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Numero do processo: 10920.907157/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 71 57 /2 01 2- 81 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907157/201281 Acórdão n.º 3801002.690 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.006161/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/02/2005 a 29/12/2005
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O direito a benefícios fiscais exige a comprovação do preenchimento de requisitos e condições determinados pela legislação tributária. Tratando-se de direito invocado pelo sujeito passivo, este possui o ônus de prova da sua existência.
Numero da decisão: 3201-001.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Helder Massaaki Kanamaru e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada da conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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(atual IGB ELETRÔNICA S/A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/02/2005 a 29/12/2005 BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O direito a benefícios fiscais exige a comprovação do preenchimento de requisitos e condições determinados pela legislação tributária. Tratandose de direito invocado pelo sujeito passivo, este possui o ônus de prova da sua existência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Helder Massaaki Kanamaru e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada da conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 61 61 /2 00 9- 88 Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10283.006161/200988 Acórdão n.º 3201001.703 S3C2T1 Fl. 2.426 2 De acordo com a descrição dos fatos (fls. 05), a empresa Gradiente Eletrônica (Gradiente) promoveu, durante todo o ano de 2005, a entrada de mercadoria estrangeira com os benefícios fiscais art. 14A, da Lei n° 10.865/04, concedidos às empresas localizadas na Zona Franca de Manaus — ZFM, ou seja, com a suspensão Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação e da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEP Importação. Em 28/08/2008, iniciado procedimento de fiscalização, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos e os arquivos listados às fls. 44/46, que comprovariam o destino das mercadorias importadas com o citado beneficio fiscal. Em 15/09/2008, a empresa solicitou prorrogação por 30 dias do prazo para atendimento da intimação (fl. 48). A fiscalização, em 10/06/2009, considerando a omissão por parte do contribuinte ao não atender a intimação inicial, enviou novo pedido de apresentação de documentos (fl. 52) A empresa, que solicitou uma nova prorrogação do prazo por mais 30 dias (fl. 53), prazo no qual a exigência não foi atendida. Assim, segundo a fiscalização, sem a apresentação dos documentos, não estaria comprovada a industrialização das mercadorias importadas na Zona Franca de Manaus, o que resultaria na perda do beneficio fiscal previsto no art. 14A da Lei n ° 10.865/04. Desta forma, contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de exigência da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação (fls. 03/59), que resultou, à época do lançamento, incluindo juros de mora e multa de oficio de 75% sobre o valor do tributo, em um crédito tributário no valor de R$ 3.299.505,58, referente as Declarações de Importação registradas durante o ano de 2005. Cientificado do lançamento em 05/11/2009, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 96/99) em 04/12/2009, onde, em síntese, afirma que: i) "...o não atendimento das intimações para apresentação dos meios magnéticos que comprovam a correta fruição dos incentivos previstos no Decreto 288/67 não se deveu a nenhum propósito da autuada de sonegar informações, mas a uma circunstância, de força maior (a grave crise financeira imprevista e o conseqüente processo de reestruturação das atividades econômicofinanceiros), cujo conhecimento é público e notório."; ii) "a conclusão do Sr. auditor fiscal é, assim, uma conclusão em relação qual milita a presunção juris tantun. Quer isto dizer que a conclusão do sr. auditor fiscal prevalece até que prova em contrário demonstre que os benefícios fiscais fruídos pela Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10283.006161/200988 Acórdão n.º 3201001.703 S3C2T1 Fl. 2.427 3 autuada se encontram situados dentro do marco da legalidade, nenhum reparo merecendo da autoridade responsável pela fiscalização respectiva;" iii) "A autuada contratou os serviços da IBM para efetuar a recuperação das informações contidas nos meios magnéticos. O trabalho técnicocientífico de recuperação está sendo desenvolvido e levará ainda algum tempo para a respectiva conclusão. Quando o trabalho estiver pronto a autuada imediatamente levará ao presente processo todas as informações objeto das intimações contidas nos meios magnéticos por forma a demonstrar que a fruição dos benefícios fiscais foi legitima, não merecendo glosa ou impugnação." Por fim, requer a impugnante que lhe seja concedido um prazo de 90 (noventa) dias para entrega dos meios magnéticos solicitados pela fiscalização e que o processo baixe em diligência para que a autoridade lançadora verifique a documentação fiscal relacionada com o período de apuração considerado na autuação, que "já está sendo separada pela autuada de maneira a facilitar a diligência requerida". Em 22 de abril de 2010 (fl. 174), a impugnante peticionou a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, requerendo a baixa de processo em diligência para que a fiscalização examine os meios magnéticos e os documentos físicos listados no Termo de Inicio de Fiscalização, de 28/08/2008. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortalçeza/CE, que julgou, por maioria de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2005 a 29/12/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Desnecessária é a realização de diligência quando não restar demonstrada sua imprescindibilidade ao julgamento. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/02/2005 a 29/12/2005 ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO COMPROVAÇÃO DE CUMPRIMENTO DO REGIME. PERDA DO BENEFÍCIO. A empresa que não comprove o cumprimento do regime aduaneiro especial da Zona Franca de Manaus não faz jus aos benefícios a este inerentes. O órgão julgador decidiu nesses termos entendendo que, apesar de terem sido concedido prazos de vários meses para a apresentação dos documentos solicitados pelo Fisco, Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10283.006161/200988 Acórdão n.º 3201001.703 S3C2T1 Fl. 2.428 4 nada foi apresentado, limitandose o contribuinte a alegar que os possui, mas sem que anexasse um documento sequer à impugnação, e que o conjunto de elementos trazidos aos autos indicam no mesmo sentido, qual seja, o de descumprimento do regime tributário a que fazia jus, tornandose prescindível a realização da diligência solicitadas pela impugnante, tendo em vista que inexistem elementos de prova nos autos que apontem para sua necessidade. No mérito, o órgão julgador assentou que inexistem quaisquer elementos nos autos no sentido de comprovar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na legislação quanto à fruição dos benefícios advindos do DecretoLei nº 288/1967, tampouco existe documento, planilha ou outro elemento que possa por em dúvida os cálculos apresentados pela Autoridade Fiscal, razão por que resta escorreito o lançamento do tributo. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural, anexando documentos que entende serem suficientes para comprovar a regularidade do seu benefício fiscal. A 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em sessão datada de 22/11/2011, por meio da Resolução nº 3202000.050, decidiu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, a fim de que seja feito o exame nos documentos apresentados pela recorrente, de forma que, no caso de serem considerados pelo Fisco como apropriados para o fim a que foram trazidos aos autos, seja informado quanto à parcela do regime suspensivo que tenha sido cumprida apela recorrente. Em atendimento a diligência , a unidade de origem apresentou informação fiscal com o seguinte teor: A documentação apresentada nos autos compõese: 1.1. Resolução SUFRAMA 1.2. Laudo Termo de Inspeção da Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas 1.3. Orçamento para serviços eventuais 1.4..Registro de Inventário período de novembro a dezembro de 2005; 1.5. Registro de Saída período de novembro a dezembro de 2005; 1.6. Registro de Entrada período de novembro a dezembro de 2005; 1.7. Balancete de Verificação(saldo das contas do razão) período de novembro a dezembro de 2005; 1.8. Informações de importação período de novembro a dezembro de 2005 : DI. NFE, custo de Importação. O auto de Infração contemplou fatos gerados do período de janeiro a dezembro de 2005. O rastreamento dos insumos importados a partir de sua importação até a saída do estabelecimento industrial, tornase Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10283.006161/200988 Acórdão n.º 3201001.703 S3C2T1 Fl. 2.429 5 indispensável a verificação da correta aplicação da mercadoria nos fins para as quais foram importadas e por conseguinte, na obtenção do direito a fruição dos benefícios Fiscais da Zona Franca de Manaus. A documentação necessária a identificar o itinerário da mercadoria importada deve permitir a reconstrução da destinação dada ao insumo importado. No caso em tela, em se tratando de industria incentivada, a documentação deve contemplar: a entrada dos insumos importados; o ingresso desses insumos no processo produtivo; a saída desses insumos da produção, por meio do produto acabado; a entrada nos estoques do produto acabado e a saída do estabelecimento industrial desses produtos acabados. Os elementos considerados razoáveis para comprovação das destinação dos insumos importados compreendem: os documentos de importação, as notas fiscais de entrada (NFE), o Livro do Controle da Produção e do Estoque, notas fiscais de saída, relação insumo produto e o Livro de Registro de Inventário, todos previstos na legislação. Esta relação probante possibilita ao fisco o rastreamento dos insumos importados e a determinação de sua destinação. Percebese na documentação apresentada a carência desses elementos, pois não os contempla na extensão necessária à análise, nem tampouco abriga o período abrangido pelos fatos gerados consignados no auto de infração. Diante do exposto, consideramse os documentos apresentados pela recorrente inapropriados ao fim a que foram trazidos aos autos. A recorrente intimada do resultado da diligência, apresenta nova manifestação, reiterando os argumentos já expostos em suas peças recursais, bem como anexando novos documentos, quais sejam: (i) Laudo Técnico de Inspeção (SEPLAN) que autoriza os incentivos fiscais, (ii) Livros Registro de Entrada n° Pl 16, 18 e 19 autenticados pela SEFAZAM, (iii) Livro Registro de Saída P2 16, 18 e 19 autenticados pela SEFAZAM e das (iv) Declarações de Importação Dl n°s 05/08081798, 05/10827572 e 05/12397745, os quais entende terão o condão de comprovar a regularidade das operações de importação realizadas pela requerente. Os citados documentos referemse as operações da empresa no mês de agosto de 2005. É o relatório Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10283.006161/200988 Acórdão n.º 3201001.703 S3C2T1 Fl. 2.430 6 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente, esclarecese que a recorrente já teve atendido seu pleito quanto à realização de diligência com fins de verificar os documentos que anexou aos autos, de forma que o presente processo encontrase pronto para o julgamento, não sendo mais necessário novo procedimento de diligência. A Lei nº 10.865, de 30/04/2004, ao dispor sobre a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidentes sobre a importação de bens e serviços, determinou, em seu artigo 14A, a suspensão da exigência destas contribuições nas importações efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus: Art. 14A. Fica suspensa a exigência das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei nas importações efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA.. A suspensão, contudo, restringese as importações de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus, devendo ainda ser observados os projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa. A manutenção do benefício, portanto, exige que o contribuinte comprove que as aquisições foram, de fato, empregadas em seu processo de industrialização, bem como que foram seguidos os projetos aprovados pela Suframa. Para isso, conforme bem salientado pela autoridade fiscal, é necessário que o contribuinte apresente documentos capazes de demonstrar a destinação dos insumos importados, tais como as notas fiscais de entrada (NFE), o Livro do Controle da Produção e do Estoque, as notas fiscais de saída, relação insumo/produto e o Livro de Registro de Inventário, todos previstos na legislação. A recorrente teve diversas oportunidades para apresentar os documentos comprobatórios de sua regularidade. Até o momento, contudo, a mesma restringiuse a apresentação de documentos referentes aos meses de agosto, novembro e dezembro de 2005, não trazendo nenhuma informação acerca dos demais períodos abarcados neste lançamento, que abrange de 01/02/2005 a 29/12/2005. Observase ainda que a recorrente não apresentou o Livro de Controle da Produção e do Estoque, indispensável para a confirmação que, de fato, as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem importados foram empregados em processo de industrialização. Também deixou de anexar as notas fiscais de saída e a relação insumo/produto. Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10283.006161/200988 Acórdão n.º 3201001.703 S3C2T1 Fl. 2.431 7 Em sendo esta a situação em lide, esclarecese que, em se tratando de benefício fiscal, a comprovação de que um contribuinte encontrase amparado por determinada norma que lhe permite usufruir de deste benefício encontrase na esfera do dever probatório do próprio contribuinte. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, qual seja a de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Como consequência, compete ao contribuinte a comprovação do cumprimento dos requisitos para o não recolhimento dos tributos que estaria sujeito caso não se adequasse ao benefício fiscal. No caso em tela, a recorrente, visando a comprovar seu direito a suspensão da exigência do PISImportação e da CofinsImportação, restringese a informar a impossibilidade de acesso aos documentos, carreando aos autos apenas parte dos documentos necessários a demonstração do cumprimento dos requisitos. A documentação apresentada, contudo, não é suficiente para a demonstrar a recorrente tem direito a suspensão da exigência do PISImportação e da CofinsImportação. Desta forma, tendo em vista que a recorrente não comprovou ter direito ao benefício, voto pelo não provimento do recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 14747.000104/2010-85
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA.RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARROLAMENTO DE TERCEIROS.
Havendo arrolamento de terceiro, e decisão da Câmara no sentido de receber o recurso interposto por este, devem os autos ser restituídos à instância a quo para apreciação da manifestação. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 1802-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA - Presidente.
LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA - Presidente. LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
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ARROLAMENTO DE TERCEIROS. Havendo arrolamento de terceiro, e decisão da Câmara no sentido de receber o recurso interposto por este, devem os autos ser restituídos à instância a quo para apreciação da manifestação. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Presidente. LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 74 7. 00 01 04 /2 01 0- 85 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA 2 Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa J F Comércio de Cereais Ltda. para a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social, PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Nacional, COFINS, referentes aos anos calendários de 2006 e 2007. Na mesma oportunidade, foram imputados aos Srs. José Farias Sobrinho e Hallan Kackson Mendes Farias através da lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidárias. Posteriormente, com a finalidade de formalizar o presente processo para receber a impugnação do Sr. José Farias Sobrinho e Hallan Kackson Mendes Farias, foi providenciada representação, uma vez que ambos se insurgem somente contra a solidariedade passiva que lhes foi imputada. A formalização da Representação é procedimento que se fundamenta na Portaria SRF nº 346, de 28/03/2002, Anexo I, “a”, 2, 2.2, determinando que a imputação parcial de lançamento implica em desdobramento do processo principal. Notificado o contribuinte a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Editais de intimação, este deixou de apresentálos. Desta forma, foi realizado o arbitramento do lucro com fulcro no inciso III do art. 50 do RIR/1999. Os valores lançados foram apurados com base nas informações declaradas pelo sujeito passivo nas Guias de Informações Mensais do ICMS. Lançamentos efetuados para os anoscalendário 2006 e 2007. O Relatório de Ação Fiscal descreve detalhadamente todo o procedimento fiscal. Os responsáveis solidários, devidamente intimados, apresentaram impugnação, alegando, em síntese que (1) não aceitam em qualquer hipótese que os recorrentes sejam qualificados como responsáveis solidários porque não deram causa as infrações apuradas pela fiscalização; (2) que provaram através de alteração contratual que o Sr. Hallan Jackson Mendes Farias retirouse da sociedade em 15/08/2005 e o Sr. José Farias Sobrinho desligouse da empresa em 07/08/2006, e que durante os trabalhos de fiscalização sempre negaram qualquer envolvimento com a empresa fiscalizada; (3) impugnaram todos os documentos juntados ao processo administrativo, que os negócios da autuada atualmente não são do conhecimento dos impuganantes e que jamais descumpriram a lei; (4) requereram a exclusão do polo passivo dos Srs. Hallan Jackson Mendes Farias e José Farias Sobrinho, mesmo que solidariamente responsáveis e que a condenação pelo Auto de Infração seja em sua totalidade dirigida à empresa JF Comércio de Cereais Ltda e seus novos sócios. Em sessão de 23 de junho de 2010, a 3ª Turma da DRJ/REC proferiu o Acórdão que julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: SUJEIÇÃO PASSIVA, RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 14747.000104/201085 Acórdão n.º 1802002.348 S1TE02 Fl. 123.457 3 TERCEIROS ARROLADOS Escapa à competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a análise da responsabilidade de terceiros arrolados nos autos pela Fiscalização. Segundo a autoridade fiscal a impugnação versava apenas contra a responsabilidade solidária imputada aos impugnantes, e no que diz respeito à caracterização da responsabilidade solidária, aquela turma há muito tempo firmou o entendimento de que não compete à DRJ apreciar tal assunto. Aduziu que o referido órgão não é apto a se manifestar quanto à matéria referente à responsabilidade solidária, que é afeta ao órgão responsável por uma possível execução posterior dos valores discutidos nos autos. Ademais, de acordo com a autoridade fiscal, nos termos dos art.s 10 a 16 do Decreto n.º 70.235/1972, somente o lançamento mediante Auto de Infração é que comporta impugnação, não tendo essa mesma característica o mero Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado em nome de terceiros, que não constitui crédito tributário pelo lançamento, entendimento este compartilhado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Com base em todo o exposto, negouse provimento à impugnação, nos termos da ementa incluída acima. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Cientificados da decisão em 15/10/2010, os Recorrentes José Farias Sobrinho e Hallan Jackson Mendes Farias apresentaram impugnações com conteúdo e fundamentações idênticas. Aduzem que apresentaram impugnação fiscal com a finalidade de excluir a imputação de responsabilidade passiva imposta aos recorrentes e que entretanto, a 3ª Turma da DRJREC deixou de apreciar as razões da impugnação ao argumento de que o assunto sobre qual versa exclusivamente a impugnação não é de sua competência. Em suas razões, alegam os recorrentes que: (1) Houve cerceamento do direito de defesa dos autuados, uma vez que a DRJ deixou de apreciar as impugnações apresentadas, sob o fundamento de que a caracterização da responsabilidade solidária não é matéria apta à DRJ e sim ao órgão responsável por uma execução posterior para cobrança do débito discutido nos autos. Aduz que todas as atividades que compõe o lançamento tributário, inclusive a identificação do sujeito passivo, devem ser revisadas pelas instâncias administrativas quando provocadas a emitir juízo de legalidade a respeito. Que a manutenção da decisão a quo imputaria em completo cerceamento de defesa dos recorrentes na esfera administrativa, uma vez que não participaram na condução dos negócios da empresa fiscalizada, não estando aptos a defende os aspectos próprios ao mérito do Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA 4 lançamento, como, por exemplo, a ocorrência ou não do fato gerador imputado ou quais os montantes tributáveis. Por estas razões, entende que a decisão da DRJ é nula e desrespeita as garantias constitucionais dos recorrentes. Requer o reconhecimento da nulidade da decisão e o retorno dos autos à primeira instância para efetiva apreciação das razões de impugnação. (2) Para o caso do não reconhecimento da nulidade da a quo, e caso este Conselho decida por apreciar diretamente as razões do recurso, narram os impugnantes que os fatos geradores objeto da fiscalização levada a efeito ocorreram em 2006 e 2007. Discorrem sobre a retirada de sociedade dos impugnantes, sendo que no Recurso do impugnante José Farias Sobrinho, este afirma que retirouse da sociedade em agosto de 2006, ao passo que o Sr. Hallan Jackson Mendes Farias, em seu recurso, afirma ter se retirado da empresa em agosto de 2005. Além disso, reiteram as razões suscitadas na impugnação de que não há provas que os recorrentes eram administradores da empresa investigada, que a procuração particular outorgada em favor do recorrente José Farias Sobrinho não é suficiente para responsabilizálos eis que a natureza do mandato não lhe conferia poderes de administração da sociedade. Requerem que este conselho aprecie o mérito da impugnação e afaste a imputação da responsabilidade solidária imposta aos recorrentes. (3) Finalmente, para o caso deste Conselho entender que o assunto em debate é de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional requerem a anulação dos “Termos de Sujeição Passiva Solidária” lavrado pelo agente fiscalizador, por incompetência da autoridade que o elaborou. Entendem que não podem os auditores fiscais da Receita Federal ter competência para impor responsabilidade tributária a terceiros, por entender que esse assunto é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional e ao mesmo tempo não ser admitida a apreciação de impugnação apresentada pelos imputados responsáveis pelas instâncias administrativas. Requerem assim a anulação do “Termos de Sujeição Passiva Solidária”. Esse o Relatório. Segue o Voto. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 14747.000104/201085 Acórdão n.º 1802002.348 S1TE02 Fl. 123.458 5 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 15/10/2010 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 20/10/2010. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de recurso voluntários interpostos pelos Srs. José Farias Sobrinho e Hallan Jackson Mendes Farias, que se insurgem tão somente contra a solidariedade passiva que lhes foi imputada. A Turma de Julgamento não julgou a imputação de responsabilidade às pessoas físicas dos recorrentes, ao fundamento de que se trata de matéria de execução, de exclusiva competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Entretanto, considerando o direito constitucional de ampla defesa e considerando a posição doutrinária de que a responsabilidade tratada no art. 128 do CTN constitui sujeição passiva indireta, bem como levandose em conta a existência do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", entendo que as pessoas nele mencionadas tem o direito de discutir a imputação da responsabilidade tributária na esfera administrativa. Nos presente autos, foram formalmente lavrados "Termos de Sujeição Passiva Solidária", em nome dos recorrentes José Farias Sobrinho e Hallan Jackson Mendes Farias razão pela qual voto no sentido de que eles tem o direito de se defender na esfera administrativa, e conheço dos recursos. A decisão a quo não se manifestou acerca da responsabilidade tributária, de forma que no meu entendimento a apreciação dos recursos dos responsabilizados por este Conselho representa supressão de instância. Desta forma, entendo que os autos devem ser restituídos a DRJ para apreciação das razões apresentadas nas impugnações ofertadas pelos responsabilizados. As reiteradas decisões deste Órgão Julgador culminaram na edição da Súmula 71 do CARF, cujo enunciado é o seguinte: "Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade". Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para anular a decisão de 1ª instância, determinando o retorno dos autos à 3ª Turma da DRJ em Recife, para Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA 6 apreciação das razões de impugnação dos responsabilizados, no que se refere aos termos de responsabilidade tributária. É o meu VOTO. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 24/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 15771.724184/2012-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2012, 05/09/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2012, 05/09/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2012, 05/09/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 41 84 /2 01 2- 95 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 333DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.724184/201295 Acórdão n.º 3803006.497 S3TE03 Fl. 333 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/08/2012, 05/09/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 02/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 15/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.724184/201295 Acórdão n.º 3803006.497 S3TE03 Fl. 334 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.724184/201295 Acórdão n.º 3803006.497 S3TE03 Fl. 335 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13884.004026/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
AJUSTE DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. ESCRITURAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE DA CORREÇÃO.
O ajuste de exercícios anteriores nos registros contábeis da pessoa jurídica promovido antes do início do procedimento de fiscalização opera efeitos para determinação da natureza jurídica da operação. A imposição tributária recai sobre a operação ajustada contabilmente antes de iniciado o procedimento fiscal.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
A comprovação da origem dos depósitos bancários afasta o lançamento com base em omissão de rendimentos.
Numero da decisão: 2201-002.504
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo: I - do item 2 do Auto de Infração (Rendimentos Atribuídos a Sócios de Empresas) o valor de R$ 210.617,00, no ano-calendário de 2000; e II - do item 3 do Auto de Infração (Depósitos Bancários de Origem não Identificada) o valor de R$ 32.141,06, no ano-calendário de 1999. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Verônica Aparecida Magalhães da Silva, OAB/SP 316.959.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 06/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ESCRITURAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE DA CORREÇÃO. O ajuste de exercícios anteriores nos registros contábeis da pessoa jurídica promovido antes do início do procedimento de fiscalização opera efeitos para determinação da natureza jurídica da operação. A imposição tributária recai sobre a operação ajustada contabilmente antes de iniciado o procedimento fiscal. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A comprovação da origem dos depósitos bancários afasta o lançamento com base em omissão de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo: I do item 2 do Auto de Infração (Rendimentos Atribuídos a Sócios de Empresas) o valor de R$ 210.617,00, no ano calendário de 2000; e II do item 3 do Auto de Infração (Depósitos Bancários de Origem não Identificada) o valor de R$ 32.141,06, no anocalendário de 1999. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Verônica Aparecida Magalhães da Silva, OAB/SP 316.959. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 40 26 /2 00 4- 11 Fl. 719DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio do Auto de Infração (de fls. 453 e seguintes) lavrado em 13/12/2004, exigese do Contribuinte ISMAEL VITÓRIO PULGA o montante de R$ 1.081.799,44 de imposto sobre a renda da pessoa física, R$ 814.997,10 de juros de mora e R$ 811.349,57 de multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 2.708.146,11 (atualizado até a data da autuação), referente aos anos calendário 1999 e 2000. O Auto de Infração contempla as seguintes infrações: (i) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, nos anos calendário 1999 e 2000; (ii) Lucro (real, arbitrado ou presumido) Distribuído ao Sócio ou Acionista excedente ao escriturado no ano calendário de 2000 e (iii) Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não comprovada no ano calendário 1999. A Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 454 e seguintes relata: (i) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas · O Contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização fiscal em 02/02/2004 e foi intimado a apresentar os extratos bancários das contas correntes e aplicações financeiras. Após análise dos extratos o Contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores creditados em contacorrente. · O Contribuinte solicitou prorrogação de prazo, apresentando cópia de petição protocolizada junto à 1ª Vara da Justiça Federal de São José dos Campos, aonde solicita a devolução dos documentos necessários para tal fim, os quais foram apreendidos quando de diligencia de busca judicial datada de 05/11/2003. O Contribuinte apresentou cópias do processo onde constava manifestação do Ministério Público e o despacho decisório que indeferia o pedido para a liberação da documentação apreendida. · Foi lavrado o Termo de intimação fiscal nº 006 onde era novamente solicitado a comprovação dos créditos, agora também para o ano calendário de 2000, e quais tiveram como origem a distribuição de lucros das empresas nas quais o contribuinte é sócio. · Em 25/10/2004, o Contribuinte informou que os créditos e/ou depósitos ocorridos no período de janeiro de 1999 a setembro de 2000 em sua conta corrente no montante de R$ 2.272.862,33 tiveram como origem a cessão de direitos creditórios de títulos da dívida agrária no valor de R$ 2.913.443,80. Afirmou que os valores lançados a crédito na conta corrente tinham como origem os valores recebidos diretamente das pessoas jurídicas que firmaram contratos de prestação de serviços com a empresa IPCA Ismael Pulga Consultores Associados S/C LTDA. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13884.004026/200411 Acórdão n.º 2201002.504 S2C2T1 Fl. 3 3 · Analisando a resposta do contribuinte com as informações contidas no inquérito policial, restou comprovado: (i) os depósitos em conta corrente do Contribuinte efetuados diretamente pela empresa Fibam Comp Industrial, em valores superiores a R$ 1.150.000,00; (ii) a empresa IPCA Ismael Pulga Consultores Associados S/C LTDA tem como sócio majoritário (99,5%) o Contribuinte, sendo este o único responsável pela administração; (iii) em relação à movimentação financeira da empresa, mesmo não havendo registro da conta Bancos nos livros Diário e Razão a empresa tem conta corrente própria, conforme extratos bancários obtidos na análise do inquérito policial, logo resta comprovado que houve ingresso na conta corrente do Banco BCN S.A. de titularidade da empresa de valores com histórico de depósitos e cobranças no valor de R$ 3.066.154,15 e R$ 1.999.699,75 para os anos de 1999 e 2000, respectivamente; ficando assim comprovado que a empresa mantinha conta corrente ativa para os anos fiscalizados não se justificando que o Contribuinte recebesse os valores dos contratos em sua conta, ou seja independente do contrato que gerou os ingressos, da origem ou da forma que foram percebidos esses valores, foi o Contribuinte o beneficiário dos valores pagos pela empresa acima citadas; (iv) em relação às receitas escrituradas e declaradas – a empresa IPCA Ismael Pulga Consultores Associados S/C LTDA apresentou uma receita bruta operacional no valor de R$ 213.800,00 para o ano calendário de 1999 e de R$ 408.000,00 para 2000. Apresentou ainda um processo de parcelamento no qual a empresa recebia débitos anteriores de IRPJ para o 1º trimestre de 1999 no valor de R$5.942,85 e R$ 31.337,15 para o 1º trimestre de 2000. Assim, após análise ficou provado que a empresa IPCA não reconheceu os contratos apresentados em sua contabilidade e ainda, tem movimentação financeira suficiente para o total das receitas escrituradas mesmo se considerarmos os valores adicionados no pedido de parcelamento. · Foi lavrado termo de intimação fiscal nº 008 com solicitação da comprovação dos valores lançados a crédito, que totalizam R$ 280.929,04, nas contas de poupança do Contribuinte para o Banco Bradesco, cujos os extratos foram obtidos através de Requisição de movimentação financeira, que foi fruto da não apresentação destes extratos. Em resposta, o Contribuinte informa que o valor de R$ 280.929,04 já se encontra com a origem comprovada com documentação hábil e idônea dentro do valor excedente e comprovado de R$ 640.581,47, cuja documentação foi entregue em 15/10/2004. · O Auditor Fiscal informa que o valor de R$ 640.581,47 que o Contribuinte faz referência é proveniente da diferença entre os valores apresentados nos contratos de cessão de direito creditórios de títulos da dívida agrária no total de R$ 2.913.443,80, menos o total de créditos, em conta corrente no montante de R$ 2.272.862,33 que havia sido intimado nos termos de intimações nº 005 e 006. Assim, não pairam dúvidas que o valor de R$ 2.553.791,37 (R$ 2.272.862,33 + $ 280.929,04) provenientes dos contratos de cessão de direito de creditórios de títulos da dívida agrária apresentados pelo Contribuinte ingressaram na conta corrente da pessoa física sem nunca terem transitado na pessoa jurídica IPCA Ismael Pulga Consultores Associados S/C LTDA, fica claro que o Contribuinte se beneficiou do valor total sem ter reconhecido esses valores como rendimentos bruto tributável conforme preconiza os art. 37 e 38 do RIR/99. (ii) Lucro Distribuído à Sócio ou Acionista Excedente ao Escriturado · Os rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro presumido, excede o valore escriturado, nos termos do item 51 e parágrafos da IN SRF nº 11/96. · O Contribuinte foi intimado apresentar os documentos que comprovam os valores lançados a título de rendimento isentos e não tributáveis que consta da DIRPF da transferência de valores através do cheque CPMF em 25/08/2000 de R$ 700.000,00 de conta bancária da IPCA Ismael Pulga Consultores Associados S/C LTDA, para conta do Contribuinte. · Em resposta, o Contribuinte apresentou a relação dos valores lançados como isentos. Analisando as informações obtidas no livro Razão, verificase que a empresa escriturou e distribuiu R$ 428.095,30, através da conta caixa, porém não há referência ao lançamento efetuado em 25/08/2000 no valor de R$ 700.000,00. Assim, fica comprovado que o Contribuinte recebeu da empresa no ano calendário 2000, R$ 428.095,30 (valor escriturado) e R$ 700.000,00 de valor não escriturado. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Consta na demonstração do resultado do exercício de 2000 o resultado do período de R$ 359.033,80 e na demonstração de lucros/prejuízo um saldo anterior de lucros acumulados de R$ 73.095,30. Totalizando assim, R$ 432.129,10 o saldo de recursos a serem distribuídos no ano calendário de 2000. · A empresa distribuiu R$ 428.095,30, restando como saldo de lucros ou prejuízos acumulados o valor de R$ 4.033,80. Assim, ficou comprovado que o Contribuinte se beneficiou de rendimentos que não haviam sido apurados em balanço da pessoa jurídica e não reconhecidos como rendimento tributável na pessoa física no valor de R$ 695.966,20 (700.000,00 + 428.095,30 – 432.129,10). (iii) Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não comprovada · Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta poupança, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, afirmando inclusive não se o titular da conta corrente. · O Contribuinte apresentou resposta em 15/03/2004 listando a relação de bancos onde manteve contas no período fiscalizado. Nesta relação consta a conta de poupança nº 1.773.2153. Porém, não apresentou os extratos. Em 16/04/2004, o Contribuinte apresentou parcialmente os extratos solicitados, mas não foram apresentados os extratos do Banco BCN, que só vieram a ser apresentados em 01/06/2004. · Após diversas intimações para apresentar os extratos da poupança no Banco BCN, os referidos extratos foram obtidos através do acesso ao Inquérito Policial obtidas através da petição do PGFN deferida pelo Juiz Federal competente. · Da análise dos extratos do Banco BCN resultou o termo de intimação nº 008, no qual era solicitado a comprovação da origem do crédito na conta poupança nº 1.773.215 no valor de R$ 703.270,17. Quando indeferida a segunda prorrogação de prazo para resposta, o Contribuinte, em 07/12/2004, informou que nunca foi titular da conta corrente nº 1.773.2153 no Banco BCN. O Auditor Fiscal lavrou termo de esclarecimento às fls. 300 relatando o ora exposto, juntando as cópias dos extratos do banco e atestando restar comprovado a titularidade da conta e a não comprovação da origem do crédito no montante de R$ 703.270,17. O Contribuinte tomou ciência da infração no corpo do próprio Auto de Infração no dia 15/12/2004, às fls 467, tendo apresentado Impugnação (de fls. 482), em 12/01/2005, na qual trouxe as seguintes alegações: · PROVA ILÍCITA – SIGILO BANCÁRIO. A autuação com base em depósitos bancários, nos anos calendário de 1999 e 2000, se afigura ilegal, diante da irretroatividade do Decreto nº 3.724/01 que autorizou esse procedimento. Destacando que até então vigorava a Lei n° 9.311/1996 (CPMF) que, em seu art. 11, § 2°, permitia às autoridades fiscais terem acesso aos valores globais das operações financeiras de cada contribuinte, embora não fosse legalmente possível utilizar essas informações para fins fiscais. O próprio Decreto nº 3.724/01 revestese da condição de inconstitucionalidade, pois viola o direito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas (art. 5°, X), além de violar o sigilo de correspondência e comunicações (art. 5°, XII). Não observância dos requisitos para abertura dos dados bancários na forma do Decreto nº 3.724/2001. · COMPROVAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Esclarece que todos os valores de depósitos bancários objeto do Auto de Infração foram demonstrados e comprovados no curso da ação fiscal e oferecidos à tributação na pessoa jurídica — IPCA Ismael Pulga Consultores Associados S/C Ltda, primeiramente em 30 parcelas e, posteriormente, juntamente com os tributos devidos em 1998 e outros apurados, pelo seu contador, mediante opção pelo "PAES". Todos os dados foram fornecidos ao auditor e colocados a sua disposição — os livros Diário e Razão, contendo os lançamentos das receitas relativas aos depósitos efetuados pelos devedores de direitos creditórios de TDAs na conta corrente do autuado. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13884.004026/200411 Acórdão n.º 2201002.504 S2C2T1 Fl. 4 5 · COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Às fls. 446 o AFRF afirma que as receitas dos contratos de cessão de direitos creditórios dos TDA's firmados com a Eriline Telecom Eng. Ltda não foram reconhecidas pela IPCA; apenas R$2.400,00 constaram como recebidos. Ocorre que os R$2.400,00 referemse a notas fiscais de prestação de serviços, registradas e tributadas como tal (anexos 11 a 13). Não atentou o autor do feito para os lançamentos dos Ajustes de Exercícios Anteriores efetuados na pessoa jurídica IPCAIsmael Pulga Consultores Associados S/C Ltda, nos anos de 2001 e 2003, onde foram oferecidos à tributação todos os valores pagos àquela pessoa jurídica, constantes dos contratos de cessão de direitos creditórios dos TDA's, quer os depósitos tenham sido efetuados na pessoa física do seu sócio majoritário, como ocorreu no caso da FIBAM, por razão já explicadas, quer tenham sido objeto de depósito na conta corrente da pessoa jurídica, nos demais contratos. O Contribuinte relaciona alguns valores de Cessão de Direitos Creditórios de TDA's e respectivos ganhos de capital registrados nos Livros Diário (anexos 18 a 27) e aqueles constantes dos contratos e relacionadas às fls. 445. · Não foram considerados nesses totais possíveis valores relativos à cessão de direitos creditórios sobre TDA's vendidos em 1998 e recebidos em 1999 e 2000. Portanto, todos os pagamentos relacionados às fls. 209 e 210 do processo foram devidamente contabilizados na pessoa jurídica IPCA, como "Ajustes de Exercícios Anteriores". Os respectivos contratos estão anexados às fls. 212 a 238. Improcedente, portanto, a afirmação do autor do feito, às fl. 446, onde conclui que "Analisando a ficha 43 (da DIPJ), verificase que o montante de rendimento bruto recebido da empresa Eriline Telecom Eng. e Serv. Ltda, num universo de R$ 383.000,00, informados no demonstrativo acima citado, ou seja, 93,8% da receita bruta declarada (R$408.000,00) da empresa IPCA, foi de R$2.400,00, e considerando que todos os contratos de cessão de Títulos da Dívida Agrária apresentados anteriormente para justificar a origem dos créditos em conta corrente do Contribuinte no ano calendário de 2000, foram firmados com a empresa Eriline Telecom Eng. e Serv. Ltda, fica provado que realmente as receitas destes contratos não foram reconhecidas pela IPCA, que essas receitas também não transitaram pela conta corrente da empresa, confirmando que o beneficiário das receitas foi efetivamente o Contribuinte. Ora, conforme amplamente provado, as receitas da IPCA, pela sua natureza, são os ganhos de capital obtidos na cessão de direitos creditórios e não o valor de venda dos TDAs, cuja titularidade é dos proprietários das terras que originaram os títulos; e, como restou provado, todas as receitas relativas ao ganho de capital, de todos os contratos firmados pela IPCA com os adquirentes daqueles títulos, inclusive os da Eriline, foram oferecidas à tributação nos anos de 2001 e 2003, relativamente aos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, razão porque resultam totalmente improcedentes os valores relacionados às fls. 448, no total de R$2.272.862,23 e de R$280.929,04 e, por consequência, carece de qualquer fundamento a afirmação do autor do feito, no último parágrafo da mesma folha. · Restando comprovado que os ganhos de capital devidos em cada contrato foram objeto de tributação, inclusive quando os depósitos efetuados pelos adquirentes transitaram pela conta corrente do sócio majoritário da IPCA e, ainda, que os créditos tributários originados dos lançamentos das receitas de 1998 a 2000, a título de Ajustes de Exercícios Anteriores, foram objeto de retificação das respectivas DIPJs e DCTFs e incluídos em pedido de parcelamento e, posteriormente, consolidados no PAES, conforme docs. de fls. 245 a 249 e 252 a 258 do processo, pretender que o Contribuinte sofra autuação com base nos valores de venda dos direitos creditórios, como se todo recebimento (depósitos em conta) fosse rendimento tributável e não apenas ganho de capital na cessão de direitos, quando se comprovou pelos lançamentos no Diário ter sido a IPCA a beneficiária dos rendimentos e não seu sócio, é distorcer os fatos. Afinal, os lançamentos das receitas originadas dos contratos de cessão de direitos creditórios de TDAs relativos a 1998, 1.999 e 2000, ocorreram muito antes da ação fiscal. · Às fls. 454; o autor do feito arrola como depósito de origem não comprovada, o valor de R$703.270,17 do total apurado em março de 1999. Conforme declaração de bens do anobase de 1998, do Contribuinte, o mesmo possuía, aplicado em títulos de renda fixa, no BCN, o valor de R$600.600,00 (fl. 27); em 27/01/1999 resgatou, a crédito da conta 927.1747, o principal mais rendimentos, totalizando R$648.298,26, valor este que, somado aos demais valores da mesma conta, totalizaram R$680.000,00, valor este que foi transferido para a conta 2.249.4538, zerando o saldo da conta 927.1747 (docs. 15 e 16). Em 29/01/1999, o valor de R$680.000,00 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 foi aplicado e, em 01/03/1999, o mesmo valor foi acrescido de atualização, no valor de R$ 8.522,44, mais juros de R$ 3.442,61, totalizando R$ 691.965,05 que, aplicado até 29/03/1999, totalizou o valor de R$ 701.705,26. Esse valor de R$ 701.705,26, acrescido de R$ 1.564,91, compôs o total de R$ 703.270,17 (anexos 17 e 17A) que foi retirado da conta 2.249.4538 em 29/03/1999, e creditado na mesma data, na conta 1.773.2153, como depósito inicial. Assim, restou, portanto, perfeitamente comprovada, a origem do depósito de R$ 703.270,17 que compôs a base de cálculo do crédito tributário exigido no ano de 1999. · De se notar que ambas as contas referemse a poupança "dia a dia". O quadro (anexo 28) demonstra a origem dos valores aplicados, respectivos rendimentos e transferências, totalizando o depósito de R$703.270,17 que o autor do feito tributou como de origem não comprovada, porém, por não ter sido aceito o último pedido de prorrogação, referido demonstrativo deixou de ser entregue, o que teria evitado o lançamento sobre um depósito que tem origem comprovada. · COMPROVAÇÃO DO LUCRO DISTRIBUÍDO A SÓCIO OU ACIONISTA EXCEDENTE AO ESCRITURADO. Às fls. 451, o autor do feito considerou como lucro distribuído o valor de R$700.000,00, transferido da conta corrente da IPCA, em 25/08/2000, para a conta corrente do seu sócio (Contribuinte), na mesma data (docs. de fls. 313 e 85). O autuante, após considerar os lucros distribuídos no ano 2000, inclusive lucros antecipados, apurou um saldo no valor de R$695.966,20 (fl. 451) que tributou como outros rendimentos, face à inexistência de saldo de lucros a distribuir do período e de exercícios anteriores. Dirseia tratarse de "lucros ocultos", uma vez que não houve segundo pesquisa do AFRF no livro Diário, o registro contábil da transferência do valor de R$ 700.000,00 da IPCA para a pessoa física de seu sócio majoritário, o que caracterizaria, inclusive, omissão de receita na pessoa jurídica face à manutenção daquele valor à margem da escrituração. Todo esse raciocínio estaria correto se não houvesse a pessoa jurídica IPCA oferecido à tributação, em 2001 e 2003, as receitas até então não escrituradas naqueles anoscalendário e, por consequência, apurado os respectivos ganhos de capital. Consoante documentos anexos 18 a 27, as receitas reconhecidas como Ajustes de Exercícios Anteriores somaram R$1.035.530,14, lançadas em 2003, porém, relativas aos anos calendário de 1998 e 1999 (anexos 02 a 07) e, em 2001 foram registradas as receitas da mesma espécie totalizando R$ 210.617,00 (anexo 30), tendo os respectivos tributos sido objeto de parcelamento. Os quadros (anexos 02 a 07) demonstram os valores escriturados em 2003 (anexos 19 a 21) relativos aos ganhos de capital na cessão de direitos creditórios de TDA's (R$1.035.530,14), o valor dos tributos devidos (R$326.965,62) e o valor líquido que, por se referir a ganho de capital, considerase como lucro líquido passível de distribuição aos sócios da pessoa jurídica, porque tributados. Considerese, ainda, o lucro líquido, registrado, também, como Ajustes de Exercícios Anteriores, relativo a 1998 a 2000 (anexo 19 a 21). Considerando que o autuado, ao anteciparse à fiscalização, ofereceu à tributação todas as receitas (ganhos de capital), realizadas em 1998, 1999 e 2000, claro está que o lucro líquido apurado em razão dos Ajustes de Exercícios Anteriores tornouse uma "reserva livre". Assim sendo, os R$ 700.000,00 não foram contabilizados a título de lucro distribuído (ou a qualquer título), por se referirem a receitas não escrituradas; com a regularização das receitas e apuração de lucro líquido superior a R$900.000,00 (anexos 02 a 07 e 30) regularizase, obviamente, o referido valor de R$700.000,00, a título de lucro distribuído, tributado na pessoa jurídica. Insubsistente, portanto, o lançamento do crédito tributário sobre o valor de R$ 695.966,20 porque os procedimentos adotados pela pessoa jurídica IPCA, ao oferecer à tributação receitas de 1998 a 2000, não escrituradas naqueles períodos, apurando um lucro líquido de impostos superior a R$900.000,00, viabilizou a regularização da transferência dos R$700.000,00 da conta bancária da pessoa jurídica para a pessoa física do Contribuinte. · O valor de R$280.929,04, que o autor do feito considerou, às fls. 448, como sendo depósitos oriundos de contratos cujos recebimentos não transitaram pela contabilidade da IPCA. Conforme demonstrado no subitem 2.2.1, a IPCA regularizou todos os depósitos relacionados às fls. 444/445 que, somente em relação ao ano de 1999, totalizaram R$1.730.572,80, enquanto que o total da relação de fls. 444/445 relativo ao mesmo ano, é de R$1.340.830,00, ou seja, a pessoa jurídica IPCA registrou em sua contabilidade recebimentos superiores àqueles relacionados pelo autor do feito, em R$389.742,00. Consequentemente, estando dentro desse valor, os R$280.929,40 tributados no Auto de Infração. A 7ª Turma da DRJ/SP2 na sessão de 27/10/2009 pelo Acórdão 1735.836 de fls. 551 julgou procedente em parte a Impugnação, excluindo o valor de R$ 668.991,00, referente ao lançamento de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de Fl. 724DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13884.004026/200411 Acórdão n.º 2201002.504 S2C2T1 Fl. 5 7 origem não comprovada, por corresponder a resgate de aplicações financeiras do Contribuinte, nos seguintes termos: SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. Incabível falar em quebra de sigilo bancário, bem assim em obtenção ilícita de provas, relativamente aos extratos bancários providenciados pelo próprio contribuinte ou conseguidos mediante prévia autorização judicial. REQUISIÇÃO. INFORMAÇÕES FINANCEIRAS. SIGILO FISCAL. Com o procedimento fiscal iniciado com a ciência ao contribuinte do Termo de Início de Fiscalização e com o exame dos dados bancários considerado indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização pela autoridade competente, cumpremse os requisitos exigidos em lei para a requisição de informações sobre movimentação financeira junto às instituições financeiras. As informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal, a par de amparada legalmente (Lei Complementar n° 105/2001; Decreto n° 3.724/2001; Lei n° 5.172/1966, art. 197, inciso II; Decreto n° 3.000/1999, art. 918), não implicam quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Eventual regularização posterior havida na escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica, da qual o contribuinte é sócio, ainda que anteriormente ao início da ação fiscal, não tem o condão de afastar a tributação dos rendimentos comprovadamente percebidos pelo contribuinte pessoa física, repasssados diretamente pelas empresas em conta bancária do interessado. LUCRO DISTRIBUÍDO AO SÓCIO EXCEDENTE AO VALOR ESCRITURADO. A isenção se aplica em relação aos lucros ou dividendos distribuídos por conta de lucros apurados em balanço da pessoa jurídica. O valor da parcela creditada ao sócio que excedeu os valores escriturados é tributável na forma da lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Excluise da base de cálculo lançada a parcela do depósito bancário, cuja origem de recursos restou justificada em resgate de aplicações financeiras, que o contribuinte possuía no final do exercício anterior. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR de fls. 581 em 11/11/2009, vindo apresentar Recurso Voluntário de fls. 589 e seguintes em 10/12/2009, aduzindo: · Entre os anos de 1998 e 2000 sua empresa adquiriu DIREITOS CREDITÓRIOS SOBRE TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA (TDAs) emitidos pelo INCRA em processo de desapropriação que tramita pela 2ª Vara Federal de Foz do Iguaçu, PR, e cedeu tais direitos a terceiros, como se vê dos contratos acostados às fls. 212 a 239. · Verificouse, então, que os rendimentos advindos das CDCs haviam sido lançados, em 2001 e 2003 (muito antes da instauração do procedimento fiscal), como "ajuste de exercícios anteriores", pela pessoa jurídica (confiramse fls. 502 a 511), por ela oferecidos à tributação e objeto de parcelamento inicialmente concedido sob n° 13884001627/200200, cujo saldo foi depois englobado no PAES (n° 13884.452.211/200418). As prestações desses parcelamentos vinham sendo regularmente quitadas quando sobreveio a Lei nº 11.941/09, que, ao estabelecer o chamado "parcelamento da crise", ofereceu melhores condições aos contribuintes. A IPCA Ltda. aderiu, então, à nova modalidade de parcelamento, no qual foram englobados os saldos dos Fl. 725DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 parcelamentos anteriores — tudo conforme demonstração que se anexa à presente, invocando o permissivo do artigo 16, parágrafo 4°, alínea "h" do Decreto n° 70.235/72. As parcelas desse novo parcelamento vêm sendo pagas com absoluta regularidade, como se pode constatar em simples consulta à Receita Federal, via internet. · Alguns contratantes com a pessoa jurídica haviam, entretanto, efetuado pagamentos através de depósitos em conta bancária da pessoa física do sócio — e disso resultam os valores exigidos neste processo. Essa confusão é compreensível, porque na prática a pessoa jurídica IPCA ISMAEL PULGA CONSULTORES se confunde com a pessoa física de seu titular ISMAEL PULGA, única que atua em nome da pessoa jurídica. Admitese que se trata de irregularidade. Mas essa irregularidade depósitos bancários em conta da pessoa física para quitar obrigações com a pessoa jurídica não pode deixar de ser levada em conta na apreciação do processo, sob pena de se consagrarem situações de clamorosa injustiça. · Aponta que todos os contratos que deram origem aos depósitos foram celebrados pela pessoa jurídica que ofereceu à tributação os rendimentos correspondentes conforme se lê nos livros fls. 502 a 511. O fato dos cessionários desses contratos haverem pago mediante depósitos em conta bancária da pessoa física do sócio constitui mera irregularidade, já que os valores não lhe eram devidos, mas sim à pessoa jurídica em cuja a contabilidade estavam corretamente lançados, e que por ela haviam sido oferecidos a tributação. · Todos os valores correspondentes aos contratos de fls. 212/239, que incluem os que o Sr. Agente Fiscal relaciona às fls. 449/450 e o Acórdão às fls. 530/531, foram oferecidos à tributação pela pessoa jurídica, antes do procedimento fiscal, e incluídos em parcelamento que vem sendo regularmente satisfeito — como se pode constatar, repitase, por simples consulta à própria Receita, via internet. Assim, nova tributação sobre tais valores, agora na pessoa física constitui bitributação. · Caso se compreenda que tais créditos foram descaracterizados como créditos de pessoa jurídica, requer o reconhecimento de que tais créditos correspondem à cessões de direitos creditórios, consubstanciariam ganho de capital, tributáveis à alíquota de 15% e não simplesmente recebimentos de pessoas jurídicas, tributáveis a alíquota de 27,5%. · O agente fiscal não encontra base para a transferência, em 25/08/2000, de um cheque de R$ 700.000,00 da conta bancária da pessoa jurídica para a conta bancária da pessoa física, porque não atenta para o ajuste de exercícios anteriores, devidamente comprovado nos autos. Observado esse ajuste, tornase perfeitamente regular a distribuição ao sócio, naquele exercício, de R$ 1.128.095,30, não havendo o "saldo excedente ao escriturado de R$ 695.966,20. Esse saldo só existe se não for considerado (como não foi em primeira instância) o ajuste de exercícios anteriores documentado às fls. 502 a 511. · Destaca que ser sem razão a afirmação do acórdão de primeira instância que "A escrituração posterior não tem o condão de restabelecer a isenção" (fls. 547). Isto porque o ajuste de exercícios anteriores, por iniciativa espontânea do contribuinte, é perfeitamente regular e produz todos os efeitos que produziria a declaração ajustada. No caso, havia a transferência de um cheque da pessoa jurídica para a pessoa física, caracterizando distribuição de lucros a sócio. · Acolhendo quase inteiramente a defesa, no que concerne a essa suposta infração, o Acórdão recorrido apenas não aceitou a afirmação de que um depósito bancário no valor de R$ 32.141,06 teria decorrido de liquidação de contrato swap. Isso porque — afirma o Acórdão o informe bancário de fls. 27 "não noticia a existência de saldo de operações de SWAP em 31/12/1998" (fls. 548). O órgão julgador de primeira instância assim concluiu porque deixou de atentar para a circunstância de que o valor questionado é rendimento pago pelo Banco por ocasião do resgate da aplicação. · Ora, o contrato só foi resgatado em 27/01/99 — de modo que nessa data é que houve o crédito referente à liquidação, como se vê do documento de fls. 498.Corrigido esse engano, a defesa há de ser inteiramente acolhida, evidenciandose a inocorrência também dessa terceira alegada infração. Através da Resolução nº 2202000.187 de 13/03/2012, às fls. 631, a 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o Processo Administrativo Tributário Fl. 726DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13884.004026/200411 Acórdão n.º 2201002.504 S2C2T1 Fl. 6 9 com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no Supremo Tribunal Federal (STF) através do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, § 1º, do CPC, combinado com art. 323, § 1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente, a Portaria MF nº 545/13 revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O Contribuinte em sede de Memoriais apresentou questões preliminares, como: sigilo bancário e intimação de cotitulares da conta bancária. Considerando que tais argumentos não foram trazidos em sede impugnatória e/ou recursal, mas sim em momento posterior, quando o prazo para apresentação dos recursos cabíveis já havia se encerrado, as referidas matérias não serão apreciadas por preclusão. E, ainda que fossem, apenas por amor ao debate, a questão relacionada a cotitularidade das contas bancárias não mereceria prosperar, pois a alegação de nulidade do Auto de Infração trazida pelo Contribuinte, tendo em vista que a conta que se trata de conjunta nº 36.6999 da agência 02259 não foi objeto do lançamento com base em depósito bancário. Confirase trecho do Auto de Infração (fls. 465): Provada a titularidade da conta poupança 1.773.215 agência 064 do BCN, fica claro que o fiscalizado não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem do crédito no montante de R$ 703.27'0, afirmando inclusive não ser o titular da conta corrente, o que já foi comprovado não ser verdade. Caracterizando assim omissão de receita, que está sendo cobrado através do presente auto de infração. A conta bancária alegada pelo Contribuinte como sendo conjunta (cotitular), na verdade, foi alvo da autuação com base em Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica e não Omissão de Rendimentos com base em Depósito Bancário de Origem não Comprovada, logo resta inaplicável a racionalidade da Súmula do CARF nº 29. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 1. Lucro Distribuído a Sócio Excedente ao Escriturado A Autoridade Lançadora considerou ao analisar as informações obtidas no Livro Razão, que a empresa escriturou e distribuiu R$ 428.095,30 a título de lucros aos sócios, porém não há referência ao lançamento efetuado em 25/08/2000 no valor de R$ 700.000,00. Assim, considerou comprovado que o Contribuinte recebeu da empresa no ano calendário 2000, a título de dividendos, o valor de R$ 428.095,30 e o valor de R$ 700.000,00 recebido pelo Contribuinte da empresa, por meio de cheque, não foi considerado como distribuição de dividendos, por não haver lastro de lucro na empresa que suporte tal distribuição. O Contribuinte aponta que promoveu os ajustes nos anos calendários de 2001 e 2003 relacionado a exercícios anteriores, conforme cópia dos livros Diários de fls. 520 e 529, o que torna perfeitamente regular a distribuição de lucros ao sócio, naquele exercício de R$ 1.128.095,30, gerando um saldo excedente de R$ 695.966,20. A 7ª Turma da DRJ/SP2 aponta que a escrituração posterior de receitas de 1998 a 2000, realizadas em 2001 e 2003, não têm o condão de restabelecer a isenção (distribuição de dividendos), pois que efetuada a destempo, depois de consumado o fato gerador do imposto sobre a renda, caracterizado pelo pagamento ao sócio majoritário, na época, de numerário que sequer havia sido objeto de apuração de resultado em balanço da pessoa jurídica. Ou seja, entendeu o órgão de 1ª instância que à época da ocorrência do fato gerador, quando a pessoa jurídica disponibilizou a quantia de R$ 700.000,00 na conta corrente do seu sócio majoritário (Contribuinte), não havia sido cumpridos os requisitos essenciais para tornar a operação isenta do imposto sobre a renda da pessoa física. Em que pese a manifestação proferida pela d. 7ª Turma da DRJ/SP2, acredito que esta não é a melhor compreensão sobre o tema. Ao meu sentir, a fundamentação do Acórdão recorrido seria cabível se o ajuste na escrituração tivesse ocorrido após o início da fiscalização. Neste contexto, não seria possível o Contribuinte alterar a situação de fato com a qual a fiscalização se deparou para delimitar determinada situação jurídica que melhor lhe convenha. Enquanto não iniciado o procedimento de fiscalização, o Contribuinte é livre para estabelecer as relações jurídicas de direito privado que compreender necessárias. Assim, a correção da escrituração contábil antes de iniciado o procedimento de fiscalização é hábil a delimitar a natureza do negócio jurídico realizado pelo Contribuinte, não competindo a fiscalização tributária impedir as correções pretéritas ao procedimento de fiscalização. A imposição tributária deve recair sobre a operação reajustada antes do início do procedimento fiscal, não havendo que se falar em fato gerador consumado e imutável, o que inviabilizaria a correção espontânea parte do Contribuinte. Diante do exposto passase a análise dos documentos acostados às fls. 520 e 526. A cópia do Livro Diário de fls. 526, colacionado aos autos ao tempo da Impugnação, foi autenticado pelo Cartório de Registro Civil de São José dos Campos em 26/06/2002, momento anterior ao início do procedimento fiscal, que foi iniciado em 02/02/2004 pelo Termo de Início de Fiscalização de fls. 15. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13884.004026/200411 Acórdão n.º 2201002.504 S2C2T1 Fl. 7 11 Desta feita, reconhecese o valor de R$ 210.617,00 (R$ 11.049,00 + R$ 14.802,00 + R$ 26.921,00 + R$ 22.708,00 + R$ 53.089,00 +R$ 57.281,00 + R$ 24.817,00) referente a lucro ajustado de exercícios anteriores efetuado no ano de 2002, conforme Livro Diário de fls. 527. A cópia do livro Diário referente ao ano de 2003 (de fls. 520), colacionado aos autos ao tempo da Impugnação, foi autenticado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas de Paraibuna SP em 09/11/2004. Fazse mister destacar que o livro Diário foi registrado 09 (nove) meses após o início do procedimento de fiscalização (Termo de Início de Fiscalização de 02/02/2004), perdendo assim a sua espontaneidade, quanto aos ajustes nele previstos. Neste contexto, diante da falta de espontaneidade na apresentação do ajuste contido no Livro Diário de fls. 520, levado a registro após o início do procedimento de fiscalização, não se reconhece os valores contidos no referido Livro Diário. Logo, entendo que deva ser excluído do lançamento referente a excedente de distribuição de lucros o valor de R$ 210.617,00, por restar comprovado que os ajustes contábeis referente a exercícios anteriores foi efetuado antes do início do procedimento fiscal. 2. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas A fiscalização entende restar comprovado que os depósitos efetuado na conta corrente do Contribuinte feitos diretamente pela empresa FIBAM COMP INDUSTRIA são referentes à venda de Títulos da Dívida Agrária (TDA), cuja titularidade é da empresa IPCA, cujo acionista majoritário é o Contribuinte. Ao analisar as DIPJRetificadoras, de fls. 372 e 383, e o parcelamento de fls. 270 a Autoridade Lançadora concluiu que as receitas dos contratos de cessão de TDA não foram reconhecidas pela empresa IPCA, não transitado as referidas receitas pela conta corrente da empresa, confirmando que a empresa IPCA não se beneficiou dos valores correspondente aos contratos, mas sim o Contribuinte. O Contribuinte informou que os depósitos ocorridos no período de janeiro de 1999 a setembro de 2000 em sua conta corrente no montante de R$ 2.272.862,33 tiveram como origem a cessão de direitos creditórios de TDA no valor de R$ 2.913.443,80, fls. 223 a 263. Diante destes fatos, a fiscalização conclui restar comprovada a origem do montante de R$ 2.553.791,37 (cessão dos direitos creditórios de TDA), tendo por beneficiário o Contribuinte: Sendo assim, não resta dúvida que o total de R$ 2.553.791,37 (R$ 2.272.862,33 mais R$ 280.929,04), provenientes dos contratos de cessão de direitos creditórios de títulos da dívida agrária apresentados pelo contribuinte ingressaram na conta corrente da pessoa física sem nunca ter transitado pela pessoa jurídica IPCA ISMAEL PULGA CONSULTORES ASSOCIADOS S/C LTDA, fica claro que o fiscalizado se beneficiou do valor total sem ter reconhecido esses valores como rendimento bruto tributável conforme preconiza os art. 37 e 38 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3000/1999)abaixo transcritos: O Acórdão recorrido chega a mesma conclusão destacando que o fato de os depósitos relativos a tais contratos terem sido realizados diretamente na conta corrente do Contribuinte evidencia que o mesmo foi o beneficiário de fato dos valores pagos pelas Fl. 729DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 empresas cessionárias. O Acórdão aquo acrescenta que os valores nunca transitaram pela pessoa jurídica IPCA nos anos de 2001 e 2003, assim, eventual regularização posterior havida na escrituração contábil e anteriormente ao início da ação fiscal, não tem o condão de afastar a tributação na pessoa física do Contribuinte, diante da ocorrência do fato gerador do imposto, caracterizada pelos recebimentos comprovadamente verificados em sua conta corrente. Conforme se verifica, houve a venda de TDA de titularidade da empresa IPCA a terceiros. Porém, o fruto da venda foi recebido, pelos terceiros, em conta corrente do Contribuinte e, não resta comprovado nos autos que o Contribuinte repassou tais valores à pessoa jurídica IPCA. Desta feita, em princípio, o Contribuinte se apresenta como real beneficiário da renda obtida com a venda dos TDA. Pois bem. Com vistas a afastar eventual tributação na pessoa física do Contribuinte, a empresa IPCA promoveu nos anos de 2001 e 2003 ajustes em sua escrita contábil com vistas a refletir a operação de venda da TDA. Porém, ao meu sentir, o ajuste de exercícios anteriores na contabilidade da empresa IPCA não tem o condão de justificar o recebimento dos referidos valores pela pessoa física (Contribuinte). Para justificar o referido recebimento, deverseia comprovar a causa jurídica pela qual o Contribuinte recebeu a quantia de R$ 2.553.791,37 que deveria ter sido recebida pela pessoa jurídica IPCA. Desta feita, por não restar nos autos comprovada a evolução desse numerário do Contribuinte à pessoa jurídica IPCA e também por não ter sido justificada a causa jurídica pela qual o Contribuinte recebeu os referidos valores, entendo que resta acertado o lançamento de omissão de rendimentos com base em rendimentos recebidos de pessoa jurídica. 3. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não comprovada O Contribuinte foi intimado a justificar a origem do crédito na conta poupança nº 1.773.215 no Banco BCN no valor de R$ 703.270,17 datado de 29/03/1999. O Contribuinte, em resposta às fls. 289, informou que nunca foi titular da conta em questão. Porém, no curso da fiscalização, restou comprovado que o Contribuinte é titular da referida conta, pois o mesmo apresentou uma série de documentações da conta em questão. Cabe destacar que, em sede Memoriais, o Contribuinte alega que a conta bancária que justifica a omissão de rendimentos (nº 36.6999 da agência 02259) é conjunta e, em razão da ausência de intimação do cotitular, com base na Súmula do CARF nº 29, o auto de infração deve ser anulado. A DRJ decidiu excluir do lançamento o valor de R$ 668.991,00, por entender que se trata de transferência entre contas de mesma titularidade (resgate de aplicações financeiras). Logo, é devolvido para julgamento desta Corte, o saldo de R$ 34.279,11. Em relação ao valor mantido, o Contribuinte alega que o acórdão recorrido apenas não aceitou a confirmação de que um depósito bancário no valor de R$ 32.141,06 teria decorrido de liquidação de contrato swap. Isso porque — afirma o acórdão o informe bancário de fls. 27 "não noticia a existência de saldo de operações de SWAP em 31/12/1998" (fls. 548). Fl. 730DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13884.004026/200411 Acórdão n.º 2201002.504 S2C2T1 Fl. 8 13 Continua que o órgão julgador de primeira instância assim concluiu porque deixou de atentar para a circunstância de que o valor questionado é rendimento pago pelo banco por ocasião do resgate da aplicação. Ora, o contrato só foi resgatado em 27/01/1999 — de modo que nessa data é que houve o crédito referente à liquidação, como se vê do documento de fls. 498. O alegado pelo Contribuinte pode ser verificado quando da análise do extrato de fls. 513. No dia 27/01/1999 existem dos registros de “Open SELIC”, o primeiro no valor de R$ 650,55 e o segundo no valor de R$ 648.298,26. No mesmo dia, como lançamentos seguintes, há referência de duas liquidações de swap, uma no valor de R$ 32,56 e outra no valor de R$ 32.141,06. O coeficiente entre as duas operações é muito próximo demonstrando plausibilidade na argumentação do Contribuinte, no sentido de que o valor de R$ 32.141,06 é referente à liquidação do investimento ora em tela. Desta feita, o valor de R$ 32.141,06 deve ser excluído da base de cálculo do lançamento por a origem restar justificada. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) excluir do lançamento referente a omissão de rendimentos apurada com base em depósito bancário o valor de R$ 32.141,06, por restar comprovada a origem do ano calendário 1999 e (ii) excluir do lançamento referente a distribuição de lucro excedente àquele escriturado o valor de R$ 210.617,00 do ano calendário 2000. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 731DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 15374.954028/2009-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1813; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.954028/200934 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.354 – 1ª Turma Especial Data 22 de outubro de 2014 Assunto Solicitação de Diligências Recorrente STE SUL TRANSMISSORA DE ENERGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO E VOTO A empresa recorre do Acórdão nº 1238.901/11 exarado pela Oitava Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ 1, efls. 102 a 105, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 02 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “O presente processo versa sobre o PER/Dcomp (fl 2 a 5), transmitido em 04/12/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 54 02 8/ 20 09 -3 4 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.954028/200934 Resolução nº 1801000.354 S1TE01 Fl. 3 2 Segundo o que consta na Dcomp (f1.3), o crédito original na data da transmissão, no valor de R$ 120.773,90 se refere a pagamento indevido ou a maior de IRPJ PJ OPTANTE PELO LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL (cód. 3373), sendo utilizado para compensação o valor de R$ 59.670,68 (fl. 03 e 05). O pagamento foi efetuado através de DARF, no valor de R$ 190.863,20, sendo realizado em 25/07/2005 (fl.08). No Despacho Decisório (fl.08), consta a não homologação da Dcomp, sob alegação de que foi localizado o pagamento, mas este foi utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte ao IRPJ cód.3373 PA 06/2005. A interessada se insurgiu, em 30/09/2009, contra o disposto no Despacho Decisório, através da manifestação de inconformidade (fl.09 a 13), do qual teve ciência em 02/04/2009 (fl.06) apresentando os argumentos que se seguem: O DARF utilizado na Per/Dcomp inicial 25248.82787.140105.1.3.045301 (DOC 4) como origem de crédito, corresponde a um recolhimento efetuado a maior pela empresa em 25/07/2005 através de DARF (DOC 3) com código de Receita – 3373 – IRPJ competência – Junho de 2005 no valor de R$ 190.863,20. A manifestante deixou de fazer em data oportuna, a devida retificação da DCTF referente ao 1º trimestre de 2005 (DOC 5), procedimento este que resultou na emissão do Despacho Decisório em epígrafe. [...] Salientese que o crédito tributário de R$ 190.863,20 é legítimo, visto que possui um DARF pago no mesmo valor, a título de IRPJ de junho de 2005 quando apurou saldo negativo para o período. [...] A compensação não foi homologada, sob alegação de que foi localizado o pagamento, mas este foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte relativo ao IRPJ cód.3373 PA 06/2005. Analisandose o processo, verificase que a interessada declarou na DCTF — original (fl. 47 a 51), enviada em 04/03/2008, que o IRPJ relativo ao 2o trimestre de 2005, montava a R$ 572.589,60 (fl.47). Parte deste montante foi compensado (R$ 381.726,40) e parte foi extinto por pagamento (R$ 190.863,20). A interessada afirma que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF referente ao 1o semestre de 2005, o que resultou na emissão do Despacho Decisório denegatório. Aduz que, em 27/04/2009, retificou a DCTF referente ao 1o semestre 2005 (fl.48/49), alterando o valor devido para o IRPJ para R$ 0,00 uma vez que a empresa apurou Saldo Negativo de IRPJ para o 2o trimestre de 2005. [...] No caso em comento, não consta dos autos a documentação necessária para a comprovação do erro na confecção da DCTF. Ademais, a retificação foi intempestiva, pois ocorreu em 27/04/2009, ou seja, após a ciência do Despacho Decisório (02/04/2009 fl. 06). [...]” Fl. 634DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.954028/200934 Resolução nº 1801000.354 S1TE01 Fl. 4 3 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de fls. 111 a 114, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que: a) entregou a DIPJ/06 (original) com o valor correto informado, relativo ao IRPJ relativo ao 2º trimestre de 2005, b) preencheu a DCTF original com erro, procedendo à sua retificação, consoante valores informados na DIPJ/06 e registros no Lalur, cuja cópia acosta aos autos; c) efetuou, conforme DCTF erroneamente preenchida, o recolhimento do IRPJ relativo ao 2º trimestre do anocalendário de 2005, sendo a 1ª parcela objeto do Per/Dcomp destes autos, no valor de R$ 190.863,20; requer o reconhecimento do direito creditório e compensação com débitos tributários informados no Per/Dcomp. É o suficiente para o relatório. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia restituição do IRPJ relativo ao 2º trimestre de 2005, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que informou equivocadamente em DCTF – original que o valor referente ao IRPJ do referido trimestre era da ordem de R$ 572.589,60, mas apurou, na verdade, no 2º trimestre Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 117.260,09, consoante informou originalmente na DIPJ/06 – efls. 224. Traz cópias da DIPJ (original), da DCTF retificadora entregue em 24/07/09 e do Lalur. Este processo tem como objeto o DARF, segundo a recorrente, relativo à 1ª parcela recolhida em 25/07/2005 e o valor pleiteado é R$ 190.863,20. A Turma Julgadora de Primeira Instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de a declaração retificadora – DCTF – haver sido entregue após o despacho decisório e porque entende que à data do pedido de compensação, o débito tributário de IRPJ confessado na DCTF original foi devidamente pago. No entanto, se houve efetivamente erro no cálculo do IRPJ devido, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. 1 AR – 31/08/11, efls. 475; Recurso – 29/09/11, efls. 111 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.954028/200934 Resolução nº 1801000.354 S1TE01 Fl. 5 4 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. (grifos não pertencem ao original) Para comprovar o erro, todavia, mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos completa e não apenas o Lalur, ou a DIPJ original, cuja natureza é meramente informativa, como entende a recorrente. Entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, o Lalur, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época para verificarse os valores devidos de IRPJ, no caso, relativo ao 2º trimestre de 2005 (balancetes registrados no Diário e Razão analítico). Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que: a) a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo do IRPJ relativo ao 2º trimestre de 2005 junto a contabilidade completa da recorrente, bem como o Saldo do IRPJ apurado, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando aos autos, em cópia, os registros contábeis pertinentes. b) em atendimento ao artigo 1º, inciso IV, da Portaria RFB nº 666/08 este processo deve ser anexado ao processo administrativo fiscal nº 15374.914284/200999, para formarem um só processo (não apensação), haja vista estar sendo objeto o mesmo crédito tributário em ambos, ou seja, o valor do IRPJ relativo ao 2º trimestre do anocalendário de 2005. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.954028/200934 Resolução nº 1801000.354 S1TE01 Fl. 6 5 A recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência proposta para, desejando, manifestarse em prazo regulamentar. Após, retornem os autos a esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 637DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15504.721713/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. VALE TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.O vale transporte pago habitualmente e em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. Nos casos em que o recolhimento, apesar de em atraso, ocorreu de forma espontânea, aplicável, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, o disposto no artigo 32, § 5° cumulado com o artigo 35, ambos da Lei n° 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos os valores correspondentes ao auxílio-transporte em pecúnia e seu reflexo no cálculo do salário-família, o décimo terceiro salário na rescisão quando já recolhido na folha de pagamento competência 13/2007 e também para que seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Ficou vencido o relator que votou pela exclusão, inclusive, do adicional de periculosidade e da contribuição sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho médico. Apresentará o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Carlos Henrique de Oliveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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VALE TRANSPORTE. COOPERATIVAS DE TRABALHO. SALÁRIO FAMÍLIA. Recorrente PARANASA ENGENHARIA E COMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. VALE TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.O vale transporte pago habitualmente e em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. Nos casos em que o recolhimento, apesar de em atraso, ocorreu de forma espontânea, aplicável, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, o disposto no artigo 32, § 5° cumulado com o artigo 35, ambos da Lei n° 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 17 13 /2 01 1- 78 Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos os valores correspondentes ao auxíliotransporte em pecúnia e seu reflexo no cálculo do saláriofamília, o décimo terceiro salário na rescisão quando já recolhido na folha de pagamento competência 13/2007 e também para que seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Ficou vencido o relator que votou pela exclusão, inclusive, do adicional de periculosidade e da contribuição sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho médico. Apresentará o voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.448 3 Relatório Tratase de autuação que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 134/153, resultou na lavratura dos seguintes autos de infração: Auto de Infração n° 37.312.9688 referente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, bem como à parte da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho / GILRAT. Auto de Infração n° 37.312.9696 referente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, cujos valores não foram descontados pela empresa, quando do efetivo pagamento das remunerações devidas, não se constituindo em apropriação indébita previdenciária. Auto de Infração n° 37.312.9700 referente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, cujos valores foram descontados pela empresa, quando do efetivo pagamento das remunerações devidas, se constituindo em apropriação indébita previdenciária. Auto de Infração n° 37.312.9718 correspondentes à parte dos segurados, resultante de aferição indireta destas contribuições sobre os valores pagos a título de incentivo à produtividade, por intermédio da empresa INCENTIVE HOUSE S/A, CNPJ 00.416.126/000303. Tais contribuições não foram descontadas das remunerações pagas aos segurados, não se constituindo em apropriação indébita previdenciária. Auto de Infração n° 37.312.9726 correspondentes à parte da empresa, relativas à aferição indireta da contribuição previdenciária incidente sobre valores pagos a cooperativas de trabalho. Auto de Infração n° 37.312.9734 referente às contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos, a saber: FNDE/MEC – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, SESI – Serviço Social da Indústria, SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, SEST – Serviço Social do Transporte e SENAT – Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnações (fls. 839/996) que restaram julgadas improcedentes (Fls. 1366/1386) pelos seguintes motivos: 1) A expressão folha de pagamentos inserta no dispositivo constitucional em comento possui acepção bem mais abrangente do que aquela que procura limitálas às verbas devidas pela pura e simples prestação de serviços. Na realidade, a expressão está a indicar quaisquer valores cuja origem seja o contrato de trabalho, independentemente da natureza jurídica da pecúnia recebida pelo empregado; 2) Os valores percebidos pelos empregados a título de produtividade, inclusive através dos cartões magnéticos, independentemente da forma como foram pagos, integram o salário de contribuição e constituem a base de cálculo das contribuições; Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 3) Os valores pagos aos empregados a título de produtividade se deram pelo trabalho individual do empregado e como retribuição pelo alcance de uma produtividade quantificada em um lapso temporal; 4) O pagamento a título de passagem na forma efetuada pela empresa contrariou o disposto na Lei n° 7.418/85, na medida em que fornecido em pecúnia aos empregados; 5) O pagamento de vale transporte em pecúnia somente pode ser realizado em caso de falta ou insuficiência de estoque para o atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema; 6) A empresa, ao pagar diversas rescisões de contrato de trabalho, descontou do valor do 13° salário proporcional devido o valor do adiantamento pago a título de adiantamento de 13° salário. Tal procedimento reduziu indevidamente a base de cálculo do 13° salário pago em rescisão, já que os valores pagos a este título devem ser considerados pelo seu valor bruto, sem nenhuma dedução; 7) Sobre as alegações da Recorrente de que as contribuições incidentes sobre contribuintes individuais são indevidas porque inexistente lei em sentido formal e material apta a impor o recolhimento, não cabe à esfera administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei vigente; 8) O adicional de periculosidade integra o décimo terceiro salário uma vez que faz parte da remuneração do empregado e, conseqüentemente, ao salário de contribuição; 9) A empresa compensou saláriofamília em valores maiores que os limites estipulados pela legislação. Portanto, correta a glosa efetuada pela fiscalização assim como a inclusão dos valores recebidos a maior pelos empregados no salário de contribuição dos mesmos; 10) Quanto aos segurados Carlos Alberto Bezerra de Menezes e Pedro Rideo de Carvalho Peixoto, não pode ser acolhida a alegação de que o fisco tenha realizado glosa considerando número de dependentes menor do que o efetivamente existente pois não comprovada pela empresa a quantidade real de dependentes; 11) Nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, a Recorrente, na qualidade de contratante de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, está obrigada ao cumprimento da obrigação determinada pelo dispositivo; 12) Quanto às multas aplicadas, a fiscalização elaborou comparativos de forma a demonstrar a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, concluindo que para as competências de 01/2007, 02/2007, 05/2007 e 07/2007 a 13/2007, a multa mais benéfica é de 75% (prevista na legislação atual) e para as competências de 03/2007, 04/2007 e 06/2007, a mais benéfica é a da legislação anterior, de 24%; 13) Quanto à jurisprudência apresentada pela Recorrente, nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235/72, não pode o órgão administrativo julgador desconsiderar norma válida no ordenamento para aplicar entendimento da jurisprudência. Ao final, julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário. Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.449 5 Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 1404/1559, apresentando os seguintes motivos: 1) Quaisquer valores pagos ao trabalhador que não decorram da contraprestação pelo trabalho executado não poderão ser alcançados pelas contribuições previdenciárias, não se submetendo à definição de salário de contribuição. As verbas de natureza indenizatória ou compensatória, bem como as marcadas pelo caráter da eventualidade, por não se comportarem de forma retributiva ao trabalho não se sujeitam às exações; 2) Quanto às gratificações por desempenho, diferente dos abonos, consistem em parcelas pagas em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador. A gratificação por produtividade não é instituída por lei, sendo paga por vontade própria pela Recorrente, em razão do destacado trabalho empreendido pelos empregados; 3) A gratificação é ainda paga de forma eventual, apenas quando a empresa, em razão da eficiência do obreiro deseja premiálo, estimulandoo pelo bom trabalho realizado; 4) Quanto aos vales transportes, os valores pagos em pecúnia foram a título de reembolso, visando o ressarcimento dos empregados quanto aos importes despendidos com seu transporte de casa para o trabalho e no percurso inverso. Ademais, ao caso aplicase a exceção estabelecida em lei, na medida em que os vales não são adquiridos pelo empregador por inviabilidade; 5) O Decreto n° 4.840/2003, em seu art. 2°, § 1°, inciso IX, reconhece expressamente que o vale transporte, ainda que pago em dinheiro, não configura remuneração. Também nesse sentido, o Pleno do STF, ao apreciar o recurso extraordinário n° 478.410/SP, reconheceu que o montante pago em pecúnia a título de vale transporte não transmuda a natureza indenizatória da verba; 6) A Súmula n° 60 da AGU determina a não incidência de contribuição previdenciária sobre valetransporte pago em pecúnia; 7) Quanto aos adiantamentos de 13° salário, a Recorrente procedeu tal como determina a lei, recolhendo as apontadas contribuições previdenciárias sobre a totalidade de sua base de cálculo, o que é comprovado através das folhas de pagamento juntadas, de onde se destaca o valor bruto do 13° pago aos seus empregados e respectivas GPS; 8) A exigência de contribuições previdenciárias sobre pagamento de fretes e carretos a transportadores autônomos é indevida, vez que inexiste lei em sentido formal e material apta a impor tal recolhimento, tendo o Decreto n° 4.032/2001 estabelecido que a alíquota incidente sobre tais serviços seria de 20% do rendimento bruto do frete ou carreto; 9) Os adicionais de periculosidade e seus reflexos foram instituídos para compensar o trabalhador de situações de risco a que está subordinado Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 no exercício de sua função. Portanto, com eminente finalidade indenizatória; 10) Tendo em vista modificações da legislação quanto aos valores a serem pagos a título de salário família, a Recorrente compensou os valores pagos aos trabalhadores que receberam remuneração nos limites estipulados pelas Portarias MPS n° 342/2006 e 142/2007; 11) Ilegalidade da incidência de contribuições previdenciárias sobre cooperativas; 12) A multa de ofício prevista no art. 35A da Lei n° 8.212/91 fora instituída após os fatos geradores e não pode ser aplicada de modo a prejudicar o contribuinte; 13) A fiscalização confunde multa de ofício com multa de mora, sendo estas completamente distintas, não podendo ser objeto de comparação para fins de aplicação da penalidade menos severa; 14) Necessária a exclusão da penalidade de 75% sobre o valor das contribuições supostamente devidas, cabendo exigirse, tãosomente, a multa moratória de 20% do montante dos créditos tributários nos termos do art. 35 da Lei n° 8.212/91 ou, ainda, aplicada a penalidade de 24% ante a aplicação da lei vigente a data da ocorrência dos fatos geradores; Ao final, requereu o provimento do recurso com a conseqüente anulação do auto de infração. É o relatório. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.450 7 Voto Vencido Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Conhecimento O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, inclusive o da tempestividade, razão pela qual voto por seu conhecimento. Não houveram preliminares argüidas. No Mérito De acordo com o artigo 22 da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. O dispositivo indigitado prescreve a regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal. A mensuração do quantum debeatur é determinada pela conjugação de prescrições lógica e cronologicamente concatenadas, que ao final revelam o arquétipo do aspecto quantitativo previsto na norma geral e abstrata instituidora do tributo: a) a primeira parte do dispositivo determina que a base de cálculo é o valor da remuneração auferida, compreendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados. b) a segunda determina que apenas os valores destinados a retribuir o trabalho devem ser oferecidos à tributação. O primeiro comando tem espectro mais abrangente que o segundo. Em considerado isoladamente, interpretação que com frequência induz ao erro, representaria a tributação de quaisquer remunerações pagas aos segurados a serviço do empregador. Entretanto, a segunda determinação promove um corte no alcance normativo, prescrevendo expressamente que apenas a remuneração destinada à retribuição da atividade laborativa integra a base de cálculo do tributo. A necessária relação de inerência entre a materialidade do tipo e a base de cálculo impõe a harmonização dos critérios a fim de garantir a integridade normativa. De acordo com as lições de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo afirma, confirma ou infirma a hipótese tributária. Afirma quando elucida. Confirma quando reflete. E infirma quando diverge e sobre a mesma prevalece. “Temos para nós que a base de cálculo é a grandeza instituída na consequência da regramatriz tributária, e que se destina, Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 primordialmente, a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária. Paralelamente, tem a virtude de confirmar, infirmar ou afirmar o critério material expresso na composição do suposto normativo. A versatilidade categorial desse instrumento jurídico se apresenta em três funções distintas: a) medir as proporções reais do fato; b) compor a específica determinação da dívida; e c) confirmar, infirmar ou afirmar o verdadeiro critério material da descrição contida no antecedente da norma. (...) A grandeza haverá de ser mensuradora adequada da materialidade do evento, constituindose, obrigatoriamente, de uma característica peculiar ao fato jurídico tributário. Eis a base de cálculo, na sua função comparativa, confirmando, infirmando ou afirmando o verdadeiro critério material da hipótese tributária. Confirmando, toda vez que houver perfeita sintonia entre o padrão de medida e o núcleo do fato dimensionado. Infirmando, quando for manifesta a incompatibilidade entre a grandeza eleita e o acontecimento que o legislador declara como a medula da previsão fática. Por fim, afirmando, na eventualidade de ser obscura a formulação legal, prevalecendo, então, como critério material da hipótese, a ação tipo que está sendo avaliada.”1 Tratase no caso em análise da base de cálculo em sua função infirmadora, na medida em que adiciona conteúdo de materialidade ao antecedente normativo, preenchendo o complemento do verbo previsto no descritor. 2 A hipotética dissonância interna não prejudica a apreensão do comando determinado, posição que sigo acompanhado de Alfredo Becker: “O critério de investigação da natureza jurídica do tributo, que se mostrará ser o único verdadeiramente objetivo e jurídico, parte da base de cálculo para chegar ao conceito de tributo. Este só poderá ter uma única base de cálculo.” 3 Não se trata de hipótese de não incidência legalmente qualificada, operada em momento subsequente à determinação da base (isenção), mas da instituição originária dos contornos mensurativos do tipo. A restrição à tomada da remuneração na completude de sua acepção linguística realiza corte intraconceitual que cria a definição legal de quais dinheiros integram a base imponível. Essa base é necessariamente composta pela relação binária indigitada. Passo a analisar o conteúdo semântico dos termos empregados. O direito tributário é sobrelinguagem ou linguagem de sobrenível4, buscando o conteúdo de seus termos em outros tipos de linguagens, positivadas ou não. Essa proposição foi normativamente introduzida pelo art. 123 do Código Tributário Nacional: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 20ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 363/364 2 Considerando a análise da acepção lógica da estrutura vazia da materialidade [verbo + complemento]. 3 Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, p. 339. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 3ª Edição. São Paulo: Noeses, 2009. p. 190/192. Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.451 9 tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. O conceito de remuneração é buscado da legislação trabalhista. Conforme art. 457 da CLT: Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Grifo nosso) Assim, ainda que a referência à necessidade de contraprestação não fosse veiculada pelo art. 28 da lei 8.212/91, sua observância é imperativa também por força do conceito trabalhista de remuneração. A dupla prescrição pode derivar de falha técnica legislativa. Prefiro entendêla como reforço a uma forte vontade do legislativo no sentido da realização do Valor vetorizado na norma, qual seja, o primado do trabalho. Reduzindo a proposição prescritiva à sua estrutura mínima de conteúdo semântico, é forçoso entender que: Dessa forma, independente do que se entenda por salário, o mesmo só integrará o conceito de remuneração se e somente se for pago em contraprestação pelo trabalho. A única exceção a essa regra são as gorjetas recebidas. 5 Tornase seguro afirmar que remuneração é qualquer valor pago ao segurado, desde que em contraprestação pelo trabalho. Resta determinar o conceito de contraprestação pelo trabalho. A contraprestação deriva da relação direta entre a paga e o exercício efetivo da atividade laborativa. Não ocorre de maneira genérica, mediata, mas específica e imediata. A presença do elemento trabalho é condição necessária para o nascimento da obrigação tributária. Todo exercício de competência tributária por via da criação de norma geral e abstrata tem um sentido positivo e um negativo6. O sentido positivo concede ao Sujeito Ativo da Relação Jurídica Tributária um poderdever de exigir o tributo exatamente pelos contornos normativamente traçados (princípio da tipicidade cerrada). Já o sentido negativo proíbe a invasão do patrimônio do contribuinte fora desses contornos, sob pena de ofensa à legalidade, representando de outra mão um direito do contribuinte. Acerca da legalidade e de da estrita legalidade, ensina Roque Antonio Carrazza: 5 Considerando as grandezas proporcionais envolvidas na relação jurídica tributária de custeio da Seguridade Social, desconsideramos a gorjeta com vistas a fundamentar um arquétipo normativo que permita a análise do caso concreto. 6 Derivação das lições de Amílcar de Araújo Falcão. Direito Tributário Brasileiro. Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 “O tipo tributário (descrição material da exação) há de ser um conceito fechado, seguro, exato, rígido, preciso e reforçador da segurança jurídica. A lei deve, portanto, estruturálo em numerus clausus; ou, se preferirmos, há de ser uma lei qualificadora ou Lex stricta. Em síntese, tudo o que é importante em matéria tributária deve passar necessariamente pela lei da pessoa política competente. (...) Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser erigidos abastratamente pela lei, para que se considerem cumpridas as exigências do princípio da legalidade. Convém lembrar que são “elementos essenciais” do tributo os que, de algum modo, influem no na e no quantum da obrigação tributária. (...) Deve, pois, a base de cálculo harmonizarse com a hiótese de incidência do tributo. É que, como é sabido e consabido, o que distingue um tributo do outro é seu binômio hipótese de incidência/base de cálculo. (...) a manipulação da base de cálculo pelo Fisco, acaba fatalmente alterando sua regramatriz constitucional, deixando o contribuinte sob o guante da insegurança.” 7 Isso significa que o contribuinte tem o direito de não ser tributado sobre a remuneração que não depende do exercício do trabalho para sua fruição (inexistência de contraprestação). Hipótese contrária significa o alargamento da base de cálculo legal para alcançar valores fora da materialidade normativa. Nesse conceito incluemse as verbas de caráter indenizatório, argumento frequentemente empregado sobretudo na jurisprudência para qualificar a incidência tributária das contribuições sociais. O caráter, indenizatório, entretanto, não é o qualificativo primário da exclusão da incidência, nem constitui isenção. O caráter de não contraprestação da verba é que determina a não incidência, do qual a natureza indenizatória é subgrupo. A lógica de classes permite dizer que a inexistência de contraprestação é gênero do qual a verba indenizatória é espécie. Dessa forma, todas as verbas indenizatórias demandam a inexistência de contraprestação pelo trabalho, mas nem todas as verbas pagas sem contraprestação pelo trabalho são indenizatórias. E todas as duas categorias situamse no campo da não incidência. É o caso, por exemplo, dos valores pagos por mera liberalidade do empregador (abonos desvinculados de salário), que nada indenizam, mas não derivam do exercício do trabalho. Remuneração para o trabalho e pelo trabalho Um dos mecanismos para segregação das verbas que pertencem à base de cálculo das contribuições sociais reside na diferenciação entre os conceitos de remuneração pelo trabalho e para o trabalho, que, embora próximos, não se confundem. Enquanto que o primeiro é o objetivo almejado pelo prestador de serviços na relação de emprego, o segundo consubstancia os meios e instrumentos necessários à realização do objeto principal. 7 Curso de Direito Constitucional Tributário. Saraiva. 2006. p. 249252. Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.452 11 A origem da palavra salário remonta ao latim salarium, derivado de salis – sal, pela freqüência com que os legionários o recebiam como soldo. Essa paga, entretanto, não se confunde com salário in natura, pois era usado como moeda na Roma antiga. O sal era remuneração por contraprestação pelo trabalho. Já os elmos, gládios, armaduras e sandálias representavam remuneração para o desempenho da função. Hoje, os valores despendidos com vestimentas de uso obrigatório, transporte, alimentação, etc, não são o objeto nuclear do contrato do contrato de trabalho, nem o retribuem. São acessórios em relação ao objeto principal, razão esta pela qual o negócio jurídico foi firmado. O conceito de remuneração alberga os valores pagos pelo empregador como contraprestação pelo trabalho realizado. O exercício do trabalho, entretanto, é fato central em torno do qual orbitam outras relações apêndices, necessárias à manutenção das estruturas sociais que sustentam o sistema escolhido pela sociedade de contexto como o mais adequado à persecução de seus fins. O contínuo processo de racionalização e burocratização das estruturas produtivas tem como resultado, por exemplo, a normatização protecionista do empregado no que tange às condições ambientais do trabalho, à privatização de parcela da proteção social assistencialista (cujo ônus entregase aos empregadores) e a necessidade de investimentos no bemestar social genérico dos empregados, do que são reflexos as obrigações pactuadas nos instrumentos coletivos de trabalho. Nesse contexto, o custeio do transporte do empregado entre sua residência e o local de trabalho, o fornecimento de uniformes, equipamentos de proteção, as diárias de viagens, os reembolsos de despesas, entre outros, são investimentos necessários por força de lei ou instrumentos particulares. Esses investimentos têm como objetivo a proteção do empregado. Entretanto, tais dispêndios não se enquadram no conceito de remuneração tal como o prescrito pela norma instituidora da contribuição patronal. Assim porque tais valores não consubstanciam contraprestação pelo trabalho realizado, mas fornecem as condições necessárias ao desempenho da função. Nesse contexto a remuneração é chamada para o trabalho. Com efeito, o acréscimo patrimonial auferido pelo empregado cedente de serviços em prol do empregador deve ser líquido dos ônus necessários à sua prestação em decorrência da normatização a que se sujeitam as partes. Por contrário, seu ganho seria dilapidado pelas despesas inerentes à persecução do objeto da relação jurídica por condições metacontratuais, quais sejam, as obrigações de proteção. Assim, a remuneração para o trabalho é ônus a ser suportado para auferimento da remuneração pelo trabalho, este o efetivo direito do empregado por decorrência do contrato laboral. Tributar a remuneração para o trabalho implica no desvio da intentio legis, afetando parcelas supostamente remuneratórias que não guardam relação de identidade com o conteúdo material da hipótese normativa. Extrapolao. Ultrapassa os contornos do campo de incidência para afetar eventos que não refletem o descritor normativo, fazendo tabula rasa do princípio da legalidade. De acordo com o magistério de Maurício Godinho Delgado8: 8 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 8ª Edição. São Paulo: LTR, 2009, p. 671. Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 “Não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido pelo empregador ao empregado como meio de tornar viável a própria prestação de serviços. (...). Também não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido como meio de aperfeiçoar a prestação de serviços. (...)” A questão é matéria da Súmula 367 do Tribunal Superior do Trabalho: UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. (exOJ nº 24 da SBDI1 inserida em 29.03.1996) (TST. Súmula 367) Enfim, sempre que a atividade desempenhada tiver natureza instrumental, servindo de meio para a efetiva prestação de serviços (objeto principal do contrato de trabalho), os valores recebidos não refletirão o conceito de remuneração legalmente qualificada para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias. Isenção Isenção é hipótese de não incidência legalmente qualificada. A norma isentiva atinge a regramatriz de incidência, prejudicando sua integridade sistêmica e negando lhe o vigor. A norma tributária portanto, nem chega a incidir, pois carente da completude imposta pela tipicidade cerrada. De acordo com Paulo de Barros Carvalho, “a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da normapadrão de incidência multilandoos, parcialmente” 9. Acompanha esta posição Roque Antonio Carrazza: “Isenção é uma limitação legal do âmbito de validade da norma jurídica tributária, que impede que o tributo nasça ou faz com que surja de modo mitigado (isenção parcial). Ou, se preferirmos, é a nova configuração que a lei dá à norma jurídica tributária, que passa a ter seu âmbito de abrangência restringido, impedindo, assim, que o tributo nasça in concreto.” 10 Isenção, portanto, é norma de estrutura que impede o nascimento da obrigação tributária na hipótese vinculada. Verificando o espectro da norma de isenção, positivado na Lei 8.212/1991: 9 Curso de Direito Tributário, p. 33. 10 Curso de DT. P. 829. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.453 13 “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28.” “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário.” A interpretação sistêmica dos dispositivos transcritos identifica norma que afeta o critério quantitativo da regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal, para excluir da base de cálculo: a) os ganhos eventuais; e b) os abonos expressamente desvinculados de salário. A obliteração da incidência sobre os ganhos eventuais é isenção parcial na acepção técnica do termo. Sua dinâmica impede a incidência tributária sobre os valores pagos aos empregados e trabalhadores avulsos sem habitualidade, termo este também não definido pelo direito11. Disso derivase que as verbas pagas de maneira eventual devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição previdenciária patronal. Já a isenção dos abonos desvinculados de salário é norma vazia, pois pretende afetar hipótese de não incidência. Tais verbas, justamente por serem desvinculadas do salário, carecem do elemento contraprestação, resultando no nãoser jurídico tributário12. Novamente, revelase a preocupação do legislador ao reiterar a pretensão de salvaguardar esta materialidade da incidência tributária. Em homenagem à boa hermenêutica, frisase que a norma de isenção é a constante no Art. 22, § 2º. A referência ao Art. 28, “e”, “7”, não demanda uma conjugação de normas, mas de norma com suporte físico (texto positivo). A primeira “toma de empréstimo” o conteúdo meramente linguístico da segunda para completarlhe o sentido, da mesma maneira como se transcrevesse no § 2º os grafemas contidos no item “7”. Essa observação é necessária para corroborar outra proposição: a de que a base de cálculo da contribuição patronal não se identifica com o salário de contribuição (base de cálculo das contribuições dos empregados e trabalhadores avulsos). 11 A identificação do conteúdo semântico dos grafemas “ganhos eventuais” demanda verticalização da matéria, o que abstenhome de realizar à vista na inaplicação ao caso concreto. 12 A nãoincidência é simplesmente a explicação de uma situação que ontologicamente nunca esteve dentro da hipótese de incidência possível do tributo. Deveras, não há incidência quando ocorre um fato tributariamente irrelevante, isto é, que não se ajusta (subsume) a nenhuma hipótese de incidência tributária. (...) Fica claro, desse modo, que, enquanto a isenção depende de lei (lato sensu) para validamente surgir, a não incidência decorre da própria natureza das coisas, podendo – e devendo – ser deduzida por mero labor exegético. Ou, se preferirmos, enquanto a isenção deriva da lei, a nãoincidência deriva da falta de lei (em alguns casos) ou da impossibilidade jurídica de tributarse certos fatos, em face de a regramatriz constitucional do tributo a eles não se ajustar. Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 O comando prescrito pela norma que positiva a instituição do tributo esgota se em si mesmo. Com isso queremos dizer que a norma geral e abstrata de tributação, bem como os contornos do seu conteúdo pecuniário potencial, estão encerrados na previsão hipotética legal, e podem ser conhecidos pela análise do binômio materialidade/base de cálculo. Incide novamente o princípio tributário da tipicidade cerrada ou numerus clausus, de acordo com o qual todos os elementos (critérios) determinantes da incidência devem constar pormenorizados no corpo do diploma normativo introdutor. Esses critérios determinam a condição necessária e suficiente para instaurar o liame jurídico obrigacional entre Sujeito Ativo (União) e Sujeito Passivo (contribuinte), cujo objeto é a obrigação tributária, devendo ser mensurado de acordo com a relação de refiribilidade materialidade/base de cálculo. Essa mensuração, portanto, esgotase no veículo introdutor (Art. 22), sendo descabido colher de suporte alheio (Art. 28) elementos supostamente capazes de mensurar o conteúdo financeiro do tipo. Assim sendo, concluo que: Base de cálculo da contribuição social previdenciária Patronal Segurados e trabalhadores avulsos Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Da aparente identidade entre os conceitos decorre a imprecisão técnica de considerar os itens “a” a “x” do § 9º do Art. 28 como as únicas hipóteses de exclusão de valores da base de cálculo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.454 15 Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.455 17 v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A lógica proposicional determina, pelo princípio da identidade, que “uma cosa es uma cosa, y outra cosa es outra cosa” 13. A proposição é terminativa, ou seja, dizer que uma coisa é uma coisa não implica dizer que outra coisa também é, ou não é. Com isso, concluo que a lista prevista nos itens “a” a “x” do artigo 28 não é taxativa da não incidência, qualificada ou não. Os valores pagos sem contraprestação também delimitam os contornos do aspecto quantitativo da norma. Resumo no seguinte quadro sinótico: Isto posto, temos a regramatriz de incidência da contribuição social previdenciária patronal: 13 ECHAVE, Delia Teresa; URQUIJO, María Eugenia; GUIBOURG, Ricardo A.. Lógica, proposición y norma. Editora Astrea: Buenos Aires, 2008. p. 83. Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Critério Material Pagar remuneração (salário em contraprestação pelo trabalho) e gorjetas, com habitualidade Critério Espacial Antecedente Território Nacional Critério Temporal Momento do pagamento Sujeito Ativo União Critério Pessoal Sujeito Passivo Empregador, empresa ou entidade equiparada Consequente Base de Cálculo Remuneração habitual e gorjetas Critério Quantitativo Alíquota 20% Colocadas essas premissas, passo à análise do caso concreto. Gratificações por Desempenho A Recorrente foi autuada por deixar de incluir na base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de gratificação por desempenho ou produtividade. A gratificação por desempenho ou produtividade é verba paga pelo empregador em razão do bom desempenho do empregado, ficando seu pagamento condicionado à boa avaliação de sua atividade. É, portanto, verba paga pelo trabalho na medida em que fornecida ao empregado em razão do bom trabalho executado. Até aqui poderíamos concluir pela incidência da contribuição. O artigo 458 da CLT determina que, além do pagamento em dinheiro, compreendemse no salário a alimentação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa forneça aos seis empregados. É o caso da gratificação sob análise. Portanto, ausente norma legal que autorize o afastamento da contribuição previdenciária sobre tal verba, necessário concluir que a gratificação por desempenho ou produtividade é rubrica que compõe a base de cálculo. Valetransporte em Pecúnia No que tange a incidência de contribuições sobre os valores pagos em pecúnia a título de vale transporte, a Lei n° 7.418/85, que dispõe sobre o benefício, assim prevê: Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.456 19 Art. 1º Fica instituído o valetransporte, que o empregador, pessoa física ou jurídica, antecipará ao empregado para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal e/ou interestadual com características semelhantes aos urbanos, geridos diretamente ou mediante concessão ou permissão de linhas regulares e com tarifas fixadas pela autoridade competente, excluídos os serviços seletivos e os especiais. Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. [...] Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Regulamentando a questão, o Decreto n° 4.840/2003, assim prevê: Art. 2° Para os fins deste Decreto, considerase: [...] § 1°Para os fins deste Decreto, considerase remuneração básica a soma das parcelas pagas ou creditadas mensalmente em dinheiro ao empregado, excluídas: [...] IX auxíliotransporte, mesmo se pago em dinheiro; e Em complemento, a Advocacia Geral da União emitiu Súmula específica sobre o tema, segundo a qual: SÚMULA Nº 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 (*) Publicada no DOU Seção I, de 09/12/2011 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Jurisprudência: Tribunal Superior do Trabalho: TSTAIRR 23414044.2004.5.01.0241, Rel. Min. Vieira de Mello Filho (Primeira Turma); TSTRR9584079.2007.5.03.0035, Rel. Min. Renato de Lacerda Paiva (Segunda Turma); TSTAIRR76040 07.2006.5.15.0087, Rel. Min. Alberto Luiz Bersciani de Fontan Pereira (Terceira Turma); TSTRR8930012.2006.5.15.0004, Rel. Min. Maria de Assis Calsing (Quarta Turma); AIRR 35340 21.2008.5.03.0097, Rel. Min. João Batista Brito Pereira (Quinta Turma); TSTRR1610063.2006.5.15.0006, Rel. Min. Augusto Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 César Leite de Carvalho (Sexta Turma); TSTRR131200 26.2004.5.15.0042, Rel. Min. Pedro Paulo Manus (Sétima Turma); TSTRR430057.2008.5.04.0561, Rel. Min. Carlos Alberto Reis de Paula; e SESBDI1: TSTERR 1302/20033830200.7, Rel. Min. Vieira de Mello Filho (Oitava Turma). Superior Tribunal de Justiça: REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira (Segunda Turma); EREsp 816.829/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, (Primeira Seção). Supremo Tribunal Federal: RE 478410/SP, Rel. Min. Eros Grau (TRIBUNALPLENO) Neste sentido, quanto ao valetransporte pago em pecúnia, não restam dúvidas quanto à não incidência. Adiantamentos de 13° salário A fiscalização verificou que a Recorrente, ao realizar o pagamento do 13° salário proporcional nas rescisões de contrato de trabalho, descontou do cálculo da contribuição devida os valores pagos na forma de adiantamento do 13°. A Recorrente, por sua vez, alega que procedeu tal como determina a lei, recolhendo as apontadas contribuições previdenciárias sobre a totalidade de sua base de cálculo, o que é comprovado através das folhas de pagamento juntadas, de onde se destaca o valor bruto do 13° pago aos seus empregados e respectivas GPS. Às fls. 252/253, a fiscalização apresenta planilhas com resumos da folha de pagamento, na qual aponta quais verbas teriam sido inclusas pela Recorrente na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Tentando rebater a fiscalização, a Recorrente, às fls. 899/995, acostou aos autos cópias de folhas de pagamentos de funcionários específicos e alguns termos de rescisão do contrato de trabalho. Destarte, dou provimento parcial para abater dos débitos constituídos sobre os pagamentos realizados em rescisão os recolhimentos realizados para cada empregado a título de 13% salário. Contribuições sobre remunerações pagas a contribuintes individuais Nos termos do item 5.3 do Relatório Fiscal (fls. 142), a fiscalização verificou a existência de pagamentos pela Recorrente de serviços prestados por segurados contribuintes individuais. Os referidos pagamentos foram apurados em contas do livro Diário nomeadas como ‘Aluguéis de caminhões’, ‘Fretes e Carretos PJ’, ‘Fretes e Carretos – PF’, ‘Outros Serviços de Terceiros’, ‘Subempreitadas PJ e PF’. Ainda de acordo com a fiscalização, sobre as remunerações foram calculados os valores relativos a contribuições a cargo da empresa, sendo que, para os segurados contribuintes individuais transportadores autônomos de carga, a base de cálculo foi apurada sobre 20% da remuneração paga. A Recorrente, por sua vez, alegou que a exigência de contribuições previdenciárias sobre pagamento de fretes e carretos a transportadores autônomos é indevida, vez que inexiste lei em sentido formal e material apta a impor tal recolhimento, tendo o Decreto n° 4.032/2001, extrapolando os limites regulamentares, estabelecido que a alíquota incidente sobre tais serviços seja de 20% do rendimento bruto do frete ou carreto. Não há que se acolher a alegação da Recorrente. A Lei n° 8.212/91 estabelece: Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.457 21 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Regulamentando o texto legal, o Decreto n° 3.048/99, em seu artigo 201, prevê: Artigo 201. [...] §4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001). Em complemento, a Instrução Normativa RFB n° 971/09, em seu artigo 55, estabeleceu, em consonância com o disposto na Lei n°8.212/91, a alíquota de 20% sobre o valor bruto do serviço de frete ou carreto: Artigo 55. [...] § 2º O saláriodecontribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do RPS, corresponde a 20% (vinte por cento) do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento. Apesar das alegações da Recorrente no sentido de que o Decreto e a Instrução Normativa teriam inovado no mundo jurídico, ao estabelecer base de cálculo e alíquota de contribuição previdenciária, quando isso deveria ocorrer via lei complementar, os dispositivos supra mencionados encontramse em plena vigência, não sendo cabível na seara administrativa a análise de sua legalidade ou constitucionalidade. Neste sentido, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72, assim como o artigo 62 do Regimento Interno do CARF, preveem o descabimento de juízo de constitucionalidade ou legalidade de dispositivo normativo vigente, cabendo apenas ao Judiciário análise dessa natureza. Ante isto, tendo a fiscalização aplicado norma vigente para fundamentar a autuação, não restam dúvidas quanto à manutenção do crédito tributário neste ponto. Periculosidade e reflexos Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 A fiscalização entendeu pela irregularidade no recolhimento das contribuições previdenciárias com relação ao adicional de periculosidade e seus reflexos no 13° salário. Pois bem. O adicional de periculosidade é devido por força do disposto no art. 193, também da CLT: “Art. 193 São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado. § 1º O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa.” A verba está vinculada, portanto, ao risco de, subitamente, o trabalhador tornarse inválido, fator que a diferencia do adicional de insalubridade. É evidente que das causas de periculosidade também pode decorrer a invalidez do trabalhador, o que ocorrerá, contudo, de forma lenta, com o desenvolvimento de doenças. A causa para pagamento deste adicional está diretamente ligada ao dano ao qual o empregado está sujeito, qual seja a invalidez por acidente. O critério que diferencia o pagamento ou não do adicional de periculosidade é o dano ao qual o trabalhador está sujeito. Ainda mais: conforme maior chance de dano, maior será o valor que deverá ser pago pelo empregador. Por outro lado, caso o empregador, com a utilização de equipamentos eficazes, anule o risco de danos contra o empregado, restará suprimida a necessidade de pagamento do adicional. É o que determina o art. 194 da CLT: “Art. 194 O direito do empregado ao adicional de insalubridade ou de periculosidade cessará com a eliminação do risco à sua saúde ou integridade física, nos termos desta Seção e das normas expedidas pelo Ministério do Trabalho.” A Lei prevê a supressão do risco de dano, e não a supressão do agente, o que possibilita a supressão do pagamento destes empregados. Evidente, no entanto, que a supressão do pagamento deverá ser embasada em laudo técnico que expressamente reconheça a inexistência de risco para o trabalhador. O judiciário reconhece que não havendo risco, não há adicional a ser pago: “Insalubridade eliminação mediante EPI conseqüências. 1.Comprovando a empregadora que adota medidas hábeis a reduzir a insalubridade e fornece habitualmente os equipamentos de proteção individual, além de constar nos autos laudo de avaliação ambiental, assinado por profissional habilitado, demonstrando que a utilização dos EPIs elimina a insalubridade, resta indevido o respectivo adicional, a teor da Súmula nº 80 do c. TST. 2. Recurso conhecido e desprovido.” (TRT 21, RO 02055200400221004, publ. 30.05.2007) “Adicional de insalubridade. Eliminação dos agentes nocivos. Comprovada a entrega de EPIs pela reclamada e não havendo prova de que os mesmos não eram utilizados pelo reclamante, que, ao contrário, informou expressamente, que os equipamentos Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.458 23 sempre foram entregues e utilizados, de se concluir pela eliminação da insalubridade em sua atividades, como reconhecido em primeiro grau, com fundamento no Laudo Pericial elaborado pelo Perito do Juízo.” (TRT 2, RO 02465200505802004, publ. 18.08.2009) Disso decorre a conclusão, então, que estes adicionais são pagos somente em função do prejuízo que o trabalhador sofre por laborar em condições que o sujeitam a grave dano. Tanto é verdade que, suprimido o risco, há supressão do adicional. Adicional que também não é pago enquanto o empregado permanece em horas de sobreaviso (Súmula 132, TST)14. O adicional, portanto, está diretamente ligado ao risco de dano, prejuízo e condições adversas. Sempre, por outro lado, que estas condições foram suprimidas, o adicional não será devido. Seu pagamento então, não está vinculado à prestação de trabalho pelo empregador. Não é este fato que interessa para o pagamento do adicional, mas a exposição a determinados agentes nocivos. Fica muito clara, com isso, a natureza de indenização deste pagamento. De acordo com a magnitude do dano presumido será mensurado o valor a ser pago pelo empregador. É verdade que a recomposição (indenização) é prévia ao dano que presumidamente o empregado irá sofrer o que, entretanto, não descaracteriza a natureza da verba. Há compensação do trabalhador pelo prejuízo sofrido com o trabalho em tais condições. Como demonstrado, a incidência das contribuições sociais sobre a folha de salários ocorre somente com o pagamento de remuneração destinada a retribuir o trabalho prestado pelo empregado. Há, também, além de outras exclusões expressas, a necessidade do pagamento ser habitual para que haja incidência das contribuições. Valores creditados eventualmente estão isentos de tributação. Não obstante, também foi demonstrado que os valores creditados a título de adicional de periculosidade aos empregados não possuem finalidade de retribuir o trabalho prestado, mas de ressarcir os danos sofridos pelo empregado em razão do laboro em condições ambientais adversas. Sobre o assunto, não ignoramos a majoritária posição jurisprudencial, que se posiciona no sentido de tais verbas integrarem a remuneração para os efeitos trabalhistas. O que se pretende aqui é a abordagem tributária do assunto. A Lei nº 8.212/91 determina critérios para que sejam discriminadas as verbas sobre as quais incidem ou não a contribuição. Neste sentido, não basta que a verba paga seja remuneração. É necessário que, além disso, essa verba seja destinada a retribuir o trabalho prestado. A análise do caráter de retribuição deve ser feito questionandose o motivo de cada pagamento vertido ao empregado. No caso da verba discutida, a causa do pagamento é a condição ambiental adversa. 14 “II ‐ Durante as horas de sobreaviso, o empregado não se encontra em condições de risco, razão pela qual é incabível a integração do adicional de periculosidade sobre as mencionadas horas. (ex‐OJ nº 174 da SBDI‐1 ‐ inserida em 08.11.2000)” Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Notese: dois trabalhadores, com o mesmo tempo de contrato de trabalho, que prestam o mesmo serviço em uma mesma empresa deveriam receber mesma remuneração. Se um deles, no entanto, trabalha em condições ambientais adversas na forma da CLT, receberá o adicional, além de sua remuneração comum. O simples exemplo demonstra a diferença entre valores destinados ou não a retribuir o trabalho, dentre os quais é impossível incluir o adicional de periculosidade. A partir disso, concluímos pela impossibilidade de inclusão do adicional de periculosidade no saláriodecontribuição e, como consequência, no décimo terceiro salário para fins de tributação. Salário Família Nos termos do item 5.4 do Relatório Fiscal (Fls. 142) “em virtude das inclusões de rubricas realizadas nos itens 5.1.1 a 5.1.7, na base de cálculo das contribuições previdenciárias, foram recalculados os valores de saláriofamília devidos aos empregados que as receberam. Consequentemente, em função das novas bases de cálculo apuradas, foram constatados valores pagos a maior, a título de saláriofamília, a diversos segurados empregados. Os valores pagos a maior foram glosados e passaram a integrar o salário de contribuição destes mesmos empregados, já que a remuneração total superou o valor limite para o pagamento do benefício na respectiva competência”. A Portaria MPS n° 342/2006, que regulamenta o saláriofamília, estabelece como critério ao recebimento do benefício o valor da remuneração mensal do beneficiário. Além disso, prevê que como remuneração mensal entendese o valor total do respectivo saláriodecontribuição: Art. 3º O valor da cota do saláriofamília por filho ou equiparado de qualquer condição, até quatorze anos de idade, ou inválido de qualquer idade, a partir de 1º de agosto de 2006, é de: I R$ 22,34 (vinte e dois reais e trinta e quatro centavos) para o segurado com remuneração mensal não superior a R$ 435,56 (quatrocentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e seis centavos); II R$ 15,74 (quinze reais e setenta e quatro centavos) para o segurado com remuneração mensal superior a R$ 435,56 (quatrocentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e seis centavos) e igual ou inferior a R$ 654,67 (seiscentos e cinqüenta e quatro reais e sessenta e sete centavos). § 1º Para os fins deste artigo, considerase remuneração mensal do segurado o valor total do respectivo saláriodecontribuição, ainda que resultante da soma dos saláriosdecontribuição correspondentes a atividades simultâneas. § 2º O direito à cota do saláriofamília é definido em razão da remuneração que seria devida ao empregado no mês, independentemente do número de dias efetivamente trabalhados. No caso dos autos, quando do pagamento do saláriofamília aos empregados beneficiários, a Recorrente considerou o saláriodecontribuição de cada um deles sem a inclusão das verbas reconhecidas nestes autos. Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.459 25 Em razão disso, com a inclusão das verbas, muitos dos beneficiários ultrapassaram o limite para recebimento do benefício e, portanto, correta a conduta da fiscalização de glosar os valores pagos a maior a título de saláriofamília. Ressaltese, todavia, a importância de recálculo dos valores glosados, tendo em vista a exclusão de algumas rubricas, como adicional de periculosidade, nos termos do presente voto. Cooperativas de Trabalho A Recorrente sofreu, ainda, autuação em decorrência de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. Nos termos do relatório fiscal (item 5.5.3 – fls. 143), os contratos firmados foram analisados e possuem os seguintes objetos: 1) Contrato firmado com Unimed – Belo Horizonte Cooperativa de Trabalho Médico Ltda, cujo objeto é a cobertura de serviços de assistência médicohospitalar, de diagnóstico, terapia e odontológico aos associados regularmente inscritos pelo contratante. Foi contratado o plano Unimaster Coletivo Empresarial; 2) Contrato firmado com Unimed – Norte Capixaba Cooperativa de Trabalho Médico, cujo objeto é a cobertura de serviços de assistência médicohospitalar, de diagnóstico e terapia, conforme rol de procedimentos [...] aos usuários regularmente inscritos, na forma e condições deste instrumento. Foi contratado o plano Uniparticiplan; 3) Contrato firmado com Unimed – Norte Capixaba Cooperativa de Trabalho Médico, cujo objeto é a cobertura de serviços de assistência médicohospitalar, de diagnóstico e terapia, conforme rol de procedimentos [...] aos usuários regularmente inscritos, na forma e condições deste instrumento. Foi contratado o plano Unimed Fácil Empresarial; Além disso, foram verificados pagamentos efetuados à Cooperativa de Trabalho dos técnicos industriais e tecnólogos do Estado do Espírito Santo, não tendo a Recorrente apresentado contrato relativo aos serviços prestados. Pela descrição dos serviços, constatase a prestação de serviços de consultoria técnica na área de licenciamento ambiental. Alegou a Recorrente a ilegalidade na incidência de contribuições sobre cooperativas de trabalho. A Lei n° 8.212/91, em seu artigo 22, inciso IV, estabelece: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. No caso dos serviços prestados pela Cooperativa de Trabalho, em que se tem por objeto a consultoria técnica na área de licenciamento ambiental, não restam dúvidas quanto à aplicação do disposto no inciso IV do artigo 22 supra transcrito. Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 Tratase de típica contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa, sendo o contratante – no caso a Recorrente – o tomador do serviço e beneficiário direto deste. É uma relação triangular, em que a Recorrente contrata a cooperativa e esta fornece o serviço via cooperado. A dúvida, entretanto, insurge em relação aos serviços médicos contratados. Nestes casos, a relação triangular inexiste, na medida em que a Recorrente contrata a cooperada, mas o tomador do serviço é o empregado que se utiliza dos serviços médicos decorrentes daquele contrato: Nestes casos, não sendo o empregador o tomador do serviço, ou seja, não dando ele causa ao fato gerador, não há que lhe impor a condição de sujeito passivo da obrigação tributária. Até porque, a Lei n° 8.212/91 ao estabelecer a incidência de contribuição sobre os serviços prestados por cooperativas é expressa quanto à obrigação exclusivamente sobre os serviços que são prestados à contratante, o que não é o caso, conforme demonstrado no gráfico acima. Multa aplicada Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.460 27 No que tange à multa aplicada, a fiscalização demonstrou ter optado pela aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, em respeito ao Princípio da Retroatividade Benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN. Entretanto, considerandose o lapso temporal entre a autuação e o término do processo administrativo, necessário o recálculo das multas no momento do pagamento do débito para verificação da modalidade mais benéfica ao contribuinte. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e voto pela procedência parcial para excluir os créditos tributários referentes ao vale transporte pago em pecúnia, o adicional de periculosidade e os valores pagos em serviços médicos prestados por cooperativas de trabalho. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Tratase o presente de recurso voluntário interposto contra o acórdão da DRJ que entendeu procedente o lançamento fiscal relativo à: i) parte da empresa relativo à contribuição social previdenciária e a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho / GILRAT (Auto de Infração n° 37.312.9688); ii) contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, cujos valores não foram descontados pela empresa, quando do efetivo pagamento das remunerações devidas, não se constituindo em apropriação indébita previdenciária (Auto de Infração n° 37.312.9696); iii) contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, cujos valores foram descontados pela empresa, quando do efetivo pagamento das remunerações devidas, se constituindo em apropriação indébita previdenciária (Auto de Infração n° 37.312.9700); iv) parte dos segurados, resultante de aferição indireta destas contribuições sobre os valores pagos a título de incentivo à produtividade, por intermédio da empresa INCENTIVE HOUSE S/A, CNPJ 00.416.126/000303 (Auto de Infração n° 37.312.9718); v) parte da empresa, relativas à aferição indireta da contribuição previdenciária incidente sobre valores pagos a cooperativas de trabalho (Auto de Infração n° 37.312.9726); vi) contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos, a saber: FNDE/MEC – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, SESI – Serviço Social da Indústria, SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, SEST – Serviço Social do Transporte e SENAT – Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Auto de Infração n° 37.312.9734), nos termos do fidedigno relatório preparado pelo nobre Relator. O voto do ilustre Conselheiro Relator, do qual ouso divergir em parte, construído com a profundidade e técnica que emanam dos pronunciamentos do eminente colega, entende pela impossibilidade de inclusão do adicional de periculosidade no saláriode contribuição para fins de tributação pela contribuição previdenciária. Entende ainda, também após didática exposição constante do voto, pela não incidência da contribuição de 15% sobre os serviços prestados pela cooperativa médica para a recorrente. Permitome, com a máxima vênia, discordar das posições do ínclito relator quanto aos tópicos mencionados. Explico. Em primeiro lugar, examinemos a incidência no caso do adicional de periculosidade. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.461 29 previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altas, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais). Porém, como cediço, nem todas as verbas pagas pelo empregador ao trabalhador decorre da prestação pessoal de serviços. Valores relativos a direitos trabalhistas, ressarcimento de despesas, benefícios previstos em contrato individual ou coletivo de trabalho e indenizações diversas também integram as parcelas pagas ao empregado. A própria descrição desses valores permite inferirse pela não incidência das contribuições previdenciária sobre eles, ainda mais ao se cotejar com as considerações sobre o saláriodecontribuição acima realizadas. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como adicional de periculosidade. Perquirirse sobre natureza jurídica é investigar qual sua essência, quais as características que lhe são marcantes, que lhe são inerentes. Assim, encontrar a natureza jurídica é definir quais são os institutos jurídicos que se aplicam ao objeto do estudo, em função de suas características, de sua substância. Iniciando nosso caminho em busca da determinação da natureza jurídica do adicional de periculosidade, observamos que sua instituição decorre da lei trabalhista. Sobre ele dispõe a CLT: “Art. 193 São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado. § 1º O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa.” (grifamos) Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 De plano percebemos que se trata de um adicional, e não somente pelo “nomen juris”, mas sim pela disposição da lei. Determina a consolidação das leis trabalhistas que o trabalho em condição perigosa, assim entendida a presunção da lei para aqueles que laboram expostos ao contato permanente com inflamáveis e explosivos, enseja um acréscimo de 30% do respectivo salário. Esse ponto é fulcral no entendimento que esposamos, pois determina a natureza jurídica do adicional de periculosidade, verba remuneratória. A lei trabalhista presume uma situação de risco para aqueles que laboram em contato permanente com explosivos e inflamáveis. Mera presunção legal de risco, embora plenamente compreensível, possível e justificável. Porém, inegável que a situação decorreu da vontade do legislador, que escolher esses fatores, aliados a outros mais positivados em leis esparsas, em vez de outros, como altura, pressão atmosférica, confinamento, e outros mais que expõem aqueles que trabalham nessas condições ao perigo. Nessas condições há o adicional salarial. Trabalho em contato permanente com explosivos, inflamáveis, energia elétrica (artigo 193 da CLT), radiação ionizantes ou substâncias radioativas (Portaria nº 518, de 04/04/03). Ressaltese: condições de trabalho que ensejam acréscimo salarial. E outras mais há: trabalho em sobre jornada (hora extra), trabalho noturno, trabalho penoso (não regulamentado), trabalho insalubre, ou seja, condições de trabalho ditas ‘anormais’. Podemos dizer que a contraprestatividade decorre do trabalho prestados, porém, por expressa determinação do legislador, o mesmo trabalho quando prestado em determinada condições deve ter seu valor acrescido de montante legalmente, ou normativamente, previsto. Como diz Marcio Túlio Viana (Para Entender o Salário, São Paulo: LTr, 2014, p. 74): “O salário retribui o trabalho. Mas há um trabalho que se poderia apelidar – digamos assim – de ‘normal’, e um trabalho ‘anormal”. Para o trabalho ‘normal’ existe um salário também ‘normal’ (...) Para o trabalho anormal existem – outras figuras – os adicionais salariais” Comungamos da opinião daqueles que chamam os adicionais salarias de saláriocondição, pois entendemos que o trabalho nas condições ensejadoras dos adicionais, ou seja, o trabalho em hora extra, noturno ou perigoso, é remunerado com um acréscimo previsto na lei, ou majorado por norma coletiva. Arnaldo Sussekind (Curso de Direito do Trabalho, Rio de Janeiro: Ed. Renovar, 2010. p. 509), que tem o mesmo entendimento, nos recorda que a supressão da condição legal possibilita a cessação do pagamento do adicional, pois os adicionais: “constituem sobressalários que se computam para os efeitos de gratificação natalina, das contribuições previdenciárias, dos depósitos do FGTS, etc., mas não se incorporam ao salário do empregado, porque são devidos apenas enquanto perdurar a situação de ‘trabalho anormal’ Assim patente refutar a tese da natureza indenizatória do adicional, que embora fundada em lógica jurídica, peca pela premissa adotada. Patente, portanto, segundo tanto a lei quanto a doutrina, a natureza remuneratória do adicional de periculosidade. Afastase, portanto, a tese da natureza indenizatória da verba, vez que decorre da própria lei de regência das relações de trabalho a determinação da contraprestatividade do adicional, inclusive com os reflexos trabalhistas da remuneração acrescida percebida. Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721713/201178 Acórdão n.º 2402003.952 S2C4T2 Fl. 1.462 31 Com essa constatação, inegável a incidência da contribuição previdenciária sobre tal acréscimo em face de sua natureza jurídica remuneratória. Passemos a analisar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho, por força da disposição constante no artigo 22, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social. Discorda o ilustre relator da incidência quando da existência da prestação de serviços da cooperativa para terceiro, que não o próprio contratante. Segundo o entendimento apresentado no voto parcialmente vencido, quando um contratante contrata cooperativa de serviços médicos para o atendimento de seus empregados, não há efetiva prestação de serviços dos segurados cooperados para o contratante e sim para terceiros, o que não está previsto na norma tributária. Não se pode, com a devida vênia, concordar com o argumento. A contratação de serviços por meio de cooperativa de trabalho é sempre, por imperativo lógico, realizada no interesse do contratante, seja quando os serviços são prestados e fruídos diretamente por ele, seja quando – como no caso em apreço – os serviços são prestados para ele, contratante, e fruídos por outrem, terceiro, a quem o contratante deve – seja por ato volitivo, seja por imperativo legal ou mesmo contratual os serviços prestados pela cooperativa. Nesse sentido não se pode construir a figura de uma relação quatripartite na contratação de prestação de serviços médicos por cooperativa de trabalho, em face da constatação que os serviços são prestados aos funcionários da contratante. O que se observa, de fato, é que os serviços médicos cooperados são prestados para aquele que os contratou, a pessoa jurídica, a empregadora em sentido amplo, aquela que se aproveita do trabalho prestado pela pessoa física, seja essa seu empregado ou mesmo contribuinte individual que lhe presta serviço. Mister não olvidar que o oferecimento de serviços médicos, seja por meio da contratação de uma seguradora de planos de saúde, seja pela contratação de uma cooperativa, ou ainda, seja pela disponibilização de um ambulatório médico na própria empresa – com a consequente contratação de um profissional – foi uma opção da empresa decorrente de ato de vontade ou por força de obrigação assumida por meio de contrato coletivo de trabalho. Em qualquer desses casos o que se verifica é a contratação de um serviço pela empresa a ser prestado em favor dos empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviço. Indubitável que a relação obrigacional se dá entre a contratante, a empresa, e o prestador de serviços médicos, qualquer que seja a sua vestimenta jurídica, isto é, seja ele uma seguradora, uma empresa de planos de saúde, uma cooperativa médica, ou um profissional, pessoa física. Podemos, portanto, concluir, no caso em apreço, que a prestação de serviços pelas cooperativas de trabalho de assistência médicohospitalar UNIMED Norte Capixaba, UNIMED Belo Horizonte e UNIMED Norte Capixaba plano Uniparticiplan se deram nos termos da incidência prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei de Custeio da Previdência Social, tanto quanto os serviços de licenciamento ambiental prestado pela Cooperativa de Trabalho dos Técnicos Industriais e Tecnólogos do Estado do Espírito Santo, serviços esses passíveis de incidência segundo o Conselheiro Relator. Pelo exposto, voto no sentido da manutenção do lançamento tributário das contribuições previdenciárias devidas pelo tomador de serviços prestados por cooperativa de trabalho, nos termos do artigo 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91. Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 32 Em conclusão, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário dandolhe procedência parcial para excluir os créditos tributários referentes ao vale transporte pago em pecúnia. Assim declaro. Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, As sinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10865.000223/2007-35
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.144
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Nome do relator: TANIA MARA PSCHOALIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “O presente processo que ostenta como ultima página a de n° 1.268 trata de auto de infração de fls. 05/13, para cobrança ,de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercícios 2002, 2003, 2004,2005 e 2006, anoscalendário 2001, 2002, 2003, 2004 e Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10865.000223/200735 Resolução n.º 2801000.144 S2TE01 Fl. 1.310 2 2005, no valor de R$ 478.404,72 (quatrocentos e setenta e oito mil, quatrocentos e quatro reais e setenta e dois centavos), mais multa de oficio de 75% e juros de mora, calculados de acordo com a legislação pertinente. 2. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Faz parte do auto de infração de fls. 05/13 o Termo de Verificação de Infração de fls. 14/49, o sujeito passivo movimentou valores no período de 1° de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2005 junto aos Bancos do Brasil S/A, ABN Amro Real S/A, Unibanco, Nossa Caixa S/A, Safra, Luso Brasileiro S/A, BCN S/A, Sudameris Brasil S/A, Banespa, Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A, Itaú S/A, Rural S/A, Bradesco e Unibanco AIG S/A, em montantes incompatíveis com os rendimentos declarados. 3. Cientificado da exigência tributária em 02/03/2007, por via postal, conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 1.186verso, o autuado apresenta impugnação às fls. 1.187/1.200, de onde se extrai os seguintes argumentos: a) preliminarmente, alega a decadência do crédito tributário relativo ao anocalendário de 2001, por ter decorrido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos a contar do fato gerador do tributo, que ocorreu em 31/12/2001, conforme art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional CTN; b) ainda que se aplicasse o art. 173, I do CTN, o crédito deveria ser constituído até 01/01/2007, e assim também estaria decaído o crédito tributário do ano de 2001; c) a cobrança de tributo, cujo direito da Fazenda em constituir o crédito tributário tenha decaído, é ilegal e arbitrária, constituindo verdadeiro confisco; d) da análise do auto de infração para levantamento da documentação necessária, detectou graves erros na digitação de determinados valores de recursos movimentados, que resultaram em valores que não correspondem com a realidade; e) para o anocalendário de 2001, demonstra uma diferença de R$ 186.720,30, que corresponde à diferença entre o valor digitado erroneamente no auto de infração de R$ 188.607,00 e o valor correto de R$ 1.886,70; f) o valor total dos recursos movimentados em agosto de 2001 no Unibanco foi de R$ 2.567,78 e no auto de infração foi lançado erroneamente R$ 189.288,08; g) houve erro no transporte do mesmo para a planilha de totalização das contas individuais, já que a somatória dos recursos movimentados no Unibanco durante o mês de agosto de 2001 foi alocada no mês de junho; Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10865.000223/200735 Resolução n.º 2801000.144 S2TE01 Fl. 1.311 3 h) assim, o total dos recursos movimentados individualmente no ano calendário de 2001 foi, na realidade, no valor de R$ 426.379,70 e não de R$ 613.100,00 como constou no auto de infração para a apuração da base de cálculo do imposto; i) há vicio passível de nulidade do auto de infração e, por conseguinte, do lançamento efetuado quando for verificada a ocorrência de defeito ou falta pela omissão de requisito, ou de desatenção à solenidade, que se prescreve como necessária a sua validade ou eficácia jurídica, neste caso, as incorreções e omissões de forma na prática do ato, bem como as falhas ou omissões quanto às formalidades necessárias na feitura do lançamento; j) os recursos depositados em suas contas correntes decorrem de pró labores e lucros distribuídos por empresas das quais tem participação societária, declarados como rendimentos isentos e não tributados; pagamentos recebidos em função da alienação de bens constantes da sua Declaração e com recolhimento de ganho de capital; créditos recebidos a titulo de empréstimos efetuados junto às instituições financeiras e transferências de aplicações financeiras; k) elabora planilhas às fls. 1.197/1.199, para demonstrar que a origem dos recursos movimentados está comprovada na própria Declaração; I) em razão da escassez do tempo, não foi possível individualizar cada valor para fins de comprovação, e requer a concessão de prazo adicional de 30 (trinta) dias para entrega da documentação, juntamente com planilha explicativa.” O lançamento foi considerado procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 1.269/1.284, que restou assim ementado: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Conforme legislação do contencioso administrativo fiscal, é preclusivo o prazo para apresentação das provas por parte do autuado. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10865.000223/200735 Resolução n.º 2801000.144 S2TE01 Fl. 1.312 4 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 19/03/2009 (fl. 1.286/v), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 1.289/1.305, em 20/04/2009. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o lançamento foi efetuado com base em informações solicitadas diretamente às intuições financeiras, através da quebra do sigilo bancário do contribuinte, sem autorização judicial. Ocorre que a quebra de sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601314), devendo o julgamento do presente processo ser sobrestado, conforme imposição do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que determina, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 601.314, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN
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Numero do processo: 10830.917816/2011-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1916; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 8 1 7 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917816/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.456 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria NORMAS GERAIS DE DIRIETO TRIBUTÁRIO Recorrente MINASA TRADING INTERNATIONAL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, devese conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 16 /2 01 1- 16 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917816/201116 Acórdão n.º 3801004.456 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.917816/201116, contra o acórdão nº 0948.388, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 04 de dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “O interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 23443.88822.050406.1.2.041649, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172, efetuado em 15/9/2003, e/ou compensação dos débitos nela declarados com o mesmo crédito; A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e/ou não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que; a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS SOBRE DEMAIS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA LEI 9.718/98; c) DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA INVALIDADE (INEFICÁCIA) DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS COM BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL; d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO; e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe: 1 Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em regime de repercussão geral, RE 585.235MG, deve ser reconhecido o crédito de COFINS, conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF; 2 Desnecessidade de retificação da DCTF para o reconhecimento do crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de crédito; 3 Comprovação do direito a crédito pela apuração de crédito baseada na cópia da ficha razão com o registro e outras receitas e cópia da ficha razão da conta de tributos a recolher. É o sucinto relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917816/201116 Acórdão n.º 3801004.456 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base de cálculo da Cofins O direito a creditamento pleiteado está consubstanciado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao ampliar o conceito de receitas para envolver todas as receitas auferidas pela empresa, sem a observação do tipo de atividades ou a classificação destas. “.(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)” Não há dúvida sobre o direito a crédito decorrente da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema Corte por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Nestes termos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser reconhecido o crédito de COFINS pelo recolhimento a maior da contribuição durante a vigência do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 cuja inconstitucionalidade restou reconhecida pelo Pleno do STF. Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido de compensação/restituição sem ter feito retificadora da DCTF. No Conselho, dentro do procedimento de compensação, a declaração retificadora seria o instrumento de apuração de direito líquido e certo do contribuinte, devendo ser realizada anteriormente ao pedido de compensação. Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde que sejam apresentados documentos contábeis suficientes, como os apresentados à fl. 23/27, para comprovar que o crédito alegado na PERDCOMP e a correção da DCTF de fato transparecem o direito. A exigência apontada é reflexo dos julgamentos das turmas do Conselho. Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e procedimento. Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o valor lançado de DCTF retificadora como crédito, abrese à discussão da matéria de fato, entendose que a contabilidade da empresa possui força probatória para a constituição de direito creditório, superior a mera declaração deste. Uma vez comprovado, pela contabilidade da empresa, o recolhimento da COFINS com inclusão de todas as receitas auferidas pela empresa na base de cálculo por exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito, resta comprovada a prescindibilidade da apresentação da DCTF retificadora por ter o contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917816/201116 Acórdão n.º 3801004.456 S3TE01 Fl. 11 7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre a liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito de crédito é certo, sendo necessária tão somente a apuração de sua liquidez entendo que é possível o provimento do pedido, com a subseqüente liquidação posterior pela autoridade fiscal. Entendo que deve ser dado provimento ao presente recurso voluntário, devendo ser homologada a PerDcomp de fl. 31/33, com a sua apuração pela Delegacia de Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 12898.000476/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37.226.521-9
Consolidados em 24/04/2009
Contribuição Previdenciária incidente em pagamento de vale transporte pago em dinheiro.
Matéria sumulada por esta corte. Súmula CARF 89 determina que não incide Contribuição Previdenciária sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Matéria sumulada por esta corte. Súmula CARF 89 determina que não incide Contribuição Previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 04 76 /2 00 9- 19 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário aviado contra Acórdão sob n° 1229.427da 10ª Turma da DRJ/RJ1 onde julgou procedente o lançamento efetuado no AIOP acima identificado, sendo ele referente às contribuições devidas à Seguridade Social, parte destinada a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). Constituem fatos geradores das contribuições lançadas os pagamentos em dinheiro de auxíliotransporte, em desacordo com a Lei n° 7.418, de 16/12/1985, registrados nas folhas de pagamento, rubrica código 0385 — INDENIZAÇÃO V.T. PROX/MÊS e lançados na contabilidade na conta 3211020 — VALE TRANSPORTE. Devidamente noticiada do lançamento aviou a sua impugnação, cuja qual foi julgada improcedente, mantendo o lançamento em sua integralidade. Em 04 de junho de 2010 aviou o presente remédio recursivo, diante da notificação da decisão de piso em 07 de maio de 2010, conforme informa certidão de fls. 275. É a síntese do necessário. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 12898.000476/200919 Acórdão n.º 2301004.139 S2C3T1 Fl. 272 3 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O Recurso acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço e passo a examinar as suas razões. O ponto nodal da testilha é a constituição de contribuição previdenciária sob os valores pagos à título de vale transporte em dinheiro a seus funcionários. Portanto, a questão já está sumulada nesta Corte, cuja qual curvome, aplicandolhe. Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço para DARLHE PROVIMENTO, excluindo do lançamento as contribuições relativas a pagamento de vale transporte pago em dinheiro, conforme autoriza Súmula CARF 89. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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