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Numero do processo: 11543.000992/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. DESPESAS COM INSUMOS. COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, MATERIAL LABORATORIAL.
Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis, energia elétrica e materiais laboratoriais não caracterizam matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final (Súmula CARF n.º 19 e Parecer Normativo n.º 65/1979).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVA. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ.
A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no Resp n.º 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF.
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS.
O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. A Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída.
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE REVENDA.
A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurar-se o coeficiente de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. COMPROVAÇÃO EXPORTAÇÃO.
Necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para garantir a validade do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, garantir a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores de revendas de mercadorias de terceiros, reconhecer a exportação das mercadorias constantes da NF 1684, de 15/10/2002, e garantir a inclusão da taxa SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, garantir a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI. Vencida neste ponto a Conselheira Larissa Nunes Girard.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Recorrente ADM DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. DESPESAS COM INSUMOS. COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, MATERIAL LABORATORIAL. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis, energia elétrica e materiais laboratoriais não caracterizam matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final (Súmula CARF n.º 19 e Parecer Normativo n.º 65/1979). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVA. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no Resp n.º 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. A Lei n.º AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 09 92 /2 00 3- 13 Fl. 854DF CARF MF 2 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE REVENDA. A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurarse o coeficiente de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. COMPROVAÇÃO EXPORTAÇÃO. Necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para garantir a validade do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, garantir a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores de revendas de mercadorias de terceiros, reconhecer a exportação das mercadorias constantes da NF 1684, de 15/10/2002, e garantir a inclusão da taxa SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, garantir a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI. Vencida neste ponto a Conselheira Larissa Nunes Girard. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 855 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento do PIS e da COFINS respaldado em crédito presumido de IPI relativo ao 4º Trimestre de 2002, formulado em 31/03/2003, com fulcro na Lei n.º 9.363/1996. Ao referido pedido foram vinculados Declarações de Compensação de débitos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL. Os créditos pleiteados foram parcialmente reconhecidos no Despacho Decisório, sendo excluídos do montante de crédito os valores correspondentes a: (i) insumos que não se caracterizavam como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem, nos moldes do Parecer Normativo CST nº 65/1979; (ii) aquisições realizadas por intermédio de pessoas físicas e cooperativas e de insumos importados; e (iii) receita de exportação daquelas decorrentes de produtos nãotributados, revendidos ou cuja exportação não foi comprovada. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora, em acórdão ementado nos seguintes termos: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, a energia elétrica, os combustíveis, o ácido clorídrico, etc, elementos que não atuam diretamente sobre o produto, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979; Lei nº 9.363, de 1996). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O crédito presumindo do IPI é calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos nãotributados (NT). RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. As receitas de exportação utilizadas na apuração do crédito presumido são aquelas sobre as quais a contribuinte comprova a efetividade das exportações, mediante Fl. 856DF CARF MF 4 anexação de documentos hábeis e legíveis, capazes de refutar a glosa efetuada pela fiscalização. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Art. 15 da Lei 9.779, de 19/01/1999. A apuração centralizada do crédito presumido de IPI impõe o cálculo centralizado da receita operacional bruta pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica, conforme determina a legislação regulamentadora da matéria, independentemente de a receita provir da industrialização, comercialização ou prestação de serviços. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade e constitucionalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais do IPI, bem como sobre o saldo credor trimestral acumulado, sejam eles decorrentes dos chamados créditos básicos ou de incentivos fiscais. Solicitação Indeferida." (efls. 335/336) Intimada desta decisão em 20/11/2008, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 09/12/2008 requerendo a reforma do acórdão recorrido e a subsistência da compensação efetivada, alegando, em síntese: (i) o direito ao crédito presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96 e a ilegitimidade das glosas dos créditos de: (i.1) insumos tais como energia elétrica, lenha, bagaço de cana e óleo, combustíveis, lubrificantes, materiais para análise laboratorial, para tratamento de água e efluentes do processo industrial, gás e outros insumos que, embora não consumidos diretamente na produção do produto fabricado, são essenciais ao processo de industrialização do produto como um todo; (i.2) de aquisições de insumos de pessoas físicas, de cooperativas e de sociedades comerciais (insumos importados), sendo que as Instruções Normativas RFB nº 67/92, 23/97 e 103/97 alteraram a previsão da Lei nº 9.363/96, tendo restringido a lei; (i.3) de produtos classificados como não tributados NT, vez que a Lei n° 9.363/96, em momento algum, restringiu o direito à fruição do crédito presumido do IPI nessas hipóteses. (i.4) das operações de exportação realizadas por empresas comerciais exportadoras, cuja validade do crédito se respalda no art. 1°, parágrafo único, da Lei n° 9.363/96. Neste ponto acrescenta que a ausência de comprovação de exportações no SISCOMEX não procede, porquanto os números das Declarações de Despacho de Exportação e dos Registros de Exportação bastam para que sejam devidamente comprovadas as exportações tratadas neste processo administrativo; (ii) sustenta que o cálculo do percentual entre a receita de exportação e receita operacional bruta está incorreto, em desconformidade com a Portaria MF n.º 93/2004; Fl. 857DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 856 5 (iii) requer a atualização monetária de seus créditos, pela taxa SELIC. Especificamente quanto à comprovação de exportações no SISCOMEX, este CARF entendeu por converter o julgamento em diligência na Resolução n.º 3101000.140, nos seguintes termos: "Diante desse quadro, concluo ser necessário aprofundar o exame da matéria atinente à ausência de comprovação de exportações no SISCOMEX, e voto pela conversão deste julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente providencie o seguinte: 1) verifique a existência, de fato, das Declarações de Despacho de Exportação e dos Registros de Operações de Exportação que devem corresponder às notas fiscais relacionadas na tabela do início deste voto; 2) se existentes os documentos apontados no item 1, supra, verificar se os produtos indicados nas notas fiscais correspondem aos produtos relacionados nos documentos apontados como comprovantes de exportação, notadamente no que diz com suas descrições, classificações fiscais, quantidades, valores, CFOP, etc; 3) se houver discrepância entre os produtos indicados nas notas fiscais e os produtos relacionados nos documentos, intimar a recorrente e as empresas comerciais exportadoras para trazer aos autos os demonstrativos instituídos pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício, acompanhados das notas fiscais, das Declarações de Despacho de Exportação e dos despachos correspondentes à cada nota fiscal; 4) elaborar Relatório Fiscal conclusivo e sucinto que contenha quadro pormenorizado, por nota fiscal, acerca da comprovação das exportações por parte da recorrente, acompanhado dos documentos encontrados. Após a juntada do Relatório Fiscal aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestígio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias." (efls. 653/654) Em cumprimento desta diligência foi elaborado o Relatório Fiscal das efls. 691/698, trazendo esclarecimentos quanto aos itens da diligência. Naquela oportunidade, foi elaborado o seguinte quadro resumo das informações prestadas: Fl. 858DF CARF MF 6 Por entender que a diligência realizada foi insuficiente, especialmente em razão da necessidade de se intimar as empresas comerciais exportadoras, esta turma, em sua composição anterior, por meio da Resolução n.º 3402000.793, entendeu por converter novamente o processo em diligência nos seguintes termos: "Ocorre, que a diligência foi realizada, mas não de forma satisfatória pela fiscalização. Assim, tem razão a recorrente em sua última manifestação: “a diligência não foi concluída” e digo mais, não foi conclusiva. Efetivamente, no termo de conclusão da diligência foi afirmado que as ‘ DDE informadas pelo contribuinte, elas se referem a produtos com descrição idêntica as constantes ... ‘ acabou por responder de forma lacônica os itens “a” “b” e “c”, afirmando, em suma, que os DDE e RE informados efetivamente existem. Que as vendas foram indiretas, que em geral, as notas possuem a mesma descrição, quantidade e classificação fiscal. Que diferente de produtos eletrônicos, que tem código de barras, não se tem como afirmar que os produtos comercializados foram efetivamente exportados para o mercado internacional, já que à época que Receita Federal não normatizou a forma de apresentação dessas informações até o advento da PERD/Dcomp. Também, concordo com a Recorrente, que o relatório de diligência informa que no item “d”, o I. Auditor Fiscal discorre quanto a legislação sobre a fruição do benefício fiscal, afirmando que somente a Receita Federal poderia controlar a efetiva exportação das mercadorias, já que navios, aviões, e automóveis são plenamente controlados pela Receita Federal, que o envio do produto deve se dar para local com controle alfandegário. Que este é o raciocínio que pode ser usado para as declarações a que estão obrigadas a apresentar as empresas comerciais exportadoras, e reiterou que a Receita Federal NUNCA normatizou a forma de apresentação de informações até o advento da PERD/Dcomp. Porém, a diligência foi sim para apurar justamente a comprovação da regular exportação dos produtos constantes nas notas fiscais e que a Recorrente não tem o poder de intimar outras empresas a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos como a Receita Federal. Assim, consta expressamente na determinação de diligência, que a empresa fiscalizada e a comercial exportadora fossem intimadas para apresentar os documentos cabíveis, o que não foi feito. Com tudo isso, considero não concluída a determinação do colegiado e, portanto, voto no sentido de converter o julgamento novamente em diligência para conclusão nos mesmos termos da diligência anterior, acrescentando a análise dos documentos juntados pela Recorrente em sua manifestação e inclusão na conclusão da diligência. Finalmente, concluída a diligência intime novamente a Recorrente para se manifestar no prazo de 30 dias. Manifestando ou não a partir desse prazo retorne os autos a esse conselho para julgamento." (efl. 763) Esta segunda diligência foi cumprida pelo Relatório Fiscal às efls. 814/820, no qual a fiscalização afirmou: "Na informação apresentada, verificamos que a nota fiscal nº 113.254, única para a qual a recorrente apresentaria alguma documentação, não consta dos Memorandos de Exportação da empresa comercial exportadora apresentados. Nestes Memorandos de Exportação consta informações para a NF 113.250, que, apesar da recorrente alegar ter sido substituída pela nota fiscal nº 113.254, não há na nota fiscal apresentada nenhuma indicação de que tenha havido esta substituição. Em suma, a recorrente não apresentou nenhum dos documentos solicitados, apesar de ter requisitado de forma contundente que fosse cumprida integralmente pela fiscalização a diligência solicitada pelo CARF, inclusive em relação ao item Fl. 859DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 857 7 “c”. Ressaltamos, uma vez mais, que uma das solicitações do item “c” era a apresentação por parte da recorrente do demonstrativo instituído pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício. Na verdade, a recorrente sequer mencionou em sua resposta este demonstrativo que deveria ter sido apresentado por ela à Receita Federal. A alegação apresentada pela recorrente de que isto se deve ao longo prazo decorrido desde a realização das operações é incabível, uma vez que a fiscalização do pedido de ressarcimento ocorreu em 2007, ou seja, desde aquela época o contribuinte já sabia que os créditos embasados nestas notas fiscais foram indeferidos e deveria, inclusive, ter apresentado estes documentos comprobatórios desde a sua impugnação, ou, pelo menos, têlos em boa guarda para comprovar suas alegações, caso fosse solicitado. Tanto é assim, que ela possuía alguns documentos referentes a estas exportações e os apresentou apesar de todo o tempo decorrido. (...) Desta forma, fica claro que os documentos solicitados no item “c” da diligência solicitada pelo CARF não foram apresentados nem pela recorrente nem pela empresa que seria a comercial exportadora. Por fim, quanto ao item “d” da solicitação de diligência, considerando tudo o que já havia sido exposto na diligência anterior e as intimações feitas e respostas apresentadas nesta diligência, concluímos que houve a comprovação somente da exportação feita através da Nota Fiscal nº 1684, de 15/10/2002, feita pela própria empresa ADM através do DDE 2020798640/1 e RE 02/10379250001. Quanto às demais Notas Fiscais objeto desta diligência, ou seja, as Notas Fiscais nº 2.574, 202.954 e 113.254: a) Considerando tudo o que foi informado no relatório da diligência anterior, ou seja, que por não ter sido enviada para recinto alfandegado ou porto não tem como o contribuinte comprovar que os produtos exportados pela suposta comercial exportadora foram os mesmos que haviam sido comercializados através de suas notas fiscais nº 2.574, 202.954 e 113.254, havendo inclusive divergência em relação as quantidades exportadas nas DDE e as quantidades vendidas através destas notas fiscais; b) Considerando tudo o que foi informado neste relatório, ou seja, que além de tudo, nem o contribuinte nem a suposta comercial exportadora apresentaram documentos obrigatórios para a fruição do benefício quando houvesse venda de produtos para empresas comerciais exportadoras, com fim específico de exportação; c) Considerando tudo o mais que consta do processo, fica evidente que não há comprovação das exportações indiretas solicitadas pelo contribuinte que teriam sido feitas através destas Notas Fiscais." (efls. 819/821 grifei). Após manifestação da Recorrente (efls. 827/283), os autos retornaram para este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Fl. 860DF CARF MF 8 I CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI E OS INSUMOS O crédito presumido sob análise foi instituído pela Lei n.º 9.363/1996 com a finalidade de incentivar as exportações, em prol das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, nos seguintes termos: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." (grifei) Tratase de crédito para ressarcimento do valor do PIS e da COFINS devidos pelas empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. A forma de apuração e aproveitamento deste crédito foi relacionado ao IPI, cuja legislação foi adotada de forma subsidiária quanto aos conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nos termos da lei: "Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Art. 4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente." (grifei) Adotase, portanto, o conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem tratado na legislação do IPI. Especificamente quanto ao produto intermediário, considerase as o entendimento firmado no Parecer Normativo n.º 65/1979, que entende a expressão consumidos na produção “em sentido amplo abrangendo exemplificativamente o desgaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”, fazendo jus ao crédito “as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem Fl. 861DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 858 9 como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas independentemente de suas qualificações tecnológicas”. Esta interpretação do produto intermediário consta, igualmente, no art. 226, I, do RIPI, que expressa: "Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;" (grifei) Sustenta a Recorrente que caberia a tomada de crédito sobre insumos que, embora não consumidos diretamente na produção do produto fabricado, são essenciais ao processo de industrialização do produto como um todo, tais como energia elétrica, lenha, bagaço de cana e óleo, combustíveis, lubrificantes, materiais para análise laboratorial, para tratamento de água e efluentes do processo industrial e gás. Contudo, descabida a pretensão da Recorrente neste ponto. Busca a Recorrente a utilização de um conceito de insumo amplo que não se coaduna com o entendimento para a tomada de crédito de IPI, admitido, como visto, apenas para as matérias primas, materiais de embalagem e produtos intermediários que se desgastem diretamente no processo de fabricação, com uma ação direta sobre o produto final. Ainda que sejam relevantes para a produção, a energia elétrica, a lenha, o bagaço de cana e óleo, os combustíveis, os lubrificantes, os materiais para análise laboratorial, para tratamento de água e efluentes do processo industrial e o gás não integram o produto final ou são desgastados/consumidos em decorrência de ação direta sobre o produto final, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Este foi o entendimento veiculado na Súmula CARF n.º 19 em especial quanto aos combustíveis e a energia elétrica objeto do pleito da Recorrente, segundo a qual: "Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário." Nesse sentido, cabe ser mantida a glosa de créditos neste ponto. II CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NAS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS Esta turma já debateu essa questão em distintas oportunidades, com a devida aplicação do precedente firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo no Recurso especial n.º 993.164, que ensejou na edição da súmula n.º 494 daquele tribunal. Fl. 862DF CARF MF 10 Por ter tratado bem a questão, transcrevo abaixo as considerações trazidas em uma destas oportunidades, no Acórdão 3402003.664 de 13/12/2016, de relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro: "I. Do ressarcimento de IPI e do crédito oriundo de pessoas físicas 6. De forma muito objetiva, o que se discute aqui é se o contribuinte Recorrente possui ou não direito a crédito presumido do IPI na hipótese de aquisições de pessoas físicas, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no seu processo produtivo. 7. E a referida discussão decorre do disposto no §2° do art. 2º. da Instrução Normativa n. 23/971 vis a vis do que prevê o art. 1º. da lei n. 9.363/96. Isso porque a referida Instrução Normativa, ao pretexto de regulamentar a sobredita lei, criou uma restrição ao crédito em comento, o qual estaria limitado à hipótese de aquisição de insumos de pessoas jurídicas sujeitas à incidência de PIS e COFINS. 8. Acontece que, ao proceder dessa forma, a Receita Federal do Brasil não se limitou a regulamentar a aludida lei, mas implicou verdadeira restrição ao uso do crédito conformado legalmente, extrapolando, portanto, suas funções2. Registrese, por oportuno, que essa discussão já foi travada no âmbito do contencioso judicial, sendo objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recursos repetitivos, oportunidade em que o referido Tribunal assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes 1 "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 2 Isso porque "a Administração possui função executiva e não legislativa, o que proíbe que os funcionários públicos coloquem em dúvida a validade da lei.". (ÁVILA, Humberto. 'Sistema constitucional tributário'. 3ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 123.). Em outros termos, não compete ao Poder Executivo qualquer modificação no conteúdo da lei, seja ampliando ou reduzindo seu teor. Compete a ele apenas dispor sobre a operacionalização e a perfeita execução dos mandamentos previstos na lei. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 859 11 sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Fl. 864DF CARF MF 12 Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) (g.n.). 9. Referido precedente redundou na súmula 494 do STJ, in verbis: Fl. 865DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 860 13 "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." 10. O sobredito julgado tido como precedente é análogo ao caso aqui tratado, uma vez que lá também se discutiu a possibilidade de empresa exportadora se valer de crédito presumido de IPI (art. 1º. da lei n. 9.363/96) na hipótese de adquirir insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas, afastando, por conseguinte, a restrição indevidamente imposta pelo §2° do art. 2º. da Instrução Normativa n. 23/97, exatamente como ocorre no caso em tela. 11. Nesse esteio, referido precedente pretoriano tem força vinculativa para este julgador, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2° do Regimento Interno do CARF, razão pela qual mister se faz dar provimento ao recurso voluntário em análise." (grifei e mantive os grifos do original) Nesse sentido,com fulcro no art. 62, §2º, do RICARF, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para admitir a validade do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas. III CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA VENDA DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS E NAS REVENDAS DE PRODUTOS DE TERCEIROS Neste tópico, adentraremos nas considerações da Recorrente que foram levadas à apreciação da decisão de primeira instância quanto à base de cálculo do crédito presumido, especificamente nas seguintes alegações: (i) inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI; e (ii) exclusão das receitas de exportação das vendas de mercadorias de terceiros (revendas). Como já tratado acima, o crédito presumido sob análise foi instituído pela Lei n.º 9.363/1996 com a finalidade de incentivar as exportações, em prol das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, nos seguintes termos: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." (grifei) Ao fazer menção à garantia do crédito sobre mercadorias nacionais, a lei conseguiu englobar todas as mercadorias produzidas, sejam elas tributadas ou não pelo IPI. A condição de incidência sobre as aquisições foi feita, apenas, para o PIS e a COFINS, contribuições de que tratam as Leis Complementares 7 e 8/703. 3 Cumpre mencionar que como sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial Repetitivo n.º 993.164/MG (Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010), "sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de Fl. 866DF CARF MF 14 Com efeito, o crédito presumido é para ressarcimento do valor do PIS e da COFINS devidos pelas empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. A forma de apuração e aproveitamento deste crédito foi relacionado ao IPI, cuja legislação foi adotada de forma subsidiária quanto aos conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nos termos da lei, novamente reproduzida abaixo: "Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Art. 4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente." Contudo, e ao contrário do que entendeu o Despacho Decisório no presente caso, a lei não faz qualquer exigência de tributação pelo IPI para o gozo do crédito, sendo certo que basta que sejam adquiridos matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (nos termos da legislação do IPI, sejam eles tributados ou não por este imposto) para a produção de mercadorias nacionais (tributadas ou não pelo IPI). Com efeito, não há qualquer exigência legal no sentido de que: (i) as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção dos produtos a serem exportados sejam tributados pelo IPI, vez que "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN), ou mesmo que (ii) o produto exportado pela beneficiária do crédito presumido seja um produto tributado pelo IPI. Esse raciocínio vem sendo traçado, há muito, por este Conselho, como se depreende do julgamento do Câmara Superior exarado em 2003: "IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e da COFINS em favor da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Referindose a lei a “mercadorias” foi dado o benefício cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS". Fl. 867DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 861 15 fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos “produtos industrializados”, que são espécie do gênero “mercadorias”. (...) Recurso ao qual se dá parcial provimento. (...) VOTO DO CONSELHEIRO DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA RELATORDESIGNADO (...) Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI , (Decreto n° 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada (produtos de origem animal impróprios para o consumo humano, utilizados na preparação de produtos farmacêuticos — fl. 143) sobre os quais houve incidência de PIS e COFINS , são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado "A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI — Hipóteses de Conflito": "(..) Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultadáfinal deste ato — o produto. . Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: "... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso."8 Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não. (.)." Feitas essas considerações, é possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada são sim "produtos industrializados", mesmo que não tributados Mas, a meu entender, não é essa a questão central que se encontra em debate. E a propósito da discussão central travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o beneficio do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre "produto industrializado não tributado" e "produto industrializado tributado", pois tanto um como outro são "mercadorias" e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei n° 9.363/96. Daí, sim, se autorizado o pleito de ressarcimento para produtores de produtos NTs, como na hipótese dos autos. Aliás, o crédito presumido em análise tem por objetivo o ressarcimento das contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, no caso o PIS e a COFINS, não importando se o produto é ou não tributado pelo IPI na saída final" (CSRF, Processo 13005.000689/9861, Data da Sessão 13/08/2003 Relator Henrique Pinheiro Torres Nº Acórdão 20215016 grifei) Em consonância com o entendimento do voto acima transcrito, entendo que não importa para fins de aferição do crédito presumido da Lei n.º 9.363/1996 a tributação pelo IPI seja na entrada para a produção, seja na saída para exportação. Fl. 868DF CARF MF 16 E analisando as posições atuais deste E. CARF, em especial no âmbito do CSRF, vislumbrase que esse entendimento no sentido da desnecessidade de tributação pelo IPI para o gozo do crédito presumido (ainda que com posições dissonantes), persiste. Vejamos a título de exemplo "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Decisão Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento. (...) Nesse sentido, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. " (CSRF, Número do Processo 11077.000253/200367 Data da Sessão 30/05/2011 Relatora Nanci Gama Acórdão n.º 9303001.438 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC. SÚMULA nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento parcial quanto à exportação de produtos NT. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama." (CSRF, Fl. 869DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 862 17 Processo 11610.021746/200265 Data da Sessão 31/05/2011. Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho Nº Acórdão 9303001.469 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise o valor correspondente à exportação de produtos NT. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. ART. 62A do RI do CARF. REPETITIVO DO STJ. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais e Recurso Repetitivo do STJ. Além disso, deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Com efeito, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese em violação aos princípios da razoabilidade e da isonomia. Portanto, aplicase a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento ou até a data da consolidação das compensações a ele vinculadas. REP Negado e REC Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, : I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (...) No entanto, no tocante ao mérito, o mesmo, a meu ver, não merece provimento, e para tanto peça vênia para reproduzir as razões do voto do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres, acórdão no. 930301.606, da sessão de 30 de agosto de 2011, que adoto como razão de decidir: No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: (...) Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao impost o de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matéria prima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem (...) Fl. 870DF CARF MF 18 Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”." (CSRF, Processo n.º 13811.005178/200214 Data da Sessão 20/02/2014 Relatora Nanci Gama Acórdão n.º 9303002.889) O último voto acima transcrito igualmente evidencia que a legislação não traz restrição para se considerar como Receita de Exportação os valores referentes às exportações de mercadorias nacionais de terceiros (revendas). Ainda que a aquisição desses bens não seja considerada para o cálculo, os valores de mercadorias de terceiros devem ser computados como receitas de exportação. Especificamente nesse sentido: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. DIVERSIDADE DE PREMISSAS. PARADIGMA INSERVÍVEL PARA COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Quando as premissas específicas do caso não foram abordadas nos paradigmas colacionados, eles se mostram inservíveis para comprovação da divergência. IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do beneficio fiscal atribuiu ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir "receita de exportação". Anteriormente a 26 de março de 2003, a "receita de exportação" alcançava, indistintamente, todas as mercadorias nacionais. Recurso Especial do Procurador Negado" (Número do Processo 13052.000022/200367 Data da Sessão 03/02/2015 Relator Rodrigo Cardozo Miranda Nº Acórdão 9303003.238 grifei) "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurarse o coeficiente de exportação. (...) Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Número do Processo 13054.000130/9963 Data da Sessão 06/12/2010 Relator Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc Nº Acórdão 9303001.271 grifei) Fl. 871DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 863 19 Nesse sentido, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para garantir a validade da inclusão na Receita de Exportação dos valores relativos (i) às vendas de produtos Não Tributados NT excluídos pela fiscalização (dentre os quais a soja, indicado expressamente pela Recorrente em sua defesa e pela fiscalização no Parecer SEFIS n.º 38/2007), vez que Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída; (ii) às vendas de mercadorias de terceiros (revenda). Neste ponto, cumpre ainda analisar a questão da comprovação da exportação, uma vez que o crédito presumido sob análise se relaciona com a exportação. Com efeito, não é viável garantir o aproveitamento do crédito quando não comprovada a venda para o exterior. Tratandose de questão que foi objeto das diligências realizadas neste processo, ela será abordada no tópico seguinte. IV RECEITA DE EXPORTAÇÃO E A CONFIRMAÇÃO DA EXPORTAÇÃO DAS MERCADORIAS Este ponto foi objeto de duas diligências realizadas nos presentes autos. Em cumprimento desta diligência foi elaborado o Relatório Fiscal das efls. 691/698, confirmando a exportação das Notas Fiscais identificadas na Resolução e trazendo esclarecimentos quanto aos itens da diligência. Naquela oportunidade, foi elaborado o seguinte quadro resumo das informações prestadas: Por entender que a diligência realizada foi insuficiente, especialmente em razão da necessidade de se intimar as empresas comerciais exportadoras, esta turma, em sua composição anterior, por meio da Resolução n.º 3402000.793, entendeu por converter novamente o processo em diligência nos seguintes termos: "Ocorre, que a diligência foi realizada, mas não de forma satisfatória pela fiscalização. Assim, tem razão a recorrente em sua última manifestação: “a diligência não foi concluída” e digo mais, não foi conclusiva. Fl. 872DF CARF MF 20 Efetivamente, no termo de conclusão da diligência foi afirmado que as ‘ DDE informadas pelo contribuinte, elas se referem a produtos com descrição idêntica as constantes ... ‘ acabou por responder de forma lacônica os itens “a” “b” e “c”, afirmando, em suma, que os DDE e RE informados efetivamente existem. Que as vendas foram indiretas, que em geral, as notas possuem a mesma descrição, quantidade e classificação fiscal. Que diferente de produtos eletrônicos, que tem código de barras, não se tem como afirmar que os produtos comercializados foram efetivamente exportados para o mercado internacional, já que à época que Receita Federal não normatizou a forma de apresentação dessas informações até o advento da PERD/Dcomp. Também, concordo com a Recorrente, que o relatório de diligência informa que no item “d”, o I. Auditor Fiscal discorre quanto a legislação sobre a fruição do benefício fiscal, afirmando que somente a Receita Federal poderia controlar a efetiva exportação das mercadorias, já que navios, aviões, e automóveis são plenamente controlados pela Receita Federal, que o envio do produto deve se dar para local com controle alfandegário. Que este é o raciocínio que pode ser usado para as declarações a que estão obrigadas a apresentar as empresas comerciais exportadoras, e reiterou que a Receita Federal NUNCA normatizou a forma de apresentação de informações até o advento da PERD/Dcomp. Porém, a diligência foi sim para apurar justamente a comprovação da regular exportação dos produtos constantes nas notas fiscais e que a Recorrente não tem o poder de intimar outras empresas a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos como a Receita Federal. Assim, consta expressamente na determinação de diligência, que a empresa fiscalizada e a comercial exportadora fossem intimadas para apresentar os documentos cabíveis, o que não foi feito. Com tudo isso, considero não concluída a determinação do colegiado e, portanto, voto no sentido de converter o julgamento novamente em diligência para conclusão nos mesmos termos da diligência anterior, acrescentando a análise dos documentos juntados pela Recorrente em sua manifestação e inclusão na conclusão da diligência. Finalmente, concluída a diligência intime novamente a Recorrente para se manifestar no prazo de 30 dias. Manifestando ou não a partir desse prazo retorne os autos a esse conselho para julgamento." (efl. 763) Esta segunda diligência foi cumprida pelo Relatório Fiscal às efls. 814/820, no qual a fiscalização afirmou: "Na informação apresentada, verificamos que a nota fiscal nº 113.254, única para a qual a recorrente apresentaria alguma documentação, não consta dos Memorandos de Exportação da empresa comercial exportadora apresentados. Nestes Memorandos de Exportação consta informações para a NF 113.250, que, apesar da recorrente alegar ter sido substituída pela nota fiscal nº 113.254, não há na nota fiscal apresentada nenhuma indicação de que tenha havido esta substituição. Em suma, a recorrente não apresentou nenhum dos documentos solicitados, apesar de ter requisitado de forma contundente que fosse cumprida integralmente pela fiscalização a diligência solicitada pelo CARF, inclusive em relação ao item “c”. Ressaltamos, uma vez mais, que uma das solicitações do item “c” era a apresentação por parte da recorrente do demonstrativo instituído pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício. Na verdade, a recorrente sequer mencionou em sua resposta este demonstrativo que deveria ter sido apresentado por ela à Receita Federal. A alegação apresentada pela recorrente de que isto se deve ao longo prazo decorrido desde a realização das operações é incabível, uma vez que a fiscalização do pedido de ressarcimento ocorreu em 2007, ou seja, desde aquela época o contribuinte já sabia que os créditos embasados nestas notas fiscais foram Fl. 873DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 864 21 indeferidos e deveria, inclusive, ter apresentado estes documentos comprobatórios desde a sua impugnação, ou, pelo menos, têlos em boa guarda para comprovar suas alegações, caso fosse solicitado. Tanto é assim, que ela possuía alguns documentos referentes a estas exportações e os apresentou apesar de todo o tempo decorrido. (...) Desta forma, fica claro que os documentos solicitados no item “c” da diligência solicitada pelo CARF não foram apresentados nem pela recorrente nem pela empresa que seria a comercial exportadora. Por fim, quanto ao item “d” da solicitação de diligência, considerando tudo o que já havia sido exposto na diligência anterior e as intimações feitas e respostas apresentadas nesta diligência, concluímos que houve a comprovação somente da exportação feita através da Nota Fiscal nº 1684, de 15/10/2002, feita pela própria empresa ADM através do DDE 2020798640/1 e RE 02/10379250001. Quanto às demais Notas Fiscais objeto desta diligência, ou seja, as Notas Fiscais nº 2.574, 202.954 e 113.254: a) Considerando tudo o que foi informado no relatório da diligência anterior, ou seja, que por não ter sido enviada para recinto alfandegado ou porto não tem como o contribuinte comprovar que os produtos exportados pela suposta comercial exportadora foram os mesmos que haviam sido comercializados através de suas notas fiscais nº 2.574, 202.954 e 113.254, havendo inclusive divergência em relação as quantidades exportadas nas DDE e as quantidades vendidas através destas notas fiscais; b) Considerando tudo o que foi informado neste relatório, ou seja, que além de tudo, nem o contribuinte nem a suposta comercial exportadora apresentaram documentos obrigatórios para a fruição do benefício quando houvesse venda de produtos para empresas comerciais exportadoras, com fim específico de exportação; c) Considerando tudo o mais que consta do processo, fica evidente que não há comprovação das exportações indiretas solicitadas pelo contribuinte que teriam sido feitas através destas Notas Fiscais." (efls. 819/821 grifei). Desta forma, com base na diligência realizada, necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada (feita através da Nota Fiscal nº 1684, de 15/10/2002, feita pela própria empresa ADM através do DDE 2020798640/1 e RE 02/10379250001). Especificamente quanto às vendas realizadas para empresas comerciais exportadoras, a diligência identificou que não foram apresentados os documentos necessários para a comprovação das exportações indiretas, sendo que, mesmo após a segunda diligência, o contribuinte não comprovou que "os produtos exportados pela suposta comercial exportadora foram os mesmos que haviam sido comercializados através de suas notas fiscais nº 2.574, 202.954 e 113.254, havendo inclusive divergência em relação as quantidades exportadas nas DDE e as quantidades vendidas através destas notas fiscais" (efl. 821) Especificamente quanto à NF 113.254, a única referência de que esta nota corresponderia à substituição à NF 113.250 (constante do único Memorando de exportação trazido pela comercial exportadora no curso da diligência) é uma rasura na nota fiscal 113.250 (com a indicação do número 4 ao final, nos cantos superior e inferior direito da nota fiscal e fl. 783), não constando qualquer indício formal da substituição afirmada pelo contribuinte. Fl. 874DF CARF MF 22 Importante salientar que, diante da diferença entre as quantidades constantes dos Despachos de Exportação e dos Registros de Exportação em relação às quantidades indicadas nas notas fiscais, a simples indicação dos DDEs e dos REs nas notas fiscais mostrou se insuficiente para demonstrar a exportação, ao contrário do que aduziu a Recorrente em sua defesa. Seria necessário demonstrar que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora o que, segundo a diligência, não foi confirmado na hipótese face a ausência dos Memorandos de Exportação correspondentes. Dessa forma, considerando as informações apresentadas na diligência, em especial a ausência das notas fiscais nos memorandos de exportação apresentados pelas empresas apontadas como comerciais exportadoras, reconhecese a validade do crédito apenas quanto à nota fiscal para a qual foi confirmada a exportação (NF 1684, de 15/10/2002), mantida a glosa quanto às demais. V CÁLCULO DO PERCENTUAL RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA Sustenta ainda a Recorrente que o cálculo do percentual entre a receita de exportação e receita operacional bruta está incorreto. Neste ponto, essencial primeiramente salientar que o que foi desenvolvido nos tópicos III e IV terá reflexo na apuração do coeficiente de exportação, vez que reconhecida a validade da inclusão na Receita de Exportação do valor relativo à venda de produtos Não Tributados NT e das revendas de terceiro excluídos pela fiscalização, inclusive daqueles cuja exportação foi confirmada em sede de diligência. Não vislumbramos nenhuma inconformidade adicional neste ponto. Com efeito, como se depreende da leitura do Parecer SEFIS n.º 38/2007 (efls. 602/603 e 605), as únicas incongruências apontadas pela fiscalização no cálculo pelo contribuinte da Receita Operacional Bruta ROB e do Receita de Exportação RE foi a inclusão das exportações de produtos não tributáveis (NT) e as exportações de mercadorias de terceiros (revendas), pontos enfrentados nos tópicos III e IV acima. Vejamos os termos do trabalho fiscal: Fl. 875DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 865 23 (...) Assim, as inconsistências nas considerações dos valores de receita de exportação já foram enfrentadas nos tópicos anteriores, não sendo vislumbradas outras divergências específicas na apuração do coeficiente de exportação. VI DO ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC NO RESSARCIMENTO Por fim, pleiteia a Recorrente, de forma geral, que é necessário o acréscimo da taxa SELIC sobre os créditos objeto de ressarcimento. Neste ponto, tem razão a Recorrente apenas quanto a inclusão da SELIC a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. Isso porque, ainda que não seja possível a correção a partir da data da geração do crédito por ausência de previsão legal, com o impedimento da utilização do crédito com a emissão do despacho decisório relativo ao pedido de ressarcimento, passou a ser necessária a Fl. 876DF CARF MF 24 sua correção desde a data do protocolo do pedido por ter ocorrido uma oposição do fisco ao legítimo aproveitamento do crédito. Este entendimento está em conformidade com o entendimento sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, que deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) A aplicação analógica deste julgamento tem sido feita de forma reiterada pelo Conselho Superior deste CARF, como se depreende dos julgados já trazidas acima, e dos seguintes julgados apenas a título de exemplo: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente Fl. 877DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 866 25 da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte." (CSRF, Processo 10675.001666/200195 Data da Sessão 04/04/2011 Relator Rodrigo Cardozo Miranda. Redator designado Antônio Carlos Atulim. Acórdão n.º 9303001.407 grifei) "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/01/2000 (...) NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DE DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES PROFERIDAS NA SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC Dispõe o art. 62A do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Nos termos da decisão proferida pelo STJ no RE 993.164: 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). NORMAS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. Não se admite recurso especial cuja divergência não esteja comprovada nos termos do artigo 67 do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009." (CSRF, Processo 13971.001062/0040 Data da Sessão 23/02/2016 Relator Julio Cesar Alves Ramos. Acórdão n.º 9303003.460 grifei) Como se depreende dos julgados acima colacionados, não se cabe falar em correção desde a data da geração do crédito vez que o crédito presumido é um crédito escritural para o qual não há previsão legal de atualização. Uma vez emitido o despacho decisório com a Fl. 878DF CARF MF 26 oposição à utilização do crédito presumido, cabível a inclusão da SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, para evitar o locupletamento ilícito do fisco. III CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: a) garantir a validade do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas; b) garantir a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI e de revendas de mercadorias de terceiros; c) reconhecer a exportação das mercadorias constantes da NF 1684, de 15/10/2002, em conformidade com a diligência realizada nestes autos; e d) garantir a inclusão da taxa SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 879DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.001137/94-60
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS - INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES.
Não ficando comprovada a correspondência entre a mercadoria efetivamente importada e aquela descrita na Guia de Importação e na Declaração de Importação, é de se considerar a importação ao desamparo de Guia, e excluir o benefício da suspensão de tributos previsto no Decreto 61.244/67, cabendo, portanto, a cobrança dos tributos devidos, multas pertinentes e juros de mora. Inaplicável, contudo, a multa do art. 80 da Lei n° 4.502/64.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: CSRF/03-03.035
Decisão: ACORDAM os :Membros da Terceira Turma dlJ Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para restabelecer a multa do art. 526, inciso n, do RA,os juros moratórios e a multa do art. 4\ incis~ I, da J.ei 8.218/91, e manter a exclusão da multa do art. 80 da Lei 4.502/64, nos termos do relatório e voto queyassam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megd~ e João Holanda Costa que proviam integralmente o recurso e os Conselheiros Ubaldo CampeIJo Neto e Nilton Luiz Bartoli que negavam pro\'imento
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros
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Não ficando comprovada a correspondência entre a mercadoria efetivameq-te importada e aquela descrita na Guia de Importação e na Declaração' de Importação, é de se considerar a importação ao desamparo de Guia, e exdpir o benefício da suspensão de tributos previsto no Decreto 61.244/67, cabendo, portanto, a cobrança dos tributos devidos, muItas pertinentes e jur,s de mora. Inaplicável, contudo, a multa do art. 80 da Lei n° 4.502/64. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os :Membros da Terceira Turma dlJ Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para restabelecer a multa do art. 526, inciso n, do RA,os juros moratórios e a multa do art. 4\ incis~ I, da J.ei 8.218/91, e manter a exclusão da multa do art. 80 da Lei 4.502/64, nos termos do relatório e voto queyassam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megd~ e João Holanda Costa que proviam integralmente o recurso e os Conselheiros Ubaldo CampeIJo Neto e Nilton Luiz Bartoli que negavam pro\'imento. />~:I;r------- M~:ÉLÔY DEMEDEIJ.J.OS Relator Formalizado em: 31 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselbeiro~: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e MARCTAREGINA MACHADO MEL~RÉ. tmc lvíOOSTÉRIO DAF AZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA SUJEITO PASSIVO 10283..001137/9]-60 CSRF/03-03 ..035 FAZENDA NACIONAL 2a cÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES MURATA Ai\-fAZÔJ\TJAINDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA RELATÓRIO Em ato de desembaraço aduaneiro da DIn° 018381/93 (adições 03 e 04) foi solicitado laudo técnico para constatação do grau de industrialização qe mercadoria, discriminada. na DI como PARTES PARA PRODUÇÃO DE FILTRO CERÂMICO SELETIVO DE FAlXA PASSANTE (produto semi-elaborado de filtro cerâmíco seletivo de faíxa passante). A mercadoria foi desembaraçada mediante assinatura de Termo de Responsabilidade, condicionada a homologação do despacho ao resultado do laudo, conforme IN/SRF 106/83 Verificado em exame fisico 9a . mercadoria. e .constatado .p.or laudo ser aam.ostra coletada Fll,TROCERM1iÇO SELETIVO DE FAIXA PASSANTE,cu;os -terminais metálicos estão ligados-ao elemento elétrico, ou seja, produtó pronto para ser utilizado, portanto, n~o corresp.ondendoàdiscriminação constante na GI e DI. Estava configurada' a importação ao desamparo de guia de importação, não cabendo o beneficio da suspensão, previsto no Decreto n° 6L244/67, aplicando-se, neste caso, o tratamento tributário dado a uma importação normal, exigindo-se os impostos e multas, de acordo com o enquadramento legal previsto nos art. l°, inciso I, do Decreto 205/91, art. 4°, inciso I, da Lei 8218/91, a.rt.364, inciso li, do RIPI, aprovado pelo Decreto 87.981/82 e art 526, inciso n, do RA, aprovado pelo Decreto 9L030/85, pelo qual foi lavrado em 03/02/94, o AI. nO27/94. Em razão de a empresa recusar-se a tomar ciência <}o referido auto, também foi exarado Termo deDec1aração, em 14/03/94. A importadora impugna, tempestivamente, o auto de infração, baseando,.se em prova pericial que descreve as etapas do processo produtivo do filtro cerâmico,alegal1docerceamento de defesa e, que o laudo anteriormente apresentado é inexpressivo, parcial e conclusivp. Que o enquadramento legal não corresponde à realidade dos autos, contestando-o em sua totalidade, pleiteando seja julgada a improcedência da ação fiscaL Para fins ~e continuidade do processo administrativo, a repartição fiscal solicitou do contribuinte que lhe fosse enviada a Resolução da Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA, que aprovou o processo produtivo básico do produto "filtro cerâmico", bem como o respectivo parecer técnico. A DRJ/AM julga procedente o auto para exigência do crédito tributário, intimando-a ao recolhimento do mesmo, que, por s~a vez, interpõe recurso ao Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes. 2 MlNISTÉRIO DA FAZENDA cÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° ACÓRDÃON' 10283001137/97-60 CSRF/03-03.035 A DRJ/AM, ao julgar procedente o auto para exigência do crédito tributário, consubstanciou-se, entre outros, nos fundamentos adiante discriminados: a) Não cabe o argumento de cerceamento de direito de defesa, vi~to que o art 16, inciso IV, do Processo Administrativo Fiscal, trata-se de impugnação, e conforme o Decreto 70.235/72, p~ra firmar-se uma convicção sobre a mercadoria a ser desembaraçada, solicitou-se um laudo técnico que serviu para comprovar o ilícito. b) Que o laudo apresentado pela importadora infringiu o art. J6, inciso IV, do PAF, uma vez que, segundo o mesmo, na impugnação deveria ter sido mencionada a sua pretensão qe efetuara perícia, expondo os motivos, formulando quesitos' e indicando nome, endereço e qualificação do perito. c) Que o Decreto 783/93, anexo I, item XI, estabelece o processo produtivo básico do produto "filtro de banda passante", e ~e acordo com o próprio laudo técnico e fotografias apresentadas pela empresa ao importar o produto com os terminais' soldados ao elemento pré-elétrico e a marcação das cores já efetuada, verifica-se que a mesma vem descumprindo a legislação Acrescente-se que em outubro/96 o Conselho de Administração da SUFRAMA aprovou a produção do filtro cerâmico, cujo processo produtivo tinha como uma das etapas a soldagem dos terminais e, como outra, a marcação da cor. A decisão da Colenda Câmara foi no sentido de DA...lt PROVTh1ENTO PARCIAL ao recurso interposto pelo sujeito passivo, para exclu1r as penalidades e os juros de mora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento de. defesa; por maioria de votos, manter os tributos, excluir todas as multas e osjuros de mora. A FAZENDA NACIONAL recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais, do acórdão não unânime prolatado pela Egrégia Segunda Câmara, que proveu, em parte, o recurso interposto pela empresa autuada, para MINISIÉRIO DA FAZENDA cÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° ACÓRDÃO N° 10283 ..001137/9'7-60 CSRF/03 ..03 ..035 exclusão da eXIgencia das multas e dos juros de mora, baseados nos segutntes pressupostos: a) Que houve contradição ao apreciar as matérias de fato ~ de direito postas nos autos e, por isso, merece ser reformada ' b) Foi caracterizada a importação ao desamparo de Guia <j.e Importação; .não cabendo o beneficio da suspensão, conferido às importações contempladas na legislação disciplinadora da SUFRAMA c) Não há como se entender incomprovada a má fé do importadqr. Configura-se o evidente intuito de fraudar o Fisco, no ato de prestar informações incorretas quanto ao estágio ~e industrialização do produto importado, para beneficiar-se indevidamente de tratamento tributário mais favorecido. Ppr conseguinte, é de ser restabelecida a multa do art. 4°, I, da Lei nO 8218, de 29/08191. d) Deve subsistir a multa do IPI, inserta no art. 80, da Lei nO4Sq2, de 30/11/64, em razão da falta de lançamento do valor total ou parcial do imposto na nota fiscal, ou de seu recolhiment<? ao órgão arrecadador competente, no prazo ena forma legais. e) Descabida a exclusão de juros de mora .. O art 161 do CTN estatui a incidência de juros de mora sobre o crédito não integralmente pago no vencimento .. O art. 3° da Lei n° 8218/91;J fixa como termo inicial dos juros de mora, o dia em que o débito deveria ter sido pago, sendo obrigação do contribuinte. cumprir espontaneamente suas obrigações tributárias nos prazos fixados. Tais as razões, pleiteia o provimento do presente recurso, nQs termos do auto de infração e do julgamento de primeiro grau, ou seja, sendo restabelecidos as multas e os juros de !p0ra. Regularmente notificada e intimada, a autuada apresenta su~s contra-razões e interpõe recurso adesivo à Câmara Superior de Recursos Fiscais, insurgindo-se contra o recurso da Fazenda Nacional nos termos seguintes: Que o referido órgão, no assanhamento da defesa, emprega expressões injuriosas. Dessa forma, com base no art. 15 do CPC, requer à CSl}F mandar riscar as expressões injuriosas: não há como se entender incomprovada a má- 4 L I I ! ! "MINISTÉRIO DA FAZE.NDA cÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° ACÓRDÃO N° 10283 ..001137/9] -60 CSRF/03-03.035 fé do importador. Configura-se, sim, o evidente intuito de fraudar o fisco no atp de prestar informação incorreta. . Quanto aos demais aspectos, persiste nas razões constantes da p~ça impugnatória No que tange ao ponto nodal do recurso extremo da Fazenda, caracterizando importação ao desamparo de GI, dir-se-á não há nos autos uma linha onde tenha ocorrido a má-fé do importador, com o intuito de fraudara fisco. Finalmente, pleiteia seja mantida a decisão do Terceiro Conselho <,te contribuintes, Segunda Câmara e improcedente o recurso da Fazenda Nacional à CSRF. É o relatqrio 5 ~ I I I i MINISTÉRIO DAFAZENDA cÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FlSCAIS PROCESSO~ ACÓRDÃO~ 10283,,001137/97--60 CSRF/03-03,035 VOTO Está sobejamente demonstrado nos autos que a mercadoria submetida a despacho de importação, pela autuada, não corresponde àquela declar~da na Dle na GI, o que exclui, do produto, o beneficio da suspensão previsto no Decreto n° 61.244/67, cabendo a aplicação do rito das importações comuns, e no cas9, a exigências dos tributos e multas pertinentes Com relação à multa do art 80 da Lei n° 4.502/64, entendora inaplicável por falta de previsão legal, uma vez que o dispositivo alegado refere-se exclusivamente à falta de lançamento do IPI em Nota fiscaL Quanto à cobrança de multa e juros de mora, no caso do nao recolhimento do II devido, constatado durante ato de revisão aduaneira, temos a seguinte posição', Na cobrança de juros devemos considerar que o ar! 540 ~o Regulamento Aduaneiro é, também, bastante claro, sobre a incidência de juros de mora, em débitos para com a Fazenda Nacional Quanto à multa de mora, o entendimento desta CSRF,ao qual me filio, é no sentido de só considerá-la devida após esgotados os prazos do Recurso, Não acolho, também, a afirmativa da PFN, de que teria havido, por parte do sujeito passivo, o "evidente intuito de fraudar o fisco", fatos que mereceram inquestionáveis provas ' Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao RP, p1jtra restabelecer as multas do art.526, II, do RA, os juros moratórios, e a multa do art. 4°, I, da Lei 8218/91 e manter a exclusão da multa do art 80 da Lei 4,502/64" Sala das Sessões, em 18 de outubro de 1999 """.''-- ~~"",-""""'~')..,,. " MOACYR EL&~1:5jf~bE;OS - Relator .. , .<,."c.'''- ••• _;T-'. ~::.;;:~:,:•._---_. 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 13896.723568/2015-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
Perícia. Existência e Delimitação do Objeto. Ausência. Indeferimento.
É condição da prova pericial que envolva exame de documentos a existência e a apresentação dos documentos, ademais o objeto da perícia deve ser determinado, indeferindo-se aquela cujo propósito seja refazer toda a fiscalização.
Despesas com Prestação de Serviços. Falta de Comprovação. Glosa.
Cabe a glosa de despesas com serviços quando não comprovada a efetividade da respectiva prestação.
Pagamento sem Causa ou a Beneficiário não Identificado. Incidência de Imposto de Renda na Fonte.
Incide Imposto de Renda na fonte tanto na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado, quanto nos casos em que, mesmo identificado o beneficiário, não seja conhecida a causa do pagamento.
Controle de Constitucionalidade. CARF. Incompetência.
Ao CARF não compete exercer controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo, inclusive a verificação de eventual incompatibilidade de lei ordinária com disposições do Código Tributário Nacional.
Uso de Documento Falso. Multa Qualificada. Cabimento.
A utilização de documento ideologicamente falso para respaldar o registro contábil de despesas que reduzem a base de cálculo do Imposto de Renda dá ensejo à aplicação de multa qualificada.
Incentivo Fiscal. Requisitos Formais. Falta de Cumprimento. Glosa. Multa Qualificada.
A falta de cumprimento dos requisitos exigidos por lei para o gozo de incentivos fiscais justifica a glosa do respectivo benefício, mas não autoriza a aplicação de multa qualificada se não for comprovado o dolo do sujeito passivo.
Administradores de Pessoas Jurídicas. Uso de Documentos Falsos. Atos Praticados com Infração de Lei. Responsabilidade Tributária.
Os administradores de pessoas jurídicas, quando, nessa condição, se utilizam de documentos ideologicamente falsos para reduzir tributos, praticam ato com infração de lei, tornando-se corresponsáveis pelo crédito tributário.
CSLL, PIS e Cofins. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, indeferir o pedido de perícia e negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao pedido feito pela PGFN da tribuna para que o recurso voluntário não fosse conhecido em razão de preclusão lógica, por unanimidade de votos, rejeitá-lo. Em relação a essa preliminar, os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Bianca Felícia Rothschild acompanharam o relator pelas conclusões. Por unanimidade de votos dar provimento parcial aos recursos voluntários somente para afastar a multa qualificada em relação à glosa de incentivo fiscal para pesquisa e inovação tecnológicas, reduzindo o seu percentual de 150% para 75%. A Conselheira Bianca Felícia Rothschild votou por dar provimento em maior extensão para restabelecer a dedução do incentivo fiscal para pesquisa e inovação tecnológica.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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EXISTÊNCIA E DELIMITAÇÃO DO OBJETO. AUSÊNCIA. INDEFERIMENTO. É condição da prova pericial que envolva exame de documentos a existência e a apresentação dos documentos, ademais o objeto da perícia deve ser determinado, indeferindose aquela cujo propósito seja refazer toda a fiscalização. DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Cabe a glosa de despesas com serviços quando não comprovada a efetividade da respectiva prestação. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Incide Imposto de Renda na fonte tanto na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado, quanto nos casos em que, mesmo identificado o beneficiário, não seja conhecida a causa do pagamento. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA. Ao CARF não compete exercer controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo, inclusive a verificação de eventual incompatibilidade de lei ordinária com disposições do Código Tributário Nacional. USO DE DOCUMENTO FALSO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A utilização de documento ideologicamente falso para respaldar o registro contábil de despesas que reduzem a base de cálculo do Imposto de Renda dá ensejo à aplicação de multa qualificada. INCENTIVO FISCAL. REQUISITOS FORMAIS. FALTA DE CUMPRIMENTO. GLOSA. MULTA QUALIFICADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 35 68 /2 01 5- 00 Fl. 21553DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.554 2 A falta de cumprimento dos requisitos exigidos por lei para o gozo de incentivos fiscais justifica a glosa do respectivo benefício, mas não autoriza a aplicação de multa qualificada se não for comprovado o dolo do sujeito passivo. ADMINISTRADORES DE PESSOAS JURÍDICAS. USO DE DOCUMENTOS FALSOS. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os administradores de pessoas jurídicas, quando, nessa condição, se utilizam de documentos ideologicamente falsos para reduzir tributos, praticam ato com infração de lei, tornandose corresponsáveis pelo crédito tributário. CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, indeferir o pedido de perícia e negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao pedido feito pela PGFN da tribuna para que o recurso voluntário não fosse conhecido em razão de preclusão lógica, por unanimidade de votos, rejeitálo. Em relação a essa preliminar, os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Bianca Felícia Rothschild acompanharam o relator pelas conclusões. Por unanimidade de votos dar provimento parcial aos recursos voluntários somente para afastar a multa qualificada em relação à glosa de incentivo fiscal para pesquisa e inovação tecnológicas, reduzindo o seu percentual de 150% para 75%. A Conselheira Bianca Felícia Rothschild votou por dar provimento em maior extensão para restabelecer a dedução do incentivo fiscal para pesquisa e inovação tecnológica. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 21554DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.555 3 Relatório Tratase de quatro recursos voluntários, interpostos respectivamente por ENGEVIX ENGENHARIA S/A, GERSON DE MELLO ALMADA, JOSÉ ANTUNES SOBRINHO e CRISTIANO KOK, todos qualificados nos autos, contra o Acórdão nº 03 71.152, da 2ª Turma da DRJ Brasília, que, negando provimento às impugnações, manteve os lançamentos efetuados para exigir dos recorrentes o montante de R$ 142.493.365,21, compreendendo IRPJ, CSLL e IR incidente na fonte. A ação fiscal foi deflagrada a partir de informações obtidas no curso da chamada Operação Lava Jato, as quais chegaram à autoridade administrativa por determinação da Justiça Federal. A Fiscalização deu início ao procedimento de auditoria, ao fim do qual apurou, com base nos dados oriundos do processo judicial e em outros elementos reunidos no curso do procedimento fiscal, as seguintes infrações, ocorridas entre os anos de 2010 e 2013: a) despesas registradas contabilmente com amparo em documentos inidôneos e não comprovadas; b) exclusão indevida de incentivo fiscal por descumprimento das condições legais para o gozo do benefício; e c) pagamento sem causa ou por operação não comprovada. Contra a exigência tributária, os autuados apresentaram impugnação, a que a DRJ BSB negou provimento, exceto no que tange à responsabilidade tributária das pessoas físicas pela segunda infração (exclusão indevida do benefício fiscal). No mais, foi mantido o lançamento. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 NULIDADE. CONTRADITÓRIO. INÍCIO. No processo administrativo fiscal, o contraditório só se instaura com a impugnação pelo sujeito passivo, após intimado dos fatos a este imputados no auto de infração. NULIDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO. A apuração do crédito tributário devido, com a base de cálculo, o valor dos tributos e das multas, bem como a fundamentação legal fazem parte do auto de infração como determina a legislação do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. Existindo prova cabal de que os administradores do contribuinte pessoa jurídica agiram com infração de lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Fl. 21555DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.556 4 Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. INCENTIVO FISCAL. PERDA DE DIREITO. O descumprimento de qualquer obrigação assumida para obtenção dos incentivos de que tratam os arts. 17 a 22 da Lei n° 11.196, de 2005, bem como a ausência de projetos de pesquisa e inovação incentivados implicam em perda do direito aos incentivos. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. PERCENTUAL DE 150%. APLICABILIDADE. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei n° 9.430 96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502 64. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIRSE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Sujeitase à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Confirmado o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida em que se tratam dos mesmos fatos. CSLL. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe aos órgãos de julgamento administrativo afastar a lei por inconstitucionalidades, a teor do disposto no art. 26A, do Decreto n° 70.235, de 1972. No recurso, a primeira autuada, Engevix Engenharia S/A, alegou preliminarmente a nulidade do lançamento e do acórdão recorrido. O acórdão recorrido seria transgressor de garantias constitucionais, tolhendo o direito da recorrente à demonstração das irregularidades e vícios do processo fiscalizatório. O órgão julgador, partindo da premissa de que a recorrente teria confessado ou admitido a não realização dos serviços pelas empresas arroladas no auto de infração, indeferiu o pedido de perícia, que poderia comprovar a efetiva prestação dos serviços, bem como comprovar o preço de mercado de cada um deles. Fl. 21556DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.557 5 A autoridade fiscal partiu da presunção de culpa da recorrente, fato que se revela pela afirmação de que a recorrente faria parte de um esquema de corrupção composto por grandes empreiteiras, associadas em cartel para combinar preços e vencedores de licitações de obras contratadas pela Petrobrás, mediante pagamento de propina a diretores da estatal, operadores financeiros, políticos e agentes públicos. Nesse esquema, valiase a recorrente de contratos de prestação de serviços fictícios e de notas fiscais fraudulentas. A julgar por esses termos, a autoridade fiscal baseouse unicamente na denúncia do Ministério Público e em decisões judiciais monocráticas, ainda pendentes de recursos. Ignorouse o direito ao contraditório e à ampla defesa. Cuidase aqui de exigir tributo com base em elementos incertos. A Fiscalização teria se pautado exclusivamente em denúncia do Ministério Público Federal e em decisões proferidas na operação Lava Jato. Ponderou a recorrente que nem todas as empresas prestadoras de serviços foram citadas na denúncia do Ministério Público e nos processos criminais. Além dos preceitos constitucionais, teriam sido ignoradas também as garantias do processo administrativo federal e do processo administrativo tributário. O auto de infração, por sua vez, teria incorrido em nulidade pela violação do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, ao deixar de promover a apuração do IRPJ e da CSLL, e não refazer as respectivas bases de cálculo. A autoridade fiscal teria se limitado a calcular o valor das glosas como se fossem renda, não atentando para a necessidade de promover a correta apuração do IRPJ e da CSLL que, por ventura, entendesse devidos. O lançamento limitouse a apontar os valores das despesas glosadas e, sobre elas, aplicar diretamente as alíquotas dos tributos. Entretanto, o IRPJ não incide sobre despesas, mas sobre o lucro real, presumido ou arbitrado, conforme a opção efetuada. A glosa das despesas, se procedente, deveria ser seguida da apuração do lucro líquido e dos ajustes, não se admitindo a simples aplicação das alíquotas do IRPJ e da CSLL sobre o valor das despesas glosadas. A recorrente aponta ofensa ao princípio da legalidade, pois a autoridade fiscal simplesmente considerou as glosas como se renda fossem. No mérito alegou que os serviços foram efetivamente prestados. Embora a Fiscalização tenha intimado a recorrente a comprovar a efetiva ocorrência da prestação dos serviços, ela não levou em conta o fato de grande parte dos documentos, inclusive os de natureza fiscal, e os computadores terem sido apreendidos por determinação judicial. Tal circunstância não poderia ter sido desconsiderada pelo Fisco, pois obstava o atendimento à intimação. A recorrente, sem ter em mãos os documentos e impossibilitada de atender a intimação, afirmou que não houve a efetiva prestação dos serviços a que se referiam os instrumentos contratuais sob investigação. Isso, entretanto, não significa afirmar que não houve qualquer prestação de serviços. As empresas prestadoras dos serviços informaram ter realizado outras atividades, distintas daqueles indicadas nos contratos e nas notas fiscais. Tais serviços foram Fl. 21557DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.558 6 contratados e eram necessários para que a recorrente auferisse as receitas. Notese que, em nenhum momento, houve confissão, seja pela recorrente, seja pelas empresas contratadas, de não ter havido qualquer prestação de serviços. Mesmo a declaração do prestador de que parte, ou de que a integralidade, dos valores recebidos não se referia à efetiva prestação de serviços não permite à autoridade fiscal glosar toda a despesa como se indedutível fosse. Por essas razões e na busca da verdade material, observando os princípios do contraditório e da ampla defesa, a recorrente solicitou a realização de perícia, a fim de aferir a verdadeira natureza e os valores dos serviços prestados pelas empresas por ela contratadas. Quanto ao Imposto de Renda na fonte, disse que o Fisco agiu na suposição de que a recorrente teria realizado pagamentos sem demonstrar a causa, sem a prova efetiva de que houve a prestação de serviços. Portanto seria necessário o deferimento de perícia, a fim de demonstrar a natureza dos pagamentos e, com isso, afastar a incidência do imposto na fonte. De resto, seria inaplicável o art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, pois identificados os beneficiários dos pagamentos. Aduziu que a aplicação da regra do art. 674, segundo jurisprudência do CARF, exige a presença concomitante de dois requisitos em relação ao pagamento: a) a ausência de identificação do beneficiário; e b) a ausência de causa. Logo, se o beneficiário estiver identificado, não se pode cogitar de incidência de IR exclusivamente na fonte. No presente caso, todos os beneficiários dos pagamentos foram exaustivamente identificados pela Fiscalização. A recorrente alegou também a incompatibilidade do art. 674 do RIR com o Código Tributário Nacional CTN. É que, no meio jurídico, se discute a natureza da norma inserta no art. 674. Seria ela uma norma tipicamente punitiva, pela falta de identificação do beneficiário do pagamento; ou seria uma espécie do gênero substituição tributária, por meio da qual o tomador dos serviços é responsabilizado pela retenção e pelo integral recolhimento do tributo? A própria recorrente, entretanto, afasta a hipótese de se tratar de substituição tributária, pois para tanto seria necessário conhecer o contribuinte (o substituído); ademais, é pressuposto da substituição tributária que o fato gerador do Imposto de Renda já se tenha consumado. Excluída a primeira hipótese, a norma só poderia ter natureza punitiva. Mas, nesse caso, ela esbarra com o próprio conceito de tributo dado pelo art. 3º do CTN, segundo o qual tributo é uma prestação pecuniária compulsória que não se destina a servir de sanção de ato ilícito. No que concerne à glosa do incentivo fiscal para pesquisa e inovação tecnológicas, disse a recorrente que todos os requisitos para o gozo do benefício foram cumpridos. Não obstante, a autoridade fiscal desconsiderou os gastos relativos à inovação tecnológica, computados na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no valor de R$ 51.582.465,76 (linha 75 da ficha 09A da DIPJ). A Fiscalização insistiu em que não havia sido apresentada a relação de contas específicas usadas na escrita contábil para o controle do citado benefício fiscal. A recorrente, por seu turno, contesta dizendo que os dispêndios com inovação tecnológica foram registrados no Lalur, no período em que efetivamente incorridos. Eis o que alegou a recorrente: 130. Em que pese o entendimento assente na referida Instrução Normativa, o fato é que a Recorrente seguiu à risca as determinações das normas contábeis e Fl. 21558DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.559 7 contabilizou referidos gastos em contas específicas, relacionadas exatamente aos dispêndios incorridos, fato que corrobora, inclusive, a idoneidade e transparência de sua contabilidade. 131. O que se percebe pela análise dos fundamentos do auto é que a interpretação dada pela Receita Federal do Brasil ao termo "contas específicas", constantes nos referidos dispositivos normativos, está distante de seu real alcance. O termo "específico" não significa "exclusivo", ou seja, o termo sugere que os gastos sejam contabilizados nas respectivas contas específicas, nos termos das normas contábeis e não em contas exclusivas, como reclama a i. Autoridade Fiscal. 132. Isto quer dizer que referidos dispêndios não precisam ser segregados na contabilidade, mas devem estar registrados nas contas contábeis específicas e usualmente utilizadas para o controle destes gastos, de modo que os valores de despesas com pessoas jurídicas devem ser contabilizados nas contas de despesas específica e, doutro modo, os valores relativos a pagamentos de pessoas físicas, com ou sem vínculo, devem estar na respectiva conta normalmente utilizada. 133. No entanto, ainda que a Recorrente tenha obedecido criteriosamente as normas relativas à contabilização dos dispêndios, a r. decisão entendeu que não houve a contabilização destes dispêndios de forma adequada, desconsiderando as contas específicas, fazendonos crer que, segundo a interpretação por ela dada no respectivo auto de infração, contas específicas seriam uma segregação total contábil, ou melhor, seriam contas exclusivas, o que não condiz com o ditame legal. (grifo do original) (fl. 21.389) Aduziu a recorrente, por outro lado, ter atendido às orientações e critérios emanados do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC. Contestou, por fim, a acusação de inexistência de projeto aprovado pelo órgão competente. Ainda quanto à exigência do IRPJ e da CSLL, alegou a inconstitucionalidade da limitação de 30% para compensar prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. Relativamente à penalidade, questionou a aplicação de multa qualificada, ao argumento de que não teria sido caracterizada nenhuma das situações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Disse ainda, quanto ao IR na fonte, que a jurisprudência do CARF se inclina pela tese do não cabimento da multa qualificada nas hipóteses de pagamento a beneficiário não identificado. Quanto às despesas com projetos de inovação tecnológica, consta do próprio auto de infração que a glosa foi motivada pela simples falta de cumprimento dos requisitos legais para o aproveitamento do benefício. Por fim, alegou que a multa não pode ultrapassar o valor do tributo. Os corresponsáveis, Gerson de Mello Almada, José Antunes Sobrinho e Cristiano Kok, arguiram ilegitimidade para figurar no polo passivo da relação jurídico tributário. No mais, reproduziram em seus recursos as mesmas razões articuladas por Engevix Engenharia S/A. Quanto à responsabilidade que lhes foi imputada, alegaram que as condutas não foram discriminadas, nem individualizadas, mas descritas de forma genérica. Dizem os recorrentes que essa omissão é causa de nulidade, pois para se imputar conduta criminosa a Fl. 21559DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.560 8 alguém, necessário se faz descrever individualmente a conduta do transgressor e apontar o dispositivo penal transgredido. A autoridade fiscal, porém, decidiu incluir, no polo passivo da obrigação tributária, os administradores da pessoa jurídica, com base no art. 135, inciso III, do CTN. De acordo com o TVF, o fundamento de fato para imputação de responsabilidade tributária aos sócios foi a suposta prática da conduta prevista nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, utilizandose única e exclusivamente dos termos veiculados pelo Ministério Público Federal, na denúncia oferecida à Justiça Federal em Curitiba. Entretanto não teria sido explicitado o nexo causal entre as condutas dos recorrentes e o credito tributário reclamado, bem como não teria sido demonstrado o proveito obtido por eles em detrimento da pessoa jurídica. Especificamente quanto a Cristiano Kok e José Antunes Sobrinho teria havido absolvição na esfera penal por falta de provas, em sentença de primeira instância. Trata se de fato novo, capaz de influir no julgamento administrativo. Ademais, na esfera penal os recorrentes não foram acusados por prática de sonegação fiscal. A PFN apresentou contrarrazões, pugnando pelo não provimento dos recursos. Com a manifestação da PFN, os autos vieram a esta Turma, onde se encontram não apenas por força do recurso voluntário, mas também por força do art 34, inciso I ("recurso de ofício"), do Decreto nº 70.235/1972, para o reexame da decisão da DRJ BSB, na parte em que determinou a exclusão da responsabilidade de GERSON DE MELLO ALMADA, JOSÉ ANTUNES SOBRINHO e CRISTIANO KOK, relativamente à glosa das despesas com inovação tecnológica. É o relatório. Fl. 21560DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.561 9 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade Os recursos são tempestivos e atendem aos requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual deles se deve conhecer. Nulidade Os recorrentes alegam nulidade do lançamento e da decisão recorrida. O lançamento, ignorando o direito de defesa e o contraditório, seria nulo por basearse exclusivamente em denúncias do Ministério Público e em decisões, ainda sem trânsito em julgado, da Justiça Federal. Já a nulidade do acórdão da DRJ viria do fato de ter sido indeferido o pedido de perícia formulado pelos recorrentes, com a qual buscavam provar a efetiva prestação dos serviços e a efetividade das despesas com os projetos de inovação tecnológica. Não há nulidade nem do acórdão, nem do lançamento. Na fase de fiscalização não se cogita de direito de defesa e tampouco de contraditório. Nesse período, inexistindo acusação formalizada contra os fiscalizados, e não havendo imputação a eles de fato ilícito ou de responsabilidade por eventual crédito tributário, não se pode validamente cogitar de defesa ou de contraditório. O direito ao contraditório e à ampla defesa se assegura depois da formalização da exigência tributária. A partir de então, à pessoa autuada se concede a direito de apresentar documentos, provas, esclarecimentos e alegações que entender cabíveis, inclusive aqueles que poderiam ter sido oferecidos no período de fiscalização, mas, por alguma razão, não o foram. O oferecimento de alegações e provas com a impugnação é previsto na lei e não acarreta prejuízo ao sujeito passivo, porquanto a impugnação, desde que tempestiva, suspende a exigibilidade do crédito tributário. Por outro lado, não procede a afirmação de que o lançamento baseouse apenas nos dados constantes da denúncia do Ministério Público e de sentenças da Justiça Federal. A Fiscalização coligiu outros elementos probatórios, inclusive por meio de intimação às empresas supostamente prestadoras de serviço. Ademais, aos autuados assegurouse o direito de contestar todas as provas produzidas pela Fiscalização. No que tange à perícia, importa dizer que, sendo ela uma atividade probatória, só se justifica se presentes os requisitos gerais exigidos para a produção de qualquer prova, a saber, pertinência, necessidade e possibilidade. Para o cabimento da perícia, além disso, é necessário que a obtenção da prova dependa de conhecimento técnico, que nem o julgador, nem as partes possuem. Daí porque se faz necessária a intervenção de profissional detentor de habilitação técnica ou científica que lhe permita extrair a informação necessária à solução da controvérsia. Por fim, a perícia pressupõe objeto certo e delimitado. Fl. 21561DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.562 10 No caso, a perícia não tem objeto certo, nem delimitado, pois o que pretendem os recorrentes, a pretexto de produzir prova pericial, é refazer a fiscalização. Basta ver que o objetivo declarado do pedido de perícia é comprovar a efetiva prestação dos serviços e o preço de mercado de cada um deles. Isso nada mais é do que refazer toda a fiscalização, o que não se admite nesta fase, pois, se a fiscalização precisa ser refeita, então é o próprio lançamento que não tem condições de subsistir. No mais, a recorrente Engevix Engenharia S/A, não obstante várias vezes intimada, deixou de apresentar, na fase de fiscalização, documentos capazes de comprovar a efetiva prestação de serviços. Assim, também por esse motivo (a inexistência de documentos), a perícia se mostrava inviável quando do julgamento pela DRJ, assim como permanece sendo inviável agora, por ocasião do julgamento pelo CARF. No que concerne à glosa de incentivo fiscal por inovação tecnológica, o lançamento foi motivado por inobservância de requisitos formais. E, acerca dessa infração, a controvérsia não gira em torno de questões fáticas que pudessem ser resolvidas com prova técnica. Por essas razões, rejeitase a arguição de nulidade tanto do lançamento, quanto da decisão de primeira instância, ao mesmo tempo em que se indefere o pedido de perícia renovado pelos recorrentes no recurso. Ausência de apuração do crédito tributário, violação do princípio da legalidade e cerceamento de defesa Os recorrentes afirmam que, no lançamento, a autoridade fiscal deixou de apurar o IRPJ e a CSLL; e que não foram refeitas as respectivas bases de cálculo, de sorte que a tributação veio a incidir diretamente sobre as despesas glosadas. É difícil saber o que os recorrentes entendem que deveria ter sido feito neste caso, já que não explicitaram em que consistiria o "refazer as bases de cálculo" do IRPJ e da CSLL. A alegação, salvo engano, carece de fundamento contábil e jurídico. A apuração do lucro contábil, assim como a do lucro fiscal, consiste basicamente na realização de duas operações matemáticas: adição e subtração. De um lado, reúnemse receitas, recuperações de custos, ganhos, variações monetárias e cambiais ativas etc (valores positivos); de outro, despesas, custos, encargos, perdas, variações monetárias e cambiais passivas etc (valores negativos). Somados os valores conforme sua natureza de receita ou despesa, chegase ao resultado (lucro ou prejuízo) subtraindo o total das despesas do total das receitas. Desse modo, se um daqueles valores interferiu indevidamente no cálculo do resultado, tal efeito se anula fazendo uma operação inversa. Portanto, se determinada despesa, como ocorre no presente caso, foi contabilizada indevidamente, a correção se faz adicionando ao lucro o valor da despesa computada de forma indevida na apuração do resultado. Tal ajuste produz um aumento no lucro de mesmo valor da despesa glosada, dando a impressão de que se tributa a própria despesa, quando na verdade o que se tributa é o lucro indevidamente reduzido e subtraído à tributação. Fl. 21562DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.563 11 Tratase de noção primária que se impõe por si mesma, não carecendo de grande esforço argumentativo. Falta de comprovação dos serviços prestados No mérito, alegaram os recorrentes que os serviços foram efetivamente prestados, embora não exatamente como consta dos contratos e dos documentos fiscais. Na fase de fiscalização, ao ser intimada a apresentar provas da efetiva prestação dos serviços, a recorrente Engevix Engenharia S/A respondeu de forma inequívoca, admitindo que os serviços não foram prestados. Disse, naquela ocasião, que "...a companhia declara, para todos os fins, e com o intuito de colaborar com a fiscalização em andamento da DRF, que não houve a efetiva prestação dos serviços a que se referem os instrumentos contratuais sob investigação". Corroborando aquela afirmação, os recorrentes, no recurso, confirmam o descompasso entre a realidade dos fatos e a documentação apresentada ao Fisco. Ou seja, a desconformidade entre fatos, de um lado, e contratos de prestação de serviços e notas fiscais de outro. Eis o que consta do recurso: 59. Ademais, a fiscalização, por ter se pautado em premissas equivocadas, conforme já demonstrado, considerou a alegação de "ausência de efetiva prestação dos serviços a que se referem os instrumentos contratuais sob investigação" como uma confissão de que não teria sido prestado qualquer serviço para a Recorrente e para os Consórcios RNEST e URC. 60. Além desta interpretação estar totalmente desassociada das demais declarações feitas pela própria Recorrente e pelas empresas envolvidas, é gritante a disparidade entre o teor da declaração da Recorrente e a interpretação dada pela i. Autoridade fiscal. 61. Com efeito, importante ressaltar que, dizer que "não houve a efetiva prestação dos serviços a que se referem os instrumentos contratuais sob investigação" não é o mesmo que afirmar que não houve qualquer prestação de serviços. (grifos da recorrente) (fl. 21.371) É incontroverso, já que admitido pelos recorrentes, que os instrumentos contratuais, as notas fiscais, a escrita contábil e as declarações (DIPJ, DCTF, Dacon, DIRF etc) apresentadas à Receita Federal pela Engevix Engenharia S/A contêm dados falsos. Trazem informações de despesas que se afastam da verdade, mas que ainda assim foram utilizadas para reduzir o lucro tributável. O fato, contrário aos interesses da recorrente, foi admitido em três momentos distintos. Foi admitido na fase de fiscalização, em resposta às reiteradas intimações da autoridade fiscal (conforme consta do TVF); e foi admitido tanto na impugnação, quanto no recurso. A admissão desse fato equivale a uma confissão. Logo, o exame que envolve a glosa das despesas com serviços poderia parar aqui. Entretanto, não é ocioso destacar que a Fiscalização não intimou apenas a Engevix Engenharia S/A. Foram também intimadas as supostas prestadoras dos serviços. Pedia a Fiscalização que as empresas comprovassem as atividades desenvolvidas em favor da recorrente. Todavia, de nenhuma delas obteve resposta capaz de demonstrar a existência dos serviços. Fl. 21563DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.564 12 O TVF relata que, entre as empresas supostamente prestadoras de serviços, algumas não tinham existência de fato; outra tinha como sócios pessoas sem capacidade econômica para tanto, além de a própria empresa não dispor de equipamentos para realizar os serviços para os quais supostamente havia sido contratada (Trevo S Terraplenagem e Ltda.); outras ainda tinham por sócios pessoas com claro envolvimento em práticas de ilícitos penais apurados no bojo da chamada operação Lava Jato, como José Dirceu de Oliveira e Silva (JD Assessoria e Consultoria Ltda.), Paulo Roberto da Costa (Costa Global Consultoria e Participações Ltda.), Alberto Youssef (Empreiteira Rigidez e M.O. Consultoria Comercial e Laudos Estatísticos), Adir Assad (Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda.). Os três últimos, inclusive, em acordo de cooperação, confessaram a prática de recebimento e repasse de propinas. Os recorrentes sustentam que houve prestação de serviços, embora admitam que tais serviços não sejam exatamente os consignados nos contratos e nas notas fiscais. Por isso, defendem que a despesa não poderia ter sido glosada integralmente, como fez o Fisco, mas apenas em parte. A manutenção parcial das despesas, como querem os recorrentes, dependeria da apresentação de prova documental, o que não ocorreu. Notese que, até mesmo para determinar uma perícia, seria necessário que se apresentassem documentos, o que, repitase, não ocorreu no caso concreto. Por essas razões, o lançamento, nesse ponto, deve ser mantido. Imposto de Renda na fonte Quanto à exigência de Imposto de Renda na fonte, os recorrentes reiteraram a necessidade de perícia para determinar a natureza dos pagamentos. No mérito, alegaram a inaplicabilidade do art. 674 do RIR, uma vez que os beneficiários dos pagamentos teriam sido identificados. Conforme o entendimento dos recorrentes, a aplicação desse dispositivo reclama a presença concomitante de duas condições: 1) o pagamento sem causa, e 2) a não identificação do beneficiário. Por fim, haveria uma incompatibilidade entre a norma em comento e o CTN. A perícia é incabível e, pelas razões já expostas, deve ser indeferida. Com relação ao art. 674 do RIR, cabe lembrar que ele tem por matriz legal o art. 61 da Lei nº 8.981/1995, assim redigido: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. Fl. 21564DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.565 13 § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (g.n.) O texto legal não deixa dúvida de que a norma contempla duas hipóteses distintas para a exigência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte. A primeira, contida no caput do artigo, se refere a pagamento a beneficiário não identificado. A segunda, alojada no parágrafo primeiro, aplicase a casos em que se desconheça a causa do pagamento, embora se saiba em favor de quem ele foi feito. Não é por acaso que o texto do parágrafo primeiro se refere a sócio, acionista ou titular. Se o pagamento for feito em favor de um sócio, não se pode dizer que o beneficiário seja pessoa não identificada. Entretanto, ainda assim, de acordo com o dispositivo legal, a incidência do imposto na fonte ocorrerá se a causa do pagamento for desconhecida. Por fim, o emprego do advérbio também, no texto do parágrafo primeiro, se presta a reforçar a ideia de equivalência ou similaridade, indicando que a norma do parágrafo primeiro "equivale" à do caput. Em outras palavras: a materialização da hipótese descrita no parágrafo primeiro atrai a mesma consequência jurídica definida no caput do artigo. Esse entendimento foi adotado em recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no Acórdão nº 9101002.564, cuja ementa, naquilo que diz respeito à discussão aqui travada, está assim redigida: IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA OU CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Mantémse a exigência de IRRF sobre pagamentos sem causa ou cuja origem não foi comprovada quando o sujeito passivo, intimado, não logra comprovar a existência dos mútuos/empréstimos a que se referiam os lançamentos contábeis, e que foram parcialmente quitados. Quanto à alegação de incompatibilidade do disposto no art. 61 da Lei nº 8.981 com o CTN, tratase de matéria cujo exame foge à competência do CARF, pois envolve, ainda que de forma indireta, o controle de constitucionalidade de lei. Glosa da exclusão de incentivo fiscal Os recorrentes se insurgiram contra a glosa de incentivo fiscal de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Alegaram que a Engevix Engenharia S/A seguiu todas as normas contábeis relativas a registro de gastos, fazendoo em contas específicas. Contestaram o sentido dado pela autoridade fiscal à expressão "contas específicas", que, segundo os recorrentes, não significa "contas exclusivas". O termo específico, de acordo com o entendimento dos recorrentes, sugere que os gastos sejam escriturados nas respectivas contas, segundo as normas contábeis, e não em contas exclusivas, como quer a autoridade fiscal. Concluíram dizendo que os dispêndios de inovação tecnológica não precisavam ser segregados na contabilidade, porque a lei assim não exigia. Questionaram, por outro lado, a afirmação de inexistência de projeto aprovado pelo órgão competente. O incentivo fiscal em tela foi concedido pela Lei nº 11.196/2005, que assim dispõe sobre o assunto: Fl. 21565DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.566 14 Art. 17. A pessoa jurídica poderá usufruir dos seguintes incentivos fiscais: I dedução, para efeito de apuração do lucro líquido, de valor correspondente à soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica classificáveis como despesas operacionais pela legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou como pagamento na forma prevista no § 2o deste artigo; (...) § 1º Considerase inovação tecnológica a concepção de novo produto ou processo de fabricação, bem como a agregação de novas funcionalidades ou características ao produto ou processo que implique melhorias incrementais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade, resultando maior competitividade no mercado. (...) § 6º A dedução de que trata o inciso I do caput deste artigo aplicase para efeito de apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. (...) Art. 19. Sem prejuízo do disposto no art. 17 desta Lei, a partir do anocalendário de 2006, a pessoa jurídica poderá excluir do lucro líquido, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o valor correspondente a até 60% (sessenta por cento) da soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, classificáveis como despesa pela legislação do IRPJ, na forma do inciso I do caput do art. 17 desta Lei. (...) Art. 22. Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei: I serão controlados contabilmente em contas específicas; e (...) Art. 24. O descumprimento de qualquer obrigação assumida para obtenção dos incentivos de que tratam os arts. 17 a 22 desta Lei bem como a utilização indevida dos incentivos fiscais neles referidos implicam perda do direito aos incentivos ainda não utilizados e o recolhimento do valor correspondente aos tributos não pagos em decorrência dos incentivos já utilizados, acrescidos de juros e multa, de mora ou de ofício, previstos na legislação tributária, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. (g.n.) Fl. 21566DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.567 15 É a própria lei, como se vê, que determina o controle contábil dos dispêndios em contas específicas. A controvérsia está em definir, nesse contexto, o sentido da expressão contas específicas. A autoridade fiscal entende por contas específicas aquelas destinadas apenas ao registro das despesas vinculadas aos projetos de pesquisa e inovação tecnológica. Nesse sentido, o adjetivo específico significaria exclusivo. Assim, o contribuinte, para se beneficiar do incentivo fiscal, teria de registrar contabilmente os dispêndios em contas abertas exclusivamente para esse fim, não podendo, de modo nenhum, lançar nas mesmas contas os dispêndios inerentes aos projetos de inovação tecnológica e outras despesas não vinculadas a tais projetos, ainda que todas elas tenham a mesma natureza contábil. Os recorrentes, ao contrário, interpretam o adjetivo específico como indicativo da natureza contábil da despesa. Nessa linha de interpretação, as despesas com salários, por exemplo, seriam registradas na mesma conta, estivessem ou não vinculadas ao projeto de pesquisa e inovação tecnológica. Essa interpretação não prospera. Em primeiro lugar, de acordo com a definição de qualquer dicionário, inclusive o Dicionário Aurélio, o campo semântico da palavra específico compreende, entre outras acepções, o sentido de exclusivo. Mas não é só na linguagem comum que específico pode ser associado a exclusivo. O art. 22, inciso I, da Lei nº 11.196/2005 empresta à palavra o mesmo alcance. Esse dispositivo, é fácil ver, busca dar ao Fisco um instrumento de controle sobre as despesas que, a par da contabilização normal, podem ser apropriadas como benefício, reduzindo o IRPJ e a CSLL a pagar. O registro em contas exclusivas torna mais fácil e mais rápida a verificação da regularidade do procedimento levado a cabo pelo contribuinte. Por isso essa forma de registro (em contas específicas) foi alçada pela própria lei ao plano de condição indispensável para gozo do benefício fiscal. Os recorrentes, de forma equivocada, advogam a tese de que, para atender ao dispositivo legal que manda registrar os dispêndios em contas específicas, basta apenas seguir as normas contábeis, em particular as orientações emanadas do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC. Essa interpretação reduz à inocuidade o inciso I do art. 22 da Lei nº 11.196. Se fosse para o contribuinte registrar os dispêndios dos projetos de inovação tecnológica atendendo apenas às regras gerais da contabilidade e às orientações emanadas do CPC, o dispositivo seria desnecessário. Se é para fazer o que todas as empresas já são obrigadas, então não careceria dizer mais nada e o dispositivo legal seria totalmente ocioso. Se o legislador entendeu necessário inserir no art. 22 um dispositivo, mandando registrar as despesas em contas específicas, é porque esse procedimento não é comumente exigido das empresas, nem comumente praticado por elas. Benefício fiscal é regra que se afasta do padrão geral. Se ao contribuinte é dado um tratamento tributário especial, é razoável que dele se exija uma contabilização também especial, se distanciando em alguns aspectos do padrão comum. No caso em exame, deveria a Engevix Engenharia S/A segregar os dispêndios inerentes aos projetos de pesquisa e inovação tecnológica em contas específicas, Fl. 21567DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.568 16 entendidas como tais as contas exclusivas. Assim não procedendo, deixou de atender a requisito indispensável para o gozo do benefício. Não atendido o primeiro requisito, desnecessário verificar os demais, embora, no caso em exame, não tenha sido comprovada a existência de projeto aprovado pelo órgão competente. É correta, portanto, a glosa da exclusão do valor de R$ 51.582.465,76. Limite à compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa A alegação de inconstitucionalidade da norma que limita a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL a trinta por cento do lucro líquido ajustado não pode ser examinada no âmbito administrativo, em face de expressa vedação imposta pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Multa qualificada Os recorrentes contestam a aplicação de multa qualificada, alegando que não teria ocorrido nenhuma das situações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Especificamente quanto ao Imposto de Renda na fonte, a jurisprudência do CARF se inclinaria pelo não cabimento da multa qualificada, quando se tratasse de beneficiário não identificado. Já em relação à glosa do incentivo fiscal à pesquisa e inovação tecnológicas, afirmaram os recorrentes que a infração consistiu no descumprimento de requisitos legais para o gozo do benefício. Por fim, alegaram que a multa não pode ultrapassar o principal. No caso em tela, a circunstância que levou à aplicação da multa qualificada foi a inidoneidade documental. A Engevix Engenharia S/A, para documentar despesas que interferiram diretamente na apuração do lucro tributável, se valeu de contratos de prestação de serviços e de notas fiscais que não correspondiam à realidade dos fatos. Frisese que não se trata de glosar despesas por simples falta de comprovação ou por não serem elas necessárias ou normais à atividade. A glosa foi motivada por estarem as despesas respaldadas em documentação falsa. Com propriedade, ressaltou a PFN, nas contrarrazões ao recurso voluntário, o caráter doloso da conduta dos recorrentes: Tratase de infração tributária maturada com documentação inidônea que não tem o condão de produzir efeitos tributários (art. 217 do RIR/99), senão para majorar a multa de ofício para o percentual de 150%. A fiscalização também ressaltou as provas produzidas a partir da colaboração em Juízo do Sr. Alberto Youssef, tal como autorizado pelo Ministro do STF Teori Zavascki. Inferese de tais documentos que a Recorrente participou do esquema de Fl. 21568DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.569 17 burla ao procedimento licitatório junto à PETROBRÁS, dentro de um sistema de cartelização. Não se pode esquecer que os recorrentes confessaram que não houve prestação de serviços da forma e nos valores constantes dos contratos e das notas fiscais. Na verdade, existe um descompasso entre os fatos geradores do IRPJ e da CSLL e os respectivos documentos. Salta aos olhos que tais documentos, cujo conteúdo está divorciado da realidade, não foram utilizados por acaso ou por acidente. Essa prática está, no mais das vezes, associada à intenção de obter um resultado que, de outra forma, seria impossível. O resultado consiste em impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou impedir o conhecimento do valor correto do crédito tributário. E tudo, frisese, perpetrado em conluio. Assim, é possível concluir pelo cabimento da multa qualificada tanto na glosa de despesas com serviços, quanto no pagamento sem causa, já que em ambos os casos está presente a conduta dolosa consubstanciada no emprego de documentação inidônea. O mesmo, entretanto, não se verifica quanto à glosa do incentivo fiscal de pesquisa e inovação tecnológicas. É que, neste caso, o fundamento da autuação não foi a utilização de documento falso ou qualquer outro tipo de fraude. O que motivou o lançamento foi a falta de cumprimento de um requisito formal imposto pela lei como condição para gozo do benefício. A autoridade fiscal, ao descrever a irregularidade, não construiu uma argumentação que estabelecesse um vínculo entre esse ilícito e as práticas fraudulentas que estão na base das duas outras infrações. A multa qualificada, neste caso, não se sustenta. Portanto, para esta infração, e somente para ela, deve ser afastada a multa qualificada, reduzindose o percentual para 75%. Por fim, resta dizer que não procede a afirmação dos recorrentes de que a multa não pode ultrapassar o valor do tributo. O fundamento dessa afirmação é o art. 412 do Código Civil que, limitandose aos contratos, não tem aplicação às relações tributárias. Responsáveis solidários Os corresponsáveis Gerson de Mello Almada, Cristiano Kok e José Antunes Sobrinho alegaram ilegitimidade passiva. A conduta de cada um deles não teria sido individualizada. Além disso, não teria sido demonstrado o proveito extraído pelos sócios em detrimento da sociedade. Por último, alegaram que os autuados Cristiano Kok e José Antunes Sobrinho foram absolvidos no processo penal. Não procede a alegação de que, no lançamento, não se encontra individualizada a conduta de cada autuado. A responsabilidade tributária de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas surge quando são praticados atos com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato ou estatuto. Vale dizer, os diretores, gerentes ou administradores praticam tais violações, investidos de poderes de representação da pessoa jurídica. Portanto, nessa hipótese, descrever a conduta do administrador é demonstrar a prática de atos ultra vires ou de ato contrário à lei, estatutos ou contrato. Fl. 21569DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.570 18 No caso concreto, os três autuados ocupavam funções de direção da Engevix Engenharia S/A. Por meio deles, a companhia praticava atos e negócios jurídicos. A eles cabia a gestão da empresa. Aliás, não foi por outra razão, que todos foram processados, na esfera penal, por prática de ilícitos apurados na operação Lava Jato. Os contratos de prestação de serviços, inidôneos como se viu, foram assinados pelos autuados, que o faziam conscientes de que tais documentos não encontravam respaldo na realidade e que afetariam o valor dos tributos devidos pela pessoa jurídica. O emprego de documentação inidônea, gerando efeitos sobre a apuração do IRPJ e da CSLL, tal como descrito no tópico anterior, caracteriza a prática de ato com violação de lei. Notese que não é preciso, para que o administrador responda pelo ato ilícito, que o registro contábil do documento falso tenha sido feito de próprio punho. Presentes esses requisitos, é correto direcionar o lançamento contra os administradores, sendo desnecessário demonstrar ou quantificar o proveito econômico que do ilícito adveio para cada um deles. Segundo os recorrentes, contra a inclusão de Cristiano Kok e José Antunes Sobrinho pesaria o fato de que ambos foram absolvidos no processo penal. Esse detalhe, embora aparentemente possa ter influência no processo administrativo, é na verdade irrelevante. Em primeiro lugar, não existe identidade entre as acusações feitas no processo penal e no processo administrativo tributário. Na esfera penal, os autuados eram acusados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa, participação em organização criminosa e fraude processual. No administrativo, os ilícitos são despesas respaldadas por documentação inidônea, pagamentos sem causa e dedução indevida de incentivo fiscal. Todavia, ainda que houvesse identidade de matéria fática, a absolvição no processo penal só produziria efeitos na esfera administrativa, se fundada na inexistência do fato ou em negativa de autoria. No caso, a absolvição na esfera penal se deu por falta de prova, de modo que nenhum efeito produziria no processo tributário. Por essas razões, é de ser mantida, nesse ponto, da decisão de primeira instância. Recurso de ofício Os autos vieram ao CARF impulsionados não apenas pelos recursos dos autuados, mas também por "recurso de ofício", pois a decisão da DRJ BSB excluiu a responsabilidade das pessoas físicas em relação à glosa de incentivos fiscais. Relativamente a essa infração não ficou demonstrada a conduta dolosa dos administradores. A glosa se deu por descumprimento de requisitos formais para o gozo do benefício. Não houve acusação de dolo, fraude ou simulação. Sem prova do elemento subjetivo da conduta dos administradores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica, é impossível mantêlos no polo passivo da obrigação tributária com fulcro no art. 135 do CTN. Assim, e pelas mesmas razões que levaram ao afastamento da multa qualificada, deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose provimento ao recurso de ofício. Fl. 21570DF CARF MF Processo nº 13896.723568/201500 Acórdão n.º 1301002.618 S1C3T1 Fl. 21.571 19 CSLL, PIS e Cofins Quanto aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, por terem origem na mesma situação fática do IRPJ, devem receber a mesma decisão adotada para este (IRPJ), o que só não aconteceria se houvesse algum aspecto específico, inerente à legislação de um desses tributos, que impusesse solução diferente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para no mérito negar provimento ao primeiro e dar parcial provimento ao segundo, apenas para afastar a multa qualificada em relação à glosa de incentivo fiscal para pesquisa e inovação tecnológicas, reduzindo o percentual de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 21571DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010963/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2006
CESSÃO DE ICMS . INCONSTITUCIONALIDADE DA COBRANÇA DE PIS/PASEP E COFINS. DECISÃO PROFERIDA PELA SUPREMA CORTE EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. ART.62, § 2º RICARF.
É inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS.
Numero da decisão: 3302-004.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2006 CESSÃO DE ICMS . INCONSTITUCIONALIDADE DA COBRANÇA DE PIS/PASEP E COFINS. DECISÃO PROFERIDA PELA SUPREMA CORTE EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. ART.62, § 2º RICARF. É inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Dèrouledé - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dèrouledé (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 10 80 .0 10 96 3/ 20 08 -5 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ubro de 2017 ubro de 2017 Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o PIS/Pasep TEREX CIFALI EQUIPAMENTOS LTDA. TEREX CIFALI EQUIPAMENTOS LTDA. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 213DF CARF MF 2 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado contra a Recorrente ao final de procedimento de fiscalização em que apurou-se irregularidades relacionadas a apuração de PIS/Pasep, sistema não-cumulativo, relativamente ao período de maio/2003 a dezembro/2006. Foram três as principais constatações que ensejaram a lavratura do auto: - não estorno dos créditos de PIS referentes a devolução de compras; - inexistência de crédito de PIS para compensação realizada em abril de 2005, e; - não oferecimento à tributação de PIS dos valores referentes aos créditos de ICMS transferidos a terceiros para aquisição de matéria-prima e produtos intermediários. Cientificado sobre o teor da autuação, a contribuinte apresentou sua impugnação, oportunidade na qual insurge-se contra a inclusão na base de cálculo da contribuição, as receitas referentes à cessão e/ou transferência de créditos de ICMS, por entender que tais valores não representariam ingressos de valores, mas sim saída. Argumenta que se trataria de uma forma de operação prevista no Regulamento de ICMS do Estado do Rio Grande do Sul, onde o contribuinte interessado, ao invés de utilizar dinheiro em espécie para adquirir matérias-primas e produtos intermediários, pode utilizar de créditos de ICMS acumulados por conta de suas operações de exportação. Esclarece que os créditos de ICMS foram adquiridos pelas operações de exportação, que não estavam sujeitas à incidência de ICMS. Por esse motivo, o interessado mantém esses créditos em sua escrita fiscal. E que a regulamentação estadual que prevê tal conduta está amparada no inciso I do artigo 6º da Lei n. 10.833/2003, bem como no artigo 149 da Constituição Federal, que remetem ao propósito de desonerar as operações de exportação dos produtos brasileiros. Aduz que somente registrou o valor líquido das compras geradoras de créditos de PIS, após o desconto das compras devolvidas, bem como dos ajustes relativos aos créditos pela energia elétrica adquirida e a devolução de vendas (excluídas as exportações). Para comprovar o que alega, acostou a impugnação planilha e documentos. Desta forma, conclui a contribuinte, não estornou os créditos de PIS para o período e nem informou tal situação no campo "ajustes" do DACON, pois a redução no valor total dos créditos, que seriam realizadas pelo estorno, já havia sido feita quando da apuração da base de cálculo dos créditos de PIS. Alega, ainda, que em outubro/2005, data em que foi realizada a compensação, teria um saldo acumulado de R$ 146.569,39, e teria utilizado apenas R$ 73.215,12 na compensação. Para verificar a exatidão do que alega a contribuinte, o processo foi encaminhado em diligência para a DRF de origem, para que lá fosse examinada a documentação contábil da empresa e informasse os eventuais reflexos no presente processo, caso as alegações da contribuinte fossem confirmadas. Os procedimentos efetuados em decorrência da diligência constatou-se que as compras efetuadas pelo contribuinte no 1º trimestre de 2005 foram registradas pelo seu valor líquido após o desconto das compras devolvidas. Foi confirmado, também, que além da compensação de R$ 73.215,12, o contribuinte efetuou compensações no terceiro trimestre de Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11080.010963/2008-51 Acórdão n.º 3302-004.907 S3-C3T2 Fl. 214 3 2005 no valor de R$ 11.502,68, R$ 35.310,82 e R$ 3.718,76, totalizando R$ 123.747,38, apurando-se a Contribuição ao PIS a pagar em novembro/2005 no valor de R$ 10. 593,58, sendo mantida a apuração do PIS a pagar de setembro/2006 no valor de R$ 10.398,39. Reaberto o prazo para a contribuinte se manifestar, esta reiterou a sua irresignação no que concerne a incidência do PIS sobre a transferência de crédito de ICMS a terceiros para fins de aquisição de matéria-prima e produtos intermediários. A impugnação da contribuinte foi julgada parcialmente improcedente pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamentos em Porto Alegre, em acórdão que resultou na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/-5/2003 a 31/12/2006 CESSÃO DE ICMS . INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/Pasep e a COFINS até a edição dos arts. 7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Irresignada, a contribuinte autuada apresentou recurso voluntário, motivo que ensejou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado A contribuinte foi intimada sobre o teor do acórdão proferido no julgamento da impugnação em 11/03/2013, conforme atesta o Aviso de Recebimento Postal acostado à folha 118 dos autos eletrônicos, e apresentou, tempestivamente, a petição de seu recurso voluntário em 09/04/20131. Presentes os pressupostos extrínsecos de conhecimento do apelo, submeto suas razões para apreciação deste Colegiado. I. SOBRE A NÃO INCIDÊNCIA DO PIS/PASEP SOBRE AS OPERAÇÕES DE CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS DECORRENTES DA EXPORTAÇÃO. 1 Termo de Análise de Solicitação de Juntada à folha 153. Fl. 215DF CARF MF 4 A recorrente defende que as operações de cessão de créditos de ICMS acumulados por conta de exportação não configuram hipóteses de incidência do PIS diante da sistemática de apuração da contribuição e pela própria hipótese de incidência da COFINS. Esclarece que a aquisição de matérias-primas e produtos intermediários com a utilização dos referidos créditos é transação expressamente prevista no artigo 58 do Regulamento de ICMS do Estado do Rio Grande do Sul. Na redação do dispositivo citado, conclui que a legislação estadual reconhece que essas os créditos de ICMS correspondem a meio de pagamento, e que as aquisições estão comprovadas nos autos através das notas fiscais acostadas a manifestação de inconformidade. Assim, argumenta a contribuinte: "ao transferir os créditos de ICMS para aquisição de energia elétrica, matérias-primas ou produtos intermediários, a ora Recorrente estava incorrendo em um gasto (despesa operacional ou custo), conforme reconhecido não apenas pela legislação do ICMS autorizadora da transferência, mas também pelos próprios conceitos de custo e despesa operacional dados pela legislação federal aplicável (RIR e Lei n. 6.404/76). Ora, nesse sentido é evidente que não pode a obrigação de pagamento ser objeto de tributação pelo PIS se tal contribuição tem como hipótese de incidência justamente a operação inversa, qual seja, o auferimento de receita (ingresso de valores no patrimônio do contribuinte)" (fl. 126 - grifos no original) II. DA APLICAÇÃO RETROATIVA DA NOVA REDAÇÃO DO ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, VII DA LEI N. 10.637/2002. A recorrente clama pela submissão do caso concreto à disposição contida no inciso VII do § 3º do artigo 1º da Lei n. 10.637/2002, com arrimo no que dispõe o inciso I do art. 106 do CTN, já que a novel redação sanciona que as transferências/cessões de créditos de ICMS apurados por conta de operações de exportações não devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. Em 09/12/2013, a recorrente trouxe aos autos petição2 informando que o Supremo Tribunal Federal julgou em 22/05/2013, o Recurso Extraordinário n. 606.107/RS, paradigma de repercussão geral sobre a constitucionalidade da incidência do PIS sobre as cessões de créditos de ICMS Exportação para a aquisição de matérias-primas e produtos intermediários utilizados na produção de máquinas comercializadas pela própria contribuinte. O trânsito em julgado do precedente indicado foi certificado em 10/12/2013. Com efeito, o mencionado precedente é pertinente para a solução da querela e ampara a pretensão da recorrente, uma vez que sepulta a polêmica ao ditar que "é inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS". A propósito, segue ementa do precedente: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. 2 Fls. 155 a 214 dos autos eletrônicos. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11080.010963/2008-51 Acórdão n.º 3302-004.907 S3-C3T2 Fl. 215 5 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I - Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar-lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II - A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, trata-se de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV - O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos -, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no Fl. 217DF CARF MF 6 patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI - O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida- se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII - Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar-se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam-se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII - Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX - Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicando-se aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543-B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relatora: Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-231 DIVULG 22-11- 2013 PUBLIC 25-11-2013 - grifos adicionados) Tendo sido o acórdão transcrito proferido pelo STF dentro da sistemática prevista no artigo 543-B, § 3º, do CPC, sua conclusão deve aqui ser replicada, diante da determinação expressa no § 2º do artigo 62 do Regimento Interno deste CARF, onde se lê: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei n. 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n. 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, voto por conhecer e dar integral provimento ao recurso voluntário. Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11080.010963/2008-51 Acórdão n.º 3302-004.907 S3-C3T2 Fl. 216 7 Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.904468/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/07/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 44 68 /2 01 2- 77 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10825.904468/201277 Acórdão n.º 1302002.448 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 32375.04071.201010.1.3.040241, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 31/07/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 65/66), tendo interposto o seu recurso voluntário em 25/06/2013 (doc. de fl. 68). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10825.904468/201277 Acórdão n.º 1302002.448 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 31/07/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10825.904468/201277 Acórdão n.º 1302002.448 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10825.904468/201277 Acórdão n.º 1302002.448 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.904468/201277 Acórdão n.º 1302002.448 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904468/201277 Acórdão n.º 1302002.448 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904468/201277 Acórdão n.º 1302002.448 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.720558/2012-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
DESISTÊNCIA
A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1001-000.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 DESISTÊNCIA A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, no valor original de R$ 90.000,00 (noventa mil reais), e que após a decisão de primeira instância foi reduzida para R$ 13.500,00 (treze mil e quinhentos reais), referente a Multa por Atraso na Entrega da Escrituração FCONT – Controle Fiscal Contábil de Transição (anocalendário 2009). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 05 58 /2 01 2- 29 Fl. 150DF CARF MF 2 Cientificada eletronicamente, a contribuinte apresentou impugnação em 16/01/2012 (efls. 02/13). As razões da impugnação foram assim resumidas no acórdão recorrido: Preliminar de Nulidade – os dispositivos legais citados no enquadramento legal (art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, art. 57, inciso I, Art. 2º da IN RFB 967/2009 e inciso I do artigo 54 da Medida Provisória 2.15835/01), transcritos, não servem como suporte à descrição dos fatos, pois são, em parte, inaplicáveis e, em parte, insuficientes para fundamentar a presente imposição descrita nos fatos, sendo, portanto, flagrante a ausência de enquadramento legal na notificação ora combatida; – o art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999 (transcrito), estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos que devem ser, obrigatoriamente, motivados. Além disso, o inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que são nulos: (...) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, temse que a capitulação legal é requisito essencial para a fundamentação de todo e qualquer ato administrativo, e sua ausência, além de cercear o direito de defesa do contribuinte, é fator de absoluta nulidade; – logo, diante da ausência dos elementos identificadores do objeto da obrigação tributária, violando garantia constitucional prevista no inciso LV do art. 5º, não restam dúvidas quanto à nulidade da presente Notificação de Lançamento, haja vista manifesto vício insanável; Do Direito – de acordo com a descrição dos fatos contida na notificação do presente lançamento: A entrega dos dados para o Controle Fiscal de Transição (FCONT) fora do prazo enseja a aplicação da multa de R$5.000,00 por mês calendário ou fração de atraso. – como a Escrituração FCONT do exercício de 2009, com prazo de entrega de 30/07/2010, foi entregue em 19/12/2011, a autoridade fiscal entendeu pela aplicação da penalidade de R$5.000,00 por “18 meses de atraso”, num total de R$90.000,00 (noventa mil reais); – o entendimento da autoridade fiscal foi no sentido de que a pena pecuniária deveria ser aplicada por “mês de atraso”, a partir da data em que a escrituração deveria ter sido entregue; – tal entendimento não merece prosperar tendo em vista que a presente discussão trata, na sua essência, a respeito da aplicação do correto conceito de “mês calendário” ; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10920.720558/201229 Acórdão n.º 1001000.102 S1C0T1 Fl. 151 3 – uma vez que a referencia é “mês calendário” e não “mês de atraso”, a aplicação da multa de R$5.000,00 deve incidir uma única vez a cada obrigação acessória descumprida; – caso a multa incidisse repetidamente, em todos os meses do período de atraso do cumprimento da obrigação, a referência seria expressa por mês de atraso e não por mês calendário; – ao entender que “mês calendário” abrange todos os meses durante o atraso no cumprimento da obrigação, a autoridade incorre em interpretação extensiva e, além de prejudicar o contribuinte, contraria totalmente a orientação trazida pelo art. 112 do CTN; – assim sendo, a cada vez que o contribuinte deixar de entregar escrituração, na data determinada, ele só pode ser penalizado uma única vez. Além do mais, a fixação da multa de forma cumulativa configurase totalmente desproporcional, pois se estaria transformando a multa que é punitiva em moratória; – isso se justifica ainda, pelo fato de que nem toda obrigação acessória tem periodicidade mensal. Assim, mesmo que a periodicidade seja trimestral ou anual, o termo “mês calendário” deve ser interpretado conforme essa peculiaridade, de modo que cada escrituração que deixe de ser apresentada gerará uma única multa. Se a obrigação é mensal, a multa incide por mês; se trimestral, a multa será para cada trimestre, e assim por diante (cita ementa do Ac 523020074013801 do TRF1, em julgamento de multa pelo atraso na entrega de Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune, conhecida como “DIFPapel Imune”. cujo título é “ATRASO NA ENTREGA. MULTA REGULAMENTAR. NÃO CUMULATIVIDADE”); – no presente caso, como a periodicidade é anual, o termo “por mês calendário” significa a cada ano em que permanecer o atraso. Assim, a forma correta de aplicar a multa de R$5.000,00 é apenas a cada ano, até que a escrituração seja entregue; – dessa forma, o termo “mês calendário”, que é uma previsão genérica, estará sendo interpretado, corretamente, em relação a cada espécie de obrigação descumprida, e não aplicado cumulativamente em todos os casos; – portanto, no presente caso, é indevida a multiplicação do valor da multa pelo número de meses que durou o atraso, Fl. 152DF CARF MF 4 sob pena de a multa assumir caráter confiscatório e malferir os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade; Dos Pedidos – por todo o exposto, requer que se acate integralmente a impugnação, julgandoa procedente, seja pela preliminar, seja pelas demais razões, no sentido de cancelar o lançamento na sua totalidade. Do contrário, que seja aplicada a penalidade na forma exposta. A decisão de primeira instância (efls. 65/72) manteve em parte o crédito tributário, exonerando em parte o crédito por constatar a superveniência de lei nova (Lei nº 12.766/2012) que prevê, para a mesma infração, a aplicação de penalidade menos severa do que a lei vigente na data da prática da infração, o que autorizaria a aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/11/2013 (efl. 75) a Interessada interpôs recurso voluntário em 06/12/2013 (efls. 77/113), em que repete os argumentos da impugnação e aduz, em resumo, julgados do CARF e do STJ (CARF Acórdão n° 340200.754 e STJ REsp n° 252.095PE) em que se teria decidido a favor da tese do recorrente, de que seria indevida a multiplicação do valor da multa (prevista para cada infração à obrigação formal falta de declaração) pelo número de meses que durou o atraso: (...) Com relação a este julgado, o r. Acórdão recorrido afirmou que "não cabe ao agente do Fisco deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais sem efeito erga omnes, ou decisões judiciais em que o sujeito passivo não foi parte do processo, uma vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Data vénia, ainda que o Fisco tenha que cumprir a atividade vinculada e obrigatória de lançar, não pode, de forma desarrazoada, impor penalidades ao contribuinte, extrapolando o que determina a legislação tributária, sob pena de violação de princípios constitucionais já citados, tais como razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. Ademais, ainda que os julgados não tenham efeito erga omnes, não se pode ignorar atuais entendimentos acerca do tema, sendo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em caso análogo, se manifestou também no seguinte sentido: (...) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Processo n° 19515001106/200571, Recurso Voluntário n° 25.3366, Acórdão n° 340200.754 — 4° Câmara/2° Turma Ordinária, Sessão: 26/08/2010). Ora, se a própria lei prevê a aplicação das referidas multas até o limite máximo de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) ao mês calendário da inadimplência de informação, não parece razoável que esse limite legal possa ser extrapolado pela Fiscalização, Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10920.720558/201229 Acórdão n.º 1001000.102 S1C0T1 Fl. 152 5 mediante a simples multiplicação de seu valor pelo número de meses em que a Recorrente permaneceu inadimplente, mormente considerandose que os referidos limites se encontram sob expressa previsão no CTN em seu artigo 97, V, instituído exatamente para refrear os abusos, a irrazoabilidade ou a desproporcionalidade na sua aplicação. No presente caso, como a periodicidade de entrega é anual, o termo "por mêscalendário" significa "a cada ano" em que permanecer o atraso. Assim, a forma correta seria aplicar a multa de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) apenas uma vez a cada ano, até que a escrituração seja entregue, havendo ainda no caso da Contribuinte a redução de 50% acima mencionada. Ainda que a lei não tivesse limitado a aplicação da referida multa, sendo pressuposto de sua aplicação o fato de que as infrações sejam continuadas e persistentes, parece evidente que esse fato por si só, já desautoriza cogitar de aplicação mensal cumulada em razão do número de meses em que a Impugnante permaneceu inadimplente, pois como já assentou a Jurisprudência: "o STJ firmou o entendimento de que a sequência de várias infrações apuradas em uma única autuação caracteriza a chamada infração de natureza continuada, com aplicação de uma única multa fixada de acordo com a gravidade da transgressão cometida" (STJ REsp n° 252.095PE, Reg. n° 2000/00264008, 06/12/2005, Rei. Min, JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJU de 13/03/06, p. 235). Dessa forma, o termo "mêscalendário", que é uma previsão genérica, deve ser interpretado em relação a cada espécie de obrigação descumprida, e não aplicado cumulativamente em todos os casos. Portanto, no presente caso, é indevida a multiplicação do valor da multa pelo número de meses que durou o atraso, sob pena da multa assumir caráter confiscatório e malferir os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Conforme Termo de Anexação de 26/10/2017 (efl. 117), o contribuinte solicitou, previamente ao julgamento, desistência (efl. 118) do presente recurso por ter requerido adesão ao parcelamento do Programa de Regularização Tributária (PRT), instituído pela MP n. 766/2017. A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Desta forma, voto por não conhecer do recurso Fl. 154DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720299/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA.
Comprovado em diligência a procedência parcial das alegações do recurso, deve-se conceder os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Numero da decisão: 3201-003.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ficou de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Dr. André Luiz Falcão Tanabé, OAB-RJ 95.452, escritório Departamento Jurídico Petróleo Brasileiro S/A.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DILIGÊNCIA. Comprovado em diligência a procedência parcial das alegações do recurso, devese conceder os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ficou de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Dr. André Luiz Falcão Tanabé, OABRJ 95.452, escritório Departamento Jurídico Petróleo Brasileiro S/A. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 02 99 /2 01 1- 91 Fl. 4117DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito originário de pagamento efetuado a maior relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (código 21721) do período de janeiro de 2003. A DEMAC/RJO exarou o despacho decisório de fl. 99, com base no Parecer Conclusivo nº 46/2011 (fls. 94/97) decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, em decorrência, não homologar a compensação declarada. No despacho decisório consta consignado, em resumo, que: a) A DCOMP nº 14857.26631.150905.1.3.042007 (fls. 76 a 79), na qual foi utilizado suposto crédito no montante de R$ 2.646.075,11, foi homologada tacitamente, tendo restado no pleito da contribuinte o montante de crédito de R$ 3.207.288,40 a compensar; b) O contribuinte foi intimado a justificar a redução do débito de COFINS declarado na DCTF retificadora. Em resposta, apresentou as justificativas em fls. 34/35, planilha com os ajustes extracontábeis, demonstrativo sumário de apuração da base de cálculo e cópia de parte do balancete de verificação e documentos de cálculo da CIDE, alíquotas diferenciadas, exportação e vendas a liminaristas; c) A intimação nº 135/2011 no presente processo requisita a prestação de esclarecimentos e apresentação de documentos idênticos aos exigidos no conjunto das intimações semelhantes, efetuadas em outros processos de compensação, recebidas pela contribuinte ao longo do ano de 2010, todas respondidas pelo sr. Carlos Alberto dos Santos, Gerente Setorial de Relacionamento com Órgãos Federais da empresa Petrobras. A partir das informações constantes da planilha demonstrativa da apuração da base de cálculo e do balancete de verificação apresentados nos demais processos, foi possível proceder à análise da retificação efetuada pela contribuinte que resultou na redução de débito analisada; d) Na resposta à intimação efetuada no presente processo, a contribuinte, tendo solicitado por duas vezes prorrogação de prazo para resposta, apresentou, para a DCOMP em questão, entre outros documentos, demonstrativo de receitas sumário sem o detalhamento de todas as contas contábeis, bem como, no caso Fl. 4118DF CARF MF Processo nº 16682.720299/201191 Acórdão n.º 3201003.200 S3C2T1 Fl. 3 3 da presente DCOMP, apenas parte inicial do balancete de verificação, a qual não contém a relação detalhada dos saldos de todas as contas de receitas, necessária para a apuração da base de cálculo do débito em questão. Dispondo apenas destas informações incompletas, não é possível proceder à análise das reduções de débitos realizadas pela contribuinte, que originaram os supostos créditos objeto das compensações ora pleiteadas; e) Considerando que a contribuinte já tinha conhecimento do tipo de informação que deveria prestar, por ter sido intimada reiteradas vezes em períodos recentes a apresentar as mesmas informações, tendo as apresentado, em casos anteriores, da forma detalhada necessária a viabilizar a análise e não da forma sumária que agora apresenta, considerando já ter sido concedido prazo suficiente para a resposta e face à exiguidade do prazo restante para análise das DCOMP, dado o volume de informações e a iminência da homologação tácita, mostrase incabível e inviável nova intimação da contribuinte, bem como não é possível reconhecer o direito creditório informado nas declarações de compensação, tendo em vista a ausência de comprovação de erro existente em sua DCTF original e de esclarecimentos que justifiquem a redução do débito. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 29/03/2011 (fl. 160) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/04/2011 (fls. 108/120), alegando, em síntese que: a) O recolhimento da contribuição era efetuado em base de cálculo estimada. Após o fechamento contábil eram realizados diversos ajustes para obtenção da base de cálculo definitiva; b) Foi realizado ajuste de venda de gasolina de aviação, código de produto 623, contabilizada no grupo da gasolina e tributada á alíquota de 3%, conforme notas fiscais; c) Foram realizados ajustes relativos a vendas para distribuidoras liminaristas, de gasolina nacional, tributada à alíquota de 3% e à alíquota zero conforme tabela 1. Em anexo notas fiscais; d) Venda de nafta petroquímica para centrais petroquímicas, tributada à alíquota zero, conforme tabela 2 e notas fiscais em anexo; e) Embora a venda de propeno, código de produto 614, seja contabilizada na conta de GLP, a tributação da COFINS é efetuada pela alíquota geral, conforme tabela 3. O código NCM deste produto é 2901.22.00, conforme informação nas notas fiscais em anexo. A IN 219/2002 assegura o procedimento adotado; f) Venda de gás natural para empresas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade – PPT, tributada à alíquota zero, conforme tabela 4 e notas fiscais em anexo; g) Querosene de aviação, código de produto 641, contabilizado no grupo de querosene, é tributado à alíquota de 5,8%. Os demais querosenes são tributados à alíquota geral, conforme tabela 5 e notas fiscais em anexo; h) A base de cálculo de outras receitas foi ajustada em função da variação cambial e ajustes de outras receitas, conforme tabela 7, Fl. 4119DF CARF MF 4 o que pode ser comprovado pelo balancete e respectivas contas contábeis; i) O ajuste da receita financeira e da variação cambial tem respaldo na doutrina e jurisprudência; j) O valor devido após os ajustes está demonstrado na tabela 8; k) A planilha de apuração definitiva está coerente com o Balancete patrimonial; l) Requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade e homologada a compensação declarada. Protesta pela juntada posterior de documentos complementares necessários à defesa." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do despacho decisório. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. É vedado, para fins de compensação, aproveitar crédito, objeto de disputa judicial, antes de transitar em julgado a decisão favorável ao sujeito passivo. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, afirmando a procedência do crédito em relação aos recolhimentos realizados em desacordo com as decisões liminares em ações judiciais, a não incidência da contribuição sobre receitas financeiras e destacando as divergências encontradas em relação a 4 (quatro) produtos, que podem ser assim resumidas: Gasolina de Aviação A Recorrente escriturou as receitas advindas da venda de a gasolina de aviação (produto de código 623, sobre a qual incidiria a alíquota de 3%), na conta contábil 3110102, junto com a gasolina em geral que sofre uma tributação de 12,45%. Sendo assim, erroneamente aplicou uma alíquota superior sobre estas receitas, que gerou o pagamento indevido. Fl. 4120DF CARF MF Processo nº 16682.720299/201191 Acórdão n.º 3201003.200 S3C2T1 Fl. 4 5 Propeno Mesma situação ocorreu com o Propeno (produto de código 614, sujeito a alíquota geral da contribuição) que foi escriturado na mesma conta contábil do Gás Liquefeito de Petróleo GLP, sobre o qual aplicase a alíquota de 11,84%, sendo assim, também neste caso o Propeno também foi submetido a uma alíquota superior a devida, ocorrendo o pagamento indevido. Querosene de aviação Mesma situação ocorreu com o querosene de aviação que foi escriturado na mesma conta referente ao demais tipos de querosene, gerando uma aplicação equivocada da alíquota da contribuição. Nafta Petroquímica A Recorrente finaliza o recurso apresentado planilhas de cálculos em que estariam detalhadas os ajustes na base de cálculo da contribuição e pedindo a análise dos documentos apresentados após a manifestação de inconformidade. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora procedesse a análise dos documento fiscais de fls. 662 a 2325 à luz dos argumentos apresentados no recurso voluntário e intimasse a Recorrente a apresentar cópias de todas as decisões e Certidão Narratória das ações judiciais relacionadas à fl. 56. A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado no relatório fiscal. Nos termos da diligência, a Fiscalização realizou a auditoria confirmando parcialmente as alegações da Recorrente, que foram assim detalhados no relatório. Relativamente às solicitações constantes da Resolução supra, temse o seguinte: Em seu recurso (fl. 602 a 2.324), o contribuinte exclusões que foram consideradas indevidas, da seguinte forma: · Exclusão referente à Gasolina de Aviação: No presente processo, não foram apresentadas notas fiscais de gasolina de aviação. Contudo, no processo de PIS, o contribuinte apresentou planilha eletrônica com relação dos documentos fiscais de venda de gasolina de aviação, cuja soma é exatamente igual ao valor alegado de exclusão, a saber R$ 8.229.550,37. Entretanto, apresentou apenas 01 (uma) nota fiscal de venda de gasolina de aviação, no valor de R$ 19.841,39. Fl. 4121DF CARF MF 6 Desta forma, o valor deferido por esta Fiscalização para a exclusão referente à Gasolina de Aviação é de R$ 19.841,39. · Exclusões atinentes ao Propeno Grau Polímero (NCM: 2901.22.00): O contribuinte esclareceu que cometeu um erro quanto às exclusões da base de cálculo do GLP. As referidas exclusões não eram referentes à venda de Butano, como informado, mas sim de Propeno Grau Polímero, que também foram computadas na mesma conta do GLP. Quanto ao Propeno (NCM: 2901.22.00), de fato ele deve ser excluído da BC do GLP, de acordo com o Parágrafo Único do art. 53 da IN 247/2002. No processo de PIS, o contribuinte apresentou planilha eletrônica com relação dos documentos fiscais de venda de propeno, cuja soma é exatamente igual ao valor alegado de exclusão, a saber R$ 37.691.803,10. Entretanto, apresentou apenas 80 (oitenta) notas fiscais de venda de propeno, cuja soma dos valores atinge o montante de R$ 26.191.907,29. Há que se considerar, contudo, que no presente processo, o contribuinte apresentou 15 (quinze) notas fiscais de venda de propeno diferentes das constantes do processo de PIS, cuja soma atinge o montante de R$ 3.899.170,56. Desta forma, o valor deferido por esta Fiscalização para a exclusão referente ao Propeno Grau Polímero é a soma dos dois valores, no total de R$ 30.091.077,85. Quanto as ações judiciais impetradas por distribuidoras questionando o pagamento da contribuição. A Autoridade Fiscal responsável pela diligência, tece um histórico das alterações normativas que disciplinam a matéria, concluindo pela impossibilidade de exclusão da base de cálculo dos valores referentes às vendas a empresas detentoras de liminares judiciais. 15. Podemos dizer, portanto, que a MP 1.99115/00 extinguiu o regime de substituição quanto aos combustíveis, determinando a tributação incidente sobre as refinarias. Por sua vez, a MP 1.99118/00 e a Lei 9.990/00, sem alterar as diretrizes da MP mencionada, modificou as alíquotas aplicáveis. Desta forma, com o fim do regime da substituição tributária no ano 2000, a refinaria passa a atuar como contribuinte e não mais como substituto tributário. Assim, ainda que houvesse liminar a favor de determinadas distribuidoras, a refinaria não poderia simplesmente deixar de oferecer tais receitas à tributação, mas sim informar o montante de tributo sujeito à Fl. 4122DF CARF MF Processo nº 16682.720299/201191 Acórdão n.º 3201003.200 S3C2T1 Fl. 5 7 discussão judicial em DCTF, suspendendo assim sua exigibilidade, até o desfecho judicial da lide. É o que defende, inclusive, o DESEMBARGADOR FEDERAL ANTONIO IVAN ATHIÉ, Relator da Medida Cautelar 2002.02.01.0146834, in verbis: "Nos termos do artigo 242 do RI deste Tribunal, reconsidero, em parte, as decisões de folhas 280/281 e 366, para o fim de condicionar o cumprimento da liminar ao depósito judicial da exação questionada, sensível à alegação da agravante de que a autora não possui capital e bens suficientes para garantir eventual cobrança executiva. Dessa forma, doravante cada aquisição de combustível pela autora, com o efeito da liminar, deve ser precedida de regular depósito judicial vinculado a este feito, e sequente comunicação à refinaria, por ofício. Oficiese com urgência à Petrobrás, comunicandoa desta decisão." Por esta razão, dada a incerteza e não liquidez do crédito em litígio, não poderia o contribuinte jamais utilizálo em uma declaração de compensação, à revelia dos art. 170 e 170A do CTN. Assim, esta Fiscalização mantém os entendimentos já exarados através do Parecer Conclusivo e do v. Acórdão do Processo de PIS: Parecer Conclusivo "Havendo discussão judicial sobre determinada receita, e consequentemente, sobre a pertinência ou não da exigência de um determinado quantum de tributo, o procedimento apropriado é informar na DIPJ o total da receita auferida, apurar o tributo devido correspondente à receita informada e, na DCTF, especificar o montante sujeito à discussão judicial, montante este que fica com a exigibilidade suspensa até findar a lide. De outra feita, seria como antecipar a decisão judicial, conferindo à liminar o condão de previamente decidir que sobre aquelas receitas em discussão já não incidiria tributo" Cientificada das conclusões da diligência, a Recorrente veio aos autos reafirmando que as ações judiciais impetradas pelas Distribuidoras de Combustíveis afastariam a exigência relativa aos tributos exigidos sobre a venda para estas empresas de gasolina e óleo diesel. Fl. 4123DF CARF MF 8 Alega em sede preliminar que apesar do protocolo da declaração de compensação ocorrer dentro do prazo previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, quando da ciência do despacho decisório os períodos referentes aos débitos compensados nesta declarações já estariam alcançados pela decadência. Quanto as vendas envolvendo Gasolina de Aviação e Propeno, afirma que a Autoridade Fiscal não considerou na diligência os valores apresentados em espelhos de notas fiscais. Entretanto, as operações poderiam ser confirmadas com outras informações constantes do autos e portanto, pede que seja reconhecido as vendas amparadas nestes espelhos de notas fiscais para comprovação do direito creditório. Com estas considerações, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Alega a Recorrente, em sede preliminar, que os créditos em discussão nos autos foram registrados em 2003 período superior ao prazo decadencial, previsto para a Administração Tributária proceder a revisão dos cálculos das contribuições declaradas e portanto, não poderiam ser desconsiderados pela Receita Federal. Entendo não assistir razão ao recurso. A decadência prevista no CTN atinge a exigência do tributo que o Fisco entende serem devidos, no caso em tela, mesmo que os créditos referemse a período de apuração superior ao prazo decadencial para lançamento das contribuições, somente a partir do protocolo da declaração de compensação foram efetivamente utilizados, razão pela qual, as exigências constantes do presente lançamento tratam dos débitos irregularmente compensados. Mais uma vez devese remeter as definições do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, que determina o prazo de 5 (cinco) anos a partir da data do protocolo da declaração de compensação. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Portanto, descabido o pleito da Recorrente de tentar levar para a data do apuração das contribuições o termo inicial para contagem do prazo decadencial, que de acordo Fl. 4124DF CARF MF Processo nº 16682.720299/201191 Acórdão n.º 3201003.200 S3C2T1 Fl. 6 9 com a legislação vigente somente iniciase a partir da possibilidade do lançamento, ou seja, quando a utilização efetiva dos créditos registrados em declaração de compensação. A Recorrente quando da apresentação do seu recurso voluntário afirmou que os documentos trazidos aos autos comprovavam o seu direito creditório. A decisão recorrida considerou que os espelhos de notas fiscais apresentados pela Recorrente não eram suficientes para a comprovação do direito creditório. Consultando os autos, é possível identificar que a Recorrente teve várias chances de apresentar as notas fiscais referentes ao seu direito creditório. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Portanto, para as operações em que não foi apresentado notas fiscais mantém se a decisão da primeira instância em razão da impossibilidade de verificação do direito creditório da Recorrente. Quanto as ações judiciais em que a Recorrente afirma existir direito creditório, também nesta matéria não pode prosperar o recurso. A consulta as ações judiciais demonstra que tratase de matéria referente a terceiros que patrocinaram ações judiciais questionando a exigência da contribuição exigida no sistema monofásico. A Recorrente não consta das ações e não foi possível identificar nos documentos judiciais apresentados qualquer decisão que pudesse amparar o direito creditório alegado. A alegação da existência de pagamentos indevidos não está demonstrado nos autos, não existindo nas ações judiciais, nenhuma decisão que ampare o pleito da Recorrente. Ao meu sentir, recolhimentos realizados indevidamente precisam estar claramente identificados com a indicação dos documentos que comprovam o recolhimento indevido a apuração pormenorizada dos valores e todos as outras informações que trariam uma garantia da existência do indébito. A simples indicação da existência de ações judiciais em nome de terceiros, sem qualquer indicação das informações e 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 4125DF CARF MF 10 detalhes necessários a comprovação do pagamento indevido, não é suficiente para conceder a recorrente o direito creditório pleiteado. Por fim, a Recorrente alega o direito creditório referente a inclusão indevida da variação monetária ativa na base de cálculo da COFINS. A matéria é bastante conhecida deste conselho, existindo decisões que indicam a existência de repercussão geral para a matéria. Entretanto, os argumentos da Recorrente não guardam relação com a exigência fiscal controlada no presente processo. O lançamento fiscal, no que concerne a esta matéria, reside no fato da Recorrente ter utilizado variação monetária passiva para reduzir a base de cálculo da COFINS, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído do voto condutor da decisão recorrida. Ao contrário do que afirma a interessada, os valores informados na coluna “base definitiva” em fl. 161 não está totalmente condizente com os registros contábeis verificados no balancete. No que diz respeito às variações cambiais, verificase que a empresa apurou saldo negativo, utilizandoo, indevidamente, para abater o resultado positivo registrado em outros grupos de conta. Tal procedimento, contudo, não encontra amparo na legislação que rege a matéria, uma vez que a base de cálculo da Cofins e do PIS é o faturamento e não o lucro, ou seja, apenas as receitas auferidas integram a base de cálculo das contribuições, não importando se houve, no mesmo período, despesas financeiras em montante igual ou superior. Os argumentos apresentados no recurso voluntário que tratam da possibilidade de exclusão na base de cálculo da COFINS, dos valores apurados em variação monetária ativa não correspondem a matéria que foi objeto de lançamento, que conforme detalhado no acórdão da primeira instância, ocorreu em razão da redução da base de cálculo por existência de variação monetária passiva. Entendo, nos termos já decididos em diversos julgados deste conselho e ainda da existência do RE 627.815 que a variação monetária ativa não compõe a base de cálculo da COFINS, entretanto, conforme já detalhado, não é esta a matéria que trata os autos e sim o procedimento adotado pela Recorrente de excluir da base de cálculo da COFINS, os valores referentes a variação cambial passiva, o que sem sobra de dúvida não é possível, pois, se a variação monetária ativa não compõe a base de cálculo a variação monetária passiva não pode ser utilizada para a redução da base de cálculo da contribuição. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento para acatar as operações de venda comprovadas, nos termos constantes do relatório de diligência fiscal de e fls. 786 a 796. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 4126DF CARF MF Processo nº 16682.720299/201191 Acórdão n.º 3201003.200 S3C2T1 Fl. 7 11 Fl. 4127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910761/2008-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2000
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.716
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente FLEURY S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2000 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 61 /2 00 8- 22 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.910761/200822 Acórdão n.º 9303005.716 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802002.006, de 24/09/2013, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2000 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido quanto à impossibilidade de apresentação de DCTF retificadora, após o Despacho Decisório e no prazo da Manifestação de Inconformidade, para a comprovação do direito creditório alegado. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 1302001.423 (possibilidade de homologação da PER/DCOMP em face da apresentação de DCTF retificadora após o Despacho Decisório) e 3401002.744 e 3401002.128 (necessidade de conversão do julgamento em diligência caso não seja reconhecido o direito à homologação com base na DCTF retificada). Por meio do exame de admissibilidade do recurso, propôsse o seu não seguimento, o que, embora acatado pelo Presidente do CARF em despacho de reexame, foi revertido por medida liminar em mandado de segurança, determinando o seguimento do recurso especial. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.910761/200822 Acórdão n.º 9303005.716 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.708, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10880.910755/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.708): "Em face do provimento judicial que determinou a este Colegiado Administrativo o seguimento do recurso especial, ultrapassamos a análise de sua admissibilidade e passamos ao mérito do litígio. Neste, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Nesse contexto, ainda que não se tenha concordado com o argumento de que a falta de DCTF retificadora não seria óbice ao deferimento do pedido (coisa com a qual também concordamos), não se poderia, pura e simplesmente, dar provimento ao recurso especial, mas retornar os autos à unidade de origem, a fim de que, ultrapassada a questão, enfrentasse o mérito do litígio, mediante a análise da documentação fiscal ou contábil por meio da qual se pudesse comprovar o crédito a ser restituído. Para nós, portanto, correta a Câmara baixa, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria suficiente para a demonstração do crédito, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que, no caso ora em exame, não se verificou, daí porque absolutamente impertinente converter o julgamento em diligência, como pretende a Recorrente1. Ante o exposto, conheço do recurso especial em face do provimento judicial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também "limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito". 1 Segundo o relator do acórdão recorrido: "No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição". Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.910761/200822 Acórdão n.º 9303005.716 CSRFT3 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido em face do provimento judicial e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.001950/2002-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INTERPRETADA DE MODO DIVERGENTE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 67, §1º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma. Para tanto, insuficiente a mera citação dos dispositivos legais supostamente violados sem que haja a indicação objetiva da violação infligida pela decisão recorrida. Ausente o requisito estabelecido pelas norma regimental, não deve ser conhecido o recurso.
Numero da decisão: 9303-005.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INTERPRETADA DE MODO DIVERGENTE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, §1º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma. Para tanto, insuficiente a mera citação dos dispositivos legais supostamente violados sem que haja a indicação objetiva da violação infligida pela decisão recorrida. Ausente o requisito estabelecido pelas norma regimental, não deve ser conhecido o recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INTERPRETADA DE MODO DIVERGENTE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, §1º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma. Para tanto, insuficiente a mera citação dos dispositivos legais supostamente violados sem que haja a indicação objetiva da violação infligida pela decisão recorrida. Ausente o requisito estabelecido pelas norma regimental, não deve ser conhecido o recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 19 50 /2 00 2- 62 Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10320.001950/200262 Acórdão n.º 9303005.841 CSRFT3 Fl. 1.216 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 1.125 a 1.140) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3401002.926 (fls. 1.054 a 1.062) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26/02/2015, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REQUISITOS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. PRAZO. Empreendimento, identificado no ato constitutivo de consórcio operacional como a construção do parque industrial, o refino de bauxita e a redução de alumina para a obtenção do alumínio, tem grau de determinação suficiente para fim de respaldar a constituição de um consórcio de sociedades nos termos da legislação comercial. Não há falar em perpetuação de empreendimento que tem prazo determinado em 50 (cinqüenta) anos, ainda que renovável. O presente processo tem origem em pedido de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do segundo trimestre de 2002 e declaração de compensação dos referidos créditos com débitos do Imposto de Renda sobre Pessoas Jurídicas (IRPJ). Inicialmente, a DRF/São Luís deuse por incompetente para verificação da legitimidade dos créditos, pois haveria a obrigatoriedade de apuração centralizada do crédito presumido, sendo os autos remetidos para a Derat/Rio de Janeiro. A partir de então, o litígio foi objeto de inúmeras decisões, anulandose as anteriores, sempre com a intimação e manifestação da Contribuinte. No trâmite do processo, a empresa retificou o pedido de ressarcimento, providência acolhida pela DIORT/Derat/Rio de Janeiro, nos termos do despacho decisório de fls. 191 a 198, passando a discussão a ser tratada como pedido de compensação de débitos da matriz utilizando crédito presumido de IPI igualmente apurado pela matriz. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10320.001950/200262 Acórdão n.º 9303005.841 CSRFT3 Fl. 1.217 3 Em face do despacho decisório que aceitou a retificação do pedido de ressarcimento, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 204 a 214), julgada improcedente nos termos do Acórdão nº 0928.971 (fls. 638 a 654), cujos fundamentos foram sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. A elaboração do parque industrial, a exploração das atividades de Refino de Bauxita e também de Redução de Alumina, para a obtenção do Alumínio, não pode ser caracterizada como um empreendimento determinado, para fins de respaldar a constituição de um consórcio de empresas nos termos da legislação comercial. É necessário que o empreendimento seja determinado quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. Ademais, da perpetuação do empreendimento, no tempo, e do constante incremento de produção não planejado no empreendimento original, depreendese o ânimo definitivo, inerente às pessoas jurídicas constituídas com o propósito de continuidade e obtenção crescente de lucro. APROVEITAMENTO CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível o aproveitamento de Crédito Presumido de IPI por empresa que não se enquadra nos pressupostos legais para fruição do beneficio fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/06/2002 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 658 a 676), ao qual foi dado provimento nos termos do Acórdão nº 3401002.926 (fls. 1.054 a 1.062) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26/02/2015, ora recorrido, por ter entendido o Colegiado, em síntese, ter restado caracterizada a figura do consórcio de empresas, consoante requisitos estabelecidos na legislação comercial, e por conseguinte ser devido o aproveitamento do crédito presumido de IPI pela Contribuinte. Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10320.001950/200262 Acórdão n.º 9303005.841 CSRFT3 Fl. 1.218 4 Nessa oportunidade, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 1.125 a 1.140), alegando divergência jurisprudencial quanto à desqualificação do consórcio por ausência de objeto, alegando tratarse o Consórcio Alumar, do qual faz parte a Recorrida, de sociedade de fato e, assim, impossibilitando o reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI, por não ser o estabelecimento produtor do bem exportado. Para comprovar a divergência, colacionou como paradigma o Acórdão nº 340200.597, de 24/05/2010. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) restou comprovada a divergência jurisprudencial na medida em que os acórdãos recorrido e paradigma tratam de pedido formulado para o ressarcimento e compensação de crédito presumido de IPI apurados no Consórcio Alumar, descaracterizado pela Fiscalização em razão de irregularidades apuradas na sua constituição, qualificandoo como sociedade de fato; (b) os artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404/76 Lei das Sociedades por Ações, permitem que as sociedades organizemse na forma de consórcio, com a finalidade de executar determinado empreendimento; (c) o contrato que constituir o consórcio, ente desprovido de personalidade jurídica, dentre as suas disposições deverá prever o empreendimento que se constitui no seu objeto e a sua duração. Não é permitido um consórcio que tenha por objeto atividades permanentes; (d) transcrever cláusulas do Consórcio Alumar, concluindo não se estar diante de um empreendimento único, pois, no seu entender, a aquisição, montagem e construção de instalações para o refino da alumina e para a redução do alumínio constitui objeto distinto da operação de tais instalações; (e) defende, ainda, que as atividades de processamento de bauxita, transformandoa em alumina, e sua posterior redução, para obtenção de alumínio, são empreendimentos abrangentes e permanentes, não atendendo aos requisitos da transitoriedade e temporariedade dos consórcios; (f) alega estarse diante de uma sociedade de fato, da qual é sócia a Recorrida, sendo a própria Alumar que desempenha as atividades de redução da alumina e refino do alumínio, sendo esta que industrializou os produtos exportados; (g) por fim, assevera que para fruição do benefício do crédito presumido de IPI, o art. 1º da Lei nº 9.363/96, traz como condições cumulativas que a empresa seja produtora e exportadora da mercadoria nacional destinada à exportação, não se enquadrando ai a Contribuinte, pois nada teria produzido. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho S/Nº, de 10 de novembro de 2015 (fls. 1.142 a 1.144), proferido pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender como comprovado o dissenso interpretativo. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10320.001950/200262 Acórdão n.º 9303005.841 CSRFT3 Fl. 1.219 5 A empresa SOUTH 32 MINERALS S.A. (nova denominação de BHP Billiton Metais S/A) apresentou contrarrazões (fls. 1.169 a 1.181) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A demanda cingese à análise da validade do Consórcio Alumar e da legitimidade da Contribuinte para pleitear o ressarcimento de créditos presumidos de IPI decorrentes da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, consoante previsto no art. 1º da Lei nº 9.363/96, utilizados no processo produtivo, na qualidade de produtora e exportadora de mercadoria nacional. No acórdão recorrido, foi reconhecida a caracterização do Consórcio Alumar como, de fato, um consórcio, nos termos dos artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404 e a legitimidade da empresa Recorrida, que é uma das consorciadas, para postular o ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI decorrente da aquisição de insumos utilizados na produção da alumina e do alumínio, no âmbito do consórcio. A Fazenda Nacional, por meio do recurso especial, alega divergência em relação ao Acórdão nº 3402000.597, no qual foi consignado tratarse o Consórcio Alumar de uma sociedade de fato. Do exame do recurso especial, com a devida vênia às conclusões postas no exame de admissibilidade efetuado pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, verificase carecer o apelo dos pressupostos necessários ao seu prosseguimento. O art. 67, §1º, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, estabelece como condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos confrontados Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10320.001950/200262 Acórdão n.º 9303005.841 CSRFT3 Fl. 1.220 6 recorrido e paradigma. Tal providência não foi adotada no caso em exame, pois, embora a Fazenda Nacional colacione a redação dos artigos 278 e 279 da Lei nº 6.40476, não aponta objetivamente qual seria a violação infligida aos mesmos pela decisão recorrida ou no que se teria dado a interpretação conflitante com o julgado tido por paradigmático. Além disso, nos acórdãos confrontados, a interpretação diversa não se deu com relação à legislação tributária, mas sim quanto às provas acostadas aos autos, mais especificamente, ao Contrato do Consórcio Alumar para a caracterização da figura societária. Estáse diante de divergência em relação ao contrato celebrado entre as empresas consorciadas, e não quanto à legislação de regência para a constituição dos consórcios. Para elucidar a assertiva e demonstrar que a interpretação divergente deuse em relação ao conjunto probatório e não à lei, como exigido para a via do recurso especial, transcrevese trechos dos acórdãos nºs 3401002.926 (recorrido) e 3402000.597 (paradigma), in verbis: Acórdão nº 3401002.926 recorrido [...] Pois bem, quanto à questão do objetivo do empreendimento, o caput do art. 278 da Lei nº 6.404/76 apenas determina que as empresas "podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento". O elemento caracterizador do consórcio é que este tenha um empreendimento determinado. A norma não traz limites ao escopo do empreendimento, exigindo que ele consista em uma única atividade ou que esta seja simples. A única exigência da lei é que ele seja determinado. Compulsando o contrato de constituição do Consórcio Alumar, a definição do objetivo do empreendimento está claramente definida nos Artigo 1º e 3.02: [...] O objeto do Consórcio Alumar é, após a construção das instalações necessárias para a operação, "(...) processar bauxita, transformandoa em alumina' no Empreendimento de Refino de Alumina e alumina em alumínio no Empreendimento de Redução de Alumínio, utilizandose de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome (...)". Apesar de o contrato discriminar dois empreendimentos, quais sejam, "Empreendimento de Refino de Alumina" e "Empreendimento de Redução de Alumina", é certo que tais atividades estão relacionadas, o que justifica a sua realização por meio de um consórcio único. Esta distinção não retira o caráter de determinação do empreendimento objeto do Consórcio Alumar, enquadrandoo nos termos do art. 278 da Lei nº 6.404/76. Outrossim, quanto à duração do empreendimento, o próprio contrato constitutivo prevê que o prazo de duração do consórcio vai até 2050, podendo ser prorrogado por mais um ano. O art. 279, inciso III, da Lei nº Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10320.001950/200262 Acórdão n.º 9303005.841 CSRFT3 Fl. 1.221 7 6.404/76 apenas exige que seja prevista a duração do consórcio. Este requisito foi preenchido, conforme se verifica no próprio contrato de constituição do Consórcio e o fato de ser prorrogável não tem o condão de descaracterizar o fato de que foi constituído pro prazo determinado, uma vez que, findo o prazo inicial, não há a certeza de sua continuidade. [...](grifouse) Acórdão nº 340200.597 paradigma [...] Com as informações existentes nos autos antes da diligência proposta, podia se talvez considerar precipitada a conclusão das autoridades administrativas, baseada que estava unicamente na duração indeterminada da exploração a ser realizada. Notese que o argumento contrário da recorrente, enfatizando estar presente no contrato a duração, é bastante frágil na medida em que embora conste ali uma data — 2050 — há também previsão de renovação indeterminada daquele prazo final. [...] Ocorre que não há empreendimento algum. Deveras, o que contrataram as empresas — agora está claro — foi meramente a constituição, em comum, de um estabelecimento produtivo, em que se realizaria a atividade de produção de alumina no Pará. O que há de fato é isso: um estabelecimento (que funciona como filial de cada empresa) em que elas, em conjunto, produzem alumina que é depois entregue a cada uma para o uso que cada uma melhor entender. [...] Por isso, firmei minha convicção no sentido de que houve mesmo abuso da forma prevista em lei, de modo a pretender caracterizar como consórcio o que na verdade é meramente um estabelecimento produtor partilhado por quatro empresas. Para isso confluem as respostas dadas aos pedidos de esclarecimento da fiscalização: o que se queria era viabilizar técnica e financeiramente a exploração da bauxita existente no estado do Maranhão, mas mantendose a completa autonomia (de compras e vendas) de cada uma das participantes, de mais a mais concorrentes no mesmo mercado. [...] Em reforço, a transitoriedade não se demonstra pela simples aposição de urna data no contrato de constituição. É preciso que o empreendimento realmente se conclua naquela data, e há no contrato, como já dito, cláusula prevendo sua continuada revalidação. [...] Ambos julgados convergem para o entendimento de que para ser perfectibilizada a figura do consórcio, devese ter a presença inequívoca dos elementos estabelecidos pela legislação, a saber, nos artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404/76, principalmente, Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10320.001950/200262 Acórdão n.º 9303005.841 CSRFT3 Fl. 1.222 8 constituirse seu objetivo na realização de empreendimento único e por prazo determinado. Ocorre que, enquanto o acórdão recorrido ao analisar o contrato do Consórcio Alumar entendeu estarem presentes referidas características, o acórdão paradigma apresentou entendimento divergente, pois analisando o mesmo contrato concluiu não se tratar de um consórcio, e sim de uma sociedade de fato, por não ter vislumbrado os requisitos impostos na legislação. Tendo em vista ser o escopo do recurso especial a uniformização de interpretações divergentes conferidas ao mesmo dispositivo de lei, e não com relação às provas trazidas aos autos, verificase não reunir o presente recurso os requisitos necessários ao seu prosseguimento, pois pretende o reexame da prova. Importa consignar ter sido trazido pela Contribuinte, em sede de memoriais, a informação de que essa mesma conclusão predominante neste julgado foi explicitada no juízo de admissibilidade de recurso especial da Fazenda Nacional nos processos administrativos nºs 10768.720078/200719; 10768.720092/200712 e 10768.720105/200745, demandas idênticas a dos presentes autos, o que corrobora o não conhecimento do recurso. Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1226DF CARF MF
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Numero do processo: 15463.000664/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NECESSIDADE.
A existência de decisão judicial que reconhece direito à isenção tributária, devidamente comunicada ao Órgão Administrativo, é motivo para a declaração de improcedência do lançamento tributário decorrente da discussão sobre o direito à isenção.
Numero da decisão: 2201-003.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. A existência de decisão judicial que reconhece direito à isenção tributária, devidamente comunicada ao Órgão Administrativo, é motivo para a declaração de improcedência do lançamento tributário decorrente da discussão sobre o direito à isenção.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1602; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 214 1 213 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15463.000664/201089 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.984 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de outubro de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Recorrente JAYME BUARQUE DE HOLLANDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. A existência de decisão judicial que reconhece direito à isenção tributária, devidamente comunicada ao Órgão Administrativo, é motivo para a declaração de improcedência do lançamento tributário decorrente da discussão sobre o direito à isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra que negavam provimento. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 00 06 64 /2 01 0- 89 Fl. 214DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II que manteve na integralidade o lançamento tributário relativo ao IRPF supostamente devido no anocalendário de 2008, em razão de declaração como isentos/não tributáveis de rendimentos decorrentes do pagamento de aposentadoria. Tal crédito foi constituído por meio de notificação de lançamento (fls. 19 do processo digitalizado), devidamente explicitado às folhas 21, pelo qual foi apurado o crédito tributário correspondente a imposto suplementar (R$ 11.492,35), juros de mora (R$ 779,18), multa proporcional (R$ 8.619,26), valores consolidados em janeiro de 2010. Em 09 de março de 2010 (fls 2), foi apresentada, tempestivamente conforme despacho de folhas 72 impugnação ao lançamento. A decisão da 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro, II contém o seguinte relatório, que adoto por sua precisão e clareza (fls 74): "Contra o contribuinte foi lavrada notificação de lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.17 a 19), relativa ao anocalendário 2008, para apurar imposto de renda pessoa física suplementar de RS11.492,35, acrescido de multa de ofício de 75%, no valor de R$8.619,26 e juros moratórios perfazendo crédito tributário no montante de R$20.890,79. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal à fl.18 os rendimentos recebidos da Fundação Eletrobrás de Seguridade Social ELETROS foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave.Conforme informação da fiscalização, o laudo apresentado não emana de Perícia Médica, como determina dispositivo isencional. Inconformado, o interessado alega em síntese que a responsabilidade de retenção na fonte é exclusiva da fonte pagadora, conforme artigo 45 do CTN e artigos . 717 e 722 do RIR.Solicita que seja reconhecida a ilegitimidade passiva uma vez que a responsabilidade tributária de retenção serra da ELETROS.Caso não seja acolhido o pedido requer que seja dado provimento à impugnação para que se desconstitua o auto de infração uma vez que os rendimentos seriam isentos por moléstia grave,.conforme documentos e laudos anexados. As fls. 34 a 47 foram juntados:a petição inicial da ação declaratória, em face da União Federal e do INSS, e extrato de andamento da ação perante a 23a Vara Federal do Rio de Janeiro." A decisão de primeira instância restou assim ementada (Acórdão 1333.496, fls 73): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 15463.000664/201089 Acórdão n.º 2201003.984 S2C2T1 Fl. 215 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA A ESFERA ADMINISTRATIVA. Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, ha renúncia As instâncias administrativas, não mais cabendo, nestas esferas, a discussão da matéria de mérito, debatida no âmbito da ação judicial." A decisão de piso entendeu que a propositura de ação judicial pela qual o Contribuinte pleiteava o direito a isenção do IRPF em razão de ser portador de moléstia grave, implicava em renúncia a discussão administrativa do crédito lançado. O impugnante teve ciência da decisão desfavorável em 03 de abril de 2012 (AR. fls. 78) Ressaltese, que se observa às folhas 43, petição inicial de ação declaratória, com pedido de antecipação de tutela, proposta perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, que tem por objeto a declaração do direito do autor a isenção do imposto sobre a renda decorrente dos proventos de aposentadoria em razão da moléstia grave existente. Inconformado com a decisão de primeiro grau que manteve o lançamento tributário, o Recorrente interpôs, em 29 de abril de 2012, o presente recurso voluntário (fls. 92), no qual aduz em apertada síntese que: · não se verifica renúncia a esfera administrativa posto que não há concomitância de instancias, vez que a discussão judicial proposta em 2009 versa sobre as parcelas vincendas do IRPF por força da isenção tributária que se pretende ver reconhecida; · a Lei nº 5.172/66 permite a retificação da declaração tributária, por meio de recurso de ofício, no caso de erro ou omissão, o que se aplica ao caso em apreço; · Assim, é cabível o cancelamento da autuação por força do reconhecimento da isenção por existência de moléstia grave, devidamente comprovada, não havendo renúncia a discussão administrativa. O processo foi distribuído para este Conselheiro, por sorteio eletrônico, em sessão pública. É o relatório do necessário. Fl. 216DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. O recurso voluntário proposto atende aos requisitos de admissibilidade e portanto, dele conheço. Porém, antes de iniciar a apreciação dos argumentos recursais, verifico a existência de uma matéria prejudicial ao julgamento do mérito. Conforme relatado, foi proposto pelo Recorrente, em 2009, perante a Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, uma ação declaratória que foi protocolizada sob o nº 001552538.2009.4.02.5101 (2009.51.01.0155250), que tramitou perante a 23ª Vara Federal. Tal ação restou favorável ao Contribuinte. Observo às folhas 186, o Ofício SEC nº OFI.0023.0000412/2017, endereçado a este Conselho, com o seguinte teor: Tal determinação judicial decorre da decisão tomada pelo Egrégio Tribunal Federal da 2ª Região, na apreciação da Apelação Cível 2009.51.01.0155250, acostada as folhas 192, que apresenta a seguinte conclusão (fls. 195): Fl. 217DF CARF MF Processo nº 15463.000664/201089 Acórdão n.º 2201003.984 S2C2T1 Fl. 216 5 A simples leitura excerto acima, permite concluir que o reconhecimento pelo Poder Judiciário do direito do Recorrente a isenção do imposto sobre a renda proveniente da aposentadoria percebida. Em sede de Embargos de Declaração, foi esclarecido pelo Tribunal Federal, conforme se observa pela cópia do acórdão acostado às folhas 197 , que o direito a isenção deve ser reconhecido desde outubro de 1997, posto que: "(...) documentos apresentados pelo Demandante (docs ...), declaramno portador de neoplastia de próstata CID 61 (neoplastia maligna), desde outubro de 1997. Portanto esta é a data de início do benefício de isenção fiscal." Por todo o exposto, forçoso reconhecer a existência de ordem judicial determinando que este Conselho Administrativo reconheça a improcedência do lançamento tributário contido na notificação de lançamento que se aprecia por meio do presente processo administrativo fiscal. CONCLUSÃO Diante dos fatos e fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 218DF CARF MF 6 Fl. 219DF CARF MF
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