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Numero do processo: 11516.000785/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 00 78 5/ 20 09 -7 3 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento – PER de créditos da contribuição ao PIS de incidência nãocumulativa apurados no mercado interno no segundo trimestre do anocalendário 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – DRF/FNS proferiu Despacho Decisório no qual indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em vista de que, apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86/2011 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001 passíveis de aproveitamento. Fundamenta a autoridade fiscal que as inconsistências nos arquivos digitais e nos arquivos do SINCO Notas Fiscais, principalmente em relação aos créditos e débitos relativos aos itens das notas fiscais, não permitiram a corroboração dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Inconformada com o indeferimento do pedido, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade na qual alega que: conforme despacho decisório houve somente alguns arquivos digitais apresentados com supostas inconsistências; em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins nº 15/2001 e seus anexos; os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; os arquivos digitais abriram de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados e respeitando os parâmetros do ADE nº 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontram atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; Fl. 659DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 4 3 o ADE nº 15/01 e a Instrução Normativa nº 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito está constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos. E conclui: Lembrese: todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador. Problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário com as seguintes alegações: a decisão de primeira instância possui grave contradição em suas próprias conclusões; a recorrente apresentou vários arquivos magnéticos em resposta às intimações efetuadas; Fl. 660DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 5 4 apenas alguns desses arquivos apresentaram pequenas inconsistências, em grande parte geradas por conflito entre os formatos dos arquivos; se apenas parte dos arquivos não pode ser verificada por apresentar inconsistências (geradas apenas por erros de leitura dos arquivos), seria indispensável a realização de diligência para verificar tais informações; somente em questões pontuais a fiscalização ficou em dúvida; é desproporcional e desarrazoado indeferir a totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitou dúvidas à fiscalização; a escrita fiscal da recorrente está e sempre esteve inteiramente à disposição da fiscalização, e possui todas as informações necessárias a comprovação do crédito requerido; quanto à suposta impossibilidade de análise dos arquivos magnéticos, por estes estarem supostamente em desacordo com a legislação, a decisão de primeira instância deixou de levar em consideração os ditames do próprio art. 65 da IN SRF 900/08; cumpriu rigorosamente o requisito formal estabelecido no art. 65 da IN SRF 900/08, uma vez que todos os arquivos digitais apresentados forma validados através do SVA, e demonstram de forma clara e precisa a origem do crédito requerido; o direito a crédito dos contribuintes, especificamente no caso dos tributos nãocumulativos, é garantido constitucionalmente e legalmente; junta ao presente recurso dois DVDS que contém todas as informações necessárias para a verificação do crédito, nas extensões específicas requeridas pela fiscalização; o indeferimento do Pedido de Restituição não é cabível quando o motivo é a não apresentação de documentos requeridos, ensejando apenas o arquivamento do pedido nos termos do art. 40 da Lei 9.784/99 e no art. 103 do Decreto 7.574/11; o arquivamento do Pedido de Ressarcimento até o cumprimento das exigências fiscais é medida que se impõe a Administração, por força de Lei. Colaciona jurisprudência administrativa. Por fim, requereu que o recurso fosse conhecido e provido para: a) reconhecer o crédito pleiteado no presente pedido de ressarcimento; b) seja determinada a realização de diligência para verificar a existência do crédito. Em complemento as razões do recurso voluntário, a recorrente apresentou petição com os seguintes argumentos: Fl. 661DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 6 5 os prazos constantes das intimações fiscais para a apresentação dos documentos não permitiram à empresa a conversão de todos os arquivos digitais que comprovam os créditos para o formato exigido pelo agente fiscalizador; a COREC determinou que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012; sendo norma procedimental que beneficia a empresa, deve ser aplicada retroativamente em respeito ao art. 106, II, “b” do CTN; consequentemente, os documentos magnéticos para a comprovação dos créditos poderiam ser apresentados em até 110 dias. Por último, requereu que fosse aplicado o ADE 3/2012 ao presente processo. É o relatório. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 7 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tenhase presente que após a Emenda Constitucional 42/2003 a não cumulatividade das contribuições PIS e Cofins foi assegurada constitucionalmente. As Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com as alterações posteriores, disciplinam o regime da nãocumulatividade das contribuições PIS e Cofins, respectivamente. Para o exercício da nãocumulatividade das contribuições essas leis asseguram ao sujeito passivo o direito de descontar créditos sobre custos e despesas enumerados nos respectivos atos legais citados. A Instrução Normativa RFB nº 900, de30 de dezembro de 2008, estabelecia: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) (grifouse) Posto, em tese, o direito do contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. Do exame dos autos administrativos, constatase que por diversas vezes a recorrente foi intimada a comprovar o seu direito creditório. Em atendimento às diversas Fl. 663DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 8 7 intimações apresentou uma série de arquivos magnéticos, conforme recibo de entrega de arquivos digitais. Por seu turno, a autoridade fiscal ao examinar os arquivos digitais identificou uma série de inconsistência e/ou formato incompatíveis com o ADE COFIS 15/2001. É fato que a recorrente sempre atendeu as intimações da autoridade fiscal, ainda que de forma deficiente, situação admitida em seu recurso voluntário. O indeferimento do pedido de ressarcimento com a justificativa de inconsistências nos arquivos digitais apresenta se desproporcional ao direito da contribuinte. Convém ressaltar que eventuais erros na apresentação dos arquivos digitais não são elementos suficientes para afastar o direito de ressarcimento/compensação previsto na lei de regência, pois o Estado não deve se enriquecer ilicitamente. A questão relevante é que a recorrente de forma sistemática procurou comprovar o seu direito creditório, inclusive a fiscalização admitiu que parte dos arquivos digitais estavam corretos. Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto da informação fiscal: “Na ocasião foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal, Solicitação de Documentos (fls. 305/306), tendo o interessado disponibilizado a maior parte dos documentos solicitados. (grifouse) Além do mais, apresentou novos arquivos digitais supostamente sem inconsistências, conforme consta em seu recurso voluntário. De sorte que não se compartilha com a tese de indeferimento do ressarcimento por eventuais inconsistências nos arquivos magnéticos, mormente quando ficou comprovado que a recorrente reiteradamente procurou solucionálas. Quanto ao argumento de que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012, não assiste razão à recorrente. Este ato Declaratório foi emitido para o atendimento de uma situação específica, qual seja, o atendimento de intimações eletrônicas. Assim, este dispositivo legal não produz quaisquer efeitos em relação às intimações das autoridades fiscais, não eletrônicas. Ademais, não se trata de norma procedimental, pois alcança um universo específico de contribuintes, logo não se aplica o princípio da retroatividade benigna disposto no art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional. Destarte, na solução deste litígio adotase como prazo para a apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por parte da recorrente o disposto no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 (DOU de 23/10/2001, pág. 18), in verbis: Art. 2o As pessoas jurídicas especificadas no art. 1o, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras.(grifouse) Fl. 664DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 9 8 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que esse litígio administrativo tem como objeto principal o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar os créditos da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 665DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000181/2010-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
GFIP. AUTUAÇÃO POR COMPETÊNCIA
A lei estabelece a obrigatoriedade da entrega mensal da declaração. A cada declaração não entregue ou entregue com omissões corresponde uma multa.
Numero da decisão: 2403-001.802
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. GFIP. AUTUAÇÃO POR COMPETÊNCIA A lei estabelece a obrigatoriedade da entrega mensal da declaração. A cada declaração não entregue ou entregue com omissões corresponde uma multa. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 81 /2 01 0- 96 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000181/201096 Acórdão n.º 2403001.802 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1240.316 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.254.0449 CFL 68) lavrado em 09/06/2010 contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 155.186,90. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 32/44): 2.1. Do confronto entre os valores informados em GFIP e os constantes em folha de pagamento, rescisões de contrato de trabalho e recibos de férias corroborados com a contabilidade da empresa, foram verificadas omissões de fatos geradores nas GFIPs do período de 01/2006 a 12/2006, referentes aos segurados empregados e contribuintes individuais, discriminados em planilhas, Anexos I a IV (fls. 104/454 do Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.254.0414); 2.2. Face ao reenvio dos documentos declaratórios, a partir da versão 8.0, não foi observado pela impugnante a correta sistemática de retificação de dados prevista no Manual GFIP/SEFIP, pelo que a omissão em relação aos segurados empregados foi parcial. 2.3. Tal conduta constituiu infração ao artigo 32, inciso IV e § 5°, da Lei n° 8.212/1991 combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999; 2.4. A multa aplicada foi apurada, em cada competência, respeitandose o disposto nos artigos 32, § 5°, da Lei n° 8.212/1991, c/c 284, II e 373, do RPS, demonstrandose ainda por meio de comparativos a multa mais benéfica — Anexos IV e VII, fls. 163 e 165, do Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.254.0414. 3. Segundo ainda o citado relatório restou configurada a circunstância agravante da penalidade, prevista no artigo 290, V, do RPS, porém a ocorrência de agravantes, na presente autuação, não produz efeitos no valor da multa. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Apresentou toda documentação requerida. · O Auto de Infração foi entregue sem a planilha demonstrativa dos cálculos e valores. Cerceamento de defesa. · Pela análise do Relatório Fiscal, o suposto descumprimento da obrigação acessória teria se dado não pela ausência de informação pela contribuinte, mas sim por mero erro sistêmico de retificação. · A infração descrita na autuação é sucessiva (01/2006 a 13/2006), tratase de infração continuada e devese aplicar a pena de uma só infração. · O suposto não recebimento da GFIP 13/2006 não pode ter outra razão senão erro sistêmico da Previdência, haja vista que a mesma foi regularmente apresentada. É o relatório Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000181/201096 Acórdão n.º 2403001.802 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A autuação decorreu de a empresa ter omitido fatos geradores nas GFIP. No lançamento consta a descrição sumária da infração, dispositivo legal infringido, dispositivo legal da multa aplicada, dispositivos legais da gradação da multa aplicada, o valor da multa e relação dos relatórios integrantes da autuação. DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lel n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: R$ 155.186,90 CENTO E CINQÜENTA E CINCO MIL E CENTO E OITENTA E SEIS REAIS E NOVENTA CENTAVOS.***** RELATÓRIOS INTEGRANTES DESTA AUTUAÇÃO: IPC instruções para o Contribuinte Fl. 138DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 VINCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa O Relatório Fiscal destaca que, em relação aos segurados empregados, o erro cometido pela empresa quando da retificação das declarações. Pela nova sistemática declaração retificadora substitui integralmente a declaração anterior. 8. DOS FATOS Dos segurados empregados A partir da análise das Folhas de Pagamento, das Rescisões de Contrato de Trabalho e dos Recibos de Férias corroboradas com a contabilidade apurouse as verbas remuneratórias dos segurados empregados que foram consideradas pelo sujeito passivo como base de calculo para fins de previdência, ou seja, sobre as quais incidem as contribuições sociais para fins de custeio da Seguridade Social. Vale acrescentar que nem todas as remunerações presentes em Folhas de Pagamento foram declaradas em GFIP, de acordo com as telas do nosso sistema que se encontram no Anexo XVI. Deve ser registrado que em relação aos segurados empregados esta omissão de forma parcial, decorreu do fato de a empresa ter reenviado estes documentos declaratórios em versão a partir da 8.0, e não atentou para a correta sistemática de retificação de dados prevista no Manual GFIP/SEFIP, segundo a qual, os dados da nova GFIP/SEFIP substituirão as informações contidas no seu cadastro independentemente do código de recolhimento e do FPAS. No Anexo I consta as remunerações dos segurados empregados que foram omitidas em GFIP e no Anexo III as contribuições que foram descontadas, porém não declaradas em GFIP. Dos contribuintes individuais Ao analisarmos o Livro Diário nº 45 e 46, observou a existência de pagamentos feitos a pessos físicas sem vínculos empregatícios nas contas 4113050300 (OUTROS) e 4113061300 Anexo XIV. Desta forma foram solicitados os Recibos de Pagamento a Autônomos (RPA's) por intermédio dos TIF's emitidos em 02/02/2010, 19/02/2010 e 23/03/2010, os quais foram apresentados em época própria e que se encontram no Anexo XV. A partir de 04/2003, de acordo com o art. 4, caput, c/c com o art. 15, caput, ambos da Lei 10.666/03, transcritos a seguir, o sujeito passivo passou a ter a obrigatoriedade de arrecadar as contribuições dos contribuintes individuais e descontálas das suas respectivas remunerações, limitados ao limite máximo do salário de contribuição, repassando estes valores à previdência Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000181/201096 Acórdão n.º 2403001.802 S2C4T3 Fl. 5 7 social. A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga a estes segurados (§ de onze por cento, conforme disposto no §26 do art. 216 do Decreto 3.048/99. Ao verificarmos os lançamentos contábeis juntamente com os respectivos RPA's constatouse que o sujeito passivo realizou o desconto dos 11% das remunerações pagas somente a ROBERTO BRANDÃO DO AMARAL e a IVANOR IRINEU FERRONATTO. Sendo assim, foi solicitada a comprovação da retenção dos 11% em relação aos demais contribuintes individuais, por intermédio do TIF emitido em 23/03/2010. Diante da inércia do contribuinte concluímos pelo não desconto dos 11% das remunerações pagas aos demais contribuintes individuais. Tal descumprimento de obrigação acessória ensejou na lavratura do Al 37.275.4341. Deve ser mencionado que somente o contador ROBERTO BRANDÃO DO AMARAL foi declarado em GFIP nas competências 01/2006 a 03/2006. O Anexo II apresenta as remunerações dos contribuintes individuais que foram omitidas em GFIP e o Anexo IV os respectivos descontos dos 11%. Quanto à alegação que houve cerceamento de defesa por o Auto de Infração ter sido entregue sem a planilha demonstrativa dos cálculos e valores, entendo que tal alegação não procede. Além da apresentação do dispositivo legal da multa aplicada, dispositivos legais da gradação da multa aplicada e do o valor da multa, já citados acima, consta do lançamento, no Relatório Fiscal da Infração, descrição do cálculo da multa, conforme abaixo: DO CALCULO DA MULTA De acordo com o §52 do Art. 32 da lei 8.212/91, a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator a pena administrativa correspondente à multa de 100 % (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitadas aos valores previstos no § 42 do referido Art. 32. — Limite estabelecido pelo §42 do Art. 32 da lei 8.212/91. Consoante o §4º do Art. 32 da lei 8.212/91,0 valor mínimo da multa seria de R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos), valor este já atualizado pela Portaria MPS/MF N12 350, de 30 de dezembro de 2009 DOU de 31/12/2009, artigo 8, V). De acordo com as informações prestadas pelo contribuinte nas folhas de pagamento e na escrituração contábil, o número de segurados a serviço, nas competências 01/2006 a 12/2006, foi Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 superior a 101 e inferior a 500, o que implica, na determinação do valor da multa, a aplicação de um multiplicador da ordem de 10 vezes o valor mínimo, no período consignado, de forma que o limite superior da multa, nessas competências será de R$ 14.107,90. Deve ser registrado que para este calculo levase em consideração todos os segurados, ou seja, tanto empregados quanto contribuintes individuais que prestaram serviços. — Do cálculo das contribuições sociais não declaradas em GFIP. Os valores não declarados em GFIP foram apurados a partir das folhas de pagamento e da escrituração contábil do contribuinte confrontandoos com as GFIP's entregues. 0 Anexo V e VI apresenta os valores totais das remunerações pagas por competências que não foram declaradas na GFIP, além das contribuições dos segurados que foram ou deveriam ter sido descontadas em época própria. — Memória de calculo da multa aplicável. 0 Anexo VII apresenta o montante total das contribuições sociais que não foram informadas em GFIP (CONTRIBUIÇÃO TOTAL), apuradas na forma acima delineada, nas respectivas competências (COMPETÊNCIA); o limite imposto pelo Art. 32 § 4 2 da lei 8.212/91 (MULTA LIMITE); bem como o valor efetivo da multa pecuniária aplicada em cada competência (MULTA APLICADA). Nesse contexto, o valor da multa aplicada alcança o montante total de R$ 155.186,90 (canto e cinqüenta e cinco mil cento e oitenta e seis reais e noventa centavos), não esquecendo de lembrar que para a competência 07/2006 foi aplicada a multa de ofício de 75% e não o Al CFL 68. CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000181/201096 Acórdão n.º 2403001.802 S2C4T3 Fl. 6 9 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. GFIP COMPETÊNCIA 13/2006 As alegações relativas à competência 13/2006 não serão apreciadas tendo em vista que a falta da entrega é objeto do Processo 12897.000182/201031. INFRAÇÃO CONTINUADA A Recorrente defende a tese que a infração descrita na autuação é sucessiva (01/2006 a 13/2006), que tratase de infração continuada e que devese aplicar a pena de uma só infração. Não concordo com a tese apresentada. A obrigação estabelecida em lei (Lei 8.212/91) é de informar mensalmente, isto é, a cada competência uma declaração. A multa estabelecida no parágrafo 4º do artigo 32 se refere à declaração mensal, isto é, para cada declaração com omissão de fatos geradores, uma multa. Art. 32. A empresa é também obrigada a: . IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS.(Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo:(Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Entendo correta a aplicação de multa por competência. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000181/201096 Acórdão n.º 2403001.802 S2C4T3 Fl. 7 11 CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e que prevaleça a mais benéfica à contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10730.720163/2010-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
AÇÃO JUDICIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO.
O prazo para os contribuintes recolherem o tributo objeto de ação judicial desfavorável é de trinta dias e começa a fluir a partir da decisão final proferida na ação, ainda que em virtude da interposição de embargos de declaração recepcionados pelo tribunal com os efeitos suspensivos.
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Comprovado nos autos que a recorrente faz jus ao valor do IRRF recolhido a destempo, computa-se o valor original, sem os juros moratórios, no saldo negativo de IRPJ relativo ao período de apuração.
Numero da decisão: 1801-001.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO. O prazo para os contribuintes recolherem o tributo objeto de ação judicial desfavorável é de trinta dias e começa a fluir a partir da decisão final proferida na ação, ainda que em virtude da interposição de embargos de declaração recepcionados pelo tribunal com os efeitos suspensivos. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovado nos autos que a recorrente faz jus ao valor do IRRF recolhido a destempo, computase o valor original, sem os juros moratórios, no saldo negativo de IRPJ relativo ao período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 01 63 /2 01 0- 00 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1236.240/11 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, fls. 520 a 523, que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologar, em parte, a pertinente compensação deste crédito com débito tributário, formalizado no Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) de fls. 01 a 06. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Versa este processo sobre DCOMP. Através do Despacho Decisório Parecer Seort/DRF/Niterói n° 3.210/2010 (fls. 470/474), foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$1.013.886,13, advindo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, acrescido de juros Selic a partir de maio de 2006, e, em consequência, foi homologada parcialmente a compensação efetuada por meio da DCOMP 35333.55931.020606.1.3.040886 e determinada a imediata cobrança do débito indevidamente compensado relacionado. No Parecer Seort, temse, em síntese, que: · o interessado estava obrigado a recolher o IRRF em função da decisão judicial de fls. 105/114, publicada em 06/09/2005, que deu provimento ao recurso da União, não havendo, por conseguinte, pagamento indevido; · para se beneficiar da exclusão da multa de mora (§ 2o, do art. 63, da Lei n° 9.430/1996), o pagamento deveria ter sido efetuado até 07/10/2005, conforme manifestação da PSFN/NIT; · de acordo como Parecer Normativo SRF n° 1, de 24/09/2002, tratandose de rendimento sujeito a antecipação, considerase vencido o imposto na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado (31/12/2004); · "em 04 de abril de 2006, data do recolhimento de fl. 60, para quitar o IRRF, código 5273, no valor originário de R$ 1.179.337,52, o contribuinte deveria ter recolhido um valor consolidado de R$1.681.263,57, incluída a multa de mora efetivamente devida no valor de R$235.867,50, e os juros de mora de R$266.058,55"; · como não houve a inclusão da multa, cabe imputação proporcional do pagamento (como demonstra); · o valor recolhido a título de IRRF compõe o saldo negativo do ano calendário de 2004, posto que os esclarecimentos e documentos anexados "comprovam que os rendimentos auferidos nas operações de swap foram devidamente contabilizados e submetidos à tributação na DIPJ"; · "como regra geral, o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ está disponível a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente", entretanto, como o pagamento ocorreu somente em 04/04/2006, a regra geral não pode ser aplicada; Fl. 597DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.720163/201000 Acórdão n.º 1801001.290 S1TE01 Fl. 3 3 · no caso, o crédito estará disponível a partir do evento em que seu direito se constituiu, ou seja, a partir do mês subsequente ao do pagamento (maio de 2006). O interessado, cientificado em 25/10/2010 (fl. 476), apresentou, em 24/11/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 479/502. Nesta peça, alega, em síntese, que: · no dia 04/04/2006, no prazo de 30 dias contados da publicação do acórdão que negou provimento aos seus embargos de declaração, recolheu o imposto de renda não retido pela fonte pagadora por força de liminar e sentença judicial, no total de R$1.445.396,06, como atesta o darf acostado à fl. 60; · encerrado o ano calendário de 2004, materializado estava o fato gerador do IRPJ, donde, a partir de então, nunca poderia ser exigido o IRRF; · quando percebeu que o aludido recolhimento foi indevido, apresentou DCOMP; · a Receita Federal, escorada na opinião da PSFN/NIT, concluiu que era devida a multa de mora e efetuou imputação proporcional do darf pago; · não cabe a exigência de multa de mora, por terem os embargos de declaração sido recebidos no duplo efeito, conforme jurisprudência; · como o IRRF não foi retido pela fonte pagadora, não há como compor o saldo negativo; · jamais alegou que os rendimentos auferidos em operações de swap não deviam ser computados no lucro real e não os excluiu da determinação deste, conforme reconhecido de modo inconteste no Despacho Decisório; · em março de 2006, não devia imposto de renda algum, de modo que o recolhimento configurou pagamento indevido; · ainda que se tratasse de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao valor do principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2005, nos termos do inciso IV, do § 1o, do art. 72, da IN RFB n° 900/2008. É o relatório. Como visto no Relatório, através do Despacho Decisório Parecer Seort/DRF/Niterói n° 3.210/2010 (fls. 470/474), foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$1.013.886,13. O crédito alegado tem origem no darf (fl. 60) recolhido em 04/04/2006, no valor total de R$1.445.396,06. O recolhimento foi devido, uma vez que a decisão no mandado de segurança impetrado pelo interessado lhe foi desfavorável. Assim, não cabe restituição do valor total do darf (IRRF, multa e juros) apenas o valor do principal (IRRF) pode vir a ser restituído, posto que pode compor o saldo negativo do IRPJ (ainda que o Fl. 598DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 recolhimento tenha sido efetuado pelo próprio interessado, em decorrência de responsabilidade tributária em face de não retenção pela fonte pagadora por força de decisão judicial), desde que comprovada a tributação dos rendimentos (fato inconteste). O Seort apontou que, para se beneficiar da exclusão da multa de mora (§ 2o, do art. 63, da Lei n° 9.430/1996), o pagamento deveria ter sido efetuado até 07/10/2005, conforme manifestação da Procuradoria Secional da Fazenda Nacional em Niterói. A Procuradoria da Fazenda Nacional, na forma de seu Regimento Interno, tem por finalidade, entre outras, fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos, a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação (salvo seja houver orientação normativa do AdvogadoGeral da União); entre as suas áreas de atuação, encontrase o desempenho das atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e entidades a este vinculadas. Assim, o entendimento da PSFN/NIT deve ser acatado, prevalecendo a imputação efetuada pelo Seort. A jurisprudência não tem força vinculante. No entanto, assiste razão ao interessado quando alega que, tratandose de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao valor do principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2005, nos termos do inciso IV, do § Io, do art. 72, da IN RFB n° 900/2008. O fato de o pagamento ter ocorrido somente em 04/04/2006 não faz com que não se aplique a regra relativa a crédito de saldo negativo de IRPJ. Não pode se entender que o pagamento é devido e se aplicar a regra de pagamento indevido, como pretende o Seort. Pelo fato de o pagamento somente ter ocorrido em 04/04/2006, houve o recolhimento de juros de mora no valor R$266.058,54 (valor que coincide com o apontado pelo Seort como devido). O Despacho Decisório Parecer Conclusivo deve, então, ser reformado, mantendo se o direito creditório reconhecido pela DRF no valor de R$1.013.886,13, advindo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, que, no entanto, deverá ser acrescido de juros Selic a partir de janeiro de 2005.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 08/04/11fls 525; Recurso – 09/05/11 fls. 526) o Recurso de fls. 525 a 551, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) a multa de mora não é devida em razão dos efeitos suspensivo e devolutivo que os embargos de declaração interpostos pela recorrente no litígio judicial com a Administração Tributária foram expressamente recebidos pelo Tribunal Regional Federal (TRF); a data a ser considerada para a eventual exigência da multa moratória é trinta dias após a data da publicação do Acórdão que denegou provimento aos embargos, ou seja, 06/03/2006 mais trinta dias; o recolhimento do IRRF – swap ocorreu em 04/04/2006, portanto dentro do trintídio afastada a multa moratória; b) esclarece que o presente litígio não versa sobre exigência de IRPJ sobre os rendimentos auferidos que ensejaram o IRRF, uma vez que todos os rendimentos respectivos foram devidamente contabilizados e oferecidos à tributação ao final do período; c) aduz que pela excepcionalidade da conduta ora observada (recolhimento de IRRF pela própria recorrente) e por causa das travas do sistema em aceitar que este valor (IRRF devido pela própria recorrente) seja computado no saldo negativo de IRPJ, o Parecer Fl. 599DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.720163/201000 Acórdão n.º 1801001.290 S1TE01 Fl. 4 5 Normativo Cosit (PN Cosit) invocado no acórdão recorrido não pode ser aplicado. A letra “a” do item 19 do PN Cosit nº 01/2002 referese a recolhimento de IRPJ e não a IRRF. Conclui que o recolhimento por sua parte do IRRF não era sequer devido, sendo incabível a exigência da multa moratória. Cita jurisprudência que entende lhe socorrer. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Luís Felipe Krieger M. Bueno, OAB/RJ nº 117.908. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. O cerne do litígio está em decidir se o recolhimento efetuado pela recorrente de IRRF – swap, objeto de litígio judicial já transitado em julgado, deve ou não ser acrescido da multa moratória, que a autoridade tributária impôs ao deferir parcialmente o pedido de restituição/compensação efetuado pela recorrente. Aproveita ainda a recorrente e requer que os juros sejam considerados a partir dos pagamentos realizados. A recorrente traz várias argumentações para convencer da inadmissibilidade da exigência, focando principalmente na data em que a demanda judicial se deu por encerrada definitivamente, após os embargos de declaração por ela interpostos não serem admitidos no Tribunal em questão. Em contra posição, a Administração Tributária defende o cabimento da aplicação da multa moratória por defender que a recorrente ultrapassou o prazo de trinta dias para recolher o principal e juros, contado o prazo após o acórdão desfavorável a sua causa ter sido proferido anteriormente aos embargos interpostos. Para o fisco a data a ser considerada é 07/10/2005, visto a publicação ter ocorrido em 06/09/05, enquanto a recorrente requer a data da publicação do último acórdão judicial, em 06/03/06, para ser considerada como termo a quo. O recolhimento do tributo realizouse em 04/04/06. A demanda, pois, remete aos efeitos dos embargos de declaração e seu alcance, reiterando a recorrente que o Tribunal recebeuos nos efeitos devolutivos e suspensivos e, por conseguinte, sendo a data da publicação deste último recurso processual o termo a quo para a contagem do trintídio. Dispõe o parágrafo 2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] Fl. 600DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. O Parecer Normativo SRF nº 01, de 24 de setembro de 2002, ao cuidar da matéria, prescreve: 19.1. A multa de mora fica interrompida desde a concessão da medida judicial até o trigésimo dia de sua cassação, nos termos do § 2º do art. 63 Lei nº 9.430, de 1996: [...] 19.2. No caso de pagamento após o prazo referido no subitem anterior, a contagem da multa de mora será reiniciada a partir do trigésimo primeiro dia, considerando, inclusive e se for o caso, o período entre o vencimento originário da obrigação e a data de concessão da medida judicial. As normas são claras quanto ao prazo, mas a questão ora proposta foge à mera leitura destas, pois o que devese investigar é se os embargos de declaração propostos pela recorrente na demanda judicial impediram, como prefere a melhor doutrina processual civil, que a sentença proferida na Apelação proposta pela Fazenda Nacional, cuja sentença foi lhe favorável, produzisse qualquer efeito. A matéria é instigante e objeto de diversas discussões doutrinárias em virtude do silêncio do CPC sobre os efeitos dos embargos declaratórios.. A orientação pesquisada é que os embargos de declaração por não terem o condão de modificar o resultado da decisão de mérito, em regra, devem seguir os efeitos do recurso que sucedem. A regra comporta exceções, todavia, pois há obscuridades, contradições ou omissões que impedem o cumprimento da decisão prolatada, o que não se verifica no caso. Os magistrados também tem liberdade para deferir ou não pedido das partes para que a este recurso seja atribuído o efeito suspensivo. No ensino da processualista Teresa Arruda Alvim Wambler1, que adoto: Por tudo o quanto se disse, parece que o efeito suspensivo dos embargos de declaração devem decorrer de uma única circunstância que é o pedido expresso formulado pela parte fundada na impossibilidade real de que a decisão seja cumprida ou na probabilidade de integral alteração da decisão em virtude do acolhimento dos embargos. Não se deve entender, em nosso sentir, que a interposição dos embargos de declaração, por si só, geraria a cessação dos efeitos da decisão. Na verdade, a interposição dos embargos não altera a situação criada pelo recurso principal, que é cabível no caso concreto. No caso de se tratar de decisão agravável, que, portanto, produz efeitos imediatos, em face da perspectiva, por exemplo, de não poder cumprir a decisão impugnada, deve o próprio embargante formular pedido de que ao seu recurso seja atribuído efeito suspensivo. E, por certo – até mesmo para que haja utilidade no pedido de suspensão dos efeitos formulado – deferido o pedido, os efeitos deste deferimento reportarseão ao momento da interposição dos embargos de declaração. 1 WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Os embargos de declaração têm mesmo efeito suspensivo? Panóptica, Vitória, ano 1. n. 7, mar. – abr., 2007, p. 7083. Disponível em: <http://www.panoptica.org>. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.720163/201000 Acórdão n.º 1801001.290 S1TE01 Fl. 5 7 A razão em virtude da qual nos parece que se deve entender que de regra os embargos de declaração não têm efeito suspensivo está ligada à urgência que, de regra, as decisões submetidas a recurso sem efeito suspensivo supõem. Ou seja, por detrás das sentenças que estão sujeitas a apelação sem efeito suspensivo e das liminares, que são, por assim dizer, as interlocutórias mais relevantes, há urgência. [...] Nada obsta, no sistema, que com a interposição dos embargos de declaração realmente fiquem suspensos os efeitos da decisão. Nada impede, tampouco, que a decisão produza de imediato seus efeitos. [...] Flávio Cheim Jorge, em excelente obra2 sublinha que, embora os embargos de declaração devam ser considerados um recurso, já que como tais foram incluídos no rol do art. 496 do Código de Processo Civil que permitem o reexame da matéria impugnada pelo Poder Judiciário, são remédio voluntário, impedem a coisa julgada etc, devem também ser vistos como um recurso peculiar, já que não visam a anular ou reformar a decisão recorrida. [...] Diz com acerto que, por isso, não se deve simplesmente afirmar que os embargos têm, ou que não têm, efeito suspensivo. Os embargos de declaração são interponíveis de todos os tipos de pronunciamentos judiciais, portanto, de pronunciamentos que ensejam também a interposição de outro recurso. Por isso é que se deve levar em conta, segundo citado autor, o recurso cabível (próprio) contra a decisão que se quer impugnar, num primeiro momento, por meio dos embargos de declaração. Assim, os embargos de declaração não teriam o condão de alterar a situação criada pelo recurso próprio: se se trata de hipótese em que os efeitos da decisão não se estão produzindo, porque esta está sujeita a recurso COM efeito suspensivo, estes não se produzirão; se já há efeitos no mundo empírico porque se trata,v.g., de uma liminar (impugnável por agravo) não é a interposição dos embargos de declaração que fará com que estes cessem. Concordamos integralmente com o autor, mas pensamos, também, que mesmo nos casos em que a decisão normalmente produziria efeitos, NADA OBSTA que a parte PLEITEIE O EFEITO SUSPENSIVO, nos casos antes mencionados e nos demais, que venham a ocorrer no plano empírico, já que a riqueza do mundo real suplanta infinitamente a imaginação do legislador e da doutrina. (grifos pertencem ao original) Em face à doutrina esposada, verificase nos autos, às fls. 137 a 146, que a recorrente nos embargos de declaração opostos contra a ação de Mandado de Segurança (AMS) nº 2000.02.01.0237170 requereu, de fato, o efeito suspensivo para os embargos: Tratase de embargos de declaração opostos por Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro CERJ, às fls. 312/326, contra a decisão de fls. 296/303 que deu provimento ao recurso para denegar a segurança Sustenta a embargante, em seu recurso, que a decisão embargada é obscura, contraditória e omissa em relação à afronta a dispositivos legais e 2 Teoria Geral dos Recursos Cíveis, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2003, item 11.6.2.4,p. 295 e ss. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 constitucionais., Requer, também, o recebimento dos embargos no efeito suspensivo, a manifestação expressa quanto ao início da contagem do prazo previsto no § 2o, do artigo 63 da lei 9,430/96 e a expedição de ofício à Delegacia da Secretaria da Receita Federal de Niterói, determinando a suspensão da prática de qualquer ato de cobrança dos créditos objeto deste Mandado de Segurança, até decisão final dos embargos de declaração opostos,” (grifos não pertencem ao original) Depreendese da ementa do acórdão, que o efeito suspensivo foi concedido pelo Tribunal, embora os embargos de declaração não tenham sido providos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. .OPERAÇÕES DE SWAP PARA FINS DE HEDGE. TRIBUTAÇÃO; CONSTITUCIONALIDADE. PREQUESTIO NAMENTO. RECURSO ESPECIAL E RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI 9.430/96, ARTIGO 63 § 2o. INÍCIO DO PRAZO. RECURSO RECEBIDO NO DUPLO EFEITO. EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO Â RECEITA FEDERAL. NÃO CABI MENTO. 1. A questão acerca do momento em que começará a fluir o prazo previsto no § 2° do artigo 63 da Lei 9.430/96, bem como a expedição de ofício à Receita Federal, não são objetos do processo, razão pela qual não serão analisados nos embargos opostos. 2. O acórdão enfrentou a questão referente à tributação nas operações de swap para fins de hedge de forma clara, inexistindo obscuridade. 3. Para fins de prequestionamento, basta que a questão tenha sido debatida e enfrentada no corpo do acórdão, sendo desnecessária a indicação de dispositivo legal ou constitucional. 4. Embargos de declaração conhecidos e improvidos. (grifos não pertencem ao original) A recorrente comprova às fls. 143 que a publicação do retro citado acórdão ocorreu em 06 de março de 2006. No que respeita aos juros, cabe esclarecer que na Per/Dcomp preenchida pela própria recorrente, fls. 01 a 06, assim foi pleiteado o crédito ora em discussão: 1.179.337,52 – principal – IRRF 266.058,35 – juros 1.445.396,06 – Total Vencimento e período de apuração : 31/12/2004 Estes valores e dados foram os que efetivamente constaram no DARF objeto do pedido de restituição – fls. 60. Esclareço que o valor recolhido a título de IRRF referese a vários períodos semanais à medida que os rendimentos respectivos foram sendo contabilizados pela recorrente – fls. 469 a 471 e o cálculo dos juros, considerando o período de apuração de 31/12/2004 foram calculados separadamente, perfazendo o valor de R$ 266.058,35. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.720163/201000 Acórdão n.º 1801001.290 S1TE01 Fl. 6 9 Os juros SELIC solicitados em razão da emissão da Per/Dcomp foi calculado pela recorrente em 2,28%. A data de vencimento do IRRF recolhido pela recorrente, 31/12/2004, foi fixada pela alínea ‘a’ do item 19 do PN SRF nº 01/02. No despacho denegatório do pedido integral da recorrente, a autoridade a quo concordou com o valor requerido pela recorrente a título dos juros. Às fls. 473 a autoridade esclarece: “[...] Face ao exposto, em 04 de abril de 2006, data do recolhimento de fl. 60, para quitar o IRRF, código 5273, no valor originário de R$ 1.179.337,52, o contribuinte deveria ter recolhido um valor consolidado de R$ 1.681.263,57, incluída a multa de mora efetivamente devida no valor de R$ 235.867,50, e os juros de mora de R$ 266.058,55. Efetuada a necessária imputação proporcional, verificase que o contribuinte por intermédio do pagamento de fl. 60, amortizou apenas R$ 1.013.886,13 dos valores do IRRF, código 5273, devidos como antecipação do IRPJ relativo ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, conforme comprovam o demonstrativo de fls. 440/444 e a planilha a seguir exposta: [...]” Da referida imputação, a autoridade a quo concluiu que: “É importante esclarecer que somente configura antecipação do IRPJ devido ao final do anocalendário o valor originário (principal) efetivamente recolhido a título de IRRF (código 5273). Isto porque não cabe a repetição dos acréscimos legais (multa de mora e juros de mora) devidamente previstos no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, que permanecem exigíveis como reparação pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária.” Pelo ora exposto depreendese claramente que a redução do indébito tributário requerido originalmente pela requerente ocorreu em razão da imputação dos valores pagos (juros e principal) até solver o valor que aquela autoridade entendeu que era devida em decorrência da exigência da multa de mora que neste decisório foi exonerada consoante discorrido no tópico acima. A turma de primeira instância de julgamento esclareceu no votocondutor, a respeito dos juros: “No entanto, assiste razão ao interessado quando alega que, tratandose de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2005, nos termos do inciso IV, do § art. 72, da IN RFB nº 900/2008. O fato de o pagamento somente ter ocorrido em 04/04/2006 não faz com que não se aplique a regra relativa a crédito de saldo negativo de IRPJ. [...] Fl. 604DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 O Despacho Decisório – Parecer Conclusivo deve, então, ser reformado, mantendo se o direito creditório reconhecido pela DRF no valor de R$ 1.013.886,13, advindo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, que, no entanto, deverá ser acrescido de juros Selic a partir de janeiro de 2005.” Concluindo, a recorrente não pode após apresentar a Per/Dcomp modificar o pedido quanto ao valor dos juros ou a data de vencimento do IRRF. E a tese esposada no acórdão de primeira instância é correta. A data a ser considerada é efetivamente a data de 31/12/2004, e não a data de cada recolhimento efetuado, pois tanto os rendimentos quanto os impostos retidos vão para o ajuste e compõem o saldo a ser apurado de IRPJ ao final do período, no caso anual. Em vista dos fatos expostos, acolho o pedido da recorrente em exonerála da multa de mora pois o tributo foi recolhido aos cofres públicos em 04/ de abril de 2006, respeitado o prazo legal determinado na legislação tributária. Voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 605DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.006009/2005-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE
A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a
lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação
cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro,
"Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IMPERIOSA NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS TITULARES DA CONTA DE DEPÓSITO. INVIABILIDADE DE IMPOR O ÔNUS DOS ESCLARECIMENTOS DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A INVENTARIANTES, HERDEIROS OU SUCESSORES.
É firme a jurisprudência administrativa que não acata a imputação da presunção de omissão de depósitos bancários de origem não comprovada quando não há a intimação ao efetivo titular da conta de depósito, como exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois parece claro que o ônus do esclarecimento da origem dos depósitos bancários não pode ser imputado a terceiros, mesmo no caso de herdeiros ou sucessores, já que é uma prova sequer trivial a ser feita pelo próprio titular, que não tem, como regra, escrituração comercial.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IMPERIOSA NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS TITULARES DA CONTA DE DEPÓSITO. INVIABILIDADE DE IMPOR O ÔNUS DOS ESCLARECIMENTOS DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A INVENTARIANTES, HERDEIROS OU SUCESSORES. É firme a jurisprudência administrativa que não acata a imputação da presunção de omissão de depósitos bancários de origem não comprovada quando não há a intimação ao efetivo titular da conta de depósito, como exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois parece claro que o ônus do esclarecimento da origem dos depósitos bancários não pode ser imputado a terceiros, mesmo no caso de herdeiros ou sucessores, já que é uma prova sequer trivial a ser feita pelo próprio titular, que não tem, como regra, escrituração comercial. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte PIERRE JOSEF PFULG (RESPONSÁVEL/HERDEIRO), CPF/MF nº 024.368.77882, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 01/12/2005, auto de infração (fls. 2 e seguintes), com ciência postal em 09/12/2005 (fl. 70), com ação fiscal iniciada em 20/09/2005. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.006009/200528 Acórdão n.º 2102002.225 S2C1T2 Fl. 2 3 IMPOSTO R$ 24.273,99 MULTA DE OFÍCIO R$ 2.427,39 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos recebidos do exterior por seu genitor em 20/06/2000, Sr. Josef Pfulg, falecido em 21/01/2001 (fl. 30), em decorrência do encerramento do inventário do de cujus e de o autuado figurar como herdeiro necessário. Igual imputação foi feita à irmã do autuado, que figurou como inventariante do espólio. Compulsando os autos, vêse que a imputação acima decorreu de uma transação financeira ocorrida no exterior, através da instituição bancária MTB Hudson Bank, com valor debitado nesta instituição e creditado em prol do Sr. Josef Pfulg no Banque Cantonale Zougoise Zug Switzerland, no montante de USD 103.100,00. A descrição dessa transação se encontra no resumo de fl. 22. Indo mais além, apesar da descrição da infração como omissão de rendimentos recebidos do exterior, vêse que a autoridade fiscal se socorreu da presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (fls. 4 e 12). A filha inventariante foi intimada a comprovar a origem do depósito bancário (fl. 28), quando asseverou que não tinha conhecimento de qualquer remessa de divisas efetuada por seu falecido pai, ou por conta dele, como, igualmente, ignorava a existência de conta bancária no exterior em nome dele (fl. 39). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O julgamento foi convertido em diligência, para juntada da documentação judicial que permitiu o fisco assenhorearse das informações bancárias do contribuinte, dentro da notória operação Banestado/Bacon Hill, o que foi feito pela fiscalização, com abertura de prazo para razões adicionais em prol do autuado. Notificado o contribuinte do teor da documentação acima, aduziu os seguintes argumentos (fls. 131 e 132), verbis: (...) Os documentos em questão dão conta de investigação referente a remessas de dinheiro ao exterior através de contas CC5. Mostram a dificuldade na identificação das pessoas que fizeram as remessas ilegais, aprofundandose as pesquisas em instituições financeiras no exterior. Verificouse que as remessas provinham de contas de "doleiros", tendo os recursos circulado por várias instituições financeiras, nacionais e estrangeiras. Buscouse o destino do numerário, identificandose, entre outros, um depósito de US$ 103.100,00 em conta de Josef Pfulg, no Banque Cantonale Zougoise, na Suíça. Esse depósito foi feito pelo MTB Hudson Bank 2000, originandose de uma instituição denominada Kundo S.A., das Ilhas Virgens. Desta forma, continua válida a questão preliminar da defesa, relativa à falta de certeza na identificação do sujeito passivo tributário, ou seja, não há comprovação de que a remessa de Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 recursos do Brasil para o exterior tenha se originado do pai do requerente, como também não há qualquer confirmação de que o beneficiário do depósito, Josef Pfulg, seja o genitor do requerente. O nome Josef Pfulg não é incomum na Suíça, de sorte que, à falta de qualquer outro elemento que estabeleça a identidade do citado beneficiário, não há como afirmar que aquele seja o mesmo Josef Pfulg, pai do requerente, ou que seja um homônimo daquele. Conforme já alegado, nem o requerente, nem sua irmã, Dora Josephine Pfulg, tinham conhecimento dos fatos imputados a Josef Pfulg, que faleceu em 21 de janeiro de 2001. Os documentos juntados não contêm elementos que confirmem, validamente, que Josef Pfulg, titular de uma conta bancária na Suíça, é o mesmo Josef Pfulg, pai do impugnante. Constatase que a autoridade fazendária, ao encontrar depósito no exterior em conta de Josef Pfulg, limitouse a pesquisar a existência de alguém com o mesmo nome no Brasil, e concluiu ser este o beneficiário da remessa ilegal de dinheiro. Data venha, é mera suposição! Insistese, portanto, na matéria preliminar da impugnação, referente à ausência de comprovação de que o pai do impugnante seja o destinatário da transferência do valor tributável como rendimento não declarado. Não pode haver cobrança de tributo, sem a certeza do sujeito passivo da obrigação. No mais, reiterase, no mérito, a defesa apresentada. (...) (grifos do original) A 8ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1734.954, de 14 de setembro de 2009 (fls. 135 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 10/11/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 04/12/2009. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. preliminarmente, é nítida a falta de certeza na identificação do sujeito passivo da autuação, pois não há comprovação de que o pai do autuado tenha expatriado os recursos ou mesmo que o beneficiário do depósito, Sr. Josef Pfulg, seja o genitor do apelante, tudo a implicar na ilegitimidade passiva do autuado; II. considerando a data da operação e a da ciência do lançamento, forçoso reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado; III. apesar de o pai do recorrente ser cidadão suíço, não auferiu lá rendimentos passíveis de tributação no Brasil, sendo certo que os Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.006009/200528 Acórdão n.º 2102002.225 S2C1T2 Fl. 3 5 depósitos bancários, em si mesmos, não podem ser considerados rendimentos, inclusive porque não ocorreu qualquer acréscimo patrimonial ou sinais exteriores de riqueza. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 10/11/2009, terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 04/12/2009, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 10/12/2009, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, apesar de constar no corpo do auto de infração uma omissão de rendimentos recebidos de fonte do exterior (fl. 4), parece claro que ao contribuinte foi imputada uma presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, como se vê da base legal constante no auto de infração (fl. 4), da descrição da infração constante no Termo de Verificação Fiscal (fl. 12) e da intimação à inventariante para comprovar a origem do depósito sob pena de incidência da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (fl. 28). Indo mais além, vêse que a imputação da presunção de omissão caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada decorreu da movimentação bancária pretensamente ocorrida em banco suíço, em nome do Sr. Josef Pfulg, que viria a ser o falecido pai do fiscalizado. A prova de tal movimentação se encontra unicamente no documento de fl. 22, gerado pela Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n° 463/04, a partir de mídias disponibilizadas por autoridades norteamericanas e franqueadas ao Fisco pela Justiça Federal. Agora se passa a apreciar as defesas trazidas pelo recorrente. Inicialmente, a preliminar de ilegitimidade passiva trazida pelo recorrente, ao argumento de que as provas dos autos não comprovariam que seu genitor tivesse feito a operação tributada, não será aqui apreciada como preliminar, pois se trata de matéria de mérito, como se demonstra a seguir. Em princípio, a fiscalização poderia ter imputado a movimentação financeira alienígena ao falecido pai do fiscalizado, pois nas mídias vinda do exterior consta um nome igual ao do de cujus, incomum no Brasil, havendo apenas um na base CPF. Demonstrado tal vínculo, como feito no Termo de Encerramento da Ação Fiscal destes autos, temse superada a preliminar de ilegitimidade passiva, passando a ser questão de mérito se tal movimentação poderia funcionar como rendimento omitido à luz do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Mutatis mutandis, é a aplicação da teoria da asserção ao processo administrativo fiscal, quando a legitimidade passiva do fiscalizado deve ser analisada a partir da viabilidade da imputação feita pela autoridade lançadora ao fiscalizado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal. Superado esse ponto, a pertinência da utilização da movimentação financeira no lançamento, a partir do Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 revolvimento probatório e de provas novas trazidas na impugnação e no recurso voluntário pelas instâncias julgadoras, é questão de mérito e deve ser decidida como tal. Passando pelo ponto acima, a primeira defesa trazida no recurso voluntário está voltada ao reconhecimento da decadência, o que poderia, em princípio, fulminar o crédito tributário lançado. Considerando que se trata de presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, vêse que o fato gerador se aperfeiçoa no último dia do anocalendário, como se vê pela inteligência da Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. E assim sendo, para o caso destes autos, a omissão decorrente do depósito bancário ocorrido em 20/06/2000 aperfeiçoouse em 31/12/2000, implicando que o prazo qüinqüenal decadencial encerrou em 31/12/2005 (pela regra do art. 150, §4º, do CTN) ou 31/12/2006 (pela regra do art. 173, I, do CTN). Ora, como o contribuinte foi cientificado do lançamento em 09/12/2005 (fl. 70), ainda não tinha fluído o prazo decadencial, contado por quaisquer das regras citadas. Assim, rejeitase o pedido decadencial acima. Agora se passa ao mérito, no qual se vê que assiste melhor sorte ao recorrente, por diversos motivos. Antes de tudo, no caso de pessoa física, é firme a jurisprudência administrativa que não acata a imputação da presunção de omissão de depósitos bancários de origem não comprovada quando não há a intimação ao efetivo titular da conta de depósito, como exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações), pois parece claro que o ônus do esclarecimento da origem dos depósitos bancários não pode ser imputado a terceiros, mesmo no caso de herdeiros ou sucessores, já que é uma prova sequer trivial a ser feita pelo próprio titular, que não tem, como regra, escrituração comercial. Como exemplo do entendimento acima, vejase o Acórdão nº 920202.046, da 2ª Turma da CSRF, de 21 de março de 2012, relator o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, que restou assim ementado: IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA TITULAR DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL LANÇAMENTO LAVRADO CONTRA O ESPÓLIO IMPOSSIBILIDADE. O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.006009/200528 Acórdão n.º 2102002.225 S2C1T2 Fl. 4 7 no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias, a quem cabe, com exclusividade, o ônus probandi. No caso, em razão do falecimento do titular das contas bancárias em momento anterior ao início da ação fiscal, não pode prosperar o lançamento efetuado contra o espólio com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado. Além do óbice acima, vêse que a prova que imputa a movimentação financeira ao pai do fiscalizado (fl. 22) é extremamente frágil, a uma porque não se comprovou que o falecido efetivamente tivesse uma conta bancária na Suíça, pois não vieram aos autos cartões de autógrafos ou ficha de abertura da conta corrente, a vincular de forma iniludível o Sr. Josef Pfulg, pai do fiscalizado, à movimentação financeira em debate; a duas porque não foram acostados aos autos os extratos da conta bancária, na qual ficasse demonstrada a movimentação financeira, havendo nos autos apenas uma mídia impressa (fl. 18), produzida pela autoridade fiscal, sem haver demonstração documental da origem da mídia; a três porque o nome do falecido pode ser incomum no Brasil, porém pode ser comum na Suíça, como dito pelo recorrente. Assim, mostrase absolutamente inviável manter a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando se tem fundada dúvida se efetivamente o pai do recorrente mantinha uma conta bancária alhures. Ante tudo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 11128.000941/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2003
CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA. IMPORTAÇÃO AO DESAMPARO DE LICENÇA. INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O simples fato de a mercadoria mal enquadrada na Nomenclatura Comum do Mercosul não estar correta e suficientemente descrita não constitui razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente e aplicada a multa de trinta por cento do valor da mercadoria.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. EXIGÊNCIA.
Exige-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-001.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 21/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ERRO DE CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA. IMPORTAÇÃO AO DESAMPARO DE LICENÇA. INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O simples fato de a mercadoria mal enquadrada na Nomenclatura Comum do Mercosul não estar correta e suficientemente descrita não constitui razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente e aplicada a multa de trinta por cento do valor da mercadoria. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. EXIGÊNCIA. Exigese a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 09 41 /2 00 7- 16 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 EDITADO EM: 21/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, para exigência da multa do controle administrativo das importações e da multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$37.240,09. A contribuinte processou a Declaração de Importação nº 03/00862282, registrada em 31/01/2003, fls.11/15, submetendo a despacho a mercadoria descrita como ‘R5000UIIIPPigmento PretoNome Comercial: Raven 5000 Ultra III Powder – Aplicação na indústria química automotiva’ classificandoa na NCM/TEC 3204.17.00. Durante o despacho aduaneiro foi requisitada amostra do produto e levado para exame no Laboratório de Análises da Alfândega do Porto de Santos/SP (Pedido de Exame ‘LAB 307/03GCOF’ fl.17. O Laudo 0716.01, de 16/04/2003. fl. 19, concluiu tratarse de: “Negro de Carbono (Negro de Fumo). Não se trata de Pigmento ou Preparação à base de Negro de Fumo. Tratase de Negro de Carbono (Negro de Fumo), um outro Negro de Carbono, um Elemento Químico. Tratase de Elemento Químico.” Diante dessas informações técnicas, a fiscalização deslocou a classificação da mercadoria para o código NCM/TEC 2803.00.19. Considerando que todo registro de declaração de importação junto ao Siscomex está vinculado à concessão de uma Licença de Importação (L.I.), automática ou não automática, e, estando a mercadoria importada ao desamparo de uma L.I., foi aplicada a multa do controle administrativo das importações conforme disposto no art. 169, inciso I, alínea ‘b’, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação doa rt. 2º da Lei nº 6.562, de 1978, regulamentado pelo art.633, inciso II, alínea ‘a’, e § 2º, do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro, visto a mercadoria encontrarse ao desamparo de licença de importação. Por outro lado, pela declaração incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, foi aplicada, também, a multa do art.84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001 A contribuinte foi notificada e cientificada, fl.27v., em 13/03/2007, apresentando sua Impugnação em 09/04/2007, fls.30/42, onde alega: segundo a nova classificação adotada pela fiscalização, a impugnante recolheu tributo a maior (antes, II=15,5% e, agora, 9,5%), denotando que não houve interesse de burlar a fiscalização, nem gerou prejuízos aos cofres públicos; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000941/200716 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 3 3 deve ser atendido o princípio da proporcionalidade e razoabilidade ; traz ao seu amparo o Ato Declaratório Interpretativo nº 13, de 2002, que trata de situação em que é dispensada a aplicação da multa do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; a imputação não guarda consonância com o tipo penal do art. 633, II, do RA, desatendendo o disposto no art 97, inciso V, do CTN; em nenhum momento houve descrição insuficiente da mercadoria, tendo inclusive informado o nome comercial e a devida finalidade/função. Traz à colação jurisprudência judicial e administrativa para amparar o entendimento de que é incabível tal pretensão relativamente a multa do controle administrativo da importação, postulando pelo afastamento das penalidades. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2003 MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA REGULAMENTAR. Multa do Controle Administrativo das Importações Pelas normas administrativas, então vigentes, que regiam as importações brasileiras, todas as mercadorias estavam sujeitas a Licença de Importação. A importação de mercadoria sujeita a licenciamento automático, essa Licença de Importação se materializa no momento da formulação da Declaração de Importação. Caracterizada que a mercadoria se encontrava ao desamparo de LI, quando a descrição da mercadoria não retrata exatamente aquela que foi efetivamente importada, ensejando a necessidade de novo licenciamento que, cabível a aplicação da penalidade prevista no art. 169, inciso I, alínea’b’ do Decretolei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78, regulamentado 633, inciso II, alínea ‘a’, e § 2º, do Decreto nº 4.543, de 2002 Regulamento Aduaneiro, (vigente à época). Multa por Classificação Incorreta. Cabível a multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.158 35/2001 se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Não há discussão acerca da correta classificação fiscal das mercadorias. A Recorrente apenas contesta a exigência da multa por classificação incorreta e, sobretudo, por importação ao desamparo de guia de importação ou documento equivalente. No que diz respeito à segunda, necessário aprofundar o estudo para adequada tomada de decisão. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97 exclui da hipótese de ocorrência da infração por importar mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente o erro de classificação fiscal de mercadoria que estiver corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, definindo, com isso, situação na qual considerase que a infração não ocorreu. Isso significa que o ADN Cosit nº 12/97 determina que não constitui infração o erro de classificação tarifária se presentes as circunstâncias nele especificadas. Contudo, o Ato não determina que, não se encontrando presentes tais circunstâncias, o erro de classificação tarifário importará em que se considere ocorrida a infração. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.(grifei) Ou seja, em obediência à norma, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto em atividade de execução quanto de julgamento, deverá considerar que não ocorreu a infração por importação sem licenciamento sempre que constatar que a mercadoria estava correta e suficientemente descrita, mas não que, contrariu sensu, tenha ocorrido a infração sempre que a mercadoria tiver sido descrita de forma deficiente, seja pela falta de elementos importantes à sua identificação ou de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário. Tratase de interpretação obtida da simples leitura do enunciado da norma, que determina que não constitui infração, em nenhum momento referindose às situações que constituam infração; contudo, esse entendimento é corroborado pelas disposições subsequentes, que especificam a necessidade de que a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, admitindo, assim, que o erro possa não exigir novo licenciamento. Como consequência, uma vez que constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000941/200716 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 4 5 Para tanto, é preciso debruçarse um pouco mais no estudo do assunto licenciamento de importações. O controle administrativo das importações a que se refere o caput do artigo 633 do Regulamento Aduaneiro, diz respeito ao controle que a administração exerce por ocasião da concessão da licença de importação e que se consolida no despacho aduaneiro e/ou na revisão aduaneira, quando os dados contidos na licença de importação serão cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e com a própria mercadoria. Disso se extrai que o controle administrativo das importações é exercido em dois momentos distintos, (i) quando o Poder Público concede autorização para o particular importar mercadoria do exterior, nos prazos, condições e especificações estabelecidas na licença de importação e (ii) quando o Poder Público examina se as mercadorias importadas e demais documentos apresentados estão de acordo com os dados contidos na licença de importação. A atividade de controle exercida em cada uma dessas duas etapas é de competência de órgãos distintos dentro da administração pública federal, respectivamente, a Secretaria do Comércio Exterior SECEX e a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. As divergências entre as informações contidas na licença de importação e as obtidas no despacho aduaneiro ou na revisão aduaneira, a partir do exame da mercadoria e demais documentos, é que ensejarão consideraremse as importações como tendo sido realizada sem licença de importação, tendo em vista a desconsideração da licença apresentada. A Portaria Secex nº 21/96 trazia algumas considerações relevantes no que diz respeito ao tipo de informações contidas em uma licença de importação, esclarecendo que tais informações caracterizavam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Os parágrafos 1º e 2º do artigo 7º da Portaria determinavam: “§ 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento.” Desde a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2.003; que revogou a Portaria Secex nº 21/96, as normas regulamentares deixaram de fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da Portaria Secex nº 21/96 caracterizam a operação de importação e definiam o seu enquadramento – as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal. Embora isso, é de se notar que, mesmo não mencionando os elementos que caracterizam e enquadram a operação de importação, o artigo 10 da Portaria Secex nº 17/03 confirmou que nas importações sujeitas a licenciamento o importador deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, remissão idêntica a que fazia a Portaria Secex nº 21/96, ao referirse às informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal, que, como se disse, caracterizavam e enquadravam a operação. Essa referência foi mantida nas Portarias Secex 14/04, 35/06 36/07 e 25/08. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n.o 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Na prática, a edição da Portaria Secex nº 17/03 não provocou qualquer mudança no que diz respeito às informações que deverão ser prestadas pelo importador para a obtenção da licença de importação, devendose considerar que tais informações continuam sendo aquelas das quais o órgão licenciador lança mão no processo de análise do pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 contém, portanto, todas as informações que devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a licenciamento, sendo essas as informações que poderão ser analisadas pela administração, com vistas à concessão do licenciamento pleiteado. São elas: Importador, País de procedência, URF de despacho, URF de entrada no País, Exportador, Fabricante ou produtor, Classificação fiscal da mercadoria na NCM, Classificação da mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA, Quantidade na medida estatística, Peso líquido em Kg, INCOTERM, Número "commoditie", Moeda na condição de venda, Valor total da operação na moeda negociada, Destaque NCM, Processo anuente, Indicativos da condição da mercadoria, Descrição detalhada da mercadoria, Especificação, Unidade comercializada, Quantidade na unidade comercializada, Valor unitário da mercadoria na condição de venda, Acordo tarifário, Regime de tributação para o Imposto de Importação, Fundamentação legal, Ato Concessório Drawback, Natureza cambial, Cobertura cambial, Modalidade de pagamento, Instituição financiadora, Código, Denominação, Motivo da importação sem cobertura cambial, Quantidade de dias para limite de pagamento, Substituição de LI, Informações complementares. A relação contida no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 não deixa margem de dúvidas quanto ao alcance das informações exigidas pela Administração com vistas à analise e o deferimento da licença de importação. Tratase de uma relação exaustiva, abrangendo dados relacionados à mercadoria, seu enquadramento fiscal, à transação comercial, o pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença de importação, toda essa gama de informações especificada no Anexo II da Portaria 291/96 é do interesse da Administração e deve ser prestadas de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal sorte que todos os elementos relevantes para cada operação específica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido à política de controle das operações de importação vigente à época em que o licenciamento está sendo examinado. Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex nº 17/03, abaixo transcritos, especificam qual procedimento será observado pela DECEX (Departamento de Operações de Comércio Exterior) no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art. 14. Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, advertência ao importador, solicitando a correção de dados. § 1o... § 2.°... Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000941/200716 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 5 7 Art. 15. Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligência. (grifei) Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei. Independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou do tipo de mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador: erros significativos, indícios de fraude e patente negligência. Por outro lado, uma vez concedida a licença, ela poderá ser retificada antes ou depois do desembaraço das mercadorias, sendo preservada a validade do licenciamento original, desde que a alteração não descaracteriza a operação original. Art. 20. A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade, mediante a substituição, no Siscomex, da licença anteriormente deferida. § 1o A substituição estará sujeita a novo exame pelo(s) órgão(s) anuente(s), mantida a validade do licenciamento original. § 2o Não serão autorizadas substituições que descaracterizem a operação originalmente licenciada. Art. 21. O licenciamento poderá ser retificado após o desembaraço da mercadoria, mediante solicitação ao órgão anuente, o que será objeto de manifestação fornecida em documento específico. De todo o exposto, concluo que será preciso decidir se o erro cometido pelo importador ao indicar a classificação incorreta da mercadoria descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseguinte, novo licenciamento. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, buscando identificar se o erro teve esse efeito. Será necessário, inclusive, investigar se para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita e decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. A leitura que se tem dos fatos relatados leva à conclusão de que esse aspecto se quer foi investigado. Segunda consta, as duas classificações estavam igualmente sujeitas a LI automático. A Recorrente não tem a mesma sorte em relação à multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Uma vez que não se discute a classificação no mérito, deve se admitir o erro na classificação escolhida pelo administrado, do que decore, em prestígio à responsabilidade objetiva consagrada na legislação tributária, a exigência da multa. VOTO POR DAR PARCIAL provimento, para afastar a multa do controle administrativo das importações pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 Sala de Sessões, 28 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13971.901604/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO NO CURSO DE PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível substituir o crédito originalmente compensado em declaração de compensação por outro de natureza distinta no curso do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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RETIFICAÇÃO NO CURSO DE PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível substituir o crédito originalmente compensado em declaração de compensação por outro de natureza distinta no curso do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901604/201010 Acórdão n.º 330201.703 S3C3T2 Fl. 62 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 49 a 58) apresentado em 20 de setembro de 2011 contra o Acórdão no 0725.297, de 15 de julho de 2011, da 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 31 e 32), cientificado em 22 de agosto de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de novembro de 2004, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi apresentado em 31 de maio de 2006 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fl. 26. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito próprio com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido via Darf. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC manifestouse pela não homologação da compensação declarada com base na constatação de que o Darf discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que, por engano, no preenchimento do programa PER/DCOMP informou que o crédito seria oriundo de pagamento efetuado via Darf quando na realidade este decorreria de saldo remanescente de compensação. Defende que não pode ser penalizada por erro facilmente apurado nos arquivos da RFB, pugna pelo reconhecimento do crédito, anulação do Despacho Decisório ou revisão da decisão. No recurso, a Interessada alegou que a Primeira Instância teria ignorado o fato de ter ocorrido de erro de fato, uma vez que a DCTF retificadora teria sido processada posteriormente e que teria ocorrido a homologação tácita das compensações constantes da declaração de compensação que originaria o indébito. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901604/201010 Acórdão n.º 330201.703 S3C3T2 Fl. 63 3 Citou ementas de acórdãos do Carf e da CSRF que trataram de erros materiais e do princípio da verdade material, alegando que o Darf informado originalmente de fato não existiria, mas que retificou a DCTF em 12 de abril de 2006, que foi “acatada e processada pela RFB” e, assim, estaria homologada. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Primeiramente, devese esclarecer que de compensação a maior ou indevida não resulta indébito. Conforme definido pelo art. 165 do Código Tributário Nacional, o direito à restituição referese à extinção do crédito tributário por pagamento, conforme art. 162. Como o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, somente permite a compensação de indébitos que possam ser restituídos ou ressarcidos ao contribuinte, não há previsão legal para a compensação de indébito decorrente de compensação efetuada a maior ou indevidamente, ainda que homologada tacitamente. No caso de erro na compensação, a única solução jurídica é seu desfazimento por cancelamento ou retificação, o que acarretaria eventual liberação do pagamento utilizado indevidamente na compensação do débito inexistente. Então, o indébito referirseia ao valor liberado decorrente do cancelamento ou retificação (do débito para menor) da primeira declaração de compensação, mas não seria representado pelo saldo compensado a maior da própria declaração e, sim, pelo saldo liberado do indébito original. No caso dos autos, portanto, não se trata de “erro de fato”, uma vez que a pretensão da Interessada simplesmente não tem suporte legal. Como a própria Interessada informou, a referida declaração de compensação já teria sido homologada e, portanto, todo o crédito contido nela estaria compensado com outro débito, sendo que a retificação da declaração da DCTF não resulta, como já argumentado, a criação de um indébito relativo à própria declaração de compensação. Reafirmese que, nesse caso, seria preciso retificar também a DCOMP, liberando o indébito original, que passaria a ser compensável e não o valor compensado a maior na própria DCOMP. Conforme esclarecido e analisado pela Primeira Instância, a declaração de compensação apresentada originalmente foi efetuada com um indébito inexistente, fato reconhecido pela própria Interessada. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901604/201010 Acórdão n.º 330201.703 S3C3T2 Fl. 64 4 Somente por esse fato é que a declaração pôde ser transmitida, uma vez que, se houvesse apresentado a declaração com as informações que alega ter pretendido, depois de indeferida, fazer dela constar, não seria sequer possível transmitila sem introduzir dados incorretos. Portanto, adotando os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13832.000111/99-24
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/09/1989 a 31/03/1992
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Negado
Numero da decisão: 9900-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/09/1989 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 01 11 /9 9- 24 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 06/08/1999, relativo ao período de apuração de 01/09/1989 a 31/03/1992. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13832.000111/9924 Acórdão n.º 9900000.661 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, não houve a perda do direito a se pleitear a restituição em relação a todo o período objeto da solicitação. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora para a análise do mérito. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000789/2006-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 26/07/2006, 02/08/2006, 07/08/2006
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATO NORMATIVO. EXCEÇÕES NÃO VERIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não havendo decisão plenário do Supremo Tribunal Federal no sentido de declarar a inconstitucionalidade da Portaria ALF/SPE nº 44 de 2005, não são aplicáveis as exceções contidas no art. 26-A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972 e no art. 62, parágrafo único, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO NORMA DE CONTROLE ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA
Aplica-se a multa prevista no art.107, inciso IV, “f” do Decreto-Lei n° 37/1966 (com a redação do art. 77 da Lei n° 10.833/2003), quando a infração cometida relacionada às operações, no âmbito de procedimento simplificado de regime de trânsito aduaneiro disciplinado em ato especifico da RFB, consubstancia-se na não entrega ou no atraso da entrega do documento de prestação de informações.
Numero da decisão: 3201-001.039
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Vencida a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras e os Conselheiros Wilson Sampaio Sahade Filho e Daniel Mariz Gudiño. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/07/2006, 02/08/2006, 07/08/2006 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATO NORMATIVO. EXCEÇÕES NÃO VERIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não havendo decisão plenário do Supremo Tribunal Federal no sentido de declarar a inconstitucionalidade da Portaria ALF/SPE nº 44 de 2005, não são aplicáveis as exceções contidas no art. 26-A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972 e no art. 62, parágrafo único, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO NORMA DE CONTROLE ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA Aplica-se a multa prevista no art.107, inciso IV, “f” do Decreto-Lei n° 37/1966 (com a redação do art. 77 da Lei n° 10.833/2003), quando a infração cometida relacionada às operações, no âmbito de procedimento simplificado de regime de trânsito aduaneiro disciplinado em ato especifico da RFB, consubstancia-se na não entrega ou no atraso da entrega do documento de prestação de informações.
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MULTA ADMINISTRATIVA Aplicase a multa prevista no art.107, inciso IV, “f” do DecretoLei n° 37/1966 (com a redação do art. 77 da Lei n° 10.833/2003), quando a infração cometida relacionada às operações, no âmbito de procedimento simplificado de regime de trânsito aduaneiro disciplinado em ato especifico da RFB, consubstanciase na não entrega ou no atraso da entrega do documento de prestação de informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras e os Conselheiros Wilson Sampaio Sahade Filho e Daniel Mariz Gudiño. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO – Redatora Desginada EDITADO EM: 27/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Wilson Sampaio Sahade Filho, Judith do Amaral Marcondes Armando, Adriene Maria de Miranda Veras e Fabio Miranda Coradini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente processo de auto de infração no valor de R$ 25.000,00, referente à multa, prevista no art.107, inciso IV, "f”, do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, em face da intempestiva prestação de informação, por parte do operador portuário, relacionada a operações por ele executadas, no âmbito de procedimento simplificado jungido ao regime de trânsito aduaneiro. A Alfândega do Porto de Suape, visando franquear otimização quanto aos procedimentos relativos ao trânsito de mercadorias entre os recintos alfandegados sob sua jurisdição aduaneira, com esteio no parágrafo único do art. 288 do então vigente Decreto n° 4.543/2002, resolveu expedir a Portaria n° 44, de 04/07/2005 (fls. 23/25). Superados os requisitos previstos em sobredita Portaria, à fruição da transferência automática em tela, o beneficiário deverá, consoante os termos do § 2° do art. 2° desse diploma, promover a apresentação de documento próprio, denominado Folha de Controle de Carga, à unidade aduaneira, até o primeiro dia útil seqüente à conclusão da operação. Porém explana, em suma, a fiscalização , o beneficiário, operador portuário em tela, no que tange à execução das transferências atinentes às operações destacadas às fl. 4 e 10/22, não laborara em sintonia com os moldes prescritos, visto que referidos atestes formais foram providenciados de forma intempestiva, conforme informação posta a fl. 4, ferindo, portanto, os ditames da Portaria em análise. À vista disso, a fiscalização aduaneira, diante da intempestividade da comunicação formal, efetuou a exigência da Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11968.000789/200691 Acórdão n.º 320101.039 S3C2T1 Fl. 2 3 penalidade pecuniária correspondente, resultando na exação em tela. Da Impugnação 0 contribuinte, após ter sido cientificado, pessoalmente, do lançamento em estudo, em 15/08/2006, consoante faz prova a ciência posta à fl. 1, apresentou, em 13/09/2006, sua impugnação, conforme peça e documentos de fls. 28/35, onde, após breve histórico dos fatos relacionados ao feito em apreço, desenvolveu sua defesa, conforme a seguir, em resumo, exposta: a autuação, em seu alicerce, ofende o principio da estrita legalidade, visto que, no direito brasileiro, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, sendo em virtude de lei; em seara tributária, reza o inciso I do art. 150 da CF/88 que a exigência ou o aumento de tributo não prescinde de lei que o estabeleça; o Sistema Tributário Nacional pautase pelo principio da estrita legalidade, descabendo, assim, qualquer obrigação legalmente desabrigada; obrigação emanada por "mera Portaria do Inspetor da Alfândega do Porto de Suape" não tem o condão de provocar imposição de natureza tributária; somente a lei, sob ângulo formal, pode inaugurar obrigação, carecendo legitimidade, desse modo, a Portaria ALF/SPE n° 44/2005 para introduzila de forma originária; sob outro prisma, à luz do principio da eventualidade, o auto de infração, igualmente, não merece ser acolhido, posto que nulo, tendo em vista ocorrência de equivoco quanto ao enquadramento da suposta infração cometida. Para acolher a tipificação apresentada pelos fatos, pelo menos em tese, a fiscalização, ao revés de haver consignado a alínea "f”do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37/66 como fundamento legal da penalidade, deveria têlo feito sob o molde da alínea "f”, ou mesmo a "g", do inciso VII do mencionado dispositivo legal. Por fim, em face dos termos da impugnação supra, o contribuinte requer o acatamento de sua defesa, conseqüentemente, a insubsistência da exação em apreço. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 29/05/2009, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 0815.609 (fls. 37/44): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/07/2006, 02/08/2006, 07/08/2006 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 OPERADOR PORTUÁRIO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PENALIDADE. 0 cumprimento intempestivo da obrigação acessória de prestar informação sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, sujeita o operador portuário ao pagamento da multa prevista na legislação tributária. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão em 29/06/2009 (fl. 46), tendo protocolado seu recurso voluntário em 24/07/2009 (fls. 49/53), o qual, em síntese, reitera os argumentos já defendidos em sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. Pela análise do recurso, verifico que há duas questões a serem enfrentadas, a saber: (i) a impossibilidade de portaria exigir o cumprimento de obrigação não prevista em lei estrita e (ii) a nulidade do lançamento tendo em vista o suposto erro no enquadramento da infração. De início, ressalto que a Recorrente em momento algum contesta o fato de ter descumprido a obrigação instituída pela Portaria ALF/SPE n° 44/2005. Invoca dispositivos constitucionais para alegar que a exigência de obrigação tributária por portaria, sem prévia estipulação em lei, fere o princípio da legalidade estrita. Em outras palavras, a Recorrente pretende que seja declarada a inconstitucionalidade da Portaria ALF/SPE n° 44/2005. Sobre esse primeiro argumento de defesa, cumpreme esclarecer que o CARF não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de leis, salvo quando o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal já houver se pronunciado nesse sentido. É o que se depreende da leitura da Súmula CARF nº 2, do art. 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972, e do art. 62, parágrafo único, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. Confirase: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto nº 70.235 de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11968.000789/200691 Acórdão n.º 320101.039 S3C2T1 Fl. 3 5 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...) Anexo II do Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...) Por esses fundamentos, encontrome impedido de dar provimento ao recurso com base nessa linha de argumentação. Quanto ao segundo argumento de defesa, qual seja a nulidade do lançamento tendo em vista o erro no enquadramento da infração, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF já se pronunciou, a saber: IRPF – ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO – ENQUADRAMENTO LEGAL – LANÇAMENTO NULO. A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso especial negado. (Acórdão nº 920201.956, Rel. Cons. Manoel Coelho Arruda Junior, Sessão de 15/02/2012) Pois bem, o dispositivo que a fiscalização utilizou para justificar a infração foi o art. 107, IV, “f”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003, que assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 (...) f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; (...) Por outro lado, a Recorrente alega que, se houvesse realmente infringido norma infralegal, as penalidades aplicáveis ao caso seriam aquelas previstas no art. 107, VII, “f” ou “g”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003, que assim dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (...) f) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; g) por dia, pelo descumprimento de condição estabelecida para utilização de procedimento aduaneiro simplificado; (...) No caso concreto, a própria fiscalização reconhece que a Portaria ALF/SPE nº 44 de 2005 estabeleceu procedimento simplificado para transferências de carga entre recintos alfandegados sob jurisdição da Alfândega do Porto de Suape (fl. 02). Confirase: Assim, visando tornar mais ágeis as transferências de carga entre recintos alfandegados sob jurisdição da Alfândega do Porto de Suape, esta unidade editou a Portaria ALF/SPE n° 44, de 4 de julho de 2005 (fls. 23/24), estabelecendo procedimento simplificado para essas operações, que seriam divididas, segundo suas características, em duas modalidades: TRANSFERÊNCIA DIRETA e TRANSFERÊNCIA SIMPLIFICADA. (Grifei) Ora, o art. 5º da Portaria ALF/SPE n° 44 de 2005 estabelece que “o não atendimento das disposições acima sujeitará o responsável à vedação de utilização (do) modelo simplificado de transferência aqui previsto...”, logo, lastreado na fundamentação do próprio auto de infração, mais precisamente o item “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)”, entendo que a penalidade aplicável seria aquela prevista no art. 107, VII, “g”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003. Ainda que pudessem pairar dúvidas sobre o referido enquadramento legal, o caso em exame exigiria a aplicação do art. 112, I, do Código Tributário Nacional, a confirmar o erro no enquadramento legal da infração. Nesse sentido, peço vênia para transcrever o citado dispositivo legal, in verbis: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11968.000789/200691 Acórdão n.º 320101.039 S3C2T1 Fl. 4 7 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; (...) Diante de todo o exposto e seguindo a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, entendo que assiste razão à Recorrente, de modo que DOU PROVIMENTO ao seu recurso voluntário para declarar nulo o lançamento recorrido. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Voto Vencedor Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando Com relação à primeira questão enfrentada pelo I. relator, qual seja “a impossibilidade de portaria exigir o cumprimento de obrigação não prevista em lei estrita”, e que portanto seria inconstitucional, tenho que concordar, pois como bem salientado o CARF não tem competência para se manifestar acerca da constitucionalidade de leis, salvo nas exceções previstas expressamente pela lei que regulamenta o PAF Federal (Decreto nº 70.235 de 1972, art. 26A, § 6º, I,) pelo RICARF (art. 62, inciso I) e o que dispõe a Súmula CARF nº 2, que me furto de transcrever novamente aqui. Apenas aduzo que a argüição de inconstitucionalidade de ato da administração pela própria administração, o que não cabe aqui, só é possível no judiciário, havendo também a alternativa, porém com escopo limitado, da iniciativa legislativa, conforme previsto no art. 49, inciso V, da Constituição1. Porém, com relação ao fundamento que levou o I. Relator a dar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito a “a nulidade do lançamento tendo em vista o suposto erro no enquadramento da infração”, ouso divergir. Isto porque, primeiro, data venia, não há dúvida sobre os fatos ocorridos e a legislação penal tributária aplicável à matéria, não havendo, portanto, que se cogitar da aplicação do art. 112 do CTN. Segundo, porque, a meu ver, o que ocorreu foi um descumprimento de uma portaria que prevê um regime simplificado específico aplicável ao Porto de Suape, emitido totalmente conforme prevê a legislação aplicável à espécie (o que afastaria a eiva de ilegalidade). Refirome Portaria n° 44, de 04/07/2005, que visa a franquear a otimização dos procedimentos relativos ao trânsito de mercadorias entre os recintos alfandegados daquela jurisdição aduaneira, e que tem como fundamento o parágrafo único do art. 288 do Decreto n° 4.543/2002 (vigente à época). Ora, o descumprimento das normas previstas na portaria, implica sanção, e foi que ocorreu no caso, conforme relatado no Auto de Infração. A penalidade aplicável é aquela prevista no art.107, inciso IV, "f' do DecretoLei n° 37/1966 (com a redação do art. 77 1 Ver VALADÃO, Marcos Aurélio Pereira. Sustação de atos do Poder Executivo pelo Congresso Nacional com base no artigo 49, inciso V, da Constituição de 1988. Revista de Informação Legislativa, p. 287301, n. 153. Brasília, jan/mar/2002. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 da Lei n° 10.833/2003), sendo a infração cometida relacionada às operações executadas pelo autuado, no âmbito de procedimento simplificado do regime de trânsito aduaneiro disciplinado pela citada Portaria. Não há porque entender que a penalidade elencada não se aplica ao caso. Aplicase por ser específica à espécie, não há outra forma de se ler o dispositivo, que transcrevo abaixo (art. 107, IV, “f”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003) in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; Ora, vencido o prazo para a prestação de informações, constatase a desobediência proclamada e tornase cabível a penalidade acima prevista. Isto posto nego provimento ao recurso voluntário do Contribuinte. Judith do Amaral Marcondes Armando – Redatora Designada. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10283.907213/2009-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Data do fato gerador: 31/12/2004 DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO- RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, como ocorreu na hipótese destes autos. Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-001.729
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 31/12/2004 DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser nãohomologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, como ocorreu na hipótese destes autos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/09/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de declaração de compensação (fls. 1/5), transmitida em 07.02.2007, pela qual a recorrente pretende compensar crédito decorrente de pagamento a maior de CIDE, efetuado a destempo em 26.08.2005 (fato gerador 12/2004), com débito da própria CIDE, vencido em 15.01.2007 (fato gerador 12/2006). O despacho decisório eletrônico (fls. 6/8) não homologou a compensação porque o valor de CIDE recolhido corresponde ao valor declarado em DCTF pela própria recorrente para o mesmo período, por conseguinte não sobejando qualquer crédito. A recorrente manifestou inconformidade (fls. 11/14), na qual alega, em síntese: (a) em 31.12.2004, o estabelecimento matriz da recorrente, no Japão, emitiu a fatura KN64KTB01 referente a serviços de assistência técnica prestados à recorrente no Brasil; (b) a recorrente, então, após conversão do montante da fatura para moeda nacional, calculou e recolheu a CIDE incidente sobre os serviços tomados; (c) posteriormente, a matriz japonesa constatou erro na emissão desta fatura fatura KN64KTB01, na qual estavam cobrados serviços de assistência técnica referentes a 09/2003, os quais já teriam sido cobrados pela matriz na fatura BR03207; e (d) a matriz, então, emitiu a fatura KN65KTB01, substitutiva da fatura original KN64KTB01, deduzindo o montante já cobrado na fatura BR03207; (e) por conseguinte, o valor da CIDE recolhido com base na fatura original restou superior ao valor devido com base na nova e correta fatura. Com a inconformidade vieram (i) cópia do razão analítico (fls. 41/43), comprovante de pagamento da CIDE gerador do suposto crédito (fls. 44), cópia e respectivas traduções juramentadas das faturas KN65KTB01 (fls. 45), BR03207 (fls. 69) e KN64KTB 01 (fls. 81) e planilhas com detalhamento de prestação de serviços por cada técnico (fls. 160/161). A DRJ/BelémPA desproveu a inconformidade (fls. 167/168) e não homologou a compensação, aduzindo que não haveria nos autos elementos que indicassem que a fatura supostamente retificadora estaria vinculada à fatura retificada. Seguiu a autoridade julgadora afirmando que, por mais que se trate realmente de uma retificação da fatura original, não foi provado o recolhimento da CIDE incidente sobre a fatura BR03207. Inconformada, a recorrente interpõe o presente voluntário em 3 de junho de 2011 (fls. 173/176), ratificando as alegações outrora mencionadas e trazendo aos autos a guia DARF referente ao pagamento da CIDE incidente sobre a fatura BR03207, bem como outros documentos e contratos de câmbio, os quais, segundo ela, comprovariam a substituição da fatura KN64KTB01 pela KN65KTB01. Ainda no voluntário, requereu prazo para juntada Fl. 384DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/09/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10283.907213/200935 Acórdão n.º 340301.729 S3C4T3 Fl. 2 3 de declaração da matriz japonesa confirmando a substituição das faturas, esclarecendo que os notórios desastres naturais sofridos pelo Japão à época retardaram a chegada de tal documento. Em 18.07.2011, a recorrente protocolou petição avulsa, juntando carta elaborada pela matriz ratificando a substituição da fatura KN64KTB01 pela KN65KTB01. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. Cumpre, inicialmente, saber do desfecho do pedido de compensação cujo crédito está vinculado a débito confessado em DCTF previamente transmitida e não retificada. A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF é inconsistente e excessivamente formal. Distanciase do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF nº 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Esta imperfeição procedimental, contudo, não é, a meu ver, drástica o bastante para nulificar a decisão. Penso assim porque o processo administrativo serve justamente para que o contribuinte possa provar o seu direito com vistas a alcançarse a tão almejada verdade material aludida acima. A teor dos arts. 74, §11 da Lei nº 9.430/96 e 14 do Decreto nº 70.235/72, é a manifestação de inconformidade que deflagra a fase litigiosa do processo administrativo de compensação, a partir da qual os princípios do contraditório e ampla defesa fazemse mandatórios. Antes da manifestação de inconformidade, vivese a fase inquisitiva do procedimento administrativo, que atende às conveniências da própria Administração apenas. Nesse sentido, a lição precisa de James Marins: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/09/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 “Na etapa fiscalizatória, não há, porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento (...). Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao processo administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos” (in Direito processual tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2001. p.222). Chamando a etapa inquisitória de “procedimento administrativo”, conclui este mesmo doutrinador: “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte”. É dizer, por mais que a colheita de provas, por iniciativa do Fisco, antes do indeferimento da Dcomp seja recomendável e até sugerida pelo art. 65 da IN/RFB nº 900/08, tratase de providência sob juízo de conveniência da Administração. O fato é que, quando da manifestação inconformidade, tem o contribuinte a oportunidade – que não deve desperdiçar – de, com amparo no artigo 16 do Decreto no. 70.235/72, produzir prova que infirme o conteúdo da DCTF que previamente transmitiu. Pois entendo que a recorrente logrou demonstrar seu ponto. A meu ver, as provas produzidas nos autos são bastantes para revelar a existência do indébito levado à DComp. Tudo se resolve em saber como se relacionam as faturas BR03207, KN64 KTB01 e KN65KTB01 emitidas pela matriz da recorrente no Japão. Como se viu no relatório, a recorrente sustenta que a fatura KN64KTB01 documentava, entre outros, os mesmos serviços objeto da fatura BR03207, razão pela qual a fatura KN64KTB01 foi cancelada e substituída pela fatura KN65KTB01. Afinal, a fatura KN65KTB01 apenas corrige a fatura KN64KTB01 ou é uma fatura nova, que documenta outros serviços prestados pela matriz? Embora isso não seja, evidentemente, fato bastante a resolver o impasse, constatase, de início, total coerência valorativa entre as três notas e a tese da recorrente. A nota BR03207 é de 21.180.000 yenes, enquanto a nota KN64KTB01 totaliza 79.920.000 yenes. Se os serviços documentados naquela estão mesmo incluídos nesta, a nota que a retificasse totalizaria 58.740.000 yenes, que é precisamente o valor da nota KN65 KTB01. Em uma linha: KN64KTB01 BR03207 = KN65KTB01 Agora, o documento mais revelador e decisivo à formação de meu convencimento são os anexos das três faturas. Nas três faturas, o campo “descrição” é Fl. 386DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/09/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10283.907213/200935 Acórdão n.º 340301.729 S3C4T3 Fl. 3 5 preenchido com os dizeres “remuneração de assistência técnica – detalhes no formulário em anexo”. Nestes anexos, que como tais integram as próprias faturas, há a discriminação precisa de quais serviços estão ali documentados, com as seguintes informações: (a) nome de cada funcionário da matriz que veio as Brasil prestar serviços à recorrente; (b) período em que cada funcionário ficou no Brasil; (c) dias trabalhados por cada funcionário; e (c) valor total imputável a cada funcionário. Pois também aí há perfeita coerência entre as três notas. É dizer, os serviços discriminados na nota KN64KTB01 (fls. 115/145) são a soma precisa dos serviços discriminados nas notas KN65KTB01 (fls. 47/68) e BR03207 (fl. 70). A DRJ até reconhece esse fato, mas pondera que a nota KN65KTB01 poderia representar uma complementação dos honorários pelos serviços da nota KN64KTB 01; é dizer, os serviços seriam os mesmos, mas a remuneração seria nova, adicional. Não me parece a hipótese mais verossímil. Verifico, inclusive, que há absoluta padronização no valor do homem/dia nas três notas: 60.000 yenes. Se a nota KN65 KTB01 fosse uma complementação da nota KN64KTB01, essa padronização estaria desfeita. De mais a mais, no anexo da nota KN65KTB01 (fl. 46) há expressa menção à nota KN64KTB01, com os dizeres “this invoice is a cancellation” (“esta fatura é um cancelamento”, em tradução livre). Portanto, não é verdade que “inexiste na fatura KN65 KTB01 qualquer informação que comprove ser a mesma uma retificação da fatura KN64 KTB01”, como se lê no acórdão recorrido. Entendo, com fundamento no art. 16, §4º, ‘a’ e ‘b’ do Decreto nº 70.235/72, deva ser admitido na cognição do feito a declaração da matriz, juntada 46 dias após o recurso voluntário, ratificando o cancelamento da nota KN64KTB01 pela nota KN65KTB01. Pela alínea ‘a’, porque é fato notório a gigantesca dificuldade na condução normal dos negócios vivida pelo Japão nos meses que se seguiram ao desastre natural de março de 2011. Pela alínea ‘b’, porque, embora abordando um fato pretérito, o documento foi emitido pela matriz somente em 14 de junho de 2011, portanto era impossível à recorrente juntálo antes dessa data, sendo certo que, mesmo vinculadas societariamente, matriz e subsidiária são sujeitos de direito distintos, portanto não se pode imputar à recorrente responsabilidade pela emissão tardia do documento. Noto, finalmente, o seguinte: se a DRF estivesse realmente convencida de que a nota KN65KTB01 realmente evidencia pagamento adicional ao da nota KN64KTB01 (seja em razão de novos serviços, seja em razão de complementação dos mesmos serviços, não importa), deveria não apenas ter indeferido a compensação, mas lançado de ofício a CIDE sobre o valor da nota KN65KTB01, providência de que não há notícia nos autos. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/09/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Enfim, o conjunto probatório me convence de que a nota KN64KTB01 foi realmente cancelada pela nota KN65KTB01, o que implica reconhecer a existência do crédito de CIDE do período 12/2004. Voto, pois, pelo provimento integral do recurso voluntário. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 388DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/09/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 15586.001579/2010-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 79 /2 01 0- 41 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001579/201041 Acórdão n.º 2803002.190 S2TE03 Fl. 3 2 conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001579/201041 Acórdão n.º 2803002.190 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI (CFL 68) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por descumprimento das disposições contidas no artigo 32, inciso IV, § 3º da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.528/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, tendo em vista que a empresa deixou de informar em suas GFIP do período de 01 a 12/2007 os salários de contribuição e correspondentes contribuições previdenciárias referentes aos segurados empregados e contribuintes individuais. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 30 de junho de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3º e 5º, da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei nº 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001579/201041 Acórdão n.º 2803002.190 S2TE03 Fl. 5 4 A Auditoria informa que não teria sido possível contatar a empresa no endereço indicado como domicílio tributário desde a sua fundação. Assim, notifica do último termo de posse da administração (fls. 80), em nome do Sr. Emílio Gonçalves Filgueiros, como Diretor financeiro, sendo este o único componente da diretoria desde então. De acordo com o Relatório Fiscal, a auditoria fez contato telefônico com acionista não investido da função de administrador à época, sendo solicitado que a empresa apresentasse à Fiscalização o comprovante de inscrição no CNPJ; DARF; GPS; DIRF; DIPJ, Estatuto Social; Recibo de férias; Registro de Ponto, livros Diário nºs 16, 17 e 18/2007; Livros Razão nºs 15, 16 e 17/2007; acordos coletivos e convenções e comprovantes de parcelamento de contribuições previdenciárias. Diante do exposto, requer dignese Vossa Senhoria em: a) Receber o presente, haja vista ser adequado e tempestivo, mantendo a suspensão do crédito tributário ex vi do artigo 151, inciso III, do CTN; b) Conhecer o presente Recurso Voluntário para reformar a decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, julgando totalmente provido o recurso para reconhecer a violação do princípio da segurança jurídica, declarando a nulidade do procedimento fiscal e insubsistência do auto de infração por ausência de subsunção do fato a norma, bem como a não ocorrência do fato gerador ficto ou real do gravame, afastando a incidência da multa punitiva e, assim, cancelar do débito fiscal. c) Subsidiariamente, que seja declarada a responsabilidade tributária por sucessão da INSEPA INDÚSTRIA SERRANA DE PAPEL LTDA, nos termos do art. 133 do CTN. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001579/201041 Acórdão n.º 2803002.190 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 32 e seguintes), a falta de informação em GFIP de todos os fatos geradores da contribuição previdenciária constitui infração ao art. 32, inciso IV, §§ 3º e 5º da lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV, parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Analisando os autos, notase que restou claramente evidenciada a falta cometida pelo contribuinte, situação que justifica o enquadramento da empresa nos dispositivos legais referidos no parágrafo anterior. No lançamento, a autoridade administrativa observou as regras de que trata o art. 10 do Decreto nº 70.215/72, bem como aquela prevista no art. 142 do CTN, não havendo, portanto, nenhuma falha que possa macular o lançamento ora em discussão. De outra parte, é sabido que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta ao contribuinte, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001579/201041 Acórdão n.º 2803002.190 S2TE03 Fl. 7 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001579/201041 Acórdão n.º 2803002.190 S2TE03 Fl. 8 7 infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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