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Numero do processo: 10880.971452/2016-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2015
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE.
Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
Numero da decisão: 3401-006.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 14 52 /2 01 6- 39 Fl. 99DF CARF MF 2 (...) EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Nos casos de decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) está vinculada à expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sobre o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REPETIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não há de ser homologada declaração de compensação utilizando repetidamente o mesmo crédito, que já foi integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão recorrida para declarar a nulidade do despacho decisório que deixou de homologar a compensação por ausência de motivação, pois a autoridade administrativa teria agido discricionariamente ao não indicar os pressupostos de fato e de direito que fundamentaram a decisão. Requer ainda não seja aplicada a multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que deixe de homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.487, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.971455/201672. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.487): "Estáse diante de recurso que se insurge contra acórdão que manteve decisão denegatória de homologação de compensação. Não consta da matéria recorrida qualquer alegação acerca do mérito do direito creditório, mas tão somente a alegação de nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa, além de requerimento no sentido de não ser aplicada multa isolada antes de proferida decisão administrativa definitiva acerca da compensação. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.971452/201639 Acórdão n.º 3401006.504 S3C4T1 Fl. 3 3 Verifico que o despacho decisório atacado trouxe em seu o teor a razão específica para que a compensação não fosse homologada, a ausência de crédito disponível. Indicou ainda os números dos PER/DCOMP’s relativos às compensações em que já haviam sido anteriormente alocados os mesmos créditos que a Recorrente agora pretendia levar à compensação. Ademais, estão indicados os dispositivos legais em que se baseou a decisão, de modo que não vislumbro a ausência de nenhum pressuposto de fato ou de direito que venha a impedir o perfeito conhecimento das razões em que se baseou a decisão. Ressalto que a Recorrente, ao longo do processo, silenciou absolutamente quanto ao fato de ter alocado o mesmo crédito repetidamente a várias compensações, limitandose a atacar o ato decisório com alegações genéricas de nulidade, apegandose a trechos do texto padrão constante do despacho decisório emitido de forma eletrônica, sem pronunciarse acerca tabela que indicou inexoravelmente a inexistência de crédito. Assim, tenho por incontroversos os fatos em que se basearam a negativa de homologação e entendo não merecer acolhida a alegação de nulidade. Consta ainda da peça recursal pedido no sentido de a Recorrente não seja sujeita à imposição da multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que venha a negar a compensação. Ora, trata se de matéria estranha aos autos, visto que deles não consta o lançamento da multa isolada de 50% prevista no §17 da Lei n° 9.430/1996, além de ser despiciendo o pedido ante à expressa previsão de suspensão da exigibilidade da multa nos casos de apresentação de manifestação de inconformidade, conforme dicção do §18 do mesmo dispositivo. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 101DF CARF MF 4 Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000524/2005-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS.
Com a publicação da Lei nº 10.865/2004, a partir de 31 de julho de 2004 cabe descontar créditos calculados em relação aos encargos de depreciação das máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, destinados à utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, desde que adquiridos a partir de 1º de maio de 2004.
Em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro e 31 de julho de 2004, podem ser descontados créditos sobre os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos até 30 de abril de 2004.
Numero da decisão: 3002-000.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter parcialmente a glosa ao creditamento dos encargos de depreciação do ativo imobilizado.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS. Com a publicação da Lei nº 10.865/2004, a partir de 31 de julho de 2004 cabe descontar créditos calculados em relação aos encargos de depreciação das máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, destinados à utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, desde que adquiridos a partir de 1º de maio de 2004. Em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro e 31 de julho de 2004, podem ser descontados créditos sobre os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos até 30 de abril de 2004.
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COFINS. Recorrente CONSTRUTORA IMPLANTEC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS. Com a publicação da Lei nº 10.865/2004, a partir de 31 de julho de 2004 cabe descontar créditos calculados em relação aos encargos de depreciação das máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, destinados à utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, desde que adquiridos a partir de 1º de maio de 2004. Em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro e 31 de julho de 2004, podem ser descontados créditos sobre os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos até 30 de abril de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter parcialmente a glosa ao creditamento dos encargos de depreciação do ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 05 24 /2 00 5- 38 Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 13976.000524/200538 Acórdão n.º 3002000.779 S3C0T2 Fl. 1.139 2 Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Crédito de Cofins Exportação no montante de R$ 45.376,51, relativo ao 2º trimestre/2004, cumulado com diversas declarações de compensação (fls. 2 a 48). A Delegacia da Receita Federal em Joinville intimou o contribuinte a apresentar documentação probatória, devidamente juntada aos autos. Por meio do Despacho Decisório às fls. 177 a 183, decidiu pelo deferimento parcial do pedido, no valor de R$ 44.107,39, e pela homologação da compensação até o limite reconhecido, devido à glosa dos créditos relativos aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, em virtude da ausência de provas. A glosa foi mantida no julgamento em primeira instância por razões análogas. O Acórdão nº 0624.567 foi assim ementado (fls. 507 a 510): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. ALEGAÇÕES. COMPROVAÇÃO. ENCARGO DA INTERESSADA. Compete à interessada apresentar, juntamente com sua manifestação de inconformidade, as provas que dêem suporte às suas alegações, no caso, a comprovação da adequada escrituração dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, bem como cópias das notas fiscais de aquisição dos referidos itens, além de demonstrar que tais bens eram utilizados diretamente, na produção de bens, ou na prestação de serviços. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado juntou novos documentos a seu Recurso Voluntário (fls. 513 a 1.100), incluindose Livro Diário, Razão e Notas Fiscais, tendo a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara decidido pela conversão do julgamento em diligência para que, a partir da documentação juntada aos autos, a unidade preparadora respondesse aos seguintes quesitos – Resolução nº 320100.262 (fls. 1.110 a 1.113): a. Informar se os créditos de PIS e COFINS tomados pela Recorrente sobre o encargos de depreciação do seu ativo imobilizado referese a máquinas equipamentos; b. Informar se, de fato, todo o ativo imobilizado relacionado e comprovado pela Recorrente foi adquirido posteriormente a 1° de maio de 2004; c. Caso tais ativos tenham sido adquiridos, total ou parcialmente, antes de 1° de maio de 2004 informar se a Recorrente já havia tomado crédito de PIS COFINS sobre os respectivos encargos de depreciação antes do inicio da vigência da Lei n° 10.865 de 2004 e em qual montante. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 13976.000524/200538 Acórdão n.º 3002000.779 S3C0T2 Fl. 1.140 3 A DRF/Joinville refez a análise do pedido a partir da nova documentação, concluindo pela revisão parcial da decisão inicial, e providenciou a ciência ao interessado para sua manifestação, tendo ele concordado integralmente com a conclusão contida na Informação Fiscal nº 71/2014 (fls. 1.114 a 1.132). Retornam agora os autos para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard – Relatora Creio ser importante, inicialmente, delimitar com clareza as condições a serem atendidas para que seja possível o creditamento pleiteado pelo contribuinte. Em relação aos encargos de depreciação do ativo imobilizado, destacase que houve mudança significativa na legislação com a publicação da Lei nº 10.865/2004, que limitou o creditamento dos encargos de depreciação do ativo imobilizado aos bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004. A Lei foi publicada em abril/2004, com previsão de que a vedação passasse a produzir efeitos a partir de 31.07.2004. Nas Disposições Transitórias da Instrução Normativa SRF nº 457/2004, que disciplina exclusivamente esta matéria, temos o regramento estabelecido para o período de transição, que abrange exatamente o pedido que se analisa neste processo – 2º trimestre/2004. Ficou definido que, para os fatos geradores ocorridos entre 01.02.2004 e 31.07.2004, poderiam ser descontados créditos calculados sobre os encargos de depreciação dos ativos adquiridos no país até 30 de abril de 2004. Consta, ainda, que deveriam ser adotados os demais requisitos vigentes para o período posterior, como aplicação da taxa de depreciação fixada pela Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem, vedação à depreciação acelerada, vedação ao creditamento relativo a bens adquiridos no estado de usados, vedação ao cômputo dos valores decorrentes de reavaliação, entre outros dispositivos. A ver os excertos pertinentes: Art. 6º As pessoas jurídicas de que trata o art. 1º, em relação aos serviços e bens adquiridos no País até 30 de abril de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, somente podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, no caso da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep decorrente de fatos geradores ocorridos até 31 de janeiro de 2004; II máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços, no caso de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 13976.000524/200538 Acórdão n.º 3002000.779 S3C0T2 Fl. 1.141 4 decorrentes de fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro e 31 de julho de 2004; ....................................................................................................... § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo devem ser calculados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centavos) para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) para a Cofins, sobre o valor dos encargos de depreciação incorridos no mês. § 2º Aplicase ao disposto neste artigo as disposições dos § 1º e § 3º do art. 1º e do § 1º do art. 2º desta Instrução Normativa. (grifado) Passemos, então, às respostas da diligência. Na Informação Fiscal nº 71/2014, em relação ao quesito a) informar se os créditos tomados pela recorrente sobre os encargos de depreciação do seu ativo imobilizado referese a máquinas e equipamentos, temos que somente uma parte dos encargos declarados pelo contribuinte referiase às máquinas e equipamentos de que trata a legislação, como se constata na planilha a seguir: O contribuinte havia se creditado do total de cada período de apuração, apesar de a planilha abranger despesas não passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. Assim, a DRF/Joinville considerou, corretamente, que apenas o que constava da conta contábil Máquinas, Aparelhos e Equipamentos (linha amarela acima) poderia vir a ser utilizado como desconto. Após análise dos lançamentos nesta conta, decidiram manter a glosa a cinco itens, por não serem bens utilizados para a produção de outros bens ou para a prestação de serviços e, em único caso, por ter sido adquirido já usado (fl. 1.115). Essas glosas resultaram na glosa de R$ 36,44 a cada período de apuração. Compulsando os autos, em especial a Relação do Patrimônio Geral, que contém todos os itens ativados e o demonstrativo mensal da depreciação aplicada, concluí que a relação de glosas deve ser maior do que o valor apontado pela DRF/Joinville. Devo ressaltar a possibilidade de revisão da diligência pelo julgador, que não está obrigado a acatar o resultado se constata lapso ou divergência em relação à apreciação da matéria pela unidade preparadora. Tal entendimento decorre da liberdade do julgador para formar sua convicção na apreciação da prova, conforme estipulado pelo art. 29 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 13976.000524/200538 Acórdão n.º 3002000.779 S3C0T2 Fl. 1.142 5 Relembro que, ciente do resultado da diligência, o contribuinte limitouse a concordar com o resultado obtido, não fazendo qualquer argumentação contrária à exclusão de bens como o relógio de ponto ou a impressora. Nesta revisão do resultado da diligência, mantenho as mesmas razões de decidir adotadas, apenas amplio a relação dos itens. Em um processo de ressarcimento, em que cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar que os encargos de depreciação referemse a ativos utilizados na sua atividadefim, não basta entregar documentos, sem qualquer explicação sobre a efetiva utilização desses bens. O Recurso Voluntário possui duas folhas. Sendo mais precisa, sobre o mérito do litígio, dois parágrafos. Dessa forma, nos casos em que constatei que a descrição dos bens não demonstrava de que forma eles se relacionavam com a prestação de serviços ou com a produção de outros bens, entendi por glosar. Segundo o contrato social, a empresa tem por objeto social a construção civil e a fabricação de móveis, entre outras atividades. A tabela a seguir contém os itens que devem ser glosados, considerada apenas a conta 9.1.03.02.02.05900112 Máquinas, Aparelhos e Equipamentos, já que das demais contas nada se aproveita. Utilizei a Relação do Patrimônio Geral relativa ao mês de junho, por ser a mais ampla (fls. 724 a 751). Na coluna Motivo estão justificadas as glosas da seguinte forma: N/A, quando for um bem que entendo não se aplicar à produção de outro bem ou prestação de serviço, e Usado, quando o bem tiver sido adquirido já na condição de usado. Número Descrição Data Aquisição Quota Mensal Motivo Folha 66 0000110 Ventilador mais Acessórios 28/05/1998 4,17 N/A 734 67 0000120 Ventilador 30/06/1998 3,33 N/A 734 68 0000130 Acessórios p/ventilador 30/06/1998 0,83 N/A 734 74 0000190 Máquina de Embalar AP Strapack TP 202 Semiautomática 08/09/1998 17,50 N/A 735 75 0000210 Tubulação p/ chaminé e acessórios 18/09/1998 8,30 N/A 735 79 0000250 Compressor Wayne 60PCM Reformado 02/10/1998 19,17 Usado 735 85 0000320 Rolo de Pintura 1300mm Mod Ter 130 Maclinea Usada 10/11/1998 125,00 Usado 736 89 0000390 Impressora Expson LX 300 06/04/1999 4,20 N/A 736 91 0000410 Túnel de Secagem Usada 10/05/1999 116,67 Usado 737 93 0000430 Sensor IFC81810PT 12/07/1999 2,09 N/A 737 97 0000470 Aparelho Celular Gradiente 16/11/1999 2,49 N/A 737 98 0000490 Furadeira Múltipla Automática M6X20 Usada 17/01/2000 182,68 Usado 737 104 0000550 Lixadeira de Fita Omil Usada 12/05/2000 22,50 Usado 738 106 0000570 Cilindro 20x10 24/05/2000 2,06 N/A 738 116 0000670 Máquina de Escrever Tekne 3 21/07/2000 1,25 N/A 739 121 0000720 Compressor W900 Recondicionado 06/10/2000 31,62 Usado 740 122 0000730 Coletor de dados Henry Card c/facil (relógio ponto) 10/10/2000 9,50 N/A 740 129 0000800 Tubulações e acessórios 08/11/2000 14,14 N/A 741 130 0000810 Furadeira Usada 05/12/2000 50,00 Usado 741 145 0000960 Tubulação c/acessórios para exaustão 29/11/2001 2,42 N/A 743 146 0000970 Carrinhos PL 2000RS 112 Nylon Disktrans 09/04/2002 10,17 N/A 743 150 0001010 Aparelho Fax Sharp UX 144 10/10/2002 3,58 N/A 743 169 0001200 Compressor 20ps Usado 07/04/2003 4,03 Usado 745 172 0001230 ap. dtm. B2.1 c/aquecedor 11/06/2003 17,50 N/A 746 218 0001290 Relógio ponto system 19/04/2004 12,50 N/A 746 223 0001310 Empilhadeira Usada Marca Yale, Mod g83P 14/06/2004 275,00 Usado 746 Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13976.000524/200538 Acórdão n.º 3002000.779 S3C0T2 Fl. 1.143 6 Os valores glosados acima devem se repetir a cada período de apuração, exceto a última linha, item 223, que se aplica exclusivamente ao mês de junho, totalizando uma redução de R$ 667,70 nos meses de abril e maio, e uma redução de 942,70 no mês de junho. Dessa forma, o valor a ser considerado para fins de cálculo dos descontos será: Abril Maio Junho Depreciação Máquinas, Aparelhos e Equipamentos 4.151,09 4.176,09 4.483,59 Glosas 667,70 667,70 942,70 Depreciação reconhecida Base de Cálculo do Desconto 3.483,39 3.508,39 3.540,89 Em resumo, divirjo da conclusão contida na Informação Fiscal nº 71/2014, por considerar que os encargos de depreciação da conta Máquinas e Equipamentos devem ser glosados no valor global de R$ 2.278,10, aplicado ao 2º trimestre/2004 na forma detalhada acima, ao invés dos R$ 109,32 que lá constam. Em relação ao quesito b) informar se todo o ativo imobilizado relacionado e comprovado pela recorrente foi adquirido posteriormente a 1º de maio de 2004, entendo que a resposta não nos afeta, pois a pergunta é muita extensa, abrangendo inclusivo o ativo não passível de creditamento, além de este processo tratar exatamente do período de transição da legislação, para o qual havia o permissivo de ainda se creditar dos encargos de aquisições anteriores a 1º de maio. Na Informação consta uma lista, sem interesse para a solução do caso. Em relação ao quesito c) em relação aos ativos adquiridos antes de 1º de maio, informar se a recorrente já havia tomado crédito de PIS/Cofins sobre os respectivos encargos de depreciação antes do início da vigência da Lei nº 10.865/2004 e em qual montante, temos a seguinte resposta: 11. Para se responder a esta questão, considerouse que os valores de depreciação de bens adquiridos anteriormente a 1º de maio, conforme lançados na contabilidade, foram mantidos ao longo de todo o 4º trimestre/2014.(sic) 12. Os créditos de bens do ativo permanente, adquiridos anteriormente a maio de 2004, utilizados pela empresa, estão resumidos na planilha abaixo: (grifado) Salvo melhor juízo, nem pergunta, nem resposta são relevantes para o caso. Não ficou claro o objetivo da pergunta no contexto deste processo e a resposta parece conter alguns deslizes. Por fim, apenas a título de esclarecimento, gostaria de ressaltar o equívoco cometido pelo contribuinte na interpretação da Informação Fiscal nº 71/2014. Entendeu ele que bastaria excluir R$ 36,44 do valor passível de creditamento. O que a DRF/Joinville afirmou é Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 13976.000524/200538 Acórdão n.º 3002000.779 S3C0T2 Fl. 1.144 7 que esse valor deve ser subtraído da base de cálculo dos encargos, e não da contribuição passível de ser ressarcida. Além disso, deveria ser excluído a cada mês, pois se refere às glosas relativas aos encargos lançados mensalmente na contabilidade. Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito a descontar créditos em relação aos encargos de depreciação do ativo imobilizado na forma detalhada no voto, da qual reproduzo a seguir um resumo. Abril Maio Junho Depreciação Máquinas, Aparelhos e Equipamentos 4.151,09 4.176,09 4.483,59 Glosas 667,70 667,70 942,70 Depreciação reconhecida Base de Cálculo do Desconto 3.483,39 3.508,39 3.540,89 É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 1144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720256/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011
PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS
FINANCEIRAS.
As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e
encargos comuns.
As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas.
A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo.
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações.
No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País.
INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas são de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Destarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3201-005.415
Decisão:
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I - Por unanimidade de votos, para: (a) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (b) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (c) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (d) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; II - Por maioria de votos: (a) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (a.1) às tarifas aeroportuárias, (a.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de "handling", serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; e (a.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que negava provimento quanto aos serviços de comunicação de rádio entre funcionários e com os gastos com atendimento ao passageiro; (b) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, davam provimento ao Recurso; III - Por voto de qualidade: a) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, quanto a tais matérias, deram provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas são de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Destarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-12T12:30:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-07-12T12:30:10Z; Last-Modified: 2019-07-12T12:30:10Z; dcterms:modified: 2019-07-12T12:30:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:2be1f588-7fb6-40f3-9328-059008472ef1; Last-Save-Date: 2019-07-12T12:30:10Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-12T12:30:10Z; meta:save-date: 2019-07-12T12:30:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-12T12:30:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-07-12T12:30:10Z; created: 2019-07-12T12:30:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 53; Creation-Date: 2019-07-12T12:30:10Z; pdf:charsPerPage: 2204; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-12T12:30:10Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.720256/201234 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201005.415 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente TAM LINHAS AEREAS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 02 56 /2 01 2- 34 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 2 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas são de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Destarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I Por unanimidade de votos, para: (a) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (b) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (c) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (d) reverter a glosa Fl. 355DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 3 para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; II Por maioria de votos: (a) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (a.1) às tarifas aeroportuárias, (a.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de "handling", serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; e (a.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que negava provimento quanto aos serviços de comunicação de rádio entre funcionários e com os gastos com atendimento ao passageiro; (b) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, davam provimento ao Recurso; III Por voto de qualidade: a) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, quanto a tais matérias, deram provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06054.505, que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada, homologando parcialmente as compensações declaradas. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I Dos Fatos A Recorrente explica que com base em estudos da legislação vigente, reanalisou suas receitas declaradas desde janeiro de 2007 a março de 2011 e verificou que parte dessas receitas teriam sido inseridas no regime cumulativo do PIS/COFINS, quando, na verdade, deveriam ter sido declaradas como pertencentes ao regime não cumulativo. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 4 Nesse sentido, retificou seus Demonstrativos de Apuração de Contribuição Social (DACON) e, respectivamente, suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.407, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 12585.720252/201256, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.407): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Em apertada síntese, tratase de processo relativo a glosa de insumos passíveis de gerar créditos de PIS/COFINS. A fiscalização aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos e negou a utilização de créditos extemporâneos, dentre outros tópicos. De forma geral, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, tratase de analisar se os insumos atendem ou não aos Fl. 357DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 5 requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Para fins de se tomar créditos de PIS/COFINS, no regime nãocumulativo por meio dos chamados insumos não se torna necessário que os bens sejam consumidos ou desgastados no contato direto com o processo produtivo, mas que tenham uma relação direta com o mesmo. Da Conexão A Recorrente alega que existe conexão deste processo com o processo nº 10888.722355/201452, relativo ao Auto de Infração lavrado para cobrança do saldo devedor do Pis e da Cofins decorrente da glosa de créditos discutida neste caso. De fato, existe conexão, sendo que é impossível fazer a reunião dos processos tendo em vista que o processo nº 10888.722355/201452 encontrase julgado. Na verdade, a conexão abrange um número maior de processos, conforme planilha trazida aos autos pela própria Recorrente e aqui reproduzida. Processo Tributo Período Natureza Localização Situação 16692.720719/201463 PIS/COFINS jan/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720720/201498 PIS/COFINS Feb07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720721/201432 PIS/COFINS mar/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720722/201487 PIS/COFINS Apr07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720723/201421 PIS/COFINS May07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16349.720144/201227 PIS/COFINS jun/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720724/201476 PIS/COFINS jul/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720725/201411 PIS/COFINS Aug07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.722141/201486 PIS/COFINS nov/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720038/201314 PIS 2º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 16692.720037/201370 COFINS 2º TRIM 2008 Ressarciment o 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720729/201407 PIS/COFINS Apr08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído Fl. 358DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 6 16692.720730/201423 PIS/COFINS May08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720731/201478 PIS/COFINS jun/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720022/201297 PIS 3º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720009/201238 COFINS 3º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720229/201261 PIS/COFINS jul/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720230/201296 PIS/COFINS Aug08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720231/201231 PIS/COFINS Sep08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720023/201231 PIS 4º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720010/201262 COFINS 4º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720232/201285 PIS/COFINS Oct08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720233/201220 PIS/COFINS nov/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720234/201274 PIS/COFINS Dec08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720024/201286 PIS 1º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720011/201215 COFINS 1º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720235/201219 PIS/COFINS jan/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720236/201263 PIS/COFINS Feb09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720237/201216 PIS/COFINS mar/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720025/201221 PIS 2º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720012/201251 COFINS 2º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720238/201252 PIS/COFINS Apr09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720239/201205 PIS/COFINS May09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720240/201221 PIS/COFINS jun/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.722355/201452 PIS/COFINS 3º TRIM 2009 a 1º TRIM 2011 Auto de Infração 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720026/201275 PIS 3º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado Fl. 359DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 7 12585.720013/201204 COFINS 3º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720241/201276 PIS/COFINS jul/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720027/201210 PIS 4º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720014/201241 COFINS 4º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720243/201265 PIS/COFINS Dec09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720028/201264 PIS 1º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720015/201295 COFINS 1º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720244/201218 PIS/COFINS jan/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720245/201254 PIS/COFINS Feb10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720246/201207 PIS/COFINS mar/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720029/201217 PIS 2º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720016/201230 COFINS 2º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720247/201243 PIS/COFINS Apr10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720248/201298 PIS/COFINS May10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720249/201232 PIS/COFINS jun/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720030/201233 PIS 3º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720017/201284 COFINS 3º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720250/201267 PIS/COFINS jul/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720251/201210 PIS/COFINS Aug10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720252/201256 PIS/COFINS Sep10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720031/201288 PIS 4º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720018/201229 COFINS 4º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720253/201209 PIS/COFINS Oct10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720255/201290 PIS/COFINS Dec10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720032/201222 PIS 1º TRIM 2011 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado Fl. 360DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 8 12585.720019/201273 COFINS 1º TRIM 2011 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720256/201234 PIS/COFINS jan/11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720257/201289 PIS/COFINS Feb11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720258/201223 PIS/COFINS mar/11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.938833/201363 PIS 2º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938832/201319 COFINS 2º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938835/201352 PIS 3º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938834/201316 COFINS 3º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938836/201305 PIS 4º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938837/201341 COFINS 4º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 16692.721933/201780 PIS/COFINS 1º TRIM a 4º TRIM 2012 Auto de Infração 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Distribuído 10880.938839/201331 PIS 1º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938838/201396 COFINS 1º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938840/201365 PIS 2º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938841/201318 COFINS 2º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938843/201307 PIS 3º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938842/201354 COFINS 3º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938845/201398 PIS 4º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938844/201343 COFINS 4º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa Fonte: Planilha elaborada pela Recorrente No particular, notase que o processo ora em julgamento cujo período de apuração é setembro/2010 está relacionado aos processos nº 12585.720030/201233 e nº 12585.720017/201284, ambos do 3º. Trimestre de 2010. Do Voto para o Presente Processo Tendo em vista a constatação quanto a conexão com outros processos da Recorrente que já forma julgados, bem como buscando atender o pedido da Recorrente no seu Recurso Voluntário para evitar divergências no julgamento de processos conexos, entendo como correto colher o voto proferido nos processos nº 12585.720030/201233 e nº 12585.720017/201284, como votos condutores para o presente processo de restituição. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 9 Nesse sentido colho a seguir o voto da i. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, bem como o voto vencedor da i. Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz constantes do processo nº 12585.720017/201284, Acórdão nº 3402005.326 como se meu fosse como razão de decidir do presente processo. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 26, §5º da Lei nº 9.784/99, a falta de intimação é considerada suprida pelo comparecimento do administrado. Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. I Rateio Proporcional Receitas Financeiras Como se sabe, os créditos das contribuições do PIS e da Cofins podem somente ser apropriados pela contribuinte em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo), o crédito da contribuição deverá ser apurado em conformidade com o disposto nos arts. 3º, §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep): Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei] Fl. 362DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 10 § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual obtido pela razão entre a receita bruta não cumulativa e a receita bruta total auferida pela empresa no mês. Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas aos insumos sobre os quais são apurados os créditos, não deveriam ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos. No entanto, as receitas financeiras integram, sim, a receita bruta não cumulativa, inclusive, posteriormente aos períodos de apuração sob análise, mediante o Decreto nº 8.426/2015, foram restabelecidas as alíquotas das contribuições de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. Nessa linha também é a orientação da própria Cosit órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Fl. 363DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 11 (...) Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições ou da necessidade de ter havido pagamento das contribuições para o cômputo nas receitas brutas. Temse como princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração. Nesse mesmo sentido já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão cuja ementa se transcreve abaixo, relativamente a consideração das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas: Processo nº 16366.000413/200689 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.312– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada a omissão sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 12 RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras, da Receita Bruta da Exportação não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime não cumulativo. Embargos acolhidos Também no Acórdão nº 3201002.235– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim decidido: (...) Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). Fl. 365DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 13 De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. (...) Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o correspondente ressarcimento/compensação no montante adicional. II Receitas de Transporte Internacional de Passageiros A matéria controvertida neste tópico envolve a interpretação do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep2, que assim dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária (...) VII as receitas decorrentes das operações: (...) XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; (...) Fl. 366DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 14 XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [negritei] (...) Sustenta a autoridade administrativa no item 5.2 do Despacho Decisório que: "O contribuinte, na qualidade de “empresa aérea regular de passageiros”, deve, no entanto, observar o disposto nos incisos XVI do art. 10° e V do art. 15º da Lei N° 10.833/2003, que manteve regime cumulativo as receitas do transporte aéreo de passageiros, tenham elas sido obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional". O julgador a quo, com esteio na Solução de Consulta Interna nº 12 Cosit, de 11 de junho de 2014, interpreta a questão da seguinte forma: No caso ora debatido, interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. Deveras, se o legislador não estabeleceu expressamente, nem implicitamente, diferenciação de tratamento entre as duas modalidades de transporte aéreo citadas, não cabe ao intérprete fazêlo. Se o legislador almejasse estabelecer essa distinção, teria feito de forma clara, como fez no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao isentar das contribuições em tela apenas as receitas decorrentes do “transporte internacional de cargas ou passageiros”. Por outro lado, o segundo requisito estabelecido na primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicação da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, versa sobre as pessoas jurídicas que devem auferir as receitas contempladas pela norma: segundo o texto legal, tais receitas devem ser auferidas por “empresas regulares de linhas aéreas domésticas”. É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais Fl. 367DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 15 empresas sejam brasileiras, uma vez que, pela legislação atual, apenas essas podem prestar serviços de transporte aéreo público doméstico. Quanto à menção legal a “empresas regulares”, como condição a ser cumprida pela pessoa jurídica, é de se ressaltar que a legislação estabelece que a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora. Daí porque imperioso concluir que, conquanto se refira a “empresas regulares”, o dispositivo legal em comento quis alcançar as empresas que operam linhas aéreas regulares. Afinal, é ilógica a interpretação de que a qualidade “regular” atribuída ao vocábulo “empresa” tenha objetivado restringir a permanência na cumulatividade das contribuições em estudo às receitas auferidas pela empresa que esteja em situação regular. Apesar da atecnia, o legislador pretendeu apenas estabelecer paralelismo redacional no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, referindose em sua primeira parte às “empresas regulares de linhas aéreas”, para versar sobre o transporte aéreo regular, e às “empresas de táxi aéreo”, para versar sobre o transporte aéreo não regular (conforme art. 220 do CBA, “os serviços de táxiaéreo constituem modalidade de transporte público aéreo não regular”). Diante do exposto, concluise que a primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, nacional (doméstico) ou internacional, efetuado por empresa que opera linhas aéreas domésticas e regulares. Por tal razão, a pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas regulares de transporte coletivo não pode apurar créditos previstos na legislação da apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins em relação a custos, despesas e encargos vinculados à prestação de serviços de transporte aéreo internacional de passageiros. [negritei] Como se vê, a estratégia hermenêutica utilizada pela DRJ foi a seguinte: separou a primeira parte do inciso em dois requisitos, quais sejam, “receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” e “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” e conectou as duas com o vocábulo "auferidas", no lugar do vocábulo original "efetuado" do dispositivo legal. Daí, interpretou os dois requisitos de forma independente para juntálos, ao final, com o vocábulo "auferidas". Ocorreu que os pressupostos adotados pelo intérprete da DRJ já direcionaram a interpretação no sentido desejado Fl. 368DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 16 previamente. Em verdade, no esforço interpretativo, partiuse da hipótese de que os dois requisitos seriam independentes para concluir que eles realmente são independentes, como se depreende do seguinte trecho do Acórdão recorrido: "O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. [negritei] Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. (...)". Ora, não se pode separar a primeira parte do inciso em dois requisitos independentes quando eles estão interligados! Os "dois requisitos" estão justamente ligados no pelo vocábulo "efetuado", que concorda em gênero e número com o substantivo "serviço", certamente com a função de restringilo. O dispositivo de interesse poderia ser reescrito com o termo omitido na construção linguística da redação original na seguinte forma: Art. 10 (...) [Lei nº 10.833/2003] (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, [quando o serviço for] efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, (...); Ademais, como dito no próprio acórdão recorrido, "a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora", o que é mais um elemento que corrobora no sentido de que o "segundo requisito" (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”) consta na redação do dispositivo para restringir o alcance do termo "serviço de transporte coletivo de passageiros" constante no "primeiro requisito". Seria até um contrassenso entender, no fim das contas, que “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” [negritei] limitaria somente a "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” no que concerne à modalidade de transporte regular aéreo e não quanto ao percurso doméstico, também expressamente referido no dispositivo. Aliás, tratase de mais elemento que corrobora o quanto os dois "requisitos" separados pela DRJ são interdependentes. Segundo o entendimento da fiscalização e da DRJ, a recorrente teria sido alcançada quanto à exclusão do regime não cumulativo porque opera no transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares, sejam elas domésticas ou internacionais, o que se contrapõe à ideia expressa no dispositivo de restringir tanto a Fl. 369DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 17 modalidade de transporte aéreo regular quanto o percurso doméstico (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas). Também não se coaduna com a boa regra hermenêutica substituir o vocábulo "efetuado", ligado por concordância com o substantivo "serviço", pela palavra "auferidas", que estaria relacionada ao termo "as receitas", como feito no acórdão recorrido. Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano: 114 O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos: (...) 4) certeza da autenticidade do texto, tanto em conjunto como em cada uma das partes (1). (...) 116 Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem com idéia inserta no dispositivo" (1). (...) f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6). (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engando, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a exatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido (9). (...) Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat: "Prefirase a inteligência dos Fl. 370DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 18 textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade" (3). 304 (...) (...) 343. Não pode o intérprete alimentar a pretensão de melhorar a lei com desobedecer às suas prescrições explícitas. (...) Pelo que se depreende da leitura da Lei nº 10.833/2003, como regra geral, todas as pessoas jurídicas estão sujeitas a não cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, excepcionandose dessa regra aquelas pessoas expressamente referidas nos incisos I a VI do seu art. 10, as quais permanecem sob o anterior regime cumulativo. De outra parte, cuida também o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 de excepcionar algumas receitas da incidência não cumulativa, mesmo que a pessoa jurídica esteja sujeita ao regime não cumulativo. Esse entendimento veio depois ser confirmado na referida Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, nestes termos: (...) 12. A primeira forma de exceção à apuração não cumulativa exclui desse regime determinadas pessoas jurídicas. Assim, em função do objeto social ou de aspectos específicos (por exemplo, imunidade a impostos ou tributação pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido), certas pessoas jurídicas permanecem sujeitas às normas da legislação anterior à instituição da não cumulatividade. 13. A segunda forma de exceção à apuração não cumulativa não se relaciona com nenhuma propriedade das pessoas jurídicas, mas decorre de uma característica do fato gerador das contribuições em questão. Assim, receitas específicas foram excluídas do regime de apuração não cumulativa, devendo, portanto, submeterse ao regime de apuração préexistente à instituição da não cumulatividade. 14. Dessa forma, o sujeito passivo que não se enquadra na primeira exceção, está sujeito ao regime de apuração não cumulativa. A pessoa jurídica não se submete ao regime de apuração cumulativa por auferir alguma das denominadas receitas cumulativas (excluídas do regime de apuração não cumulativa), ainda que essa seja a única receita por ela percebida. (...) Fl. 371DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 19 Dessa forma, tendo em vista que a recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses gerais de exclusão do regime, temse, inicialmente, que ela, como pessoa jurídica, está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições de PIS/Cofins, sem prejuízo, como dito, de algumas de suas receitas, por disposição legal expressa, serem eventualmente excluídas da incidência não cumulativa. No caso, as receitas excluídas pela primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 dizem respeito às "receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", mas somente quando esse serviço seja "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas". Como já delineado acima, esta última expressão tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, de forma que somente estariam excluídos do regime não cumulativo "as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", assim considerado aquele operado em "linhas aéreas regulares domésticas". Há que se observar que no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 foram excluídas "as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros" para as quais não houve qualquer ressalva quanto ao percurso, se nacional ou internacional, a se supor que aqui, diferentemente do inciso XVI sob análise, pretendeuse excluir do regime não cumulativo todos os serviços de transporte coletivo de passageiros, seja dentro ou fora do território nacional. Importante consignar, por fim, que a exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção comporta interpretação restritiva, de forma que, ainda que fosse possível a interpretação sugerida pela DRJ, deveria prevalecer a interpretação mais restritiva da exceção, adotada neste Voto. A interpretação restritiva das regras de exceção foi bem explicada no Recurso Especial do STJ, com apoio também nos ensinamentos de Carlos Maximiliano: RECURSO ESPECIAL Nº 853.086 RS (2006/01380157) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA EMENTA RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 20 ENFERMEIROS MILITARES. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS REGRAS DE EXCEÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. (...) 9. Ademais, relativamente à Lei 6.681/79, a qual estabeleceu ressalva à fiscalização dos médicos, cirurgiõesdentistas e farmacêuticos militares pelas Forças Armadas, salientese que, em se tratando de regra de exceção, tornase inviável a utilização de exegese ampliativa ou analógica. É inadequada a interpretação extensiva e a aplicação da analogia em relação a dispositivos infraconstitucionais que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei. 10. "As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente " (MAXIMILIANO, Carlos. ob. cit., pp. 225/227). (...) A EXMA. SRA. MINISTRA DENISE ARRUDA (Relatora): (...) Nesse contexto, cabe mencionar a lição de Carlos Maximiliano acerca do "Direito Excepcional " (ob. cit., pp. 225/227), in verbis: "Em regra, as normas jurídicas aplicamse aos casos que, embora não designados pela expressão literal do texto, se acham no mesmo virtualmente compreendidos, por se enquadrarem no espírito das disposições: baseiase neste postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário, isto é, quando a letra de um artigo de repositório parece adaptarse a uma hipótese determinada, porém se verifica estar esta em desacordo com o espírito do referido preceito legal, não se coadunar com o fim, nem com os motivos do mesmo, presume se tratarse de um fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito. Estribase a regra numa razão geral, a exceção, numa particular; aquela baseiase mais na justiça, esta, na utilidade social, local, ou particular. As duas proposições devem abranger coisas da mesma natureza; a que mais abarca, há de constituir a regra; a outra, a exceção. (...) Fl. 373DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 21 O Código Civil explicitamente consolidou o preceito clássico Exceptiones sunt strictissimoe interpretationis ('interpretamse as exceções estritissimamente') no art. 6.º da antiga Introdução, assim concebido: 'A lei que abre exceção a regras gerais, ·ou restringe direitos, só abrange os casos que especifica'. O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma, que proibiam estender disposições excepcionais, e assim denominavam as do Direito exorbitante, anormal ou anômalo, isto é, os preceitos estabelecidos contra a razão de Direito; limitavalhes o alcance, por serem um mal, embora mal necessário. (...) Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonci (Código de Direito Canônico) prestigiaram a doutrina do brocardo com inserir no Livro I, título I, cânon 19, este preceito translúcido: 'Leges quoe poenam statuunt, aut liberum jurium exercitium coarctant, aut exceptionem a lege continent, strictae subsunt interpretationi' ('As normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos, ou contêm exceção a lei, submetemse a interpretação estrita'). (...) A fonte mediata do art. 6.° da antiga Lei de Introdução, do repositório brasileiro, deve ser o art. 4.º do Título Preliminar do Código italiano de 1865, cujo preceito decorria das leis civis de Nápoles e era assim formulado: 'As leis penais e as que restringem o livre exercício dos direitos, ou formam exceções a regras gerais ou a outras leis, não se estendem além dos casos e tempos que especificam'. As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente. Os contemporâneos preferem encontrar o fundamento desse preceito no fato de se acharem preponderantemente do lado do princípio geral as forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva, como sejam os fatores sociológicos, a Werturteil dos tudescos, e outras. O art. 6º da antiga Lei de Introdução abrange, em seu conjunto, as disposições derrogatórias do Direito comum; as que confinam a sua operação a determinada pessoa, ou a um grupo de homens à parte; atuam excepcionalmente, em proveito, ou prejuízo, do menor número. Não se confunda com as de alcance geral, aplicáveis a todos, porém suscetíveis de afetar duramente alguns indivíduos por causa da sua condição particular. Referese o preceito àquelas que, executadas na íntegra, só atingem a poucos, Fl. 374DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 22 ao passo que o resto da comunidade fica isenta." (grifouse) Dessa forma, neste tópico, está com razão a recorrente, no sentido de que as "receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo", sendo cabível a apropriação de créditos do PIS/Pasep e da Cofins que por ventura enquadremse no conceito de insumo, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/20044. III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a Cofins Filiome ao entendimento deste CARF quanto ao cabimento de creditamento de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e Fl. 375DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 23 despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/995. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. No caso, entendeu a fiscalização e não discordou a DRJ, que a empresa possuiria receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros (doméstico e internacional), e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). Como visto acima neste Voto, no caso do transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares internacionais, a incidência das contribuições deve se dar Fl. 376DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 24 de forma não cumulativa, como pretendido pela recorrente, não sendo cabível a exclusão desse regime veiculada pelo inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Assim, para fins deste Voto, sobre as receitas da recorrente a incidência das contribuições de PIS/Cofins dáse na seguinte forma: regime cumulativo transporte aéreo doméstico de passageiros regime não cumulativo transporte aéreo internacional de passageiros; transporte aéreo de cargas nacional e internacional e demais atividades. Dentro desses parâmetros, passase a analisar a glosas especificamente contestadas no recurso voluntário. 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias Quanto a glosa sobre as tarifas aeroportuárias, decidiu a DRJ que se enquadrariam no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os serviços prestados pela Infraero e cobrados por tarifas que são devidas pelas companhias aéreas, eis que fazem parte do processo produtivo da TAM Linhas Aéreas, afinal, sem a realização de tais serviços não seria possível fazer o transporte aéreo de cargas e passageiros, contudo determinou a aplicação do percentual de rateio para a reversão da glosa somente em relação ao transporte internacional de cargas. Considerando o conceito de insumo adotado neste Voto, a essencialidade/imprescindibilidade dos referidos serviços na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros pela recorrente, é cabível o creditamento correspondente. Assim, além da reversão da glosa das tarifas aeroportuárias proporcionalmente ao transporte internacional de cargas efetuada pela DRJ, cabe reverter neste Voto a parcela da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros. 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte A autoridade administrativa glosou o crédito de combustível consumido no transporte aéreo internacional sob os fundamentos abaixo, o que foi mantido pela DRJ: 9.2.1. A impossibilidade de apuração de créditos do COFINS sobre o valor do combustível consumido no transporte aéreo internacional deuse a partir de 26/09/2008, com a edição, da Lei N° 11.787, de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 25 25/09/2008 – DOU 26.09.2008 – que deu nova redação ao artigo 3° da Lei N° 10.560, de 13/11/2002 – DOU 14.11.2002: Dispõem os artigos 2° e 3° da Lei 10.560, de 13/11/2002 (DOU 14.11.2002): Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, relativamente à receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação, incidirá uma única vez, nas vendas realizadas pelo produtor ou importador, às alíquotas de 5% (cinco por cento) e 23,2% (vinte e três inteiros e dois décimos por cento), respectivamente.(redação dada pela lei 10.865/2004) Art. 3° A Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não incidirão sobre a receita auferida pelo produtor ou importador na venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional. (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) Dispõe o parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10833/2003 § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. 9.2.2. A empresa sem observar os dispositivos citados – particularmente a redação dada pela Lei 11.787, de 25/09/2008, ao artigo 3° da Lei N° 10.560/2002 – manteve a apuração de créditos sobre a COFINS em relação ao consumo de combustível em suas rotas internacionais. 9.2.3. Os valores relativos ao consumo de combustível no transporte internacional foram identificados – na memória de cálculo da apuração do crédito – com o código “NOP E2.02: compra de insumos para utilização na prestação de serviço – combustível para voo internacional”. De outra parte alega a recorrente que não há na Constituição Federal qualquer proibição que diga respeito à vedação da apropriação de créditos relacionados a operações sujeitas à isenção ou qualquer outra hipótese desonerativa. Ocorre que a não cumulatividade das contribuições de PIS/Cofins é instituída por lei ordinária, diferentemente do que ocorre com o IPI e ICMS, cuja não cumulatividade tem previsão constitucional, conforme esclarece Nasrallah: Fl. 378DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 26 Muito embora o ICMS e o IPI e o PIS e a Cofins sejam tributos sujeitos à sistemática não cumulativa, existem diferenças muito relevantes entre as duas espécies de não cumulatividade. A não cumulatividade do ICMS e IPI é obrigatória e tem suas principais diretrizes oriundas da Constituição Federal, que enuncia que estes impostos são não cumulativos, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Vale dizer, a não cumulatividade destes impostos ocorre com o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto pago e destacado nas notas fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia. Por outro lado, a não cumulatividade da COFINS e do PIS não é obrigatória, pois somente existirá ser for instituída por lei ordinária e pode coexistir com o sistema cumulativo. É tratada pela legislação ordinária, com regras de deduções e estornos próprios, que podem ser alteradas livremente pela lei comum. No caso da recorrente, não há a incidência das contribuições na "venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional", nos termos 3° da Lei 10.560/2002, razão pela qual incabível o correspondente creditamento, conforme determinação expressa do §§2°s, incisos II dos artigos 3°s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. 3. Da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro Os créditos pleiteados sob a rubrica gastos com atendimento ao passageiro foram glosados pela fiscalização sob o seguinte fundamento: "9.3.1. Não dão direito ao crédito, por estarem vinculadas ao regime cumulativo, nos termos do disposto no inciso XVI do artigo 10° da Lei N° 10.833/2003, as despesas ligadas exclusivamente à receita do transporte aéreo de passageiros, tais como gastos com o serviço de bordo, atendimento em área de embarque (VIP), hospedagem e alimentação de passageiros". Tal entendimento foi mantido parcialmente pela DRJ, que rebateu os argumentos da manifestante item a item dessa rubrica, abaixo discutidos. a) Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos Segundo a recorrente tratamse de gastos incorridos para disponibilizar uma estrutura física e de pessoal para atender os seus passageiros antes de embarcarem no voo a que se destinam, razão pela qual não há dúvida acerca que são pertinentes e essenciais para o serviço prestado pela recorrente de transporte aéreo de passageiros, e, portanto, Fl. 379DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 27 geram direito a crédito das contribuições de PIS/Cofins no que concerne ao montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido neste Voto. b) Serviços auxiliares aeroportuários Alegou a então manifestante que os "serviços auxiliares aeroportuários” seriam aqueles regulamentados pelo art. 1° da Resolução n° 116, de 20009, da ANAC, constantes no Anexo da aludida Resolução, o que foi rechaçado pela DRJ nestes termos: A contribuinte, porém, não tem razão. Isso porque, analisandose os itens das notas fiscais glosados pela fiscalização (“Anexo 9.3 – Gastos com atendimento ao passageiro”) constatase que os valores desconsiderados na conta “Serviços Auxiliares Aeroportuários” dizem respeito unicamente ao transporte de passageiro, como, por exemplo, “prestação de serviços de atendimento ao passageiro no checkin” e “movimentação de passageiros”, os quais, como já se viu, não geram direito a crédito. A recorrente não apresentou a comprovação em sentido contrário à constatação da DRJ de que tais serviços estão efetivamente vinculados apenas ao transporte de passageiros, apenas repisando que tais serviços seriam aqueles referidos na Resolução nº 116/2009 da Anac, também relacionados ao transporte de cargas. Diante da ausência de demonstração de vinculação das despesas glosadas ao transporte de cargas é de ser mantido o entendimento de que elas estão associadas efetivamente ao transporte de passageiros. Dessa forma, entendo que deve ser revertida a glosa de serviços auxiliares aeroportuários no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. c) Serviços de handling Os serviços de handling são procedimentos em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio, os quais podem ser prestados pelos próprios aeroportos ou por empresas externas, sendo que, quando tal atividade é realizada pelas próprias companhias aéreas, denominase "autohandling”. Entendeu a DRJ que é uma despesa que pode estar vinculada tanto à movimentação de passageiros quanto de cargas, de forma que tais gastos gerariam direito ao crédito da não cumulatividade apenas em relação à parte relacionada ao transporte de cargas. Assim, como nos casos precedentes, deve ser revertida também a parcela da glosa de serviços de handling relativa ao transporte internacional de passageiros. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 28 d) Serviços de Comissaria Conforme informado pela recorrente, tratase de serviço de preparo e ou aquisição, transporte por veículo apropriado e colocação no espaço designado na cabine da aeronave de alimentos e bebidas para consumo dos aeronautas, mecânicos e passageiros embarcados. A DRJ manteve tais glosas sob o fundamento de que tais despesas são vinculadas ao sistema cumulativo, ou seja, ao transporte de passageiros. De outra parte, alega a recorrente que tais serviços, além de atenderem os critérios de custo referido no art. 290 do RIR/99, também são pertinentes e essenciais para a prestação do serviço da Recorrente, e, sendo reconhecido o direito da recorrente de incluir as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros no sistema não cumulativo, haverá de se reconhecer também que os serviços de comissaria enquadramse no conceito de insumo para a legislação do PIS e da Cofins. Assim, deve ser revertida a parcela da glosa de serviços de comissaria no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. e) Gastos com equipamentos terrestres Sobre tais gastos assim decidiu a DRJ: Em relação aos “gastos com equipamentos terrestres”, diz que são gastos com equipamentos terrestres de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas consistem na concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave. Explica que dispõe de rampas de apoio em solo, mas que, em situações de necessidade, pode também solicitálas de empresas especializadas para complementar sua capacidade operacional (doc. 03) e, neste caso, enquadramse como insumo ou geram direito a crédito com base nos incisos IV dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 (aluguel). A primeira dificuldade, neste ponto, é identificar o denominado “doc. 03”, pois embora a interessada tenha anexado alguns contratos ao recurso, não os relacionou ao nome pelo qual se refere na manifestação de inconformidade. Por outro lado, a glosa realizada, no mês de 10/2008, conforme planilha de glosas anexada pela fiscalização, tem como fornecedor a empresa “SERVECOM CATERING REFEICOES LTDA EPP”. Não parece haver, entretanto, nenhum contrato nos autos entre a TAM e esta empresa. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 29 Enfim, a contribuinte não logrou provar que tal serviço diz respeito ao transporte internacional de cargas e que possui docomentação hábil a comprovar o crédito. No recurso voluntário a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto à ausência de provas do direito creditório pleiteado apurada pelo julgador a quo, apenas insistindo no enquadramento de tais gastos no conceito de insumo vinculado ao transporte internacional de passageiros, razão pela qual há de ser mantida a glosa relativa aos gastos com equipamentos terrestres. f) Serviços de transportes de pessoas e cargas Alegou a então manifestante que se trataria de despesas relativas à movimentação de pessoas e cargas para embarque e desembarque; entretanto, apurou a DRJ que as despesas glosadas seriam relativas à contratação de serviços de vans de passageiros, razão pela qual não haveria direito ao crédito. No que concerne à ausência de comprovação de vinculação dos gastos ao transporte de cargas, a recorrente nada contrapôs à decisão recorrida, apenas reafirmando seu direito ao crédito com relação ao transporte internacional de passageiros. Assim, revertese a glosa de "serviços de transporte de pessoas e cargas" no montante desses gastos relativo ao transporte internacional de passageiros. g) Gastos com voos interrompidos Em relação a “gastos com voos cancelados, atrasados ou interrompidos”, esclareceu a então manifestante que a ANAC impõe, por meio da Resolução de n° 141/2010, a responsabilidade da companhia aérea em relação à assistência devida aos seus passageiros quando os voos forem interrompidos, cancelados ou estiverem atrasados, de forma que tais gastos seriam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem imposição da ANAC, anexando contrato (doc. 02) que comprovaria a contratação de serviços a fim de cumprir suas obrigações regulamentadas pela ANAC. Tendo a DRJ apurado que se tratam de despesas vinculadas exclusivamente ao transporte aéreo de passageiros, manteve tais glosas. Assim, da mesma forma que nos itens anteriores, revertese a glosa de gastos com voos interrompidos no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. h) Demais glosas Alega a recorrente que o "acórdão recorrido traz ainda um item específico no qual analisa os serviços de aeroporto, Fl. 382DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 30 despesas com veículos, aluguel e condomínios e luz e força, entendendo não gerarem direito ao crédito por serem despesas vinculadas exclusivamente a gastos com passageiros". Entende que pela "simples análise das glosas é possível verificar que se relacionam com ambos os tipos de transporte, seja de cargas ou de passageiros, motivo pelo qual, ainda que parcialmente, seguindo o raciocínio desenvolvido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deveria ter sido reconhecido o direito creditório da Recorrente". No entanto, especificamente neste trimestre não constam tais glosas. Dessa forma, em resumo deste tópico, da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro devem ser revertidas, no montante relativo ao transporte internacional de passageiros, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido mais acima neste Voto, as seguintes parcelas: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos". 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria assim decidiu a DRJ: No caso do 4º trimestre de 2008, os bens glosados dizem respeito a quatro contas: “Variação de Custos Estoques”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Vestuários e acessórios profissionais”. Relativamente às despesas com “Vestuários e acessórios profissionais”, obviamente elas não estão relacionadas com a manutenção de aeronaves e nem, tampouco, com a prestação de serviços aéreos de cargas, razão pela qual não geram direito a crédito. Por sua vez, há a apenas uma despesa na rubrica “Materiais de manutenção em equipamentos”, que diz respeito à aquisição de uma “Câmera Digital Sony DSC T70”. Obviamente, tal despesa não é insumo no processo produtivo da empresa em epígrafe. Quanto às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebese que se tratam, em verdade, de peças e partes de manutenção de equipamentos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso Fl. 383DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 31 IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente manifestou concordância com relação às contas “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e também não se contrapôs ao óbice colocado pelo julgador a quo ao creditamento de bens e serviços de manutenção. Ademais, nada foi mencionado no recurso voluntário acerca das contas “Variação de Custos Estoques”, e “Vestuários e acessórios profissionais” desta rubrica, razão pela qual não cabe reforma na decisão recorrida. 5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos O legislador ordinário realmente previu a possibilidade de o contribuinte descontar nos meses subsequentes eventuais créditos oriundos de meses anteriores, nos termos dos §§4° dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003: Art. 3º (...) (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [grifos da relatora] Fl. 384DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 32 (...) Decorre diretamente desse dispositivo que o aproveitamento posterior ao mês em que os bens ou serviços foram adquiridos (ou as despesas foram incorridas) depende da comprovação por parte da requerente de não aproveitamento anterior pelo contribuinte (entre o mês da aquisição do bem ou serviço e o mês de aproveitamento extemporâneo). Assim, por exemplo, se a aquisição do insumo é do mês março e a requerente pretende apropriálo em setembro do mesmo ano, terá de comprovar que não o fez nos meses de março a agosto. Nesse sentido estão as orientações da Receita Federal quanto à necessidade de retificação dos DACONs e DCTFs originais, como instrumentos próprios para tal comprovação, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento de créditos. Há precedentes desta Seção de Julgamento do Carf, conforme trechos extraídos abaixo dos Votos dos Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, no sentido de que pode ser admitida a relevação da formalidade de retificação das declarações e demonstrativos desde que demonstrada pela interessada a ausência de utilização do crédito extemporâneo em outros períodos: Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n° 3402002.603 4a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Aproveitamento de Créditos Extemporâneos (...) A matéria no entanto já tem entendimento em sentido contrário, plasmado, por exemplo, no Acórdão n° 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 33 Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. (...) Processo nº 10380.733020/201158 Acórdão n° 3403002.717 4a Câmara / 3a Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Cabe destacar de início, que, por óbvio, a ausência de retificação a que se refere o fisco, é referente aos períodos anteriores, pois o que se busca é evitar o aproveitamento indevido, ou até em duplicidade. As retificações, como destaca o fisco, trazem uma série de consequências tributárias, no sentido de regularizar o aproveitamento e tornálo inequívoco. Quanto à afirmação de que a recorrente cumpriu em demonstrar a ausência de utilização anterior dos referidos créditos, indicando genericamente todos os documentos entregues à fiscalização e/ou acostados na impugnação, não logra instaurar apresentar elementos concretos que ao menos instaurem dúvida no julgador, demandando diligência ou perícia. Aliás, a perícia solicitada ao final do recurso voluntário considerase não formulada pela ausência dos requisitos do art. 16, IV do Decreto no 70.235/1972, na forma do § 1o do mesmo artigo. No mais, acordase com o julgador de piso sobre a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. E, ainda que se relevasse a formalidade de retificação das declarações, não restou no presente processo demonstrada conclusivamente, como exposto, ausência de utilização anterior dos referidos créditos. Sobre a afirmação de que a autuação "funda seu entendimento tão somente em uma solução de consulta, formulada por outro contribuinte", é de se reiterar de que forma o fisco utilizou soluções de consulta na autuação (fl. 35 do Termo de Verificação Fiscal): "O segundo requisito diz respeito à necessária retificação, em todos os períodos pertinentes, de todas as declarações (DACONs, DCTFs e DIPJs) cujos valores são alterados pelo recálculo e refazimento da apropriação de créditos de PIS e COFINS. Isto porque este procedimento implica Fl. 386DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 34 também o recálculo de todos os tributos devidos em cada período de apuração, especialmente o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. É que na sistemática da nãocumulatividade, qualquer apropriação de créditos de PIS e de COFINS, resulta, necessariamente na redução, em cada período de apuração, de custos ou despesas incorridas e, por consequência, na elevação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Há diversas soluções de consulta no âmbito da RFB, que exprimem o entendimento acima, dentre elas citaremos a Solução de Consulta no 14 SRRF/6aRF/DISIT, de 17/02/2011, a Solução de Consulta no 335 SRRF/9aRF/DISIT, de 28/11/2008, e a Solução de Consulta no 40 SRRF/9aRF/DISIT, de 13/02/2009." Assim, patente que as soluções de consulta não são (e sequer constam no campo correspondente) a fundamentação da autuação. (...) Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações. (...) Nesse sentido também foi decidido por este Colegiado, em outra composição, no Acórdão nº 3402002.809, de 10/12/2015, sob minha relatoria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 (...) CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Assim, no caso presente, não obstante se pudesse relevar a formalidade de retificação das declarações e demonstrativos, diante da ausência de demonstração inequívoca, a cargo da recorrente, de que os créditos extemporâneos, referentes à aquisições dos anos de 2005 e Fl. 387DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 35 2006, não foram aproveitados em outros períodos, não há como reformar a decisão recorrida. 6. Da glosa relacionada aos gastos com importação Trata este tópico das glosas relativas aos gastos com despachante aduaneiro na importação de bens e o correspondente transporte até o estabelecimento da recorrente. Segundo a recorrente seriam os bens importados máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, os quais não estariam disponíveis no mercado nacional. A DRJ manteve a glosa dos gastos com despachante aduaneiro, com esteio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4/2012 e na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012, abaixo transcritos, tendo em vista que não é permitido o desconto de créditos sobre tais dispêndios, os quais não compõem a base de cálculo das referidas contribuições incidentes na importação de mercadorias: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 26 de junho de 2012 DOU de 27.6.2012 “Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 273 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 a 18 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 24 de maio de 2012, declara: Artigo único. Os gastos com desembaraço aduaneiro na importação de mercadorias não geram direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por falta de amparo legal. Solução de Divergência nº 7, Cosit, de 24/05/2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por Fl. 388DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 36 pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, I e art. 15 (...) 19. Portanto, considerandose que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratados como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostrase absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observase que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. 22. Exatamente por isso, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e seu homólogo na Lei nº 10.833, de 2003, limitam o direito de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita exclusivamente “aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”, e “aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. 23. Verificase, portanto, que a análise da possibilidade de se apurar créditos com relação aos gastos com desembaraço aduaneiro deve se basear exclusivamente na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços. 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada referese às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das Fl. 389DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 37 contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do § 1º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: 25. De fato, há que se verificar se os gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada estão incluídos na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação, pois, caso não estejam, não há que se falar em apuração de crédito para ulterior abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar incidentes sobre a receita bruta, visto que o crédito só existe em relação às contribuições efetivamente pagas. Em outras palavras, o crédito na importação não pode ser maior do que a Contribuição para o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação pagas pelo contribuinte. ...... 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep– Importação e da Cofins–Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, possível a apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. 33. Assim, considerandose as hipóteses de creditamento previstas no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, combinado com o inciso I do art. 7º do referido diploma legal, não há autorização para apuração de crédito em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. Isto porque, conforme o § 1º do art. 15, o direito ao crédito aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação, pagamento que não ocorre em relação a tais gastos, visto que eles não compõem a base de cálculo das aludidas contribuições. Conclusão 34. Diante do exposto, solucionase a presente divergência afirmandose que: a) os gastos com desembaraço aduaneiro devem ser considerados como integrantes do custo de aquisição de mercadoria importada; b) em se tratando de operação de importação de mercadoria, utilizada como insumo ou destinada à revenda, devese analisar a Lei nº 10.865, de 2004, para fins de verificação do direito ao desconto de crédito para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; Fl. 390DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 38 c) os gastos com desembaraço aduaneiro decorrentes de importação de mercadoria não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, por força do disposto no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004; d) não é permitido às pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontar créditos em relação a gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada, utilizada como insumo ou destinada à revenda, por falta de amparo legal, consoante disposto no § 1º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. De outra parte, os argumentos apresentados no recurso voluntário não convencem. Alega a recorrente que os gastos com despachantes aduaneiros seriam qualificados como custos dos produtos importados, o que, a seu ver, já justificaria a permissão para apropriar os respectivos créditos. Ora, o que poderia justificar o reconhecimento de um direito creditório é a sua previsão legal, o que inexiste para tais gastos, mormente quando esses valores sequer integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins na importação. Também não se poderia dizer que os gastos com despachantes aduaneiros seriam "imprescindíveis para a importação dos mencionados bens pela ora Recorrente", vez que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias também podem ser efetuadas por outras pessoas, inclusive empregado com vínculo empregatício exclusivo, nos termos do art. 5º, §1º do Decretolei nº 2.472/887, atualmente consolidado no art. 809 do Regulamento Aduaneiro/2009. A decisão recorrida deve ser mantida em relação aos gastos com despachantes aduaneiros pelos seus próprios fundamentos. Quanto ao frete nacional dos bens importados, melhor sorte não assiste à recorrente. Os créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, no que concerne aos bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo da contribuinte, estão previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/20048, sendo que, em seu §3º, está definida a base de cálculo do crédito como "o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição". Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 10.865/2004 estabelece que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro. Nos termos do art. 77 do Regulamento Aduaneiro/2002 ou 2009, integram o valor aduaneiro o custo de transporte e os gastos relativos à carga, descarga e manuseio da mercadoria importada até o ponto de desembaraço no Fl. 391DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 39 território aduaneiro, bem como o custo do seguro da mercadoria nessas operações. Dessa forma, não há possibilidade de, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, se autorizar o creditamento das despesas com frete e armazenagem incorridas após o desembaraço aduaneiro, que não integram a base de cálculo definida na Lei para o desconto dos créditos. De outra parte, também o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, obviamente, não poderia socorrer a recorrente relativamente a despesas em operações referentes à entrada do insumo, eis que se refere a despesas de frete e armazenagem relativas à operação de venda com o ônus suportado pelo vendedor. Analisemos agora a eventual aplicação do art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 (ou o correspondente da Lei nº 10.637/2002), o qual dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 392DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 40 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) [negritei] Como se sabe, o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou da Lei nº 10.637/2002 trata do creditamento relativo a um bem ou a um serviço que seja utilizado como insumo na processo produtivo, no caso, na prestação de serviços de transporte de passageiros ou cargas. Vejamos primeiro a hipótese de "serviço utilizado como insumo". Poderia o frete dos bens importados (máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves) ser considerado como "serviço utilizado como insumo" na prestação dos serviços de transporte pela ora recorrente? Entendo que não. Em que pese o CARF não adotar a interpretação restritiva das Instruções Normativas no conceito de insumo, é certo que o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não abriga o creditamento de serviços utilizados em etapas anteriores, que não possam ser consideradas como a prestação do serviço em si (resultado do processo produtivo), no caso, o transporte de pessoas e cargas. Os referidos serviços (frete) são aplicados somente nos próprios insumos, que já foram importados na condição de insumos, de forma que também não se poderia considerar como algo relacionado à produção ou à fabricação anterior desses insumos. O dispositivo legal exige que o serviço (no caso, o frete) seja utilizado como insumo na própria prestação do serviço (transporte de pessoas e cargas), o que não é o caso. Tampouco haveria possibilidade de creditamento dessas despesas com frete em relação ao "bem utilizado como insumo", embora haja construção jurisprudencial no CARF9 no sentido de admitir o desconto de créditos, no que concerne ao frete relativos aos insumos, em relação aos bens utilizados como insumo e aos bens para revenda, relativamente às despesas de fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou 10.637/2002) ou de um bem para revenda (inciso I). Em relação ao bem adquirido de pessoa jurídica no exterior não se vislumbra hipótese de creditamento com base nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 ou 10.637/2002, em face da restrição contida no §3º, I desse Fl. 393DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 41 dispositivo ("§ 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;") e, em consequência, também não seria possível o creditamento de gastos com o frete nacional vinculados ao creditamento desses bens (apropriado ao custo de aquisição do bem utilizado como insumo). Mais importante é que, como visto, no caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial aplicável ao caso, a qual não prevê a inclusão dos gastos com frete. Assim, sob qualquer ponto de vista, não há que se falar em creditamento das despesas relativas a frete realizadas após o desembaraço aduaneiro, sendo o mesmo raciocínio aplicável aos gastos com despachantes aduaneiros. Em situação semelhante ao presente caso, foi decidido no mesmo sentido do proposto acima por unanimidade de votos daquele Colegiado, sob a relatoria do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo: Acórdão nº 3302003.212– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2016 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Relator: José Fernandes do Nascimento ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito Fl. 394DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 42 previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. (...) 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes Com relação aos gastos com estadia de tripulantes alega a recorrente que: "Não há como desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que a empresa aérea possa desenvolver suas atividades. Afinal, na atividade de transporte aéreo se pressupõe que os tripulantes percorram longas distâncias para efetivarem a prestação do serviço a que se propõem. E, não raro, por conta da imperiosa necessidade de respeitar a duração da jornada de trabalho do aeronauta, para que este tenha condições de desempenhar seu trabalho, a estadia do tripulante é indispensável à continuidade da prestação do serviço pela companhia". No entanto, os serviços relativos à hospedagem de tripulantes não são utilizados como insumo na prestação de serviços de transporte pela recorrente em si, sendo usufruídos pelos tripulantes em face dos deslocamentos decorrentes da modalidade de trabalho que exercem. Tratamse de despesas que atendem a uma necessidade operacional da empresa, não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins. Nesse sentido está a Solução de Divergência nº 15, de 30 de Maio de 2008: “Os gastos com passagem e hospedagem de empregados e funcionários, não são considerados “insumos” na prestação de serviços, não podendo ser considerados para fins de desconto de crédito na apuração da contribuição para a Cofins e o PIS nãocumulativo". 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos Neste tópico assim decidiu a DRJ: No caso do 4º trimestre de 2008, os bens glosados (“Planilha 9.8 – Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção”) dizem respeito a três contas: “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Handling” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Tais contas já foram analisadas no item “II.5.4 DA GLOSA RELACIONADA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS PATRIMONIAIS”, tendo o crédito glosado sido indeferido à contribuinte. Pelas mesmas razões lá aduzidas, entendese serem corretas as glosas realizadas. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 43 Como dito no tópico 4. a recorrente manifestou concordância com relação às contas "Gastos com equipamentos terrestres" e "Serviços de manutenção em equipamentos", e relativamente à conta "handling" deste tópico a recorrente nada mencionou no recurso voluntário, razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida. 9. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo Tratase de glosas relativas aos gastos decorrentes da (i) contratação de serviços de comunicação por rádio, (ii) serviços de despachantes, (iii) serviços de segurança patrimonial, (iv) serviços gráficos, (v) serviços gerais de limpeza, (vi) gastos com treinamentos, (vii) serviços de telefonia e banda larga, (viii) serviços de lavagem, (ix) abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações, (xi) aparelhos telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de raio X, (xv) cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, (xvi) rede de dados e voz. Entendeu a autoridade administrativa que: "Tais serviços, por mais necessários às atividades desenvolvidas pela contratante, não estão diretamente ligados à atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afasta da conceituação de insumo". Os gastos com comunicação de rádio entre a companhia aérea e a torre de comando são remuneradas por tarifa e já estão incluídos no tópico "tarifas aeroportuárias". Quanto aos serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas, bem como para contato entre as áreas aeroportuárias, entendeu a DRJ que eles são empregados diretamente na prestação dos serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros, concedendo o respectivo crédito no que concerne ao transporte de cargas. Dessa forma, como neste Voto foi considerado que o transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo, deve ser aqui revertida a parcela da glosa sobre "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros. Com relação à aquisição de “aparelhos de raio X”, como dito pelo julgador a quo, só poderia gerar créditos de depreciação. Como a recorrente não apresentou qualquer argumento que afastasse tal constatação, a glosa deve ser mantida nessa parte. No entanto, quanto “serviços de operação de equipamentos de raio X”, eles podem estar Fl. 396DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 44 vinculados tanto ao transporte de passageiros como de carga, devendo a parcela da glosa de tais serviços aplicada no transporte internacional de cargas ou no transporte internacional de passageiros ser revertida. No tocante à segurança patrimonial e aos gastos com aquisição de extintores de incêndio, alega a interessada que ambos estão vinculados à segurança dos passageiros e das cargas transportadas. Tendo em vista a não demonstração pela recorrente de que os extintores de incêndio seriam bens não ativáveis, não se pode reverter essa parcela da glosa, entretanto, os serviços relativos à segurança dos passageiros e das cargas enquadramse no conceito de insumo adotado neste voto, eis que são essenciais e imprescindíveis ao transporte de passageiros e de cargas, devendo a parcela da glosa relativa à "segurança patrimonial" ser revertida relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. A glosa dos créditos relacionados ao fornecimento de energia às aeronaves (GPU: equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), que se refere, na verdade, a gastos com a locação destes equipamentos e não com suas aquisições, foi mantida pela DRJ nos seguintes termos: "Ocorre, todavia, que a empresa não conseguiu demonstrar dois aspectos essenciais para ter direito ao crédito em discussão. Primeiro, provar que também a atividade aérea de transporte de cargas necessita deste tipo de equipamento. Pelo recurso apresentado, parece que tais equipamentos são utilizados apenas no transporte de passageiros que, como já se viu, está sujeito ao regime cumulativo. Além disso, o contrato apresentado pela manifestante (doc. 5), fls. 1.441/1.444, foi assinado em 04/11/2013 e o prazo de vigência, conforme cláusula 2.1 só se iniciou a partir da assinatura do contrato. Portanto, como o crédito é do 4º trimestre de 2008, tal contrato não tem o condão de gerar o crédito pretendido". Assim, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto a não vigência do contrato no período analisado, não restou comprovado o direito creditório relativo à locação do equipamento GPU, não cabendo reforma na decisão recorrida. Quanto aos gastos com treinamento de tripulantes, decidiu a DRJ no sentido de que "não há previsão legal expressa que autorize o creditamento com tal gasto. Por outro lado, tais despesas não se subsumem no conceito de “insumos”, pois não se caracterizam como “bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços” ou “serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço”. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 45 De outra parte, alega a recorrente que "as despesas com treinamento de tripulantes são indispensáveis para a aludida execução do serviço de transporte aéreo e estão diretamente relacionadas ao objeto social da Recorrente, razão pela qual as glosas devem ser revertidas por este E. CARF". No entanto, as despesas com treinamento de empregados embora sejam essenciais em qualquer ramo empresarial, não são se tratam de serviços aplicados na prestação de serviços de transporte, objeto social da recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida nesta parte. Quanto aos demais itens deste tópico, em que pesem os argumentos da recorrente, deve ser mantida a decisão recorrida, nos seguintes termos: "é facilmente observável que diversos bens glosados não dizem respeito diretamente ao serviço prestado pela manifestante, sendo apenas despesas operacionais da empresa. Obviamente, serviços gerais de limpeza, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, gastos com cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas entre diversos outros, não têm correspondência direta com os serviços prestados pela empresa, não podendo gerar o direito ao crédito. São bens de uso e consumo da empresa, que não geram o direito ao crédito". No que diz respeito a "rede de dados e voz", conforme já decidido por este CARF no Acórdão nº 3401002.857, de 27 de janeiro de 2015, em relação a uma transportadora de cargas, não há o direito ao creditamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2009, 2010, 2011 (...) DESPESAS COM TELEFONEVOZ E TELEFONEDADOS. VINCULAÇÃO A ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS. NÃO ENQUADRAMENTO COMO INSUMOS. As despesas com telefonevoz e telefonedados, por sua natureza, não se vinculam à prestação de serviço de transporte de cargas e não são indispensáveis a sua execução. Ademais, sua utilização está principalmente vinculada à realização das atividades administrativas da empresa, o que permitiria enquadrálas como necessária nos termos da legislação do IRPJ. Considerando a definição de insumos adotada, que não se confunde com o de despesa necessária do art. 299 do Decreto nº 3000/99, tais despesas não preenchem os requisitos para caracterização como insumo. Deve ser mantida a glosa em relação a estas despesas. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 46 Assim, em resumo, devem ser revertidas neste tópico, relativamente à glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo, somente as seguintes parcelas: a) "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e b) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. 11. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos – Bens de uso e consumo No tocante a estas glosas, assim decidiu a DRJ: Observase com as glosas levadas a cabo pela fiscalização (Anexo 9.11 – Outros gastos não classificáveis como insumos) que a interessada pretendeu se creditar de todos os gastos que possui. No referido anexo, percebese a glosa de, entre outros, dispêndios com lixas, thinner, fita crepe, rolo de espuma, aplicador de massa, estopa, bobinas, etc. Todavia, não é todo e qualquer custo que gera o crédito da não cumulatividade do PIS/Cofins. Bens de uso e consumo não podem gerar o crédito da não cumulatividade das referidas contribuições, razão pela qual correta as glosas efetividas pela fiscalização. Tais bens são de uso e consumo, não havendo previsão legal para este tipo de creditamento. Além do mais, como a própria interessada consignou em seu recurso, “os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99”. Especificamente, a interessada se insurge contra as glosas de despesas com vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc. Quanto a estas despesas em específico, vale observar que a Lei n° 11.898, de 08/01/2009, incluiu nos artigos 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 o inciso X, prevendo tal direito a crédito, in verbis: X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Observase, portanto, que as despesas constantes do inciso acima transcrito não proporcionam o crédito indiscriminadamente a qualquer pessoa jurídica. Tais Fl. 399DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 47 despesas possibilitam o crédito apenas a pessoas jurídicas que explorem a prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como este não é o caso da manifestante, não há que se falar em direito a crédito em relação a essas despesas. Por fim, a manifestante reclama especificamente sobre as glosas de gastos com materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticas, que são utilizados para a conservação e para a segurança das partes e peças que serão destinadas ou à manutenção ou à própria aplicação nas aeronaves. Tais bens, entretanto, por razões já exaustivamente debatidas neste voto, não se enquadram no conceito de insumo para a empresa em epígrafe, dado o seu objeto social. Afinal, não têm vinculação direta com a prestação de seus serviços. Alega a recorrente que as "despesas com vestuários e acessórios profissionais" seriam custeadas pelo empregador, conforme determinação legal, não havendo como dissociar esse gasto ao conceito de insumo. Não obstante o conceito mais amplo de insumo no âmbito deste CARF, entendo que tais despesas não se enquadram no conceito de insumo, vez que não são aplicadas no transporte de pessoas e cargas, tratandose de despesas operacionais da empresa. No caso de fardamento e uniforme, o legislador ordinário optou por conceder o creditamento somente às atividades de "prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção", nos termos do art. 3º, IX das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Com relação aos "Materiais de Acondicionamento e Embalagens", embora afirme a recorrente que se tratariam de "materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticos", não se tem prova nos autos de que natureza seriam tais materiais e embalagens ou se seriam não ativáveis, devendo a decisão recorrida ser mantida também nesta parte. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na seguinte forma: a) Determinar à autoridade administrativa que efetue novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo: Fl. 400DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 48 i) glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no valor relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; ii) glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos", no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; iii) gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo: iii.1)"serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e iii.2) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange a glosa de despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) Embora não seja essa premissa o objeto da minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora mas sim a sua aplicação sobre uma específica glosa , vale repisar a evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 49 sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.10 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: Fl. 402DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 50 (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. A Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros. Tendo em vista o citado objeto social, a Recorrente trouxe aos autos prova de seus dispêndios com vestuários e acessórios profissionais de seus funcionários. O custeio dessas vestimentas para os aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984 (com a redação mantida pela Lei n. 13.475/2017, a qual dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta; e revoga a Lei no 7.183/1984), in verbis: Art. 46 O aeronauta receberá gratuitamente da empresa, quando não forem de uso comum, as peças de uniforme e os equipamentos exigidos para o exercício de sua atividade profissional, estabelecidos por ato da autoridade competente”. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade da Recorrente, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo de produção dos serviços prestados pela Recorrente, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 51 Assim tem se manifestado esse Conselho em casos análogos, à medida que o fornecimento de uniformes decorre de imposição de lei específica do setor econômico da empresa. Citamos como exemplo o caso dos uniformes utilizados pelos funcionários em redes de supermercado, conferindo direito ao crédito das Contribuições, haja vista que para cada setor específico das lojas a legislação trabalhista brasileira prevê a obrigatoriedade do fornecimento de equipamentos de proteção individual bem como de uniformes para os seus funcionários (Acórdão n. 3301004.483). Por tudo quanto exposto, voto pela reversão das glosas de créditos pautados em "despesas com vestuário e acessórios profissionais" dos aeronautas, relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário utilizando como paradigma o processo nº 12585.720010/201262, Acórdão nº 3402005.316 e em resumo: (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres por ausência de comprovação; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e Fl. 404DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 52 cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"); (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; (c) manter as glosas das despesas de frete pagas após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros; Ressaltar que na hipótese de se tratar de bem ativado, este deixa de ser considerado insumo, passando a gerar crédito com base na depreciação. Voto ainda para que todos esses processos permaneçam reunidos por conexão." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: (a.1) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres por ausência de comprovação; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de Fl. 405DF CARF MF Processo nº 12585.720256/201234 Acórdão n.º 3201005.415 S3C2T1 Fl. 0 53 comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"); (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; (c) manter as glosas das despesas de frete pagas após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros; Ressaltar que na hipótese de se tratar de bem ativado, este deixa de ser considerado insumo, passando a gerar crédito com base na depreciação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 406DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.900762/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-006.255
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 07 62 /2 01 3- 04 Fl. 70DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900762/2013-04 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, requerido por meio de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação Eletrônica (PER/Dcomp). Após análise eletrônica da solicitação, a DRF de origem proferiu despacho decisório, para não homologar a compensação, alegando que o pagamento indicado na Declaração teria sido utilizado para quitar outros débitos. Regularmente cientificado, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade, onde argumenta que teria deixado de utilizar a totalidade dos créditos permitidos no período, em virtude da apuração da Cofins pela não cumulatividade. Esclarece que teria retificado o Dacon e transmitido um conjunto de PER/DCOMPs com vistas a possibilitar o aproveitamento integral do crédito relativo à Cofins no período. Juntou cópia do Dacon e PER/DCOMP(s) pertinentes. Por seu turno, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. Alegou que, retificada a DCTF após o despacho decisório que não homologou a compensação, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. Acrescentou que os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, onde repisa as alegações apresentadas na impugnação É o Relatório. Fl. 71DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900762/2013-04 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.254, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10530.900759/2013-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.254): O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou a existência do direito líquido e certo dos créditos pleiteados, entretanto, a decisão de piso entendeu por não confirmar os créditos por ausência de documentos e informações fiscais que comprovassem o seu direito creditório. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A decisão de piso foi cristalina ao afirmar que o indeferimento da homologação ocorreu por falta de documentação comprobatória do crédito alegado. Foi interposto recurso voluntário sem apresentar documentos que pudessem comprovar o crédito pleiteado, sob o argumento que caberia a autoridade fiscal buscar os documentos necessários. Entendo não assistir razão à Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 72DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900762/2013-04 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 73DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.255 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900762/2013-04 Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721546/2017-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2012 a 31/10/2013
AÇÃO TRABALHISTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. NÃO CABIMENTO.
Deve ser considerada indevida a compensação baseada na mera alegação de que os valores recolhidos a título de contribuição previdenciária em ação trabalhista estavam decadentes. Ausência de crédito líquido e certo apto a afastar a glosa perpetrada pelo Fisco.
Numero da decisão: 2201-005.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. NÃO CABIMENTO. Deve ser considerada indevida a compensação baseada na mera alegação de que os valores recolhidos a título de contribuição previdenciária em ação trabalhista estavam decadentes. Ausência de crédito líquido e certo apto a afastar a glosa perpetrada pelo Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 11-59.338 - 7ª Turma da DRJ/REC, o qual julgou improcedente a impugnação do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 15 46 /2 01 7- 69 Fl. 30714DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.172 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721546/2017-69 Adotamos o relatório da decisão de primeira instância, por bem sintetizar os fatos: Tem-se em pauta manifestação de inconformidade contra o despacho decisório (DD) SEORT/DRF/BRE nº 363/2017 – DRF Barueri (fls. 30.347/30.353) que não homologou as compensações declaradas pelo sujeito passivo nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) das competências de 09/2012, 10/2012, 11/2012, 06/2013, 07/2013 e 10/2013. Colhe-se do mencionado despacho decisório que o sujeito passivo foi intimado - Termo de Intimação Fiscal (TIF) SEORT/DRF/BRE nº 89/2017 - para prestar esclarecimentos sobre a origem, detalhada por competência e discriminada por estabelecimento, dos créditos utilizados em compensações informadas nas GFIPs dos anos de 2012 e 2013. Na resposta a este termo (fls. 15 e 16), não foi apresentada qualquer justificativa ou detalhamento acerca da origem dos créditos aproveitados nos períodos solicitados. Na seqüência, foi conferida nova oportunidade, através do termo de reintimação fiscal SEORT/DRF/BRE nº 119/2017, para a apresentação de justificativas para as compensações. Foi relatado, nos itens II e III do documento de resposta a esta intimação (fl. 34), que os créditos referentes às compensações em GFIPs do ano-calendário de 2012 decorreram de pagamentos de contribuições previdenciárias efetuados em processos trabalhistas. A resposta, entretanto, absteve-se de qualquer esclarecimento acerca da origem dos créditos aproveitados nas compensações previdenciárias declaradas nas GFIPs do ano-calendário de 2013. Assim, o despacho decisório concluiu por não homologar as compensações pelos seguintes motivos: I. Das compensações informadas em GFIPs do ano-calendário de 2012: embora identificados pagamentos efetuados pelo interessado em processos trabalhistas, tais recolhimentos, judicialmente determinados, não comportam qualquer revisão na esfera administrativa acerca de possível efeito de prazo decadencial e, portanto, não se caracterizam como indevidos ou maiores que os devidos em face da exigência do art. 89 da Lei nº 8.212/1991. Logo, não sendo verificados os requisitos de liquidez e certeza previstos no art. 170 da Lei nº 5.172/1966 quanto aos créditos indicados como lastro, as compensações declaradas nas GFIPs do ano-calendário de 2012 não podem ser confirmadas pela fiscalização; II. Das compensações informadas em GFIPs do ano-calendário de 2013: embora questionado em duas oportunidades distintas, foi constatado que o interessado não disponibilizou os esclarecimentos acerca da origem dos valores aproveitados. A falta de apresentação de informações imprescindíveis para o exame do direito creditório impossibilita determinação de liquidez e certeza estabelecidas pelo art. 170 da Lei nº 5.172/1966 e, por conseguinte, estas compensações não podem ser homologadas. Os valores originários das compensações glosadas encontram-se discriminados na Tabela I do despacho decisório (fl. 30.348) e totalizam o montante de R$ 25.982.976,31 (vinte e cinco milhões, novecentos e oitenta e dois mil, novecentos e setenta e seis reais e trinta e um centavos). Fl. 30715DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.172 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721546/2017-69 Cientificado do despacho decisório em 16/08/2017 (fl. 30.356), o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (fls. 30.364/30.378), em 06/09/2017, aduzindo as seguintes razões de defesa: 1. tempestividade; 2. preliminar de nulidade por desconsideração de matéria já anteriormente analisada: 2.1. a impugnante já havia sido intimada, por meio do Termo de Intimação SEMAC nº 91/2012 (doc. 05), para esclarecer a quais créditos se referiam as compensações lançadas em GFIP nas competências de setembro e outubro de 2012; 2.2. referido Termo de Intimação foi devidamente respondido em 07.01.2013 (doc. 06), oportunidade em que a Contribuinte expôs que os créditos compensados decorreram de pagamentos de contribuições previdenciárias efetuados nos processos trabalhistas no período compreendido pelas últimas 60 (sessenta competências), períodos já decaídos quando do seu pagamento, lastreando os créditos que foram objeto de compensação nas competências de setembro e outubro de 2012, no valor total de R$ 5.419.501,80 e R$ 7.413.651,40, respectivamente; 2.3. não foi apresentado, ou sequer mencionado, qualquer motivo legal que justificaria uma interpretação diametralmente diversa daquela apresentada pelo mesmo órgão fiscalizador há mais de 5 (cinco) anos. Como se sabe, ou se deveria saber, os atos administrativos devem ser, além de fundamentados, devidamente motivados, sob pena de desrespeito à legalidade, ao devido processo legal e aos inafastáveis direitos à ampla defesa e ao contraditório; 2.4. além da medida adotada pelo Sr. Auditor Fiscal afrontar cabalmente os Princípios da Ampla Defesa, do Contraditório e da Segurança Jurídica, também configura verdadeiras arbitrariedade, ausência de motivação e fundamentação legal. Consequentemente, se está diante de uma inadmissível e insanável ilegalidade, revelando-se imperiosa a declaração de nulidade do DD; 3. preliminar de nulidade por ausência da devida análise das provas e informações apresentadas pelo contribuinte: de acordo com as informações e documentos exibidos pelo Contribuinte no decorrer do processo fiscalizatório, denota-se claramente que os créditos por ele compensados nos anos-calendário de 2012 e 2013 possuem a mesma origem, recolhimentos indevidamente realizados em sede de reclamatórias trabalhistas, diante da inequívoca ocorrência da decadência; 4. aspecto temporal do fato imponível da contribuição previdenciária decorrente da decisão da justiça do trabalho: 4.1. Emenda Constitucional nº 45/03 atribuiu à Justiça do Trabalho a competência para executar, de ofício, as contribuições previdenciárias decorrentes de suas decisões. Em nenhuma hipótese compete à Justiça do Trabalho autorizar a compensação de créditos de contribuições previdenciárias; 4.2. O §29 do artigo 43 da Lei n. 8.212/91, agindo como norma interpretativa, consolidou, o entendimento de que o fato imponível das contribuições previdenciárias, sejam elas decorrentes ou não das decisões da Justiça do Trabalho, ocorre quando da prestação do serviço; 4.3. Não há alternativa, portanto, senão (i) identificar como momento do fato imponível da contribuição previdenciária decorrente da decisão da Justiça do Trabalho o tempo da prestação do serviço que ensejou a remuneração onerada (nos termos do artigo 43, da Lei nº 8.212/91), e (ii) reconhecer decaído o direito de a RFB constituir os créditos tributários decorrentes de pagamentos de prestações de serviço ocorridas há mais de cinco anos (nos termos do artigo 150, §4º, do CTN). Ao final, requer que seja decretada a nulidade do despacho decisório proferido e, no mérito, seja reformado o despacho decisório, reconhecendo-se integralmente o direito creditório aqui debatido, e homologando-se as compensações realizadas pelo Contribuinte. Fl. 30716DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.172 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721546/2017-69 Foi prolatado o Acórdão n° 11-59.338 - 7 a Turma da DRJ/REC (fls. 30.614/30.621), que julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2012 a 31/10/2013 EXECUÇÃO EM PROCESSO TRABALHISTA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez que as contribuições previdenciárias foram exigidas no curso de reclamatória trabalhista, caberia ao sujeito passivo manejar os recursos cabíveis naquele processo, sendo impossível rediscutir a matéria no âmbito administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 22/08/2018, foi protocolado Recurso Voluntário em 29/10/2009 (fls. 30.630/30.647), alegando, em síntese, que: É nula a decisão de piso, tendo em vista que apresentou os documentos comprovadores dos créditos oriundos do ano-calendário 2013, porém os mesmos foram tidos como insuficientes no julgamento a quo. Ocorreu a decadência dos valores utilizados na compensação, tendo em vista que decorreram de reclamatórias trabalhistas, cujo fato gerador se conta a partir da efetiva prestação dos serviços, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 e do art. 43, §2º, da Lei nº 8.212/91. A competência da Justiça do Trabalho de executar as contribuições oriundas de suas decisões não afasta o poder-dever da Receita Federal de efetuar o lançamento tributário, inclusive para prevenir a decadência. Não há o que se falar em preclusão do direito da recorrente, já que a decadência não foi e nem poderia ser discutida na esfera judicial. É valido ao fisco revisar os valores determinados pela justiça do trabalho, de forma que seja recolhido o valor devido, seja ele maior ou menor do que o determinado na esfera judicial. É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da nulidade Em sede de impugnação, a ora recorrente alegou a nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que o lançamento das competências de 2013 se deu, além da falta de Fl. 30717DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.172 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721546/2017-69 liquidez e certeza, pela falta de comprovação dos supostos créditos utilizados para o referido ano. O acórdão recorrido, ao analisar o pedido, decidiu: Por fim, também não se sustenta a alegação de que não teria havido a devida análise das provas e informações apresentadas pelo contribuinte. O sujeito passivo tem a obrigação legal de prestar as informações à Fiscalização e, da leitura das respostas às intimações (fls. 15/16 e 33/38), observa-se que o contribuinte não indicou, durante o procedimento fiscal, qual a origem dos supostos créditos compensados em 2013. Gize-se que, a partir dos processos trabalhistas, é impossível saber qual a origem das compensações em 2013. Sem razão, portanto, sua expectativa de que, a partir das provas apresentadas, fosse possível inferir que os créditos compensados em 2013 teriam origem em recolhimentos indevidamente realizados em sede de reclamatórias trabalhistas. Gize-se que, ainda que houvesse créditos a favor do contribuinte nos processos trabalhistas, não seria possível inferir em quais competências teria havido a sua utilização, pois somente o contribuinte poderia informar esse fato, com base nos seus assentos contábeis e registros auxiliares. Em sede recursal, o sujeito passivo alega a nulidade do acórdão de piso sob a alegativa de que a decisão recorrida não avaliou documentos para comprovar a origem dos créditos utilizados nas competências de 2013. Compulsando-se os autos, conclui-se que o acórdão recorrido não aceitou a alegativa de nulidade da fiscalização, tendo em vista que na data desta a contribuinte ainda não tinha feito a efetiva diferenciação dos processos trabalhistas utilizados para compensar-se nas competências de 2013. Ao contrário do alegado pela contribuinte, que faz crer que a decisão de piso não analisou os referidos documentos. De fato, a decisão a quo refutou corretamente a tese arguida pela recorrente, tendo em vista que, nos termos do próprio recurso, a diferenciação dos processos utilizados para compensar-se em 2013 só se deu após a impugnação: Ademais, com o intuito de facilitar o trabalho de investigação do Fisco, a Recorrente também elaborou planilhas de conciliação, a fim de vincular cada um dos seus créditos às compensações realizadas (fls. 30537 a 30609), oferecendo plenas condições de o Fisco exercer o seu poder-dever de busca pela Verdade Material. Diante do exposto, não há o que se falar em cerceamento do direito de defesa, muito menos em nulidade do acórdão anterior, tendo em vista que, ao contrário do aduzido pela recorrente, a decisão atacada analisou os documentos pelo prisma apresentado pela própria contribuinte. Do mérito Ao julgar o mérito, decidiu o acórdão atacado: Ou seja, o Fisco apontou questão prejudicial à análise da suposta decadência alegada pelo sujeito passivo, vez que a exigência de recolhimento decorreu de decisão em processo judicial. Nessa matéria, entendemos da mesma forma. Uma vez que as contribuições previdenciárias foram exigidas no curso de reclamatória trabalhista, caberia ao sujeito passivo manejar os recursos cabíveis naquele processo, sendo impossível rediscutir a matéria no âmbito administrativo (...) Ao tratar dos débitos previdenciários oriundos das ações trabalhistas, determinou a Constituição Federal, em seu artigo 114, VIII: Fl. 30718DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.172 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721546/2017-69 Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (...) VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Ao analisar o referido dispositivo, entendeu a Corte Máxima, através do disposto na Súmula Vinculante 53: A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da Constituição Federal alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e acordos por ela homologados. A recorrente alega que não cabe à Justiça do Trabalho a competência de constituir crédito tributário, sendo tal obrigação privativa da autoridade fiscal, nos termos do artigo 142, do CTN. De fato, existe a previsão alegada pela contribuinte, porém o próprio código determina a possibilidade de outras formas de constituição do crédito tributário, como por exemplo, as taxas. Ao solicitar um passaporte, o contribuinte emite uma GRU e efetua o pagamento sem qualquer participação do fisco na constituição do tributo. Não obstante ao disposto no artigo 142, do CTN, o próprio lançamento por homologação trata-se de uma hipótese de constituição do crédito tributário sem participação do fisco, tendo em vista que a homologação, na maioria das vezes, se dá pela decadência do direito de efetuar o lançamento de ofício, ou seja, o contribuinte sozinho determina a matéria tributável, o tributo devido e efetua o pagamento sem qualquer participação do fisco. O próprio CTN traz diversas possibilidades de constituição do crédito tributário além da prevista no artigo 142. Portanto, não há o que se falar em ilegalidade, muito menos inconstitucionalidade quando a própria Constituição Federal determina outras modalidades de constituição do crédito tributário. O inciso VIII, do artigo 114, da Constituição Federal trouxe duas determinações, uma óbvia: a contribuição previdenciária é uma conseqüência natural de algumas sentenças trabalhistas; e outra nem tanto: a competência da justiça do trabalho para a execução dessas contribuições, vejamos: Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (...) VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). O termo “decorrente” é muito claro. A Constituição Federal determinou mais uma forma de constituição do crédito tributário diversa da prevista no artigo 142, do CTN. Acompanhando a lógica prevista no sistema constitucional, tem-se o entendimento da doutrina: Com isso, criou-se nova modalidade de formalização do crédito relativo a tais contribuições previdenciárias, o que já tem resultado no indeferimento de certidão negativa ainda que inexista lançamento ou declaração do contribuinte, desde que os Fl. 30719DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1 Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.172 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721546/2017-69 débitos estejam formalizados nos autos de reclamatória trabalhista [...] (PAUSEN, Leandro. Direito tributário. 10 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, ESMAFE, 2008, p. 974). Diante do exposto, conclui-se que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não participa em nenhum momento da constituição do referido crédito, assim como também não é competente para realizar a sua revisão. A esfera administrativa, conforme corretamente asseverado pela autoridade lançadora, não é instância recursal para a revisão determinações judiciais. A incompetência da Receita Federal para analisar a decadência alegada pela contribuinte vai além da unidade de jurisdição prevista na Constituição Federal, trata-se, na verdade, de uma distribuição de competências, não cabendo a interferência administrativa na esfera judicial. O caminho correto a ser adotado para sanar o suposto vício alegado pela recorrente seria um recurso ou ação rescisória. Cumulativamente com o pedido de reconhecimento da decadência deveria a contribuinte requerer, alternativamente, o ressarcimento ou o crédito para a compensação dos valores. Na primeira situação, caso houvesse reconhecimento da decadência pelo Judiciário, a Receita Federal sequer participaria do processo de reembolso, a própria Justiça do Trabalho expediria o alvará e a recorrente levantaria os valores pagos indevidamente. Somente na segunda situação, reconhecimento de decadência pela Justiça e pedido de compensação, é que a Receita Federal atuaria, de forma a aferir a certeza e liquidez da sentença judicial para, somente nesse caso, homologar a compensação requerida. Acerca da restituição e compensação das contribuições previdenciárias, determina o artigo 89, §4, da Lei 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 4 o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O artigo 170, do CTN, determina acerca das compensações: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(destaquei). Conforme determinado acima, mesmo que a Receita Federal pudesse revisar o determinado em decisão judicial, não haveria o que se falar em certeza e liquidez de créditos não comprovados cabalmente no momento de sua compensação. Nos termos acima, apenas uma decisão judicial, transitada em julgado, reconhecendo a decadência dos valores determinados como devidos na esfera judicial, seria capaz de preencher os requisitos de certeza e liquidez previstos em lei. Fl. 30720DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.172 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721546/2017-69 Restou claro que a Emenda Constitucional n. 45, ao determinar a atribuição da justiça do trabalho para executar as contribuições oriundas de suas sentenças, visou a criação de uma nova dinâmica nos tributos, conferindo maior celeridade e efetividade ao sistema tributário como um todo. Diante da nova realidade criada pela Constituição Federal não cabe qualquer insurgência administrativa, competindo-lhe apenas o respeito e atuação dentro dos limites impostos. Conforme vastamente demonstrado, não é atribuição da administração tributária a reanálise do determinado em decisão judicial, tendo em vista a sua ausência em todas as etapas da constituição do crédito, além da clara divisão entre as esferas e suas respectivas competências. Ademais, também não há como sustentar a certeza e liquidez dos créditos não comprovados cabalmente no momento da compensação. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 30721DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.721520/2017-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2017
AUTUAÇÃO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE PASSIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (CTN: Artigo 136). É legítima a sujeição passiva de estabelecimento em autuação que teve por objeto a glosa de créditos de IPI tidos como indevido pela fiscalização em razão de possível erro de classificação fiscal.
PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA.
A glosa de créditos incentivados por erro de classificação fiscal da TIPI é possível quando o mesmo critério não foi analisado em procedimento fiscal anterior. Ausência de alteração de critério jurídico em regular procedimento fiscal que resulte em lançamento fiscal diverso, não havendo que se falar em violação ao artigo 146 do Código Tributário Nacional.
COMPETÊNCIA. SUFRAMA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS.
Não obstante as atribuições da Suframa na sua área de competência, ela não afasta a competência da Receita Federal para fiscalização dos tributos em todo o território nacional no prazo de homologação do lançamento, inclusive no que diz respeito à verificação da correta classificação fiscal de produtos e da legitimidade dos créditos apropriados na escrita fiscal pelos contribuintes, bem como à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75.
Nos atos de sua competência, a Suframa pode tratar os kits como se fossem uma mercadoria única, o que não afeta a validade desses atos para os objetivos propostos, porém este tratamento não prevalece para fins de classificação fiscal da mercadoria, cuja competência é do Auditor-Fiscal da Receita Federal com observância das regras próprias.
"KITS" PARA BEBIDAS. CLASSIFICAÇÃO INDIVIDUALIZADA. POR COMPONENTE.
Os denominados "kits" para produção de bebidas no estabelecimento do comprador, por não serem misturados, não podem ser classificados como uma única preparação sob o código NCM/SH 2106.90.10 - "Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", devendo ser classificados individualmente, por cada componente.
A classificação de produtos não misturados sob um único código de preparação somente é autorizada quando haja previsão específica nos textos das posições e das notas de seção e de capítulo ou nas respectivas notas explicativas ou regras gerais do Sistema Harmonizado, o que não ocorre no caso das preparações a que se referem o código NCM/SH 2106.90.10.
Em face da classificação individualizada por componentes do denominado "kit" resta prejudicado o enquadramento no Ex tarifário 01 código NCM/SH 2106.90.10 para o conjunto.
PENALIDADE. EXCLUSÃO. ACÓRDÃO DA CSRF. NORMA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA DIVERSA.
O art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 foi revogado tacitamente pelo art. 100 do CTN, que veio estabelecer que somente as decisões administrativas para as quais a lei atribuísse eficácia normativa poderiam ter o status de norma complementar no âmbito tributário.
Ademais, ainda que assim não fosse, no caso, a matéria sob discussão é exclusivamente a classificação fiscal, de forma que o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) acerca do direito ao crédito não poderia trazer nenhum proveito à recorrente no presente litígio.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-006.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto a preliminar de ilegitimidade passiva e a não incidência de juros de mora sobre a multa; (ii) por maioria de votos, quanto (ii.1) a preliminar de alteração de critério jurídico. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, que dava provimento ao recurso neste ponto; (ii.2) ao argumento de mérito quanto a coisa julgada formada no Mandado de Segurança individual. Vencidos os Conselheiros Cynthia Elena de Campos (relatora), Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne que davam provimento ao recurso neste ponto; (ii.3) ao argumento da competência da SUFRAMA. Vencidas as Conselheiras Cynthia Elena de Campos (relatora) e Maysa de Sá Pittondo Deligne que davam provimento ao recurso neste ponto; (iii) pelo voto de qualidade, quanto (iii.1) ao argumento da classificação fiscal das mercadorias. Vencidos os Conselheiros Cynthia Elena de Campos (relatora), Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurenttis Galkowicz que davam provimento ao recurso neste item. (iii.2) ao argumento da multa proporcional. Vencidos os Conselheiros Cynthia Elena de Campos (relatora), Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurenttis Galkowicz que davam provimento ao recurso neste item. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurenttis Galkowicz não conheciam do Recurso quanto ao tópico 4.2.2 do voto da relatora por entenderem que não é pertinente para o presente processo. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora Designada.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2017 AUTUAÇÃO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE PASSIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (CTN: Artigo 136). É legítima a sujeição passiva de estabelecimento em autuação que teve por objeto a glosa de créditos de IPI tidos como indevido pela fiscalização em razão de possível erro de classificação fiscal. PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. A glosa de créditos incentivados por erro de classificação fiscal da TIPI é possível quando o mesmo critério não foi analisado em procedimento fiscal anterior. Ausência de alteração de critério jurídico em regular procedimento fiscal que resulte em lançamento fiscal diverso, não havendo que se falar em violação ao artigo 146 do Código Tributário Nacional. COMPETÊNCIA. SUFRAMA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não obstante as atribuições da Suframa na sua área de competência, ela não afasta a competência da Receita Federal para fiscalização dos tributos em todo o território nacional no prazo de homologação do lançamento, inclusive no que diz respeito à verificação da correta classificação fiscal de produtos e da legitimidade dos créditos apropriados na escrita fiscal pelos contribuintes, bem como à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75. Nos atos de sua competência, a Suframa pode tratar os kits como se fossem uma mercadoria única, o que não afeta a validade desses atos para os objetivos propostos, porém este tratamento não prevalece para fins de classificação fiscal da mercadoria, cuja competência é do Auditor-Fiscal da Receita Federal com observância das regras próprias. "KITS" PARA BEBIDAS. CLASSIFICAÇÃO INDIVIDUALIZADA. POR COMPONENTE. Os denominados "kits" para produção de bebidas no estabelecimento do comprador, por não serem misturados, não podem ser classificados como uma única preparação sob o código NCM/SH 2106.90.10 - "Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", devendo ser classificados individualmente, por cada componente. A classificação de produtos não misturados sob um único código de preparação somente é autorizada quando haja previsão específica nos textos das posições e das notas de seção e de capítulo ou nas respectivas notas explicativas ou regras gerais do Sistema Harmonizado, o que não ocorre no caso das preparações a que se referem o código NCM/SH 2106.90.10. Em face da classificação individualizada por componentes do denominado "kit" resta prejudicado o enquadramento no Ex tarifário 01 código NCM/SH 2106.90.10 para o conjunto. PENALIDADE. EXCLUSÃO. ACÓRDÃO DA CSRF. NORMA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA DIVERSA. O art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 foi revogado tacitamente pelo art. 100 do CTN, que veio estabelecer que somente as decisões administrativas para as quais a lei atribuísse eficácia normativa poderiam ter o status de norma complementar no âmbito tributário. Ademais, ainda que assim não fosse, no caso, a matéria sob discussão é exclusivamente a classificação fiscal, de forma que o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) acerca do direito ao crédito não poderia trazer nenhum proveito à recorrente no presente litígio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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RESPONSABILIDADE PASSIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (CTN: Artigo 136). É legítima a sujeição passiva de estabelecimento em autuação que teve por objeto a glosa de créditos de IPI tidos como indevido pela fiscalização em razão de possível erro de classificação fiscal. PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. A glosa de créditos incentivados por erro de classificação fiscal da TIPI é possível quando o mesmo critério não foi analisado em procedimento fiscal anterior. Ausência de alteração de critério jurídico em regular procedimento fiscal que resulte em lançamento fiscal diverso, não havendo que se falar em violação ao artigo 146 do Código Tributário Nacional. COMPETÊNCIA. SUFRAMA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não obstante as atribuições da Suframa na sua área de competência, ela não afasta a competência da Receita Federal para fiscalização dos tributos em todo o território nacional no prazo de homologação do lançamento, inclusive no que diz respeito à verificação da correta classificação fiscal de produtos e da legitimidade dos créditos apropriados na escrita fiscal pelos contribuintes, bem como à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 15 20 /2 01 7- 07 Fl. 5800DF CARF MF 2 Nos atos de sua competência, a Suframa pode tratar os kits como se fossem uma mercadoria única, o que não afeta a validade desses atos para os objetivos propostos, porém este tratamento não prevalece para fins de classificação fiscal da mercadoria, cuja competência é do AuditorFiscal da Receita Federal com observância das regras próprias. "KITS" PARA BEBIDAS. CLASSIFICAÇÃO INDIVIDUALIZADA. POR COMPONENTE. Os denominados "kits" para produção de bebidas no estabelecimento do comprador, por não serem misturados, não podem ser classificados como uma única preparação sob o código NCM/SH 2106.90.10 "Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", devendo ser classificados individualmente, por cada componente. A classificação de produtos não misturados sob um único código de preparação somente é autorizada quando haja previsão específica nos textos das posições e das notas de seção e de capítulo ou nas respectivas notas explicativas ou regras gerais do Sistema Harmonizado, o que não ocorre no caso das preparações a que se referem o código NCM/SH 2106.90.10. Em face da classificação individualizada por componentes do denominado "kit" resta prejudicado o enquadramento no Ex tarifário 01 código NCM/SH 2106.90.10 para o conjunto. PENALIDADE. EXCLUSÃO. ACÓRDÃO DA CSRF. NORMA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA DIVERSA. O art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 foi revogado tacitamente pelo art. 100 do CTN, que veio estabelecer que somente as decisões administrativas para as quais a lei atribuísse eficácia normativa poderiam ter o status de norma complementar no âmbito tributário. Ademais, ainda que assim não fosse, no caso, a matéria sob discussão é exclusivamente a classificação fiscal, de forma que o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) acerca do direito ao crédito não poderia trazer nenhum proveito à recorrente no presente litígio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto a preliminar de ilegitimidade passiva e a não incidência de juros de mora sobre a multa; (ii) por maioria de votos, quanto (ii.1) a preliminar de alteração de critério jurídico. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, que dava provimento ao recurso neste ponto; (ii.2) ao argumento de mérito quanto a coisa julgada formada no Mandado de Segurança individual. Vencidos os Fl. 5801DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.801 3 Conselheiros Cynthia Elena de Campos (relatora), Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne que davam provimento ao recurso neste ponto; (ii.3) ao argumento da competência da SUFRAMA. Vencidas as Conselheiras Cynthia Elena de Campos (relatora) e Maysa de Sá Pittondo Deligne que davam provimento ao recurso neste ponto; (iii) pelo voto de qualidade, quanto (iii.1) ao argumento da classificação fiscal das mercadorias. Vencidos os Conselheiros Cynthia Elena de Campos (relatora), Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurenttis Galkowicz que davam provimento ao recurso neste item. (iii.2) ao argumento da multa proporcional. Vencidos os Conselheiros Cynthia Elena de Campos (relatora), Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurenttis Galkowicz que davam provimento ao recurso neste item. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurenttis Galkowicz não conheciam do Recurso quanto ao tópico 4.2.2 do voto da relatora por entenderem que não é pertinente para o presente processo. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1062.189, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação interposta, mantendo o crédito tributário constituído. Fl. 5802DF CARF MF 4 A autuação de fls. 5.061 a 5.093 foi lavrada no valor total de R$ 51.000.591,44 (cinquenta e um milhões, quinhentos e noventa e um reais e quarenta e quatro centavos), sendo R$ 24.509.767,39 a título de imposto, R$ 8.108.498,79 a título de juros de mora, R$ 18.382.325,26 a título de multa proporcional. O Auditor Fiscal apurou suposto aproveitamento indevido de créditos incentivados oriundos de insumos adquiridos de fornecedor localizado em Manaus/AM, resultando nas seguintes conclusões: * Auto de Infração para cobrança do crédito tributário decorrente do aproveitamento indevido de créditos incentivados, cobrandose o imposto que deixou de ser recolhido nas saídas nos meses de fevereiro a junho, setembro e dezembro de 2013, fevereiro, abril a junho de 2014 e junho de 2017; * Nos demais períodos de apuração abrangidos pela ação fiscal o contribuinte apurou saldos credores. Foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrados em planilhas integrantes do processo. O período da autuação se refere a janeiro de 2013 até junho de 2017, sendo invocado pela fiscalização o seguinte enquadramento legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2016: Decreto nº 435/1992 (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias NESH) IN RFB nº 807/2008 e IN RFB nº 1.260/2012 (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias NESH) Arts. 15, 16, 17, 24, inciso II, 81, inciso II, 95, inciso III, 181, 186, §§ 2º e 3º, 237, 256, 257, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/10) Decreto nº 7.660/2011 e alterações posteriores (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI) Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2017 e 31/05/2017: Decreto nº 435/1992 (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias NESH) IN RFB nº 807/2008 e IN RFB nº 1.260/2012 (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias NESH) Arts. 15, 16, 17, 24, inciso II, 81, inciso II, 95, inciso III, 181, 186, §§ 2º e 3º, 237, 256, 257, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/10) Decreto nº 8.950/2016 (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI). Em síntese, a equipe de fiscalização concluiu que: * A Contribuinte não poderia aproveitar créditos do IPI com base no art. 237, do RIPI, de 2010, correspondente ao art. 175 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, porque os produtos fornecidos por Recofarma não fazem jus à isenção do art. 82, III, do RIPI, de 2002, correspondente ao art. 95, III, do RIPI, 2010 (Amazônia Ocidental), uma vez que não foram empregadas matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; Fl. 5803DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.802 5 * O Mandado de Segurança Individual impetrado pela Contribuinte (RE 212.4842) analisou sobre o Princípio da Não Cumulatividade e concedeu o direito de crédito do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção, mas não abordou sobre os créditos originados da aquisição de "Kits" fornecidos pela Recofarma, cuja entrada ocorreu sob incidência com alíquota zero; * Os “kits” fornecidos pela Recofarma se referem a embalagens individuais contendo substâncias puras, como benzoato de sódio, sorbato de potássio ou ácido cítrico. Tais substâncias passam somente por operação de reacondicionamento no estabelecimento de Recofarma, e não são reconhecíveis como destinadas ao uso na industrialização de bebidas, exceto por rótulos colados nas embalagens de transporte. Os componentes dos “kits”, exceto os elaborados com extrato de guaraná, não fazem jus à isenção do art. 95, inciso III, do RIPI, de 2010, e, no caso de embalagem individual contendo uma substância objeto de reacondicionamento, a mercadoria tampouco faz jus à isenção do art. 81, II, do mesmo RIPI, de 2010, que exclui de sua abrangência os produtos industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento; * Para que uma mercadoria se classifique no Ex 01 do código 2106.90.10, deve apresentar as seguintes características: (a) ser uma preparação composta; (b) não ser alcoólica; (c) caracterizarse como extrato concentrado ou sabor concentrado; (d) ser própria para elaboração de bebida da posição 22.02 e (e) ter capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. No caso, o interessado pretende enquadrar no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI componentes de um “kit” que atendem, no máximo, às condições citadas nas letras (a), (b) e (d), restando inviável o pretendido enquadramento; * A classificação individualizada desses componentes, que podem ser preparações ou matérias puras, importa, na maioria dos casos, na alíquota zero do IPI, resultando em crédito do IPI, “calculado como se devido fosse”, igual a zero. Nas situações em que a classificação fiscal individualizada importa alíquota superior a zero, o crédito não é devido, porquanto a descrição dos produtos nas notas fiscais é de mercadoria única, correspondente a “concentrados” apresentados em “kits”, referentes aos diversos refrigerantes, sem especificar os componentes e respectivos valores. A Contribuinte apresentou tempestiva impugnação (fls. 53165385), o que fez com os seguintes argumentos: i) As notas fiscais das fls. 74 a 3151 mostram que os concentrados são beneficiados por duas isenções: (a) Isenção do art. 81, II, do RIPI, de 2010, que tem base legal no art. 9º do DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, por serem produzidos na Zona Franca de Manaus, cujo crédito de IPI para o impugnante foi assegurado, expressa e especificamente, pela coisa julgada formada no MS n° 91.0009552 4 e RE n° 212.4842/RS, das fls. 11 a 73; e Fl. 5804DF CARF MF 6 (b) Isenção art. 95, III, do RIPI, de 2010, que tem base legal no art. 6° do Decretolei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975, a qual não foi objeto do referido MS n° 91.00095524, mas cujo crédito de IPI para o adquirente decorre do citado art. 6º, § 1º, do Decretolei n° 1.435, de 1975, desde que o insumo seja elaborado com matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental. ii) Configurase a ausência de responsabilidade pelo erro de classificação, pois é terceiro adquirente dos concentrados para refrigerantes e que o fornecedor Recofarma foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os produtos e efetuou sua classificação fiscal, o que é bastante e suficiente para justificar a utilização pelo impugnante da respectiva alíquota para cálculo do crédito do imposto; iii) Apropriou do crédito do IPI conforme expressamente reconhecido pela coisa julgada formada no MS n° 91.00095524, no caso da isenção do art. 9º do Decreto lei n° 288, de 1967, e/ou por disposição legal, no caso da isenção do art. 6° do Decretolei n° 1.435, de 1975; iv) Configurase alteração de critério jurídico, com violação do artigo 146 do Código Tributário Nacional, uma vez que por meio do Acórdão nº 3402002.900 foi mantido o crédito de IPI calculado pela alíquota de 20%, cancelando o auto de infração lavrado contra a Recorrente naquele período. Portanto, até 29/01/2016 tem o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados isentos, calculado à alíquota de 20%, correspondente à posição 21.06.90.10, EX 01, sendo que o novo critério jurídico utilizado pela autoridade fiscal não poderia retroagir; v) Competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal de produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo: A Suframa definiu o produto elaborado por Recofarma como concentrado para refrigerantes, entendido como preparações químicas utilizadas como matériaprima para industrialização de bebidas, com capacidade de diluição superior a 10 partes de bebida para cada parte de concentrado, bem como efetuou a classificação fiscal desse produto, conforme Resolução do CAS n° 298, de 2007, integrada pelo Parecer Técnico de Projeto n° 224/2007 SPR/CGPRI/COAPI. Trata sobre o Processo Produtivo Básico definido na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT n° 08/98, que conceitua o referido produto como "concentrado para bebidas não alcoólicas (código 0653); A Suframa confirma que Recofarma continua cumprindo a classificação fiscal do concentrado por ela estabelecida conforme se verifica do Oficio n° 4215 COPIN/CGAPI/SPR, de 28 de agosto de 2015, e do Oficio n° 3638 SPR/CGAPI/COPIN, de 26 de setembro de 2014, expedidos pela Suframa e apresentados em processos de interesse de outros fabricantes de produtos CocaCola. vi) Classificação fiscal segundo as RGI/SH e Nesh: Segundo as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (NESH), o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b) confirma que os concentrados entregues em forma de “kits” devem ser classificados numa mesma posição, uma vez que tais concentrados constituem “mercadoria unitária”; As Notas Explicativas III, a), e IV da Regra Geral de Interpretação 1 e a Nota Explicativa X da Regra Geral 2 b) esclarecem que a aplicação da Regra Geral Fl. 5805DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.803 7 de Interpretação 1 se dá automaticamente quando há posição específica para classificar a mercadorias, o que ocorreria na hipótese com a posição 21.06.90.10 Ex. 01 e Ex. 02; O fato de os concentrados fornecidos pela RECOFARMA não terem sido previamente homogeneizados não significa que não estejam prontos para uso pelo fabricante de refrigerantes; Após ingresso dos concentrados no estabelecimento, todo processo produtivo se refere à elaboração de refrigerantes, confirmando a classificação fiscal em razão da destinação da mercadoria; Apresentou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, com a conclusão de que se trata de “produto único”, concluindo que a regra a ser aplicada ao presente caso é a RGI1. vii) Aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional; viii) Ilegalidade do auto de infração por alteração do critério jurídico, uma vez que a fiscalização concluiu que a maioria das partes do produto estariam classificadas em posições cujas alíquotas são iguais a zero, porém reconhecendo que uma das partes integrantes deveria ser classificada na posição 3302.10.00, cuja alíquota é de 5% e, no entanto, deixou de calcular este crédito por aplicação do artigo 142 do Código Tributário Nacional; ix) Falta de provas para embasar a autuação; x) Direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do artigo 9º do DecretoLei nº 288/67. A decisão não deixou de reconhecer a existência do MSI nº 91.00095524, mas deixou de reconhecer o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, em razão de ter glosados a alíquota utilizada para calcular o respectivo crédito, face ao suposto erro de classificação fiscal; xi) Direito ao crédito relativo à isenção do artigo 6º do Decretolei nº 1.435/75. Os referidos produtos também gozam do benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75, que foi outorgado pela Resolução do CAS nº 298/2001, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007, como consta das respectivas notas fiscais. Aplicase o disposto no art. 24 do DL nº 4.657/42, transcrito no item 5.32., que veda a declaração de invalidade das situações já constituídas que foram embasadas em ato administrativo, em razão de alteração de entendimento das autoridades administrativas; xii) Impossibilidade de exigência de multa, de juros e de correção monetária. A multa, os juros de mora e a correção monetária também não são devidos em razão do disposto no art. 100, parágrafo único do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança; xiii) Incidência do artigo 76, II, “a”, da Lei 4.502/1964 para afastar a multa aplicada em autuação; xiv) Exclusão da multa por incidência dos artigos 486, II, “a”, do RIPI/2002 e 567, II, “a”, do RIPI/2010; xv) Descabimento de juros sobre a multa de ofício. Fl. 5806DF CARF MF 8 A 3ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS não acatou os argumentos da defesa, proferindo o v. Acórdão nº 1062.189 com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2017 ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO INDEVIDA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito a um mesmo lançamento e não a lançamentos diversos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2017 INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. LAUDOS OU PARECERES. Os laudos ou pareceres do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Para esse efeito, deverão ter sido emitidos por determinação da autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, situação em que haverá oportunidade de formulação de quesitos pelo impugnante, pelo autor do procedimento fiscal e pela autoridade julgadora. Laudos ou pareceres emitidos por iniciativa exclusiva do impugnante ou de terceiros, sem passar pelo crivo da autoridade julgadora, serão analisados como provas, sem ser de adoção obrigatória, podendo a autoridade julgadora solicitar outros a qualquer dos órgãos oficiais antes mencionados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2017 AQUISIÇÕES DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. ISENÇÃO. É incabível a isenção do IPI na saída de produtos que não foram elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional da Amazônia Ocidental, por estabelecimentos industriais localizados naquela região. AQUISIÇÕES DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. CRÉDITO COMO INCENTIVO. GLOSA. É ilegítimo o crédito incentivado do IPI, calculado como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos supostamente com a isenção da Amazônia Ocidental, que se verificou inaplicável. AQUISIÇÕES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. Fl. 5807DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.804 9 É incabível a isenção do IPI na saída de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento. AQUISIÇÕES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. GLOSA. Carece de previsão legal a escrituração de crédito do IPI pelo adquirente de produtos isentos do referido imposto, industrializados na Zona Franca de Manaus, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados à comercialização em qualquer outro ponto do território nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (Posições 33.03 a 33.07 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico. É ressalvado o direito de o interessado neste processo escriturar créditos nas condições antes referidas, em cumprimento aos estritos termos de decisão judicial transitada em julgado, em mandado de segurança por ele impetrado. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS DO IPI NO ÂMBITO DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. PREVISÃO LEGAL DE CRÉDITO, EM FAVOR DO ADQUIRENTE, DO IPI CALCULADO COMO SE DEVIDO FOSSE. GLOSA. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS DO IPI NO ÂMBITO DA ZONA FRANCA DE MANAUS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO, PARA CRÉDITO DO IMPOSTO POTENCIALMENTE INCIDENTE. GLOSA. CRÉDITO DO IPI “POTENCIALMENTE INCIDENTE” OU “CALCULADO COMO SE DEVIDO FOSSE” IGUAL A ZERO. GLOSA. É correta a glosa de crédito do IPI, “potencialmente incidente”, “incidente” ou “calculado como se devido fosse”, na aquisição de “kits” constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, em proporções fixas, para a fabricação de bebidas. Tais “kits” não podem ser classificados, como mercadoria única, no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, ao qual corresponde a alíquota de 20%, utilizada pelo adquirente dos “kits” para cálculo do crédito, devendose classificar os respectivos componentes de forma individualizada, em códigos da TIPI aos quais corresponde, em sua maioria, alíquota zero, o que resulta em crédito do IPI, “potencialmente incidente”, “incidente” ou “calculado como se devido fosse”, igual a zero. SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS. Nos atos de sua competência, a Suframa pode tratar “kits” constituídos por diferentes componentes acondicionados Fl. 5808DF CARF MF 10 separadamente e apresentados em conjunto, em proporções fixas, para a fabricação de bebidas, como se fossem mercadoria única, o que não afeta a validade desses atos para os correspondentes objetivos. Para fins de classificação fiscal dos produtos na Tabela de Incidência do IPI, o tratamento dos referidos “kits”, como mercadoria única, é excluído pelas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGI/SH) e respectivas Notas Explicativas (Nesh). ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. A observância dos atos normativos expedidos no âmbito da Suframa não tem o condão de excluir a imposição de penalidades por infração à legislação tributária, tampouco a cobrança de juros de mora. Prejudicado o pedido de exclusão de atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, pela inexistência de previsão legal para essa atualização e por ser matéria estranha ao lançamento de ofício. Acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não possuem caráter normativo nem vinculante. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA. Descabe exonerar a multa de ofício, sob o argumento de que o infrator agiu de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, ainda prevalecente, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado, no caso de ter sido apontada decisão que deixou de enfrentar o mérito dos aspectos discutidos na autuação que ensejou a aplicação da multa. LEI TRIBUTÁRIA QUE DEFINE INFRAÇÕES, OU LHES COMINA PENALIDADES. DÚVIDA. PEDIDO DE INTERPRETAÇÃO FAVORÁVEL AO ACUSADO. INAPLICABILIDADE. A interpretação favorável ao acusado, em caso de dúvida, se aplica à lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, e não às RGI/SH. Se fosse aplicável à inobservância das RGI/SH, a inexistência de dúvida impediria eventual interpretação favorável ao acusado. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. O estabelecimento que utiliza créditos ilegítimos do IPI responde pelos saldos devedores desse imposto, decorrentes da reconstituição da escrita fiscal motivada pela glosa dos créditos, bem assim pelos juros de mora e multa de ofício. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Carece de fundamento a alegação de ilegalidade do auto de infração que não considerou créditos na reconstituição da Fl. 5809DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.805 11 escrita fiscal, pela ausência de elementos para cálculo do valor do crédito nos documentos que lhes confeririam legitimidade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de juros de mora sobre a multa objeto de lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi intimada da decisão de 1ª Instância pela via eletrônica em data de 26/06/2018 (Termo de Ciência por Abertura de mensagem de fls. 5699). O Recurso Voluntário de fls. 5739 a 5797 foi interposto em data de 24/07/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 5700), pelo qual pede a reforma da decisão de primeira instância para cancelamento do auto de infração e extinção do crédito tributário exigido, o que fez com os mesmos argumentos apresentados em peça de impugnação, acima já mencionados. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Da delimitação da lide A decisão recorrida delimitou a análise do direito ao crédito da Contribuinte da seguinte forma: As notas fiscais respectivas foram emitidas pelo fornecedor Recofarma sem lançamento (destaque) do IPI, por considerar os “kits” isentos desse imposto pelos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI, de 2010, dispositivos que se referem a benefícios instituídos no âmbito de regimes fiscais regionais, a saber: Zona Franca de Manaus (art. 81, II) e Amazônia Ocidental (art. 95, III). A Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida por Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, conforme § 4º do art. 1º do Decretolei n° 291, de 1967, e § 1º do art. 1º do Decretolei nº Fl. 5810DF CARF MF 12 356, de 1968. Eis a transcrição dos referidos artigos do RIPI, e também do art. 237 do mesmo diploma: (...) Passando ao exame da glosa de crédito incentivado sob o enfoque do art. 237 do RIPI, de 2010, que remete ao art. 95, III, do mesmo diploma, o litígio deve ser examinado sob duas perspectivas: a) se os componentes dos “kits” fornecidos por Recofarma fazem jus, efetivamente, à isenção do art. 95, III, do RIPI, de 2010; e b) caso os componentes dos “kits” façam jus à referida isenção, devese perquirir se o cálculo do IPI, “como se devido fosse”, resulta em valor para crédito na escrita fiscal do adquirente. Com respeito ao caso concreto, consta no Relatório de Ação Fiscal que o interessado não faz jus a créditos do IPI com base no art. 237, do RIPI, de 2010, correspondente ao art. 175 do RIPI, de 2002, porque os produtos fornecidos por Recofarma não são beneficiados pela isenção do art. 82, III, do RIPI, de 2002, correspondente ao art. 95, III, do RIPI, 2010 conforme explicado nos itens 12 a 70 do Termo de Verificação Fiscal elaborado em 29 de dezembro de 2014 no processo 11070.722571/201403, também de interesse de Vonpar. 3. Preliminares 3.1. Alegação de ilegitimidade passiva da Recorrente Alega a Recorrente que é parte ilegítima para figurar no polo passivo desta ação fiscal, uma vez que agiu de forma lícita e correta ao calcular o crédito de IPI com base na alíquota correspondente à classificação fiscal indicada na nota fiscal pela RECOFARMA, sendo que não tem a obrigação de verificar a correção indicada pela fornecedora da mercadoria. Não assiste razão à Contribuinte, uma vez que a obrigatoriedade de verificação sobre as exigências quanto à classificação fiscal da mercadoria adquirida é prevista pelo artigo 327 do RIPI/20101. Ademais, independente de estar correto ou não o Código NCM em análise, aplicase igualmente o artigo 136 do Código Tributário Nacional, pelo qual a responsabilidade por infrações independe da vontade do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Considerando que a Recorrente se apropriou do crédito tido pela fiscalização como indevido, não há que se falar em ilegitimidade passiva em razão de a fornecedora ter emitido as respectivas Notas Fiscais informando a classificação fiscal dos produtos. 1 Art. 327. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62). Fl. 5811DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.806 13 3.2. Alegação de alteração de critério jurídico Argumenta a Recorrente que: i) O Auto de Infração violou o artigo 146 do Código Tributário Nacional, uma vez que em procedimentos fiscais anteriores a Autoridade Fiscal tinha o dever de examinar todos os aspectos legais formadores do fato gerador da obrigação tributária do IPI, inclusive o direito ao crédito, a classificação fiscal e respectiva alíquota; ii) Através do Acórdão nº 3402002.900 o auto de infração foi cancelado, mantendo o crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados isentos, calculados à alíquota de 27% correspondente à posição 21.06.90.10, Ex. 10; iii) A utilização de novo critério jurídico adotado pela Autoridade Fiscal somente poderia alcançar fatos geradores posteriores a 29/01/2016. Não assiste razão à defesa, uma vez que não ocorreu, neste caso, alteração da valoração jurídica dos fatos, passível de ser considerada como revisão de lançamento por "erro de direito". A ausência de autuação anterior sobre fato não averiguado não representa consentimento tácito da Autoridade Administrativa sobre a aplicação da legislação tributária, bem como não impede a análise sobre conduta suspeita de ser irregular. A autuação ora contestada versa sobre análise quanto à classificação fiscal adotada pela Contribuinte na apropriação dos créditos questionados, o que não foi objeto do procedimento anterior, resultando na possibilidade de novo lançamento. Ademais, não se trata de um mesmo lançamento sobre idênticos fatos geradores, mas sim de lançamentos autônomos sobre períodos diversos. E, não se tratando de revisão do lançamento anterior, não há que se falar em alteração de critério jurídico, motivo pelo qual deve ser afastado tal argumento da defesa. 4. Mérito 4.1. Coisa julgada formada no Mandado de Segurança Individual nº 91.00095524 (Recurso Extraordinário nº 212.484RS). A Recorrente pede que seja reconhecido o direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do artigo 9º do DecretoLei nº 288/67, argumentando que a decisão não deixou de reconhecer a existência do MSI nº 91.00095524, mas deixou de reconhecer o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, em razão de ter glosados a alíquota utilizada para calcular o respectivo crédito, face ao suposto erro de classificação fiscal. O Ilustre Auditor Fiscal concluiu no Termo de Verificação Fiscal que o Mandado de Segurança Individual impetrado pela Contribuinte (RE 212.4842) tratou sobre o Fl. 5812DF CARF MF 14 Princípio da Não Cumulatividade e concedeu o direito de crédito do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção, mas não abordou sobre os créditos originados da aquisição de "Kits" fornecidos pela Recofarma, cuja entrada ocorreu sob incidência com alíquota zero. Da análise dos autos, verifico que o processo judicial abordou a matéria referente ao direito creditório sobre os concentrados adquiridos de fornecedores sediados na Zona Franca de Manaus que fabricam o produto classificado na posição 3606.90.01 da TIPI aprovada pelo Decreto nº 97.410/88. A Segurança foi concedida através da sentença nº 1001/94, proferida pela Justiça Federal do Estado do Rio Grande do Sul, anexada pela Contribuinte às fls. 3638, pela qual é possível verificar que fora analisada a aquisição de tais produtos classificados na posição 3606.90.01 da TIPI, com a conclusão pelo direito creditório sobre as aquisições isentas, originadas de estabelecimentos sediados na Zona Franca de Manaus, autorizando a compensação mediante o emprego como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. Vejamos a parte dispositiva abaixo colacionada: A sentença foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região através do julgamento ao Recurso de Apelação nº 95.04.373844RS (fls. 40), conforme Ementa abaixo: Fl. 5813DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.807 15 A União Federal interpôs o Recurso Extraordinário nº 212.4842RS, não conhecido pelo Supremo Tribunal Federal. Destaco que a matéria em análise foi objeto de discussão neste Colegiado através do Recurso de Ofício interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 11080.733814/201321, o qual questionava decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre/RS, julgando procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte ao reconhecer como legítimo o aproveitamento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), com fundamento em decisão judicial definitiva em seu favor. Naquele processo foi negado provimento ao Recurso de Ofício por unanimidade de votos através do v. Acórdão nº 3402002.900, de relatoria da Ilustre Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, proferido com a seguinte Ementa: IPI. CRÉDITO. PRODUTOS ISENTOS ORIUNDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. COISA JULGADA. OBSERVÂNCIA PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A autoridade administrativa está adstrita a aplicar exatamente o comando determinado pelo Poder Judiciário, sem qualquer margem de discricionariedade. Assim, estando o contribuinte munido de decisão transitada em julgado que lhe garante o direito ao crédito de IPI, relativo à entrada de produtos que gozam de isenção da Zona Franca de Manaus, cabe à Administração Pública reconhecer tal direito creditório. IPI. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. INEXIGÊNCIA. SALDO CREDOR NO PERÍODO. MULTA. RETIFICAÇÃO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo comprovadamente existente o saldo credor de IPI no período em que o contribuinte equivocadamente escriturou crédito decorrente de simples faturamento de mercadoria consubstanciado em nota fiscal de venda para entrega futura, além de posteriormente a entrada da mercadoria ter efetivamente ocorrido sem a tomada dos mesmos créditos, não há falta de pagamento do imposto a ser cobrada pela fiscalização. Ademais, a inexistência de “falta de pagamento”, acompanhada da retificação do erro escusável, autoriza a não aplicação da multa pela autoridade julgadora. O objeto da discussão no processo em referência foi delimitado no relatório do r. voto, conforme abaixo transcrito: A auditoria está descrita no Termo de Constatação Fiscal. Com relação aos créditos oriundos de insumos isentos, o autuante registra que decorrem de aquisições dos produtos identificados como "concentrados" para diversas marcas de refrigerantes, contendo kits que se apresentam como vários volumes de partes separadas, fornecidos pela empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA ("Recofarma"), CNPJ 61.454.393/000106, situada na Zona Franca de Manaus, que produz e distribui kits para refrigerantes do grupo CocaCola, trabalhando em conjunto com diversas fábricas engarrafadoras que atuam em regime de franquia, como é o caso da autuada Fl. 5814DF CARF MF 16 VONPAR REFRESCOS S.A. ("Vonpar"). Nas notas fiscais de saída emitidas por Recofarma, não há destaque de IPI, tendo sido registrado que os produtos estariam isentos com base no art. 69, inciso I, e art. 82, inc. III, do Decreto nº 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI – RIPI/2002). Sobre o valor destes produtos a autuada calculou crédito mediante aplicação de alíquota de 27%, prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) para o Ex 01 do código 2106.90.10 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado, escriturando o resultado no Livro Registro de Apuração do IPI. Assevera a fiscalização que a saída de produtos com a isenção prevista no art. 69, inc. II do RIPI/2002 não legitima o aproveitamento de créditos, por falta de previsão legal. Por força do art. 175 do mesmo Regulamento, tal aproveitamento somente é permitido nas aquisições a que alude o art. 82, inc. III do RIPI/2002, ou seja, produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei n° 1.435, de 1975, art 6º, e Decretolei n° 1.593, de 1977, art. 34)". No caso presente, foram utilizadas matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional apenas nos kits para guaraná, enquanto nos demais kits todos os ingredientes utilizados são produtos químicos prontos, industrializados, a saber: corante caramelo, cafeína e álcool etílico. A fiscalização também entendeu que a coisa julgada formada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 212.484RS não seria aplicável ao caso por ser genérica, não considerando as normas específicas relativas à Zona Franca de Manaus. (sem destaques no texto original) Observo que a decisão administrativa transitou em julgado e o processo encontrase arquivado, como se constata da Consulta de Processos pelo Comprot Comunicação e Processo2. Considerando tratarse de autuação que afasta os efeitos da coisa julgada proferida no Recurso Extraordinário nº 212.484/RS, originado do Mandado de Segurança nº 91.00095524, entendo que igualmente neste caso deve ser considerada a decisão judicial que garantiu o direito creditório à Contribuinte. Com isso, peço vênia para emprestar os fundamentos irretocáveis do voto condutor do citado acórdão, os quais transcrevo abaixo por expressar de maneira suficiente o posicionamento que adoto sobre a matéria em análise: 2 https://comprot.fazenda.gov.br/comprotegov/site/index.html#ajax/processoconsultadados.html Fl. 5815DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.808 17 Destarte, pela análise das peças processuais trazidas aos autos (fls 172 e ss), constato que o tema do direito ao crédito de IPI decorrente de produtos com isenção saídos da Zona Franca de Manaus foi ampla e claramente tratado pelo contribuinte e apreciado pelo Poder Judiciário. É manifesto que a discussão jurídica travada no Mandado de Segurança n. 91.00095524, culminando no acórdão do RE 212.484/RS, beneficia o contribuinte, diferentemente do quanto alegado pela Autoridade Fiscal no item 11.2 do Termo de Constatação Fiscal. Por essas razões, muito embora não haja previsão legal para a tomada de crédito efetuada pelo contribuinte, há decisão judicial que lhe dá esse direito, transitada em julgado na data 10/12/1998 (fls 229), ou seja, anteriormente ao período glosado e cobrado (outubro de 2007 a dezembro de 2008) neste auto de infração. Lembrese que a decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão decidida (artigo 467 do Código de Processo Civil). Assim, os itens 01 e 03 do auto de infração, os quais se embasam justamente no argumento de falta de previsão legal para a utilização do crédito de IPI relativo aos insumos advindos de fornecedor da Zona Franca de Manaus com o benefício previsto no artigo 69, inciso II do RIPI/2002, devem ser cancelados. Registrese que, no presente caso, não é necessário – como normalmente ocorre adentrar na questão do histórico dos julgamentos do STF a respeito do direito ao crédito de IPI oriundo de operações onde não há cobrança do imposto, que, como argumentam os contribuintes de modo geral, diferenciase da situação dos créditos de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Estes seriam entendidos como um assunto “especial” no STF, em relação ao assunto “geral” de crédito de IPI de operações com alíquota zero, isentas ou não tributadas, os quais, como é consabido, não dão direito ao crédito do imposto, como firmando na alteração de jurisprudência consolidada nos RE 370.682 e 566.891. A alegada diferenciação das duas situações se depreenderia do RE n. 592.891, que parece dar tratamento diferenciado ao crédito de IPI decorrente de produtos munidos de isenção da Zona Franca de Manaus, cuja repercussão geral foi reconhecida, mas o julgamento encontrase ainda pendente. Com efeito, tal discussão é despicienda in casu. Afinal, o contribuinte ora recorrido possui decisão individual e concreta que lhe beneficia (o RE 212.484, tão conhecido e citado nas discussões sobre o tema), não dependendo de antigos ou eventuais novos entendimentos exarados em processos com força vinculante e efeito erga omnes proferidos pelo STF. Basta, no presente caso, que se respeite a autoridade da coisa julgada entre as partes ali firmada. Assim, exatamente por constar como parte do RE 212.484, a Vonpar Refrescos S.A. deve ser tratada de forma distinta daquela que prevalece nos recentes julgados proferidos pelo CARF, que não reconhecem o direito dos contribuintes ao crédito de IPI ora em discussão (Processo n. 10735.903077/201082, Acórdão n. 34030003.242 e Processo n. Fl. 5816DF CARF MF 18 10283.005286/200729, Acórdão 3403003.613). É verdade que tal situação pode criar desigualdade entre a Vonpar Refrescos S.A. e os demais contribuintes. Porém não cabe a este órgão julgador resolver esta eventual externalidade concorrencial, mas sim decidir conforme a lei. Em outros termos, certa ou errada a decisão proferida pelo STF no RE 212.484, cujo entendimento pode ser ou não alterado para terceiros pela decisão a ser proferida no RE 592.891, dotado de repercussão geral, neste caso específico que está sob julgamento há coisa julgada cogente entre as partes (Vonpar Refrescos S.A. e União Federal), cuja superior hierarquia deve guiar a Administração Pública. Consigno, por fim, que a coisa julgada configura instituto próprio do Estado Democrático de Direito, em que o zelo pela segurança jurídica tem papel primordial para a efetivação dos valores jurídicos constitucionais3. Na Constituição de 1988, este instituto teve lugar dentre as garantias fundamentais (artigo 5º, inciso XXXVI da Constituição), possuindo, portanto, o status maior de cláusula pétrea da ordem jurídica, não podendo ser alterada sequer por atividade do constituinte derivado via emenda à Constituição (artigo 60, § 4º, CF/88). Afinal, a coisa julgada possui o condão de trazer a imutabilidade e definitividade aos efeitos da sentença, configurando “uma das mais representativas expressões de segurança jurídica.4” O Código de Processo civil determinou, igualmente, que, uma vez configurada a coisa julgada formal, não haverá mais espaço algum para que se discutam os exatos dizeres que foram colocados na sentença, salvo nas estreitas hipóteses em que a lei designa situações para tal afastamento, como decisão fundamentada de revisão proferida pelo próprio juízo ou os casos da ação rescisória (artigo 485, CPC). Neste caso, não há notícia de ação rescisória manejada pela Fazenda Nacional buscando reverter o entendimento transitado em julgado no RE 212.484 em favor do contribuinte Por conseguinte, não resta outro caminho a este Conselho se não reconhecer o direito ao crédito de IPI da Vonpar Refrescos S.A., nos exatos moldes da decisão transitada em julgado no RE n. 212.484, oriundo do Mandado de Segurança n. 91.00095524. Ademais, o posicionamento adotado pela Ilustre Conselheira Relatora naquele voto foi ratificado pelos Ilustres Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Diego Diniz Ribeiro em julgamento do PAF nº 11070.720250/201547, originado da autuação sobre a mesma Contribuinte e com o mesmo objeto, em especial quanto à discussão sobre a classificação fiscal apontada pela fiscalização, referente ao período de abril até dezembro de 2010, os quais igualmente entenderam pela garantia do direito ao aproveitamento dos créditos amparado pela coisa julgada, conforme votos proferidos no Acórdão 340203.799, abaixo citados: 3 Laurentiis, Thais Catib de. Embargos à Execução, coisa julgada e inconstitucionalidade: uma análise das questões controvertidas acerca do art. 741, parágrafo único do Código de Processo Civil, Revista Dialética de Direito Processual n. 118, jan 2013, p. 127 – 151. 4 Torres, Heleno Taveira. Direito Constitucional Tributário e Segurança Jurídica. São Paulo: RT, 2011, p. 447. Fl. 5817DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.809 19 Voto do Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto: Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a VONPAR REFRESCOS S.A. ("VONPAR") pela fiscalização para exigir Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e respectivos juros de mora e multa de ofício. O tributo lançado representa saldos devedores apurados na escrita após a glosa de créditos decorrentes de aquisições de insumos isentos (kits de concentrados para refrigerantes) feitas à empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA ("RECOFARMA"), CNPJ 61.454.393/000106, situada na Zona Franca de Manaus. As razões apresentadas no Termo de Verificação Fiscal para a glosa dos créditos foram as seguintes: 1) no processo de industrialização destes insumos não foram empregadas matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, o que afasta o reconhecimento da isenção prevista no art. 82, inciso III, do Decreto nº 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI – RIPI/2002) e, por sua vez, impede a utilização dos créditos como previsto no art. 175 do mesmo Regulamento. 2) nenhum dos componentes dos kits para refrigerantes se enquadraria no Ex 1 da NCM 2106.90.10, o que exclui a aplicação da alíquota de 27% adotada pela adquirente no cálculo dos créditos, ou seja, mesmo que houvesse direito ao crédito previsto no artigo 175 do RIPI/2002, o valor do imposto calculado como se devido fosse seria zero. A respeito do fundamento nº 01, a autoridade reconhece a existência de coisa julgada em Mandado de Segurança Individual impetrado pela VONPAR no RE 212.4842, mas sustenta o Auditor Fiscal que referida decisão analisou apenas o aspecto genérico do princípio da não cumulatividade, não adentrando nas normas específicas da Zona Franca de Manaus, e que o tema foi reexaminado durante a análise de Embargos de Declaração interpostos nos autos do RE n° 566.819/RS, para afastar a sua eficácia no caso. A respeito do fundamento nº 02, discorre a classificação adotada para os kits para refrigerantes, no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, que é próprio para preparações compostas, entendendo que não sendo possível chamar de preparação algo que não está preparado nem misturado. Os componentes dos kits adquiridos pela fiscalizada apresentam, cada um, suas próprias características individuais, e podem ser aplicadas em qualquer produto da indústria de alimentos e fármacos, pormenorizadamente descrito nos itens 73 e seguintes do TVF. Em síntese, o autuante concluiu que todos os componentes dos kits para refrigerantes, objeto de Laudos Técnicos elaborados no curso da ação fiscal de abrangência nacional antes citada, são classificados em códigos tributados à alíquota zero, com exceção Fl. 5818DF CARF MF 20 dos componentes que se classificam no código 3302.10.00, cuja alíquota é de 5%. Estando caracterizada a impossibilidade de enquadrar os kits para refrigerantes no Ex 01 do código 2106.90.10, seria indevida a utilização da alíquota de 27% para cálculo dos créditos. (...) II) Do Mérito 1) Do Direito do Contribuinte em Função de Decisão Judicial Transitada em Julgado em seu favor Tal matéria é velha conhecida deste Colegiado, e já foi por ele minuciosamente enfrentada, em especial no irretocável voto proferido pela Ilustra Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, no Acórdão CARF nº 3402002.900, julgado em Janeiro de 2016, na qual figurava como parte também a VONPAR, pelo que adiro sem ressalvas ao entendimento lá esposado, o qual reproduzo abaixo (fazendo as devidas adaptações), seguro do acerto de suas razões. A Recorrente, na persecução de suas atividades sociais, adquiriu da empresa RECOFARMA um “concentrado” que é isento de IPI, com fulcro no artigo 69, inciso II do RIPI/2002, uma vez que se trata de produto oriundo da Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de produtos (refrigerantes) sujeito ao IPI. Entendendo estar amparada pela decisão judicial proferida no bojo do Mandado de Segurança n. 91.00095524, a Recorrida tomou crédito de IPI, aplicando a alíquota de 27% prevista na Tabela de Incidência do IPI (“TIPI”) sobre o valor destes produtos. A seu turno, a autoridade fiscal entendeu que o julgamento final da citada ação judicial não se aplica ao presente caso, porque as decisões nela proferidas seriam genéricas e não teriam analisado as normas particulares da Zona Franca de Manaus no que diz respeito ao creditamento de IPI. Cumpre, então, confirmar se o objeto deste processo administrativo está englobado ou não pela decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n. 91.00095524, o qual foi objeto de julgamento de Apelação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (AMS n. 95.04.373844) e posteriormente levado à apreciação do Supremo Tribunal Federal (“STF”) no RE 212.4842/RS. Pois bem. Logo no início da petição inicial do referido writ, ao tratar dos fatos que deram origem ao direito líquido e certo pleiteado judicialmente, o contribuinte esclarece que se dedica à industrialização e comercialização de refrigerantes, elaborados a partir de concentrados de refrigerantes adquiridos de outras empresa. Passa então a relatar que sobreveio a adquirir tais produtos de fornecedor alocado na Zona Franca de Manaus, beneficiado por isenção do IPI justamente em razão de estar ali geograficamente situado, bem como por cumprir as demais determinações legais. 1 Contudo, assume que este benefício não é aquele previstos como capaz de gerar crédito de IPI, conforme o Decreto n. 87.981/82 (RIPI então vigente), artigos 45 e 82, Fl. 5819DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.810 21 inciso VI e XXVI, e justamente por essa razão recorre ao Poder Judiciário para buscar o direito ao creditamento do IPI pela entrada de produtos advindos de fornecedor isento da Zona Franca de Manaus. Ao final de suas razões de fato e de direito, traz o seguinte pedido, que é de fundamental observação, uma vez que é o que traça os limites da lide e a amplitude da coisa julgada. In verbis: Diante deste cenário, a sentença proferida em primeiro grau traz expressamente em seu relatório a discussão sobre as isenções de IPI para concentrados de refrigerante oriundos da Zona Franca de Manaus, como se constata dos trechos colacionados abaixo: (...) Destarte, pela análise das peças processuais trazidas aos autos, constato que o tema do direito ao crédito de IPI decorrente de produtos com isenção saídos da Zona Franca de Manaus foi ampla e claramente tratado pelo contribuinte e apreciado pelo Poder Judiciário. É manifesto que a discussão jurídica travada no Mandado de Segurança n. 91.00095524, culminando no acórdão do RE 212.484/RS, beneficia o contribuinte, diferentemente do quanto alegado pela Autoridade Fiscal no item II do Termo de Constatação Fiscal. Declaração de voto do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro: 1. Tomo a liberdade de, independentemente do brilhantismo do voto do r.Relator do caso, acrescentar algumas considerações a respeito da alegação de coisa julgada aduzida pelo contribuinte em seu recurso voluntário. 2. Nesse sentido, insta destacar que o recorrente impetrou o mandado de segurança individual n. 91.00095524, oportunidade em que vindicou o direito de ver assegurado o direito a créditos de IPI relativos às aquisições de concentrados para refrigerantes classificados na posição n. 21.06.90.01 da TIPI/88 e sujeitos a isenção, porque tais aquisições seriam egressas da Zona Franca de Manaus. Na inicial do mandamus consta o seguinte pedido: reconhecimento dos créditos IPI relativos a compras da Zona Franca de Manaus de concentrados de refrigerantes, ou seja, o xarope, isentos nas alíquotas incidentes relativas a este produto. Fl. 5820DF CARF MF 22 3. Logo, o primeiro aspecto a ser considerado para fins da delimitação da coisa julgada é o pedido apresentado na inicial do writ, na medida em que tal pedido conforma a atividade judicante, i.e., delimita a sua extensão. Daí falarse, inclusive, em princípio da adstrição no processo civil e da proibição de julgamentos ultra, extra e citra petita. 4. Não obstante, apesar da importância do pedido para o exercício da atividade judicante, é óbvio que o elemento da inicial não pode ser analisado como se fosse uma ilha, ou seja, completamente isolado do contexto petitório em que se encontra inserido. Em outros termos, a inicial de uma determinada demanda deve ser vista sob uma perspectiva holística, no qual se destaca, dentre outros elementos fundamentais, o pedido formulado pelo autor. Tenho que esta conclusão é ínsita do ordenamento processual e está devidamente incorporada no CPC/2015 em razão do que dispõe seu art. 322, § 2º, in verbis: Art. 322. O pedido deve ser certo. (...) § 2o A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o princípio da boafé. 5. Diante deste quadro, é possível perceber que no citado mandado de segurança individual n. 91.00095524 o que se discute é exatamente o direito ao crédito decorrente da aquisição de concentrados da ZFM para a produção de refrigerantes pela recorrente. Há, inclusive, o apontamento do código do NCM do citado produto com a sua consequente individualização. Este é o quadro fático sobre o qual a citada lide se desenvolveu e que, em momento algum, foi questionado pela União no aludido mandamus. 6. Ressaltese, inclusive, que no voto proferido pelo STF para o caso (RE n. 212.484), o. então Ministro Nelson Jobim faz referência expressa à caracterização do produto adquirido pela Recorrente. Logo, se no citado mandamus o recorrente conformou inadequadamente o produto5 para o qual vindicou o crédito de IPI, o que decorreria (pretensamente) da sua indevida classificação fiscal, tal questão deveria ter sido objeto de questionamento naquela demanda judicial por parte da União, sob pena de tal discussão ser considerada como questionada judicialmente e repelida. É o que dispunha o art. 474 do CPC/736, vigente à época, e que agora encontra guarida no art. 508 do CPC/20157. 7. Em verdade, o que a União tenta por intermédio da fiscalização aqui tratada é, em última análise, dar um indevido efeito rescisório para a autuação fiscal perpetrada, com o 5 Partindo da idéia de que o produto discutido na lide não seria único (concentrado) e com um tratamento jurídico tributário também próprio, mas sim composto por diferentes subprodutos passíveis de individualização e, consequentemente, com um tratamento jurídicotributário próprio individualizado cada um desses subprodutos. 6 " Art. 474. Passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido." 7 " Art. 508. Transitada em julgado a decisão de mérito, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido." Fl. 5821DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.811 23 escopo, pois, de desconstituir a coisa julgada nesse mandado de segurança própria manu militari. 8. Por outro giro verbal, uma eventual discussão quanto à magnitude ou extensão da decisão proferida no writ teria que ser objeto de uma ação rescisória, oportunidade em que um terceiro Estado Juiz, equidistante das partes, analisará se de fato existe ou não uma daquelas hipóteses que prevê o manejo da ação rescisória. 9. Com base também em tais considerações, acompanho o voto proferido pelo r. Relator do caso para dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto. (sem destaques no texto original) Neste mesmo sentido foi conduzido o julgamento do PAF nº 11070.722571/201403 (Acórdão 3402003.801), referente de janeiro de 2009 até março de 2010 e PAF nº 11070.721.963/201528 (Acórdão nº 3402003.800), referente ao período de janeiro de 2011 até dezembro 2012, todos mencionados no Termo de Constatação Fiscal e Intimação nº 1 de fls. 3449 deste processo. Considerando os fundamentos acima reproduzidos, os quais ratifico nas razões de decidir deste voto, concluo que devem ser aplicados os efeitos da coisa julgada formal e material no presente caso, para o fim de que seja reconhecido como legítimo o aproveitamento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), nos termos determinados pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 212.484RS, resultando, portanto, no provimento do Recurso Voluntário. 4.2. Do direito creditório da Recorrente. Requisitos e Classificação fiscal dos concentrados para refrigerantes. Não obstante o posicionamento adotado quanto ao Item 4.1 deste voto, passo à análise das demais matérias invocadas em Recurso Voluntário. Considerando a delimitação da decisão recorrida já mencionada, bem como os argumentos apresentados pela defesa, fazse necessário inicialmente abordar o questionamento quanto à isenção do artigo 95, III, do RIPI/2010 conferida aos componentes dos “kits” fornecidos por Recofarma. A autuada tem por atividade a fabricação de refrigerantes CocaCola, Coca Cola Zero, Fanta Laranja, Fanta Uva, Sprite, Guaraná Kuat e Guaraná Charrua, sendo que a fiscalização verificou que a maior parte dos créditos do IPI existentes na escrita do estabelecimento se referem a aquisições de “kits”, contendo preparações dos tipos utilizados na elaboração de bebidas da posição 22.02 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), além de outros ingredientes acondicionados individualmente, todos fornecidos pelo estabelecimento Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., localizado em Manaus (AM). Os “kits” fornecidos pela Recofarma Indústria Amazonas Ltda foram descritos nas respectivas Notas Fiscais como "concentrados” (NCM 2106.90.10 EX 01) da Fl. 5822DF CARF MF 24 marca de refrigerante a que se destinam (CocaCola, CocaCola Zero, Aquarius Limão, Simba Guaraná, Sprite, Fanta Uva, etc.), enviados sem destaque do IPI em decorrência da isenção prevista pelos artigos 81, II, e 95, III, do RIPI/2010, que tratam dos benefícios instituídos no âmbito de regimes fiscais regionais: Zona Franca de Manaus (art. 81, II) e Amazônia Ocidental (art. 95, III). A Recorrente escriturou os créditos de IPI com fundamento legal no artigo 237 do RIPI/2010, que assim dispõe: Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (DecretoLei no 1.435, de 1975, art. 6o, § 1o). (sem destaque no texto original) Já o artigo 95, inciso III do mesmo Diploma Legal assim prevê: Art. 95. São isentos do imposto: III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das Posições 22.03 a 22.06, dos Códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (DecretoLei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e DecretoLei no 1.593, de 1977, art. 34). (sem destaque no texto original) A fiscalização apontou no Relatório Fiscal que os produtos fornecidos por Recofarma não são beneficiados pela isenção do art. 82, III, do RIPI, de 2002, correspondente ao art. 95, III, do RIPI, 2010 conforme explicado nos itens 12 a 70 do Termo de Verificação Fiscal elaborado em 29 de dezembro de 2014 no processo 11070.722571/201403, também de interesse de Vonpar. Por sua vez, a Recorrente argumenta que: i) A isenção do art. 95, III, do RIPI, 2010, foi outorgada pela Resolução CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007; ii) Que a Suframa tem competência para verificar se o contribuinte preencheu os requisitos legais para fruição do beneficio; iii) Que é suficiente a elaboração dos concentrados com açúcar e/ou álcool e/ou corante caramelo e/ou extrato de guaraná, que os atos baixados pela Suframa não podem ser desconsiderados pela RFB e que a interpretação da Suframa quanto ao alcance do art. 6º do Decretolei n° 1.435, de 1975, é lógica e se coaduna com o próprio significado do termo “matériaprima” constante do § 1º do citado dispositivo, o qual compreende no seu conceito “produto industrializado com matériaprima agrícola regional” para fins do crédito do IPI. Fl. 5823DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.812 25 4.2.1. Da competência da SUFRAMA. Com relação à competência da SUFRAMA para concessão e fiscalização do cumprimento das condições para fruição dos incentivos fiscais, observo que a fiscalização assim consignou no Termo de Constatação e Intimação nº 01 (fls. 3449): 1) Com base nos dados da Escrituração Fiscal Digital – EFD, verificouse que a maior parte dos créditos do IPI escriturados pela fiscalizada continuaram a ser oriundos de insumos dos tipos utilizados para elaboração de refrigerantes. 2) Os insumos são comercializados por RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA (“Recofarma”), CNPJ 61.454.393/000106, em forma de kits constituídos de dois ou mais componentes ou “partes”, sendo que cada componente sai do estabelecimento industrial em embalagem individual. 3) Nas notas fiscais eletrônicas emitidas por Recofarma, os insumos em questão são identificados como “concentrados” da marca e tipo de bebida a que se destinam. 4) No ano de 2014, o Fisco efetuou em Manaus a coleta de kits elaborados por Recofarma, tendo providenciado a realização de exame laboratorial pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer. Nos processos citados anteriormente, Vonpar foi cientificada do resultado das análises. Impera observar que a Resolução SUFRAMA nº 298/2007, anexada às fls. 3465 e seguintes, aprovou o projeto industrial de atualização da empresa RECOFARMA na Zona Franca de Manaus, na forma do Parecer Técnico nº 224/2007SPR/CGPRI/COAPI, para produção de CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS (CÓDIGO SUFRAMA nº 0653). O Ilustre Julgador a quo consignou em decisão recorrida que "...a aprovação do projeto do fornecedor pelo Conselho de Administração da Suframa (CAS) é um dos requisitos para fruição do benefício de que trata o art. 95, III, do RIPI, de 2010, e foi satisfeito, mas essa aprovação, ao contrário do que pensa o impugnante, não legitima, de per si, o crédito incentivado do IPI em discussão". Data vênia, da análise da legislação que atribui competência à SUFRAMA é possível extrair conclusão contrária ao entendimento esposado pela DRJ. Vejamos: Inicialmente, impera destacar que a Constituição Federal, ao tratar sobre a limitação do poder de tributar, estabelece em seu artigo 150, § 6º que: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que Fl. 5824DF CARF MF 26 regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) O Código Tributário Nacional, recepcionado como Lei Complementar pela Emenda Constitucional 01/19698 e, após, pelo Texto Constitucional de 19889, confere competência à Autoridade Administrativa para concessão de benefícios fiscais. Vejamos: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 1975) Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o 8 Art. 18. Além dos impostos previstos nesta Constituição, compete à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir: § 1º Lei complementar estabelecerá normas gerais de direito tributário, disporá sôbre os conflitos de competência nesta matéria entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e regulará as limitações constitucionais do poder de tributar. 9 Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Fl. 5825DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.813 27 interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155.(sem destaques no texto original) Não há dúvidas de que o benefício fiscal concedido no presente caso está revestido de todos os requisitos formais constitucionalmente previstos para sua validade. A SUFRAMA foi criada pelo DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, regulamentado através do Decreto nº 61.244, de 28 de agosto de 1967, os quais definem a finalidade e localização da Zona Franca de Manaus (Capítulo I), bem como a aplicação e controle dos incentivos fiscais (Capítulo II). A competência da SUFRAMA para atos como a Resolução ora tratada foi estabelecida pelo artigo 4º, inciso I, alínea "c" do Capítulo IV do Anexo I do Decreto nº 4.628, de 21 de março de 2003, que assim previa: Art. 4º Ao Conselho de Administração da SUFRAMA compete: I aprovar: c) os projetos de empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos nos arts. 7º e 9º do DecretoLei nº 288, de 1967, com as modificações da Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, especificando os incentivos a serem auferidos pela empresa, bem assim estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação, fiscalização e acompanhamento dos referidos projetos; (sem destaques no texto original) O Decreto nº 4.628/2003, que aprovou a Estrutura Regimental da SUFRAMA e estava vigente quando da Resolução nº 298/2007, ao tratar da natureza e finalidade, previu em seu artigo 1º, inciso VI do Anexo I que: Art. 1º A Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, autarquia criada pelo DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, e vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, tem como finalidade promover o desenvolvimento sócioeconômico, de forma sustentável, na sua área de atuação, mediante geração, atração e consolidação de investimentos, apoiado em capacitação tecnológica, visando a inserção internacional competitiva, a partir das seguintes ações: VI administrar a concessão de incentivos fiscais.(sem destaque no texto original) E a competência para aprovação do projeto industrial para concessão dos benefícios ora em discussão foi igualmente atribuída ao Conselho de Administração da SUFRAMA através do artigo 4º, inciso I, alínea "c" do mesmo Decreto nº 4.628/2003. Fl. 5826DF CARF MF 28 Por sua vez, a participação do Ministério da Fazenda no processo de análise do projeto industrial e aprovação do benefício foi previsto pelo artigo 11 do Decreto nº 61.244/1967, nos termos abaixo citados: Art 11. Estão isentas do impôsto sôbre produtos industrializados tôdas as mercadorias industrializadas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer a comercialização em qualquer ponto do território nacional. § 1º Os projetos para a produção, beneficiamento ou industrialização de mercadorias que pretendam gozar dos benefícios do Decretolei nº 28867 serão submetidos à aprovação da SUFRAMA, ouvido o Ministério da Fazenda, quanto aos aspectos fiscais, implicando em aprovação tácita a falta de manifestação dêsse Ministério no prazo de 30 (trinta) dias contados do pedido de audiência. § 2º Os projetos serão apresentados de conformidade com critérios e procedimentos estabelecidos pela SUFRAMA, mediante instruções aprovadas pelo Ministro do Interior. § 3º O Superintendente da SUFRAMA poderá rejeitar, de plano, ouvido o Conselho Técnico, os projetos que, visando a obtenção dos incentivos fiscais previstos no Decretolei nº 28867, tenham por fim a produção, industrialização ou beneficiamento das mercadorias capituladas no parágrafo 1º do artigo 3º do referido Decretolei, inclusive as alterações supervenientes por Decreto (Decretolei nº 28867 artigo 3º, parágrafo 2º). (sem destaques no texto original). Diante de tais atribuições, a SUFRAMA, através do artigo 1º da RESOLUÇÃO Nº 298/2007, aprovou o projeto industrial da Recofarma, na forma do Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007 para produção de concentrado de bebidas não alcoólicas, para o gozo dos incentivos previstos nos artigos 7º e 9º do DecretoLei nº 288/1967, no artigo 6º do Decretolei nº 1435/1975 e legislação posterior. O DecretoLei nº 288/1967, acima já mencionado, trata sobre o IPI em seu artigo 9º, com as alterações trazidas pelo artigo 6º do DecretoLei no 1.435, de 1975 nos seguintes termos: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos Fl. 5827DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.814 29 industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. A área definida pelo § 4º do artigo 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967 tratase da Amazonia Ocidental, constituída pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios de Rondônia e Roraima e, portanto, abrange a fornecedora Recofarma, situada em Manaus. O DecretoLei nº 356, de 15 de agosto de 1968 estende os benefícios do DecretoLei nº 288/1967 às áreas da Amazônia Ocidental. Por sua vez, o DecretoLei no 1.435, de 1975 estabelece em seu artigo 8º que: Art. 8º. O Superintendente da Zona Franca de Manaus, ouvido o Conselho de Administração, fixará condições e requisitos a serem atendidos pelos estabelecimentos que se dediquem à comercialização, naquela área, de mercadorias beneficiadas pelos incentivos previstos no Decretolei número 288, de 28 de fevereiro de 1967. Outrossim, impera igualmente observar que as condições estabelecidas para o direito aos incentivos concedidos estão previstas no artigo 4º da Resolução nº 298/2007, quais sejam: O PARECER TÉCNICO DE PROJETO Nº 224/2007 (fls. 3467 e seguintes) foi elaborado para análise da possibilidade de concessão dos seguintes incentivos pleiteados: Fl. 5828DF CARF MF 30 Neste mesmo sentido, destaco o voto da Ilustre Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne no Processo Administrativo Fiscal nº 15956.720178/201543 (Acórdão nº 3402004.929). Consigno, por oportuno, que a competência para fiscalização do projeto industrial que embasou a Resolução SUFRAMA nº 298/2007 é prevista na época pelo artigo 15, inciso III do Anexo I do já citado Decreto nº 4.628/2003 Art. 15. À Superintendência Adjunta de Projetos compete planejar, coordenar e supervisionar a execução de atividades relativas a: III acompanhamento, fiscalização e avaliação de projetos industriais, agropecuários e de prestação de serviços. A competência da Superintendência Adjunta de Projetos igualmente é prevista pela Resolução do Conselho de Administração da SUFRAMA nº 203, de 10 de dezembro de 2012, vigente no período do fato gerador desta autuação, que dispõe sobre a sobre a sistemática de apresentação, análise, aprovação e acompanhamento de Projetos Industriais nos seguintes termos: TÍTULO VI DO ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DOS PROJETOS INDUSTRIAIS CAPÍTULO I DA OPERAÇÃO Art. 17. Após concluída a implantação, total ou parcial, de suas instalações industriais a empresa titular do projeto deverá requerer à SUFRAMA a emissão do Laudo de Operação (LO), que é o documento comprobatório da adequação das instalações industriais, máquinas e equipamentos, necessários à operacionalização do projeto técnicoeconômico aprovado, observado o dimensionamento nele constante. Art. 18. O requerimento de que trata o artigo anterior será dirigido à Superintendência Adjunta de Projetos (SPR), na forma a ser estabelecida pela SUFRAMA, instruído com a seguinte documentação: CAPÍTULO II DA PRODUÇÃO Art. 23. Iniciada a fabricação de quaisquer produtos aprovados a empresa titular do projeto deverá requerer a SUFRAMA a emissão do Laudo de Produção (LP), que constituirseá no documento comprobatório do atendimento das etapas estabelecidas no Processo Produtivo Básico (PPB) de cada produto e do cumprimento de outros parâmetros dimensionados no projeto técnicoeconômico aprovado. Art. 24. O requerimento de que trata o artigo anterior será dirigido à SPR, na forma a ser estabelecida pela SUFRAMA. Parágrafo único. Quando se tratar de projetos beneficiados com os incentivos fiscais estabelecidos no art. 6º, do Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, a empresa titular do projeto deverá apresentar demonstrativo, na forma a ser estabelecida Fl. 5829DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.815 31 pela SUFRAMA, das aquisições de insumos efetuados no mercado regional. Art. 25. O LP, emitido conforme modelo definido pela SUFRAMA será específico para cada produto e terá prazo de validade indeterminado, observado o disposto nos arts. 26 e 32, desta Resolução. Art. 26. O LP, garantido o contraditório e a ampla defesa, poderá ser cancelado a qualquer momento pela SUFRAMA, mediante ofício da SPR a ser encaminhado à empresa, desde que seja constatado o não cumprimento do PPB e/ou outros parâmetros nele descrito, ou que o produto seja cancelado por algum dispositivo previsto nesta Resolução. CAPÍTULO V DA AVALIAÇÃO DOS PROJETOS Art. 42. A SUFRAMA emitirá a cada três anos, ou sempre que necessário, por amostragem, Relatório de Acompanhamento de Projetos (RAP), relativo aos produtos ativos (não cancelados) com projetos aprovados por suas respectivas empresas junto ao Conselho de Administração da SUFRAMA. § 1º O RAP deverá conter a relação de produtos ativos das empresas, com a situação atualizada de cada um no que diz respeito aos Laudos de Operação e de Produção, à entrega do LTAI e dos indicadores de desempenho, à adimplência em relação à Certificação da qualidade, além de dados atualizados de produção, mãodeobra, faturamento, investimentos em máquinas e equipamentos, concessão de benefícios sociais aos trabalhadores, investimentos na formação e capacitação de recursos humanos, e, se for o caso, volume de exportações e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. § 2º O RAP deverá conter ainda, a análise dos desvios em relação às metas originais e aos compromissos assumidos pelas empresas quando da aprovação de seus projetos, bem como proposições para cancelamento de projetos e/ou alterações nas resoluções aprobatórias. § 3º A SUFRAMA, quando da emissão do RAP, deverá inspecionar in loco as instalações da empresa, devendo neste momento ser atestado o cumprimento e manutenção das disposições constantes nos Laudos de Operação e de Produção emitidos, além de verificar as informações prestadas nos LTAIs apresentados. § 4º A SUFRAMA deverá submeter à apreciação do CAS na primeira reunião do exercício subseqüente, a consolidação das informações contidas nos RAPs emitidos durante o ano imediatamente anterior. § 5° A SUFRAMA, durante a fase de elaboração do RAP, sempre que houver necessidade, poderá solicitar da empresa dados, Fl. 5830DF CARF MF 32 informações e/ou documentos contábeis que venham a comprovar o cumprimento de metas estabelecidas em projeto, devendo a documentação requerida, devidamente assinada pelo contador e pelo representante legal da empresa, ser entregue no prazo previamente estabelecido pelo setor competente. CAPÍTULO VI DA VISTORIA TÉCNICA Art. 43. A qualquer tempo a SUFRAMA poderá realizar vistoria técnica nas empresas com projeto aprovado, com a finalidade de verificar, para fins de manutenção ou cancelamento dos benefícios fiscais, o exato cumprimento dos termos e condições estabelecidos nesta Resolução e demais condições legais pertinentes. TÍTULO VIII DAS PENALIDADES Art. 54. Sem prejuízo das demais cominações legais cabíveis, e, observandose o devido processo legal, garantido o contraditório e ampla defesa, o não atendimento do disposto nesta Resolução ensejará, conforme o caso, a critério do Superintendente da SUFRAMA, as seguintes penalidades: I advertência; II suspensão do Pedido de Licenciamento de Importação (PLI), quando aplicável; III bloqueio do cadastro; IV cancelamento dos incentivos fiscais atribuídos a produto, mediante encaminhamento de proposição ao CAS; e V cancelamento dos incentivos fiscais atribuídos à empresa, mediante encaminhamento de proposição ao CAS. § 1º A inadimplência da empresa quanto à validade dos Laudos de Operação e Produção, bem como à entrega do LTAI, implicará na suspensão automática dos PLIs referente à(s) linha(s) inadimplente(s), até a sua regularização. § 2º No caso específico do LP, a penalidade disposta no parágrafo anterior poderá ser sustada por um prazo de até 60 (sessenta dias), nos casos onde a empresa interessada comprove não poder retomar sua produção por falta de insumos. Art. 55. A SUFRAMA enviará comunicado à Receita Federal do Brasil (RFB) sempre que comprovar que a empresa auferiu indevidamente dos incentivos fiscais administrados pela autarquia, descritos no art. 1º desta Resolução. (sem destaques nos texto original) Desde já esclareço que em nenhum momento deve ser retirado dos Ilustres Auditores da Secretaria da Receita Federal o dever funcional de fiscalizar o Contribuinte diante de suspeitas de aproveitamento indevido de créditos e demais formas de burlar a legislação tributária. Inclusive a atividade de fiscalização da administração fazendária é previsão Fl. 5831DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.816 33 garantida pelo artigo 37, XVIII da Constituição Federal, artigos 194 e 195 do CTN e artigos 505 a 508 do RIPI/2010. Todavia, não é razoável entender que a Autoridade Fiscal, no exercício das atribuições de seu cargo, tenha a prerrogativa de retirar e/ou a discricionariedade de ignorar a vigência de um benefício fiscal formalmente concedido por meio de toda estrutura normativa acima já demonstrada. Ademais, é dever da fiscalização atentar ao poder vinculado na aplicação do Princípio da Legalidade, igualmente previsto pelo artigo 37, Caput da Carta Magna, tornando efetiva a Segurança Jurídica necessária para assegurar os direitos e garantias fundamentais emanados do artigo 5º do texto constitucional. Por tais razões, concluo que é flagrante a competência da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) para concessão, fiscalização e cancelamento do incentivo fiscal previsto pelos dispositivos legais invocados pela Recorrente para justificar os créditos escriturados, motivo pelo qual deve ser afastada conclusão do Ilustre Julgador de 1ª Instância e reconhecido o argumento da defesa. Não obstante o posicionamento adotado quanto ao Item 4.2.1 deste voto, passo à análise sobre a classificação fiscal apontada nas respectivas Notas Fiscais que deram origem aos créditos de IPI pleiteados pela Recorrente, objeto da autuação contestada. 4.2.2. Dos requisitos para concessão da isenção. Matériaprima utilizada no processo produtivo da fornecedora Recofarma na elaboração dos concentrados para bebidas não alcoólicas. Inicialmente é importante ressaltar que todos os requisitos previstos legalmente para concessão da isenção devem estar cumpridos para validade do direito creditório. E as condições legais para aproveitamento do crédito pela Recorrente são as seguintes: a) Matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; b) Produtos elaborados por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA; c) Aquisição de produtos originados da Amazônia Ocidental com a isenção prevista no inciso III do artigo 95; d) Emprego de tais insumos como matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. Quanto à condição de item "a", observo que não há dúvidas de que os produtos fornecidos pela Recofarma são produzidos com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Apenas para ilustrar o preenchimento de tal requisito, destaco que o PARECER TÉCNICO DE PROJETO Nº 224/2007 (fls. 3467 e seguintes) apresentou as Fl. 5832DF CARF MF 34 características técnicas do produto "CONCENTRADOS PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS" (CÓDIGO SUFRAMA nº 0653) da seguinte forma: Sobre o processo produtivo básico da Recofarma, constou no ITEM 7 do Parecer Técnico em referência (fls. 3473) que a empresa realiza todas as etapas de industrialização do produto em seu próprio estabelecimento fabril para industrialização do produto, exceto a fabricação da matériaprima corante caramelo, que é terceirizada para produção pela DD. Wiliamson do Brasil Ltda, localizada ao lado da unidade industrial da fornecedora. O açúcar cristal e mascavo são utilizados no concentrado para refrigerante de sabor "cola" e o extrato de guaraná é utilizado em outros tipos de concentrados. Destaco ainda que o fato de a matériaprima açúcar cristal ser produzida pela empresa Agropecuária Jayolo, bem como o açúcar mascavo ser produzido por produtores rurais do interior do Amazonas e, ainda, de o corante caramelo ser produzido pela terceirizada DD. Wiliamson do Brasil, em nada altera a origem de tais matériasprimas, uma vez que atende às previsões da Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8, de 25.02.98, que estabelece o processo produtivo para os produtos EXTRATOS AROMÁTICOS VEGETAIS NATURAIS, CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS E CORANTE CARAMELO, industrializados na Zona Franca de Manaus, conforme abaixo colacionado: OS MINISTROS DE ESTADO DO PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO, DA INDÚSTRIA, DO COMÉRCIO E DO TURISMO E DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, no uso da atribuição que lhes confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 5º do Decreto 783, de 25 de março de 1993 e alínea "b", do inciso I, do art. 18, da Medida Provisória nº 1.54939, de 29 de janeiro de 1998, resolvem: Art. 1º Estabelecer para os produtos EXTRATOS AROMÁTICOS VEGETAIS NATURAIS, CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS E CORANTE CARAMELO, industrializados na Zona Franca de Manaus, os seguintes processos produtivos básicos: II CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS Fl. 5833DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.817 35 a) dosagem das matériasprimas; b) mistura das matériasprimas sólidas ou líquidas; e c) homogeneização, quando necessário. III CORANTE CARAMELO a) dissolução do açúcar, formando o "açúcar líquido"; b) floculação; c) filtração; d) troca iônica; e) evaporação; f) filtração; g) mistura do "açúcar líquido" com outras matériasprimas; h) homogeneização; e i) filtração. Parágrafo único. Todas as etapas dos processos produtivos básicos acima descritos deverão ser, obrigatoriamente, realizadas na Zona Franca de Manaus. Art. 2º Para o cumprimento do disposto acima será admitida a realização, por terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações inerentes ao atendimento às etapas de produção estabelecidas no artigo anterior. Art. 3º Além do atendimento das etapas de produção estabelecidas no art. 1º desta Portaria, os fabricantes deverão incorporar a gestão da qualidade e produtividade dos processos e dos produtos finais, envolvendo a inspeção de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, o controle estatístico do processo, os ensaios e medições e a qualidade dos produtos finais, sem prejuízo do disposto no art. 2º do Decreto nº 783/93. (sem destaque no texto original) O processo produtivo foi descrito no Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007 que embasou a concessão do incentivo fiscal e o cumprimento do artigo 1º, inciso II, alíneas a, b e c da Portaria Interministerial acima citada pode ser constatado especialmente nos Itens 6 e 7 a seguir colacionados: Fl. 5834DF CARF MF 36 Destaco que a especificação da origem do produto igualmente está delimitada no Projeto, constando que será utilizada como matériaprima regional açúcar (cristal e mascavo) processado no interior do Estado para o concentrado sabor cola e matériaprima regional extrato de guaraná para outros tipos de produtos. Consta igualmente do Projeto Técnico as seguintes informações sobre o produto "CONCENTRADOS PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS DE COLA" (fls. 5466): Fl. 5835DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.818 37 Considerando que a SUFRAMA detém a competência para análise e aprovação do projeto e concessão do benefício, não cabe a interpretação da Douta equipe de fiscalização e do Ilustre Julgador de 1ª Instância no sentido de que somente incide a isenção para produtos elaborados com o emprego direto matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional. Outrossim, da análise do processo produtivo especificado pela SUFRAMA para concessão do benefício, confrontando com a apuração realizada pela equipe de fiscalização, é possível verificar que de fato os produtos enviados pela Recofarma à Vonpar atendem especificamente ao Item 9 do Parecer Técnico nº 224/2007, senão vejamos: * Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007 (fls. 3475): Fl. 5836DF CARF MF 38 * Fotos de componentes de kits fornecidos por Recofarma (fls. 31053106): Por oportuno, observo ainda que não consta nos autos que a SUFRAMA tenha cancelado o incentivo fiscal concedido à Recofarma, tampouco comunicado à Receita Federal do Brasil a existência de comprovações ou ao menos indícios de que a fornecedora deixou de atender, em seu processo produtivo ou com relação às matériasprimas utilizadas, às condições estabelecidas na Resolução nº 298/2007, nos termos previstos pela Resolução do Conselho de Administração da SUFRAMA nº 203/2012, que dispõe sobre o acompanhamento de Projetos Industriais nos termos acima já descritos. Ao contrário, verifico que às fls. 5488 consta o OFÍCIO Nº 4215, de 28 de agosto de 2015, pelo qual a SUFRAMA responde à solicitação de informações da Delegacia da Receita Federal de PiracicabaSP, que foi emitido o Relatório de Acompanhamento de Projetos (RAP) nº 0090/2010SPR/CGAPI/COAUP, não sendo encontradas ressalvas e divergências em relação aos compromissos assumidos quando da aprovação do projeto da RECOFARMA. Fl. 5837DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.819 39 Da mesma forma, às fls. 5491 consta o OFÍCIO 3638, de 26 de setembro de 2014, pelo qual a SUFRAMA responde ao pedido de informações da Delegacia da Receita Federal em Goiânia, pelo qual esclareceu que a RECOFARMA até aquela data encontravase regular em relação às condições estabelecidas no Projeto Técnico aprovado pela Resolução nº 224/2007. Com isso, restam configuradas as condições especificadas nos Itens "b" e "c" acima citados, quais sejam: os produtos são elaborados por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA para concessão da isenção prevista no inciso III do artigo 95, conforme dispõe o artigo 237 do RIPI/2010, com redação do artigo 6º do decretoLei nº 1.435/75. Atendidos os requisitos essenciais que ensejam o direito da fornecedora Recofarma ao incentivo que originou o crédito invocado pela Recorrente, o que foi igualmente objeto de análise pelo Ilustre Julgador a quo, bem como argumento da defesa, resta verificar sobre a classificação fiscal adotada para justificar os créditos escriturados pela Recorrente e, posteriormente, desconsiderada pela equipe de fiscalização na lavratura do Auto de Infração objeto deste processo. 4.2.3. Da classificação fiscal dos concentrados para refrigerantes. O Auditor Fiscal entende que a classificação no Ex 01 do código 2106.90.10 deve apresentar concomitantemente as seguintes características (Relatório Fiscal fls. 5115): a) Que seja uma preparação composta. b) Que não seja alcoólica. c) Que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado d) Que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02 e) Que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Não há controvérsia quanto aos Itens "a", "b", e "d". COM RELAÇÃO AO ITEM "C", a equipe de fiscalização sustenta a autuação no argumento de que os componentes dos "kits" adquiridos pela fiscalizada são constituídos de dois ou mais componentes, sendo que cada componente está acondicionado em embalagem individual, sendo impossível adotar a EX 01 ou EX 02, uma vez que não se trata de um concentrado e nem pode ser diluído. E, ainda que diluído, perde suas características originais, uma vez que o concentrado surge somente através da mistura de diversos conteúdos que compõem cada "kit" e após passar pelo processo de industrialização. Neste caso, entende a fiscalização que tais produtos devem ser classificados no código 2106.9010, como uma “ Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas ”, Fl. 5838DF CARF MF 40 cuja alíquota é zero, o que torna legítima a glosa dos créditos por não se tratar da isenção prevista pelo Recurso Extraordinário (RE) nº 212.4842/RS, originado do Mandado de Segurança (MS) nº 91.00095524. Com relação à classificação fiscal em referência, oportuno reiterar a competência da SUFRAMA para análise e aprovação do projeto e concessão do benefício, não cabendo à douta equipe de fiscalização alterar o código adotado no respectivo Projeto Técnico que sustentou a Resolução nº 224/2007. E como já colacionado acima, consta das Informações Textuais do Produto "CONCENTRADOS PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS DE COLA" (fls. 5466), que foi caracterizado o enquadramento na NCM nº 2108.9010 EX 01. Vejamos novamente: Por sua vez, com relação ao processo produtivo na unidade industrial da Recorrente VONPAR, consta nas fls. 5104 o seguinte fluxograma simplificado das etapas do processo de elaboração do refrigerante CocaCola: Pelo resumo do processo industrial acima, notase que o “xarope simples” (conteúdo das embalagens que integram os “kits”) é obtido da mistura da água tratada com açucar. Tanto o conteúdo da "Parte 1" quanto o conteúdo da "Parte 2", cujos registros fotográficos já estão colacionados acima, são misturadas neste xarope simples, resultando em xarope composto. E, segundo diligência da equipe de fiscalização, a elaboração deste xarope composto ocorre no estabelecimento da Recorrente. Após, por se tratar de produção de Fl. 5839DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.820 41 refrigerante, o xarope composto é diluído em água carbonatada, resultando na bebida pronta para ser consumida. Já no processo produtivo das bebidas sem açúcar, os componentes dos “kits” são misturados sem anterior formação do xarope simples, com adição de água e edulcorantes. O fato é que a produção do refrigerante é resultado da elaboração do xarope composto, cuja elaboração ocorre a partir dos "Kits" adquiridos da fornecedora Recofarma. E, ainda que o composto concentrado seja destinado a terceiros (bares e restaurantes) para preparação final em máquinas Post Mix, os ingredientes para tais compostos são os "kits" objeto do crédito glosado. Por oportuno, colaciono a resposta aos quesitos 11 e 12 apresentada no RELATÓRIO TÉCNICO Nº 000.127/17, emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT (fls. 56095639): Fl. 5840DF CARF MF 42 COM RELAÇÃO À CAPACIDADE DE DILUIÇÃO, APONTADA COMO CARACTERÍSTICA DE ITEM "E" NO AUTO DE INFRAÇÃO, observo que a fiscalização concluiu que não há diferenças passíveis de alterar a classificação fiscal de tais kits, seja quanto à utilização do xarope composto enquanto produto intermediário/diluído no estabelecimento da Recorrente ou quanto à utilização do xarope composto enquanto produto final/vendido a terceiros, sendo que as "preparações" devem ser entendidas apenas como produtos prontos para uso. Para análise sobre tal conclusão, vejamos a descrição conferida ao NCM em discussão: 21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições. 2106.10.00 Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas 0 2106.90 Outras 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas 0 Ex 01 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado 20 Ex 02 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado 30 Aplicando a descrição do Código NCM 2106.90.10 EX 01 ao processo produtivo descrito no Termo de Verificação Fiscal, é possível concluir, ao contrário do resultado apontado pelo ilustre Auditor Fiscal, que realmente os produtos concentrados adquiridos pela Recorrente da fornecedora Recofarma caracterizamse como preparações compostas, não alcoólicas (concentrados), utilizados na elaboração de bebida da posição 22.02 (refrigerantes), com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte deste concentrado. Destaco o r. voto do Ilustre Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto no julgamento do PAF nº 11070.722571/201403 (Acórdão 3402003.801), referente de janeiro de 2009 até março de 2010 e PAF nº 11070.721.963/201528 (Acórdão nº 3402003.800), referente ao período de janeiro de 2011 até dezembro 2012, todos mencionados no Termo de Constatação Fiscal e Intimação nº 1 de fls. 3449 deste processo: Fl. 5841DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.821 43 Primeiramente, a fiscalização afirma que o Laudo exarado pelo laboratório confirma de forma inequívoca que a classificação fiscal adotada pelo Contribuinte está errada. Todavia, uma simples análise do documento atesta exatamente o contrário, como será demonstrado abaixo, apresentandose o resultado por amostragem: Fl. 5842DF CARF MF 44 No Laudo anexado aos autos, se verifica que os "kits de concentrados" abrangem basicamente preparações líquidas e sólidas, sendo estas últimas compostas de Ácido Cítrico, Sorbato de Sódio e Benzoato de Sódio, que vem às vezes misturados com outros sais, e em outras isolados. Em seguida, o Fiscal desconsidera a indicação feita pelo Laudo de que se tratariam de preparações, para adotar seu próprio sentido a técnico, digase que obteve à partir de uma consulta ao dicionário Priberam, na internet, concluindo assim que "preparações" devem ser entendidos apenas como produtos prontos para uso, já tendo sido processados, enquanto no caso dos kits, os componentes são misturados no processo de elaboração da bebida final. Para fundamentar, cita a distinção entre preparações alimentícias simples e compostas, para enquadrar o caso em tela na preparação alimentícia composta homogeneizada. Pontua então uma de suas falácias: Ora, não apenas a utilização da mercadoria é relevante para fins de classificação como a própria TIPI delineia elementos teleológicos no bojo de suas classificações, especialmente na posição 2106.90.10 e seus Ex 01 e 02: É dizer, faz toda a diferença para fins classificatórios o fato da mercadoria receber determinada destinação ou não, para esse caso dos concentrados, como também para diversos outros. Outro exemplo banal da erronia da premissa assumida pelo Fiscal é a classificação de produtos inorgânicos não misturados, que embora sejam usualmente incluídos no capítulo 28 da TIPI, são excluídos do mesmo quando se apresentem sob formas ou acondicionamentos especiais, ou quando submetidos a tratamentos que mantenham sua constituição química, como no Fl. 5843DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.822 45 caso da posição 30.04 (produtos para uso terapêutico ou profilático, que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho). De qualquer forma, resta trivial que o Sistema Harmonizado privilegia a destinação da mercadoria e o papel comercial que a mesma exercerá, sobre o simples dado de sua constituição físico química. Vejamos o que a NESH tem a dizer a respeito da posição indicada pelo Contribuinte: A) As preparações para utilização na alimentação humana, quer no estado em que se encontram, quer depois de tratamento (cozimento, dissolução ou ebulição em água, leite, etc.). A Nota Explicativa A referentes à classificação 2106.90 é expressa em afirmar que a preparação não perde o seu caráter enquanto tal pelo simples fato de posteriormente passar por um tratamento, mencionando especificamente a possibilidade de dissolução, que implica mistura fato este utilizado pelo fiscal como argumento para afastar a natureza de preparação. Ou seja, a preparação não precisa estar "pronta para uso", mas sim deve trazer os elementos que, conjuntamente e após tratamento, componham a preparação necessária para a elaboração da bebida da posição 22.02. Isso é corroborado quando se compulsa a NESH XI à RGI/SH 3, que traz exceção expressa à aplicação da regra 3 de interpretação do SH: XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. O referido dispositivo deixa claro ao tratar de "mercadorias constituídas por diferentes componentes" que os kits de concentrado devem ser tratados como uma única mercadoria, a despeito da existência de diversas partes (em embalagem comum ou não) e em proporções fixas. Isso conduziria a uma aparente contradição com a RGI/SH 2.b, que trata da classificação de produtos misturados ou artigos compostos, remetendo expressamente à Regra 3, verbis: Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. Fl. 5844DF CARF MF 46 Tal contradição se dissipa, todavia, diante da NESH X à RGI/SH 2.b, que determina expressamente que: Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificarse por aplicação da Regra 1. Em razão disso, a metarregra interpretativa a ser aplicada passa a ser a RGI/SH 1, com o respaldo das Notas Explicativas mencionadas acima, autorizando o Contribuinte a tratar como uma só mercadoria o "kit de concentrado", constituído por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), e em proporções fixas. Fica expressamente afastada pela NESH a primeira falácia do TVF. (...) Portanto, resta claro pela leitura das notas explicativas que: i) o fato do kit envolver partes sólidas e líquidas que sofreram diluição posteriormente no estabelecimento da adquirente não desnatura a sua natureza de "preparação". ii) o fato do kit ser destinado a uma empresa que produz refrigerantes é relevante para a classificação de tal mercadoria no Ex 01 da posição 2106.90. iii) os sólidos presentes no kit são produtos de conservação e ácido cítrico, todos expressamente mencionados como partes integrantes das preparações, podendo ser misturados posteriormente aos extratos, no momento da diluição. Minha convicção pessoal é de que a questão estaria definitivamente sepultada já neste ponto, pela leitura minimamente atenciosa da NESH, mas devemos prosseguir na análise do longo arrazoado fiscal. Por sua vez, consta igualmente nos autos o LAUDO PERICIAL elaborado pelo Centro de Tecnologia de Embalagem, no qual demonstra o posicionamento adotado pelo Sr. Perito, conforme a seguinte conclusão: Portanto, não tem razão o Ilustre Auditor Fiscal ao lavrar a autuação pelas razões adotadas em Termo de Verificação Fiscal, bem como ratificadas pelo Ilustre Julgador a Fl. 5845DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.823 47 quo, devendo a decisão recorrida ser reformada para o fim de exonerar o crédito tributário lançado. Não obstante o posicionamento acima adotado, passo à análise sobre os argumentos de defesa quanto à incidência de multa e juros de mora. 4.3. Do não cabimento de multa Alega a Recorrente que, por força do princípio da legalidade, ainda que subsistente a exigência do IPI, deve ser afastada a aplicação da multa proporcional constituída no lançamento, uma vez que tem incidência a alínea ‘a’ do inciso II do artigo 76 da lei nº 4.502/64. Com relação à incidência das penalidades previstas pelos artigo 76 da Lei nº 4502/1964 e artigo 567, II, “a”, do RIPI/2010, peço vênia para adotar o voto declarado pelo ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim proferido no Acórdão 3402002.993, abaixo reproduzido a título de fundamentação da presente decisão: "No que concerne à exclusão da penalidade com base no art. 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64, por ter o contribuinte observado as decisões administrativas da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no passado reconheceram o direito de crédito sobre insumos isentos, atrevome a discordar dos meus pares conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Embora o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 realmente autorizasse a dispensa da penalidade em relação àqueles que agiram "(...) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...)", ele não mais pode ser aplicado porque encontrase em desarmonia com o art. 100, II, do CTN, que passou a disciplinar de maneira diversa a questão relativa à dispensa ou redução de penalidades. O art. 100, II, do CTN tratou de modo totalmente diferente a dispensa de penalidade, em razão da observância de decisões administrativas, passando a exigir que essas ecisões possuam eficácia normativa, o que não ocorre com os julgados da Câmara Superior de ecursos Fiscais. A defesa alegou que o art. 97, VI, do CTN autoriza a lei a estabelecer hipóteses de dispensa ou de redução de penalidades, o que legitimaria sua pretensão em aplicar art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64. Ora, o art. 97, VI, do CTN em nada altera a conclusão de que o art. 76, II, "a" a Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Isso porque uma lei complementar tem a unção de impedir que o legislador ordinário regule certas matérias ao seu belprazer. dmitir ue o art. 97, VI, do CTN possa permitir que uma lei ordinária disponha de forma contrária ao ue está estabelecido Fl. 5846DF CARF MF 48 no art. 100, II, do CTN é transformar esse dispositivo em letra morta. Dessa forma, não resta nenhuma dúvida de que o art. 100, II, do CTN subtraiu do legislador ordinário a possibilidade de dispor sobre dispensa ou redução de multas em desconformidade com o que nele está previsto. Por tais motivos é que nos mantemos firmes na convicção de que o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico a partir do advento do CTN. Entretanto, conforme bem apontou a defesa, os Regulamentos do IPI têm considerado que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 está vigente e eficaz, conforme se pode conferir no art. 567, II, do RIPI 2010 e também no art. 486, II do RIPI 2002. Sendo assim, embora os regulamentos dos outros tributos não tenham contemplado a vigência do art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, é fora de dúvida que tal disposição foi mantida por meio dos decretos que instituíram os regulamentos do IPI, devendo tais decretos serem observados de forma obrigatória pelo CARF, a teor do que dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Afinal de contas, este colegiado aplicou a vinculação contida no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 no julgamento dos Acórdãos 3402002.856 e 3402002.928, para fazer cumprir a letra dos arts. 169, II, b, e 388, ambos do RIPI/2002, a fim de condicionar o direito de crédito do IPI por devoluções e retornos à escrituração do livro modelo 3 ou do controle permanente de estoque. Igualmente, no Acórdão 3402002.929, este colegiado fez prevalecer o disposto no art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, para manter a autuação da CIDE TECNOLOGIA sobre contratos que não envolviam transferência de tecnologia. Agora se trata de aplicar a mesma vinculação estabelecida no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 para fazer valer a letra do art. 486, II, do RIPI/2002 e do art. 567, II, do RIPI/2010, ainda que pessoalmente este relator considere que seu suporte legal não foi recepcionado pelo CTN. Nesse passo, cumpre a este colegiado verificar se existia decisão irrecorrível da CSRF reconhecendo o direito de crédito de IPI pela aquisição de produtos isentos na época dos fatos geradores abrangidos por este processo. Em pesquisa na página de jurisprudência do CARF na internet constatei que no Acórdão CSRF/021.212, de 11/11/2002, a Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao crédito ficto com base na extensão administrativa dos efeitos do RE 212.484 a um caso concreto semelhante ao ora analisado, ou seja, crédito ficto de IPI decorrente da aquisição de matérias primas produzidas na Zona Franca de Manaus (DL nº 288/67). Naqueles tempos, a CSRF, por maioria de votos, realmente estendia os efeitos do RE 212.484 a todos os contribuintes para reconhecer o direito de crédito sobre aquisição de qualquer insumo isento. Esse reconhecimento ocorria de forma ampla, tanto para insumos adquiridos da ZFM, quanto para qualquer outro insumo produzido em qualquer ponto do território nacional. Fl. 5847DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.824 49 No que concerne ao direito ao crédito ficto pela aquisição de insumos em geral, a partir de 2008 houve alteração no entendimento da CSRF, cessando a prolação de acórdãos que reconheciam esse direito com base na extensão administrativa dos efeitos do RE 212.484, conforme se pode comprovar pelo exame dos seguintes julgados: CSRF/0202.979, de 29/01/2008; CSRF/0203.029, de 05/05/2008; CSRF/0203.071, de 05/05/2008 e CSRF/0203.585, de 25/11/2008; 930301.274 e 930300.854, ambos de 2010; 9303001.617, 9303001.612, e 9303001.448, todos de 2011; e 9303002.188, de 2013. No que tange ao caso específico do crédito ficto sobre matérias primas isentas originárias da Zona Franca de Manaus, a CSRF somente alterou seu entendimento no Acórdão nº 9303003.293, de 24 de março de 2015, que foi proferido especificamente em relação à isenção concedida para empresa localizada na Zona Franca. Desse modo, se entre novembro de 2002 e março de 2015 vigeu o entendimento estampado no Acórdão CSRF/0201.212, de 11/11/2002, no sentido de que os contribuintes poderiam tomar o crédito ficto de IPI com base na interpretação contida no RE 212.484, então deve ser aplicada a restrição à imposição de penalidades previstas nos arts. 567, II, do RIPI 2010 e art. 486, II do RIPI 2002, in verbis: "(...) Não serão aplicadas penalidades: I omissis... II aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, II); (...)" Considerando que no caso concreto o período abrangido pelo auto de infração está compreendido entre novembro de 2002 e fevereiro de 2015, atrevome a divergir do ilustre relator, para votar no sentido de excluir a multa de ofício, pois mesmo que se considere ineficaz o art. 76, II da Lei nº 4.502/64, este colegiado está vinculado ao disposto no art. 468, II, do RIPI/2002 e no art. 567, II, do RIPI 2010 por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Pelas razões fundamentadas no voto acima transcrito, concluo por afastar a penalidade prevista pelo artigo 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64 e do artigo 567, II, do RIPI 2010. Fl. 5848DF CARF MF 50 4.4. Da ilicitude dos juros sobre multa A Recorrente argumenta pela ilicitude da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício constituída no lançamento. Aplicase, neste caso, a Súmula CARF nº 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Portanto, neste ponto deve ser mantida a decisão recorrida. 5. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: i) Afasto as preliminares invocadas pela defesa; ii) No mérito, dou provimento ao recurso para exonerar o crédito tributário lançado; iii) Ultrapassado o provimento do Recurso Voluntário, afasto a penalidade prevista pelo artigo 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64 e do artigo 567, II, do RIPI 2010, bem como aplico a Súmula CARF nº 108 para manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento divergi parcialmente do Voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor. Tendo sido designada para redigir o Voto Vencedor, apresento abaixo minhas razões de decidir quanto aos seguintes argumentos do recurso voluntário: a) coisa julgada no Mandado de Segurança Individual; b) competência da Suframa; c) classificação fiscal; e d) multa proporcional. Fl. 5849DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.825 51 a) Coisa julgada no mandado de segurança individual nº 91.00095524 Ao contrário do afirmado pela Ilustre Conselheira Relatora em seu Voto, a aplicação da coisa julgada do Mandado de Segurança não acarreta o provimento do Recurso Voluntário, eis que, no referido mandamus, não foi discutida a questão de classificação fiscal versada nos presentes autos, como já havida esclarecido o julgador a quo: Observese que as sucessivas decisões proferidas no curso da ação judicial mencionada no item precedente não abordaram a classificação fiscal dos “kits”, matéria alheia à petição inicial do MS nº 91.00095524. Tampouco o Poder Judiciário avaliou se os componentes dos “kits” devem ser classificados na TIPI como mercadoria única. Quanto ao exercício do direito conquistado em juízo pelo interessado, de se creditar “do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção”, é necessário determinar a alíquota do IPI a ser aplicada ao correspondente valor tributável. O interessado aplicou a alíquota de 20% estabelecida na TIPI para o Ex 01 do código 2106.90.10, sobre o valor dos “kits”. Conforme será abordado adiante, a fiscalização não admite o enquadramento dos “kits” no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, porquanto seus componentes não podem ser classificados como se fossem mercadoria única, não sendo possível utilizar a alíquota correspondente ao citado Ex para cálculo do crédito do IPI. A fiscalização sustenta que o crédito a que o interessado faz jus, no caso, é igual a zero, porquanto a classificação fiscal individual dos componentes dos “kits” se dá em códigos sujeitos, em sua maioria, à alíquota zero do IPI, e quando sujeitos à alíquota maior que zero o crédito tampouco é devido, por falta de elementos para o cálculo. Em suma, a coisa julgada decorrente do RE nº 212.4842/RS não legitima, no caso concreto, os pretendidos créditos alusivos aos componentes dos “kits” recebidos de Recofarma. b) Competência da Suframa Não obstante as atribuições da Suframa na sua área de competência, ela não afasta, de jeito nenhum, a competência da Receita Federal para fiscalização dos tributos em todo o território nacional no prazo de homologação do lançamento, inclusive no que diz respeito à verificação da correta classificação fiscal de produtos e da legitimidade dos créditos apropriados na escrita fiscal pelos contribuintes, bem como à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do Decreto Lei nº 1.435/75. Nesse sentido já foi decidido anteriormente por este Colegiado no Acórdão nº 3402004.827, de 29 de janeiro de 2018, em Voto Vencedor desta Conselheira. Ademais, como bem destacou o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra em Voto Vencedor no Acórdão nº 3402003.801, de 26 de janeiro de 2017, em face da própria recorrente: "nos atos de sua competência, a SUFRAMA pode tratar os kits como se fossem uma mercadoria única, o que não afeta a validade desses atos para os objetivos propostos, porém este tratamento não prevalece para fins de Classificação Fiscal da mercadoria (enquadramento na TIPI). Aliás, nem a SUFRAMA e nem mesmo a RFB, que no Brasil possui a competência legal para tratar de classificação fiscal, podem alterar a definição do produto para fins de enquadramento na NCM, porque as definições de mercadorias para fins de classificação obedecem a regras internacionais". Fl. 5850DF CARF MF 52 Dessa forma, rejeitase os argumentos da recorrente no sentido de que os atos proferidos pela Suframa impediriam ou inviabilizariam a reclassificação fiscal efetuada pela fiscalização. c) Classificação fiscal A fiscalização glosou integralmente os créditos escriturados pela contribuinte incidentes sobre insumos adquiridos com isenção, vez que apurou que seria igual a zero o valor do IPI “incidente” ou “calculado como se devido fosse”, sobre os “kits” fornecidos pela Recofarma, tratados indevidamente como um produto único no enquadramento da TIPI. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal deveria ser individualizada em relação aos componentes dos “kits”, ao que corresponderia, na maioria dos casos, alíquota zero do IPI. A controvérsia central do processo reside, então, na verificação se as mercadorias adquiridas pela contribuinte teriam uma classificação fiscal única como um "kit" ou conjunto para uma finalidade específica, não obstante não estejam misturados num mesmo recipiente; mais precisamente, se classificarseiam conjuntamente sob o código único de NCM/SH 2106.90.10 da TIPI Ex 01, conforme pretende a recorrente. Como já delineado acima, o fato de a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/98, o Parecer Técnico nº 224/2007, a Resolução do CAS nº 298/2007 e os demais atos mencionados pela recorrente tratarem os denominados "kits" como "produto único", não afastam a competência do AuditorFiscal da Receita Federal de determinar a correta classificação fiscal do produto ("kit") com observância das regras próprias, inclusive o fazendo individualmente, para cada componente do "kit". A classificação fiscal de forma individualizada, por componentes do "kit", não representa nenhuma contradição com o fato de a recorrente ter adquirido um "kit" como uma "mercadoria única". O que a fiscalização fez foi exatamente classificar "mercadorias", assim consideradas como os bens que foram adquiridos pela recorrente, no caso, cada "kit" foi considerado como um único produto a ser submetido às regras de classificação fiscal. Mas isso não quer definitivamente dizer que cada mercadoria ou "kit" devesse ser classificado num único código NCM/SH, o que só ocorreria, obviamente, se as normas da nomenclatura conduzissem a isso. Da mesma forma, também o uso ou destinação da mercadoria serão relevantes para a classificação de uma mercadoria somente quando essas normas atinentes assim o indiquem. Também o fato de o Laudo do INT afirmar que se trata de uma "mercadoria única" não impede a fiscalização de classificála separadamente pelos bens que a integram desde que assim determinem as regras de classificação fiscal. Não há que se olvidar que, nos termos do §1º do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, "Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos", de forma que o Laudo do INT não têm o condão de determinar a correta classificação dos produtos sob análise. Ademais, o fato de o Laudo do INT mencionar que "a mercadoria vendida pela Recofarma é uma única mercadoria formadas por duas partes" não se trata de nenhum "aspecto técnico" que tivesse sendo recusado pelo julgador de primeira instância (art. 30, caput do Decreto nº 70.235/72). Tal circunstância seria visível por qualquer pessoa comum, sem conhecimentos técnicos específicos. Tratase mais de uma questão de semântica: somente para fins de classificação fiscal é que se procede à separação abstrata da "mercadoria única". Isso porque as regras de classificação fiscal assim determinam. Fl. 5851DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.826 53 Dessa forma, o exercício pelo AuditorFiscal da sua atribuição de classificação fiscal do denominda "kit" utilizando as regras atinentes à classificação fiscal, independentemente se essas conduzam a uma NCM única para o conjunto ("kit") ou a diversas NCMs para cada componente do conjunto, não representa, de forma alguma, revisão ou invalidação da Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/98, do Parecer Técnico nº 224/2007, da Resolução do CAS nº 298/2007, do Laudo do INT ou dos demais atos mencionados pela recorrente. Com efeito, conforme definido nos arts. 16 e 17 do Regulamento do IPI, a classificação fiscal deve se dar na seguinte forma: Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação RGI, Regras Gerais Complementares RGC e Notas Complementares NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, integrantes do seu texto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art. 17. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Posições e Subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, Posições e de Subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). A Regra Geral de Interpretação nº 1 estabelece que: "Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes". O texto da posição 2106 na TIPI é assim descrito: Pela aplicação da Regra Geral de Interpretação nº 1, verificase que os produtos, que não são misturados, e não há controvérsia sobre isso, não podem ser classificados como uma "preparação". Observase que, de fato, há alguns exemplos de produtos não misturados que podem ser classificados conjuntamente, com uma única NCM, mas isso somente quando haja previsão específica nos textos das posições e das notas de seção e de capítulo ou nas respectivas notas explicativas ou regras gerais do SH, o que não ocorre no caso das preparações a que se referem o código NCM/SH 2106.90.10, objeto de estudo. Confirmando a regra existem exceções. Ao que se observa nas posições da TIPI, como regra geral, o conceito de preparação pressupõe a mistura dos ingredientes, ressalvandose apenas os casos expressamente previstos nas notas e textos da nomenclatura. Aqui vale o preceito “exceptiones Fl. 5852DF CARF MF 54 sunt strictissimae interpretationis”, no sentido de que a exceção à regra abrange estritamente os casos que especifica. Alega a recorrente que o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3.b, confirmaria o fato de que os denominados "kits" deveriam ser classificados num única posição. Vejase a redação da Nota e da Regra Geral 3.b): REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: (...) b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Nota: XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. No entanto, essa alegação em nada favorece a recorrente. Nunca se negou a existência no mundo concreto de "mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto". O que se rejeita, no presente caso, como já esclarecido, é a classificação dos "kits" num único código NCM de "preparação", e não a possibilidade de uma "mercadoria" ter vários componentes separados. Pelo contrário do que pretende a recorrente, a referida Nota XI não abriga a classificação do "kit" como uma preparação única, mas exclui as "mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente" da possibilidade de utilização da Regra 3.b). De outra parte, a referida Nota não significa permissão para a aplicação da Regra 3.a), eis que quando se aventa a possibilidade de aplicação da regra 3.b), já foi descartada a possibilidade de utilização da Regra 3.a). A regra 3.b é residual em relação à regra 3.a). Assim, correta a conclusão da fiscalização de que os componentes dos “kits” devem ser classificados individualmente, pela aplicação da RGI1, conforme consta nas fls. 5136/5138. A tese da recorrente de classificação do "kit" como uma preparação única não encontra abrigo nos textos das posições e das notas de seção e de capítulo ou nas respectivas Notas Explicativas (NESH), nem tampouco, nas Regras RGI/SH 2 e 3, conforme já também confirmado na decisão recorrida. Diante da impossibilidade de classificação do "kit" conjuntamente no código NCM/SH 2106.90.10, resta prejudicado o enquadramento para o conjunto no Ex 01 desta NCM. Há que se esclarecer que o enquadramento de mercadoria em ex tarifário deve atender primeiramente às regras de classificação fiscal, e não o contrário. Somente depois de definido o código NCM adequado, é que se pode verificar o eventual enquadramento no ex desse código. Nesse sentido foi também decidido por este Colegiado, em processo cuja interessada era a fornecedora (Recofarma) da ora recorrente, sob a relatoria desta Conselheira, conforme ementa abaixo: Processo nº 11080.732817/201428 Acórdão nº 3402004.073– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2017 Fl. 5853DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.827 55 Matéria Classificação Fiscal Recorrente RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA (...) "KITS" PARA BEBIDAS. CLASSIFICAÇÃO INDIVIDUALIZADA. POR COMPONENTE. Os denominados "kits" para produção de bebidas no estabelecimento do comprador, por não serem misturados, não podem ser classificados como uma única preparação sob o código NCM/SH 2106.90.10 "Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", devendo ser classificados individualmente, por cada componente. A classificação de produtos não misturados sob um único código de preparação somente é autorizada quando haja previsão nos textos das posições e das notas de seção e de capítulo ou nas respectivas notas explicativas ou regras gerais do Sistema Harmonizado, o que não ocorre no caso das preparações a que se referem o código NCM/SH 2106.90.10. Em face da classificação individualizada por componentes do denominado "kit" resta prejudicado o enquadramento no Ex tarifário 01 código NCM/SH 2106.90.10 pleiteado pela contribuinte, o que também não se revelou adequado para nenhuma das partes componentes do "kit", conforme devidamente motivado pela fiscalização. Recurso voluntário negado Essa questão da classificação fiscal foi também enfrentada no processo nº 11080.727433/201574, no interesse da própria recorrente Vonpar Refrescos S.A., sob o Acórdão nº 3402003.802 (Redator Designado: Waldir Navarro Bezerra), de 26 de janeiro de 2017, no qual também se decidiu em sentido desfavorável à tese da recorrente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 (...) IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS DE CONCENTRADOS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA MERCADORIA. Nos atos de sua competência, a SUFRAMA pode tratar os kits como se fossem uma mercadoria única, o que não afeta a validade desses atos para os objetivos propostos, porém este tratamento não prevalece para fins de Classificação Fiscal da mercadoria. (enquadramento na TIPI). (...) Insurgese ainda a recorrente em face da decisão recorrida que deixou de reconhecer a ilegalidade do auto de infração alegada pela então impugnante em face de não ter calculado o crédito de uma das partes do denominado "kit", nos seguintes termos: Pelo que se vê nas fls. 74 a 3151, a descrição dos produtos nas notas fiscais é de mercadoria única, correspondente a “concentrados” apresentados em “kits”, referentes aos diversos refrigerantes, sem individualizar os componentes e respectivos valores. Considerando que compete ao beneficiário do crédito expor os elementos necessários ao cálculo do valor correspondente, ônus do qual o interessado neste Fl. 5854DF CARF MF 56 processo não se desincumbiu, sequer na impugnação apresentada, não é possível quantificar os créditos alegados, conforme concluiu o autor do procedimento fiscal. À vista disso, resta descabida a alegação de ilegalidade do Auto de Infração. Não assiste razão à recorrente também neste ponto. Mesmo que seja um auto de infração, no qual, é verdade que incumbe à autoridade autuante demonstrar os fatos e fundamentos para a exigência tributária, em se tratando de créditos pleiteados ou descontados pela contribuinte, a atribuição da fiscalização limitase à devida motivação da glosa, melhor dizendo, à demonstração de que a própria contribuinte não comprovou adequadamente, eis que era o seu dever, a legitimidade e o quantitativo dos créditos alegados. Não se deve olvidar que o lançamento decorre do saldo devedor do IPI (diferença entre débitos e créditos) no período de apuração, de forma que incumbiria à interessada demonstrar, durante o procedimento fiscal ou no curso do processo administrativo, o cabimento de eventual direito creditório que reduziria o montante do saldo devedor e acarretaria a exoneração parcial do lançamento. Não há controvérsia nos autos sobre o montante do débito do Imposto devido nas saídas de produtos do estabelecimento da recorrente, mas tão somente acerca dos créditos, neste ponto, relativos aos componentes do "kit", cujo ônus probatório é da própria requerente. Diante do lançamento que não considerou, motivadamente, o crédito alegado pela contribuinte em relação a um dos componentes do "kit", a então impugnante deveria ter apresentado os elementos modificativos ou extintivos da autuação, no caso, que lhe assegurariam o crédito alegado, mas não o fez, como bem esclareceu a DRJ. Depois, mesmo com tal decisão, a recorrente não se utilizou da prerrogativa do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72, para apresentar eventuais elementos de prova para quantificação individualizada dos componentes do "kit" no recurso voluntário. De forma que não cabe qualquer reparo na decisão recorrida nesta parte. A alegação de que auto de infração não teria respaldo probatório também não prospera. A recorrente não demonstrou que os produtos sob análise seriam diferentes daqueles analisados no Laudo junto a sua fornecedora Recofarma e nem de eventual prejuízo causado por não ter sido juntado parte do Laudo. A autuação foi bem instruída e devidamente motivada. A suficiência ou não do quadro probatório seria questão de mérito quanto a eventual aspecto envolvido, que teria de ser contestado pela recorrente. No mais, a matéria aqui tratada já é bem conhecida pela recorrente em outros processos semelhantes no seu interesse. Por fim há que se esclarecer que está em discussão no presente processo somente a matéria da classificação fiscal que resultou na extinção (valor igual a zero) dos créditos escriturados pela contribuinte, de forma que não cabe, neste momento processual, analisar o eventual direito de crédito da recorrente com base no art. 9º do DL nº 288/67 ou no art. 6º do DL nº 1535/75. d) Multa proporcional Deve ser indeferido o pleito de aplicação do art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 para excluir a penalidade em face entendimento prevalente da Câmara Superior de Recursos Fiscais que teria reconhecido o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos. Ocorre que, como dito logo acima, a discussão no presente processo cingese à classificação fiscal, de forma que o referido entendimento da CSRF não traria nenhum proveito à recorrente. De todo modo, o entendimento desta Conselheira é de que tal dispositivo foi revogado tacitamente pelo art. 100 do CTN, que veio estabelecer que somente as decisões Fl. 5855DF CARF MF Processo nº 11070.721520/201707 Acórdão n.º 3402006.589 S3C4T2 Fl. 5.828 57 administrativas para as quais a lei atribuísse eficácia normativa poderiam ter o status de norma complementar no âmbito tributário. Nesse sentido, bem esclareceu o Ilustre Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire em sua Declaração de Voto no mencionado Acórdão nº 3402003.801: Ou seja, a partir da vigência do CTN, a exclusão de penalidades com fundamento em decisões do CARF, sem que o contribuinte seja parte nos processos específicos, só é possível caso exista lei atribuindo eficácia normativa às referidas decisões, o que, até o presente momento, não existe. Nada obstante, essa é a multa prescrita pelo art. 569 do RIPI/2010, com espeque no art. 80 da Lei 4.502/64, com redação dada pelo art. 13 da Lei 11.448, de 15/06/2007, vazada nos seguintes termos: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Portanto, há lei válida, vigente e eficaz, que se sobrepõe a qualquer norma regulamentar, que determina a aplicação de multa de ofício específica para o caso de cobrança de IPI por falta de seu recolhimento, como no caso versado nestes autos. Em consequência, escorreita sua aplicação. Assim, pelo exposto acima, na parte divergente do Voto da Conselheira Relatora, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário quanto aos argumentos relativos a: a) coisa julgada formada no Mandado de Segurança individual; b) competência da SUFRAMA. c) classificação fiscal das mercadorias e d) multa proporcional. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 5856DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.006403/2002-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1994 a 31/07/1996
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. DECADÊNCIA. PRAZO DE DEZ ANOS. SÚMULA CARF Nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo de decadência de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1302-003.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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RESTITUIÇÃO. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. DECADÊNCIA. PRAZO DE DEZ ANOS. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo de decadência de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 16-13.911, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (fls. 112 a 116), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 64 03 /2 00 2- 76 Fl. 300DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.622 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11831.006403/2002-76 "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1995, 1996 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constituem crédito a restituir ou compensar os pagamentos a maior ou indevidos desde que ainda não tenham sido utilizados. DECADÊNCIA. O prazo para pleitear o reconhecimento do direito ao indébito, extingue-se no decurso de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário, em conformidade com o a1t.165 c/c o art.168 do Código." Por meio dos formulários de fls. 4 e 6, a Recorrente apresentou, em 18 de outubro de 2002, Pedido de Restituição relativo a valores supostamente recolhidos a maior ou indevidos, no montante de R$ 1.126.559,55, cumulada com Declaração de Compensação (DComp), na qual compensou parcialmente o valor pleiteado. Conforme discriminado à fl. 7, o crédito em questão se relaciona com recolhimentos realizados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no período de 04/01/1995 a 28/08/1996. Em momento posterior, apresentou novas DComp, compensando as parcelas restantes do mesmo crédito (fls. 48 a 51). A autoridade administrativa, por meio do Despacho Decisório de fls. 56 a 62, não reconheceu o direito creditório invocado e não homologou as compensações realizadas, uma vez que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição de eventual indébito em relação aos pagamentos em questão teria sido extinto, pelo decurso do prazo de cinco anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN, conforme interpretação do art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005. O sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 100 a 108, na qual sustenta, essencialmente, que: (i) "o prazo para pleitear a restituição/compensação de tributos lançados por homologação recolhidos a maior é de cinco anos, contados do fato gerador respectivo, acrescidos de mais cinco, contados da extinção definitiva do crédito com a homologação do pagamento", conforme tese pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ); (ii) a norma veiculada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, não possui natureza meramente interpretativa, mas visou afastar o entendimento do STJ, de modo que os seus efeitos não podem retroagir. O Acórdão recorrido, contudo, pautou-se pelo mesmo entendimento adotado no Despacho Decisório de indeferimento do direito creditório. Os julgadores a quo registraram, ainda, a ausência de competência da autoridade administrativa para se manifestar sobre a alegação de violação a princípios constitucionais. Fl. 301DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.622 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11831.006403/2002-76 Após a ciência da decisão, foi interposto o Recurso Voluntário de fls. 126 a 135, no qual reitera as alegações já trazidas na Manifestação de Inconformidade. Em decorrência do Memorando de fls. 178, foi realizada a juntada ao processo das Declarações de Compensação retificadoras de fls. 179 e 180, vinculadas ao crédito tratado nestes autos. Em 16 de janeiro de 2012, por meio da Petição de fls. 226, a Recorrente comunicou a alteração da sua solicitada a alteração da sua denominação social para DIXIE TOGA LTDA. Em 20 de agosto de 2005, foi juntado por apensação ao presente processo o processo administrativo nº 10930.007805/2002-15, que trata de DComp apresentada, em 08 de novembro de 2002, em relação ao mesmo crédito sob análise (fls. 251 a 262). Por fim, em 17 de março de 2016, a Recorrente comunicou nova alteração de denominação social, desta vez para BEMIS DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA (fl. 264). É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator I. Da admissibilidade do Recurso O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 13 de agosto de 2007 (fl. 118), tendo apresentado Recurso Voluntário em 29 de agosto de 2007 (fl. 126), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído às fls. 68 a 72. A competência para o julgamento de todo o crédito é da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso II, 7º e 8º, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II. Da abrangência do julgamento Tendo em vista a reiterada juntada de documentos ao processo, ao longo do seu trâmite, importa detalhar as declarações de compensação incluídas no contencioso administrativo e abrangidas pela presente decisão. Fl. 302DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.622 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11831.006403/2002-76 Em primeiro lugar, cabe ressalvar que, embora o processo administrativo nº 10930.007805/2002-15 somente tenha sido apensado a estes autos, em 20 de agosto de 2005, encontra-se expressamente abrangido pelo Despacho Decisório de fls. 56 a 62. In verbis: "Vinculou diversas declarações de compensação ao presente processo (fls.02, 44, 45, 45 e 46) assim como protocolou o processo de n° 10930.007805/2002-15, apenso a este, também de declaração de compensação, com a pretensão de liquidar débitos relativos ao IPI com a utilização do valor do crédito apurado." Por outro lado, as Declarações de Compensação retificadoras de fls. 179 e 180, porquanto somente juntadas ao processo após o proferimento do referido Despacho Decisório, não se encontram no âmbito do contencioso administrativo. III. Do mérito A discussão nos presentes autos se refere ao prazo extintivo do direito à restituição/compensação dos pagamentos indevidos ou a maior que o devido no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. A questão já foi alvo de acaloradas e prolongadas discussões, mas se encontra pacificada, atualmente, por força da edição do art. 3º da Lei Complementar nº 106, de 2005, que assim dispôs: "Art. 3 o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 o do art. 150 da referida Lei." Fora de dúvidas, portanto, que a contagem do prazo prescricional de cinco anos se inicia no momento do pagamento antecipado, afastada a tese decenal sustentada por alguns. Contudo, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 566.621 (sob o regime de repercussão geral), firmou entendimento no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos, para as ações de repetição de indébito ou de compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, previsto na referida Lei Complementar, é aplicável tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Na mesma linha, a Súmula CARF nº 91, aplicou o referido entendimento na esfera administrativa: "Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)" Deste modo, tendo a Declaração de Compensação sob análise sido apresentada em 18 de outubro de 2002, deve ser reconhecida a inocorrência da prescrição quanto aos eventuais indébitos relativos aos pagamentos que compuseram o crédito compensado. Fl. 303DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.622 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11831.006403/2002-76 Superado tal ponto, porém, é patente que a autoridade administrativa não analisou as questões fáticas relacionadas ao direito creditório pleiteado pelo Recorrente, limitando-se à questão da prescrição. A posição desta Turma Julgadora tem sido no sentido de não se poder avançar, neste momento, para a decisão quanto à procedência ou não do direito creditório invocado pelo Recorrente, uma vez que, tal análise não tendo sido realizada nem pela autoridade administrativa, nem pelos julgadores de primeira instância, uma eventual decisão desfavorável ao sujeito passivo constituiria supressão de instância e cerceamento do seu direito de defesa. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reconhecer a inocorrência de prescrição, à data de formalização do presente processo, do direito de o sujeito passivo pleitear a restituição/compensação dos créditos referentes aos pagamentos discriminados à fl. 7, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.002141/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
DEDUÇÃO DE DESPESAS.
A dedução das despesas limita-se a pagamentos especificados, relacionados ao contribuinte e seus dependentes e comprovados mediante documentação hábil e idônea.
MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. EXCLUSÃO.
Deve ser afastada a multa qualificada quando não se extrai dos autos a comprovação cabal da ocorrência de conduta dolosa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-007.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se a qualificadora da multa aplicada, com a redução do seu percentual ao patamar ordinário de 75%.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. DEDUÇÃO DE DESPESAS. A dedução das despesas limita-se a pagamentos especificados, relacionados ao contribuinte e seus dependentes e comprovados mediante documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a multa qualificada quando não se extrai dos autos a comprovação cabal da ocorrência de conduta dolosa do sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-28T23:46:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-28T23:46:10Z; Last-Modified: 2019-06-28T23:46:10Z; dcterms:modified: 2019-06-28T23:46:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-28T23:46:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-28T23:46:10Z; meta:save-date: 2019-06-28T23:46:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-28T23:46:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-28T23:46:10Z; created: 2019-06-28T23:46:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-06-28T23:46:10Z; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-28T23:46:10Z | Conteúdo => S2-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10580.002141/2007-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-007.375 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2019 Recorrente RAYMUNDO PITTA LIMA FILHO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. DEDUÇÃO DE DESPESAS. A dedução das despesas limita-se a pagamentos especificados, relacionados ao contribuinte e seus dependentes e comprovados mediante documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a multa qualificada quando não se extrai dos autos a comprovação cabal da ocorrência de conduta dolosa do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se a qualificadora da multa aplicada, com a redução do seu percentual ao patamar ordinário de 75%. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 21 41 /2 00 7- 11 Fl. 376DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.375 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.002141/2007-11 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Trata-se de recurso voluntário em face da decisão da 3ª Tuma da DRJ/SDR, consubstanciada no Acórdão nº 15-14.913, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório do referido Acórdão, tem-se que: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Salvador emitiu em nome do contribuinte acima identificado Auto de Infração (fls. 6/10), referente ao imposto de renda pessoa física, exercícios 2003, 2004 e 2005; anos-calendário 2002, 2003 e 2004, decorrente de procedimento fiscal, do qual o contribuinte foi cientificado em 24/01/2007. Foram glosadas deduções relativas a previdência oficial, previdência privada, despesas com dependente, despesas com instrução e despesas médicas, em virtude de não terem sido comprovadas no curso do procedimento de fiscalização do qual foi regularmente intimado, resultando na apuração de imposto suplementar de R$ 28.500,89, acrescido de multa de ofício e de juros, totalizando R$ 81.690,95. Na impugnação (fl. 63/67), o contribuinte, inicialmente, alega que em maio de 2005 apresentou toda a documentação relativa ao exercício 2003 à RFB e que os reapresentou à fiscalização em março de 2007. Quanto à parte da documentação comprobatória das deduções dos exercícios 2004 e 2005, ficou impossibilitado de apresentar porque, em 14/02/2007, seu carro foi arrombado e, entre outros itens, subtraíram um "envelope contendo talões de cheque, dinheiro e alguns documentos que estava juntando para prestar esclarecimentos a Receita Federal". Relata que por não entender de tributos, repassou a outrem a responsabilidade de elaborar as suas declarações de ajuste anual nos três exercícios e que erroneamente alguns valores de previdência oficial, previdência provada e de despesas médicas foram majorados. Anexa cópia de diversos documentos (fls. 85/172) entre os quais boletim de ocorrência, informes de rendimentos, declarações e recibos de mensalidades escolares. Complementa sua impugnação pedindo o acatamento dos documentos anexados; o abono dos itens cuja documentação foi furtada; a aceitação de duas menores declaradas como dependentes, a inclusão de uma terceira menor, uma vez que assume a despesas de manutenção das mesmas e a desconsideração da multa aplicada de 150% por inexistir a intenção de fraude, pois, na sua defesa elucida as questões suscitadas pela RFB. Finalmente, pede a redução da multa e dos juros aplicados. Objetivando dirimir dúvidas, pontos obscuros e/ou incoerências na documentação comprobatória apresentada foi solicitada diligência (fls. 174/175) para esclarecimentos relativos a todos os três exercícios, através da apresentação de declarações da Embasa, da Ass. dos Técnicos de Nível Universitário da Embasa — Atue e da Vitalmed detalhando os valores informados como despesas médicas nos diversos exercícios fiscalizados. O contribuinte cientificado da solicitação, entregou à RFB diversos documentos (fls. 181/200) em 06/12/2007. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo, nos termos do Acórdão nº 15-14.913, conforme ementa abaixo reproduzida: Fl. 377DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.375 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.002141/2007-11 DEDUÇÃO DE DESPESAS. A dedução das despesas limita-se a pagamentos especificados, relacionados ao contribuinte e seus dependentes e comprovados mediante documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que presente, em tese, circunstâncias qualificativas. Lançamento Procedente em Parte Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 220/224, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Das Deduções Indevidas Conforme exposto no relatório supra, a Fiscalização constatou a ocorrência das seguintes infrações à legislação tributária: 1) Dedução Indevida de Previdência Oficial; 2) Dedução Indevida de Previdência Privada; 3) Dedução Indevida de Dependente; 4) Dedução Indevida de Despesas com Instrução; e 5) Dedução Indevida de Despesas Médicas. A DRJ, em face dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo Contribuinte, bem como em face da diligência realizada, julgou procedente em parte o lançamento fiscal, mantendo os seguintes valores, em síntese: * em relação à Dedução Indevida de Previdência Oficial e Privada: Fl. 378DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.375 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.002141/2007-11 * em relação à Dedução Indevida de Dependentes: No que diz respeito às deduções com dependentes, o contribuinte originalmente, incluiu em todos os exercícios fiscalizados, pessoas com as quais não mantinha a relação de dependência exigida pela legislação fiscal. O ano-calendário de 2002 apresentava 5 dependentes mas após a atuação da malha fiscal houve a apresentação da declaração retificadora, alterando para 3 dependentes: duas filhas menores e sua genitora. Nos anos-calendário 2003 e 2004 manteve, além destas três dependentes que atendiam os requisitos da legislação tributária, outros 3 prováveis dependentes: o cônjuge, o qual declara em separado, fato impeditivo para a dependência e duas menores das quais não detêm a guarda judicial, exigência legal para a relação de dependência, sendo irrelevante se há despesas com a manutenção das mesmas. E mais, no ano-calendário de 2004, incluiu um quarto dependente, sua irmã, sem comprovação de incapacidade mental ou incapacidade laboral. Conclui-se então pela pertinência das glosas de 3 dependentes, em 2003, e de 4 dependentes, em 2004. * em relação à Dedução Indevida com Instrução: No que diz respeito às deduções com despesas de instrução, o contribuinte comprova despesas com duas dependentes (filhas), pagas à Faculdade Integrada da Bahia, em valor superior ao limite permitido (R$1.998,00) para dedução em ambos os exercícios. Dedutível portanto R$3.996,00 (2 xR$1.998,00) nos anos-calendário de 2003 e 2004. Permanecem portanto as glosas de R$3.600,00 (R$7.596,00- R$3.996,00) e R$6.300,00 (R$10.296,00 — R$3.996,00) em 2003 e 2004, respectivamente. * em relação à Dedução Indevida com Despesas Médicas: O Recorrente, por seu turno, em sua peça recursal, não se contrapôs de forma clara e específica contra os valores mantidos pelo órgão julgador de primeira instância. Ao contrário, busca afastar o crédito tributário remanescente com alegações superficiais no sentido de que, ao contratar um profissional da área de contabilidade para fazer suas declarações de Imposto de Renda, o contribuinte terminou por se envolver em uma situação completamente inusitada e irreal, que lhe tem roubado dias de tranquilidade e vida, pois jamais imaginou que em suas declarações constassem tantas informações improcedentes. Fl. 379DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.375 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.002141/2007-11 E prossegue afirmando que, não se conforma com os termos da decisão do acórdão n. 15-14913, nem com os seus fundamentos, haja vista não refletir que foram analisados todos os fatores da realidade do caso do contribuinte. Pois, a Delegacia de Julgamento deve levar em conta que a grande maioria dos contribuintes delega a realização das declarações de imposto de renda para profissionais da área de contabilidade e, de certa forma não acompanham os detalhes do corpo da mesma, apenas solicitam o recibo de entrega para terem a ciência da transmissão dentro do prazo estabelecido pela Receita Federal e, qual o valor que tem a pagar ou receber. Neste contexto, considerando que não foram apresentadas novas razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, e que as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância estão em consonância com o entendimento deste relator, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: As glosas da dedução da base de cálculo do imposto de renda nos três exercícios correspondem àquelas despesas declaradas pelo contribuinte para as quais não houve comprovação de sua pertinência com a legislação tributária aplicável, durante a fiscalização, algumas das quais o próprio contribuinte afirma decorrer de erro de terceiro por ele eleito para elaborar as suas Declarações de Ajuste Anual (Dirpf). A análise dos documentos que compõem o processo, especialmente, o Auto de Infração, as Declaração de Ajuste Anual — DIRPF Exercícios 2003 a 2005 (fls. 51/59), e os elementos probatórios apresentados na impugnação (fls. 85/172) e após a diligência fiscal (fls. 183/200), relativos às deduções glosadas (fls. 12/22), e pesquisas realizadas no banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB demonstram as constatações expostas nos próximos parágrafos. Quanto às contribuições às previdências oficial e privada, o próprio contribuinte afirma em sua impugnação que os valores declarados são superiores aos efetivamente pagos. Alega erro de terceira pessoa, responsável por suas declarações e apresenta elementos comprobatórios (informes de rendimentos da fonte pagadora). Verifica-se que permanece a glosa de R$12.999,81, de contribuição à previdência oficial no exercício de 2004, ano-calendário 2003. Quanto à dedução de pagamentos à previdência privada, permanecem as glosas de R$4.456,50 e R$4.787,82, em 2003 e 2004, respectivamente. No que diz respeito às deduções com dependentes, o contribuinte originalmente, incluiu em todos os exercícios fiscalizados, pessoas com as quais não mantinha a relação de dependência exigida pela legislação fiscal. O ano-calendário de 2002 apresentava 5 dependentes mas após a atuação da malha fiscal houve a apresentação da declaração retificadora, alterando para 3 dependentes: duas filhas menores e sua genitora. Nos anos-calendário 2003 e 2004 manteve, além destas três dependentes que atendiam os requisitos da legislação tributária, outros 3 prováveis dependentes: o cônjuge, o qual declara em separado, fato impeditivo para a dependência e duas menores das quais não detêm a guarda judicial, exigência legal para a relação de dependência, sendo irrelevante se há despesas com a manutenção das mesmas. E mais, no ano-calendário de 2004, incluiu um quarto dependente, sua irmã, sem comprovação de incapacidade mental ou incapacidade laboral. Conclui-se então pela pertinência das glosas de 3 dependentes, em 2003, e de 4 dependentes, em 2004. As despesas médicas glosadas referem-se a pagamentos de planos/seguros de saúde, cujos beneficiários são variáveis, conforme explicitado a seguir. - as despesas médicas com plano de saúde informadas pela Embasa têm como beneficiários o contribuinte, seu cônjuge e as duas filhas, observando-se que o cônjuge apresentou declaração em separado no modelo simplificado nos três exercícios Fl. 380DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.375 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.002141/2007-11 fiscalizados. Daí, a parcela paga relativa cônjuge não ser dedutível. Como a Embasa não especificou a parcela do pagamento correspondente a cada um dos beneficiários, e mesmo levando em conta que os pagamentos guardam relação proporcional com a faixa etária do beneficiário, considerarei parcelas iguais, ou seja, 25% do valor pago não é procedente, devendo portanto permanecer a glosa de um quarto do valor comprovado; - a Atue informou que as despesas com o plano/seguro saúde Sul América (junho a dezembro de 2003 e 2004) correspondem a cinco beneficiários (contribuinte, cônjuge, uma das filhas - Maria, irmã e 3ª pessoa estranha — Sra. Vera Lúcia) dos quais apenas são despesas dedutíveis as parcelas referentes ao próprio contribuinte e a filha (29,02% da mensalidade). Quanto ao pagamento do HSBC (janeiro a maio de 2003), a Atue limitou-se a reapresentar declaração (fl. 192) com as parcelas mensais sem discriminar os beneficiários. Por similaridade utilizarei a mesma proporção para imputar a parcela dedutível (29,02%), uma vez que, o valor das primeiras parcelas do Sul América (junho a agosto de 2003) é idêntico ao do HSBC (fl. 191). Outro aspecto a ser ressaltado com relação aos pagamentos declarados pela Atue, em 2003, é a discordância entre as parcelas totais mensais indicadas na relação (fls. 191) anexada, tanto na impugnação (fl. 132) quanto após a diligência (fl. 191), e os valores mensais por beneficiário declarados em planilha (fl. 193). Adotarei como corretos os valores detalhados que constam da planilha e que coincidem, antes do reajuste com os valores informados para 2004 (fl. 190), ano em que não há incoerência. Por motivos similares, estou desprezando o valor indicado como parcela mensal do contribuinte em junho de 2003 e considerando, R$165,91; - quanto aos pagamentos ao Odonto System há 4 beneficiários, (contribuinte, cônjuge, uma das filhas — Maria e irmã) dos quais apenas são despesas dedutíveis as parcelas referentes ao próprio contribuinte e a filha. No que diz respeito às deduções com despesas de instrução, o contribuinte comprova despesas com duas dependentes (filhas), pagas à Faculdade Integrada da Bahia, em valor superior ao limite permitido (R$1.998,00) para dedução em ambos os exercícios. Dedutível portanto R$3.996,00 (2 xR$1.998,00) nos anos-calendário de 2003 e 2004. Permanecem portanto as glosas de R$3.600,00 (R$7.596,00- R$3.996,00) e R$6.300,00 (R$10.296,00 — R$3.996,00) em 2003 e 2004, respectivamente. Em suma, entendo estarem comprovadas as deduções a seguir discriminadas por ano-calendário. Da Multa Qualificada A Fiscalização fundamentou a aplicação da multa qualificada nas seguintes assertivas: DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Justificou-se a aplicação da multa de 150%, cento e cinquenta por cento, conforme art. 957 II, RIR/99, art. 44 da Lei 9.430/99, combinado com os art. 71 e 72 da Lei 4.502/1964, pela ação do contribuinte tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, uma vez que à luz dos elementos demonstrados acima, em especial o fato do contribuinte ter declarado ao fisco vultosas deduções ao longo dos três anos fiscalizados, sem que, tenha provado as deduções indicadas. Fl. 381DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.375 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.002141/2007-11 A falta de atendimento, total, a intimação demonstra a intenção de impedir ou retardar o acesso da autoridade fazendária às informações que possibilitassem a correta obtenção da base de cálculo devida. Chama a atenção o acréscimo de dependentes nos anos de 2003 e 2004, sem as devidas comprovações. No ano de 2003 o contribuinte declarou substancial gasto com INSS (R$ 15.298,00). Acontece que o contribuinte, além de não comprovar esta despesa, não é funcionário público, contribuindo para a previdência oficial pelo teto máximo de valor muito inferior ao por ele declarado por ano. A meu ver a acusação fiscal não conseguiu demonstrar a ocorrência do dolo, consistente na vontade consciente de praticar a conduta contrária ao ordenamento tributário. Vejamos o que diz as normas utilizadas para fundamentar a imposição da multa qualificada, a qual está inserta na Lei n.º 9.430/1996: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Pois bem, só cabe a aplicação da multa majorada nos casos em que o fisco consiga demonstrar a ocorrência das condutas de sonegação, fraude e/ou conluio. A mera recusa do fisco em aceitar as provas e/ou esclarecimentos apresentados para comprovar as deduções glosadas – provas e esclarecimentos, ressalte-se, acolhidos pela DRJ - não é suficiente à aplicação de gravame de tamanha monta. Diante da acusação da ocorrência de sonegação e fraude, devemos nos debruçar sobre esses tipos legais constantes na Lei n.º 4.502/1964: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Observe-se que os tipos acima exigem que haja a comprovação de que ação/omissão sejam praticadas com dolo, que, na seara tributária, consiste num comportamento intencional de suprimir o recolhimento de tributos mediante artifícios que impeçam ou retardem o conhecimento do fato gerador pelo fisco ou, no caso da fraude, excluam/posterguem a ocorrência do fato gerador. Não consigo enxergar na espécie a demonstração inequívoca da existência de conduta dolosa consistente na declaração baseada em documentos falsos ou situação que se comprove inexistente. Fl. 382DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.375 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.002141/2007-11 É esse entendimento que tem prevalecido nas decisões do CARF, quando se exige comprovação inequívoca da ocorrência da conduta dolosa para qualificação da multa. Trago à colação recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que manifesta claramente esse linha interpretativa: "MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada." (Acórdão nº 9202003.82708/ 03/2016) Mesmo se verificando que os documentos apresentados não serviram para afastar integralmente a imposição fiscal, deve-se considerar que para haver a imposição da multa qualificada, há de se demonstrar que a conduta teve caráter doloso, como é o caso de declarações de rendimentos ínfimos em relação ao apurado pelo fisco. Não deve prevalecer a qualificação, todavia, quando o sujeito passivo apresenta justificativas plausíveis para a origem das deduções realizadas, deixam de ser acatadas pelo fisco em razão do entendimento da falta de força probatória dos elementos trazidos pelo contribuinte. É essa a situação dos autos. Diante do exposto, entendo que a multa deve ser imposta no patamar ordinário de 75% do tributo devido. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, excluindo a qualificadora da multa de ofício, reduzindo seu percentual ao patamar ordinário de 75%. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 383DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.910654/2016-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2013
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.630
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2013 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.910654/201692 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.630 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Matéria Intempestividade Recorrente UGHINI S A INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2013 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 54 /2 01 6- 92 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.910654/201692 Acórdão n.º 3402006.630 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.910654/201692 Acórdão n.º 3402006.630 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910654/201692 Acórdão n.º 3402006.630 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910654/201692 Acórdão n.º 3402006.630 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910654/201692 Acórdão n.º 3402006.630 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910654/201692 Acórdão n.º 3402006.630 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910654/201692 Acórdão n.º 3402006.630 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910654/201692 Acórdão n.º 3402006.630 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004949/2009-53
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
ATIVIDADE JUDICANTE. REEXAME. DEVOLUTIVIDADE. INAPLICABILIDADE DO ART. 24 DA LINDB, QUE TRATA DE REVISÃO DE ATO, CONTRATO, AJUSTE, PROCESSO OU NORMA ADMINISTRATIVA.
Inaplicável o art. 24 da LINDB aos julgamentos no âmbito do contencioso administrativo tributário. Isso porque o dispositivo trata da revisão do ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, enquanto que a atividade judicante, ao exercer a missão de resolver o litígio posto pela parte, realiza o reexame somente da matéria que for devolvida por meio mecanismos próprios de defesa previstos na legislação processual administrativa. Caso se entendesse que o julgamento exerceria a atividade de revisão, restariam esvaziados os institutos construídos no sentido de se delimitar o objeto de exame na fase litigiosa, não havendo que se falar em preclusão, matéria não impugnada, cobrança de matéria não contestada, devolução parcial, divergência, prequestionamento, dentre outros.
RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. NÃO CONHECIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N. 108.
A Súmula CARF nº 108 determina que incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Sendo matéria sumulada, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso, não deve ser conhecida.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%.
Dispõe a legislação que na apuração do lucro real, poderá haver o aproveitamento da base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento da base negativa acima do limite determinado. Precedentes 1ª Turma da CSRF.
Numero da decisão: 9101-004.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) em relação ao art. 24 da LINDB, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator), Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que não conheceram do recurso; (ii) quanto ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso; (iii) em relação à matéria juros sobre multa, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. No mérito, (i) quanto ao art. 24 da LINDB, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento, votando pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano e, (ii) quanto ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Lívia De Carli Germano, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
(documento assinado digitalmente)
Lívia De Carli Germano - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luís Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 ATIVIDADE JUDICANTE. REEXAME. DEVOLUTIVIDADE. INAPLICABILIDADE DO ART. 24 DA LINDB, QUE TRATA DE REVISÃO DE ATO, CONTRATO, AJUSTE, PROCESSO OU NORMA ADMINISTRATIVA. Inaplicável o art. 24 da LINDB aos julgamentos no âmbito do contencioso administrativo tributário. Isso porque o dispositivo trata da revisão do ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, enquanto que a atividade judicante, ao exercer a missão de resolver o litígio posto pela parte, realiza o reexame somente da matéria que for devolvida por meio mecanismos próprios de defesa previstos na legislação processual administrativa. Caso se entendesse que o julgamento exerceria a atividade de revisão, restariam esvaziados os institutos construídos no sentido de se delimitar o objeto de exame na fase litigiosa, não havendo que se falar em preclusão, matéria não impugnada, cobrança de matéria não contestada, devolução parcial, divergência, prequestionamento, dentre outros. RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. NÃO CONHECIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N. 108. A Súmula CARF nº 108 determina que incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Sendo matéria sumulada, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso, não deve ser conhecida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%. Dispõe a legislação que na apuração do lucro real, poderá haver o aproveitamento da base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento da base negativa acima do limite determinado. Precedentes 1ª Turma da CSRF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) em relação ao art. 24 da LINDB, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator), Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que não conheceram do recurso; (ii) quanto ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso; (iii) em relação à matéria juros sobre multa, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. No mérito, (i) quanto ao art. 24 da LINDB, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento, votando pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano e, (ii) quanto ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Lívia De Carli Germano, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator (documento assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luís Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
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REEXAME. DEVOLUTIVIDADE. INAPLICABILIDADE DO ART. 24 DA LINDB, QUE TRATA DE REVISÃO DE ATO, CONTRATO, AJUSTE, PROCESSO OU NORMA ADMINISTRATIVA. Inaplicável o art. 24 da LINDB aos julgamentos no âmbito do contencioso administrativo tributário. Isso porque o dispositivo trata da revisão do ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, enquanto que a atividade judicante, ao exercer a missão de resolver o litígio posto pela parte, realiza o reexame somente da matéria que for devolvida por meio mecanismos próprios de defesa previstos na legislação processual administrativa. Caso se entendesse que o julgamento exerceria a atividade de revisão, restariam esvaziados os institutos construídos no sentido de se delimitar o objeto de exame na fase litigiosa, não havendo que se falar em preclusão, matéria não impugnada, cobrança de matéria não contestada, devolução parcial, divergência, prequestionamento, dentre outros. RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. NÃO CONHECIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N. 108. A Súmula CARF nº 108 determina que incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Sendo matéria sumulada, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso, não deve ser conhecida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%. Dispõe a legislação que na apuração do lucro real, poderá haver o aproveitamento da base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 49 49 /2 00 9- 53 Fl. 596DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento da base negativa acima do limite determinado. Precedentes 1ª Turma da CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) em relação ao art. 24 da LINDB, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator), Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que não conheceram do recurso; (ii) quanto ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso; (iii) em relação à matéria juros sobre multa, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. No mérito, (i) quanto ao art. 24 da LINDB, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento, votando pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano e, (ii) quanto ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Lívia De Carli Germano, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator (documento assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luís Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Relatório Trata-se de Recurso Especial (e-fls. 425/447) interposto pela TUPY S/A ("Contribuinte"), em face da decisão proferida no Acórdão nº 1401-001.754 (e-fls. 341/352), Fl. 597DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 24/01/2017, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário. Assim foi ementada a decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2007 IRPJ/CSLL. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. No contexto do ordenamento jurídico-tributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido, pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetive assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Resumo Processual A autuação fiscal (e-fls. 109/124), de IRPJ/CSLL, relativa ao ano-calendário de 2007, discorre sobre o aproveitamento do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, de pessoa jurídica incorporada pela sucessora, sem observação do limite de 30% do lucro líquido ajustado previsto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995. A Contribuinte apresentou impugnação (e-fls. 130/141), que foi julgada improcedente (e-fls. 216/221) pela primeira instância (DRJ). A Contribuinte interpôs recurso voluntário (e-fls. 229/249). A segunda instância (turma ordinária do CARF) negou provimento ao recurso (e-fls. 341/352). Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte (e-fls. 364/369), que foram rejeitados por despacho de admissibilidade de embargos (e-fls. 407/412). Foi interposto recurso especial pela Contribuinte (e-fls. 425/427), que foi admitido parcialmente por despacho de exame de admissibilidade (e-fls. 536/541), para as matérias (1) possibilidade de compensação integral de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano de extinção da pessoa jurídica e (2) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício. Foi apresentada petição de agravo pela Contribuinte (e-fls. 550/556) pugnando pela admissibilidade da matéria (3) multa confiscatória – ausência de penalidade ao contribuinte que agir em conformidade com decisão administrativa irrecorrível, que foi rejeitada por despacho em agravo (e-fls. 560/564). A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") apresentou contrarrazões (e-fls. 574/586). Foi apresentada petição pela Contribuinte (e-fls. 592/595). Fl. 598DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela 7ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão nº 16-24.981, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. E indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro liquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95, ainda que em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2007 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE BASES DE CALCULO NEGATIVAS DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. E indevida a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro liquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n° 9.065/95, ainda que em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 24/01/2017, no Acórdão nº 1401-001.754, negou-lhe provimento. Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte, que foram rejeitados por despacho de exame de admissibilidade de embargos. Foi interposto recurso especial pela Contribuinte, no qual se pretendeu devolver as matérias: 1) possibilidade de compensação integral de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano de extinção da pessoa jurídica; (2) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício e (3) multa confiscatória – ausência de penalidade ao contribuinte que agir em conformidade com decisão administrativa irrecorrível. Despacho de exame de admissibilidade deu seguimento parcial, para as matérias (1) e (2). Foi apresentada petição de agravo pugnando pelo seguimento da matéria (3), que foi rejeitada por despacho de agravo. Sobre as matérias conhecidas, aduz a Contribuinte, em relação à matéria (1), que ausência de previsão legal expressa excepcionando a trava de 30% não seria suficiente para concluir que o contribuinte não pode compensar integralmente o saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, na extinção de pessoa jurídica incorporada pela sucessora, sendo que, mediante interpretação da legislação vigente (15 da Lei nº 9.065/95 e 58 da Lei nº 8.981/95) à luz dos arts. 43 do CTN e 153 da CF e de outros dispositivos da legislação (art. 219 e 227 da Lei 6.404/64), no ano de extinção da pessoa jurídica, o aproveitamento deveria ser integral. Discorre que, caso se entenda pela manutenção da trava de 30% no ano de extinção da pessoa jurídica, restaria ferida a capacidade contributiva, bem como o próprio conceito de renda, pois se tributaria um “não acréscimo patrimonial”. Sobre a matéria (2), aduz que a multa tem nítido caráter de sanção, sendo penalidade pelo inadimplemento de obrigação e que na seara tributária haveria espaço somente Fl. 599DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 para a incidência de juros de natureza moratória. Assim, não haveria como se pretender a incidência de juros sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, devendo incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Fora dessa hipótese, qualquer incidência de juros se mostraria abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato, qual seja, a reposição do numerário que deveria ter ingressado nos cofres públicos, mas não ingressou pela falta do contribuinte. Assim, seria incabível a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. Requer que o recurso seja admitido e provido reformando-se o acórdão recorrido. A PGFN apresentou contrarrazões, aduzindo que a legislação que limita a compensação de prejuízos fiscais, bem como a sua natureza (de benefício fiscal, assim determinada pelo Supremo Tribunal Federal) e a jurisprudência consolidada no CARF, não abriria exceção para a empresa extinta por incorporação da limitação legal. Entende pela inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais anteriores face, justamente, à natureza jurídica do benefício tributário e o conceito de lucro, como de caráter eminentemente legal. E. sendo a compensação dos prejuízos fiscais de anos anteriores autêntico instrumento de política fiscal, ou seja, benefício fiscal, como fixado pelo STF, submeter-se-ia ao princípio da legalidade estrita, não comportando interpretação extensiva ou por analogia, nos termos do art. 111 do CTN. Aduz ainda pela aplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. Requer pelo não provimento do recurso e manutenção do acórdão recorrido. Posteriormente, foi apresentada petição pela Contribuinte, protestando pela aplicação da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), Decreto-Lei n º 4.657, de 1947, do art. 24 (incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) ao julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. A princípio, cumpre manifestar-se sobre petição apresentada pela Contribuinte, a respeito da aplicação do art. 24 da LINDB ao presente julgamento. Entendo que, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), a questão, da maneira que foi apresentada, não pode ser conhecida. Isso porque a matéria só pode ser devolvida para a CSRF mediante atendimento de requisito especial previsto no art. 67, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. Fl. 600DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 E o Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), dispõe, sobre o rito processual do CARF: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais far-se-á conforme dispuser o regimento interno. Não há nenhuma previsão regimental, ou na legislação processual administrativa tributária federal, que autorize conhecimento de matéria arguida de ofício. Assim sendo, voto para não conhecer da arguição apresentada pela petição. Tendo sido vencido na admissibilidade sobre a aplicação do art. 24 do LINDB ao julgamento, passo ao exame do mérito da questão. Foram empreendidos debates bastante substanciosos a respeito da aplicação do art. 24, do Decreto-Lei nº 4.657, de 1942 (LINDB), com redação dada pela Lei nº 13.655, de 2018), ao processo administrativo tributário, na esfera federal. Transcrevo o dispositivo em questão: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. A tese seria no sentido de que a validade do ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa (cuja produção estiver completada) deve levar em conta as orientações gerais da época em que se concretizou o fato com repercussão administrativa/jurídica. As orientações gerais abrangem (1) interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral, ou (2) jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, ou (3) aquelas adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Assim, não caberia eventual revisão do ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, caso não atendidos os requisitos expostos. Nesse contexto, no âmbito do CARF, no julgamento dos processos administrativos tributários federais, o Colegiado estaria vinculado ao art. 24 da LINDB, ao apreciar as matérias devolvidas em sede recursal. Caso a matéria em litígio trate de discutir sobre validade de ato/contrato/ajuste/processo/norma, e a interpretação da legislação tributária empregada pela parte processual esteja em consonância com as orientações gerais (interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral, ou jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, ou aquelas adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público) vigentes à época em que se deu a construção do suporte fático que teve como consequência jurídica o lançamento fiscal, estaria o CARF submetido estritamente ao dispositivo da LINDB. Fl. 601DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 Tal entendimento não encontra sustentação no contencioso administrativo tributário federal. Isso porque o art. 24 da LINDB trata da revisão do ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa. Ocorre que a atividade judicante, ao exercer a missão de resolver o litígio posto pela parte, não realiza a revisão, mas sim o reexame da matéria apresentada para discussão. A revisão envolve cognição ampla e sem restrições da matéria, seja qual for a sua natureza (ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa). A título de exemplo, no âmbito tributário, o Código Tributário Nacional (CTN) trata da revisão de ofício do ato de lançamento, no art. 149: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. O que se observa é que, para a revisão do ato, não se fala em limites apresentados pela parte, no sentido de delimitar a análise. A revisão pode dispor sobre o ato em sua plenitude. Pode envolver em um refazimento completo do ato, ou um refazimento parcial. A revisão pode ser de ordem quantitativa ou qualitativa. O ato original realizado pela parte (por exemplo, lançamento por homologação), pode ser revisado pelo Estado, por meio do lançamento de ofício, em sua integralidade. O ato de lançamento original, por homologação, efetuado pela parte, pode ter previsto uma hipótese de incidência, e o ato da lançamento revisional pode dispor sobre várias hipóteses de incidência. Fl. 602DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 A revisão é ampla, e uma vez atendidos requisitos normativos (como os dispostos nos incisos I a IX do art. 149 do CTN), passa a encontrar limites apenas de ordem temporal, nos prazos extintivos de direito previstos na legislação. Não é o que ocorre a partir do momento em que se instaura a fase contenciosa, disposta no art. 25 do Decreto-Lei nº 70.235, de 1972 (PAF): Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (...) (Grifei) O julgamento submete-se a normas próprias de direito processual. Assim, depara-se o julgador com limites de cognição para apreciar o litígio. Só se encontra sob a competência da atividade judicante a matéria que é devolvida para apreciação por uma das partes, que se encontra irresignada com a situação apresentada e busca satisfazer sua pretensão resistida. Não cabe a revisão integral de todo o auto de infração, mas apenas a apreciação das matérias que foram contestadas pela parte. Se o lançamento de ofício, objeto de contestação pela parte, tipifica as infrações A, B e C, e a impugnação apresentada protesta apenas sobre a infração A, a apreciação do juiz fica restrita à infração A. Caso a atividade judicante exercesse a atividade de revisão, poderia o juiz se debruçar sobre todo o lançamento de ofício, para apreciar as infrações A, B e C, independente da manifestação da parte irresignada sobre as infrações B e C. Mas não é o caso. Foram estabelecidas normas próprias de natureza processual, precisamente para delimitar com precisão a insatisfação da parte e buscar a solução do litígio com a maior celeridade possível, e evitar discussões fora do contexto do objeto da contenda. Foram construídos institutos de ordem processual, para dispor com clareza sobre a atividade de decidir e seu escopo. Nesse contexto, o julgamento opera-se em face da matéria devolvida, ou seja, apenas sobre matéria que foi objeto de protesto pela parte. Assim, não se pode dizer que se concretiza uma revisão do ato, que envolve uma apreciação ampla e irrestrita. O que se produz é o reexame, que consiste na apreciação sobre a matéria devolvida. Nesse contexto, no âmbito do contencioso administrativo tributário federal, o PAF tratou de dispor sobre a abrangência do litígio, para delimitar com precisão as fronteiras do reexame na atividade judicante exercida no âmbito administrativo. Transcrevo os arts. 17 e 21: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. Fl. 603DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. Ora, caso o contencioso administrativo do PAF entendesse que o contencioso administrativo fiscal exerceria a atividade de revisão, não teria razão a existência dos dispositivos. Bastaria a parte apresentar impugnação protestando sobre matéria A, para que o julgador pudesse se pronunciar sobre matéria B e C, situação no qual estaria realizando a revisão do lançamento de ofício, ato que não encontra limites na apreciação. Contudo, permite-se ao julgador apenas a apreciação da matéria devolvida em impugnação. Inclusive, dispõe o art. 21 do PAF que, em relação à matéria não impugnada, será providenciada a cobrança da parte não contestada. Trata-se de matéria preclusa. Ou seja, matéria que não pode ser mais objeto de reexame. Por sua vez, dispõe o PAF que o julgamento em sede recursal é realizado, inicialmente, pelas Turmas Ordinárias do CARF, mediante apreciação de recurso de ofício (reexame necessário, submetido a limite de alçada de exoneração de crédito tributário, art. 34 1 ) e voluntário, nos termos do art. 25, inciso II 2 . E, na mesma medida que na primeira instância, a apreciação dos recursos em sede recursal também é restrita à matéria devolvida, conforme dispõe sobre o recurso voluntário, o art. 33 do PAF: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (Grifei) Sendo a interposição de recurso voluntário parcial, a apreciação em sede recursal versará apenas sobre a matéria devolvida para discussão. A interposição de recurso especial, para a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), também encontra limites processuais específicos, devendo restar demonstrada a divergência na interpretação da legislação tributária entre decisões de diferentes turmas de julgamento, conforme disposto no art. 37 do PAF e no regimento interno do órgão, e delimitando estritamente os limites da apreciação por parte do Colegiado: 1 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I - exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. II - deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. (...) 2 Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (...) II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (...) Fl. 604DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais far-se-á conforme dispuser o regimento interno. (...) § 2º Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do acórdão ao interessado: I – (VETADO) (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II – de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda há o requisito do prequestionamento, previsto no Regimento Interno do CARF 3 (RICARF), Anexo II: Art. 67 (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Sobre o assunto já se manifestou o presente Colegiado, ocasião em que não foi apreciada questão relativa a decadência porque não foi prequestionada, nos termos do Acórdão nº 9101-003.439, da sessão de 7 de fevereiro de 20184, assim ementado: AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. REQUISITO PARA ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Requisito de admissibilidade previsto no Regimento Interno do CARF, tanto no vigente (Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Anexo II, art. 67, § 5º) quanto no anterior (Portaria nº 256, de 22/06/2009, Anexo II, art. 67, § 3º). Precedentes no STJ no sentido de que o prequestionamento é necessário inclusive no caso de matéria de ordem pública (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.553.221 - SP, AgInt nos EDcl no 3 O RICARF tem amparo no art. 37 do PAF: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais far-se-á conforme dispuser o regimento interno. 4 Decisão proferida por maioria de votos, conforme resultado: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que conheceram do recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. (...) Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Fl. 605DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 932.947 - SP e RCD no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 938.531 - SP). Recurso não conhecido. Como se pode observar, para que a matéria tenha seguimento deve atender aos requisitos de admissibilidade previstos na norma processual. Não se admite ressuscitar matérias que já se encontram preclusas. Caso se entendesse que o julgamento exerceria a atividade de revisão, restariam esvaziados os institutos construídos no sentido de se delimitar o objeto de exame na fase litigiosa. Não haveria que se falar em preclusão, matéria não impugnada, cobrança de matéria não contestada, devolução parcial, divergência, prequestionamento, dentre outros institutos. Ora, resta evidente que a atividade exercida pelos órgãos do contencioso administrativo tributário federal, consiste em reexaminar a matéria devolvida, e não efetuar uma revisão no lançamento de ofício em sua integralidade. Nesse contexto, o art. 25 do PAF, ao dispor sobre o julgamento, trata do exercício de reexame, e não de revisão o processo. Portanto, considerando que a atividade judicante, inclusive no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, consiste em efetuar o reexame da matéria devolvida, e não a revisão de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, firmo inapelável convicção no sentido da inaplicabilidade do art. 24 da LINDB aos julgamentos realizados pelo CARF. Superada a preliminar apresentada na petição, passo ao exame do recurso especial. O despacho de exame de admissibilidade devolveu para apreciação do Colegiado duas matérias: (1) possibilidade de compensação integral de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano de extinção da pessoa jurídica e (2) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício. Sobre a matéria (2), a irresignação da Contribuinte, a respeito da possibilidade de incidência de juros de mora sobre multa de ofício, foi objeto da Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Nesse contexto, não deve ser conhecida, vez que o Regimento Interno do CARF, no art. 67 do Anexo II, prevê o seguinte: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim sendo, voto no sentido de não conhecer da matéria (2). Fl. 606DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 Sobre a matéria (1), adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 536/541, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 5 , que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para lhe dar seguimento. Nesse sentido, voto para conhecer parcialmente do recurso especial da Contribuinte, para a matéria (1) possibilidade de compensação integral de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano de extinção da pessoa jurídica. Passo ao exame do mérito. A matéria devolvida trata da possibilidade de aproveitamento integral do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL da pessoa jurídica incorporada pela sucessora. Transcrevo o disposto nas Leis nº 8.981, de 1995, e na Lei nº 9065, de 1995: Lei nº 8.981, de 1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto sobre a Renda, poderá ser reduzido em, no máximo trinta por cento. (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodos-base anteriores em, no máximo, trinta por cento. .................................................................. Lei nº 9.065, de 1995: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito 5 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V - decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 607DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Verifica-se que nos comandos legais não há nenhuma disposição no sentido de que a regra que estabelece o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado apurado pela empresa, albergue a exceção alegada pela recorrente, qual seja, de que em razão da extinção da pessoa jurídica por conta da incorporação, ou qualquer outro evento de reorganização societária, o prejuízo fiscal poderia ser aproveitado integralmente. Inclusive, quando o legislador pretendeu estabelecer exceções à aplicação da trava dos 30%, tal medida foi realizada de maneira expressa, conforme aduziu com precisão o voto proferido no Acórdão nº 9101-00.401, da sessão de 02 de outubro de 2009, da Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, citando dois exemplos. Primeiro, no que diz respeito às empresas inscritas no regime BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981, de 1995, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995: Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Beneficias Fiscais a Programas Especiais de Exportação - BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um período-base com o lucro real determinado nos seis anos-calendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas. Inclusive, o art. 510 do RIR/99 contempla expressamente a hipótese: Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. ............................................... Art. 470. Às empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação - Comissão BEFIEX, poderão ser concedidos os seguintes benefícios, nas condições fixadas em regulamento (Decreto-Lei nº 2.433, de 1988, art. 8º, incisos III e V, e Lei nº 8.661, de 1993, art. 8º): Fl. 608DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 I - compensação de prejuízo fiscal verificado em um período de apuração com o lucro real determinado nos seis anos-calendário subseqüentes independentemente da distribuição dos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas, não estando submetida ao limite estabelecido no art. 510 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 95, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º); (...) (Grifei) Segundo, quando o legislador tratou do aproveitamento de prejuízos fiscais referentes à atividade rural, na Lei nº 8.023, de 1990. De acordo com o diploma legal e as instruções normativas da Receita Federal sobre o tema (IN SRF nº 39, de 28/06/1996 e nº 257, de 11/12/2002), mediante o atendimento de determinadas condições, não se aplica o limite de 30% à compensação de prejuízos de atividade rural com (1) lucro apurado pela mesma atividade, em qualquer ano-calendário, e (2) lucro apurado pelas atividades em geral, desde que no mesmo período de apuração. Também se pode utilizar o saldo de prejuízos de atividade rural, acumulados de períodos anteriores, para compensar lucro apurado de atividades em geral, e vice- versa, casos em que se aplica a trava dos 30%. Como se pode observar, o aproveitamento de prejuízos fiscais, quando recebeu tratamento de exceção, foi mediante dispositivo legal próprio, específico para a situação positivada pela norma. Em relação à jurisprudência administrativa, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vale apreciar a evolução da questão, sob uma perspectiva histórica. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nas sessões de 02/12/2002 (Acórdão nº 01-04.258), e de 19/10/2004 (Acórdão nº 01-05.100), decidiu no sentido de que o limite de utilização de 30% não seria aplicado nos casos de extinção de pessoa jurídica. Ocorre que tal posicionamento foi modificado, conforme o já mencionado Acórdão nº 9101-00.401, de 02/10/2009, pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja publicação ocorreu em 02/01/2011: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (grifei) E, em oportunidade posterior, o entendimento foi ratificado, em vários precedentes: INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindo-se, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. (Acórdão nº 9101- 001.337, 1ª Turma/CSRF, sessão 26/04/2012, redator do voto vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser Fl. 609DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. A mesma limitação se aplica à compensação de bases negativas da CSLL. (Acórdão nº 9101-001.760, 1ª Turma/CSRF, sessão 16/10/2013, redator do voto vencedor Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão) ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE A 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. O encerramento das atividades da pessoa jurídica não é exceção ao dispositivo legal que limita a compensação de prejuízos acumulados ao percentual de 30% do lucro líquido ajustado (trava dos 30%).(Acórdão nº 9101-002.481, 1ª Turma/CSRF, sessão 22/11/2016. Relatora Adriana Gomes Rêgo.) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão nº 9101-002.845, 1ª Turma/CSRF, sessão 12/05/2017. Relator Rafael Vidal de Araújo.) COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858-6, DE 30/06/1999. Antes da MP nº 1.858-6, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.858-6 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. (Acórdão nº 9101-004.107, 1ª Turma/CSRF, sessão 10/04/2019. Relatora Viviane Vidal Wagner) No que concerne ao voto proferido pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, na decisão proferida no Acórdão nº 9101-001.760, peço vênia para transcrever excerto no qual rebate, com precisão, argumento de que o não aproveitamento do prejuízo fiscal implicaria em tributar o patrimônio: O quarto argumento sobre o qual se firma a outra posição é de que sem se aproveitar o prejuízo do período anterior estar-se-ia tributando o patrimônio, o qual é corroborado pela citação de renomados autores, trazidos no voto, e em memoriais. Com a devida vênia, contudo, este argumento também não procede, e o contra-argumento aqui é singelo. A distinção feita pela I. Relatora é meramente econômica, e não jurídica. Do ponto de vista econômico, mesmo um tributo indireto (como IPI e ICMS) atinge o patrimônio, pois se não fosse cobrado resultaria em patrimônio maior após a operação (tanto do contribuinte de fato quanto do contribuinte de direito). A análise da Fl. 610DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 repercussão da aplicação da norma tributária, indubitavelmente direito de sobreposição, indica que ela se destaca do substrato ao qual se dirige, pois a norma elege algumas expressões econômicas para tributar, e o fato de que estes fenômenos econômicos estão interligados não invalida a incidência. O fato gerador do imposto de renda é a variação patrimonial positiva calculada de acordo com a norma tributária, e o fato de se apoiar em substrato normativo-contábil, não transmuta a norma tributária em norma contábil. Tributos sobre o patrimônio têm incidência instantânea, com comandos normativos do tipo "o fato gerador é a propriedade de bens do tipo X na data Y", e "o contribuinte é o proprietário". É fato que o Imposto de Renda, o IPI, o ICMS, o PIS/COFINS afetem o patrimônio disponível do contribuinte, mas não transforma essas exações fiscais em tributos incidentes sobre o patrimônio, embora, repise-se, a sua cobrança altere o patrimônio dos contribuintes (de fato e de direito). Quando a legislação do Imposto de Renda limita deduções ela afeta a renda tributável e, por conseguinte, o patrimônio, mas não pode ser considerada inconstitucional por isto. Isto é da natureza da metodologia do tipo tributário do imposto de renda. Como foi dito, o que a Constituição veda é tributar a não renda. Dado isto, como calcular a renda tributável até o limite da variação patrimonial positiva é matéria de lei. Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Trata-se de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. No âmbito do Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal, em 25/03/2009, ao julgar o RE 344.994-0/PR (ocasião em que foi vencido relator Ministro Marco Aurélio), prevaleceu entendimento do Ministro Eros Grau, que redigiu o voto vencedor, conforme ementa a seguir. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do Fl. 611DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 344994, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 25/03/2009, DJe-162 DIVULG 27-08-2009 PUBLIC 28-08-2009 EMENT VOL-02371-04 PP-00683 RDDT n. 170, 2009, p. 186- 194) No voto vista da Ministra Ellen Gracie, discorreu-se sobre a inexistência de direito adquirido quanto ao aproveitamento dos prejuízos fiscais acumulados em anos- calendários anteriores, constituindo-se em uma mera expectativa de direito: Como sabido, em matéria de Imposto de Renda, a lei aplicável é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Entendo com a devida vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o não-cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não tem ‘crédito’ oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à ‘socialização’dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. Na mesma direção do precedente anterior, foi proferido o acórdão no RE 545.308/SP (em que foi vencido o relator Marco Aurélio), no qual o voto vencedor da Ministra Carmen Lúcia foi assim ementado: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido.(RE 545308, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2009, DJe-055 DIVULG 25-03-2010 PUBLIC 26-03-2010 EMENT VOL-02395-05 PP-01244 RTJ VOL-00214- PP-00535) Fl. 612DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 A jurisprudência, tanto no STF quanto no CARF, mostra-se convergente sobre a impossibilidade se aproveitar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL, de pessoa jurídica incorporada pela sucessora, sem que seja observado o limite de 30% do lucro líquido ajustado previsto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial da Contribuinte, para a matéria "possibilidade de compensação integral de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano de extinção da pessoa jurídica", e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheira Lívia De Carli Germano, Redatora designada. Fui designada para redigir o voto vencedor especificamente quanto ao conhecimento da matéria relativa ao artigo 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro -- LINDB, tendo prevalecido na Turma o entendimento de que a questão deveria ser admitida à análise desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. De fato, a CSRF é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF, estando a admissibilidade do recurso especial condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343/2015, dentre as quais se destaca a demonstração, no recurso especial, da divergência jurisprudencial. Não obstante, compreendo que a questão acerca da aplicabilidade ou não do artigo 24 da LINDB ao presente processo administrativo deve ser apreciada por este Colegiado mesmo sem a apresentação de divergência na interpretação da lei tributária, e mesmo em tendo a matéria sido aventada em petição acostada aos autos após o recurso, eis que se trata de lei posterior e que poderia ter impacto no julgamento da matéria devolvida ao conhecimento desta Turma Julgadora. Assim, oriento meu voto por conhecer do recurso em relação ao art. 24 da LINDB. (documento assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano Fl. 613DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 Declaração de Voto Conselheira Livia De Carli Germano Optei por apresentar a presente declaração de voto para esclarecer as razões pelas quais acompanhei o Relator quanto à inaplicabilidade do artigo 24 da LINDB ao caso dos autos, bem como, com a devida vênia, dele divergi quanto ao argumento sobre o limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais. Artigo 24 da LINDB - inaplicabilidade O artigo 24 da LINDB tem a seguinte redação: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Defende o contribuinte que tal dispositivo tem aplicação imediata ao caso, devendo ser cancelada a autuação fiscal, já que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, ou seja, foi pautado na jurisprudência majoritária deste CARF. Todavia, compreendo que não é este o alcance da norma. É que o campo tributário possui regramento próprio na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia das fontes normativas. De fato, o artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E não é à toa. É que em um ambiente em que todos os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) têm competência e capacidade tributária ativa, a edição de normas gerais não pode emanar de um desses entes (lei federal), devendo advir de norma especial com caráter de legislação nacional, papel da lei complementar. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Vale lembrar, também, que o CTN possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Jamais o principal de tributo. Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leia-se, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário. Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à norma do artigo 100 do CTN, o que vai de Fl. 614DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13655.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13655.htm#art1 Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 encontro a regras básicas de interpretação das normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro. Na verdade, a análise mais detida do teor do artigo 24 da LINDB também leva à conclusão de que ele não tem o alcance que a Recorrente pretende. A começar pelo contexto em que tal norma foi editada, eis que a exposição de motivos do projeto de lei indica que suas disposições tiveram como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Ademais, a análise do texto indica que o dispositivo se dirige-se à revisão de ato, processo ou norma emanados da própria Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, eis que lançamento não configura procedimento de “revisão”, uma vez que não cuida de “revisar” a validade de quaisquer atos ou contratos da Administração. Assim, o lançamento tributário não se ocupa da revisão de atos administrativos e jamais declara a invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”. A entrega de declaração pelo contribuinte, pelo que se opera o "autolançamento" ou o "lançamento por homologação", não gera situação plenamente constituída, já que por definição a apuração feita pelo contribuinte é sempre provisória e precária, sujeita a homologação da autoridade competente, não havendo que se falar em "situação plenamente constituída" antes da homologação (expressa ou tácita) pela autoridade fiscal. Vale notar que dar ao artigo 24 da LINDB o alcance pretendido pelo contribuinte em nome da segurança jurídica acabaria por engessar o contencioso administrativo, impossibilitando-o de evoluir com eficiência, retirando dos debates tributários a tecnicidade da especialização dos tribunais administrativos, que diuturnamente lidam com casos que envolvem critérios contábeis, situações e documentos específicos, levando-os obrigatoriamente ao Poder Judiciário onde não se encontra tal especialização, o que acabaria por aumentar a vulnerabilidade dos contribuintes, trazendo -- vejam só -- insegurança jurídica. São essas as razões pelas quais acompanhei o Relator ao negar provimento quanto ao artigo 24 da LINDB. Trava de 30% na extinção de empresa - inaplicabilidade No mérito, o contribuinte sustenta também a não aplicação da chamada “trava de 30%” no caso de empresa extinta, com base na interpretação de que o limite tem por pressuposto a continuidade da pessoa jurídica. Nesse ponto, pedindo vênia ao Conselheiro Relator, compreendo que assiste razão ao contribuinte. O artigo 15 da Lei 9.065/1995 (art. 510 do Regulamento do Imposto sobre a Renda – “RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/1999, vigente à época dos fatos geradores) traz a “trava de 30%”, estabelecendo que o valor do prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995 pode ser compensado com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas em lei, observado o limite máximo, para compensação, de 30% do referido lucro líquido ajustado. Fl. 615DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 Ocorre que, por força do artigo 33 do Decreto-Lei 2.341/1987 (artigo 514 do RIR/99), a pessoa jurídica que se tornar sucessora de outra em virtude de incorporação, fusão ou cisão, fica proibida de compensar prejuízos fiscais da sucedida. A observância do limite de compensação do artigo 15 da Lei 9.065/1995, quando combinada com a proibição de transferência de prejuízos fiscais constante do artigo 33 do Decreto-Lei 2.341/1987, acarreta a situação limite de a pessoa jurídica incorporada, caso apure lucro na DIPJ de incorporação, se veja obrigada a recolher IRPJ e CSLL mesmo tendo prejuízos fiscais acumulados que, em razão da incorporação, serão perdidos. Daí porque se entende que a compensação integral, em tais condições, está autorizada, pois a trava de 30% teria como premissa a situação normal em que a empresa continua existindo e pode compensar o saldo de prejuízos fiscais acumulados com lucros futuros. Ou seja, não obstante não haja disposição legal expressa no sentido de que a trava dos 30% não deve ser aplicada em caso de extinção da pessoa jurídica, tal limite não pode ser aplicado de forma a cercear por completo o direito à compensação de prejuízos, na medida em que seu intuito é meramente arrecadatório e visa a estabelecer uma base de cálculo mínima, para efeito da determinação do IRPJ e da CSLL devidos, através da fixação de um limite máximo de redução, por compensação de prejuízos fiscais, do lucro tributável apurado em cada ano- calendário. Tal conclusão é confirmada pela exposição de motivos 6 da Medida Provisória 998/1995, reedição das Medidas Provisórias 947/1995 e 972/1995 e convertida na Lei 9.065/1995, valendo destacar o seguinte trecho: “Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n° 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo.” A posição e que existe um pressuposto implícito para a aplicação da trava de 30% não implica decidir contra a lei, mas interpretá-la em conjunto com outras normas do sistema para entender que, em determinada circunstância, o limite deixa de ser aplicável pois, do contrário, aí sim, restaria prejudicada a harmonia do ordenamento. A jurisprudência administrativa sobre o tema chegou a ser pacificada na Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF no sentido acima exposto. De fato, a jurisprudência do então Conselho de Contribuintes (atual CARF) veio formando sua jurisprudência acerca da não aplicação da trava de 30% no caso de extinção da pessoa jurídica ao longo de um espaço temporal relativamente longo, tendo a decisão pioneira sido proferida em setembro de 2001 e ratificada por contínuas decisões até pelo menos o ano de 2009 7 . 6 Diário Oficial do Congresso Nacional de 14 de junho de 1995, fl. 3270. 7 Acórdãos 108-06682, de 20.09.2001, confirmado pela CSRF no acórdão CSRF/01-04.258, de 02.12.2002.Após isso as turmas passaram a decidir no mesmo sentido, por exemplo no acórdão 108-07.456, de 2.07.2003; acórdão 101-94.515, de 17.03.2004; acórdão CSRF/01-05.100, de 19.10.2004; acórdão 101-95.872, de 9.11.2006; acórdão 1302-00.098, de 3.11.2009, dentre outros. Fl. 616DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 Apenas em 2009 – portanto após os fatos objeto do presente auto de infração -- é que o cenário se alterou, passando a 1ª Turma da CSRF a entender que o limite de 30% é aplicável (acórdão 9101-00.401, de 2.10.2009). Isso demonstra que a matéria passou por um processo de maturação e de confirmação de entendimento, inclusive nesta CSRF, cuja finalidade é exatamente a uniformização da jurisprudência administrativa, conforme previsto tanto no regimento interno do antigo Conselho de Contribuintes quanto do atual CARF. O fato de o contribuinte ter atuado com base na posição majoritária da jurisprudência deste CARF à época dos fatos geradores, como visto, não impossibilita a lavratura de auto de infração para a cobrança de tributos que se entenda devidos, muito embora possa, no entender desta Conselheira, ser utilizado como fundamento para excluir a aplicação de penalidades, haja vista a expectativa razoável de que as operações não apenas seriam tidas como lícitas mas seriam, inclusive, referendadas por este tribunal (na linha do precedente do STJ, RESP 699.700, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, j. 21.06.2005). Ressalte-se que, não obstante a legislação estabeleça o papel uniformizador da CSRF, não há nenhuma norma que determine a vinculação da Administração aos entendimentos ali consolidados. Daí porque a Fiscalização, no caso dos autos, inclusive observou, no próprio Termo de Verificação Fiscal, a posição adotada pelo contribuinte de que sua interpretação da norma estaria de acordo com a posição da jurisprudência administrativa à época dos fatos (fl. 109 dos autos, grifos nossos): A empresa TUPY FUNDIÇÕES LTDA foi incorporada pela TUPY S/A em 30/11/2007, conforme Ata da Assembléia Extraordinária apresentada, portanto, com a extinção da empresa entendeu —se por proceder a compensação da totalidade do prejuízo fiscal sem o limite dos 30% previstos nas Leis n° 8.981/95 e n° 9.065/95 já que, em razão da extinção, da empresa incorporada, a mesma não poderia utilizar seus prejuízos fiscais nos exercícios subseqüentes. O contribuinte alega também que foi adotado tal posicionamento, fundamentalmente, com base em procedimentos administrativos emitidos pelo próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) que, repetidamente, vem considerando legitima a fruição integral de prejuízos fiscais na ocasião da extinção da sociedade, e cita vários acórdãos sobre o assunto. As alegações apresentadas pelo contribuinte não possuem previsão legal. Portanto cabe à fiscalização efetuar o presente lançamento de oficio. Tal observação, feita pela própria autoridade autuante por ocasião da lavratura do auto de infração, comprova a boa fé do contribuinte e sua legítima expectativa de que a interpretação por ele conferida à norma, conquanto não fosse a adotada pela Receita Federal, seria a mais adequada para o seu caso específico. Por fim, ressalto que a posição dos Tribunais Superiores sobre o tema não contradiz o entendimento de que a trava de 30% não deve ser aplicada no caso de extinção a pessoa jurídica. Isso porque, em primeiro lugar, os tribunais superiores não chegaram a analisar especificamente a aplicabilidade da trava de 30% em caso de incorporação da pessoa jurídica, tendo a discussão ficado restrita à análise genérica da constitucionalidade ou legalidade da limitação para a compensação de prejuízos fiscais. Fl. 617DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 De fato, o tema da trava de 30% foi inicialmente levado à discussão no Supremo Tribunal Federal - STF, no entanto naquela ocasião o Tribunal entendeu não ser competente para analisá-lo, por ausência de ofensa à Constituição Federal: 1. É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de que, quanto à controvérsia referente à possibilidade de compensação de prejuízos, para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro, eventual ofensa à Constituição Federal se houvesse seria indireta, a depender de análise da legislação infraconstitucional, sem margem para o acesso à via extraordinária. 2. Agravo regimental improvido. (STF, trecho da ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 215.442, julgado em 14.02.2004 e publicado em 18.02.2005, grifamos). A matéria foi, assim, inicialmente reconhecida como sendo de competência do Superior Tribunal de Justiça - STJ. Este tribunal vinha decidindo pela legalidade da limitação, mas com a observação de que não se trata propriamente de uma vedação à dedução de prejuízos, mas apenas diferimento com vistas a manter a arrecadação. Neste sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IMPOSTO SOBRE A RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. LIMITAÇÃO IMPOSTA COM O ADVENTO DA LEI Nº 8.981/95. LEGALIDADE. A limitação de compensação de prejuízos resultantes do balanço das empresas, em face da Lei nº 8.981/95, não é ilegal, porquanto não houve vedação acerca da dedução, tão somente o escalonamento, em atenção ao interesse público, reduzindo o impacto fiscal. (STJ, Embargos de Divergência no Recurso Especial 429.730, julgado pela Primeira em 9.03.05 e publicado em 11.04.05) (...) “não houve vedação acerca da dedução, tão somente o escalonamento, em atenção ao interesse público, reduzindo o impacto fiscal” (STJ, Agravo Regimental no Recurso Especial 644.527, Primeira Turma, julgado em 7.02.04 e publicado em 14.03.05). “A jurisprudência deste eg. Tribunal é pacífica quanto à eficácia da Lei nº 8.921/95, no que concerne à limitação imposta à compensação de prejuízos fiscais acumulados nos períodos anteriores à sua edição. A referida norma não alterou o conceito de lucro ou de renda, mantendo a possibilidade de que o lucro líquido ajustado seja compensado com a base de cálculo negativa, apurada em anos-calendários anteriores, quanto à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro e do imposto de renda. Apenas vedou o direito à compensação de prejuízos fiscais de uma só vez, consentindo, contudo, que as parcelas compensáveis a este título e que excederem a 30%, possam ser compensadas, em exercícios futuros, e de forma sucessiva” (grifamos). (STJ, Agravo Regimental no Recurso Especial nº 265.053, julgado pela Segunda Turma em 6.11.01 e publicado em 30.06.03). Seguindo tal raciocínio, válida a conclusão de que a limitação da compensação de prejuízos a 30% do lucro líquido ajustado apenas não constituiria afronta à legalidade se continuasse assegurado ao contribuinte o direito à compensação integral nos anos seguintes. De fato, sendo a premissa a continuidade da pessoa jurídica, e estando a sucessora (sociedade incorporadora) proibida por lei de compensar o saldo de prejuízos fiscais da incorporada, restaria implícita a condição de não aplicação do limite de 30% no caso de extinção da pessoa jurídica por ocasião de sua incorporação. Observo que, mais recentemente, o STF afirmou a sua competência sobre o tema, tendo a constitucionalidade da trava dos 30% tido a repercussão geral reconhecida no RE 591.340/SP, relator ministro Marco Aurélio, em 7 de janeiro de 2008 (tema 117). Além disso, em 25 de março de 2009, o Pleno concluiu a votação do RE 344.944, tendo prevalecido a linha Fl. 618DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 9101-004.217 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.004949/2009-53 de que a compensação e prejuízos fiscais “se trata de um benefício”, nos termos do voto proferido pelo então Ministro Eros Grau. Sem embargo, pelo menos por enquanto, os julgados do STF não chegaram a infirmar a conclusão de que, muito embora a trava de 30% seja, em termos gerais, constitucional, sua aplicabilidade fica prejudicada no específico caso de extinção da pessoa jurídica por incorporação, dada a premissa legal implícita de que tal limitação pressupõe a continuidade das atividades da pessoa jurídica. São estas as razões pelas quais pedi licença para discordar do voto dos Conselheiros Relatores, tanto por ocasião do julgamento do recurso voluntário, quanto do presente recurso especial, por considerar que o limite de 30% não alcança a última apuração de resultado por parte da sociedade incorporada. (documento assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano Fl. 619DF CARF MF
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