como se dessume do despacho decisório local (fl. 383/385), do pleito total no valor histórico de R$ 6.793.526,66, foi deferido o valor de R$ 838.173,21. Portanto, só há que se falar em oposição ao valor correspondente à diferença entre o pedido e o deferido. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. No âmbito das turmas de julgamento do CARF têm se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados referidos estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Dessa leitura, concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco ao aproveitamento de referidos créditos permite que seja reconhecida a incidência da atualização monetária pela aplicação da taxa Selic. Porém, para a incidência da correção que se pretende, há que existir, necessariamente, o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento, com causas de pedir diversas, temse que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto, somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima mencionadas. E quanto ao termo inicial para aplicação da taxa SELIC, dos repetitivos a que aludi o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Em consequência, manifestouse que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que 1 A título de exemplo, Acórdão 9303006.513, de 15/03/2018. 2 Nesse sentido Acórdão 9303006.999, julgado em 14/06/2018, de relatoria do Dr. Rodrigo Pôssas. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 13896.001103/200352 Acórdão n.º 9303007.158 CSRFT3 Fl. 5 4 não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Com efeito, no presente processo, entendo, com base no exposto, que sobre os valores deferidos posteriormente ao despacho inicial, deve ser aplicada a taxa SELIC a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até seu efetivo creditamento. Dessarte, deverá o órgão local tomar como termo inicial (dies a quo) os 360 dias após o protocolo do pedido e como termo final (dies ad quem) a data do pagamento do crédito suplementar reconhecido na decisão administrativa que se tornar definitiva. CONCLUSÃO Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso da Fazenda para determinar a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento, considerando como termo final a data do efetivo pagamento de cada glosa revertida. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 938DF CARF MF Processo nº 13896.001103/200352 Acórdão n.º 9303007.158 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 939DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000200/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS VALORES DECLARADOS. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS.
O valor devido pela pessoa jurídica inscrita no SIMPLES é determinado mediante a aplicação de percentuais variáveis e incidentes sobre a receita bruta mensal auferida, excluindo-se as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.
A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir dos livros fiscais apresentado ao fisco estadual pelo próprio contribuinte e o valor declarado por ele a menor ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais.
Para as empresas prestadoras de serviços de transporte de cargas, é possível deduzir da receita bruta os valores a título de pedágios, desde que comprovados, conforme artigo 2º da Lei nº 10.209/2001, inexistindo previsão legal que permita deduzir outros custos ou despesas.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO.
A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida por ocasião do lançamento.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO.
De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1201-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS VALORES DECLARADOS. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. O valor devido pela pessoa jurídica inscrita no SIMPLES é determinado mediante a aplicação de percentuais variáveis e incidentes sobre a receita bruta mensal auferida, excluindo-se as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir dos livros fiscais apresentado ao fisco estadual pelo próprio contribuinte e o valor declarado por ele a menor ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais. Para as empresas prestadoras de serviços de transporte de cargas, é possível deduzir da receita bruta os valores a título de pedágios, desde que comprovados, conforme artigo 2º da Lei nº 10.209/2001, inexistindo previsão legal que permita deduzir outros custos ou despesas. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida por ocasião do lançamento. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS VALORES DECLARADOS. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. O valor devido pela pessoa jurídica inscrita no SIMPLES é determinado mediante a aplicação de percentuais variáveis e incidentes sobre a receita bruta mensal auferida, excluindose as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir dos livros fiscais apresentado ao fisco estadual pelo próprio contribuinte e o valor declarado por ele a menor ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais. Para as empresas prestadoras de serviços de transporte de cargas, é possível deduzir da receita bruta os valores a título de pedágios, desde que comprovados, conforme artigo 2º da Lei nº 10.209/2001, inexistindo previsão legal que permita deduzir outros custos ou despesas. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida por ocasião do lançamento. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 02 00 /2 00 8- 12 Fl. 203DF CARF MF 2 competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração do Simples Federal (fls. 13/43), que exigem IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, referentes ao ano calendário de 2004, em razão de omissão de receitas apurada pela diferença entre os valores escriturados nos livros fiscais estaduais e aqueles que foram declarados ao fisco federal. As infrações foram assim capituladas: 001 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO Valor apurado conforme apurado no Demonstrativo às fls. 43. Intimado a esclarecer sobre as diferenças entre as receitas escrituradas nos livros fiscais estaduais e as declaradas na PJSI 2005 às fls. 78 a 95, o contribuinte respondeu que entende que deve ser tributado sobre o valor líquido dos fretes. Contudo, na Fl. 204DF CARF MF Processo nº 16641.000200/200812 Acórdão n.º 1201002.237 S1C2T1 Fl. 3 3 sistemática de pagamentos conhecida por SIMPLES, a tributação ocorre sobre a receita bruta (o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos), normalmente registrada nos livros fiscais estaduais próprios apresentados. [...] 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de recolhimento decorrente da alteração dos percentuais de determinação do valor a ser recolhido mensalmente pelo SIMPLES, calculada sobre as receitas declaradas na PJSI2005, motivada pelo aumento da receita bruta nos meses correspondentes, face a apuração de diferenças de base de cálculo pelo fisco. A empresa apresentou defesa tempestiva (fls. 101/105), contrapondose aos lançamentos com base nos seguintes argumentos: · seu ramo de negócios é o transporte rodoviário de cargas, intermunicipal e interestadual, de acordo com a cláusula terceira de seu contrato social ( fls. 50 e 157). Assim, ao ser contratado, os valores despendidos com o custo do transporte (caminhões, motoristas, combustível, pedágios etc.) são repassados diretamente ao tomador, passando tais valores a fazer parte da nota fiscal emitida pela empresa contratante, juntamente com o valor da mercadoria objeto do transporte. Desta forma, tais valores são tributados quando da emissão da nota fiscal pela empresa contratante, na origem; · a diferença constatada pelo fisco ocorre do fato de que nos registros de saídas e apuração de ICMS está consignado o valor total despendido com o transporte, ou seja, o valor pago à empresa impugnante (receita bruta auferida) e os valores correspondentes a caminhões, motoristas, combustível, pedágio. No entanto, estes valores já foram objeto de tributação quando da emissão da nota fiscal pela empresa contratante; · a pretensão do Fisco de tributar esses valores com a efetiva receita bruta auferida configurase bitributação, vedado pelo nosso ordenamento jurídico. À impugnante cabe tão somente a tributação sobre os valores percebidos com o desempenho de sua atividade, conforme declaração de imposto de renda apresentada. Fl. 205DF CARF MF 4 Em Sessão de 29 de março de 2010, a DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou a defesa integralmente improcedente por meio de Acórdão de fls. 170/175, que restou assim ementado: SIMPLES. TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. OPERAÇÃO DISTINTA DE AGENCIAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. BITRIBUTAÇÃO. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize sub contratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que sub contratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é O produto da venda de bens e Serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada à íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Não se caracteriza como bitributação o lançamento efetuado para exigência de diferença de tributo que deixou de ser recolhida por ocasião de seu vencimento. O contribuinte foi intimado da decisão de piso em 12/04/2010 (cf. AR de fls. 181) e apresentou recurso voluntário em 04/05/2010 (fls. 182/192), o qual reitera as alegação de defesa, aduz que a multa de ofício de 75% é confiscatória, bem como que os juros calculados com base na Taxa Selic são indevidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16641.000200/200812 Acórdão n.º 1201002.237 S1C2T1 Fl. 4 5 Da omissão de receitas No mérito, a Recorrente não nega a existência da diferença apurada, questionando apenas os valores considerados, os quais, no seu entender, estão em excesso porque não teriam levado em conta as deduções inerentes à atividade, que teriam sido tributadas pelas empresas contratantes, tais como as importâncias gastas com motoristas, caminhões, combustível e pedágios. Diferentemente do vale pedágio, no qual há disposição legal expressa para dedução direta da receita, não há previsão legal para abatimento de nenhum outro custo ou despesa na base de cálculo das transportadoras que aderem o Simples. Com efeito, a Recorrente é empresa de transporte de cargas e por isso incorre em uma série de custos e despesas diretas, dentre os quais de combustível, locação, lubrificantes, peças de reposição etc.. São gastos necessários, usuais e operacionais, podendo ser pagos de forma direta ou por terceiro, mas que não estão contemplados na legislação como redutor de receita bruta. A defesa da Recorrente sustenta que, por razões da atividade econômica que explora, a base sobre a qual deveria ser aplicado o percentual para fins de apuração do valor do recolhimento unificado dos tributos deveria excluir referidos dispêndios. Razão, porém, não lhe assiste. Isso porque, repitase, não se encontra na legislação de regência nenhum permissivo para que o contribuinte optante do Simples, e não pelo Lucro Real, possa expurgar da receita bruta os valores relativos a custos ou despesas da atividade. Tendo optado pelo Simples, a apuração do lucro é substituída pela aplicação de percentual variável incidente sobre a totalidade da receita bruta, razão pela qual acabam sendo "desprezados" os custos e despesas, em contrapartida de uma alíquota favorecida pelo tratamento tributário diferenciado. A adesão ao SIMPLES é facultativa para as empresas que preencham os requisitos legais. Tratase de escolha que gera uma não necessidade de comprovação de custos e despesas, afinal cabe ao contribuinte recolher os tributos devidos em face de sua receita bruta. A Recorrente, pois, ao lançar como receita somente o valor líquido relativo a fretes, não está adimplindo com as obrigações assumidas por ocasião da sua opção pelo Simples. Dessa forma, considero correta a omissão de receita caracterizada. Da multa de ofício de 75% Quanto à incidência da multa de ofício no percentual de 75%, dispõe o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: Fl. 207DF CARF MF 6 “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” No presente caso, uma vez que a fiscalização apurou diferença de tributo pago a menor, exigiu também a correspondente multa de ofício, no percentual de 75%, como determina a lei. A multa de ofício de 75%, portanto, possui previsão legal e foi aplicada corretamente pela autoridade fiscal autuante. Quanto a seu caráter confiscatório, matéria de cunho constitucional, cumpre ressaltar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, matéria esta que cabe tão somente ao Poder Judiciário. Dessa forma, não há como acolher o pedido da contribuinte quanto à redução da multa de ofício que foi exigida, devendo esta ser mantida no patamar legal (75%). Juros de Mora. Taxa Selic Em relação à aplicação da SELIC, a matéria já encontrase sumulada no CARF, nos seguintes termos: (Súmula CARF n° 4: a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.). O recurso voluntário, contudo, também não merece acolhimento nesse item. Conclusão Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16641.000200/200812 Acórdão n.º 1201002.237 S1C2T1 Fl. 5 7 Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722908/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
período de apuração: 01/02/2006 a 30/11/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma.
Em se verificando que há contradição interna e não externa no dispositivo e no que concluiu a Turma julgadora, devem ser acolhidos os embargos de declaração para constar a ementa correta e adequada, espelhando o julgamento e seus termos, com o intuito de sanar o vício apontado no Acórdão.
PLR EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO E AFRONTA À CONSTITUIÇÃO.
A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica.
ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA DA INSTITUIÇÃO.
Assembléia do contribuinte não é assaz para determinar a incidência ou não de contribuição previdenciária, mormente quanto lei específica determina exatamente ao contrário.
PRINCÍPIO DA SIMETRIA.
O princípio da simetria pode e deve ser usado no Ordenamento Jurídico desde que não agrida a legislação específica e sobretudo à Carta Maior.
Recurso Voluntário provido.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-005.342
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-002.851, de 19/06/2012, corrigir a resultado do julgamento para "recurso voluntário provido".
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias período de apuração: 01/02/2006 a 30/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Em se verificando que há contradição interna e não externa no dispositivo e no que concluiu a Turma julgadora, devem ser acolhidos os embargos de declaração para constar a ementa correta e adequada, espelhando o julgamento e seus termos, com o intuito de sanar o vício apontado no Acórdão. PLR EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO E AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA DA INSTITUIÇÃO. Assembléia do contribuinte não é assaz para determinar a incidência ou não de contribuição previdenciária, mormente quanto lei específica determina exatamente ao contrário. PRINCÍPIO DA SIMETRIA. O princípio da simetria pode e deve ser usado no Ordenamento Jurídico desde que não agrida a legislação específica e sobretudo à Carta Maior. Recurso Voluntário provido. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-002.851, de 19/06/2012, corrigir a resultado do julgamento para "recurso voluntário provido". (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 313 1 312 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722908/201028 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301005.342 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante DRF BAHIA / SALVADOR Interessado DESENBAHIA AGÊNCIA DE FOMENTO DO ESTADO DA BAHIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS período de apuração: 01/02/2006 a 30/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Em se verificando que há contradição interna e não externa no dispositivo e no que concluiu a Turma julgadora, devem ser acolhidos os embargos de declaração para constar a ementa correta e adequada, espelhando o julgamento e seus termos, com o intuito de sanar o vício apontado no Acórdão. PLR EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO E AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA DA INSTITUIÇÃO. Assembléia do contribuinte não é assaz para determinar a incidência ou não de contribuição previdenciária, mormente quanto lei específica determina exatamente ao contrário. PRINCÍPIO DA SIMETRIA. O princípio da simetria pode e deve ser usado no Ordenamento Jurídico desde que não agrida a legislação específica e sobretudo à Carta Maior. Recurso Voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 29 08 /2 01 0- 28 Fl. 313DF CARF MF 2 Embargos Acolhidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301002.851, de 19/06/2012, corrigir a resultado do julgamento para "recurso voluntário provido". (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal em Salvador contra Acórdão de julgamento n.º 2301002.851, que verificou contradição na decisão lançada, em especial no dispositivo e no resultado do julgamento, o qual transcrevo: "Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a)". Da leitura dos Embargos de Declaração opostos verificase que a Embargante suscita ocorrência de suposta contradição no referido acórdão prolatado e na decisão do relator: "Estamos devolvendo este processo para que seja ratificado o resultado do julgamento do recurso, considerando que o relator vota por dar provimento ao recurso voluntário, e o colegiado vota por negar o recurso voluntário, justificando estarem de acordo com o voto do relator, o que é contraditório". Isso porque a ementa ficou assim editada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/02/2006, 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO SOB N° 37.252.7205 Consolidado em 29/03/2010 Valor de R$ 1.812.770,39 PLR EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO E AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10580.722908/201028 Acórdão n.º 2301005.342 S2C3T1 Fl. 314 3 contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA DA INSTITUIÇÃO. Assembléia do contribuinte não é assaz para determinar a incidência ou não de contribuição previdenciária, mormente quanto lei específica determina exatamente ao contrário. PRINCÍPIO DA SIMETRIA. O princípio da simetria pode e deve ser usado no Ordenamento Jurídico desde que não agrida a legislação específica e sobretudo à Carta Maior. Recurso Voluntário Negado". Nas fl. 303, a Fazenda Nacional informou que não pretende recorrer da decisão proferida. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O artigo 66, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015), assim dispõe: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Os embargos opostos nesse caso seriam os embargos inominados, o qual verifica inexatidão material no dispositivo e da ementa prolatada. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. No presente caso, observase que há diferença no que foi decidido e no que foi lançado no dispositivo e na ementa do colegiado. Conforme se constata do voto do relator, esse se pronunciou literalmente para a anulação da decisão de primeira instância, conforme se transcreve de parte do voto: "Tratase de matéria de fato, cujo erro cometido se estampa nos autos do presente processo, vez que a Fiscalização, equivocadamente se valeu de pagamentos realizados a outro Fl. 315DF CARF MF 4 título para demonstrar e caracterizar a multiplicidade de distribuição de lucros em desacordo com a legislação hodierna. Outro comportamento indevido observado nas peças dos autos, cometido pela fiscalização é o fato de ela ter desclassificado a integralidade dos pagamentos regularmente efetuados a título de PLR. Em sendo assim, não resta a menor dúvida que foi maculado todo o trabalho fiscalizador, uma vez que este, movido a erro de fato, trouxe aos autos autuação imperfeita em dissonância à legislação, e que por certo prejudicou a defesa, mormente porque a decisão de primeiro grau não considerou estas anomalias. Portanto, fere o princípio da legalidade, bem como o devido processo legal e a ampla defesa, devendo nova decisão de primeiro grau manifestarse quanto aos erros apontados, ou seja, o fato de ter considerado outros pagamentos realizados aos empregados da Recorrente a outro título e o fato de ela não ter desclassificado a integralidade dos pagamentos efetivamente realizados a título de PLR. Desta forma, está configurado o erro de fato e o vício material, haja vista que o engano foi cometido na interpretação equivocada da fiscalização que considerou outros pagamentos como sendo PLR e não baseado em norma equivocada. Também considerase o erro de fato ao não ter a fiscalização considerado os pagamentos efetivamente realizados a título de PLR". Finaliza o relator dando provimento ao recurso, nos seguintes termos: "Diante do exposto, como o Recurso Voluntário acode todos os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO afim de anular a decisão de primeira instância por ter se baseado em duplicidade de pagamentos, considerando outras rubricas como se fosse pagamento de PLR e o fato de ter desclassificado a integralidade dos pagamentos efetivamente realizados a título de PLR, configurando erro de fato e vício material". Com visto, o colegiado concluiu pelo seguinte: "Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a)". Na ementa lançada ficou constando "Recurso Voluntário Negado". Assim, a nova ementa deve passar a conter que foi dado provimento ao recurso voluntário, em especial o dispositivo e conclusão do colegiado, com o intuito de sanar a contradição apontada. Conclusão Nessas circunstâncias, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO aos embargos de declaração opostos pela DRF, para que conste que foi dado provimento ao recurso voluntário, nos termos do julgamento proferido. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10580.722908/201028 Acórdão n.º 2301005.342 S2C3T1 Fl. 315 5 (assinado digitalmente) Wesley Rocha Fl. 317DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660286/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.690
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 86 /2 01 2- 14 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660286/201214 Acórdão n.º 3401004.690 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660286/201214 Acórdão n.º 3401004.690 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660286/201214 Acórdão n.º 3401004.690 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660286/201214 Acórdão n.º 3401004.690 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660286/201214 Acórdão n.º 3401004.690 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660286/201214 Acórdão n.º 3401004.690 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12096.720011/2013-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/07/2011
RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO. VALOR INFERIOR AO DEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE.
Sendo os valores retidos sobre nota fiscal de prestação de serviços insuficientes para quitação do efetivamente devido ao fim do período de apuração, inexiste direito creditório a ser pleiteado via pedido de restituição.
Numero da decisão: 2201-004.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 31/07/2011 RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO. VALOR INFERIOR AO DEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. Sendo os valores retidos sobre nota fiscal de prestação de serviços insuficientes para quitação do efetivamente devido ao fim do período de apuração, inexiste direito creditório a ser pleiteado via pedido de restituição.
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RETENÇÃO. VALOR INFERIOR AO DEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. Sendo os valores retidos sobre nota fiscal de prestação de serviços insuficientes para quitação do efetivamente devido ao fim do período de apuração, inexiste direito creditório a ser pleiteado via pedido de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 09 6. 72 00 11 /2 01 3- 08 Fl. 310DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 203/206) apresentado em face do Acórdão nº 0640.546, da 5ª Turma da DRJ/CTA (fls. 197/199), que negou provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte, mantendo a decisão que indeferiu pedido de restituição relativa a valores de contribuição social retidos sobre Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas na competência 07/2011 (Despacho Decisório EQRESPRE/SEORT/DRF/CTA nº 09/2013 fls. 161/165). O pedido de restituição relativo à competência 07/2011 foi indeferido integralmente tendo em vista que a empresa não teria declarado as retenções em GFIP, conforme exigido pelo art. 17 da Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012. Após a ciência desse despacho, a interessada efetuou a retificação da GFIP e apresentou sua manifestação de inconformidade alegando apenas a correção da falha apontada no despacho (fl. 182). A DRJ manteve o indeferimento com base no reconhecimento da falta pela própria contribuinte. Ciente dessa decisão em 22/05/2013 (fl. 201), a empresa apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 21/06/2013 (fls. 203/206). Neste Conselho, em uma primeira assentada, o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que a unidade de jurisdição da contribuinte, superando a questão da GFIP, se manifestasse acerca do direito creditório alegado (Resolução nº 2803000.220 fls. 209/2013). Em resposta, foi proferido o Despacho nº 63/2014 (fls. 218/221), pelo qual a DRF/CTA aponta a necessidade de aferição indireta dos valores devidos pela recorrente, bem como a insuficiência do que foi retido em confronto com o devido no período. A empresa interessada se manifesta sobre o conteúdo do Despacho (fls. 224/226) e o processo retorna a este Conselho, onde seu julgamento é mais uma vez convertido em diligência para que a unidade de jurisdição da contribuinte analise os novos argumentos trazidos por ela (Resolução nº 2803000.266) fls. 229/232). A partir dos livros e relatórios contábeis obtidos com a recorrente, a DRF/CTA elabora o Termo de Diligência de fls. 290/293, no qual aponta diversas inconsistências nos valores declarados pela empresa e conclui ratificando as conclusões da diligência anterior, no sentido da necessidade de aferição indireta do valor das contribuições devidas, bem como da insuficiência dos valores retidos para quitação do efetivamente devido ao fim do período de referência. Cientificada acerca do conteúdo desse termo, a contribuinte se manifesta (fls. 297/299) em documento pelo qual não enfrenta as questões de fato levantadas pela fiscalização, limitandose a discutir a possibilidade ou não de retificação da GFIP após o pedido de restituição. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 12096.720011/201308 Acórdão n.º 2201004.604 S2C2T1 Fl. 311 3 Retornando a este CARF, o processo compôs lote sorteado em sessão pública para esta Conselheira, tendo em vista o encerramento do mandato dos Conselheiros a quem originalmente distribuído. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme evidenciou a relatório, a matéria em litígio nessa sede recursal se restringe a discutir se a recorrente tem ou não direito à restituição pleiteada com base nas retenções realizadas em notas fiscais de prestação de serviço na competência 07/2011. Originalmente, o pedido foi indeferido em função de a empresa não ter informado as retenções em GFIP. Corrigido esse erro, esta discussão foi superada pela primeira manifestação deste Colegiado que, por isso mesmo, converteu o julgamento do processo duas vezes em diligência para que fosse verificada a existência do direito creditório. Como resultado dessas diligências, a partir das notas fiscais e dos registros contábeis e relatórios fornecidos pela interessada, a Autoridade Fiscal verificou a omissão de diversos fatos geradores em GFIP e demonstrou a insuficiência das retenções sofridas para quitação do tributo efetivamente devido ao fim do período, com o que demonstrou a inexistência do direito creditório alegado. Confrontada com os documentos e conclusões apresentados por essa Autoridade, a empresa tergiversa sobre as inconsistências apuradas, procurando direcionar a discussão para a possibilidade ou não de retificação da GFIP após o pedido de restituição, matéria que já se encontrava superada pela primeira manifestação deste Conselho. Assim, não tendo a recorrente apresentado qualquer argumento que possa lançar dúvida sobre o que foi afirmado pela Autoridade Fazendária, resta evidenciada a inexistência do direito por ela alegado. Em conclusão, embora concorde com a efetividade da retificação efetuada, deixo de reconhecer o direito em virtude da inexistência do crédito. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e negarlhe provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 312DF CARF MF 4 Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000012/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. INCABÍVEL.
O princípio constitucional da não cumulatividade do IPI é expresso no sentido de garantir compensação do imposto de devido com o montante "cobrado" na operação anterior, razão pela qual não há o direito ao creditamento do imposto na aquisição de insumos isentos.
A eventual apropriação de crédito ficto ou presumido do IPI, conforme determina o §6º do art. 150 da Constituição Federal, dependeria de autorização em lei específica, que inexiste relativamente à isenção de que tratam os arts. 3° e 4° do Decreto-Lei n° 288/67.
ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos.
A isenção a que se refere o dispositivo diz respeito ao "produto" industrializado que sai do próprio estabelecimento contribuinte ("aplicados na industrialização, inclusive de produto isento"), e não aos insumos adquiridos ("aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem").
O referido dispositivo trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestre-calendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos, por ausência de previsão legal, sobre insumos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental.
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-005.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. INCABÍVEL. O princípio constitucional da não cumulatividade do IPI é expresso no sentido de garantir compensação do imposto de devido com o montante "cobrado" na operação anterior, razão pela qual não há o direito ao creditamento do imposto na aquisição de insumos isentos. A eventual apropriação de crédito ficto ou presumido do IPI, conforme determina o §6º do art. 150 da Constituição Federal, dependeria de autorização em lei específica, que inexiste relativamente à isenção de que tratam os arts. 3° e 4° do Decreto-Lei n° 288/67. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. A isenção a que se refere o dispositivo diz respeito ao "produto" industrializado que sai do próprio estabelecimento contribuinte ("aplicados na industrialização, inclusive de produto isento"), e não aos insumos adquiridos ("aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem"). O referido dispositivo trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestre-calendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos, por ausência de previsão legal, sobre insumos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental. Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido
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INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. INCABÍVEL. O princípio constitucional da não cumulatividade do IPI é expresso no sentido de garantir compensação do imposto de devido com o montante "cobrado" na operação anterior, razão pela qual não há o direito ao creditamento do imposto na aquisição de insumos isentos. A eventual apropriação de crédito ficto ou presumido do IPI, conforme determina o §6º do art. 150 da Constituição Federal, dependeria de autorização em lei específica, que inexiste relativamente à isenção de que tratam os arts. 3° e 4° do DecretoLei n° 288/67. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. A isenção a que se refere o dispositivo diz respeito ao "produto" industrializado que sai do próprio estabelecimento contribuinte ("aplicados na industrialização, inclusive de produto isento"), e não aos insumos adquiridos ("aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem"). O referido dispositivo trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestrecalendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos, por ausência de previsão legal, sobre insumos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental. Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 00 12 /2 00 8- 24 Fl. 240DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belém que indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. No direito tributário brasileiro, o princípio da não cumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindose, portanto, as aquisições isentas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, os quais gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. DECISÔES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes faltar eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida Versa o processo sobre declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento de créditos de IPI relativo ao 4o trimestre de 2003, no valor de R$2.279.083,19. Tratase de pedido residual, uma vez que o mesmo período já foi objeto de análise através do processo 10283.000063/200775, ao qual foram vinculadas declarações de compensação. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10283.000012/200824 Acórdão n.º 3402005.386 S3C4T2 Fl. 241 3 A autoridade administrativa indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações, sob o argumento de que o princípio da não cumulatividade somente alcança as operações tributadas pelo IPI, o que não é o caso da requerente no qual são objeto de isenção tanto os insumos adquiridos como os produtos por ela fabricados, inexistindo, portanto, o direito ao crédito. Posteriormente ainda foi expedido Parecer Complementar para o fim de apreciar as declarações de compensação vinculadas ao presente processo, o que não havia sido feito no Parecer anterior, as quais foram consideradas não homologadas, sendo cientificado o contribuinte em 21.07.2008 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Tem projeto aprovado pela SUFRAMA, gozando de isenção do IPI sobre a aquisição de insumos, nos termos dos arts. 3° e 4° do Decretolei n° 288, de 1967. b) A não cumulatividade do IPI na Constituição Federal não sobre qualquer restrição, diferentemente do tratamento destinado ao ICMS. Na operação de isenção há incidência do imposto, como já reconhecido pela própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. c) O direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos isentos é matéria pacificada no Supremo Tribunal Federal (STF), tratandose de posicionamento que deve ser estendido à Administração. d) O art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, não impõe, como requisito ao aproveitamento de créditos do IPI, que a entrada tenha sido tributada. De outro lado, o direito a crédito decorrente do principio da não cumulatividade do IPI não exige lei especifica que o assegure. e) O ressarcimento é espécie do gênero restituição, pelo que as regras atinentes a esta também devem ser aplicadas àquele, razão pela qual deve incidir a taxa Selic sobre o valor a ser ressarcido. O julgador decidiu por não acolher as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: As decisões proferidas interpartes, citadas pela interessada, não integram as espécies de julgados que reúnem os atributos necessários a produzir os efeitos (erga omnes) pleiteados. O julgado no RE 212.484 não serve como paradigma jurisprudência. O princípio constitucional da não cumulatividade é exercido pela sistemática de créditos e débitos do IPI, segundo a qual do imposto devido pela saída de produtos do estabelecimento deve ser abatido o imposto pago relativamente aos produtos nele entrados. Assim, não tendo sido cobrado imposto nas operações anteriores, seja pela não incidência, isenção ou tributação à alíquota zero dos produtos adquiridos, não há que se falar em direito ao crédito, ante a inexistência de autorização legal para tanto. Aliás, o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, ao permitir o aproveitamento de saldo credor do IPI, em nenhum momento sugeriu ou indicou que insumos desonerados do tributo dariam gênese a qualquer crédito. A Lei n° 9.250, de 1995, somente se refere à atualização de pedidos de restituição, não se referindo a pedidos de ressarcimento. Inexiste previsão legal para qualquer forma de atualização monetária nas hipóteses de ressarcimento de créditos de IPI. Fl. 242DF CARF MF 4 Cientificada dessa decisão em 04/11/2008, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/12/2008, mediante o qual repisou as alegações da manifestação de inconformidade, sob os seguintes tópicos Direito ao crédito de IPI decorrente de aquisições amparadas por isenção Possibilidade de apreciação da questão na esfera administrativa Inexistência de restrição a manutenção do crédito em relação ao IPI Lei n° 9.779/99 — manutenção de crédito independentemente de pagamento na operação anterior Aplicação do entendimento inequívoco do Supremo Tribunal Federal desnecessidade de apreciação de questão constitucional Aplicação dos juros Selic É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. No presente caso, já foi proferida decisão por este CARF relativamente ao pleito de ressarcimento ao qual as declarações de compensação do presente processo estão vinculadas, conforme ementa abaixo, razão pela qual deve aqui ser adotado esse mesmo entendimento: Processo nº 10283.000063/200775 Acórdão nº 3403003.475– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2014 Matéria IPI Recorrente CEMAZ INDÚSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZONIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO BÁSICO DE IPI. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. NÃO TRIBUTADO. DIREITO. IMPOSSIBILIDADE. Creditamento de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, materiais intermediários, embalagens não tributados ou reduzidos à alíquota zero impossível o direito de crédito em razão da não incidência na etapa anterior. Recurso Voluntário Negado. VOTO (...) Se não ocorreu a incidência na etapa anterior, não há de se falar em direito a crédito. Sendo assim, não há possibilidade de creditamento do IPI decorrentes da aquisição de matérias primas, insumos e produtos intermediários não tributados ou reduzidos à alíquota zero conforme norteamento do STF. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho (...) A recorrente adquire insumos com isenção prevista nos arts. 3° e 4° do DecretoLei n° 288/67 e nos arts. 69, III e 73 do Regulamento do IPI/2002, abaixo transcritos: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10283.000012/200824 Acórdão n.º 3402005.386 S3C4T2 Fl. 242 5 Art 3º A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca, destinadas a seu consumo interno, industrialização em qualquer grau, inclusive beneficiamento, agropecuária, pesca, instalação e operação de indústrias e serviços de qualquer natureza e a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação, e sôbre produtos industrializados. (Vide Decretolei nº 340, de 1967) (...) Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (Vide Decretolei nº 340, de 1967) (Vide Lei Complementar nº 4, de 1969) Art. 69. São isentos do imposto (Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): (...) III os produtos nacionais entrados na ZFM, para seu consumo interno, utilização ou industrialização, ou ainda, para serem remetidos, por intermédio de seus entrepostos, à Amazônia Ocidental, excluídos as armas e munições, perfumes, fumo, automóveis de passageiros e bebidas alcoólicas, classificados, respectivamente, nos Capítulos 93, 33, 24, nas posições 87.03, 22.03 a 22.06 e nos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 288, de 1967, art. 4º, Decreto lei nº 340, de 22 de dezembro de 1967, art. 1º, e Decretolei nº 355, de 6 de agosto de 1968, art. 1º). (...) Art. 73. Os produtos de procedência estrangeira importados pela ZFM serão desembaraçados com suspensão do imposto, que será convertida em isenção quando os produtos forem ali consumidos ou utilizados na industrialização de outros produtos, na pesca e na agropecuária, na instalação e operação de indústrias e serviços de qualquer natureza, ou estocados para exportação para o exterior, excetuados as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros (Decretolei nº 288, de 1967, art. 3º, Lei nº 8.032, de 1990, art. 4º, e Lei nº 8.387, de 1991, art. 1º). Parágrafo único. Não podem ser desembaraçados com suspensão do imposto, nem gozam da isenção, os produtos de origem nacional que, exportados para o exterior, venham a ser posteriormente importados através da ZFM (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 5º). Sustenta a recorrente que teria direito ao crédito da aquisição de insumos adquiridos com a referida isenção. No entanto, inexiste previsão legal que lhe assegure tal direito. Como se sabe, a Constituição Federal proíbe a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe expressamente o seu art. 150, §6º: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...) Fl. 244DF CARF MF 6 Não obstante isso, entende a recorrente que o direito creditório sobre a aquisição de insumos isentos seria decorrente do próprio princípio constitucional da não cumulatividade, o que se confirmaria, a seu ver, com o disposto no art. 11 da Lei n° 9.779/79. Conforme determinado no art. 153, IV e §3° da Constituição Federal, o IPI “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Assim, o texto constitucional é expresso no sentido de garantir compensação da imposto de devido com o montante "cobrado" na operação anterior, razão pela qual, no presente caso, em que não houve a cobrança do tributo na aquisição de insumo em face da isenção não há o direito ao respectivo crédito. Certamente que o fato de, em relação ao ICMS, haver comando específico expresso para a inexistência do direito ao creditamento na hipótese de entradas de insumos com isenção, não afasta, como crê a recorrente, a conclusão acima de que a vedação do crédito de IPI decorre da própria redação do inciso II do §3°do art. 153 da CF. Nesse sentido também o art. 49 do CTN, recepcionado pela Constituição Federal, quando dispõe sobre o princípio da não cumulatividade do IPI, referese à diferença entre o montante devido do imposto na saída dos produtos do estabelecimento e o "pago relativamente aos produtos nele entrados". O art. 11 da Lei nº 9.779/99, abaixo transcrito, não pode socorrer a recorrente, eis que a isenção a que se refere o dispositivo diz respeito ao "produto" industrializado que sai do estabelecimento ("aplicados na industrialização, inclusive de produto isento"), e não aos insumos adquiridos ("aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem"): Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. [grifei] No art. 11 da Lei nº 9.779/99, o legislador ordinário utilizou o termo "produto" para designar o bem industrializado que sai do estabelecimento, tanto que, ao mencionar novamente essa palavra, referese a "saída de outros produtos", ou seja, aqueles produtos que não sejam isentos ou tributados à alíquota zero; bem como, de outra parte, fez uso da expressão "matériaprima, produto intermediário e material de embalagem" para designar os insumos que entram no estabelecimento contribuinte para depois serem "aplicados na industrialização" de produtos, inclusive isentos ou tributados à alíquota zero. Dessa forma, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 não autoriza o creditamento na aquisição de insumos isentos. Como bem esclareceu a fiscalização no Parecer SEORT/DRF/MNS, "Quanto à Lei n° 9.779/99, consignese que seu art. 11 efetivamente instituiu verdadeiro incentivo fiscal consistente no aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da entrada tributada de insumos, ainda que aplicados na produção de mercadoria cuja saída seja isenta, imune ou sujeita à aliquota zero, não possuindo qualquer relação com a aplicação do principio inscrito no art. 153, § 3°, inciso II, da CF/88, sendo inconcebível tal faculdade quando não tiver havido pagamento de IPI sobre os insumos adquiridos". Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10283.000012/200824 Acórdão n.º 3402005.386 S3C4T2 Fl. 243 7 O art. 11 da Lei nº 9.779/99 trata apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de saldo credor de IPI acumulado no trimestrecalendário que o contribuinte não puder compensar com o imposto devido na saída de seus produtos, nada tendo a ver com a glosa de créditos, por ausência de previsão legal, sobre insumos adquiridos com isenção da Amazônia Ocidental. Quanto ao fato de o direito ao creditamento de IPI na aquisição de insumos isentos estar sob repercussão geral1, em nada altera o andamento do feito no âmbito deste CARF tomandose por constitucional a norma legal questionada, conforme fundamentou o Conselheiro Rosaldo Trevisan em seu voto no Acórdão nº 3401003.445– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 30 de março de 2017: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: RETORNO SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÙMULA 2 CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, os retornos de sobrestamento sem decisão definitiva do STF (em matérias de reconhecida repercussão geral) devem ser julgados tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. (...) O cerne da questão discutida no Supremo Tribunal Federal, que é nossa corte constitucional, é bem descrito na coluna “descrição tema” da planilha “Temas com determinação de suspensão nacional”, constante na página eletrônica do tribunal (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciarepercussao/listarrepercussaogeral.asp): (...) Pesquisandose, no mesmo sítio eletrônico, o andamento do processo, percebese que, em 26/10/2016, foi determinado o envio de ofícios aos órgãos do sistema judicial pátrio para suspensão do processamento dos feitos pendentes que versem sobre a questão, que ainda não foi decidida pelo STF. Tal suspensão, porém, não afeta a apreciação dos processos administrativos pelos tribunais administrativos – especialmente do CARF, após a publicação da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente. Assim, ainda não há manifestação definitiva do STF sobre a matéria, existindo tão somente o reconhecimento da repercussão geral da questão, sendo cabível, destarte, a imediata análise da questão por este tribunal administrativo. É de se destacar, contudo, o teor da Súmula no 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto no 70.235/1972): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 1 Tema 844 Possibilidade de creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Relator: MIN. GILMAR MENDES Leading Case: RE 398365 Há Repercussão?Sim Ver descrição [+] Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos arts. 150, § 6º, e 153, § 3º, II, da Constituição Federal, a possibilidade de creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. [] Ver tese [+]O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero.[] Fl. 246DF CARF MF 8 Assim, a matéria em apreciação pelo STF, de repercussão geral e trato constitucional reconhecidos, será analisada por este tribunal administrativo sem que seja possível o entendimento pela inconstitucionalidade de lei tributária. O silogismo é inevitável: se o STF reconhece a repercussão geral, por óbvio que há discussão sobre constitucionalidade. E se há discussão sobre constitucionalidade, o CARF é incompetente para manifestarse negativamente, devendo acolher todas as leis tributárias como constitucionais. E, como não há mais a possibilidade de sobrestamento, o CARF deve julgar a matéria, sempre considerando as leis (cuja constitucionalidade o STF está a apreciar) como constitucionais. (...) Ainda que este Colegiado não concordasse com o exposto acima neste Voto quanto ao não cabimento de creditamento de IPI na aquisição de insumo isento, seria de bom alvitre aplicar à contribuinte o mesmo entendimento já adotado no âmbito deste CARF, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, em pedido de ressarcimento idêntico da contribuinte relativo a outro período, inclusive protocolizado pela contribuinte juntamente com o pleito sob análise, que trata exatamente da mesma questão, sob a relatoria do Conselheiro Relator Andrada Márcio Canuto Natal, conforme ementa abaixo transcrita: Processo nº 10283.000010/200835 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.570– 3ª Turma Sessão de 16 de agosto de 2017 Matéria IPI. SALDO CREDOR BÁSICO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente CEMAZ INDÚSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF. (...) Diante da ausência de direito ao ressarcimento pleiteado resta prejudicada análise do outro argumento da recorrente, acerca da necessidade de atualização monetária do respectivo valor. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10283.000012/200824 Acórdão n.º 3402005.386 S3C4T2 Fl. 244 9 Fl. 248DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.007130/2006-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
REQUISITOS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO QUE APLICOU SÚMULA. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Contra acórdão que aplicou entendimento de súmula é cabível recurso especial cujo objeto seja a discussão acerca da aplicabilidade do entendimento sumulado ao caso concreto.
O recurso será admitido, desde que o paradigma, posterior à edição da súmula e tratando de situação similar à do recorrido, deixe de aplicar o entendimento nela veiculado, justificando tal posicionamento.
IRPF. SÚMULA CARF 67. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LANÇAMENTO DECORRENTE DE AMPLO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO.
Incabível a aplicação da Súmula CARF 67 aos lançamentos de APD quando restar comprovado por "Demonstrativo da Variação Patrimonial" e ainda por meio de outros meios de prova existência de incremento patrimonial do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.261
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, das demais matérias constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Relator
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COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Contra acórdão que aplicou entendimento de súmula é cabível recurso especial cujo objeto seja a discussão acerca da aplicabilidade do entendimento sumulado ao caso concreto. O recurso será admitido, desde que o paradigma, posterior à edição da súmula e tratando de situação similar à do recorrido, deixe de aplicar o entendimento nela veiculado, justificando tal posicionamento. IRPF. SÚMULA CARF 67. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LANÇAMENTO DECORRENTE DE AMPLO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO. Incabível a aplicação da Súmula CARF 67 aos lançamentos de APD quando restar comprovado por "Demonstrativo da Variação Patrimonial" e ainda por meio de outros meios de prova existência de incremento patrimonial do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, das demais matérias constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 71 30 /2 00 6- 19 Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 9202006.261 CSRFT2 Fl. 502 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Adotando como base o relatório do acórdão recorrido, esclareço que contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração, fls. 04/44, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, exercícios 2001, 2002 e 2004, incluindo multa de ofício e juros de mora. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, foi acréscimo patrimonial a descoberto, caracterizado por excesso de aplicações sobre origens, em decorrência de remessas realizadas para o exterior em dólares. No que tange à movimentação de recursos no exterior há de se esclarecer que os fatos trazidos aos autos foram apurados durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação (efls. 366), com as seguintes argumentações: decadência com base no art. 150 do CTN, ausência da comprovação da identidade do contribuinte em relação aos fatos apurados e erro na determinação do aspecto temporal da hipótese de incidência, fls. 225/237. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte julgou o lançamento parcialmente procedente para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2000, e excluir dos valores lançados aqueles onde não se comprovou a identidade do contribuinte como ordenante das remessas para o exterior. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 422) reiterando seus argumentos de nulidade, decadência e ausência de provas. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 9202006.261 CSRFT2 Fl. 503 3 A 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, aplicou a Súmula CARF nº 67/2010 e deu provimento ao recurso. O Acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). Recurso Voluntário Provido Contra decisão a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial. Citando como paradigmas os acórdãos 9202002.492 e 2201002.249, a divergência foi assim resumida: Enquanto o acórdão recorrido afastou a exigência sob o argumento de que a remessa de recursos ao exterior não constitui aplicação de recursos ou consumo da renda, e aplicou a súmula nº 67 do CARF, o acórdão paradigma não cogitou essa possibilidade mantendo o lançamento sob o fundamento de que os valores remetidos são verdadeiras aplicações de recursos. O contribuinte apresentou contrarrazões requerendo apenas o não conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Nos termos do relatório, tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que entendeu aplicável ao caso a Súmula CARF nº 67/2010. Em sede de contrarrazões o contribuinte pugna pela não conhecimento do recurso. Afirma que não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, e ainda que a matéria não foi prequestionada. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 9202006.261 CSRFT2 Fl. 504 4 Quanto ao primeiro ponto, de fato, via de regra, nos termos do art. 67 da então Portaria nº 256/2009, não caberia recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplicasse súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF; mesmo impedimento que consta no atual Regimento Interno. Nessas circunstâncias, conforme previsto no "Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial", perfeitamente aplicável ao caso, embora o recurso não possa ser utilizado como meio para se discutir o conteúdo da súmula utilizada, ele poderá ser admitido nas hipóteses em que o recorrente tenha como objetivo rediscutir se caberia ou não a aplicação da decisão sumulada ao caso enfrentado. Vale citar as explicações do Manual: 2.2.2 Utilização de Súmula do CARF Caso o acórdão recorrido tenha adotado entendimento de Súmula dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso, este não pode ter seguimento, relativamente à matéria sumulada (§ 3º, do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015). Nesta hipótese de negativa de seguimento não cabe Agravo (art. 71, §2º, inciso VI, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação da Portaria MF nº 152, de 2016). Pode ocorrer, no entanto, de o recorrente questionar a aplicabilidade da súmula ao caso do acórdão recorrido. Nesta situação, o recurso pode ser admitido, desde que o paradigma, posterior à edição da súmula e tratando de situação similar à do recorrido, deixe de aplicar o entendimento nela veiculado, justificando tal posicionamento. Isto porque, se o paradigma não veicula justificativa para a adoção de entendimento contrário à Súmula CARF, sujeitase à vedação contida no art. 67, §12, inciso III, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. No caso concreto, a Fazenda Nacional afirma que ambos os acórdãos paradigmas foram proferidos em data posterior a edição de Súmula CARF nº 67/2009 que se deu em 29/11/2010, o que os tornariam aptos a justificar a divergência. Ocorre que, analisando o inteiro teor dos citados julgados, apenas no acórdão nº 2201002.249 temos menção expressa do Redator do voto vencedor pela inaplicabilidade da súmula: "Registrese que o presente caso não trata de saques ou transferências bancárias, mas sim de remessas de recursos ao exterior, que caracterizam aplicações de recursos na análise da variação patrimonial do Contribuinte. Assim, incabível a aplicação do disposto na Súmula CARF nº 67". Assim, com base no acórdão paradigma nº 2201002.249, temos a demonstração da divergência. Quanto ao prequestionamento, esclareço que tanto o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 que trata do Processo Administrativo Fiscal PAF, quanto o §5º do art. 67 do Regimento Interno do CARF são expressos no sentido de que tal exigência é regra que se aplica exclusivamente ao contribuinte. Não poderia ser diferente, pois via de regra, salvo a Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 9202006.261 CSRFT2 Fl. 505 5 necessidade de oposição de embargos o que não era o caso, pois inexistia omissão contradição ou obscuridade no julgado contra a decisão proferida, a primeira oportunidade de a Fazenda Nacional se manifestar nos autos se dá com a interposição do Recurso Especial. vale citar os dispositivos legais mencionados: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais." Diante do exposto, cumpridos os requisitos, conheço do recuso especial interposto pela Fazenda Nacional. Do mérito: Conforme mencionado no relatório, tratase de auto de infração para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física lavrado em razão da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. Tratase de lançamento que possui como base, entre outros dispositivos, os art. 55, XIII, 806 e 807 do Decreto nº 3.000/99 RIR: Art.55.São também tributáveis: ... XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art.806.A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, §1º). Art.807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 9202006.261 CSRFT2 Fl. 506 6 rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. O acórdão recorrido, analisando o lançamento entendeu pela aplicação da Súmula CARF nº 67, fato contestado pela Fazenda Nacional em seu recurso especial. Referida súmula possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Para melhor interpretação do seu texto, se faz essencial analisarmos o teor dos acórdãos de deram origem a aprovação da súmula que conforme consta no sítio deste Conselho seriam as decisões: CSRF/0104.603, acórdão nº 10617.156, acórdão nº 10615.820, acórdão nº 10419.123 e acórdão nº 10417.359. Todos os acórdãos, julgando lançamentos de IR sobre acréscimo patrimonial a descoberto concluíram ser essencial que a autoridade fiscal demonstre o efetivo ganho patrimonial do contribuinte, não se admitindo a presunção da sua existência por meio da análise de meras transferências bancárias, recebimento de depósitos e emissão de cheques. Salvo melhor juízo, para os citados julgados tais lançamentos somente subsistem se restar comprovado um incremento patrimonial, afinal 'acréscimo patrimonial' denota a idéia de uma riqueza nova a qual se caracteriza pelo excesso verificado entre todos os investimentos e despesas efetuados pelo contribuinte na obtenção desses novos ingressos em seu patrimônio. É em razão disso e com base no art. 55, XIII, 806 e 807 do Decreto nº 3.000/99 RIR que se exige que os lançamentos de APD sejam precedidos pela demonstração da evolução mensal patrimonial do contribuinte com base no seu 'fluxo de caixa' e ainda que haja outros elementos que corroborem com os indícios 'bancários' apurados pela fiscalização. Entre os acórdãos que deram origem à súmula, vale citar a conclusão dos acórdãos 10417.359, 10419.123 e 10617.156. No primeiro acórdão a relatora, conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, nos explica que não há qualquer impropriedade no lançamento de APD quando o levantamento se dá por meio do confronto entre 'origens/receitas' e 'aplicações/despesas', pois o sujeito passivo tem conhecimento da acusação, da infração tipificada, dos itens que a compõe, das provas levantadas pelo fisco podendo e devendo exercer seu direito de defesa por meio da apresentação de provas; de toda forma, deixa claro que a Fazenda não pode se furtar a comprovar a existência concreta do fato gerador. Neste cenário, derrubou parte do lançamento que tributava APD com base exclusivamente em cheques emitidos, extratos e depósitos bancários tidos como prova bastante da omissão de rendimentos e não apenas como indício a ser investigado e corroborado com outros elementos probatórios que autorizassem, em conjunto, a formação da convicção. No outro acórdão que deu origem à Súmula, o de nº 10419.123, o relator bem delimitou o caso: Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 9202006.261 CSRFT2 Fl. 507 7 Não caberia a afirmação de que o lançamento no caso concreto não se baseara exclusivamente em extratos bancários (emissão de cheques), data vênia, improcede posto que não foi trazida aos autos nenhuma prova, ou sequer fortes indícios, de que o contribuinte realizara operações cujos resultados omitira ao fisco, depositados em sua conta corrente bancária Tudo não passou de presunção. E de presunção não autorizada por lei. De qualquer sorte, afigurase inegável, apesar da tributação ter origem em demonstrativos conhecidos por "fluxo de caixa", "fluxo financeiro" e "demonstrativos de origens e aplicações de recursos", "demonstrativos de evolução patrimonial", etc, que a origem da base de cálculo do tributo tomou exclusivamente como objeto de apuração os cheques emitidos (sem investigação) como renda consumida. Ora, tal procedimento que já não encontrava respaldo na jurisprudência do Egrégio Tribunal Federal de Recursos, foi definitivamente afastado pelo Decreto lei n.° 2.471, de 1988. Por fim, vale a análise do acórdão 10617.156 cujos acontecimentos fáticos se deram nas mesmas circunstâncias do lançamento ora analisado caso BANESTADO. No caso lá analisado além do fiscal ter deixado de realizar o confronto com base no 'fluxo de caixa' (conflito entre os recebidos e as aplicações mensais) do contribuinte, entendeu também o Colegiado que as provas eram frágeis; o fiscal no entendimento do colegiado sem qualquer apuração de ganho efetivo utilizouse exclusivamente das informações de remessa de divisa para o exterior à margem do sistema financeiro como prova robusta da ocorrência do fato gerador o que motivou o cancelamento do auto de infração. Importante transcrever parte do voto: A base de cálculo tributável teve origem em transações financeiras efetuadas em contas mantidas nos bancos americanos JP Morgan Chase/Beacon HillChello, Merchants Bank, Lespan Tbl e MTB Hudson Bank, nas quais o recorrente figuraria como ordenante de tais transações. A autoridade autuante converteu cada transação pela taxa de conversão US$/Reais (disponível no sisbacen PTAX) da data da operação, tributando cada valor como omissão de rendimentos, em decorrência de variação patrimonial não respaldada por rendimentos declarados. Como consectário do imposto autuado, foi lançada a multa de oficio de 150%, já que o AuditorFiscal entendeu que a conduta do recorrente se subsumiu àquela do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. De plano, a autoridade autuante não poderia, simplesmente, considerar que as transações atribuídas ao recorrente seriam a base de cálculo do imposto lançado, como se o contribuinte não tivesse recursos declarados para fazer frente às remessas a si atribuídas. Ora, é cediço que a apuração da infração denominada "Acréscimo Patrimonial a Descoberto" deve ser feita a partir da metodologia de fluxos de caixa mensais, confrontando as origens (rendimentos declarados de todas as origens) com as aplicações de recursos (dispêndios efetuados pelo contribuinte). Assim procedendo, no mês em que as Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 9202006.261 CSRFT2 Fl. 508 8 aplicações excederem as fontes de recursos, surge o acréscimo patrimonial a descoberto. Ocorre que a fiscalização assim não procedeu, considerando as meras transações como excesso de aplicações. Não houve qualquer confronto entre as origens e aplicações de recursos, não se podendo dizer, então, em que mês ocorreu o eventual excesso de aplicações sobre as fontes de recursos, ou se efetivamente houve acréscimo patrimonial a descoberto ao cabo de quaisquer dos anoscalendário em debate, já que a autoridade não solicitou esclarecimento sobre as origens de recursos e demais dispêndios do contribuinte, confrontandoos, aplicações e fontes, como exigido pelo art. 806 c/c o art. 807 do Decreto n°3.000/99. E acrescenta: No caso aqui em debate, as transferências em bancos norte americanos, imputadas ao contribuinte, foram consideradas como aplicação de recursos. Para tanto, seria necessário que a autoridade autuante comprovasse como tais transferências beneficiaram o recorrente, quer por consumo, quer por aumento patrimonial, isso, repisese, superando as questões anteriores da fragilidade probatória e da ausência do confronto das origens com as aplicações. Ocorre que não há qualquer prova nos autos demonstrando que o contribuinte tenha se beneficiado das remessas em debate, na via do consumo ou da aplicação de recursos. Observamos, portanto, que a súmula foi editada em um cenário onde a fiscalização de forma equivocada, diante da simples não comprovação pelo contribuinte da origem de valores apurados em razão de informações bancárias, utilizavase de uma presunção cuja aplicabilidade deveria estar acompanhada da existência de outros elementos que levassem a conclusão da ocorrência de um incremento patrimonial. Ou seja, a súmula não afasta a possibilidade de que transferências bancárias sejam classificadas como aplicações de recurso, o que ela veda é que somente essa informação sirva como razão para sustentar lançamento de APD. Partindose dessa premissa nos resta apurar se no caso ora julgado haveria espaço para aplicação da Súmula CARF nº 67. O fato gerador atribuído ao contribuinte como acréscimo patrimonial restou caracterizado pela fiscalização em razão da remessa de valores pra contas bancárias de instituições financeiras localizadas no exterior. Tomouse como informações os dados compartilhados entre a Receita Federal do Brasil, a Polícia Federal e órgãos do Poder Judiciário em investigação que ficou conhecida como operação BANESTADO. Diante dos dados analisados pela fiscalização, e elaborados os "Demonstrativos Mensais de Fluxo de Caixa" conforme fls. 09 a 29 do TVF, concluiu a fiscalização: (IV) CONCLUSÃO: Aplicandose os valores apurados no 'Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa" (fls. 042 a 044) dos anos 2000 / 2001 / 2002, comparandose os recursos/origens com os Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10680.007130/200619 Acórdão n.º 9202006.261 CSRFT2 Fl. 509 9 dispêndios/aplicações, encontramos Variação Patrimonial a Descoberto nos meses de Ago/00 : R$ 1.311,84; Mai/01 : R$ 102.491,46; Jun/01 : R$ 373.198,67; Jul/01 : R$ 17.600,68; Jan/02 : R$ 135,14; Abr/02 : R$ 173.541,59; Jul/02 : R$ 42.736,16; Ago/02 : R$ 496.161,86 e Nov/02 : R$ 258.188,65. Feito o "Demonstrativo da Variação Patrimonial" fundada nas informações coletadas pela fiscalização, revelouse excessos de gastos não justificados com os rendimentos declarados, presumindose rendimentos auferidos e não submetidos à tributação, nos meses de 08/2000, 05,06 e 07/2001, e 01, 04, 07, 08 e 11/2002. Lembramos também, que o presente lançamento, como dito acima, é resultado de um amplo aparato de investigação que envolveu diversos órgãos nacionais e estrangeiros, tendo sido deflagrada grande operação de movimentação de recursos à margem do sistema financeiro nacional com a participação de centenas de contribuintes. Observamos portanto que, na visão do fiscal, o lançamento possui duas razões de ser. Cumprindo o que determinam os art. 806 e 807 do RIR/99, teríamos a comprovação por meio do confronto de informações financeiras de um excedente patrimonial e ainda teríamos fortes indícios de conduta realizada com o intuito de ocultação de informações sobre fatos geradores do tributo. Neste cenário, confrontando o lançamento com o entendimento dos julgados que fundamentaram a Súmula CARF nº 67, concluo pela inaplicabilidade dessa ao caso concreto. Afastada a aplicação da súmula, necessário se faz o retorno dos autos ao Colegiado a quo para análise das demais questões postas no Recurso Voluntário. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, devendo os autos retornarem à turma a quo para apreciação das demais matérias do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 509DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.928628/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 28 /2 00 9- 91 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11080.928628/200991 Acórdão n.º 1401002.600 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11080.928628/200991 Acórdão n.º 1401002.600 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 31/07/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.928628/200991 Acórdão n.º 1401002.600 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.928628/200991 Acórdão n.º 1401002.600 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 116DF CARF MF
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