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Numero do processo: 10480.723896/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35, parágrafo único, da Portaria RFB n.º 10.875/2007..
CERCEAMENTO DE DEFESA
O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à autuação.
O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos contribuintes individuais a seu serviço, a partir de 04/2003, descontando-as da respectiva remuneração.
MULTA
Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.724
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, em vista da interposição de ação judicial com idêntico pedido, e na parte conhecida negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35, parágrafo único, da Portaria RFB n.º 10.875/2007.. CERCEAMENTO DE DEFESA O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à autuação. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos contribuintes individuais a seu serviço, a partir de 04/2003, descontandoas da respectiva remuneração. MULTA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 38 96 /2 01 1- 68 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35 A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, em vista da interposição de ação judicial com idêntico pedido, e na parte conhecida negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.426 3 Relatório O presente processo referese aos Autos de Infração de Obrigação Principal, DEBCAD 37.218.6815, de contribuições previdenciárias referentes à cota do segurado e DEBCAD 37.218.6823, relativo à parte da empresa e SAT, incidentes sobre a remuneração de segurados, não declaradas em GFIP, mas apuradas nas folhas de pagamento do Município, no período de 01/2009 a 12/2009. Os fatos geradores referemse à remuneração paga a servidores ocupantes de cargo em comissão; contratados por prazo determinado, ocupantes de emprego público, regidos pela CLT e agentes políticos. O crédito foi consolidado em 22/06/2011 e cientificado ao sujeito passivo em 28/06/2011. Após a impugnação, Acórdão de fls. 1338/1349, julgou as autuações procedentes. Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) descumprimento do artigo 142 do CTN, porque há a ausência de base de cálculo aplicada, tornando o auto eivado de vício insanável; b) cerceamento de defesa porque não houve a individualização dos segurados que compõem a autuação, ocorrendo vício formal e o quantum devido foi apurado por aferição indireta e o levantamento por amostragem; c) que o crédito não é líquido e certo; d) que não é obrigada a reter e recolher a retenção do contribuinte individual, já que ele próprio tem este dever; e) que não dispõe do relatório de fatos geradores com as distorções apontadas pela Receita Federal do Brasil; f) que as bases de cálculo foram informadas a menor porque a RFB considera verbas indenizatórias , como abono, saláriomaternidade, auxíliodoença, adicional de férias, adicional de serviço extraordinário, horaextra, remuneração de cargo em comissão, etc, exigências que são descabidas; g) que ajuizou ação para expurgar da base de cálculo as verbas indenizatórias e a alíquota do SAT majorada Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 através do Decreto n.º 6.042/2007, que deve ser mantida 1%; h) que as ações judiciais devem ser respeitadas; i) que a multa aplicada é confiscatória e não obedeceu aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e capacidade contributiva; j) que é inaplicável a multa por ser órgão público; k) que deve ser aplicada a redução das multas, na forma como disposto pela MP 449/2008 e Lei n.º 11.941/2009, em função da retroatividade benigna. l) Requer a anulação dos débitos fiscais. É o relatório. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.427 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. Primeiramente é de se ver que a recorrente possui ações judiciais números 2009.83.000072464 e 2009.83.0000.72476, conforme já constou da decisão ora recorrida, relativas à majoração da alíquota do SAT de 1% para 2% a partir do Decreto n. 3.042/2007, e a verbas entendidas pela autuada como de natureza indenizatória, como abonos, salário maternidade, auxíliodoença, adicional de férias, adicional de serviço extraordinário, horaextra e remuneração de cargo em comissão. Em que pese a existência de ação judicial, esta somente acarretará a suspensão da exigibilidade do crédito nos casos de: · depósito integral da contribuição discutida judicialmente (art. 151, II, do CTN); · concessão de medida liminar em mandado de segurança (art. 151, IV, do CTN); · concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial (art. 151, V, do CTN). Em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, onde tramitam as ações, ainda não há decisão definitiva a ser cumprida pelas partes. Também não há depósito judicial, não estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, II, do CTN). O artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. As decisões deste Poder sobrepõemse às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta pela nautuada ação judicial na qual são discutidas as mesmas questões de mérito suscitadas em sua defesa administrativa, encerrandose o processo judicial, a decisão administrativa seria substituída pela sentença. Nesse sentido, ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido” sobre o qual versa o processo administrativo, em inteligência ao art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e com o art. 35 da Portaria RFB 10.875/2007 “Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) “(sem grifos no original) “Art. 41 A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa renúncia ao contencioso regulado por este ato. Parágrafo único. Se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada” (sem grifos no original) Considerase "idêntico pedido", para o efeito de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, quando, na impugnação ou recurso, for deduzida a mesma matéria submetida à apreciação judicial, já que, a teor do princípio constitucional da unidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, CRF/88) segundo o qual somente ao Poder Judiciário é atribuída a função de compor os conflitos de interesses com caráter de definitividade , é inócua qualquer discussão em sede administrativa, quando simultaneamente submetida ao crivo do Judiciário. Neste caso, a renúncia ao contencioso poderá, ou não, ensejar a cobrança imediata do crédito, a depender da existência de causa suspensiva de sua exigibilidade. Desta forma, constatase, através dos elementos constantes dos autos, que o pedido de declaração de inexistência da relação jurídicotributária entre as partes, no que concerne à exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas tidas como indenizatória: abonos, saláriomaternidade, auxíliodoença, adicional de férias, adicional de serviço extraordinário, horaextra e remuneração de cargo em comissão, e alíquota de SAT 2%, constitui objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, importando, assim, em renúncia ao contencioso administrativo. Vale ressaltar que a renúncia ao contencioso administrativo ocorre apenas em relação às matérias que constituem objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, devendo o processo administrativo prosseguir em relação à matéria diferenciada. A Súmula n.º 01 do CARF trata do assunto: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No presente recurso também foi deduzida matéria distinta da discutida em juízo, (a nulidade do lançamento, a contribuição relativa ao contribuinte individual, o caráter confiscatório da multa e aplicação da retroatividade benigna para a multa), tendo o sujeito passivo direito ao contencioso administrativo para que seja apreciada a matéria diferenciada. Nada mais lógico, digase de passagem, pois a existência de ação judicial não deve prejudicar, ipso facto, o controle da legalidade dos atos administrativos, dentre os quais figura como espécie o lançamento tributário. Se assim não fosse, ficaria o sujeito passivo privado de Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.428 7 impugnar, por exemplo, eventual erro na base de cálculo do lançamento preventivo da decadência, quando tal questão não se confunde com o objeto da tutela jurisdicional. Pelo exposto, considerando que a renúncia caracteriza perda do objeto, não será discutida nesta esfera a matéria questionada em juízo, mas apenas a matéria distinta do processo judicial constante do recurso, conforme determinam o art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91, combinado com o art.. 35, da Portaria RFB n.º 10.875/2007. Quanto à tese de nulidade dos autos de infração, não confiro razão à recorrente, posto que não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Da mesma forma não prospera a argumentação de desrespeito ao Código Tributário Nacional, visto que, o art. 142 do CTN atribui competência privativa à autoridade administrativa para constituir os créditos, observandose as exigências de especificação do fato gerador, da matéria tributável, calculandose o montante devido e corretamente identificando se o sujeito passivo da obrigação. Todas as exigências foram atendidas pela autoridade notificante, a saber: Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.429 9 ocorrência do fato gerador : pagamento de remuneração aos segurados que prestaram serviço ao município. O salário de contribuição está discriminado no Discriminativo do Débito, fls.04/06 do DEBCAD 37.218.6815 e fls.18/24, do DEBCAD 37.218.6823. Relatório de Lançamentos, fls. 07/09 do DEBCAD 37.218.6815, e fls. 25/29, DEBCAD 37.218.6823 onde consta de forma discriminada a base de cálculo de cada levantamento: * Diferenças da Folha da Prefeitura em confronto com GFIP; * Folha de Pagamento do Fundo de Assistência Social não informada em GFIP; e * Pagamento do Fundo de Saúde não informado em GFIP. Às fls. 69/70, consta Planilha com os valores discriminados das folhas de pagamento, do que foi declarado em GFIP e as diferenças existentes. Também foram juntadas às fls. 181/1128 e 1172/1211, as folhas de pagamento e às fls. 71/110 as GFIP’s, sendo totalmente improcedente a alegação de vício insanável por falta de identificação de base de cálculo e cerceamento de defesa pela falta de identificação dos segurados, a uma porque todos os elementos que comprovam a existência do débito previdenciário foram identificados e juntados pelo Fisco. A duas, porque os documentos que basearam o lançamento foram elaborados pela própria recorrente que não pode alegar seu desconhecimento. Como já referido foi juntada planilha que discrimina as bases de cálculo e as diferenças apontadas. A falta de individualização dos segurados não se prestar a nulificar o lançamento, porque os dados levantados tiveram por base as folhas de pagamento da recorrente, onde constam os segurados e suas remunerações por ela informados. matéria tributável : a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que constituem base de incidência da contribuição previdenciária, por determinação legal, artigo 28, inciso I, e III, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.876/99; calcular o montante devido : o que está contido no Discriminativo do Débito, por competência, fls. 04/06 do DEBCAD 37.218.6815 e fls.18/24, do DEBCAD 37.218.682 3; identificar o sujeito passivo da obrigação: o Município está devidamente identificado às fls. 02 do DEBCAD 37.218.6815 e 16 do DEBCAD 37.218.6823; e seus responsáveis contam das fls. 39, no Relatório de Vínculos. Portanto, o direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da autuada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à autuação lavrada. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 52/59; que indicou os motivos da autuação; os fatos geradores estão devidamente descritos; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04/06, 07/09, 18/24,43/44. Os valores foram apurados em folhas de pagamento e GFIP’s, que são registros elaborados pela própria recorrente. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao autuado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia demonstrálo, pois teve oportunidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Não procede, portanto, o argumento de que é inexato o quantum devido. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O Fisco provou a existência do fato gerador, com base nos documentos elaborados pela própria recorrente, que não logrou demonstrar o contrário. A alegação da recorrente acerca da não obrigatoriedade da retenção da contribuição previdenciária do contribuinte individual, não procede conquanto a alíquota de 11%, relativa a parte do segurado, deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Não é demais lembrar que o artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não havendo qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.430 11 não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Quanto à alegação de inaplicabilidade de multa moratória para o município em razão de ser órgão público, informo à recorrente que desde a edição do Decreto n.º 3.042/2007, tal assertiva não tem mais eficácia. A nova redação do parágrafo 9º do artigo 239, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.48/1999, dada pelo Decreto n.º 6.042/2007, que antes abrigava tal isenção, não deixa dúvidas de que as pessoas jurídicas de direito público estão sujeitas à incidência de multas moratórias por recolhimentos em atraso: §9oNão se aplicam as multas impostas e calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições, nem quaisquer outras penas pecuniárias, às massas falidas de que trata o art. 192 da Lei no 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões quando assegurada a isenção em tratado, convenção ou outro acordo internacional de que o Estado estrangeiro ou organismo internacional e o Brasil sejam partes. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, nos termos do artigo 35 A, da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, porque não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Com o advento da Medida Provisória n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, foi excluído do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente autuação, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.431 13 anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores está plenamente válido e eficaz, não foi enquinado de inconstitucionalidade, devendo ser aplicado pela autoridade fiscal. Sendo o período do débito de 01/2009 a 12/2009, totalmente dentro da vigência da MP 449/2008 e Lei n.º 11.941/2009, está correta a aplicação da multa moratória, sendo inócua a solicitação para aplicação da retroatividade benigna, porque conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 No caso presente, a lei prevista na prática do ato, ou seja na época da ocorrência dos fatos geradores, 01/2009 a 12/2009, já era a novel legislação traduzida na MP 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, sendo improcedente a argüição trazida pela recorrente quanto à retroatividade benigna, que aqui não se aplica. Quanto à inconstitucionalidade da multa por desrespeito a princípios constitucionais , como apontado pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Por derradeiro, ainda quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, é de se ver que não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, já que são indicadores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. São direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados e publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do Código Tributário Nacional. Portanto, quando há dispositivo legal que regule o ato, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Código Tributário. Por todo o exposto, Voto por conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida negarlhe provimento. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.432 15 Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 23034.021550/2001-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS.
É nulo, por vício material, o auto de infração que não descreve satisfatoriamente o fato que o fundamenta.
No presente caso, parte do lançamento fiscal foi alcançada pela decadência quinquenal, pela disposição do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos de declaração para esclarecer que o débito tributário foi exonerado, tendo em vista a existência de vício material na lavratura do auto de infração. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. Sustentação oral Advogado Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. É nulo, por vício material, o auto de infração que não descreve satisfatoriamente o fato que o fundamenta. No presente caso, parte do lançamento fiscal foi alcançada pela decadência quinquenal, pela disposição do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos de declaração para esclarecer que o débito tributário foi exonerado, tendo em vista a existência de vício material na lavratura do auto de infração. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. Sustentação oral Advogado Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Eduardo de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 1.843 1 1.842 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 23034.021550/200160 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2803002.793 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado METRO TECNOLOGIA INFORMÁTICA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. É nulo, por vício material, o auto de infração que não descreve satisfatoriamente o fato que o fundamenta. No presente caso, parte do lançamento fiscal foi alcançada pela decadência quinquenal, pela disposição do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos de declaração para esclarecer que o débito tributário foi exonerado, tendo em vista a existência de vício material na lavratura do auto de infração. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. Sustentação oral Advogado Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 15 50 /2 00 1- 60 Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.793 S2TE03 Fl. 1.844 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Eduardo de Oliveira. Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.793 S2TE03 Fl. 1.845 3 Relatório 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do CARF contra o Acórdão nº. 2803002.358 que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para anular o lançamento fiscal. 2. Transcrevo a ementa da decisão embargada, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. É nulo o auto de infração que não descreve satisfatoriamente o fato que o fundamenta. No presente caso, parte do lançamento fiscal foi alcançada pela decadência quinquenal, pela disposição do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.” 3. Em suas razões de interposição dos Embargos Declaratórios, a Fazenda Nacional apontou a ocorrência de omissão no acórdão recorrido, em razão de ali não constar a natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento fiscal, se material ou formal. 4. Em análise de admissibilidade, este admitiuse o processamento dos Embargos de Declaração, nos termos do Despacho de fl. 1843, ratificado pelo Presidente desta 3ª Turma Especial. É o relatório. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.793 S2TE03 Fl. 1.846 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. 1. Busca a Fazenda Nacional em sede de embargos de declaração “sejam conhecidos e providos os presentes embargos de declaração para que esse r. Colegiado complemente o acórdão de modo que fique expresso o tipo de vício que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal)”. 2. De fato, conforme dispositivo do acórdão embargado os membros desse colegiado, por maioria de votos, decidiram dar provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que votou pela procedência das diferenças apuradas após o prazo decadencial. 3. Tal resultado foi proferido, tendo em vista que no presente caso, ao analisar detidamente os autos, verificouse a ausência de elementos essenciais para o lançamento ser consolidado, notadamente, a falta de motivação referente ao fato gerador e das circunstâncias que levaram ao lançamento do débito, isso por que a informação nº. 797/2004 (fl. 120) e a Notificação para Recolhimento de Débito (NRD), às fl. 122 – peças iniciais e que relatavam o fato gerador – limitamse a somente dizer que existe um débito relativo à contribuição do salárioeducação referente ao período de 01/1995 a 06/2001, com as seguintes discriminações (fls. 120/121): “a) a empresa efetuou depósitos judiciais referentes as competências 12/1997 a 11/1999, amparada pela liminar concedida no processo n.º 97.00529916, conforme planilha de cálculo fornecida pela empresa, f. 26. Para o período de 12/1999 a 07/2000 não foram apresentados comprovantes de depósitos judiciais nem guias de recolhimento da contribuição do salário educação (...). A diferença apurada em novembro de 1999, no valor de R$ 1.054,54; foi incluída no referido quadro. (...); b) verificamos divergências entre o valor depositado em 20/08/1999, referente ao período de 1997 a junho de 1999, e os valores levantados pela inspeção, atualizados para essa data, devido a não inclusão da multa (...); c) em 27/08/2001, a fim de comprovar o recolhimento regular do salárioeducação no período de 12/1999 a 07/2000, a empresa encaminhou cópias de guias de recolhimento do INSS e GFIP, às fls. 50 a 71. No entanto, em consulta ao sistema PLENUS do INSS, verificamos que o código de terceiros indicado para o recolhimento desse período foi o 114, não contemplando, assim, o salário educação, às fls. 108 a 111; d) quanto ao Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental (SME), a empresa não apresentou a totalidade das declarações, não comprovando, assim, as deduções realizadas. Apesar de ter enviado algumas declarações após a inspeção, às fls. 73 a 98, Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.793 S2TE03 Fl. 1.847 5 restam débitos nos seguintes semestres: 2º/1995, 1º e 2º/1996, 1º e 2º/1997, 2º/2000 e 1º/2001. (...).” 4. Assim, prevaleceu a necessidade de descrição do fato de forma satisfatória, pois esta deve permitir a perfeita compreensão dos fatos e os fundamentos de direito que em face dos mesmos levaram a autoridade a realizar o lançamento. 5. Tal mácula na constituição do débito tributário conforme a boa doutrina constitui vício material: “O vício referente ao requisito procedimental é sempre um vício formal. Não se deve, todavia, confundir: a deficiência de um ato jurídico consiste num vício material do próprio ato e num vício formal dos atos que o têm como requisito procedimental. O mesmo vício é, assim, formal e material, dependendo da perspectiva.” (MARTINS, Ricardo Marcondes. Efeito dos Vícios dos Atos Administrativos. São Paulo: Malheiros, 2008. p. 152) 6. Sendo os vícios materiais os que afetam o conteúdo – que por sua vez correspondem à norma que o ato veicula – fatalmente o lançamento terá que ser corrigido, para que se observe o princípio da legalidade. No entanto, os vícios formais decorrem de violações a normas instituídas como garantia. Assim, se existir o vício, mas não houver prejuízo, o ato será meramente irregular, o que significa dizer que a Administração não estará obrigada a corrigi lo. 7. Assim, após essas considerações, entendo que o vício no caso em análise tratase de vício material. CONCLUSÃO 8. Por todo o exposto, conheço e acolho os presentes embargos apresentados, para, nos termos do voto proferido, esclarecer que o débito tributário foi exonerado, tendo em vista a existência de vício material na lavratura do auto de infração. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.005217/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009
NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL.
O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários.
Numero da decisão: 3201-001.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em negar provimento ao recurso referente a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial, e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso referente a multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. O Conselheiro Daniel Mariz Gudino redigirá Declaração de Voto.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
EDITADO EM: 10/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino (Vice-presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em negar provimento ao recurso referente a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial, e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso referente a multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. O Conselheiro Daniel Mariz Gudino redigirá Declaração de Voto. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. EDITADO EM: 10/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino (Vice-presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, está sujeira à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em negar provimento ao recurso referente a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial, e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso referente a multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 52 17 /2 00 9- 24 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 625 2 termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. O Conselheiro Daniel Mariz Gudino redigirá Declaração de Voto. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. EDITADO EM: 10/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino (Vicepresidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da decisão recorrida, segue abaixo a transcrição do relatório da instância a quo e da sua ementa, bem como as razões recursais: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 546.615,23 referente a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial (R$ 2.869,84), multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários (R$ 28.698,48) e multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente (R$ 515.046,91). Depreendese do "Termo de verificação fiscal e de descrição dos fatos" que é parte integrante do auto de infração que: A importadora "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" registrou as Declarações de Importação n° 09/06530010 e n° 09/11294486, no período entre 25/05/2009 e 26/08/2009, declarando ser a importadora e adquirente das mercadorias por elas amparadas. Apenas no campo destinado a "Dados complementares" a interessada registrava que as importações tinham por encomendante a empresa "Manike Indústria Têxtil Ltda". Os documentos que instruíram os despachos de importação traziam como adquirente a "Manike Indústria Têxtil Ltda". A "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" registrou as Declarações de Importação sem apor no campo próprio o nome da adquirente das mercadorias, conforme determina a legislação, em especial a Lei n° 11.281/2006 e a Instrução Normativa SRF n° 634/2006, pelo fato de a adquirente "Manike Indústria Têxtil Ltda" estar impedida de importar por ter atingido o limite para o qual havia sido habilitada (habilitação simplificada para atuação no comércio exterior em Fl. 625DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 626 3 valor de pequena monta, prevista na Instrução Normativa SRF n° 650/2006). No período no qual o limite para realizar importações ainda não havia sido atingido, a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" registrava as operações de importação na modalidade por conta e ordem da "Manike Indústria Têxtil Ltda". Atingido o limite, as operações passaram a ser registradas como se a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" fosse a importadora e adquirente das mercadorias, ocultando a informação de que a real adquirente era a "Manike Indústria Têxtil Ltda". Depois que a "Manike Indústria Têxtil Ltda" voltou a possuir limite para importações, as operações voltaram a informar que ela era a adquirente das mercadorias. A simulação realizada propiciou a burla do controle aduaneiro da capacidade econômica da adquirente das mercadorias. A "Manike Indústria Têxtil Ltda" antecipava os recursos referentes as importações que a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" registrou como sendo por sua própria conta, ou seja, os recursos utilizados nas operações provinham da "Manike Indústria Têxtil Ltda". Posteriormente a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" realizava os lançamentos contábeis para ajustálos à modalidade de importação declarada. A simulação constatada determina a apreensão das mercadorias para a aplicação da pena de perdimento, nos termos do Decreto lei n° 1.455/1976, com as alterações da Lei n° 10.637/2002, regulamentada pelo artigo 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009. Entretanto, em razão de as mercadoria terem sido entregues a consumo, por ser a penalidade mais especifica aplicável, em face da impossibilidade material da aplicação da pena de perdimento, foi lavrada a multa equivalente ao valor comercial das mercadorias, prevista no artigo 704 do mesmo Regulamento Aduaneiro. A "omissão ou prestação de forma inexata ou incompleta de informação de natureza aduaneiratributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, qual seja, as informações estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para inclusão em campo próprio da DI, para a descrição detalhada da operação, da identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador e adquirente (comprador), por NCM (mercadorias com classificação fiscal distintas)" determinou a infração punível com a multa lavrada equivalente a um por cento do vaiar aduaneiro das mercadorias, prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001 c/c com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833/2003. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 627 4 Também foi lavrada a "multa de dez por cento do valor da operação pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários", prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Regularmente cientificadas por via postal (AR's fl. 429v), não consta dos autos que a interessada "Manike Indústria Têxtil Ltda" tenha apresentado impugnação. A interessada "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" apresentou a impugnação tempestiva de folhas 432 a 472, com os documentos de folhas 473 a 511 anexados, na qual defende que: A fiscalização foi promovida de forma ilegal, pois perdurou por nove meses e envolveu indevidamente Declarações de Importação já desembaraçadas que não eram o escopo da investigação. Não há que se falar em ocultação do real importador ou cessão do nome da pessoa jurídica, pois a Impugnante jamais tentou ocultar o verdadeiro adquirente da pessoa jurídica em questão, qual seja, a empresa Manike. Ao contrário, praticou todos os atos necessários para que a operação de importação ocorresse de forma transparente para a Receita Federal. Não houve ocultação do adquirente, sendo que todos os documentos inclusive aqueles apresentados para o despacho aduaneiro (pedidos, faturas invoice e comerciais, conhecimentos de carga, packing lists) informam que as importações têm como adquirente das mercadorias a "Manike Indústria Têxtil Ltda". "Antes mesmo de iniciar as operações por encomenda, a Impugnante e a empresa Encomendante firmaram "Contrato de Importação por Encomenda", solicitando a vinculação dos CNPJs das duas empresas na Receita Federal, ocasião na qual foi apresentado uma via do seguinte contrato (doc. Anexo): ..." O importador não omitiu o CNPJ do encomendante no campo "adquirente por conta e ordem" da DI (como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora), mas sim, foi impedido de incluilo em razão de um problema operacional pelo Siscomex. Isso porque, ao incluir o CNPJ do encomendante no campo do adquirente por conta e ordem, o sistema analisa o limite de importações do adquirente. Todavia, na modalidade "por encomenda" os recursos empregados e o limite a ser analisado é o do importador, não do encomendante. A IN SRF n° 634/06 determina que o CNPJ do encomendante deve ser informado "em campo próprio". Todavia, como até hoje não há "campo próprio", o parágrafo único de seu artigo 3° recomendou que se indique o CNPJ do encomendante no campo do adquirente "por conta e ordem" e no campo "informações complementares" que se trata de uma importação "por encomenda". Essa situação acabou por gerar problemas de ordem operacional para o importador, como dito. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 628 5 Restou demonstrado que o importador estava impedido operacionalmente pelo sistema de indicar o CNPJ do encomendante no campo do adquirente por conta e ordem. Todavia não houve descumprimento do parágrafo único do artigo 3° da IN SRF 634/06, pois foram tomadas "todas as providências legais necessárias para operacionalização da importação para encomendante prédeterminado, quais sejam: formulou contrato de importação por encomenda com a Manike; vinculou o referido contrato na Receita Federal deixando cristalina a operação que iria se realizar, e, por fim; Informou no campo "Informações Complementares" da DI se tratar de importação por encomenda,..." A empresa D & A agiu na mais absoluta boafé, sendo que a não informação do CNPJ do encomendante no campo "adquirente por conta e ordem" da DI poderia ser, no maxim, tratada como mero equivoco, mas muito longe de se caracterizar fraude ou simulação do negócio que queria praticar, qual seja, a própria importação na modalidade "por encomenda".O erro poderia ser sanado com mera retificação da DI, cumulada, se fosse o caso, com a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, nos termos do art. 711, § 1°, I, do Regulamento Aduaneiro. Não houve nenhum intuito doloso ou fraude, pois os documentos que deveriam ser analisados pela fiscalização juntamente com os dados da Declaração de Importação, no procedimento de conferência aduaneira, sempre deixaram evidente que a adquirente das mercadorias era a empresa "Manike Indústria Têxtil Ltda". A norma exige apenas que o encomendante seja habilitado no Radar. Todavia, diferentemente do que entende a fiscalização, não há a exigência de que a habilitação seja na modalidade de "exclusivamente por encomenda", pois não há menção especifica a qualquer das modalidades. Como o limite a ser verificado é o do importador e não do encomendante, não havia qualquer restrição à realização das importações na modalidade por encomenda. Análise da IN SRF n° 650/06, artigo 2° leva â conclusão que, das submodalidades de habilitação simplificada, apenas aquela que se refere a comércio exterior de pequena monta é que apresenta limitações quanto a valores a serem importados. Portanto, "não pode prosperar qualquer alegação da autoridade fiscal no sentido de que o encomendante estaria "Impedido" de realizar a presente operação por ter seu "limite tomado", pois quando se tratar de importação por encomenda, não há o que se falar em "limite" de importação para o encomendante, mas tão somente para o importador ostensivo." No presente caso, a encomendante já havia utilizado seu limite para realizar importações próprias ou por sua conta e ordem. Todavia essa situação não lhe impedia de realizar importações por encomenda. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 629 6 A importação por encomenda se caracteriza pela aquisição de mercadorias importadas no mercado interno, sendo que essas mercadorias já vêm com o comprador prédeterminado quando sai do exterior. Assim, o encomendante é equiparado a industrial e se sujeita à tributação do IPI como constatou a fiscalização quando da análise das notas fiscais de saída, nas quais o imposto foi destacado e recolhido, não havendo nenhum lançamento por parte da fiscalização. A lei que criou essa modalidade de importação, Lei n° 11.281/2006, também não estabeleceu nenhuma restrição ou limite para as importações por encomenda. Apenas ressalvou que, caso os valores da encomenda sejam incompatíveis com o patrimônio liquido do encomendante, a Receita federal do Brasil pode exigir garantias para a liberação das mercadorias, ou seja, não há impedimento para a importação, apenas eventual exigência de garantia para entrega da mercadoria importada. A fiscalização confunde "lançamentos e pagamentos realizados em processos que as importações foram realmente realizadas na modalidade "por conta e ordem", com os do processo de importação realizados na modalidade "por encomenda" (Dis 09/06530010 e 09/011294486). Por esta razão, restam especificamente impugnados todas as conclusões acerca os lançamentos contábeis apresentados no relatório do Auto de Infração, devendo ser considerados os documentos anexos para a apuração dessas importações." (sic) A Lei n° 11.281/2006 "não impediu o importador de receber "sinal" ou "adiantamento" de seus clientes. O requisito legal necessário é que o importador possua "recursos próprios" (art. 11, § 3°), ou seja, "capacidade econômicofinanceira" para suportar a importação, o que é muito diferente." A lei não pode interferir nas práticas comerciais normais, tal como receber sinal ou antecipação de pagamento. E caso isso ocorresse se estaria diante de uma inconstitucionalidade por contrariar o disposto no art. 10 e art.170 da Constituição Federal. Ademais a D &A possuía plena capacidade de importação, pois à época dos fatos a estimativa para importações era da ordem de U$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil dólares), ou seja, é uma empresa fortemente consolidada no ramo do comércio exterior, longe de poder ser considerada "empresa laranja", "empresa fantasma" ou "empresa de fachada". Portanto, para se saber se as importações foram realizadas com recursos próprios do importador, devese se indagar se "caso não houvessem pagamentos antecipados a importadora teria conseguido realizar a operação?" Em nenhum momento a fiscalização investigou a capacidade financeira da importadora. "Em momento algum a autoridade fiscalizadora consegue comprovar, eficazmente, que foram feitos adiantamentos para a realização das importações, pois os valores remetidos à importadora Fl. 629DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 630 7 tratamse de pagamentos por operações já realizadas e não adiantamentos." Pelas razões expostas há que se "concluir pela não caracterização das infrações aplicadas, principalmente quanto à pena de perdimento por ocultação do encomendante da operação, vez que, de fato, não houve qualquer ocultação, muito menos intuito doloso ou tentativa de fraude ou simulação." Há nulidade por falta de competência da Autoridade Fiscal e pela inexistência de MPFF especifico para revisão aduaneira. A fiscalização teve nítido caráter externo e envolveu Declarações de Importação já desembaraçadas, fatos que obrigam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal especifico. O desatendimento à exigência determina a nulidade do procedimento, por vicio formal, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972. Houve abuso do poder fiscalizatório, pois o prazo de conclusão do procedimento fiscal foi excessivo, chegando a 268 dias, quando não deveria ultrapassar 90 dias e, se fosse o caso, ser prorrogado por, no máximo mais 90 dias caso houvesse justificativa. Portanto o auto de infração é nulo por vicio formal. Há incorreta adequação fática ao enquadramento legal, pois a fiscalização concluiu que as mercadorias deveriam ser apreendidas, porém, presumindo que tenham sido consumidas aplicou a multa do artigo 704 do Regulamento Aduaneiro. Todavia tal multa somente é aplicável para as mercadorias que entram no Pais sem que tenham sido submetidas aos controles aduaneiros, ou seja, ocultas, sem submissão ao despacho aduaneiro, o que não é caso, pois todas as mercadorias foram devidamente amparadas em Declarações de Importação. E ainda que se admitisse a adequação fática ao artigo 704, seu parágrafo único exclui expressamente sua aplicação "quando houver tipificação mais especifica no Regulamento Aduaneiro". Portanto, se a própria fiscalização concluiu que caberia a apreensão das mercadorias para aplicação da pena de perdimento, a multa em referencia não poderia ser aplicada. Dessa forma, há erra na penalidade aplicável, fato que determina a nulidade do auto de infração sem resolução do mérito. O consumo das mercadorias foi presumido pela fiscalização, ou seja, não houve comprovação dessa alegação. Portanto, a multa não pode ser aplicada, devendo, também por este motivo, ser anulado o auto de infração. Há ilegitimidade passiva, pois a pena de perdimento é sanção que visa punir o real adquirente da mercadoria e não o importador ostensivo. Por outro lado, o adquirente não pode responder pela multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 631 8 A fundamentação legal para aplicação da multa de 10% é nula, pois a fiscalização descreve que houve cessão de nome para operações de exportação, quando, em verdade não foi realizada nenhuma operação de exportação, mas unicamente importações. Ademais fundamenta a penalidade em dispositivo que trata de perdimento de moeda, completamente estranho aos fatos. Assim, por total desrespeito ao principio da legalidade e da ampla defesa, tendo em vista o evidente erro/ausência na fundamentação legal aplicada é nula a autuação. Todas as características das operações demonstram que se tratam de operações de importação na modalidade por encomenda, nos termos da Lei n° 11.281/2006, sendo as mercadorias de propriedade do importador, conforme preconiza o Ato Declaratório Normativo n° 7/2002, e posteriormente revendidas ao encomendante prédeterminado. Não houve ocultação do adquirente, tendo o importador plena capacidade financeira para suportar as operações que realizou. No máximo houve irregularidades meramente formais que não determinariam a aplicação da pena de perdimento. É aplicável ao caso o disposto no artigo 102 do Decretolei n° 37/1966, pois o importador declarou voluntariamente, em todos os documentos, que se tratava de importação por encomenda. Todos os tributos foram devidamente recolhidos, portanto aplicável a relevação da pena de perdimento preceituada no artigo 737 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 7.659/2009). Aplicável também o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, para aplicar unicamente, se for o caso, a multa prevista no artigo 711 do Regulamento Aduaneiro. A multa lavrada, prevista no artigo 704 do Regulamento Aduaneiro se refere ao valor comercial das mercadoria se foi calculada pela fiscalização com base nos valores da notas fiscais de saída. Todavia, ao caso se aplicaria, em tese, a conversão da pena de perdimento, prevista no parágrafo 1° do artigo 689 do RA, que equivale ao valor aduaneiro das mercadorias e não do valor das notas fiscais de saída. Requer sejam acatadas as preliminares de nulidade do auto de infração, no mérito seja cancelado o auto de infração. A decisão de primeira instância, proferida em Sessão de Julgamento de 28/1/2011 pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, considerou procedente em parte a impugnação, cancelando a multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente (R$ 515.046,91), conforme Acórdão cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 632 9 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Eventual irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma que a tipifica, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. IMPOSTO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, é responsável solidário pelo imposto de importação e responde conjunta ou isoladamente pela infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 21/2/2011, tendo protocolado seu recurso voluntário em 14/3/2011, no qual reitera os argumentos expostos na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Esclarecese, inicialmente, que o presente julgamento tem por objeto a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial (R$ 2.869,84) e a multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários (R$ 28.698,48), não sendo analisada a aplicação da multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente (R$ 515.046,91) devido a mesma ter sido excluída pelo acórdão recorrido e não ser objeto de recurso de ofício. Desta forma, as alegações referentes à multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente não serão tratadas neste acórdão, por não se incluírem na lide. A recorrente sustenta a nulidade do lançamento por falta de competência da Autoridade Fiscal e pela inexistência de MPFF especifico para revisão aduaneira. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 633 10 Em relação ao tema, adoto aqui entendimento exposto no Acórdão nº 3101 000613, da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção do CARF, sessão de 2/2/2011, de lavra da ilustre Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, colecionado abaixo: Com o objetivo de apreciar a peça impugnatória, em sua vertente preliminar, passase a apresentar, como já tenho feito noutras assentadas, algumas considerações no sentido de aquilatar a natureza jurídica do mandado de procedimento fiscal – MPF, introduzido, pela vez primeira, por intermédio da Portaria SRF nº. 1.265, de 22 de novembro de 1999. De início, cabe assinalar que sobredita portaria sofreu alterações, bem como, posteriormente, foi revogada pela Portaria SRF nº. 3007, de 26 de novembro de 2001. Em seguida, a matéria foi tratada pela Portaria SRF nº. 6.087, de 21 de novembro de 2005. Atualmente, o tema é conduzido pela Portaria RFB nº. 11.371, de 12 de dezembro de 2007. Feito o registro histórico, passase aos fatos relacionados ao mandado de procedimento fiscal MPF. A Portaria nº. 1.265, de 22 de novembro de 1999, foi editada com o objetivo de dispor sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelecer normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela então Secretaria da Receita Federal – SRF. Em conseqüência, foi instituído o mandado de procedimento fiscal, o qual foi denominado pela norma administrativa como “ordem específica”, nos termos do seu dispositivo infra: “Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF” Num momento posterior, foi editado o Decreto nº. 3.724, de 10 de janeiro de 2001, com o objetivo de regulamentar o art. 6º, da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela então Secretaria da Receita Federal, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas. Nesse decreto, também, há a menção ao mandado de procedimento fiscal como ordem específica instauradora do procedimento fiscal, consoante § 2º, do art. 2º, daquele ato normativo. Cumpre realçar que o mandado de procedimento fiscal foi objeto de discussões díspares quanto à sua natureza jurídica, que ora era tida como instrumento que concede competência para o auditorfiscal realizar a fiscalização/diligência, como quer o impugnante, ora era tida como mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscalizadora. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 634 11 No entanto, referida questão encontrase atualmente pacificada, nos termos como se vê adiante. Interpretar o mandado de procedimento fiscal como instrumento que concede competência ao auditorfiscal para realizar a fiscalização equivale a afirmar que os autos de infração lavrados por auditorfiscal que não possua tal instrumento é ato administrativo lavrado por servidor incompetente, o que acarretaria sua nulidade, conforme estatuído pelo inciso I, do art. 59, do Decreto nº. 70.235/72. Uma vez estabelecido que a gênese normativa da competência é consubstanciada em lei, afastase, por certo, tal interpretação. Sobre o tema, assim ensina o professor Luciano Amaro: “O lançamento deve ser efetuado pelo sujeito ativo nos termos da lei, vale dizer, tem de ser feito sempre que a lei o determine, e sua consecução deve respeitar os critérios da lei, sem margem de discrição dentro da qual o sujeito ativo pudesse, por razões de conveniência ou oportunidade, decidir entre lançar ou não, ou lançar valor maior ou menor, segundo sua avaliação discricionária”(grifei) A obrigatoriedade do lançamento tributário emana do próprio código tributário nacional, conforme dispõe seu artigo 3º c/c caput e parágrafo único, do art. 142. Aludida obrigatoriedade erguese quando da ocorrência do fato jurígeno da obrigação, sendo outorgada à autoridade administrativa tal incumbência legal. Não é demais trazer à baila tais dispositivos: “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” (grifei) Dessa forma, a meu sentir, o MPF é um importante elemento da administração tributária, no entanto restrito ao campo gerencial e procedimental, ou melhor, é um elemento de controle administrativo da fiscalização, tendo como foco disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela RFB. E, consoante o princípio da hierarquia das normas, o qual dá supedâneo à unidade do ordenamento jurídico, ato subordinado à lei não pode a ela contraporse, sendolhe defeso contrariar, restringir ou ampliar suas disposições. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 635 12 Cumpre realçar, ainda, que o mandado de procedimento fiscal, conforme exposto, é instrumento criado por portaria e, posteriormente, previsto em Decreto. Assim, eventuais vícios relativos à esfera do MPF estão na órbita de meras irregularidades internas, não podendo, portanto, obstar a atividade regrada e obrigatória do lançamento tributário. As normas a que se referem os procedimentos de fiscalização visam ao delineamento de sua execução, perfazendo, assim, instrumento profícuo para a administração tributária. No entanto, quaisquer irregularidades quanto ao cumprimento de tais disposições não teriam o condão de afetar o correspondente crédito tributário formalizado. Cabe enfatizar, no que toca à existência do MPF, que a necessidade de cientificar o contribuinte da emissão do instrumento prendese, tãosomente, a questões relacionadas à segurança do sujeito passivo contra pseudoações fiscais que eventualmente possam ocorrer. Nesse passo, cuida de oferecer segurança ao contribuinte, pois lhe possibilita a confirmação, via internet, da origem da ação fiscal, da sua extensão e se está sendo executada por servidores da administração tributária. Portanto, com efeito, o MPF não atinge a competência impositiva dos auditoresfiscais, a qual há de subsistir em face de quaisquer atos voltados a atividades de controle, planejamento e execução das ações fiscais. Frisese que a competência para o lançamento tributário que detém a autoridade fiscal, hoje, no âmbito da RFB, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, tem origem, como não poderia deixar de ser, na lei. Vejamos o que estabelece o art. 6º, da Lei nº. 10.593, de 06/12/2002, com a nova redação dada pela Lei nº. 11.457/2007, in verbis: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...)” O texto legal acima define a competência do servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário. Posto isso, vale sublinhar que não por outra causa, aliás, que a jurisprudência administrativa, de forma remansosa, tem reputado, com acerto, que eventuais falhas relativas a disposições acerca do MPF não maculariam o auto de infração. Isso porque, também, o MPF sozinho não é suficiente para Fl. 635DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 636 13 demarcar o início do procedimento fiscal (“o procedimento fiscal tem início com: [...] o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto [...]” – Art. 7º, I, do Decreto nº. 70.235/72), o que demonstra o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização e implica que, conquanto presentes eventuais desvios associados ao MPF, estes não tornariam inválidos os trabalhos de fiscalização, nem dariam por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento. Nesse sentido, cito, por questões de síntese, excertos de ementas de julgados adiante colocados, visando dar suporte ao entendimento supra. “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A eventual falha formal existente em mandado de procedimento fiscal não implica em nulidade do auto de infração. O MPF é mero instrumento de controle formal da fiscalização. Não limita o lançamento fiscal, que é dever de ofício previsto no art. 142 do CTN” 2 (grifei). Processo nº 11618.003460/200228, Acórdão nº 20218873, Recurso nº 133824, Sessão de 12/03/2008, 2ª C. do Segundo Conselho. “PIS. AÇÃO FISCAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, além de ter apenas caráter administrativo de controle, razão pela qual não retira a competência da Fiscalização para agir e não restringe a exclusão da espontaneidade do contribuinte, inclui necessariamente a verificação da correta apuração da base de cálculo de todos os tributos e contribuições federais dos últimos cinco anos” 3 (grifei) Processo nº 11080.000984/200515, Acórdão nº 20180.402, Recurso nº 137.434, Sessão de 17/07/2007, 1ª C. do Segundo Conselho. “NORMAS PROCESSUAIS FALTA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO INEXISTÊNCIA A Portaria SRF nº. 1.265, de 1999, que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, em virtude do princípio da legalidade (CF, art. 5º, inc. II) e da hierarquia das leis, não se sobrepõe às disposições do Código Tributário Nacional CTN, às do Decreto nº. 70.235, de 1972, em especial às dos arts. 7º e 59, que versam, respectivamente, sobre o início do procedimento fiscal e sobre as hipóteses de nulidade do lançamento. (...) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele Fl. 636DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 637 14 instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta.” 4 (grifei). Processo nº 10120.004955/200112, Acórdão nº 10246.676, Recurso nº 136803, Sessão de 16/03/2005, 2ª C. do Primeiro Conselho Convém sublinhar que a matéria que transitou na decisão última teve como cerne recurso de ofício de decisão de 1ª instância que havia anulado o lançamento em face, exclusivamente, da ausência de MPF a amparar aquele procedimento fiscal. Tal tese foi prontamente rechaçada por aquela corte administrativa. Com efeito, verificase, no caso concreto, que o auto de infração resistido revestiuse das formalidades previstas nos artigos 9º e 10, do Decreto nº. 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº. 8.748, de 1993, não havendo incidido em quaisquer dos vícios que poderiam retirarlhe a validade. Outrossim, no que diz respeito ao procedimento fiscal, etapa que antecede o lançamento, constatase que a tese desenvolvida pelo impugnante cingese a uma linha interpretativa que, arraigada ao formalismo, orientase na direção da essencialidade da forma procedimental. Cumpre referir, pois, que o processo administrativo lato sensu, e não menos o procedimento de fiscalização, está subordinado, entre outros, aos princípios do formalismo moderado e da verdade material, que apontam no sentido da sucumbência das formalidades processuais ante o afloramento do seu objeto maior: o alcance da verdade. Por fim, registrese, por apropriado, que os atos normativos baixados pela RFB, por certo, vinculam a atuação de todos os servidores do órgão, entre os quais os julgadores das DRJ, consoante os termos do art. 7º, da Portaria MF nº. 58, de 17 de março de 2006, abaixo transcrito – que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ, verbis: “Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº. 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros” No entanto, como demonstrado, a portaria que rege o MPF não dispõe, e nem fazêlo poderia, sobre a competência exclusiva do AFRFB, posto que jungida à atuação da Lei nº. 10.593/2002, com as alterações provocadas pela Lei nº. 11.457/2007, tampouco acerca do processo administrativo fiscal, o qual, por seu turno, é regido pelo Decreto nº. 70.235/72, que detém status de lei ordinária. Dessarte, uma vez que a competência legal do auditorfiscal não descende do mandado de procedimento fiscal, nenhuma irregularidade que, eventualmente, possa nele existir tem o alcance de afetar a competência atribuída pela citada Lei nº. 10.593/2002 ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 638 15 Portanto, uma vez que as supostas irregularidades argüidas pelo impugnante carecem de potencial ofensivo a abalar a plena existência do crédito tributário em debate, tornase despiciendo investigar sua possível existência.” A recorrente defende ainda a nulidade do auto de infração no que se refere a multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007 em face de falta de capitulação legal aplicável à espécie. Em atenção ao alegado, o caput do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 determina que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Segundo este dispositivo, são duas as hipóteses de nulidade relacionadas ao processo administrativo fiscal federal: a primeira corresponde a um pressuposto subjetivo de atos processuais, qual seja a incompetência funcional do emissor do ato; já a segunda se refere a um pressuposto processual das decisões administrativas, este com fundamento na CF/88, que exige respeito ao contraditório e a ampla defesa. Por conseguinte, considerase nulo o ato praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. No que tange à suposta falta de capitulação legal do lançamento, esclarecese que esta casa já possui entendimento consolidado de que o mero erro no enquadramento legal não é suficiente para inquinar o auto de infração quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa. Nesse sentido: NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa (1ª Seção, 4ª Câm.,1ª TO. Ac. 1401000894,6/11/2012) NULIDADE. FALTA DE MOTIVO PARA IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSABILIZADOS SOLIDARIAMENTE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS LEGAIS DE MULTA QUALIFICADA. A ausência de motivo ou seu erro e não sua insubsistência fulmina o lançamento por vício substancial. Não há ausência nem erro de motivo seja para a multa qualificada, seja para a responsabilização solidária. Quanto a esta, inconfundível é a questão de fundo para a legitimidade passiva. O mero erro na capitulação legal não vitima o lançamento. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 639 16 (1ª Seção, 1ª Câm., 3ª TO, Ac. 1103000.819, 6/3/2013) NULIDADE. Erro ou omissão no enquadramento legal não dá causa à nulidade do lançamento se dele não decorrer concretamente cerceamento do direito de defesa e do contraditório, em especial, se a descrição fálica trouxer todos os aspectos relevantes para fins de incidência da regramatriz tributária. (1º CC, 3ª Cam, Ac. 10323.256, 7/11/2007) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pacífica a jurisprudência deste Conselho no entendimento de que a correta descrição dos fatos prevalece sobre eventual omissão ou erro na indicação do enquadramento legal, ainda mais quando a autuada rebate adequadamente os termos da acusação, indicados na descrição dos fatos. (1° CC., 2ª Câm., Ac. 10247.742,26/7/2006) No caso em tela, não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de que a recorrente registrou as Declarações de Importação n° 09/06530010 e n° 09/11294486, no período entre 25/05/2009 e 26/08/2009, nas quais declara ser a importadora e adquirente das mercadorias por elas amparadas, todavia a fiscalização entendeu que a real adquirente era a empresa "Manike Indústria Têxtil Ltda", fato que ensejou na aplicação da multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Do exposto, temos que o enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da infração constatada, da base tributável apurada e do cálculo do valor da multa, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Observase ainda que a contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito. A autuação, desta forma, mostrase plenamente válida, razão pela qual rejeitase as arguições de nulidade do auto de infração. Ingressando nas questões de mérito, a multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários encontrase prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007: Lei n° 11.488/2007 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Fl. 639DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 640 17 Parágrafo único. A hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No presente processo, a recorrente foi autuada em relação as Declarações de Importação n° 09/06530010 e n° 09/11294486, nas quais declara ser a importadora e adquirente das mercadorias por elas amparadas. Os documentos que instruíram os despachos de importação, contudo, apresentam como adquirente a empresa Manike Indústria Têxtil Ltda. A recorrente, nestas DI, em contrariedade a Lei n° 11.281/2006 e a Instrução Normativa SRF n° 634/2006, informa apenas no campo destinado a "Dados complementares", que as importações tinham por encomendante a empresa Manike Indústria Têxtil Ltda. O fato de as Declarações de Importação omitirem no campo próprio o nome da adquirente das mercadorias impedia que Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex verificasse os dados da empresa adquirente para fins de análise fiscal. Este procedimento era assim efetuado pelo fato de a adquirente Manike Indústria Têxtil Ltda. estar impedida de importar por ter atingido o limite para o qual havia sido habilitada (habilitação simplificada para atuação no comércio exterior em valor de pequena monta, prevista na Instrução Normativa SRF n° 650/2006). Consta ainda do relatório fiscal que: No período no qual o limite para realizar importações ainda não havia sido atingido, a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" registrava as operações de importação na modalidade por conta e ordem da "Manike Indústria Têxtil Ltda". Atingido o limite, as operações passaram a ser registradas como se a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" fosse a importadora e adquirente das mercadorias, ocultando a informação de que a real adquirente era a "Manike Indústria Têxtil Ltda". Depois que a "Manike Indústria Têxtil Ltda" voltou a possuir limite para importações, as operações voltaram a informar que ela era a adquirente das mercadorias. Verificase ainda que a empresa Manike Indústria Têxtil Ltda antecipava os recursos referentes as importações que a recorrente registrou como sendo por sua própria conta. Em sendo estes os fatos em julgamento, claro está que a recorrente cedeu seu nome à empresa Manike Indústria Têxtil Ltda para a realização de importações de mercadorias (DI n° 09/06530010 e n° 09/11294486), ocultando o verdadeiro adquirente, fato que deixa as operações marcadas por ilegalidade óbvia, sancionável, como foi, na forma prevista. A multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial foi aplicada com fundamento no artigo 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, c/c o artigo 69, §§ 1° e 2°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003: Medida Provisória n°2.15835/2001 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 641 18 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei n2 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Lei n° 10.833/2003 Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n 2 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária h determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; (grifo nosso) A recorrente alega que foi impossibilitada de declarar corretamente por uma falha do Siscomex, que impedia que se incluísse o nome da real importadora no campo próprio, bem como a ausência na DI de um campo destinado à identificação da encomendante. Em atenção ao alegado, esclarecese que o Siscomex não permitia a inclusão do nome da real adquirente no campo próprio devido a esta já ter atingido o limite de operações permitidas, e não em decorrência de uma falha. Observase ainda que o parágrafo único do artigo 3° da Instrução Normativa n° 634/2006 determina expressamente que a informação referente à encomendante deve ser aposta no campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem: Fl. 641DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 642 19 Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado is identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Em sendo esta a situação em comento, claro está que a recorrente omitiu informação comercial obrigatória, qual seja o nome do real comprador das mercadorias, fato que configura a conduta descrita no artigo 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, c/c o artigo 69, §§ 1° e 2°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003. Correta, portanto, a imposição da multa. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Declaração de Voto Com toda a distinção que rendo ao ilustre relator, ouso dele discordar na medida em que os fatos narrados nos autos, bem assim os documentos que lhe dão suporte, conduzem ao entendimento de que a Recorrente jamais teve a intenção de acobertar o fato de a Manike Indústria Têxtil Ltda. ser a real adquirente das mercadorias importadas. Explicase. A Manike estava inicialmente habilitada no Sistema de Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (Radar) sob a modalidade simplificada, quando, então, a Recorrente declarava regularmente as suas operações de comércio exterior. Quando a Manike excedeu ao limite para essa modalidade de habilitação, pleiteou a sua migração para a habilitação ordinária. Ocorre que tal migração é extremamente burocrática e demorada. Considerando, pois, que a Recorrente continuou a ser demandada pela Manike, e para evitar a interrupção das atividades da sua cliente, a Recorrente passou a declarar a importação em nome próprio, consignando, no campo de informações complementares das Declarações de Importação, o fato de que as mercadorias estavam sendo importadas sob a modalidade de importação por encomenda. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 643 20 Convém registrar, ainda, que a Recorrente espontaneamente voltou a declarar as suas operações, de forma regular, quando a Manike conseguiu obter a habilitação ordinária do RADAR. Diante disso, é de se entender que a infração tipificada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, não se verificou no caso presente, eis que – repitase – não houve a intenção, por parte da Recorrente, de acobertar a Manike como real adquirente das mercadorias importadas. Ressaltese que a conduta adotada pela Recorrente não estava correta, pois a legislação prevê exatamente como deve ser declarada a importação por encomenda; por outro lado, parece ser excessiva a equiparação entre uma empresa que intencionalmente presta nome a terceiros para burlar a legislação aduaneira e outra que sempre declarou corretamente as suas operações de comércio exterior, e só não o fez, no campo próprio, durante um período curto de tempo, em razão das dificuldades de seu cliente para se reabilitar em outra modalidade do RADAR. É de se registrar que a informação equivocada que se prestou nas DI foram motivadas pela morosidade da própria Administração Pública em analisar e conceder à Manike a habilitação ordinária pleiteada e posteriormente concedida. A aplicação da letra fria da lei não permite que se faça tal distinção. Contudo, cabe ao julgador extrair a exceção do caso concreto, sob pena de a lei ser aplicada de maneira injusta e contrária aos seus objetivos. Por esses fundamentos, é que faço a presente declaração de voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Fl. 643DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 10865.721179/2011-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).:
Numero da decisão: 1801-001.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1435.988/11 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, efls. 63 a 65, que decidiu julgar procedente o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 11 79 /2 01 1- 87 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF). Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Notificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação, alegando que entregou a referida declaração espontaneamente, o que excluiria a penalidade nos termos do CTN, art. 138, e que estaria ocorrendo bis in idem, pois a multa possui a mesma capacidade punitiva da multa moratória (20%), sendo aplicada concomitante àquela. VOTO [...] O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária. A entrega da declaração de rendimentos constitui obrigação acessória prevista no CTN, e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega da declaração se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo não cumprimento da obrigação acessória de apresentação da declaração, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, temse que o art. 138 não se desfez da multa por atraso na entrega de declaração. [...] Também descabida a alegação de ocorrência de bis in idem. A multa ora exigida está prevista na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7o, e sua aplicação é em função do atraso no cumprimento da obrigação, sendo independente do atraso ou não do recolhimento dos tributos declarados. São portanto multas distintas, que podem ser aplicadas concomitantemente. Ademais, não há qualquer notícia no processo de que esteja sendo exigida multa moratória sobre referidos tributos.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 69 a 81, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 14/12/11, efls. 68; Recurso – 11/01/12, efls. 69 Voto Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.721179/201187 Acórdão n.º 1801001.586 S1TE01 Fl. 3 3 Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001577/2008-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/10/2003 a 31/12/2003
ALEGAÇÃO DE NULIDADE.
Não podem ser considerados nulos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, e quando observados os princípios do contraditório e da ampla defesa.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIAS-PRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI (Súmula CARF nº 18).
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIAS-PRIMAS ADQUIRIDOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE.
As aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejam direito ao crédito de IPI.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 04).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-002.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/10/2003 a 31/12/2003 ALEGAÇÃO DE NULIDADE. Não podem ser considerados nulos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, e quando observados os princípios do contraditório e da ampla defesa. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIAS-PRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI (Súmula CARF nº 18). IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIAS-PRIMAS ADQUIRIDOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejam direito ao crédito de IPI. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 04). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim - Presidente Raquel Motta Brandão Minatel Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
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Não podem ser considerados nulos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, e quando observados os princípios do contraditório e da ampla defesa. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI (Súmula CARF nº 18). IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS ADQUIRIDOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejam direito ao crédito de IPI. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 15 77 /2 00 8- 97 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 04). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 42/45), lavrado em 18/09/2008, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em virtude falta de recolhimento desse tributo, no período entre outubro de 2003 e dezembro de 2003, em razão da suposta utilização incorreta de créditos relativos a tal imposto, no qual foi apurado um crédito tributário no importe de R$ 575.569,95, sendo a obrigação principal no valor de R$ 238.537,92 e R$ 337.032,03, referentes a juros moratórios e à multa de ofício. Consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 46/50), que a Contribuinte teria se valido de créditos oriundos da aquisição de insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero, bem como de créditos pela compra de insumos de estabelecimentos industriais optantes pelo SIMPLES e da aquisição de insumos de estabelecimentos atacadistas, o que violaria a legislação pertinente (art. 165 do RIPI 2002). A contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 30/09/2008 (fls. 43) e apresentou extensa Impugnação (fls. 54/80), em 30/10/2008, tida como tempestiva, na qual, em suma, alegou que o exame atento ao Auto de Infração demonstra sua impropriedade e, consequentemente, vício, tendo em vista que não teria ocorrido a ciência formal da empresa de todos os fatos nele contidos, o que contrariaria os ditames do artigo 9º do Decreto 70.235/72 e cercearia seu direito de defesa. Já no mérito, a contribuinte rebateu as glosas procedidas pelo agente fiscalizador, argumentando que o valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sem o Fl. 160DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 11070.001577/200897 Acórdão n.º 3403002.019 S3C4T3 Fl. 160 3 destaque do IPI, cuja utilização ou consumo se deu na produção de produto final industrializado tributado pelo imposto, está lastrado em sólido precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal. Em seus pedidos, postulou pelo provimento da Impugnação apresentada, para que, assim, fosse declarado nulo o Auto de Infração, ou, subsidiariamente, que fosse declarado improcedente o lançamento, por ser o Auto de Infração desconexo com o direito. Requereu, ainda, por eventualidade, que superados seus argumentos, fosse reconhecida a inaplicabilidade da taxa Selic como juros moratórios, fixandose a incidência de juros pelo percentual máximo de 1% ao mês, por força do artigo 161, do CTN. Inobstante as razões de Impugnação da Recorrente a Impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão n.º 1033.388, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre (RS), de fls. 97/102, em 04/08/2011. O acordão supracitado, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: “ALEGAÇÃO DE NULIDADE. São válidos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, em relação aos quais também se observaram os princípios do contraditório e da ampla defesa. CRÉDITOS INDEVIDOS. GLOSA. Inexiste o direito a créditos do IPI, nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero. As aquisições de insumos de estabelecimentos optantes pelo Simples não ensejam direito à fruição de crédito do IPI, por expressa vedação legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Em suas razões de recurso voluntário, a Recorrente repisou, com exatidão, todos os argumentos trazidos em sua impugnação. Em seus pedidos, postulou pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado, para que, assim, seja declarado nulo o Auto de Infração, ou, subsidiariamente, que fosse declarado improcedente o lançamento, por ser o Auto de Infração “descasado do direito”. Requereu, ainda, por eventualidade, que superados seus argumentos, fosse reconhecida a inaplicabilidade da taxa Selic como juros moratórios, fixandose a incidência de juros pelo percentual máximo de 1% ao mês, por força do artigo 161, do CTN. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 4 Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Relatora Raquel Motta Brandão Minatel, Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Preliminarmente A Recorrente alega que ocorreu nulidade da autuação, porque não teria sido cientificada de todos os documentos, demonstrativos e elementos que guarnecem a exigência, caracterizando cerceamento do direito de defesa, motivo bastante para não prosseguir validamente o procedimento, impondose, por respeito à Lei, a decretação da integral nulidade do presente auto de infração (CF/88, art. 5o II, LIV e LV). Os casos de nulidade estão previstos no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, que assim está redigido: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não consegui vislumbrar no presente processo nenhuma das situações previstas no referido dispositivo legal, uma vez que a autuada foi cientificada de todos os atos relativos à fiscalização, tanto que apresentou diversas respostas, e também foi regularmente intimada do auto de infração, cujo “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 46 a 50) a ele anexo traz a motivação e fundamentação do lançamento de ofício. As imputações formuladas contra a Recorrente foram por ela perfeitamente compreendidas, tanto que rebateu todas as glosas efetuadas na autuação. Portanto, a alegação de desconhecimento de fatos e documentos não pode ser acatada, eis que os elementos entregues à empresa permitiam, sim, um perfeito conhecimento da situação, tornando factível a composição correta de sua defesa. Pelo exposto, verificandose que as formalidades legais para lavratura do auto de infração foram cumpridas e os elementos que eram passíveis de conhecimento pela Recorrente não se vislumbrando, portanto, qualquer irregularidade ou caso de nulidade, devendo ser rejeitada a preliminar. No mérito a) Quanto à glosa de créditos nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributado à alíquota zero Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 11070.001577/200897 Acórdão n.º 3403002.019 S3C4T3 Fl. 161 5 A Recorrente tece extenso arrazoado acerca do princípio da não cumulatividade do IPI, estatuído no artigo 153, §3º, inciso II, da Constituição Federal, para se defender da glosa de créditos nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero. É de se deixar claro que a Recorrente não possui amparo judicial que lhe autorize a tomar crédito dos referidos insumos. No tocante a essa matéria, a DRJ/POA negou provimento afirmando que o não foi cobrado imposto na operação anterior, seja pela isenção, nãotributação ou tributação à alíquota zero dos produtos recebidos, não surge o direito ao crédito do IPI. A Recorrente alega em favor de sua tese decisões do Supremo Tribunal Federal. Contudo, cabe destacar que tais decisões geram efeitos apenas entre as partes envolvidas e que em nenhuma delas a Recorrente figura como parte, o que tornam inaplicáveis, no caso, as disposições do Decreto n.º 2.346, de 1997, mencionado no recurso, pois no caso concreto não se implementaram os pressupostos desse diploma. Ao tribunal administrativo não cabe conceder direito a crédito nos casos em que a lei não autoriza, sendo que inclusive no tocante à aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero há súmula deste Tribunal que impede a análise da matéria, in verbis: Súmula CARF n° 18 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário no tocante ao crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributado à alíquota zero. b) Quanto à glosa de créditos – Aproveitamento indevido de créditos oriundos de aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES; A Recorrente mais uma vez invoca o princípio da não cumulatividade do IPI para tomar crédito de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES. No tocante a essa matéria também há vedação expressa na lei quanto à utilização a apropriação ou transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS aos optantes pelo SIMPLES, conforme disposto no artigo 5º, § 5º, da Lei n.º 9.317, de 1996. Os artigos 118, 119, 120 e 166 do RIPI, aprovado pelo Decreto n.º 4.544, de 2002 (aplicável aos fatos geradores de 2003), também trazem vedação expressa para a fruição de créditos nessa hipótese IPI nos casos de empresas optantes pelo SIMPLES, tanto que é expressamente vedado o destaque do imposto nas notas fiscais das empresas optantes pelo regime. Também relativamente a essa matéria nego provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 6 c) Quanto à aquisição de insumos de estabelecimentos comerciais atacadistas A Recorrente tomou crédito integral de IPI (100%) dos insumos adquiridos de estabelecimentos comerciais atacadistas, quando o permitido na legislação de regência do referido tributo é a tomada de crédito ‘presumido’ mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinquenta por cento (50%) do seu valor (Decretolei nº 400, de 1968, art. 6º e art. 165 do Decreto 4.544/02). Porém, bem observou a DRJ/POA que: “em que pese o Termo de Verificação Fiscal, ter apontado como irregular o creditamento de aquisições de insumos de estabelecimentos comerciais atacadistas, conforme alínea ‘c’, na fl 48, do relatório fiscal, entendo que fica prejudicada a análise da impugnação, porquanto o crédito tributário que está sendo exigido neste auto de infração, decorre somente das glosas de créditos das aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, e aquisições de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES.” Isso se percebe pela verificação do somatório das glosas das aquisições de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES, fls. 24 a 32, com as glosas de aquisições de Insumos isentos, não tributados ou tributadas à alíquota zero, informadas na fl. 46, em cotejo com os valores dos débitos apurados pela fiscalização, conforme demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal de fl. 35. Desse modo, em não havendo crédito tributário decorrente do suposto creditamento indevido não há litígio a ser solucionado quanto a essa questão. d) Quanto aos juros de mora; A Recorrente também manifestou sua inconformidade acerca da incidência da taxa SELIC para apuração dos juros de mora aplicados na autuação. No que se refere à aplicabilidade da taxa SELIC para a correção dos débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal cabe ao julgador administrativo apenas observar que a aplicação de tal índice é consequência direta do previsto no artigo 61, § 3º, da Lei 9.430, de 1996. Assim, em que pesem os argumentos da defesa, a questão foi pacificada por este Conselho por meio da Súmula nº 4, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, e tendo em vista a obrigação regimental de reproduzir o entendimento jurisprudencial enunciado em Súmulas deste Conselho (art. 72, § 4º, do RI CARF), nego provimento ao Recurso Voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 11070.001577/200897 Acórdão n.º 3403002.019 S3C4T3 Fl. 162 7 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 09 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
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Numero do processo: 10283.005477/2004-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Ano- calendário: 2002
AUDITORIA DE PRODUÇÃO
A apuração de diferenças positivas evidencia o ingresso de insumos importados sem a comprovação de sua regular importação e enseja a aplicação da multa regulamentar.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inciso I do CTN.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
ALEGAÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Descabida a alegação de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o contribuinte foi regularmente cientificado do lançamento e de todo o seu conteúdo, sendo-lhe assegurado o prazo para impugnação da exigência, de acordo com a legislação processual tributária.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9203-002.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; II) por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial quanto à decadência. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento; e III) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial quanto à multa regulamentar. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Daniel Mariz Gudino, Joel Miyazaki, Maria Teresa
Martinez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA PÔSSAS
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2002 AUDITORIA DE PRODUÇÃO A apuração de diferenças positivas evidencia o ingresso de insumos importados sem a comprovação de sua regular importação e enseja a aplicação da multa regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inciso I do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 ALEGAÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descabida a alegação de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o contribuinte foi regularmente cientificado do lançamento e de todo o seu conteúdo, sendolhe assegurado o prazo para impugnação da exigência, de acordo com a legislação processual tributária. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; II) por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial quanto à decadência. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Francisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 54 77 /2 00 4- 48 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento; e III) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial quanto à multa regulamentar. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Daniel Mariz Gudino, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte, contra acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que negou provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Anocalendário: 2002 AUDITORIA DE PRODUÇÃO. LAPSO TEMPORAL ESPECIFICADO. Nos termos do art. 423 do RIPI de 1998 e art. 41 da lei n°9430/96 é possível a reconstituição da produção do estabelecimento industrial através da Auditoria de Produção, sem especificar para tanto o lapso temporal a ser compreendido nesta modalidade de procedimento de auditoria, sendo possível a apuração em conjunto dos períodos de 01/01/1999 a 31/12/2002. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INCORRENCIA. Comprovado nos autos que o recorrente foi devidamente cientificado, bem como notificado de todos os procedimentos fiscais, assegurandolhe os prazos para impugnação e recursos voluntário, não há caracterização de cerceamento de defesa. REGIME ADUANEIRO. ZONA FRANCA DE MANAUS. II E IPI SUSPENSOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFICIO. Por estar sujeito a condição resolutória, a constituição do crédito tributário referente ao II e IPI suspenso, em face do descumprimento dos requisitos para gozo do beneficio fiscal do Fl. 806DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 751 3 regime da Zona Franca de Manaus, somente se realiza mediante lançamento de oficio. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO OFÍCIO TERMO A QUO. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE. Na modalidade de lançamento de oficio, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DESVIO DE FINALIDADE. DIFERENÇA NEGATIVA NO ESTOQUE DE MERCADORIAS IMPORTADAS. CONFIGURAÇÃO. Constatada, meio de auditoria de produção, a diferença negativa no estoque de mercadorias e não trazendo o recorrente nenhuma prova que ilidisse a autuação, tomamse como verdadeiras as diferenças apuradas. INGRESSO DE MERCADORIA SEM COMPROVAÇÃO. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. Constatada, por meio de auditoria de produção, a diferença positiva no estoque de mercadorias e não trazendo o recorrente nenhuma prova que ilidisse o fato apurado pela autuação, têmse como verdadeiras as diferenças apuradas e, por conseguinte, a configuração da importação irregular. MULTA REGULAMENTAR. Devida quando caracterizada a importação irregular. Recurso Voluntário Negado. Assim relatou a DRJ: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir relacionados: I. Imposto de Importação, auto de infração às fls. 23/30, no valor total de R$ 102.001,33, incluídos encargos legais. II. Imposto sobre Produtos Industrializados e Multa Regulamentar, fls. 13/22, no valor total de R$ 320.443,72, incluídos encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 14/19 e 24/28, os lançamentos decorreram das infrações a seguir indicadas. 01. Não Emprego dos Bens nos Fins ou Atividades para que Foram Importados Apuração dos Estoques de Componentes Importados. Introdução. A presente ação fiscal teve como principal motivo a apreensão, em janeiro de 2001, de produtos acabados declarados em seus despachos de importação como partes e peças para industrialização, na operação fiscal denominada “Operação Rio Negro”, e teve como Fl. 807DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 objetivos básicos: a auditoria de estoque e a verificação do cumprimento, pela empresa, dos Processos Produtivos Básicos a que estava sujeita. Histórico da Empresa A empresa denominada DM DA AMAZÔNIA LTDA. foi constituída em 10/10/1996, com registro na Junta Comercial do Estado do Amazonas, sob nº 13200329961 de 04/11/96, tendo iniciado suas operações no ano de 1997, em estabelecimento fabril situado na Av. Noel Nutles, 2323 Bairro Flores Manaus AM, produzindo aparelhos televisores e aparelhos de videocassete com tecnologia RCA. Em 1998, a empresa diversificou sua produção e passou a fabricar também aparelhos de áudio com tecnologia AUDAX, a partir de importações de kits completos. Em 18/12/1998 a empresa mudou suas instalações fabris para a Rua Thomas do Amaral nº 450 Bairro de Petrópolis Manaus AM. Em 1999, a empresa deixou de fabricar televisores e videocassetes com tecnologia RCA e passou a fabricar aparelhos de áudio com tecnologia AUDAX, e aparelhos telefônicos, televisores de 5", rádiorelógios e aparelhos de áudio com tecnologia LENNOX SOUND, a partir da importação de kits de componentes. Em 2000 a empresa deixou de fabricar os produtos com tecnologia AUDAX. Dos Incentivos Fiscais da Zona Franca de Manaus. A Zona Franca de Manaus ZFM é uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais criada pelo DecretoLei 288/67, regulamentada pelo Decreto 61.244/67, alterado pelo DecretoLei 1.435/75, com nova redação dada pela Lei 8.387/91, tendo por finalidade criar no interior da Amazônia, um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicos que permitam seu desenvolvimento em face dos fatores locais e da grande distância que se encontram os centros consumidores de seus produtos Os incentivos fiscais somente serão concedidos a produtos industrializados previstos em projetos industriais e que tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona de Franca de ManausCAS, que não tenham sido industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicioamento, excluídos as armas e munição, fumo, bebidas alcoólicas, e automóveis e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais. Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, destinados a consumo em outros pontos do território nacional, somente farão jus aos incentivos fiscais se tiverem sido produzidos em conformidade com o Processo Produtivo BásicoPPB definido em norma para este produto. Considerase Processo Produtivo BásicoPPB o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto. Os incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA, concedidos a projetos industriais que objetivem a industrialização de produtos na Zona de Franca de Manaus, são os seguintes: Fl. 808DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 752 5 I isenção do Imposto de Importação, relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados na industrialização de produtos destinados a consumo interno na Zona Franca de Manaus; II redução do Imposto de Importação, relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados na industrialização de produtos destinados a consumo em outros pontos do território nacional; III isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, relativo a produtos produzidos na Zona Franca de Manaus destinados à comercialização em qualquer ponto do território nacional; IV isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, relativa a produtos elaborados, predominantemente, com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária; V – crédito do IPI, calculado como se devido fosse, para o adquirente de produtos de que se trata o inciso anterior, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto; e VI isenção do II e do IPI relativa a bens de capital destinados a implantação de projetos industriais. Do Projeto Industrial da DM Eletrônica da Amazônia Ltda. A empresa teve seu Projeto de Implantação aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMACAS, através da Resolução nº 38 de 03/03/1997, na forma do Relatório de Analise de Projeto nº 009/97, para produção de televisor, televisor combinado com videocassete, aparelho de som e telefone sem fio. Em 28/08/1998, o Conselho de Administração da SUFRAMA, através da Resolução nº 127, aprovou Projeto de Diversificação para a produção de rádiorelógio, autorádio com tocafitas, autorádio com tocadiscos digital a laser, rádio portátil e tocadiscos digital a laser para veículos. Em 10/08/1999, o Conselho de Administração da SUFRAMA, através da Resolução nº 108, aprovou Projeto de Diversificação para a produção de aparelho telefônico por fio não combinado com outros aparelhos, aparelho telefônico por fio combinado com um aparelho telefônico portátil sem fio, tocafitas de bolso “walkman”, tocadiscos digital a laser portátil, televisor em cores conjugado com rádio, televisor em preto e branco conjugado com rádio e televisor em preto e branco conjugado com rádio e tocadiscos digital a laser. Em 19/05/2000, o Superintendente da Zona Franca de Manaus, através da Portaria nº 130 aprovou a inclusão do produto rádio com relógio e tocadisco digital a laser no Projeto de Diversificação nº 127 de 28/08/1998. Em 23/03/2001, o Conselho de Administração da SUFRAMA, através da Resolução nº 113, aprovou o Projeto de Atualização/Diversificação para a produção de Fl. 809DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aparelho telefônico por fio não combinado com outros aparelhos, aparelho telefônico por fio combinado com um aparelho telefônico portátil sem fio em freqüência igual ou superior a 900MHZ, tocafitas de bolso “walkman”, tocadiscos digital a laser portátil, rádio com gravador/reprodutor de fitas cassetes magnéticas e tocadiscos digital a laser, radio com relógio, radio portátil, autorádio com tocafitas, autoradio com tocadiscos digital a laser, televisor em cores conjugado com rádio, televisor em preto e branco conjugado com rádio e televisor em preto e branco conjugado com rádio e tocadiscos digital a laser, rádio com relógio e tocadiscos digital a lazer, autorádio, rádio com gravador/reprodutor de fitas cassetes magnéticas portátil e rádio com reprodutor de DVD e gravador/reprodutor de fitas cassetes magnéticas portátil. Em 23/03/2001, o Conselho de Administração da SUFRAMA, através da Resolução nº 093 aprovou Projeto de Diversificação para produção de Digital Vídeo Disc DVD Player. Apuração dos Estoques de Componentes Importados No exercício das funções do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal e com fundamento no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, foi lavrado o presente Auto de Infração em decorrência de auditoria nos estoques de componentes importados, ingressados no país ao amparo do Decreto 288/67, regulamentado pelo Decreto 61.244/67, alterado pelo DecretoLei 1.435/75, com nova redação dada pela Lei nº 8.387/91. Esclarecimentos Preliminares Esta auditoria de estoque abrange os exercícios de 1999 a abril de 2002. A empresa importa os componentes em kits completos para cada produto. Foram consideradas apenas as saídas do estabelecimento fabril, isto é, saídas por internação para outros pontos do território nacional restante e saídas diretamente da fábrica para o mercado local. Desvio de Finalidade Constatouse através de levantamentos nos livros de registro, Livro de Registro de Inventario, Notas Fiscais, Declarações de Importação, Declarações de Internação e outros documentos, diferença negativa no estoque de mercadorias importadas. Diferença esta apurada pelo cotejo entre o Estoque Final Apurado e o Saldo do Inventário, não comprovando deste modo, a utilização das mercadorias para os fins a que foram concedidos benefícios fiscais. Os levantamentos, as apurações e a metodologia utilizados encontramse abaixo detalhados: I) Importações de kits de componentes em 1999 (fls. 34 a 38). Dados extraídos das Declarações de Importação. II) Importações de kits de componentes em 2000 (fls. 39 a 46). Dados extraídos das Declarações de Importação. III) Importações de kits de componentes em 2001 (fls. 47 a 53). Dados extraídos das Declarações de Importação. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 753 7 IV) Importações de kits de componentes em 2002 (fls. 54). Dados extraídos das Declarações de Importação. V) Demonstrativo Sintético das Importações de kits de componentes de 1999 a 2002 (fls. 56 a 56). Resumo dos Relatórios de Importação (itens I, II, III e IV). VI) Saídas do Estabelecimento Fabril em 1999 (fls. 57 a 64). Dados extraídos das Notas Fiscais de saída abrangendo as operações de internação e as saídas para ZFM que ocorreram diretamente do estabelecimento fabril, sendo que somente foram consideradas as saídas em que ocorreu a transmissão de propriedade da mercadoria. VII) Saídas do Estabelecimento Fabril em 2000 (fls. 65 a 99). Dados extraídos das Notas Fiscais de saída abrangendo as operações de internação e as saídas para ZFM que ocorreram diretamente do estabelecimento fabril, sendo que somente foram consideradas as saídas em que ocorreu a transmissão de propriedade da mercadoria. VIII) Saídas do Estabelecimento Fabril em 2001 (fls. 100 a 143). Dados extraídos das Notas Fiscais de saída abrangendo as operações de internação e as saídas para ZFM que ocorreram diretamente do estabelecimento fabril, sendo que somente foram consideradas as saídas em que ocorreu a transmissão de propriedade da mercadoria. IX) Saídas do Estabelecimento Fabril em 2002 (fls. 144 a 146). Dados extraídos das Notas Fiscais de saída abrangendo as operações de internação e as saídas para ZFM que ocorreram diretamente do estabelecimento fabril, sendo que somente foram consideradas as saídas em que ocorreu a transmissão de propriedade da mercadoria. X) Demonstrativo Sintético das Saídas de 1999 a 2002 (fls. 147 a 148). Resumo dos Relatórios de Saídas do Estabelecimento Fabril (itens VI, VII, VIII e IX). XI) Relatório Analítico de Produtos Apreendidos (fls. 149 a 150). Relação de mercadorias desembaraçadas, apreendidas em poder da empresa, na ocasião da Operação Rio Negro, descriminadas por processo fiscal. XII) Demonstrativo da Apuração das Diferenças de Estoque (fls. 151 a 152). As diferenças de estoque foram obtidas pelo confronto do Saldo Apurado, que é a diferença entre as entradas e saídas apuradas no exame dos documentos contábeis, e o Saldo Inventariado, que é o resultado da contagem física realizada no estabelecimento fabril. Deste confronto, apurouse quantidades negativas de kits de componentes, o que caracteriza o Desvio de Finalidade, isto é, falta de comprovação da utilização destes componentes, nas finalidades para as quais foram concedidos benefícios fiscais. O demonstrativo é constituído dos seguintes elementos: Estoque Inicial Quantidade de kits e de produtos acabados registrados no Livro Registro de Inventario em 31/12/1998, cuja cópia se encontra às fls. 154 a 159. Entradas Quantidade de kits importados nos anos de 1999, 2000, 2001 e 2002 Saídas ocorreram 2(dois) tipos distintos de saídas a saber: Fl. 811DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 1 Saídas de produtos acabados do estabelecimento fabril por internações, e saídas de produtos acabados para ZFM, sendo somente consideradas aquelas em que ocorreram a real transferência de propriedade das mercadorias, decorrentes da atividade normal da empresa. 2 Saídas por apreensão de mercadorias efetuada pela SRF (fls. 175). Saldo de Inventário Quantidades de produtos acabados e de kits de componentes, fruto de contagem física conjunta, realizada pelo Auditor Fiscal e por representantes da empresa, cujo relatório se encontra às f1s. 160. XIII) Apuração do Valor Tributável das Diferenças de Estoque Desvio de Finalidade (fls. 153). Esta planilha tem por finalidade a determinação do valor tributável, do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados Vinculado incidentes sobre as diferenças de estoque. O valor tributável foi obtido pela divisão do valor CIF em Reais de cada produto pela quantidade de kits constantes na Declaração de Importação. Para o cálculo dos tributos foi aplicada a Regra 2ª, das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, uma vez a empresa efetuava as importações de componentes em kits completos. As alíquotas aplicadas são as alíquotas vigentes à data da apuração da infração fiscal. Através do Termo de Intimação nº 09 de 29/04/03, anexado às fls. 179 e do Termo de Intimação nº 12 de 05/06/03, anexo às fls. 236 a 242, foram apresentados os levantamentos das entradas e das saídas para que a empresa se manifestasse quanto à correção dos mesmos. Em resposta ao Termo de Intimação nº 09, datado de 04/06/03 e anexo às fls. 180, a empresa declarou que não tinha reparos a fazer aos levantamentos apresentados. Na resposta ao Termo de Intimação nº 12, datado de 13/06/2003 e anexo às fls. 243/244, a empresa não apresentou qualquer reparo. Por tais motivos foi cobrado o Imposto de Importação. Enquadramento Legal: art. 1º, 77, inciso I, 80, inciso I, alínea “a”, 83, 86, 89, inciso II, 99, 100, 103, 107, 129, 137, 145, 147, 220, 389 a 391,, 499, 500, incisos I e IV, 501, inciso III, 521, inciso I, alínea “b”, 542 do Regulamento Aduaneiro – RA, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85. Arts. 6º e 7º do Decretolei nº 288/67, com redação dada pela Lei nº 8.387/91, ratificada pelo art. 4º da Lei nº 8.032/90 e art. 108 da Lei nº 4.502/64. No caso específico do auto de infração do IPI Vinculado à Importação, foi indicada, além da infração acima descrita, a seguinte irregularidade. Produto Estrangeiro em Situação Irregular Consumo ou Entrega a Consumo Apuração dos Estoques de Componentes Importados Fl. 812DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 754 9 Constatouse através de levantamentos nos livros de registro, Livro de Registro de Inventário, Notas Fiscais, Declarações de Importação, Declarações de Internação e outros documentos, diferença positiva no estoque de mercadorias importadas. Diferença esta apurada pelo cotejo entre o Estoque Final Apurado e o Saldo de Inventário, caracterizando o ingresso de mercadoria estrangeira sem comprovação de sua regular importação. Os levantamentos, as apurações e a metodologia utilizada são os mesmos dos indicados no item anterior. Revenda de mercadoria estrangeira sem comprovação de sua regular importação. Em 20/04/1999, a empresa revendeu 485 tubos de raios catódico através da Nota Fiscal nº 4870 e 2560; tubos de raios catódicos através da Nota Fiscal nº 4871. No entanto, ao verificarse os registros contábeis, constatouse a seguinte situação: a) o inventário realizado em 31/12/98, apresentou para esta mercadoria saldo de 485 unidades. b) Não foi detectada nenhuma entrada desta mercadoria no ano de 1999. Através do Termo de Intimação de nº 10, datado de 08/05/2003, anexo às fls. 181/185, a empresa foi intimada a comprovar o ingresso desta mercadoria, cuja quantidade acoberte a saída de 2560 unidades, efetivada pela Nota Fiscal nº 4871. Na resposta ao Termo de Intimação, anexa às fls. 186/233 a empresa apresentou uma série de levantamentos, mas no entanto não comprovou o regular ingresso desta mercadoria no ano de 1999. Sendo assim, cobrase multa no valor da Nota Fiscal nº 4871, por falta de comprovação da regular importação da mercadoria nela descrita. Enquadramento Legal: Art. 83, caput e inciso I, da Lei nº 4.502/64 e art. 11, alteração 2ª, do DecretoLei nº 400/68, regulamentado pelo art. 463, inciso I, do Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98). Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 11/10/2004, fls. 13 e 23, apresentou o contribuinte impugnações em 10/11/2004, fls. 252/271 e 346/359, contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. Da Decadência de Parte do Suposto Débito Inicialmente, a defesa alega a ocorrência de decadência de parte do crédito tributário lançado, relativo ao II e ao IPI, tendo por base o disposto no § 4º do art. 150 do CTN. No tocante ao item 1 do auto de infração, teriam sido alcançados pela decadência os fatos geradores ocorridos antes de 11/10/1999 (elencados nas tabelas às fls. 257 e 350/351). Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, fls. 258 e 351/352. Do Erro na Metodologia de Formação do Suposto Crédito Tributário Fl. 813DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Cumpre destacar que a fiscalização, ao verificar os estoques de mercadorias da Impugnante, não individualizou o lançamento, tendo analisado em conjunto os estoques referentes aos anos de 1999, 2000, 2001 e 2002. Da planilha “Demonstrativo de Apuração das Diferenças de Estoque” anexa ao Auto de Infração verificase que a d. fiscalização valeuse da comparação entre o total de entradas e o total de saídas ocorridas no período de 1999 a 2002 para obter as supostas diferenças de estoque lançadas integralmente em relação a dezembro de 2002. Ou seja, as operações de entrada e saída desses anos foram consideradas conjuntamente, em flagrante desobediência ao art. 142 e seguintes do Código Tributário Nacional que determinam ser o lançamento atividade vinculada, tendente a verificar a ocorrência de cada fato gerador, individualizadamente, e não em conjunto, como indevidamente efetuado no auto de infração. Em razão do princípio mencionado cada período deve ser analisado e considerado individualmente, porquanto se reveste de particularidades que o diferenciam dos demais. Tanto isso é verdade que restou demonstrado no item anterior que muitos dos lançamentos efetuados no ano de 1999 foram alcançados pela decadência, sendo que só por esse motivo, tais períodos não poderiam compor o suposto montante do crédito tributário reclamado pela Fazenda Nacional. Nos termos dos artigos 142 e seguintes do Código Tributário Nacional, um dos requisitos essenciais para a constituição do crédito tributário é a existência de elementos suficientes para determinar a infração, sendo certo que o auto de infração deve determinar com segurança a infração e o infrator, sob pena de cerceamento de defesa. Além disso, o lançamento mediante lavratura de auto de infração deve conter a descrição circunstanciada do fato punível ou dos fatos concretos que justifiquem a exigência do tributo e o dispositivo legal infringido, sendo que todos esses requisitos demandam a demonstração clara e evidente do nexo causal existente entre os fatos descritos na autuação e os dispositivos invocados. De fato, da análise detalhada do auto de infração percebese que a identificação genérica dos períodos questionados conduz a conclusões rasas e equivocadas, na verdade, meramente supostas ou presumidas. Devese deixar claro que a identificação exata do período fiscalizado e das supostas incongruências a ele pertinentes são requisitos essenciais para configurar o ato administrativo do lançamento, sem os quais fica comprometida a validade do ato, razão pela qual devem os lançamentos aqui tratados serem considerados nulos. Desse modo, considerando que o AFRF não identificou os fatos geradores individualizadamente, essencial não só para a identificação do suposto crédito tributário quanto para o exercício do direito de defesa da Impugnante, deve o presente lançamento ser declarado nulo por afronta aos requisitos disciplinados no artigo 142 e seguintes do CTN. Do Cerceamento do Direito de Defesa Ainda preliminarmente, importante frisar que as planilhas anexas ao auto de infração, as quais demonstram a apuração das bases de cálculos mensais lançadas, e representam justamente o seu principal fundamento, não condizem com os valores e resultados obtidos pelo AFRF quando do procedimento de fiscalização. Com efeito, as informações e os valores obtidos pela autoridade alfandegária durante o procedimento de fiscalização, e sobre os quais se manifestou a Impugnante oportunamente (Termo de Intimação nº 9), divergem muito daqueles registrados nos demonstrativos anexos ao Auto de Infração. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 755 11 A exemplo disso, apontase as saídas da mercadoria AC103 do estabelecimento da empresa no período questionado. Verificase dos documentos mencionados que, enquanto o AFRF, durante a fiscalização, declarou na planilha “Relatório Sintético das Saídas de Estoque” saídas no montante de 9.346 unidades, instou registrado na planilha “Demonstrativo da Apuração das Diferenças de Estoque”, anexa ao auto, 13.998 unidades, ou seja, 4.652 a mais. A despeito do esforço empreendido para compor os valores consignados no auto, à Impugnante não foi possível identificar a sua procedência, o que dificultou a sua defesa. Esse procedimento, como não poderia deixar de ser, claramente representa cerceamento ao direito de defesa da Impugnante, que se viu privada das informações e dos fatos necessários para a busca de argumentos capazes de comprovar a sua regularidade fiscal (ementa de acórdão nº 30234282 do Conselho de Contribuinte é transcrito pela defesa). Ante a notável dificuldade parra a elaboração da presente defesa, requer a Impugnante sejam os lançamentos de que trata este Auto de Infração declarados nulos a teor do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972. Aliás, oportuno registrar que o cerceamento decorre, inclusive, do fato de a Impugnante, ainda hoje, não estar de posse de muitos de seus documentos, uma vez que, em janeiro de 2002, houve a apreensão de produtos e documentos em decorrência da operação fiscal denominada “Operação Rio Negro”, conforme relatado no tópico introdutório do Relatório de Fiscalização do MPF nº 02276001001002004. Tal operação, inclusive, chegou a causar a paralisação das atividades da Impugnante, de forma a restringir as inspeções, acompanhamentos e medições efetuadas pela fiscalização. Por conseguinte, a auditoria, conforme esclarecimentos iniciais do Relatório de Fiscalização, à fls. 10, fora baseada apenas na documentação disponível, de modo a impedir a precisa e criteriosa análise das acusações apresentadas. Do Mérito Da Inexistência de “Desvio de Finalidade” A Impugnante é empresa que, voltada para a produção e comercialização de produtos eletrônicos, adquire de fornecedores estrangeiros os insumos que emprega na produção. Uma vez situada na Zona Franca de Manaus ZFM, e tendo aprovados seus projetos industriais pelo Conselho de Administração da SUFRAMA nos termos da legislação em vigor, a Impugnante faz jus a alguns benefícios fiscais, dentre eles a isenção do Imposto de Produtos Industrializados na saída dos produtos da ZFM para qualquer ponto do território nacional, desde que cumpridos determinados requisitos. Ocorre que, por ocasião do procedimento de fiscalização, foram verificadas supostas diferenças negativas no estoque das mercadorias importadas, do que concluiu o AFRF, sem qualquer autorização legal que autorizasse a adoção de presunção desse jaez, tratarse de hipótese de utilização desses insumos para fins outros que não os prescritos na legislação que estabelece os benefícios fiscais na região. Entendendo que isso configuraria descumprimento aos requisitos determinados em lei, suspendeu a d. fiscalização o benefício de isenção de IPI. Contudo, como se verá, a presunção de desvio de mercadorias não se sustenta em face das práticas comerciais adotadas pela Impugnante. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Com efeito, é muito comum, em meio às mercadorias importadas, a existência daquelas dotadas de algum defeito físico ou funcional que impossibilita a sua utilização no processo produtivo. Ante a impossibilidade de se agregar essas mercadorias defeituosas no produto final, a Impugnante, por vezes, opta por vendêlas no mercado interno como material sucateado, outras vezes simplesmente reconhecia perdas em processo. Da análise dos documentos anexos ao Auto de Infração verificase que o AFRF, ao analisar as saídas de produtos do estabelecimento da empresa Impugnante, não considerou nos seus cálculos essas mercadorias que, inutilizáveis para a produção, foram vendidas como sucata, nem mesmo as perdas ocorridas no processo produtivo. E foi exatamente por essa razão que se apurou uma diferença negativa entre as mercadorias finais comercializadas pela Impugnante e os insumos por ela importados. Como se vê, essa diferença a menor decorre do fato de o AFRF não ter considerado nos seus cálculos os defeitos e quebras inerentes a quaisquer operações industriais. Não bastasse isso, verificase que as supostas diferenças apontadas são irrisórias, senão insignificantes, quando analisadas em relação ao total das saídas registradas no período. Apenas como exemplo, cabe mencionar a diferença negativa constatada em relação ao aparelho "MODELO 919". Com efeito, observase da planilha “Demonstrativo da Apuração das Diferenças de Estoque”, elaborada pela SRF e anexa ao auto, que em um universo de 62.499 unidades dessa mercadoria, cujas saídas do estabelecimento da empresa se deram de forma incontestavelmente regular, apenas uma única unidade teve o suposto fim diverso daquele idealizado pela legislação da ZFM, conforme interpretação do fisco. Ou seja, das 62.499 saídas dessa mercadoria no período, constatou o AFRF uma diferença a menor de uma única unidade, tendo o destino dessa unidade já sido tratado em parágrafo anterior. Dada a inexpressividade das mercadorias questionadas, temse que a Impugnante nunca teve qualquer intenção de burlar as normas de conduta industrial vigentes na ZFM. Digase, inclusive, que o Egrégio Conselho de Contribuintes já se manifestou no sentido de ser incorreta essa presunção adotada pelo AFRF (a defesa transcreve a ementa do acórdão nº 20175617). Em vista do exposto, concluise que a alegação de “desvio de finalidade” de que se vale a d. fiscalização alfandegária é absolutamente infundada e padece de prova efetiva de sua ocorrência, motivo pelo qual devem os lançamentos ser julgados improcedentes. Da Inocorrência de qualquer irregularidade nas importações efetuadas No tocante à alegação de ocorrência de supostas importações irregulares, melhor sorte não assiste à d. fiscalização alfandegária. Com efeito, das planilhas representativas das saídas ocorridas no período questionado, observase que a d. fiscalização alfandegária levou em consideração nos seus cálculos, além das vendas para os consumidores, as remessas efetuadas a armazéns situados por todo o território nacional. Ocorre que, ao relatar os procedimentos adotados, o AFRF afirmou que “somente foram consideradas as saídas em que ocorreu a transmissão de propriedade da mercadoria”. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 756 13 Ou seja, a despeito dessa observação, as remessas para armazéns, apesar de não configurarem a transferência de propriedade das mercadorias, foram consideradas pela d. fiscalização alfandegária no cálculo do estoque de mercadorias da Impugnante, o que faz com que as saídas sejam proporcionalmente maiores que as entradas. Essa inconsistência de metodologia demonstra por si só a fragilidade do auto de infração lavrado e, nesse sentido, destacase a discussão já ocorrida no âmbito do Egrégio Conselho de Contribuintes: “Diferença de Estoque A certeza e liquidez do crédito tributário apurado em procedimento de auditoria de estoque condicionase à consistência da metodologia empregada” (1º CC, Ac. Nº 10193753). Além disso, cumpre mencionar que a Impugnante importa os componentes para industrialização na forma de “kits”, que por vezes não podem ser industrializados, mas cujas peças são reaproveitadas na montagem de novos produtos. Assim, esses componentes, segregados daqueles inutilizáveis, são reorganizados pela Impugnante em forma de novos “kits”, sendo posteriormente vendidos. Nesse contexto, não poderia a fiscalização ter efetuado o levantamento por Kits, mas sim componente a componente. Por desconhecer essa prática, é de se compreender que o AFRF a tenha considerado irregular. Todavia, tendo restado demonstrado o contrário, deve essa presunção ser afastada. Nesse contexto, uma vez demonstrada a regularidade das importações efetuadas pela Impugnante, deve ser julgado improcedente o respectivo lançamento, bem como a multa isolada daí decorrente. Da Existência no Estoque da Impugnante dos 2.560 Tubos de Raio Catódico Vendidos E como se já não bastassem as irregularidades apontadas, no que concerne à alegação de revenda de mercadorias estrangeiras decorrentes de importação supostamente irregular, mister se faz esclarecer que, em resposta ao Termo de Intimação nº 10, durante o processo de fiscalização, a Impugnante já apresentara todos os documentos hábeis à comprovação da correção de seus procedimentos e da inexistência de qualquer infração a ser apontada. Não obstante isso, a d. autoridade fiscal, injustificadamente, concluiu que tal documentação não logrou comprovar o regular ingresso das mercadorias objeto da autuação. Para que não restem dúvidas a respeito da questão, requerse a juntada desses mesmos documentos comprobatórios, a saber: · Planilha de apuração dos saldos de cinescópio de TV14 – 97/98/99 (Doc. 3); · Planilha de entradas de cinescópio TV 14 97/98 (Doc. 4); · Notas fiscais de entrada, bem como os respectivos comprovantes de importação e respectivos comercial invoices (Doc. 5); · Planilha de notas fiscais de emitidas pelo estabelecimento, referentes às saídas ocorridas no ano de 1997 (Doc. 6); Fl. 817DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 · Planilha de notas fiscais emitidas pelo estabelecimento, referentes às saídas ocorridas no ano de 1998, bem como referente às devoluções de vendas ocorridas no mesmo ano (Doc. 7); · Planilha de notas fiscais emitidas pelo estabelecimento, referentes às saídas ocorridas até 20/04/1999, bem como referente às devoluções de vendas ocorridas no mesmo período (Doc. 8). Da análise desses documentos inferese que, conforme já ressaltado na resposta ao Termo de Intimação nº 10, o saldo existente em 31/03/1999 do produto era de 5.739 peças, o suficiente para justificar as saídas formalizadas pelas notas fiscais 4870 e 4871, referentes, respectivamente, a 485 e 2.560 peças. A planilha “Apuração dos saldos de cinescópio de TV14 – 97/98/99", ao contrapor as entradas e as saídas ocorridas entre 01/01/1997 e 20/04/1999, deixa claro o estoque de 5.739 unidades no início do ano de 1999. Pelos demais documentos juntados nessa oportunídade, comprovase a efetiva ocorrência dessas operações, bem como seus respectivos valores. Nesse sentido, enquanto as entradas de 1997 e de 1998 são validadas pelas respectivas notas fiscais de entrada, comprovantes de importação e commercial invoces as saídas de 1997 1998 e 1999 estão discriminadas nas planilhas “Notas físcais emitidas pelo estabelecimento” elaboradas pela própria autoridade fiscal. Já as devoluções de 1998 e as entradas de 1999, que em verdade tratamse também de devoluções, encontramse discriminadas nas planilhas “Notas fiscais emitidas pelo estabelecimento” dos anos de 1998 e de 1999, respectivamente. Em vista da documentação já apresentada à fiscalização e ora colacionada à presente defesa, não restam dúvidas a respeito da regular da importação das mercadorias comercializadas por meio da nota fiscal nº 4871, devendo o lançamento daí decorrente ser julgado improcedente. Considerações Finais Do Descabimento da Multa Regulamentar A respeito da exigibilidade de multa regulamentar, assim dispõe o art. 463, inciso I do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 (Regulamento do I P1): Art. 463 Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente: 1 os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração de importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Como se vê, um dos requisitos para a caracterização de importação como “irregular” e para a conseqüente aplicação de multa regulamentar é a inexistência de registro das importações no SISCOMEX, o que, de fato, não ocorreu no caso em exame. Com efeito, segundo o relato do AFRF, foram analisadas as Declarações de Importação e de Internação pertinentes ao período, tanto que as informações que deram subsídio para o presente lançamento foram extraídas das Declarações de Importação registradas pela Impugnante no SISCOMEX. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 757 15 Segue abaixo trecho relevante do relato do AFRF no qual se constata que as Declarações de Importação foram por ele analisadas: I Importações de kits de componentes em 1999 Dados extraídos das Declarações de Importação. II Importações de kits de componentes em 2000 Dados extraídos das Declarações de Importação. III Importações de kits de componentes em 2001 Dados extraídos das Declarações de Importação. IV Importações de kits de componentes em 2002 Dados extraídos das Declarações de Importação. Desse modo, considerando que (i) o artigo 463, inciso I do RIPI condiciona a aplicação da multa regulamentar a operações não registradas no SISCOMEX e (ii) que todas as operações de importação efetuadas pela Impugnante encontramse devidamente consignadas nas Declarações de Importação registradas no SISCOMEX, concluise por ser incabível a aplicação da multa pretendida pela d. fiscalização. Por esse motivo, requer a Impugnante o reconhecimento da insubsistência da exigência em apreço. O contribuinte apresentou recurso especial, que foi admitido, em relaçãoas seguintes matérias: Cerceamento de defesa, decadência e inocorrência de importação irregular que justifique a aplicação da multa regulamentar. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Preliminar de cerceamento de defesa Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao sujeito passivo foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao sujeito passivo a ampla oportunidade de apresentar suas alegações e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento Fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. O ônus da prova incumbe: A) ao Fisco comprovar o fato constitutivo do seu direito; e B) ao contribuinte o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 O contribuinte apenas alegou o cerceamento de defesa, porém não apresentou nenhuma prova, por quaisquer meios admitidos em direito. Assim, não há como aceitar o argumento de cerceamento de defesa, até porque o recorrente apresentou todos os recursos, tendo inclusive seu recuso com provimento parcial em ambas as instâncias anteriores. Decadência Sabemos que por força da aplicação do art. 62A do RICARF, somos obrigados a seguir as decisões proferidas em sede de recursos repetitivos pelos tribunais superiores. Assim para que a contagem do prazo decadencial se inicie na data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN há que se ter a comprovação do pagamento parcial nos autos. Essa tem sido a decisão unânime dessa turma. Não poderia ser de outra forma. No presente caso há apenas o pleito de se aplicar o art. 150, § 4º, sem qualqueur arguição ou comprovação da existência de pagamentos Em que pese a decadência ser matéria de ordem pública a ser arguida de ofício pelo julgador, não compete a ele fazer a prova do pagamento. Esse é um ônus da parte interessada. O ônus da prova incumbe: A) ao Fisco comprovar o fato constitutivo do seu direito; e B) ao contribuinte o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Não cabe ao Fisco fazer Prova Negativa da ausência de antecipação de pagamento, mas sim demonstrar a ocorrência do fato gerador e demais requisitos do artigo 142 do CTN. A decadência e o pagamento são fatos extintivos do direito do fisco, e devem ser alegados e provados pelo contribuinte. Se alegar a decadência com base no artigo 150, parágrafo 4° do CTN, deve fazer a prova do pagamento antecipado. No presente caso, a autuação envolveu componentes importados, ingressados no país ao amparo do Decreto nº 288/67, regulamentado pelo Decreto 61.244/67, alterado pelo DecretoLei 1.435/75, com nova redação dada pela Lei nº 8.387/91. Com efeito, não foi efetuado pelo sujeito passivo qualquer recolhimento antecipado, relativamente às operações em questão, de sorte que o dispositivo a ser aplicado deve ser o art. 173, I, do CTN. Destarte, considerandose que o contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 11/10/2004, a autuação pode abranger todos os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999, cujo termo inicial para contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/2000, findandose em 01/01/2005. Assim, rejeito a arguição de decadência, feita pelo contribuinte. Inocorrência de importação irregular que justifique a aplicação da multa regulamentar. A recorrente insurgiuse contra a manutenção, pela decisão atacada, da multa aplicada em função da suposta diferença a maior no estoque das mercadorias importadas. O levantamento de produção a partir da técnica de auditoria é procedimento legítimo, conforme reiterada jurisprudência, mormente se calculada com base em elementos subsidiários fornecidos pelo contribuinte. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.005477/200448 Acórdão n.º 9203002.394 CSRFT3 Fl. 758 17 A diferença no estoque foi constada por meio de auditoria de produção em relação às entrads e saídas e em relação aos estoques, conforme demontrado no relatório. Constatouse através de levantamentos nos livros de registro, Livro de Registro de Inventário, Notas Fiscais, Declarações de Importação, Declarações de Internação e outros documentos, diferença positiva no estoque de mercadorias importadas. Diferença esta apurada pelo cotejo entre o Estoque Final Apurado e o Saldo de Inventário, caracterizando o ingresso de mercadoria estrangeira sem comprovação de sua regular importação. A empresa também questiona a inclusão dos valores correspondentes à devolução de mercadorias, Ora tais devoluções devem ser considerados como entradas no levantamento destinado a determinar a correlação entre as quantidades de insumos utilizados para a fabricação de determinado produto e a quantidade final obtida desse mesmo produto, em um dado período de tempo. Tendo o contribuinte demonstrado a existência de devoluções não consideradas pela fiscalização, retificase o lançamento correspondente. A apuração de diferenças positivas evidencia o ingresso de insumos importados sem a comprovação de sua regular importação. A empresa alega que como foi declarada a importação nas respectivas DI, não há que se falar em importação irregular. Tal argumento não se sustenta,em pese parte da jurisprudência do CARF considerar irregulares somente as importaçãoes não declaradas e nem registradas no Siscomex. A partir do momento que temos desvio de finalidade e por meio de técnicas de auditoria de produção são encontradas mercadorias que não se destinaram ao fimk proposto, se considera a mercadoria como irregular e é cobrada a multa regulamentar prevista no inciso I do art. 463 do RIPI/98. Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei n.º 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei n.º 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); Aqui percebese que existem vários tipos infracionais nessa norma. A importação irregular é apenas um deles. A diferença positiva de estoque enseja a irregularidade na importação. A falta de registro ou declaração de importação é um outro tipo contido na mesma norma. Não é por esse motivo que o contribuinte foi autuado mas sim pela importação irregular, caracterizada pela diferença a maior encontrada no estoque. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 A recorrente não questiona a validade da auditoria de produção com a consequente descoberta de mercadoria com desvio de finalidade de importação e nem tampouco que não entregou ou consumiu a mercadoria, mas apenas que esse estoque a descoberto não seria fato gerador ensejador da multa aplicada por não se tratar de importação irregular. Acontece que ao usar o material importação na produção de outros bens houve o desvio de finalidade, ou seja, consumida ma mercadoria com isenção de impostos em industrialização diferente da constante nos documentos de importação. As formalidades são necessárias para se ter o controle da importação dos produtos, principalmente se houver algum benefício fiscal. As corretas informações prestadas as RFB são condições para o gozo de benefícios fiscais e o descimprimento enseja a aplicação das multar regulamentares insculpidas na legislação tributária e aduaneira. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial Interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 822DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10480.724327/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de inscrever na previdência social segurado empregado que lhe preste serviços, mediante preenchimento dos documentos que o habilitem ao exercício da atividade e formalização de seu contrato de trabalho, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa).
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de inscrever na previdência social segurado empregado que lhe preste serviços, mediante preenchimento dos documentos que o habilitem ao exercício da atividade e formalização de seu contrato de trabalho, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 43 27 /2 01 0- 59 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.724327/201059 Acórdão n.º 2402003.663 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 17 da Lei 8.213/1991, combinado com os arts. 16 e 18, inciso I e parágrafo 1°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de inscrever o segurado empregado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 16/18), a empresa deixou de inscrever segurados empregados no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), listados no quadro anexo (QUADRO III). Esse Relatório informa ainda que, em análise das folhas de pagamento entregues, exercícios 2006, 2007 e 2008, foi verificada e existência de valores pagos a trabalhadores identificados nas mesmas folhas como empregados, relacionados nominalmente em quadro anexo (Quadro III de fl. 460). Tal fato sugeriria o reconhecimento, por parte da empresa, de vínculo com esses trabalhadores nas competências de registros daqueles pagamentos. Salientese que nenhum dos mesmos trabalhadores está incluído em RAIS dos anos 2006, 2007 e 2008. Continua o relato fiscal, que examinados os livros de registros disponibilizados, verificouse que não constavam em tais livros quaisquer anotações de contratos de trabalho firmados entre a empresa e os referidos empregados, o que caracteriza não terem sido formalizados os contratos devidos, bem como, em consulta feita ao banco de dados CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais não foram localizadas informações sobre vínculos e remunerações dos trabalhadores com a autuada. Os Livros de Registros analisados no decorrer deste procedimento fiscal estão identificados no item 3.5 da informação fiscal. Destacouse, por último, que a folha onde consta o último registro de empregado feito pela empresa de no 24 e a folha seguinte (em branco) no 25 do Livro de Registro no 05, foram visadas pelo agente fiscal na data de 30/11/2010. O Relatório da multa (fl. 18) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 133 e 134, ambos da Lei 8.213/1991, c/c art. 283, caput e parágrafo 2o, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 29/12/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 463/469) – acompanhada de anexos de fls. 470/492 –, alegando, em síntese, que deverá haver a suspensão da exigibilidade pela efetivação do parcelamento integral do crédito lançado com fundamento na Lei 11.941/2009. O processo foi baixado em diligência (fl. 838) para que a DRF competente se manifestasse acerca da situação do parcelamento do contribuinte. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Em informação prestada pelo SEORT/DRF/RECIFE/PE (fls. 841/842) foi atestado que a empresa autuada aderiu ao Parcelamento Especial da Lei 11.941/2009, incluindo neste os DEBCAD 37.283.9290, 37.283.9304, 37.283.9312 e 37.283.9320. Segundo o SEORT/DRF/RECIFE/PE, para processo em foco, não e possível sua inclusão no benefício pleiteado por conta da competência de sua apuração: 12/2010. A multa decorrente de obrigação acessória não cumprida, alvo deste julgamento, foi lançada ao final da Ação Fiscal e, assim, assumiu a competência deste evento: 29/12/2010. Por sua vez, a Lei 11.941/2009 apenas permite o parcelamento dos créditos VENCIDOS até 30/11/2008. Logo, não sendo um valor vencido até este limite, não poderia integrar o parcelamento da Lei 11.941/2009. O contribuinte foi cientificado do resultado desta diligência por meio do Termo de Intimação nº 795/2012 (fl. 846) em 30/07/2012 (AR de fl. 846). Em seu favor, o contribuinte acrescenta defesa de fls. 849/883, assim resumida: improcedência da autuação pela ausência de fundamento para a multa aplicada e de identificação dos segurados não inscritos; a legislação não estabelece a obrigação para a empresa; a fiscalização baseia a presente exigência no cotejo com documentação (folha de pagamento) já apontada como viciada no AI DEBCAD 27.245.3317); adoção dos princípios da verdade material, da ampla defesa, do contraditório, legalidade, impessoalidade, moralidade, razoabilidade e proporcionalidade. E protesta, ao final, pela juntada posterior de documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife/PE – por meio do Acórdão 1138.806 da 7a Turma da DRJ/REC (fls. 886/893) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Recife/PE informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.724327/201059 Acórdão n.º 2402003.663 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 16/18), nos seguintes termos: “[...] 3. Da Infração Cometida 3.1 Em análise às folhas de pagamentos entregues, exercícios 2006, 2007 e 2008, verificouse valores pagos a trabalhadores identificados nas mesmas folhas como empregados, relacionados nominalmente em quadro anexo (Quadro III), o que sugere reconhecimento, por parte da empresa, de vínculo com esses trabalhadores nas competências de registros daqueles pagamentos. 3.2 Salientese que nenhum dos mesmos trabalhadores está incluído em RAIS dos anos 2006, 2007 e 2008. 3.3 Ressaltese que a empregada Raquel Cristina G. do A. Loyo recebeu, juntamente com a remuneração paga pela empresa, o benefício do saláriofamília nas competências 08/2006, 02/2007, 05/2007, 06/2007, 07/2007 e 08/2007, conforme dados das folhas discriminados abaixo: (...) 3.4 Examinados os livros de registros disponibilizados, constatouse que não constavam em tais livros quaisquer anotações de contratos de trabalho firmados entre a empresa e os referidos empregados, o que caracteriza não terem sido formalizados os contratos devidos, bem como, em consulta feita ao banco de dados CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais não foram localizadas informações sobre vínculos e remunerações dos trabalhadores com a autuada. [...]”. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/120) Fl. 927DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos/Termos de Intimação Fiscal (TIAD/TIF) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 16/19. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/850) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Diante disso, rejeito a preliminar de nulidade ora examinada, e passo ao exame de mérito. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.724327/201059 Acórdão n.º 2402003.663 S2C4T2 Fl. 5 7 DO MÉRITO: A Recorrente alega que o procedimento de auditoria fiscal não cumpriu a legislação de regência para a constituição do lançamento fiscal. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente deixou de inscrever, no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados, estes fora devidamente delineados na planilha de fl. 460 (QUADRO III). A legislação de regência exige a inscrição de todos os segurados obrigatórios junto ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Lei 8.213/1991 – Lei de Benefício da Previdência Social: Art. 17. O Regulamento disciplinará a forma de inscrição do segurado e dos dependentes. Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 18. Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral da Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: I empregado e trabalhador avulso – pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mão de obra, no caso de trabalhador avulso. §1° A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindicato ou órgão gestor de mão de obra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social. (g.n.) Em observância ao art. 17 da Lei 8.213/1991 c/c o art. 18, § 1°, do Decreto 3.048/1999, compete ao empregador efetuar a inscrição de seus empregados no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Essa inscrição deverá ser efetuada diretamente pela Recorrente no próprio documento declaratório – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) – enviado mensalmente à Previdência, nos termos da formalização do contrato de trabalho. Esta formalização ocorre com o preenchimento dos documentos que habilitem os segurados empregados ao exercício da atividade designada pela Recorrente. Conforme disposto no art. 456 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a prova da formalização do contrato de trabalho será feita pelas anotações constantes da Carteira de Trabalho e Previdência Social, obrigatória para o exercício de qualquer emprego (art. 13 da CLT), que será apresentada ao empregador para nela anotar a data de admissão, Fl. 929DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 remuneração e, se houver, condições especiais (art. 29 da CLT). Também compõe o procedimento de formalização referido o registro do empregado em livros próprios (art. 41 da CLT). A auditoria fiscal constatou que os segurados empregados, inseridos na planilha de fl. 460, não foram devidamente inscritos ao Regime Geral de Previdência Social, conforme verificação nas folhas de pagamentos e cópias dos Livros de Registros de Empregados. Isso está caracterizado no Relatório Fiscal (fls. 16/18). Logo, a constatação, pela auditoria fiscal, de segurados empregados, sem a devida e correta inscrição à Previdência Social, enseja imediata autuação, nos termos do art. 142 do CTN. No caso em tela, está patente pela não comprovação dos fatos pela Recorrente e frente aos fatos jurídicos constantes das fls. 01/19, em que se comprova a não inscrição dos segurados. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Com relação ao pedido de relevação da penalidade, a autuada não atendeu a todos os 4 (quatro) requisitos previstos no artigo 291, § 1°, do Decreto 3.048/1999, ao não proceder a correção das faltas, apesar de ser primária, com pedido no prazo da defesa e não ter incorrido em circunstância agravante. Esse artigo 291, § 1º, dispõe: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 12/02/2007). §1o. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032, de 12/02/2007) (grifamos) Logo, não será acatada a alegação da Recorrente para aplicação da relevação da multa, eis que a ela estava obrigada a inscrever a segurada empregada Raquel Cristina G. do A. Loyo, bem como os empregados enumerados no quando III (fl. 460), por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nos moldes do art. 17 da Lei 8.213/1991 combinado com o art. 18, inciso I e §1o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, transcritos abaixo: Lei 8.213/1991 Art. 17. O Regulamento disciplinará a forma de inscrição do segurado e dos dependentes. Decreto no 3.048/1999 Art. 18 Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral da Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: Fl. 930DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.724327/201059 Acórdão n.º 2402003.663 S2C4T2 Fl. 6 9 I empregado e trabalhador avulso — pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mão de obra, no caso de trabalhador avulso. §1° A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindicato ou órgão gestor de mão de obra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social. (g.n.) É importante esclarecer que, nos termos da lei de regência do parcelamento intentado pelo contribuinte (art. 1o, §2o, da Lei 11.941/2009), não se vislumbra como possível a inclusão da multa aplicada nessa legislação, por conta da competência de sua apuração ser 12/2010. Lei 11.941/2009: Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados. (..) § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008 (..) (g.n.) Após os registros dos fatos e da legislação de regência delineados anteriormente, não serão acatadas as alegações da Recorrente registradas dentro do seu aspecto meritório. A Recorrente insiste que é necessária a realização de perícia contábil para demonstrar a veracidade das suas argumentações expostas na peça recursal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de perícia contábil requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a perícia contábil só deverá Fl. 931DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 ser concedida com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois ela só tem sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de pedido de perícia contábil quando se referir a matéria de fato, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a perícia contábil que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Verificase que a diligência não foi formulada de acordo com as disposições do art. 16 do Decreto 70.235/1972, pois lhe faltam os motivos e a formulação dos quesitos desejados para sua realização. Além disso, a matéria contestada não se refere à irregularidade nos valores apurados que demandasse tal revisão e os autos foram instruídos com os elementos contábeis fornecidos pela Recorrente (Relatório Fiscal, fls. 16/18), em que se poderiam extrair eventuais equívocos em que pudesse ter incidido o procedimento de auditoria fiscal. Portanto, caberia a Recorrente demonstrar o contrário por meio de documentos idôneos – tais como folhas de pagamentos, escrituração contábil, recibos de pagamentos, Guias de Recolhimentos (GPS), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), dentre outros – que os valores declarados nas folhas de pagamento, Livros de Registros de Empregados e na contabilidade, devidamente apresentados ao Fisco durante o procedimento de auditoria fiscal, não espelhavam a realidade contábil da empresa. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, nos documentos de fls. 01/850, constam de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em realização de perícia contábil, eis que entendo que essa diligência é descabida no presente lançamento fiscal. Esse fato evidencia que a perícia contábil seja de pronto indeferida e considerada como não formulada. Assim reza o art. 16 da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972). Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Tratase de solicitação não necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, o art. 18 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a autoridade julgadora deverá indeferila. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a Fl. 932DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.724327/201059 Acórdão n.º 2402003.663 S2C4T2 Fl. 7 11 realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, indeferese o pedido de perícia contábil, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13749.720170/2011-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2012
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2012 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 39 1 38 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13749.720170/201173 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.664 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de setembro de 2013 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIO FEDERAIS (DCTF) Recorrente INDÚSTRIA NACIONAL DE COLCHÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2012 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 70 /2 01 1- 73 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 40 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de fevereiro do anocalendário de 2011, cujo prazo final era 25.04.2011. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo [Simples Nacional] e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DCTF, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regimes [passaram] a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DCTF espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na [RFB], uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 41 3 débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuinte quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. [...] A DCTF foi criada através de instrução normativa baixada pela Secretaria da Receita Federal, que sob o fundamento do art. 5º do Decretolei 2.124/84, foi delegado ao Ministro da Fazenda baixar normas para regulamentar a exigência de declarações de impostos e fixar multas por descumprimento dessas obrigações acessórias. Ocorre que, com o advento da Constituição Federal de 1988, somente por lei podese ser criado o tributo, e suas obrigações acessórias, tal qual o cumprimento da obrigação principal (pagar o tributo) e das obrigações acessórias (fazer ou deixar de fazer uma obrigação. Significa que a somente por lei pode ser instituído o tributo (obrigação de dar) è as obrigações acessórias (obrigação de fazer ou não fazer), criando os instrumentos de controles (declarações) e impondo as penalidades de multa caso|seja descumprida as obrigações acessórias. Assim, somente a lei (poder legislativo) pode instituir as obrigações acessórias, não podendo, ser delegada competência ao poder executivo para baixar normas obrigacionais de caráter tributário que não tenham origem em lei. A instrução normativa (124/86) e suas demais atualizações sobre a DCTF e imposição de multas não têm fundamento em lei para sua exigência. Fere, portanto, o princípio da legalidade (art. 5o, II da CF/88) ao qual determina que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei". A DCTF não foi criada por lei à instrução normativa que cria o DCTF não é lei. A multa aplicada por atraso na entrega da DCTF não tem fundamento na lei. Portanto são ilegais. Além disso a instrução normativa que cria a DCTF fere normas da Constituição Federal de 1988, o que é considerada inconstitucional. [...] O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar] Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen" [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total ou parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0242.915, de 27.02.2013, fls. 1921: Impugnação Improcedente. Consta no Voto Condutor Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 42 4 No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2011 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Notificada em 11.03.2013, fl. 27, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 2931, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 43 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 44 6 sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 45 7 relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 46 8 Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de fevereiro do anocalendário de 2011, cujo prazo final era 25.04.2011. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720170/201173 Acórdão n.º 1801001.664 S1TE01 Fl. 47 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10907.000623/2006-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento- Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento- Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Tratase da Declaração de Compensação (DComp) n° 22915.79469.130204.1.3.015910 (fls. 12/15), transmitida em 13/2/2004, em que informada a compensação de parcela do crédito presumido IPI do 2º trimestre 2002, no valor de R$ 1.341.007,00, com débito do mesmo valor da Cofins do mês de janeiro de 2004. Por meio do Despacho Decisório de fls. 16/18, o titular da Unidade da Receita Federal de origem não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que não existia a parcela do crédito utilizado no respectivo procedimento compensatório, pois o pedido de ressarcimento do total do crédito presumido do IPI do 2º trimestre 2002, analisado nos autos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 07 .0 00 62 3/ 20 06 -2 6 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10907.000623/200626 Resolução nº 3102000.271 S3C1T2 Fl. 11 2 processo administrativo nº 10907.002133/200401, fora integralmente indeferido, com base nos fundamentos exarados no Despacho Decisório colacionado aos autos (fls. 4/11). Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 21/24), a interessada solicitou o sobrestamento do julgamento deste processo, sob o argumento de que havia interposto manifestação de inconformidade contra a decisão de indeferimento do direito creditório, proferida no processo nº 10907.002133/200401, o qual ainda se encontrava pendente de julgamento. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 42/48), que, por unanimidade de votos, manteve a não homologação da compensação, por falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito compensado, sob o fundamento de que, naquela instância julgadora, a manifestação de inconformidade, apresentada no citado processo do crédito, fora indeferida. Em 30/7/2009, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 27/8/2009, protocolou o recurso de fls. 51/54, em que pediu o sobrestamento do julgamento do recurso até que fosse prolatada a decisão definitiva no processo do crédito, cujo recurso voluntário nele interposto ainda se encontrava pendente de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia limitase a questão processual atinente à impossibilidade de julgamento deste processo de compensação antes da decisão definitiva, na esfera administrativa, a ser proferida no julgamento do processo crédito. Com efeito, o motivo da não homologação da compensação em apreço foi a inexistência do crédito utilizado, relativo à parte do crédito presumido do IPI do 2º trimestre 2002, objeto do pedido de ressarcimento analisado nos autos do processo nº 10907.002133/200401, que fora integralmente indeferido pelo titular da Unidade da Receita Federal de origem, cuja decisão fora integralmente mantida no julgamento de primeira instância, que, por sua vez, foi confirmada pelo acórdão nº 3302001.317, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, na Sessão de 11/11/2011, que ficou assim ementado: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Recurso Voluntário Negado Fl. 147DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10907.000623/200626 Resolução nº 3102000.271 S3C1T2 Fl. 12 3 Em 23/12/2011, a interessada interpôs recurso especial contra o referido acórdão, ainda pendente de julgamento. De fato, no sítio deste Conselho1 consta a informação de que o citado processo encontrase, desde o dia 23/2/2012, na atividade “ANALISAR RECURSO ESPECIAL Unidade: 3ª Seção Órgão Julgador: SECAM/3ªCÂMARA/3ªSEJUL/CARF/MF”. Por força do disposto no art. 170 do CTN, a compensação depende da comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado, logo, se o crédito compensado foi objeto de pedido de ressarcimento em processo distinto, que tramita de forma independente do processo de compensação, consequentemente, o julgamento deste depende do desfecho da decisão definitiva, na esfera administrativa, proferida no correspondente processo do crédito. Com efeito, tratase de questão prejudicial que impossibilita o julgamento do presente recurso voluntário. Assim, demonstrada dependência do julgamento do presente litígio do resultado final da decisão definitiva, na esfera administrativa, a ser proferida no julgamento do referenciado processo do crédito, consequentemente, o presente julgamento deve ser sobrestado até que a mencionada decisão seja prolatada e o seu resultado informado nos autos. Em face do exposto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o retorno dos autos à Unidade da Receita Federal de origem, para que a Autoridade Preparadora ateste o resultado da decisão definitiva, de que trata o art. 422 do Decreto nº 70.235, de 1972, a ser prolatada no processo nº 10907.002133/200401, assim como proceda a juntada da cópia do respectivo julgado. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 1 Informação Disponível em: <https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessu ais.jsf>. Acesso em 18 jul. 2013. 2 "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício." Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002600/2010-96
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2009
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA. OBRIGAÇÃO LEGAL. SAT. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTAS. VIGÊNCIA DETERMINADA NO DECRETO INSTITUIDOR. NORMAS INTERNAS DA RECORRENTE, AINDA, QUE ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. INAPLICÁVEIS AO FISCO. GFIP RETIFICADORA. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA. OBRIGAÇÃO LEGAL. SAT. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTAS. VIGÊNCIA DETERMINADA NO DECRETO INSTITUIDOR. NORMAS INTERNAS DA RECORRENTE, AINDA, QUE ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. INAPLICÁVEIS AO FISCO. GFIP RETIFICADORA. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA. OBRIGAÇÃO LEGAL. SAT. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTAS. VIGÊNCIA DETERMINADA NO DECRETO INSTITUIDOR. NORMAS INTERNAS DA RECORRENTE, AINDA, QUE ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. INAPLICÁVEIS AO FISCO. GFIP RETIFICADORA. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 26 00 /2 01 0- 96 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.002600/201096 Acórdão n.º 2803002.700 S2TE03 Fl. 229 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 37.257.1050, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte – relativamente ao seguro acidente do trabalho – SAT, decorrente da remuneração/retribuição/rendimentos pagos, devidos ou creditados aos trabalhadores que lhes prestam serviços, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 21 a 22. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 30/06/2010, conforme – AR, de fls. 26. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 28 a 30, recebida, em 30/06/2010, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 31 a 124. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 125 e 126. A primeira instância exarou o Acórdão nº 15030.787 6ª Turma da DRJ/BSA, em 31/05/2012, fls. 157 a 162, no qual a impugnação foi considerada procedente em parte, pois excluiu do levantamento SA Diferença de SAT até a competência 05/2007, pois utilizado CNAE incorreto com alíquota maior. O crédito foi retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 159 a 162. A empresa tomou conhecimento desse decisório, em 30/08/2012, AR, de fls. 167. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 170 a 172, recebida, em 01/10/2012, acompanhado dos documentos, de fls. 173 a 225, as teses recursais estão assim resumidas. Mérito. · que em relação aos acréscimos legais da comp. 04/2007, conforme artigo 94, II, da IN 03/2005 seu recolhimento deve se dar até o dia 10 do mês subseqüente, sendo que a Resolução 19.827 dispõe que o recolhimento da contribuição deve ocorrer no momento do pagamento da folha de pessoal, a qual cuidava de folha suplementar de março/2007 com prazo para recolhimento entre 06 e 10 de abril, ocorrendo sua liberação em 10/04/2007, as 18h36, encerrandose nosso expediente as 19h00, portanto sem tempo hábil para a realização dos demais atos necessários; · que em relação as diferenças de SAT das competências 06 a 10/2007; 12/2007 e 13º/2007 mais acréscimos, o acórdão guerreado não observou o artigo 11, § 2º, da Lei 8.868/94, que determina a submissão deste órgão em matéria de administração financeira às Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.002600/201096 Acórdão n.º 2803002.700 S2TE03 Fl. 230 3 orientações técnicas emitidas pelo TSE e o Parecer 299, de 04/07/2007 determinou o recolhimento do SAT em 2% apenas a partir de janeiro/2008; · que em relação a exigência de diferença de SAT e acréscimos em razão da competência 12/2008 apresentamos GFIP retificada em 29/08/2011, com o CNAE 84116/60 e SAT 2% para a compensação do valor de R$ 1.631,51 recolhido a maior, efetuado na primeira oportunidade, apresentando, ainda, as GPS’s, esclarecendo que os atos normativos não foram juntados por serem de domínio público; · Dos Pedidos; a) acolhimento do recurso; b) cancelamento e arquivamento da ação fiscal; c) conhecimento e provimento do recurso; O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo, conforme despacho, de fls. 227. Por fim, os autos subiram ao CARF, fls. 227. É o Relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.002600/201096 Acórdão n.º 2803002.700 S2TE03 Fl. 231 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O artigo 30, I, “b”, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.488/2007, oriunda da conversão da MP 351/2007, determinou que o recolhimento da contribuição previdenciária ocorra até o dia dez do mês seguinte ou não havendo expediente bancário nas datas indicadas o recolhimento deve ser promovido no primeiro dia útil imediatamente posterior, parágrafo segundo. No caso dia 10/04/2007 foi uma terça – feira, o contribuinte confirma que não promoveu o recolhimento na data determinada legalmente, sendo irrelevante os motivos pelos quais o dia final foi extrapolado, efetuado o recolhido além do prazo legal cabe a aplicação de juros moratórios e multa de mora nos termos da lei. Aliás, o próprio contribuinte confirma que não recolheu a contribuição no prazo legal. As normas internas do TSE e as orientações dos órgãos de controle daquela instituição, ainda, que estes sejam integrantes da Administração Pública Federal, não vinculam o fisco, pois este tem o dever de atuar nos termos dos artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142 e seu parágrafo único, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 37, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99. Além do que dito acima, o autoenquadramento dos contribuintes ao SAT pode ser revisto pelo órgão fiscal ao qualquer tempo nos termos do artigo 202, § 5º, do RPS. A nova tabela do Anexo V estabelecida pelo Decreto 6.042/2007 entrou em vigor em 01/06/2007 nos termos do inciso II, do artigo 5º, a seguir transcrito, uma vez que sua publicação no DOU se deu em 13/02/2007. Art. 5o Este Decreto produz efeitos a partir do primeiro dia: II do quarto mês subseqüente ao de sua publicação, quanto à nova redação do Anexo V do Regulamento da Previdência Social; As alegações da recorrente não procedem. A recorrente apresentou GFIP retificadora para a competência 12/2008, em 29/08/2011, conforme informado, juntado documentos, as fls. 200 a 209. Promovida a comparação da GFIP original com a retificadora verificase que a única informação adicionada foi a inclusão na nova GFIP de compensação no valor de R$ Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.002600/201096 Acórdão n.º 2803002.700 S2TE03 Fl. 232 5 1.631,51, o que reduziu o valor a recolher na competência de R$ 29.256,35, declarado na GFIP original, para R$ 27.624,84 declarado na GFIP retificadora. O artigo 147, parágrafo 1°, da Lei 5.172/66 veda a retificação de declaração para reduzir ou excluir tributo sem a comprovação do erro em que se lastreie. No presente caso não há provas da existência de direito creditório a favor da recorrente para promover a retificação da declaração para incluir a compensação, artigo 333, II, da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, devendo tal comprovação ser feita junto à DRF e não no curso do PAF, pois analisar compensação não é competência da instância julgadora. Ademais, como já dito norma da Lei 5.172/66 veda a retificação da declaração para fins de redução ou exclusão do tributo após o lançamento e é o que se tem nesse caso. Com esses esclarecimentos não há razões fáticas ou jurídicas para acatar os pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito negarlhe provimento, tendo em vista que as alegações não merecem prosperar por não encontrarem amparo na lei. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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