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Numero do processo: 13653.000134/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PENSÃO DECORRENTE DE FALECIMENTO DE EX- COMBATENTE DA FEB. ISENÇÃO LIMITADA AOS CASOS EXPRESSAMENTE PREVISTOS EM LEI.
São isentos do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas - IRPF as pensões decorrentes de falecimento de ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira - FEB, pagos de acordo com os Decretos-Leis nº 8.794 e nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, a Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, o art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963 e o art. 17 da Lei nº 8.059, de 04 de julho de 1990.
Numero da decisão: 2402-005.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 PENSÃO DECORRENTE DE FALECIMENTO DE EX- COMBATENTE DA FEB. ISENÇÃO LIMITADA AOS CASOS EXPRESSAMENTE PREVISTOS EM LEI. São isentos do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas - IRPF as pensões decorrentes de falecimento de ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira - FEB, pagos de acordo com os Decretos-Leis nº 8.794 e nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, a Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, o art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963 e o art. 17 da Lei nº 8.059, de 04 de julho de 1990.
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ISENÇÃO LIMITADA AOS CASOS EXPRESSAMENTE PREVISTOS EM LEI. São isentos do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPF as pensões decorrentes de falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira FEB, pagos de acordo com os DecretosLeis nº 8.794 e nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, a Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, o art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963 e o art. 17 da Lei nº 8.059, de 04 de julho de 1990. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 00 01 34 /2 00 5- 19 Fl. 88DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13653.000134/200519 Acórdão n.º 2402005.745 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA (fl. 37/39), que julgou improcedente impugnação apresentada em face da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas IRPF, relativa ao ano calendário 2001 / exercício 2002, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 5.414,08, acrescido de juros de mora e multa de ofício. Por bem retratar as questões trazidas até a apresentação do recurso voluntário, reproduzse os trechos correspondentes do relatório da Resolução nº 210100.090, da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento (fls. 82/84): Tratase de recurso voluntário (fls. 41/46) interposto em 29 de abril de 2008 contra o acórdão de fls. 35/37, do qual a Recorrente teve ciência em 03 de abril de 2008 (fl. 40), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 05/11, lavrado em 28 de abril de 2005, em decorrência de omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, verificada no anocalendário de 2001. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. PENSÃO MILITAR. FEB. A ausência de demonstração cabal de que os rendimentos pagos à contribuinte pelo Ministério da Defesa correspondam à pensão da natureza descrita no art. 39, XXXV, do RIR/99, leva à consideração desses rendimentos como tributáveis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A descrição dos fatos expressa pela Fiscalização deuse em razão da infração observada no exame da documentação oferecida pela própria impugnante, demonstrando essa, em sua defesa, plena ciência da motivação que levou a autoridade revisora a alterar os rendimentos declarados. Lançamento procedente” (fls. 35). Fl. 90DF CARF MF 4 Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 41/46), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. A 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência para que o órgão preparador intimasse o Ministério da Defesa a fim de que este especificasse a natureza dos rendimentos pagos à recorrente, informando se o Título de Pensão Militar Especial nº 061/1982 (fl. 14) ainda é válido e se os rendimentos recebidos pela recorrente referemse à alegada Pensão Militar Especial e em qual proporção. Por meio do Relatório Fiscal – Diligência (fl. 57) o órgão preparador informou que o Centro de Pagamento do Exército comunicou (vide expediente de fl. 56) que “os rendimentos auferidos pela pensionista no ano calendário 2001, bem como os demais rendimentos que a mesma vem recebendo até a presente data, são classificados como tributáveis. Acrescentou que as informações constantes do Comprovante de Rendimentos emitido pelo Órgão estão corretas”. Em relação ao resultado da diligência a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fl. 59) nos seguintes termos: 1. Conforme circular do Ministério da Defesa de 24/08/2010 (OF nº 198) item 3A, fica claro a isenção de rendimentos de ex combatentes da FEB; 2. Que o erro, nítido e claro, se encontra nas informações emitidas pelo centro de pagamento do Exército; que insiste em não reconhecer esta isenção; 3. Que já estou providenciando, que este centro altere essas informações, com o simples conhecimento da circular OF n°198 de 24/08/2010 do próprio Exército Brasileiro Posteriormente foi emito pelo órgão preparador Relatório Fiscal – Diligência – Documentos Complementares (fl. 73) com as seguintes informações: Após o encerramento da diligência e devolução do processo ao CARF o Comando do 4o Batalhão de Engenharia de Combate de Itajubá/MG encaminhou o Ofício n" 76OPIP/Cmt/4º BE Cmb EB 64033.002921/201335, de 09/10/2013, recebido nesta Unidade em 22/10/2013, onde expõe outro entendimento acerca dos rendimentos pagos a pensionista, assim concluindo: "......pelo entendimento da Secretaria de Economia e Finanças do Exército, através do Of n" 198 Asse Jurd, de 24 de agosto de 2010 (anexo), deveria estar isenta do imposto de renda. (Grifos do original) Referidas informações, veiculadas no Relatório Fiscal – Diligência – Documentos Complementares, foram extraídas do expediente de fls. 74/75. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13653.000134/200519 Acórdão n.º 2402005.745 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Convém ressaltar, de início, que o objeto da presente lide se resume à verificação da existência ou não do direito da recorrente ao benefício legal previsto no inciso XII do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, o qual dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XII as pensões e os proventos concedidos de acordo com os DecretosLeis, nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, e art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira; [...] O Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR), acrescenta a esse rol de normas sancionadoras de isenção, por meio do inciso XXXV de seu art. 39, os rendimentos relacionados a proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de excombatente da FEB, concedido por força do art. 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990. Ressaltese que referido dispositivo se prestou tãosomente a resguardar direito previsto no revogado art. 30 da Lei nº 4.242/1963, não trazendo qualquer inovação no que respeita a regra referente ao favor legal. Importa esclarecer ainda que a isenção definida XII do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, não acode de forma generalizada os excombatente da FEB e suas respectivas pensionistas, mas se volta exclusivamente a situações consideradas especiais pelo legislador ordinário. Senão vejamos cada uma dessas situações: a) Decretolei nº 8.794/1946: regula vantagens a que têm direito os herdeiros dos militares da FEB desaparecidos, falecidos em virtude de ferimentos e moléstias adquiridas ou agravadas na zona de combate, de acidente em serviço e de quaisquer outros motivos, desde que no teatro de operações da Itália; b) Decretolei nº 8.795/1946: regula as vantagens a que têm direito os militares da FEB incapacitados fisicamente; c) Lei nº 2.579/1955: concede amparo aos exintegrantes da FEB julgados inválidos ou incapazes definitivamente para o serviço militar; e Fl. 92DF CARF MF 6 d) art. 30 da Lei nº 4.242/1963 e art. 17 da Lei nº 8.059/1990: concede pensão aos excombatentes da 2.ª Guerra Mundial que se encontrem incapacitados, sem prover os próprios meios de subsistência, bem como a seus herdeiros. No caso concreto, após realização de diligência, restou consignado no Ofício nº 76 OPIP/Cmt/4º BE Cmb (fls. 74/75): 1. Em atenção ao solicitado no TERMO DE INTIMAÇÃO DILIGÊNCIA FISCAL de 12 de agosto de 2013, dessa delegacia, informovos a V. Sa. o que se segue: a) a Sra. MARIA TEREZINHA CARDOSO, CPF 471.506.61653, PREC/CP 980350272, vinculada a este Órgão Pagador, foi implantada como viúva do exCombatente FEB Guilherme Cardoso, em virtude de seu falecimento ocorrido em 19 dc agosto dc 1981, com os proventos integrais de 2º Sargento (Soldo e Adicional Militar de 19%), sendo amparada na Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, conforme Título de Pensão Militar Especial nº 062/1982, de 26 de março de 1982 (anexo). b) Com o advento da Lei n° 8.059, de 4 de julho dc 1990, foi confeccionada a Ficha de Revisão de Pensão Militar, de 3 de julho de 1996, através da qual foi alterada a pensão de 2º Sargento para 2º Tenente (Soldo e Adicional Militar de 19%). c) Segundo a Assessoria Jurídica da Secretaria de Economia c Finanças do Exército, através do Of nº 198Asse Jur – 10 (A1/SEF), de 24 de agosto de 2010 (anexo), as pensões decorrentes da Lei nº 4.242/63 (remuneração de 2o Sargento) cujos beneficiários estejam recebendo pensão equivalente à remuneração de 2o Tenente, com fundamento no artigo 2o da Portaria nº 3.359/SC5, de 7 de novembro de 1989, não deverão ser reduzidas e não deverão sofrer a incidência do imposto de renda. d) A Portaria n" 3.359/SC5, dc 7 de novembro de 1989, estabelece normas para a aplicação do mandamento contido no art. 40, parágrafos 4o c 5" da Constituição Federal, bem como nos arts. 20 c 53, incisos II e III e seu parágrafo único, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da seguinte forma: Art. 2º São autoaplicáveis, a partir de 1o de abril de 1989: III a substituição, na forma do parágrafo único do art. 53. do ADCT, das pensões já concedidas aos excombatentes ou seus dependentes, com fundamento no art. 30 da Lei n° 4.242. de 17 de julho de 1963, bem como das pensões das Leis n° 6.592, de 17 de novembro de 1978 e 7.474, de 17 de dezembro de 1985. Parágrafo único. Nos casos do inciso III, deste artigo, a atualização darseá pela simples substituição do valor da pensão atual pelo da pensão correspondente à deixada por um segundotenente, nos termos do caput da art. 15 da Lei n° 3.765, de 4 de maio de 1960. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13653.000134/200519 Acórdão n.º 2402005.745 S2C4T2 Fl. 5 7 2. Diante do exposto, informo a V. Sa. que a pensionista especial de excombatente MARIA TEREZINHA CARDOSO, percebe os proventos integrais de 2° Tenente, com base na Portaria n° 3.359/CS5, de 7 de novembro de 1989, supracitada; e pelo entendimento da Secretaria de Economia e Finanças do Exercito, através do Of n° 198Asse Jurd, de 24 de agosto de 2010 (anexo), deveria estar isenta do imposto de renda. (Grifos do original) Vejase que o Ofício expedido pelo 4º Batalhão de Engenharia de Combate, sobretudo os trechos acima reproduzidos, corrobora a informação contida no Título de Pensão Militar nº 061/1982 (fl. 14), de que o fundamento para a concessão da pensão à recorrente foi o art. 30 da Lei nº 4.242/1963. Desse modo, considerando o disposto no inciso XII do art. 6º da Lei nº 7.713/1988 e tudo mais que consta dos autos, concluo que os valores recebidos a título de pensão pela recorrente enquadramse nas disposições contidas na norma isentiva. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.911803/2011-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.911803/201126 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.484 – 3ª Turma Sessão de 07 de dezembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES. PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 18 03 /2 01 1- 26 Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11080.911803/201126 Acórdão n.º 9303004.484 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.930, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11080.911803/201126 Acórdão n.º 9303004.484 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11080.911803/201126 Acórdão n.º 9303004.484 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11080.911803/201126 Acórdão n.º 9303004.484 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11080.911803/201126 Acórdão n.º 9303004.484 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 555DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.735044/2013-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não contestada e, portanto, fora da lide, a matéria que não tenha sido expressamente defendida pelo contribuinte.
DECADÊNCIA. PASSIVO FICTÍCIO. BASE DE CÁLCULO. SALDO DA CONTA. OBRIGAÇÕES PROVENIENTES DE PERÍODOS JÁ DECAÍDOS. INOCORRÊNCIA.
A presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício -tanto no caso de obrigação cuja existência não foi comprovada, como no de irregular manutenção no passivo - decorre da lógica contábil de que tais procedimentos têm por objetivo impedir o surgimento de saldo credor de caixa. Portanto, o dever de comprovar a obrigação mantida no passivo em período não decaído permanece, mesmo tendo ela sido registrada em período já decaído, sob pena de não se poder aplicar a presunção legal ao passivo de longo prazo. Preliminar indeferida.
PASSIVO FICTÍCIO. A presença escritural de passivo não comprovado conduz à presunção legal de omissão de receita.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
Numero da decisão: 1401-001.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não contestada e, portanto, fora da lide, a matéria que não tenha sido expressamente defendida pelo contribuinte. DECADÊNCIA. PASSIVO FICTÍCIO. BASE DE CÁLCULO. SALDO DA CONTA. OBRIGAÇÕES PROVENIENTES DE PERÍODOS JÁ DECAÍDOS. INOCORRÊNCIA. A presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício -tanto no caso de obrigação cuja existência não foi comprovada, como no de irregular manutenção no passivo - decorre da lógica contábil de que tais procedimentos têm por objetivo impedir o surgimento de saldo credor de caixa. Portanto, o dever de comprovar a obrigação mantida no passivo em período não decaído permanece, mesmo tendo ela sido registrada em período já decaído, sob pena de não se poder aplicar a presunção legal ao passivo de longo prazo. Preliminar indeferida. PASSIVO FICTÍCIO. A presença escritural de passivo não comprovado conduz à presunção legal de omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não contestada e, portanto, fora da lide, a matéria que não tenha sido expressamente defendida pelo contribuinte. DECADÊNCIA. PASSIVO FICTÍCIO. BASE DE CÁLCULO. SALDO DA CONTA. OBRIGAÇÕES PROVENIENTES DE PERÍODOS JÁ DECAÍDOS. INOCORRÊNCIA. A presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício tanto no caso de obrigação cuja existência não foi comprovada, como no de irregular manutenção no passivo decorre da lógica contábil de que tais procedimentos têm por objetivo impedir o surgimento de saldo credor de caixa. Portanto, o dever de comprovar a obrigação mantida no passivo em período não decaído permanece, mesmo tendo ela sido registrada em período já decaído, sob pena de não se poder aplicar a presunção legal ao passivo de longo prazo. Preliminar indeferida. PASSIVO FICTÍCIO. A presença escritural de passivo não comprovado conduz à presunção legal de omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 50 44 /2 01 3- 85 Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10480.735044/201385 Acórdão n.º 1401001.777 S1C4T1 Fl. 532 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10480.735044/201385 Acórdão n.º 1401001.777 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SalvadorBA. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de impugnação de fls. 21570/21605, apresentada contra os autos de infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, que totalizam R$ 42.564.081,58, aí incluídos juros de mora e multa de ofício de 112,50%. O enquadramento legal encontrase arrolado nos respectivos autos de infração. A Descrição dos Fatos e o enquadramento legal do auto de infração do IRPJ são abaixo reproduzidos: 0001 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL PASSIVO FICTÍCIO Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação não comprovada, conforme relatório fiscal em anexo (TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL). Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2010: art. 3°da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso III, e 288 do RIR/99 0002 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO Imposto de renda recolhido a menor conforme relatório fiscal em anexo (TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL). Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2009 e 30/09/2009: Arts. 247 e 841, inciso IV, do RIR/99 O Termo de Verificação do Procedimento Fiscal, constante em fls. 68/76, assim detalha a infração o procedimento fiscal. 2.3.1 PASSIVO FICTÍCIO Por meio dos TIF n° 001, 003 e 004, o sujeito passivo foi intimado a apresentar documentação comprobatória dos saldos e dos lançamentos efetuados nas contas do seu passivo abaixo indicadas bem como de eventual relacionamento dessas contas com contas do ativo relacionadas a mútuos: 22100100001 TRANSVAL SEG. E VIGILÂNCIA LTDA; 22100100002 TRANSVAL SERVS. GER. E CONSERV LTDA; 22100100003 TRANSVAL COM. E SEG. ELETRÔNICA LTDA; 22100100004 SOC. BRAS. DE SERVS. GERAIS QUALISERV; 22100100005 TSG TRANSVAL SERVS. GERAI LTDA; 22100100006TRANSVAL VIGILÂNCIA LTDA; 22100100009 TRANSVAL TRANSP. EG. VIG. VLRS LTDA. Esgotados todos os prazos estabelecidos nos respectivos termos o sujeito passivo não se manifestou, não apresentando qualquer documentação comprobatória Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 10480.735044/201385 Acórdão n.º 1401001.777 S1C4T1 Fl. 534 4 da existência dos saldos e dos lançamentos contábeis efetuados nas contas do passivo acima indicadas, caracterizando, de acordo com o inciso III do artigo 281 do RIR/99, presunção de omissão de receita. A tabela abaixo, com valores em reais, elaborada com base nos arquivos contábeis digitais obtidos do SPED, resume a apuração feita nas contas indicadas, correspondendo o saldo inicial da conta à data de 01/01/2009 e de 01/01/2010, conforme se trate do ano calendário de 2009 ou de 2010, respectivamente. (vide Tabela de fls. 75) 2.4 IRPJ INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO De acordo com DIPJ 2010, o sujeito passivo apresentou lucro real no terceiro trimestre de 2009 no valor de R$ 1.658.602,32, apurando imposto de renda no valor de R$ 408.650,58 (soma dos itens 01 e 02 da Ficha 12A). Contudo, utilizou como dedução a título de imposto de renda retido na fonte o valor de R$ 408.650,58, correspondente ao total anual de IRRF por ele escriturado em sua contabilidade na conta 11200500003 IRRF S/FATURAMENTO. Contudo, de acordo com DIRF apresentadas por tomadores de serviços prestados pela fiscalizada, para os três primeiros trimestres houve retenção de IRRF no valor de R$ 236.324,51 (vide planilha elaborada a partir das DIRF). Assim, utilizandose o valor de IRPJ apurado pelo próprio contribuinte e deduzindose o valor do IRRF constantes das DIRF, chegase ao valor de R$ 172.326,07 de IRPJ a pagar referente ao terceiro trimestre de 2009. Observese ainda que o contribuinte não declarou esse valor em DCTF. Considerando que o sujeito passivo deixou de apresentar arquivos digitais de documentos ficais conforme solicitado bem como deixou de prestar esclarecimentos solicitados, sujeitouse a aplicação do § 2o do artigo 44 da Lei do Ajuste Tributário n° 9.430/96. Sobre as receitas consideradas omitidas incidiram IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O contribuinte foi cientificado, em 16/12/2013, conforme AR de fls. 79, e apresentou, em 14/01/2014, a impugnação de fls. 381/398. DECADÊNCIA. Não haveria que se falar na realização de lançamento de títulos decorrentes de operações realizadas anteriores a 01/01/2009. PASSIVO FICTÍCIO. Todas as operações de mútuo realizadas entre as empresas coligadas seriam operações legais e estariam devidamente escrituradas na documentação contábil apresentada à autoridade fiscal. As operações de mútuo realizadas entre as empresas coligadas estariam devidamente comprovadas pelos lançamentos efetuados na contabilidade. RAZOABILIDADE. O valor tributável apontado como devido em razão da suposta omissão de receita seria incompatível com o faturamento da defendente, como também com a situação por ela enfrentada que culminou com o pedido de Recuperação Judicial. Conclui alegando que teria sido comprovado que não existiria o passivo fictício apontado, que a empresa não teria omitido receita, e que a manutenção do Auto de Infração guerreado implicaria em afronta aos Princípios da Legalidade, da Boafé, da Razoabilidade e Proporcionalidade. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 10480.735044/201385 Acórdão n.º 1401001.777 S1C4T1 Fl. 535 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. DECADÊNCIA. PASSIVO FICTÍCIO. BASE DE CÁLCULO. SALDO DA CONTA. OBRIGAÇÕES PROVENIENTES DE PERÍODOS JÁ DECAÍDOS. INOCORRÊNCIA. A presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício tanto no caso de obrigação cuja existência não foi comprovada, como no de irregular manutenção no passivo decorre da lógica contábil de que tais procedimentos têm por objetivo impedir o surgimento de saldo credor de caixa. Portanto, o dever de comprovar a obrigação mantida no passivo em período não decaído permanece, mesmo tendo ela sido registrada em período já decaído, sob pena de não se poder aplicar a presunção legal ao passivo de longo prazo. Preliminar indeferida. PASSIVO FICTÍCIO. A presença escritural de passivo não comprovado conduz à presunção legal de omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repetindo literalmente os mesmos argumentos aduzidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 10480.735044/201385 Acórdão n.º 1401001.777 S1C4T1 Fl. 536 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos legais para admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DELIMITAÇÃO DA LIDE A infração relacionada à "INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO" relativa ao terceiro trimestre de 2009, no montante de R$ 172.326,07 não foi expressamente contestada desde a fase impugnatória, motivo pelo qual, a teor do art. 17 do PAF (Decreto n° 70.235/72), a matéria está consolidada na esfera administrativa. DECADÊNCIA Defendese a Recorrente alegando que o valor contabilizado no passivo em 01/01/2009, referirseia a operações realizadas em períodos anteriores a dezembro/2008, portanto estaria decaído. Ora, não faz sentido essa argumentação da Recorrente, pois seria desprezar que a omissão de receita caracterizada por passivo fictício se dá através de uma presunção legal decorrente mesmo da lógica de que a manutenção do passivo, a obrigação vencida que não é baixada, decorreria de eventos irregulares passados que procurariam evitar a ocorrência do saldo credor de caixa. O dever de comprovar as obrigações que se encontram registradas no passivo se dá no tempo presente desse marco e não da data do registro das obrigações ocorridas lá no passado, não havendo nada na norma que permita se extrair que a presunção legal remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício. Isso também porque, como bem lembrou a DRJ: Pensar que é a data de registro da obrigação que define o respectivo prazo decadencial é supor que a presunção legal não seja aplicável ao passivo de longo prazo, o que contraria o princípio hermenêutico de não se distinguir onde a própria lei não distingue. Preliminar indeferida. Sendo assim, como a ciência dos Autos de Infração ocorreu em 16/12/2013, os fatos geradores do ano calendário de 2009 e 2010 não teriam sido atingidos pela decadência. MÉRITO Conforme relatado, o lançamento foi decorrente de presunção de omissão de receitas advindas da caracterização de passivo fictício, envolvendo as seguintes contas do passivo: 22100100001 TRANSVAL SEG. E VIGILÂNCIA LTDA; 0 TRANSVAL SERVS. GER. E CONSERV LTDA; 1 TRANSVAL COM. E SEG. ELETRÔNICA LTDA; 2 SOC. BRAS. DE SERVS. GERAISQUALISERV; 22100100005 TSG TRANSVAL SERVS. GERAL LTDA; Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 10480.735044/201385 Acórdão n.º 1401001.777 S1C4T1 Fl. 537 7 22100100006 TRANSVAL VIGILÂNCIA LTDA; 22100100009 TRANSVAL TRANSP. EG. VIG. VLRS LTDA. Foi intimado e reintimada a apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovassem os referidos saldos e dos lançamentos efetuados nas contas do seu passivo acima indicadas bem como de eventual relacionamento dessas contas com contas do ativo relacionadas a mútuo. Porém, não se desencumbiu desse desiderato, deixando esgotar todos os prazos estabelecidos sem se manifestar ou apresentar qualquer documentação comprobatória da existências dos referidos saldos, motivo pelo qual foi lavrado a referida autuação com base no inciso II do art. 281 do RIR/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. A única alegação da Recorrente em sua defesa é a afirmação de que o referido passivo seria decorrente de empréstimo a coligadas e que isso poderia ser aferido cotejandose o demonstrativo de apuração detalhado do IRPJ em confronto com os balancetes anexados. Complementa que todos os empréstimos realizados pela recorrente estariam devidamente escriturados tanto nos balancetes, como também nos demais documentos contábeis, além de estarem amparados pelos respectivos contratos de mútuos firmados e que a comprovação também seria possível através das transferências bancárias, ressalvando apenas que não se encontraria na documentação contábil nenhum título quitado dado a dificuldade financeira. Cabe salientar que na fase inquisitorial não trouxe qualquer elemento de prova a não ser alguns contratos de mútuo, apenas na fase impugnatória é que acosta balancetes e comprovantes de transferências bancárias que segundo a DRJ não guardariam qualquer relação com os saldos apontados pela fiscalização no TVF de fls. 75. Vejamos o teor da decisão de piso a esse respeito: Os documentos que o contribuinte trouxe com a peça de defesa foram balancetes e comprovantes de transferências bancárias, que não guardam qualquer relação com os valores listados pela fiscalização no TVF em fls. 75. Com os balancetes e os comprovantes de transferências bancárias colacionados ao tempo da presente impugnação, parece pretender o impugnante provar que não manteria no passivo contas já pagas e que tais valores estariam agasalhados pelos respectivos contratos de mútuos firmados. Ocorre, entretanto, esclarecerse que se de mútuo se tratarem as referidas contas de passivo objeto da presente autuação, como crer fazer crer o impugnante, estes não guardam qualquer relação com os únicos contratos de mútuos constantes nos autos, apresentados à fiscalização e constantes em fls. 134/142. Isto porque que nos referidos contratos a impugnante figura como mutuante e não como tomadora de empréstimo, ou seja não justificam Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 10480.735044/201385 Acórdão n.º 1401001.777 S1C4T1 Fl. 538 8 obrigações contraídas como refletem as contas de passivo objeto da presente autuação. Pelo contrário, os contratos apresentados podem respaldar apenas e tão somente as transferências bancárias realizadas pela impugnante para as empresas ligadas, como refletem as suas contas de ativo, créditos estes que concedeu e sobre os quais não recolheu IOF, como apurou a fiscalização, o que ensejou a autuação constante no processo administrativo 10480.735045/2013 20. Apenas a título de esclarecimentos os contratos colacionados, em que o impugnante figura como mutuante, tem como objeto o suprimento de numerário à mutuaria, empresa ligada, para efeito de gastos, material de expediente, pagamento de tributos, aluguéis, condomínio e outros gastos de atividade, sendo assim pouco provável que tais empresas ligadas tivessem capacidade econômica para conceder empréstimos de quantias vultosas para o impugnante. Como se vê, a presunção legal de omissão de receitas opera a inversão do ônus da prova e a recorrente não se desincumbe desse mister, uma vez que traz elementos de provas totalmente desarticulados com o que se pretende provar. Como bem colocou a DRJ, juntou apenas documentos em que ele concede e não em que ele figure como tomador de empréstimos,portanto, não justificando de maneira alguma os saldos apurados pela fiscalização nas contas de passivo. A esse respeito, ao invés de robustecer a sua prova em sede de recurso voluntário ou mesmo refutar a fundamentação da DRJ, quedase silente contentandose em repetir em sede recursal as mesmas alegações impugnatórias fazendo ouvido de mercador da fundamentação da DRJ que desarticulou completamente a sua defesa. Quanto às alegações de ofensa a princípios constitucionais, cabe esclarecer que a a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste Conselho (atual Primeira Sessão do CARF): Súmula 1ºCC nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os mesmos fundamentos aqui expostos aplicamse no tocante ao auto de infração da CSLL, PIS e COFINS que constam do presente processo administrativo, tendo em vista que as infrações apuradas são reflexos dos mesmos fatos. Por todo o exposto, AFASTO a decadência e nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 10480.735044/201385 Acórdão n.º 1401001.777 S1C4T1 Fl. 539 9 Fl. 1420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720012/2013-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 27/01/2012
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. RELAÇÃO COM A MULTA POR CESSÃO DE NOME PARA ACOBERTAMENTO/OCULTAÇÃO.
A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplica-se a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do Decreto-Lei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (art. 33 da Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de acobertar, quando identificado o acobertado.
IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. APLICAÇÃO. PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE.
A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, aplica-se, conforme o próprio texto legal, somente a pessoas jurídicas.
IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. APLICAÇÃO. MAIS DE UMA PESSOA. POSSIBILIDADE.
A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, pode ser aplicada, conjunta ou isoladamente, a todos os que cederem seu nome com vistas a acobertar/ocultar o real interveniente na operação.
IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA.
A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação.
Numero da decisão: 3401-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para excluir do polo passivo todas as pessoas físicas relacionadas na autuação. Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Henrique Lemos.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. RELAÇÃO COM A MULTA POR CESSÃO DE NOME PARA ACOBERTAMENTO/OCULTAÇÃO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (art. 33 da Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. APLICAÇÃO. PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, aplicase, conforme o próprio texto legal, somente a pessoas jurídicas. IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. APLICAÇÃO. MAIS DE UMA PESSOA. POSSIBILIDADE. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, pode ser aplicada, conjunta ou isoladamente, a todos os que cederem seu nome com vistas a acobertar/ocultar o real interveniente na operação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 12 /2 01 3- 60 Fl. 1055DF CARF MF 2 IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para excluir do polo passivo todas as pessoas físicas relacionadas na autuação. Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Henrique Lemos. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 101, lavrado, em 26/09/2013, contra a empresa estrangeira "RSE Company of Delaware", por cessão de nome "para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação", prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, no valor de R$ 1.438.771,20, tendo como responsáveis solidários o Sr. "Eduardo de Souza Ramos", a empresa BAP Táxi Aéreo, o Sr. Leandro Rodrigues Cordeiro, e o Sr. José Antonio Barth de Freitas. Foi ainda lavrada autuação, em relação às mesmas pessoas, para aplicação de multa substitutiva do perdimento, em autos apartados (processo administrativo no 11.829.720.011/201315). No Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos, anexo à autuação (fls. 11 a 85, narra a fiscalização que: (a) em procedimento de fiscalização da aeronave de prefixo estrangeiro N 883 RW, marca Dassault, modelo 50 EX, numero de série 338, ano de fabricação 2004, introduzida no território nacional sob alegado amparo do regime de admissão temporária estabelecida pelo Decreto no 97.464/1989, no âmbito da “Operação POUSO FORÇADO”, foi constatada irregularidade punível com a pena de perdimento da correspondente mercadoria, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 11829.720012/201360 Acórdão n.º 3401003.289 S3C4T1 Fl. 1.056 3 substituída pela aplicação de multa no valor aduaneiro, nos termos do art. 105, incisos VI, VII e XI do DecretoLei no 37/1966; do art. 23, inciso V e §§ 1o e 3o do Decretolei no 1.455/1976 (processo administrativo no 11.829.720.011/201315); (b) na Operação, deflagrada em 20/06/2012, e conduzida pela RFB em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público, foi decretado o sequestro judicial da aeronave, em cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão Anexo 20); (c) a aeronave, de propriedade da empresa estrangeira “RSE COMPANY OF DELAWARE” (“RSE”) entrava em território nacional irregularmente mediante TEAT (Termo de Entrada de Admissão Temporária), servindo aos interesses de brasileiros residentes, o Sr. “EDUARDO DE SOUZA RAMOS” (“EDUARDO”), dono da “RSE”, e os pilotos e também usuários, Sr. “LEANDRO RODRIGUES CORDEIRO” (“LEANDRO”) e “JOSÉ ANTÔNIO BARTH DE FREITAS” (“JOSÉ”), e da empresa “BAP TÁXI AÉREO” (“BAP”); (d) a “Operação POUSO FORÇADO” deriva da análise de dados do Sistema SIAVANAC (elaborado em conjunto por ANAC e RFB) para controlar admissões temporárias de aeronaves estrangeiras, bem como informações sobre propriedade e exploração de tais aeronaves, buscando esclarecer alguns dados incompatíveis com o regime aduaneiro; (e) o Decreto no 97.469/1989 trata de um caso especial de admissão temporária com suspensão total do pagamento de tributos, por prazo máximo de 60 dias, sem utilização econômica (voos não remunerados), restrito às cinco hipóteses que relaciona em seu art. 2o; (f) as aeronaves que foram objeto da “Operação POUSO FORÇADO” faziam uso indevido do disposto no Decreto no 97.464/1989, aplicando a suspensão total em aeronaves utilizadas por grandes períodos e em atividades remuneradas; (g) foi aberto procedimento especial (IN RFB no 1.169/2011) em relação às empresas “RSE” e “BAP”, e, depois de diversas intimações (relação às fls. 22/23), apurouse que a aeronave era de propriedade da “RSE” desde 30/07/2009, tendo sido vendida à empresa “MARTEX VENTURES LLC” em junho de 2012, por US$ 8.160.000,00; (h) no relatório de movimentação encaminhado pela ANAC (período de agosto de 2009 a janeiro de 2012), foram registradas operações quase contínuas da aeronave no território nacional: em 712 dias que esteve em efetiva operação, a aeronave permaneceu no país 518, sendo o motivo declarado das viagens majoritariamente “viagem de diretor ou representante de sociedade ou firma, quando a aeronave for de sua propriedade” e “outros voos não remunerados”, e os operadores às vezes a “RSE” e às vezes a “BAP” (apontada como o “real adquirente oculto”); (i) foram registrados no período 160 voos da aeronave, sendo 120 nacionais, incluindo destinos turísticos como Salvador, Porto Seguro, Florianópolis, Angra dos Reis, e Curitiba (sede da “BAP”) e São Paulo (residência de “EDUARDO”); (j) verdadeiramente as entradas não se deram para as finalidades declaradas à Aduana nos TEAT, mas para transporte de brasileiros residentes, para fins particulares (em grande parte voos do Sr. “EDUARDO”, mas também no interesse da empresa “BAP” e dos pilotos “LEANDRO” e “JOSÉ”); (k) o Sr. “EDUARDO” nega ser representante ou participar da administração da “RSE” ou da “BAP”, endossando a finalidade particular dos voos (exemplos de viagens de turismo ao exterior, ou regressos do exterior às fls. 27 a 35, destacandose que nos voos nacionais não há lista de passageiros); (l) a admissão temporária, no que se refere às formalidades aduaneiras, é disciplinada pela IN SRF no 285/2003, que exige a adequação à finalidade e o respeito ao prazo de concessão; (m) a aeronave não era para uso de não residentes (ou “transporte de diretores”, como se alegava nos TEAT), e não se enquadra nas hipóteses de admissão temporária para utilização econômica (prestação de serviços ou produção de outros bens), devendo a ela ser aplicado o regime de importação comum; (n) a aeronave foi então desembaraçada (considerandose a “concessão do TEAT” como um “desembaraço aduaneiro”) com artifício doloso para o não pagamento dos tributos devidos (inciso XI do art. 105 do DecretoLei no 37/1966); (o) houve omissão nos TEAT de menção ao verdadeiro proprietário da aeronave, o Sr. “EDUARDO”, residente no país (“dono indireto” da “RSE” e da “BAP”, cf. figura de fl. 50), o que configura ocultação do verdadeiro responsável pela operação (inciso V do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976); (p) o Fl. 1057DF CARF MF 4 Sr. “LEANDRO”, que aparece na Internet como responsável pela venda da aeronave (Anexo 10), e um mês após a compra da aeronave, remeteu US$ 1.155.555,56 por meio de sua empresa para “importação financiada” ao exterior (fl. 51); (q) existe contrato de mútuo entre a “BAP” e “EDUARDO” (R$ 3,1 milhões), em data próxima à compra da aeronave, sendo o mútuo quitado em data próxima à venda da aeronave, em 2012 (em resposta a intimação o Sr. “EDUARDO” e o Sr. “LEANDRO” negaram a existência do contrato de mútuo); (r) após intimada (no mesmo endereço no qual a empresa foi contatada atuam outras empresas que foram objeto da “Operação Pouso Forçado”, e 381 pessoas jurídicas e 132 pessoas físicas), a “RSE” informou que atua no ramo de venda de aeronave, e que não tem sede, funcionários nem telefone, usando o endereço de diretor (sendo o diretorpresidente da “RSE” o Sr. José Maria Carneiro da Cunha, residente em Miami, mas que segundo a Declaração de IRPF apresentada no Brasil, é pessoa domiciliada no país não encontrada no endereço informado ao cadastro, e não declara qualquer rendimento recebido do exterior); (s) a aeronave foi adquirida pela “RSE”, empresa com US$ 1.500,00 de capital social, por mais de US$ 13 milhões, e vendida três anos depois por cerca de US$ 8 milhões (denotando o prejuízo de aproximadamente US$ 5 milhões que a aeronave certamente não foi adquirida para revenda), cabendo destacar que dois dias depois da revenda os cerca de US$ 8 milhões foram retirados da conta da “RSE” e transferidos para a empresa “RIO CALLERIA”, sócia da “RSE”; (t) intimada a seguradora sobre quem seria o beneficiário do seguro da aeronave, esta informou que se trata da empresa “BAP” (na apólice de fl. 61 se especifica que o perímetro de cobertura é o “território brasileiro” e que a principal região de operação é “Sul”, o mesmo acontecendo em outra apólice fl. 62); (u) a aeronave, então, não vinha sendo utilizada no interesse da empresa RSE, que não tem sede, nem funcionários, e que tem como diretor responsável o Sr. José Maria Carneiro da Cunha, pessoa que nunca esteve a bordo, restando evidente que a aeronave foi utilizada com desvio de finalidade para fins particulares do Sr. “EDUARDO”, do Sr. “LEANDRO” e do Sr. “JOSÉ”, e de suas famílias, todos brasileiros residentes; (v) "a empresa RSE se prestou a ocultar o principal interessado na operação o Sr Eduardo, a BAP e seus sócios" (fl. 63), que respondem solidariamente nos termos do inciso I do art. 95 do DecretoLei no 37/1966, por concorrerem ou se beneficiarem da fraude, e do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN); e (w) a falsidade ideológica nos documentos apresentados à fiscalização (TEAT, entre outros), a ocultação do real responsável pela operação e a cessão de nome são três condutas relacionadas, e que possuem provas em comum. O Sr. “EDUARDO”, cientificado da autuação em 03/10/2013 (AR à fl. 836) apresenta impugnação em 01/11/2013 (fls. 860 a 871), sustentando que: (a) há erro de sujeição passiva, pois a penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007 é inaplicável à pessoa física, como se percebe do texto legal; (b) a pretensão de aplicar a responsabilidade solidária do art. 124 do CTN ao caso é descabida, porque não se trata de obrigação tributária, e porque não há interesse comum, tendo em vista que o fato (importação) que dá nascimento à obrigação tributária não foi praticado conjuntamente; (c) o artigo 95 do DecretoLei no 37/1966 não se aplica ao caso, sendo restrito às infrações no texto de tal DecretoLei previstas, e, ainda que fosse aplicável, não autorizaria a solidariedade, em função da responsabilidade subjetiva que norteia a norma; e (d) a aplicação do art. 33 da Lei no 11.488/2007 não exclui a imposição da pena de perdimento, atribuída ao titular do bem, e com ela não se confunde, sendo que ao cedente do nome, e apenas este, é aplicável a multa de 10% por cessão de nome, e ao real adquirente, e apenas este, deve ser aplicado o perdimento, ou a multa que o substitui, não sendo a pena de perdimento cumulável com a multa de 10% por cessão de nome. O Sr. “JOSÉ”, cientificado da autuação em 07/10/2013 (AR à fl. 840) apresenta impugnação em 05/11/2013 (fls. 885 a 903), reproduzindo os argumentos externados na impugnação apresentada pelo Sr. “EDUARDO”, aqui identificadas pelas letras "a" (ilegitimidade da pessoa física para figurar no polo passivo da multa); "b" (sobre a inaplicabilidade, ao caso, do art. 124 do CTN, agregando às considerações, ainda, o art. 135 da Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 11829.720012/201360 Acórdão n.º 3401003.289 S3C4T1 Fl. 1.057 5 mesma codificação, e o argumento de que os fatos de ser piloto do avião e sócio da "BAP" não bastam para a responsabilização); "c" (sobre a inaplicabilidade, ao caso, do art. 95 do Decreto Lei no 37/1966); e "d" (no que se refere à impossibilidade de cumulação da pena de perdimento com a multa de 10% por cessão de nome, que, juntas, seriam confiscatórias). O Sr. “LEANDRO”, cientificado da autuação em 03/10/2013 (AR à fl. 844) apresenta impugnação em 31/10/2013 (fls. 915 a 931), de teor basicamente idêntico à apresentada pelo Sr. “JOSÉ”, ressalvado o fato de ser apenas piloto da aeronave, e não sócio da "BAP". A empresa “BAP”, cientificada da autuação em 03/10/2013 (AR à fl. 844 sócio “LEANDRO”) apresenta impugnação em 31/10/2013 (fls. 936 a 947), reproduzindo os argumentos externados na impugnação do Sr. “EDUARDO”, à exceção da designada pela letra "a" (ilegitimidade da pessoa física para figurar no polo passivo da multa). A empresa estrangeira “RSE” é intimada na pessoa de “EDUARDO”, seu sócio, sem retorno (no expediente de fls. 879/880, “EDUARDO” informa que não tem poderes para representar a“RSE”, e que tal empresa estrangeira tem “endereço e diretoria conhecidos”, que foram transmitidos à fiscalização no curso dos trabalhos de auditoria, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Especial e Intimação, apresentada em 27/07/2013). Foi intimada a empresa estrangeira também por edital publicado em Diário Oficial (fl. 846) e edital afixado na unidade da RFB (fl. 847). Consta ainda nos autos a intimação a Luciano Lima Falconi (fl. 853). Em 25/02/2015 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 962 a 970), no qual se decide, por maioria, pela improcedência das impugnações apresentadas, sob os fundamentos de que: (a) restou demonstrado que a aeronave de propriedade da empresa estrangeira “RSE” foi introduzida no país de forma irregular, pois as admissões temporárias foram fundadas em declarações falsas, haja vista a comprovação de que a aeronave se prestava a viagens nacionais e internacionais, de turismo, em benefício de “EDUARDO”, "LEANDRO", "JOSÉ" e "BAP" Táxi Aéreo; (b) as admissões temporárias da aeronave foram realizadas em nome da empresa proprietária, “RSE”, por intermédio dos pilotos, "LEANDRO" e "JOSÉ", que assinavam os TEAT, sendo que, em alguns casos, consta como operador da aeronave a empresa "BAP" Táxi Aéreo; (c) a partir das listas de passageiros e dos quadros societários das empresas, entre outros, verificase o envolvimento direto dos autuados na condição de responsáveis solidários, caracterizandose a hipótese dos incisos I e IV do art. 95 do DecretoLei no 37/1966; (d) a multa de 10% por cessão de nome realmente só é aplicável a pessoas jurídicas, mas as pessoas físicas são autuadas como responsáveis solidários, o que é expressamente permitido pelo DecretoLei no 37/1966, cujo teor não se aplica somente às multas nele previstas; e (e) a possibilidade de cumulação do perdimento com a multa é expressamente prevista no art. 727, § 3o do Regulamento Aduaneiro, e não cabe ao tribunal administrativo se manifestar sobre a constitucionalidade de lei vigente. O Sr. “EDUARDO” tomou ciência da decisão de piso em 03/03/2015 (fl. 979), e apresentou recurso voluntário em 31/03/2015 (fls. 985 a 1001), basicamente reiterando os argumentos externados na impugnação. O Sr. “JOSÉ” tomou ciência da decisão de piso em 06/03/2015 (fls. 981/982), e apresentou recurso voluntário em 06/04/2015 (fls. 1008 a 1029), também endossando as alegações trazidas em sua peça inicial de defesa. Efetuadas três tentativas de notificar a empresa "BAP" (AR à fl. 1041), a ciência operouse por edital (fl. 1043), afixado de 11/05 a 26/05/2015, não havendo interposição de recurso Fl. 1059DF CARF MF 6 voluntário. O Sr. “LEANDRO” tomou ciência da decisão de piso em 27/08/2015 (fl. 1046), sem que conste dos autos apresentação de recurso voluntário. E, por fim, a empresa estrangeira “RSE” foi intimada por edital (fl. 977), afixado de 02/03 a 17/03/2015, não havendo qualquer peça recursal de sua parte. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, tendo sido retirado de pauta em setembro de 2016, por falta de tempo hábil para julgamento, e indicado para a pauta de outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos apresentados por “EDUARDO” e “JOSÉ” preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. Considerações sobre a ocorrência de ocultação Esta turma já teve a oportunidade de analisar os mesmos fatos narrados neste processo, mas com imputação distinta, aos mesmos autuados, no processo administrativo no 11829.720011/201315, em 23/02/2016, por meio do Acórdão no 3401003.092, sob minha relatoria. Na ocasião, foram unanimemente afastados dois dos quatro fundamentos da autuação (incisos VI e VII do art. 105 do DecretoLei no 37/1966) e majoritariamente excluídos do polo passivo o Sr. José Antônio Barth de Freitas e o Sr. Leandro Rodrigues Cordeiro, vencidos, nesta matéria, os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl. O julgamento foi assim ementado: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/05/2012 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. AERONAVE. OCULTAÇÃO. RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. SIMULAÇÃO. A admissão temporária é, dentro do gênero importação, uma das espécies de operação. No caso de ocultação de responsável pela operação (importação temporária de aeronave), mediante simulação, cabível a aplicação da pena de perdimento, e sua eventual substituição por multa nas hipóteses previstas no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 11829.720012/201360 Acórdão n.º 3401003.289 S3C4T1 Fl. 1.058 7 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do Decreto Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entendese que é dever do autuante, ao arrolálos sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas. (grifo nosso) Vêse, assim, que este relator, como o restante do colegiado, não teve dúvidas sobre a existência de ocultação do Sr. "EDUARDO", no caso em análise, tendo sido mantida a autuação, no mérito, sob os fundamentos de existência de ocultação, mediante interposição fraudulenta (principal infração imputada): Da leitura do exposto, não é preciso muito esforço para perceber a simulação engendrada para ocultar a real operação efetuada de fato pelo Sr. “EDUARDO”. Cabível assim o enquadramento da situação no inciso V do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 (e a substituição por multa da penalidade aplicada, em virtude da impossibilidade de apreensão da aeronave) Mantemos o entendimento externado naquele julgamento, nessa ocasião, reiterando a convicção de que existiu ocultação do Sr. "EDUARDO", no caso em análise. E isso, aliado a outro entendimento externado ao final daquele julgamento, quando se avaliou o argumento de impossibilidade de cumulação da pena de perdimento (ou a multa que a substitui) com a multa por cessão de nome, prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, se apresenta como relevante ao início da análise do contencioso presente nestes autos, restritos à mencionada multa do art. 33: Por fim, no que se refere à alegação de impossibilidade de aplicação conjunta da multa substitutiva do perdimento com a multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, cabe informar que, ao se comprovar ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). Fl. 1061DF CARF MF 8 Assim, a penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento, prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. No entanto, o presente processo trata somente da multa substitutiva do perdimento, não havendo imputação da multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, que, destaquese, seria aplicável, em autos diversos, somente ao acobertante, jamais ao acobertado, e não representa penalidade mais específica ou mais benigna, mas penalidade diversa. Incabível, pelo exposto, a discussão da multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, sequer aplicada nestes autos. (grifo nosso) Se a discussão sobre a multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007 era incabível no bojo daqueles autos, é tudo o que se tem a discutir no presente processo. Considerações sobre a multa por cessão de nome E mantenho, igualmente, o posicionamento externado naquela ocasião, e acolhido unanimemente pela turma, de que a multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007 é aplicável somente ao acobertante. Aliás, o posicionamento é recorrentemente unânime, na turma, como se percebe, v.g., da ementa do Acórdão no 3401003.158, de 27/04/2016: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição fraudulenta, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (artigo 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. (grifo nosso) Não há como fugir da materialidade da multa, pela especificidade de seu teor, bem delineada na redação do caput do art. 33 da Lei no 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 11829.720012/201360 Acórdão n.º 3401003.289 S3C4T1 Fl. 1.059 9 vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). (grifo nosso) O texto é cristalino: a pessoa jurídica que ceder o nome (acobertante/ocultante) fica sujeita à multa. Isso, de plano, exclui do polo passivo da presente autuação as pessoas físicas e o acobertado/ocultado, por absoluta carência de fundamento legal para imposição da penalidade. Por mais que se considere razoável (e me incluo entre os que o consideram) que as pessoas físicas que cedem seu nome para acobertar/ocultar terceiros devam também ser punidas, a questão é de lege ferenda, sendo incabível a analogia para aplicar penalidade. A argumentação da DRJ (externada pelo relator e presidente daquela turma, e que conseguiu convencer um julgador, sendo vencido o terceiro membro do colegiado) de que a penalidade seria cabível porque o art. 95 do DecretoLei no 37/1966 atribui, em seu inciso I, responsabilidade conjunta ou isolada a quem concorra para a prática da infração ou dela se beneficie, e, em seu inciso IV, responsabilidade à pessoa física ou jurídica, em razão do despacho que promova, de qualquer mercadoria, está a considerável distância de afetar o tipo específico do art. 33 da Lei no 11.488/2007. Não porque tal tipo esteja fora do universo do DecretoLei, cujos comandos gerais se alastram por toda a legislação aduaneira. Mas, simplesmente porque apresenta tipo infracional especifico, com destinatário (pessoa jurídica) certo e conduta (ceder o nome) precisa, que não pode ser praticada por terceiros. A prosperar a linha de entendimento que prevaleceu majoritariamente na DRJ, quando se comprovasse, em uma declaração de importação, que o importador ocultou um terceiro, também o despachante que atuou na declaração, representando o importador no despacho, teria cedido seu nome e seria passível da multa em comento. Ademais, a DRJ (assim como o próprio autuante) confunde a responsabilidade conjunta ou isolada do art. 95 do DecretoLei no 37/1966 com a responsabilidade solidária estabelecida no art. 124 do CTN. Em uma operação de importação, com ocultação do real adquirente, pode haver mais de um ocultante (v.g., declarações de importação efetuadas na modalidade por conta e ordem, mas que, em verdade, revelam ocultação de terceira empresa "C", que não é nem o importador por conta e ordem "A" declarado, nem o adquirente "B" declarado). Nesse caso, na aplicação da multa de 10% prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, não há que se falar em solidariedade (art. 124 do CTN), mas em aplicação conjunta ou isolada da penalidade, a todos aqueles que comprovadamente tenham cedido o nome (no caso, "A" e "B") para acobertar os reais intervenientes ou beneficiários (no caso, o terceiro "C"), cf. art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Na solidariedade, ambas as empresas são responsáveis, sem benefício de ordem, pela multa. Na responsabilidade conjunta ou isolada, cada empresa pode ser apenada com a multa de 10%, totalizando o lançamento, v.g., de montante equivalente a 20%, quando houver duas multas, aplicadas a diferentes pessoas jurídicas que cederem o nome. Mais de uma pessoa jurídica pode praticar a conduta de ceder o nome. Para tais situações o DecretoLei no 37/1966, em seu artigo 100, estabelece que a cada um deve ser imposta a pena relativa à infração que houver cometido. No entanto, não se confunda tal Fl. 1063DF CARF MF 10 comando, do art. 100, como faz a defesa, no presente processo, com a afirmação de que opera, no DecretoLei no 37/1966 a responsabilidade subjetiva. Basta a leitura do artigo 94, § 2o do mesmo DecretoLei no 37/1966 para que se conclua no sentido de que a regra, na norma legal aduaneira, é a responsabilidade objetiva. Ao que parece, a fiscalização identificou a responsabilidade apenas da empresa estrangeira "RSE" como ocultante, e que cedeu seu nome, incluindo as demais pessoas em função de "verdadeira" solidariedade prevista no art. 124 do CTN (fl. 83): Portanto permanece a responsabilidade da RSE no tocante ao crédito da multa por ceder o nome em operação de comércio exterior, constituindo verdadeira solidariedade entre seu sócio e real interessado na operação o Sr. Eduardo de Souza Ramos, a BAP e os pilotos José Barth e Leandro Rodrigues nos termos do Art. 124 do CTN. (grifo nosso) E mescla claramente a responsabilidade conjunta ou isolada (prevista na legislação aduaneira) com a solidariedade tributária, à fl. 79, novamente afirmando que quem cedeu o nome foi a empresa estrangeira "RSE": A empresa RSE , cedeu seu nome para a operação de comércio exterior de Admissão Temporária, disponibilizando documentos e simulando as operações de uso da aeronave, acobertando os reais beneficiários. Dessa forma, a empresa RSE, figura no polo passivo do presente auto de infração. Conforme demonstrado nos autos, a aeronave N 883 RW permanece primordialmente em operação no país, com esporádicas e breves saídas ao exterior, e tem como finalidade atender as mais diversificadas necessidades do Sr. Eduardo de Souza Ramos, quais sejam, entre outros, o transporte do mesmo (sic) em viagens de turismo. O Sr Eduardo é dono de todas as empresas, brasileiras e estrangeiras envolvidas na compra e operação da aeronave, além de ser o principal passageiro da aeronave. Sendo assim, conforme disciplinado no DecretoLei 37/66, art. 95, incisos I, IV e V, o Sr. Eduardo de Souza Ramos responde solidariamente pela ocultação e cessão de nome. Notese que o Sr. Eduardo além de participar diretamente de toda a simulação para entrada irregular da aeronave em solo nacional da apresentação de documentos considerados falsos, também se beneficiou diretamente da entrada irregular da aeronave, uma vez que esta se prestou a seu uso particular e de seus familiares. (grifo nosso) Acrescentese que a conduta infracional é ceder o nome para ocultar/ acobertar e não ser ocultado/acobertado. Daí a dificuldade em acolherse a tese da "verdadeira" solidariedade, no caso. Afastada a responsabilidade das pessoas físicas, únicas a apresentar recurso voluntário, e sendo evidente a conduta da empresa estrangeira "RSE" em ocultar o Sr. "EDUARDO", cabe indagar, derradeiramente, sobre eventual responsabilidade da empresa "BAP" pela cessão de nome. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 11829.720012/201360 Acórdão n.º 3401003.289 S3C4T1 Fl. 1.060 11 A fiscalização, por vezes, entende ser a "BAP" ocultada, como no excerto de fl. 81: Os pilotos Leandro Rodrigues e José Barth também respondem solidariamente pela infração ora apurada, na condição de comandante e responsáveis pela aeronave. Eles firmaram os TEAT's falsos e também se beneficiaram da aeronave para fins particulares e transporte de familiares. Há voos em que estavam presentes somente os pilotos e alguns voos com a presença dos familiares desses. Os pilotos Leandro e José Barth praticaram atos com infração à lei ao firmar Termos de Entrada e Admissão Temporária cedendo o nome da RSE, propiciando a ocultação da BAP e do Sr Eduardo de Souza Ramos e o despacho de entrada em solo nacional da aeronave N 883 RW. (grifo nosso) Entretanto, bem argumenta o fisco que a mesma empresa "BAP" ocultou tanto a "RSE" quanto o Sr. "EDUARDO", à fl. 82, em contexto muito semelhante ao exemplo que utilizamos, neste voto, de tríplice ocultação, com as empresas "A", "B" e "C". Ainda figura como responsável solidário pela infração a empresa BAP TAXI AÉREO. Ressaltase que há vários voos para Curitiba, cidade onde se localiza a BAP TAXI AÉREO. Em algumas ocasiões o operador declarado no TEAT foi a BAP TAXI AÉREO, deixando claro o seu interesse de utilização da aeronave. Comprovando ainda o interesse da BAP na utilização da aeronave, ressaltase que foi realizado reserva de matrícula junto aos órgãos brasileiros competentes, da aeronave N 883 RW em nome da BAP. Tal registro pode ser observado pelo documento do anexo 33. Foi feita reserva de prefixo nacional PP–LVY em 14/02/2012. Ressaltase que a empresa BAP é beneficiária do seguro da aeronave N 883 RW e responsável pelo pagamento. Frisase ainda que a cobertura do seguro da aeronave é o território nacional e a principal região de operação é a região sul do país, região onde se situa a empresa BAP. Sendo assim, por todo o exposto a BAP TAXI AÉREO se enquadra no conceito de quem concorreu e se beneficiou da fraude, nos termos do inciso I do art.95 do DL 37/66. Por promover o despacho da aeronave em regime de Admissão Temporária, firmando os TEAT's em seu nome, também se enquadra no incido IV do art. 95 do DL 37/66. (grifo nosso) Mais do que se enquadrar no inciso I do art. 95 do DecretoLei no 37/1966, concorrendo para a prática da ocultação, e dela se beneficiando, a "BAP" concorreu para a prática da ocultação exatamente na qualidade de acobertante, cedendo o nome em operações com o intuito de acobertar a "RSE" e o Sr. "EDUARDO". E isso resta claro na documentação carreada pela fiscalização, e mencionada no excerto retro, e nítido na figura de fl. 50: Fl. 1065DF CARF MF 12 Deve ser, então, mantida a autuação no que se refere às empresas "BAP" e "RSE". E como a multa foi aplicada a ambas, conjunta/"solidariamente", assim se mantém a autuação no percentual de 10% (uma única multa), diante da impossibilidade de agravamento em sede de julgamento, apesar de já revelarmos que nutrirmos o entendimento de que cada uma das empresas praticou condutas que, por si, ensejariam a aplicação da penalidade, isoladamente. Considerações sobre a relação da multa por cessão de nome com a penalidade de perdimento (ou a multa que o substitui) Por fim, cabe discorrer sobre tema levantado nas peças recursais, referente à possibilidade de cumulação da multa por cessão de nome com a penalidade de perdimento, ou a eventual existência de bis in idem, ou confisco. Já tangenciamos o tema de início, revelando que o entendimento assentado unanimemente na turma de julgamento, e externado nos autos do processo já apreciado em relação aos mesmos fatos (processo administrativo no 11829.720011/201315 Acórdão no 3401003.092, de 23/02/2016) e no Acórdão no 3401003.158, de 27/04/2016. Mas a turma apreciou a matéria com mais detalhe, mais recentemente, e novamente de forma unânime, no Acórdão no 3401003.172, de 17/05/2016, concluindo que: Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 11829.720012/201360 Acórdão n.º 3401003.289 S3C4T1 Fl. 1.061 13 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação. (grifo nosso) No voto condutor de tal acórdão, de minha relatoria, e que aqui endosso, esclarecese que na ocultação comprovada, como é a verificada neste autos, a pena de perdimento afeta materialmente o acobertado e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966 (no presente caso, o Sr. "EDUARDO", a "BAP" e a "RSE", tal qual se decidiu nos autos do processo administrativo no 11829.720011/201315), e que a multa por acobertamento (art. 33 da Lei no 11.488/2007) afeta somente o acobertante (no caso destes autos, os acobertantes "BAP" e a "RSE") e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado (no caso destes autos, o Sr. "EDUARDO"), e que a jurisprudência deste CARF (mencionandose precedentes) vem endossando tal posicionamento, reiteradamente, o que encontra, inclusive, apoio em decisões judiciais (também reproduzidas no voto condutor do Acórdão no 3401003.172). Não há, assim, bis in idem, mas penalidades aplicadas em função de distintas materialidades. E, sobre a alegação de caráter confiscatório, remetese a Súmula CARF no 2, que impede seja afastada pelo julgador administrativo norma legal vigente, em função de eventual inconstitucionalidade. Das conclusões Há questão final a ser analisada, diante da conclusão pela impossibilidade de as pessoas físicas figurarem no polo passivo da autuação, em função de restrição estabelecida no texto legal referente à multa aplicada. Tal conclusão excluiria do polo passivo os Srs. "EDUARDO", "JOSÉ" e "LEANDRO". Ocorre que este último sequer apresentou recurso voluntário. Entendemos, sobre o tema, que não há como restringir os efeitos do aqui decidido, pela impossibilidade de a Fl. 1067DF CARF MF 14 multa incidir sobre pessoas físicas, apenas aos recorrentes, pois o julgamento, ainda que à revelia do Sr. "LEANDRO", chega a conclusões que excluem sua responsabilização. A questão remete, inclusive, à necessidade de observância da legalidade do ato administrativo. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, apenas para afastar do polo passivo todas as pessoas físicas relacionadas na autuação. Rosaldo Trevisan Fl. 1068DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.006838/2009-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 30/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 68 38 /2 00 9- 85 Fl. 665DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2803002.720, proferido pela 3ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.150.7073, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias em diversas competências envolvendo o período de 03/2005 a 12/2007. Conforme registrado no Relatório Fiscal da Infração de fls. 34/37, o Fisco constatou que foram entregues GFIP nas competências 01 a 10/2015 sem a informação dos valores descontados dos segurados contribuintes individuais e nas competências 01/2005 a 12/2007 sem a informação da receita bruta auferida com a comercialização da produção rural. O Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 429/433, arguindo, em síntese que o dispositivo legal que fundamenta o AI foi revogado pela Lei n° 11.941/2009, devendo a nova norma ser aplicada ao caso dos autos, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, que favorece o contribuinte na seara tributária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife – DRJ/REC, às fls. 471/474, rejeitou as alegações do Contribuinte, mantendo o lançamento do crédito. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pelo Contribuinte, às fls. 486/496, aduzindo, em síntese, que foram devidamente apresentadas as informações referentes aos valores descontados dos segurados contribuintes individuais nas competências 01 a 10 de 2005, devendo, ainda, adequarse a multa fixada no Auto de Infração ao novo patamar instituído pela Lei n° 11.941/2009, art. 32A, que acrescentou o art. 32A, II, à Lei n° 8.212/91, de modo a limitála ao valor de R 40,00 (quarenta reais). A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 604/611, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10410.006838/200985 Acórdão n.º 9202005.078 CSRFT2 Fl. 10 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2009 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 614/624, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido para analise, pois se verificou que no acórdão paradigma o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91. Às fls. 626/629, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. O acórdão paradigma versa sobre o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Verificouse que no acórdão paradigma consignouse que o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. Fl. 667DF CARF MF 4 O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 634/640, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.150.7073, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias em diversas competências envolvendo o período de 03/2005 a 12/2007. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à multa por descumprimento de obrigação acessória, no qual se verificou que no acórdão paradigma o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10410.006838/200985 Acórdão n.º 9202005.078 CSRFT2 Fl. 11 5 De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 669DF CARF MF 6 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10410.006838/200985 Acórdão n.º 9202005.078 CSRFT2 Fl. 12 7 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 671DF CARF MF 8 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10410.006838/200985 Acórdão n.º 9202005.078 CSRFT2 Fl. 13 9 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 673DF CARF MF 10 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10410.006838/200985 Acórdão n.º 9202005.078 CSRFT2 Fl. 14 11 Fl. 675DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000620/2004-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
RECURSO ESPECIAL. PARADIGMAS QUE CONTRARIAM SÚMULA DO CARF. INADMISSIBILIDADE.
Não se admite recurso especial quando os acórdãos paradigmas indicados contrariam Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.
Numero da decisão: 9101-002.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, José Eduardo Dornelas Souza, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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(atual denominação de MG MASTER LTDA, sucessora de FLASH SPORTS CALÇADOS LTDA) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 RECURSO ESPECIAL. PARADIGMAS QUE CONTRARIAM SÚMULA DO CARF. INADMISSIBILIDADE. Não se admite recurso especial quando os acórdãos paradigmas indicados contrariam Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, José Eduardo Dornelas Souza, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 06 20 /2 00 4- 22 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10680.000620/200422 Acórdão n.º 9101002.738 CSRFT1 Fl. 492 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 414 e ss., contra o acórdão nº 120100.220 (de 09/01/2010, efls. 403 e ss.), que, no mérito e por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência de multa isolada. O presente processo trata do lançamento de multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo estimada mensal referente a período dentro do AC 1998. A falta de recolhimento das estimativas decorreu de diferença originada de lançamento de receita omitida na venda de mercadorias, sendo que a multa isolada foi lançada no percentual qualificado de 150%. No presente processo já houve julgamento de Recurso Especial por esta 1ª Turma da CSRF (acórdão de efls. 388 e ss., fls. 375 e ss. do Volume V2 do eprocesso). Nesse julgamento foi dado provimento ao recurso fazendário, que peticionava pela reversão da exclusão da cobrança de multa na sucedida procedida pelo acórdão que julgou o Recurso Voluntário. Foi determinado, também, o retorno dos autos à Turma ordinária para julgamento de matérias sobre as quais o colegiado não havia se pronunciado. Foi então proferido o acórdão ora recorrido, no qual, por maioria de votos, se decidiu "dar provimento ao recurso para afastar a exigência da multa isolada, vencido o conselheiro Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), que dava provimento parcial para reduzir o percentual da multa isolada ao patamar de 50%". Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 1999 Ementa: MULTA — CARÁTER CONFISCATORIO — afastar sanções pecuniárias expressamente previstas em diplomas legais sob o fundamento de seu caráter confiscatórw, implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei, o que não é da competência de órgãos de "jurisdição" administrativa. RETROATIVIDADE BENIGNA o inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96, que estabelecia multa isolada de 75% pelo não recolhimento de estimativas, bem como o inciso 131, § 1° do mesmo artigo que qualificava a sanção para o patamar de 150% em razão do elemento volitivo da infração, foram alterados pela Lei 11.488/07, a qual reduziu o índice da multa isolada, em ambos os casos, para 50%. Desse modo, deve a autoridade julgadora, por dever de oficio, aplicar o menor dos percentuais por força da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina tal procedimento para os atos não definitivamente julgados. MULTA ISOLADA — a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10680.000620/200422 Acórdão n.º 9101002.738 CSRFT1 Fl. 493 3 aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento. O Recurso Especial ora apreciado foi admitido por meio do Despacho de e fls. 432 e ss. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos a seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão nº 19300.018: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 (...) CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. A multa de oficio aplicada isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa, que deixou de ser recolhido, no curso do Anocalendário,é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido, em face de se tratar de infrações distintas. Acórdão nº 10194.858: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — AC 1998 (...) MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de multa de ofício, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. As alegações de mérito da Recorrente, são, em síntese, as seguintes: a) que se não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, não há óbice que sejam aplicadas ao mesmo contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades distintas. Não há bisinidem como entendeu a Turma recorrida; b) que no caso dos autos a aplicação de multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, resultou de infrações às regras de determinação do lucro real praticadas pelo sujeito passivo (falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata). Por outro lado, a Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10680.000620/200422 Acórdão n.º 9101002.738 CSRFT1 Fl. 494 4 denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento do modo de pagamento da CSLL sobre base de cálculo estimada, tratandose de infrações diferentes; c) que na sistemática de pagamento do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada o Contribuinte auxilia a União a fazer frente às despesas incorridas durante o ano calendário, o que não ocorreria se a exação fosse paga apenas no exercício seguinte; d) que a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual, ao passo que a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto; e) que as multas isolada e de ofício possuem bases de cálculo distintas. A multa de ofício incide sobre o tributo efetivamente devido apurado no momento que ocorre o Ajuste Anual, enquanto que a multa isolada incide sobre as bases de cálculo estimadas; f) cita julgado do TRF da 5ª Região em favor do que argumenta e traz à baila as considerações tecidas no primeiro paradigma e no acórdão nº 10808.962, registrando que espelham o entendimento sedimentado no CARF; g) acrescenta que se infere que o acórdão recorrido procurou atenuar o suposto rigor do art. 44, II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, mas que esse raciocínio não deve prevalecer à medida que cria nova hipótese de dispensa de multa isolada, inovando no ordenamento jurídico. Menciona que o juízo de eqüidade tem de estar expressamente autorizado por lei, o que aqui não ocorre. Assinala que o art. 108, IV, § 2º do CTN estatui que o emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do tributo devido. Ao final pede a Recorrente que o presente recurso seja conhecido e provido, para reformar o acórdão recorrido, "com o conseqüente restabelecimento da multa isolada". Não constam nos autos contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo, porém, no tocante à admissibilidade, merece ser reanalisado, haja vista a publicação da Súmula CARF nº 105, aprovada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 08/12/2014, portanto, após a sua interposição. É que referida súmula assim dispõe (sublinhouse): A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10680.000620/200422 Acórdão n.º 9101002.738 CSRFT1 Fl. 495 5 Cotejando o disposto nos acórdãos paradigmas com o entendimento sumulado, é possível se verificar que ambos os paradigmas contrariam o entendimento sumular, uma vez que adotam a tese da manutenção de ambas as multas para períodos anteriores a 2007, cujo fundamento legal para a multa isolada é art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996 . Por conseguinte, é de se aplicar o art. 67, §12, inciso III, do Anexo II do RICARF, para não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão Em face do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 495DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.910274/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.377
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 02 74 /2 01 1- 45 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.910274/201145 Acórdão n.º 3401003.377 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/10/2010 a 31/12/2010. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.034, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.910274/201145 Acórdão n.º 3401003.377 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.910274/201145 Acórdão n.º 3401003.377 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.910274/201145 Acórdão n.º 3401003.377 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.910274/201145 Acórdão n.º 3401003.377 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.910274/201145 Acórdão n.º 3401003.377 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.910274/201145 Acórdão n.º 3401003.377 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.910274/201145 Acórdão n.º 3401003.377 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.910274/201145 Acórdão n.º 3401003.377 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.002700/2003-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
GRATIFICAÇÃO DECORRENTE DE DEMISSÃO IMOTIVADA. PARCELA INTEGRANTE DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA.
As gratificações pagas por ocasião de demissão imotivada integram a base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas - IRPF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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PARCELA INTEGRANTE DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. As gratificações pagas por ocasião de demissão imotivada integram a base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas IRPF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 27 00 /2 00 3- 71 Fl. 98DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10830.002700/200371 Acórdão n.º 2402005.611 S2C4T2 Fl. 99 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza – DRJ//FOR (fl. 79/84), que indeferiu pedido de restituição formulado pelo contribuinte. De acordo com a solicitação de restituição (fls. 4/5), o Recorrente recebeu valores em virtude de rescisão de contrato de trabalho decorrente de Plano de Demissão Voluntária – PDV e teve valores descontados indevidamente pelo empregador a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. Consoante demonstrativo do cálculo da restituição integrante do requerimento, com a exclusão dos R$ 107.117,05 (cento e sete mil, cento e dezessete reais e cinco centavos) recebidos em razão de PDV da base de cálculo do IRPF, isento de tributação nos termos do inciso XLVIII do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, o contribuinte teria direito a restituição de R$ 29.457,19 (vinte e nove mil, quatrocentos e cinquenta e sete reais e dezenove centavos). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro – DRF/RJ2, indeferiu o pedido de restituição: a) por entender que os rendimentos apresentados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual DAA estão de acordo com aqueles informados na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF da referida Fonte Pagadora (fl. 29); e b) pelo fato de o contribuinte não ter entregue DAA retificadora, conforme previsão contida no § 1º do art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Inconformado o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 41/43), na qual reproduz as razões do pedido de restituição e acrescenta, em síntese, que: a) o prazo de julgamento de seu pedido é incompatível com a matéria nele tratada; b) o § 1º do art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, trata de restituição de IRPF não resgatado na rede bancária, assunto alheio ao pedido formulado; c) o dispositivo da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, que embasou a indeferimento do pedido é de 2012, sendo que a solicitação foi apresentada em 2002; d) a Instrução Normativa RFB nº 15, de 2002, que trata do assunto, em momento algum estabelece que a restituição de IRPF pressupõe a retificação da DAA; e Fl. 100DF CARF MF 4 e) o parecer que tratou da restituição é incoerente, pois reconhece que o pedido atende aos requisitos formais de admissibilidade, onde entende que a solicitação de restituição é legal e procedente, mas a indefere sob o argumento de que a fonte pagadora entregou a DIRF informando corretamente os valores referentes ao PDV como tributáveis. Pelas mesmas razões indicadas no Parecer que indeferiu o pedido de restituição, a DRJ/FOR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Por ocasião do recurso voluntário (fls. 90/91) o Recorrente faz um histórico da tramitação do presente processo administrativo, reitera as questões abordadas na Manifestação de Inconformidade e, adicionalmente, argumenta que: a) o instrumento de quitação do contrato de trabalho, Cláusula 3ª, Item 1, trata do pagamento de verba indenizatória a título de PDV, e não “Bônus Especial” como equivocadamente interpretado e distorcido pelos julgadores; e b) a decisão exarada no acórdão de primeira instância administrativa em nada se manifestou quanto ao erro por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de não julgar o processo no prazo decadencial de 5 (cinco) anos, tolhendo o contribuinte do direito de retificar sua declaração e atender às regras estabelecidas pelo referido órgão para obter sua restituição. Protesta por fim para que seja acolhido o recurso voluntário e aprovado o requerimento de restituição. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10830.002700/200371 Acórdão n.º 2402005.611 S2C4T2 Fl. 100 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Importa esclarecer, de início, que não há nas normas legais afetas ao Processo Administrativo Fiscal – PAF qualquer referência a prazo para a análise processual, independentemente da matéria abordada. Cabe à Administração Tributária estabelecer, com base em critérios que julgar relevantes, as prioridades para o exame das matérias que lhes são submetidas, não competindo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, se imiscuir em questões dessa natureza. De outra parte, o fato de o Parecer da DRF/RJ2 ter reconhecido que a solicitação do Recorrente atendia aos requisitos formais de admissibilidade não significa, como aduz o contribuinte, que sua solicitação é procedente. Requisitos formais são aqueles cujo atendimento pressupõe a análise do mérito de determinado processo, dentre eles encontramse, por exemplo, a capacidade de o requerente figurar no pólo passivo/ativo da demanda administrativa e a tempestividade. O preenchimento dos requisitos formais não tem qualquer relação com a procedência ou não do objeto do requerimento. Quanto à alegação de que o Parecer da DRF/RJ2 e a decisão de primeira instância administrativa teriam suscitado dispositivo de norma editada posteriormente ao pedido de restituição como um dos obstáculos ao atendimento do pleito apresentado, assiste razão ao Recorrente, pois não é razoável exigir do administrado o cumprimento de regra estabelecida em momento posterior ao de apresentação de requerimento, no caso, a retificação da DAA como condição para a restituição. Ocorre que a inexistência de Declaração de Ajuste Retificadora não foi o único fundamento que deu azo ao indeferimento do pedido de restituição. Além da falta de apresentação de DAA retificadora, tanto o despacho da DRF/RJ2 quanto o Acórdão nº 08 034.311 da 1ª Turma da DRJ/FOR entenderam que os rendimentos que o contribuinte alega isentos, em verdade, integram a base de cálculo do IRPF, motivo que, por si só, já é suficiente para denegar a restituição. Isso posto, o exame do “INSTRUMENTO DE TRANSAÇÃO COM QUITAÇÃO GERAL DO CONTRATO DE TRABALHO” (fls. 7/9) mostrase imprescindível à solução do presente litígio. Consta do Item 3 do referido Instrumento: 3. Adicionalmente e integrando a transação, a EMPREGADORA concederá: (i) uma indenização da quantia referente a um salário por ano de contrato de trabalho título de GRATIFICAÇÃO não se considerando para esse fim, o tempo em que a EMPREGADO(A) manteve contrato Fl. 102DF CARF MF 6 de estágio com a EMPREGADORA. Os impostos e taxas incidem sobre essa quantia. (ii) extensão da assistência médica atualmente existente, pelo prazo de seis (6) meses, a partir da data do término do contrato, sendo facultado à EMPREGADO(A) a utilização de toda a rede credenciada e vedada a utilização do plano "livre escolha". (Grifei) Vejase que o Instrumento de Transação trazido aos autos pelo Recorrente trata do pagamento de uma gratificação por ocasião do rompimento do vínculo empregatício, não fazendo qualquer referência a PDV. Não há nos autos nenhum documento apto a evidenciar que a rescisão contratual tenha decorrido de plano de demissão voluntária, conforme alegado na peça recursal. Ademais, inexiste norma legal que isente as gratificações pagas por ocasião de demissão imotivada do IRPF, motivo pelo qual mostrase acertado o procedimento adotado pela fonte pagadora de informar o valor de gratificação decorrente da rescisão contratual como rendimento tributável. Pelas questões acima abordadas, verificase acertada a decisão de primeira instância administrativa que indeferiu o pedido de restituição. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.912707/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 27 07 /2 01 2- 74 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11065.912707/201274 Acórdão n.º 3401003.337 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao período de apuração acima identificado. Por meio do Despacho Decisório exarado pelo Seort/DRF/ Novo Hamburgo, o pedido de restituição foi indeferido e a compensação não homologada, sob o fundamento de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado, por ter havido glosa em procedimento fiscal. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) não houve mandado de procedimento fiscal para o procedimento de análise do crédito, sendo inválido o ato administrativo; (b) a fundamentação para a negativa de crédito é improcedente e está centrada no fato de a empresa ser abrangida por imunidade objetiva; (c) para aplicação da não cumulatividade constitucionalmente assegurada, pouco importa se a última operação foi ou não onerada pelo IPI; e (d) não houve constituição do crédito tributário, e embora o documento da glosa seja intitulado de auto de infração, não se concretizou o lançamento, ensejando a impossibilidade de ser o crédito glosado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14 045.749, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, sustentando que: (a) a juntada posterior de Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de validar o ato praticado ao seu desabrigo; (b) o crédito não pode ser exigido por absoluta ausência de lançamento; e (c) a imunidade se constitui em cláusula pétrea inserida nas limitações constitucionais ao poder de tributar. Pede, ao fim, exame para fins de pré questionamento, mormente no que se refere aos artigos 142 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11065.912707/201274 Acórdão n.º 3401003.337 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.313, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11065.900523/201423, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.313): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No Despacho Decisório, a razão para o indeferimento do direito de crédito, e a consequente não homologação da compensação, é a seguinte (fl. 22): O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivos(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página Internet da Receita Federal, e integram este despacho. No próprio despacho decisório há orientações (aqui seguidas, em nome da verdade material) sobre como encontrar tais "informações complementares da análise de crédito", no sítio eletrônico da RFB (menu principal, opção "onde encontro" / "PERDCOMP" / "consulta despacho decisório", indicando o CNPJ da empresa e o número do PER/DCOMP. Nas informações complementares, percebo que há link para o relatório fiscal (Clique aqui para Download do arquivo: RELATORIO FISCAL GRUPO SINOS.PDF). Evidencio, então, que o Relatório Fiscal se presta a este e a outros nove processos administrativos de ressarcimento, e que ali realmente se encontram as razões detalhadas para as glosas: (a) a empresa tem como principal atividade a edição integrada à impressão de jornais, sendo detentora de registro especial de papel imune, e os produtos resultantes de seu processo de industrialização têm a classificação "NT" (não tributáveis) relativamente à incidência do IPI, em razão de benefício de imunidade constitucional; e (b) os créditos pleiteados se referem à aquisição de insumos utilizados para produção de jornais e revistas imunes, no período considerado, e, portanto, não encontram guarida normativa para fruição. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11065.912707/201274 Acórdão n.º 3401003.337 S3C4T1 Fl. 5 4 Verificadas as motivações específicas para as glosas, cabe avaliar se as razões de defesa são aptas a afastálas, e a confirmar a regularidade do crédito. A primeira alegação de defesa se referia à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal. No entanto, o Mandado de Procedimento Fiscal, como bem destacou o julgador de piso, foi emitido, havendo no próprio relatório da ação fiscal a informação de seu número (10.1.07.00 2014.002302) e a aposição de mensagem de que estava disponível para consulta no endereço <http://receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp>, com a utilização do código de acesso 29365075. Também em nome da verdade material acessei o referido sítio, com a senha de acesso concedida na ação fiscal, verificando a existência do MPF, que sempre esteve disponível para consulta por parte da empresa. Improcedentes, assim, tanto a alegação de ausência de MPF, suscitada na manifestação de inconformidade, quanto a de que tal MPF teria sido juntado apenas posteriormente, presente no recurso voluntário. A segunda alegação da empresa, de que deveria ter havido lançamento para exigência do crédito, é absolutamente desconectada da realidade fática destes autos. Vejase que o presente processo não trata de lançamento para exigência de crédito, mas de reconhecimento de direito de crédito pleiteado pela empresa. As glosas efetuadas impedem a fruição do crédito, devendo a postulante do ressarcimento (e da compensação) carrear aos autos documentação que comprovem a liquidez e a certeza do crédito. Descabe, assim, a demandada análise (ainda que para fins de prequestionamento) dos artigos 142 e 149 do CTN, afetos ao lançamento. Cabe retomar, então, a análise no sentido de ter ou não havido prova apresentada pela empresa apta a afastar as razões de glosa (ausência de fundamento normativo para tomada de crédito em relação a insumos destinados a industrialização de jornais e revistas imunes). Sobre o tema, a empresa, em seu recurso voluntário, endossa que industrializa produtos imunes com os insumos adquiridos, mas entende que, por ser a imunidade cláusula pétrea, faz jus ao crédito. Tais alegações seriam relevantes se o fisco estivesse a exigir o IPI em relação aos produtos imunes, mas esse não é o caso em análise nestes autos, limitado a demanda de crédito, por parte da empresa, em relação à aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. Não se está, repitase, a analisar tributação de operação imune, mas a avaliar se a empresa faz jus a crédito sobre operação não tributada em função de imunidade. E, nesse sentido, cabível verificar o teor do artigo 11 da Lei no 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 11065.912707/201274 Acórdão n.º 3401003.337 S3C4T1 Fl. 6 5 à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) Vejase que o dispositivo legal expressamente assume a possibilidade de crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero (silenciando em relação aos imunes e não tributados). E vejase também que a fruição fica condicionada à observância das normas expedidas pela RFB. A RFB expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa no 33/1999, que, em seu artigo 4o, já não silenciou em relação a produtos imunes: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifo nosso) Mas a própria RFB, no Ato Declaratório Interpretativo no 6/2008, esclareceu que: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0 Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." (grifo nosso) Assim, a empresa poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei no 9.779/1999, apenas se as aquisições de insumos fossem efetivamente para um processo industrial de fabricação de produto imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, sequer se esforça a recorrente para demonstrálo, pecando em seu dever de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11065.912707/201274 Acórdão n.º 3401003.337 S3C4T1 Fl. 7 6 carrear ao processo elementos que atestem a liquidez e a certeza do direito de crédito. Ainda que se afaste a imperfeição, às vezes presente na Tabela de Incidência do IPI, de considerar como "NT" (não tributados) produtos que, em verdade, são efetivamente resultantes de um processo de industrialização, mas imunes, permanece sem amparo o direito de crédito, visto não se verificar, nos autos, ser o produto destinado à exportação. Nesse sentido tem decidido este CARF: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei no 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. (Acórdão no 3201002.096, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 15 mar. 2016) (a menção deveria ser ao inciso VI e não ao inciso III do art. 150 da CF) (No mesmo sentido, e também unânime, o Acórdão no 3301 002.280, de 27 mar. 2014) Por derradeiro, destaquese que também o Superior Tribunal de Justiça tem leitura não alargada do artigo 11 da Lei no 9.779/1999 (REsp no 1.015.855/SP). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.901573/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. ÚNICO FUNDAMENTO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Sendo a glosa fundamentada no único fundamento da ausência de comprovação de que a receita correspondente não foi oferecida à tributação, inexistindo tais provas nos autos possibilitando checar que a citada receita, efetivamente, foi computada no lucro real do período, impõe-se o não-provimento do recurso.
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA.
Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS COMPENSADAS
Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização
Numero da decisão: 1301-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. ÚNICO FUNDAMENTO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Sendo a glosa fundamentada no único fundamento da ausência de comprovação de que a receita correspondente não foi oferecida à tributação, inexistindo tais provas nos autos possibilitando checar que a citada receita, efetivamente, foi computada no lucro real do período, impõe-se o não-provimento do recurso. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS COMPENSADAS Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. ÚNICO FUNDAMENTO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Sendo a glosa fundamentada no único fundamento da ausência de comprovação de que a receita correspondente não foi oferecida à tributação, inexistindo tais provas nos autos possibilitando checar que a citada receita, efetivamente, foi computada no lucro real do período, impõese o não provimento do recurso. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS COMPENSADAS Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 15 73 /2 01 0- 95 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13603.901573/201095 Acórdão n.º 1301002.260 S1C3T1 Fl. 335 2 Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0232.168, proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, em 04 de maio de 2011, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, para: reconhecer direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL do exercício de 2005, anocalendário de 2004, no valor de R$ 18.808,70, além do já reconhecido no despacho decisório contestado; homologar a compensações em litígio, efetuada por meio do PER/DCOMP nº 25860.49502.270307.1.7.031056; homologar parte da compensação efetuada por meio do PERD/COMP nº 05975.89457.311005.1.3.039360, até o limite do crédito remanescente, depois da compensação efetuada no PER/DCOMP nº 25860.49502.270307.1.7.031056. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento da primeira instância, a seguir transcrito Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 10, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação efetuada no PER/DCOMP nº 25860.49502.270307.1.7.031056 e não homologada a compensação efetuada por meio do PERD/COMP nº 05975.89457.311005.1.3.03 9360. A não homologação foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar os débitos informados. Tal crédito decorreria da apuração de saldo negativo de CSLL referente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. Conforme PER/DCOMP, o valor desse saldo negativo seria igual a R$ 94.827,27. As parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP são IR pago no exterior, retenções na fonte, pagamentos com DARF e estimativas compensadas com saldo negativo de anos anteriores. A soma dos valores dessas parcelas é igual a R$ 886.783,97. No despacho decisório, não foi confirmada a parcela referente ao IR pago no exterior, no valor de R$ 14.152,10. O valor informado para as estimativas compensadas é igual a R$ 466.303,57. Foram confirmados compensações, no total de R$ 459.613,92. Assim sendo, a soma das parcelas admitidas no despacho é igual a R$ 865.942,22. Considerandose que, conforme DIPJ, a CSLL anual devida é igual a R$ 791.954,70, foi reconhecido saldo negativo disponível no valor de R$ 73.987,52. Os débitos indevidamente compensados somam R$ 22.354,81 (principal). Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13603.901573/201095 Acórdão n.º 1301002.260 S1C3T1 Fl. 336 3 Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: art. 168 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN); § 1º do art. 6º e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996; art. 4º da IN SRF n.º 900, de 2008. A ciência do despacho se deu em 21/07/2010 (fl. 13). Em 20/08/2010, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 14 a 24. Nela constam os seguintes argumentos: • a empresa informou créditos suficientes para as compensações efetuadas; • o IR pago no exterior foi lançado na linha 45 da ficha 17 da DIPJ do exercício de 2005; • instruem a impugnação comprovantes de retenção de imposto de renda no exterior, em razão de serviços prestados, referentes a Contrato de Transferência de Tecnologia e Consultoria de Engenharia à empresa Denso Manufacturing Argentina S/A, que demonstram um saldo de CSLL a compensar em 2004 no valor de R$ 14.152,10; • a diferença entre as compensações confirmadas e declaradas, no valor de R$ 6.689,65, dizem respeito ao débito de CSLL do mes de janeiro de 2004; • no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito foi informada compensação de parte da CSLL de janeiro de 2004 no valor de R$ 56.835,56, mas só confirmada compensação de R$ 50.142,91; • a CSLL de janeiro de 2004 foi inicialmente compensada por meio do PER/DCOM 07638.16590.120204.1.3.010155, que foi retificado pelo PERD/COMP 01872.35646.310304.1.7.016466, citado no PER/DCOMP em questão, de nº 25860.49502.270307.1.7.031056; • o PER/DCOMP retificador nº 01872.35646.310304.1.7.016466 não foi admitido pela RFB, porque apresentou aumento de débito em relação ao documento original; • o PER/DCOM 07638.16590.120204.1.3.010155 foi novamente retificado pelo de nº 17094.53792.270307.1.7.019907, com o qual foi feita compensação de parte do débito de CSLL de janeiro de 2004, no valor de R$ 40.225,04; • as compensações do 17094.53792.270307.1.7.019907 já foram homologadas pelo despacho decisório 1.175, de 2008, em anexo; • em novo PER/DCOMP, de nº 01862.67477.280307.1.3.015074, foi efetuada compensação do valor restante de R$ 16.610,51; • todavia, como neste valor de R$ 16.610,51 já se encontravam incluídos juros e multa, sendo que o principal era de R$ 9.920,87, necessário se fez o pagamento da diferença por meio do DARF anexo; Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13603.901573/201095 Acórdão n.º 1301002.260 S1C3T1 Fl. 337 4 • foi pago por compensações declaradas em PER/DCOMP o total de R$ 50.145,91 (40.225,07 + 9.920,87); • foi realizado pagamento em espécie, com código 2484, comprovado por DARF em anexo; • assim sendo, a suposta diferença de R$ 6.689,65 não existe, pois, embora a quitação por DARF não tenha sio considerada pela RFB, ela ocorreu; • a RFB arrecadou o valor recolhido em seu benefício, mas não fez o devido cruzamento dessa informação com aquelas demais prestadas por internet (PERD/COMP e outros); • a RFB só considerou o primeiro PER/DCOMP apresentado, sem computar os sequenciais e retificadores, apesar de terem sido transmitidos a tempo e modo; • a conduta do fisco é temerária e reprovável, visto que, em sendo o sistema todo automatizado, foi gerado despacho decisório sem razão de ser, uma vez que a requerene tem crédito a ser compensado, no montante requerido; • todas as retificações citadas foram devidametne lançadas em DCTF, bem como em DIPJ, trazidas em anexo; • a DCTF do 1º trimestre de 2004 foi retificada em momento anterior ao despacho decisório, constando todos os valores ora mencionados; • a RFB emitiu automaticamente o despacho sem sequer analisar os documentos e realizar o cruzamento dos dados declarados pela contribuinte, o que resultou na sua mais completa surpresa quanto à suposta pendência, já sendo intimada da cobrança de valor com acréscimos legais que não são devidos; • pelo exposto, pedese que a manifestação de inconformidade seja acolhida e que a compensação pretendida seja homologada, não podendo prevalecer a cobrança constante do despacho decisório. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela procedência parcial da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO. Constitui crédito passível de compensação somente o valor efetivamente comprovado do saldo negativo decorrente do ajuste anual. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13603.901573/201095 Acórdão n.º 1301002.260 S1C3T1 Fl. 338 5 Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente constituído, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Consoante relatado, por meio das PER/DCOMPs n.ºs 25860.49502.270307.1.7.031056 e 05975.89457.311005.1.3.039360, o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004, no valor de R$ 94.827,27, sendo composto por IR pago no exterior (R$ 14.152,10), retenções Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13603.901573/201095 Acórdão n.º 1301002.260 S1C3T1 Fl. 339 6 na fonte (R$ 295,65), pagamentos com DARF (R$ 406.032,65) e estimativas compensadas com saldo negativo de anos anteriores (R$ 466.303,57). De acordo com o despacho decisório, não foi reconhecida a parcela referente ao IR pago no exterior, no valor de R$ 14.152,10, e com relação às estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, reconheceuse apenas R$ R$ 459.613,92 dos R$ 466.303,57, glosando o valor de R$ 6.689,65. O fundamento utilizado para rejeitar o IR pago no exterior reside que a receita correspondente não foi oferecida a tributação. Com relação às estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, justificouse a glosa com a seguinte mensagem: compensação confirmada parcialmente . Assim sendo, a soma das parcelas admitidas no despacho é igual a R$ 865.942,22. Considerando a DIPJ apresentada pela interessada, a CSLL anual devida é igual a R$ 791.954,70, sendo reconhecido saldo negativo disponível no valor de R$ 73.987,52. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, cujos argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu reconhecer creditório adicional, no valor de R$ 18.808,70, recolhido através de DARF. Sendo assim, reside a lide no reconhecimento ou não da parcela do crédito correspondente ao IR pago no exterior, no valor de R$14.152,10 e na parcela do crédito referente a estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, no valor de R$ R$6.689,65 (diferença entre o valor total constante no PER/DCOMP R$466.303,57 e aquele total confirmado pela RFB R$459.613,92). Imposto pago no exterior De acordo com a decisão recorrida, o contribuinte não trouxe em sua manifestação inicial nenhuma contraposição sobre a justificativa utilizada para rejeitar o IR pago no exterior. Realmente, ao analisar o referido documento, não encontrei nenhuma alegação a esse respeito, de forma a afastar o fundamento utilizado. Embora o contribuinte tenha informado que as receitas de prestação de serviços auferidas no exterior foram apostas na página 16, ficha 17, linha 45 da DIPJ, juntando aos autos documentos redigidos em língua estrangeira, não há como saber, pelo exame dos autos e documentos apresentados, que as receitas que originaram as retenções se encontram dentro do resultado do período. Os documentos apresentados não comprovam o oferecimento das receitas correspondentes à tributação. A propósito, a ficha 06A da DIPJ 2005/AC 2004 indica, na linha 28. Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior um valor igual a R$ 0,00 (Zero). Apesar de mencionar que as receitas em comento foram apostas em outro item da DIPJ, o contribuinte não trouxe qualquer documento destinado a comprovar suas alegações. Tal como consta do dispositivo legal invocado pelo manifestante, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência do IRPJ e da CSLL, permitida a dedução do imposto pago no exterior, respeitadas as regras afetas ao procedimento. Desta feita, descabida a pretensão do contribuinte em deduzir um possível imposto pago no exterior sem o oferecimento das receitas correspondentes à tributação. Ainda acerca deste assunto, cabe esclarecer que o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, matriz legal do art. 395, do RIR, de 1999, assim dispõe: Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13603.901573/201095 Acórdão n.º 1301002.260 S1C3T1 Fl. 340 7 Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. (os grifos não são do original) Por outro lado, a Lei nº 9.430, de 1996 prevê a hipótese de dispensa do § 2º da Lei nº 9.249, de 1995: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; [...] § 1º Os resultados decorrentes de aplicações financeiras de renda variável no exterior, em um mesmo país, poderão ser consolidados para efeito de cômputo do ganho, na determinação do lucro real. § 2º Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: I com relação aos lucros, deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do caput deste artigo; II fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. (os grifos e negritos não são do original) Notese que a legislação vigente dispensa de reconhecimento do órgão arrecadador e do Consulado da Embaixada Brasileira – o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior; contudo, não indiscriminadamente, mas quando o sujeito passivo comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. Esclareçase ainda, por oportuno, que para ter validade no processo administrativo fiscal, a prova obtida no exterior, em idioma estrangeiro, deve ser traduzida para o português por tradutor juramentado, seja ela produzida pelo sujeito passivo ou por agente da Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13603.901573/201095 Acórdão n.º 1301002.260 S1C3T1 Fl. 341 8 administração tributária (art. 157 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973; art. 224 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 18 do Decreto no 13.609, de 21 de outubro de 1943). Assim sendo, ainda que comprovado o oferecimento das receitas correspondentes à tributação – e não foi os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados uma vez que desacompanhados da tradução acima mencionada. Assim sendo, por estes dois fundamentos (não comprovação oferecimento das receitas correspondentes à tributação e documentos em idioma estrangeiro não podem ser avaliados), negase provimento, quanto ao item. Redução das estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores Sustenta o contribuinte que foi considerado incorretamente pela fiscalização e decisão recorrida os últimos PER/DCOMPs transmitidos relativos às compensações do débito de janeiro de 2004, defendendo que o valor de R$56.835,65, informado para a parcela compensada estaria correto; que inexiste a suposta diferença de R$6.689,65 (diferença entre R$56.835,56 e R$50.145,91); que todas as retificações citadas foram realizadas em momento oportuno e que teriam sido desconsideradas pelo fisco, sendo clara a exata correspondência dos valores declarados e recolhidos a maior com aquele sobre o qual se pretende a compensação; que não foi considerada a quitação em espécie do comprovante de arrecadação com código 2484, no valor de R$9.920,87. Quanto ao ponto, a decisão recorrida constatou, nas fls. 149 a 153, que o referido PER/DCOMP n.° 01872.35646.310304.1.7.016466 não foi admitido e que foram compensadas parcelas do débito de CSLL mensal de janeiro de 2004 por meio dos dois PER/DCOMPs invocados pela interessada: n.° 17094.53792.270307.1.7.019907 e n.° 01862.67477.280307.1.3.015074, sendo considerado corretamente todos os últimos PER/DCOMPs transmitidos relativos às compensações do débito de CSLL de janeiro de 2004. Segundo a DRJ, os documentos de fls. 118, 131, 150 e 153 provam que os valores dessas parcelas foram compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, e conclui que a soma dos valores compensados é igual a R$ 50.145,91 (40.225,04 + 9.920,87) , tal como considerado no predito despacho decisório. Vejamos os fatos: Em 27/03/2007, através do PER/DCOMP n° 25860.49502.270307.1.7.03 1056, que chamarei de principal, transmitido em 27/03/2007, foi lançado o valor de R$56.835,56, como valor da estimativa compensada para o período de janeiro de 2004 (fls. 9). Verificase nesta DCOMP, que a CSLL estimada de janeiro de 2004, foi paga através do PER/DCOMP 01872.35646.310304.1.7.016466, sendo este retificador de um outro, o de nº 07638.16590.120204.1.3.010155. Conforme noticiado pela própria Recorrente, a DComp de nº 01872.35646.310304.1.7.016466 foi objeto de análise e não foi admitida pela RFB, nos termos do despacho decisório 672533853 (fls. 140). Daí, entendeuse retificar a DCOMP original (a de nº 07638.16590.120204.1.3.010155), através do DCOMP n° 17094.53792.270307.1.7.019907. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13603.901573/201095 Acórdão n.º 1301002.260 S1C3T1 Fl. 342 9 Este último PER/DCOMP foi objeto de homologação através do despacho decisório 1175/2008 (fls. 142146), que ocorreu nos autos do processo nº 13603.720113/2007 62. Analisando a referida DCOMP (fls. 134) a de n° 17094.53792.270307.1.7.019907, transmitida na data de 27/03/2007, observo que foi compensado débito de CSLL, no valor de R$ 40.225,04, correspondente a janeiro de 2004. Na composição destas estimativas, ainda há um outro PER/DCOMP (fls. 147150) a de nº 01862.67477.280307.1.3.015074, transmitido em 18/03/2007, que compensou do débito de R$9.920,87 (Principal: 9.920,87; Multa: 1.1984,17; juros 4.705,47 = total 16.610,51), igualmente correspondente a janeiro de 2004; esta compensação realizouse no bojo do processo administrativo nº 13601.000630/200227. Logo, somandose R$ 40.225,04 + R$ 9.920,87, encontrase o valor de R$50.145,91, que é exatamente o valor reconhecido pela decisão recorrida, relativamente a este item, tal como lá decidido. Por fim, com referência à quitação em espécie, mencionada pela interessada em seu recurso (fl. 218), onde alegou que foi realizado o pagamento de débito de CSLL correspondente a janeiro de 2004, através de DARF, com código 2484, no valor de R$9.920,87, compulsando os autos, não encontro nenhum comprovante desta espécie. Como tal prova deve ser produzida pelo contribuinte, e ele não o fez, esta alegação não deve prosperar. Digase, com referência aos pagamentos realizados por DARF, observo que todos os recolhimentos efetuados e pleiteados pelo contribuinte, com o código 2484, foram confirmados por ocasião do despacho decisório, não havendo lide a este respeito. Aliás, com relação a este item, registrese que a decisão recorrida reconheceu um valor adicional de R$ 18.808,70 na composição do seu crédito, apesar de não informado no PER/DCOMP em análise. Desta forma, não há reparos a fazer na decisão recorrida, devendose manter a glosa de R$6.689,65 correspondente à diferença entre R$56.835,56 (pleiteado) e R$50.145,91 (confirmado) da estimativa de janeiro de 2004. Conclusão À vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13603.901573/201095 Acórdão n.º 1301002.260 S1C3T1 Fl. 343 10 Fl. 343DF CARF MF
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