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Numero do processo: 10209.000558/2002-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/05/1998
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - PREFERÊNCIA TARIFÁRIA - ALADI.
Documentação correspondente à fatura comercial e a Certificado de Origem, desatendem as normas de origem estatuídas na legislação pertinente. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-003.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos de votar.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Documentação correspondente à fatura comercial e a Certificado de Origem, desatendem as normas de origem estatuídas na legislação pertinente. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declararamse impedidos de votar. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 05 58 /2 00 2- 82 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Em Recurso Especial de fls.164/211, admitido pelo Despacho nº 1.549 de fl.217/220, insurgese a Contribuinte contra o Acórdão nº 30134.086, fls. 138/146, que decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a multa de ofício. O Acórdão traz a seguinte ementa: Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — PREFERÊNCIA TARIFÁRIA — TRIANGULAÇÃO COMERCIAL — NECESSIDADE DE PROVA — Em operações internacionais de triangulação comercial, cuja origem do produto importado está certificada para os fins de atendimento de Acordo de preferência tarifária, é imprescindível a demonstração documental da vinculação das operações, ainda que a mercadoria seja remetida diretamente, e que a intervenção de terceiro pais não desfigure a origem. O requisito formal é imprescindível para comprovação e lastro da origem, conforme norma internacional. MULTA DE OFÍCIO — PREFERÊNCIA TARIFÁRIA SOLICITADA NO DESPACHO ADUANEIRO. Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importação, de reconhecimento de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou má fé por parte do declarante. RECURSO PROVIDO EM PARTE Relatório O presente processo referese a importação de petróleo sob os fundamentos contidos em acordo de redução tarifária no âmbito da ALADI. A ora Recorrente afirma que adquire os produtos diretamente de fornecedores aderentes a acordo tarifário com transporte direto para o Brasil e com prazo de pagamento de até trinta dias e justifica a operacionalização de triangulação com base em interesses vitais da economia do País em face do elevado volume de divisas necessárias ao pagamento do preço através de revenda a uma sua subsidiária integral qu conta com fontes alternativas de captação financeira no exterior, que propicia a recompra com maior prazo de pagamento . A partir desses aspectos, continua, surgiram dúvidas conceituais na Alfândega do Porto de BelémPA em razão da existência dessas revendas e recompras que estariam fora da regras do acordo tarifário ocasionando a perda da redução . Alega que aquela Alfândega também vislumbrou divergências entre várias faturas e certificados de origem e ainda que o SISCOMEX não tem campo próprio e não aceita o registro do ciclo de produção Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000558/200282 Acórdão n.º 9303003.060 CSRFT3 Fl. 279 3 ou da cadeia dominical/comercial das mercadorias, mesmo assim, todas essas faturas foram apresentas tão logo solicitado. Alega que várias são as intercorrências que levam à nulidade da exação, a saber: a) desconsiderado a clara dicção legal do acordo, que sem dúvida acolhe operações desse tipo, com exportação direta da origem para o destino final (Resolução 78); b) ignorado alteração nele procedida (pela Resolução 232) exata e especificamente para consagrar de modo expresso tal permissão anterior, a que operador do país venda para o importador de país signatário, emitindo a respectiva fatura que acobertará a importação; c) claramente contrariada orientação sistêmica do órgão central da S. R. F. – a NOTA COANA/COLAD/DITEG N°60197 no sentido do enquadramento normal desse tipo de operação nos acordos tarifários da ALADI e MERCOSUL; d) investido contra a segurança jurídica do contribuinte (arts.100, parágrafo único, 112 e 146 do CTN) e os princípios da aplicação da lei tributária (art.106,1, e II alínea "b", do CTN); e) descumprido procedimento determinado no Acordo (a consulta ao país exportador de origem art. dez da Resolução 78), prévio à rejeição de certificados de origem; f) fundado em argumentos que colidem com os termos na própria revisão estipulados, quanto à documentação apresentada. g) a apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no Regime Geral de origem da ALADI. h) a preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica, ACE27, depende especialmente do transporte direto do país de origem até o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro país, associado ou não à ALADI. Alega ainda que é incontroversa a origem da mercadoria, que em nenhum momento foi contestada a validade do Certificado de Origem emitido pela PDVSA, que esse documento está acompanhado da fatura do país interveniente e do Conhecimento de Embarque e que, meras formalidades documentais não são hábeis para excluir direito a benefício tarifário firmado em acordos internacionais. Quanto à alegação de que a negativa de fruição do benefício tarifário sob o fundamento de não ser acostada aos autos a invoice da Petrobras Holding não leva em consideração que o único requisito para tal fim é a comprovação da origem da mercadoria, fato incontroverso nos autos. Afirma que o acórdão ignorou o certificado de origem e o comando do art. 1º do Acordo 91 da ALADI que reverbera “ A descrição dos produtos incluídos na Declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições em vigor deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 com a ALADI, e com a constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro”, já que a PETROBRÁS cumpriu as exigências e os documentos acostados ao autos comprovam que nenhuma irregularidade ocorreu. Rebate a afirmativa constante do acórdão de que houve duas importações em razão de haverem duas faturas uma da PDVSA e outra da PIFCO isto porque além do certificado de origem não contestado, comprovar a origem venezuelana da mercadoria, a Ilhas Cayman, onde foi emitida a fatura da PIFCO não é produtora de petróleo e seus derivados sendo impossível uma importação nessas condições. Discorre sobre outros aspectos relevantes ao assunto destacando a comprovação da origem e inexistência de dispositivo legal que imponha a perda da redução tarifária. Traz à colação a inteligência do art. 112 do CTN Contrarrazões da Fazenda Nacional, às fls. 222/243, onde inicia por argumentar pela intempestividade do Recurso cujo argumento para a ultrapassagem do prazo foi o de que o último dia coincidiu com ausência de expediente na repartição pública respectiva em razão de feriado no Estado do Paraná. Pede a recorrida a não admissibilidade do Recurso Especial da Contribuinte, seja em face de sua intempestividade, seja em face da ausência de caracterização da divergência jurisprudencial, nos moldes do art. 7° do RICSRF uma vez que, defende, serem as mesmas, as teses jurídicas perfilhadas pelo acórdão recorrido e pelos arestos declinados como paradigmas, Destaca que a fiscalização concluiu, após verificar que se tratava de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e uma sediada nas Ilhas Cayman, que não havia como sujeito passivo invocar a redução tarifária prevista e os acordos firmados no âmbito da ALADI. Alega também que o Certificado de Origem menciona a fatura comercial de nº 367220 expedida pela PDVSA S/A não fazendo referência à fatura emitida pela PIFCO e nem à existência de um terceiro país exportador. Esclarece ainda que o Conhecimento de Embarque (Bill of Landing) não foi emitido em nome da PIFCO, mas sim no da PETROBRÁS e, posteriormente foi endossado para a PIFCO e depois novamente endossado por essa para a PETROBRÁS, doc. fl. 22 e verso, ficando comprovado uma operação triangular envolvendo além de duas empresas de países membros da ALADI uma terceira empresa Continua argumentando que o Certificado de Origem não informa no campo 10 – OBSERVAÇÕES, sobre a participação de um operador de um terceiro país, além do mais, continua, o número da fatura comercial 36.7220 da PDVSA no campo reservado a declaração de origem difere da fatura que instrui a DI (PIFSB – 6598), ficando ausente, portanto a indicação da fatura emitida pela PFICO e no caso de não ser a mesma conhecida o importador deveria ter apresentado a declaração juramentada prevista na legislação. Insiste na ausência da quantidade da mercadoria certificado afirmando que este fato viola o que estabelece o art. 1º do Acordo 91 da ALADI. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000558/200282 Acórdão n.º 9303003.060 CSRFT3 Fl. 280 5 Na fl. 230, primeiro parágrafo, afirma que o Certificado de Origem foi emitido após a chegada da mercadoria comercializada no Brasil. Alega ainda que devido às irregularidades mencionadas e em obediência ao art. 129 do Regulamento Aduaneiro e art. 111 do CTN, segundo os quais interpretarseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de isenção ou redução do imposto de importação, procedeuse à desclassificação do regime. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade dele tomo conhecimento. De acordo com o Auto de Infração (fls. 02/08) a Recorrente promoveu importação de mercadoria submetida a despacho aduaneiro com base na Declaração de Importação – DI nº 98/04264005, registrada em 06.05.1998 (fls. 17/21), utilizando a redução da alíquota do II, prevista no acordo de Complementação Econômica nº 27, firmado entre Brasil e Venezuela, executado pelos Decretos nº 1.381/1995 e 1.400/1995. Busco luzes no capítulo segundo do Regime Geral de Origem da Resolução nº 78 do Comitê de Representantes da ALADI, e no art. 1º do Acordo 91 do mesmo Comitê que prelecionam: RESOLUÇÃO 78 “SÉTIMO. Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos países participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, esses países deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar. OITAVO. A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro. Nos casos em que a mercadoria tenha sido negociada em uma nomenclatura diferente à NALADI/SH se indicará o código e a descrição da nomenclatura registrada no acordo de que se tratar.” NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” ACORDO 91 “A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá conincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro.” De fácil constatação o indispensável cumprimento de formalidades exigidas para a obtenção do direito ao incentivo e também que o Certificado de Origem como já dito no Relatório menciona fatura de nº 367220 expedida pela PDVSA S/A sem constar registro da fatura emitida pela PIFCO e tampouco a existência de um terceiro país exportador. Indiscutível o fato de que a mercadoria sob comento foi expedida diretamente da Venezuela para o Brasil e que a interveniência de terceiro pais participante foi facilitadora de aspectos comerciais. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000558/200282 Acórdão n.º 9303003.060 CSRFT3 Fl. 281 7 A Resolução nº 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pelo Decreto nº 2.865/88, que alterou o Acordo 91 deu nova redação ao art. 9º da Resolução 78, acima transcrita. No presente caso o Certificado de Origem contém apenas o número da fatura comercial da PDVSA inexistindo nele qualquer registro de fatura da PIFCO e nem declaração juramentada justificando o não preenchimento no Certificado de Origem no campo “observações” informando o número e data da fatura comercial. Conforme explicita o Relator no Recurso Voluntário a rastreabilidade do produto importado não foi mantida neste caso, uma vez que uma das faturas comerciais que amparam a triangulação comercial, a da Petróleo Brasileiro S/A para a Petrobras International Finance Company que por sua vez comprovaria a alegada triangulação, é inexistente. O Ilustre Conselheiro Luiz Roberto Domingo também afirma e eu o sigo, que os documentos atinentes à operação triangular ocorrida entre as empresas constantes deste processo, não se interligam diretamente “sendo necessário examinar todos os documentos emitidos e identificar a relação de rastreabilidade entre eles de modo a permitir caracterizar a operação como triangulação comercial que mantenha a origem do produto.” Com relação ao registro da quantidade da mercadoria importada no Certificado de Origem, tenho para mim desnecessário, haja vista que o art. 1º do Acordo 91 não estabelece tal exigência. Diante de todo o exposto nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, 12 de agosto de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000368/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE CONFECCIONAR FOLHA DE PAGAMENTO.
A empresa é obrigada a preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social;
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.547
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória de confeccionar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE CONFECCIONAR FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Recurso Voluntário Negado
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OBRIGATORIEDADE DE CONFECCIONAR FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória de confeccionar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 03 68 /2 01 0- 18 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em 20/04/2010, com ciência pelo sujeito passivo em 26/04/2010, pelo descumprimento da obrigação acessória de confeccionar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 14/16, os segurados contribuintes individuais que prestaram serviço a autuada no período de 01/2005 a 12/2008, não constavam das suas folhas de pagamento. Após a apresentação da impugnação, os autos baixaram em diligência, fls. 48/49, tendo em vista que o processo principal PAF 11634.000366/201029, foi baixado em diligência para apreciação de documentos e alegações que poderiam vir a modificar o lançamento. Entretanto, na Informação Fiscal prestada no PAF 11634.000366/201029, fls. 3809/3821, o Fisco mantém os termos do lançamento, não havendo, também nesta autuação, qualquer retificação a ser efetuada. Após o retorno da diligência dos autos do PAF principal, Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, às fls. 50/56, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde argúi em síntese: a) que o auto de infração não se sustenta porque não fundamentou de forma clara o fato que seria ilícito; b) que não é possível produzir provas porque não há informação de como o Fisco chegou à conclusão que o levou à lavratura do auto de infração; c) que inexistem irregularidades, que não se tratam de servidores do regime geral e que o município possui autonomia para regulamentar sua folha de pagamento; d) que inexiste a obrigatoriedade de confeccionar folha para autônomos; e) que os valores lançados já foram recolhidos; f) que parte das contribuições lançadas são para o fomento da cultura, não cabendo a cobrança. Requer o provimento do recurso e o cancelamento do auto de infração. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.000368/201018 Acórdão n.º 2302003.547 S2C3T2 Fl. 73 3 É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Da Preliminar A recorrente alega a nulidade da autuação porque não está fundamentado de forma clara o fato que seria ilícito. Informo à recorrente que a sua alegação não é procedente, porquanto a folha de rosto do Auto de Infração, fls. 01, e o Relatório Fiscal de fls. 14/16, são expressos ao dizer que a autuação se refere ao descumprimento da obrigação acessória de confeccionar folha de pagamento de todos os valores pagos a todos os segurados a seu serviço, com espeque no artigo 32, I da Lei n. 8.212/91, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. Também não merece guarida a assertiva de que não pode produzir provas porque não sabe como o Fisco chegou à conclusão que levou à lavratura do auto de infração, porque desde o início do procedimento fiscal lhe foi solicitado, através de termos próprios, quais sejam, Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF), datado de 29/10/2009, fls. 07, Termo de Intimação Fiscal 001, de 07/12/2009, fls. 08 e Termo de Intimação Fiscal 002, de 05/02/2010, fls. 10, que apresentasse as folhas de pagamento dos contribuintes individuais relativas ao período de 01/2005 a 12/2008, o que em nenhum momento foi atendido pela recorrente. Desse modo, não cabe agora o pretexto de que não sabe o motivo pelo qual foi autuada. Além disso, não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.000368/201018 Acórdão n.º 2302003.547 S2C3T2 Fl. 74 5 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, como no presente caso. E, o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória até 11/2008, e de ofício a partir de 12/2008, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva. Assim, são inócuas as alegações da recorrente de que recolheu o tributo devido, porque ainda que tal fato viesse a ser comprovado, não ilide a obrigação acessória que vem definida na legislação de confeccionar folha de pagamento com toda a remuneração paga a todos os segurados a seu serviço. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.000368/201018 Acórdão n.º 2302003.547 S2C3T2 Fl. 75 7 A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos efetuados a todos os segurados, vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, e independe da obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.48/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. De acordo com os elementos constantes do processo o Município deixou de incluir nas suas folhas de pagamento do período de 01/2005 a 12/2008, a totalidade dos valores pagos aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, infringindo a legislação e sujeitandose à lavratura deste auto de infração. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 A alegação de que os servidores não pertencem ao Regime Geral de Previdência Social, também não se sustenta porque já restou demonstrado na auditoria e nos processos que tratam da obrigação principal, que o que foi alvo dos levantamentos de débito e dos autos de infração de obrigação acessória foram justamente os segurados que não estavam abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência Social do Município. Ainda que num primeiro momento as contribuições incidentes sobre a remuneração dos Procuradores do Município tivessem feito parte dos lançamentos, e que após a apresentação de documentos pela recorrente na fase de impugnação e mediante diligência efetuada, o Fisco tenha se pronunciado e efetivado a retificação dos valores lançados, porque os referidos segurados estariam abrangidos pelo Regime Próprio do Município, tal fato não traz modificação nesta autuação, já que todos os demais contribuintes individuais que prestaram serviço à autuada não constavam de suas folhas de pagamento, persistindo a infração. Como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, mesmo que alguns segurados, como os Procuradores no caso, sejam retirados da presente autuação, não vai haver alteração no valor referente à multa, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Ainda que restasse apenas um segurado que não constasse das folhas de pagamento, caberia autuação e o valor da multa se manteria íntegro. A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial MPS/MF n.º 350, de 30 de Dezembro de 2009, DOU 31/12/2009, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.000368/201018 Acórdão n.º 2302003.547 S2C3T2 Fl. 76 9 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11080.916493/2012-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 152 1 151 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.916493/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.840 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 64 93 /2 01 2- 17 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.916493/201217 Acórdão n.º 3802003.840 S3TE02 Fl. 153 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 72 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 06/03/2014 (fls. 70), interpondo recurso tempestivo em 02/04/2014 (fls. 72). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.916493/201217 Acórdão n.º 3802003.840 S3TE02 Fl. 154 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13601.001296/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 15/10/2003 a 15/09/2007
BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA VENDA DE MERCADORIAS. FATURAMENTO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
A base de cálculo da Cofins compreende o valor total da receita de vendas de mercadorias, que corresponde ao valor total do faturamento, equivalente ao valor total da operação de venda, neste incluído o valor do ICMS.
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A inexistência de crédito certo e líquido representa motivo suficiente para a não homologação da compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 15/10/2003 a 15/09/2007 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DA VENDA DE MERCADORIAS. FATURAMENTO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A base de cálculo da Cofins compreende o valor total da receita de vendas de mercadorias, que corresponde ao valor total do faturamento, equivalente ao valor total da operação de venda, neste incluído o valor do ICMS. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A inexistência de crédito certo e líquido representa motivo suficiente para a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 12 96 /2 00 8- 14 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzse, a seguir, o relatório encartado no acórdão recorrido: A contribuinte aqui identificada requereu em 19/09/2008, às fls. 01/02, a restituição de valores recolhidos a título de Cofins nos períodos de apuração de outubro/2003 a set/2007, totalizando R$ 94.628,26, alegando pagamento a maior pela inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Posteriormente transmitiu as DCOMP de fls. 19/20, constantes do processo 10640720.822/200975 a este apensado para tratamento manual, visando utilização de igual crédito. Em 06/07/2009, a Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora/MG emitiu o Despacho Decisório de fls. 21/23, no qual não reconheceu o direito creditório pleiteado, às fls. 01/02, a título de Cofins e não homologou as compensações a ele vinculadas, sob o argumento que, por falta de previsão legal, não cabe a exclusão do ICMS, relativo às operações próprias, da base de cálculo da contribuição. Cientificada da decisão em 17/08/2009 (fl. 28), a contribuinte manifestou sua inconformidade, às fls. 29/49, onde: 1. discorre sobre a tributação do PIS com base no faturamento, concluindo que inequivocamente a contribuição em comento não deve incidir sobre a receita bruta total, por inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei 9718/98; 2. afirma que o ICMS não pode ser considerado como receita. Nesse sentido, encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, tendo como relator o Ministro Marco Aurélio; 3. alega que sobre os valores requeridos há de ser acrescida a devida atualização monetária, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, retroativa à data de apuração dos valores; 4. argumenta que a presente defesa alcança as declarações de compensação, que devem permanecer com exigibilidade suspensa na forma do artigo 151 do CTN, até decisão final do presente processo, nos termos do artigo 29 c/c artigo 48, § 3o, da IN SRF nº 600, de 2005. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 72/75), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13601.001296/200814 Acórdão n.º 3102002.206 S3C1T2 Fl. 101 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/10/2003 a 15/09/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Em 2/8/2010, a autuada foi cientificada dessa decisão (fl. 80). Inconformada, em 19/8/2010, protocolizou o recurso voluntário de fls. 81/103, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Em aditamento, a recorrente alegou que, na manifestação de inconformidade, não pleiteara a declaração de inconstitucionalidade de norma legal vigente, no entanto, por falta de argumento, a Turma de Julgamento a quo alegara incompetência para não reconhecer o crédito compensado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia limitase à questão atinente à inclusão do valor ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Para a recorrente, tal valor não integrava a base de cálculo das referidas Contribuições, porque não representava faturamento, mas mero ingresso na escrituração contábil das empresas, em consequência, fazia jus à restituição dos valores das contribuições pagos indevidamente, calculados sobre o valor do ICMS. A matéria encontrase disciplinada no art. 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718, de 1996, a seguir transcrito: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(Vide arts. 49 e 98 daMP nº 627, de 11 de novembro de 2013) [...] § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (Vide arts. 49 e 98 daMP nº 627, de 11 de novembro de 2013) [...] (grifos não originais) Da leitura do preceito legal em destaque, extraise que somente o valor ICMS cobrados nas operações submetidas ao regime de substituição tributária podem ser excluído da base de cálculo das citadas Contribuições. Por outro lado, o valor do ICMS cobrados nas demais modalidades de operações, situação em que se inclui o caso em apreço, por falta de previsão legal, deve compor a referida base cálculo. Dessa forma, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que o valor do ICMS não integrava a base de cálculo da referidas Cotribuições, uma vez que não representava riqueza, mas sim receita do Erário Estadual. Deveras, o faturamento compreende o valor total da operação de venda, nele incluído, inequivocamente, o valor do ICMS. Aliás, a própria base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. Tratase da metodologia de cálculo, denominada de “método por dentro”, em que o imposto é incluído no valor da mercadoria, constituindo o destaque do valor do imposto mero controle escritural. Logo, se o ICMS incide sobre si mesmo, tornase certo concluir que ele não pode ser desconsiderado do conceito de faturamento e, por conseguinte, da base de cálculo da Cofins. Nesse sentido, o entendimento consolidade na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 582.461/SP1, sob o regime de repecussão geral, cujo trecho do enunciado ementa, pertinente ao assunto em apreço, segue transcrito: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. [...] 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto 1 O tema já foi apreciado pelo STF, no julgamento do RE nº 212.209, ementado nos seguintes termos: "Constitucional. Tributário. Base de cálculo do ICMS: inclusão no valor da operação ou da prestação de serviço somado ao próprio tributo. Constitucionalidade. Recurso desprovido." (RE 212209, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 23/06/1999, DJ 1402 2003 PP00060 EMENT VOL0209802 PP00303) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13601.001296/200814 Acórdão n.º 3102002.206 S3C1T2 Fl. 102 5 já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. [...] 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (STF. Tribunal Pleno. RE 582461/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 18/5/2011, DJe158 divulg 17082011 public 18082011 ement vol0256802 pp00177) grifos não originais No âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a matéria foi objeto das Súmulas 68 e 94, a seguir transcritas: SÚMULA 68: A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASEDECALCULODOPIS. SÚMULA 94: A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASEDECÁLCULODOFINSOCIAL. Em recentes julgamentos, o STJ tem reafirmado esse entendimento. Nesse sentido, o enunciado da ementa do acórdão proferido no julgamento, realizado em 11/2/2014, do Agravo Regimental no Recurso Especial (AgRg no REsp) nº 1.422.739/PR, a seguir reproduzido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DE COFINS. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência consolidada em ambas as Turmas especializadas em direito público deste Tribunal é firme no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas mera recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: Ag 1.352.512, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 10/11/10; REsp 1.205.072/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 14/2/12; AgRg no REsp 1.318.196/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24.8.2012; AgRg no REsp 1.214.684/PR, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, Segunda Turma, DJe 1.8.2012; AgRg no REsp 1159562/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 16/03/2012; AgRg no REsp 1165316/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 14/11/2011; AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 03/05/2011; REsp 1025833/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 17/11/2008; AgRg no REsp 1.282.211/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 19.6.2012. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1422739/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/02/2014, DJe 18/02/2014) É pertinente esclarecer que a constitucionalidade do art. 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718, de 1996, que, implicitamente, autoriza a inclusão do valor ICMS na base cálculo das citadas Contribuições, encontrase sob análise no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18 e do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.785MG. Relativamente à ADC no 18 (proposta pelo Presidente da República), o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 4/2/2009, em 16/9/2009, e, finalmente, em 25/3/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.785MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. De consulta realizada no sítio do STF, obtevese a informação de que, até a presente data, nenhuma das duas ações foram julgadas. Com base nessas considerações e por entender que não há norma legal vigente que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, firmase o entendimento de que inexiste o suposto crédito compensado, porque, diferentemente do alegado pela recorrente, os pagamentos a maior que o devido, por ela discriminados na listagem de fls. 5/9, são todos eles devidos. Por fim, em face das conclusões apresentadas, fica prejudicada a análise da alegação da recorrente de que os valores dos créditos requeridos deveria ser corrigidos com base na variação da taxa Selic, que visava apenas recompor a desvalorização da moeda. Aliás, inexiste controvérsia sobre o assunto, pois tal correção, encontrase expressamente determinada no art. 39, § 4º, da Lei n° 9.250, de 1997, e, caso existente o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do que devido, passível de restituição, a Administração tributária, indetemente de requirimento do contribuinte, tem reconhecido tal acréscimo ao indébito tributário. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13601.001296/200814 Acórdão n.º 3102002.206 S3C1T2 Fl. 103 7 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 11634.720175/2013-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010, 2011
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente em exercício e Relator.
Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA – Presidente em exercício e Relator. Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 01 75 /2 01 3- 20 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Relatório Por sintetizar bem os fatos até a decisão de primeira instância, adoto o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), conforme abaixo: Da autuação Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de fls. 7553/577, em 21/11/2008, com lançamento de imposto de renda da pessoa física relativo aos exercícios / anoscalendário 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011, no valor de R$ 7.006,340,43, incluídos multa e juros calculados até abril de 2013. A lavratura do auto de infração decorreu da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cujo enquadramento legal, descrição e demonstrativo do fato gerador, e valor tributável foram devidamente consignados no auto de infração e Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal – IRPF, do qual destacase os principais pontos. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n.º 0910200.2011.016575, que objetivou a verificação do cumprimento de obrigações pertinentes ao imposto de renda pessoa física nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, o contribuinte foi intimado a apresentar, os extratos bancários de todas as contas mantidas junto a instituições financeiras no país, movimentadas nesse período, bem como os documentos que embasaram o preenchimento das declarações de ajuste anual de imposto de renda. Tal intimação foi efetuada mediante Termo de Início de Ação Fiscal emitido em 22/08/2011, com prazo de 20 (vinte) dias para atendimento e recebido no domicílio tributário do contribuinte em 23/08/2011 (fls. 2/3). Em 16/09/2011, o contribuinte apresentou comprovantes anuais de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas nos anos em questão, cópia de suas Declarações de Ajuste Anual de imposto de renda, bem como documentos de identificação do procurador e do outorgante (fls. 4/8). Mediante Termo de Intimação nº 01, emitido em 03/10/2011 e recebido no domicílio tributário do contribuinte em 06/10/2011 (fls. 9/10), o contribuinte foi reintimado para apresentar os documentos solicitados no Termo de Início de Ação Fiscal. Seguiuse nova reintimação, mediante Termo de Intimação nº 02, em 21/11/2011, do qual o contribuinte foi cientificado em 24/11/2011 (fls. 11/12), com prazo de 10 (dez) dias para atendimento. Referido Termo esclareceu ao contribuinte que, caso não apresentasse os extratos bancários dos anoscalendário 2008 a 2010, os mesmos seriam solicitados diretamente às instituições financeiras, com base no Decreto nº 3.724/2001. Em 02/12/2011 foi emitida Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) (fls. 13/14) Fl. 708DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11634.720175/201320 Acórdão n.º 2202002.843 S2C2T2 Fl. 708 3 Com respaldo na Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001, a autoridade administrativa competente emitiu a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira nº 09.1.02.002011001500, em 06/12/2011, endereçada à Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Paranapanema SICREDI, solicitando as seguintes informações, todas referentes aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010 (fls. 15/18): dados constantes da ficha cadastral do sujeito passivo; instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a contacorrente; extrato de movimentação de contacorrente; extrato de aplicações financeiras. A Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Paranapanema – SICREDI atendeu à Requisição (fls. 19), apresentando extratos bancários de contacorrente de titularidade do contribuinte, os quais foram juntados ás fls. 20/470. Informou inexistir instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentarem a contacorrente, bem como aplicações financeiras. Em 03/01/2012, o contribuinte protocolizou manifestação de fls. 471/472, argumentando, que por força de direitos constitucionais, não está obrigado a apresentar os extratos bancários solicitados. Acrescentou não concordar “(...) que sua privacidade seja superada sem mais nem menos”, tendo em vista que anualmente apresenta sua declaração de imposto de renda. Afirma, ainda, que as três intimações recebidas não apresentam razões que justifiquem o acesso a dados privados, cujo acesso depende de autorização judicial. Tendo em vista as alegações do contribuinte, a autoridade fiscal apresentoulhe esclarecimentos mediante emissão de Termo de Esclarecimento, recebido no domicílio tributário do interessado em 12/11/2012 (fls. 473/474). Após análise dos extratos bancários fornecidos pela instituição financeira, a autoridade fiscal elaborou planilhas com depósitos bancários que deveriam ter sua origem comprovada, as quais foram encaminhadas ao contribuinte, mediante Termo de Intimação Fiscal nº 03, por ele recebido em 19/01/2012 (fls. 520). O interessado foi assim intimado a comprovar, “(...) por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos/créditos efetuados na contacorrente 125440”, especificados nas planilhas citadas, relativos aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010 (fls. 475/519). Em 25/04/2012, o contribuinte foi cientificado da continuidade do procedimento fiscal (fls. 521/522), o qual manifestouse, informando ter ingressado com Mandado de Segurança, autos nº 501680117.2011.404.7001, em trâmite perante a 3ª Vara Federal de Londrina/PR, como forma de assegurar o direito ao silêncio, constitucionalmente previsto, por considerar que não pode ser compelido a apresentar os documentos exigidos pela fiscalização (fls. 523/524). Tendo em vista a inexistência de impedimento legal para prosseguimento da ação fiscal, eis que, em sentença proferida em 09/05/2012, o Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte foi julgado improcedente e denegada a segurança, em 23/05/2012, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 04, recebido em 25/05/2012 (fls. 525/526). Fl. 709DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Mediante citado Termo, o contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os elementos especificados no Termo de Intimação Fiscal nº 03, esclarecendose a inexistência de impedimento legal para prosseguimento da ação fiscal. Em face do não atendimento, o contribuinte foi reintimado, mediante Termo de Intimação Fiscal nº 05, destacando que a não apresentação de documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos depósitos/créditos constantes das planilhas enviadas ao interessado seriam considerados como rendimentos omitidos e objeto de lançamento de ofício, a teor do que dispõe o art. 849 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99 (fls. 527/528). Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 05, o contribuinte manifestouse, reafirmando não estar obrigado, sem determinação judicial, a apresentar seus extratos bancários. Acrescenta que o recurso de apelação interposto contra sentença prolatada nos autos do Mandado de Segurança nº 501680117.2011.404.7001foi recebido em seu duplo efeito – devolutivo e suspensivo, conforme despacho que anexou, o que obstaria a pretensão da Receita Federal do Brasil (fls. 529/533). Tendo em vista tal informação, formulouse consulta à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Londrina, que se manifestou como segue: “(...) em razão de não ter havido concessão de liminar e dos pedidos formulados na ação mandamental terem sido julgados improcedentes o recebimento da apelação do impetrante nos efeitos devolutivo e suspensivo não acarreta qualquer impedimento no prosseguimento regular da ação fiscal, salvo se o contribuinte obtiver ordem judicial em sentido diverso, o que, esclarecese, até o momento não ocorreu. Assim, opinase pelo regular prosseguimento da ação fiscal, o que, aliás, é necessário, em razão de a suspensão do procedimento administrativo sem ordem para tanto sujeitaria o crédito tributário aos deletérios efeitos da decadência ou prescrição.” (fls. 534/535) Como o contribuinte não atendeu às reiteradas intimações, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 561/577 e do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal – IRPF que o integra (fls. 533/560), apurandose omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos calendário 2008, 2009 e 2010, conforme especificado às fls. 557/558 e 563/564. A autoridade fiscal lançadora destaca que, considerandose a pendência de ação judicial diretamente ligada ao lançamento, sua exigibilidade encontrase suspensa até o julgamento do recurso de apelação interposto pelo contribuinte nos autos do Mandado de Segurança nº 501680117.2011.404.7001/PR, recebido em seu duplo efeito, em 02/07/2012. A autoridade fiscal lançadora destaca que o contribuinte declarou rendimentos tributáveis de R$ 10.235,00 (2008), R$ 5.480,00 (2009) e R$ 12.640,00 (2010), incompatíveis com a movimentação financeira apurada – R$ 4.297,080,66, R$ 4.301.734,64 e R$ 4.139751,60, respectivamente. Acrescenta que o contribuinte não outorgou procuração para terceiros movimentarem sua conta no período e que, embora seja sócio da empresa D. Faria – Empório de Secos e Molhados, CNPJ 06.922.388/000164, não constam movimentações de receitas / financeiras em nome da pessoa jurídica. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11634.720175/201320 Acórdão n.º 2202002.843 S2C2T2 Fl. 709 5 Salienta que a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada constitui presunção legal, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário (art. 849 do RIR/99). Por fim, a autoridade fiscal intima o contribuinte a comparecer na unidade administrativa responsável, cuja nomenclatura e endereço especifica, no prazo de quinze dias, a contar do recebimento do Auto de Infração, para retirar os documentos apresentados pela instituição financeira em atendimento à RMF. Esclarece que, em caso de não comparecimento, os documentos serão destruídos, conforme determinação contida no art. 5º, §2º, do Decreto nº 3.724/2001. Foi aplicada a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 e juros de mora, conforme art. 61, §3º, da mesma lei. Tendo em vista que a infração apurada configura, em tese, o disposto no art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais (processo nº 11634.720176/201374), como determina o art. 1º da Portaria RFB nº 2.439/2010 e art. 1º da Portaria RFB nº 3.182/2011 c.c. art. 116, inciso VI, da Lei nº 8.112/90. Da impugnação Regularmente cientificado (fls. 584), em 15/05/2013 o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 586/598, acompanhada de documentos de fls. 599/622, que consistem em cópia do Auto de Infração e do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal – IRPF. Alega, em síntese, sem prejuízo da leitura do texto integral: desde agosto de 2011 tem sido intimado a “(...) apresentar extratos de suas contas bancárias, sob pena de ter sua privacidade violada por meio da autoridade coatora, que o ameaçava de quebrar seu sigilo bancário.” considerando o descabimento e a falta de fundamentação da exigência, o impugnante impetrou Mandado de Segurança, no momento em trâmite perante o Tribunal Regional Federal, mas a Receita Federal efetuou a autuação, ainda que a exigibilidade estivesse suspensa. tal autuação é inconstitucional, pois embora o direito ao sigilo bancário não seja absoluto, sua relativização depende de autorização judicial. Tece considerações acerca do tema e acrescenta que a quebra de sigilo bancário é medida excepcional e não pode constituir a origem de investigações, como no presente caso. tal conduta é inadmissível, principalmente pela não demonstração de indícios de irregularidades a fundamentarem o pedido, o que fere, também, os princípios de razoabilidade e proporcionalidade. ademais, recentemente o Supremo Tribunal Federal voltou a enfatizar a ilicitude de provas produzidas a partir da quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico. Tratase de reserva de jurisdição, que não pode ser afastada com base na Lei Complementar nº 105/2001, cuja invalidade foi reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 389808. a cessação de vigência da Lei nº 9.311/96 retirou o permissivo legal para que as instituições financeiras forneçam dados bancários dos contribuintes ao fisco, sem autorização judicial. Tal autorização legal encontravase no art. 1º, §3º, inciso III, Fl. 711DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 da referida lei, cuja vigência cessou por não ter sido prorrogada a competência constitucional para legislar sobre a CPMF (art. 90 e §1º dos ADCT). inadmissível a autuação e tendo em vista a abusiva e indevida quebra do sigilo bancário; o contribuinte só poderia se defender de uma autuação válida, inexistente no presente caso. É o relatório. A DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação, cujo Acórdão nº 1650.792 (fls. 626 a 642) foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se cogitar em nulidade. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSAS A PRINCÍPIOS DE RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas, cuja atuação é obrigatoriamente pautada pelo princípio da legalidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete à presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei nº 9.430/96. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal relativa inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado fato indiciário corresponde, efetivamente, ao recebimento de rendimentos fato jurídico tributário. Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário; e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 712DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11634.720175/201320 Acórdão n.º 2202002.843 S2C2T2 Fl. 710 7 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 4 de outubro de 2013 (sextafeira), conforme Aviso de Recebimento (A.R.) à fl. 662, o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 4 de novembro de 2013 (fls. 663 a 704), no qual repisa os mesmos argumentos da impugnação e pede a reforma da decisão recorrida, anulandose o Auto de Infração, pois fundado em prova ilícita. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. O recorrente alega que o lançamento é nulo pois não houve autorização judicial para quebra de seu sigilo bancário. A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe, em seu artigo 6º: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários. Como não os apresentou, a autoridade fiscal emitiu a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), dentro dos ditames legais. Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas mediante a transferência de sigilo bancário das instituições financeiras para a Receita Federal do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: Fl. 713DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.964). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291). Sobre a argumentação do recorrente de que a exigibilidade estaria suspensa e a Receita Federal não poderia efetuar a autuação, não lhe assiste razão, pois ele não estava amparado por nenhuma medida liminar que suspendesse o procedimento administrativo. O Mandado de Segurança por ele impetrado foi denegado pelo Juiz de primeira instância e a apelação interposta foi recebida nos efeitos suspensivo e devolutivo, o que não produziu qualquer conseqüência sobre a autuação. Mesmo que o contribuinte tivesse sido beneficiado com uma medida liminar, ela somente teria efeito de suspender a exigibilidade do crédito e não de impedir a autuação. Outrossim, verificase que o lançamento foi efetuado com suspensão da exigibilidade do crédito tributário, consoante o disposto na capa do Auto de Infração, verbis: Fl. 714DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11634.720175/201320 Acórdão n.º 2202002.843 S2C2T2 Fl. 711 9 O crédito tributário constituído por meio do presente auto de infração está com a exigibilidade suspensa, tendo em vista Despacho/Decisão de 02/07/2012, expedido pelo Juiz Federal Dr. Décio José da Silva, constante do processo nº 5016801 17.2011.404.7001/PR da 3ª Vara Federal de Londrina/PR. (art. 151, incisos II e IV do CTN). O recorrente não se manifestou, em nenhum momento, sobre os depósitos efetuados em suas contas bancárias, tendo se limitado a contestar a legitimidade do acesso pelo Fisco aos seus dados de movimentação financeira. Tendo em vista que foram afastados os argumentos do recorrente de ilegitimidade da transferência do sigilo bancário ao Fisco, não merece reparo o lançamento de ofício, o qual foi efetuado com base no artigo 42 da Lei 9.430/96. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o recorrente não logrou comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias e considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 715DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000418/2002-99
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1997
EMBARGOS. ERRO MATERIAL.
Verificada a ocorrência de omissão ou inexatidão, consistente no descompasso entre os autos e o Acórdão publicado, em relação, especialmente, à tempestividade do recurso, cabem embargos nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF .
RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. PAF.
Da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (Art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não se conhece do recurso interposto após esse prazo.
Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2801-003.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, atribuindo lhes efeitos infringentes para não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que fará declaração de voto.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1997 EMBARGOS. ERRO MATERIAL. Verificada a ocorrência de omissão ou inexatidão, consistente no descompasso entre os autos e o Acórdão publicado, em relação, especialmente, à tempestividade do recurso, cabem embargos nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF . RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. PAF. Da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (Art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não se conhece do recurso interposto após esse prazo. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes. Crédito Tributário Mantido.
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ERRO MATERIAL. Verificada a ocorrência de omissão ou inexatidão, consistente no descompasso entre os autos e o Acórdão publicado, em relação, especialmente, à tempestividade do recurso, cabem embargos nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF . RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. PAF. Da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (Art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não se conhece do recurso interposto após esse prazo. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, atribuindo lhes efeitos infringentes para não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que fará declaração de voto. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 04 18 /2 00 2- 99 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCIO HENRIQ UE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13005.000418/200299 Acórdão n.º 2801003.834 S2TE01 Fl. 151 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Tratam estes autos da decisão proferida no Acórdão nº 2801003.365, da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão plenária ocorrida em 23 de janeiro de 2014. Na ementa temos que: Exercício: 1997 IRRF. AUDITORIA INTERNA DE DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTO. ERRO NA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Comprovado erro na apresentação da declaração que serviu de base à constatação da falta de pagamentos, pelo cotejo DARF x DCTF, conforme relatório de diligência trazido aos autos pela própria Unidade preparadora do lançamento, é de se reconhecer a improcedência do débito lançado. Recurso Voluntário Provido. Após ser cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos Declaratórios, considerando o seguinte: O acórdão embargado foi omisso sobre ponto essencial ao deslinde da controvérsia. Compulsando os autos, constatase que o contribuinte foi intimado da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância em 19/12/2006 (terçafeira), conforme AR (fls. 58). Contudo, o contribuinte somente apresentou o recurso voluntário em 22/01/2007 (segundafeira), segundo consta no documento de fls. 60. Iniciada a contagem do prazo recursal no primeiro dia útil após a intimação, ou seja, em 20/12/2006 (quartafeira), podese concluir que o prazo de trinta dias ultimouse em 18/01/2007 (quintafeira), uma vez que os prazos processuais não se suspendem ou interrompem pela superveniência nesse intervalo de finais de semana, férias ou feriados. Tampouco há notícia de que os dias nos quais recaíram o início e o final do prazo recursal não foram dias úteis, ou seja, dias nos quais não houve expediente forense. Defende a douta Procuradoria que o recurso foi protocolizado intempestivamente e que o Acórdão debatido não enfrentou a questão, para justificar a sua conclusão, contando, portando, com omissão. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCIO HENRIQ UE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13005.000418/200299 Acórdão n.º 2801003.834 S2TE01 Fl. 152 3 Dessa feita, propôsse que estes embargos declaratórios fossem acolhidos, com fundamento no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, para que o recurso seja novamente submetido à apreciação dos membros deste Colegiado, tendo a Sra. Presidente da 1ª Turma Especial os acolhido. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. O Auto de Infração, que trata de Imposto de Renda Retido na Fonte e apontou “falta de recolhimento ou pagamento do tributo/declaração inexata” está na folha 14, lavrado em 20/02/2002, cientificado ao contribuinte em 20/03/2002 (AR na folha 23) e refere se aos períodos 04, 05 e 06 de 1997. Ao julgar a Impugnação, disse a DRJ em Santa Maria/RS que: lnicialmente, cabe esclarecer que o imposto retido na fonte decorrente de rendimentos do trabalho assalariado (código de receita 0561) tem a periodicidade de apuração semanal e o prazo de recolhimento é até o terceiro dia útil da semana subseqüente àquela em tiverem ocorrido os fatos geradores (art. 83, I, d, da Lei n° 8.981, de 1995) E o julgador de 1ª instância, dando provimento parcial à manifestação do contribuinte, justamente considerando alocações equivocadas, entendeu por considerar extinto o débito no total de R$ 939,82, permanecendo apenas R$ 1.860,32 em exigência, em valores originais. A primeira análise realizada sobre estes autos, neste Conselho, deuse em 28 de julho de 2009, quando, mediante o Acórdão nº 280100.004 (fl. 93), decidiuse pela conversão do julgamento em Diligência. Naquela ocasião, o recurso do contribuinte foi admitido como tempestivo e a Diligência proposta tinha o escopo de “esclarecer se os débitos em referência foram, de fato, quitados.” Isso porque o contribuinte alegava que já os havia pago e que a cobrança deviase a “suposta incorreção, pelo Recorrente, quanto ao preenchimento de sua DCTF...” Após analisar tabelas de vencimento de tributos, DCTF e DARF’s que constam do processo, a DRFB em Santa Cruz do Sul/RS, proferiu o Despacho de folha 132 e seguintes, cujo teor, em suma, transcrevo abaixo: Examinandose o auto de infração, bem como os registros dos débitos do IR cód. 0561 do ano de 1997 constantes do SIEF Fiscalização Eletrônica (fl. 88), que tem origem nas DCTF do 2o e do 3o trimestres de 1997 (originais e complementares) apresentadas pelo interessado, constata se que a data de vencimento 05/1997 está vinculada a dois PAs: 0504/1997 e 0105/1997. Da mesma forma, a data Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCIO HENRIQ UE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13005.000418/200299 Acórdão n.º 2801003.834 S2TE01 Fl. 153 4 de vencimento 09/07/1997 vinculase aos PAs 0506/1997 e 0107/1997. À época do lançamento, os fatos geradores do IRRF, para fins de preenchimento das DCTF, eram enquadrados nas semanas de ocorrência, de modo que o vencimento dos débitos se dava na semana seguinte. A situação constatada evidencia incongruência, conforme tabela abaixo: (...) Concluise que a DCTF original do segundo semestre/1997 foi preenchida com erro de fato, na medida em que por meio dela foram constituídos débitos para PAs de apuração inexistentes 0504/1997 e 05 06/1997 alimentando incorretamente o SIEF Fiscalização Eletrônica, sistema de cobrança utilizado para lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO N° 0000407. Os PAs corretos para os débitos relativos aos pagamentos apresentados na impugnação são 0105/1997 e 01/07/1997. Para esses PAs (corretos) o contribuinte vinculou nas DCTFs complementares 2/1997 e 3/1997 os pagamentos cujos comprovantes anexou à impugnação; a auditoria interna confirmou as vinculações (VALIDADO TOTAL), ou seja, os débitos foram quitados. Constatase ainda que o contribuinte apresentou as DCTFs complementares do 2o e do 3o trimestres de 1997 em 27/03/2002 (após a ciência do auto de infração, em 20/03/2002), supostamente no intuito de corrigir os erros alegados na impugnação. Ainda, de acordo com o livro DIÁRIO GERAL (cópia às fls. 65 a 70), é possível constatar que a retenção dos valores R$ 14,82 e R$ 906,90 (= R$ 921,72) ocorreu em 30/04/97, dia integrante da Ia semana de maio/1997; a retenção dos v a l o r e s R$ 32,10 e R$ 906,50 (= R$ 938,60) ocorreu em 30/06/1997, dia integrante da Ia semana de julho/1997. Dessa forma, opinase pelo cancelamento dos débitos lançados. Cumprida a diligência. Diante do exposto, proponho retorno deste processo à SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. SANTA CRUZ DO SUL, 10 de janeiro de 2011. (grifei/sublinhei) Ou seja, a própria Unidade da RFB, a quem compete promover a fiscalização, arrecadação e cobrança do crédito tributário, “opinou pelo cancelamento dos débitos lançados, ..., que foram quitados.” Nesse cenário, mesmo considerando a intempestividade do recurso apontada pela Procuradoria da Fazenda, que de fato existe, houve o reconhecimento explícito de que não existia o débito objeto do litígio. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCIO HENRIQ UE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13005.000418/200299 Acórdão n.º 2801003.834 S2TE01 Fl. 154 5 Verifico falta de razoabilidade em se promover a repetição de um ato, em questionável utilidade, haja vista a inexistência do próprio crédito lançado, cuja obrigação já havia sido extinta por pagamento (como reconhece o Despacho supracitado) antes mesmo do lançamento. Atentase ainda contra a economicidade e a eficiência, não chegando a um mesmo resultado, com o menor gasto possível. Transcrevo do Acórdão embargado: Considerando o resultado da Diligência levada adiante pela Unidade de origem, a mesma que lavrou a exigência fiscal, entendo que não há o que ser discutido, pois não subsiste litígio. Analisando as alegações do recurso, as DCTF, os pagamentos efetuados e a escrita fiscal do contribuinte (Livro Diário), a DRFB, fundamentadamente, manifestouse “pelo cancelamento dos débitos lançados”(fl. 129, grifo original) Na Sessão de julgamento, essa foi a tônica considerada e, inexistindo crédito em litígio, superouse a questão da tempestividade que, porém, não ficou registrada no Acórdão embargado. Bem, já obstaculizada a finalidade pretendida, em vista dos Embargos apresentados, em caso de interesse de não promover uma cobrança indevida, observe a DRFB o despacho que foi proferido e aplique os artigos 145, III e 149, VIII, do Código Tributário Nacional. Desta feita, nesta ocasião, remelius perpensa VOTO por reconhecer a intempestividade do recurso, nos termos discorridos pela Fazenda Nacional e aqui relatados, e dele não tomar conhecimento, atribuindo efeitos infringentes aos Embargos e evitando, inclusive, perigoso precedente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida Permitome discordar do Ilustre Relator, Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, pelas razões que passo a expor. Uma leitura apressada do caput do art,. 65 do Regimento Interno do CARF – RICARF pode induzir ao equivocado entendimento de que os embargos de declaração são cabíveis exclusivamente em face de acórdão que contiver obscuridade, omissão ou contradição. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCIO HENRIQ UE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13005.000418/200299 Acórdão n.º 2801003.834 S2TE01 Fl. 155 6 Este entendimento não se mostra em harmonia com as demais disposições do RICARF, em especial o parágrafo 6º do art. 65, que dispõe que “As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução”. Assim, os embargos declaratórios são cabíveis tanto em face de acórdão, quanto em face de resolução, bastando que em algum deles contenha obscuridade, omissão ou contradição. Se assim é, os embargos deveriam ter sido opostos quando o julgamento foi convertido em diligência, que era o momento oportuno para tal, pelo titular da Unidade de origem (art. 65, 1º, V c/c parágrafo 6º), uma vez que por meio da Resolução 280100.004, de 28 de julho de 2009, o recurso foi considerado tempestivo e dele foi tomado conhecimento, nos seguintes termos do Relator, verbis: Tempestivo o presente recurso e preenchidos os requisitos para o seu recebimento, dele tomo conhecimento. Posteriormente, o Insigne Relator do acórdão embargado reconheceu que o recurso já havia sido anteriormente apreciado e conhecido (“O recurso já foi anteriormente apreciado por esta Turma Especial e conhecido, sendo determinada diligência”). Em uma palavra: não é possível o não conhecimento do recurso após ele já ter sido conhecido. Observo, ainda, por oportuno, que o acolhimento dos presentes embargos com efeitos infringentes se evidencia teratológico, porquanto a própria Autoridade competente já reconheceu que o suposto crédito tributário estava extinto pelo pagamento (Despacho de fls. 132/134). Pelo exposto, voto por não conhecer dos embargos de declaração. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCIO HENRIQ UE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10120.908017/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 80 17 /2 00 9- 41 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.908017/200941 Acórdão n.º 9303002.577 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.908017/200941 Acórdão n.º 9303002.577 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10920.722322/2011-46
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 22/11/2011
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO
Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2007 e 2008, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.966
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Recorrente LAMPE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 22/11/2011 GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2007 e 2008, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 23 22 /2 01 1- 46 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10920.722322/201146 Acórdão n.º 2803003.966 S2TE03 Fl. 3 2 contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de Oliveira. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10920.722322/201146 Acórdão n.º 2803003.966 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter deixado de recolher as parcelas devidas em razão de pagamentos a segurados a título de serviços prestados e retiradas pro labore, registradas na contabilidade e não lançadas em folhas de pagamentos, no período de 01/2007 a 12/2008. As parcelas estão elencadas no Discriminativo de Débito – DD e planilha anexa O r. acórdão – fls 319 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Da análise do referido Relatório Fiscal, utilizado para embasamento do V.Acórdão, resta caracterizado que a Recorrida fez uso da simples presunção, com o fim de estabelecer as supostas irregularidades. O fato é que, muito embora o uso de presunções simples pelo agente administrativo independa de expressa autorização legal, isso não significa que sua atividade de vinculada transformese em discricionária, pois continua preso à pesquisa, mesmo que indireta, dos fatos previstos no tipo tributário. Ademais, essa presunção é relativa, admitindo prova em contrário, até porque não há como presumir a ocorrência de fraude, DEVENDO A MESMA SER PROVADA POR QUEM ALEGA. · O referido acórdão presumiu que há caracterização de grupo econômico. Não há que se falar em grupo econômico ou responsabilidade solidária. · Ausência de proporcionalidade e razoabilidade por conta da aplicação de multa abusiva. · Requer a reforma do V. Acórdão no sentido de julgar totalmente IMPROCEDENTE o lançamento ora Recorrido, com a consequente nulidade do presente Auto de Infração, É o relatório. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10920.722322/201146 Acórdão n.º 2803003.966 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O auto de infração traz as fls 14 e ss as rubricas e valores considerados como salário de contribuição e não declarados em GFIP, não havendo que se falar em autuação “por presunção” . Os fatos geradores estão perfeitamente delineados, trazendo todos os elementos à autuação, que não foram contestados, sendo assim incontroversos. Acerca da configuração do grupo econômico, tal dato não se deu apenas por conta da relação de parentesco dos dirigentes, diversos outros elementos foram considerados, senão vejamos excerto do relatório. Vejamos na seqüencia, se existem nas empresas sob ação fiscal, os elementos caracterizadores da existência de grupo econômico, como parentesco entre os sócios, administração comum das sociedades e interesses também comuns, com vistas a determinar o grau de responsabilidade solidária entre as sociedades, conforme determina a legislação. Descreve a administração compartilhada e que COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LAMPE LTDA passou à condição de sócia da empresa FÁBRICA DE MÁQUINAS LAMPE LTDA a partir de 24/05/2007. Tal quadro justifica a existência do grupo econômico, não havendo reparo a ser efetuado na r. decisão. Senão vejamos decisão exarada no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 000971726.2014.4.03.0000/SP, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região em 19 de maio de 2014. Decido. Cingese a controvérsia à caracterização da existência de grupo econômico de fato, a viabilizar a responsabilidade tributária solidária das empresas dele integrante. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 124, inciso II, estipula que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. Por sua vez, o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91, determina que: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10920.722322/201146 Acórdão n.º 2803003.966 S2TE03 Fl. 6 5 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; De acordo com tais dispositivos, este Tribunal, de forma pacífica, entende que comprovada a existência de grupo econômico de fato, a responsabilidade é solidária de todas as empresas que o integram. No caso dos autos, compreendo pela caracterização do grupo econômico. Visualizase íntima ligação entre as empresas executadas, conectadas com intuito de formação de um conglomerado empresarial com mesmo objetivo social, inclusive com as sedes fixadas em mesmo endereço. Há apenas uma subdivisão em estruturas formais, mas que se utiliza de várias empresas para o desempenho de atividades de siderurgia e de jornalismo. È possível notar, ainda, a identidade de dirigentes no controle das diversas sociedades, o que demonstra a existência de uma unidade voltada para a obtenção dos lucros empresariais. Além disso, as mudanças estruturais nas sociedades agravantes sugerem a ocorrência de fraude. A identificação da fraude prescinde de ação autônoma para tal desiderato, sendo possível, pela análise dos documentos no feito executivo, o reconhecimento de sua presunção, com a conseqüente inclusão das empresas participantes no pólo passivo da ação, exatamente como ocorrido. Ao contrário do alegado, não há necessidade de dissolução irregular para se estender o alcance subjetivo da execução, desde que comprovada a situação do grupo econômico. Por fim, cabe mencionar, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça também comunga da possibilidade da desconsideração da personalidade jurídica da empresa executada, no caso da existência de grupos econômicos. Confirase: "DIREITO CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. LOCAÇÃO. EXECUÇÃO. DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. VIOLAÇÃO. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA RESERVADA AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃOOCORRÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. PRESSUPOSTOS. AFERIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO OCORRÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E IMPROVIDO. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10920.722322/201146 Acórdão n.º 2803003.966 S2TE03 Fl. 7 6 1. Refoge à competência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial, o exame de suposta afronta a dispositivo constitucional, por se tratar de matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, da Constituição da República. 2. O afastamento, pelo Tribunal de origem, da aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da parte recorrida, em face da revaloração das provas dos autos, não importa em cerceamento de defesa, mormente quando tal decisão não se baseou em ausência de prova, mas no entendimento de que os pressupostos autorizativos de tal medida não se encontrariam presentes. 3. A desconsideração da pessoa jurídica, mesmo no caso de grupos econômicos, deve ser reconhecida em situações excepcionais, quando verificado que a empresa devedora pertence a grupo de sociedades sob o mesmo controle e com estrutura meramente formal, o que ocorre quando diversas pessoas jurídicas do grupo exercem suas atividades sob unidade gerencial, laboral e patrimonial, e, ainda, quando se visualizar a confusão de patrimônio, fraudes, abuso de direito e máfé com prejuízo a credores. 4. Tendo o Tribunal a quo, com base no conjunto probatório dos autos, firmado a compreensão no sentido de que não estariam presentes os pressupostos para aplicação da disregard doctrine, rever tal entendimento demandaria o reexame de matéria fático probatória, o que atrai o óbice da Súmula 7/STJ. Precedente do STJ. 5. Inexistência de dissídio jurisprudencial. 6. Recurso especial conhecido e improvido. (REsp 968.564/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 02/03/2009)" APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A presente multa encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. No entanto, o art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente apenas quando esta seja mais benéfica ao contribuinte. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2007 e 2008, o valor da multa aplicada até a Fl. 373DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10920.722322/201146 Acórdão n.º 2803003.966 S2TE03 Fl. 8 7 competência 11/2008 deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13639.000337/2003-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. RELATÓRIO
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E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Em decorrência de auditoria interna procedida junto à contribuinte, foi lavrado Auto de Infração de fl. 94, relativamente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998, exigindolhe o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 77.583,09, sendo R$ 29.043,41 a título de PIS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 39 .0 00 33 7/ 20 03 -1 3 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13639.000337/200313 Resolução nº 3802000.354 S3TE02 Fl. 326 2 De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante da peça fiscal, o lançamento, relativo ao anocalendário 1998, decorreu da falta de pagamento da contribuição, motivada por informação em DCTF de exigibilidade suspensa com vinculação a processo judicial que não restou confirmada. Inconformada com a imposição, a contribuinte ingressou com impugnação, alegando, em síntese efetivou depósito do montante integral, relativamente aos PA 01 a 12 de 1998, Mandado de Segurança 96.01011960. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0930.625, de 22/07/2010, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. Para os períodos sem comprovação dos efetivos recolhimentos, deve persistir o lançamento efetuado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.º 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL ACRÉSCIMOS LEGAIS. Em caso de sentença definitiva contrária ao contribuinte, os acréscimos legais (juros e multa de mora) serão excluídos no momento da efetiva conversão do depósito em renda, observados os valores das contribuições depositadas/devidas e as datas dos depósitos/vencimento das contribuições. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgamento foi no sentido de julgar procedente o lançamento, excluindose a multa de ofício, por aplicação da retroatividade benigna.. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Argumenta que foi indeferída a liminar pleíteada, facultandose, entretanto, o direito de a impetrante depositar em juízo os valores relativos ao PIS, a cada mês, em conta de rendimentos na Caixa Econômica Federal, como foi feito desde então, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, em conformidade com o previsto no art.151, II do CTN. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13639.000337/200313 Resolução nº 3802000.354 S3TE02 Fl. 327 3 Prossegue, em primeira instância a segurança foi denegada, remanescendo, contudo, a faculdade de depositar em juízo os valores referentes às contribuições então vincendas. Não se conformando com a sentença do MM. Juiz Federal, a impetrante apelou para o e. Tribunal Regional Federal da 1* Região, onde viu reconhecido o direito líquido e certo de recolher a contribuição corretamente, quer dizer, em conformidade com as Leis Complementares 07/ 70 e 17 / 73. Com o trânsito em julgado do acórdão em 31 de maio de 1999, houve a conversão em renda da União de parte do valor que de fato constituía o crédito tributário devido (com base nas LCs 07/ 70 e 17/ 73) e o levantamento da parcela do depósito que ficou reconhecida como indevida. Podese verificar a veracidade do que aqui se narra nas guias de recolhimento, no alvará de levantamento e na certidão da Secretaria da 1” Vara Federal da Subseção Judiciária de de Fora (documentos em anexo), bem como na simples constatação nos autos do processo já referido (Mandado de Segurança n° 96.0101196O), o que pode ser diligenciado pela própria Receita Federal. Esclarece que o crédito tributário lançado como devido (no valor de R$29.043,41, referente aos Períodos de Apuração 01 a 12 de 1998) foi extinto quando da conversão em renda da União, nos termos do artigo 156, VI do CTN, de parte dos valores depositados em juizo. Por fim, conclui que durante os períodos de apuração de 01 a 12 de 1998 a ação mandamental ainda estava em trâmite e o depósito do valor referente às contribuições foi feito mês a mês e de forma integral, como comprovam as guias que inegram os autos, nada havendo que ser cobrado, nem mesmo a título de acréscimos legais. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente, observei que num trecho do voto da primeira instância, o qual dispõe: A impugnante alega que efetivou depósitos judicialmente (fls. 73/83), no montante integral, para os PA de janeiro a dezembro de 1998, Mandado de Segurança 96.01011960 (fls. 02/72), não cabendo o lançamento sobre essas parcelas. Registrese que não consta dos autos, talvez por equívoco da contribuinte, a guia de depósito para o PA 08/1998, no valor de R$ 1.968,55 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13639.000337/200313 Resolução nº 3802000.354 S3TE02 Fl. 328 4 Não obstante essa observação acima, bem como na documentação acostada aos autos, percebi que na planilha, à fl. 316 (pdf) também não indica este valor referente ao PA 08/98. No entanto, a recorrente apresentou, com o Recurso Voluntário, documentos, tais como: Certidão judicial de objeto e pé do mandado de segurança 96.0101 1960; Alvará judicial de levantamento; 1 (um) aviso de crédito (Caixa Econômica Federal); 3 (três) avisos de débitos (Caixa Econômica Federal); 2 (dois) documentos de lançamento de evento pagamento/recebimento; 2 (dois) telas de sistema referentes a depósitos judiciais/extrajudiciais; 3 (três) telas de sistema referentes a contas Caixa Econômica Federal; 1 (uma) planilha; Termo de abertura, de encerramento e uma página do livro Diário. Dessa forma, entendo, mas levo a plenário para análise, que antes de qualquer apreciação, prudente é análise dessa documentação para chegar à conclusão, no julgamento, se houve ou não depósito montante integral, nos termos do art. 151, inc. II do CTN. Ficou acertado por converter os autos em diligência para retorno, à Delegacia de origem, para apreciação dessa documentação, ou seja, da demanda acima, se há depósito integral, à vista da documentação e por fim, emitir parecer conclusivo do montante levantado, se for o caso. Em assim sendo, após providência realizada, cientificar a recorrente, bem como a PGFN, inclusive, se quiserem se manifestar e finalmente, retornem os autos a esta Turma para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13866.000154/2003-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2002
TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL.
As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Cofins a totalidade dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Não é permitida a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-004.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite do crédito disponível, devendo ser abatido da base de cálculo dos tributos a totalidade dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. A exclusão, contudo, não abrange os valores referentes à rede própria, posto não corresponderem a indenizações.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Demes Brito, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2002 TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Cofins a totalidade dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Não é permitida a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. Recurso Voluntário Provido em Parte
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COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Cofins a totalidade dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Não é permitida a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite do crédito disponível, devendo ser abatido da base de cálculo dos tributos a totalidade dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. A exclusão, contudo, não abrange os valores referentes à rede própria, posto não corresponderem a indenizações. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 01 54 /2 00 3- 14 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 420 2 Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Demes Brito, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 421 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, apresentados pelo interessado utilizando como crédito pagamentos indevidos da COFINS referente ao período de apuração julho de 2002, relacionados às fls. 03, no valor total, original, de R$ 6.764.33. Através do Despacho Decisório de fls. 58/61, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas em virtude da verificação da inexistência do crédito apresentado para a compensação. Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a título de “Eventos Conhecidos de Assist. Médicas”, valores pagos aos prestadores de serviço, clínicas, hospitais e outros assemelhados. Essas exclusões não foram aceitas, pois não autorizadas legalmente e, refeita a base de cálculo, verificouse que o valor devido do PIS e Cofins, nos referidos períodos de apuração, era até superior aos valores efetivamente pagos. Assim pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, ou seja, de crédito, não homologou as compensações e determinou a cobrança do crédito tributário não compensado. A DRJ Inicialmente julgou o pleito improcedente. Inconformado, o interessado apresentou Recurso Voluntário, fls. 104/116, pretendendo a reforma da decisão da DRJ, sendo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através do Acórdão nº 310100.865, de 11 de agosto de 2001, fls. 132/138, manifestouse com a seguinte ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. Sob a égide da Lei 9.718, de 1998, “faturamento” ou “receita bruta”, base de cálculo da contribuição, compreende, tão somente, a venda de mercadorias, a venda de serviços e a venda de mercadorias e serviços. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO EM DUAS INSTÂNCIAS. É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais questões de mérito pelo órgão Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 422 4 julgador a quo quando superados, no órgão julgador ad quem, pressupostos que fundamentavam o julgamento de primeira instância. Recurso não conhecido nas demais razões de mérito, devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância. O processo retornou a esta DRJ que, mediante Resolução de fls. 144 a 146, determinou o retorno do processo á DRF de origem “para as necessárias providências de análise do Pedido de Restituição e da Declaração de compensação, observando o decidido pelo CARF no Acórdão de fls. 132/138, posterior intimação ao interessado do resultado da análise, abrindolhe prazo para a apresentação de nova manifestação de inconformidade, se assim desejar.” A DRF proferiu novo despacho decisório, fl. 151155, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pelos seguintes fundamentos: “(...) para apurar se de fato ocorreram os indébitos alegados, verificamos pelos documentos acostados ao processo, que o valor do Faturamento/Receita Bruta da empresa, assim considerada a Base de Cálculo da COFINS, demonstrado pelo próprio interessado pelos documentos de fls.51 e também declarados à Ficha 20A da DIPJ/2003 (fls.50), o valor total de R$.759.560,85, composto das seguintes rubricas conforme Acórdão proferido pelo CARF: Desta feita, uma vez que a alíquota da COFINS estabelecida na Lei 9.718/1998 é de 3%, chegamos então ao valor da COFINS devido de R$.22.786,83. Observado, entretanto, que o interessado recolheu os DARFs nos valores de R$.12.000,98 em 15/08/2002 e de R$.554,84, no total de R$.12.555,82, concluímos que foi recolhido valor menor do que a contribuição devida para o mês de Julho de 2002, não tendo, portanto, ocorrido os indébitos requeridos. Desta forma, proponho: O Não Reconhecimento do direito creditório no valor de R$. R$.6.764,33, e o Indeferimento do Pedido de Restituição de fls.3 por inexistência do Direito Creditório; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 423 5 Que sejam consideradas Não Homologadas as Compensações dos Débitos Declaradas às fls.4 e controlados neste processo conforme a seguir: (...) Novamente cientificado, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 379 a 387 alegando, em síntese, que: “(...) (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2002 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 424 6 COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. Inexiste amparo legal para as operadoras de plano de saúde excluir da base de calculo da Cofins os valores pagos a prestadores de serviço, clínicas, hospitais e outros assemelhados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da decisão de 1ª Instância a Empresa propôs RECURSO VOLUNTÁRIO, no qual repisa os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando que com a publicação da Lei n° 12.873 de 24 de outubro de 2013, restou claro que a dedução da base de cálculo dos valores gastos no atendimento dos beneficiários da própria operadora, é, e sempre foi, legal, não havendo que se falar, portanto na manutenção da decisão de primeira instância administrativa e colacionando precedentes. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 425 7 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A controvérsia a ser dirimida nos presentes autos cinge, precipuamente, ao direito da recorrente em excluir da base de calculo da Cofins os valores relativos aos pagamentos que efetuou a prestadores de serviço, clínicas, hospitais e outros assemelhados, que foram glosados quando da análise do Pedido de Restituição e Declaração de Compensação. O art. 3º da Lei 9.718/98, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001 assim dispunha: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) Esse artigo foi alterado pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013 que, para efeito de interpretação, acrescentou o seguinte parágrafo: § 9ºA Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) O novo § 9ºA do art. 3º da Lei 9.718/98 trouxe o esclarecimento de que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos é o total dos custos Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 426 8 assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora. Verificase que o artigo acrescido não inova propriamente, mas apenas se limita a esclarecer dúvidas atinentes ao dispositivo anterior, aplicandose assim o disposto no art. 106, I do Código Tributário Nacional, que permite a retroatividade da lei tributaria meramente interpretativa. E o que seriam tais custos assistenciais? A ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar, através do Ofício nº 152/2007/GGHAO/DIOPE/ANS/MS, apresenta as seguintes definições: 3. VALOR REFERENTE ÀS INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS, EFETIVAMENTE PAGO, DEDUZIDO DAS IMPORTÂNCIAS RECEBIDAS A TÍTULO DE TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADES Eventos Ocorridos: são os custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde cia operadora, tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc. que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência. A classificação será nas contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117 e 4118 (Capitulo V, Anexo I, da IN no 08/2006; ou Capitulo IV do Anexo II da RN no 27/2003); Valor dos Eventos Efetivamente Pagos: são os eventos conhecidos, ocorridos, líquidos das recuperações por glosas, ressarcimentos ou outras deduções, como descontos obtidos, classificados nas contas 4121, 4122, 4128, 4129, 4131 e 4132, ou seja, é o que efetivamente a operadora saldou, pagou no mês. Importâncias Recebidas a Titulo de Transferência de Responsabilidades: são os valores de repasse recebidos a titulo de transferência de responsabilidade, ou seja, os valores recuperados de eventos em decorrência do compartilhamento de risco, classificados nas contas 4123 e 4124 do Plano de Contas Padrão ANS (Capitulo V. Anexo I, da IN no 08/2006; ou Capitulo IV do Anexo II da RN no 27/2003).. Entendo que estes custos assistenciais compreendem as despesas com hospitais, exames laboratoriais, honorários médicos, dentre outros previstos contratualmente com os usuários e de responsabilidade da operadora do plano de saúde, decorrentes da utilização por beneficiários da própria operadora ou beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, conforme interpretação dada pelo art. 19 da Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 427 9 No entanto, não devem ser deduzidos da base de cálculo das contribuições os valores relativos aos eventos prestados diretamente pela rede própria, sem intermediário e sem pagamento direto, incluídos os serviços prestados por profissionais que mantenham relação empregatícia, por não se tratar de valores indenizados e sim de custos com a rede própria, devendo se ater aos pagamentos realizados pela operadora de plano de saúde para terceiros não vinculados, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. Neste ponto, adotase o entendimento exposto no voto proferido pela Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas no acórdão n° 3302001.765 proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção deste CARF em sessão datada de 21/08/2012, que trata com propriedade o tema, delineando de forma pormenorizada a sistemática de cálculo da dedução prevista no artigo 3°, §9°, inciso III da Lei n° 9.718/98: [...] A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta "4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS". E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo eventos que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta "4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR". Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do "...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos..." O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 428 10 Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1) O credenciado presta o serviço para o beneficiário; Janeiro /X1 (2) após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação. Fevereiro/X1 (3) apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento. Março/X1 As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta "apuração do número final", inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 429 11 deduzido o valor das "indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago", sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como "indenizações" ou 'eventos ocorridos, efetivamente pagos". A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo "indenização". Estes eventos não são "indenizados" pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser "efetivamente paga", é simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados não congêneres atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 430 12 No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, tem se a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para poder atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros é faturamento da Recorrente Está vinculado ao objeto social da entidade e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de CUSTOS e DESPESAS. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO da OPS contratada como congênere (empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) contra a OPS que a contratou, é classificada contabilmente como uma rubrica redutora dos custos e Despesas, in verbis: " CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR" Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 431 13 Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora das Receitas que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo dos tributos em questão. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu "ajustar" a base de cálculo do PIS e da COFINS das operadoras de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta redutora de custos e despesas podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo faturamento da operadora. Assim, dos valores glosados no despacho decisório, que a autoridade administrativa considerou como despesas originárias de pagamentos a prestadores de serviços, clinicas, hospitais, e outros assemelhados, devese reconhecer a legitimidade da dedução das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, mais precisamente, ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora, e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, conforme interpretação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, excetuandose destas operações aquelas prestadas diretamente pela Operadora do Plano de Saúde, quer pela sua rede própria ou por profissionais que mantenham relação empregatícia. Apesar de não estar sendo diretamente discutido nos autos, ressalvo que deve ser mantida a exclusão da base de cálculo da Cofins da “parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas”, prevista no inciso II do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, valores referentes às Provisões Técnicas contabilizados em conta específica (SUBGRUPO: 3.1.2. VARIAÇÃO DA PROVISÃO TÉCNICA DE OPERAÇÕES DE ASSIST. À SAÚDE). Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite do crédito disponível, devendo ser abatido da base de cálculo dos tributos a totalidade dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras.. A exclusão, contudo, não abrange os valores referentes à rede própria, posto não corresponderem a indenizações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão n.º 3801004.711 S3TE01 Fl. 432 14 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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