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Numero do processo: 10830.904017/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/08/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 40 17 /2 01 1- 80 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10830.904017/201180 Acórdão n.º 3201003.280 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.391, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.904017/201180 Acórdão n.º 3201003.280 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.904017/201180 Acórdão n.º 3201003.280 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.904017/201180 Acórdão n.º 3201003.280 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.006575/2005-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/10/2002 a 30/11/2002
COFINS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte.
COFINS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. DCTF. DIPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Apenas os débitos declarados pelo contribuinte em DCTF apresentada antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de oficio.
COFINS. APURAÇÃO. LANÇAMENTO. EXCLUSÕES. GANHOS NA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE E OUTRAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1.º, Art. 3.º da Lei 9.718/98.
Os ganhos auferidos em operações de venda de bens que integram o ativo permanente da empresa possuem prova e materialidade efetiva de sua ocorrência. Em adição, deve ser considerada a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio) para fins de exclusão das receitas que compuseram o lançamento, porque não são operacionais.
Numero da decisão: 3201-003.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. A Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário julgou-se impedida, pelo que foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral o patrono Dr. André de Oliveira Alves, OAB/DF 34.826, escritório Gaia, Silva, Gaede Advogados.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/10/2002 a 30/11/2002 COFINS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. COFINS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. DCTF. DIPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Apenas os débitos declarados pelo contribuinte em DCTF apresentada antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de oficio. COFINS. APURAÇÃO. LANÇAMENTO. EXCLUSÕES. GANHOS NA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE E OUTRAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1.º, Art. 3.º da Lei 9.718/98. Os ganhos auferidos em operações de venda de bens que integram o ativo permanente da empresa possuem prova e materialidade efetiva de sua ocorrência. Em adição, deve ser considerada a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio) para fins de exclusão das receitas que compuseram o lançamento, porque não são operacionais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 631 1 630 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.006575/200568 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.396 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2018 Matéria Cofins Recorrente UNIÃO DE LOJAS LEADER S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/10/2002 a 30/11/2002 COFINS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. COFINS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. DCTF. DIPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Apenas os débitos declarados pelo contribuinte em DCTF apresentada antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de oficio. COFINS. APURAÇÃO. LANÇAMENTO. EXCLUSÕES. GANHOS NA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE E OUTRAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1.º, Art. 3.º da Lei 9.718/98. Os ganhos auferidos em operações de venda de bens que integram o ativo permanente da empresa possuem prova e materialidade efetiva de sua ocorrência. Em adição, deve ser considerada a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio) para fins de exclusão das receitas que compuseram o lançamento, porque não são operacionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 65 75 /2 00 5- 68 Fl. 631DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. A Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário julgouse impedida, pelo que foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral o patrono Dr. André de Oliveira Alves, OAB/DF 34.826, escritório Gaia, Silva, Gaede Advogados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Rodolfo Tsuboi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 386 em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida pela DRJ/RJ de fls 356, que manteve o lançamento e determinou a improcedência da Impugnação de fls. 229, apresentada em oposição ao Auto de Infração de Cofins de fls. 9 e Relatório Fiscal de fls. 12, lavrados em razão da diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago. Como de costume desta Turma de Julgamento, transcrevese o mesmo relatório utilizado na decisão de primeira instância, in verbis: "Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, abrangendo os períodos de apuração (PA) 03/00, 12/01, 10/02 e 11/02 (fls. 07/09 e 19/20), no valor (principal). de R$ 139.111,26, com multa de oficio de 75% no valor de R$ 104.333,42, e juros de mora, calculados até 30/11/2005, no valor de R$ 79.566,09, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 323.010,777, em decorrência de ação fiscal efetuada pela Delegacia da Receita Federal em Niterói/RJ (DRF/NIT/RJO), conforme Mandado de Procedimento Fiscal à fl. 01. 2. Na Descrição dos Fatos de fls. 08/09, assim como no Termo de Constatação e Intimação de fls. 10/16, a autoridade autuante registra que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, apurou diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados/pagos da COFINS nos meses (PA) acima discriminados, diferenças essas apuradas entre os valores declarados em DCTF e na DIPJ/Livro Diário, tendo sido desprezadas as divergências inferiores a R$ 5.000,00, por terem sido consideradas com valores irrisórios, sendo que, as divergências restantes, não constituídas através de lançamento Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10730.006575/200568 Acórdão n.º 3201003.396 S3C2T1 Fl. 632 3 regular (DCTF), foram objeto de lançamento de oficio através do Auto de Infração ora em exame. 3. O enquadramento legal do lançamento fiscal da COFINS (v. fls. 08/09), cientificado à contribuinte em 13/12/2005, consoante se observa à fl. 07, consistiu no art. 149 da Lei n° 5.172/66; art. 1° da Lei Complementar (LC) n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. 4. No que se refere à multa de oficio e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no Demonstrativo de fl. 20. 5. Após tomar ciência da autuação, a empresa fiscalizada, inconformada, apresentou, em 12/01/2006, a impugnação juntada às fls. 221/228, e documentos anexos de fls. 229/343 (cópia de Darf s, fls. 229/230; cópia de documento de identidade e CPF do Diretor Adm./Financeiro e do Presidente Executivo da empresa, signatários da impugnação apresentada, fls. 231/232; cópia da Ata de reunião do Conselho de Administração, fls. 233/235; cópias de balancetes, fls. 236/255; cópia de recibo de entrega e de DCTF retificadora do 4° trimestre de 2002, fls. 256/289; cópia de recibo de entrega e de DIPJ/2003 retificadora, fls. 290/343), com as alegações a seguir resumidas: 5.1. a impugnante reconhece, parcialmente, a exigência fiscal, motivo pelo qual procede à anexação dos Darf's relativos ao pagamento do crédito tributário admitido como devido para os fatos geradores 31/03/2000 e 31/12/2001, em face de sua escrituração; 5.2. já no que se refere ao fato gerador 31/10/2002, não assiste total razão ao agente do fisco, já que, na verdade, o valor apurado decorreu de erro de fato verificado no preenchimento da DIPJ, conforme demonstram e comprovam as inclusas folhas com os correspondentes registros no Livro Razão, esclarecendose, ademais, ter a impugnante promovido a retificação da DIPJ e da DCTF, conforme documentos anexos; 5.3. para o mencionado fato gerador 31/10/2002, como o valor devido é de R$ 1.086.795,63, e não os R$ 1.158.216,94 considerados pela fiscalização, e tendo a impugnante pago a quantia de R$ 1.073.494,44, temse uma diferença de R$ 13.301,19, não existindo, obviamente, a diferença de R$ 84.722,50, imputada pelo fisco; 5.4. a impugnante efetuou o pagamento da diferença efetivamente devida, no valor de R$ 13.301,19 (conforme Darf de fl. 229), impondose, em conseqüência, a exclusão da diferença exigida da ordem de R$ 71.421,31, que teve origem em erro no preenchimento da declaração; Fl. 633DF CARF MF 4 5.5. na apuração das receitas tributáveis que compõem a contribuição devida para o fato gerador 31/10/2002, devem ser excluídas as devoluções de venda e o ganho na venda de ativos; 5.6. também para o fato gerador 30/11/2002, não pode subsistir o valor lançado, já que, da mesma forma como ocorreu para o fato gerador precedente, o valor apurado pelo fisco teve origem em erro de fato verificado no preenchimento da DIPJ, erro este que se encontra perfeitamente demonstrado e comprovado nas folhas inclusas à impugnação, que reproduzem os pertinentes registros no livro Razão, sendo certo que, conforme documentos igualmente anexados, foram retificadas a DCTF e a DIPJ; 5.7. para o fato gerador 30/11/2002, como o valor devido é da ordem de R$ 1.149.873,83, e não os R$ 1.181.177,84 considerados pela fiscalização, e tendo a impugnante pago a quantia de R$ 1.150.119,43, concluise que ocorreu um pagamento a maior de R$ 245,60, não existindo, assim, a diferença de R$ 31.058,41 imputada pelo fisco, que, portanto, há que ser excluída do lançamento; 5.8. igualmente ao mencionado para o fato gerador 31/10/2002, também para o fato gerador 30/11/2002, na apuração das receitas tributáveis que compõem a contribuição devida, devem ser excluídas as devoluções de venda e o ganho na venda de ativos; 5.9. em conclusão, demonstrada e comprovada a ilicitude do procedimento fiscal em apreço e alicerçado em seus irrefutáveis demonstrativos e elementos de prova, a impugnante requer seja conhecida e provida a sua impugnação, para o fim de ser julgado improcedente o lançamento, pela forma apurada pelo fisco, e, em conseqüência, extinto o crédito tributário efetivamente devido, reconhecido e pago pela impugnante, com o arquivamento do processo administrativo fiscal respectivo." Esta decisão de primeira instância administrativa fiscal foi proferida com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/10/2002 a 30/11/2002. COFINS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. COFINS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. DCTF. DIPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Apenas os débitos declarados pelo contribuinte em DCTF apresentada antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de oficio. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10730.006575/200568 Acórdão n.º 3201003.396 S3C2T1 Fl. 633 5 COFINS. APURAÇÃO. LANÇAMENTO. EXCLUSÕES. GANHOS NA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Os ganhos auferidos em operações de venda de bens que integram o ativo permanente da empresa necessitam de prova efetiva de sua ocorrência e possibilidade de consideração para fins de exclusão das receitas que compuseram o lançamento. Lançamento Procedente." Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos de impugnação. Em seguida, este Conselho proferiu a Resolução de fls. 439 nos seguintes termos: "Em sede de recurso voluntário, observei que a empresa argumentou: que reconheceu que os valores apurados em 31/03/2000 (R$ 5.146,97) e 31/12/2001 (R$ 18.183,38) eram efetivamente devidos. E, tanto é assim que recolheu de imediato os débitos correspondentes, apresentando, Darf's dos valores exigidos no lançamento em causa. quanto à contribuição exigida nos períodos de apuração 31/10/2002 (R$ 84.722,50) e 30/11/2002 (R$ 31.058,41), a recorrente declara existência de erro de fato verificado no preenchimento da DIPJ, que deu ensejo ao lançamento, havendo sido retificadas as pertinentes declarações (DIPJ e DCTF). o litígio instaurouse apenas em relação aos períodos de apuração de 31/10/2002 (R$ 84.722,50) e 30/11/2002 (R$ 31.058,41), contra os quais se insurgiu, efetivamente. que somente subsistia o valor residual de R$ 13.301,19, e não o valor lançado de R$ 84.722,50 no período de apuração 31/10/2002, além da ausência de qualquer débito no período de apuração 30/11/2002, diante da existência de um pagamento a maior da ordem de R$ 245,60, circunstância que afasta, obviamente, a exigência do valor exigido, conforme perfeitamente demonstrado e comprovado na impugnação. que a citada diferença considerada devida pela recorrente (R$ 13.301,19) relativa ao período de apuração 31/10/2002, foi também objeto de imediato recolhimento aos cofres públicos, conforme Darf . Diante dos fatos relevantes, tendo em vista o princípio da verdade material e para minha convicção, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, no intuito de: averiguar se efetivamente houve pagamentos nos períodos lançados em exame da documentação de escrituração do sujeito Fl. 635DF CARF MF 6 passivo, pois o mesmo insiste em erro de preenchimento na DIPJ (nos períodos de 10/2002 e 11/2002). Realizada a etapa de diligência, a fiscalização faça as devidas considerações, posteriormente vista a PGFN, e se querendo manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias; após, encaminhados os autos para prosseguimento no julgamento." Em fls. 460 verificase que a diligência não foi cumprida, conforme o seguinte despacho de encaminhamento: "DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Sr. Chefe,Conforme determinado, procedi à diligência em face da sociedade, não tendo a mesma logrado atender ao solicitado, embora tenha sido regularmente intimada e reintimada, conforme documentação acostada do presente processo.Assim sendo, proponho o retorno do presente à autoridade julgadora que demandou a diligência, quer seja: MARIA HELENA TRAJANO D´AMORIM (CARF TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 2.ª CÂMARA 1ª TURMA ORDINÁRIA).À consideração de V.S.ª." Em fls. 467 a nobre Conselheira decana Mércia Helena Trajano D'morim reiterou, mas alterou os requisitos da diligência, nos moldes expostos a seguir: "No caso concreto, a recorrente trouxe documentação fiscal (Livro Diário) que entendeu ser suficiente para contrapor a exigência fiscal. Nada obstante, consoante transcrição acima, a decisão de primeira instância entendeu pela necessidade de mais comprovação. Por esse motivo, a recorrente juntou “Escritura de Promessa de Compra e Venda” de fls. 405/415, na qual a Cláusula “J” estipula que o promitente comprador se obriga ao pagamento de R$ 2.380.710,33. Assim sendo, em atendimento ao princípio da verdade material e da estrita legalidade, entendo pela conversão do feito em diligência para que a Delegacia da Receita federal se digne: 1) analisar os termos da citada escritura para fins de exclusão ou não do respectivo valor da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins. 2) aproveitando, analisar o “Contrato de Compra e Venda” de fls. 397/401, o qual estipula em sua Cláusula 1.1 que os compradores se obrigam no pagamento de R$ 3.052.000,00 a título de aquisição de Ações Ordinárias e Preferenciais da empresa “Leader S/A Administradora de Cartões de Crédito” e sua relevância para a exigência fiscal. (Contrato registrado em Cartório fl 421). Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre a exigibilidade do crédito pretendido e abra vista para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como a Procuradoria da Fazenda NacionalPGFN. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10730.006575/200568 Acórdão n.º 3201003.396 S3C2T1 Fl. 634 7 Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF." Novamente a diligência não foi cumprida, conforme trecho extraído da resposta fiscal à Resolução, de fls. 477 e 484, reproduzido parcialmente a seguir: Em fls. 500, diante da ausência da análise dos documentos juntados pelo contribuinte, por parte da fiscalização, o contribuinte manifestou suas alegações e reiterou seus pedidos. De volta ao CARF, a Conselheira novamente converteu o julgamento em diligência, cofnorme trecho extraído das fls. 548, exposto a seguir: "Por todo o exposto, exponho a situação ao colegiado para que seja votada a indicação (ou não) de converter de novo o feito em diligência, por conta da demanda acima. Foi votado pelo colegiado desta Turma para retornar em diligência, tendo em vista o não atendimento à demanda. Em sendo assim, 1) analisar os termos da escritura (ESCRITURA/PROMESSA DE COMPRA E VENDA E CONTRATOS DE COMPRA E VENDA), para fins de exclusão ou não do respectivo valor da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins; 2) analisar o “Contrato de Compra e Venda” de fls. 397/401, o qual estipula em sua Cláusula 1.1 que os compradores se obrigam no pagamento de R$ 3.052.000,00 a título de aquisição de Ações Ordinárias e Preferenciais da empresa “Leader S/A Administradora de Cartões de Crédito” e sua relevância para a exigência fiscal. (Contrato registrado em Cartóriofl 421), enfim, se há exclusão ou não do respectivo valor da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins; e por fim; 3) verificar e informar se, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, a receita da venda do imóvel foi tributada como venda de bem integrante do estoque ou de ativo imobilizado. Após a realização das análises solicitadas, profira parecer a despeito, bem como abra prazo para a contribuinte se manifestar, bem como a PGFN e após, retorne esse processo a esta 2ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento." Fl. 637DF CARF MF 8 Em fls. 562 verificase que a fiscalização finalmente cumpriu a diligência e apresentou um relatório a respeito dos documentos juntados, que foi parcialmente favorável ao contribuinte, de modo que as operações de venda de ativos e obtenção de outras receitas operacionais foram confirmadas, subsistindo a falta de formalidade e amparo completo do registro dessas operações da escrita contábil do contribuinte. Por sua vez, o contribuinte se manifestou novamente, conforme pode ser observado em fls. 611. Na oportunidade, reiterou alguns argumentos e inovou em sua defesa, lembrando que as receitas não operacionais não se enquadram no conceito de faturamento estabelecido pelo STF, após julgamento da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98. Os autos foram novamente distribuídos e pautados nos moldes do regimentos interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção de Julgamento e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Verificase em fls. 251 o registro das receitas não operacionais que foram incluídas na base de cálculo da Cofins cobrada no lançamento, conforme trecho exposto a seguir: A materialidade das operações que deram origem às receitas não operacionais foi reconhecida no próprio relatório da fiscalização, de fls. 562. Logo, considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo da COFINS, o conceito de receita bruta não tem mais valia. Foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10730.006575/200568 Acórdão n.º 3201003.396 S3C2T1 Fl. 635 9 Assim, todas as receitas não operacionais que foram mantidas no lançamento, como a receita de venda de ativo, venda de participações e devolução de vendas, devem ser excluídas da base de cálculo da Cofins cobrada, juntamente com as multas e juros cobradas sobre tais valores. Os demais valores de Cofins cobrados no lançamento devem ser mantidos, nos mesmos moldes da decisão de primeira instância deste processo administrativo fiscal, visto que o contribuinte a contestou de forma genérica os cálculos, sendo que o colegiado de primeira instância manteve o lançamento de forma específica, conforme trecho da decisão exposto a seguir: Restou que a diferença entre os valores escriturados, declarados e os valores pagos e apurados continuou sem qualquer comprovação específica que permitisse o cancelamento do lançamento de ofício, porque, apesar da alegação de erro no preenchimento da DIPJ, o contribuinte não comprovou retificado suas declarações antes deste lançamento de ofício. E para reforçar a manutenção desta parcela do lançamento, verificase que o próprio contribuinte confirmou não ter recolhido, tanto que recolheu alguns valores da Cofins, conforme DARF de fls 237 e 372, que devem ser alocados e considerados na liquidação da cobrança dos valores mantidos. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para que o Recurso Voluntário seja parcialmente provido, para somente excluir as receitas não operacionais. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 639DF CARF MF 10 Fl. 640DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.689977/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa.
A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.
O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
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DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 77 /2 00 9- 02 Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10880.689977/200902 Acórdão n.º 1402002.857 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de CSLL, declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que havia recolhido tais tributos indevidamente ou a maior sobre receitas derivadas da venda de alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases de cálculo dessas contribuições. Também afirma que teve reconhecido em Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito n° 94.00116799, créditos de FINSOCIAL compensados com débitos da mesma espécie. Tal suposto recolhimento indevido ou a maior teria gerado uma base de cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu o Contribuinte a dezenas de compensações de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, incluindo a presente. Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n° 19515.000772/200754), sendo na ocasião alertada pelo próprio Agente Fiscal que estava recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas contribuições. Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época. Afirma que o processo deve ser baixado em diligência para que seja confirmada a regularidade das compensações efetuadas e, ao final, requer a homologação integral da compensação em tela. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato destas decisões possuírem termos idênticos em suas razões. No mérito, em suma, limitase a repetir as razões da Manifestação de Inconformidade. Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10880.689977/200902 Acórdão n.º 1402002.857 S1C4T2 Fl. 4 3 Ainda, acostou complementos ao Recurso Voluntário, referentes a estudo e Laudo emitido por Auditores Independentes, acostandoos aos autos, bem como noticiando o julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.855, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.689993/200997. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.855): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes autos) pelo fato destes repetirem ipsis litteris seus termos, denotando teor idêntico. O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa. Primeiramente, temos que atualmente, no processamento e julgamento de causas, administrativas e judiciais, a adoção de decisões repetitivas, ou mesmo de minutas padrão, é a inquestionável realidade, erigida sobre os corolários da praticidade, da racionalidade, da economia processual e da duração razoável do processo. Per si, o fato de decisões possuírem semelhante ou até igual teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional). Para tanto seria necessária a demonstração, concreta e específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito, explicando e apontando como tal repetição feriu a defesa empreendida na demanda. Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10880.689977/200902 Acórdão n.º 1402002.857 S1C4T2 Fl. 5 4 Posto isso, ausente tal demonstração, deve ser rejeitada a preliminar alegada pela Recorrente. Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão sobre o conhecimento da nova documentação acostada pela Recorrente, inclusive após seu Recurso Voluntário, tratandose de Laudos emitidos por Auditores Independentes. Este Conselheiro entende que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição não pode prevalecer o prestígio da instrumentalidade do processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados no curso do processo. Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de seu art. 16, assim como autoriza o Julgador a solicitar diligências quando mostramse necessários outros elementos e providências para a formação da sua livre convicção. Assim, apresentase viável o conhecimento de documentação após a apresentação da Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de pertinência, necessidade e colaboração dos elementos novos acostados com o desfecho técnico da demanda. Tais Laudos acostados neste feito resumemse a planilhas elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos comentários, sem conter qualquer documentação contábil ou fiscal, bem como, expressamente, versam sobre cálculos referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre o IRPJ e eventuais reflexos. Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou mesmo por terceiros, têm valor probante extremamente relativo (ou nenhum, digase) se desacompanhados da documentação contábil e fiscal em que foram baseados. Não obstante e principalmente, o processo administrativo em tela tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora homologado por ausência de verificação e comprovação da existência de recolhimento a maior ou indevido em relação ao documento de arrecadação apontado. Dessa forma, o novo cálculo de apuração de PIS e COFINS devidos no período, seja por exclusão de operações sujeitas à alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo, não possui qualquer relevância ou conexão direta para a demonstração de que o recolhimento de IRPJ, que especificamente teria dado origem ao crédito pretendido, foi efetuado a maior ou indevidamente. Posto isso, não se conhece da documentação acostada após a interposição do Recurso Voluntário. No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo, todas as matérias alheias a esta demanda, referentes as informações e alegações trazidas pela Recorrente acerca de Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10880.689977/200902 Acórdão n.º 1402002.857 S1C4T2 Fl. 6 5 supostos créditos de FINSOCIAL, de PIS e de COFINS, Autuações e Ações Judiciais relacionadas a tais tributos, que não são objeto do DCOMP apreciado, serão devidamente desconsideradas e não conhecidas, inclusive colaborando para uma decisão mais hígida e clara. O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou indevidamente créditos de PIS e COFINS sobre produtos tributadas sob alíquota zero, efetuou o estorno desses créditos em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no mesmo período, dando margem, então, ao seu pretendido crédito. É certo que tal alegação é plausível. Todavia, o Recorrente não procedeu a qualquer demonstração de como, efetivamente, teria se operado tal redução em sua apuração do IRPJ e muito menos produzido qualquer prova sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários. Em suas razões consta apenas tal afirmação, abstrata e genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno de crédito de PIS e COFINS. Ora, a simples afirmação textual em peças de defesas da ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um determinado tributo, claramente, não basta para configurar e provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando confirmada pela Unidade de Fiscalização a precisão quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu. Nos processos administrativos referente a restituição e compensação é ônus do contribuinte a prova de seu crédito, devendo trazer aos autos demonstrações precisas e conjunto fáticoprobatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e liquidez, desconstruindo, assim, os fundamentos de sua não homologação. Em acréscimo, frisese que a própria Contribuinte afirma que não teria procedido à retificação da DCTF em que o débito de IRPJ, saldado com o DARF que teria dado origem ao crédito agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal débito, revelando pagamento a maior/indevido). Em momento algum foi acostada sua versão retificadora. Por sua vez, a entrega de DCTF constitui confissão de débito tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a maior/indevido que gerou o crédito ora pleiteado foi precisamente alocado para saldar tal obrigação constituída, perfeitamente no seu valor. Assim, juridicamente e para todos os fins fiscais, não foi apresentado nenhum elemento (DCTF retificadora ou provas contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e exigível monta pela qual declarado na DCTF do período. Desse modo, não foi devidamente comprovada a existência crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela. Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 10880.689977/200902 Acórdão n.º 1402002.857 S1C4T2 Fl. 7 6 E digase que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos na apuração do IRPJ, não foi devidamente alegado, demonstrado ou mesmo provado pela Contribuinte como tal redução teria, também, culminado no recolhimento a maior/indevido que originou crédito especificamente pleiteado na DCOMP objeto do presente feito. Por fim, frisese que não há qualquer necessidade da realização de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos necessários ao convencimento motivado e à devida fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido, para não reconhecer o crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.732640/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
DISTINÇÃO ENTRE CONTRATO DE MÚTUO, CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO E CONTRATO DE CONTA CORRENTE.
O contrato de mútuo é um contrato real em que figuram, de um lado, credor, de outro, devedor, e há a transferência de um bem fungível, como o dinheiro, ficando o devedor obrigado a realizar, em um momento futuro, uma segunda transferência, em favor do credor, do bem igual (mesmo gênero, qualidade e quantidade), mais eventuais juros pactuados, que correm entre a primeira e a segunda transferência. Já o contrato de abertura de crédito nada mais que um contrato preliminar, de promessa de mutuar. Por último, o contrato de conta corrente é distinto do contrato de mútuo e nele as remessas de dinheiro podem ter diversas naturezas, dentre elas uma própria relação de mútuo, assim como é possível que tenha natureza de reembolso de despesas, prestação de serviços etc; não existem as figuras de credor e devedor até a verificação de saldo, correndo eventuais juros somente a partir desse último momento e não da remessa.
CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. CONTRATO DE MÚTUO. INCIDÊNCIA. ARTIGO 13, DA LEI Nº 9.779/1999
De acordo com o artigo 13, da Lei nº 9.779/1999, o IOF incide sobre operações de créditos correspondente a mútuo, no que deve se reconhecer que tal norma não pode implicar a tributação da mera celebração de um contrato de abertura de crédito, que consiste em uma promessa de mutuar.
BASE DE CÁLCULO. IOF. CONTRATO DE MÚTUO COM VALOR FIXO E CONTRATO DE MÚTUO COM VALOR INDEFINIDO. ARTIGO 7º, INCISO I, ALÍNEAS "A" E "B", DO DECRETO Nº 6.306/2007.
Enquanto a base de cálculo prevista na alínea "a" do inciso i, do artigo 7º, do decreto nº 6.306/2007, se destina às operações em que não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, como ocorre em operações de crédito rotativo, a prevista na alínea "b", do inciso i, do artigo 7º, do decreto nº 6.306/2007, se destina às operações em que tal valor ficar definido, como ocorre em operações de crédito fixo.
Numero da decisão: 3401-004.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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O contrato de mútuo é um contrato real em que figuram, de um lado, credor, de outro, devedor, e há a transferência de um bem fungível, como o dinheiro, ficando o devedor obrigado a realizar, em um momento futuro, uma segunda transferência, em favor do credor, do bem igual (mesmo gênero, qualidade e quantidade), mais eventuais juros pactuados, que correm entre a primeira e a segunda transferência. Já o contrato de abertura de crédito nada mais que um contrato preliminar, de promessa de mutuar. Por último, o contrato de conta corrente é distinto do contrato de mútuo e nele as remessas de dinheiro podem ter diversas naturezas, dentre elas uma própria relação de mútuo, assim como é possível que tenha natureza de reembolso de despesas, prestação de serviços etc; não existem as figuras de credor e devedor até a verificação de saldo, correndo eventuais juros somente a partir desse último momento e não da remessa. CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. CONTRATO DE MÚTUO. INCIDÊNCIA. ARTIGO 13, DA LEI Nº 9.779/1999 De acordo com o artigo 13, da Lei nº 9.779/1999, o IOF incide sobre operações de créditos correspondente a mútuo, no que deve se reconhecer que tal norma não pode implicar a tributação da mera celebração de um contrato de abertura de crédito, que consiste em uma promessa de mutuar. BASE DE CÁLCULO. IOF. CONTRATO DE MÚTUO COM VALOR FIXO E CONTRATO DE MÚTUO COM VALOR INDEFINIDO. ARTIGO 7º, INCISO I, ALÍNEAS "A" E "B", DO DECRETO Nº 6.306/2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 26 40 /2 01 3- 10 Fl. 450DF CARF MF 2 Enquanto a base de cálculo prevista na alínea "a" do inciso i, do artigo 7º, do decreto nº 6.306/2007, se destina às operações em que não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, como ocorre em operações de crédito rotativo, a prevista na alínea "b", do inciso i, do artigo 7º, do decreto nº 6.306/2007, se destina às operações em que tal valor ficar definido, como ocorre em operações de crédito fixo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de Auto de Infração, lavrado em 16/12/2013 para cobrança de valores a título de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários ("IOF"), com fatos geradores ocorridos entre 31/01/2009 a 30/11/2010, sob a acusação de que teria havido falta de recolhimento do imposto sobre operações de mútuo realizadas com empresas ligadas ao contribuinte. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 e seguintes, a Fiscalização verificou, pela análise das DIPJ´s dos anoscalendários 2009 e 2010, que o contribuinte informou valores referentes a créditos com pessoas ligadas, lançados na linha 16 da Ficha 36A ("Ativo Balanço Patrimonial") das referidas DIPJ´s. Tais valores seriam relativos a saldos das contas nº 1.2.02.01 ("Adiantamento a Pessoas Ligadas") e nº 1.1.02.02.0024 ("SB Equipamentos Ltda."), que corresponderiam a operações de mútuo realizadas entre o contribuinte, como mutuante, e as seguintes pessoas ligadas, na qualidade de mutuário: (i) GD Empreendimentos e Participações Societárias Ltda.; (ii) Marno Empreendimentos e Participações Societárias Ltda.; (iii) Santa Bárbara Desenvolvimento Imobiliário S.A; (iv) Patter Construtora Ltda EPP; e (v) SB Equipamentos Ltda. Diante disso, o contribuinte foi intimado a apresentar "cópias dos contratos de mútuos firmados, a finalidade de cada contrato e a modalidade dos empréstimos Fl. 451DF CARF MF Processo nº 15504.732640/201310 Acórdão n.º 3401004.364 S3C4T1 Fl. 451 3 concedidos, se fixo ou rotativo, bem como comprovar, através de documentação hábil e idônea, as efetivas saídas e ingressos de numerários, com a apresentação dos respectivos comprovantes". Em resposta, o contribuinte informou que, devido a antiguidade dos contratos de mútuo firmados, não conseguiu localizar os contratos, mas que se tratava de operação de mútuo de crédito rotativo, sem vencimento, sem finalidade específica, pois as mutuárias têm total liberdade para aplicar os recursos sem estarem atrelados a uma finalidade específica. Quanto ao recolhimento do IOF, o contribuinte explicou que o imposto não havia sido recolhido, "uma vez que os contratos de mútuo foram firmados anteriormente a lei 9.779/1999, quando não se incidia o regramento legal para o recolhimento do referido imposto". Diante de tais constatações, a Fiscalização lavrou o Auto de Infração, para constituição do crédito tributário, com fundamento no artigo 13, da Lei nº 9.779/1999, Ato Declaratório SRF nº 30/1999, artigos 2º, 3º e 5, do Decreto nº 6.306/2007, aplicando, em relação à base de cálculo e à alíquota, o artigo 7º , inciso I, alínea "a", 1, parágrafo 15, do Decreto nº 6.306/2007. Após ter sido cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR ("DRJ"), na sessão de julgamento do dia 25/09/2014, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE. Incabível a decretação de nulidade do auto de infração quando não configuradas as situações expressamente previstas na legislação. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. Nos contrato de abertura de crédito entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoas físicas ligadas, incidirá o IOF toda vez que houver a utilização de disponibilidades da mutuante em benefício dos mutuários. MÚTUO FINANCEIRO. CRÉDITO ROTATIVO Fl. 452DF CARF MF 4 A base de cálculo do IOF, nas operações de mútuo financeiro, cujas operações são realizadas sob a modalidade de crédito rotativo, é o somatório dos saldos devedores diários registrados nas contas de empréstimos apurado no último dia de cada mês". Dessa decisão, o contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado no dia 17/10/2014, conforme documento de fls 424, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 04/11/2014, conforme documento de fls. 426, no qual pede a reforma da decisão recorrida, com a declaração de improcedência/cancelamento do lançamento, com base nos seguintes argumentos: (i) não haveria a incidência de IOF nos contratos celebrados pela Recorrente e as empresas a ela ligadas, pois se tratava de um contrato de abertura de crédito distinto de um contrato de mútuo; (ii) caso ultrapassado o primeiro argumento, existiria nos autos cópia dos contratos de abertura de crédito, no qual há a definição do limite do valor principal que poderia ser entregue/colocado à disposição da empresa ligada, o que atrairia, para fins de cálculo do crédito tributário, as normas relativas a base de cálculo e alíquotas contidas no artigo 7º, inciso I, alínea "b", do Decreto nº 6.306/2007, e não a utilizada no lançamento, artigo 7º, inciso I, alínea "a", do Decreto nº 6.306/2007; em decorrência da capitulação equivocada quanto a base de cálculo, o auto de infração deveria ser anulado. Em seguida, os autos foram remetidos ao CARF, sendo distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira A questão que se coloca ao Colegiado é se, diante da natureza jurídica das operações realizadas entre a Recorrente e outras pessoas jurídicas a ela ligadas, há incidência do IOF e qual a base de cálculo a ser considerada. A Constituição da República prevê, em seu artigo 153, inciso V, a competência da União para instituir impostos sobre: "V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários", havendo, portanto, previsão para a incidência do imposto sobre quatro bases econômicas distintas, operações de crédito, operações de câmbio, operações de seguro, operações relativas a títulos ou valores mobiliários. Como se verifica, não há qualquer previsão de imposto sobre "operações financeiras" na Constituição da República, o que leva parte da doutrina a criticar a denominação IOF, adotada na legislação ordinária e nos regulamentos, por considerála imprópria, preferindo se referir a cada um dos impostos, de acordo com as bases econômicas oneradas por eles, tal como previsto na Constituição da República. Assim, não haveria o IOF, mas sim os quatro impostos distintos a seguir: o Imposto sobre Operações de Crédito ("IOCrédito"), o Imposto sobre Operações de Câmbio ("IOCâmbio"), o Imposto sobre Operações de Seguro ("IOSeguro") e Imposto sobre Operações relativas a títulos ou valores mobiliários ("IOTVM"). O IOF foi instituído pela Lei nº 5.143/1966, inicialmente limitado a operações realizadas por instituições financeiras e seguradoras o que foi alterado Fl. 453DF CARF MF Processo nº 15504.732640/201310 Acórdão n.º 3401004.364 S3C4T1 Fl. 452 5 posteriormente , e sua disciplina se encontra na legislação ordinária em uma série de diplomas, dentre os quais, os que deram suporte ao lançamento, relativo ao Imposto sobre Operações de Crédito, a serem examinados a seguir. Nos termos do artigo 13, da Lei nº 9.779/1999: "Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador". (grifos nossos) Se, de um lado, o dispositivo deixa claro que o imposto atualmente incide em operações realizadas entre quaisquer pessoas jurídicas, não havendo exigência de que tais pessoas jurídicas sejam instituições financeiras, de outro lado, ao prever a incidência do imposto nessas hipóteses sobre "operações de crédito correspondentes a mútuo", o dispositivo parece restringir o imposto à "operação de mútuo", considerada como uma espécie dentro do gênero das "operações de crédito". Nesse particular, convém trazer lição de Aliomar Baleeiro, que explicita o conteúdo de "operação de crédito", fazendo as devidas distinções entre suas modalidades: “O CTN, no inciso I do art. 63, menciona operações de crédito em geral, das quais a principal é o mútuo feneratício – o empréstimo de dinheiro e juros. (...) também as várias operações de crédito que usualmente constituem os negócios dos Bancos e empresas financiadoras. Elas e os títulos ou papéis, que as representam, ainda que, juridicamente, não dependam de indagação da causa debendi, que se presume. A fiança, a caução, etc, enfim os negócios em que alguém põe seu crédito a serviço de outro, estão nesse número, até porque os Bancos costumam prestálo mediante comissão” 1. O lançamento ainda aponta como fundamento os artigos 2º, 3º e 5º, do Decreto nº 6.306/2007, que tratam de incidência, fato gerador e responsável pelo recolhimento, e o Ato Declaratório SRF nº 30/1999, que traz a observação acima colocada, a respeito do âmbito de incidência do Imposto sobre Operação de Crédito previsto no artigo 13 da Lei nº 9.779/1999, além de afirmar que a incidência ocorre quando o mutuante for pessoa jurídica, e possui a seguinte redação: "Art. 1º O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma, e quando o mutuante for pessoa jurídica". (grifos nossos) Nesse contexto, para fins de verificação da ocorrência do fato gerador do IOF, é importante que se tenha clara a definição do contrato de mútuo, contrato típico, previsto no Código Civil nos artigos 586 e seguintes, como "Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade". Como observa José Roberto de Castro Neves: "A rigor, no mútuo, uma pessoa transfere a outra a propriedade de coisa fungível, ficando esta última obrigada a entregar, num momento futuro, coisa 1 “Direito Tributário Brasileiro”, 9ª Edição, Forense. Fl. 454DF CARF MF 6 do mesmo gênero e qualidade daquela inicialmente entregue. A restituição, portanto, se dá com o equivalente. Há, na verdade, uma ficção, pois, vista a coisa objetivamente, não há empréstimo de uma coisa: como se disse, uma pessoa transfere a propriedade de um bem fungível e aquele que recebe o bem fica obrigado a dar, num momento futuro, à quem lhe deu o bem, outro igual. Nesse negócio, existem duas transferências de propriedade"2. Além disso, o contrato de mútuo é um contrato real, que só se aperfeiçoa com a entrega da coisa. Por esse motivo, antes da entrega da coisa, o mútuo não se aperfeiçoa e haverá apenas promessa de mútuo. Assim, "a abertura de crédito de uma instituição financeira, por meio da qual se concede ao cliente o poder de concretizar o mútuo, apenas vai ocorrer quando o mutuário recebe o dinheiro. Fica claro, nesse exemplo, a natureza real do contrato. Antes da entrega, existirá apenas a promessa".3 Dessa maneira, naqueles contratos denominados "contrato de abertura de crédito", normalmente o que é pactuado é uma promessa de mutuar. Nas palavras de Caio Mario da Silva Pereira: "(...) Levando em consideração a concepção tradicional do mútuo como contrato real, a abertura de crédito é um contrato preliminar, promessa de mutuar, que se converte automaticamente em mútuo com o lançamento da quantia a crédito na conta do mutuário independentemente de têla sacado ou usado, bastando que fique ali à sua disposição".4 Por último, cabe ainda mencionar o contrato de conta corrente utilizado, por exemplo, por empresas do mesmo grupo, para gestão única de caixa , que é objeto de intensos debates na Terceira Seção de Julgamento do CARF, a respeito de sua sujeição ou não ao IOF. Pela impossibilidade de sujeitar esse tipo contratual ao IOF, podese citar o Acórdão nº 3101 001.094, de 25/04/2012, de relatoria do Conselheiro Corintho Oliveira Machado e que teve como Redator Designado o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. Por outro lado, pela sujeição ao IOF, podese citar o Acórdão nº 3401002.490, de 29/01/2014, desta Turma de Julgamento, que teve como relator o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte e Redator Designado o Conselheiro Robson José Bayerl, além dos Acórdãos de nº 3301002.282, de 27/03/2014, e 3401002.490, de 29/01/2014. Segundo a doutrina5, o contrato de conta corrente "(...) é o contrato segundo o qual duas pessoas convencionam fazer remessas recíprocas de valores — sejam bens, títulos ou dinheiro , anotando os créditos daí resultantes em uma conta para posterior verificação do saldo exigível, mediante balanço (..)". Além disso, a doutrina aponta as seguintes características do contrato de conta corrente: "a) O contrato de conta corrente 'supõe uma série de operações sucessivas e recíprocas entre as partes'. Essas operações não se liquidam imediatamente e sim são anotadas nas contas, como partidas de débito e crédito. Ao final do prazo convencionado, ou no fim de um ano, se não houver período estabelecido, somamse as partidas de débito e as de crédito, verificandose o saldo. Esse será o resultado da diferença entre os débitos e os créditos. (...) 2 Neves, José Roberto de Castro. "Contratos I". 1ª Edição. Rio de Janeiro. LMJ Mundo Jurídico, 2016. p. 202. 3 Neves, José Roberto de Castro. "Contratos I". 1ª Edição. Rio de Janeiro. LMJ Mundo Jurídico, 2016. p. 203. 4 PEREIRA, Caio Mario da Silva. Instituições de Direito Civil – VOL. III – Contratos. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2007, 12ª ed, p 354 e 355. 5 "Contratos e Obrigações Comerciais". Fran Martins. Ed. Forense, 14' Edição, p. 397 e seguintes. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 15504.732640/201310 Acórdão n.º 3401004.364 S3C4T1 Fl. 453 7 c) Durante a vigência da conta corrente não pode um dos correntistas julgar se credor ou devedor, pois essa averiguação só se obterá no momento do encerramento da conta. As remessas constituem uma massa homogênea cujo resultado só será reconhecido pelas partes ao fazerse o balanço para a verificação final. d) As remessas de cada correntista, perdendo a sua individualidade, unificamse na massa de débitos e de créditos, não podendo, assim, dar causa a ação particular sobre elas, nem ser objeto de execução." Ante o exposto, podese afirmar que (i) o contrato de mútuo é um contrato real em que figuram, de um lado, credor, de outro, devedor, e há a transferência de um bem fungível, como o dinheiro, ficando o devedor obrigado a realizar, em um momento futuro, uma segunda transferência, em favor do credor, do bem igual (mesmo gênero, qualidade e quantidade), mais eventuais juros pactuados, que correm entre a primeira e a segunda transferência; (ii) o contrato de abertura de crédito nada mais que um contrato preliminar, de promessa de mutuar; e (iii) o contrato de conta corrente é distinto do contrato de mútuo e nele as remessas de dinheiro podem ter diversas naturezas, dentre elas uma própria relação de mútuo, assim como é possível que tenha natureza de reembolso de despesas, prestação de serviços etc; não existem as figuras de credor e devedor até a verificação de saldo, correndo eventuais juros somente a partir desse último momento e não da remessa. No lançamento ora em análise, como relatado, a Fiscalização intimou o Recorrente durante a Fiscalização para que apresentasse cópia dos contratos de mútuo, no que o Recorrente respondeu que não havia sido possível encontrálos, em razão da antiguidade da data de celebração dos mesmos, porém, esclareceu que os contratos não eram com valor fixo, mas de "crédito rotativo" para empresas a ela ligadas, e que teriam sido pactuados sem data de vencimento. Com a abertura do contencioso, é possível uma melhor identificação da natureza jurídica da relação existente entre o Recorrente e as empresas a ele ligadas, pois o Recorrente acosta à sua Impugnação, às fls. 397 e seguintes dos autos, o instrumento contratual que formaliza essa relação jurídica. Do exame desse contrato, destaco o seguinte: (i) as partes denominam o instrumento como "Contrato de Abertura de Crédito e outras Avenças"; (ii) há, de um lado, a figura do credor, o Recorrente, e de outro lado, a figura dos devedores, as empresas ligadas ao Recorrente; (iii) a cláusulas primeira, terceira e oitava do instrumento prevêem que o credor concede aos devedores uma linha crédito no montante de R$50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais), ou seja, no máximo até esse valor, a partir da data de celebração do instrumento, sendo os recursos liberados no prazo de 48 horas da realização do pedido das devedoras; (iv) ainda, a linha de crédito é concedida por um prazo total de 20 anos, ou seja, com vencimento no dia 30/11/2018, e as devedoras têm a obrigação de restituir os empréstimos solicitados, em parcelas variadas, até data de vencimento, podendo restituir tais valores antes, ao longo do prazo de vigência do contrato; e (v) o credor tem direito ao recebimento de encargos financeiros correspondentes a 100% da variação do CDI sobre o valor da dívida durante o prazo total de 20 anos ajustados pelas partes, ou seja, aplicamse os encargos desde a data de recebimento pelo devedor dos recursos até a sua efetiva restituição. Diante de tais características, penso que se está diante de um contrato de abertura de crédito, ou seja, uma promessa de mutuar, pelo o Recorrente, credor, se Fl. 456DF CARF MF 8 compromete a entregar um bem fungível, dinheiro, até o limite ali convencionado, aos devedores que, por sua vez, têm a obrigação de restituir os valores mutuados, até a data de vencimento estipulada entre credor e devedor, aplicandose à dívida os encargos financeiros entre uma data de outra. Não há que se falar, portanto, em contrato de conta corrente. Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente concorda com essa qualificação jurídica do instrumento por ele celebrado com as empresas ligadas, de que se trata de um contrato de abertura de crédito, e defende que seria um contrato distinto do contrato de mútuo. Afirma o Recorrente que o mútuo é um contrato real, ao passo que a abertura de crédito, a coisa é posta à disposição do contratante, sendo incerta a sua utilização; que o objeto do mútuo é determinado no momento da tradição, o que não ocorre com a abertura de crédito, em que a quantia a ser utilizada pelo contratante não é determinada; e que a abertura de crédito seria um contrato bancário típico, de acordo com a doutrina. Ao final, conclui que "não há incidência do IOF sobre o contrato de abertura de crédito por falta de previsão legal". Nesse ponto, também não há discordância com o Recorrente. É de reconhecer que existem elementos distintos entre o contrato de mútuo e o contrato de abertura de crédito, ao se considerar esse último um contrato preliminar, uma promessa de mutuar. Além disso, de acordo com o artigo 13, da Lei nº 9.779/1999, o IOF incide sobre operações de créditos correspondente a mútuo, no que deve se reconhecer que tal norma não pode implicar a tributação da mera celebração de um contrato de abertura de crédito, no que também se anui com o Recorrente, até porque a base de cálculo, nessas hipóteses, é o "somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês" (artigo 7º, inciso I, alínea "a", do Decreto nº 6.306/2007), de modo que se a pessoa jurídica apenas celebra o contrato de abertura de crédito com pessoa jurídica a ela ligada e não ocorrer, de fato, nenhuma operação de mútuo, não há que se exigir o recolhimento do IOF, posto que o somatório do saldo devedor diário será igual a zero. Contudo, o lançamento não decorre da mera celebração de um contrato de abertura de crédito, mas sim de uma série de operações de mútuo os recursos foram efetivamente entregues pela Recorrente às empresas a ela ligadas, como se verifica pela documentação acostada aos autos , cujas condições estão previstas, exteriorizadas, em instrumento de promessa de mútuo ou contrato de abertura de crédito. Nesse contexto, devese reconhecer a ocorrência do fato gerador do IOF, tal como delineado no artigo 13, da Lei nº 9.779/1999, como, aliás, entendeu o e. Superior Tribunal de Justiça em situação semelhante, no julgamento do Recurso Especial nº 1.239.101, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, em que se afirmou: "O contrato de abertura de crédito que a recorrente celebra estabelece que a controladora disponibiliza créditos às controladas, que poderão utilizálos total ou parcialmente. A remuneração do capital emprestado são os juros sobre o capital da controladora disponibilizado às controladas. Nesse sentido, não resta dúvida que as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente". (grifos nossos) Quanto à base de cálculo, o Recorrente defende a nulidade do lançamento por ter adotado as normas relativas a base de cálculo e alíquotas contidas no artigo 7º, inciso I, Fl. 457DF CARF MF Processo nº 15504.732640/201310 Acórdão n.º 3401004.364 S3C4T1 Fl. 454 9 alínea "a", do Decreto nº 6.306/2007, quando, no entender do Recorrente, haveria que ser utilizada a norma do artigo 7º, inciso I, alínea "b", do Decreto nº 6.306/2007, pois, segundo o Recorrente, teria ficado definido o valor do principal a ser utilizado pelas empresas ligadas. A seguir, os dispositivos em discussão: "7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o, parágrafo único, e Lei no 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: (...) b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: (...)" Enquanto a base de cálculo prevista na alínea "a" se destina às operações em que não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, como ocorre em operações de crédito rotativo, a prevista na alínea "b" se destina às operações em que tal valor ficar definido, como ocorre em operações de crédito fixo. Não merece prosperar a alegação do Recorrente, pois a estrutura do ajuste celebrado entre ela e as empresas ligadas se adequa à base de cálculo prevista na alínea "a", tendo em conta que o crédito poderia ser reutilizado durante o prazo do contrato, não existindo valor definido, fixo, de crédito a ser utilizado por cada mutuária, mas sim um valor máximo disponível às devedoras que poderia ser utilizado em sua totalidade, pela metade ou não ser utilizado. Pelo exposto, proponho a esse Colegiado conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 458DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13794.720213/2012-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. DOCUMENTAÇÃO PROBANTE.
Cabe ao Contribuinte trazer ao julgado todos os documentos que comprovem inequivocadamente os fatos que alega não importando o momento de sua apresentação. O processo administrativo fiscal busca não só a descoberta da verdade material "princípio da ampla defesa e do contraditório", bem como o do aperfeiçoamento do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2002-000.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni, Fabia Marcilia Ferreira Campelo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. DOCUMENTAÇÃO PROBANTE. Cabe ao Contribuinte trazer ao julgado todos os documentos que comprovem inequivocadamente os fatos que alega não importando o momento de sua apresentação. O processo administrativo fiscal busca não só a descoberta da verdade material "princípio da ampla defesa e do contraditório", bem como o do aperfeiçoamento do lançamento fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montes - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni, Fabia Marcilia Ferreira Campelo.
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Numero do processo: 10680.906556/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do auto-lançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF, bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do auto-lançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar “pagamentos indevidos”, passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos opera-se tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.707
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do autolançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF, bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do autolançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar “pagamentos indevidos”, passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos operase tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10680.906556/200819 Acórdão n.º 140200.707 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SORH SERVICO TEMPORARIO LTDA recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 775483456 emitido eletronicamente em 18/07/2008 (fl. 02), referente ao PER/DCOMP nº 20835.18651.121104.1.7.026641 (doc. de fls. 14/16). A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente ao Saldo Negativo de IRPJ, do 3º trimestre de 2001, Exercício de 2002, e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP (folha 16). Das análises processadas constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2002), correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Assim, diante do exposto, as compensações declaradas NÃO FORAM HOMOLOGADAS. Como enquadramento legal citouse: § 1º do art. 6º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 5º da Instrução Normativa nº 600, de 2005, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 02 de abril de 2008, conforme doc. de fl. 19, o interessado apresenta manifestação de inconformidade de folha 01 em 24/04/2008, documentação de fls. 02/13, argumentando em síntese que: a DIPJ ano base 2001, exercício de 2002, foi retificada e recepcionada, conforme recibo de entrega nº 36.48.70.96.05 (fl. 05), onde declarou o crédito tributário. Requer sejam processadas a compensação solicitada ou autorização para novo DCOMP. A decisão recorrida está assim ementada: RETIFICAÇÃO DE DIPJ. POSSIBILIDADE. PRAZO. Só é possível a retificação da DIPJ enquanto ainda não homologados os lançamentos originais, ou seja, dentro do prazo de 05 anos contados da ocorrência do fato gerador. COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTOS DE VALIDADE. A compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o quê não poderá ser admitida. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10680.906556/200819 Acórdão n.º 140200.707 S1C4T2 Fl. 0 3 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, alegando que verbis: (...) O enriquecimento sem causa é combatido pelo Direito, não sendo diferente na esfera fiscal. Assim, se verificado que o contribuinte recolheu aos cofres do Estado tributo em valor superior ao efetivamente devido, conforme constatado no ajuste anual, é obrigação do Fisco restituir o excesso (CTN, art. 165). Nesse sentido, a sempre valiosa lição de SACHA CALMON NAVARRO COELHO' (...) Portanto, data maxima venha, não se mostra jurídico o indeferimento da compensação pleiteada pela Recorrente. Se mantido o indeferimento, o IRPJ afinal exigido superará o valor efetivamente devido, contrariando as normas que regem a matéria. 7 Não colhe o argumento de que a Recorrente optara, conscientemente, pela não dedução do imposto pago ou retido, deixando de declarálo na DIPJ/2002. Tampouco se pode dizer que a retificação daquela declaração foi extemporânea. E que, no prazo legal, a Recorrente apresentou Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação — PER/DCOMP, nos termos da IN/SRF n°. 600/2005. Vale lembrar que o direito de pleitear a restituição ou a compensação do tributo se extingue com o decurso do prazo de cinco anos a partir da data de extinção do crédito tributário. In casu, cuidase de tributo sujeito a homologação, de modo que, ocorrido o fato gerador, tinha a Fazenda Pública o prazo de cinco anos para proceder ao lançamento por homologação (CTN, art. 150, § 42). Apenas a partir da homologação (expressa ou pelo decurso do prazo quinquenal), teria fluência o prazo prescricional para o Fisco exigir eventual complementação do tributo pago ou para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, na forma do artigo 168,1 do CTN. De fato, nos termos do artigo 156, VII do mesmo diploma, somente com a homologação do lançamento se dá a extinção do crédito tributário sujeito a essa modalidade. Do contrário, romperseia a isonomia, pois o prazo prescricional contra a Fazenda Pública seria contado de forma diferente daquele aplicável contra o contribuinte. Isso porque, enquanto o primeiro teria inicio apenas com o lançamento, o segundo fluiria já a partir do pagamento. Haveria, assim, um desequilíbrio entre as partes, prejudicando o contribuinte e privilegiando o Fisco. 8 0 entendimento acima é referendado por iterativa e pacifica jurisprudência das mais variadas cortes, notadamente do E. Superior Tribunal de Justiça — STJ. A Lei Complementar n°. 118/2005, A guisa de interpretar a norma do CTN, veio alterála rotundamente, posto que contrariasse entendimento jurisprudencial sedimentado. Assim, haja vista o principio constitucional da irretroatividade das leis (CR, art. 5, XXXVI), a inovação contida na LC 118/2005 não alcança o direito da Recorrente, que é anterior A edição daquele diploma, sendo inconstitucional seu artigo 42, visto que não se trata de norma meramente interpretativa, mas de conteúdo modificativo, como já firmou o E. STJ, por sua 1' Seção. Uma vez que o direito da Recorrente já estava consolidado quando da promulgação da LC 118/2005, não poderia ser alcançado por ela, ainda que a questão não tivesse sido submetida ao Judiciário. Por outro lado, tendo quebrado o principio constitucional da isonomia, pelas razões já expostas acima, o artigo 32 da indigitada lei complementar não se livra da pecha da inconstitucionalidade, motivo por que não pode ser aplicado. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10680.906556/200819 Acórdão n.º 140200.707 S1C4T2 Fl. 0 4 9 De todo modo, verificase que o requerimento de compensação foi formulado antes de decorridos cinco anos da retenção do tributo, sendo absolutamente tempestivo. Não houve opção pela não dedução do Imposto de Renda antecipado, é que também a retificação da DIPJ foi oportuna, eis que o lançamento ainda não se consolidara, sendo passível de revisão, na forma do artigo 145 do CTN. A própria Fazenda Pública percebera a existência de erro, tanto que notificou a Recorrente para corrigir a disparidade entre a DIPJ e o PER/DCOMP. Nesse contexto, negar a retificação e a compensação do tributo recolhido a maior implicará enriquecimento sem causa ao Estado em detrimento do contribuinte. 10 Dessa forma, resta evidenciado o recolhimento do IRPJ em patamar superior ao estabelecido na Lei n°. 9.430/1996, erigindose como crédito da Recorrente o montante pago a mais, por força das retenções realizadas nas notas fiscais de serviço que emitiu no valor total de R$ 223.943,79 da receita, e IRRF —Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 2.193,39, que seguem anexas. Considerando que o PER/DCOMP foi apresentado no prazo da IN/SRF n°. 600/2005, que admite retificação do pedido enquanto não houver decisão administrativa definitiva, não ha por que recusar a homologação da compensação. Ex positis, a Recorrente requer o recebimento do presente recurso e o seu provimento, a fim de que seja autorizada e homologada a compensação do IRRF — Imposto de Renda Retido na Fonte no terceiro trimestre de 2001, no valor de R$ 2.193,39, conforme cópia das notas fiscais que comprovam a receita e o imposto retido bem como planilha anexa, tornando sem efeito a notificação para pagamento do débito apurado nesses autos. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10680.906556/200819 Acórdão n.º 140200.707 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo do IRPJ, anocalendário de 2001. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida: A matéria em questão cingese à manifestação de inconformidade do contribuinte, em face da não homologação da Declaração de Compensação de 14/16, tendo em vista que na DIPJ do Exercício de 2002, o saldo negativo de IRPJ apurado no 3º trimestre de 2001 foi igual a zero. A Manifestante, por sua vez, alega que foi apresentada DIPJ / 2002 retificadora (recibo de entrega – folha 04, em 19/04/2008, onde declarou o crédito tributário. Salientase que, conforme documentos de folhas 17/18, constatada divergência entre o valor do saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2001, informado no PER/DCOMP e o apurado e informado na DIPJ / 2002, em 08/11/2006 o contribuinte foi intimado a ... retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Confrontando, os dados informados na Ficha 12 A da DIPJ / 2002 original com os da Ficha 12 A da DIPJ/ 2002 retificadora (verso de fl. 22), constatase que na declaração original o interessado optou por não exercer, na apuração do saldo de IRPJ do 3º trimestre de 2001, a faculdade de deduzir o IRRF, prevista art. 2º, §4º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir reproduzido (art. 231, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), já que esta linha está zerada na declaração original (verso de fl. 21). Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de imposto de renda retido na fonte. art. 2º, §4º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996 § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; Fl. 103DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10680.906556/200819 Acórdão n.º 140200.707 S1C4T2 Fl. 0 6 III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (grifos acrescidos) Cabe registrar o argumento para indeferir o pleito do interessado, qual seja: a opção pela dedução do IRRF, facultada pelo art. 2º, § 4º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 231, inciso III, do RIR/1999), na apuração do saldo a pagar de IRPJ do 3º trimestre de 2001, deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução de IRRF efetuada extemporaneamente. É incabível a retificação de ofício de declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRRF, pois o não exercício dessa opção (faculdade) não se caracteriza como erro de fato. Esclareçase que só é possível a retificação da DIPJ enquanto ainda não homologados os lançamentos originais, ou seja, dentro do prazo de 05 anos contados da ocorrência do fato gerador (§4º do art. 150 do CTN). Ademais, como ressaltado anteriormente o contribuinte teve oportunidade de retificar a DIPJ/2002 antes da emissão do Despacho Decisório. Por esta razão, a DIPJ retificadora apresentada mais de cinco anos após a entrega da declaração original, não pode ser aceita como prova para justificar a existência de saldo negativo de IRPJ. Em relação a débitos originais declarados, nem o Fisco pode modificar o lançamento original para cobrar mais tributo e nem a pessoa jurídica para diminuílo. Assim, temse que quando da transmissão do PERD/COMP em análise o crédito não existia, já que não havia apuração de saldo negativo de IRPJ, correspondente ao 4º trimestre de 2001, pelo contribuinte em DIPJ. Portanto, as compensações foram não homologadas corretamente. Dessa forma, constatase que não há apuração de saldo negativo de IRPJ, para o 3º trimestre de 2001, na DIPJ/2002, no prazo legal. Frisase que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Se, por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo. Portanto, não merece reparo o Despacho Decisório de fl. 02, por ter sido efetuado de acordo com as determinações legais. Pois bem, no recurso voluntário o contribuinte juntou copia das notas fiscais de prestação de serviço, as fls. 41 e seguintes, para comprovar as retenções de IRfonte. Todavia, ainda que seja possível verificar a veracidade das alegações do contribuinte, acerca do montante retido pelas fontes pagadoras, mediante diligencia fiscal, o procedimento é incabível. Isso porque, pela análise dos autos, verificase que cabe razão tanto à DRF de Origem, quanto a DRJ, ao indeferir o pleito do contribuinte tendo em vista a decadência do direito à retificação da DIPJ/2001 que somente foi apresentada em 19/04/2008 (fl. 3), ou seja, após o prazo de 5 anos do fato gerador (31/10/2001), bem como da apresentação da DIPJ original. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10680.906556/200819 Acórdão n.º 140200.707 S1C4T2 Fl. 0 7 Não se trata aqui de contagem do prazo para repetição de indébito quanto ao suposto IRRetido na Fonte, seja 5 anos do pagamento, ou 5 anos da homologação (que ocorre 5 anos após o pagamento). A restituição ou reconhecimento do direito creditório se dá em relação ao saldo negativo de recolhimentos, vinculado ao Imposto de Renda devido no ajuste anual. Portanto, passados 5 anos da apuração original, decaí o direito do contribuinte retificála da mesma forma de o direito do Fisco exigir eventual diferença a menor. O prazo é o mesmo para ambos, nos termos dos artigos 149, 150 e 173 do Código Tributário Nacional. Quanto as demais questões, entendo que os fundamentos do despacho decisório da DRF de origem e da decisão de 1a. instância não merece reparos. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 105DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 10880.008184/99-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade preparadora, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade preparadora, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade preparadora, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 08 18 4/ 99 -2 8 Fl. 557DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 558 ___________ Relatório São Recursos Especiais interpostos pela pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 475/486) e pela CENTRO COMERCIAL SINOBRASILEIRO LTDA EPP ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão nº 180300.099 (efls. 464/470), pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, na sessão de 28/07/2009, no qual foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL, em relação aos fatos geradores ocorridos em 1993, e do IRRF, PIS e COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos até março de 1994. A autuação fiscal (efls. 187/193), relativa aos anocalendário de 1993 a 1996, de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF, trata da omissão de receitas prevista no art. 43 da Lei nº 8.541/1992, e foi dada ciência ao Contribuinte em 19/04/1999. A Contribuinte apresentou impugnação, e a primeira instância (DRJ) julgou o lançamento procedente (efls. 187/193). Foi interposto recurso voluntário, pugnando pelo reconhecimento da decadência para o período entre 04/1993 e 04/1994 e afastamento da multa de ofício de 75%, que foi julgado procedente em parte (efls. 464/470) pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção. O Colegiado reconheceu a decadência do IRPJ e da CSLL, em relação aos fatos geradores ocorridos em 1993, e do IRRF, PIS e COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos até março de 1994, e afastou a decadência para o IRPJ e CSLL para o lançamento relativo a março de 1994. A PGFN interpôs recurso especial (475/486), admitido por despacho de exame de admissibilidade (efls. 490/493). A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 502/510). A Contribuinte interpôs recurso especial (511/528), admitido por despacho de exame de admissibilidade (efls. 532/535). A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 537/546). A decisão recorrida apresentou a seguinte ementa: Assunto: IRPJ e Outros Exercício: 1994 a 1997. Ementa: DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, e não sendo caso de dolo, fraude, ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data de ocorrência do fato gerador. Esse termo não se altera pela circunstância de não ter havido pagamento. Segundo jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decadência da CSLL, do PIS e da COFINS se submete às regras do CTN. MULTA DE OFÍCIO PERCENTUAL DE 75% CONFISCO INOCORRÊNCIA Incabível se falar em confisco no âmbito das Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10880.008184/9928 Resolução nº 9101000.037 CSRFT1 Fl. 559 3 multas pecuniárias. O princípio constitucional do nãoconfisco se aplica, apenas, aos tributos. O recurso especial da PGFN discorre sobre contagem do prazo decadencial, que deve ser deslocado para o art. 173, inciso I do CTN caso não haja pagamento. Assim, requer pelo afastamento da decadência reconhecida na decisão recorrida. O recurso especial da PGFN foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. Em Contrarrazões, a Contribuinte entende que para tributos submetidos ao lançamento por homologação aplicase a contagem decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN, razão pela qual deve ser mantida a decisão recorrida. Ademais, ainda que mantido o entendimento da PGFN, informa que nos autos há documentação (efls. 368/379) demonstrando o pagamento antecipado dos tributos sob discussão. Requer pelo não provimento do recurso especial da PGFN. O recurso especial da Contribuinte protesta pelo reconhecimento da decadência para o IRPJ e CSLL para o período de março de 1994. Aduz que o fato gerador da infração tributária deuse em março/1994, razão pela qual deve ser o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Informa que houve recolhimento antecipado dos tributos. Requer pelo reconhecimento da decadência para o IRPJ e CSLL relativos a março/1994. O recurso especial da Contribuinte foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. Em Contrarrazões, a PGFN discorre que o recurso especial da Contribuinte não deveria ter sido conhecido, por se valer de paradigma com tese superada e por falta de divergência. No mérito, pugna pela aplicação do entendimento do REsp 973.733SC admitido nos termos do art. 543C do CPC, no sentido de que a ausência de pagamento implica na contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I do CTN. É o relatório. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10880.008184/9928 Resolução nº 9101000.037 CSRFT1 Fl. 560 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. A Contribuinte informa sobre a existência de pagamentos efetuados que dizem respeito aos tributos sob discussão nos presentes autos. Dois aspectos devem ser considerados na análise do prazo decadencial. Primeiro, o regime de tributação a que se encontra submetido o contribuinte, para que se possa estabelecer com clareza o termo inicial de contagem. Segundo, qual a regra do CTN aplicável ao caso concreto: (1) do art. 150, § 4º, ou (2) do art. 173, inciso I. Para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10880.008184/9928 Resolução nº 9101000.037 CSRFT1 Fl. 561 5 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(grifei) Ou seja, são dois elementos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543 C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72 1. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o debito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. Portanto, a informação da Contribuinte a respeito dos comprovantes de pagamentos de efls. 368/379 é crucial. 1 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10880.008184/9928 Resolução nº 9101000.037 CSRFT1 Fl. 562 6 Ocorre que a digitalização dos comprovantes não permite identificar o código de receitas da alguns documentos de arrecadação (DARF). Também, entendo que os pagamentos devem ter a autenticidade verificada pela Receita Federal, mediante consulta nos sistemas internos. Voto, portanto, no sentido de determinar o retorno dos presentes autos para a para a unidade preparadora, para que, com base nos comprovantes de pagamentos apresentados pela Contribuinte (efls. 368/379), seja verificada sua autenticidade e elaborada planilha demonstrativa, relacionando cada tributo (imposto de renda, CSLL, PIS, Cofins) e fato gerador da autuação fiscal sob discussão da decadência, de 04/1993 a 03/1994 e informando se há pagamento, o valor e indicando o DARF correspondente. A PGFN e a Contribuinte devem tomar ciência do resultado da diligência para se manifestar estritamente sobre seu conteúdo, e na sequência os presentes autos devem retornar para julgamento do presente Colegiado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 562DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.907291/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.096
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidiam nos centavos nos valores do crédito, crédito esse quitado por meio de DARFs, e requereu a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 29 1/ 20 12 -4 8 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10983.907291/201248 Resolução nº 3201001.096 S3C2T1 Fl. 79 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10983.907291/201248 Resolução nº 3201001.096 S3C2T1 Fl. 80 3 Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10983.907291/201248 Resolução nº 3201001.096 S3C2T1 Fl. 81 4 poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10983.907291/201248 Resolução nº 3201001.096 S3C2T1 Fl. 82 5 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720182/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE NÃO CONFIGURADA.
O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Todos os fatos observados pelo Fisco foram cuidadosamente relatados no Termo de Verificação Fiscal, construído como parte integrante do auto de infração do qual tomou ciência a autuada e o contestou com fartos argumentos de direito.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ENFRENTAMENTO DE TODOS ARGUMENTOS DE DEFESA.NULIDADE REJEITADA
Prescinde o enfrentamento de todos os argumentos de defesa pelo julgador quando suas as razões de decidir encontram fundamentos suficientes de convencimento. Entendimento assentado em decisões de tribunais judiciais superiores.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. RELAÇÃO.
A participação de uma empresa no capital social de outra, em percentual superior a 15 % (quinze por cento), configura a interdependência entre elas.
Provado nos autos a relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo, há de ser observado pelo sujeito passivo o valor tributável mínimo previsto no regulamento do IPI.
SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Nas saídas de produtos tributados pelo IPI para firma interdependente, o valor tributável não pode ser inferior ao preço corrente dos produtos no mercado atacadista do remetente, sendo válida sua apuração com base em notas fiscais de saídas de apenas um estabelecimento comercial atacadista, quando, no procedimento de auditoria, tendo em vista as especificidades dos produtos, não forem encontrados outros atacadistas. A inobservância deste valor tributável mínimo enseja o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.444
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade que davam provimento integral ao recurso. Ficaram de apresentar declarações de votos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
Winderley Morais Pereira- Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Todos os fatos observados pelo Fisco foram cuidadosamente relatados no Termo de Verificação Fiscal, construído como parte integrante do auto de infração do qual tomou ciência a autuada e o contestou com fartos argumentos de direito. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ENFRENTAMENTO DE TODOS ARGUMENTOS DE DEFESA.NULIDADE REJEITADA Prescinde o enfrentamento de todos os argumentos de defesa pelo julgador quando suas as razões de decidir encontram fundamentos suficientes de convencimento. Entendimento assentado em decisões de tribunais judiciais superiores. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. RELAÇÃO. A participação de uma empresa no capital social de outra, em percentual superior a 15 % (quinze por cento), configura a interdependência entre elas. Provado nos autos a relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo, há de ser observado pelo sujeito passivo o valor tributável mínimo previsto no regulamento do IPI. SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Nas saídas de produtos tributados pelo IPI para firma interdependente, o valor tributável não pode ser inferior ao preço corrente dos produtos no mercado atacadista do remetente, sendo válida sua apuração com base em notas fiscais de saídas de apenas um estabelecimento comercial atacadista, quando, no procedimento de auditoria, tendo em vista as especificidades dos produtos, não forem encontrados outros atacadistas. A inobservância deste valor tributável mínimo enseja o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte
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NULIDADE NÃO CONFIGURADA. O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Todos os fatos observados pelo Fisco foram cuidadosamente relatados no Termo de Verificação Fiscal, construído como parte integrante do auto de infração do qual tomou ciência a autuada e o contestou com fartos argumentos de direito. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ENFRENTAMENTO DE TODOS ARGUMENTOS DE DEFESA.NULIDADE REJEITADA Prescinde o enfrentamento de todos os argumentos de defesa pelo julgador quando suas as razões de decidir encontram fundamentos suficientes de convencimento. Entendimento assentado em decisões de tribunais judiciais superiores. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. RELAÇÃO. A participação de uma empresa no capital social de outra, em percentual superior a 15 % (quinze por cento), configura a interdependência entre elas. Provado nos autos a relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo, há de ser observado pelo sujeito passivo o valor tributável mínimo previsto no regulamento do IPI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 82 /2 01 2- 65 Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 3 2 SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Nas saídas de produtos tributados pelo IPI para firma interdependente, o valor tributável não pode ser inferior ao preço corrente dos produtos no mercado atacadista do remetente, sendo válida sua apuração com base em notas fiscais de saídas de apenas um estabelecimento comercial atacadista, quando, no procedimento de auditoria, tendo em vista as especificidades dos produtos, não forem encontrados outros atacadistas. A inobservância deste valor tributável mínimo enseja o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade que davam provimento integral ao recurso. Ficaram de apresentar declarações de votos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O presente processo trata de auto de infração para exigência do IPI, multa proporcional e juros de mora, referente ao período de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2008. Para descrever os fatos ocorridos, até este julgamento, adoto os relatórios das decisões recorrida e da sessão de 09/12/2015, proferida por esta mesma Turma, que converteu em diligência o julgamento do recurso voluntário. Transcrevo, inicialmente, o relatório da decisão recorrida (DRJ): Trata o presente processo de impugnação a Auto de Infração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor de R$ 803.934.458,92, a título de imposto, juros de mora e multa proporcional. O lançamento tributário foi efetuado em virtude de a Autoridade Fiscal ter verificado que a autuada promoveu a saída, de produtos industrializados, de seu estabelecimento industrial para estabelecimentos interdependentes, sem respeitar o valor tributável mínimo, previsto na legislação de regência, nos meses de janeiro a dezembro de 2008. Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 4 3 Segundo o Termo de Verificação Fiscal (Doc. 33), basicamente o Grupo Avon se estruturou, inclusive visando economia de tributos, com um estabelecimento que dá saída dos produtos que industrializa para outros estabelecimentos comerciais interdependentes, os quais distribuem tais produtos para suas revendedoras. Considerando que as revendedoras, conforme determinado pelo RIPI, constituem o mercado atacadista da praça do remetente e dada a flagrante diferença de preços, entre os praticados na praça e os que constam nas notas fiscais de saída da indústria para as interdependentes, foi, de ofício, constituído o presente crédito tributário, com base no valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I, RIPI/02. Tempestivamente, o contribuinte[AVON INDUSTRIAL] contesta o lançamento em extensa impugnação, acompanhada de documentação que comprovaria sua argumentação (inclusive parecer de autoria do insigne mestre Dr. Paulo de Barros Carvalho), que sintetiza como se segue: PRELIMINARMENTE (a autuação) é nula por ofensa ao princípio da legalidade (art, 150, I, da CF/1988), na medida em que não é dado à Administração Tributária desconsiderar os atos válidos e lícitos praticados pelos contribuintes, sobretudo em razão da ausência de regulamentação do artigo 116 do CTN, bem como pelo fato de competir apenas e tão somente ao Poder Judiciário a declaração de abuso de direito na forma do artigo 187 do Código Civil de 2002; considerando a Impugnante e a AVON COSMÉTICOS LTDA. uma única empresa, porém aplica a regra de interdependência para exigir o tributo com base no valor tributável mínimo; é contraditória, pois alega que houve abuso de direito no "planejamento" de separação de atividades da Impugnante, ora trata a conduta como abuso de direito, ora alega a existência de subfaturamento, que correspondem a condutas absolutamente distintas e incompatíveis; não indica os dispositivos legais supostamente infringidos pela Impugnante, o que também enseja a nulidade do lançamento; cometeu flagrantes equívocos na apuração do valor supostamente devido, na medida em que simplesmente aplica as alíquotas do IPI NO MÉRITO demonstra que o fiscal autuante se esforça para tentar ampliar o conceito de "praça", a despeito de todos os ensinamentos da doutrina e da pacificada jurisprudência dos E. Tribunais Pátrios, inclusive do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), com o único objetivo de não Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 5 4 respeitar a legislação vigente e considerar os preços da AVON COSMÉTICOS LTDA. que se encontra em praça diversa do remetente, o que não é permitido, portanto, incorrendo em ofensa ao princípio da legalidade; se limita a presumir a existência de abuso de direito com o único objetivo de recolher menos tributo, sem considerar que a nova estrutura além de estabelecer aumento de recolhimento de outros tributos, possui evidente propósito negocial, sendo certo que proporcionou efetiva otimização dos custos e permitiu o crescimento das empresas do Grupo; e ofende ao exposto no artigo 100, II e III, do Código Tributário Nacional posto que suas alegações já foram rechaçadas reiteradas oportunidades pelo CARF, além de ferir os princípios da moralidade e da razoabilidade. Após fundamentar tais alegações, encerrou a impugnação requerendo a nulidade do lançamento, ou, que este seja julgado improcedente por desrespeitar o conceito de praça previsto na legislação comercial, no PN CST nº 44/81 e nas decisões reiteradas do CARF, para fins de valor tributável mínimo, conforme estabelecido pela legislação, sendo que demonstrou não ter ocorrido “abuso de direito”, nem realizado “subfaturamento”, tampouco tendo deixado de, regularmente, recolher o IPI. Ao final reiterou, em razão do princípio da verdade material e, caso o órgão julgador entenda necessário, o pedido de realização de diligências e perícias para comprovar o alegado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 1442.323, sessão de 29/05/2013, julgou improcedente a impugnação da contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA. O emprego, ainda que impertinente, de raciocínios valorativos, adjacentes, econômicos, estatísticos ou acessórios que não constituem o objeto do Auto de Infração e a infração imputada, não tem a aptidão de afetar a relação jurídica formada pelo lançamento, posto que, este, envolve matéria adstrita a reserva legal e tão pouco provoca nulidade processual por cerceamento do direito de defesa, uma vez que tais raciocínios não integram a “peça acusatória”. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE Provado nos autos a relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo, há de ser observado pelo Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 6 5 sujeito passivo o valor tributável mínimo, previsto no regulamento do IPI. COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA Provada a participação do estabelecimento interdependente no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a definição do valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I, RIPI/02. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A partir deste ponto, adoto o relatório produzido na Resolução nº 3201 000.563, de 09/12/2015, na qual decidiu a Turma por converter o julgamento em diligência e inicia apontando os fundamentos que conduziram a decisão recorrida: Na decisão recorrida entendeuse que: i. não houve por parte da fiscalização qualquer desconsideração de atos jurídicos da Impugnante ou de sua personalidade jurídica, tendo sido o lançamento efetuado com fulcro no art.136, I do RIPI/2002; ii. o fato de a fiscalização ter tratado de assuntos acessórios à questão específica dos autos, qual seja, o Valor Tributável Mínimo (ainda mais se tais assuntos não foram especificamente valorados pela autoridade fiscal), não tem o condão de invalidar o lançamento de ofício, pois tais questões não se confundem com aquelas matérias relacionadas com a infração apontada, não havendo prejuízo ao contraditório e a ampla defesa, por conseguinte, não havendo nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. iii. não houve autuação por subfaturamento e sim, errônea identificação, por parte da Impugnante, do Valor Tributável Mínimo nestas mesmas operações; iv. quanto à apuração do valor lançado, não há equívocos, sendo utilizado pela fiscalização o Livro de Apuração do IPI e que todos os créditos do estabelecimento foram considerados, conforme se prova pelo confronto do referido Livro com o que está registrado ao final do Doc. 30 (Base de Cálculo do IPI) juntado pela fiscalização; v. não é suficiente para justificar os preços praticados pela Impugnante, a correspondência de sua lucratividade com o mercado, pois margem de lucro envolve variáveis outras além dos preços praticados e a análise meramente quantitativa do percentual da margem de lucro da “Indústria” e da “Distribuidora”, comparandoas, não tem a aptidão de produzir argumento concreto a favor ou a desfavor, uma vez que, o resultado dessa análise pode ser justificado por qualquer das variáveis que compõem a margem de lucro (receita e custo). Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 7 6 vi. o fato de a margem de lucro da Industrial apresentar o percentual de X% e da Distribuidora de Y%, pode ser explicado tanto pelo detalhamento de suas receitas, quanto pelo seus custos e a disparidade pode funcionar como um indicador tanto para a verificação da consistência da receita auferida, através dos preços praticados, quanto para a verificação da consistência dos custos apresentados; vii. a Impugnante promoveu saída de produtos para sua comercial atacadista interdependente com inobservância do Art. 136,I, RIPI/02, uma vez que, tinha e tem plena condição de identificar o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, independentemente da amplitude que se dê ao conceito de praça; viii. todos os estabelecimentos do Grupo Avon concorrem para a formação desse preço no mercado atacadista e não é a Impugnante industrial ou a comerciante atacadista que com seus custos define preços do mercado atacadista para os produtos, pois a definição dos preços é uma equação complexa que deve levar em consideração, no mínimo, os custos de toda a atividade empreendedora, os investimentos futuros do grupo e os preços praticados pelos concorrentes. ix. enfrentouse o conceito de “praça”, entendendose que o fato de um estabelecimento comercial atacadista estar localizado fora das fronteiras do município de São Paulo não impediria que ele vendesse, ou participasse da formação do preço corrente, nesta praça, considerandose, ademais, que este é o único vendedor, ou distribuidor, para os revendedores em questão; x. dizer que não há preço de mercado atacadista nas operações de saída do estabelecimento da Impugnante Industrial para o estabelecimento comercial interdependente é querer atribuir uma independência negocial a seus estabelecimentos que na prática não existe pela própria dinâmica empresarial; xi. a autonomia existente nos estabelecimentos do Grupo Avon é relativa, de maneira que a decisão que determinou que o estabelecimento da Impugnante Industrial não iria fazer vendas no mercado aos revendedores do Grupo Avon, foi tomada por quem era o titular desse poder decisório; xii. seria uma falácia o argumento de que o estabelecimento da Impugnante Industrial não possui preço de mercado atacadista por não realizar operações atacadistas com outros destinatários, se esta é uma questão de mera conveniência fixada, que não pode ser determinante na dimensão econômica do fato gerador da obrigação principal, servindo de burla à incidência do IPI; xiii. “No mundo real, a lógica comercial nos revela que o preço do mercado atacadista da praça do remetente, no caso concreto, é o mesmo praticado pelo estabelecimento Comercial Interdependente”; Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 8 7 xiv. no levantamento do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, há de se recrutar um número tal de atacadistas, que atuem nessa praça, colhendo os preços dos produtos similares e que possibilitem tal comparação e utilidade, contudo, como os produtos da Impugnante são perfeitamente caracterizados e identificados por marca, tipo, modelo, espécie e qualidade, e não encontrando produto similar apto a servir de parâmetro na formação do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente/impugnante, junto aos concorrentes da Avon, esse mercado atacadista da praça do remetente é composto por um único vendedor, qual seja, a sua própria Comercial Interdependente, posto que é a única e exclusiva distribuidora dos produtos da Impugnante, inclusive para a sua praça (seja ela o município ou não); xv. são os preços desse único atacadista, a conformar o preço corrente no mercado atacadista do remetente/impugnante sobre o qual deverá incidir o IPI, conforme Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, conforme orientação emanada da Solução de Consulta Interna n° 08/2012 – COSIT; xvi. na ocasião dos julgamentos anteriores, não existia o esclarecimento dado pela Solução de Consulta Interna nº 8/2012 – COSIT, que gerou, naqueles autos, uma série de diligências e planilhas de preços de produtos semelhantes aos da autuada, que eram fabricados por outras empresas do ramo de cosméticos e produtos de higiene; xvii. tratandose de empresas interdependentes, o Valor Tributável Mínimo há de originarse de uma das hipóteses previstas no Art. 136 e 137 do RIPI/02 e, uma interpretação sistemática destes com o Parecer Normativo nº 44/81, Ato Declaratório CST nº 05/1982 e a Solução de Consulta Interna nº 08/2012, determina, tão só, a aplicação do Art. 136, I do RIPI/02; xviii. o conceito de “praça” em nada altera o enquadramento jurídico tributário e as suas conseqüências, pois a definição de praça estar ou não circunscrita ao território de Município, uma vez que a comercial atacadista interdependente atua no Município de São Paulo e em muitos outros, vendendo para seus representantes; xix. o critério que identifica a “praça” é o campo de atuação do comerciante, aqui empregado em sentido amplo, não sendo um conceito geográfico como quer acreditar a impugnante, à vista até mesmo do conceito legal previsto no artigo 32 do Código Comercial; xx.a interpretação reducionista do conceito de “praça” circunscrita a Município ou fração dele, desprestigia o Princípio da Uniformidade Tributária e o da Isonomia, uma vez que, em situações idênticas, operações de saída de produtos entre empresas interdependentes, aplicarseiam regras distintas em razão da localização, possibilitando a prática de concorrência desleal e ofendendo a ordem econômica; Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 9 8 Em sede de recurso voluntário, veio aos autos a recorrente reafirmando seus argumentos de impugnação (fls. 1.845/1.980), assinalados no relatório da Resolução: Preliminarmente REPETIU IMPUGNAÇÃO i. a autuação é nula por ofensa ao princípio da legalidade, na medida em que não é dado à Administração Tributária desconsiderar os atos válidos e lícitos praticados pelos contribuintes, sobretudo em razão da ausência de regulamentação do artigo 116 do CTN, bem como pelo fato de competir apenas e tão somente ao Poder Judiciário a declaração de abuso de direito na forma do artigo 187 do Código Civil de 2002; REPETIU IMPUGNAÇÃO ii. a autuação é contraditória, pois alega que houve abuso de direito no "planejamento" de separação de atividades da Recorrente, considerando a mesma e a AVON COSMÉTICOS LTDA. uma única empresa, aplicando, porém, a regra de interdependência para exigir o tributo com base no valor tributável mínimo; REPETIU IMPUGNAÇÃO iii. a autuação ora trata a conduta como abuso de direito, ora alega a existência de subfaturamento, que correspondem a condutas absolutamente distintas e incompatíveis; REPETIU IMPUGNAÇÃO iv. não indica os dispositivos legais supostamente infringidos pela Recorrente; REPETIU IMPUGNAÇÃO v. cometeuse flagrantes equívocos na apuração do valor supostamente devido, na medida em que simplesmente aplica as alíquotas do IPI sobre o valor das vendas de mercadorias conforme preços praticados pela AVON COSMÉTICOS LTDA. subtraindo apenas os recolhimentos efetuados pela Recorrente a título do IPI, por meio de DARF, conforme apontado no Livro de IPI, sem considerar toda a apuração efetuada, isto é, os créditos a que a Recorrente tem direito; ARGUMENTO NOVO EM RAZÃO DO ACÓRDÃO DRJ vi. o fiscal autuante utilizou o preço médio de venda das mercadorias (exceto as que eram fabricados por terceiros) praticado pela AVON COSMÉTICOS LTDA. referente ao mês anterior ao período de apuração; sobre tais valores fez incidir as respectivas alíquotas do IPI; do resultado desta operação , subtraiu os valores do IPI lançados como devedor no Livro de IPI; exigindo o saldo verificado. Ao proceder desta forma, o fiscal autuante inadvertidamente desconsiderou toda a apuração do IPI pela Recorrente, pois os valores apontados como devedor pela Recorrente no Livro de IPI não representam a composição da incidência deste imposto sobre as saídas efetuadas pela AVON INDUSTRIAL LTDA. Do valor total contabilizado como devido foram abatidos os créditos previstos na legislação, sendo o valor lançado como Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 10 9 devedor no Livro de IPI apenas o saldo a pagar dessa operação de subtração, de maneira que o fiscal autuante deveria ter reduzido o valor total do IPI destacado nas operações do período pela Recorrente, que corresponde ao valor indicado no Livro de Apuração como "Débito do Imposto / 001 Por saídas com débito do imposto". No entanto, a fiscalização somente descontou do valor efetivamente pago e declarado na DCTF (saldo do período DARF), não considerando os valores pagos através da compensação com créditos do período que constam do Livro de Apuração. E a fim de demonstrar inequivocamente o erro incorrido, a Recorrente apresentou planilhas com a composição do IPI incidente sobre as saídas das mercadorias, do crédito apurado, e do saldo a pagar do imposto no ano de 2008. Mérito REPETIU IMPUGNAÇÃO i. o fiscal autuante se esforçaria para tentar ampliar o conceito de "praça", a despeito de todos os ensinamentos da doutrina e da pacificada jurisprudência Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com o único objetivo de não respeitar a legislação vigente e considerar os preços da AVON COSMÉTICOS LTDA. que se encontra em praça diversa do remetente, incorrendo em ofensa ao princípio da legalidade; REPETIU IMPUGNAÇÃO ii. presumese a existência de abuso de direito com o único objetivo de recolher menos tributo, sem considerar que a nova estrutura além de estabelecer aumento de recolhimento de outros tributos, possui evidente propósito negocial; REPETIU IMPUGNAÇÃO iii.ofende o artigo 100, II e III, do Código Tributário Nacional posto que suas alegações já foram rechaçadas reiteradas oportunidades por este CARF, além de ferir os princípios da moralidade e da razoabilidade; iv. não há nos presentes autos nenhum documento ou indicação que pudesse sustentar a argumentação contida na decisão recorrida de que supostamente as revendedoras autônomas e independentes de produtos AVON comercializam, "única e tão somente os produtos da Avon" ou que as mesmas "estão, contratualmente, autorizados a comercializar produtos concorrentes"; v.não há óbice a que as revendedoras autônomas e independentes de produtos AVON exerçam outras atividades, ainda que sejam estas relacionadas com a venda de produtos de concorrentes, pois a ora Recorrente ou qualquer outra empresa do grupo não fiscalizam ou controlam as atividades exercidas por essas revendedoras; Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 11 10 vi. a inexistência de exclusividade decorre das características da atividade de revendedora autônoma, podendo estas revender outras marcas e produtos, inclusive exercer outras atividades ou profissões; vii. se a autoridade tributária corretamente identificasse os fatos sociais certamente não teria afirmado que o mercado atacadista da Recorrente "é formado pelas revendedoras da Avon (compradores) e os estabelecimentos comerciais da Avon (vendedores)" por força de exclusividade na realização das vendas; viii. quanto ao conceito de "praça", embora a decisão recorrida tenha discorrido pela irrelevância de tal conceito para fins da legalidade da cobrança aqui combatida, é notório que as conclusões lançadas apontam única e exclusivamente para o alargamento de tal conceito, o que vem sendo sistematicamente rechaçado por este CARF; ix. o fato de tais decisões terem sido proferida em momento anterior à Solução de Consulta Interna n° 08/2012, da COSIT, não tem qualquer relevância, posto que referida norma complementar em nada dispôs sobre a conceituação e delimitação de praça, além de não ter o condão de alterar o arcabouço legislativo sobre a matéria; x. o Parecer Normativo CST n° 44/81 adequadamente coloca o termo "praça comercial" como aposto explicativo da palavra cidade e a doutrina é uníssona em afirmar que o conceito de praça tem o mesmo sentido e alcance de município; xi.destaca que acostou a estes autos o Parecer elaborado pelo Dr. Paulo de Barros Carvalho, no bojo do qual demonstra o real conceito de praça como sendo equivalente ao de município, além de outras questões relacionadas à impropriedade da fórmula de cálculo do valor tributário mínimo estabelecido pela legislação do IPI, transcrevendo os seguintes excertos do referido estudo: "(.) 9. Limites territoriais para identificação do preço de mercado Nos termos dos mencionados arts. 68 do RIPI/82 e 123 do RIPI/98, o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. De igual teor é a disposição veiculada pelo Ato Declaratório CST n° 05/82, nos termos do qual deverão ser consideradas as vendas efetuadas pelos remetentes e pelos interdependentes do remetente, no atacado, na mesma localidade. Como se vê, a legislação é explícita ao exigir que os preços susceptíveis de compor a média ponderada, tomada como parâmetro para determinação do preço de mercado, devem ser procurados na mesma localidade em que atua o remetente. Nem poderia ser diferente, tendo em vista que a localização também é fato que exerce forte influência nos valores de comercialização. Daí por que, na situação em exame, somente os produtos Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 12 11 fabricados e vendidos dentro dos limites territoriais em que se situa a Consulente, quer dizer, na cidade de São Paulo, prestam se para colaborar na quantificação da base de cálculo do IPI. (...) 3. Em se tratando de operação de compra e venda entre empresas interdependentes, como deve ser apurado o valor mínimo tributável, considerandose que a vendedora está localizada na Capital de São Paulo e a adquirente no município de OsascoSP? Resposta: A legislação do IPI (arts. 68, I, do RIPI/82 e 123, I, do RIPI/98) disciplina explicitamente o assunto, prescrevendo que o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. Também o Parecer Normativo CST n° 44/81 referese, no item 6.1, às vendas que se realizem naquela mesma localidade, enquanto o Ato Declaratório Normativo CST n° 05/82 faz alusão, igualmente, às vendas efetuadas na mesma localidade. Nem poderia ser diferente, tendo em vista que os limites territoriais em que se realiza a comercialização dos produtos industrializados apresentase como um dos fatores que interferem na determinação do preço. É comum, por exemplo, que os preços sejam mais baixos nas localidades em que a quantidade de produção é mais elevada, com maior número de bens oferecidos ao comércio. Por isso, o valor mínimo tributável deve ser o preço de mercado identificado na praça do remetente dos produtos, representada in casu, pela cidade de São Paulo." xii os estabelecimentos da AVON COSMÉTICOS LTDA. que realizam as atividades de distribuição e comercialização das mercadorias industrializadas pela Recorrente estão localizadas em "praças comerciais" distintas; xiii.o fiscal é contraditório na descrição da infração e na conceituação do termo "praça", conforme se verifica do item 64 do Termo de Verificação, o mesmo faz referência ao Parecer Normativo CST n° 44/1981, que, como visto, muito bem clarifica que o termo "praça comercial" tem significado de cidade (ou, portanto, município); xiv.esclarece que o estabelecimento da AVON COSMÉTICOS LTDA. localizado na Avenida Interlagos, n° 4.300, Prédio Administrativo, 1o e 2o andares, Bairro Jurubatuba, cidade e Estado de São Paulo, unicamente possui funções administrativas, não realizou no ano de 2008 qualquer distribuição ou comercialização de mercadorias adquiridas da Recorrente, conforme denotam os Registros de Apuração de ICMS anexados ao processo; xv.na hipótese de inexistir preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, a legislação de regência aponta uma única opção possível para que a Autoridade Tributária possa verificar a regularidade da base de cálculo do IPI entre empresas interdependentes. Vejase a redação do inciso II do parágrafo único do artigo 137 do RIPI/2002; Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 13 12 xvi. o Parecer Normativo CST n° 44/1981, inclusive citado pelo fiscal autuante e na decisão recorrida, que traz o esclarecimento aplicável no presente caso de que "praça comercial" deve ser entendido como "cidade", é verdadeiramente uma norma complementar à legislação tributária, a teor do artigo 100,I, do CTN; xvii. em outras ocasiões, como no Processo Administrativo n°15.0049437/200391 cujo lançamento debatido reportava aos fatos geradores ocorridos entre 04/1998 e 12/2998, a mesma matéria aqui discutida foi devidamente apreciada pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara, da Terceira Seção de Julgamento, afastando a pretensão do fisco de se utilizar dos preços de venda praticados pela AVON COSMÉTICOS LTDA. (pelos estabelecimentos localizados em outras cidades que não São Paulo, localidade da AVON INDUSTRIAL LTDA.) para fins da verificação da base de cálculo do IPI nas saídas promovidas pela AVON INDUSTRIAL LTDA. Também julgado improcedente o lançamento no Processo Administrativo n° 19515.003405/200460, cujo lançamento reportava aos fatos geradores ocorridos entre 1999 e 2001 (acórdão n° 340100.768); xviii. em julgado de outro contribuinte do setor de cosméticos, esse mesmo entendimento foi manifestado. Tratase do Processo Administrativo n° 16175.000298/200517, julgado na sessão de 15.08.2007 pela Quarta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, cujo acórdão n° 20402.706 teve a Relatoria da Conselheira Nayra Bastos Manatta; xiv. é preciso atentar ao fato de que a segregação das atividades em 1995 na AVON INDUSTRIAL LTDA. e AVON COSMÉTICOS LTDA., ao contrário do que afirmado pela fiscalização, provocou a majoração da incidência do PIS e da COFINS, pois até a edição da Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, que instituíram a sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, eram exigidas de forma cumulativa às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) PIS e 2% (dois por cento) COFINS (sendo esta majorada para 3% três por cento com a edição da Lei n° 9.718/1998). Assim entre o ano de 1995 até a introdução da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, tais Contribuições incidiam sobre o faturamento da Recorrente e também sobre o faturamento da AVON COSMÉTICOS LTDA, representando uma dupla incidência sobre os valores faturados pela AVON INDUSTRIAL LTDA., na medida em que o preço de venda dos cosméticos praticado pela AVON COSMÉTICOS LTDA. tinha nele incluído o custo de aquisição dessas mesmas mercadorias, já tributadas na etapa anterior; xv. a separação de atividades comercial e industrial é uma prática absolutamente comum nas empresas, que, diante do crescimento e necessidade de otimização, segregam suas atividades visando concentrar esforços para justamente Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 14 13 aumentar ainda mais as receitas e geração de empregos.Até do ponto de vista trabalhista, a separação das atividades se fazia necessária, uma vez que os empregados da indústria subordinamse a um sindicato diverso dos empregados do comércio, além de haver um problema sério de falta de espaço, o que somente pode ser resolvido com a segregação das atividades não havia espaço para armazenar os insumos, para estocar os produtos industrializados e para fazer a separação dos produtos para remeter para as diversas localidades do território nacional; xvi. fosse realmente a intenção de meramente separar as atividades para recolher menos IPI, não haveria a necessidade de se criar uma nova estrutura em Maracanaú, em vez de concentrar em São Paulo; xvii.a AVON COSMÉTICOS LTDA. prepara campanhas de marketing para venda dos produtos a cada 19 dias, recebendo mais de 1,3 milhões de pedidos por campanha de suas aludidas revendedoras, gerando a emissão de mais de 100 mil notas fiscais diárias, o que revela a necessidade de manter rígido controle operacional, além de ter tecnologia e espaço para manusear todos os milhares de produtos que compõem os inúmeros pedidos das revendedoras autônomas e independentes; REPETIU IMPUGNAÇÃO xviii. há a efetiva existência de propósito negocial de ambas as empresas, que ano após ano vêm expandindo suas atividades, gerando mais empregos, vendendo mais mercadorias, gerando receitas e lucro, aumentando o número de empregos, dos recolhimentos de tributos. Portanto, a reestruturação conduzida pelo Grupo AVON teria fundamentos econômicos sólidos que não se restringem à exclusiva economia de tributos. A Fazenda Nacional, por meio de sua Procuradoria manifestouse com suas contrarrazões (fls. 2.022/2.038), assim sintetizado no Relatório da Resolução: Às efls. 2022 e ss., há contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, na qual, alegase em síntese que: i.não há nulidade do lançamento, posto que não ocorreu nenhuma das hipóteses dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72; ii. o Termo de Verificação Fiscal demonstra, claramente, que o lançamento fundamentouse no art.136, I do RIPI/2002; iii. não há nulidade por aplicação do art. 116 do CTN, pois em momento algum se desconsiderou a personalidade jurídica das empresas envolvidas na operação fiscalizada e nem os atos por elas praticados; iv. o fato de se ter tratado de questões periféricas à não utilização do Valor Tributável Mínimo, infração cometida pela empresa e objeto da presente autuação, não anula o lançamento, ainda mais levandose em conta que a multa sequer foi majorada, o que por si só já demonstraria que o caso não trata Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 15 14 de planejamento tributário abusivo, mas sim, exclusivamente, da aplicação do art. 136, I do RIPI/02; v. deve ser rechaçada a pretensão de se anular o lançamento em razão da fiscalização não ter considerado supostos créditos da recorrente, pois além de não se tratar de matéria preliminar, a própria DRJ analisou o tema e concluiu que todos os créditos do estabelecimento teriam sido levados em conta pela fiscalização, tratandose de vícios sanáveis; vi. a decisão atacada não altera o fundamento do lançamento, mas analisa os mesmos fatos e aplica a mesma legislação, apenas corroborando a prática da infração constatada pela autoridade autuante, qual seja, de não aplicação do art. 136, I do RIPI/02; vii. não há que se falar em nulidade do julgado por não ter analisado todos os argumentos da defesa, considerandose que os julgadores debruçaramse sobre as teses apresentadas pela contribuinte, não as acolhendo, de modo fundamentado; viii. no mérito, considerandose a interdependência entre as empresas envolvidas na operação fiscalizada, a Recorrente deveria ter aplicado, nas vendas realizadas para AVON COSMÉTICOS LTDA, o valor tributável mínimo; ix. a fiscalizada industrializou os produtos de sua marca e vendeuos para a AVON COSMÉTICOS LTDA, que por sua vez os comercializou e distribuiu, com exclusividade, para as revendedoras/consultoras a preços significativamente superiores àqueles praticados na operação entre ela e a INDUSTRIAL, segundo apontado pela fiscalização, que identificou diferenças de até 580% nos preços dos produtos adquiridos e vendidos pela COMERCIAL; xi. o simples fato de estabelecimentos interdependentes praticarem entre si preços diferentes daqueles negociados no mercado, quando da comercialização entre partes não relacionadas, denota o favorecimento entre elas o que, por si só, já autoriza a conclusão de que a Recorrente, de fato, praticou a infração que lhe foi imputada; xii. ainda que o mercado atacadista de determinado produto, com suas especificações e características próprias, possua um único vendedor, esse fato não descaracteriza a existência de “mercado atacadista” e a consequente aplicação do art. 136, I do RIPI; xiii. quando uma empresa tem suas mercadorias especificadas por marca, tipo, modelo, espécie, quantidade e número, sendo os produtos diferenciados no mercado, ou seja, em que se comercializam produtos que não podem ser comparados com os produzidos por outras indústrias, e estando estas vendas restritas às empresas comerciais interdependentes, como na hipótese dos autos, há mercado atacadista e o VTM será determinado a partir das vendas efetuadas pelo interdependente, Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 16 15 nos termos definido pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 08/2012; xiv. o Parecer Normativo CST nº 44/81, ao estabelecer que o mercado atacadista deve ser considerado em relação ao “universo das vendas” que se realizam em uma mesma localidade, e se este representa as vendas de produtos perfeitamente identificáveis, praticadas pelos estabelecimentos atacadistas localizadas na mesma praça da remetente, correto o lançamento xv. caso se considere o termo “praça”, previsto na legislação tributária, como sendo limitado ao espaço geográfico de um único município, nos termos do que defendido pela Recorrente, afastarseia da incidência do tributo os contribuintes que elegessem uma estrutura entre interdependentes que se situam em cidades distintas, exatamente para se livrarem da tributação; xvi. o termo “praça” deve ser compreendido como localidade e não necessariamente como cidade, ou seja, localidade com as mesmas características sócioeconômicas (referentes a custos e perfil de consumidores) e onde as empresas atuam (e não, simplesmente, onde estejam localizadas), exercendo seus atos de comércio, em condições homogêneas de competição, não se limitando ao aspecto geográfico de um município; xvii. tal conceito de praça, inclusive, vai ao encontro do conceito adotado pelo Direito Administrativo, que define o termo pela grandeza do valor do contrato que se pretende celebrar, alcançando, nos casos de licitação por concorrência, todo o território nacional; xviii. levandose em conta que AVON vende seus produtos em território nacional, praticando preços que não sofrem alteração em função da localização do distribuidor ou do cliente, ou seja, em condições homogêneas de atuação no mercado, o conceito de praça adotado na autuação assegura a justiça da apuração e respeita a finalidade da norma; xix. o fato de duas cidades serem municípios vizinhos não pode afastar a noção de praça, ainda mais no caso de São Paulo e Osasco, por exemplo, tratado nos autos, que além e serem municípios que compõem uma mesma região metropolitana, segundo informações do IBGE para o ano de 2010, são cidades que possuem índices sócioeconômicos equivalentes, de modo que ainda que se entenda por afastar as operações praticadas nas filiais da BA e do CE, é certo que as vendas realizadas pela AVON COSMÉTICOS LTDA de Osasco não podem ser ignoradas; xx. verificase que a fiscalização, com fulcro no art. 137 caput do RIPI/02, determinou a “média ponderada”, com base nas vendas realizadas pela AVON COSMÉTICOS, único atacadista; xxi. ainda que a regra para a determinação do VTM, no caso, fosse a do art. 137, correto estaria o lançamento, já que não se Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 17 16 poderiam considerar unicamente os custos de fabricação, devendo o referido cálculo abranger todos os custos referentes ao produto: sejam eles custos de produção, de venda e de publicidade, dentre outros que concorrem para a formação do preço do bem, ainda mais porque o IPI não é um imposto pessoal; Juntadas a peça recursal da recorrente e as contrarrazões da Procuradoria da Fazenda, o processo foi pautado para julgamento neste Colegiado do CARF, na sessão de 09/12/2015, com relatoria da Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Após breve histórico, com relato de inúmeras autuações fiscais com o propósito de verificar a regularidade na apuração do IPI, especialmente quanto ao Valor Tributável Mínimo VTM, prescrito no art. 136, I do RIPI/2002, em face da contribuinte recorrente ter se submetido à operação de reestruturação societária, e ainda considerando que a fiscalização ao aplicar tal regra a fez com base em distintas motivação e metodologia de cálculo, em relação aos procedimentos fiscais anteriores, entendeu a relatora naquele julgamento que as especificidades do caso requeriam manifestação da autoridade autuante no tocante à metodologia e aos próprios cálculos produzidos. Dessa feita, submetido à apreciação da Turma, restou decidido converter aquele julgamento em diligência para que a autoridade preparadora respondesse os quesitos a seguir relacionados, elaborasse relatório e oportunizasse manifestações das partes recorrente e PFN. Eis os quesitos: "1. Demonstrar se foram considerados os recolhimentos já efetuados pela Recorrente e os créditos existentes, à época dos fatos geradores; 2. Se foram considerados nos cálculos, as informações constantes do Livro de Apuração de IPI; 3. Como se elaborou a apuração do valor tributável mínimo; 4. Se na apuração do valor tributável mínimo, foi empregada a regra do inciso I do art. 136 do Decreto n. 4544/2002, qual seja, do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente; 5. Caso positivo, esclarecer como foram apurados os preços no mercado atacadista da praça da Recorrente; 6. Se foi observada a regra do parágrafo único, do art. 137 do Decreto n. 4544/2002; 7. Quaisquer outros esclarecimentos sobre a metodologia de cálculo empregada". Cumprida a diligência, a Unidade da RFB DEMAC/São Paulo, produziu o Relatório Conclusivo de Diligência (fls. 2.145/2.149), com as respostas aos quesitos formulados, que os identifico com a mesma numeração acima: Resposta ao quesito 1: Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 18 17 Afirmouse que foram considerados os recolhimentos e créditos existentes apurados pela Recorrente, isto porque, a fiscalização manteve a contabilização do IPI realizada pela contribuinte; ou seja, baseouse nos valores escriturados no Livro Apuração de IPI. Informou que os preços médios de venda por produto são os informados pela Avon Comercial e se encontram demonstrados no item 73 do Termo de Verificação fiscal, e a partir desses preços apuraramse os novos débitos de IPI. Demonstrou matematicamente a apuração dos débitos do IPI, com o abatimento dos créditos. Apontou incorreções nos valores a lançar do IPI para todos os meses do ano de 2008, corrigindo aqueles lançados a maior no auto de infração. Resposta ao quesito 2: Sim, foram considerados nos cálculos, as informações constantes do Livro de Apuração de IPI, conforme explano na resposta ao quesito "1". Resposta ao quesito 3: Esclareceu que no no item V do Termo de Verificação Fiscal, foi explicado detalhadamente como foi calculado o valor tributável mínimo. Em suma, foram aplicadas as disposições dos artigos 136 e 137 do RIPI de 2002 ao caso concreto, descrevendo a relação de interdependência entre a Avon Industrial e a Comercial, o mercado atacadista dos produtos Avon que não possuem similar, o tipo de venda direta através de revendedoras e a questão de praça do remetente. Resposta ao quesito 4: Sim, na apuração do valor tributável mínimo, foi aplicado o disposto no inciso I do art. 136 do RIPI/2002 a regra do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. A apuração se encontra demonstrada nos itens 38 ao 68 do Termo de Verificação Fiscal. Resposta ao quesito 5: Os preços no mercado atacadista da praça da Recorrente foram fornecidos pela própria Avon Comercial (doc. 17), que vende produtos exclusivos e diretamente para suas revendedoras portaaporta. Além disso, tanto a Avon Industrial como a Avon Comercial possuíam em 2008 suas matrizes localizadas no bairro de Interlagos/São Paulo. Resposta ao quesito 6: Sim, foi observada a regra do parágrafo único, do art. 137 do Decreto n. 4544/2002, conforme se pode depreender do item 71 do Termo de Verificação Fiscal, e explicado nos itens 73 e seguintes. Resposta ao quesito 7: Entenderam os signatários do Relatório terem sido respondidos todos os questionamentos formulados na diligência. Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 19 18 Todavia, na conclusão explicitaram que refizeram os cálculos tendo em considerações as alegações da contribuinte em seu recurso voluntário, reduzindo os valores apurados de IPI, referentes ao ano de 2008, totalizando agora R$ 291.167.200,80, que significa redução do valor originalmente lançado de R$ 77.626.426,95. A recorrente manifestouse em relação ao resultado da diligência suscitando o que se segue (fls. 2.135/2.142): Manifestação à resposta ao quesito 1: A apuração apresentada no Relatório corrigiu equívoco metodológico na quantificação dos supostos débitos de IPI ora em discussão, também excluiu os valores quitados por meio de compensação com créditos fiscais do próprio IPI, tal como consignado em seu Livro de Apuração do IPI. Contudo, aduz que permanece equívoco no cálculo matemático pois a Fiscalização deixou de abater o valor total de R$ 340.166,13, referente aos créditos lançados no Livro de Apuração de IPI nos meses de março, outubro, novembro e dezembro de 2008, conforme indica. Arremata suas considerações ao expressar sua concordância com a apuração no referido item e requer a exclusão do valor de R$ 340.166,13. Manifestação à resposta ao quesito 2: Nada a acrescentar, pois se manifestara no item anterior. Manifestação à resposta ao quesito 3: Discorda do Relatório quanto à correção na aplicação da regra de apuração do Valor Tributável Mínimo, assentandose em dois aspectos: (i) inexistência de mercado atacadista na praça do vendedor; e (ii) não apuração do VTM pela média ponderada de preços. Manifestação à resposta ao quesito 4: Argumenta que a fiscalização não apurou corretamente o VTM, que entende macular o auto de infração. A imputação de preços de venda praticados pela Avon Comercial não corresponde à aplicação do inciso I do art. 136 do RIPI/2002. Não houve apuração de média ponderada de preços, em razão de se considerar tãosomente os preços praticados pela Avon Cosméticos nas vendas a terceiros, com os quais alega não guardar relação de interdependência. Manifestação à resposta ao quesito 5: Não há que se falar em apuração de preço no mercado atacadista nos termos do inciso I do art. 136 do RIPI/2002, pois entende que este (mercado) referese à praça da Avon Industrial, circunscrita ao Município de São Paulo/SP. Assevera que tal apuração, em obediência ao disposto legal, deve considerar múltiplos vendedores que praticam preços diversos no atacado, razão para a qual a regra do Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 20 19 inciso I do art. 136 do RIPI/2002 deve ser afastada pela aplicação subsidiária do disposto no parágrafo único do art. 137. Manifestação à resposta ao quesito 6: Repisa que há contradição no método da fiscalização ao afirmar a utilização da regra do art. 136, I e também do art. 137, parágrafo único. Entende que são regras excludentes. A primeira, aplicase na apuração da média ponderada de preços correntes no mercador atacadista; a segunda, contempla regra de apuração do VTM a partir de custos de fabricação acrescidos de outras parcelas, aplicáveis quando da impossibilidade de aplicação da primeira. Manifestação à resposta ao quesito 7: Neste quesito de livre manifestação, sustenta a recorrente que a fiscalização não teria fundamento para questionar a segregação das operações e a independência entre as pessoas jurídicas envolvidas. Protesta pela improcedência da autuação firmada em suposto erro de direito cometido pela fiscalização na lavratura do auto de infração, com equívocos na aplicação das regras de apuração do VTM. Ao final, requer sejam aceitos e processados os novos cálculos de IPI originalmente devido, com a reapuração dos juros e multas exigidos. Por derradeiro, apresentou sua manifestação a Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 2.157/2.164) na qual expressou: 1. Concordância com os ajustes nos cálculos originais do Auto de Infração. 2. O acerto da fiscalização na adoção da metodologia de cálculo do VTM. 3. A interdependência está configurada pelo fato da recorrente (Avon Industrial) ter como sócia majoritária a empresa comercial (Avon Cosméticos), com 99,99% do capital daquela; e mais, ambas são administradas pela mesma pessoa física e a industrial vende para a comercial mais da metade dos produtos tributados de sua fabricação. 4. A recorrente não contestou a relação de interdependência entre as partes. 5. O mercado atacadista dos produtos da recorrente, dada às especificações e características próprias, possui um único vendedor, fato que não descaracteriza a existência de mercado atacadista e legitima a aplicação do art. 136, I do RIPI. 6. O método de apuração do VTM está em consonância com o Parecer Normativo CST nº 44/81, pois estabelece que o mercado atacadista dever ser considerado em relação ao "universo das vendas". 7. Demonstrou a fiscalização que na praça da autuada os seus interdependentes eram os únicos responsáveis pela primeira distribuição no atacado e o "universo das vendas" representa as vendas de produtos pelos estabelecimentos atacadistas localizados na mesma praça da remetente. Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 21 20 8. A tese defendida foi adotada pelo CARF, cita dois acórdãos. 9. O conteúdo da norma que prescreve o VTM (arts. 136 e 137 do RIPI/02) visam impedir a prática de redução da base de cálculo do IPI, utilizandose de operações entre firmas interdependentes. 10. O termo "praça" referese à localidade de atuação econômica de uma empresa e não se limita ao aspecto geográfico de um município. No caso, a Avon tem atuação em todo o território nacional, com a prática de preços que não sofrem alterações em função da localização do distribuidor ou cliente. 11. O conceito de praça adotado na autuação assegura a justiça da apuração e respeita a finalidade da norma. 12. A fiscalização, com fulcro no art. 136 do RIPI/02, determinou a média ponderada, com base nas vendas realizadas pela Avon Cosméticos, único atacadista. Somente na ausência de mercado atacadista é que se utilizaria a regra do art. 137, parágrafo único, II, o que não é o caso dos autos. 13. O preço praticado pelo destinatário, a Avon Cosméticos, é o que abrange os custos de fabricação e demais elementos que devem ser considerados na fixação do VTM. 14. Finalizando suas contrarrazões, a PFN pugna pela manutenção do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminares Foram suscitadas pela recorrente nulidades que alcançam o auto de infração e a decisão da Delegacia de Julgamento. Acusações de nulidade do lançamento fiscal constituído no auto de infração de IPI: (i) Ofensa ao princípio da legalidade, visto que não é dado à Administração Tributária desconsiderar atos válidos e lícitos praticados pela contribuinte (estrutura societária do Grupo AVON), ainda mais considerandose a ausência de regulamentação ao art. 116 do CTN. Sem razão a recorrente. Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 22 21 Não houve desconsideração da personalidade jurídica da recorrente, sequer de sua controladora Avon Cosméticos, por parte da fiscalização. No Termo de Verificação Fiscal TVF, o desenvolvimento do tema "planejamento tributário abusivo", itens "8" a "15" (fls. 1.209/1.212) as autoridades fiscais abordaram os atos de constituição e os negócios celebrados entre as empresas do grupo Avon, afirmando trataremse de atos lícitos. A constatação que implicou a autuação fiscal foi a prática de preço reduzido que ofende dispositivos específicos da legislação do IPI e que trata da apuração da base de cálculo do imposto em condições especiais que restaram comprovadas na autuação. Estes foram os fundamentos da autuação, não a acusação de negócios ilícitos que atrairia legislação acerca da desconsideração da personalidade jurídica e seus efeitos tributários. Ademais, não se aplicou multas majoradas em razão de práticas de ilícitos que a justificariam. ii) Contradição entre os argumentos da autoridade autuante, que embora diga que a recorrente e a Avon Cosméticos Ltda são uma única empresa, aplica a regra da interdependência. Inexistem contradições nos fundamentos da autuação. Constatou a fiscalização que as empresas constituem um grupo empresarial no qual uma delas, que se dedica à comercialização (Avon Cosméticos Ltda) é controladora detém 99,99% do capital social da industrial, a atuada; daí um dos argumentos, e conclusão fundamentada no art. 520, I do RIPI/02, da interdependência entre ambas. O outro argumento é constatação de que a administração comum é exercida pela mesma pessoa física. iii) o lançamento seria nulo, ainda, por tratar ora do abuso de direito, ora do subfaturamento, ora do VTM, o que representa a ausência de descrição correta dos fatos e da infração supostamente cometida. Improcedente a acusação da recorrente. O "abuso de direito" e o "subfaturamento" não foram temas nem fundamentos da autuação. As menções a esses termos foram periféricas com a finalidade de demonstrar a estrutura negocial entre as empresas do Grupo e a prática de preços reduzidos, daí a denominação "subfaturamento", para apontar a desobediência aos comandos dos artigos 136 e 137, que tratam da inobservância ao VTM, este o fundamento da autuação. iv) pela falta de indicação dos dispositivos legais infringidos; Consta do texto do TVF e no campo de "enquadramento legal" do auto de infração a indicação da legislação infringida, qual seja, os arts. 136 e 137 do RIPI/2002, conforme apontados nas fls. 1.192, 1.193, 1.211, 1.221, 1.222, 1.232, 1.235 e 1.236. v) pela desconsideração, na apuração da base de cálculo, de todos os créditos a que a recorrente teria direito. Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 23 22 O fato apontado, corrigido por ocasião da baixa dos autos em diligência, não se constitui motivo de nulidade da autuação. Em verdade, somente em sede de diligência procedeuse à correção dos valores de IPI lançado, segundo as regras de VTM, deduzindose os créditos lançados no Livro de Apuração do IPI. A recorrente teve ciência da incorreção no lançamento, portanto, não lhe fora cerceado o direito de defesa, vez que exerceu o contraditório, e instada a se manifestar no relatório de diligência que corrigiu o lapso, expressamente asseverou sua concordância com a apuração, pois reconheceu a correção do lançamento, inclusive naquilo que entende ser da metodologia dos cálculos. O excerto da sua manifestação (fls. 2.136/2.137): Manifestação da Requerente: A apuração apresentada no RCD [Relatório conclusivo de Diligência] corrigiu equívoco metodológico na quantificação dos supostos débitos de IPI ora em discussão, e exclui os valores quitados por meio de compensação com créditos fiscais do próprio IPI, na forma em que constou do Livro de Apuração do Imposto. Frisese, contudo, que a Requerente detectou equívoco na conta matemática realizada, uma vez que a D. Fiscalização deixou de abater o valor total de R$ 340.166,13 conforme indicado na tabela abaixo. (...) Assim, a Requerente manifesta sua CONCORDÂNCIA com a apuração constante do Item 01 do RCD, uma vez que se mostra correta do ponto de vista metodológico, bem como requer seja retificado o equívoco indicado acima, para o fim de que também seja excluído o valor de R$ 340.166,13 de principal. (grifado pela recorrente) Depreendese da manifestação da recorrente em relação ao relatório de diligência sua aquiescência com relação à correção do lançamento, que repisase, consubstanciado no lapso de não deduzir os créditos escriturais do IPI, tãosomente com a ressalva de detectar equívoco de cálculo, na verdade transposição de valores, dos créditos dos meses de março, outubro, novembro e dezembro de 2008. Impõese destacar que o equívoco de cálculo que ainda permanece cingese ao mérito, e nele será enfrentado. Cumpre ainda atentar que no item "7" da manifestação a recorrente retoma a matéria acerca da metodologia de cálculo do VTM nos termos dos arts. 136 e 137 do RIPI/02, apenas contra a qual reitera seu pedido de improcedência da autuação, nos seguintes termos (fls. 2.142) 6. Feitas essas considerações, resta evidenciada a improcedência da autuação fiscal em razão do erro de direito cometido pela D. Fiscalização quando da lavratura do Auto de Infração (aplicação completamente equivocada das regras previstas nos artigos 136 e 137 do RIPI/02, conforme evidenciada pelo RCD). Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 24 23 7. Em caráter subsidiário, o que aqui admite apenas para argumentar, requer sejam aceitos e processados nos novos cálculos do valor de principal supostamente devido nestes autos, na forma em que descritos no RCD, com a consequente reapuração dos juros e multas exigidos.(grifei) Para que não paire dúvidas que remanesce o pedido de nulidade tãosó quanto à metodologia de apuração do VTM, transcrevo excerto da manifestação da recorrente no Relatório Conclusivo de Diligência, quanto ao quesito "4", já enfrentado no tópico "iv" destas preliminares (fl. 2.138) Manifestação da Requerente: Conforme descrito detalhadamente em sua Impugnação e Recurso Voluntário, a Requerente reitera que a D. Fiscalização NÃO apurou corretamente o VTM para o caso dos autos, o que enseja a completa NULIDADE do presente AIIM.(grifado pela recorrente) Acusações de nulidade da decisão da Delegacia de Julgamento, decorrente de: (vi) Nova fundamentação ao AI, afastandose, não apenas do conceito de praça, mas também da alegação, posta no lançamento, referente a um planejamento tributário abusivo. Não se sustenta a acusação. A decisão recorrida debruçouse sobre os mesmos fatos e mesma legislação a estes aplicada, não se limitando a idênticos argumentos da autuação. Os julgadores a quo não introduziram fundamentos novos ou não assentes na autuação; apenas analisaram com argumentos outros a questão da "praça" que ao final convergiu com o entendimento consubstanciado da fiscalização. Ademais, suposto planejamento tributário abusivo não foi razão de autuação, nem de decidir. (vii) Ausência de análise de todos os argumentos da defesa e por tentar rediscutir o conceito de praça, na tentativa de alterar jurisprudência já consolidada. Sem razão a recorrente. É pacífico nas decisões judiciais de tribunais superiores a prescindibilidade no enfrentamento de todos os argumentos de defesa pelo julgador, basta que sejam formuladas razões de convencimento. O conceito de praça no âmbito do direito é por essência vago e impreciso, mormente na atualidade, com a expansão quase que ilimitada das formas de negócio que ultrapassam limites geográficos. Sua discussão, construção de sentido e de conteúdo por operadores do direito caracteriza a moderna hermenêutica jurídica, livre ao julgador que a faz coerentemente. Por fim, qualquer tentativa do julgador de afastar a aplicação de jurisprudência, desde que não vinculado à sua observância obrigatória, é o pleno exercício do princípio da livre convicção (motivada). Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 25 24 Constatase in casu que o auto de infração contém seus elementos obrigatórios (incisos do art. 10 do PAF); além disso, não se verifica qualquer das hipóteses de nulidade elencadas no art. 59 do PAF, relativas à cerceamento do direito de defesa. As peças de defesa impugnação e recurso voluntário foram elaboradas com aprofundamento nas questões de fato e de direito, próprias de quem tem conhecimento exato das acusações que lhes são imputadas. Não há se falar em impossibilidade de se compreender a infração imputada. Reiterase a inexistência de autuação fiscal baseada em reestruturação societária efetuada com abuso de direito ou de subfaturamento de preços, infrações que implicariam qualificações de multas aplicadas. Isto posto, carecem de motivos que maculam de nulidade o auto de infração e a decisão recorrida. Afastamse todos os argumentos de nulidade nestas preliminares. Mérito A recorrente não replica a utilização do VTM na apuração do IPI devido nas saídas de seus produtos para estabelecimentos de empresa do grupo Avon. Suas considerações são no sentido de propugnar a incorreção no método de apuração da base de cálculo, realizado pela fiscalização segundo o art. 136, inciso I do RIPI/02. Firma seu entendimento em premissas que apontariam para a utilização da apuração do VTM, nos termos prescritos pela regra do art. 137, parágrafo único, II do RIPI/02, quais sejam: (i) a expressão "praça" que trata o inciso I do art. 136 do RIPI/02 faz restringir os preços parâmetros do VTM ao município de São Paulo, local em que se encontra o estabelecimento industrial; (ii) "praça" é conceito inflexível e se encontra fixado pela jurisprudência, inclusive do CARF; (iii) A Avon Cosméticos, localizadas no município de São Paulo não realizou vendas no ano de 2008; e (iv) a praça do estabelecimento comercial Avon Cosmésticos, que realizou vendas, é no município de Osasco/SP, diferente daquela do industrial, em São Paulo/Capital. Assim, as questões principais aquelas suficientes a colocarem fim ao presente litígio a serem enfrentadas no mérito cingemse a verificar: 1. Existência de interdependência entre a Avon Comercial Ltda e a Avon Industrial Ltda; 2. O conteúdo e o sentido da regra que estabelece o "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", com ênfase nos termos "mercado atacadista" e "praça"; 3. A natureza das operações negociais e o objeto social da Avon Comercial Ltda; 4. A legitimidade do VTM adotado pela fiscalização, conforme o disposto no art. 136, inciso I do RIPI/02. As demais matérias arguidas pela recorrente são secundárias em face das decidibilidade do litígio com o enfrentamento dos quatro pontos recém concebidos. O Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 26 25 entendimento tem amparo na jurisprudência do STF, estampada no acórdão proferido no RE nº 463.139 AgR/RJ, no julgamento de 29/11/2005: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. OFENSA AO ART. 93, IX, DA CF/88. INEXISTÊNCIA. Acórdão recorrido que se encontra devidamente fundamentado, ainda que com sua fundamentação não concorde o ora agravante. O órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento. Agravo regimental a que se nega provimento. Todavia, reitero os mesmos fundamentos exarados nas preliminares desse voto no sentido de que a autuação fiscal, bem como a decisão recorrida, não tiveram por fundamentos o abuso de direito decorrente dos negócios praticados entre as partes, a desconsideração da personalidade jurídica, o subfaturamento de preços o que não se confunde com a adoção do VTM em desfavor dos valores consignados em documentos fiscais e a reestruturação promovida pelo grupo empresarial. Passo à análise das matérias de mérito. Interdependência entre a Avon Industrial e Avon Cosméticos A interdependência entre pessoas jurídicas é verificada mediante critérios objetivos delineados pela legislação do IPI, com supedâneo na Lei nº 4.502/64: Art. 520. Considerarseão interdependentes duas firmas: I quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem assim por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso I, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 9º); II quando, de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de gerência, ainda que exercidas sob outra denominação (Lei nº 4.502, de 1964, art. 42, inciso II); A relação de interdependência entre as empresas que praticaram operações com produtos sujeitos ao IPI foi demonstrada pela fiscalização nos itens 42 a 45 do TVF (fls. 1.223/1.225). Há relação de interdependência pois que a Avon Cosméticos é controladora da Avon Industrial, detendo 99,99% das cotas do Capital social da controlada, situação que se subsume ao inciso I do art. 520 do RIPI/02. Igualmente, temse a interdependência pela presença de administrador comum a ambas, exercida por Luis Felipe Mario Miranda Eyzaguierre, o que se amolda ao prescrito no inciso II do art. 520 do RIPI/02. Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 27 26 Constatada e demonstrada a relação de interdependência entre as empresas, resta afastadas as alegações da recorrente de que há independência entre as empresas e seus negócios; ao mesmo tempo, a legislação determina a adoção do valor tributável mínimo na apuração do IPI devido nas operações que destinem produtos do estabelecimento remetente (Avon Industrial) ao do destinatário (Avon Cosméticos). Avon Cosméticos : comercial atacadista A fiscalização assinalou (fl. 1.227) os documentos coligidos que apontam para a natureza da atividade da destinatária dos produtos industrializados pela Avon Industrial, a Avon Cosméticos, qual seja, "Comércio atacadista de produtos de perfumaria e de higiene pessoal", segundo registro na JUCESP, corroborada pela informação que consta da DIPJ 2009/2008, no qual está assinalado o código CNAE 46.460/01, que corresponde a "Comércio atacadista de produtos de perfumaria e de higiene pessoal". O art. 14 do RIPI/02 define e caracteriza o estabelecimento comercial atacadista: Art. 14. Para os efeitos deste Regulamento, consideramse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, § 1º, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I estabelecimento comercial atacadista, o que efetuar vendas: (...) c) a revendedores; e (...) A estratégia de comercialização dos produtos da marca Avon fazse mais fortemente com a utilização de extenso número de revendedoras, pessoas físicas, denominadas consultoras, que adquirem os produtos da Avon Cosméticos e os revende a consumidores. Há ainda as vendas realizadas pela internet. De se ressaltar que a empresa não depende de rede de atacadistas e varejistas para distribuição dos produtos. A Avon, como ressaltou a fiscalização (fls. 1.228/1.229): (...) é conhecida como uma marca com identidade própria, muito ligada à condição feminina, o que a diferencia no mercado. O universo de venda das mercadorias industrializadas pela Industrial, perfeitamente caracterizadas por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número, está restrito a vendas realizadas para a Comercial, não tendo ocorrido vendas para outras empresas. Desta forma, não há como comparar os produtos da marca Avon com os produzidos pela Natura, Unilever, Johnson, Boticário, Água de Cheiro, L´Oreal, etc. Afirmar que a Avon Cosméticos Ltda, localizada no município de São Paulo, somente realizou atividades administrativas não condiz com a realidade dos autos. Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 28 27 Foram obtidos pela fiscalização documentos fornecidos pela empresa comercial, com a indicação de vendas (fls. 1.216/1.218), lista de preços praticados e produtos revendidos aos revendedores (fls. 506/732) no ano de 2008. Concluise que o mercado atacadista dos produtos Avon, por serem distribuídos exclusivamente pela Avon Cosméticos às revendedoras, e destas aos consumidores, é circunscrito e restrito à unidade comercial atacadista do grupo Avon a Avon Cosméticos. Praça do remetente No período auditado pela fiscalização, o ano de 2008, a Avon possuia suas unidades Industrial e Comercial (Avon Cosméticos) situada no mesmo endereço no município de São Paulo (fls. 1.230/1.231). Essas duas unidades são as responsáveis pela industrialização e comercialização, assim compreendida a remessa dos produtos da marca Avon aos Centros de Distribuições CDs localizados, em Osasco (região metropolitana de São Paulo), Pajuçara/CE e Simões Filho/BA (fl. 1.232), e destes à rede de revendedoras espalhadas nos municípios brasileiros. Repisase que Avon Industrial e Comercial, com sede na cidade de São Paulo, tem seus produtos fabricados exclusivamente na unidade industrial e comercializados remetido aos Centros de Distribuições pela unidade comercial, também, com exclusividade. Tal estratégia de concentração e integração é justificável por razões de logística operacional, econômica e de transporte até os centros distribuidores. Essa assertiva é suficiente para demonstrar que há um único mercado atacadista dos produtos da marca Avon, que se distingue dos demais fabricantes de cosméticos em termos de identidade da marca, tipo, modelo, espécie e qualidade dos produtos, representado tão somente pela Avon Cosméticos, única comercial atacadista desses produtos. Pois bem; a partir dessas premissas mister verificar a aplicação com exatidão da regra de valor tributável mínimo prescrita no art. 136, inciso I, no tocante ao preço e ao local no qual é obtido. O dispositivo legal parece restringir um local onde se pratica determinado preço tomado como referência ao valor tributável mínimo: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); A expressão "praça" ou "praça do remetente" é importada do direito comercial, mais precisamente do art. 32 do Código Comercial de 1850, o qual definiu: Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 29 28 “Art. 32. Praça do comércio é não só o local, mas também a reunião dos comerciantes, capitães e mestres dos navios, corretores e mais pessoas empregadas no comércio”. Uma breve interpretação do dispositivo do código comercial, conduz à alusão a termos que se aplicavam, creio que exclusivamente, aos locais próximos aos portos, mas nem por isso se restringia a lugar, localidade; ao contrário, transcendia o ambiente econômico daquele século. Não se pode conjecturar que uma expressão cunhada nas primeiras e rudimentares transações comerciais, dos precários mercados à época organizados, e utilizadas a mais de 160 anos no direito pátrio, conceba hoje um sentido e conteúdo mais restrito frente a evolução comercial, tecnológica e globalização dos mercados. Apenas como exercício de reflexão, no passado, mercado era o ponto físico de encontro para a realização de trocas, na verdade escambos, e posteriormente evoluindose para compravenda. Davase nos poucos centros de comércio existente, em especial em portos e cidades de passagem. Assim, a abrangência geográfica era restrita e também significativa, dado ao distanciamento de outros mercados. Quanto às praças, inimaginável estendêlas para além das localidades habitadas. Definitivamente, a evolução em todas as áreas da civilização permite afirmar que hodiernamente não se tem fronteiras e limites às atividades financeiras e comerciais. Daí que, sem receio de cometer desatinos, para determinados ramos de atividade comerciais, em especial os mercados atacadistas e a praça, do menor comerciante à maior das corporações, é o próprio planeta (veja por exemplo, vendas de manufaturas asiáticos por intermédio da internet). Não se pode olvidar a interpretação da recorrente ao conteúdo do Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, que entende ter delimitado o conteúdo semântico do termo "praça do remetente", restringido o significado à localidade ou cidade onde está localizado o remetente. Pareceme que a interpretação deve ser dada segundo a premissa ali estabelecida, qual seja, apontou o Parecer que "o mercado atacadista de determinado produto como um todo deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas (vendas) efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada". Ora, o caso dos autos é distinto, exatamente porque não há o "universo das vendas", assim considerado múltiplos atacadistas destinatários dos produtos do industrial remetente. São exclusivos os produtos e também os são os negócios entre remetente (Avon Industrial) e o único destinatário (Avon Cosméticos), em razão da relação de interdependência. E tais exclusividades produto e negócio estendemse a todo o território nacional, este sim, a real praça do remetente. Tenho por certo, ainda que o mercado atacadista de determinado produto, com suas especificações e características próprias, possua um único vendedor, responsável pela primeira distribuição das mercadorias, esse fato não descaracteriza a existência de “mercado atacadista” e a consequente aplicação do art. 136, I do RIPI. Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 30 29 No presente caso, tratase de produto fabricado pela Avon Industrial, possuindo características específicas, identificados por códigos próprios, de forma a distingui los de produtos de marcas industrializadas por outras empresas do mesmo setor. Neste caso, estando a primeira distribuição destes bens restrita à empresa comercial interdependente a Avon Cosméticos, não alcançando pessoas jurídicas independentes, há mercado atacadista e o Valor Tributável Mínimo será determinado a partir das vendas efetuadas pelo interdependente, nos termos do que definido pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 08/2012, conforme excerto transcrito: Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. Portanto, o atual sentido para a expressão "praça do remetente" é o local físico, geográfico, até onde se estende o campo de atuação de comercial atacadista da empresa. Dito de outra forma, compreende a área geográfica em que é permitido à empresa atuar, respeitados os limites legais e contratuais, quando exigidos. Especificamente à Avon Cosméticos não há limites geográficos no exercício de suas atividades comerciais atacadista; no tocante à legislação do IPI, o território nacional é a sua praça. Logo, considerando que a Avon Cosméticos é quem exerce o mercado atacadista na praça do remetente a Avon Industrial, daquela serão os preços correntes dos produtos no mercado atacadista a serem observados como o valor tributável mínimo nas remessas da unidade industrial para a comercial. Basta, então, verificar se efetivamente o VTM foi calculado segundo as regras estabelecidas nos arts. 136 e 137 do RIPI/02. Legitimidade do Valor tributável Mínimo adotado Prescrevem os dispositivos legais do Decreto nº 4.544/02 RIPI/02, acerca do VTM (grifei): Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 31 30 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); (...) Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: (...) II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Inferese da leitura dos textos normativos a construção de duas normas, excludentes, a serem aplicadas na determinação do VTM. A primeira, a combinação do inciso I, art. 136 com o caput do art. 137, quando atendido os requisitos de existência de: (i) relação de interdependência entre as "firmas" remetente e destinatária dos produtos, e (ii) de preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. O preço, de que trata o inciso I, do art.136 será obtido considerandose a média ponderada dos preços de cada produto, conforme o disposto no caput do art. 137. Aplicase a segunda regra presente hipótese de exclusão da "primeira"; isto é, na inexistência de preço corrente no mercado atacadista, a base de cálculo do IPI será o custo de fabricação (na Avon Industrial) com os acréscimos das parcelas indicadas no inciso II, do art. 137. Em que pese as alegações da recorrente de que a fiscalização incidiu em contradições ao se utilizar das regras do art. 136, I c/c o art. 137, caput, e ao mesmo tempo empregar regra do art. 137, parágrafo único, II, todos do RIPI/02 para determinar o VTM a ser utilizado como base de cálculo do IPI devido pelo estabelecimento remetente, fato inconteste é que a metodologia de cálculo do VTM foi realizada exclusivamente com fundamento na regra do art. 136, I cumulada com o caput do art. 137 do RIPI/02. Os autos apontam para algumas evidências em que todas elas corroboram que a fiscalização adotou exclusivamente a primeira norma de determinação do VTM: a que utiliza o inciso I do art. 136, combinado com o caput do art. 137, do RIPI/02. A uma, no tópico "CONCLUSÃO", item "68" (fls. 1.234/1.235) do Termo de Verificação, há a explanação que não dá margem a dúvidas do procedimento realizado, em conformidade com o art. 136, I do RIPI/02, conforme transcrito: Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 32 31 Desta forma, faremos o lançamento do IPI devido pela Industrial, em conformidade com o artigo 136, inciso I, do RI PI/2002, pois o valor tributável mínimo que a Industrial deveria utilizar, no ano de 2008, não poderia ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, e este preço foi o praticado pela Comercial, pois os produtos da Industrial foram destinados a estabelecimento de firma com a qual mantinha relação de interdependência.(negritado e sublinhado pelas autoridades fiscais) A duas, a descrição da metodologia empregada, que se encontra bem determinada e explicitada no Termo de Verificação, no tópico "IX BASE DE CÁLCULO", itens "69" a "74", com o seu detalhamento, em nove etapas (1ª a 9ª) para fins de elaboração da planilha de base de cálculo (fls. 1.235/1.238). A três, no Relatório Conclusivo de Diligência a fiscalização corroborou a utilização da regra que combina o caput do art. 137 com o inciso I do art. 136 ao fazer menção expressa de que no item "71" e "73" do Termo de Verificação encontrase demonstrada a norma que motivou a determinação do VTM, conforme excerto transcrito: 6 Sim, foi observado o disposto no parágrafo único [sic] do art. 137 do RIPI, conforme se pode depreender do item 71 do Termo de Verificação Fiscal, foi o que exatamente foi feito, tal qual explicado nos itens 73 e seguintes.(grifei) Importa ressalvar que conquanto o quesito "6" da determinação da diligência tenha indagado à fiscalização o uso do parágrafo único do artigo 137 do RIPI, e cuja resposta foi afirmativa, ainda que contraditória, vêse que na explicação e motivação da resposta é que se encontra a verdade material dos fatos. Explicase. Haveria sim contradição, até mesmo a utilização simultânea de métodos de determinação do VTI, o que seria vedado e macularia o procedimento fiscal, se de fato prevalecesse a interpretação literal e parcial (primeira parte do texto da resposta ao quesito "6") da manifestação da fiscalização ao quesito. Contudo, percebese o lapso fiscal em afirmar a utilização do parágrafo único ao invés do caput do art. 137 o que facilmente se comprova com a remissão ao item "71" do Termo de Verificação, onde textualmente a fiscalização transcreve o caput do art. 137, como se vê (fl. 1.236): 71.Quanto ao cálculo do Valor Tributável Mínimo reproduziremos novamente o que determina o artigo 137, do RIPI/2002: " Art 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. " (g.n.) E no item "73" do Termo de Verificação, conforme já explanado alhures, encontrase plenamente demonstrada a utilização do inciso I do art. 136 combinado com o caput do art. 137 do RIPI. Um outro lapso é encontrado no enquadramento legal do auto de infração. Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 33 32 Tratase da menção e a evidente conjugação de todas as possibilidades de enquadramento das regras de determinação do VTM, inclusive de produtos importados, produtos remetidos a consumidores, aqueles destinados a comerciantes autônomos e ambulantes, de remessa de café para estabelecimento moageiro. Incontestavelmente, não se referem às situações encontradas e abordadas nos autos. Ou seja, percebese ali um texto padrão, dispondo todos os dispositivos legais dos artigos 136 e 137, inclusive contemplando todos os seus incisos e parágrafos, que por lapso a fiscalização não cuidou de remover aquelas possibilidades de enquadramento que não correspondem aos autos. Essas referência não prejudicaram em nada a defesa do ora recorrente, já que, seja pelo que constou no Termo de Verificação, seja nos diversos demonstrativos de apuração que compõem o AI, a Fiscalização foi clara em demonstrar textualmente a subsunção dos fatos tão somente ao inciso I do art. 136 e caput do art. 137, do RIPI/02. O cálculo da média ponderada mensal dos preços do produto é empregado na apuração do VTM quando há preço corrente do mercado atacadista, razão por que não há a alegada confusão metodológica. No presente caso, a fiscalização calculou os preços médios de cada produto comercializado, pelo atacadista da praça do remetente, vigente no mês precedente ao da saída do estabelecimento da recorrente e, a partir do preço médio ponderado, apurou as diferenças de preços e, conseqüentemente, do IPI lançado, conforme demonstrado no Termo de Verificação (fls. 1.235/1.238). Destarte, comprovada a higidez do auto de infração quanto à utilização legítima e regular do único e apropriado método de determinação do VTM no caso dos autos. Créditos no Livro de Apuração do IPI No quesito nº 1 da diligência determinada no acórdão nº 3201000.563 solicitouse que a fiscalização demonstrasse e informasse se foram considerados os recolhimentos já efetuados pela Recorrente e os créditos existentes, à época dos fatos geradores. Em sua resposta, através de expressão matemática e de quadro demonstrativo de apuração do IPI a lançar (fls. 2.147/2.148), reconheceu a autoridade fiscal o lapso nos cálculos pois que os valores apurados e lançados no auto de infração resultaram das diferenças entre "os valores corretos dos débitos que deveriam ter sido lançados" (denominado "D2") e "o valor do IPI lançado pela contribuinte no Livro de IPI" (denominado "IPI 1"). Para melhor compreensão, o quadro a seguir reflete o cálculo do IPI nos meses do ano de 2008 e lançado no auto de infração conforme reproduzido e que consta do Termo de Verificação Fiscal folha nº 1.238: Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 34 33 A incorreção do cálculo do valor do IPI a ser lançado na autuação reside no fato de que a autoridade fiscal não confrontou o valor do IPI apurado segundo o VTM ("D2") com os valores originalmente lançados pela contribuinte em seu Livro (denominado "D1") e a diferença é exatamente os valores dos créditos escriturados, conforme demonstram os quadros que se encontram às folhas 2.147 e 2.148 do Relatório de Diligência, reproduzidos a seguir: Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 35 34 Destarte, entendo como correto a retificação a ser realizada nos valores a serem lançados nos meses de 2008, segundo apurado no quadro acima, que implica a desoneração dos valores consignados na coluna "Diferença". Cabe ainda verificar a procedência do "equívoco na conta matemática realizada" apontado às folhas 2.136 destes autos. Com razão a recorrente. Os valores dos créditos lançados em seu Livro de Apuração de IPI, nos meses de março, outubro, novembro e dezembro de 2008 foram tomados pela fiscalização com valores inferiores aos regularmente indicados na escrita. Constatase das folhas do Livro Apuração do IPI os valores dos créditos apurados nos referidos meses, que comparados com os valores informados na planilha elaborada pela fiscalização no Relatório Conclusivo de Diligência (fls. 2.147//2.148) resultam valores a serem excluídos do auto de infração, conforme demonstrase no quadro: Período Fls. Livro Crédito no LAIPI Valor abatido no AI Valor a excluir no AI mar/08 0013 6.185.815,68 6.138.466,51 47.349,17 out/08 0045 6.850.293,17 6.789.507,00 60.786,17 nov/08 0049 6.531.507,50 6.500.554,55 30.952,95 dez/08 0054 5.448.131,22 5.247.053,38 201.077,84 TOTAL A SER EXCLUÍDO NO AUTO DE INFRAÇÃO 340.166,13 Devese, portanto, além da exclusão do valor de R$ 77.626.426,95 proceder o expurgo da quantia de R$ 340.166,13 no auto de infração, conforme os valores apontados na coluna "Valor a excluir no AI" correspondente aos meses de março, outubro, novembro e dezembro de 2008. Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 36 35 Ofensas aos artigos 96 e 100, incisos I, II e III do CTN Suscita a recorrente que autuação fiscal e decisão recorrida ofenderam as disposições dos artigos 96 e 100, incisos I, II e III, do CTN. Não procede a alegação. O auto de infração e a decisão recorrida foram integralmente respaldadas pela legislação tributária, sem quaisquer ofensas aos dispositivos citados. Quanto à expressão "praça" não há na jurisprudência decisão relativa ao conceito com força vinculante e observância obrigatória pelas autoridades fiscais da Receita Federal e aos julgadores das Delegacias de Julgamentos. Ambos, utilizaramse da mais recente Solução de Consulta COSIT nº 8/2012 que aborda a matéria dos autos, vigente à época da autuação fiscal, que esclareceu e fundamentou o conceito atualizado de "praça", atribuindo efeito interpretativo aos atos Parecer Normativo nº 44/81 e Ato Declaratório CST nº 05/1982 que entendo vigentes, embora desatualizados com a evolução da ciência jurídica e econômica. Outrossim, prescinde o enfrentamento dessa matéria para a decisão da lide em face dos demais argumentos que manifestei quanto à primazia, nos tópicos anteriores. Pedido de realização de diligências e perícias A diligência solicitada, e que se fez necessária, foi realizada em determinação da Turma na sessão de 09/12/2015, cujo resultado, parcialmente favorável à recorrente, resultou em correção de equívocos das autoridades fiscais, com a expressa concordância da interessada. Valores lançados que ainda permaneceram excessivos foram ajustados neste voto, tornando despiciendo novos pedidos de diligências. A perícia pressupõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas com o processo, e somente se faz necessária quando o simples exame dos autos pelo julgador não seja suficiente, exigindose o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto. O Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235/72 em seu art. 16, IV e §1º, alterado pela Lei nº 8.748/1993, determina que todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, não tem efeito o pedido de perícia da recorrente. Por fim, desnecessária providências de diligência e perícia pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para decidir a controvérsia. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Conclusão Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 37 36 Assim, restando demonstrado que os estabelecimentos interdependentes da autuada eram os únicos responsáveis, em regime de exclusividade, pela primeira distribuição no atacado dos produtos e levandose em conta que o “universo das vendas” representa as vendas de produtos perfeitamente identificáveis, praticadas pelos estabelecimentos atacadistas de uma mesma firma, localizadas na praça da remetente (região metropolitana de São Paulo/SP), correto o lançamento. Considerando as correções nos cálculos dos valores do IPI lançado, efetuadas pelas autoridades fiscais e consignadas na tabela das fls. 2.147/2.148, no montante de R$ 77.626.426,95, e também constatadas neste voto, apontadas na coluna ""Valor a excluir no AI" do quadro elaborado no tópico "Créditos no Livro de Apuração do IPI", no valor de R$ 340.166,13, relativas aos meses de março, outubro, novembro e dezembro de 2008, temse que a autuação fiscal deverá ser reduzida em R$ 77.966.593,08. Por tudo ante exposto, voto para REJEITAR as PRELIMINARES de NULIDADES do auto de infração e da decisão recorrida, e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário somente para excluir a quantia total de R$ 77.966.593,08. Paulo Roberto Duarte Moreira Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário A questão central de mérito no presente Recurso diz respeito ao cálculo do Valor Tributável Mínimo VTM para fins de lançamento do IPI. A Recorrente aduz que, pela regra do art. 137, parágrafo único, II do RIPI/02, a expressão "praça" deve ser restrita ao município de São Paulo, local em que se encontra o estabelecimento industrial; sendo este um conceito inflexível fixado pela jurisprudência, inclusive do CARF. Pois bem. Com a devida vênia às bem expostas razões recursais, entendo de modo diverso. O Direito Tributário não admite, na atualidade, interpretações estanques, dissociadas da realidade econômica, social e política. A moderna doutrina tributária, no quem vem acompanhada pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, não mais admite que a obrigação tributária seja parametrizada por conceitos imutáveis. A interpretação do direito tributário, à exemplo do que se verifica na interpretação conforme a constituição e na própria mutação constitucional, deve acompanhar a evolução dos paradigmas sociais e econômicos. Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 38 37 Na hipótese específica dos autos, um conceito de natureza econômica forjado em 1850 pelo já revogado Código Comercial Brasileiro, por óbvio, jamais poderá ser interpretado da mesma forma quase 2 séculos depois. Como já tive oportunidade de me manifestar, em junho de 2016, no sentido de que a autoridade tributária não pode desprezar a realidade negocial, ao não reconhecer a existência de uma modalidade contratual amplamente praticada no mercado nacional e internacional para fins de exigência tributária (Acórdão nº 3201002.227), reafirmo que também o contribuinte não pode pretender afastar essa mesma realidade para fins de se eximir da obrigação tributária. É a própria realidade mercadológica da Recorrente que inviabiliza restringir o conceito de praça comercial a um único município. Seus produtos são comercializados em todo o país (e mesmo internacionalmente), independentemente da sua presença física nos municípios, sendo seus produtos claramente individualizados e definíveis, e sem variações de valor. Não se trata de negar primazia ao princípio da legalidade tributária, mas, sim, de interpretar a norma tributária em consonância com a realidade social, política e econômica. E, na atual realidade, de economia globalizada, limitar o conceito de "praça comercial" de um comerciante de alcance internacional, às barreiras geográficas de um único município, significa corromper o próprio conceito normativo. Pelo exposto, voto por acompanhar integralmente o voto do i. Relator. Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação,os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresento esta Declaração de Voto. Ao analisar a presente lide administrativa fiscal, cheguei à firme conclusão de que posso somente concordar com o contribuinte, uma vez que o conceito de praça intrinsecamente ligado ao próprio conceito de cidade e formação das civilizações, conforme pode ser verificado ao se estudar sociologia, como ao ler o livro "A Cidade Antiga" (La Cité Antique) de Fustel de Coulanges, por exemplo não pode ser ampliado para outro conceito que abranja todo o globo, dada a globalização do mercado de cosméticos. Não é porque o mercado está cada vez mais globalizado e eletrônico, que o conceito secular de "praça" deixe de significar o que significou por séculos, desde o fim das tribos e a constituição das cidades, até o presente momento. A legislação é expressa ao utilizar a palavra "praça" e, fora desta palavra, não há que se falar em preço tributável mínimo ou concorrência desleal ou quaisquer das alegações da fiscalização. Vejamos a legislação utilizada no lançamento, o inciso I, do Art.136 do RIPI/02, exposto a seguir: Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 39 38 "Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª);" O próprio Art. 32, do Código Comercial de 1850, citado pelo nobre relator, faz força a favor do contribuinte, na medida em confirma o conceito de praça e não esse novo conceito pretendido pela fiscalização, uma vez que o conceito de praça está intrinsecamente ligado aos núcleos de comércio e indústria, aos costumes, questões geográficas como rios e oceano1. Em que pese todo meu respeito e admiração pelo trabalho da fiscalização e do colega relator, este é um conhecimento mundialmente notório de sociologia. Todo o lançamento e matéria de fundo se restringe ao conceito de "praça", conforme pode ser verificado em trecho extraído do relatório presente na decisão de primeira instância, reproduzido a seguir: "Considerando que as revendedoras, conforme determinado pelo RIPI, constituem o mercado atacadista da praça do remetente e dada a flagrante diferença de preços, entre os praticados na praça e os que constam nas notas fiscais de saída da indústria para as interdependentes, foi, de ofício, constituído o presente crédito tributário, com base no valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I, RIPI/02." O contribuinte, por sua vez, alegou e juntou provas e indícios que fortalecem a não ampliação do conceito de praça. Podemos conferir mais um trecho do relatório da decisão de primeira instância que confirma a importância da questão do conceito de praça na presente lide administrativa fiscal: " demonstra que o fiscal autuante se esforça para tentar ampliar o conceito de "praça", a despeito de todos os ensinamentos da doutrina e da pacificada jurisprudência dos E. Tribunais Pátrios, inclusive do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), com o único objetivo de não respeitar a legislação vigente e considerar os preços da AVON COSMÉTICOS LTDA. que se encontra em praça diversa do remetente, o que não é permitido, portanto, incorrendo em ofensa ao princípio da legalidade;" Além do mencionado PN CST nº 44/81 confirmar o conceito de praça defendido pelo contribuinte, verificase que há um parecer nos autos, do Professor Fabio Ulhôa Coelho (jurista notável e referência na área de Direito Comercial), que didaticamente apresentou o entendimento secular de praça comercial, confirmado inclusive nos tribunais superiores deste país. Ficou evidente que, por mais que o conceito comercial de "praça" não seja o mesmo conceito de uma simples praça dentro de um bairro qualquer, não há como ampliar este conceito para que a autuação possa comparar preços e estabelecer preços tributáveis mínimos 1 Coulanges, Fustel de. "A Cidade Antiga" (La Cité Antique). Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 40 39 em cidades diferentes, ligadas por estradas, separadas por rios, portos, centros de distribuição, costumes, diferentes órgãos públicos e demais características que permitem concluir que a operação do contribuinte foi realizada em diferentes praças. A conseqüência direta disto é a não subsunção dos fatos à norma que o lançamento utilizou, o que contraria a regra constitucional e tributária da legalidade e afronta diretamente o disposto nos Art. 97 e 113 do Código Tributário Nacional, parcialmente transcritos a seguir: "SEÇÃO II Leis, Tratados e Convenções Internacionais e Decretos Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) TÍTULO II Obrigação Tributária CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." Não houve concorrência desleal, sonegação e nem mesmo ofensa ao preço tributável mínimo. Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 16561.720182/201265 Acórdão n.º 3201003.444 S3C2T1 Fl. 41 40 De forma simples, a indústria do contribuinte vendeu seus produtos, com valor ainda a ser agregado, à empresa comercial situada em outra cidade, do mesmo contribuinte, por um preço que representou um custo benefício calculado e legal, justo e que não afetou nenhum outro contribuinte. O contribuinte cumpriu com as regras e princípios da livre concorrência positivadas na legislação Brasileira. Assim, ainda que, diante da globalização o termo "praça" possa parecer algo antigo ou desatualizado, se a Lei o utiliza, este deve ser aplicado. De modo que, conforme dispõe o Art. 62 do RICARF, este conselho administrativo não pode negar o que a Lei dispõe, muito menos criar um conceito novo dos termos utilizados em Lei para que esta não seja aplicada. Uma das grandes conquistas inseridas no Código Tributário Nacional, como um grande instrumento de defesa aos contribuintes e ferramenta de limitação ao poder de tributar, é a regra de que a interpretação, na leitura das Leis tributárias, deve sempre favorecer o contribuinte e jamais ser ampliada em favor do Estado. Essa regra é decorrente do princípio e regra constitucional da presunção da inocência, também positivada no Art. 112 do Código Tributário Nacional e, obrigatória à este Conselho, transcrita a seguir: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." À míngua do conceito secular de praça, reconhecido nos tribunais superiores do Brasil e reforçado pelos grandes notáveis intelectuais e juristas do Brasil, não vejo como inovar, competência que é reservada somente ao Poder Legislativo, que, somente este, poderia extrair, substituir ou inovar o conceito de "praça". Diante do exposto, com fundamento no Art. 97, 112 e 113 do Código Tributário Nacional, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 2253DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.912366/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/12/2001
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ.
Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste.
Numero da decisão: 1301-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/12/2001 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 23 66 /2 00 9- 84 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13896.912366/200984 Acórdão n.º 1301002.803 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada e, DCOMP nº 41901.73896.100806.1.3.043104, referente a alegado crédito de valor original na data transmissão de R$ 21.368,20, relativo a pagamento indevido ou a maior de código de receita nº 2362, DARF de valor total de R$ 21.938,05, período de apuração de 30/11/2001 e data de arrecadação de 18/12/2001. Segundo o Despacho Decisório de não homologação, o DARF informado na DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, conforme processo nº 13896.004119/200821, não restando assim crédito disponível para a compensação do(s) débito(s) informado(s) na DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade a interessada pediu a homologação da compensação. Para tanto, assim resumiu seus argumentos: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Excluir o lançamento referente à IRPJ código 2362, da DCTF do 4 trimestre/2001, constante na página 4, no valor de R$ 21.938,05, pois esse valor não é devido para o período Novembro/2001. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.796, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 13896.911728/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13896.912366/200984 Acórdão n.º 1301002.803 S1C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.796): O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. 1. Nulidade da decisão de 1a instancia por falta de motivação e inobservância ao principio da verdade material Alega a Recorrente que a decisão de primeira instancia violou os princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal, pois entendeu não estar clara a motivação que levou o julgador às conclusões exportas na parte dispositiva do julgamento. Defende que o argumento ensejador do não provimento da manifestação de inconformidade se baseou em alegações de que a recorrente não trouxe aos autos sua escrituração contábil, sem sequer analisar os documentos juntados a manifestação de inconformidade. Compulsandose os autos verificase que a recorrente descreve como documentos anexados a DCTF 4° trimestre/2001, DIPJ Anocalendário 2001, DARF no valor de R$ 11.161,18, Despacho Decisório n°. 848664496 de 07/10/2009, CNPJ, Última Alteração Contratual Consolidada e documentos do representante legal. No entanto, em linha com a decisão de primeira instancia, tais documentos não são capazes de comprovar os argumentos da Recorrente de que o valor do DARF relativo a pagamento de Dezembro 2001 não seria deveras devido. Contrariamente ao alegado, o julgador de primeira instancia, buscando a verdade material dos fatos, buscou nos sistemas disponíveis a Receita Federal informações detalhadas sobre o crédito tributário perquirido. Solicitou, ainda, desarquivamento do processo relativo ao restabelecimento da DCTF relativa que havia sido cancelada pela Recorrente. Em resumo, não vejo qualquer razão nos argumentos apresentados pela Recorrente que possam dar ensejo a nulidade da decisão de primeira instancia. 2. Compensação Em relação a compensação, sabese que o art. 170 do CTN determina que os créditos tributários líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública podem ser objetos de compensação, na forma que a lei estipular. Como liquido e certo, entendese aquele crédito tributário cuja existência seja garantida e cujo valor seja mensurável. No caso em tela, temse que a interessada não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nos moldes do art. 214, do Código Civil, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, conforme Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13896.912366/200984 Acórdão n.º 1301002.803 S1C3T1 Fl. 5 4 disposto no art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente os contábeis e fiscais, não sendo suficiente, por si só, como prova, a mera apresentação da DIPJ, que, ao contrário da DCTF, não se constitui em instrumento de confissão de dívida. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. No presente caso verificase que a recorrente descreve como documentos anexados a DCTF 4 trimestre/2001, DIPJ Anocalendário 2001, DARF no valor de R$ 21.938,05, Despacho Decisório n°. 848664575 de 07/10/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
