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Numero do processo: 10120.720162/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.791
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 62 /2 01 1- 16 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720162/201116 Acórdão n.º 3302003.791 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.306. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720162/201116 Acórdão n.º 3302003.791 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720162/201116 Acórdão n.º 3302003.791 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720162/201116 Acórdão n.º 3302003.791 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720162/201116 Acórdão n.º 3302003.791 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.722611/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/08/2012
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal constitui simples elemento de controle da Administração, de sorte que eventual irregularidade nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração lavrado por Auditor-Fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INSTAURAÇÃO.
O contencioso administrativo é instaurado a partir da impugnação tempestiva do contribuinte, não havendo, antes da autuação, que se falar em violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa.
MULTA ISOLADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO EM GFIP.
A ausência de comprovação do recolhimento da contribuição previdenciária ensejador dos créditos declarados em GFIP demonstra a falsidade da declaração.
Numero da decisão: 2201-003.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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O Mandado de Procedimento Fiscal constitui simples elemento de controle da Administração, de sorte que eventual irregularidade nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração lavrado por AuditorFiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INSTAURAÇÃO. O contencioso administrativo é instaurado a partir da impugnação tempestiva do contribuinte, não havendo, antes da autuação, que se falar em violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO EM GFIP. A ausência de comprovação do recolhimento da contribuição previdenciária ensejador dos créditos declarados em GFIP demonstra a falsidade da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 26 11 /2 01 4- 19 Fl. 255DF CARF MF 2 EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: O MUNICÍPIO DE APIAI PREFEITURA MUNICIPAL teve lavrado contra si o Auto de Infração AI n.º DEBCAD 51.064.0834, no valor de R$ 3.435.750,00 (três milhões, quatrocentos e trinta e cinco mil, setecentos e cinqüenta reais), consolidado em 23 de julho de 2014, relativo ao lançamento, nas competências dezembro de 2011, janeiro de 2012, fevereiro de 2012, abril de 2012, maio de 2012 e agosto de 2012, da multa isolada decorrente da inserção, em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs, de créditos considerados inexistentes. No Relatório Fiscal (fls. 32/34), a autoridade lançadora esclarece que, no Processo n.º 10855.722194/201412, foram analisadas as compensações de contribuições previdenciárias efetuadas, pelo contribuinte, em suas GFIPs. No caso, em havendo o sujeito passivo efetuado tais compensações, “no período de 13/2011 a 06/2012”, foi ele intimado a detalhar a origem dos créditos utilizados para tanto, por meio da Intimação Audcomp n.º 00012/DRF SOR/2013 (fls. 02/03), posteriormente renovada através da Intimação DRF/SOR/SEORT n.º 174/2014 (fls. 05/07). Nenhuma dessas intimações foi atendida pelo contribuinte, que se quedou inerte, sem atender às solicitações que lhe foram encaminhadas. Em conseqüência, foram consideradas indevidas as compensações realizadas, “sujeitandose o postulante à incidência das penalidades constantes dos artigos 45 e 46 da Instrução Normativa RFB n.º 900/2008 e, posteriormente, nos artigos 57 e 58 da Instrução Normativa RFB n.º 1.300/2012”. Observa que cabe à fiscalização da Receita Federal do Brasil RFB confirmar e validar as compensações declaradas em GFIP, tendo a empresa o dever de prestar os esclarecimentos necessários, conforme dispõe o artigo 32, inciso III, da Lei n.º Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10855.722611/201419 Acórdão n.º 2201003.634 S2C2T1 Fl. 3 3 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o artigo 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999. Ressalta, ainda, que a entrega da GFIP tanto formaliza o cumprimento de obrigação acessória, quanto comunica a existência de crédito tributário. Não se comprovando o pagamento indevido sobre as verbas discutidas, não é cabível a compensação, nos termos do artigo 89 e seu parágrafo 10 da Lei n.º 8.212/91, com as alterações da Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009 – sujeitandose o contribuinte à multa de 150% do valor das contribuições que informou ter compensado, independentemente da exigência do próprio tributo com os acréscimos moratórios devidos. Acrescenta que a falsidade da declaração se configura na data de entrega/envio da GFIP, independentemente da competência a que se refira, uma vez que o fato gerador da infração ocorre na data da sua entrega, considerando para tanto a última GFIP enviada/exportada. Identifica, finalmente, as GFIPs consideradas no lançamento, bem assim os valores compensados e o valor da multa lançada. A empresa impugnou tempestivamente a exigência, através do arrazoado de fls. 47/91. A ciência do auto de infração ocorreu em 11 de agosto de 2014, por via postal (fl. 35), enquanto que a impugnação foi postada em 04 de setembro de 2014 (fl. 94). Posteriormente, em 10 de setembro de 2014, ainda dentro do prazo para impugnação, foi postada a petição de fl. 96, instruída com os documentos de fls. 97/149. Em preliminar, aponta a nulidade do lançamento. Afirma, “ab initio”, que a autoridade lançadora, no Relatório Fiscal da autuação, “manifestase de forma sucinta sobre as eventuais nulidades praticadas. Em outras palavras, o ato realizado pelo douto Fiscal autuante foi levantar um auto de infração de forma precária e parcial, sem, contudo, anexar ao presente os respectivos arquivos referentes à Intimação Audcomp n.º 000012/drfsor/2013.” – grifado no original –, atitude que gera inequívoco cerceamento de defesa, “uma vez que, não pode o contribuinte ter acesso à totalidade dos termos do Relatório Fiscal (RF/AI).” Tem que tal fato “é imprescindível para o perfeito deslinde da questão ora guerreada, visto que o cerne desta é justamente o equívoco do AFRFB em seu Relatório Fiscal.” Cita, a título de exemplo – embora reconhecidamente não mais esteja em vigor –, o preconizado no artigo 325 da Instrução Normativa DC/INSS n.º 70/2002, segundo o qual “O relatório fiscal objetiva transmitir, claramente, ao sujeito passivo a origem do débito, permitir a ampla defesa e o contraditório, Fl. 257DF CARF MF 4 propiciar a adequada análise do crédito e ensejar o atributo de certeza e liquidez à futura execução fiscal.” Conclui pela existência de vício formal, “ante as inconsistências e/ou incongruências indicadas. Basta uma análise em determinados comandos normativos e legais, para se ter a constatação do quão viciado se encontra o debelado AI.” Aduz, em seqüência, que surpreende “o teor do AI ora impugnado, que chancela a absoluta despreocupação do Fisco com o efetivo atendimento das regras legais e administrativas que disciplinam as formalidades procedimentais inerentes aos atos administrativos de natureza tributária como são, no contencioso previdenciário, o MPF e Relatório Fiscal”. Assim, “contrariamente a qualquer regra do Direito Tributário, o AI ora debatido, conforme externado, está totalmente desprovido de dados essenciais, bem como completamente incerto o seu contexto, in casu, a fundamentação adequada no Relatório Fiscal ou do próprio FLD (Fundamentos Legais do Débito), o que acarreta um indiscutível cerceamento de defesa do contribuinte.” (Grifado no original.) Aponta, ainda, “uma segunda vertente de nulidade”, decorrente da ausência de justificativa na alteração do número de identificação do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, alteração que não foi objeto de cientificação ao contribuinte, inclusive com oportunidade para o exercício de um correspondente contraditório, bem como à ampla defesa. Refere, quanto a este último aspecto, o disposto no artigo 9.º e seu parágrafo único da Portaria RFB n.º 11.371, de 12 de dezembro de 2007, segundo o qual, em ocorrendo alterações no MPF, o AuditorFiscal responsável pelo procedimento fiscal deve cientificar o sujeito passivo das alterações efetuadas, “quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração.” “Significa dizer que a mera menção acerca da alteração do número do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, sem trazer a conhecimento do Contribuinte o teor de tal malfadado procedimento ‘no primeiro ato de ofício praticado após cada alteração’ (art. 9.º, parágrafo único da Portaria RFB n.º 11.371/2007), caracterizase como um ato administrativo com indisfarçáveis vertentes de ilegitimidade, por podar ao contribuinte / recorrente o constitucionalmente assegurado direito à ampla defesa e ao contraditório.” (Grifos no original.) Em assim sendo, para que os direitos constitucionais do contribuinte, em especial a ampla defesa e o contraditório, prevaleçam incólumes, há que se reconhecer como absolutamente irregular a constituição do auto de infração, que deve ser totalmente anulado. Prossegue, afirmando ser imperioso o reconhecimento da nulidade do lançamento, no qual não se operou apenas a exigência de tributo não previsto no bojo do MPF “(tal qual Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10855.722611/201419 Acórdão n.º 2201003.634 S2C2T1 Fl. 4 5 demonstrado PIS e COFINS)”, mas a própria atuação fiscal não se encontra legitimada pelo instrumento hábil a tanto. “Evidente, pois, o vício de nulidade, que, deve ser reconhecido de forma incondicional, cancelandose o AI para todos os fins de direito.” “Afinal, se tivesse agido diferentemente (a autoridade fiscal teve diversas possibilidades de regularmente formalizar o início do procedimento fiscal (autorizando fiscalização dos tributos Contribuições sobre a Folha de Pagamentos), como por exemplo, apresentando um novo MPF com as retificações necessárias), não seria necessário anular tal lançamento, como resta imperioso neste momento.” (Grifado no original.) “Portanto, por se tratar o ato de lançamento uma atitude oficial revestida de formalidades essenciais, que não pode estar sujeita a aspectos meramente subjetivos, há que se reconhecer ser absolutamente nula esta autuação precariamente lavrada.” Em admitindo “que os vícios já indicados nesta peça recursal não sejam acolhidos”, tem como certo que, diante da forma como se realizou o ato de fiscalização, resta maculada toda e qualquer conclusão então advinda. “Está, pois, viciado o combatido procedimento fiscal, tanto pela inadmissível ilegitimidade dos tributos exigidos que não estão adstritos ao MPF regularmente emitido e notificado ao contribuinte, quanto por estar tendenciosamente utilizada a fé pública nestes autos.” “Óbvio o vício de procedimento, inclusive, por possuir o Sr. AFRFB várias modalidades hábeis a regularizar (dentro da própria fiscalização) a ocorrência ora descrita quanto aos termos do MPF, inclusive, notificando os contribuintes de tal fato. É o caso, por exemplo, do instrumento administrativo denominado MPFC (Mandado de Procedimento Fiscal Complementar), cujo objeto é, na essência, evitar que máculas como a apontada neste caso, tenham como condão causar a nulidade de todo o trabalho fiscal (fiscalização, levantamento de valores e o próprio lançamento tributário).” “Portanto, a constituição deste AI, deve ser admitida como plenamente irregular, sendo o seu cancelamento e exclusão do mundo jurídico, medida que se impõe.” Salienta que “o procedimento fiscal, na maioria das vezes, culmina com a lavratura do auto de infração que, por sua vez, é o ato de constituição do crédito tributário, devendo, dessa forma, estar acobertado por MPF válido, vez que faz parte da ação fiscal, ou melhor, a encerra.” Aduz que a conclusão do procedimento fiscal sem amparo de MPF válido é vício insanável e causa de nulidade do lançamento – entendimento que não limita nem afronta os preceitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, “o qual atribui a Fl. 259DF CARF MF 6 competência do Auditor Fiscal para promover lançamentos tributários”. Por outras palavras, ao mesmo tempo em que o “caput” do referido artigo 142 estabelece ser o lançamento atividade privativa da autoridade administrativa (Auditor Fiscal), determina, em seu parágrafo único, que aludida atividade fiscal é vinculada, com o fito de resguardar a regularidade do procedimento fiscal, devidamente conduzido nos limites impostos pela legislação tributária. É o que determinam os artigos 194 e 196 do Código Tributário Nacional CTN. “Assim, decretar a nulidade de um lançamento desamparado por MPF válido/vigente não implica dizer que o Auditor Fiscal não tem competência para promover o lançamento.” – mas sim “que a autoridade lançadora ao constituir o crédito tributário pelo lançamento não observou o regramento do exercício de sua competência.” “Observese, que as regras que permeiam o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, conforme disposição expressa nas Leis e Decretos que contemplam o tema, são elaboradas pelas próprias autoridades fazendárias, impondo sejam devidamente cumpridas pelos nobres fiscais autuantes, sob pena de nulidade do feito.” Assim, “afirmar que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno da Receita Federal do Brasil é, no mínimo, olvidar do que preceitua o Código Tributário Nacional, uma vez que a vinculação das autoridades administrativas à legislação tributária decorre do seu próprio bojo.” No mérito, afirma, inicialmente, a legalidade das compensações realizadas, tendo em vista a impossibilidade de exigência de contribuições sociais sobre o terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias anteriores à concessão do auxíliodoença/acidente. Analisadas as informações constantes do Relatório Fiscal de fls. 32/34, aliadas “ao quanto exigido no relatório Discriminativo do Débito (DD), percebese que o r. Auditor fiscal autuante, pura e simplesmente, aplicou as multas pelas compensações realizadas, sem levar em consideração que as compensações são decorrentes do equivocado recolhimento das contribuições sociais (cota patronal e SAT) sobre as verbas constantes na folha pagamentos declaradas em GFIP.” Assim, tal ato administrativo de lançamento deverá ser totalmente retificado. Destaca que “conforme reconhecido pelo CARF o contribuinte está liberado do recolhimento das Contribuições Sociais incidentes sobre parte da Folha de Salários (englobando a Cota Patronal, SAT e Entidades Terceiras)”. (Grifado no original.) Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10855.722611/201419 Acórdão n.º 2201003.634 S2C2T1 Fl. 5 7 Aduz, ainda, que, “diante da verificação das informações constantes nos documentos anexados, bem se percebe a impropriedade do ato de lançamento fiscal ora combatido, uma vez que, os valores compensações são decorrentes dos pagamentos efetuados nos anos anteriores sobre as verbas ‘terço constitucional de férias’, ‘aviso prévio indenizado’, etc., motivo pelo qual é atentatório ao atual entendimento administrativo.” “Outrossim, o Relatório Fiscal do AI, em momento algum, especifica que o ato fiscal deste lançamento desconsiderou as citadas verbas na base cálculo das contribuições exigidas neste auto.” (Grifado no original.) Afirma, ainda, “que não é devida a plenitude do quanto cobrado neste AI, sendo que fora disponibilizado à autoridade fiscal toda a documentação necessária à constatação de tal assertiva.” (Grifado no original.) Tem, assim, como “absolutamente imperiosa a realização de diligências, que retifiquem, adequadamente, a plenitude do lançamento previdenciário em epígrafe, sob pena de se prestigiar um lançamento revestido de incertezas, e, portanto, passível de ser anulado na sua totalidade.” Especificamente em relação à multa aplicada, aponta o seu nítido caráter confiscatório, em ofensa ao disposto no artigo 150, inciso IV, bem assim ao direito de propriedade estabelecido no artigo 5.º, inciso XXII, ambos da Constituição Federal de 1988. Em conseqüência, entende deva a multa em comento ser reduzida para o patamar de 20%, “por tratarse de um valor razoável e proporcional”. Inobstante as “argumentações anteriormente deduzidas, traz o recorrente nova diretriz de validade da sua defesa apresentada, consistente no munus público que determina a revisão de oficio dos atos administrativos eivados de nulidade (como é o caso do presente lançamento administrativo).” Assim, caso se vislumbre estar o lançamento maculado por erro e/ou omissão (ambos sanáveis) que tenha impedido o pleno exercício do direito de defesa, entende deverá ser instado o AuditorFiscal autuante a prestar os esclarecimentos necessários para sanear o lançamento, reabrindo, em seqüência, o prazo para o sujeito passivo defenderse. Refere, neste passo, a necessária observância, pela Administração Pública, ao princípio da eficiência, estabelecido no artigo 37, “caput”, da Constituição de 1988 – traduzido, no caso em apreço, na apreciação administrativa do lançamento somente quando tiverem sido minuciosamente apontados os documentos de onde se colheram os montantes das bases de cálculo; corrigidas as alíquotas aplicadas incorretamente; excluídas as bases de cálculo que tiverem sido erigidas em Fl. 261DF CARF MF 8 duplicidade; abatidos todos os recolhimentos de tributos realizados pelos sujeitos passivos; etc. Acrescenta que não se deve esquecer que, “no caso de descoberta de fato desconhecido ou omissão de ato essencial, a Administração Pública Federal (ora recorrida) tem o dever (não facultatividade) de revisar de ofício o lançamento tributário, consoante o disposto no inc. IX do art. 149 do Código Tributário Nacional”. “Devese ter em mente, ainda, que a Administração Pública Estadual deve sempre dar prevalência ao interesse público primário (de toda a sociedade considerada) ante o interesse público secundário (da própria Administração Pública Estadual).” – Assim no original. “E um dos interesses públicos primários mais caros a ser preservado é que somente se exija dos administrados estritamente o pagamento dos tributos no montante que, nem mais nem menos, eles devam, excetuadas apenas as hipóteses de arbitramento (art. 148 do CTN) e de fato gerador presumido (art. 150, § 7.º, da CF).” (Grifado no original.) Conclui que “a Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o lançamento quando se comprove erro quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (art. 145, III, c/c art. 149, IV, do CTN).” Aponta, em seqüência, a necessidade de recálculo das multas punitivas e dos juros moratórios devidos, “face aos erros na majoração das bases de cálculo/alíquotas aplicadas”. Refere, ainda, a ausência de correta motivação administrativa, o que enseja “a nulidade desta precariamente constituída autuação fiscal.” A motivação é pressuposto de fato e de direito para a validade do ato administrativo, carecendo, portanto, de motivação o ato administrativo genérico e impreciso como o ora impugnado. Ademais, tal ato administrativo, porque desmotivado, cerceia o direito de defesa do contribuinte, como já argüido em preliminar, com relação à precariedade da descrição da conduta infringida. Frisa que “o motivo antecede a prática do ato administrativo de descaracterização de uma específica verba e, quando previsto em lei, o agente que emite ou pratica o ato fica obrigado a justificar a sua existência, demonstrando a efetiva ocorrência do motivo que o ensejou, sob pena de invalidade do ato.” “No caso, a motivação indicada no relatório fiscal não se coaduna com a prevista na lei, o que acarreta a nulidade do ato, por descumprimento de requisito legal.” “Ademais, a motivação genérica impede à contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, pois o atual relato do AI não Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10855.722611/201419 Acórdão n.º 2201003.634 S2C2T1 Fl. 6 9 lhe permite conhecer o motivo especificado na lei que deu causa à autuação em tela.” Tem, assim, como “manifesta a nulidade dos atos praticados pela Autoridade Fiscal.” Além disso, “a utilização de genérica e padronizada motivação como in casu, é atentatória, sob todos os aspectos, aos requisitos de certeza e precisão a que está vinculado o credito tributário.” – o que “faz surgir nos autos um vício formal capaz de ensejar à nulidade do lançamento, prejudicando, assim, a análise do mérito, pois, não é possível a realização de um lançamento padronizado e desfalcado de inarredáveis formalidades legais.” Aduz que “o AI somente possui motivação quando evidenciado que os fatos da realidade configuram fato gerador da infração, autorizando, destarte, a sua cobrança.” – situação que não se verifica nos autos. “Assim, ao proceder dessa maneira, deixando de explicitar e motivar, de forma precisa, a ocorrência da infração, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade do Auto de Infração, conforme legislação de regência.” “Portanto, ante a precária motivação do fato gerador deste AI, e, desde que não sanada tal falha, deve ser reconhecida a respectiva nulidade, na medida em que se trata tal requisito de exigência vital não só à validade do lançamento fiscal, mas, da própria CDA (Certidão de Dívida Ativa), emitida, futura e eventualmente, com lastro nos dados do AI, a rigor do disposto no inciso III, do art. 202, do Código Tributário Nacional CTN.” Ao final, o impugnante requer “o processamento da presente defesa administrativa, com o acolhimento de suas arguições, determinandose a nulidade, tanto por falta de atendimento aos rigores formais, quanto materiais, sem ressalva da nítida falta de certeza e de liquidez neste AI, encerrandose desde logo a controvérsia instaurada nestes autos administrativos.” Postula, ainda, (a) autorização para posterior juntada de outros elementos probatórios necessários à eficaz e plena defesa de seus interesses, “em especial os instrumentos de prova que demonstrem as irregularidades dos dados vinculados às compensações não acolhidas pelo auditor fiscal”; (b) concessão de dilação de prazo para a impugnação de dados eventualmente não contestados, “tendo em vista o exíguo lapso temporal existente entre a disponibilização das autuações ao contribuinte e a abertura de data para a impugnação”; (c) a determinação de baixa dos autos administrativos em diligência administrativa, para fins de comprovação da regularidade das alegações do contribuinte, em especial no tocante à necessidade de disponibilizar outras informações/dados/elementos não informados; e (d) que a intimação advinda do quanto ora argüido e as decisões decorrentes do procedimento ora Fl. 263DF CARF MF 10 inaugurado sejam realizadas de forma pessoal à empresa ou a seus representantes legais. A impugnação vem instruída pelos documentos de fls. 92/93 e 97/149. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2011 a 31/08/2012 CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal constitui simples elemento de controle da Administração, de sorte que eventual irregularidade nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração lavrado por AuditorFiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INSTAURAÇÃO. O contencioso administrativo é instaurado a partir da impugnação tempestiva do contribuinte, não havendo, antes da autuação, que se falar em violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA. É inadmissível a simples alegação, feita de forma vaga e genérica, acerca de um suposto prejuízo ao exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. O impugnante tem o ônus da prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda Pública. JUNTADA DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, restando, em princípio, precluso o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR. CONCESSÃO DE PRAZO. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10855.722611/201419 Acórdão n.º 2201003.634 S2C2T1 Fl. 7 11 Inexiste dispositivo legal que autorize a concessão de prazo para a impugnação de dados eventualmente não contestados. DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência em que o impugnante não justifica adequadamente a realização desse procedimento, nem formula qualquer quesito referente aos exames desejados. INTIMAÇÃO. As intimações devem ser endereçadas ao domicílio tributário do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reiterou, em síntese, os argumentos dispostos na fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Consoante narrado, o lançamento tratase da aplicação da multa isolada estabelecida no parágrafo 10 do artigo 89 da Lei n.º 8.212/91, incluído pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, em decorrência da inserção de créditos considerados inexistentes em GFIPs entregues nas competências dezembro de 2011, janeiro de 2012, fevereiro de 2012, abril de 2012, maio de 2012 e agosto de 2012. Observase que, pelo disposto no Relatório Fiscal, fls. 32/34, as compensações efetuadas pelo contribuinte, em suas GFIPs, foram analisadas no Processo n.º 10855.722194/201412, no qual, segundo a autoridade fiscal, predominou o entendimento de que foram indevidas as compensações realizadas. 1. Das preliminares Aduz o contribuinte que a autoridade Fiscal lavrou o auto de infração de forma precária e parcial, sem, contudo, anexar ao presente os respectivos arquivos referentes à Intimação Audcomp n.º 000012/drfsor/2013”, atitude que gera inequívoco Fl. 265DF CARF MF 12 cerceamento de defesa, “uma vez que, não pode o contribuinte ter acesso à totalidade dos termos do Relatório Fiscal". Apesar da alegação, como bem esclareceu a decisão de piso, a referida intimação foi entregue ao contribuinte, por via postal (fl. 04), em 03 de dezembro de 2013. Além disso, o recorrente não indicou, de forma objetiva e precisa, as inconsistências e/ou incongruências do auto e também prejuízos apto a ensejar a nulidade pleiteada. No que se refere à alegada ausência de ciência da modificação do MPF, filio me ao entendimento esposado pela decisão recorrida, consoante trecho abaixo transcrito: Em relação à alegada falta de ciência, ao contribuinte, no tocante a modificações realizadas no MPF n.º 08110002014 00605, em ofensa ao disposto no artigo 9.º da Portaria RFB n.º 11.371/2007, cumpre observar que, à época em que realizado o procedimento fiscal do qual resultou lavrado o auto de infração ora impugnado, esta portaria não mais se encontrava em vigor, revogada que fora, a partir de 1.º de agosto de 2011, pela Portaria RFB n.º 3.014, de 29 de junho de 2011 (DOU de 30 de junho de 2011). Nos termos do artigo 9.º da Portaria RFB n.º 3.014/2011, vigente quando realizado o referido procedimento fiscal, verificase que: Art. 9.º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, cientificado o contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4.º. (Grifouse.) O parágrafo único do artigo 4.º da Portaria RFB n.º 3.014/2011, suprareferido, a seu turno, determina que: Art. 4.º [...] Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darse á no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (Grifouse.) Em assim sendo, as alterações do MPF, a partir da entrada em vigor da Portaria RFB n.º 3.014/2011, passaram a ser procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela autoridade emitente, cientificado o contribuinte por meio do sítio da Receita Federal do Brasil RFB na Internet, e não mais pelo AuditorFiscal responsável pelo procedimento, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração, conforme anteriormente dispunha a revogada Portaria RFB n.º 11.371/2007. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10855.722611/201419 Acórdão n.º 2201003.634 S2C2T1 Fl. 8 13 Registrese, ademais, que as questões relativas ao MPF não se encontram entre as hipóteses de nulidade elencadas no artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972. O Mandado de Procedimento Fiscal constitui simples elemento de controle da Administração, de sorte que eventual irregularidade nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração lavrado por AuditorFiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Não há, destarte, quanto a este aspecto, que se falar em nulidade do MPF, ou do procedimento fiscal, nem tampouco em cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Acrescentese, ainda, de uma parte, que o contribuinte foi intimado e reintimado, por meio da Intimação Audcomp n.º 00012/DRF SOR/2013 (fls. 02/03) e da Intimação DRF/SOR/SEORT n.º 174/2014 (fls. 05/07), a demonstrar a origem dos créditos utilizados nas compensações por ele efetuadas em suas GFIPs, havendo deixado de atender às solicitações que lhe foram assim encaminhadas. E, de outra parte, que o contencioso administrativo é instaurado somente com a impugnação tempestivamente apresentada pelo contribuinte, nos exatos termos do que dispõe o artigo 14 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, segundo o qual “A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” Assim, até a intimação da exigência, mais especificamente, até a ciência do auto de infração – ocorrida, no caso, em 11 de agosto de 2014, por via postal –, temse apenas um procedimento administrativo de caráter inquisitorial, em que os princípios do contraditório e da ampla defesa apresentamse mitigados, limitandose, basicamente, à apresentação de documentos e à prestação de informações ou esclarecimentos, a critério da autoridade fiscal. Portanto, também por isso, descabe falarse em nulidade do procedimento ou em cerceamento do direito de defesa do contribuinte – direito que foi efetivamente exercido por meio da impugnação de fls. 47/91, tempestivamente protocolizada, e instruída com os documentos de fls. 97/149. Não colhem, destarte, as nulidades deduzidas em preliminar pelo impugnante. Portanto, rejeito as preliminares argüidas. 2. Do mérito No que se refere ao mérito dos autos, cabe mencionar o disposto no art. 89, § 10, da Lei 8.212/90, abaixo transcrito: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas Fl. 267DF CARF MF 14 a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Como bem destacou o acórdão recorrido, o contribuinte não fez prova – nem no Processo n.º 10855.722194/201412, conforme se depreende do Relatório Fiscal, nem tampouco no presente processo, quando do exame dos documentos acostados às fls. 97/149 – do efetivo recolhimento da contribuição previdenciária sobre valores que não compunham a base de cálculo dessa exação, de modo a evidenciar a falsidade da declaração ensejadora da multa aplicada, diante da inexistência dos créditos declarados em GFIP. Assim, voto em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.910359/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
ART. 3°, §2°, III DA LEI Nº 9.718/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro
Nome do relator: Relator
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LtdaME Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ART. 3°, §2°, III DA LEI Nº 9.718/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 03 59 /2 00 9- 03 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11065.910359/200903 Acórdão n.º 3301003.671 S3C3T1 Fl. 97 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ/POA, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra a não homologação do pedido de compensação objeto da PER/DCOMP 34566.35984.311005.1.3.048097. A manifestação de inconformidade foi intentada contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB Porto Alegre, relativo a supostos direitos creditórios de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, em virtude de exame de declaração de compensação transmitida em 31/10/2005, no qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da interessada. Em Manifestação de Inconformidade, a empresa alegou: · A Lei n° 9.718/98 permite exclusões da base de cálculo da COFINS, no art. 3°, § 2°, inciso III; · Recolheu ao erário público valores superiores aos efetivamente devidos, tendo o direito líquido e certo de proceder à compensação do montante indevidamente pago com recolhimentos vincendos das referidas exações conforme o art. 66 da Lei n° 8.383/91; · Não é correta a cobrança do tributo com base na totalidade das receitas, sem permitir as deduções do inciso III, sob o argumento da impossibilidade de aplicação do inciso III, já que não foram editadas as normas regulamentadoras previstas no texto legal; · O inciso III, do § 2°, do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, entrou em vigor em fevereiro de 1999, sendo inconstitucional a revogação por Medida Provisória. Em vista disso, salienta que as contribuições devem ser calculadas conforme a redação da Lei n° 9.718/1998, inclusive com aplicação do inciso III, § 2°, do art. 3°; · Todas as receitas que não permaneceram na empresa, sendo destinadas ao custeio de insumos ou serviços adquiridos de outras pessoas jurídicas, devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS, sob pena de afronta aos termos do art. 3°, § 2°, inciso III, da Lei n° 9.718/1998; · O ICMS e demais impostos indiretos arrecadados pelas empresas e posteriormente transferidos para os cofres públicos caracterizamse como a transferência prevista no art. 3°, § 2°, inciso III, da Lei n° 9.718/1998, devendo ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS; · Inocorrência de prescrição/decadência de seu direito de pleitear os indébitos, em virtude da inaplicabilidade do art. 3º da LC nº 118/2005. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11065.910359/200903 Acórdão n.º 3301003.671 S3C3T1 Fl. 98 3 A 2ª Turma da DRJ/POA, no Acórdão nº 1026.225, por unanimidade de votos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender não terem sido demonstradas a liquidez e a certeza do suposto crédito que a interessada intentava utilizar para a compensação tributária, nestes termos: Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Corretamente notificada, a empresa apresentou Recurso Voluntário, para em primeiro lugar ratificar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ante a apresentação de seu recurso administrativo, bem como repisou os argumentos dispostos na sua Manifestação de Inconformidade. Ao final, requereu o provimento do recurso para que seja reconhecido o direito líquido e certo da contribuinte de compensar a importância recolhida indevidamente, a homologação da compensação efetuada e a exclusão da multa aplicada. A Resolução nº 3803000.137, da 3ª Turma Especial, sobrestou o julgamento do recurso, em observância do disposto no art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 3 de janeiro de 2012, para aguardar manifestação definitiva do STF quanto à exclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Em primeiro ligar, ressaltase que o art. 151, III do CTN prescreve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário quando da interposição de recurso administrativo, assim permanecendo até decisão definitiva, não carecendo o contribuinte de socorro neste pleito, eis que os efeitos da suspensão não lhe foram negados. Em apertada síntese, a Recorrente entende que recolheu COFINS a maior, já que a empresa teria direito de excluir da base de cálculo da contribuição as receitas transferidas para outras pessoas jurídicas, com fundamento no art. 3°, § 2°, inciso III, da Lei n° 9.718/1998 e os valores a título de tributos indiretos ICMS, IPI e ISS. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11065.910359/200903 Acórdão n.º 3301003.671 S3C3T1 Fl. 99 4 1) Aplicação do art. 3°, § 2°, inciso III, da Lei n° 9.718/1998 A Lei n° 9.718/98, em seu artigo 3º, §2°, III, assim dispunha: Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) §2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2° excluemse da receita bruta: (...) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; A Recorrente sustenta o seu direito de recolher a COFINS nos moldes previstos no art. 3º, § 2º, III da Lei nº 9.718/98, para se reconhecer por consequência o seu direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas do próprio tributo na forma do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Para a empresa, o regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo para possibilitar a aplicação do art. 3°, § 2°, III, da Lei n° 9.718, de 1998, não poderá contrariar o referido dispositivo, apenas explicitálo. O contribuinte não pode sofrer prejuízos em face da ausência de regulamentação do dispositivo em questão, razão pela qual é possível deduzir da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições, os valores que computados como receita, foram transferidos a outras pessoas jurídicas. E, as ditas normas regulamentares, somente serviriam para facilitar e regrar a forma de execução de tais dispositivos, mas não poderiam se tornar impeditivo para a utilização dos benefícios concedidos em lei. O inciso III do § 2° do art. 3° da Lei nº 9.718/98 que prevê a exclusão da base de cálculo da COFINS dos "valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas as normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo" por configurar forma de exclusão de crédito tributário tem sua eficácia dependente tão só de lei formais (art. 97VI do CTN), irrelevante a ausência de norma regulamentadora, não baixada pelo Executivo. E conclui a empresa que o dispositivo legal prescinde de qualquer regulamentação a ser expedida pelo Poder Executivo, mormente em face do princípio da estrita legalidade em matéria tributária, que exige lei para a definição da alíquota, base de cálculo e hipótese de incidência de quaisquer tributos. A despeito da sua argumentação, entendo que não assiste razão à Recorrente. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação administrativa e, antes Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11065.910359/200903 Acórdão n.º 3301003.671 S3C3T1 Fl. 100 5 da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se a prescrição do art. 3º, §2º, III, da Lei nº 9.718/98 estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador. Assim, não há como se conferir eficácia ao dispositivo por ausência do atributo da autoexecutoriedade. Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros ocorrentes nas operações de venda de mercadoria e/ou serviços integram a base de cálculo da COFINS. Salientese a recentíssima fixação da tese no julgamento do recurso repetitivo, REsp 1.144.469 PR, publicado em 02/12/2016: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR (...) RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11065.910359/200903 Acórdão n.º 3301003.671 S3C3T1 Fl. 101 6 Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. 2) Inconstitucionalidade da revogação por Medida Provisória Para a Recorrente há o direito líquido e certo, que decorre da letra do inciso III, do §2º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois este dispositivo legal entrou em vigor em fevereiro de 1999 e foi "revogado" por Medida Provisória. Entende que essa revogação não surtiu efeito por ser inconstitucional, estando tal abatimento vigorando até hoje. Fundamenta a inconstitucionalidade no art. 246 da CF/88, que assim dispõe: "É vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada a partir de 1995." Alega que este artigo veda a regulamentação via Medida Provisória de dispositivos constitucionais modificados por meio de emenda promulgada anteriormente a 1995 e como a COFINS, regulada pelo art. 195 da Constituição Federal, foi modificada pela Emenda Constitucional n° 20/98, se subsome a essa hipótese. Este pleito não deve ser acolhido, com suporte na Súmula CARF nº 2, que prescreve: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 3) Inclusão do ICMS e demais impostos indiretos na base de cálculo da COFINS Alega a Recorrente que não pode fazer parte da base de cálculo da COFINS os valores relativos ao IPI, ICMS e ISS, já que atua como mera arrecadadora das diversas pessoas de direito público interno, uma vez que o tributo é suportado pelo consumidor final e destinado aos cofres públicos. Então, evidentemente este valor, não representa uma receita da empresa e, como tal não pode sofrer tributação. Determinando o art. 3°, §2°, III da Lei nº 9.718/98 a exclusão das receitas transferidas para outras pessoas jurídicas da base de cálculo da COFINS e sendo os referidos impostos arrecadados pelas empresas e posteriormente transferidos para os cofres públicos é evidente que está perfectibilizada a transferência prevista na Lei. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11065.910359/200903 Acórdão n.º 3301003.671 S3C3T1 Fl. 102 7 Socorrome da fundamentação do tópico 2 deste voto para afastar o pleito da empesa, uma vez que a análise do devido alcance dos termos do art. 3°, §2°, III da Lei nº 9.718/98 não permite a exclusão da base de cálculo da COFINS das receitas destinadas a outras pessoas jurídicas, tais como as receitas repassadas para fornecedores de mercadoria ou de serviços, tampouco da exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo das contribuições. 4) Ônus da Prova na Compensação Tributária Cumpri ressaltar que ainda que as barreiras de direito supracitadas fossem ultrapassadas, melhor sorte não caberia à Recorrente, tendo em vista que nestes autos não há suporte documental mínimo comprobatório da liquidez e certeza dos direitos creditórios requeridos, o que, já afasta a certeza e liquidez do crédito pleiteado em sede de compensação, nos termos do art. 170 do CTN. Não consta nestes autos a comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados os recolhimentos a maior. Tratase de um pedido de iniciativa do próprio contribuinte (compensação), para o qual, necessariamente, o mesmo deve possuir e apresentar as provas correspondentes. Isso porque a compensação tributária somente é possível, se demonstrada a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, conforme a prescrição do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/1973 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. CPC/2015 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11065.910359/200903 Acórdão n.º 3301003.671 S3C3T1 Fl. 103 8 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor É do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Nesse sentido a lição de Fabiana Del Padre Tomé (A Prova no Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2011, p. 264): A prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado. Por outro lado, se o autor apresenta provas do fato que alega, incumbe ao demandado fazer a contraprova, demonstrando fato oposto. Em processo tributário, por exemplo, se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas. Diante da ausência de suporte probatório, acertadamente a DRJ se manifestou nestes termos: Na manifestação de inconformidade entregue, a empresa interessada sequer se deu ao trabalho de apontar o processo judicial ou administrativo que suporta o direito creditório oponível ao Fisco. Não é possível fazer nenhuma confrontação de dados se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, nem cabe ao Fisco procurar supostas provas a favor do contribuinte, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art.333, do Código de Processo Civil (...) Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através das guias de pagamento, da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e, se for o caso, do provimento judicial autorizativo da compensação pleiteada. Também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. No presente, no entanto, a interessada não trouxe qualquer elemento contábil para comprovar a base de cálculo de qualquer dos períodos. Não há sequer certeza do período em que supostamente foram gerados os indébitos. Na impugnação consta: “Em outras palavras, no período compreendido entre agosto Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11065.910359/200903 Acórdão n.º 3301003.671 S3C3T1 Fl. 104 9 de 2000 e janeiro de 2004, todas as receitas que não permaneceram na empresa, sendo destinadas ao custeio de insumos ou serviços adquiridos de outras pessoas jurídicas, devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS, sob pena de afronta aos termos do art. 3°, §2°, III da Lei 9718/98.” Já no recurso voluntário, consta: “Nessas condições, a presente manifestação se torna indispensável a fim de que seja reconhecido o direito da impugnante de utilizar as deduções legais para a formação da base de cálculo e efetuar a compensação dos créditos decorrentes do recolhimento a maior do PIS no período de fevereiro de 1999 até agosto de 2000, com recolhimentos futuros das mesmas contribuições.” Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito contra a Fazenda Nacional, não cabendo a homologação do PER/DCOMP a ele vinculado, devendo ser mantida a exigência fiscal com juros e multa. 4) Prazo prescricional para efetuar o pedido de compensação Alega a Recorrente, a inocorrência de prescrição de seu direito de pleitear os indébitos, em virtude da inaplicabilidade do art. 3º da LC 118/2005, por entender que se trata de dez anos. Quanto ao prazo prescricional para efetuar o pedido de compensação, aos pedidos protocolados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o prazo de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, contado a partir da homologação tácita do pagamento antecipado (art.150, §4º, CTN), a qual se dá a contar a partir da ocorrência do fato gerador (lançamento por homologação), ressalvada a hipótese da data da homologação expressa como termo inicial para contagem do prazo de cinco anos de que trata o art. 168. A questão foi dirimida no julgamento pelo STF, em sede de repercussão geral, do RE 566.621 (DJ 11/10/2011), bem como é matéria já sumulada no CARF: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Todavia, na ausência de documentação comprobatória do direito creditório oponível ao Fisco, conforme tópico anterior, tornase inócua a contagem do prazo hábil para o contribuinte exercitar seus direitos em face do Fisco. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 25 de maio de 2017. Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11065.910359/200903 Acórdão n.º 3301003.671 S3C3T1 Fl. 105 10 Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 19482.720042/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/03/2005
DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. MULTA. TERMO INICIAL. ADMISSÃO TEMPORÁRIA.
O prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes de ilícitos aduaneiros é de 5 (cinco) anos e tem como termo inicial a data de ocorrência da infração, na forma prevista no art. 139 do DL nº 37/66. Tratando-se de penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 (ceder ou ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários), e sendo caso de admissão temporária, entende-se materializada a prática da infração tanto na data do registro da declaração de importação, quanto na data da apresentação dos pedidos de prorrogação do prazo do referido regime aduaneiro especial. Decadência não configurada no presente caso, em razão dos sucessivos pedidos de prorrogação apresentados.
ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Face ao afastamento do reconhecimento da decadência, deverão os autos retornar à DRJ para que esta aprecie os demais argumentos constantes da Impugnação do contribuinte, sob pena de supressão de instância.
Recurso de Ofício Provido.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3301-003.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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MULTA. TERMO INICIAL. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. O prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes de ilícitos aduaneiros é de 5 (cinco) anos e tem como termo inicial a data de ocorrência da infração, na forma prevista no art. 139 do DL nº 37/66. Tratandose de penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 (ceder ou ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários), e sendo caso de admissão temporária, entendese materializada a prática da infração tanto na data do registro da declaração de importação, quanto na data da apresentação dos pedidos de prorrogação do prazo do referido regime aduaneiro especial. Decadência não configurada no presente caso, em razão dos sucessivos pedidos de prorrogação apresentados. ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Face ao afastamento do reconhecimento da decadência, deverão os autos retornar à DRJ para que esta aprecie os demais argumentos constantes da Impugnação do contribuinte, sob pena de supressão de instância. Recurso de Ofício Provido. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 48 2. 72 00 42 /2 01 2- 65 Fl. 2211DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 19482.720042/201265 Acórdão n.º 3301003.665 S3C3T1 Fl. 2.211 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão de fls. 2173/2177 dos autos: Trata o presente de auto de infração lavrado contra o sujeito passivo TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA E TÁXI AÉREO, para exigência da multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, pelas razões a seguir expostas. O presente Auto de Infração é um desdobramento do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n°. 0817700/00034/12 lavrado pela Receita Federal do Brasil em face da Igreja Universal do Reino de Deus (“IURD/BR"), em solidariedade com TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA E TÁXI AÉREO S/A (CNPJ: 52.045.457/000116) e IGLESIA UNIVERSAL DEL REINO DE DIOS (empresa estrangeira – CUIT 33.648676289, no PAF nº 19482720.041/201211. Por meio do referido Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n°. 0817700/00034/12, a Receita Federal aplicou pena de perdimento da Aeronave marca CESSNA, modelo Citation X, n° de série 750.0237, matrícula LV CEP {“Aeronave”), de propriedade da IGLESIA UNIVERSAL DEL REINO DE DIOS . De acordo com a autoridade fiscal, o motivo da aplicação da penalidade (perdimento) decorria do fato ter a IURD/BR, valendose de interpostos, se ocultado como real importadora e beneficiária (do regime de admissão temporária) da Aeronave, o que daria ensejo à aplicação dos arts. 23, inciso V, §1° do DecretoLei 1.455/76, 105, incisos VI, VII do DecretoLei 37/66 e 689, incisos VI, VII e XXII do Decreto 6.759/2009. Ainda de acordo com o que fora sustentando pelo órgão autuante, a ocultação da IURD/BR teria ocorrido em 02 (dois) períodos ou etapas diversas. Na primeira etapa, a IURD/BR teria se utilizado da empresa TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA Taxi Aéreo Marilia S.A. {“TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA”), que atuou como sua interposta, para celebrar o Contrato de Arrendamento da Aeronave junto à CESSNA FINANCE CO (“CESSNA”) pelo período de 60 (sessenta) meses, compreendido entre 2005 e 2010. Após a celebração do contrato de arrendamento, a TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA teria cedido onerosamente a Aeronave à IURD/BR, através de um contrato de cessão onerosa. Findo o prazo do contrato de arrendamento, a ocultação da IURD/BR teria continuado, mas dessa vez, a igreja brasileira passou a utilizar a IURD/ARG como sua interposta. Após o fim do prazo do contrato de arrendamento, mais precisamente em 02 de fevereiro de 2010, a IURD/ARG teria celebrado um contrato de compra e venda com a CESSNA, para a aquisição da Aeronave, que foi exportada para a Argentina, em operação de ocultação capitaneada pela IURD/BR, que se aplicou a sanção de perdi mento de bem. Além da aplicação da pena de perdimento da Aeronave, ainda foi aplicada multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação à TAM AVIAÇÃO Fl. 2213DF CARF MF 4 EXECUTIVA (v. processo nº 19482720.042/201265) e à IGLESIA ARGENTINA DEL REINO DE DIOS, sob a alegação de que elas teriam cedido seu nome para realizar operações de comércio exterior, acobertando a real beneficiária. A imposição dessa penalidade (10% sobre o valor da mercadoria, por cessão do nome para ocultação do real beneficiário) para a TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA E TÁXI AÉREO está formalizada no presente processo. Portanto, no presente processo está sendo discutida a aplicação da penalidade de 10% do valor do bem, por força da cessão do nome para ocultação do real beneficiário de regime aduaneiro, já que a constatação da interposição fraudulenta foi fartamente discutida no PAF nº 19482720.041/201211, no qual foi garantido às partes o direito de contraditória e ampla defesa. No referido PAF, onde a discussão da interposição fraudulenta de terceiros já está esgotada na esfera administrativa, encontrandose o bem apreendido em fase de destinação, considerouse que a ocultação ocorreu em dois períodos, primeiro pela TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA e depois pela IGLESIA UNIVERSAL DEL REINO DE DIOS. Ciente do Auto de Infração em apreço, e inconformada com seus termos, o sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva (v. fls. 2108/2148). Em sua peça impugnatória, o sujeito passivo coloca algumas preliminares, e, no mérito, nega a conduta que lhe é atribuída no Auto de Infração. Os principais argumentos da peça , em síntese apertada, são os seguintes: 01 Que a aeronave entrou no País em 10/03/2005, através da Declaração de Importação – Consumo e Admissão Temporária – nº 05/02470300, registrada pela TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA E TÁXI AÉREO S/A, indicada como adquirente. Considerandose que o lançamento foras objeto de homologação tácita em 10/03/2010, pelo decurso de prazo de 05 anos legalmente previsto, o direito do Fisco à imposição de penalidade em 2012, quando da lavratura do Auto, já fora alcançado pelo instituto da decadência. 02 – Que, em se tratando de aplicação de penalidade, não cabe a retroatividade da lei. A penalidade em questão foi criada pela Lei nº 11.488/2007, e o fato gerador em tela ocorreu em 2005. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por reconhecer a decadência, exonerando o crédito tributário. A ementa e o acórdão restaram assim consignados: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/03/2005 DECADÊNCIA: Para efeito aplicação de penalidades sujeita a realização de lançamento, quando de auditoria ou revisão aduaneira da operação de importação, o prazo decadencial tem seu início na data do registro da declaração de importação. A partir desse momento o Fisco tem conhecimento dos fatos necessários ao lançamento. Transcorridos mais de cinco anos entre essa data e a ciência do Auto de Infração, estamos diante da figura da decadência, que extingue o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, conforme o art. 54 do DL nº 37/66 c/ redação do art. 2º do DL nº 2.472/88 e § único do art. 173 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Exonerado Acórdão Acordam os membros da 23ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido. Há de se ressaltar, contudo, que houve uma falha na ementa e no acórdão acima transcritos. Isso porque, apesar de ter acolhido o pleito do contribuinte atinente à Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 19482.720042/201265 Acórdão n.º 3301003.665 S3C3T1 Fl. 2.212 5 decadência, restou consignado indevidamente que a impugnação havia sido julgada improcedente. O equívoco resta evidente quando se analisa o teor do voto proferido pela Relatora da DRJ, nos termos da passagem a seguir: Conforme mencionado pelo sujeito passivo em sua peça impugnatória, a aeronave entrou no País em 10/03/2005, através da Declaração de Importação – Consumo e Admissão Temporária – nº 05/02470300, registrada pela TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA E TÁXI AÉREO S/A, indicada como adquirente. Considerandose que o lançamento fora objeto de homologação tácita em 10/03/2010, pelo decurso de prazo de 05 anos legalmente previsto, o direito do Fisco à imposição de penalidade em 2012, quando da lavratura do Auto, já fora alcançado pelo instituto da decadência. Acolhida a preliminar de decadência. Diante do exposto, no uso da competência legal, outorgada pelo inciso I do art. 61 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, com redação dada pela Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7o, § 5o, julgase nulo o lançamento, para fins de considerarse a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE e exonerandose o crédito tributário exigido.: Ainda, restou consignado naquela oportunidade, que a decisão em questão estava sujeita a Recurso de Ofício, nos termos da legislação vigente, por seu o crédito tributário exonerado superior ao limite de alçada previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 03/2008. O contribuinte foi intimado desta decisão em 14/07/2015 (vide fl. 2181 dos autos), e, por ter ficado parcialmente insatisfeito com o teor da referida decisão, interpôs em 12/08/2015 Recurso Voluntário. Por meio deste recurso, dispôs que, a despeito da correção do acórdão recorrido no que tange ao reconhecimento da decadência, não poderia concordar com a afirmação constante da decisão recorrida no sentido de que a discussão acerca da interposição fraudulenta já havido se esgotado na esfera administrativa quando da análise do PAF nº 19482 720.041/201211, visto que, na impugnação apresentada, havia rechaçado a acusação de que teria participado de qualquer fraude/simulação. Sendo assim, requereu o provimento do seu recurso para fins de reformar a decisão recorrida na parte em que decretou que a questão da interposição fraudulenta já estaria definida, reconhecendose a inexistência de qualquer conduta ilícita por parte da Recorrente. Os autos, então, vieramse conclusos para análise tanto do Recurso de Ofício quanto do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 2215DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Da admissibilidade Consoante indicou a DRJ às fls. 2173/2177, a decisão em questão está sujeita a Recurso de Ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. É válido destacar, inclusive, que o valor exonerado pela DRJ é superior ao limite de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) disposto na Portaria do Ministério da Fazenda n. 63/2017. O Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, por seu turno, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passase, então, à análise de ambos os recursos. Do Recurso de Ofício O Recurso de Ofício visa a análise da exoneração do crédito tributário realizada pela DRJ in casu, face ao reconhecimento da decadência. Os fundamentos da decisão recorrida restam transcritos a seguir: EMENTA: DECADÊNCIA: Para efeito aplicação de penalidades sujeita a realização de lançamento, quando de auditoria ou revisão aduaneira da operação de importação, o prazo decadencial tem seu início na data do registro da declaração de importação. A partir desse momento o Fisco tem conhecimento dos fatos necessários ao lançamento. Transcorridos mais de cinco anos entre essa data e a ciência do Auto de Infração, estamos diante da figura da decadência, que extingue o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, conforme o art. 54 do DL nº 37/66 c/ redação do art. 2º do DL nº 2.472/88 e § único do art. 173 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). VOTO: Conforme mencionado pelo sujeito passivo em sua peça impugnatória, a aeronave entrou no País em 10/03/2005, através da Declaração de Importação – Consumo e Admissão Temporária – nº 05/02470300, registrada pela TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA E TÁXI AÉREO S/A, indicada como adquirente. Considerandose que o lançamento fora objeto de homologação tácita em 10/03/2010, pelo decurso de prazo de 05 anos legalmente previsto, o direito do Fisco à imposição de penalidade em 2012, quando da lavratura do Auto, já fora alcançado pelo instituto da decadência. Acolhida a preliminar de decadência. Como podese ver, a fundamentação constante da decisão da DRJ apresenta se deveras sucinta. Além disso, entendo que a análise da decadência fora incorretamente analisada naquela oportunidade: Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 19482.720042/201265 Acórdão n.º 3301003.665 S3C3T1 Fl. 2.213 7 Isso porque, ao contrário do que apontou a DRJ, não se está diante da exigência de tributo sujeito à homologação tácita, mas sim diante da imposição de multa disposta no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, atinente a operações de comércio exterior, que assim dispõe: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 ( LGL \1996\98 ). Nesse contexto, inaplicável o art. 54 do DecretoLei nº 37/66, apontado na ementa da DRJ, que assim dispõe: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. Isso porque, da leitura do dispositivo acima, extraise que o prazo de cinco anos será contado do registro da declaração para fins de apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional. Entretanto, nos casos de imposição de penalidades, tal qual no presente caso, deve ser levado em consideração, para fins de contagem do prazo decadencial, a data da infração, nos termos dos artigos 138 e 139 do DecretoLei nº 37/66, in verbis: Art. 138. O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. Art. 139. No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. (Grifos apostos). Nesse sentido, trazse à colação decisão do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. ADUANEIRO. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282/STF. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. LANÇAMENTO. REVISÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 50, 138 E 139 DO DECRETOLEI 37/66, E DOS ARTS. 149 E 150, §4º DO CTN. 1. Afastado o exame do recurso especial pela alegada violação aos arts. 106 e 112, do CTN, isto porque não prequestionadas as teses relativas à ausência de tipicidade, a afastar o disposto no art. 526, do Decreto n. 91.030/85 (RA/85), Fl. 2217DF CARF MF 8 posto que teria importado a mercadoria com guia de importação, e relativas á existência de boafé a impossibilitar a aplicação de multa, tendo em vista a falta de prejuízo ao erário, e enquadramento nos casos descritos no Ato Declaratório Normativo COSIT n. 10 em 16 de janeiro de 1997 (DOU 20/01/97). Nesses pontos incide a Súmula n. 282/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". 2. Dentro do procedimento de despacho aduaneiro (entre a entrega da declaração e o desembaraço aduaneiro) é dada uma primeira oportunidade ao Fisco de, em 5 (cinco) dias úteis da conferência aduaneira, formalizar a exigência de crédito tributário e multas referentes à equivocada classificação da mercadoria (art. 447, do Decreto n. 91.030/85 RA/85; art. 50, do DecretoLei n. 37/66). 3. No entanto, essa primeira oportunidade não ilide a segunda oportunidade que surge dentro do procedimento de "revisão aduaneira", que se dá após o desembaraço aduaneiro onde o Fisco irá revisitar todos os atos celeremente praticados no primeiro procedimento e, acaso verificada a hipótese, efetuará o lançamento de ofício previsto no art. 149, do CTN. Este segundo procedimento está sujeito aos prazos decadenciais próprios do crédito tributário e das multas administrativas e fiscais correspondentes, consoante a letra do art. 150, § 4º do CTN; arts. 138 e 139, do DecretoLei n. 37/66; e arts. 455 e 456, do Decreto n. 91.030/85 RA/85. 4. A decadência do direito de o Fisco lavrar auto de infração para impor crédito tributário e penalidade decorrentes do procedimento de importação somente ocorrerá em 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador ou da data da infração (art. 150, § 4º do CTN e art. 139, do DecretoLei n. 37/66). Precedente do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR: AMS. n. 113.701/SP, extinto TFR, Sexta Turma, Rel. Min. Carlos Mário Velloso, julgado em 23.09.1987. 5. No caso dos autos, a data de entrada da mercadoria em solo pátrio se efetivou em 16/08/1985 (data do fato gerador), enquanto que o autuado protocolou impugnação administrativa contra o auto de infração em 17/11/88 (o que permite verificar que o auto de infração foi lavrado anteriormente). Portanto, não transcorrido o quinqüênio previsto no art. 150, § 4º do CTN e no art. 139, do DecretoLei n. 37/66. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (RESP 201001196187, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:24/11/2014 ..DTPB:.) Da análise dos autos, observase, inclusive, que o próprio contribuinte fundamentou o seu pedido de reconhecimento da decadência com base neste Decretolei, tendo trazido naquela oportunidade as seguintes decisões que embasariam a sua tese: "DECADÊNCIA. PRAZO PARA EXIGÊNCIA DE PENALIDADES. Na hipótese de multa prevista na legislação do Imposto de Importação, o prazo para lançamento é de cinco anos a contar da data da infração, que é a data de registro da correspondente declaração de importação (art. 139 do Decretolei n. 37/66)". Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 19482.720042/201265 Acórdão n.º 3301003.665 S3C3T1 Fl. 2.214 9 (Acórdão 320200010 PA 12466.001996/200414 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF). "DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO APREENDER E IMPOR PENALIDADE MERCADORIAS IMPORTADAS. I O Art. 139, Decretolei 37/66 estabelece que o Fisco tem direito de apreender e impor penalidade no prazo de cinco anos, a contar da data da infração, ultrapassado o prazo, decai o direito. II remessa oficial desprovida, sentença concessiva confirmada". (TRF 3ª Região Remessa "ex officio" n. 89.03.079426). Ultrapassada essa questão, passase, então, à análise do prazo decadencial em si. No caso dos autos, a multa fora imposta com fundamento no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, que trata de cessão do nome, por pessoa jurídica, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seu reais intervenientes ou beneficiários. Em princípio, a materialização desse tipo de infração se dá no ato do registro da Declaração de Importação, pois seria nesta data que haveria a cessão do nome mediante a disponibilização de documentos próprios. Este, inclusive, é o entendimento deste Conselho, consoante se extrai da recente decisão a seguir transcrita: (...). DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DATA DA INFRAÇÃO. TERMO INICIAL. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. O prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes de ilícitos aduaneiros tem como termo inicial a data de ocorrência da infração, na forma prevista no art. 139 do DL nº. 37/66. Tratandose de penalidade devida em face da interposição fraudulenta na importação (DL nº 1.455, art. 23, V), sujeitase à decadência ao cabo do prazo de cinco anos, cujo termo inicial é a prática da infração na data de registro da declaração de importação. (Processo nº 10314.726139/201419, Acórdão nº 3402002.989, data da sessão 17/03/2016). Logo, caso adotado este critério (data do registro da DI), o prazo decadencial para lançamento da multa em questão teria tido início em 10/03/2005, findando em 10/03/2010. Uma vez que o auto de infração em relevo apenas foi lavrado em 15/08/2012, restaria configurada a decadência. Acontece que no caso aqui analisado não se está diante de uma importação regular, em que o ato de registro da DI teria liberado a mercadoria para fins de comercialização Fl. 2219DF CARF MF 10 no mercado interno. Estáse diante de uma importação sob o regime aduaneiro especial de admissão temporária (DI nº 05/02470300). Como é cediço, o regime de admissão temporária encontrava previsão à época no art. 1º da Instrução Normativa nº 285/2003, que assim dispunha: Art. 1º O regime aduaneiro especial de admissão temporária é o que permite a importação de bens que devam permanecer no País durante prazo fixado, com suspensão total do pagamento de tributos, ou com suspensão parcial, no caso de utilização econômica, na forma e nas condições previstas nesta Instrução Normativa. No caso em tela, a DI nº 05/02470300 foi registrada originalmente em 15/03/2005, indicando como período da admissão temporária de 14/03/2005 a 13/03/2006 (vide fl. 37/38 e 620 dos autos). Posteriormente, a admissão temporária sofreu uma série de prorrogações, vigorando até 12/03/2010, sendo relevante destacar que todos os pedidos de prorrogação foram apresentados pela TAM Táxi Aéreo (vide fls. 39 e seguintes). Nesse contexto, verificase que a prática da infração indicada no auto de infração (ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários) ocorreu não apenas quando do registro inicial da DI, como também nos atos subsequentes de apresentação de pedido de prorrogação da admissão temporária. Há que se destacar, inclusive, que às fls. 71 e seguintes do termo de verificação fiscal e descrição dos fatos, o fiscal traz um arrazoado sobre a qualificação da situação em análise como ilícito continuado, conforme se extrai da passagem a seguir colacionada: Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 19482.720042/201265 Acórdão n.º 3301003.665 S3C3T1 Fl. 2.215 11 Verificase que a DRJ cancelou integralmente o auto de infração em tela, acatando o argumento da decadência. Contudo, não teceu uma única linha sobre o detalhado arrazoado trazido pela fiscalização na descrição dos fatos. Diante do exposto, afasto o reconhecimento da decadência constante da decisão recorrida. Uma vez que consta dos autos pedido de prorrogação do prazo da admissão temporária protocolizado pela TAM Taxi Aéreo em 2009, entendo que o auto de infração aqui analisado, lavrado em 2012, não resta fulminado pela decadência. Tendo em vista que a decisão recorrida embasouse exclusivamente na decadência (vide ementa e voto proferidos), deverão os autos retornar à DRJ, para que esta analise os demais argumentos de mérito apresentados pelo contribuinte em sua Impugnação. Caso contrário, haveria supressão de instância de julgamento, em prejuízo ao princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Do Recurso Voluntário Por meio do Recurso Voluntário interposto, pretende o contribuinte reformar a decisão recorrida na parte em que decretou que a questão da interposição fraudulenta já teria sido definida no PAF nº 19482720.041/201211, no intuito de que reste reconhecida a inexistência de qualquer conduta ilícita por parte da Recorrente, visto que, segundo afirma, não teria participado de qualquer fraude/simulação. Neste ponto, entendo que assiste parcial razão ao contribuinte. Consoante se extrai da leitura da decisão recorrida, assim se manifestou a Relatora da DRJ no início do seu voto: "Considero de bom alvitre ressaltar que no auto de infração aqui impugnado está sendo discutida a aplicação da penalidade de 10% do valor do bem, por força da cessão do nome para ocultação do real beneficiário de regime aduaneiro, já que a constatação da interposição fraudulenta foi fartamente discutida no PAF n. 19482 720.041/201211, no qual foi garantido às partes o direito de contraditória e ampla defesa. No referido PAF, onde a discussão da interposição fraudulenta de terceiros já está esgotada na esfera administrativa, encontrandose o bem apreendido em fase de destinação, considerou que a ocultação ocorreu em dois períodos, primeiro pela TAM AVIAÇÃO EXECUTIVA e depois pela IGLESIA UNIVERSAL DEL REINO DE DIOS". Fl. 2221DF CARF MF 12 Verificase, contudo, que apesar de ter feito tal afirmativa em seu voto, no sentido de que interposição fraudulenta já teria sido definida no PAF nº 19482720.041/2012 11, não foi este o fundamento da decisão recorrida, a qual se embasou exclusivamente no acatamento da decadência, consoante se extrai da leitura da ementa e do voto proferidos naquela oportunidade. Nessa ótica, entendo que, uma vez que o argumento adotado pela Relatora naquela oportunidade para fins de afastar a cobrança realizada pela fiscalização foi exclusivamente a decadência, restou despicienda a análise quanto à existência ou não da conduta ilícita. Em outras palavras, tendo sido acolhida a preliminar de mérito indicada pelo próprio contribuinte em sua Impugnação, não havia necessidade de se adentrar nos demais aspectos meritórios. Como o próprio nome "preliminar de mérito" demonstra, a sua análise deve ser feita de forma preliminar, visto que o seu acolhimento torna desnecessária a análise dos demais fundamentos de mérito indicados pelo contribuinte. Nesse contexto, considerando que o mérito da presente contenda não chegou a ser apreciado pela DRJ, em razão do reconhecimento da decadência ora afastada, tornase necessário o retorno dos presentes autos à DRJ, para que esta analise todos os demais argumentos trazidos pelo contribuinte em sua Impugnação. Caso contrário, haveria supressão de instância, em completa afronta aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Não há, pois, como ser deferido o pedido do Recorrente no sentido de que reste reconhecida a inexistência de qualquer conduta ilícita por parte da Recorrente, quando este tema não foi devidamente analisado pela instância inferior. Diante do exposto, acolho parcialmente o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte tão somente para fins de reconhecer inapropriada a afirmação constante da decisão recorrida no sentido de que a questão da interposição fraudulenta já teria sido definida no PAF nº 19482720.041/201211, uma vez que o auto de infração foi cancelado naquela oportunidade exclusivamente em razão do reconhecimento da decadência. Até porque, importa observar que o processo nº 19482720.041/201211 ainda não teve decisão definitiva na esfera administrativa, não tendo ainda chegado ao CARF para julgamento, encontrandose no momento na triagem do GMAP/EGMAP/SAPOL/ALF/VCP/SP. Logo, considerando o afastamento da decadência realizado nesta oportunidade, os autos deverão retornar à DRJ, para que esta analise e se manifeste acerca dos demais argumentos trazidos aos autos pelo contribuinte em sua Impugnação. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso de Ofício, afastando o reconhecimento da decadência, e dar provimento parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, determinando que os autos retornem à DRJ, para que esta analise os demais argumentos constantes da Impugnação apresentada. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 19482.720042/201265 Acórdão n.º 3301003.665 S3C3T1 Fl. 2.216 13 Fl. 2223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910824/2009-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/06/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.847
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/06/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 24 /2 00 9- 06 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11065.910824/200906 Acórdão n.º 9303004.847 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.141, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/06/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/06/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11065.910824/200906 Acórdão n.º 9303004.847 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11065.910824/200906 Acórdão n.º 9303004.847 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11065.910824/200906 Acórdão n.º 9303004.847 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720558/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2011, 2012
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
PROCEDIMENTO FISCAL. A fiscalização procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestar-se no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade.
ÔNUS DA PROVA. Nos termos do artigo 806 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999), a autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º).
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. A alegação de recebimento de recursos provenientes de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação de contratos de mútuo/recibos.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO. ESCRITURA PÚBLICA. Nas operações relativas à operação imobiliária, a escritura de compra e venda lavrada em cartório faz prova não só da formação do ato, mas também dos fatos que o tabelião declara que ocorreram em sua presença.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. Para fins de justificar acréscimo patrimonial, a informação de lucros distribuídos na Declaração de Ajuste Anual deve ser comprovada por meio de escrituração contábil, demonstrando a apuração do resultado. Está apto a produzir o efeito jurídico pretendido o desfazimento de negócio jurídico com o retorno dos contratantes ao statu quo ante, sem dispêndio financeiro, mas tão somente a troca de crédito que a contribuinte possuía em troca de participação (retomada de cotas) no capital social da empresa.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. DOLO. Aplica-se a multa qualificada quando restar comprovado que o contribuinte usou intencionalmente de informação falsa e montou operações fictícias para acobertar os rendimentos omitidos sujeitos à tributação.
LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou atos normativos, prerrogativa esta reservada ao Poder Judiciário, sendo a autoridade fiscal mera executora de leis e a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
Numero da decisão: 2401-004.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencida a relatora e os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ILEGALIDADE INEXISTENTE. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. PROCEDIMENTO FISCAL. A fiscalização procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestarse no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade. ÔNUS DA PROVA. Nos termos do artigo 806 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), a autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. A alegação de recebimento de recursos provenientes de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação de contratos de mútuo/recibos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO. ESCRITURA PÚBLICA. Nas operações relativas à operação imobiliária, a escritura de compra e venda lavrada em cartório faz prova não só da formação do ato, mas também dos fatos que o tabelião declara que ocorreram em sua presença. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. Para fins de justificar acréscimo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 05 58 /2 01 3- 82 Fl. 1205DF CARF MF 2 patrimonial, a informação de lucros distribuídos na Declaração de Ajuste Anual deve ser comprovada por meio de escrituração contábil, demonstrando a apuração do resultado. Está apto a produzir o efeito jurídico pretendido o desfazimento de negócio jurídico com o retorno dos contratantes ao statu quo ante, sem dispêndio financeiro, mas tão somente a troca de crédito que a contribuinte possuía em troca de participação (retomada de cotas) no capital social da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. DOLO. Aplicase a multa qualificada quando restar comprovado que o contribuinte usou intencionalmente de informação falsa e montou operações fictícias para acobertar os rendimentos omitidos sujeitos à tributação. LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou atos normativos, prerrogativa esta reservada ao Poder Judiciário, sendo a autoridade fiscal mera executora de leis e a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.206 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencida a relatora e os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1207DF CARF MF 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Recurso de Ofício que objetivam modificar o Acórdão 1261.785 da 7ª. Turma da DRJ/RJ, de 27/11/2013, que considerou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte no processo administrativo fiscal supra, cada um na parte em que lhe restou desfavorável. Cuidam os presentes autos de exigência constante de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos Exercícios de 2009, 2011 e 2012, anos calendário de 2008, 2010 e 2011, no qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 5.995.008,50 (cinco milhões, novecentos e noventa e cinco mil, oito reais e cinquenta centavos). Dessa forma, procedeuse à lavratura do Auto de Infração, tendo sido constatadas as seguintes infrações: 1) Acréscimo Patrimonial a Descoberto – Omissão de Rendimentos Tendo em Vista a Variação Patrimonial a Descoberto – a fiscalização, alega que após examinar a documentação apresentada pela contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 486 e os esclarecimentos prestados quando do atendimento aos Termos de Intimação Fiscal nºs 520 e 558, bem como os extratos apresentados em resposta à Requisição de Movimentação Financeira RMF, em 21/01/2013, foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 0019, seguido de fluxo financeiro anexo ao REFISC, em que se constatou os acréscimos patrimoniais a descoberto nos meses lá indicados; e 2) Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos – Omissão / Apuração Incorreta de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direito Adquiridos em Moeda Estrangeira, com consequente imposto suplementar de R$ 2.207.055,50 (fl. 1017), observados os Demonstrativos de Apuração de fls. 1007/1012, os Demonstrativos de Apuração Detalhados de fls. 1013/1016, o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora de fl. 1017, e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1018/1028, com Fluxo Financeiro / Demonstrativo de Variação Patrimonial às fls. 1029/1036. A fiscalização faz os seguintes destaques: a) quanto aos empréstimos declarados pela contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual – DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, pelos srs. Carlos Augusto de Almeida Ramos (exesposo da contribuinte), de sua empresa Vitapan e de seu irmão Adriano Aprígio, os mesmos não foram aceitos, tendo em vista que, apesar dos valores envolvidos, os mesmos ocorreram à margem do sistema bancário nacional, sem uma comprovação efetiva da ocorrência de tais empréstimos (fls. 202/212, 225/227, 332/337, 339 e 515/518), sendo ressaltado que as DAA`s do contribuinte Carlos Augusto de Almeida Ramos, bem como sua movimentação financeira, não dariam suporte à realização de empréstimos de tal monta, com alusão à Declaração de Informação de Movimentação Financeira apresentada pelas instituições financeiras à RFB; b) em relação a aquisições de cotas da empresa Vitapan, ocorrida em 2008, a contribuinte não apresentou comprovação da negociação ocorrida com o sr. Adriano Aprígio; por outro lado, na 21ª alteração do contrato social da empresa Vitapan (fls. 158/161 e 162/165), é mencionado que a contribuinte comprou as cotas de seu irmão e em moeda corrente. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.207 5 Portanto, tendo em vista falta de prova em contrário, será considerado o documento apresentado e registrado na Junta Comercial do Estado de Goiás, sendo salientado que o mesmo foi assinado pela contribuinte; c) no que tange à alegada doação que seria realizada pelo sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos, relativo ao imóvel sito à rua 1.134, no Setor Pedro Ludovico, no valor de R$ 2.200.000,00, temse que a alegação de mera doação com apresentação de uma simples declaração (fl. 802) não foi aceita, tendo em vista que o registro no cartório de imóveis é claro ao afirmar que a contribuinte adquiriu o imóvel, nada sendo mencionado a respeito de suposta doação (fls. 448/450). d) Por último, a fiscalização registra que somente foi acatada a distribuição de lucros da empresa Vitapan que foi comprovada por transferência bancária (fls. 593/793). Em relação à multa qualificada de 150%, incidente sobre a infração Variação Patrimonial a Descoberto, a fiscalização, à fl. 1027, expõe que a contribuinte vem reiteradamente inserindo em sua Declaração de Ajuste Anual – DAA empréstimos que efetivamente não existiram, bem como distribuição de lucros não comprovada, com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador, com o único intuito de sonegar os tributos devidos, configurandose indício de crime contra a ordem tributária. Nesse sentido, além da aplicação da multa de ofício qualificada de 150% sobre o valor do imposto apurado, decorrente da infração acréscimo patrimonial a descoberto, a Autoridade Fiscal formalizou Representação Fiscal para Fins Penais (processo nº 13116.720560/201351, apenso). Devidamente cientificada em 20/03/2013 (AR às fls. 1039/1040), a contribuinte, por intermédio de seu procurador regularmente constituído (fls. 519/521), em 19/04/2013, apresentou impugnação (fls. 1048/1082). Suscitou preliminar de nulidade do lançamento, por suposta violação a reserva constitucional de jurisdição para o afastamento do sigilo bancário da contribuinte; Nesse sentido, alega que apenas o magistrado poderia afastar o sigilo bancário, razão pela qual o Auto de Infração seria nulo. No mérito, alega que forneceu à Administração Fazendária todos os documentos necessários à comprovação do acréscimo patrimonial, e, portanto, teria cumprido com o seu mister. Prossegue no sentido de que a Autoridade não deu valor jurídico ao acervo probatório fornecido pela contribuinte, “impingindolhes a pecha da invalidade”. Entende que no caso dos autos houve a desconsideração de inúmeros documentos, representativos de atos jurídicos, sem que, para tanto ou previamente, fossem instaurados os processos administrativo fiscais, com o referido escopo. Defende que deveria a autoridade fiscalizadora instaurar processo regular, nos termos do artigo 148 do CTN para atestar a invalidez dos documentos que lhes foram apresentados e, só assim, ao cabo do referido processo realizar o lançamento fiscal. Com referência ao contrato de mútuo, alega que a fiscalização não considerou, nas planilhas de fluxos financeiros mensais, vários recursos e origens da impugnante, os quais, se inseridos nas planilhas, como deveriam ser, cancelam os alegados acréscimos a descoberto. Fl. 1209DF CARF MF 6 Sustenta que devem ser incluídos na planilha de fluxo financeiro os valores recebidos através de empréstimos concedidos, com transcrição do artigo 585 do Código de Processo Civil – CPC, cujas exigências teriam sido atendidas pelos contratos de empréstimos (mútuos) apresentados à fiscalização (fls. 202/212, 225/227 e 332/334), tornandoos título executivo, o mesmo em relação à nota promissória de fl. 339. Afirma que os empréstimos foram devidamente declarados pelas partes, tanto pelo mutuário, ora peticionário, como pelo mutuante, o que reforçaria a existência dos mesmos; Conclui que a desconsideração dos referidos documentos se deu à margem do art. 148 do CTN, o que ensejaria a nulidade do lançamento. No que tange à desconsideração da doação realizada e devidamente declarada pelo doador, afirma que o Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos adquiriu o imóvel objeto de doação e o cedeu à impugnante, para que ela cedesse ao filho de ambos, Matheus Henrique Aprígio Ramos. Para comprovar a sua alegação anexou à impugnação uma cópia da Declaração do Imposto de Renda entregue à Receita Federal pelo doador Carlos Augusto de Almeida Ramos. Quanto à desconsideração da cessão de cotas da empresa Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda., alega que não houve transação bancária, mas sim a devolução de notas promissórias garantidoras do direito e que foram prontamente resgatadas/inutilizadas pelo devedor, bem como um pagamento adicional de R$ 460.000,00, que foi feito em espécie, finalizando a transação, destacando que todas estas operações teriam sido devidamente documentadas e declaradas pela contribuinte e também pelo contribuinte outro, ressaltando que haveria microfilmagens se houvesse a utilização de instituição bancária, o que de fato não houve. No tocante à desconsideração da distribuição de lucro da empresa Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda., cuja rejeição parcial pelo auditor ocorreu porque não restou comprovada a transferência bancária, defende que a distribuição dos lucros consta dos livros fiscais (razão) juntados aos autos, tendo tudo sido devidamente declarado e comprovado nas Declarações de Imposto de Renda da autuada e recibos devidamente assinados, cuja desconsideração também ensejaria a nulidade do lançamento. Com relação à majoração da multa para 150%, defende que a conduta do contribuinte, no caso da autuação, não almejou o impedimento da ocorrência do fato gerador, sendo a acusação que lhe é feita a de omitir dados da movimentação financeira, que pode ser aferida mediante programa da Receita Federal. Conclui que o contribuinte não agiu com o intuito de impedir, retardar, excluir ou modificar as características essenciais do tributo, tendo ocorrido a desconsideração dos empréstimos tomados pela autuada, por entender a fiscalização que não restou comprovada a transferência bancária, sendo que, acaso fossem considerados, inexistiria a suposta omissão da receita. Destaca que todas as apurações foram devidamente declaradas na DIRPF da autuada, salientando que o caso de a declaração de rendimentos não conter nenhum valor não impede a autoridade fazendária de a obter por outros meios, o que, por si só, descaracterizaria o conceito de fraude, evitando a majoração da multa, da forma como foi realizada pela autoridade fazendária. Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.208 7 Ademais, na hipótese de se manter a autuação, defende que a multa aplicada (150%) é inconstitucional, pois se afigura confiscatória. Com essas considerações, requereu o cancelamento do Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendose parcialmente o crédito tributário, com apuração de imposto de R$ 1.415.055,49, acrescido de multa de ofício no valor de R$ 2.083.443,51 (sendo R$ 2.044.303,87 multa de 150% e R$ 39.139,64 multa de 75%), e de juros de mora, com a seguinte consideração: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2011, 2012 GANHO DE CAPITAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada matéria que não tenha sido contestada pela contribuinte. PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestarse no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que é lícito à autoridade fiscal, especialmente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e cartões de créditos, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constitui rendimento tributável, na Declaração de Ajuste Anual, somente o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. Os elementos constantes dos autos permitem afastar somente parcialmente a infração, que deve ser mantida quando não constam dos autos provas inequívocas capazes de elidir a presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1211DF CARF MF 8 Por força de presunção legal, cabe à contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. A alegação de recebimento de recursos provenientes de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação de contratos de mútuo / recibos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO. ESCRITURA PÚBLICA. Nas operações relativas à operação imobiliária, a escritura de compra e venda lavrada em cartório faz prova não só da formação do ato, mas também dos fatos que o tabelião declara que ocorreram em sua presença. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. Para fins de justificar acréscimo patrimonial, a informação de lucros distribuídos na Declaração de Ajuste Anual deve ser comprovada por meio de escrituração contábil, demonstrando a apuração do resultado, e a efetiva transferência do valor distribuído, afastandose a irregularidade somente quanto à parte comprovada nestes termos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Por expressa determinação legal, a multa de ofício de 75% é aplicável em casos de omissão de rendimentos, devendo a multa ser qualificada quando constatado que o contribuinte agiu com intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência de fato gerador do IRPF. LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou atos normativos, prerrogativa esta reservada ao Poder Judiciário, sendo a autoridade fiscal mera executora de leis e a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes / Câmara Superior de Recursos Fiscais, e as decisões judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. RECURSO DE OFÍCIO. Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.209 9 Em razão da parcela eximida (tributo e encargos de multa) ter ultrapassado o limite de R$ 1.000.000,00 deve o Acórdão ser levado à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em grau de recurso de ofício. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 26/12/2013, e apresentou Recurso Voluntário às fls. 1141/1183, tempestivamente, em 24/01/2014, repetindo os mesmos argumentos da peça impugnatória, e alegando em síntese: a) preliminar de nulidade do lançamento, por suposta violação a reserva constitucional de jurisdição para o afastamento do sigilo bancário da contribuinte; Nesse sentido, alega que apenas o magistrado pode afastar o sigilo bancário, razão pela qual o Auto de Infração seria nulo; b) no mérito sustenta que forneceu à Administração Fazendária todos os documentos necessários à comprovação do acréscimo patrimonial, e, portanto, teria cumprido com o seu mister. Entende que no caso dos autos houve a desconsideração de inúmeros documentos, representativos de atos jurídicos, sem que, para tanto ou previamente, fossem instaurados os processos administrativofiscais, com o referido escopo. Defende que deveria a autoridade fiscalizadora instaurar processo regular, nos termos do artigo 148 do CTN para atestar a invalidez dos documentos que lhes foram apresentados e, só assim, ao cabo do referido processo realizar o lançamento fiscal; c) com referência ao contrato de mútuo, alega que a fiscalização não considerou, nas planilhas de fluxos financeiros mensais, vários recursos e origens da impugnante, os quais, se inseridos nas planilhas, como deveriam ser, cancelam os alegados acréscimos a descoberto. Afirma que os empréstimos foram devidamente declarados pelas partes, tanto pelo mutuário como pelo mutuante, o que reforçaria a existência dos mesmos. Conclui que a desconsideração dos referidos documentos se deu à margem do art. 148 do CTN, o que ensejaria a nulidade do lançamento; d) no que tange à desconsideração da doação realizada e devidamente declarada pelo doador, alega que a decisão de primeira instância desconsiderou a verdade dos fatos e dos documentos trazidos pela recorrente e que o referido documento não foi lido pela administração fazendária. Sustenta que o Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos adquiriu o imóvel objeto de doação e o cedeu à recorrente, para que ela cedesse ao filho de ambos, Matheus Henrique Aprígio Ramos; e) quanto à desconsideração da cessão de cotas da empresa Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda., alega que não houve transação bancária, mas sim a devolução de notas promissórias garantidoras do direito e que foram prontamente resgatadas/inutilizadas pelo devedor, bem como um pagamento adicional de R$ 460.000,00, que foi feito em Fl. 1213DF CARF MF 10 espécie, finalizando a transação, destacando que todas estas operações teriam sido devidamente documentadas e declaradas pela contribuinte e também pelo contribuinte que as adquiriu; f) em relação à desconsideração da distribuição de lucro da empresa Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda., cuja rejeição parcial pelo auditor ocorreu porque não restou comprovada a transferência bancária, defende que a distribuição dos lucros consta dos livros fiscais (razão) juntados aos autos, tendo tudo sido devidamente declarado e comprovado nas Declarações de Imposto de Renda da autuada e recibos devidamente assinados, cuja desconsideração também ensejaria a nulidade do lançamento; g) por fim alega a ilegitimidade da majoração da multa de 150%, argumentando a inexistência de dolo ou fraude. Requerendo o afastamento da multa. Em relação ao Recurso de Ofício, o processo foi submetido à apreciação desse E. Colegiado por força de recurso necessário, já que na ocasião do julgamento pela DRJ, o valor do débito exonerado era superior a R$ 1 milhão. É o relatório. Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.210 11 Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 26/12/2013 e o presente Recurso Voluntário (fls.1141/1183) foi apresentado TEMPESTIVAMENTE no dia 24/01/2014, conforme certidão de fl. 1188, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 1.2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. VALOR DE ALÇADA Já em relação ao Recurso de Ofício, o processo foi submetido à apreciação desse E. Colegiado por força de recurso necessário, já que na ocasião do julgamento pela DRJ, o valor do débito exonerado era superior a R$ 1 milhão. Todavia, em face à edição da Portaria nº 63/2017, o Ministério da Fazenda aumentou o valor limite de alçada para R$ 2,5 milhões, esse novo teto já pode ser aplicado no juízo de admissibilidade de Recurso de Ofício perante o CARF, em face à aplicação da Súmula nº 103 que estabelece como critério para o conhecimento do recurso de ofício, o valor de alçada vigente na data da análise pela segunda instância. Assim, tendo em vista que o valor ultrapassa o limite de alçada, não conheço do recurso de ofício, já que ausente esse requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente sustenta a tese de nulidade do lançamento, por suposta violação a reserva constitucional de jurisdição para o afastamento do seu sigilo bancário. Defende que apenas o magistrado pode afastar o sigilo bancário. Ao final, conclui que é inconstitucional a quebra de sigilo bancário, por parte da autoridade fazendária, sem a determinação judicial. Interessante à solução do caso repisar a sucessão de eventos que justificam o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal quanto à Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira. Pois bem. Constatase do Termo de Início de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0120200.2012.00246, identificado à fl. 42, que a interessada foi intimada (fls. 42/43), entre outros, a apresentar documentação comprobatória de todos os valores lançados a título de Dívidas e Ônus Reais, respaldado em documentação bancária (cópia de extrato, de cheque e/ou depósito), bem como sua quitação (no caso de empréstimo recebido de pessoas jurídicas, apresentar também a documentação contábil). Sucede que, de acordo com o narrado no item II do Termo de Verificação Fiscal (Do Procedimento Fiscal – fl. 1018), não obstante o encaminhamento do referido termo para o domicílio fiscal eleito pela contribuinte, o mesmo retornou com o aviso de “recusado”, tendo a autoridade fiscal, inclusive, para garantir a ciência da contribuinte, bem como impedir Fl. 1215DF CARF MF 12 quaisquer tipos de alegação, lavrado, em 18/07/2012, o Edital nº 002/2012EEF MC/SRRF01 (fl. 47). Tendo em vista a recusa da interessada, foi solicitada (fls. 48/49) a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), com a seguinte justificativa, constante do Relatório: “A contribuinte se negou em receber o Termo de Início do Procedimento Fiscal. Da análise de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física 2008 e 2011, verificase que o contribuinte terá uma Variação Patrimonial a Descoberto, ou seja, realizou gastos superiores à renda disponível, caso não consiga comprovar o recebimento dos empréstimos declarados. Como o contribuinte está se negando a receber o Termo de Início do Procedimento Fiscal, é de suma importância a transferência do sigilo fiscal para esta Fiscalização, para continuação do procedimento fiscal”. Em decorrência, tendo a autoridade fiscal concluído que a contribuinte se enquadrou na hipótese que autoriza a requisição, acesso e uso por parte da RFB, das informações referentes às operações e serviços prestados por instituições financeiras, foi expedida a RMF de fls. 50/51. Consta ainda, uma segunda solicitação de emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira às fls. 803/804, com a seguinte justificativa: “A contribuinte fora intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 588, a apresentar os extratos do cartão de crédito do American Express. Em 24/10/2012 a contribuinte solicita uma prorrogação de 30 dias para atender o Termo de Intimação citado, contudo até o presente momento a mesma não atendeu a intimação. Tendo em vista os valores elevados de gastos com cartão de créditos, bem como o indício de Variação Patrimonial a Descoberto, é vital o acesso a esta informação para a elaboração correta da Demonstração de Fluxo Financeiro da contribuinte”. A referida Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira foi anexada à fl. 811. No caso dos autos, a questão levantada no recurso se refere à legalidade do procedimento adotado na requisição administrativa de informações bancárias diretamente às instituições financeiras, ante a recusa da apresentação dos extratos do cartão de crédito pela Recorrente. Segundo entendimento da Recorrente, tal requisição consistiria violação ao dever de sigilo que alberga os dados financeiros, razão pela qual o Auto de Infração seria nulo. De proêmio, cumpre esclarecer que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314 repercussão geral) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos aos Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Recordese: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.211 13 FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento”. (STF, Tribunal Pleno, RE 601314, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/02/2016, acórdão eletrônico repercussão geral DJe198 Divulg. 15/09/2016 publicado 16/09/2016) Portanto, a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensado, nesta ordem, a interferência do Poder Judiciário para a aquisição das referidas informações. Além disso, o este Conselho não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme Súmula nº 2, que dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária”. Por tais razões, rejeito a preliminar suscitada pela Recorrente. Fl. 1217DF CARF MF 14 1. DO MÉRITO A Recorrente alega que forneceu à Administração Fazendária os documentos necessários à comprovação do acréscimo patrimonial e, portanto, teria cumprido com o seu mister. Sustenta que a Autoridade não deu valor jurídico ao acervo probatório por ela fornecido, “impingindolhes a pecha da invalidade”. Salienta que, no caso, deveria a Autoridade instaurar Processo Regular, nos termos do artigo 148 do CTN para atestar a invalidez dos documentos que lhes foram apresentados e, só assim, ao cabo do referido processo realizar o lançamento fiscal. Entretanto, razão não assiste. Em acréscimo, devemos apontar que a dialética da prova exige que o contribuinte apresente, e comprove, fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do direito de crédito do Fisco constante no lançamento, e, no caso, devidamente corroborado por provas. Tal exegese, no sentido da exigência de comprovação dos fatos alegados pelas partes constantes do processo administrativo tributário, consta do Decreto n 70.235, em especial nos artigos 9º e 15. No caso em tela, conforme dito anteriormente, a contribuinte, no curso da ação fiscal, foi devidamente intimada a apresentar documentos e esclarecimentos para fins de justificar os valores informados nas Declarações de Ajuste Anual – DAA objetos de fiscalização (fls. 42/43), documento este que retornou com a anotação de “recusado”, como se observa às fls. 45/46 dos autos, o que, inclusive, motivou a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (fls. 48/49), necessária para fins de continuidade ao procedimento fiscal, como já exposto. Em sequência, e já com a devida ciência da contribuinte, foram expedidos o Termo de Intimação Fiscal nº 0486 (fls. 142/143), o Termo de Intimação Fiscal nº 0520 (fls. 513/514), o Termo de Devolução de Documentos nº 0554 (fl. 794) e o Termo de Intimação Fiscal nº 0558 (fl. 795), este último cujo não atendimento integral originou a emissão da Solicitação de Emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira destinada ao Banco Bankpar (fls. 811). Com o atendimento por parte da administradora do cartão de crédito American Express (fls. 814/934 e 972 a 1000), foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 0019 (fls. 935/936), com constatação/justificativa atinente à documentação trazida aos autos pela fiscalizada e acompanhado de Demonstrativo de Variação Patrimonial/Fluxo de Caixa Financeiro e anexos (fls. 937/967), contendo os acréscimos patrimoniais a descoberto mensais, atinentes aos anoscalendário de 2008, 2010 e 2011. A contribuinte apresentou alegações, em 14/02/2013 (fls. 970/971), e solicitou prorrogação de prazo para atender ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 0019, que foi aceito, não tendo, entretanto, fornecido novos elementos, o que resultou no lançamento tributário. Na ocorrência de acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presumese a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Ou seja, o acréscimo patrimonial a descoberto tratase de presunção legal em que, a princípio, cabe à fiscalização unicamente provar os dispêndios e aplicações de recursos Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.212 15 em determinado período de apuração, sendo exclusivo do contribuinte o ônus de provar a existência de origens decorrentes de rendimentos declarados, não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Verifico, no caso em questão, que o procedimento administrativo fiscal seguiu os trâmites previstos na legislação de regência da matéria, inclusive com as devidas justificativas para a rejeição de documentos apresentados. Dessa forma, não há que se falar em instauração de processo regular para fins de arbitramento (art. 148 do CTN), razão pela qual nego provimento ao recurso quanto a esse aspecto. 1.1 Acréscimo Patrimonial a Descoberto Dos Alegados Empréstimos A recorrente repisa os argumentos constantes da sua peça de impugnação no sentido de que devem ser incluídos na planilha de fluxo financeiro os valores recebidos através de empréstimos concedidos, com transcrição do artigo 585 do Código de Processo Civil – CPC, cujas exigências teriam sido atendidas pelos contratos de empréstimos apresentados à fiscalização (fls. 202/212, 225/227 e 332/334), tornandoos título executivo, o mesmo em relação à nota promissória de fl. 339. Afirma, ainda, que os empréstimos foram devidamente declarados pelas partes, tanto pela mutuária, como pelos mutuantes, o que reforçaria a existência dos mesmos. Para melhor compreensão da matéria ora debatida, peço vênia para transcrever parte do voto profícuo de primeira instância. Confirase: “Dos autos constam os seguintes documentos: Anobase de 2008: solicitação da contribuinte ao sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos, em 27/02/2008, de um empréstimo de R$ 460.000,00 para a aquisição de cotas da empresa Vitapan (fl. 202), com correspondente contrato de mútuo, assinado em 01º/03/2008 (fls. 203/204) e recibo do valor por Andrea, em 01º/03/2008 (fl. 205). O mesmo procedimento foi adotado em 14/10/2008, agora no valor de R$ 700.000,00, para aquisição imobiliária pessoal, com correspondente contrato de mútuo, assinado em 21/10/2008 e recibo do valor por Andrea, em 21/10/2008 (fls. 206/209). Há, ainda, um terceiro contrato de mútuo, assinado em 21/10/2008 e firmado com Adriano Aprígio, no valor de R$ 350.000,00, com recibo na mesma data (fls. 210/212). Anobase de 2009: contrato de mútuo, assinado em 01º/09/2009 e firmado com Carlos Augusto de Almeida Ramos, no valor de R$ 250.000,00 (fls. 225/226). Há, ainda, à fl. 227, recibo assinado por Adriano Aprígio, com referência ao pagamento integral feito a ele por Andrea, para quitar o empréstimo que este lhe fez. O valor teria sido depositado diretamente na conta do futuro sócio de Adriano, Roberto Sergio Coppola. Anobase de 2010: contrato de mútuo, assinado em 21/01/2010 e firmado com Carlos Augusto de Almeida Ramos, no valor de R$ 305.000,00 (fls. 332/333). À fl. 334 há um Demonstrativo de Empréstimo em nome da Vitapan (não assinado), relativo a Fl. 1219DF CARF MF 16 empréstimos da sócia (contribuinte), no valor de R$ 155.021,34 em 31/12/2010. Anobase de 2011: empréstimo via nota promissória, expedida em 10.08.2011, tomado junto a Carlos Augusto de Almeida, no valor de R$ 100.000,00 (fl. 339, observada fl. 147, item 6). Não há como dar razão à contribuinte. Isto porque a pretensão da interessada deveria estar baseada em outros documentos que não deixassem margem à dúvida quanto à consistência das operações, ou seja, recebimento das quantias que afirma terem sido emprestadas, como é o caso de transferências bancárias do numerário ou cópias de cheques emitidos e comprovadamente sacados ou creditados. Não consta dos autos a comprovação, seja da saída do numerário do patrimônio dos mutuantes seja da quitação efetuada pela mutuária, não socorrendo à contribuinte a alegação de que os empréstimos foram declarados por ambas as partes. A destacar que, não obstante os contratos de mútuo, recibos e nota promissória antes apresentados, a fiscalização, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 0520 (fls. 513/514), solicitou a comprovação do efetivo recebimento dos empréstimos, tendo a contribuinte insistido na documentação antes entregue e na alegação de que as transações se deram sempre em espécie. [...] Além do mais, é de causar estranheza que a movimentação de quantias tão significativas venham sendo reiteradamente realizadas em espécie, ou seja, à margem do sistema bancário nacional, sem uma comprovação efetiva da ocorrência de tais empréstimos, como salientado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, especialmente às fls. 1024/1025. [...] Quanto à alegação de que os empréstimos foram devidamente declarados pelas partes, tanto pela mutuária (que seria a impugnante), como pelos mutuantes, o que reforçaria a existência dos mesmos, é de se esclarecer que os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem à dúvida quanto à consistência da operação, em especial frente a matérias que cominem ao contribuinte o ônus probatório, como nos casos de presunções legais, sendo certo que tudo que é informado na declaração está sujeito à comprovação, por documento hábil, tendo a fiscalização a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Assim, por não estar respaldada em documentos que comprovem a transferência de numerário, não há como acatar a alegação da interessada acerca do ingresso de recursos provenientes dos mencionados empréstimos. Concordo com a decisão de primeira instância. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.213 17 Observese, que não é proibida a negociação em espécie, porém a prova da operação fica dificultada, justamente por prejudicar a possibilidade de rastreamento da origem dos recursos alegadamente recebidos. Assim, para a sua comprovação, é necessária uma instrução probatória robusta, que espanque dúvidas quanto (a) à existência dos recursos e (b) à entrega dos recursos ao beneficiário. Com efeito, o mútuo de dinheiro atrai um ônus probatório mais custoso para quem dele se utiliza, justamente por ele se prestar muito facilmente à simulação e, infelizmente, ser muito mais utilizado para tanto. Ou seja, o mútuo deve ser efetivamente comprovado pelo interessado, não bastando a mera apresentação de seu instrumento de constituição. Notese ainda que não consta dos autos a comprovação, seja da saída do numerário do patrimônio dos mutuantes seja da quitação efetuada pela mutuária, não socorrendo à contribuinte a alegação de que os empréstimos foram declarados por ambas as partes apenas a existência de contratos de mútuo declarados em Imposto de Renda. Não se pode perder de vista que os dados constantes da Declaração de Ajuste e de Bens do contribuinte são informações prestadas voluntariamente, sob sua responsabilidade, e sujeitos à comprovação, se o Fisco entender necessária. O artigo 806 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999) assim determina: Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Portanto, resta claro que todo contribuinte está sujeito a comprovar, mediante documentos hábeis e esclarecimentos, os rendimentos auferidos e as alterações ocorridas em seu patrimônio, sempre que intimado a fazêlo, quando da revisão da declaração de rendimentos. Forte nessas razões, nego provimento ao recurso quanto a esse ponto. 1.2 Acréscimo Patrimonial a Descoberto da Doação No caso, a Recorrente alega que a decisão de primeira instância desconsiderou a verdade real dos fatos e dos documentos por ela trazidos. Sustenta que fora juntada cópia da declaração de doação devidamente assinada por Carlos Augusto de Almeida Ramos e que o referido documento sobrou rejeitado pela autoridade julgadora. Aqui, mais uma vez, entendo que não assiste razão à Recorrente. No caso em exame, da Escritura Pública de Compra e Venda, anexada às fls. 448/450) consta o nome da Recorrente como outorgada compradora do imóvel situado na Rua 1.134, no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia, cuja venda foi feita pelo valor de R$ 2.200.000,00, que os outorgantes vendedores, Sr. Jacinto Lucio Borges e Sra. Maria Perpétua Soares Borges, teriam recebido no ato, em moeda corrente nacional. A fiscalização, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 0558, de 02/10/2012 (fl. 795), solicitou à interessada que comprovasse que o referido imóvel foi Fl. 1221DF CARF MF 18 recebido em decorrência de doação de Carlos Augusto, tendo em vista que da referida escritura não constava menção alguma sobre o fato e nem o nome deste último como exproprietário. Em resposta, foi apresentado tãosomente o documento intitulado “Declaração de Doação”, expedido por Carlos Augusto de Almeida Ramos (fl. 802), o qual, sozinho, não constitui prova hábil da referida operação, principalmente diante do contido na Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 448/450. O Código de Processo Civil Brasileiro, faculta a doação por escritura pública e por instrumento particular, a saber: Art. 538. Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. (...) Art. 541. A doação farseá por escritura pública ou instrumento particular. Parágrafo único. A doação verbal será válida, se, versando sobre bens móveis e de pequeno valor, se lhe seguir incontinenti a tradição. (Código Civil) Observe que o art. 538 deixa claro que a doação deve ser feita por meio de escritura pública ou instrumento particular, ressalvando no art. 541 que o contrato de doação pode ser verbal apenas se versar sobre bens móveis e de pequeno valor, o que não é o caso, já que se trata de bem imóvel, inclusive de valor superior a R$ 2.000.000,00 e com procedimento próprio previsto em lei para o registro da propriedade, seja por aquisição onerosa, seja por doação. Com efeito, a escritura pública, atendidos os requisitos de validade exigidos, em relação aos atos jurídicos em geral, é o instrumento constitutivo e translativo de direitos reais, sobrepondose a qualquer outro documento particular. Tratase de declaração de vontade das partes prestadas perante o escrivão público, representando o documento a verdade que ao tabelião foi declarada. O Código de Processo Civil dispõe, em seu art. 364, que o documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Logo, a escritura pública de compra e venda é o instrumento formal previsto para a transmissão da propriedade de bem imóvel, ainda que a aquisição desse imóvel seja fruto de doação. Os dados transcritos na escritura pública sobrepõemse a qualquer outro, salvo se restar comprovado, de maneira inequívoca, que os elementos constantes da escritura definitiva não correspondam à efetiva operação, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova que se contraponha a dados nela constante, na esfera judicial. Por fim, quanto à alegação de que a doação está consignada tanto na Declaração do Imposto de Renda entregue à Receita Federal pelo doador Carlos Augusto de Almeida Ramos quanto na DAA/2012 entregue pela Recorrente, é de se esclarecer que tal fato se mostra insuficiente como elemento de prova do negócio jurídico, pois, em se tratando de transferência e registro de bem imóvel, seja por aquisição onerosa ou por doação, o mesmo só Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.214 19 se opera mediante sua transferência e registro em cartório, caso contrário é de se imaginar, inclusive, que o doador tenha se arrependido da doação, bastando para tanto retificar sua declaração de IR; logo os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem à dúvida quanto à validade e consistência da operação. Assim, concluo restar correta a decisão hostilizada. 1.3 Da Distribuição de Lucros da empresa Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda. Aqui, novamente, a Recorrente alega que a decisão de primeira instância desconsiderou os documentos juntados pela contribuinte. Entretanto, sem razão. A matéria foi devidamente enfrentada pela instância julgadora a quo, inclusive com análise da documentação apresentada, sendo certo que acórdão entendeu por não considerar como dispêndio/aplicação, no mês de setembro de 2008, o valor de R$ 2.860.000,00 Cessão de Cotas da Empresa Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda. Por outro lado, o objeto em discussão é matéria de Recurso de Ofício, razão pela qual passo a analisala. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fl.1025), que no que tange a aquisições de cotas da empresa Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda., ocorrida em 2008, a contribuinte não apresentou comprovação da negociação ocorrida com o Sr. Adriano Aprígio, envolvendo o valor de 2.860.000,00. Por outro lado, na 21ª alteração do contrato social da empresa Vitapan (fls. 162/165, observada as fls. 158/160), é mencionado que a contribuinte comprou as cotas de seu irmão e em moeda corrente. Portanto, tendo em vista falta de prova em contrário, as autoridades fiscais consideraram o documento apresentado e registrado na Junta Comercial do Estado de Goiás, sendo salientado que o mesmo foi assinado pela contribuinte. Em razão disso, a fiscalização entendeu como dispêndio/aplicação, no mês de setembro de 2008, o valor de R$ 2.860.000,00, conforme Demonstrativo de Variação Patrimonial, à fl. 1030, observada, ainda, a fl. 943. Em sede de impugnação (fls. 1064/1065), a contribuinte alegou que não houve transação bancária, mas sim a devolução de notas promissórias garantidoras do direito e que foram prontamente resgatadas/inutilizadas pelo devedor, bem como um pagamento adicional de R$ 460.000,00, que foi feito em espécie, finalizando a transação. Destacou que todas estas operações teriam sido devidamente documentadas e declaradas por ela, contribuinte, e também pelo contribuinte outro, ressaltando que haveria microfilmagens se houvesse a utilização de instituição bancária, o que de fato não houve. Ao analisar a matéria em comento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) entendeu por não considerar como dispêndio/aplicação, no mês de setembro de 2008, o valor de R$ 2.860.000,00, permanecendo como aquisição de bens e direitos apenas o total de R$ 18.084,20, com consequente redução do acréscimo patrimonial a descoberto, no referido mês, para R$ 7.093,12. Confirase: “[...] No presente caso, entendo que o procedimento fiscal deve ser revisto. Fl. 1223DF CARF MF 20 Com efeito, consta dos autos, às fls. 158/160, o Segundo Termo Aditivo ao Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Cotas de Capital Social e Estabelecimento Industrial, em que está consignado que Adriano Aprígio de Souza, na qualidade de outorgante promitente vendedor, vende (devolução pela compra não paga no prazo estabelecido) para a contribuinte, Andréa Aprígio de Souza, sua irmã, 55% (cinquenta e cinco por cento) das quotas de capital da empresa Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda., no valor de R$ 2.860.000,00 (sendo R$ 2.400.000,00 mediante a devolução de notas promissórias e R$ 460.000,00 que teriam sido pagos em espécie, consoante recibo datado de 01º de agosto de 2008 fl. 161), observada, ainda, a 21ª Alteração Contratual de fls. 162/165. Ou seja, no que diz respeito a tal operação, entendo que os documentos constantes dos autos fazem prova de que tal negócio, não obstante os efeitos contábeis, não envolveu disponibilização financeira, mas apenas a troca de crédito que a contribuinte possuía em troca de participação (retomada de cotas) no capital social da empresa. Nesse sentido, é de se destacar que, na DAA/2009, juntada às fls. 02/10, mais especificamente no quadro “Declaração de Bens e Direitos”, à fl. 07, foi informada que em 31.12.2007 a participação da contribuinte no capital social da empresa Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda. era de R$ 2.080.000,00, participação esta que constou como aumentada para R$ 4.940.000,00 em 31.12.2008 (R$ 2.860.000,00 de diferença). Por sua vez, no mesmo quadro, à fl. 08, o crédito pela venda das cotas da referida pessoa jurídica, que teriam sido vendidas parceladamente a Adriano Aprígio de Souza, foi reduzido de R$ 2.400.000,00 para R$ 0,00, em razão de as cotas terem sido retomadas / recompradas em 2008. Quanto à diferença de R$ 460.000,00 (R$ 2.860.000,00 menos R$ 2.400.000,00), é de se ressaltar que a mesma também não pode ser considerada como dispêndio / aplicação, tendo em vista que, não sendo o recibo de fl. 161 suficiente para comprovar o repasse, tal montante não foi considerado como origem quando do julgamento de processo administrativo fiscal, por este julgador, envolvendo a mesma operação e tendo como sujeito passivo Adriano Aprígio de Souza. Assim, concluo por não considerar como dispêndio/aplicação, no mês de setembro de 2008, o valor de R$ 2.860.000,00, permanecendo como aquisição de bens e direitos apenas o total de R$ 18.084,20, com conseqüente redução do acréscimo patrimonial a descoberto, no referido mês, para R$ 7.093,12”. Entendo que a referida decisão deve ser confirmada. Conforme bem observado pela DRJ/RJ, o Segundo Termo Aditivo (fls. 158/160) ao Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Cotas de Capital Social e Estabelecimento Industrial, está consignado que Adriano Aprígio de Souza, na qualidade de outorgante promitente vendedor, vende (devolução pela compra não paga no prazo estabelecido) para a contribuinte, Andréa Aprígio de Souza, 55% (cinquenta e cinco por cento) das quotas de capital da empresa Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda., no valor de R$ Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.215 21 2.860.000,00 (sendo R$ 2.400.000,00 mediante a devolução de notas promissórias e R$ 460.000,00 que teriam sido pagos em espécie, consoante recibo datado de 01º de agosto de 2008 fl. 161). Ou seja, houve o desfazimento do negócio jurídico com o retorno dos contratantes ao statu quo ante, sem dispêndio financeiro, mas tão somente a troca de uma crédito que a contribuinte possuía em troca de participação (retomada de cotas) no capital social da empresa, razão pela qual mantenho a decisão de primeiro grau. 1.4 Da multa de 150% A Recorrente pretende o afastamento da multa de ofício qualificada, alegando que não agiu com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador, bem como teria fornecido todos os documentos necessários – dentro da observância de seus direitos fundamentais – para que a autoridade fazendária pudesse certificar as condutas passíveis. Argumenta que não se pode falar em “intenção fraudulenta” toda vez em que a autoridade fazendária tiver a possibilidade de rever as declarações prestadas pelo contribuinte, pois, assim, seria impossível a consumação da suposta conduta, ante a eterna vigilância desta autoridade, ressaltando que as apurações foram devidamente declaradas nas suas DIRPF. Defende que não agiu com o intuito de impedir, retardar, excluir ou modificar as características essenciais do tributo, tendo ocorrido a desconsideração dos empréstimos tomados, por entender a fiscalização que não restou comprovada a transferência bancária, sendo que, acaso fossem considerados, inexistiria a suposta omissão da receita. Requer, pois, o afastamento da multa aplicada. A qualificação da multa de ofício é o procedimento legal quando comprovada a existência de dolo. Uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício (multa de 75%). No caso da infração inserirse nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, o percentual da multa será duplicado. Recordese: “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II – (...) § 1º o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)” Fl. 1225DF CARF MF 22 Transcrevese a seguir, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, a que remete o dispositivo acima: “Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72.” A aplicação da multa de ofício duplicada foi aplicada porque a fiscalização entendeu que a contribuinte vem reiteradamente inserindo em sua Declaração de Ajuste Anual – DAA a existência de empréstimos que não existiram efetivamente, bem como distribuição de lucros não comprovada, com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador, com o único intuito de sonegar os tributos devidos, configurandose indício de crime contra a ordem tributária, disto decorrendo a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais (processo apensado, de nº 13116.720560/201351). Ocorre que em toda a instrução processual a fiscalização não apresentou nenhuma prova sequer de que a contribuinte objetivou sonegar dolosamente a ocorrência de fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstância, nem tampouco demonstrou a existência irrefutável de conluio visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Portanto, não se pode imputar dolo à conduta da Recorrente, sendo que a fiscalização não apresentou um único elemento de prova, se limitando apenas a inferir o dolo sem demonstrálo, sendo assim, a multa aplicada em duplicidade é improcedente, devendo ser aplicada a multa de ofício no patamar de 75%, nos termos insculpidos no inciso I, do artigo 44 da Lei 9.430/96. No que tange à alegação de que a multa aplicada (150%) é inconstitucional, pois se afiguraria confiscatória, é de se ressaltar que, conforme dito anteriormente, o exame da mesma escapa à competência da autoridade administrativa julgadora, nos termos da Súmula CARF nº 2. Assim, não há que se manter a aplicação da multa qualificada, e somente a multa de ofício. 2. CONCLUSÃO: Dado o exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCO, CONHECER do Recurso Voluntário, para no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 13116.720558/201382 Acórdão n.º 2401004.693 S2C4T1 Fl. 1.216 23 Recurso Voluntário do contribuinte, para exonerar a multa qualificada de 150%, e manter a aplicação da multa de ofício de 75%, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1227DF CARF MF 24 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Redatora designada. Concordando com os demais termos do voto da relatora, respeitosamente, divirjo quanto à qualificação da multa de ofício. O fato de a contribuinte inserir reiteradamente informações inverídicas em suas Declarações de Ajuste demonstra que não se trata de mera omissão, erro ou equívoco da declarante, mas, sim, de ação planejada com o claro intuito de impedir o conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. As informações a que se alude são os empréstimos os quais não logrou comprovar, de supostos mutuantes que não teriam sequer disponibilidade financeira para essas operações, e as distribuições de lucros, também não provadas. A inclusão, repisese, reiterada dessas informações em suas Declarações de Ajuste evidencia a conduta delitiva da contribuinte. Portanto, correta a qualificação da multa de ofício no percentual de 150%. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da contribuinte. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 1228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900622/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 22 /2 01 2- 51 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900622/201251 Acórdão n.º 1302002.153 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900622/201251 Acórdão n.º 1302002.153 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900622/201251 Acórdão n.º 1302002.153 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.721917/2011-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO DA CONDUTA NAS HIPÓTESES DOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI 4.502/64.
A mera reiteração de conduta infracional, ainda que caracterizada pela declaração de valores substancialmente menores do que os devidos, por si só, não é suficiente à qualificação da multa segundo a disposição da Lei 9.430, art. 44, inciso II. Essa exacerbação se sustenta, porém, quando demonstrado pela fiscalização que o contribuinte conhecia os valores corretos tendo-os omitido nas notas fiscais emitidas.
Numero da decisão: 9303-004.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Julgado dia 10/04/2017 no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO DA CONDUTA NAS HIPÓTESES DOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI 4.502/64. A mera reiteração de conduta infracional, ainda que caracterizada pela declaração de valores substancialmente menores do que os devidos, por si só, não é suficiente à qualificação da multa segundo a disposição da Lei 9.430, art. 44, inciso II. Essa exacerbação se sustenta, porém, quando demonstrado pela fiscalização que o contribuinte conhecia os valores corretos tendo-os omitido nas notas fiscais emitidas.
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NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO DA CONDUTA NAS HIPÓTESES DOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI 4.502/64. A mera reiteração de conduta infracional, ainda que caracterizada pela declaração de valores substancialmente menores do que os devidos, por si só, não é suficiente à qualificação da multa segundo a disposição da Lei 9.430, art. 44, inciso II. Essa exacerbação se sustenta, porém, quando demonstrado pela fiscalização que o contribuinte conhecia os valores corretos tendoos omitido nas notas fiscais emitidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Julgado dia 10/04/2017 no período da tarde. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 19 17 /2 01 1- 34 Fl. 7152DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 6.895 a 6.901) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3403001.822 (fls. 6.885 a 6.893) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 25 de outubro de 2012, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para retirar a qualificação da multa de oficio, reduzindoa de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, a Lei no 4.502/1964, art. 80). MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. Para qualificação da multa de ofício em relação ao IPI, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. IPI. MULTA DE OFÍCIO. COBERTURA DE CRÉDITO. CABIMENTO. Fl. 7153DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.153 3 É cabível a aplicação da multa de ofício tanto nos casos de falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal, quanto nas hipóteses de falta de recolhimento do imposto. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEFESA. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazêlo em nome de terceiros responsáveis. (grifouse) A discussão dos presentes autos tem origem em auto de infração (fls. 03 a 109) lavrado, em 08/11/2010, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), referente aos períodos de apuração de 01/01/2007 a 31/12/2009. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 2.471 a 2.489), no decorrer do procedimento que levou à autuação, foi constatado ter a empresa contribuinte procedido à classificação fiscal das mercadorias por ela fabricadas forro de policloreto de vinila (PVC) na posição 3916.20.00 da TIPI, com alíquota de IPI de 10%, sem, no entanto, ter efetuado o cálculo do IPI e seu respectivo destaque nas notas fiscais de saída dos produtos, bem como seu recolhimento ao Erário. Em razão de tal prática ter sido adotada pelo Sujeito Passivo durante todo o período objeto de fiscalização, de acordo com as notas fiscais de saída de seus produtos, entendeu a Administração Tributária caracterizadas as práticas de sonegação e/ou fraude descritos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, levando à qualificação da multa de ofício ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). No auto de infração, foi imputada a responsabilidade passiva solidária em desfavor de CAMYLO MATTIELLO e CLAUDIOMIRO SOMENSI, sócios da empresa autuada; LAURI MATTIELLO, administrador de fato e procurador da autuada PLASTILEVE; e INCOFIMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FIBRAS MATTIELLO LTDA, sucessora de fato da empresa fiscalizada. Além disso, a autuação deu origem à Representação Fiscal para Fins Penais constante do processo administrativo nº 10925.721942/201118, anexo aos presentes autos. Cientificados do auto de infração, apenas a empresa PLASTILEVE PLÁSTICO INDUSTRIAL LTDA. apresentou impugnação (fls. 6.600 a 6.616), julgada improcedente pela 8ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto (SP), nos termos do acórdão nº 1436.525, de 14 de fevereiro de 2012 (fls. 6.836 a 6.851), cujos fundamentos encontramse sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Fl. 7154DF CARF MF 4 IPI. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. ERRO DE ALÍQUOTA. OMISSÃO DO VALOR DO IMPOSTO A SER DESTACADO NA NOTA FISCAL DE SAÍDA. O imposto não lançado na nota fiscal, e conseqüentemente não recolhido espontaneamente pelo contribuinte, enseja o seu lançamento de ofício, independentemente do motivo de que decorreu tal omissão. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO. LEGALIDADE. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR DE FATO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo responsável indicado no Termo de Responsabilização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (grifouse) Contra a decisão que julgou improcedente a impugnação, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 6.863 a 6.880), postulando a sua reforma para cancelamento do auto de infração em sua totalidade. Sobreveio, então, julgamento de parcial procedência do recurso, nos termos do Acórdão nº 3403001.822 (fls. 6.885 a 6.893), ora recorrido, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 25 de outubro de 2012, para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento), sob o fundamento de que, embora presente o elemento volitivo, não há nos autos requisitos que indiquem ter a Contribuinte impedido ou dificultado o conhecimento da matéria tributável pelo Fisco, elemento consequente exigido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 para qualificação da multa de ofício. No ensejo, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra parte do referido acórdão, alegando divergência jurisprudencial quanto à redução do percentual da multa de ofício aplicada em 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 10196446 e 10517034. Em suas razões recursais, aduz a Fazenda Nacional, em síntese, que: Fl. 7155DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.154 5 (a) a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) é cabível quando comprovado tratarse de casos envolvendo evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64; (b) nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, deve estar caracterizada a presença de dolo, que se constitui em elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, diferenciandoos da mera falta de pagamento do tributo. Nos presentes autos, está atestado o dolo do contribuinte de lesar o Fisco; (c) não pode prevalecer o argumento de que a conduta do Sujeito Passivo não teria retardado o conhecimento, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador, pois ao adotar a classificação correta e deixar de recolher o tributo devido, pretendia retardar suspeitas sobre a prática ilegal. Defende que a reiterada e sistemática insubordinação aos ditames da Lei, atesta a presença de dolo, sendo aplicável a multa qualificada prevista no inciso II, art. 44 da Lei nº 9.430/96. Postula a reforma da decisão na parte desfavorável à Fazenda Nacional. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho proferido, em 27 de julho de 2015 (fls. 6.903 a 6.904), pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A autuada PLASTILEVE apresentou contrarrazões (fls. 6.926 a 6.932) postulando a negativa de provimento ao recurso especial, mantendose a desqualificação da multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento). Na mesma oportunidade, a Contribuinte apresentou recurso especial (fls. 6.935 a 6.945), no entanto, o mesmo teve seguimento negado, por não terem sido comprovadas as divergências jurisprudenciais arguidas, nos termos do despacho de 20 de janeiro de 2016 (fls. 7.103 e 7.106), confirmado em reexame de admissibilidade (fls. 7.107). Por esta razão, o recurso da Contribuinte não será objeto de análise. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 7156DF CARF MF 6 Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando averiguarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. A origem da presente autuação está na ausência de cálculo e destaque do IPI nas notas fiscais de saída dos produtos fabricados pela Contribuinte, com o respectivo recolhimento ao Erário. Conforme apurado pela Fiscalização, embora tenha a empresa indicado nos documentos fiscais o código de classificação da mercadoria correto 39.16.20.00 da TIPI deixou a mesma de efetuar o destaque e recolhimento, à alíquota de 10% (dez por cento), do IPI devido. Por entender que a prática reiterada da omissão pela PLASTILEVE constituiuse em sonegação e/ou fraude, descritos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, o percentual da multa de ofício foi duplicado, alcançando 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96 e do art. 80, §6º, inciso II, da Lei nº 4.502/64. No exame do recurso voluntário, partindo do contexto fático acima descrito, o acórdão recorrido deu parcial provimento ao apelo para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento), por entender o Colegiado a quo que embora presente o elemento volitivo, caracterizandose o dolo, não houve o elemento consequente, consistente no impedimento o retardo do conhecimento da matéria tributável por parte do Fisco, e exigido pela norma para qualificação da multa de ofício. Da fundamentação do voto da decisão ora recorrida, pertinente a transcrição dos seguintes trechos: [...] Da qualificação da multa de ofício O art. 80 da Lei no 4.502/1964 estabelece que a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeita o contribuinte à multa de ofício de 75%, estabelecendo o §6º, II do mesmo artigo que tal multa será duplicada (qualificada) ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante, e nos casos previstos nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio). Na autuação, justificase a qualificação em função de ter a recorrente cometido a infração de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado, configurandose o dolo pelo fato de a empresa, mesmo sabendo a correta classificação do produto, ter rotineiramente omitido o destaque (e o recolhimento) do imposto, incorrendo nas práticas referidas nos arts. 71 e 72 da Lei no 4.502/1964. Fl. 7157DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.155 7 O art. 71 trata de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. O art. 72, por seu turno, trata de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador (ou excluir ou modificar suas características essenciais). Vejase que em ambos os enquadramentos há dois elementos relevantes: (a) um antecedente elemento volitivo , e um consequente o resultado buscado com a ação ou omissão. Em relação ao elemento volitivo, é de se destacar que não basta simplesmente haver recolhimento a menor, ou omissão de receita. É preciso que se vincule isso a uma “vontade”, a uma intenção. Simplesmente cometer um erro de classificação não configuraria conduta dolosa. Mas cometêlo sabendo qual é a classificação correta traria contornos de intenção. Cometêlo reiteradamente por largo período de tempo sabendo qual a classificação correta conformaria uma convicção ainda maior em torno do elemento volitivo. E cometêlo reiteradamente em todas as operações durante largo período de tempo sabendo qual é a classificação correta para um produto que é o único fabricado pela empresa pareceria tornar insustentável entendimento diverso. Contudo, no presente processo as mercadorias não estão incorretamente classificadas (em que pese a contradição nas respostas a intimações, os documentos fiscais da recorrente não apresentam o erro de classificação). A própria fiscalização reconhece (fls. 2476) que “em todas as notas fiscais analisadas por amostragem foi verificado que os produtos industrializados pela contribuinte foram classificados na posição (sic) 39.16.20.00 da TIPI”. A irregularidade constatada pela fiscalização durante todo o período em análise é a ausência do “cálculo do IPI e seu respectivo destaque nas notas fiscais, bem como seu recolhimento ao Erário”. A consideração acima não prejudica o silogismo efetuado no parágrafo que a antecede. Não efetuar o destaque e o recolhimento em uma operação não configura, por si, conduta dolosa. Mas fazêlo reiteradamente, por dois anos, em todas as operações de venda do único produto fabricado pela empresa, sabendo que a alíquota adotada expressamente enseja o destaque e o recolhimento, demarca indubitavelmente a presença do elemento volitivo. Presente o antecedente, resta verificar se o acompanha o consequente: se a ausência dolosa de destaque e recolhimento objetivou (a) impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (de sua natureza ou circunstâncias materiais) ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito correspondente (art. 71), ou (b) objetivou impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (ou excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir seu pagamento art. 72). Emitindose a Nota Fiscal com a classificação correta, embora se tenha deixado de promover o destaque e o recolhimento, não se impede ou retarda o conhecimento do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais, nem das condições pessoais do contribuinte. Pelo narrado na autuação, a ausência de destaque e recolhimento não foi um fator que dificultou ou impediu a evidenciação da matéria tributável, visto que as Notas Fiscais foram emitidas, não se questionando seu valor, e continham a correta classificação fiscal, o que Fl. 7158DF CARF MF 8 configura não só o fato gerador como a exigibilidade do IPI. Tampouco se verificou impedimento ou retardo à própria ocorrência do fato gerador. Apesar de a autuação apresentar elementos que permitem identificar o intuito doloso, não se elencam atributos que levem ao entendimento de que isso dificultou ou impediu o conhecimento da matéria tributável por parte do fisco (tipificações previstas nos art.s 71 e 72 da Lei do IPI). Ausente, assim, o elemento consequente, exigido pela norma para qualificação da multa de ofício. Para qualificação da multa de ofício em relação ao IPI, é necessária a configuração do intuito doloso, e de que se volta a uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. Temse, assim, prejudicada a manutenção da qualificação na multa de ofício lançada, devendo tal multa ser aplicada no patamar de 75%. [...] (grifouse) Portanto, no caso dos autos, o afastamento da qualificação da multa de ofício não se deu em razão da ausência de dolo esse elemento foi considerado como existente na conduta da autuada mas sim pela ausência do elemento consequente, do resultado, ou seja, de impedir ou retardar o conhecimento da matéria tributável por parte do Fisco, sem o qual não há a tipificação da circunstância qualificativa da infração. Não se discute, assim, a existência de dolo na conduta da Contribuinte, pois reconhecido no decorrer do processo administrativo estar presente o referido elemento volitivo, afastada a qualificação da multa de ofício em razão da ausência do elemento de resultado, igualmente necessário à caracterização das situações descritas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Ocorre que, da análise do recurso especial da Fazenda Nacional e dos acórdãos nºs 10196446 e 10517034, colacionados como paradigmas, verificase a impossibilidade de ser conhecido o apelo. Isso porque centrase a sua pretensão recursal na caracterização do dolo quando há prática reiterada de determinada conduta ilícita, suficiente a ensejar a qualificação da multa de ofício, ponto superado no caso em exame, em que houve o reconhecimento da existência de dolo. Por esse enfoque, inclusive, o entendimento manifestado no acórdão recorrido e nas decisões tidas por paradigmáticas são convergentes, estando ausente o pretendido e necessário dissenso interpretativo a autorizar a via do apelo especial. O acórdão paradigma nº 10196446 trata de omissão de rendimentos em razão de valores creditados em conta corrente de depósitos ou investimentos, sem a comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações. Por ter sido a conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, naquele caso, entendeuse pela existência de dolo, suficiente para qualificar a multa de ofício em 150%. Assim foi ementada a decisão: NULIDADE SIGILO BANCÁRIO – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001 INOCORRÊNCIA Não cabe alegação de quebra de sigilo bancário no caso de entrega espontânea à fiscalização de extratos das respectivas contas obtidos pelo sujeito passivo diretamente dos bancos de que é cliente. Fl. 7159DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.156 9 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta corrente de depósitos ou investimentos, mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROVAS As provas somente alcançadas após a impugnação devem ser consideradas em grau de recurso, e sua confirmação pela fiscalização produz o efeito de reduzir a matéria tributável. MÚTUO. COMPROVAÇÃO A efetividade da realização de mútuo há que ser comprovada mediante prova da transferência dos recursos financeiros mutuados. LANÇAMENTOS CONEXOS. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são conexos, as conclusões relativas ao lançamento do IRPJ devem prevalecer na apreciação da CSLL, do PIS e da COFINS, exceto quanto às argüições ou elementos de prova específicos. PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO FATURAMENTO Para poder pleitear a exclusão, da base de cálculo, das receitas omitidas, cumpre ao contribuinte provar que não são oriundas da atividade fim da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de ofício qualificada de 150 %, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. JUROS DE MORA SELICA partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4) Ainda, da fundamentação do referido paradigma extraise que o fato de a conduta ter sido praticada reiteradamente, somada à significância dos valores, ensejou a manutenção da multa de ofício qualificada, não havendo discussão quanto ao elemento consequente, do resultado pretendido, in verbis: [...] Quanto à qualificação da multa, referendo as razões de decidir do ilustre relator do voto vencedor, a seguir transcritas, que adoto como minhas: Concordo com a corrente de que o fato de a contribuinte não ter logrado comprovar a origem de parte dos valores creditados em contas de depósitos ou de investimentos em instituição financeira, por si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude a que se refere o inciso II do art. 44 da Lei n°9.430, de 1996. [...] Fl. 7160DF CARF MF 10 Ou seja, há um quadro de reiteramento de conduta e de significãncia de valores, que torna absolutamente implausivel a idéia de que se estaria diante de uma conduta involuntária, de um fato isolado, de um mero erro material. Não é razoável imaginar que uma pessoa jurídica, que opere sem intuito de se furtar às suas obrigações tributárias, não possa justificar nenhum dos ingressos significativos encontrados em sua conta corrente bancária ou tenha se equivocado em não declarar receitas da atividade, escrituradas, ao longo de dois períodos de apuração seguidos. [...] (grifouse) De outro lado, no acórdão paradigma nº 10517034 também houve a qualificação da multa de ofício em razão do entendimento de que a prática reiterada de conduta ilícita caracteriza o dolo do agente, demonstrando a ocorrência da situação prevista no art. 71, inciso I da Lei nº 4.502/64, conforme ementa do julgado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: LC 105 e Lei 10.174/2001 Aplicase a regra prevista no art. 144 do CTN no que se refere às normas que trazem novos poderes investigatórios à fiscalização. PIS A parti da Lei 9715 o fato gerador e a base de cálculo do PIS voltaram a ser o faturamento do próprio mês e não o do sexto mês anterior. MULTA QUALIFICADA Provada a ocorrência da situação prevista no art. 71, I da Lei 4502/64, aplicase a multa qualificada prevista no art. 44 da Lei 9.430. A prática reiterada da infração demonstra de forma inequívoca o dolo do agente. (grifouse) A inutilidade do referido julgado como paradigma evidenciase, ainda, no fato de que houve a utilização de artifícios pelo Contribuinte para impedir o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, situação fática diametralmente oposta a verificada nos presentes autos. Elucidativa é a transcrição de parte do voto, in verbis: [...] Quanto à aplicação da multa qualificada, também não assiste razão à recorrente. Trago abaixo a justificativa da qualificação da multa, constante no termo de fls. 193 "Pela característica do caso em tela, entende a fiscalização que a multa a ser aplicada é a qualificada, considerandose os fatos descritos, a falta de reconhecimento pelo contribuinte em sua escrita fiscal/contábil dos recursos para fazer face aos vultuosos créditos/débitos bancários efetuados em contacorrente, Fl. 7161DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.157 11 omissão do faturamento na DIPJ, omissão dos tributos a serem declarados em DCTF. Pela omissão dolosa tendente a ocultar/retardar a real faturamento e disponibilidade econômica, utilização de interpostas pessoas, conseqüentemente impedindo o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, que somente veio a tona com o desenvolvimento da presente ação fiscalizatória e contribuindo ainda para tal fundamentação a expressiva movimentação financeira, deixada à margem, que jamais poderia traduzir em ato equivocado ou inadvertido por parte do contribuinte ou seus administradores e responsáveis tributários, propiciam em potencial a multa qualificada de 150% sobre o imposto apurado, por incidir na situação prevista no art. 71, I, da Lei 4502/64, referenciado no art. 44, da Lei 9430/96" Verificase também, compulsando os autos que o contribuinte praticou os atos descritos pela fiscalização nos quatro trimestres (em todos os meses) dos anos de 2001 a 2004, demonstrando prática reiterada da infração, o que afasta totalmente a possibilidade de conduta culposa, ficando evidente o dolo. [...] (grifouse) Portanto, não deve ser conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional, tendo em vista que: (a) não foi comprovado o dissenso interpretativo, pois a prática reiterada de conduta ilícita serviu para caracterizar o elemento de vontade dolo tanto no acórdão recorrido quanto naqueles indicados como paradigma; (b) tratam os julgados confrontados de situações fáticas distintas, estando ausente o requisito de aplicação de soluções jurídicas diversas para casos semelhantes; e, ainda, (c) não foi enfrentado, no recurso especial, o argumento da ausência do elemento de resultado da conduta, sem o qual não há de se falar na caracterização das situações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, argumento principal do acórdão recorrido para afastar a qualificação da multa de ofício. Diante do exposto, por não terem sido preenchidos todos os requisitos do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, em especial a ausência de comprovação da divergência jurisprudencial, não se conhece do recurso especial do Procurador. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 7162DF CARF MF 12 Mérito Na hipótese de ser transposta a questão da admissibilidade deste recurso, necessário adentrarse à análise do mérito. No mérito, centrase a controvérsia na possibilidade de ser restabelecida a multa de ofício qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96 e art. 80, §6º, inciso II da Lei nº 4.502/64, a qual foi reduzida ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento) no julgamento do recurso voluntário. As penalidades para o descumprimento das obrigações tributárias federais estão disciplinadas na Lei nº 9.430/96. A multa para o lançamento de ofício será duplicada, alcançando a monta de 150% (cento e cinquenta por cento) nas hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, conforme disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] (grifouse) Dispõem os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características Fl. 7163DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.158 13 essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Pertinente, ainda, trazer à colação o art. 80, §6º, inciso II da Lei nº 4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. [...] § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: [...] II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. Para ser caracterizada uma das situações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, é necessário que tenha o contribuinte agido mediante fraude, ardil, omissão voltada ao prejuízo da Fazenda Pública, acarretando assim a ocorrência de um ilícito criminal. A conduta de não recolher o crédito tributário, total ou parcialmente, constituise em simples infração administrativotributária, em que o Contribuinte expressa em seus documentos contábeis a operação a ser tributada, possibilitando o seu conhecimento pela Autoridade Fazendária no procedimento de fiscalização. A sonegação está descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64 como a ação ou omissão dolosa com o intuito de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento pela Autoridade Fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. De outro lado, o art. 72 do mesmo diploma legal, define a fraude como a ação ou omissão dolosa que vise impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, ou excluir ou modificar suas características essenciais, para reduzir o montante do imposto devido, evitar ou diferir o seu pagamento. Portanto, além da conduta, comissiva ou omissiva, do agente dever ser revestida do dolo, com a real intenção de sonegar ou fraudar, há de ser verificado se o resultado pretendido foi efetivado, para só então restarem caracterizadas as hipóteses constantes nos artigos 71 e 72 da Lei nº. 4502/64. Fl. 7164DF CARF MF 14 Conforme se constata do Relatório Fiscal (fls. 2.471 a 2.488), no tópico relativo à "Descrição dos fatos e da apuração de infração", o que restou comprovado foi a omissão da Contribuinte quanto ao cálculo do IPI e seu respectivo destaque nas notas fiscais, bem como a falta de recolhimento do tributo aos cofres da União. Além disso, a própria Fiscalização atesta ter o Sujeito Passivo classificado corretamente os produtos por ele industrializados e, ainda, ter atendido a todas as solicitações de informações e documentos no decorrer do procedimento fiscal, tendo sido efetuado o lançamento do valor devido com base nas notas fiscais fornecidas pela empresa Plastileve. Consta do Relatório Fiscal elaborado pela Autoridade Administrativa: [...] Através do processo de fiscalização, foi constatado, mediante amostragem das notas ficais de saída (em anexo) e informações prestadas pela própria contribuinte em resposta aos Termos de Intimação nº 191/2010, 338/2010 e 449/2010 (em anexo), que todos os produtos industrializados pela contribuinte são classificados na posição 39.16.20.00 da TIPI e, portanto, sujeitos à alíquota de 10% para fins de cálculo do IPI. Observese que em todas as notas fiscais analisadas por amostragem, foi verificado que os produtos industrializados pela contribuinte foram classificados na posição 39.16.20.00 da TIPI. Mas na resposta ao Termo de Intimação nº 338/2010, a contribuinte afirmou que a classificação correta seria na posição 39.22.90.00 da TIPI, contradizendo não apenas o que consta nas notas fiscais, como também a informação que foi apresentada na “Relação de Produtos de Fabricação da empresa” presente na resposta ao próprio Termo de Intimação nº 338/2010 e ao Termo de Intimação nº 191/2010, na qual informa a classificação na posição 39.16.20.00 da TIPI. Porém, ao ser questionada, mediante o Termo de Intimação nº 449/2010, sobre tal classificação, a própria contribuinte, em sua resposta à Intimação, ratificou a classificação correta como sendo na posição 39.16.20.00 da TIPI, de acordo com o que consta nas notas fiscais de saída da empresa. Cabe ressaltar que na mencionada “Relação de Produtos de Fabricação da empresa” enviada pela própria contribuinte, a mesma reconhece que a alíquota que deve ser utilizada para fins de cálculo do IPI é de 10%. Ao analisarmos os produtos industrializados pela contribuinte, constatamos que a empresa fabrica forros de policloreto de vinila (forros de PVC) e, assim, ficou confirmado que a classificação correta realmente é a posição 39.16.20.00 da TIPI, que tem por descrição: “Monofilamentos cuja maior dimensão do corte transversal seja superior a 1mm (monofios), varas, bastões e perfis, mesmo trabalhados à superfície mas sem qualquer outro trabalho, de plásticos. De polímeros de cloreto de vinila.”. Tal classificação também é confirmada pelas Soluções de Consulta nº 125 de 19 de março de 2007 e nº 298 de 22 de agosto de 2007 no âmbito da 9ª Região Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), cujas ementas seguem abaixo: [...] Apesar de todo o exposto acima, ao serem analisadas, por amostragem, as notas fiscais de saída emitidas pela contribuinte em questão durante todo o período fiscalizado (de 01/2007 a 12/2009), restou comprovado que o cálculo do IPI e seu respectivo destaque nas notas fiscais, bem como seu recolhimento ao Erário da União, não estavam sendo realizados pela Fl. 7165DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.159 15 empresa, configurando crime contra a ordem tributária, descrito pela Lei nº 8.137 de 1990, a qual afirma (destaques nossos): [...] Assim, para efetivar os lançamentos dos créditos tributários apurados, foi lavrado o Auto de Infração para o IPI, do qual o presente Relatório é parte integrante. [...] 8) DA MULTA DE OFÍCIO [...] Portanto, pelos motivos descritos anteriormente, em especial aqueles relatados no item 4 acima, podemos observar que a contribuinte cometeu a infração de forma reiterada, deixando de tributar suas vendas à alíquota de 10% para o IPI durante todo o período fiscalizado, de janeiro de 2007 a dezembro de 2009. Além disso, dizse que há dolo quando o agente quer o resultado ou assume o risco de produzilo. O dolo é composto dos elementos: a) consciência da conduta e do resultado; b) consciência da relação causal objetiva entre a conduta e o resultado; c) vontade de realizar a conduta e produzir o resultado. Tais elementos se encontram no caso presente pois, como podese verificar pela análise das notas fiscais emitidas pela empresa ao longo de todo o período fiscalizado (em anexo), a contribuinte em nenhum momento destacou o valor do IPI em suas notas fiscais, demonstrando a prática reiterada da infração, mesmo sabendo que a classificação fiscal dos produtos que industrializava sujeitava a empresa ao destaque e recolhimento do IPI à alíquota de 10%, conforme relatado no item 4 acima. A prática desta omissão fez parte da rotina administrativa da empresa fiscalizada, o que comprova que a intenção do agente sempre foi a de reduzir os tributos devidos. Tais fatos configuram as práticas de sonegação e/ou fraude descritos nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502 / 64, transcritos acima. Por todo o exposto e de acordo com o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430 / 96 e com o inciso II do § 6º do artigo 80 da Lei nº 4.502 / 64, ambos transcritos acima, o percentual da multa de ofício deve ser duplicado, alcançando 150%. [...] (grifouse) O intuito de dolo na conduta do Sujeito Passivo é evidenciado em razão de ter procedido à correta classificação das mercadorias na posição 39.16.20.00 da TIPI, sem ter efetuado o cabível destaque e recolhimento do IPI à alíquota de 10% (dez por cento) durante todo o período fiscalizado. O simples fato de a conduta ter sido praticada reiteradamente não seria suficiente a ensejar a ocorrência de dolo, no entanto, somaramse a este fato as Fl. 7166DF CARF MF 16 circunstâncias de ser o forro de PVC o único produto fabricado e comercializado pela empresa, além de ter incorrido no comportamento em todas as operações fiscalizadas. Depreendese do auto de infração consistir a infração pretendida punir pela Fiscalização unicamente a falta de realização, nas notas fiscais de saída, do cálculo e respectivo destaque do IPI devido, e do seu recolhimento ao Erário da União. Não teve o resultado de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos geradores, e das características da operação tributável, por parte da Fazenda Pública. Tanto é assim que efetuou a emissão das notas fiscais de saída, indicando o código de classificação da mercadoria correto, conforme a TIP. Nos termos do art. 112, incisos II e III, do Código Tributário Nacional CTN, havendo dúvidas quanto "à natureza ou às circunstâncias materiais do fato" ou ainda "à autoria, imputabilidade ou punibilidade" devese interpretar a lei tributária da forma mais favorável ao acusado. Elucidativa é a lição do ilustre jurista Leandro Paulsen, quanto à correta interpretação a ser dada ao dispositivo citado, n verbis: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comine penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: [...] II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Dúvida quanto aos fatos, não quanto ao direito. O art. 112 do CTN, embora cuide da interpretação da lei punitiva, referese efetivamente à sua aplicação aos casos concretos, conforme se vê pelo rol de hipóteses constante dos seus incisos. Aliás, efetivamente, não há que se falar em dúvida quanto à lei propriamente, na medida em que o seu alcance é definido pelo Judiciário através da aplicação dos diversos critérios de interpretação. Dúvida pode haver quanto aos atos praticados pelo contribuinte e, em face das suas características, quanto ao seu enquadramento legal. Daí a norma de que, no caso de dúvida, ou seja, de não ter sido apurada a infração de modo consistente pelo Fisco de modo a ensejar convicção quanto à ocorrência ou características da infração, não se aplique a penalidade ou o agravamento que pressupõe tal situação. [...] III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; A aplicação de multa qualificada depende da inexistência de dúvida quanto ao caráter doloso da conduta. "... a comprovação da conduta dolosa deve estar cristalina na acusação fiscal. Tomandose emprestada expressão contida na ementa do Acórdão n. 2202002.106, de 21 de novembro de 2012, o que se quer dizer é que 'O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos'. Assim é que não basta que se presuma a conduta dolosa, sendo também imprescindível para a aplicação dessa penalidade a produção de prova dessa conduta dolosa por parte da fiscalização. Isso porque já existe uma penalidade (de ofício) para o simples fato de não pagamento de tributo, razão pela qual a aplicação da multa qualificada requer algo mais, por ser, nas palavras de Marco Aurélio Greco, 'a exceção da exceção'. Nesse sentido decidiram os Acórdãos ns. 140200752, 140200753 e 140200754, de 30 de setembro de 2012, bem como os Acórdãos ns. 920200.632, de 12 de abril de 2010, 920100.971, de Fl. 7167DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.160 17 17 de agosto de 2010, 330100.557, de 26 de maio de 2010, e 1402001.180, de 10 de dezembro de 2012. Outrossim, tal necessidade de comprovação decorre também da previsão do art. 112 do CTN, que determina interpretação mais favorável ao acusado da lei tributária que define infrações, ou comina penalidade, conforme anteriormente analisada, de sorte que nas situações que houver qualquer dúvida quanto à intenção ou a conduta do contribuinte, esse não pode sofrer a penalidade em sua modalidade qualificada." (COVIELLO FILHO, Paulo. A multa qualificada na jurisprudência administrativa. Análise crítica das recentes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RDDT 218/130, nov/2013) (grifouse) (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 17 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; 2015. p. 882883) A conduta da Contribuinte não resultou em retardar ou impedir o conhecimento da matéria tributável pelo Fisco, afirmação corroborada pelo fato de o lançamento de ofício ter sido efetuado com base em documentos entregues pela própria Fiscalizada, in verbis: 7) DO CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO Os valores de IPI devidos pela contribuinte foram apurados de acordo com os arquivos de notas fiscais em meio digital, entregues pela própria contribuinte aos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela presente fiscalização, atendendo à requisição formulada no Termo de Intimação nº 570/2010 (em anexo). A veracidade das informações contidas em tais arquivos foi comprovada com a comparação, por amostragem, com as notas fiscais físicas fornecidas pela empresa (em anexo). Com base em tais arquivos, foi produzida a tabela “Saídas por CFOP” (em anexo) com os valores das notas fiscais de saída da empresa, agrupadas por Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP), de modo a verificar quais operações constituem a base de cálculo para fins de apuração do IPI devido. Feito isso, considerando apenas as notas fiscais que possuem operações que constituem base de cálculo do IPI, foi produzida a tabela “Base de Cálculo Mensal do IPI” (em anexo) com as bases de cálculo do IPI para cada mês do período fiscalizado. Tais bases de cálculo foram utilizadas nos lançamentos realizados através do presente Auto de Infração para a apuração do IPI devido. Por outro lado, foi constatado que a contribuinte fazia jus a créditos tributários de IPI no período fiscalizado, os quais foram apurados com base na escrituração fiscal realizada pela empresa em seu Livro Registro de Apuração do IPI, cujas folhas com a escrituração dos créditos encontramse em anexo, bem como os Termos de Abertura e de Encerramento dos respectivos livros, nos quais constam os registros na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (JUCESC). Fl. 7168DF CARF MF 18 Tais valores também foram considerados no presente Auto de Infração para fins do cálculo do IPI devido pela contribuinte. [...] (grifouse) Portanto, ausente o elemento de resultado necessário à perfeita subsunção dos fatos descritos à norma tributária, não havendo de se falar na ocorrência das hipóteses previstas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 a ensejar a qualificação da multa de ofício ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). Por fim, necessário referir que não houve a adequada individualização da suposta ação delituosa, necessariamente dolosa, em um dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, o que somado ao disposto no art. 112, incisos II e III do CTN, há de ser mantido o afastamento da multa de ofício qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), do art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, e mantida a redução para 75% (setenta e cinco por cento). Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator designado Distinguiume a Presidência com a difícil tarefa de contrapor aos muito bem articulados fundamentos da relatora aqueles que levaram o colegiado a conhecer do recurso e a lhe dar provimento. Espero que consiga fazêlo adequadamente. Primeiramente, no que toca ao conhecimento do recurso, aponta a dra. Vanessa que as decisões seriam convergentes, na medida em que ambas entenderam ser elemento constitutivo do dolo a prática reiterada. Não é isso o que pensamos. Com efeito, o relator da decisão recorrida construiu o seu raciocínio sobre a necessidade de um segundo elemento, além do volitivo que reconheceu estar presente, para que se possa fazer a qualificação da multa. Nos paradigmas, ao contrário, advogase ser suficiente a reiteração quando provado que o sujeito passivo sabia qual a informação correta a ser prestada. Parecenos evidente a divergência interpretativa, mesmo que, eventualmente, quanto ao mérito, viéssemos a discordar de que, no caso concreto, havia a consciência do sujeito passivo. Vale frisar que a tese do paradigma é precisamente a que aqui temos adotado, Fl. 7169DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.161 19 qual seja, de que, além da reiteração, se deve provar o conhecimento das circunstâncias corretas pelo praticante da infração. Outro ponto por ela indicado diria respeito à presença de circunstâncias diversas, visto que em um dos paradigmas se fala de interposição de pessoas e não apenas da reiteração. No nosso entender, no entanto, isso apenas seria relevante se a representação fazendária estivesse a requerer, para o recorrido, a adoção da tese de que bastaria a reiteração. Como já dito, não é esse o seu objetivo, visto que a própria decisão já reconheceu que havia o conhecimento, pelo sujeito passivo, da alíquota correta a apor nas notas fiscais. O terceiro e último ponto por ela aduzido diz respeito à ausência, no paradigma, de análise acerca do segundo elemento que a decisão recorrida entendeu necessário à qualificação. Como já disse em outra ocasião, não há tal requisito para o conhecimento. Com efeito, o que o recurso especial exige é que sejam contrapostos entendimentos acerca de uma dada matéria. E isso está claramente presente aqui. Deveras, para o colegiado prolator do acórdão recorrido, há a necessidade de um segundo elemento para configurar a qualificação; para o paradigma, não. Não há por que exigir que o paradigma se pronuncie sobre algo que ele não considera necessário. Com tais considerações, conhecemos do recurso. Quanto ao mérito, lhe demos provimento reiterando entendimento já manifestado em diversas outras ocasiões: a qualificação da multa em situações semelhantes exige, além da mera reiteração, a prova, a ser feita pela fiscalização, de que o sujeito passivo sabia que estava cometendo a infração. Os motivos já foram por mim detalhados assim: Entendo que o recurso observou os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento dos Conselhos de Contribuintes vigente quando proferida a decisão que ele pretende atacar, sendo certo que foi ela tomada por maioria e foram apontados os dispositivos legais supostamente contrariados. Dele conheço, pois. Mas não vejo motivos para sua reforma, valendo aqui repetir os argumentos da dra Sílvia para afastar a qualificação da multa: Sobre a multa aplicada, registrese que não consta destes autos nenhuma peça fiscal em que tenha sido descrita e tipificada a conduta infracionária a que se pretende cominar a penalidade em questão, limitandose a fiscalização a indicar, no auto de infração, a capitulação legal da multa e, na descrição dos fatos do referido auto, a relatar que: (...) O sujeito passivo declarou no período em exame, de 01/10/1999 a 01/07/2004, para a Receita Federal, para fins de apuração da Cofíns valores de receitas de vendas em torno de 5% a 10% dos valores registrados em seus livros fiscais e contábeis, conforme cópias das Demonstrações do Livro Diário, em anexo, o que caracteriza não haver incorrido em erro de fato, ao preencher as declarações enviadas à Receita Federal. Fl. 7170DF CARF MF 20 Ora, do fato de não se ter configurado erro de fato da contribuinte não pode emergir presunção da ocorrência de conduta dolosa capaz de dar azo à aplicação da multa de ofício em percentual duplicado, mormente considerando que a capitulação legal da multa no art. 44, inc. II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, vigente à época da autuação,referiase aos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais tratam da sonegação, da fraude e do conluio, respectivamente, e nenhuma dessas práticas foi especificamente imputada à contribuinte. Portanto, a meu ver, nessa matéria, a acusação fiscal foi deveras deficitária, laborando em desfavor da defesa da autuada que, na peça recursal, limitouse a alegar a ausência do dolo e a falta de comprovação pela fiscalização da ocorrência de fraude. Em face disso, não vislumbro possibilidade de prosperar a exigência da multa em percentual duplicado. A esses argumentos com os quais concordei na ocasião apenas acresço que, em meu entender, não é a mera reiteração de conduta que pode permitir a presunção de que o contribuinte agiu com "evidente intuito de fraude". Muito mais importante, a meu ver, é que se consiga demonstrar que a contribuinte apurara corretamente, em seus livros contábeis, o valor da contribuição a recolher, omitindo parte dele apenas no momento em que o declarara à Fazenda Nacional. Obviamente, tal prova compete à autoridade fiscal e, neste caso, longe esteve ela de promovêla. Somente não comungo do entendimento da dra. Sílvia no ponto em que afirma que não se configuraria a fraude mesmo que o valor declarado à SRF fosse inferior àquele que o próprio sujeito passivo apurou em sua contabilidade. Nesse caso, penso eu, a reiteração da conduta é, sim, relevante, para afastar a possibilidade de erro de transcrição, impondose a qualificação a menos que a empresa possa encontrar uma outra justificativa convincente para a divergência. No presente caso, a fiscalização afirma (Descrição dos Fatos, fl. 5), como transcrito pela dra. Sílvia, que a empresa declarara à SRF receita equivalente a entre 5% e 10% da contabilizada. Ocorre que não é isso que se extrai dos documentos juntados por ela mesma, fiscalização, nos autos. Com efeito, às fls. 44 a 49 constam “Demonstrações do Resultado” que contêm os valores anualizados das receitas e das contribuições contabilizados pela empresa. Já às fls. 63 a 67 juntou a autoridade extratos das DCTF entregues em que apenas constam os valores mensais das contribuições. Como se sabe, as receitas somente são declaradas à SRF nas DIPJ, que não foram juntadas nos autos. Pois bem, confrontandose o que é possível com os documentos juntados, isto é, apenas as contribuições declaradas às contabilizadas (DCTF contra Demonstração de Resultado) concluise que há perfeita compatibilidade. Mais claramente, a soma anual dos valores mensais apostos nas DCTF corresponde exatamente àqueles apurados contabilmente. Fl. 7171DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.162 21 Em suma, com a prova coligida o que se pode afirmar é que os valores contabilizados e declarados das contribuições são bastante inferiores àqueles a que se chega aplicando a alíquota sobre a totalidade das receitas de vendas contabilizada. Ele não é, porém, nem um valor fixo nem um percentual fixo, ao que deve ser acrescido que a fiscalização intimou a empresa a justificar as diferenças e não obteve resposta. A qualificação da multa decorre, pois, da reiteração, ao longo de cinco anos, de apurar e declarar valores significativamente menores do que os devidos e nada justificar à fiscalização quando regularmente intimada. Esses são os fatos a examinar com o que se tem nos autos. E com eles não entendo cabível a qualificação. Não estou com isso a defender que em todos os casos assemelhados não caiba a presunção, embora sempre seja de bom alvitre intimar a empresa a prestar esclarecimentos. É quase impossível que eles sejam apresentados convincentemente quando o valor recolhido é sempre o mesmo (caso julgado por nós da mesma quarta Câmara do Segundo Conselho, em que sempre se recolhiam R$10,00) ou o percentual das receitas é o mesmo (10% ou 5%, por exemplos). O que se tem, pois, de ponderar é se a ausência de justificativa por parte da fiscalizada é suficiente à qualificação. Considero que não. Com efeito, o que isso demonstra é que a empresa queria mesmo, deliberadamente, pagar menos (bem menos) do que era devido, não tendo incorrido em mero erro de interpretação ou de transcrição de valores. Mas partilho o entendimento da relatora da decisão combatida no sentido de que isso não basta para imporse a exacerbação do percentual. Assim penso porque o inciso II do art. 44 da Lei 9.430 remete aos arts. 71 a 73 da Lei 4.502 para a configuração do “evidente intuito de fraude” que a primeira coloca como condição a qualificarse a multa. Nesta última, no entanto, não se encontra tal expressão. Aí se encontram as definições de sonegação (art. 71), fraude (art. 72) e conluio (art. 73). Como se sabe, a primeira se define pela prática deliberada de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou suas circunstâncias materiais. Nada nos autos indica ter ocorrido isso: os valores que serviram de base de cálculo para o lançamento estavam na contabilidade da empresa e haviam sido corretamente declarados à SRF (ao menos não se pode dizer o contrário quanto às receitas dada a omissão relativa às DIPJ). Do mesmo modo, não demonstrou a fiscalização que a empresa tivesse cometido fraude nos termos do art. 72 daquela lei. Esta poderia se configurar efetivamente se os valores de receitas declarados em DIPJ fossem sistematicamente inferiores àqueles contabilizados, ou mesmo se os valores das contribuições Fl. 7172DF CARF MF 22 declarados em DCTF fossem sistematicamente menores do que os apurados contabilmente. Também não o conseguiu demonstrar a fiscalização. Por fim, de conluio (art. 73) nem se cogita. Mantenho, por isso, a decisão no ponto, afastando a qualificação da multa. E com ela cai, também, a fundamentação para que a decadência possa ser contada pela regra do art. 173, I, especialmente porque na própria acusação fiscal há o reconhecimento de que a empresa recolheu os valores que declarou (fls. 22 e ss). Voto, por isso, por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Com base nesse entendimento, temos reiteradamente afastado tal qualificação quando não resta provado que o sujeito passivo sabia qual era a informação correta a ser prestada em DCTF. O que resta, pois, averiguar no caso concreto é se o sujeito passivo realmente sabia qual era a alíquota correta que deveria ter aposto em suas notas fiscais, a isso não bastando a verificação de que ele agiu assim "por quatro anos e em todas as notas que emitiu". Essa última circunstância, aliás, labora até em seu favor, pois leva à presunção de que ele não sabia mesmo. Mas há nos autos a prova desse conhecimento. É ela constituída pelas respostas do sujeito passivo às sucessivas intimações fiscais dadas à empresa sobre a classificação. Primeiramente se pediu a ela que indicasse a classificação e correspondente alíquota aplicável aos seus produtos. Já nessa primeira resposta, a empresa informa ser ela a que consta em suas notas fiscais (3916.20.00) e a alíquota, de 10%. Intimada, então, a dizer por que não era destacado o IPI, a empresa afirma que à época das saídas "considerava que seus produtos tinham alíquota zero e a classificação era 3922.10.00 por serem produtos destinados à construção civil". Ou seja, a empresa teve todas as oportunidades para justificar o seu procedimento de não destacar o IPI. Não o fez simplesmente porque nenhum havia. São vários os motivos para que não se possa aceitar a única "justificativa" apresentada. Primeiro porque nenhuma das notas fiscais do período em que "considerava ser sua classificação a 3922.90.00" contém tal classificação. Segundo, porque não conseguiu, sequer, demonstrar com base em que, mesmo nessa nova classificação, haveria suporte para reduzir a zero a alíquota "por serem produtos destinados à construção civil". Por fim, nem mesmo para essa posição 3922 há desdobramento na TIPI válida para o período que reduza a alíquota a zero. Notese que o mencionado código de classificação fiscal destinase a BANHEIRAS, BANHEIRAS PARA DUCHA, PIAS, LAVATÓRIOS, BIDÊS, SANITÁRIOS E SEUS ASSENTOS E TAMPAS, CAIXAS DE DESCARGA E Fl. 7173DF CARF MF Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 9303004.937 CSRFT3 Fl. 7.163 23 ARTIGOS SEMELHANTES PARA USOS SANITÁRIOS OU HIGIÊNICOS, DE PLÁSTICOS Tais produtos em nada se assemelham aos produzidos pela empresa. Destarte, não há como afastar a caracterização de pleno conhecimento por parte do sujeito passivo da infração que cometia, reiteradamente, representando a "justificativa" apresentada esfarrapada desculpa para, ao menos, algo responder à fiscalização. O colegiado restaurou, assim, a qualificação que havia sido retirada pela decisão recorrida, dando provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 7174DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.003792/2002-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PRODUTOS IMPORTADOS PRONTOS PARA REVENDA. MÉTODO PRL. AQUISIÇÃO E REVENDA EM PERÍODOS DIFERENTES.
Na aquisição de um produto para revenda, este fica registrado em conta de Ativo (estoque) pelo seu custo original, estando eventual excesso de custo, calculado com base em dados relativos ao período de aquisição, já agregado a esse valor, e será adicionado ao resultado no período da revenda.
Numero da decisão: 1401-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para manter integralmente a infração ligada ao método PRL que foi reformada pelo Acórdão da CSRF nº 9101-001.340.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini De Carvalho.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PRODUTOS IMPORTADOS PRONTOS PARA REVENDA. MÉTODO PRL. AQUISIÇÃO E REVENDA EM PERÍODOS DIFERENTES. Na aquisição de um produto para revenda, este fica registrado em conta de Ativo (estoque) pelo seu custo original, estando eventual excesso de custo, calculado com base em dados relativos ao período de aquisição, já agregado a esse valor, e será adicionado ao resultado no período da revenda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para manter integralmente a infração ligada ao método PRL que foi reformada pelo Acórdão da CSRF nº 9101-001.340. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini De Carvalho.
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MÉTODO PRL. AQUISIÇÃO E REVENDA EM PERÍODOS DIFERENTES. Na aquisição de um produto para revenda, este fica registrado em conta de Ativo (estoque) pelo seu custo original, estando eventual excesso de custo, calculado com base em dados relativos ao período de aquisição, já agregado a esse valor, e será adicionado ao resultado no período da revenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para manter integralmente a infração ligada ao método PRL que foi reformada pelo Acórdão da CSRF nº 9101001.340. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini De Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 37 92 /2 00 2- 00 Fl. 2025DF CARF MF 2 Relatório Tratase de cumprimento de determinação constante no Acórdão 9101 001.340 da 1ª Turma da CSRF, proferido em 15 de maio de 2012 que deu parcial provimento ao recurso especial da PGFN com relação à aplicação do método PRL, devendo o processo ser devolvido à Primeira Seção de Julgamento do CARF para apreciação das razões de mérito relacionadas àquele método PRL, veiculadas no recurso voluntário (itens 78 a 134) quanto a supostas impropriedades na determinação dos ajustes por aquele método, por não poder a CSRF, sob pena de supressão de instância, adentrar em tal mérito. Verificase nos presentes autos, que o Acórdão nº 9101001.340 da 1ª Turma/CSRF efls. 1.911 a 1.921, apresenta a seguinte decisão: "Considerando que o acórdão recorrido, por ter decidido pela inaplicabilidade do método PRL, não apreciou as alegações veiculadas no recurso voluntário (itens 78 a 134), quanto a supostas impropriedades na determinação dos ajustes por aquele método, não se pode nesta CSRF, sob pena de supressão de instância, adentrar em tal mérito. Pelo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso especial quanto às operações de exportação e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso da PGFN com relação à aplicação do método PRL, devendo o processo ser devolvido à Primeira Seção de Julgamento do CARF para apreciação das razões de mérito relacionadas àquele método." A Portaria CARF nº 34, de 31 de agosto de 2015, determina: Art. 7º O processo em retorno de diligência será:I distribuído ao conselheiro relator, se este ainda integrar a Seção;II sorteado na Turma, se o relator não mais integrar a Seção; ou III sorteado no âmbito da Seção, na hipótese de turma extinta e o conselheiro não integrar a Seção. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase também aos casos em que a Turma da CSRF devolver o processo para apreciação pela turma a quo, bem como ao processo que retornar ao CARF em razão de ter sido apartado pela autoridade preparadora em decorrência de desistência parcial do sujeito passivo. A Turma da CSRF devolve o processo para apreciação pela turma a quo, pois o conselheiro relator não mais integra a Seção. Para melhor delinear os contornos da discussão, adoto e transcrevo em parte, no que é essencial para a lide, o relatório constante na decisão de primeira instância e da 7a Câmara do então 1o CC: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação Parcial de fls. 739 a 819, a fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada teve por finalidade a verificação da correta apuração dos preços de transferência nos anoscalendário de 1997 a 1999. Destaca a fiscalização que a presente ação fiscal é parcial, desenvolvida apenas para o anocalendário de 1997. Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 16327.003792/200200 Acórdão n.º 1401001.807 S1C4T1 Fl. 2.026 3 2. Na ação fiscal foram verificados: a) se a dedutibilidade do custo dos bens importados em operações praticadas pela contribuinte com pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, consideradas vinculadas, foi efetuada em conformidade com os artigos 18 e 23 da Lei n° 9.430/96, combinados com os dispositivos da IN SRF n° 38/97; b) se a determinação das receitas de vendas nas exportações, auferidas nas operações com pessoa vinculada, foi efetuada conforme o disposto nos artigos 19 e 23 da Lei n° 9.430/96, combinados com os dispositivos da IN SRF n° 38/97. DOS FATOS 3. A Auditora Fiscal relata, às fls. 740 a 746, os fatos relacionados à ação fiscal. DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO DO DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS SOBRE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA 4. A fiscalização expõe, às fls. 747 a 791, os motivos pelos quais concluiu que a empresa não cumpriu as normas determinadas pela legislação vigente para a apuração dos preços de transferência — operações de importação relativos ao ano calendário de 1997. DOS PRODUTOS IMPORTADOS PRONTOS PARA REVENDA — MÉTODO PRL 5. Embora tenha informado ter adotado o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), a empresa não apresentou as planilhas de memórias de cálculos. Em 10/12/2001, a contribuinte declarou que, devido a dificuldades na implantação de um sistema de controle de preços de transferência, não havia efetuado nenhum ajuste. 6. Assim, ficou caracterizado o não cumprimento, pela contribuinte, das normas vigentes de apuração do preço de transferência nas operações de importação, com pessoas ligadas, para os produtos importados prontos para revenda. 7. Desse modo, com base no § único do artigo 39 da IN SRF n° 38/97, a Auditora Fiscal aplicou, para os produtos prontos para revenda, o método PRL, determinado pelo artigo 12 da IN SRF n° 38/97, seguindo a metodologia ali disposta. Tal fato foi comunicado à empresa em 12/03/2002 (fls. 408 a 413). Da metodologia empregada pela fiscalização para praticados e dos preços parâmetros. 8. A Auditora Fiscal descreve, às fls. 748 a 750, a obtenção dos preços praticados e dos preços parâmetros. a) dos preços praticados 9. Para cada produto, foram apuradas as quantidades que realmente foram importadas, utilizandose, para tanto, as fichas de controle de estoque apresentadas pela empresa em 13/12/2002, as quais estão resumidas nas planilhas em anexo (fls. 724 a 738). Fl. 2027DF CARF MF 4 10. Foi apurado o valor médio unitário em dólares americanos (US$), convertido para a moeda nacional com a taxa instituída pela Secretaria da Receita Federal para as operações de importação. 11. Foi, então, apurado o preço médio ponderado, por produto, computando os valores e as quantidades relativos ao estoque inicial em 01/01/97 (artigo 12, § 3°, da IN SRF n° 38/97). b) dos preços parâmetros 12. Com base nos arquivos de revendas de cada produto, foram excluídas as devoluções e/ou vendas canceladas. Foram, então, elaboradas, para cada produto, planilhas das quais foram extraídos os totais das quantidades das mercadorias revendidas, dos valores dessas mercadorias na notas fiscais, dos descontos incondicionais concedidos, do ICMS, do PIS e da COFINS. 13. Os preços parâmetros foram obtidos segundo a metodologia determinada pelo artigo 12 da IN SRF n° 38/97, resumida às fls. 749 e 750. Da apuração de ajustes 14. Efetuando a comparação entre os preços praticados e os preços parâmetros a Auditora Fiscal verificou que alguns produtos apresentaram preços praticados superiores aos preços parâmetros. 15. A fiscalização apresenta, às fls. 751 a 768, as planilhas dos referidos produtos, as quais demonstram a apuração dos preços praticados, dos preços parâmetros, dos ajustes ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, no anocalendário de 1997. Da consolidação dos valores dos ajustes ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. 16. Com base nos valores dos ajustes de cada produto, apurados nas Planilh'As de Apuração dos Preços Praticados, dos Preços Parâmetros e dos Ajustes ao Lucro Real e à Base de Cálculo da CSLL, a Auditora Fiscal apresenta a consolidação de fl. 769. Do ajuste ao lucro real e à base de cálculo da CSLL 17. O ajuste ao lucro real e à base de cálculo da CSLL foi apurado conforme o artigo 5°, da IN SRF n° 38/97, totalizando o montante de R$ 354.600,52. DAS MATÉRIASPRIMAS E OUTROS INSUMOS — MÉTODO PIC 18. Os métodos estabelecidos na legislação brasileira sobre preços de transferência buscam apurar um preço parâmetro, que será comparado com os constantes dos documentos de importação, de modo que possibilitem que seja verificada se a vinculação entre as partes interferiu, ou não, no preço praticado, devendo o preço parâmetro estar o mais próximo possível do preço de livre concorrência (ou preço de mercado). 19. Em razão de não ter apresentado planilhas de cálculos para a apuração dos preços parâmetros, a empresa foi informada, em 12/03/2002, que a fiscalização adotaria, para as matériasprimas o método dos Preços Independentes Comparados (PIC), utilizando a metodologia determinada pelo artigo 6°, da IN SRF n° 38/97 (fls. 402 a 407). Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 16327.003792/200200 Acórdão n.º 1401001.807 S1C4T1 Fl. 2.027 5 20. Com base no supracitado artigo, a fiscalização buscou, para cada bem selecionado, importado de pessoa vinculada, um bem similar ou idêntico, objetivando a apuração do preço parâmetro para comparálo com o preço praticado pela empresa. 21. Segundo a Auditora Fiscal, uma de suas preocupações foi sempre encontrar mercadorias que pudessem ser comparadas com as importadas pela contribuinte, principalmente quanto às características técnicas e qualidade, e, principalmente, que tivessem sido comercializadas entre pessoas físicas ou jurídicas não vinculadas. 22. Ocorre, porém, que, no caso específico das mercadorias importadas pela contribuinte, não foi possível a identificação de operações entre pessoas independentes, pois todos os importadores de mercadorias idênticas, ou similares, pertencem a grupos multinacionais, ou seja, também adquiriram as mercadorias de suas vinculadas. 23. Como para as matériasprima está vedada a utilização do método PRL (artigo 40, § 1°, da IN SRF n° 38/97), só restava à fiscalização a adoção do método do Custo de Produção mais Lucro (CPL), definido como o custo médio de produção de bens, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos (artigo 18, inciso III, da Lei n° 9.430/96). 24. A coleta dos dados de tais custos foi solicitada ao Adido Tributário e Aduaneiro da Receita Federal nos Estados Unidos da América, em 27/03/2002 (fls. 414 a 416). Não foi possível a obtenção das informações, conforme MEMO/ADIRF WAS n° 184, de 01/10/2002 (fl. 702). 25. Assim, não houve a possibilidade de se efetuar a apuração dos preços de transferência das matériasprimas, com exceção da mercadoria "gelatina própria para preparação de emulsão fotográfica com alto teor de pureza" (6 tipos, fl. 777), como demonstrado a seguir. Da metodologia empregada pela fiscalização para a apuração do preço praticado e do preço parâmetro da "gelatina própria para preparação de emulsão fotográfica com alto teor de pureza" 26. Analisando as operações de importação do anocalendário de 1997, a Auditora Fiscal constatou que a empresa adquiriu o citado produto de pessoas vinculadas e de outras pessoas jurídicas (fl. 772). 27. Tendo constatado que havia aquisições de pessoas jurídicas não vinculadas, o que possibilitaria que a fiscalização adotasse o método PIC, com base no inciso II do artigo 6° da IN SRF n° 38/97, a contribuinte foi intimada a apresentar as características técnicas do produto. As informações prestadas pela empresa (fis. 543 a 557) estão resumidas à fl. 773. 28. A contribuinte apresentou cópia das Declarações de Importação (Dl) que ampararam as aquisições de gelatinas, adquiridas de pessoas jurídicas independentes (fis. 558 a 592, e fls. 07 a 71 do anexo I). 29. Analisando as descrições das mercadorias, adquiridas de empresas não vinculadas, verificase que todas, sem exceção, estão descritas como "gelatina própria para a preparação de emulsão fotográfica", com alto teor de pureza, na classificação tarifária NCM 3503.00.11. Fl. 2029DF CARF MF 6 30. Do mesmo modo, é essa a descrição das mercadorias importadas, pela contribuinte, de pessoa jurídica vinculada (fls. 599 a 701). 31. A descrição NCM 3503.00.11 é: "gelatinas de osseína, seus derivados, com alto teor de pureza >= 99,98%". 32. Se por natureza entendemos aquilo que compõe a substância, a essência, a constituição de um bem, podemos afirmar que todas as gelatinas importadas pela empresa (de vinculadas, ou de não vinculadas) possuem a mesma natureza: a "osseina". 33. Temos, é verdade, tipos diferentes de gelatinas, fato que também ocorre na mercadoria adquirida de pessoas vinculadas, como se pode verificar nas descrições efetuadas pela contribuinte quando do registro das Dls (fis. 774 e 775). 34. A função das gelatinas importadas é a preparação de emulsão fotográfica. A contribuinte informou que possuem a mesma função, tanto as importadas de pessoas vinculadas como as de pessoas independentes, pois todas são usadas como estrutura física para alguns componentes do material fotográfico. 35. A contribuinte importou e consumiu em sua produção, em 1997, as quantidades resumidas na tabela de fl. 775, conforme Fichas de Controle de Estoque de Material Produtivo. Por essa tabela, verificase que 25% do total importado é composto de mercadorias adquiridas de pessoas não vinculadas, sendo que o consumo dessas mercadorias na produção representa 27,30% do total consumido em 1997. Se houve tal consumo, é lícito afirmar que a gelatina, adquirida de pessoas não vinculadas, foi utilizada na preparação de emulsão fotográfica, responsável pela sensibilização do papel e do filme do raiosX. 36. Se a gelatina adquirida de pessoas não vinculadas é utilizada pela empresa no processo de sensibilização de papel e filme de raiosX, considerado o coração do processo produtivo, não há qualquer dúvida que considera tais mercadorias similares àquelas importadas de pessoas vinculadas, principalmente se considerarmos a preocupação da contribuinte com a qualidade de seu produto final. 37. Assim, satisfeitos os requisitos para que os bens sejam considerados similares (artigo 26 da IN SRF n° 38/97), a fiscalização adotou, para a apuração do preço de transferência da mercadoria em questão, o método PIC (artigo 6°, § único, inciso II, da IN SRF n° 38/97). a) dos preços praticados 38. Os preços da gelatina, adquirida pela contribuinte de empresa vinculada, foram apurados considerandose as quantidades e valores correspondentes à operações de compra praticadas durante o anocalendário de 1997 (preço médio ponderado, nos termos do artigo 11 da IN SRF n 38/97). 39. Com base na movimentação de estoque (fls. 449, 461, e 464 a 468), foram efetuados os controles necessários visando apurar as quantidades utilizadas na produção, cujos valores foram registrados em custos. 40. Foram segregadas as quantidades dos saldos iniciais, por se tratarem de mercadorias importadas no anocalendário de 1996, para as quais não há apuração de preço de transferência. 41. Com base nas informações prestadas pela empresa, foi elaborada a tabela Controle e movimentação de estoque (fl. 776), a qual demonstra a apuração das quantidades a serem ajustadas. b) dos preços parâmetros Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 16327.003792/200200 Acórdão n.º 1401001.807 S1C4T1 Fl. 2.028 7 42. Os preços parâmetros foram apurados, para cada empresa independente, pela média ponderada (preço médio ponderado por empresa). O preço médio parâmetro foi obtido pela média aritmética dos preços médios ponderados (artigo 10 da IN SRF n° 38/97). 43. A fiscalização apresenta, às fls. 778 a 789, as planilhas de apuração do preço praticado, do preço parâmetro, e do ajuste ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, no ano calendário de 1997, referentes aos bens importados pela contribuinte de pessoas jurídicas vinculadas, relacionados à fl. 777. Da consolidação dos valores dos aiustes ao lucro real e à base de cálculo da CSLL 44. Com base nos valores dos ajustes de cada produto, apurados nas Planilhas de Apuração dos Preços Praticados, dos Preços Parâmetros e dos Ajustes ao Lucro Real e à Base de Cálculo da CSLL, a Auditora Fiscal apresenta a consolidação de fl. 790. Do ajuste ao lucro real e à base de cálculo da CSLL 45. O ajuste ao lucro real e à base de cálculo da CSLL foi apurado conforme o artigo 5°, da IN SRF n° 38/97, totalizando o montante de R$ 1.552.063,90. DAS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO DO DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS SOBRE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA 46. Em 14/01/2002, a contribuinte declarou que, devido a dificuldades na implantação de um sistema de controle de preços de transferência, não havia efetuado qualquer ajuste na exportação. 47. Assim, ficou caracterizado o não cumprimento, pela contribuinte, das normas vigentes de apuração do preço de transferência nas operações de exportação, com pessoas ligadas. 48. Desse modo, como não foi indicado o método, bem como não foram apresentadas as planilhas de memórias de cálculos, a fiscalização, com base no § único do artigo 39 da IN SRF n° 38/97, adotou, para a determinação da receita de venda nas exportações o método Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP), disposto no artigo 19, § 3°, inciso IV, da IN SRF n° 38/97, c/c o artigo 24 da mesma IN. Tal fato foi comunicado à empresa em 11/04/2002 (fls. 529 a 535). Da metodologia empregada pela fiscalização para a apuração dos preços praticados e dos preços parâmetros — método CAP 49. A Auditora Fiscal descreve, às fls. 792 e 796, a metodologia utilizada na obtenção dos preços praticados e dos preços parâmetros. a) dos preços praticados 50. Os preços praticados das mercadorias selecionadas foram apurados, por produto, considerandose as quantidades totais exportadas e seus respectivos valores, apurandose, assim, as médias aritméticas ponderadas. 51. Os referidos preços praticados foram apresentados à empresa na tabela Mercadorias Selecionadas — Resumo (fls. 529 a 535). b) dos preços parâmetros Fl. 2031DF CARF MF 8 52. Quando a empresa apresentou a planilha de custos das mercadorias selecionadas, apurou o custo médio praticado (fls. 536 a 538). 53. Analisando a referida planilha, a fiscalização verificou que a contribuinte trabalhou com cesto de produtos, ou seja, agrupou os de mesmo gênero, mas de espécies diferentes, os quais têm, conseqüentemente, custos diferentes. 54. Como a metodologia dos preços de transferência objetiva apurar o preço praticado e o preço parâmetro por produto, a fiscalização, com base no custo dos produtos, refez todos os cálculos dos preços parâmetros, seguindo o determinado pelo artigo 24 da INI SRF n° 38/97, conforme demonstrativo de fls. 794 e 795. 55. A fiscalização efetuou, então, um cotejamento entre os preços praticados e os preços parâmetros, apurando as diferenças, conforme demonstrativo de fls. 795 e 796. 56. A fiscalização apresenta, às fls. 797 a 815, as planilhas de apuração do preço praticado e da parcela da receita que deve ser adicionada ao lucro líquido, para a determinação do lucro real, do lucro da exploração, e da base de cálculo da CSLL, no ano calendário de 1997, referentes aos bens exportados pela contribuinte para pessoas jurídicas vinculadas, relacionados à fl. 796. Da consolidação das parcelas das receitas a serem adicionadas ao lucro líquido para a determinação do lucro real, do lucro da exploração, e da base de cálculo da CSLL 57. Com base nos valores das receitas, apurados nas Planilhas de Apuração do Preço Praticado e da Parcela da Receita que deve ser adicionada ao lucro líquido, para a determinação do lucro real, do lucro da exploração, e da base de cálculo da CSLL, a Auditora Fiscal apresenta a consolidação de fl. 816. Da parcela da receita que deve ser adicionada ao lucro líquido, para a determinação do lucro real, do lucro da exploração, e da base de cálculo da CSLL 58. O valor da receita a ser adicionada foi apurado conforme o artigo 20, da IN SRF n° 38/97, totalizando o montante de R$ 2.683.783,64. 59. Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 1997: Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 16327.003792/200200 Acórdão n.º 1401001.807 S1C4T1 Fl. 2.029 9 Apreciada a impgnação, em seu julgamento, a 7a Câmara, do então, 1o Conselho de Contribuintes, Negou provimento a ao Recursos de Ofício e deu Provimento ao Voluntário em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Os fatos apontados pela recorrente não determinam nulidade dos Autos de Infração, mormente aqueles ligados a conversão de moeda, quando a falha apontada já fora corrigida na decisão recorrida. DOS MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA E DOS EVENTUAIS AJUSTES. Mesmo quando a fiscalizada não aponta o método de apuração dos preços de transferência, os auditores fiscais encarregados da verificação deverão utilizar o método mais favorável ao contribuinte ou demonstrar a impossibilidade de aplicação de outros métodos passíveis de utilização nas operações praticadas. MATÉRIASPRIMAS E OUTROS INSUMOS. MÉTODO PIC. EXIGÊNCIA DE SIMILARIDADE. Na apuração de ajustes efetuados pelo método PIC (Preços Independentes Comparados), apurase o preço parâmetro com base nos preços de bens, idênticos ou similares, adquiridos de terceiros independentes. Não se tratando de bens idênticos, e não logrando a fiscalização comprovar a similaridades dos bens comparados, correta a decisão que exonerou as exigências. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. Comprovado em diligência fiscal que a recorrente fazia jus à salvaguarda em função dos resultados obtidos nas exportações, cancelamse as exigências derivadas de ajustes de preços de transferência na exportação. Especificamente em relação à importação de mercadorias em determinado ano calendário para revenda somente em outro, a DRJ mantém a metodologia de cálculo sugerido pela fiscalização por entender, que o custo de uma mercadoria está relacionado à sua aquisição, e não à sua revenda. O Recurso de ofício tratou apenas do crédito tributário constituído pelo método PIC que foi exonerado. Em relação aos demais pontos, recorreu a Recorrente a este CARF ratificando os argumentos já suscitados em sede de impugnação. Fl. 2033DF CARF MF 10 Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, o presente processo já foi julgado na 7a Câmara do então, 1o Conselho de Contribuintes, com o seguinte resultado assim formalizado:" Assim, afasto as preliminares de nulidade e voto por se NEGAR provimento aoRecurso de Oficio e por se DAR Provimento ao Recurso Voluntário.". O Fazenda Nacional ingressou com recurso especial à CSRF obtendo sucesso na reversão da matéria relacionada aos ajustes feitos pelo fiscal em relação à ausência de controle de preços de transferência, na importação, por parte do contribuinte. No caso, o fiscal valeuse do método PRL com relação aos produtos importados para revenda nos anos calendário de 1997, mesmo que esse não tenha sido considerado o método mais favorável ao Contribuinte. Dessa feita, o processo retornou para o enfrentamento de matéria de mérito que ficou prejudicada com o provimento que se deu na Câmara baixa, qual seja, o tratamento a ser dado aos excessos de custo de importações, contidos em bens que permaneçam no estoque ao final do anocalendário. Eis o teor do Acórdão da CSRF que fez menção a esse respeito: Considerando que o acórdão recorrido, por ter decidido pela inaplicabilidade do método PRL, não apreciou as alegações veiculadas no recurso voluntário (itens 78 a 134), quanto a supostas impropriedades na determinação dos ajustes por aquele método, não se pode nesta CSRF, sob pena de supressão de instância, adentrar em tal mérito. Nessa mesmo passo, a Câmara baixa que deu provimento ao recurso nessa matéria, assim sinalizou quanto a prejudicialidade na ocasião do julgamento dessa matéria: Nessa ordem de juízo é desnecessário analisar as questões ligadas ao tratamento a ser dado aos excessos de custos nas importações, contidos em bens que permaneçam no estoque ao final do anocalendário. Em primeiro lugar, quero esclarecer que o Acórdão da CSRF comete pequeno equívoco ao referenciar os parágrafos 78 a 134, que versam exclusivamente sobre a arguição de nulidade relacionada à mudança de critério na aplicação do método pela autoridade fiscal. É que tal matéria já foi enfrentada sendo matéria de recurso de ofício que foi ratificada pela Câmara Baixa, e também de recurso voluntário na medida em que a Recorrente também pleiteou a extensão dos efeitos desses ajustes feitos pela DRJ, no sentido de ter maculado totalmente o lançamento. Nesse ponto, a Câmara baixa também tratou da matéria, rejeitando a preliminar de nulidade argüida nos referidos parágrafos (78 a 134). Eis os termos desse enfrentamento pela Câmara baixa: Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 16327.003792/200200 Acórdão n.º 1401001.807 S1C4T1 Fl. 2.030 11 DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 256. As hipóteses de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os Autos de Infração, estão perfeitamente definidas nos incisos I e II, do artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72, que trata do Processo Administrativo Fiscal (PAF), com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748/93, in verbis: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)" 257. Os Autos de Infração foram lavrados por pessoa competente, sendo que a hipótese do inciso II, quanto ao cerceamento de defesa, não se aplica a Autos de Infração. 258. Eventuais equívocos na determinação do montante devido (e mesmo se devido), não acarretam, ao contrário do que entende a impugnante, a nulidade dos Autos de Infração. Acarretam, se comprovados, a alteração do lançamento (no caso, por decisão de 1a instância, provocada pela impugnação da contribuinte), nos termos do artigo 145, inciso I, do CTN. 259. Não houve, como alega a impugnante com relação ao novos cálculos de ajustes relativos ao método PRL, efetuados pela Auditora Fiscal na diligência, mudança de critério. Houve mera correção de cálculos, mantendose o critério de apuração com base no mesmo método PRL adotado na autuação. 260. lmprocede, assim, a alegação de nulidade dos Autos de Infração. Em resumo, apesar de a 7a. Câmara do 1o Conselho de Contribuintes ter consignado em seu voto a questão relativa ao excesso de custo, verifico que essa matéria não é objeto da lide, pois não foi impugnada ou recorrida, assim o Acórdão da CSRF equivocouse quanto à necessidade de análise de matéria a ser enfrentada. A referência feita às alegações veiculadas no recurso voluntário (itens 78 a 134) dizem respeito a questões ligadas a preliminar de nulidade em função do recalculo do custo de importação por nova taxa de câmbio, matéria essa já rejeitada pela 7a. Câmara do 1o Conselho de Constribuintes. Enfrentada na preliminar da DRJ, na época teria que ter embargado de declaração e não o fez precluiu, nesse contexto a Câmara Superior de Recursos Fiscais julgou extra petita em relação aos custos da importação, contudo isso não supre a necessidade de tal matéria não ter sido objeto do recurso voluntário para que pudesse ser analisada nesse ponto. Destaco que matéria não impugnada e não contestada em Recurso Voluntário, não faz parte da lide. Fl. 2035DF CARF MF 12 Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à parte devolvida para análise e ratifico a decisão da DRJ, reformando a decisão em relação apenas ao ficando mantida a infração relacionada a PRL, uma vez que as duas outras infrações foram canceladas em definitivo pela câmara baixa. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 2036DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.000773/2009-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2006
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS.
Solicitada a inclusão de todos os créditos discutidos em parcelamento federal, deve aplicar o art.78, §§2 e 3 do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso especial do contribuinte.
Numero da decisão: 9303-004.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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DESISTÊNCIA DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS. Solicitada a inclusão de todos os créditos discutidos em parcelamento federal, deve aplicar o art.78, §§2 e 3 do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso especial do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 07 73 /2 00 9- 23 Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 9303004.385 CSRFT3 Fl. 700 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n.º 3302002.304, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. O valor do crédito presumido do ICMS, concedido pelos Estados da Federação, independente do objetivo e da classificação contábil adotada pelo contribuinte, se constitui receita e integra a base de cálculo da Cofins nãocumulativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. O valor do crédito presumido do ICMS, concedido pelos Estados da Federação, independente do objetivo e da classificação contábil adotada pelo contribuinte, se constitui receita e integra a base de cálculo do PIS nãocumulativo. Recurso Voluntário Negado. Irresignado com a decisão do Colegiado que entendeu que o crédito presumido relativo ao incentivo estadual caracterizase como receita e, portanto, está sujeito à incidência do PIS e da COFINS não cumulativos, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Especial, em que apresentou os paradigmas de nº 1202000.921 e nº 3401001.976. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 9303004.385 CSRFT3 Fl. 701 3 O recurso especial do Contribuinte foi admitido pelo despacho de fls 629. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls 634 postulando a negativa de provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora A controvérsia suscitada se refere à tributação para o PIS e COFINS não cumulativos dos créditos presumidos de ICMS, como incentivos estaduais. No entanto, a Recorrente solicita a desistência do recurso administrativo, em razão da adesão ao parcelamento federal. Esta inclusão no parcelamento federal evoca a aplicação do art.78 e parágrafos do RICARF, senão vejamos: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 9303004.385 CSRFT3 Fl. 702 4 § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Desse modo, havendo todo crédito ter sido incluído no parcelamento, verifica se a desistência total do Recurso interposto, independentemente de solicitação expressa do Recorrente. Neste termos, voto pelo não conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. Érika Costa Camargos Autran Fl. 707DF CARF MF
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