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Numero do processo: 35665.000469/2005-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela Fiscalização.
EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO. RESOLUÇÃO Nº 26/2005 DO SENADO FEDERAL.
A suspensão, pela Resolução nº 26 do Senado Federal, da execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/97, possui eficácia erga omnes e produz efeitos retroativos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva proferida nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.717-1/PR.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e por voto de qualidade, em acatar, de ofício, a decadência exposta no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderem aplicar-se o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela Fiscalização. EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO. RESOLUÇÃO Nº 26/2005 DO SENADO FEDERAL. A suspensão, pela Resolução nº 26 do Senado Federal, da execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/97, possui eficácia erga omnes e produz efeitos retroativos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva proferida nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e por voto de qualidade, em acatar, de ofício, a decadência exposta no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderem aplicarse o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 66 5. 00 04 69 /2 00 5- 22 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2000 Data da lavratura da NFLD: 30/06/2005. Data da Ciência da NFLD: 15/09/2005. Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, em face de decisão aviada no Acórdão 1514.337 – 6ª Turma da DRJ/SDR, de 28 de novembro de 2007, que julgou procedente em parte o lançamento formalizado mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.810.3037, de 30 de junho de 2005. Informa a Autoridade Lançadora que o crédito tributário objeto do presente lançamento é constituído por contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho incidentes sobre a Remuneração dos Vereadores a serviço da notificada, no período de 01/1997 a 12/2000 e sobre a remuneração de segurados empregados, no período de 01/1995 a 12/1998, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 145/149. O débito foi apurado com base nas Folhas de Pagamento, nos recibos de pagamento de prestação de serviço, Notas de Empenho, no ContaCorrente do Órgão Público e na escrituração contábil apresentada do ano de 1997 e Balancete de 2000. As remunerações constantes desta NFLD não foram declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Esclarece o Agente Fiscal que o Órgão Público, ora Sujeito Passivo, teve regime de previdência própria de 02/1998 à 06/1999, contudo não apresentou as portarias de nomeação dos seus funcionários que estão beneficiados pelo referido RPPS, e, em várias folhas de pagamento. os servidores não descontaram para o regime de previdência municipal em tela. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 165/175. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35665.000469/200522 Acórdão n.º 2302002.638 S2C3T2 Fl. 414 3 A Delegacia da Receita Previdenciária em São Luís/MA baixou o feito em Diligência Fiscal, para que a Seção de Fiscalização procedesse à exclusão da presente NFLD das contribuições relativas aos subsídios dos vereadores, em atenção ao disposto na Portaria MPS nº 133, de 05 de maio de 2006, conforme Despacho a fls. 227/231. Em cumprimento à Diligência Fiscal comandada, foram emitidos o Relatório Fiscal Complementar a fls. 281/285 e o FORCED a fls. 241/267. Devidamente intimado do inteiro teor do Resultado do incidente processual acima referido (fl. 305/309), o Sujeito Passivo requereu, e lhe foi prontamente concedida, vista e cópia completa do vertente Processo Administrativo Fiscal (fl. 297), e, em seguida, ofereceu aditamento à defesa administrativa a fls. 299/301. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1514.337 – 6ª Turma da DRJ/SDR, de 28 de novembro de 2007, a fls. 355/365, julgando procedente em parte o lançamento ora em litígio, para dele fazer excluir as obrigações tributárias decorrentes das remunerações pagas a detentores de mandato eletivo – Vereadores , em atenção ao disposto na Portaria MPS nº 133, de 05 de maio de 2006, retificando o crédito tributário remanescente na forma ilustrada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 367/403, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/01/2008, conforme Ofício e Aviso de Recebimento a fls. 407 e 409, deixando transcorrer in albis o prazo normativo, sem interpor Recurso Voluntário em face da decisão proferida pela DRJ em Salvador/BA, consoante documento a fl. 412. Não consta nos autos Recurso Voluntário por parte do Autuado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA julgou procedente em parte o lançamento aviado na NFLD nº 35.810.3037, de 30 de junho de 2005, para dele fazer excluir as obrigações tributárias decorrentes das remunerações pagas aos Vereadores do município, e, em razão do valor de alçada previsto no art. 1°, inciso I, da Portaria MPS/GB n° 158, de 11 de abril de 2007, recorreu de ofício de sua decisão, submetendo o Acórdão nº 1514.337 – 6ª Turma da DRJ/SDR à apreciação do Órgão Julgador de 2ª Instância Administrativa, na forma da Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 do STF. “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 416DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35665.000469/200522 Acórdão n.º 2302002.638 S2C3T2 Fl. 415 5 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário esposado por esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à seguinte tese: Se nos lançamentos de ofício não restar demonstrado e comprovado qualquer recolhimento prévio de contribuições previdenciárias em favor das rubricas que compõem os levantamentos objeto da Notificação Fiscal, aplicarseá o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Sujeitamse também ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamentos de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso em apreciação, colhemos das provas e alegações presentes nos autos que, em favor da rubrica objeto do lançamento, não se houve por efetuado nas competências posteriores a Junho/1998 qualquer prévio recolhimento de contribuições previdenciárias destinadas ao RGPS. Tal circunstância nos é trazida não somente pela narrativa dos fatos, mas, também, pela verificação de que, no Discriminativo Analítico de Débito, nessas competências, não consta qualquer crédito a favor do Notificado. De maneira convergente, o Relatório de Documentos Apresentados não registra qualquer guia de recolhimento à Seguridade Social, tampouco consta no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados qualquer apropriação de recolhimento à NFLD ora em litigio. Tal conclusão é corroborada pelo fato de o Notificado não reconhecer como base de incidência os valores por ele pagos aos seus vereadores. Além disso, os fatos geradores então apurados pela Fiscalização, nas competências a contar de janeiro de 1999, sequer houveramse por declaradas nas GFIP correspondentes. Nessas circunstâncias, somente pelo desenvolvimento de uma ação fiscal específica nas dependências do município em questão é que os fatos geradores objeto do presente lançamento poderiam ter sido apurados, evento que atrai à espécie a incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35665.000469/200522 Acórdão n.º 2302002.638 S2C3T2 Fl. 416 7 Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor Fl. 419DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 1999 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2001, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2005, inclusive. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 15 dias do mês de setembro de 2005, os efeitos o lançamento em questão alcançariam, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/1999, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, sendo o período de apuração do crédito tributário ora em constituição de 01/01/1995 a 31/12/2000, não demanda áurea mestria concluir que se encontram finadas pela decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização, devendo ser excluídas do presente lançamento aquelas relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/1999, exclusive, assim como as relativas ao décimo terceiro salário desse mesmo ano. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35665.000469/200522 Acórdão n.º 2302002.638 S2C3T2 Fl. 417 9 Vencidas as preliminares, ante a ausência de Recurso Voluntário, passamos ao exame do mérito do Recurso de Ofício. Cumpre de plano assentar que, em razão do reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/1999, exclusive, as questões referentes a fatos jurígenos ocorridos nessas competências não serão debatidas, em razão da perda do objeto. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3. DO RECURSO DE OFICIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA julgou procedente em parte o lançamento aviado na NFLD nº 35.810.3037, de 30 de junho de 2005, para dele fazer excluir as obrigações tributárias decorrentes das remunerações pagas a detentores de mandato eletivo – Vereadores , em atenção ao disposto na Portaria MPS nº 133, de 05 de maio de 2006, retificou o crédito tributário remanescente na forma ilustrada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 367/403, e recorreu de ofício de sua decisão. Não merece reparo a Decisão de 1ª Instância. Com efeito, a Resolução n° 26/2005 do Senado Federal suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL nº 26, de 21 de junho de 2005 O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 De acordo com o previsto no §2º do art. 1º do Decreto nº 2.346/97, os efeitos da suspensão da execução pelo Senado Federal seriam retroativos à data de entrada em vigor da norma declarada inconstitucional. Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. §1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. (grifos nossos) §2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. Nessa prumada, o Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil publicou o Ato Declaratório Executivo RFB n° 60, de 17 de outubro de 2005, dispondo em seu Art. 1º que “A suspensão, pela Resolução nº 26 do Senado Federal, da execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, produz efeitos ex tunc, ou seja, desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional”. Nesse contexto, até o dia 18 de setembro de 2004, inexiste hipótese de os exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal serem juridicamente considerados como segurados obrigatórios do RGPS, por falta de previsão legal. Somente a contar da data de vigência da Lei n° 10.887/2004, digase, 19 de setembro de 2004, é que o exercente de mandato eletivo não vinculado a Regime Próprio de Previdência Social passou a ser caracterizado como segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de segurado empregado. Correto, portanto, o tratamento dispensado pelo Órgão Julgador de 1ª Instância às obrigações tributárias decorrentes das remunerações pagas a detentores de mandato eletivo municipal – Vereadores – no período de apuração, motivo pelo qual se nega provimento ao Recurso de Ofício. Diante do fato de o Município Notificado não ter oferecido recurso voluntário em face de tal decisão, deve prevalecer no caso em apreço o lançamento efetuado pela Fiscalização, na forma retificada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35665.000469/200522 Acórdão n.º 2302002.638 S2C3T2 Fl. 418 11 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Outrossim, devem ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/1999, inclusive, e nas competências anteriores a essa, assim como aquelas referentes ao 13º salário desse mesmo ano, em razão da decadência. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 423DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13710.001172/2001-25
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
Numero da decisão: 9303-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 04/09/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 11 72 /2 00 1- 25 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 04/09/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra decisão da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que considerou não prescrito o direito de repetição de indébito relativo a recolhimentos ocorridos desde outubro de 1995 mesmo tendo o pedido administrativo ingressado somente em 14 de maio de 2001. Para tanto, aplicou o entendimento de que o dies a quo para o exercício do direito seria o da publicação do acórdão do STF proferido no julgamento da ADIn nº 1.4170 ocorrida em 16 de agosto de 1999. Assim, teriam os contribuintes até 16 de agosto de 2004 para postular restituição de recolhimentos efetuados em seu cumprimento ainda que ocorridos há mais de cinco anos. No seu recurso, postula a Fazenda Nacional que o prazo, de cinco anos, se conta a partir de cada recolhimento efetuado consoante a melhor dicção dos arts. 168 e 165 do CTN, na forma realizada pela Lei Complementar nº 118/2005. Estariam, assim, afastados por prescrição os recolhimentos efetuados até 14 de maio de 1996. Em contrarazões, defende o sujeito passivo a mantença do julgado nos seus próprios termos informando que a aplicação da tese dos cinco mais cinco, no caso, levaria à mesma conclusão. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Mas como já adiantado, a ele somente cabe negar provimento. Isso porque já definido pelo e. Supremo Tribunal Federal que a regra oriunda da Lei Complementar nº Fl. 252DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13710.001172/200125 Acórdão n.º 9303002.412 CSRFT3 Fl. 5 3 118/2005 não é meramente interpretativa e, pois, não se aplica a pedidos de restituição que lhe sejam anteriores. Por ocasião do julgamento pelo Pleno do CARF, entre outros, do recurso extraordinário interposto no processo 13832.000210/9914, assim me pronunciei quanto à matéria: A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º do referido diploma legal, que o pretendiam expressamente interpretativo de modo a poder ser aplicado mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado administrativo segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de contagem do prazo prescricional por ela defendida isso implique. Isso não obstante, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade Fl. 253DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que não estava prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 15 de dezembro de 1989, dado que o seu pedido ingressou administrativamente apenas em 15 de dezembro de 1999. Voto, assim, pelo não provimento do apelo fazendário de modo a manter o afastamento da prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, embora por fundamento diverso daquele adotado nos julgados já ocorridos. A situação deste recurso especial é exatamente a mesma: a Câmara recorrida rejeitou a prescrição por aplicar a tese de que o prazo é delimitado pela decisão na Adin. Essa interpretação tem de ser superada pela tese dos cinco mais cinco, visto que o pedido é anterior à entrada em vigor da Lei Complementar 118. Mas com essa forma de contagem o resultado é o mesmo, ou seja, todos os recolhimentos discutidos no pedido ocorreram há menos de dez anos do seu protocolo, estando, portanto, afastada a prescrição pretendida pela Fazenda Nacional segundo o entendimento do STF que somos obrigados a adotar por força da disposição regimental. Com essas considerações, voto por negar provimento ao apelo da Fazenda Nacional. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13710.001172/200125 Acórdão n.º 9303002.412 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10880.906318/2008-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
PEDIDO DE CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
O instituto jurídico de conversão de julgamento em diligência é discricionário da autoridade administrativa, resulta da necessidade de esclarecimento para o julgador sobre determinado fato que não restou provado, ou de algum elemento probante relevante que deveria compor os autos e nele não se encontra, não sendo esta a situação contextualizada no pedido da interessada.
Numero da decisão: 3803-004.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. O instituto jurídico de conversão de julgamento em diligência é discricionário da autoridade administrativa, resulta da necessidade de esclarecimento para o julgador sobre determinado fato que não restou provado, ou de algum elemento probante relevante que deveria compor os autos e nele não se encontra, não sendo esta a situação contextualizada no pedido da interessada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 63 18 /2 00 8- 57 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente). Relatório A contribuinte alegou que, por meio de sua consultoria tributária, identificou em outubro de 2003, que no períodos situados entre fevereiro e abril de 1999 e julho a setembro de 2003, lançou em suas escritas fiscal e contábil créditos tributários pagos indevidamente como receita tributável pelo PIS e Cofins, nos termos da Lei nº 9.718/98, notadamente inciso II do § 2o do seu artigo 3o. Em face desse fato buscou a compensação dos valores de PIS e Cofins efetuados a maior/indevidamente, perante a repartição fiscal de sua circunscrição. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº 781231125, de 12/10/08 (fls. 01/03), emitido pelo Sistema de Controle de Crédito da RFB, a autoridade administrativa que analisou o limite do crédito original informado em PER/DComp nº 04046.04301.141103.1.3.047495, transmitida em 14/11/2003, constatou que o referido crédito original foi utilizado integralmente para a quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando saldo credor disponível para a compensação dos débitos informados na DComp. Irresignada com o teor do despacho retromencionado o sujeito passivo manifestou a sua inconformidade (fls. 11/ss), deduzindo sucintamente acerca da legitimidade do seu direito de realização da compensação informada, eis que devem ser excluídas da receita bruta as reversões de provisões que não representem ingresso de novas receitas, neste sentido se manifestando o ADI SRF nº 25/2003, cujo artigo segundo estabelece que não há incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. De igual modo dispõe o inciso II do § 2o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, sendo o seu direito oriundo do recolhimento indevido de PIS e Cofins sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, portanto de recolhimento indevido, pois tais valores não configuram receita nova tributável pelas citadas contribuições, por conseguinte sujeitos a compensações nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.906318/200857 Acórdão n.º 3803004.218 S3TE03 Fl. 8 3 Mencionou, ainda, que o despacho decisório se amolda à forma de lançamento de ofício por revisão, nos termos do artigo 149 do CTN, se contrapondo o mesmo ao conceito de lançamento como sendo ato constitutivo de crédito tributário tendente à verificação da ocorrência do fato jurídico tributário e a obrigação correspondente, conforme previsto no artigo 142 do mesmo mandamus e, com isso, pretende a autoridade administrativa transformar o despacho decisório numa espécie de auto de infração, já que não foi dada oportunidade ao Manifestante para justificar o seu procedimento, o que acarretou em cerceamento de defesa. Neste sentido citou o Acórdão 10614.100 (10218.000481/200231). Que o despacho decisório ao impedir que a manifestante apresentasse a sua justificativa deve ser declarado nulo de pleno direito, por falta de motivação, ex vi dos arts. 2o e 50, caput e §§ 1o ao 3o, da Lei nº 9.784/99. Ao final requer a reforma do decidido no despacho decisório ora combatido, para fim da homologação do seu crédito compensado, bem assim o deferimento de diligência, de acordo com os termos do inciso IV do art.l 16 do Dec. nº 70.235/72, para fins de constatação da veracidade dos fatos narrados na manifestação de inconformidade. Documentos anexados aos autos pela manifestante a título de instrução do julgamento: cópia do despacho decisório eletrônico e o Relatório e Planilha de Créditos Fiscais de PIS e Cofins, sobre Receitas de Recuperação de Créditos Fiscais:Opinião legal sobre Receitas de Recuperação de créditos fiscais (fls. 32/46), Solução de Consulta nº 222, de 10 de dezembro de 2002 (fls. 47/48). Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 9ª Turma da DRJ/SP1, quando em sessão realizada em 12/05/11, proferiram decisão por meio do Acórdão nº 16 31.489, cuja ementa encontrase adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que – por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado – expressa a inexistência de saldo para fins de compensação. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Improcede o pedido de diligência realizado em desconformidade com o prescrito na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. O voto condutor do acórdão supramencionado constatou que o recolhimento indicado pela manifestante foi integralmente utilizado para quitação de débitos, ou dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do “conta corrente” da Receita Federal do Brasil – RFB saldo disponível para compensação; que o DARF foi consumido integralmente na extinção de débitos regularmente registrados nos arquivos fazendários; que para se contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação declarada, a contribuinte acenou com a existência de indébitos decorrentes do recolhimento indevido de PIS/COFINS sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, visto que tais valores não configurariam receita nova tributável pelas citadas contribuições, entretanto apresentou apenas parecer opinativo e planilhas elaboradas por consultoria tributária, que pretendeu demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, no entanto desacompanhadas de outros documentos que lhe dêem sustentação, o que não é suficiente para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior; que o ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretendeu extinguir a obrigação tributária, conforme exigido pelo art. 170 do CTN. Quanto às assertivas formuladas pela contribuinte acerca do cerceamento de defesa, que resultaria em nulidade do despacho decisório, haja vista ter este despacho a conotação de lançamento de ofício revisional, nos moldes do artigo 149 do CTN, se contrapondo às mesmas a decisão de piso esclareceu que não se há confundir o despacho não homologatório de compensação declarada com tais assertivas, uma vez que este está adstrito ao instituto da compensação, conquanto a manifestação de inconformidade obedeça ao mesmo rito processual da impugnação do lançamento, conforme disposição contida no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96; que apenas a partir da não homologação a contribuinte poderá opor à pretensão do Fisco, com as garantias constitucionais que lhe são inerentes. Quanto à falta de motivação alegada pela manifestante, a ensejar a nulidade do despacho decisório, entendeu a decisão de primeiro grau que cabe observar que a contribuinte informou débitos em DComp e indicou um documento de arrecadação como origem do crédito, o qual estaria apto a extinguir tais débitos, em face de representar pagamento indevido. Destarte, embora localizado o pagamento apontado como origem do crédito, o valor correspondente havia sido utilizado integralmente para a extinção de outros débitos próprios, sendo este o motivo da decisão administrativa. Logo não há se alegar falta de motivação. No que atine à apresentação da prova documental entendeu a decisão de primeira instância que o momento adequado é o previsto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto no seu § 4o. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.906318/200857 Acórdão n.º 3803004.218 S3TE03 Fl. 9 5 Ciente do teor do decidido no acórdão de piso em 10/06/2011 (vide AR), irresignada a contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 28/06/2011, de acordo com o carimbo de protocolo estampado no próprio apelo, ocasião em que reiterou, minudentemente, os argumentos expendidos na exordial, colacionando aos autos a título de comprovação do alegado planilhas sobre recuperação de créditos fiscais, relacionadas às contribuições para o PIS e Cofins, além de fichas do Razão – Conta 440200.000003 – 2000. A recorrente requereu a reforma do despacho decisório e da decisão de piso, para fins de homologação do crédito compensado e, não sendo este o entendimento majoritário, reiterou o pedido para a conversão do julgamento em diligência, nos termos do inciso IV do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, para fins de constatação da veracidade dos fatos narrados na exordial e apelo, possibilitando, assim, a ampla defesa e o contraditório. Finalmente requereu pelo deferimento do pedido para sustentação oral quando do julgamento do recurso voluntário, ocasião em que deverá ser intimada a recorrente e o seu procurador constituído nos autos, Walter Carvalho de Brito, com escritório na Alameda Santos, 455, 16o andar, Conjunto 1609, CEP 01.519000, Jardins, São Paulo, quando da designação da data de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios nos períodos situados entre fevereiro e abril de 1999 e julho a setembro de 2003, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência e regularidade. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico (fls. 01/03), bem assim na listagem de créditos/saldos remanescentes (fl. 49/50) e no Demonstrativo Analítico de Compensação (51), ambos de lavra da Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança da Receita Federal do Brasil – CODAC, que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. A referida decisão mantevese silente acerca da origem do direito creditório alegado pela contribuinte, consubstanciado no inciso II do § 2o do seu artigo 3o da Lei nº 9.718/98, pronunciandose, tão somente, quanto ao limite do valor do crédito original utilizado integralmente na extinção de outros débitos próprios regularmente informados pela Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 contribuinte, não restando saldo credor suficiente para à satisfação da compensação informada em Per/DComp já descrita nos autos. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Ademais disso há a reiteração do pedido formulado pela recorrente no sentido de conversão do julgamento em diligência para verificação da veracidade dos fatos alegados nos autos. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo mantevese escorreita a decisão recorrida, quando assinalou que cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevindo à sua homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, que efetivamente não ocorreu in casu, por falta da apresentação de documentação hábil e idônea que demonstrasse a existência e a regularidade do crédito alegado na DComp, uma vez que as planilhas, o relatório e o parecer opinativo, tão somente, não tem o condão de imprimir certeza e liquidez ao direito creditório informado no Per/DComp, nos moldes preconizados no art. 170 do CTN, para o fim do disposto no art. 156, II, do mesmo diploma legal. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Finalmente é certo ser de iniciativa exclusiva da contribuinte demandar a compensação pela via de Per/DComp. Por conseguinte, também é sua a responsabilidade de demonstração cabal da existência e regularidade do direito creditório nela informado, o que se dá por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade, de acordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, para verificação pelo julgador tributário. O não cumprimento deste requisito legal repele a conversão do julgamento em diligência, eis que a adoção desta prática é discricionária da autoridade administrativa, e resulta da necessidade de esclarecimento para o julgador sobre determinado fato que não restou provado, ou de algum elemento probante relevante que deveria compor os autos e nele não se encontra, portanto não sendo esta a situação enfrentada in casu, quando a contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez, ou mesmo porque os sistemas de informação da Receita Federal do Brasil possibilitaram demonstrar de forma Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.906318/200857 Acórdão n.º 3803004.218 S3TE03 Fl. 10 7 inconteste a inexistência do crédito alegado em Per/DComp, sistema este alimentado por informações fornecidas pela própria contribuinte. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das sessões em 23 de maio de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10640.902903/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 29 03 /2 00 9- 91 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora – RJ (DRJJFA), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Trata o presente processo da Declaração de Compensação Eletrônica — Dcomp n° 33945.81062.310106.1.3.040635 (fls. 26 a 28), transmitida em 31/01/2006, de débito de IRRF, código 1708, período de apuração 1º Sem./julho/2004, no valor original de R$26,10, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ (estimativa), efetuado por meio do DARF abaixo discriminado: Código da Receita Data de Arrecadação Período de Apuração Principal Multa Juros Valor Total de DARF 5993 27.02.2004 31.01.2004 800,00 800,00 O valor do crédito original utilizado nesta Dcomp é de R$27,01. A DRF/JFA/MG, em 09/04/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em virtude de o pagamento efetuado por meio do DARF indicado na Dcomp estar totalmente alocado ao débito de IRPJ, código 5993, período de apuração 31/01/2004, não restando crédito disponível para compensação ora declarada (fl. 29). A empresa contribuinte foi cientificada, em 30/04/2009, da não homologação da declaração de compensação (fl. 33), e apresentou, em 27/05/2009, a manifestação de fls. 1 e 2, na qual alega que juntou cópia do correto lançamento, demonstrando o valor real devido para o mês de janeiro de 2004, que cotejado com o pagamento, efetuado em 27/02/2004, comprova cabalmente o pagamento indevido ou a maior. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902903/200991 Acórdão n.º 1802001.741 S1TE02 Fl. 81 3 Em sua decisão, a DRJJFA houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte através do Acórdão n° 9 36.533, Sessão de 25 de agosto de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 27/02/2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Comprovada a improcedência do direito creditório, deixase de homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou, em 23/12/2011, Recurso Voluntário (fls. 44/74) no qual aduziu, em síntese, que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 25.11.2011, conforme aviso de recebimento às fls. 43 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 23.12.2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 Mérito Durante a construção da sua tese de defesa o Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora a existência do crédito tributário, decorrente do pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ (código 5993) referente ao período de janeiro de 2004, sendo assim, não haveria motivo para não homologação da Per/Dcomp nº 33945.81062.310106.1.3.040635. A DRJ manteve a não homologação da compensação efetuada, sob o argumento de que o pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. Assim, a decisão da DRJ concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. À época em que a compensação foi processada encontravase em vigor a Instrução Normativa nº 460/2004, que em seu artigo 10 previa a impossibilidade de compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10, reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa. Sobre os mencionados atos normativos deve ser admitida, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902903/200991 Acórdão n.º 1802001.741 S1TE02 Fl. 82 5 § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 6 Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRF, quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Nesse sentido, ante a documentação acostada dos autos, não fora possível aferir qual valor das estimativas levado para compor o ajuste final. Desta forma, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Juiz de Fora) para análise do PERDCOMP no. 33945.81062.310106.1.3.040635 e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902903/200991 Acórdão n.º 1802001.741 S1TE02 Fl. 83 7 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720725/2012-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
RELATÓRIO DE VÍNCULOS.
O relatório de Vínculos não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Numero da decisão: 2403-002.232
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O relatório de Vínculos não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O relatório de Vínculos não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 07 25 /2 01 2- 18 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11040.720725/201218 Acórdão n.º 2403002.232 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Acórdão 1041.878 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: A empresa Garcia e Gonçalves Ltda., nova razão social de Gandini e Gonçalves Ltda., CNPJ nº 02.475.818/000196, foi autuada, Auto de Infração – AI DEBCAD nº 37.351.4450 (Código de Fundamento Legal 68), no valor de R$ 58.216,32 (cinquenta e oito mil, duzentos e dezesseis reais e trinta e dois centavos), consolidado em 21/06/2012, lavrado conforme dispõe o parágrafo 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, da mesma Lei nº 8.212/91, por deixar de informar, em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, o valor das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais transportadores rodoviários autônomos que lhe prestaram serviço, nas competências 01/2008 a 03/2008 e 05/2008 a 10/2008. O Relatório Fiscal do Auto de Infração informa que os valores não declarados em GFIP dizem respeito a contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a transportadores autônomos informados pela autuada e a pagamentos efetuados a transportadores que a empresa, embora intimada – Termo de Intimação 01 –, não comprovou serem pessoas jurídicas. Assim, foram considerados transportadores pessoas físicas pela Auditoria Fiscal. A empresa autuada teve ciência do lançamento em 28/06/2012 e apresentou, em 26/07/2012, impugnação tempestiva, alegando que “Consabido é que, pela exegese do artigo 135, inciso III, do CTN, que embasa a inclusão dos sócios na categoria de co responsáveis pelo adimplemento das obrigações exigidas na presente Autuação, tal responsabilidade deverá ser apurada no plano da subjetividade. Significa dizer que haverá o fisco de apurar e comprovar que materialmente o inadimplemento da obrigação do sujeito passivo teve a concorrência dos sócios; vale dizer: A RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS É SUBJETIVA!” Entende que “inexiste razão para que os sócios configurem no relatório de vínculos, uma vez que, em nenhum momento houve qualquer tipo de apuração e comprovação de que concorreram Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 subjetivamente para o cometimento dos supostos ilícitos fiscais, vale dizer: entrega de documentos fiscais.” Pugna pela “nulidade material e formal da Autuação, porque não há elementos que impliquem os sócios na condição de coresponsáveis, devidamente apurados e comprovados pela ilustre Auditora Fiscal Previdenciária, bem como não se permitiu formalmente a defesa dos sócios da Impugnante, envolvidos no contencioso fiscal, sem a devida oportunidade de defesa.” Alega, ainda, a nulidade da autuação por falta de motivação, já que a empresa foi autuada por descumprimento de obrigação acessória, entendendo a fiscalização que houve divergência entre os documentos e as informações por ela prestadas, mas em verdade apresentou todas as declarações, referentes ao período fiscalizado, de forma correta, e considera “que no Relatório Fiscal, que dá ensejo à cobrança ora impugnada, constam informações equivocadas, eis que a Contribuinte jamais incorreu nas hipóteses que ensejariam a aplicação da multa isolada.” Invoca o artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional –CTN, e o artigo 50 da Lei nº 9.784/1999, alegando restar claro que a motivação do ato administrativo está equivocada, situação que torna nulo o Auto de Infração. Requer “sejam conhecidas as presentes razões de impugnação, e às mesmas seja dado provimento para o fim de decretar a total improcedência da DEBCAD n.° 37.351.4450, em Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Relatório de vínculos. · Apresentou todas as GFIP. Falta de motivação. É o relatório Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11040.720725/201218 Acórdão n.º 2403002.232 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Observo que este processo trata de obrigação acessória vinculada à obrigação principal contida no processo 11040.720418/201229, cujo recurso foi julgado por esta Turma, e que resultou na manutenção do crédito tributário. RELATÓRIO DE VÍNCULOS A relação de coresponsáveis é apenas indicativa dos que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores Quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de coresponsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Portanto, não há razão para a exclusão do Relatório de Vínculos dos autos. CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11040.720725/201218 Acórdão n.º 2403002.232 S2C4T3 Fl. 5 7 administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e manutenção da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10805.901002/2008-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PROVA. FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de fatos constitutivos do direito ao crédito decorrente do pagamento a maior indicado na declaração de compensação.
LIDE. LIMITE OBJETIVO. CRÉDITO INDICADO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
A natureza e especificidade do crédito indicado na declaração de compensação não reconhecido no despacho decisório estabelece o limite objetivo da lide, não outro crédito que venha a ser alegado na defesa, não devendo ser conhecido argumento recursal que extrapolam este contorno.
Numero da decisão: 3803-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório, e, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, por inépcia. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PROVA. FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de fatos constitutivos do direito ao crédito decorrente do pagamento a maior indicado na declaração de compensação. LIDE. LIMITE OBJETIVO. CRÉDITO INDICADO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A natureza e especificidade do crédito indicado na declaração de compensação não reconhecido no despacho decisório estabelece o limite objetivo da lide, não outro crédito que venha a ser alegado na defesa, não devendo ser conhecido argumento recursal que extrapolam este contorno.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório, e, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, por inépcia. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PROVA. FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de fatos constitutivos do direito ao crédito decorrente do pagamento a maior indicado na declaração de compensação. LIDE. LIMITE OBJETIVO. CRÉDITO INDICADO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A natureza e especificidade do crédito indicado na declaração de compensação não reconhecido no despacho decisório estabelece o limite objetivo da lide, não outro crédito que venha a ser alegado na defesa, não devendo ser conhecido argumento recursal que extrapolam este contorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório, e, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, por inépcia. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 10 02 /2 00 8- 71 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 15068.90063.140604.1.3.048044, fls. 2/6, em que utilizou como crédito pagamento a maior de PIS cumulativo relativo ao período de apuração dezembro de 2003, no valor de R$ 6.866,26. Despacho Decisório Eletrônico da DRF/Santo André, fl. 9, de 20 de maio de 2008, não homologou a DComp por estar o pagamento integralmente utilizado para a quitação de débitos da Contribuinte, não restando crédito disponível para dita compensação. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 14/17, a Contribuinte alegou, inicialmente, que o indeferimento da compensação não ocorreu com base em fundamentos legais, pois se pautou na suposta inexistência de crédito. Afirmou que o crédito decorrente do DARF indicado encontrase sob a análise pela Delegacia da Receita Federal em Santo André, no processo administrativo n° 10805.001618/200417, portanto, enquanto não apreciado o processo o presente feito deve estar sob efeito suspensivo. Ponderou que a decisão que não reconhece a existência de crédito vinculado a processo administrativo que está pendente de julgamento é precipitada, para dizer o mínimo, e ilegal, para ser exato. Em julgamento da lide, fls. 48/51, a DRJ/Campinas verificou que a solicitação contida no referido processo administrativo, n° 10805.001618/200417, trata do reconhecimento do direito creditório referente aos saldos negativos de IRPJ e CSLL, ano calendário 2002, processo apreciado em 06 de fevereiro de 2007. Concluiu, portanto, que nem o tributo nem o período de apuração guardam conexão com o crédito objeto do presente processo: PIS cumulativo, período dezembro de 2003. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN. Cientificada da decisão em 27 de julho de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 77/122, em 27 de agosto de 2012, em que, preliminarmente, levantou o Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901002/200871 Acórdão n.º 3803004.183 S3TE03 Fl. 126 3 argumento de falta de fundamentação adequada do despacho decisório ao apontar para a violação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, sem especificar qual das materialidades normatizadas nos parágrafos desse artigo, a impossibilitar, por via direta, a sua defesa, ferindo de morte o direito da Recorrente ao contraditório e à ampla defesa. No mérito, voltou a insistir na existência de crédito suficiente, no processo administrativo n° 10805.001618/200417, para abarcar o débito compensado na DComp sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, porém não atende a requisito para sua admissibilidade, como se verá. Nulidade – despacho decisório Não obstante o recurso voluntário deva reportarse à razão de decidir contida na decisão de primeira instância, não sendo válido e eficaz arrazoar sobre os fundamentos e afirmações da decisão da Autoridade Administrativa, porquanto o processo não anda para trás, cito a afirmação contida no despacho decisório de fl. 8, para ressaltar a clareza na descrição do fato analisado, hábil a dar o norte da defesa da Contribuinte, sobretudo estando de posse do documento analisado, a DComp: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 6.866,26. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. A DComp da Contribuinte apresenta crédito de pagamento a maior de PIS. O despacho decisório indica o valor parcial do DARF utilizado na DComp, como Limite do crédito analisado. A Contribuinte defendese sustentando a existência de crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de saldo negativo no processo administrativo n° 10805.001618/200417. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Desse modo, reputo infundada a alegação de obscuridade por não informar o despacho decisório qual o dispositivo infringido do art. 74 da Lei nº 9.430/96, pois a materialidade está nitidamente exposta. Além de desarrazoada a alegação, o argumento e o pedido de nulidade estão sendo inaugurados no recurso voluntário. Este é um pedido inepto, por não ser repetição de um pedido antecedente (prequestionamento) e por atacar a decisão singular, não a do órgão colegiado. Rejeito a preliminar. Mérito A recorrente reintroduz o mesmo argumento da manifestação de inconformidade, de existência de crédito de IRPJ e CSLL no processo administrativo n° 10805.001618/200417, apesar da clareza da Julgadora a quo em apontar o equívoco da defesa, bem assim para o fato jurídico sob análise neste processo e para o erro de foco da Defesa. Isso pode ser visto no excerto do voto abaixo transcrito: O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada a Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Isso porque as informações em que se baseou a autoridade para não homologar a compensação declarada, como já se disse, são oriundas das próprias declarações prestadas pelo sujeito passivo, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações. Colocada a resolução do litígio na forma como exposta pela decisão de primeira instância, cumpria à Recorrente atacar possível ilegalidade dela o que não fez para, ao menos, poder insistir (com pertinência) no seu argumento de existência de crédito. Reitere se, uma vez mais, que o crédito que alega possuir não tem qualquer conexão com o indicado na DComp sob análise e que fixou, desde a origem, o contorno da presente lide. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 21 de maio de 2013 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901002/200871 Acórdão n.º 3803004.183 S3TE03 Fl. 127 5 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006847/2003-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/07/1998 a 31/07/1998, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE INTEGRAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Tendo havido decisão definitiva do Poder Judiciário determinando a conversão em renda da União do depósito judicial em montante integral efetuado pelo contribuinte, tem-se por extinto o crédito tributário controlado nos autos, com o consequente cancelamento do auto de infração, em observância dos princípios da vedação ao bis in idem e ao enriquecimento ilícito, assim como o da capacidade contributiva.
Numero da decisão: 3803-004.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/07/1998 a 31/07/1998, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE INTEGRAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo havido decisão definitiva do Poder Judiciário determinando a conversão em renda da União do depósito judicial em montante integral efetuado pelo contribuinte, tem-se por extinto o crédito tributário controlado nos autos, com o consequente cancelamento do auto de infração, em observância dos princípios da vedação ao bis in idem e ao enriquecimento ilícito, assim como o da capacidade contributiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/07/1998 a 31/07/1998, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE INTEGRAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo havido decisão definitiva do Poder Judiciário determinando a conversão em renda da União do depósito judicial em montante integral efetuado pelo contribuinte, temse por extinto o crédito tributário controlado nos autos, com o consequente cancelamento do auto de infração, em observância dos princípios da vedação ao bis in idem e ao enriquecimento ilícito, assim como o da capacidade contributiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 68 47 /2 00 3- 85 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.006847/200385 Acórdão n.º 3803004.302 S3TE03 Fl. 97 2 Relatório Tratase de retorno dos autos da repartição de origem após a inclusão dos resultados da diligência requerida por esta 3ª Turma Especial por meio da Resolução nº 3803 00.087, de 2 de fevereiro de2011. O presente processo originarase da lavratura do auto de infração eletrônico (fls. 2 a 12), cujo fundamento fora a falta de recolhimento da contribuição para o PIS no período sob apreço, lançamento esse impugnado pelo interessado, com o requerimento de declaração de improcedência da autuação, em razão do fato alegado de que os pagamentos não localizados pelos sistemas da Receita Federal haviam sido efetuados nas datas de vencimento por meio de depósitos judiciais, no âmbito da ação judicial em que se discutia a inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. A DRJ Fortaleza/CE julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 95 a 99), nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARÁ O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 VERIFICAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÃO. Efetuase o Lançamento de oficio quando o Sujeito Passivo não realiza ou realiza com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto ou da contribuição devida. MULTA DE OFICIO NÃO ISOLADA, ART. 90 DA MP 2.15835/2001. Nos Autos de Infração lavrados com fulcro no art. 90 da MP 2.15835, de 2001, cujo tributo devido foi regularmente informado, embora não tenha sido pago, e não estando presentes as circunstâncias versadas no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, descabe a exigência da multa de oficio não isolada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A existência de Medida Judicial, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, não é obstáculo à lavratura do Auto de Infração que visa prevenir a decadência, sendo neste caso inaplicável a multa de lançamento de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não se conformando com a decisão, o contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 61 a 65), reiterou seu pedido de declaração de nulidade do auto de infração e alegou que a ação Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.006847/200385 Acórdão n.º 3803004.302 S3TE03 Fl. 98 3 judicial já havia sido julgada improcedente e que os depósitos judiciais haviam sido convertidos em renda da União. Em 2 de fevereiro de 2011, esta 3ª Turma Especial, por meio da Resolução nº 380300.087, decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que se obtivessem informações acerca da situação atual dos processos judiciais referenciados nos autos, confirmandose ou não a conversão em renda da União dos valores depositados judicialmente, colhendose outros eventuais dados que pudessem contribuir para a elucidação da questão controvertida (fls. 69 a 71). Em atendimento à diligência (fl. 95), a repartição de origem informa que o contribuinte efetuou depósitos judiciais correspondentes ao montante integral dos créditos tributários controlados no presente processo, conforme demonstrativos de fls. 91 a 94, tendo sido convertidos em pagamento definitivo para a União os depósitos efetuados até o mês de novembro de 1998, nos termos da informação prestada pela Caixa Econômica Federal, devidamente confirmada no sistema da Receita Federal (fls. 79 a 86). Ainda segundo a autoridade administrativa de origem, os depósitos efetuados a partir do mês de dezembro de 1998 ainda permanecem à disposição da Justiça, consoante informação de fls. 87 a 88, encontrandose no site da Justiça Federal a informação de que o MM. Juiz da 5ª Vara já havia encaminhado oficio à Caixa Econômica Federal solicitando esclarecimentos quanto ao não cumprimento de sua determinação, no sentido de transformar os referidos depósitos em pagamento definitivo para a União (fls. 89 a 90). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Conforme acima relatado, cumprida a diligência determinada por esta 3ª Turma Especial, obtevese a confirmação de que o Recorrente efetivamente efetuara depósitos judiciais no montante integral dos créditos tributários controlados neste processo (fl. 95). De acordo com informação prestada pela Gerente Geral da Caixa Econômica Federal em Fortaleza/CE em atendimento à solicitação da autoridade administrativa de origem (fl. 78), em 26/11/2009, o saldo da conta nº 1562.05.497266 foi transferido para a conta nº 1562.635.9440, por força das Leis nº 12.058 e 12.099, ambas de 2009, com a posterior transformação em pagamento definitivo em favor da União Federal, em atendimento à solicitação do Ofício nº 0005.00350/2011, da 5ª Vara Federal do Estado do Ceará. Contudo, segundo a autoridade administrativa de origem, somente os valores depositados relativos aos períodos de apuração de maio a outubro de 1998 já haviam sido convertidos em renda da União, encontrandose pendente de conversão a parcela referente aos depósitos dos períodos de apuração de novembro a dezembro de 1998, cujos procedimentos de conversão encontravamse dependentes tão somente do cumprimento da determinação judicial por parte da Caixa Econômica Federal. Nesse contexto, não obstante a pendência operacional por parte da Caixa Econômica Federal, temse por comprovada a extinção do crédito tributário controvertido nos Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.006847/200385 Acórdão n.º 3803004.302 S3TE03 Fl. 99 4 autos, considerandose definitiva a determinação judicial de conversão em renda da União de todos os depósitos judiciais efetuados pelo ora Recorrente. Além disso,não de pode ignorar que, nos termos do art. 151, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, não se requerendo, nos casos da espécie, o lançamento de ofício para fins de prevenção da decadência, pois, de acordo com o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, tal lançamento somente é requerido nos casos de medida liminar ou tutela antecipada (incisos IV e V do art. 151 do CTN). Diante do exposto, em respeito aos princípios da vedação ao bis in idem e ao enriquecimento ilícito, assim como o da capacidade contributiva, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15504.016435/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES.
Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91.
ERRO MATERIAL RETIFICADO. RELEVAÇÃO DA MULTA.
As condições impostas pelo art. 291 do RPS foram cumpridas, possibilitando a relevação da multa.
INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 02 DO CARF:
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade das normas tributárias, assim como pretende a Recorrente. Aplicação da Súmula 02 do CARF.
Recurso de Ofício Imrovido.
Crédito Tributário Exonerado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Juliana Campos de Carvalho - Relatora
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Numero da decisão: 2302-002.621
Decisão:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa deixar de apresentar ou apresentar incorretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, conforme art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91. ERRO MATERIAL RETIFICADO. RELEVAÇÃO DA MULTA. As condições impostas pelo art. 291 do RPS foram cumpridas, possibilitando a relevação da multa. INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 02 DO CARF: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade das normas tributárias, assim como pretende a Recorrente. Aplicação da Súmula 02 do CARF. Recurso de Ofício Imrovido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 64 35 /2 00 9- 19 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Juliana Campos de Carvalho Relatora Liege Lacroix Thomasi Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.016435/200919 Acórdão n.º 2302002.621 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Referese o Auto de Infração a penalidade aplicada em face do contribuinte em decorrência da inobservância, no período de 01/2005 a 12/2005, à norma disposta no art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 a qual impõe a obrigatoriedade da empresa informar corretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. De acordo com o relatório fiscal (fls. 05), a empresa não declarou em GFIP parte dos valores de remuneração paga ou creditada aos segurados empregados, nas competências de 01/2005 a 12/2005. Desse modo, foi aplicada a penalidade prevista na Portaria Interministerial MPS/MF nº 77/08, conforme art. 92 da Lei nº 8.212/91, a saber, o percentual de 100% do valor da contribuição não declarada, limitada por competência, aos valores previstos no art. 32, §4º, da Lei nº 8.212/91. Não restou caracterizada circunstância agravante. Cientificada da autuação, a empresa apresentou impugnação (fls. 30/47), tempestivamente (fl. 41), alegando, em síntese: a) Que a despeito de ter retificado as GFIP's, afirmou que agente fiscal não especificou, por competência, quais foram os segurados em relação aos quais estavam incorretas as informações prestadas em GFIP, bem como, não indicou quais foram as faltas; b) Que a multa aplicada deveria ser revelada, posto que a conduta da autuada preencheu todos os requisitos do art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99; c) Que em decorrência da nova legislação (MP 449/08), caberia a retroatividade benigna para o fim de aplicar a multa estabelecida no art. 32A da Lei nº 8.212/91; d) Que a multa aplicada teria caráter confiscatório; e) Ao final, pleiteou a relevação da multa, o sobrestamento do presente processo até decisão final das impugnações apresentadas nos Autos de Infração de Obrigação Principal e, subsidiariamente, a aplicação da retroatividade benigna introduzida pela Lei nº 11.941/09. A DRJ/BHE converteu o julgamento em diligência para que fosse revisada a multa (fls. 59). Na informação fiscal de fls. 61, foi dito que a multa aplicada foi a mais benéfica ao contribuinte e que o valor do AI 77 e AI 78 será desprezado, ou seja, não comporá o valor total do documento. O contribuinte foi devidamente intimado (fls. 73). Às fls. 74/88 manifestouse sobre a diligência. Na decisão de 1º grau (fls. 190/199), foi julgada parcialmente procedente a impugnação para o fim de corrigir o procedimento fiscal para se adequar à penalidade mais benéfica (alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN) por exclusivo descumprimento da obrigação acessória em documento declaratório GFIP, ficando a multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 Intimada do julgado, interpôs, em tempo hábil, recurso voluntário pleiteando a relevação da multa conforme art. 291 do RPS art. 291 do RPS c/c art. 656 da IN SRP nº 03/2005. Eis o relatório. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.016435/200919 Acórdão n.º 2302002.621 S2C3T2 Fl. 216 5 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Protocolada a petição dentro do prazo conferido pela legislação, passo à análise das questões suscitadas. Alegou o contribuinte que a multa aplicada deveria ser revelada, posto que sua conduta preencheu os pressupostos exigidos pelo art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99; O art. 291 do Regulamento da Previdência Social dispõe que para haver a revelação da multa fazse necessário a observação de alguns requisitos, quais sejam: correção da falta até o termo final do prazo para impugnação, pedido expresso dentro do prazo de defesa, ser o infrator primário e não ter ocorrido nenhuma circunstância agravante, in litteris: "Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. 1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366." Na mesma linha segue a IN SRP nº 03/2005: "IN SRP nº 03/2005: Art. 656 . Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação do AutodeInfração. (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) § 1º A multa será relevada, ainda que não contestada a infração, se o infrator: Fl. 782DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 I formular pedido dentro do prazo de defesa e comprovar a correção da falta no prazo referido no caput; (Redação dada pela IN SRP Nº 6, DE 11/08/2005) II for primário; e III não tiver incorrido em circunstância agravante. § 2º A multa será atenuada em cinqüenta por cento, se o infrator tiver corrigido a falta no prazo referido no caput. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º deste artigo não se aplica à multa prevista no art. 286 do RPS e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos do RPS. § 3º O disposto no § 1º deste artigo não se aplica à multa prevista no art. 286 do RPS e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos do RPS. (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) ... § 4º Para fins de atenuação ou relevação da penalidade pecuniária, considerase cada ocorrência, conforme descrito nos arts. 646 a 648, uma falta. § 5º A relevação ou a atenuação de que tratam os § § 1º e 2º será aplicada sobre o valor da multa correspondente a cada ocorrência para a qual houve correção da falta." A partir de 2009, com a instituição do Decreto nº 6.727, de 12 de janeiro de 2009, a norma foi revogada. Todavia, de acordo com o art. 144 do CTN, o lançamento deve reportarse à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, no caso ao período de 2005, e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. "Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada." Como na hipótese os fatos geradores referemse às competências de 01/2005 a 12/2005 (anterior a janeiro/2009), nos termos do art. 144, caput, do CTN, reportandose à lei da data dos fatos geradores (2005), certa a aplicação do art. 291 do RPS. Este entendimento já foi abordado pela 2ª Seção, 3ª Câmara, 1ª TO, cujo Relator Mauro José Silva, no PAF nº 10920.001127/201006 (Acórdão 2301 003.197), assim afirmou: "Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2006 a 30/11/2007 RELEVAÇÃO DAS MULTAS. INFRAÇÃO REFERENTE Fl. 783DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.016435/200919 Acórdão n.º 2302002.621 S2C3T2 Fl. 217 7 A FATOS GERADORES ATÉ 01/2009. APLICAÇÃO DO ART. 144 DO CTN. Até janeiro de 2009, o Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS) previa em seu art. 291, §1º a relevação das multas se o infrator corrigir as faltas, for primário e não houver circunstância agravante. Apesar da revogação de tais dispositivos pelo Decreto 6.727/2009, o contribuinte tem direito ao benefício se os fatos geradores apontados tiverem ocorrido até a edição da novel legislação, por conta da aplicação do art. 144 do CTN." Pois bem! Às fls. 61, em resposta à solicitação de fls 59, informou o agente fiscal que ao examinar as GFIP's retificadoras elaborou planilha intitulada "PLANILHA GFIP RETIFICADA" onde foram apresentados os valores novamente declarados e ainda discrepantes das folhas de pagamento apresentadas durante a fiscalização. No recurso voluntário, o sujeito passivo defendeu a tempestividade das correções perante a Secretaria da Receita Federal. Analisando o PAF nº 15504.016438/200952 (AI nº 37.222.2056) cujo lançamento está a exigir o pagamento das contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, conexo à presente ação fiscal (AIOA 37.222.2048), a impugnação apresentada pela empresa foi julgada procedente em parte. Na oportunidade, constatou o Relator que os créditos de retenção indicados nas GFIP's corrigidas ensejariam a satisfação da obrigação principal, impondo a improcedência do levantamento "DC" Diferenças das Contribuições para o período de 01/2005 a 12/2005. Assim restou a ementa do julgado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ERRO MATERIAL EM GFIP. CRÉDITOS DE RETENÇÃO. GUIAS RECOLHIDAS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sendo comprovado erro material em documento declaratório GFIP, têmse corno inexistente causa jurídica a se exigir contribuições previdenciárias já satisfeitas, antecipadamente, em relação à empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra. No processo administrativo fiscal, não é dado afastar norma por alegação de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade". De acordo com o relatório da DRJ no PAF nº 15504.016438/200952 (AIOP nº 37.222.2056), salientou o contribuinte que no ano de 2005, por simples erro, deixou de indicar a totalidade dos tomadores de serviço e os valores por ele retido, vindo a retificar as GFIP's quando do início do procedimento fiscal (em 30/10/2009 anexo 03 da impugnação protocolada no AIOP nº 37.222.2056). Sendo constatado apenas um mero erro material, já corrigido, as retificações das GFIP's foram levadas a efeito de modo a confirmar a existência de créditos, oriundos das retenções efetuadas pelos tomadores de serviço, suficientes a ensejar a satisfação da obrigação principal por completo. Desse modo, sendo primário o contribuinte, havendo pedido expresso de relevação na defesa, restando comprovada a correção da falta no prazo de impugnação (a retificação ocorreu como do início do procedimento fiscal no AIOI nº 37.222.2056, em 30/10/2009, conforme dito pela DRJ) e, por Fl. 784DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 8 fim, inexistindo circunstância agravante, observo que as condições impostas pelo art. 291 do RPS foram cumpridas, possibilitandolhe a relevação da multa. Por fim, em relação ao reconhecimento de inconstitucionalidade defendido pelo sujeito passivo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF não tem competência para apreciar a matéria. Eis a Súmula nº 2 do CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para darlhe provimento, relevando a multa aplicada nos termos do art. 291 do RPS c/c art. 144 do CTN. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 785DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005163/2008-05
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS DA UNESCO. TÉCNICOS RESIDENTES NO BRASIL. VÍNCULO CONTRATUAL. SÚMULA CARF Nº 39.
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS DA UNESCO. TÉCNICOS RESIDENTES NO BRASIL. VÍNCULO CONTRATUAL. SÚMULA CARF Nº 39. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso negado.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS DA UNESCO. TÉCNICOS RESIDENTES NO BRASIL. VÍNCULO CONTRATUAL. SÚMULA CARF Nº 39. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 51 63 /2 00 8- 05 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão que indeferiu a impugnação mediante a qual o contribuinte buscava cancelar o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício 2006, anocalendário 2005, tendo por argumentação a isenção dos rendimentos recebidos como contratada da Unesco Brasil. A recorrente sustenta que(a) a decisão recorrida ao se basear na pergunta 137 do IRPF 2007 desconsiderou a previsão do art. 5º da Lei 4.506/1964 c/c decretos 27.784/50, 59.308/66 e 52.288/64, bem como farta documentação apresentada; (b) a recorrente não pode ser prejudicada se a Unesco não apresentou relação de funcionários à Receita Federal; (c) precedentes deste Conselho e judiciais reconhecem o direito a isenção; e (d) subsidiariamente, o lançamento é nulo por desconsiderar as despesas que foram paulatinamente demonstradas e objeto da declaração de IRPF. A recorrente apresentou contrato de trabalho e Termo de Referência firmados com a Unesco referentes aos rendimentos objetos da autuação. Ciência em 09/05/2011. Peça recursal protocolada em 11/05/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Discutese se são tributáveis ou não os rendimentos recebidos por técnico residente no Brasil contratado pela Unesco. Não obstante a existência dos precedentes mencionados pela recorrente, a matéria é objeto da Súmula CARF nº 39, que de acordo com o disposto no §4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF c/c art. 37 do Decreto nº 70.235/1972 (com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009), é de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho, Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Em homenagem ao entendimento daqueles que consideram obrigatória a reprodução do entendimento manifestado pelo STJ no RESP 1.306.393/DF, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, registro que (a) esse precedente trata especificamente de rendimentos recebidos do PNUD, o que não ficou demonstrado ser o caso dos autos; (b) de todo modo, a Súmula representa o entendimento Institucional acerca da matéria e sua revogação exige procedimento próprio previsto no Regimento. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.005163/200805 Acórdão n.º 2802002.491 S2TE02 Fl. 79 3 Quanto à alegação de que o lançamento não levou em conta as deduções declaradas, a análise do item 3 do demonstrativo de fls. 30 indica que a recorrente não tem razão, pois as deduções declaradas foram computadas para reduzir a base de cálculo. Portanto, devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 80DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000509/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 28/02/2006
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. ENTIDADES DE ENSINO. POSSIBILIDADE FRUIÇÃO. ARTIGO 55 DA LEI N° 8.212/91.
APLICABILIDADE.
De acordo com a jurisprudência firmada neste Colegiado, amparada pelas normas legais que tratam da matéria, as instituições de ensino podem se caracterizar como entidades beneficentes de assistência social, de modo a fazer jus à isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, conquanto que observados os requisitos legais exigidos para tanto, prescritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, vigente à época do
lançamento.
ENTIDADE ISENTA. OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL.
Tendo a contribuinte comprovado sua condição de entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, sobretudo em vista do direito adquirido estabelecido no § 1°, do artigo 55, da Lei 8.212/91, a exigência de referidas contribuições somente poderá ser levada a efeito na hipótese de emissão prévia de Ato Cancelatório da isenção que a contribuinte faz jus.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.878
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 28/02/2006 PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. ENTIDADES DE ENSINO. POSSIBILIDADE FRUIÇÃO. ARTIGO 55 DA LEI N° 8.212/91. APLICABILIDADE. De acordo com a jurisprudência firmada neste Colegiado, amparada pelas normas legais que tratam da matéria, as instituições de ensino podem se caracterizar como entidades beneficentes de assistência social, de modo a fazer jus à isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, conquanto que observados os requisitos legais exigidos para tanto, prescritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, vigente à época do lançamento. ENTIDADE ISENTA. OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Tendo a contribuinte comprovado sua condição de entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, sobretudo em vista do direito adquirido estabelecido no § 1°, do artigo 55, da Lei 8.212/91, a exigência de referidas contribuições somente poderá ser levada a efeito na hipótese de emissão prévia de Ato Cancelatório da isenção que a contribuinte faz jus. Recurso especial provido.
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ISENÇÃO COTA PATRONAL. ENTIDADES DE ENSINO. POSSIBILIDADE FRUIÇÃO. ARTIGO 55 DA LEI N° 8.212/91. APLICABILIDADE. De acordo com a jurisprudência firmada neste Colegiado, amparada pelas normas legais que tratam da matéria, as instituições de ensino podem se caracterizar como entidades beneficentes de assistência social, de modo a fazer jus à isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, conquanto que observados os requisitos legais exigidos para tanto, prescritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, vigente à época do lançamento. ENTIDADE ISENTA. OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. 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(Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 549/582) interposto pelo sujeito passivo em face do Acórdão nº 20501.333 (fls. 520/538) proferido pela então 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, com fulcro no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 147, de 25 de junho de 2007. Como consignado abaixo, a então 5ª Câmara julgou, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/05/2004 a 28/02/2006 Ementa: DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdencidrias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso em tela, não se observa a decadência, pois o crédito foi lançado em período aquém ao prazo qu inqu enal. NÃO CONFIGURA BIS IN IDEM NOTIFICAÇÕES FISCAIS DE LANÇAMENTO DE DÉBITO COM PERÍODOS DISTINTOS Não ocorrência de bis in idem quando se trata de créditos distintos. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 2 3 ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIARIA A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei especifica, no caso a vigente Lei n.° 8.212/91, que no seu artigo 55 estabelece as exigências necessárias a serem cumpridas, cumulativamente, para que a entidade obtenha a isenção das contribuições previdencárias de que . tratam os artigos 22 e 23, da mesma lei. Nos incisos I e II, do citado artigo 55, constam os requisitos formais, quais sejam: que a entidade seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal e que seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. A entidade deverá requerer a isenção do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, de acordo com o preceito contido no parágrafo 1º, do artigo 55, da Lei n. 8.212/91. A falta de titularidade e da solicitação inviabiliza o gozo do benefício. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO, RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. Recurso Voluntário Negado.” Ciente do acórdão, em 19/03/2009 (fls. 544), o Recurso Especial foi interposto em 03/04/2009, conforme protocolo as fls. 549, dentro, portanto, no prazo de 15 (quinze) dias estabelecido no §1° do artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O pedido foi devidamente instruído com cópia do acórdão indicado como paradigma e/ou reprodução integral de sua ementa no corpo do recurso. Em síntese, a peça recursal pretende a reforma do julgado sob os seguintes fundamentos: i. o débito em comento seria referente à desconsideração da imunidade exercida pela Organização Santamarense de Educação e Cultura (OSEC), nos termos do que dispõe o art. 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal; ii. desconsiderada a imunidade a qual faz jus à instituição, foram lançadas contribuições previdenciárias sob cota patronal, no período 5/2005 a 2/2006; iii. de acordo com o Relatório Fiscal e o próprio acórdão recorrido, a imunidade até então exercida pela instituição foi suprimida pela falta de titulação e do próprio requerimento de imunidade, o que é completamente fora de propósito, notadamente em função da documentação acostada aos autos, e em Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 função dos fundamentos eleitos pelo acórdão, que consideraram para tal conclusão a hipótese de que instituições de ensino não poderiam deter o status de filantropia, de forma diametralmente oposta à jurisprudência de todas as Casas judiciais e administrativas de julgamento deste país; iv. outro ponto de divergência é a necessidade de Lei Complementar para a regulamentação do art. 195, parágrafo 7º, da Constituição, cuja matéria já foi amplamente debatida nos Conselhos de Contribuintes e, tal como demonstrado a seguir, diverge do julgamento ora recorrido; v. os paradigmas jurisprudenciais são: Número do Recurso: 118622 Camara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10730.004585/0047 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: COFINS Recorrente: UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Recorrida/Interessado: DRJRIO DE JANEIRO/RJ Data da Sessão: 21/08/2002 14:00:00 Relator: Gilberto Cassuli Decisão: ACÓRDÃO 20176344 Resultado: DPM DADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques. Ementa: COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. IMUNIDADE. ART 195, § 7°, DA CF/88. 1NSTITUIÇÃO DE ENSINO. UNIVERSIDADE FEDERAL. A imunidade veiculada no art. 195, § 7°, da CF/88, alcança as entidades beneficentes de assistência social que cumpram os requisitos legais. Entidades de ensino, como a Universidade Federal, são entidades de assistência social, fazendo jus à imunidade. Recurso provido. Número do Recurso: 127839 Camara: QUARTA CÂMARA Número do Processo: 10073.001621/9988 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: COF1NS Recorrente: SOBEU SOCIEDADE BARRAMANSENSE DE ENSINO Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 3 5 SUPERIOR Recorrida/Interessado: DRJRIO DE JANEIRO/RJ Data da Sessão: 17/05/2005 14:00:00 Relator: Jorge Freire Decisão: ACÓRDÃO 20400117 Resultado: DPM DADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Nayra Bastos Manatta COFINS — ENTIDADE EDUCACIONAL — IMUNIDADE — CF/1988, ARTIGO 195, § 7. A imunidade do parágrafo 7 do arti2o 195 da Constituição Federal é norma de eficácia contida, só podendo a lei complementar veicular suas restrições. Precedentes STF na ADIN 20285. Aplicação do Decreto n° 2.346/97 e do artigo 14 do CTN, recepcionado como lei complementar. Inexistência de prova nos autos de que as condições do artigo 14 do CTN não estavam sendo cumpridas. Também não restou provado que a entidade educacional não atenda de modo significativo e gratuitamente a hipossuficientes. Recurso voluntário provido. D.O.U. de 07/11/2007, Seção 1, pág. 46 vi. a OSEC é uma instituição imune e, além de todos os elementos, que as contribuições em tese devidas por parte da empresa no período de maio de 2004 a abril de 2004 já foram lançadas em outra oportunidade, constituindo se bis in idem; vii. a ilustre Relatora do Julgado recorrido afirma que as instituições de ensino não compõem o sistema de assistência social do país, argumento este que está em descompasso com a legislação existente e a jurisprudência dos Tribunais do país; viii. a douta relatora esquecese que não só a Constituição faz o destaque do alcance da imunidade descrita no art. 195, parágrafo 7°, como toda a base legislativa, sem se olvidar de todo o histórico da assistência social no Pais, em que mais de 1.000 instituições de ensino são certificadas pelo Conselho Nacional de Assistência Social, que é justamente o órgão competente para tal caracterização; ix. mostrase contraditória a afirmação da relatora, pois embora fundamente o cancelamento da imunidade sob a premissa de que instituições de ensino não se podem ser inseridas dentre das entidades beneficentes de assistência social, ressalta que o pedido de ato declaratório, com o cumprimento de todos os requisitos legais, seriam suficientes ao exercício dessa garantia por parte da Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 OSEC, ora recorrida e que justamente, uma instituição cuja atividade preponderante, é a de ensino superior; x. a Recorrente demonstrou perante o CNAS que cumpriu todas as exigências legais para ser entidade beneficente de assistência social e o esteve até maio de 2010 – segundo informação constante do Especial , conforme Resolução CNAS n. 7; xi. o STF já consignou a possibilidade de entidade educacional ser considerada beneficente de assistência social (ADIN n. 20855), oportunidade em que a Suprema Corte definiu entre as necessidades básicas atingidas pela assistência social àquelas relativas à educação; xii. não há vedação para as entidades beneficentes cobrarem por prestação de serviços a quem possa pagar; xiii. a recorrente sempre teve seu objetivo primário a estimulação do desenvolvimento da Educação e da Cultura; xiv. o estatuto social da entidade prevê a não percepção de remuneração pelos Diretores pelo exercício da função estatutária; xv. a instituição aplica integralmente seus recursos para a manutenção de seus objetivos institucionais; xvi. mantém escrituração de suas receitas e despesas; xvii. a regra magna para observância de critérios limitadores ao poder de tributar deve ser aquela disposta no CTN e não a descrita pela Lei n. 8.212/91; e xviii. o legislador constituinte reservou às leis complementares a competência de dizer sobre determinadas matérias, que demandariam processo legislativo exaustivo e mais complexo, tal como o caso das limitações ao poder de tributar do Estado. Requer, ao final, a declaração da nulidade do lançamento em face da suposta imunidade tributária que a instituição é detentora. Por meio de análise preliminar, o i. Presidente da Terceira Câmara, da 2ª Seção deu seguimento ao recurso interposto por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade – despacho n. 2300005/2011 (fls. 598 e ss): […] A recorrente afirma que, de forma diametralmente oposta a jurisprudência de todas as Casas judiciais e administrativas de julgamento do Pais, o acórdão recorrido entendeu que a imunidade até então exercida pela instituição foi suprimida pela falta de titulação e do próprio requerimento de imunidade, o que, segundo entendimento da recorrente, é completamente fora de propósito, notadamente em função da documentação acostada aos autos e em função dos fundamentos eleitos pelo acórdão, que consideraram para tal conclusão a hipótese de que instituições de ensino não poderiam deter o status de filantropia. Outro ponto de divergência apontado pela recorrente é ao necessidade de Lei Complementar para a regulamentação do Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 4 7 art. 195, parágrafo 7°, da CF, cuja matéria entende a recorrente que já foi amplamente debatida nos Conselhos de Contribuintes e diverge do julgamento ora recorrido. Devidamente intimada, a r. PGFN apresentou contrarrazões que, em resumo, afirma: i. da análise detida dos acórdãos apresentados como paradigma revela ausência de similitude fática entre os casos, vez que as suas conclusões são pautadas em contextos fáticos distintos; ii. o cerne da controvérsia consiste em definir o que vem a ser entidade beneficente de assistência social, antes mesmo da definição de qual dispositivo legal deve ser atendido para a caracterização da imunidade das contribuições para seguridade – se o art. 55 da Lei n. 8.212/91 ou art. 14 do CTN; iii. com efeito, ambos os acórdãos concordam no sentido de que uma entidade beneficente de assistência social deve oferecer prestações gratuitas aos hipossuficientes. Ocorre que o acórdão' recorrido não identificou, com base nas provas produzidas pela Fiscalização, a referida gratuidade em favor de pessoas carentes, ao contrário do contexto em que se fundou acórdão paradigma, que expressamente afirmou inexistir comprovação da falta de gratuidade em beneficio dos hipossuficientes; iv. a premissa empregada em ambos os acórdãos, para o reconhecimento do direito A imunidade, e a mesma: a necessidade da entidade beneficente prestar assistência aos carentes, aos hipossuficientes. Não obstante, as suas conclusões divergem unicamente em razão das provas produzidas. Indubitavelmente, se o acórdão paradigma estivesse diante do contexto fático aqui discutido, adotaria a mesma conclusão do acórdão recorrido; v. o recurso do contribuinte tem como objetivo, não a uniformização da jurisprudência, mas sim revolver os fatos, o que não possui cabimento, conforme a previsão regimental que autoriza a interposição do recurso especial; vi. a Fiscalização produziu as provas suficientes para a demonstração de que a recorrente não favorece alunos hipossuficientes, não tendo sido produzidas as provas em sentido contrário; vii. o Relatório da NFLD dá conta de que havia apenas “redução de anuidades escolares correspondentes a bolsas de estudos parciais globais, que conforme informações obtidas junto a empresa, são variáveis de 20 a 27%, dependendo do curso frequentado” (fl. 129). Além disso, fezse uma análise sócioeconômica dos bolsistas, sendo comprovada a inexistência da hipossuficiência por parte deles (fls. 129/130); viii. a atuação absolutamente gratuita em benefício dos necessitados é requisito fundamental para a caracterização da instituição como entidade beneficente de assistência social, tal como definido pelo STF no julgamento da ADI 2.2028/DF; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 ix. quanto à observância do art. 55, da Lei n. 8.212/91: a. imunidade abarcada pelo art. 150, VI, “c”, da CF é aplicável exclusivamente aos impostos; b. leitura da LOAS não deixa dúvida que a educação remunerada por mensalidades não é assistência social; c. a educação remunerada mediante pagamento de mensalidades não é assistência social, ainda que haja a concessão de descontos, como no caso dos autos, descabe falar em direito à imunidade do art. 195, §7º da CF; x. pugna, ao final, pelo não conhecimento do recurso e, alternativamente, pelo não provimento da peça recursal. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator 1 CONHECIMENTO O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado, devendo, porém, ser analisada a divergência alegada, para efeito do cumprimento do disposto no artigo 7°, inciso II, daquele Regimento. Com efeito, em suas contrarrazões a Procuradoria da Fazenda Nacional suscita que a contribuinte não logrou comprovar a divergência argüida, de maneira a determinar o conhecimento de seu recurso especial. Assim, diante de aludidas alegações e em observância aos preceitos do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, impõese verificar se outra Câmara ou a própria CSRF proferiu decisão com interpretação divergente da emitida pelo Colegiado recorrido, na forma que pretende a contribuinte. Para escorar seu requerimento, a recorrente apresentou os seguintes paradigmas: A) “Processo nº : 10730.004585/0047 Recurso nº : 118.622 Acórdão nº : 20176.344 Recorrente : UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Recorrida : DRJ no Rio de janeiro RJ Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 5 9 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. IMUNIDADE. ART. 195, § 7°, DA CF/88. INSTITUIÇÃO DE ENSINO. UNIVERSIDADE FEDERAL. A imunidade veiculada no art. 195, § 7°, da CF/88, alcança as entidades beneficentes de assistência social que cumpram os requisitos legais. Entidades de ensino, como a Universidade Federal, são entidades de assistência social, fazendo jus à imunidade. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques.” B) “Processo nº : 10073.001621/9988 Recurso nº : 127.839 Acórdão nº : 20400117 Recorrente : SOBEU SOCIEDADE BARRAMANSENSE DE ENSINO SUPERIOR Recorrida : DRJ no Rio de janeiro – RJ COFINS – ENTIDADE EDUCACIONAL – IMUNIDADE – CF/1988, ARTIGO 195, § 7. A imunidade do parágrafo 7 do artigo 195 da Constituição Federal é norma de eficácia contida, só podendo a lei complementar veicular suas restrições. Precedentes STF na ADIN 20285. Aplicação do Decreto nº 2.346/97 e do artigo 14 do CTN, recepcionado como lei complementar. Inexistência de prova nos autos de que as condições do artigo 14 do CTN não estavam sendo cumpridas. Também não restou provado que a entidade educacional não atenda de modo significativo e gratuitamente a hipossuficientes. Recurso voluntário provido.” Para melhor compreensão, examinaremos em primeiro lugar, o Acórdão nº 20176.344, como segue: Em suma, extraise do referido Acórdão paradigma que as entidades de ensino são, igualmente, consideradas como de assistência social, fazendo jus à imunidade em comento. É o que se infere do bojo do voto condutor do Acórdão paradigma, às fls. 587, in verbis: “[...] Também estreme de dúvidas que a educação é espécie do gênero assistência social. E este é o entendimento do Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 próprio Poder Executivo, uma vez que o Decreto n° 2.536, de 06/04/1998, que regula a matéria, assim dispôs: Art. 2°. Considerase entidade beneficiente de assistência social, para os fins deste Decreto, a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que atue no sentido de: IV —promover, gratuitamente, assistência educacional ou de saúde. A doutrina também perfilha tal entendimento como depreendese do texto de James Marins' em que o autor paranaense averba que "Dentro da moldura constitucional e infraconstitucional complementar (CF, arts. 6°, 150, 195, 203 e 204 e CT1V, arts. 90 e 14) é que se afigura possível o desenho seguro e completo do conteúdo dos núcleos "educação" e "assistência social" como aquele correspondente ea atividades sem fins lucrativos voltadas para a educação ,s aúde, trabalho, lazer, e segurança.... Tais atividades, sempre, que realizadas sem o intuito de lucro, estão, sem resquício de dúvida, abrangidas pela imunidade concernente a impostos e contribuições sociais. [...]” Não bastasse isso, mister destacar, ainda, que o nobre relator do Acórdão paradigma foi por demais enfático ao afirmar que o artigo 14 do Código Tributário Nacional deve ser respeitado para efeito de caracterização da entidade como beneficente de assistência social (fls. 587/588): “ [...] Assim, as condições limitadoras para que determinada entidade seja considerada como beneficiente de assistência social é que atendam os requisitos da lei complementar, atualmente veiculadas no artigo 14 do CTN, e que comprovem sua atuação gratuita relevante aos chamados hipossuficientes. t nesse sentido que o fisco deve dirigir sua atuação, produzindo provas de que tais requisitos não restam atendidos. [...] Por derradeiro e oportuno, devo gizar o que já aduzi em outros julgados' na Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes e na própria Camara Superior de Recursos Fiscaisg. A aplicação da imunidade das entidades de assistência social devem ser analisadas casuisticamente. E nesse sentido a ação fiscal é fundamental, pois somente ela pode proporcionar ao julgador administrativo os meios e provas para que o instituto, que tem os fins públicos mais relevantes, não seja utilizado indevidamente ou de forma fraudulenta. Para tanto, deve o fisco provar que os fins sociais do estatuto da entidade estão em desacordo com a realidade, e que se contrapõem a alguma das condições para fruição da imunidade apostas no artigo 14 do CTN. Até lá, há uma presunção em favor da entidade com base no que dispõe seus objetivos institucionais, e não o contrário, numa generalização sem qualquer conteúdo jurídico. [...]” Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 6 11 Concluise que o Acórdão paradigma chegou ao seu resultado (provimento do recurso) devido a duas conclusões: o fim social da entidade (educação) deve ser considerado como assistência social e é obrigatório que os requisitos presentes no Art. 14 do CTN sejam cumpridos para a fruição da imunidade. Antes de verificarmos se essas duas questões foram objeto da decisão do Acórdão recorrido, devemos, para chegar à conclusão, informar e analisar se possível a admissibilidade, já que o Acórdão paradigma trata de COFINS e o Recorrido contempla as contribuições previdenciárias. Para esclarecermos a questão, ressaltase que a imunidade de que trata os dois Acórdãos (recorrido e paradigma) possui sua origem em dispositivo constitucional, qual seja, o § 7o, Art. 195, da CF, que assim preceitua: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Portanto, Contribuição para a Seguridade Social é gênero, onde estão as espécie COFINS, Contribuição Previdenciária, CSLL, entre outros, mas é claro que as definições das atividades que podem ser consideradas como beneficentes de assistência social e qual lei estabelece as exigências deve ser uma só, tanto para COFINS, Contribuição Previdenciária, CSLL etc. Quanto à possibilidade de entidades educacionais serem conceituadas como de educação, verificase que o próprio relator do Acórdão paradigma utilizou de dispositivo constante no Decreto 2.536, de 06 de abril de 1998, que define quais são as áreas de atuação das entidades beneficentes de assistência social: “Art. 2° Considerase entidade beneficiente de assistência social, para os fins deste Decreto, a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que atue no sentido de: IV —promover, gratuitamente, assistência educacional ou de saúde.”(grifamos) Salientese, que o Decreto acima mencionado dispõe sobre concessão do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, documento necessário para a isenção de contribuição para a Seguridade Social. No que tange à “lei” citada no art. 195 da Constituição Federal, há muito já é posição pacífica em Câmaras do CARF que tratam de COFINS que essa lei deve ser a 8.212/91: “Processo nº : 10735.003697/200129 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Recurso nº : 122.717 Acórdão nº : 20310664 Recorrente : FESO FUNDACAO EDUCACIONAL SERRA DOS ORGAOS PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. A submissão ao rito do art. 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não atinge a Cofins, por envolver apenas a imunidade tributária relativa a impostos, prevista na alínea “c”, do inciso VI, do artigo 150, da Constituição Federal. Preliminar rejeitada. COFINS. DECADÊNCIA . PRAZO. O prazo para a Fazenda exercer o direito de fiscalizar e constituir pelo lançamento a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, é o fixado por lei regularmente editada, à qual não compete ao julgador administrativo negar vigência. Portanto, consoante permissivo do § 4º do art. 150 do CTN, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, tal direito extinguese com o decurso do prazo de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. IMUNIDADE. As entidades educacionais sem fins lucrativos que se intitulem beneficentes de assistência social, não podem usufruir da imunidade perante a Cofins se descumpridos os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional após o vencimento, acrescidos de juros de mora calculados com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional Recurso negado.” Dessa forma, como as duas motivações para a conclusão do Acórdão paradigma tratam de questões válidas para COFINS e Contribuição Previdenciária, por origem em texto constitucional, deve ser analisado se essas motivações foram determinantes para a conclusão do Acórdão recorrido. No Acórdão recorrido, encontramos, sobre as duas motivações do acórdão paradigma, razões de decidir, senão vejamos. Quanto à possibilidade de instituições educacionais estarem inseridas na definição de entidade beneficente de assistência social, in verbis: “[...] Quanto as alegações acerca de seu direito a imunidade entendo que não assiste razão à recorrente, pelo que passo a mencionar a partir de estudo elaborado pela Procuradoria da república, do qual me valho para ilustrar meu tema. A imunidade é exclusão constitucional, do campo de incidência tributário, de certo fato,comportamento, situação, pessoa ou bem;enquanto isenção constitui dispensa de pagamento do tributo incidente, concedida por lei em atenção a certo fato, comportamento, situação ou pessoa ou bem da vida. A Constituição Federal de 1988, além da imunidade de impostos para instituições de educação na forma do art. 150, Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 7 13 VI, “c”, estabeleceu no seu art. 195, SS 7° , imunidade quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei. Ressaltese, portanto: imunidade quanto a contribuições previdenciárias não foi deferida a instituições de educação pela CF/88 e nem pela CF/67/69. Para as instituições de educação, foi deferida imunidade de impostos, no art.150, VI, “c”, CF/88, da mesma forma como estabelecida a CF/67/69 no seu art.19, “c”. De impostos não se trata aqui. Quanto a imunidade de impostos, exigiu o Código Tributário Nacional – cumprindo o papel que lhe impôs a Constituição de veicular as normas gerais em matéria tributária em seu artigo 14, observância de requisitos mínimos pelas entidades destinatárias do benefício, como a não distribuição de parcela do patrimônio ou renda, a título de lucro ou participação no resultado; aplicação da integralidade dos seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais no Pais; e manutenção de escrituração de receitas e despesas em livros revistos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Nesse ponto, já ressaltado que a Constituição não estabeleceu como serviços públicos os pertinentes à educação, cumpre destacar também a sua especificidade e interesse social foi contemplada pela Constituição Federal, quando deferiu a imunidade de impostos a entidades educacionais, sem que se possa exigir que igual tratamento fosse dado quanto a contribuições previdenciárias.” (grifos nossos) Demonstrada está, de forma cristalina, posições antagônicas contidas nos Acórdãos recorrido e paradigma. Destarte, para o decisório atacado, conforme texto acima, as entidades que atuam na área de educação não podem usufruir da isenção de contribuição para a seguridade social, conforme o § 7°, art 195 da Constituição Federal. Por outro lado, na esteira do Acórdão paradigma, estas entidades podem fazer jus a isenção de Contribuição para a Seguridade Social, conforme o § 7°, art 195 da Constituição Federal. Provada, portanto, a primeira divergência entre os Acórdãos confrontados. No que tange a obrigatoriedade de observância aos requisitos presentes no art. 14 do CTN, para a fruição da imunidade, igualmente, se constata posição divergente entre os dois Acórdãos. Como já demonstramos, o Acórdão paradigma escora sua decisão na afirmação de que o art. 14 do CTN deve ser obedecido. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 “Assim, as condições limitadoras para que determinada entidade seja considerada como beneficente de assistência social é que atendam os requisitos da lei complementar, atualmente veiculadas no artigo 14 do CTN, e que comprovem sua atuação gratuita relevante aos chamados hipossuficientes. É nesse sentido que o fisco deve dirigir sua atuação, produzindo provas de que tais requisitos não restam atendidos.” Da análise do Acórdão recorrido, encontramos manifestação a propósito do mesmo tema. Em longo voto a relatora do Acórdão recorrido tece vários comentários para que não se adote o art. 14 do CTN para a verificação dos requisitos a que estão submetidas as entidades beneficentes de assistência social. Para deixarmos claro o posicionamento do Acórdão, citaremos apenas um trecho, que não deixa dúvidas: “Os art. 9° e 14°, CTN, ademais, referemse a imunidade de impostos, sem sombra de dúvida, eis que assim dispõem literalmente, e não à imunidade de contribuições previdenciárias. Concorre para certeza disso o fato de que o CTN precedeu a Constituição de 1988 e só esta veio estabelecer a imunidade de contribuições: o CTN não podia regulamentar imunidade não concedida. Sua utilização somente poderia dar se, eventualmente por analogia. Ocorre que analogia é método de integração do ordenamento jurídico somente passível de utilização na ausência de lei. Existindo lei, específica ademais, nem se pode colocar a questão.” Neste sentido, da mesma forma, encontrase cabalmente comprovada a ocorrência de posições antagônicas contidas nos Acórdãos recorrido e paradigma. Repitase, para o Acórdão recorrido, conforme texto acima, as entidades que atuam na área de educação não estão sujeitas a seguir aos requisitos do art. 14 do CTN. Já para o acórdão paradigma, estas entidades estão sujeitas a seguir os requisitos do art.14 do CTN. Demonstrada, assim, a segunda divergência entre os Acórdãos confrontados. Conseqüentemente, pelo primeiro paradigma apresentado encontramos duas divergências em comparação ao Acórdão recorrido. No segundo paradigma apresentado há decisão pela possibilidade de instituições educacionais serem entidades de assistência social, matéria já analisada acima, onde ficou comprovado que o Acórdão recorrido possui posição divergente sobre o mesmo tema. Comprovado, por conseguinte, que o decisório recorrido, em suas razões de decidir, possui interpretações divergentes do que foi dada pela Câmara emitente dos Acórdãos paradigmas, impondo seja conhecido o recurso especial da contribuinte. Acolhido o recurso, cabe a ponderação sobre as razões de mérito, assim delineadas: 2 APLICABILIDADE DO ARTIGO 14, CTN VS ART. 55, DA LEI N. 8.212/91 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 8 15 Como bem destacado pelo i. Presidente da Terceira Câmara, da 2ª Seção, quando da prolação do Despacho que deu seguimento ao recurso interposto por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade – despacho n. 2300005/2011 (fls. 598 e ss), o objeto do recurso compreende as seguintes questões: […] A recorrente afirma que, de forma diametralmente oposta a jurisprudência de todas as Casas judiciais e administrativas de julgamento do Pais, o acórdão recorrido entendeu que a imunidade até então exercida pela instituição foi suprimida pela falta de titulação e do próprio requerimento de imunidade, o que, segundo entendimento da recorrente, é completamente fora de propósito, notadamente em função da documentação acostada aos autos e em função dos fundamentos eleitos pelo acórdão, que consideraram para tal conclusão a hipótese de que instituições de ensino não poderiam deter o status de filantropia. Outro ponto de divergência apontado pela recorrente é ao necessidade de Lei Complementar para a regulamentação do art. 195, parágrafo 7°, da CF, cuja matéria entende a recorrente que já foi amplamente debatida nos Conselhos de Contribuintes e diverge do julgamento ora recorrido. Necessário, inicialmente distinguir a aplicação das disposições do art. 14 do CTN daquelas estabelecidas no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Importante deixar patente que as contribuições sociais não foram inseridas no contexto do Código Tributário Nacional, não sendo regidas pelas regras dele emanadas, mormente naquelas relativas à fruição de imunidade ou isenção. Prova disso está no texto de DecretoLei n° 27, editado posteriormente à aprovação da Lei n°5.172, conforme se depreende de seu texto de abertura, verbis: DecretoLei n°27, de 14 de Novembro de 1966 Acrescenta à Lei 5172, de 25 de outubro de 1966, artigo referente às contribuições para fins sociais. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o parágrafo único do art. 31 do Ato Institucional n°2, tendo em vista o Ato Complementar n°31 CONSIDERANDO a necessidade de deixar estreme de dúvidas a continuação da incidência e exigibilidade das contribuições para fins sociais paralelamente ao Sistema Tributário Nacional, a que se refere a Lei número 5.172, de 25 de outubro de 1966; É certo que o Supremo Tribunal Federal afirmou a natureza tributária das contribuições sociais instituídas pela Constituição Federal de 1988. Entretanto, o mesmo Tribunal também reconhece que tais exações não se vinculam integralmente ao texto do referido Código. Assim, o art. 14 do CTN destinase, exclusivamente, a delimitar os requisitos necessários à fruição da imunidade de impostos. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 A norma do art. 150, VI, "c", da CF/88, disciplinou a imunidade aos impostos, vedando sua incidência sobre as seguintes situações, verbis: "c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Já as contribuições para a seguridade social, a seu turno, têm a imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição da República, nos seguintes termos: "§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Como já declarado pelo Supremo Tribunal Federal — STF, em diversas oportunidades, dentre elas a AD1N n. 2.0285, quando a Carta Magna utiliza o termo isenção, está, na realidade, tratando de imunidade. Assim, contatase na literalidade dos textos constitucionais acima transcritos que os destinatários da imunidade de impostos não coincidem com os destinatários da imunidade das contribuições sociais. De plano fica patente que o legislador constituinte não inseriu as instituições de educação dentre aquelas que gozam da imunidade do § 7º do art. 195 da CF. Entretanto, em interpretação conforme a Constituição, efetuada pelo Supremo Tribunal Federal, órgão competente para decidir definitivamente a correta exegese da questão, consignou no voto proferido pelo Ministro Moreira Alves na concessão de liminar na ADIn n. 2.0285 que a expressão "entidade beneficente de assistência social abarca a entidade beneficente de assistência educacional". Nos dois comandos constitucionais acima transcritos tanto as instituições de educação e de assistência social quanto as entidades beneficentes de assistência social, dentre as quais o STF incluiu as entidades beneficentes de assistência educacional, estão sujeitas ao cumprimento de requisitos legais para gozo de imunidade dos impostos e das contribuições sociais. O legislador ordinário cumprindo o comando constitucional quanto às contribuições sociais delineou os requisitos de fruição do beneficio no art. 55 da Lei n. 8.212/91, como segue: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; Fl. 16DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 9 17 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficias a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. A redação acima transcrita encontrase isenta da alteração introduzida pela Lei n. 9.732/98, suspensa por liminar do STF na Ação Direita de Inconstitucionalidade n. 2.0285. A respeito do tema, peço vênia para me reportar aos substanciosos fundamentos insertos no Acórdão nº 1613.990, exarado pela 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos autos do processo administrativo n° 36624.002167/200708, tendo em vista rechaçarem de uma vez por todas a pretensão da recorrente a propósito da matéria, como segue: “ […] 4.20. O Contribuinte alega que sendo a imunidade do art. 195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos para o seu gozo somente podem ser instituído por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55 da Lei nº 8.212/81, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional. Entretanto, entendemos que tal posicionamento não está de acordo com o Sistema Constitucional Brasileiro e, tampouco, com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. 4.21. Vários argumentos há para evidenciar que o dispositivo constitucional não exige lei complementar para sua regulamentação. A interpretação sistemática do disposto no artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta que exige lei complementar para regular as limitações constitucionais ao poder de tributar também não prospera. Senão vejamos: a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos, a despeito de ser regulamentado pelo artigo 14 do CTN, igualmente foi regulamentado por uma lei ordinária, a Lei nº 9.532/98, que teve sua constitucionalidade formal questionada Fl. 17DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 na ADIn 1.802, tendo o STF admitido que lei ordinária possa regulamentar a imunidade de impostos: b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II. São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a 65 (sessenta e cinco) anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153, § 2º, II da CF, posteriormente revogado pela EC 20); ii) imunidade do Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF, alterado pela EC 42); iii) imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no qual somente incidirá somente o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro (art. 153, § da CF). Tais leis, que regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94. c) a Constituição Federal deve ser interpretada de forma ampla, de modo que desapareçam as aparentes contradições entre seus dispositivos quando considerados de forma isolada. Assim, para se fazer esta interpretação sistemática não cabe interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete exclusivamente à União instituir contribuições econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. De verse que às contribuições sociais, só tem aplicabilidade o inciso III do art. 146 da Carta Magna, excluindose, portanto, os incisos I e II do dispositivo em foco. d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o artigo 195, § 7º da Carta não teria mencionado expressamente “que atenda requisitos de lei”, visto que, por se tratar de imunidade, teria incidência a regra geral do art.146, II. È evidente que o caso em questão é uma das exceções à regra geral que exige lei complementar em tais hipóteses. e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por lei complementar de dispositivo constitucional é estimular na legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade e coerência. No caso da imunidade das contribuições da Seguridade Social isso não seria sequer necessário, porquanto somente a União pode instituir contribuições para o custeio da seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades beneficentes. Estados, o Distrito Federal e os Municípios, segundo o artigo 146, § 2º da Carta, somente pedem instituir cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de seus servidores. Diverso é o caso dos impostos, e que é prevista competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo Fl. 18DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 10 19 necessário que lei complementar regule as limitações constitucionais ao poder de tributar. 4.22. Por outro lado, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só é exigível a lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende toda a legislação ordinária. 4.23. Assim, de acordo com a orientação consolidada pelo STF, quando a Constituição afirma que “são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, § 7º), ela está exigindo que a isenção somente ocorrerá se houver efetivamente o cumprimento de requisitos estabelecidos em lei ordinária. Não há que se falar em inconstitucionalidade do art. 55, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas no próprio texto constitucional, como sabidamente tem decido, há muito, o Pretório Excelso. 4.24. No Mandado de Injunção 616SP, o STF discutiu o tema, figurando na relatoria o Ministro Nelson Jobim. Na oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO”. 4.25. Recentemente, o STF manteve tal posicionamento, conforme pode ser constatado na decisão proferida pelo Ministro Sepúlveda Pertence (AG. REG no Recurso Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte: “DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não préquestionada a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a existência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 20 Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em razão do disposto no art. 195, § 7º da Constituição, reconheceu à inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: ‘CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃOPARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1A, do C. Pr. Civil). Brasília, 02 de outubro de 2006. “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.” 4.26. O Supremo Tribunal Federal, no agravo de instrumento nº 647933, publicado em 15 de março de 2007, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, novamente consolidou esse entendimento: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA – INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO. O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 11 21 O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. Ocorre que, in casu, há regra específica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica à “lei”, não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na cidade lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Apelação improvida. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional à luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a respeito, devendose ter presente o Verbete nº 279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folhas 49). Conheço do agravo e o desprovejo. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. 4.27. Deve ser enfatizado que o art. 14 do CTN regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, das Fl. 21DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 22 entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Não é aplicável às contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos, muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art. 195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a lei complementar, conforme determinação do próprio legislador constituinte. 4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal Federal, os requisitos a serem cumpridos para o exercício do direito ao benefício fiscal previsto no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98. 4.29. Desta forma, para terem direito à isenção das contribuições devidas à seguridade social, às entidades beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme determina a própria Constituição Federal. […]” O legislador infraconstitucional acresceu aos requisitos que considerou necessários à imunidade das contribuições sociais as mesmas regras previstas no art. 14 do CTN para os impostos. Tal entendimento está em consonância com aquele já manifestado por esta Segunda Turma da CSRF, em 15 de outubro de 2007: Acórdão n° CSRF/0202.808 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 30/06/1997 Ementa: IMUNIDADE. Somente fazem jus à imunidade do art. 195, § 7 º da CF/88 as entidades beneficentes de assistência social que preencham os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 3 ENTIDADES DE ENSINO BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – POSSIBILIDADE – ISENÇÃO – DIREITO ADQUIRIDO – LANÇAMENTO – NECESSIDADE ATO CANCELATÓRIO Superada a questão atinente ao conhecimento do recurso e quanto à aplicabilidade do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, passa a ser importante considerar toda a construção dos autos, que caminharam no sentido de consolidar o lançamento em questão. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 12 23 De início, se mostra totalmente incabível a razão de decidir do Acórdão no sentido de que as instituições de ensino não podem ser entidades beneficentes de assistência social. Essa posição já é consolidada em julgamentos desse Conselho, conforme citado acima, em julgamentos do STF (ADIN 20855, 2028 e 2036), e na Legislação, conforme art. 11 da Lei 11.096, de 2005, nos seguintes termos: “Art.11 As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinquenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3° e no inciso II do caput e § 7° 1° e 2° do art. 7° desta Lei, comprometendose, pelo prazo de vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: [...]” Assim, como não cabe a este Colegiado ir de encontro à legislação, nos termos do seu próprio Regimento Interno, não se mostra necessário grandes argumentações para conferir razão ao pleito da recorrente, corroborada pelas substanciosas razões do Acórdão adotado como paradigma, de onde pedimos vênia para transcrever o elucidativo trecho: “[...] Também estreme de dúvidas que a educação é espécie do gênero assistência social. E este é o entendimento do próprio Poder Executivo, uma vez que o Decreto n° 2.536, de 06/04/1998, que regula a matéria, assim dispôs: Art. 2°. Considerase entidade beneficiente de assistência social, para os fins deste Decreto, a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que atue no sentido de: 1V —promover, gratuitamente, assistência educacional ou de saúde. A doutrina também perfilha tal entendimento como depreendese do texto de James Marins' em que o autor paranaense averba que "Dentro da moldura constitucional e infraconstitucional complementar (CF, arts. 6°, 150, 195, 203 e 204 e CT1V, arts. 90 e 14) é que se afigura possível o desenho seguro e completo do conteúdo dos núcleos "educação" e "assistência social" como aquele correspondente ea atividades sem fins lucrativos voltadas para a educação ,s aúde, trabalho, lazer, e segurança.... Tais atividades, sempre, que realizadas sem o intuito de lucro, estão, sem resquício de dúvida, abrangidas pela imunidade concernente a impostos e contribuições sociais. [...]” Diante das considerações acima, resta demonstrado que as instituições de ensino podem se enquadrar como entidade beneficente de assistência social, gozando, por conseguinte, da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, conquanto que Fl. 23DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 24 observados os requisitos legais do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso à época do lançamento. Na esteira desse raciocínio, afastada à condição imposta pelo Acórdão recorrido, no sentido de que a recorrente não poderia fazer jus à isenção/imunidade em comento por ser instituição de ensino, nos restaria analisar se a entidade, ora recorrente, observou os pressupostos do favor constitucional que cuidamos nesta assentada, não fosse a existência de questão prejudicial, tendente a rechaçar o lançamento. Como se verifica dos autos, especialmente do Relatório Fiscal de fls. 122/134, a presente notificação encontrase arrimada na desconsideração do autoenquadramento de entidade beneficente de assistência social, realizada pela notificada, ensejando a constituição do crédito previdenciário decorrente da diferença de contribuições apurada, relativamente à cota patronal, a qual não vinha a contribuinte recolhendo por entender imune/isenta. Ou seja, por se considerar entidade isenta, a recorrente não vinha recolhendo a cota patronal das contribuições previdenciárias, o que não fora admitido pela fiscalização, lançando, por conseguinte, referidos tributos. Para corroborar seu entendimento, a fiscalização, no Relatório Fiscal, lança extenso arrazoado, esclarecendo os motivos em que a recorrente não pode ser considerada como entidade beneficente de assistência social, seja em razão das supostas remunerações dos diretores, da ausência do título de utilidade pública federal, inaplicabilidade do direito adquirido, dos pagamentos a empresa de turismo, indeferimento do CEAS, dentre outros, o que demonstraria a inobservância dos requisitos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Deixou de considerar, porém, o fiscal notificante, que a constatação da pretensa inobservância dos pressupostos da isenção da cota patronal, conquanto que a entidade esteja sob o manto de tal benefício, somente pode ser levado a efeito a partir da emissão de Ato Cancelatório da Isenção, condição, inclusive, para o próprio lançamento, como demonstraremos adiante. Por sua vez, a contribuinte, desde a sua impugnação, defende que detém imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal e/ou motivação. Aduz, também, que a declaração do fato jurídico tributário, aqui retratado pela desconsideração da imunidade, atinente ao preenchimento de requisitos voltados à exclusão da incidência do tributo, constitui requisito essencial ao ato de lançamento e/ou ao de aplicação da multa, em virtude do que estipula o art. 142 do CTN. Afirma, que a presente notificação foi lavrada em contrariedade ao devido processo legal, por inexistir qualquer procedimento cancelatório da isenção da contribuinte, de maneira a justificar a exigência do crédito tributário em questão, mesmo porque encontra apoio na indevida desconsideração dessa isenção. Arremata, alegando que se para o exercício da imunidade é necessário um ato de concessão pelo INSS (ato constitutivo positivo), para o cancelamento também deve haver o mesmo procedimento (ato constitutivo negativo). Fl. 24DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 13 25 Assim, uma vez transposta a condição eleita pelo Acórdão recorrido para fruição da isenção pela recorrente, qual seja, a possibilidade de instituições de ensino fazerem jus a referido benefício fiscal, o deslinde da controvérsia passou a se fixar em verificar se a notificada, de fato e de direito, se caracteriza como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, como vem sustentando desde o início do procedimento. Neste ponto, aliás, convém esclarecer que inexiste qualquer efeito prático em analisar o cumprimento por parte da recorrente dos requisitos da isenção, tendo em vista não se tratar de Ato Cancelatório, único procedimento que poderia afastar a isenção da entidade, e foro próprio para tal discussão. Nos presentes autos, o que se mostra relevante é constatar se a contribuinte, à época do lançamento, fazia jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, eis que se assim o for, a presente notificação somente poderia ser efetivada na hipótese de emissão de Ato Cancelatório específico, objetivando afastar a imunidade sob análise. Por outro lado, verificandose que a contribuinte não usufruia de referida isenção, não se pode cogitar na vinculação do lançamento a qualquer outro procedimento especial, sendo perfeitamente viável a exigência tributária desconsiderando o autoenquadramento da autuada. Observase que a recorrente, desde o início do procedimento fiscal, em momento algum se insurge contra os fatos geradores das contribuições previdenciárias em questão, se limitando a defender que possui imunidade da cota patronal e, em razão disso, o lançamento somente seria viável após a emissão de Ato Cancelatório. Portanto, cabe verificar em respeito a forma processual adequada, a segurança jurídica, a certeza na decisão – se a recorrente foi, um dia, imune quanto às contribuições para a seguridade social e, caso fosse, se ocorreu o que determina a legislação, a expedição do devido Ato Cancelatório. Cabe salientar que esse foi um dos motivos de decidir presentes no Acórdão recorrido, em longa e atalhada exposição por parte da Relatora, fls. 0527 a 0529, onde fica claro que o motivo foi a ausência de certificação sobre a utilidade pública federal. Já em sentido oposto, há jurisprudência firmada nas Câmaras da Segunda Seção do CARF sobre o tema, como se constata da ementa e parte do voto exarado nos autos do processo administrativo n° 14485.000538/200716, de interesse da mesma contribuinte, da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que assim decidiu: nos seguintes termos: “EMENTA: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO Fl. 25DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 26 PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO REALIZADO. Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003 SALÁRIO MATERNIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Por expressa determinação legal o salário maternidade é considerado saláriodecontribuição. AUDITORIA FISCAL. COMPETÊNCIA PARA VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS A ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os então Auditores Fiscais da Previdência Social detinham competência para verificação do cumprimento por parte das entidades beneficentes de assistência social dos requisitos necessários à fruição da isenção da cota patronal previdenciária. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido. [...] VOTO “Direito adquirido à isenção O fundamento de validade da imunidade/isenção das entidades beneficentes de assistência social quanto ao recolhimento das obrigações previdenciárias tem sede no § 7. do art. 195 da Constituição Federal, nesses termos: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para dar eficácia ao comando constitucional chegou ao ordenamento pátrio a Lei n. 8.212/1991 que, em seu art. 55, prescrevia: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 26DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 14 27 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...] O texto legal transcrito nos indica que as entidades, ressalvados os casos de direito adquirido, deveriam requerer ao INSS a isenção das contribuições patronais previdenciárias. Assim, é necessário que se investigue a princípio a recorrente poderia ser enquadrada nos casos de direito adquirido, de modo que ficasse desobrigada de encaminhar ao INSS o pleito isentivo. Inicialmente chamemos atenção que a interpretação que tem prevalecido é a de que inexiste direito adquirido à manutenção da isenção para as entidades beneficentes de assistência social, ou seja, seria garantido o benefício apenas para aquelas que continuassem a preencher os requisitos normativos estabelecidos. É nesse sentido que se pronunciou a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, no Parecer n. CJ/MPS n ° 3.133/2003, do qual vale a pena transcrever o excerto: 30. Ora, revelase absurda a tese de direito adquirido à isenção, com fundamento no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.572/77, uma vez que este mesmo diploma legal estabelece, no art. 2º, hipóteses em que a isenção será automaticamente revogada. 31. A regra contida no art. 2º do Decretolei nº 1.572/77 exige que as entidades beneficiadas pelos §§ 1º, 2º e 3º do art. 1º, do referido Decretolei, mantenham a condição de entidades filantrópicas, bem como o reconhecimento de utilidade pública federal, caso contrário, perdem automaticamente o direito à isenção, ou seja, a garantia do Fl. 27DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 28 direito à isenção fica sujeita a não ocorrência da condição resolutiva. 32. Ao prever a possibilidade da perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos, depreendese que o Decretolei nº 1.572/77 manteve, consequentemente, no ordenamento jurídico, a exigência dos requisitos para caracterização da entidade como filantrópica, bem como o meio e a competência para esta certificação. 33. O instituto do direito adquirido protege um determinado direito, já incorporado definitivamente ao patrimônio do seu titular, contra alterações posteriores da legislação. Para tanto, é necessário que o ordenamento jurídico, em um dado momento, segundo as regras então vigentes, tenha garantido a incorporação do direito ao patrimônio do seu titular, bem como tenha determinado a intangibilidade deste direito. 34. Concluise, portanto, que o direito à isenção não foi resguardado pela cláusula da intangibilidade, muito pelo contrário, a própria lei que o garantiu, estabeleceu os casos em que seria revogado. Nunca, em nenhum momento, o direito à isenção tornouse um direito intocável, de forma a configurar direito adquirido das entidades beneficiárias, como quer fazer crer, equivocadamente, a recorrente. Em 1959, com o advento da Lei n. 3.577, surgiu no direito pátrio a isenção das contribuições previdenciárias para as entidades reconhecidas como de utilidade pública, cujos diretores não recebessem remuneração. Esse diploma normativo foi revogado pelo DecretoLei n. 1.572/1977, que dispôs em seu art. 1. : "Art. 1. Fica revogada a Lei n. 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no. Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. (grifamos) Todavia, as entidades que já gozavam do benefício e aquelas que estavam em vias de adquirilo foram ressalvadas nos parágrafos do art. 1. do mesmo diploma legal: § 1° A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste DecretoLei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição.(grifamos) § 2. A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do inicio da vigência deste DecretoLei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando de aludida Fl. 28DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 15 29 isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. A exegese dos dispositivos acima permite concluir que, a partir da edição do Decreto Lei n. 1.572/1977 foram fechadas as portas para concessão de novas isenções, ficando, todavia, garantido o direito das entidades ali ressalvados, desde, como já frisamos, mantivessem os requisitos legais necessários a fruição do benefício nos termos da legislação revogada. Verifiquemos, então, se observa no caso sob análise a recorrente era isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias sob a égide da Lei n. 3.577/1959. Os requisitos estabelecidos por essa Lei restringiamse a posse do título de entidade emitido pelo Governo Federal e do certificado de entidade de fins filantrópicos por prazo indeterminado e a constatação de que os diretores da entidade não recebessem remuneração. De acordo com o documento de fls. 268, a empresa detinha o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos desde 1974, o qual foi substituído pelo emitido em 04/08/1992. Quanto ao título de Utilidade Pública Federal, comprova o documento de fl. 167, que a entidade obteve pelo Decreto de 25/05/1992 (DOU 26/05/1992). Analisandose o referido Decreto,concluise que a empresa havia formulado o pedido em 1974. Vejase os termos do ato presidencial: ‘O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição: DECRETA: (...) Art. 1. São declaradas de utilidade pública federal, nos termos do art. 1. da Lei n. 91, de 28 de agosto de 1935, combinado com o art. 1. do regulamento aprovado pelo Decreto n. 50.517, de 02 de maio de 1961, as seguintes instituições: (...) ORGANIZAÇÃO SANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, com sede na cidade de Santo Amaro, Estado de São Paulo, portadora do CGC n. 62.277.207/000165 (Processo MJ n. 10.813/74.)’ Verificase, nesse sentido, que a OSEC, a época da edição do Decreto n. 1.572/1977 era portadora do Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos e havia requerido o título de utilidade pública federal. Diante desses fatos, forçoso reconhecer que a recorrente era possuidora do direito adquirido a que se refere o § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 30 Nesse sentido para que a entidade pudesse ser notificada pelo inadimplemento das contribuições de responsabilidade da empresa, obrigatoriamente o Fisco teria que emitir ato cancelatório, do qual a empresa teria direito a se contrapor. Assim, a presente lavratura, por não ter observado o prévio cancelamento da isenção, não deve subsistir. É o que se pode ver do disposto na Instrução Normativa – IN n. 03/2005: Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. Do § 6. acima não resta dúvida de que a perda do direito de gozar da isenção somente se dá mediante a emissão do Ato Cancelatório, que deverá indicar inclusive em que data a empresa deixou de cumprir os requisitos legais para manutenção da condição de entidade isenta. Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de incompetência da Auditoria Fiscal, por reconhecer a decadência Fl. 30DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 16 31 do crédito no período de 05/2000 a 12/2001, e, no mérito, pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo [...]” (grifos nossos) Da leitura do voto acima, verificase que, para fruição da imunidade, as entidades, ressalvados os casos de direito adquirido, deveriam requerer ao INSS a isenção das contribuições patronais previdenciárias. Assim, é necessário que se verifique, em princípio, se a recorrente poderia ser enquadrada nos casos de direito adquirido, de modo que ficasse desobrigada de encaminhar ao INSS o pleito isentivo. Segundo consta dos autos, a Recorrente era isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias sob a égide da Lei n. 3.577/1959. Os requisitos estabelecidos nessa regra restringiamse a posse do título de entidade emitido pelo Governo Federal e do certificado de entidade de fins filantrópicos por prazo indeterminado e a constatação de que os diretores da entidade não recebessem remuneração. No presente processo, os documentos de fls. 134 e seguintes, demonstram que a Recorrente detinha o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos desde 1974, o qual foi substituído pelo emitido em 04/08/1992. Relativamente ao título de Utilidade Pública Federal, a documentação acostada aos autos, especialmente e fl. 137, igualmente, comprova ter sido conferido aludido título à entidade pelo Decreto de 25/05/1992 (DOU 26/05/1992), constando, ainda, que a Recorrente formulou o pedido em 1974. Demonstrase, assim, que a OSEC, a época da edição do Decreto nº 1.572/1977, era portadora do Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos e havia requerido o título de utilidade pública federal. Nesse sentido, para que a entidade pudesse ser notificada pelo inadimplemento das contribuições de responsabilidade da empresa, obrigatoriamente o Fisco teria que emitir Ato Cancelatório em processo administrativo próprio, oportunizando o direito de defesa da empresa. A rigor, a própria Instrução Normativa SRP n° 03/2005, oferece proteção ao entendimento acima, senão vejamos: “Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 32 § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS.” Partindo dessas premissas, verificase que o fiscal notificante inobservou a necessidade de prévio cancelamento da isenção da entidade, com a emissão de Ato Cancelatório, nos termos da norma retro, como condição à constituição do crédito previdenciário sob análise, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude. Pelos fundamentos acima voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte, determinando a aplicabilidade do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, bem como reconhecendo à imunidade da contribuinte em relação a cota patronal das contribuições previdenciárias, que somente poderia ser afastada mediante emissão prévia de Ato Cancelatório, razão pela qual se apresenta improcedente o lançamento fiscal em comento. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 32DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000509/200746 Acórdão n.º 920201.878 CSRFT2 Fl. 17 33 Fl. 33DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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