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Numero do processo: 12898.002298/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/12/2009
DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS DEMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS A SEU SERVIÇO.
A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, conforme previsto na lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a" e Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4º, caput.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo assim ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Tratando-se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, onde não há pagamentos a homologar, aplica-se o disposto no artigo 173, I do referido código para apuração do período decadencial. Assim sendo, não há prazo decadencial a ser considerado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.548
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/12/2009 DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS DEMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS A SEU SERVIÇO. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, conforme previsto na lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a" e Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4º, caput. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo assim ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Tratando-se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, onde não há pagamentos a homologar, aplica-se o disposto no artigo 173, I do referido código para apuração do período decadencial. Assim sendo, não há prazo decadencial a ser considerado. Recurso Voluntário Negado
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Obrigação Acessória Recorrente ZÍNGARA POWER RECURSOS HUMANOS E PROMOÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2009 DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS DEMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS A SEU SERVIÇO. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, conforme previsto na lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a" e Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4º, caput. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo assim ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Tratandose de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, onde não há pagamentos a homologar, aplicase o disposto no artigo 173, I do referido código para apuração do período decadencial. Assim sendo, não há prazo decadencial a ser considerado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 22 98 /2 00 9- 61 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002298/200961 Acórdão n.º 2803002.548 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002298/200961 Acórdão n.º 2803002.548 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter deixado de descontar das remunerações pagas aos segurados, a contribuição destes à seguridade social. O r. acórdão – fls 86 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · A fiscalização instaurada no estabelecimento da Recorrente buscava a verificação quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias no exercício 2004. Contudo, as mesmas competências analisadas por meio do mandado de procedimento fiscal que originou os lançamentos combatidos foram objeto de outra fiscalização, finalizada em 22.02.05, justamente com vistas a verificar a retidão do recolhimento das contribuições previdenciárias, fato, inclusive, que levou à lavratura do Lançamento de Débito Confessado n° 35.264.6551. · A fiscalização iniciada em 2005 não analisou exclusivamente os valores declarados na GFIP e não recolhidos. Essa fiscalização foi ampla e irrestrita, a qual realizou o levantamento de valores supostamente devidos pela Recorrente, culminando com a lavratura de Lançamento de Débito Confessado. Tanto assim não o é que a "descrição sumária" do MPF complementar n° 09222401, referente à NFLD n° 35.264.6551, descreve como objeto de fiscalização o "batimento folha de pagamentos x GFIP x RAIS x GPS". · O presente auto de infração padece de vício insuperável, uma vez que o ato que lhe deu origem (emissão do MPF) não observou os ditames legais do art. 906 do RIR. · Não estando a presente hipótese enquadrada em qualquer uma das previsões legais do art. 149 do CTN, concluise que a revisão ora buscada foi deflagrada com base apenas na alteração do entendimento do fiscal autuante, pretensão esta que encontra óbice na súmula 227 do Tribunal Federal de Recursos. · Decadência do direito ao lançamento dos débitos relativos ao exercício 2004. · Não há obrigação principal a ser recolhida, assim sendo não há obrigação acessória daí decorrente. Dado o perecimento da obrigação principal imposta à Recorrente, não há dúvida de que a respectiva obrigação acessória não pode subsistir, face à nítida relação de prejudicialidade entre ambas. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002298/200961 Acórdão n.º 2803002.548 S2TE03 Fl. 5 4 · Requer (i) preliminarmente, dada a impossibilidade de nova . fiscalização dos fatos ocorridos no exercício 2004, conforme dispõe o art. 906 do RIR/99, seja declarada a nulidade de todo o procedimento administrativo efetuado e, consequentemente, de qualquer ato de cobrança a ele subseqüente; (ii) caso seja superado o pedido acima, o que se aceita somente para fins de argumentação, seja declarada a decadência do direito de a autoridade fazendária lançar a penalidade ora pretendida, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para tanto, nos termos da Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, com a conseqüente extinção do respectivo crédito tributário. (iii) no mérito, dada a inexistência da obrigação principal que, em tese, sustentaria a obrigação acessória nascidouro da multa aqui imposta, seja a mesma integralmente exonerada, em homenagem ao princípio da gravitação, sendo julgado improcedente o presente auto de infração. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002298/200961 Acórdão n.º 2803002.548 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA Sobre a decadência apontada, não assiste razão à recorrente. O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 28/12/2009 em razão de lançamentos referentes ao ano de 2004. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração em razão do descumprimento de obrigação acessória, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002298/200961 Acórdão n.º 2803002.548 S2TE03 Fl. 7 6 _________________ Também os EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Consoante as regras retrocitadas, como os descontos se referem ao ano de 2004, não há prazo decadencial a ser considerado. DO MÉRITO Como bem apontado na r. decisão, a recorrente limitase a afirmar que não há obrigação principal a ser adimplida, via de conseqüência não há que se falar em obrigação acessória. Sem razão a mesma. Como bem explicitou o Min. Luiz Fux, no Direito Tributário inexistiria a vinculação de o acessório seguir o principal, porquanto haveria obrigações acessórias autônomas e obrigação principal tributária. RE 250844/SP, rel. Min. Marco Aurélio, 29.5.2012. (RE250844). O relatório fiscal aponta objetivamente os valores não descontados, caracterizando a infração incorrida. A mera alegação de que não existe obrigação principal não é bastante a desconstituir o que consta do auto lavrado. Caberia ao contribuinte apresentar elementos objetivos que demonstrassem a incorreção no lançamento. Na linha do art. 17 do decreto 70.235/72, a falta de expressa contestação torna os fatos imputados incontroversos, devendo a autuação ser mantida nos seus termos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002298/200961 Acórdão n.º 2803002.548 S2TE03 Fl. 8 7 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720154/2007-12
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. CIÊNCIA POR AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, nos prazos devidos, o seu direito de defesa.
Hipótese em que a alegação de ausência de intimação se mostra incompatível com o que consta dos autos.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra - SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra.
No caso, a opinião emitida por profissional sobre o valor da terra, além de não atender aos requisitos legais (ABNT) atribui ao imóvel valor maior que o apurado pelo lançamento.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin - Presidente. em exercício
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. CIÊNCIA POR AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, nos prazos devidos, o seu direito de defesa. Hipótese em que a alegação de ausência de intimação se mostra incompatível com o que consta dos autos. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra - SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. No caso, a opinião emitida por profissional sobre o valor da terra, além de não atender aos requisitos legais (ABNT) atribui ao imóvel valor maior que o apurado pelo lançamento. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin - Presidente. em exercício Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. CIÊNCIA POR AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, nos prazos devidos, o seu direito de defesa. Hipótese em que a alegação de ausência de intimação se mostra incompatível com o que consta dos autos. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. No caso, a opinião emitida por profissional sobre o valor da terra, além de não atender aos requisitos legais (ABNT) atribui ao imóvel valor maior que o apurado pelo lançamento. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 01 54 /2 00 7- 12 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720154/200712 Acórdão n.º 2801003.053 S2TE01 Fl. 72 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin Presidente. em exercício Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrada, em 24/09/2007, a Notificação de Lançamento nº 02103/00121/2007 de fls. 01/05, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 23.136,00, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, do exercício de 2005, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 17.352,00 e mais juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Terra Roxa – Lote 83”, cadastrado na RFB, sob o nº 6.062.4248, com área declarada de 4.356,0 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu/PA. A ação fiscal foi iniciada com o Termo de Intimação Fiscal constante das fls. 09 e 10, considerando que a declaração apresentada para o referido imóvel rural incidiu em parâmetros de Malha Fiscal, conforme fl. 12, apontando “quando o imóvel, cujo VTN declarado pelo contribuinte, confrontado com o menor valor das aptidões agrícolas informado no Sistema de Preços de Terra – SIPT para o município em questão, esteja abaixo do limite mínimo definido”. O contribuinte foi intimado a apresentar, para os exercícios de 2004 e 2005: “Laudo de Avaliação do imóvel, conforme o estabelecido na NBR 14.653 ... da ABNT, ... contendo todos os elementos de pesquisa identificados”. O Aviso de Recebimento desse Termo de Intimação encontrase na fl. 11, recebido no endereço informado na DITR, qual seja: Avenida Perimetral, nº 463, casa, Setor Sul, Vila Rica/MT, CEP 78.645000, onde se pode ler o nome de Dileuza Martins Borges da Silva e a data 24/07/2007. Na fl. 18, existe a informação do Fiscal de que expirado o prazo da intimação (nº 02103/00036/2007) e não tendo sido apresentada a documentação solicitada, procedeuse à emissão da Notificação de Lançamento. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720154/200712 Acórdão n.º 2801003.053 S2TE01 Fl. 73 3 O contribuinte apresentou impugnação à Notificação de Lançamento, referindose corretamente ao seu número de cadastro, em 26/10/2007, como atesta o carimbo do servidor do Centro de Atendimento da DRF/MARABÁ. O Aviso de Recebimento dessa Notificação encontrase anexado à fl. 07, com data de recebimento em 09 de outubro de 2007 e assinatura de Magda Oliveira de Jesus. Na impugnação, diz que foi Notificado pela Receita Federal, tendo sido alegado pelo Auditor Fiscal que, após ser regularmente intimado, não comprovara por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, o valor da terra nua declarado. Informa que o contribuinte Laurentino Batista da Silva faleceu em junho de 2003 conforme Certidão de Óbito que anexa. Diz que não almejou lesar o Fisco e, quando intimado, juntou documentação que comprovara os valores que deram origem à autuação (Laudo de Opinião de Valor de Imóvel anexado às fls. 32 e ss.). Afirma que a multa imposta tem natureza de confisco e equivale a expropriação de riqueza. Colaciona doutrina e discorre sobre a capacidade contributiva. Por fim, requer que a impugnação seja aceita, por tempestiva, “anulando o crédito tributário, e que seja aceita o Laudo de Opinião de Valor de Imóvel Rural”. Subscreve em 25 de outubro de 2007. Na folha 30, consta Procuração dada pelo espólio de Laurentino Batista da Silva ao Dr. Fernando Marchesini e outro para “defender seus interesses em Notificação de Lançamento junto à Receita Federal...”, assinada por Dileuza Martins Borges da Silva, em 27 de julho de 2007. Observase, na folha 48, a ‘tela’ do Sistema de Preços de Terras – SIPT, da Receita Federal do Brasil, com as informações de Aptidões Agrícolas para o Município de São Félix do Xingu/PA, no exercício de 2005. A1ª Turma da DRJ/BSB conheceu da Impugnação para, mediante o Acórdão 0343.062, de 18 de maio de 2011, considerála improcedente, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator. No voto condutor, o Relator esclarece que o VTN declarado foi rejeitado pela autoridade fiscal, que arbitrou novo valor, correspondente ao menor valor por aptidão agrícola (terras de florestas), apontado no Sistema de Preços de Terra – SIPT, para o exercício de 2005 e município de localização do imóvel. Analisa o Laudo apresentado, esclarecendo que: “Cabe lembrar que, para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2005, art. 1º caput e art. 8º, § 2º, da Lei 9.393/96), o Contribuinte foi intimado a apresentar “Laudo Técnico de Avaliação”, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART,contendo todos os elementos de pesquisa identificados (às fls. 07). Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720154/200712 Acórdão n.º 2801003.053 S2TE01 Fl. 74 4 Em síntese, para atingir tal grau de fundamentação e precisão, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.6533 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, preferencialmente com características semelhantes às do imóvel avaliado, com o posterior tratamento estatístico dos dados coletados, conforme previsto no item 8.1 dessa mesma Norma, adotandose, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, conforme demonstrado, respectivamente, nos anexos A e B dessa Norma, de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel avaliado, a preços de 01/01/2005, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80%. Nesta fase, o Requerente se restringe a apresentar um laudo de opinião de valor de imóvel rural, doc. de fls. 26/33, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Enio Ferreira de Moraes, com ART devidamente anotada no CREA/MT, doc./cópia de fls. 37/38. No presente caso, não há como acatar a revisão do VTN pretendido pelo contribuinte, pois entendo que o teor desse documento trazido aos autos não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue, em nada, as normas da ABNT, para um Laudo com fundamentação e grau de precisão II, não demonstrando, de forma clara e convincente, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2005 (1º.01.2005), ....” A seguir, o Julgador a quo manifestouse sobre a questão da multa aplicada, de 75% sobre o valor da infração apontada, concluindo que está amparada por lei e que a instância administrativa não é competente para se manifestar sobre questões em que se presume a inconstitucionalidade da legislação de regência. Em sede de recurso voluntário apresentado em 25/11/2011, após ser cientificado do Acórdão de 1ª instância em 28/10/2011, o patrono do recorrente, em síntese: · Diz que apresentou impugnação ao auto de infração, demonstrando através de laudo técnico de avaliação, de forma inequívoca, que o valor da terra nua era o lançado na declaração de ITR; · Pediu também a nulidade do auto de infração, uma vez que não foi obedecido o ordenamento jurídico quando da realização da citação, sendo que, na decisão de 1ª instância, o julgador não se pronunciou sobre a questão; · Em preliminar, diz que “o recorrente não foi citado, desconhece a pessoa Magda de Oliveira de Jesus e que não recebeu nenhum auto de infração ou notificação de lançamento suplementar.” · Conclui que como “não houve intimação válida”, tendo esta sido realizada em total desacordo com a legislação, é “fácil perceber a nulidade absoluta do referido auto de infração.” Cita artigos do Regulamento do Imposto de Renda; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720154/200712 Acórdão n.º 2801003.053 S2TE01 Fl. 75 5 · No mérito, trata sobre a questão do VTN e das provas apresentadas para tal. Cita dispositivos da Lei nº 8.847/94; · Considera sobre o “valor da terra nua mínimo”, citando Portarias Ministeriais e Instruções Normativas, e discorre sobre a possibilidade legal da não aceitação do valor mínimo, para determinado imóvel, em particular; · Trata sobre Laudo Técnico de avaliação de imóvel e sobre a norma da ABNT. Conclui que os “documentos que foram apresentados para justificar as avaliações mencionadas, bem como o laudo técnico, traz a convicção do valor da terra nua na data supramencionada” e que, no caso, “o laudo técnico satisfaz todas as exigências legais, motivo pelo qual deve ser aceito como prova cabal para determinação do valor da terra nua considerado para tributação” Por fim, pugna pela insubsistência e improcedência da ação fiscal e que seja acolhido o presente recurso para “cancelar o débito fiscal reclamado.” É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. Apesar de uma leitura do processo fazer as razões do recurso, tanto a preliminar quanto a de mérito, parecerem incríveis, por dever legal e respeito à causa, debruçarnosemos detidamente sobre elas. PRELIMINAR. DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO OU CERCEAMENTO DE DEFESA. O contribuinte Laurentino Batista da Silva, como consta da cópia de Certidão de óbito anexada aos autos, faleceu em 03 de junho de 2006, deixando bens a inventariar e a viúva Dileuza Martins Borges da Silva. Na fl. 42, consta Termo de Compromisso perante o juízo da Primeira Vara da Comarca de Vila Rica/MT, onde o compromissando Dileuza Martins Borges da Silva assume o encargo de inventariante do espólio de Laurentino Batista da Silva, em 14 de agosto de 2006. O Termo de Intimação Fiscal, regularmente lavrado por Auditor Fiscal da RFB, com nome e matrícula identificados, onde claramente se depreende o que está sendo exigido, foi entregue, conforme Aviso de Recebimento anexado na fl. 11, em 24 de julho de 2007, sendo recebido por Dileuza Martins Borges da Silva. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720154/200712 Acórdão n.º 2801003.053 S2TE01 Fl. 76 6 Sem perder tempo, apenas três dias depois, em 27 de julho de 2007, Dileuza Martins Borges da Silva constitui procuradores o Dr. Fernado Marchesini e outro para defender seus interesses em notificação de lançamento junto á Receita Federal. Contudo, foi transcorrido o prazo concedido pelo Auditor (20 dias) para a apresentação dos documentos, sem que houvesse manifestação do interessado, como consignou a autoridade fiscal na fl. 18, o que a levou a autuar o contribuinte. A Notificação de Lançamento foi entregue em 09 de outubro de 2007, no mesmo endereço do Termo de Intimação, conforme Aviso de Recebimento firmado por Magda Oliveira de Jesus. Tempestivamente, aliás, dispensando vários dias do prazo que lhe é facultado por lei, o contribuinte, através de seu patrono constituído, apresentou impugnação à Notificação de Lançamento nº 02103/00121/2007 (número correto!) iniciando sua defesa com a expressão “o contribuinte foi notificado pela Receita Federal....” (grifei), anexando documentos do interessado, inclusive Laudo Técnico de opinião sobre o valor da terra e, até onde pudemos identificar, concentrandose em dois aspectos: a) diz que não agiu intencionalmente e que quando “intimado pela Receita Federal” juntou documentação que comprova os valores que deram origem à autuação; b) manifestase contrariamente à aplicação da multa de ofício de 75%, considerandoa de efeitos “confiscatórios”. Assim, absurdo, a partir do exposto, que em sede de recurso voluntário venha pugnar pela nulidade do feito, sob a alegação de que “não foi citado, desconhece a pessoa Magda Oliveira de Jesus e que não recebeu nenhum auto de infração ou notificação de lançamento suplementar.” Se observar o relatório de seu recurso, o recorrente poderá darse conta de que escreve: “inconformado, o contribuinte propôs impugnação ao auto de infração, demonstrando que o valor da terra nua era o lançado na declaração do ITR....” Ou seja, quer fazer crer que apresentou impugnação à notificação de lançamento da qual jamais foi cientificado e apenas dezessete dias depois da data consignada no Aviso de Recebimento. O Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu artigo 23, é claro: Art 23. Farseá a intimação: I – pessoal, ..... II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.523, de 1997) III – por meio eletrônico, .... Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720154/200712 Acórdão n.º 2801003.053 S2TE01 Fl. 77 7 § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo...., a intimação poderá ser feita por edital publicado: ..... Ainda, ao contrário do que aduz o recorrente, citando dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda – 1999, de que a intimação só é autorizada por via postal se negada ou impossível a intimação pessoal, o Decreto faculta opções pelo método postal ou pessoal, condicionando apenas ao esgotamento das primeiras vias, a intimação por edital publicado. Quanto a suposta omissão da autoridade julgadora a quo, também totalmente descabida, pois não conseguimos identificar nas razões da impugnação, em 1ª instância, nem ao longe, que tivesse sido argüida a nulidade de qualquer feito no procedimento administrativo de lançamento. Não há porque se falar em cerceamento de defesa, quando o contribuinte apresenta tempestivamente sua impugnação e recurso voluntário, demonstrando conhecer precisamente a descrição dos fatos, o enquadramento legal e as razões da autuação, inclusive anexando documentos que espera aproveitar em seu favor. Inaceitável, portanto, a preliminar de nulidade por vício ou ausência de intimação ou por cerceamento do direito de defesa. MÉRITO. DO ARBITRAMENTO DO VTN. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte na DITR/2005, foi alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB) pela autoridade fiscal, uma vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, através de Laudo de Avaliação do imóvel, nos ditames da NBR 14.653 da ABNT, o valor declarado, passandose a considerar o valor de R$ 100,00 por hectare, por ela constatado, para o imóvel. É o que se depreende da Notificação de Lançamento. A tela informadora do sistema SIPT encontrase anexada na fl. 48. Ali observase que constam informações sobre o “VTN médio por aptidão agrícola” para o Município de São Félix do Xingu/PA, no exercício de 2005, e que o valor utilizado no lançamento, de R$ 100,00 por hectare, é o “VTN médio/ha” para a aptidão agrícola “florestas”, aliás, o valor mais baixo entre os listados e mais benéfico ao declarante. Já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF a possibilidade de utilização do VTN por aptidão agrícola constante do SIPT, calculado a partir das informações sobre preços de terras referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, para imóveis localizados em determinado Município, como base para arbitramento de valor da terra nua pela autoridade fiscal, uma vez que além de encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que reflete a realidade e a peculiaridade do imóvel. Senão vejamos: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720154/200712 Acórdão n.º 2801003.053 S2TE01 Fl. 78 8 Acórdão nº 2801002.942 – 2ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720154/200712 Acórdão n.º 2801003.053 S2TE01 Fl. 79 9 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Ademais, digase que a legislação de regência para ser observada ao ITR do exercício de 2005 é a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996, que “Dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida Agrária e dá outras providências.”, produzindo efeitos a partir de janeiro de 1997, e que expressamente revogou os arts. 1º ao 22 e 25 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, citada pelo contribuinte em seu recurso. Quanto ao Laudo de Opinião sobre o Valor de Imóvel apresentado, entendemos que não atende às normas da ABNT, para fins de comprovar valor da terra nua, para base de cálculo do ITR, pelas razões já expostas pelo julgador a quo e que foram transcritas neste Relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720154/200712 Acórdão n.º 2801003.053 S2TE01 Fl. 80 10 Mas a despeito das características técnicas, importante frisar que a consideração dos valores que constam do Laudo, do que surpreendentemente não se deu conta o recorrente, agravaria a exigência feita pela autoridade fiscal lançadora, senão vejamos. Conforme cópia da DITR/2005 (DIAT item 15.) acostada à fl. 16, o valor total do imóvel declarado foi de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). O valor das culturas, pastagens e florestas plantadas foi de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) e, considerando que foram declaradas benfeitorias no valor de R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), chegouse ao valor da “terra nua”, por simples subtração, de R$ 50.000,00. Pois bem, na Estimativa de Valor de Imóvel Rural, para a Fazenda Terra Roxa, lote 83, assinada pelo Engenheiro Agrônomo Ênio Ferreira de Moraes, só para as “pastagens brachiaria bem formadas” se atribui o valor de R$ 2.541.000,00 (dois milhões, quinhentos e quarenta e um mil), que somados ao valor “das matas – reserva legal” de R$ 2.395.800,00, atinge a cifra de R$ 4.936.800,00. Considerando as benfeitorias, o “Laudo” diz que o valor total do imóvel é de R$ 5.044.300,00. Assim, como podese dizer que o laudo confirma os valores declarados? Aparentemente, sequer deuse ao trabalho de conhecer quais foram os valores declarados. E, a partir do “Laudo”, qual seria o “valor da terra nua”? O documento não faz referência. Esta situação insólita, em que o “Laudo” demonstra que a propriedade rural vale muito mais do que foi declarado na DITR e mesmo muito mais do que foi considerado pela Autoridade Fiscal no lançamento, já havia sido descrita pelo julgador de 1ª instância, em seu voto: “O documento apresentado (Estimativa de Valor de Imóveis Rural, para a Faz. Terra Roxa – Lote 83), de apenas uma página, fls. 27, é uma mera opinião do profissional responsável pela sua elaboração, não servindo para os fins propostos e ainda, indica o valor de R$ 4.936.800,00 ou R$ 1.100,00/ha, para as terras, o que seria 11 vezes o valor arbitrado pela autoridade autuante que foi de R$ 435.600,00 (R$ 100,00/ha)”.(grifos originais). Inaceitável, portanto, alteração do VTN lançado pelo Fiscal para considerar o Laudo de Opinião apresentado. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Em sede de recurso voluntário, o contribuinte não voltou a questionar, como fizera em 1ª instância, de forma até extensa, a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. Assim, a teor do artigo 17 do Decreto 70.235/1972, considerarseá matéria não impugnada, uma vez que não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720154/200712 Acórdão n.º 2801003.053 S2TE01 Fl. 81 11 CONCLUSÃO Inadmissíveis as preliminares de nulidade por ausência de intimação ou cerceamento de defesa. Inadmissível também, pela forma e pelo conteúdo, o valor constante de Laudo de Avaliação apresentado e anexado aos autos, por absoluta ausência de critérios previstos na NBR 14.653 da ABNT. Inalteráveis o percentual de multa de ofício aplicada, de 75% sobre o valor da infração apontada e o percentual de juros de mora calculado na forma legal. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendose a exigência tributária. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000086/2008-99
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos recebidos do INSS no valor de R$ 14.169,05, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos recebidos do INSS no valor de R$ 14.169,05, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 00 86 /2 00 8- 99 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10930.000086/200899 Acórdão n.º 2801003.028 S2TE01 Fl. 48 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 3.229,60, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2006, omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, no valor de R$ 14.169,05. Informa a Autoridade lançadora, na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 8 deste processo digital), que na apuração do imposto devido foi compensado o imposto de renda retido sobre os rendimentos omitidos informados em DIRF pelo INSS. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3, que foi julgada improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2005 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda de rendimentos de aposentadoria, em razão de moléstia grave, está condicionada ao reconhecimento da doença por meio de laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/03/2011 (fl. 36), o Interessado interpôs, em 31/03/2011, o recurso de fl. 37/39, acompanhado dos documentos de fls. 40/44. Na peça recursal, aduz, em síntese, que: Por desconhecer a legislação, apresentou Relatório Médico com a convicção de que a questão seria resolvida. Na entrega da impugnação foi informado que deveria ser apresentado um Laudo Pericial emitido por serviço oficial da União, mas mesmo assim apresentou a defesa, no intuito de não perder o prazo. Após esse fato, procurou tomar conhecimento da legislação e constatou que realmente necessitaria providenciar o "Laudo Pericial" emitido por serviço oficial da União. Procurou o INSS para providenciar o "Laudo Pericial", onde foi atendido pela Dra. Leila Cristina Pinheiro Franco CRM 19.829, que declarou que é portador de doença grave (cardiopatia grave) desde 04/1999, conforme Laudo Pericial que anexa ao presente recurso. Ao final, pugna o Recorrente pelo cancelamento da Notificação de Lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10930.000086/200899 Acórdão n.º 2801003.028 S2TE01 Fl. 49 3 Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A intributabilidade dos proventos de aposentadoria do portador de moléstia grave encontra previsão no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, impõe, ainda, como condição para a isenção do imposto de renda de que trata o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, a emissão de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos seguintes termos: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para gozo do benefício fiscal, portanto, fazse necessário que o beneficiário preencha os requisitos legais exigidos, quais sejam: (a) o reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1998, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. Na espécie, é incontroverso que os rendimentos recebidos pelo Recorrente decorrem de aposentadoria por tempo de contribuição (fl. 42). À fl. 40 foi juntado “Laudo Pericial” no qual a médica perita do INSS atesta que o Interessado é portador de cardiopatia grave desde abril de 1999, encontrandose, pois, albergado pela norma isentiva acima transcrita. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para que seja cancelada a omissão de rendimentos recebidos do INSS no valor de R$ 14.169,05. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 49DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10930.000086/200899 Acórdão n.º 2801003.028 S2TE01 Fl. 50 4 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 19740.720100/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005, 01/12/2006 a 31/12/2006
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151 do CTN não obsta o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-002.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Winderley Morais Pereira, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005, 01/12/2006 a 31/12/2006 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151 do CTN não obsta o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Winderley Morais Pereira, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005, 01/12/2006 a 31/12/2006 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151 do CTN não obsta o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 00 /2 00 9- 67 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Winderley Morais Pereira, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 580 a 587, lavrado pela Deinf/Rio de Janeiro em decorrência de falta e recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 123.944,70, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 01/2005 a 12/2005 e 12/2006 e aos juros de mora calculados até 29/05/2009. 2. Relata a auditora, no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 581, que em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, foi apurado o fato de o contribuinte ter efetuado corretamente os depósitos judiciais da Cofins no período ora fiscalizado. Desta forma, o presente lançamento possui o objetivo de prevenir a decadência. Acrescenta que o valor foi apurado conforme Termo de Verificação anexo ao Auto. 3. No citado Termo (fls. 568 a 579) a AFRFB informa que: 3.1 A ação fiscal teve origem na análise no processo de acompanhamento judicial n° 10768.017327/0067 efetuada pela Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário/Deinf/RJ e encaminhada ao Serviço de Programação da Atividade Fiscal/Deinf/RJ, aonde foi verificado que o sujeito passivo em epígrafe impetrou o Mandado de Segurança 2000.51.01.0038459 objetivando ser reconhecida a não incidência da Cofins sobre a receita derivada do deságio na aquisição do direito creditório, alegando que a referida operação, por não se caracterizar como prestação de serviços, não configuraria o fato gerador da contribuição; 3.2 Foi aberto procedimento de fiscalização, através do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 0716600.2008002400, referente ao período compreendido entre 07/2004 a 12/2006, para verificar a correta constituição dos créditos tributários relacionados ao objeto da ação, consistente em absterse da obrigação do recolhimento da Cofins incidente sobre o deságio na compra de direitos creditórios; Fl. 662DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19740.720100/200967 Acórdão n.º 3402002.155 S3C4T2 Fl. 662 3 3.3 Através da impetração do Mandado de Segurança n° 2000.51.0038459, na 23ª VF/RJ, o contribuinte em epígrafe buscou provimento judicial para ser desobrigado ao recolhimento da Cofins incidente sobre o deságio na compra de direitos creditórios. A liminar foi indeferida em 28/03/2000, autorizado, entretanto, a efetuar os depósitos judiciais (fl. 245). Em 15/01/2002 foi prolatada sentença de 1ª Instância que denegou a segurança e determinou a conversão dos depósitos judiciais em renda da União (fl. 247); 3.4 A Apelação da impetrante foi recebida pelo juízo singular no duplo efeito, com o qual continuou autorizada a realização dos depósitos judiciais (fl. 248). Em 18/12/2007, Acórdão da Terceira Turma Especializada do TRF negou, por unanimidade, provimento ao recurso de Apelação (fl. 264). Em face deste Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Especial e Recurso Extraordinário, que foram admitidos em 15/07/2008 (fls. 268 e 473); 3.5 O procedimento de Auditoria foi iniciado em 14/01/2009, dada ciência ao contribuinte do Termo de Início de Ação Fiscal e do MPF (fls.03/04). Neste termo, foi solicitado ao contribuinte que apresentasse os atos constitutivos da empresa e suas alterações nos últimos cinco anos (item 1), cópia do livro Razão Contábil dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, referente às contas “Cofins nãocumulativa” e “Cofins com exigibilidade suspensa” (item 2), balancetes mensais referentes aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 (item 3) e cópia dos Termos de Abertura e de Encerramento dos Livros Diário referentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 (item 4); 3.6 Em resposta (fl.07), o contribuinte apresentou os documentos de fls. 8 a 238 e 504 a 538; 3.7 Foram confrontadas as planilhas demonstrativas da base de cálculo apresentadas pelo contribuinte à DICAT/DEINF no processo 10768.017327/0067, e posteriormente fornecidas a esta fiscalização (fls.475/501), com os valores declarados em DCTF (fls.292 a 331) e ainda com os valores depositados/recolhidos e os escriturados. Desta análise observouse o seguinte: 3.7.1 Em relação ao anocalendário de 2004: 3.7.1.1 Apenas no mês de Novembro foram encontradas diferenças a menor, tanto no valor depositado quanto no valor recolhido, respectivamente de R$ 303,80 e R$ 28,58; 3.7.1.2 Nos demais períodos, os valores declarados de Cofins com suspensão em DCTF (fls.292/302), foram corretamente depositados judicialmente (fl.275) e os valores de Cofins sobre a Receita de Serviços efetivamente recolhidos (fl. 280), não Fl. 663DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 havendo, portanto, qualquer providência a ser tomada nestes meses por esta fiscalização; 3.7.2 Em relação ao anocalendário de 2005: 3.7.2.1 Excetuandose o mês de junho cujo depósito judicial foi feito a menor em R$ 179,09, verificouse que o contribuinte apesar de ter efetuado os depósitos judiciais (fls.275/276) em conformidade com os valores apresentados em sua contabilidade (fls.09/16), não declarou estes valores em DCTF (fls.306/312), motivo pelo qual serão lançados de ofício, com o objetivo de prevenir a decadência, sem multa de ofício ou juros de mora; 3.7.2.2 Em relação à Cofins incidente sobre a Receita de Serviços, o sujeito passivo deixou de efetuar o recolhimento dos valores devidos nos meses de maio e junho, respectivamente de R$ 318,76 e R$ 747,14; 3.7.3 No que tange à Contribuição referente ao anocalendário de 2006: 3.7.3.1 De janeiro a setembro os valores declarados como suspensos (fls.319/329) foram depositados (fls.276/277). Ocorre que os valores encontrados na contabilidade para as Receitas s/ o Deságio (fls. 17/25) foram maiores que as informadas nas Planilhas da Base de Cálculo (fls.490/498), perfazendo diferenças a serem lançadas. Intimado a esclarecer quais as receitas mensais corretas (fls. 468), o contribuinte não prestou a referida informação. Sendo assim, foram lançados nos meses de fevereiro, abril, junho e agosto, respectivamente, R$ 231,41, R$ 779,23, R$ 143,72, R$ 157,99; 3.7.3.2 Em relação aos meses de Outubro e Novembro, o contribuinte declarou em DCTF com suspensão, tanto a Cofins suspensa, incidente sobre a Receita de Deságio, quanto à Cofins incidente sobre a Receita de Serviços (fls. 329/330), efetuando o depósito judicial de todo o valor (fls.277), motivo pelo qual serão lançados de ofício os valores não recolhidos de Cofins incidente sobre a Receita de Serviços nos meses citados, respectivamente, R$ 891,81, R$ 777,13; 3.7.3.3 Quanto ao mês de dezembro, o contribuinte não efetuou qualquer vínculo na DCTF ao valor declarado como devido de R$ 10.371,46 (Planilha 5). Assim quanto ao valor de R$ 7.973,80, informado na Planilha da Base de Cálculo e confirmado na contabilidade como suspenso, será feito lançamento de ofício para prevenir a decadência. Quanto ao valor devido no mês de dezembro, de R 923,92, será lançado de ofício para imediata cobrança; 3.7.3.4 Em relação aos valores de Cofins sobre a Receita de Serviços, excetuandose o mês de fevereiro, que teve uma diferença apurada de R$ 179,15, os valores de Cofins devidos, foram devidamente recolhidos (fls.281/282); e 3.8 Este procedimento Fiscal gerou dois Autos de Infração: 19740.720099/200971 e 19740.720100/200967, este último com exigibilidade suspensa, tendo em vista que os valores Fl. 664DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19740.720100/200967 Acórdão n.º 3402002.155 S3C4T2 Fl. 663 5 depositados judicialmente em 2005 foram lançados unicamente para prevenir a decadência, tendo em vista não terem sido declarados em DCTF. 4. Os dispositivos legais infringidos constam na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 582 do referido auto de infração. 5. Cientificada em 22/06/2009 (fl. 583), a contribuinte, inconformada, apresentou, em 22/07/2009, a impugnação de fls. 590/591, na qual alega que: 5.1 O instituto da compensação tributária, previsto no art. 156, inciso II, e art. 170 e 170A do Código Tributário Nacional (CTN), é um mecanismo legal utilizado em decorrência da apuração de crédito pelo sujeito passivo da obrigação tributária, incluindose os judiciais de repetição de indébitos; 5.2 Até mesmo na seara do Direito Civil, há a presença da previsão legal nos artigos 368 e 369; 5.3 Entende a impugnante que se há um crédito tributário, objeto de depósitos judiciais, ainda que vedada sua compensação antes do trânsito em julgado, não há o que se falar em lançamento para prevenção de decadência, vez que tanto as bases de cálculo quanto as contribuições devidas e pagas através de depósitos em juízo são de patente conhecimento do erário público; 5.4 Que o procedimento de lançamento do débito em Auto de Infração, não encontra respaldo na legislação tributária vigente; e 5.5 À luz de todo exposto, e demonstrada por meio de fundamentos e provas documentais a insubsistência do Auto de Infração n° 19740.720100/200967, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, tornando sem efeito o referido Auto de Infração. 6. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 7. Foram por mim anexados, às fls. 594 a 610, extratos de pesquisas efetuadas nos sítios da Justiça Federal/RJ (fls. 594 a 596), TRF 2ª Região (fl. 597), STJ (fls. 598 a 607) e STF (fls. 608 a 610)." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação, exonerando o valor de R$ 8.865,61, mantendo o restante do lançamento. A motivação para a exoneração foi justificada no voto condutor daquela decisão, da qual transcrevo o trecho abaixo que detalha o entendimento da turma julgadora a quo. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 "28. Do exame dos Balancetes Analíticos de fls. 118 e 110, verificase que a “Receita de Deságio” auferida no mês 05/2005 importa em R$ 80.970,01, correspondente à soma dos valores escriturados nas contas “Receita c/ Deságio” – (2429) e “Outras Rec.de Oper.” – (6657), que são, respectivamente, R$ 72.785,58 (346.130,32273.344,74, fls. 118 e 110) e R$ 8.184,43 (66.289,7058.105,27, fls. 118 e 110). O valor da Cofins devida sobre a “Receita de Deságio” importa em R$ 6.153,72 (80.970,01x7,6%). 29. No caso em análise, foi constituído crédito tributário tomando como base de cálculo o valor da “Receita de Deságio” informado na planilha de fl. 475 (R$ 92.704,69), quando deveria ter sido considerado o valor constante do Balancete Analítico de fl. 118 (R$ 80.970,01), ou seja, o crédito tributário referente ao mês 05/2005, foi constituído em montante maior (R$ 7.045,55) que o efetivamente devido (R$ 6.153,72), devendo ser cancelada a diferença constituída a maior (R$ 891,83). 30. Em relação ao lançamento efetuado referente ao mês 12/2006 (R$ 7.973,78), informa a auditora que a sua motivação se deve ao fato de a contribuinte não ter efetuado qualquer vínculo na DCTF ao valor total declarado como devido de R$ 10.371,46. 31. Como pode ser verificado, o valor da Cofins devida no mês 12/2006 informado na planilha de fl. 521 foi declarado nas DCTF do 2º semestre de 2006 (original e retificadora), transmitidas em 09/04/2007 e 04/07/2008 (fls. 312 e 326); 32. O valor lançado (R$ 7.973,78) integra o valor do débito declarado nas DCTF do 2º semestre de 2006 (R$ 10.371,46); 33. Nessas DCTF, a contribuinte, equivocadamente, deixou de vincular o valor da Cofins incidente sobre a “Receita de Deságio” (R$ 7.973,80) à condição de suspensão de exigibilidade. Com isso, o valor total do débito foi disponibilizado para cobrança como saldo a pagar. 34. Cabe esclarecer que os valores dos débitos informados em DCTF revestemse da natureza de confissão de dívida tributária, assumindo, portanto, a condição de título executivo extrajudicial, de acordo com o art. 585, inciso II do Código de Processo Civil, gozando de liquidez e certeza. 35. Assim dispôs o comando legal autorizativo encontrado no parágrafo 1°, do art. 5°, do DecretoLei nº 2.124/84, quando informa que “o documento que formalizar ocumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. 36. O fato de a contribuinte não ter informado nas DCTF que a exigibilidade de parte do valor do débito declarado (R$ 7.973,78) encontravase suspensa por depósito judicial, não modifica a natureza de confissão de dívida tributária da qual é revestida o débito declarado. Tendo sido o referido débito declarado em DCTF, não poderia ter sido objeto de lançamento de ofício. Insubsistente, portanto, o lançamento efetuado do valor devido da Cofins incidente sobre a “Receita de Deságio”, no mês 12/2006, no valor de R$ 7.973,80, devendo esse ser cancelado." Fl. 666DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19740.720100/200967 Acórdão n.º 3402002.155 S3C4T2 Fl. 664 7 A decisão da DRJ foi assim ementada. "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005, 01/12/2006 a 31/12/2006 DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. DEVER DE OFÍCIO. O depósito integral do crédito tributário discutido em juízo não tem o condão de impedir seu lançamento, cuja competência é privativa da autoridade administrativa que por dever de ofício deverá efetuálo como medida preventiva da decadência. LANÇAMENTO A MAIOR. DIFERENÇA. CANCELAR. Tendo sido constatado que o crédito tributário fora constituído em montante maior que o efetivamente devido, devese cancelar a diferença constituída a maior. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DCTF. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória,comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Os valores nele declarados, antes de iniciado o procedimento fiscal, não são objeto de lançamento de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário alegando que por tratarse de lançamento para prevenir a decadência não cabe a exigência de multa e juros. As diferenças relativas ao pagamento da COFINS sobre receitas de serviços devem ser excluídas da presente demanda, que trata somente sobre a exigência da contribuição sobre receita derivada do deságio na aquisição do direito creditório, objeto da ação judicial. No mérito, questiona a exigência da COFINS sobre o deságio. Finalizando, requer o cancelamento do auto de infração ao arrimo que a exigência de valores depositados somente pode prosperar após o término da ação fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Em sede preliminar, a Recorrente pede o cancelamento da cobrança de multas e juros. Neste ponto não assiste razão ao recurso. O lançamento controlado no presente processo trata de lançamento para prevenir a decadência. A exigência aconteceu sem a cobrança de multa e juros de mora, portanto, incabível o pleito da recorrente por ausência de litígio. Quanto ao questionamento do mérito da exigência da COFINS. Não cabe a discussão da matéria em sede administrativa, a Recorrente discute no Mandado de Segurança n.° 2000.51.0038459 a incidência da COFINS sobre receita derivada do deságio na aquisição do direito creditório. O código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. Portanto, no caso em tela, tratandose da mesma matéria. A propositura de ação judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Quanto à alegação que o lançamento somente poderia ocorrer quando da decisão final da demanda judicial. Também nesta matéria não assiste razão a Recorrente. O art. 151 do Código Tributário Nacional determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com liminar ou depósito judicial, entretanto, não obsta o lançamento pelo Fisco. A suspensão prevista no art. 151 impede a fazenda pública de adotar medidas coercitivas para exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, não impedindo o lançamento para constituição do crédito tributário ainda não constituído. Ademais, o prazo decadencial não se suspende ou interrompe e não existindo a constituição do crédito tributário objeto de discussão judicial, fica a autoridade fiscal obrigada a adotar todas as condutas necessárias à constituição do crédito, que deverá ser registrado com a exigibilidade suspensa até que se resolva a discussão na esfera judicial. Neste diapasão, agiu dentro das normas legais a autoridade autuante ao realizar o lançamento com a exigibilidade suspensa. A alegação que existe cobrança sobre outras rubricas não corresponde à realidade dos fatos. A exigência recaiu sobre as receitas derivadas do deságio na aquisição do direito creditório. A exigência da COFINS foi formalizada em dois processos distintos, o processos de nº 19740.720099/200971 trata do lançamento de valores não acobertados por Fl. 668DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19740.720100/200967 Acórdão n.º 3402002.155 S3C4T2 Fl. 665 9 depósitos judiciais e o presente processo, que trata unicamente do lançamento para prevenir a decadência dos valores depositados judicialmente ao amparo do Mandado de Segurança n.° 2000.51.0038459, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 568 a 579). Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 669DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 13864.000494/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007
APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS
A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados.
Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias.
ABONO ÚNICO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS
A rubrica intitulada Abono Especial de Férias paga em desacordo com a legislação previdenciária integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS
Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter na autuação somente os valores pagos a ocupantes de cargo de liderança, nas rubricas PPR, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento em período inferior a um semestre civil ou duas vezes ao não, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; d) em negar provimento ao recurso, na questão do abono especial de férias, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento com base me aferição de lucros, nos termos do voto da Relatora; b) em excluir da autuação os valores referentes a abono único, nos termos do voto da Relatora; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg¿ e a ¿Relação de Vínculos ¿ VÍNCULOS¿, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Damião Cordeiro de Moraes. Declaração: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado e Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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FATOS GERADORES Recorrente TOWER AUTOMOMOTIVA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados. Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias. ABONO ÚNICO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 94 /2 01 0- 94 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 A rubrica intitulada “Abono Especial de Férias” paga em desacordo com a legislação previdenciária integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. LISTA DE CORESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de coresponsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter na autuação somente os valores pagos a ocupantes de cargo de liderança, nas rubricas PPR, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento em período inferior a um semestre civil ou duas vezes ao não, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; d) em negar provimento ao recurso, na questão do abono especial de férias, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento com base me aferição de lucros, nos termos do voto da Relatora; b) em excluir da autuação os valores referentes a abono único, nos termos do voto da Relatora; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg¿ e a ¿Relação de Vínculos ¿ VÍNCULOS¿, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Damião Cordeiro de Moraes. Declaração: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Fl. 697DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000494/201094 Acórdão n.º 2301003.384 S2C3T1 Fl. 697 3 Damião Cordeiro de Moraes Redator designado e Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 09/12/2010, por ter a entidade acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV e § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório do AI (fls. 07), a empresa apresentou GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme demonstrado em planilha anexa ao relatório, relativo aos meses de 02/2006, .02/2007, 08/2007 e 12/2007. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0536.110, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 950 do processo 13864.000492/201003 ), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.112 do processo 13864.000492/201003), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insurgese contra a multa aplicada, ressaltando que a Lei 11.941/2009 revogou a legislação utilizada no presente AI, e requerendo que seja decretada a nulidade do AI ou, no mínimo, que seja determinado o recálculo da penalidade aplicada com base nos novos critérios instituídos pelo referido diploma legal, em observância ao disposto no art. 106, II, do CTN. No mérito, discorre sobre a natureza da PR ou PLR, trazendo a posição dos tribunais superiores sobre a matéria, na tentativa de demonstrar que somente o pagamento denominado PLR, em comprovada fraude da lei, é que deve ser descaracterizado, o que não ocorreu no presente caso, já que a fiscalização não apontou a fraude no pagamento da PLR feita pela recorrente aos seus empregados. Qualifica de absurda a afirmação da fiscalização no sentido de que a PR só poderia ser paga caso a empresa demonstrasse lucro e/ou superávit no final do exercício, pois isto significaria restringir o conceito de resultado, algo que não foi feito pelo constituinte e pelo legislador ordinário. Esclarece que, tanto para os trabalhadores da unidade de Arujá, quanto para os de Betim, os documentos anexos demonstram claramente que se trata de um Programa de Participação nos Resultados, estando o pagamento da participação atrelado a metas globais e individuais, claramente especificadas no referido documento, deixando claro que, em nenhum momento, há menção de necessidade de alcance de lucro ou de resultado financeiro. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Quanto à alegação de inexistência de regras claras e objetivas para cargos de confiança, alega que a fiscalização se intrometeu com opiniões subjetivas no conteúdo das metas eleitas pelas partes, e reafirma a intenção que a recorrente possuía de criar um programa para diferenciar o pagamento da participação para os chamados “cargo de confiança” e que, como tal programa não foi criado, toda essa categoria de empregados recebeu seus valores relativos ao PPR de acordo com as metas globais e individuais aplicáveis aos demais empregados. Entende que, nada obstante não ter sido criada a nova forma de apuração estabelecida na “cláusula 6.1” dos programas de 2006 e 2007, não pode a fiscalização simplesmente retirar a natureza jurídica do pagamento da PR aos ocupantes de cargos de confiança, sob pena de descaracterizar o PPR da empresa, o que seria absurdo. Relativamente à alegação de existência de pagamentos em período inferior a um semestre civil, explica que os pagamentos relativos aos programas de participação de Betim, para os anos de 2006 e 2007, possuem previsão de pagamentos em 02/2007 e 02/2008 respectivamente, ou seja, os valores relativos ao PR possuem data de pagamento sempre para o mês de fevereiro do ano seguinte, mas o programa também prevê um adiantamento a ser pago sempre em julho do ano vigente, razão pela qual, em relação ao plano de 2006, houve um adiantamento em 07/2006 e o pagamento da efetiva PR em 02/2007, o que ocorreu também para a PPR de 2007. Conclui que não há que se falar em pagamento de PR em período inferior a um semestre civil, haja vista que a recorrente efetua pagamento de uma parcela em julho e a outra somente em fevereiro do outro ano, ou seja, 07 meses após o pagamento do adiantamento, restando claro que os valores relativos à 02/2006 referemse à PR de 2005, e os valores de 07/2006 e 02/2007, referemse à PR de 2006, assim por diante. Assevera que em nenhum dos anos objeto do AI houve violação da regra de pagamento da PLR e, mesmo que assim não se entenda, o fato de a recorrente haver pago em 02/2006 e 07/2006 não teria o condão de transformar a PR em parcela salarial, pois mesmo que os pagamentos da PR não obedecessem a periodicidade prevista no art. 3o, § 2o, da Lei 10.101/00, tal fato não transmudaria a natureza jurídica da verba participativa em verba de caráter salarial, uma vez que, consoante o disposto no art. 7o, inc. XI, da CF, a PR está desvinculada da remuneração, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Ressalta que, se o executivo, por decreto, pode alterar essa condição contida no art. 3o, § 4o, da Lei 10.101/00, quanto mais um acordo coletivo, que tem força de lei, e muito mais ainda quando se fala de situações excepcionais e justificadas, e traz julgado do CRPS nesse sentido Em relação aos Abonos, salienta que a PGFN expediu Ato Declaratório nº 16/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recursos, e a desistência dos já interpostos, quando o objeto for a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de abono único previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, como no caso dos presentes autos. Quanto ao Abono de Férias, salienta que foi pago em razão das Convenções Coletivas e não substitui o abono de férias constitucional, tratandose de um abono pago pela recorrente ao empregado que, durante o período aquisitivo das férias, não possuir mais de 7 faltas justificadas ou não. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000494/201094 Acórdão n.º 2301003.384 S2C3T1 Fl. 698 5 Transcreve o art. 144 da CLT, com a redação vigente antes da Lei 9.528/97, para demonstrar que a natureza jurídica de tal verba sempre foi desvinculada do salário, para todos os efeitos legais, especialmente trabalhistas e previdenciários. Traz o entendimento de que, por não ser uma verba paga decorrente do trabalho realizado, mas sim do empenho e dedicação do empregado em cumprir seu horário, os valores pagos a título de “Premio Assiduidade”, equiparado ao presente “Abono de Férias”, não deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Espera, caso as razões expostas não sejam acatadas, que os abonos pagos em valores iguais ou correspondentes a 10 dias de salário de cada trabalhador sejam excluídos das bases de cálculo, remanescendo apenas os valores excedentes a esse parâmetro, nos termos do art. 144, da CLT, e art. 28, § 9o, alínea d, da Lei 8.212/91. Sobre o Abono Especial, observa que a Magna Carta restringiu a incidência de contribuições aos rendimentos do trabalho, de modo que não integram a base de cálculo das aludidas contribuições quaisquer pagamentos cuja natureza não seja de contraprestação de serviço/trabalho realizado por pessoa física, sendo que tal verba não corresponde a qualquer hora trabalhada, sendo apenas um estímulo para o cumprimento do ofício a ser realizado pelo empregado, de modo que não deveria integrar os respectivos salários de contribuição.. No que se refere às divergências citadas no relatório fiscal entre valores declarado em GFIP e efetivamente recolhidos em GPS, afirma que os resumos das folhas de pagamento, as GFIPs e a GPS anexadas ao processo demonstram que tais divergências não existem e, por esse motivo, devem ser excluídas da autuação. Quanto aos contribuintes individuais não informados em GFIP, a recorrente confessa que, por um lapso, realmente não declarou os referidos trabalhadores em GFIP, mas que, conforme comprova a GPS anexa à impugnação, o valor das contribuições foi efetivamente recolhido, razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da autuação. Relativamente ao 13o salário não declarado em GFIP, esclarece que tal fato se deveu a uma retificação na citada GFIP que, quando foi efetivamente transmitida, a GFIP anterior foi substituída, fazendo constar apenas informação complementar que deu origem à retificação, mas observa que, não obstante o levantamento apontado, a GPS anexada deixa claro que as contribuições foram recolhidas, razão pela qual entende que esse levantamento deverá ser excluído da autuação. Requer, por fim, que sejam excluídos, da autuação, o presidente e os diretores listados no relatório de vínculos, a fim de se evitar futuros prejuízos, uma vez que o art. 13, da Lei8.620/93 foi expressamente revogado com a publicação da Lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade do AI por não ter sido utilizada, no cálculo a multa, a legislação superveniente que, segundo entende, lhe é mais benéfica. Ocorre que, ao se comparar o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, verificouse condição de penalidade menos severa ao Contribuinte quando aplicada a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador. A Autoridade Autuante, ao tempo da lavratura do presente AI, já procedeu à análise da possibilidade de retroação benéfica, conforme explicitado nos autos do processo nº 13864.000492/201003, ao qual este se encontra apensado. É oportuno esclarecer que, pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, quando o não recolhimento das contribuições não declaradas era concomitante com a falta cometida pelo contribuinte pela não declaração em GFIP, existiam dois procedimentos que eram adotados pela fiscalização: a) a aplicação de uma multa pela não declaração, consubstanciada em auto de infração por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.528/1997 e; b) a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com a redação da Lei nº 9.876/1999, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal. Conforme estabelecido pela na Lei nº 11.941/09, esta mesma infração ficou sujeita à multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Ou seja, a situação descrita, que antes levava à lavratura de, no mínimo, dois autos de infração (um por descumprimento de obrigação acessória e outro levantando a contribuição não recolhida com a devida multa correspondente) passou a ser abordada por meio de um único dispositivo, que remete à aplicação da multa de ofício. Nestas condições, a multa prevista no art. 44, I, da referida Lei nº 9.430/96, é única, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem mensurar o que foi aplicado para punir apenas a obrigação acessória. Pela nova sistemática legal, as duas infrações, a saber, relativamente à obrigação principal e à obrigação acessória, são verificadas simultaneamente e, portanto, haverá a aplicação de apenas uma multa (de ofício). Cumpre ressaltar que, no intuito de regular a aplicação das inovações trazidas pela citada Lei nº 11.941/09, mormente quanto ao entendimento e comparação para fins da Fl. 701DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000494/201094 Acórdão n.º 2301003.384 S2C3T1 Fl. 699 7 mencionada retroação benéfica desta, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/09, que em seu artigo 3º dispõe: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212,de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, as multas mensais referente a obrigações tributárias acessórias deverão ser somadas às multas referentes às contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, referente a obrigações tributárias principais – quota patronal e GIILRAT, para o confronto com a multa que seria aplicada em observância ao acima transcrito. Ao se proceder dessa forma, a fiscalização constatou que, para as competências 02/2006, .02/2007, 08/2007 e 12/2007, objeto do presente AI, a legislação anterior era mais benéfica ao contribuinte, motivo pelo qual foi lavrado AI nº 37.311.7183 (processo 13864.000491/201051), por descumprimento da obrigação principal, com a aplicação da multa de 24%, e o AI objeto do presente processo administrativo, por descumprimento da obrigação acessória. Vale observar que nos autos do processo 13864.000491/201051 a recorrente não insurgiuse contra a aplicação da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, ou seja, anterior à vigência da Lei nº 11.941/09. Assim, entendo que, no que se refere à aplicada, o procedimento fiscal não merece reparos, motivo pelo qual rejeito as preliminares suscitadas. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que as verbas pagas a título de PPR, “Abono Especial de Férias” e “Abono Salarial” não possuem natureza salarial e, portanto, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Todavia, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar as verbas pagas da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Portanto, no caso presente, impõe verificar se no pagamento das parcelas pagas pela empresa autuada foram observados os critérios e regras estabelecidos pela Lei 8.212/91 e Lei 10.101/00. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PPR Fl. 702DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 A fiscalização entendeu que os valores pagos pela empresa a título de PPR se enquadram no conceito legal de remuneração, pois não houve observância do disposto na lei 10.101/00. Constatou, inicialmente, que a empresa efetuou pagamento a esse título sendo que houve prejuízo no exercício. Já a recorrente alega que a empresa pode distribuir resultados mesmo não havendo lucro. De fato, analisando a legislação que trata da matéria, não se verifica a exigência de “lucro” no exercício ou “resultado contábil positivo” para que se possa realizar o pagamento a título de participação nos resultados. O art. 2o, § 1o, da Lei 10.101/00 determina que podem ser considerados, para fins de pagamento do PPR, os critérios de produtividade, qualidade, programas de metas, resultados pactuados previamente, entre outros. Ou seja, a meta pactuada pode não ser o alcance de lucro, e sim, por exemplo, o aumento de produtividade de cada trabalhador ou de um determinado setor da empresa. E como, no caso presente, os acordos coletivos trazidos aos autos demonstram que a PPR da empresa estava condicionada ao atingimento de resultados, e não de lucro, e como não há, nos autos, informações de que não tenham sido implementadas as condições pactuadas no acordo coletivo, entendo que a existência de prejuízo não configura descumprimento da Lei 10.101/00, conforme afirmou a autoridade lançadora. Contudo, entendo que o crédito deva ser mantido, em razão das demais irregularidades apontadas pela fiscalização. Constatase, dos documentos juntados aos autos, que as metas ali definidas não são aplicáveis aos trabalhadores ocupantes de cargos de liderança, que, de acordo com o item 6.1 dos acordos anexados, tais empregados teriam sua participação nos resultados, prevista em programa de avaliação especifica. Ocorre que tal programa não foi implementada, o que foi confirmado pela própria recorrente em sua peça recursal. Portanto, tal categoria de trabalhadores recebeu PPR sem que houvesse um acordo com a participação do sindicato, contendo “regras claras e objetivas quanto afixação dos direitos substantivos da participação”, ou mecanismos de aferição para o cumprimento do acordado, uma vez que eles foram expressamente excluídos dos acordos firmados entre empresa e sindicato representante dos trabalhadores para os exercícios de 2006 e 2007. Assim, quanto aos ocupantes de cargos de liderança, houve o descumprimento do art. 2o, § 1o, da Lei 10.101/00, devendo o crédito lançado a esse título ser mantido em sua integralidade. Da mesma forma, a fiscalização constatou o descumprimento do § 2°, do art. 3°, da Lei n° 10.101/2000, já que houve pagamentos de PPR nos meses de fevereiro e julho dos anos de 2006 e 2007, ou seja, em periodicidade inferior a um semestre civil. A recorrente não nega tal fato, mas apenas esclarece que a empresa efetua pagamento de uma parcela em julho e a outra somente em fevereiro do outro ano, ou seja, 07 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000494/201094 Acórdão n.º 2301003.384 S2C3T1 Fl. 700 9 meses após o pagamento do adiantamento, restando claro que os valores relativos à 02/2006 referemse à PR de 2005, e os valores de 07/2006 e 02/2007, referemse à PR de 2006, assim por diante. Todavia, a Lei no 10.101/2000 é clara ao vedar o pagamento ou antecipação da PPR em “periodicidade inferior a um semestre civil", não fazendo qualquer ressalva quanto ao período de apuração. Dessa forma, entendo que houve descumprimento do art. 3o, da Lei 10.101/00, devendo os valores pagos a esse título integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. A recorrente alega, ainda, que, mesmo que se entenda que houve violação ao disposto na Lei 10.101/00, tal fato não teria o condão de transformar a PR em parcela salarial, já que não transmudaria a natureza jurídica da verba participativa em verba de caráter salarial, uma vez que, consoante o disposto no art. 7o, inc. XI, da CF, a PR está desvinculada da remuneração, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Entretanto, para que não incida a contribuição social, a empresa deve, sim, observar o disposto na Lei 10.101/00. Esse também é o entendimento da ministra Eliana Calmon, do STJ, que se manifestou no sentido de que, para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a questão. Para a ministra, ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. Cumpre observar que a não vinculação da participação nos lucros à remuneração não é auto aplicável, já que a Constituição Federal remeteu à lei a função de estabelecer critérios e regras para desvincular a participação nos lucros da remuneração, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador, ao editar a Lei 10.101/00. Assim, reiterase, não é a simples previsão em acordo coletivo ou o pagamento de parcelas intituladas pelo empregador de PPR é que vai retirar a natureza salarial da verba em comento. O que irá afastar a verba paga a título de Participação nos Lucros e Resultados da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Quanto ao argumento de que um acordo coletivo tem força de lei, e muito mais ainda quando se fala de situações excepcionais e justificadas, cumpre assinalar que, conforme consignado no artigo 611 da CLT, a convenção coletiva de trabalho é um instrumento normativo em nível de categoria, aplicável, no âmbito das respectivas Fl. 704DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 representações, às relações individuais de trabalho; ou seja, essa normatização da relação de trabalho, pactuada entre o sindicato da categoria profissional e o sindicato da categoria econômica, como é própria da relação contratual, só pode ser aplicada às partes. Nesse sentido, ORLANDO GOMES e GOTTSCHALK, sobre o limite subjetivo das negociações coletivas e sentenças normativas, assinalam, in verbis: (...) Tal regência não é uma norma jurídica, no sentido estrito da expressão, mas,simplesmente, disposição negocial, destinada a regular relações concretas das partes que se submeterem, ou venham a submeterse, às condições estipuladas.(...)(Curso de Direito do Trabalho, Rio de Janeiro, Editora Forense, 2001, pp.635/636) Destaquese ainda que o artigo 100 do Código Tributário Nacional – CTN estabelece quais são as normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa,a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Desse modo, a convenção coletiva de trabalho, por ser relação contratual estabelecida entre partes (sindicato da categoria profissional e o sindicato da categoria econômica), não está arrolada, nem poderia, pelo CTN, no conceito de legislação tributária, não podendo as cláusulas nela celebradas serem estendidas a terceiros. Existe, neste sentido, inclusive, disposição expressa no Código Tributário Nacional: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Dessa forma, concluo que os efeitos indenizatórios pactuados em acordos coletivos somente repercutem na esfera da relação de emprego, não atingindo terceiros estranhos à relação laboral, entre os quais, a Previdência Social. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000494/201094 Acórdão n.º 2301003.384 S2C3T1 Fl. 701 11 Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editoria Juruá, p 55 e 56) : “ Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização .” (grifei). Assim, a observância ao ordenamento jurídico infraconstitucional não agride a garantia constitucional do reconhecimento das convenções e acordos coletivos, prevista no inciso XXVI, art. 7º, da Constituição Federal, vez que se encontra insculpida, em toda a Constituição, o respeito ao princípio da legalidade. Em conseqüência, os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91 e Lei 10.101/00. E, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, ao constatar o pagamento da PPR em desacordo com o disposto na Lei 10.101/00, lavrou o competente AI, em estrita observância aos ditames legais, lançando as contribuições incidentes sobre esses valores pagos. Nesse sentido, concluo que o levantamento relativo ao PPR deve ser mantido no débito lançado. ABONO SALARIAL Tratase de levantamento referente ao pagamento de abono único, para os empregados da filial 0001/89, previsto em acordo coletivo de trabalho. Conforme observado pela recorrente, a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 16/2011, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do cálculo da multa aplicada, por provimento, os valores relativos ao pagamento da verba intitulada Abono Salarial, por não integrar o salário de contribuição, uma vez que foi objeto de acordo coletivo e pago sem habitualidade. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 A fiscalização constatou o pagamento de verba intitulada “abono especial de férias”, para os empregados da filial /000693 (Betim), quando em gozo de férias, a titulo de prêmio por assiduidade, baseado em Acordo Coletivo de Trabalho. A recorrente não nega tal pagamento ou que ele se equipara a “Premio Assiduidade”, pago ao empregado que, durante o período aquisitivo das férias, não possuir mais de 7 faltas justificadas ou não. Ela apenas alega que a natureza jurídica de tal verba sempre foi desvinculada do salário, e que a Magna Carta restringiu a incidência de contribuições aos rendimentos do trabalho, de modo que não integram a base de cálculo das aludidas contribuições quaisquer pagamentos cuja natureza não seja de contraprestação de serviço/trabalho realizado por pessoa física, sendo que tal verba não corresponde a qualquer hora trabalhada, sendo apenas um estímulo para o cumprimento do ofício a ser realizado pelo empregado, de modo que não deveria integrar os respectivos salários de contribuição.. Contudo, a Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na \forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao estabelecer, no inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91, que salário de contribuição é“...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). Restou claro, nos autos, tais verbas possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falar se, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações Fl. 707DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000494/201094 Acórdão n.º 2301003.384 S2C3T1 Fl. 702 13 ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador.(grifei) Assim as gratificações, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou, o que foi confirmado pela recorrente em sua peça recursal, que tais valores são pagos para premiar alguns de seus empregados, pela sua assiduidade. Conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que o Abono Especial de Férias não está incluído nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a esse título em favor dos empregados da filial de Betim, nas competências 02/2006, 02/2007, 08/2007 e 12/2007, não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do empregado ao receber as quantias correspondentes a tais “prêmios assiduidade”. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e os julgadores de primeira instância. Dessa forma, os valores recebidos pelos empregados da recorrente a título de Abono Especial de Férias integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. A recorrente sustenta a não incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento essas verbas denominadas “Abono Especial de Férias”, argumentando que os valores foram pagos conforme previsto no art. 144 da CLT, e espera, caso as razões expostas não sejam acatadas, que os abonos pagos em valores iguais ou correspondentes a 10 dias de salário de cada trabalhador sejam excluídos das bases de cálculo, remanescendo apenas os valores excedentes a esse parâmetro, nos termos do art. 144, da CLT, e art. 28, § 9o, alínea d, da Lei 8.212/91. Contudo, conforme constatase, a verba paga pela empresa autuada não é aquele abono de que trata o art. 144, da CLT, pois a própria recorrente admite que, em alguns casos, houve o pagamento de um valor superior ao equivalente a 10 dias de salário do trabalhador. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Portanto, a rubrica “Abono Especial de Férias” não se encontra nas hipóteses de isenção do art. 28, § 9o, da Lei 8.212/91, e deve integrar o salário de contribuição do empregado. DIVERGÊNCIAS FOLHA X GFIP A fiscalização verificou, ainda, algumas divergências entre as remunerações constantes das folhas de pagamentos e as declaradas em GFIP. A recorrente afirma que, quanto às divergências citadas no relatório fiscal entre valores declarado em GFIP e efetivamente recolhidos em GPS, afirma que os resumos das folhas de pagamento, as GFIPs e a GPS anexadas ao processo demonstram que tais divergências não existem e, por esse motivo, devem ser excluídas da autuação. Contudo, conforme restou claro no REFISC e no Acórdão recorrido, a divergência apurada não foi entre GFIP x GPS, mas sim entre remuneração constante da folha e remuneração declarada em GFIP. Conforme bem esclarecido pelo relator do acórdão recorrido, os resumos das folhas trazidos aos autos na impugnação não comprovam a inexistência das divergências, que estão discriminadas, por competência e por empregados, no anexo III, às fls. 133. Assim, conforme esclarecido no acórdão combatido, a recorrente poderia ter trazido, nem que fosse por amostragem, a folha analítica para comprovar que não houve omissão em GFIP. Contudo não o fez, se limitando a afirmar que não há divergências entre GFIP e GPS, e juntando o resumo das folhas, as GFIPs e as GPS que, segundo se observa do RDA, já foram aproveitadas para a apuração da contribuição devida. Portanto, não há como acatar a pretensão da recorrente, uma vez que o AI em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de informar, em GFIP, todos os fatos geradores da contribuição previdenciária. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A autoridade fiscal informa que apresentadas folhas de pagamento relativo a contribuintes individuais não declarados em GFIP. A recorrente reconhece o fato, confessando tratarse de um lapso, mas esclarece que a contribuição incidente sobre a remuneração de tais segurados foi recolhida, conforme comprova a GPS anexada à impugnação. Ocorre que, conforme esclarecido com muita propriedade no acórdão de primeira instancia, as GPS juntadas aos autos já foram devidamente apropriadas no lançamento, e constam do relatório RDA. Assim, conforme confessado pela própria recorrente, houve infração à legislação previdenciária e, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000494/201094 Acórdão n.º 2301003.384 S2C3T1 Fl. 703 15 Nesse sentido, não há como acatar o pedido da recorrente para a exclusão desses valores do cálculo da multa aplicada, uma vez que, conforme consta dos autos, não houve a correção da falta. 13o SALÁRIO NÃO DECLARADO EM GFIP. A recorrente não nega que tenha cometido a infração apontada. Apenas entende que, por ter recolhido as contribuições devidas, tais valores deveriam ser excluídos da autuação. Entretanto, conforme já amplamente exposto acima, não é objeto do presente AI a falta de recolhimento de contribuições previdenciárias, e sim a penalidade aplicada pela infração cometida, que é a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que configura infração ao inciso IV e § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Portanto, não há como excluir os valores do cálculo da penalidade aplicada, como pretende a recorrente. CORESPONSÁVEIS A autuada requer, por fim, que sejam excluídos, da autuação, o presidente e os diretores listados no relatório de vínculos, a fim de se evitar futuros prejuízos, uma vez que o art. 13, da Lei8.620/93 foi expressamente revogado com a publicação da Lei 11.941/2009. Todavia, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido no AI em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório do AI, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, este colegiado vem decidindo reiteradamente deixar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da Súmula nº 88, do Conselho Pleno do CSRF, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, acato o requerimento formulado pela recorrente, para aplicar a súmula 88 do CSRF. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do cálculo da multa aplicada os valores relativos ao ABONO SALARIAL, por improcedência, e para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional É como voto. Bernadete De Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Redator e Declaração de Voto ADMISSIBILIDADE 1. O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual CONHEÇO do recurso voluntário. 2. Peço vênia à nobre Conselheira Relatora para divergir de seu posicionamento, trazendo minhas ponderações para elevar o debate. DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA SOBRE “PPR” 3. No tocante à não incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente aos ocupantes de cargo de liderança, sob a rubrica de Participação nos Resultados (PPR), pareceme que razão assiste ao contribuinte. 4. Entendo que a aplicação da previsão constitucional de participação nos resultados da empresa pelos seus empregados é perfeitamente extensiva àqueles que ocupam cargos de liderança dentro da incorporação, visto que a legislação de regência da matéria não colocou qualquer amarra (art. 7º, XI da CF; Lei 10.101/2000). Fl. 711DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000494/201094 Acórdão n.º 2301003.384 S2C3T1 Fl. 704 17 5. Salientase, outrossim, que não se sustenta a posição do fisco de que não haveria lei específica desonerando a PPR para os diretores, pois a previsão da participação destes na empresa já vem sufragada na legislação societária antes mesmo da entrada em vigor da Carta Cidadã. A Lei das S.A. (Lei n. 6.404/76) sempre desvinculou do conceito de remuneração dos administradores as eventuais participações nos resultados por eles recebidas, demonstrando a existência de caráter não retributivo. Eis o dispositivo citado: Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202 (...) Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. 6. Forçoso é concluir que o fisco promoveu o lançamento da contribuição no equivocado entendimento de que a PPR deve ser paga exclusivamente aos trabalhadores empregados. Em nenhum momento considerou que os resultados auferidos pela empresa para distribuição foram decorrentes do esforço mútuo de todos, seja empregado ou diretor estatutário, não devendo existir qualquer distinção pelo vínculo dos trabalhadores. 7. Ademais, o benefício é notadamente conhecido como um plano de incentivo coletivo, em que o desempenho de cada trabalhador, seja celetista ou estatutário, afeta o rendimento de todos, criase um incentivo à cooperação de modo a maximizar o desempenho do grupo como um todo, não soando lógico, ao menos ao meu ver, que somente os trabalhadores com vínculo empregatícios sejam por ela agraciados. 8. No tocante à periodicidade do pagamento, observo que os instrumentos coletivos colacionados demonstram que os pagamentos relativos ao PPR foram previstos para fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, respeitando sempre o período inferior ao semestre civil. Ademais, por acordo com os sindicatos o contribuinte efetuou a antecipação de parte desse Fl. 712DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 pagamento, mas, mesmo assim, limitouse a fazer a totalidade do pagamento em 02 (duas) parcelas, e dentro do período legalmente exigido. 9. Diante desses elementos, entendo que, neste tópico, o recurso voluntário do Contribuinte deve ser provido, com a exoneração do crédito tributário aqui imputado. DO ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS 10. No tocante aos valores pagos a título de abono especial de férias, também não compartilho o entendimento da Relatora, pois entendo que não integram o salário, ante sua natureza indenizatória. 11. Antes de discorrer sobre o caso concreto, lembro os doutos conselheiros que o gênero abono de férias abarca as possibilidades que o empregado tem um valor pago pela empresa sem, contudo, integrar a remuneração. São as seguintes espécies: abono pecuniário e o chamado abono especial de férias ou abono celetista de férias. 12. A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), no art. 143, previu a conversão de até um terço do seu período de férias em abono pecuniário. No art. 144, permitiu a concessão do abono de férias, caso haja essa previsão expressa em documento que reflita o intuito das partes: Art. 143 É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.535, de 13.4.1977 § 1º O abono de férias deverá ser requerido até 15 (quinze) dias antes do término do período aquisitivo. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535, de 13.4.1977 Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1998) 13. Não se confunde, portanto, o abono pecuniário, quando o empregado converte até 10 (dez) dias de suas férias em pecúnia, com o abono especial de férias, quando o empregador paga, em razão das férias, parcela suplementar, em valor não excedente a 20 (vinte) dias do salário, concedido em razão de previsão expressa que pode constar no contrato de trabalho, no regulamento da empresa, em negociação coletiva de trabalho. 14. Inclusive, essa distinção foi destacada pelo doutrinador Arnaldo Süsseking (em Instituições do Direito do Trabalho, vol. 2, pp. 827 e 828), cujo trecho ora colaciono: O abono de férias instituído pelo art. 143 não tem natureza salarial, não integrando, assim, a remuneração do empregado para efeitos da legislação do trabalho e da previdência social. E o mesmo ocorre com a gratificação de férias resultante seja de ajuste contratual inclusive de norma ou regulamento Fl. 713DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000494/201094 Acórdão n.º 2301003.384 S2C3T1 Fl. 705 19 da empresa em convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de 20 dias de salários. Neste sentido é expresso o art. 144. 15. Ressalto que esses abonos não possuem natureza salarial, não sendo exigível o recolhimento previdenciário sobre tais valores, tanto que a Lei 8.212, em seu artigo 28, parágrafo 9 º, alínea e, item 6, determinou que as importâncias pagas sob título de abono de férias na forma descrita nos artigos 143 e 144 da CLT não compõem o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuição social previdenciária: Art. 28. (...): § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 16. No caso deste processo administrativo fiscal, verifico que o abono especial de férias concedido estava descrito nas Cláusulas 13ª (Convenção Coletiva de 2004/2005 e de 2005/2006) e 14ª (Convenção Coletiva de 2007/2008), previsões essas que se adequam ao disposto no art. 144 da CLT, o que certamente assegura ao contribuinte o afastamento da contribuição social previdenciária sobre esses valores:. ABONO DE FÉRIAS (...) Ao empregado que durante o período aquisitivo de férias, não tiver mais de 7 (sete) faltas ao serviço, justificadas ou não, quando sair em gozo de férias, será pago um abono nos seguintes valores e condições: (...) § 8º O abono previsto nesta cláusula não se incorporará ao salário par quaisquer efeitos e não sofrerá incidências trabalhistas e previdenciárias, conforme expressamente previsto no art. 144 da CLT e no art. 28,§ 9º, “e”, da Lei 8.212, de 24/07/1991, respectivamente. 17. Essa não incidência tributária também foi reconhecida pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 5 a Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta 61, de 12 de dezembro de 2012: Fl. 714DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 EMENTA: Por força do § 2º, do art. 22, c/c o § 9º, 'e', item 6, do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, o abono de férias, quando estabelecido na forma do art. 144 da CLT, não integra o salário de contribuição do empregado. O prazo para repetição de indébito é de cinco anos contados do pagamento antecipado do tributo, de acordo com o CTN, art. 168, I, c/c a Lei Complementar nº118, de 2005, art. 3º. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 22, § 2º, e 28, § 9º, 'e', item 6, da Lei nº 8.212, de 1991; art. 144 da Consolidação das Leis do Trabalho; art. 168, I, do Código Tributário Nacional; art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005. 18. A seu turno, entendo presente o caráter indenizatório do abono, visto que está diretamente vinculado à concessão de férias do empregado, momento em que entendese que ele gozará de descanso em virtude do trabalho prestado à empresa durante todo o ano. 19. Ademais, não há de se falar em habitualidade dessas parcelas, pois o abono especial de férias é pago apenas uma única vez, no momento em que o empregado irá usufruir desse período, não sendo o caso previsto no parágrafo 11, do art. 201 da Constituição Federal, que fala que "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios, nos casos e na forma da lei" 20. Assim, dou provimento ao recurso voluntário nesta parte por entender que a legislação trabalhista combinada com a previdenciária é precisa quanto à impossibilidade de incidência de contribuição social previdenciária sobre o abono especial de férias pago aos empregados da empresa recorrente por não integrar a remuneração para tal finalidade e, destaco oportunamente, por ser pago em caráter eventual, dizimando de vez qualquer possibilidade de incidência desse tributo. DA MULTA APLICADA 21. Sobre a multa aplicada, dou provimento ao recurso também nesta parte. Em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 22. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 23. E o supracitado art. 61, da Lei 9.430/96, por sua vez, assevera que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 715DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000494/201094 Acórdão n.º 2301003.384 S2C3T1 Fl. 706 21 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 24. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 25. Assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, até 11/2008, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 26. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário do contribuinte, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, nos termos supra alinhavados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator e Declaração de Voto Fl. 716DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10855.910088/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível.
Numero da decisão: 1802-001.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 00 88 /2 00 9- 19 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910088/200919 Acórdão n.º 1802001.837 S1TE02 Fl. 231 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto recolhimento a maior de CSLL Estimativa do período de apuração relativo a 03/2006 e cujo débito é de CSLL Estimativa relativo ao período de apuração de 03/2007. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 14 35.851, constante às efls. 57/58: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de CSLLestimativa mensal (código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 03/2006. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que “no ano base de 2.006 recolheu a importância de R$ 3.758.744,64 (Três milhões, setecentos e cinqüenta e oito mil, setecentos e quarenta e quatro reais e sessenta e quatro centavos) como estimativa mensal da CSLL, conforme cópias dos DARF's PER/DCOMP's e CSLL retido na fonte, que ora se junta e demonstrativo abaixo. Ao apurar o valor final devido nesse período constatou que seu saldo devedor era de R$ 1.548.559,01 (um milhão, quinhentos e quarenta e oito mil, quinhentos e cinqüenta e nove centavos e hum centavos) resultando no recolhimento a maior de R$ 2.210.185,63 (Dois milhões, duzentos e dez mil, cento e oitenta e cinco reais e sessenta e três centavos)”; que “no preenchimento da DIPJ (coluna B do demonstrativo acima), julgando estar correta, a RECORRENTE imputou somente os valores que deveriam ser os recolhimentos devidos, não computando os valores indevidamente recolhidos a maior”; que “no caso a RECORRENTE é detentora de saldo credor no valor de R$ 13.192,62, que é a diferença entre o valor recolhido R$ 109.686,45 e o valor correto de R$ 96.493,83, não estando correta a conclusão de o crédito é inexistente”; Fl. 232DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 que “ocorreu um equívoco na forma de apresentação dos créditos, o que resultou na não homologação da compensação efetuada no PER/DCOMP 06119.20373.300407.1.3.049644”. Ao final requer reforma do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da peça impugnatória, conforme sintetiza a seguinte ementa (efls. 56): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de CSLL por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão em 10/01/2012 (efls 69) mostrouse irresignada, pelo que apresentou recurso voluntário em 09/02/2012, suscitando em apertada síntese que: a) a colação de provas no momento recursal é valida à luz do princípio da verdade material, sobretudo quando atrelada a uma decisão que vincula essa necessidade e; b) o crédito pleiteado, seja considerado como pagamento a maior ou saldo negativo está devidamente comprovado pela documentação acostada. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910088/200919 Acórdão n.º 1802001.837 S1TE02 Fl. 232 5 É o relato do essencial. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, discutese nos presentes autos sobre a existência de um crédito tributário passível de compensação, na condição de pagamento a maior. Preliminarmente, a recorrente pede que sejam analisadas as provas acostadas à peça recursal, em apreço à verdade material. Ora, em que pese o art. 16 do Decreto n° 70.235/72 determinar a apresentação da prova no momento da impugnação (correspondente momento da Manifestação de Inconformidade), está claro na exposição do Acórdão atacado que tais documentos são necessários neste momento para a comprovação do crédito, motivo pelo qual devem ser aceitos e analisados. Já no que tange à compensação (mérito), o Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – condiciona a hipótese de compensação, à existência de créditos líquidos e certos, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [...] À luz desse dispositivo, fica evidente que o contribuinte que apresenta um pedido de compensação deve demonstrar de plano a existência desse crédito. Neste sentido, as obrigações acessórias devem refletir seu pedido, de forma a consolidar sua existência e permitir a homologação da compensação. O presente caso remete ao suposto recolhimento a maior da estimativa de CSLL do período de 03/2006, pela apresentação da Declaração de Compensação de n° 06119.20373.300407.1.3.049644. A turma julgadora a quo selou entendimento no sentido de que as estimativas recolhidas têm cunho antecipatório, o que caracterizaria uma “flagrante impropriedade”, e portanto, “não se concebe extinção de obrigação tributária que ainda não existe, vez que o átimo do fato imponível da CSLL dáse em 31 de dezembro do anobase” e por isso, julgou incabível seu pleito na modalidade de pagamento a maior. Ora, em que pese a natureza antecipatória do recolhimento da estimativa, não há óbice ao pleito na modalidade de pagamento indevido ou a maior quando resta demonstrada Fl. 235DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910088/200919 Acórdão n.º 1802001.837 S1TE02 Fl. 233 7 por meio de documentação idônea sua existência, não podendo seu direito ao crédito ser negado por este motivo. Neste sentido, este Conselho já pacificou o entendimento através de Súmula: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sob a ótica da recorrente, denotase imprecisão no seu recurso voluntário, quando em relação à origem do crédito, colocase o seguinte: 19. Para aqueles que entendem que se trata de pagamento indevido ou a maior, seguem os fundamentos que garantem o direito à restituição: [...] 20. Para aqueles que entendem que se trata de saldo negativo, o artigo 2° da Lei n° 9.430/96, complementado pelo artigo 230 do Regulamento do IR/99, garante a compensação do saldo negativo, seja em virtude da natureza da sistemática de recolhimento, seja em relação ao disposto no artigo 11 da IN n° 900/2008. Vejamos os textos legais abaixo transcritos: [...] (Grifouse) Como se observa, não há determinação se o crédito supostamente existente é decorrente de pagamento a maior da estimativa, ou se ele é decorrente de um saldo negativo do período. Dos documentos juntados que guardam relação ao pleito, consta às efls 220 página da DIPJ que demonstra a existência de um saldo negativo no montante de R$ 2.107.555,25. Referido saldo confere com o documento produzido pela recorrente denominado Demonstração de Cálculo da CSLL referente ao mês de dezembro de 2006, constante às efls 116, onde consta o montante de R$ 2.107.555,06. Tal constatação é um indício da existência de saldo negativo, hipótese que daria direito à recorrente ao indébito nesse montante. Não consta colacionado aos autos, contudo, a DCTF relativa ao período, nem a DIPJ na parte da apuração da CSLL que denota a existência de um pagamento a maior da CSLL estimativa do período de 03/2006, capaz de substanciar uma hipótese desta modalidade do pedido, que é exatamente o que conta no documento declaratório (DCOMP). Fl. 236DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Assim, ainda que às efls 103/104 constem os DARF recolhidos para este período de apuração nos montantes de R$ 109.686,45 e R$ 832.607,80 e às efls 107 no documento produzido pela recorrente denominado Demonstração de Cálculo da CSLL referente ao mês de março de 2006 conste o valor de R$ 929.101,63, o que resulta num suposto pagamento a maior no montante de R$ 13.192,62, na forma em que conta do documento declaratório (DCOMP), não há como atestar a validade e existência do referido crédito pela falta da DCTF e da DIPJ do período que lhe guarda relação. Neste viés, identificase que há indícios tanto da existência de saldo negativo no período como de pagamento indevido ou a maior da estimativa. Cabe registrar que o fato de a recorrente ter indicado na Declaração de Compensação o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, evidenciase que a recorrente efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período e esse excedente deve configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Este colegiado normalmente desconsidera o erro formal no caso do contribuinte indicar nos PER/DCOMP recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. No que tange à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pela recorrente, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, Fl. 237DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910088/200919 Acórdão n.º 1802001.837 S1TE02 Fl. 234 9 na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a recorrente, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. É este o caso. Contudo, devido a não determinação pela origem da validade das provas juntadas neste recurso, bem como, da possível necessidade de outros elementos para sua configuração, é de se encaminhar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela recorrente e de outros que se entenda necessários apure, seu direito ao crédito e homologue a compensação até o limite da disponibilidade do crédito. Portanto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso interposto, determinando a remessa dos autos à origem (DRF de Sorocaba/SP). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679895/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/12/2006
PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/12/2006 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 95 /2 00 9- 41 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679895/200941 Acórdão n.º 3803004.421 S3TE03 Fl. 176 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 18 de junho de 2007, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da CofinsImportação, no valor de R$ 11.942,04, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o seu recebimento com efeitos suspensivos, a declaração de nulidade do despacho decisório ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para exame de sua escrita fiscal, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a partir de meados de 2006, constatara que havia efetuado o recolhimento a maior de inúmeros impostos e contribuições incidentes sobre remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos; b) um mero equívoco no preenchimento de declarações não poderia gerar débitos fiscais, conforme entendimento do CARF e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sendo premente a observância dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade e da proporcionalidade; c) carência de fundamentação do despacho decisório, com violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, dada a precária análise de seu pedido; d) estaria sendo providenciado um levantamento interno de toda a documentação probante que demonstraria a plena existência do crédito declarado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ São Paulo I/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decidindo por afastar a nulidade do despacho decisório arguida, pelo fato de que tal documento teria sido assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterição do direito de defesa do contribuinte. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679895/200941 Acórdão n.º 3803004.421 S3TE03 Fl. 177 3 Arguiu o julgador de piso que o despacho decisório se encontrava em conformidade com os dados declarados em DCTF e com a guia de recolhimento do tributo e que a alegação de erro não se fez acompanhar dos elementos probantes de sua efetiva ocorrência. Ainda segundo o julgador, a DCTF retificadora entregue após a emissão do despacho decisório não poderia ser acolhida como argumento de defesa, em razão da ausência de indicação dos alegados erros cometidos na análise do crédito pleiteado, assim como da falta de apresentação da escrituração contábilfiscal comprobatória do direito reclamado. Ressaltou, também, que, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), não seria cabível a formulação de pedido genérico de futura juntada de documentos, sem a indicação da hipótese legal que o fundamente, pois, nos termos do art. 16, III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, as provas devem ser apresentadas na manifestação de inconformidade, precluindo o direito do contribuinte de fazêlo em outra oportunidade. Por fim, considerou desnecessária a realização de diligência, considerando que, no presente caso, estarseia diante de documentos que se encontravam sob a guarda da pessoa jurídica interessada em sua apreciação. Cientificado do acórdão da DRJ São Paulo I/SP em 28 de janeiro de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 1º de março de 2011, e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo ressaltado o que se segue: a) o seu direito de defesa fora violado de duas formas distintas: a primeira, em razão da não exposição das razões da negativa do crédito pleiteado, o que lhe teria impedido a sustentação plena de seu direito; e a segunda, em decorrência do fato de que a Delegacia de Julgamento teria ultrapassado a nulidade arguida “sem qualquer análise digna das atribuições da d. Autoridade Fiscal”, acarretando indevida supressão de instância, por trazer o caso de forma prematura e despreparada para a análise deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); b) se lhe tivesse sido dada a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia o precioso tempo deste Conselho com cobranças infundadas como a presente, uma vez que qualquer agente fiscal da Receita Federal do Brasil que analisasse com a mínima cautela a situação exposta na Manifestação de Inconformidade teria notado que houvera tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justificaria a glosa ora em comento; c) “é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte.” d) os erros de preenchimento da DCTF seriam equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, uma vez que ele teria livre acesso a toda a escrituração fiscal do Recorrente. Junto a sua peça recursal, o Recorrente traz aos autos aos autos cópias de documentos societários, do acórdão da Delegacia de Julgamento, do despacho decisório, do Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679895/200941 Acórdão n.º 3803004.421 S3TE03 Fl. 178 4 PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 3 de dezembro de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange ao pedido de suspensão de quaisquer atos tendentes ao seguimento da cobrança dos valores objeto do PER/DCOMP, até ulterior decisão definitiva em contrário, temse que, nos termos do contido no art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN), as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, independentemente de pedido da parte nesse sentido. I. Preliminar de nulidade do despacho decisório. Quanto à preliminar de nulidade do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis então, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. A DCTF retificadora, conforme apontou o julgador de piso, somente veio a ser entregue pelo interessado após a ciência do despacho decisório, não se podendo, por conseguinte, impingir a este o vício da nulidade, pois que exarado em conformidade com os dados então disponíveis. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente. Dito em outras palavras, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679895/200941 Acórdão n.º 3803004.421 S3TE03 Fl. 179 5 fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito pleiteado compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Foilhe assegurado o direito de se valer do contencioso administrativo, em duas instâncias, para se contrapor às decisões da Administração tributária, inclusive apresentando, na defesa do seu direito, outras informações e documentos ainda não apreciados pela Fazenda Pública. Quanto à alegada violação dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade, da proporcionalidade e da legalidade estrita, há que se ressaltar que a decisão combatida fora exarada em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado em especial pelo Decreto nº 70.235, de 1972, dispositivos esses válidos e vigentes, de observância obrigatória por parte dos agentes administrativos, sob pena de responsabilidade funcional. Teria havido, sim, violação de tais princípios se tivessem sido ignorados pela Administração tributária eventuais documentos comprobatórios do direito alegado, como a escrituração contábilfiscal, que porventura tivessem sido trazidos aos autos pelo Recorrente e desconsiderados pelos agentes fiscais competentes – documentos esses aptos à apuração da contribuição devida no período –, mas não foi isso que ocorreu neste processo. Por fim, destaquese que, em conformidade com o contido art. 59 do PAF, somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses essas que, conforme já apontado, não se coadunam com a tramitação e a realidade fática deste processo. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Compensação. Existência do indébito. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679895/200941 Acórdão n.º 3803004.421 S3TE03 Fl. 180 6 pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa busque as provas do direito alegado, provas essas, repitase, que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. A não apresentação de provas dos fatos apontados e a alegação de inoperância do Fisco por falta de diligência encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19721, que regula o Processo 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679895/200941 Acórdão n.º 3803004.421 S3TE03 Fl. 181 7 Administrativo Fiscal (PAF), e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório. Nesse contexto, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679895/200941 Acórdão n.º 3803004.421 S3TE03 Fl. 182 8 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10831.008088/2006-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/01/2004
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DE IMPUGNAÇÃO POR ADUZIDA CONCOMITÂNCIA ENTRE AS DEMANDAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CAUSAS DE PEDIR E PEDIDOS DISTINTOS NAS DUAS INSTÂNCIAS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA MATERIALIZADO. NULIDADE DO JULGAMENTO.
Realidade em que não se conheceu da impugnação por aduzida concomitância entre as demandas judicial e administrativa, tendo os autos demonstrado, no entanto, a distinção entre referidas demandas, questão, inclusive, objeto de sentença em mandado de segurança impetrado pela interessada.
Cerceamento ao direito de defesa caracterizado, até porque a lide, por seu valor, poderia ter sido resolvida definitivamente na primeira instância em favor da interessada, uma vez dispensada a necessidade de recurso de ofício por força do disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto no 70.235/72.
Afastada a concomitância entre os pleitos administrativo e judicial, deverá a decisão administrativa que não conheceu do recurso ser declarada nula por cerceamento ao direito de defesa da recorrente, com fundamento no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso a que se dá parcial provimento para anular a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3802-001.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade do processo a partir da decisão de primeiro grau, inclusive, em virtude do cerceamento ao direito de defesa da recorrente, posto que não caracterizada a aduzida concomitância entre a ação judicial e a lide administrativa fundamento para o não conhecimento do recurso na instância recorrida , nos termos do voto do redator designado.
Vencidos os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi (relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que votaram pela conversão do julgamento em diligência, e, ainda, o Conselheiro Solon Sehn, que conhecia do recurso para fins de análise do mérito.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios.
Fez sustentação oral a Dra. Lilianne Patricia Lima, OAB/DF no 31.749.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Redator designado.
Participou, ainda, da presente sessão de julgamento, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/01/2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DE IMPUGNAÇÃO POR ADUZIDA CONCOMITÂNCIA ENTRE AS DEMANDAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CAUSAS DE PEDIR E PEDIDOS DISTINTOS NAS DUAS INSTÂNCIAS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA MATERIALIZADO. NULIDADE DO JULGAMENTO. Realidade em que não se conheceu da impugnação por aduzida concomitância entre as demandas judicial e administrativa, tendo os autos demonstrado, no entanto, a distinção entre referidas demandas, questão, inclusive, objeto de sentença em mandado de segurança impetrado pela interessada. Cerceamento ao direito de defesa caracterizado, até porque a lide, por seu valor, poderia ter sido resolvida definitivamente na primeira instância em favor da interessada, uma vez dispensada a necessidade de recurso de ofício por força do disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto no 70.235/72. Afastada a concomitância entre os pleitos administrativo e judicial, deverá a decisão administrativa que não conheceu do recurso ser declarada nula por cerceamento ao direito de defesa da recorrente, com fundamento no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Recurso a que se dá parcial provimento para anular a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 80 88 /2 00 6- 82 Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade do processo a partir da decisão de primeiro grau, inclusive, em virtude do cerceamento ao direito de defesa da recorrente, posto que não caracterizada a aduzida concomitância entre a ação judicial e a lide administrativa – fundamento para o não conhecimento do recurso na instância recorrida –, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi (relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que votaram pela conversão do julgamento em diligência, e, ainda, o Conselheiro Solon Sehn, que conhecia do recurso para fins de análise do mérito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. Fez sustentação oral a Dra. Lilianne Patricia Lima, OAB/DF no 31.749. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado. Participou, ainda, da presente sessão de julgamento, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão 17 42.763 de 22 de julho de 2010, de lavra da 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo/SP, relativamente a crédito tributário no montante de R$ 541.699,28. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fl. 1513 dos autos): Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 14/10/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Direitos Antindumping acrescidos de juros de mora no valor de R$ 541.699,28, em face dos fatos a seguir descritos. O importador submeteu a despacho aduaneiro de importação as Declarações de Importação relacionadas no corpo do Auto de Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10831.008088/200682 Acórdão n.º 3802001.064 S3TE02 Fl. 112 3 Infração o produto resina de policarbonato — Nomes Comerciais LEXAN 105 111N, LEXAN 135 111, com classificação fiscal no Código NCM 3907.40.90 (antigo Código NCM 3907.40.00); Por força da Portaria Interministerial MDIC/MF No. 11, de 22/07/1999, foi revista, além da alíquota do Imposto de Importação, a cobrança de direitos antidumping, não recolhidos pelo importador; Foi concedida efeitos de antecipação de tutela para a ação Declaratória No. 2001.61.00.0302095, ingressada na 13 Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, no sentido de desobrigar a autora de se sujeitar ao recolhimento dos direitos antidumping impostos pela Portaria Interministerial MDIC/MF No. 11, de 22/07/1999, até decisão final; Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 19/10/2006 (fls. 02frente), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 16/11/2006, de fls. 1333 a 1366, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: O Auto de Infração é nulo porque não atendeu os requisitos da motivação e da fundamentação, pois o Auto de Infração está exigindo direitos antidumping de outra resina de policarbonato, distinta das duas expressamente citadas. A resina LEXAN 1058111N é diferente das resinas LEXAN 105 111N, LEXAN 135 111; A resina LEXAN 1058111N não foi objeto de análise da fiscalização, não restando provado a incidência dos direitos antidumping; Uma vez que o impugnante tomou ciência do Auto de Infração em 19/10/2006, sendo o lançamento efetuado em 17/10/2001 ( Declaração de Importação No. 01/10205043) o Auto de Infração é nulo em função do instituto da decadência; A Portaria Interministerial MDIC/MF No. 11, de 22/07/1999, ampliou o campo de incidência originalmente traçado pela Circular No. 05/98 em violação aos termos do Decreto 1.355/94; As resinas LEXAN 1058111N, LEXAN 105 111N e LEXAN 135 111 não possuem as propriedades mencionadas na Portaria Interministerial MDIC/MF No. 11, de 22/07/1999; Apresenta as características e propriedades de cada resina, indicando que estão fora da abrangência dos efeitos da referida Portaria; O presente Auto de Infração implica em duplicidade de lançamento, uma vez que sofreu autuação sobre o mesmo fato Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 através do Processo Administrativo Fiscal No. 11128.002855/200497, em função de 08 (oito) Declarações de Importação também relacionadas no corpo do presente Auto de Infração; Conforme cálculos apresentados na impugnação, a fiscalização está exigindo direitos antidumping maiores que o devido; Pugna a anulação e, alternativamente, o cancelamento do Auto de Infração. É o Relatório. Ao analisar a impugnação oposta à ação fiscal, a 1ª. Turma da DRJ de São Paulo/SP entendeu pela procedência do lançamento tributário, refutando os argumentos expendidos na peça defensiva do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 29/01/2004 Importação de produto resina de policarbonato Nomes Comerciais LEXAN 105 111N, LEXAN 135 111, com classificação fiscal no Código NCM 3907.40.90 (antigo Código NCM 3907.40.00). Não recolhidos pelo importador direitos antidumping, por força da Portaria Interministerial MDIC/MF No. 11, de 22/07/1999. CONCOMITÂNCIA. A Ação Ordinária ingressada importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso Voluntário (fls. 1520 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, reiterando todos os seus termos e insistindo no fato de que não se trata de concomitância, mas sim de resinas diferentes daquelas mencionadas na Portaria Interministerial nº 11/99, objeto da demanda judicial. Após inadmissão do Recurso com negativa de remessa ao CARF e decisão judicial que determinou seu regular processamento, os autos então seguiram ao Conselho para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Vencido Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O recurso se mostra admissível quanto à sua tempestividade, motivo pelo qual passo ao respectivo exame. Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10831.008088/200682 Acórdão n.º 3802001.064 S3TE02 Fl. 113 5 Primeiramente, é de se verificar a celeuma quanto à existência, ou não, de concomitância que prejudique a admissão do Recurso Voluntário. Para tanto, importante verificar alguns aspectos. A Recorrente alega não haver concomitância por ser o objeto da sua ação judicial distinto daquele desenvolvido no presente processo administrativo, uma vez que aquela demanda objetivava combater o processo administrativo que resultou na edição da Portaria Interministerial nº 11/99, e não o presente – que traz exigência de direitos antidumping sobre produtos distintos daqueles abrangidos pela referida norma. Nesse sentido, aduz a Recorrente que as resinas objeto do presente Auto de Infração são mesmo distintas daquelas mencionadas na Portaria Interministerial MDIC/MF 11/99 – e que isso afastaria a concomitância, porquanto, concretamente, há o distanciamento entre o que é discutido no processo administrativo e no processo judicial. Ora, as resinas objeto do presente Auto de Infração são as seguintes: LEXAN 105 111N; LEXAN 105b 111N; LEXAN 135 111N. Já a Portaria Interministerial 11/99, que estabeleceu regras de direito antidumping sobre certas resinas de policarbonato, como não poderia deixar de ser, não traz referências a nomes comerciais e sim a características técnicas destas, nos seguintes termos: Art. 2o O produto objeto desta Portaria compreende exclusivamente as resinas de policarbonato, na forma de pó, flocos ou grânulos, não reforçadas com fibra de vidro ou que contenham qualquer outra carga, abrangendo: I resinas standards, de uso geral (índice de fluidez de 3 a 19 g/10min), não aditivadas ou adicionadas de agentes desmoldantes com ou sem protetor de radiação ultravioleta (UV), podendo atender às especificações das normas técnicas para aplicações em contato com alimentos, ou características de resistência à hidrólise; II resinas de alta fluidez (índice de fluidez de 20 a 30 g/10min), aditivadas com agente desmoldante, ou com estabilizador de ultravioleta; e III resinas de estrutura ramificada, viscosidade estrutural, (índice de fluidez de 1 a 4 g/10min), aplicadas a processos de moldagem por sopro, que atendam às especificações das normas técnicas para aplicação em contato com alimentos. Tudo gira, então, em torno do fato de terem ou não as resinas de nomes comerciais supra as características técnicas daquelas mencionadas na Portaria Interministerial 11/99. O drama do Recorrente tem sido, desde sua impugnação, discutir esse aspecto que é crucial para o desenrolar de seu processo administrativo – pois, havendo a identificação, haverá concomitância; e não havendo, o processo revisional deve seguir seus trâmites regulares. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 Mais do que isso: como a autorização para aplicação de direitos antidumping se limita às resinas mencionadas na Portaria Interministerial, não só deixa de haver concomitância como toda a ação fiscal perde seu fundamento de validade. Decidirse sobre o enquadramento das referidas resinas no campo de incidência da Portaria 11/99 é, portanto, o ponto fulcral dos autos. E nesse aspecto é de se dizer que a decisão recorrida equivocouse por, precipitadamente, reconhecer a existência de concomitância, unicamente porque o contribuinte possui ação judicial questionando a validade da Portaria 11/99. Ora, no presente processo o Recorrente busca provar justamente que não se trata dos mesmos produtos! Ocorre, contudo, que ao meu ver o Recorrente não comprovou cabalmente que as resinas possuem características técnicas distintas daquelas constantes da Portaria Interministerial 11/99. Trouxe documentos internos seus que aludem a certos aspectos de seus produtos; todavia, os documentos internos não possuem força probante de relevo. Há, de fato, nos autos, diversos laudos feitos por assistente técnico nomeado pela RFB para averiguar diversas outras resinas (fls. 1064 e seguintes). Todavia, nenhuma delas é discutida no presente Recurso Voluntário. Como, porém, o caso suscita dúvida acerca da efetiva natureza dessas resinas, entendo que a melhor medida na busca pela verdade material seja a realização de perícia técnica sobre as resinas objeto do presente Recurso Voluntário, quais sejam a LEXAN 105 111N; a LEXAN 105b 111N; e a LEXAN 135 111N. Sem esse material, pareceme igualmente precipitado decidir peremptoriamente pelo enquadramento, ou não, das referidas resinas no campo de incidência da Portaria Interministerial 11/99. Por isso mesmo, voto no sentido de converter o presente processo em diligência, para que o Instituto Nacional de Tecnologia responda aos seguintes quesitos: As resinas LEXAN 105 111N; LEXAN 105b 111N; e LEXAN 135 111N possuem índice de fluidez entre 3 e 30g/10min, ou, ainda, entre 1 e 3 g/10min? Caso, pelas características dos produtos, seja impossível determinar índice de fluidez para esses produtos, há alguma outra forma de medição (a partir de viscosidade, densidade ou outro critério) que possa, cientificamente, ser equiparada a esses índices de fluidez? As resinas em tela são aditivadas ou adicionadas de agentes desmoldantes, ou com estabilizador de ultravioleta? As resinas em tela podem atender às especificações das normas técnicas para aplicações em contato com alimentos, ou características de resistência à hidrólise? As resinas em tela são de estrutura ramificada, ou de viscosidade estrutural? Em caso positivo, elas são aplicadas a processos de moldagem por sopro, que atendam às especificações das normas técnicas para aplicação em contato com alimentos? É possível ao perito enquadrar as resinas em tela em qualquer dos incisos a que se refere o art. 2o da Portaria Interministerial MDIC/MF 11/99? Uma vez concluído o trabalho pericial, retornem os autos para julgamento do Recurso Voluntário. Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10831.008088/200682 Acórdão n.º 3802001.064 S3TE02 Fl. 114 7 CONCLUSÃO Voto no sentido de conhecer o presente recurso para converter o CONVERTER O PROCESSO EM DILIGÊNCIA, para os fins de análise das questões de fundo, com reflexos na concomitância com a discussão judicial quanto à validade da Portaria Interministerial 11/99. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios, Peço vênia para discordar do entendimento proferido pelo i. colega relator. A decisão recorrida, proferida pela DRJ São Paulo II, foi fundamentada na alegada existência de concomitância entre a presente demanda administrativa e pleito apresentado na via judicial, o que redundou no não conhecimento da impugnação formalizada pelo sujeito passivo. Segundo a decisão recorrida (fls. 1515): A impugnante levou ao judiciário a discussão da alíquota incidente na operação de importação. Logo a parcela é abarcada pelo instituto da concomitância. [...] E, o contribuinte está discutindo na esfera judicial, obtendo inclusive efeitos de antecipação de tutela para a ação declaratória No 2001.61.00.0302095, ingressada na 13a Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, no sentido de desobrigar a autora de se sujeitar ao recolhimento dos direitos antidumping impostos pela Portaria Interministerial MDIC/MF No 11, de 22/07/1999, até decisão final. Por todos esses motivos, este julgador não toma conhecimento da Impugnação, onde o contribuinte discute a mesma matéria que já foi levada à decisão do Poder Judiciário. Todavia, é equivocado o entendimento proferido pela decisão de primeira instância, uma vez reconhecido judicialmente que as demandas administrativa e judicial são divergentes. Esse é o posicionamento da 3a Vara da Justiça Federal em Campinas nos autos do Mandado de Segurança no 000104382.2011.403.6105, cuja decisão transcrevo parcialmente abaixo: [...] Anoto, por primeiro, que não merece prosperar a alegação da autoridade impetrada, no sentido de que houve renúncia à instância administrativa pela simples propositura de ação judicial, posto que há comprovada divergência com relação ao Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 objeto discutido em ambos os feitos. Insta observar que importa em renúncia à instância administrativa a propositura de ação judicial que discutir o mesmo objeto do procedimento intentado na via administrativa, o que não se verifica no caso em apreço. Resta patente que ocorreu, por certo, violação do princípio do contraditório e ampla defesa na condução do procedimento administrativo, consubstanciado no impedimento da apreciação, pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, das objeções ali suscitadas. Assim sendo, confirmo os termos e as razões aduzidas na liminar concedida nestes autos, que passo a adotar como razão de decidir: "Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, LV, assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Segundo Alexandre de Moraes, "por ampla defesa, entendese o asseguramento que é dado ao réu de condições que lhe possibilitem trazer para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade...". Desse modo, a finalidade da ampla defesa centrase em esclarecer a verdade dos fatos. O contraditório, por seu turno, objetiva garantir que as partes tenham conhecimento da prática de todos os atos e termos ocorridos no processo, por meio de ato formal de citação, notificação ou intimação, assim como que lhe seja dada a oportunidade de, em prazo razoável, se manifestar acerca do pedido formulado, produzir provas, manifestar sobre a prova produzida pelo adversário e apresentar os recursos cabíveis. É sabido, do mesmo modo, que o ordenamento jurídico pátrio deve conformarse à Lei Maior, sob pena de incorrer em inconstitucionalidade, devendo o intérprete das normas jurídicas por ela nortearse. Também é certo que a administração pública está adstrita ao cumprimento da lei, não se admitindo, para determinados atos, ditos vinculados, a realização de conduta diversa, vedada, portanto, a liberdade de escolha. Pois bem. No caso dos autos, a impetrante havia ingressado com ação declaratória, questionando a exigência de direitos antidumping, equivalente a 19% nas importações de resina de policarbonato. Segundo os elementos dos autos, o feito atualmente se encontra em trâmite perante o TRF da 3ª Região. Ressalvando a condição de crédito suspenso, pela ação declaratória em andamento, foi lavrado o auto de infração de fls. 180/203, impondo a cobrança de direitos antidumping sobre algumas das importações realizadas pela impetrante. Na impugnação do lançamento a impetrante alegou que as resinas objetos do auto de infração têm características diversas daquelas que foram objetos de investigação e que culminaram na edição da Portaria Interministerial nº 11/99. Suscitou, também, questões de natureza formal, como a existência de duplicidade de lançamento, a decadência do direito de efetuar o lançamento, além da existência de erro de cálculo do montante lançado. Sob o fundamento de que o contribuinte discutia na impugnação a mesma matéria tratada na esfera judicial, a defesa não foi conhecida, por suposta renúncia às instâncias administrativas (fls. 238/240). Após, a autoridade impetrada deixou de encaminhar o recurso voluntário a seu destinatário, pelo mesmo fundamento, tendose por constituído, definitivamente, o crédito tributário (fls. 283/285). Ora, a decisão prolatada não levou em conta o que estabelece o Decreto 70.235/72, artigo 25, inciso II, Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10831.008088/200682 Acórdão n.º 3802001.064 S3TE02 Fl. 115 9 estabelece, in verbis que: "Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (...) II em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. "A autoridade impetrada negou à impetrante o direito de ter seu recurso julgado pela instância superior, o que demonstra a prática de ato ilegal e abusivo, visto que cabe ao destinatário, no caso o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, efetuar o exame de admissibilidade, afinal, se mesmo o recurso perempto deverá ser encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção, conforme o artigo 35 do Decreto nº 70.235/92, com muito mais razão o Inspetor da Alfândega não poderia obstarlhe a subida. Ademais, além da controvérsia sobre as características das resinas, se estariam ou não contempladas no normativo que impôs o pagamento de direitos antidumping, a impetrante suscitou, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, questões que fogem dos limites da ação judicial, referindose especificamente aos aspectos formais da lavratura do auto de infração, as quais por si só, já seriam suficientes para a apreciação do mérito do recurso." Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, confirmandose a liminar anteriormente concedida, para o fim de reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em ter seu recurso administrativo, interposto no PA n.º 10831.008088/200682, remetido ao Conselho de Contribuintes, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, com a baixa na inscrição em dívida ativa. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado, a teor do artigo 25 da lei 12.016/2009. Dispensado o reexame necessário, nos termos do artigo 475, 2º do Código de Processo Civil, com a redação dada pela Lei nº 10.352 de 26 de dezembro de 2001. Transitada esta em julgado, arquivemse os autos, observadas as formalidades legais. D. Eletrônico de sentença em 24/05/2011 ,pag 22/34. Com efeito, é patente nos autos a divergência entre os pleitos judicial e administrativo, já que neste há causas de pedir e pedidos que discrepam das razões postas ao Poder Judiciário. De fato, na impugnação de fls. 1333/1365 (vol. 7), a recorrente alega, preliminarmente, a nulidade do lançamento (por defeito na motivação) e a decadência, e, no mérito, a duplicidade de lançamento, a não inclusão dos produtos importados dentre aqueles sujeitos ao direito antidumping, além de erro de cálculo quando de sua quantificação. Diferentemente, na ação declaratória com pedido de tutela antecipada (autuada sob o no 2001.61.00.0302095 – petição inicial às fls. 700/728), a demanda se restringe à aduzida ilegalidade da Portaria Interministerial no 11/99, com o consequente reconhecimento do direito a realizar as importações dos produtos abordados pela referida Portaria sem a incidência de direitos antidumping, bem como de reaver os valores recolhidos a título do mencionado instrumento de regulação da atividade econômica. Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 10 Sem dúvida, os pleitos não são coincidentes. Diante da inexistência de concomitância entre as demandas judicial e administrativa, deverá a decisão de primeira instância ser declarada nula, isso em vista do cerceamento ao direito de defesa da recorrente, que não logrou ver seu pleito administrativo examinado por quem deveria têlo feito, pleito o qual, acaso provido, o seria de forma definitiva, já que, diante do valor em litígio, dispensada a necessidade de recurso de ofício por força do disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto no 70.235/72. Por fim, releva destacar que Constituição Federal, em seu artigo 5o, incisos XXXIV, alínea “a”, e LV, garante o amplo exercício do direito de petição por parte do cidadão, configurando cerceamento a injustificada negativa de exame do pleito, principalmente quando tal envolve a supressão de instância onde eventualmente a demanda poderia ter sido deferida de forma definitiva em favor do suplicante. Uma vez cerceado o direito de defesa da interessada, configurada a hipótese de nulidade da decisão administrativa de que trata o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Da Conclusão Pelas razões acima expostas, voto para declarar a nulidade do processo a partir da decisão de primeiro grau, inclusive, em virtude do cerceamento ao direito de defesa da recorrente, posto que não caracterizada a aduzida concomitância entre a ação judicial e a lide administrativa – fundamento para o não conhecimento do recurso na instância recorrida. Sala de Sessões, em 24 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Declaração de Voto Conselheiro Solon Sehn, Entendo que, com a devida vênia, que não houve cerceamento do direito de defesa. O Recorrente teve oportunidade para impugnar o auto de infração e apresentou suas razões de defesa, contraditando a exigência fiscal. A DRJ, no entanto, deixou de examinar o mérito da impugnação, por entender que esta não poderia ter sido conhecida, em face da concomitância. Afastada esta, portanto, o processo deveria retornar à DRJ para exame do mérito, sob pena de caracterização de supressão da instância. Entendo, entretanto, que a eventual supressão de instância deve ser apreciada à luz da “teoria da causa madura”, prevista no § 3º, do art. 515, do Código de Processo Civil, aplicável por analogia ao processo administrativo fiscal: “Art. 515. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. [...] § 3º Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10831.008088/200682 Acórdão n.º 3802001.064 S3TE02 Fl. 116 11 causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento. (Incluído pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001)”. Referida regra visa atender ao princípio da duração razoável do processo e não se restringe apenas às “questões exclusivamente de direito”, mas a todos os feitos “em condições de imediato julgamento”. Assim, analisando o caso concreto, entendo que o feito, por estar “maduro” para imediato julgado, voto pelo conhecimento do recurso e exame do mérito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10166.722457/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. IMPORTAÇÃO. SAÍDA. ESTABELECIMENTO COMERCIAL. EQUIPARAÇÃO. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL.
A importação direta de produtos de procedência estrangeira por estabelecimento comercial e suas saídas (revendas) deste, ainda que não tenham sofrido quaisquer modificações, equiparam-no a estabelecimento industrial e, consequentemente, contribuinte do IPI.
PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. IMPORTAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO PELO PRÓPRIO ESTABELECIMENTO.
As saídas de produtos de procedência estrangeira, importados e comercializados pelo próprio estabelecimento, estão sujeitas ao IPI nos termos da legislação vigente.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NOTA FISCAL. IMPOSTO. LANÇAMENTO. MULTA.
A falta de lançamento do valor do imposto na respectiva nota fiscal de saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado enseja o lançamento de oficio de multa, nos termos da legislação tributária vigente.
MULTA DE OFÍCIO
Nos lançamentos de ofício, para constituição de crédito tributário, incide multa calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição, lançados segundo a legislação vigente.
MULTA. DUPLICIDADE.
A exigência de multa, no lançamento de ofício, não se confunde com a multa exigida por falta de lançamento (destaque) do imposto na respectiva nota fiscal de saída do produto do estabelecimento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martinez López.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. LANÇAMENTO. NULIDADE É válido o lançamento efetuado de conformidade com as normas legais que regem o procedimento administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. IMPORTAÇÃO. SAÍDA. ESTABELECIMENTO COMERCIAL. EQUIPARAÇÃO. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. A importação direta de produtos de procedência estrangeira por estabelecimento comercial e suas saídas (revendas) deste, ainda que não tenham sofrido quaisquer modificações, equiparamno a estabelecimento industrial e, consequentemente, contribuinte do IPI. PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. IMPORTAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO PELO PRÓPRIO ESTABELECIMENTO. As saídas de produtos de procedência estrangeira, importados e comercializados pelo próprio estabelecimento, estão sujeitas ao IPI nos termos da legislação vigente. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NOTA FISCAL. IMPOSTO. LANÇAMENTO. MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 24 57 /2 00 9- 86 Fl. 907DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 A falta de lançamento do valor do imposto na respectiva nota fiscal de saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado enseja o lançamento de oficio de multa, nos termos da legislação tributária vigente. MULTA DE OFÍCIO Nos lançamentos de ofício, para constituição de crédito tributário, incide multa calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição, lançados segundo a legislação vigente. MULTA. DUPLICIDADE. A exigência de multa, no lançamento de ofício, não se confunde com a multa exigida por falta de lançamento (destaque) do imposto na respectiva nota fiscal de saída do produto do estabelecimento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martinez López. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Juiz de Fora que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de janeiro de 2005 a dezembro de 2007. O lançamento decorreu da falta de declaração/pagamento do IPI devido sobre a saída de produtos importados do estabelecimento da recorrente, importados diretamente por ela, e da falta de lançamento (destaque) do imposto nas respectivas notas fiscais de saídas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 689/696, demonstrativo às fls. 697/717 e Relatório de Verificação Fiscal às fls. 717/725. Cientificada da exigência do crédito tributário, a recorrente impugnou o lançamento (fls. 823/824), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: o auto de infração viola o princípio constitucional da estrita legalidade e o preceito do art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.335, de 6 de março de 1972, sendo Fl. 908DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.722457/200986 Acórdão n.º 3301001.843 S3C3T1 Fl. 908 3 nulo de pleno direito, pois: i) mencionava no enquadramento legal a Lei nº 4.502, de 1964, de modo vago, isto é, sem indicar os seus dispositivos específicos que fundamentavam a autuação; ii) as Leis 8.383, de 1991; 8.383, de 1994, e 10.833, de 2003, tratavam do prazo para pagamento de tributos, inclusive o IPI, mas não estabeleciam os fatos geradores da obrigação tributária atinente a esse imposto; iii) os vários dispositivos do Decreto nº 4.544, de 2002, não constituíam lei em sentido formal, pelo que não serviam para fundamentar a exação de ofício; “O FATO GERADOR DO IPI EM CASO DE PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA, REGULARMENTE IMPORTADO, É O DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A VENDA DESSE PRODUTO, NO MERCADO INTERNO SOMENTE CONSTITUI NOVA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA EM CASO DE O PRODUTO IMPORTADO SUBMETERSE [SIC] A ALGUMA OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO, NO BRASIL”; “A incidência do IPI, uma única vez, para cada operação de industrialização, decorre do disposto no inciso II do art. 153 da Constituição Federal, segundo o qual o IPI ‘será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores’. A expressão ‘em cada operação’ tem o significado de operação de industrialização, haja vista que se trata de um imposto sobre produtos industrializados (...)”; “O art. 46 do Código Tributário Nacional estabelece as situações em que o fato gerador do IPI se considera ocorrido (...). Em relação aos produtos de procedência estrangeira, no entanto, têm ocorrido equívocos na interpretação do inciso II do art. 46 do CTN, em razão de esse dispositivo se reportar ao parágrafo único do art. 51 (...). A redação desse parágrafo único tem levado alguns a entenderem que a saída do produto de procedência estrangeira, do estabelecimento do importador, seria nova hipótese de incidência tributária, ainda que o mesmo não tenha sido submetido a nenhuma operação de industrialização, após o desembaraço aduaneiro”. citou excertos de doutrina e de decisão judicial que considerou favorável à sua tese; configurava uma bitributação a pretensão de cobrar novamente o IPI na saída do produto do estabelecimento importador sem que tenha havido, após o desembaraço aduaneiro, alguma operação de industrialização sobre o produto, pois haveria incidência do IPI sobre a circulação da mercadoria, fato econômico sujeito à tributação do ICMS, cuja competência não era da União; a impugnante, entendendo que não havia nova tributação do IPI na saída do produto importado, apropriara como custo do produto importado o IPI pago no desembaraço aduaneiro de importação, incorporando o valor desse tributo no preço de venda do produto. Assim, caso fosse procedente a autuação e em respeito ao princípio da não cumulatividade, a base de cálculo do IPI considerada pela Fiscalização na operação de saída (venda) deveria ser ajustada para que dela fosse excluído aquele valor do IPI pago na importação; A multa de ofício prevista no art. 80 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, estava em duplicidade no auto de infração, pois este a aplicara “uma vez pelo fato de não ter sido destacado o IPI nas notas fiscais de venda e outra por não ter recolhido. Alterou, apenas, as bases de cálculo das multas. Numa situação adotou o valor total do imposto que, supostamente, deveria ter sido destacado nas notas fiscais. Noutra, adotou o valor do imposto que, supostamente, deveria ter sido recolhido. (...) A aplicação de duas multas em razão de uma mesma Fl. 909DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 conduta configura bis in idem em matéria de penalização, o que não é admitido pelo ordenamento jurídico nem a tanto autoriza o art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964. A jurisprudência do egrégio Conselho de Contribuinte (...) é iterativa no sentido de considerar ilegal a dupla penalização (...). Portanto, uma das multas aplicadas tem de ser invalidada, (...) há de se definir, no caso presente, a multa que deve prevalecer, se a multa isolada ou a multa de lançamento de ofício. (...) A multa de lançamento de ofício decorre do descumprimento da obrigação principal. A multa isolada decorre do descumprimento da obrigação acessória, consubstanciada na falta de destaque do imposto nas notas fiscais. (....) se o imposto for efetivamente devido, a multa a ser aplicada é de lançamento de ofício, cuja base de cálculo é o imposto não recolhido, tal como estabelecido na parte final do art. 80 citado”. Ao final, pelo que expôs, requereu: preliminarmente, a nulidade do auto de infração por violação ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972; no mérito, a improcedência total do lançamento de ofício em razão de as não constituírem fato gerador do IPI as vendas efetuadas pela impugnante dos produtos por ele importados; alternativamente, fosse: a) “excluído do valor da operação, para fins de cálculo do imposto devido, o valor do IPI pago de desembaraço aduaneiro e que se encontra incluído no preço de venda dos produtos”; b) “cancelada a multa calculada sobre o valor do imposto não destacada nas notas fiscais”; c) “recalculada a multa de lançamento de ofício, em razão da alteração da base de cálculo do imposto devido, conforme requerido na alínea ‘a’ supra, e, conseqüentemente, do imposto não recolhido”. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo o lançamento, conforme Acórdão nº 0937.074, datado de 29/09/2011, às fls. 850/867, sob as seguintes ementas: “1. ESTABELECIMENTO IMPORTADOR EQUIPARADO A INDUSTRIAL NA SAÍDA DO PRODUTO IMPORTADO. CONTRIBUINTE. FATO GERADOR. O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira tributados pelo IPI equiparase a industrial, como contribuinte desse imposto, nas posteriores operações de saída, também tributadas, daqueles produtos importados, porquanto tais saídas constituem fatos geradores do IPI, sujeitandose, então o contribuinte às obrigações tributárias principal e acessórias atinentes ao tributo, dentre elas o dever de destacar nas notas fiscais o IPI incidente nas saídas tributadas e recolher aos Cofres Públicos, ou compensar mediante DCOMP, o saldo devedor do imposto apurado segundo a sistemática da não cumulatividade (art. 9º, 24, III, 34, II, do Decreto nº 4.544/02, com matriz legal, respectivamente, nos arts. 4º, I; 35, I e 2º da Lei nº 4.502/64). 2. OPERAÇÃO DE SAÍDA TRIBUTADA. BASE DE CÁLCULO. A modificação no critério de formatação de preço de venda pela alteração do custo do produto vendido, se realizada após a efetivação das operações de venda, pode gerar conseqüências na apuração da base de cálculo de tributos como o IRPJ e CSLL, por exemplo, mas do IPI, porquanto a base de cálculo deste imposto estabelecida na legislação tributária corresponde Fl. 910DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.722457/200986 Acórdão n.º 3301001.843 S3C3T1 Fl. 909 5 exatamente ao valor da operação indicado na nota fiscal válida e eficaz, independentemente dos critérios que o contribuinte emitente utilizou para a formação de seu preço de venda (art. 131, I, ‘b’, do Decreto 4.544/02, com matriz legal no art. 18 da Lei 4.502/64 e art. 47, II, do CTN). 3. MULTA DE OFÍCIO. IPI NÃO LANÇADO EM NOTA FISCAL. A multa de ofício aplicada sobre a infração fiscal atinente à falta de lançamento (destaque) do IPI em nota fiscal de saída é sempre proporcional ao IPI não lançado (não destacado) nessa nota, independentemente se, da reconstituição da escrita efetuada de ofício no período em que ocorreu tal irregularidade, foi eventualmente apurado saldo devedor ou credor do imposto. A única implicação advinda da apuração escritural, efetuada de ofício, de saldo devedor ou credor do IPI é uma divisão no auto de infração, meramente operacional, daquela multa de ofício sobre o IPI não lançado (não destacado) na nota fiscal, em duas rubricas: 1) multa de ofício sobre o IPI não lançado sem cobertura de crédito e 2) multa de ofício sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. A soma dos valores alocados em tais rubricas 1 e 2 totaliza exatamente o montante da multa de ofício aplicada sobre todas as operações irregulares praticadas pela contribuinte em razão do não lançamento do IPI nas notas fiscais de saída emitidas (art. 80 da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.418/07). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Não se opera a nulidade por cerceamento do direito de defesa da autuada quando os dispositivos da legislação tributária que embasam o lançamento de ofício estão precisamente citados nas suas peças integrantes e, ainda que não estejam de forma explícita e exaustiva, a autuada demonstra, pelos argumentos impugnativos apresentados, que compreendeu plenamente todos os fundamentos da autuação.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 874/899), requerendo, em preliminar, a nulidade do lançamento, e, no mérito, a sua reforma, a fim de que se julgue improcedente o lançamento ou alternativamente, seja excluído da base de cálculo do imposto o valor do IPI pago, no desembaraço aduaneiro, e, ainda, o cancelamento da multa sobre o valor do imposto não destacado nas notas fiscais e o recálculo da multa de ofício, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação, ou seja, quanto à nulidade, violação ao disposto no inciso IV do art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972; e, no mérito, a não incidência do IPI nas vendas internas de produtos importados cujo imposto foi pago no desembaraço aduaneiro; a exclusão do valor do IPI pago, no desembaraço aduaneiro, da base de cálculo do imposto lançado e exigido no lançamento em discussão; e, em relação às multas, a duplicidade de suas exigências, e, ainda, o recálculo da multa de ofício, em face da exclusão da base de cálculo do IPI do valor do imposto pago no desembaraço aduaneiro. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: I – “QUESTÃO PRELIMINAR: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO INCISO IV DO ART. 10 DO DECRETO Nº 70.235/1972”; II – “O FATO GERADOR DO IPI EM CASO DE PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA, REGULARMENTE IMPORTADO, É O DESEMBARAÇO ADUANEIRO, A VENDA DESSE PRODUTO, NO MERCADO INTERNO, SOMENTE CONSTITUI NOVA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA EM CASO DE O PRODUTO IMPORTADO SUBMETERSE A ALGUMA OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO, NO BRASIL”; III – “EXCLUSÃO, DA BASE DE CÁLCULO DA NOVA TRIBUTAÇÃO, DO IPI PAGO NO DESEMBARAÇO ADUANEIRO”; IV – “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO APLICADA EM DUPLICIDADE, BIS IN IDEM INADMISSÍVEL PELO ORDENAMENTO JURÍDICO”; e, V) “DA MULTA APLICÁVEL”, concluindo ao final que o lançamento deve ser julgado nulo ou alternativamente, deve ser excluído da base de cálculo do imposto lançado e exigido o valor pago no desembaraço aduaneiro, a multa sobre o valor do imposto não destacado na nota fiscal e recalculada a multa de oficio sobre o imposto que deixou de ser pago. É o relatório. Voto O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A suscitada nulidade do lançamento sob o argumento de violação ao inciso IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, não procede e carece de fundamentação legal. O auto de infração e, conseqüentemente o lançamento, somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 59, inciso I: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” No presente caso, o auto de infração em discussão foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal (RFB), servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. O art. 10, inciso IV daquele decreto, assim dispõe: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 912DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.722457/200986 Acórdão n.º 3301001.843 S3C3T1 Fl. 910 7 [...]; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; [...].” No presente caso, ao contrário do alegado pela recorrente, este dispositivo legal foi expressamente atendido, conforme podemos constatar da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 88/93 do auto de infração. Do seu exame, verificamos que nela esta demonstrada a infração imputada à recorrente, saída de produtos de estabelecimento equiparado a industrial com emissão de nota fiscal sem o lançamento (destaque) do IPI e, conseqüentemente, falta de declaração/pagamento do imposto devido, infringindo, dentre outros diplomas legais, o Decreto nº 4.544, de 2002, arts. 9, I; 24, I e III; 34, I e II; 122; 123, I, “b” e II, “c”; 127; 131, I, “b”; 164, V; 190, I; 200, IV, que tem como matriz legal a Lei nº 4.502, de 1964. Também as penalidades aplicadas foram indicadas, mula de ofício e multa regulamentar, bem como o fundamento legal de suas exigências, art. 80, I, da Lei 4.502, de 30/11/1964. Possíveis incorreções e/ ou deficiências não os tornam nulos nem anuláveis e sim defeituosos ou ineficazes até as suas retificações. Contudo nada disto foi demonstrado pela recorrente. No mérito, a recorrente questiona (i) a incidência do IPI nas vendas internas de produtos importados cujo imposto foi pago no desembaraço aduaneiro; (ii) a exclusão do valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro da base de cálculo do imposto lançado e (iii) a duplicidade de multas. I – Incidência do IPI (fato gerador) e contribuinte O Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, com matriz na Lei nº 4.502, de 30/11/1964, vigente à época dos fatos geradores, objetos do lançamento em discussão assim dispunha: “Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação ‘NT’ (nãotributado) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); Fl. 913DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 II os estabelecimentos, ainda que varejistas, que receberem, para comercialização, diretamente da repartição que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma; III as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte, salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na hipótese do inciso II (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso II, e § 2º, Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso I); [...]. Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: I o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea b); [...]. III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); e [...]. Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial.” No presente caso, a recorrente e as operações tributadas se enquadram nestes dispositivos legais. A recorrente não discordou que os produtos, objetos das receitas tributadas, foram importados diretamente por ela e comercializados no mercado interno. Assim, independentemente de, no desembaraço aduaneiro, ter sido pago IPI sobre os produtos, em suas revendas, no mercado interno, incidirá esse mesmo imposto sobre o valor da venda. Contudo, em face do princípio da não cumulatividade desse imposto, o valor pago na importação será escriturado como crédito do contribuinte e deduzido do valor apurado sobre as vendas. II – Exclusão do valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro O IPI pago no desembaraço aduaneiro constitui crédito fiscal do contribuinte e inexiste amparo legal para a sua exclusão da base de cálculo do imposto na revenda dos produtos. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.722457/200986 Acórdão n.º 3301001.843 S3C3T1 Fl. 911 9 O Decreto nº 2.544, de 2002, assim dispõe sobre a base de cálculo: “Art. 131. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: I dos produtos de procedência estrangeira: [...]; b) o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a industrial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 18); e [...].” Ressaltamos que, na apuração das diferenças do imposto lançado e exigido, o autuante considerou o valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro, deduzindoo do imposto lançado na escrita fiscal para apuração dos saldos devedores. III – Duplicidade da multa Do exame do auto de infração, verificamos que foram lançadas multas sob duas rubricas distintas, “MULTA PROPORCIONAL”, no valor de R$391.199,76, e “MULTA IPI NÃO LANÇADO C/ COBERT. CRÉD.”, no valor de R$2.351.141,02. Ao contrário do entendimento da recorrente, a exigência de multa de ofício e multa regulamentar, juntamente com o imposto lançado de oficio, não configura duplicidade. A multa de ofício lançada sob a rubrica “MULTA PROPORCIONAL” foi aplicada pela falta de declaração e pagamento das diferenças do IPI apuradas por meio do procedimento administrativo fiscal e tem como fundamento a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de [...].” Já a multa regulamentar sob a rubrica “MULTA IPI NÃO LANÇADO C/ COBERT. CRÉD.” foi aplicada pela falta de lançamento (destaque) do IPI nas respectivas notas fiscais de saídas (vendas) dos produtos importados e tem como fundamento a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, que assim dispõe: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. [...]. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 § 8º A multa de que trata este artigo será exigida: I juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; [...].” A recorrente cometeu duas infrações diferentes. Uma por ter dado saída de produtos do seu estabelecimento, sujeitos à incidência do IPI sem o lançamento (destaque) do imposto nas respectivas notas fiscais; outra por não ter declarado nem recolhido o imposto devido sobre as saídas (vendas) dos produtos. Os dispositivos legais citados e transcritos determinam a aplicação de penalidades para ambas as infrações cometidas pela recorrente. Também para o caso do cometimento de mais de uma infração, na mesma operação, inexiste amparo legal para dispensa de uma delas. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 916DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10875.908218/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp) eletrônica, transmitida em 25/6/2009, em que informada a compensação da parcela indevida do pagamento da Cofins do mês de julho de 2004, no valor de R$ 1.187.743,09, com débito da Cofins do mês de maio de 2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 21 8/ 20 09 -1 5 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUE RRA DE CASTRO Processo nº 10875.908218/200915 Resolução nº 3102000.267 S3C1T2 Fl. 11 2 Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico de fls. 52 e 60/61, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência de crédito disponível, sob o argumento de que, embora localizado na base dados, o pagamento informado havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do mês de julho de 2004. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que: a) o débito da Cofins do mês de julho de 2004, no valor R$ 4.027.073,89, fora incorretamente informado na DCTF originária, porém, em 3/11/2009, quando percebeu o equívoco, apresentou a DCTF retificadora, corrigindo o valor do referido débito para R$ 2.915.271,11; b) esse equívoco poderia ter sido oportunamente esclarecido, caso a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) tivesse lhe requisitado informação e esclarecimento a respeito do crédito utilizado ou determinado a realização de diligência na sua escrituração contábil e fiscal; e c) procedera a compensação em apreço em conformidade com o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/1996. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ – Capinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com base no argumento de que não fora apresentada a documentação adequada que permitisse a verificação da existência do valor do pagamento indevido ou a maior que o devido e, por conseguinte, a certeza e liquidez do crédito compensado. Em 8/2/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 8/3/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 74/81, instruído com a documentação de fls. 84/166, no qual reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade, incluindo o pedido de realização de diligência na sua escrita contábil e fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A presente controvérsia limitase à comprovação do direito creditório utilizado na DComp de fls. 55/59. Por meio do Despacho Decisório eletrônico, emitido em 7/10/2009, a compensação não foi homologada, sob o fundamento de que crédito informada não existia, porque o valor do pagamento informado estava integralmente alocado à quitação do débito do mesmo valor da Cofins do mês de julho de 2004, confessado na DCTF originária do 3º trimestre de 2004. Por outro lado, alegou a recorrente que tinha direito à compensação do crédito utilizado, porém, como não retificara, em tempo hábil, a DCTF do período, a análise e verificação eletrônica da compensação não consideraram o valor do correto do débito da Cofins do mês de julho de 2004, no valor de R$ 2.915.271,11, mas o valor de R$ 4.027.073,89, equivocadamente declarado na DCTF originária. No âmbito do procedimento de compensação de iniciativa do sujeito passivo (autocompensação declarada), por força do disposto art. 170 do CTN, o declarante tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez e que, na data da Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUE RRA DE CASTRO Processo nº 10875.908218/200915 Resolução nº 3102000.267 S3C1T2 Fl. 12 3 entrega da referida Declaração, e que era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas nos incisos I a III do art. 165 do CTN. Em conformidade os referidos preceitos legais, determina o disposto no inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que já na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente tinha o ônus/dever de provar o alegado indébito, mediante apresentação de documentação contábil e fiscal adequada, e assim refutar o fato da inexistência do crédito suscitado na decisão não homologatória da compensação e comprovado nos autos. No caso em tela, o crédito utilizado pela recorrente teve origem no suposto pagamento a maior que o devido da Cofins do mês de julho de 2004, portanto, necessitava de comprovação com documentos hábeis e idôneos, previstos na legislação tributária. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente não apresentou qualquer documento que comprovasse a apuração da suposta parcela recolhida a maior do pagamento da Cofins do mês de julho de 2004, em decorrência, acertadamente, a Turma de Julgamento de primeiro grau reputou não comprovado o direito creditório pleiteado. Na atual fase recursal, a recorrente trouxe aos autos (fls. 84/166) os demonstrativos de apuração da Cofins do período e os correspondentes documentos contábeis e fiscais. Como se destinam a contrapor razões só aduzidas no julgado de primeira grau, em conformidade com o disposto na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF, tais provas estão expressamente excepcionadas do efeito preclusivo previsto no citado § 4º, logo, podem ser apreciadas nesta fase de julgamento. Por todas essas considerações, com fundamento no art. 29 do PAF, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à Unidade da Receita Federal de origem, para que: a) a documentação contábil e fiscal colacionada aos autos seja analisada; b) a recorrente seja intimada a apresentar os demais documentos contábeis e fiscais adequados e suficientes à comprovação do valor do crédito compensado, caso os apresentados sejam insuficientes ou inadequados para apuração do direito creditório informado; c) a autoridade fiscal designada emita parecer sobre a comprovação do direito creditório compensado e, se for caso, apure o valor o crédito da recorrente; e d) a recorrente seja cientificada, para, dentro do prazo fixado, querendo manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUE RRA DE CASTRO Processo nº 10875.908218/200915 Resolução nº 3102000.267 S3C1T2 Fl. 13 4 José Fernandes do Nascimento Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUE RRA DE CASTRO
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