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Numero do processo: 16561.720150/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA RECEBIDA PELOS SÓCIOS APÓS OPERAÇÃO DE REDUÇÃO DE CAPITAL. AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO. PLANEJAMENTO LEGÍTIMO.
Restando comprovado que a negociação da participação societária foi de fato e de direito realizada pelas pessoas físicas (ausência de simulação), bem como que a redução de capital com entrega de participação aos sócios produziu as consequências jurídicas normalmente esperadas para este tipo de operação (negócio dotado de "causa"), não há base para que o fisco desconsidere os efeitos tributários a pretexto de tributar os atos segundo o que, no seu entender, seria o seu desfecho previsível.
Numero da decisão: 1401-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, restando prejudicados os recursos dos coobrigados e o recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA RECEBIDA PELOS SÓCIOS APÓS OPERAÇÃO DE REDUÇÃO DE CAPITAL. AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO. PLANEJAMENTO LEGÍTIMO. Restando comprovado que a negociação da participação societária foi de fato e de direito realizada pelas pessoas físicas (ausência de simulação), bem como que a redução de capital com entrega de participação aos sócios produziu as consequências jurídicas normalmente esperadas para este tipo de operação (negócio dotado de "causa"), não há base para que o fisco desconsidere os efeitos tributários a pretexto de tributar os atos segundo o que, no seu entender, seria o seu desfecho previsível.
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AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO. PLANEJAMENTO LEGÍTIMO. Restando comprovado que a negociação da participação societária foi de fato e de direito realizada pelas pessoas físicas (ausência de simulação), bem como que a redução de capital com entrega de participação aos sócios produziu as consequências jurídicas normalmente esperadas para este tipo de operação (negócio dotado de "causa"), não há base para que o fisco desconsidere os efeitos tributários a pretexto de tributar os atos segundo o que, no seu entender, seria o seu desfecho previsível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, restando prejudicados os recursos dos coobrigados e o recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 50 /2 01 5- 11 Fl. 3561DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL referente ao ano calendário de 2010, no qual a autoridade fiscal aponta a fuga da tributação quanto ao ganho de capital, que teria sido apurado pela pessoa jurídica autuada e deveria ter sido tributado à alíquota combinada de 34%, quando, na prática, foi apurado pelos sócios pessoas físicas e/ou residentes no exterior, tendo incidido à alíquota de 15% (fls. 1.015 e ss.). Houve a imposição de multa qualificada de 150%, eis que, no entender da fiscalização, "O contribuinte CCI CONCESSÕES LTDA agiu de maneira dolosa, ao praticar atos societários com objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador, excluindose do polo passivo da obrigação tributária e atribuindo a terceiros a obrigação de recolher os tributos devidos sobre o ganho de capital obtido, com alíquotas indevidamente favorecidas, em detrimento ao erário federal". Foram indicados como responsáveis tributários (i) a sócia majoritária que detinha 99,9% do capital da autuada, CCI Concessões e Construções de Infraestrutura S/A ("CCI Infraestrutura"), por suposto interesse comum na operação (art. 124, I do CTN); e (ii) a diretora da autuada que participou efetivamente das negociações nos termos dos documentos da operação, Fabiana Reppucci Vaz de Lima ("Fabiana"), com base no artigo 135, III, do CTN. O fator determinante para a abertura do procedimento fiscal foi a aquisição de 100% da participação acionária na Rodovias Integradas do Oeste S/A ("Rodovias"), pela Companhia de Participações em Concessões S/A ("CPC"), ocorrida em 2010. Antes da reestruturação societária que a autoridade autuante reputou como "sem propósito negocial", a linha de participação das empresas na Rodovias era, em resumo, a seguinte: O TVF assim resume a operação (grifos do original): Fl. 3562DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201511 Acórdão n.º 1401002.347 S1C4T1 Fl. 3.562 3 56. Resumidamente, a movimentação da participação da CCI Concessões Ltda na Rodovias foi a seguinte: A CCI Concessões Ltda era acionista da Rodovias desde o AC 2000; A posição acionária da CCI Concessões Ltda na Rodovias em 15/10/2004 apresentava o valor R$ 4.002.220,00; Em 17/03/2010, a CCI Concessões Ltda efetivou a redução de capital aprovada em reunião de quotistas realizada em 30/07/2009. Em 22/04/2010, a CCI Concessões Ltda detinha 5,54% da participação acionária da Rodovias avaliada em R$ 4.429.409,00. Nesta data, é substituída pela Holding G4, da qual era sócia. Mantém, entretanto, sua participação na Rodovias, apenas o status dessa participação é alterado de direta, para indireta; Em 04/05/2010, em pagamento a redução de capital de 17/03/2010, a CCI Concessões Ltda cedeu e transferiu para CCI Concessões e Construções de Infraestrutura S/A, as cotas que detinha no capital da Holding G4 Participações S.P.E Ltda no valor de R$ 4.434.409,00 .; Em 06/05/2010, a CCI Concessões e Construções de Infraestrutura S/A transfere para seus acionistas as participações da Holding G4 recebidas em 04/05/2010, apenas 02 dias após. Em 10/05/2010, a Estrela do Mar Part. e Adm. de Bens Ltda, transfere para seus cotistas a participação da Holding G4 que recebeu em 06/05/2010, 04 dias após. Em 03/08/2010, as pessoas ligadas indiretamente à CCI Concessões Ltda e que receberam participação da Holding G4 assinaram o Contrato de Compra e Venda com a CPC; Em 22/10/2010, os supostos alienantes, receberam a primeira parcela do pagamento do negócio realizado com a CPC. Concluise que, a CCI Concessões Ltda reduziu efetivamente seu capital social; transferiu num lapso de tempo exíguo, menos de 05 meses, a participação na Rodovias, da qual era detentora desde o AC 2000 (de forma direta ou indireta) para pessoas ligadas indiretamente. Na sequência, essa participação é alienada à CPC por estas mesmas pessoas. É importante frisar que a negociação para a alienação da participação na Rodovias, por intermédio da Holding G4, já estava em andamento conforme amplamente demonstrada neste Termo. Apresentaram peça impugnatória a empresa autuada e os responsáveis fls. 1064/1173 e 1176/1320, respectivamente. Em 23 de março de 2017 a DRJ em Ribeirão Preto julgou as impugnações parcialmente procedentes nos termos do acórdão n.º 1464.857, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PRECARIEDADE DO TRABALHO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. OFENSA AO ART. 142. Fl. 3563DF CARF MF 4 Não há ofensa ao art. 142 do CTN, quando a Autoridade Fiscal, em face de atos simulados, aponta todos os elementos previstos no citado artigo, quando da realização do lançamento de oficio com fulcro no art. 149. Com o início da fase litigiosa, a contribuinte tem o direito de exercer plenamente seu direito de defesa, podendo apresentar todos os elementos de prova contra o lançamento. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO E NO RECONHECIMENTO DE RECEITAS. OFENSA AO ART. 31 DO DECRETO LEI 1.598/77. Quando a forma de apuração é o lucro real anual, é necessário reconhecer as receitas e despesas pelo regime da competência. A faculdade de reconhecer as receitas proporcionalmente ao recebimento, prevista no dispositivo epigrafado, deve ser feita por opção do sujeito passivo acompanhada do respectivo recolhimento dos tributos. Não cabe observála em lançamento de ofício. O ERRO NA DELIMITAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OFENSA AO ART. 142 DO CTN E ART. 2º DA LEI 9.430/96. O contrato de compra e venda tornase perfeito e válido quando as partes acordam acerca da coisa e do preço. Sendo possível determinar o preço na data da assinatura, é este valor que deve ser considerado pela fiscalização, independentemente do efetivo pagamento. A FALTA DE DEDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA ERRO NA COMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL BASE DE CÁLCULO Na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL é necessário considerar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa do próprio período de apuração. Após, há o direito de compensar o prejuízo fiscal ou a base de cálculo negativa dos períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões autorizadas pela legislação do respectivo tributo. A ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO POR SUPOSTO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO Para produzir efeitos tributários, é necessário que os eventos sejam apresentados de acordo com a substância dos atos e não meramente com forma lícita. Não se deve aceitar como lícito um planejamento tributário que envolva contratos “vazios”, desprovidos de causa geradora, porquanto visam retratar negociação que existe apenas para economizar tributos que são devidos. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DE “FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL” E “APURAÇÃO INCORRETA RESULTADO”. OFENSA À TIPIFICAÇÃO Não há guarida no atual ordenamento aos atos praticados simuladamente, sem causa justificadora, visando economia tributária ilícita, devendo a Autoridade Fiscal, obrigatoriamente, realizar o lançamento de ofício, identificando, dentre outros requisitos, a matéria tributável e o sujeito passivo do respectivo fato gerador, conforme dispõem os arts. 142 e 149 do CTN. DESCABIMENTO DA DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS JURÍDICOS PERFEITOS E ACABADOS O Princípio da BoaFé e o da Função Social devem ser considerados não apenas entre as partes do negócio jurídico, mas também perante a sociedade, visto que há interesse público em obter receitas tributárias para consecução do bem comum. Inarredável, portanto, a observância desses princípios norteadores, que limitam o excesso do exercício da autonomia privada em face de interesses maiores, como no caso é o interesse público em auferir receita tributária quando ocorre o fato gerador previsto na lei. Não pode simplesmente as partes inovar no exercício da autonomia privada quando há prejuízo à sociedade. Fl. 3564DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201511 Acórdão n.º 1401002.347 S1C4T1 Fl. 3.563 5 LICITUDE DOS ATOS. LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE Sob a égide da livre iniciativa, não pode o interessado praticar atos unicamente para eximirse das obrigações tributárias, devendo a Autoridade Fazendária, em face dessa circunstância, obrigatoriamente, identificar o real fato gerador e efetuar o lançamento dos tributos devidos. ABATIMENTO DO VALOR DO IRPF RECOLHIDO PELAS PESSOAS FÍSICAS Para que haja a compensação, os débitos devem ser próprios, ou seja, pertencer ao mesmo sujeito passivo que apurou o crédito que se deseja compensar. DESCABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA. Não há como afastar a imputação fiscal de planejamento tributário abusivo e fraudulento e a consequente aplicação da multa qualificada se comprovadas pela Fiscalização circunstâncias que demonstram a ocorrência de negócios jurídicos simulados, os quais foram celebrados com o único objetivo de esquivarse da tributação que, de qualquer outra forma escolhida, seria incidente. MULTA. NÃO CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa os moldes da legislação em vigor. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE FSCALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. A ampla defesa, que assegura aos responsáveis solidários o direito de contestar a exigência contra eles formulada, é exercida por meio das impugnações apresentadas. INAPLICAÇÃO DO ART. 124 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN Ocorre solidariedade passiva tributária de fato quando há uma pluralidade de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovada a conexão e o interesse comum entre as pessoas envolvidas, imputase a solidariedade passiva tributária, com fundamento no art. 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Os atos da pessoa jurídica são manifestados por meio dos representantes legais. Simular negócio jurídico para eximirse de pagamento de tributo, configura ato ilícito, justificando a responsabilização dos que concorreram para a prática de tais atos. MULTA QUALIFICADA PENA COM TEOR PERSONALÍSSIMO IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Praticar atos ilícitos, decorrentes de planejamento tributário ilícito, abusivo, inevitavelmente haverá a responsabilidade tributária (art. 135 do CTN). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ exonerou os montantes de R$1.928.313,82 de IRPJ e R$854.643,73 de CSLL por corroborar as seguintes alegações da impugnante: a) ausência de dedução i) do ganho de equivalência patrimonial no valor de R$ 421.000,00 da base de cálculo da CSLL; ii) da base negativa de CSLL referente ao ano calendário de 2010, no valor de R$ 2.026.274,75; iii) do prejuízo fiscal para o IRPJ e da base Fl. 3565DF CARF MF 6 negativa de CSLL referentes ao anocalendário de 2009, no valor de R$ 7.048.766,68, valor este inferior a 30% lucro líquido ajustado; b) ao recompor o lucro real de 2010 e, consequentemente, o saldo de crédito de IRPJ e CSLL, a autoridade autuante deveria considerar o montante IRRF incidente sobre receitas já oferecidas à tributação no período, mas não o fez. Assim, a empresa obteve saldo negativo de IRPJ de R$ 60.872.15, decorrente de receitas que foram oferecidas à tributação, mas que tiveram a retenção de IRRF, como se nota dos informes de rendimento anexos à impugnação. O despacho de fl. 3.559 atesta as datas de intimação e apresentação de recursos, nos seguintes termos: A empresa CCI CONCESSÕES LTDA obteve ciência da intimação referente ao Acórdão de Impugnação n° 1464.857 1a.Turma da DRJ/RPO em 10/04/2017, conforme Aviso de Recebimento constante na fl.3153. Entretanto, por um equívoco, o Acórdão de Impugnação, que deveria ter sido anexado na primeira postagem, foi enviado posteriormente, sendo recebido efetivamente em 20/04/2017, conforme rastreamento no site dos Correios constante na fl.3557. Já os responsáveis solidários, FABIANA REPPUCCI VAZ DE LIMA e CCI CONCESSOES E CONSTRUCOES DE INFRAESTRUTURA S/A, tiveram ciência do Acórdão de Impugnação em 25/04/2017 através de ciência pessoal, constante nas fls. 3162 a 3168. Em 09/05/2017, conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada (fl.3170), a CCI CONCESSÕES LTDA apresentou Recurso Voluntário. E, em 10/05/2017, conforme fls.3351 e 3434, os responsáveis solidários também apresentaram Recurso Voluntário. Os argumentos constantes do recurso voluntário da empresa são, em resumo, os seguintes: a) A Inovação da DRJ/RPO – Ilegalidade do Lançamento de Ofício b) A precariedade do trabalho fiscal e o Cerceamento de Defesa – Ofensa ao art. 142 do Código Tributário Nacional CTN c) O Erro de Fato (Acréscimo Patrimonial) – Repercussão no Período de Apuração, Regime de Tributação Ofensa aos art. 31 do Decretolei 1.598/77 (art. 421, do RIR/99) e 142 do CTN d) O erro na delimitação da base de cálculo – Ofensa ao art. 142 do CTN e art. 2º, da Lei 9.430/96 e) A ilegalidade do lançamento por suposto “planejamento tributário abusivo” – Ofensa ao art. 37 e 150 da CF/88, art. 97 e 197 do CTN e art. 2º da Lei 9.784/99 f) A inexistência de previsão legal de “falta de contabilização de ganho de capital” e “apuração incorreta resultado” – Ofensa à Tipificação g) O descabimento da desconsideração da alienação feita pelas pessoas físicas (motivação, substância e realidade) – Ofensa à Legalidade e à Tipicidade h) A licitude dos atos – O livre exercício de atividade – A economia fiscal Fl. 3566DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201511 Acórdão n.º 1401002.347 S1C4T1 Fl. 3.564 7 i) A necessidade de abatimento do IRPF recolhido pelas pessoas físicas e do IRRF pela estrangeira j) O descabimento da imposição da multa qualificada l) A Vedação ao Confisco e a Pratica Reiterada (Jurisprudência Pacífica do CARF) art. 100 do CTN m) A não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício Os responsáveis, por sua vez, argumentaram o seguinte: a) A inexistência de fiscalização em relação à Recorrente – Lançamento Precário – Cerceamento de Defesa b) inexistência de responsabilidade solidária – Inaplicação do art. 124, I e 135 do Código Tributário Nacional CTN c) necessidade de abatimento do IRPF já recolhido (acréscimo de argumento em relação à defesa da CCI Concessão) d) A multa qualificada – Pena com teor personalíssimo impossibilidade de responsabilidade solidária e) A impugnação apresentada pela CCI Concessões – Ratificação – Economia Processual Recebi o processo em distribuição realizada em 21 de setembro de 2017. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Recursos Voluntários Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. A acusação da autoridade autuante é de que a Recorrente não teria contabilizado o ganho de capital apurado na venda do investimento na Holding G4, in verbis: "Falta de contabilização de ganho de capital apurado na alienação de investimento na Holding G4, da qual era detentora de 25% de suas cotas, avaliado pelo valor do Patrimônio Líquido, gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo." (fl. 990). A data do fato gerador indicada no auto de infração é 31/12/2010. O TVF inicia por afirmar que buscou obter a documentação referente à operação por meio de intimações dirigidas à Recorrente, no entanto esta afirmou desconhecer os documentos solicitados e informou apenas que sua participação na Rodovias era minoritária, estando à mercê das decisões dos majoritários. Em outras intimações direcionadas a empresas Fl. 3567DF CARF MF 8 do grupo (CCI Infraestrutura e Estrela do Mar) questionando os motivos das transferências de participação societária, estas pediram prazo suplementar de 30 dias úteis ou mais, o qual, se concedido, resultaria em decurso do prazo decadencial de eventual lançamento. A Fiscalização então procedeu a diligências de modo a investigar a veracidade de tal informação, culminando por apurar que não havia como a Recorrente negar que conhecia a existência de uma negociação em andamento para a aquisição da Rodovias pela CPC. Foram relevantes para tal conclusão o fato de que na AGE da Rodovias realizada em 31/08/2009, os acionistas desta sociedade (dentre eles a autuada) já haviam aprovado a contratação do Banco Itaú BBA S/A para fins de eventual futuro processo de reorganização societária, bem como a constatação de que Fabiana era, ao mesmo tempo, presidente da Recorrente e da CCI Infraestrutura, além de membro do Conselho de Administração da Rodovias. Adianto que, neste ponto, a conclusão da fiscalização é acertada. Se, em tese, uma companhia não necessariamente tem acesso à documentação relativa à negociação de sua participação societária, por outro, no caso concreto os fatos demonstram que a Recorrente tinha sim conhecimento de tais documentos, já que sua diretoria (que é quem materializa e executa seus atos no mundo fático) os havia assinado. De qualquer forma, negar à fiscalização documentos que a empresa teria acesso não é causa para autuação fiscal mas, no máximo, para aplicação de penalidades como multa por embaraço à fiscalização. Assim, embora a Recorrente (e suas sócias) tenham falhado no atendimento à fiscalização, tal fato é irrelevante para a conclusão sobre se houve ou não "planejamento tributário abusivo". Prosseguimos na análise. A autoridade autuante passa então a descrever a operação, após o que conclui que "a redução de capital, conjugada com a transferência aos seus sócios, mediante conferência de cotas de uma Holding, cuja participação estava sendo negociada em valor bem superior ao custo contábil, demonstra que a redução do capital almejava, como objetivo único, a transferência de sua participação para pessoas físicas ou domiciliadas no exterior, visando uma indevida economia tributária." (fl. 1021) Menciona, assim os seguintes fatos, os quais serviriam para corroborar a sua conclusão de que "a CCI Concessões Ltda é identificada como efetiva detentora da participação na Rodovias, de forma direta ou indireta": (i) em uma das diligências efetuadas pela fiscalização, a CPC (adquirente da Rodovias) informou que as negociações para a aquisição da Rodovias foram iniciadas em 18/09/2006, interrompidas em 2008 em virtude do momento econômico mundial desfavorável e retomadas em 4/12/2009, culminando com a assinatura do Contrato de Compra e Venda em 03/08/2010 e com a venda aperfeiçoada após o implemento das condições previstas no contrato, o que ocorreu em outubro de 2010. (ii) a Recorrente era acionista direta da Rodovias desde 2000, quando detinha 3,05% do capital social. Em 22/04/2010 tal participação, que então era de 5,54%, passa a ser indireta, sendo a Recorrente e os outros acionistas substituídos pela Holding G4, da qual a Recorrente já era sócia desde 29/12/2008. A substituição era prevista desde Fl. 3568DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201511 Acórdão n.º 1401002.347 S1C4T1 Fl. 3.565 9 05/01/2009, quando foi deliberado o aumento do capital social da Holding G4 no montante de R$ 16.780.144,00, com conferência de ações de emissão da Rodovias, condicionada à aprovação da agência reguladora e credores (autorizações obtidas em 24/10/2009 – ARTESP; 04/02/2010 Banco Itaú; 25/03/2010 BNDES e 07/04/2010 CEF). (iii) em 17/03/2010 a Recorrente efetivou a redução de capital aprovada em reunião de quotistas realizada em 30/07/2009 e, como pagamento, apenas em 04/05/2010 cedeu e transferiu para CCI Infraestrutura as cotas que detinha no capital da Holding G4. (iv) 2 dias após, em 06/05/2010, a CCI Infraestrutura cedeu a seus acionistas a participação na Holding G4, como pagamento pela redução de capital deliberada em 2009. (v) em 22/10/2010 o capital social da CCI Infraestrutura é recomposto. Nesta mesma data os “alienantes” que constam no Contrato de Compra e Venda receberam a 1ª parcela da venda realizada para a CPC. (vi) em 10/05/2010 a Estrela do Mar cedeu sua participação na Holding G4 a seus acionistas Juan José Repucci, Nino Reppucci e Fabiana. Esta redução de capital deliberada em 2009 e efetivada em 2010 não foi assim contabilizada na Estrela do Mar (o saldo inicial de 2009 já apresentava o valor do capital reduzido). E resume: "Observase que toda as alterações contratuais referentes às participações societárias da Holding G4 iniciouse em 17/03/2010 e encerrouse em 10/05/2010. No dia 03/08/2010, em menos de 05 meses, as pessoas físicas e a pessoa jurídica domiciliada no exterior, ligadas indiretamente à CCI Concessões Ltda, assinam o Contrato de Compra e Venda de suas participações na Holding G4." (fl. 1025, grifamos) Em seguida, afirma que além das alterações contratuais acima, "diversos outros fatos comprovam que as negociações entre a CPC e a Rodovias foram realmente retomadas em 2009" (fl. 1025) (no caso, provavelmente o TVF quis dizer negociações entre a CPC e a Recorrente já que a Rodovias foi o objeto da negociação e não um dos sujeitos). Enumera, então, as correspondências enviadas pela Rodovias a seus credores entre 29/10/2009 e 22/01/2010 solicitando o consentimento para a reorganização societária consistente na transferência de suas ações detidas pela Recorrente e outros acionistas, para, em seguida, afirmar: "Comprovase, desta maneira, que houve toda uma negociação prévia à assinatura do contrato de compra e venda de 03/08/2010, que obviamente era essencial para a concretização de negócio tão vultoso, e que teria um desfecho previsível, não fosse o artifício malicioso da redução do capital engendrado pelo contribuinte CCI Concessões Ltda, com o claro intuito de auferir indevida economia tributária e frustrar a tributação do ganho de capital no âmbito do IRPJ e da CSLL." (fl. 10261027) Não vejo como extrair dos fatos acima citados que a operação tenha sido simulada. Muito embora a autoridade autuante tenha realizado um minucioso trabalho de investigação, não há nos autos sequer início de prova de que, na prática, a venda da participação societária da Holding G4 tenha sido realizada ou mesmo negociada pela Recorrente. Fl. 3569DF CARF MF 10 O fato de as negociações terem sido retomadas ao final de 2009, como afirmou a adquirente CPC, não contradiz os documentos apresentados. A fiscalização prefere ignorar que as reduções de capital e transferências de participações societárias na Holding G4 foram negociadas e instrumentalizadas em 30 de julho de 2009 (data da reunião de quotistas da Recorrente), e que apenas a efetivação de tal operação é que ocorreu em 2010, após a autorização dos credores e da agência reguladora. Assim, é verdade que, perante terceiros (isto é, conforme os registros na Junta Comercial) a Recorrente foi proprietária da participação na Holding G4 até 2010. Todavia, a negociação de tal participação já tinha ocorrido desde 30 de julho de 2009, apenas a efetiva entrega e registro dos respectivos atos societários é que aguardava o cumprimento de condições suspensivas, quais sejam, as autorizações dos credores e da agência reguladora, fatos estes que dependiam exclusivamente de terceiros e que portanto ocorreriam independentemente de manifestação da Recorrente ou dos adquirentes. Explicado isso, fica fácil compreender o porque de a participação societária na Holding G4 ter sido negociada por quem ainda não era, perante os registros societários, detentor de tais cotas. Outro indício que a fiscalização traz para indicar que a operação foi simulada é o fato de a CCI Infraestrutura, sócia da Recorrente, ter recomposto o seu capital social pouco mais de 5 meses após a redução de capital que gerou a entrega da participação na Holding G4 a seus sócios. Tal circunstância até poderia servir de indício de que a redução de capital operada pela CCI Infraestrutura foi simulada (desde que combinada com outros indícios que apontassem nesse sentido), no entanto nada diz sobre a redução de capital realizada pela Recorrente. Por fim, como visto, a fiscalização menciona também supostas inconsistências na contabilidade de uma das sócias da controladora da Recorrente, a Estrela do Mar. A força probatória desse fato, porém, é igualmente fraca porque tal indício não aponta necessariamente para a conclusão que se pretende provar, podendo se tratar de mero erro do contador, por exemplo. Não se pode entender, portanto, que há sequer início de prova de que tenha havido simulação na operação em questão. Em outros termos: o próprio TVF consigna que quando as negociações foram retomadas (dezembro de 2009) já tinha ocorrido a deliberação que resultaria na entrega da participação aos sócios (julho de 2009), sendo tais fatos portanto incontroversos. Considerando todo o contexto acima não vejo como se possa considerar a Recorrente como a real alienante da participação societária. No máximo, o que houve foi planejamento, no sentido de que foram estudadas alternativas para a alienação da participação na Holding G4 e houve atuação preventiva de forma a minimizar os impactos tributários. Mas isso é, inclusive, o dever de um bom administrador, já que os tributos são, em última análise, custos como quaisquer outros, os quais devem ser, na medida do possível e desde que licitamente, reduzidos em prol da saúde financeira de qualquer pessoa, física ou jurídica. Assim, não se pode tratar o planejamento de forma pejorativa, como se todo empresário que planejasse praticasse um ilícito. Repitase: qualquer administrador probo deve Fl. 3570DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201511 Acórdão n.º 1401002.347 S1C4T1 Fl. 3.566 11 planejar, ou seja, buscar antecipar os efeitos dos negócios a serem praticados e estudar alternativas que tragam menor custo ou maior benefício. Tal planejamento será lícito desde que cada ato analisado individualmente e também no conjunto com outros atos tenha uma função, ou seja, produza as consequências jurídicas que se espera daquele ato. É o que muitos chamam de "causa" do negócio. Assim, não se pode pretender tributar uma operação tal como a fiscalização entendia que ela devesse ter sido feita. O fato de uma operação não ter tido o "desfecho previsível" que a fiscalização esperava não significa que ela não tenha tido "propósito negocial". De fato, já observei em outros votos que temos presenciado com preocupante frequência a utilização, pelas autoridades fiscais, de uma versão extrema e literal da suposta "teoria do propósito negocial" por meio do qual se defende que a simples ausência sob a ótica do fisco de outros "motivos" para a operação que não o alcance do benefício fiscal já seria elemento suficiente para invalidar as operações ou, ao menos, as vantagens fiscais daí resultantes. Tal racional, além de carecer de suporte jurídico, guarda certa contradição com diversas regras e estruturas criadas há muito tempo pelo legislador pátrio, por meio das quais são oferecidas vantagens fiscais a contribuintes que cumpram determinados requisitos expressos na legislação. Daí é que o que se vê, frequentemente, é a criação de requisitos adicionais àqueles previstos na legislação, sem qualquer amparo jurídico, e fundado exclusivamente em uma premissa falsa, e quase preconceituosa de que uma operação que vise a atingir vantagem fiscal legalmente prevista "não vale para fins fiscais". Dizemos que não é preciso ir tão longe já que a questão é bem mais simples: em uma redução de capital motivada por excesso de capital social, o que se espera é que tal ato efetivamente gere a descapitalização da empresa e devolução de recursos aos sócios. Se, mantidas as mesmas circunstâncias, houver uma subsequente recapitalização desta mesma pessoa jurídica, seja mediante aumento de capital, AFAC ou mesmo empréstimo dos sócios, podese dizer que a redução de capital foi simulada, eis que o instituto redução de capital não produziu os efeitos que lhe são próprios e necessários (significa dizer, em termos jurídicos, que não teve "causa"). Vamos a um exemplo um pouco mais extremo, apenas no intuito de ilustrar o que se diz acima: nossa legislação garante determinadas reduções de tributos a contribuintes que se estabeleçam na Zona Franca de Manaus. Pois bem. Quando as autoridades fiscais investigam os contribuintes que se beneficiam de tais incentivos, não questionam qual foi o motivo extratributário que levou à decisão de se estabelecer em tal área. Pelo contrário, muitas vezes tais contribuintes realmente não têm outra justificativa, eis que se distanciam de seu mercado consumidor e não raro não encontram lá uma melhor infraestrutura ou maior oferta de mão de obra qualificada. O objetivo é, portanto, o gozo do incentivo fiscal, e isso é garantido às empresas que cumpram todos os requisitos da legislação independentemente do "propósito negocial" da decisão de se estabelecer na Zona Franca de Manaus. Mas o que se espera de tais pessoas jurídicas? Que elas realmente se estabeleçam na região da Zona Franca de Manaus e lá produzam seus produtos. Assim, uma Fl. 3571DF CARF MF 12 pessoa jurídica que o faça apenas formalmente, "no papel", não terá direito ao gozo dos benefícios não porque a operação não tenha "propósito negocial", mas simplesmente porque a pessoa jurídica não existe como "sociedade empresária", ou seja, por não haver "empresa"1 naquele local. O mesmo se pode dizer da redução de capital. A legislação traz condições para que o capital social de uma pessoa jurídica possa ser reduzido e, uma vez que estas são preenchidas e efetivamente se atinge o resultado pretendido, a consequência da operação (que no caso foi a entrega da participação na Holding G4 aos sócios) deve ser considerada legítima independentemente dos "motivos não fiscais" que levaram à decisão por tal forma de transferir a participação. Daí porque alguns talvez de maneira não técnica qualificam alguns negócios como "abusivos". Tal "abuso" é a qualificação dada à utilização de um instituto jurídico (no caso, o da redução de capital) sem se atingir seu fim próprio ou sua "causa" (e que, no caso, é a descapitalização da empresa e entrega de recursos aos sócios/acionistas). Em resumo, por entender que, de um lado, não houve simulação já que a negociação da participação societária não foi nem de fato nem de direito realizada pela Recorrente, e, de outro, que o planejamento não pode ser considerado ilegítimo eis que a redução de capital e entrega da participação na Holding G4 a seus sócios foi um ato dotado de "causa" (entendida como função econômicosocial ou, como alguns preferem, "propósito negocial"), não vejo como manter a autuação. Não pode ser mantida a autuação no caso em que não há indícios convergentes de prática de simulação ou de "abuso" (este último entendido como resultado ilégítimo dos atos praticados, a despeito de todos serem individualmente lícitos, conforme detalhado acima). Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para dar provimento ao recurso voluntário da Recorrente, ficando prejudicados os recursos voluntários dos responsáveis e o recurso de ofício. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano 1 O conceito de empresa pode ser extraído da definição de empresário constante do Código Civil, interpretandose empresário como aquele que exerce empresa: "Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços." Fl. 3572DF CARF MF Processo nº 16561.720150/201511 Acórdão n.º 1401002.347 S1C4T1 Fl. 3.567 13 Fl. 3573DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.011931/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO
Restando comprovada a existência de omissão no acórdão de recurso voluntário, devem ser admitidos embargos de declaração para suprir a lacuna.
Verificado que a decisão teve por base equivocado pressuposto de fato, cabe admitir embargos para que sejam realizados os correspondentes ajustes.
OMISSÃO DE FATOS GERADORES. MULTA. CFL 68.
Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, aí incluídas as relacionadas com processos trabalhistas, constitui infração à legislação.
Numero da decisão: 2402-006.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, sem efeitos modificativos, retificando a decisão para que se faça constar no Acórdão nº 2402-003.834 as alterações insertas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Embargante ANGLOGOLD ASNHANTI BRASIL MINERAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO Restando comprovada a existência de omissão no acórdão de recurso voluntário, devem ser admitidos embargos de declaração para suprir a lacuna. Verificado que a decisão teve por base equivocado pressuposto de fato, cabe admitir embargos para que sejam realizados os correspondentes ajustes. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. MULTA. CFL 68. Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, aí incluídas as relacionadas com processos trabalhistas, constitui infração à legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 19 31 /2 00 7- 60 Fl. 1252DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, sem efeitos modificativos, retificando a decisão para que se faça constar no Acórdão nº 2402003.834 as alterações insertas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402006.143 S2C4T2 Fl. 1.253 3 Relatório A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2402 003.834, em 19/11/2013 (fls. 1146/1175), negando provimento ao recurso de ofício e dando provimento parcial ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. ABONO. A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. O abono salarial pago em parcela única e em decorrência da acordo trabalhista não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. VÍCIO MATERIAL. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa instituídos por instrumento regular de negociação com os empregados. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a Fl. 1254DF CARF MF 4 geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificado da decisão, o contribuinte opôs os Embargos de Declaração de fls. 1217/1221 em 4/7/2016, nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), Anexo II, art. 65, inciso II, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, alegando omissão e erro material/contradição no acórdão, conforme razões a seguir transcritas: Do erro material/contradição interna ...há erro material/contradição no acórdão no ponto em que analisou as questões pertinentes à inclusão dos valores de PLR na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Isso porque, ao apontar a data de corte para a exclusão das aludidas verbas, considerando a ocorrência da cisão parcial da empresa Mineração Morro Velho, a Fiscalização levou em conta a data do protocolo da referida cisão e não a data da ata de reunião dos sócios que aprovou a operação incorrendo em erro material/contradição interna. Conforme documentos acostados aos autos e conforme reconhecido pela própria DRJ, em 13/02/2004 o que ocorreu foi o protocolo da cisão parcial da empresa Mineração Morro Velho, mas somente em 01/04/2004 foi apresentada a Ata de Reunião dos Sócios que aprovou a cisão assinada após a aprovação do Laudo de Avaliação. Ocorre que, aparentemente, o acórdão não atentouse para tal fato. Dessa forma e, nos termos da Lei 6.404/642, somente após a referida aprovação pode ser considerada efetivamente ocorrida esta operação societária, de modo que o erro material/contradição interna do acórdão merece ser sanado, para que se passe a considerar a data de corte, para exclusão dos valores relativos à PLR, os montantes exigidos antes da data de 01/04/2004, tal como apresentado no Recurso Voluntário interposto pela ora Embargante. Da omissão ... o acórdão foi omisso em relação ao pedido da Embargante de exibição das guias pagas em relação a condenações trabalhistas (GPS código 2909 para as competências de janeiro/2000, fevereiro/2000, junho/2000, maio/2001 e novembro/2004), a fim de se verificar se esses recolhimentos de fato se referem a dívidas próprias da Embargante ou de outras empresas. Cumpre observar que a Embargante desconhece os Processos Trabalhistas mencionados pela Fiscalização na autuação pois, em seus controles, em nome da Anglogold Brasil Ltda. só há os processos trabalhistas com condenação em períodos diversos daqueles apontados na autuação. As guias GPS código 2909 mencionadas pelo relatório fiscal não são de conhecimento da ora Embargante, o que inviabiliza a busca por eventuais processos trabalhistas que lhe sejam correspondentes. Nesse sentido, requer a Embargante que seja sanada a omissão relativa a esse ponto, a fim de que seja determinada a exibição das referidas guias para que seja verificado se os recolhimentos se referem de fato a dívidas trabalhistas da Embargante, e não de outra empresa, sob pena de violação do seu direito de ampla defesa. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402006.143 S2C4T2 Fl. 1.254 5 Os embargos de declaração foram admitidos em 21/2/2017, mediante despacho (fls. 1224/1247). É o relatório. Fl. 1256DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Dado que o contribuinte foi cientificado do acórdão de recurso voluntário em 29/6/2016 (sextafeira), constatase a tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 4/7/2016. Do erro material/lapso manifesto De acordo com o despacho de admissibilidade (fls. 1246/1247): É de se dar razão ao ora embargante, nesse tocante. Segundo o acórdão da DRJ (fl. 1052), a cisão parcial da Mineração Morro Velho teria ocorrido em 01/04/2004, data da reunião dos sócios, porém, o Acórdão embargado consigna como data da cisão a data do protocolo, em 13/02/2004 (fls. 1.163/1.164). Dessa forma, visando afastar qualquer dúvida quanto a data correta da cisão, entendo que a turma deverá apreciar a questão e sanar eventual erro material e/ou contradição. Pois bem, entendese não haver contradição a ser sanada, pois não há falar em contradição entre decisão da DRJ e do CARF a justificar a interposição de embargos. Entretanto, deve ser observado que a DRJ/BHE assinalou expressamente (fl. 1052) que, "conforme cópia de protocolo às fls. 566/578 e às fls. 579/582, dos autos da NFLD, DEBCAD nº 37.023.6360 [processo nº 10680.011914/200722]", a cisão parcial só restou aprovada após Ata de Reunião dos Sócios em 1º/4/2004, sendo o dia 13/2/2004 tão somente data do documento de protocolo, que deu início ao procedimento de cisão. Tal posicionamento, anotese, é compatível com os termos do art. 225 da Lei nº 6.404/76: Art. 225. As operações de incorporação, fusão e cisão serão submetidas à deliberação da assembléiageral das companhias interessadas mediante justificação, na qual serão expostos: I os motivos ou fins da operação, e o interesse da companhia na sua realização; II as ações que os acionistas preferenciais receberão e as razões para a modificação dos seus direitos, se prevista; III a composição, após a operação, segundo espécies e classes das ações, do capital das companhias que deverão emitir ações em substituição às que se deverão extinguir; IV o valor de reembolso das ações a que terão direito os acionistas dissidentes. Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402006.143 S2C4T2 Fl. 1.255 7 E, compulsando os autos, pode ser constatado que a decisão embargada (fls. 1163/1164) sequer mencionou a existência do documento relativo à Ata de Reunião dos Sócios, tomando equivocadamente, a data de cisão como sendo a data de protocolo . À evidência, estáse diante de lapso manifesto na análise da documentação carreada aos autos, impondose a reforma do julgado para que nele conste como data de cisão o dia 1º/04/2004. Registrese que a jurisprudência vem admitindo amplamente o cabimento de embargos de declaração, com possíveis efeitos modificativos, quando proferida decisão com base em pressuposto de fato equivocadamente considerado pelo julgador, cabendo citar, dentre outros, o REsp nº 1.065.913 (DJE 10/9/2009). E a respeito, Nelson Nery Jr. já observava1: Admitemse embargos de declaração para corrigir flagrante e visível erro de fato em que incidiu a decisão, evitandose os percalços com a eventual interposição de RE, Resp ou o ajuizamento de ação rescisória. Assim, deverão ser efetuadas as devidas alterações na respectiva fundamentação pois na ementa, dispositivo e conclusão não há referências à data da cisão. Da omissão Consoante bem colocado à fl. 1247 do despacho de admissibilidade: Compulsando os autos, em especial o Recurso Voluntário (fls. 1.066/1.093), em cotejo com as razões dos embargos, constatase que, de fato, o Voto Condutor não analisou as razões apresentadas pelo contribuinte quanto à não declaração em GFIP de processos trabalhistas que tiveram a incidência de contribuições previdenciárias (item IV.4 do Recurso Voluntário à fl.1.084). Registrese que as alegações do ora embargante nesse tocante constavam da impugnação à autuação e foram analisadas pela DRJ/BHE (fl.1.053). Concordandose com tais assertivas, cabe passar à análise dos argumentos do autuado quanto ao particular. Vejase que está devidamente circunstanciado nos autos, em dados extraídos dos sistemas da RFB (fls. 1028 e ss), que foram efetuados os recolhimentos mencionados e detalhados pela fiscalização às fls. 09 e 80, atinentes a processos trabalhistas. Consoante bem explicado pela DRJ/BHE (fl. 1053): Ressaltese que as Guias da Previdência Social GPS são documentos preenchidos e emitidos sob responsabilidade do contribuinte, cabendo a ele a sua guarda para fins de comprovação de recolhimento das contribuições devidas. Sendo assim, não seria possível à Secretaria da Receita Federal do Brasil a exibição de tais guias, cabendolhe apenas a indicação, com base em seus bancos de dados, das informações preenchidas pelo sujeito passivo nos campos que integram o referido documento. 1 NERY JR., Nelson e NERY, Rosa Maria. Código de Processo Civil Comentado e legislação processual civil extravagante em vigor. São Paulo: RT, 6ª edição, p. 905. Fl. 1258DF CARF MF 8 Ademais, o contribuinte foi devidamente intimado a apresentar os documentos relativos aos processos trabalhistas correspondentes aos recolhimentos de verbas pagas (fl. 90), quedando inerte no atendimento à solicitação. De fato, ainda que não constasse de seu controle os pagamentos registrados nos sistemas da RFB, poderia ter ele procurado reunir elementos para esclarecer a situação, apresentando, por exemplo, certidão judiciária relacionando os processos em que esteve litigando à época, e demonstrando que naqueles não houve recolhimento de contribuições tal como discriminado pela autoridade lançadora, e atestado nos mencionados sistemas informatizados. À toda vista, busca o contribuinte inverter o ônus de prova que lhe cabe, não havendo falar, na espécie, de cerceamento de defesa, pois, como visto à saciedade, era encargo seu apresentar as guias em comento, bem como ao menos efetuar o devido controle acerca dos pagamentos vinculados a lides trabalhistas. Não havendo trazido elementos de prova que pudessem infirmar a autuação nesse aspecto, concluise que deve ser mantida a autuação de multa por descumprimento de obrigação acessória, face à omissão em GFIP dos valores pagos em processos trabalhistas. Conclusão Sendo assim, e para que reste claro o alcance do julgado em evidência, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos de declaração, para fins de que reste modificada a decisão do Acórdão nº 2402003.834, procedendose as seguintes alterações na fundamentação daquele julgado: No lugar das passagens (fls. 1163/1164): A recorrente juntou aos autos termo de cisão datado de 13/02/2004 da empresa Mineração Morro Velho Ltda com versão para a empresa Mineração Anglogold Ltda, ora recorrente. As empresas já faziam parte do mesmo grupo econômico, fls. 569. Com esse documento tenta justificar que os acordos de PLR também trazidos aos autos da empresa Mineração Morro Velho Ltda se prestariam para fins da Lei nº 10.101/2000. (...) À época do lançamento, em 05/10/2006, havia no quadro de empregados da recorrente tanto seus próprios segurados como aqueles provenientes da Mineração Morro Velho Ltda. Para esses últimos, a regularidade no pagamento de PLR no período anterior a 13/02/2004 deve ser examinada nos instrumentos de PLR da Mineração Morro Velho Ltda vigente à época. Como exemplo, foi juntado o acordo coletivo do ano base 2003, fls. 538, cujo pagamento ocorreu em 18/02/2004. Embora, como se vê, o pagamento tenha ocorrido após a cisão e transferência dos segurados empregados, teve por base o exercício de 2003, quando a PLR para os segurados oriundos da Mineração Morro Velho Ltda era regulada não pelos acordos da recorrente, mas da própria cindida Mineração Morro Velho Ltda. Já com relação ao período após a data de cisão, 13/02/2004, os acordos da Mineração Morro Velho Ltda somente se aplicam aos segurados que lá permaneceram, que não são objeto do lançamento. Lembrando que a recorrente explica que a cindida manteve as atividades de administração das atividades imobiliárias do grupo, o que requer um quadro de empregados próprio. Conste os correspondentes trechos modificados da seguinte forma: Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402006.143 S2C4T2 Fl. 1.256 9 A recorrente juntou aos autos Ata de Reunião dos Sócios em 1º/4/2004, na qual foi aprovada a cisão da empresa Mineração Morro Velho Ltda com versão para a empresa Mineração Anglogold Ltda, ora recorrente. As empresas já faziam parte do mesmo grupo econômico, fls. 569. Com esse documento tenta justificar que os acordos de PLR também trazidos aos autos da empresa Mineração Morro Velho Ltda se prestariam para fins da Lei nº 10.101/2000. (...) À época do lançamento, em 05/10/2006, havia no quadro de empregados da recorrente tanto seus próprios segurados como aqueles provenientes da Mineração Morro Velho Ltda. Para esses últimos, a regularidade no pagamento de PLR no período anterior a 1º/4/2004 deve ser examinada nos instrumentos de PLR da Mineração Morro Velho Ltda vigente à época. Já com relação ao período após a data de cisão, 1º/4/2004, os acordos da Mineração Morro Velho Ltda somente se aplicam aos segurados que lá permaneceram, que não são objeto do lançamento. Lembrando que a recorrente explica que a cindida manteve as atividades de administração das atividades imobiliárias do grupo, o que requer um quadro de empregados próprio. É o voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008571/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004
LANÇAMENTO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO POR PAGAMENTO.
É improcedente o lançamento fiscal em que o contribuinte comprove, mediante documentação hábil e idônea, que as divergências apontadas pela fiscalização não existiram, já que todos os valores apurados foram integralmente extintos por pagamento antes da efetiva lavratura do Auto de Infração.
Numero da decisão: 2201-004.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO POR PAGAMENTO. É improcedente o lançamento fiscal em que o contribuinte comprove, mediante documentação hábil e idônea, que as divergências apontadas pela fiscalização não existiram, já que todos os valores apurados foram integralmente extintos por pagamento antes da efetiva lavratura do Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório O presente processo trata de auto de infração, fls. 34/42, relativo a Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), incidente sobre fatos geradores ocorridos entre setembro de 2003 e janeiro de 2004, cujo crédito tributário lançado monta o valor de R$ 2.743.218,53 (dois AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 85 71 /2 00 8- 86 Fl. 377DF CARF MF Processo nº 19515.008571/200886 Acórdão n.º 2201004.569 S2C2T1 Fl. 378 2 milhões, setecentos e quarenta e três mil, duzentos e dezoito reais e cinqüenta e três centavos), incluindo principal, multa qualificada de 150% e de juros de mora calculados até 28/11/2008. A exigência fiscal foi constituída em procedimento de verificações obrigatórias, onde se identificou divergências entre valores escriturados na contabilidade, declarados em DCTF e os recolhimentos registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil, referentes a IRRF sobre trabalho assalariado e serviços de terceiros, tudo conforme Termo de Verificação Fiscal de fl. 25/27. Quanto à qualificação da penalidade de ofício, assim se pronunciou a Autoridade lançadora: Em virtude de o ilícito fiscal ser considerado, em tese, como Crime Contra a Ordem Tributária,, nos termos do inciso III, do art 2°, da Lei n° 8.137/90, “in verbís (...) A multa aplicada foi duplicada, correspondendo a 150% do valor do principal, nos termos do § 1° do art.44 da Lei n° 9.430/96 c/c os arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64 (...) Cientificado da autuação em 30 de dezembro de 2008, conforme AR de fl. 43, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 02 de fevereiro de 2009, a impugnação de fl. 45 a 51, acompanhamento de uma série de documentos comprobatórios, em que requer o cancelamento total da exigência, basicamente afirmando que os valores cobrados teriam sido recolhidos em tempo hábil e que a exigência decorre de equívoco do Agente fiscal ao colher informações contábeis da companhia e cotejálas com as DCTF e os recolhimentos efetuados, em particular motivado pela necessidade de autuação antes de findo o prazo decadencial. Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP considerou o lançamento integralmente procedente, nos termos do Acórdão de fl. 151 a 159, cuja ementa restou assim expressa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004 IRRF. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO EM DCTF E FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ADMISSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE DIFERENÇAS APURADAS. Configurada a ocorrência a omissão de declaração de créditos tributários apurados mediante cotejo das informações confessadas em DCTF e aquelas encontradas na escrituração contábil do sujeito. passivo, associado a falta ou insuficiência de recolhimento do tributo correspondente, torna cabível o lançamento de ofício sobre as diferenças apuradas a titulo de IRRF incidente sobre os eventos observados no curso de procedimento de fiscalização. Lançamento Procedente. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 19515.008571/200886 Acórdão n.º 2201004.569 S2C2T1 Fl. 379 3 Cientificado do Acórdão da DRJ em 31 de julho de 2009, conforme AR de fl. 161, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 164 a 186, em que apresenta as razões que amparam seu pleito de improcedência da exigência fiscal. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, esta 1ª Turma Ordinária resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução de fl. 345 a 349, para que, diante do detalhamento apresentado pelo contribuinte em sua peça recursal, a Autoridade lançadora de pronunciasse sobre a imputação dos pagamentos realizados e comprovados nos autos. As conclusões da Autoridade lançadora constam de fl. 357 a 359, as quais foram cientificadas ao contribuinte autuado em 31 de julho de 2017, fl. 362, resultando na manifestação de fl. 368. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. No caso em apreço, o contribuinte, basicamente, alega que as divergências apuradas pela fiscalização ao cotejar seus registros contábeis, DCTF e recolhimentos efetuados decorrem de utilização de critérios equivocados. Sustenta que houve erro na comparação de valores lançados contabilmente em diversos códigos de receita com apenas darf relativos a alguns desses códigos ou ainda desconsiderando recolhimentos efetuados antecipadamente e em atraso. Afirma que os valores de IRRF lançados, tanto aqueles incidentes sobre trabalho assalariado, quanto serviços de terceiros, foram integralmente pagos, expondo detalhadamente, por período de apuração, os valores devidos e apontando seus respectivos recolhimentos. Como se viu no relatório supra, a verossimilhança dos argumentos recursais levaram a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse sobre a alocação dos pagamentos comprovados pelo contribuinte. Assim foram expressas as conclusões fiscais exaradas em sede de diligência: Quanto aos lançamentos a título de IRRF incidente sobre remunerações de assalariados, o recorrente afirma que os próprios lançamentos contábeis e dos DARF correspondentes afastam as divergências apontadas pela fiscalização. Analisando criteriosamente as informações da recorrente, no recurso, as fls. 169 a 175 do PAF (com detalhamentos referentes a pagamentos antecipados, feitos com atraso e com outros códigos), os lançamentos contábeis, as DCTF e os DARF, podemos concluir Fl. 379DF CARF MF Processo nº 19515.008571/200886 Acórdão n.º 2201004.569 S2C2T1 Fl. 380 4 que os IRRF incidentes sobre remuneração de assalariados em pauta, realmente foram pagos, de acordo com os valores contabilizados, constantes às fls. 219 a 227 do PAF, DARF, docs. 03 a 11, de fls. 228 a 255 e resumo de fls. 257 do PAF. Conferimos a totalização dos DARF referentes aos pagamentos de todos os períodos e os valores totais dos recolhimentos conferem com os totais contabilizados e constantes na contabilidade e no Termo de Verificação Fiscal da autuação. Quanto aos lançamentos a título de IRRF incidente sobre remunerações de terceiros, o contribuinte aduz também a existência de demonstração detalhada dos valores pagos a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica e de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, bem como os respectivos recolhimentos devidos, salientando, ainda, que os valores indicados no demonstrativo como base de cálculo para o IRRF correspondem exatamente aos valores das notas fiscais e/ou recibos emitidos pelos prestadores de serviços, inexistindo adicional que não tenha sido submetido. Analisando criteriosamente as informações detalhadas da recorrente no recurso, as fls. 175 a 176 do PAF, podemos concluir que os IRRF incidentes sobre remuneração de terceiros também foram pagos, de acordo com a contabilização, DCTF e DARF, docs 13 a 19, de fls. 258 a 310 do PAF (volume II). Desta forma, diante das conclusões expressas pela autoridade lançadora sobre a procedência dos argumentos recursais, cujos documentos comprobatórios comprovaram a tese da defesa de que todos os valores lançados foram efetivamente recolhidos antes da autuação, não há necessidade de maiores considerações no presente voto, impondose o provimento do recurso voluntário para reconhecer a improcedência das conclusões do Julgador de 1ª Instância e do lançamento fiscal. Quanto aos argumentos ainda expressos no recurso voluntário sobre a ocorrência de decadência do direito do Fisco constituir o crédito mediante lançamento, este resta prejudicado em razão da exoneração de todos os valores lançados. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 380DF CARF MF Processo nº 19515.008571/200886 Acórdão n.º 2201004.569 S2C2T1 Fl. 381 5 Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721554/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA.
Não havendo acusação ou qualquer evidência de fraude, assim como não existindo nenhuma controvérsia nos autos sobre a existência de pagamentos parciais do Pis e da Cofins, assim como a existência de débitos e créditos, em lançamento realizado com base na premissa "insuficiência de recolhimento", em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, com base no julgamento do REsp 973.733 RS do STJ em sede de recurso repetitivo e Art. 150, §4.º, do CTN.
CRÉDITO. INSUMOS.
O creditamento de Pis e Cofins não cumulativo, ligado ao conceito de insumo, deve seguir posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Conforme precedentes desta Turma de Julgamento em da CSRF deste Conselho, é permitido o creditamento sobre os gastos com Frete entre Estabelecimentos.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. INSUMOS. DIREITO À CRÉDITO.
A justa medida do conceito de insumo é caracterizá-lo como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO.
O art. 3o , § 2o, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DE SOCIEDADES COOPERATIVAS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA.
Insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. LEI 10.925/04. ART. 8º. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PERCENTUAL. LEI 12.865/13. CARÁTER INTERPRETATIVO. APLICAÇÃO A FATOS PRETÉRITOS.
O percentual definido no inciso I do § 3º do artigo 8º Lei 10.925/04 aplicado sobre alíquota básica das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins para o cálculo do Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, tal como definidoem caráter interpretativo na Lei 12.865/13, é de 60% na aquisição de quaisquer insumos aplicados na fabricação de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.
SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004.
Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA.
Não havendo acusação ou qualquer evidência de fraude, assim como não existindo nenhuma controvérsia nos autos sobre a existência de pagamentos parciais do Pis e da Cofins, assim como a existência de débitos e créditos, em lançamento realizado com base na premissa "insuficiência de recolhimento", em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, com base no julgamento do REsp 973.733 RS do STJ em sede de recurso repetitivo e Art. 150, §4.º, do CTN.
CRÉDITO. INSUMOS.
O creditamento de Pis e Cofins não cumulativo, ligado ao conceito de insumo, deve seguir posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Conforme precedentes desta Turma de Julgamento em da CSRF deste Conselho, é permitido o creditamento sobre os gastos com Frete entre Estabelecimentos.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. INSUMOS. DIREITO À CRÉDITO.
A justa medida do conceito de insumo é caracterizá-lo como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO.
O art. 3o , § 2o, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DE SOCIEDADES COOPERATIVAS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA.
Insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. LEI 10.925/04. ART. 8º. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PERCENTUAL. LEI 12.865/13. CARÁTER INTERPRETATIVO. APLICAÇÃO A FATOS PRETÉRITOS.
O percentual definido no inciso I do § 3º do artigo 8º Lei 10.925/04 aplicado sobre alíquota básica das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins para o cálculo do Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, tal como definidoem caráter interpretativo na Lei 12.865/13, é de 60% na aquisição de quaisquer insumos aplicados na fabricação de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.
SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004.
Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIA. OMISSÕES E DEFICIÊNCIAS SANADAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTENTE
Inexiste nulidade do auto de infração que deixa de pormenorizar a apuração do crédito tributário conquanto a omissão seja sanada e oportunizado ao contribuinte o exercício do direito de defesa e o contraditório antes do julgamento administrativo. Inteligência e aplicação dos arts. 14, 15, 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72 - PAF.
Numero da decisão: 3201-003.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, vencido o conselheiro relator, e em reconhecer a decadência em relação aos meses de janeiro a junho de 2005, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira e Paulo Roberto Duarte Moreira. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário acompanhou o relator, quanto à decadência, pelas conclusões. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: reconhecer em favor do contribuinte a divergência no cálculo dos créditos, conforme relatório fiscal de diligência; negar o direito ao crédito de Pis e Cofins tomado sobre insumos sujeitos a alíquota zero; reconhecer o crédito aproveitado sobre as despesas com EPIs; reconhecer o crédito aproveitado sobre as despesas com fretes entre estabelecimentos; reconhecer que insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo; reconhecer o crédito presumido previsto no Art. 8.º da Lei n. Lei n. 10.925/04, na alíquota de 60%; reconhecer a aplicação do art. 9º da Lei nº 10.925/2004 que determina a suspensão da incidência do Pis e da Cofins; reconhecer o crédito aproveitado sobre os custos relativos aos insumos adquiridos e fornecidos pelo contribuinte ao parceiro criador. Vencidos, quanto à glosa de créditos referentes à parceria, os conselheiros Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário e Marcelo Giovani Vieira. Ficou de apresentar declaração de voto o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o Dr. Rodrigo Borba, OAB/PR nº 60203. escritório Arauz e Advogados Associados.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA PRESIDENTE.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
(assinado digitalmente)
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - REDATOR DESIGNADO.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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O creditamento de Pis e Cofins não cumulativo, ligado ao conceito de insumo, deve seguir posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. Conforme precedentes desta Turma de Julgamento em da CSRF deste Conselho, é permitido o creditamento sobre os gastos com Frete entre Estabelecimentos. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. INSUMOS. DIREITO À CRÉDITO. A justa medida do conceito de insumo é caracterizá-lo como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. O art. 3o , § 2o, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DE SOCIEDADES COOPERATIVAS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. LEI 10.925/04. ART. 8º. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PERCENTUAL. LEI 12.865/13. CARÁTER INTERPRETATIVO. APLICAÇÃO A FATOS PRETÉRITOS. O percentual definido no inciso I do § 3º do artigo 8º Lei 10.925/04 aplicado sobre alíquota básica das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins para o cálculo do Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, tal como definidoem caráter interpretativo na Lei 12.865/13, é de 60% na aquisição de quaisquer insumos aplicados na fabricação de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. Não havendo acusação ou qualquer evidência de fraude, assim como não existindo nenhuma controvérsia nos autos sobre a existência de pagamentos parciais do Pis e da Cofins, assim como a existência de débitos e créditos, em lançamento realizado com base na premissa "insuficiência de recolhimento", em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, com base no julgamento do REsp 973.733 RS do STJ em sede de recurso repetitivo e Art. 150, §4.º, do CTN. CRÉDITO. INSUMOS. O creditamento de Pis e Cofins não cumulativo, ligado ao conceito de insumo, deve seguir posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. Conforme precedentes desta Turma de Julgamento em da CSRF deste Conselho, é permitido o creditamento sobre os gastos com Frete entre Estabelecimentos. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. INSUMOS. DIREITO À CRÉDITO. A justa medida do conceito de insumo é caracterizá-lo como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. O art. 3o , § 2o, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DE SOCIEDADES COOPERATIVAS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. LEI 10.925/04. ART. 8º. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PERCENTUAL. LEI 12.865/13. CARÁTER INTERPRETATIVO. APLICAÇÃO A FATOS PRETÉRITOS. O percentual definido no inciso I do § 3º do artigo 8º Lei 10.925/04 aplicado sobre alíquota básica das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins para o cálculo do Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, tal como definidoem caráter interpretativo na Lei 12.865/13, é de 60% na aquisição de quaisquer insumos aplicados na fabricação de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIA. OMISSÕES E DEFICIÊNCIAS SANADAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTENTE Inexiste nulidade do auto de infração que deixa de pormenorizar a apuração do crédito tributário conquanto a omissão seja sanada e oportunizado ao contribuinte o exercício do direito de defesa e o contraditório antes do julgamento administrativo. Inteligência e aplicação dos arts. 14, 15, 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72 - PAF.
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Não havendo acusação ou qualquer evidência de fraude, assim como não existindo nenhuma controvérsia nos autos sobre a existência de pagamentos parciais do Pis e da Cofins, assim como a existência de débitos e créditos, em lançamento realizado com base na premissa "insuficiência de recolhimento", em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, com base no julgamento do REsp 973.733 RS do STJ em sede de recurso repetitivo e Art. 150, §4.º, do CTN. CRÉDITO. INSUMOS. O creditamento de Pis e Cofins não cumulativo, ligado ao conceito de insumo, deve seguir posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. Conforme precedentes desta Turma de Julgamento em da CSRF deste Conselho, é permitido o creditamento sobre os gastos com Frete entre Estabelecimentos. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. INSUMOS. DIREITO À CRÉDITO. A justa medida do conceito de insumo é caracterizálo como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 54 /2 01 0- 95 Fl. 2968DF CARF MF 2 venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. O art. 3o , § 2o, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DE SOCIEDADES COOPERATIVAS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. LEI 10.925/04. ART. 8º. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PERCENTUAL. LEI 12.865/13. CARÁTER INTERPRETATIVO. APLICAÇÃO A FATOS PRETÉRITOS. O percentual definido no inciso I do § 3º do artigo 8º Lei 10.925/04 aplicado sobre alíquota básica das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins para o cálculo do Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, tal como definidoem caráter interpretativo na Lei 12.865/13, é de 60% na aquisição de quaisquer insumos aplicados na fabricação de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. Não havendo acusação ou qualquer evidência de fraude, assim como não existindo nenhuma controvérsia nos autos sobre a existência de pagamentos parciais do Pis e da Cofins, assim como a existência de débitos e créditos, em lançamento realizado com base na premissa "insuficiência de recolhimento", em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de decadência Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.969 3 será de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, com base no julgamento do REsp 973.733 RS do STJ em sede de recurso repetitivo e Art. 150, §4.º, do CTN. CRÉDITO. INSUMOS. O creditamento de Pis e Cofins não cumulativo, ligado ao conceito de insumo, deve seguir posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. Conforme precedentes desta Turma de Julgamento em da CSRF deste Conselho, é permitido o creditamento sobre os gastos com Frete entre Estabelecimentos. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. INSUMOS. DIREITO À CRÉDITO. A justa medida do conceito de insumo é caracterizálo como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. O art. 3o , § 2o, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DE SOCIEDADES COOPERATIVAS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. LEI 10.925/04. ART. 8º. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PERCENTUAL. LEI 12.865/13. CARÁTER INTERPRETATIVO. APLICAÇÃO A FATOS PRETÉRITOS. Fl. 2970DF CARF MF 4 O percentual definido no inciso I do § 3º do artigo 8º Lei 10.925/04 aplicado sobre alíquota básica das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins para o cálculo do Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, tal como definidoem caráter interpretativo na Lei 12.865/13, é de 60% na aquisição de quaisquer insumos aplicados na fabricação de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIA. OMISSÕES E DEFICIÊNCIAS SANADAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTENTE Inexiste nulidade do auto de infração que deixa de pormenorizar a apuração do crédito tributário conquanto a omissão seja sanada e oportunizado ao contribuinte o exercício do direito de defesa e o contraditório antes do julgamento administrativo. Inteligência e aplicação dos arts. 14, 15, 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72 PAF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, vencido o conselheiro relator, e em reconhecer a decadência em relação aos meses de janeiro a junho de 2005, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira e Paulo Roberto Duarte Moreira. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário acompanhou o relator, quanto à decadência, pelas conclusões. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: reconhecer em favor do contribuinte a divergência no cálculo dos créditos, conforme relatório fiscal de diligência; negar o direito ao crédito de Pis e Cofins tomado sobre insumos sujeitos a alíquota zero; reconhecer o crédito aproveitado sobre as despesas com EPIs; reconhecer o crédito aproveitado sobre as despesas com fretes entre estabelecimentos; reconhecer que insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo; reconhecer o crédito presumido previsto no Art. 8.º da Lei n. Lei n. 10.925/04, na alíquota de 60%; reconhecer a aplicação do art. 9º da Lei nº 10.925/2004 que determina a suspensão da incidência do Pis e da Cofins; reconhecer o crédito aproveitado sobre os custos relativos aos insumos adquiridos e fornecidos pelo contribuinte ao parceiro criador. Vencidos, quanto à glosa de créditos referentes à parceria, os conselheiros Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário e Marcelo Giovani Vieira. Ficou de apresentar declaração de voto o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o Dr. Rodrigo Borba, OAB/PR nº 60203. escritório Arauz e Advogados Associados. (assinado digitalmente) Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.970 5 CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – PRESIDENTE. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. (assinado digitalmente) PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA REDATOR DESIGNADO. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 2787 em face de uma segunda decisão de primeira instância proferida no âmbito da DRJ/DF de fls. 2767, que julgou a Impugnação de fls. 2014 procedente em parte e manteve em parte os Autos de Infração de Pis e Cofins de fls. 1939 e 1955, respectivamente. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "Em 15/07/2010, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, atinentes ao período de apuração de 01/01/2005 a 31/12/2007, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$19.326.369,76, assim discriminados por exação fiscal: Fl. 2972DF CARF MF 6 Teve início a ação fiscal em razão de a contribuinte apresentar, no ano de 2008, DCTF e DACON retificadoras, nas quais foram reduzidos o PIS e a Cofins a pagar. Em paralelo, encaminhou a empresa uma série de PER/DCOMPs, pleiteando a restituição dos valores de créditos de PIS e Cofins que ela entendeu que teriam sido apurados a maior nas declarações primitivas. Assim, conclui a Fiscalização pela necessidade de uma auditoria para que fossem efetuadas as verificações necessárias, mediante análise dos livros contábeis e fiscais e correspondentes documentos de suporte da escrituração. A fiscalizada exerce atividade agrícola, preponderantemente na produção de pintinhos, ovos e abate de frangos, produção de frangos resfriados e congelados e cortes de frangos resfriados e congelados. Constatou a autoridade tributária que a empresa utilizase do sistema de integração para operar a produção de abate de frangos. Dessa maneira, em uma parceria estabelecida com um terceiro, a fiscalizada, denominada ParceiraProprietária, fornece ao ParceiroCriador pintinhos de um dia, além da rações, medicamentos e prover assistência técnica. Transcorrido o intervalo de quarenta a cinqüenta dias, quando o pintinho já se tornou um frango, o produto é retornado para a ParceiraProprietária, para o abate, ocasião em que são agregados embalagens plásticas, grampos, caixas de papelão para acondicionamento, temperos, conservantes e corantes. A etapa final é a revenda da produção para o mercado interno e externo. A fiscalizada ainda efetua vendas de ovos férteis, pintinhos de um dia, frango vivo, rações, bovinos abatidos, massas prontas, dentre outros produtos. Analisando os livros contábeis e fiscais da empresa e a documentação de suporte, e após inúmeras interações com a contribuinte, no sentido de dirimir dúvidas sobre os procedimentos adotados pela empresa, concluiu a Fiscalização que ocorreram infrações, relativas à (i) apuração de créditos da nãocumulatividade e (ii) exclusão de receitas no cômputo da base de cálculo das contribuições, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1972/1998, relacionadas em síntese a seguir. 1. Apuração de Créditos da NãoCumulatividade. 1.1. Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Frota Insumos e Frota Serviços). A empresa considerou para o cálculo dos créditos peças de reposição e combustíveis referentes à frota de veículos. Ocorre que tal frota é utilizada para a transferência de produtos entre estabelecimentos industriais, de produtos entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição, ou ainda de um centro de distribuição para outro. Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.971 7 O art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, admite o aproveitamento de crédito calculado sobre o valor dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora. Ou seja, aquelas despesas com fretes utilizados para o transporte interno de mercadorias não se enquadram na operação de venda disposta em lei. Ainda, apenas conferem direito a crédito os insumos empregados no produto ou no serviço, conforme atividade do sujeito passivo. Como a empresa não é de transporte, não haveria como pleitear o aproveitamento de créditos. Tampouco se enquadram na hipótese prevista na legislação aquelas despesas decorrentes dos serviços de manutenção da frota dos veículos destinados para a transferência interna dos produtos. Nesse contexto, foram glosados os correspondentes créditos de PIS e da Cofins. 1.2. Insumos Adquiridos de Pessoas Jurídicas. No caso foi efetuado apenas um ajuste para Fiscalização, já que o contribuinte declarou como presumido insumos sujeitos ao creditamento normal. Assim, foram excluídas as aludidas aquisições de “crédito presumido” e incluídas como créditos de insumos adquiridos no mercado interno. 1.3. Insumos Adquiridos de Cooperativas. As cooperativas podem excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores decorrentes da comercialização de produtos dos cooperados, além de receitas decorrentes de beneficiamento/industrialização de produtos dos cooperados, conforme o art. 15 da Medida Provisória 2.158, de 2001. Por sua vez, o art. 3º, § 2º, inc. II das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dispõe que não gera crédito as aquisições não sujeitas ao pagamento de contribuição. Assim, foram glosados os créditos decorrentes de aquisições efetuadas de cooperativas. 1.4. Insumos Sujeitos à Alíquota Zero. O art. 1º, § 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, estabelece que não integram a base de cálculo das contribuições as aquisições isentas ou sujeitas à alíquota zero. Por sua vez, o art. 3º, § 2º, inc. II das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dispõe que não gera crédito as aquisições não sujeitas ao pagamento de contribuição. Assim, foram glosados os créditos decorrentes de aquisições sujeitas à alíquota zero descritas nos incisos III do art. 28 da Lei Fl. 2974DF CARF MF 8 nº 10.865 de 2004, e nos incisos VII e X do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004. 1.5. Despesas de Fretes Para Transferência de Produtos Entre Estabelecimentos (Frete Transferência). Foram glosados os créditos apurados decorrentes de despesas com fretes contratados para a transferência de produtos entre estabelecimentos internos, pelos mesmos motivos expostos no item 1.1. 1.6. Insumos Referentes a EPI – Equipamentos de Proteção Individual (EPIS – Insumos). A fiscalizada considerou as despesas referentes a uniformes e equipamentos de proteção a trabalhadores como integrantes da base de cálculo dos créditos nãocumulativos. Na legislação de regência, arts. 2º e 3º, inciso II e §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o art. 60 da IN SRF nº 247, de 2002, e os arts. 2º e 3º, inciso II e §§ 1º, 2º e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, c/c os arts. 4º, 7º e 8º da IN SRF nº 404, de 2004, não há previsão normativa para que os valores de despesas realizadas com uniformes ou equipamentos de proteção individual aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecidos pela própria empresa, possam ser aproveitados na apuração dos créditos nãocumulativos, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou aqueles que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em razão da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. Assim, foram glosados os correspondentes créditos da nãocumulatividade. 1.7. Insumos Referentes à Parcela da Produção Pertencente ao ParceiroCriador. Apenas podem ser aproveitadas aquelas despesas com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos que forem destinados à venda. Nesse sentido, a autoridade tributária, analisando o sistema de integração, concluiu que o ParceiroCriador tem direito, a título de remuneração, a uma percentagem sobre o total de quilos das aves vidas produzidas que foram devolvidas ao ParceiroProprietário. Ou seja, a parcela das aves destinada ao ParceiroCriador para fins de remuneração pelos serviços prestados, não constitui produção da fiscalizada, e por consequência não é destinada à revenda. Ocorre que a contribuinte havia apurado créditos nãocumulativos sobre a totalidade dos insumos empregados na criação dos frangos. Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.972 9 Dessa maneira, intimou a Fiscalização que fossem refeitos os cálculos, no sentido de segregar aqueles insumos referentes à parcela da produção que foi destinada ao ParceiroCriador. Dessa maneira, efetuou a Fiscalização a glosa dos créditos nãocumulativos, proporcionalmente apurados sobre o quinhão de produção do ParceiroCriador, sobre os bens e serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis e despesas de armazenamento e frete. 1.8. Crédito Presumido – Atividades Agroindustriais. A fiscalizada considerou para o cálculo dos "CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS" as despesas relativas a aquisições de insumos agrícolas e agropecuários adquiridos de pessoas físicas e jurídicas, quais sejam: frango vivo (NCM 0105.99.00); ovos férteis (NCM 0407.00.11); pintos de 1 dia (NCM 0105.11.90); leitões para recria e suínos vivos para abate (NCM 0103.92.00); milho (NCM 1005.90.10); sorgo (NCM 1007.00.90) e cordeiros para abate (NCM 0104.10.90), utilizandose da alíquota correspondente a 60% do valor das aquisições (art. 8°, § 3º, inciso I, da Lei n° 10.925/2004). Conforme a IN SRF nº 660, de 2006, o percentual de 60% é aplicável somente nos casos de aquisições de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, nos termos do art. 8º, § 3°, inciso I, da Lei n° 10.925, de 2004 e art. 8º, §1°, inciso I, da IN SRF n° 660/2006. Ou seja, a maior parte dos insumos da fiscalizada não se encontra classificada nos citados capítulos/códigos da NCM: frango vivo (NCM 0105.99.00); pintos de 1 dia (NCM 0105.11.90); leitões para recria e suínos vivos para abate (NCM 0103.92.00); milho (NCM 1005.90.10); sorgo (NCM 1007.00.90); cordeiros para abate (NCM 0104.10.90), razão pela qual o crédito presumido deve ser calculado com base no inciso III, § 3°, do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, na forma estabelecida no art. 8°, caput e § 1°, inciso II, da IN SRF n° 660/2006. Assim, o crédito presumido, para tais insumos, deve ser calculado mediante a aplicação, sobre o seu valor de aquisição, do percentual de 2,66% (35% da alíquota de 7,6% da COFINS nãocumulativa) e 0,5775% (35% da alíquota de 1,65% do PIS nãocumulativo). Ainda, a partir de 15/06/2007, com a vigência da Lei n.°11.488/2007, o citado crédito presumido referente às aquisições de soja e seus derivados classificados nos Capítulos Fl. 2976DF CARF MF 10 12, 15 e 23, todos da TIPI, é 3,8% (50% da alíquota de 7,6% da COFINS nãocumulativa) e 0,825% (50% da alíquota de 1,65% do PIS nãocumulativo). Nesse sentido, a diferença apurada dos créditos presumidos calculados a maior foi glosada pela Fiscalização. 1.9. Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado. O art. 3º, inciso IV, c/c com o § 1º, da Lei nº 10.637, de 2002, autoriza o aproveitamento de créditos nãocumulativos calculados tomando como base os encargos de depreciação e amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Contudo, o art. 3º, § 2º do mesmo diploma legal estabelece que não gera direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição, e o § 13 informa que tais custos não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado. Assim, foram glosados os créditos nãocumulativos calculados sobre a depreciação dos bens do ativo imobilizado que, quando foram adquiridos pela fiscalizada, estavam sujeitos à alíquota zero. 2. Exclusões da Base de Cálculo. 2.1. Receitas com Suspensão. A fiscalizada excluiu da base de cálculo das contribuições as receitas referentes a vendas de aves vivas para agroindústria com base no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. Contudo, a suspensão da exigibilidade dependia do estabelecimento de termos e condições para a sua aplicação, o que se deu somente com a edição da IN SRF n° 636/2006, publicada no DOU de 4 de abril de 2006, posteriormente revogada pela IN SRF n° 660/2006. Portanto, somente a partir dessa data (04/04/2006) é que se tornou possível efetuar vendas com a referida suspensão. Ou seja, a efetiva aplicação da suspensão da exigibilidade das contribuições prevista no art. 9º da Lei n° 10.925, de 2004, estava condicionada ao estabelecimento de seus termos e condições pela Secretaria da Receita Federal (SRF), conforme estipulação do § 2º do mesmo artigo. A doutrina esclarece que se trata de norma de eficácia limitada ou condicionada, dependente de posterior regulamentação pela SRF. Fl. 2977DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.973 11 Tal regulamentação deuse com a IN nº 660, de 2006, no inciso I do art. 11, ao dispor que produziria efeitos, em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa n° 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei n° 10.925, de 2004. Nesse sentido, aqueles valores referentes às receitas de vendas que foram excluídos da base de cálculo, referentes aos períodos de 01/01/2005 a 03/04/2006, com base no art. 9º da Lei n° 10.925/2004, foram adicionados pela Fiscalização. 2.2. Receitas de Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria. Encontradas divergências entre os valores escriturados e os informados em DACON referentes às “Receitas de Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria”, foram efetuados ajustes pela autoridade tributária, para que prevalecesse a escrituração da fiscalizada. 2.3. Outras Receitas. Encontradas divergências entre os valores escriturados e os informados em DACON referentes às “Outras Receitas”, foram efetuados ajustes pela autoridade tributária, para que prevalecesse a escrituração da fiscalizada. 2.4. Receitas Isentas, Não Alcançadas pela Incidência, com Suspensão e Alíquota Zero. Encontradas divergências entre os valores escriturados e os informados em DACON referentes às “Receitas Isentas, Não Alcançadas pela Incidência, com Suspensão e Alíquota Zero”, foram efetuados ajustes pela autoridade tributária, para que prevalecesse a escrituração da fiscalizada. Esclareceu ainda a Fiscalização que os créditos remanescentes (fichas 11B e 14 da Dacon/Pis e fichas 17B e 24 da Dacon/Cofins), referentes aos créditos de aquisição no mercado interno vinculado à receita não tributada no mercado interno e vinculado à receita de exportação, não foram compensados, vez que tais valores foram objeto de pedido de ressarcimento efetuados por meio de várias PER/DCOMP. Também não foram compensados os pagamentos realizados com os códigos 6912 (PIS) e 5856 (COFINS), já que objeto de pedido de restituição por meio de PER/DCOMP encaminhadas à Receita Federal. Cientificada dos lançamentos, em 26/07/2010 (Ciência do Sujeito Passivo nos Autos de Infração), a interessada apresentou a impugnação de fls. 2014/2049 em 25/08/2010 (carimbo de recepção às fls. 2014). Apoiadas nos documentos já acostados Fl. 2978DF CARF MF 12 aos autos, a peça defensiva discorre sobre os seguintes pontos, resumidos a seguir. Do Auto de Infração. O agente fiscal na lavratura do auto de infração desconsiderou (1) os créditos ordinários e presumidos a que reconhecidamente a impugnante tem direito por força de nãocumulatividade; (2) mais de R$ 5.000.000,00 recolhidos por meio de DARF em pecúnia pela impugnante a título de PIS/COFINS dos anos de 2005, 2006 e 2007, em valores originais; (3) direito creditório reconhecido conforme demonstram os despachos decisórios em anexo datados de 29/04/10 e 03/05/10, no qual a Secretaria da Receita Federal do Brasil em Brasília reconheceu o montante de R$ 951.013,21 (novecentos e cinqüenta e um mil treze reais e vinte e um centavos), de créditos de PIS e COFINS. Ocorre que, após trabalho de revisão de sua equação contábil fiscal, a impugnante constatou que acumulou, durante os anos de 2005 a 2007, por força da aplicação equivocada da legislação, entre créditos legítimos e não apropriados no período e pagamentos a maior de PIS/COFINS, o montante de R$ 3.069.031,51 (três milhões sessenta e nove mil trinta e um reais e cinqüenta e um centavos) de ressarcimento de créditos e benefícios fiscais, e restituição por pagamento a maior de R$ 4.244.622,38 (quatro milhões duzentos e quarenta e quatro mil seiscentos e vinte e dois reais e trinta e oito centavos), totalizando R$ 7.313.653,94 (sete milhões trezentos e treze mil seiscentos e cinqüenta e três reais e noventa e quatro centavos) valores estes que foram objeto de pedidos eletrônicos de ressarcimento encaminhados por meio de várias PER/DCOMP. Por sua vez, tais os pedidos de restituição não foram analisados até o presente momento pela Secretaria da Receita Federal uma vez que a fiscalização que resultou no presente auto foi instaurada exatamente para esse fim. Mostrase arbitrário e ilegal o procedimento do Auditor Fiscal ao desconsiderar todos e quaisquer créditos e exclusões a favor do contribuinte, bem como aqueles pagamentos realizados em pecúnia pelo contribuinte sob os códigos 6912 PIS e 5856 COFINS durante os anos de 2005, 2006 e 2007 (comprovantes de pagamento anexos), decidindo então autuálo, através da utilização de uma técnica peculiar e, digamos bastante pessoal. Mesmo que sejam pertinentes todas as glosas e exclusões constantes da autuação, obviamente que o montante principal do tributo apurado, segundo a torcida lógica definida pelo agente fiscal, será gritantemente superior ao efetivamente devido, tendo em vista que os créditos e valores já pagos pelo contribuinte nos exercícios objeto da fiscalização foram simplesmente esquecidos. Da Nulidade do Auto de Infração. Decorre do art. 142 do CTN que é da essência do lançamento a apuração do quantum debeatur, que somente pode ser encontrado pelo agente administrativo após subsumir o fato ao Fl. 2979DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.974 13 conceito abstrato e genérico da lei, a fim de encontrar a base de cálculo e alíquotas do tributo devido, no caso contribuições para o PIS e COFINS. Assim, no caso em tela, não poderia o agente público apenas operar glosas e exclusões e desconsiderar créditos e pagamentos, ao argumento de que estes fazem parte de outros processos administrativos, os quais, aliás, são a própria razão de ser da ação fiscalizadora que culminou nos autos sob impugnação. Nesse sentido, deve ser reconhecida a nulidade material do auto de infração, por vício de objeto, qual seja, equivoco na apuração do montante a pagar. Mérito. Das Deduções Indevidas – Bens e Serviços Utilizados como Insumos de Frota. O agente fiscal operou a glosa de todos os créditos de bens e serviços utilizados como insumos de frota pela impugnante. A questão deve ser avaliada sob vários enfoques. Todo o custo com peças de reposição, pneus, serviços de mecânica, etc, vinculados ao transporte próprio de insumos utilizados ou agregados ao produto final, geram direito a crédito por parte da impugnante, não obstante tenha o digno agente fiscal tratado tudo como transferência de produtos entre estabelecimentos da impugnante. As operações de transporte do pintinho para o integrado e depois o frango para abate no frigorífico fazem parte da cadeia produtiva e, por isso, geram direito a crédito de PIS/COFINS. Mesmo no caso de frete próprio (de compras das matérias primas, Insumos da frota pneus, óleo diesel, peças), que embora não haja receita tributável no transporte, o custo dos insumos de transporte encontrase incluso no preço de venda do produto final, razão pela qual, a não apropriação desses custos significaria a presença da figura da cumulatividade das contribuições ora impugnadas. Por outro lado, continuando a separação das diversas situações inerentes ao transporte de mercadorias e insumos, verificase que o serviço de frete contratado de terceiros para transporte de matériaprima e insumos de produção, bem como aquele que objetiva a venda de produto acabado, são situações que também geram direito a crédito. No caso de frete contratado de terceiros para transporte de matériaprima e insumos de produção, a tomada de crédito de PIS/COFINS sobre tais serviços decorre da aplicação genérica do inc. II, do art. 3º, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Já o direito a tomada de crédito de PIS/COFINS do serviço de frete contratado de terceiros para transporte de produtos acabados na operação de venda, decorre da disposição Fl. 2980DF CARF MF 14 específica do inc. IX, art. 3º c/c art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03, que conferem à pessoa jurídica enquadrada no regime nãocumulativo o direito de aproveitar os créditos derivados de operações de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Assim como o mesmo deve ser dito para os custos de bens e serviços despendidos no transporte próprio de produtos acabados na operação de venda que, se suportados pelo vendedor, a teor do que dispõe o inc. IX, art. 3º c/c art. 15, ambos da Lei 10.833/03, também geram direito a crédito a ser considerado na operação da nãocumulatividade. Portanto, constatase a ocorrência de quatro situações de transporte que geram direito a tomada de crédito: (1) transporte próprio de insumos; (2) transporte próprio de produtos acabados; (3) serviço de transporte contratado de terceiros de insumos; e (4) serviço de transporte contratado de terceiros de produtos acabados. Verificase que o agente fiscal misturou os quatro tipos de custos com transporte a outros dois, quais sejam, o custo de frete intercompany de produto acabado contratado de terceiros e o frete próprio intercompany de produto acabado. Se houvesse alguma dúvida quanto ao direito de nãocumulatividade dos custos de frete, somente se verificaria plausível em relação ao que se chama frete intercompany de produto acabado contratado de terceiros e o frete próprio intercompany de produto acabado. Contudo, houve por bem o digno agente fiscalizador glosar todo e qualquer custo de frete. Ou seja, para facilitar o trabalho, todo custo direito e indireto com frete foi glosado. Tratase de postura de reflete violação de direito, que deve ser revista para se reconhecer o aproveitamento dos créditos nãocumulativos, tendo em vista que não há qualquer ressalva prevista na legislação. Deduções Indevidas – Bens e Serviços Utilizados como Insumos de Frota Transporte InterCompany. A glosa dos créditos nãocumulativos apurados sobre os custos com transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da impugnante também se mostra ilegal. A transferência de mercadorias do estabelecimento industrial para o estabelecimento distribuidor representa custo intrínseco a qualquer processo logístico de empresa que atua em âmbito nacional e geram direito ao crédito previsto no art. 3, inc. II, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02. A Solução de Divergência Cosit nº 11, de 2007 veio restringir ilegalmente o direito de crédito decorrente de custo essencial à atividade econômica da impugnante, em clara usurpação de Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.975 15 competência legal, vez que opera restrição que a legislação federal não faz. Assim como na atividade industrial da impugnante as matérias primas e insumos de produção tiveram sempre como objetivo a industrialização e produção de bens e mercadorias para comercialização, o mesmo deve ser dito para as transferências dos produtos acabados. Ademais, quando o legislador conferiu o direito aos créditos em relação às despesas com armazenagem, na operação de venda, teve a intenção de abranger as hipóteses em que as mercadorias são armazenadas em centros de distribuição, ou em outra unidade da mesma empresa, já que toda esta operação (armazenagem em centro de distribuição, transferência à loja varejista, venda e entrega ao cliente) encontrase inserida no contexto da "operação de venda". Assim, não há como compreender que, no conceito de insumos de produção de mercadorias destinadas a venda, não esteja incluso ou não seja necessário os serviços de transportes de mercadorias até os centros de distribuição. Quando o legislador se referiu aos Bens e Serviços utilizados como Insumo na Prestação de Serviços e na Produção ou Fabricação de Bens destinados a venda (Artigo 3°, inciso II da Lei nº 10.737/02), ele notadamente estava considerando como referidos "insumos" todos os gastos que ocorrem desde o recebimento das matérias primas até a entrega dos produtos acabados ao consumidor. Caso contrário não haveria necessidade e nem justificativa para mencionar o real destino final dos produtos. Deduções Indevidas – Insumos Adquiridos de Cooperativa. Em nenhum momento a legislação que rege a nãocumulatividade do PIS/COFINS excetua a tomada de crédito de aquisições de matériaprima provenientes de cooperativas. Não há na legislação que impõe a nãocumulatividade qualquer previsão que indique que a tomada ou não de crédito esteja ligada ao tipo societário da fornecedora desses insumos. Assim, as restrições à tomada de crédito, quando existentes, ocorrem em função da natureza do produto adquirido, independente da natureza societária da pessoa jurídica fornecedora. A exclusão do custo do ato cooperativo da base de incidência do PIS/COFINS para as sociedades cooperativas, ditada por legislação específica, não pode gerar a equivocada conclusão de que a operação não é tributada na origem, como lamentavelmente entendido no auto de infração. A exclusão da base do ato cooperativo importa numa dedução, pois, nas demais operações, realizadas com nãocooperados, a tributação se dá de forma integral. Mostrase, portanto, legal a tomada de créditos ordinários decorrentes da aquisição de farelos e carnes de sociedades Fl. 2982DF CARF MF 16 cooperativas, inclusive permitida pela Solução de Consulta nº 268 de 05 de outubro de 2004: Admitese o crédito calculado na forma do art. 3°, da Lei n.º 10.833, sobre aquisições junto a sociedade cooperativas, de bens a serem utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que respeitadas as disposições lesais e normativas atinentes à matéria, cumulado, a partir de 1º de agosto de 2004, com o crédito presumido previsto no art. 8º da lei 10.925, de 2004, desde que atendidas as condições determinadas pelo mencionado dispositivo legal. Quanto ao crédito presumido objeto dos §§ 5º e 6º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, destinase, enquanto vigente, apenas aos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas, nas condições previstas nos referidos dispositivos, não havendo possibilidade de ser estendido aos mesmos bens, se adquiridos de sociedades cooperativas, por falta de expressa previsão legal. Deduções Indevidas – Insumos Sujeitos à Alíquota Zero. O agente fiscal opera verdadeira confusão entre a tomada de créditos e a formatação do débito de PIS/COFINS da impugnante, vez que, com o objetivo de glosar a tomada de créditos utiliza argumento relativo ao débito. O §3°, do artigo 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, não fala de aquisições, de entradas, mais sim da tributação do produto vendido pela impugnante à alíquota zero: Art. 1. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I decorrentes de saídas isentas de contribuição ou sujeitas a alíquota zero; O dispositivo legal transcrita não trata da tomada de créditos por parte da impugnante, mas, sim, da etapa do débito, ou seja, se a venda do produto acabado pela impugnante gozar do beneficio da alíquota zero, referida receita não deve integrar a base de cálculo tributável do PIS/COFINS. De igual sorte a citação do inc. II, § 2°, do art. 3º das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, como suporte à glosa dos créditos de insumos adquiridos à alíquota zero, mostrase como um equívoco legal: Art. 3 ...omissis § 2° Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeito ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumos em serviços ou serviços sujeitos a alíquota zero (0), isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.976 17 Assim, quando o dispositivo acima fala em alíquota zero, quer dizer que, os produtos finais, acabados, que gozem de isenção ou alíquota zero, e que utilizem insumos com esse mesmo benefício, não gerarão direito a créditos, de outro lado, aqueles produtos finais, acabados, que sejam tributados, garantem o direito de manutenção dos créditos de insumos adquiridos, mesmo que com alíquota zero. Deduções Indevidas – Insumos Referentes à Parte da Produção Pertencente ao ParceiroCriador. Equivocouse a autoridade tributária ao interpretar o sistema de integração implementado pela impugnante. Observase que a glosa não recaiu apenas sobre os insumos e serviços despendidos e direcionados para a integração, mas sim sobre todos os créditos da agroindústria do impugnante. Ou seja, foi aplicada uma glosa linear de 10% sobre bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumo, fretes, despesas com energia elétrica, aluguéis de prédios e máquinas e crédito presumido da atividade agroindustrial. Cabe esclarecer que a impugnante mantém com seus integrados contratos de parceria rurais firmados com base no art. 96, inc. V, da lei 4.504/64 (Estatuto da Terra), visando a criação, engorda e terminação de aves para abate. Referido contrato, determina expressamente que constituem obrigações da impugnante fornecer: (1) pintos de um dia; (2) rações; (3) medicamentos; (4) assistência técnica e (5) transporte. Por outro lado, cabe ao integrado: (1) prestar serviços para criação e terminação de aves; (2) fornecer combustível para aquecimento (gás, lenha); (3) fornecer cama do aviário (maravalha, serragem, etc); (4) a manutenção de carreadores de acessos aos aviários; (6) fornecer adequada estrutura de aviários e a (7) suportar o risco pela mortandade de animais. Do resultado obtido com a terminação das aves, o parceiro rural recebe uma percentagem sobre o total de quilos de aves vivas produzidas, sendo que, referido percentual constituise na remuneração em razão dos serviços prestados, e por ter despendido recursos com combustível, aquecimento, etc, para cumprir com a sua parte no processo de parceria. De outra banda, a impugnante recebe sua parte do lote, por ter ingressado na parceria com ovos, pintinhos, ração, medicamentos, assistência técnica, etc. E foi com relação a estes insumos, fornecidos por ela integradora, que a impugnante tomou créditos. Ou seja, sobre ovos, pintos de um dia, ração, medicamentos assistência técnica, transporte, deve a impugnante fazer créditos, Fl. 2984DF CARF MF 18 já que sua parte de aves vivas resultantes da criação se justifica exatamente por ter despendido tais custos. Contudo, sobre os custos da parceira com gás, lenha, maravalha, serragem e serviços de criação, a impugnante não pode tomar crédito, já que são arcados pelo integrado. Também assiste à impugnante o direito de aproveitar, integralmente, os créditos referentes às situações que não tem qualquer ligação com o processo de integração, como aqueles apurados sobre as despesas com bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes, despesas com energia elétrica, alugueis de prédios e máquinas e credito presumido da atividade agroindustrial. Nesse contexto, deve ser reconhecida a improcedência da aleatória glosa linear sobre 10% de todos os créditos da impugnante, bem como daquela relacionada aos insumos repassados aos produtores, vez que, em ambos os casos, os custos de tais bens foram integralmente arcados pela impugnante, integrando o preço final do produto. Crédito Presumido – Atividade Agroindustrial. Efetuou o agente fiscal a glosa do Crédito Presumido de PIS/COFINS sobre as aquisições no mercado interno de frango vivo, leitões e suínos para abate, milho em grão, sorgo e cordeiros para abate, desconsiderando o disposto no caput do artigo 8° da Lei n° 10.925 de julho de 2004, que determina que a base de cálculo do crédito presumido é o valor dos bens referidos no inciso II do caput do artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, e o direito de apropriação é das pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam os produtos mencionados no próprio caput de acordo com as respectivas NCMs citadas no dispositivo legal. Para efeitos de apropriação do crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei n° 10.925 de 2.004, os insumos de produção que geram o direito ao referido crédito são aqueles adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física ou ainda aqueles recebidos de cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 a 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. Assim, somente geram direito ao crédito presumido ao estabelecimento produtor industrial, os insumos de produção in natura, ou seja, aqueles que se encontram em estado natural, isentos de processamento industrial (dicionário Aurélio). Nesse sentido o disposto no artigo 7º da IN RFB n° 660 de 17 de julho de 2006, alterada pela IN RFB n° 977 de 14 de dezembro de 2009 corrobora nosso entendimento ao definir os insumos que geram direito ao crédito presumido, como sendo os "Produtos Agropecuários" sob condição de recebimento com suspensão das contribuições ao PIS/Pasep e a Cofins. (artigo 7º inciso I da IN nº 660/06). Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.977 19 Os insumos de produção de que trata o inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, utilizados pela Agroindústria da Carne são de fato produtos agropecuários, entre os quais citamos os seguintes: frango vivo, suínos vivos, soja, milho e sorgo em grãos para fabricação de ração e utilização na engorda destes animais, além de outros, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física ou de cerealista. Sendo assim, a redação do inciso I, parágrafo 3º, art. 8º, da Lei 10.925 de 23 de julho de 2.004, ao citar o percentual de 60% de crédito presumido, para os produtos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, está se referindo as pessoas jurídicas, ou cooperativas que produzam tais produtos, cabendo a estas o percentual de 60% (sessenta por cento) de crédito presumido, a ser aplicado sobre as aquisições dos insumos de produção desde que adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperados pessoa física ou de cerealista e se trate de produtos agropecuários recebidos com Suspensão do PIS/Pasep e da Cofins. Pelo exposto, entendese que não há outra interpretação a ser conferida aos dispositivos legais supra mencionados, uma vez que os produtos dos capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10 e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, citados no inciso I § 3º artigo 8º da Lei 10.925/04, não são produtos in natura, passíveis de crédito presumido e também não tem o beneficio da "Suspensão" na sua comercialização, uma vez que os mesmos já passaram por processo de industrialização, sendo comercializados com tributação integral das contribuições ao PIS/Pasep e a Cofins, sem qualquer beneficio fiscal de suspensão. Para uma melhor visualização, relacionamos os produtos citados no inciso I, §3º do artigo 8º da Lei 10.925 de 23 de julho de 2004: Capitulo 2 Carnes e miudezas, comestíveis; Capitulo 3Peixes e crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos; Capitulo 4 Leite e lacticínios; ovos de aves; mel natural; produtos comestíveis de origem animal, não especificados nem compreendidos em outros Capítulos; Capitulo 16 Preparações de carne, de peixes ou de crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos; Capitulo 15.01 Gorduras de porco (incluída a banha)e gorduras de aves,exceto as das posições 02.09 ou 15.03; Capitulo 15.02 Gorduras de animais das espécies bovina, ovina ou caprina, exceto as da posição 15.03; Capitulo 15.03 Estearina solar, óleo de banha de porco, óleoestearina, óleomargarina e óleo de sebo, não emulsionados nem misturados, nem preparados de outro modo; Capitulo 15.04 Gorduras, óleos e respectivas frações, de peixes ou de mamíferos Fl. 2986DF CARF MF 20 marinhos, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados; Capitulo 15.05 Suarda e substâncias gordas dela derivadas, incluida a lanolina. Capitulo 15.06 Outras gorduras e óleos animais, e respectivas frações, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados; Capitulo 1516.10 Gorduras e óleos animais, e respectivas frações; Capitulo 15.17 Margarina; misturas ou preparações alimentícias de gorduras ou de óleos animais ou vegetais ou de frações das diferentes gorduras ou óleos do presente Capitulo, exceto as gorduras e óleos alimentícios, e respectivas frações, da posição 15.16; Capitulo 15.18 Corduras e óleos animais ou vegetais, e respectivas frações, cozidos, oxidados, desidratados, sulfurados, aerados, estandolizados ou modificados quimicamente por qualquer outro processo, com exclusão dos da posição 15.16; misturas ou preparações não alimentícias, de gorduras ou de óleos animais ou vegetais ou de frações de diferentes gorduras ou óleos do presente Capitulo, não especificadas nem compreendidas em outras posições. A lei não é colocada em nosso sistema positivo para ser apenas um "enfeite", razão pela qual afigurase totalmente incabível a interpretação dada às norma supra referidas pelo agente fiscal, pois, entender que o produtor rural, pessoa física, possa realizar operações de vendas dos produtos acima citados para a agroindústria utilizar como matéria prima em seu processo industrial e acima de tudo aceitar que estes mesmos produtos possam ser vendidos por empresa agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária, com o beneficio fiscal da "Suspensão" das contribuições ao PIS e a COFINS é o mesmo que determinar ao Contribuinte Agroindustrial que legisle em causa própria, quando há falta de previsão legal. Os produtos acima são tributados pelo PIS e a COFINS, quando do seu faturamento pelas empresas pessoas jurídicas e o Produtor Rural pessoa física jamais produzirá estes produtos em nível industrial, pois o nosso sistema legal assim não permite. Das Receitas com Suspensão. Segundo entendimento da administração tributária a suspensão da incidência do PIS e da COFINS não eram aplicáveis ao período de janeiro de 2005 a abril de 2006, pois dependiam das condições a serem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que somente vieram a tona com a publicação da IN SRF nº 660/2006. Ocorre que, desde o advento da Lei nº 10.925/2004 (alterada pela Lei 11.051/2004), todas as operações de venda de aves vivas para cooperativas e pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real tiveram a incidência do PIS e COFINS suspensas. Por ocasião da edição da citada lei, o art. 17 informou que a suspensão produziria efeitos a partir de 1ª de agosto de 2004. Em seguida, sobreveio a Lei nº 11.051, de 30 de dezembro de 2004, que alterou a redação do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, ao incluir o parágrafo 2º, dispondo que a suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF. Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.978 21 Mais de um ano depois, foi editada a IN SRF º 636, de 2006, que sem produzir qualquer alteração material, limitouse a reiterar os comandos da norma legal instituidora do benefício, em especial o comando que previa a data inicial de vigência da suspensão de PIS/COFINS, ou seja, de que produziria efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Com efeito, percebese, pelo iter legislativo acima exposto, que a eficácia do benefício da suspensão, originalmente contemplada no art. 17, da Lei 10.925/04, foi chancelada pelo art. 5º, da IN SRF nº 636/2006, razão pela qual a previsão do § 2º, art. 9°, da Lei 10.925/04 (introduzida pela Lei 11.051), não tem a característica de norma de eficácia contida, e sim natureza de norma de eficácia plena. Certamente, as razões motivadoras do lançamento ora guerreado, tem a ver com as disposições da IN SRF nº 660/2006, que quis fazer de conta que aquilo que foi dito pelo art. 5º, da IN SRF nº 636/2006, não foi dito. Ora, a malfadada IN SRF nº 660/2006, que assim como a anterior reproduziu nos detalhes o comando material da Lei nº 10.925/04 (no que respeita à suspensão), não poderia, como fez, impedir o aproveitamento do benefício da suspensão gozado pela impugnante durante o ano de 2005, ao prever que tal benefício somente passaria a vigorar a partir de abril de 2006. Não é dado nem à lei em sentido formal, quanto menos à disposições normativas de categoria inferior, o condão de atingir o direito adquirido e o ato jurídico perfeito que, no caso dos autos, está caracterizado na condição de fruição do benefício da suspensão outorgado à impugnante pelo art. 17, da Lei 10.925/04 e art. 5º, da IN SRF 636/06. Destaquese, nos termos do que dispõe os arts. 96 e 100, do CTN, que incluemse na legislação tributária os atos normativos emanados da autoridade fazendária. Desta forma, em se tratando de normas relativas ao lançamento, qualquer inovação ou modificação de critérios administrativos não atingem situações já consolidadas, permanecendo higidas todas as questões constituídas anteriormente à edição de tais atos normativos e que são, portanto, definitivas. Neste passo, as modificações introduzidas pela IN SRF 660/06 não poderiam alterar a data de eficácia do benefício da suspensão de PIS/COFINS que foram expressa e anteriormente consignadas no art. 17, da Lei 10.925/04 e art. 5º, da IN SRF 636/06. O pretório Excelso já decidiu, em diversas ocasiões, que a mudança de critérios ou orientações da autoridade fiscal não pode prejudicar o contribuinte, que agiu de acordo com o Fl. 2988DF CARF MF 22 critério anterior, predominante ao tempo da tributação, como por ex. no Agravo de Instrumeto 29978, julgamento em 13/03/1964. Tal postura está relacionada com a previsibilidade e segurança jurídica, postulados que fazem valer o princípio constitucional da irretroatividade do direito aos atos e decisões da administração pública. Foi inspirado em tais premissas que o legislador inseriu expressamente o princípio da imutabilidade do lançamento no art. 146, do CTN. Notese que a vontade do fisco em alargar a base de arrecadação através da postergação da eficácia da norma que estabelecida a suspensão do PIS/COFINS deve respeitar a estabilidade das relações jurídicas, bem como a certeza e segurança do direito. É defeso ao fisco retroagir em suas ações para atingir atos administrativos já consolidados, sob pena de violação, também, ao princípio da irretroatividade, de forma ampla, expresso no art. 5º, XXXVI, e de forma específica, no art. 150, III, b, ambos da CF/88. Tratase de matéria sumulada no extinto Tribunal Federal de Recursos: "Súmula 227 A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco na autoriza a revisão de lançamento." No mesmo sentido foi proferida a recente decisão pelo STJ sobre a matéira: TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. SÚMULA 284/STF. PIS/COFINS. SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI 10.925/2004, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.051/2004. EFICÁCIA. 1... 2. Hipótese em que se discute a data a partir da qual passou a ter eficácia o beneficio de suspensão da incidência do PIS/Cofins, previsto no art. 9º da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004. O Tribunal de origem entendeu que o termo seria 30.12.2004 (publicação da Lei 11.051/2004). 3. O Fisco aponta ofensa ao art. 9°, S 2o, da Lei 10.925/2004, que remeteria o termo inicial do beneficio à regulamentação. Defende a suspensão da incidência a partir de 4.4.2006, data prevista na IN SRF 660/2006 (argumento principal). 4. Também indica violação do art. 34, II, da Lei 11.051/2004. Sustenta que a suspensão da exigibilidade não poderia ter eficácia antes de 1°.4.2005, conforme previsto nesse dispositivo legal (argumento subsidiário). 5. O art. 9º,§ 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, faz referência aos "termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF", para fins de aplicação do benefício fiscal. A Fazenda defende que este Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.979 23 benefício, portanto, é previsto por norma de eficácia limitada, a depender da disciplina pela SRF para sua aplicação. 6. A primeira Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal que regulou a matéria foi a IN SRF 636, publicada em 4.4.2006. Seu art. 5º previa o inicio de vigência retroativamente, a partir de 1°.8.2004, data prevista consoante o art. 17, III, da Lei 10.925/2004 como termo inicial do beneficio de suspensão da incidência do PIS/Cofins. 7. A IN SRF 636/2006 não tem, por si só, o condão de infirmar o acórdão recorrido, pois, logicamente, o confronto dessas duas normas (IN SRF 636/2006 e Lei 11.051/2004) permite apenas reconhecer o beneficio a partir de 30.12.2004 (data mais recente, entre o inicio de eficácia da IN SRF 636/2006 1°. 8.2004 e o da Lei 11.051/2004 30.12.2004), como decidiu o Tribunal a quo. 8. A Fazenda Nacional defende que a posterior IN SRF 660, publicada em 25 de julho de 2006, revogou a IN SRF 636/2006 (publicada em 4.4.2006, previa o início de eficácia retroativamente, a partir de 1°.8.2004) e acabou com a previsão de retroatividade do beneficio. Essa segunda IN determinou que o beneficio teria eficácia somente a partir de 4.4.2006, quando publicada a primeira Instrução (argumento principal). 9. É como se a Receita Federal tivesse, com a IN SRF 660/2006, mudado de idéia e passado a reconhecer o início de eficácia não mais retroativamente, em 1º.8.2004 (como previa o art. 5º da IN SRF 636/2006), mas apenas em 4.4.2006 (data de publicação da IN SRF 636/2006). Esse argumento não pode subsistir. 10. O benefício da suspensão de incidência do PIS/Cofins foi claramente concedido em favor da contribuinte pela Lei 11.051, publicada em 30.12.2004, que deu nova redação ao art. 9o, S 2o, da Lei 10.925/2004. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal (IN SRF 636 e 660 de 2006) não trouxeram inovações significativas em relação à normatização da matéria, restringindose a repetir e a detalhar minimamente a norma legal. 11. Ademais, ainda que se reconheça que o disposto no art. 9º, § 2°, da Lei10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, tem característica de norma de eficácia limitada, sua aplicação foi viabilizada pela publicação da IN SRF 636/2006, cujo art. 5º previu sua entrada em "vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004" (fato incontroverso). 12. A posterior revogação da IN SRF 636/2006 pela IN SRF 660/2006 não poderia atingir o ato jurídico perfeito e o direito dos contribuintes à fruição do beneficio a partir de 1°.8.2004; no Fl. 2990DF CARF MF 24 caso da contribuinte, desde 30.12.2004 (datade publicação da Lei 11.051, que ampliou o benefício em seu favor). 13. De fato, o acolhimento do pleito da Fazenda significaria impedir oaproveitamento do beneficio entre 30.12.2004 (data da ampliação da suspensão em favor da contribuinte pela Lei 11.051/2004) e 4.4.2006 (data de publicação da IN SRF 636/2006), o que já havia sido reconhecido pela própria Secretaria da Receita Federal quando da publicação da IN SRF 636/2006 (art. 5º desse normativo 14. Segundo a Fazenda Nacional, ainda que não se aceite 4.4.2006 comotermo inicial para o beneficio (data prevista na IN SRF 636/2006), impossívelreconhecêlo antes de 1°.4.2005 (data prevista no citado art. 34, II, da Lei11.051/2004 argumento subsidiário). 15. Há erro no argumento subsidiário da recorrente, pois a discussão recursal referese ao art. 9º da Lei 10.925/2004 (suspensão da incidência do PIS/Cofins) e não ao art. 9º da Lei 11.051/2004 (crédito presumido). Foi o benefício do crédito presumido que teve sua eficácia diferida para o primeiro dia do 4o mês subseqüente ao da publicação (art. 34, II, da Lei 11.051/2004), mas isso não tem relação com o presente litígio. 16. A alteração do art. 9° da Lei 10.925/2004, ampliando o benefício fiscal de suspensão de incidência do PIS/Cofins em proveito da recorrida (objeto desta demanda), foi promovida pelo art. 29 da Lei 11.051/2004 (e não por seu art. 9o). Esse dispositivo legal (art. 29) passou a gerar efeitos a partir da publicação da Lei 11.051/2004, nos termos de seu art. 34, III, como decidiu o Tribunal de origem. 17. O art. 34, II, da Lei 11.051/2005, suscitado pela Fazenda, referese a matéria estranha ao debate recursal, de modo que carece de comando suficiente para infirmar o fundamento do acórdão recorrido. Aplicase, nesse ponto, o disposto na Súmula 284/STF." (Resp 11. 36. 835, Rei. Min. Herman Benjamin 2a Turma, julg. 10.04.10 STJ) Da Real Situação Fiscal do Impugnante Relativamente ao PIS/Cofins dos Exercícios de 2005, 2006 e 2007. Para a adequada apuração da base de cálculo do PIS/COFINS dos anos de 2005, 2006 e 2007, devem ser consideradas as exclusões previstas em lei para as receitas que compõem a base de cálculo das contribuições e os créditos apurados em razão do regime da nãocumulatividade, sob pena de se impor ao administrado uma exação totalmente a margem da lei. Observese que a SRFDF, após analisar as PERD/COMP dos exercícios de 2003 e 2004 conforme despachos anexos, entendeu existir e deferiu a restituição (após compensações de ofício) de saldo credor para a impugnante na ordem de R$ 951.013,21. Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.980 25 Certamente o mesmo ocorrerá após avaliação das PERD/COMP dos exercícios de 2005, 2006 e 2007, pois nestes casos, utilizando a mesma lógica dos anos de 2003 e 2004, a impugnante pleiteia o montante de R$3.069.031,51 de ressarcimento de créditos e benefícios fiscais, e restituição por pagamento a maior de R$4.244.622,38, totalizando R$7.313.653,94. Nesse contexto, não poderia o agente fiscal autuar a impugnante em quase R$20.000.000,00 sem proceder a qualquer ajuste na base de cálculo nos termos da legislação vigente. São ponderações que se prestam a demonstrar a indignação do administrado com o conteúdo do auto de infração ora impugnado, que fez tábua rasa dos mais comezinhos princípios constitucionais que regem a administração pública e tributária, em especial o da estrita legalidade e da eficiência. Do Pedido. Requer a impugnante que seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração. Alternativamente, requer sejam o mesmo julgado totalmente improcedente. Em 25/01/2011, a DRJ/Brasília encaminhou Despacho de fls. 2304/2306 para a unidade preparadora, para que a Fiscalização esclarecesse determinados aspectos das glosas efetuadas nos créditos da nãocumulatividade, demanda que foi satisfatoriamente atendida por meio da Informação Fiscal de fls. 2381/2382, documento do qual teve ciência a contribuinte, e optou por não se manifestar." A DRJ/DF proferiu este Acórdão de primeira instância administrativa fiscal com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2005, 2006, 2007 UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. APROVEITAMENTO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. DUPLICIDADE. Os créditos do regime não cumulativo podem ser aproveitados por meio de lançamentos de débito e crédito escriturados em conta gráfica. Contudo, para determinadas situações, como aqueles créditos vinculados á receita de exportação, podem ser utilizados para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Uma vez formalizada a opção pelo contribuinte no sentido de promover a utilização dos créditos nãocumulativos por meio de PER/DCOMP, não há que Fl. 2992DF CARF MF 26 se falar seu em aproveitamento contábil, ou escritural, no procedimento de lançamento de ofício, sob pena de duplicidade. DESPESAS COM FRETE PRÓPRIO E DE TERCEIROS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU ACABADOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO DA FROTA. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO. Aquelas despesas com frete, próprio ou contratado de terceiros, inclusive as de manutenção da frota, como troca de bateria, óleo para o motor, combustíveis e correspondentes serviços, como revisão de cabeçote, recapagem de pneus, revisão de rodas e carter, troca de cabo velocímetro,tacógrafo, dentre outros, que não se destinam diretamente à revenda, mas à transferência de produtos entre estabelecimentos da própria empresa, não são consideradas insumos, por ausência de previsão legal, razão pela qual não podem ser incluídas na base de cálculo dos créditos nãocumulativos. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO. A nãocumulatividade tem como pressupostos balisares a plurifasia, ou seja, ocorrência de pelo menos duas etapas, e o direito de o contribuinte auferir crédito decorrentes de eventos consumados na fase anterior, como, por exemplo, aquisição de bens a serem utilizados na produção ou fabricação de ativo que será destinado à revenda e se converterá em receita para a empresa. Quando se fala em pelo menos duas etapas, não se pode olvidar a necessidade de que ambas sejam regularmente tributadas. Nesse contexto, caso a operação antecedente, de aquisição de bens ou contratação de serviços, não tenha sofrido tributação, não poderá o adquirente creditarse na etapa seguinte. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS SUJEITOS Á ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, ou seja, aqueles insumos que quando adquiridos estavam sujeitos á alíquota zero. A única exceção aplicável é no caso de isenção, situação na qual a impossibilidade para o creditamento nãocumulativo ocorre apenas quando os tais insumosforam revendidos ou utilizados para compor produtos ou integrar serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AOPAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS ADQUIRIDOS JUNTO À SOCIEDADE COOPERATIVA. Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.981 27 IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo insumos adquiridos ou serviços contratados junto a sociedades cooperativas cuja operação de aquisição ou contratação não se encontrava sujeita ao pagamento das contribuições sociais. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CREDITAMENTO APLICÁVEL. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária e que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10,07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99,1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00,1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas àalimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, créditopresumido, mediante aplicação de alíquota sobre o valor das aquisições, de 60% daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos Processo 10166.721554/201095 códigos 15.17 e 15.18, de 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI, e de 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos, situação no qual se incluem o frango vivo (NCM 0105.99.00); ovos férteis (NCM 0407.00.11); pintos de 1 dia (NCM 0105.11.90); leitões para recria e suínos vivos para abate (NCM 0103.92.00); milho (NCM 1005.90.10); sorgo (NCM 1007.00.90) e cordeiros para abate (NCM 0104.10.90). BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA. VENDA PARA PESSOAS JURÍDICAS CEREALISTAS DE DETERMINADOS PRODUTOS. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE NORMAS REGULADORAS PELO PODER EXECUTIVO. O disposto no artigo 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/2004, consubstanciouse em norma de eficácia limitada, uma vez que a suspensão da incidência das contribuições no caso de vendas de produtos de que tratam o inciso I do § 1o do art. 8o do citado diploma legal dependia da edição de regulamentação por parte do Poder Executivo, que veio a ocorrer com a IN SRF nº 660, de Fl. 2994DF CARF MF 28 17 de julho de 2006, estabelecendo que a norma contida no artigo 9º, inciso I, passou a produzir efeitos a partir de 04 de abril de 2006, momento a partir do qual se revestiu de plena eficácia. CONTRATO DE PARCERIA AVÍCOLA. SISTEMA DE INTEGRAÇÃO. PRODUÇÃO DESTINADA AO PARCEIRO CRIADOR A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS CORRESPONDENTES GLOSADOS. Contrato de parceria avícola celebrado entre parceiroproprietário e parceirocriador, no qual se estabelece sistema de integração em que o parceiroproprietário fornece rações, medicamentos e assistência técnica, e o parceirocriador fica responsável pelas instalações e fornecimento de energia, gera situação na qual as despesas decorrentes do processo de produção do frango para abate devem ser devidamente segregadas para fins de aproveitamento dos créditos nãocumulativos, levandose em consideração a parcela de produção a que tem direito o parceirocriador pela remuneração dos serviços prestados. Assim, o parceiroproprietário pode aproveitarse apenas dos créditos nãocumulativos cujos insumos estejam relacionados aos produtos destinados à revenda, ou seja, os insumos correspondentes ao quinhão direcionado ao parceirocriador não podem ser utilizados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. APROVEITAMENTO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. DUPLICIDADE. Os créditos do regime nãocumulativo podem ser aproveitados por meio de lançamentos de débito e crédito escriturados em conta gráfica. Contudo, para determinadas situações, como aqueles créditos vinculados á receita de exportação, podem ser utilizados para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Uma vez formalizada a opção pelo contribuinte no sentido de promover a utilização dos créditos nãocumulativos por meio de PER/DCOMP, não há que se falar seu em aproveitamento contábil, ou escritural, no procedimento de lançamento de ofício, sob pena de duplicidade. DESPESAS COM FRETE PRÓPRIO E DE TERCEIROS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU ACABADOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO DA FROTA. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.982 29 Aquelas despesas com frete, próprio ou contratado de terceiros, inclusive as de manutenção da frota, como troca de bateria, óleo para o motor, combustíveis e correspondentes serviços, como revisão de cabeçote, recapagem de pneus, revisão de rodas e carter, troca de cabo velocímetro, tacógrafo, dentre outros, que não se destinam diretamente à revenda, mas à transferência de produtos entre estabelecimentos da própria empresa, não são consideradas insumos, por ausência de previsão legal, razão pela qual não podem ser incluídas na base de cálculo dos créditos nãocumulativos. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. A nãocumulatividade tem como pressupostos balisares a plurifasia, ou seja, ocorrência de pelo menos duas etapas, e o direito de o contribuinte auferir crédito decorrentes de eventos consumados na fase anterior, como, por exemplo, aquisição de bens a serem utilizados na produção ou fabricação de ativo que será destinado à revenda e se converterá em receita para a empresa. Quando se fala em pelo menos duas etapas, não se pode olvidar a necessidade de que ambas sejam regularmente tributadas. Nesse contexto, caso a operação antecedente, de aquisição de bens ou contratação de serviços, não tenha sofrido tributação, não poderá o adquirente creditarse na etapa seguinte. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS SUJEITOS Á ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, ou seja, aqueles insumos que quando adquiridos estavam sujeitos á alíquota zero. A única exceção aplicável é no caso de isenção, situação na qual a impossibilidade para o creditamento nãocumulativo ocorre apenas quando os tais insumos foram revendidos ou utilizados para compor produtos ou integrar serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS ADQUIRIDOS JUNTO À SOCIEDADE COOPERATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo insumos adquiridos ou serviços contratados junto a sociedades cooperativas cuja operação de aquisição ou contratação não se encontrava sujeita ao pagamento das contribuições sociais. Fl. 2996DF CARF MF 30 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CREDITAMENTO APLICÁVEL. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária e que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, mediante aplicação de alíquota sobre o valor das aquisições, de 60% daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, de 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI, e de 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos, situação no qual se incluem o frango vivo (NCM 0105.99.00); ovos férteis (NCM 0407.00.11); pintos de 1 dia (NCM 0105.11.90); leitões para recria e suínos vivos para abate (NCM 0103.92.00); milho (NCM 1005.90.10);sorgo (NCM 1007.00.90) e cordeiros para abate (NCM 0104.10.90). BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA. VENDA PARA PESSOAS JURÍDICAS CEREALISTAS DE DETERMINADOS PRODUTOS. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE NORMAS REGULADORAS PELO PODER EXECUTIVO. O disposto no artigo 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/2004, consubstanciouse em norma de eficácia limitada, uma vez que a suspensão da incidência das contribuições no caso de vendas de produtos de que tratam o inciso I do § 1o do art. 8o do citado diploma legal dependia da edição de regulamentação por parte do Poder Executivo, que veio a ocorrer com a IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, estabelecendo que a norma contida no artigo 9º, inciso I, passou a produzir efeitos a partir de 04 de abril de 2006, momento a partir do qual se revestiu de plena eficácia. CONTRATO DE PARCERIA AVÍCOLA. SISTEMA DE INTEGRAÇÃO. PRODUÇÃO DESTINADA AO PARCEIROCRIADOR A TÍTLO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS CORRESPONDENTES GLOSADOS. Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.983 31 Contrato de parceria avícola celebrado entre parceiro proprietário e parceiro criador, no qual se estabelece sistema de integração em que o parceiro proprietário fornece rações, medicamentos e assistência técnica, e o parceiro criador fica responsável pelas instalações e fornecimento de energia, gera situação na qual as despesas decorrentes do processo de produção do frango para abate devem ser devidamente segregadas para fins de aproveitamento dos créditos não cumulativos, levandose em consideração a parcela de produção a que tem direito o parceiro criador pela remuneração dos serviços prestados. Assim, o parceiro proprietário pode aproveitarse apenas dos créditos nãocumulativos cujos insumos estejam relacionados aos produtos destinados à revenda, ou seja, os insumos correspondentes ao quinhão direcionado ao parceiro criador não podem ser utilizados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005, 2006, 2007 GLOSAS DE DESPESAS COM UNIFORMES E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO A TRABALHADORES E DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. AJUSTES EM RAZÃO DE DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas matérias não expressamente contestadas na peça de defesa, conforme preceitua o art. 17 do PAF, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997, quais sejam, despesas referentes a uniformes e equipamentos de proteção a trabalhadores (EPI), depreciação dos bens do ativo imobilizado adquiridos com alíquota zero, além dos ajustes efetuados pela Fiscalização em razão de divergências entre valores escriturados e informados em DACON. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." Os autos foram regularmente distribuídos a este Conselheiro e pautados para julgamento nos termos do regimento interno deste Conselho. Este Conselho apreciou a lide em fls. 2725 e decidiu por anular a decisão de primeira instância nos seguintes moldes: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2005, 2006, 2007 ANULAÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROLATAÇÃO DE NOVA DECISÃO. COMPLEMENTAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Anulada a decisão de primeiro grau, procedese à complementação determinada pela órgão julgador ad quem para Fl. 2998DF CARF MF 32 fazer constar expressamente a rejeição de preliminar de nulidade argüida na impugnação, mantendose os fundamentos já adotados no voto condutor do aresto anulado, e ratificase tudo o mais que já foi decidido pelo Colegiado a quo." O contribuinte reiterou as alegações da Impugnação em Recurso Voluntário após proferido novo Acórdão pela DRJ/DF, conforme fls. 2767, que foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ANULAÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROLATAÇÃO DE NOVA DECISÃO. COMPLEMENTAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Anulada a decisão de primeiro grau, procedese à complementação determinada pela órgão julgador ad quem para fazer constar expressamente a rejeição de preliminar de nulidade argüida na impugnação, mantendose os fundamentos já adotados no voto condutor do aresto anulado, e ratificase tudo o mais que já foi decidido pelo Colegiado a quo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." Em fls. 2855 este conselho decidiu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: "Assim sendo, para efeitos de realização da verdade material, deve ser convertido o julgamento em diligência para que sejam esclarecidos os seguintes pontos: os pagamentos referidos pela recorrente, de PIS (código 6912) e COFINS (código 5856) no valor de R$ 5.003.097,40 foram computados para efeitos da apuração do valor exigível das contribuições sociais? Caso tenham sido objeto de pedido de restituição, apontar qual seria o respectivo processo administrativo. as PERD/COMPs relacionadas no recurso voluntário, aqui reproduzidas, foram homologadas, conforme afirmado, no montante de R$ 2.572.279,44? O direito creditório reconhecido repercute nos valores exigidos no presente processo administrativo? (tabelas) esclarecer quaisquer outros pontos relevantes, que possam repercutir no débito tributário exigido. A recorrente poderá ser intimada ou apresentar os esclarecimentos necessários, para a elucidação dos pontos enumerados. Ademais, deverá ser intimada para se manifestar sobre o relatório da diligência fiscal, para se manifestar no prazo de trinta dias, prorrogáveis por mais trinta. Após , retornem os autos para prosseguimento do julgamento. Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.984 33 Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência." Em fls. 2924 a fiscalização apresentou relatório favorável ao contribuinte, nos seguintes trechos selecionados termos: "13 O contribuinte apresentou Perdcomps no valor total de R$ 3.069.031,56, dos quais R$ 2.572.279,44 foram deferidos e restituídos ao contribuinte. Considerando que na fiscalização foram apurados R$ 2.996.699,15, o contribuinte ainda faz jus a R$ 424.419,71, conforme detalhado no Anexo III. 14 Foi anexado um arquivo nãopaginável (digital) contendo os despachos decisórios relativos ao item 02 e as telas de compensações eletrônicas relativas ao item 01. 15 O contribuinte tem o prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência deste relatório, para se manifestar sobre as informações aqui expostas." Em fls 2939 o contribuinte manifestou sua concordância com o relatório fiscal e, em seguida, os autos foram novamente distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Sobre as preliminares, verificase que este Conselho anulou a primeira decisão de primeira instância em razão de omissão a respeito da alegação de nulidade do Auto de Infração, situação que gerou uma nova decisão de primeira instância que reratificou aquela decisão de primeira instância anulada. Da análise dos autos, é possível verificar que, embora possa causar uma sensação de insegurança jurídica, não houve omissão naquela primeira decisão de primeira instância, de modo que acertou a nova decisão de primeira instância em reratificar aquela. Portanto, com fundamento no Art. 59 do Decreto 70.235/72, esta alegação preliminar não merece provimento, uma vez que não há a necessidade de anular novamente a decisão de primeira instância, visto que não houve a omissão alegada. Fl. 3000DF CARF MF 34 Uma segunda alegação preliminar apresentou a possibilidade do Auto de Infração ser nulo, por descumprimento do Art. 142 do CTN, situação que teria sido confirmada com a própria necessidade de diligência determinada pela DRJ, o que acabou por completar o lançamento, que possuía vício material e, portanto, nulo. Ao analisar a diligência determinada pela DRJ/DF em fls. 2304, verificase que o próprio órgão julgador reconhece a iliquidez do lançamento, de modo que à autoridade de origem foi imposta a elaboração da própria apuração, que não constava nos autos até o momento, conforme pode ser verificado nos trechos extraídos da diligência exposta a seguir: "(...) O mesmo ocorre com os lançamentos de ofício de Cofins. Acrescentese que, compulsando os autos do processo, não se encontra acostada nenhuma memória de cálculo que demonstre como foram encontrados os valores lançados de ofício pela autoridade tributária. Portanto, com o objetivo de esclarecer o critério adotado pela Fiscalização para calcular os valores de PIS/Pasep e Cofins lançados de ofício, proponho que este processo seja devolvido ao órgão preparador, para que (i) a autoridade fiscal elabore memória de cálculo, em planilha no qual deve conter, no mínimo, por coluna, o P.A., cada natureza de crédito utilizado (ex.: receita de exportação, aquisição no mercado interno de receita não tributada no mercado interno), o valor deduzido (DCTF) e demais elementos componentes da contribuição apurada, em separado, e (ii) sejam acostados aos autos o arquivo digital da memória de cálculo a ser elaborada em planilha no formato EXCEL ou compatível e os arquivos digitais das planilhas de fls. 1972/1998." Como pode ser constatado na leitura do trechos grifados, o lançamento é íliquido, não possui a liquidez exigida na legislação correlata, a exemplo, ao disposto no Art. 142 do CTN: "CAPÍTULO II Constituição de Crédito Tributário SEÇÃO I Lançamento Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nenhuma planilha de apuração com os cálculos e métodos ou alíquotas foi oficialmente juntado pela fiscalização nos autos. A exigência de liquidez e certeza dos créditos é conditio sine qua non para o lançamento. Não é controverso, mas é importante lembrar, em analogia ao presente caso Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.985 35 autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega que o fisco lançou os tributos sem apresentar provas válidas que comprovam as suas alegações. Disposto no CTN a exigência bilateral da liquidez: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. A validade ou procedência do lançamento somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória válida não é suficiente para lançar o tributo. A alegação do contribuinte veio no sentido de ressaltar que a existência da lacuna na tessitura do libelo basilar, mais precisamente, da natureza da infração descrita no auto de infração restou comprometida, face a incerteza material e a insegurança jurídica relativa ao crédito tributário, pois imprecisa a exigência narrada pelo autor do feito com o tipo infrator constante do libelo fiscal acusatório, não reportando com fidelidade a materialidade do fato infringente detectado. Vigente no Decreto 70.235 (PAF) e no Código Tributário Nacional, o ônus da prova do estado é positivado da seguinte forma: “PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 3002DF CARF MF 36 correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” A quantificação e a certeza realizada pelo lançamento são pressupostos para a realização da sua finalidade principal e única que seria a determinação e exigibilidade do crédito. O lançamento tornaria a obrigação tributária certa e liquida, mas isto apenas por que tais atributos são indispensáveis para que o débito se torne exigível. Certeza, liquidez e exigibilidade representa a trilogia dos efeitos do lançamento. Importante recordar que para se tornar divida ativa, o crédito tributário tem que ser anteriormente líquido, conforme disposto no CTN: “CAPÍTULO II Dívida Ativa Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular. Parágrafo único. A fluência de juros de mora não exclui, para os efeitos deste artigo, a liquidez do crédito. Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova préconstituída. Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite.” A Lei 6.830/80 que dispõe sobre a cobrança judicial da dívida ativa da fazenda pública, prevê de forma expressa a importância e condição taxativa da liquidez do crédito tributário. "Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. § 8º Até a decisão de primeira instância, a Certidão de Dívida Ativa poderá ser emendada ou substituída, assegurada ao executado a devolução do prazo para embargos. § 3º A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo da legalidade, será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.986 37 distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo.” Logo, a conclusão mais acertada é reconhecer a ausência de elemento, matéria, fundamento, motivação e descrição que tratasse da liquidez do lançamento, para não haver conflito com o disposto nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional, art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 e 59 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Mas vencido na posição de reconhecer a nulidade, neste caso em específico, o mérito deve ser analisado. 1 Da Decadência. Não havendo acusação ou qualquer evidência de fraude, assim como não existe nenhuma controvérsia nos autos sobre a existência de pagamentos parciais do Pis e da Cofins, assim como a existência de débitos e créditos, visto que o próprio lançamento foi realizado com base na premissa "insuficiência de recolhimento" e no caso de tributo com lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, com base no julgamento do REsp 973.733 RS do STJ em sede de recurso repetitivo e Art. 150, §4.º, do CTN. O lançamento fiscal constituiu crédito tributário referente a fatos geradores das contribuições dos anos de 2005, 2006 e 2007. O contribuinte recebeu o auto de infração no dia 26/07/10, conforme fls. 1939 dos autos, há mais de cinco anos dos fatos geradores anteriores à Julho de 2005, o que implica na decadência dos meses de janeiro a junho de 2005. Portanto, o presente lançamento encontrase decaído e deve ser parcialmente cancelado. 2 Pis e Cofins não cumulativo. Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide envolve a matéria do creditamento de Pis e Cofins no regime não cumulativo, sobre os insumos do processo produtivo, matérias recorrentes nesta seção de julgamento. Sobre o regime não cumulativo, de forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos Fl. 3004DF CARF MF 38 das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Esta dicotomia retrata, em parte, a presente lide administrativa. Sem a qual não há solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, é importante que seja analisado quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. Embora alguns produtos não possam ser considerados insumos para a legislação do IPI, para a legislação do Pis e da Cofins podem, em razão disso, passasse à análise discriminada de cada situação: 2, a EPIs Em acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03 e Lei nº 10.637/02, visto que os EPIs são pertinentes, essenciais e obrigatórios à atividade empresária, portanto, capazes de gerarem créditos de PIS e Cofins, merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico. Este entendimento encontra respaldo em precedente da CSRF deste Conselho, a exemplo, no Acórdão n.º 9303005.612. Merece provimento este tópico do Recurso Voluntário. 2, b Dos fretes entre estabelecimentos. Com relação ao que foi decidido em primeira instância, concordo com a alegação do contribuinte a respeito dos créditos tomados sobre os custos com Fretes entre Estabelecimentos, ponto que merece provimento nos mesmo moldes dos Acórdãos CARF CSRF de n.º 3302002.974 e 9303006.218. A importância, essencialidade e pertinência dos fretes entre estabelecimentos para a atividade e produção do contribuinte é cristalina, uma vez que possui uma estrutura logística sem a qual não poderia sequer finalizar seu ciclo de produção sem os fretes entre estabelecimentos. Dentro desta linha de raciocínio, é importante registrar que há precedente nesta Turma de julgamento, exposto a seguir: "CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS. As despesas com fretes para transporte interno de produtos em elaboração e, ou produtos acabados, de forma análoga aos fretes entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.987 39 créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. (CARF –Processo nº 13116.000753/200914, Acórdão: 3201002.638, Relator: Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, 1ª Turma Ordinária, 2ª Câmara, 3ª Seção de Julgamento, Sessão de 29/03/2017)." Merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico. 2, c Do parceiro criador. O contribuinte aproveitou crédito sobre os custos relativos aos insumos adquiridos e fornecidos por ela ao parceiro criador, os quais ficam a seu encargo por força do contrato de parceria rural, sendo de sua propriedade e não do parceiro criador. A fiscalização entendeu que parte da produção dos custos com insumos são suportados pelo parceiro criador, de sorte que devem ser glosados os créditos oriundos de tais custos. O acórdão recorrido manteve tal entendimento e a respectiva glosa. A recorrente alega que o insumo em questão lhe dá direito à crédito, inclusive na quota parte do produtor integrado, por ter havido simples remessa a este e não uma operação de venda. Nesta parte da lide é importante reproduzir um precedente desta casa, que tratou do tema de forma precisa e acertada, relatada pelo notável Conselheiro e Professor Valcir Gassen: "REGIME NÃO CUMULATIVO. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE A TOTALIDADE DOS INSUMOS ADQUIRIDOS. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, apropriarse de créditos do PIS/PASEP e da COFINS calculado sobre o valor total (sem a redução do percentual de participação do parceiro) das aquisições de ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação dos animais, por meio de sistema de integração, considerando o percentual como remuneração do parceiro integrado. [...]Entendo, com a devida vênia, incorreta a glosa efetuada, visto que o Contribuinte entrega todos os pintos ao produtor integrado, bem como adquire 100% dos insumos utilizados na produção da ração, fornecendo integralmente aos integrados para a alimentação e o desenvolvimento de 100% dos animais, que posteriormente são utilizados em sua totalidade na produção Fl. 3006DF CARF MF 40 da própria empresa. O percentual de 9% é apenas um parâmetro de remuneração do integrado parceiro. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3301003.936, de 26/07/2017, rel. Conselheiro Valcir Gassen). Merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico. 2, d Do cálculo, apuração do lançamento e resultado da diligência. Na mensuração do quantum verificouse que contribuinte tinha créditos não considerados. Com relação à questão fática do cálculo, ficou evidente que foi solucionada em diligência, de forma que este ponto também merece provimento, nos moldes do relatório fiscal de fls. 2924. A diligencia confirmou que ele tem mais crédito que o apurado pela fiscalização, logo, tais valores devem ser excluídos do lançamento, assim como as multas e juros relacionadas. Merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico. 2, e Insumos sujeitos à alíquota zero. O contribuinte alega que os insumos sujeitos a alíquota zero também geram créditos de PIS/COFINS, assegurado por força do art. 16, da Lei nº 11.116/2005 e pela Solução de Consulta nº 8.090 – SSRF08/Disit/2005, contudo, o art. 3.º, § 2.º, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Portanto, não merece provimento este tópico. 2, f insumos adquiridos de cooperativa. Com fundamento no Art. 3.º das Lei 10833/03 e 10.637/02, no Parecer PGFN nº 1425/2014, Solução de Consulta COSIT 65/2014 e precedentes desta Turma de Julgamento e outras deste Conselho (3201003.204 , 3402004.144, 3301003.200, 3201003.038), insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência. Merece provimento este tópico, para que os insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias gerem direito ao crédito Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.988 41 3 Crédito presumido. Ficou evidente nos autos que o contribuinte não adquire insumos a serem utilizados na produção das mercadorias de origem animal ou vegetal referidas, destinadas à alimentação humana ou animal, classificados no Capítulo 2 e, portanto, sujeitas ao percentual de 60% da alíquota prevista para tais produtos, nos termos do art. 8.º, § 3.º, inciso I da Lei n° 10.925/04 e art. 8.º, § 1.º, inciso I, da lN/SRF n.º 660/06. O legislador não determinou condição para o cálculo do crédito presumido à aquisição de INSUMOS ELABORADOS OU SEMIELABORADOS, assim como a fiscalização não demonstrou que os produtos não estão classificados no Capítulo 2. Conforme Art. 8.º da Lei n. Lei n. 10.925/04, o montante do crédito deve ser obtido com referência aos percentuais variáveis aplicados sobre as alíquotas básicas do PIS e da COFINS e incidentes sobre o valor dos insumos adquiridos. Guiando a interpretação, a Lei no. 12.865/13 definiu qual é o percentual que deve ser aplicando na aquisição de quaisquer insumos utilizados na fabricação de produtos de origem animal que estão classificados no Capítulos 2, conforme exposto a seguir: Art. 33. O art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 8o ........................................................................ § 1o ............................................................................... I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ............................................................................................. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” (NR). (grifouse). Assim, percebese que com essa alteração legislativa de como se deve interpretar o art. 8o. da Lei n. Lei n. 10.925, é possível, de acordo com o disposto de que lei interpretativa se aplica a fatos pretéritos ainda não definitivamente julgados, entender que assiste razão ao Contribuinte de utilizar o percentual de 60% sobre todos os insumos utilizados na produção e que estão classificados nos Capítulos 2 a 4, e nos códigos 15.01 a 15.06." Merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico. Fl. 3008DF CARF MF 42 4 Regime de Suspensão. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Não há qualquer impedimento legal ou obstáculo à eficácia da Lei, que prevalece sobre instruções e quaisquer atos normativos infralegais. Durante julgamento, contudo, foi observado que não há direito a crédito com relação à essas vendas com suspensão, entendimento importante que deve ser registrado de forma adicional. Merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico, tão somente para reconhecer a suspensão. Conclusão. Diante do exposto, votase para que seja conferido PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para: 1 reconhecer a decadência com relação aos meses de janeiro a junho de 2005; 2 reconhecer em favor do contribuinte o conceito intermediário de insumos, entre aquele conceito restritivo, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquele totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes; 2, a reconhecer o crédito aproveitado sobre as despesas com EPIs; 2, b reconhecer o crédito aproveitado sobre as despesas com fretes entre estabelecimentos; 2, c reconhecer o crédito aproveitado sobre os custos relativos aos insumos adquiridos e fornecidos pelo contribuinte ao parceiro criador. 2, d reconhecer em favor do contribuinte a divergência no cálculo dos créditos, conforme relatório fiscal de diligência; 2, e negar o direito ao crédito de Pis e Cofins tomado sobre insumos sujeitos a alíquota zero; 2, f reconhecer que insumos adquiridos de cooperativas agropecuárias geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo; Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.989 43 3 reconhecer o crédito presumido previsto no Art. 8.º da Lei n. Lei n. 10.925/04, na alíquota de 60%; 4 reconhecer a aplicação do art. 9º da Lei nº 10.925/2004 que determina a suspensão da incidência do Pis e da Cofins; Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Fui designado para redigir o voto vencedor para afastar a acusação de nulidade do lançamento. O fundamento para sustentar a nulidade arguida em recurso voluntário é o fato do órgão de primeira instância baixar os autos em diligência para a autoridade autuante apresentar o critério adotado para proceder ao lançamento das Contribuições. Solicitouse, assim, à unidade preparadora a memória de cálculo auxiliar, hábil a demonstrar a apuração que conduziu à exigência de PIS e Cofins. De fato, na ciência do lançamento a contribuinte não teve pormenorizado a decomposição, por período de apuração, da natureza dos créditos utilizados e dos demais elementos que compuseram da apuração das Contribuições. Isto não significa que a autuação não fora instruída com provas, conforme a alegação que consta no voto vencido. Constatase dos autos que a apuração que resultou na exigência de crédito tributário teve por fundamento os registros consignados nos documentos da contribuinte, coligidos em respostas aos termos de intimações elaboradas pela fiscalização. Diante da alegação de nulidade, cumpre notar que não se verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para Fl. 3010DF CARF MF 44 o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Ademais, prescreve o citado Decreto que: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Numa leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, verificase que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo. Antes disso, não há que se falar em litígio ou cerceamento de direito de defesa. Após a ciência do lançamento, o contribuinte tem o prazo de trinta dias para ter vista do inteiro teor do processo no Órgão Preparador e apresentar impugnação escrita, instruída com os documentos em que se fundamentar, exercitando seu direito ao contraditório e à ampla defesa. De se ressaltar que à luz do preceito do art. 60, irregularidades, incorreções e omissões passíveis de correções não implicarão nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo. É exatamente o que ocorreu nos autos. A DRJ, antes que pronunciasse sua decisão, converteu o julgamento em diligência para que as omissões e deficiências apontadas pela contribuinte fosse sanada, o que de pronto foi procedida pela fiscalização, dando ciência à interessada que, como se depreende de suas manifestações, exerceu de forma hábil sua defesa. Assim, restou inexistente qualquer prejuízo ao direito de defesa da interessado, pois rebateu cada uma das acusações, demonstrando ter plena compreensão e entendimento das infrações apontadas. Portanto, devem ser repelidas as alegações preliminares de nulidade por suposto cerceamento de defesa e alegada incerteza material e a insegurança jurídica relativa ao crédito tributário. Como já visto, tratarse aqui de um processo formalmente revestido de todas as condições de legalidade, onde o contribuinte foi cientificado de todos os elementos constantes dos autos, os quais se revelam suficientes para a compreensão do lançamento e julgamento da lide. Com essas considerações, rejeito as preliminares de nulidade do auto de infração. Paulo Roberto Duarte Moreira Declaração de Voto Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.990 45 Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Solicitei ao presidente da turma o meu desejo de fazer declaração de voto, somente para explicitar minhas razões para o voto quanto à decadência. O Superior Tribunal de Justiça, no Resp 973.733/SC, sob o regime dos recursos repetitivos, decidiu que “o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Tal decisão é vinculante para as Turmas do Carf, consoante art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. A contagem da decadência a partir dos fatos geradores é prevista no artigo 150, §4º do CTN, enquanto a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte é prevista no artigo 173, I. O termo “pagamento” deve ser entendido como adimplemento das obrigações de apuração do tributo, isto é, apuração e recolhimento sob condição resolutória. Com efeito, no lançamento por homologação, o contribuinte deve apurar o montante devido e efetuar o recolhimento, sujeito a posterior homologação, art. 150, caput, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 3012DF CARF MF 46 Essa atividade do contribuinte, de apurar e recolher o tributo, é por vezes chamada de autolançamento, sob condição resolutória. À parte discussões teóricas sobre a propriedade da utilização desse termo, aqui o utilizaremos para nossos fins, isto é, interpretar sistematicamente a legislação e jurisprudência vinculante acerca da decadência. No caso do IPI, o artigo 183, III, do Regulamento – Decreto 7.212/2010, considera como pagamento a dedução de débitos sem saldo a recolher: Art. 183. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação deles, nos termos do art. 268 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, caput e § 1º, Lei no 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, Lei no 10.637, de 2002, art. 49, Lei no 10.833, de 2003, art. 17, e Lei no 11.051, de 2004, art. 4o). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Com efeito, o registro em RAIPI e outras declarações de créditos e débitos compensados, da compensação de créditos e débitos sem saldo devedor cumpre plenamente a exigência do artigo 150, caput, de autolançamento. Ressalto, nesse aspecto, o trecho “homologação... operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado”, que usa o termo atividade do obrigado para caracterizar sua obrigação de autolançamento, e não exatamente “pagamento”. Reparese que essa equivalência (compensação de créditos e débitos a pagamento) está dentro do artigo que trata da obrigação de autolançamento do imposto, ou seja, é claro que se refere à obrigação de autolançamento e à questão da decadência. Desse modo, o adimplemento da obrigação de autolançamento do contribuinte, isto é, o registro de débitos e créditos sem saldo devedor, equivale ao pagamento, para fins de homologação, e por consequência, para fins de aferição da decadência. Não há pagamento, mas há adimplemento da obrigação do autolançamento, o que foi aceito pelo Decreto. Todavia, um ponto importante para a questão da decadência, e que não foi detalhada pelo Acórdão paradigma do STJ, é o pagamento/adimplemento parcial. Com efeito, o paradigma utilizado (Resp 973.333/SC) veiculava caso de ausência total de pagamento de contribuições previdenciárias. O Carf tem entendido, pacificamente, que o pagamento parcial atrai a aplicação do 150, §4º. Isto se justifica facilmente, pois é evidente que, em todo lançamento, o recolhimento que terá sido feito pelo contribuinte, terá sido feito parcialmente; somente é lançado o que não foi recolhido/confessado. Assim, pela própria lógica do artigo 150, §4º, combinado com a decisão no Resp 973.333/SC, o pagamento parcial atrai a decadência contada a partir do fato gerador. Em suma, é o pagamento parcial que enseja a aplicação do 150, §4º, porque o pagamento total não enseja sequer lançamento. Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3201003.660 S3C2T1 Fl. 2.991 47 No caso do IPI, há prescrição regulamentar (artigo 183), como visto, que equipara a compensação de créditos e débitos sem saldo devedor (adimplemento de obrigação) com pagamento. Ora, se o registro de créditos e débitos sem saldo devedor equivale a pagamento total, a mesma lógica diz que o registro de débitos e créditos com saldo devedor equivale a pagamento parcial. De fato, se o autolançamento fosse total, não haveria sequer lançamento. Se houver lançamento de ofício, o autolançamento terá sido, sempre, parcial, mas não inexistente. Portanto, para o IPI, o autolançamento parcial, consistente no registro de créditos e débitos sem saldo devedor, com posterior lançamento pelo Fisco decorrente de apuração de saldo devedor, equivale a pagamento parcial. Em outras palavras, na aferição da decadência do lançamento pelo Fisco, no caso do IPI, o registro de créditos e débitos equivale a pagamento parcial, sendo somente este o caso de aplicação prática do dispositivo do artigo 183, III. O mesmo se pode dizer da apuração nãocumulativa de Pis e Cofins, nos quais também se registram créditos e débitos, para aferição de eventual saldo devedor a recolher, isto é, também se procede à atividade de autolançamento parcial. Afasto eventual tese de que o Resp 973.333/SC teria derrogado o artigo 183, III, por falar em pagamento, enquanto o artigo permite considerar outras circunstâncias como pagamento. É que o repetitivo trata de pagamento sem detalhar o conceito, enquanto o regulamento especifica o que pode ser considerado pagamento. Cabe aqui, portanto, o princípio hermenêutico da especificidade. Assim, devemos encontrar aplicação para ambos os comandos, isto é, há pagamento parcial e há adimplemento de autolançamento sem pagamento. Desse modo, nos tributos não cumulativos, havendo registro de créditos a compensar débitos, há o adimplemento da obrigação de auto lançamento (total ou parcial, a depender se haverá ou não lançamento/homologação pelo Fisco), e assim, se aplica o artigo 150, §4º, para aferição da decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento homologatório. Tal interpretação é consentânea com as finalidades (art. 5º da Lei de Introdução ao Direito Brasileiro) da Lei, porque vincula a decadência à obrigação do contribuinte em fazer o autolançamento, e não ao resultado circunstancial de existir ou não saldo devedor. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Fl. 3014DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723214/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Reproduzo relatório de primeira instância: Em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 03/10, cientificado em 10/12/2009, por meio do qual se exige o recolhimento de R$ 311.186,97 de Cofins, relativamente aos períodos de apuração 01/2006 a 12/2006, além da multa de ofício (75%) e dos acréscimos legais pertinentes. Segundo a descrição dos fatos contida no auto de infração, “o contribuinte recolheu/declarou com insuficiência a Contribuição para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 23 21 4/ 20 09 -2 1 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10380.723214/200921 Resolução nº 3201001.338 S3C2T1 Fl. 3 2 Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referentes aos fatos geradores de Janeiro a Dezembro de 2006, incidentes sobre a receita bruta apurada com base no Demonstrativo da Receita CETREDE de 2006 elaborado pelo fiscalizado, balancetes mensais, Livro Razão, com cópias em anexo ao presente auto de infração.” Em 04/01/2010, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 339/345, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, alega “impedimento de pagar sem multa nos primeiros vinte dias”, a teor do art. 47 da Lei 9.430, de 1996. Diz que não lhe foi dada qualquer opção e que a manutenção da penalidade “de nível maior” equivale a tirar proveito da própria falha, “uma afronta ao princípio da moralidade.” A seguir, discorre sobre a impossibilidade de o Estado impor penalidade contra si próprio. No tópico seguinte, reclama a isenção da Cofins, com base no art. 6º, III, da Lei Complementar nº 70, de 1991. Diz que a revogação da isenção pela MP nº 2.15835, de 1991, afronta o art. 246 da Constituição, principalmente após a promulgação da EC nº 20, de 1998. Ao final, pede a anulação do lançamento em razão da violação do art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996. Pede, também, a exclusão, “nas penalidades, a participação da União no quadro societário da autuada, consoante participação a ser aqui informada.” Adicionalmente, requer a improcedência do lançamento, “eis que a impugnante está ao amparo do art. 6º, III, da Lei Complementar nº 70 combinado com os arts. 246 e 195, ambos da Constituição Federal.” À fl. 352, cópias de extratos de consulta ao sistema de controle de DCTF. A DRJ/Curitiba/PR – 3ª Turma, por maio de Acórdão 0655.247, de 29/06/2016, deu parcial provimento à Impugnação, para afastar da tributação as receitas financeiras. Transcrevo a ementa: LEI Nº 9.430, DE 1996. O exercício da faculdade prevista no artigo 47 da Lei nº 9.430/96, ou seja, prazo de vinte dias para pagamento com os acréscimos devidos nos casos de procedimentos espontâneos, tem como pressuposto que os tributos ou contribuições sob discussão estejam declarados, na data do início da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. Nos casos de lançamento de ofício, e tratandose de pessoa jurídica de direito privado, é cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de Cofins nos casos de falta de recolhimento ou pagamento, falta de declaração e nos de declaração inexata. COFINS. ISENÇÃO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10380.723214/200921 Resolução nº 3201001.338 S3C2T1 Fl. 4 3 No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, portanto, tendo sido expressamente revogado dispositivo versando sobre a isenção da Cofins, é essa a disposição que deve ser considerada na decisão administrativa. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO. Ao proceder o julgamento (em 10/09/2008) do Recurso Extraordinário nº 585.235, cuja decisão transitou em julgado em 12/12/2008, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu que o PIS e a Cofins devem incidir somente sobre as receitas operacionais, assim, por se tratar de decisão à qual foi atribuído o rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), seu comando é vinculante para a Administração. No Recurso Voluntário, a recorrente sustenta a isenção da Cofins por ser uma entidade sem fins lucrativos e prestar serviços próprios às instituições de educação, entendendo enquadrarse no art. 14, X da MP 2.15835/2001. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo, porém não está pronto para ser julgado. É que, conforme noticia o Termo de Verificação Fiscal (fl. 14) do processo 10380.012055/200854, da mesma entidade, mas de anocalendário anterior, a recorrente ajuizou ação em que discute a tributação pela Cofins, a Ação Ordinária com Pedido de Tutela Antecipada 2003.81.0083534. Todavia, não há, nos autos, qualquer outra referência a esta ação judicial, que pode estar julgando, ou já ter julgado, a mesma matéria aqui em litígio, o que ensejaria a aplicação da Súmula Carf nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desse movo, voto por converter o julgamento em diligência, para que a origem providencie a juntada de certidão de objeto e pé da referida ação judicial. Marcelo Giovani Vieira, Relator. Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900980/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 09 80 /2 01 3- 66 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13502.900980/201366 Acórdão n.º 1201002.004 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu declaração de compensação (DCOMP), objetivando compensar crédito de CSLL com débito tributário de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, a compensação não foi homologada em razão da constatação de insuficiência de crédito, uma vez que o valor informado já teria sido alocado a débito confessado em DCTF. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que possui direito a compensação, tendo em vista que o crédito oriundo de pagamento a maior já havia sido desvinculado da DCTF do período que gerou o indébito. A manifestação em questão foi julgada improcedente pela DRJ, por entender que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do alegado direito creditório. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, requerendo a prorrogação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, III, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.001, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13502.900993/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.001): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, e na linha do que decidiu a DRJ, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF, não havendo, portanto, pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Já a empresa sustenta na defesa que o referido crédito já estaria "desvinculado" da DCTF, mas não apresenta qualquer prova nesse sentido. No recurso voluntário, alega não ter certeza da Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13502.900980/201366 Acórdão n.º 1201002.004 S1C2T1 Fl. 4 3 origem do direito creditório, razão pela qual requer expressamente a dilação de prazo para fazer essa comprovação. Ora, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a própria Recorrente expressamente diz que não cumpriu com este ônus, razão pela qual é evidente a não comprovação do direito creditório analisado. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, correta a não homologação da compensação. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13502.900980/201366 Acórdão n.º 1201002.004 S1C2T1 Fl. 5 4 Cumpre observar, ainda, que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados, não havendo autorização legal que permita conceder pedido de dilação probatória tal como formulado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916988/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.270
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Restituição formulado sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o deferimento de seu pedido de restituição, arguindo que o indébito decorrera da incidência da contribuição sobre receitas financeiras e outras receitas, incidência essa julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do RE nº 346.084. Alegou, ainda, que o CARF já se pronunciara, em diversas oportunidades, pela extensão da decisão do STF a todos os contribuintes, transcrevendo ementas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 16 98 8/ 20 11 -0 3 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13888.916988/201103 Resolução nº 3201001.270 S3C2T1 Fl. 167 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF que reconhecera a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei nº 9.718/1998, bem como na falta de comprovação da liquidez e certeza do indébito reclamado. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa, afirmando existir nos autos documentação comprobatória do seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.265, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 13888.914725/201151, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.265): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, originado de pagamento indevido ou a maior Em despacho decisório eletrônico, foi indeferida a solicitação da contribuinte, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que o crédito decorre do recolhimento indevido da contribuição sobre parcelas que não integram o faturamento, nos termos da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Foi anexada à Impugnação documentação comprobatória da existência do crédito. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse", o que não teria logrado comprovar a Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, ressalta que foram anexados diversos documentos à Manifestação de Inconformidade e requer a juntada e exame das cópias dos DARFs, Pedido de Restituição e Livro Razão Geral. Além disso, apresenta planilha demonstrativa do crédito postulado. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13888.916988/201103 Resolução nº 3201001.270 S3C2T1 Fl. 168 3 Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese que em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Importa registrar que, nos presentes autos, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002223/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1997
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1997 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 23 /2 01 0- 10 Fl. 201DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 202DF CARF MF Processo nº 19515.002223/201010 Acórdão n.º 2201004.233 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 203DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 19515.002223/201010 Acórdão n.º 2201004.233 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 205DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.455041/2004-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1997
DCTF. DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR EXIGIDO.
Comprovado que o valor cobrado decorre de erro no preenchimento da DCTF, deve ser cancelada a exigência fiscal.
Numero da decisão: 2201-004.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1997 DCTF. DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR EXIGIDO. Comprovado que o valor cobrado decorre de erro no preenchimento da DCTF, deve ser cancelada a exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 45 50 41 /2 00 4- 52 Fl. 828DF CARF MF 2 Trata o presente processo de auto de infração (fl. 43) que tomou por base os valores de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF confessados pelo sujeito passivo nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF entregues por ele referentes ao terceiro e quarto trimestres de 1997 e para os quais não foram localizados os pagamentos. Após a impugnação apresentada (fl. 12), houve revisão de ofício do lançamento (fl. 345), tendo restado apenas um crédito tributário impugnado, relativo ao período de apuração 0108/1997, no valor de R$ 154.856,10, com multa de R$ 116.142,10. Quanto a esse crédito, a autoridade revisora deixou consignado que: a) o débito de IRRF do período de apuração 0108/1997, código 0561, no valor originário de R$ 385.670,58, foi parcialmente quitado antes da lavratura do auto de infração, tendo sido pago R$ 230.814,44, vide fl. 294. Com relação à diferença de R$ 154.856,14, a interessada alega que é decorrente de erro no preenchimento a DCTF apresentada: portanto, foi mantida no PROFISC sob o código 2932; A DRJ/CPS, através do Acórdão nº 0515.925, de 25 de janeiro de 2007 (fls 354), exonerou a multa de ofício por aplicação retroativa do art. 18 da Medida Provisório nº 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 2003, mantendo, contudo, o crédito tributário relativo ao principal, tendo em vista que a recorrente não teria "comprovado o alegado erro de preenchimento da DCTF". Cientificado dessa decisão em 21 de março de 2007 (fl. 362), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 20 de abril do mesmo ano, seu recurso voluntário (fls. 363/368), instruído com cópia de seu razão contábil de 1997, com o que pretendia fazer prova do erro alegado (fls. 369 e ss). O processo foi inicialmente distribuído para a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que exarou o Acórdão nº 10423.140, de 23 de abril de 2008, com a seguinte ementa (fls. 401): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 IRFONTE VALOR INFORMADO EM DCTF NÃO RECOLHIDO IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO Incabível o lançamento para exigência de valor declarado em DCTF e não recolhido. 0 imposto e/ou saldo a pagar, apurado em DCTF, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Divida Ativa da Unido. Recurso provido. Do voto condutor desse Acórdão, extraise que: Outrossim cumpre lembrar que caso tenha havido informação indevida na DCTF, cabe ao contribuinte procurar a Unidade da Secretaria da Receita Federal para proceder a competente retificação, se for o caso. Em face dessa decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 412/418). Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10830.455041/200452 Acórdão n.º 2201004.516 S2C2T1 Fl. 829 3 Contrarazões foram juntadas a fls. 484/490. Analisando o recurso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais prolatou o Acórdão nº 920201.248 2ª Turma, sessão de 08 de fevereiro de 2011, anulando a decisão anteriormente proferida. O Acórdão em questão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 1997 DCTF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Na vigência da redação original do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e As contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Com a alteração perpetrada pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2001, os lançamentos já efetuados devem permanecer íntegros. Recurso especial provido. Ao fim do voto vencedor, restou consignado que: Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso do procurador, com retorno dos autos a Turma competente da Segunda Seção para apreciar o mérito do recurso voluntário, pois se vê que a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso apenas por considerar inidôneo o veículo que constituiu o crédito tributário lançado, sem entrar no mérito do voluntário. Retornando para análise pelas turmas ordinárias, o processo foi distribuído em sessão pública para esta relatora. Em uma primeira análise, o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução nº 2201000.269 (fls. 716/719), para que "a autoridade lançadora, à vista dos documentos juntados em fl. 369 e ss, bem assim socorrendose do resíduo resultante da digitalização dos autos em tela e de demais informações contábeis obtidas junto ao recorrente, aponte, inequivocamente, qual foi o valor do IRRF devido para o PA 0108/97, sob o código 0561". A conclusão do trabalho fiscal consta do relatório de diligência de fls. 816/819, de onde se extrai: Da análise dos Livros e documentos apresentados, confirmouse que as assertivas prestadas pelo contribuinte, sintetizada pelos valores opostos no demonstrativo anterior na coluna FOLHA DE PAGAMENTO DO MÊS IRRF referente ao fato gerador PA 01 08/1997 estão de acordo com os valores contabilizados em sua escrituração: Fl. 830DF CARF MF 4 (...) Portanto, de acordo com a análise efetuada com os documentos acostados ao PAF, bem como dos elementos coligidos na diligência constatouse que o fato gerador PA 0108/1997, rubrica IRRF sobre Folha de Pagamentos Empregados Código 0561, foi de R$ 230.422,39. Intimada a se manifestar, a recorrente expressou sua concordância com o resultado da diligência fiscal, já que esta corroborou suas alegações (fls. 822/825). É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme foi evidenciado no relatório, após a análise da DRJ restou em litígio apenas a crédito tributário relativo ao período de apuração 0108/1997, no valor de R$ 154.856,10. A recorrente apresentou documentação com a qual pretendia demonstrar que essa exigência teria resultado do preenchimento da DCTF em duplicidade. Ao fim da diligência empreendida, a autoridade fiscal manifestou sua concordância com os argumentos apresentados pela recorrente, de que o valor apurado no período em questão é efetivamente inferior ao confessado, sendo a exigência resultado de erro no preenchimento da DCTF. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe dar provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10830.455041/200452 Acórdão n.º 2201004.516 S2C2T1 Fl. 830 5 Fl. 832DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.725309/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
VARIAÇÕES CAMBIAIS. REGIME DE COMPETÊNCIA. REGIME DE CAIXA.
Comprovado que o Contribuinte adotou o regime de caixa/liquidação em todos os períodos de apuração anteriores à mudança de opção do critério de tributação das variações cambiais, os ajustes a serem considerados no ano calendário imediatamente anterior à essa opção devem levar em conta a totalidade das adições e exclusões efetuadas no respectivo período.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento por conta de meros erros na determinação da base de cálculo. Não havendo mudança do critério jurídico utilizado para embasar o lançamento, admite-se a correção da base de cálculo no decorrer do processo administrativo.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
Todas as alegações trazidas à apreciação da Autoridade Julgadora devem estar perfeitamente demonstradas na peça recursal, devendo vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir ou prejudicar sua apreciação pelo julgador administrativo.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que não esteja perfeitamente fundamentado ou cuja caracterização esteja prejudicada pela inconsistência dos elementos trazidos aos autos que supostamente a justifiquem.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.CARÊNCIA NA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ENSEJADORAS DE SUA CARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Sem que esteja perfeitamente caracterizada e individualizada a conduta que fundamenta a responsabilização tributária solidária, não há como se manter a respectiva imputação.
Numero da decisão: 1401-002.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso da contribuinte, determinando seja reduzida a base de cálculo da autuação, nos termos do voto condutor, e para afastar a qualificação e o agravamento da multa de ofício. Com relação aos apontados como responsáveis solidários, dar provimento aos respectivos recursos para afastá-los do pólo passivo da exigência.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 VARIAÇÕES CAMBIAIS. REGIME DE COMPETÊNCIA. REGIME DE CAIXA. Comprovado que o Contribuinte adotou o regime de caixa/liquidação em todos os períodos de apuração anteriores à mudança de opção do critério de tributação das variações cambiais, os ajustes a serem considerados no ano calendário imediatamente anterior à essa opção devem levar em conta a totalidade das adições e exclusões efetuadas no respectivo período. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento por conta de meros erros na determinação da base de cálculo. Não havendo mudança do critério jurídico utilizado para embasar o lançamento, admite-se a correção da base de cálculo no decorrer do processo administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Todas as alegações trazidas à apreciação da Autoridade Julgadora devem estar perfeitamente demonstradas na peça recursal, devendo vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir ou prejudicar sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que não esteja perfeitamente fundamentado ou cuja caracterização esteja prejudicada pela inconsistência dos elementos trazidos aos autos que supostamente a justifiquem. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.CARÊNCIA NA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ENSEJADORAS DE SUA CARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Sem que esteja perfeitamente caracterizada e individualizada a conduta que fundamenta a responsabilização tributária solidária, não há como se manter a respectiva imputação.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-20T23:37:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-06-20T23:30:18Z; Last-Modified: 2018-06-20T23:37:16Z; dcterms:modified: 2018-06-20T23:37:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:993c56f0-5e9f-4172-b803-e5a664148f66; Last-Save-Date: 2018-06-20T23:37:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-20T23:37:16Z; meta:save-date: 2018-06-20T23:37:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-20T23:37:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-06-20T23:30:18Z; created: 2018-06-20T23:30:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2018-06-20T23:30:18Z; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-06-20T23:30:18Z | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 5.040 1 5.039 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.725309/201511 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.548 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente RENUKA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 VARIAÇÕES CAMBIAIS. REGIME DE COMPETÊNCIA. REGIME DE CAIXA. Comprovado que o Contribuinte adotou o regime de caixa/liquidação em todos os períodos de apuração anteriores à mudança de opção do critério de tributação das variações cambiais, os ajustes a serem considerados no ano calendário imediatamente anterior à essa opção devem levar em conta a totalidade das adições e exclusões efetuadas no respectivo período. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento por conta de meros erros na determinação da base de cálculo. Não havendo mudança do critério jurídico utilizado para embasar o lançamento, admitese a correção da base de cálculo no decorrer do processo administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Todas as alegações trazidas à apreciação da Autoridade Julgadora devem estar perfeitamente demonstradas na peça recursal, devendo vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir ou prejudicar sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 53 09 /2 01 5- 11 Fl. 5040DF CARF MF 2 Indeferese o pedido de perícia que não esteja perfeitamente fundamentado ou cuja caracterização esteja prejudicada pela inconsistência dos elementos trazidos aos autos que supostamente a justifiquem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.CARÊNCIA NA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ENSEJADORAS DE SUA CARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Sem que esteja perfeitamente caracterizada e individualizada a conduta que fundamenta a responsabilização tributária solidária, não há como se manter a respectiva imputação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso da contribuinte, determinando seja reduzida a base de cálculo da autuação, nos termos do voto condutor, e para afastar a qualificação e o agravamento da multa de ofício. Com relação aos apontados como responsáveis solidários, dar provimento aos respectivos recursos para afastálos do pólo passivo da exigência. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 5041DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.041 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da Contribuinte (v. efls. 4.976/5.021) e dos apontados como Responsáveis Tributários (v. efls. 4.782/4.815, 4.865/4.896, 4.901/4.932 e 4.937/4.970) interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (v. efls. 4.726/4.762) que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo integralmente as autuações lavradas contra a Recorrente, referentes ao IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício qualificada e agravada de 225% e juros de mora, relativos ao anocalendário de 2010. Segundo o Termo de Constatação Fiscal de efls. 1.526/1.545, o procedimento fiscal teve por objeto a verificação dos ajustes ao lucro líquido na apuração do lucro real, relativos às variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte em função da taxa de câmbio (variações cambiais). O reconhecimento de tais receitas/despesas, em regra, deve se dar observandose o regime de caixa, afetando o resultado fiscal somente após a liquidação das respectivas operações. Entretanto, segundo a Fiscalização, a Medida Provisória nº 2.15835, de 01/01/2000, teria facultado ao contribuinte reconhecer tais valores pelo regime de competência. Neste caso, ao adotar esta sistemática (regime de competência), o contribuinte deveria reconhecer e computar no resultado todos os valores até então excluídos da apuração do lucro real na vigência da adoção do regime de caixa. A Fiscalização exemplifica o seu raciocínio com um exemplo simples para se entender a sistemática sob verificação e que reputamos bastante didático para o entendimento da matéria em litígio (v. efls. 1.531/1.532): a. Sujeito passivo possui dívida em moeda estrangeira de E$ 100.000 quando o câmbio era de R$ 1/E$. Ao final do ano X1 o câmbio passou a ser de R$ 1,1/E$, assim, a obrigação passou a ser de R$ 110.000; b. A variação de R$ 10.000 deve ser reconhecida no passivo e a contrapartida do lançamento contábil deve ser feito em conta de resultado (regime de competência), ou seja, resultado será afetado negativamente; c. Caso tenha optado pelo regime de caixa, a empresa deveria efetuar uma adição no lucro líquido para apuração do lucro real de R$ 10.000 e escriturar a Parte B do LALUR com o mesmo valor; d. Ao final de X2, o câmbio passou a ser de R$ 0,8/E$, o que tornou o montante devido em moeda nacional menor, implicando um ganho a ser registrado a débito da conta de passivo (redução da obrigação) e a crédito de conta de resultado (receita); e. Caso sua opção permanecesse a mesma do ano de X1, o sujeito passivo deveria efetuar exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real em montante de R$ 30.000 (110.000 80.000) e escriturar a Parte B do LALUR com os R$ 30.000; f. Caso viesse a mudar de regime em X3, deveria ajustar seu resultado fiscal mediante adição dos valores excluídos na apuração do lucro real (no caso, R$ 30.000) e excluir o valor adicionado nos períodos anteriores (no caso, R$ 10.000); Fl. 5042DF CARF MF 4 g. Tal medida ajustaria os regimes na medida em que o ganho efetivo seria a diferença entre R$ 100.000 (E$ 100.000 x R$1/E$) e R$ 80.000 (E$ 100.000 x R$ 0,8/E$), portanto, ambos os ajustes resultariam em R$ 20.000 (R$ 30.000 – R$ 10.000). A partir do exemplo acima, é possível constatar que os valores escriturados na PARTE B do LALUR devem corresponder, precisamente, aos valores que devem ser ajustados na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL quando o sujeito passivo deixa de reconhecer as variações cambiais pelo regime de caixa e passa a adotar o regime de competência. Ainda segundo a Fiscalização, citando a Instrução Normativa RFB nº 1.079/2010 (cuja base legal é a Lei nº 12.249/2010), ao alterar o critério de reconhecimento das variações monetárias pelo regime de caixa para o critério de reconhecimento das variações monetárias pelo regime de competência, deveriam ter sido computadas na base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em 31 de dezembro do período de encerramento do ano precedente ao da opção, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações incorridas até essa data, inclusive as de períodos anteriores ainda não tributadas. No caso da Contribuinte autuada, verificou a Fiscalização que os ajustes relativos às variações cambiais tiveram o seguinte comportamento: a) Ano calendário de 2007 ajustes pelo regime de caixa; b) Ano calendário de 2008 ajustes compatíveis com os saldos de operações liquidadas no respectivo ano; c) Ano calendário de 2009 ajustes pelo regime de caixa; d) Ano calendário de 2010 Não houve o preenchimento dos campos próprios da DIPJ relativos aos ajustes das variações cambiais, portanto, o seu comportamento neste período não pôde ser determinado a partir da análise da declaração; e) Ano calendário de 2011 declaração em DCTF da opção pelo regime de competência. Conforme o relato da Fiscalização, diante dessas constatações, fezse necessário analisar o LALUR de 2010 e 2011, o que foi requerido via intimação, à Recorrente, em 03/07/2015. O atendimento do requerido pela Fiscalização teria se dado tão somente em 19/08/2015, sem que o documento estivesse revestido das formalidades legais, a exemplo da falta de assinatura do representante legal da empresa e, ainda, incompleto, pois ausentes as folhas 69 e 70 do mesmo. O livro entregue não apresentava nenhum registro de transferência de saldos do ano de 2010 para 2011 relativamente à conta "Variação Cambial Ativa". Posteriormente, em 08/10/2015, a Fiscalização conseguiu obter da Recorrente as páginas faltantes, onde estavam consignados os saldos de "Variação Cambial Ativa" e "Variação Monetária Passiva", nos importes de R$203.350.804,97 e R$107.320.899,75 respectivamente. Diante desse fato, nova intimação foi realizada (v. efls. 1.408/1.410) para que a Recorrente esclarecesse em que período tais valores teriam sido levados a resultado e tributados, além dos motivos pelos quais o LALUR se apresentava com folhas faltantes. Em Fl. 5043DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.042 5 resposta, duas correspondências foram recebidas da Contribuinte, a primeira, em 29/10/2015 e a segunda em 27/11/2015. Na primeira esclareceu a Recorrente que a omissão das fls. 69/70 do LALUR teriam sua origem em erro na impressão e encadernação, entretanto, observa que o arquivo original teria sido encaminhado à Fiscalização. Na segunda resposta, de 27/11/2015, foi encaminhado um arquivo magnético cujo conteúdo é uma planilha, intitulada de "variação cambial ativa e passiva.xlsx", com a informação de que esse arquivo abrangeria o razão contábil das contas de variação cambial desde 2007 até 2011. Arremata a Contribuinte com a seguinte declaração: “A empresa não tem a base dos números apresentados no lalur nas paginas 69 e 70 do ano calendário 2010, devido mudanças de gestão. Então, diante das informações contábeis nos razões acima citados, foi feito a composição dos valores que devem estar sendo controlados no Lalur – adições e exclusões e parte B. Portanto se faz necessário à retificação do lalur até o ano de 2010, onde o regime era caixa. As cambais acumuladas até o ano de 2010, onde o regime era caixa. E para o ano base de 2011, regime passou ser competência.” Em face das informações recebidas, a Fiscalização chegou às seguintes conclusões: Embora intempestivo, os documentos apresentados foram examinados por esta fiscalização, pois o lançamento de ofício do crédito tributário exige a busca da verdade dos fatos, contudo, de antemão é possível fazer algumas constatações sobre as alegações. Em primeiro lugar, é absurda a alegação de que a empresa não possui a base dos valores informados nas folhas 69 e 70 do LALUR 2010 em razão de mudança de gestão. É notório que se trata de alegação sem fundamento na realidade, pois ainda que tenha havido mudança no controle acionário da empresa no período de 2010 até a presente data, fato inegável é que a própria signatária das alegações em nome da fiscalizada, Sra. Isabel Zanian, foi a contabilista responsável que assinou os LALUR 2010 e de 2011. Ora, se a contabilista assinou os documentos como responsável pela escrituração de 2010, ou praticou crime de falsidade ideológica se não era ela a responsável à época pela contabilidade ou não diz a verdade quando alega que desconhece a origem dos valores escriturados nas folhas 69 e 70 do LALUR 2010. Outro aspecto a ser considerado é o fato de que, como já foi mencionado anteriormente, o sujeito passivo entregou à fiscalização parte do LALUR de 2011 no início da ação fiscal. Esse livro continha também apenas a assinatura da contabilista Isabel Zamian nas folhas apresentadas, entretanto, o livro em físico entregue em 19/08/2015 não era o mesmo, pois é notório que a mesma folha está assinada e carimbada de modo diferente, permitindo presumir que o livro entregue em 2015 à fiscalização foi feito apenas com essa finalidade. Essa suspeita permite ir além e inferir que a falta de inclusão no LALUR 2010 das folhas que diziam respeito às variações cambiais (69 e 70) não foi mero acaso. Por fim, não basta que o sujeito passivo refaça sua escrita e retifique o livro com base em informações que alega ter extraído de sua contabilidade, pois os valores Fl. 5044DF CARF MF 6 constantes do LALUR, embora em montantes expressivos, são menores que os ajustes informados na DIPJ de 2008 a 2010. Conforme restou demonstrado acima, o comportamento do sujeito passivo no anocalendário de 2008 foi pelo regime de competência, portanto, presumese que as variações cambiais ocorridas no período não foram ajustadas na apuração do lucro real (consoante informado em DIPJ), mas apenas os saldos ajustados nos períodos anteriores, o que também se mostra compatível com o valor constante da linha 12 da ficha 09A da DIPJ 2009. Desse modo, todos os ajustes a serem considerados são aqueles constantes das DIPJ 2010 (fato geradores de 2009) em diante, portanto: Saldo das variações cambiais da DIPJ 2010: Exclusão de R$ 156.546.523,09 O valor de R$ 156.546.523,09 corresponde ao montante que o sujeito passivo aproveitou para reduzir seus resultados na apuração encerrada em 31/12/2009 e deveria ter sido incluído na apuração do resultado de 31/12/2010 na medida em que efetuou a alteração no reconhecimento da variação cambial do regime de caixa para o de competência em janeiro de 2011. Sob o ponto de vista apresentado acima, os demonstrativos apresentados pelo sujeito passivo não são muito diferentes daqueles informados em DIPJ. O que se constata em face dos LALUR (também anexados na planilha) é que existem ajustem que simplesmente não foram feitos nas DIPJ. Um exemplo é o ano de 2008, cujo LALUR teria um ajuste a título de adição em razão de Variação Cambial Passiva de R$ 63.020.090,60 que não consta da DIPJ. Esse valor passou a ser transportado para os períodos seguintes, o que gerou distorção. Em relação aos demais ajustes, eles não coincidentes, mas as diferenças não são significativas em termos percentuais. Portanto, a análise dos elementos apresentados pelo sujeito passivo somente confirmam os dados das DIPJ e permitem confirmar também que no ano de 2008 o sujeito passivo comportouse como se tivesse optado pelo regime de competência para reconhecer as variações cambais, pois os ajustes possíveis em razão dessas variações (conforme demonstrado na planilha) não foram feitos (adições de R$ 138.035.004,58), tendo sido oferecido à tributação a integralidade do saldo dos ajustes de períodos anteriores (R$ 27.164.060,34). Diante do exposto, devese reconhecer que o LALUR apresenta distorções que não permitem usar os saldos nele informados como elementos para apuração da base de cálculo do lançamento de ofício. Sendo assim, os ajustes tomarão por base os elementos ajustados nas DIPJ 2010, ou seja, serão acrescidos ao resultado apurado em 31/12/2010 o valor de R$ 156.546.523,09 em razão de ser esse o valor reduzido em período anterior e que deveria estar controlado na PARTE B do LALUR quando o sujeito passivo mudou sua forma de reconhecimento das variações cambais, passando do regime de caixa para o de competência em 01/01/2011. Os resultados apurados pelo sujeito passivo em 31/10/2011, conforme consta da DIPJ, foram os seguintes: 1. Base de Cálculo do IRPJ – Prejuízo Fiscal de R$ 51.383.595,39 2. Base de Cálculo da CSLL – Prejuízo Fiscal de R$ 51.383.595,39 Somandose de ofício o ajuste decorrente das variações cambiais promovido no período anterior apurase o seguinte: 3. Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos – R$ 105.162.927,70 4. Base de Cálculo da CSLL – Lucro de R$ 105.162.927,70 Fl. 5045DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.043 7 Ao crédito tributário apurado foi imputada a multa qualificada de 150% fundamentada na apresentação de livros (no caso, o LALUR) sem as formalidades exigidas, no caso, sem a assinatura dos representantes legais, além da confecção de um LALUR diferente do originalmente entregue à fiscalização. Segundo a Fiscalização, tal fato pode ser constatado comparando, por exemplo, a folha 47 do LALUR 2011, entregue no início da ação fiscal em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 001, com a do LALUR 2011 encaminhado por via postal em 19/08/2015. A assinatura e o carimbo da contabilista estão apostos em lugares diferentes, o que denotaria que o livro teria sido confeccionado apenas para entrega à fiscalização ou, ao menos, que não seria o mesmo do qual foi tirada cópia para atender a fiscalização em outubro de 2014. Mas o indício mais contundente da intenção do sujeito passivo, segundo a Autoridade Fiscal, residiria no fato de que a Parte B do LALUR 2011 não incluiria as variações cambais ativas e passivas que estavam controladas na Parte B do LALUR 2010 e que, por “erro de impressão”, acabaram não sendo incluídas no livro entregue à fiscalização. Nas palavras do Autuante, "essas variações cambais, que reduziram o resultado do sujeito passivo em mais de uma centena de milhão de reais simplesmente sumiram da escrita a partir de 2011, conforme se verifica no LALUR 2011 e na planilha apresentada intempestivamente para atender o Termo de Intimação Fiscal 003" (v. efls. 1.543). Já o agravamento da multa de ofício teria sido motivada pela apresentação de esclarecimentos fora dos prazos estipulados pela Fiscalização. Segundo a Autoridade Fiscal: No caso, foi concedido ao sujeito passivo o prazo de 20 dias (10 dias, prorrogados por mais 10) para esclarecer quando foi oferecida à tributação as variações cambais constantes das folhas 69 e 70 do LALUR 2010 (folhas que foram omitidas na confecção do livro em meio físico entregue à fiscalização). Portanto, tratase de informação constante de seu LALUR, aplicável, portanto, o prazo de 5 dias úteis, contudo, para que o sujeito passivo não viesse a alegar a exiguidade do prazo em sua defesa, foi concedido 10 dias (uma praxe da fiscalização) sendolhe concedida prorrogação de prazo por mais 10 dias, conforme Termo Genérico do qual o sujeito passivo tomou ciência em 03/11/2015 e no qual restou consignada a data do final do prazo para atendimento à fiscalização (09/11/2015) e o motivo do indeferimento do infundado pedido de prorrogação de prazo por mais 30 dias. A Contribuinte também teria deixado de atender a um dos itens do Termo de Intimação Fiscal 003 (ciência em 20/10/2015, v. efls. 1.408/1.410), mais especificamente à solicitação de informação de quando teriam sido oferecidos à tributação os ajustes relativos às variações cambiais ativas e passivas realizadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL que constam do arquivo em formato “pdf” do LALUR relativo ao ano calendário de 2010. A resposta à referida intimação teria sido considerada intempestiva (foi recebida em 26/11/2015) e incompleta, pois não esclareceu o momento em que as variações cambiais em montante superior a R$100 milhões teriam sido tributadas. Ainda, a Fiscalização apontou como responsáveis tributários solidários pelo crédito ora exigido os Srs. GILSON CHRISTOFOLI JÚNIOR, LUIZ PAULO SANT´ANNA, ANDRÉ GIMAEL FERRAZ e RUI MARCELO RE, pelo fato de exercerem a função de direção na empresa na época da ocorrência dos fatos geradores, sendo, por essa razão, responsabilizados pelas infrações à legislação tributária decorrentes, em tese, de ato doloso. Fundamentou a solidariedade dos diretores nos artigos 124 e 135 do CTN. Fl. 5046DF CARF MF 8 Devidamente cientificada da autuação, a Contribuinte e os apontados como responsáveis solidários apresentaram impugnação à exigência (v. efls. 1.615/1.641, 1.742/1.774, 1.821/1.854, 1.893/1.927 e 2.243/2.325). Os referidos recursos foram apreciados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto, que proferiu o Acórdão nº 1463.626 3ª Turma, em 12 de janeiro de 2017 (v. efls. 4.726/4.762), cuja ementa reproduzo abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 VARIAÇÕES CAMBIAIS. REGIME DE COMPETÊNCIA. REGIME DE CAIXA. Alterandose o critério de reconhecimento das variações cambiais para o regime de competência, devem ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em 31 de dezembro do período de encerramento do ano precedente ao da opção, as variações incorridas até essa data. DIPJ. RETIFICAÇÃO. Incabível, depois de efetuado o lançamento de ofício, a retificação de valores declarados em DIPJ de anocalendário anterior, que vise reduzir a infração apurada pelo fisco, mormente quando não comprovada com documentação hábil. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2010 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. Assunto: Normas Gerais De Direito Tributário Anocalendário: 2010 DECADÊNCIA. Incabível a alegação de decadência relativa a anocalendário que não foi objeto do lançamento de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores de pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 5047DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.044 9 Irresignados com a decisão proferida pela DRJ/RPO, a Contribuinte e os Responsáveis Solidários apresentaram recurso voluntário, vide petições de efls. 4.782/4.814, 4.865/4.892, 4.901/4.932, 4.937/4.970 e 4.976/5.020. Os argumentos esposados pela Recorrente e pelos responsáveis solidários são os mesmos já apresentados quando da impugnação e podem ser resumidos da seguinte forma: Recurso Voluntário de RENUKA DO BRASIL S/A 1) Argui a decadência do direito de o Fisco alterar o regime de tributação das variações cambiais do ano de 2008, de CAIXA para COMPETÊNCIA. Inexistiriam elementos que demonstrem que a Recorrente teria optado expressamente pela tributação de suas variações cambiais, no ano calendário de 2008, segundo o regime de COMPETÊNCIA, não podendo, assim, a fiscalização, a teor dos arts. 150, §4° e 173, I, ambos do CTN, fazer nova apuração, por outro regime, dos valores tributados em 2008; 2) A Fiscalização optou por reconhecer o montante excluído pela Recorrente em 2009, no valor de R$ 156.546.523,09, como o saldo correto a ser adicionado em 2010, sem, no entanto, buscar junto aos registros contábeis da Recorrente de 2008 e 2009 a confirmação deste número. Se tivesse recorrido à contabilidade da Contribuinte teria a Fiscalização verificado que parte dos valores de 2008, relativos à variação cambial, foram incluídos na linha 39 – Outras Adições, no valor de R$ 63.020.090,60, conforme podese comprovar através dos documentos ora em anexo (DIPJ 2009, Revisão Fiscal, ReCálculo de PPE e Lalur 2008); 3) O regime de tributação das variações cambiais foi o mesmo de 2007 à 2010 (CAIXA), tendo sido alterado apenas em 2011 quando a Recorrente expressamente assim escolheu em sua DCTF. A escrituração da Recorrente confirma a referida situação, sobretudo através das contas 4.2.4.01.10.080 (variação cambial ativa) e 4.2.4.02.10.070 (variação cambial passiva); 4) é nulo o lançamento de ofício ora promovido, na medida em que houve erro na constituição da sua base de cálculo, pois foram desconsiderados os ajustes relativos aos anos calendários de 2007 e, principalmente, de 2008, considerado que foi pela Fiscalização, como se tivesse adotado o regime de competência para a respectiva apuração dos ajustes das variações monetárias; 5) O princípio da verdade material deve prevalecer na análise e levantamento dos números atinentes à variação cambial da recorrente, não sendo admissível que DIPJ e LALUR, à despeito dos dados registrados na contabilidade, prevaleçam na identificação dos saldos corretos de adições e exclusões que deveriam ser consideradas em 31/12/2010. Eventual confusão, decorrente do errôneo preenchimento de declarações pelo contribuinte, não justifica a cobrança de tributo, muito menos a aplicação de penalidade, máxime, quando verificado no período a ocorrência de prejuízo; para que não pairem dúvidas, a Recorrente está anexando aos autos o SPEDECD, a fim de confirmar os dados do RAZÃO CONTÁBIL, já anexado; 6) Em relação à qualificação da multa de ofício, não restou cabalmente comprovado qualquer ação ou omissão dolosa por parte do Contribuinte, com evidente intuído de sonegação, fraude ou conluio, como suscitado pela Fiscalização. O descumprimento de uma formalidade como assinatura pelo representante legal, por certo, não pode ser caracterizada como ação ou omissão dolosa com o intuito de fraudar ou sonegar tributos, sendo que não Fl. 5048DF CARF MF 10 pode, de forma alguma, balizar a qualificação da multa de ofício. A confecção do LALUR para entrega à Fiscalização se deu pelo fato de que a contabilidade da empresa estava equivocada em alguns pontos, impondo a recomposição dos números para o correto repasse à fiscalização. A não inclusão das variações cambiais ativas e passivas na Parte B do LALUR 2011, ainda que estas estivessem no LALUR 2010, não é comprovação de ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado, mas simplesmente a comprovação de que os registros da Recorrente continham vícios que impunham a sua recomposição. 7) Com relação ao agravamento da multa de ofício, alega a Recorrente que atendeu e respondeu à TODAS as solicitações fiscais, jamais causando embaraço ou dificuldades à fiscalização, que sempre teve amplo acesso às suas instalações, não havendo com ser legitimada a incidência de multa de ofício agravada; 8) Propugna pela realização de perícia contábil para que sejam analisadas pormenorizadamente todas as provas documentais já carreadas aos autos, mormente o razão contábil, SPEDECD, DIPJ, LAUR, Memórias de Cálculo (DIPJ, DCTF e LALUR), Relatórios Contábeis, Demonstrações Financeiras e Balanços da Recorrente, em conjunto com eventuais documentos que venham a ser juntados posteriormente ou solicitados pelo perito, pois não há como se admitir como válida a existência pura e simples de um saldo a adicionar de variação em 31/12/2010 de R$ 156.546.523,09, pois, a exclusão no mesmo montante levada a efeito em 31/12/2009 correlacionase à adição de R$ 136.050.141,75 efetuada em 31/12/2008, conforme doc. 7.4. Na mesma toada, concluiria que é incorreta a afirmação de que não foram efetuadas adições em 2008. Enumera os quesitos que considera indispensáveis para a elucidação dos fatos. Recurso voluntário dos Responsáveis Solidários 1) Rui Marcelo Ré O Sr. Rui Marcelo Ré apresentou recurso voluntário onde repisa todos os argumentos já feitos quando da impugnação. Em apertada síntese são os seguintes: a) o Recorrente não era diretor da Renuka quando da ocorrência dos fatos geradores, eis que havia se desligado da empresa antes mesmo de 31/12/2010; b) o Recorrente exercia o cargo de Diretor de Relações com o Mercado, com funções totalmente estranhas e dissociadas da apuração de tributos; c) em relação ao acórdão recorrido, alega nulidade, haja vista que o mesmo teria alterado o fundamento e critério jurídico adotado pela Autoridade Fiscal. Enquanto esta alegou que o Recorrente teria praticado ato doloso, o acórdão recorrido fundamenta sua decisão em suposta conduta omissiva, por tolerar as práticas fiscais adotadas por outros diretores; d) uma segunda nulidade do acórdão recorrido residiria na ausência de análise dos argumentos trazidos quando da impugnação (questão temporal e incompatibilidade de suas funções com o tema tributário). 2) Gilson Christofoli Júnior, Luiz Paulo Sant´Anna e André Gimael Ferraz Os Srs. Gilson Christofoli Júnior, Luiz Paulo Sant´Anna e André Gimael Ferraz também repetem em seus recursos voluntários os mesmos argumentos já esposados na impugnação. Os seus recursos voluntários são bastante semelhantes, eis que manejados pelos Fl. 5049DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.045 11 mesmos Procuradores. Assim, faço abaixo um resumo de seus recursos de forma englobada, haja vista os argumentos principais serem comuns a todos. São eles: a) O recorrente não teria participado de quaisquer atos de gerência na área tributária da empresa fiscalizada; b) A Autoridade Fiscal e a Julgadora de 1ª instância não conseguiram demonstrar, de forma específica e individualizada qual o ato que o Recorrente teria praticado com violação à lei, estatuto, contrato social, ou com excesso de poderes (art. 135), ou o efetivo interesse comum na situação que constitua o fato gerador (art. 124); c) Cerceamento do direito de defesa, haja vista que o Recorrente não teria tido conhecimento prévio, de forma pormenorizada, das irregularidades e provas que fundamentaram a sua inclusão no pólo passivo do lançamento. Referida omissão impediria a exata identificação quanto às razões, de fato e de direito, que levaram à responsabilização solidária ora impugnada. No caso em tela, a Autoridade Fiscal, ao proceder ao lançamento, deveria ter demonstrado o ato específico e individualizável praticado pelo Recorrente que tenha violado à lei, estatuto, contrato social, excesso de poderes ou o efetivo interesse comum na situação que constitua o fato gerador, ônus do qual não teria se desincumbido; d) Na medida em que a Autoridade Fiscal não conseguiram demonstrar, de forma específica e individualizada qual o ato que o Recorrente teria praticado com violação à lei, estatuto, contrato social, ou com excesso de poderes (art. 135), ou o efetivo interesse comum na situação que constitua o fato gerador (art. 124), percebese que esta utilizouse de presunções simples para fundamentar a inclusão do Recorrente no pólo passivo da exigência. Assim, a Recorrente rechaça, veementemente, as presunções simples e impressões pessoais da Fiscalização, pois que calcada em conjunto probatório totalmente insubsistente e superficial, ignorando prova documental e a situação fática existente. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 5050DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Do mérito da autuação Conforme podemos depreender da leitura do Relatório, a matéria tributária posta em discussão é tão somente a exigência formalizada pela Autoridade Fiscal relativa a variações cambiais não oferecidas à tributação no ano calendário de 2010. Insurgese a recorrente contra a exigência alegando que a base de cálculo adotada pela Fiscalização estaria viciada, pois não teria computado os ajustes relativos aos anos calendários de 2007 e 2008. Especificamente em relação ao ano calendário de 2008, a Recorrente argui que a Fiscalização teria alterado indevidamente o critério por ela escolhido para tributar as variações cambiais (caixa). Assim, propugna pela decadência do direito do Fisco em realizar a alteração do regime de tributação por ela escolhido, além da nulidade do Auto de Infração pela inconsistência da respectiva base de cálculo adotada. Para comprovar que adotou o regime de caixa na tributação das variações cambiais no ano calendário de 2008 propõe que o processo seja baixado em diligência para a realização de perícia contábil. Creio existir razão, apenas em parte, às alegações da Recorrente. Vimos no Relatório que a Contribuinte passou a adotar o regime de competência para tributar as variações cambiais incidentes sobre seus créditos/obrigações a partir de 01/01/2011. Tal opção foi feita expressamente com a entrega da DCTF do mês de janeiro/2011, conforme dispunha a legislação aplicável. Com a mudança do regime de tributação, alguns ajustes deveriam ter sido feitos ao final do ano calendário de 2010 (período de apuração imediatamente anterior ao da mudança de critério). Tais ajustes consistem em levar a resultado as adições e exclusões realizadas nos períodos anteriores relativos à operações de crédito/obrigações tributadas pelo regime de caixa, correspondentes a operações ainda não liquidadas. Verificou a Fiscalização que a Contribuinte não procedeu conforme ditava a legislação, ou seja, não realizou os referidos ajustes, deixando de tributar os valores correspondentes. Isso é inconteste, a Recorrente em momento algum rebate esse fato. Nem poderia, pois a DIPJ/2011 aponta com evidência solar para a ausência de qualquer ajuste, seja a título de adição ou exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real. Vejam abaixo a foto da Ficha 09A da DIPJ/2011: Fl. 5051DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.046 13 Fl. 5052DF CARF MF 14 Vejam que as linhas 12, 13, 52 e 53 não foram preenchidas com nenhum valor, estão vazias. O Lalur do ano de 2010, em sua parte B, igualmente, não contém nenhuma informação sobre qualquer ajuste que teria sido realizado para tributar as receitas que eventualmente teriam tido sua tributação diferida de períodos anteriores pela adoção do regime de caixa/liquidação. Vejam a foto do Lalur/2010 abaixo (v. efls. 3.060/3.061): Fl. 5053DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.047 15 O Lalur/2010 (em suas páginas 69 e 70) reproduz os saldos apurados no Lalur 2009 relativamente às contas Variação Cambial Ativa e Passiva, evidenciando que a Contribuinte deveria ter levado a resultado, tributando, neste caso, no mínimo, a diferença entre R$203.350.804,97 e R$107.320.899,75. Mas, como vimos na DIPJ/2010, nenhum valor foi adicionado. A partir daí, a Fiscalização intimou a Contribuinte (v. efls. 1.408/1.410) a informar e esclarecer qual teria sido sua opção quanto ao reconhecimento das variações cambiais nos últimos 10 anos; também solicitou que a Recorrente demonstrasse os ajustes relacionados às variações cambiais nesse período, eventualmente realizados. Em resposta, a Recorrente limitouse a informar, em um primeiro momento, que não havia encontrado na DCTF as opções relativas aos períodos anteriores a 2011 (v. efls. 1.417). Por insistência da Fiscalização, não satisfeita com a resposta apresentada, novo esclarecimento foi feito pela Recorrente, desta feita, nos seguintes termos (v. efls. 1.594/1.598): Fl. 5054DF CARF MF 16 Juntamente com o documento acima reproduzido, foi entregue uma planilha elaborada no programa Excell (v. efls. 1.599, arquivo não paginável), onde a Contribuinte informa estar o razão contábil das contas de variações cambiais ativa e passiva desde o ano de 2007 até 2011. Também informa não reconhecer os valores lançados no Lalur/2010, às folhas 69 e 70, sugerindo que o referido Livro Fiscal deveria ser retificado, "adequando os números". Também sugere, pois não é clara sua redação, que em relação às variações cambiais acumuladas até o ano de 2010 o regime adotado teria sido o de caixa ("As cambiais acumuladas até o ano de 2010, onde o regime era caixa"). A Fiscalização não entendeu dessa forma, pois considerou que no ano calendário de 2008 a Recorrente teria adotado o regime de competência. Chegou a essa conclusão analisando a DIPJ/2009, pois àquela época não havia uma forma objetiva disponível ao Contribuinte para informar à Autoridade Fazendária a sua opção por esse regime ou aquele outro. Segundo as próprias palavras da Fiscalização, apostas no Termo de Constatação e Verificação Fiscal de efls. 1.526/1.545, havia o entendimento de que "o comportamento do sujeito passivo é que demonstraria qual sua opção. Esse comportamento implicava em verificar se o sujeito passivo realizava ajustes no lucro líquido em razão das variações cambais: todas as vezes que uma empresa efetuava exclusões na apuração do lucro líquido para determinação do lucro em razão das variações cambais ativas ele estava reconhecendo as variações cambais pelo regime de caixa, portanto, ficava obrigado a, num segundo momento, reconhecer esse ganho." Analisando a DIPJ/2009, verificou a Fiscalização (v. efls. 1.533) que: "o comportamento do sujeito passivo no ano de 2008 quando do preenchimento de sua DIPJ não deixa clara sua opção, pois houve o preenchimento da linha 12 da ficha 09A da DIPJ 2009, reconhecendo apenas as liquidações das operações sob a forma de adição. O valor do ajuste é compatível com saldo remanescente do período anterior e não houve informação de variação cambial ativa ou passiva, o que ocorria, em tese, no caso mudança de opção do reconhecimento das variações cambiais do regime de caixa para o de competência durante o ano de 2008. Tal comportamento estaria em conformidade com a Solução de Consulta COSIT n° 15/2011, que posteriormente aos fatos, veio a admitir a possibilidade da mudança de regime no curso do período com o reconhecimento dos ajustes informado na DIPJ do período em isso ocorreu. Os ajustes foram os seguintes:" Fl. 5055DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.048 17 Diante dessa conclusão, a Fiscalização entendeu que os ajustes realizados até o ano calendário de 2008 não deveriam influenciar na apuração relativa ao ano calendário de 2010, ora exigida. A questão a ser debatida e decidida por esta Turma reside justamente nesse entendimento firmado pela Fiscalização e contestado veementemente pela Contribuinte, que insiste em defender a opção pelo regime de caixa também no ano calendário de 2008. Para infirmar a conclusão adotada pela Fiscalização, a Recorrente primeiramente alega que (v. efls. 4.989): "Procedesse sua análise com mais atenção, teria a fiscalização verificado que parte dos valores de 2008 relativos à variação cambial foram incluídos na linha 39 – Outras Adições, no valor de R$ 63.020.090,60, conforme podese comprovar através dos documentos ora em anexo (DIPJ 2009, Revisão Fiscal, Re Cálculo de PPE e Lalur 2008)10. Na época, por equivoco, usouse um controle de empréstimos apenas da modalidade PPE11, sendo que tínhamos outras modalidades de empréstimos em moeda estrangeira (ACC, NCE, etc), o que se pode constatar pelas informações extraídas do razão contábil anexado, de modo que, fica evidenciado que para o AnoCalendário 2008, a Recorrente ainda continuava no regime de caixa. É neste contexto, Senhores Julgadores, que a Recorrente está anexando aos autos o SPEDECD, a fim de confirmar os dados do RAZÃO CONTÁBIL, já anexado.” Primeiramente, de se registrar que este Conselheiro não conseguiu encontrar os documentos ditos anexados ao recurso, que segundo a nota de rodapé da petição aponta para o "Doc. 5". Foi anexado ao recurso voluntário tão somente um arquivo não paginável (v. efls. 5.023) intitulado de SPEDECD. Ao tentar abrílo me deparei com um arquivo em formato texto totalmente ininteligível. Em um esforço para tentar encontrar os referidos documentos, pensei em procurar junto aos anexos apresentados com a impugnação (v. efls. 2.243/2.284). No rol de documentos anexados à impugnação consta um "Doc. 05 DIPJ 2009, Revisão Fiscal, Re Cálculo de PPE e LALUR 2008" (v. efls. 2.284). Entretanto, entre as mais de 1.600 folhas que acompanham a impugnação, não consegui encontrar o dito Doc. 05. Os referidos documentos, ou a sua falta, não irão alterar o convencimento deste julgador a respeito da matéria em apreço, mas é importante abrir esse parêntesis para alertar à Contribuinte que tal conduta poderia vir a prejudicála, pois tudo o que é alegado no recurso deve estar perfeitamente demonstrado. Voltando à alegação de que no ano calendário de 2008 a Contribuinte teria incluído na linha 39 da DIPJ Outras Adições o valor de R$ 63.020.090,60, a título de variações cambiais passivas, parecenos verossímil tal afirmação, à vista do que consta, tanto na DIPJ (v. efls. 690), quanto no Lalur/2009 apresentado pela Recorrente com a impugnação (v. efls. 2.916/2.917) e no demonstrativo constante do recurso voluntário às efls. 5.005. Senão vejamos: Fl. 5056DF CARF MF 18 Fl. 5057DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.049 19 Se isto é correto, realmente, equivocouse a Autoridade Fiscal quando inferiu que no ano calendário de 2008 a Recorrente teria adotado o regime de competência. Portanto, à vista do que consta tanto na DIPJ/2009 quanto no Lalur de 2008, creio assistir razão à Contribuinte quando alega ter adotado o regime de caixa para tributar as variações cambiais no respectivo ano calendário. Nesse diapasão, a base de cálculo da exigência deve ser ajustada no sentido de considerar no seu cômputo os valores lançados nos controles da parte B do Lalur de 2007 e 2008. Dito isto, a alegação de decadência aventada pela Recorrente perde seu objeto. Em relação aos valores que deverão compor os ajustes a serem realizados no ano calendário de 2010, uma outra questão levantada pela Recorrente merece a nossa apreciação. A Recorrente alega que tanto os Lalur quanto as DIPJs de 2007 em diante deveriam ser retificadas, pois de acordo com seus registros contábeis, sua elaboração teria se dado com alguns erros. Para tanto, propugna pela realização de perícia contábil que, em sua visão, corroboraria tal assertiva. Cita a planilha de efls. 1.599 (arquivo não paginável), que conteria o razão contábil das variações cambiais, além de outros demonstrativos constantes do mesmo arquivo, que apontariam os valores corretos a serem considerados na apuração dos ajustes a serem feitos no ano calendário de 2010, a partir do qual teria optado pelo regime de competência. Segundo seus cálculos, os valores corretos para o ano calendário de 2008 seriam os seguintes (v. efls. 4.991 do Recurso Voluntário): Neste ponto, não posso concordar com a Recorrente. Vimos que a Fiscalização apontou uma adição de R$27.164.060,34; a Recorrente alega que além desse valor, também teria adicionado R$63.020.090,60, o que este Conselheiro acatou como plausível; mas a Recorrente vai mais além, arguindo que, na realidade, o valor correto a ser adicionado no período FOI de R$136.050.141,75, conforme seus registros contábeis. Fl. 5058DF CARF MF 20 Primeiramente, ressaltese que não foi realizada nenhuma adição na DIPJ/2009 nestes termos. Se a Recorrente tivesse feito a referida adição, nos valor de R$136.050.141,75, o resultado fiscal do período teria sido um prejuízo de R$60.446.882,06, e não os R$150.631.033,00 inicialmente apurados. Não consta dos autos a apresentação de declaração retificadora nesse sentido. Também é relevante a informação de que esse prejuízo de R$150.631.033,00 foi aproveitado em grande parte por ocasião do parcelamento especial instituído pela Lei 11.941/2009 (no importe de R$93.495.344,60, vide SAPLI acostado às efls. 1.478). Ou seja, o prejuízo fiscal porventura apurado de acordo com os novos cálculos da Recorrente não seria suficiente para fazer frente aos valores aproveitados no parcelamento especial. A Recorrente argumenta que a Fiscalização não poderia ter alterado o critério de tributação das variações cambiais no ano calendário de 2008, de caixa para competência, haja vista, ao seu ver, ter ocorrido a decadência nos termos dos arts. 150 e 173, I, do CTN. No presente caso, o raciocínio deveria ser o mesmo, pois não há que se falar em retificação do lançamento após decorridos os prazos decadenciais, mormente quando tais alterações influenciam apurações fiscais de períodos futuros. Ademais os valores constantes das planilhas apresentadas pela Recorrente e que seriam representativas do Razão das contas de variações cambiais não são coincidentes com os apresentados acima pela Recorrente, senão vejamos: a) Na planilha intitulada "RAZÃO VARIAÇÃO CAMBIAL 2007_2011", aba ADIÇÃO EXCLUSÃO cambiais consta o seguinte: ANO 2008 ‐ caixa Adição variação cambial passiva ‐ competência 201.469.159,40 variação cambial ativa ‐ caixa (cliente e outros) 11.142.331,19 variação cambial ativa ‐ caixa (emprestimos) 15.967.645,68 228.579.136,27 Exclusão variação cambial ativa ‐ competência ‐ 81.446.701,60 variação cambial passiva ‐ caixa (clientes e outros) ‐ 3.927.680,87 variação cambial passiva ‐ caixa (emprestimos) ‐ 5.169.749,22 ‐ 90.544.131,69 total geral liquido 138.035.004,58 Notem que o total geral líquido das variações cambiais do período apurado na planilha importou em R$138.035.004,58, enquanto que no recurso voluntário, conforme vimos acima, consta o valor de R$136.050.141,75 como o correto. b) A aba intitulada "razão VC 2008", apresenta como "VARIAÇÃO CAMBIAL LÍQUIDA ANO 2008" o valor de R$112.807.807,48. Referido valor é obtido pela subtração dos valores "TOTAL LÍQUIDA COMPETÊNCIA", de R$120.022.457,80, e "TOTAL LÍQUIDA CAIXA", de R$7.214.650,32. O primeiro valor, de R$120.022.457,80, bate com a planilha anterior e resulta da subtração entre R$201.469.159,40 e R$81.446.701,60. Já o segundo valor, de R$7.214.650,32, não encontra correspondência entre os valores Fl. 5059DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.050 21 apontados para as diferenças entre as variações cambiais ativas e passivas caixa que, segundo a planilha anterior, importariam em R$18.012.546,78. O próprio total geral líquido apurado na planilha anterior, de R$138.035.004,58, é bem diferente do apurado no Razão, que importou em R$112.807.807,48. Poderíamos ir mais além em nossa análise, mas creio que as inconsistências apontadas acima são suficientes para desacreditar a argumentação da Recorrente de que, em conformidade com seus registros contábeis, os valores relativos aos ajustes de variações cambiais do período de 2007 a 2011 deveriam ser retificados. Sob o mesmo argumento, não creio ser necessário qualquer tipo de perícia contábil, mormente quando o documento principal a embasála encontrase maculado com tantas inconsistências internas e conflitantes. Perfeita a conclusão a que chegou o acórdão recorrido a respeito da matéria (v. efls. 4.758): Somente agora, na fase impugnatória é que pretende que sejam aceitos os valores que alega serem relativos às variações cambiais ativa e passiva. Segundo o art. 147, já mencionado, somente seriam aceitáveis tais alterações informadas na impugnação se fossem comprovadas com documentação hábil. Assim, o ônus da prova recai sobre a contribuinte que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato alegado. O PAF dispõe em seu art. 16, III, que devem ser apresentados na impugnação os documentos e provas que a impugnante possuir, que possam influir na solução do litígio. E o Código de Processo Civil (CPC), determina em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Foram juntados ao processo, na fase impugnatória, o Lalur do AC 2007, demonstrações financeiras (fls.2403 a 2679), “Revisão DIPJ AC 2007” (fls.2682 a 2687), DIPJ e DCTF AC 2007, balancete anual 2008 (fls. 2798 a 2806), Demonstrativos da variação cambial ACC e PPE em 2006, 2007 e 2008 (fls. 2850 a 2854), Lalur de AC 2008 (fls.2855 a 2920), Lalur de AC 2009 (fls. 2922 a 2991), 2010 (fls. 2992 a 3072) e 2011 (fls.3073 a 3141), Razão das contas Variação Cambial Ativa e Variação Cambial Passiva (fls. 3142 a 3165). Quanto ao Lalur, cabe ressaltar que não foi apresentado à fiscalização o livro referente ao AC de 2008; o livro relativo aos anoscalendário de 2010 e 2011 não possuía a assinatura do representante da contribuinte e o fisco constatou que aquele relativo a 2010 não possuía as folhas 69 e 70, referentes justamente à variação cambial ativa e passiva. Sendo intimada, a contribuinte alegou que desconhecia a origem dos valores presentes nas citadas folhas, devido à mudança de gestão e que as informações dessas folhas deveriam ser objeto de retificação. Vêse, assim, que não havia confiabilidade nos valores constantes no Lalur apresentado à fiscalização. Posteriormente, a contribuinte encaminhou apenas um CD contendo o arquivo “Variação Cambial Ativa e Passiva.xlsx” e informou que nesse arquivo estaria o razão contábil das contas de variação cambial de 2007 até 2011. Constatouse que Fl. 5060DF CARF MF 22 tais arquivos são planilhas contendo as variações cambiais ativas e passivas relativas aos citados anoscalendário, nas quais a maior diferença é referente ao anocalendário de 2008, em que não se efetuou uma adição de R$ 138.035.004,58 na DIPJ. Tais demonstrativos não são hábeis para comprovar as adições de R$ 201.469.159,40 e R$ 63.020.090,60 e as exclusões de R$ 81.446.701,6 e R$ 11.082.292,92, que se pretende sejam aceitas no anocalendário de 2008. Tampouco para comprovar o alegado saldo a tributar no anocalendário de 2010. Como vimos, os tais demonstrativos, efetivamente, não são hábeis para comprovar as adições pretendidas em relação ao ano calendário de 2008. Por todos os motivos elencados, rejeito o pedido de perícia contábil, haja vista sua desnecessidade ao caso em apreço. Decidindo dessa forma, de maneira alguma estou desconsiderando o princípio da verdade material. Ao contrário, se tivesse alguma dúvida a respeito dos fatos alegados, não hesitaria em propor baixar o processo em diligência para saneamento. Ocorre que, aliada à inviabilidade de corrigir tais valores a destempo, verificamos que os documentos juntados aos autos estão eivados de erros e contradições quanto aos números que se pretende corrigir, levando este julgador a não ter dúvidas quanto à inconsistência das alegações da Recorrente. Se a Contribuinte não consegue obter coerência interna em seus próprios demonstrativos, reputo contraproducente arrastar por mais tempo a resolução da lide. Também devem ser rechaçadas as alegações de nulidade do lançamento pela ocorrência de erro na apuração da base de cálculo. Em regra, eventuais erros cometidos pela Autoridade Fiscal na determinação da base de cálculo não ensejam nulidade, podendo ser corrigidos no decorrer do processo tributário, desde que tais correções não impliquem em agravamento da exigência ou sejam tais que descaracterizem por completo a mesma, a exemplo da mudança de critério jurídico do lançamento. Sobre o assunto poderia colacionar uma infinidade de precedentes deste Tribunal, mas resolvi prestigiar o Ilustre Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, componente desta Turma, que no Acórdão nº 1401002.286, de 14/02/2018, assim se manifestou: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE POR ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O erro de apuração de base de cálculo dos tributos lançados, e corrigidos durante a fase processual, não inviabilizam o processo administrativo fiscal a ponto de causar sua nulidade ou improcedência, por se tratar de mero erro material. Assim, rejeito as arguições de nulidade do Auto de Infração em decorrência de erro na apuração da base de cálculo. Também não deve ser levado em consideração o pedido da Recorrente para que se declare a nulidade da decisão recorrida, por falta de apreciação de "prova constante dos autos". O julgador tem a prerrogativa de apreciar os fatos em conformidade com o direito levando em conta sua livre convicção a respeito das provas colacionadas. No caso, entendeu que os fatos alegados pela Recorrente não estavam suficientemente provados. Isso, de maneira nenhuma é causa de nulidade, razão pela qual também rejeito tal assertiva. Fl. 5061DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.051 23 Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário no que diz respeito ao mérito da autuação, determinando sejam computados os ajustes de variações cambiais incorridas nos anos calendários de 2007 e 2008 na apuração da base de cálculo do tributo devido em 2010. Esses valores são os seguintes, segundo as respectivas DIPJs: 1) Ano Calendário de 2007 Somatório das Adições : R$8.803.825,36 Somatório das Exclusões: R$36.554.612,11 2) Ano Calendário de 2008 Somatório das Adições : R$90.184.150,94 Somatório das Exclusões: zero Portanto, a base de cálculo deverá ser reduzida em R$62.433.364,19, o que faz com que seu valor seja ajustado para R$94.113.158,90. Para constar, existe uma pequena diferença entre os valores constantes da DIPJ/2010 e o LALUR deste período (AC 2009). Essa diferença é da ordem de 1,2%. Assim, adotei os valores constantes da DIPJ, seguindo o mesmo critério adotado pela Fiscalização. Se tivesse adotado os valores constantes do LALUR, pois são ligeiramente diferentes, a base de cálculo seria majorada em 2% (seria de R$96.030.005,22). O mesmo raciocínio até aqui utilizado em relação ao IRPJ deve ser adotado em relação à CSLL, por decorrência lógica, em face da estreita relação de causa e efeito. Da Qualificação e do Agravamento da Multa de Ofício A Multa de ofício foi qualificada e também agravada pela Fiscalização, elevando o seu valor para 225%. A Fiscalização fundamentou a qualificação da multa no fato de ter recebido o LALUR/2010 da Contribuinte com algumas folhas faltando, justamente as folhas do livro que revelavam a existência de saldos de variações cambiais que não haviam sido objeto de oferecimento à tributação por conta da mudança do regime de apuração (de caixa para competência) em 2011. Além disso, o LALUR/2011 apresentado à Fiscalização teria suprimido os saldos controlados na sua parte B, relativos às variações cambiais apuradas até 31/12/2010 e que constavam do LALUR desse período. Sobre esse fato assim manifestouse a Fiscalização (v. efls. 1.543): Qualquer “homemmédio” seria capaz de vislumbrar nos fatos descritos acima que houve intenção de ocultar da fiscalização valores que deveriam afetar o resultado do exercício de 2011, anocalendário de 2010, portanto, não é crível que se trate de mera coincidência. Fl. 5062DF CARF MF 24 Também alega que a falta de assinatura dos representantes legais no LALUR denotaria a intenção dolosa de ocultar os verdadeiros responsáveis pela prática dos atos que deram origem à redução do montante devido de tributo. Também informa a Fiscalização a diferença de assinaturas apostas no LALUR 2011 entregue no início da ação fiscal em relação àquele entregue em atendimento ao Termo de Intimação 001, cuja resposta foi datada de 19/08/2015. Já a Recorrente, em sua defesa, alega o seguinte, em relação a cada um dos fundamentos adotados pela Fiscalização para embasar a qualificação da multa (v. efls. 5009 e ss): 1) Em relação à falta de assinatura dos livros: Senhores Julgadores, o descumprimento de uma formalidade como assinatura pelo representante legal, por certo, não pode ser caracterizada como ação ou omissão dolosa com o intuito de fraudar ou sonegar tributos, sendo que não pode, de forma alguma, balizar a qualificação da multa de ofício! 2) A diferença entre os livros entregues no início da ação fiscal e em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 001: Novamente não merece prosperar os argumentos da Fiscalização. Furtouse a Fiscalização de esclarecer o que a Recorrente havia lhe informado. A confecção do LALUR para entrega à Fiscalização se deu pelo fato de que a contabilidade da empresa estava equivocada em alguns pontos, impondo a recomposição dos números para o correto repasse à fiscalização. O novo LALUR de forma alguma serviu como forma de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou a modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Senhores Julgadores, com a devida vênia ao entendimento eleito pelo Senhor Auditor Fiscal, a documentação da empresa deve ser analisada de forma conjunta, ou seja, não basta a Fiscalização apontar problemas com o LALUR 2011 da empresa, desconsiderando que lhe foi disponibilizado o LALUR 2010, por exemplo, o qual serviu de base para o lançamento ora combatido. 3) LALUR 2011 sem a escrituração dos saldos de períodos anteriores: Mais uma vez, a Fiscalização entende haver “indícios”, sem, contudo, comprovar cabalmente a ocorrência de dolo por parte do Contribuinte, tendente à realização de sonegação, fraude e/ou conluio, conforme preconizado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 6.404/1964. A não inclusão das variações cambiais ativas e passivas na Parte B do LALUR 2011, ainda que estas estivessem no LALUR 2010, não é comprovação de ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado, mas simplesmente a comprovação de que os registros da Recorrente continham vícios que impunham a sua recomposição. A Recorrente contabilizou regularmente todas as operações. Foi na contabilidade a partir das declarações da Recorrente que a Fiscalização apurou as irregularidades que lhe imputa, sem, contudo, aprofundar na análise de seus registros contábeis. Desde o primeiro atendimento à Fiscalização o contribuinte foi transparente e coerente em seus esclarecimentos, sobretudo no que diz respeito a seu entendimento quanto ao amparo legal para seus procedimentos. Fl. 5063DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.052 25 Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere ilegal, ensejando o lançamento de ofício, certamente não pode ser considerado como motivo para qualificação da multa. Repetese: foi a partir dos registros e operações da empresa que a fiscalização tomou conhecimento dos fatos e realizou o lançamento do crédito tributário ora combatido, sendo certo que, tivesse agido dolosamente, com o intuito de fraude, sonegação e conluio, não haveria escriturado as variações cambiais nos termos da legislação, quando da alteração de regime de caixa para regime de competência. Por fim, apenas para que não pairem dúvidas acerca da não comprovação por parte da Fiscalização da existência de ação ou omissão dolosa por parte do Contribuinte, com evidente intuído de sonegação, fraude ou conluio, extraise excerto do Termo de Constatação e Verificação Fiscal em que o Senhor Fiscal consigna: “Consoante se pode inferir dos elementos indiciários apontados acima, o sujeito passivo, em tese, agiu com dolo para obter vantagem ilícita de deixar de pagar tributo que deveria ter sido apurado no encerramento do exercício de 2010, conforme restou demonstrado nesse Termo, razão pela qual a multa de ofício deve ser duplicada, nos termos do disposto no art. 44, inciso I e parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996, com redação da Lei nº 11.488/2007.”. Ora, Senhores Julgadores, no lançamento do crédito tributário, atividade plenamente vinculada à Administração Pública, sobretudo, no caso ora em análise, de lançamento de multa de ofício qualificada, NÃO HÁ LUGAR PARA DÚVIDAS, MUITO MENOS TESES NASCIDAS DE PRESUNÇÕES SIMPLES DO SENHOR FISCAL, desrespeitando a necessidade de comprovação da conduta dolosa, requisito absolutamente necessário à qualificação da multa de ofício, em respeito ao disposto no § 1º do Artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 e nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A decisão recorrida assim se manifestou: Temse, assim, que não foi somente pelo descumprimento de uma formalidade que se aplicou a multa de 150%. Mas sim o fato de a contribuinte ter alterado os valores inicialmente registrados no livro Lalur, com a intenção de ocultar do fisco os reais valores das variações cambiais a tributar em 31/12/2010 e reduzir o seu resultado tributável. Nesse sentido, restou comprovada a atuação da interessada com dolo no sentido de dificultar que fosse descoberto a ocorrência dos fatos geradores dos tributos e contribuições. Neste ponto assiste razão à Recorrente. Não vislumbro a existência de dolo de fraudar pela apresentação do LALUR sem a assinatura. Tal situação revestese, isso sim, de vício formal da escrituração, mas daí depreenderse que tal situação visa à fraude vai uma distância muito grande. Também a entrega do LALUR 2008 com folhas faltantes não pode induzir à ocorrência de fraude, mesmo porque, ao identificar tal situação e questionar a contadora a respeito, a Fiscalização recebeu o arquivo digital do LALUR completo. Fl. 5064DF CARF MF 26 Também não creio que o fato de os saldos das variações cambiais terem "desaparecido" do LALUR 2011 tenha o condão de evidenciar o dolo de esconder da Autoridade Fiscal a ocorrência do fato gerador do tributo incidente em 2010. Entendo que tais saldos não deveriam estar mesmo no LALUR 2011, haja vista que deveriam ter sido baixados e tributados no ano imediatamente anterior (2010), constando a respectiva escrituração desse ajuste no LALUR do período correspondente, o que vimos, não ocorreu. Assim, por todo o exposto, opino pelo afastamento da qualificação da multa de ofício. Em relação à multa agravada, assim se manifestou a Fiscalização: Assim como existe previsão para se qualificar a multa em caso de ocorrência, em tese, de sonegação, fraude ou conluio, a norma tributária de caráter sancionatório prevê o agravamento da pena quando o sujeito passivo deixa de apresentar esclarecimentos DENTRO DO PRAZO para os pedidos feitos pela fiscalização. Transcrevese a norma do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, com redação da Lei n° 11.488/2007: (...) Os prazos fixados pela fiscalização não são aleatórios, mas tem como referência o disposto no Decreto n° 7.475/2011, que seu artigo 34 prescreve a concessão de prazo de 20 dias para apresentar informações e documentos, sendo esse prazo de 5 dias úteis quando as informações e documentos digam respeito a fatos registrados na escrita contábil ou fiscal ou em declarações apresentadas. No caso, foi concedido ao sujeito passivo o prazo de 20 dias (10 dias, prorrogados por mais 10) para esclarecer quando foi oferecida à tributação as variações cambais constantes das folhas 69 e 70 do LALUR 2010 (folhas que foram omitidas na confecção do livro em meio físico entregue à fiscalização). Portanto, tratase de informação constante de seu LALUR, aplicável, portanto, o prazo de 5 dias úteis, contudo, para que o sujeito passivo não viesse a alegar a exiguidade do prazo em sua defesa, foi concedido 10 dias (uma praxe da fiscalização) sendolhe concedida prorrogação de prazo por mais 10 dias, conforme Termo Genérico do qual o sujeito passivo tomou ciência em 03/11/2015 e no qual restou consignada a data do final do prazo para atendimento à fiscalização (09/11/2015) e o motivo do indeferimento do infundado pedido de prorrogação de prazo por mais 30 dias. O item do Termo de Intimação Fiscal 003 que deixou de ser atendido tem a seguinte redação: 3. ESCLARECER a razão pela qual as folhas 69 e 70 do LALUR 2010 não foram encadernadas no livro apresentado à fiscalização e INFORMAR quando foram oferecidos à tributação os ajustes relativos às variações cambiais ativas e passivas realizadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL que constam do arquivo em formato “pdf” do LALUR relativo ao anocalendários de 2010 e DEMONSTRAR o que vier a ser alegado mediante a apresentação de documentos. A resposta do sujeito passivo foi intempestiva (encaminhou documentos por via postal em 26/11/2015) e nela não constou nenhuma informação sobre o momento em que as variações cambais em montante superior a R$ 100 milhões foi tributada. O que se viu na resposta apresentada foi uma tentativa de induzir a fiscalização a acreditar que no ano 2008 o sujeito passivo teria optado por tributar as variações cambais pelo regime de caixa, pois nesse período as variações monetárias decorrentes do câmbio resultaram em receitas de R$ 138.035.004,58 (segundo Fl. 5065DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.053 27 planilha apresentada) e se esse valor tivesse sido adicionado ao resultado daquele período, em 2010 seria necessário reduzir o saldo em igual montante. Tal indicação ainda importaria em reconhecer que o sujeito passivo deixou de tributar os R$ 138.035.004,58 em 2008, o que, caso fosse possível, reduziria seu prejuízo apurado no dito período de R$ 150.631.033,00 para R$ 12.596.028,42 e, consequentemente, comprometeria substancialmente o montante de R$ 93.495.344,60 que foi aproveitado para reduzir as dívidas parceladas no âmbito da MP 470/2009 (Lei n° 12.249/2010). Como não houve a adição cabível em 2008 caso se tivesse adotado o regime de caixa para o reconhecimento das variações cambais, a indicação apresentada na planilha revelase infundada e ilógica. Concluise que o sujeito passivo não atendeu ao que lhe foi requerido no item 3 do Termo de Intimação Fiscal dentro do prazo que lhe foi concedido, sendo aplicável o agravamento da multa nos termos previstos no artigo 44, inciso I, parágrafo 2°, da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 11.488/200 7. Em seu recurso, a Contribuinte aduziu o seguinte: É incontestável que a Fiscalização recebeu e analisou todos os documentos e informações solicitados à Recorrente, de modo que não houve qualquer prejuízo à atividade fiscalizatória. A aplicação da multa de ofício agravada decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por NÃO ATENDIMENTO pelo sujeito passivo de intimação para prestar esclarecimentos, apresentar arquivos e/ou apresentar documentação técnica. Ou seja, é facultado à autoridade fiscalizadora o agravamento da multa nos casos em que intime o contribuinte e este, de forma desidiosa, deixe de prestar os esclarecimentos e trazer os documentos solicitados, de forma à prejudicar o andamento da fiscalização e o atividade da Autoridade Administrativa de lançamento do crédito tributário – O QUE NÃO OCORREU NO CASO EM APREÇO. É importante que fique claro, Senhores Julgadores, que a Recorrente atendeu e respondeu à TODAS as solicitações fiscais, jamais causando embaraço ou dificuldades à fiscalização, que sempre teve amplo acesso às suas instalações, não havendo com ser legitimada a incidência de multa de ofício agravada. Não é demais lembrar que a multa agravada é medida extremada que deve ser aplicada com cautela, somente quando o contribuinte de fato causar embaraços ou dificuldades à Fiscalização. Como se demonstrou no transcorrer do processo, a Recorrente não apresentou qualquer conduta que embaraçasse ou dificultasse o procedimento de fiscalização, o que é comprovado pela farta documentação que acompanha o lançamento do crédito ora combatido, em que se demonstra o cumprimento pela Recorrente de TODAS as intimações, permitindo à Fiscalização o conhecimento de todas as operações da empresa. A DRJ assim se manifestou: A contribuinte foi intimada e não atendeu, no prazo marcado, a solicitação feita no item 3 do Termo de Intimação Fiscal nº 003, não apresentando nenhuma informação Fl. 5066DF CARF MF 28 sobre o momento em que as variações cambiais em montante superior a R$ 100 milhões foram tributadas. Segundo o autuante: (...) Diante do exposto, mantémse a multa agravada. A multa de ofício foi agravada pela Autoridade Fiscal em função de a Recorrente ter respondido, apenas em parte, e intempestivamente, ao exigido através do Termo de Intimação Fiscal nº 003. O item não respondido da referida intimação diz respeito ao questionamento feito pela Autoridade Fiscal a respeito do momento ou época em que teriam sido oferecidos à tributação os ajustes relativos às variações cambiais ativas e passivas referentes ao ano calendário de 2010. Como a Contribuinte não respondeu objetivamente a esse questionamento, a Fiscalização entendeu que seria cabível a imputação de agravamento à multa de ofício, nos termos do art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; De fato, a redação da norma é objetiva. Assim, se déssemos uma interpretação literal aos seus termos, a conclusão óbvia seria de que em não sendo prestados os esclarecimentos requeridos pela Autoridade Fiscal ao sujeito passivo, aplicarseia o agravamento da multa. Contudo, não creio que essa seja a melhor interpretação para o referido dispositivo. Imaginemos o caso de intimação em que a Autoridade Fiscal requeira do Contribuinte a comprovação de determinada despesa, com a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. Se por acaso o Contribuinte não responder à Intimação nos termos em que exarada, a consequência lógica de tal conduta seria a glosa das respectivas despesas, pura e simples, sem que a multa tivesse que ser agravada. Isso porque no exemplo colocado não teria havido nenhum prejuízo ou embaraço à atividade fiscal. Penso que é justamente o caso dos autos. Verificando não ter resposta plausível para justificar a sua omissão em tributar as variações cambiais no período de apuração objeto do procedimento fiscal, a Contribuinte quedouse inerte, o que levou a Fiscalização a concluir, com absoluta coerência lógica, que tais valores não teriam sido tributados. De se notar que a conduta apontada pela Fiscalização resumese a esse único episódio. Assim, se o silêncio do contribuinte não impede que a autoridade fiscal chegue no resultado que chegaria nem obstaculiza ou dificulta o procedimento fiscal, entendo descabido o agravamento da multa. Fl. 5067DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.054 29 Assim, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte neste ponto. Dos Responsáveis Solidários Além de autuar a Contribuinte, a Autoridade Fiscal arrolou os seus diretores à época dos fatos como responsáveis tributários pelo crédito tributário. São eles os Srs. Gilson Christofoli Júnior, Luiz Paulo Sant´Anna e André Gimael Ferraz e Rui Marcelo Ré. Os respectivos Termos de Responsabilidade Tributária estão acostados aos autos às efls. 1.574/1.588 e a fundamentação fática e legal para suas respectivas lavraturas consta do Auto de Infração às efls. 1.549/1.550. Abaixo reproduzo os termos em que a Autoridade Fiscal imputou a Responsabilidade Tributárias aos diretores da empresa fiscalizada: Fl. 5068DF CARF MF 30 Os Recursos dos apontados como Responsáveis Tributários são bastantes semelhantes, contendo alegações que são comuns. As principais são as seguintes: a) Alguns não eram mais diretores da RENUKA à época dos Fatos Geradores; b) o cargo exercido por alguns (p.ex.: Diretor de Relações com o Mercado, Diretor Industrial, Diretor Agrícola) abrange funções totalmente estranhas e dissociadas da apuração de tributos, razão pela qual não teriam eles participado de quaisquer atos de gerência na área tributária da empresa fiscalizada; c) A Autoridade Fiscal e a Julgadora de 1ª instância não teriam conseguido demonstrar, de forma específica e individualizada qual o ato que os Recorrentes teriam praticado com violação à lei, estatuto, contrato social, ou com excesso de poderes (art. 135), ou o efetivo interesse comum na situação que constitua o fato gerador (art. 124); c) Cerceamento do direito de defesa, haja vista que os Recorrentes não teriam tido conhecimento prévio, de forma pormenorizada, das irregularidades e provas que fundamentaram a sua inclusão no pólo passivo do lançamento. Referida omissão impediria a exata identificação quanto às razões, de fato e de direito, que levaram à responsabilização solidária ora impugnada. No caso em tela, a Autoridade Fiscal, ao proceder ao lançamento, deveria ter demonstrado o ato específico e individualizável praticado pelos Recorrentes que tenha violado à lei, estatuto, contrato social, excesso de poderes ou o efetivo interesse comum na situação que constitua o fato gerador, ônus do qual não teria se desincumbido; d) Na medida em que a Autoridade Fiscal não conseguiram demonstrar, de forma específica e individualizada qual o ato que o Recorrente teria praticado com violação à lei, estatuto, contrato social, ou com excesso de poderes (art. 135), ou o efetivo interesse Fl. 5069DF CARF MF Processo nº 10314.725309/201511 Acórdão n.º 1401002.548 S1C4T1 Fl. 5.055 31 comum na situação que constitua o fato gerador (art. 124), percebese que esta utilizouse de presunções simples para fundamentar a inclusão dos Recorrentes no pólo passivo da exigência. A decisão recorrida assim se manifestou acerca da matéria (v. efls. 4.762): Assim, está correta a lavratura dos autos de infração em nome dos diretores e deve ser reconhecida a obrigação solidária deles no período de sua administração, gestão ou representação, pois agiram de forma irregular na administração da sociedade, à margem da legalidade, se não praticando diretamente, mas tolerando (culpa in vigilando) a prática de ato irregular, deixando de oferecer à tributação a variação cambial devida nos termos da legislação tributária, não zelando pelo recolhimento dos tributos. Como é cediço nesta Turma, para se caracterizar a responsabilidade solidária fazse necessário a individualização do ato praticado pelo apontado como responsável a fim de possibilitar o respectivo enquadramento. Não é o caso dos autos. No presente caso, o simples fato de os responsáveis imputados terem sido diretores da empresa, não pode implicar, via de regra, na automática solidarização destes. E foi isso justamente que a Autoridade Fiscal fez. Imputou a Responsabilidade Tributária aos Recorrentes pelo simples fato de ocuparem postos de direção na empresa autuada. Também considero descabida a fundamentação adotada pela DRJ/RPO para justificar a manutenção do lançamento, calcada na suposta tolerância ou omissão dos diretores às ações que levaram a empresa a infringir a legislação tributária. A conduta dolosa tem de ser detalhada e individualizada aos agentes que praticaram o ato delitivo. Não cabe, em casos tais, dolo eventual ou omissão dolosa. Por esses motivos, dou provimento ao recurso de todos os apontados como responsáveis solidários. Por todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário da Contribuinte RENUKA DO BRASIL S/A, determinando seja reduzida a base de cálculo da autuação, nos termos do voto condutor, e afastada a qualificação e o agravamento da multa de ofício. Com relação aos apontados como responsáveis solidários, voto por dar provimento aos respectivos recursos para afastálos do pólo passivo da exigência. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 5070DF CARF MF
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