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Numero do processo: 10935.903900/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.647
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 00 /2 01 3- 46 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.577.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903900/201346 Acórdão n.º 3402005.647 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720238/2015-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
PRAZO DECADENCIAL. DOLO. INÍCIO DA CONTAGEM.
Havendo dolo na conduta do sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN.
GLOSA DE DESPESAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se matéria não impugnada, não se instaurando o litígio, a acusação fiscal de que o contribuinte reduziu indevidamente o lucro líquido, mediante a apropriação de despesas não necessárias e de despesas não comprovadas, quando a peça de defesa não traz qualquer irresignação do impugnante sobre o tema, nem mesmo em relação à apuração dos tributos devidos.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64.
IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM.
Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças.
Numero da decisão: 1402-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração imputada de pagamento sem causa, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e os Conselheiros Caio César Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que afastavam esta imputação concomitante à de glosa de despesas. Designado para redigir o voto vencedor deste item, o Conselheiro Evandro Correa Dias; por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, i) relativamente à infração de glosa de despesas; ii) acerca da multa qualificada, mantendo-a no patamar de 150%; iii) não conhecer das matérias de cunho constitucional alegadas.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 PRAZO DECADENCIAL. DOLO. INÍCIO DA CONTAGEM. Havendo dolo na conduta do sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN. GLOSA DE DESPESAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se matéria não impugnada, não se instaurando o litígio, a acusação fiscal de que o contribuinte reduziu indevidamente o lucro líquido, mediante a apropriação de despesas não necessárias e de despesas não comprovadas, quando a peça de defesa não traz qualquer irresignação do impugnante sobre o tema, nem mesmo em relação à apuração dos tributos devidos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração imputada de pagamento sem causa, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e os Conselheiros Caio César Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que afastavam esta imputação concomitante à de glosa de despesas. Designado para redigir o voto vencedor deste item, o Conselheiro Evandro Correa Dias; por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, i) relativamente à infração de glosa de despesas; ii) acerca da multa qualificada, mantendo-a no patamar de 150%; iii) não conhecer das matérias de cunho constitucional alegadas. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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DOLO. INÍCIO DA CONTAGEM. Havendo dolo na conduta do sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial regese pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. GLOSA DE DESPESAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada, não se instaurando o litígio, a acusação fiscal de que o contribuinte reduziu indevidamente o lucro líquido, mediante a apropriação de despesas não necessárias e de despesas não comprovadas, quando a peça de defesa não traz qualquer irresignação do impugnante sobre o tema, nem mesmo em relação à apuração dos tributos devidos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 02 38 /2 01 5- 09 Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.098 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração imputada de pagamento sem causa, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e os Conselheiros Caio César Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que afastavam esta imputação concomitante à de glosa de despesas. Designado para redigir o voto vencedor deste item, o Conselheiro Evandro Correa Dias; por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, i) relativamente à infração de glosa de despesas; ii) acerca da multa qualificada, mantendoa no patamar de 150%; iii) não conhecer das matérias de cunho constitucional alegadas. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.099 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão que julgou parcialmente procedente a impugnação da Recorrente, conforme abaixo explanado: Resumidamente, a Recorrente participou de três consórcios: 1 Consórcio Nova Tietê; formado pela Recorrente e pela Delta Construções S.A. 2 Consórcio Sobrenco, Cros, Jlak, Vilasa, Amodal; 3 Consórcio Lotec, Sanches Tripoloni e Sobrenco; Quando intimada, por três vezes, a apresentar documentos fiscais dos anos calendário de 2010 e 2011 relativos aos consórcios que participou, a Recorrente apresentou apenas uma parte dos documentos do Consórcio Sobrenco Cros do ano de 2011 devidamente validado do PVA SPED. Como a Fiscalização encontrou dificuldade para conseguir a documentação junto a Recorrente, decidiu diligenciar paralelamente na líder do Consórcio Nova Tietê, a empresa Delta Construções S.A. O Consórcio Nova Tietê tinha como fornecedor duas empresas, a Legend Engenheiraria e a SP Terraplanagem. Neste processo restou comprovado apenas o relacionamento comercial com a empresa Legend Engenheiros, inexistindo provas de que a ocorreram operações durante este período com a SP Terraplanagem. A empresa Legend foi considera inexistente de fato e as notas fiscais declaradas inidôneas. O primeiro item do Auto de Infração trata de glosa dos custos deduzidos da apuração do lucro real do IRPJ e da CSLL relativos as operações de alugueis de equipamentos da Legend Engenharia Ltda, da qual toda a documentação e pagamentos foram considerados inidôneos devido a inexistência de fato da empresa. Tais custos foram apropriados na conta contábil 3.4.1.02.0005, e são referentes aos pagamentos feitos a Legend e lançados na escrita contábil do Consorcio Nova Tietê, o qual a Recorrente fez parte. A segunda infração trata de exigência de IRRF, referente ao pagamento sem causa feito para a empresa declarada inexistente. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.100 4 Contra a contribuinte SOBRENCO ENGENHARIA E COMERCIO LTDA, em epígrafe, foram lavrados autos de infração, incluídos juros e multa, para exigência de (1) IRPJ e CSLL e de (2) IRRF, relativos aos fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 2011 e 2012, no montante de: [...] Procedeu a autoridade fiscal à imposição de multa de ofício de 150%. O objeto social da empresa é a execução de obras de engenharia em todas as suas modalidades, compreendendo o exercício de atividades técnicas, industriais e comerciais, bem como a prática de atividades Mobiliárias, tais como loteamentos, incorporações e compra e venda de imóveis próprios, podendo participar de outras sociedades, como quotista ou acionista, por deliberação exclusiva da sua administração. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Do Relatório Fiscal de fls. 860/934, parte integrante dos autos de infração, extraemse as seguintes informações. A fiscalização iniciouse em 09/07/2015. Após saneamento de inconsistências na Escrituração Contábil Digital referente ao ano de 2010 ECD 2010, por meio de dois Termos de Intimação Fiscal TIF, foi também solicitado ao contribuinte que apresentasse, no TIF03, os dados referentes aos consórcios dos quais participou com os respectivos contratos, além dos arquivos digitais contábeis referentes a esses empreendimentos, a fim de identificar, de forma individualizada, todos os clientes e fornecedores envolvidos nesses consórcios. Asseverou a autoridade fiscal que, dos três consórcios dos quais a fiscalizada informou participação, somente foram enviados os arquivos contábeis digitais do Consórcio SobrencoCrosJalkVilasaAmodal, CNPJ 12.543.023/0001 21, e, mesmo assim, referente apenas ao anocalendário de 2011. Já os arquivos referentes ao ano de 2010 desse consórcio e os dos demais não foram enviados pelas seguintes alegações: Consórcio Nova Tietê: Conforme se verifica na documentação anexada, a Liderança do consórcio ficou a cargo da empresa DELTA Construções S.A. que está em recuperação judicial. Tão logo fomos intimados a comprovar os arquivos SPFD dos anos de 2010 e 2011, imediatamente iniciamos contatos com a líder nesse sentido. Tomamos conhecimento, que todo esse processo fora executado na época, pela empresa Grant Thornton Brasil, que se utilizava do sistema ERP da DELTA, denominado REMOTE RP, e quando ocorreu o encerramento do contrato de prestação de serviços Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.101 5 com a Grant Thornton, todos os acessos foram bloqueados. (vide ernail anexo ao presente). Segundo as informações colhidas com a DELTA, o pessoal de TI e Suporte estão trabalhando para localizarem esses arquivos do Consórcio Nova Tietê, no sistema vigente naquela época. Consórcio Sobrenco, Cros, Jalk, Vilasa, Amodal: Estamos anexando nessa reniessd, o SPED de 2011 devidamente validado do PVA SPED. Quanto ao SPED cio exercício de 2010, segundo informações do escritório contábil, essearquivo foi gerado em um sistema anterior diferente do atual, que impediu sua remessa. Consórcio Loctec, Sanches Tripoloni e Sobrenco. Segundo o escritório de contabilidade, as providências no sentido de geração dos arquivos SPED 2011 (ano da constituição do Consórcio), estão sendo tomadas. Informou a autoridade fiscal que o interesse desta fiscalização era a participação da fiscalizada no Consórcio Nova Tietê, motivo pelo qual, devido à alegação de dificuldades de acesso aos arquivos contábeis digitais desses consórcios, foi aberta Diligência Fiscal na empresa Delta Construções S.A. com o intuito de obter, de forma concomitante com a fiscalizada, documentos e informações relativos às empresas: a) LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA., CNPJ 07.794.669/000141; b) SP TERRAPLENAGEM LTDA, CNPJ 09.503.787/000189; Em resposta aos termos de intimação enviados pela autoridade fiscal, tanto na resposta da DELTA à DRF Barueri, quanto na da SOBRENCO, em conseqüência da diligência ocorrida na DRF Santos, foi informado por ambas as diligenciadas que o serviço prestado pela empresa Legend Engenheiros Associados Ltda. foi de locação de equipamentos e que, quanto à empresa SP TERRAPLENAGEM LTDA ME, não houve relacionamento comercial. Informou também o agente fiscal que tanto a fiscalizada quanto a diligenciada apresentaram cópias de diversos documentos e levantamentos requeridos, referentes aos anos de 2010 e 2011, mas que supriram parcialmente ao requerido. Posteriormente, após intimações e análise da escrita contábil referente ao Consórcio Nova Tietê, constatou a fiscalização que realmente não houve lançamentos concernentes à empresa SP TERRAPLENAGEM LTDA, o que corroborou com as afirmações da SOBRENCO e da DELTA, de que não houve relacionamento comercial com essa prestadora. A partir de então, o trabalho fiscal foi direcionado para os pagamentos realizados à empresa LEGEND ENGENHEIROS Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.102 6 ASSOCIADOS LTDA., quando foram realizadas diligências nos endereços informados por aquela empresa nos Cadastros da Receita Federal do Brasil, cuja conclusão a que chegou a autoridade fiscal foi a de que as Notas Fiscais emitidas por aquela sociedade eram documentos inidôneos, pois se referiam a pessoa jurídica que, apesar de constituída formalmente, não possuía existência de fato. Posteriormente, a inscrição daquela empresa no CNPJ foi declarada inapta e posteriormente baixada no órgão competente. Dessa forma, esses documentos não produziriam quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros, por se caracterizarem como uma hipótese de inidoneidade. Asseverou ainda a autoridade fiscal que a LEGEND pertencia a um grupo de pessoas, entre elas os Srs. ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD, os quais, além dessa, constituíram várias outras empresas, em seus nomes e no de várias interpostas pessoas com as quais tinham fortes vínculos pessoais e profissionais, com o intuito de fraudar, sonegar e desviar recursos públicos por meio de pagamentos para supostas prestações de serviços, cujo presente entendimento não se restringiria apenas à fiscalização da Receita Federal do Brasil, mas também compartilhado por uma CPMI do Congresso Nacional, por investigações da Polícia Federal, por decisões da Justiça Federal e, mais recentemente, por denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal – MPF. Relatou a autoridade fiscal no TVF, fls. 908 a 910, que, em 09/12/2015, compareceram à sede da DRF Santos, os Senhores Gilson Louro Marchesini, sócio administrador da Impugnante, e Marco Antonio de Souza Crivei, procurador da empresa, quando esses representantes decidiram de forma espontânea emitir uma declaração, redigida de próprio punho pelo primeiro, na qual declararam que a LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA, não prestou serviços ao consórcio Nova Tietê, no período de 01/01/2010 a 31/12/2011. Em decorrência, a autoridade fiscal apurou irregularidades tributárias na apuração do IRPJ e da CSLL da SOBRENCO nos calendário 2010 e 2011, relativas a despesas contabilizadas e não comprovadas, por serem inidôneas, e na apuração do IRRF, relativas a pagamentos contabilizados e cujas respectivas operações não foram comprovadas. DA EXIGÊNCIA DE IRPJ e CSLL Com relação às despesas consideradas não comprovadas pelo agente fiscal, uma vez que o contribuinte não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal que fossem aptos a comprovar a efetiva prestação de serviços, a glosa alcançou os valores constantes de notas fiscais emitidas pela empresa LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA., CNPJ 07.794.669/000141, relativas a operações não comprovadas, proporcionalmente à participação da SOBRENCO junto ao CONSORCIO NOVA TIETÊ (41%), conforme cláusula Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.103 7 quarta do "Termo de Constituição de Consórcio”, datado de 18/05/2009. DA EXIGÊNCIA DE IRRF Já a exigência do IRRF alcançou os pagamentos efetuados à LEGEND pelas notas fiscais emitidas, cujas despesas apropriadas pelo contribuinte ENGENHARIA E COMERCIO LTDA. foram consideradas não comprovadas pelo agente fiscal. DA MULTA DE OFÍCIO – QUALIFICAÇÃO Em face das infrações descritas, a fiscalização aplicou o percentual da multa de ofício qualificada aos tributos apurados, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14, da Lei 11.488/07, posto que restou constatada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Dessa forma, segundo a autoridade fiscal, os fatos narrados não deixariam dúvidas quanto à ocorrência de simulação, em função da ocorrência de pagamentos simulados, em vista da prestação de serviços, por parte da LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA., que efetivamente não ocorreram. II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos autos de infração, em 17/12/2015, e irresignada, a contribuinte SOBRENCO ENGENHARIA E COMERCIO LTDA, doravante denominada SOBRENCO neste relatório, apresentou a impugnação de fls. 952/996, em 12/01/2016, por meio da qual oferece, em síntese, as seguintes razões de defesa. DA DECADÊNCIA Suscitou a decadência dos tributos IRPJ, CSLL e IRRF lançados, cujos fatos geradores ocorreram anteriormente a 09.07.2010, conforme lapso temporal de 05 anos descrito no § 4º, do artigo 150, do CTN. Citou entendimentos doutrinários. Aduz que, em virtude da decadência, segundo o § 6º, do artigo 3º, da Instrução Normativa Nº 1.199, de 14/11/2011, não estaria obrigada a Impugnada ou a empresa líder a enviar a escrituração descrita no auto de infração. Cita jurisprudência do STJ. DA NÃO RESPONSABILIDADE DA EMPRESA IMPUGNADA Alega que, embora a autoridade fiscal tenha argumentado que a impugnante teria responsabilidade solidária em relação às obrigações acessórias do consórcio perante o fisco, na leitura da Lei 11.795, de 08 de Outubro de 2008, que dispõe sobre as Normas do Consórcio, em seu Artigo 1º, § 1º, não restariam dúvidas quanto à responsabilidade da Líder do Consórcio na Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.104 8 representação de todos os atos, incluída a obrigação de entrega dos documentos fiscais à Fazenda Pública, no seu exercício de aferição do tributo. Acrescenta na IN RFB nº 1.199, de 14/10/2011, restaria comprovado que além da responsabilidade não ser solidária corno afirmou a autoridade fiscal, a entrega de documentação estaria adstrita à empresa Líder que, se deixou de cumprir com suas responsabilidades perante o Fisco não haveria como a impugnante, por meios hábeis ou coercitíveis, determinar que aquela fizesse o contrário. DA REGULAMENTAÇÃO DA EMPRESA LEGEND Assevera que o Consórcio "Nova Tietê” firmou contrato com a empresa Legend Engenheiros Associados LTDAEPP, tendo como objeto a locação de equipamentos que seriam utilizados no empreendimento, conforme extensa lista apontada no Termo de Verificação Fiscal da Receita Federal, em seu Item 5.3. Aduz que embora a Receita Federal afirme, com base unicamente na alegação de que a empresa "Legend" não existe de fato, uma vez que as Notas Fiscais emitidas por ela são documentos inidôneos, que ao realizar a pesquisa da empresa na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), não se acusa qualquer irregularidade, pois ela não se encontrava na situação cadastral suspensa, inapta ou cancelada a época (sofrendo baixa apenas no ano de 2014), conforme anexo a Ficha Cadastral Simplificada (Doc. 03) e o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral (Doc. 04). Conclui que, se a própria Receita Federal reconheceu eventual irregularidade da empresa somente no ano de 2014, não poderia a impugnante apurar tal situação nos anos de 2010 e 2011, pois não teria meios hábeis, coercitivos ou de fiscalização para apurar eventuais mudanças de endereços da empresa "Legend" ou de seus sócios, bem como não teria poderes para intervir diretamente em qualquer empresa, de forma que não poderia responder por suposta idoneidade que nem foi efetivamente comprovada. DA COMPETÊNCIA E EMBASAMENTO LEGAL DO FISCO Cita entendimentos doutrinários para alegar que o auto de infração não parece correto em sua fundamentação nos moldes em que se apresentou, devendo ser considerado, inclusive, nulo, por desrespeito direto ao Princípio da Legalidade e Impessoalidade, dado que a questão da Legalidade não foi respeitada e, muito menos, à Imparcialidade, uma vez que o Fisco buscou recursos fora de sua competência e justificou seus atos por órgãos que nem ao menos julgaram definitivamente a questão, fundamentando uma suposta culpa da impugnante em vieses midiáticos e de meras suposições, conforme citação do Item 5.8 do TVF. DA PRESTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.105 9 Alegou que a afirmação do Sr. Gilson Louro Marchesini, sócio Administrador da Impugnada, de que a empresa "Legend" nunca teria prestado os serviços de locação de equipamentos ao Consórcio "Nova Tietê" causaria espécie, pois quem era responsável direta pela contratação, negociação, fiscalização (especificamente as Notas Fiscais) e demais causas pertinentes à empresa "Legend", era a empresa Líder do Consórcio, de forma que não poderia afirmar qualquer uma das consorciadas sobre a participação ou não de uma simples empresa dentre as inúmeras que prestaram serviços ao Consórcio "Nova Tietê". Citou novamente a IN RFB n. 1.199, de 14 de Outubro de 2011, artigo 3°, § 2°, com o intuito de evidenciar que a responsável pelas informações prestadas era da empresa Líder. DA MULTA CONFISCATÓRIA Asseverou que a aplicação das multas nos patamares de 150% evidenciaria a aplicação abusiva, confiscatória e inconstitucional por parte da autoridade fiscal, uma vez que a Constituição Federal vedaria o efeito confiscatório em seu artigo 150, parágrafo IV. Cita julgados do STF e entendimentos doutrinários. Acrescentou que a multa aplicada teria claramente um caráter sancionatório, ou seja, penal, pois o objetivo do Agente Fiscalizador seria o de penalizar a Impugnante por suposta infração legal, que sequer aconteceu, já que o dever de enviar a documentação solicitada pela Receita Federal seria exclusa da empresa Líder, conforme já descrito. DA MULTA QUALIFICADA Neste tópico, argumenta que dado não ter restado configurado a existência de dolo e, consequentemente, de Crime contra a Ordem Tributária, ficaria desconexa a aplicação da Multa qualificadora, uma vez que houve boafé por parte da Impugnante e que a responsabilidade na esfera tributária é subjetiva. Portanto, a aplicação a Multa punitiva caracterizaria, neste caso, ato discricionário vedado pelo Princípio da Estrita Legalidade Tributária. É o relatório. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.106 10 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos na legislação pertinente, motivo pelo qual, o admito. Quanto a preliminar de decadência, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido, eis que restou comprovado nos autos a existência de operações simuladas, com empresa inexistente, sendo que as pessoas físicas responsáveis das empresas que transacionaram eram interligadas e tinham conhecimento do modus operand. Desta forma, afasto o requerimento para que se aplique a contagem da decadência nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN, devendo ser aplicada o marco inicial previsto no artigo 173, inciso I do CTN, não ocorrendo a decadência do direito da Fazenda Nacional lançar os créditos. De resto, utilizo a fundamentação do v. acórdão recorrido para motivar minha decisão em relação a esta matéria. I.1. Da Decadência Conforme relatado, sustentou a impugnante que os fatos geradores que ocorreram anteriormente a 09.07.2010 , referentes aos tributos IRPJ, CSLL e IRRF lançados, estariam decaídos, devido ao transcurso de 05 anos descrito no § 4º, do artigo 150, do CTN. Acrescentou ainda que, em virtude da decadência mencionada, não estaria obrigada a Impugnante ou a empresa líder a enviar a escrituração descrita no auto de infração, segundo o § 6º, do artigo 3º, da Instrução Normativa Nº 1.199, de 14/11/2011,. Não assiste razão à suplicante, vejamos. Tratarei especificamente da questão da decadência neste tópico. Quanto ao tema relativo à obrigação do envio da escrituração pela impugnante ou empresa líder, esse será abordado no próximo tópico. Previamente, cabe ressaltar que, conforme se demonstrará mais adiante nesse voto, houve aplicação de multa qualificada no percentual de 150%, com a constatação de fraude, por meio de pagamentos simulados, o que por si só tem o condão de deslocar a aplicação do termo inicial do prazo qüinqüenal para o Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.107 11 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173, do CTN: [...] Por outro lado, consta no TVF, folha 860, que o contribuinte no período fiscalizado optou pela forma de tributação Lucro Real e regime de apuração Anual. Portanto, para tributos mencionados no parágrafo anterior, de acordo com o citado inciso I, do art. 173, do CTN, o fato gerador mais antigo ocorreu em 31/12/2010, a contagem do prazo inicial de decadência começou a correr a partir 01/01/2012, completando os cinco anos em 31/12/2016. Considerando que a impugnante teve ciência do lançamento em 17/12/2015, o crédito tributário (IRPJ e CSLL) foi constituído dentro dos prazos legais. Em relação a contagem do prazo decadêncial para o IRRF, também entendo que nos termos do artigo 173, inciso I do CTN o direito da Receita Federal lançar não decaiu. Para fundamentar meu voto, utilizo os argumentos do v. acórdão recorrido: No que tange à contagem do prazo decadencial para o IRRF, o §2, do artigo 61, da Lei 8.981/95, assim define o seu fato gerador: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. (...) § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância.(negritei). Assim, aplicandose a mesma regra prevista no citado art. 173, não há que se falar em decadência, uma vez que o auto de infração foi notificado à contribuinte em 17/12/2015, enquanto o termo inicial do prazo qüinqüenal, em relação ao fato gerador mais antigo (janeiro/2010) se deu em 1º/01/2011, o que levou, nesse caso, o termo final do prazo qüinqüenal para 31/12/2015. Portanto, rejeito a prejudicial de mérito argüida em relação à decadência dos tributos IRPJ, CSLL e IRRF. Passo a analisar a alegação de ofensa aos princípios da Legalidade e da Impessoalidade. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.108 12 A Recorrente alega nulidade do lançamento por afronta ao princípio da legalidade, uma vez que a responsabilidade pela representação dos atos do Consórcio Nova Tietê e a obrigação de entrega de documentos à Fazenda Pública, seria da empresa lidar (a empresa Delta). Esta matéria, já foi analisada por este E. CARF/MF diversas vezes, sendo que a maioria da jurisprudência vai no sentido contrario ao da alegação da Recorrente, conforme pode se verificar no texto da ementa abaixo colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011, 2012, 2013 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO. O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento. O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações. PRELIMINARES DE NULIDADE. Inexistem causas de nulidade nos termos do que dispõe o art. 12 do RPAF. As supostas causas de nulidade são objeto de Súmula deste CARF, que vinculam este julgador. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou seja, se o representante, mesmo que de fato, da contribuinte for colocado no polo passivo, isto não exclui a contribuinte da responsabilidade dos tributos e multas apurados. DECADÊNCIA. PRAZO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. Nos casos de dolo ou inexistência de pagamento, aplicase o art. 173 do CTN. Nos casos de tributos de apuração anual, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do exercício. Não há o que se falar em decadência. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS COMPROVAÇÃO DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para serem considerados dedutíveis, além de comprovar que foram contratadas, assumidas e pagas, as despesas devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora das receitas, e que sejam usuais e Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.109 13 normais no tipo de transações, operações ou atividade das mesmas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora. Como a multa de ofício também é crédito tributário sobre ela também necessariamente incidem os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIRSE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Se sujeita à incidência do imposto de renda na fonte, com alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a evitar o seu pagamento. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.110 14 Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Não compete a este conselho apreciar arguições de inconstitucionalidade, inteligência da Súmula n. 2 do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal.(processo 16004.720364/201685) Sendo assim, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido nesta parte e para fundamentar meu voto, colaciono os argumentos utilizado no voto vencedor. Suscitou o impugnante a nulidade dos créditos tributários lançados em virtude de afronta ao principio da legalidade, uma vez que a responsabilidade pela representação de todos os atos do Consórcio é da líder, nela incluindo a obrigação pela entrega dos documentos fiscais à Fazenda Pública, no seu exercício de aferição do tributo, nos termos da Lei n. 11.795, de 08 de Outubro de 2008, em seu Artigo 1º, § 1º. Acrescentou que a IN RFB 1.199, de 14/10/2011, que dispõe sobre a representação consorcial, comprovaria que, além da responsabilidade não ser solidária com a empresa líder, a entrega de documentação estaria adstrita a essa última. Portanto, a impugnante não teria meios para forçar o cumprimento das responsabilidades daquela empresa perante o Fisco. Não procedem as alegações do impugnante. Vejamos. Preliminarmente, salientese que a Lei 11.785, de 08/11/2008, citada pela impugnante dispõe tãosomente quanto ao Sistema de Consórcio, destinado a propiciar acesso ao consumo de bens e serviços, constituído por administradoras e grupos de consórcio, conforme se depreende de seu artigo 1º: Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.111 15 Art. 1o O Sistema de Consórcios, instrumento de progresso social que se destina a propiciar o acesso ao consumo de bens e serviços, constituído por administradoras de consórcio e grupos de consórcio, será regulado por esta Lei. O conceito de consórcio e as regras que deverão ser observadas em seu contrato de constituição para execução de determinado empreendimento estão definidos nos artigos 278 e 279 da Lei 6.404/76: Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009): I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Quanto à IN RFB nº 1.199/2011, alegada pelo impugnante em sua defesa, essa nada mais fez que explicitar o que constava no artigo 1º, da Lei nº 12.402, de 2 de maio de 2011, cuja redação regulamentou os artigos 278 e 279 da Lei 6.404/76, com o intuito de explicitar os efeitos tributários (Receita Federal do Brasil) decorrentes da organização em consórcios para as pessoas jurídicas consorciadas: Art. 1º As empresas integrantes de consórcio constituído nos termos dos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.112 16 1976, respondem pelos tributos devidos, em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento, observado o disposto nos §§ 1º e 2º. § 1º O consórcio que realizar a contratação, em nome próprio, de pessoas jurídicas ou físicas, com ou sem vínculo empregatício, poderá efetuar a retenção de tributos e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, ficando as empresas consorciadas solidariamente responsáveis. § 2º Se a retenção de tributos ou o cumprimento das obrigações acessórias relativos ao consórcio forem realizados por sua empresa líder, aplicase, também, a solidariedade de que trata o § 1º. Conforme se depreende dos §§ 1º e 2º, referentes ao artigo 1º destacado acima, as empresas consorciadas são solidariamente responsáveis tanto pela retenção de tributos, quanto pelo cumprimento das obrigações acessórias relativos ao consórcio. Tal responsabilidade é corroborada no contrato de constituição do Consórcio Nova Tietê. Ademais, embora a empresa líder deva manter registro contábil das operações do consórcio por meio de escrituração segregada na sua contabilidade, conforme consta do art. 3º da IN RFB nº 1.199/2011, cada pessoa jurídica consorciada deverá apropriar suas receitas, custos e despesas proporcionalmente à sua participação, evidenciandoos por meio de escrituração segregada das operações relativas à sua participação no consórcio em seus próprios livros contábeis, fiscais e auxiliares: Art. 3º Para efeito do disposto no caput do art. 2º, cada pessoa jurídica participante do consórcio deverá apropriar suas receitas, custos e despesas incorridos, proporcionalmente à sua participação no empreendimento, conforme documento arquivado no órgão de registro, observado o regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas consorciadas. § 1º O disposto no caput aplicase para efeito da determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem como para apurar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) como também para apurar os créditos das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. § 2º A empresa líder do consórcio deverá manter registro contábil das operações do consórcio por meio de escrituração segregada na sua contabilidade, em contas ou subcontas distintas, ou mediante a escrituração de livros contábeis próprios, devidamente registrados para este fim. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.113 17 § 3º Na ausência de empresa líder, ou se não houver disposições legais exigindo a indicação de uma líder, deverá ser eleita uma das consorciadas para os fins previstos no § 2º. § 4º Os registros contábeis das operações no consórcio, efetuados pela empresa líder ou pela consorciada eleita para este fim, deverão corresponder ao somatório dos valores das receitas, custos e despesas das pessoas jurídicas consorciadas, podendo tais valores serem individualizados proporcionalmente à participação de cada consorciada no empreendimento. § 5º Sem prejuízo do disposto nos §§ 2º a 4º, cada pessoa jurídica consorciada deverá efetuar a escrituração segregada das operações relativas à sua participação no consórcio em seus próprios livros contábeis, fiscais e auxiliares. Acrescentese que, devido à alegação de dificuldade de acesso aos arquivos contábeis digitais do consórcio por parte da impugnante, a autoridade fiscal diligentemente buscou, paralelamente ao procedimento fiscal, por documentos e informações relativos ao Consórcio Nova Tietê, TVF, fls. 865 e 866, na própria empresa líder. Quanto à argüição de ofensa ao princípio da impessoalidade, sob o fundamento de que o fisco buscou recursos fora de sua competência e justificou seus atos por Órgãos que nem ao menos julgaram definitivamente a questão, fundamentando a culpa da impugnante em vieses midiáticos e de meras suposições, conforme citação do Item 5.8 do TVF, também não merece prosperar, pois, conforme já demonstrado neste relatório, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil, muito embora de posse de fartos elementos produzidos pela CPMI do Congresso Nacional, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, no âmbito da denominada operação Lava Jato, como são exemplos os depoimentos, as denúncias e mesmo as denominadas colaborações premiadas dos diversos atores, logrou produzir o seu próprio conjunto probatório, que indubitavelmente deu lastro para a apuração de irregularidades no âmbito da legislação tributária federal. Rejeitamse todas nulidades e alegações deste item. Desta forma, também afasto a alegação preliminar de ilegitimidade de passiva e de ofensa ao princípio da legalidade. Da ausência de responsabilidade dos pagamentos feitos para a empresa declarada inidônea. Suscitou o impugnante que a inidoneidade da empresa "Legend" somente teria sido declarada em 2014, de forma que a fiscalizada não possuiria meios para apurar tal situação nos anos de 2010 e 2011, tampouco ferramentas coercitivas ou de fiscalização para apurar eventuais mudanças de endereços da empresa "Legend" ou de seus sócios, bem como não teria poderes para intervir diretamente em qualquer empresa, de forma que não poderia responder por suposta idoneidade que nem foi efetivamente comprovada. Em primeiro lugar, a inidoneidade foi efetivamente comprovada nos autos. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.114 18 A acusação foi fundamentada em documentos obtidos junto a Recorrente e sua parceira no consórcio a empresa Delta S.A., bem como de processos junto ao Ministério Público, Policia Federal, Justiça Federal e até CPMI. Quanto a alegação de que não poderia ser responsabilizada pelos pagamentos feitos para a empresa Legend, eis que a declaração de inidoneidade foi declarada apenas no ano de 2014 e as operações ocorreram nos anos de 2010 e 2011, também entendo que não deve ser provida. Tenho para mim, que carece de fundamento a tese da Recorrente de que os efeitos da inidoneidade ocorrem somente após sua publicação, eis que a publicação é ato meramente declaratório, o qual concretiza a existência ou não de fato ou de direito de certa e determinada situação. Dessa maneira, seguindo minha linha de raciocínio, o fato é que a nulidade da documentação sempre existiu e só foi descoberta pelo Fazenda Nacional em momento posterior, não podendo gerar efeitos jurídicos equivalentes a documentação válida. Seria contraditório do ponto de vista lógicojurídico que ato jurídico de natureza declaratório gerasse efeitos exnunc. Os efeitos da declaração de inidoneidade só poderiam ser afastados da Recorrente na hipótese de ter sido comprovado nos autos sua boafé e a regularidade das operações, o que não foi feito. Em relação à responsabilidade tributária, conforme os argumentos acima expostos, no presente caso ela só poderia ser afastada se a Recorrente tivesse comprovado sua boafé na relação comercial ora em análise, obrigação esta que não logrou êxito em fazer nos autos. De resto, colaciono os argumentos e fatos descritos no v. acórdão recorrido para fundamentar meu voto. Informou a autoridade fiscal no TVF, fls. 908 a 910, que, em 09/12/2015, compareceram à sede da DRF Santos, os Senhores Gilson Louro Marchesini, sócio administrador da Impugnante, e Marco Antonio de Souza Crivei, procurador da empresa, quando esses representantes decidiram de forma espontânea emitir uma declaração, redigida de próprio punho pelo primeiro, na qual declararam que a LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA, não prestou serviços ao consórcio Nova Tietê, no período de 01/01/2010 a 31/12/2011. Além disso, a fiscalização realizou diligências nos endereços informados pela LEGEND nos Cadastros da Receita Federal do Brasil, onde constatou que, além do espaço dos endereços visitados não ser suficiente para dar suporte à atividade operacional desenvolvida pela por aquela empresa, quando da análise dos débitos efetuados nas contas bancárias, não foram encontrados pagamentos para sua manutenção operacional, tais como, TVF, fl.898: Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.115 19 “pagamentos a funcionários ou prestadores de serviços pessoa física, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguel de espaços físicos, pagamentos de luz, água, telefone, pagamentos a escritórios de contabilidade. Também não se localizou alguns pagamentos que são extremamente necessários e básicos para que uma empresa de locação de máquinas e equipamentos possa funcionar, tais como, compra de combustíveis, peças e acessórios para manutenção das máquinas e equipamentos, pagamento de mecânicos de manutenção ou empresas especializadas neste tipo de prestação de serviços, pagamentos de transporte de equipamentos, pagamentos de IPVA ou licenciamento de veículos, etc” Com efeito, conforme cabalmente demonstrado no TVF, a impugnante não apresentou prova da efetiva prestação dos serviços, os quais, como contratante, afirmou terem sido executados por essa empresa, a despeito de alegar que existiriam notas fiscais, contratos de prestação de serviços e os comprovantes de pagamento. Ademais, restou comprovado que as Notas Fiscais emitidas pela empresa LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA EPP eram documentos inidôneos, pois foram emitidas por pessoa jurídica que nunca possuiu existência de fato, apesar de constituída formalmente, cuja inscrição no CNPJ foi considerada e declarada inapta, sendo posteriormente baixada no cadastro da Receita Federal do Brasil, por meio do ato Declaratório Executivo ADE nº 190, da DRF Barueri, publicado no Diário Oficial da União de 03/07/2014. Desta forma, afasto a alegação de que não poderia ser responsabilizada pelos pagamentos feitos a empresa Legend, posteriormente declaradas inexistente de fato, bem como a respectiva documentação declarada inidônea. Mérito: Glosa de despesas e exigência de IRRF relativo a pagamento sem causa. Em relação a acusação de que reduziu indevidamente o lucro líquido dos anos de 2010 e 2011, mediante a apropriação de despesas não comprovadas, com reflexos na apuração do IRPJ e CSLL, e, tampouco, contra a exigência de IRRF, resultantes de operações não comprovadas ou sem causa, decorrentes de pagamentos fictícios (pagamentos sem causa), vejamos. Em relação a autuação concomitante de glosa de despesas/custos com a exigência de IRRF devido a pagamento sem causa, este Relator firmou entendimento de que não é possível a exigência das duas autuação ao mesmo tempo. Para fundamentar meu voto utilizo os argumentos do D. Conselheiro Lucas Bevilacqua preferidos no acórdão 1402003.342. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.116 20 O art. 61 da Lei 8.981/95 dispõe que: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. § 1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.117 21 § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento. Como se verifica da leitura do dispositivo, sua aplicabilidade está condicionada a identificação ou não do beneficiário, e a depender da comprovação de sua causa ou da operação. Ou seja, entendo ser inócuo pedido de diligência ou perícia para verificar se houve ou não recolhimento do IR pelos beneficiários do pagamento. Percebese que, a princípio, o recolhimento do imposto não é apto a impedir a incidência do IRRF nestes casos em que não se identifica o beneficiário, causa ou operação. Falase em princípio, pois apesar da redação do dispositivo indicar uma coisa, a interpretação histórica e sistemática nos conduz a outra conclusão. Historicamente, o art. 61 foi introduzido para complementar o disposto no art. 44 da Lei nº 8.541/92, como bem aponta Diego Miguita em aprofundado estudo (https://www.jota.info/opiniaoeanalise/artigos/glosade despesaseirrfporpagamentosemcausa16032017). Peço vênia para transcrever as conclusões que entendo relevantes para a formulação de meu voto: De tudo o que foi visto, percebese que, se as acusações fiscais, atualmente, entendem ter havido redução indevida do lucro real por dedução de despesas supostamente inexistentes, não podem se valer dessa mesma premissa para invocar o artigo 61 da Lei nº 8.981/95, cuja abrangência não alcança tal situação. Em outras palavras, a ressalva que o próprio artigo faz com relação a normas especiais diz respeito ao artigo 44 da Lei nº 8.541/92, esse sim com previsão que poderia – caso não tivesse sido revogado – sustentar a exigência cumulativa de IRRF. E as diferenças são perceptíveis a olho nu. O artigo 61 da Lei nº 8.981/95 buscava alcançar hipóteses que escapavam à previsão específica do artigo 44 da Lei nº 8.541/92, isto é, e se os pagamentos não tivessem sido escriturados ou não interferissem na apuração do lucro líquido, como, por exemplo, na compra de bens (lançamentos meramente permutativos em conta de ativo) e se a empresa, sujeita ao lucro presumido, mantivesse escrituração pelo livro caixa. Certamente, pelo princípio da legalidade, se houvesse transferência de recursos sem a comprovação da operação ou de sua causa ou, ainda, a beneficiário não identificado, não seria possível a exigência de IRRF com base em suposta redução indevida do lucro líquido se não houvesse sequer a sua escrituração. É por essa razão que a alíquota de 35% de IRRF foi uniformizada pelo artigo 62 da Lei nº 8.541/92 para ambas as situações. O cenário normativo, até a revogação do artigo 44 Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.118 22 da Lei nº 8.541/92, poderia ser representado da seguinte maneira: No conjunto “P” (todos os pagamentos possíveis), estão contidos os subconjuntos “A”, “B” e “C”. O subconjunto “C”, por sua vez, não está contido em “B”, tratando, portanto, de situações distintas e coexistindo harmonicamente. Onde cabe a aplicação de “C”, não caberia, de forma cumulada, a aplicação de “B”. Hipoteticamente, imaginemos que estamos em 1995 e, com base na mesma situação fática enfrentada nos autos de infração recentes, a fiscalização alegasse que determinado serviço não foi prestado e, de um lado, glosasse a despesa na apuração do lucro real, e, de outro, exigisse o IRRF com base no artigo 44 da Lei nº 8.541/92. Alguém ousaria sustentar que, quando da liquidação financeira da obrigação (cujo reconhecimento teve como contrapartida despesa no resultado) caberia uma terceira exigência com base no mesmo suporte fático? É indiscutível que não procederia a exigência baseada com base no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, seja pelo fato de o artigo 44 da Lei nº 8.541/92 veicular norma especial que prevalece a outra menos específica, seja pelo fato de que, nesta hipótese, haveria, de fato, verdadeiro bis in idem. De modo resumido, os critérios de interpretação histórico, sistemático e finalístico afastam, por completo, a orientação que se guia pela interpretação exclusivamente literal, desprezando elementos que, no mínimo, Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.119 23 deveriam ser considerados, ainda que para fins de seu afastamento e manutenção da posição que se adota. Dito isto, indo além da alegação de dupla tributação e de diversas considerações igualmente relevantes, a revogação do artigo 44 da Lei nº 8.541/92 não permite que o intérprete usurpe a sua abrangência e inclua, no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, situações antes não contempladas em sua materialidade. É por isso que, sem dúvidas, a sua aplicação se restringe a eventos que não guardem relação direta com a acusação de redução indevida do lucro líquido, a saber: pagamentos efetuados por empresas no lucro presumido, no SIMPLES ou, ainda, por empresas sujeitas ao lucro real quando o pagamento não for contabilizado ou não se relacione com a apuração do IRPJ (como é o caso de liquidação de obrigação cuja despesa escriturada, no momento de seu reconhecimento, interferiu na apuração tributária). Como se verifica, o art. 61 da Lei 8.981/95 foi instituído em complementariedade ao art. 44 da Lei 8.541/92 que assim dispunha: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Perguntase revogado o artigo acima transcrito, seus efeitos jurídicos seriam transmitidos para o escopo do art. 61 da Lei 8981/95? Não parece ser a resposta correta. Do que decorre a razão das conclusões aduzidas por Miguita de que não há no ordenamento hoje previsão legal para a incidência do IRRF acompanhada da glosa das despesas. Nessa toada, caso mantida a glosa das despesas deve ser afastada a incidência do IRRF. De outro lado, ainda que se afaste a glosa pelos motivos acima expostos, há razões para sustentarmos que o IRRF não se aplica ao caso, vejamos. O art. 61 da Lei 8.981/95 referese a beneficiário não identificado. No caso se identificou o beneficiário dos pagamentos. Referese a causa de pagamento: identificouse a causa, ainda que ilícita, conhecese a causa do pagamento. Por fim, falase em comprovação da operação, que está comprovada nos autos, tanto assim o é, que é a premissa da fiscalização para afastar as despesas deduzidas como se simulação fosse. Reiterase que se pecúnia non olet para determinação dos efeitos tributários, salvo casos expressamente vedados em Lei, os efeitos Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.120 24 tributários de atividades ilícitas devem ser os mesmos das atividades lícitas. Não entendo que o IRRF seja uma sanção, e nem poderia a teor do art. 3 do CTN, mas uma técnica de arrecadação que deve ser aplicada quando presentes seus requisitos. Mas, identificado o beneficiário, a causa (ilícita) e a operação, não há suporte fático para incidência do IRRF na espécie, motivo pelo qual afasto sua aplicação no caso concreto. E caso meus pare entendem que a infração relativa ao IRRF deve ser mantida, então voto por converter em diligência o julgamento do Recurso Voluntário, para verificar se houve ou não recolhimento do IR pelos beneficiários do pagamento. E caso se verifique que ocorreu o pagamento do IRRF, deve ser retirado tal valor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto a infração relativa a glosa dos custos deduzidos da apuração do lucro real do IRPJ e da CSLL relativos as operações de alugueis de equipamentos da Legend Engenharia Ltda, da qual toda a documentação e pagamentos foram considerados inidôneos devido a inexistência de fato da empresa, como a Recorrente não apresenta argumentos de defesa e tal irregularidade restou devidamente comprovada nos autos, entendo que deve ser mantida. MULTA QUALIFICADA: Em relação a multa qualificada, por coerência, entendo que a parte relativa ao IRRF deve ser excluída. Caso não seja este o entendimento desta C. Turma, então entendo que na hipótese de a diligência comprovar que foi feito o recolhimento do IRRF, tal montante deve ser excluído da multa. Em relação ao restante dos créditos mantidos relativos a glosa de despesa, voto por manter a multa qualificada. Em relação a multa qualificada, entendo que os fatos e as provas constantes nos autos descrevem que a conduta da Recorrente se enquadra com o descrito nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. De resto, acompanho o decido no v. acórdão recorrido. Sustentou o suplicante que, devido ao fato de não ter restado configurado a existência de dolo, ficaria desconexa a aplicação da Multa qualificadora, dada a sua boafé, e que, por ser subjetiva a responsabilidade na esfera tributária, tal imputação caracterizaria ato discricionário vedado pelo Princípio da Estrita Legalidade Tributária. Em sentido oposto, salientou a autoridade fiscal que os fatos revelados nos autos implicaram na prática de crime contra a ordem tributária, em tese, devido à ocorrência de pagamentos simulados, em vista da prestação de serviços, por parte da Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.121 25 LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA, que efetivamente não ocorreram. Não assiste razão ao contribuinte, pois outra não poderá ser a conclusão, se não a de que todos os contratos celebrados com a mencionada empresa são ideologicamente falsos, autorizando não só a glosa dessas despesas, para fins de apuração do lucro líquido, ponto de partida tanto para a obtenção da base de cálculo do IRPJ como da CSLL, mas também a aplicação da multa de ofício qualificada, uma vez que a situação retrata efetivamente caso de fraude (além de sonegação e conluio), cujo conceito está estampado no art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, verbis: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendáná": I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. “Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” (negritei) "Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72".(negritei) A conduta da fiscalizada se amolda, indubitavelmente, ao conceito de fraude, na medida em que agiu de forma dolosa no sentido de impedir a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, reduzindo indevidamente o montante desses tributos, ao criar despesa sabidamente fictícia. Presente, portanto, a conduta tipificada na Lei nº 4.502/64, cabível a qualificação da multa de ofício promovida pela autoridade fiscal, com fulcro no art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.122 26 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” (negritei) Registrese que a jurisprudência administrativa tem confirmado a aplicação da multa qualificada quando restar demonstrado que o contribuinte se apropriou de despesas fictícias, na medida em que se encontram lastreadas em documentação comprovadamente inidônea. Idêntico raciocínio se aplica à multa qualificada sobre o IRRF, uma vez que aquele tributo foi apurado em razão de pagamentos decorrentes dessas mesmas operações não comprovadas ou sem causa. Vejase, sobre o tema, o precedente abaixo do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – DESPESAS FICTÍCIAS – MAJORAÇÃO DE DESPESAS EXISTENTES – CONLUIO COM O CONTADOR – PROCEDÊNCIA – É justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Comprovado que o contribuinte, reiteradamente, criou despesas fictícias ou majorou despesas existentes, tudo aliado ao conluio com o contador responsável pelo preenchimento da declaração, é de se manter a qualificação da multa de ofício. Recurso voluntário provido parcialmente. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 10617.132, em 10.10.2008. Publicado no DOU em 18.12.2008) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ A utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas, principalmente quando existe Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz em relação ao emitente dos comprovantes, caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 104 22.754, em 18.10.2007. Publicado no DOU em 20.02.2009) ......................................................................................................... ......................... MULTA DE 150%. DESPESAS CONTABILIZADAS EM NOME DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. FALSIDADE DOCUMENTAL Procede a aplicação da multa qualificada de 150%, tal o evidente intuito de fraude que se revela na utilização de documentos falsos para encobrir os reais beneficiários de despesas contabilizadas em nome de pessoas jurídicas inexistentes. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 103 22.937, em 28.03.2007. Publicado no DOU em 24.03.2008) Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.123 27 Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, nos termos da Portaria RFB nº 2439 de 21 de dezembro de 2010, é dever de ofício da autoridade tributária indicar a ocorrência do dolo, em tese, quando encontrado no âmbito do procedimento administrativo, cuja competência para caracterização efetiva desse dolo pertencem ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, não cabendo a esta instância de julgamento proferir juízo relativo à existência ou não de crime contra a ordem tributária. De se rejeitar, portanto, todas as alegações da impugnante nesse item. Também afasto a alegação da Recorrente de que a multa aplicada ao caso seria confiscatória e que por isso afrontaria os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade previstos no art. 150, inciso IV da CF/88, por entender que esta E. Corte Administrativa não tem competência para analisar constitucionalidade de lei. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recuso Voluntário e dou parcial provimento para afastar a exigência de IRRF relativo ao pagamento sem causa. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.124 28 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, no seu voto, por entender que não há no ordenamento previsão legal para a incidência do IRRF acompanhada da glosa das despesas; e identificado o beneficiário, a causa (ilícita) e a operação, não há suporte fático para incidência do IRRF na espécie, motivo pelo qual concluiu que deveria ser afastado a sua aplicação no caso concreto. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos lançamentos de IRRF. Quanto ao lançamentos de IRRF sobre pagamentos sem causa, entendese que há compatibilidade entre a autuação de IRPJ (glosa de despesa) e de IRRF (pagamento sem causa), pois a exigência de IRPJ e de CSLL dáse pela glosa das despesas inexistentes e a exigência do IRRF incide sobre pagamentos efetivamente realizados a beneficiário não identificado (caput do art. 674 do RIR/99) ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa (§ 1º do art. 674 do RIR/99). Destacase que tal matéria tem suscitado alguns debates neste Carf, havendo, no geral, duas posições divergente. Acompanho os que entendem e se posicionam que a glosa de despesas e a exigência de IRRF tratamse de exigências distintas, mesmo que derivadas dos mesmos fatos. O IRPJ e a CSLL são exigidos por decorrência legal da glosa de despesas inexistentes que afetam diretamente a base tributável apurada pela pessoa jurídica. O IRRF, de outra parte, decorre da previsão legal de que não correspondendo os pagamentos às operações indicadas nos documentos fiscais, mas a finalidade diversa, no caso concreto, a pagamentos sem causa, resta afastada a causa indicada nos documentos que lhe deram suporte, respondendo a fonte pagadora pelos tributos devidos pelos beneficiários. O artigo 44 da Lei n° 8.541/92 citado pela recorrente, verificase que foi editado num contexto em que os lucros apurados pelas pessoas jurídicas quando distribuídos aos sócios e acionistas eram tributados e em que determinadas situações eram considerados como distribuição disfarçada de lucros, sujeitas à tributação exclusiva na fonte. É com este pano de fundo que o PN. CST n° 4/94 analisou a continuidade da vigência ou não do art. 8° do DL. n° 2065/1983, em face do art. 35 da Lei n° 7.713/1988, que instituiu o Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido. Este é o objeto do referido parecer que, en passant, aborda a incidência do IRRF, com base no art. 8° do DecretoLei n° 2.065/83 e no art. 44 da Lei n° 8.541/92, sobre a receita omitida ou diferença verificada na determinação do lucro líquido, em decorrência de procedimentos irregulares de distribuição de valores aos sócios. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.125 29 Naquele contexto, me parece bastante razoável que não se cogitasse da tributação exclusiva na fonte dos lucros considerados automaticamente distribuídos aos sócios e ao mesmo tempo fosse aplicada, no caso de glosa de custos e despesas consideradas inidôneas, a cobrança do IRRF sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários cuja origem não fosse identificada, pois configuraria, claramente, uma exigência em duplicidade. O art. 61 da Lei n° 8981/1995, por sua vez, é mais abrangente e alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado com responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindose que assumiu o ônus pelo referido pagamento. É o que se extrai do dispositivo em questão, in verbis: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. No mesmo sentido da aplicabilidade do dispositivo, transcrevo o voto vencedor da i. Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão n° 1101000.825, in verbis: O presente voto expressa os fundamentos para manutenção das exigências de IRRF, uma vez que restou vencido o I. Relator em sua proposta de exoneração de tais créditos tributários. Argumentou o I. Relator que os lançamentos de IRPJ e CSLL aqui veiculados não poderiam coexistir com o lançamento de IRRF em razão dos mesmos pagamentos glosados na apuração daqueles tributos, reportandose a julgados deste Conselho que somente admitem a exigência de IRRF desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro liquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real, em razão de disposição legal específica aplicável nesta segunda hipótese, veiculada no art. 44 da Lei n° 8.541/92. Isto porque, como demonstrado no voto do I. Relator, o art. 44 da Lei n° 8.541/92 determinava a exigência de IRRF à alíquota de 25% nos casos de redução indevida do lucro líquido, Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.126 30 presumindo de forma absoluta que esta diferença fora automaticamente recebida pelos sócios. Todavia, a dúvida acerca da aplicabilidade do art. 61 da Lei n° 8.981/95 somente existiria, na forma exposta, enquanto vigente o art. 44 da Lei n° 8.541/92, revogado pela Lei n° 9.249/95. A partir daí (como é o caso destes autos), ausente a presunção legal de distribuição daqueles valores aos sócios, nenhum impedimento existiria para a caracterização da hipótese fixada no art. 61 da Lei n° 8.981/95, que na verdade parte do fato provado de entrega de recursos a um terceiro não identificado, ou por razões não demonstradas, e erige a presunção, apenas, de que tais rendimentos seriam passíveis de tributação na pessoa do beneficiário. No presente caso, portanto, há duas incidências distintas: 1) o IRRF exigido da autuada na condição de responsável (fonte pagadora de rendimentos) que não se desincumbiu de seu dever de identificar o beneficiário e/ou a causa do pagamento e, por conseqüência, permitir ao Fisco confirmar a regular tributação de eventual rendimento auferido por este beneficiário, e 2) o IRPJ exigido da autuada na condição de contribuinte que auferiu lucro, mas o declarou em montante menor que o devido, em razão da dedução de despesas que não foram regularmente provadas. Em outras palavras, a incidência do IRPJ decorrente de uma despesa que não reúne os requisitos legais para sua dedutibilidade não converte esta parcela em rendimento da própria da pessoa jurídica, a dispensar a incidência que poderia existir em desfavor do beneficiário do pagamento. É certo que a base de cálculo do IRPJ resta majorada e, por conseqüência, há renda tributável no seu sentido próprio, qual seja, resultado líquido de acréscimos e decréscimos patrimoniais num mesmo período de apuração. Mas este resultado líquido não se confunde com o conceito de rendimento, acréscimo individualmente auferido, no caso, por outro sujeito passivo, em razão de uma operação específica, que poderia sujeitar se a tributação isolada, a qual é presumida pela lei em razão da omissão de informações por parte da fonte pagadora. Como destacado acima, tal tributação aplicada de IRRF nos autos é por conta de rendimento sem causa, independente de todos os beneficiários estarem identificados. A previsão legal do IRRF incide em duas situações distintas e autônomas: i) no caso de pagamento a beneficiário não identificado; e/ou ii) no caso de pagamentos efetuados sem causa ou operação comprovadas. São hipóteses distintas e autônomas. Igualmente, não procede a alegação de que seria necessário o abatimento dos valores já pagos pelos beneficiários dos pagamentos que estão sendo glosados, pois como visto, os fatos geradores do IRRF e do IRPJ/CSLL são distintos. No caso, a recorrente, sobre o IRRF, é responsável tributária, e não contribuinte, e o dispositivo que abarca tal imputação é clara no sentido de que a incidência do IRRF se dá exclusivamente na fonte. Quanto à alegação de que o IRRF do art. 61 da Lei nº 8.981/1995 teria caráter sancionatório, de natureza punitiva, o que obstaria a incidência de multa qualificada sobre os valores a ele referentes, sob pena de bis in idem, não prospera. O IRRF se trata de um tributo, Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.127 31 com fato gerador definido e distinto do IRPJ, o que não teria sentido sustentar que haveria impossibilidade de cumulação com a multa qualificada. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário em relação aos lançamentos de IRRF motivados por pagamento sem causa, o que já foi acatado pelo colegiado, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1127DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.962710/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/04/2010
PIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DÉBITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA
Os débitos vencidos sofrem a incidência de acréscimos legais (multa e juros de mora), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DÉBITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA Os débitos vencidos sofrem a incidência de acréscimos legais (multa e juros de mora), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 27 10 /2 01 2- 62 Fl. 127DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário apresentado pela empresa INTERCEMENT BRASIL S.A, face ao Acórdão nº 0652.544, de 10/06/2015, proferido pela DRJ em Curitiba (PR), a qual homologou parcialmente a compensação efetivada por meio da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 21290.84254.240212.1.3.043428. O referido PER/DCOMP foi transmitida em 24/02/2012 e analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da RFB que emitiu o Despacho Decisório em 04/09/2012, rastreamento nº 031091134, emitido pelo titular da DRF de jurisdição. Inconformada com a decisão, da qual teve ciência em 13/09/2012, a Recorrente interpôs, em 15/10/2012, Manifestação de Inconformidade contra a decisão prolatada no Despacho Decisório, pelas razões de fato e de direito assim resumidas: que a DCTF original trazia um valor devido de R$ 1.152.045,71, que foi recolhido por meio de DARF de mesmo valor; na medida em que o exercício teve a sua apuração corrigida, verificouse que o valor correto seria de R$ 900.196,36; dos procedimentos perpetrados para a compensação ora discutida, explica que, originalmente recolheu a contribuição do PIS referente a março de 2010 no valor de R$ 1.152.045,71 exatamente o valor que a autoridade administrativa observou para indeferir a compensação então requerida. Ocorre que, num segundo momento, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo. Aduz que, por se tratar de serviços de concretagem e, portanto, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo. Desse modo, a nova apuração demonstrou o valor devido de R$ 900.196,36 gerando o saldo de crédito de R$ 251.849,34. Ressalta que a apuração excluiu da base de cálculo das duas contribuições as receitas que não deveriam ser tributadas pelo sistema não cumulativo. O saldo obtido foi devidamente atualizado pela Selic, trazendo à data de fevereiro de 2012 (momento da retificação da DCTF e da efetivação do procedimento de compensação) o crédito originalmente disponível. A operação de atualização, tal como prevista pela legislação, apurou o crédito de R$ 301.262,18. O PER/DCOMP, transmitido em 24/02/2012, foi o meio hábil utilizado para o pagamento das contribuições do mesmo exercício, apuradas dessa vez pela utilização do sistema certo de tributação, pela aplicação do regime cumulativo. Aduz que optou por recolher o tributo, inclusive com juros e correção monetária, como se pode observar pela folha 02/04 do Pedido de Compensação. Dessa forma, os débitos calculados pela apuração cumulativa perfizeram os montantes de R$ 246.279,91 (principal de R$ 205.885,23 mais o acréscimo de R$ 40.394,91), com relação ao PIS e de R$ 54.982,27 com vencimento no mesmo mês relativamente à COFINS, não se configurando o tributo em atraso neste caso. Reafirma que os valores que permitiram o pagamento de tributos por meio de compensação foram provenientes da diferença encontrada na percepção do pagamento a maior realizado no mês de março de 2010. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.962710/201262 Acórdão n.º 3402006.044 S3C4T2 Fl. 128 3 Conclui afirmando que a homologação parcial ocorreu por não ter sido analisada a DCTF retificadora, a qual demonstrava com clareza a existência do crédito utilizado. Por meio do Acórdão acima citado, a DRJ/CTA deferiu em parte a Manifestação de Inconformidade, julgando por manter a homologação parcial da compensação declarada por meio da DCOMP nº 21290.84254.240212.1.3.043428, de acordo com o teor do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP. Em síntese, o fundamento foi que é exigível multa moratória sobre o débito compensado, que se trata de débito de PIS no regime cumulativo referente ao período de apuração de março de 2010, extinto mediante compensação com crédito decorrente do pagamento a maior também de PIS e referente ao mesmo período de apuração de março 2010, apurado pelo regime não cumulativo. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância, a Recorrente recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que: 1 que o crédito e o débito compensado, se referem ao mesmo tributo e ao mesmo período de apuração, diferenciandose um do outro apenas pela circunstância de que o crédito tem origem no recolhimento a maior sob o código de receita relativo à apuração no regime nãocumulativo (6912) e o débito é relativo ao tributo apurado na sistemática cumulativa (código 8109); 2 que nesse sentido foi o entendimento da RFB manifestado em Solução de Consulta Fiscal, que o mero equívoco de recolhimento das contribuições do PIS/COFINS em regimes distintos não pode ensejar a imposição de penalidades ou acréscimos legais ao contribuinte, devendo apenas ocorrer o devido encontro de contas. Com esse propósito, transcreve a resposta à Consulta “Processo de Consulta nº 166/2007 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/10ª Região Fiscal." Diante do exposto, requerse seja dado integral provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, a fim de que seja integralmente homologada a compensação declarada nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme revela o trecho a seguir transcrito, o Acórdão recorrido se fundamentou no entendimento de que seria exigível a multa moratória em relação ao um dos débitos compensado nestes autos. Portanto, denotase que o litígio estabelecido neste processo administrativo se deu não em razão do reconhecimento do direito creditório, mas sim porque o crédito, reconhecido em sua totalidade, foi insuficiente para a quitação dos débitos informados. Vejase: Fl. 129DF CARF MF 4 “Com relação ao primeiro débito informado na Dcomp (PIS/Pasep, código 8109, de março de 2010), vêse que estava vencido na data da entrega da Dcomp. Assim, sobre o valor principal incidiram os acréscimos legais (multa de mora e juros à taxa Selic), conforme dispõe o art. 61 da Lei nº 9430, de 1996, acima reproduzido. No entanto, a contribuinte não observou a legislação correlata, pois deixou de calcular o valor da multa de mora, incidente a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento. (...) Fazendose então o encontro de contas, valorados até a data da entrega de declaração de compensação, vêse que o crédito, reconhecido em sua totalidade, de fato, não foi suficiente para quitar totalmente o segundo débito informado, conforme detalhado a seguir:” (Grifei) Como muito bem pontuado pela decisão de piso (as quais subscrevo as razões tecidas fazendo as adaptações que entendo necessárias, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999), o Despacho Decisório foi emitido pela DERAT/SP, com fundamento nas informações prestadas na DCTF retificadora nº 100.2010.2012.1891674889, recepcionada em 24/02/2012. Nessa DCTF o débito de PIS/Pasep, código 6912, apurado em março de 2010, foi alterado de R$ 1.152.045,71 para R$ 900.196,38, que foi recolhido por meio do DARF de R$ 1.152.045,71. É importante ressaltar que, de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (com as modificações legais posteriores), a compensação tributária se efetiva no momento da entrega da Declaração de Compensação. Como a DCOMP foi entregue em 24/02/2012, somente nessa data é que se efetivou a compensação. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.962710/201262 Acórdão n.º 3402006.044 S3C4T2 Fl. 129 5 Em seu recurso a Recorrente alega que é "(...) fundamental observar que, conforme narrado, o acórdão recorrido se fundamenta apenas no entendimento de que é exigível multa moratória sobre o débito compensado, que se trata de débito de PIS no regime cumulativo referente ao período de apuração de março de 2010, extinto mediante compensação com crédito decorrente do pagamento a maior também de PIS e referente ao mesmo período de apuração de março 2010, apurado pelo regime não cumulativo". E, prossegue afirmando que "no entendimento da própria RFB, manifestado em Solução de Consulta Fiscal, o mero equívoco de recolhimento das contribuições do PIS/COFINS em regimes distintos não pode ensejar a imposição de penalidades ou acréscimos legais ao contribuinte, devendo apenas ocorrer o devido encontro de contas". “Processo de Consulta nº 166/07 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/10ª Região Fiscal Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep. Ementa: REGIMES CUMULATIVO E NÃOCUMULATIVO. PAGAMENTO NO PRAZO LEGAL. NÃOINCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na hipótese de o sujeito passivo haver apurado a Contribuição para o PIS/Pasep sobre determinada receita com base no regime nãocumulativo, em vez de fazêlo de acordo com o regime cumulativo, não constitui débito a parcela da contribuição que deveria ter sido recolhida sob o código próprio do regime cumulativo, mas tenha sido paga, no prazo legal, mediante o código pertinente ao regime não cumulativo. Em decorrência, por ocasião do acerto das correspondentes obrigações acessórias e dos respectivos controles administrativos, não podem ser exigidos acréscimos legais em relação a essa parcela". Pois bem. Preliminarmente, se faz necessário repisar que a DCOMP foi entregue em 24/02/2012 e, somente nessa data é que se efetivou a compensação. Entretanto, a análise da compensação não se resume ao confronto dos montantes originais dos débitos e dos créditos utilizados na referida DCOMP, pois, por previsão legal, ambos os valores estão sujeitos a atualizações até a data da entrega da declaração. O art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008, vigente na época da entrega da declaração de compensação (revogada pela IN RFB nº 1.300, de 2012, atualmente pela IN RFB nº 1.717, de 2017), dispôs, quanto à valoração dos débitos e créditos, que na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos artigos 72 e 73 e os débitos sofrerão incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da declaração de compensação. Por outro lado, o art. 61 da Lei nº 9430, de 1996, dispõe sobre os débitos quitados com atraso: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 131DF CARF MF 6 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) No presente caso, verificase que a Recorrente em seu recurso informa que atualizou corretamente o crédito (em 19,62%), perfazendo o montante de R$ 301.262,18. Desta forma, temos que com relação ao primeiro débito informado na DECOMP "001 de 002" (PIS/Pasep, código 8109, de março de 2010), vêse que estava vencido na data da entrega da DCOMP. Assim, sobre o valor principal incidiram os acréscimos legais (multa de mora e juros à taxa Selic), conforme dispõe o art. 61 da Lei nº 9430, de 1996, acima reproduzido. No entanto, a Recorrente não observou a legislação correlata, pois deixou de calcular o valor da multa de mora, incidente a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento. Ou seja, quando verificamos o "Demonstrativo Analítico de Compensação" (quadro acima), constatase que a Compensação "001 de 002" utilizou o crédito de R$ 287.456,96 para quitar o débito de PIS de março de 2010, com os acréscimos legais (principal de R$ 205.885,234 + multa de R$ 41.177,05 + juros de R$ 40.394,68), restando para a segunda compensação o crédito de R$ 13.805,22 (já atualizado em 19,62%), o qual, não foi suficiente para quitar totalmente o débito, subsistindo o saldo devedor de R$ 41.177,05, tal como exigido no Despacho Decisório elaborado pela DERAT/SP. Por outro lado, o segundo débito informado ("002 de 002"), venceu em 24/02/2012, mesma data da entrega da DCOMP. Neste caso, como o débito não estava vencido na data da entrega da DCOMP, sobre ele não incidiram os acréscimos legais. Concluindo, temos que, fazendose o encontro de contas valorados até a data da entrega de Declaração de Compensação (DCOMP), vêse que o crédito, reconhecido em sua totalidade, de fato, não foi suficiente para quitar totalmente o segundo débito informado, conforme detalhado no "Demonstrativo Analítico de Compensação" elaborado pelo Fisco. Dispositivo Diante do exposto e à vista de todo o arrazoado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose hígida a declaração de piso. É como voto. Waldir Navarro Bezerra (assinado digitalmente) Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.962710/201262 Acórdão n.º 3402006.044 S3C4T2 Fl. 130 7 Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.720628/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
EXCLUSÃO. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA.
Comprovada a simulação de constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e assim garantir a permanência indevidamente da pessoa jurídica no regime tributário simplificado, caracteriza-se a constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa, hipótese de exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1201-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. Comprovada a simulação de constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e assim garantir a permanência indevidamente da pessoa jurídica no regime tributário simplificado, caracterizase a constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa, hipótese de exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 06 28 /2 01 3- 10 Fl. 461DF CARF MF 2 Relatório A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), por unanimidade, julgou improcedente a impugnação administrativa do contribuinte, como se infere da ementa do acórdão nº 0831.154: Assunto: SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EXCLUSÃO. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. Comprovada a simulação de constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e assim garantir a permanência indevidamente da pessoa jurídica no regime tributário simplificado, caracterizase a constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa, hipótese de exclusão do SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos com exatidão, como reproduzo a seguir: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Ato Declaratório Executivo DRF/RPO nº 17, de 12 de março de 2013, que excluiu o contribuinte da sistemática do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2008, por ter excedido no anocalendário 2007 o limite de receita bruta anual de R$ 2.400.000,00, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006. O processo em pauta originouse de representação administrativa formulada por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, tendo constatado que a P S Oliveira se utilizou de duas outras interpostas empresas, Precisão e Tecnobor, também optantes pelo Simples e posteriormente Simples Nacional. A contribuinte através de seu sócio, Sr. Pedro de Souza Oliveira, distribuiu receitas para as três empresas constituídas, de modo que nenhuma delas houvesse excesso ao faturamento previsto na Lei 9.317/96 e Lei Complementar nº 123/2006. Segundo a Fiscalização, as três empresas são formadas por pessoas da mesma família, possuem o mesmo endereço e têm o mesmo objeto social. A Representação Fiscal é conclusiva no sentido de que não se tratam de três empresas independentes, mas sim de uma única empresa. A constituição de três empresas tem como objetivo não ultrapassar o limite da receita bruta anual para fins de tributação pelo Simples Nacional, permanecendo as mesmas nessa sistemática. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10840.720628/201310 Acórdão n.º 1201002.680 S1C2T1 Fl. 462 3 Dessa forma, a Representação Administrativa propôs que a empresa fosse desenquadrada do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2008. Cientificada dos termos do Ato Declaratório Executivo em 17/04/2013, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 16/05/2013, alegando, em síntese, que: Em preliminar, aduz que a exclusão do Simples, em hipótese alguma poderá ocorrer antes do trânsito em julgado dos processos administrativos de nºs 15956.720117/201314 e 15956.720116/201314. Isto porque, naqueles processos se discute, dentre outras coisas, que as empresas relacionadas são completamente distintas, inexistindo razão para a soma dos faturamentos. Assim, pugnase pela nulidade do Ato Declaratório. A contribuinte é pessoa jurídica que exerce a industrialização por encomenda, notadamente de produtos fabricados pela empresa HBA – Hutchinson Brasil Automotive Ltda. O início da empresa se deu em 1997 quando do desligamento por aposentadoria. Na ocasião, a empresa HBA – Hutchinson Brasil Automotive Ltda, além do interesse empresarial, fez uma proposta empresarial em retribuição à décadas de serviços prestados como funcionário, consistindo montagem de uma empresa para que fosse remetida para a industrialização a parte final de seu processo produtivo. Assim iniciaramse as atividades da impugnante. Ocorre que em virtude de melhor organização societária, planejamento familiar e sucessório e, sobretudo para atendimento de diversas unidades da empresa HBA – Hutchinson Brasil Automotive Ltda, houve a criação de mais duas empresas a saber: Tecnobor Acabamentos de Autopeças Ltda – ME (início das atividades em 24/09/2004) e Precisão Acabamentos de Autopeças Ltda – ME (início das atividades em 03/12/2003). Explica que cada unidade da Hutchinson Brasil Automotive Ltda cuida da produção e remessa para final de um produto específico, sendo cada um deles destinado a uma das empresas. A empresa Precisão recebe toda a linha denominada de peças de precisão (anéis, vedações, buchas, conectores, componentes, etc. O processo realizado é de rebarba. Finalmente, a empresa Tecnobor recebe toda a linha denominada perfis extrudados, canaletas flocadas e pestanas para serem finalizadas, inspecionadas, embaladas e enviadas a logística pela HBA. O processo realizado é de corte e recorte. A estrutura societária das empresas existe por razões outras que a economia tributária e, na particularidade do caso, é essencial para o desenvolvimento da atividade da empresa, possibilitando controle adequado da produção, treinamento de funcionários para produtos específicos, ganho de produtividade, logística para a encomendante, dentre outras motivações extratributárias. Fl. 463DF CARF MF 4 Assim, não existe razão para a exclusão do SIMPLES, pois estamos diante de empresas completamente diferentes e, nessa condição, não se extrapolou o faturamento. Discorre acerca do planejamento tributário, aduzindo que para ser lícito, suas ações devem ser anteriores à ocorrência do fato gerador. Deve passar, ainda por uma motivação extratributária, ou seja, condições outras que não a simples economia de tributos, mas para otimizar tempo, logística, planejamento familiar, sucessório e, até mesmo para melhor atendimento de clientes, organização interna e desempenho de atividades. Assim, temos que: a) As empresas Precisão e Tecnobor foram criadas antes da ocorrência do fato gerador. b) As empresas Precisão e Tecnobor encontramse devidamente constituídas e registradas nos órgãos competentes. c) As empresas possuem contabilidade separada e contratos de prestação de serviços distintos. d) As empresas cumpriram e cumprem com toda a legislação de regência, entregando todas as obrigações acessórias. e) A constituição deuse em razão de motivações extra tributária, em razão da necessidade de melhor operacionalização da produção, uma vez que cada empresa cuida de um produto específico quando da industrialização por encomenda e os entrega a estabelecimentos diversos da encomendante. f) Foi pensado em um planejamento familiar, empresaria e sucessório, sendo completamente lícito pessoas da mesma família constituírem empresas e desempenharem atividades. Argumentos meramente falaciosos, como por exemplo, a transferência de funcionários entre as empresas, a assessoria mediante procuração por um dos sócios e outros pequenos detalhes não podem simplesmente desconsiderar a existência e funcionamento de empresas com quase dez anos em atividade. Em momento algum o Fisco demonstrou a falta de realização dos serviços, que as empresas são “de fachada” ou que houve confusão patrimonial, contábil ou financeira. Cita doutrina e transcreve jurisprudência do CARF que aduz se amoldar perfeitamente ao caso. Caso sejam superados os argumentos acima, aduz que é preciso deixar claro que não é possível os efeitos da exclusão do Simples retroagir à data de 01/01/2008. Ademais, as situações anteriores ao Ato Declaratório não podem infringir o princípio da irretroatividade das normas. Por fim, requer seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, para se julgar improcedente o ato de exclusão, mantendo a requerente no SIMPLES como medida de legalidade. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10840.720628/201310 Acórdão n.º 1201002.680 S1C2T1 Fl. 463 5 Em consulta aos sistemas informatizados a unidade preparadora constatou que houve atualização cadastral para alteração do nome empresarial de PRECISÃO ACABAMENTOS DE AUTOPEÇAS LTDA para JÚLIO CÉSAR DE OLIVEIRA EPP.A contribuinte interpôs o tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. O contribuinte interpôs o tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE O acórdão recorrido ratificou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício: Primeiramente, argumenta a contribuinte que a exclusão do Simples, em hipótese alguma poderá ocorrer antes do trânsito em julgado dos processos administrativos de nºs 15956.720117/201314 e 15956.720116/201314. Entretanto, o seu inconformismo não se justifica, na medida em que os mencionados processos tratam do descumprimento de obrigação principal decorrente da perda da condição de empresa enquadrada na sistemática do Simples Nacional. A única condição que se impõe é que o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade preceda ao julgamento dos prefalados processos. Do mesmo modo, não procede o argumento defensivo de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples por falta de motivação, na medida em que o mencionado Ato apontou a fundamentação legal que autoriza a exclusão, bem como está amplamente lastreado na Representação Fiscal. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, endossando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 465DF CARF MF 6 Existiu adequada motivação quanto à exclusão do Recorrente do regime do Simples Nacional, não havendo influência na resolução do presente litígio do eventual resultado dos processos administrativos nº 15956.720117/201314 e nº 15956.720116/201314. Dessa forma, prescinde da intimação das demais pessoas jurídicas envolvidas no fato in concreto, pois, segundo a representação fiscal, antecedente à exclusão do Simples Nacional, limitouse a análise à estruturação das atividades do Recorrente e sua capacidade operacional para esse fim. Assim sendo, não caracterizado o erro na identificação do sujeito passivo, circunscrevendose a auditoria fiscal sobre a validade da opção pelo Simples Nacional, em virtude da essência das atividades desenvolvidas pela Recorrente. II. EXCLUSÃO DO REGIME SIMPLIFICADO PELO EXCESSO DE RECEITA BRUTA. O Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse sua exclusão do regime diferenciado do Simples Nacional, asseverando a validade da sua estrutura operacional, justificando a existência de um planejamento fiscal, incluindo os seguintes fundamentos, narrados no acórdão recorrido: a) As empresas Precisão e Tecnobor foram criadas antes da ocorrência do fato gerador. b) As empresas Precisão e Tecnobor encontramse devidamente constituídas e registradas nos órgãos competentes. c) As empresas possuem contabilidade separada e contratos de prestação de serviços distintos. d) As empresas cumpriram e cumprem com toda a legislação de regência, entregando todas as obrigações acessórias. e) A constituição deuse em razão de motivações extra tributária, em razão da necessidade de melhor operacionalização da produção, uma vez que cada empresa cuida de um produto específico quando da industrialização por encomenda e os entrega a estabelecimentos diversos da encomendante. f) Foi pensado em um planejamento familiar, empresaria e sucessório, sendo completamente lícito pessoas da mesma família constituírem empresas e desempenharem atividades. Argumentos meramente falaciosos, como por exemplo, a transferência de funcionários entre as empresas, a assessoria mediante procuração por um dos sócios e outros pequenos detalhes não podem simplesmente desconsiderar a existência e funcionamento de empresas com quase dez anos em atividade. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10840.720628/201310 Acórdão n.º 1201002.680 S1C2T1 Fl. 464 7 Em momento algum o Fisco demonstrou a falta de realização dos serviços, que as empresas são “de fachada” ou que houve confusão patrimonial, contábil ou financeira. Entretanto, a pessoa jurídica é uma ficção jurídica e, uma vez avaliada sua opção pelo regime simplificado, a autoridade fiscal extraiu a substância da atividade efetiva do Recorrente, concluindo pela simulação na estruturação societária, obtendo vantagem tributária indevida e não restrita às contribuições previdenciárias. Inicialmente, toda operação era executada pela P.S. Oliveira & Filhos Ltda. EPP (PSO), gravitando sobre o conhecimento técnico do seu sócio, Sr. Pedro de Souza Oliveira. Posteriormente, a P.S. Oliveira & Filhos Ltda. EPP (PSO) rescindiu o contrato de trabalho com diversos funcionários, admitidos na Tecnobor Acabamentos de Autopeças Ltda. EPP e Precisão Acabamentos de Autopeças Ltda. EPP, ora Recorrente. Aliás, o Sr. Pedro de Souza Oliveira exercia a administração nas outras pessoas jurídicas, Precisão Acabamentos de Autopeças Ltda. EPP e Tecnobor Acabamentos de Autopeças Ltda. EPP, consoante instrumentos de mandato lhe outorgado. Por fim, frisese que as pessoas jurídicas eram estabelecidas no mesmo local. Portanto, a controvertida exclusão do regime do Simples Nacional se harmoniza com a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, exemplificada pelas seguintes ementas: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:1993 EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE POR INTERPOSTAS PESSOAS. PROCEDÊNCIA DO ATO DE OFÍCIO. Correta a exclusão do Simples quando os fatos narrados demonstram que a empresa não existe de modo independente, subordinandose em todos os aspectos a outra empresa, da qual funciona como um departamento. Os fatos verificados autorizam a conclusão de que a empresa excluída foi constituída por interpostas pessoas. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS DO ATO DE OFÍCIO. Os efeitos da exclusão da pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas retroagem à data de constituição da empresa. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. Não se pode, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tãosomente dar aplicação aos comandos legais. O Poder Judiciário é o órgão competente para declarar qualquer irregularidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. (acórdão nº 1201002.574, Relator Cons. Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, j. 21.09.2018). Fl. 467DF CARF MF 8 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA CONSTITUÍDA POR INTERPOSTAS PESSOAS. Deve ser excluída do Simples Federal a pessoa jurídica constituída, comprovadamente, por interpostas pessoas que não sejam seus verdadeiros sócios ou titular. (acórdão nº 1301 002.755, Relator Cons. Fernando Brasil de Oliveira Pinto, j. 22.09.2018). Neste sentido, o acórdão recorrido fundamentou a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, havendo minha concordância com sua exposição, ora transcrita: Para demonstrar que as empresas Precisão e Tecnobor não eram empresas autônomas e independentes, mas apenas uma “fachada” por detrás da qual se ocultava parte do faturamento da própria P S Oliveira, a fiscalização trouxe à colação diversos fatos, que ora serão apreciados com base na documentação que integra os autos. A Fiscalização ao apresentar a Representação Fiscal apontou uma suposta irregularidade na manutenção da empresa no Simples Nacional em decorrência da P S Oliveira ter se utilizado de duas outras empresas constituídas, a Precisão e a Tecnobor, também optantes do Simples e, posteriormente, Simples Nacional, encaixando todos seus faturamentos, de modo que não houvesse excesso ao limite legal para o a manutenção das empresas no Simples Nacional. De acordo com a autoridade fiscal, durante os exercícios de 2004 a 2009, o faturamento das três empresas somados, sempre ultrapassou o limite para a manutenção na sistemática do Simples Nacional, de modo que em nenhum ano se verificou que uma única empresa tenha, isoladamente, excedido ao limite de R$ 2.400.000,00. No ano de 2004, quando o limite da receita bruta anual era de R$ 1.200.000,00, as empresas P S Oliveira e Precisão tiveram faturamento de R$ 1.177.888,15 e R$ 1.171.361,31, respectivamente. Enquanto que a empresa Tecnobor registrou um faturamento de R$ 133.075,78, sem ter um único empregado registrado. Em todos os exercícios seguintes se verificou que as duas primeiras empresas registravam faturamento anual bem próximo ao limite da receita bruta anual, enquanto que a empresa Tecnobor ficava com o faturamento remanescente. Esse foi um dos indícios utilizados pela Fiscalização para considerar que a contribuinte se utilizou de interpostas empresas para burlar o limite da receita bruta anual para se manter na sistemática do Simples/Simples Nacional. Além disso, as empresas são formadas por pessoas da mesma família. O Sr. Pedro de Souza Oliveira, sócio da P S Oliveira, Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10840.720628/201310 Acórdão n.º 1201002.680 S1C2T1 Fl. 465 9 detém amplos, gerais e ilimitados poderes para gerenciar as empresas Precisão e Tecnobor, através de procuração. As empresas possuem contratos e aditivos com a empresa HBA na mesma data, com o mesmo conteúdo. Utilizam o mesmo prédio e seus empregados utilizam o mesmo uniforme. De outro lado, todo o faturamento das empresas P S Oliveira e Tecnobor e aproximadamente noventa e oito por cento do faturamento da empresa Precisão são provenientes da empresa HBA. Temse, ainda, que as receitas obtidas pelas três empresas são desproporcionais ao número de empregados. Notese que em ambas as empresas o Sr. Pedro de Souza Oliveira, tinha amplos poderes de administração do empreendimento, inclusive no que tange à movimentação financeira, via instituições financeiras. Como teria restado comprovado a partir das próprias procurações apresentadas que, apesar das disposições em contrário do contrato social, o Sr. Pedro de Souza Oliveira era de fato o administrador de ambos os empreendimentos, pelo menos a partir de 12/01/2007, já estaria afastada a possibilidade de adesão à sistemática do Simples Nacional, por conta dos preceitos do art. 3º, §4º, V da Lei Complementar nº 123, de 2006, verbis: Art. 3º (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrer em alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Todavia, o relevante para a fiscalização não era a comprovação de que as empresas tinham o mesmo administrador, mas verificar se realmente se tratava de empreendimentos distintos, e não de um único empreendimento, fragmentado apenas para atendimento, de forma fraudulenta, ao limite de receita bruta previsto em Lei. Fl. 469DF CARF MF 10 Nesse aspecto, a própria fiscalização tomou o cuidado de comparar as receitas contabilizadas das empresas, demonstrando que se comprovada a ocorrência de simulação na constituição das empresas Precisão e Tecnobor, e somadas as receitas, não seria possível a manutenção da P S Oliveira no Simples. Quanto aos elementos capazes de caracterizar a autonomia ou não das empresas, foi verificado que, segundo as informações contratuais e cadastrais, constatouse que as empresas possuíam o mesmo endereço. Desse modo, não assiste razão à impugnante quando afirma que a Fiscalização se utiliza de argumentos falaciosos para considerar as empresas interpostas com o objetivo de burlar o limite para a manutenção na sistemática do Simples Nacional. Por todos os elementos fáticos e provas materiais que constam no processo há de se concluir que a constituição da empresas Precisão e Tecnobor, com interpostas pessoas, se deu para realmente se aproveitar de um sistema de tributação menos oneroso, qual seja, o Simples, sistema este que não gozava a empresa P S Oliveira isoladamente. A situação de exclusão se encontrava prevista no inciso IV, do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, que ao tratar da exclusão do Simples Nacional, assim dispôs: “Art. 29. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: IV – constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual” No que tange aos efeitos da exclusão, deve ser cumprindo o disposto no art. art. 31, da Lei Complementar nº 123/2006: Ar. 31 A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I na hipótese do inciso I do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir de 1º de janeiro do anocalendário subseqüente, ressalvado o disposto no § 4º deste artigo; II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Assim, como a Fiscalização constatou a situação de exclusão considerando como marco inicial o exercício de 2007, correto o Ato Declaratório ao considerar os efeitos a partir de 01/01/2008, não havendo que se falar em retroatividade como sustentou a impugnante. Pelo exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, no sentido de manter o ato de exclusão do Simples Nacional. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10840.720628/201310 Acórdão n.º 1201002.680 S1C2T1 Fl. 466 11 O efeito da exclusão do regime diferenciado do Simples Nacional, iniciando em 01 de janeiro de 2008, por sua vez, observou expressa previsão normativa, indicada no acórdão recorrido. O planejamento fiscal constitui uma redução lícita de tributo, porém, a representação fiscal demonstrou o contrário, inclusive sobre a artificialidade da estrutura operacional do Recorrente. Não há dissidência doutrinária sobre esse aspecto, senão vejamos. De acordo com Ricardo Lodi Ribeiro, "o planejamento fiscal é uma conduta inerente ao desenvolvimento regular das atividades das empresas, assegurado constitucionalmente pelo princípio da livre iniciativa (artigo 170, CF). Porém, o abuso no exercício dessa liberdade, a partir de um planejamento tributário que se afaste dos princípios mais caros à nossa ordem constitucional, é combatido por mecanismos introduzidos no direito positivo, como as cláusulas antielisivas. No entanto, a ponderação entre a liberdade de planejar as atividades econômicas e as pautas valorativas baseadas na Justiça Fiscal oferece um modelo em que o combate ao planejamento fiscal é condicionado aos certos requisitos, que devem estar conjuntamente presentes: · prática de um ato jurídico, ou um conjunto deles, cuja forma escolhida não se adequa à finalidade da norma que o ampara, ou à vontade e aos efeitos dos atos praticados pelo contribuinte; · intenção, única ou preponderante, de eliminar ou reduzir o montante de tributo devido; · identidade ou semelhança de efeitos econômicos entre os atos praticados e o fato gerador do tributo; · proteção, ainda que sob o aspecto formal, do ordenamento jurídico à forma escolhida pelo contribuinte para elidir o tributo; · forma que represente uma economia fiscal em relação ao ato previsto em lei como hipótese de incidência tributária. "2 Ricardo Mariz de Oliveira distingue que “É essencial compreender que o negócio indireto diferenciase da simulação porque nesta há desconformidade entre o desejado e o praticado, o que obriga as partes a realizar atos paralelos ocultos de desfazimento ou neutralização dos efeitos do praticado ostensivamente, ao passo que no negócio indireto as partes desejam e mantêm o ato praticado e se submetem por inteiro ao seu regime jurídico e a todas as suas consequências.” 3. Paulo Ayres Barreto, dissertando sobre "a efetiva e real intenção do contribuinte que pratica certos atos que geram economia fiscal ou redução dos tributos devidos", ressalta que "Se os seus atos tiveram motivações outras, e não as de natureza tributária, a operação se legitima. Na hipótese contrária, ou seja, se restar comprovado que o 2 RIBEIRO, Ricardo Lodi. Justiça, Interpretação e Elisão Tributária. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003, p. 145 146. 3 Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto sobre a Renda, 11º Simpósio, IOB de Direito Tributário. Fl. 471DF CARF MF 12 único propósito de seus atos foi alcançar um ganho fiscal ou a redução de tributos, os efeitos desta natureza não se legitimam." 4 Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida e NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator 4 BARRETO, Paulos Ayres. Elisão tributária limites normativos. Tese apresentada ao concurso à livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo: USP, 2008, p. 232233. Fl. 472DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.005241/2005-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004
INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A contagem do prazo da prescrição qüinqüenal do direito à restituição de indébito tributário decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado até a data de 8 de junho de 2005, deve ser feita segundo a tese dos cinco mais cinco, cinco anos para extinção do crédito tributário pela homologação tácita, e mais cinco para exercer o direito, resultando prazo total de dez anos a partir do fato gerador.
Precedentes Superior Tribunal de Justiça - STJ ( REsp nº 1110578/SP)
Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 9303-007.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: Relator
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TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo da prescrição qüinqüenal do direito à restituição de indébito tributário decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado até a data de 8 de junho de 2005, deve ser feita segundo a tese “dos cinco mais cinco”, cinco anos para extinção do crédito tributário pela homologação tácita, e mais cinco para exercer o direito, resultando prazo total de dez anos a partir do fato gerador. Precedentes Superior Tribunal de Justiça STJ ( REsp nº 1110578/SP) Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 52 41 /2 00 5- 25 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10980.005241/200525 Acórdão n.º 9303007.784 CSRFT3 Fl. 255 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do acórdão 330200.167, de 18/09/2009, que negou provimento ao recurso e assim ficou ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004 COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O prazo para pedido de restituição de tributos federais é de cinco anos contados da data do recolhimento indevido ou a maior do que o devido. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O 2° Conselho de Contribuintes é incompetente para apreciar matéria relativa a inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIADE IMPEDIMENTO NO SISTEMA ELETRÔNICO.INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29 de setembro de 2003. Recurso voluntário negado. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, aduz divergência de interpretação da legislação tributária em relação ao prazo para pleitear a restituição/compensação de tributos recolhidos indevidamente a maior ou declarados inconstitucionais, pois acredita ser de 10 (dez) anos o correto, e traz dois acórdãos paradigmas que tratam da mesma matéria "prazo para pleitear a compensação/restituição do indevidamente pago nos tributos sujeitos a lançamento por homologação" dentre eles apontase o segundo, nº 20309937 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10980.005241/200525 Acórdão n.º 9303007.784 CSRFT3 Fl. 256 3 Em seguida, o Presidente da 3º Seção de Julgamento, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 228/230. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso, ás fls. 232/245. Com efeito, do julgamento do presente Recurso, esta E.Turma por unanimidade de votos entendeu por bem, converter o julgamento do recurso em diligência à Câmara Recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, para a analise de todas as matérias trazidas no Recurso Especial da Contribuinte, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. Do retorno dos autos, o Presidente da 3ª Seção de Julgamento entendeu que a Contribuinte não alegou divergência em relação a nenhuma outra matéria, considerando que o despacho de admissibilidade de fls. 228/230 está completo e não carece de complementação, uma vez que caberá à Câmara Superior, quando da análise do mérito da questão posta para seu deslinde, adotar os argumentos necessários à fixação da tese e rejeitar as alegações que não guardem relação de pertinência com a decadência do direito de pedir restituição. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Voto Conselheiro Demes Brito Relator Tomo conhecimento do Recurso interposto e passo decidir. Delimito a lide exclusivamente quanto decadência. In caso, a Contribuinte acima identificada pleiteou administrativamente em 04 de junho de 2005 a restituição da COFINS, referente ao período de apuração de fevereiro/1999 a dezembro/2004, inicialmente indeferido pelo despacho de fls. 18/20, de 17 de agosto de 2005. Por sua vez, a Terceira Câmara/2º Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, negou provimento ao Recurso Voluntário, por entender que como se trata de matéria constitucional, o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 20009, impede que seja afastada da aplicação da lei ao caso concreto. Prima facie, cabe ressaltar que se aplica ao caso em questão o REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 12/05/2010, pela sistemática dos recursos repetitivos, decidiu, relativamente que aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. Analisando a quaestio, com a alteração regimental, que o art. 62, § 2 ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10980.005241/200525 Acórdão n.º 9303007.784 CSRFT3 Fl. 257 4 Nessa perspectiva, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo (REsp nº1110578/SP) decidiu, relativamente que aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O precedente tem a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10980.005241/200525 Acórdão n.º 9303007.784 CSRFT3 Fl. 258 5 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204). Nessa perspectiva, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo (REsp nº1110578/SP) decidiu, relativamente que aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. Nada obstante, o Supremo Tribunal Federal STF, por conseguinte, enfrentando a mesma temática , decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Vejamos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, aeficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10980.005241/200525 Acórdão n.º 9303007.784 CSRFT3 Fl. 259 6 Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como se vê, restou reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. A esse propósito, a Súmula CARF nº 91, dispõe: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Assim, em face do disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº nº1110578/SP, para os pedidos de restituição protocolados até a data de 8 de junho de 2005, a extinção do crédito tributário, de forma tácita, se deu somente depois de decorridos 5 (cinco) anos contados a partir do respectivo fato gerador e, conseqüentemente, o prazo prescricional qüinqüenal para se pedir a restituição de indébito decorrente de pagamento indevido e/ ou maior deve ser contado a partir da data da extinção tácita, resultando prazo total de 10 (dez), tese “dos cinco mais cinco”, até então aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No caso em espécie, o pedido de restituição da COFINS, referente ao período de apuração de fevereiro/1999 a dezembro/2004, ora guerreado, foi protocolado 04 de junho de 2005, como o pedido foi anterior a 09/06/2005, aplicase o prazo prescricional de 10 anos, Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso interposto pela Contribuinte, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10980.005241/200525 Acórdão n.º 9303007.784 CSRFT3 Fl. 260 7 Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.730809/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008
PAF. INTIMAÇÃO. MEIO ELETRÔNICO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. DATA DA INTIMAÇÃO. TERMO DE ABERTURA. DECURSO DE PRAZO.
Considera-se Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) a Caixa Postal atribuída ao contribuinte pela Administração Tributária e disponibilizada no e-CAC. A contribuinte cientificada por meio eletrônico na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.
PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2401-005.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008 PAF. INTIMAÇÃO. MEIO ELETRÔNICO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. DATA DA INTIMAÇÃO. TERMO DE ABERTURA. DECURSO DE PRAZO. Considera-se Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) a Caixa Postal atribuída ao contribuinte pela Administração Tributária e disponibilizada no e-CAC. A contribuinte cientificada por meio eletrônico na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
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INTIMAÇÃO. MEIO ELETRÔNICO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. DATA DA INTIMAÇÃO. TERMO DE ABERTURA. DECURSO DE PRAZO. Considerase Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) a Caixa Postal atribuída ao contribuinte pela Administração Tributária e disponibilizada no eCAC. A contribuinte cientificada por meio eletrônico na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 08 09 /2 01 3- 99 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 15504.730809/201399 Acórdão n.º 2401005.922 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório SEI ENGENHARIA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 17a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1451.705/2014, às efls. 227/269, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente à multa por descumprimento de obrigação tributária acessória de deixar de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas legais aplicáveis e deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, em relação ao período de 01/2008 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 07/12 e demais documentos que instruem o processo. Consoante Relatório Fiscal o lançamento foi efetivado para constituir créditos tributários relativos à imposição de multas, em razão da inadimplência no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, em face do procedimento do Contribuinte, de contratar prestadores de serviços, formalmente constituídos como pessoas jurídicas (doravante designadas apenas “PJ”), mas cujos serviços a Fiscalização caracterizou como realizados por pessoas físicas (doravante designadas como “PF”), com as quais considerou que o Contribuinte mantinha, na realidade, relação empregatícia, conforme relata a Fiscalização (não tendo sido os respectivos valores declarados em GFIP): 2 DEBCAD: 51.044.0703 (CFL 30) 2.1 Por deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas a segurados empregados a seu Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15504.730809/201399 Acórdão n.º 2401005.922 S2C4T1 Fl. 4 3 serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB, o que constitui infração ao art. 32, inciso I da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 2.2 O contribuinte remunerou pessoas físicas, consideradas como segurados empregados, contratados na forma de Pessoas Jurídicas sem elaborar as respectivas folhas de pagamento. (...). 3 DEBCAD 51.044.0711 (CFL 59): 3.1 Por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, o que constitui infração ao artigo 4°, “caput”, da Lei nº 10.666/03, e artigo 30, Inciso I, alínea “a” da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 216, Inciso I, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, na redação do Decreto nº 4.729/03. 3.2 A empresa remunerou pessoas físicas, consideradas como segurados empregados, contratados na forma de Pessoas Jurídicas sem efetuar o desconto da contribuição previdenciária devida pelos mesmos. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 275/311, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as razões da impugnação, se manifestando acerca do Auto de Infração principal, aduzindo ser ilegal a desconsideração das personalidades jurídicas das empresas que figuram como prestadoras de serviços, “bem como a alegação de suposta formação de grupo econômico”. Menciona manifestações doutrinárias e jurisprudência, defende que houve cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, não sendo possível a decretação da desconsideração da personalidade jurídica da forma que foi realizada. Defende que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (doravante referido simplesmente como “RFB”) não tem competência para “reconhecer vínculos trabalhistas”, o que cabe exclusivamente à Justiça do Trabalho, desde que provocada pelo “jurisdicionado ou Fl. 320DF CARF MF Processo nº 15504.730809/201399 Acórdão n.º 2401005.922 S2C4T1 Fl. 5 4 do MPT OU MTE”. Neste contexto, o lançamento fiscal somente deve se dar “após o reconhecimento da relação de emprego por juiz competente”. Trata dos elementos caracterizadores do vínculo empregatício: a) Trabalho realizado por pessoa física; b) prestação efetuada com pessoalidade pelo trabalhador; c) não eventualidade; d) subordinação; e) onerosidade, dissertando sobre cada um. Ressalva que não há nenhuma manifestação dos prestadores de serviços quanto à caracterização dos vínculos empregatícios. Insurgese quanto os valores lançados a título de juros e multa, que carecem de legalidade, além de implicar em violação a diversos princípios e dispositivos constitucionais, devendose, portanto, serem drasticamente reduzidos. Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator ADMISSIBILIDADE Para conhecimento e analise do recurso voluntário, este deve obedecer o pressuposto de admissibilidade contido nos artigos 5° e 33 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como se extraí dos dispositivos encimados, o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. No presente caso, a intimação aconteceu por via eletrônica. Nesse caso, há normas específicas expressas no Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15504.730809/201399 Acórdão n.º 2401005.922 S2C4T1 Fl. 6 5 (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013)(...) Depreendese da legislação encimada, em se tratando de intimação eletrônica, há, portanto, duas hipóteses principais: a) ou o contribuinte é intimado de forma ficta após 15 dias desde o registro da intimação no seu sistema eletrônico, ou b) ele acessa o sistema, é intimado e, a partir dali, o prazo começa a ser contado. Pois bem, o registro da intimação no sistema aconteceu em 15/10/2014, de acordo com o documento "Intimação de Resultado de Julgamento" à efl. 271. Em 16/10/2014, a contribuinte tomou ciência ao ter aberto os arquivos enviados, informação constante no "Termo de Abertura de Documento" (efl. 272), iniciandose o prazo recursal. Também consta dos autos o "Termo de Ciência por Decurso de Prazo" (efl 273), considerando a data da ciência em 30/10/2014. Conforme as datas relatadas, o recurso é intempestivo. A contribuinte foi cientificada do acórdão de impugnação em 16/10/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, o prazo para a interposição se iniciou em 17/10/2014; portanto, seu termo final foi o dia 15/11/2014 (sábado), conseqüentemente dilatado para o dia 17/11/2014 (segundafeira). Entretanto o recurso foi protocolado em 10/12/2014, ou seja, após o prazo legal para interposição do recurso. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 15504.730809/201399 Acórdão n.º 2401005.922 S2C4T1 Fl. 7 6 A título de elucidação, mesmo que considerássemos a intimação realizado por decurso de tempo em 30/10/2014, o recurso também não obedeceria o prazo legal. Assim, seja pela data de abertura ou pelo decurso de tempo, o recurso é intempestivo. Por todo o exposto, não preenchidos os pressupostos de admissibilidade, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO POR SER INTEMPESTIVO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000937/2005-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2000
APLICAÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA PARA DECLARAÇÃO NÃO PERMITIDA. NÃO CABIMENTO.
Tendo em vista que o art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999 não admite retificação de declaração que tenha por objetivo mudança do regime de tributação, a aplicação da multa isolada pela apresentação desta declaração a destempo é indevida.
Numero da decisão: 1001-000.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2000 APLICAÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA PARA DECLARAÇÃO NÃO PERMITIDA. NÃO CABIMENTO. Tendo em vista que o art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999 não admite retificação de declaração que tenha por objetivo mudança do regime de tributação, a aplicação da multa isolada pela apresentação desta declaração a destempo é indevida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000 APLICAÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA PARA DECLARAÇÃO NÃO PERMITIDA. NÃO CABIMENTO. Tendo em vista que o art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999 não admite retificação de declaração que tenha por objetivo mudança do regime de tributação, a aplicação da multa isolada pela apresentação desta declaração a destempo é indevida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 09 37 /2 00 5- 05 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10650.000937/200505 Acórdão n.º 1001000.987 S1C0T1 Fl. 37 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1220.338, de 13/08/2008 (efls. 17/18), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Versa o presente processo sobre o auto de infração por meio do qual é exigida da interessada acima qualificada a multa por atraso na entrega da sua Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ relativa ao exercício de 2000, anocalendário 1999, no valor de R$ 414,35. Inconformada, a interessada apresentou tempestivamente a sua peça impugnatória à exigência, instaurando a fase litigiosa do processo, onde alega, em síntese, que apresentou Declaração tempestiva pelo Lucro Presumido e que a Declaração de Inativa que gerou a autuação foi retificadora daquela, não ensejando, portanto a multa exigida. A DRJ analisou a impugnação e considerou procedente o lançamento com a seguinte fundamentação no voto condutor do acórdão recorrido, verbis: As razões da interessada se resumem a afirmar que apresentou sua Declaração tempestivamente em 28/06/2000 e que a autuação se fundou na entrega de Declaração, do mesmo exercício, apresentada posteriormente, em 19/04/2001, após o prazo final de entrega, que expirou em 30/06/2000. Assim, a seu ver, descaberia a aplicação da multa por atraso na entrega, uma vez que a Declaração que a ensejou seria tão somente uma Declaração retificadora de original apresentada tempestivamente. Ocorre que, segundo o art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999, não é admitida retificadora com alteração no regime de tributação, salvo nos casos determinados pela legislação para fins de adoção do lucro arbitrado. No presente caso, a Declaração apresentada tempestivamente pela interessada teve como regime de tributação o Lucro Real, enquanto a apresentada extemporaneamente, que ensejou a autuação, teve como forma de tributação o Lucro Presumido. Destarte, não há como considerar a mesma como retificadora daquela apresentada tempestivamente, mas sim, Declaração original que, apresentada após o prazo, corretamente ensejou o lançamento da multa por atraso objeto do presente processo. Face ao exposto, julgo procedente o lançamento efetuado, e, por conseguinte, devida a multa por atraso na entrega da Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ relativa ao exercício de 2000, anocalendário 1999, no valor de 414,35. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10650.000937/200505 Acórdão n.º 1001000.987 S1C0T1 Fl. 38 3 Exercício: 2000 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Cabe a exigência da multa por atraso na entrega de Declaração apresentada extemporaneamente que, por força do art. 5° da IN SRF n° 166/1999, não possa ser admitida como retificadora de Dec1aração entregue tempestivamente. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 17/11/2008, conforme Aviso de Recebimento à efl. 21, a recorrente apresentou recurso voluntário em 11/12/2008, conforme carimbo de recepção à efl. 22. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto (efls. 22/23), a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância e conclui, verbis: Ora o Contribuinte apresentou sua Declaração no prazo correto em 28/06/2000. Assim se a Receita Federal do Brasil aceitou sua Declaração retificadora de lucro real para lucro presumido em 19/04/2001, não há que se argumentar em intempestividade na entrega da Declaração pelo contribuinte, devendo ser acatado a primeira data da transmissão, o que se deu tempestivamente. Cotejando os dados do Auto de infração à efl. 6, observase que a declaração que ensejou a aplicação da multa foi a Declaração pelo Lucro Presumido. Assim, estamos diante da aplicação, realmente, do art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999, que dispõe que não é admitida retificadora com alteração no regime de tributação, verbis: Art. 5º No caso de DIPJ ou DIRPJ, não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. No entanto, observo que há uma contradição no lançamento, digase lançamento informatizado, pois se não se permite a mudança de regime de tributação, como punir a entrega de Declaração (a destempo) que muda o regime de tributação? Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10650.000937/200505 Acórdão n.º 1001000.987 S1C0T1 Fl. 39 4 Ora, se a alteração no regime de tributação não é admitida, a Declaração pelo Lucro Presumido não deveria ser aceita, assim, esta declaração deveria ser cancelada de ofício. Só se admitiria a multa se esta fosse aplicada devido à opção da contribuinte pelo Lucro Presumido, caso a mesma tenha feito, no ano corrente, o primeiro pagamento do tributo por esta sistemática e tivesse apresentado a declaração pelo Lucro Real de forma indevida. No entanto, não há nos autos qualquer informação a respeito deste pagamento, assim como não foi este o fundamento do voto condutor do acórdão recorrido. Assim, manter o Auto de Infração com base nesta lógica, após a obtenção da informação, via uma possível diligência, seria a prática de uma inovação administrativa por parte deste colegiado, o que não é admitido no direito. Por todo o exposto, entendo que não cabe a aplicação da multa isolada pela entrega da Declaração pelo Lucro Presumido a destempo quando esta "altera" a forma de tributação em relação à declaração anterior. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660276/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2002
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.037
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2002 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2002 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 76 /2 01 1- 06 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.660276/201106 Acórdão n.º 3201004.037 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da apuração equivocada da contribuição sobre receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual (ZFM), que em hipótese alguma deviam ser tributadas, tendo em vista que o art. 4º do Decreto nº 288/1967 equiparara as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus àquelas destinadas à exportação, imunes às contribuições por força do art. 149 da Constituição Federal. Alegou, ainda, que, mesmo diante da ausência de retificação das declarações (DCTF e DIPJ), o crédito deveria ser reconhecido, pois, uma vez constatada a existência de erro de fato conforme demonstrativo e documentos apresentados , era dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício, em conformidade com os princípios da verdade material, da moralidade administrativa e da vedação ao enriquecimento ilícito. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.252, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a isenção das contribuições, a partir de 18 de dezembro de 2000, alcançava exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, com fim específico de exportação, e para as empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. Segundo a DRJ, as vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, deviam ser tributadas normalmente. Afastou a DRJ o pedido alternativo de realização de diligência e as arguições de nulidade e de afronta a princípios constitucionais. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.660276/201106 Acórdão n.º 3201004.037 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.013, de 23/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.660222/201132, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.013): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.660276/201106 Acórdão n.º 3201004.037 S3C2T1 Fl. 5 4 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.660276/201106 Acórdão n.º 3201004.037 S3C2T1 Fl. 6 5 verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução histórica dos dispositivos legais e regulamentares Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.660276/201106 Acórdão n.º 3201004.037 S3C2T1 Fl. 7 6 anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4º: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.660276/201106 Acórdão n.º 3201004.037 S3C2T1 Fl. 8 7 O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.660276/201106 Acórdão n.º 3201004.037 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifouse) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.660276/201106 Acórdão n.º 3201004.037 S3C2T1 Fl. 10 9 exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decreto lei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretos leis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.660276/201106 Acórdão n.º 3201004.037 S3C2T1 Fl. 11 10 estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.660276/201106 Acórdão n.º 3201004.037 S3C2T1 Fl. 12 11 Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.720654/2018-97
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que negava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que negava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 06 54 /2 01 8- 97 Fl. 113DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, anocalendário de 2014, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 11.933,94. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação do efetivo pagamento no valor de R$19.930,00 e dedução indevida com incentivo. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação juntando diversos documentos para comprovar o pagamento das despesas médicas utilizadas como deduções na sua declaração do IR. Não apresentou nenhuma impugnação quanto à dedução com incentivo, o que torna a matéria incontroversa. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não foram suficientes para comprovar as despesas, devendo, pois ser mantida a glosa das despesas médicas (não teriam sido comprovados os pagamentos, os quais alega a contribuinte que foram feitos em espécie). Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação do pagamento, quando se apresenta recibos completos com todas as informações exigidas em lei e além disso declarações emitidas pelos próprios profissionais onde confirmam a prestação do serviço e o recebimento integral da quantia deduzida, recebida em espécie. Demonstra o contribuinte que apresentou todos os documentos possíveis para comprovar o pagamento das despesas deduzidas, devendo, pois, ser acatada integralmente a dedutibilidade. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15504.720654/201897 Acórdão n.º 2001001.048 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos completos, contendo todas as informações detalhadas da prestação do serviço, além de ter juntado declarações emitidas e assinadas pelo profissionais de saúde, confirmando a prestação do serviço médico, o valor total recebido e a forma de pagamento que foi feita em espécie. Ou seja, apresenta todos os meios de prova que lhe são possíveis para demonstrar a efetividade das despesas além da sua evidente boa fé. No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal ficou com dúvidas acerca da dedutibilidade de tal despesa pelo motivo exposto. No entanto o contribuinte, ora Recorrente, demonstrou boa fé e disponibilidade para esclarecer as duvidas e comprovar a existência das despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. Fl. 115DF CARF MF 4 A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na prova documental do Recorrente, bem como sua postura colaborativa e visivelmente de boa fé, entendo, que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para serem acatadas as despesas médicas anteriormente glosadas. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas glosadas anteriormente. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15504.720654/201897 Acórdão n.º 2001001.048 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.723348/2016-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS
O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2002-000.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 33 48 /2 01 6- 79 Fl. 71DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 19 a 23), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação de valores supostamente devidos por omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.752,72, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 18 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Na impugnação (fl.4 a 6) o contribuinte argumenta que o valor de R$65.135,36 é isento de imposto de renda por se tratar proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidas por ser portador de moléstia grave, conforme documentação em anexo. Esclarece que a Portaria nº 098, de 19/08/2015 concedeu o benefício a partir de 12/03/2012, o que foi confirmado pela Ata de Inspeção de Saúde nº 5043/2015 e o Parecer Técnico nº 134/2015. Enfatiza que na declaração de ajuste anual retificadora nº 2 informou o total de R$86.417,78 (R$21.282,43+R$65.135,36) como rendimentos isentos e não tributáveis – Pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço. Ao final, requer o cancelamento do crédito reclamado e junta documentos. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, em 06/09/2017, no acórdão 1060.059, às efls. 37 a 43, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 13/03/2018 às efls. 51 a 68, no qual alega, em resumo, que é policial reformado desde 14/12/2015 e foi acometido por neoplasia maligna em 12/03/2012, motivo pelo qual seus rendimentos seriam isentos. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10283.723348/201679 Acórdão n.º 2002000.626 S2C0T2 Fl. 71 3 É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 26/02/2018, efls. 48, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 13/03/2018, também às efls. 51, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave. Irresignado, o contribuinte pleiteia que o lançamento fiscal subsistente seja afastado, pois os rendimentos auferidos gozam de isenção, já que portador de moléstia grave, além de ser oficial alocado na reserva remunerada. A decisão da DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: Consta à fl. 8, dos autos, cópia de Ata de Inspeção de Saúde 5043/2015 emitido pela Médica Perita de Guarnição, declarando que o interessado (situação: Militar Reformado) é portador de neoplasia maligna da próstata –C61, enquadrada no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1998, alterada pela Lei nº 8.541/1992, desde 1996. Na fl. 7 do processo nº 10010.024621/031670 (dossiê do contribuinte), verificase que pela Portaria nº 97CMDO 12a. RM, de 19/08/2015 o Decreto de 22/01/2000: “foi concedido ao SegundoTenente Reformado o benefício previsto no § 1º do art. 110 da Lei nº 6.880 de 9/12/1980, a contar de 13 de abril de 2015, em face ter sido julgado “incapaz definitivamente para o serviço do Exercito. É invalido, conforme a sessão nº 52, de 16/04/2015.” Constatase, portanto, que o contribuinte somente foi reformado em 13/04/2015. Assim, seus proventos de reforma são isentos de tributação na fonte e na declaração a partir de abril de 2015, ainda que seja portador de moléstia grave 12/03/2012. Mantida a omissão lançada. Diante do acima exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Da exegese da Lei nº 7.713/88 e do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) Fl. 73DF CARF MF 4 que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), comase em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifos nossos) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10283.723348/201679 Acórdão n.º 2002000.626 S2C0T2 Fl. 72 5 moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) IRPF – ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE A Lei prescreve especificamente que prova de moléstia grave somente pode ser feita com laudo de órgão oficial. (Acórdão nº. : 10244.418 14/09/2000) A decisão da DRJ entendeu que o dispositivo acima colacionado abrange a aposentadoria e a reforma motivada por acidente, porém, não contempla a transferência para a reserva remunerada. Apesar do texto legal não fazer menção expressa a reserva remunerada, a melhor interpretação dada ao dispositivo é que quando a legislação se vale da locução "aposentados", referiuse aos inativos, que no caso dos militares é a transferência para a reserva remunerada. É o que se depreende da jurisprudência já sumulada deste CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos nossos) De fato, a doença foi contraída em 12/03/2012 conforme laudo de efls. 08. O contribuinte passou para a reforma remunerada. A DRJ não contesta a origem dos rendimentos, afirmando, conforme efls. 41 que os rendimentos são de fato de reserva remunerada. Fl. 75DF CARF MF 6 Desta forma, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 76DF CARF MF
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