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Numero do processo: 12571.000006/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
TRIBUTOS FEDERAIS. COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCOMP. OBRIGATORIEDADE.
O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, sendo a compensação efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.
IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO ANOS-CALENDÁRIOS POSTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. OBRIGATORIEDADE.
Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária em anos-calendários subsequentes. Somente o eventual saldo negativo encontrado ao final do ano-calendário de retenção do imposto é que pode ser objeto de compensação nos anos seguintes.
Numero da decisão: 1302-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 TRIBUTOS FEDERAIS. COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCOMP. OBRIGATORIEDADE. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, sendo a compensação efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO ANOS-CALENDÁRIOS POSTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. OBRIGATORIEDADE. Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária em anos-calendários subsequentes. Somente o eventual saldo negativo encontrado ao final do ano-calendário de retenção do imposto é que pode ser objeto de compensação nos anos seguintes.
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S. SIQUEIRA & SIQUEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 TRIBUTOS FEDERAIS. COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCOMP. OBRIGATORIEDADE. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, sendo a compensação efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO ANOS CALENDÁRIOS POSTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. OBRIGATORIEDADE. Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária em anoscalendários subsequentes. Somente o eventual saldo negativo encontrado ao final do anocalendário de retenção do imposto é que pode ser objeto de compensação nos anos seguintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 00 06 /2 00 7- 76 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 12571.000006/200776 Acórdão n.º 1302003.422 S1C3T2 Fl. 186 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 0626.011, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 97 a 99), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: IRRF DE ANO CALENDARIO ANTERIOR. DEDUÇAO DO IRPJ DEVIDO DIRETAMENTE NA DIPJ. IMPOSSIBILIDADE. O IRRF em um anocalendário não pode ser compensado com o IRPJ devido no anocalendário seguinte por meio da simples inclusão do valor não utilizado no ano anterior como dedução do valor devido no primeiro trimestre do ano seguinte, diretamente na DIPJ." A decisão recorrida, assim, resumiu os autos: "Os presentes autos referemse ao processo administrativo em que foi lavrado auto de infração contra o contribuinte A. S. SIQUEIRA & SIQUEIRA LTDA., de agora em diante designado simplesmente como “contribuinte”, referente ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ , no valor total de R$ 31.875,85, englobando o principal, a multa de ofício e os juros de mora. 2. A “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, fl. 03, descreve a apuração das irregularidades e fornece a fundamentação da autuação. Desses elementos, extraise a seguinte síntese dos fundamentos da autuação. 2.1. Foi constatado que o valor do IRPJ devido relativo ao 1° trimestre de 2003 declarado na DIPJ não foi confessado em DCTF, razão pela qual procedese ao lançamento. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 12571.000006/200776 Acórdão n.º 1302003.422 S1C3T2 Fl. 187 3 3. O contribuinte foi cientificado da exação em 03/09/2007, tendo apresentado impugnação, em 27/09/2007, na qual se insurge contra a autuação, expendendo os seguintes argumentos. 3.1. Que apurou prejuízo contábil no último trimestre do ano calendário 2002, seguindo a sistemática do lucro real, gerando um Imposto de Renda a Recuperar para o exercício seguinte de R$ 15.903,55, conforme cópia do Diário, que entranha aos autos. 3.2. Que a DIPJ foi preenchida com erro, por lapso, estando correta a DCTF original, e já tendo sido feita DIPJ retificadora, em que não aparece IRPJ a pagar, totalmente compensado no 1° trimestre. 4. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal." Os julgadores a quo entenderam que o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) "em um anocalendário não pode ser compensado com o IRPJ devido no ano calendário seguinte por meio da simples inclusão do valor não utilizado no ano anterior como dedução do valor devido no primeiro trimestre do ano seguinte, diretamente" na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Registraram, ainda, que "o IRRF relativo a períodos anteriores pode compor eventual saldo negativo de IRPJ, ao final do anocalendário, o qual poderá sim ser utilizado para compensar tributos devidos nos períodos subsequentes". Finalmente, asseveraram, que a referida compensação deve ser realizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na forma determinada pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Após a ciência, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 105 a 109, por meio do qual alega: (i) o cometimento de erro de fato na forma de compensação do IRRF; (ii) que o Acórdão recorrido reconheceu a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública; (iii) que a morosidade no julgamento do processo levou à impossibilidade de utilização do indébito, por decurso de prazo; (iv) contraditoriamente, sustenta a inocorrência da prescrição, posto que o IRRF teria sido utilizado dentro do prazo legal; (v) que a não autorização da compensação implicaria em penalidade ao Recorrente e enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional; (vi) que o mero erro de fato no preenchimento da declaração não impossibilitaria a compensação. Traz, ainda, razões de defesa voltadas à possibilidade de compensação integral de prejuízos fiscais, matéria estranha aos autos. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 12571.000006/200776 Acórdão n.º 1302003.422 S1C3T2 Fl. 188 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Da admissibilidade do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 16 de abril de 2010 (fl. 102), tendo apresentado Recurso Voluntário em 18 de maio de 2010. Considerandose que a data de ciência foi uma sextafeira, o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, iniciouse apenas em 19 de abril de 2010, de modo que o Recurso é tempestivo. O Recurso é assinado pelo responsável legal da Recorrente. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Da compensação de créditos tributários federais As alegações da Recorrente contra o lançamento em análise dizem respeito à existência de prévia compensação do débito exigido por meio do Auto de Infração. Passo, portanto, a breve relato da legislação aplicável à matéria. A possibilidade de compensação de tributos federais com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública encontra previsão no art. 170 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Observese que, desde a regra geral acima exposta, o direito à compensação não é algo absoluto, mas sujeito a condições garantias que a lei vier a estipular. Até o ano de 2002, os créditos relativos a pagamentos maior ou indevidos de tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal poderiam ser compensados pelo sujeito passivo com tributos de mesma espécie por meio de mero lançamento contábil, sendo exigido para os tributos de espécies diferentes a apresentação de Pedido de Restituição e Compensação. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, houve substancial Fl. 188DF CARF MF Processo nº 12571.000006/200776 Acórdão n.º 1302003.422 S1C3T2 Fl. 189 5 alteração na sistemática relativa à compensação dos referidos tributos federais, passandose a ser exigida, sempre, a apresentação da Declaração de Compensação, independentemente da natureza do crédito e do débito envolvidos, conforme a nova redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados." A partir da inovação legislativa, portanto, a Declaração de Compensação (DComp) passou a ser uma exigência imprescindível para a realização da compensação de tributos federais. 3. Da compensação do IRRF como antecipação do IRPJ Além do referido requisito formal, a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) possui peculiaridades próprias. É que os valores retidos (à exceção daqueles submetidos ao regime de tributação exclusiva na fonte) devem ser levados, ao final do período de apuração, à apuração trimestral ou anual, quando, então, serão confrontados com o imposto devido a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Caso os valores antecipados superem o montante devido, o saldo negativo de IRPJ poderá ser compensado, na forma estipulada pelo, já transcrito, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, por meio de DComp. A referida compensação, ainda, deverá, necessariamente, ser informada na DCTF, quando o débito deve ser confessado e deduzido do saldo negativo. 4. Da infração de insuficiência de declaração/recolhimento No caso sob análise, a autoridade fiscal constatou que a Recorrente, apesar de haver apurado IRPJ a pagar na DIPJ relativa ao primeiro trimestre de 2003 (fl. 11), não recolheu (fls. 31 e 32), nem confessou o referido débito na DCTF relativa ao período em questão (fl. 24). A alegação do sujeito passivo, para tentar afastar a exação, é de que possuía crédito de IRRF relativo ao quarto trimestre do anocalendário de 2002, no montante de R$ 15.903,55, o qual teria sido compensado com o IRPJ devido no primeiro trimestre de 2003. Sustenta que, por equívoco, não informou a referida compensação da DIPJ relativa ao anocalendário de 2003, a qual foi retificada, após o lançamento tributário, para refletir a compensação em questão (fl. 58). Fl. 189DF CARF MF Processo nº 12571.000006/200776 Acórdão n.º 1302003.422 S1C3T2 Fl. 190 6 Corretamente, a decisão recorrida considerou que o IRRF relativo ao um ano calendário "não pode ser compensado com o IRPJ devido no anocalendário seguinte por meio da simples inclusão do valor não utilizado no ano anterior como dedução do valor devido no primeiro trimestre do ano seguinte, diretamente" na DIPJ, devendo compor o saldo negativo de IRPJ ao final do anocalendário anterior e a sua utilização, por compensação, deve, obrigatoriamente, ser realizada por meio da apresentação de DComp. Não há qualquer reparo a se fazer à referida decisão, conforme fundamentos já expostos. A alegação do Recorrente de cometimento de erro de fato, na forma de compensação do IRRF, não tem o condão de validar a alegada compensação por ele realizada em total desobediência à legislação vigente. O que busca o sujeito passivo é um regime jurídico especial, para a realização da compensação, de modo totalmente diverso do aplicável aos demais contribuintes. Por óbvio, tal pleito é inadmissível. O direito à compensação de eventual indébito tributário, ao contrário do alegado, não é, como já exposto, algo absoluto, que pode ser realizado a qualquer tempo e de qualquer modo. A regularidade da compensação advém da obediência aos preceitos legais que regem o procedimento. Não é verídico, ainda, a alegação do Recorrente de que o Acórdão recorrido teria reconhecido a existência de créditos líquidos e certos de sua titularidade contra a Fazenda Pública. O que constou da decisão foi a constatação de que há registro em seu Livro Diário de suposto IRRF a Recuperar, ao final do anocalendário de 2002, conforme se observa à fl. 77. Não procede, ademais a tentativa do Recorrente de atribuir à administração tributária a perda do direito de compensar o suposto indébito, por conta da morosidade no julgamento administrativo. Ora, em primeiro lugar, quando eventualmente realizou a suposta compensação interna do crédito em questão (observese que, nem mesmo tal compensação é comprovada, posto que não foram juntados aos autos a escrituração contábil relativa ao ano calendário de 2003, de modo a evidenciála), o sujeito passivo já deveria ter conhecimento da inadmissibilidade do procedimento, posto que plenamente em vigor a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e a Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002, que regulamentou a compensação. É sabido que a ninguém é permitido alegar o desconhecimento da lei, para se eximir de obrigações a todos impostas. A par disso, em 03 de setembro de 2007, quando tomou ciência do lançamento tributário (fl. 92), o sujeito passivo, inafastavelmente, estava alertado da inadmissibilidade da suposta compensação, de modo que poderia ter providenciado, ou o recolhimento do crédito tributário lançado e a regular compensação do seu alegado crédito com Fl. 190DF CARF MF Processo nº 12571.000006/200776 Acórdão n.º 1302003.422 S1C3T2 Fl. 191 7 outros valores devidos, ou a própria compensação do alegado crédito com o valor lançado de ofício, acompanhado do recolhimento de eventual diferença. O transcurso do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição/compensação do seu suposto indébito, é culpa exclusiva do próprio sujeito passivo, que preferiu insistir na defesa de procedimento flagrantemente contrário à legislação. Registre se que, o curso do referido prazo não é obstado, como pretendido, pela suposta utilização em desconformidade com a prescrição legal. A jurisprudência invocada pelo sujeito passivo, em seu Recurso, no sentido de que mero erro de fato no preenchimento da declaração não impossibilita a compensação, não guarda correlação com a hipótese dos autos. Trata da situação em que o sujeito passivo possui registros contábeis e documentos que evidenciem o seu crédito, realiza todos os procedimentos exigidos pela legislação para a efetividade da compensação, mas equivocase no preenchimento de declaração que deveria demonstrálo. No caso dos autos, como já reiterado, o sujeito passivo não apresentou a DComp, exigência essencial para a realização da compensação de eventual indébito. As razões de defesa voltadas à possibilidade de compensação integral de saldos de prejuízos fiscais, por tratarem, como já dito, de matéria estranha aos autos, não merecem sequer serem abordadas. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, com a manutenção integral do lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000766/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE.
São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora.
REDUÇÃO DA MULTA EM 50%. REQUISITO.
A redução da multa de ofício em cinquenta por cento somente será concedida se o sujeito passivo efetuar o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora. REDUÇÃO DA MULTA EM 50%. REQUISITO. A redução da multa de ofício em cinquenta por cento somente será concedida se o sujeito passivo efetuar o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto.
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RESPONSABILIDADE. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora. REDUÇÃO DA MULTA EM 50%. REQUISITO. A redução da multa de ofício em cinquenta por cento somente será concedida se o sujeito passivo efetuar o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 66 /2 01 0- 74 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 16004.000766/201074 Acórdão n.º 2202004.906 S2C2T2 Fl. 259 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 16004.000766/201074, em face do acórdão nº 1453.797, julgado pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 25 de setembro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização em nome do sujeito passivo acima identificado, por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 37.300.1517, no valor de R$ 33.949,81, consolidado em 29/11/2010, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social e devidas pela empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Constituiu fato gerador das contribuições lançadas o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na construção/ampliação da obra de construção civil matriculada de ofício sob o nº 70.003.43874/70, com área construída/decadente de 427,00m² e área construída a regularizar de 804,03m² (referente à unidade situada na rua Canadá, 3136, Jales/SP). O valor da remuneração da mãodeobra foi apurado por aferição indireta, tendo por base as informações contidas no Aviso de Regularização de Obra. O sujeito passivo apresentou impugnação ao auto de infração, na qual alega e requer, em suma, o seguinte: Ausência de Responsabilidade pela Obra A fiscalização não comprovou ser a impugnante a proprietária do imóvel situado na rua Canadá, 3136, Jales/SP, ou que ela tinha a posse deste à época dos fatos, nem tampouco que ela era a responsável pela obra realizada. Esse imóvel não pertence e nunca pertenceu à impugnante. E a obra de construção/ampliação da unidade frigorífica também não foi realizada por ela. Com isso, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra utilizada na obra não deve ser imputada à impugnante. Inconstitucionalidade das Multas Aplicadas Fl. 259DF CARF MF Processo nº 16004.000766/201074 Acórdão n.º 2202004.906 S2C2T2 Fl. 260 3 A multa aplicada no percentual de 75% ofende os princípios constitucionais da vedação do confisco, da proporcionalidade e razoabilidade, do devido processo legal e da moralidade administrativa. A penalidade aplicada exorbita a sua finalidade, que é a de punir, ganhando um caráter arrecadatório, o que a invalida. Redução de 50% do valor da multa Caso o pagamento da multa fosse efetuado até trinta dias da intimação do lançamento, haveria uma redução de 50% no valor da multa. Por outro lado, se a impugnante resolvesse discutir o débito na via administrativa, como de fato ocorreu, ela perderia essa redução. Tal situação viola os princípios do devido processo legal e do direito ao contraditório e ampla defesa, uma vez que se pune o exercício de um direito assegurado constitucionalmente. Assim sendo, deve ser aplicada a redução de 50% do valor da multa, mesmo após a apresentação da impugnação. Pedido Requer que o lançamento seja julgado improcedente, em razão da ausência de responsabilidade em relação à obra de construção civil. Requer o reconhecimento da decadência do crédito relativo ao período de 1/2005 a 12/2005, e, por conseguinte, a nulidade do lançamento, por ofensa ao artigo 142 do CTN. Subsidiariamente, requer a redução de 50% no valor da multa. Requer que todas as intimações e avisos sejam feitos no endereço da impugnante, bem como no endereço de seus procuradores. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação, mantendo na integralidade o crédito tributário exigido. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 241/255, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Mérito. Responsabilidade pela Obra de Construção Civil. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 16004.000766/201074 Acórdão n.º 2202004.906 S2C2T2 Fl. 261 4 Em relação a responsabilidade pelas obrigações previdenciárias decorrentes de obra de construção civil, assim dispõe o artigo 325 da IN nº 971/2009: Art. 325. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora. Por sua vez, os conceitos para “proprietário do imóvel” e “dono da obra” estão previstos, respectivamente, nos incisos XXXII e XXXIII do artigo 322 da IN nº 971/2009: Art. 322. Considerase: (...) XXXII proprietário do imóvel, a pessoa física ou jurídica detentora legal da titularidade do imóvel; XXXIII dono de obra, a pessoa física ou jurídica, não proprietária do imóvel, investida na sua posse, na qualidade de promitentecomprador, cessionário ou promitentecessionário de direitos, locatário, comodatário, arrendatário, enfiteuta, usufrutuário, ou outra forma definida em lei, no qual executa obra de construção civil diretamente ou por meio de terceiros; No caso em análise, a fiscalização apresentou um conjunto de indícios que comprovam que o contribuinte executou a ampliação de uma obra de construção civil no imóvel situado na rua Canadá, 3136, Centro, Jales/SP. O acórdão da DRJ de origem bem elencou o conjunto probatório que deu suporte ao lançamento, conforme trecho do acórdão abaixo reproduzido: 1 Em 10/01/2006, uma empresa da área de projetos industriais elaborou memorial descritivo de construção de uma fábrica de conservas (fls. 124/126), bem como, em 13/01/2006, uma revisão de projeto de construção de uma fábrica de conservas (fl. 127) e, em 15/08/07, um projeto de construção de um entreposto de carnes e derivados (fl. 128), todos tendo como proprietário/interessado a Unidos Agroindustrial S/A e como localização do estabelecimento a rua Canadá, 3136, Jales/SP. 2 Em 10/01/2006, emitiuse o cronograma de obras a serem realizadas no imóvel situado na rua Canadá, 3136, Jales/SP, constando como proprietário a Unidos Agroindustrial S/A (fl. 145). 3 Em 10/01/2006 e 17/04/2006, a Unidos Agroindustrial S/A encaminhou ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para apreciação e posterior aprovação, os projetos da nova indústria, situada na rua Canadá, 3136, Jales/SP (fls. 132 e 152). Fl. 261DF CARF MF Processo nº 16004.000766/201074 Acórdão n.º 2202004.906 S2C2T2 Fl. 262 5 4 Na rua Canadá, 3136, Jales/SP, está localizado o estabelecimento da Unidos Agroindustrial S/A sob CNPJ nº 07.002.627/000392 (fl. 120). Ainda que não tenha sido apresentado a certidão da propriedade do imóvel, ou mesmo um contrato civil que assegurasse a posse do imóvel, é certo que a recorrente estava, no mínimo, na posse do imóvel quando a obra foi executada, situação sem a qual a obra de construção civil não teria como ser executada por ela, ou por terceiros contratados por ela. Além disso, caso essa obra de construção civil tivesse sido executada por meio de terceiros, caberia à contribuinte apresentar os contratos de empreitada de construção civil, o que também não ocorreu no caso em análise. Assim sendo, não procede a alegação de que a recorrente não é responsável pelas obrigações previdenciárias decorrentes da ampliação de obra de construção civil situada na rua Canadá, 3136, Jales/SP. 2. Multa Aplicada. 2.1 Redução da multa em 50%. Aplicouse a multa de ofício de 75%, nos termos do artigo 35A combinado com o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A redução dessa multa em cinquenta por cento somente seria cabível se o sujeito passivo tivesse efetuado o pagamento das contribuições no prazo de trinta dias contados da data em que notificado do lançamento, conforme previsto no artigo 44, §3º, da Lei nº 9.430/96 combinado com o artigo 6º da Lei nº 8.218/91, o que não ocorreu no caso em análise. Portanto, improcede a alegação da contribuinte. 2.2 Alegações de inconstitucionalidade. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Assim, as alegações de inconstitucionalidade suscitadas pela contribuinte, para que a multa aplicada seja afastada, ou ainda, para que a mesma seja reduzida para cinquenta por cento, não podem ser apreciadas por este Conselho. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 262DF CARF MF Processo nº 16004.000766/201074 Acórdão n.º 2202004.906 S2C2T2 Fl. 263 6 Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.721738/2015-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 20/03/2015
ARGUMENTO DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. IMPROCEDÊNCIA.
O argumento de nulidade da decisão recorrida apresentado pela empresa Recorrente não merece acolhida, face à sua improcedência.
IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME PARA ACOBERTAR O VERDADEIRO INTERESSADO NA MERCADORIA. MULTA.
O registro indevido de importação como própria para ocultar o verdadeiro interessado na mercadoria importada sujeita o agente à multa pela cessão do nome, disposta no art. 33 da Lei nº 11.488/2007.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/03/2015
INCLUSÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NULIDADE.
Há de se reconhecer a nulidade do procedimento de inclusão do Sr. Antônio José Bertacco no polo passivo da presente contenda, visto que determinada por meio de diligência determinada pela DRJ. A atividade de julgar não pode se confundir com a atividade de lançar, sob pena de macular a imparcialidade do julgador, em afronta ao direito de defesa do Recorrente.
Numero da decisão: 3002-000.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Com relação ao recurso do responsável solidário, Sr. Antônio José Bertacco, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso interposto, não conhecendo do argumento/pedido de retirada do seu nome dos órgãos de restrição ao crédito, e, quanto à parte conhecida, também por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de nulidade e, por consequência, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de reconhecer a nulidade do procedimento que determinou a sua inclusão no polo passivo da presente demanda.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 20/03/2015 ARGUMENTO DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. IMPROCEDÊNCIA. O argumento de nulidade da decisão recorrida apresentado pela empresa Recorrente não merece acolhida, face à sua improcedência. IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME PARA ACOBERTAR O VERDADEIRO INTERESSADO NA MERCADORIA. MULTA. O registro indevido de importação como própria para ocultar o verdadeiro interessado na mercadoria importada sujeita o agente à multa pela cessão do nome, disposta no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/03/2015 INCLUSÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NULIDADE. Há de se reconhecer a nulidade do procedimento de inclusão do Sr. Antônio José Bertacco no polo passivo da presente contenda, visto que determinada por meio de diligência determinada pela DRJ. A atividade de julgar não pode se confundir com a atividade de lançar, sob pena de macular a imparcialidade do julgador, em afronta ao direito de defesa do Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Com relação ao recurso do responsável solidário, Sr. Antônio José Bertacco, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso interposto, não conhecendo do argumento/pedido de retirada do seu nome dos órgãos de restrição ao crédito, e, quanto à parte conhecida, também por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de nulidade e, por consequência, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de reconhecer a nulidade do procedimento que determinou a sua inclusão no polo passivo da presente demanda. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
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IMPROCEDÊNCIA. O argumento de nulidade da decisão recorrida apresentado pela empresa Recorrente não merece acolhida, face à sua improcedência. IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME PARA ACOBERTAR O VERDADEIRO INTERESSADO NA MERCADORIA. MULTA. O registro indevido de importação como própria para ocultar o verdadeiro interessado na mercadoria importada sujeita o agente à multa pela cessão do nome, disposta no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/03/2015 INCLUSÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NULIDADE. Há de se reconhecer a nulidade do procedimento de inclusão do Sr. Antônio José Bertacco no polo passivo da presente contenda, visto que determinada por meio de diligência determinada pela DRJ. A atividade de julgar não pode se confundir com a atividade de lançar, sob pena de macular a imparcialidade do julgador, em afronta ao direito de defesa do Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Com relação ao recurso do responsável AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 17 38 /2 01 5- 45 Fl. 424DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 425 2 solidário, Sr. Antônio José Bertacco, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso interposto, não conhecendo do argumento/pedido de retirada do seu nome dos órgãos de restrição ao crédito, e, quanto à parte conhecida, também por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de nulidade e, por consequência, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de reconhecer a nulidade do procedimento que determinou a sua inclusão no polo passivo da presente demanda. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 350/356 dos autos: Tratase de Auto de Infração referente à multa pela cessão do nome para acobertamento do real interessado em operação de comércio exterior, lavrado com fundamento legal no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. O lançamento totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização e foi contestado pelos sujeitos passivos. Da Autuação Consta na descrição dos fatos do Auto de Infração em apreço (fls. 674) que a empresa autuada registrou como própria a Declaração de Importação (DI) n° 14/10388281, que na realidade tem como real adquirente a pessoa jurídica POINTER DO BRASIL COMERCIAL LTDA., conforme apurado no procedimento especial de controle a que foi submetido o importador, do qual resultou na lavratura do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal ali indicado, referente às mercadorias objeto da citada DI. O relatório do citado procedimento especial foi reproduzido na descrição dos fatos feita pela fiscalização, sendo que consta em sua introdução que (fls. 78): Em decorrência da fiscalização empreendida sobre a DI supra, ação esta amparada pela Instrução Normativa RFB n° 1.169/2011 e dada a análise da documentação apresentada pela empresa interposta FORMULA COMERCIO DE ELETRONICOS LTDAEPP após intimações do fisco, concluiuse que houve interposição fraudulenta de terceiros, constatada pela inexistência de fato do importador (ausência de sede da empresa, ausência de funcionários registrados, não comprovação da capacidade financeira e origem de recursos, descaracterização da única sócia como pessoa responsável pelas operações, entre outros) e pela determinação do real adquirente, que é empresa subsidiária do fabricante da mercadoria importada. Além disso, de forma suplementar, não foi possível comprovar a existência de fato do exportador [...] Fl. 425DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 425 3 Ao longo da Ação Fiscal, foi constatada uma cadeia de interposição fraudulenta com duas empresas intermediárias, com o intuito de quebrar a cadeia do IPI e exonerar o real adquirente da figura de contribuinte do imposto. Destacase que conduta semelhante já foi usada pela POINTER DO BRASIL no ano de 2011, também tendo sofrido perdimento das mercadorias importadas na ocasião. Como será apresentado ao longo deste relatório fiscal, chegouse à conclusão de que o importador FORMULA, é pessoa interposta que repassa as mercadorias para uma segunda empresa de "fachada" SOLUTION COMÉRCIO DE FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS EIRELI, CNPJ 18.615.820/000153 antes de chegar no real adquirente das mercadorias, POINTER DO BRASIL. Tal fato foi evidenciado pelo fato de as mercadorias importadas serem de fabricação da POINTER TELOCATION LTD (em Israel) e serem vendidas, antes mesmo do desembaraço aduaneiro da FORMULA para a SOLUTION, e desta para a POINTER DO BRASIL, cujo sócio majoritário, com 99,98% do capital social, é a própria POINTER TELOCATION LTD. O importador (FORMULA) não comprovou a regularidade das operações, constatadas pela análise da documentação apresentada (que contou inclusive com a apresentação de documentos falsos produzidos dolosamente para iludir o fisco), pela análise de sistemas informatizados da RFB e por diligências efetuadas pela fiscalização. Na sequência constam tópicos tratando dos diversos aspectos que permeiam a ação fiscal, conforme sintetizado a seguir. a) Qualificação dos agentes envolvidos – onde constam as empresas envolvidas na infração apurada, com algumas informações cadastrais delas. A saber: FÓRMULA COMÉRCIO DE ELETRÔNICOS LTDA – EPP (FÓRMULA – autuada); SOLUTION COMÉRCIO DE FERRAMENTAS EQUIPAMENTOS EIRELI (SOLUTION – intermediária); POINTER DO BRASIL COMERCIAL LTDA (POINTER DO BRASIL – real adquirente). b) Histórico da ação fiscal – em que são abordados, entre outros aspectos, as mercadorias importadas, os indícios de irregularidade apurados, a fundamentação legal dos procedimentos adotados. c) Intimações realizadas – referese à formalização da ação fiscal, os documentos e esclarecimentos solicitados para comprovar a regularidade da operação investigada e respectivas respostas recebidas, de forma a evidenciar o encadeamento lógico dos procedimentos e conclusões da fiscalização, inclusive a falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados na importação. d) Diligências realizadas – onde são descritos os resultados das inspeções realizadas nos locais de interesse da fiscalização (sede e residência da sócia da autuada, imobiliária responsável pelo imóvel indicado como sede da autuada, sede de outra empresa relacionada com os fatos investigados), inclusive os depoimentos obtidos, e formuladas importantes conclusões decorrentes dos fatos apurados, como a inexistência de fato da empresa autuada e a participação do Sr. sim na infração apurada. e) Interposição fraudulenta – no qual é demonstrado o esquema utilizado na operação investigada e são detalhados os elementos que comprovariam a fraude em questão, inclusive o fluxo da operação e os demais indícios que levaram à identificação do real adquirente das mercadorias importadas (POINTER DO BRASIL). Fl. 426DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 425,5 4 f) Descaracterização da Sra. ELISAMA SANTOS RIBEIRO como responsável pela empresa FÓRMULA (fls. 3136) – nesse tópico a autoridade lançadora apresenta os elementos que levaram à seguinte conclusão: Durante a fiscalização, restou claro ser a FORMULA uma empresa "de fachada" e a sócia ELISAMA SANTOS RIBEIRO (CPF 465.161.67800) não configurar como pessoa responsável pelos negócios da empresa. Em vários momentos da ação fiscal, conforme será explorado a seguir, surgiu o nome do sr. ANTONIO JOSÉ BARTACCO (CPF 003.290.92847) como o operador da negociação da DI 14/10388281 e da própria empresa FORMULA em si. Há indícios também que o sr. ANTONIO também seja o operador dos negócios da empresa TOP FACTOR, em que a irmã de ELISAMA é sócia, e também, segundo apurado nesta ação fiscal, não possui sede instalada em operação e já teve pedida a nulidade de sua inscrição pela Fazenda de São Paulo, conforme ANEXO 06. g) Inexistência de fato do exportador – BLUE MARINE GROUP (fls. 3647) – são apresentados vários indícios nesse sentido: ao se acessar o site da empresa indicado na fatura não aparece nenhuma informação do exportador, mas apenas de uma instituição especializada em vender e alugar domínios na internet; no endereço constante na fatura funciona outra empresa; não há qualquer referência ao exportador na internet; as exportações da BLUE MARINE para o Brasil foram todas para a FÓRMULA; inconsistências dos documentos apresentados para comprovar o regular funcionamento do exportador. h) Fabricante da mercadoria importada (fls. 4865) – nesse item a fiscalização comenta sobre a empresa POINTER TELLOCATION LTD, enfocando: a grande diferença de preços entre mercadorias similares vendidas diretamente para a POINTER DO BRASIL e as importadas pela FÓRMULA; a questão da quebra da cadeia do IPI; e o histórico da POINTER DO BRASIL como participante de operações em que foi apurada interposição fraudulenta. i) Falsificação documental (fl. 6573) – diz respeito aos vários elementos que levaram a fiscalização a concluir pela falsidade material e ideológica do contrato de locação do imóvel em que estaria instalada a sede da empresa. A autoridade lançadora finalizou seu relatório com o item VI. CONCLUSÃO E PENALIDADE APLICÁVEL (fls. 73/74), no qual afirma que: Por todo o exposto no presente relatório ficou demonstrado que houve interposição fraudulenta de terceiros, constatados pela inexistência de fato do importador, FORMULA, pela não comprovação da origem, transferência e disponibilidade de recursos e pela identificação do real adquirente das mercadorias, a POINTER DO BRASIL. Por todo o exposto no presente relatório ficou demonstrado que a empresa POINTER DO BRASIL COMERCIAL LTDA, em solidariedade com a FORMULA COMERCIO DE ELETRONICOS LTDA EPP e a SOLUTION COMÉRCIO DE FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS EIRELI, incorreu em infração punível com a pena de perdimento às mercadorias importadas. Após o relatório fiscal seguem os documentos anexados para comprovar os fatos apurados pela fiscalização (fls. 77244). Da Impugnação da Empresa FÓRMULA COMÉRCIO DE ELETRÔNICOS EIRELI – EPP Fl. 427DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 426 5 A empresa autuada foi cientificada do lançamento em 2/4/2015 e, em 22/4/2015 apresentou impugnação (fls. 258269) na qual aduz as alegações a seguir. 1. Ausência de falsidade do contrato de locação da sede da empresa apresentado à fiscalização. Inicialmente a impugnante questiona o fato de a fiscalização considerar que a Fórmula não funciona no endereço indicado como sede da empresa, mas ter enviado para esse endereço todas as intimações a ela dirigidas. Em seguida esclareceu que: [...] firmou contrato de locação com alguém que se dizia proprietário do imóvel no endereço do contrato social originário. Feitos os trâmites na Junta Comercial e promovida as instalações, comparece no estabelecimento um Oficial de Justiça informando que o imóvel foi RETOMADO pelo proprietário anterior por descumprimento de cláusula contratual no contrato de compra e venda, que em regular processo judicial (da qual a Impugnante NÃO FOI PARTE) foi concedido Ordem Judicial de Reintegração de Posse combinada com ordem de desocupação de quem se encontrasse no imóvel. Isso obrigou a Impugnante a promover sua mudança à “toque de caixa” para o endereço atual onde está regularmente sediada, com todas as observações legais pertinentes à espécie, ou seja, com alteração de contrato na Junta Comercial e comunicação para todos os órgãos públicos. O Auditor Fiscal foi buscar informações em uma imobiliária cujo sócio representava o vencedor da ação de reintegração de posse e desconhecia por completo o Locatário que firmou contrato com o seu desafeto e adversário na ação judicial. 2. Impropriedade na descaracterização da Sra. Elisama Santos como sócia da impugnante. A defendente procurou desconstituir a tese da fiscalização com base nos seguintes argumentos: 2.1 Erro na declaração prestada pela vizinha da sócia da empresa quanto ao paradeiro desta. Foi anexada declaração em nome da referida vizinha na qual a mesma informa que prestou informação equivocada aos auditores fiscais, pois na família da Sra. Elisama Santos são quatro irmãs, sendo que duas delas moram com os pais no interior do Estado, e que teria confundido as irmãs, sendo outras as que moram no sítio com os pais (Declaração a fl. 283) 2.2 A Sra. Elisama Santos compareceu à RFB e apresentou petição que estranhamente não foi anexada aos autos. A fiscalização alegou que “causou muita estranheza a resposta recebida” da Sra. Elisama, na qual ela informou que não pode comparecer à repartição fiscal na data determinada e solicita que quaisquer dúvidas sejam enviadas por escrito. O que realmente causa estranheza é o fato de a petição datada de 16/10/2014, recebida pelo AuditorFiscal FABRÍCIO KANAZAWA, não ter sido anexada aos autos, juntamente com o atestado médico e os exames de imagem que comprovariam o estado de saúde fragilizado da Sra. Elisama, por conta de uma gravidez de risco. 2.3 A participação do Sr. Antonio Bertacco nas atividades da impugnante foi decorrente do frágil estado de saúde da Sra. Elisama. A impugnante é firma individual e, diante da impossibilidade de sua sócia trabalhar em razão de uma gravidez de risco, nada mais natural que ela solicitasse ajuda de sua irmã e de seu representante comercial. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 426,5 6 3. A impugnante recolhe os tributos devidos em razão de suas operações. A fiscalização alegou que a empresa não recolhe os impostos, mas o único procedimento fiscal contra a impugnante é o lançamento ora combatido. Ora, seriam os auditores fiscais aduaneiros mais diligentes que os da região fiscal do contribuinte? A impugnante é optante pelo Simples Nacional e no dia 02/10/2014 parcelou todas as duas dívidas fiscais. Por que os Auditores Fiscais não sabem disso? Claramente, esse tipo de informação posta no corpo da ação fiscal serve para “engrossar o caldo” e demonstrar ilicitudes que não ocorreram. 4. A defendente fez importações de várias marcas e modelos de rastreadores, inclusive de outros exportadores, as quais não foram levadas em conta pela fiscalização. Desde a constituição da defendente foram realizadas 11 (onze) importações de rastreadores, consoante tabela apresentada, das quais apenas 3 (três) foram vendidas para a Solution. Por que a acusação ignora as demais importações da Impugnante que se destinaram para outras empresas? Concluindo sua defesa a FÓRMULA alegou que: A Impugnante jamais ofereceu seu nome para uso de terceiros, ela apenas promoveu uma importação oportunista na qual ganharia um lucro razoável, no uso do seu direito constitucional da Livre Iniciativa. Não conhece ninguém da empresa POINTER BRASIL COMERCIAL LTDA. Comprou no mercado internacional e vendeu no mercado interno para empresa SOLUTION COMÉRCIO DE FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS, que é devidamente constituída e inscrita no Cadastro de Contribuintes da Receita Federal e na Secretaria da Fazenda do Estado, tanto, que sem dificuldade, os Auditores buscaram as notas fiscais emitidas eletronicamente e com destaque dos impostos devidos. Na parte final da peça defensória foi solicitado que o Auto de Infração fosse declarado nulo e insubsistente. Da Conversão do Julgamento em Diligência Iniciada a apreciação da lide foi constatada a necessidade de esclarecimentos adicionais sobre os fatos submetidos a julgamento. É que, embora a autoridade lançadora tenha concluído pela inexistência de fato da empresa FÓRMULA e apontado a participação do Sr. Antônio José Bertacco na irregularidade apurada, inclusive trazendo provas nesse sentido, o mesmo não foi indicado no polo passivo do lançamento. Diante dessa aparente falha procedimental, com fundamento nos artigos 18, III, e 29 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 8.748/19931 e, levando se em conta, também, os princípios da legalidade, do formalismo moderado, da verdade material e da celeridade, que norteiam o processo administrativo fiscal, decidiuse converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade preparadora adotasse as seguintes providências (fls. 305310): a) Verificar se, por um lapso, deixou de ser incluído no polo passivo do lançamento, como responsável solidário, o Sr. Antonio José Bertacco. Caso positivo, providenciar a inclusão. Se a ausência dele for decorrente de entendimento firmado pela fiscalização, justificar. b) Trazer aos autos outros documentos ou esclarecimentos que a autoridade preparadora entenda necessários ou relevantes para o julgamento da lide. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 427 7 c) Cientificar o sujeito passivo da presente Resolução e de seu resultado, bem como do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. A autoridade lançadora confirmou que realmente houve um equívoco no lançamento e noticiou a aplicação da pena de perdimento das mercadorias cuja importação ensejou a exação fiscal em apreço, consoante trechos do Termo de Notificação a seguir reproduzidos (fls. 313/314): Em atendimento aos quesitos formulados, informamos que, por lapso, não foi incluído o sr. Antonio José Bertacco no polo passivo do referido lançamento tributário. Desta forma, formalizase por meio do presente termo de notificação a inclusão do sr. ANTONIO JOSE BERTACCO (CPF 003.290.92847) no polo passivo do lançamento tributário amparado pelo Auto de Infração nº 0817900/01482/14, na qualidade de responsável solidário, em face dos motivos constantes do Relatório Fiscal que é parte deste processo administrativo. Informamos também que constam do processo administrativo nº 15771.721.737/201509 os trâmites relativos ao julgamento do auto de infração relativo à aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ao amparo da Declaração de Importação nº 14/10388281. O Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0817900/09002/15 foi julgado procedente, tendo sido aplicada a pena de perdimento às mercadorias importadas, por meio de despacho do InspetorChefe da Alfândega da Receita Federal do Brasil em São Paulo, em 04/08/2015. Na sequência consta Pedido de Cópia do Processo, apresentado em nome da FÓRMULA COMÉRCIO DE ELETRÔNICOS EIRELI EPP (fl. 316), e as notificações dirigidas aos sujeitos passivos, para darlhes ciência da diligência e de seu resultado. Observase que, em razão de já ter sido dada a baixa da FÓRMULA no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) nessa ocasião, foi enviada intimação para o endereço da pessoa que constava como representante legal dessa empresa, Sra. Elisama Santos Ribeiro, e afixado edital de intimação em nome da empresa na repartição fiscal responsável, em 19/09/2016 (fl. 329). Quanto ao Sr. Antônio José Bertacco, foi enviada intimação para o endereço constante em seu cadastro junto à Receita federal e obtida a informação de que o mesmo não residia mais lá (fl. 327). Todavia, antes de ser providenciada a ciência dele por edital, o mesmo apresentou defesa (fls. 332340), em 01/11/2016, cujos argumentos serão apresentados na sequência deste Relatório. Da Impugnação do Sr. Antônio José Bertacco Antes mesmo de ser formalmente intimado acerca do lançamento e de sua condição de responsável solidário, o Sr. Antonio José Bertacco apresentou contestação na qual alega que: Nulidade da citação. O defendente foi julgado e condenado no Auto de Infração objeto do presente processo, sem jamais ter sido chamado a se manifestar. É no mínimo estranho, para não dizer absurdo, os relatórios apresentados pelos auditores, nos quais eles fazem ilações, suposições e acusações [...] sem ter intimado pessoalmente, nem tampouco ouvido o peticionário. Ilegitimidade passiva. O peticionário não teve nem tem responsabilidade pela FÓRMULA COMÉRCIO DE ELETRÔNICOS EIRELI – EPP, pois apenas prestou serviços a essa empresa, num curtíssimo período de tempo, auxiliando Fl. 430DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 427,5 8 administrativamente sua proprietária, que na época se encontrava impossibilitada em razão de passar por uma gravidez de alto risco. Essa atividade não foi como gerente, administrador ou qualquer outra função ou cargo de confiança. Agiu sempre a mando de sua empregadora e jamais incorreu em qualquer excesso, abuso ou ilegalidade. Existência de fato das empresas FÓRMULA e TOP FACTOR. As referidas empresa são legítimas, legais e atuantes no mercado, cada uma com suas respectivas representantes legais, as quais respondem cada um por si, e nenhuma “de fachada” como alegou o auditor [...] Para comprovar suas alegações o Sr. Antônio José Bertacco juntou aos autos declarações da sócia proprietária da empresa TOP FACTOR; do zelador do edifício onde residia; e do despachante aduaneiro Luís Gonzaga Silva do Nascimento (fls. 344347). Ao final de sua peça defensória o responsável solidário pugna pela nulidade de sua inclusão no polo passivo do lançamento, sem que lhe tenha sido oportunizado se manifestar previamente, e pela improcedência de sua autuação. Além disso, protesta provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em direito e solicita que seja intimado no endereço ali informado, onde seria a residência atual dele. O contribuinte juntou, com a impugnação, os documentos de fls. 270/288. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedentes as impugnações, conforme decisão (fls. 349/373) que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/03/2015 PROTESTO GENÉRICO PELA POSTERIOR PRODUÇÃO DE PROVAS. INEFICÁCIA. O protesto genérico pela posterior apresentação de prova é inútil no processo administrativo tributário, em que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamenta, precluindo o direito de apresentálos noutro momento, exceto nas hipóteses definidas na lei, as quais independem de prévio protesto. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 20/03/2015 IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME PARA ACOBERTAR O VERDADEIRO INTERESSADO NA MERCADORIA. MULTA. O registro indevido de importação como própria para ocultar o verdadeiro interessado na mercadoria importada sujeita o agente à multa pela cessão do nome, disposta no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/03/2015 EMPRESA DE FACHADA. RESPONSABILIDADE DO VERDADEIRO ADMINISTRADOR DO NEGÓCIO. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 428 9 No caso de empresa de fachada, em que tenha sido constatado que o representante legal funciona como “laranja”, o verdadeiro administrador do negócio responde solidariamente pelas infrações imputadas à pessoa jurídica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A representante legal da empresa foi intimada acerca desta decisão em 01/03/2017 (vide AR à fl. 379) e o Sr. Antônio José Bertacco foi intimado em 10/03/2018 (vide AR à fl. 382). Insatisfeita com o seu teor, a empresa Formula Comércio de Eletrônicos LTDA. EIRELI interpôs, em 27/03/17, Recurso Voluntário (fls. 383/393). Em seu recurso, a empresa repisou os argumentos de sua impugnação e afirmou que a primeira instância de julgamento convalidou o lançamento ignorando os fatos novos trazidos pelo contribuinte ou agindo com sarcasmo quanto a estes fatos, o que teria tornado o processo unilateral. Requereu, assim, a anulação da decisão de primeiro grau e a conversão do julgamento em diligência para confirmar as suas alegações. Juntou, com o recurso, certidão de cartório de registro de imóveis (fls. 394/396). Consta ainda, às fls. 397/412, recurso do Sr. Antônio José Bertacco, interposto em 07/04/2017, no qual arguiu cerceamento de seu direito de defesa pela forma como incluído nos procedimentos fiscais aos quais se encontra submetido, tendo neles sido citado sem ser parte, e tendo o procedimento fiscal sido fracionado em diversos relatórios/processos, o que teria dificultado a sua defesa. Arguiu, ainda, nulidade das citações enviadas a seu antigo endereço, o que também teria prejudicado seu direito de defesa e gerado aplicação de multa, que teria sido inscrito nas entidades de proteção ao crédito e deixado seu nome negativado no SPC/SERASA. Pediu, ao fim, declaração de nulidade do auto de infração lavrado em seu nome e das citações enviadas para seu antigo endereço, bem como o reconhecimento de inexistência de sua responsabilidade e a exclusão de seu nome do polo passivo. Pediu o cancelamento da penalidade imposta e a retirada de seu nome dos órgãos de proteção ao crédito. Juntou os documentos de fls. 414/422. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise de ambos os Recursos Voluntários interpostos. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: Os Recursos Voluntários são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. Passo, então, à análise dos argumentos constantes dos referidos recursos. 1. Do recurso interposto pela empresa Fórmula Comércio de Eletrônicos Fl. 432DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 428,5 10 Consoante acima narrado, em seu Recurso Voluntário, a empresa autuada arguiu, preliminarmente, nulidade da decisão proferida pela DRJ, a qual teria convalidado o lançamento, mas ignorado os fatos novos trazidos aos autos, tornando o processo unilateral. Ao analisar este fundamento, entendo que não houve nulidade da decisão recorrida quanto a tal ponto, a qual analisou corretamente o caso concreto analisado no que tange à manutenção da autuação em fase da empresa recorrente. A convalidação do lançamento se deu diante do convencimento do Julgador acerca da procedência do auto de infração lavrado, somada à inexistência de elementos de defesa aptos a abalar dito convencimento. Tal decisão encontrase suficientemente fundamentada, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da mesma. Também preliminarmente, requereu a empresa autuada a conversão do julgamento em diligência, para fins de comprovar as operações e alegações que apresenta. Penso, contudo, que tal pleito, nesta fase processual e sem que tenha sido trazido aos autos qualquer elemento tendente a abalar a convicção já posta nos autos, apresentase incabível. Ademais, é cediço que a determinação de diligência antes do julgamento da demanda é uma faculdade do órgão de julgamento, e deverá ser determinada tão somente nos casos em que tal diligência se apresente essencial/importante à solução da contenda. Não é o caso, contudo, dos presentes autos, os quais, no meu entender, já se encontram suficientemente instruídos para fins de julgamento. Eventuais provas existentes já constam dos autos, não se fazendo necessária a conversão em diligência requerida. Quanto ao mérito, alega a empresa reproduz em seu Recurso Voluntário os mesmos fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, no sentido de que as operações foram regulares, não tendo havido a interposição fraudulenta de terceiros indicada no auto de infração. Entendo, contudo, que não assiste razão ao Recorrente neste particular. O auto de infração encontrase suficientemente embasado e os argumentos e provas trazidos aos autos pelo Recorrente não possuem o condão de modificar esta conclusão. Por concordar com a análise realizada pela DRJ neste ponto, transcrevoa a seguir, adotandoa como razão de decidir: Da Cessão do Nome para Acobertamento de Terceiros em Operação de Comércio Exterior A caracterização da FÓRMULA como empresa de fachada, utilizada para acobertar o real interessado na mercadoria importada que deu ensejo ao lançamento, tem suporte em robusto conjunto probatório, conforme explanado a seguir. Para facilitar o entendimento, a análise das alegações trazidas pelos impugnantes será feita na sequência de cada elemento de prova da infração apresentado, extraído do libelo fiscal. 1. Inexistência de fato da empresa FÓRMULA. A autuada, devidamente intimada a apresentar elementos para comprovar a regularidade da operação investigada (fls. 8698), sequer conseguiu demonstrar sua existência de fato. A fiscalização apurou que, no endereço do imóvel indicado no Contrato de Locação apresentado pela FÓRMULA, o qual é o mesmo constante no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, não havia nenhuma empresa funcionando. Tratase de uma sala de um prédio situado na Rua Coelho Lisboa, 61, conjunto 71 – Tatuapé, São PauloSP, a qual se encontrava fechada em pleno horário comercial, quando foi feita a diligência no local. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 429 11 Além disso, de acordo com as informações colhidas pela fiscalização, a empresa que funcionaria ali seria a TOP FACTOR COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA – EPP. Nesse sentido são taxativas as declarações tomadas a termo do zelador/porteiro do prédio, Sr. Rosemildo Araújo de Freitas (fls. 114/115), e do responsável pela empresa locadora do referido imóvel – SPR COBRANÇA LTDA ME, Sr. Adilson Pavão Júnior (fl. 116), que inclusive apresentou à fiscalização o Contrato de Locação firmado com a TOP FACTOR. Cabe esclarecer que a SPR COBRANÇA LTDA ME aparece como locadora do imóvel onde funcionaria a FÓRMULA no contrato de locação que a própria autuada apresentou ao Fisco. Em relação a esse aspecto, ficou evidente a tentativa da autuada de ludibriar a fiscalização, mediante apresentação de documento falso. Com efeito, além das declarações retro mencionadas, que contradizem o teor do citado contrato, as constatações a seguir reproduzidas reforçam a conclusão quanto à falsidade desse documento (fls. 6572): Em resposta ao Termo de Intimação n° 59/2014 e ao Termo de Constatação n° 33/2014, em que foi solicitado "Contrato de locação ou escritura do imóvel onde a empresa exerce suas atividades, inclusive aqueles utilizados como armazém, depósito, escritório, etc;", com o intuito de provar a regular atividade da empresa, a FORMULA entregou um contrato de locação que se mostrou materialmente e ideologicamente falso. Houve dolo da empresa ao forjar, falsificar o contrato de locação em que a sede da FORMULA supostamente funcionaria. Esta conduta teve o intuito de tentar afastar da fiscalização que a empresa em questão tratase de uma empresa "de fachada". [...] Após a análise do contrato de locação recebido, houve a constatação de vários indícios de que se tratava de um contrato simulado, dolosamente produzido pela empresa FORMULA para ser entregue para esta fiscalização. São eles: 1) os dados da imobiliária, constantes no rodapé do contrato, dizem respeito à uma imobiliária localizada na cidade de Guarulhos, que não possui site, não pode ser localizada no endereço apresentado e cujo telefone pertence a uma residência; 2) o logotipo do contrato é idêntico ao de uma empresa denominada "Brasa Imóveis", que é um dos primeiros logotipos que aparecem na página de busca de imagens do Google, ao se digitar "imobiliária logotipo" no campo de pesquisa. Fica evidente que o contrato foi cuidadosamente e dolosamente confeccionado pela FORMULA, com o claro intuito de induzir a fiscalização a erro; 3) divergência entre a assinatura da sócia ELISAMA SANTOS RIBEIRO presente em seu RG apresentado à fiscalização e a constante no contrato de locação [...] No dia 29/10/14, a fiscalização foi até a sede da Imobiliária MAIS IMÓVEL, ocasião em que o Sr. Adilson Pavão Júnior (CPF 134.320.94809) prestou esclarecimentos. Além de ser diretor financeiro da imobiliária, empresa de propriedade de sua esposa, é proprietário da empresa SPR COBRANÇA EIRELI ME (CNPJ: 03.484.512/000169) e apresentou à fiscalização o contrato celebrado para o conjunto comercial em questão. O contrato, devidamente assinado entre as partes, para o conjunto 71 do prédio localizado na Rua Coelho Lisboa, 61, é entre a SPR COBRANÇA e a empresa TOP FACTOR COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA EPP (CNPJ: 14.798.129/000100). Fl. 434DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 429,5 12 Os termos do contrato são absolutamente iguais ao contrato falso apresentado pela FORMULA à fiscalização, com as devidas alterações (subtração dos textos referentes à TOP FACTOR e inclusão de textos referentes à FORMULA). Além disso, com o contrato verdadeiro em mãos, fornecido pelo sr. Adilson, podese verificar que também houve a falsificação da assinatura dele, representando a SPR COBRANÇA, no contrato apresentado pela FORMULA, conforme mostrado abaixo. O contrato apresentado pela FÓRMULA e o obtido pela fiscalização na imobiliária MAIS IMÓVEIS encontramse no Anexo 10 (fls. 215224). Observase que a empresa TOP FACTOR, CNPJ nº 14.798.129/000100, tem como responsável a sócia VANESSA SANTOS RIBEIRO, que é irmã de ELISAMA SANTOS RIBEIRO, que é a única sócia e a responsável pela FÓRMULA. E mais, conforme informações colhidas pela fiscalização, ambas têm estreita relação com o Sr. Antônio José Bertacco, consoante será detalhado na sequência deste voto. Por esse motivo não é de se estranhar que as intimações enviadas para o endereço que seria o da autuada tenham sido ali recebidas. A justificativa apresentada pela impugnante em relação ao imóvel onde funcionaria sua sede (contrato feito com uma pessoa que “se dizia proprietária”, reintegração de posse pelo proprietário anterior logo após a instalação da empresa, mudança para outro endereço) carece de provas e de razoabilidade. Em primeiro lugar, foi ela mesma que apresentou à fiscalização o contrato de locação, muito tempo depois da data em que a FÓRMULA teria feito sua instalação no endereço ali indicado. Além desse aspecto, não foi apresentada nenhuma prova quanto à alegada reintegração de posse, nem apresentado nenhum documento referente ao “novo” endereço para o qual a empresa teria se mudado “a toque de caixa”, o qual também não foi atualizado no CNPJ. Ressaltase que, além de não comprovar a existência de sua sede, a FÓRMULA também não demonstrou possuir nenhum funcionário registrado, nem capacidade econômicofinanceira para bancar a operação em foco. 2. Outros elementos que comprovam a cessão do nome pela autuada. Por óbvio que a inexistência de fato da FÓRMULA já basta para descaracterizála como a real adquirente da mercadoria cuja importação ensejou o lançamento. Mas ainda tem outros elementos apontados pelo Fisco para reforçar essa conclusão, e que não foram desconstituídos pelos autuados. 2.1 Do fluxo operacional da importação objeto do lançamento. Sobre esse aspecto a fiscalização assim reportou (fls. 16/17): • A fabricante dos produtos da DI em questão é a empresa israelense POINTER TELOCATION LTD, que possui uma subsidiária no Brasil (POINTER DO BRASIL). Assim, o fato da empresa FORMULA ter feito a importação de aparelhos de radionavegação, vendêlos em sua totalidade para a empresa SOLUTION COMERCIO DE FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS EIRELI (CNPJ 18.615.820/000153), que posteriormente os vende para a POINTER DO BRASIL, aparenta ser um fluxo não natural para o caminho de uma empresa fabricante vender produtos para sua subsidiária. O percurso de vendas foi observado através da análise das notas fiscais eletrônicas das empresas. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 430 13 • Antes mesmo do desembaraço das mercadorias da DI 14/10388281, a nota de venda já havia sido emitida para o comprador final, POINTER DO BRASIL. • As mercadorias importadas pela FORMULA foram declaradas com preços substancialmente baixos, em especial se comparados com as importações feitas pela própria POINTER DO BRASIL em anos anteriores. Esta conduta, além de diminuir o montante de tributos de importação obrigatoriamente pagos no desembaraço das mercadorias, combinada com a interposição fraudulenta de terceiros, faz com que a POINTER DO BRASIL não seja contribuinte do IPI – como seria se a empresa fosse a importadora diretamente reduzindo ainda mais o montante de tributos a pagar. • A empresa importadora, FORMULA, constituída em 01/10/2013, é sediada no mesmo endereço de outra empresa, a SCO EVENTOS LTDA ME (CNPJ 03.798.882/000170). A FORMULA, apesar de constituição recente, apresenta faturamento de mais de R$ 8 milhões de reais até junho/14 e sua única sócia, a senhorita ELISAMA SANTOS RIBEIRO (CPF 465.161.67800) possui 19 anos. • A importadora FORMULA, apesar de apresentar alto volume de negócios, nunca pagou tributos, além dos necessários ao desembaraço aduaneiro das mercadorias. Assim, fica clara a conduta da empresa de não cumprir com suas obrigações tributárias. • Comportamento semelhante ocorre com a intermediária SOLUTION, constituída em 05/08/2013, que além de movimentar mais de 34 milhões de reais em poucos meses, também não paga um único real de imposto. • O exportador BLUE MARINE GROUP não pode ser localizado através de informações constantes na invoice emitida por ele, como o sítio na internet (www.bluemarinegroup.com), que não existe, ou no endereço declarado, em que há outra empresa constituída no local. Além disso, em caso de fraude no momento ainda não comprovada o fato da empresa estar estabelecida no Uruguai, conhecido como "paraíso fiscal", seria conveniente; • Em 2011, a POINTER DO BRASIL foi autuada com perdimento de mercadorias pelo uso de pessoas interpostas para importação de aparelhos de radionavegação, com o intuito principal de diminuir os tributos devidos, em especial do IPI. Desta forma, a empresa se mostrou capaz de burlar as regras tributárias no passado e sua disposição para cometer a fraude novamente não pode ser descartada. No tocante a essas informações a FÓRMULA alegou que: Não conhece ninguém da empresa POINTER BRASIL COMERCIAL LTDA. Comprou no mercado internacional e vendeu no mercado interno para empresa SOLUTION COMÉRCIO DE FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS, que é devidamente constituída e inscrita no Cadastro de Contribuintes da Receita Federal e na Secretaria da Fazenda do Estado, tanto, que sem dificuldade, os Auditores buscaram as notas fiscais emitidas eletronicamente e com destaque dos impostos devidos. Se a empresa SOLUTION conhece a empresa POINTER é problema deles, que não envolve a ora Impugnante. Ressaltase que, de acordo com as informações constantes nos autos, não houve o recolhimento de nenhum tributo por ocasião das “vendas” das mercadorias Fl. 436DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 430,5 14 importadas para a SOLUTION e desta para a POINTER DO BRASIL LTDA. O fato de o IPI ser destacado na nota fiscal não significa que o mesmo foi recolhido. Além desse aspecto, o esquema fraudulento descortinado pela fiscalização possibilita não apenas a “quebra da cadeia do IPI”, já que os destinatários das mercadorias após a nacionalização delas deixam de se enquadrar como contribuintes desse tributo, por equiparação3, mas também a manipulação dos custos e do montante de tributos a recolher, mediante a utilização de preços artificiais. Conforme demonstrado pela fiscalização, a FÓRMULA emite nota fiscal de venda para a SOLUTION com preço muito próximo ao custo de aquisição, enquanto a “venda” da SOLUTION para a POINTER (operação em que não há mais a incidência do IPI) é feita por valor substancialmente superior, conforme revelam os seguintes trechos e documentos do Relatório Fiscal (fls. 52): No mesmo dia do registro da DI 14/10388281, em 02/06/2014, mesmo sem ter sido desembaraçada, a FORMULA registrou nota fiscal de entrada das mercadorias, através da NFe n°116, chave n° 351406189828070001325500100 00001161303080094. A nota contém a entrada dos 1.500 aparelhos de radionavegação, modelo A200DK, a R$ 27,70 cada unidade. Apesar de não haver registro da nota fiscal de saída da FORMULA para a SOLUTION, há a nota fiscal de venda da SOLUTION para a POINTER DO BRASIL, em 20/06/2014, através da NFe n°2623, chave n° 35140618615820000 153550010000026231026234061. Houve a venda de 1.504 rastreadores, modelo A200DK, pelo valor unitário de R$ 324,63. (Destaques na reprodução) Ou seja, na operação que ensejou o lançamento em debate, o preço da venda do mesmo produto para a POINTER DO BRASIL é quase 12 (doze) vezes o de compra registrado pela FÓRMULA. Em termos percentuais, a diferença entre os preços (R$ 296,93) é mais de 1.000% (mil por cento). Para reforçar esse aspecto, a fiscalização apresentou também os preços praticados em outras duas importações (fls. 5253), uma referente a cabos para telefone (DI nº 14/01880055), e outra a aparelhos de radionavegação, fabricados pela POINTER TELOCATION LTD (DI nº 13/24656567). Em relação à primeira declaração de importação, a margem bruta de lucro da SOLUTION foi de 110,14%. Na segunda, que diz respeito a produtos similares aos trazidos na DI objeto da autuação, a margem bruta de lucro da SOLUTION variou entre 912,16% e 3.147,40%. A FÓRMULA alegou também que, desde sua constituição até jun/2014, tinha efetuado 11 (onze) importações de rastreadores de várias marcas modelos, sendo que: Desse total de importações apenas 3 (três) foram vendidas para a Solution e os Auditores se silenciam sobre as operações, justamente para criar a teoria da conspiração que jamais existiu. O fato é que a Impugnante é habitual importadora de rastreadores, que busca no mercado internacional bons produtos com preços convidativos, sem ligação com a marca ou modelo, mas sim, com produtos que atendam seu nicho de mercado. Em relação à participação da empresa SOLUTION no esquema apurado pela fiscalização, constam no Relatório Fiscal as seguintes informações: (fl. 52) Fl. 437DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 431 15 Ressaltase que em importações anteriores, desde a existência da FORMULA, das 18.368 unidades de rastreadores trazidos pela empresa e que representam a totalidade das importações feitas por ela somente para 247 unidades não há nota fiscal de venda emitida (foram declaradas como amostras). Todos os outros rastreadores foram vendidos para a empresa SOLUTION. Desta forma, inferese que o curso natural dos 1.500 unidades da DI, embora não haja nota fiscal de venda, tenham seguido para a empresa SOLUTION. As datas, quantidades e valores negociados sustentam e confirmam o caminho. (Grifo no original) (fl. 63) Destacase também que a empresa SOLUTION, apesar de ter movimentado mais de R$ 34 milhões em notas fiscais de vendas em tão pouco tempo, desde a sua criação em 05/08/2013, conta somente com um único registro de pagamento de R$ 21,00 ao fisco federal, em 01/10/2013, referente a Registro do Serviço de Comércio. Não há qualquer registro de pagamento de outros impostos federais (ANEXO 09). O Anexo 09 (fls. 153–214) é referente aos relatórios das pesquisas nos sistemas da Receita Federal dos pagamentos realizados pela FÓRMULA e pela SOLUTION. O extrato a fl. 214 confirma a ausência de recolhimento de qualquer tributo federal por parte da SOLUTION no período examinado. Ressalto que os autuados não contestaram o fluxo das mercadorias que deram ensejo ao lançamento, nem os preços de venda apresentados pela fiscalização. Assim, não há dúvidas que as mesmas passaram pela SOLUTION antes de chegar à POINTER DO BRASIL. Também é incontroversa a gritante diferença entre os preços das vendas da FÓRMULA para a SOLUTION e desta para a POINTER DO BRASIL. Assim, não há como evitar as seguintes indagações, que não foram esclarecidas pelos impugnantes, fortalecendo a tese da fiscalização. a) Por que a POINTER DO BRASIL, sendo uma subsidiária do fabricante da mercadoria em foco, optaria por adquirila de intermediários no mercado interno? b) O que justificaria a enorme disparidade entre os preços dessa mercadoria declarados nas importações da FÓRMULA e aqueles pelos quais a mesma mercadoria foi adquirida pela POINTER DO BRASIL, uma vez que a diferença entre esses valores variou entre 912,16% e 3.147,40% nas operações examinadas pela fiscalização? Em relação às demais importações registradas pela FÓRMULA, com exceção das outras duas mencionadas anteriormente, não foram apresentadas provas quanto ao destino delas por nenhuma das partes. De qualquer forma, diante dos elementos já constantes nos autos, entendo que a análise desse aspecto não é necessária para demonstrar a irregularidade da operação em apreço. 2.2. Da ausência de recolhimento de tributos no mercado interno. A fiscalização apurou que os únicos tributos federais pagos pela FÓRMULA foram os incidentes nas importações realizadas em nome dela. De acordo com o levantamento dos pagamentos feitos pela autuada, desde sua abertura (01/10/2013) até 18/11/2014 (fls. 153213), foram identificados recolhimentos apenas nas seguintes rubricas: 7811 TAXA DE UTILIZAÇÃO DO SISCOMEX (ART. 3 MP 172598) Fl. 438DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 431,5 16 0086 II IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – OUTROS 5602 PISIMPORTAÇÃO 5629 COFINSIMPORTAÇÃO 1038 IPIVINCULADO IMPORTAÇÃO 6621 SERVIÇOS DE REGISTRO DO COMÉRCIO Assim, exceto pela taxa referente ao registro do comércio, os demais recolhimentos são todos referentes a operações de importação. Não há nenhum pagamento referente aos chamados tributos internos (SIMPLES, IPI, IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre a receita bruta). Contra essa acusação a FÓRMULA alegou que era optante pelo SIMPLES e que em 02/10/2014 solicitou um parcelamento junto à Receita Federal, o qual abrangeria todos os seus débitos (fls. 284/285). Ocorre que, além de a autuada ter solicitado o parcelamento quando já estava sob procedimento fiscal, eis que teve ciência do Termo de Início de Procedimento Especial de Fiscalização a que foi submetida em 15/07/2010 (fls. 86 a 89), na data em que foi realizado o levantamento dos tributos pagos – 19/11/2014 – ainda não devia constar o pagamento de nenhuma mensalidade desse parcelamento. De qualquer forma, o raciocínio da fiscalização foi plenamente válido, já que, ao longo do período examinado, a autuada tinha registrado faturamento de mais de 8 (oito) milhões, sem recolher um centavo de tributos federais nas operações no mercado interno. Para finalizar a análise quanto à cessão do nome para acobertamento de interveniente em operação de comércio exterior por parte da autuada, trago as seguintes informações constantes nos autos. a) A situação atual da FÓRMULA no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas é de baixada, pelo motivo inexistência de fato. b) O inspetor da unidade da Receita Federal em que ocorreu a operação objeto do lançamento em debate confirmou o entendimento dos auditores fiscais que apreenderam a correspondente mercadoria, aplicandolhe a pena de perdimento, em decorrência da constatação de interposição fraudulenta na importação. Diante do exposto considero que ficou devidamente comprovada a infração apontada pela autoridade autuante. Com fulcro nas razões acima dispostas, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. 2. Do recurso interposto pelo responsável solidário, Sr. Antônio José Bertacco O Sr. Antônio José Bertacco, por seu turno, incluído na presente demanda na qualidade de responsável solidário, também interpôs Recurso Voluntário. De início, é válido mencionar que um dos pedidos apresentados pelo Recorrente não há como ser conhecido por este Colegiado, qual seja, o pedido de retirada do nome do Sr. Antônio dos órgãos de proteção ao crédito. Isso porque este órgão de julgamento não tem competência para apreciar este tipo de pedido, cabendolhe tão somente o julgamento Fl. 439DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 432 17 da procedência ou não . Eventual insurgência quanto a tal pleito, portanto, deverá ser apresentada perante a esfera competente à sua apreciação. Em sede de preliminar, alegou nulidade do procedimento fiscal, por cerceamento do seu direito de defesa, em razão da forma com que fora incluído no polo passivo da demanda, visto que fora citado sem ter sido parte, além de o procedimento ter sido fracionado em diversos relatórios/processos, o que teria dificultado a sua defesa. Entendo que assiste razão ao Recorrente quanto ao argumento de nulidade. Isso porque, verificase que, em que pese o auto de infração ter mencionado a forma com que o Sr. Antonio teria participado da infração objeto da presente contenda, o referido auto fora lavrado exclusivamente em nome da empresa Fórmula, não tendo o Sr. Antônio, em princípio, constado como responsável solidário da contenda. Ao verificar tal fato, o relator da DRJ entendeu por baixar o processo em diligência, tendo proferido decisão com o seguinte comando: Verificar se, por um lapso, deixou de ser incluído no polo passivo do lançamento, como responsável solidário, o Sr. Antonio José Bertacco. Caso positivo, providenciar a inclusão. Se a ausência dele for decorrente de entendimento firmado pela fiscalização, justificar. b) Trazer aos autos outros documentos ou esclarecimentos que a autoridade preparadora entenda necessários ou relevantes para o julgamento da lide. c) Cientificar o sujeito passivo da presente Resolução e de seu resultado, bem como do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. Em seguida, consta dos autos às fls. 313/314, despacho da unidade de origem com o seguinte conteúdo: Em atendimento aos quesitos formulados, informamos que, por lapso, não foi incluído o sr. Antonio José Bertacco no pólo passivo do referido lançamento tributário. Desta forma, formalizase por meio do presente termo de notificação a inclusão do sr. ANTONIO JOSE BERTACCO (CPF 003.290.92847) no polo passivo do lançamento tributário amparado pelo Auto de Infração nº 0817900/01482/14, na qualidade de responsável solidário, em face dos motivos constantes do Relatório Fiscal que é parte deste processo administrativo. Somente após esta diligência que o Sr. Antonio foi notificado para compor o polo passivo da presente demanda, vindo a se manifestar nos presentes autos, por meio da manifestação de fls. 332/347 dos autos. Ao analisar o caso, então, entendo que a DRJ foi muito além da sua competência ao assim proceder. Isso porque, não cabe ao julgador administrativo proceder à correção de eventuais atos da fiscalização na lavratura de auto de infração, mas sim analisar a autuação da forma em que se encontra. Até porque, o ato de lançar não pode se confundir com o ato de julgar, sob pena de comprometer por completo a parcialidade do órgão julgador quanto ao julgamento proferido. Importante destacar, inclusive, que, in casu, a modificação determinada pela DRJ não corresponde a algum equívoco formal constatado quanto ao lançamento do auto de Fl. 440DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 432,5 18 infração, cuja correção poderia vir a ser cogitada como cabível, mas sim alteração substancial quanto ao seu conteúdo, que levou à inclusão de um responsável solidário no polo passivo da contenda. Como se não bastasse, da leitura do auto de infração lavrado verificase que, embora tenha a fiscalização mencionado a participação do Sr. Antonio na infração ali relatada, não indicou em qualquer passagem do lançamento que a intenção seria de inclusão deste no polo passivo da presente contenda, na qualidade de responsável solidário. Nesse contexto, a resolução determinada pela DRJ figurou, no presente caso, como verdadeiro aditivo do auto de infração, em total afronta à imparcialidade que deve reger os atos proferidos por órgãos julgadores. Mencionese, ainda, que, para fins de fundamentar a resolução proposta, o Julgador trouxe à colação o conteúdo do art. 18 do Decreto 70.235/1972, que trata sobre os casos em que a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias, cujo teor transcrevese a seguir: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Entendo, contudo, que este dispositivo não se presta para fins de justificar diligência determinada pela DRJ de inclusão do Sr. Antônio no polo passivo da presente contenda, a qual, repisese, teve por escopo realizar verdadeira emenda ao lançamento tributário realizado. Ao assim proceder, portanto, findou a DRJ por praticar ato verdadeiramente nulo, visto que, além de conter comando que vai além da sua competência, ocasionou preterição do direito de defesa do recorrente. Nesse contexto, é válido trazer à colação o conteúdo do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: Fl. 441DF CARF MF Processo nº 15771.721738/201545 Acórdão n.º 3002000.587 S3C0T2 Fl. 433 19 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Diante dos fundamentos acima apresentados, voto no sentido de acolher esta preliminar de nulidade apresentada pelo Sr. Antonio, para fins de reconhecer a nulidade do procedimento de inclusão do mesmo no polo passivo da presente contenda, determinando, por consequência, a exclusão do Recorrente da presente lide. Uma vez acolhido este argumento preliminar, resta prejudicada a análise dos demais fundamentos de defesa constantes do Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente em questão. Por fim, não é demais registrar que a exclusão do Sr. Antonio aqui determinada decorreu tão somente da análise do argumento de nulidade suscitado, relacionado à forma de inclusão do mesmo no polo passivo da presente contenda, não tendo este Colegiado realizado qualquer análise acerca do mérito correlato, relativo à existência ou não de responsabilidade solidária no caso vertente. 3. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de, no que concerne ao recurso interposto pela Fórmula Comércio de Eletrônicos Ltda, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Com relação ao recurso do responsável solidário, Sr. Antônio José Bertacco, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso interposto, não conhecendo do argumento/pedido de retirada do seu nome dos órgãos de restrição ao crédito, e, quanto à parte conhecida, em acatar a preliminar de nulidade e, por consequência, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de reconhecer a nulidade do procedimento que determinou a sua inclusão no polo passivo da presente demanda. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905422/2016-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.733
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde esclarece, inicialmente, que é pessoa jurídica de direito privado que tem por atividade principal a produção e comercialização de calcário, seus derivados e correlatos, em todas as modalidades, especialmente cimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 05 42 2/ 20 16 -3 4 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10880.905422/201634 Resolução nº 3401001.733 S3C4T1 Fl. 3 2 Informa que após o fechamento contábil do período de apuração em tela e a regular transmissão de sua DCTF, ao revisar seus procedimentos verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, pois parte da subvenção recebida é destinada a custeio e parte a investimentos, o que impacta diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis. Com isso, retificou as informações anteriormente prestadas na DCTF e no Dacon. Ressalta que, inobstante haver apresentado as retificadoras antes da transmissão do pedido de compensação, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada, e sem adentrar nos motivos da glosa. Diante disso, diz que acessou o ‘ecac’, obtendo o extrato da DCTF retificadora transmitida, verificando que não foi aceita pelo motivo: “Parcelado". Contudo, não há como ter certeza sobre essa informação ou sobre o real motivo do impedimento, já que não foi intimada a apresentar qualquer esclarecimento ou documentos complementares que comprovassem a composição de sua nova base de cálculo, o que torna clara a ofensa ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A seguir, em itens específicos, fala da tempestividade da manifestação de inconformidade e “II. 2 da ausência de intimação quanto às supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório nulidade”. Neste último, contesta a forma simplista em que se pautou o agente fiscal na emissão do despacho, sem sequer ter realizado qualquer fiscalização, que viesse esclarecer o motivo da não homologação. Repisa que não houve qualquer intimação para que pudesse prestar esclarecimentos quanto aos valores retificados na DCTF, embora essa declaração tenha sido submetida à análise, dado a informação de ‘parcelado’ mostrado pelo sistema. E isso, acredita, impactou diretamente na não homologação da Dcomp transmitida, pois se os valores declarados na obrigação acessória retificada não foram aceitos, conseqüentemente, o crédito pleiteado não poderia ser localizado pelo Fisco. Lembra que o Parecer Normativo COSIT nº 2, publicado em 01/09/2015, esclarece que para a DCTF retificadora produzir efeitos está sujeita à verificação e homologação pela Receita Federal, que pode intimar o contribuinte para comprovar as informações, mas isso não ocorreu no presente caso, impossibilitandoo de defenderse da real acusação que lhe foi imputada e apresentar justificativas concretas e documentos necessários. Por isso, sob pena de insanável nulidade, destaca que a decisão administrativa deve ser instruída com todas as provas que demonstrem claramente as alegações fiscais, cabendolhe integralmente o ônus probatório. Sob o título “III – do direito”, especificamente quanto à motivação da alteração dos valores informados em DCTF, esclarece que está regularmente habilitada no Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MS – Forte Indústria, e que através da análise do ato concessório do incentivo verificase a intenção do subvencionador – Estado do Mato Grosso do Sul em destinar valores incentivados para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, bem como o fato de ser pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Citando a Solução de Consulta Cosit nº 365, de 17/12/2014, e o art. 443 do RIR/99 conclui que, no caso, a subvenção originária pode ser classificada como uma subvenção especial, pois é concedida por pessoa jurídica de direito público (Estado do Mato Grosso do Sul) a uma pessoa jurídica de direito privado (Defendente), tornando claro que sobre esses valores não há incidência do PIS e Cofins, além de outros tributos federais. Cita também Acórdão da DRJ Fortaleza, alegando que grande parte das Delegacias de Julgamento tem admitido a comprovação do pagamento a maior ou indevido unicamente por meio de DCTF retificadora, antes de o contribuinte ter sido notificado do Despacho Decisório. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10880.905422/201634 Resolução nº 3401001.733 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, pugna pela realização de diligência e/ou perícia, indicado perito e formulando quesitos que entende serem necessários para a comprovação do alegado, e pela posterior juntada de documentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MSForte Indústria (Bodoquena/MS) – Concessão de Créditos Presumidos de ICMS e sua Exclusão da Base de Cálculo de PIS e COFINS. Subvenção para investimento. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.724, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.905413/201643, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.724): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, de R$ 241.017,64 e reconhecido R$ 226.319,77 Homologação parcial, correspondente ao Darf de PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO (código 6912), recolhido em 25/03/2011, no valor de R$ 1.339.935,11, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente informa que apurou em Fevereiro/2011 o PIS não cumulativo, no montante de R$ 1.158.756,63, tendo sido o montante de Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.905422/201634 Resolução nº 3401001.733 S3C4T1 Fl. 5 4 R$ 1.113.615,34 pago através de DARF com código de recolhimento 6912, pois o restante estava suspenso por determinação judicial. O DARF apresentado como pagamento foi no valor de R$ 1.339.935,11 restando saldo de R$ 226.319,77 que utiliza para compensação em DCOMP. Revisando seus procedimentos fiscais retificou as informações prestadas à RFB (DCTF e DACON), pois verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, já que parte da subvenção recebida era destinada a custeio e parte a investimentos, o que impactou diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis, sobre as quais incidiu tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Após a retificação, o débito de PIS passou a ser de R$ 1.098.917,47, restando saldo de R$ 241.017,64, a ser utilizado para compensar débito de PIS cumulativo do período de apuração de fevereiro/2011 no valor total de R$ 181.142,54 e COFINS cumulativa, referente à competência de abril/2011, no valor de R$ 72.064,02. Restou controverso a parcela de R$ 14.699,97 originário da diferença entre o valor a pagar de PIS na DCTF original com o valor a pagar após a retificação, já que parte do valor foi reconhecido pelo fisco em despacho decisório. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Entretanto existe no processo a informação sobre o extrato da DCTF em que informa que as retificadoras foram impedidas: Não há no processo o motivo porque as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.905422/201634 Resolução nº 3401001.733 S3C4T1 Fl. 6 5 for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não haja dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 02/2011 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.905422/201634 Resolução nº 3401001.733 S3C4T1 Fl. 7 6 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão, foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13007.000143/2003-54
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/06/2003 a 07/06/2003
NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo
administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula nº 1, do 2º CC).
DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO.
CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO
NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A.
É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito, ainda mais quando esta decisão ainda nem transitou em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN.
DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO
INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO
PARCIAL. LEI Nº 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO.
DESNECESSIDADE.
A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da M2 nº 135/2003, que incluiu o § 6º no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de divida.
A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida.
O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada
com base nas DCTF.
Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA.
TAXA SELIC.
A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua
exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula nº 3, do 2º CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.127
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula n2 1, do 22 CC). DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, constitui confissão de dívida. A DCTF constitui confissão de dívida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de . 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. 6 o Processo n• 13007.000143/2003-54 S2-CIT1 Acórdão ri.° 2101-00.127 Fl. 952 DCOMP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação realizada com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado. CONSECTÁRIOS LEGAIS: MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n29.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 23, do r CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P câmara / l' turma ordinária do segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martinez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Domingos de Sá Filho (Relator), Gustavo K- y • - car, Antônio Lisboa Cardoso e M -resa Martinez López. Designado o conselhei s Antoni Zomer para redigir o voto ven 4 or. Arc • tr' ãff. O MARCOS CANDIDO 'residente A ‘1 O iiI0vate MER Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Carlos Atulim e Antônio Lisboa Cardoso. G) 2 Processo n° 13007.00014312003-54 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.127 Fl, 953 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão da DRI em Porto Alegre/RS, que manteve o indeferimento e deixou de homologar a Declaração de Compensação apresentada em 30 de abril de 2003, para quitação de débito de IN incluído em DCTF, relativo ao período de apuração de 11/04/2003 a 20/04/2003, vencimento em 30/04/2003, com credito de IPI decorrente de aquisição de matéria-prima isenta, não tributadas e tributadas com alíquota zero de IPI, utilizadas no processo produtivo, relativo ao período de apuração de 01/09/1999 a 30/09/1999, amparada em decisão judicial obtida por meio de Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS, conforme Declaração de fls.01/02. A compensação efetuada pela recorrente não foi homologada pela DRF em Porto Alegre — RS, por tratar-se de créditos vinculados decorrentes de decisão judicial que não transitou em julgado, vedação do art. 170-A da Lei n2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN). O fundamento para não homologação da compensação pela Autoridade Administrativa, é de que só teria sido reconhecido judicialmente o direito de creditamento do IPI para compensação com débitos do próprio IPLainda, assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo sido autorizada a compensação dos créditos de IPI com outros tributos sem obediência das normas que regem a matéria. A Recorrente na fase inicial pugnou pela atribuição de efeito suspensivo a manifestação de inconformidade pela aplicação da norma contida no art. 151 do MN, sustentando que a norma processual aplicável é aquela vigente quando da apresentação impugnação, nos molde do parágrafo 11, do art. 74, da Lei 9.430, 1996, alterada pela Lei numero 10.833/03. Sustenta também que não se aplica ao caso o disposto no art. 170-A do CTN, pois essa norma só é aplicada nos casos das ações judiciais promovidas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, assim sendo, não alcança o provimento obtido no bojo do Mandado de Segurança impetrado. Também não se aplica a norma do art. 170-A do CTN, uma vez que não há no comando da sentença autorização nesse sentido. Defende que a sentença proferida no mandado de segurança assegurou o direito de compensar os créditos anteriores limitado aos t, últimos cinco anos à interposição da ação, decisão que foi modificada pelo Tribunal Regional Federal da 4" Região que estendeu para os últimos 10 (dez) anos, e não importou em exclusão de todo o período subseqüente. Demonstra irresignação em relação aplicação da multa isolada, multa de mora e juros de mora, salientando que o direito ao aproveitamento dos créditos decorrem de decisão judicial, não reformada e tampouco modificada por Instância superior, assim como, a multa isolada, que havendo sentença concessiva da segurança a constituição do crédito dar-se- ia com a exigibilidade suspensa, por essa razão é inaplicável as penalidades pecuniárias. Na fase recursal manteve seu posicionamento jurídico e fático sustentado em sua manifestação de inconformidade, em síntese e fundamentalm alega q : interpretação equivocada da decisão judicial obtida em relação à compensação, ue a decisão udicial obtida 3 ... Processo n°13007.00014312003-54 S2-CIT1 Acórdão n.• 2101-00.127 Fl. 954 _ transitou em julgado, inaplicabilidade do art. 170 do CIN, multa de mora, juros mora e da .. multa isolada, por derradeiro requer a reforma total do acórdão, na medida que se mostra conflitante com decisão judicial que autorizou o creditamento IPI em questão, consequentemente, homologação das compensações efetuadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Trata-se de declaração de compensação para aproveitamento de crédito de IPI decorrente de aquisições insumos isentos, alíquota zero e não tributados apresentada pela empresa sucedida pela empresa Braskem S/A, efetivado com amparo em provimento judicial obtido em ação mandamental, conforme se vê dos autos. Antes de adentrar no mérito, cabe examinar de ofício se a DECOMP apresentada até 31 de outubro de 2003 pode ser considerada instrumento hábil a constituir o crédito tributário, assim como, se a DCTF, pelo simples ato de sua apresentação constituiria confissão de dívida. É certo que, os débitos declarados por meio da DECOMP, assim como da DCTF, ambas constitui instrumento hábil e confissão de dívida, suficiente para exigir os uéditos tributários reconhecidos nestes documentos. No caso vertente, a primeira vista, os valores lançados na DCOMP configuraria confissão dívida, dispensando a intervenção do ato administrativo do fisco em apurar a irregularidade, quantificar o quantum devido e o sujeito passivo da obrigação. Entretanto, não se pode perder de vista que o sistema constitucional e o ordenamento jurídico vigente entre nós é de maior complexidade e, bem mais engenhoso do que a própria formulação da legislação aplicável ao caio especifico. firPortanto, impõe-se a necessidade de verificar a eficácia da legislaçãoaplicável ao tempo da apresentação da referida declaração de compensação e se conferia a DECOMP legitimidade para ser considerada confissão de dívida. Neste caso entendo, salvo melhor juizo, de que não se trata de matéria incidental, mas sim como o cerne da questão vinculada diretamente à exigência da dívida. Como se sabe, tanto os juízes togados, quantos os demais julgadores, entre estes encontram os administrativos, não podem aplicar a lei ao caso concreto sem antes observar se a norma respeita os princípios e regras hauridos da Constituição, caso contrário estaria a por em risco toda estrutura jurídica construída a duras penas neste país. A Medida Provisória número 135, publicada em 31/10/2003, promoveu inovação na legislação vigente, com a introdução do parágrafo 6° ao art. 74 da Lei 9.430/96, a partir de quando a declaração de compensação passou a ser considera ' . .. • são dívida. 4 *. Processo e 13007.000143/2003-54 S2-CIT1 Acórdão n.• 2101-00.127 Fl. 955 Neste contexto, é apropriado trazer à baila a orientação editada pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação — COSIT, por meio de Solução de Consulta Interna número 3, que assim disciplina a aplicação da novel norma introduzida no sistema jurídico: "6. A Declaração de Compensação (Dcomp) foi instituída pelo art. 49 da MP No 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei No 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 7. Cotejando o texto da MP No 66, de 2002, com o da MP no 135, de 2003, verifica-se que a Dcomp, à época em que foi instituída, não tinha o caráter de confissão de dívida. Tal status só lhe foi conferido com a edição da MP número 135, de 2003. cujo art. 17, ao adicionar novo parágrafo 6° ao art. 74 da Lei número 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atribuiu à declaração de compensação natureza de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 8. Essa é a interpretação mais consentánea com o Direito, segundo a qual as leis, em princípio, produzem (eitos para o futuro. 9. Portanto, somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP no 135, de 2003, constituem-se confusão dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados." É de conhecimento geral, que a Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, marco norteador do Direito Civil Brasileiro, regula por meio do art. 1°', que a lei começa a vigorar oficialmente após sua publicação. Assim, a publicação revela o modo pelo qual se dá conhecimento a todos da lei editada e marca a sua entrada no mundo jurídico. Neste passo se revela oportuno lembrar a lição de GOFFREDO TELLE JÚNIOR, para ele a norma positiva é, em suas palavras: "Uma norma social passa a ser considerada norma de garantia e, portanto, norma atributiva ou norma jurídica, no momento em que o governo do grupo a declare como tal. As normas de garantias ou normas jurídicas são vias essenciais ou úteis para a consecução dos objetivos que o grupo tem em mira. Ora, o governo compete, antes de mais nada, no desempenho de sua missão precípua, indicar essas vias, ou seja, declarar para o conhecimento de todos as normas jurídicas e, depois, assegurar pela força, o seu cumprimento." (Filosofia do Direito, São Paulo, Max Limond, V.2, p.468). Assim, publicidade é o atributo daquilo que, por qualquer motivo, deve ser divulgado, a partir do qual passa gerar seus efeitos, de modo que, mesmo aqueles que não tenha interesse direto no fato tomem conhecimento a respeito, pela notoriedade e divulgação que dela se faz. Os princípios constitucionais e o ordenamento jurídi " permite aplicação de uma legislação a fatos pretéritos, essa é a regra geral, pois se sim não osse estaria em risco a segurança jurídica. • Processo a. 13007.000143/2003-54 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 956 Neste caso está sob exame a aplicação da lei tributária a fatos anterior ao seu evento. Portanto, impõe saber se aplica a lei atual ou por tratar-se de situação jurídica definitiva estava ao abrigo da lei anterior. Se concluirmos que aplica-se a lei tributária vigente e não aquela que vigia ao tempo da apresentação da declaração de compensação, estamos diante do princípio da irretroatividade. Os princípios devem ser observados de modo intenso, tanto no campo tributário, assim como é em relação as questões penais por acarretar violação aos direitos fundamentais do indivíduo, é o caso da privação da liberdade. A aplicação de lei a fato anterior ao seu evento se revela retroativa e fere principio basilar, assim sendo, não pode ser ignorado pelo julgador, independentemente de manifestação dos interessados, devendo ser conhecido de oficio. Em relação a irretroatividade no campo tributário, o legislador infraconstitucional tratou do assunto por meio do artigo 105 da Código Tributário Nacional, vedando a sua aplicação, não cabe aqui discussão em relação aos fatos pendentes, pois o direito brasileiro não contempla-os, só considera fato gerador ocorrido ou não ocorrido. Assim sendo, a aplicação da legislação tributária tem de observar o princípio da irretroatividade estampado no art. 150, III, "a" da Carta da República de 1988. Os casos excepcionais de aplicação desse instituto são àqueles mencionados no artigo 106 do CTN, que não implicam propriamente em retroação, entre esses encontram as leis meramente interpretativa, que dizem respeito à aplicação de lei mais benigna ao contribuinte, que deixa de considerar certos atos como infração e/ou comine pena mais branda. Portanto, em obediência ao princípio constitucional da irretroatividade das leis, bem como ao ordenamento jurídico infraconstitucional vigente, que vedam aplicação retroativa das leis, impõe-se reconhecer no caso destes autos que os débitos declarados por meio de Dcomp antes de 31 de outubro de 2003 não configura confissão dívida, assim sendo, deixa de ser neste caso documento hábil a permitir que a Fazenda exija a obrigação sem antes constituir o crédito tributário por meio de lançamento. Deste modo a Declaração de Compensação — Decomp - apresentada até 31 de outubro de 2003, não configura confissão de dívida, por essa razão, impõe a Autoridade Fiscal diligenciar no sentido de apurar a irregularidade e constituir o crédito por meio de lançamento e, se foro caso inscrever em dívida ativa. Assim sendo, por tratar-se de matéria prejudicial ao mérito, conheço de oficio e declaro inexistente o débito incluído em DCOMP efetivado pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário, por essa razão deixou de ser instrumento hábil para exigir o pagamento do devedor por meio de carta de cobrança. Em relação a DCTF é sabido que trata-se de documento que representa cumprimento de obrigação acessória, apresentada comunicando a existência do crédito tributário, importa em lançamento fiscal. Também é certo que o simples fato da entrega da DCTF, afasta a decadência relativamente à divida, em razão da confissão, a partir daí possível efetuar a inscrição em dívida ativa com suporte exclusivo na referida declaração. Entretanto, há peculiaridade que deve ser observa ' , no o deste feito, a DCTF apresentada foi confeccionada com o objetivo de declar o crédito 'butário e ao 6 ... Processo n° 13007.000143/2003-54 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 957 _ _ mesmo tempo compensar por meio de crédito fiscal apurado na contabilidade, cujo saldo_ resultante deste encontro de contas é igual a zero. Assim, em que pese a DCTF ter por objeto a constituição do crédito tributário, depende de operação aritmética para tomar certo e liquido o quantum devido, pois este mesmo documento depende da inserção de dados necessários cujo resultado aritmético revela se a existência de crédito a favor da Fazenda ou não. Se a declaração é por excelência ato voluntário do contribuinte, e este simultaneamente aponta um débito e um crédito, resultando em saldo zero, forçoso convir de que tal procedimento administrativo, cujo objetivo é determinar o fato gerador, a matéria tributável, o quantum do tributo e a sua legitimidade passiva, implica dizer que não há crédito a favor da Fazenda. A inexistência de saldo a favor da Fazenda é uma peculiaridade capaz de afastar o entendimento de que o simples fato da entrega da DCTF configura confissão de divida e o próprio lançamento, suficiente para desprezar a intervenção da Administração no sentido de constituir o crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça - STJ examinando situação idêntica a desse caderno, reconheceu que há peculiaridade capaz de afastar o entendimento em relação ao crédito tributário declarado por meio de DCTF, é o que se extrai do voto aqui transcrito: "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E FINCOSIAL. CRÉDITO DECLARADO EM DCTF OBJETO DE COMPENSAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. 1NOCORRÊNCIA. (...) 1- A jurisprudência desta colenda Corte afirma que, uma vez reconhecido o crédito tributário, por meio de DCTF, tal ato equivale ao próprio lançamento, tornando-se imediatamente exigível o débito não pago [..]. 2 — Todavia, verifico que há peculiaridade a afastar tal entendimento, in casu, consubstanciado no fato de que o crédito declarado em DCTF foi objeto de compensação pelo t. contribuinte, devidamente informada ao Fisco, conforme atestado pelo acórdão de fls, de maneira que cabe, em 'conseqüência à Fazenda verificar a regularidade da conduta, por meio do devido procedimento administrativo-fiscaL Assim, somente em concluindo pela ilegitimidade da compensação, após o referido procedimento, é que será possível a constituição do crédito tributário respectivo. Precedentes: AgRg no REsp n° 327.626/RS, Rel. Min. FRANCIULLI NE77'0, DJ de 19/12/05; AgRg no REsp n° 641.448/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 01/02/05 e REsp n° 328.727/P1?, ReL Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, DJ de 30/08/04. (AgRg no RESP 801.0691R5, Min. Francisco Falcão, Ia Turma, DJU 26.06.2006) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COMPENSAÇÃO. DCTF. INSCRIÇÃO EM Dl VIDA ATIVA. IMPOSSIBILJDAD6.--.)E. 7 Processo n° 13007.000143/2003-54 S2-C I Ti Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 958 1 — Comunicado pelo contribuinte, na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) que o valor do débito foi quitado por meio de utilização de mecanismo compensatório, não há porque se falar em confissão de divida suficiente a inscrição em divida ativa. (RESP 419.476/RS, MM. João Otávio Noronha, 2a Turma, DJU 02.08. 2006)" Portanto, não se discute que a DCTF possui efeito de lançamento, mas é imperioso, para tanto, que esteja presente todos elementos imprescindíveis, não é o caso nestes autos, pois aqui constata-se a ausência do quantum devido do tributo, pois o valor do débito foi quitado por meio da compensação , portanto, não se pode falar em lançamento perfeito e acabado. A inexistência de saldo residual que configuraria o débito, não abre espaço para o entendimento de que neste caso, o crédito tributário seria o total do débito informado. Também, inexiste justificativa de que deva prevalecer o débito em decorrência do contribuinte não ter logrado êxito em relação ao pedido de compensação. O entendimento oposto, ao meu ver, colocaria-nos diante de crédito inconsistente carregado de ilegitimidade substancial ou formal, que certaménte pereceria quando submetido ao crivo do Poder Judiciário. Por tratar-se da eficácia ao ato de lançamento, impõe mencionar os ensinamentos da professora LÚCIA VALLE FIGUEIREDO, que assim ensina: "... é imperioso concluir-se, ao lado de Misabel Demi, Alberto Xavier, Luciano Amaro, que não se pode inscrever a divida com apenas a declaração do contribuinte, que pode ser de longo tempo, ter-se desatualizado... Ora se esse ato dá eficácia ao ato de lancamento, apresenta-se como ato de controle de legalidade. E os atos de controle de legalidade nada podem acrescentar ao ato anterior ( por isso a necessidade imperiosa de haver ato anterior), mas apenas lhe atribuir eficácia. (.) Por tais razões, entendo que haveria cerceamento de defesa na hipótese de ser ter inscrito o crédito sem a realizacão do ato anterior como necessário e natural antecedente. É dizer, haveria violação do devido processo legal." (Lúcia Valle Figueiredo, A Inscrição da Divida como Ato de Controle do Lançamento, em Revista Dialética de Direito Tributário n. 36, 1998, p. 83 —). O saldo apresentado na DCTF, sendo igual a zero não configura confissão de dívida. Assim, reconheço que a DCTF, neste caso, por ausência de saldo devedor em decorrência de que o débito declarado foi objeto de compensação, está despida da condição de confissão de divida, o que impõe a constituição do crédito tributário por meio de lançamento. Ultrapassado essas questões, passo examinar o mérito: As pretensões submetidas à apreciação do Judiciário se referem ao direito de repetir os pagamentos decorrentes da falta de cômputo dos valo -: • e aqui • 7o dos insumos Processo e 13007.000143/2003-54 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 959 isentos, não-tributados, ou tributados com alíquota zero do IPI, nos últimos 10 (dez) anos e das aquisições futuras. O pleito foi concedido parcialmente no que tange ao direito de repetir em relação aos últimos dez anos, restringindo aos cinco últimos anos, o que foi modificado pelo julgamento do Tribunal Federal Regional, provendo o recurso para assegurar o direito a contribuinte de aproveitar os dez últimos anos. Não há dúvida de que decisão judicial assegurou o direito aos créditos de IPI nas aquisições de produtos isentos, não tributados e alíquotas zero, tanto em relação aos últimos 10 (dez) anos, bem como os créditos futuros. A matéria submetida à apreciação na esfera administrativa tange ao direito de créditos de IPI decorrentes de futuras aquisições e a restrição de compensação autorizada por decisão judicial antes do transito em julgado contido no art. 170-A do CTN. Assim sendo, não vislumbro a existência de concomitância entre a esfera administrativa e judicial.Portanto, não é o caso da aplicação da Súmula número 1, de 26.09.2007, deste Conselho de Contribuintes. A controvérsia surge em relação à interpretação da parte final da sentença quanto ao aproveitamento dos créditos de IPI referentes as aquisições finuras. O entendimento da Autoridade Administrativa funda-se no fato de não constar da decisão um comando expresso reconhecendo o direito de aproveitamentos dos créditos futuros. Com toda vênia, entendo ser desnecessário constar no comando sentencial à totalidade dos pedidos formulados. Como se sabe, o Juiz julga procedente (parte ou totalidade) ou improcedente os pedidos, não se julga a ação, bastando, para tanto, que o Julgador mencione àqueles que são negados e os acolhidos parcialmente. O pleito foi acolhido in totum, apenas limitando o aproveitamento do crédito aos cinco últimos anos à interposição do mandado de segurança, esse é o meu entendimento. No que tange a vedação de compensação de créditos autorizados por medida judicial antes do trânsito em julgado, por vedação do artigo 170-A do CTN, não se aplica ao caso deste caderno processual administrativo, pois trata de provimento judicial concedido antes da vigência do referido diploma legal. Como se sabe, as sentenças judiciais monocráticas, não transitadas em julgadas, são passiveis de ser modificadas ou anuladas mediante recursos específicos, entretanto, não podem ser cassadas por força de lei editada posteriormente, se assim não fosse, estaria em risco o princípio da segurança jurídica. Não vislumbro como óbice no caso vertente a restrição do art. 170-A do CTN, portanto, afasto aplicação deste dispositivo, assim como reconheço que a sentença assegurou o direito do crédito IPI das aquisições futuras, beneficio este estendido aos dez anos anteriores à interposição do Mandado de Segurança. A Súmula n. 212 do STJ, assegura o direito de compensação desde que o deferimento tenha ocorrido por meio de sentença, e não por meio de medida liminar, o que restou vedado pela a aludida súmula é compensação fundada em li u• . 9 Processo e 13007.00014312003-54 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 960 Além do que, no caso deste caderno processual, o crédito objeto de compensação é de 1999, portanto, anterior ao evento do art. 170-A, introduzido no ordenamento jurídico pela Lei Complementar número 118/2002. Sendo certo que a compensação tributária, nos termos da jurisprudência do STJ, rege-se pela lei vigente ao tempo do nascimento do crédito aproveitado e não por aquela vigente quando do efetivo encontro de contas. Nesse passo é conferir a lição de LEO ICRAKOWIAK: "Com efeito, muito embora a jurisprudência de nossos Tribunais tenha oscilado quanto à determinação de qual a legislação aplicável em se tratando de compensação, se aquela em vigor quando do pagamento indevido ou aquela em vigor no momento da compensação, pacificou-se afinal adotando aquela primeira linha de raciocínio, com se verifica do recente acórdão unânime da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, verbis" 1. As limitações das Leis números 9.037/95 e 9.129/95 só incidem a partir da data de sua vigência. 2. Os recolhimentos indevidos efetuados até a data da publicação das leis em referência não sofrem limitações. 3. Embargos de divergência rejeitados "(Embargos de Divergência em Resp. n. 164.739-SP, ReL Min. Eliana Calmon, P Seção, DJ, 1, 12.02.01). Deste modo, pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça que a compensação de tributos pagos indevidamente se rege pela legislação em vigor à época de cada pagamento, dúvida não há de que o mesmo entendimento deve ser aplicado também à vedação trazido pelo art. 170.A do C7'N" (A Compensação e a Correta Aplicação do art. 170-A do CI7V, Revista Dialética de Direito Tributário., voL 68,pág. 82)." Assim sendo, por se tratar de sentença prolatada antes do evento do art. 170- A do CTN, conserva a sua eficácia plena. No caso dos autos a recorrente tem assegurado o direito de compensar os créditos de IPI de aquisições anteriores à impetração do mandado de segurança, bem como os futuros incidentes sobre as aquisições de produtos não tributados, alíquota zero e isento. A legislação vigente permite a compensação de crédito de IPI com outros débitos tributários, entretanto, neste caso restou limitado pela sentença, que fixou parâmetro para que o contribuinte pudesse se beneficiar do crédito oriundo das aquisições de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com alíquota zero de IPI, que deve ser utilizado para compensar com débitos oriundos da venda dos produtos industrializados, como se vê da parte final do decisão: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com alíquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuracão do referido tributo...". No caso vertente a compensação de crédito tributário deu-se com débitos de IPI, portanto, dentro dos limites traçado no comando sentenciai. 10 Processo n° 13007.000143/2003-54 52-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 961 .. Por essa razão sou inclinado a dar provimento ao apelo da recorrente em - relação ao aproveitamento de crédito de IPI para compensar débitos tributários da mesma natureza. Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n9 9.430/96, que assim estabelece, verbis: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. L.1 § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o§ 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Sabe-se que a multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento ocorreu por culpa ou por força maior. Havendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição do t enunciado das Súmulas n.L's 2 e 3, que têm o seguinte teor: "Súmula n2 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributciria." "Súmula n2 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os • débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." De modo que, a Recorrente não obtendo êxito na demanda judicial, está sujeita a aplicação da norma contida no art. 61 da Lei n. 9.430/96. I Multa Isolada no caso de Compensação Não Homologada. Em relação aplicação da multa isolada, em que pese ter sido objeto do recurso, não é o caso dos autos, por tratar-se de indeferimento de compens -- crédito.3ae-4 ti • - PTOCCASO e 13007.000143/200344 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 962 A penalidade é aplicada quando o sujeito passivo efetua compensação ao_ arrepio da legislação e essas deixam de ser homologadas pela Autoridade Administrativa, por expressa disposição legal. No caso destes autos não há pena aplicada com arrimo no art. 18 da Lei 10.833, de 2003. De modo que, as sustentações de que não há base legal para imposição de multa em decorrência modificação no referido dispositivo legal por meio da Medida Provisória numero 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, são desnecessárias pelo fato de inexistir aplicação de penalidade. Mesmo assim, consoante se vê da leitura do dispositivo mencionado, com a nova redação, o Legislador Ordinário restringiu à sua aplicação a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei número 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, aplicação da norma contida no art. 18 da Lei 10.833/2003, alcança aqueles que praticarem conduta típica passível punição de acordo com o Direito Penal. Configura conduta típica a pratica de fraude, conluio e sonegação com intuito de causar dano a Fazenda Pública. Entretanto, no caso vertente, trata de direito declarado judicialmente aos créditos oriundos de materiais que não incidiram IPI na etapa anterior, que a Recorrente compensou com débito fiscais, créditos tributários administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos moldes do art. 74 da Lei número 9.430/96. Em relação a constituição do crédito tributário, é direito da União Federal, mesmo tratando de tributo com exigibilidade suspensa com intuito de prevenir a decadência. Como se sabe a discussão judicial não inibe, por si só, a atividade fiscal, portanto, o mero ajuizamento de ação para a discussão de uma obrigação tributária não constitui em óbice pano sujeito ativo do tributo de fiscalizar o cumprimento da lei, verificando a ocorrência do fato gerador. No entanto, para que reste inibida a atividade fiscal em relação exigência tributária, faz-se necessário que o contribuinte esteja protegido por decisão judicial, essa por seu turno suspende a exigibilidade. -Assim sendo, não há que se falar em mora. Tanto é verdade que há previsão legal contida no art. 63 da Lei n. 9.430/96, dispõe que o contribuinte incorrerá em mora 30 dias após eventual decisão que modifique a decisão que albergou a suspensão da exigibilidade. Extrai-se do dispositivo mencionado: "Art. 63 — Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio". Constata-se no caso presente que todo o procedimento de compensação tem amparo em medida judicial, o que por si só afasta a presunção de conduta ilícita ou dolosa da recorrente. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para afastar a Urra\qualidade de confissão de dívida e de instrumento hábil para exigir o to de débito 12 Processo n° 13007.000143/2003-54 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 963 informado DCOMP apresentada pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário e exigir o pagamento por meio de carta de cobrança. Também reco eço que a DCTF, neste caso, por ausência de saldo devedor, uma vez que o débito declara.. foi objeto de compensação, está despida da condição de confissão de divida, impondo a instituição do crédito tributário por meio de lançamento. Dou provimenti ,ainda, no sentido de autorizar a compensação pleiteada por tratar-se . de -- ção de or.., ito tributário co ébito da . a natureza, autorização con • a por meio de I isão jue icial obtida ant • e]. advento do art 1 !-A do CTN. É como vot* Sala das Sessõ em 07 de maio de 009. , DOMINGOS D? SÁ FILHO Voto Vencedor - Conselheiro ANTONIO ZOMER, D .ignado Cuido neste voto da parte em que o relator originário foi vencido, ou seja, da preliminar de nulidade da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada, por falta de lançamento, e da questão da possibilidade de compensação de créditos oriundos de decisão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva sentença. A ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante do mandado de segurança OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante - a OPP PETROQUIMICA S/A. 1 - Da preliminar de nulidade das cartas de cobrança Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de divida, porque apresentada antes da vigência da MP n° 135/2003, depois convertida na Lei n9 10.83312003.Alega, também, que a confissão de divida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de divi a permitir a 13 • Processo n°13007.000143/2003-54 S2-C1T1 Acórdão n.°2101-00.127 Fl. 964 cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 6 2 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: "§ 6° A declaração de compensação constitui confusão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de dívida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. '. Processo e 13007.000143/2003-54 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 965 _ Entende a recorrente que a confissão de dívida realizada em DCTF alcança • somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tomaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, del 3/06/1984, verbis: "Art 5° O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. sç I° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. f 2° Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no 1 2° do artigo 7° do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da dívida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. >,-A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo único da Instrução Normativa n2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: "Art. I° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas fisicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF es 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias ã. 15 Processo n°13007.000143/200344 S2-C1T1• Acórdão n.• 2101-00.127 Fl. 966 após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." Veja-se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em principio (capuz do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de divida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O caput do art. 12 da IN SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em dívida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTTTUÍDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. 1. É pacífico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de procederá constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacifico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em divida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. 16 Processo? 13007.000143/2003-54 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 967 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto • não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMEIVTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. I. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento específico (DCTF, GIA, GFIP e congêneres), a dívida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos 'daquela: b) declarada a compensação por intermédio de instrumento espec(fico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em dívida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CT1V. 3. Recurso especial não provido." Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4* Região, ofendera ao art. 5 0, § 1 0, do Decreto- lei ri9 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tomando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da divida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: 17 . Processo e 13007.000143/2003-54 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 968 "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. • COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. I. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código Tributário Nacional e 74, 2 0, da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos noticia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3.Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de divida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, 7 decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática 18 Processo e 13007.0001432003-54 S2-CITI Acórdão n.• 2101-00.127 A. 969 das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 • de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 62 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme o caso. 11" O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n 2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: "§ 92 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 72, apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 92 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto te 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n'a 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003)" 19 • Processo e 13007.00014312003-54 52-CIT1 Acórdão n°2101-00.127 Fl. 970 4 De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de • constituir a confissão de dívida da integmlidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n2 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 90 a 11 do Decreto n° 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 1" Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vício de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter - seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tomar-se definitiva, ou seja, quando se concreti7ar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n° 70.235/72. 2 - Da impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado 2.1 - Da inexistência de trânsito em julgado material da sentença Duas empresas sucedidas pela recorrente requereram ao judiciário, em 06/07/2000, o direito de aproveitamento do IPI apurado com base nas aliquotas de salda, relativamente às entradas dos últimos dez anos e posteriores ao ajuizamento da ação, para compensação com débitos de IP1 e outros tributos administrados pela SRF. Pediram também que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos créditos e de negar- lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamente, com a inclusão dos expurgos inflacionários. jR. 20 • Processo n° 13007.00014312003-54 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 971 A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em • 23/10/2000 e juntada aos autos, foi o de aproveitamento dos créditos dos últimos cinco anos, para abatimento do IPI devido pelas saídas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela Ufir até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizatários da SRF. A Fazenda Nacional apelou requerendo o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição, como já defendera na contestação. O Tribunal Regional Federal da 42 Região, em decisão prolatada em 21/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao creditamento do IPI relativo aos insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal, aplicando-se, a partir de 1 2/01/1996, unicamente a taxa Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tomada insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE em 07/02/2008, verbis: "Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando insubsistente o ato atacado mediante o agravo; vencidos os Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não participou, justificadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. P. Turma, 11.12.2007." No recurso extraordinário (RE n 2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de IPI sobre os insumos de aliquota zero e os não tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF, porém o Egrégio Tribunal deve decidi-lo na mesma linha de suas últimas decisões, sintetizada na ementa do RE n2 370.682, julgado em 25/06/2007, assim redigida: "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à aliquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à aliquota zero." (grifos acrescidos) Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instância, que foi parcialmente reformulada pelo TRF da 4! Região, ao contrário do que defende a recorrente, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material. 2.2 — Da inexistência de erro de interpretação na decisão recorrida 21 • Processo n°13007.000143/2003-54 52-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.127 Fl. 972 Na primeira parte dispositiva da sentença, o juiz disse, taxativamente: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou tributadas com aliquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo. "(destaquei) e, na segunda parte, declarou: "O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UFIR, até 31/12/1995, e daí até o efetivo aproveitamento segundo o 4°, do art. 39, da L 9.250/1995." Não há outro aproveitamento mencionado, senão aquele constante da primeira parte do dispositivo, não havendo como "interpretar" a sentença de outra forma. Se houve inconformismo, se a sentença foi parcial, deveria a interessada apelar do resultado que não lhe foi favorável. Não houve, pois, interpretação errônea da decisão judicial por parte da autoridade fiscal, e nem pelo órgão julgador de primeira instância, quanto ao limite do direito reconhecido por sentença, após a decisão do TRF, estar limitado ao creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, pelas saldas dos produtos fabricados pelas impetrantes. 2.3 - Da limitação à compensação imposta pelo art. 170-A do CTN Se a decisão judicial só autorizou o creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, qualquer outra forma de compensação dos referidos créditos submete-se às normas que regem a compensação administrativa, ou seja, às Instruções Normativas SRF n2s 21/77, 33/99 e 210/2002. As normas citadas não autorizam a compensação de créditos decorrentes de decisão judicial, antes do seu trânsito em julgado, sendo patente a incidência, no caso, da limitação imposta pelo art. 170-A do CTN, verbis: "Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicia1(Artigo incluído pela Lep n°104, de 10.I.2001)" Desta forma, não resta dúvida de que a compensação dos créditos fictos de IPI, sob outra forma que não a do creditamento no livro de apuração, para abatimento dos débitos do próprio imposto, não encontra qualquer respaldo legal ou judicial. Conseqüentemente, não merece qualquer reparo a decisão recorrida, quando decidiu pela não homologação das compensações dos créditos fictos com débitos do próprio IPI, intentadas fora do livro de apuração, via DCTF ou Dcomp. 22 . • Processo n° 13007.000143/2003-54 S2-C1T1.. Acórdão n.• 2101-00.127 Fl. 973 • .:, Conclusão x Ante todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade da cobrança dos débitos indevidamente compensados, posto que confessados em DCTF e, no mérito, nego provimento ao recurso. 'PR ii Sal. , as . i sões, em 07 de maio de 2009. A '141(NIO g. s MER 23 Page 1 _0086100.PDF Page 1 _0086200.PDF Page 1 _0086300.PDF Page 1 _0086400.PDF Page 1 _0086500.PDF Page 1 _0086600.PDF Page 1 _0086700.PDF Page 1 _0086800.PDF Page 1 _0086900.PDF Page 1 _0087000.PDF Page 1 _0087100.PDF Page 1 _0087200.PDF Page 1 _0087300.PDF Page 1 _0087400.PDF Page 1 _0087500.PDF Page 1 _0087600.PDF Page 1 _0087700.PDF Page 1 _0087800.PDF Page 1 _0087900.PDF Page 1 _0088000.PDF Page 1 _0088100.PDF Page 1 _0088200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10530.003735/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
DRAWBACK. PROVA DO CUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DO REGIME.
A falta de vinculação dos Registros de Exportação (REs) ao Ato Concessório (AC) respectivo não é um mero equívoco formal. O descumprimento desta exigências impede a utilização dos REs para comprovar o adimplemento do regime.
Numero da decisão: 3401-005.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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PROVA DO CUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DO REGIME. A falta de vinculação dos Registros de Exportação (REs) ao Ato Concessório (AC) respectivo não é um mero equívoco formal. O descumprimento desta exigências impede a utilização dos REs para comprovar o adimplemento do regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 37 35 /2 00 7- 35 Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 809 2 Relatório 1. Trata o presente caso de Auto de Infração lavrado em 29/11/2007, com ciência postal em 21/05/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 712, para cobrança de Imposto de Importação (II) e Imposto sobre Produtos Industrializados na Importação (IPI Importação), tributos suspensos devido à utilização do regime aduaneiro especial de Drawback Suspensão, no valor total de R$ 102.822,67. 2. A descrição dos fatos verificados e das infrações tributárias apuradas consta no Relatório de Fiscalizaçao (RF), às fls. 31/39, nos seguintes termos: II — DOS COMPROMISSOS NO ATO CONCESSÓRIO, PERANTE A SECEX SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR/MDIC. 2.1. Ato Concessário N° 20020175280: Foi deferido o Ato Concessário n° 20020175280 pela SECEX Secretaria de Comércio Exterior/MDIC. A Empresa ficou autorizada importar as mercadorias, com valor e quantidade, conforme disposto no referido Ato Concessório. (...) III — DA FISCALIZAÇÃO 3.1. Da análise dos documentos: (...) 3.2. Da verificação do Ato Concessório N° 20020175280: Com base na documentação apresentada pela empresa e pelos dados obtidos no sistema Drawback Eletrônico, foi analisado o AC, quanto ao cumprimento dos compromissos acertados. Este Ato Concessório teve inicio em 07/11/2002, data do registro da primeira importação efetuada, a qual foi desembaraçada em 08/11/2002. Foram registradas sete importações para este AC, cujos dados principais encontramse no quadro abaixo: (...) Os Registros de Exportação informados para este Ato Concessório, foram relacionados a seguir: (...) Analisando os extratos dos Registros de Exportação, verificamos que os RE's marcados na tabela acima com um "*" não foram vinculados ao Ato Concessório re 20020175280, o que resultou em uma diferença de 53.352 unidades, correspondendo a US$298.760. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 810 3 Ainda na análise dos Registros de Exportação, verificamos mais quatro RE's (listadas abaixo), cujas quantidades extrapolariam o total de 229.665, e que também não estavam vinculadas ao Ato Concessório n° 20020175280. (...) Concluímos, então, de acordo com o principio da vinculação física (obrigatoriedade de que os insumos importados com suspensão sejam aplicados direta e fisicamente na produção das mercadorias exportadas), que ante um compromisso de exportar 229.665 pares de calçados, a empresa exportou 176.313 pares (76,77%), deixando de exportar 53.352 pares (23,23%). Esta última porcentagem (23,23%) foi aplicada ao valor da suspensão dos impostos a que a empresa teve direito (discriminados por DI, como explicitado nos Demonstrativos de Apuração constantes dos Autos de Infração), o que resultou nos valores discriminados no item a seguir. No que concerne à mercadoria classificada pelo NCM 5903.20.00, por ter sido importada em mils de uma DI, calculamos a quantidade total usada nos produtos exportados (0,7677 x 15.099,20 kg = 11.591,66 kg) e a partir dai fizemos os cálculos dos impostos suspensos, conforme tabela abaixo: (...) IV — CONCLUSÃO Conforme demonstrado neste relatório, apuramos que os compromissos assumidos pelo contribuinte no Ato Concessório n° 20020175280, foram apenas parcialmente cumpridos, ensejando o presente Auto de Infração, instrumento da constituição do crédito tributário devido. 3. O contribuinte, irresignado, apresentou Impugnação em 16/06/2009, às fls. 731/747, nos seguintes termos: Entende a impugnante que o lançamento realizado se mostra equivocado, já que a impugnante efetivamente cumpriu o Ato Concessório a que se incumbiu, já que importou os insumos e exportou integralmente as mercadorias acordadas, não tendo sido apurada qualquer irregularidade neste sentido. A única irregularidade apontada foi o fato de que em apenas 19, das 87 RE's realizadas, não foi informado o número do Ato Concessório. A impugnante entende que este erro formal no pode ter o condado de afastar o cumprimento do Ato Concessório acordado, em face da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal. Ainda, a multa oficio lançada não pode ser mantida, já que, além de não ser aplicada ao IPI, não há fundamentação no lançamento quanto à sua aplicação. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 811 4 São por estas razões que apresenta a presente defesa, esperando por seu provimento. Do direito (...) Este é o grande debate desta autuação e defesa. Não se questiona que houve a exportação dos produtos. Não se questiona que houve a importação dos produtos anteriormente a exportação. Há prova nos autos de que o produto importado é utilizado para a produção da mercadoria exportada. O único motivo para o lançamento foi de que em 19 das 87 exportações realizadas não foi aposto o número do Ato Concessório, uma obrigação formal. (...) Da multa de oficio aplicada A multa de oficio aplicada à impugnante tem como base legal o art. 4º, I, da Lei nº 8.218/91, combinado com o art. 44, I, da Lei nº 9.7430/96, como vemos no Relatório Fiscal realizado. A norma que rege a aplicação da multa de oficio é o art. 4º, I, da Lei nº 8.218/91, que assim dispõe: (...) Verificamos que a primeira irregularidade existente se refere ao fato de que o § 2º da norma aplicada é expresso ao determinar que a multa NÃO SE APLICA AO IPI. (...) A segunda irregularidade está no fato de que o Auto de Infração é nulo, já que não obedece ao disposto no art. 2º da Lei nº 9.784/99, prejudicando a defesa da impugnante, pois não fundamenta/explicita o motivo que ensejou a aplicação da multa: (...) Foi aplicada a multa em face da falta de recolhimento? Em face de declaração inexata ou por falta de declaração? Esta situação dificulta a defesa da empresa, pois esta não tem como saber qual o motivo da aplicação da multa de oficio. 4. A 24ª Turma da DRJSão Paulo (DRJSPO), em sessão datada de 03/12/2014, exarou o Acórdão nº 1663.839, às fls. 776/782, assim ementado e acordado: DRAWBACK. INADIMPLEMENTO DO REGIME. EXIGÊNCIAS LEGAIS. Para fins de comprovação do adimplemento do compromisso assumido no regime aduaneiro especial de Drawback, a empresa Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 812 5 deve respeitar todas as obrigações legais e regulamentares atinentes, sob pena de lançamento dos créditos tributários suspensos na importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 24ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. (...) Voto Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade da impugnação apresentada, dela se toma conhecimento. PRELIMINAR DE NULIDADE DA MULTA DE OFÍCIO DO IPI (...) Como podemos observar, o art. 44, I da Lei n° 9.430/96 é específico sobre a multa de ofício e posterior ao art. 4° da Lei n° 8.218/91. Logo, este prevalece na regulação da multa de ofício nos termos do art. 2° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: (...) Portanto, não há que se falar em nulidade no caso concreto visto que a multa de ofício do IPI foi corretamente tipificada. Também incabível qualquer alegação de falta de motivação visto que resta claro da leitura do RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO que a multa foi aplicada pela falta de recolhimento do tributo suspenso, dentro do prazo legal, em função do descumprimento do regime de drawback, fl. 39. Rejeitada a preliminar passamos à análise do mérito. MÉRITO (...) De fato, a legislação aduaneira obriga tal vinculação para fins de comprovação do regime de drawback. Assim dispõem o art. 352 do RA: (...) Não sendo o presente caso hipótese de drawback genérico, aquele no qual o regime se cumpre apenas pela totalização de valores importados e exportados, há necessidade de se verificar Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 813 6 se as mercadorias transacionadas são de fato aquelas descritas no compromisso expresso no ato concessório. O mesmo argumento vale para a vinculação da exportação ao respectivo ato concessório, prevista na própria legislação que rege o regime como obrigação acessória necessária ao correto controle do mesmo. Também nesse sentido a Portaria SECEX nº 11 de 25/08//2004 nos itens 3 e 4 do Anexo V: (...) Logo, entendo que não ocorreu excesso de formalismo pela fiscalização, mas apenas o cumprimento de normas legais e regulamentares. 5. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra a decisão da DRJSPO em 24/02/2015, às fls. 791/799. Nesta peça recursal, reitera os mesmos argumentos da Impugnação, acrescentando que o art. 17 da Lei nº 11.774/2008 passou a permitir a fungibilidade entre os produtos importados com suspensão e outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, deixando de existir a exigência de vinculação física entre os produtos importados e os exportados. 6. Por outro lado, deixou de questionar a aplicação da multa de ofício de 75%. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator 8. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 9. Alega o recorrente, resumidamente, que não há razão para considerar que o regime foi descumprido, tendo em vista ter cumprido todas as obrigações que lhe foram impostas. A falta de vinculação dos Registros de Exportação (RE) ao AC é um mero equívoco formal, insuficiente para justificar a autuação fiscal. 10. No entanto, não assiste razão ao recorrente. Com efeito, tal exigência de vinculação consta de dispositivos legais, devendo ser atendida pelo beneficiário do regime especial, que não pode negarse ao seu cumprimento alegando que, em seu entendimento, é norma meramente formal, e que por esse motivo pode ser descumprida. 11. Assim dispõe o art. 352 do Decreto 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro 2002), vigente à época dos fatos: Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 814 7 Art. 352. A utilização do regime previsto neste Capítulo será registrada no documento comprobatório da exportação. 12. A exigência de vinculação entre o RE e o Ato Concessório de Drawback também encontra previsão normativa no art. 37 da Portaria Secex nº 04, de 1997: Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor. 13. À semelhança da necessidade de enquadramento da operação no código próprio de Drawback, o requisito de vinculação do RE ao Ato Concessório, além de estar previsto em normas expedidas pela SECEX e pelo DECEX, não é meramente formal, pois tal vinculação visa o controle fiscal do beneficio concedido, sendo de fundamental importância, pois do contrário poderia o beneficiário do Drawback Suspensão comprovar dois ou mais Atos Concessórios com os mesmos documentos de exportação, sendo que desta forma os insumos importados com tributos suspensos de um dos Atos Concessórios poderiam destinarse ao mercado interno sem o pagamento dos tributos. 14. Por isso a necessidade do controle através da vinculação ao número do Ato Concessório respectivo, em cada documento de exportação (RE). Existe local próprio no RE para que o contribuinte (beneficiário do regime) informe obrigatoriamente o número do Ato Concessório ao qual aquela exportação servirá de comprovação, o campo nº 02f. 15. Somente existindo esta vinculação será possível aos órgãos de controle do regime especial verificar se estão sendo atendidas as normas contidas no art. 31 da Portaria Secex nº 04/97, bem como em diversos itens do Comunicado DECEX nº 21/97 (Consolidação das Normas de Drawback CND): Portaria Secex nº 04/97 Art. 31 – Para efeito de comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão ou habilitação ao Regime, modalidade isenção, os documentos utilizados na importação e exportação deverão abranger apenas um Ato Concessório de Drawback, bem como não poderão estar vinculados à comprovação de outros Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. Comunicado DECEX nº 21, de 11/06/1997 3.5 Não poderá ser concedido o Regime para: (...) VI exportações vinculadas à comprovação de outros Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. (...) 8.14 Quando da importação e exportação vinculadas ao Regime, a beneficiária deverá observar os procedimentos constantes dos Anexos IV e V, respectivamente, desta CND. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 815 8 (...) TÍTULO 19 Modalidade Suspensão 19.1 Para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, os documentos utilizados na importação e na exportação deverão abranger apenas um Ato Concessório de Drawback, bem como não poderão estar vinculados à comprovação de outros Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. (...) 19.3 Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. 19.4 Não serão aceitos para comprovação do Regime, Registros de Exportação (RE) que possuam um único CGC vinculado a mais de um Ato Concessório de Drawback. (...) CAPÍTULO VI LIQUIDAÇÃO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO TÍTULO 26 Considerações Gerais 26.1 Caso a beneficiária apresente documentação que comprove a efetiva importação e exportação nas condições constantes do Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, será considerado cumprido o compromisso de exportação vinculado ao Regime. 26.2 A liquidação do compromisso de exportação se dará mediante: I exportação efetiva do produto previsto no Ato Concessório de Drawback, na quantidade, valor e prazo nele fixados; II adoção de uma das providências previstas no item 26.3 desta CND e, no caso do subitem 26.1.III, comprovação do recolhimento dos tributos e adicionais exigidos na importação; III liquidação ou impugnação de débito eventualmente lançado contra a beneficiária. (...) A N E X O V EXPORTAÇÃO VINCULADA AO REGIME DE DRAWBACK 1. As exportações vinculadas ao Regime de Drawback estão sujeitas às normas gerais em vigor para o produto, inclusive no tocante ao tratamento administrativo aplicável. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 816 9 2. Um mesmo Registro de Exportação (RE) não poderá ser utilizado para comprovação de Atos Concessórios de Drawback distintos de uma mesma beneficiária. 3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. 16. Em âmbito administrativo, o CARF vem decidindo reiteradamente neste sentido: A) Acórdão nº 9303007.378 – Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Turma, Sessão de 17/09/2018: DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO. IRREGULARIDADES NO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO. O tempestivo enquadramento dos Registros de Exportação ao regime especial de drawback suspensão e sua vinculação ao Ato Concessório são requisitos indispensáveis, como condições para a fruição do incentivo do Drawback Suspensão, em atendimento à previsão Constitucional de controle aduaneiro. A ausência de alguma dessas informações exclui o benefício do Drawback, em face da impossibilidade de verificação tempestiva das exportações para atendimento do Regime. B) Acórdão nº 3302005.607 – Terceira Seção de Julgamento 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 23/07/2018: DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação. 17. No âmbito judicial, também no mesmo sentido: A) Acórdão 006367823.2015.4.03.6182 – Apelação Cível nº 2289845 – Tribunal Regional Federal da 3ª Região 6ª Turma, Desembargadora Federal Diva Malerbi. Julgado em 07/06/2018. Publicado no eDJF3 em 15/06/2018: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IPI IMPORTAÇÃO. REGIME ESPECIAL DE DRAWBACK. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 817 10 MODALIDADE SUSPENSÃO. INCENTIVO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DOS ATOS CONCESSÓRIOS. EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. APELAÇÃO DESPROVIDA. Tratase de apelação em embargos opostos à execução fiscal ajuizada pela Fazenda Nacional objetivando a cobrança de débito de IPI incidente sobre importação, em decorrência da lavratura de auto de infração pelo descumprimento dos atos concessórios do regime de Drawback modalidade suspensão de tributos. (...) A autoridade fiscal não aceitou os Registros de Exportação como comprovação do adimplemento dos compromissos firmados nos Atos Concessórios Drawback Suspensão nº 18 95/5099 e 1897/18111 pela ocorrência de diversas infrações, consistentes em: i) exportação por mais de um estabelecimento da mesma empresa; ii) exportações após o vencimento do prazo de validade do Ato Concessório; iii) descumprimento no disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro falta de averbação do Ato Concessório de Drawback no documento de exportação; iv) não enquadramento, no SISCOMEX, das exportações efetuadas na operação própria de Drawback; v) inexistência de controle de produção para os insumos importados sob regime de Drawback para atender ao princípio da vinculação física. (...) A fiscalização apontou que, em dois Registros de Exportação RE 96/0969455001 e RE 97/1032987001, a autuada não averbou o número do Ato Concessório e não enquadrou corretamente a operação para o Regime Aduaneiro Especial de Drawback no Registro de Exportação do SISCOMEX. Nos termos de precedente desta Corte Regional, a omissão do preenchimento do número do Ato Concessório no Registro de Exportação e o erro do código de enquadramento da operação no SISCOMEX não constituem meros erros formais, como quer fazer crer a embargante, não podendo ser desconsiderados pela Fiscalização, uma vez que tais informações são necessárias para o exercício do controle das exportações realizadas no regime especial. (...) Por fim, o auto de infração não padece de nulidade, pois elenca as normas que serviram de supedâneo para a autuação, contendo como um de seus anexos o Relatório de Auditoria Fiscal, no qual as infrações foram minuciosamente detalhadas, com a indicação pormenorizada da legislação violada, o que permitiu o exercício da ampla defesa pela autuada. Apelação desprovida. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 818 11 B) Acórdão 001927361.2009.4.03.6100 – Apelação Cível nº 1894709 – Tribunal Regional Federal da 3ª Região 3ª Turma, Desembargador Federal Antonio Cedenho. Julgado em 30/11/2017. Publicado no eDJF3 em 07/12/2017: TRIBUTÁRIO. ADUANEIRO. DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO DE TRIBUTOS. ATO CONCESSÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO CONFERIDA AOS PRODUTOS FABRICADOS COM INSUMOS IMPORTADOS. ART. 319 DO R.I INSTITUÍDO PELO DECRETO 91.035/85. ARTS. 389 E 390 DO R.I. INSTITUÍDO PELO DECRETO 6.759/2009. ART. 111 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA NORMA. INADIMPLEMENTO DE COMPROMISSOS ESSENCIAIS EXIGÍVEIS. VIOLAÇÃO À ISONOMIA TRIBUTÁRIA. PRECEDENTES DESTA 3ª TURMA. VERBA HONORÁRIA MANTIDA. ART. 85, § 11, CPC/2015. RECURSO IMPROVIDO. (...) 3 Nos termos em que dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional, impõese a interpretação literal da norma em se tratando de suspensão do crédito tributário, não se admitindo mitigações que possam vir a ampliar seu significado. 4 Constatase que a autora não apresentou os registros de exportação solicitados pela autoridade administrativa sob a alegação de que estes teriam sido extraviados, sendo que referidos documentos poderiam ter sido facilmente obtidos no SISCOMEX, conforme afirmado pelo Fisco. Verificase ainda que embora a autora tenha de fato realizado exportações no período de vigência dos atos concessórios, tais exportações não foram a estes vinculadas, tal como determinada a legislação de regência da matéria. Dessa forma, não há falar em mera irregularidade de ordem formal por parte do importador, mas sim de inadimplemento de compromissos essenciais exigíveis para o enquadramento no regime aduaneiro especial de drawback. (...) 6 Não restou comprovado pela ora apelante a destinação dada aos produtos fabricados em território nacional com insumos importados sob o regime aduaneiro especial de drawback e voltados ao mercado estrangeiro. 7 Essa Terceira Turma, em situação análoga, já decidiu sobre a necessidade de observância estrita aos preceitos legais que norteiam o procedimento de importação sob o regime aduaneiro de drawback na modalidade suspensão de tributos, de forma a coibir vantagens indevidas por parte do importador e a descaracterização desse benefício fiscal que tem por objetivo tornar competitivas as exportações dos produtos nacionais no mercado estrangeiro. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 819 12 8 Apelação a que se nega provimento. C) Acórdão 000368491.2012.4.03.6110 – Apelação / Remessa Necessária nº 346989 – Tribunal Regional Federal da 3ª Região 3ª Turma, Desembargador Federal Carlos Muta. Julgado em 11/06/2015. Publicado no eDJF3 em 16/06/2015: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ADUANEIRO. MANDADO DE SEGURANÇA. AUTO DE INFRAÇÃO. "DRAWBACK SUSPENSÃO". ATO CONCESSÓRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Caso em que a fiscalização aduaneira constatou que não houve cumprimento das condições estabelecidas no Ato Concessório 20060014768, pois do Registro de Exportação (RE) 07/160625000107/1606250001, consta em seu item 2A, como "enquadramento da operação", o código 80116, relativo ao "Sistema Geral de Preferência", que constituiria em incentivo fiscal concedido por nações desenvolvidas a países em desenvolvimento. 2. Ocorre que o item 4 do Anexo "G" da Portaria Secex n° 14/2004 e o item 4 do Anexo "F"' da Portaria Secex n° 35/2006 exigem, para comprovação da exportação em cumprimento ao Ato Concessório, a vinculação da operação ao código específico para "Drawback Suspensão" (81101). 3. Embora o impetrante alegue que a diversidade de códigos constitui mero equívoco formal, sendo desarrazoada a desconsideração da RE para fins de apuração do cumprimento do que acordado no Ato Concessório, é certo que, em não havendo a fiscalização promovida pela RFB sobre o cumprimento dos requisitos para usufruto do "Drawback Suspensão", os produtos exportados pela impetrante à União Européia (Espanha), conforme RE 07/1606250 00107/160625000, teriam sido duplamente beneficiados por incentivos fiscais, pois a exportação enquadrada no "Sistema Geral de Preferência", ou seja, através do código utilizado, permitiria ao produto ingressar no mercado estrangeiro (de países desenvolvidos) com tarifação incentivada, reduzida. 4. Sucede que o produto exportado pela impetrante já é beneficiado por incentivo fiscal concedida no mercado brasileiro, que seria a isenção dos tributos incidentes sobre a matéria prima utilizada na produção, quando de sua importação. Contudo, a utilização do código de "Drawback Suspensão" quando da exportação da mercadoria, impediria a concomitante utilização do código para enquadramento da exportação do "Sistema Geral de Preferência". 5. Em outros termos, a utilização do código relativo ao SGP permitiria a aplicação de dois benefícios fiscais sobre o bem exportado: um decorrente da isenção sobre a matéria prima importada, outro sobre os tributos incidentes sobre o produto Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 820 13 beneficiado quando do ingresso no mercado estrangeiro. Além da nítida vantagem com a aplicação do código "equivocado", não se evidencia admissível a alegação de se tratar de mero erro material, despropositado, e não percebido até o momento da fiscalização tributária. (...) 7. Ademais, não se trata de apenas códigos distintos, mas também da falta de inserção no RE do número do Ato Concessório do "Drawback" no campo localizado logo abaixo do código de enquadramento da exportação. O não preenchimento de tal campo torna mais evidente que, de fato, não se teve intenção de enquadrar a operação como "Drawback", demonstrandose, desta forma, que a autuação fiscal, ao verificar que os requisitos do Ato Concessório não foram preenchidos, não contém qualquer ilegalidade a ser corrigida judicialmente. 8. Consolidada a jurisprudência de que a demonstração do preenchimento dos requisitos do ato concessório é ônus do autor (APELREEX 074825924.1985.4.03.6100, Rel. Des. Fed. ALDA BASTO, DJU de 29/05/2012; MS 2004.51.01.0242391, Rel. Des. Fed. LUIZ ANTONIO SOARES, DJU de 08/11/2006, p. 113). 9. Nem se alegue a irrelevância do código de enquadramento da operação inserido no RE, por estar atendida a finalidade de incentivo à exportação, pois sem a identificação da operação como "Drawback Suspensão", que constitui isenção condicionada, vinculandoa a exportação SGP, ou seja, sem isenção, permitirseia ao contribuinte creditarse de outros tributos em decorrência do princípio da nãocumulatividade (verbi gratia, RE 353657, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 25/06/07), ou em razão de programas de estimulo à importação, o que, por evidente, deturpa a finalidade do instituto do "Drawback" mencionado pela impetrante, deixando de constituir estímulo à importação para configurar estímulo à evasão fiscal, ofendendo, assim, o princípio da isonomia em relação às demais empresas do setor. 10. Sequer cabe alegar que o Decretolei 37/66 não prevê o cumprimento de requisitos formais para comprovar o cumprimento das condições do ato concessório. De fato, o correto preenchimento do código da operação na RE, tem sim a finalidade de promover e comprovar a efetiva vinculação dos insumos importados (com benefícios fiscais) à mercadoria beneficiada, evitandose o creditamento indevido de tributos, com obtenção de vantagens fiscais maiores do que os devidos, e, ainda, tendo em vista a expressa previsão no artigo 12 do DL 37/66 "A isenção ou redução, quando vinculada à destinação dos bens, ficará condicionada ao cumprimento das exigências regulamentares, e, quando for o caso, à comprovação posterior do seu efetivo emprego nas finalidades que motivarem a concessão". Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10530.003735/200735 Acórdão n.º 3401005.933 S3C4T1 Fl. 821 14 11. Agravo inominado desprovido. 18. Em relação à nova redação do art. 17 da Lei nº 11.774/2008, o afastamento da exigência de vinculação física em nada altera as conclusões desse julgado. Em que pese o AuditorFiscal ter feito menção a tal Princípio no Relatório de Fiscalização, restou bastante claro na autuação que a infração identificada foi a falta de vinculação dos REs ao Ato Concessório, e não a falta de vinculação física entre os insumos importados e o produto final exportado. 19. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 821DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720029/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.836
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 29 /2 01 2- 97 Fl. 518DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.533 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 520DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 521DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 524DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 526DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 527DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 528DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 530DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.533 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 532DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 533DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 534DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 537DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 538DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 539DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 540DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15586.720029/201297 Acórdão n.º 3201004.836 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996944/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.789
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 96 94 4/ 20 12 -1 1 Fl. 17520DF CARF MF Processo nº 10880.996944/201211 Resolução nº 3401001.789 S3C4T1 Fl. 3 2 percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Afirma que, após o recolhimento original, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo, quando o deveriam ser pelo regime cumulativo. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 06052.963. Regularmente cientificada do teor desta decisão, apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.775, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.959884/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.775): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não Fl. 17521DF CARF MF Processo nº 10880.996944/201211 Resolução nº 3401001.789 S3C4T1 Fl. 4 3 homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Fl. 17522DF CARF MF Processo nº 10880.996944/201211 Resolução nº 3401001.789 S3C4T1 Fl. 5 4 Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 17523DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.940182/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 30/04/2002
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.282
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/04/2002 REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 94 01 82 /2 01 1- 81 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 3 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 06047.497, através do qual o colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório que instrui os autos, indeferindo o pleito da requerente. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 4 3 iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.257, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940170/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.257) 1: "Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada 1 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento (voto vencedor). Íntegra (com voto vencido) pode ser consultada no processo paradigma nº 10980.940170/201157). Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema2, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins3, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 6 5 A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 7 6 esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.4 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento5, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 4 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 5 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 8 7 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa6: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF7 e a própria Receita Federal8, eis que, para o 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 7 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 8 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 9 8 CARF, basta que a decisão judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 10 9 repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 11 10 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/779 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração 9 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 12 11 dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR10, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 10 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 13 12 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 14 13 surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 15 14 PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.940182/201181 Acórdão n.º 3402006.282 S3C4T2 Fl. 17 16 em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 12157.000055/2008-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 12/02/1999 a 15/07/1999
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de
situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam
atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 12/02/1999 a 15/07/1999 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
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EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 7. 00 00 55 /2 00 8- 81 Fl. 549DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra acórdão de embargos – o que, para melhor elucidar, primeiramente importante trazer que foi emitido acórdão nº 330101.280, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 12/02/1999 a 15/07/1999 DÉBITO DECLARADO/COMPENSADO. PRESCRIÇÃO O direito de a Fazenda Pública cobrar débito tributário declarado e compensado mediante transmissão de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) é de cinco anos contados da data de sua recepção. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DCTF. CONVALIDAÇÃO Decorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão da DCTF em que se informou a declaração/compensação dos débitos tributários, sem que a autoridade administrativa se manifeste, considerase ocorrida a convalidação tácita da compensação efetuada pelo sujeito passivo. ” Fl. 550DF CARF MF Processo nº 12157.000055/200881 Acórdão n.º 9303007.985 CSRFT3 Fl. 3 3 Irresignada com o r. acórdão, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando omissão/obscuridade e contradição. O Colegiado a quo apreciou os embargos de declaração, através do acórdão 3301001.993, que consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/11/1999, 15/12/1999, 14/01/2000, 15/02/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração para sanar contradição entre a decisão e seu fundamento. ” Foi decidido acolher os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional para rerratificar o acórdão embargado, conferindolhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a convalidação tácita da compensação do débito da Cofins referente à competência de janeiro de 2000, vencida em 15/02/2000, mantendo, contudo, a não convalidação da compensação dos débitos referentes às competências de outubro, novembro e dezembro de 1999, vencidas em 12/11/1999, 15/12/1999, e 14/01/2000, respectivamente. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · A turma a quo considerou que o prazo para homologação da compensação é de 5 anos contados da data da entrega da declaração, independentemente de esta ter sido realizada antes ou após a MP 135/03, embasando tal entendimento em interpretação do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96; · Se, por um lado, o acórdão ora recorrido, com fulcro no art. 74, § 5º da Lei 9.430/96, considera ter havido homologação tácita da compensação, pelo decurso de mais de cinco anos entre a declaração e a ciência do despacho decisório, o acórdão apontado como paradigma, de outra banda, considera que o lapso de 5 anos, por incidência do mesmo dispositivo legal acima citado, só pode ser contado a partir de 30 de outubro de 2003, data da alteração legislativa, visto que, antes Fl. 551DF CARF MF 4 de tal marco, não havia para a administração tributária qualquer prazo limite para a homologação; · Tendo em vista o princípio da legalidade e a regra de que o fato se regula juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência (irretroatividade das leis), concluise ser imperiosa a reforma do julgado, eis que a Declaração de Compensação foi protocolada em 15/08/2000, anteriormente, portanto, à alteração legislativa inaugurada pela MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que alterou a redação do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996, introduzindo, somente a partir de então, o prazo de cinco anos para homologação da compensação. Em Despacho às fls. 341 a 346, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 349 a 350, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em exercício à época decidiu por manter na íntegra o despacho do Presidente da Câmara. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O STJ, em sede de repetitivo, consolidou entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a DCTF é suficiente para a cobrança dos valores nela declarados, dispensandose qualquer outra providência por parte do fisco; · O acórdão recorrido entende que a entrega da DCTF retificadora altera o prazo prescricional para o fisco analisar as compensações apresentadas, como se os débitos declarados em DCTF fossem novamente confessados, ainda que não exista qualquer alteração na DCTF com relação aos valores objeto das compensações; · Não havendo modificação na compensação, o entendimento do acórdão recorrido não pode prevalecer, pois, quando da transmissão da DCTF original, a Receita já dispõe de meios para fiscalizar as informações declaradas pela recorrente; Fl. 552DF CARF MF Processo nº 12157.000055/200881 Acórdão n.º 9303007.985 CSRFT3 Fl. 4 5 · Por meio de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, a turma modificou o seu entendimento e julgou parcialmente procedente o recurso voluntário com a finalidade de afastar a homologação tácita das compensações realizadas por meio de DCTF; · Todavia, o direito de a Fazenda Nacional apresentar novos argumentos se esvaiu quando a mesma não apresentou a referida tese no momento processual adequado, ou seja, em Contrarrazões ao Recurso Voluntário do contribuinte ou em sustentação oral; · A impossibilidade de apresentar novos argumentos em grau recursal é tema já consolidado no CARF, bem como no Poder Judiciário; · Quanto ao prazo decadencial de 10 anos para aproveitamento dos créditos de contribuições sociais para compensação, prazo decadencial para aproveitamento de créditos de contribuições sociais no presente caso, o prazo é de 10 anos, devendo ser afastado os equivocados entendimentos do acórdão recorrido, no sentido que o direito decai em 5 anos contados do trânsito em julgado da ação judicial, a fim de que seja homologada as compensações objeto dos presentes autos; · Atentandose às DTCF originais, estas sim utilizadas pela recorrente para declarar a compensação em livros de tributos de mesma espécie (FINSOCIAL com COFINS), bem como, o prazo de 10 anos para aproveitamento deste crédito contados do fato gerador do tributo, é de se reconhecer o direito creditório com a consequente homologação da compensação em questão. Em Despacho às fls. 508 a 512, o Presidente da 3ª Câmara assim decidiu: “[...] Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões acima postas, as quais aprovo e adoto como fundamento deste despacho, CONHEÇO EM PARTE do recurso especial e, na parte conhecida, NEGO SEGUIMENTO ao recurso.[...]” Fl. 553DF CARF MF 6 Agravo ao despacho foi interposto pelo sujeito passivo, requerendo o conhecimento e acolhimento com a finalidade de admissão do Recurso Especial interposto para que se analise as razões de mérito nele constantes. Em Despacho às fls. 529 a 533, o agravo foi acolhido e dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo relativamente à matéria “Do prazo prescricional em face de DCTF retificadora”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo que na data em que a recorrente transmitiu a DCTF em 26.5.04 o seu direito já havia prescrito. O prazo limite expirou em 26.5.99. Para aqueles que entendem que a compensação ocorreu na data do vencimento dos débitos compensados, também em 11 de novembro de 1999, data do vencimento do débito mais antigo, a prescrição já havia ocorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho às fls. 529 a 533 – o que, peço licença para transcrever parte (Destaques meus): “[...] O escopo do agravo, nesses termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento decidiu que não restou caracterizada divergência relativamente às matérias denominadas "Do prazo prescricional em face de DCTF retificadora " e "Da preclusão da matéria alegada em embargos de declaração". Fl. 554DF CARF MF Processo nº 12157.000055/200881 Acórdão n.º 9303007.985 CSRFT3 Fl. 5 7 No tocante à primeira, entendeuse que o recorrente não teria indicado a legislação que teria sido analisada de forma divergente, o que, segundo o despacho seria exigido pelo RICARF, além do que as situações confrontados no recorrido e paradigma difeririam o suficiente para que não se pudesse aceitar este último como comprobatório da divergência pretendida. Essa diferença decorreria do fato de o paradigma ter tratado de declaração do Imposto sobre a Renda enquanto o recorrido, de DCTF. No agravo apresentado, que se restringiu a esta primeira matéria, aduz o sujeito passivo que a legislação contrariada é claramente deduzida da análise empreendida, uma vez que a decisão versa sobre o instituto da prescrição e que exatamente esse instituto é analisado, de forma antagônica, no paradigma. Aduz, ainda, ser absolutamente irrelevante o fato de em um se ter tratado de DCTF e no outro, de DIPJ, na medida em que a discussão não se trava sobre dispositivos específicos de qualquer tributo mas de norma geral presente no próprio CTN. Entendo que assiste inteira razão ao agravante. Com efeito, o recurso especial foi apresentado quando vigente o RICARF baixado pela Portaria MF 343, cujo art. 67 previa, no tocante à caracterização da legislação contrariada: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. É precisamente este parágrafo primeiro, em especial, a expressão "de forma objetiva" o gerador de diversas controvérsias nos exames de admissibilidade. De fato, entendiam alguns que o dispositivo exigia a indicação expressa do dispositivo legal objeto da discussão no recurso especial e que sua ausência impediria o seguimento do recurso. No entanto, mesmo uma interpretação literal ou estritamente gramatical do dispositivo não impõe tal conclusão. Deveras, aí não consta a expressão "indicar" em nenhum lugar; o verbo todo o tempo usado é Fl. 555DF CARF MF 8 "demonstrar", e ainda que ele tenha sido seguido da expressão "de forma objetiva", entendo que isso não o transforma no outro. Cabe sim ao recorrente expor de forma objetiva qual seja ela, mas isso pode ser feito perfeitamente sem uma expressa menção ao dispositivo, dado que o pressuposto do RICAR é que a legislação tributária é de conhecimento dos conselheiros e de quem analisa os recursos. Vejase, ademais, que o próprio acórdão objeto do recurso, em sua versão final, isto é, após retificado em consequência dos segundos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional, tampouco cita expressamente a legislação que embasa sua conclusão, referindose, apenas, aos institutos da prescrição e da homologação tácita de compensações requeridas. Por fim, e para eliminar a possibilidade de interpretação do dispositivo regimental na forma aqui realizada o RICARF foi alterado precisamente para retirar do parágrafo primeiro do art. 67 a expressão controversa. Sua versão atual, pois, é: § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação interpretada de forma divergente. Essa mudança regimental, inclusive, já vigia quando empreendido o exame de admissibilidade aqui rediscutido. Supero, pois, o primeiro óbice levantado. Quanto à existência de interpretação divergente da mesma legislação arts. 173 e 174 do CTN que cuidam de prescrição, a decisão contestada afirma não a enxergar porque o paradigma examinava DIRPJ enquanto o recorrido, DCTF. Também não concordo com tal óbice. Como dito no agravo, o que se discute aqui é a ocorrência de prescrição de débitos informados em declaração apresentada pelo sujeito passivo. A similitude, portanto, apenas poderia ficar prejudicada se uma das declarações não tivesse o caráter de confissão de dívida que a outra ostenta. Não é o caso. Com efeito, no paradigma, discutiramse débitos de IRPJ constantes em Declaração de Rendimentos (não em DIPJ), referente ao anocalendário de 1991, que veio a ser retificada em 1996, e que foram utilizados como direito creditório porque pagos a maior para extinguir obrigações do Fl. 556DF CARF MF Processo nº 12157.000055/200881 Acórdão n.º 9303007.985 CSRFT3 Fl. 6 9 mesmo tributo relativas ao ano de 1997. Portanto, também lá se discutia compensação com base em débito declarado e pago a maior. Lá se concluiu: No caso dos autos, o termo inicial do direito de pleitear o ressarcimento ou a compensação de um eventual indébito tributário surgiu com a entrega declaração de rendimentos de 1991, em 14/05/92 (fl. 20), tendo se extinguido em 15/05/97. A entrega de declaração retificadora em período posterior não modifica e nem interrompe a contagem do referido prazo, em prestígio à legalidade, isonomia e na busca do equilíbrio da relação jurídica entre o Fisco e o contribuinte, em que é previsto prazo qüinqüenal de decadência para o direito de o Fisco lançar, de outra parte, igualmente deverá ser considerado idêntico prazo para o sujeito passivo exercer o seu direito de pedir repetição/compensação de indébito. Nesses termos, a matéria é exatamente a mesma: qual o termo inicial do prazo de prescrição no caso de tributos declarados quando a declaração é retificada, o dia da entrega da declaração original como decidido no paradigma ou da retificadora, como decidiu o colegiado recorrido? A divergência é patente. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria " Do prazo prescricional em face de DCTF retificadora" Reafirmo, por fim, que apenas quanto a essa matéria foi apresentado agravo, tornandose definitiva a negativa de seguimento quanto à questão da preclusão.” Manifesto minha concordância com a íntegra do despacho de agravo, conhecendo o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Fl. 557DF CARF MF 10 Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões a respeito do conhecimento do recurso especial do contribuinte. Nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é necessário que o contribuinte demonstre que outras turmas do CARF, analisaram a mesma matéria e deram à legislação tributária interpretações diferentes em relação ao acórdão recorrido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. (...) Fl. 558DF CARF MF Processo nº 12157.000055/200881 Acórdão n.º 9303007.985 CSRFT3 Fl. 7 11 O contribuinte apresentou recurso especial de divergência relativo a duas matérias: 1) Do prazo prescricional em face da DCTF retificadora e 2) Da preclusão da matéria alegada em embargos de declaração pela Fazenda Nacional. Em princípío o presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF negou seguimento integral ao recurso especial do contribuinte. Posteriormente em agravo, o contribuinte obteve o seguimento do seu recurso somente em relação à primeira matéria. Para ver rediscutida esta matéria, o contribuinte apresentou somente o acórdão paradigma nº 10321670. Passaremos então a analisar as situações fáticas e jurídicas do acórdão paradigma em contraponto ao acórdão recorrido. Situação fática do acórdão recorrido: O contribuinte obteve provimento judicial para compensar indébitos de Finsocial. Trânsito em julgado em 24/05/94. Assim, efetuou compensação com débitos da Cofins referente à competência 10/99, utilizando a DCTF entregue em 15/02/2000. O despacho decisório da autoridade administrativa indeferiu a compensação e cobrou os débitos tributários por entender que estava prescrito o direito a restituição, considerado em 5 anos do trânsito em julgado da decisão judicial. Sobreveio o acórdão recorrido, nº 330101280, por decisão unânime, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, pois entendeu que não poderia se cobrar créditos tributários declarados em DCTF, decorridos mais de cinco anos de sua entrega. Considerou que o despacho decisório indeferindo a compensação e cobrando os débitos da Cofins foi proferido depois de ultrapassado o prazo de cinco anos da confissão do débito. Pois a DCTF foi entregue em 15/02/2000 e o despacho decisório foi cientificado ao contribuinte em 25/06/2008. Fl. 559DF CARF MF 12 Embargos da PFN informou que a DCTF entregue em 15/02/2000 foi retificada em 26/05/2004, sendo este o prazo para contagem da prescrição das cobranças dos débitos nela constantes. Então o acórdão de embargos, nº 3301001993, modificou o julgado e negou provimento ao recurso voluntário nesta parte. Entendeu como marco inicial para a cobrança do crédito tributário a data da entrega da DCTF retificadora. Situação fática do acórdão paradigma nº 10321670 Neste processo a exigência tributária foi feita por meio de Auto de infração para exigência do IRPJ. Entre a motivação do lançamento está o fato de que ao analisar a compensação apurada na DIRPJ/98 o fisco constatou que o contribuinte tinha aproveitado créditos oriundos da DIPJ 92, na linha "saldo negativo de períodos anteriores". Glosou se o crédito e lavrouse auto de infração para a exigência do tributo, pois havia decorrido mais de cinco anos do suposto pagamento a maior decorrente de "saldo negativo de períodos anteriores". Em sua defesa o contriubinte alega que a prescrição do direito à restituição do seu crédito ocorre em 10 anos (5+5). Veja como foi a ementa do acórdão da DRJ naquele processo: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1998 Ementa: Compensação O direito de pleitear a restituição ou realizar a compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido. Lançamento Procedente." No acórdão paradigma, ficou bem delimitado qual era a lide. Veja a transcrição de parte do voto do relator: "...concluindo que permanece, nessa instância, a discussão acerca do direito de efetuar a compensação de tributos após decorridos cinco anos da extinção do crédito tributário." Análise comparativa entre os acórdãos: Fl. 560DF CARF MF Processo nº 12157.000055/200881 Acórdão n.º 9303007.985 CSRFT3 Fl. 8 13 No acórdão paradigma o prazo prescricional em discussão é para a repetição de indébito. Já no acórdão recorrido, a prescrição que se cuida é para cobrança do crédito tributário. No paradigma, negouse provimento ao RV pois na data da compensação efetuada na DIPJ/98 já havia transcorrido mais de 5 anos do pagamento a maior. Nele, o contribuinte entregou a DIPJ/92, ano base 91, apurando saldo devedor de IRPJ. Não existia saldo negativo a ser compensado por esta declaração. Quando foi em 1996, retificou a DIPJ/92 apurando saldo negativo antes inexistente. Compensou esse saldo negativo somente na DIPJ/98, o qual foi negado em face da prescrição de 5 anos para pedir restituição/compensação. No acórdão recorrido, a DCTF retificadora foi o marco inicial, para afastar a prescrição para os débitos nela declarados. Reforçando: cobrança do crédito tributário. No acórdão paradigma, não se considerou a DIPJ retificadora que gerou crédito de saldo negativo, como marco inicial para contagem do prazo para repetição de indébito. Portanto, são situações fáticas completamente distintas, inclusive em ambas o recurso voluntário foi improvido. Mas por motivação júridica totalmente distinta, numa prescrição para cobrança do crédito tributário e na outra prescrição para repetição de indébito. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 561DF CARF MF 14 Fl. 562DF CARF MF
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