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Numero do processo: 11624.720118/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
IMPRESSORAS JATO DE TINTA. CAPACIDADE DE LIGAÇÃO A COMPUTADOR OU REDE.
Máquinas impressoras jato de tinta que possuam a capacidade de se ligar a um computador ou uma rede são classificadas no código 8443.32.99 da TIPI. Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) 1 (texto da posição 84.43) e 6 (textos das subposições 8443.3 e 8443.32), e Regra Geral Complementar da NCM (RGC/NCM) 1 (textos do item 8443.32.9 e do subitem 8443.32.99). Soluções de Consultas nºs 454/2009 e 86/2016.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA DA RECEITA FEDERAL (RFB). MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Se não restou caracterizada a prática reiterada da RFB no sentido de concordar com a classificação fiscal adotada pela Impugnante, inaceitável o argumento de ofensa aos arts. 100 e 146 do CTN (neste último caso, sobretudo porque referido dispositivo se refere à revisão de lançamento já efetuado e não é disso que trata nos autos).
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO
A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário.
O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por inconstitucionalidade.
Aplicação da Súmula Carf nº 2
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
SOFTWARES COMERCIALIZADOS COM IMPRESSORAS. VALOR TRIBUTÁVEL.
Os softwares fornecidos juntamente com as impressoras, essenciais a seu funcionamento, devem ser considerados partes desses equipamentos e tributados com a mesma alíquotas destas, por aplicação das notas 3 a 5 da Seção XVI do Capítulo 84 da TIPI.
MERCADORIAS REMETIDAS À AMAZÔNIA OCIDENTAL. AUSÊNCIA DE PROVA DE INTERNAÇÃO. INAPLICABILIDADE DE ISENÇÃO DO IPI.
Não restando demonstrado o cumprimento dos requisitos para a utilização do benefício fiscal da isenção pela remessa à Amazônia Ocidental (prova de internação), só resta à Fiscalização exigir o IPI não pago com base na alíquota aplicável.
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES A TÍTULO DE BONIFICAÇÃO, DOAÇÃO E BRINDE. ART. 14, § 2º DA LEI Nº 4.502/64.
Não podem ser excluídos da base de cálculo do IPI valores a título de bonificação, doação e brinde, porque legalmente previstos como integrantes do valor tributável do imposto. Inteligência do art. 14, § 2º da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 3201-004.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe davam provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 IMPRESSORAS JATO DE TINTA. CAPACIDADE DE LIGAÇÃO A COMPUTADOR OU REDE. Máquinas impressoras jato de tinta que possuam a capacidade de se ligar a um computador ou uma rede são classificadas no código 8443.32.99 da TIPI. Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) 1 (texto da posição 84.43) e 6 (textos das subposições 8443.3 e 8443.32), e Regra Geral Complementar da NCM (RGC/NCM) 1 (textos do item 8443.32.9 e do subitem 8443.32.99). Soluções de Consultas nºs 454/2009 e 86/2016. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA DA RECEITA FEDERAL (RFB). MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Se não restou caracterizada a prática reiterada da RFB no sentido de concordar com a classificação fiscal adotada pela Impugnante, inaceitável o argumento de ofensa aos arts. 100 e 146 do CTN (neste último caso, sobretudo porque referido dispositivo se refere à revisão de lançamento já efetuado e não é disso que trata nos autos). ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por inconstitucionalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 01 18 /2 01 5- 21 Fl. 7691DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.692 2 Aplicação da Súmula Carf nº 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 SOFTWARES COMERCIALIZADOS COM IMPRESSORAS. VALOR TRIBUTÁVEL. Os softwares fornecidos juntamente com as impressoras, essenciais a seu funcionamento, devem ser considerados partes desses equipamentos e tributados com a mesma alíquotas destas, por aplicação das notas 3 a 5 da Seção XVI do Capítulo 84 da TIPI. MERCADORIAS REMETIDAS À AMAZÔNIA OCIDENTAL. AUSÊNCIA DE PROVA DE INTERNAÇÃO. INAPLICABILIDADE DE ISENÇÃO DO IPI. Não restando demonstrado o cumprimento dos requisitos para a utilização do benefício fiscal da isenção pela remessa à Amazônia Ocidental (prova de internação), só resta à Fiscalização exigir o IPI não pago com base na alíquota aplicável. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES A TÍTULO DE BONIFICAÇÃO, DOAÇÃO E BRINDE. ART. 14, § 2º DA LEI Nº 4.502/64. Não podem ser excluídos da base de cálculo do IPI valores a título de bonificação, doação e brinde, porque legalmente previstos como integrantes do valor tributável do imposto. Inteligência do art. 14, § 2º da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe davam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Fl. 7692DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.693 3 Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 2 a 18, que trata da exigência do IPI, cód. 2945, no valor de R$ 3.097.244,10, multa de ofício de 150% no valor de R$ 4.645.866,17, e juros moratórios no valor de R$ 1.244.001,72. A autuação abrangeu o ano de 2011. A autuada industrializa máquinas de impressão digital de grandes formatos, equipamentos que serão, a partir de agora, denominados simplesmente impressoras. Segundo a Fiscalização, há erro na classificação fiscal porque a autuada utiliza o código 8443.39.10 da TIPI (alíquota zero de IPI) quando a classificação correta do produto seria no código 8443.32.99 da TIPI (alíquota 15% de IPI). A classificação fiscal defendida pela Fiscalização toma por premissa que as impressoras não prescindem de softwares de controle, podendo as impressoras poderem se conectar a um computador ou a uma rede. Além do erro de classificação fiscal, a Fiscalização menciona irregularidade quanto à saída de mercadorias para a Amazônia Ocidental. A autuada não teria demonstrado o cumprimento de requisitos para a fruição de isenção na venda para a referida região. Finalmente, no contexto do procedimento, a Fiscalização entendeu ilegítima a apuração da base de cálculo do IPI efetuada pela autuada pelo fato de deixar de nela incluir o valor cobrado ao adquirente pelo software de gerenciamento das impressoras. Registrese que a autuada emite nota fiscal em cuja descrição do produto encontrase consignada a impressora e outra nota fiscal em cuja descrição encontrase consignado o software necessário a seu funcionamento. Entretanto, por força das regras de classificação fiscal de mercadorias, a Fiscalização entende ser cristalino que o software que é fornecido junto com a impressora, que a acompanha e que é absolutamente necessário para o seu perfeito funcionamento, constitui parte daquela mesma impressora ou, ao menos, parte de elemento de uma unidade funcional composta por uma impressora e por um computador. Finalmente, a Fiscalização apurou aproximadamente cinqüenta operações de saída de softwares necessários ao correto funcionamento das impressoras a título de bonificação, doação ou brinde (CFOP 5.910 ou 6.910), o que não afastaria, em seu entendimento, a necessidade de somar os valores de saída desses softwares ao valor das impressoras, para efeito de cálculo do imposto devido. Fl. 7693DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.694 4 Quanto à fixação da penalidade, a Fiscalização entendeu estarem presentes razões para a aplicação da multa qualificada (150%): Portanto, concluiu que a autuada agiu dolosamente no sentido de impedir a apuração da obrigação tributária principal, conduta que configuraria sonegação. Se assim não fosse, seria impossível justificar a razão dessa conduta – separação de notas fiscais com descrição de impressoras e softwares – dada a convicção da autuada de que a classificação fiscal adotada estaria correta e que implicaria em IPI zero a recolher. Essa circunstância, portanto, só permitiria a conclusão de que o estabelecimento industrial tinha domínio do fato da incorreção da classificação fiscal atribuídas às impressoras que produz, sobretudo em face da Solução de Consulta nº 454, de 2009, cujo desconhecimento não poderia ser alegado em face do disposto no art. 101 do CTN combinado com o art. 3º do Decretolei nº 4.657, de 1942. Fl. 7694DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.695 5 Por fim, a autoridade fiscal incluiu, no pólo passivo da obrigação tributária, os sócios LIE TJI TJHUN, CPF nº 275.540.07904, LIE TJI TJEN, CPF nº 168.568.89915 e RICARDO AUGUSTO LIE, cpf Nº 044.378.34976, em razão da configurada sonegação e em respeito ao art. 137, I do CTN. Inconformados, os autuados apresentam Impugnação em que argumentam, em síntese que: I) DA IMPUGNAÇÃO DE AMPLA PRODUTOS DE COMUNICAÇÃO VISUAL as impressoras produzidas possuem como característica principal o fato de serem JATO DE TINTA. Essa característica é elemento fundamental para definir a sua correta classificação fiscal no código pretendido pela autuada; os softwares fornecidos juntamente com as impressoras são de “prateleira”, o que afasta a incidência do IPI sobre esses produtos; os softwares não são partes ou elementos das impressoras, motivo pelo qual não podem ser considerados para efeito de determinação de sua classificação fiscal. Ainda que pudessem ser tomados como partes das impressoras, não afetariam a apuração do imposto porque a alíquota das impressoras é zero; os softwares fornecidos aos clientes a título de bonificação, doação ou brinde não devem ser incluídos na apuração do imposto, seja porque o IPI sobre as impressoras é zero, seja porque são de prateleira, restando impossível que sofram qualquer incidência do IPI; a classificação fiscal adotada para as impressoras está correta, sendo imprestável o argumento aduzido pela autoridade fiscal – a necessidade de utilização de softwares para sustentar a classificação fiscal por ele defendida; a classificação fiscal pretendida pela Impugnante está em linha com a característica das impressoras, que devem ser consideradas bens de capital (BK) ; órgãos de classe e governamentais – inclusive a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) – reconhecem ser correta a classificação adotada. E, se assim é, a mudança de entendimento constante da autuação constitui verdadeira alteração de critério jurídico que não poderia atingir fatos geradores anteriores à sua fixação; ainda que não se considere que tenha havido a alteração de critério jurídico, é imperioso concluir que o entendimento defendido pela autuada constituise em prática reiterada da Administração, capaz de afastar a aplicação de penalidades, consoante art. 100, incisos I e II do CTN; não houve o aproveitamento de qualquer benefício fiscal para a Amazônia Ocidental de forma irregular; Fl. 7695DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.696 6 não procede a majoração da multa de ofício para 150% por duas razões: por violação ao princípio constitucional do não confisco e por não ter sido demonstrada a sonegação. II) DA IMPUGNAÇÃO DOS SÓCIOS é inaplicável o art. 137, I, do CTN porque a responsabilidade de terceiros aplicase apenas a penalidades e, além disso, pressupõe a comprovação do elemento subjetivo: o ato intencional (omissivo ou comissivo). é inaplicável o art. 124, II, do CTN por depender de previsão legal anterior (art. 121, II, e art. 128, ambos do CTN). Em rigor, o art. 124, II não atribui a responsabilidade, mas apenas autoriza o legislador a fazêlo. Chegados os autos a esta DRJ, foi proposta diligência, nos seguintes termos: 1) Que a autoridade fiscal considere, em nova apuração do IPI, os valores da aquisição dos softwares, observadas as normas específicas de escrituração previstas no Regulamento do IPI. 2) Que a autuada aponte os elementos que permitiriam a conclusão de que a RFB se manifestou expressamente quanto à classificação fiscal dos produtos constantes dos Ex tarifários relacionados nas fls. 6.787 a 6.797 e, ainda, demonstre que aqueles produtos têm as mesmas características das impressoras por ela industrializadas. A autuada atendeu a solicitação do item 2, acima referido. Em sua manifestação, a autoridade fiscal entendeu ser impossível atender à solicitação que lhe foi dirigida, alegando, em resumo: 1) não se tratar de matéria passível de diligência e 2) que a medida solicitada esbarraria na vedação de revisão do lançamento. Já a autuada reagiu à não realização da diligência a cargo da autoridade fiscal, nos seguintes termos, em resumo: Com a devida vênia, as razões apresentadas pela fiscalização são de toda descabidas e demonstram o descaso com o pleito da Relator designado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora que, como é sabido, possui a prerrogativa de solicitar diligências e perícias com o fito de formação da sua convicção. Nesse diapasão, não se pode afastar o princípio da verdade material no âmbito de decisões em processos administrativos fiscais, tendo em vista que esse é aplicado aos processos judiciais. O Decreto nº 70.235/72 já prevê essa situação: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (…) Fl. 7696DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.697 7 Portanto, é inquestionável que o princípio da verdade material deverá subsidiar o processo administrativo, devendo a autoridade julgadora buscar a realidade dos fatos, podendo determinar as diligências que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos no processo. Identificados por parte da autoridade julgadora, no exercício de suas funções, fatos e circunstâncias que comprovam situação que ensejará alteração de lançamento anterior, a autoridade fiscal tem o dever/poder vinculado e obrigatório de proceder à modificação. Ao apreciar as impugnações, decidiu os julgadores da DRJ/Juiz de Fora converter o julgamento em diligência para duas providências: Uma primeira, a cargo da autoridade fiscal para que realizasse nova apuração do IPI, considerando os valores da aquisição dos softwares como insumos, observadas as normas específicas de escrituração previstas no Regulamento do IPI. A segunda, dirigida à autuada para que, em razão de suas alegações em impugnação, apontasse "os elementos que permitiriam a conclusão de que a RFB se manifestou expressamente quanto à classificação fiscal dos produtos constantes dos Ex tarifários relacionados nas fls. 6.787 a 6.797 e, ainda, demonstre que aqueles produtos têm as mesmas características das impressoras por ela industrializadas." Retornaram os autos da diligência submetendose a julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0537.135, sessão de 12/03/2012, julgou procedente em parte a impugnação dos sujeitos passivos para reduzir a multa de ofício duplicada para o patamar de 75% e excluir as pessoas físicas do polo passivo da autuação em razão de entender não configurada responsabilidade pelo crédito tributário atribuindo pela fiscalização com fundamento no inciso I, do art. 137, c/c inciso II do art. 124, ambos do CTN. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 IMPRESSORAS JATO DE TINTA. CAPACIDADE DE LIGAÇÃO A COMPUTADOR OU REDE. Máquinas impressoras jato de tinta que possuam a capacidade de se ligar a um computador ou uma rede são classificadas no código 8443.32.99 da TIPI (Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) 1 (texto da posição 84.43) e 6 (textos das subposições 8443.3 e 8443.32), e Regra Geral Complementar da NCM (RGC/NCM) 1 (textos do item 8443.32.9 e do subitem 8443.32.99). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Fl. 7697DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.698 8 AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA DA RFB. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Se não restou caracterizada a prática reiterada da RFB no sentido de concordar com a classificação fiscal adotada pela Impugnante, inaceitável o argumento de ofensa aos arts. 100 e 146 do CTN (neste último caso, sobretudo porque referido dispositivo se refere à revisão de lançamento já efetuado e não é disso que trata nos autos). AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. Não se vislumbrando a ocorrência de sonegação pressuposto necessário para aplicação da qualificação imposta pela autoridade fiscal impõese a retirada do percentual da penalidade que excede os 75%. OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO NÃO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A aplicação da multa de ofício e dos juros de mora prescinde da ocorrência de qualquer circunstância adicional além do simples descumprimento da obrigação tributária, descabendo, em sede administrativa, a análise das balizas constitucionais da legislação de regência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO ART. 137, I DO CTN. EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO. Ausente o dolo específico de sonegação (tipo penal apontado pela autoridade fiscal), impossível estender a responsabilidade tributária aos administradores com base no art. 137 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 SOFTWARES COMERCIALIZADOS COM IMPRESSORAS. VALOR TRIBUTÁVEL. Os softwares fornecidos juntamente com as impressoras, essenciais a seu funcionamento, devem ser considerados partes desses equipamentos e tributados com a mesma alíquotas destas, por aplicação das notas 3 a 5 da Seção XVI do Capítulo 84 da TIPI. MERCADORIAS REMETIDAS À AMAZÔNIA OCIDENTAL. AUSÊNCIA DE PROVA DE INTERNAÇÃO. INAPLICABILIDADE DE ISENÇÃO DO IPI. Não restando demonstrado o cumprimento dos requisitos para a utilização do benefício fiscal da isenção pela remessa à Amazônia Ocidental (prova de internação), só resta à Fl. 7698DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.699 9 Fiscalização exigir o IPI não pago com base na alíquota aplicável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificados os sujeitos passivos da decisão, apenas a pessoa jurídica apresentou recurso voluntário manifestando seu inconformismo aduzindo os mesmos argumentos de sua impugnação, com fins a combater a autuação e a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Recurso Voluntário O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade, de forma que o conheço. As Matérias suscitadas em recurso voluntário, as quais tiveram alguns de seus argumentos renovados, são as seguintes: a. Classificação fiscal; b. Modificação dos critérios jurídicos do lançamento; c. Valor tributável das impressoras inclusão do software; d. Das mercadorias nacionais remetidas para a Amazônia Ocidental; e. Remessas em bonificação, doação ou brinde f. Ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco. Passo ao enfrentamento individualizado das matérias. Classificação fiscal A fiscalização colacionou em seu Relatório vários trechos dos manuais dos equipamentos em que se constata com nitidez a dependência funcional das impressoras a um sistema computacional que as controlas; e essa fora a razão para, segundo a aplicação das regras de classificação (Regras Gerais para Interpretação RGI, Regras Gerais Complementares RGC e Notas Complementares NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM), apontar como código correto o 8443.32.99. A AMPLA assevera que a classificação correta é a no código 8443.39.10, pois estabelece no seu texto a expressão "jato de tinta", o que não é contemplado pela classificação efetuada pela fiscalização. Ademais, ainda que como argumento subsidiário, aplicase a Regra de classificação "3c" que estabelece a preponderância da posição situada no Fl. 7699DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.700 10 último lugar na ordem numérica entre as passíveis de serem consideradas, o que faz prevalecer seu entendimento. Sem razão a recorrente. Vejamos as classificações em litígio: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.1 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42: 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si: 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede 8443.32 Outros, capazes de ser conectados a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede 8443.32.2 Impressoras de impacto 8443.32.3 Outras impressoras, alimentadas por folhas, com velocidade de impressão, medida no formato A4 (210 mm x 297 mm), inferior ou igual a 45 páginas por minuto (ppm) 8443.32.5 Traçadores gráficos (plotters) 8443.32.9 Outras 8443.32.91 Impressoras de código de barras postais, tipo 3 em 5, a jato de tinta fluorescente, com velocidade de até 4,5 m/s e passo de 1,4 mm 8443.32.99 Outras 8443.39 Outros 8443.39.10 Máquinas de impressão por jato de tinta O art. 16 do RIPI determina que a classificação é realizada em conformidade com as regras estabelecidas pela Nomenclatura Comum do Mercosul NCM1. A aplicação das regras de classificação não se dá ao acaso permitindose escolher qual dos códigos melhor se identifica com a descrição do bem. Ao contrário, a metodologia é lógica e possui regramento jurídico. Impõese que as regras sejam tomadas analisando primeiramente os textos e notas das posições que prevalecem sobre o texto das subposições e níveis, que por sua vez se sobrepõem aos textos dos itens e subitens. A imagem explica os desdobramentos de um código tarifário: 1 Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação RGI, Regras Gerais Complementares RGC e Notas Complementares NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, integrantes do seu texto. Art. 17. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Posições e Subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, Posições e de Subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Fl. 7700DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.701 11 Se houver a identidade entre a descrição da mercadoria e o texto da subposição de 2º nível (no caso, 8443.32) não se permite avançar para outro código de subposição de 2º nível (o 8443.39, como pretende a AMPLA), ainda que o texto desse traga expressão que acomode uma das características do bem. Destarte, incorreto aplicar de forma a preceder, e em detrimento da Regra 1 e 6, qualquer outra da RGI/SH. Não se quer dizer que é vedada a utilização combinada de duas delas, desde que não contrarie a RGI/SH "1". O fundamento exposto é suficiente para assegurar que os equipamentos não se classificam no código pretendido pela autuada tãosó por conter a expressão "jato de tinta". Não se contesta que o mecanismo tem tal característica, contudo com a aplicação da regra 1 combinada coma 6, ambas da RGI/SH, o texto da subposição de 2º nível 8443.32 " Outros, capazes de ser conectados a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" prevalece sobre a residual "outros" da subposição de 2º nível 8443.39. Quanto a aplicação subsidiária da regra "3c", tenho por argumento que não se está diante da situação prescrita na regra "2b" (não se tem dúvida acerca do estado em que se apresenta o produto). Ademais, não restou a impossibilidade de aplicação da Regra 1 combinada com a 6. Verificase de tudo que já consta nos autos, que as impressoras operam mediante controle de um dispositivo computacional na medida em que este comanda e envia as imagens ou textos a serem impressos. Tal controle somente é possível com a instalação de programas (software) de forma que ausente o computador e o software de controle não se estabelece a comunicação nem a transferência do material a ser impresso. Esta qualidade, ou melhor, especificidade do equipamento, somente o torna funcional desde que conectado a um computador, diretamente ou por intermédio de uma rede. Daí que o texto da subposição de 2º nível 8443.32 indica esta a ser adotada nos termos e aplicação da RGI/SH nº 6. Passo adiante é verificar nos textos do item 9 e do subitem 1 e 9, qual se enquadra às características de identificação do equipamento a ser classificado. Por exclusão, dentro do 8443.32.9, temse que a classificação é no código 84.43.32.99. Assim, verificase o acerto da fiscalização, corroborado pela decisão recorrida. De se ressaltar que a impressora com mecanismo de impressão jato de tinta não se mostra relevante dentre os códigos da subposição 8443.32, vez que não se vislumbra tal expressão em seus textos. Fl. 7701DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.702 12 Impende ainda apontar que as Notas explicativas da Subposições 8443.31 e 8443.32 dispõem que o critério “capazes de serem ligados a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede” significa que o aparelho contém todos os elementos necessários que permitem ligálo a uma rede ou a uma máquina automática para processamento de dados por simples ligação de um cabo. A possibilidade de aceitar a adição de um componente (por exemplo, uma placa) que permitiria depois a ligação de um cabo não é suficiente para preencher as condições destas subposições. Pelo contrário, o fato de o componente ao qual se ligará o cabo estar presente, mas inacessível ou de outra maneira incapaz de realizar uma ligação (por exemplo, interruptores que devem ser previamente instalados) não é suficiente para excluir os artigos destas subposições. Por fim, a Solução de Consulta nº 454/2009, e mais recentemente a SC Coana nº 86/20162, espancam qualquer dúvida quanto à classificação dos bens produzidos pela recorrente. Os fundamentos, a identificação e a exata determinação do código tarifário a ser conferido a produto semelhante implica atribuir o mesmo código às impressoras aqui sob análise. Com as razões expostas acima, entendo correta a classificação das impressoras fabricadas pela recorrente no código 8443.32.99 da TIPI. Modificação dos critérios jurídicos do lançamento Cumpre observar inicialmente que este tópico não se relaciona com a análise da classificação fiscal, realizada acima, mas sim a alegação da recorrente de que a Administração Tributária teria fixado entendimento no sentido de considerar correto o código 8443.39.10, o que caracterizaria a prática reiterada e aplicação de seus efeitos. A decisão recorrida aponta para importante marco temporal em que, no âmbito da Receita Federal, a classificação das impressoras analisada nos autos fora consolidada. Tratase da Solução de Consulta nº 454, de 2009 que ao se debruçar sobre as características de impressoras cuja identificação se assemelha às da AMPLA assentou o entendimento de que a classificação correta é no código 8443.32.99. Assim, a modificação deste critério de classificação, em sede de lançamento, por certo haveria de trazer insegurança jurídica e punir a contribuinte por ter adotado orientação que se mostrou incorreta ou fora alterada. Ma não é o que se verifica. Nas peças de defesa a ora recorrente traz escorço do histórico legislativo da classificação fiscal do produto que importou e que passou a industrializar em seu estabelecimento produto que alega ser similar ao importado. De se pontuar que o bem importado estava beneficiado com ex tarifário na NCM 8443.51.00 EX 04, e substituído pelo 8443.39.10 EX 04. Ocorre que, conforme informa a recorrente, após o início da produção no País de impressoras similares às importadas solicitou e foi atendimento pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior (MDIC) o cancelamento do Ex tarifário 004, 2 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código NCM: 8443.32.99 Mercadoria: Impressora com tecnologia de impressão por jato de tinta, de grande formato (largura da boca de impressão de 1.118 mm), resolução de 1.440 x 720 dpi, alimentada por rolos de papel, dotada de porta USB para conexão a uma máquina automática para processamento de dados e de porta LAN para conexão a uma rede. Fl. 7702DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.703 13 do código 8443.39.10. Exatamente este é o motivo para não se pleitear o enquadramento de seus produtos no EX do referido código tarifário. Cabe aqui pontuar que as impressoras importadas e as fabricadas pela AMPLA encontram em períodos distintos e submetidas as diferentes atos legais de atribuição de classificação fiscal. Neste ponto, então, já se rechaça qualquer argumento que enaltece a identidade/semelhança entre os bens importados e fabricados no País para que mantenham a mesma classificação tarifária. Conquanto laudos técnicos tenha a presteza e a real assertividade em destacar a semelhança entre tais bens, a identidade de classificação fiscal esbarra nos referidos atos legais que, como bem explicitou e justificou a contribuinte, sofreram alterações com o objetivo de ora dar, ora retirar, benefícios a importadores/fabricantes. A AMPLA sustenta que a impressora que industrializa é de mesmas características que lhe confere similaridade com aquela descrita no extinto ex tarifário e tal fato vem sendo corroborado pela Receita Federal. Aponta então processos em que fora atendida em pedido de retificação da classificação fiscal alterandoa para a 8443.39.10, além de que a própria Receita Federal divulga em sem sítio as importações no referido código tarifário. Analisando esses processos constatase que versam sobre importações em períodos anteriores aos bens aqui analisados e anteriores à edição da SC nº 454/2009. Quanto à existência de importações ocorridas em períodos antes e após a referida SC (2009) nas quais a Receita Federal adotou a mesma classificação pretendida pela AMPLA é equivocada. A recorrente menciona o "anexo XII" (não há documento com tal identificação), que na verdade referese às folhas 6.559/6.623 por si colacionadas, extraídas do sítio na internet do Órgão, como prova da alegação. Depreendese, no entanto, que se trata de uma relação fornecida com informações das importações realizadas, assinalando dados extraídos das DIs (declarações de importação) de mercadorias cujos importadores declararam suas descrições e respectivos códigos tarifário, países envolvidos, quantidades e valores. Correspondem a dados brutos obtidos dos sistemas de comércio exterior e que não revelam o grau de conferência física (canal de parametrização) ou, em especial, procedimento de revisão, que permite inferir que houve ateste quanto ao acerto da classificação fiscal a correspondência com a descrição informada. Entendo que a reclassificação dos produtos não significou atribuir natureza de bem de informática e telecomunicação (BIT) àquele que o legislador definiu como de capital (BK). O procedimento de classificação é de natureza tributária a cargo da autoridade fiscal da Receita Federal, e não a qualquer outro Órgão, que se dá segundo as regras de classificação já expostas mediante a classificação do bem em determinado código tarifário em conformidade com sua identificação. Quanto às resoluções Camex, posteriores a 2009, relacionadas nas folhas 6.789/6.797 em que se concede EX tarifário para produtos considerados bens de capital BK, isto, é, com incentivo, devese apontar que se tratam de atos expedidos nos anos de 2014 e 2014, o que por si só não permite estender ao ano 2011 (período auditado). Fl. 7703DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.704 14 Diante dos fundamentos postos linhas acima, é de se concluir que não restou caracterizada a prática reiterada da RFB no sentido de concordar com a classificação fiscal dotada pela AMPLA, portanto, não merece prosperar o argumento de ofensa ao art. 146 do CTN, como bem delimitado pela decisão recorrida. Destarte, correta a decisão recorrida que concluiu "posto que a Administração Tributária não fixou prática reiterada ou entendimento diverso daquele constante da Solução de Consulta nº 454, de 2009, inaplicável também o prescrito no art. 100 do CTN". Valor tributável das impressoras inclusão do software A AMPLA suscita a impossibilidade de inclusão do valor do software ao da impressora para efeitos de tributação pelo IPI pela simples razão de se tratar de um software de prateleira, assim considerados eis que "são desenvolvidos por empresas distintas da impugnante, além de poderem ser utilizadas em várias outras impressoras que não as fabricadas pela Impugnante". Continuando o raciocínio, defende ser revendedor do software, que por esta característica não faz parte da impressora. Além disso, não é o desenvolvedor do software, trabalho realizado por empresa distinta. Deduziu a decisão da DRJ que ao longo do processo não se estabeleceu controvérsia a respeito do fato de os softwares comercializados juntamente com as impressoras serem de prateleira. De fato, ainda que a AMPLA tenha se insurgido com a autuação no tocante aos software de prateleira, entendo despiciendo o embate acerca da natureza comercial do programa de computador que acompanha as impressoras fabricadas e comercializadas; se softwareprateleira ou softwareserviço. O deslinde da demanda passa pelo necessário questionamento acerca da essencialidade e funcionamento da impressora sem o programa de computador. A análise desses dois elementos (essencialidade e funcionalidade) permitirá firmar posição quanto a natureza de parte integrante ou um mero acessório que acrescenta qualidade ao trabalho de impressão. Se caracterizada como acessório, não se mostra essencial ao funcionamento da impressora; caso contrário, não havendo funcionamento da impressora, ou se revele deficiente, na ausência de seus programas computacionais, será parte integrante, classificado juntamente com o bem e o valor do bem incorpóreo, comporão a base de cálculo do IPI. A partir deste ponto, a questão passa a ser fática, no tocante à comprovação ou não da essencialidade do programa de computador ao funcionamento da impressora. Ao longo dos tópicos "8" a "12" do Termo de Conclusão do Procedimento Fiscal, a autoridade autuante demonstra que analisou vários documentos e manuais pertinentes às impressoras fabricadas pela AMPLA, tendo por conclusão em relação ao programa de computador algumas informações que destaco: Há várias instruções básicas paras o operador instalar os programas que controlam a comunicação com a impressora; Fl. 7704DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.705 15 Capítulo individualizado do manual instruem o operador para o conhecimento e domínio do programa intitulado "Print Control", que controla a configuração e a comunicação da impressora; No capítulo que apresenta o "Sistema de Controle Digital" o manual descreve que a operação do painel também poderá ser executado por intermédio de comandos de computador no programa "Printer Control", que gerencia a comunicação e configuração da impressora; Alguns modelos de impressora podem ter suas opções desabilitadas em razão de desconexão com o computador que "contém o programa gerenciador de impressão Printer Control". No Capítulo seguinte 'Comunicação com o Computador' serão apresentadas as informações sobre a instalação deste programa "São dois os programas necessários para a impressão dos trabalhos: Printer Control e Color Print" (páginas dos manuais de cinco impressoras); O Printer Control é o programa gerenciador de impressão que controla os movimentos, alinhamentos e o envio do trabalho para impressão; O Color Print rasteriza o arquivo enviado preparandoo para impressão pelo Printer Control. Ambos trabalham em conjunto e sincronismo. Em síntese, podese concluir que o programa de computador é elemento indispensável e indissociável (em termos operacionais) ao funcionamento e operação regular da impressora, o que lhe confere a natureza de parte integrante do equipamento. Constam ainda inúmeras instruções nos manuais quanto às instalações dos programas denominados "Printer Control" e "Color Printer" o que leva a crer serem os únicos "apropriados" ou "recomendados". Ora se houvesse a possibilidade de instalação de qualquer programa equivalente, adquirido livremente pelo cliente em qualquer loja especializada é de se esperar que jamais o manual faria referência a um único modelo/marca de software operacional. Até este ponto, entendo fundamentos suficientes a caracterizar a inclusão do valor do software no valor tributável do IPI, entretanto, há mais a acrescentar. Outra abordagem realizada pela fiscalização referese aos contratos de compra celebrado entre a AMPLA e seus clientes para averiguação de qual seria o objeto de fornecimento, ou seja, seu escopo haveria de revelar tão somente a impressora, ou também o programa computacional. Antes de prosseguir, assentese que os argumentos da fiscalização foram firmados no entendimento de que o "valor da operação" é aquele consignado no contrato de compra e venda. Colaciona jurisprudência de tribunais superiores, sendo de relevância transcrever excerto do Resp 721243/PR: "Constitui aliás, por isso mesmo, inadmissível incongruência dizer que a base de cálculo do imposto é o valor da operação da qual decorre a saída do produto, e estabelecer, ao mesmo tempo, que os descontos incondicionais integram essa base de cálculo. O valor da operação é o preço enquanto elemento do contrato de compra e venda, que não se confunde com o preço fixado em Fl. 7705DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.706 16 tese, através de tabela oficial, ou laborada pelo próprio vendedor, para o produto" (STJ. REsp 721243/PR. Rei.: Min. João Otávio de Noronha. 2a Turma. Decisão: 16/08/05. DJ de 07/11/05. ) (sublinhado) . Pois bem. Informa o autuante que mediante intimação obteve contratos de compra e venda de clientes da AMPLA. Via de regra, o objeto é a aquisição de um "equipamento de impressão sistema jato de tinta por um preço total igual à soma dos valores totais da nota fiscal em cuja descrição do produto encontrase consignada a impressora jato de tinta e da nota fiscal em cuja descrição consignase o respectivo software necessário para o seu perfeito funcionamento e que com ela é fornecido e a acompanha". Denotase que o cliente adquire juntamente com a impressora o respectivo software necessário para o seu perfeito funcionamento, apenas mantendose apartados as respectivas notas fiscais. Ora, ainda que irrelevante a discussão quanto à natureza do software, se de "prateleira" ou "serviço", se nessa última categoria se incluísse, é de se indagar porque o cliente não poderia exercer a prerrogativa de adquirir o produto de qualquer fornecedor de software que universalmente atenderia a qualquer gama de impressora semelhante? A resposta plausível seria que se trata de uma venda pela AMPLA de um equipamento no qual o software é parte integrante. A fiscalização, fundada na conclusão de que o software é parte integrante da impressora, aplicou as Notas 2, 4 e 5 da Seção XVI da TIPI, da Nota 5e do Capítulo 84 da TIPI e das notas explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) firmou entendimento que "o respectivo software necessário para o seu perfeito funcionamento e que com ela é fornecido e a acompanha, não tem o condão de conferir a este software classificação diversa daquela a que se atribui à impressora jato de tinta (...)". Assim, entendo incorreto intentar uma classificação tarifária individualizada ao software em apreço; mesmo porque não haveria por se tratar de "serviço" incorporado de forma indissociável à impressora. Se a impressora tem como código tarifário o 8443.32.99 ai também estará o programa de computador, não como um bem individual, mas como um valor acrescentado ao preço total do "conjunto" a ser cobrado ao comprador e incluído na base de cálculo do IPI. Com razão pois a decisão recorrida que manteve o valor do software incluso no valor tributável do IPI. Das mercadorias nacionais remetidas para a Amazônia Ocidental A autuação neste tópico deveuse a falta de apresentação de documentos comprobatórios exigidos no cumprimento dos requisitos para a fruição de isenção, especialmente o que obriga que os produtos remetidos à Amazônia Ocidental sejam adquiridos por intermédio da Zona Franca de Manaus ou de seus entrepostos. Conforme a legislação que trata da Zona Franca de Manaus e a extensão de alguns de seus benefícios à Amazônia Ocidental, são isentas do IPI as mercadorias nacionais re metidas para a referida região, desde que: a) sejam adquiridas através da Zona Franca de Ma naus ou dos entrepostos da referida ZFM nas cidades de Porto Velho, no Território de Fl. 7706DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.707 17 Rondônia, Boa Vista, no Território de Roraima e Rio Branco, no Estado do Acre; b) que sejam destinadas ao consumo ou utilização na referida área. Outra condição para o gozo do favor fiscal é a comprovação da entrada das mercadorias na referida área, que é realizada de com a emissão da Declaração de Ingresso, obtida após a transmissão de dados consubstanciados no Protocolos de Ingresso de Mercadoria Nacional PINs, emitidos pela Superintendência da ZFM. A AMPLA não apresentou as Declarações de Ingresso que poderia comprovar a internação da mercadoria nacional na Amazônia Ocidental. foram apresentadas apenas cópias de notas fiscais de sua emissão e o PIN que demonstra tãosomente a transmissão de dados, mas que efetivamente não comprova tal internação. Portanto, não restando demonstrado o cumprimento dos requisitos para a utilização do benefício fiscal da isenção pela remessa à Amazônia Ocidental, só restou à Fiscalização exigir o IPI não pago com base na alíquota aplicável. Remessas em bonificação, doação ou brinde Nesta matéria, a AMPLA traz como argumento para a não incidência do IPI os mesmos utilizados para refutar a inclusão do valor do programa de computador na base de cálculo do Imposto, em razão de considerálo de prateleira, portanto, uma mercadoria de comercialização passível de bonificação, doação ou brinde. A decisão na matéria reclama os mesmos fundamento para a tributação e classificação do programa de computador. Não se trata de um bem de revenda, mas parte integrante da impressora, e como tal, seu valor compõe a base de cálculo do IPI. Dessa forma, a matéria foi de fato enfrentada pela decisão recorrida conforme argumentos expostos a seguir, com os quais me alinho e também os faço minhas razões final de decidir a matéria: "E o fato de haver notas específicas indicando a venda dos softwares, ainda que em algumas delas haja indicação de que a natureza da saída é bonificação, doação ou brinde, não é relevante para a determinação da base de cálculo do imposto. Primeiro, porque tratandose de apenas um único produto em termos de classificação fiscal (como vimos acima), devem ser somados os valores relativos às saídas das impressoras e dos softwares; segundo, porque as saídas a título de bonificação, doação ou brinde são normalmente tributadas pelo IPI (vide o disposto no art. 192 do Regulamento do imposto)." Ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco Conquanto a decisão da DRJ tenha reduzido a multa de ofício ao patamar original de 75%, antes duplicada por circunstância qualificadora, insurgese a recorrente aduzindo tratarse de evidente ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco. Fl. 7707DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.708 18 Tratase de princípio constitucional que se dirige ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa prevista em legislação não pode ser afastadas pelo Carf pois decorre de expressa disposição de Lei, conforme o art. 26A PAF. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A tributação realizada no presente processo atendeu aos regramentos vigentes, não podendo o autuante, tampouco os julgadores administrativos, afastar qualquer comando normativo, eis que disposto em Leis e Decretos plenamente vigentes no ordenamento jurídico. Ademais, qualquer pronunciamento quanto a inconstitucionalidade de lei é vedado aos membros deste Conselho, conforme enunciado da Súmula CARF nº 2, segundo o qual o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Recurso de Ofício Atualmente, o recurso de ofício tem por objeto não somente as situações previstas no art. 34, inciso I do Decreto nº 70.235/72 (PAF) 3, pois a redação do § 3º, do art. 70 do Decreto nº 7.574/201, acrescentada pelo Decreto nº 8.853/2016, inclui como tema a ser revisto em instância superior a decisão que excluir da lide sujeito passivo cuja exigência seja em valor superior ao fixado em ato do Ministro da Fazenda, ainda que seja mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Decreto nº 7.574, de 29/09/2011: Art. 70. O recurso de ofício deve ser interposto, pela autoridade competente de primeira instância, sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, bem como quando deixar de aplicar a pena de perdimento de mercadoria com base na legislação do IPI (Decreto no 70.235, de 1972, art. 34, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). (...) § 3º O disposto no caput aplicase sempre que, na hipótese prevista no § 3º do art. 56, a decisão excluir da lide o sujeito passivo cuja exigência seja em valor superior ao fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) 3 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 7708DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.709 19 O valor limite de alçada está previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 10/02/2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Os valores exigidos são: IPI R$ 3.097,244,10; multa de ofício (reduzida) R$ 2.322.933,09. Assim, conheço do recurso de ofício que exclui do polo passivo os sócios da pessoa jurídica. A responsabilidade tributária atribuída aos sócios da pessoa jurídica teve fundamento legal no inciso I, do art. 137, c/c inciso II do art. 124, ambos do CTN, que reproduzo: SEÇÃO II Solidariedade Art. 124. São solidariamente obrigadas: II as pessoas expressamente designadas por lei. SEÇÃO IV Responsabilidade por Infrações Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; Percebese claramente que o tipo de responsabilidade acometida às pessoas físicas é a pessoal em razão de prática de infração conceituada por lei como crime. Por ser pessoal, exsurge a obrigatoriedade de se apontar o tipo penal e elemento subjetivo do agente. Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: Fl. 7709DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.710 20 II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. A decisão recorrida bem analisou as circunstâncias agravantes e qualificadoras da infração apontadas na autuação, contudo, afastouas. Vejamse os fundamentos do relator, com os quais concordo e faço minhas razões de decidir quanto à inexistência de prática de crime de sonegação pelos sócios, necessário a atrair a responsabilidade de que trata o inciso I do art. 137 do CTN: "(...) Como bem lembrado na autuação, a constatação de conduta dolosa adotada pelo contribuinte pode acarretar o agravamento ou a qualificação da penalidade, tudo dependendo da conduta apurada no procedimento fiscal. Mas, detendose especificamente na análise das circunstâncias qualificadoras (sonegação e fraude, além do conluio), ao que tudo indica, a intenção do legislador foi proteger o núcleo da obrigação tributária, qual seja o fato gerador de todo o desdobramento jurídico que culminará com um direito creditório em favor do Erário Público. No que diz respeito ao IPI, a partir do momento em que o contribuinte emite a nota fiscal, sem que tal documento seja questionado nem do ponto de vista material, nem do ponto de vista ideológico, lá estão expostos todos os elementos constitutivos do crédito tributário, a saber, o sujeito passivo, o destinatário da mercadoria, a natureza desta e do negócio jurídico praticado entre as partes (venda, consignação, transferência etc.). Portanto, neste caso, não há mais que se falar em sonegação ou fraude, porque ausente a conduta tendente a ocultar o fato gerador ou suas características essenciais. Assim, em homenagem ao núcleo da obrigação o fato gerador assume relevo a nota fiscal, sobre a qual deve deitar olhos o Fisco na busca de qualificação da infração praticada: se não há nota, qualificase por ocultação da saída; se há nota, mas o negócio jurídico é diverso do aposto no documento, qualificase por alteração de natureza; se há nota, mas o valor da operação está adulterado, qualificase por alteração de circunstâncias materiais. No que se refere às circunstâncias agravantes, uma análise detida das hipóteses legais de sua aplicação mostra que o agravamento é a forma eleita pelo legislador para reprimir condutas que, se não pertencem ao núcleo da obrigação – leiase fato gerador – gravitam em torno deste como elementos intervenientes de comportamento doloso a ser rechaçado. Notese que o dispositivo pune fatores periféricos ao fato gerador, quais sejam: a reincidência específica, o não cumprimento de solução de consulta, a inobservância de exigências feitas nos livros fiscais e, hipótese recorrente, o artifício doloso na prática da infração ou ainda o retardamento do conhecimento da infração praticada. No caso do dolo, a natureza da intenção do agente infrator, sempre quando não tiver como objeto o fato gerador, não qualifica, mas sim causa agravamento. Explicando melhor, temse que a natureza dolosa da ação do infrator é punida sempre que constatada nos Fl. 7710DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.711 21 elementos periféricos ao fato gerador (entrega de declarações, escrituração desvirtuada etc.); contrário senso, ao se tratar do fato gerador, não teremos o agravamento, mas a qualificação. Nos autos, houve erro de classificação fiscal. Houve a separação das notas fiscais relativas às impressoras e aos softwares que as acompanham. Quanto ao fato de ser obrigatório, para a autuada, o entendimento constante da Solução de Consulta 454, de 2009, tem razão a autoridade fiscal quando menciona a regra geral de que o desconhecimento da norma não pode ser alegado em proveito de seu descumprimento. Mas, no caso concreto, há que se considerar que a referida Solução de Consulta não se aplica a ela, de forma vinculante. Em tese, havendo outra solução em sentido diverso, a autuada poderia até suscitar um processo de divergência. E mais: vêse que uma das causas previstas para o agravamento da penalidade é a falta de observância de solução de consulta em que é parte o agente infrator. Assim, como é possível ter como um dos elementos para a qualificação da conduta da Impugnante o fato de deixar de observar classificação fiscal estabelecida em solução de consulta da qual não foi parte? Portanto, nenhuma das condutas adotadas pela Impugnante ultrapassou o limite acima referido, no sentido de tocar o fato gerador da obrigação tributária. E, assim, não se vislumbra o pressuposto necessário para aplicação da qualificação imposta pela autoridade fiscal, impondose a retirada do percentual da penalidade que excede os 75%." Diante do exposto, não há reparados na decisão da DRJ que excluiu da autuação os sócios LIE TJI TJHUN, CPF nº 275.540.07904, LIE TJI TJEN, CPF nº 168.568.89915 e RICARDO AUGUSTO LIE, CPF nº 044.378.34976. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 7711DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900754/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2001 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em conseqüência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicam-se as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratar-se de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplica-se o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%.
Numero da decisão: 1301-000.535
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em conseqüência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicamse as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratarse de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplicase o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e André Ricardo Lemes da Silvba. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 26/30, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fl. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 01/02, na qual alega, em síntese, que: a) a empresa em questão tem como atividade principal a de "Construção Civil, Projetos, Administração de Obras, Fabricação de Artefatos de Cimento para Construção e Prestação de Serviços na Área de Construção Civil"; b) a contribuinte ao efetuar recolhimentos de impostos por ela devidos, utilizou como percentual sobre a receita bruta a alíquota de 32%, quando o correto seria o percentual de 8%, vez que a interessada realiza construção por empreitada, com emprego de materiais próprios, sem qualquer quantidade; c) tal mudança ocorreu com o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 06, de 13/01/1997, o qual a contribuinte teve conhecimento no ano de 2003; d) foi informado a preencher a PER/Dcomp requerendo a compensação do tributo pago a maior, bem como proceder a retificação de sua DCTF; e) não efetuou a retificação da DCTF, fato que culminou com a nãohomologação dos créditos tributários; f) com a correta aplicação da alíquota, a contribuinte possui um crédito no valor de R$ 1.916,23 (31/01/2001). Ao final, requer a homologação da referida PER/Dcomp e anulação da cobrança. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do acórdão AC/DRJ/RPO 1421.711, de 05/12/2008, fls.32, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo a solicitação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.900754/200616 Acórdão n.º 1301000.535 S1C3T1 Fl. 2 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida.” É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Alega a recorrente que o indeferimento de seu pleito em primeira instância se deu basicamente pela falta de comprovação documental de suas alegações; tal prova juntamente com o presente recurso se pretende apresentar, conforme a seguir, transcrevo: Trazemos junto a este recurso o Anexo I em que se encontra cópia do contrato de constituição de sociedade empresária limitada e todas as suas alterações, provando a atividade social da contribuinte. O Anexo II é composto pelas DCTFs originais e DCTF retificadoras do período, dando conta da correção pela contribuinte do equívoco perpetrado em seu prejuízo e de seu crédito existente. O Anexo III, por sua vez, é composto pela DIPJ referente ao período (ano calendário 2000), em sua via original e retificadora, dando conta da correção do lançamento de ofício anteriormente feito erroneamente em desfavor desta contribuinte. Acompanha o Anexo IV contratos firmados no 4º trimestre de 2002 entre a contribuinte e a Prefeitura Municipal de Paranapuã SP e com o CEFAM – Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério, nos quais observamos que a execução de seus objetos se deram no regime de empreitada por preço global. Comentando a contratação pública pelo regime de empreitada por Preço Global e por,.Preço Unitário, o eminente jurista Marçal Justen Filho, em sua obra "Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos", Ed. Dialética, 10a edição, asseverou às fls. 103 o seguinte: "Na empreitada, o terceiro executará a prestação (obra ou serviço) com o dever de fornecer os materiais necessários e arcar com as despesas necessárias ao cumprimento da prestação. A remuneração paga pela Administração amortiza as despesas do particular e, supõese, permitelhe auferir um lucro (diferença entre o valor recebido da Administração e as despesas efetivadas para executar a prestação)". Ainda em relação ao período em análise nos presentes autos, destacamos os documentos que compõem o Anexo V, quais sejam as "Nota Fatura de Prestação de Serviço" (no 530, 531, 532, 533, 534, 535, 536 cancelada, 537, 538 e 539), dando conta de que o faturamento informado pelo contribuinte em sua DCTF e DIPJ retificadoras foram pela efetivação de serviços no regime de empreitada por preço global, com fornecimento de materiais. Válido destacar que sobre o faturamento documento por faturas que não incluíram fornecimento de materiais incidiu a alíquota de 32% e não a de 8%, como, a propósito, se observa pelas declarações anexas decorrentes do cumprimento de obrigações acessórias. O Anexo VI é composto pelas notas fiscais de entradas das mercadorias empregadas pela contribuinte na execução das obras no regime de empreitada por preço global. Finalmente, observase pelas faturas apresentadas que os serviços foram prestados a diversos órgãos públicos e, dessa forma, maior credibilidade deve ser dada aos documentos fiscais, até porque tais órgãos são objeto de constantes fiscalizações pelo próprio Tribunal de Contas e auditorias internas. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.900754/200616 Acórdão n.º 1301000.535 S1C3T1 Fl. 3 5 Depreendese que a lide gira em torno do alegado direito creditório, decorrente de recolhimento indevido/a maior de IRPJ. Tal recolhimento teria sido feito equivocadamente pela interessada, em face da aplicação do percentual de 32% à totalidade de sua receita bruta para fins de cálculo do lucro presumido, em lugar do percentual de 8%, que seria o correto para a atividade por ela exercida, que afirma ser de construção por empreitada, com emprego de materiais próprios, pelo que junta farta documentação probatória. Em conseqüência, estaria provado o direito creditório por ela pretendido. Neste mister, com a devida vênia faço meus os argumentos despendidos no voto/relatório em processo equivalente e da mesma recorrente (10820.900117/200851), da lavra do eminente Conselheiro Waldir Veiga Rocha, com as devidas adaptações que os dados do presente processo requer: O primeiro ponto a ser apreciado é, então, a possibilidade de retificação da DCTF. Sobre a matéria, considero pertinente a análise do art. 147 do CTN, abaixo transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Embora o artigo acima transcrito não seja, em primeira análise, diretamente aplicável ao caso concreto, visto que a DCTF não se presta ao lançamento de tributo mas sim à confissão de débitos tributários e ao fornecimento de informação à autoridade administrativa sobre a forma de sua extinção, seu parágrafo primeiro traz disposições sobre a retificação de declarações que bem podem orientar a decisão a ser tomada. Senão vejamos. Na hipótese de redução ou exclusão de tributos, o texto legal impõe restrições à retificação da declaração com base na qual a autoridade administrativa haverá de efetuar o lançamento. Isso tendo em vista a proteção ao crédito tributário, interesse indisponível, como cediço. Tais disposições são também aplicáveis à situação vertente, em que a retificação da DCTF, se aceita, implicará redução do valor do débito anteriormente confessado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, apurado pelo próprio sujeito passivo. A propósito, assim leciona Leandro Paulsen1: Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o § 1º do art. 147 tem sido bastante invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar 1 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 12ª Ed. Revista e atualizada. Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2010, pág. 1026. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 suas declarações livremente, com eficácia imediata, e, a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações. [...]. Tenho, assim, que a questão a ser dirimida reside na prova do alegado erro, e no momento de sua apresentação. A princípio, todas as provas deveriam ser apresentadas juntamente com a impugnação, a teor dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972. Ocorre, entretanto, que o Despacho Decisório de fl. 01, ao não reconhecer o direito creditório trazido à compensação, baseouse unicamente na análise do DARF e sua alocação aos débitos então declarados. A declaração retificadora foi apresentada em 16/05/2008. O questionamento sobre a redução do débito de IRPJ correspondente ao quarto trimestre de 2002 de R$ 6.953,93 para R$ 1.738,48 somente foi trazido a lume durante a apreciação do litígio em primeira instância. Nessas condições, os mesmos dispositivos legais do Decreto nº 70.235/1972 anteriormente citados, especificamente o § 4º, inciso “c”, do art. 16, prevêem que a prova possa ser apresentada posteriormente. Passo, então, a analisar os documentos acostados aos autos pela interessada, a fim de verificar se socorrem sua pretensão, em face da legislação aplicável. Acerca do percentual aplicável, a disposição legal pertinente se encontra na Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. [...] A disciplinar a matéria, foi editada a IN SRF nº 11/1996 e, posteriormente, a IN SRF nº 93/1997, nos seguintes termos: Instrução Normativa SRF nº 011, de 21 de fevereiro de 1996 Art. 3º A partir de janeiro do anocalendário de 1996, a base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida na atividade. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: [...] IV 32 % (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida com as atividades de: Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.900754/200616 Acórdão n.º 1301000.535 S1C3T1 Fl. 4 7 [...] d) construção por administração ou por empreitada unicamente de mãode obra; [...] f) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada neste parágrafo. Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997 Art. 3º À opção da pessoa jurídica, o imposto poderá ser pago sobre base de cálculo estimada, observado o disposto no § 6º do artigo anterior. § 1º A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida na atividade. § 2º Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: [...] IV 32 % (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida com as atividades de: [...] d) construção por administração ou por empreitada unicamente de mãode obra; [...] f) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada neste parágrafo. [...] Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 3º, sobre a receita bruta de cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral; Em 1997, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 6, de 13/01/1997 estabeleceu com clareza qual seria o percentual a ser aplicado para determinação da base de cálculo do imposto de renda na atividade de construção por empreitada (grifos não constam do original): O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Esse entendimento se encontrava sedimentado, havendo inclusive soluções de consulta nesse sentido, entre as quais menciono a SC SRRF07 84/2002, SC SRRF08 36/2003 e SC SRRF08 278/2004. As alterações posteriormente introduzidas com o advento das IN SRF nº 480/2004 e IN SRF nº 539/2005 não alcançam os fatos geradores de que aqui se trata. Conforme visto na breve resenha da legislação, nos termos do ADN COSIT nº 6/1997, o percentual aplicável na determinação do lucro presumido seria de 8%, caso se tratasse de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Sustenta a recorrente que essa seria exatamente sua situação, pelo que pleiteia a retificação do valor de imposto devido, daí exsurgindo, em decorrência, o direito creditório por pagamento em valor maior que o devido. Três são, então, os aspectos a serem verificados, cumulativamente: (i) se as atividades exercidas pela interessada, que deram origem às receitas auferidas, o são pela modalidade de empreitada; (ii) se essas atividades são de construção; e (iii) se há prova de ter havido, na execução dessas atividades, o emprego de materiais fornecidos pela interessada. Quanto ao primeiro ponto acima, considero não haver dúvidas. Ensina a doutrina que empreitada é o contrato em virtude do qual um dos contratantes comete a outro a execução de um determinado serviço, compreendendo tanto a empreitada de obra ou de construção, como a empreitada para a feitura de qualquer outra espécie de trabalho ou serviço (segundo De Plácido e Silva). Essa modalidade contratual é regulada pelos arts. 610 a 626 do Código Civil/2002. De se concluir, assim, que a empreitada não é exclusivamente aplicável à execução de obras de construção civil, podendo ser contratada, sob essa modalidade, a realização de qualquer outra espécie de trabalho ou de serviço. Compulsando os autos encontro diversas cartas de atendimento a Cartas Convite publicadas por órgãos públicos dos municípios de Jales/SP e Paranapuã/SP, para obras civis tais como: realização de reforma no Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério – CEFAM; construção de vestiários e palco para a quadra de escola municipal; colocação de grades de proteção na CEFAM; realização de instalação elétrica na CEFAM; em todos os casos, acompanhadas de planilhas que especificam em detalhes as obras a serem realizadas, inclusive os materiais a serem aplicados. Também de especial relevância as notas fiscais de prestação de serviços, emitidas pela interessada, cujas cópias se encontram juntadas. Não obstante não tenham sido apresentados todos os contratos, a descrição dos serviços permite a conclusão de que se trata de construção por empreitada. Finalmente, no que toca ao emprego de materiais, é de se ressaltar que em todas as notas fiscais apresentadas a interessada especifica que os serviços prestados em obras de construção civil diversas incluem mãodeobra e materiais, tal como previsto nos contratos apresentados. Tal destaque é corroborado pelas diversas notas Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.900754/200616 Acórdão n.º 1301000.535 S1C3T1 Fl. 5 9 fiscais de aquisição de insumos os mais diversos aplicáveis aos serviços prestados pela contribuinte. Tenho, assim, por atendidos e comprovados os três requisitos delineados pelo ADN COSIT nº 6/1997, pelo que o percentual aplicável à receita bruta auferida pela interessada com a atividade de construção por empreitada com emprego de materiais, para fins de determinação do lucro presumido, deve ser de 8%. A somatória das notas fiscais apresentadas coincide rigorosamente com os valores que constam da DIPJ retificadora para o quarto trimestre de 2002, sendo o imposto calculado a partir daí o mesmo valor que consta da DCTF retificadora. Diante do exposto, a retificação pretendida deve ser aceita. Considerandose que o débito de R$ 1.738,48 foi integralmente extinto em 31/03/2003 mediante o DARF quitado no valor de R$ 2.119,07 mais juros de R$ 65,59, o direito creditório aqui invocado pelo contribuinte, no montante de R$ 2.179,03 deve ser reconhecido, com a conseqüente homologação da compensação declarada neste processo até aquele limite. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 12689.000761/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/05/2007
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 3201-003.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrente BRASKEM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/05/2007 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 07 61 /2 00 7- 33 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 264 2 Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vinculado, PISImportação e CofinsImportação, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: DO LANÇAMENTO Versa o presente processo sobre a lavratura de quatro Autos de Infração (AI), às fls. 02 a 23 do processo digital, em 20.06.2007, por auditor da Alfândega do Porto de Salvador/BA, em razão de a mercadoria importada, através da Declaração de Importação (DI) nº 07/05767838, Adição 001, registrada nessa Alfândega em 04/05/2007, terse beneficiado indevidamente de destaque tarifário (EX), que reduzia a alíquota do Imposto de Importação (II) incidente sobre ela, de 14% para 8%, o que acarretou a alteração da base de cálculo do IPI e das contribuições. O primeiro AI, às fls. 02 a 06, levantou a cobrança da diferença do II, no valor de R$ 604.909,44, acrescido da multa de ofício de 75%, no montante de R$ 453.307,08, totalizando o crédito tributário correspondente a este AI o valor de R$ 1.057.716,52 (um milhão, cinquenta e sete mil, setecentos e dezesseis reais e cinquenta e dois centavos). O segundo AI, às fls. 07 a 10, lançou a diferença do IPI, no valor de R$ 30.520,47, acrescida de R$ 22.890,35, correspondente à multa de ofício, totalizando R$ 53.410,82 (cinquenta e três mil, quatrocentos e dez reais e oitenta e dois centavos). O terceiro AI, às fls. 11 a 14, promoveu o lançamento da diferença da Cofins, no valor de R$ 10.885,79, acrescida da multa de ofício de R$ 8.164,34, totalizando R$ 19.050,13 (dezenove mil, cinquenta reais e treze centavos). E o quarto e último AI, às fls. 15 a 18, lançou a diferença do PIS, no valor de R$ 2.363,37, acrescida de R$ 1.772,53 correspondente à multa de ofício, totalizando R$ 4.135,90 (quatro mil, cento e trinta e cinco reais e noventa centavos). O crédito tributário totalizou a soma final de R$ 1.134.313,37 (um milhão, cento e trinta e quatro mil, trezentos e treze reais e trinta e sete centavos), de acordo com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal e Dados do SIEF, às fls. 19 a 23. Na descrição dos fatos, às fls. 03 a 05 e 08 a 11, a autoridade lançadora apurou, em resumo que: 1. Crédito com a exigibilidade suspensa: O crédito tributário lançado estava com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do Mandado Fl. 264DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 265 3 de Segurança objeto do processo judicial n° 2007.33.00.007483 4, em tramitação na 12° Vara da Justiça Federal da Bahia, nos termos do artigo 151, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional (CTN). Afastada a suspensão da exigibilidade, seja por falta ou insuficiência do depósito, caducidade ou cassação desfavorável ao sujeito passivo, este deverá, conforme teor e extensão do julgado, recolher total ou parcialmente o crédito lançado, com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição na dívida ativa, compensados, se for o caso, eventuais depósitos judiciais efetuados e a serem convertidos em renda da União. 2. Mercadoria não enquadrada em Destaque Tarifário (EX): Verificou a autoridade lançadora que na DI nº 07/05767838 (Adição 001), amparado por decisão liminar em MS (2007.33.00.0074834), o contribuinte não efetuou o recolhimento integral do II, porque, com base na decisão judicial prolatada, utilizou alíquota do II reduzida para 2%. Consequentemente, o recolhimento do imposto foi efetivado em valor inferior ao correto (alíquota regular de 14%). 3. Reconstituição das bases de cálculo do IPI, Cofins e PIS: A autoridade lançadora apurou, ainda, que, na DI citada, ao amparo de liminar concedida no MS mencionado, como o contribuinte aproveitou a redução da alíquota do II, de 14% para 2%, não efetuou o recolhimento integral do IPI, da Cofins e do PIS, em razão do valor do II, que integra a base de cálculo desse imposto e dessas contribuições, ter sido calculado à alíquota de 2%, acarretando o recolhimento a menor desse imposto e dessas contribuições. DA IMPUGNAÇÃO A empresa autuada foi cientificada dos lançamentos em 21.06.2007 (em campos próprios dos AI), e apresentou, em 23.07.2007 (tempestivamente), a sua defesa, às fls. 25 a 49 (averbação aposta nesse documento pela autoridade administrativa competente, à fl. 25), complementada pelos documentação de fls. 50 a 154 (1º volume) e 155 a 189 (2º volume), (Contrato Social da empresa, Procuração, extratos da DI, Conhecimento de Carga e Fatura Comercial, material técnico a respeito do produto e cópia do MS impetrado/ liminar concedida). Serão apresentadas a seguir as razões da defendente, resumidas por esta relatora e agrupadas em tópicos, para facilitar a explanação: Na preliminar: 1. Mandado de Segurança e Liminar concedida: Discorreu sobre a necessidade de aumento da capacidade de produção da matériaprima com a qual trabalha, paraxileno, Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 266 4 bem como da modernização de sua planta industrial para aumento de sua competitividade. Informou que importou "Grids" para colunas de absorção seletiva destinados a purificação de Paraxilenos, sendo cada interno constituído por 8 ou 10 telas em aço carbono perfuradas, linhas de tubulação, vigas, juntas com gaxetas, utilizados para separar leitos de sólidos absorventes e permitir distribuição de fluxo de processo”, componentes que só eram encontrados em fornecedores localizados no exterior e que, em função da ausência de produto similar fabricado pela indústria nacional, tais operações contariam com uma significativa redução da alíquota do II incidente sobre tais aquisições (de 14% para 2%) a ser concedida. Diante disso, iniciou as negociações junto aos fornecedores internacionais, protocolando em 12.02.2007 e 05.03.2007, respectivamente, junto à Secretaria do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) o seu pleito de redução do II na forma de "ex tarifário". Todavia, em face da iminência da chegada dos bens em território nacional e “...ante a inércia da Secretaria do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio em responder os pleitos tempestivamente protocolados”, ajuizou em 26.04.2007, mandado de segurança de cunho preventivo (n.° 2007.33.00.0074834), para suspender a exigibilidade do II que ultrapassasse a alíquota de 2% e preservar o direito à fruição da benesse fiscal entre a data de concessão do pedido judicial e a análise definitiva do pleito de redução do imposto formulado junto ao Mdic. Deferida a liminar em 04.05.2007, com ciência à autoridade aduaneira, ela registrou a DI n° 07/05767838, na mesma data (em 04.05.2007), com retificações em 18 e 21.05.2007, apresentando, ainda, laudo pericial, atestando a identificação das mercadorias para que fossem enquadradas no "ex tarifário" pleiteado. Após o desembaraço das mercadorias, em processo de revisão aduaneira, as autoridades fiscais lavraram os AI ora impugnados para exigência das diferenças de II, IPI, PIS e Cofins, supostamente recolhidos a menor e decorrentes da operação de importação sob análise. 2. Nulidade dos lançamentos relativos às contribuições: Discorreu sobre a nulidade dos lançamentos promovidos pela fiscalização, uma vez que os AI sequer traziam discriminação da base de cálculo e das alíquotas utilizados no cômputo das contribuições, limitandose a evidenciálas e a deduzir as parcelas já recolhidas pelo sujeito passivo, sem discriminar a sua origem, o que maculou os lançamentos, nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto n. 70.235, de 1972 (preterição do direito Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 267 5 de defesa) e do artigo 119, inciso I, do CTN (falta de elementos suficientes para determinar a infração e o infrator). No mérito: 3. Direito à redução da alíquota do II antes do fato gerador: Afirmou, por outro lado, que a acusação fiscal partiu da falsa premissa de que a impugnante não teria direito à redução da alíquota do II quando da ocorrência do fato gerador do tributo em análise (data do registro da DI, em 04.05.2007) e alegou que, após o ajuizamento do MS, (antes do registro da DI, em 26.04.2007), foi publicada, em 04.05.2007 (mesma data de registro da DI), a Resolução Camex n.° 15, de 2007, concessiva do benefício fiscal almejado pela impugnante, referente ao produto por ela importado, a saber: “001 Conjuntos rotativos "rotor plafe", partes da válvula rotativa de distribuição de fluxo no processo de purificação de paraxileno, compostos por chapa metálica circular usinada em aço carbono, 7 linhas de tubulação em aço carbono, 7 juntas de expansão em aço inox e 1 membrana de vedação em teflon, acionada hidraulicamente, com temperatura de 177°C e pressão entre 10 e 13kgf/cm2(g) ". Argumentou que na data da ocorrência do fato gerador do II (04.05.2007), a empresa já detinha o direito de aplicação da alíquota de 2% no cálculo desse imposto incidente sobre o produto importado. Portanto, independentemente do desfecho do MS, a impugnante tem direito à aplicação da alíquota reduzida de 2%, sendo improcedente a ação fiscal. Ressaltou que a eficácia do provimento judicial cessa quando da decisão final do Mdic, e se a decisão final desse órgão foi proferida antes da ocorrência do fato gerador do II, a improcedência da acusação fiscal independe da análise do pleito lançado em juízo, visto que a discussão administrativa (ora instaurada) e a discussão judicial (em curso) operam em planos distintos e fundamse em razões diversas. A ação judicial objetivou a suspensão da exigibilidade do II que ultrapassasse a alíquota de 2%, enquanto que a presente ação administrativa fundamentouse na consolidação do direito à fruição da benesse fiscal na data da ocorrência do fato gerador do II. 4. Portaria Camex concessiva do "ex tarifário": Argumentou que, além da Resolução mencionada, foi editada, em 28.06.07, a Resolução Camex n° 22, de 2007, que também respaldou a aplicação da alíquota reduzida no que tange a outras mercadorias por ela importadas. Questionou, a seguir, a eficácia das normas que veiculam o regime "ex tarifário": se constitutivas, devese concluir pela sua eficácia prospectiva, se meramente declaratórias de um direito Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 268 6 já consolidado anteriormente, sua eficácia declaratória tornase inarredável. Registrou que os argumentos levantados nos AI não apresentam conexão com aqueles defendidos nos autos do MS 2007.33.00.0074834, donde conclui que a sua análise não prejudica o andamento do feito na esfera judicial, nem vice versa, porque fundamentamse em razões diversas. Repisa que, enquanto a ação judicial teve por base a desídia do Mdic, e objetivava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário que ultrapassasse a alíquota de 2%, o presente argumento fundase na eficácia declaratória das normas da Secex/Camex e tem por objeto um ato legal já publicado "in concreto", além da improcedência da acusação fiscal formulada. Citou o artigo 34, § 1º, alínea “a”, e § 2º da Lei n° 3.244/57, com a redação dada pelo Decretolei nº 63/66, que disciplinava a concessão de isenção ou redução de caráter geral, relativamente ao II, quando houvesse escassez da produção nacional de determinada matériaprima/produto de base, ou a produção nacional desses produtos fosse insuficiente para atender ao consumo interno. Complementou a sua citação com os artigos 17 e 10 do Decretolei nº 36/66 (produto sujeitos à similaridade nacional para efeito do benefício fiscal); Mencionou, ainda, o artigo 153, §1° da CF/88, combinado com o artigo 92 do Decreto n° 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro) c/c Lei n° 8.085/90, com redação da MP 2.15835, de 2001 (delegação à Camex para alteração das alíquotas do II), e a Resolução n° 35, de 2006, da Camex, que disciplina o processo de redução das alíquotas do II de bens de capital, de informática e de telecomunicações, sem produção nacional. Acrescentou que não se pode admitir a frustração dos textos legais, seja no que diz respeito aos requisitos legais para fruição da isenção (ausência de similar nacional), seja no que tange ao cumprimento dos prazos regulamentares para o atendimento dos pleitos de redução do II, cumpridos pelo importador. Ademais, dentre os dispositivos legais e regulamentares citados no AI, inexiste determinação legislativa expressa que exija a edição da Res. ou Portaria em data anterior à ocorrência do fato gerador como condição para fruição da benesse fiscal, nos termos do artigo 120 do Regulamento Aduaneiro, §4º, e artigo 193. Hipótese diversa seria se a impugnante não tivesse logrado êxito junto à Camex. No entanto, se seu pleito foi acolhido (ainda que em data posterior ao registro da DI), a prevalência da redução tributária se impõe, donde se conclui pela improcedência do AI lavrado para a cobrança do II e dos demais lançamentos efetivados em outros AI presentes neste processo para a cobrança de imposto (IPI) e contribuições (Cofins e PIS) reflexos. Diante do exposto requereu fosse julgado totalmente improcedente os AI impugnados, afastandose, em definitivo a sanção aplicada. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 269 7 É o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/REC n.º 1141.181, de 27/05/2013 (fls. 196 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/05/2007 Ação Judicial. IPI, PIS e Cofins lançamentos. A propositura de ação judicial não impede a formalização do lançamento, pela autoridade administrativa, da diferença dos impostos e contribuições devidos, que deve ser realizado, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente a esses impostos e contribuições, ficando o crédito constituído sujeito ao que vier a ser decidido, com trânsito em julgado, pela autoridade judicial. Concomitância de objeto com ação judicial. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto da ação administrativa implica em renúncia a este litígio e, em consequência, no impedimento da apreciação, pela autoridade administrativa, das razões de mérito, no tocante à cobrança da alíquota integral do II, que redundou, por alteração na base de cálculo, na cobrança do IPI e das contribuições. Multa de ofício. Falta de recolhimento do II, IPI e contribuições. Descabe o lançamento de multa de ofício de 75% proporcional à diferença dos impostos e das contribuições não recolhida, por gozo indevido de benefício fiscal, quando a suspensão da exigibilidade do débito deuse antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 25 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega não haver identidade de matéria nas esferas administrativa e judicial e ser direito seu a aplicação da alíquota reduzida do II no percentual de 2%. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 270 8 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Segundo consta dos autos, a fiscalização efetuou lançamento de ofício para exigir II, IPI, PISImportação e CofinsImportação, multa de ofício e juros de mora, em razão de a Recorrente ter se beneficiado indevidamente de "extarifário" (redução do II, de 14% para 2%, reduzindo, por consequência, os valores do IPI e das contribuições). Noticiase que a Recorrente pleiteou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC uma redução do II na forma de "ex tarifário", instruindo o pedido, para o produto que visava importar, com um atestado de inexistência de produção nacional emitido pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos e pelo Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas. Diante da demora na apreciação do pleito, ingressou com o Mandado de Segurança MS preventivo tombado sob o nº 2007.33.00.0074834, objetivando beneficiarse da "isenção parcial" do II requerida e a suspensão da exigibilidade dos tributos aduaneiros até julgamento do mérito da ação mandamental. As autoridades impetradas foram os Inspetores da Alfândega do Aeroporto Internacional de Salvador e do Porto de Salvador. Impugnada a exigência, a DRJ manteve a autuação, reconhecendo caracterizada a concomitância de matéria entre as esferas administrativa e judicial, e exonerou, por isso mesmo, a multa de ofício. No recurso voluntário, a Recorrente alega inexistir a reconhecida concomitância e sustenta ser direito seu a aplicação da alíquota reduzida. Não é, contudo, o que comprova o seguinte parágrafo da petição inicial, o qual encerra o pedido principal da ação judicial antes referida (fl. 94): Atestada a presença da iminente coação a ser perpetrada, requer a Impetrante, com fulcro no artigo 7o da Lei n.° 1.533, que V.Exa. se digne concederlhe, sem ouvida do Impetrado, MEDIDA LIMINAR, determinando às autoridades coatoras que procedam ao registro da declaração de importação com a isenção parcial almejada pela Impetrante e conseqüente desembaraço das mercadorias importadas (referidas no curso da presente vestibular), independentemente do pagamento do imposto de importação com alíquota superior a 2%, cuja exigibilidade restará suspensa até ulterior deliberação desse juízo, ficando preservada a verificação, por parte das autoridades aduaneiras, dos demais requisitos exigidos no curso do despacho aduaneiro. Caso assim não entenda esse juízo, pugna pela concessão do depósito judicial da quantia controversa, o qual restará liberado ao fim da presente ação. (...) seja CONCEDIDA A SEGURANÇA, garantindo o direito líquido e certo da Impetrante à fruição da isenção parcial do imposto de importação (patamar superior a alíquota de 2%) incidente sobre as operações descritas no curso da presente vestibular até Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 271 9 que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior aprecie, em decisão final, os pedidos de reconhecimento de redução do imposto em testilha. Notese que, muito embora o que se convém chamar de isenção parcial não tenha o mesmo significado de uma redução de alíquota, está claro que o objeto da ação judicial – o pedido, a pretensão deduzida pelo autor da demanda levada à apreciação do EstadoJuiz – coincide com o objeto do presente processo administrativo. Na lição de FREDIE DIDIER, "O pedido é o núcleo da petição inicial; a providência que se pede ao Poder Judiciário; a pretensão material deduzida em juízo (e que, portanto, vira pretensão processual); a consequência jurídica (eficácia) que se pretende ver implementada através da atividade jurisdicional. É, como dito alhures, o efeito jurídico posto como causa de pedir" (DIDIER, Fredie, Direito Processual Civil, 6ª ed., Salvador: JusPODIVUM, 2006, p. 376). Ora, no caso em tela, a ação mandamental visou assegurar o direito, no dizer da Recorrente "líquido e certo", à fruição da isenção parcial do II (redução de alíquota), enquanto não decidisse o MDIC a respeito do pedido que aquela formulara. De conseguinte, os objetos da ação mandamental e do presente processo administrativo coincidem. Vejam que, para a Recorrente, a ação judicial objetivou apenas a suspensão da exigibilidade do II que ultrapassasse a alíquota de 2%, enquanto que o presente processo administrativo fundamentouse na consolidação do direito à fruição da benesse fiscal na data da ocorrência do fato gerador do II. É o que afirma. Entretanto, parecenos evidente que, ainda que a tal "isenção parcial" requerida só vigorasse enquanto não decidido o pleito da Recorrente, a verdade é que, nesse contexto, afastouse, neste período, a regra geral tributária (a regra matriz de incidência) e fez se incidir, por norma individual e concreta (a decisão judicial precária), uma regra isentiva (melhor dizendo, uma redução de alíquota). Não fossem os objetos da demanda judicial e do processo administrativo idênticos (ao menos em parte), sequer a Recorrente poderia ter deixado de recolher o II e demais tributos, de forma que a liminar não a socorreria. Quando a condição resolutiva fosse implementada – a decisão administrativa do MDIC –, aí caberia verificar se os tributos então não recolhidos seriam ou não devidos. De todo modo, o Fisco estava impossibilitado de exigir os tributos respectivos, sobrandolhe apenas o lançamento para prevenir a decadência, o que, como já antecipamos, findou por ser feito. Daí o acertado cancelamento da multa de ofício pela DRJ, uma vez que a liminar foi concedida antes da ciência do auto de infração. Concluindo, temos aqui aplicável a Súmula CARF nº 1, segundo a qual "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 271DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 272 10 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720016/2016-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO.
A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte.
Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador.
Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio torna-se ainda mais justificada.
UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL.
A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique.
Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal.
LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos.
ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE PARTES RELACIONADAS. INOCORRÊNCIA.
O ágio interno pressupõe uma operação que envolva partes que pertençam ao mesmo grupo econômico o que exclui do seu campo de abrangência a operação que envolve partes independentes com interesses diametralmente inversos.
EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. PREÇO. PROJEÇÃO BASEADA NA MÉDIA DO LUCRO DE PERÍODOS ANTERIORES. REACIONAL VÁLIDO. POSSIBILIDADE.
A expectativa de rentabilidade futura prevista na legislação refere-se à capacidade de geração de caixa futura da empresa adquirida. Tal projeção pode ser feita através da apuração de histórico de lucros de períodos passados vez que a geração de caixa no futuro guarda uma relação de continuidade dos resultados obtidos pela empresa no passado.
DA FORMA DE ESCRITURAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DO ÁGIO POR VÍCIO NA ESCRITURAÇÃO. ESSÊNCIA SOBRE A FORMA.
Uma vez verificada a negociação efetiva das ações, o pagamento efetivo do preço, a validade do racional para definição do preço e a ausência de simulação, a mera ausência de inclusão expressa na escrituração fiscal do embasamento legal do ágio não é motivo suficiente para glosa da dedução.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
CSLL. ÁGIO. REFLEXO DO IRPJ.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL dele decorrente.
Numero da decisão: 1201-002.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que dava parcial provimento ao recurso, apenas para afastar a glosa relativa ao 1º (primeiro) ágio. Vencida também a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
EDITADO EM: 08/07/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio torna-se ainda mais justificada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE PARTES RELACIONADAS. INOCORRÊNCIA. O ágio interno pressupõe uma operação que envolva partes que pertençam ao mesmo grupo econômico o que exclui do seu campo de abrangência a operação que envolve partes independentes com interesses diametralmente inversos. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. PREÇO. PROJEÇÃO BASEADA NA MÉDIA DO LUCRO DE PERÍODOS ANTERIORES. REACIONAL VÁLIDO. POSSIBILIDADE. A expectativa de rentabilidade futura prevista na legislação refere-se à capacidade de geração de caixa futura da empresa adquirida. Tal projeção pode ser feita através da apuração de histórico de lucros de períodos passados vez que a geração de caixa no futuro guarda uma relação de continuidade dos resultados obtidos pela empresa no passado. DA FORMA DE ESCRITURAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DO ÁGIO POR VÍCIO NA ESCRITURAÇÃO. ESSÊNCIA SOBRE A FORMA. Uma vez verificada a negociação efetiva das ações, o pagamento efetivo do preço, a validade do racional para definição do preço e a ausência de simulação, a mera ausência de inclusão expressa na escrituração fiscal do embasamento legal do ágio não é motivo suficiente para glosa da dedução. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 CSLL. ÁGIO. REFLEXO DO IRPJ. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL dele decorrente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 58; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720016/201665 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201002.247 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria IRPJ Recorrentes BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013, 2014 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 16 /2 01 6- 65 Fl. 1618DF CARF MF 2 ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE PARTES RELACIONADAS. INOCORRÊNCIA. O ágio interno pressupõe uma operação que envolva partes que pertençam ao mesmo grupo econômico o que exclui do seu campo de abrangência a operação que envolve partes independentes com interesses diametralmente inversos. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. PREÇO. PROJEÇÃO BASEADA NA MÉDIA DO LUCRO DE PERÍODOS ANTERIORES. REACIONAL VÁLIDO. POSSIBILIDADE. A expectativa de rentabilidade futura prevista na legislação referese à capacidade de geração de caixa futura da empresa adquirida. Tal projeção pode ser feita através da apuração de histórico de lucros de períodos passados vez que a geração de caixa no futuro guarda uma relação de continuidade dos resultados obtidos pela empresa no passado. DA FORMA DE ESCRITURAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DO ÁGIO POR VÍCIO NA ESCRITURAÇÃO. ESSÊNCIA SOBRE A FORMA. Uma vez verificada a negociação efetiva das ações, o pagamento efetivo do preço, a validade do racional para definição do preço e a ausência de simulação, a mera ausência de inclusão expressa na escrituração fiscal do embasamento legal do ágio não é motivo suficiente para glosa da dedução. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012, 2013, 2014 CSLL. ÁGIO. REFLEXO DO IRPJ. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplicase à CSLL dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que dava parcial provimento ao recurso, apenas para afastar a glosa relativa ao 1º (primeiro) ágio. Vencida também a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 3 3 Luis Fabiano Alves Penteado Relator EDITADO EM: 08/07/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de autos de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrados em 19/01/2016, contra a contribuinte em epígrafe, em decorrência do procedimento de fiscalização autorizado pelo MPF nº 0816600.2014.00308, relativos a fatos geradores ocorridos nos ANOS CALENDÁRIO 2012, 2013 e 2014 que resultaram na constatação de ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (ágio): CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL e MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Conforme DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA LUCRO REAL, foram apuradas infrações cujos créditos tributários autuados perfazem o montante de R$ 573.471.060, 85, no qual encontrase incluída a multa de ofício de 150%, a multa isolada e os juros de mora calculados até janeiro de 2016. Do auto de infração lavrado em relação ao IRPJ apurado, constam as seguintes infrações: Dedução indevida de amortização de ágio Primeiro Ágio O objeto da fiscalização é a verificação da apuração do IRPJ e CSLL nos anos calendário 2012, posteriormente ampliado para os anoscalendário 2013 e 2014, em especial a dedução de pretenso ágio com fundamentação em rentabilidade futura escriturado quando da aquisição pelo Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A — doravante "CS" de 100% das ações da sociedade HedgingGriffo Investimentos S.A. II HGIII, ocorrida em 20 de dezembro de 2006, com fechamento em 01 de novembro de 2007 e posterior incorporação em 28 de julho de 2008. A HGIII sociedade do tipo "holding", constituída em 07/06/06 sob a denominação de HedgingGriffo Equities Administradora de Recursos S.A, fazia parte do Fl. 1620DF CARF MF 4 Grupo HedgingGriffo HG composto por empresas operacionais e não operacionais do tipo "holding", conforme quadro abaixo que retrata a composição societária em 18/10/07: As despesas com amortização de ágio durante o período compreendido nos anoscalendário 2008 a 2011 são decorrentes de eventos societários ocorridos nos anos calendário 2006 e 2007, os quais demonstraram ter por finalidade criar uma situação que possibilitasse à fiscalizada aproveitar os benefícios fiscais previstos nos artigos 385 e 386 do RIR 1999. Conforme documento datado de 20 de dezembro de 2006 "Contrato de Compra e Venda de Ações" entre Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. ("Compradora") e as Pessoas Físicas elencadas nas páginas de assinatura ("Vendedores") e como intervenientes HedgingGriffo Investimentos S.A., HedgingGriffo Asset Management S.A., HedgingGriffo Serviços Internacionais Ltda. e HedgingGriffo Corretora de Valores SA. ("Sociedades Adquiridas") cujo objeto foi a aquisição de 5.001 (cinco mil e uma) ações ordinárias, sem valor nominal, representativas do capital social da HG Investimentos, equivalentes a 50% + 1 das ações do referido capital social (as "Ações Adquiridas"). O valor da transação estabelecido foi de R$ 635.000.000,00, a ser pago em quatro parcelas anuais de R$ 158.750.000,00, a partir da data de fechamento prevista para ocorrer entre 30 de junho e 31 de dezembro de 2007, observadas as condições contratuais, sendo que cada pagamento estaria sujeito com correção diária pela variação do CDI. Ainda na data de fechamento seria firmado acordo de acionistas para reger a administração dos negócios após a efetivação da transação. Consta ainda do contrato a previsão de que seria levada a efeito no Grupo HG uma reorganização permitida, reorganização societária interna das Sociedades Adquiridas a ser concluída antes do Fechamento, por meio da qual (i) a titularidade de todas ações emitidas e em circulação representativas do capital social da HG Corretora, HG Serviços Internacionais e HG Asset passará a ser detida diretamente pela HG Investimentos; (ii) na medida do necessário e conforme pactuado com a Compradora, o Negócio será transferido ou de outro modo cedido às Sociedades Adquiridas; e (iii) serão praticados demais atos ligados às aludidas providências, de modo a permitir que o Negócio seja incorporado à HG Investimentos, conforme pactuado entre as partes. Passase neste momento a analisar a reorganização societária que antecedeu a incorporação da HGIII pelo CS, ora recorrente. Originalmente, o controle acionário das sociedades componentes do Grupo HG era exercido na sua totalidade por um grupo de 76 pessoas físicas, das quais 4 com participação majoritária. Em cada sociedade havia uma composição diferente de acionistas pessoas físicas e respectivas participações. Em 19/12/2006, a estrutura societária do Grupo HedgingGriffo era o seguinte: Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 4 5 O Grupo HG desenvolvia atividades diversificadas no mercado financeiro e de capitais nacional, até então de forma independente, a saber, prívate banking, gestão de ativos e corretora de valores, através de empresas operacionais tais como HedgingGriffo Serviços Internacionais S.A. – HGSI, HedgingGriffo Asset Management SA. – HGAS, e HedgingGriffo Corretora de Valores S.A. HGCV.Também faziam parte do Grupo as empresas operacionais HG Equities e HG Administradora de Fundos. Constatase que, apesar de toda a reorganização societária realizada até o momento anterior ao fechamento da aquisição pelo CS de participação societária majoritária no Grupo HG não sujeita a incorporação, o controle acionário total de 100% das empresas operacionais e não operacionais nunca deixou de ser exercido direta ou indiretamente pelas 76 pessoas físicas acionistas e quotistas do Grupo HG, tendo por único objetivo a transferência do controle societário direto ou indireto de suas empresas operacionais para a HedgingGriffo Investimentos S/A HGI CNPJ 08.138.922/000171, conforme previsto no Contrato de Compra e Venda de Ações "Reorganização Permitida" e de 50% mais uma de suas ações desta para a HGIII, conforme aditivo. Fl. 1622DF CARF MF 6 Na outra ponta a HGIII, CNPJ 08.111.476/000101, passou a deter metade mais uma das ações da HG Investimentos CNPJ 08.138.922/000171. Em 28 de fevereiro de 2007 efetivamente a HG Investimentos passou a deter direta ou indiretamente 100% do controle acionário das sociedades operacionais HG Asset, HG Serviços Internacionais e HG Corretora de Valores. O restante do controle acionário da HG Investimentos passou a ser exercido 50% menos uma ação por HedgingGriffo Investimentos S.A. I – HGII,CNPJ 07.995.528/000197. A HGII foi extinta por incorporação pela própria HG Investimentos em 18 de outubro de 2007, ficando as 50% menos uma ação sob propriedade das pessoas físicas. Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 5 7 Assim, a HedgingGriffo Investimentos S.A. II HGIII, ocupou o lugar da HG Investimentos como a sociedade adquirida em conjunto com as demais sociedades adquiridas pelo CS no fechamento da transação, em 1 de novembro de 2007, conforme quadro abaixo: Fl. 1624DF CARF MF 8 No fechamento, o objeto da compra e venda passou a ser a totalidade das ações da HGIII, a sociedade adquirida pelo CS em conjunto com as demais "Sociedades Adquiridas". Em 28 de julho de 2008 a HGIII foi extinta por incorporação ao CS a valores contábeis, R$ 154.491.019,89, conforme AGE, Protocolo de Incorporação e Laudo de Avaliação de ambas sociedade.De especial interesse no "Acordo de Acionistas" o fato de que a gestão das empresas adquiridas permaneceu com os antigos sócios majoritários, agora minoritários, corroborando informação constante no despacho do CAPE acima mencionado. Regularmente intimada a apresentar documentação relativa à aquisição e incorporação da sociedade HedgingGriffo, bem como demonstrar o ágio apurado e deduzido no período em análise e informar o embasamento legal que suportasse sua dedutibilidade, apresentou expediente onde informa que o CS comprou integralmente a HGIII, empresa detentora do controle acionário de empresas operacionais grupo HedgingGriffo, em novembro de 2007, após aprovação do Banco Central do Brasil, conforme contrato de compra e venda. A empresa foi incorporada pelo CS, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 28 de julho de 2008 pelo valor patrimonial de R$ 154.491.019,88. Escriturou em seus livros um ágio por expectativa de rentabilidade futura de R$ 634.869.890,34 a ser amortizado num prazo de 74 meses, conforme Relatório de Avaliação Econômico Financeira emitido pela Ernst & Young. Na seqüência afirma: "Considerando que em julho de 2008 o CS incorporou a HGIII e o ágio gerado na referida operação tem com fundamento a expectativa de rentabilidade futura, as amortizações passaram a ser uma despesa dedutível, para fins de apuração do imposto de renda e contribuição social, com base no inciso 111 do art. 386 do Decreto nº 3000, de 1999." fiscalização considera indedutível a escrituração do ágio e da subseqüente dedução de sua amortização levada a efeito pelo CS na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. A fiscalização reputa inadmissível a dedução de ágio por não ter havido a efetiva incorporação das sociedades adquiridas. Regularmente intimado a esclarecer a fundamentação legal para a apuração deste ágio e seu tratamento tributário, o CS indicou o embasamento como enquadramento legal no RIR/99 artigo 386, inciso III valor da rentabilidade futura da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Além do motivo acima indicado se verifica ainda a utilização de "empresa veículo" sem propósito negocial, bem como o fato de que, por ocasião da aquisição da participação acionária, o CS não indicou na sua escrituração contábil qual o seu fundamento bem como não possuía o demonstrativo que suportasse a classificação do ágio como sendo fundamentado em expectativa de rentabilidade futura. Pelos três motivos acima indicados entende esta fiscalização não terem sido atendidos os requisitos legais que suportassem a dedutibilidade do ágio, sendo obrigatório sua adição na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 6 9 Concluiuse, após o término da fiscalização, que efetivamente se caracterizou todo o planejamento tributário engendrado por CS e Grupo HG não como uma operação de aquisição de controle acionário entre partes independentes com ágio baseado em rentabilidade futura com posterior incorporação da sociedade controlada , mas sim como uma aquisição majoritária de participação acionária, na qual não seria admissível a dedução da amortização do ágio efetivada pelo CS por não haver se concretizado de fato a incorporação de sociedades conforme pretendido pelas partes. Ainda que se pudesse considerar o planejamento tributário executado pelas partes como válido, o pretenso ágio foi, segundo a fiscalização, incorretamente classificado pelo CS como baseado em "expectativa de rentabilidade futura". O objeto da transação era a aquisição de 50% mais uma ação da HG Investimentos e demais sociedades adquiridas e não de 100% das ações da HGIII: apesar de que no final o resultado tenha sido o mesmo, esta mudança por ocasião do fechamento se mostrou supostamente sem propósito negocial. Comprovouse a impossibilidade de considerar o ágio como fundamentado em rentabilidade futura pelo fato de o demonstrativo exigido pela legislação vigente como documentação comprobatória da fundamentação econômica de qualquer ágio haver sido lavrado em data posterior à efetivação da transação 14 de maio de 2008, em total desacordo com o previsto no caput e § 3º do artigo 385 do RIR 1999. Foi reputado pela fiscalização que, em não havendo qualquer indicação da fundamentação econômica do ágio e na ausência do demonstrativo exigido legalmente nesta data, por exclusão, uma vez que é prérequisito indispensável para classificação nos incisos I ou II do § 2º do artigo 385, o investimento e respectivo pretenso ágio foi avaliado pelo inciso III do § 2° deste mesmo artigo, isto é, fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. A fiscalização encontra justificativa no fato de o relatório ter sido elaborado posteriormente poderia levar a uma situação não de todo incomum em que o valor do ágio escriturado quando do fechamento da transação R$ 634 milhões poderia ser superior ao valor indicado na avaliação pela "expectativa de rentabilidade futura" realizada depois de sete meses, situação esta decorrente até mesmo a fatores alheios ao controle entre as partes, tais como alterações das condições de mercado ou regulatórias, inovação tecnológica, economia mundial. A partir destas afirmações, restou caracterizado o evidente intuito de fraude, uma vez que, simulada a aquisição de participação societária como "total, 100%" e não apenas "majoritária, 50% mais uma ação", aliada à caracterização de ágio de maneira diversa da real " expectativa de resultados futuros" e não "outras razões econômicas'' e daí para frente simulados também os demais atos encadeados, em especial a "formal" "incorporação de sociedade" que não ocorreu de fato, o fiscalizado impediu dolosamente, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL de acordo com o art. 72 da Lei n° 4.502, de 30.11.1964. A base legal para cobrança da multa qualificada de 150%, pelo evidente intuito de fraude é o art. 44, § 1º e inciso II "b" da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007 em seu art. 14. Fl. 1626DF CARF MF 10 Dedução indevida de amortização de ágio Segundo Ágio O auto de infração ora em discussão tem como objeto também um chamado "segundo ágio" a partir de 2012 que se refere à aquisição de 50% mais um ação do Grupo HG, conforme descrição abaixo que trago do TVF: 5.1.2 Da aquisição de 50% menos uma ação do Grupo HG – formação e amortização do segundo ágio – a partir de 2012. Concluído o entendimento relativo à aquisição do primeiro lote de ações –participação majoritária – passamos a analisar a aquisição do segundo lote de ações – saldo de ações de propriedade dos vendedores – compra esta que transformou o grupo HG em subsidiária integral do CS. Regularmente intimado a apresentar documentação societária relativa à incorporação da sociedade Hedging Griffo verificada em 2012 – item 3 do TIF nº 01 de 12 de dezembro de 2014, ciência via postal em 17 de dezembro de 2014; após solicitar prorrogação de prazo em 06 de janeiro de 2015, atendeu ao requerido através de expedienteresposta recepcionado nesta DEINF em 16 de janeiro de 2015, a saber: (...) Solicitado a apresentar – item 4 do mencionado TIF nº 01 demonstrativo de apuração, contabilização e amortização bem como embasamento legal, relacionou através do mesmo expedienteresposta o que segue: (...) Conforme disposição do citado “Acordo de Acionistas”, a partir de 31 de dezembro de 2011 e por um prazo de 04 (quatro) meses, ambas as partes poderiam exercer direitos em relação às ações remanescentes, representadas por 49,575% do capital social da CSHGI: melhor explicando, os antigos acionistas do grupo HG por sua iniciativa poderiam vender as ações remanescentes ao CS, bem como o CS poderia comprar o restante das ações possuídas pelos acionistas do grupo HG, mediante simples notificação do exercício desta opção. Efetivamente, conforme “Notificação de Exercício de Opção de Compra”, datado de 24 de abril de 2012, o CS exerceu sua opção de compra da agora CSHG Investimentos, conforme segue: (...) Conforme cláusulas 7.1.(a) e (b) do citado Acordo de Acionistas, o valor do exercício da opção de compra equivaleria a dez vezes a média do lucro líquido ajustado nos anoscalendário 2009 a 2011, conforme segue: (...) Após elaboração de Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal em 04 de março de 2015, ciência via postal em 06 de março de 2015 e em 27 de abril de 2015, ciência via postal em 29 de abril Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 7 11 de 2015 e com base na análise da documentação apresentada, formulouse nova intimação – Termo de Intimação Fiscal nº 02 de 26 de junho de 2015, ciência via postal em 02 de julho de 2015 – na qual se solicitaram diversos esclarecimentos adicionais. Em 17 de julho de 2015 o CS solicitou prorrogação de prazo, tendo atendido ao TIF nº 02 através de expediente resposta recepcionado nesta DEIN em 10 de agosto de 2015, apresentando comprovantes de efetivo pagamento da aquisição de participação acionária e respectiva retenção na fonte e prestou as seguintes informações: " Justificar a elaboração de laudo de avaliação por Ernst & Young Terco em data posterior à de aquisição de participação com ágio 18 de julho de 2012 x 12 de junho de 2012, em especial o fato de não embasar previamente o valor da transação mas apenas para justificar a sua amortização com base em expectativa de rentabilidade futura. O CS contratou a Ernst & Young Terco (E&Y) no mês de Maio de 2012, antes da data de aquisição da segunda parcela das ações da HG, para elaboração de laudo de avaliação. Entretanto, a E&Y finalizou os trabalhos, com a respectiva emissão de Laudo, apenas em 18/07/2012. Ressaltamos que, de acordo com a conclusão do referido laudo (item 9.1), a E&Y estimou o valor da CSHG em 2.559 milhões. " Conforme o citado Acordo de Acionistas, o valor de R$ 1.198.510.415,55 foi pago em quatro parcelas de R$ 299.627.508,00, parcelas estas acrescidas de juros pelo CDI, sendo a primeira em 12 de junho de 2012 e as demais no dia 02 de janeiro anos de 2013, 2014 e 2015, conforme “Demonstrativo de pagamento e retenção na fonte” apresentado pelo CS. Através desta aquisição o CS passou a deter 100% das ações da CSHG I. Com a efetivação em 12 de junho de 2012 da aquisição de 49,58% das ações da CSHG Investimentos – apurado patrimônio líquido total em maio de 2012 de R$ 174.836.511,58 e patrimônio líquido adquirido equivalente a 49,58% igual a R$ 86.675.200,62 o CS registrou ágio na conta 2.1.2.10.15.0914 “ÁgioCSHG o valor de R$ 1.111.835.214,93 com o histórico “2221 Ágio na Aquisição de Investimento”, sem indicar sua fundamentação legal. Conforme demonstrativo, o ágio, pretensamente fundamentado em “expectativa de rentabilidade futura”, passaria a ser amortizado em 84 parcelas de R$ 13.236.133,51. Em 18 de julho de 2012 foi elaborado por Ernst&Young Terco “Laudo de Avaliação da Credit Suisse Hedging Griffo Investimentos S.A.” Fl. 1628DF CARF MF 12 Em 31 de julho de 2012 conforme ata de Assembléia Geral Extraordinária às 10:00 horas a CS incorporou a valores contábeis a Credit Suisse Hedging Griffo Investimentos S.A e passou a amortizar mensalmente o referido ágio na conta 8.1.9.99.00.426 “Amortização Ágio ref Aquisição HG”, perfazendo o total de R$ 79.416.801,06 no anocalendário 2012 – de julho a dezembro de 2012, 6 parcelas de R$ 13.236.133,51. Cabe observar que esta é a mesma conta na qual já vinha sendo lançada a despesa de amortização do primeiro ágio descrito no item 4 deste TVF, em contrapartida à conta redutora 2.1.2.10.15.0944 “Amortização de Ágio”. Ainda em 31 de julho de 2012 conforme ata de Assembléia Geral Extraordinária às 12:00 horas o CS incorporou também a Credit Suisse Hedging Griffo Participações Financeiras S.A. CSHG – Participações, a valores contábeis: com este último evento societário o CS finalmente concluiu seu planejamento tributário iniciado em 2006, passando a controlar diretamente 100% das empresas operacionais do então grupo HG, a saber, CSHG Corretora de Valores S.A., CSHG Serviços Internacionais Ltda. e CSHG Asset Management S.A. Cabe observar que este último evento não influencia em nada a presente auditoria. Já mais de um ano antes do prazo para o exercício de opção – início de 2012 o mercado financeiro especulava qual seria o novo arranjo entre CS e o senhor Luis Stuhlberger, conforme artigo disponível no site do Valor Econômico em 27.09.2010, transcrito a seguir: (...) Também mais próximo à aquisição, a imprensa especializada deu o devido destaque , conforme reportagem disponível no site do Valor Econômico em 22.08.2011: (...) Ambas reportagens indicam um “modus operandi” típico de uma “Parceria/ Associação” mais de que uma incorporação: cabe destacar a manutenção de estruturas administrativas duplicadas, a transferência de carteiras de negócios, a manutenção da “grife” Hedging Griffo” mesmo após a compra da totalidade de suas ações e por fim e não menos importante a existência de cláusulas de barreira de impedimento do senhor Luis Stuhlberger e sua equipe de abrirem concorrência ao CS até 2015. Com a proximidade do fim da cláusula de barreira, as partes negociaram nova forma de associação, também noticiada pela imprensa, disponível no site http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,creditsuisseelu isstuhlbergerviramsocios,181586e, Economia – Estadão, caracterizada por um planejamento conhecido como “casa/separa/casa”: (...) Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 8 13 Por fim trazemos descrição da operacionalização desta nova forma de parceria, obtida de “Prospecto” do fundo “CSHG DIVIDENDOS” CNPJ 05.586.710/000169, conforme segue: (...) Por fim cabe observar que as principais fontes de receita proveniente dos negócios adquiridos são a “taxa de administração” e a “taxa de performancegestão”, sendo que ao longo de todo o período em análise – 2006 a 2015 – suas receitas foram alocadas/realocadas entre as partes conforme acordos operacionais e de parceria – conforme citado nas reportagens acima mesmo após a aquisição de 100% da HG pelo CS. 5.2 DO DIREITO APLICADO Regularmente intimado a esclarecer a fundamentação legal para a apuração deste segundo ágio e seu tratamento tributário, o CS indicou como embasamento a “EXPECTATIVA DE LUCROS FUTUROS”, enquadramento legal no RIR/99 – artigo 386, inciso III – valor da rentabilidade futura da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”. O dispositivo legal citado foi incorporado ao RIR/99 em combinação com seu artigo 385, a seguir transcrito em conjunto com o artigo 386, que trata da dedutibilidade do eventual ágio apurado quando de incorporação da sociedade em que estiver escriturado. (...) Como visto acima, a dedutibilidade do ágio, quando fundamentado em “expectativa de rentabilidade futura”, passa a ser aceita na legislação tributária no momento em que ocorre a incorporação, assim entendida como a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações (Lei das S.A. Lei n º 6.404, de 1976, art. 227; Código Civil Lei n º 10.406, de 2002, art. 1116). Desaparecem as sociedades incorporadas, permanecendo, porém, com a sua natureza jurídica inalterada, a sociedade incorporadora. Preliminarmente e apenas a título de argumentação, esta fiscalização afirmou quando da auditoria da primeira aquisição pelo CS de 50% mais uma das ações das empresas operacionais do Grupo HG, aquisição esta viabilizada através da utilização de empresaveículo CSHGII, que havia impossibilidade legal desta incorporação, uma vez que não houve a aquisição de 100% de participação societária nas empresas operacionais, mas apenas de 50% mais uma das suas ações. Foi aventada na impugnação e julgamento de primeira instância a possibilidade de outras formas de aquisição, tais como Fl. 1630DF CARF MF 14 incorporação de ações mediante troca de participações acionárias, tornandose os antigos donos do Grupo HG sócios do CS, ou ainda a compra pelo CS de participações de acionistas dissidentes: ocorre que qualquer uma destas hipóteses diferente da aquisição direta foi vedada por expressa disposição contratual, item 8.2 letra (c) do “Contrato de Compra e Venda de Ações” firmado em 20 de dezembro 2006, a seguir transcrito: (...) Esta segunda aquisição foi o fechamento da utilização de planejamento tributário abusivo com a finalidade única de obter vantagens tributárias indevidas na apuração do IRPJ e CSLL, mediante dedutibilidade de amortização de um novo segundo pretenso ágio fundamentado em “expectativa de rentabilidade futura” . Cabe observar que a natureza comercial do negócio entre os grupos CS e HG se caracterizou mais como uma “Parceria/ Associação” , mesmo que juridicamente tenha o grupo HG se transformado em subsidiária integral do CS, inicialmente com a aquisição em 2006 de participação majoritária e posteriormente com a aquisição do saldo de ações em 2012, conforme será demonstrado nesta auditoria. Esta fiscalização reputa inadmissível a dedução da amortização do segundo ágio pelas razões a seguir individualizadas: • Para efeitos legais e tributários, a segunda aquisição de participação societária se trata de uma nova operação, desvinculada da primeira aquisição; • A aquisição da segunda parte de ações se deu entre “partes relacionadas”; • Não houve a incorporação das sociedades efetivamente adquiridas, quais sejam, as empresas operacionais do grupo HG. A dedução da amortização do ágio somente foi possível mediante a utilização de “empresaveículo”, a CSHGI, sociedade sem propósito negocial; • O valor da transação – 10 vezes a média do lucro líquido dos anos calendário 2009 a 2011 foi préestabelecido em Acordo de Acionistas e não guardou relação com “expectativa de rentabilidade futura; • a apuração de ágio pretensamente fundamentado em rentabilidade futura visou apenas a obtenção de benefícios fiscais. Por ocasião da aquisição da participação acionária o CS não indicou na sua escrituração contábil qual o fundamento do ágio; • Não possuía na data da aquisição do segundo lote de ações o demonstrativo que suportasse a classificação do ágio como sendo fundamentado em “expectativa de rentabilidade futura”; • O Laudo de Avaliação elaborado posteriormente à data de aquisição das ações se mostrou tecnicamente falho e imprestável para a finalidade pretendida. Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 9 15 Pelos motivos acima indicados entende esta fiscalização não terem sido atendidos os requisitos legais que suportassem a dedutibilidade da amortização do ágio, sendo obrigatório sua adição na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL no período em análise, conforme demonstrado a seguir. 5.2.1 Ausência de vinculação entre a primeira e a segunda aquisição de participação acionária. Caracterização de ato jurídico independente. Preliminarmente cabe observar que, apesar de prevista como possível em Acordo de Acionistas firmado quando da primeira aquisição de ações, esta segunda aquisição se configura como um novo ato jurídico independente, devendo observar as disposições legais do artigo 20 do DecretoLei 1.598/77, que determina a forma de contabilização da transação “por ocasião da aquisição da participação” e como tal será analisado por esta auditoria. O Acordo de Acionistas firmado quando da aquisição de metade mais uma das ações do grupo HG previu em sua cláusula “7” e itens apenas e tão somente a possibilidade de exercício de uma opção de compra e venda do restante das ações , não obrigando de forma alguma as partes a efetivarem esta opção. O mesmo Acordo previu a sua autoextinção em caso do não exercício da opção, conforme sua cláusula 9.3, letra (b) a seguir transcrita: (...) Caso houvesse a obrigação de exercício de venda ou compra pelas partes, tal cláusula seria totalmente desnecessária, comprovando nossa tese de que a aquisição de 49,58% das ações da CSHGI se trata uma transação independente da primeira aquisição de participação acionária e como tal deve ser tratada. Também a forma de cálculo do preço da segunda aquisição – 10 vezes a média do lucro dos anos 2009 a 2011 – indica se tratar de uma nova transação: apenas a título de argumentação, caso se pudesse ligar a primeira à segunda aquisição, o preço poderia ser os mesmos R$ 635.000.000,00 pagos por 50% das ações corrigidos pela variação do CDI, sem a necessidade de estabelecimento de um novo critério de valor. Por fim e não menos importante, o CS formalizou em 18 de maio de 2012 processo administrativo junto ao Conselho Administrativo de Direito Econômico CADE do Ministério da Justiça “Ato de Concentração” nº 08012005636/201262 , cuja cópia integral passa a fazer parte inseparável deste processo. Fosse uma mesma operação em relação à primeira aquisição, não haveria necessidade de tal providência pelo CS. Fl. 1632DF CARF MF 16 Segundo a Fiscalização a aquisição do segundo lote de ações se deu entre "partes relacionadas" o que impossibilitaria a avaliação do valor da transação pelo critério de "valor justo", conforme também delineado no TVF: Caracterizada a transação como um ato jurídico independente, no momento de sua efetivação em junho de 2012, e ao contrário do afirmado pelo CS em resposta ao item 7 do TIF nº 02, a compra e venda de ações da CSHGI se deu entre “partes relacionadas”, fato este que por si só já inviabiliza a dedutibilidade da amortização do ágio, pela impossibilidade de determinação de um valor justo de mercado para a transação. O reconhecimento do ágio gerado em 12 de junho de 2012 pela compra e venda de ações da CSHGI não encontra respaldo na Teoria Contábil, ou seja, não é possível reconhecer, contabilmente, uma maisvalia de um investimento quando originado de uma transação entre partes relacionadas, tal como no presente caso, uma vez que à época de registro do ágio, a empresa adquirente – CS era detentora de 50% mais uma das suas ações, enquanto os vendedores as pessoas físicas relacionadas no anexo B do “Acordo de Acionistas” firmado em 2007 – eram detentores de 50% menos uma das ações envolvidas na operação, ou seja, já eram sócias entre si na própria sociedade objeto da transação, além de compartilharem a gestão dos negócios, o que caracteriza se tratar de uma transação entre partes relacionadas. A vedação ao reconhecimento de uma mais valia gerada de uma transação entre partes relacionadas advém da Ciência Contábil e foi consagrada pelo Conselho Federal de Contabilidade que enunciou esse impedimento, expressamente, como conseqüência do Princípio do Registro pelo Valor Original, consoante artigo 7º da Resolução CFC nº 750/93, in verbis: (...) O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110/2007 que, em seu item 120, assim determina: (...) No mesmo sentido, o item 47 do Pronunciamento Técnico CPC 04/2008 e o item 47 da Resolução CFC 1.139/2008 dispõem que: (...) Portanto, se os atos expedidos pelo CFC vinculam os contabilistas, uma vez que sua inobservância pode caracterizar infração no exercício da profissão, a mesma sorte acompanha as pessoas jurídicas, cujas demonstrações financeiras são elaboradas por tais profissionais. Neste sentido lecionam os professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior, in “A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade” (http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004/13.pdf) consoante excerto do referido artigo, a seguir transcrito: Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 10 17 (...) Percebese que a doutrina contábil rejeita o reconhecimento de um ágio formado internamente, uma vez que a ausência de independência entre as partes interessadas no negócio impede a fixação do chamado valor justo a ser tomado como referência para o reconhecimento ou não da formação da mais valia. Ou seja, o efetivo valor econômico de uma empresa depende do que o mercado está disposto a pagar por ela, entendendose por mercado, todavia, um ambiente negocial livre e aberto, com a interveniência de agentes econômicos independentes, o que não ocorre no caso concreto. Neste sentido, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia responsável pela fiscalização e regulação do mercado de valores mobiliários também condena o reconhecimento de ágio em operações realizadas dentro mesmo grupo econômico. O OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14/02/2007, em conformidade com outros atos anteriores, expressa esse entendimento: (...) Cabe observar que a CVM, quando diz que “ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários”, não está afirmando que as operações de reestruturação societária que geram ágio interno têm cobertura legal, mas sim, ressalvando que elas podem até terem sido efetuadas de acordo com o procedimento previsto na lei societária, isto é, precedidas das formalidades nela previstas, como protocolo e justificação de incorporação, avaliação patrimonial, assembléias de aprovação das companhias envolvidas, que, entretanto, não alteram o fato de que elas não se revestem de substância econômica passível de registro pela Contabilidade, consoante excerto do mesmo Ofício Circular: (...) A CVM adverte que a mera observância das formalidades previstas na lei societária não é condição suficiente para reconhecer o ágio surgido em uma determinada operação, sendo necessário observar, também, requisitos materiais, como a independência das partes, pagamento e um efetivo ambiente concorrencial. Desta maneira, em consonância com o princípio contábil do registro pelo valor original, somente uma transação entre agentes independentes daria respaldo ao reconhecimento de um ágio. A impossibilidade de se contabilizar o ágio gerado internamente está ligada ao Princípio do Custo como Base de Valor, que considera o valor de entrada como o que deve servir de base para registro de qualquer ativo. Fl. 1634DF CARF MF 18 Se o ágio intragrupo não é reconhecido pela lei societária e pela Contabilidade, também não o será pela lei tributária, por força do disposto nos artigos 247 e 274 do RIR/99. Em síntese, o ágio somente pode ser admitido quando decorrente de transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre sócios de uma mesma entidade, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Nessa situação, a despesa com a amortização do ágio é indedutível. De fato, a amortização do ágio interno configura despesa não incorrida, visto que a sua indedutibilidade repousa em vício na sua própria origem, ou seja, antes de se apresentar inadmissível a sua amortização fiscal, não se reconhece a própria formação desse ágio, por ausência de substância econômica. Continua ainda a Fiscalização em seu racional que considera ambos os ágios indedutíveis: A fim de se prevenir eventual alegação do CS de que a primeira aquisição de ações e o consequente “Acordo de Acionistas” foram realizados entre “partes independentes” e que a possibilidade da segunda aquisição estava prevista no referido “Acordo”, inclusive com o estabelecimento de critérios para o estabelecimento do preço da transação, não há como considerar estes fatos como determinantes da “independência” entre as partes: Primeiro, como já provado, se trata de um novo ato comercial e jurídico, completamente independente, sendo o “Acordo de Acionistas” um documento que não obrigou as partes a qualquer efetivação de uma segunda aquisição de ações, mas apenas estabeleceu condições para o exercício de opção. Segundo, o estabelecimento a priori de critério para o preço da transação – 10 vezes a média do lucro líquido dos anos calendário 2009 a 2011 – enquanto válido para a determinação de um valor justo para transações entre partes independentes – não pode ser considerado como um critério válido para nosso caso em auditoria, uma vez que o lucro líquido de cada exercício foi fruto da gestão compartilhada dos próprios acionistas compradores e vendedores, que continuaram à frente dos negócios do novo grupo CSHG. Melhor explicando, apesar do critério ser conceitualmente válido, sua aplicação prática ao nosso caso o invalida, pela “contaminação” decorrente da apuração dos resultados pelos próprios interessados. Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 11 19 Não cabe a esta auditoria avaliar eventual “vantagem” ou “desvantagem” que cada uma das partes possa ter contabilizado, apenas se constata a transação como efetuada entre partes relacionadas e portanto sem possibilidade de apuração de um valor justo. Esta fundamentação também será melhor desenvolvida quando da análise do “Laudo de Avaliação”. Apenas para prevenir possível alegação do CS de que o Contrato de Compra e Venda de 2006, Capítulo I “DEFINIÇÕES” , item “Afiliação” dispõe que “...a titularidade das Ações Objeto de Opção de Venda e das Ações Objeto de Opção de Compra (conforme definido no Acordo de Acionistas) não será considerado Afiliação”, e portanto a segunda aquisição se deu entre parte não relacionadas, considerase que esta cláusula particular é nula de pleno direito, não podendo se opor às definições acima apresentadas relativas à caracterização de transações entre “partes relacionadas”. Sua simples existência demonstra a convicção de se tratar uma operação entre partes relacionadas. 5.2.3 Da ausência de incorporação de fato das sociedades negociadas –utilização da CSHGI como empresa veículo sem propósito negocial. Em sua obra “Planejamento Tributário”1, Marco Aurélio Greco denomina como as aqui descritas de “operações preocupantes” e dedica um capítulo ao estudo dessas operações. Além das “operações em sequência” já acima mencionadas, reproduzse a seguir as demais lições desse autor relativas à situação ora em análise: (...) Caracterizase, assim, como sem propósito negocial a utilização da CSHG I na reorganização societária levada a efeito pelo Grupo HG. A direta observação da seqüência de operações leva a se concluir de pronto pela impossibilidade de dedução de amortização de ágio como pretendido pelo CS pelo simples fato de que, apesar de negociado o saldo de participação minoritária das sociedades adquiridas, esta negociação se deu através de uma empresa veículo, sem propósito negocial– a CSHG I e não das sociedades operacionais do grupo HG que permanecem ativas até o presente momento, ou seja, não houve a incorporação que possibilitaria, em tese, a dedução da amortização do segundo ágio. A utilização da sociedade CSHG I caracterizase como sem propósito negocial, a conhecida “empresaveículo” já bem definida na jurisprudência administrativa que trata da matéria e conforme detalhado no item 4.2.2 deste TVF. Com a aquisição do segundo lote de ações, a definição de fato para o negócio deixou de ser a inicial “aquisição de Fl. 1636DF CARF MF 20 participação societária majoritária no Grupo HG pelo CS”, para a “aquisição total do Grupo HG”: neste segundo estágio da operação e como no primeiro estágio os dois grupos econômicos acordaram com a manutenção conjunta da gestão das sociedades adquiridas com os antigos vendedores Fundadores remanescentes. Efetivamente, a transação entre CS e Grupo HG representada nesta fase pela “conclusão da aquisição em duas etapas do Grupo HG”, caracterizouse como realizada entre os dois grupos econômicos para exploração recíproca de suas bases de clientes mediante oferecimento de novas linhas de produtos, conforme noticiado pela imprensa à época da primeira aquisição e válida também para a segunda aquisição e novamente transcrito a seguir: (...) Conforme descrito quando da aquisição do primeiro lote de ações, também no final do processo concluído com a aquisição do segundo lote de ações, o CS efetivamente não incorporou ao seu patrimônio as “Sociedades Adquiridas”, apesar de deter a totalidade de suas ações. Melhor explicando, as “Sociedades Adquiridas” continuaram ativas, mesmo após passarem a ter 100% de seu controle acionário detido pelo CS. A utilização de empresa veículo para a formação de ágio, no caso a CSHG I, reforça a conclusão de diversidade de propósito negocial, uma vez que, se fosse o caso, o CS poderia ter adquirido o controle acionário individual de cada sociedade negociada. Apenas a título de argumentação e sem discutir o direito de livre organização e iniciativa das empresas, o verdadeiro propósito negocial de exploração recíproca de bases de clientes para o oferecimento de produtos complementares poderia ter sido alcançado sem a necessidade de toda a reorganização societária levada a efeito, mas simplesmente mediante a assinatura de um “ACORDO OPERACIONAL”, com ou sem exclusividade, como efetivamente fez a CSHG Corretora de Valores com os Bancos Credit Suise Investimentos e Credit Suisse Múltiplo. Por fim e não menos importante cabe observar que a alegada eficiência administrativa utilizada como pretexto para justificar toda a engenharia societária praticada pelas partes não merece guarida, pois o próprio grupo CS, antes de adquirir o grupo HG, já possui em sua estrutura o controle de 100% de sociedades e/ou objetivos sociais equivalentes aos das Sociedades Adquiridas, conforme extraído de sua DIPJ, ficha 62, “Participações Permanentes em Coligadas e Controladas”, a saber: • Banco Credit Suisse (Brasil) S.A. • Credit Suisse (Brasil) CTVM • Credit Suisse (Brasil) DTVM S.A. Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 12 21 • Nova Sede Empreendimentos S.A. • Credit Suisse (Bahamas) Ltda. Transcrição do Item IV do “Ato de Concentração” do CADE acima citado comprovam a identidade de mercados explorados pelas partes, conforme segue: (...) A identidade com o HG da gama de operações financeiras desenvolvidas pelo próprio Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) mais suas controladas comprovam a ausência de propósito negocial no planejamento tributário utilizado no caso em análise. Melhor explicando, bastaria ao grupo CS “recepcionar” os profissionais e as operações do grupo “HG”, mediante a simples contratação destes profissionais e transferência de sua carteira de operações e clientes às respectivas congêneres, seja através de aquisição direta ou até mesmo através de celebração de “Acordo Operacional” como já acima citado, sem prejuízo de aquisição da marca “Hedging Griffo”. Tese da defesa quando da primeira autuação, cita a hipótese de que se justifica a aquisição de um restaurante famoso apenas quando junto se mantém seu “chefe de cozinha” e equipe reconhecidos pela qualidade de seus serviços: pois bem em nosso caso não haveria necessidade alguma de se adquirir o “restaurante”, pois o CS já possuía este tipo de estabelecimento, podendo apenas contratar o “chefe de cozinha” e sua equipe, no caso, o sr. Luiz Stuhlberger e demais componentes do grupo HG, ou ainda estabelecer uma parceria do tipo “franquia” muito comum neste mercado de alimentação. Concluímos por todo o exposto que efetivamente se caracterizou todo o planejamento tributário engendrado por CS e Grupo HG não como uma operação de aquisição de controle acionário entre partes independentes com ágio baseado em rentabilidade futura com posterior incorporação da sociedade controlada, mas sim como uma aquisição de controle acionário, onde não seria admissível a dedutibilidade da amortização do ágio efetivada pelo CS por não haver se concretizado de direito e de fato a incorporação de sociedades objeto da negociação, as empresas operacionais do grupo HG. Fato recente comprova nossa tese: conforme amplamente noticiado pela imprensa, já em meados de 2014 e capitaneado pelo sr. Luiz Stuhlberger foi acordada sua saída do grupo CSHG com a fundação de uma nova gestora que contou com o próprio CS como sócio minoritário, arranjo este levado a efeito logo após o fim do “Período de Restrição” em 1º de janeiro de 2015 e o pagamento da quarta parcela devida pela aquisição em 2012. Fl. 1638DF CARF MF 22 5.2.4 Valor da transação determinado por múltiplos de média de rentabilidade passada Descaracterização do pretenso ágio como “EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA” Ainda que se pudesse considerar o planejamento tributário executado pelas partes como válido, vale observar que também o segundo pretenso ágio foi incorretamente classificado pelo CS como baseado em “expectativa de rentabilidade futura”. O TVF também aponta vício formal que impossibilita a dedução do ágio apurado: 5.2.6 Ausência de indicação na escrituração contábil do embasamento legal do ágio. (...) 5.2.7 Ausência de demonstrativo exigido por lei no momento da aquisição do investimento pelo CS – Deficiências técnicas e Imprestabilidade do relatório para a finalidade pretendida. Ainda que superadas todas as argumentações anteriores, comprovase a impossibilidade de se considerar o pretenso ágio como fundamentado em rentabilidade futura pelo fato do demonstrativo exigido pela legislação vigente como documentação comprobatória da fundamentação econômica de qualquer ágio haver sido lavrado em data posterior à efetivação da transação – 12 de julho de 2012 versus 12 de junho de 2012 respectivamente em total desacordo com o previsto no “caput e § 3º do artigo 385 do RIR/99: Por fim, a fiscalização aponta que houve intuito de fraude na conduta do contribuinte o que justificou a aplicação da multa qualificada: 6. DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA QUALIFICADA O negócio jurídico, para traduzirse em um comportamento elisivo, legalmente aceito, não pode fraudar o sistema normativo em que foi erigido. O negócio jurídico indireto é composto por vários negócios jurídicos e é suficiente que apenas um esteja eivado de ilicitude para restar contaminado o resultado pretendido. Em nosso caso identificamos dois. Pelos motivos expostos, em decorrência da desqualificação da operação de incorporação como um todo pela permanência em atividade das sociedades operacionais –bem como impossibilidade decorrente da não aquisição da totalidade das ações das sociedades adquiridas na primeira aquisição e dos atos a este evento ligados, ficou caracterizada também a ação dolosa da caracterização do ágio como “expectativa de rentabilidade futura” e todos eventos adjacentes dos quais se Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 13 23 destacam a criação de empresa veículo e elaboração de relatório de avaliação posterior ao fechamento da transação para suportar o benefício fiscal pretendido, tudo sem motivação extratributária, todo o conjunto das operações aqui citadas levou a uma única finalidade: diminuição ou não pagamento de tributos, no caso do IRPJ e CSLL devidos pelo CS. Restou caracterizado o evidente intuito de fraude, uma vez que, simulada a aquisição de participação societária como “total, 100%” e não apenas “majoritária, 50% mais uma ação” no primeiro caso, aliada à caracterização de ágio de maneira diversa da real “expectativa de resultados futuros” e não “outras razões econômicas”, a tentativa de embasar a segunda aquisição como realizada entre partes independentes e fundamentada em “rentabilidade passada” e não como em “expectativa de rentabilidade futura” e daí para frente simulados também os demais atos encadeados, em especial a “formal” “incorporação de sociedade” que não ocorreu de fato, o fiscalizado impediu dolosamente, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL de acordo com o art. 72 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964, in verbis: Da multa isolada por insuficiência de recolhimento das antecipações mensais Segundo a fiscalização, a indevida dedução da amortização do primeiro e do segundo ágio resultou em diminuição indevida da estimativa mensal de ambos tributos apurada pelo recorrente conforme sua opção com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução para alguns períodos de apuração dos anoscalendário 2012 e 2013. A base legal para cobrança da multa isolada é o art. 44, II "b" da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007 em seu art. 14. Essa lei 11.488/2007 é produto da conversão da Medida Provisória n° 351/2007, editada em 22/01/2007. Impugnação Alega o ora recorrente que o auto de infração lavrado não procede e deve o lançamento ser integralmente cancelado, diante das justificativas explanadas nos tópicos vindouros. Primeiro Ágio Para a concretização do ágio, devem ser satisfeitas três premissas básicas: o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida bem como a expectativa de rentabilidade financeira. Fl. 1640DF CARF MF 24 Com efeito, a necessidade de que ocorra o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio decorre do simples fato de que, em não havendo pagamento, seja em dinheiro, em direitos ou em ativos passíveis de livre negociação, não há verdadeiro preço nem a correspondente despesa, e, conseqüentemente, nada há que mereça ser legitimamente deduzido dos tributos devidos. A segunda premissa supõe que a realização das operações originais se dê entre partes não relacionadas, pouco importando que nas etapas imediatamente anteriores à apuração do ágio decorrente do custo de aquisição incorrido naquelas operações originais a sociedade na qual ele for apurado já esteja dentro do grupo. O que se pretende é que a operação que posteriormente vai dar origem ao ágio (aquela em função da qual se atribuiu determinado valor ao investimento adquirido) seja feita entre partes não relacionadas. Por fim, é necessário que seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida bem como a expectativa de rentabilidade financeira, pois se por um lado não houver real expectativa de rentabilidade futura faltará exatamente o pressuposto do ágio, e, por outro, a fruição do benefício fiscal só pode prosperar se em princípio não gerar dúvidas sobre a razoabilidade do valor do ágio. O recorrente alega que, no caso concreto, os três requisitos foram plenamente atendidos, como se pode, inclusive, constatar pela leitura do termo de verificação fiscal. Inicialmente, o ágio foi efetivamente pago pelo Impugnante, como atesta o termo de verificação fiscal. Da mesma forma, o negócio se deu entre partes não relacionadas, a saber, o impugnante, ora recorrente (Banco de Investimentos Credit Suisse Brasil S.A.) e as pessoas físicas sócias das diversas empresas do Grupo HedgingGriffo, o que também é descrito no termo de verificação fiscal. Por fim, alega o recorrente que, muito embora a autoridade fiscal tenha levantado as objeções meramente formais de que no momento da aquisição o ágio não foi classificado pelo impugnante como decorrente de expectativa de rentabilidade futura (o que não é verdade) e que o laudo apresentado seria imprestável pelo mero fato de ter sido elaborado em momento posterior à aquisição (o que não procede), em nenhum momento a autoridade fiscal questiona a lisura na avaliação da empresa adquirida nem nega com base em motivos de índole material a expectativa de rentabilidade financeira envolvida na operação. Pelo contrário, argui o recorrente que o fiscal autuante expressamente afirma que não se discute na auditoria a operação de compra e venda de ações e a decorrente apuração de ágio. Muito embora a autoridade fiscal não possa negar o fato de que a HGIII foi efetivamente incorporada pelo impugnante, sustenta de forma criativa a suposta ausência de incorporação de fato das sociedades negociadas. Desde o início jamais pretendeu o recorrente adquirir diretamente o controle das empresas HG AssetManagement, HG Serviços Internacionais e HG Corretora. A aquisição direta de cada uma daquelas sociedades, com acionistas distintos, exigiria a celebração de 3 acordos de acionistas distintos, 3 contratos de compra e venda distintos e uma série de outros controles que jamais foram de interesse do impugnante, que sempre quis adquirir o negócio como um todo. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 14 25 Daí porque constou expressamente do contrato que: "Considerando que a Compradora deseja comprar dos Vendedores, e os Vendedores desejam vender à Compradora, 5.001 (cinco mil e uma) ações ordinárias, sem valor nominal, representativos do capital social da HG Investimentos, equivalente a 50% + 1 (cinqüenta por cento mais uma) ações do referido capital social (as "Ações Adquiridas"), observados os termos e condições estipuladas no presente Contrato; (...) "Reorganização Permitida" significa reorganização societária interna das Sociedades Adquiridas a ser concluída antes do Fechamento, por meio da qual (i) a titularidade de todas as ações emitidas e em circulação representativas do capital social da HG Corretora, HG Serviços Internacionais e HG Asset passará a ser detida diretamente pela HG Investimentos; (ii) na medida do necessário e conforme pactuado com a Compradora, o negócio será transferido ou de outro modo cedido às Sociedades Adquiridas; e (iii) serão praticados demais atos ligados às aludidas providências, de modo a permitir que o Negócio seja incorporado à HG Investimentos, conforme pactuado pelas partes." (fls. 491 e 499) Além disso, busca a autoridade fiscal caracterizar a HGIII como uma empresa veículo sem propósito negocial. Argumenta o recorrente que a razão pela qual se optou por adquirir e vender uma empresa detentora de 50% + 1 das ações da HG Investimentos, e não estas ações diretamente, foi apenas porque tanto os compradores como os vendedores não desejavam tornarse sócios do recorrente (o que ocorreria no caso de incorporação direta da HG Investimentos), antes de saber se seria exercida pelo impugnante ou pelos vendedores a opção de compra e venda prevista no acordo de acionistas. Tendo o ágio sido gerado com o pagamento efetuado pelo recorrente aos sócios das empresas do Grupo HedgingGriffo pelo controle do grupo, não há que se falar na utilização de empresa veículo sem propósito negocial que permita à autoridade fiscal desconsiderar os efeitos tributários da operação. Neste ponto, concluiu a ora Recorrente em sua Impugnação: Ademais, cabe salientar que tendo em abril de 2012 o Impugnante exercido sua opção de compra e em julho de 2012 incorporado a HG Investimentos (então denominada CSHG Investimentos) como suas subsidiária integral, resta evidente tanto o papel negocial exercido pela HGI II quanto a intenção do Impugnante de verdadeiramente adquirir integralmente o grupo HG. Por fim, pretende a autoridade fiscal descaracterizar o ágio pago pelo recorrente como não sendo decorrente de expectativa de rentabilidade futura. O recorrente rebate que, diferentemente do que afirma a autoridade fiscal e como se pode facilmente constatar à fl. 752, já em 31.12.2007 era lançado, ao lado do saldo de R$634.869.890,34, o histórico "valor ágio ref. performance fundos HG”, sendo certo que entre os possíveis fundamentos econômicos do ágio, o valor pago em razão da “performance” só pode se referir à expectativa da rentabilidade futura desse investimento, razão pela qual não há falar que momento da aquisição não fora indicado o fundamento econômico do ágio. Além disso, ainda que para argumentar tivesse o recorrente realmente falhado em registrar o fundamento econômico do ágio no exato momento da aquisição do investimento na HedgingGriffo, tratarseia de mero lapso no cumprimento de obrigação acessória, Fl. 1642DF CARF MF 26 corrigível a qualquer tempo e incapaz de fazer que, por exclusão tal ágio deva ser classificado como decorrente da aquisição de fundo comércio, intangíveis e outras razões econômicas (fl. 1364), sobretudo quando se considera que a autoridade fiscal, possivelmente ciente da fragilidade de sua tese, em momento algum sequer tentou demonstrar que o ágio pago pelo impugnante teria efetivamente outro fundamento que não a expectativa de rentabilidade futura, limitandose a apresentar objeções de ordem formal. Quanto ao relatório de avaliação elaborado pela Ernst & Young, em momento algum questiona a fiscalização as conclusões do laudo ou que de fato no caso o seu pagamento se deu por conta da expectativa de rentabilidade futura, mas sim apenas e tão somente o fato de não ser o laudo contemporâneo à aquisição. Por fim, alega a recorrente que a objeção da fiscalização segundo a qual entre a data da aquisição e a data da feitura do laudo poderia ter mudado a avaliação das sociedades adquiridas, não parece ter considerado o fato de que, como consta do Relatório de Avaliação, a database da avaliação econômico financeira é 31 de outubro de 2007. O período projetivo considerado foi de 10 (dez) anos e dois meses, compreendendo o período de 1º de novembro de 2007 a 31 de dezembro de2017 e perpetuidade (fl. 841), ou seja, o referido relatório retratava a expectativa de rentabilidade futura no momento da aquisição, o que por si só demonstra que de qualquer forma seriam evitadas as distorções. Alega a autoridade fiscal a presença de evidente intuito de fraude. No caso concreto o recorrente atesta que não omitiu nem procurou omitir qualquer elemento pertinente à operação em exame, encontrandose tais elementos devidamente registrados nos órgãos competentes e acessíveis ao público, tendo, além disso, o recorrente fornecido todas as respostas, informações e documentos solicitados pela fiscalização nos vários termos de intimação emitidos ao longo do procedimento administrativo. Assim, ausente o dolo, defende a Recorrente o afastamento da aplicação da multa qualificada. Do segundo Ágio Em relação ao segundo ágio, a ora Recorrente combate em sua Impugnação a desvinculação alegada pela fiscalização. Segundo a ora Recorrente, ainda que distintas, as operações não seriam desvinculadas, posto que teriam sido ambas contratadas no momento em que definida a primeira aquisição. Aduz que o fato da segunda aquisição ter seu preço fixado por critério distinto daquele utilizado na primeira também não tem o condão de tornálas independentes, sendo natural que, tendo a segunda aquisição ocorrido quando as partes contratantes já atuavam juntas há quatro anos (desde a primeira aquisição), tenham as partes optado por critério que melhor refletisse o resultado do negócio para a quantificação do valor a ser pago pelas ações remanescentes, no lugar de pura e simplesmente utilizar critério aplicado na primeira aquisição, como sugere o i. fiscal autuante. Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 15 27 Além disso, a ora Recorrente rebate o racional da fiscalização acerca da formação de ágio interno, uma vez que o negócio fora celebrado entre partes independentes. Os acionistas fundadores não possuíam qualquer participação acionária na Impugnante. Reitera a ocorrência de incorporação do grupo HG, que daria ensejo à dedutibilidade da amortização do ágio escriturado. No que se refere ao valor da operação registrada e ora questionada, enfrenta a contribuinte o argumento da autoridade fiscal de que teria sido estabelecido com base em rentabilidade passada, não futura. Alega que o próprio legislador complementar teria se baseado em indicador similar ao elaborar a Lei de responsabilidade Fiscal, em seu artigo 12, estabelecendo a observância das receitas apuradas nos três últimos anos como parâmetro para determinar a receita futura. Quanto à multa isolada Depois de reconhecer que antes da alteração do artigo 44 da Lei n° 9.430, 1996 promovida pela Lei n° 11.488, de 2007, a multa isolada prevista no inciso II do referido artigo não podia ser exigida em concomitância com a multa de ofício. Colaciona o recorrente jurisprudência dominante do CARF neste sentido. Da não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício Alega o recorrente que não existe base legal para a exigência de juros sobre a multa de ofício (não isolada),que não pode prevalecer sob pena de violação não só do próprio art. 61 da Lei n. 9.430, de1996, mas também dos arts. 5º, II e 150,I da CF 1988 e, do artigo 97 do CTN. A legislação somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado dotributo ou da contribuição. Acórdão nº 1464.130 13ª Turma da DRJ/RPO Em sessão de 13 de fevereiro de 2017 a 13° Turma de Julgamento da DRJ/RPO decidiu: 1. Em relação ao primeiro ágio: a. por maioria de votos, em manter a glosa de amortização do ágio, por interposição de empresaveículo. Vencida a Julgadora Maria Lucia Aguilera, que a mantinha apenas em parte, conforme Declaração de Voto; b. por unanimidade de votos, manter a glosa de amortização do ágio, por falta de comprovação de ser rentabilidade futura o seu fundamento econômico; c. por maioria de votos, manter a multa qualificada para todo o período. Vencida a Julgadora Maria Lucia Aguilera, que fará Declaração de Voto. 2. Em relação ao segundo ágio: Fl. 1644DF CARF MF 28 a. por unanimidade de votos, afastar a caracterização da aquisição da parte remanescente do investimento como sendo entre partes relacionadas; b. por unanimidade de votos, manter a glosa de amortização do ágio, por falta de comprovação de ser rentabilidade futura o seu fundamento econômico; c. por maioria de votos, afastar a interposição de empresaveículo, como fundamento para a glosa de amortização do ágio e reduzir a aplicação da multa de ofício para 75%. Vencido o Julgador Sidnei de Sousa Pereira, que fará declaração de votos. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013, 2014 OPERAÇÕES DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CRIAÇÃO DE ÁGIO AMORTIZÁVEL. SIMULAÇÃO. GLOSA DAS EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. As operações de reorganização societária, para serem legítimas, devem possuir causa negocial real, inalterável ao arbítrio de quem o pratica, e decorrer de atos efetivamente existentes, e não serem artificiais e apenas formalmente registrados nos contratos sociais e na escrituração contábil. Desse modo, há simulação quando os atos negociais são realizados com finalidade não correspondente exatamente a sua causa legítima. Confirmada a simulação dos atos negociais que possibilitaram o aparecimento do ágio amortizável, é cabível a glosa das exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL decorrentes da amortização do ágio. OPERAÇÕES SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. Nas operações estruturadas em seqüência, o fato de cada uma delas, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto das operações, quando restar comprovado que os atos foram praticados sem propósito negocial. ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. PROVA. DEDUTIBILIDADE. No lançamento contábil do ágio deve estar indicado o fundamento econômico, e quando este for o valor de rentabilidade futura da investida, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração. Na ausência de apresentação da prova hábil do fundamento econômico, in casu, da demonstração de rentabilidade futura das investidas, considerase não comprovado o ágio contabilizado na aquisição dos investimentos, configurandose irregular as decorrentes despesas de amortização. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 16 29 MULTA QUALIFICADA. Não há como afastar a imputação fiscal de sonegação e simulação e a conseqüente aplicação da multa qualificada se descritas pela Fiscalização circunstâncias que demonstram a ocorrência de reestruturação societária para criar, formalmente, por meio da constituição e posterior incorporação de “empresa veículo”, uma situação que se enquadrasse na exceção legal que possibilita deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a Lei 9.532/97, o que justifica, além da glosa das correspondentes deduções, a multa no percentual de 150%. Cancelase a multa de ofício qualificada em relação à operação societária em que não comprovada a ocorrência de simulação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013, 2014 MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. Constatada a falta/insuficiência do recolhimento das estimativas devidas, fica a pessoa jurídica sujeita à multa de ofício isolada sobre os valores inadimplidos. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. O artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, ao prever as infrações por falta de recolhimento de antecipação e de pagamento do tributo ou contribuição (definitivos) não significa duplicidade de tipificação de uma mesma infração ou penalidade. Ao tipificar essas infrações o artigo 44 da Lei nº.9.430, de 1996 demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e não se excluem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012 CSLL. BASE DE CÁLCULO. NORMAS DE APURAÇÃO Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração da CSLL, uma vez que ambos os lançamentos, do IRPJ e da CSLL, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Fl. 1646DF CARF MF 30 Recurso Voluntário Irresignado com a decisão, a autuada apresentou seu recurso voluntário, no qual ratifica os argumentos trazidos na peça impugnatória e destaca o julgado desta 1°Turma de Julgamento da 2°Câmara que julgou em 07 de junho de 2016 auto de infração que tratava do primeiro ágio ora em combate em relação aos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011 (acórdão 1201 001.438) e concluiu pela possibilidade de dedução do ágio. Recurso de Ofício Foi apresentado Recurso de Ofício em relação à parte do lançamento que fora cancelada. Contrarrazões da PGFN A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário no qual após trazer um resumo dos fatos narrados no Relatório, defende que a glosa da despesa de amortização de ágio deve ser mantida, conforme trecho abaixo transcrito: Não merecem reparos as razões apresentadas no acórdão recorrido. Em primeiro lugar, resta evidente que a metodologia escolhida para determinar o valor das ações remanescentes da HG INVESTIMENTOS não corresponde à metodologia conhecida como “expectativa de rentabilidade futura”. Ora, se a intenção fosse estabelecer como parâmetro a rentabilidade futura, bastaria ter inserido essa previsão na cláusula 7.1(b) do “Acordo de Acionistas”, mas não foi essa a opção das partes. Contudo, isso não foi feito. Em segundo lugar, cabe perguntar se a metodologia descrita na cláusula 7.1 (b) do “Acordo de Acionistas” foi ou não utilizada para calcular o valor das ações para o exercício da opção de compra, pelo BANCO CS, em 2012. Se a resposta for afirmativa, temse que o laudo da ERNEST&YOUNG representaria mera “conta de chegada”, pois serviria apenas para dar formalmente a aparência de rentabilidade futura a uma “opção de compra” com fórmula de cálculo previamente determinada. Por outro lado, se prevalecer o laudo da ERNEST&YOUNG, isso significa que a metodologia prevista na cláusula 7.1 (b) do “Acordo de Acionistas” foi abandonada? Ou os valores da cláusula 7.1 (b) do “Acordo de Acionistas” e do laudo da ERNEST&YOUNG “coincidentemente” são os mesmos? Por todas essas razões, fica difícil aceitar a tese do contribuinte, no sentido de que a rentabilidade futura da HG INVESTIMENTOS foi o fundamento econômico para o ágio HGII. Na realidade, o preço das ações da HG INVESTIMENTOS teve como parâmetro a fórmula prevista na cláusula 7.1 (b) do “Acordo de Acionistas”, o que não pode ser confundido com rentabilidade futura. Assim, temse que não restou comprovado o fundamento econômico do ágio, nos termos do art. 385 e 386 do RIR/99, razão pela qual deve ser mantida a glosa das despesas com amortização do ágio HGII. Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 17 31 Além disso, defende a PGFN a manutenção da qualificação da multa de ofício vez que " não fosse a participação artificial da HGIII, o ágio pago não seria deduzido da forma como foi." Por fim, defende a PGFN a manutenação da multa isolada cumulada com a multa de ofício e da incidência de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Da amortização do primeiro ágio Do conceito de propósito negocial. No tangente à amortização do ágio, face à expressa previsão legal, devese partir do pressuposto de que a regra é a dedutibilidade do ágio e a exceção, logicamente, sua indedutibilidade. O fundamento jurídico por trás da amortização/dedução do ágio permeia o fato de que a mera expectativa de ganho futuro e apenas em potencial não norteia a definição de aquisição de disponibilidade jurídica e econômica elencada no art. 43 do CTN, para fins de incidência do imposto de renda. Se incidir tributação sobre a mera expectativa de rentabilidade futura e o lucro, de fato, se concretizar, tributarseia duas vezes o mesmo fato gerador. Se tributarse a mera expectativa e apurarse prejuízo, a conseqüência será a tributação de um acréscimo patrimonial que não se concretizou. Neste sentido é que deve ser aplicado, no caso em tela, o princípio da capacidade contributiva para determinar que este é norteado em seu caráter objetivo, mas não em seu caráter subjetivo. Ou seja, temse a manifestação de riqueza, mas ainda não se configurou um contribuinte apto a absorver o impacto tributário. A partir do momento em que o contribuinte começar a gerar lucro ou começar a gerar prejuízo é que a manifestação deixará de ser objetiva para começar a atingir o campo da subjetividade. Neste ponto, no entanto, a tributação será decorrente de valores que de Fl. 1648DF CARF MF 32 fato integrarão o resultado como despesa ou receita, passíveis, então, de comporem a base de cálculo do IRPJ. De fato o patrimônio líquido, representado por meio das ações adquiridas, é incorporado e representa disponibilidade econômica e jurídica. No entanto, o valor do investimento, o ágio, é mera expectativa e por isso deve ser amortizado, não sofrendo a incidência do IRPJ. Veja, na hipótese da regra matriz de incidência,o critério material não é norteado, pois, a mera expectativa não representa auferimento de renda de fato. É certo que essa idéia inicial tangencia uma perspectiva reducionista, dando significado ao fato gerador a partir de um prisma prioritariamente econômico. Em contraposição, seguindo os ensinamentos de Luis Eduardo Schoueri, devese considerar que: “(...) uma relação jurídicotributária não se regula exclusivamente por meio de leis tributárias; a estas se juntam, por vezes com caráter até mesmo preponderante, normas societárias/contábeis, civis ou administrativas, resultando sua disciplina desta gama de textos legais.” Desta forma, passase, neste momento, a analisar o caso concreto levando em conta a abrangência do Direito Tributário e da conceituação do fato gerador, acima de tudo, como um fato jurídico. A construção do fato jurídico, neste caso, deve se desenhar, na origem, pela validade das reorganizações societárias que a empresa incorporada (HGIII) realizou para que fosse possível que o recorrente usufruísse do benefício fiscal e, após, na validade do instrumento que contabiliza e veicula o ágio. É a partir das discussões da construção do fato gerador tributário como um fato jurídico que surgem todos os empecilhos apontados pela Fiscalização e repisados pelo v. acórdão recorrido, para a suposta impossibilidade de amortização do ágio. A primeira questão suscitada foi assim externada no v. acórdão recorrido: “(...) É verdade que por meio dum aditamento ao contrato de compra e venda (vide folhas 620 a 633), assinado em 18 de setembro de 2007, as partes avençaram a mudança da empresa adquirida para a HGIII. Todavia, tampouco se pode atribuir algum propósito econômico ou negocial a essa alteração. (...) Ao se analisar a sucessiva criação e extinção de diversas camadas de empresas veículo, de existência apenas temporária, verificase que o que houve de fato foi a simulação de incorporação. (...)” Cumprese definir, de início, que os conceitos de propósito negocial e substância econômica carecem de fundamento legal, tornandose subjetivos e abrangentes. Veja, não são elementos aceitos e incorporados pelo ordenamento jurídico brasileiro, inexistindo qualquer dispositivo legal que lhes dêem substrato. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 18 33 O alcance destes conceitos atinge a existência de razões econômicas que vão além da obtenção de vantagem fiscal, única e exclusivamente. Partindo deste conceito, a presença de um propósito negocial deve ser precedente e, além, originária na operação, de modo a concretizar a amortização do ágio e o concomitante gozo do benefício fiscal como uma conseqüência natural e lógica, se considerarmos o fato gerador do IRPJ. Ocorre, porém, que a indefinição dos conceitos no ordenamento jurídico impede a formação de entendimento uníssono a respeito de seus termos e limites, tornando qualquer discussão acerca das operações de ágio como ao menos parcialmente subjetivas. O ágio não é um tema tão controverso e alvo de discussões calorosas no âmbito deste Conselho à toa. Cada julgador atribui uma amplitude e alcance diverso à definição atribuída ao propósito negocial/substância econômica. O que se busca, na realidade, com referidos conceitos, sejamos claros e diretos, é a identificação de abuso, fraude ou simulação, perfazendo caráter arbitrário e artificial que vise apenas o aproveitamento do benefício fiscal. A percepção do propósito negocial/substância econômica como definidor deste cenário pode ser favorável, mas diante da referida subjetividade, freqüentemente inaugura uma nova posição acerca de seu alcance, diante de casos concretos distintos, dotados cada qual de especificidade e peculiaridade. Se presta, então, o presente voto, a partir deste ponto, a analisar detalhadamente todos as informações e alegações levantadas pela fiscalização para definir se, necessário ou não um motivador para a operação que vá além do beneficio fiscal, bem como, ausente ou presente o tal propósito negocial e, da mesma forma, se presentes indícios de fraude ou simulação na operação. Primeiramente, é importante ressaltar que temos presenciado com preocupante freqüência, a utilização pelo Fisco da teoria do propósito negocial por meio do qual defende que a simples ausência sob a ótica do fisco de outros motivadores para a operação que não o alcance do benefício fiscal, já é elemento suficiente que invalida os atos do contribuinte ou, ao menos, inviabiliza o benefício fiscal almejado. Entendo que tal racional adotado pela autoridade fiscal guarda certa contradição com diversas regras e estruturas criadas há muito tempo pelo legislador pátrio, por meio das quais são oferecidos benefícios fiscais às empresas que, ao cumprirem determinados requisitos, acabam levando desenvolvimento econômico à determinadas regiões do Brasil. Menciono aqui, de forma exemplificativa, o regime fiscal da Zona Franca de Manaus, que oferece incentivos fiscais para as empresas que lá se estabelecerem e produzirem, gerando empregos, desenvolvimento econômico/social e, mesmo, arrecadação de tributos para a região. Ora, em relação à Zona Franca de Manaus, a principal função desempenhada pelas autoridades fiscais tem sido monitorar se os contribuintes, de fato, cumprem todos os requisitos previstos em lei para o gozo dos incentivos fiscais, sem haver qualquer questionamento acerca das motivações do contribuinte. Fl. 1650DF CARF MF 34 O que o Fisco busca é confirmar se, realmente, as empresas estão lá estabelecidas ou se os produtos são lá produzidos, por exemplo. Contudo, não há qualquer exigência de que as empresas lá estabelecidas tenham propósitos negociais além do gozo do incentivo fiscal em si, para lá se estabelecerem. Em outras palavras: nenhuma empresa busca a Zona Franca de Manaus em razão da maior proximidade com o mercado consumidor, melhor infraestrutura ou maior oferta de mão de obra qualificada. O objetivo é o gozo do incentivo fiscal e isso é garantido às empresas que cumpram todos os requisito da legislação, independentemente da existência de outras razões. Desta forma, o conceito a ser adotado para definir o propósito negocial deve ser no sentido de considerar a busca pela redução das incidências tributárias, por si, como um propósito negocial que viabiliza a dedução do ágio. Já temos importantes precedentes do CARF nesta direção: GANHO DE CAPITAL. VENDA DE QUOTAS. PLANEJAMENTO FISCAL ILÍCITO. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR CONTÁBIL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor contábil,não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. (Acórdão nº 1402001.472 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 09 de outubro de 2013) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. O fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. O fato dos negócios praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CAUSA DO NEGÓCIO. LICITUDE. Motivo do negócio é a razão subjetiva pela qual o contribuinte faz o negócio jurídico. Causa do negócio ou sua função econômica é o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes. O motivo ilícito implica em nulidade, quando declarada por um Juiz. Se a motivação do negócio é economia tributária, não se pode falar em motivo ilícito. Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 19 35 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. (...) Outra tese do Fisco que merece análise é a de que os atos praticados poderiam ser desconsiderados, porque não teriam conteúdo econômico (ou propósito negocial), já que teriam sido praticados com o único objetivo de economia tributária. Porém, tal afirmativa está em descompasso com o ordenamento jurídico. Como se vê, em última análise, a afirmação do Fisco consiste em sustentar que o planejamento tributário é proibido e que a economia tributária só é admissível se for acidental. Apenas por isso, já se percebe a improcedência do argumento. Mas, a análise da tese do Fisco confirma o equivoco desta interpretação da fiscalização, pois nem esta motivação vicia o negócio e nem existe lei atribuindo tal efeito. As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominamse motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes chamase causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da carga tributária, podese dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum As partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um Juiz. No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Assim, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicada sequer por juizes aos negócios jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. E, muito menos, poderia ser aplicada pela fiscalização, para efetuar lançamento de oficio. De outra banda, não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios. " Fl. 1652DF CARF MF 36 (Acórdão n. 1101000.835 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 04 de dezembro de 2012) Neste sentido, existem também bons e recentes exemplos desta brilhante turma, merecendo destaque trecho do voto do Ilustre Conselheiro Marcelo Cuba Netto no acórdão n. 1201001.267 de 19 de janeiro de 2016: "(...)Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos." Aliás, o racional adotado nos julgados acima está integralmente alinhado com as disposições da própria Lei n. 6.404/76 define em seu art. 2º, § 3º: Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. § 3º A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais. Veja, a lei claramente define a possibilidade da constituição de uma holding com o intuito único de gozo de incentivos fiscais, que nada mais são que benefícios fiscais, assim como é o ágio. Assim, me parece claro que a simples alegação de ausência de propósito negocial não é suficiente para a glosa da dedução da amortização do ágio, até mesmo porque, desde que utilizados instrumento legais e inexistentes a fraude, simulação ou abuso de direito, a economia tributária pode ser considerada um propósito negocial. No entanto, para fulminar qualquer alegação de ausência de propósito negocial e tentar mitigar da melhor forma possível esta subjetividade, o presente voto se proporá a demonstrar que há, de fato, motivo diverso do que simplesmente o gozo do benefício fiscal, diante das reorganizações societárias realizadas. Da utilização de empresa veículo. A utilização da chamada empresa veículo pelo contribuinte tem sido invocada pelo Fisco como condição para invalidar o negócio jurídico ou conjunto de negócios jurídicos que culminaram na dedução do ágio pago. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 20 37 No caso em tela, a "empresa veículo" é a sociedade HGIII, que segundo o Fisco foi utilizada pelo contribuinte com o objetivo único de possibilitar o aproveitamento do ágio. Primeiramente, é importante destacar que o fato do contribuinte se utilizar de uma empresa veículo para a perfectibilização da operação não é suficiente, por si só, para invalidar o negócio jurídico, especialmente, como se verá mais adiante, se restar demonstrada a existência de estruturas ou caminhos alternativos disponíveis ao contribuinte e que levassem ao mesmo resultado. Este racional já encontra amparo no CARF, conforme os julgados aqui destacados: "AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago. A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. (Acórdão 1102000.982 1° Câmara / 2° Turma Ordinária Sessão de 04/12/2013 Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo) Aliás, temos diversos precedentes desta brilhante 1° Turma da 2° Câmara, dentre os quais destaco recente julgado no Acórdão n. 1201001.501 de relatoria do presente relator: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. Fl. 1654DF CARF MF 38 A utilização de empresa veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. Mais um exemplo do entendimento desta turma a respeito do tema empresa veículo pode ser encontrado no acórdão 1201001.554 de 14/02/2017, também de relatoria do presente relator: Anocalendário:2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. Destaco aqui também, trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcelo Cuba Netto no já mencionado acórdão n. 1201001.267: "(...) Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação." Me parece cada vez mais pacificado o entendimento de que a utilização de uma empresa veículo para aquisição de outras empresas, de grupo econômico distinto, não revela qualquer vício, ilegalidade ou abuso em si. De qualquer forma, no caso em tela, temos que o alvo do Recorrente foi um grupo complexo e constituído de diversas entidades operacionais, controlado por um conjunto de dezenas de sócios que não tinham qualquer intenção de se tornarem sócios diretos do Recorrente, justificando, desta forma, a utilização da chamada empresa veículo HGI II para possibilitar a operação. Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 21 39 Neste sentido, a utilização de empresa veículo pelo Recorrente, neste caso, a empresa HGIII, decorreu claramente de uma decisão de negócios, não somente do Recorrente, mas também dos vendedores da empresa HGI, Além disso, resta claro que existiam outras opções para que o Recorrente alcançasse o mesmo resultado, como, por exemplo, através da aquisição direta da empresa HGI para posterior incorporação. Meu ponto aqui é que a existência de outras opções, além da utilização da chamada empresa veículo, já revela o descabimento da glosa da dedução do ágio pago sob tal fundamento utilização da empresa veículo. Assim, me parece de todo vazio o argumento de que a existência de uma "conduit company" na operação teria maculado a operação a ponto de inviabilizar a dedução do ágio. Da existência de propósito negocial além do benefício tributário Inicialmente, o pressuposto estabelecido é pela validade de todas as reorganizações societárias que culminaram na formação da HGIII, a empresa incorporada. Recapitulando, “o Contrato de Compra e Venda de Ações entre a incorporadora, ora recorrente, e as Pessoas Físicas elencadas nas páginas de assinatura ("Vendedores") e como intervenientes HedgingGriffo Investimentos S.A., HedgingGriffoAsset Management S.A., HedgingGriffo Serviços Internacionais Ltda. e HedgingGriffo Corretora de Valores SA. ("Sociedades Adquiridas") estabelecia que seriam adquiridas de 5.001 (cinco mil e uma) ações ordinárias, sem valor nominal, representativas do capital social da HG Investimentos, equivalentes a 50% + 1 das ações do referido capital social (as "Ações Adquiridas").” Previa o contrato a possibilidade de “reorganizações societárias internas das Sociedades Adquiridas a serem concluídas antes do Fechamento, por meio da qual (i) a titularidade de todas as ações emitidas e em circulação representativas do capital social da HG Corretora, HG Serviços Internacionais e HG Asset passará a ser detida diretamente pela HG Investimentos; (ii) na medida do necessário e conforme pactuado com a Compradora, o negócio será transferido ou de outro modo cedido às Sociedades Adquiridas; e (iii) serão praticados demais atos ligados às aludidas providências, de modo a permitir que o Negócio seja incorporado à HG Investimentos, conforme pactuado pelas partes." Desta forma, o capital social das empresas de fato operacionais do Grupo Econômico fora adquirido em sua integralidade pela holding “HG Investimentos”, que passou a deter, desta forma, por obvio, 100% das ações do capital social. Até este ponto, não há que se falar em qualquer irregularidade, uma vez que todas as reorganizações societárias ocorreram de acordo com o que fora préestabelecido em contrato. Fl. 1656DF CARF MF 40 Houve, no entanto, um aditamento ao “Contrato de Compra e Venda de Ações”, assinado em 18 de setembro de 2007, por meio do qual as partes avençaram a mudança da empresa adquirida para a HGIII. Foi o que ocorreu. A HGIII, outra holding criada, adquiriu 50% + 1 das ações do capital social da HG Investimentos e foi incorporada pela ora recorrente, norteando do ponto de vista fático o que dispunha o contrato. É neste momento específico que se forma o ágio e neste ponto que residem as alegações por parte da fiscalização de ausência de propósito negocial. Ora, em suma, a HG Investimentos detinha 100% das ações do capital social, entanto o contrato avençava que seriam vendidos apenas 50% + 1 das ações do capital social, portanto o controle da maioria das ações. Desta forma a holding HGIII fora criada e passou a adquirir estes 50% + 1 das ações. O recorrente, desta forma, incorporou a empresa HGIII, absorvendo 100% de seu patrimônio e, conseqüentemente 50% + 1 das ações do capital social das sociedades adquiridas. O fisco alega que esta operação, escancarou a HGIII como uma empresa veículo sem propósito negocial. Uma empresa veículo sem propósito negocial quer supor, coadunando com as definições já expostas, um meio para se atingir determinado propósito, tendo “por finalidade praticar ato simulado, ocultar ou encobrir fato gerador de obrigação tributária, isto é, criadas para dar aparência de regularidade a uma situação que assim não é”. Neste sentido, conclui o autuante que a mera utilização de sociedade constituída com o propósito específico de adquirir benefício fiscal inviabiliza a amortização de ágio. Ocorre que o recorrente trouxe embasamento fático robusto e sólido capaz de conferir a existência de propósito negocial à operação e, ao mesmo tempo, capaz de descaracterizar a utilização de uma empresa veículo para fins de fraude, simulação ou abuso de direito. Em outras palavras o recorrente trouxe fundamento perfeitamente plausível para a reorganização societária concretizada, que não apenas o gozo do benefício fiscal, ao mesmo tempo em que se extinguiu qualquer possibilidade de utilização da empresa incorporada como meio de praticar ato simulado ou fraudulento. Veja, o recorrente traz, no Recurso Voluntário apresentado, as razões pelo qual se deu a criação da HGIII, nos seguintes termos: “(...) A razão pela qual se optou por adquirir/vender uma empresa detentora de 50% + 1 das ações da HG Investimentos, e não estas ações diretamente, foi apenas porque como salientado tanto os compradores como os vendedores não desejavam tornarse sócios do recorrente (o que ocorreria no caso de incorporação direta da participação acionária da HG Investimentos) antes de saber se seria exercida pelo recorrente Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 22 41 ou pelos vendedores a opção de compra/venda prevista no acordo de acionistas. (...)” E: “(...) Exatamente o mesmo ágio teria existido e poderia ser amortizado caso o recorrente tivesse adquirido exatamente 50% + 1 das ações da HG Investimentos e a tivesse incorporado. (...)” Concluiuse, portanto, que: “(...) Com ou sem a empresa rotulada pela fiscalização de “empresa veículo sem propósito negocial”, o mesmo ágio teria sido apurado com a aquisição direta da participação acionária da HG Investimentos e poderia ser amortizado com sua incorporação. (...)” Ora, o que se constata é a criação de uma empresa com propósito específico e desvinculado da exclusiva intenção de almejo do benefício fiscal, até porque, o benefício fiscal poderia ter sido alcançado sem a utilização da HGIII, ora denominada "empresa veículo". Destaco aqui que a existência de possíveis estruturas societárias alternativas à efetivamente utilizada na operação e igualmente eficazes para o alcance do benefício fiscal, por si só, já demonstra a existência de propósito negocial da estrutura escolhida. Partindose do pressuposto de que a mesma empresa poderia veicular a operação de aquisição, devese destacar que haja algum motivo diferenciador entre o escopo de ambas. O recorrente claramente o demonstrou. As disposições do contrato externaram a vontade das partes de que inexistia intenção dos sócios das empresas do Grupo HedgingGriffo de se tornarem sócios do recorrente, o que justifica a aquisição indireta daquela participação acionária pela HGIII. Devese, neste momento, regredir para se atingir a falha e insuficiente construção ideológica da fiscalização que reputou indevida a amortização do ágio por ausência de propósito negocial. Pois bem, o CARF, em análise específica para cada caso concreto, busca uma uniformidade através da imposição de alguns requisitos que identifiquem a ausência de propósito negocial em uma operação, quais sejam: (i) retorno ao statu quo ante, isto é, reversão dos atos realizados após ter sido aproveitada a economia tributária; (ii) operações realizadas em curto espaço de tempo; (iii) provisoriedade dos negócios jurídicos realizados e dos quais resultou redução da carga tributária; (iv) vinculação econômica, jurídica ou de parentesco entre as partes envolvidas; (v) prática de atos contraditórios entre si. Ora, o fisco embasa claramente parte de sua argumentação em apenas um dos requisitos apresentados, alegando que muitas reorganizações societárias ocorreram em um curto espaço de tempo (ii), em questão de horas. Fl. 1658DF CARF MF 42 Veja que apenas este requisito se mostra frágil para caracterizar a ausência de propósito negocial, pois, nem de longe forma um raciocínio apto a demonstrar algum tipo de fraude ou simulação, uma vez que não há nenhum tipo de limitação temporal quanto a este tipo de atividade em nosso ordenamento jurídico. A fiscalização, no entanto, também reputou que não houve, de fato, uma incorporação, fato que talvez possa ensejar a presença do requisito de provisoriedade do negócio jurídico realizado, apenas para o gozo do benefício fiscal (iii). No entanto, este voto já se dedicou a demonstrar afirmativa em sentido contrário. Ora a HGIII foi incorporada e o recorrente passou a adquirir 100% de suas ações, que correspondiam a 50% + 1 das ações do restante das empresas Grupo Econômico. Desta operação foi amortizado o ágio e quanto a este ponto não restam dúvidas que todas as reorganizações societárias visaram apenas uma estratégia negocial e estratégica que atendesse o interesse de adquirente e vendedores. Quanto a este ponto cabe ainda o destaque conferido pelo recorrente ao entendimento exposto no v. acórdão recorrido: “A esta altura, cumpre reconhecer que o autuante se equivoca ao sustentar que não poderia haver incorporação, a não ser que a incorporadora detivesse 100% da empresa a ser incorporada. Em verdade, a incorporação pode ocorrer com qualquer que seja o percentual que previamente detenha a incorporadora. Se ela não possuir 100% do capital, deverá negociar com os titulares da parcela restante. Estes podem receber um pagamento por suas quotas ou ações e retirarse do negócio, ou aceitar em troca uma participação no capital da sociedade incorporadora equivalente à sua participação no capital da sociedade incorporada.” Resta claro, neste ponto do voto, que a subjetividade da questão da definição do propósito negocial ou sua ausência, conforme alegado pelo Fisco, encontra elementos objetivos e concretos que a fortalecem e a tornam incontestável no presente caso. Da expectativa de rentabilidade futura Superada, então, esta questão, urge a necessidade de análise da questão do suposto não cumprimento do requisito legal que fundamenta o ágio, a expectativa de resultados futuros. São dois pontos que merecem atenção: o embasamento fático e, por consequência, contábil e jurídico que suportou este requisito e o instrumento utilizado para justificar este requisito. De início, cabe ressaltar que, em linhas gerais, o ágio irá se desenhar em linha tênue traçada na diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o valor do patrimônio líquido da investida à época da aquisição. Em raciocínio inverso, portanto, o custo de aquisição de uma empresa coligada e controlada, com valor de seu investimento, necessariamente corresponderá ao valor do patrimônio líquido na época da aquisição somado ao ágio ou deságio na aquisição. Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 23 43 O ágio deve, no entanto, indicar seu fundamento econômico, a razão contábil que lastreia o custo de aquisição de um investimento para além apenas do patrimônio líquido da empresa. Neste ponto conveniente destacar os fundamentos econômicos que podem ser utilizados: 1 Valor de Mercado de bens do ativo da coligada ou controlada, superior ou inferior ao custo registrado na contabilidade 2 Valor de Rentabilidade da controlada ou coligada base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. 3 Fundo de Comércio, Intangíveis e outras razões econômica. Veja que o conceito basilar de um fundamento econômico que possa justificar o ágio perfaz a diferença entre uma realidade presente e uma expectativa futura, variando caso a caso. A expectativa de rentabilidade futura, em suma, será baseada na previsão de lucros que a empresa terá em exercícios futuros. “Daí que a projeção da lucratividade, na diferença proporcional entre o custo de aquisição e o valor contábil do patrimônio líquido da investida confere a segurança jurídica necessária sobre a determinação do ágio baseado no valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros.” (item 1) O recorrente fundamentou o ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura e a fiscalização o descaracterizou, apresentando como fundamento econômico o Fundo de Comércio, Intangíveis e outra razões econômicas. (item 3) A questão do Fundo de Comércio e dos intangíveis referese ao valor econômico do patrimônio líquido de uma empresa na parte em que ela supera seus ativos e passivos avaliados individualmente a preços de mercado, e isso só ocorre quando ela possui algo intangível, que lhe proporciona gerar lucro acima do normal. Como intangível, podemos citar a marca, a popularidade do estabelecimento, um local privilegiado do estabelecimento, o ponto comercial, etc. Enfim, são elementos intangíveis que se agregam ao patrimônio líquido (ativos e passivos ao valor de mercado), para comporem um conjunto que alterará o valor de uma empresa e o conseqüente custo de investimento que será realizado em sua aquisição. Portanto, existem alguns elementos que exorbitam o patrimônio líquido da empresa, que a valorizam, mudam sua percepção real e presente e distorcem o investimento dispêndio, que com certeza não irá refletir a realidade contábil da empresa à época do investimento. O art. 386 do RIR/99 considera este “item 3” como não passível de dedução ou amortização. Fl. 1660DF CARF MF 44 Cabe de início salientar que esta conclusão adotada pela Fiscalização seguiu uma série de reputações desacertadas de ordem formal, mas que ao mesmo tempo afetaram as questões de ordem conteudística, material. Isso porque, a fiscalização alega a extemporaneidade do laudo de avaliação apresentado para comprovar o fundamento econômico que justificasse o ágio. Ora, devese principiar a discussão com o fato de que à época da operação de incorporação não havia qualquer disposição legal que exigisse laudo formal de avaliação, confeccionado por perito independente e com finalidade específica direcionada à instrumentalização do ágio. Havia, tão somente, a necessidade de existência de um demonstrativo para comprovar a escrituração do ágio, apurado com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura. Veja, o demonstrativo acerca da rentabilidade futura seria suficiente para justificar e demonstrar o fundamento econômico e base para escrituração contábil do ágio em discussão. Essencial a aplicação do princípio da estrita legalidade tributária para afirmar que, inexistindo previsão legal expressa, tornase impossível exigir qualquer formalidade quanto ao demonstrativo necessário para servir de base ao lançamento contábil do ágio. Ademais, há jurisprudência do CARF que converge com o raciocínio até então formulado: ÁGIO. AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA PARTIMAG E DA MAGNESITA . A legislação fiscal não impõe forma ao demonstrativo de que trata o § 3º do art. 20 do DL 1598/77, logo, se os autuantes não questionaram a substância econômica do demonstrativo apresentado pelo fiscalizado, há que aceitálo para a fundamentação e fixação do ágio pago nas aquisições das ações. (Acórdão nº 1302001.465 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 30 de Julho de 2014) ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Contudo, não é possível se admitir que laudo elaborado mais de um ano após os fatos, sem qualquer suporte em documentos contemporâneos à aquisição de terceiros, sirva para Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 24 45 fundamentar o ágio em uma das modalidades que permitam o benefício fiscal. (Acórdão nº 1102001182 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014) ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. Não tem o Fisco que demonstrar qual seria o “outro fundamento econômico” para o ágio pago, mas sim ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que pagou o ágio baseado na rentabilidade futura projetada para o investimento. O demonstrativo, no caso em tela, fora veiculado por meio do Relatório de Avaliação, apresentado cerca de seis meses após a aquisição da participação. Restou claro que, em nenhum momento a fiscalização questionou o conteúdo deste relatório, não apontando nenhuma falha técnica que dissesse respeito ao mérito e as conclusões ali expostas. Assim, cabe adentrar nas questões formais, novamente, para esclarecer que além de não haver previsão legal para a confecção de laudo técnico, inexistia à época da formação do ágio, qualquer dispositivo no pátrio ordenamento jurídico que determinasse algum prazo para apresentação deste demonstrativo. Atualmente vigora a Lei nº 12.973/2014, que dispõe em seu art. 20, § 3º, sobre a exigência de um laudo elaborado por perito independente, no entanto, se referindo a comprovação da “mais ou menosvalia, que corresponde à diferença entre o valor justo dos ativos líquidos da investida, na proporção da porcentagem da participação adquirida, e o valor de que trata o inciso I do caput” (inciso II) e de forma alguma fazendo menção à comprovação do ágio (no presente artigo elencado no inciso III). Desta forma o prazo que estipula referido artigo, do “(...) último dia útil do 13º (décimo terceiro) mês subsequente ao da aquisição da participação.” para apresentação do laudo, não se aplica à apresentação de demonstrativo que comprove o ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste contexto se torna desnecessária a menção e aplicação do princípio da retroatividade benéfica, uma vez que a lei presente não abrange e nem norteia especificamente o caso concreto que ocorreu no passado. Fl. 1662DF CARF MF 46 Tratase o presente caso de um demonstrativo apresentado para comprovar o ágio por expectativa de rentabilidade futura e a Lei nº 12.973/2014 define um prazo para apresentação de laudo técnico que convalide a maisvalia relativa aos bens do ativo da empresa incorporada. Desta forma, falecendo qualquer possibilidade de extemporaneidade e restando demonstrado que o trabalho apresentado pela Ernst & Young se mostrou apto em termos técnicos, ou seja capaz de demonstrar a expectativa de rentabilidade futuro, restou devidamente comprovada a existência do elemento econômico que fundamentou o pagamento o ágio. Cabe lembrar, a legislação vigente à época das operações não disciplinou de forma expressa a forma de apresentação da demonstração, assim, ao referirse à expressão "demonstração", sem qualquer complemento, especificação ou requisito adicional, o legislador permitiu que os contribuintes viessem a demonstrar o fundamento econômico do laudo por meio de qualquer instrumento ou documento, que poderia ser um laudo "stricto sensu" elaborado por auditores independentes, um estudo interno ou uma simples apresentação em slides. Digo isso, pois, tal constatação mostra que a discussão acerca da extemporaneidade do laudo é de toda inócua. Superando a questão, segue passagem do acórdão nº 1101000.899 (Sessão de 11/06/2013): TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. (...) (...) Desnecessário, assim, seria debater a qualidade do laudo que dá fundamento ao ágio amortizado. De toda sorte, registro que os argumentos adotados pela Fiscalização não são suficientes para desqualificálo. Isto porque a exigência legal é no sentido de que a contribuinte mantenha comprovante de escrituração que demonstre o fundamento do ágio pago. Este comprovante deve expressar razões que justifiquem a aquisição, mas não precisa ser, necessariamente, elaborado antes ou concomitantemente com a operação. A contribuinte pode possuir, apenas, estudo interno que lhe demonstre a rentabilidade futura, e depois buscar laudo técnico que o corrobore, desde que este não se valha de premissas impraticáveis no passado. E, no presente caso, o laudo apresentado pela contribuinte toma por referência o faturamento da empresa adquirida contemporâneo à aquisição, e aponta o retorno dos investimentos suplementares em 2,9 anos (35 meses) (fl. 302). Ou seja, se considerada a rentabilidade futura pelo Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 25 47 prazo de 5 anos, seria possível um pagamento maior que o efetuado. A fiscalização, no entanto, reputou que a extemporaneidade acarretaria iminentes mudanças nos resultados já contabilizados (devido a condições de mercado ou regulatórias, inovação tecnológica, economia mundial). Desta forma, o recorrente, em sede de impugnação, apresentou a avaliação que fora feita no ano de 2006, a qual fora refutada pelo v. acórdão recorrido como não apta a comprovar a rentabilidade futura, especificamente diante dos seguintes fatos:a chancela presente no documento, elemento que retira a certeza da data real desta avaliação, alegação sobre a qual recaiu a presunção de má fé do recorrente; e o intervalo de tempo de quase um ano entre esta avaliação e a efetiva aquisição da participação, repisando os argumentos do fisco de mudança nos resultados contabilizados. Acolho os argumentos do recorrente neste ponto. Primeiramente, quanto a veracidade da avaliação apresentada, a fiscalização está presumindo a máfé do recorrente e, como é sabido, a máfé não se presume. Devem ser produzidas provas para sustentar tão séria alegação, que coloca em xeque a reputação da empresa. As provas não foram produzidas, então presumese, essa sim válida, a boafé do recorrente, que apresenta documentação condizente com a data ali estipulada por meio da chancela. Depois, quanto a alegação de mudanças nos valores, devese levar em conta que a expectativa futura esmiúça potencial passado e presente da adquirida de gerar lucros. Por mais que se possa justificar economicamente o pagamento do ágio, percebese que o referido valor é altamente subjetivo. A sustentação objetiva se dá em face do histórico da atividade da empresa e dos conseqüentes lucros obtidos e a atividade presente e os conseqüentes lucros obtidos, para então definir as perspectivas da atividade no futuro e os possíveis/prováveis lucros que virão a ser obtidos. A atividade da recorrente, como visto, está diretamente ligada a administração de fundos, de modo que, coadunando com a tese sustentada no recurso apresentado, não há grandes oscilações no fundo se houverem mudanças regionais ou até globais na economia. O fundo se sustenta pelas taxas de administração e quem sofrerá de fato e de forma significativa com possíveis impactos e danos externos, como crises mundiais que abalam toda a economia, será o investidor. Além disso, o fato dos laudos de avaliação e/ou demonstrativos apontarem para um determinado valor não imputa a liquidez e certeza próprias da disponibilidade jurídica, tampouco econômica. Atingese o fato gerador do Imposto de Renda, contido no art. 43 do CTN, quando a renda está concretizada em definitivo, ou seja, quando o contribuinte começa a gerar Fl. 1664DF CARF MF 48 lucros de fato e não há mais qualquer incerteza quanto à aquisição desta renda para o patrimônio do contribuinte. Deste modo impossível a tributação de ganhos meramente escriturais. Portanto a concomitância da afirmação de que no período entre a confecção da avaliação em 2006 e a aquisição da participação, em 2007, poucas foram as oscilações sentidas nos fundos administrados, e da relativização deste fato diante da incerteza e iliquidez deste documento para fins de incidência do IRPJ, enfrenta gradativamente a posição adotada no acórdão recorrido. A suposta desatualização da avaliação não significa necessariamente que a expectativa de rentabilidade futura ali demonstrada deve ser tributada (ou que o ágio não deve ser amortizado). Veja, se o valor demonstrado for menor que o lucro de fato obtido, quem de fato é prejudicado com isso é o contribuinte, que não previu a rentabilidade da forma correta e não conseguirá amortizar o ágio na proporção equivalente ao lucro que de fato obteve. O lucro que excedeu o valor previsto será tributado de qualquer forma pois o valor amortizado só alcança os limites baseados no que se previu no laudo de avaliação. Se o valor correspondente à expectativa de rentabilidade futura representar valor maior do que o lucro de fato obtido, também não há diferença para o Fisco, pois este excedente amortizado representa prejuízo em relação ao que se previa. O prejuízo não seria tributado, de qualquer forma, pois não norteia o fato gerador do Imposto de Renda, e não o foi diante do gozo do benefício fiscal (amortização). Ou seja, nada tributariase, em momento algum, até porque não seria lógico exigir o IRPJ sobre o prejuízo. É um mecanismo perfeito que se regula automaticamente diante de seus princípios conceituais, privando o contribuinte da duplicidade de tributação. O ágio prevê uma expectativa, de modo que se essa expectativa se concretiza ou não, não há grandes diferenças, pois ele só evita uma bitributação sobre o lucro. Devemos nos direcionar neste raciocínio por duas possíveis fontes de tributação: por um lado, o investimento realizado que concretiza a expectativa, veiculada por meio do laudo de avaliação; e, por outro lado,o lucro efetivamente apurado nos anos/meses subseqüentes, anteriormente previstos. A fonte real de tributação será o lucro obtido, como já dito, a forma que representa de fato a disponibilidade jurídica e econômica. A fonte que é barrada e mitigada, por conseqüência, diante do mecanismo criado(a amortização), é expectativa de rentabilidade futura e o ágio formado. Portanto o ágio é amortizado perfeitamente no limite a evitar a bitributação, de modo que se previsto a maior ou a menor nenhum impacto tem sobre uma defasagem de tributação,seja sobre algum acréscimo patrimonial percebido ou sobre um prejuízo apurado. Logicamente a avaliação ou o demonstrativo e as suas formalidades são essenciais para a correta fundamentação do ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura, mas eventuais diferenças apuradas a maior ou a menor do lucro de fato obtido não representam ônus e conseqüente discussão fiscal a ponto de descaracterizar a operação. Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 26 49 Ademais, a escrituração contábil fora discriminada como “ÁGIO NA AQUISIÇÃO DA HEDGINGGRIFFO”, cuja fundamentação econômica é indicada pelo histórico do registro, o qual traz os dizeres: “valor ágio ref. performance fundos HG”. Em razão disso, a fiscalização reputa insuficiência de fundamentação e a performance como incapaz de fundamentar o ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura. Os fundos de investimento somente podem cobrar taxa de performance se sua rentabilidade superar o respectivo “benchmark” no período e se o valor da cota no último período em que foi cobrada a taxa de performance for menor do que o valor atual da cota. Deste modo as taxas de performance representam a rentabilidade do fundo de acordo com certas variações. Este fato, em si, é capaz de caracterizar o Fundo de Comércio, caracterizando a rentabilidade de um fundo como a capacidade de angariar e atrair clientela, favorecendo a reputação e o prestígio da administradora. Ocorre que o fundamento econômico utilizado para caracterizar o ágio não é a rentabilidade do fundo em si, mas além, a rentabilidade dos serviços de administração, que se baseiam nas receitas provenientes, em sua maior parte, das taxas de administração. Assim, uma vez exaustivamente comprovado nos autos que as empresas operacionais se dedicavam à administração de fundos, a performance que exprime os serviços prestados como forma de fundamentar a expectativa de rentabilidade futura se mostra perfeitamente aplicável e cabível no caso em tela. Desta forma, temos que o conjunto probatório apresentado pelo recorrente é capaz de fundamentar devidamente o ágio, através da expectativa de rentabilidade futura. Todos os documentos trazidos apresentam validade técnica e formal a ponto de conferirem fundamentação robusta e completamente apta a ensejar o gozo do benefício fiscal, qual seja, a amortização do ágio. Com o ágio perfeitamente comprovado e advindo de aquisição de participação efetiva, com o pagamento do preço, a dedução da amortização é possível e necessária, nos termos do que dispõem o arts. 385 e 386 do RIR/99. Desta sorte, por conseqüência lógica e racional, não há que se falar nas infrações nº 4 e 5, uma vez que devidamente amortizados dentro dos limites legalmente definidos no art. 386, inciso III. Isso porque, a infração nº 4 diz respeito à multa isolada por insuficiência de recolhimento das antecipações mensais. A suposta indevida dedução da amortização do ágio resultou em diminuição indevida da estimativa mensal. Uma vez comprovada a devida amortização, não há que se falar em falta de recolhimento das estimativas mensais. Já a infração nº 5 referese a compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL. Tendo em vista o ajuste realizado no anocalendário 2009 através da Fl. 1666DF CARF MF 50 presente autuação no valor de R$ 102.951.874,08, o valor de R$ 25.864.768,56 (saldo negativo) se tornou inexistente. Ocorre que o ajuste se mostrou indevido e o crédito de fato existe, podendo ser objeto de compensação. Com relação à multa qualificada, esta, também por conseqüência lógica de todo o exposto para considerar válida a amortização do ágio, não deve ser aplicada. Ainda que desnecessário, vez que o valor principal da presente cobrança fora afastada, sintome na obrigação de dizer que, ainda que o valor principal fosse devido, a aplicação da multa qualificada seria de toda improcedente. Isso porque, as operações societárias, conforme detalhadamente demonstrado, não se deram de modo fraudulento ou simulatório, assim, ainda que a glosa da dedução do ágio permanecesse, não faria qualquer sentido aplicar a pesada multa qualificada de 150%, que visa alcançar somente aqueles que agem com a intenção de burlar o fisco. Portanto, neste momento do voto, considerase válida a amortização do ágio, primando pela inaplicabilidade da multa qualificada e multa isolada, e, finalmente, pela validade das compensações advindas da base de cálculo negativa de CSLL. Pelas razões acima expostas a presente Turma de Julgamento já emanou decisão acerca da operação que gerou este primeiro ágio em processo que envolve o mesmo contribuinte e que discutia os anos de 2008, 2009, 2010 e 2011, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 27 51 A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. Do segundo ágio Diferentemente do que ocorrera em relação ao aqui denominado "primeiro ágio", o "segundo ágio" ora em discussão ainda não foi analisado pela presente Turma de Julgamento. Conforme descrito no relatório ao norte, o segundo ágio referese à operação de aquisição do segundo lote que é o saldo de ações de propriedade dos vendedores e que transformou o grupo HG em subsidiária integral do CS. Explicando melhor: nas etapas anteriores que ocorreram entre 2006 e 2008, o CS se tornou sócio majoritário 50% + 1 ação da HGI e indiretamente das demais empresas operacionais do grupo HG. No ano de 2012, momento do nascimento do aqui chamado segundo ágio, o CS passou a controlar integralmente o grupo HG. Segundo disposição do já mencionado acordo de acionistas, a partir de 31/07/2011 e por um prazo de 4 meses, ambas as partes (HG e CS) poderiam exercer direitos em relação ao saldo de 49,575% das ações ainda detidas pela HG. A HG poderia vender tais ações e o CS poderia comprar através de simples notificação. Tal notificação ocorreu em 12/06/2012. No acordo de acionistas também havia previsão expressa quanto ao preço deste saldo de ações no caso do exercício da opção que seria o equivalente a 10 vezes a média do lucro líquido ajustado nos anos de 2009 a 2011. Assim, considerando o valor efetivamente pago pelo CS por tal saldo de ações, bem como, o valor do PL total em maio de 2012 de R$ 174.836.511,58 (49,58% = R$ 86.675.200,62), o CS contabilizou um ágio no valor de R$ 1.111.835.214,93. Em julho de 2012 foi elaborado Laudo de Avaliação pela E&Y. Fl. 1668DF CARF MF 52 Em relação a este "segundo ágio", a fiscalização concluiu que se tratou de mero fechamento do planejamento tributário abusivo perpetrado pela ora Recorrente desde o início das etapas de aquisição do grupo HG cuja finalidade única foi a economia de tributos. Além disso, a fiscalização também afirma que esta segunda aquisição configura nova operação desvinculada completamente da primeira, tendo sido executada entre partes relacionadas com a utilização de empresa veículo (CSHGI) e com base em valor que não guarda qualquer relação com expectativa de rentabilidade futura, sendo imprestável o laudo elaborado pela E&Y. Do ágio interno De início ressalto meu entendimento de que a análise acerca da possibilidade da dedução do ágio deve se pautar pela verificação do cumprimento dos requisitos formais previstos em lei mas também pela autenticidade e veracidade dos atos no sentido de que a essência não deve prevalecer mas sim ratificar a forma. Entendo que não somente nos casos de ágio mas em qualquer outra discussão fiscal, o julgador deve avaliar se os atos perpetrados o foram de forma legítima, no sentido de externalizar a verdadeira vontade das partes e realidade dos fatos sem qualquer simulação, dissimulação ou fraude. Digo isso para concluir que diferentemente de muitos julgados deste Conselho, entendo que o ágio interno decorrente de operação perfectibilizada entre partes relacionadas ,por si só, não inviabiliza a respectiva dedução fiscal. Para que isso glosa ocorra deve ser identificado que houve simulação, caso contrário, a lei deve ser obedecida. Não existe argumento no Direito Tributário que ultrapasse ou supere o Princípio da Legalidade. Nesse sentido, salvo a identificação de qualquer vício, o ágio interno é válido para fins fiscais desde que a operação tenha ocorrido antes da publicação da Lei n. 12.973/14 que expressamente proibiu a dedução do chamado ágio interno. Entender o contrário seria desrespeitar o Princípio da Legalidade ou , ao menos, considerar que a Lei 12.973/14 em nada inovou e serviu apenas para "confirmar" o que já valia antes o que não faz qualquer sentido. Não obstante a introdução acima, tenho que o presente caso não trata de ágio interno e tal conclusão já foi alcançada pelos próprios julgadores da DRJ, in verbis: "Primeiramente, necessário esclarecer que, distintamente do alegado pela fiscalização, entendese que a incorporação da empresa HG Investimentos antes do início da amortização do segundo ágio apurado permite uma dissociação da primeira operação, tendo em vista que, nesse caso, houve a extinção real do investimento, nos moldes em que exigido pela legislação." Ora, a conclusão não poderia ser outra. O ágio interno pressupõe uma operação que envolva partes que pertençam ao mesmo grupo econômico, o que não é o caso. Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 28 53 De um lado estava o CS que possuía o controle majoritário mas não integral do grupo HG. De outro lado, estava o grupo que ainda detinha o restante das ações do grupo HG não detidas pelo CS. Não há nos autos qualquer indicação de que os acionistas fundadores à época minoritários do HG possuíam também ações do CS ou qualquer outro tipo de relação societária entre as partes envolvidas na geração do segundo ágio. As partes envolvidas na operação tinham interesses diametralmente inversos, pois, é acertado dizer que quanto maior fosse o preço das ações, melhor seria para os acionistas minoritários do grupo HG e viceversa. Se não existem partes relacionadas ou integrantes do mesmo grupo econômico, não há que se falar em ágio interno. Da utilização de empresa veículo Não vou nesta altura do voto me ocupar novamente em trazer os fundamentos que justifiquem a utilização da chamada empresa veículo mas tão somente analisar se, de fato, houve utilização de empresa veículo nesta etapa da operação e em caso positivo se tal utilização foi válida do ponto de vista legal. Alega a fiscalização que a negociação de aquisição das ações restantes das sociedades adquiridas se deu através da utilização da CSHGI, empresa veículo sem qualquer propósito negocial. Em apertada síntese, a fiscalização parte da tese de que o ágio somente seria válido se incorporadas diretamente as empresas operacionais do grupo HG e como isso ocorreu através da sociedade CSHGI, a dedução do ágio não seria possível. Vejo aqui uma incoerência no trabalho fiscal. Isso porque, a empresa CSHGI neste ponto tratada como empresa veículo pela fiscalização é justamente a empresa considerada pela mesma fiscalização como objeto da operação que gerou o primeiro ágio, sendo que lá tratouse de atacar a empresa HGII como veículo. Assim, no universo racional da fiscalização a empresa CSHGI sofreria de uma crise de identidade, pois, ora é empresa veículo ora não. Além disso, a linha de raciocínio adotada pela fiscalização que somente a aquisição direta das empresa operacionais HG Serviços Internacionais, HG Asset e HG CTVM todas controladas pela CSHGI, possibilitaria a dedução do ágio, me parece carecer de fundamento legal. De fato, procurei mas não achei na legislação a regra adotada pelo fiscal. É verdade que a aquisição direta das ditas empresas operacionais também seria possível. Isso é inegável. Contudo, a existência de outras opções não tem o condão, nem de longe, de inviabilizar a opção escolhida pelo contribuinte. Até porque, estamos tratando aqui da aquisição de 03 empresas operacionais quando a operação foi concentrada em apenas uma que é a CSHGI, o que já demonstra que a opção escolhida pelo contribuinte é muito mais racional e pragmático do ponto de vista negocial do que aquela apontada pelo fiscal. Fl. 1670DF CARF MF 54 Desta forma, são totalmente improcedentes as alegações da fiscalização quanto à utilização de empresa veículo (CSHGI) ou ausência de incorporação das empresas efetivamente adquiridas. Do preço Segundo a fiscalização o preço pago pelo restante das ações da CSGHI não guarda qualquer relação com o cálculo de expectativa de rentabilidade futura, ou seja, a previsão constante do acordo de acionista de que o preço pela opção de compra seria baseada nos lucros de períodos anteriores (2009 à 2011) não preencheria o requisito legal correspondente. Em relação a tal ponto, destaco trecho do Recurso Voluntário da ora Recorrente: " Com a devida vênia, ao afirmar que o lucro dos três último anos não é indiciador idôneo para a estimativa de lucros futuros o i. fiscal autuante parece desconhecer os critérios estabelecidos pelo próprio Legislador Complementar para pautar a previsão de receitas pelo Poder Público ao qual o i. fiscal pertence, cabendo referir nesse sentido a Lei de Responsabilidade Fiscal, que, ao dispor sobre a previsão da receita pública , assim determina, "verbis": Art. 12. As previsões de receita observarão as normas técnicas e legais, considerarão os efeitos das alterações na legislação, da variação do índice de preços, do crescimento econômico ou de qualquer outro fator relevante e serão acompanhadas de demonstrativo de sua evolução nos últimos três anos, da projeção para os dois seguintes àquele a que se referirem, e da metodologia de cálculo e premissas utilizadas." Ora, a expectativa de rentabilidade futura prevista na legislação referese à capacidade de geração de caixa da empresa adquirida e isso é geralmente feito por empresas independentes como foi a E&Y no presente caso que se baseiam em racionais distintos para tentar projetar tal geração de caixa no futuro. Vejam, estamos aqui tratando de projeção que nada mais é que a tentativa de prever com o maior grau de precisão possível o que acontecerá no futuro. Nesta tentativa, podem ser incluídas variáveis diversas como um novo contexto macro econômico (melhor ou pior), impacto de novos produtos e tecnologias, variação de preço de commodities ou, simplesmente, basearse no passado. Aliás, tal correlação entre passado e futuro para fins de previsão de rentabilidade, encontra outro exemplo no universo normativo das instituições financeiras. Tratase da Resolução 3.059/02 que trata do registro contábil de créditos tributários das instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Tendo em vista que os créditos tributários de IRPJ e CSLL compõem parcela relevante do patrimônio das instituições financeiras, o Conselho Monetário Nacional exige seja apresentado um estudo que comprove que a instituição terá capacidade de geração de lucro no Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 29 55 futuro que seja suficiente para a realização do crédito tributário registrado até então, pois, em caso negativo, o crédito tributário deve ser baixado o que reduzirá o patrimônio da instituição. Pois bem, os requisitos para manutenção do crédito tributário são os seguintes: Art. 1º Estabelecer que as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil somente podem efetuar o registro contábil de créditos tributários decorrentes de prejuízo fiscal de imposto de renda, de base negativa de contribuição social sobre o lucro líquido e aqueles decorrentes de diferenças temporárias quando atendidas, cumulativamente, as seguintes condições: I apresentem histórico de lucros ou receitas tributáveis para fins de imposto de renda e contribuição social, conforme o caso, comprovado pela ocorrência dessas situações em, pelo menos, três dos últimos cinco exercícios sociais, período esse que deve incluir o exercício em referência; II haja expectativa de geração de lucros ou receitas tributáveis futuros para fins de imposto de renda e contribuição social, conforme o caso, em períodos subseqüentes, baseada em estudo técnico que demonstre a probabilidade de ocorrência de obrigações futuras com impostos e contribuições que permitam a realização do crédito tributário no prazo máximo de dez anos. (nossos grifos) A apuração de histórico de lucros serve para ratificar ou ao menos evidenciar o estudo que tenta demonstrar a capacidade de geração de lucro no futuro. O racional econômico é muito claro neste exemplo, pois, salvo situação de extrema ruptura do modelo de negócios ou de produtos da empresa, a geração de caixa no futuro guarda uma relação de continuidade, ainda que enviesada para cima ou para baixo, com o passado. Assim, a exemplo da LRF que prevê que o Poder Público deve utilizar a receita passada para fins de previsão da receita futura e também do CMN que exige a geração de lucros passados para justificar a manutenção do crédito tributário para compensação em exercício futuros, entendo que o critério de estabelecimento do preço para aquisição da ações da CSHGI baseado numa média dos lucros passados para fins de estabelecer a expectativa de rentabilidade futura é plenamente plausível. Da acusação de Planejamento Fiscal Com relação a este item, tenho aqui como aplicável todo o exposto em relação ao primeiro ágio. Das formalidades Fl. 1672DF CARF MF 56 Da forma de escrituração do ágio No que concerne à ausência de indicação na escrituração contábil do embasamento legal do ágio, ratifico meu entendimento que a essência deve ratificar a forma escolhida. Digo isso para concluir que uma vez verificada a negociação efetiva das ações, o pagamento efetivo do preço, a validade do racional para definição do preço e a ausência de simulação, tenho que a ausência de inclusão expressa na escrituração fiscal do embasamento legal do ágio não é motivo suficiente para glosa da dedução do ágio. Entender o contrário seria privilegiar o formalismo exagerado em detrimento da segurança jurídica que deve pautar a relação fiscocontribuinte. Da ausência de demonstrativo do valor do ágio Neste ponto, defendeu a Fiscalização ser impossível considerar o ágio apurado como fundamentado em rentabilidade futura pelo "fato do demonstrativo exigido pela legislação vigente como documentação comprobatória da fundamentação econômica de qualquer ágio haver sido lavrado em data posterior à efetivação da transação 12 de julho de 2012 versus 12 de junho de 2012 respectivamente em total desacordo com o previsto no "caput" e § 3° do artigo 385 do RIR/99:" A Fiscalização entende ser intempestivo o laudo apresentado. Apesar da completa ausência de previsão legal na época acerca do prazo em que o laudo deveria ser apresentado ou mesmo da própria obrigatoriedade de apresentação de um laudo, vemos que o suposto atraso se resume a um mês. Entendo que tal discussão sobre este atraso é totalmente inócuo. Primeiro, porque as premissas para definição do preço das ações já estava na Cláusula 7.1.b do Acordo de Acionistas que fora celebrado e novembro de 2007. O laudo técnico elaborado pela E&Y serviu apenas para corroborar o preço das ações conforme regras já definidas anteriormente. Não obstante, a fiscalização apontou supostas impropriedades técnicas do laudo, o que gerou a apresentação de um Parecer Técnico Extrajudicial que demonstra a inexistência de tais impropriedades. Neste ponto, julgo esclarecedor o seguinte trecho do Recurso Voluntário da ora Recorrente: Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 30 57 Além disso, critica a fiscalização o fato do laudo ter utilizado como benchmark informações originadas "apenas" do BACEN, ANBIMA e OECD, contudo, curiosamente, essa mesma fiscalização não apontou fontes de melhor qualidade para benchmark, o que a meu ver torna tal crítica completamente vazia do ponto de vista técnico. Ora, para criticar a técnica adotada por um trabalho, qualquer que seja, o crítico deve, minimamente, apontar qual a técnica correta, o que não aconteceu no caso em tela. A Fiscalização também "estranhou" o fato do laudo não utilizado o dólar como parâmetro, o que segundo seu racional seria mais comum. A Recorrente utilizou índices locais como benchmark (IBOVESPA, CDI, IGPM e etc...), vez que a transação ocorreu no Brasil. De fato, poderia ter sido o dólar o parâmetro utilizado, assim como poderia ter sido o Euro, o Peso Uruguaio ou o Bolivar Venezuelano. Contudo, a escolha foi por índices locais e isso, certamente, não prejudica a qualidade do laudo. Enfim, o que se vê é um amontoado de críticas que me parecem sem conteúdo que culminam na afirmação de que o laudo tratou de um exercício de numerologia. Não enxerguei neste tópico um só apontamento da fiscalização que trouxesse à tona qualquer vício, impropriedade técnica ou erro que colocasse em xeque o resultado do Fl. 1674DF CARF MF 58 laudo e por conseqüência o ágio gerado. O que se vê no TVF são suposições do que seria mais normal ou correto, o que a meu ver não é suficiente para a glosa da dedução do ágio. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para DARLHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1675DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000509/2007-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Tampouco pode ser conhecida matéria sobre a qual não foi interposto Recurso Especial à época oportuna, assim operando-se a preclusão consumativa.
Numero da decisão: 9202-006.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Tampouco pode ser conhecida matéria sobre a qual não foi interposto Recurso Especial à época oportuna, assim operando-se a preclusão consumativa.
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Tampouco pode ser conhecida matéria sobre a qual não foi interposto Recurso Especial à época oportuna, assim operandose a preclusão consumativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 05 09 /2 00 7- 08 Fl. 737DF CARF MF 2 Em sessão plenária de 29/10/2009, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 230100.697 (fls. 621 a 630), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do relator.” O Relator assim concluiu o voto: "15. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicílio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, a preliminar ora examinada, para anular o lançamento por vício formal. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO 16. Assim, voto pela ANULAÇÃO do lançamento." Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial, consignando às fls. 631: "Sem recurso, devendo ser analisada a possibilidade de lavratura de novo auto, em face de ter sido reconhecido apenas vício formal (art. 173, II do CTN)." Cientificada do acórdão em 27/02/2012 (AR Aviso de Recebimento de fls. 635), a Contribuinte opôs, em 1º/03/2012, os Embargos de Declaração de fls. 636 a 642, Fl. 738DF CARF MF Processo nº 12045.000509/200708 Acórdão n.º 9202006.964 CSRFT2 Fl. 737 3 prolatandose, em 19/06/2013, o Acórdão de Embargos nº 2301003.590 (efls. 701 a 707), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ." O processo foi encaminhado à PGFN em 14/10/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 708) e, em 1º/11/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 709 a 721 (Despacho de Encaminhamento de efls. 722), com fundamento nos arts. 64, I, e 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir os seguintes pontos: nulidade do lançamento por cerceamento de defesa; natureza do vício, se formal ou material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 04/03/2016 (efls. 724 a 729). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: no tocante à nulidade do lançamento, há pelo menos três motivos pelos quais a decisão recorrida deve ser reformada, a saber: “É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo”, conforme estabelece a Súmula nº 27, do CARF; dada a natureza inquisitorial, o procedimento administrativo fiscal do lançamento não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direitos reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal; não houve Fl. 739DF CARF MF 4 prejuízo à ampla defesa do contribuinte, pois lhe foi conferido o conhecimento de todos os fatos pelos quais o lançamento tributário foi efetuado; o fato de o domicílio tributário do contribuinte ter sido reconhecido por decisão judicial transitada em julgado em nada altera a conclusão que aqui se defende, pois o dispositivo do acórdão que assim procedeu não tratou dos efeitos que essa declaração geraria nos atos administrativos da administração tributária em geral; o contribuinte não solicitou provimento jurisdicional no sentido de que fosse apenas a autoridade fiscal do seu domicílio eleito que procedesse ao lançamento tributário, mas sim requereu a declaração de que seu domicílio fiscal fosse aquele eleito no seu contrato social, sem formular pedido expresso quanto aos efeitos de eventual decisão favorável; mesmo que o domicílio do contribuinte tenha sido fixado judicialmente, isso não altera a competência das repartições fiscais para proceder à lavratura de autos de infração; somente haveria alteração de competência se o provimento jurisdicional fosse expresso nesse sentido; por outro lado, não se deve esquecer que o trabalho da fiscalização, na fase inicial do procedimento administrativo fiscal de lançamento, tem natureza eminentemente inquisitorial, não havendo que se falar em contraditório e ampla defesa; esses direitos somente são conferidos ao contribuinte após a notificação do lançamento, quando se abre a possibilidade de ele questionar todos os termos da ação fiscal, com contraditório e ampla defesa, quando então se instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal; no caso concreto, esses direitos não foram violados, pois o contribuinte teve o conhecimento, desde o início, dos fatos que motivaram o lançamento tributário, podendo impugnálos da forma como melhor lhe aprouvesse, como de fato o fez; desse modo, não tendo havido prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972; temse que um lançamento tributário somente será anulado por vício formal quando não se obedecer às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; a distinção entre vício formal e material é de extrema relevância, pois os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, isto é, não podem ser corrigidos, por sua vez, os atos com vício de forma podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; assim, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 12045.000509/200708 Acórdão n.º 9202006.964 CSRFT2 Fl. 738 5 Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para afastar a nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, declarar a ocorrência de vício formal. Cientificada do Acórdão de Embargos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, defende que não ocorreu a alegada nulidade do lançamento e, alternativamente, que, se vício houve, este seria de natureza formal e não material. Em face do pedido principal inexistência de nulidade salientase que, em um primeiro momento, por meio do Acórdão nº 230100.697, de 29/10/2009 (fls. 621 a 630), o Colegiado a quo declarou a nulidade do lançamento por vício formal. Confirase a conclusão do voto: "15. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicílio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, a preliminar ora examinada, para anular o lançamento por vício formal. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO 16. Assim, voto pela ANULAÇÃO do lançamento." Cientificada desse acórdão, a Fazenda Nacional declarou expressamente que não haveria a interposição de Recurso Especial (fls. 631): "Sem recurso, devendo ser analisada a possibilidade de lavratura de novo auto, em face de ter sido reconhecido apenas vício formal (art. 173, II do CTN)." Posteriormente, por força da oposição de Embargos de Declaração pela Contribuinte, a natureza do vício foi alterada para material, por meio do Acórdão de Embargos nº 2301003.590, de 19/06/2013. Destarte, relativamente à primeira matéria inexistência de nulidade no lançamento não há como sequer cogitar do seu conhecimento, uma vez que no Acórdão de Embargos abordouse unicamente a natureza do vício que maculara o lançamento se formal Fl. 741DF CARF MF 6 ou material. Destarte, nesse segundo acórdão já não se discutiu se haveria ou não nulidade, mas sim partiuse da nulidade do lançamento declarada no primeiro acórdão, reconhecendose que a natureza do vício seria material. Assim, a existência de nulidade no lançamento já se encontrava sedimentada em momento anterior do processo, não podendo ser agora suprimida, tendo em vista que a Fazenda Nacional, cientificada do respectivo acórdão, expressamente informou que não haveria a interposição de Recurso Especial. Impende asseverar que, na preclusão consumativa, a impossibilidade de certo sujeito praticar determinado ato decorre da circunstância de haver ele praticado um ato anterior que esgotou os efeitos do ato que ele agora quer praticar. Nesse diapasão, forçoso concluir pela ocorrência da preclusão consumativa das alegações de inexistência de nulidade apresentadas no Recurso Especial, uma vez que não arguidas no momento oportuno quando da ciência do Acórdão nº 230100.697, que declarou a nulidade do lançamento por vício formal. Quanto ao segundo ponto suscitado pela Fazenda Nacional se nulidade houve, tratase de vício formal e não material por envolver a discussão acerca da natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização dos períodos de 02/1999 a 12/2000, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: "DAS QUESTÕES PRELIMINARES (...). 3. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 4. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 5. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 12045.000509/200708 Acórdão n.º 9202006.964 CSRFT2 Fl. 739 7 6. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontrase em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de Fl. 743DF CARF MF 8 pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 12045.000509/200708 Acórdão n.º 9202006.964 CSRFT2 Fl. 740 9 Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III Recurso provido." 7. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 8. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco e, por conseqüência, o lançamento equivocado de valores que não eram devidos. Tanto é verdade que, quando apresentada a impugnação e as notas fiscais, o débito foi retificado pela autoridade lançadora, reduzindose os valores originalmente levantados. (...) 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. Fl. 745DF CARF MF 10 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório." (grifos nossos) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se declarar nulidade por vício formal. Visando demonstrar a alegada divergência em relação à questão da natureza do vício, se formal ou material, a Fazenda Nacional indica como paradigma o Acórdão nº 3403001.705, colacionando a respectiva ementa, conforme a seguir: "Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS. Período: 01.05.1997 a 30.09.1997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver lodos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN, impõe, assim, anular o lançamento. Recurso Provido." (Destaques da Recorrente) A ementa acima não permite que se saiba qualquer detalhe acerca do vício apontado. Compulsando o inteiro teor desse paradigma, constatase que a situação nele tratada também em nada se assemelha à do recorrido. Confirase: "Impõe em primeiro plano examinar de ofício a motivação contida no auto de infração. Pareceme a prima face tratarse razões incongruentes com se vê do anexo III. Uma delas se refere à desvinculação do pagamento, sem, contudo, informar se ocorreu a pedido do contribuinte ou de ofício. Está análise se torna de suma importância para saber se a declaração de inexata e a falta de recolhimento foram causadas pelo contribuinte ou decorre da desvinculação do débito. Entretanto, inexiste elementos nos autos que possa esclarecer esta situação. A outra está assentada quanto à existência ou não do pagamento como resta evidente ao ler afirmação do anexo III – “Comp. C/pagto parcialmente utilizado e na linha inferior” “ Pgto não localizado”. Como se vê há dois fatos não idênticos e antagônicos. São adversos porque o primeiro fato informa que parte foi utilizada de modo parcial e o segundo afirma de que não houve pagamento localizado. Assim, pareceme que tratam de dois Fl. 746DF CARF MF Processo nº 12045.000509/200708 Acórdão n.º 9202006.964 CSRFT2 Fl. 741 11 motivos mutuamente excludentes, e, sendo assim, macula o lançamento e torna o crédito tributário duvidoso. Portanto, ao deixar de descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se extrairia o motivo do lançamento." (grifei) Destarte, constatase que o vício ocorrido, no caso do paradigma, foi a falha na descrição do fato gerador. Com efeito, tal situação em nada se assemelha àquela tratada no acórdão recorrido. Nestas circunstâncias, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem ser sequer comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 747DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.928378/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 83 78 /2 01 1- 82 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10680.928378/201182 Acórdão n.º 1401002.446 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de abril de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaramse indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10680.928378/201182 Acórdão n.º 1401002.446 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de abril de 1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10680.928378/201182 Acórdão n.º 1401002.446 S1C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10680.928378/201182 Acórdão n.º 1401002.446 S1C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.000562/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3201-003.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 05 62 /2 00 5- 11 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10630.000562/200511 Acórdão n.º 3201003.937 S3C2T1 Fl. 95 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Contra o contribuinte retro qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/05 para exigência de Multa .no valor de R$ 37.500,00, decorrente da falta ou atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune), relativamente ao trimestre 4°/2002. O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração (fl. 04), merecendo destaque os arts. 212 e 505 do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002) e os arts. 1° e 10 da IN SRF N° 71/2001. Após ciência do Auto de Infração por via postal, em 13/06/2005 (fl. 14) e inconformado com o lançamento, apresentou o contribuinte, em 06/07/2005, a impugnação de fls. 16/19, na qual, argumenta, em síntese: 1°) no ano de 2002 não estava habilitada a operar com papel imune, haja vista que a ciência da autorização para tal somente se deu no final de janeiro de 2003, quando tomou ciência do despacho decisório que concedeu o registro especial, passando a empresa, a partir daí, a cumprir todas as obrigações resultantes de seu registro especial; 2°) adquiriu papel imune somente a partir de 30/01/2003, portanto, não estava obrigado à entrega da declaração no período a que se refere a autuação; Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10630.000562/200511 Acórdão n.º 3201003.937 S3C2T1 Fl. 96 3 3°) procedeu à entrega da DIFPapel Imune no prazo da intimação; 4°) por fim, requer a improcedência total do lançamento e a acolhida da impugnação." A impugnação apresentada foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/JFA 0918.846, de 21 de fevereiro de 2008, decisão proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO A nãoapresentação ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da muita prevista no artigo 57 da MP 2.15835. Lançamento Precedente" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, em que a recorrente, em breve síntese, aduz: (i) a multa aplicada é uma afronta ao estado democrático de direito; e (ii) apenas uma multa no valor de R$ 1.500,00 deveria ter sido aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Preliminarmente, em relação a alegação de afronta ao estado democrático de direito tecida pela recorrente em sua peça recursal, a afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10630.000562/200511 Acórdão n.º 3201003.937 S3C2T1 Fl. 97 4 Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, a DIF Papel Imune de uma declaração instituída com fundamento na Lei 9.779/99, de caráter acessório e geral, cujo descumprimento sujeita ao contribuinte ao disposto no art. 505 do RIPI/2002, de acordo com o previsto no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Constatase, então, que possui previsão legal. O entendimento do CARF sobre a legalidade da exigência, pode ser ilustrado com a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFRAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO OU FALTA NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIF Papel imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita ao infrator à pena cominada no 505 no RIPI/2002 (cfr. artigo 57 da Medida Provisória 2.15834, de 27 de julho de 2001) c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, inciso II e parágrafo único da IN SRF 976/2009. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte" (Processo 10830.001378/200613; Acórdão 9303001.456; Relatora Conselheira Nanci Gama; sessão de 31/05/2011) O Superior Tribunal de Justiça assim entende: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DIF PAPEL IMUNE. NÃO APRESENTAÇÃO NO PRAZO LEGAL. PENALIDADES. IN/SRF N. 71/2001. ART. 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158/2001. 1. A Fundação Universidade de Passo Fundo ajuizou ação ordinária com vista à repetição de indébito de valores referentes ao pagamento de multa imposta com base no art. 57, I, da Medida Provisória 2.15834/2001, por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune). (...) 4. A legislação tributária não deixa dúvidas de que a Fundação recorrente estava obrigada à apresentação da "DIFPapel Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10630.000562/200511 Acórdão n.º 3201003.937 S3C2T1 Fl. 98 5 Imune", independentemente de qualquer notificação por parte da Receita Federal, sob pena de sujeitarse à aplicação da penalidade pecuniária. Assim, ao descumprir a referida obrigação acessória, a recorrente ficou à mercê das sanções dispostas no art. 57 da MP 2.15834/2001. 5. O art. 57, I, da MP 2.15834/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário. 6. Na hipótese dos autos, tem aplicação a Instrução Normativa da SRF 71/2007, que instituiu obrigação tributária acessória consistente na apresentação da DIFPapel Imune à Secretaria da Receita Federal, que deverá ser feita até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores. (...) (REsp 1222143/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/02/2011, DJe 16/03/2011) Assim, não há que se falar em ilegalidade da multa em apreço. Ocorre que, sobreveio a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, que tratou da matéria nos seguintes termos: "Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1° A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2° O disposto no § 1° deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10630.000562/200511 Acórdão n.º 3201003.937 S3C2T1 Fl. 99 6 II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3° deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4° deste artigo será reduzida à metade." Assim, temse que a nova legislação estipulou penalidade mais benéfica ao contribuinte. O Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c, dispõe, expressamente, que "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." O dispositivo aplicase ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia ao número de mesescalendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade) por demais gravosa ao contribuinte, a depender, inclusive, da demora, por parte do Fisco, em aplicála. Com a superveniência da Lei n° 11.945/2009, a penalidade passou a ser exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais a quantidade de meses em atraso. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10630.000562/200511 Acórdão n.º 3201003.937 S3C2T1 Fl. 100 7 Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo lícita e legítima a aplicação do novo texto legal à hipótese versada, ainda que não instada a tanto. No caso concreto, aplicouse a multa no valor total de R$ 37.500,00 (trinta e sete mil e quinhentos reais), pela não apresentação no prazo estabelecido da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle de Papel Imune (DIF PAPEL IMUNE), referente ao 4° trimestre de 2002. No cálculo, considerouse, por mês em atraso, a multa de R$ 1.500,00, resultando no valor de R$ 37.500,00. Com a sistemática mais benéfica, estabelecida pela Lei n° 11.945/2009, a multa de R$ 2.500,00, para micro e pequenas empresas deve ser exigida em relação a cada obrigação em atraso, no caso, 1 (um) trimestre. Nestes termos, tem decidido o CARF, através da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisões a seguir colacionadas: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/ 2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador negado." (Processo 11080.001057/200601; Acórdão 9303005.273; Relator Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10630.000562/200511 Acórdão n.º 3201003.937 S3C2T1 Fl. 101 8 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 21/06/2017) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Processo 19515.000759/200533; Acórdão 9303004.953; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais 1 (um) trimestre). (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660375/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.776
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 75 /2 01 2- 61 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660375/201261 Acórdão n.º 3401004.776 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660375/201261 Acórdão n.º 3401004.776 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660375/201261 Acórdão n.º 3401004.776 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660375/201261 Acórdão n.º 3401004.776 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660375/201261 Acórdão n.º 3401004.776 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660375/201261 Acórdão n.º 3401004.776 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 10831.010946/2002-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 21/09/2001
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. EX-TARIFÁRIO. MÁQUINA AUTOMÁTICA PARA EMBALAR PASTAS DE PRODUTO ALIMENTÍCIO EM TABLETES.
Não cabe a aplicação do ex-tarifário em razão de a mercadoria importada não apresentar as características essenciais previstas na sua descrição e por tratar-se de máquina que realiza funções além das estipuladas.
O Ex-tarifário deve ser aplicado restritivamente. A mercadoria importada deve seguir ipsis litteris o estipulado no ex-tarifário não podendo apresentar características inferiores ou superiores ao que consta no texto do benefício fiscal.
Numero da decisão: 3401-005.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro André Henrique Lemos (relator), que optou por manter seu voto original. Designada a conselheira Mara Cristina Sifuentes para redigir o voto vencedor. Em função de já ter o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira votado em outubro de 2017, não participou do julgamento o conselheiro Cássio Schappo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/09/2001 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. EXTARIFÁRIO. MÁQUINA AUTOMÁTICA PARA EMBALAR PASTAS DE PRODUTO ALIMENTÍCIO EM TABLETES. Não cabe a aplicação do extarifário em razão de a mercadoria importada não apresentar as características essenciais previstas na sua descrição e por tratarse de máquina que realiza funções além das estipuladas. O Extarifário deve ser aplicado restritivamente. A mercadoria importada deve seguir ipsis litteris o estipulado no extarifário não podendo apresentar características inferiores ou superiores ao que consta no texto do benefício fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro André Henrique Lemos (relator), que optou por manter seu voto original. Designada a conselheira Mara Cristina Sifuentes para redigir o voto vencedor. Em função de já ter o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira votado em outubro de 2017, não participou do julgamento o conselheiro Cássio Schappo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 09 46 /2 00 2- 25 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 309 2 André Henrique Lemos Relator (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório Versam os autos sobre concessão no benefício da “Ex Tarifário” 66 da Portaria MF nº 465/00 (Dou de 27/12/2000), a qual reduz a alíquota do Imposto de Importação de 14% para 4%. A recorrente despachou máquina classificada no código NCM 8422.40.90, mediante a DI nº 01/09374554, de 21/09/2001, na edição 01: "MÁQUINA AUTOMÁTICA PARA EMBALAR RECIPIENTES AGRUPADOS DE 2 A 24 UNIDADES, COM CARTÃO ENVOLVENTE, DOTADOS DE CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP), AUTODIAGNOSE E VELOCIDADE MÁXIMA DE PRODUÇÃO IGUAL OU SUPERIOR A 35 EMBALAGENS/ MINUTO” Já o Termo de Constatação Fiscal 02/2002 (fls. 89), diz que o correto seria: Adição 1 "MAQUINA AUTOMÁTICA PARA EMBALAR PASTAS DE PRODUTO ALIMENTÍCIO EM TABLETES AGRUPADOS DE 2 A 6 TABLETES, COM CARTÃO ENVOLVENTE, DOTADA DE CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP), AUTODIAGNOSE E VELOCIDADE MÁXIMA DE PRODUÇÃO DE 46 EMBALAGENS POR MINUTO” CLASSIFICAÇÃO: NCM 8441.40.90 ALÍQUOTA II: 14% (QUATORZE POR CENTO) Por ocasião da conferência física da mercadoria, foi solicitada assistência técnica, resultando no laudo n° 10/2002 (fls. 105/125), onde consta: Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 310 3 A perícia técnica concluiu que máquina vistoriada apresentase parcialmente em conformidade com a documentação apresentada, merecendo os seguintes destaques: a) o equipamento é destinado a embalar em grupos em cartão envolvente, entretanto, não são recipientes, mas sim tabletes embrulhados em papel alumínio (resposta à pergunta 2, fl. 106). b) o equipamento possui um funcionamento mais abrangente que o descrito no EX. Ele não se presta a embalar recipientes, conforme o texto do EX, mas sim efetuar o embalamento de pastas de produto alimentício (no caso tabletes de sopa) em tabletes da seguinte maneira: 1) formação do tablete mediante injeção da massa no embrulho parcial, em papel aluminizado; 2) fechamento dos embrulhos dos tabletes, após o fornecimento da quantidade correta de massa; 3) transporte para a estação de agrupamento, por meio de esteira transportadora; 4) formação de grupos de dois ou seis tabletes; 5) operação do envolvimento do grupo de tabletes, com cartão envolvente (resposta à pergunta 5, fl. 106). Com base na perícia técnica, a fiscalização desenquadrou a maquina da “Ex” pleiteada, lavrando Auto de Infração, de fls. 01 a 24, restringindose a auditoria feita aos aspectos relacionados a correta aplicação do "ex tarifário" pleiteado no Despacho de Importação do equipamento importado na DI (fl. 12). Ato contínuo, o importador foi intimado a recolher ou impugnar crédito tributário relativo à diferença de Imposto de Importação, juros de mora e multas. Cientificada em 19/12/2002 (fl. 13), a recorrente impugnou tempestivamente o Auto de Infração (fls. 129/142), alegando em síntese que, no mérito, a máquina importada atende exatamente o disposto no texto da “Ex”. Sustenta também, que o cerne da questão está na forma de acondicionamento do produto alimentício, se este é feito dentro de um recipiente ou se embalado em papel alumínio. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 311 4 Defendeu que o produto é recebido por um recipiente de alumínio que é confeccionado antes pela própria máquina , instantes antes do próprio envasamento da massa alimentícia, logo, tratase de um recipiente do tablete, em folhas de papel alumínio. Demais disso, juntou laudo técnico (fls. 203/225) onde demonstrou o processo industrial de acondicionamento do produto, esclarecendo que este é recebido por um recipiente de alumínio, préconfeccionado pela própria máquina, antes do envasamento da massa alimentícia, cujas conclusões foram: Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 312 5 Ao final, pleiteou a improcedência da ação fiscal. Em apreciação dos fatos apresentados, em primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, São Paulo II, indeferiu o pedido da recorrente, fls. 239/246. Vejase: Assumo: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/09/2001 “Ex” Tarifário. O contribuinte não faz jus ao beneficio fiscal previsto em destaque “EX” vez que a máquina importada não embala recipientes. MULTA DE MORA do art. 44, I da Lei 9430/96 cabível, em razão do não recolhimento do tributo na data do registro da Declaração de Importação. MULTA DO ARTIGO 526, ll DO RA. Decreto 91030/85. por falta de Guia de Importação do documento equivalente. por declaração inexata. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos de que se trata de acondicionamento em recipiente e não embalado em papel alumínio. Em primeira análise pelo Conselho, este converteu o julgamento em diligência, requerendo a complementação da perícia, com a finalidade de apurar se a máquina quando importada possuía a capacidade de embalar recipientes, bem como o retorno dos autos para este Conselho para julgamento, após a manifestação da recorrente. Sobreveio laudo técnico (fls. 285288), dizendo em síntese: Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 313 6 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. O ponto central da autuação está na forma de acondicionamento do produto alimentício, se este é feito dentro de um recipiente ou se é embalado em papel alumínio. O laudo técnico primevo concluiu que o que está sendo embalado são tabletes acondicionados em papel alumínio e não recipientes conforme descrito. Já o laudo técnico juntado pela Recorrente concluiu que a máquina importada produz recipientes para recebimento e acondicionamento de produto alimentício, sendo correta a interpretação do EXtarifário 060 e na classificação 8422.40.90, vez que esta é a específica, atendendo o item 3a das Regras Gerais de Interpretação. Por fim, o laudo complementar, objeto da determinação de conversão em diligência, menciona que o equipamento efetivamente acondiciona recipientes moldados em papel aluminizado, com pasta alimentícia (tabletes de caldo de carne e similiares) em embalagem de cartão. Na visão deste relator há de ficar esclarecido o que realmente faz o maquinário importado, ou seja, a verdade real. Analisandose os 3 (três) laudos que constam dos autos e as fotografias neles juntadas principalmente as contidas às fls. 212221, referente ao laudo produzido por perito contratado pela Recorrente, o qual mais bem elucidou todas as etapas do processo industrial, embora também as fotos juntadas pelo laudo primevo também tenham dado esta dimensão (fls. 111 e 112, 116 e 117) , percebese que este processo feito pela máquina importada consiste: Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 314 7 1) confeccionar os recipientes de papel alumínio; 2) encher os recipientes com o produto alimentício (caldo de carne e similares), transformandose nos tabletes unitários; 3) fechar os recipientes (tabletes); 4) transportar os recipientes, agrupandoos para serem embalados; 5) embalados os tabletes de forma agrupada (2 ou 6 recipientes), temse o produto final a ser vendido para o mercado consumidor. Por outro lado, para se chegar com precisão à classificação fiscal há de se seguir as Regras Gerais de Interpretação RGI do Sistema Harmonizado SH. Por meio da Regra 3a, temse que a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, o que é determinado pela Nota Explicativa do Sistema Harmonizado NESH III, considerandose como mais específica a posição que identifique mais claramente o produto, que dê descrição mais precisa e completa sobre a mercadoria. Pois bem, a divergência entre a contribuinte e a Administração Pública Federal reside na classificação fiscal da máquina importada. A Recorrente a classificou na NCM 8422.40.90: "MÁQUINA AUTOMÁTICA PARA EMBALAR RECIPIENTES AGRUPADOS DE 2 A 24 UNIDADES, COM CARTÃO ENVOLVENTE, DOTADOS DE CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP), AUTODIAGNOSE E VELOCIDADE MÁXIMA DE PRODUÇÃO IGUAL OU SUPERIOR A 35 EMBALAGENS/ MINUTO” Diz a NCM 8422: Máquinas de lavar louça; máquinas e aparelhos para limpar ou secar garrafas ou outros recipientes; máquinas e aparelhos para encher, fechar, arrolhar ou rotular garrafas, caixas, latas, sacos ou outros recipientes; máquinas e aparelhos para capsular garrafas, vasos, tubos e recipientes semelhantes; outras máquinas e aparelhos para empacotar ou embalar mercadorias (incluídas as máquinas e aparelhos para embalar com película termoretrátil); máquinas e aparelhos para gaseificar bebidas (grifo deste relator). Mais a frente, prescreve a NCM 842240: Outras máquinas e aparelhos para empacotar ou embalar mercadorias (incluídas as máquinas e aparelhos para embalar com película termoretrátil). (grifo deste relator). E por fim, a NCM 84224090, determina: Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 315 8 Outros. Já a RFB, na NCM 8441.40.90: Adição 1 "MAQUINA AUTOMÁTICA PARA EMBALAR PASTAS DE PRODUTO ALIMENTÍCIO EM TABLETES AGRUPADOS DE 2 A 6 TABLETES, COM CARTÃO ENVOLVENTE, DOTADA DE CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP), AUTODIAGNOSE E VELOCIDADE MÁXIMA DE PRODUÇÃO DE 46 EMBALAGENS POR MINUTO” Diz a NCM 8441: Outras máquinas e aparelhos para o trabalho de pasta de papel, papel ou cartão, incluindo as cortadeiras de todos os tipos. Ao que se vê, a NCM 84224090 é mais específica, identifica mais claramente e descreve com mais precisão e completude a mercadoria sob exame do que a NCM 8441. Aquela se refere a outras máquinas e aparelhos para empacotar ou embalar mercadorias. Esta se refere a outras máquinas e aparelhos para o trabalho de pasta de papel, papel ou cartão, incluindo as cortadeiras de todos os tipos. A máquina importada faz todo o processo industrial desenvolvido pela Recorrente, sendo o recipiente que se enche de caldo de carne ou similares, apenas uma das etapas do processo, aliás, temse que o produto principal é o dito caldo de carne ou similares, ou seja, o produto que fica no interior dos aludidos tabletes. Ao que se viu das provas, esta máquina faz o recipiente (papel aluminizado), depois nele é colocado o caldo de carne (produto alimentício), em seguida fechado, sendo os tabletes agrupados, produzindose uma embalagem que envolve os tabletes agrupados, para que, então, se coloque à disposição do mercado consumidor. A regra da especificidade foi atendida pela Recorrente, razão pela qual, o lançamento não deve prosperar. Dispositivo Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. André Henrique Lemos Relator Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes, redatora designada. Em que pese a explanação trazida pelo ilustre relator, dele ouso divergir. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 316 9 Inicio apresentando algumas considerações sobre o ExTarifário e sua utilização para beneficiar importações de Bens de Capital e Bens de Informática e Telecomunicações. O regime de ExTarifário consiste na redução temporária da alíquota do imposto de importação de bens de capital (BK), de informática e telecomunicação (BIT), assim grafados na Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC), quando não houver a produção nacional equivalente. O Conselho de Ministros da CAMEX, após estudo promovido pelo Comitê de Análise de Extarifários CAEx, decide pela redução do Imposto de Importação com o objetivo de atrair investimentos ao País. A CAEx é um comitê instituído no âmbito do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), composto por um representante da Secretaria de Desenvolvimento e Competitividade Industrial (SDCI), um representante da Secretaria Executiva da CAMEX (SECAMEX) e um representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que examina os pareceres elaborados pela SDCI sobre o preenchimento dos requisitos da legislação para a concessão de ExTarifário. A importância desse regime consiste em três pontos fundamentais: Viabiliza aumento de investimentos em bens de capital (BK) e de informática e telecomunicação (BIT) que não possuam produção equivalente no Brasil; Possibilita aumento da inovação por parte de empresas de diferentes segmentos da economia, com a incorporação de novas tecnologias inexistentes no Brasil, com reflexos na produtividade e competitividade do setor produtivo. Produz um efeito multiplicador de emprego e renda sobre segmentos diferenciados da economia nacional. Como é uma redução do imposto de importação efetuada a partir de um estudo de mercado, ou seja é um benefício econômico com vistas a satisfação de uma política econômica do país, onde não é possível haver produção nacional equivalente, o ex tarifário é um benefício de aplicação restritíssimo, ou seja, ele deve ser aplicado única e exclusivamente às mercadorias que atenda, ipsis litteris, às especificações contidas na descrição aprovada pela Resolução Camex que o autorizou. Ressaltese que à época dos fatos a competência para redução da alíquota do Imposto de Importação estava a cargo da Comissão de Política Aduaneira, depois transferida à Secretaria Nacional de Economia, do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, conforme Lei nº 8.085, de 23 de outubro de 1990, Decreto nº 99.546, de 25 de setembro de 1990, e Decreto nº 2.376, de 12 de novembro de 1997. Entretanto, apesar de a competência à época ser exercida monocraticamente, e não colegiada como atualmente, os critérios para concessão eram os mesmos e partiase também de um estudo de mercado, vide o procedimento de estudo que era efetuado pelo MICT: Circular MICT nº 84, de 24.11.1994 Trata sobre redução de alíquota de bens de capital, de informática e de telecomunicações, sem produção na região do Mercosul. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 317 10 O SECRETÁRIO DE COMÉRCIO EXTERIOR, DO MINISTÉRIO DA INDUSTRIA, DO COMÉRCIO E DO TURISMO, no uso de suas atribuições, tendo em vista que a partir de 1º de janeiro de 1995 deverá vigorar a tarifa Externa Comum (TEC), do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), e considerando que na XVª reunião do Grupo Mercado Comum ficou acordado que o Brasil poderá manter, até 30 de abril de 1995, lista de bens de capital não produzidos na Região do MERCOSUL, com alíquotas reduzidas, os quais poderão vir a ser incluídos, até aquela data, na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), e que, em consequência, se faz necessário racionalizar o processo de renovação de reduções de alíquotas do imposto de importação ou de concessão de novas reduções, bem como ajustar os procedimentos relativos aos pleitos com esse fim aos compromissos assumidos pelo Brasil no MERCOSUL, torna público que: 1 Os pedidos de renovação de reduções de alíquotas do imposto de importação ou de concessão de novas reduções deverão ser encaminhados ao Departamento Técnico de Tarifas, desta Secretaria situado à Avenida Presidente Antônio Carlos, 375, 11º andar, Grupo 1.111, Rio de Janeiro (RJ) até 15 de dezembro de 1994, de acordo com o Anexo a esta Circular. 2 Poderão ter suas alíquotas reduzidas os bens de capital e suas partes e peças compreendidos nos códigos da Tarifa Externa Comum assinalados com as letras BK e, no caso de bens de informática e de telecomunicações, os compreendidos nas Posições 8470 a 8473; 8517, 8525, 8527, 8529, 8530, 8531, 8536, 8537, 8541a 8544, 9001, 9013, 9026 e 9028 a 9032. 3 As entidades de classe interessadas em obter cópia do projeto de Tarifa Externa Comum deverão fazer entrega ao Departamento Técnico de Tarifas de três disquetes 3,5 HD ou de quatro disquetes 2,5 HD, os quais serão devolvidos às interessadas com gravação do projeto. 4 Fica revogada a Circular nº 105, de 06 de julho de 1993, desta Secretaria. JORGE CHAMI BATISTA Somente com a edição do Decreto nº 2.376, de 12 de novembro de 1997, foi criada a Camex e repassadas as competências que antes era exclusivas do Ministério da Fazenda para o órgão colegiado criado. No caso concreto estamos diante da importação de um equipamento em que a recorrente pleiteia o benefício de redução da alíquota do Imposto de Importação para 4% (quatro) relativa ao ExTarifário constante da Portaria MF nº 465 de 26/12/2000, publicado no DOU em 27 dez 2000: O Ministro de Estado da Fazenda, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição e de Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 318 11 acordo com o disposto nos arts. 14, inciso IX, alíneas b e h e 31 da Lei nº 9.649, de 27 de maio de 1998; no art. 3º, alínea a, da Lei nº 3.244, de 14 de agosto de 1957, alterado pelo art. 1º do Decretolei nº 2.162, de 19 de setembro de 1984; no art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 8.085, de 23 de outubro de 1990; no art. 1º do Decreto nº 99.546, de 25 de setembro de 1990; no art. 6º do Decreto nº 2.376, de 12 de novembro de 1997, resolve: Art. 1ºFicam alteradas, para quatro por cento, as alíquotas ad valorem do imposto de importação incidentes sobre as seguintes mercadorias: 8422.40.90 "Ex" 066 Máquinas automáticas para embalar recipientes agrupados de 2 a 24 unidades, com cartão envolvente, dotadas de controlador lógico programável (CLP), autodiagnose e velocidade máxima de produção igual ou superior a 35 embalagens/minuto A recorrente importou equipamento, DI nº 01/09374554, de 21/09/2001, em que classificou na NCM 8422.40.90, informando na descrição da mercadoria a reprodução do texto constante no extarifário pleiteado: MÁQUINA AUTOMÁTICA PARA EMBALAR RECIPIENTES AGRUPADOS DE 2 A 24 UNIDADES, COM CARTÃO ENVOLVENTE, DOTADOS DE CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP), AUTODIAGNOSE E VELOCIDADE MÁXIMA DE PRODUÇÃO IGUAL OU SUPERIOR A 35 EMBALAGENS/ MINUTO. A fiscalização, durante o despacho aduaneiro, constatou que o equipamento tratavase de, conforme Termo de Constatação Fiscal 02/2002 (fls. 89): MAQUINA AUTOMÁTICA PARA EMBALAR PASTAS DE PRODUTO ALIMENTÍCIO EM TABLETES AGRUPADOS DE 2 A 6 TABLETES, COM CARTÃO ENVOLVENTE, DOTADA DE CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP), AUTODIAGNOSE E VELOCIDADE MÁXIMA DE PRODUÇÃO DE 46 EMBALAGENS POR MINUTO Por ocasião da conferência física da mercadoria, foi solicitada assistência técnica, resultando no laudo n° 10/2002 (fls. 105/125), onde consta: Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 319 12 Conforme explicado anteriormente, o equipamento para usufruir do ex tarifário deve atender, ipsis litteris, às especificações constantes na sua descrição: MÁQUINA AUTOMÁTICA PARA EMBALAR RECIPIENTES AGRUPADOS DE 2 A 24 UNIDADES, COM CARTÃO ENVOLVENTE, DOTADOS DE CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL (CLP), AUTODIAGNOSE E VELOCIDADE MÁXIMA DE PRODUÇÃO IGUAL OU SUPERIOR A 35 EMBALAGENS/ MINUTO. Pelo resultado da perícia técnica e na verificação física efetuada pela fiscalização temos que o equipamento importado, possui as seguintes diferenças constatadas: Extarifário Perícia fiscalização Embalar recipientes com cartão envolvente Embalar tabletes acondicionados em papel alumínio Embalar pastas de produto Vale ressaltar que conforme consta no laudo técnico o equipamento possui um funcionamento mais abrangente que o descrito no EX, fazendo a embalagem de pastas de produto alimentício (no caso tabletes de sopa) em tabletes da seguinte maneira: 1) formação do tablete mediante injeção da massa no embrulho parcial, em papel aluminizado; 2) fechamento dos embrulhos dos tabletes, após o fornecimento da quantidade correta de massa; 3) transporte para a estação de agrupamento, por meio de esteira transportadora; 4) formação de grupos de dois ou seis tabletes; 5) operação do envolvimento do grupo de tabletes, com cartão envolvente. Portanto, podese concluir que estamos diante de uma máquina que realiza operações mais complexas do que a máquina para a qual foi concedido o extarifário. Como já Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 320 13 explicado o extarifário deve ser aplicado de maneira restritíssima, pois o estudo de mercado e de produção nacional foi efetuado para uma máquina diferente da que foi importada. Não podemos estender a aplicação do extarifário para uma máquina mais completa com a argumentação de "quem pode mais pode o menos". Essa argumentação é falaciosa na medida que não sabemos se existe produção nacional para a máquina importada, já que esse não foi o objeto do estudo do ex concedido, e também não podemos estender o alcance do benefício fiscal concedido pelo governo federal. Irresignada a recorrente juntou outro laudo técnico (fls. 203/225) onde demonstrou o processo industrial de acondicionamento do produto, esclarecendo que este é recebido por um recipiente de alumínio, préconfeccionado pela própria máquina, antes do envasamento da massa alimentícia. Quando em primeiro julgamento pelo CARF o colegiado resolveu converter em diligência para complementação da perícia, com a finalidade de apurar se a máquina quando importada possuía a capacidade de embalar recipientes. O resultado da diligência, laudo técnico (fls. 285288), concluiu que o equipamento acondiciona recipientes moldados em papel aluminizado, com pasta alimentícia em embalagem de cartão. Entendo que a informação trazida pelo laudo técnico em nada mudou a opinião já externada acima. Não está em discussão se o equipamento embala ou não produtos. O que deve ser verificado é se o equipamento importado atende os requisitos estipulados pelo extarifário, dentro das limitações impostas pelo texto aprovado pela Portaria MF. Já foi esclarecido e confirmado por meio do laudo técnico que o equipamento importado não embala recipientes e sim tabletes, e que também realiza funções além das previstas no texto do extarifário. Superada a celeuma sobre a aplicação do extarifário, e concluído que o equipamento importado não atende aos requisitos necessários para o seu enquadramento informo que consultando o auto de infração constatei que apesar de em determinado momento a fiscalização informar que a NCM correta seria a 8441.40.90 essa não foi a NCM utilizada na autuação. Pode ser verificado nos autos que toda a autuação deuse na NCM 8422.40.90, que estava vigente à época da importação, 21/09/2001, Decreto nº 2.376, de 12 de novembro de 1997, classificação fiscal designada pelo contribuinte, e a partir dessa classificação foi efetuada a cobrança da diferença de tributos e multa. A fiscalização somente desqualificou a aplicação do extarifário. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Mara Cristina Sifuentes, redatora designada. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10831.010946/200225 Acórdão n.º 3401005.014 S3C4T1 Fl. 321 14 Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660395/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 95 /2 01 2- 31 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660395/201231 Acórdão n.º 3401004.796 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660395/201231 Acórdão n.º 3401004.796 S3C4T1 Fl. 4 3 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660395/201231 Acórdão n.º 3401004.796 S3C4T1 Fl. 5 4 compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660395/201231 Acórdão n.º 3401004.796 S3C4T1 Fl. 6 5 Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660395/201231 Acórdão n.º 3401004.796 S3C4T1 Fl. 7 6 Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660395/201231 Acórdão n.º 3401004.796 S3C4T1 Fl. 8 7 Fl. 81DF CARF MF
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