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Numero do processo: 16306.720845/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. APROVEITAMENTO DE ESTIMATIVA COMPENSADA. COBRANÇA EM DUPLICIDADE.
É ilegítima a glosa do saldo negativo quando este for composto por estimativa objeto de compensação, ainda que não homologada, por implicar cobrança do crédito tributário em duplicidade.
DIPJ. ERRO. RECEITA DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DIREITO AO CRÉDITO DO IMPOSTO RETIDO.
O mero erro de preenchimento da DIPJ pela contribuinte, que incluiu suas receitas de juros sobre o capital próprio junto com outras receitas financeiras (Linha 22), e não na linha específica (Linha 21), não é causa suficiente para indeferir o direito de utilizar o respectivo IR-Fonte retido no cômputo do Saldo Negativo passível de restituição ou compensação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para o reconhecimento do direito creditório. A simples alegação de que a receita da prestação de serviços foi incluída na DIPJ na linha de outras receitas financeiras, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a utilização do respectivo imposto retido.
Numero da decisão: 1201-001.683
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em: a) Reconhecer o direito creditório decorrente da estimativa de fevereiro de 2008, no montante de R$ 992.734,03 e b) Reconhecer o direito creditório decorrente do IR-Fonte retido sobre as receitas de juros sobre capital próprio, no montante de R$ 6.478.327,39. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los e José Carlos Guimarães que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário, em menor extensão, apenas para reconhecer o direito creditório relativo ao IR-Fonte sobre as receitas de JCP
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 31/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. APROVEITAMENTO DE ESTIMATIVA COMPENSADA. COBRANÇA EM DUPLICIDADE. É ilegítima a glosa do saldo negativo quando este for composto por estimativa objeto de compensação, ainda que não homologada, por implicar cobrança do crédito tributário em duplicidade. DIPJ. ERRO. RECEITA DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DIREITO AO CRÉDITO DO IMPOSTO RETIDO. O mero erro de preenchimento da DIPJ pela contribuinte, que incluiu suas receitas de juros sobre o capital próprio junto com outras receitas financeiras (Linha 22), e não na linha específica (Linha 21), não é causa suficiente para indeferir o direito de utilizar o respectivo IR-Fonte retido no cômputo do Saldo Negativo passível de restituição ou compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para o reconhecimento do direito creditório. A simples alegação de que a receita da prestação de serviços foi incluída na DIPJ na linha de outras receitas financeiras, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a utilização do respectivo imposto retido.
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SALDO NEGATIVO. APROVEITAMENTO DE ESTIMATIVA COMPENSADA. COBRANÇA EM DUPLICIDADE. É ilegítima a glosa do saldo negativo quando este for composto por estimativa objeto de compensação, ainda que não homologada, por implicar cobrança do crédito tributário em duplicidade. DIPJ. ERRO. RECEITA DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DIREITO AO CRÉDITO DO IMPOSTO RETIDO. O mero erro de preenchimento da DIPJ pela contribuinte, que incluiu suas receitas de juros sobre o capital próprio junto com outras receitas financeiras (Linha 22), e não na linha específica (Linha 21), não é causa suficiente para indeferir o direito de utilizar o respectivo IRFonte retido no cômputo do Saldo Negativo passível de restituição ou compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para o reconhecimento do direito creditório. A simples alegação de que a receita da prestação de serviços foi incluída na DIPJ na linha de outras receitas financeiras, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a utilização do respectivo imposto retido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 72 08 45 /2 01 3- 43 Fl. 389DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em: a) Reconhecer o direito creditório decorrente da estimativa de fevereiro de 2008, no montante de R$ 992.734,03 e b) Reconhecer o direito creditório decorrente do IRFonte retido sobre as receitas de juros sobre capital próprio, no montante de R$ 6.478.327,39. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los e José Carlos Guimarães que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário, em menor extensão, apenas para reconhecer o direito creditório relativo ao IRFonte sobre as receitas de JCP (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 31/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de vários PER/DCOMPs, identificados no quadro de fls. 135/140, por meio do qual a interessada pretende compensar determinados débitos próprios, no montante total de R$ 40.105.301,50, com Saldo Negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2008, no valor originário de R$ 37.354.424,83. Solicita também a restituição do saldo negativo remanescente, isto é, após as compensações. Em face da demora administrativa quanto à análise do pedido de restituição, o contribuinte ajuizou ação judicial (Mandado de Segurança n. 001029119.2013.4036100), requerendo a ordem para análise imediata do pleito, a qual foi deferida por meio de liminar (fls. 03/06). Por meio de Despacho Decisório de fls. 135/146, o crédito foi deferido em parte, mais precisamente nos seguintes termos: "3 Da apuração do direito creditório 13. Avaliando a apuração do suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008, no montante de R$ 37.354.424,83, declarado na ficha 12A da DIPJ 2009 à fl. 23, verificase que: Fl. 390DF CARF MF Processo nº 16306.720845/201343 Acórdão n.º 1201001.683 S1C2T1 Fl. 3 3 · O contribuinte não apurou IRPJ devido, antes de descontar as deduções, por ter tido um prejuízo fiscal no montante de R$ 349.008.396,10, conforme ficha 09A da DIPJ 2009 à fl. 18; · A tabela a seguir resume a apuração da IRPJ estimativa declarada na DIPJ 2009, a qual optou pelo uso de balancete de suspensão ou redução: · A parcela de R$ 992.734,03 da estimativa de fevereiro/2008 foi compensada no PerDcomp 02378.78072.010910.1.7.023078, o qual utilizava crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004. Este direito creditório foi analisado no processo administrativo 16306.000006/201143. O despacho decisório de fls. 79/90 concedeu parcialmente o valor solicitado, mas não foi suficiente para homologar a compensação ora em analise, conforme resumo do processamento à fl. 134. Foi apresentada manifestação de inconformidade contra este despacho, porém a DRJ manteve a decisão (fls. 91/133). Ato contínuo, o contribuinte apresentou recurso voluntário, que permanece aguardando julgamento pelo CARF. Assim, como o crédito relativo a esta parcela da estimativa não é líquido e certo, o mesmo não pode ser considerado como parcela validada para apuração do resultado do IRPJ do anocalendário 2008. · Foi utilizada na apuração das estimativas de IRPJ retenção na fonte no montante de R$ 7.187.333,03, conforme declarado na ficha 11 da DIPJ 2009 (fls. 19/22), e R$ 29.174.357,77 no resultado final (ficha 12A). De acordo com consulta ao sistema Sief/DIRF (fls. 54/77), foi informado em DIRF, através das declarações das fontes pagadoras, o valor total de R$ 36.465.071,97 Forma de extinção da estimativa Mês IRPJ estimativa Fonte DARF Compensação Janeiro Fevereiro 2.597.629,83 1.604.895,80 992.734,03 Março Abril 52.411,36 52.411,36 Maio 2.935.946,42 2.935.946,42 Junho Julho 2.594.079,45 2.594.079,45 Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Total 8.180.067,06 7.187.333,03 0,00 992.734,03 Fl. 391DF CARF MF 4 a título de IRRF. O quadro abaixo resume o IRRF por código de retenção e a receita oferecida à tributação. A p e n a s · Apenas as receitas correspondentes ao IRRF sobre operações financeiras foram devidamente oferecidas à tributação. O código 8045 referese à retenção sobre serviços prestados e o 5706 a juros sobre capital próprio recebido. Desta forma, o total confirmado de IRRF é R$29.960.401,49, que cobre o montante utilizado nas estimativas (R$ 7.187.333,03) e resta um saldo para apuração final de R$ 22.773.068,46. · Portanto, efetuando os ajustes necessários na apuração de IRPJ do anocalendário 2008, temos: Descrição das parcelas comprovadas Valor IRPJ apurado para o período 0,00 Parcela comprovada das estimativas 7.187.333,03 IRRF 22.773.068,46 Saldo Negativo de IRPJ 29.960.401,49 14. Considerando que o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2008, após ajuste descrito neste despacho, no montante de R$ 29.960.401,49 (vinte e nove milhões, novecentos e sessenta mil, quatrocentos e um reais e quarenta e nove centavos), foi devidamente comprovado; 15. PROPONHO o RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO contra a Fazenda Nacional a Votorantim Participações S/A, CNPJ 61.082.582/000197, na importância de: · R$ 29.960.401,49 (...) referente a saldo credor de IRPJ apurado em 31/12/2008; sendo que sobre tal valor incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, nos termos dos artigos 83 e 84 da IN/SRF n° 1300/12. 16. PROPONHO também a HOMOLOGAÇÃO da compensação presente nos PER/DCOMPs em análise neste despacho, até o limite do crédito reconhecido, sendo que os PER/DCOMPs só devem utilizar crédito do período indicado nos mesmos. Código Receita Fonte total Receita oferecida CSLL Fonte à tributação Comprovada 0924 155,60 35,01 307.463.968,23 35,01 3426 64.902.044,76 13.169.126,14 13.169.126,14 5273 10.513.944,84 1.929.329,00 1.929.329,00 94.226.217,73 14.861.911,34 14.861.911,34 8045 5.155,00 77,33 0,00 0,00 5706 43.188.849,45 6.478.327,39 0,00 0,00 TOTAL 36.438.806,21 29.960.401,49 Fl. 392DF CARF MF Processo nº 16306.720845/201343 Acórdão n.º 1201001.683 S1C2T1 Fl. 4 5 17. PROPONHO o DEFERIMENTO do Pedido de Restituição do saldo remanescente de direito creditório após homologadas as compensações, limitado ao valor do pedido. [...]" Contra a parcela do crédito não homologada (montante de R$ 7.394.023,34), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 150/150), alegando, em síntese: (i) que o despacho decisório é nulo em face da violação ao art. 76, da IN 1300/12); (ii) que a estimativa referente a fevereiro/2008 ainda encontrase pendente de julgamento no processo n. 16206.000006/201143, o que prejudicaria o prosseguimento do presente feito; (iii) que tanto a receita auferida por serviços prestados quanto a receita auferida a título de juros sobre o capital próprio foram sim devidamente tributadas, na rubrica outras receitas financeiras, incluídas na linha 22 da ficha 06A da DIPJ/2009; e (iv) que o eventual erro da DIPJ não tem o condão de afastar o direito creditório. Ato contínuo, foi proferida decisão de primeira instância (fls. 312 e seguintes), que julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Por unanimidade de votos, a 15ª Turma da DRJ/SPO afastou a nulidade, não reconheceu a questão prejudicial relativa à conexão processual e entendeu que a contribuinte de fato não teria comprovado a legitimidade da integralidade do crédito pleiteado, razão pela qual considerou correta a não homologação da mencionada diferença. A Recorrente foi intimada da decisão de primeiro grau em 26/02/2014 (fls. 330) e interpôs recurso voluntário, em 13/03/2014 (fls. 332), no qual argumenta: (i) que a compensação da estimativa de fevereiro/2008 não poderia ter sido indeferida em razão de conexão processual, bem como por implicar cobrança em duplicidade; (ii) que as receitas de JCP e serviços prestados consideradas foram incluídas em outro campo da DIPJ, destinado às receitas financeiras; (iii) a decisão de primeiro grau cometeu equívoco ao lidar com os valores que compuseram o total declarado, não podendo um mero erro de preenchimento da DIPJ não pode servir de fundamento para a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Fl. 393DF CARF MF 6 Estimativa de fevereiro/2008 (montante de R$ 992.734,03) A fiscalização (acatada pela DRJ) glosou, do total do crédito pleiteado, o montante de estimativa de fevereiro/2008 (R$ 992.734,03), uma vez que sua forma de extinção – compensação – não teria sido homologada. Essa não homologação é objeto de discussão no processo administrativo nº 16306.000006/201143, que atualmente, segundo pude apurar, aguarda a realização de diligência que foi requerida na decisão de segunda instância (Acórdão nº 140100.378). Nesse contexto, em que pese a referida compensação da estimativa de fevereiro/2008 de IRPJ não ter sido homologada em uma análise preliminar da Receita Federal, fato é que inexiste até o momento qualquer decisão definitiva sobre o assunto. A decisão que não homologou a referida compensação está atualmente em discussão, razão pela qual, ao contrário do querem fazer crer o despacho decisório e a decisão de primeiro grau, não poderia produzir efeitos. Não é difícil notar que, caso o recurso voluntário interposto pela Recorrente no processo conexo seja julgado procedente, o débito lá compensado (que é a própria estimativa de fevereiro/2008) deverá ser normalmente computado para fins de apuração do crédito de saldo negativo pleiteado. Também na pior das hipóteses, isto é, caso sobrevenha decisão final no âmbito administrativo desfavorável à Recorrente, o débito de estimativa será objeto de cobrança em procedimento específico, devendo também ser incluída no cálculo do saldo negativo de IRPJ de 2008. Mas, não é só. A negativa do cômputo de tal estimativa no saldo negativo apurado no ano calendário de 2008 causa, ainda, o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois ao mesmo tempo em que o fisco exige o seu pagamento nos autos do processo nº 16306.000006/201143, também impede a sua restituição ou compensação. O que se tem, no caso, pois, é uma glosa indevida, que deve ser afastada sob pena de onerar o contribuinte diante de cobrança formulada em duplicidade. O CARF, aliás, vem se posicionando sobre a necessidade de inclusão de estimativa compensada, ainda que esta não tenha sido homologada, no cálculo do saldo negativo, justamente para evitar a dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Vejase, a título exemplificativo, as ementas dos julgados abaixo: “COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, Fl. 394DF CARF MF Processo nº 16306.720845/201343 Acórdão n.º 1201001.683 S1C2T1 Fl. 5 7 de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem”. (Acórdão 1201001.054 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Relator Luis Fabiano Alves Penteado, Sessão de 30/07/2014). “DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS COM CRÉDITOS DE PERÍODOS ANTERIORES. DUPLA COBRANÇA. A compensação regularmente declarada extingue o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive a composição do saldo negativo. Glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Mesmo que haja decisão administrativa não homologando a compensação de um débito de estimativa essa parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo”. (Acórdão nº 1803002.353 – 3ª Turma Especial, Relator Arthur Jose Andre Neto, Sessão de 23/09/2014). Nesse sentido, entendo que inexiste justificativa para a manutenção da glosa da estimativa de IRPJ de fevereiro/2008, devendo o montante correspondente ser computado no crédito de Saldo Negativo do AC 2008 da Recorrente. Da tributação das receitas que geraram as retenções de IRPJ O restante do crédito pleiteado que não foi homologado diz respeito ao IR Fonte retido em face do recebimento, pela Recorrente, de várias receitas sujeitas à retenção, conforme quadro de fls. 143/144. Ressaltese, por oportuno, que as aludidas retenções foram confirmadas pela Receita Federal, conforme indica o resumo da DIRF juntado às fls. 77. Não obstante, a fiscalização não reconhece referidos créditos de IRFonte, sob a alegação de que as respectivas receitas não teriam sido oferecidas à tributação. Mais precisamente, segundo alega a autoridade fiscal, a Recorrente não teria oferecidas à tributação as receitas de: R$ 43.188.849,45 a título de juros sobre o capital próprio (que ensejou a retenção de R$ 6.478.327,39 no código 5706); e R$ 5.155,00 pela prestação de serviços (que ensejou a retenção de R$ 77,33 no código 8045). A Recorrente, por sua vez, alega que tanto as receitas referentes aos serviços prestados quanto as decorrentes de juros sobre o capital próprio foram sim oferecidas à tributação, estando computadas na Linha 22 da Ficha 6A da DIPJ/2009 (fls. 229) – outras receitas financeiras , conforme recomposição contábil apresentada nas fls. 266/280. A DRJ, porém, não acatou essa alegação, com base na premissa de que “não consta da linha 21 da ficha 06A da DIPJ/2009 (receitas de JCP) qualquer receita declarada Fl. 395DF CARF MF 8 de JCP, e os valores somados são superiores ao constante da linha 22 da mesma ficha em DIPJ (outras receitas financeiras), inviável inferir o devido oferecimento à tributação dos rendimentos apurados.” (fls. 326). Pois bem. Da análise das considerações apontadas pela DRJ (fls. 324 a 326), notadamente o quadro resumo do cálculo que norteou seu raciocínio, vislumbro que a decisão não computou todos os valores e desconsiderou o valor negativo da provisão da conta 44103040. Com efeito, a partir dos elementos constantes dos autos, é possível reconstituir a composição do valor declarado na referida ficha de outras receitas financeiras através do seguinte quadro: Receita ‐ Ficha06A ‐ linha 22 Descritivo ( 73.234,47) 34103080 ‐ Taxas bancárias, acertos tarifas, taxa de custódia de ações ( 47.816.036,30) 44102030 ‐ Baixa de JCP recebidos ( 6.784.439,91) 44102040 ‐ Valores referentes a juros sobre contratos de mútuo ( 13.261.389,95) 44102050 ‐ Delimitação antecipada ( 83.389.737,65) 44103020 ‐ diversos (100.672.725,14) 44103040 ‐ Aplicações anteriores a 1994 (630,30) 44103010 19.439.684,10 44103040 ‐ provisão e ganho SWAP (23.185.908,14) 44103060 (305.189,37) 44101035 (27.994.473,63) 44101030 ‐ juros ativos (23.419.887,47) 44101070 ‐ juros sobre imposto a recuperar (307.463.968,23) total Ora, os valores somados (R$ 307.463.968,23) correspondem exatamente ao montante informado na Linha 22 em questão. Especificamente com relação à receita de juros sobre o capital próprio, vale assinalar que há conta contábil própria para tal registro (cf. Razão – fls. 274), cujo montante contabilizado no ano de 2008, de R$47.816.036,30, foi incluído na receita tributável rotulada de outras receitas financeiras, cujo total declarado foi de 307.463.968,23, conforme demonstra o quadro acima. Para efeitos de controle de sistema, porém, a DIRF (fl. 77) registra a receita de JCP e IRFonte, para o ano base de 2008, respectivamente de R$ 43.188.849,45 e R$ 6.478.327,39. Na própria DIPJ e DCOMP (fls. 49 e 70) há menção apenas da principal receita de JCP auferida, proveniente de pagamento pela Usiminas, no montante de R$ 42.758.704,11, o que ensejou a retenção de R$ 6.413.805,60 no código 5706. Feitas essas considerações, percebo que a Recorrente, ao contrário do quanto afirmado na decisão de piso, ofereceu sim a receita auferida a título de JCP à tributação, mas, no momento de declarála em DIPJ, não a incluiu na linha específica (Linha 21 – receitas de juros sobre o capital próprio), computandoa na linha mais genérica de outras receitas financeiras (Linha 22). Fl. 396DF CARF MF Processo nº 16306.720845/201343 Acórdão n.º 1201001.683 S1C2T1 Fl. 6 9 Esse fato, todavia, ainda mais diante dos princípios da moralidade administrativa e busca pela verdade material, não poderia, por si só, acarretar na negativa do direito creditório. Ora, o mero erro de preenchimento da DIPJ pela contribuinte, que incluiu suas receitas de juros sobre o capital próprio junto com outras receitas financeiras (Linha 22), e não na linha específica (Linha 21), não é causa suficiente para indeferir o direito de utilizar o IRFonte retido no cômputo do Saldo Negativo passível de restituição ou compensação. O CARF, a propósito, vem julgando casos bastante semelhantes ao presente em favor dos contribuintes, reconhecendo a inexigibilidade de cobranças formuladas a partir de mero erro de fato. Abaixo transcrevo a ementa de dois julgados que caminharam nesse sentido: “PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas”. (Acórdão 1803001.592, Sessão de 04/12/2012, 3ª Turma Especial) “ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização”. (Acórdão 3801001.855, Sessão de 23/04/2013, 1ª Turma Especial). Adotando essa linha jurisprudencial, e tendo em vista que a Recorrente comprovou que incluiu as receitas de JCP de 2008 na apuração do lucro real, reconheço o direito creditório decorrente do IRFonte, código 5706, limitado ao valor confirmado em DIRF (R$ 6.478.327,39). O mesmo, porém, não se pode falar do crédito pleiteado a título de IRFonte, código 8045 (R$ 77,33). Nesse ponto, entendo que a Recorrente não comprovou que a respectiva receita proveniente de serviço prestado (R$ 5.155,00) de fato foi incluída na referida Linha 22. Essa comprovação constitui ônus do Recorrente, conforme dicção do artigo 170 do CTN: “Artigo 170 a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública”. Fl. 397DF CARF MF 10 No presente caso, a Recorrente limitouse a afirmar que a receita em comento estaria computada na Linha 22 da Ficha 06, mas deixou de demonstrar essa alegação com documentação hábil e idônea, razão pela qual nada justifica a reforma da decisão de primeira instância nesse ponto. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de: (i) Reconhecer o direito creditório decorrente da estimativa de fevereiro de 2008, no montante de R$ 992.734,03; e (ii) Reconhecer o direito creditório decorrente do IRFonte retido sobre as receitas de juros sobre capital próprio, no montante de R$ 6.478.327,39. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907167/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2009
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.202
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2009 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 67 /2 01 2- 11 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907167/201211 Acórdão n.º 3302004.202 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.805. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907167/201211 Acórdão n.º 3302004.202 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907167/201211 Acórdão n.º 3302004.202 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907167/201211 Acórdão n.º 3302004.202 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907167/201211 Acórdão n.º 3302004.202 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907167/201211 Acórdão n.º 3302004.202 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.729823/2013-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.059
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 98 23 /2 01 3- 23 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.503. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.729823/201323 Acórdão n.º 3302004.059 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003538/2009-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/07/2005
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. CREDITAMENTO.
Os serviços de agenciamento e comissões de corretagem para aquisição do leite in-natura, por não serem utilizados na produção do produto destinado à venda (leite UHT e pasteurizado) não perfazem o conceito de insumos previsto no art. 3º, inc. II, da Lei nº 10.637/2002.
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO.
Por expressa disposição constante do art. 31 da Lei nº 10.865/2004, não é possível o creditamento de PIS/Cofins sobre depreciação de bens adquiridos antes de 1º/05/2004. Por força da Súmula CARF nº 2 não é possível a apreciação da alegada inconstitucionalidade do dispositivo legal.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/07/2005
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. CREDITAMENTO.
Os serviços de agenciamento e comissões de corretagem para aquisição do leite in-natura, por não serem utilizados na produção do produto destinado à venda (leite UHT e pasteurizado) não perfazem o conceito de insumos previsto no art. 3º, inc. II, da Lei nº 10.833/2003.
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO.
Por expressa disposição constante do art. 31 da Lei nº 10.865/2004, não é possível o creditamento de PIS/Cofins sobre depreciação de bens adquiridos antes de 1º/05/2004. Por força da Súmula CARF nº 2 não é possível a apreciação da alegada inconstitucionalidade do dispositivo legal.
Numero da decisão: 9303-004.893
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2004 a 31/07/2005 PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. CREDITAMENTO. Os serviços de agenciamento e comissões de corretagem para aquisição do leite in-natura, por não serem utilizados na produção do produto destinado à venda (leite UHT e pasteurizado) não perfazem o conceito de insumos previsto no art. 3º, inc. II, da Lei nº 10.637/2002. PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO. Por expressa disposição constante do art. 31 da Lei nº 10.865/2004, não é possível o creditamento de PIS/Cofins sobre depreciação de bens adquiridos antes de 1º/05/2004. Por força da Súmula CARF nº 2 não é possível a apreciação da alegada inconstitucionalidade do dispositivo legal. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/07/2005 COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. CREDITAMENTO. Os serviços de agenciamento e comissões de corretagem para aquisição do leite in-natura, por não serem utilizados na produção do produto destinado à venda (leite UHT e pasteurizado) não perfazem o conceito de insumos previsto no art. 3º, inc. II, da Lei nº 10.833/2003. COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO. Por expressa disposição constante do art. 31 da Lei nº 10.865/2004, não é possível o creditamento de PIS/Cofins sobre depreciação de bens adquiridos antes de 1º/05/2004. Por força da Súmula CARF nº 2 não é possível a apreciação da alegada inconstitucionalidade do dispositivo legal.
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REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. CREDITAMENTO. Os serviços de agenciamento e comissões de corretagem para aquisição do leite innatura, por não serem utilizados na produção do produto destinado à venda (leite UHT e pasteurizado) não perfazem o conceito de insumos previsto no art. 3º, inc. II, da Lei nº 10.637/2002. PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO. Por expressa disposição constante do art. 31 da Lei nº 10.865/2004, não é possível o creditamento de PIS/Cofins sobre depreciação de bens adquiridos antes de 1º/05/2004. Por força da Súmula CARF nº 2 não é possível a apreciação da alegada inconstitucionalidade do dispositivo legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/07/2005 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. CREDITAMENTO. Os serviços de agenciamento e comissões de corretagem para aquisição do leite innatura, por não serem utilizados na produção do produto destinado à venda (leite UHT e pasteurizado) não perfazem o conceito de insumos previsto no art. 3º, inc. II, da Lei nº 10.833/2003. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO. Por expressa disposição constante do art. 31 da Lei nº 10.865/2004, não é possível o creditamento de PIS/Cofins sobre depreciação de bens adquiridos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 35 38 /2 00 9- 96 Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 3 2 antes de 1º/05/2004. Por força da Súmula CARF nº 2 não é possível a apreciação da alegada inconstitucionalidade do dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado tempestivamente pelo Contribuinte à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 202/223), nos termos do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, em face da decisão proferida no Acórdão no 3202000.411, de 24/01/2011, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF (efls. 171/194). O julgado possui a seguinte ementa: Assunto: PIS/COFINS Período de Apuração: 01/05/2004 a 31/07/2005 CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. Devem ser considerados insumos todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem e na prestação do serviço cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Recurso Voluntário negado Entendeu aquela Turma julgadora que as despesas relativas ao agenciamento junto aos fornecedores e os valores pagos a título de comissões a representantes comerciais não se enquadravam no conceito de insumos, para fins de exclusão da base de cálculo na tributação de PIS e COFINS, por constituirse em política administrativa da empresa para a captação dos elementos de produção. Manifestouse, ainda, aquela Turma, no sentido de considerar indevido o creditamento efetuado pela contribuinte em relação às máquinas, equipamentos e outros bens Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 5 4 incorporados ao ativo imobilizado, vez que, como argumento de defesa quanto a esta matéria, limitouse a contribuinte a alegar, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 31 da Lei nº. 10.865/2004. Expressouse, naquela decisão, o entendimento de que ao CARF seria defeso manifestarse sobre a inconstitucionalidade de leis vigentes. Irresignado com a decisão do Colegiado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial requerendo a reforma do entendimento manifestado pelo Colegiado no que tange a ao conceito do insumo. Apresentou como paradigmas de divergência jurisprudencial, mais de dois Acórdãos. Como não apontou a ordem de prioridade de análise, apenas os dois primeiros, foram objeto de análise. Em relação ao conceito de insumos, apontou como paradigmas os juntados às fls. 226/246, cujas ementas são as seguintes: Acórdão 900301.035 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de Matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 20312.741 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2001 a 31/07/2004 PIS FATURAMENTO. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO. VALORES REPASSADOS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. No regime cumulativo do PIS/Faturamento, em que não é vedada a incidência bis in idem, o faturamento corresponde à soma dos valores Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 6 5 recebidos pela venda de mercadorias e prestação de serviços, sem dedução das importâncias repassadas a terceiros em virtude de subcontratação, descabendo cogitar da aplicação do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, porque esse dispositivo não teve eficácia já que revogado antes da regulamentação prevista. DESPESAS COM PEDÁGIOS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. IRRETROATIVIDADE BENIGNA. As despesas com pedágios efetuadas antes da vigência da MP nº 2.024/00, instituidora do vale pedágio, não podem ser excluídas da base de cálculo para o PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. DESCONTOS COM SEGUROS. Na apuração do PIS não cumulativo podem ser descontados créditos calculados sobre as despesas decorrentes da contratação de seguros, essenciais para a atividade fim desenvolvida pela recorrente, pois estes se caracterizam sim como ‘insumos’ previstos na legislação do IRPJ. Recurso provido em parte. Assim se manifestou, em relação aos paradigmas apresentados, o despacho de exame de admissbilidade: Alega a recorrente que os Acórdãos paradigmas reconhecem interpretação extensiva ao conceito de insumos, assim compreendendo não só os bens vinculados à produção de mercadorias ou a prestação de serviços, mas todas as compras efetuadas pelo contribuinte que, de uma forma ou de outra, contribuam, com utilidades, na produção e venda dos bens tributados. Alega que o pagamento de serviço intermediário é essencial, vez que atua na fonte de compra do produto, que posteriormente será embalado e vendido. De fato, pela leitura dos Acórdãos apontados como paradigmas, vêse que o conceito de insumo é elastecido, de forma a considerar como insumos, no primeiro paradigma, os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Este primeiro paradigma, entretanto, não se manifesta no sentido de adotar a conceituação tida pelo Imposto de Renda, mas apenas afirma que a conceituação de insumos não pode ser restrita, conforme aquela adotada no IPI. Já o segundo Acórdão paradigma, de fato, afirma que a conceituação de insumos, para fins de contribuição para o PIS, deve ser aquela adota pelo Imposto de Renda, tanto que aceitou a exclusão da base de cálculo das despesas de contração de seguro. Comparando, assim, os fundamentos dos Acórdãos recorrido e paradigmas, observase que a divergência resta clara, em vista do antagonismo de entendimentos manifestados. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 7 6 Deste modo, entendo que ficou claramente caracterizado o dissídio jurisprudencial, de forma a permitir a admissibilidade do recurso especial. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte foi admitido, nos termos do Despacho às fls. 249. A Fazenda Nacional não apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do Recurso interposto pelo Contribuinte. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide, qual seja, primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Nos autos do processo administrativo nº 13984.001511/200587, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, a ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama expôs brilhantemente o conceito de insumo, que passam a integrar a presente fundamentação: “Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 9 8 composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, por sua vez, foi confirmado pela pesquisa desenvolvida no âmbito do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito SO sob a coordenação dos estudiosos Breno Vasconcelos, Daniel Santiago, Eurico de Santi, Karem Dias e Suzy Hoffman. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 10 9 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 11 10 Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 12 11 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 13 12 · o art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a.matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) b.os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) [...]” art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 14 13 em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 15 14 arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 16 15 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 17 16 legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 18 17 COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins não cumulativos." Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. No caso dos autos, entendo, que a subtração dos serviços prestados pela recorrido (agenciamento de leite junto a fornecedores e valores pagos titulo de comissões à representantes comerciai) importe na impossibilidade da produção do Contribuinte, obstando a atividade da empresa ou implicando na perda de qualidade do produto. No caso da empresa do Contribuinte, essa atua com bacias leiteiras, compram leite de produtores. No entanto, para se chegar a esses produtores, na maioria dos casos, a empresa precisa de um agenciador que atua junto as produtores, para que possam acumular o estoque que é diário de leite. Geralmente passase um caminhão recolhendo de Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 19 18 cada produtor o leite do dia. Esses compradores atuam diretamente junto com os coletores e produtores. Sem eles não há produto (leite) para ser embalado e vendido ao consumidor final. A própria fiscalização, no auto de infração de Fls 38, entende que os serviços são necessários, senão vejamos: “Despesas relativas a agenciamento de leite junto a fornecedores e valores pagos titulo de comissões à representantes comerciais, embora necessários à realização das atividades da empresa, não são considerados insumos para a prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, para fins de apuração dos créditos no regime da sistemática não cumulativa. No caso em tela, penso que os custos da empresa, referente a valores pagos com comissão e agenciamento essenciais para atividade do Contribuinte, considerando que sem esses serviços, não haveria como iniciar os trabalhos com seus clientes e desenvolver sua atividade. Deste modo, o conteúdo do inciso II que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, o que se aplica no presente caso. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Quanto ao crédito referente a depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que são utilizados na produção de bens destinados venda, no caso especifico a produção de leite, a fiscalização entendeu, pela glosa desses créditos. Consta da descrição dos fatos (fls.35/36 e 45/46) como motivação para os lançamentos a descrição das seguintes irregularidades: (...) b) Inclusão indevida de encargos de depreciação, pois conforme o disposto no art. 3º, inciso VI da Lei n° 10.833/2003 e nos arts. 15, inciso V e 31 da Lei n° 10.865/2004, apenas as máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 20 19 imobilizado, quando utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, geram direito à crédito das contribuições; c) Descumprimento do disposto no art. 31 da Lei n° 10.865/2004, que determinou, a partir de 31/07/2004, que o desconto de créditos relativos à depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado está limitado apenas aos bens adquiridos a partir de 01/05/2004. Na mesma linha dos tópicos anteriores, entendo que não se sustenta a glosa realizada pela fiscalização, visto que as máquinas e equipamentos indicados são essenciais ao desempenho da atividade empresarial do Contribuinte, conferindo lhe, portanto, direito a crédito. E ainda que assim não se entendesse o direito ao crédito neste caso específico decorre da literalidade do inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, uma vez que as máquinas e equipamentos em tela são utilizados na produção do leite, destinados à venda. Como se vê, o dispositivo legal ampara a empresa, pois os bens sujeitos à depreciação são empregados na produção de bens para venda. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 21 20 Voto Vencedor Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previstos nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. A recorrente produz leite tipo UHT e pasteurizado e adquire no mercado nacional o leite "in natura". Ao analisar os créditos, de PIS e Cofins não cumulativos, apropriados pelo contribuinte a fiscalização efetuou a glosa dos seguintes itens: 1) despesas relativas a agenciamento de leite junto a fornecedores e valores pagos a título de comissões a representantes comerciais; e 2) encargos de depreciação do ativo imobilizado, máquinas e equipamentos, adquiridos antes de 1º/5/2004. A partir destes fatos, importante transcrever os artigos da legislação que tratam do creditamento de PIS e Cofins. Transcrevo somente os artigos da Lei 10.833/2003, da Cofins, pois repetem basicamente o que dispõe a Lei 10.637/2002 do PIS. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão n.º 9303004.893 CSRFT3 Fl. 22 21 Lei 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Observem que, em relação aos primeiros itens glosados, agenciamento de leite e comissões a representantes comerciais, embora pudessem ser serviços considerados essenciais à atividade produtiva, não há previsão legal para o seu aproveitamento. Definitivamente não são serviços aplicados nos produtos destinados à venda. Ao contrário, são serviços utilizados na compra de matériaprima. Ressalto inclusive dúvidas se seriam serviços essenciais e não uma opção do contribuinte, pois no lugar de contratar os agenciadores, a própria indústria poderia efetuar estas compras diretamente com o uso de seus próprios empregados. Portanto por absoluta falta de previsão legal, não há como acatar estes créditos. Quanto aos encargos de depreciação do ativo imobilizado adquiridos antes de 1º/05/2004, o art. 31 da Lei nº 10.865/2004 é expresso em não permitir o seu aproveitamento, sendo correta a decisão recorrida de que não cabe ao CARF apreciar a sua alegada inconstitucionalidade, exatamente nos termos que dispõe a súmula CARF nº 02, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13787.720055/2015-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas do próprio declarante ou seus dependentes, referentes a aparelhos e próteses ortopédicas, desde que especificados e comprovados mediante receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, "a" e § 2º, inc. V.
No caso concreto, a declaração do médico responsável pelo procedimento cirúrgico, revestida dos requisitos formais, e avaliada em conjunto com os dados da nota fiscal de compra dos materiais utilizados na cirurgia, são elementos hábeis e suficientes para a comprovação das despesas médicas.
Numero da decisão: 2202-003.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas do próprio declarante ou seus dependentes, referentes a aparelhos e próteses ortopédicas, desde que especificados e comprovados mediante receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, "a" e § 2º, inc. V. No caso concreto, a declaração do médico responsável pelo procedimento cirúrgico, revestida dos requisitos formais, e avaliada em conjunto com os dados da nota fiscal de compra dos materiais utilizados na cirurgia, são elementos hábeis e suficientes para a comprovação das despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 7. 72 00 55 /2 01 5- 76 Fl. 72DF CARF MF 2 Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 08/14) decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2014, ano calendário de 2013, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas no valor total de R$ 17.000,00 e a título de incentivo, no valor de R$ 981,00. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial, contestando apenas a glosa da despesa médica de R$ 16.000,00 paga à empresa NOVUM SALUTARIS HOSPITALAR LTDA, e juntados documentos às fls. 15/20. A glosa desta despesa foi assim motivada na Notificação de Lançamento: Novum Sallutaris: nota fiscal de venda não permitiu ao fisco identificar se seria hipótese de não tributação (descrição sumaríssima do produto ou sua aplicaçãorelatório médico). A 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 42/47, assim ementado: DESPESAS MÉDICAS. AQUISIÇÃO DE MATERIAIS PARA CIRURGIA. GLOSA. É incabível, por falta de previsão legal, deduzir da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, a título de despesas médicas, o valor pago na compra de materiais para cirurgia, quando não incluído em conta hospitalar ou em conta emitida pelo profissional médico. Cientificado dessa decisão por via postal em 12/08/2015 (A.R. de fls. 52), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 25/08/2015 (fls. 59/60), insurgindose contra a improcedência de sua impugnação e apontando, inicialmente, incorreções no acórdão recorrido pois no relatório às fls. 43 constou Ajuste Anual 2011, AnoCalendário 2010 e na folha 50, no DARF, linha 02, período de apuração: 07/07/1980. Requer esclarecimentos. Quanto ao mérito, informa que o valor em questão de R$ 16.000,00 foi pago à Novum Salutaris Hospitalar Ltda em virtude do plano de saúde GEAP não ter assumido o patrocínio do material necessário para implante através de cirurgia para corrigir artrose vertebral anterior na coluna de sua esposa e dependente do IRPF. Afirma ter adquirido o material protético (dois cages ntersomáticos Capstone) com prescrição, justificativas e indicação do médico. Apresenta novo documento, relatório cirúrgico do médico, onde este declara ter submetido a paciente Elza a tratamento cirúrgico protético, no dia 31 de outubro de 2013 e informa a relação de materiais utilizados, inclusive os 02 cages Capstone em questão. Requer a aceitação da despesa pois tratase de prótese ortopédica prevista no art. 8º da Lei nº 9.250/1995, inciso II, alínea "a", adquirida mediante nota fiscal idônea. É o Relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13787.720055/201576 Acórdão n.º 2202003.918 S2C2T2 Fl. 73 3 Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de despesas médicas pagas pelo declarante no valor de R$ 16.000,00 destinado a aquisição de prótese ortopédica utilizada em procedimento cirúrgico, pelo fato da despesa não estar incluída em conta hospitalar ou em conta emitida pelo profissional médico. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, reproduzidos no artigo 80 do RIR que transcrevo: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifei) Em sede de recurso o interessado trouxe aos autos novos documentos para comprovar que a aquisição da prótese foi solicitada e indicada pelo cirurgião, que também justificou sua necessidade. Apresentou, também, Relatório cirúrgico (fls. 67). Fl. 74DF CARF MF 4 O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pelo Contribuinte e servem para rebater a decisão de primeira instância. Tendo em vista a legislação tributária acima reproduzida, entendo que o conjunto probatório existente nos autos é hábil e suficiente para afastar a imputação da irregularidade apontada pela fiscalização. A prótese adquirida pelo declarante, em favor de sua esposa e dependente, foi utilizada para implante em procedimento cirúrgico nesta, cuja necessidade foi receitada por médico e a compra comprovada por nota fiscal. A comprovação da necessidade do material adquirido para a cirurgia 2 cages capstone, está no receituário do Dr. Deusdeth Gomes do Nascimento (cirurgião de coluna) às fls. 15, em conjunto com o relatório de fls. 16. A nota fiscal de compra do produto, emitida pela empresa Novum Salutaris Hospitalar Ltda (fls. 19) tem como adquirente o Sr. Carlos Izlayr Sother e identifica no rodapé o nome da paciente Elza Duarte Sother e do médico, assim como o contrato de compra e venda de produtos médicos/cirúrgicos (fls. 18), na cláusula primeira, atesta que o produto médico comprado pelo Sr. Carlos destinase a intervenção cirúrgica da paciente Elza Duarte Sother, sob internação no Hospital Silvestre. O produto adquirido está identificado às fls. 20 como capstone size: 10mmx22mm. Por derradeiro, foi apresentado Relatório Cirúrgico, assinado pelo Dr. Deusdeth Gomes do Nascimento, médico do Centro da Coluna Vertebral, revestido dos requisitos formais, tais como nome, endereço e número de inscrição profissional, confirmando a cirurgia da paciente em 31/10/2013 no hospital Adventista Silvestre, que constou de tratamento cirúrgico de espondilolistese L4S1, com descrição dos materiais utilizados, dentre os quais o produto adquirido da empresa Novum Salutaris Hospitalar Ltda (fls. 67). Deste modo, com base nas provas apresentadas, há que se restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 16.000,00. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13787.720055/201576 Acórdão n.º 2202003.918 S2C2T2 Fl. 74 5 Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.922026/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA DOCUMENTAL. ENTREGA INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO.
Se o contribuinte não providenciar a entrega da prova documental juntamente com a impugnação, precluirá seu direito de apresentar documentos em outro momento, a menos que (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refira-se a fato ou a direito superveniente; (iii) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos (artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972).
PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. REQUISITOS PARA O DEFERIMENTO.
O inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que o contribuinte deve expor, na peça impugnatória ou recursal, os motivos que justifiquem as diligências requeridas, com a formulação dos quesitos referentes aos exames pretendidos, sob pena de indeferimento.
IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. PROVA. ARTIGO 16, § 2º, LEI Nº 9.430/1996.
Na vigência do § 2º do artigo 16 da Lei nº 9.430/1996, para fins de comprovação do imposto de renda pago no exterior, o contribuinte deve exibir documento de arrecadação oficial, assim considerado o documento expedido pela instituição competente, nos termos da legislação estrangeira, ou declaração oficial da autoridade pública estrangeira que certifique o valor recolhido, dispensando-se o reconhecimento do Consulado da Embaixada Brasileira, quando restar comprovdo que a lei do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago.
PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA.
Admite-se, para fins de prova, o documento em língua estrangeira, desde que vertido em vernáculo, por tradutor juramentado.
PROVA DOCUMENTAL. MERA JUNTADA DE DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DO ZELO EXIGÍVEL NO PREPARO.
É preciso insistir na necessidade do zelo exigível no preparo da defesa, porquanto, ao intento de comprovar os fatos em discussão, não basta a simples juntada de várias cópias de documentos, sem o cuidado de referi-las adequadamente na peça recursal, despidas de explicação detalhada de cada elemento de prova e dos fatos que lhes são implícitos.
RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PROVA DOCUMENTAL.
LASTRO DE TERCEIRO.
O pretendente ao reconhecimento do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ deve estar municiado com elementos comprobatórios do direito que alega ter, fornecidos por terceiros, independentemente da obediência das fontes pagadoras das receitas auferidas ao comando da legislação que lhes determina a emissão da DIRF.
Numero da decisão: 1301-002.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer direito creditório em valor equivalente a EUR 12.130 (doze mil, centro e trinta euros), nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Rocha Veiga - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ENTREGA INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO. Se o contribuinte não providenciar a entrega da prova documental juntamente com a impugnação, precluirá seu direito de apresentar documentos em outro momento, a menos que (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos (artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972). PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. REQUISITOS PARA O DEFERIMENTO. O inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que o contribuinte deve expor, na peça impugnatória ou recursal, os motivos que justifiquem as diligências requeridas, com a formulação dos quesitos referentes aos exames pretendidos, sob pena de indeferimento. IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. PROVA. ARTIGO 16, § 2º, LEI Nº 9.430/1996. Na vigência do § 2º do artigo 16 da Lei nº 9.430/1996, para fins de comprovação do imposto de renda pago no exterior, o contribuinte deve exibir documento de arrecadação oficial, assim considerado o documento expedido pela instituição competente, nos termos da legislação estrangeira, ou declaração oficial da autoridade pública estrangeira que certifique o valor recolhido, dispensandose o reconhecimento do Consulado da Embaixada Brasileira, quando restar comprovdo que a lei do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago. PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 20 26 /2 01 2- 48 Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.297 2 Admitese, para fins de prova, o documento em língua estrangeira, desde que vertido em vernáculo, por tradutor juramentado. PROVA DOCUMENTAL. MERA JUNTADA DE DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DO ZELO EXIGÍVEL NO PREPARO. É preciso insistir na necessidade do zelo exigível no preparo da defesa, porquanto, ao intento de comprovar os fatos em discussão, não basta a simples juntada de várias cópias de documentos, sem o cuidado de referilas adequadamente na peça recursal, despidas de explicação detalhada de cada elemento de prova e dos fatos que lhes são implícitos. RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PROVA DOCUMENTAL. LASTRO DE TERCEIRO. O pretendente ao reconhecimento do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ deve estar municiado com elementos comprobatórios do direito que alega ter, fornecidos por terceiros, independentemente da obediência das fontes pagadoras das receitas auferidas ao comando da legislação que lhes determina a emissão da DIRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer direito creditório em valor equivalente a EUR 12.130 (doze mil, centro e trinta euros), nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Rocha Veiga Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Tratase o presente de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S/A contra acórdão da DRJ/BHE, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada em contestação a Despacho Decisório, reconhecendo o crédito Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.298 3 adicional, no valor original de R$ 731.899,05, e homologando parcialmente a compensação em discussão neste processo, até o montante que comportar o crédito reconhecido. Pela clareza o relatório da instância a quo, reproduzoo para adotálo: “Declaração de Compensação (DCOMP) Em 19/02/2008, a interessada transmitiu a DCOMP nº 08500.74029.190208.1.3.021059, na qual informa a utilização de crédito relativo ao saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2006 (fls. 02/223). Despacho decisório de homologação parcial da compensação Em 03/04/2012, emitiuse o despacho decisório eletrônico nº 020810135, do qual se transcrevem os seguintes excertos (fls. 224): Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 18.042.449,98 Valor na DIPJ: R$ 18.042.449,98 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 837.751.717,62 IRPJ devido: R$ 819.709.267,64 (...) Valor do saldo negativo disponível: R$ 12.314.930,41 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado.” Decisão de primeira instância às fls. 1208/1234, assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.299 4 A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. Para fins de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, fazse necessária a apresentação do documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior, o qual deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Esse reconhecimento é dispensado quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. DOCUMENTOS REDIGIDOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Qualquer documento redigido em língua estrangeira, para produzir efeitos legais no País e para valer contra terceiros e em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou em qualquer instância, juízo ou tribunal, deve ser traduzido para o português. Além disso, deve ser legalizado em seu país de origem, ou seja, notarizado, consularizado e registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 03/092015, à fl. 1.244. Recurso a este Colegiado às fls. 1246/1293, com entrada na repartição de origem no dia 29/09/2015, conforme fl. 1246. Nessa oportunidade, aduz: A) A comprovação do saldo negativo apurado em 2006. (a) Imposto de renda recolhido no exterior em decorrência da distribuição de dividendos. 1) Amparada no artigo 26 da Lei nº 9.249/1995, a recorrente utilizou o imposto de renda retido na Holanda e em Portugal, pelas empresas Aliança Atlântica Holding B.V. e Portugal Telecom, respectivamente, das quais a recorrente é acionista, em decorrência da distribuição de dividendos, para a formação de parte do saldo negativo que apurou em 2006. 2) Dessa forma, a recorrente converteu o montante referente ao imposto de renda retido no exterior mediante a aplicação da taxa de câmbio vigente à época, e deduziu esse valor do imposto apurado, Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.300 5 conforme autoriza a legislação e se comprova por meio dos documentos juntados aos presentes autos. 3) Ressaltese que as retenções foram documentalmente comprovadas (documentos devidamente traduzidos e reconhecidos) pelos comprovantes de recolhimento de imposto de renda no exterior, pelos balanços do período e pela declaração da Secretaria de Receita Holandesa (onde se localiza a Aliança Atlântica Holding B.V.), atestando a validade das declarações de retenção do imposto e o seu recebimento pelas autoridades fiscais holandesas. 4) Embora a recorrente não tenha providenciado o reconhecimento do documento de arrecadação do imposto no Consulado da Embaixada brasileira nos países em que foi recolhido (Holanda e Portugal), essa formalidade foi suprida no momento em que comprovou a efetiva retenção do imposto, seja por documento de arrecadação, balanço da empresa que recolheu o imposto, documentos contábeis que comprovam o lançamento dos valores recebidos, extratos bancários, dentre outros. 5) Todavia, a autoridade julgadora entendeu que essa documentação não comprovaria a retenção, uma vez que os dividendos declarados diriam respeito à distribuição datada em período diferente do que a recorrente tenta provar. 6) Ao contrário do que quer fazer crer a DRJ, a documentação juntada aos autos pela recorrente, especialmente a carta das autoridades fiscais holandesas (fls. 1.024/1.025), comprova que ocorreram retenções de imposto de renda referentes às distribuições de dividendos datadas de 15.11.2015 e 10.04.2006. 7) Cumpre destacar, ainda, que a remessa feita pelas empresas estrangeiras para o pagamento de dividendos necessariamente passou pelo Banco Central do Brasil, na medida em que foi celebrado contrato de câmbio, conforme determina a legislação em vigor. Assim, poderia a Fiscalização Federal ter também solicitado informações ao Banco Central para fins de comprovação de que houve o recolhimento do imposto, pois o Banco Central exige a comprovação de pagamento dos Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.301 6 tributos devidos antes de aceitar e efetuar a remessa. 8) Quanto aos demais documentos que comprovam as retenções efetuadas, a recorrente esclarece que está empenhada na busca da documentação, a qual apresentará oportunamente ao presente processo, em respeito ao princípio da verdade real, que rege o processo administrativo tributário. 9) Não bastasse tal fato, no caso de existir previsão na legislação do país onde se localiza a empresa que efetuou a retenção do imposto sobre o pagamento de dividendos, o contribuinte está dispensado da apresentação do documento de arrecadação reconhecido pelo órgão arrecadador e registrado no Consulado da Embaixada Brasileira, nos termos do artigo 16, § 2o, inciso II, da Lei n° 9.430/96; 10) Sendo assim, o acórdão recorrido deve ser reformado quanto a esse aspecto, de modo a reconhecer o direito da recorrente ao cômputo da totalidade do imposto de renda retido no exterior para composição do saldo negativo apurado no ano de 2006. (b) IRRF decorrente de aplicações financeiras. 11) Quanto a essa parcela da composição do saldo negativo apurado em 2006, cumpre esclarecer que as autoridades fiscais tentam nitidamente transferir à recorrente o ônus de comprovar que os rendimentos decorrentes das aplicações financeiras, realizadas no ano de 2006, foram oferecidos à tributação, quando, na verdade, essa atribuição é de sua competência exclusiva. 12) A recorrente computa todos os seus ganhos para fins de tributação. Nesse sentido, os ganhos decorrentes de aplicações financeiras foram devidamente declarados em sua DIPJ entregue no ano de 2007. A composição desses ganhos pode ser conferida por meio da planilha explicativa e pela cópia do livro razão de 2006, nos quais foram contabilizadas essas operações. 13) Ocorre que, a despeito da regularidade dos procedimentos adotados pela recorrente, a Fiscalização optou por não homologar as compensações objeto dos presentes autos, ao invés de diligenciar e verificar se esses ganhos foram devidamente oferecidos à tributação. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.302 7 14) A recorrente juntou aos autos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras (instituições financeiras), que demonstram cabalmente que o IRRF utilizado para a composição do saldo negativo do anocalendário de 2006 foi devidamente recolhido. 15) Entretanto, a autoridade julgadora a quo não reconheceu diversas retenções de IRRF comprovadas pelos informes de rendimento apresentados (fls. 1.225/1.233), sob a justificativa de que a recorrente não teria comprovado que as receitas correspondentes teriam sido oferecidas à tributação. 16) Contudo, o acórdão recorrido claramente incorreu em erro, uma vez que o artigo 55 da Lei n° 7.450/1985 apenas impõe como condição à efetivação da compensação do IRRF em sua DIPJ que o contribuinte apresente os comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras em seu nome. 17) Nessa linha, os informes de rendimentos juntados aos presentes autos pela recorrente (doc. n° 8 da manifestação de inconformidade apresentada em 16.05.2012) comprovam inequivocamente que houve a retenção do imposto de renda na fonte pelas instituições financeiras, de modo que tais valores foram devidamente utilizados na composição do saldo negativo ora debatido. 18) Considerando a legislação tributária em vigor e a documentação comprobatória, a DRJ não poderia ter partido do pressuposto de que as receitas correspondentes não foram oferecidas à tributação, desconsiderando a legislação pátria e os informes de rendimento apresentados. 19) Em respeito ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo tributário, as autoridades fiscais poderiam simplesmente ter verificado as informações das fontes pagadoras declaradas em DIRF, de modo a comprovar que a recorrente sofreu retenção do imposto, em vez de penalizála com base em mera presunção. 20) Por todo o exposto, tendo sido demonstrado que a DRJ incorreu em erro ao não reconhecer as retenções de IRRF comprovadas pelos informes de rendimento juntados aos autos, o acórdão recorrido deve ser reformado, nesse aspecto, para que seja Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.303 8 homologada a formação do saldo negativo apurado em 2006. (c) IRRF decorrente de retenções realizadas por órgãos públicos. 21) Quanto a esta parcela do saldo negativo de 2006, cabe explicar que todos os argumentos e documentos explicativos juntados aos autos foram simplesmente ignorados pelo acórdão recorrido. 22) A recorrente tem como atividade principal a prestação de serviços de telecomunicações. Alguns dos tomadores desses serviços são órgãos públicos, autarquias e fundações da administração pública federal, que, conforme determina o artigo 64 da Lei n° 9.430/96 (artigo 653 do RIR/99), devem reter o IRRF na contraprestação dos serviços. 23) Os tomadores dos serviços, por sua vez, devem (i) recolher o imposto de renda destacado em guia de arrecadação própria (DARF); (ii) emitir à beneficiária do pagamento comprovante anual de retenção do IRRF, informando, relativamente a cada mês em que houver sido efetuado pagamento, os códigos de retenção, os valores pagos e os valores retidos; e (iii) encaminhar à Receita Federal a DIRF, nela discriminando, mensalmente, o somatório dos valores pagos e o total retido, por contribuinte e por código de recolhimento. 24) Como se pode depreender do procedimento exposto acima, previsto pela legislação, a responsabilidade pelo recolhimento do IRRF, bem como pelo cumprimento das respectivas obrigações acessórias, é dos órgãos públicos tomadores de serviços. 25) Desse modo, não podem as autoridades fiscais transferir ao contribuinte o ônus de provar que as retenções ocorreram, muito menos, presumir que as retenções não teriam ocorrido, de modo a não homologar a formação do seu saldo negativo. 26) No presente caso, além de juntar aos autos planilha que demonstra, um a um, os órgãos públicos tomadores de serviços, de modo a comprovar o IRRF utilizado para a composição do saldo negativo de 2006, a recorrente ainda trouxe à baila o seu livro razão, bem como seus registros contábeis do período. 27) Na linha do que vem decidindo este CARF em casos semelhantes, as retenções de tributos promovidas por órgãos públicos devem ser consideradas para a composição do saldo negativo, Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.304 9 se o contribuinte demonstrar, por meio da escrituração contábil, que somente foram recebidas as receitas já líquidas dos valores retidos. 28) Nesse sentido, vale ainda esclarecer que, não obstante se saiba que compete ao Fisco comprovar suas alegações quanto à não ocorrência das retenções realizadas, a recorrente informa que está aguardando o envio, pelas instituições financeiras, dos respectivos comprovantes de retenção, como também está providenciando outros documentos que evidenciam a ocorrência dessas retenções e o recebimento do valor líquido, os quais serão oportunamente juntados aos presentes autos, com extratos bancários e notas fiscais de prestação de serviço. 29) O fato é que, independentemente do correto procedimento realizado, as autoridades fiscais federais entenderam que a requerente não faria jus ao referido crédito de IRRF. Contudo, a Requerente desconhece essas razões na medida em que a única fundamentação dada pelas autoridades fiscais é a de que as retenções não teriam sido comprovadas, o que evidencia a pretensão do Fisco transferir à Requerente o ônus de provar que agiu em conformidade com a legislação, partindo do pressuposto de que a Requerente assim não o fez. 30) Ao ignorar a documentação juntada aos autos pela recorrente, sem qualquer justificativa plausível, preferiu a autoridade julgadora inverter o ônus da prova, uma vez que compete às autoridades fiscais fiscalizar o contribuinte quando discorda de algum procedimento realizado de forma equivocada, e não autuálo com base em mera presunção de descumprimento da legislação. 31) Diante do exposto, o acórdão recorrido deve ser reformado para que seja reconhecida a origem e a validade do IRRF retido por órgãos públicos e, consequentemente, integralmente homologada a compensação objeto do PER/DCOMP n° 08500.74029.190208.1.3.021059. 32) Como conclusão, a recorrente tem como demonstradas as retenções de imposto de renda decorrentes da distribuição de dividendos de empresas das quais é acionista no exterior, de aplicações financeiras por instituições financeiras e de serviços de telecomunicações prestados a órgãos Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.305 10 públicos, utilizadas na composição do saldo negativo de IRPJ apurado em 2006. 33) Sendo assim, requer seja conhecido e dado integral provimento ao presente recurso voluntário, para que, reformandose parcialmente o acórdão n° 02 56.514, seja reconhecido o direito creditório decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado em 2006, e devidamente homologada a compensação objeto do PER/DCOMP n° 08500.74029.190208.1.3.021059, uma vez que restou comprovada a origem, a existência e a suficiência do crédito utilizado para a compensação. 34) Por fim, não obstante entenda que cabe às autoridades fiscais comprovar as retenções realizadas por terceiros, a recorrente protesta pela juntada posterior de documentos e pela conversão do julgamento em diligência, para que sejam devidamente analisados os documentos já apresentados, bem como a realização de eventual perícia contábil para a elucidação da verdade real dos fatos ora alegados. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição deste recurso voluntário, estão reunidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Em primeiro plano, o pedido de juntada posterior de documentos. A autoridade julgadora a quo bem delineou as circunstâncias dentro das quais podese admitir a juntada posterior de documentos. Com efeito, prevê o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 que a prova documental deve ser apresentada juntamente com impugnação. Se o contribuinte não providenciar a entrega da prova documental juntamente com a impugnação, precluirá seu direito de apresentar documentos em outro momento, a menos que (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Portanto, nos termos da legislação aplicável, cabe ao contribuinte especificar o motivo para a juntada posterior da prova documental. No caso em exame, a recorrente sequer expõe as razões justificadoras de seu pedido para apresentação da prova documental a posteriori. Diante disso, indeferese o pedido. Em outro ponto, o pedido de diligência. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.306 11 Dessa feita, o inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que o contribuinte deve expor, na peça impugnatória ou recursal, os motivos que justifiquem as diligências requeridas, com a formulação dos quesitos referentes aos exames pretendidos. À semelhança do relatado no parágrafo anterior, a recorrente não elucida os motivos nem o escopo da diligência requerida. Também vale lembrar, a propósito do tema, que não pode prosperar a pretensão da recorrente, camuflada no pedido de diligência, de transferir ao Fisco o ônus probatório que a lei atribui ao contribuinte. Em outras palavras, o Fisco não deve executar as diligências requeridas para complementar a atuação probatória do recorrente, ou assumir o lugar deste, no desencargo da tarefa de provar o que alega, exceto se tais diligências, a prudente critério do julgador, revelaremse necessárias e conformadas à disciplina normativa insculpida no já comentado inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Todavia, não é o que se vê, aqui e agora, pois a recorrente quedouse silente, quanto à exposição dos motivos e dos pontos em relação aos quais espera obter esclarecimento. Presente tal quadro fático, indeferese o pedido. No mérito, em primeiro lugar, o alegado crédito decorrente do recolhimento do imposto de renda, no exterior, incidente na distribuição de dividendos. De início, é preciso assinalar que o § 2º do artigo 26 da Lei nº 9.249/1995 fixou que o documento relativo ao imposto de renda incidente, no exterior, sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, para fins de compensação com o imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos e ganhos, deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. No entanto, tal exigência foi alterada pelo § 2º do artigo 16 da Lei nº 9.430/1996, ao prescrever que o contribuinte está dispensado do reconhecimento do Consulado da Embaixada Brasileira, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. Nesse contexto, a disciplina normativa em vigor não desonera o contribuinte da exibição de documento de arrecadação oficial, assim considerado o documento expedido pela instituição competente, nos termos da legislação estrangeira, afinal é lícito supor que, se o tributo pago é arrecadado pelo Estado estrangeiro, haverá uma instituição oficialmente encarregada da arrecadação de tributos que expedirá um comprovante de pagamento. No que se refere aos documentos acostados aos autos com a finalidade de comprovar o pagamento do imposto de renda no exterior, não há censura ao acórdão recorrido, que claramente descreveu o material reunido pela recorrente: “Quando da apresentação da manifestação de inconformidade, a interessada fez juntar aos autos, basicamente, DCOMP, DIPJ, tabelas (fls. 745/749) e memorandos internos (754/755). Temse ainda um atestado da autoridade fiscal brasileira de que, para fins de redução ou isenção do imposto de renda, a interessada é residente ou domiciliada no Brasil (fls. 753). Tal documento, contudo, trata de dividendos referentes ao período de maio de 2007, ao passo que a retenção que se tenta provar teria ocorrido em maio de 2006. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.307 12 Registrese, por fim, a juntada de documentos redigidos em língua estrangeira, mas desacompanhados de versão em vernáculo: extratos de conta corrente (fls. 750/752) e relatório anual (fls. 756/764), todos relativos à Aliança Atlantica Holding B.V. Ocorre que, por ocasião da apresentação de aditamento à manifestação de inconformidade (em virtude de diligência realizada), a interessada trouxe aos autos novos documentos, entre os quais destacamse as traduções para o vernáculo dos seguintes documentos redigidos originalmente em língua estrangeira, também relativos à Aliança Atlantica Holding B. V. : instrumento de transferência de ações (fls. 923/926); instrumento de alteração de estatuto social (fls. 938/942); registro de acionistas (fls. 953/962); ato constitutivo (fls. 963/972 e fls. 988/999) e relatório anual (fls. 1051/1057). Registrese ainda a juntada do seguinte documento, referente à Portugal Telecom: relatório e contas individuais do primeiro semestre de 2007 (fls. 1068/1129). Ora, é desnecessário dizer que nenhum desses documentos substitui, para fins de compensação do imposto de renda incidente no exterior, o exigido pela art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995. Com efeito, entre a vasta documentação apresentada, o único documento que, em princípio, tem o valor probatório pretendido pela interessada seria a declaração relativa ao imposto sobre dividendos (prestada ao fisco holandês pela Atlantica Holding B. V.) cuja tradução se acha anexada a fls. 1038/1044. Essa tradução, diga se a propósito, vem acompanhada de carta assinada por representante da interessada e por funcionário da Administração Alfandegária e Aduaneira dos Países Baixo (versão original a fls. 1028/1029 e tradução a fls. 1024/1025). Entretanto, a referida declaração em nada favorece a interessada neste processo. É que os dividendos ali declarados dizem respeito à distribuição datada de 15/11/2005, ao passo que a retenção que se tenta provar teria ocorrido em maio de 2006. Quanto à declaração anexada a fls. 1032/1036, cumpre objetar que descabe atribuirlhe qualquer valor probante, pois se trata de documento redigido em língua estrangeira desacompanhado da respectiva tradução, ou seja, sem validade em território brasileiro. Entretanto, devese abrir uma ressalva, no que toca aos argumentos adrede colacionados, da lavra do relator do acórdão recorrido, quanto à carta assinada por representante da interessada e por funcionário da Administração Alfandegária e Aduaneira dos Países Baixo (versão original às fls. 1028/1029 e tradução às fls. 1024/1025). Isso porque tais documentos mencionam a retenção do imposto de renda sobre dividendos distribuídos à recorrente no dia 10/04/2006, no valor de EUR 12.130 (doze mil, cento e trinta euros). Nesse caso, ainda que não se trate de documento de arrecadação, a carta referida mostrase idônea e hábil à comprovação da retenção do imposto de renda sobre dividendo pago à recorrente em abril de 2006, com a chancela de agente da Administração Pública dos Países Baixos. Já os documentos em língua estrangeira, não vertidos para o vernáculo, exibidos ao intento de provar a retenção na fonte, não reúnem os requisitos necessários à produção de efeitos, nos termos dos seguintes dispositivos normativos, todos com supedâneo no artigo 13 da Constituição da República: artigo 224 do Código Civil, artigo 192, caput e parágrafo único, do Código de Processo Civil de 2015; artigos 156 e 157 do Código de Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.308 13 Processo Civil de 1973; os artigos 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 1973; artigo 18 do Regulamento instituído pelo Decreto nº 13.609, de 1943 Constituição Federal “Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.” Código Civil “Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País.” Código de Processo Civil de 2015 “Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado” Código de Processo Civil de 1973 “Art. 156 – Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso do vernáculo.” “Art. 157 – Só poderá ser juntado aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado.” Lei nº 6.015, de 31/12/1973: “Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: [...] 6º. todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal. ” “Art. 148. Os títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, poderão ser registrados no original, para o efeito da sua conservação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no País e para valerem contra terceiros, deverão, entretanto, ser vertidos em vernáculo e registrada a tradução, o que, também, se observará em relação às procurações lavradas em língua estrangeira. ” Decreto n° 13.609/1943; Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.309 14 “Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que for exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartição da União, dos Estados ou dos Municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade desse regulamento.” À luz das razões acima expostas, dou provimento parcial ao recurso, em relação à questão em exame, acolhendo a comprovação da retenção da importância de EUR 12.130, em 10 de abril de 2006, efetuada a título de imposto de renda sobre rendimento gerado no exterior. Quanto ao crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, decorrente dos rendimentos obtidos em aplicações no mercado financeiro, a recorrente, em síntese, arrolou os argumentos abaixo: a) as autoridades fiscais tentam nitidamente transferir à recorrente o ônus de comprovar que os rendimentos decorrentes das aplicações financeiras, realizadas no ano de 2006, foram oferecidos à tributação, quando, na verdade, essa atribuição é de sua competência exclusiva; b) todos os ganhos decorrentes de aplicações financeiras foram devidamente declarados em sua DIPJ entregue no ano de 2007. A composição desses ganhos pode ser conferida por meio da planilha explicativa e pela cópia do livro razão de 2006, nos quais foram contabilizadas essas operações; c) a despeito da regularidade dos procedimentos adotados pela recorrente, a Fiscalização optou por não homologar as compensações objeto dos presentes autos, ao invés de diligenciar e verificar se esses ganhos foram devidamente oferecidos à tributação ; d) constam, nos autos, comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras (instituições financeiras), que demonstram cabalmente que o IRRF utilizado para a composição do saldo negativo do anocalendário de 2006 foi devidamente recolhido; e) a autoridade julgadora a quo não reconheceu diversas retenções de IRRF comprovadas pelos informes de rendimento apresentados (fls. 1.225/1.233), sob a justificativa de que a recorrente não teria comprovado que as receitas correspondentes teriam sido oferecidas à tributação. Contudo, o acórdão recorrido Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.310 15 claramente incorreu em erro, uma vez que o artigo 55 da Lei n° 7.450/1985 apenas impõe como condição à efetivação da compensação do IRRF em sua DIPJ que o contribuinte apresente os comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras em seu nome; f) os informes de rendimentos juntados aos presentes autos pela recorrente (doc. n° 8 da manifestação de inconformidade apresentada em 16.05.2012) comprovam que houve a retenção do imposto de renda na fonte pelas instituições financeiras, de modo que tais valores foram devidamente utilizados na composição do saldo negativo ora debatido; g) em respeito ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo tributário, as autoridades fiscais poderiam simplesmente ter verificado as informações das fontes pagadoras declaradas em DIRF, de modo a comprovar que a recorrente sofreu retenção do imposto, em vez de penalizála com base em mera presunção. Segundo o Despacho Decisório, a recorrente pretendeu compensar créditos do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006. Na composição desse saldo, a recorrente declarou um montante de R$ 42.442.572,33, que teria sido retido pelas fontes pagadoras de suas receitas. A esse título, a autoridade fiscal reconheceu apenas a importância de R$ 38.876.828,80. Portanto, não foi reconhecido, no Despacho Decisório, o valor de R$ 3.565.743,53. Às fls. 239/259, consta que essas retenções na fonte, em sua grande maioria, são provenientes de pagamentos efetuados por órgão públicos (código 6190), enquanto uma pequena parte resultou de ganhos em operações de swap (código 5273), rendimentos obtidos em aplicações de renda fixa (código 3426) e em fundo de investimento de renda fixa (código 6800). Cuidando exclusivamente das retenções na fonte decorrentes de aplicações no mercado financeiro, listadas às fls. 239/258, concluise o seguinte: a) todas as retenções vinculadas ao código 5273, no total de R$ 1.871.835,13, resultam de ganhos não oferecidos à tributação do IRPJ; b) a única retenção vinculada ao código 6800, no valor de R$ 73.222,91, está registrada como “não comprovada”; c) do total de R$ 3.499.232,09, vinculado às retenções com código 3426, a parcela de R$ 726. 905,56 está registrada como “não comprovada”, ao passo que o saldo remanescente, de R$ 2.772.326,53, foi confirmado. Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.311 16 À vista dos documentos juntados pela recorrente, a autoridade julgadora a quo apenas admitiu a comprovação adicional da importância de R$ 731.899,05, referente ao código 3426. De outra sorte, a recorrente não logrou êxito em comprovar a retenção relativa ao código 6800. No mais, a impugnação também fracassou, no que afeta à glosa relativa ao código 5273, pois, malgrado a existência de documento da retenção, a recorrente, então impugnante, não fez prova da submissão das receitas correlatas ao IRPJ, o que deixa intocada a acusação. Cabe assinalar que a evidência da omissão de receita tributável surgiu do cotejo entre a informação prestada na PER/DCOMP, os recolhimentos efetuados e a DIPJ relativa ao anocalendário de 2006, exercício de 2007. Também vale chamar a atenção para o fato de que tais fontes de informação foram fornecidas ao Fisco pela própria recorrente. Nessas circunstâncias, não há, na decisão hostilizada, o que mereça reparos, considerando os documentos apresentados. Adicionese ao exposto as palavras irretocáveis do relator da instância a quo: ”Ainda no intento de demonstrar o direito ao integral aproveitamento do IRRF não confirmado pelo despacho decisório, a interessada também fez juntar aos autos os registros contábeis a fls. 919/922 e as diversas tabelas a fls. 765/786, 847/918, 929 e 1130/1199. Tais documentos, no entanto, não podem ser admitidos para fins de prova dos valores neles contidos, haja vista que estão desacompanhados de documentação hábil e idônea que lhes dê suporte. “ Além do comentário supracitado, podese acrescentar que faltou o zelo necessário à elucidação das dúvidas que pudessem surgir no momento do manuseio das cópias reunidas nos autos. Como acontece de costume, também aqui os documentos foram acostados sem a preocupação anterior de conduzir o julgador, na leitura da peça recursal, a documentos específicos e relacionados com pontos determinados da argumentação exposta na tese defensiva. A reprovação à atitude de descuido com as peças de defesa já foi proclamada por esta Turma no acórdão nº 1301002.102, com a seguinte ementa: “PROVA DOCUMENTAL. MERA JUNTADA DE DOCUMENTOS. AUSÊNCIA DO ZELO EXIGÍVEL NO PREPARO. É preciso insistir na necessidade do zelo exigível no preparo da defesa, porquanto, ao intento de comprovar os fatos em discussão, não basta a simples juntada de várias cópias de documentos, sem o cuidado de referilas adequadamente na peça recursal, despidas de explicação detalhada de cada elemento de prova e dos fatos que lhes são implícitos.” Em face do exposto, nego provimento ao recurso, quanto ao tema debatido. Por último, a apreciação da pretensão da recorrente quanto às retenções de tributos decorrentes de pagamentos de órgãos públicos (código 6190). De fato, os órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal devem efetuar a retenção de tributos, quando do pagamento pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços a pessoa jurídica, na forma do artigo 64 da Lei nº 9.430/1996, e Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.312 17 providenciar a entrega da DIRF correspondente ao ano do pagamento, no prazo previsto na legislação. A despeito do eventual descumprimento, por parte dessas fontes pagadoras, quanto à entrega da DIRF, cabe à recorrente, interessada no êxito de seu pleito de restituição, comprovar o recebimento das receitas, auferidas com a prestação de serviços de telefonia, devidamente descontadas daquelas exações. Isso porque o pretendente ao reconhecimento do crédito deve estar municiado com os elementos comprobatórios do direito que alega ter, fornecidos por terceiros, independentemente da obediência dos órgãos, autarquias e fundações da Administração Púbica federal ao comando da legislação que lhes determina a emissão da DIRF, porquanto não se ignora que, enquanto contribuinte, a recorrente necessita lastrear sua contabilidade em documentos hábeis e idôneos a evidenciar os fatos para os quais está obrigada a efetuar o devido registro, em atendimento ao disposto no § 1º do artigo 9º do Decretolei nº 1.598/1977, de acordo com o qual “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.” Portanto, não se trata de transferir o ônus da prova à recorrente, uma vez que o ônus de provar o direito que sustenta ter não é e nunca foi do Fisco. A larga maioria das retenções de tributos com código 6190, mencionada pela recorrente na PER/DCOMP, não foi confirmada. Poucas retenções declaradas com esse código estão vinculadas, no sistema de controle da Receita Federal, a outro código ou CNPJ distinto, e associadas à omissão da respectiva receita à tributação do IRPJ. Seja como for, a recorrente quer se valer de sua escrita fiscal e de planilhas que elaborou para garantir o direito reclamado. Diante disso, esclareçase que é impossível reconhecer força probante a documento produzido pela própria beneficiária do pagamento, afinal “ninguém pode constituir título de prova a favor de si mesmo, porque é justificável a suspeita de que quem afirma, ou negue, um dado de fato o faça, ainda que contra a realidade, porém unicamente para favorecer seu próprio interesse”1. Essa ideia está por trás do citado § 1º do artigo 9º do Decretolei nº 1.598/1977. Daí se pode depreender uma regra geral implícita ao direito probatório, no sentido de que os fatos que impliquem efeitos tributários favoráveis a quem os declara exigem prova documental hábil, o que exclui os que são produzidos pelo próprio declarante. Nesses termos, nego provimento ao recurso, em relação a esse item. Em conclusão, devese indeferir os pedidos de diligência e de juntada posterior de documentos, julgar improcedente a arguição de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, reconhecendolhe o crédito de EUR 12.130 (doze mil, cento e trinta euros), que deve ser convertido em reais, de acordo com o artigo 26, § 3º, da Lei nº 9.249/1995. É como voto. 1 MESSINEO apud SEIXAS FILHO, Aurélio Pitanga. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário – Função Fiscal, 2ª ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 56. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10880.922026/201248 Acórdão n.º 1301002.486 S1C3T1 Fl. 1.313 18 (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1313DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000628/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito.
FORNECIMENTO DE UTILIDADES IN NATURA.
O salário poderá ser pago em dinheiro ou em utilidades, como alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações 'in natura' que o empregador, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado.
Para todos os efeitos legais, a parcela in natura integra o salário e, consequentemente, sofre incidência tributária, salvo aquelas exaustivamente excluídas pela lei. O valor da utilidade fornecida é aquele que, em outro caso, o empregado deveria despender para adquiri-la com seus próprios recursos.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA.
O auxílio alimentação pago em pecúnia integra o salário de contribuição, independentemente de empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT.
CONSELHEIROS TUTELARES. CARGO ELETIVO.
A Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004, artigo 11, incluiu a alínea "j" no inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91, considerando que são segurados obrigatórios da Previdência Social como empregado o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social, não se tratando de dispositivo declarado inconstitucional.
REMUNERAÇÃO PAGA A ALFABETIZADORES. INCIDÊNCIA INDEPENDE DA DENOMINAÇÃO.
A definição legal que a Lei nº 8.212/91 traz de salário de contribuição para o contribuinte individual é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. Tendo desenvolvido seu trabalho, o contribuinte individual foi remunerado pela recorrente, não importando o nome que se dá à forma de pagamento, se ajuda de custo, se bolsa, tal valor está sujeito às contribuições previdenciárias, na forma da lei.
DESPESAS ANTECIPADAS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA.
0 pagamento de valores a prestadores de serviços pessoas físicas, se inexistente prestação de contas ou qualquer comprovação do dispêndio realizado pelo beneficiário, não configura antecipação de despesa, mas ganho pelo trabalho executado, integrando, por extensão, a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. FORNECIMENTO DE UTILIDADES IN NATURA. O salário poderá ser pago em dinheiro ou em utilidades, como alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações 'in natura' que o empregador, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Para todos os efeitos legais, a parcela in natura integra o salário e, consequentemente, sofre incidência tributária, salvo aquelas exaustivamente excluídas pela lei. O valor da utilidade fornecida é aquele que, em outro caso, o empregado deveria despender para adquirila com seus próprios recursos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. O auxílio alimentação pago em pecúnia integra o salário de contribuição, independentemente de empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. CONSELHEIROS TUTELARES. CARGO ELETIVO. A Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004, artigo 11, incluiu a alínea "j" no inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91, considerando que são segurados obrigatórios da Previdência Social como empregado o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 06 28 /2 00 9- 02 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 418 2 próprio de previdência social, não se tratando de dispositivo declarado inconstitucional. REMUNERAÇÃO PAGA A ALFABETIZADORES. INCIDÊNCIA INDEPENDE DA DENOMINAÇÃO. A definição legal que a Lei nº 8.212/91 traz de salário de contribuição para o contribuinte individual é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. Tendo desenvolvido seu trabalho, o contribuinte individual foi remunerado pela recorrente, não importando o nome que se dá à forma de pagamento, se ajuda de custo, se bolsa, tal valor está sujeito às contribuições previdenciárias, na forma da lei. DESPESAS ANTECIPADAS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. 0 pagamento de valores a prestadores de serviços pessoas físicas, se inexistente prestação de contas ou qualquer comprovação do dispêndio realizado pelo beneficiário, não configura antecipação de despesa, mas ganho pelo trabalho executado, integrando, por extensão, a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fl. 379 e ss.), complementandoo ao final: Trata o presente Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP nº 37.146.6873, de 30/10/2009, de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao Fl. 418DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 419 3 financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados bem como as contribuições correspondentes à parte da empresa incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, tudo de conformidade com o contido no Relatório Fiscal e demais Anexos integrantes do AIOP, no montante de R$ 565.388,57 (quinhentos e sessenta e cinco mil, trezentos e oitenta e oito reais e cinqüenta e sete centavos), consolidado em 30/10/2009 e referentes ao período de 01/2004 a 12/2004. Consoante item 3 do referido Relatório Fiscal, são fatos geradores das contribuições lançadas, transcrevendo parcialmente: “3.1 – As remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados conforme discriminados em Folha de Pagamento no período de 01 a 12/2004 a título de “Ajuda de Custo” – figurando no Auto como levantamento “CUS”. ... 3.2 – Os valores de Cestas Básicas distribuídas conforme verificado no registro das despesas do órgão e comprovante anexo. Figura no presente termo de débito como levantamento CB. 3.3 – As remunerações pagas a contribuintes individuais verificadas pela contabilidade e nos documentos de despesas referentes aos lançamentos contábeis englobados que se apresentavam com valores totalizando diversos prestadores de serviços. Consta como levantamentos “CI” e “CIR”. ...” Dispõe ainda o RF que os valores considerados na apuração do débito foram totalizados e consignados no anexo Discriminativo do Débito DD, que o crédito encontrase fundamentado no anexo Fundamentos Legais do Débito FLD e relaciona a documentação examinada pela fiscalização durante o procedimento fiscal. Junta documentação e planilhas com a relação de pagamentos efetuados aos contribuintes individuais por competência e com as respectivas referências ao recibo e/ou atividade, os valores da Ajuda de Custo em folha de pagamento e a base de cálculo das contribuições lançadas a título de Cesta Básica, tudo de conformidade com item 3 supra transcrito. Cientificada dos lançamentos em 20/11/2009, dentro do prazo regulamentar, a autuada apresentou impugnação única englobando todos os Autos lançados na mesma ação fiscal, consubstanciada nas seguintes alegações, em síntese, relativamente a este AIOP: (...) Diante das alegações do órgão público, foi emitido o Despacho nº 005 – desta 7ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, de 26/02/2010, Fl. 419DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 420 4 solicitando manifestação e providências da auditoria fiscal autuante acerca de: Corrigir a identificação do sujeito passivo da presente obrigação tributária, para Município de Matão – Prefeitura Municipal; Avaliar a argumentação da autuada relativamente à efetiva remuneração do segurado Francisco Antônio Alves; Verificarse o lançamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais, frente a alegação de que não houve a aplicação da alíquota de 20% sobre a base e cálculo apurada, e, sendo cabível retificação do lançamento, informála através de respectivo demonstrativo; Informar se o órgão público está ou não regularmente inscrito no PAT, esclarecendo as razões determinantes para a ocorrência do lançamento sobre Cestas Básicas; Esclarecer sobre a rubrica Ajuda de Custo. Juntar aos autos cópia do Relatório de Lançamentos RL. Em resposta, foi emitido o Relatório Fiscal Complementar – RFC, datado de 12/04/2012 (...) Cientificado do RFC, o contribuinte protocolou impugnação tempestiva em 05/06/2012, dispondo, em síntese: Da decadência. (...) Da não incidência da tributação da cesta básica. (...) Da ajuda de custo. (...) Dos Conselheiros Tutelares. (...) Do Programa Brasil Alfabetizado (BRALF). (...) Das Campanhas de Vacinação. (...) Despesas de retiradas – (...) Requer sejam julgados improcedentes os lançamentos efetuados referentes ao período de janeiro a outubro/2004 porquanto foram alcançados pela decadência. Caso não seja acolhido este pedido, sejam considerados os argumentos relativos a não incidência de contribuição previdenciária nos termos alegados. Ainda na hipótese de não se acolher os pedidos anteriores, requer sejam declarados nulos os lançamentos relativos a cesta básica, uma vez que considerou as notas fiscais emitidas pela empresa contratada pelo Município como sendo base de cálculo das contribuições. Não sendo deferido este pedido, que se converta o julgamento em diligência visando excluir da base de cálculo todos os custos da empresa. Protesta ainda provar o alegado por todos os meios de prova em Fl. 420DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 421 5 direito admitidos, especialmente a juntada de novos documentos, oitiva de testemunhas, perícias e outras supervenientes ou necessárias. Ao julgar a manifestação do contribuinte, a DRJ em Ribeirão Preto/SP decidiu dar provimento parcial à impugnação, mantendose em parte o crédito tributário exigido, pelo montante de R$ 44.626,39 (quarenta e quatro mil, seiscentos e vinte e seis reais e trinta e nove centavos), consolidado em 30/10/2009, em resumo, com as seguintes considerações: 1 Em função da decadência, devem ser excluídos todos os valores lançados nas competências 01 a 10/2004. 2 Das cestas básicas Segundo Parecer da PGFN, quando o próprio empregador fornece alimentos in natura aos seus empregados, esteja inscrito ou não no PAT, não ocorre incidência da contribuição previdenciária. Assim, a alimentação in natura fornecida pela impugnante a seus segurados empregados não deve ter a incidência de contribuição previdenciária. Analisandose as notas fiscais juntadas aos autos, temos que de todos os itens fornecidos nas cestas básicas, apenas o item “sabão em barra glicerinado” não se inclui na condição de alimento in natura. devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias aqui lançadas, todo o montante relativo aos alimentos fornecidos na cesta básica, mantendose a cobrança de contribuições incidentes sobre o valor do item “sabão em barra glicerinado”, por não se tratar de alimento in natura. Não é cabível a alegação de que deveriam ser excluídos da base de cálculo os custos da prestação de serviços da empresa contratada para fornecer as cestas básicas. Não há que se falar, portanto, em conversão deste julgamento em diligência para que seja abatida da base de cálculo os valores repassados ao contribuinte de fato (Município) referente aos custos no fornecimento das cestas básicas. 3 – Quanto a ajuda de custo alimentação, em que os segurados empregados da autuada recebem em pecúnia certa quantia, determinada em lei municipal, o pagamento em pecúnia de salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. Portanto, correto o procedimento fiscal adotado. 4 – Quanto aos Conselheiros Tutelares, são segurados obrigatórios da Previdência Social, inclusive, o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em seu artigo 9o, § 15, inciso XV, reportase expressamente aos mesmos na qualidade de contribuintes individuais, não havendo dúvidas quanto ao seu enquadramento como segurado obrigatório da Previdência Social, nessa condição. 5 Diante da improcedência dos lançamentos efetuados até a competência 10/2004, inclusive, pela decadência, não restou nenhum valor cobrado neste AIOP relativo aos trabalhos da Campanha de Vacinação. Nos valores lançados relativos ao BRALF (programa de alfabetização), está correta a fiscalização em seu procedimento. Isto porque, independente da alegação de que estamos diante de verbas indenizatórias e de caráter eventual, tratase de remuneração paga a contribuinte individual, sem que exista em lei qualquer determinação que a exclua do rol das verbas com incidência previdenciária. Desta forma, nenhuma ressalva cabe ao trabalho fiscal quanto a este tópico do lançamento relativamente à BRALF nas competências 11 e 12/2004. 6 Acerca do regime de adiantamento previsto em lei federal e que tratase de retiradas efetuadas pela Secretaria Municipal de Esportes e Turismo, as quais estão Fl. 421DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 422 6 relacionadas com arbitragens de jogos e demais despesas afins empreendidas em eventos esportivos oficiais, e que nessa condição não há incidência de contribuição previdenciária, com o reconhecimento da aplicação do prazo decadencial conforme já disposto anteriormente, restaram nesse levantamento CIR apenas valores relativos à arbitragem de jogos e a pagamento a médico veterinário, nas competências 11 e 12/2004. Despesas com serviços prestados por profissionais cuja remuneração se enquadra perfeitamente na definição de salário de contribuição de contribuinte individual previsto na Lei nº 8.212/91, em nada alterando sua essência o fato de ser efetuado o pagamento através de retirada, não havendo dúvida quanto à correção do lançamento. 7 O julgamento administrativo de primeira instância baseouse em documentação elaborada e fornecida pela própria autuada, não se mostrando necessária a produção de outro tipo de prova que não a documental, indeferida, portanto, a solicitação de oitiva de testemunhas, e não basta o interessado simplesmente protestar pela perícia, sendo necessário demonstrar por que se pede tal verificação. Assim, fica indeferido o pedido de perícia formulado na impugnação. Cientificada dessa decisão em 14/01/2013 (conforme AR na fl. 395) e ainda inconformada, a interessada protocolou, em 07/02/2013, RECURSO VOLUNTÁRIO (conforme despacho de fl. 431) onde, em resumo, assim expõe suas razões: a) a interpretação de gêneros alimentícios comporta itens essenciais a saúde e higiene do trabalhador, a cesta básica é fornecida para o trabalho e não pelo trabalho, todos receberam o mesmo benefício independentemente do valor da remuneração. Os itens que compuseram a cesta básica, ainda que não alimentares, buscavam o mesmo fim. O sabão em barra glicerinado é essencial e compõe a maioria das cestas básicas distribuídas no país, pois o benefício está vinculado a obrigação do empregador em zelar pela saúde, higiene e segurança no trabalho. A jurisprudência dos tribunais superiores é mansa e pacífica nesse sentido e não encampa o raciocínio do Fisco em tributar a indenização decorrente do auxílioalimentação. b) o Fisco Federal não perquiriu o montante relativo a cada servidor e incluiu na base de cálculo a prestação de serviços da empresa para fornecer os alimentos, eventual frete, a embalagem e os custos de distribuição. Ainda que seja mantida a tributação, não pode prosperar o lançamento com base nas notas fiscais, já que esta representa o valor cobrado pela empresa para fornecer os alimentos, incluindo seu lucro. Pugna pela "nulidade absoluta do lançamento". c) a "Ajuda de Custo" trata de benefício concedido aos servidores por meio de autorização legislativa e com caráter indenizatório e eventual. O benefício era pago considerando estimativa feita pela Municipalidade referente aos custos despendidos pelo trabalhador para adquirir alimentos não contemplados na cesta básica. A verba está em consonância com a jurisprudência do STF segundo a qual o auxílioalimentação, ainda que pago em dinheiro, se reveste de caráter indenizatório. d) O plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da alínea "h" do inciso I do artigo 12 da Lei n. 8.212/91, acrescentada pelo § 1º do artigo 13 da Lei n. 9.506/97. Sendo assim, os Conselheiros Tutelares não são segurados obrigatórios da Previdência Social, motivo pelo qual esse montante deve ser excluído da base de cálculo das contribuições lançadas. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 423 7 e) Em relação ao programa de alfabetização (BRALF), o valor repassado aos alfabetizadores consubstanciase em uma “bolsa”, tendo nítido caráter indenizatório, posto que não tem natureza de remuneração. A jurisprudência dominante do STJ é no sentido de que a ajudadecusto deixa de integrar o saláriodecontribuição quando possui natureza meramente indenizatória e eventual, o que é o caso presente. Observase que o serviço voluntário não gera obrigações trabalhistas ou previdenciárias, motivo pelo qual não há incidência sobre os valores repassados pelo Município aos Alfabetizadores. f) Não se deve proceder qualquer cobrança de contribuição previdenciária decorrente das Campanhas de Vacinação. g) As despesas relatadas pela Auditoria são inerentes às retiradas efetuadas pela Secretaria Municipal de Esportes e Turismo, as quais estão relacionadas com arbitragens de jogos e demais despesas afins empreendidas em eventos esportivos oficiais. Entendeu a Administração municipal pela inaplicabilidade dos recolhimentos previdenciários. PEDE o provimento de mérito para julgar improcedentes os lançamentos de contribuição previdenciária. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquela existente na seqüência do processo digital, transformado em meio magnético (arquivo .pdf). Preliminarmente, em relação a um dos tópicos de seu recurso, acima relatados, o contribuinte pugna pela "nulidade absoluta do lançamento". Não creio que seja caso de nulidade absoluta o Fisco haver considerado na base de cálculo de uma das parcelas sobre as quais foi lançada a contribuição previdenciária, valores dos quais o contribuinte discorda. O lançamento considerou valores de Notas Fiscais de fornecimento de cestas básicas como base de cálculo para as contribuições sobre o que reputou remuneração (demonstrativo fl. 28). O contribuinte entende que no valor considerado estão outras despesas e mesmo o lucro dos fornecedores. Não há que se falar em lançamento por autoridade incompetente nem preterição de direito de defesa, causas ensejadoras de nulidade, a teor do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, não verifico preliminares a serem tratadas, devendo inclusive tal questão ser resolvida no mérito. Destaco ainda que a Autoridade Julgadora de 1ª instância decidiu declarar a decadência parcial do lançamento, relativa aos períodos de 01/2004 a 10/2004, pelo que a análise que se segue resumese às competências 11 e 12/2004, apenas. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 424 8 MÉRITO 1. CESTA BÁSICA Observo que a questão não repousa na existência ou não de inscrição no PAT, como alude o recurso (fl. 407/410). A DRJ, citando um Parecer da PGFN, já dispôs que "quando o próprio empregador fornece alimentos in natura aos seus empregados, esteja inscrito ou não no PAT, não ocorre incidência da contribuição previdenciária". Determinouse a exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias aqui lançadas de todo o montante relativo aos alimentos fornecidos na cesta básica, mantendose a cobrança de contribuições incidentes sobre o valor do item “sabão em barra glicerinado”, por não se tratar de alimento in natura. Vejamos, por exemplo, na Nota Fiscal nº 052086 (fl. 342) que consta uma série de itens alimentícios como arroz, feijão, sal, farinha, açúcar, fubá, etc... e sabão em barra glicerinado. Apenas o valor referente ao sabão permanece em exigência, sob o argumento de não poder ser considerado "alimento". O contribuinte argumenta que é gênero essencial e compõe a maioria das cestas básicas distribuídas no país, pois o benefício está vinculado a obrigação do empregador em zelar pela saúde, higiene e segurança no trabalho. Segundo Alice Monteiro de Barros: "A teor do artigo 458 da CLT, o salário poderá ser pago em dinheiro ou em utilidades, como alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações 'in natura' que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Como se vê, o rol é exemplificativo, podendo abranger outros fornecimentos feitos pelo empregador ao empregado, como, por exemplo, higiene e transporte. (...) Em regra, as utilidades fornecidas ao empregado têm feição salarial, pois representam um plus ... Sucede que os empregadores começaram a se sentir desestimulados na concessão das utilidades ... E o legislador, atento a essa realidade e no afã de não impedir os avanços no campo social, ampliou o rol de utilidades que não possuem feição retributiva." (in Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo:LTr, 2006, pp.716 a 718) Vejamos a CLT, art. 458, § 2º: § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 424DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 425 9 II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VIII o valor correspondente ao valecultura. Em relação aos alimentos, existem disposições legais específicas, a partir da Lei nº 6.321, de 1976, a excluílos do conceito de salário, para qualquer efeito legal. Mas sabão não é alimento, é produto de higiene e só estaria excluído desse conceito se fosse fornecido pelo empregador para ser utilizado no local de trabalho, para melhor prestação do serviço. Por exemplo, uma empresa onde fosse necessária a contínua higienização das mãos para lidar com os produtos. Para todos os efeitos legais, a parcela in natura integra o salário e, consequentemente, sofre incidência tributária, salvo aquelas exaustivamente excluídas pela lei. Assim, deve ser mantida a decisão recorrida, nesse ponto. Ainda nesse tópico, o Recorrente alega que foi tomada como base de cálculo o valor dos produtos (no caso o único que permanece em exigência é o sabão glicerinado) que consta das Notas Fiscais do fornecedor e que estão acostadas aos autos. Alega que esse valor contém parcelas como transporte e lucro do fornecedor, que transcenderiam o valor do gênero fornecido. Disse o Julgador recorrido (fl. 388): Diante de todo o exposto, entende esse julgador que devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias aqui lançadas, todo o montante relativo aos alimentos fornecidos na cesta básica, mantendose a cobrança de contribuições incidentes sobre o valor do item “sabão em barra glicerinado”, por não se tratar de alimento in natura, tendo como base de cálculo o valor constante na nota fiscal apresentada, às fls. 259 deste processo digital, nas duas competências citadas, R$ 1.736,00. Vejamos que o valor da utilidade fornecida é aquele que, em outro caso, o empregado deveria despender para adquirila com seus próprios recursos. Não é possível Fl. 425DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 426 10 imaginar que se o empregado fosse adquirir o sabão não estariam ali incluídos todos os custos do vendedor, inclusive tributos e seu lucro. Por exemplo, não vejo sentido em imaginar que caso o empregador forneça combustível para que o empregado utilize em seus veículos particulares, como uma parcela de retribuição mensal pelo trabalho, se vá considerar não o preço do combustível "na bomba" ou aquele que conste da Nota Fiscal, mas aquele preço onde seja descontado o frete, os tributos e o lucro do fornecedor. E ainda, considerando tratarse do Município, que certamente adquiriu os produtos em grande quantidade para fornecimento a seus empregados (foram milhares de pacotes de sabão) e após o devido processo licitatório (vide fl. 344) o valor de aquisição foi inclusive menor que o valor do produto caso o empregado o fosse adquirir em pequenas quantidades, no varejo. Assim, também concordo com a DRJ (fl. 388): Também não é cabível a alegação de que deveriam ser excluídos da base de cálculo os custos da prestação de serviços da empresa contratada para fornecer as cestas básicas, posto que a lei em nenhum de seus dispositivos assim determina, além de ter sido o valor pago pela autuada ao fornecedor, o montante que acresceu ao patrimônio de seus segurados empregados, sendo esse o valor a ser considerado como salário de contribuição, no caso apenas a parte relativa ao item “sabão em barra glicerinado”. Não há que se falar, portanto, em conversão deste julgamento em diligência para que seja abatida da base de cálculo os valores repassados ao contribuinte de fato (Município) referente aos custos no fornecimento das cestas básicas. 2. AJUDA DE CUSTO DE ALIMENTAÇÃO Tratase de ajuda de custo de alimentação, em que os segurados empregados da autuada recebem em pecúnia certa quantia, determinada em lei municipal. Explica o interessado que a partir da Lei Municipal nº 3.478/2004, o valor concedido a cada servidor a título de ajuda de custo foi de R$ 30,00, sendo nos meses anteriores de R$ 40,00. O benefício era pago considerando estimativa feita pela municipalidade referente aos custos despendidos pelo trabalhador para adquirir alimentos não contemplados na cesta básica. Colho da jurisprudência deste CARF: Acórdão 2401004.206 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2016 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vale alimentação em dinheiro e de forma habitual. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 427 11 ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. Acórdão 2301004.839 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2016 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. O auxílio alimentação pago em pecúnia integra o salário de contribuição, independentemente de empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. Enfim, como visto no tópico anterior, o Município fornecia uma cesta básica com alimentos, ou seja, alimentação in natura. Sobre o valor desses alimentos já se entendeu que não incide a contribuição previdenciária. Entretanto, além disso, ainda fornecia uma quantia de R$ 40,00 ou de R$ 30,00 para que o servidor adquirisse outros gêneros não incluídos na "cesta básica", a título de "auxílio alimentação". Filiome ao entendimento, conforme acima exposto, que o auxílio alimentação, quando pago em pecúnia, sofre a incidência da contribuição previdenciária. Enfim, a não incidência ocorre quando o próprio empregador fornece a alimentação, não quando dá dinheiro para que o empregado, possivelmente, a compre. Vejamos que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional aprovou parecer vinculativo em que atesta: : "Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílio alimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. [...] Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílio alimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. [...]”(destaquei) Fl. 427DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 428 12 (Parecer n. 2117 de 10/11/2011, Despacho do Ministro de Estado da Fazenda de 22/11/2011, publicado em 24/11/2011) O contribuinte disse ainda que "a verba está em consonância com a jurisprudência do STF segundo a qual o auxílioalimentação, ainda que pago em dinheiro, se reveste de caráter indenizatório" (fl. 413) mas não citou tal jurisprudência em seu recurso, para comprovar o alegado. 3. CONSELHEIROS TUTELARES Foi efetuado lançamento de contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas a Conselheiros Tutelares. A DRJ entendeu que são segurados obrigatórios da Previdência Social, inclusive, o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em seu artigo 9o, § 15, inciso XV, reportase expressamente aos mesmos na qualidade de contribuintes individuais, não havendo dúvidas quanto ao seu enquadramento como segurado obrigatório da Previdência Social, nessa condição. Disse mais que eles não estão abrangidos pela Resolução nº 26/2005 do Senado Federal, conforme alega a autuada. O Recorrente alega que o STF declarou a inconstitucionalidade de dispositivo de lei que estabelecia contribuição previdenciária sobre a remuneração paga a tais servidores, detentores de mandato eletivo. Quando do julgamento do RE 351.717, o STF decidiu pela inconstitucionalidade da alínea “h” do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, por desobedecer o disposto no art. 195, II e 154, I, ou seja, somente por meio de Lei Complementar, poderia ter sido instituída a citada contribuição, verbis. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: PARLAMENTAR: EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL ou MUNICIPAL.Lei 9.506, de 30.10.97. Lei 8.212, de 24.7.91. C.F., art. 195, II, sem a EC 20/98; art. 195, § 4º; art. 154, I. I. A Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, acrescentou a alínea h ao inc.I do art. 12 da Lei 8.212/91, tornando segurado obrigatório do regime geral de previdência social o exercente de mandato eletivo, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. II. Todavia, não poderia a lei criar figura nova de segurado obrigatório da previdência social, tendo em vista o disposto no art. 195, II, C.F.. Ademais, a Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, ao criar figura nova de segurado obrigatório, instituiu fonte nova de custeio da seguridade social, instituindo contribuição social sobre o subsídio de agente político. A instituição dessa nova contribuição, que não estaria incidindo sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros" (C.F., art. 195, I, sem a EC 20/98), exigiria a técnica da competência residual da União, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º, ambos da C.F. É dizer, somente por lei complementar poderia ser instituída citada contribuição. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 429 13 III. Inconstitucionalidade da alínea h do inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506/97, § 1º do art. 13. IV. R. E. conhecido e provido. (RE 351717, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2003, DJ 21112003 PP00010 EMENT VOL0213305 PP00875) Além de o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal ter sido em decisão plenária e definitiva, o Senado Federal, exercendo atribuição constitucionalmente a ele concedida, nos termos do art. 52, X, suspendeu a execução da norma, nos termos da decisão do STF, nos termos da Resolução SF n. 26/2005, abaixo colacionada: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Entretanto, a Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004, artigo 11, incluiu a alínea "j" no mesmo inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91, considerando que são segurados obrigatórios da Previdência Social como empregado o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social, não sendo dispositivo declarado inconstitucional. Referida lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 21 de junho de 2004. Conforme o § 6º do artigo 195 da Constituição Federal, as contribuições sociais ali tratadas poderão ser exigidas após decorridos 90 dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o art. 150, III, b. Portando, poderiam, com base em lei que não foi declarada inconstitucional, ser exigidas as contribuições em debate nas competências 11 e 12/2004, que aqui se analisa. 4. CAMPANHA DE VACINAÇÃO E PROGRAMA DE ALFABETIZAÇÃO Disse a DRJ que: "diante da improcedência dos lançamentos efetuados até a competência 10/2004, inclusive, pela decadência, não restou nenhum valor cobrado neste AIOP relativo aos trabalhos da Campanha de Vacinação." Portanto. não é necessário tratar desse aspecto. Em relação ao programa de alfabetização chamado BRALF, entendeu o julgador recorrido que independente da alegação de que estarseia diante de verbas indenizatórias e de caráter eventual, tratase de remuneração paga a contribuinte individual, sem que exista em lei qualquer determinação que a exclua do rol das verbas com incidência previdenciária. A seu turno, o recorrente alega que o valor repassado aos alfabetizadores consubstanciase em uma “bolsa”, tendo nítido caráter indenizatório, posto que não tem natureza de remuneração. Vejamos que não se pode confundir uma bolsa de estudos paga aos estudantes, no caso os "alfabetizandos" com o valor pago aos alfabetizadores. É que no recurso, na fl. 418, foi dito que: "a intenção do programa é a de apenas reembolsar os Fl. 429DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 430 14 alfabetizandos de eventuais gastos que por ventura poderiam inibilos a aderirem ao programa". Na Resolução FNDE/CD nº 14, de março de 2004, cuja cópia consta da fl. 247 e seguintes, temos que: Art. 2° Para a ação "Alfabetização de Jovens e Adultos" será repassado ao órgão e entidade conveniente ou parceira, a titulo de bolsa aos alfabetizadores, o valor fixo de R$ 120,00 (cento e vinte reais) por mês, acrescido do valor variável de R$ 7,00 (sete reais) por mês por aluno a ser alfabetizado, limitado ao estabelecido no parágrafo 1º deste artigo, perfazendo um total máximo de R$ 2.360,00 (dois mil trezentos e sessenta reais) por turma. Art. 4° Para a ação "Formação de Alfabetizadores ", serão repassados ao órgão ou entidade convenente ou parceira, um valor fixo de R$ 40,00 (quarenta reais) acrescido de um valor de R$ 10,00 (dez reais) por mês, por alfabetizador, no valor máximo de R$ 120,00 (cento e vinte reais), relativo as formações inicial e continua. 0 valor a que se refere o "caput" deste artigo poderá ser utilizado nas despesas decorrentes do processo de formação, tais como: hospedagem, alimentação e transporte do alfabetizador e/ou do instrutor, remuneração do instrutor, material de consumo e material instrucional a ser utilizado na formação. DO ACOMPANHAMENTO DAS AÇÕES Art. 7º No período entre a entrega dos Cadastros de Alfabetizandos e Alfabetizadores e a liberação da primeira parcela, ou a qualquer tempo, dentro do período de exectsção do convênio ou do termo de parceria, a SEEA/MEC poderá proceder a auditagens das informações dos Cadastros citados no art. 6° desta Resolução. Art. 8° Para o acompanhamento da ação de "Alfabetização de Jovens e Adultos" os órgãos e entidades convenentes/parceiras deverão assegurar que o alfabetizador arquive, mensalmente, uma produção escrita de cada um dos alfabetizandos e efetue o registro mensal da freqüência dos seus alunos. Ou seja, dentro de um programa do Ministério da Educação, foram repassados recursos ao ente municipal para despesas e gastos com projetos educacionais. Eram cadastrados alfabetizadores e alfabetizandos. Os alfabetizadores eram acompanhados mediante relatórios de avaliação e receberiam uma "bolsa" mensal pela sua atuação dentro do programa. Assim, os alfabetizadores recebiam os valores em função do trabalho que prestavam ao ente público. Eram avaliados e a remuneração tinha uma parcela variável, em função de seu desempenho, ou seja, da quantidade de alunos alfabetizados. Os relatórios de avaliação dos alfabetizados e dos alfabetizadores deveriam ser arquivados e poderiam ser auditados. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 431 15 Essa "bolsa", independentemente do nome que lhe seja dada, era retribuição pelo serviço prestado, não indenização para ressarcir despesas. Não se confunde o valor do artigo 2º, acima transcrito, que visava a remunerar os alfabetizadores, com o valor do artigo 4º, que era repassado ao órgão para fazer face ao processo de formação. Assim, despesas com hospedagem, alimentação e transporte do alfabetizador eram arcadas pelo ente, com outra previsão de recursos, diversa daquela que os remunerava pelo serviço prestado. Portanto, não procede a alegação de que a "bolsa" era para fazer face a esse tipo de despesas. Concordo com a DRJ quando disse que (fl. 389/90): A definição legal que a Lei nº 8.212/91 traz de salário de contribuição para o contribuinte individual é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, o que se enquadra perfeitamente ao presente caso. Tendo desenvolvido seu trabalho, o contribuinte individual foi remunerado pela impugnante, não importando o nome que se dá à forma de pagamento, se ajuda de custo, se bolsa, tal valor está sujeito às contribuições previdenciárias na forma da lei, em conformidade com o que lavrou a fiscalização. (...) Desta forma, nenhuma ressalva cabe ao trabalho fiscal quanto a este tópico do lançamento relativamente à BRALF nas competências 11 e 12/2004. 5. RETIRADAS REGIME DE ADIANTAMENTO A Lei nº 4.320, de 1964, estatui normas para controle das despesas e receitas públicas, ou seja, do orçamento público. No capitulo III, artigos 58 em diante, trata da despesa pública e da necessidade de se realizar o emprenho da despesa, definido como o ato que cria para o Estado obrigação de pagamento, antes que o ordenador de despesas autorize sua liquidação. Tratase de procedimento de controle financeiro. O artigo 68 estatui que é possível ser adotado um "regime de adiantamento", ou seja, pagamentos a servidor que não possam subordinarse ao processo normal de aplicação. Citando o artigo acima tratado, o recorrente diz que: Essencialmente, as despesas relatadas pela Auditoria são inerentes às retiradas efetuadas pela Secretaria Municipal de Esportes e Turismo, as quais estão relacionadas com arbitragens de jogos e demais despesas afins empreendidas em eventos esportivos oficiais. 27. Efetivamente, não se observa nos procedimentos de análise das despesas, quaisquer atos que demonstrem recolhimentos de contribuições previdenciárias sobre despesas em regime de adiantamento. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 432 16 28. E em se tratando de despesas que não são subordinadas ao processo normal de aplicação, o que é o caso das despesas inerentes às retiradas efetuadas pela Secretaria Municipal de Esportes e Turismo, as quais estão relacionadas com arbitragens de jogos e demais despesas afins, empreendidas em eventos esportivos oficiais, entendeu a Administração a inaplicabilidade dos recolhimentos previdenciários. Destacou a DRJ que (fl. 390): Com o reconhecimento da aplicação do prazo decadencial conforme já disposto anteriormente, restaram nesse levantamento CIR apenas valores relativos à arbitragem de jogos e a pagamento a médico veterinário, nas competências 11 e 12/2004, de acordo com o Relatório de Lançamentos RL. Ou seja, despesas com serviços prestados por profissionais cuja remuneração se enquadra perfeitamente na definição de salário de contribuição de contribuinte individual previsto na Lei nº 8.212/91, em nada alterando sua essência o fato de ser efetuado o pagamento através de retirada, não havendo dúvida quanto à correção do lançamento. Concordo com o entendimento do julgador recorrido, dentro da delimitação da lide por ele traçada, em função da decadência parcial do lançamento. Os árbitros de futebol e o médico veterinário prestaram serviços ao ente público e por esses serviços foram remunerados, não importando, para a relação previdenciária, sob qual regime a Secretaria Municipal efetuou o pagamento do serviço. Colho na jurisprudência deste CARF: Acórdão 2403002.821, Sessão de 05/11/2014. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DESPESAS ANTECIPADAS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. 0 pagamento de valores a prestadores de serviços pessoas físicas, se inexistente prestação de contas ou qualquer comprovação do dispêndio realizado pelo beneficiário, não configura antecipação de despesa, mas ganho pelo trabalho executado, integrando, por extensão, a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social. CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 432DF CARF MF Processo nº 18088.000628/200902 Acórdão n.º 2202003.851 S2C2T2 Fl. 433 17 Fl. 433DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005690/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de mérito coincidente com o objeto de ação judicial demandada pela recorrente. Aplicação da Súmula Carf nº 1.
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO.
As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins das cooperativas de trabalho médico.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3301-003.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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BASE DE CÁLCULO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de mérito coincidente com o objeto de ação judicial demandada pela recorrente. Aplicação da Súmula Carf nº 1. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins das cooperativas de trabalho médico. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 56 90 /2 00 7- 67 Fl. 541DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Relatório Tratase Recursos Voluntário relativo a Autos de Infração de Cofins do ano de 2002. Transcrevo o relatório da DRJ/Campinas/SP: “Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) formalizada no auto de infração de fls. 52/59. O feito, referente a fatos geradores ocorridos em 2002, constituiu crédito tributário no total de R$ 1.922.312,56, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No TERMO DE c o n s t a t a ç ã o f i s c a l de fl. 51, a autoridade autuante assim relata os fatos que motivaram o lançamento: '[...] analisando os registros contábeis do contribuinte, verificamos que, embora opere sob a forma de cooperativa de prestação de serviços médicos, durante o anocalendário de 2002 praticou atos com nãocooperados, utilizandose dos serviços de hospitais, clínicas e profissionais credenciados, assim como obteve rendimentos decorrentes de aplicações financeiras, atos estes que não se enquadram no art. 79 da Lei n° 5.764/71, que define o ato cooperado. A referida lei prevê, no entanto, em seus art. 85 e 86, a possibilidade das cooperativas fornecerem bens e serviços a não associados, que deverão ser contabilizados em separado com o fito de permitir o cálculo para incidência dos tributos, como preconiza em seu art. 87. Não foi o procedimento adotado pelo contribuinte. Diante de tal fato, intimamos o contribuinte a quantificar os atos praticados com não cooperados e, com base no dispositivo legal mencionado, de posse desses dados, estabelecemos a relação percentual entre os atos cooperados e os não cooperados, conforme demonstrado em anexo [...] e os submetemos à tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Com relação ao PIS e à Cofins, estabelece a legislação que toda a receita, independentemente de se tratar de ato cooperado ou não cooperado, submetese à tributação. Ainda, com referência, à Cofins, em decorrência de liminar concedida em Mandado de Segurança n° 2006.61.05.0099921, 2ª Vara Federal em Campinas, cópia anexa, efetuamos a tributação relacionada aos atos cooperados com suspensão de exigibilidade para resguardar os interesses da Fazenda Nacional do instituto da decadência. […]' Cientificada da exigência em 21/12/2007, em 21/01/2008 a autuada interpôs a impugnação reproduzida às fls. 62/86, na qual alega em síntese que: Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13839.005690/200767 Acórdão n.º 3301003.453 S3C3T1 Fl. 542 3 1. quando a impugnante contrata a prestação de assistência médica com terceiros, o faz em nome e por conta e risco dos médicos cooperados, não havendo como confundir os atos da cooperativa com os profissionais que a compõem; seus atos visam apenas organizar e planejar o labor de seus sócios, representandose na sua contratação, nada auferindo na sua atividadefim; 2. a correta definição de ato cooperado varia de acordo com as especificidades de cada cooperativa, sendo invariável um único critério: o do atendimento do objetivo social da cooperativa; nesse sentido, para que uma cooperativa médica atinja seus fins, necessário as atividades meio, isto é, operar com hospitais, clínicas e profissionais credenciados; o desempenho das atividades meio, assim, constitui prática de ato cooperativo; 3. os atos cooperativos não constituem operações de natureza mercantil e, portanto, não há que se falar em auferimento de lucro nas sociedades cooperativas; e se não chegam ao lucro, não podem ostentar faturamento, base de cálculo da contribuição; 4. é inconstitucional o disposto §1° do art. 3 o da Lei n° 9.718, de 1998, no tocante à ampliação do conceito de receita bruta para definição da base de cálculo da contribuição; 5. a cooperativa não obtém receita propriamente dita, pois o produto oriundo do negócio cooperativo é de seu cooperado, faltandolhe dessa forma a base de cálculo para a tributação; 6. ocorreu a decadência nos termos do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional; 7 . há incorreções nos cálculos elaborados pelo autuante; em que pese os atos denominados pelo Sr. Auditor como não cooperativos serem cooperativos, a incidência da contribuição ocorreu erroneamente sobre o total dos valores apresentados; a auditoria deixou de considerar que, após a edição da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, as cooperativas podem deduzir os custos da base de cálculo; caso vencida no mérito, o valor devido à administração tributária seria de R$ 135.878,49, nos termos de planilha anexa.” Portanto, ressalto que a base de cálculo da Cofins lançada neste processo referese à parcela da base de cálculo considerada efetuada como atos cooperativos, lançamento feito sem multa e com exigibilidade suspensa, enquanto em outro processo (13839.005889/200732) foi lançada a base de cálculo correspondente a atos não cooperativos, e também o Pis sobre todos os atos. A segurança requerida judicialmente foi denegada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, e o Recurso Especial aviado pela recorrente encontrase sobrestado. Fl. 543DF CARF MF 4 A DRJ decidiu pelo provimento parcial do lançamento, para reconhecer a decadência do direito de proceder aos lançamentos referentes ao período de janeiro a novembro 2002. Confirase a ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador. COOPERATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de novembro de 1999, todas as receitas das sociedades cooperativas compõem a base de cálculo do PIS. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. A formação da base de cálculo das cooperativas obedece ao regime geral das demais pessoas jurídicas, somente se admitindo as exclusões expressamente definidas na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte” Em resumo, no presente processo o Auditor lançou a Cofins sobre atos que considera cooperativos, sem multa e com exigibilidade suspensa. No processo 13839.005689/200732, foram lançados Pis sobre todos os atos, cooperativos e não cooperativos, e receitas financeiras. A empresa apresenta Recurso Voluntário, no qual aduz os seguintes argumentos, em síntese: Toda a sua atividade seria caracterizada como ato cooperativo; colaciona jurisprudência – Resp 903.699 nesse sentido; O §9º da Lei 9.718/98 autoriza diversas deduções da base de cálculo do Pis e da Cofins das cooperativas de trabalho médico; e tais deduções não teriam sido consideradas pelo autuante, nem pela DRJ, solicitando diligência para tal verificação; Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13839.005690/200767 Acórdão n.º 3301003.453 S3C3T1 Fl. 543 5 Em 01/10/2010 esta Turma determinou, por meio da Resolução 330100.046, a conversão do julgamento em diligência, para que a fiscalização verificasse se as deduções do §9º citadas foram consideradas. Em resposta (fl. 536), a fiscalização informou que as deduções não foram consideradas por ocasião do lançamento, e junta planilha, mês a mês, consignando os intercâmbios concedidos e os intercâmbios pagos. A empresa declinou expressamente (fl. 536) de manifestarse sobre o Relatório de Diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Suplente Marcelo Giovani Vieira, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo. Juízo de conhecimento Primeiramente impõese delimitar o litígio no presente processo. Como já relatado, a base de cálculo da Cofins da recorrente está sendo discutida judicialmente. Em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/2794002), verifico que na ação judicial demandada estão sendo discutidos tanto a tributação da Cofins das cooperativas em geral quanto a definição de atos cooperativos das cooperativas de trabalhos. Copio pequeno trecho do Acórdão: “ No caso em tela, a Apelada presta serviço médico àqueles que aderem aos seus planos de saúde, caraterizandose como operações praticadas com não associados, o que configura ato não cooperativo, passível de tributação pelo PIS e COFINS” Desse modo, há concomitância entre as vias judicial e administrativa, para a matéria base de cálculo da Cofins da presente empresa. A Súmula Carf nº 1 determina: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não tomo conhecimento do Recurso Voluntário nesta parte. Quanto à decadência, tratase de matéria decidida pela DRJ em favor do contribuinte. Não tendo havido o Recurso de Ofício, em vista da exoneração de tributo em valor inferior ao limite de alçada, a decisão recorrida é definitiva, razão pela qual, também desta matéria, não tomo conhecimento. Fl. 545DF CARF MF 6 Mérito Quanto ao mérito, resta decidir sobre as exclusões permitidas da base de cálculo da Cofins. São expressamente permitidas as exclusões previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) A legislação própria das operadoras de saúde permite que avencem contratos entre si para atendimento de clientes umas das outras, para maior abrangência territorial, em operações conhecidas como de intercâmbio ou transferências de responsabilidades. A Agência Nacional de Saúde ANS define três tipos: repasse em prépagamento, atendimento continuado em custo operacional, e atendimento eventual (Plano de Contas Padrão, RN 290/2012 ANS). Coresponsabilidades cedidas (inciso I do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são pagamentos a outras operadoras de planos de saúde, para que assumam responsabilidade sobre o atendimento a clientes da própria empresa, havendo ou não o efetivo uso pelo cliente. As provisões técnicas (inciso II do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são fundos obrigatórios, constituídos e contabilizados para cumprimento de regras estabelecidas pela ANS, no sentido de garantir, em síntese, a solvência dos planos. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13839.005690/200767 Acórdão n.º 3301003.453 S3C3T1 Fl. 544 7 Eventos ocorridos (inciso III do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são as despesas pagas aos médicos, hospitais e clínicas, pelo atendimento aos clientes, próprios ou de terceiros em intercâmbio. Importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades (inciso III) são pagamentos recebidos pela empresa, pela coresponsabilidade assumida e/ou atendimento efetivo a clientes de outras operadoras de planos de saúde. Concluindo: Da base de cálculo podem ser excluídos os valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas (§9º, I, §9ºB), as provisões técnicas conforme regramento da ANS (§9º, II), e os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos (§9º, inciso III e § 9ºA). Pelo exposto, voto não tomar conhecimento da parte concomitante com ação judicial, e na parte conhecida, pelo provimento do Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins as parcelas previstas no §9º, incisos I a III, do artigo 3º da Lei 9.718/98. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. Fl. 547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.016289/2001-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1801-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para declinar a competência do julgamento da lide às Turmas Ordinárias em razão do valor do indébito tributário discutido ultrapassar o limite de alçada para julgamento das Turmas Especiais, em razão de fatos supervenientes ocorridos durante a tramitação dos autos, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1527; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 507 1 506 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.016289/200176 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.384 – 1ª Turma Especial Data 4 de março de 2015 Assunto DCOMP SALDO NEGATIVO Recorrente RIOMAR SHOPPING S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para declinar a competência do julgamento da lide às Turmas Ordinárias em razão do valor do indébito tributário discutido ultrapassar o limite de alçada para julgamento das Turmas Especiais, em razão de fatos supervenientes ocorridos durante a tramitação dos autos, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório RIOMAR SHOPPING S.A., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1652.907 (fl. 397), pela DRJ São Paulo I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .0 16 28 9/ 20 01 -7 6 Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10480.016289/200176 Resolução nº 1801000.384 S1TE01 Fl. 508 2 O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de fl. 3, em 31/10/2001, pleiteando a extinção de vários créditos tributários e utilizando alegado saldo negativo do IRPJ relativo ao ano 2000. A DRF Recife instaurou procedimento fiscal a fim de verificar os fatos declarados pelo contribuinte. Como resultado deste, foi lavrado auto de infração (fl. 99), formalizado no processo nº 19647.000108/200629, pelo qual se procedeu de ofício à redução do referido saldo negativo, em decorrência de glosa de despesas. O contribuinte ainda apresentou a DCOMP nº 11389.64804.150803.1.3.02 2204, em 15/08/2003, posteriormente retificada pela DCOMP nº 18954.57039.030708.1.7.02 8436 (fl. 168), também utilizando o saldo negativo do ano 2000, o que também ocasionou a realização de diligência fiscal (fl. 275). Ao final das verificações, foi lavrado o Termo de Informação Fiscal de fl. 280, que trouxe os fundamentos utilizados no despacho decisório de fl. 288, pelo qual a DRF reconheceu apenas parcialmente o crédito apontado nas referidas compensações, dentre outras decisões. Os fundamentos dessa decisão estão assim resumidos no relatório da decisão recorrida (fl. 398): • O saldo negativo do anocalendário de 2000 foi reduzido em R$ 163.500,00 (fl.94) em razão de lavratura de Auto de Infração no processo nº 19647.000108/200626 (o saldo negativo passou de R$ 1.507.585,66 para R$ 1.344.085,66); • O montante de R$ 1.040.573,94 de saldo negativo de IRPJ foi deduzido no processo de nº 10480.010807/200148; • A contribuinte utilizou o direito creditório para a compensação sem processo do débito de código 5993 no montante de R$ 30.607,51, o qual foi reduzido do valor ora concedido neste PAF. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 306, cujos argumentos estão assim sintetizados no relatório do acórdão recorrido (fl.398): • Houve a homologação tácita dos débitos de CSLL dos PA de 01/2001 e 09/2002 nos valores de R$ 18.806,20 e R$ 574,61, respectivamente (art.156, IV c/c art.150, §4º, do CTN); • O montante de R$ 163.500,00, reduzido em virtude de lavratura de Auto de Infração, encontrase suspenso por apresentação de impugnação do PAF nº 19647.000108/200629 devendo, portanto, ser restabelecido; • O valor de R$ 30.607,51 (débito de IRPJ do PA de 04/2002), reduzido pela autoridade fiscal, na verdade, foi deduzido com o saldo negativo da empresa incorporada TN S/A, CNPJ nº 03.540.595/000166, a qual apurou saldo negativo de IRPJ de R$ 25.247,37 e R$ 330.119,92, referente aos anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente; • A mencionada compensação encontrase registrada na contabilidade da empresa; Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10480.016289/200176 Resolução nº 1801000.384 S1TE01 Fl. 509 3 • Deve ser aplicada a interpretação benigna prevista no art.112 do CTN, pois há dúvida na interpretação da norma jurídica; • Requer a realização de perícia e diligência e todos os meios de prova. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fl. 397), com a fundamentação assim sintetizada: i) não houve a homologação tácita dos débitos de CSLL dos PA de 01/2001 e 09/2002, uma vez que foram confessados em DCTF antes do prazo de decadência; ii) o fato de o lançamento tributário que reduziu o saldo negativo em tela ter sido objeto de recurso administrativo não devolve a liquidez e a certeza do crédito pleiteado; iii) a afirmação de que o débito de IRPJ do período de apuração 04/2002 foi deduzido com o saldo negativo da empresa incorporada TN S/A somente pode ser tido como verdadeiro mediante a apresentação de documentação comprobatória da existência do saldo negativo da empresa incorporada, o que não ocorreu no presente caso. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2000 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de IRPJ apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Cientificado dessa decisão em 19/12/2013, por via postal (fl. 407), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 459, em 20/01/2014, no qual levanta os seguintes argumentos: i) o auto de infração que fundamenta a glosa de R$ 163.500,00 do crédito pleiteado sofreu reforma em sede de julgamento administrativo de primeira instância, que reduziu o referido valor para R$ 131.250,00; ii) a glosa de R$ 30.607,51 deveuse ao fato de o contribuinte ter declarado em DCTF (fl. 177) que estava quitando parte do crédito tributário de IRPJ do PA 04/2002 com parte do saldo negativo de 2000, no valor supracitado; todavia, o saldo negativo utilizado não é o próprio, mas aquele adquirido na incorporação da TN S/A, conforme registrado em sua contabilidade; iii) o seu saldo negativo de 2000, conforme declarado em DIPJ, é de R$ 1.507.585,66, sendo que R$ 1.040.573,94 foi voluntariamente reservado para ser consumido na Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10480.016289/200176 Resolução nº 1801000.384 S1TE01 Fl. 510 4 quitação dos créditos tributários apontados nos lançamentos formalizados no processo nº 10480.010807/200148, por meio de declarações retificadoras; iv) ao final do supracitado processo administrativo, não foi acatada a utilização da referida parcela do saldo negativo e o contribuinte optou por realizar o pagamento do valor lá exigido, razão pela qual a parcela do saldo negativo então reservada voltou a ser disponível. É o relatório. Voto O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte declarou em sua DIPJ/2001 que possuía saldo negativo de IRPJ no ano 2000 no valor de R$ 1.507.585,66 (fl. 35) e apresentou a declaração de compensação de fl. 2 com o intuito de utilizar R$ 510.947,84 para quitar vários débitos. Também apresentou a DCOMP de nº 18954.57039.030708.1.7.028436 com o intuito de utilizar R$ 175.864,07 para quitar outros débitos. Ao apreciar esse pleito, a DRF Recife realizou duas diligências fiscais. Na primeira, foi constatado que o contribuinte havia reservado, em sua contabilidade, parte do referido saldo negativo, no valor de R$ 1.040.573,94, para quitar crédito tributário formalizado no processo nº 10480.010807/200148. Também foi verificada incorreção na apuração do imposto devido naquele ano 2000, o que ocasionou a lavratura do auto de infração formalizado no processo nº 19647.000108/200629 e a redução do respectivo saldo negativo em R$ 163.500,00. Na segunda diligência foi verificado, conforme DCTF, que o contribuinte utilizou R$ 30.607,51, deste mesmo saldo negativo, para quitar o débito de IRPJ (5993) de abril de 2002. Como resultado, foi reconhecido parcialmente o crédito pleiteado, no valor de R$ 278.264,25, encontrado a partir do saldo negativo declarado (R$ 1.507.585,66) reduzido das três parcelas acima referidas (R$ 1.040.573,94 + R$ 163.500,00 + R$ 30.607,51). Quanto a esta terceira parcela, que reduziu o seu crédito em R$ 30.607,51, o recorrente afirma que ela não faz parte do saldo negativo próprio, mas sim do saldo negativo de empresa incorporada, conforme registrado em sua contabilidade. Pode encontrar nos autos, às fls. 365 e 366, documentos que evidenciam os fatos alegados pelo recorrente, a saber, o registro na contabilidade da recorrente da transferência de parte do saldo negativo da empresa TN S/A com a finalidade de compensar IRPJ de abril/2002 e o controle extracontábil dessa utilização. Quanto à segunda parcela, que reduziu o seu crédito em R$ 163.500,00, o recorrente afirma que o lançamento tributário que lhe deu causa foi reformado em sede do processo administrativo fiscal nº 19647.000108/200629, com decisão definitiva, que alterou a redução do saldo negativo para R$ 131.250,00. Essa informação foi confirmada em consulta no sistema eprocesso, que possibilitou acesso ao Acórdão nº 1123.289, de 30 de julho de 2008, da DRJ Recife. Por essa Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10480.016289/200176 Resolução nº 1801000.384 S1TE01 Fl. 511 5 razão, deve ser levada a efeito no presente processo a reforma do lançamento tributário supracitado. Quanto à primeira parcela, que reduziu o seu crédito em R$ 1.040.573,94, o recorrente afirma que o processo administrativo fiscal nº 10480.010807/200148 já possui decisão definitiva, na qual foi rejeitado o pleito do contribuinte para que a parcela reservada do referido saldo negativo fosse utilizada para reduzir o crédito tributário lá exigido. Com isso, a reserva que havia sido feita não foi realizada, razão pela qual tornouse disponível para as presentes compensações. Essa informação também foi confirmada em consulta no sistema eprocesso, que possibilitou acesso ao Acórdão nº 10196.152, de 23 de maio de 2007, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Por tal razão, essa parcela do saldo negativo tornouse líquida e certa, podendo ser utilizada nas presentes compensações. Com isso, entendo que o crédito a ser reconhecido deve ser obtido a partir do saldo negativo declarado na DIPJ/2001 (R$ 1.507.585,66), reduzindose a parcela de R$ 131.250,00, por efeito do processo administrativo fiscal nº 19647.000108/200629, resultando no valor de R$ 1.376.335,66. Chegandose a esse valor, não resta outra medida que não seja a de declinar da competência do julgamentos do presente processo para as Turmas Ordinárias, em razão do litígio ora instaurado superar o limite de alçada para a apreciação por este colegiado, nos termos do artigo 2º, §2º do Regimento Interno do (Portaria MF nº 256/09), c/c o artigo 8º do Anexo II: Art. 2° Ficam criadas no CARF 21 (vinte e uma) turmas especiais temporárias. [...]§ 2° A competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância. Anexo II Art. 8° A competência das turmas especiais é restrita ao julgamento de recursos em processos que envolvam valores reduzidos. Parágrafo único. Ato do Ministro de Estado da Fazenda definirá o limite de alçada de julgamento pelas turmas especiais. Por seu turno, a Portaria MF nº. 3, de 3 de janeiro de 2008 , prevê: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Em razão do exposto, voto por declinar da competência de julgar o presente processo, em benefício das Turmas Ordinárias da Primeira Seção Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10480.016289/200176 Resolução nº 1801000.384 S1TE01 Fl. 512 6 (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 512DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001889/2005-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/06/1994 a 31/12/1995
RECURSO ESPECIAL. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INADMISSIBILIDADE.
Nos termos do art. 67, §4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, não é cabível a interposição de recurso especial contra decisão que anule a decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão.
Numero da decisão: 9303-004.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INADMISSIBILIDADE. Nos termos do art. 67, §4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, não é cabível a interposição de recurso especial contra decisão que anule a decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que conheceu do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 89 /2 00 5- 12 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16327.001889/200512 Acórdão n.º 9303004.991 CSRFT3 Fl. 353 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 259 a 273) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 380100.968 (fls. 251 a 257) proferido pela extinta 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em 07/11/2011, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão proferida pela Delegacia de origem e atos subsequentes, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/06/1994 a 31/12/1995 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O despacho decisório que não contém de forma clara e precisa os motivos pelos quais o benefício fiscal não foi reconhecido, acarreta cerceamento do direito de defesa, por conseguinte, é nulo. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da Delegacia de origem, por falta de fundamentação e cerceamento do direito de defesa do contribuinte, devendo ser proferida nova decisão com a indicação dos motivos fáticos e jurídicos que resultaram no indeferimento integral dos benefícios previstos na Lei 9.779/99 c/c com a MP 1.858/99, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Para retratar o desenrolar dos fatos ocorridos nos presentes autos, adotase o relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis: Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: DO INDEFERIMENTO AO USUFRUTO DE ANISTIA FISCAL Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16327.001889/200512 Acórdão n.º 9303004.991 CSRFT3 Fl. 354 3 Tratase de indeferimento quanto a usufruto dos benefícios da anistia prevista na Medida Provisória nº 18586/99, em relação a recolhimento efetuado em julho de 1999, que objetivava extinguir débitos de PIS, códigos 3885 e 4574, do período de julho/94 a dezembro/95, declarados com a exigibilidade suspensa pelo contribuinte, pela existência de decisão judicial, constantes no CONTACORPJ. Conforme fls.01, o contribuinte ajuizou a AO 94.00176368, insurgindose contra a EC 01/94. Foram efetuados depósitos, os autos encontravamse conclusos para sentença quando o contribuinte pediu desistência da ação, com levantamento dos depósitos argüindo pagamento dos tributos nos moldes da MP 1858/99. A desistência foi homologada. O indeferimento pela autoridade administrativa foi devido ao fato que “ o DARF apresentado é insuficiente para satisfazer os débitos em questão em sua totalidade”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Expedida Carta Cobrança nº 51/2005 quanto ao saldo devedor remanescente (fls.28/33), cuja ciência ocorreu em 27 de dezembro de 2005, conforme consta do AR às fls.34, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, em 26 de janeiro de 2006, com os argumentos de fls. 42/46, para que seja recepcionada com base na Nota MF/SRF/Cosit/Coope nº 550, de 13/10/99. Argumenta a requerente que: de fato, o pagamento realizado em julho de 1999, com base na anistia, não considerou, por equívoco, a atualização monetária pela UFIR dos débitos de PIS relativos ao ano de 1994, que totaliza, com os acréscimos legais, R$ 104.422,92, conforme planilha anexa (doc.9) e recolhido conforme darf (doc.10); contudo, a CartaCobrança ora impugnada pretende desenquadrar todo o período considerado no recolhimento com anistia e não apenas aquele relativo às competências em que realmente se verificou a citada insuficiência, contrariando o artigo 4º, § 1º da Portaria Conjunta (SRF/PGFN) nº 900, de 19/07/2002, segundo o qual o pagamento integral insuficiente não enseja o desenquadramento dos benefícios conferidos pela anistia, mas tão somente a exigência da parcela não paga, somandose os acréscimos legais (§ 6º); o artigo 11 da MP nº 38/2002 é expresso ao mencionar o art. 11 da MP nº 215835, de 24 de agosto de 2001, que é resultado das inúmeras reedições sofridas pela MP nº 18586 e 1807/99, nas quais, basicamente, somente as datas para adesão à anistia foram alteradas; em sendo a Portaria nº 900/2002 aplicável à MP nº 2158/2001, ela também o é em relação à MP nº 18586, em conformidade com o inciso I do artigo 106 do CTN; mesmo que a MP nº 18586/99 previsse a desconsideração do benefício da anistia quando o pagamento fosse menor que o devido, a Portaria nº 900/2002 seria aplicada por ser mais benéfica ao contribuinte; Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16327.001889/200512 Acórdão n.º 9303004.991 CSRFT3 Fl. 355 4 à época em que referido pagamento foi realizado, a legislação que instituiu a anistia em tela não previa a obrigação de o sujeito passivo comunicar o fisco da desistência de eventual ação judicial como condição para fruição da anistia, bastando efetuar o recolhimento. Ante o exposto, o interessado requer o cancelamento da Carta Cobrança nº 51/2005, emitida em 07/12/2005. Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito. DA REMESSA PARA JULGAMENTO Conforme informação da DICAT/DEINF/SPO, o processo é encaminhado a esta DRJ/SPO1 para apreciação e julgamento, visto tratarse de questionamento quanto ao não enquadramento aos benefícios previstos na MP 1858/99 (fls.74). A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a solicitação, fls. 152 a 159, nos termos da ementa abaixo transcrita: ANISTIA FISCAL. REQUISITOS. As normas relativas a concessão de benefícios fiscais devem ser interpretadas literalmente e a ocorrência de diferenças no recolhimento do tributo caracteriza a falta de cumprimento de requisitos legais, impedindo a concessão desses benefícios fiscais. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 172 a 177, instruído com os documentos de fls. 178 a 206. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, insistindo na tese de que no caso em tela aplicase as disposições da Portaria (PGFN) n° 900/02. Por fim, requereu a reforma da decisão proferida e protestou pela juntada dos documentos anexos. É o relatório. [...] Na sequência, sobreveio julgamento nos termos do Acórdão nº 380100.968 (fls. 251 a 257) proferido pela extinta 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em 07/11/2011, ora recorrido, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão proferida pela Delegacia de origem e atos subsequentes, em razão da ausência de fundamentação suficiente no despacho decisório e cerceamento do direito de defesa da Contribuinte, devendo ser proferido novo ato decisório com a motivação fática e jurídica do indeferimento integral dos benefícios previstos na Lei nº 9.779/99 combinado com a MP nº 1.858/99. Contra referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 259 a 273), alegando: (a) preliminarmente, que a matéria relativa ao cerceamento do direito de defesa e à nulidade do despacho decisório não foi aventada pela Contribuinte nas manifestações apresentadas no processo, sendo o acórdão recorrido extra petita; e (b) no mérito, (b.1) divergência jurisprudencial quanto à decretação da nulidade do despacho Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16327.001889/200512 Acórdão n.º 9303004.991 CSRFT3 Fl. 356 5 decisório proferido pela Delegacia de origem por ausência de fundamentação e cerceamento do direito de defesa da Contribuinte e (b.2) em prevalecendo a declaração de nulidade do despacho decisório, seja reconhecido tratarse de vício formal e não material, conforme consignado no acórdão recorrido. Para comprovar o dissenso colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 10417279, 20212872 e 30335472. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional alega, em síntese, que: (a) preliminarmente, o cerceamento do direito de defesa não foi matéria arguida pela Contribuinte em suas insurgências no processo administrativo, incidindo o acórdão recorrido em julgamento além dos limites da demanda, por ter abordado questão preclusa; (b) o órgão julgador de segunda instância deve decidir de acordo com a matéria inserta no recurso voluntário, objeto de contestação pelo recorrente, conforme preceituam os artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil de 1973 (arts. 141 e 492 do CPC/2015), de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. Por esta razão, requer seja declarado nulo o acórdão recorrido quanto ao reconhecimento do vício material do despacho decisório; (c) no mérito, argumenta que se o Contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e da economia processual em lugar do rigor das formas; (d) com fulcro nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, os atos e termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos se proferidos ou lavrados por pessoa incompetente, ou se resultarem em inequívoco cerceamento do direito de defesa da parte, o que não teria ocorrido nos presentes autos, pois o Sujeito Passivo demonstrou ter pleno conhecimento das razões que levaram ao indeferimento dos benefícios previstos na Lei nº 9.779/99 c/c com a MP nº 1.858/99; (e) como tese subsidiária, na hipótese de ser mantida a declaração de nulidade, aduz estarse diante de nulidade por vício de ordem formal e não material, pois a ausência de motivação é defeito na formalização do ato administrativo de lançamento; (f) o lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura, como ocorreu no caso em exame em que houve vício de motivação, de exteriorização do ato, o qual pode ser convalidado nos termos do art. 55 da Lei nº 9.784/99; Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16327.001889/200512 Acórdão n.º 9303004.991 CSRFT3 Fl. 357 6 (g) requer seja acolhido o pedido preliminar de anulação do acórdão; caso superado, seja dado provimento ao recurso especial para manutenção da integralidade do lançamento por inexistência de nulidade e, em ordem eventual, que seja declarado o vício como sendo de ordem formal, e não material. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº 3100058, de 18 de março de 2014 (fls. 311 a 313), proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à nulidade do despacho decisório e, subsidiariamente, quanto ao vício de nulidade ser de ordem formal e não material. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 643 a 645) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a manutenção do acórdão recorrido que declarou a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, negandose, por conseguinte, provimento ao apelo Fazendário. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. O cerne da controvérsia está na análise da existência de nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal, a saber, o despacho decisório, em razão da ausência dos fundamentos jurídicos para o indeferimento da fruição dos benefícios constantes da Lei nº 9.779/99 com redação dada pela MP 1.858/99. O presente feito administrativo originouse de pedido de emissão de Certidão Negativa de Débitos, do contribuinte BNP BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A, ora recorrido, tendo sido relatado o seguinte (fl. 03): Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16327.001889/200512 Acórdão n.º 9303004.991 CSRFT3 Fl. 358 7 Sr. Delegado, Face ao pedido de emissão de Certidão Negativa de Débitos, do contribuinte BNP BRASIL BANCO MULTIPLO S/A, CNPJ n° 61.033.106/000186 é aberto o presente processo objetivando a transferência de débitos de PIS, Códigos 3885 e 4574, dos meses de junho/1994 a dezembro/1995, declarados com a exigibilidade suspensa pelo contribuinte, pela existência de decisão judicial, constantes no CONTACORPJ (fls. 02 a 04), tendo em vista que segue: O contribuinte ajuizou a AO 94.00176368, insurgindose contra a EC 01/94. Foram efetuados depósitos os autos encontravamse conclusos para sentença quando o contribuinte pediu desistência da ação, levantamento dos depósitos argüindo pagamento dos tributos nos moldes da MP 1858/99. A desistência foi homologada. Foi acostada às fls.05 cópia do DARF de pagamento apresentado pelo contribuinte. Face ao exposto remeto o presente a V.Sa para as providências que entender cabíveis. Como resposta, foi prolatado pela Delegacia da Receita Federal despacho com o seguinte teor: O DARF apresentado é insuficiente para satisfazer os débitos em questão em sua totalidade. À DICAT para cobrança do saldo devedor. A partir do referido despacho, foi intimado o contribuinte para apresentação da manifestação de inconformidade constante das fls. 43 a 47, indeferida pela 10ª Turma da DRJ/SPOI, conforme acórdão nº 1617.557 (fls. 179 a 186). Na sequencia, apresentado o respectivo recurso voluntário, sobreveio decisão entendendo pela nulidade do despacho da Delegacia da Receita Federal que considerou insuficiente o DARF apresentado para satisfazer os débitos em questão, nos termos do acórdão ora recorrido. A Fazenda Nacional, em seu recurso especial, alega, fundamentalmente, a ausência de nulidade pois o Sujeito Passivo teria demonstrado, em suas peças de insurgência no presente processo administrativo, ter conhecimento da matéria discutida e das razões do indeferimento do seu pedido de emissão de Certidão Negativa de Débito. Nos termos do art. 5ª, da Lei nº 9.784/1999, o processo administrativo fiscal terá início "[...] de ofício ou a pedido do interessado", como ocorre no caso em exame cujo limiar foi o pedido de Certidão Negativa de Débito veiculado pela Contribuinte junto à Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16327.001889/200512 Acórdão n.º 9303004.991 CSRFT3 Fl. 359 8 Delegacia da Receita Federal. Como corolário de tal pleito, a DRF proferiu despacho manifestandose pela sua negativa, o qual foi considerado nulo por deficiência na fundamentação. Ocorre que, conforme argumento suscitado por este Colegiado durante a sessão de julgamento do processo, e com o qual concordou essa Relatora, passando a adotálo em suas razões de decidir, não é a adequada a via do recurso especial para discussão quanto à nulidade da decisão de primeira instância, nos termos do art. 67, §4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. [...] (grifouse) Diante dessas considerações, há de ser negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 359DF CARF MF
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