Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10280.905325/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2001
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.962
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2001 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10280.905325/2011-04
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5958589
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-005.962
nome_arquivo_s : Decisao_10280905325201104.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10280905325201104_5958589.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7595065
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417770459136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.905325/201104 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.962 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2001 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 53 25 /2 01 1- 04 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.905325/201104 Acórdão n.º 3402005.962 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.292 Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.079, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.905325/201104 Acórdão n.º 3402005.962 S3C4T2 Fl. 0 3 Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela existência de recolhimento a maior, sendo possível o reconhecimento parcial do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.949, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900097/201259, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.949): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.052, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441.254 ocorreu via postal na data de 11/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.905325/201104 Acórdão n.º 3402005.962 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.905325/201104 Acórdão n.º 3402005.962 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da Contribuição para o PIS/PASEP calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Como já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, bem como o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.052 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. A matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10280.905325/201104 Acórdão n.º 3402005.962 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que ".... as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por ela para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10280.905325/201104 Acórdão n.º 3402005.962 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10280.905325/201104 Acórdão n.º 3402005.962 S3C4T2 Fl. 0 8 Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10280.905325/201104 Acórdão n.º 3402005.962 S3C4T2 Fl. 0 9 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração do PIS do período de Novembro de 2002, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10280.905325/201104 Acórdão n.º 3402005.962 S3C4T2 Fl. 0 10 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720018/2004-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/1999 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO E/OU DECLARAÇÃO PRÉVIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR.
Configurado o lançamento por homologação e havendo a realização de pagamentos e/ou declaração prévia pela Contribuinte, bem como inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos contados da data do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/1999 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO E/OU DECLARAÇÃO PRÉVIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR.
Configurado o lançamento por homologação e havendo a realização de pagamentos e/ou declaração prévia pela Contribuinte, bem como inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos contados da data do fato gerador.
Numero da decisão: 9303-007.891
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/10/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO E/OU DECLARAÇÃO PRÉVIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR. Configurado o lançamento por homologação e havendo a realização de pagamentos e/ou declaração prévia pela Contribuinte, bem como inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos contados da data do fato gerador. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO E/OU DECLARAÇÃO PRÉVIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR. Configurado o lançamento por homologação e havendo a realização de pagamentos e/ou declaração prévia pela Contribuinte, bem como inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos contados da data do fato gerador.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10730.720018/2004-72
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5967939
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.891
nome_arquivo_s : Decisao_10730720018200472.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 10730720018200472_5967939.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7629455
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417773604864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 611 1 610 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10730.720018/200472 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.891 – 3ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2019 Matéria COFINS E PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LABORATÓRIO TOSTES ANALISES CLÍNICAS E ANATOMIA PATOLÓGICA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO E/OU DECLARAÇÃO PRÉVIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR. Configurado o lançamento por homologação e havendo a realização de pagamentos e/ou declaração prévia pela Contribuinte, bem como inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando se em cinco anos contados da data do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/1999 a 31/12/2001 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 00 18 /2 00 4- 72 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10730.720018/200472 Acórdão n.º 9303007.891 CSRFT3 Fl. 612 2 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO E/OU DECLARAÇÃO PRÉVIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR. Configurado o lançamento por homologação e havendo a realização de pagamentos e/ou declaração prévia pela Contribuinte, bem como inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando se em cinco anos contados da data do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10730.720018/200472 Acórdão n.º 9303007.891 CSRFT3 Fl. 613 3 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 330200.499, de 29 de julho de 2010 (fls. 562 a 569 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem nos autos de infração de PIS e COFINS lavrados contra o Contribuinte, em decorrência da apuração, em ação fiscal, da falta de recolhimentos nas competências 01/10/1999 a 31/12/2001. De acordo com o disposto no termo de descrição dos fatos (fls. 105 e 121), o valor foi apurado conforme despacho decisório do processo nº 13706.000546/0073, que identificou débitos não confessados pelo Contribuinte e indevidamente compensados no período de outubro de 1999 a dezembro de 2001. Inconformado com a autuação, o Contribuinte apresentou impugnação em que alegou, em preliminar, a ilegalidade do alargamento da base de cálculo promovido pela § 1º do artigo 3° da Lei n.º 9.718/98; requereu a suspensão da exigibilidade dos créditos lançados, nos termos do art. 151 do CTN; aduziu ser de cinco anos o prazo para o lançamento, estando todo o auto de infração atingido pela prescrição; alegou ter direito a produção de perícia regular para comprovar a inexistência das diferenças previdenciárias apontadas; informou que o auto de infração estaria eivado de diversas irregularidades que o tornariam nulo, tais corno: enquadramento equivocado das atividades da empresa e a ausência de citação dos dispositivos infringidos; que a aplicação da taxa SELIC é ilegal e a multa aplicada é confiscatória. A DRJ em Rio de Janeiro/RS julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10730.720018/200472 Acórdão n.º 9303007.891 CSRFT3 Fl. 614 4 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. Nos termos do art. 150, § 4°, do CTN é de 5 anos, a contar do fato gerador, o prazo que dispõe a Fazenda para cobrar tributos sujeitos a lançamento por homologação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. Nos termos do art. 150, § 4° do CTN, é de 5 anos, a contar do fato gerador, o prazo que dispõe a Fazenda para cobrar tributos sujeitos a lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 576 a 588) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao entendimento de que a aplicação do art. 150, §4º, do CTN, para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário pelo Fisco, independe da existência de pagamento antecipado. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de nº 910100.460. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma – documento de fls. 590 a 596. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 600 a 602. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões (fls.607) e não se manifestou (fls.609). É o relatório em síntese. Voto Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10730.720018/200472 Acórdão n.º 9303007.891 CSRFT3 Fl. 615 5 Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Pois, as ementas e os votos condutores da decisão recorrida e da decisão paradigma evidenciam a divergência de entendimento suscitada: no paradigma, entendeuse que, em não havendo pagamento antecipado a ser homologado, descabe a aplicação do art. 150, §4º, do CTN, logo necessária a verificação da existência de pagamento antecipado do tributo para a aplicação desta norma; no acórdão recorrido, entendeuse pela aplicação deste dispositivo, que trata da decadência, independentemente de ter havido o pagamento antecipado do tributo. Mérito Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário referente ao PIS. Primeiramente, importante trazer que o tema abrangente do prazo – se aplicável os dez anos ou os cinco anos, à época, foi amplamente debatido no CARF. Não obstante, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, houve clarificação dessa questão, ao afastar o art. 45 da Lei 8.212/1991. Restando, portanto, a priori, analisar se o termo inicial dos 5 anos previstos no CTN considera a da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, § 4º ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10730.720018/200472 Acórdão n.º 9303007.891 CSRFT3 Fl. 616 6 tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp n.º 973.333SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP nº 973.733. O que, regra geral, para os casos “comuns”, a discussão acerca da contagem para o prazo decadencial não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, por conseguinte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, a Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10730.720018/200472 Acórdão n.º 9303007.891 CSRFT3 Fl. 617 7 princípio, seria importante discorrer se no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento ou a declaração do tributo em discussão. A priori, depreendendose da análise dos autos, recordase que a autuação se refere ao processo de cobrança de débitos de PIS e COFINS, relativos ao saldo devedor apurado após a compensação de créditos e débitos do contribuinte, no processo n° 13706.000548/0073. Os débitos, profiscados por transferência para este processo, são remanescentes de compensação autorizada pelo Chefe do SEORT no processo acima citado (fls 96). Em despacho de fls 99, o processo foi encaminhado para lançamento de oficio das diferenças entre o apurado pelo SEORT e o declarado em DCTF pelo contribuinte, nos períodos de apuração de 09/1999 a 03/2002. Foram elaborados os autos de infração constantes das fls. 210 em, diante, dos quais o contribuinte tomou ciência em 17/05/2007. Aquele Colegiado entendeu pela decadência daquele período, aplicandose o prazo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. É de se verificar que o sujeito passivo, conforme fl. 200, teve débitos declarados em DCTF no período de 09/1999 a 03/2002. Assim, em relação à DCTF, conforme preconiza o art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, a mesma é o documento que formaliza a obrigação acessória e comunica à Fazenda Pública a existência de débito, constituindose em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. Nestes termos, em caso de insuficiência ou falta de pagamento do débito, a legislação autoriza que seja efetuada a inscrição do mesmo em dívida ativa da União, com os acréscimos moratórios. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10730.720018/200472 Acórdão n.º 9303007.891 CSRFT3 Fl. 618 8 A Instrução Normativa RFB nº 1599, de 11 de dezembro de 2015, que estabelece as normas disciplinadoras da DCTF, confirma a natureza de confissão de débito da referida declaração ao consignar no §1º, do art. 8º que "os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição informados na DCTF, [...] poderão ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU)". Nesse sentido é o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, afirmando que a entrega de DCTF ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei é forma de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência para formalizar o valor declarado. A jurisprudência reiterada do Tribunal Superior conduziu à edição da Súmula nº 436 do Superior Tribunal de Justiça, de 13 de maio de 2010: Súmula 436 A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Portanto, inequívoco que a declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Embora não seja a DCTF equiparável ao pagamento, para efeitos da contagem do prazo decadencial, tanto o pagamento quanto a declaração prévia do débito se equivalem, sendo aplicável a regra contida no art. 150, §4º do CTN. Portanto, em consonância com o entendimento do STJ consignado no Recurso Especial n.º 973.733, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por este Colegiado, as circunstâncias acima descritas levam à conclusão de que tendo havido a declaração dos valores entendidos como devidos a título de PIS ou pagamento parcial, a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 150, §4º, do CTN, observandose o prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10730.720018/200472 Acórdão n.º 9303007.891 CSRFT3 Fl. 619 9 É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 619DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10886.720603/2017-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO -
Os rendimentos pagos pelas previdências, tanto públicas quanto privadas que tenha natureza jurídica de auxílio doença são isentos de Imposto de Renda das Pessoas Físicas..
Numero da decisão: 2002-000.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO - Os rendimentos pagos pelas previdências, tanto públicas quanto privadas que tenha natureza jurídica de auxílio doença são isentos de Imposto de Renda das Pessoas Físicas..
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10886.720603/2017-13
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5949780
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.625
nome_arquivo_s : Decisao_10886720603201713.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
nome_arquivo_pdf_s : 10886720603201713_5949780.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7573071
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417800867840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1282; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 60 1 59 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10886.720603/201713 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.625 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente VERA MOEMA MOTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO Os rendimentos pagos pelas previdências, tanto públicas quanto privadas que tenha natureza jurídica de auxílio doença são isentos de Imposto de Renda das Pessoas Físicas.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 06 03 /2 01 7- 13 Fl. 60DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 05 a 08), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício sujeitos a tabela progressiva, recebidos pelo titular, Tal autuação implicou em lançamento de imposto suplementar de R$ 87,10, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, as efls. 02 a 21 dos autos, que, conforme a decisão da DRJ: 3. Cientificada do lançamento em 17/06/2017, conforme documento "AR Digital" (fl. 23), a interessada ingressou com a impugnação de folhas 2 e 3, em 14/07/2017, na qual discorda da autuação, alegando que: [...] O valor contestado não foi recebido. O rendimento contestado não deve ser tributado porque se trata de auxílio doença e não de rendimentos recebidos durante licença para tratamento de saúde. Outras alegações: Segundo o DECRETO Nº 3.000/99, ART. 39 é Rendimento ISENTO o auxíliodoença recebido por previdência oficial do Município. Recebi por auxíliodoença durante o ano de 2013 até me aposentar por ter infartado (doença grave), conforme comprovante de rendimentos. O IBASMA (fonte pagadora) errou ao afirmar como se eu tivesse recebido normalmente, e após diversas e desgastantes das ao IBASMA, corrigiram a informação no comprovante de rendimentos, que pelo visto a retificação não foi enviada à Receita Federal. Repito, recebi auxíliodoença em 2013 até me aposentar por invalidez. O erro cometido pelo IBASMA que não corrigiu as informações prestadas à Receita Federal. 4. Ao final da sua peça de defesa, a Impugnante requer prioridade no julgamento da Impugnação, de acordo com a previsão contida no art. 69A, inciso I e IV, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 08/02/2018, no acórdão 0661.655 às efls. 41 a 44, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, o contribuinte, em 11/04/2018, apresentou recurso voluntário, às efls. 48 a 54, no qual alega, em resumo, que foi acometida de doença cardíaca no ano de 2011, passando a receber auxíliodoença pela prefeitura municipal de Araruama. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10886.720603/201713 Acórdão n.º 2002000.625 S2C0T2 Fl. 61 3 Que de 05/12 a 11/2013 permaneceu recebendo o auxílio, que, posteriormente foi convertido em aposentadoria por invalidez. Que no ano de 2013 todos os rendimentos estariam isentos, seja pelo gozo do auxílio doença seja pela aposentadoria por invalidez. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 13/03/2018, efls. 55, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 11/04/2018, eflls. 48, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O presente processo assentase na suposta omissão de rendimentos, de R$ 27.133,92, recebidos da prefeitura municipal de Araruama. A decisão da DRJ manteve a autuação, sob fundamento: 11. No caso concreto desses autos, a Impugnante alega que os valores recebidos, antes da sua aposentadoria em setembro de 2013, foram decorrentes do recebimento de benefício previdenciário denominado auxíliodoença. Contudo, para comprovar as suas alegações, anexou aos autos tão somente uma cópia do documento denominado "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte AnoCalendário 2013" (fl. 13), emitido pela fonte pagadora Inst. de Benefícios e Assist. Serv. Mun. Araruama, CNPJ nº 30.597.686/000100, no qual consta que a Impugnante teria recebido rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes de auxíliodoença, no valor de R$ 27.133,92. 12. Ao consultar os Sistemas Informatizados da RFB Portal Dirf, constatase que a fonte pagadora Inst. de Benefícios e Assist. Serv. Mun. Araruama, CNPJ nº 30.597.686/000100, apresentou Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf (fl. 40), em 20/03/2014, para a beneficiária Vera Moema Mota, CPF nº 387.781381704, indicando o recebimento de rendimentos tributáveis no valor de R$ 29.964,22. porém, sem qualquer indicação de recebimento de rendimentos isentos e nãotributáveis decorrentes do auxíliodoença. 13. Na verdade, o comprovante de rendimentos apresentado pela Impugnante não tem o condão de infirmar a constatação efetuada pela autoridade fiscal, sendo que apenas prova robusta poderia afastar tal conclusão. Faltou à Impugnante carrear aos autos outros documentos que pudessem comprovar as suas alegações, como por exemplo, os comprovantes de pagamentos do auxíliodoença. Porém, a Impugnante somente Fl. 62DF CARF MF 4 apresentou alegações e anexou aos autos um comprovante de rendimentos que não é compatível com a Dirf apresentada pela fonte pagadora Pela redação do novo Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto nº 9.580/18), que mantémse intacta desde a publicação da Lei nº 8.541/92, temos: Art. 35. São isentos ou não tributáveis: (...) II os seguintes rendimentos pagos pelas previdências públicas e privadas: (..) k) os rendimentos percebidos pelas pessoas físicas decorrentes de segurodesemprego, auxílionatalidade, auxíliodoença, auxíliofuneral e auxílioacidente, pagos pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada (Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 48); e A norma extraída da interpretação legislativa é muito clara: os rendimentos pagos pelas previdências, tanto públicas quanto privadas que tenha natureza jurídica de auxílio doença são isentos de Imposto de Renda das Pessoas Físicas. Ainda, pela a exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10886.720603/201713 Acórdão n.º 2002000.625 S2C0T2 Fl. 62 5 em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO Fl. 64DF CARF MF 6 OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O auxílio doença, conforme declaração de efls 52, já que se aposentou em 2012, conforme atesta documento de efls. 2012, juntamente como laudo de efls. 09, estão sob a guarida da isenção. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.003515/97-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO.
O prazo para homologação dos pedidos de compensação, transformados Declarações de Compensação, é de 5 anos contados do protocolo, nos termos dos parágrafos 4º e 5º do art. 74 da Lei 9.430/96.
DESPACHO PARA HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. REQUISITOS.
O ato administrativo que performa o ato de homologar ou não homologar as compensações deve conter elementos essenciais, como motivação e fundamentação, conforme artigo 50 da Lei 9.784/99 e art. 11 do CPC, sem os quais se torna nulo para os efeitos próprios, conforme artigo 59, II, do PAF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-004.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para declarar a homologação tácita das compensações.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação dos pedidos de compensação, transformados Declarações de Compensação, é de 5 anos contados do protocolo, nos termos dos parágrafos 4º e 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. DESPACHO PARA HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. REQUISITOS. O ato administrativo que performa o ato de homologar ou não homologar as compensações deve conter elementos essenciais, como motivação e fundamentação, conforme artigo 50 da Lei 9.784/99 e art. 11 do CPC, sem os quais se torna nulo para os efeitos próprios, conforme artigo 59, II, do PAF. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10480.003515/97-84
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948249
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.660
nome_arquivo_s : Decisao_104800035159784.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 104800035159784_5948249.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para declarar a homologação tácita das compensações. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7570759
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417819742208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.003515/9784 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.660 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO FINSOCIAL Recorrente JURANDIR PIRES GALDINO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação dos pedidos de compensação, transformados Declarações de Compensação, é de 5 anos contados do protocolo, nos termos dos parágrafos 4º e 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. DESPACHO PARA HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. REQUISITOS. O ato administrativo que performa o ato de homologar ou não homologar as compensações deve conter elementos essenciais, como motivação e fundamentação, conforme artigo 50 da Lei 9.784/99 e art. 11 do CPC, sem os quais se torna nulo para os efeitos próprios, conforme artigo 59, II, do PAF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para declarar a homologação tácita das compensações. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 35 15 /9 7- 84 Fl. 354DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório de primeira instância administrativa: Tratase de Despacho Decisório, efls. 267/270, que reconheceu direito creditório ao sujeito passivo e, em conseqüência, deferiu compensações formalizadas até o limite do crédito, assim como deferiu parcialmente outras e indeferiu as demais. O relato feito pela autoridade jurisdicionante consegue resumir os acontecimentos que constituem a vida do presente processo, pelo que dele são extraídos os seguintes trechos: O contribuinte acima identificado apresentou a petição de fl. 03, no qual solicita a compensação de crédito correspondente aos valores pagos a maior a título de FINSOCIAL, relativamente aos percentuais que excederam à alíquota de 0,5%, no período de setembro de 1989 a março de 1992 com débito próprio constante da petição de fl. 03. À fl. 07, o contribuinte apresentou planilha com os cálculos dos créditos de FINSOCIAL a que julgava fazer jus. Posteriormente, foram juntados ao presente, os processos de números 10480.004418/9763 com o pedido de compensação de fl. 19, 10480.004864/97 69 com o pedido de compensação de fl. 25, 10480.005767/9748 com o pedido de compensação de fl. 30, 10480.006303/9712 com o pedido de compensação de fl. 36, 10480.006929/9783 com o pedido de compensação de fl. 42, 10480.007482/9779 com o pedido de compensação de fl. 48, 10480.007651/9734 com o pedido de compensação de fl. 53, 10480.7652/9705 com o pedido de compensação de fl. 58 e 10480.008129/9798 com o pedido de compensação de fl. 63. O processo foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização desta Delegacia que juntou as planilhas e documentos de fls. 67 a 108 e o despacho de fls. 109 a 110, o qual historiou os procedimentos utilizados na apuração do crédito a que o contribuinte fazia jus, tendo apurado um crédito de 214.631,28 UFIR, correspondente a R$ 177.864,94, a valores de 01/01/1996. Com base no despacho de fls. 109 e 110, foi proferido o Despacho Decisório SESIT/IRPJ nº 70 que reconheceu o direito creditório do contribuinte contra a Fazenda Nacional, relativo ao pagamento a maior do FINSOCIAL no valor de R$ 177.864,94, a valores de 01/01/96 e autorizou a compensação desse crédito com os pedidos de compensação apresentados. Após o despacho decisório retromencionado, o contribuinte apresentou os pedidos de compensação de fls. 114, 119 e 123. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10480.003515/9784 Acórdão n.º 3201004.660 S3C2T1 Fl. 3 3 Às fls. 130 foram juntadas planilhas e documentos relativos aos cálculos de compensação, onde se pode observar que se utilizou o crédito reconhecido neste processo para compensar os débitos constantes dos pedidos de compensação, tendo os débitos remanescentes (fl. 130) sido objeto de nova compensação com os créditos remanescentes dos processos 10480.011050/9899 e 10480.011051/9851, no valor respectivo de R$ 42.972,22 e R$ 33.496,77. Como resultado da compensação dos saldos remanescentes deste processo com os créditos remanescentes dos processos nº 10480.011050/9899 e 10480.011051/9811, resultaram os débitos relacionados à fl. 259, sendo o débito de código 2484, PA 061998, no valor de R$ 13.686,62, resultante de transferência do processo 10480.011050/9899, cujo crédito remanescente foi utilizado no presente como relatado anteriormente. À fl. 161, o contribuinte impugnou o crédito reconhecido, apresentando novos cálculos, incluindo os expurgos inflacionários do IPC, tendo juntado para comprovar as suas alegações as peças de fls. 162 a 165 relativa ao Mandado de Segurança nº 97.142515. Tendo em vista que a impugnação apresentada pelo contribuinte se baseava em decisão judicial, o processo foi encaminhado ao Subjudice/DRFBRecife por meio do despacho de fl. 169. Por meio do Despacho de fls. 209 a 210, o SECAT/Subjudice historiou o andamento da ação judicial que ainda não havia transitado em julgado. À fl. 218, temse novo Despacho do SECAT/SubJudice, em que informa que o Mandado de Segurança nº 97.142515 ainda não havia transitado em julgado, ressalvando a existência de acórdão emanado pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região determinando que as compensações somente deverão ser efetuadas após o trânsito em julgado da ação nos termos do art. 170A do CTN. Esclarece ainda o Despacho de fl. 218, que a Fazenda Nacional havia interposto Recurso Especial, que foi admitido, com decisão de admissibilidade publicada em 01/03/2010, se encontrando o REsp pendente de julgamento, tendo o processo sido devolvido ao SEORT/DRFBRecife para verificar a existência de eventuais compensações realizadas com o aludido crédito e demais providências cabíveis. Às fls. 219 a 257, foram juntadas as peças do Recurso Especial nº 1205329, dos Embargos de Declaração em Apelação em Mandado de Segurança nº 65501PE, por meio das quais se verifica que ocorreu o trânsito em julgado da ação judicial. Conforme Acórdão do REsp nº 1.205.329, juntado às fls. 252 a 256, foi provido o recurso especial da Fazenda Nacional, restando decidido que a atualização do indébito tributário aplica se apenas a taxa selic a partir de 01/01/96, sendo vedada a sua Fl. 356DF CARF MF 4 cumulação com qualquer outro índice, seja de correção monetária, seja de juros de mora. Quanto aos embargos de declaração da Apelação em Mandando de Segurança nº 65501– PE, no qual foi dado provimento ,em parte, para suprir a omissão existente, determinando a aplicação da correção monetária nos meses de março a maio/90, conforme a variação do IPC, não houve alteração. Dessa forma e conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, procede a impugnação do contribuinte relativamente à atualização dos seus créditos de FINSOCIAL pelo IPC nos meses de março a maio/90. ... Com base no demonstrativo de fl. 262, verificase que o crédito corrigido para 01/01/1996 com utilização do IPC de março a maio /1990, totalizou, em valores de 31/12/95, R$ 192.322,34 (Cento e noventa e dois mil, trezentos e vinte e dois reais e trinta e quatro centavos). Tendo em vista que o Despacho Decisório SESIT/IRPJ nº 70 ora atacado, já reconheceu o direito creditório no valor de R$ 177.864,94, o qual já foi integralmente utilizado para compensar débitos do contribuinte neste processo, resta um crédito remanescente de R$ 14.457,40 (quatorze mil, quatrocentos e cinquenta e sete reais e quarenta centavos) para compensar os débitos remanescentes deste processo. Conforme tela de fl. 261, observase que não há declaração de compensação eletrônica vinculada ao presente processo, sendo os débitos em aberto a serem compensados com créditos deste processo, efetivamente os de fl. 259. Por meio das planilhas de fls. 263 a 266 foi efetuada a compensação do saldo remanescente do crédito do contribuinte, no valor de R$ 14.457,40 com os débitos remanescentes do processo de fl. 259, tendo restado os débitos listados à fl. 263. Ante o exposto e no uso da competência delegada pelo artigo art. 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14/05/2012, publicada no DOU de 17/05/2012: a) RETIFICO a letra a) Despacho Decisório SESIT/IRPJ nº 70 de fls. 111 a 113 que passa a ter a redação a seguir: a) RECONHECER o direito creditório do contribuinte junto à Fazenda Nacional, relativo ao pagamento a maior de FINSOCIAL no montante de R$ 192.322,34 (Cento e noventa e dois mil, trezentos e vinte e dois reais e trinta e quatro centavos) em valores de 01/01/1996; b) HOMOLOGO EM PARTE o débito abaixo: Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10480.003515/9784 Acórdão n.º 3201004.660 S3C2T1 Fl. 4 5 c) NÃO HOMOLOGO E DETERMINO a cobrança dos débitos abaixo: Tributo P.A Vencim. Moeda Valor V. Multa Perc. Processo Saldo IRPJ 12/2000 31/01/2001 R$ 34.123,48 10480.003515/9784 34.123,48 CSLL 06/1998 31/07/1998 R$ 13.686,62 10480.003515/9784 13.686,62 Cientificado em 20/05/2016, o contribuinte contestou o Despacho sob os seguintes argumentos: Analisando as compensações realizadas pelo recorrente, observase que foram elas realizadas há mais de 05 (cinco) anos, pelo que deve ser aplicada a elas a HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, não podendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife, aos mais de 15 anos NÃO HOMOLOGAR as compensações realizadas pela Recorrente nos valores de 34.123,48 e R$ 13.686,62 e muito menos HOMOLOGAR PARTE da compensação no valor de R$ 23.798,06. Ora (...), necessário observarse a IN/RFB 460/2004, com as disposições mantidas na IN/RFB 600/2005 e plenamente vigentes de acordo com a IN/RFB 900/2008 que dispõe que para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. ... Ora, pela análise das compensações acima que não foram homologadas e/ou foram em parte homologadas, vêse que as compensações já foram tacitamente homologadas em vista do transcurso de mais de 5(cinco) da data da entrega das declarações, razão pela qual deve ser reformada a decisão recorrida para que sejam consideradas homologadas tacitamente as compensações efetuadas, com fundamento no artigo 74, § 5º, da Lei 9.430/96. ... Ora (...), como os pedidos de compensação aqui impugnados estavam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, de acordo com o § 4º, do art. 74, da Lei 9.430/96, são considerados declaração de compensação desde seu protocolo, devendo a partir daí o Fisco homologar as compensações ou não dentro do prazo de 05 anos, sob pena de recair no que se chama de homologação tácita, onde todas as compensações, transcorrido o prazo de 05 anos devem ser consideradas aceitas, não podendo mais a Receita Federal indeferir, não homologar ou glosar quaisquer valores. ... Fl. 358DF CARF MF 6 Assim, será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo (...). ... Diante do exposto, o Recorrente pede e espera que seja dado provimento à Manifestação de Inconformidade, para o fim de homologar todas as compensações realizadas pelo Recorrente, tendo em vista o decurso de prazo superior a 05 (cinco) anos a contar da data do protocolo de cada uma das compensações, devendo ser aplicada a homologação tácita, razão pela qual devem ser homologadas integralmente as compensações (...). A 14ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 1464.224, de 21/02/2017,decidiu pela procedência parcial da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Considerase homologada a compensação se entre a data da apresentação da declaração de compensação, ou pedido de compensação nela convertido, e a data da ciência de decisão contrária ao contribuinte já houver transcorrido período superior a cinco anos. DIREITO CREDITÓRIO. MONTANTE. INSUFICIÊNCIA. Uma vez constatada a insuficiência do direito creditório utilizado na Declaração de Compensação para suportar integralmente a extinção pretendida, correto o Despacho Decisório que homologou parcialmente a compensação declarada. No Recurso Voluntário, a recorrente reforça os argumentos da Manifestação de Inconformidade, quanto à homologação tácita das compensações. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de ademissibilidade. A litígio se resume ao pedido de aplicação do instituto da homologação tácita aos pedidos de compensação. Importa inicialmente tabelar as datas dos pedidos e dos despachos administrativos: 8 Pedidos de Compensação, 09/05/97 a 15/07/1997, fls.25 a 63; Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10480.003515/9784 Acórdão n.º 3201004.660 S3C2T1 Fl. 5 7 Despacho Decisório, deferimento parcial, no valor de R$ 177.864,94, em 29/01/99, fl.112; sem ciência específica; Novos pedidos de compensação, com protocolos em 17/04/2001 (fl. 114), 15/07/2002 (fl. 119) e 15/08/2002 (fl. 123). Termo de Intimação (fl. 140), de 21/08/2002, notificando o Despacho Decisório e os débitos remanescentes de diversas compensações, dentre elas a presente. Não consta a data de ciência desta intimação; Termo de Intimação, de 28/03/2003, com ciência em 04/04/2003, notificando débitos remanescentes de diversas compensações, dentre elas a presente; Pedido do contribuinte, em 23/05/2003, para reconhecimento de sua planilha de cálculo, em valor maior que o calculado pelo Fisco; Novo Despacho Decisório, fl. 267 e seguintes, reconhece crédito adicional de R$ 14.457,40; foi cientificado ao contribuinte em 20/05/2016. Remanesceram compensações não homologadas nos valores de R$ 4.929,70, R$ 34.123,48 e R$ 13.686,62 (fl.270). Verifico, portanto, que o Despacho Decisório que não reconheceu a totalidade das compensações foi cientificado em 20/05/2016. O despacho decisório anterior não foi cientificado, conforme relato da decisão recorrida, fl. 302: Aqui é importante um parêntese para relatar que a autoridade jurisdicionante produziu o Despacho Decisório SESIT/IRPJ nº 70, efls. 111/113, datado de 29/01/1999. Da mesma forma, outra Intimação SEORT foi redigida em 21/08/2002, efls. 140/143. Não obstante, a contribuinte somente tomou ciência de tais apreciações de seus pedidos em abril de 2003. A decisão recorrida considerou como data de ciência do despacho decisório a intimação que notificou os débitos, em 04/04/2003 (fls. 156/158, fl. 159). Todavia, essa intimação não têm validade como Despacho Decisório para não homologação das compensações, porque lhe faltam elementos essenciais para tanto, tais como a fundamentação, motivação e demonstrativos de cálculos do montante não reconhecido. Tais elementos são essenciais para a defesa do contribuinte. A motivação e a fundamentação da não homologação são elementos essenciais para os fins da não homologação, nos termos do artigo 50 da Lei 9.784/991 e artigo 11 do CPC2, ambos de aplicação subsidiária ao PAF. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; Fl. 360DF CARF MF 8 Portanto, e em consonância com o artigo 59 do PAF3, a intimação não se consubstancia em instrumento válido de homologação das compensações, o que somente foi efetivado por meio do Despacho Decisório cientificado em 20/05/2016. Esta é, pois, a data para aferição da decadência do prazo homologatório. O art. 74 da Lei 9.430/96 estabelece: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (destaquei) Os pedidos de compensação devem ser considerados como Declarações de Compensação, desde o seu protocolo, e o prazo de homologação é de 5 anos contados do protocolo. Assim, os pedidos de compensação protocolados até 20/05/2011 foram homologados tacitamente, pelo transcurso do tempo, o que abrange todos eles. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso, para declarar a homologação tácita das compensações. (assinatura digital) VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. 2 Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. 3 Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10480.003515/9784 Acórdão n.º 3201004.660 S3C2T1 Fl. 6 9 Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000042/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/06/2008
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Numero da decisão: 3302-006.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 13/06/2008 RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11128.000042/2011-91
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946636
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.205
nome_arquivo_s : Decisao_11128000042201191.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 11128000042201191_5946636.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7567306
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417840713728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 164 1 163 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.000042/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.205 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PIS/COFINS Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/06/2008 RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 00 42 /2 01 1- 91 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.000042/201191 Acórdão n.º 3302006.205 S3C3T2 Fl. 165 2 Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 9398: Trata o presente processo de pedido de restituição e reconhecimento de direito creditório de crédito tributário no valor de R$10.582,20 referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação DI nº 08/08863066 posteriormente retificada. A solicitação referese a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais acostados aos autos. A Declaração de Importação foi objeto de retificação após o desembaraço, e foi demonstrado que houve pagamento a maior dos tributos em questão. Cópia do respectivo pedido de retificação está anexada ao processo. Ocorre que, segundo a Fiscalização, não foi acostada ao processo documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao0 PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação recolhido indevidamente, consoante o artigo 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Deste modo, foi indeferido o pedido de restituição do PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação referente ao presente processo. Aduz a Fiscalização que o crédito tributário referente ao PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Intimada, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade, na qual expõe suas razões de irresignação: O crédito apurado não pode ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, §3º, II da Lei nº 9.430/1996. Por se tratar de uma exceção legal, não dispõe de segurança jurídica para requerer a compensação sem a devida e necessária concordância do Fisco para isso. Se tivesse promovido a compensação sem autorização do Fisco, conforme entendimento do Auditor Fiscal, essa não seria homologada por conta do entendimento de não ter comprovação da assunção econômica do encargo. Não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que prevê o importador como contribuinte, não é cabível a alegação do Auditor Fiscal de que é devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda que se entenda válida a discussão sobre a assunção do encargo financeiro, essa só se justifica em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada. Não há fato gerador de PIS/Pasep e Cofins referentes a uma importação que não ocorreu. Assim, a negativa de restituição e reconhecimento de direito creditório afronta, inclusive, princípios básicos do ordenamento jurídico. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11128.000042/201191 Acórdão n.º 3302006.205 S3C3T2 Fl. 166 3 Requer a reforma da decisão recorrida, para o fim que seja reconhecido o direito creditório do contribuinte para fins de compensação do indébito, nos termos dos artigos 16 e 58 c.c. artigo 49 (a contrario sensu) da IN 900/2008, independente da comprovação de assunção de encargo financeiro, conforme se infere do artigo 166 do CTN c.c. artigo 5º da Lei nº 10.865/2004. Em 11 de dezembro de 2018, a DRJ/FNS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/06/2008 RESTITUIÇÃO DO PIS/PASEP E COFINS NA IMPORTAÇÃO, PROVA DE ASSUNÇÃO DO ENCARGO FINANCEIRO (ART. 166, CTN) Para a restituição do IPI e das Contribuições pagos indevidamente na importação é condição básica a prova de assunção do encargo financeiro desses tributos, o que deve ser providenciado pelo sujeito passivo a partir de apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Cientificado da decisão em 02.01.2014 (101), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22.06.2015 (fls.1021052), reproduzindo, em síntese, as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11128.000042/201191 Acórdão n.º 3302006.205 S3C3T2 Fl. 167 4 referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11128.000042/201191 Acórdão n.º 3302006.205 S3C3T2 Fl. 168 5 pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em contacorrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela não cumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11128.000042/201191 Acórdão n.º 3302006.205 S3C3T2 Fl. 169 6 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/2008 42 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11128.000042/201191 Acórdão n.º 3302006.205 S3C3T2 Fl. 170 7 Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900077/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO.
Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-18, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA.
O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 1991-18, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 1991-18/2000.
Numero da decisão: 3402-006.071
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO. Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-18, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 1991-18, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 1991-18/2000.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.900077/2008-11
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5964120
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.071
nome_arquivo_s : Decisao_11080900077200811.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080900077200811_5964120.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7618215
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417849102336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.900077/200811 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.071 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria COFINS Recorrente FERRACO INDUSTRIA E COMERCIO DE FERRO E Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO. Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 199118, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 199118/2000. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 77 /2 00 8- 11 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.900077/200811 Acórdão n.º 3402006.071 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1016.074, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.064, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900002/200830, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.064): "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme se observa dos autos, um dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente seria quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade reconhecida na ADI n. 14170, assim ementada: Ementa Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11080.900077/200811 Acórdão n.º 3402006.071 S3C4T2 Fl. 0 3 Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. Sendo a contribuição expressamente autorizada pelo art. 239 da Constituição, a ela não se opõem as restrições constantes dos artigos 154, I e 195, § 4º, da mesma Carta. Não compromete a autonomia do orçamento da seguridade social (CF, art. 165, § 5º, III) a atribuição, à Secretaria da Receita Federal de administração e fiscalização da contribuição em causa. Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 8.71598. 6. Diante desta decisão e segundo o contribuinte em suas razões recursais: Diante dos argumentos trazidos à baila, resta evidente que o período compreendido entre a resolução nª 49 de 09 de outubro de 1995, que suspendeu a execução dos DecretosLei citados, e a promulgação da Lei nº 9.715 de 25 de novembro de 1998, restou configurado um período de vacatio legis. Assim, no período compreendido entre outubro de 1995 e outubro de 1998, não há que se falar em contribuição para PIS. Não existia regramento legal a incidir sobre os recolhimentos, tendo o contribuinte recolhido tributo indevidamente no período supracitado, em discordância com o Princípio Constitucional da Legalidade. 7. Independentemente de adentrar no mérito da decisão pretoriana, mister se faz destacar que ela é totalmente inaplicável ao presente caso, já que a decisão lá proferida referese ao PIS, enquanto a questão aqui travada diz respeito a COFINS supostamente paga a maior. Ademais, a exação em tela referese ao mês de dezembro de 2002 e não ao período que teria pretensamente sido reconhecido como inconstitucional pelo STF (outubro de 1995 a novembro de 1998). 8. Tais considerações também valem para os tópicos desenvolvidos pelo contribuinte e que dizem respeito a uma suposta injuridicidade da IN SRF n. 06/2000 que, segundo o contribuinte, teria restringido os efeitos da declaração de inconstitucionalidade pretoriana reconhecida no nojo da já citada ADI n. 14170. Isso porque, como visto alhures, o teor da aludida decisão é inaplicável ao caso decidendo por absoluta falta de pertinência com os fatos apurados na presente autuação. 9. Logo, tais tópicos do presente recurso voluntário sequer merecem ser conhecidos. II. Do conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 10. Não obstante, parte do recurso voluntário merece ser conhecida, já que apresenta pertinência com o caso decidendo, Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11080.900077/200811 Acórdão n.º 3402006.071 S3C4T2 Fl. 0 4 por ser a peça recursal tempestiva e por ainda preencher os demais pressupostos de admissibilidade. (ii.a) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da lei 9.718. de 1998 11. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 12. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47. Ficam revogados: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11080.900077/200811 Acórdão n.º 3402006.071 S3C4T2 Fl. 0 5 [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.900077/200811 Acórdão n.º 3402006.071 S3C4T2 Fl. 0 6 Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11080.900077/200811 Acórdão n.º 3402006.071 S3C4T2 Fl. 0 7 Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.900077/200811 Acórdão n.º 3402006.071 S3C4T2 Fl. 0 8 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11080.900077/200811 Acórdão n.º 3402006.071 S3C4T2 Fl. 0 9 CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 13. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 14. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660225/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2000
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.015
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/06/2000 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.660225/2011-76
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5957346
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.015
nome_arquivo_s : Decisao_10880660225201176.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880660225201176_5957346.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7589385
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417856442368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660225/201176 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.015 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente DOW BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2000 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 25 /2 01 1- 76 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.660225/201176 Acórdão n.º 3201004.015 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da apuração equivocada da contribuição sobre receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual (ZFM), que em hipótese alguma deviam ser tributadas, tendo em vista que o art. 4º do Decreto nº 288/1967 equiparara as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus àquelas destinadas à exportação, imunes às contribuições por força do art. 149 da Constituição Federal. Alegou, ainda, que, mesmo diante da ausência de retificação das declarações (DCTF e DIPJ), o crédito deveria ser reconhecido, pois, uma vez constatada a existência de erro de fato conforme demonstrativo e documentos apresentados , era dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício, em conformidade com os princípios da verdade material, da moralidade administrativa e da vedação ao enriquecimento ilícito. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.206, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a isenção das contribuições, a partir de 18 de dezembro de 2000, alcançava exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, com fim específico de exportação, e para as empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. Segundo a DRJ, as vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, deviam ser tributadas normalmente. Afastou a DRJ o pedido alternativo de realização de diligência e as arguições de nulidade e de afronta a princípios constitucionais. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.660225/201176 Acórdão n.º 3201004.015 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.013, de 23/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.660222/201132, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.013): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.660225/201176 Acórdão n.º 3201004.015 S3C2T1 Fl. 5 4 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.660225/201176 Acórdão n.º 3201004.015 S3C2T1 Fl. 6 5 verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução histórica dos dispositivos legais e regulamentares Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.660225/201176 Acórdão n.º 3201004.015 S3C2T1 Fl. 7 6 anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4º: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.660225/201176 Acórdão n.º 3201004.015 S3C2T1 Fl. 8 7 O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.660225/201176 Acórdão n.º 3201004.015 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifouse) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10880.660225/201176 Acórdão n.º 3201004.015 S3C2T1 Fl. 10 9 exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decreto lei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretos leis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10880.660225/201176 Acórdão n.º 3201004.015 S3C2T1 Fl. 11 10 estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.660225/201176 Acórdão n.º 3201004.015 S3C2T1 Fl. 12 11 Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900352/2006-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente à apresentar o Livro de apuração do IPI para o período julho/1998. Vencidos os conselheiros Salvador Cãndido Brandão Júnior (relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marco Antônio Marinho Nunes e Semirames de Oliveira Duro, que votaram pela não realização da diligência. Foi designado para o voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
ARI VENDRAMINI - Redator designado
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10530.900352/2006-26
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5958993
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-001.022
nome_arquivo_s : Decisao_10530900352200626.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10530900352200626_5958993.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente à apresentar o Livro de apuração do IPI para o período julho/1998. Vencidos os conselheiros Salvador Cãndido Brandão Júnior (relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marco Antônio Marinho Nunes e Semirames de Oliveira Duro, que votaram pela não realização da diligência. Foi designado para o voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) ARI VENDRAMINI - Redator designado (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7595708
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417874268160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 131 1 130 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.900352/200626 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301001.022 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de dezembro de 2018 Assunto IPI PER/DCOMP Recorrente PIRELLI PNEUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente à apresentar o Livro de apuração do IPI para o período julho/1998. Vencidos os conselheiros Salvador Cãndido Brandão Júnior (relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marco Antônio Marinho Nunes e Semirames de Oliveira Duro, que votaram pela não realização da diligência. Foi designado para o voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) ARI VENDRAMINI Redator designado (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 00 35 2/ 20 06 -2 6 Fl. 136DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 132 ___________ Relatório Tratase de pedido de restituição realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 03764.13542.220703.1.2.044829 (fls. 6062) transmitida em 22/07/2003, informando um recolhimento a maior à título de COFINS na monta de R$ 372.189,70 (trezentos e setenta e dois mil, cento e oitenta e nove reais e setenta centavos) em razão de DARF quitada em 10/08/1998 para o período de apuração 31/07/1998, no montante de R$ 393.817,45. Em 03/05/2013 (fls. 6566), a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório com nº de Rastreamento: 050912481, para indeferir o pedido de restituição formulado, sob o fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido, verbis: Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 372.189,70 Valor do crédito original reconhecido: 0,00 A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Para conferência dos pagamentos localizados nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil a partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP e suas utilizações, bem como dos demais elementos considerados na análise do direito creditório, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Intimada da decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, manifestação de inconformidade (fls. 0215) afirmando, em síntese: nulidade do despacho decisório diante a falta de intimação para prestar esclarecimentos ou a apresentar documentos, antes da emissão do despacho decisório, bem como porque não houve análise da documentação juntada (DARF fls. 58 e DCTF em fls. 49 57); nulidade diante da falta de fundamentação na decisão sobre a argumentação de que não há comprovação do pagamento a maior; o crédito objeto do pedido de restituição é legítimo, pois houve pagamento, via DARF, de IPI referente ao período de apuração de julho de 1998, mas, conforme demonstrado na DCTF, não há IPI a recolher em relação ao período em questão; o pedido de restituição foi formulado em julho/2003, dentro do prazo prescricional para restituição, nos termos do art. 165, I, CTN houve homologação tácita da escrita fiscal da Recorrente, já que o pedido de restituição foi entregue no anocalendário de Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10530.900352/200626 Resolução nº 3301001.022 S3C3T1 Fl. 133 3 2003 e o prazo para que a Autoridade Fiscal questione os valores apurados pelo contribuinte é de 5 anos que, em 13/05/2013 (data da intimação da Recorrente do despacho decisório) já tinham transcorrido. também houve homologação tácita do pedido de restituição, nos termos dos artigos 74 da Lei n° 9.430/96 e 150, §4° do Código Tributário Nacional; Em 28/05/2014, a 12ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão 1450.462 (fls. 9094), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 22/07/2003 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do despacho decisório quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Sem comprovação de pagamento indevido ou a maior, inexiste suporte fático para pedido de restituição no bojo de PER/DCOMP DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo não se aplica a pedidos de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em suas razões de voto, a DRJ apresentou os fundamentos abaixo sintetizados: acerca das afirmações de nulidade, afirmou que o PAF não prevê qualquer intimação prévia ao contribuinte para ciência na fase procedimental, antes do lançamento ou antes de proferir decisão. Com a prolação do despacho decisório e intimação da contribuinte, instaurase o processo administrativo; o débito de R$ 393.817,45, relativo a IPI, período de apuração de 31/07/1998, referente à filial 0002, foi declarado pela contribuinte na DIPJ; não houve homologação tácita porque o art. 150, parágrafo 4º, do CTN e no art. 74, parágrafo 5º, da Lei nº 9.430/96, não se aplicam ao caso de restituição do indébito; a contribuinte declarou à Receita Federal, em sua DIPJ retificadora apresentada em outubro/2003, um saldo devedor de IPI de R$ 394.033,99, que, excluída a compensação de R$ 216,54, restou um débito de R$ 393.817,45, exatamente o valor do recolhimento efetuado pela contribuinte; a interessada não trouxe aos autos qualquer elemento que comprovasse que o valor de R$ 393.817,45 declarado é inexistente, como, por exemplo, o Livro Registro de Apuração de IPI e os Livros de Entrada e Saída para comprovar a suposta inexistência do débito de IPI; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10530.900352/200626 Resolução nº 3301001.022 S3C3T1 Fl. 134 4 Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário, que ora se analisa (fls. 99115), repisando os argumentos de defesa inicial e para trazer as seguintes argumentações: a nulidade do despacho decisório diante da falta de análise dos documentos apresentados quando da apresentação do PER/DCOMP, além da falta de intimação da Recorrente para explicações ou apresentar outros documentos antes de proferir a decisão; o único fundamento utilizado pela DRJ para não dar provimento à manifestação de inconformidade foi o de que, supostamente, o débito de IPI teria sido declarado pela Recorrente na DIPJ, sem analisar os documentos apresentados pela Recorrente, em especial, a DCTF; não havia valor a pagar de IPI em relação ao período de apuração julho/1998, conforme DCTF original e retificada, bastando um exame de tais declarações, na medida em que nenhum valor foi declarado a título de IPI, o que leva a conclusão inexorável de que no período nenhum valor era devido a esse título; o DARF paga em 10/08/1998 no valor de R$ 393.817,45 não está vinculada a nenhum débito, gerandose um crédito objeto deste pedido de restituição; entende por comprovado seu crédito diante da apresentação da DCTF zerada e do DARF quitando um débito não declarado; a DIPJ tem valor meramente informativo, não constitui confissão de dívida, não serve como prova de valor devido, incapaz de ser utilizada como fundamento decisório; afirma que a DIPJ original, entregue em 1999, foi preenchida com erro, pois não refletia os valores indicados em DCTF e deveria ter sido retificada; de acordo com Art. 5º do DecretoLei 2124/84, apenas as informações declaradas pelo contribuinte em DCTF e tão somente declarada em alguns campos específicos ("saldo a pagar") tem a natureza de confissão de dívida; de acordo com o entendimento pacificado do CARF, ainda que a Recorrente tivesse declarado o débito em comento na DIPJ entregue à Fiscalização, esta tem natureza meramente informativa, sendo que, para que se possam considerar devidos os valores ali informados, é imperioso analisar as declarações fiscais do contribuinte que tenham natureza de confissão de dívida; do confronto entre as informações constantes na DIPJ e em DCTF, prevalece a última, conforme normas editadas pela própria Receita Federal; quanto à homologação tácita, afirma que declarou em sua escrita fiscal, mais especificamente na DCTF entregue em 05/11/1998, que não há valores de IPI a serem pagos em relação ao período de apuração de julho de 1998. A Fiscalização, por sua vez, em nenhum momento autuou o contribuinte para questionar os valores declarados, sendo que já transcorreram mais de 5 anos da entrega da DCTF. Assim, resta homologada a constituição do crédito pela DCTF em razão do art. 150, § 4º, CTN. É a síntese do necessário Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10530.900352/200626 Resolução nº 3301001.022 S3C3T1 Fl. 135 5 Voto Vencido Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior O recurso voluntário é tempestivo, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. Inicialmente, afasto as preliminares de nulidade do despacho decisório, pois não há necessidade diligenciar ou intimar o contribuinte para trazer documentos ou explicações antes de proferir esta decisão inicial. Proferido o despacho, criouse o obstáculo administrativo e o contribuinte pode iniciar o contencioso por meio de sua manifestação de inconformidade, onde exercerá plenamente o contraditório e sua ampla defesa, nos termos do Decreto nº 70.235/1972. Também não há que se falar em homologação tácita em pedidos de restituição, pois o que se analisa é o crédito a se restituir e não uma compensação. Impossibilidade de aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. O prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo não se aplica a pedidos de restituição. Ainda em sede de preliminar, para o deslinde da causa e confirmação da existência de um crédito da Recorrente, fazse necessária a análise de prova de liquidez e certeza de seu crédito. Não se trata aqui de verificar um crédito tributário confessado em DCTF, mas sim de um crédito que o contribuinte afirma ter em razão de um pagamento indevido, Não se trata, assim, de uma confissão de dívida, mas um pleito de um crédito que necessita ser comprovado por meio de livros contábeis e fiscais. Para resolver o problema, seria possível devolver o processo para a origem em diligência para que a Recorrente apresente estas provas. No entanto, como se trata de um pedido formulado pela própria Recorrente em PER/DCOMP, onde o ônus probatório da liquidez e certeza do crédito é do contribuinte, considerando ainda que a Recorrente teve duas oportunidades para apresentar estas provas e não o fez, na manifestação de inconformidade e no Recurso Voluntário, afasto a necessidade de diligência neste momento. É como voto Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10530.900352/200626 Resolução nº 3301001.022 S3C3T1 Fl. 136 6 Voto Vencedor Conselheiro Ari Vendramini. Com a devida vênia, diante do bem elaborado voto do ilustre Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior, ouso discordar quanto ao não reconhecimento do direito creditório sem que se analise a escrita fiscal do recorrente, mais especificamente o Livro de Apuração do IPI relativo ao período objeto do Pedido Eletrônico de Restituição. Tal se propõe em respeito ao Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo fiscal, pois que o recorrente afirma em suaas razões recursais que não houve qualquer valor de IPI a ser pago naquele período, quando a recorrente efetuou revisão de sua escrita fiscal. Afirma, ainda, que tal inexistência de valor a pagar no período de julho de 1998 foi refletida nas suas DCTFs original e retificada referentes a tal período. Pelo que se pode verificar dos autos, o que ocorreu foi a apresentação de DIPJ, entregue em 29/10/1999, onde constava o valor a pagar do IPI relativo ao período de julho de 1998, entretanto a DCTF apresentada tinha como informação saldo zero para o mesmo tributo e no mesmo período, havendo ainda um DARF recolhido para o período. Esta inconsistência gerou o Despacho Decisório Eletrônico de indeferimento do direito creditório pleiteado. O recorrente, ao afirmar que não havia ocorrência de fato gerador do tributo, para período, tornando seu pagamento como indevido, conforme registro em sua escrita fiscal, abre o questionamento quanto á expedição do Despacho Decisório pelo sistema eletrônico, que não está estruturado para verificar, no período mencionado, se havia ou naõ tal registro na escrituração do IPI da recorrente. Diante destes fatos,e, como dito, em respeito ao Princípio da Verdade Material, entendemos que os autos devem ser devolvidos à unidade de origem para que se intime a recorrente a apresentar o Livro de Apuração do IPI relativo ao período julho de 1998, objeto do pedido de restituição, para que se verifique a existência ou não do direito creditório pleiteado. É o meu voto. Ari Vendramini Redator designado. Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.908968/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.643
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.908968/2013-02
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5957393
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.643
nome_arquivo_s : Decisao_10880908968201302.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880908968201302_5957393.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7589481
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417891045376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.908968/201302 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.643 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 89 68 /2 01 3- 02 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.908968/201302 Acórdão n.º 3201004.643 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.794. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.908968/201302 Acórdão n.º 3201004.643 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.908968/201302 Acórdão n.º 3201004.643 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.908968/201302 Acórdão n.º 3201004.643 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.908968/201302 Acórdão n.º 3201004.643 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.722778/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2010
COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL.
Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, pela fiscalização, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA.
Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos.
RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62 do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS.
Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de prêmios e incentivos, vinculados ao desempenho.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ALEGAÇÕES DE CONTRARIEDADE DAS NORMAS APLICADAS À LEI MAGNA E SEUS PRINCÍPIOS. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. (Súmula CARF nº 02).
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos cuja existência não é capaz de comprovar.
CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE.
Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente volta-se a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE.
Incabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, quando não estiver suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Numero da decisão: 2201-004.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo solidário, determinando sua exclusão do pólo passivo da exigência fiscal. Já em relação ao recurso apresentado pelo contribuinte autuado, também por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Débora Fófano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2010 COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL. Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, pela fiscalização, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62 do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de prêmios e incentivos, vinculados ao desempenho. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ALEGAÇÕES DE CONTRARIEDADE DAS NORMAS APLICADAS À LEI MAGNA E SEUS PRINCÍPIOS. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. (Súmula CARF nº 02). COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos cuja existência não é capaz de comprovar. CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente volta-se a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. Incabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, quando não estiver suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.722778/2013-18
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5959435
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-004.834
nome_arquivo_s : Decisao_13888722778201318.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DEBORA FOFANO
nome_arquivo_pdf_s : 13888722778201318_5959435.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo solidário, determinando sua exclusão do pólo passivo da exigência fiscal. Já em relação ao recurso apresentado pelo contribuinte autuado, também por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Débora Fófano - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7597372
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417916211200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 638 1 637 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.722778/201318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.834 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente RICLAN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2010 COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL. Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, pela fiscalização, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIODOENÇA. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e saláriodecontribuição, no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 27 78 /2 01 3- 18 Fl. 638DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 639 2 RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62 do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS. Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de prêmios e incentivos, vinculados ao desempenho. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ALEGAÇÕES DE CONTRARIEDADE DAS NORMAS APLICADAS À LEI MAGNA E SEUS PRINCÍPIOS. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. (Súmula CARF nº 02). COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos cuja existência não é capaz de comprovar. CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A Fl. 639DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 640 3 multa isolada de 150% expressamente voltase a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. Incabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, quando não estiver suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo solidário, determinando sua exclusão do pólo passivo da exigência fiscal. Já em relação ao recurso apresentado pelo contribuinte autuado, também por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de lançamento referente glosas de contribuições previdenciárias devidas pela empresa para a Seguridade Social e contribuição social para os Terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, a título de 1/3 de férias constitucional, auxíliodoença e ganhos eventuais e abonos desvinculados do salário e não declarados nas Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP. O crédito tributário apurado consolidado (fl. 02) compreende os autos de infração: a) DEBCAD nº 51.043.4029, que corresponde à glosa da compensação indevidamente efetuada pelo sujeito passivo e declarada em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social das competências 01/2009 a 09/2010. O montante do crédito, consolidado em 10/09/2013 é de R$ 4.777.158,62 e consiste no valor da contribuição de R$ 3.144.585,48, acrescido de juros de R$ 1.003.656,04 e da multa de mora de R$ 628.917,10 (fls. 07/16) e Fl. 640DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 641 4 b) DEBCAD nº 51.043.4037, que foi lavrado em razão da apresentação pelo sujeito passivo, nos meses de 01/2009 a 09/2010, das GFIPs com falsidade da declaração, já que informou créditos inexistentes. O montante da multa isolada, consolidada em 11/09/2013, corresponde ao montante de R$ 7.075.317,48 (fls. 17/24). De acordo com o relatório fiscal (fls. 25/39), o sujeito passivo quando intimado a esclarecer a compensação efetuada, informou "ter identificado na composição da base de cálculo da Contribuição Previdenciária verbas que não deveriam integrála, por se tratarem de verbas de caráter nitidamente indenizatório e inclusive por estarem excluídas dessa composição pela própria legislação previdenciária". Diante da declaração em GFIP pelo sujeito passivo de créditos inexistentes, a fiscalização efetuou a glosa da compensação indevida informada nas competências 10/2009 a 09/2010 e aplicou a multa isolada prevista no artigo 89, § 10 da Lei nº 8.212/1991. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, ciência por AR em 04/10/2010 (fl. 451), com base no inciso III, do artigo 135 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN), para o Sr. Mario Schraider Jr, Diretor Presidente, com amplos poderes de administração durante todo o período fiscalizado. Foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, I e § 1º da Lei nº 9.430/1996, em razão do sujeito passivo ter lançado em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, créditos sem qualquer medida judicial transitada em julgado e portanto inadmissíveis nas compensações previdenciárias de acordo com as normas jurídicas vigentes à época das compensações efetuadas, aliado ao fato de não terem, em sua origem, sido declarados em GFIP, a empresa apresentou documentos com informações falsas em relação aos créditos, com a intenção inequívoca de reduzir o montante da contribuição previdenciária devida. Cientificados da autuação, tanto a empresa Riclan S.A., como o responsável solidário, Sr. Mário Schraider Jr., apresentaram impugnação em 24/10/2013 (fls. 340/368; 392/411 e 422/444), alegando, em síntese, em conformidade com o relatório da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 457/458): "(...) ∙ O lançamento é nulo, pois as rubricas 1/3 constitucional de férias, auxíliodoença primeiro 15 dias e prêmios têm naturezas indenizatórias; ∙ A rubrica prêmio não tem natureza salarial, mas sim natureza indenizatória, pois foi instituído no plano de incentivos; ∙ Os precedentes jurisprudenciais vinculam os órgãos administrativos; ∙ A compensação deuse conforme a legislação tributária previdenciária, que o contribuinte sempre pautou a sua conduta na legalidade; ∙ O procedimento adotado pelo contribuinte não caracteriza conduta fraudulenta, que não houve redução ou supressão de tributo com a finalidade de obter vantagem indevida; ∙ O princípio da verdade material deve ser observado pela Receita Federal do Brasil, observandose os documentos e informações acostados aos autos e desconsiderar o lançamento; Fl. 641DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 642 5 ∙ A multa isolada é inconstitucional e improcedente ante a não comprovação da máfé; ∙ Não é cabível a cumulatividade da multa de ofício e da multa isolada; ∙ Não cabe a responsabilidade solidária do administrador, pois ateve exclusivamente a legislação tributária previdenciária; Requer: ∙ A não incidência das contribuições previdenciárias sobre as rubricas 1/3 férias constitucional, 15 dias do auxílio doença e sobre os prêmios eventuais pagos aos funcionários, desvinculados dos salários; ∙ A administração deve seguir os precedentes jurisprudenciais; ∙ Os valores recolhidos a título de 1/3 férias constitucional, 15 dias do auxílio doença e sobre os prêmios eventuais pagos aos funcionários, desvinculados dos salários; ∙ Os procedimentos do contribuinte estão em total observância a legalidade, portanto não houve condutas ilícitas do impugnante; ∙ A observância do princípio da verdade material; ∙ A multa isolada de 150% fere os princípios constitucionais da vedação ao confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade; ∙ A responsabilidade do administrador não se pode enquadrar no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, assim, não há sujeição passiva solidária; ∙ Acolhimento da impugnação e seus documentos. (...)" Na análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS considerou serem improcedentes as impugnações e manteve os créditos tributários exigidos nos autos de infração (fls. 455/466). O contribuinte e o responsável solidário, devidamente intimados da decisão da DRJ em 03/04/2014 e 04/04/2014, conforme AR de fls. 474/475, apresentaram recursos voluntários em 30/04/2014 (fls. 477/513 e 530/570). Em suas razões alegam o que segue: (i) A nulidade do lançamento ante a natureza indenizatória das rubricas terço constitucional de férias; auxílio enfermidade e prêmios; (ii) A aplicabilidade e obediência do precedente jurisprudencial pelos órgãos de julgamento administrativos; (iii) Idoneidade e ausência de declaração falsa na compensação de valores recolhidos indevidamente; (iv) Improcedência do lançamento diante da onerosidade excessiva, ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco; (v) Nulidade do lançamento ante a impossibilidade de cumulação de penas por ausência de recolhimento de tributo; Fl. 642DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 643 6 (vi) O princípio da verdade material deve ser observado pela Administração tributária; (vii) Impossibilidade de estabelecimento da sujeição passiva solidária. Por fim, requerem: (i) A procedência do recurso, sendo reconhecido em sua totalidade o direito creditório do contribuinte referente pagamentos indevidos de contribuição previdenciária incidente sobre o terço constitucional de férias, 15 dias que antecedem o auxílio doença e os prêmios pagos de forma desvinculada ao salário, com consequente homologação das compensações realizadas; (ii) A permanência da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como, suspensão ao envio da representação fiscal para fins penais; (iii) Sejam consideradas a documentação juntada à Impugnação e as inclusas informações e razões comprobatórias do alegado, como meio de prova, em total observância ao princípio da verdade material; (iv) Reconhecida a nulidade da sujeição passiva solidária por evidente ausência de afronta ao disposto no art. 135, III, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano Relatora Cuidase de Recursos Voluntários interpostos pela sociedade empresária (fls. 477/513) e pelo responsável solidário (fls. 530/570) contra decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 455/466) que julgou improcedente a impugnação e manteve os créditos tributários exigidos nos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.043.4029 e 51.043.4037. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos legais, razões pelas quais devem ser conhecidos. Quando da apreciação do caso a 4ª Turma da DRJ/CGE (fls. 455/466) julgou a impugnação improcedente, conforme a ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2010 NULIDADE. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não procedem as argüições de nulidade do lançamento, quando a Autoridade Lançadora procedeu a Auditoria Fiscal, consoante o procedimento previsto na legislação tributária. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 644 7 Não havendo fundamentos judiciais e pagamentos indevidos as compensações não são devidas nas GFIP’s Guias de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social. MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da compensação Segundo descrito no relatório fiscal, a compensação dos créditos tributários no âmbito da Receita Federal, à época dos fatos, estava disciplinada no artigo 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com alterações promovidas pela Medida Provisória (MPV) nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) e nas Instruções Normativas RFB nº 900, de 20 de dezembro de 2008, 973 de 27 de novembro de 2009 e 981 de 18 de dezembro de 2009. De acordo com relatório fiscal (fls. 26/27), foi enviada em 05/10/2010, intimação à fiscalizada visando averiguar a regularidade das compensações previdenciárias efetuadas no período de outubro de 2009 a setembro de 2010, referentes valores constantes na tabela de fl. 27. Em atendimento a empresa prestou esclarecimentos e apresentou resumo das compensações realizadas. A ação fiscal instaurada teve início em 11/04/2011, com intimação da contribuinte para a apresentação de diversos documentos em relação às compensações de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (fls. 40/41). Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 01 (fl. 42) foi solicitada memória de compensações efetuadas, remetendo às competências das contribuições pagas que estão sendo compensadas, demonstrando a utilização e eventuais correções. Após a análise da documentação e informações prestadas, conforme consta descrito no relatório fiscal (fl. 31), a Autoridade Lançadora concluiu que os valores compensados correspondem às: a) rubricas pagas a título de "Prêmios de Vendas (125) e DSR Prêmio de Vendas (126) de novembro de 2004 a setembro de 2009; b) contribuições referentes ao INSS sobre 1/3 de férias (0154 e 0157) e auxílio enfermidade (0177) pagas de janeiro de 2005 a setembro de 2009, compensadas na matriz e filial CNPJ 56.370.364/000380. c) rubricas 0125 e 0126 pagas em fevereiro de 2006 foram compensadas na competência do 13º salário de 2009 e as contribuições incidentes sobre a rubrica 0154 também de fevereiro de 2006 na competência de maio de 2010. Ressalta que apesar dos valores terem sido confirmados nas folhas de pagamento não integraram as bases de cálculo informadas em GFIP, concluindo que a Fl. 644DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 645 8 compensação não atendeu a legislação tributária, que a empresa não tem decisão judicial transitada em julgado e que não tinha sequer recolhido as contribuições previdenciárias sobre as referidas rubricas. Em virtude destes fatos, a fiscalização lançou de ofício os valores relativos à glosa, amparada nos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com os artigos 142 e 149 do CTN. Diante do relatado, a discussão acerca da natureza indenizatória das verbas assume caráter irrelevante e secundário no caso concreto, haja vista que a partir do momento que tais verbas ficaram à margem das bases de cálculos nas GFIP sobre elas não foi efetuado o recolhimento da contribuição previdenciária e, sendo assim, não seriam passíveis de compensação por parte do contribuinte. Da natureza indenizatória das rubricas terço constitucional de férias, auxilio enfermidade e prêmios Em linhas gerais, os Recorrentes argumentam que deve ser afastada a incidência da contribuição previdenciária sobre: a) o adicional de férias com fulcro no artigo 28, § 9º, alínea "d", da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e, ainda, com base no entendimento majoritário adotado pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, trazendo diversas ementas; b) o auxílio doença, reportandose à alínea "n" do mesmo § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991, ressaltando, também, quanto aos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento, seu caráter indenizatório e sua natureza não salarial, uma vez que não existe prestação de serviço pelo empregado neste período, reproduzindo aqui também jurisprudência do STJ que sustentaria este posicionamento; e c) prêmios que seriam uma forma de remuneração instituída pelo contribuinte e vinculada ao desempenho pessoal dos profissionais e/ou equipe, de acordo com o alcance de metas e resultados econômicos e de produtividade, estabelecido no Plano de Incentivo da Riclan, não se ajustando ao conceito técnicolegal de salário. Sobre a alegação de que os órgãos de julgamento administrativos devem aplicar os precedentes do STF e STJ quando esses foram proferidos em sede de recursos repetitivos ou com repercussão geral reconhecida, importante ressaltar que não há qualquer tese definitiva (transitada em julgado) firmada pelo STJ ou STF em sede de recursos repetitivos ou repercussão geral, respectivamente, sobre as matérias objeto do presente caso. O tema envolvendo a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias (Tema Repetitivo STJ 479) e sobre os valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento por motivo de doença (Tema Repetitivo STJ 738) foram, de fato, decididos pelo STJ através do REsp 1230957/RS. Contudo, tal decisão encontrase suspensa por decisão da VicePresidência do STJ em razão do Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida (RE 593068 / Tema 163). Neste sentido, orientação consubstanciada na Nota PGFN/CRJ nº 640/2014, a seguir transcrita: "(...) 5. No presente caso, conforme se verá mais adiante, não obstante o RESP nº 1.230.957/RS ter sido parcialmente desfavorável à Fazenda Nacional, não é possível a inclusão dos temas na lista a que se refere o inciso V do art. 1º da Portaria nº Fl. 645DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 646 9 294/2010, em razão de se vislumbrar a possibilidade de reversão do entendimento no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). Desse modo, a presente Nota Explicativa, além de delimitar o que ficou decidido no RESP nº 1.230.957/RS, tem apenas como intuito cumprir o disposto no art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014, informando à RFB a nãoinclusão de temas em lista de dispensa de contestar e recorrer. 6. Os recursos especiais existentes nos autos do RESP 1.230.957, submetidos ao rito do art. 543C do CPC, tratavam, em essência, da incidência de contribuição previdenciária, a cargo da empresa, no contexto do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), sobre as seguintes verbas: a) terço constitucional de férias; b) saláriomaternidade; c) saláriopaternidade; d) aviso prévio indenizado; e) importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. 7. Decidiuse pela incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas atinentes ao saláriomaternidade e ao salário paternidade. Quanto à incidência da contribuição sobre as demais verbas, prevaleceu entendimento desfavorável à Fazenda Nacional. Em face de tal posicionamento desfavorável, importa fazer algumas considerações para cada uma das exações, tendo em vista que se entende pela continuidade de impugnação das decisões que apliquem o entendimento do STJ firmado em desfavor à Fazenda Nacional. II Quinze primeiros dias de afastamento do trabalho do segurado anteriores ao auxíliodoença: 8. O STJ entendeu que não haveria incidência de contribuição previdenciária no período dos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho do segurado anteriores ao auxíliodoença. Conforme se depreende do voto do Ministro Mauro Campbell, relator do RESP nº 1.230.957/RS, entendeuse que, não obstante, nesse período, haja pagamento pelo empregador, a importância não se destinaria a remunerar o trabalho e, dessa forma, não se enquadraria na hipótese de incidência da exação, a qual exige que se trate de verba de natureza remuneratória. 9. Em relação a este ponto, não se irá incluir o tema em lista de dispensa de contestar e recorrer, uma vez que ainda não está definida, no âmbito do STF, a questão da repercussão geral da matéria. Com efeito, o Plenário Virtual da Corte, no Recurso Extraordinário (RE) nº 611.505/SC, da relatoria do Ministro Ayres Britto, teria rejeitado a repercussão geral da matéria, considerando que ela estaria restrita à análise de norma infraconstitucional. Ocorre que a União (Fazenda Nacional), nos autos do referido recurso, manifestou sua irresignação em face de tal decisão, ante o fato de não ter sido atingido, no julgamento do leading case apontado, o quorum constitucional previsto no art. 102, §3º, da Constituição Federal, de 08 (oito) Ministros exigido para se decretar a inexistência de repercussão geral de temas constitucionais. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 647 10 10. Assim, em que pese o STJ, no Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado na forma do art. 543C do CPC, tenha assentado que não haveria incidência de contribuição previdenciária sobre o afastamento dos quinze primeiros dias, por considerar que se trataria de verba de natureza indenizatória, não é possível a inclusão da matéria na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. (...) IV Terço constitucional de férias 15. Ainda no RESP nº 1.230.957/RS, o STJ decidiu pela não incidência de contribuição previdenciária quanto ao adicional de um terço referido às férias indenizadas, bem como no caso das férias gozadas. Em relação às férias indenizadas, não há a exação, com base no art. 28, §9º, “d”, da Lei nº 8.212/91; já quanto às férias gozadas, o STJ, partindo da premissa de que o STF teria firmado a orientação de que o terço constitucional de férias possuiria natureza compensatória/indenizatória, a partir de precedentes do STF que se referiam a servidores sujeitos ao Regime Próprio dos Servidores Públicos (RPPS), não haveria ganho habitual a ensejar a tributação. 16. A Corte Superior considerou, assim, que a importância paga a título de terço constitucional de férias gozadas não se destina a retribuir serviços prestados, tampouco configura tempo à disposição do empregador, de modo que não se enquadraria no disposto no art. 22, I, “d” da Lei nº 8.212/1991, nem se amoldaria no conceito de saláriodecontribuição do empregado previsto no art. 28, I, da Lei nº 8212/1991. 17. Todavia, como o entendimento do STJ, em relação à contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias dos empregados, derivaria de orientação do STF relativamente à exação sobre o terço constitucional de férias dos servidores públicos e, tendo em vista que o RE nº 593.068 teve sua repercussão geral reconhecida, justamente para tratar dessa questão, verificase que a matéria ainda não está pacificada, de maneira que também não é possível a inclusão do tema na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. (...)" Em virtude do exposto, por tais decisões não possuírem definitividade tendo em vista que ainda não se operou o trânsito em julgado, os eventuais recolhimentos de contribuições incidentes sobre o terço constitucional de férias e quinze primeiros dias de afastamento não podem ser considerados indevidos pois não estão revestidos de liquidez e certeza. Sobre a matéria, pertinente a transcrição dos seguintes julgados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009 (...) ADICIONAL DE FÉRIAS Fl. 647DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 648 11 O adicional de 1/3 de férias possui natureza remuneratória, não havendo que se cogitar de sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias, exceto na hipótese de férias não gozadas, objeto de indenização. PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIODOENÇA Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença (também denominado de salárioenfermidade), caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado. (Acórdão nº 9202003.773 – 2ª Turma)." "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2015 a 31/03/2015 (...). TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO DOENÇA OU AUXÍLIOACIDENTE. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário decontribuição,no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, tais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014.(Acórdão nº 2301 005.596 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária)" Finalmente, também não assiste razão aos Recorrentes quanto à insurgência acerca da natureza indenizatória dos valores a título de prêmios, vez que não são pagos por mera liberalidade, mas estão vinculados ao cumprimento de metas previamente fixadas (vide plano de incentivo vendedores atacado 2009 de fls. 369/382), ao desempenho laboral dos Fl. 648DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 649 12 empregados e não se revestem do atributo da eventualidade, conforme fazem prova relações anexas nas folhas nº 168/313, comprovando assim, o seu caráter contraprestacional. Não resta dúvida, assim, de que as verbas pagas a título de "prêmios incentivo de desempenho” se amoldam ao conceito de saláriodecontribuição previsto no artigo 28, inciso I da Lei n.° 8.212, de 1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Deste modo, a prática reiterada de a empresa empregadora de remunerar sob a forma de Prêmios seus segurados, e a expectativa criada aos trabalhadores pela premiação, conferemlhes propriedades retributivas e, consequentemente, constituemse em elementos remuneratórios do trabalho. Transcrevese a ementa do seguinte Acórdão: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005 (...) SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS. Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de prêmios e incentivos, vinculados ao desempenho. (Acórdão 2202004.718 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária)" Ante o exposto, não há como acolher as alegações dos Recorrentes. Da alegação de inconstitucionalidade No recurso há menção à inconstitucionalidade da multa devido à ofensa ao princípio de vedação ao confisco (fls. 503/506 e 557/559). Destarte, impende esclarecer que não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do artigo 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 343, de 2015), a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 649DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 650 13 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. É nesse sentido a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da Multa Isolada A autoridade fiscal entendeu que a entrega de GFIP com informações falsas, no caso, com inserção de crédito inexistente (compensações), resultou em supressão/redução de contribuições previdenciárias devidas, ensejando dessa forma a aplicação de Multa Isolada, prevista no § 10, art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009. Notese que a aplicação da multa isolada foi fundamentada na compensação de valores realizada sem a comprovação do efetivo recolhimento indevido, apesar desses terem sido confirmados nas folhas de pagamento não integraram as bases de cálculo informadas em GFIP, ou seja, a compensação não atendeu a legislação tributária, a empresa não tinha decisão judicial transitada em julgado e não tinha sequer recolhido as contribuições previdenciárias sobre as referidas rubricas. Na dicção do § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ele estará sujeito à multa de 150% (vide abaixo). Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O legislador determina a aplicação da multa de 150% quando se tratar de falsidade de declaração, sem mencionar a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. A autoridade fiscal entendeu que a empresa teria efetuado falsas compensações em GFIP considerando que não existem quaisquer recolhimentos efetuados indevidamente, o que ensejaria a aplicação da multa de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Os Recorrentes não apresentaram razões e elementos de prova que pudessem contrapor as afirmações, a convicção e as conclusões do fisco quanto a subsunção do fato à norma e assim afastar a imposição da penalidade imposta, limitandose basicamente a alegar que "a aplicação de tal multa importa em grave afronta ao principio constitucional da vedação ao confisco (...)". Fl. 650DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 651 14 Assim, a conduta de compensações efetuadas, procurando extinguir indevidamente parte dos débitos apurados e confessados mediante o aproveitamento de créditos que não logrou comprovar, trouxe o resultado esperado e pretendido pelo contribuinte, qual seja, deixar de pagar tributo. São inúmeros os Acórdãos do Conselho Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que se posicionam pela manutenção da aplicação da multa isolada diante da comprovação de falsidade da declaração, dentre os quais, a título ilustrativo, selecionamos as seguintes ementas: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2010 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados. Recurso Especial do Procurador provido. (Acórdão nº 9202003.777 – 2ª Turma CSRF Sessão de 16 de fevereiro de 2016)" "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 MULTA ISOLADA APLICADA SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à aplicação de multa isolada nos termos do art. 89, §10, da Lei nº 8.212/1991. (Acórdão nº 9202006.885 2ª Turma CSRF Sessão de 23 de maio de 2018)" Portanto, não há como acolher as alegações dos Recorrentes, devendo ser mantida a aplicação da multa. Da cumulação das multas de ofício e de mora A multa de mora é consequência da inadimplência, do não recolhimento dos valores devidos no tempo e na forma regular, conforme disposição da Lei nº 9.430, de 1996. Já a multa isolada é aquela punitiva, aplicada de ofício pelo fisco, em face do descumprimento de obrigações por parte do contribuinte e tem por objetivo punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. Não é a aplicação de multas sobre a mesma base que configuram o bis in idem, mas sim a igualdade das condutas puníveis. Como as penalidades decorrem de práticas delitivas distintas, uma conduta não depende da outra. Sobre o tema, transcrevese acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Fl. 651DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 652 15 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 "(...) CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente voltase a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é conseqüência da inadimplência do contribuinte. Recurso voluntário provido em parte. (Acórdão nº 1401002.015 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 26/07/2017)” Pelos motivos, não cabe razão aos Recorrentes uma vez que as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas que afetam bens jurídicos diferentes. Da responsabilidade solidária Em relação ao sujeito passivo solidário a fiscalização não demonstrou de forma clara e precisa a participação efetiva e dolosa do sujeito passivo no sentido de agir para a prática das condutas elencadas no relatório fiscal em relação à Seguridade Social. Deveria a autoridade fiscal efetuar o lançamento da solidariedade passiva com base no artigo 124 do CTN relacionando uma das situações de seus incisos I ou II, e combinado com o artigo 135, III do CTN comprovar a situação ali elencada, contudo a autoridade fiscal deixou de fundamentar a responsabilidade solidária fazendo apenas em relação ao art. 135 do CTN que trata da responsabilidade pessoal de terceiros. Mesmo que assim fosse, a situação elencada no inciso III do art. 135 do CTN "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos", não restaram devidamente comprovados pela fiscalização. Em julgado de Relatoria do I. Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra no Ac. 2201003.719 j. 04/07/2017 esta turma afastou a responsabilidade do sujeito passivo solidário pelos seguintes fundamentos: "(...) O recorrente contesta a responsabilização solidária efetuada pelo Fisco, argumentando que não obstante a exclusão da responsabilidade pessoal do art. 135, da Lei n° 5.172, de 1966 CTN pela decisão de piso, também, não deve subsistir a responsabilidade solidária do art. 124, I, do CTN. A responsabilização dos sócios está amparada nos arts. 124, inciso I e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 – CTN. Eis os dispositivos legais apontados pelo Fisco: Fl. 652DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 653 16 O recorrente contesta a responsabilização solidária efetuada pelo Fisco, argumentando que não obstante a exclusão da responsabilidade pessoal do art. 135, da Lei n° 5.172, de 1966 CTN pela decisão de piso, também, não deve subsistir a responsabilidade solidária do art. 124, I, do CTN. A responsabilização dos sócios está amparada nos arts. 124, inciso I e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 – CTN. Eis os dispositivos legais apontados pelo Fisco: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Destarte, o inconformismo recursal quanto à exclusão da responsabilidade solidária dos sócios administradores do recorrente merece acolhimento. A responsabilização solidária não pode ser efetuada por meio de simples ilação. Se assim fosse, todos os lançamentos tributários efetuados em face de pessoas jurídicas teriam os sócios administradores incluídos no polo passivo da lide tributária, em uma verdadeira mitigação ao instituto de direito empresarial da responsabilidade limitada. Diante de toda a narrativa fática constante da acusação fiscal, não restou demonstrada alegada conduta de burla à legislação com ato volitivo dos sócios administradores no sentido de reduzir o pagamento de tributos da empresa e, com isso, otimizar os seus lucros, fato que se amoldaria ao requisito estabelecido pelo art. 124, I, do CTN, tendo os sócios interesse comum na situação que constitui o respectivo fato gerador, o que entendo, não ocorreu no caso dos autos. Assim sendo, o recurso voluntário merece provimento no que tange à exclusão da responsabilização solidária atribuída aos sócios administradores da recorrente." Isto posto, deve ser excluída a responsabilidade solidária do sócio administrador do sujeito pelos créditos tributários cobrados neste lançamento. Conclusão Em razão do exposto, votase, por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pelo devedor solidário determinando sua exclusão do pólo passivo da exigência fiscal e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte autuado, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora Fl. 653DF CARF MF Processo nº 13888.722778/201318 Acórdão n.º 2201004.834 S2C2T1 Fl. 654 17 Fl. 654DF CARF MF
score : 1.0
