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Numero do processo: 10875.905238/2009-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração da base de cálculo da contribuição, não se pode excluir o valor do ICMS pago pela contribuinte. O valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito à incidência de contribuição social, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda e, conseqüentemente, do faturamento.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ELETROMECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração da base de cálculo da contribuição, não se pode excluir o valor do ICMS pago pela contribuinte. O valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito à incidência de contribuição social, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda e, conseqüentemente, do faturamento. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 38 /2 00 9- 34 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório BTM ELETROMECÂNICA LTDA. transmitiu o Pedido de Restituição/ Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 08617.70564.121006.1.3.044010, visando à extinção de débito de IPI, no valor de R$ 6.372,82, pela via de sua compensação com indébito por pagamento a maior de Cofins relativo ao período de apuração de 01/05/2006 a 31/05/2006. O Despacho Decisório Eletrônico nº 835803720, fls. 52, indeferiu o pleito restitutório e não homologou a compensação declarada porque o pagamento apontado como origem do direito creditório já fora integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, confessado em DCTF. Em reclamação, o interessado alegou que o direito creditório aproveitado referese à contribuição paga sobre o ICMS levado à base de cálculo da contribuição. Argúi que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, ou seja, o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Por se tratar de mero ingresso financeiro que será posteriormente destinado ao Fisco Estadual, o ICMS não se amolda ao conceito de faturamento, sendo inconstitucional a incidência de contribuição sobre esse tributo. Lembra que o alargamento da base de cálculo da contribuição nos termos de 1° do art. 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, foi repelido pelo Supremo Tribunal Federal e que o mesmo Tribunal vem decidindo contra a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais. Postula, por fim, a atualização monetária do direito creditório. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05037.338, de 26 de março de 2012, fls. 64 a 70, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e do montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.905238/200934 Acórdão n.º 3403002.689 S3C4T3 Fl. 177 3 RESTITUIÇÃO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O ICMS integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e do PIS, não havendo falar em direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 75 a 99, após síntese dos fatos relacionados com a lide, explica como chegou ao valor do indébito, resumido o cálculo em planilha que ilustra a pela recursal, pretendendo com isso suprir a falta de provas do indébito, levantada na decisão recorrida. Na continuação do recurso, disserta sobre a compensação tributária, repisando a legislação de regência, para então, invocando doutrina e julgados do Supremo Tribunal Federal e de tribunais federais regionais, rechaçar a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS, “...por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil da RECORRENTE.” (grifos do original) Pede acréscimo de correção monetária, calculada pelos juros SELIC, ao valor da restituição. Sabedor de que a Corte Administrativa não detém competência para analisar questões que versem sobre a constitucionalidade de normas, protesta pelo sobrestamento do feito, até que haja solução definitiva dessa discussão no âmbito do STF em caso análogo. O julgamento do recurso foi sobrestado, em 22/08/2012, em face da dicção dos §§ 1° e 2° do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU de 22.12.2010). Com a revogação dos referidos dispositivos, operada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013 (D.O.U. de 20.11.2013), o curso do julgamento foi retomado. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 75 a 99 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS3ª Turma nº 05037.338, de 26 de março de 2012. A par da questão probatória suscitada na decisão recorrida, da qual o recorrente, absolutamente, não se desincumbiu, o fato é que inexiste indébito a restituir em pagamentos de Cofins em cuja base de cálculo esteja incluído o valor do ICMS. Esse é o Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN 4 entendimento desta 3ª TO, consubstanciado, por exemplo, nos acórdãos 3403002.651 e 3403 002.653, ambos da relatoria do ínclito Conselheiro Ivan Allegretti, unanimemente referendado pelo Colegiado. Assim disse o Conselheiro Ivan (com os grifos do original): O recorrente sustenta a impossibilidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS, por violação ao conceito de faturamento contido no art. 195, I, da Constituição e ao art. 2º da Lei Complementar nº 70/91. No plano em que o enfrentamento das razões de recurso impõe o pronunciamento sobre a constitucionalidade de dispositivos das leis, cumpre esclarecer que refoge à competência deste órgão julgador administrativo pronunciar se a este respeito, conforme disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Com efeito, dispõe o art. 62 do RICARF que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Sob o aspecto da interpretação da lei, este Conselho já se manifestou reiteradamente no sentido da impossibilidade de exclusão do ICMS na base de cálculo de PIS/Cofins, conforme se verifica, exemplificativamente, nas seguintes ementas: COFINS INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. BASE DE CÁLCULO Irreparável a exigência fiscal, cuja base de cálculo guarda conformidade com as determinações contidas nos artigos 2º e 7º da Lei Complementar nº 70/91. Recurso ao qual se nega provimento. (Acórdão nº 20308745, Relatora Maria Teresa Martínez López, j. 18/03/2003 – grifo editado) COFINS BASE DE CÁLCULO INCLUSÃO DO ICMS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. MATÉRIA CONSTITUCIONAL É vedado aos tribunais administrativos apreciar a constitucionalidade ou legalidade dos atos legais regularmente editados pelo Poder Legislativo. ENCARGOS LEGAIS Não há como contestar sua cobrança, quando constituídos de acordo com as normas legais que regem a matéria. Recurso negado (Acórdão nº 20309618, Relator Valdemar Ludvig, j. 15/06/2004 – grifo editado) COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS.O ICMS compõe o faturamento da empresa, não existindo previsão legal que possibilite sua exclusão legal da base de cálculo para a Cofins, como já definido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº REsp 152.736/SP, com acórdão publicado no DJU, Seção I, de 16/02/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Não há previsão legal para excluir da base de cálculo da Cofins a parcela do ICMS cobrada pelo intermediário (contribuinte substituído) da cadeia de substituição tributária do comerciante varejista. O ICMS integra o preço da venda da mercadoria, e, estando agregado ao mesmo, incluise na receita bruta ou faturamento. Recurso negado.(Acórdão nº 20216994, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, j. 28/03/2006) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.905238/200934 Acórdão n.º 3403002.689 S3C4T3 Fl. 178 5 COFINS BASE DE CÁLCULO ICMS O ICMS integra a base de cálculo da COFINS por compor o preço do produto e não se incluir nas hipóteses elencadas no parágrafo único do art. 2 da Lei Complementar nr. 07/70. MULTA Reduzse a penalidade aplicada, por força do art. 106, inciso II, do CTN, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nr. 9.430/96. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 20171269, Relator Expedito Terceiro Jorge Filho, j. 09/12/1997) COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS. A parcela referente ao ICMS, por ser cobrada por dentro, incluise na base de cálculo da Cofins. Precedentes jurisprudenciais. Recurso negado. (Acórdão nº 20401837, Relator Jorge Freire, j. 18/10/2006) Também no âmbito do judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, exercendo seu papel de uniformização da jurisprudência, consolidou o seu entendimento no mesmo sentido, de que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo de PIS/Cofins, conforme se confere, exemplificativamente, nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. 3. Recurso especial improvido. (REsp 501626/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2003, DJ 15.09.2003 p. 301) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, III. VALORES TRANSFERIDOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MP Nº 199118/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 97, IV, DO CTN. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SÚMULAS NºS 68 E 94, DO STJ. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que desproveu agravo de instrumento em face de acórdão a quo segundo o qual não são possíveis de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores repassados a outras pessoas jurídicas. Asseverou, também, com base nas Súmulas nºs 68 e 94 do STJ, estar pacificado o entendimento de que a parcela relativa ao ICMS se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS. (...) 4. Pacífico o entendimento nesta Corte de que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL (e, conseqüentemente, da COFINS, tributo da mesma espécie) e também do PIS. Súmulas nºs 68 e 94/STJ, respectivamente: “a parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS” e “a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial.” 5. Precedentes desta Corte Superior. 6. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 750.493/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.05.2006, DJ 08.06.2006) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN 6 TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI nº 9.718/98. MEDIDA PROVISÓRIA N.º 199118/2000. REVOGAÇÃO. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SÚMULA 83 DO STJ. 1. A jurisprudência firmada na 1ª Seção desta Corte é a de que o ICMS compõe a base de cálculo da COFINS e do PIS. Súmulas 68 e 94/STJ (AG 520431, Rel. Ministro João Otávio Noronha, 2ª Turma, DJ 24.05.04; AGREsp 463.629/RS, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, 1ª Turma, DJ 06/01/03). 2. "A exclusão prevista no art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98 não chegou a produzir efeitos no mundo jurídico, visto que condicionada a regulamento do Poder Executivo, o qual não veio a ser editado até o advento da Medida Provisória n.º 1.991 18/2000, que, por sua vez, a revogou (cf. REsp 502.263/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 13.10.03; REsp 512.232/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 20.10.03)". (RESP 641377, Rel Min. Franciulli Neto, 29/11/2004) 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 667.170/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.08.2005, DJ 12.09.2005 p. 224) Sabese que a pretensão de exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins ganhou novo fôlego com o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785, ainda em andamento, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. E ficou ainda mais aquecida com a propositura da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 18. Ocorre que ainda não houve desfecho do julgamento de nenhuma destas ações, não se podendo ainda dizer que exista decisão final do STF quanto à inconstitucionalidade do cômputo do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS. De outro lado, conforme ilustrado acima, é entendimento consolidado das Câmaras deste Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça que não há respaldo legal para a exclusão do ICMS. Somese a isto, conforme esclarecido no início do voto, que este tribunal administrativo não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei. Deve, por tais razões, prevalecer o entendimento sedimentado na jurisprudência, de que o ICMS integra o preço do produto, de sorte que o valor total da nota fiscal deve ser tomado como faturamento, sofrendo a incidência de PIS/Cofins. Nada obstante o ICMS componha parte do valor que se recebe pela venda do produto, isto não implica em redução do preço de venda, e é este preço de venda que compõe o faturamento sobre o qual incide PIS/Cofins. Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.905238/200934 Acórdão n.º 3403002.689 S3C4T3 Fl. 179 7 Homenageando o autor e subscrevendo integralmente o voto do Conselheiro Ivan Allegretti, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2014 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904521/2012-32
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 21 /2 01 2- 32 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904521/201232 Acórdão n.º 3803004.871 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904521/201232 Acórdão n.º 3803004.871 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904521/201232 Acórdão n.º 3803004.871 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001568/2005-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), devendo ser aceita a dedução ainda que a averbação se verifique em momento posterior à ocorrência do fato gerador mas anteriormente ao início do procedimento fiscal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 23/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), devendo ser aceita a dedução ainda que a averbação se verifique em momento posterior à ocorrência do fato gerador mas anteriormente ao início do procedimento fiscal. Recurso especial provido.
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), devendo ser aceita a dedução ainda que a averbação se verifique em momento posterior à ocorrência do fato gerador mas anteriormente ao início do procedimento fiscal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 15 68 /2 00 5- 91 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). Relatório Em face de Supermercado Xande Ltda foi lavrado o auto de infração de fls. 24/28, objetivando a exigência de Imposto Territorial Rural ITR do exercício de 2001, acrescidos de juros moratórios e multa de ofício, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de área de preservação permanente. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 30335.794, que se encontra às fls. 107/127 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA. A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve estar averbado à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, à época do respectivo fato gerador, nos termos da legislação de regência.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso. Intimado do acórdão em 20/07/2009 (fls. 138), o contribuinte interpôs recurso especial às fls. 139/167, pleiteando a reforma do v. acórdão contestando a necessidade de averbação às margens do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador para a dedução da base de cálculo do ITR. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.001568/200591 Acórdão n.º 9202003.103 CSRFT2 Fl. 8 3 Ao recurso especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho nº 220000.272, de 13/05/2011 (fls. 225/233). Regularmente intimada do recurso especial interposto, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões de fls. 237/248. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 30134.258 e 39100.030. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados, respectivamente: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ITR 2001. Prevalece a inteligência do parágrafo sétimo do artigo 10 da Lei 9.393/96 introduzido pela Medida Provisória 2.16667 de 24/08/01 em detrimento do disposto na Lei 10.165/2000 que traz a presunção legal em favor do contribuinte, de modo que vale o por ele declarado, em termos de reserva legal, até que o fisco demonstre, por meio de provas hábeis, a falsidade de sua declaração. A exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR não depende de sua averbação à margem da inscrição da matricula no registro de imóveis a época do fato gerador. Averbação da reserva legal junto ao Cartório de Imóveis, ainda que após a ocorrência do fato gerador, confirma a declaração feita pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.“ “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área de utilização limitada, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Com efeito, em apreço ao Principio da Verdade Material, é se reputar a comprovação da área de utilização limitada em f unção da juntada de averbação à margem da matricula do imóvel e de laudo técnico. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Assim, em situação semelhante à dos presentes autos, os acórdãos paradigmas dispensaram a necessidade da averbação à margem da matrícula de imóvel anteriormente a data de ocorrência do fato gerador para fins tributários. Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte. No mérito, a chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.001568/200591 Acórdão n.º 9202003.103 CSRFT2 Fl. 9 5 de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 8º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal está condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independentemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frustra o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 8º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10909.001568/200591 Acórdão n.º 9202003.103 CSRFT2 Fl. 10 7 ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação antes do início do procedimento fiscal o viés indutor de comportamento que informa a dispensa do tributo. Verifico que a averbação da reserva legal pelo contribuinte se deu em 18/11/2004 (fls.23/25), anteriormente à intimação fiscal de 10/06/2005 (fls. 35), porém posteriormente à ocorrência do fato gerador. Tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR, tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. Por essa razão, como já tratado acima, entendo que a glosa efetuada pela autoridade fiscal não merece prosperar já que a comprovação das áreas de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende da averbação à margem da matrícula do imóvel anterior a data de ocorrência do fato gerador do ITR correspondente ao exercício. Em face de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para restabelecer a exclusão da área de reserva legal. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10283.005479/2004-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 04/05/1999 a 23/01/2002
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando todos os requisitos do lançamento foram cumpridos, inclusive em relação à descrição dos fatos.
ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO.
A Fiscalização da RFB, na figura do Auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para a fiscalização de tributos federais na ZFM, inclusive para atestar a regularidade do PBB, mesmo contra possíveis pareceres da Suframa.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.302
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/05/1999 a 23/01/2002 CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando todos os requisitos do lançamento foram cumpridos, inclusive em relação à descrição dos fatos. ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. A Fiscalização da RFB, na figura do Auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para a fiscalização de tributos federais na ZFM, inclusive para atestar a regularidade do PBB, mesmo contra possíveis pareceres da Suframa. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 3.756 1 3.755 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.005479/200437 Recurso nº 338.473 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.302 – 3ª Turma Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria Processo Produtivo Básico ZFM Recorrente DM ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/05/1999 a 23/01/2002 CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando todos os requisitos do lançamento foram cumpridos, inclusive em relação à descrição dos fatos. ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. A Fiscalização da RFB, na figura do Auditorfiscal da Receita Federal do Brasil é competente para a fiscalização de tributos federais na ZFM, inclusive para atestar a regularidade do PBB, mesmo contra possíveis pareceres da Suframa. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 54 79 /2 00 4- 37 Fl. 3819DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte, contra acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. INTERNAÇÃO DE MERCADORIAS INDUSTRIALIZADAS NA ZFM. DECADÊNCIA. O prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário referente à exigência da diferença de Imposto de Importação sobre insumos importados, na saída de produtos da ZFM com industrialização sujeita a Processo Produtivo Básico de que trata o Decretolei no 288/67, diz respeito a lançamento considerado por homologação e deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN e parágrafo único do art. 138 do Decretolei no 37/66), que, no caso, é a data do registro da declaração de internação. Constatado que parte do lançamento foi consumado com a ciência da contribuinte em data posterior ao prazo permitido para que a Fazenda Nacional promovesse tal ação, deve ser declarada a decadência dessa parcela, devendo ser excluído do lançamento o crédito tributário pertinente aos fatos geradores decaídos. RECURSO DE OFÍCIO DESPROVIDO. ZFM. FISCALIZAÇÃO DE TRIBUTOS. COMPETÊNCIA DA RFB. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem plena competência para a fiscalização de tributos federais na ZFM, não dependendo de manifestação prévia da Suframa para o exame de operações que envolvam o cumprimento de Processos Produtivos Básicos. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS E ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR FALTA DE ACESSO A DOCUMENTAÇÃO APREENDIDA A juntada posterior de provas é admitida até a decisão da lide quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. A alegação de falta de acesso a documentos apreendidos pela Polícia Federal deve ser acompanhada de prova cabal, por qualquer meio eficaz, para que justifique a alegação de cerceamento do direito de defesa. ZFM. DESCUMPRIMENTO DO PPB. PERDA DO INCENTIVO. COBRANÇA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. A importação de subconjuntos montados constitui descumprimento do Processo Produtivo Básico (PPB) estabelecido para o produto, resultando na perda do incentivo de redução do Imposto de Importação, vez que a montagem desses subconjuntos consiste em etapa prevista para ser executada na ZFM. Fl. 3820DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005479/200437 Acórdão n.º 9303002.302 CSRFT3 Fl. 3.757 3 O descumprimento das etapas do PPB estabelecido pela legislação do regime para fabricação do produto final, implica a exigência integral do Imposto de Importação incidente sobre os componentes estrangeiros importados ao amparo do regime da ZFM, devendo o imposto ser calculado tendo como base o produto final, em vista de os componentes importados se apresentarem desmontados ou por montar, com as características essenciais do artigo completo ou acabado. MULTA DE OFÍCIO. BENEFÍCIO INCABÍVEL. DESCABIMENTO. Não constitui infração punível com multa de ofício a solicitação de benefício fiscal incabível, desde que atendidos os requisitos de correta descrição das mercadorias e que não se constate intuito doloso ou máfé por parte do declarante (ADN Cosit no 10/97). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE De acordo com a descrição dos fatos contida no auto de infração, o lançamento tem por objeto a exigência do imposto que deixou de ser recolhido por ocasião da internação de aparelhos de telefone, áudio e vídeo, em razão do descumprimento do Processo Produtivo Básico (PPB) estabelecido para a fabricação destes produtos. No Relatório de Fiscalização (Volumes II a IV fls. 403 a 800) consta a informação de que a ação fiscal foi motivada pelo trabalho realizado durante a “OPERAÇÃO RIO NEGRO”, resultando na apreensão, em Janeiro de 2002, de produtos acabados, declarados pela autuada nos despachos de importação como sendo partes e peças para industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM). Segundo a fiscalização, em conjunto com a auditoria dos estoques da empresa (abrangendo os exercícios de 1999 a 2002), foi realizada a verificação do cumprimento das etapas mínimas de produção definidas para o PPB, conforme estabelecido no Anexo XI do Decreto nº 783, de 25 de março de 1993 (aparelhos de áudio e vídeo) e na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 31, de 28 de agosto de 1998 (aparelhos telefônicos). No transcorrer do procedimento fiscal foi feita uma análise do processo produtivo de cada um dos modelos de produtos relacionados nos quadros acima. Esta análise se desenvolveu a partir de: comparações entre os kits de componentes para industrialização de um mesmo modelo de produto, importados no período de 1999 a 2002; comparações, para cada modelo, entre os componentes que integram os kits destinados à industrialização com os componentes importados para reposição nos produtos em assistência técnica; comparações entre o rol de componentes integrantes dos kits de componentes para industrialização com o produto físico e suas partes, seus catálogos, manuais de instruções e desenhos técnicos. Ao ser informada acerca das divergências detectadas na auditoria, através do Termo de Intimação nº 17 (Volume VI fls. 1290 a 1419), a empresa apresentou suas explicações e/ou justificativas, não obtendo, no entanto, segundo a fiscalização, êxito em comprovar o efetivo cumprimento de todas as etapas do PPB inerente aos produtos objeto do presente lançamento. Consta do Relatório de Fiscalização (Volume II fls. 414 e 415) a informação de que no trabalho de auditoria foram analisadas as seguintes etapas de Fl. 3821DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 industrialização, para cada produto fabricado pela autuada: a) industrialização das placas de circuito impresso; b) montagens das partes elétricas e mecânicas; e c) interligações entre as PCIs e as partes elétricas e mecânicas. Ao discorrer sobre suas “Constatações e Demonstrações de Caráter Geral” (Volume IV fls. 789 a 798), referindose primeiramente à questão da industrialização de PCIs realizadas por terceiros, a fiscalização conclui que “para os produtos que possuem mais de 1 (uma) PCI em sua composição, não existe comprovação documental da industrialização de todas as PCIs que integram estes produtos, uma vez que os documentos das empresas terceirizadas registram a industrialização de apenas 1 (uma) PCI por Kit enviado”. Posteriormente, em outro tópico, após traçar uma estimativa do consumo de solda para cada categoria de produto fabricado pela empresa no período de 1999 a 2002, o autuante firma o entendimento de que “o baixo consumo de solda apresentado pela empresa é evidência de que os conjuntos ou subconjuntos que constituem o aparelho ingressaram já montados”. Sua conclusão encontrase ainda embasada nos seguintes elementos: a) na fabricação dos produtos é utilizada uma grande quantidade de fios e cabos conectores, para os quais não existe documentação de ingresso no estabelecimento fabril; b) a diferença constatada, na maioria dos produtos fabricados pela empresa, entre a quantidade de PCIs que é efetivamente utilizada em cada modelo de aparelho e a quantidade declarada nas declarações de importação, e por último; c) a diferença constatada, na maioria dos produtos fabricados pela empresa, entre a quantidade de PCIs que é efetivamente utilizada em cada modelo de aparelho e a quantidade de PCIs que foram submetidas à industrialização por empresas terceirizadas. Ao final dos trabalhos, considerando as irregularidades encontradas, a autoridade lançadora concluiu pelo descumprimento do PPB para diversos aparelhos, uma vez que a empresa não comprovou o cumprimento de várias etapas de industrialização, deixando, assim, de atender as exigências para fruição dos benefícios fiscais definidos no Decretolei nº 288/67. No recálculo do imposto devido que se encontrava suspenso por ocasião da importação dos componentes, haja vista os mesmos terem ingressado na ZFM na forma de kits, foi aplicada a Regra 2a para Interpretação do Sistema Harmonizado, incidindo sobre estes componentes, a alíquota do Imposto de Importação incidente sobre o produto final à época de suas importações (componentes). Deste modo, para cada produto, está sendo exigido da autuada o Imposto de Importação integral que ficou suspenso por ocasião da importação de seus componentes, deduzindose o valor do imposto recolhido pela empresa, no período de 1999 a 2002, por ocasião da internação destes mesmos produtos. Além do Auto de Infração (Volumes I e II fls. 12/402) e do Relatório de Fiscalização (Volumes II a IV fls. 403/800), a fiscalização instruiu os autos com os seguintes documentos: Planilhas de Recálculo do II suspenso (1999 a 2001) e Demonstrativo do Crédito do II (1999 a 2002) – (Volume IV fls. 801/938); Planilhas de Importação de Kits de Componentes e de Industrialização Realizadas por Terceiros (remessa e retorno) – (Volume IV fls. 939/1003); Fl. 3822DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005479/200437 Acórdão n.º 9303002.302 CSRFT3 Fl. 3.758 5 Planilhas de Movimentação de Máquinas e Equipamentos, Demonstrativo da Entrada de Ferramentas destinadas à Produção, Quadro de Mãodeobra (1999 a 2001) e Faturas de Energia Elétrica – (Volume V – fls. 1006/1043); Documentos das Diligências Realizadas em Empresas Terceirizadas – (Volume V fls. 1044/1178); Documentos Referentes à Estimativa do Consumo de Solda no Período – (Volume V fls. 1179/1262); Intimações e Respostas – (Volumes VI e VII fls. 1265/1611); Ofícios Suframa e Respostas – (Volume VII fls. 1612/1792). Em julgamento de primeira instãncia foi dado provimento parcial, assim também ocorrendo com o recurso Voluntário Em recurso voluntário a recorrente pugna pelo cancelamento do Auto de Infração por cerceamento de defesa e por incompetência da fiscalização da RFB para apurar eventual descumprimento de PPB. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. As únicas matérias admitidas para julgamento por esse colegiado são as alegações de cerceamento de defesa e incompetência da fiscalização da RFB para apurar eventual descumprimento de PPB. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao sujeito passivo foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao sujeito passivo a ampla oportunidade de apresentar suas alegações e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento Fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. O ônus da prova incumbe: A) ao Fisco comprovar o fato constitutivo do seu direito; e B) ao contribuinte o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. O contribuinte apenas alegou o cerceamento de defesa, porém não apresentou nenhuma prova, por quaisquer meios admitidos em direito. Assim, não há como aceitar o Fl. 3823DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 argumento de cerceamento de defesa, até porque o recorrente apresentou todos os recursos, tendo inclusive seu recuso com provimento parcial em ambas as instâncias anteriores. A outra matéria é a alegada incompetência da fiscalização da RFB para apurar eventual descumprimento de PPB. Porém não vamos tratar aqui do cumprimento, ou não, do Processo Produtivo Básico, eis que não foi matéria admita para apreciação desse colegiado. Essa 3ª Turma da CSRF tem por reiteradas vezes julgado no sentido que a fiscalização tem competência para decidir sobre a regularidade de PBB, mesmo com manisfestação contrária da Suframa. A Suframa é um órgão que tem competência para emitir documentos que atestam a regularidade do PBB de dos contribuintes situados na ZFM e que apresentem os seus projetos para a análise do órgão. Porém cabe a autoridade tributária a palavra final, que pode ratificar o documento expedido pela Suframa ou desconsideralo totalmente, em caso de descumprimento da legislação tributária ou do PPB ou qualquer condição para se usufruir de qualquer benefício fiscal concedido. A Suframa emite documentos, que serão avaliados e convalidados pela autoridade fazendária competente. O parecer pode balizar o presente caso, em uma integração legislativa por analogia, caso se considere que a norma é omissa, ou seja, lacunosa. Em não havendo como interpretar o texto legal que se enquadre ao caso, poderseia cogitar do uso da analogia. Porém entendemos que não há omissão legislativa e nem tampouco a RFB seria obrigada a seguir pareceres que estivesse eivado de ilegalidade. A Constituição Federal no Capítulo VII que trata da Administração Pública, Seção I Disposições Gerais, ressalta a Administração Tributária em dois incisos do artigo 37: incisos XVIII e XXII. Vejamos o que diz estes dois incisos. Art. 37. “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: ... XVIII a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; Com efeito a CF traz a previsão da precedência da administração fazendária sobre os demais setores admistrativos, n aforma da lei. E a lei materializou essa precedência como demonstra a maioria das nossas leis tributárias. A Suframa e demais órgãos tem uma competência limitada quando se trata de administração tributária. Um mero parecer, como já dito, não pode vincular a administração tributária, que tem a competência de fiscalizar e arrrecadar os recursos necessários a implementação das políticas públicas do Estado. Fl. 3824DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005479/200437 Acórdão n.º 9303002.302 CSRFT3 Fl. 3.759 7 O DL 288/67 é claro ao delimitar competências. Cabe à Suframa aprovar os PPB e administrar incentivos ficais, inclusive reconhecêlos, na forma da lei. Porém essa competência restringese a aspectos que não concorrem com a administração tributária. Cumprimento de PPB é atestado pela Suframa, sob condição resolutória da apevação da autoridade tributária. Em não ocorrendo a aprovação defazse o ato emitido pela Suframa. O Decreto 61.244/67, em seu art. 12, que regulamenta a ZFM traz expressa a distinção das competências: "Art. 12 Toda entrada de mercadorias nacional ou estrangeira na Zona Franca de Manaus fica sujeita ao controle da SUFRA MA respeitada a competência legal atribuida à fiscalização aduaneira e de rendas do Ministério da Fazenda.'' Foi preciso o relator da instância a quo ,José Luiz Novo Rossari, em dispor: A recorrente suscita a preliminar de nu idade do Auto de Infração, alegando a incompetência da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para apurar o descumprimento dos PPBs, cm vista do disposto no art. 58 da Resolução 201/2001 do Conselho de Administração da Suframa, verbis: "Art. 58. A Suframa enviará comunicado a Secretaria da Receita Federal (SRF) sempre que comprovar o não cumprunero do PPB ou de outros compromissos assumidos pela empresa quando da aprovação do projeto, para os atos de competência privativa daquele Órgão." O dispositivo transcrito é claro ao dispor tãosomente sobre a obrigação da Suframa de comunicar a RFB sempre que concluir pelo não cumprimento do PPB ou de outros compromissos assumidos pela beneficiária em relação ao projeto industrial aprovado. Tratase, assim, de norma pertinente a procedimento interno a Suframa e que não tem qualquer interferência, nem poderia ter, em relação aos atos de fiscalização levados a efeito pela RFB no uso de sua competência, a fim de detectar ilícitos fiscais no tocante a tributos federais. Ademais, está entre as atividades de fiscalização o exame das operações pertinentes aos despachos aduaneiros, inclusive de internação de mercadorias estrangeiras no restante do território nacional provenientes da ZFM,I e bem assim, o exame do correto pagamento do Imposto de Importação corn a redução de aliquota nos termos do art. 7 ° do Decretolei n° 288/67. Trata se de competência para fiscalização e controle sobre o comercio exterior consagrada expressamente no art. 237 da Constituição Federal e que, em termos operacionais, estava A época das operações prevista no art. 134 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n ° 91.030/85, que dispunha dobre a efetivação de beneficios nos despachos aduaneiros. Fl. 3825DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 a partir desses despachos aduaneiros que o Fisco verifica o correto pagamento do imposto, no momento do 'despacho ou em procedimento de revisão, à vista da apuração da obediência aos requisitos estabelecidos nos PPBs. Destarte, não havendo na legislação de regência qualquer dependência da RFB a manifestações prévias da Suframa para a verificação e apuração dos ilícitos fiscais referidos, é de se rejeitar a preliminar de incompetência suscitada. Cabe frisar que a decisão recorrida teve votação unânime no que se refere aos objetos do presente recurso,ou seja, cerceamento de defesa e incompetência da fiscalização da RFB para apurar eventual descumprimento de PPB, inclusive com votos de alguns integrantes desse colegiado como os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Susy Gomes Hoffman. Com efeito, jamais podemos falar em usurpação de competência da Suframa. A fisalização apenas cumpriu o seu papel legal de aferir e fiscalizar o cumprimento de normas que isentam a incidência do imposto de importação e demais tributos administrados pela RFB. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial Interposto pelo sujeito passivo. É como voto. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 3826DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.012536/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR CONTRIBUINTE QUE NÃO IMPUGNOU O LANÇAMENTO.
Não se conhece de recurso apresentado por contribuinte que não impugnou o lançamento, posto que em relação ao mesmo não houve a instauração do litígio e, por consequência, o recurso apresentado por este contribuinte não suspende a exigibilidade do lançamento e não pode ser objeto de decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-002.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado por Carlos Alberto Beschorner, determinando que os autos retornem a unidade de origem para que a contribuinte Sirlei de Lurdes Samuel seja cientificada da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR CONTRIBUINTE QUE NÃO IMPUGNOU O LANÇAMENTO. Não se conhece de recurso apresentado por contribuinte que não impugnou o lançamento, posto que em relação ao mesmo não houve a instauração do litígio e, por consequência, o recurso apresentado por este contribuinte não suspende a exigibilidade do lançamento e não pode ser objeto de decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Não se conhece de recurso apresentado por contribuinte que não impugnou o lançamento, posto que em relação ao mesmo não houve a instauração do litígio e, por consequência, o recurso apresentado por este contribuinte não suspende a exigibilidade do lançamento e não pode ser objeto de decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado por Carlos Alberto Beschorner, determinando que os autos retornem a unidade de origem para que a contribuinte Sirlei de Lurdes Samuel seja cientificada da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 24/02/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 25 36 /2 00 8- 15 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.012536/200815 Acórdão n.º 2102002.830 S2C1T2 Fl. 185 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CARLOS ALBERTO BESCHORNER foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/11, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2003, exercício 2004, no valor total de R$ 57.967,74, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Relatório de Ação Fiscal, foi omissão de rendimentos recebidos pela dependente do contribuinte, Sirlei de Lurdes Samuel (esposa), decorrentes de reclamatória trabalhista movida contra a União Federal em substituição ao extinto BNCC, no valor de R$ 99.804,18. Lavrou se, ainda, Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 02/08, emitido em nome da esposa do contribuinte, sendo ambos cientificados do lançamento, conforme Avisos de Recebimento (AR), fls.96/97. Inconformada com a exigência, Sirlei de Lurdes Samuel apresentou impugnação, fls. 99/101, que foi considerada improcedente, conforme Acórdão DRJ/POA nº 1036.090, de 14/12/2011, fls. 145/149. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/01/2012, Aviso de Recebimento (AR), fls. 153, o contribuinte Carlos Alberto Beschorner apresentou, em 06/02/2012, recurso voluntário, fls. 155/157. É o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.012536/200815 Acórdão n.º 2102002.830 S2C1T2 Fl. 186 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Do relatório acima, verificase que o lançamento foi cientificado ao contribuinte Carlos Alberto Beschorner e a sua esposa Sirlei de Lurdes Samuel, na condição de responsável solidária pelo crédito tributário exigido no Auto de Infração, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 89/90. Ocorre que apenas Sirlei de Lurdes Samuel apresentou impugnação ao lançamento, fls. 99/101, de modo que, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, abaixo transcrito, o litígio somente se instaurou em relação à contribuinte Sirlei de Lurdes Samuel, posto que o contribuinte Carlos Alberto Beschorner não apresentou impugnação. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Assim, o recurso interposto por Carlos Alberto Beschorner não pode ser conhecido, dado que, conforme já dito, em relação ao mesmo, não houve a instauração do litígio, em razão da nãoapresentação de impugnação por sua parte. Ora, se em relação ao contribuinte Carlos Alberto Beschorner não houve a instauração de litígio, dado que o mesmo não apresentou impugnação ao lançamento, temse que o recurso por ele apresentado não suspende a exigibilidade do lançamento e não pode ser objeto de decisão. Por outro lado, verificase que o acórdão da decisão da DRJ Porto Alegre somente foi cientificado ao contribuinte Carlos Alberto Beschorner, de modo que deve o presente processo retornar a unidade de origem para que Sirlei de Lurdes Samuel seja cientificada do Acórdão DRJ/POA nº 1036.090, de 14/12/2011, fls. 145/149, sendolhe concedido o prazo de 30 (trinta) dias para, caso deseje, apresente recurso voluntário. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, apresentado por Carlos Alberto Beschorner, determinando que os autos retornem a unidade de origem para que a contribuinte Sirlei de Lurdes Samuel seja cientificada da decisão de primeira instância, nos termos em que especificado acima. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.012536/200815 Acórdão n.º 2102002.830 S2C1T2 Fl. 187 4 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000365/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: A MERA FALTA DE ESCRITURAÇÃO DOS JUROS SOBRE 0
CAPITAL PRÓPRIO NÃO E REQUISITO ESSENCIAL PARA FINS DE
DEDUTIBILIDADE- Ao contrário do que entende o Fisco, segundo o qual os juros sobre o capital próprio tem natureza jurídica de despesa financeira, e como tal deve ser registrado na contabilidade, como requisito essencial para fins de dedutibilidade desses valores, nos termos do que dispõe o artigo 30 parágrafo único da IN SRF n° 11/96, essa exigência não encontra amparo legal no artigo 9° da Lei n° 9.249/95 e, portanto, não pode impedir o seu gozo.
CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE DOS VALORES PAGOS A
TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO AOS ACIONISTAS.- ARTIGO 9° DA LEI N° 9.249/95-
Segundo se depreende do artigo 9° da Lei n° 9.249/95, para haver dedutibilidade da despesa paga a titulo de JCP, a legislação faz apenas duas exigências: I) deliberação social pelo seu pagamento e, evidentemente, o seu pagamento; e II) existência de lucro ou lucro acumulado, no ano do pagamento, que supere em pelo menos duas vezes o montante dos JCP.
Numero da decisão: 1102-000.377
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: joão Carlos de Lima Junior
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CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO AOS ACIONISTAS.- ARTIGO 9° DA LEI N° 9.249/95- Segundo se depreende do artigo 9° da Lei n° 9.249/95, para haver dedutibilidade da despesa paga a titulo de JCP, a legislação faz apenas duas exigências: I) deliberação social pelo seu pagamento e, evidentemente, o seu pagamento; e II) existência de lucro ou lucro acumulado, no ano do pagamento, que supere em pelo menos duas vezes o montante dos JCP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 1 ,A.A.J.t....Nd IVE4T,E.- - ALAQUI-A PESSOA MONTEIRO —/Presidente JOÃO CARLOS DE LIMA J I0 Relator Processo n° 12963.000365/2008-09 SI-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.377 Fl. 2 EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Lima Junior (Vice-Presidente), Silvana Rescigno Guerra Baretto, João Otavio Thomé, José Sérgio Gomes e Frederico de Moura Theophilo. 2 Processo IV 12963.000365/2008-09 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.377 Fl. 3 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em 04/09/2008 referente ao crédito tributário correspondente a R$ 22.644.550,00 exigidos a titulo de imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 508 a 516) e R$ 8.152.038,00 de Contribuição Social (fls. 517 a 526) devidos nos anos calendários de 2003, 2004 e 2005. Esses valores estão acrescidos de multa de oficio à razão de 75% e juros moratórios. Analisando os livros e documentos apresentados, a fiscalização apurou que a Recorrida não atendeu as condições estabelecidas na legislação vigente quanto A dedutibilidade dos valores dos juros sobre o capital próprio pagos entre os anos calendários de 2003 a 2005, quais sejam, a falta de contabilização desses juros como despesa financeira e a falta de individualização dos beneficiários desses pagamentos na escrituração contábil da Recorrida. Segundo a fiscalização os juros sobre o capital próprio tem a mesma natureza jurídica dos juros sobre empréstimos, qual seja, de despesa financeira, e como tal deve ser registrado na contabilidade, como requisito essencial que demonstre a opção do contribuinte em deduzir esses valores, segundo interpretação sistemática do artigo 30 parágrafo único da IN SRF n° 11/96 combinada com o artigo 90 da Lei n° 9.245/95, o que não ocorreu no presente caso. Outro ponto suscitado pela fiscalização diz respeito à falta de individualização dos beneficiários dos pagamentos na contabilidade de Recorrida, auferida pela fiscalização em documentos extra -contábeis. Por fim, diante dessas irregularidades apuradas a fiscalização glosou as deduções efetuadas pela Recorrida e lavrou os presentes autos de infração. A ciência dos autos de infração foi pessoal e ocorreu em 05/09/2008. Em 07/10/2008 a Recorrida protocolou sua impugnação, (fls. 529 a 543), alegando em síntese: Que o fisco não discute a efetividade dos pagamentos efetuados a titulo de Juros sobre o Capital Próprio, tampouco questiona o fato de que os limites de dedutibilidade previstos no art. 9 0 da Lei no 9249/95 foram atendidos. Tais fatos são incontroversos, dispensando qualquer outra consideração; Que a fiscalização se apegando de forma excessiva aos aspectos formais pertinentes ao regime de contabilização adotado pela Recorrida, questiona a dedutibilidade de tais valores; Que esse entendimento não possui amparo legal que o sustente, pois não se pode depreender da Lei n° 9249/95 que o procedimento contábil defendido pela fiscaliza05 3 Processo n° 12963.000365/2008-09 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.377 Fl. 4 seja condição para a dedutibilidade em questão, muito menos que esse lançamento contábil seja o instrumento pelo qual o contribuinte materializa a sua opção pela dedução dos JCP; Que o procedimento contábil é de livre escolha do contribuinte, como vem reconhecendo a jurisprudência e também o próprio fisco em pareceres normativos; Que segundo os dispositivos legais contidos no art. 9 0 da Lei n° 9249/95 os juros sobre o capital próprio devem ser considerados dedutiveis se forem calculados sobre as contas do patrimônio liquido; se o seu valor for limitado A. variação, pro rata dia, da taxa de juros de longo prazo; e se houver lucros, computados antes da dedução dos juros, ou lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados; Que não consta do art. 9 0 e nos seus parágrafos qualquer regra que condicione o direito à dedução dos JCP A sua contabilização como despesa, em contas de resultado, pois a referida lei sequer regulamenta a forma de contabilização dos juros sobre capital próprio; Que a única norma que tratou da contabilização dos JCP foi a IN SRF n° 11/96, que tem natureza de norma secundária, ou seja, complementar às leis nos termos do art. 100 do CTN e que, portanto, não tem o condão de criar ou extinguir direitos; Que o parágrafo único do artigo 30 da IN SRF n° 11/96 não estabelece o registro do pagamento dos JCP na conta de resultado como condição para a sua dedutibilidade, não existindo qualquer fundamento legal para a glosa das despesas efetuadas pela fiscalização; Que ao assim agir a fiscalização interpretou a IN em contrariedade a lei que lhe serve de fundamento; Que ainda que a dedução dos valores pagos a titulo de JCP dependesse de uma opção pelo contribuinte que tivesse que ser materializada, esta poderia ser auferida por outros meios, como pelo lançamento contábil à. conta de lucros acumulados, ou pela exclusão no LALUR, ou ainda, pelo registro feito em sua DIPJ, visto que não existe qualquer disposição especifica a respeito da modalidade de opção; Que a contabilidade não cria nem modifica a realidade, mas apenas registra os fatos ocorridos, assim se a Recorrida deixou de registrar os JCP em contas de resultado, lançando-os diretamente a lucros acumulados, esses não deixaram de ser dedutiveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL; Que a natureza jurídica dos valores pagos a titulo de JCP, quanto a ser despesa ou pagamento de resultados é controvertida na doutrina e na jurisprudência. Assim, diante dessa divergência a Recorrida adotou o entendimento de que os JCP são dividendos e procedeu à sua contabilização diretamente em conta de lucros acumulados, tendo procedido ao lançamento coerente desses no LALUR; Em relação à segunda irregularidade apontada pelo fisco, qual seja, a falta de individualização contábil dos beneficiários dos pagamentos efetuados, considerado pela fiscalização como condição para a dedutibilidade dos valores pagos a titulo de JCP a Recorrida, alegou que: 4 Processo n° 12963.000365/2008-09 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.377 Fl. 5 0 art. 9° da Lei no 9.249/95 autoriza a dedução dos JCP quando estes forem pagos ou creditados individualizadamente, mas referido dispositivo não diz se tal individualização deve ser feita na contabilidade; A previsão de individualização dos beneficiários na contabilidade consta apenas do art. 1° da IN SRF n° 41 de 22.04.1998, que deve ser interpretada em função do art. 9° da Lei n° 9.249/95, onde não existe nenhum comando que condicione a dedutibilidade dos JCP à existência de individualização contábil dos beneficiários, não podendo a inobservância da regra prevista na IN justificar a glosa ora combatida; Nos casos dos presentes autos a Recorrida logrou êxito em demonstrar à fiscalização todos os beneficiários dos pagamentos recebidos a titulo de JCP, de forma individualizada, conforme documentos extra- contábeis apresentados, como os comprovantes de arrecadação do imposto de renda na fonte que foi emitido em face de cada beneficiário e as cópias das atas da Assembléia Geral Extraordinária que evidenciam quem são os acionistas que receberam remuneração a titulo de JCP; Por fim aduziu que a glosa fiscal impugnada representa medida de extremo e desproporcional formalismo, sem ter como objetivo o alcance do interesse público, em manifesta ofensa ao art. 37 da CF/88 e ao disposto no artigo 2°, parágrafo único da Lei n° 9.784/99, juntando jurisprudência nesse sentido. Em 12/11/2008 a DRJ, após analisar todos os argumentos aduzidos pela Recorrida em sua impugnação, julgou improcedente o lançamento fiscal cancelando o crédito tributário exigido, nos seguintes termos: Que o objeto da lide se restringe aos aspectos formais da contabilização dos juros sobre o capital próprio constantes do art. 9° da Lei n° 9.249/95. Que existe notório conflito entre a legislação tributária e a legislação societária, mas que nos termos do art. 177, §§ 2° e 3° da lei no 6.404/76 as normas societárias expedidas pela CVM não podem estar em desacordo com as normas tributárias expedidas pela SRF; Que a Recorrida ao proceder a escrituração dos juros sobre capital próprio em conformidade com a Deliberação CVM n° 207/96, mesmo na condição de companhia fechada e, portanto, não submetida às normas da Comissão de Valores Mobiliários, não está impedida de, ao apurar o lucro real a partir do lucro liquido do exercício, promover a devida exclusão referente aos juros pagos ou creditados a titulo de remuneração do capital próprio, nos moldes do art. 247 do RIR. Que assiste razão ao Fisco quando diz que a forma de escrituração adotada pode vir a distorcer o resultado do Lucro da Exploração, porém isso não é objeto do presente processo. Que apesar da contabilização dos juros sobre o capital próprio estar contrariando o disciplinamento da IN n° 11/96, não trouxe prejuízo ao Erário Público, fato este que o Fisco reconhece. 5 Processo n° 12963.000365/2008-09 SI-CI T2 AcOrcIdo n.° 1102-00.377 11 6 Que as normas de escrituração contábil não estão compreendidas entre as obrigações acessórias, que os contribuintes estão sujeitos e, salienta que, mesmo se estivessem seu descumprimento implica em penalidade especifica e não em cobrança de tributo. Que a Recorrida é sociedade anônima de capital fechado, que é subscrito por três acionistas, pessoas jurídicas estrangeiras, claramente identificadas de forma individualizada na sua escrituração fiscal a titulo de créditos a pagar na conta "dividendos a pagar", o que basta para distinguir os beneficiários e saber o valor dos seus direitos, nos termos do conceito de individualização utilizado pelo legislador. Da análise dos documentos de fls. 131, 141/145 combinado com a análise das cópias do Diário/Razão anexadas às fls. 569/573, depreende-se que os lançamentos contábeis estão embasados em documentação idônea e possibilitam plenamente a identificação dos sócios. Em 12/11/2008 a DRJ apresentou recurso de oficio em face do valor exonerado e em 17/03/2010 a Recorrente apresentou suas razões ao recurso de oficio repisando os argumentos da fiscalização de que a dedução dos valores pagos a titulo de juros sobre o capital próprio depende do seu reconhecimento como despesa operacional financeira, inclusive contabilmente, nesse sentido a fim de demonstrar a natureza jurídica dos valores pagos a titulo de JCP trouxe a exposição de motivos da Lei n° 9.249/1995. Após demonstrar a natureza jurídica do pagamento de JCP como despesa operacional financeira, aduziu que essa só é dedutivel na apuração do lucro real se for reconhecida como despesa operacional financeira, nos termos do art. 17 do Decreto-Lei n° 1.598/1977. Que a forma de apuração adotada pela Recorrida excluiu do cálculo do lucro liquido o pagamento dos JCP, pois seguindo as orientações da CVM n° 207/1996, a Recorrida calculou os pagamentos de juros sem nada afetar o resultado do exercício e é justamente essa completa falta de influência sobre o resultado do exercício (lucro liquido) que torna a dedutibilidade do pagamento desses juros incoerente com o que determina o art. 17, § único do Decreto-Lei n° 1.598/1977. Que no caso em tela, os JCP possuem regime próprio de despesa operacional financeira, devendo assim ser deduzido na apuração do lucro real por meio do lucro liquido e não diretamente no LALUR. Que, em que pese, a Deliberação CVM n° 207/1996 não possua eficácia tributária, o seu item VIII ressalta que, para fins de atendimento As disposições tributárias, a empresa deve contabilizar esse pagamento como despesa financeira. Que ao contrário do que alegou a Recorrida em sua impugnação o art. 30 da IN da SRF n° 11/1996 possui embasamento legal no artigo 17, § único do Decreto-Lei n° 1.598/1977. Que no presente caso a autuação fiscal que glosou os lançamentos é irretocável, visto que a Recorrida não reconheceu os valores pagos a titulo de JCP corno despesa operacional financeira, não podendo esses serem deduzidos da apuração do lucro real. Processo n° 12963.000365/2008-09 SI-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.377 Fl. 7 Que a fiscalização ressaltou que a não-contabilização dos JCP como despesa operacional financeira acarretou a distorção do lucro liquido e consequentemente em prejuízo ao Erário. Quanto a falta de individualização dos beneficiários a procuradoria somente discorreu sobre os anos calendários de 2004 e 2005, tendo ressaltado que em relação ao ano calendário de 2003 os beneficiários foram individualizados. o relatório. 7 Processo n° 12963.000365/2008-09 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.377 Fl. 8 Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Por ser tempestivo e preencher os requisitos de admissibilidade admito o Recurso de Oficio e passo a análise das razões aduzidas. Versam os presentes autos sobre a glosa dos valores deduzidos indevidamente pela Recorrida nos anos calendários de 2003 a 2005 a titulo de pagamento de Juros sobre o Capital Próprio, sob o fundamento de que esses não observaram as condições legais para sua dedutibilidade, quais sejam, a falta de contabilização desses juros como despesa financeira e a falta de individualização dos beneficiários desses pagamentos na escrituração contábil da Recorrida, conforme a seguir. I) Quanto à escrituração dos JCP como condição de dedutibilidade: Segundo a fiscalização os juros sobre o capital próprio tem natureza jurídica de despesa financeira, e como tal deve ser registrado na contabilidade, sendo este registro requisito essencial para fins de dedutibilidade desses valores, nos termos do que dispõe o artigo 30 parágrafo único da IN SRF n° 11/96 combinada com o artigo 9° da Lei n°9.245/95. 0 art. 9° da Lei n° 9.249/95, faculta às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real (observado o regime de competência) que remunerem pessoas fisicas ou jurídicas a titulo de JCP, deduzirem tais valores para efeito de apuração do lucro real e também na apuração da base de cálculo da CSLL. Tais juros, pagos ou creditados individualmente, serão calculados sobre as contas do Patrimônio Liquido e limitados à variação, pró-rata dia, da TJLP, conforme a seguir transcrito: Art. 9° A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadaniente a titular, sócios ou acionistas, a titulo de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados a variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP. 5S' 1° 0 efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado 5 existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei no 9.430, de 1996) Assim, segundo se depreende da legislação acima citada, para haver dedutibilidade da despesa paga a titulo de JCP, a legislação faz apenas duas exigências: I) deliberação social pelo seu pagamento e, evidentemente, o seu pagamento; e II) existência de lucro ou lucro acumulado, no ano do pagamento, que supere em pelo menos duas vezes o montante dos JCP. Estando atendidas estas duas condições, poderá a empresa deduzir os valores pagos a titulo de JCP. 8 Processo n° 12963.000365/2008-09 SI-Cl T2 Acórdão n.° 1102-00.377 Fl. 9 Nesse sentido é o entendimento deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF, conforme se extrai de trechos do voto do relator Valmir Sandri, proferido nos autos do Acórdão no 101 -96.751, na sessão de 29 de maio de 2008, conforme a seguir transcrito: "(..) De plano, observe-se que o caput do artigo 9° da Lei n° 9.249/05 fala em dedução "para efeito do lucro real", tratando, pois, tão somente do aspecto fiscal para efeito da apuração do lucro real. As condições estipuladas para a dedutibilidade da despesa são: 1-Temporal: quando os juros forem pagos ou creditados individualizadamente; 2 - Quantitativo: os juros devem ser calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados ei variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo — TJLP. Estas são as duas condições estabelecidas para efeito de dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio; não liti outra. Respeitadas a condição temporal e quantitativa, os juros são totalmente dedutiveis. (..)" (grifamos) Ademais, não consta do artigo 9° e nos seus parágrafos qualquer regra que condicione o direito à dedução dos JCP A. sua contabilização como despesa em contas de resultado. Outrossim, cumpre esclarecer que a Lei n° 9.249/95 sequer chegou a regular a forma de contabilização dos JCP. A única regra que tratou dessa questão foi a IN SRF n° 11/96, que tem natureza de norma secundária, ou seja, tem função esclarecedora em relação à aplicação de comandos contidos em normas primárias, não podendo impedir ou restringir o exercício de um direito legal, qual seja, a dedutibilidade dos valores pagos a titulo de JCP. A jurisprudência é pacifica em relação à afirmativa de que a contabilidade não cria o fato, mas somente o registra, sendo irrelevante o titulo das contas contábeis para determinar o seu conteúdo, donde podemos concluir que não é porque a Recorrida deixou de registrar os JCP em contas de resultado, lançando-os diretamente a titulo de lucros acumulados que esses montantes deixaram de ser dedutiveis. Assim, não vejo razão na assertiva da fiscalização de que a falta de escrituração como despesa financeira dos valores pagos a titulo de JCP, configura falta de opção do contribuinte pela dedutibilidade desses valores, a fundamentar a glosa efetuada. Ademais, no caso em tela, importante se faz ressaltar que a Recorrida manifestou a sua opção pela dedutibilidade dos valores pagos a titulo de JCP por outros meios, como pelo lançamento contábil A. conta de lucros acumulados, pela exclusão desses valores no LALUR, bem como pelo registro existente na sua DIPJ. Cabe registrar, que em nenhum momento o Fisco comprova que a forma de contabilização da Recorrida causou prejuízo ao Erário. Caso o Fisco tivesse comprovado que a forma de contabilização adotada pela Recorrida efetivamente resultou em prejuízo ao Erário 9 Processo n° 12963.000365/2008-09 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.377 Fl. 10 este é que deveria ser autuado e não glosado os valores deduzidos a titulo de pagamento dos JCP. Por fim, importante se faz esclarecer que o Fisco sequer discute a efetividade dos pagamentos efetuados a titulo de JCP, tampouco questiona o fato de que os limites de dedutibilidade previstos no artigo 9° da Lei no 9.249/95 foram desatendidos, o que faz com esses sei am incontroversos. II) Quanto à falta de individualização dos beneficiários na escrituração da Recorrida como condição de dedutibilidade dos valores pagos a titulo de JCP: A segunda irregularidade apontada pela fiscalização diz respeito à falta de individualização contábil dos beneficiários dos pagamentos efetuados, que no seu entender também seria condição para a dedutibilidade dos JCP em questão, nos termos do artigo 1° da SRF n°41/1998. Ocorre que a própria fiscalização reconheceu que a Recorrida apresentou controles extra-contábeis onde individualizou cada beneficiário dos valores pagos a titulo de JCP, dentre esses podemos ressaltar os comprovantes de retenção do IRRF quando dos efetivos pagamentos aos seus acionistas. Assim, mesmo a fiscalização tendo à sua disposição todas as informações relativas aos efetivos beneficiários dos pagamentos em questão, esta se recusa a admitir a sua dedutibilidade em razão de tal individualização não constar na contabilidade, apegando-se ao formalismo contido na IN no 41/1998 em desrespeito ao principio da verdade material e das provas acostadas aos presentes autos. Ora se o artigo 9° da Lei n° 9.249/95 não condiciona a dedutibilidade dos valores pagos a titulo de JCP â. individualização contábil dos seus beneficiários, forçoso se faz concluir que a inobservância da regra prevista na referida IN não justifica a glosa "sub judice". Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Oficio, mantendo a decisão da DRJ que cancelou o auto de infração. como voto. JOÃO CARLOS D I JUNIOR
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Numero do processo: 36624.008022/2006-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 11/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 11/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 80 22 /2 00 6- 21 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Senpar Ltda., foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 1/20, para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, referente à responsabilidade solidária prevista no art. 30, VI da Lei n.º 8.212/1991, incidentes sobre as remunerações de empregados de empresa contratada Wellinton J. Torres, incluídas em notas fiscais/faturas de serviços emitidas por tal empresa para execução dos serviços, conforme relatório fiscal às fls. 19/20. A presente NFLD foi constituída em 02/08/2005 em substituição à NFLD 35.672.1159 anulada por vício formal em 14/06/2005. A Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 20600.250, que se encontra às fls. 169/178 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 Ementa: CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – RESPONSABILIDADE SOLIDARIA TOMADOR DE SERVIÇOS DE CONTRUÇÃO CIVIL – SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. ONUS DA TOMADORA DE SERVIÇOS. Conforme o art. 30, VI da Lei n° 8.212/1991, o proprietário, incorporador ou dono da obra não importa qual seja o tipo de contratação é solidário com o construtor pelo cumprimento das obrigações perante a previdência social. Recurso Voluntário Negado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Regularmente intimada do acórdão em 30/06/2009, a contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 190/194) requerendo o recebimento dos embargos em caráter infringente tendo em vista a edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante nº 8. Após a apresentação pela contribuinte dos referidos embargos de declaração a Receita Federal exarou o despacho de fls. 200/200v por meio do qual concluiu que o débito em discussão na NFLD objeto de impugnação não teria sido atingido pela decadência por tratarse de lançamento substitutivo ao lançamento original, anulado ante a existência de vício formal. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 36624.008022/200621 Acórdão n.º 9202003.066 CSRFT2 Fl. 7 3 Regularmente intimada do despacho, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 210/213 questionando a nulidade formal do lançamento por entender, no caso, a existência de erro material, razão pela qual deveria ser reconhecida a decadência do lançamento. Os embargos de declaração foram rejeitados conforme despacho de fls. 215/216 de 11/08/2010. Intimada do despacho dos embargos de declaração em 29/09/2010 (fl. 222), a contribuinte interpôs em 13/10/2010 o recurso especial de fls. 225/239, por meio do qual sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e outras decisões deste E. Colegiado no tocante à possibilidade de reconhecimento de ofício da decadência, em especial após o advento da Súmula Vinculante n.º 8 do Supremo Tribunal Federal, publicada em 20/06/2008. Ao recurso especial da contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho n.º 2400014/2011 de 18/01/2011 (fls. 296/297). Regularmente intimada do recurso especial interposto pela contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (fls. 300/319) suscitando em preliminar o não conhecimento ante a ausência de comprovação da divergência. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela contribuinte. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão de suposta divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 20215.458, 20215.929, 20308.077, 20217.913, 20311.669, 20178.275 e 20177.628. Tendo apresentado mais de dois acórdãos paradigmas, aplicase o disposto no art. 67, parágrafo 5º, do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência.” Dessa forma, considero os acórdãos nºs 20215.458, 20215.929 como paradigmas para fins de verificação da ocorrência de divergência. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Verifico, por oportuno, que o Recurso Especial interposto pela contribuinte pleiteia o reconhecimento da decadência com base no art. 173, inciso II do CTN, conforme se verifica da página 265 do recurso, in verbis: “Pois bem, da singela análise dos autos administrativos, mais especificamente do REFISC (Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito), ás fls. 01, no item 02, que o lançamento em epígrafe é referente ao período de 01/1999 a 01/1999. EIS AÍ, O TERMO INICIAL DO LAPSO TEMPORAL NECESSÁRIO A CONTAGEM DA OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA, como disposto no art. 173, II e único do CTN. Destarte, o lançamento fiscal foi consolidado em 02/08/2005. ESTE SERIA O TERMO INTERRUPTIVO DA DECADÊNCIA, como disposto no art. 173, II e § único do CTN. Ocorre que, entre a ocorrência do fato gerador (fato imponível) e o respectivo lançamento, TRANSCORREU UM LAPSO TEMPORAL DE 06 (SEIS) ANOS E 07 (SETE) MESES, ou seja, tempo suficiente para fulminar qualquer possibilidade de constituição de crédito, pois, eivada da mais clara e inequívoca decadência, nos termos do disposto no art. 173, II do CTN (05 anos).” Isto porque, no presente caso, conforme se verifica do despacho de fls. 222/224 e da petição da Recorrente de fls. 233/236, o lançamento ora combatido decorre de lançamento substitutivo (NFLD 35.842.4640) efetuado após a declaração de nulidade do lançamento original (NFLD 35.672.1159). No entanto, a fim de comprovar eventual divergência, a Recorrente trouxe aos autos paradigmas que determinam a aplicação da decadência com base no art. 150, parágrafo 4º. É o que se verifica das ementas abaixo: "NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA – RECONHECIMENTO DE OFÍCIO PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA Por força do principio da moralidade administrativa, em sendo a decadência hipótese de extinção da obrigação tributária principal, seu reconhecimento no processo deve ser feito de oficio, independentemente de pedido do interessado. (...) DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. A ausência de recolhimento ou a realização do depósito judicial não desnaturam o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não o recolhimento de tributo. Recurso provido." Fl. 351DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 36624.008022/200621 Acórdão n.º 9202003.066 CSRFT2 Fl. 8 5 (2º Conselho de Contribuintes – 2ª Câmara Processo 10945.007491/0031 Recurso 122.500 Acórdão 20215.458 Rel. Marcelo Marcondes MeyerKozlowski Seção 17/02/2004.) "PIS. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. Por força do principio da moralidade administrativa, em sendo a decadência hipótese de extinção da obrigação tributária principal, seu reconhecimento no processo deve ser feito de oficio, independentemente de pedido do interessado. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse h sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. O que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não o recolhimento de tributo. " (2º Conselho de Contribuintes – 2ª Câmara Processo 10768.012188/9716 Recurso 127.410 Acórdão 20215.929 Rel. Marcelo Marcondes MeyerKozlowski Seção 09/11/2004) A meu ver a situação fática objeto do presente processo (ocorrência de lançamento substitutivo ao lançamento original anulado por vício formal) diverge das situações analisadas pelos acórdãos paradigmas, como muito bem apontado pela Fazenda Nacional em preliminar de não conhecimento apresentada nas contrarrazões, cujos fundamentos adoto no presente voto: “Em primeiro lugar, todos os acórdãos citados pelo recorrente como paradigmas são anteriores ao advento da Súmula Vinculante n° 08 do STF. Foram proferidos em 2004, sendo o mais recente datado de 2007. Portanto, nenhum dos parâmetros de divergência indicados no recurso especial de fls. 225/239 reconheceu a decadência de oficio em razão do advento daquela Súmula Vinculante, tal como pleiteou o contribuinte. Em segundo lugar, o ponto mais importante e que torna clara e inquestionável a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas declinados. 0 acórdão recorrido trata de lançamento substitutivo em decorrência de nulidade de lançamento anterior por vicio formal, enquanto os acórdãos apontados estão assentados sob outras premissas fáticas. Analisada a matéria relativa a decadência, tal como era a pretensão do recorrente, mesmo que de oficio, com esteio na Súmula Vinculante n° 08 do STF ou não, o fato é que a conclusão do órgão julgador seria diversa daquela externada pelos órgãos julgadores dos paradigmas indicados no recurso especial de fls. 225/239. Essa conclusão seria diversa, porque a moldura fática dos casos confrontados é nitidamente diversa. O presente caso trata como já dito de lançamento derivado de outro formalizado anteriormente e anulado por vício formal, conforme consignado a fl. 16, às fls. 197/198 e ratificado nas contrarrazões Fl. 352DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 elaboradas pela Secretaria da Receita Previdenciária aos embargos de declaração apresentados pelo contribuinte e sobre as quais ele inclusive se manifestou (fls. 210/213), em oportunidade anterior.” De fato, enquanto nos casos apresentados como paradigma o relator dos respectivos acórdãos identificou claramente a ocorrência de decadência ante o exame da data do fato gerador em confronto com a data em que o contribuinte foi cientificado do lançamento, no presente caso eventual reconhecimento da decadência depende de análise da decisão que declarou a nulidade do lançamento original a fim de se verificar a natureza do vício – se material ou formal. Discussão essa que, a meu ver, não mais cabe nesta instância especial, posto que em momento algum do presente processo tais argumentos foram suscitados. Por fim, como se verifica do despacho de fls. 222/224, o lançamento não foi fundamentado no art. 45 da Lei 8.212/91, o que impede a aplicação ao caso da Súmula Vinculante n.º 8 do STF. Dessa forma, não restou comprovada nos autos a alegada divergência entre o v. acórdão recorrido e os paradigmas apresentados necessária para que seja conhecido o presente recurso especial. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO o recurso especial interposto pela contribuinte. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 353DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 14041.000210/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1996 a 30/09/1996
LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE.
A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade.
É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco a considerar a data inicial em que se torna definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado.
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente VIA ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1996 a 30/09/1996 LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco a considerar a data inicial em que se torna definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 10 /2 00 9- 72 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000210/200972 Acórdão n.º 2402003.914 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), referente ao período de 08/1996 a 09/1996. O Relatório Fiscal (fls. 20/28) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária entre os prestadores (e subempreiteiros) e o tomador de serviços por cessão de mãodeobra (Via Engenharia S/A), diante da ausência de recolhimentos pelos prestadores e em razão de o tomador não ter apresentado os documentos de elisão da responsabilidade solidária (folha de pagamento, GFIP, GRPS/GPS). Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD’s) n°s 35.019.6095 e 35.019.608 7. Essas notificações foram anuladas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por erro de fundamentação legal. A anulação das NFLD’s mencionadas foi cientificada à Via Engenharia S/A a partir de 18/02/2004, de forma, que, considerando o disposto no artigo 173, II, do CTN, a Fazendo Pública pode constituir o crédito em epígrafe em até 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. As NFLD’s foram julgadas nulas por erro de fundamentação legal, já que estavam amparadas somente no artigo 30, VI da Lei 8.212/91, e deveriam, no caso de solidariedade de subempreitada, estar fundamentadas também no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque o artigo 30, VI, da Lei 8.212/91, à época do período lançado, não tratava de subempreitada, tratando apenas de cessão de mãodeobra. Assim, para aquela parcela do débito, a fundamentação legal seria a aplicação da solidariedade em razão da existência de interesse em comum na situação que constitui o fato gerador, prevista no artigo 124,1, do CTN. Nas NFLD’s substituídas consta planilha, na qual foram relacionados os pagamentos de faturas/notas fiscais de prestadores de serviço de mãodeobra e subempreiteiras, contendo informações referentes a data do pagamento, conta em que foi efetuado o lançamento, centro de custo, valor da nota fiscal/fatura, observações sobre o serviço prestado, número da nota fiscal/fatura, prestador de serviço/CNPJ, percentual aplicado sobre o valor da nota fiscal, salário de contribuição apurado, abatimento de eventuais salários de contribuição contidos em guias apresentadas e salário de contribuição do débito apurado. Em análise dos contacorrentes dos prestadores de serviços, verificouse que a maior parte não apresentava recolhimentos compatíveis com os serviços prestados e outros sequer apresentavam recolhimento. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Não foram incluídos para efeito de aferição indireta os prestadores de serviços que apresentaram recolhimento compatível com os valores das notas fiscais/faturas, desde que a natureza dos mesmos permitia a apresentação de uma guia de recolhimento genérica com recolhimento englobado no CGC/CNPJ, e os prestadores de serviços que, mesmo tendo apresentado guia de recolhimento com valor inferior ao previsto, apresentaram declaração de contabilidade firmada pelo responsável pela empresa e pelo contador. Por fim, foram abatidos do débito os recolhimentos efetuados por aqueles prestadores que apresentaram recolhimentos inferiores e não houve apresentação de declaração de contabilidade. Na substituição dos débitos anulados, foram excluídos os períodos em que as prestadoras de serviço eram optantes pelo SIMPLES e os levantamentos atinentes a prestadores de serviço que, no período, tiveram seus débitos incluídos no REFIS. Portanto, diante da não elisão da responsabilidade solidária, o presente débito foi apurado por aferição indireta, sendo que o salário de contribuição foi calculado aplicando percentuais sobre os valores das notas fiscais/faturas, conforme detalhado nas planilhas anexadas pela autoridade fiscal. No caso, o arbitramento pelo faturamento para apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, na hipótese de fiscalização de prestadores de serviços mediante cessão de mãodeobra, está previsto no artigo 33 da Lei 8.212/91. O procedimento previsto no diploma legal foi detalhado, na época do lançamento, na OS/INSS/DAF n° 176/1997 e, antes, pela OS/INSS/DAF n° 83/1993. Para o período anterior a vigência da Lei 9.528/97, a solidariedade de débitos de subempreiteiros está fundamentada no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. A partir da Lei 9.528/97, o fundamento legal da solidariedade de débitos de subempreiteiros passa a ser o artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91. Em relação à solidariedade de débitos de empresas contratantes de serviços por cessão de mãodeobra, seu fundamento legal, para os fatos geradores ocorridos até 01/1999, é o artigo 31 da Lei 8.212/91. Consta o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 29/30), cientificado em 12/02/2009 ao sujeito passivo solidário APARECIDO MONTEIRO DE LIMA ME, CNPJ 01.175.457/000108, conforme documento de fls. 31, juntamente com o Auto de Infração sob comento. Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 18/02/2009 (fls. 01 e 03), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 34/58) – acompanhada dos anexos de fls. 59/63 –, alegando, em síntese, que: 1. no presente caso, aplicase a Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a qual são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91; 2. as decisões que anularam as NFLD’s anteriores por vício formal se tornaram definitivas em 31 de outubro de 2003, uma vez que da decisão não cabiam mais recursos. Assim, as decisões de nulidade se tornaram definitivas nas datas em que foram prolatadas, visto serem irrecorríveis, conforme informa a carta de ciência enviada ao Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000210/200972 Acórdão n.º 2402003.914 S2C4T2 Fl. 4 5 impugnante em fevereiro de 2004. Como não cabiam mais recursos dos acórdãos, eles se tornaram definitivas na data em que foram proferidos, 31/10/2003, de forma que o prazo para substituição das NFLD’s esgotouse em 30 de outubro de 2008; 3. os fatos geradores ocorreram no período de 1996 a 1999 e que as NFLD’s anuladas foram lançadas apenas contra o devedor solidário e não contra o contribuinte. Dessa forma, não pode haver lançamento contra o contribuinte relativo a período superior, ao período de 5 anos. Se o crédito não pode ser constituído contra o contribuinte, não há solidariedade a ser exigida no presente caso; 4. não é possível a aferição indireta contra a impugnante, uma vez que sua contabilidade é regular e não há, no caso, pela legislação em vigor ao tempo dos fatos geradores, solidariedade em obrigação acessória; 5. não pode haver cobrança de multa contra devedor solidário;. As NFLD’s anteriores foram anuladas por vício formal, e que, portanto, deveriam ser substituídas em 5 anos contados da data em que se tomaram definitivas as decisões de nulidade; 6. as decisões de nulidade se tornaram definitivas na data em que foram prolatadas, e não na data da ciência ao contribuinte, pois que, das mesmas, não cabiam mais recursos, conforme exposto na carta de intimação enviada ao contribuinte. Como as decisões foram proferidas em 31 de outubro de 2003, a contagem do prazo previsto no inciso II do artigo 173 do CTN deve ser iniciada nesta data; 7. como o presente auto de infração foi lançado em 3 de fevereiro de 2009, neste momento o crédito já havia decaído. Os créditos encontramse decaídos, também, em razão da ausência de lançamento, até a data de 3 de fevereiro de 2009, em relação ao contribuinte do tributo; 8. não possui o credor solidário a obrigação de manter em sua contabilidade as folhas de pagamento ou registro de documentos relativos a funcionários das empresas que contrata. O artigo 148 do CTN limita o cálculo do tributo por arbitramento para o caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos que não mereçam fé, o que não é o caso dos autos. O arbitramento só pode ser utilizado mediante a desclassificação de documentos ou da contabilidade da empresa, o que não foi feito no presente caso; 9. é incabível a cobrança de multa, que possui caráter punitivo, e não moratório, a qual deve ser imposta ao contribuinte, conforme decisões judiciais citadas; 10. requer seja o lançamento julgado nulo, reconhecendose a decadência do crédito, por ter sido lançado depois de decorridos 5 anos da decisão que anulou o lançamento anterior, por ter decaído o crédito em relação ao contribuinte, inexistindo obrigação tributária; e também Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 seja declarado nulo o lançamento em razão da impossibilidade de utilização da aferição indireta assim como seja declarada nula a cobrança da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0334.984 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 67/68) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 81/90), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 91/92). É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000210/200972 Acórdão n.º 2402003.914 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente deixou de pagar as contribuições previdenciárias referentes às competências 08/1996 a 09/1996. No presente caso, ocorreu um novo lançamento em decorrência de ter sido anulado o lançamento fiscal anterior por conter vício formal, este foi veiculado por meio das NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Assim, a regra prevista no art. 173, II, do Código Tributário Nacional (CTN) concede ao Fisco um prazo de 5 (cinco) anos, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulada o lançamento anterior, para que o crédito seja constituído por meio de lançamento substitutivo. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Cumpre esclarecer que, para o lançamento de ofício, o crédito tributário é considerado definitivamente constituído com a regular ciência da decisão definitiva, momento em que não pode mais o lançamento ser contestado na esfera da Administração. Observase que a definitividade das decisões que anularam as NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087 deverá levar em consideração a regra estampada no artigo 42 do Decreto 70.235/1972, Lei do Processo Administrativo Fiscal (PAF), in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; (g.n.) III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Dessa regra estatuída acima, percebese que as decisões de segunda instância das quais não caibam mais recursos, ou transcorrido o prazo de sua interposição, são definitivas. Com isso, a partir do momento em que não for mais cabível qualquer recurso ou tendo ocorrido o exaurimento das vias recursais, as decisões de segunda instância no âmbito do processo administrativo federal transitam em julgado e geram a coisa julgada formal administrativa, que é o impedimento de modificação da decisão por qualquer meio processual dentro do processo em que foi proferida, também chamada de preclusão máxima administrativa. Essas decisões são atos administrativos, e, portanto, estão sujeitas aos princípios e atributos inerentes ao regime jurídico público administrativo, seja em relação aos seus efeitos, seja em relação à sua validade. Nos termos do artigo 37 da Constituição Federal, constatase que o princípio da publicidade deverá ser observado por toda a Administração Pública, incluindo a Administração Tributária. A Lei 9.784/1999, diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, explicita como critério de observância obrigatória a “divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição” (art. 2o, parágrafo único, inciso V). Ainda nos termos dos artigos 26 e 28 dessa Lei 9.784/1999, a intimação de decisões proferidas no âmbito administrativo tributário é obrigatória e será realizada pelo órgão competente em que tramita o processo administrativo. Lei 9.784/1999: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. ......................................................................................................... Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. O art. 23 do Decreto 70.235/1972 prevê como modalidades de intimação das decisões proferidas no âmbito do contencioso administrativo tributário a pessoal, por via postal e por meio eletrônico. E, essas modalidades de intimação são materializadas ou realizadas no momento em que ocorrer a ciência do sujeito passivo, nos termos do parágrafo 2° desse mesmo artigo retromencionado. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000210/200972 Acórdão n.º 2402003.914 S2C4T2 Fl. 6 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)Art. 23. Farseá a intimação: (...) (g.n.) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) No mesmo sentido dispunha o art. 34 da Portaria MPS no 520/2004 que a intimação dos atos processuais seria realizada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. Portaria MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL MPS nº 520 de 19.05.2004, publicada no D.O.U.: 20.05.2004 Das Intimações Art. 34. A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Nesse contexto, as decisões proferidas em processo administrativo, tributários ou não, têm a publicidade como um requisito de validade e de produção de seus efeitos. A rigor, não se pode dizer sequer que o ato administrativo já esteja inteiramente formado (perfeito) enquanto não ocorrer a sua publicidade prevista na lei, que no presente caso será no momento em que o sujeito passivo tomar ciência da decisão proferida pela Corte Administrativa (na época o Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS). Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000210/200972 Acórdão n.º 2402003.914 S2C4T2 Fl. 7 11 Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. O lançamento fiscal deve ser convincentemente motivado – de forma concisa, clara e congruente –, indicando, com base nos elementos da escrituração contábil ou outros elementos fáticos, a existência da materialidade do lançamento fiscal. A auditoria fiscal não deverá se basear em raciocínio jurídico incorreto para realizar o lançamento fiscal, mas resultar de fatos concretos encontrados durante a auditoria fiscal e aplicação da legislação pertinente. No caso concreto, faltou a configuração a data do termo inicial para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal, já que se tratava de lançamento substitutivo. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática e jurídica. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000210/200972 Acórdão n.º 2402003.914 S2C4T2 Fl. 8 13 Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco no Relatório Fiscal um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10580.011821/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1999 a 31/08/2003
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REMISSÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Há que se declarar extinto o litígio, com a consequente perda de objeto da ação, quando a Receita Federal dá remissão integral do débito tributário da contribuinte.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3202-001.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1999 a 31/08/2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REMISSÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Há que se declarar extinto o litígio, com a consequente perda de objeto da ação, quando a Receita Federal dá remissão integral do débito tributário da contribuinte. Recurso Voluntário não conhecido
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FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente PROMEDICA PATRIMONIAL S/A PROPAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1999 a 31/08/2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REMISSÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Há que se declarar extinto o litígio, com a consequente perda de objeto da ação, quando a Receita Federal dá remissão integral do débito tributário da contribuinte. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 18 21 /2 00 3- 01 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 “Tratase de Auto de Infração (lis. 04/08 e 19/25) que pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social —PIS. No item 001 do Auto de Infração, o autuante informa à folha 05 ter constatado divergências entre a contribuição apurada a partir da escrituração comercial da empresa e os valores declarados e/ou pagos à SRF, conforme "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" (fls. 09/13). No item 002 foi lançada de ofício a contribuição para o PIS apurada pela sistemática não cumulativa. As bases de cálculo do lançamento, com as respectivas contas do livro Razão e balancetes (fls. 32/100), estão informadas no demonstrativo às folhas 14/18. Informa ainda o autuante que adotou como receita bruta a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade exercida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada, sendo permitidas somente as exclusões previstas no art. 3°, § 2° da Lei n° 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 2° da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Cientificada do lançamento em 27/11/2003 (fl. 04), a contribuinte apresenta em 26/12/2003 a impugnação de fls. 111/118, alegando, em síntese: • Nos meses de junho e novembro de 2002, o autuante não deduziu valores retidos nas faturas emitidas contra o cliente Banco Central do Brasil, conforme comprovante de retenção à folha 139, c, muito embora as retenções tenham ocorrido nos meses de janeiro, maio, setembro e outubro de 2002, a empresa somente as compensou em junho e novembro de 2002; • Em relação ao período de dezembro de 2002 a setembro de 2003, o autuante incluiu indevidamente na base de cálculo do PIS o crédito do PIS nãocumulativo, previsto na Lei n° 10.637, de 2002, contabilizado na conta de recuperação de despesas mas que não constitui receita bruta da empresa; • A parcela incontroversa da contribuição para o PIS foi recolhida pela contribuinte, acrescida de juros SELIC e multa de oficio reduzida em 50% (fls. 140/141). A DRJSalvador/BA julgou procedente em parte o lançamento (efls. 177/181), exonerando a contribuinte do lançamento relativo ao período de janeiro a agosto de 2003, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIN/PASEP • Período de apuração: 31/01/1999 a 31(05/1999,01/01/2000 a 31/01/2000, 31112/2000 a 30/11/2002, 31/01/2003 a 28/02/2003, 30/04/2003 a 31/05/2003, 31/07/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. PROVAS. A compensação é opção do contribuinte, e o fato deste ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de ofício relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado ter exercido a compensação antes do inicio do procedimento administrativo. A impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lançamento Procedente em Parte Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.011821/200301 Acórdão n.º 3202001.140 S3C2T2 Fl. 245 3 Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 192/195), alegando, em síntese: que devem ser deduzidos os valores devidos retidos na faturas emitidas contra o cliente Banco Central do Brasil, conforme comprovante anual de retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP ano calendário 2002 (fl. 187); que a referida compensação está consubstanciada nos livros contábeis da empresa, quais sejam, os livros diário e razão (fls.188/192), aceitos em toda jurisprudência fiscal e administrativa, bem como no informe do Banco Central do Brasil; e que não cabe ao contribuinte informar em DCTF o valor compensado; e que, inclusive, o valor compensado não é informado em lugar algum pela fonte recebedora. A fonte pagadora é quem deve informar, na DIRF, o valor retido e na DCTF, o valor pago. Se a fonte pagadora não presta tais informações, não cabe à fonte recebedora nenhuma responsabilidade quanto a isso. Ao final, requereu fosse aceita a compensação do valor retido pelo Banco Central no cálculo do PIS em relação aos meses impugnados. Em sessão realizada em 05/05/2011, por meio da Resolução nº. 3202 000.029, esta Turma julgadora decidiu converter o julgamento em diligência (efls. 211/214), para que fosse verificada a existência ou não do crédito alegado, à luz da documentação juntada aos autos pela contribuinte, procedendose a verificação do efetivo pagamento do PIS/PASEP em relação aos fatos geradores ocorridos em fevereiro e novembro de 2002, bem como fosse informado se os créditos teriam sido utilizados anteriormente, total ou parcialmente. Efetuada a diligência requerida, retornam os autos a este Colegiado para proceder ao julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Trata a lide de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte já identificada para exigência da contribuição para o PIS/PASEP resultante de diferenças apuradas pela Fiscalização ao efetuar o confronto do PIS apurado sobre receitas contabilizadas no livro Diário da contribuinte e valores declarados de PIS a pagar nas DCTF entregues pela autuada. Após proferida decisão administrativa de primeira instância, restaram controvertidos apenas os valores lançados de ofício referentes aos meses de junho e novembro de 2002, de forma que o litígio subsistiu no valor original de R$ 399,87, conforme se vê quadro demonstrativo constante da decisão da DRJ (efls. 180/181). Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Em sede de recurso, a querelante alegou que os valores remanescentes tinham sido retidos na fonte e não foram considerados no momento da lavratura do Auto de Infração. Em diligência requerida por esta Turma julgadora, verificou a DRF que, de fato, cabia razão à contribuinte em sua alegação (efl. 231). Confirase: “ 04 Em atendimento ao Termo lavrado, o contribuinte apresentou os documentos solicitados. Da análise da escrituração contábil, verificase na conta 1.2.3.3.1.02.004 – Pis Retido s/ Órgãos Públicos, lançamentos de compensação no dia 30/06/2002, no valor de R$ 93,56, e no dia 30/11/2002, no valor de R$ 385,86, conforme indicado pelo contribuinte. 05 Constatase que tais valores não foram compensados com os valores devidos em cada mês na lavratura do Auto de Infração, restando razão ao contribuinte quando o mesmo alega que tais valores não foram compensados pela autoridade autuante” (negrito não constante do original) Por outro lado, observase que o processo foi encerrado pela DRFSalvador, por aplicação da remissão prevista no art. 14 da MP 449/2008, conforme se verifica dos extratos constantes às efls. 237/238, bem como da informação constante do Despacho SECAT/DRF nº. 2.392/2013 (efl. 239). Por tal razão, a Fazenda Nacional solicitou o arquivamento dos autos (efls. 241/242). Assim, diante da remissão do débito determinada pelo próprio órgão da Receita Federal do Brasil, não há como prosseguir na cobrança do crédito tributário, vez que este já se encontra extinto, na forma do art. 156, inciso IV, do CTN, importando, como decorrência, na extinção do litígio anteriormente instaurado, tendo, por conseguinte, o apelo voluntário perdido o seu objeto. Pelo exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO, por perda de objeto, declarandose extinto o litígio. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10970.000561/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
ATIVIDADE RURAL. RECEITAS OMITIDAS APURADAS.
Para prevalecer a infração de omissão de receita da atividade rural, a autoridade fiscal deverá demonstrar de forma inequívoca o auferimento da receita. O fato de o contribuinte deixar de comprovar a origem de depósitos bancários e de o mesmo somente ter rendimentos declarados da atividade rural não autoriza a presunção de que os depósitos não comprovados sejam receita da atividade rural, sendo certo que se Fisco abre mão da presunção legal, inverte o ônus da prova.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-002.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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RECEITAS OMITIDAS APURADAS. Para prevalecer a infração de omissão de receita da atividade rural, a autoridade fiscal deverá demonstrar de forma inequívoca o auferimento da receita. O fato de o contribuinte deixar de comprovar a origem de depósitos bancários e de o mesmo somente ter rendimentos declarados da atividade rural não autoriza a presunção de que os depósitos não comprovados sejam receita da atividade rural, sendo certo que se Fisco abre mão da presunção legal, inverte o ônus da prova. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 05 61 /2 00 8- 51 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 19/11/2008 (fls. 03/07), contra o contribuinte acima qualificado, relativa ao AnoCalendário 2005, Exercício 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 16.179,07, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 19/11/2008. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” à fl. 05, o Fisco em procedimento de verificação das obrigações tributárias pelo contribuinte, apurou Omissão de Rendimentos da Atividade Rural. Consta do “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 08/10, que: “Em 06/02/2008, o contribuinte foi intimado a : 1 – Apresentar extratos bancários de contacorrente, de aplicações financeiras e de cadernetas de poupança que deram origem à movimentação financeira efetuada no período de 01/01/2005 a 31/12/2005, nas instituições financeiras a seguir relacionadas: a. BANCO DO BRASIL S/A b. HSBC BANK BRASIL S/A c. BANCO ABN AMRO REAL S/A d. BANCO CITIBANK S/A e. BANCO ITAUBANK S/A f. BANCO BRADESCO S/A 2 – Apresentar livro caixa da atividade rural relativo ao ano base 2005, bem como a documentação que comprova a receita declarada da atividade rural.” Após reintimado em 31/03/2008, apresenta em 04/04/2008 o "Livro caixa de atividade Rural" e parte de extratos bancários, inclusive incompletos com alegações de ordem jurídicas e diversas, tais como: "Banco HSBC o notificado esclarece que, não tem extratos do ano de 2005..." pois os mesmos, segundo ele, foram acostados a "autos" judiciais ( fls. 29/32). Para dar cabo ao respectivo mandado de procedimento fiscal, procedeu a "RMF Requisição de Movimentação Financeira" às mencionadas instituições bancárias, conforme doc. Fls. 33 a 35/36 a 147. Uma vez atendida pelas instituições bancárias requisitadas, procedeuse a análise dos "Créditos em conta corrente bancárias, dando origem a intimação datada de 19/08/2008 com o seguinte teor ( doc. fls. 148 a 165): [...] Em 29/09/2008 o contribuinte apresenta resposta à intimação acima mencionada, inclusive, observando que o quadro elaborado pelo fisco consta "Anocalendário de 2003", doc. fls Fl. 268DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10970.000561/200851 Acórdão n.º 2102002.920 S2C1T2 Fl. 268 3 166, como de fato constou indevidamente o ano de 2003, resultando tão somente em erro de digitação, pois os relatórios que deram origem ao referenciado, têm como certo a data de movimentação bancária o ano de 2005, inclusive "datado diariamente. Após análise das justificativas apresentadas pelo contribuinte elaborouse o "QUADRO DEMONSTRATIVO DE VALORES COMPROVADOS E NÃO COMPROVADOS APÓS INTIMAÇÃO", doc. fls. 11, o qual se resume em, de um lado, as "Justificativas do contribuinte" e do outro a "análise fiscal", resultando em "Comprovado" ou "Não comprovado mediante documentação". Dele, originou o relatório de "CRÉDITO EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA MENSAL NÃO COMPROVADOS", doc, fls. 12 a 15, base de cálculo do IRPF. Na justificativa do contribuinte, doc. fls 169 há as seguintes notas: "1) As receitas brutas advindas da atividade rural foram lançadas 50% em minha declaração de I.R e 50% na declaração de minha esposa Anna Carolina; 2) As contas correntes 57.63.67.02 do Boston e a 0531.1868259 do HSBC são contas correntes conjunta com a minha esposa Ana Carolina, inclusive os limites de Crédito". De fato, o casal apresentou DIRPF em separado (doc. fls 17 a 23). A única fonte de rendimentos informada pelos cônjuges são receitas da Atividade Rural, apropriadas em montantes iguais nas respectivas declarações (50% para cada um), daí inferese que tais receitas são produzidas pelos bens comuns do casal. [...] Muito embora o contribuinte não tenha comprovado as origens dos depósitos, todos os fatos verificados durante o procedimento fiscal levaram a conclusão de que a atividade do contribuinte foi exclusivamente rural, pois a própria declaração de ajuste anual, referente ao ano de 2005, corrobora a afirmativa, constando registros apenas de resultados da atividade rural e declarações de imóveis rurais. [...]” Irresignado com o Lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou Impugnação em 23/12/2008 (fls. 182/189), instruída com os documentos de fls. 190 e seguintes. Inicialmente faz um “Breve Escorço dos Fatos” ocorridos durante a fase de fiscalização, salientando, em síntese e dentre outros aspectos, que devidamente intimado apresentou no prazo legal os documentos solicitados, entre eles extratos bancários de que era detentor, contrato de parceria pecuária, bem como esclarecimentos devidos, que, por sua vez, sequer foram analisados pela administração fazendária. No mérito o interessado aponta um erro material cometido pelo HSBC BANK BRASIL S/A no registro dos lançamentos efetuados nos dias 07/03/2005 e 11/03/2005. sob o histórico de "TRAXS CX AUTOMÁTICO", nos valores respectivos de R$ 35.000.00 e R$ 2.400.00, na conta corrente 0531;1868259 de titularidade conjunta do contribuinte e sua cônjuge Anna Carolina Ribeiro e Souza Moleirinho. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Diz que os valores acima mencionados referemse, na verdade, a utilização de CDC — credito bancário direto ao consumidor, e que a instituição bancária foi informada do erro retificando o histórico dos lançamentos. Dessa forma, acresce que os valores de empréstimos constantes da conta corrente são devidos em virtude da atividade rural desenvolvida, sua única fonte de renda, não havendo aferição de renda/acréscimo patrimonial. O interessado cita as disposições contidas no artigo 62, caput e parágrafo 12 do RIR/99, bem como o disposto no art. 43 do Código Tributário Nacional CTN, destacando o conceito de renda definido pelo CTN, assim como na doutrina, e conclui que não pode haver incidência do imposto de renda sobre os valores dos empréstimos bancários por ele recebidos. No caso ressalta que o imposto de renda incidirá àquele que emprestou o dinheiro. Ademais, torna a frisar que não há como incidir o imposto de renda sobre o passivo, pois não constitui este renda, acréscimo patrimonial, e tampouco disponibilidade econômica ou jurídica. Quanto ao Lançamento Banco Real diz que foi lançado (folha 154, último item), como renda em 01/12/2005 transferência para cobrança judicial "TRF. COB. JUD1C", no valor de R$ 25.960,80. Contesta o contribuinte veementemente a tributação de tal valor pelo auditor fiscal, dada a clareza dos fatos e dos lançamentos contábeis efetuados pela instituição financeira. No tópico “Do Contrato de Parceria”, contesta o interessado a não aceitação pela autoridade lançadora dos valores relativos ao adiantamento do contrato de parceria com a Agropecuária Santa Inês. Informa que o contrato que rege a relação jurídica existente foi acostado nas fls. 167/168 dos autos. Salienta o contribuinte que o contrato de parceria, diferentemente do contrato de arrendamento, é um contrato de risco, visto que o parceiro proprietário estará sujeito aos riscos da atividade, assim, sua parte nos frutos, se houver, será considerada como receita da atividade rural, conforme o disposto na legislação tributaria (art. 59 do RIR/99). Por fim, ressalta o impugnante a aplicação in casu do disposto no § 2º do art. 60 do RIR/99. Apresenta, por fim suas conclusões e requerimentos, na mesma linha dos argumentos trazidos na peça impugnatória, solicitando, ainda, a concessão de redução da multa de oficio, após o deferimento de seu pleito, nos percentuais ali indicados. Em 24 de dezembro de 2008 o interessado apresenta aditamento a impugnação (fls. 150/151). nos seguintes termos: “Cabe esclarecer que, fica impugnado todos os lançamentos e números apresentados, como também os documentos juntados sem o prévio conhecimento do contribuinte, pois os dados acostados referemse a números e lançamentos que estão sendo discutidos judicialmente em ações ajuizadas em face dos Bancos pelo titular da contacorrente dos quais foram coletadas as informações sem prévio conhecimento do contribuinte. As ações revisionais judiciais foram ajuizadas muito antes do início do termo de verificação fiscal pelo esposo da contribuinte, que são: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10970.000561/200851 Acórdão n.º 2102002.920 S2C1T2 Fl. 269 5 070.205.256.9101 BANCO REAL – 2ª Vara Cível 0702.06.275.5997 BANCO HSBC – 4ª Vara Cível 0702.06.266.8406 BANK BOSTON 1TAÚ – 9ª Vara Civel Todas em trâmite na Comarca de Uberlândia, estão em fase de perícia judicial, justamente pelo fato do esposo da ora Contribuinte ter discordado de vários lançamentos indevidos feitos pelos Bancos. Destarte, se a própria conta corrente do contribuinte nestes bancos esta sub judice e extremamente temerário algum lançamento de imposto pela receita federal sobre lançamentos que estão sendo questionados judicialmente e muito anterior ao inicio do termo de verificação fiscal. Portanto, fica impugnado todos os lançamentos e números, extratos bancários juntados sem o prévio conhecimento do contribuinte, para que os mesmos sejam analisados posteriormente por perito, tendo em vista as ações judiciais em tramite. Protesta por todos os meios de provas admitidos em direito, principalmente pela apresentação de contra prova pericial e pela juntada de novos documentos.” A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme excertos transcritos abaixo: “[...]O contribuinte apontou a existência de várias ações revisionais judiciais ajuizadas antes do início da fiscalização, no Banco Real Banco HSBC e BANK BOSTON/ITAÚ. As provas apresentadas, juntadas às fls. 195/204, são extratos de consultas de andamento processual efetuadas no sítio do TJMG, de processos ajuizados pelo contribuinte, conforme mencionado em sua peça impugnatória. Todavia, os documentos anexados são insuficientes para afastar o lançamento tributário. Na falta de elementos adicionais, como por exemplo, a petição inicial, e/ou outros documentos extraídos dos processos judiciais que pudessem confirmar, expressamente, que os créditos bancários efetuados nas contas mantidas pelo cônjuge em conjunto com a interessada, que foram considerados receitas omitidas pela autoridade fiscal, estavam sendo objeto do questionamento judicial, deve prosseguir o processo administrativo tributário. [...] Reitero que os questionamentos fiscais são dos créditos efetuados nas contas bancárias do interessado no ano de 2005. Se houve crédito bancário advindo de ganho obtido em processo judicial, em decorrência de ações revisionais movidas pelo impugnante contra as instituições bancárias, esse crédito poderia ser rendimento tributável, sujeito à tabela progressiva anual, assim como se tratar de rendimento isento ou não Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 tributável e/ou tributável exclusivamente na fonte, cabendo ao interessado trazer tal prova. [...] Concluindo, na hipótese da existência de créditos bancários efetuados nas contas do interessado com origem em ganhos obtidos em processos judiciais ainda em trânsito, deveria o contribuinte trazer aos autos tais provas, para que pudesse ser analisada a natureza dos rendimentos já auferidos, se tributáveis ou não, e no caso da existência de concomitância das matérias, seria aguardada a decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário. Pelos elementos até aqui acostados nos autos não há motivos que impeçam o curso do processo administrativo tributário. [...]Quanto ao MÉRITO o interessado aponta um erro material cometido pelo HSBC BANK BRASIL S/A, no registro dos lançamentos efetuados nos dias 07/03/2005 e 11/03/2005 sob o histórico de "TRANS CX AUTOMÁTICO", nos valores respectivos de R$ 35.000.00 e R$ 2.400.00 na conta corrente 0531:1868259 de titularidade conjunta do contribuinte e seu cônjuge. Diz que os valores acima mencionados referemse, na verdade, a utilização de CDC credito bancário direto ao consumidor, e que a instituição bancária foi informada do erro retificando o histórico dos lançamentos. É certo que as importâncias correspondentes aos financiamentos ou empréstimos obtidos são consideradas recursos no ano em que forem recebidas e declaradas pelo valor contratado na ficha Dívidas Vinculadas à Atividade Rural do Demonstrativo da Atividade Rural. Não há dúvida também, que tais créditos, com origem comprovada em empréstimos bancários junto às respectivas instituições financeiras não podem ser tributados como receitas da atividade rural. Todavia, não foram juntados aos autos, até a presente data, documentação comprovando o possível erro cometido pela instituição financeira no histórico dos lançamentos ora questionados, pelo que não pode o lançamento ser reformado sem a apresentação da necessária prova. [...] Afirma que foi lançado como renda em 01/12/2005 transferência para cobrança judicial "TRF. COB. JUDIC", no valor de R$ 25.960,80. o que considera uma aberração fiscal, dada a clareza e natureza dos fatos. Não vejo nenhuma anomalia no procedimento fiscal. Primeiro porque se trata de lançamento de crédito bancário na conta do interessado, como pode ser visto no extrato do Banco Real (fl. 98). Ao contrário do afirmado pelo interessado a autoridade fiscal não tributou dívidas bancárias em nome do interessado. Pareceme que o contribuinte tem fortes dúvidas quanto à natureza dos lançamentos contábeis efetuados pela instituição bancária, e quer fazer crer que houve erro por parte do fisco. [...] Como visto no próprio extrato do Banco Real (fl. 98). a importância de R$ 25.960.80 referese a crédito efetuado na conta do interessado com o histórico '"TRF. COB. JUDIC". Bastaria o contribuinte provar, então, que o crédito, decorrente Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10970.000561/200851 Acórdão n.º 2102002.920 S2C1T2 Fl. 270 7 de verba recebida judicialmente, tem origem em operação isenta, não tributada, tributada exclusivamente na fonte ou já devidamente tributada como rendimento da atividade rural. Nessa hipótese, o lançamento seria revisto para exclusão de tal valor da tributação, na mesma linha do entendimento exposto inicialmente no Voto. No último tópico da defesa o interessado aborda sobre o CONTRATO DE PARCERIA. Contesta o impugnante a não aceitação pela autoridade lançadora dos valores relativos ao adiantamento do contrato de parceria com a Agropecuária Santa Inês. Informa que o contrato que rege a relação jurídica existente foi acostado nas fls. 167/168 dos autos. [...] No caso, além da apresentação do Contrato de Parceria Pecuária juntado ao processo, digo de passagem, em momento algum contestado pela autoridade lançadora, deveria o interessado trazer elementos comprovando que os créditos bancários no montante de R$ 56.000.00 tiveram origem em adiantamentos dessa parceria. A parceria firmada teve início em 01/07/2005 com término cm 31/12/2005. No final da parceria o contribuinte e os parceiros na exploração de atividade rural deveriam apurar o resultado, separadamente, na proporção das receitas e despesas que coubesse a cada um (Decreto n" 59.566. de 1966; RIR/1999, art. 59). Se foram adiantados valores ao interessado pela Agropecuária Santa Inês Ltda. à vista do contrato de parceira pecuária firmada, deveria o impugnante apresentar a documentação comprobatória, além do contrato, para análise do seu pleito. Considerando que a parceria foi encerrada em 31/12/2005 seria possível demonstrar o resultado da parceria, e os reflexos tributários do adiantamento efetuado. Todavia, limitouse o defendente a apresentar apenas o Contrato de Parceria Pecuária, o que é insuficiente para provar que os valores creditados em conta têm origem na parceria, e que as importâncias foram devidamente tributadas. [...] O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0935.243 da 6ª Turma da DRJ/JFA em 22/07/2011 (fl. 254). Sobreveio Recurso Voluntário em 22/08/2011 (fls. 255/262), desacompanhado de documentos, que reprisou as alegações da impugnação, sem acrescentar razões no mérito. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Preliminarmente, no que concerne a alegação do interessado de que existem ações judiciais tramitando contra o Banco Real, Banco HSBC e BANK BOSTON/ITAÚ, e que estas foram ajuizadas antes do início da fiscalização, dá análise dos autos, vislumbrase que foram acostados tão somente cópia dos andamentos processuais (fls. 195/204), os quais não fazem prova de que os valores discutidos naqueles processos guardam relação com o presente lançamento. Inclusive, poderia o Recorrente ter acostado cópia da petição inicial ou outro documento que demonstrasse o objeto das ações judiciais em trâmite. Nesse sentido, transcrevo excertos da decisão a quo, que tomo como fundamentos para julgar: “ [...] Concluindo, na hipótese da existência de créditos bancários efetuados nas contas do interessado com origem em ganhos obtidos em processos judiciais ainda em trânsito, deveria o contribuinte trazer aos autos tais provas, para que pudesse ser analisada a natureza dos rendimentos já auferidos, se tributáveis ou não, e no caso da existência de concomitância das matérias, seria aguardada a decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário.” [...] Assim, não comprovado o objeto das ações judiciais e sua relação expressa com os créditos bancários questionados no lançamento fiscal, não há motivos que impeçam o curso do processo administrativo tributário. No mérito, no que concerne os depósitos bancários, dá análise dos autos, verificase na justificativa do contribuinte, em fl. 169, as seguintes informações: "1) As receitas brutas advindas da atividade rural foram lançadas 50% em minha declaração de I.R e 50% na declaração de minha esposa Anna Carolina; 2) As contas correntes 57.63.67.02 do Boston e a 0531.1868259 do HSBC são contas correntes conjunta com a minha esposa Ana Carolina, inclusive os limites de Crédito". Importante observar que dentre as contas correntes relacionadas pelo contribuinte, consta a de n° 57.6367.02, mantida junto ao Bank Boston em conjunto com sua esposa Sra. Anna Carolina Ribeiro e Souza, conforme é possível se constatar pelas cópias dos extratos bancários de fls. 109/147, nos quais consta o recorrente como sendo o 1º titular da referida conta corrente, e a Sra. Anna Carolina como 2ª titular. Com efeito, compulsando os autos, notase que não houve a regular intimação do Sra. Anna Carolina Ribeiro e Souza (cotitular da conta bancária) para apresentação de esclarecimentos e justificativas quanto aos valores depositados em conta corrente considerados como de origem não comprovada. Em caso de existência de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentem em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10970.000561/200851 Acórdão n.º 2102002.920 S2C1T2 Fl. 271 9 bancários, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Tal fato se constata pelas Declarações de Ajuste Anual de fls. 17/23. Portanto, não se pode atribuir, de oficio, os valores constantes de contas conjuntas como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas. Há a necessidade de intimação de todos os correntistas, visto que os depósitos não são necessariamente metade de uma pessoa e metade de outra, devendo todos os titulares se manifestar a respeito dos depósitos tidos como de origem não comprovada. Assim, repiso que a prévia intimação aos titulares de contas conjuntas, uma vez que apresentem declaração anual de ajuste em separado, constitui inafastável exigência de lei material, por proporcionar, ou não, a base material da presunção legal, na medida em que não justificados, ou, justificados, os créditos questionados. A intimação endereçada a apenas um titular, ainda que todos estejam sob procedimento fiscal, fragiliza o lançamento por ancorálo em presunção de renda sob presunção de não justificativa, por todos, da origem dos créditos bancários. Desta forma, devem ser excluídos da tributação todos os valores relativos aos depósitos ocorridos na conta corrente do Bank Boston — n° 57.6367.02 — agência de Moluberlândia, tendo em vista que não houve a intimação do cotitular da referida conta corrente (Sra. Anna Carolina Ribeiro e Souza) por parte da fiscalização, para que esta pudesse juntamente com o contribuinte autuado justificar os depósitos questionados pela fiscalização. Já de pronto ressalto que o mesmo entendimento não se aplica às demais contas correntes, tendo em vista que eram de titularidade exclusiva do recorrente pelos documentos constantes nos autos. No que tange a exploração da atividade rural, verificase que o Fisco abriu mão da presunção legal, que inverte o ônus da prova, transformando a omissão de rendimentos através de depósitos bancários de origem não comprovada como sendo omissão de rendimentos da atividade rural, sem contudo comprovála. Verificase que em nenhum momento, conforme consta do “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 08/10, o fisco fez prova de que o contribuinte omitiu rendimentos da atividade rural, prova que a este cabia, pois no presente caso, ao arbitrar omissão de rendimentos da atividade rural, a prova de que a omissão dos rendimentos são oriundos de tal atividade (rural) cabe a autoridade fiscal, não bastando meramente alegar que tais omissões são decorrentes da atividade rural. Portanto, considerando que a autoridade fiscal não realizou prova de que os valores atribuídos como de origem não comprovada são, na realidade, decorrentes da atividade rural do recorrente, é de rigor ser reconhecido o cancelamento do lançamento tributário, de forma que resta prejudicada a análise das demais questões ventiladas pelo contribuinte, ante a conclusão ora exposta. Com base nesses fundamentos, é de ser reconhecida a nulidade do presente lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso para cancelar o lançamento tributário. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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