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Numero do processo: 19515.002566/2010-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado a divergência dos resultados alcançados para situações similares e prequestionamento das matérias recorridas.
Numero da decisão: 9202-006.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL EISENMANN DO BRASIL EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado a divergência dos resultados alcançados para situações similares e prequestionamento das matérias recorridas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 66 /2 01 0- 84 Fl. 329DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.252.528 8, à efl. 02, no qual foram constituídos créditos referentes a contribuições dos segurados empregados, destinadas à Seguridade Social. O crédito lançado tem como fatos geradores das contribuições as parcelas de remunerações pagas aos segurados, não informadas em GFIP, em face de a empresa ter custeado vale alimentação aos seus trabalhadores sem a devida obediência à legislação. A empresa, mesmo intimada, não apresentou documento comprobatório de sua inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 21/08/2010 (efl. 68) e constituiu créditos, para as competências de 01/2005 a 12/2005, com multa e juros no valor de R$ 36.049,09, consolidados em 12/08/2010, e tem seu relatório fiscal de infração posto às efls. 46 a 50. O presente processo foi apensado ao de número 19515.002565/201030, conforme informado no termo de apensação à efl. 127, datado de 20/12/2011. O auto de infração foi impugnado, às efls. 72 a 86, em 21/09/2010. Já a 14ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 1636.237, prolatado em 23/02/2012, às efls. 128 a 142, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 23/10/2012, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 151 a 165, argumentando, em apertada síntese: · a decadência que teria alcançado os fatos geradores de janeiro a agosto de 2005, em face ao preconizado no art. 150, § 4º do CTN; Fl. 330DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 330 3 · ela estaria em consonância com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT e por isso não seria obrigada a incluir o auxílio alimentação na base de cálculo das contribuições previdenciárias; · há posicionamento judicial contrário ao entendimento do fisco de que o auxílioalimentação in natura sofra incidência das contribuições sociais; · é também descabida a aplicação do Parecer PGFN nº 2.117/2011 ao caso, pois editado posteriormente aos fatos que são objeto do auto de infração; e · doutrinadores afirmam que benefícios aos trabalhadores que não correspondam a contraprestações sinalagmáticas entre eles e as empresas não representam remuneração. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 14/08/2013, resultando no acórdão nº 2302002.667, às efls. 173 a 209, que tem as seguintes ementas: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, § 4°, DO CTN. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE VALE/CARTÕES ALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador na forma de vale/cartões alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos, para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. Fl. 331DF CARF MF 4 As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial à preliminar de decadência para afastar do lançamento as competências até 07/2005, em vista da homologação tácita do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, vencido o Conselheiro Relator que entendeu aplicarse o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Designado para fazer o voto divergente vencedor o Conselheiro André Luís Mársico Lombardi. No mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61, da Lei nº 9.430/96). Também no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à verba paga a título de alimentação fornecida em vales/cartão, por integrar o salário de contribuição, vencidos os Conselheiros Leo do Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda foi intimada do acórdão nº 2302002.667 e interpôs recurso especial de divergência, em 11/12/2013, às efls. 210 a 221. Em seu recurso, aponta entendimento expresso em acórdãos paradigmas de números: 2401002.453 e 920202.086, que vão de encontro ao recorrido no tocante à aplicação da retroatividade benigna às multas lançadas. Nos acórdãos paradigmas, de números: 2401002.453 e 920202.086, tratou se a matéria com o seguinte entendimento (efl. 216) : Fl. 332DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 331 5 ...em hipóteses como a dos presentes autos em que houve lançamento de ofício da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32 da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Já o Colegiado a quo, no acórdão recorrido sustenta ser desnecessária a soma da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da Lei nº 8.212/1991. De acordo com aquela Turma, a comparação deve ser feita separadamente. Primeiro, entre a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da norma revogada, com o novo art. 32A da Lei nº 8.212/91. Depois, entre a multa por descumprimento de obrigação principal prevista no art. 35, revogado, com o novo art. 35 na Lei n. 8212/91. Portanto, para o acórdão recorrido o art. 35A deveria ser sempre ignorado na comparação entre as multas. Por fim, requer que seja conhecido e provido o seu recurso especial para reforma do acórdão a quo a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010. O RE da Procuradora foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 222 a 226, datado de 31/05/2016, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso cumprir os demais requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Houve encaminhamento de intimação (efl. 228) do acórdão nº 2302 002.667, do recurso especial de divergência da Fazenda e do seu despacho de admissibilidade, da qual a contribuinte teve ciência em 01/11/2016 (efl. 230). Em 09/11/2016, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Procuradoria, às efls. 298 a 304. Afirma que a aplicação de penalidades deve ser mantida conforme o recorrido, pela aplicação do princípio tempus regit actus, limitandose a multa a 75%, resultando essa a situação menos gravosa à contribuinte à luz do art. 106, inc. II, "c", do CTN, com rechaço ao disposto na IN RFB nº 1.207/210. Finaliza requerendo o recebimento de suas contrarrazões e a manutenção do benefício retroativo da multa do acórdão do recurso voluntário. RE da contribuinte Fl. 333DF CARF MF 6 Em 09/11/2016, a contribuinte também interpôs recurso especial de divergência, às efls. 233 a 242. Em seu recurso especial o representante da empresa salienta, com preliminar, que se considere alcançado pela decadência o período de apuração de janeiro a agosto de 2005, com base no art. 150, § 4º, do CTN, e não apenas até julho daquele ano, como definido no acórdão recorrido, pois teriam ocorrido pagamentos antecipados a menor. Esgrime como paradigmas os acórdãos nº 10192.642 e nº 2201002.858. Quanto ao mérito, sobre a exigência de tributação dos pagamentos de auxílio alimentação, a contribuinte afirma que cumpria os requisitos para participação do PAT desde 2001 e fora recadastrada em 01/03/2004. Aponta a divergência de entendimentos com base no acórdão nº 2401003.361, que para situação similar a sua entendeu que se deveria deduzir do montante lançado a parcela de auxílio alimentação paga in natura. Conclui requerendo que seja conhecido seu recurso especial de divergência e que ele seja provido para tornar totalmente improcedente a exigência fiscal. O recurso especial de divergência da contribuinte foi apreciado por este Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 312 a 315, datado de 30/05/2017, entendendo por darlhe seguimento, tanto em relação à preliminar quanto em relação ao mérito. Contrarrazões da Procuradoria Cientificada do recurso especial de divergência da contribuinte, a procuradoria da Fazenda Nacional a ele apresentou contrarrazões, às efls. 316 a 328, em 15/06/2017. Em breve resumo, argumenta pela não admissibilidade do recurso, relativamente à decadência, haja vista inexistir divergência, por ao menos duas razões: a) o recorrido enfrentou a questão da decadência apenas em relação à obrigação principal, enquanto o paradigma nº 2201002.858 tratava de obrigação acessória; b) tanto o acórdão a quo quanto os paradigmas, entendiam pela aplicação do art. 150, § 4º às situações fáticas, não havendo se falar em soluções divergentes. Quanto à matéria de mérito, também afirma inexistência de divergência, o que se observaria pela leitura do próprio acórdão do paradigma nº 2401003.631, que afirmava não ser possível afastar a exação do vale transporte, mas na sua ementa admitia a natureza salarial do vale, repercutindo o que fora expresso no voto da relatora. Além disso, na eventualidade de ser apreciada a segunda matéria, há que se considerar que os valores fornecidos em forma de pecúnia, inclusive desconto em folha, vale refeição e ticket aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriode contribuição, já que não se enquadram como prestação in natura. O decreto nº 5/1991, que regulamenta o programa, em seu art. 4º , não inclui o pagamento em pecúnia nas modalidades de fornecimento de alimentação, independentemente da empresa estar, ou não, inscrita no programa. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 332 7 Finaliza requerendo que não seja conhecido o re da contribuinte, em razão da ausência de pressupostos de admissibilidade e, caso contrário, que seja a ele negado provimento nas matérias em discussão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Passo a analisar os recursos na ordem em que foram interpostos.. RE DA FAZENDA Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, e cumpre todos os requisitos para seu conhecimento. Mérito A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI Fl. 335DF CARF MF 8 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 336DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 333 9 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 337DF CARF MF 10 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 334 11 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 339DF CARF MF 12 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 335 13 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, há que se aplicar a de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009 e o que se observa na apuração da multa, às efls. 15 e 16, é que foi esse o critério adotado pela fiscalização no presente processo. Por essas razões, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora, dandolhe provimento para reformar o acórdão a quo, retomando o critério utilizado no auto de infração. RE DA CONTRIBUINTE Conhecimento O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. A despeito de ter conhecido originariamente do recurso especial, em face dos argumentos da Procuradoria da Fazenda em contrarrazões, na análise agora realizada para prolação do acórdão, me vejo forçado a rever minha posição. Vejamos o porquê em cada matéria recorrida. a) Decadência De início cabe ressaltar que o paradigma nº 10192.642, trata de imposto de renda da pessoa jurídica, tributo distinto do que aqui se aprecia, contribuições sociais previdenciárias. Logo, a situação fática não pode ser considerada, de pronto, similar, ainda que a norma geral de decadência a ambos se aplique, porque a sistemática de apuração e recolhimento de cada tributo é diferente o que implica diferenças no cálculo dos prazos. Fl. 341DF CARF MF 14 Observese, ainda, que a legislação aplicada, seja pelo acórdão a quo, seja pelos paradigmas, é a mesma, o §4º do art. 150 do CTN. Isso enseja convergência na aplicação da legislação ao invés de divergência. O acórdão paradigma de nº 2201002.858, invoca de aplicação da mesma regra decadencial, tanto para o auto de infração de obrigação acessória, que era o caso lá enfrentado, quanto ao de obrigação principal, mas jamais foi essa a discussão no acórdão recorrido; nele apenas se discute se houve recolhimentos que pudessem ser homologados, independentemente do levantamento a que se refira. Além disso, o lançamento em testilha é de obrigação principal, para o qual o acórdão recorrido entendeu deverse aplicar o § 4º do art. 150 do CTN, não havendo como buscar espeque para divergência em acórdão que enfrenta lançamento de obrigação acessória que também aplicou a mesma norma no tocante à decadência. Na verdade, a contribuinte quer ver a decadência alcançar também o mês de agosto de 2005 na contagem que se fizesse com base no art. 150, § 4º, do Código, pois o acórdão a quo concluiu por atingir apenas o período de janeiro a julho daquele ano. Para que houvesse possibilidade de apreciação dessa matéria, haveria a contribuinte, ao menos, que manejar embargos de declaração no qual questionasse por que a contagem a partir da mesma norma decadencial deixou de excluir um mês (agosto/2005) dos períodos sujeitos à autuação. Se viu erro na contagem deveria indicálo claramente, questionandoo, e não buscar divergência onde não havia. Por isso, revejo minha posição e voto por não conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte nessa matéria. b) Exclusão do vale alimentação. Analisandose os acórdãos em confronto, verificase, na verdade, que tanto o paradigma quanto o recorrido entendem que em casos de parcelas pagas in natura, tais pagamentos podem ser excluídos do salário de contribuição, mesmo sem a inscrição da empresa empregadora no PAT, com base em julgados reiterados do STJ e no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. Na visão da recorrente, a divergência se estabeleceria porque, no presente caso, o acórdão recorrido adota o entendimento de que em havendo parcelas pagas que não sejam relativas ao fornecimento de alimentação pronta para consumo ao empregado não se trata de pagamento in natura. Já o paradigma admite que outras formas de pagamento, que não sejam em espécie, realizadas por empresa inscrita no PAT, se enquadrem no critério que leva à sua exclusão do salário de contribuição. Todavia, o relatório fiscal do auto de infração informa, à efl. 49, pagamento em pecúnia: A verificação da conta 3.5.01.01.012, nos balancetes de 01 a 12 do ano de 2005, constatou pagamentos a segurados empregados a titulo de Vale Refeição, bem como o respectivo desconto na folha de pagamento a mesmo titulo. (Negritei.) Ou seja, se está tratando de pagamentos em pecúnia. e tal fato já fora ressaltado no acórdão da DRJ, no item 8.2, à efl. 137: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 336 15 Os pagamentos foram efetuados aos segurados empregados a titulo de Vale Refeição, com desconto na folha de pagamento a mesmo titulo, valor do desconto como definido e ajustado em Convenção Coletiva da categoria, ou seja, restou caracterizado o pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação, que integra a base de cálculo de Contribuição Previdenciária. Já no acórdão paradigma, temse informado no relatório (efl. 273): ...a empresa, no lugar de fornecer a alimentação nas modalidades previstas no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. instituído pela lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, fornece para alguns empregados o salário utilidade/alimentação em pecúnia, creditado como proventos em seus contracheques. Apesar de regularmente inscrita no PAT durante o período fiscalizado, o pagamento em espécie do salário utilidade/alimentação, modalidade que não está prevista para o cumprimento do Programa, faz com que esse beneficio seja considerado basedecálculo para fins da contribuição previdenciária. Adicionalmente, cumpre referir que, no acórdão recorrido não foi sequer enfrentado o fato de a contribuinte, estar ou não, inscrita no PAT. Assim, quando vemos a decisão final, não há verdadeira divergência entre os acórdãos cotejados. Como pontos em comum, quanto à situação fática no recorrido e no paradigma, temos pagamentos em pecúnia. Já o critério jurídico utilizado em ambos é o de inclusão desses pagamentos no salários de contribuição. Como pontos distintos, temos que no paradigma de pronto se admite a inscrição da empregadora no PAT, enquanto no acórdão recorrido tal informação não é apreciada, pois o simples fato de o pagamento ser desconsiderado como in natura, foi suficiente para que o relator entendesse que sobre ele incidiria a tributação de contribuição social. Todavia, ainda que no acórdão a quo se admitisse a inscrição da contribuinte no PAT, nada teria mudado, tornando ainda mais similares os entendimentos quanto à motivação para a tributação dos valores pagos. Apesar de os acórdãos revelarem distintos entendimentos jurídicos em alguns pontos, essas distinções não permitiram que houvesse divergência entre eles; decidiram no mesmo sentido em frente de pagamentos da mesma natureza. Logo, não há divergência quando paradigma e recorrido são consonantes quanto à possibilidade de tributar como parcela do salário de contribuição os valores pagos a título de alimentação quando esses não se qualificam como in natura, ainda que se admita a possibilidade teórica de discussão do que seria o pagamento in natura. Por outra banda, o argumento trazido pela contribuinte no tocante à comprovação de sua inscrição no PAT não poderia ser apreciado, tendo em vista que não foi enfrentado no acórdão recorrido, carecendo de prequestionamento, ou de embargos que levantassem essa omissão. Além disso, como já ficou claro, nada garante que isso afetaria o decidido. Fl. 343DF CARF MF 16 Finalizando, resumidamente, para que houvesse divergência comprovada, apta ao conhecimento do recurso especial da contribuinte, teria sido necessário: (1) embargar a decisão recorrida, para trazer à discussão a questão relativa à inscrição no PAT, como suficiente, ou não, para afastar a tributação dos valores pagos em pecúnia, através de ticket, para fins de prequestionamento, e (2) apresentar, a título de acórdão paradigma, uma decisão que tivesse entendido pela não tributação de pagamento de auxílio alimentação em pecúnia, realizado através de ticket por empresa inscrita no PAT. Como nada disso ocorreu, entendo não haver divergência a ser apreciada por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por: a) conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para darlhe provimento e reformar o acórdão a quo, devendo a DRF de jurisdição da contribuinte seguir as disposições da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, no momento da cobrança dos débitos ; e b) não conhecer do recurso da contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903917/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN.
A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84.
BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA.
A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-002.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologando-se as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 39 17 /2 00 8- 15 Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 743 2 acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologandose as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório constante da Resolução nº 1802000.332, proferida pela 2ª Turma Especial na sessão realizada em 08/10/2013, complementandoo ao final: "Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão n° 1433.109, às fls. 48 a 56: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 744 3 discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n°s 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, seriam, respectivamente, R$ 1.959,26, R$ 17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam no despacho decisório; que haveria saldo suficiente para compensação do tributo informado em PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência". Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 745 4 assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em "valores exatos" (R$ 800.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora quitado da seguinte forma: • R$ 56.470,37 Darf recolhido em 30/05/2003, com multa e juros, totalizando R$ 70.390,31; • R$ 10.711,46 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; • R$ 76.208,64 mediante compensação por meio do DComp 16895.65143.21050.31304.8488; • R$ 19.116,06 mediante compensação por meio do DComp 17482.92249.03110.31304.8560 (já homologada). desta forma, se verifica que o valor integral da guia embatida não foi utilizado para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003, e este montante, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando várias outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5a Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a não homologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao "Tipo do Crédito" a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior" defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção "Saldo Negativo do IRPJ" (anocalendário de 2003); Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 746 5 todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao "tipo de crédito" informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e distorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; a incorreção foi ratificada pela 5a Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o "Tipo do Crédito" como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 747 6 que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo "tipo do crédito"; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores "pagos a maior" (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a "renda" ou contribuição social sobre o "lucro líquido", o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a "decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização", considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório." Na sessão de julgamento realizada em 08/10/2013, a 2ª Turma Especial reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não tinha sido aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo entendeu a Turma que a solução do presente processo ainda demandaria instrução complementar, e converteu o julgamento em diligência, através da Resolução nº 1802000.332, para: "Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 748 7 A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 666 a 672, em que apresentou uma detalhada relação de todos PERDCOMPs que utilizaram o mesmo crédito aqui examinado e efetuou as constatações assim resumidas no voto da Resolução nº 1802000.543, de 30/07/2014: "Quanto à estimativa de IRPJ de janeiro/2003, esclareceu: que a receita constante da DIPJ foi confirmada no Livro Razão; que a estimativa de IRPJ sobre essas receitas deveria ser de R$ 175.678,89, e não R$ 162.507,07; que a divergência entre o valor apurado na diligência e o informado pela Contribuinte decorria da aplicação do coeficiente de 8% sobre receitas que não se enquadravam no conceito de "receita bruta" (variações cambias, outros ganhos financeiros, etc.); que o valor declarado tanto em DIPJ quanto em DCTF para a estimativa de IRPJ de janeiro/2003 era R$ 162.507,07, e que esse débito estava extinto por um outro DARF, distinto do que gerou o crédito aqui em debate, e por mais três PER/DCOMP; e que o pagamento indicado como crédito neste processo (R$ 858.160,00) não foi utilizado para a extinção do débito de estimativa de IRPJ de janeiro/2003, conforme declarado em DCTF. Quanto à disponibilidade do pagamento de R$ 858.160,00 para utilização no PER/DCOMP objeto destes autos, apresentou um extrato SIEF indicando que uma parte dele estava bloqueado/reservado em razão das compensações já homologadas e também em razão do processo n° 10865.906007/200967, referente ao PER/DCOMP n° 31174.29044.140704. 1.3.045847, que também se encontra no CARF, com recurso voluntário a ser apreciado." Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 749 8 O somatório dos valores bloqueados/reservados corresponde a R$ 411.919,88, e o saldo disponível de R$ 446.240,12 é exatamente a diferença entre os R$ 858.160,00 e os valores bloqueados/reservados. [...] Considerando, então, o saldo existente de R$ 446.240,12, conforme registrado no extrato SIEF, a Delegacia de origem apresentou um quadro indicando as compensações passíveis de serem homologadas, levando em conta a utilização parcial e sucessiva do referido saldo, ressaltando ainda que os saldos remanescentes não correspondiam à simples subtração do débito compensado, em razão do cômputo de acréscimos legais. Os encontros de contas e a evolução do saldo de crédito constam do Demonstrativo de Compensação às fls. 697 a 700 do processo n° 10865.903909/200861, que também está sendo examinado nesta mesma sessão de julgamento. De acordo com a Informação Fiscal, remanesceriam um PER/DCOMP passível de homologação parcial e nove PER/DCOMP não passíveis de homologação, por insuficiência de crédito. A Contribuinte foi intimada das conclusões da diligência, e o processo retornou ao CARF." Na sessão de julgamento realizada em 30/07/2014, a 2ª Turma Especial concluiu que o demonstrativo final da Informação Fiscal ainda não possibilitava uma decisão sobre a suficiência ou não do direito creditório para as várias compensações em julgamento naquela sessão, porque ele partia de um saldo de crédito que, tudo indicava, não estaria correto. Por este motivo o processo foi novamente enviado à unidade de origem, por meio da Resolução nº 1802000.543, para que fosse revisado o saldo de crédito constante do extrato SIEF, e se fosse o caso de modificálo, como parecia ser, fossem refeitos os demonstrativos (de encontro de contas e os demais) a partir do saldo correto, com nova ciência para manifestação da contribuinte. Em cumprimento à diligência solicitada, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 727 a 728, onde reconheceu que no documento anterior, partiuse do saldo do pagamento disponível o que involuntariamente manteve a falha no processamento da declaração de compensação que acarretou a não homologação da compensação em comento. Acrescentou que para evitar problemas desta natureza, foram refeitos os cálculos considerando se o crédito original que havia sido reconhecido automaticamente pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil com inclusão de todos os débitos, na ordem em que as declarações de compensação foram entregues. Ao final, concluiu que o crédito que havia sido automaticamente reconhecido seria suficiente para validar as compensações que utilizaram este crédito. Devidamente cientificada da Intimação Fiscal nº 37/2015, em 17/03/2015, a recorrente não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 750 9 Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINAR Alega a recorrente que a fiscalização não homologou a compensação sob o fundamento de que o crédito seria insuficiente pois teria sido utilizado para o pagamento de outros débitos, entretanto, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto afastou o óbice apontado pela fiscalização no Despacho Decisório e decidiu pela nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização. Fundamentouse no fato de que os recolhimentos por estimativa, por se tratarem de mera antecipação do tributo devido no final do ano, não se caracterizam como pagamento indevido ou a maior passível de restituição. Entende a recorrente que já tendo transcorrido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, o Fiscal não poderia proferir novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento. Assim, requereu, a reforma do acórdão, para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade. Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Dessa forma, procedeu corretamente o julgador de primeira instância que, após superar o motivo inicialmente apontado pela fiscalização para indeferimento do crédito, prosseguiu na verificação da certeza e liquidez do crédito e identificou situação, a seu juízo, igualmente capaz de retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez. Com relação às alegações de que teria transcorrido o prazo decadencial de 5 anos para que o Fisco pudesse não homologar a compensação por novo fundamento, não assiste razão à recorrente. O prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150,§ 4º do CTN é aplicável aos lançamentos de ofício realizados para constituição de créditos tributários. A análise de direito creditório não está sujeita a prazo decadencial mas apenas ao prazo de cinco anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para homologação tácita das compensações, o que não ocorreu no presente caso. A declaração de compensação foi enviada em 28/09/2004 e o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 17/11/2008 (fls. 43 a 46), portanto, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos. Diante do exposto não merece ser acolhido o pedido do recorrente para que sejam afastadas as decisões de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização e após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos. MÉRITO Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 751 10 Relativamente ao mérito, a recorrente requereu a análise da documentação contábil anexada ao recurso voluntário, a qual demonstra a existência do crédito informado, alegando que eventual equívoco quanto ao tipo do crédito, ao invés de ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior", deveria ter escolhido "Saldo Negativo de IRPJ", não poderia ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito. Na sessão de julgamento realizada em 08/10/2013, a 2ª Turma Especial reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Entretanto, entendeu pela necessidade de conversão em diligência do presente processo, em virtude da existência de outras compensações que afetariam o presente processo, dentre elas a quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, estaria vinculada a outras compensações. Assim, foi determinada a realização de diligência fiscal para que a unidade de origem, à luz da documentação contábil e fiscal da contribuinte: "1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 666 a 672, tendo prestado as seguintes informações: "O contribuinte foi intimado para cumprirmos a diligência solicitada pelo CARF e apresentou o Livro Razão e o Diário da época, juntamente com outros documentos, entre eles a apuração da base de cálculo do IRPJ. Na DIPJ/2004 retificadora foi assinalado que a base de cálculo foi apurada com base na receita bruta e acréscimos. As receitas informadas no demonstrativo da base de cálculo foram confirmadas no Livro Razão e, nos termos do artigo 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta é de oito por cento: "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. " Conta Receita Valor Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 752 11 3.1.11.1 Vendas Produção Própria 8.093.340,95 3.1.12.1 Receita Exportação 18.093,60 3.1.31.1 Receita Vendas não Agrícolas 3.601,50 3.3.91 Outras Receitas Operacionais 3.885,67 Receita Bruta 8.118.921,72 Percentual 8% Base de Cálculo Operacional 649.513,74 3.3.61.1.1 Variações Cambiais Realiz. 51.687,09 3.3.61.3.2 Outros Ganhos Financeiros 4.294,02 3.5.11.2 Ganho Venda Bens do Imobilizado 3.478,53 3.5.21.3.1.001 Ganho c/Arrendamento Al 1.742,18 Base de Cálculo do Imposto de Renda 710.715,56 A Alíquota de 15% 106.607,33 Adicional 69.071,56 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 175.678,89 Há divergência entre o valor apurado nesta diligência e o informado pelo contribuinte, porque ele aplicou oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta. 2 Valor Extinto do Débito O contribuinte declarou em DCTF que o IRPJ devido por estimativa em janeiro de 2003 era de apenas R$ 162.507,06 o qual teria sido extinto da seguintes forma: Valor Total do Débito Declarado em DCTF 162.507,06 DARF 56.470,37 Compensação 16896.65143.210503.1.3.048488 76.208,64 Compensação 21298.77782.10503.1.3.049740 10.711,46 Compensação 17482.92249.031103.1.3.048560 19.116,60 3 Existência e Disponibilidade do Valor Recolhido a Maior Notase que o pagamento indicado como crédito neste processo não foi utilizado para a extinção do débito, conforme declarado em DCTF. [...] O processo 10865.906007/200967 se refere à análise da declaração de compensação n.° 31174.29044.140704.1.3.045847, que também se encontra no CARF e os valores bloqueados se referem às declarações de compensação que já foram homologadas. Notase que os valores bloqueados coincidem com os valores informados pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade. Considerando o saldo existente de R$ 446.240,12 registrado no Sief/Documento de Arrecadação/Consulta/Pagos, seria possível homologar as seguintes compensações, ainda não homologadas automaticamente ou com valor do crédito reservado, ressaltando que o saldo remanescente não corresponde à simples subtração do crédito atual do débito compensado, porque sobre o crédito há incidência de Selic: Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 753 12 Declaração de Compensação Crédito Atual Débito Saldo Remanescente 10769.54888101203.1.3.048007 446.240,12 10.031,54 437.532,94 01850.16010.101203.1.3.040542 437.532,94 10.231,91 428651,85 33592.14380.151203.1.3.040927 428.651,85 99.374,63 306470,23 29074.46584.140104.1.3.045810 306.470,23 160.434,85 204.778,82 14871.19827.110204.1.3.043907 204.778,82 46.533,48 165.66,98 00276.82602.130204.1.3.046617 0,00 23.284,67 145.535,59 03485.14044.090304.1.3.040586 145.535,59 44.689,39 107.959,37 17367.95130.060404.1.3.048354 107.959,37 37.003,31 77.202,74 12913.16306.140404.1.3.049595 77.202,74 10.909,21 68.135,15 39244.91004.200404.1.3.043600 68.135,15 5.146,91 62.899,68 16381.41214.120504.1.3.043884 62.899,68 44.813,25 26.013,32 27295.85419.080604.1.3.048730 26.013,32 51.431,75 0,00 5863.47312240604.1.3.043488 0,00 16.821,20 0,00 34281.33318.070704.1.3.045417 0,00 44.805,76 0,00 31174.29044.140704.1.3.045847 0,00 18.036,19 0,00 07688.32390.110804.1.3.048105 0,00 50.405,87 0,00 26738.72508.270904.1.3.043147 0,00 158.244,77 0,00 23748.26956.280904.1.3.046545 0,00 30.767,32 0,00 16793.98742.051004.1.3.049914 0,00 38.499,23 0,00 00603.97859.131004.1.3.041724 0,00 12.763,10 0,00 11400.23324.091104.1.3.044442 0,00 35.867,86 0,00 Através da Resolução nº 1802000.543, de 30/07/2014, a 2ª Turma Especial identificou erro no valor do de crédito e devolveu, novamente, o processo à unidade de origem para que fosse revisado o saldo de crédito constante do extrato SIEF, e se fosse o caso de modificálo, como parecia ser, fossem refeitos os demonstrativos a partir do saldo correto. Na Informação Fiscal de fls. 727 a 728, a unidade preparadora reconheceu o equívoco no resultado da diligência anterior e refez os cálculos considerandose o crédito original que havia sido reconhecido automaticamente pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil com inclusão de todos os débitos, na ordem em que as declarações de compensação foram entregues, tendo sido verificado que o crédito que havia sido automaticamente reconhecido seria suficiente para validar as compensações que utilizaram este crédito. De fato, nos termos da Súmula CARF nº 84, os valores de estimativa recolhidos a maior caracterizam indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, o valor do DARF recolhido em 19/03/2003, no valor total de R$ 858.160,00 seria passível de restituição, diversamente do decidido no Acórdão nº 14 33.109, pela 5ª Turma da DRJ/RPO. Todavia, como bem pontuado na Resolução nº1802 000.332 – 2ª Turma Especial de 08/10/2013, necessária a verificação, à luz da documentação contábil e fiscal, do valor da estimativa devido em janeiro/2003, comprovação de sua quitação, bem assim, a apuração de recolhimento a maior e sua disponibilidade, em virtude da existência de outras compensações com o mesmo crédito utilizado no presente processo. O Relatório de Diligência Fiscal (fls. 666 a 672) elaborado pela unidade de origem identificou divergência entre o valor da estimativa de janeiro/2003 apurado na diligência (R$ 175.678,89) e o valor informado pelo contribuinte (R$ 162.507,07). A diferença Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 754 13 decorre da aplicação indevida pela recorrente do percentual de oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta definido pelo art. 224 do RIR/99, contrariamente ao disposto no art. 225 do RIR/99 que determina a adição integral das receitas nele relacionadas: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial(Lei nº 8.981,de 1995, art. 32§ 1º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 2º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). Considerando que a recorrente foi regularmente cientificada do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 673 a 675) que apurou divergência entre o valor nela apurado de R$ 175.678,89 e o valor informado pelo contribuinte de R$ 162.507,07, entretanto, não apresentou manifestação quanto à diferença apurada, tenho como correto o valor apurado na diligência fiscal. Dessa forma, entendo que a diferença a menor da base de cálculo apurada pela recorrente na estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 13.171,82, deve ser reduzida do crédito pleiteado sobre o recolhimento a maior, consubstanciado no DARF pago em 19/03/2003, com valor principal de R$ 800.000,00 acrescido de multa e juros de mora. Assim, deve ser reconhecido o direito creditório no montante de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa e juros de mora. Importante ressaltar que parte do valor reconhecido de R$ 786.828,18, foi utilizado nas compensações já homologadas, a seguir relacionadas, conforme Informação Fiscal prestada em procedimento de diligência fiscal nos autos do processo 10865.904653/200990 às fls. 1.085, que trata da análise de compensação utilizando o mesmo direito creditório do presente processo: PER/DCOMP Valor Débito Data Situação Atual Situação da Declaração Motivo da Situação da Declaração Processo Nº 39035.35092.280704. 1.7.044892 12.676,68 11/07/2012 HOMOLOGAÇÃO TOTAL AGUARDANDO PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO 28623.05598.250804. 1.3.047067 2.453,78 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903912/200884 Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 755 14 22743.16824.020904. 1.3.040251 22.331,36 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903913/200829 08891.60465.080904. 1.3.045809 35.110,22 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903914/200873 30276.47095.140904. 1.3.049480 19.478,48 06/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903915/200818 15738.53242.210906. 1.7.045707 2.558,50 23/09/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.902975/200813 Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por reconhecer o direito creditório sobre o valor de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa de mora, devendo as compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. Na apuração do saldo disponível para as compensações ainda não homologadas devem ser considerados também os juros de mora recolhidos e excluídos os valores das compensações já homologadas que utilizaram o mesmo crédito ora reconhecido. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 755DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001510/2004-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1994 a 30/09/1995
Ementa:
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF.
Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante nº 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 3001-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cassio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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SÚMULA VINCULANTE N.8/STF. Aplicase ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante nº 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cassio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 10 /2 00 4- 55 Fl. 141DF CARF MF 2 Tratam os autos de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ/RJII, que por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento, no sentido de rejeitar a decadência argüida consubstanciado no auto de infração, para exigir do autuado o pagamento da contribuição referente aos fatos geradores compreendidos entre 01/10/1994 e 30/09/1995. Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto o relatório que compõe a Decisão Recorrida: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo A falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, abrangendo os períodos de apuração 10/94 a 09/95 (fls. 17 a 24), no valor de R$ 1.463,37, com o acréscimo de multa de oficio de 75%, no valor de R$ 1.097,48, e juros de mora, calculados até 30/09/2004, no valor de R$ 2.742,09, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 5.302,94, em decorrência de ação Fiscal levada a efeito pela DeficRJO, conforme Termo de Intimação Fiscal As fls. 04/05. 2. No Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 09/10), a AFRF autuante informa, em resumo, que: • 0 processo administrativo n° 15374.000328/200314 trata da compensação judicial de PIS pela autuada, decorrente de pedido de ressarcimento dos pagamentos efetuados a maior desde julho/88; • Foi julgado procedente o pedido, autorizandose a compensação dos valores de PIS recolhidos com base nos DecretosLeis n's 2.445/88 e 2.449/88 que excedessem aqueles devidos conforme a Lei Complementar n° 7/70; • Foi efetuada a análise da ação judicial, solicitandose informações complementares por meio de diligência fiscal, tendo sido, em decorrência, apuradas as bases de cálculo do PIS com base na Lei Complementar n° 7/70 (fls. 12); • Com base nas informações recebidas e em consultas aos pagamentos efetuados, foi obtido o demonstrativo de débitos remanescentes (fls. 14 a 16), após todas as imputações; • Assim, ficou demonstrado que a empresa, além de não possuir saldo credor de PIS, possuía valores a serem cobrados, conforme o referido demonstrativo, efetuandose o presente lançamento; • A empresa não apresentou DARF ou qualquer outra explicação que desse respaldo às diferenças apontadas no demonstrativo. 3. 0 enquadramento legal da autuação foi: artigos 10 e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 7/70; artigo 1 0, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73; Titulo 5, Capitulo 1, Seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF n° 142/82. A base legal da multa de oficio e dos juros de mora exigidos consta As fls. 23/24. 4. Após tomar ciência da autuação em 20/10/2004 (fls. 17), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação Fl. 142DF CARF MF Processo nº 18471.001510/200455 Acórdão n.º 3001000.012 S3C0T1 Fl. 3 3 anexada As fls. 33 a 45 em 17/11/2004, com as alegações abaixo resumidas: 4.1. Todo o suposto crédito tributário lançado foi atingido pela decadência, uma vez que a ciência se deu em 19/10/04, jamais podendo ter o lançamento incluído os anos de 1994 e 1995, nos termos do artigo 150, § 4° do CTN; 4.2. As contribuições sociais, incluindo o PIS, possuem caráter tributário, devendo seguir as regras inerentes aos tributos, naquilo que não contrariarem as normas constitucionais que lhes foram especificadas; 4.3. Conforme artigos 146111, "h" e 149 da Constituição, a decadência relativa às contribuições sociais constitui matéria a ser regulada em lei complementar, devendo a Fazenda, na sua falta, seguir as regras do CTN; 4.4. No mesmo sentido, citase jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes, bem como doutrina; 4.5. A autuada obteve, por meio da Ação Ordinária n° 94.00251513, o direito de recolher o PIS nos termos da Lei Complementar n° 7/70. Todavia, o argumento administrativo está em desacordo com o artigo 6° da referida norma; 4.6. A empresa utilizou como data de vencimento do PIS o 6° mês subseqüente A ocorrência do fato gerador, conforme preconiza o parágrafo único do citado artigo. A conclusão alcançada pelo Fisco nos autos do processo administrativo n° 15374.000328/200314 ignorou tal comando; 4.7. 0 entendimento da autuada é adotado pelo Conselho de Contribuintes e pela jurisprudência dos tribunais; 4.8. 0 auto de infração constituise em flagrante descumprimento da ordem judicial, uma vez que não se pode constituir o tributo integrandoo de acréscimos penais e moratórios, estando sua exigibilidade suspensa por ordem judicial; 4.9. Tal procedimento contraria ainda o artigo 62 do Decreto n° 70.235/72, ao instaurar procedimento fiscal contra sujeito passivo, durante vigência de medida judicial que determinou a suspensão da cobrança do tributo; 4.10. Além disso, o artigo 63 da Lei n° 9.430/96 prevê a não incidência de multa de oficio em lançamento relativo a crédito tributário com exigibilidade suspensa; 4.11. Pelo exposto, requer o cancelamento do crédito lançado. A decisão proferida pela DRJ/RJII, manteve o crédito tributário exigido e resume seus fundamentos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1994 a 30/09/1995 Fl. 143DF CARF MF 4 PIS DECADÊNCIA Tendo sido constituído o crédito tributário dentro do prazo de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se caracteriza a decadência. PIS PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES Normas legais posteriores a LC no 7/70 alteraram o prazo de recolhimento do PIS, previsto originariamente em seis meses. PIS ACRÉSCIMOS LEGAIS É cabível a exigência de multa de oficio e de juros de mora quando a exigibilidade do crédito tributário constituído não se encontra suspensa por qualquer das hipóteses legais. Lançamento Procedente Em face de recurso voluntário tempestivamente apresentado às folhas 94 a 102 dos autos, insurgese a recorrente contra a decisão de primeiro grau, aduzindo que: 1) seja determinado o cancelamento do crédito tributário lançado no presente auto de infração, por ter sido o mesmo alcançado pelo instituto da decadência, nos termos do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional — CTN ou, 2) caso assim não seja entendido, seja excluída a multa de oficio, indevidamente aplicada no caso em tela e recalculado o montante devido a titulo de PIS sem a aplicação de correção monetária de sua base de cálculo (art. 6° da Lei Complementar n.° 07/70). Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão de mérito trazida pela recorrente restringese ao fato de que o fisco não respeitou o previsto no art. 6º da LC nº 07/70 e com isso acarretou distorções no cálculo da atualização do tributo devido, além da inaplicabilidade da multa de ofício, por estar suspensa por determinação judicial da 28ª VF/RJ, no processo nº 34.00251513, que reconheceu o direito à compensação dos valores de PIS pagos a maior conforme determinava os Decretos Lei 2445/88 e 2449/88, declarados inconstitucionais. O art. 6º da LC nº 07/70, estabelecia o seguinte: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 18471.001510/200455 Acórdão n.º 3001000.012 S3C0T1 Fl. 4 5 Art. 6.º A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea b do art. 3º será processada mensalmente a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente. Quanto a esse tema se existia alguma controvérsia, entendo que está superada com a edição da Súmula CARF nº 15: Súmula CARF nº 15 (VINCULANTE): A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Quanto ao ato em si da compensação cujo direito fora adquirido em processo judicial, o qual mantinha suspensa a exigibilidade e assim afastando a cobrança de multa de ofício, é desprezível sua análise e superada no presente caso, pelo instituto da decadência. A questão da decadência, como muito bem foi colocada pela Recorrente, está ultrapassada a tese dos 10 (dez) anos adotada pela DRJ/RJII, tendo como fundamento o art. 45 da Lei nº 8.212/91. O Auto de Infração reúne em seus termos o período de 10/1994 a 09/1995, tendo sido cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária em 20/10/2014, quando já ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos contados do fato gerador da contribuição para o PIS/Pasep, objeto de impugnação e recurso. Desde a impugnação a recorrente buscou o reconhecimento da decadência com amparo no disposto no art. 150, § 4º do CTN, amplamente reconhecida em jurisprudência de nossos tribunais e também do CARF, com citação de diversos julgados. Destacase aqui um precedente recente firmado em voto proferido na data de 24/04/2017 da lavra do Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan, acórdão nº 3401003.469, Processo nº 10855.004348/200249, que trata de caso idêntico, do qual se extrai o seguinte excerto: Da decadência Alega a recorrente que não poderia a fiscalização ter lançado em setembro/2002 a contribuição referente aos períodos de janeiro a agosto de 1997, por ter sido extrapolado o prazo de cinco anos a que se refere o art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, ocorrendo a decadência do direito de lançar. O julgador de piso entendeu ser equivocado o posicionamento defendido pela empresa, e que o citado comando legal contém a expressão “se a lei não fixar prazo à homologação”, sendo que, no caso, o prazo foi fixado pelo DecretoLei no 2.053/1983 e pela Lei no 8.212/1991 (art. 45), em 10 anos. Em seu recurso voluntário, a empresa destacou que é inconstitucional o artigo 45 da Lei no 8.212/1991, citando Fl. 145DF CARF MF 6 jurisprudência administrativa e judicial endossando seu entendimento. Sobre o tema, a Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal (publicada em 12/09/2008, após o julgamento de primeira instância DRJ) estabeleceu que são inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. E dispõe o caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988 que: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” (grifo nosso) Aplicase, assim, no caso, tratando a autuação de diferenças, a regra estabelecida no art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4o Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A autuação de que trata o presente processo foi cientificada à empresa em 20/09/2002 (cf. fl. 159), e os créditos exigidos se referem ao período de janeiro de 1997 a novembro de 1998. Portanto, todos os lançamentos que se reportam a fatos geradores de 01/1997 a 08/1997 devem ser cancelados, por ter ocorrido decadência. Restam incólumes, pelo exposto, os lançamentos presentes na autuação, com fatos geradores em 30/09/1997 e posteriores. Assim sendo, considerando ultrapassada a tese esposada na decisão recorrida e diante do que foi exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o crédito tributário que envolve o presente litígio, por ter ocorrido a decadência do direito à Fazenda Pública de realizar o lançamento tributário. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 18471.001510/200455 Acórdão n.º 3001000.012 S3C0T1 Fl. 5 7 (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001739/2004-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000
LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Conforme disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF (Portaria MF 256/09), art. 2º, IV, anexo II, cabe à Primeira Seção tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente
Numero da decisão: 3401-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não se conheceu do recurso por ser de competência da 1ª Seção. Ausente justificadamente o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
Robson Jose Bayerl- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999, 2000 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Conforme disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF (Portaria MF 256/09), art. 2º, IV, anexo II, cabe à Primeira Seção tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente
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OMISSÃO DE RECEITAS. Conforme disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF (Portaria MF 256/09), art. 2º, IV, anexo II, cabe à Primeira Seção tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não se conheceu do recurso por ser de competência da 1ª Seção. Ausente justificadamente o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Robson Jose Bayerl Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 39 /2 00 4- 28 Fl. 632DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração relativo ao imposto (IRPJ) e reflexos dos anoscalendário de 1999 e 2000, onde se constatou as seguintes infrações: omissão de receitas, falta de comprovação com documentação idônea de gastos incorridos, referentes a serviços contratados junto à controladora no exterior; falta de adição às bases de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de parcela do custo considerada indedutível pela legislação relativa a preços de transferência. Após notificação do lançamento em 28/12/2004, a interessada, protocolou a impugnação às fls. 315 tendo sido esta considerada parcialmente procedente pela DRJ – Ribeirão Preto (às fls. 382 ), sob os argumentos que deveria ser cancelada a presunção de omissão de receitas da ordem de (i) R$ 43.714.305,17; e deveria ser mantida a presunção de omissão de receitas da ordem de (ii) R$ 8.772.528,88. A interessada protocolou recurso voluntário às fls. 398 onde, em suma, expôs em sua defesa: a) o auto de infração é nulo, pois houve desvio de procedimento na apuração do cálculo dos tributos; b) a Autoridade Fiscal lançou o IPI em bases anuais, portanto, o Auto de Infração é nulo, de pleno direito, por erro na identificação do aspecto temporal do IPI; c) a Autoridade fiscal deveria ter requerido durante a fiscalização, a escrituração contábil da Recorrente, como manda o artigo 41 da Lei n° 9.430/96, d) descabimento do agravamento da multa, uma vez que nenhuma intimação deixou de ser atendida, tendo sido requerido dilação de prazo para seu cumprimento. È o relatório. Voto Fl. 633DF CARF MF Processo nº 16327.001739/200428 Acórdão n.º 3401002.756 S3C4T1 Fl. 6 3 Conselheira ANGELA SARTORI Antes mesmo de examinar o atendimento aos requisitos intrínsecos e extrínsecos da peça recursal conveniente aferir a competência deste colegiado para se pronunciar a respeito do caso. Segundo o relatório de autuação, o lançamento de advém da omissão de receitas. Todas estas infrações deram margem à formalização de exigência de IRPJ, além, é claro, do IPI objeto deste processo. Portanto, estamos diante de lançamento reflexo ou decorrente, circunstância esta que está claro no próprio relatório acima. Neste diapasão, consoante previsão do art. 2º, IV, Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, tal competência pertence à Primeira Seção de Julgamento, verbis: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (...)” No caso vertente, portanto, incontroversa a incompetência desta 1ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF, proponho não conhecer do recurso e declinar a competência para quaisquer das turmas julgadoras da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo. É como voto. ANGELA SARTORI Relator Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000604/2002-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jan 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 28/07/2000 a 14/09/2001
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PERFUMES (EXTRATOS). LAUDO TÉCNICO. MÉTODO POR DIFERENÇA. POSSIBILIDADE.
As mercadorias referidas como "perfumes (extratos)" no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática superior a 10%, conforme condição determinada pelo Decreto n° 79.094/77, em vigor à época dos fatos, ainda que apurados pelo método por diferença. Inaplicável a Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253/2002, por se referir a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 28/07/2000 a 14/09/2001 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PERFUMES (EXTRATOS). LAUDO TÉCNICO. MÉTODO POR DIFERENÇA. POSSIBILIDADE. As mercadorias referidas como "perfumes (extratos)" no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática superior a 10%, conforme condição determinada pelo Decreto n° 79.094/77, em vigor à época dos fatos, ainda que apurados pelo método por diferença. Inaplicável a Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253/2002, por se referir a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/07/2000 a 14/09/2001 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PERFUMES (EXTRATOS). LAUDO TÉCNICO. MÉTODO “POR DIFERENÇA”. POSSIBILIDADE. As mercadorias referidas como "perfumes (extratos)" no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática superior a 10%, conforme condição determinada pelo Decreto n° 79.094/77, em vigor à época dos fatos, ainda que apurados pelo método “por diferença”. Inaplicável a Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253/2002, por se referir a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 06 04 /2 00 2- 38 Fl. 907DF CARF MF Processo nº 12466.000604/200238 Acórdão n.º 9303005.498 CSRFT3 Fl. 908 2 Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência da prova, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, em face do Acórdão nº 30335.394, de 18/06/2008, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/07/2000 a 14/09/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. Produtos NOBILE, ACCENTI, ENVY e RUSH devem ser classificados sob código 3303.00.20, eis que se tratam de "águas de colônia" e não de "perfumes (extratos)". A Nota Coana/Cotac/Dinom n.° 253/2002 prevê que, para que as mercadorias sejam consideradas como "perfumes (extratos)", as mesmas devem possuir concentrações de substâncias odoríferas superiores a 15%, o que não ocorreu in casu. Ademais, o auto de infração jamais poderia ter se embasado em laudos técnicos que utilizam o método "por diferença", o qual não permite esclarecer, com clareza, os percentuais de substâncias odoríferas presentes nos produtos, acabando por incluir, nesse percentual, outros elementos não aromáticos. Recurso Voluntário Provido. A matéria de fundo trazida nos autos referese à reclassificação fiscal dos produtos importados pelo contribuinte abaixo relacionados. Enquanto a importadora entendeu tratarse de águadecolônia, classificado na NCM 3303.00.20, a Fiscalização, com base em laudos periciais, entendeu serem os produtos perfumes, classificados na NCM 3303.00.10, sobre os quais era devida a alíquota de IPI de 40%. PRODUTO %SUB.ODOR. LAUDO GUCCI NOBILLE 10,4 1481.01 GUCCI ACCENTI 12,7 1481.02 GUCCI ENVY 12,3 1481.03 GUCCI RUSH 11,3 1481.04 Os Laudos de Análise (fls. 20 a 39) foram emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, que concluiu que os produtos acima mencionados se tratavam de “perfume, constituído de solução HidroAlcoólica e Substâncias Odoríferas, na forma líquida acondicionada em embalagem própria para venda a retalho”, com a concentração de substâncias odoríferas superior a 10%, conforme relacionado na tabela acima. O v. acórdão recorrido entendeu que a característica fundamental para a classificação aduaneira de perfumes e colônias seria a composição aromática acima de 15% atribuída pela Nota COANA/COTEC/DINOM nº 253/2002. Todavia, o d. Colegiado entendeu que o método de aferição de concentração de substâncias odoríferas “por diferença”, utilizado pela perícia solicitada pela Fiscalização, não seria idôneo a solucionar a controvérsia. Assim, entendeu como correta a classificação aduaneira atribuída aos produtos pelo contribuinte. Fl. 908DF CARF MF Processo nº 12466.000604/200238 Acórdão n.º 9303005.498 CSRFT3 Fl. 909 3 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que o acórdão recorrido teria violado o art. 49, II, do Decreto nº 79.094/77, bem como teria decidido contrariamente à prova dos autos (laudos periciais), ao reconhecer correta a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, para os produtos denominados NOBILE, ACCENTI, ENVY e RUSH. O Recurso Especial foi admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 822 a 824. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 833 a 856. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, tratase de decisão por maioria (nãounânime), proferida antes de 30/06/2009, e foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Quanto à alegada contrariedade à lei ou à evidência da prova, entendo como procedente. A decisão recorrida, afastou a aplicação do art. 49, II, do Decreto nº 79.094/77, que, ao tratar do sistema de vigilância sanitária a que se submetem medicamentos, insumos farmacêuticos, drogas, correlatos, cosméticos, produtos de higiene, saneantes e outros, diferenciava "extratos" de "águasdecolônia". Segundo o referido dispositivo regulamentar, os primeiros eram constituídos pela solução de uma composição aromática em concentração mínima de 10% e máxima de 30%; já as águas de colônia eram constituídas pela dissolução até 10% de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas. Na hipótese em análise, verificouse, segundo os laudos periciais presentes nos autos, que os produtos classificados apresentam concentrações de essências em percentuais de 10,4%, 12,7%, 12,3% e 11,3%. Portanto, todas as concentrações de substâncias odoríferas eram superiores a 10%, configurando os produtos como “perfumes (extratos)”. No caso, a decisão recorrida não considerou o resultado dos laudos periciais presentes nos autos, por não concordar com o método "por diferença" utilizado, bem como não observou o percentual máximo de 10% de substâncias odoríferas, optando por considerar um percentual limite de 15%, conforme interpretação advinda da Nota Coana/Cotac/Dinom n° 253/2002. Diante da comprovação da contrariedade à evidência da prova, e atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 12466.000604/200238 Acórdão n.º 9303005.498 CSRFT3 Fl. 910 4 Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da classificação fiscal dos produtos relacionados no relatório supra, e do método utilizado para aferir o percentual de substâncias odoríferas com a finalidade de classificar os produtos. A questão em análise já foi apreciada por esta turma julgadora da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluiu pela validade do método utilizado nos laudos e pela classificação dos produtos no código NCM 3303.00.10 (perfume). Tratase do Acórdão nº 9303001.732, com voto condutor da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujos excertos transcrevo abaixo e adoto seus fundamentos como razão de decidir: Inicialmente, devese enfrentar os argumentos de defesa contrários ao laudo técnico. Neste ponto, insurgiuse a autua contra o método utilizado nos Laudos de Análise, mediante a apuração da quantidade de substâncias odoríferas por diferença, sob a alegação de que os produtos analisados possuiriam "outros componentes" que não teriam sido detectados nos exames em questão. Para proceder a reclassificação fiscal das mercadorias ora sob exame, a fiscalização utilizou os Laudos de Análise n° 1383.03 e 1383.09 (fls. 38 a 41), que tratam do exame dos mesmos produtos "Amarige de Givenchy Eau de Toilette" e "Organza de Givenchy Eau de Parfum", importados por meio de outra DI, de n° 01/08635311 (fl. 120). De outro lado, ambas as DIs versam sobre importação de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, com isso, como bem asseverou a decisão de primeira instância, é legítima, nesse caso, a utilização da prova emprestada, uma vez comprovado o atendimento dos quesitos estabelecidos no art. 30, § 3°, letra 'a' do Decreto n° 70.235/72. Ressaltese, por oportuno que preditos laudos foram emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, órgão público federal que integra o Ministério da Fazenda, e que detém a competência específica para proceder à análise laboratorial dos produtos importados. Assim, nos termos do disposto no caput desse artigo, esses laudos devem ser adotados em seus aspectos técnicos, salvo se demonstrada sua improcedência, o que não é o caso sob exame, vez que recorrente, em momento algum, juntou outro laudo que contrapusesse os resultados constantes do Laudo em discussão. [...] Ressaltese que os Laudos de Análise, ora em exame, indicam que o teor dos componentes dos produtos analisados foi identificado mediante o teste de Cromatografia Gasosa, atendendo, ao disposto, ao disposto no art. 36, inciso I da IN SRF n° 157/1998, acrescido pela IN SRF n° 152/2002. De outro lado, à quantificação por diferença é método cientificamente válido, posto que se os componentes de determinada substância são conhecidos, identificandose a proporção individual de cada um deles temse a do todo. Assim, por exemplo, se uma substância X é composta dos elementos A, B e C, a soma desses elementos vai representar o todo, pois A + B + C = X. Partindose dessa equação, podese encontrar a quantidade de qualquer um dos elementos. Se A, B e X são conhecidos, para se encontrar o valor de C, basta armar a equação: C = X – A – B. O resultado se obtém com a resolução de uma simples equação de primeiro grau. Aliás, esse método é simples e seguro. No caso dos autos, segundo o Laudo de Análise, fl. 38, o perfume é constituído de solução HidroAlcoólica e de substâncias odoríficas. Os exames Fl. 910DF CARF MF Processo nº 12466.000604/200238 Acórdão n.º 9303005.498 CSRFT3 Fl. 911 5 apontaram que o teor de álcool representava 76,8%, e o de água 4,4%. Utilizandose o método da diferença, temse que: Produto (100%) = 76,8 % Álcool + 4,4 % água + X % substância odoríferas. 100% = 76,8% 4,4% + X% => X = 100 – 76,8 – 4,4 => X = 18,8. Como se ver, o método da diferença é simples e matematicamente irrefutável. Dessa forma, concluo pela plena validade do método utilizado nos laudos técnicos emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami. Reproduzo, novamente, tabela com os percentuais de substância odorífera em cada produto, aferido pelos laudos, cujos percentuais variaram entre 10,4% a 12,7%: PRODUTO %SUB.ODOR. LAUDO GUCCI NOBILLE 10,4 1481.01 GUCCI ACCENTI 12,7 1481.02 GUCCI ENVY 12,3 1481.03 GUCCI RUSH 11,3 1481.04 Ultrapassada a questão da metodologia adotada no laudo de análise acima aludido, passase, à questão da classificação fiscal os produtos mencionados. A posição NCM/SH 3303 é dividida em 3303.00.10 para perfumes (“extratos”) e 3303.00.20 para águasdecolônia. O Sistema Integrado de Designação e Codificação de Mercadorias é formado por posições de quatro dígitos, que são subdivididos em subposições de 1º nível (5º dígito) e subposições de 2º nível (6º dígito). De acordo com a mencionada Convenção, cada parte contratante pode criar, no âmbito de sua nomenclatura, subdivisões para a classificação de mercadorias em nível mais detalhado que o Sistema Harmonizado, utilizando subdivisões ao nível de item (7° digito) e subitem (8º dígito). No caso da posição 3303, resta claro que o desdobramento nas espécies ‑ ‑ʺperfumes (extratos)ʺ e ʺáguas de colôniaʺ foi criado ao nível de item (7° digito), o que demonstra que se trata de uma abertura válida somente para o Brasil, eis que o 7º dígito não compõe o código do Sistema Harmonizado. Essa observação explica o motivo pelo qual as NESH da posição 3303, embora apontem a existência de ʺPerfumes (extratos)ʺ e ʺÁguasdecolôniaʺ, não estabeleceram os critérios merceológicos de diferenciação dessas categorias, pois tal desdobramento não existe no Sistema Harmonizado. Nesse contexto, conforme destacado no Acórdão 9303001.732, “a interpretação sistemática e teleológica da legislação tributária relativa ao comércio exterior leva à conclusão de que, sendo a diferenciação dos itens "Perfumes (extratos)" e "Águasdecolónia" válida somente para o País, é certo que os critérios de distinção desses conceitos deve ser inferida a partir da legislação nacional específica do setor”. Sobre o assunto, foi editado o Decreto n° 79.094, de 05/01/1977, que trata do "Sistema de Vigilância Sanitária dos Medicamentos, Insumos Farmacêuticos, Drogas Correlatos, Cosméticos, Produtos de Higiene, Saneantes e Outros". Seu artigo 49, inciso II, que trata dos Perfumes, apresenta as seguintes definições: Fl. 911DF CARF MF Processo nº 12466.000604/200238 Acórdão n.º 9303005.498 CSRFT3 Fl. 912 6 II – Perfumes: a) Extratos – constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). b) Águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares – constituídos pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão. Constatase que o critério de diferenciação entre os "extratos" e as "águas perfumadas, águasdecolônia, loções e similares", encontravase definido à época dos fatos, de forma objetiva, na legislação pátria. Partindo da idoneidade dos laudos técnicos e da plena validade do método utilizado, passando pela constatação dos percentuais de concentração aromática que variaram entre 10,4% a 12,7%, concluise que os produtos analisados são considerados "Perfumes (extratos)", já que os percentuais apurados excedem o limite de 10 % definido na legislação específica para classificalos como águadecolônia. Uma vez identificado o produto, se perfume ou se água perfumada, e essa identificação é feita de acordo com a concentração estabelecida nesse dispositivo legal, para se proceder a codificação desses produtos na NCM/SH, na TEC ou na TIPI, basta seguir as regras de classificação de mercadorias, como corretamente procedeu a Fiscalização e o órgão julgador de primeira instância, concluindo pelo código NCM 3303.00.10. A decisão recorrida considerou também o disposto na Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253, de 1/8/2002, que teria se manifestado acerca dos critérios adotados para classificar uma preparação odorífera como "perfume" ou "extrato", ou como "águade colônia" na Nomenclatura Comum do Mercosul, nestes termos: 7.1 "Essência ou extrato" é o perfume em sua concentração mais alta, sendo que a percentagem varia, conforme a marca, de 15% a 30% de essência diluída em álcool de 90" GayLussac (GL). É o tipo mais caro de perfume e, por não serem adequados ao clima tropical, são difíceis de serem encontrados em razão da pouca comerciabilidade. O fixador (por exemplo, gordura de origem animal reproduzida em laboratório) tem um poderoso efeito de fixação que pode se prolongar por até 24 horas. 7.2 "Eau de parfum" é um perfume com menor concentração de essência, de 10% a 15%, diluída em álcool etílico de 90° GL, cujo efeito de fixação chega a ultrapassar as 12 horas. 7.3 "Eau de toilette" tem concentração de essência entre 5% e 10%, diluída habitualmente em álcool de 85" GL. Seus índices de fixação não passam das 8 horas em temperaturas mais altas. 7.4 "Águadecolônia" ou "eau de cologne" é a fragrância cuja percentagem de essência varia entre 3% e 5% e seu grau alcoólico fica entre 70° e 80"GL. Sua fixação não é maior do que 5 horas e seria, a priori, o ideal para o nosso clima. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 12466.000604/200238 Acórdão n.º 9303005.498 CSRFT3 Fl. 913 7 7.5 "Eau fraiche" é a "água refrescante", perfumada quase sempre com pouquíssima essência cítrica (limão ou tangerina). Por isso, muitas vezes é chamada de "eau de sport". Tem uma baixa percentagem de essência, de 1% a 3%, e vem quase sempre diluída em álcool de 70° ou 80° GL, havendo poucas variantes de "eau fraiche" que não empregam álcool. Sua taxa de fixação é mínima, de 2 a 4 horas. 8. Tendose em mente o exposto e considerando as NESH pode se afirmar que os "perfumes ou extratos", citados no código 3303.00.10 da NCM, compreendem apenas as essências ou extratos (subitem 7.1). 9. Já as mercadorias mencionadas no código 3303.00.20 da NCM, referidas como "águasdecolônia" englobam as chamadas "eau de parfum", "eau de toilette", "eau de cologne" e "eau fraiche" (subitem 7.2 a 7.5). Desta forma, na vigência da Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253, de 1º/8/2002, para efeitos de classificação fiscal, consideravase o produto como "água de colônia" quando o teor de essência fosse inferior a 15%. O mesmo órgão reviu seu posicionamento por meio da Nota Coana/Cotac/Dinom nº 344, 13/12/2006, adotando entendimento em consonância com o Decreto n° 79.094, de forma que, a partir dessa alteração, passaram a ser classificadas no código 3303.00.10 da NCM as mercadorias constituídas pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração superior a 10% e no código 3303.00.20 as mercadorias constituídas pela dissolução de uma composição aromática em concentração inferior ou igual a 10%, em álcool de diversas graduações. Constatase, entretanto, que as importações ora tributadas foram formalizadas em período anterior à vigência da NOTA COANA/COTEC/DINOM nº 253/2002, de 1/8/2002 a 13/12/2006. Dessa forma, não há que se considerar o disposto na referida nota, mostrandose correta a classificação determinada pela Autoridade Fiscal, em obediência ao disposto no Decreto n° 79.094, de 5/1/1977. Ainda que o referido Decreto tenha sido posteriormente revogado pelo Decreto n° 8.077/2013, à época dos fatos estava plenamente em vigor. Restaurando o lançamento efetuado relativo ao principal, também devem ser restauradas as penalidades incidentes sobre as infrações, conforme decisão de primeira instância. Em face do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, decido pela classificação fiscal dos produtos acima relacionados no código NCM 3303.00.10 e, consequentemente, pelo restabelecimento da decisão de primeira instância. (assinatura digital) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 913DF CARF MF Processo nº 12466.000604/200238 Acórdão n.º 9303005.498 CSRFT3 Fl. 914 8 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos, peço vênia ao ilustre relator, eis que não conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, pois: Recordase que o acórdão recorrido entendeu que a característica para a classificação aduaneira de perfumes seria a composição aromática acima de 15% atribuída aos primeiros pela Nota Coana/COTEC/DINOM 253/02; E o acórdão paradigma 9303001.729 entendeu como perfume aqueles que apresentam concentração aromática superior a 15%, conforme Nota Coana/COTEC/DINOM 253/02. Sendo assim, vêse que os entendimentos de ambos os arestos são consonantes – o que, em respeito ao art. 67 do RICARF, entendo que não há como conhecer o Recurso que não tenha exposto outra decisão que, por sua vez, não tenha dado à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No que tange ao mérito, entendo que assiste razão ao sujeito passivo, eis que: O limite mínimo 10% da composição concentração aromática nos produtos importados pelo sujeito passivo é definido pelo Decreto 79.094/77; Os produtos que apresentaram concentração aromática superior ao limite de 10% foram indevidamente considerados como perfume pelo Laboratório – eis que tal decreto é destinada somente ao sistema de saúde – jamais servindo para fins de enquadramento de produtos na NCM/TIPI; Nos laudos que subsidiaram o lançamento, a apuração dos percentuais de concentração de essência odorífera foi feita por diferença – o que, por conseguinte, vêse que foi extraída da composição somente água e o álcool – o que levou equivocadamente a considerar que todo o percentual residual seria integralmente essência – mas no percentual residual não está compreendida apenas a substância aromática (mas emolientes, ésteres graxos, antioxidantes, solventes, corantes, diluentes, protetores de radiação solar, fixadores); Esse percentual distorce a validade dos documentos que deveria servir como prova para a Fazenda Nacional; Tanto é assim que já foi atestada pela Coana/Cotac/Dinom nos autos do processo 12466.003629/200293, por meio da Informação 75/07 – Fl. 914DF CARF MF Processo nº 12466.000604/200238 Acórdão n.º 9303005.498 CSRFT3 Fl. 915 9 anexo– que o método a ser utilizado deve propiciar a subtração de todos e qualquer elemento não odorífero, de modo que o percentual represente a realidade DA ESSÊNCIA. Ademais, dos laudos do IPT acostados nos autos – há a confirmação de presença de componentes não odoríferos na diferença apurada pelos laudos que subsidiaram os lançamentos. Refletese ainda que o IPT é Instituto de Pesquisa ligado à USP – o que demonstra seriedade e confiabilidade em suas análises. Sendo assim, depreendendose da análise do IPT, os ensaios sobre o mesmo produto denotam que na diferença apontada encontramse quase 5 pontos percentuais relativos a substâncias não odoríferas. O que se constata o percentual de 4,71 – com exclusão de todos os elementos não odoríferos da diferença. O que resta concluir que os produtos apresentam concentração odorífera – em percentual inferior àquele fixado pela Nota Coana/Cotac/Dinom 253/02 (155). Sendo, assim, inequívoco que o caso vertente trata de águas de colônia – sob o NCM 330300.20. Ademais, em respeito à segurança jurídica, frisese esse entendimento os seguintes acórdãos proferidos por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: 30333.697; 30133.783; 30133.784; 30333.057; 30133.785; 30238.644; 30133.867; 30133.868; 30133.950; 302.38.828; 30134.012; 30134.075; 30239.442; 30335.394; 30306.188; 30300.181; Fl. 915DF CARF MF Processo nº 12466.000604/200238 Acórdão n.º 9303005.498 CSRFT3 Fl. 916 10 3202000.724; 3101001.208; 3802002.840; 310201.503; 3201002.014; 3201001.507. Em vista do exposto, entendo que o produto objeto da lide é efetivamente água de colônia. O que, por conseguinte, é de se negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 916DF CARF MF
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Numero do processo: 11131.000177/2007-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jan 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 21/09/2004 a 01/12/2005
DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
Descartada hipótese de aplicação do instituto da retroatividade benigna para penalidades distintas.
Numero da decisão: 9303-006.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. Descartada hipótese de aplicação do instituto da retroatividade benigna para penalidades distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 01 77 /2 00 7- 11 Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 9303006.000 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela solidária responsável contra decisão tomada no Acórdão nº 3402003.671, de 14 de dezembro de 2016 (efolhas 1.405 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/09/2004 a 01/12/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS Sendo classificada a importação por conta e ordem de terceiros com fulcro na documentação acostada aos autos pela fiscalização, em especial o contrato firmado entre a importadora ostensiva e a importadora efetiva, resta comprovada a interposição fraudulenta nos termos o artigo 23, do Decretolei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Uma vez que os documentos da importação foram acostados aos autos e que a Recorrente teve acesso a eles antes de sua manifestação em diligência, não cabe se falar em nulidade por cerceamento de defesa. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DA FORMALIDADE PRÉVIA PARA A CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. INEXISTÊNCIA. É necessária a prévia verificação pela fiscalização da impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo ou transferência a terceiros, para a aplicação da penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento (art. 73 da Lei n.º 10.833/2003 e art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976). Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 9303006.000 CSRFT3 Fl. 4 3 A fiscalização comprovou que houve a revenda das mercadorias importadas pela importadora ostensiva para a importadora efetiva, em decorrência da própria configuração da importação por conta e ordem de terceiro. Confirmada, portanto, a condição para a conversão da pena de perdimento em multa. ILEGITIMIDADE PASSIVA. DEMONSTRAÇÃO DO INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária da empresa como real adquirente das mercadorias está devidamente respaldada nos autos e na legislação específica, tendo sido comprovada a efetiva ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, simulada pela documentação que respaldou a importação (art. 95, V, Decretolei n.º 37/1966). INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA EQUIVALENTE AO PERDIMENTO. CESSÃO DE NOME. MULTA DE 10%. Configurada a materialidade da infração aduaneira veiculada pelo art. 23, V, §§1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76, não há como se afastar a aplicação da penalidade respectiva ao seu agente direto e aos responsáveis pela infração na forma da lei. A previsão da multa por cessão de nome, veiculada pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não prejudica a aplicação da pena de perdimento ou a multa que lhe substitui. A referida multa foi criada pelo legislador ordinário para conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também com a multa que lhe substitui. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 1.434 e segs) diz respeito à aplicação retroativa da multa de 10 %, prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, nos casos em que o infrator havia sido apenado com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do parágrafo 3º, do art. 23, do DecretoLei n° 1.455/76. Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 9303006.000 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 1.494 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 1.498 e segs. Requer que se negue provimento ao recurso especial da contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial O exame de admissibilidade do recurso especial é irretocável. O recurso foi apresentado dentro do prazo legal. Dele tomo conhecimento. Mérito A penalidade instituída pela Lei nº 11.488/07, equivalente a multa de dez por cento do valor da operação, aplicável à pessoa jurídica que cede o nome, não revogou nem trouxe qualquer consequência para os casos em que é cabível a cominação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação introduzida pela Lei 10.637/021. 1 Lei 10.833/03 Art. 59. O art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 23. ................................................................ V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional."(NR) DecretoLei 1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 9303006.000 CSRFT3 Fl. 6 5 Há farta evidência de que a intenção do legislador jamais foi a de cominar penalidade mais branda a quaisquer das partes que se associam na prática de operação de importação ou exportação com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável. Desde logo, vêse que os bens jurídicos tutelados por uma e por outra medida coercitiva não guardam nenhuma identidade entre si. Embora as duas infrações possam decorrer de um mesmo evento, a multa pela cessão do nome destinase a coibir o uso abusivo da pessoa jurídica, apenando conduta à qual era antes imposta a “pena” de inaptidão do CNPJ, medida que violentava os mais elementares pressupostos da ação estatal de controle da atividade privada, agindo com força desproporcional, ao impedir o particular de exercer sua atividade profissional. Por seu turno, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada destinase a coibir o ingresso de mercadoria estrangeira em situação irregular no território nacional, quando o bem, sujeito à pena de perdimento, escapa ao controle aduaneiro e é internalizado. Não se vislumbra nenhuma razão plausível para que se prestigie a inusitada interpretação de que o legislador, ao instituir a nova penalidade, tivesse a intenção de reduzir a sanção ou redefinir os limites de sua sujeição passiva ou de responsabilidade das partes envolvidas na infração por dano ao Erário. Como é de sabença, as infrações compreendidas nesse conceito são punidas com a pena de perdimento das mercadorias (artigo 23, § 1º, do DecretoLei 1.455/76). Completamente desarrazoado entender que, especifica e exclusivamente nos casos em que o dano ao Erário esteja associado à interposição fraudulenta de terceiros, a multa aplicável pela conversão da pena de perdimento deixe de ser equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias para converterse em inexpressivos dez por cento do valor da operação. Fosse essa a intenção do legislador e a primeira e obrigatória medida haveria de ser a exclusão da infração do rol de situações compreendidas no conceito de dano ao Erário, já que a este conceito está associada a ideia de penalidade gravíssima, cuja sanção é o perdimento das mercadorias. No que se refere à sujeição passiva/responsabilidade pela infração, é de ser perguntar: se o objetivo da legislação novel fosse, de fato, excluir a responsabilidade do importador pela infração de interposição fraudulenta, não seria suficiente que o texto da lei Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 9303006.000 CSRFT3 Fl. 7 6 assim determinasse, de maneira clara e expressa? Por que supor que o legislador, nesse intento, escolheria meios tão transversais, criando uma nova multa, e sem fazer nenhuma ressalva às responsabilidades decorrentes da outra? Mas, até aqui, tratamse, apenas, de abstrações com razoável conteúdo subjetivo. O que investe a questão posta em contornos de caráter definitivo são as disposições normativas que regulamentam a matéria. Inicio pelo art. 33 da Lei 11.488/2007. Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (grifos acrescidos) O Regulamento Aduaneiro hoje vigente assim dispõe a respeito do assunto – Decreto 6.759/09: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. É de clareza singular. Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 9303006.000 CSRFT3 Fl. 8 7 A Lei trata do efeito imediato da aplicação da multa, qual seja, afastar a declaração de inaptidão da pessoa jurídica (art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A meu ver, já seria suficiente, uma vez que apenas essa consequência foi prevista para os casos de imposição da multa por cessão de nome. Mas o Decreto deu o passo seguinte. O parágrafo 3º do art. 727 confirma com todas as letras o entendimento de que a imposição de multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas2, afastando qualquer possibilidade de que prospere a interpretação de que aquela retroaja na forma do art. 106 do Código Tributário Nacional. E orientam no mesmo sentido as demais disposições infralegais acerca do assunto. Até a promulgação da Lei nº 11.488/2007, a cessão do nome para o acobertamento do real beneficiário da operação trazia como consequência (i) a pena de perdimento da mercadoria ou conversão em multa e (ii) proposição de inaptidão do CNPJ (IN SRF 568/2005). O artigo 343, inciso III, da IN SRF 568/2005 dispunha sobre a inaptidão da 2 A Orientação Coana/Cofia/Difia s/n, de 11 de julho de 2007, também não destoa desse entendimento. Orienta pela aplicação cumulativa das duas penas nos casos em que constatada o que denomina interposição fraudulenta comprovada. Em resumo, concluise que se aplicam as seguintes disposições legais, às hipóteses abaixo enumeradas: Interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Proposição de inaptidão da inscrição do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 748/2007); Interposição fraudulenta comprovada, seja pela identificação da origem do recurso de terceiro, seja pela constatação da ocultação por outros meios de prova: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Multa de 10% do valor da operação acobertada, aplicada sobre o importador, conforme dispõe o art. 33 da Lei nº 11.488/2007. 3 Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 9303006.000 CSRFT3 Fl. 9 8 inscrição do CNPJ de entidade considerada inexistente de fato. O artigo 414, inciso III, considerava inexistente de fato a pessoa jurídica que "tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários;". Treze dias após a edição da Lei nº 11.488/2007, foi publicada a IN RFB nº 748/2007, revogando a IN RFB 568/2005. O artigo 41 da nova IN suprimiu a hipótese de cessão de nome com vistas ao acobertamento dos reais beneficiários em operações no exterior, como causa de declaração da inexistência de fato da PJ. Ou seja, também os atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal confirmam que a penalidade prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 foi introduzida no ordenamento jurídico com propósito substituir a declaração de inaptidão pelo simples ato de ceder o nome. Todas as premissas até aqui adotadas e as conclusões a que remetem são, ainda, reforçadas pelo Parecer de encaminhamento do projeto de lei de Conversão da MP nº 351/2007 na Lei nº 11.488/2007, com a seguinte observação: “Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei no 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros.” III inexistente de fato; IV que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. 4 Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 9303006.000 CSRFT3 Fl. 10 9 A derradeira conclusão é a de que o ato de ceder o nome com vistas ao acobertamento do real beneficiário acarreta duas infrações, cujos bens jurídicos tutelados são distintos: o próprio erário e o controle aduaneiro como um todo, e a integridade do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. Enquanto o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 resguarda a higidez do CNPJ, coibindo seu uso indevido, em substituição da declaração de inaptidão, o inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976 protege o Erário e o próprio controle aduaneiro. Finalmente, descartase a hipótese de violação do princípio non bisinidem. As disposições legais de que aqui tratamos foram, desde o início, concebidas à luz da interpretação dada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional às abstrações normativas presentes na legislação tributária que regulamenta as operações de comércio exterior. Foi com base no Parecer PGFN CAT 1.316/01 que forjaramse os instrumentos capazes de alcançar todas as pessoas envolvidas nas atividades irregulares, principalmente, o proprietário das mercadorias importadas de forma irregular. Como se sabe, o artigo 31 do DecretoLei nº 37/66, considera contribuinte do Imposto de Importação aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional5. Um dos pontos de partida de todo empreendimento que deu origem às alterações na legislação havidas ao longo do ano de 2001 foi a interpretação veiculada no Parecer PGFN CAT 1.316/01, segundo a qual o contribuinte do Imposto de Importação é a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga como sendo o proprietário da mercadorias importada, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição ou fizer as negociações prévias. Como consequência da manifestação do Órgão, as autuações da Fiscalização Federal passaram, obrigatoriamente, a indicar, como importador, a pessoa informada com tal nas declarações de importação, mesmo que um terceiro fosse quem, verdadeiramente, promovesse o ingresso das mercadorias em território nacional. 5 Decreto 6.759/09 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 9303006.000 CSRFT3 Fl. 11 10 Por conta disso, nos casos de infração por interposição fraudulenta, o sujeito passivo da obrigação principal anotado no auto de infração será sempre a pessoa que registrou a declaração de importação, embora, o mais das vezes, pretendase alcançar o verdadeiro proprietário das mercadorias, que, por força da legislação superveniente ao Parecer supra citado, figura como solidário pelo imposto e, em regra geral, também pelas infrações cometidas. Portanto, ainda que pareçam duas penalidades decorrentes de um mesmo evento e exigidas de uma mesma pessoa jurídica, tratamse, na verdade, de uma multa (10%) destinada a apenar o importador e de outra (100%) destinada àquele que, informalmente, se costuma chamar o "verdadeiro importador", identificado nas disposições legais como sendo o adquirente por conta e ordem ou encomendante das mercadorias. Em decisão recente, datada de 21 de março de 2017, acórdão nº 9303 004.714, da relatoria da i. Conselheira Érika Costa Camargos Autran, este Colegiado firmou entendimento de que não se aplica à hipótese a retroatividade benigna. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 23/08/2006 a 20/03/2007 CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E O PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas. Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 9303006.000 CSRFT3 Fl. 12 11 Com base nas considerações precedentes, voto por negar provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 1524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907313/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO E MOTIVAÇÃO. MATÉRIA AUTÔNOMA REGULARMENTE ARGUIDA PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR.
A carência da devida análise e motivação em decisão administrativa desfavorável ao contribuinte de matéria claramente autônoma, ainda que subsidiária, regularmente aduzida em sua defesa, configura nulidade parcial.
Deve retornar o processo à instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, retomando-se, posteriormente, o curso natural do feito.
Numero da decisão: 1402-002.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que seja prolatada decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas pelo Acórdão original. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por julgar o processo no estágio em que se encontra.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO E MOTIVAÇÃO. MATÉRIA AUTÔNOMA REGULARMENTE ARGUIDA PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. A carência da devida análise e motivação em decisão administrativa desfavorável ao contribuinte de matéria claramente autônoma, ainda que subsidiária, regularmente aduzida em sua defesa, configura nulidade parcial. Deve retornar o processo à instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, retomandose, posteriormente, o curso natural do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que seja prolatada decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas pelo Acórdão original. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por julgar o processo no estágio em que se encontra. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 73 13 /2 00 9- 41 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13896.907313/200941 Acórdão n.º 1402002.709 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de CSLL, declarado em DCOMP. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente a retroação benigna do art. 11 da IN RFB nº 900/08, a necessidade de aplicação dos princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, a ilegalidade do art. 10 da IN nº 600/05, a possibilidade de se compensar débitos com recolhimento a maior e indevidos, e a impossibilidade de aplicação de multa e incidência de juros, quando mantida a não homologação dos valores, além de demonstrar e juntar documentação provando a existência de seu direito creditório. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa. Confirase a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO Só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante de tal revés, o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido, tanto pela suposta alteração do critério jurídico utilizado para a negativa do crédito, nos termos do art. 146 do CTN, bem como por não ter a DRJ a quo conhecido e enfrentado todas as suas alegações. No mérito, restringese a alegar a procedência material do crédito, apontando, em seus livros contábeis e declarações transmitidas ao Fisco, as evidências sobre a existência do seu direito. Pugna, eventualmente, pela necessidade de realização de diligência, para a análise da documentação acostada e a promoção de investigações pela própria Fiscalização da materialidade do crédito informado, como rezaria ao princípio da verdade material. Subsidiariamente, repete sua alegação de impossibilidade de aplicação de multa e incidência de juros. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o Relatório. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13896.907313/200941 Acórdão n.º 1402002.709 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.708, de 27.07.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.907312/200905. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.708): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega Recorrente ter a DRJ a quo deixado de enfrentar uma de suas alegações, qual seja, a impossibilidade de exigência de multa e juros, caso fosse mantida a não homologação da Declaração de Compensação, ensejando sua nulidade, devendo ser prolatado novo decisório. Verificando o v. Acórdão, confirmase a veracidade dessa alegação da Recorrente. Como se observa da Manifestação de Inconformidade apresentada, o Contribuinte alegou, com base na eventualidade da manutenção do r. despacho decisório, a suposta incorreção de aplicação de multa e incidência de juros sobre os valores decorrentes da denegação sofrida. Tal argumentação jurídica depende, logicamente, da rejeição da tese meritória, atacando elementos distintos da homologação do crédito, tratandose, claramente, de matéria autônoma o que distinguese, diametralmente, de alegações aduzidas cumulativamente, para enriquecer a defesa e reforçar a procedência de seu crédito. Reforçando a afirmação acima colocada, tal tema possui tópico exclusivo na peça de defesa e, não obstante, pedido formulado de forma independente daquele principal, de natureza subsidiária, para seu provimento. Assim, nenhuma das razões de decidir da DRJ, que apenas explora, analisa e julga o mérito da contenda, referente à procedência ou não do direito da Recorrente e as provas trazidas, abarca o conhecimento e o julgamento desse outro tema independente. Digase mais: diante da negativa do pedido principal, de improcedência da Manifestação apresentada, restou imperioso o enfrentamento dessa matéria subsidiária naquele r. decisum, ensejando verdadeiro prejuízo à prerrogativa processual da Parte desfavorecida pelo julgamento do mérito. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13896.907313/200941 Acórdão n.º 1402002.709 S1C4T2 Fl. 5 4 Analisando os termos do v. Acórdão, item a item, fica clara e inquestionável a ausência de qualquer abordagem, menção e, principalmente, motivação em relação a essa matéria, regularmente invocada. A motivação (ou fundamentação) dos decisórios em esfera administrativa é elemento essencial para a sua validade, como extraise das prescrições da Lei nº 9.784/991 e do Decreto nº 70.235/722. Na verdade, tais disposições implementam na esfera processual administrativa as garantias constitucionais ao duplo grau de jurisdição, ao devido processo, ao direito de petição, ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte, assim como o princípio da motivação das decisões jurisdicionais. Ainda que esta C. 2ª Turma Ordinária (segunda instância administrativa) pudesse, agora, em sede de Recurso Voluntário, conhecer, analisar e julgar tal alegação, não só continuaria parcialmente inválido o v. Acórdão recorrido, como restaria suprimida uma instância recursal ordinária concedida ao Contribuinte o que não deve ocorrer. Tanto assim é que, na própria dinâmica processual administrativa deste E. Conselho, no entendimento da sua C. Câmara Superior, quando há decisão meritória, reformando acórdão procedente em relação à tese dos contribuintes, determinase o imediato retorno do feito à Turma Ordinária julgadora para apreciar matérias secundárias, alegadas subsidiariamente, que justamente como no presente feito versam, na maioria da vezes, sobe sanções, juros e correção monetária dos créditos mantidos. Sobre a nulidade dos decisórios carentes de fundamentação, lecionam Fredie Didier Júnior, Paula Sarno Braga e Rafael Alexandria de Oliveira3: Se a decisão não analisa todos os fundamentos da tese derrotada, seja ela invocada pelo autor ou pelo réu, será inválida por falta de fundamentação. Tal entendimento também estampa o Acórdão nº 3402003.465, proferido pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, publicado em 27/12/2016: 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) V decidam recursos administrativos; 2 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. 3 Curso de Direito Processual Civil. 2º vol. 10ª ed. Salvador: Jus Podivm, 2015. p. 337. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13896.907313/200941 Acórdão n.º 1402002.709 S1C4T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2011 Ementa: NULIDADE DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO. É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador na parte dispositiva do julgado. (...) 12. Assim, toda e qualquer decisão proferida no âmbito de processo administrativo federal deve ser fundamentada, ou seja, deve ser justificada em concreto pelo julgador. Com isto o princípio assegura não só a transparência da atividade judiciária, mas também viabiliza que se exercite o adequado controle de todas e quaisquer decisões jurisdicionais. E, quando se fala em controle das decisões de caráter judicativo por meio da sua motivação, se faz menção não só a um controle exterior ao processo, mas em especial a um controle interno, o que se dá pela ideia de recorribilidade. 13. O que se quer dizer, portanto, é que a existência de motivação de uma determinada decisão é que viabiliza (não apenas sob uma perspectiva formal, mas especialmente de modo substancial) o acesso efetivo às instâncias recursais mediante a interposição do recurso cabível. Em contrapartida, decisão imotivada (sem fundamento) é o mesmo que negar acesso ao grau recursal ou reduzilo à uma questão exclusivamente de forma, isso sem falar na própria supressão de instância. 14. Não obstante, ainda quando se fala em decisão motivada, exigise também que a motivação seja completa, sem omitir pontos cuja solução pudesse conduzir o juiz a concluir diferentemente. Assim, sempre que a sentença seja repartida em capítulos, cada um consistindo no julgamento de uma pretensão, todos eles devem ser precedidos de uma motivação que justifique a conclusão assumida pelo juiz. 15. O que se quer dizer, portanto, é que a decisão deve fundamentar o acolhimento ou a rejeição de cada um dos pedidos e, consequentemente, de cada uma das correlatas causas de pedir próximas expostas ao longo da lide. Caso um mesmo pedido e, consequentemente, a mesma causa de pedir próxima correlata tenha mais de um fundamento, basta a adesão ou rejeição de um deles para que a decisão seja motivada. O em contrapartida, é que um determinado pedido e a sua correlata causa de pedir próxima fiquem sem qualquer resolução. Posto isso, resta claro que o v. Acórdão recorrido padece de nulidade processual, ainda que parcial, que ainda pode ser sanada, em prol da validade da demanda como um todo, sem prejudicar a retomada posterior do curso natural do presente processo administrativo. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13896.907313/200941 Acórdão n.º 1402002.709 S1C4T2 Fl. 7 6 Nesse sentido, as demais matérias arguidas, inclusive outras matérias preliminares trazidas pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário, mas referentes a elementos do v. Acórdão que não se cambiarão, vez que alheios a essa nulidade meramente instrumental ora detectada, serão devidamente apreciadas quando do julgamento do mérito. Diante de todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade parcial do v. Acórdão recorrido, devendo ser exarado pela DRJ a quo um acórdão complementar, precisamente sobre a matéria de multa e juros, nos termos aduzidos na Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Após a devida intimação da ora Recorrente de tal decisum, deve serlhe devolvido o mesmo prazo de Recurso Voluntário, propiciando o enfrentamento recursal de tal matéria, garantindo o pleno contraditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que seja prolatada decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas pelo Acórdão original. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11962.000886/2001-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES QUANTO À ANÁLISE DE TODOS OS INSUMOS E SAÍDAS PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. CONTRADIÇÃO QUANTO AO ASSUNTO REFERENTE À RECEITA OPERACIONAL BRUTA. NÃO IDENTIFICADA AS OMISSÕES E A CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração não se prestam a rediscutir já matérias decididas pelo Colegiado em sede de recurso.
Numero da decisão: 3401-004.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos, vencido o relator, por não ter sido verificada omissão nem contradição, apenas se reconhecendo que o texto da Ata reflete de forma mais clara o resultado do julgamento, em relação à apuração do valor da receita bruta operacional. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Acompanhou pela recorrente o advogado Carlos Alberto Rosal de Ávila, OAB/DF no 55.905.
ROSALDO TREVISAN Presidente.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
MARA CRISTINA SIFUENTES Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES QUANTO À ANÁLISE DE TODOS OS INSUMOS E SAÍDAS PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. CONTRADIÇÃO QUANTO AO ASSUNTO REFERENTE À RECEITA OPERACIONAL BRUTA. NÃO IDENTIFICADA AS OMISSÕES E A CONTRADIÇÃO. Embargos de declaração não se prestam a rediscutir já matérias decididas pelo Colegiado em sede de recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos, vencido o relator, por não ter sido verificada omissão nem contradição, apenas se reconhecendo que o texto da Ata reflete de forma mais clara o resultado do julgamento, em relação à apuração do valor da receita bruta operacional. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Acompanhou pela recorrente o advogado Carlos Alberto Rosal de Ávila, OAB/DF no 55.905. ROSALDO TREVISAN Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator. MARA CRISTINA SIFUENTES Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES QUANTO À ANÁLISE DE TODOS OS INSUMOS E SAÍDAS PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. CONTRADIÇÃO QUANTO AO ASSUNTO REFERENTE À RECEITA OPERACIONAL BRUTA. NÃO IDENTIFICADA AS OMISSÕES E A CONTRADIÇÃO. Embargos de declaração não se prestam a rediscutir já matérias decididas pelo Colegiado em sede de recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos, vencido o relator, por não ter sido verificada omissão nem contradição, apenas se reconhecendo que o texto da Ata reflete de forma mais clara o resultado do julgamento, em relação à apuração do valor da receita bruta operacional. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Acompanhou pela recorrente o advogado Carlos Alberto Rosal de Ávila, OAB/DF no 55.905. ROSALDO TREVISAN – Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. MARA CRISTINA SIFUENTES – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 2. 00 08 86 /2 00 1- 29 Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.519 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Contribuinte, cujo nascedouro do contencioso se deu por meio de pedido de ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI para ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), empregados na industrialização de produtos exportados durante o terceiro trimestre de 2001, no montante de R$ 3.782.328,31. De início, a SEFIS/DRF Vitória, por meio do parecer nº 048/2006 deferiu parcialmente o pedido, uma vez que o fisco apurou valor creditício diverso daquele apresentado pela interessada (fl. 428). Assim, homologou apenas o crédito incontroverso, no valor de R$ 512.720,60 (fl. 453). A Delegacia da Receita Federal de Vitória, diante do parecer da SEFIS, constatou que o crédito homologado não cobria os débitos declarados, determinando a cobrança do saldo remanescente e a ciência do contribuinte (fl. 470). A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fl. 472), na qual sustentou que o crédito requerido está amparado pela legislação aplicável ao caso, pugnando, ao final, pela reforma da decisão, com o deferimento integral do pedido de ressarcimento. Ao apreciar o caso, a DRJ de Santa Maria/RS, por intermédio do acórdão nº 188.495 (fl. 841), por unanimidade de votos, manteve incólume o Despacho da Delegacia da Receita Federal de Vitória (fl. 470). Irresignada com decisão do acórdão nº 188.495, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 866), na qual sustenta que: a. Goza do direito ao crédito presumido de IPI; b. Que os insumos, tais como lenha, gás, óleos em geral, dentre outros, foram materiais consumidos ou utilizados no processo de industrialização em geral e que sem estes o processo não seria possível, deste modo devem ser tais insumos incluídos no cálculo do crédito, por se tratar de produtos intermediários; c. Que as aquisições de insumos de pessoas físicas, cooperativas e sociedades comerciais devem ser incluídas no cálculo do crédito presumido de IPI; d. Mesmo que as mercadorias não tributadas sejam vendidas para empresa comercial que visa especificamente a exportação, a recorrente faz jus ao direito ao crédito presumido de IPI. Possui direito ao crédito presumido do IPI nos casos de exportação de mercadorias não tributadas, e ainda que, ao calcular o crédito presumido de IPI, não incluiu as receitas de exportação decorrentes das vendas de mercadorias, conforme aduziu o acórdão; e. Que o Fisco se equivocou ao apurar o valor da Receita Operacional Bruta; f. A necessidade de produção de prova pericial no que tange a ausência de comprovação de exportações no SISCOMEX; Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.520 3 g. Deve ser aplicada a taxa SELIC para o fim de atualização monetária do montante a ser ressarcido. Requereu, ao final, o provimento do recurso. Ascendendo ao CARF (fl. 1.077), sobreveio Resolução n° 3101000.143, decidindose pela conversão do julgamento em diligência para o fim de: 1) verifique a existência, de fato, das Declarações de Despacho de Exportação e dos Registros de Operações de Exportação que devem corresponder às notas fiscais arroladas nas fls. 295 e 296 deste processo; 2) se existentes os documentos apontados no item 1, supra, verificar se os produtos indicados nas notas fiscais correspondem aos produtos relacionados nos documentos apontados como comprovantes de exportação, notadamente no que diz com suas descrições, classificações fiscais, quantidades, valores, CFOP, etc; 3) se houver discrepância entre os produtos indicados nas notas fiscais e os produtos relacionados nos documentos, intimar a recorrente e as empresas comerciais exportadoras para trazer aos autos os demonstrativos instituídos pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício, acompanhados das notas fiscais, das Declarações de Despacho de Exportação e dos despachos correspondentes à cada nota fiscal; 4) elaborar Relatório Fiscal conclusivo e sucinto que contenha quadro pormenorizado, por nota fiscal, acerca da comprovação das exportações por parte da recorrente, acompanhado dos documentos encontrados. Diante da determinação do CARF, a DRF de Vitória iniciou o cumprimento da diligência (fl. 1.013 e seguintes). A contribuinte juntou aos autos (fls. 1.080 e 1.108), petições com o viés de sanar dúvidas. Cumprida a diligência, os autos retornaram ao CARF para julgamento, porém, este órgão, novamente converteu o julgamento em diligência, de acordo com a Resolução nº 3101000.348 (fl. 1.263), uma vez que o item “d”, objeto da Resolução n° 3101000.143 (fl. 1.077), não fora integralmente cumprido. Determinou fosse confirmado pela DRF de Vitória se o quadro produzido pela Recorrente (petição de fl. 1.080) encontra pleno respaldo fático, apontando eventuais divergências. A DRF de Vitória juntou aos autos, Relatório Fiscal (fls. 1.269/1.279) com a intenção de cumprir a determinação aduzida pela Resolução nº 3101000.348 (fl. 1.263). Neste, afirma que o quadro demonstrativo das exportações realizadas apresentado pela recorrente não comprova nenhuma exportação, no mesmo documento aponta as divergências encontradas pela fiscalização. Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.521 4 À fl. 1.283, a contribuinte se manifestou acerca do relatório de fl. 1.263. Por meio do acórdão nº 3101001.835, fl. 1.365, o CARF decidiu: i) negar provimento ao recurso voluntário para manter a glosa dos valores relativos aos produtos que não preenchiam os requisitos para serem enquadrados como matériaprima, produto intermediário, por não exercerem ação direta sobre o produto, e material de embalagem; ii) negar provimento ao recurso voluntário para manter as exclusões de produtos classificados como não tributados NT; iii) negar provimento ao recurso voluntário para manter a exclusão dos valores relativos à exportação de produtos que não atendiam ao requisito legal para caracterizar como saídas com o fim específico de exportação; iv) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI no que se refere às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas; v) dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a inclusão na receita de exportação, do valor correspondente às exportações de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador; e vi) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à atualização monetária, com base na Selic, calculada desde o protocolo do pedido de ressarcimento, referente aos créditos indevidamente glosados. A União atacou o acórdão 3101001.835 (fl. 1.365), por meio de Recurso Especial (fl. 1.429), no qual requereu (a) a rejeição da “incidência da taxa SELIC no período anterior à data da ciência do primeiro ato administrativo de oposição estatal ao pleito do contribuinte; ou, subsidiariamente, (b) aplicar a taxa Selic a partir do término do prazo de 360 dias, contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento, e, em qualquer caso, apenas sobre os valores que foram objeto de indeferimento por ilegítima oposição estatal.” À fl. 1.447, este E. Tribunal, conheceu do recurso, uma vez que ficou configurada a presença de dissídio jurisprudencial. A contribuinte também atacou o acórdão 3101001.835, por meio de Embargos de Declaração, alegando para tanto contradição e omissão (fl. 1.459 e seguintes), asseverando: Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.522 5 (i) omissão: dos insumos inadmitidos como matériaprima ou produto intermediário, entendendo que a C. Turma deixou de se pronunciar integralmente sobre este ponto. Apontou que a C. Turma limitouse a tão somente afirmar que "em razão da inocorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, mas apenas em um contato indireto, tais insumos forma desconsiderados no cálculo do crédito presumido", ignorando completamente as explicações técnicas trazidas pela Embargante, as quais demonstram que, em razão de serem indispensáveis para fins da determinação da base de cálculo do crédito presumido de IPI. (ii) contradição: da apuração do valor da receita bruta operacional. Afirma que o cálculo entre a Receita de Exportação (RE) e a Receita Operacional Bruta (ROB) está incorreto em razão de a fiscalização ter considerado, na apuração da ROB, todas as receitas por ela auferida incluindose aquelas relativas à comercialização de produtos não industrializados e prestação de serviços. Menciona que a contradição está presente, vez que a certa altura, i. conselheiro relator, afirma na parte dispositiva de seu voto que "assiste razão à recorrente quanto à incorreção do cálculo efetuado", mas por outro lado, determina providência completamente diversa daquela requerida pela Embargante. (iii) omissão e contradição: da saída para comercial exportadora. Disse a Embargante que possuía tal direito, pois efetuara exportação por empresas comerciais exportadoras para as quais ela realizou a venda de seus produtos, tendo, portanto, direito ao crédito presumido do IPI. Asseverou que o julgado deixou de ser acolhido pela maioria do i.conselheiros, nos termos do voto do e. relator, vez que "analisandose os documentos acostados aos autos, não identificamos nenhum elemento que poderia indicar que as mercadorias foram transportadas do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados." Defende a Embargante que trouxe ao autos: (a) Notas Fiscais de exportação emitidas pelas empresas comerciais exportadoras, onde há menção ao número do documento fiscal de venda emitido pela Embargante; (b) comprovante de exportação (CE); (c) Registros de Exportação (RE); (d) Memorandos de exportação. Ato contínuo, a contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial, (fl. 1.482), no qual requereu o não conhecimento do recurso sob a alegação de ausência de Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.523 6 pressuposto de admissibilidade, bem como pugnou pelo não provimento deste, ratificando os termos do acórdão no que lhe foi favorável. O CARF (fl. 1.513), despachou no sentido de conhecer os Embargos opostos pela contribuinte por ficar constatada a presença de omissões e contradição. Aquelas, por não constar no voto condutor, expressa manifestação acerca das explicações técnicas trazidas pela então recorrente, e quanto aos elementos trazidos relativos a saídas para comercial exportadora. Esta, quanto à apuração do valor da receita bruta operacional. Ato contínuo, fora determinada a inclusão do feito em lote para sorteio, a fim de que se julgue os embargos de declaração. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos Oportunamente foi reconhecida a tempestividade dos embargos de declaração(fl. 1.516), razão bastante para haver sua ratificação quanto à este ponto. Os pontos que se cabem julgar, restringemse aos que foram objeto de reconhecimento/acolhimento dos embargos de declaração, diante dos 3 (três) argumentos acima expostos no relatório, que se resumem, abaixo, quais sejam: 1) expressa manifestação das explicações técnicas trazidas pela então recorrente; 2) quanto à apuração do valor da receita bruta operacional; 3) quanto ao elementos trazidos relativos a saídas para a empresa comercial exportadora. Quanto ao primeiro, esta trouxe aos autos explicações técnicas que demonstraram ser os produtos indispensáveis ao processo industrial, tratandose, portanto, de insumos, formadores da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Dão conta as explicações técnicas que "a aquisição de ácido clorídrico destinado ao tratamento de água vinculase diretamente ao processo industrial auxiliar de floculação, que é uma das fases do processo industrial da Recorrente". Do mesmo modo, "a compra de produtos/insumos consumidos no tratamento de afluentes industriais, torres de resfriamento para inibição de corrosão, dispersante de sais e inibição de encustração nos geradores de vapor, tais como, respectivamente, soda cáustica em Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.524 7 escamas, hidróxido de sódio e sulfato de alumínio isento de ferro, continuum AEC 3116, cortrol ES 3010." Como se sabe, o artigo 147 do RIPI, vigente à época, determinava que deve ser incluídos no conceito de MP e PI "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização". Por tais razões os presentes embargos de declaração devem ser conhecidos e providos, a fim de que sejam incluídos no cálculo do crédito presumido os itens constantes do "DEMONSTRATIVO DE EXCLUÍDOS DO CONCEITO DE MP, PI e ME" (fls. 198 e 403). Quanto ao segundo, temse que, conforme narrado acima, a contradição ficou evidente, devendo prevalecer a parte dispositiva do voto o i. conselheiro relator, ou seja, dandose razão à Embargante. Quanto ao terceiro e último argumento, entende este relator que se instalou omissão, pois a Embargante trouxe aos autos (1) Notas Fiscais de exportação emitidas pelas empresas comerciais exportadoras (com o número do documento fiscal de venda emitido pela Embargante); (2) Comprovante de Exportação (CE); (3) Registros de Exportação (RE) e (4) Memorandos de Exportação. Ao dizer que: "analisandose os documentos acostados aos autos, não identificamos nenhum elemento que poderia indicar que as mercadorias foram transportadas do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados" (negrito deste relator), teria que motivar, ou seja, dizer o porquê tais provas não conduzem ao direito perseguido pela Embargante. Com respeito a decisão do i. conselheiro do acórdão embargado, temse que o conjunto de provas carreado pela Embargante denota que as mercadorias foram transportadas para embarque de exportação dando lastro cabal do caminho percorrido nas operações , provas suficientes para acatar o pleito da Embargante, razão pela qual, também neste ponto, conheço e dou provimento aos embargos declaratórios. Dispositivo Com estas considerações, conheço dos embargos de declaração e lhe dou provimento. André Henrique Lemos Relator Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes, redatora designada. Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.525 8 Em que pese o bem fundado voto do relator, Conselheiro André Henrique Lemos, ouso dele discordar, apresentando os seguintes argumentos. Conforme esclarecido pelo relator do voto vencido, os pontos que foram objeto de embargo e acolhidos em exame de admissibilidade são: 1) expressa manifestação das explicações técnicas trazidas pela então recorrente; 2) quanto à apuração do valor da receita bruta operacional; 3) quanto ao elementos trazidos relativos a saídas para a empresa comercial exportadora. Omissão quanto à análise dos insumos solicitados. A embargante alega que trouxe aos autos explicações técnicas que demonstraram serem os produtos indispensáveis ao processo industrial, e por isso devem ser considerados insumos, formadores da base de cálculo do crédito presumido do IPI, e que houve omissão no acórdão recorrido, já que o mesmo não analisou cada insumo solicitado, mas fez apenas uma análise e uma conclusão geral. O Acórdão embargado traz em sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. Portanto, só integram a base de cálculo do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 os insumos consumidos na produção que entrem em contato direto com o produto fabricado, não abrangendo os gastos gerais de produção. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao art. 62A do Regimento Interno. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A produção e exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não geram direito ao aproveitamento Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.526 9 do crédito presumido do IPI, por se encontrarem fora do campo de incidência do imposto. [...] E na parte da decisão, que reproduz o que consta na Ata da sessão, consta: Decisão: I) Por unanimidade, negouse provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa dos valores relativos aos produtos que não preenchiam os requisitos para serem enquadrados como matériaprima, produto intermediário, por não exercerem ação direta sobre o produto, e material de embalagem; II) pelo voto de qualidade, negouse provimento ao Recurso Voluntário para manter as exclusões de produtos classificados como não tributados NT. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça que davam provimento neste ponto; III) por maioria, negouse provimento ao Recurso Voluntário para manter a exclusão dos valores relativos à exportação de produtos que não atendiam ao requisito legal para caracterizar as saídas como sendo com o fim específico de exportação. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Adolpho Bergamini, que fará declaração de voto neste ponto; e IV) por unanimidade, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) reconhecer o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI no que se refere às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas; b) determinar a inclusão na receita de exportação, do valor correspondente às exportações de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador; e c) reconhecer o direito à atualização monetária, com base na Selic, calculada desde o protocolo do pedido de ressarcimento, referente aos créditos indevidamente glosados. A própria embargante, em recurso voluntário, informa que os insumos pleiteados não são consumidos diretamente na produção do produto fabricado, mas são essenciais ao processo de industrialização como um todo. Portanto, entendo que correta foi a análise efetuada no acórdão embargado, já que não há porque reanalisar cada insumo (o que foi efetuado pela DRF no despacho decisório, fls. 198), pois já é pacífico nesse tribunal administrativo o entendimento que os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, e para se integrar a base de cálculo do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 os insumos devem entrar em contato direto com o produto fabricado ou consumidos no processo de fabricação. Além disso, o acórdão embargado também informa em seu corpo quais os itens foram glosados pela fiscalização: São os seguintes os itens glosados pela fiscalização: materiais utilizados para geração de energia (lenha comum ou de eucalipto, cavacos, bagaço de cana e óleo); materiais utilizados em laboratório para análises físicas e químicas (soluções acetônicas, ácido oxálico, etc.); e materiais utilizados Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.527 10 no tratamento de água e de efluentes industriais (ácido clorídrico, dispersantes de sais e inibidores de incrustações). Aliás, identifico que o acórdão recorrido faz uma análise dos insumos pleiteados e justifica seu posicionamento conforme a legislação aplicável: De acordo com o artigo 147 do RIPI/98, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários stricto sensu e material de embalagem, que se integram ao produto final, também as matériasprimas e produtos intermediários que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Tais itens, embora não se integrem ao novo produto, devem exercer ação direta sobre o produto em fabricação, ou sofrer ação direta do produto, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Nenhum dos itens acima referidos, que constam do “Demonstrativo de Excluídos do Conceito de MP, PI e ME", estão inseridos nas classes de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, que possibilitariam a Recorrente se beneficiar do crédito presumido sob a égide da Lei 9.363/96. Em razão da inocorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, mas apenas um contato indireto, tais insumos foram desconsiderados no cálculo do crédito presumido. Especificamente quanto ao combustível, foi editada a Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009, que determinou a não inclusão da aquisição de combustível e energia elétrica, dentre os itens possíveis de gerar crédito presumido de IPI, por não ser consumida em contato direto com o produto final. Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Dessa forma, confirmo as glosas efetuadas pela fiscalização relativa aos itens relacionados “Demonstrativo de Excluídos do Conceito de MP, PI e ME", que não podem ser adicionados ao cálculo do crédito presumido da Lei n 9.363/96 Não identifico a omissão apontada nos embargos de declaração, por isso deixo de acolher os embargos nesse ponto. Apuração da receita operacional bruta. A embargante alega que houve contradição na decisão que trata do cálculo da receita operacional bruta, em razão da fiscalização ter considerado na apuração todas as Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.528 11 receitas auferidas, incluindo as relativas à comercialização de produtos não industrializados e prestação de serviços. Para a embargante, apesar de no acórdão constar que foi dado provimento ao recurso voluntário, não foi solicitada a inclusão do valor correspondente às exportações de produtos não industrializados. No acórdão embargado foi assim debatido o assunto: Segundo a recorrente, enquanto que no cálculo da receita operacional bruta foram consideradas todas as receitas auferidas pela empresa, ou seja, levandose em conta todas as filiais, bem como as receitas decorrentes de comercialização, industrialização ou prestação de serviços, de modo diferente foi levantada a receita de exportação, pois, no caso, apenas foram consideradas as receitas obtidas da exportação de produtos por ela industrializados. Assiste razão à recorrente quanto à incorreção do cálculo efetuado. Adoto, no presente voto, os fundamentos e a razão de decidir do Acórdão 930301.606, da 3ª Turma CSRF, de relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. [...] No caso em questão, independentemente dos estabelecimentos industriais que componham a pessoa jurídica, a receita operacional bruta deverá ser computada pelo montante apurado pela empresa, não só pelo estabelecimento industrial. [...] Desta forma, o valor das vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador não devem ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, da mesma forma que o valor da receita operacional bruta deve considerar a totalidade das vendas efetuadas pela empresa, sem as exclusões pleiteadas pela recorrente. Esclareçase, conforme também destacado no acórdão 930301.606 acima reproduzido, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições dos produtos sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, mas apenas considerálos para efeito de cálculo do coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta.(grifos nossos) Fica claro na parte dispositiva do acórdão que devem ser consideradas, tanto na receita operacional bruta quanto na receita de exportação, todas as receitas auferidas pela Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.529 12 empresa, ou seja, levandose em conta todas as filiais, bem como as receitas decorrentes de comercialização, industrialização ou prestação de serviços. A ementa está reflete claramente o posicionamento do relator: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CÁLCULO DOS VALORES DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos não industrializados pela empresa. Na parte da decisão do acórdão também podemos ver que se apresenta o mesmo posicionamento, coerente com o que consta no corpo do voto e na ementa: ...e IV) por unanimidade, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) reconhecer o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI no que se refere às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas; b) determinar a inclusão na receita de exportação, do valor correspondente às exportações de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador;[...] Pelos argumentos expostos entendo não haver a contradição apontada, e que a leitura conjugada do voto, ementa e disposição do acórdão, podese chegar a conclusão que esta refletida na Ata da Sessão de julgamento. Omissão quanto às saídas para a empresa comercial exportadora. Quanto ao terceiro e último argumento, a embargante traz aos autos: Notas Fiscais de exportação emitidas pelas empresas comerciais exportadoras; Comprovante de Exportação; Registros de Exportação e Memorandos de Exportação, para demonstrar que a exportação foi feita por empresas comerciais exportadoras para as quais ela realizou a venda de seus produtos, portanto ela teria direito ao crédito presumido de IPI. Entretanto, conforme explicado no voto do relator do acórdão, “a condição estabelecida no parágrafo único do art. 1º da Lei nº 9.363/96, no caso de exportação indireta, é que a venda do produto seja com o fim específico de exportação”. No voto fica claro que apesar dos documentos apresentados, eles não cumprem o requisito estipulado pela lei: Então, fazse necessário buscar o que o legislador entende como “com o fim específico de exportação”. A resposta é encontrada em dois dispositivos legais: no parágrafo único do art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 e no § 2º do art. 39, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, abaixo colacionados: Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 Art.1º [...] Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 11962.000886/200129 Acórdão n.º 3401004.003 S3C4T1 Fl. 1.530 13 a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997 [...] Art. 39. [...] § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Portanto, no caso de vendas para comercial exportadora, é indispensável para que as saídas sejam computadas como exportações para fins de crédito presumido do IPI, que as mercadorias sejam remetidas diretamente do estabelecimento do produtorvendedor para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, de forma a permitir o devido controle aduaneiro pela Secretaria da Receita Federal. Analisandose os documentos acostados aos autos, não identificamos nenhum elemento que poderia indicar que as mercadorias foram transportadas do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. Portanto, não cumprido o requisito exigido, cabe, na apuração do crédito presumido de IPI, a glosa das receitas referente às vendas à comercial exportadora.(grifos nossos) Deixo, portanto, de dar provimento a essa parte dos embargos por entender que não existe omissão no voto, pois as vendas para comercial exportadora foram analisadas e não foram aceitas por não cumprir os requisitos da lei. Pelas razões expostas rejeito os embargos de declaração apresentados. Mara Cristina Sifuentes Fl. 1539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902194/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA.
Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.665
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente I.J.G. SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 21 94 /2 01 1- 72 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10925.902194/201172 Acórdão n.º 3302004.665 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PERDCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não reconhecendo o direito creditório/não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição e compensação dos débitos informados no PerDcomp. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que a empresa se dedica ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, tendo verificado que estava tributando PIS e Cofins de produtos sujeitos à alíquota zero. Diante disso, constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses. Assevera que foram retificados os Dacon e feito um pedido de restituição do crédito referente ao pagamento do Darf e, posteriormente, feito um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição. Assim, o manifestante não pode ter a DCOMP indeferida sem que se analise o crédito que lhe deu origem como demonstra comprovante em anexo, tendo destacado que não se justifica a não homologação da compensação, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior. Ao final, requer seja homologada a compensação, cujo crédito está demonstrado em Dacon e objeto de pedido de restituição e, se assim não for decidido, que seja determinada a apreciação e julgamento do pedido de restituição mencionado, para que se confirme o crédito pleiteado na forma da legislação. O Acórdão a quo manteve o indeferimento do pleito, nos termos do Acórdão 02056.309. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados na primeira instância, e acrescenta que não apresentou a DCTF retificadora correspondente ao Dacon retificador, com débito reduzido, porque não sabia desta exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.659, de Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10925.902194/201172 Acórdão n.º 3302004.665 S3C3T2 Fl. 4 3 29 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.902188/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.659): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Segundo a decisão recorrida, os fatos ocorreram na seguinte sequência: Vêse que para a retificação do Dacon em 22/11/2007 não houve a correspondente retificação obrigatória da DCTF1. Em 04/10/2007 foi transmitido o PER pedindo restituição de R$ 608,37, antes mesmo de ser retificado o Dacon acima, restando sem análise. Em 17/10/2007, também antes de ser entregue o Dacon retificador, foi transmitida a Dcom indicando como valor original do crédito o mesmo valor de R$ 608,37. finalmente, em 05/07/2011 foi emitido o despacho decisório correspondente à PerdComp 29929.28859.171007.1.3.040235, constante na fl. 2 indicando a não homologação e consequente emissão de DARF para pagamento. 1 Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10925.902194/201172 Acórdão n.º 3302004.665 S3C3T2 Fl. 5 4 Na análise da matéria, inicialmente verificase que está correta a decisão a quo quando afirma que a Dcomp anula o Per anterior, pois evidentemente o mesmo crédito não pode ser restituído e compensado simultaneamente, pois constituiria dupla repetição de indébito. Evidenciase que o erro cometido pela recorrente ao deixar de apresentar a DCTF retificadora vinculada ao Dacon retificador prejudicou a análise tanto do seu pedido de restituição (Per) quanto da declaração de compensação (Dcomp), estranhamente transmitidos antes do Dacon retificador, uma vez que o débito anteriormente declarado na DCTF original não foi alterado e com isso ele absorveu todo valor do DARF, nada havendo a restituir ou a compensar. Nos autos não existe prova de que a Recorrente teria direito ao crédito pleiteado, pois a retificação do Dacon em si mesmo não produz efeito probatório, mormente quando desacompanhada da correspondente retificação da DCTF que levaria o fisco a intimar a declarante para comprovação. Pedido de reconhecimento de crédito realizado sem as formalidade acima exigem que a requerente desde o início carreie para os autos as provas das suas alegações. A simples menção à legislação que reduziu à zero a alíquota do PIS e da Cofins para determinados produtos não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DCTF, não retificada, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido. Assim sendo, por falta de provas sobre a existência de crédito líquido e certo, não há como se admitir a compensação pleiteada. Conclusão Isto posto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Recorrente não retificou a DCTF e nem trouxe aos autos escrituração e/ou documentos fiscais, não logrando comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000366/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 66 /2 00 9- 11 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 15956.000366/200911 Acórdão n.º 9202005.921 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 15956.000366/200911 Acórdão n.º 9202005.921 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 164DF CARF MF Processo nº 15956.000366/200911 Acórdão n.º 9202005.921 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15956.000366/200911 Acórdão n.º 9202005.921 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 15956.000366/200911 Acórdão n.º 9202005.921 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15956.000366/200911 Acórdão n.º 9202005.921 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15956.000366/200911 Acórdão n.º 9202005.921 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15956.000366/200911 Acórdão n.º 9202005.921 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15956.000366/200911 Acórdão n.º 9202005.921 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15956.000366/200911 Acórdão n.º 9202005.921 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 172DF CARF MF
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