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5498863 #
Numero do processo: 10183.904246/2012-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Esta  Contribuinte  transmitiu  Declaração  de  Compensação  servindo­se  de  crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior.  Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que,  a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos  abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não  restando saldo disponível a compensar  Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que:  a)  a  alegação  de  que  não  restou  crédito  disponível  não  pode  ser  entendida  como fundamento para o despacho decisório;  b)  a  autoridade  administrativa  quedou­se  inerte  na  análise  de  qualquer  situação que legitima o crédito postulado;  c)  a  não  homologação  desta  compensação  ocorreu  por  uma  questão  de  sistema  de  informática,  porque  o  crédito  propriamente  dito  sequer  foi  apreciado.  Pelo  que,  concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o  débito recolhido e o crédito declarado em DCTF;  d)  há  diversas  situações  que  acarretam  a  restituição  de  valor  recolhido:  a  inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações  que  autorizam o  contribuinte  a  reduzir  valores  da  base de  cálculo  e que  são  regulamentadas  pela IN 900/2008;  e)  a  autoridade  administrativa  furtou­se  em  analisar  qualquer  das  possibilidades  que  ensejaria  a  restituição  postulada.  Não  homologar  a  compensação  sem  explicar os motivos da  suposta  indisponibilidade do crédito,  torna a decisão  totalmente nula,  por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a  prova da existência deste crédito;  f) calculou a contribuição utilizando­se de base de cálculo com valores que  incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as  demais receitas que não devem compô­la;  g)  utilizou­se  de  algumas  teses  tributárias  já  julgadas  pelo  STF  de  forma  favorável ao contribuinte;  h)  “o  pedido  formulado  tem  como  base  a  declaração  de  inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”;  i) postulou o  reconhecimento do crédito  somente pela via administrativa,  já  que  a  inconstitucionalidade  desta  ampliação  já  foi  declarada  e  cuja  ação  já  transitou  em  julgado;  j) é legítima a sua pretensão em ver­se restituída do que foi pago sobre base  de cálculo indevidamente ampliada.  Em  julgamento  da  lide  a  DRJ/Campo  Grande  apresentou  a  justificação  contida  no  despacho  decisório  de  não  homologação  e  rejeitou  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses.  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904246/2012­57  Acórdão n.º 3803­006.104  S3­TE03  Fl. 66          3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para  apresentação das provas que, a  teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a  manifestação de inconformidade  No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada  sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria  ter­se desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus.  Cientificada da decisão em 31 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente  apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento  de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos  administrativos ­ por não ter fundamentado a decisão ­ e o princípio da ampla defesa – por não  dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a  sua manifestação  de  inconformidade. Ao  final,  requereu  a  reforma da  decisão  recorrida,  por  manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Belchior Melo de Sousa ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele conheço.  A  Recorrente  maneja  em  seu  recurso  apenas  o  argumento  de  nulidade  do  despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida.  Com  efeito,  o  Colegiado  a  quo  bem  explicou  os  fatos  subjacentes  no  despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento  do  direito  creditório  e  não  homologação  da  compensação:  o DARF  do  qual  foi  destacado  o  suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis  os seus termos:  Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de  um  tributo  declarado  pelo  próprio  contribuinte,  conforme  demonstra  o  quadro  do  despacho  decisório  “Fundamentação,  Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos  encontrados  para  o  Darf  discriminado  no  PerDcomp”  e  o  quadro  resumo  das  declarações  do  contribuinte  a  seguir,  a  decisão da RFB de  indeferir o pedido de  restituição ou de não  homologar a compensação está correta.[grifei]  A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro  em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a  redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal,  das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão:  Assim,  para  modificar  o  fundamento  desse  ato  administrativo,  cabe ao  recorrente demonstrar  erro no valor declarado ou nos  cálculos  efetuados  pela  RFB.  Se  não  o  fizer,  o  motivo  do  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não  trouxe  aos  autos  nenhum  documento  contábil  ou  fiscal  que  demonstrasse  suas  afirmações  genéricas  de  que  o  seu  crédito  provêm  de  receitas  contabilizadas  de  maneira  equivocada.  Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas  pelo  STF  de  forma  favorável  ao  contribuinte,  mas  não  relata  quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei]  Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de  infirmar  o  encontro  de  contas  processado  pela  RFB,  em  que  foram  considerados  os  dados  informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica  na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão.  O delineamento desenhado pelas razões de decidir constitui­se numa luz que  deveria  se projetar  sobre os argumentos da Recorrente na composição do  recurso voluntário.  Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à  manifestação  de  inconformidade,  poderia  tê­lo  feito  no  recurso.  Somente  com  o  suprimento  desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da  ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê­ la  conclamado,  expressamente,  a  apresentar  provas,  juntamente  com  a  manifestação  de  inconformidade.  A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de  o  contribuinte  anexar  provas  na  manifestação  de  conformidade,  teria  a  função  de  mera  lembrança,  não  é  defeito  do  ato  administrativo,  porquanto  o  comando  para  cumprir  este  requisito de defesa  é  legal,  segundo  regência do  art.  16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do  contribuinte.  O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte,  a  quem  compete  apurar  o  quanto  devido  do  tributo  e  antecipar  o  pagamento  sem  prévia  apreciação  de  autoridade  administrativa.  Por  meio  dessa  atividade  o  próprio  contribuinte  abastece  os  sistemas  de  controle  da  Fazenda,  que,  assim,  já  dispõe  dos  dados  para  efetuar  eventual compensação por ele declarada.   A  par  dessa  atividade  do  contribuinte,  a  declaração  de  compensação  consubstancia  o  exercício  de  direito  potestativo  de  contribuinte  que  apure  crédito  perante  a  Receita  Federal  do  Brasil,  nos  termos  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96.  A  consequência  dessa  sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente  de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá­ la. Sob esse rito legal, torna­se do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo  constitui por meio da DComp ­ qual seja, a extinção do débito.   Com fulcro nos fundamentos acima, mostra­se improcedente o argumento da  Recorrente  de  falta  de  motivação  do  despacho  decisório,  ficando  configurado  que  não  se  desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação  de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim,  não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Sala das sessões, 24 de abril de 2014  (assinado digitalmente)  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904246/2012­57  Acórdão n.º 3803­006.104  S3­TE03  Fl. 67          5 Belchior Melo de Sousa                                Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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5475667 #
Numero do processo: 10970.720154/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 31/10/2010 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA STF. DECISÃO PLENÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. OBSERVÂNCIA. POSSIBILIDADE. ARTIGO 62 DO RICARF. Na esteira da jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal, especialmente nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, uma vez decretada à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por sub-rogação da empresa adquirente, impõe-se reconhecer a improcedência de lançamentos escorados naquelas malfadadas normas, o que se vislumbra na hipótese dos autos. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, sujeita à aplicação de multa, deixar a empresa de exibir à Fiscalização quaisquer documentos e/ou livros contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentá-los desprovidos das formalidades legais exigidas, com informações diversas da realidade ou com omissão de informações verdadeira, nos termos do artigo 33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com esteio nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a exigência fiscal, por sub-rogação, relativa à aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, objeto dos AIOP'S DEBCAD s n°s 51.028.167-2 e 51.028.168-0. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 31/10/2010 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA STF. DECISÃO PLENÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. OBSERVÂNCIA. POSSIBILIDADE. ARTIGO 62 DO RICARF. Na esteira da jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal, especialmente nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, uma vez decretada à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por sub-rogação da empresa adquirente, impõe-se reconhecer a improcedência de lançamentos escorados naquelas malfadadas normas, o que se vislumbra na hipótese dos autos. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, sujeita à aplicação de multa, deixar a empresa de exibir à Fiscalização quaisquer documentos e/ou livros contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentá-los desprovidos das formalidades legais exigidas, com informações diversas da realidade ou com omissão de informações verdadeira, nos termos do artigo 33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com esteio nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a exigência fiscal, por sub-rogação, relativa à aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, objeto dos AIOP'S DEBCAD s n°s 51.028.167-2 e 51.028.168-0. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA     2  materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142  do  CTN,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  PAF.  APRECIAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  NO  ÂMBITO  ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.  Com  esteio  nos  artigos  62  e  72,  e  parágrafos,  do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF, c/c a Súmula nº 2, às  instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de  inconstitucionalidade, cabendo­lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação  vigente, por extrapolar os limites de sua competência.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  afastar  a  exigência  fiscal,  por  sub­rogação,  relativa  à  aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, objeto dos AIOP'S DEBCAD s n°s 51.028.167­ 2 e 51.028.168­0.       Elias Sampaio Freire ­ Presidente      Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira ­ Relator    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araújo  Soares,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 337DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10970.720154/2012­40  Acórdão n.º 2401­003.427  S2­C4T1  Fl. 337          3   Relatório  ARI  CARNES  LTDA.,  contribuinte,  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  já  qualificada  nos  autos  do  processo  em  referência,  recorre  a  este  Conselho  da  decisão  da  5a  Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão nº 09­43.067/2013, às fls. 275/287, que julgou  procedentes os lançamentos fiscais referentes às contribuições sociais devidas pela empresa ao  INSS, na condição de sub­rogada, correspondentes à contribuição sobre a produção rural (art.  25, inciso I, Lei nº 8.212/91), ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT (art.  25, inciso II, Lei nº 8.212/91), e as destinadas a Terceiros (SENAR), incidentes sobre o valor  da comercialização de produtos rurais adquiridos junto a pessoas físicas, em relação ao período  de 02/2009 a 10/2010, conforme Relatório Fiscal, às fls. 20/27.  Trata­se  de  Autos  de  Infração  (Descumprimento  de  Obrigação  Principal  ­ antiga  NFLD), DEBCAD’s  n°s  51.028.167­2  e  51.028.168­0,  consolidados  em  06/07/2012,  contra  a  contribuinte  acima  identificada,  constituindo  créditos  tributários  consignados  nas  folhas de rosto dos autos.  Acrescenta,  o  fiscal  autuante,  que  a  empresa  adquiriu  animais  para  abate  (bovinos)  no  frigorífico  SANTA  LUCIA  INDÚSTRIA  &  COMÉRCIO  DE  CARNES  LTDA.,  diretamente  de  produtores  rurais  –  pessoa  física,  conforme  Anexo  I  –  Demonstrativo  de  Apuração de contribuições – Produtor Rural Pessoa Física.  Isto  porque,  de  conformidade  com  o  Relatório  Fiscal,  no  decorrer  da  fiscalização  constatou­se  que  a  empresa  foi  constituída  por  interpostas  pessoas  e  que,  na  realidade,  trata­se  de  empresa  de  “fachada”,  utilizada  para  emissão  de  notas  fiscais,  conforme  demonstrado  no  Relatório  de  Caracterização  de  Sujeição  Passiva  Solidária  em  anexo, não possuindo qualquer patrimônio para assegurar a execução fiscal, razão pela qual  foram incluídos como responsáveis pelos débitos da notificada, nos termos do artigo 124, I e  135, III do CTN a empresa SANTA LUCIA INDÚSTRIA & COMÉRCIO DE CARNES LTDA., e  seus representantes legais.  Além dos Autos  de  Infração  por  descumprimento  de obrigação  principal,  a  autoridade lançadora lavrou, ainda, o AIOC n° 51.028.169­9 (CFL 38), com fulcro no artigo  33,  §§  2º  e  3º,  da  Lei  nº  8.212/91,  c/c  artigo  233,  parágrafo  único,  do RPS,  em  razão  de  a  contribuinte  ter  deixado  de  apresentar  os  documentos  solicitados  pela  fiscalização mediante  respectivo termo, mais precisamente os livros contábeis (diário e razão) e de registro de entrada  e  saída  de  mercadorias,  relativos  aos  exercícios  2008  a  2010,  notas  fiscais  de  produtor  e  extratos bancários referentes às contas movimentadas pela empresa, o que ensejou a aplicação  da  multa  de  R$  16.170,98,  arrimada  nos  artigos  283,  inciso  II,  alínea  “j”,  e  373,  do  Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.  Inconformada com a Decisão recorrida, a empresa solidária SANTA LUCIA  INDÚSTRIA  &  COMÉRCIO  DE  CARNES  LTDA.  apresentou  Recurso  Voluntário,  às  fls.  289/318,  procurando  demonstrar  sua  improcedência,  desenvolvendo  em  síntese  as  seguintes  razões.  Fl. 338DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA     4  Preliminarmente,  pretende  seja  decretada  a  nulidade  do  feito,  por  entender  que  a  autoridade  lançadora,  ao  constituir  o  presente  crédito  previdenciário,  não  logrou  motivar/comprovar  os  fatos  alegados  de  forma  clara  e  precisa  na  legislação  de  regência,  contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em  total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando as autuações em  meras presunções.  Sustenta  ter havido equívoco na  cientificação das presentes  autuações,  uma  vez  que  levadas  ao  recebimento  da  recorrente  (Santa  Lucia),  enquanto  o  correto  seria  cientificar  somente  a  contribuinte  Ari  Carnes  Ltda.,  efetivo  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária.  Insurge­se  contra  a  co­responsabilidade  atribuída  à  empresa  Santa  Lucia  Indústria & Comércio de Carnes Ltda., em relação aos débitos da pessoa jurídica Ari Carnes  Ltda.,  a pretexto  da  constituição  desta  empresa  por  interpostas  pessoas,  sob  o  argumento  de  inexistir  qualquer  comprovação  material  dos  fatos  alegados,  não  se  prestando  para  tanto  a  simples menção aos dispositivos 124, inciso I, e 135, inciso III, do Código Tributário Nacional,  sobretudo por não se cogitar em interesse comum na situação que constitua o fato gerador.  Infere que simplesmente presta serviços de abatimento do gado, recebendo­o  por  óbvio  abate  e  devolvendo  o  produto  para  a  ARI  CARNES,  como  se  constata  da  documentação acostada aos autos, não se podendo admitir que essa simples atividade  fim da  recorrente seja capaz de ensejar o fato gerador do tributo em debate, mormente considerando  que  a  prestação  de  aludidos  serviços  não  se  confunde  com  a  comercialização  de  produtos  rurais, in casu, gado.  Argui a ilegitimidade passiva da empresa Santa Lucia em relação à obrigação  acessória objeto do Auto de Infração n° 51.028.169­9, em virtude de a Ari Carnes Ltda. deixar  de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, uma vez que não sendo o destinatário  da mesma,  impossível  seria  deixar  de  exibir  documentos,  não  sendo,  portanto,  o  sujeito  que  praticou a infração, o que impossibilita sua responsabilidade.  Traz à colação estudo a propósito da evolução da legislação que contempla a  cobrança dos tributos ora lançados, opondo­se à exigência, por sub­rogação, das contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  aquisição  de  produtos  rurais,  alegando  ser  ilegal  e/ou  inconstitucional  sua  cobrança,  fundamentada  no  artigo  25,  inciso  I  e  II,  da  Lei  nº  8.212/91,  como restou decidido pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852.  Ressalta que a edição da Lei n° 10.256/2001 não  tem o condão de sanear a  inconstitucionalidade  de  referida  contribuição  previdenciária  e,  bem  assim,  fundamentar  a  exigência fiscal sob análise.  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  desconsiderar  os  Autos  de  Infração,  tornando­os  sem  efeito  e,  no  mérito,  sua  absoluta  improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10970.720154/2012­40  Acórdão n.º 2401­003.427  S2­C4T1  Fl. 338          5   Voto             Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais.  AIOP’S DEBCAD’s n°s 51.028.167­2 e 51.028.168­0  Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face da  contribuinte  foram  lavrados Autos  de  Infração  em  epigrafe,  exigindo  à  contribuição  sobre  a  produção rural (art. 25, inciso I, Lei nº 8.212/91), ao financiamento dos benefícios concedidos  em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do  trabalho  –  SAT  (art.  25,  inciso  II,  Lei  nº  8.212/91),  e  as  destinadas  a  Terceiros  (SENAR),  incidentes  sobre  o  valor  da  comercialização  de  produtos  rurais  adquiridos  junto  a  pessoas  físicas, em relação ao período de 02/2009 a 10/2010.  Não  obstante  as  substanciosas  razões  de  fato  e  de  direito  ofertadas  pela  recorrente  em  sede  de  preliminar,  bem  como  outras  questões  periféricas,  deixaremos  de  abordá­las  nesta  oportunidade,  com  esteio  no  artigo  59,  §  3°,  do Decreto  n°  70.235/72,  em  razão de entendermos que o mérito é favorável ao contribuinte, sendo despiciendo contemplar  aludidas matérias para as autuações acima, como passaremos a demonstrar.  Em  suas  razões  de  recurso,  pretende  a  recorrente  a  reforma  da  decisão  recorrida,  a  qual manteve  a  exigência  fiscal  em  sua  plenitude,  aduzindo,  em  síntese,  que  as  contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtos rurais, fundamentada no  artigo  25,  inciso  I  e  II,  da  Lei  nº  8.212/91,  encontram­se  inquinadas  de  vícios  de  inconstitucionalidade, como restou decidido pelo STF, nos autos do RE nº 363.852, devendo  ser decretada a insubsistência do feito.  Acrescenta alegações periféricas a propósito da sua pretensa desobrigação de  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  ora  exigidas,  opondo­se  ao  lançamento  fiscal  em  epígrafe,  as  quais  deixaremos  de  abordar  em  virtude  de  conferir  razão  à  recorrente  em  relação à  inconstitucionalidade da presente exação, nos  termos da  jurisprudência consolidada  pelo Supremo Tribunal Federal.  Com  efeito,  a  lavratura  dos  Autos  de  Infração  deveu­se  a  constatação  de  pretensas  contribuições  previdenciárias  devidas  pela  autuada  ao  INSS,  na  condição  de  sub­ rogada,  incidentes  sobre  o  valor  da  comercialização  de  produtos  rurais  adquiridos  junto  a  pessoas físicas.  Destarte, os artigos 25 e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, determinam que,  por substituição tributária, a empresa adquirente de produtos rurais de pessoas físicas ficará  sub­rogada nas obrigações tributárias daqueles produtores, devendo reter e repassar ao INSS os  tributos por eles devidos, in verbis:  “Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em  substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art.  Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA     6  22,  e  a  do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  a  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada à Seguridade Social, é de:  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  II ­ 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção  para  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97  §  1º  O  segurado  especial  de  que  trata  este  artigo,  além  da  contribuição  obrigatória  referida  no  caput,  poderá  contribuir,  facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei.  [...]  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/1/93)  [...]  IV ­ a empresa adquirente,  consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  ficam sub­rogadas  nas obrigações da pessoa  física  de que  trata a alínea "a" do  inciso V do art. 12 e do segurado  especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei,  independentemente  de  as  operações  de  venda  ou  consignação  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário  pessoa  física,  exceto  no  caso  do  inciso  X  deste  artigo,  na  forma  estabelecida  em  regulamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)”  De  conformidade  com  os  dispositivos  encimados,  as  contribuições  previdenciárias  dos  produtores  rurais  pessoas  físicas,  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção rural, por substituição tributária, foram sub­rogadas passando a obrigação de retenção  e recolhimento a ser do adquirente daqueles produtos.  Ocorre  que,  após  muitas  discussões  a  propósito  da  matéria,  o  Supremo  Tribunal  Federal  entendeu  por  bem  decretar  a  inconstitucionalidade  da  exigência  fiscal  em  comento, nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, senão vejamos:  “Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do  Relator,  conheceu  e  deu  provimento  ao  recurso  extraordinário  para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  subrrogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  que  deu  nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e  30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a  Lei  nº  9.528/97, até  que  legislação  nova,  arrimada na Emenda  Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na  forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em  seguida,  o  Relator  apresentou  petição  da União  no  sentido  de  modular  os  efeitos  da  decisão,  que  foi  rejeitada  por  maioria,  vencida  a  Senhora Ministra  Ellen Gracie.  Votou  o  Presidente,  Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10970.720154/2012­40  Acórdão n.º 2401­003.427  S2­C4T1  Fl. 339          7 Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes,  licenciado,  o  Senhor  Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro  Joaquim  Barbosa,  com  voto  proferido  na  assentada  anterior.  Plenário, 03.02.2010.”  Em verdade, entendeu o STF que as contribuições previdenciárias incidentes  sobre  a  comercialização  de  produtos  rurais  se  apresentam  como  nova  fonte  de  custeio  da  Seguridade  Social,  exigindo,  por  conseguinte,  a  edição  de  Lei  Complementar  para  sua  instituição, com esteio no artigo 195, § 4°, da Constituição Federal, o que não se vislumbra na  hipótese vertente, tendo em vista que foram contempladas via Lei Ordinária.  Nesse  sentido,  declarou­se  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1°  da  Lei  n°  8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII; 25, incisos I e II; e 30, inciso  IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada pela Lei n° 9.528/97.  Nessa  toada,  estando  a  presente  exigência  fiscal  escorada  em  dispositivos  legais  declarados  inconstitucionais,  mormente  em  relação  à  forma  de  cobrança  por  substituição tributária (sub­rogação), ainda que se pretenda inferir que após a edição da Lei  n°  10.256/2001  passou  a  encontrar  amparo  na Constituição  Federal,  imperioso  reconhecer  a  improcedência do feito na linha do decisório definitivo exarado pelo STF, conforme possibilita  o artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos:  “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  [...]”  A jurisprudência administrativa, aliás, vem reconhecendo a insubsistência das  contribuições  previdenciárias  cobradas  da  empresa,  por  sub­rogação,  incidentes  sobre  a  comercialização  de  produtos  rurais  com  pessoas  físicas,  consoante  se  infere  do Acórdão  n°  2401­01.969, da lavra do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, exarado nos autos do  processo  administrativo  n°  14098.000199/2008­12,  de  onde  peço  vênia  para  transcrever  ementa e excerto do voto e adotar como razões de decidir, in verbis:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006  SUBROGAÇÃO  NA  PESSOA  DO  ADQUIRENTE  DAS  CONTRIBUIÇÕES  INCIDENTES  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS  FÍSICAS  E  SEGURADOS  ESPECIAIS.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA  Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária  (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n.  Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA     8  8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997,  as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n.  8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias  exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do  segurado especial na condição de subrogado. [...]  VOTO  [...]  Aplicação do Recurso Extraordinário RE n. 863.352/MG  No  RE  em  questão  discutiu­se  a  constitucionalidade  da  exigência de contribuição social prevista no art. 25, I, da Lei n.  8.212/1991,  com  redação  dada  pela  Lei  n.  8.540/1992.  Ali  a  empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores  pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa  do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III,  todos da Constituição Federal.  O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo:  [...]  Contra  essa  decisão  a Procuradoria  da Fazenda Nacional  manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela  Corte, nos seguintes termos:  A C Ó R D Ã O  Vistos,  relatados  e  discutidos  estes  autos,  acórdão  os  Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal  em  rejeitar  os  embargos  de  declaração  o  recurso  extraordinário,  nos  termos  do  voto  do  relator  e  por  unanimidade,  em  sessão  presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da  ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas.  Brasília, 17 de março de 2011.  Uma  vez  não  caber  mais  recurso  contra  o  RE  em  tela  e  tendo  o  mesmo  contado  com  a  manifestação  do  Plenário  da  Corte, deve o referido julgado ser observado nos julgamentos do  CARF,  nos  termos  do  que  dispõe  o  inciso  I  do  art.  62  do  Regimento  Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF  n. 256/2009, assim redigido:  [...]  Verifico então que tendo o crédito em questão sido edificado  sobre  a  legislação  declarada  inconstitucional,  em  decisão  plenária,  pelo  STF,  entendo  que  o mesmo  não  deve  prosperar,  devendo ser decretado o seu cancelamento.  E  não  me  convenço  de  que  os  pressupostos  para  a  declaração de inconstitucionalidade do dispositivo atualmente já  estejam  superados  pelo  fato  da  questão  ter  sido  contemplada  pela Lei n.º 10.256/2001, esta editada já sob a égide da Emenda  Constitucional n. 20/1998.  É  que  a  sub­rogação  do  adquirente  nas  obrigações  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  pelo  Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10970.720154/2012­40  Acórdão n.º 2401­003.427  S2­C4T1  Fl. 340          9 recolhimento  das  contribuições  sobre  a  receita  bruta  da  comercialização  foi  objeto  da  declaração  de  inconstitucionalidade uma vez que introduzida pelo art. 1. da Lei  n. 8.540/1992, ao dar redação ao inciso IV do art. 30 da Lei de  Custeio da Seguridade Social.  Eis  os  textos  desde  a  redação  original  até  a  que  vige  atualmente:  [...]  Perceba­se que quando a decisão faz menção ao dispositivo  declarado  inconstitucional  ela  reporta­se  também  às  atualizações  legais  trazidas  ao  ordenamento  pela  Lei  n.  9.528/1997,  posto  que  essas  são  anteriores  a  edição  da  EC  n.  20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30, da Lei  n.  8.212/1991,  não  foi  alterado  pela  Lei  n.  10.256/2001,  a  declaração  de  inconstitucionalidade  o  atingiu,  não  podendo  subsistir o crédito tributário arrimado nesse dispositivo.  [...]”  Neste  contexto,  impõe­se acolher  a pretensão da  contribuinte no  sentido  da  inconstitucionalidade  das  contribuições  previdenciárias  ora  exigidas,  incidentes  sobre  a  comercialização da produção rural adquirida de pessoas físicas, na esteira da jurisprudência de  nossos Tribunais Superiores e adotada neste Egrégio Colegiado.  AIOC n° 51.028.169­9 (CFL 38)  Além dos Autos  de  Infração  por  descumprimento  de obrigação  principal,  a  autoridade lançadora lavrou, ainda, o AI supra, com fulcro no artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº  8.212/91, c/c artigo 233, parágrafo único, do RPS, em razão de a contribuinte ter deixado de  apresentar  os  documentos  solicitados  pela  fiscalização  mediante  respectivo  termo,  mais  precisamente  os  livros  contábeis  (diário  e  razão)  e  de  registro  de  entrada  e  saída  de  mercadorias,  relativos  aos  exercícios  2008  a  2010,  notas  fiscais  de  produtor  e  extratos  bancários referentes às contas movimentadas pela empresa, o que ensejou a aplicação da multa  de R$  16.170,98,  arrimada  nos  artigos  283,  inciso  II,  alínea  “j”,  e  373,  do Regulamento  da  Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescrevem:  “      Lei nº 8.212/91  Art. 33. [...]  §  2o  A  empresa,  o  segurado  da  Previdência  Social,  o  serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou  extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros  relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar  de  ofício  a  importância  devida. (Redação  dada  pela Lei nº 11.941, de 2009).  Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA     10  “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto  3.048/99.  Art. 283. Por infração a quaisquer dispositivos das Leis 8.212 e  8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a  qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  neste  Regulamento,  fica  o  responsável  sujeito  a  multa  variável  [...],  conforme gravidade da infração, aplicando­se­lhe o disposto nos  arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores:  [...]  II – a partir de R$ 6.361,73 nas seguintes infrações:  j) deixar a empresa, o  servidor [...], de exibir os documentos e  livros  relacionados  com  as  contribuições  previstas  neste  Regulamento  ou  apresenta­los  sem  atender  às  formalidades  legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou,  ainda, com omissão de informação verdadeira.”  Verifica­se,  que  a  recorrente  não  apresentou  a  documentação  exigida  pela  Fiscalização  na  forma  que  determina  a  legislação  previdenciária,  incorrendo  na  infração  prevista  nos  dispositivos  legais  supratranscritos,  o  que  ensejou  a  aplicação  da  multa,  nos  termos do Regulamento da Previdência Social.  Em  suas  razões  de  recurso,  pretende  a  contribuinte  a  reforma  da  decisão  recorrida,  suscitando,  preliminarmente,  a  nulidade  do  feito,  por  entender  que  a  autoridade  lançadora,  ao  constituir  o  presente  crédito  previdenciário,  não  logrou motivar/comprovar  os  fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da  verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de  defesa e do contraditório da autuada, baseando a autuação em meras presunções.  Sustenta  ter havido equívoco na  cientificação das presentes  autuações,  uma  vez  que  levadas  ao  recebimento  da  recorrente  (Santa  Lucia),  enquanto  o  correto  seria  cientificar  somente  a  contribuinte  Ari  Carnes  Ltda.,  efetivo  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária.  Em  que  pesem  as  substanciosas  razões  ofertadas  pela  contribuinte,  seu  inconformismo,  contudo,  não  tem  o  condão  de  prosperar.  Do  exame  dos  elementos  que  instruem o processo, conclui­se que o lançamento não apresenta qualquer vício/irregularidade  capaz  de  ensejar  a  sua  nulidade,  seja  de  natureza  material  ou  formal,  ao  contrário  do  que  sustenta a recorrente.  De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade  competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de  maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e  contraditório, sob pena de nulidade.  E  foi  precisamente o que  aconteceu com o presente  lançamento. A  simples  leitura  dos  anexos  da  autuação,  especialmente  o  “Fundamentos  Legais  do Débito  –  FLD”  e  Relatório  Fiscal  da  Autuação,  e  demais  informações  fiscais,  não  deixa  margem  de  dúvida  recomendando a manutenção do lançamento.  Consoante  se  positiva  dos  anexos  encimados,  a  fiscalização  ao  promover  o  lançamento demonstrou  de  forma  clara  e precisa os  fatos que  lhes  suportaram, ou melhor,  o  Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10970.720154/2012­40  Acórdão n.º 2401­003.427  S2­C4T1  Fl. 341          11 fato gerador da penalidade aplicada, como acima relembrado, não se cogitando na nulidade do  procedimento.  Igualmente,  não  merece  prosperar  o  pretenso  equívoco  na  notificação  do  lançamento  destinada  à  recorrente,  tendo  em  vista  que  assim  o  fora  em  razão  de  sua  consideração  como  empresa  solidária  em  relação  ao  crédito  tributário  constituído,  oportunizando­lhe a interposição da defesa inaugural, como, de fato, ocorrera, em observância  ao princípio da ampla defesa e contraditório, o que reforça a regularidade do lançamento sob  análise.  Quanto à argüição de ilegitimidade passiva da recorrente, para responder por  descumprimento de obrigação acessória, insta registrar que a sua responsabilização se deu em  relação ao crédito previdenciário e não ao fato gerador da multa propriamente dito, consoante  restou devidamente demonstrado no Relatório de Caracterização de Sujeição Passiva Solidária,  às fls. 116/120, de onde se extrai a seguinte conclusão:  “[...]    4. CONCLUSÃO    4.1 Os fatos acima relatados evidenciam que:    4.1.1  a  empresa  ARI  CRNES  LTDA  foi  utilizada  exclusivamente para emissão de notas fiscais, não possuindo, de  fato, estabelecimento comercial;    4.1.2  para  que  as  operações  pudessem  ocorrer  houver  a  efetiva participação de pessoas conceituadas perante os clientes,  e  que  estiveram  à  frente  das  transações  e,  consequentemente,  foram  seus  beneficiários  econômicos,  no  caso  os  administradores do FRIGORÍFICO SANTA LÚCIA;  4.1.3  a  fraude  consiste  na  simulação  de  contrato  prestação  de  serviços  de  abate  de  bovinos,  celebrado  com  empresa  de  “fachada”,  para  transferência  da  responsabilidade  pelo  recolhimento dos tributos devidos.    5. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA    Assim,  pelos  fundamentos  expostos,  conclui­se  que  é  responsável  pelas  obrigações  tributárias  da  empresa  ARI  CARNES LTDA., nos termos do art. 30, IX da Lei 8.212/91, art.  124, I e 135, III do CTN a empresa SANTA LÚCIA INDÚSTRIA  & COMÉRCIO DE CARNES LTDA., CNPJ 22.712.053/0001­78.  [...]”  Mais  a  mais,  a  exemplo  da  defesa  inaugural,  a  contribuinte  não  trouxe  qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontra­se maculado por  vício em sua formalidade/materialidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido  de demonstração do sustentado.  DA  APRECIAÇÃO  DE  QUESTÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES  NA  ESFERA  ADMINISTRATIVA.  Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA     12  Relativamente  às  questões  de  inconstitucionalidades  arguidas  pela  contribuinte,  além  dos  procedimentos  adotados  pela  fiscalização,  bem  como  a  multa  ora  exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a  declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da  Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais.  Note­se,  que  o  escopo  do  processo  administrativo  fiscal  é  verificar  a  regularidade/legalidade  do  lançamento  à  vista  da  legislação  de  regência,  e  não  das  normas  vigentes  frente  à  Constituição  Federal.  Essa  tarefa  é  de  competência  privativa  do  Poder  Judiciário.  A  própria  Portaria MF  nº  256/2009,  que  aprovou  o  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  é  por  demais  enfática  neste  sentido,  impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de  inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos:  “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária  definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador­ Geral  da  Fazenda  Nacional,  na  forma  dos  arts.  18  e  19  da  Lei  nº  10.522, de 19 de julho de 2002;  b)  súmula  da Advocacia­Geral  da União,  na  forma  do  art.  43  da  Lei  Complementar nº 73, de 1993; ou  c) parecer do Advogado­Geral da União aprovado pelo Presidente da  República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.”  Observe­se,  que  somente  nas  hipóteses  contempladas  no  parágrafo  único  e  incisos  do  dispositivo  regimental  encimado  poderá  ser  afastada  a  aplicação  da  legislação  de  regência, o que não se vislumbra no presente caso.  A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.”  E,  segundo  o  artigo  72,  e  parágrafos,  do  Regimento  Interno  do  CARF,  as  Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação  obrigatória por este Conselho.  Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a  propósito da discussão sobre  inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder  Judiciário, senão vejamos:  “Art.  102.  Compete  ao  Supremo  Tribunal  Federal,  precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo­lhe:  Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10970.720154/2012­40  Acórdão n.º 2401­003.427  S2­C4T1  Fl. 342          13 I – processar e julgar, originariamente:  a)  a  ação  direta  de  inconstitucionalidade  de  Lei  ou  ato  normativo  federal  ou  estadual  e  a  ação  declaratória  de  constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal;  [...]”  Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em  relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram  o presente lançamento.  No  que  tange  a  jurisprudência  trazida  à  colação  pela  recorrente,  mister  elucidar,  com  relação  às  decisões  exaradas  pelo  Judiciário,  que  os  entendimentos  nelas  expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão  dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha  se manifestado em definitivo a respeito do tema.  Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui  tecer maiores  considerações,  uma  vez  não  serem  capazes  de  ensejar  a  reforma  da  decisão  recorrida,  especialmente quando desprovidos de qualquer amparo  legal ou fático ou mesmo pertinentes  aos lançamentos por descumprimento de obrigação principal (rechaçados acima), bem como já  devidamente contempladas pelo julgador de primeira instância.  Assim,  relativamente  ao  AIOC  n°  51.028.169­9,  escorreita  a  decisão  recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que  a  contribuinte  não  logrou  infirmar  os  elementos  colhidos  pela  Fiscalização  que  serviram  de  base  para  constituição  do  crédito  previdenciário,  atraindo  para  si  o  ônus  probandi  dos  fatos  alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão.  Por todo o exposto, estando os Autos de Infração sub examine parcialmente  em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE  CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, para  afastar a exigência  fiscal, por sub­rogação,  relativa à aquisição de produtos  rurais de pessoas  físicas,  objeto  dos  AIOP’S  DEBCAD’s  n°s  51.028.167­2  e  51.028.168­0,  mantendo­se  somente  a  penalidade  aplicada  no AIOC n°  51.028.169­9,  pelas  razões  de  fato  e  de  direito  encimadas.    Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.                            Fl. 348DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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Numero do processo: 13971.904248/2011-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 66          1 65  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.904248/2011­77  Recurso nº  13.971.904248201177   Voluntário  Acórdão nº  3403­003.079  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de julho de 2014  Matéria  PIS/PASEP ­ PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO ­  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006  AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação  judicial  por qualquer modalidade processual com o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do  processo judicial. (Súmula CARF nº 1)  Recurso Voluntário Não Conhecido  Direito Creditório Não Reconhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não  conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim – Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Kern ­ Relator  Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Alexandre  Kern,  Rosaldo  Trevisan,  Domingos  de  Sá  Filho  e  Luiz  Rogério  Sawaya  Batista.  Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 42 48 /2 01 1- 77 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN     2 ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. transmitiu, em 28/12/2006,  o Pedido Eletrônico de Ressarcimento ­ PER nº 21764.40878.281206.1.1.08­1703, de créditos  da  apuração  não­cumulativa  da Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ­  exportação  no  valor  de R$  41.266,91, referente ao terceiro trimestre de 2006.  O  Despacho  Decisório  Eletrônico  ­  DDE  nº  948147897,  fls.  19,  deferiu  o  pleito parcialmente, reconhecendo direito creditório no valor de R$ 34.272,23.  A glosa no valor total de R$ 6.994,68 deveu­se às seguintes irregularidades:  Glosa  02­1  ­ Linha 02   Bens  utilizados  como  insumos    relacionada  aos  combustíveis e  lubrificantes utilizados como insumo nos caminhões que transportam madeira  do  reflorestamento  e  outros  veículos  que  transportam  toros,  lubrificantes  para  máquinas  e  caixas  hidráulicas,  gás  utilizado  nas  empilhadeiras.  Foram definidos  os  percentuais  quanto  à  utilização na fábrica e nas florestas/reflorestamento   Glosa  02­2  ­ Linha 02   Bens  utilizados  como  Insumos   Combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  nos  veículos  que  transportam  madeira  dos  reflorestamentos  para  a  fabrica   Glosa  03­1  ­ Linha  03    Serviços  utilizados  como  insumos    Serviços  de  extração, baldeamento e carregamento de árvores nos reflorestamentos   Glosa  03­2  ­  Linha  03    Serviços  utilizados  como  insumos    fretes  em  transferência de insumos de uma unidade para outra da empresa para industrialização (CFOP  1151)   Glosa  03­3  ­  Linha  03    Serviços  Utilizados  como  Insumos    Fretes  nas  aquisições de pessoas físicas   Glosa 03­4 – Linha 03   Serviços Utilizados como Insumos   demais fretes  não contemplados por hipótese de crédito, tais como compra de bem para o ativo imobilizado,  compra de material para uso/consumo, entrada de vasilhame ou sacaria, aquisições de períodos  anteriores, etc.   Glosa  10­1 Linha  10  ­Bens  do Ativo  Imobilizado  (Com  base  no  valor  de  aquisição ou de construção). Segundo o fisco, a contribuinte , ao informa todos os seus créditos  referentes  ao  Ativo  Imobilizado  na  linha  10  do  Dacon,  exerceu  a  opção  pela  recuperação  acelerada previstas no parágrafo 14 do art. 3o e no  inciso  II do  art. 15 da Lei n . 10.833, de  2003 (1/48), no art. 2o da Lei n . 11.051, de 2004 (1/24) e no art. 1° da Lei n . 11.774, de 2008  (1/12), relativas a créditos sobre valores de aquisição, nesses trimestres. Dada a especificidade  das hipóteses creditórias quando das apurações segundo diferentes fatores (1/48, 1/24 ou 1/12),  coube verificar o direito ao crédito com base nos permissivos legais, onde o fisco concluiu que:  1)  quanto  aos  créditos  com  base  no  fator  1/48,  são  passíveis  de  reconhecimento  apenas  os  relativos  à  máquinas  e  equipamentos  que  compões  o  quadro  elaborado no item 94 do relatório fiscal   2)  quanto  aos  créditos  com  base  no  fator  1/24,  são  passíveis de reconhecimento os montantes apresentados  na tabela do subitem 93.1, à exceção dos bens relativos  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.904248/2011­77  Acórdão n.º 3403­003.079  S3­C4T3  Fl. 67          3 a  "Instalações  Gerais"  e  os  das  classificações  fiscais  constantes  da  tabela  do  item  94,  letra  b ,  em  "Máquinas  e  Equipamentos",  por  estas  não  constarem  das tabelas dos Decretos 4.955 e 5.173, ambos de 2004   3)  quanto  aos  créditos  com  base  no  fator  1/12,  são  passíveis  de  reconhecimento  apenas  os  relativos  a  Máquinas  e  Equipamentos,  cujos  totais  são  transcritos  no quadro do item 94, letra  c .  Ressalta o fisco que a categorização dos bens, expressas como "Descrição do  gênero  do  bem",  são  as  feitas  pela  contribuinte,  não  tendo  havido  qualquer  alteração  na  presente análise.  Em Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 10), o interessado contestou as  seguintes glosas:  Glosa  03­1  ­ Serviços,  utilizados  como  insumos  ­ Prestação de  serviços de  extração, baldeamento  e  carregamento de  árvores nas  áreas de  reflorestamento:  alega que os  serviços prestados são, na verdade,  insumos utilizados no processo produtivo, uma vez que o  processo  produtivo  se  inicia  já  na  extração  da  madeira  em  florestas  próprias,  sendo  que  a  extração, o baldeamento e o carregamento das árvores contribuem para que seja alcançado o  produto final. Remete ao art. 3 ., inciso II, das Leis n . Lei 10.637/2002 e Lei 10.833/2003.  Glosa  03­2  ­  Serviços  utilizados  como  insumos  ­  Frete  Transferência  para  industrialização:  alega  que  o  direito  ao  crédito  referente  ao  frete  pago  para  o  transporte  de  insumos é previsto no art. 3 ., inciso II, da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002, pelo qual o serviço  que for utilizado como insumo possibilita à pessoa jurídica o desconto do montante tributável.  Alega que o frete pode ser considerado insumo, haja vista que sem ele, não consegue fabricar  seus  produtos  e  vendê­los.  Colaciona  a  ementa  da  Consulta  n .  234  de  13/08/2007,  onde  ressalta que o  o valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição,  podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos do PIS.  Glosa 03­2 ­Serviços utilizados como insumos – frete Aquisições de pessoas  físicas:  alega  não  há  no  dispositivo  legal    art.  3 .,  inciso  II  das  Leis  n .  10.637/2002  e  10.833/2003 qualquer ressalva quanto à necessidade dos bens terem sido serem adquiridos de  pessoas jurídicas e que em nenhum momento existe menção de que a base de cálculo do crédito  da contribuição para o Pis e Cofins seria determinada apenas sobre as aquisições decorrentes de  operações tributadas pelas contribuições. Segundo a contribuinte, caso houvesse interesse em  vedar o  creditamento  em  tais hipóteses,  o  legislador  teria de  ter previsto  expressamente  esta  hipótese, conforme exigência prevista no artigo 150,  I, da Constituição Federal. Ressalta que  existe expressa vedação para a hipótese de insumos adquiridos de pessoas físicas, porém, o que  busca é a geração de crédito na situação em que o serviço foi prestado por pessoa jurídica no  transporte dos insumos.  Glosa 10­1 ­ Depreciação Bens não considerados: ­ Veículos, construções e  instalações:  alega  que  não  importa  a  forma  de  cálculo,  se  é  com  base  nos  encargos  de  depreciação ou no valor de aquisição ou de construção. Se o bem é passível de creditamento,  sustenta que o fiscal deveria ter elaborado o cálculo da forma correta e ter concedido o crédito,  ainda  que  menor  do  que  foi  solicitado.  Remete  ao  art.  3 .,    1 .  das  leis  10.637/2002  e  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN     4 10.833/2003  e  termina  por  alegar  que,  seja  por  meio  da  depreciação  pelo  valor  da  aquisição/construção do bem ou com base no valor da depreciação pela vida útil, certo é que há  direito  ao  crédito  relativo  aos  veículos,  construções  e  instalações  que  sofreram  redução  do  valor  financeiro  no  mês.  Aliás,  devemos  destacar  que  um mero  erro  na  utilização  da  linha  correta do DACON não pode ser suficiente para limitar o direito ao crédito da recorrente, que  possui  bens  em  seu  ativo  imobilizado  que  sofreram  depreciação. A  imprecisão  na  indicação  não gerou nenhum prejuízo ao fisco, sendo cabível, portanto, o direito ao crédito.  A  4ª  Turma  da  DRJ/FNS  julgou  a  Manifestação  de  Inconformidade.  O  Acórdão  nº  07­027.888,  de  16  de  março  de  2012,  fls.  37  a  50,  teve  ementa  vazada  nos  seguintes termos:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2006  INCIDÊNCIA  NÃO­CUMULATIVA.  INSUMOS.  BENS  E  SERVIÇOS.  Para  efeito  da  não­cumulatividade  das  contribuições,  há  de  se  entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando­ o  à  necessidade  na  fabricação  do  produto  e  na  consecução  de  sua  atividade­fim  (conceito  econômico),  mas  adstrito  ao  que  determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando  a  caracterização  do  insumo  à  sua  aplicação  direta  ao  produto  em fabricação.  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. INSUMOS. TRANSPORTE.  As  despesas  de  transporte  passíveis  de  créditos  no  regime  da  não­cumulatividade  são  àquelas  que  podem  ser  consideradas  como insumos na prestação de serviços de transportes quando é  esse o ramo de atividade da empresa; àquelas que se referem ao  custo do  frete na aquisição do produto, quando suportado pelo  adquirente;  e  às  despesas  com  o  frete  na  venda  do  produto  acabado.  INCIDÊNCIA  NÃO­CUMULATIVA.  ATIVO  IMOBILIZADO.  DEPRECIAÇÃO ACELERADA.  Os  créditos  de  depreciação  dos  bens  do  ativo  imobilizado,  informados  na  linha  10  do  Dacon,  relativos  à  opção  pela  depreciação  acelerada,  são  calculados  conforme  o  enquadramento  de  cada  bem  às  hipóteses  legais:  a)  1/48  (um  quarenta  e  oito  avos)  do  valor  de  aquisição  de  máquinas  e  equipamentos destinados ao ativo imobilizado; b)1/24 (um vinte  e  quatro  avos)  do  valor  de  aquisição  de  máquinas,  aparelhos,  instrumentos e equipamentos, novos, relacionados nos Decretos  nos 4.955, de 15 de janeiro de 2004, e 5.173, de 6 de agosto de  2004, conforme disposição constante do Decreto nº 5.222, de 30  de  setembro  de  2004,  destinados  ao  ativo  imobilizado  e  empregados  em  processo  industrial  do  adquirente;  c) 1/12  (um  doze avos) do valor de aquisição de máquinas e equipamentos,  novos, destinados à produção de bens e serviços, nos termos do  art. 1º da Lei nº 11.774, de 17 de Setembro de 2008.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.904248/2011­77  Acórdão n.º 3403­003.079  S3­C4T3  Fl. 68          5 Direito Creditório Reconhecido em Parte  Cuida­se  agora  de  recurso  voluntário  contra  a  decisão  da  4ª  Turma  da  DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 54 a 62, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma  as  alegações  opostas  na  Manifestação  de  Inconformidade  contra  as  glosas  03­1  –  Serviços  utilizados como insumos – Prestação de serviços de extração, baldeamento e carregamento de  árvores  nas  áreas  de  reflorestamento;  03­2  –  Serviços  utilizados  como  insumos  –  Frete  –  Transferência  para  industrialização;  03­3  –  Serviços  utilizados  como  insumos  –  Frete  –  Aquisições  de  pessoas  físicas;  e  10­1  –  Depreciação  –  Bens  não  considerados:  veículos,  construções e instalações.  Pede provimento.  Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os  processos  conexos  de  nºs  13971.720733/2009­75,  13971.720734/2009­10,  13971.720775/2009­14,  13971.720776/2009­51,13971.720778/2009­40,  13971.720779/2009­ 94,  13971.720782/2009­16,  13971.720926/2007­64,  13971.903959/2011­24,  13971.903960/2011­59,  13971.904248/2011­77,  13975.000308/2005­01  e  13975.000309/2005­47, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256,  de  22  de  junho  de  2009,  que  aprovou  o Regimento  Interno  do CARF,  em  razão  do  sorteio  ocorrido em 28/05/2014.  O  processo  administrativo  correspondente  foi  materializado  na  forma  eletrônica,  razão pela qual  todas as  referências a  folhas dos autos pautar­se­ão na numeração  digitalmente estabelecida.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Alexandre Kern, Relator  Devolvem­se  a  esta  Turma  Recursal  as  discussões  a  respeito  do  ônus  da  prova nos processos de  iniciativa do contribuinte; do direito à  tomada de crédito sobre (i) os  gastos  com  serviços  de  extração,  baldeamento  e  carregamento  de  árvores  nas  áreas  de  reflorestamento;  (ii)  os  fretes pagos na  transferência de madeira das  florestas próprias ou de  terceiros até a sua fábrica; (iii) os fretes pagos nas aquisições de insumos a pessoas físicas, e;  (iv) as despesas de depreciação sobre bens do ativo imobilizado.  Tenho notícia de que ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA., ora  recorrente, nº 5003584­76.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara da Justiça Federal em Rio do  Sul­SC,  almejando  que  se  declare  o  seu  direito  ao  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS  calculados  sobre:  a)  aquisição  de  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  como  insumos;  b)  serviços  de  extração  de  madeira,  baldeamento  e  manutenção  de  máquinas;  c)  serviços  de  armazenagem  de  mercadorias;  d)  depreciação  de  bens  do  ativo  imobilizado  –  aquisição  de  florestas seja por nota fiscal, seja por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados  para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados  na industrialização e transporte rodoviário de cargas.  Fl. 70DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN     6 Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na  presente  peça  exordial,  os  quais  foram  glosados  pela  autoridade  fiscal  nos  processos  administrativos  nºs  13975.000461/2003­68,  13975.000462/2003­11,  13975.000495/2003­52,  13975.000019/2004­ 12, 13975.000197/2005­24, 13975.000196/2005­80, 13975.000189/2005­ 88,  13975.000187/2005­99,  13975.000185/2005­  08,  13975.000183/2005­19,  13971.720004/2008­38, 13971.720005/2008­82, 13971.720006/2008­27, 13971.720007/2008­  71,  13971.720729/2009­15,  13971.720730/2009­31,  13971.903970/2011­94,  13971.903957/2011­35, 13971.903961/2011­ 01, 13971.903963/2011­92, 13971.911478/2011­ 92,  13971.911479/2011­37,  13971.002001/2006­57,  13975.000190/2005­  11,  13975.000188/2005­33, 13975.000186/2005­44, 13975.000184/2005­55, 13971.002002/2006­ 00,  13971.720008/2008­  16,  13971.720009/2008­61,  13971.720010/2008­95,  13971.720011/2008­30, 13971.720012/2008­84, 13971.720726/2009­ 73, 13971.720727/2009­ 18,  13971.720728/2009­62,  13971.903971/2011­39,  13971.903958/2011­80,  13971.903962/2011­ 48, 13971.903964/2011­37, 13971.911480/2011­61, 13971.911481/2011­ 14,  corrigidos  monetariamente  pela  taxa  referencial  SELIC  deste  a  data  do  protocolo  dos  pedidos administrativos.  Como se vê, à exceção das primeira matéria, as demais foram submetidas à  tutela  do  Poder  Judiciário.  Incide,  no  caso,  a  Súmula  CARF  nº  1  (DOU  nº  244,  de  22  de  dezembro de 2009):  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Conclusão  Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso.  Sala de sessões, em 22 de julho de 2014                              Fl. 71DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN

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5560356 #
Numero do processo: 10865.001646/2001-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”.
Numero da decisão: 3403-003.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 154          1 153  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.001646/2001­87  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.125  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2014  Matéria  AI ELETRÔNICO­COFINS  Recorrente  PERLIMA METAIS PERFURADOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ELETRÔNICO.  FUNDAMENTAÇÃO  DO  LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.  Comprovado  que  o  processo  judicial  informado  na DCTF  existe  e  trata  do  direito  creditório  que  se  informa  ter  utilizado  em  compensação,  deve  ser  considerado  improcedente  o  lançamento  “eletrônico”  que  tem  por  fundamentação “proc. jud. não comprova”.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  apresentado.  Ausentes momentaneamente  os  Conselheiros  Domingos de Sá Filho e Alexandre Kern.    ANTONIO CARLOS ATULIM ­ Presidente.     ROSALDO TREVISAN ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente  da  turma),  Rosaldo  Trevisan  (relator),  Alexandre  Kern,  Ivan  Allegretti,  Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 16 46 /2 00 1- 87 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN     2   Relatório  Versa  o  presente  processo  sobre Auto  de  Infração  eletrônico  (lavrado  em  30/10/2001 ­ fls. 27 a 321) para exigência de créditos tributários referentes à COFINS, relativos  ao primeiro trimestre de 1997, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício (75%), em total  de R$ 80.945,58.  A  motivação  expressa  na  descrição  dos  fatos  da  autuação  é  “falta  de  recolhimento  ou  pagamento  do  principal,  declaração  inexata  /  proc.  jud.  não  comprova”,  sendo  os  processos  judiciais  informados  de  no  961103796­1  (janeiro),  no  96.1103796­1  (fevereiro), e no 96.11003796­1 (março).  Cientificada  da  autuação,  a  empresa  apresenta  sua  impugnação  em  13/12/2001 (fls. 3 a 16), alegando, em síntese, que: (a) a autuação deve se limitara a constatar e  descrever a autuação, sendo do julgador a competência para imposição da multa, sendo nulo o  lançamento por falta de prévia anuência do acusado; (b) efetuou compensação com amparo na  Lei no 8.383/1991, que independe de requerimento junto à RFB (sendo ilegal o art. 12 da IN  SRF  no  21/1997);  (c)  a  aplicação  da  Taxa  SELIC  a  título  de  juros  moratórios  é  ilegal  e  inconstitucional;  (d)  a  multa  de  ofício  é  confiscatória;  e  (e)  deve  o  julgador  administrativo  apreciar  a  alegação  de  inconstitucionalidade,  sob  pena  de  se  estar  negando  a  supremacia  da  Constituição.  No despacho de fls. 36/37, emitido pela DRJ em 08/10/2012, informa­se que  “a autuação é resultante da não comprovação, pela SRF, do processo judicial informado pelo  sujeito passivo na DCTF” e que “o contribuinte comprova a existência do referido processo  judicial,  fato  que  evidencia  a  necessidade  de  revisão  do  lançamento  pela  autoridade  administrativa”. A unidade local então embarga a decisão da DRJ, tendo em vista que não se  encontrou o referido processo em consulta ao sítio web do TRF da 3a Região, solicitando à DRJ  que  informasse  as  páginas  que  comprovariam  a  existência  da  referida  ação  judicial  (fl.  42).  Após a juntada da tela de fl. 45, o processo é reencaminhado à DRJ.  No  julgamento  de  primeira  instância,  efetuado  em  20/12/2013  (fls.  46  a  56), acorda­se unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os fundamentos de que:  (a)  não  foram  identificadas  situações  ensejadoras  de  nulidade;  (b)  a  autuação  decorreu  de  compensações vinculadas a processo judicial (no 96.11003796­1), supostamente impetrado na  2a Vara da Justiça Federal em Piracicaba, por meio do qual teria sido obtida liminar em medida  cautelar,  processo  não  encontrado  pelo  julgador;  (c)  a  impugnante  sequer  cita  o  processo  judicial em sua peça de defesa, nem traz qualquer comprovação de sua existência; (d) é cabível  a aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora; e (e) é vedada ao julgador administrativo  a apreciação de inconstitucionalidade, matéria inclusive já sumulada no âmbito do CARF.  Cientificada do resultado do julgamento em 29/01/2014 (cf. AR de fl. 59), a  empresa apresenta Recurso Voluntário em 20/02/2014 (fls. 61 a 83), alegando que: (a) o auto  de  infração partiu de uma premissa nula  ­  a  inexistência do processo  judicial  informado pela  recorrente em DCTF; (b) quando a medida cautelar foi distribuída, recebeu etiqueta da Justiça  Federal com o número 96.1103796­1, exatamente como informado nas DCTF (fls. 38 a 40); (c)  em  virtude  de  alterações  de  números  de  processos  pelo  Conselho  Nacional  de  Justiça,  o                                                              1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do  processo (e­processos).  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10865.001646/2001­87  Acórdão n.º 3403­003.125  S3­C4T3  Fl. 155          3 número do processo mudou duas vezes, mas é perfeitamente possível encontrá­lo em consulta  ao sítio web do TRF da 3a Região (docs. 03 e 04­fls. 124 a 130, e 132/133); (d) é incabível a  lavratura para exigência de valores confessados em DCTF (cf. art. 5o, § 1o do Decreto­Lei no  2.124/1984), conforme entendimento expresso em farta jurisprudência do CARF, e, não tendo  havido a exigência em juízo, ocorreu a prescrição, destacando­se julgado do STJ na sistemática  dos recursos repetitivos (REsp no 1.120.295/SP), e que a matéria pode ser analisada de ofício  pelo  julgador;  (e)  o  princípio  da  verdade material  outorga  ao  julgador  o  dever  de  analisar  a  matéria,  ainda  que  alguns  documentos  tenham  sido  acostados  apenas  na  fase  recursal;  (f)  a  recorrente junta aos autos a decisão liminar que deferiu o direito de realizar as compensações  questionadas (doc. 05­fls. 135 a 145), e da última decisão exarada no processo, que permanece  autorizando as compensações (doc. 06­fls. 147 a 149); e (g) há impossibilidade de aplicação de  multa  de  ofício,  cf.  art.  5o,  §  2o  do  Decreto­Lei  no  2.124/1984,  cabendo  ainda  destacar  a  retroatividade benigna do art. 18 da Lei no 10.833/2003.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele  se toma conhecimento.  É preciso, de início, afastar obstáculos que aos olhos menos atentos poderia  obstara  a  análise  deste  processo  pelo  presente  relator.  É  de  se  destacar  que,  apesar  do  sobrenome  em comum  (Trevisan),  de  origem  italiana,  o  relator  não  tem  nenhuma  relação,  e  nem  conhece  o  Sr.  Roberto  Trevisan  (subscritor  do  Recurso  Voluntário).  Para  aumentar  a  coincidência, mas ainda sem influenciar o presente julgamento, é de se destacar que no outro  lado do litígio figura o Auditor­Fiscal Antonio Carlos Trevisan, que assina o despacho de fls.  36/17,  e  também  não  é  pessoa  conhecida  do  presente  relator.  Esclarecida  tal  questão  preliminar, progride­se no julgamento da lide.  Como  a  autuação  é  fundada  na  falta  de  comprovação  do  processo  judicial,  assume  importância  substancial  a  questão  referente  à  efetiva  existência  do  processo  referido  nas DCTF de fls. 38 a 40, em que pese a falta de zelo de quem preencheu os referidos dados,  incluindo no mês de janeiro o processo judicial no 961103796­1 (fl. 40), no de fevereiro o de no  96.1103796­1  (fl.  39),  e  em março o de no  96.11003796­1  (fl.  38). As  três DCTF  informam  ainda  que  a  medida  judicial  é  uma  “liminar  em  medida  cautelar”  obtida  na  2a  Vara  de  Piracicaba/SP.  Em  consulta  ao  sítio  web  do  TRF  da  3a  Região  Fiscal,  efetuei  busca  processual  avançada  com  os  seguintes  parâmetros:  UF  de  origem  =  São  Paulo;  Cidade  de  Origem  =  Piracicaba  e  nome  da  parte  =  Perlima Metais  Perfurados  LTDA,  encontrando  os  seguintes resultados:  Visualizar  Número  Processo de Origem  Classe  Relator  Situação  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN     4 Visualizar  Número  Processo de Origem  Classe  Relator  Situação    1100720­ 18.1995.4.03.6109  95.11007203  348887 AC  OLIVEIRA LIMA  BAIXADO VARA  ORIG.    0005232­ 76.1997.4.03.0000  96.11037961  48291 AI (AG)  BAPTISTA PEREIRA  BAIXADO VARA  ORIG.    0016922­ 05.1997.4.03.0000  97.11000830  49832 AI (AG)  BAPTISTA PEREIRA  Eliminado    1999.03.99.101944­6  96.11037961  543694 AC  BAPTISTA PEREIRA  BAIXADO VARA  ORIG.    1999.03.99.101945­8  97.11013029  543695  ApelReex  MÁRCIO MORAES  MOVIMENTO    0024758­ 24.2000.4.03.0000  2000.61.09.002145­0  109300 AI (AG)  ANDRE  NABARRETE  Eliminado    2000.03.99.056496­2  97.11000830  628929 AC  MÁRCIO MORAES  BAIXADO VARA  ORIG.    2000.03.99.056497­4  97.11031043  628930 AC  MÁRCIO MORAES  BAIXADO VARA  ORIG.    0002145­ 16.2000.4.03.6109  2000.61.09.002145­0  219273 AMS  (AMS)  ANDRE  NABARRETE  SOBRESTADO    0007702­ 41.2001.4.03.0000  2001.61.09.000464­9  127222 AI (AG)  PEIXOTO JUNIOR  Eliminado    0019883­ 74.2001.4.03.0000  2001.61.09.001901­0  133535 AI (AG)  SALETTE  NASCIMENTO  Eliminado    0034737­ 73.2001.4.03.0000  2001.61.09.004231­6  142949 AI (AG)  THEOTONIO COSTA  Eliminado    0000523­ 62.2001.4.03.6109  2001.61.09.000523­0  1043993 AC  ALDA BASTO  BAIXADO VARA  ORIG.    0001901­ 53.2001.4.03.6109  2001.61.09.001901­0  255496 AMS  (AMS)  LAZARANO NETO  BAIXADO VARA  ORIG.    0004231­ 23.2001.4.03.6109  2001.61.09.004231­6  255582 AMS  (AMS)  FERREIRA DA  ROCHA  BAIXADO VARA  ORIG.  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10865.001646/2001­87  Acórdão n.º 3403­003.125  S3­C4T3  Fl. 156          5 Visualizar  Número  Processo de Origem  Classe  Relator  Situação    0007300­ 81.2006.4.03.0000  95.11007203  293827 RPV  PRESIDENTE  ARQUIVADO    0012050­ 92.2007.4.03.0000  95.11007203  370415 RPV  PRESIDENTE  ARQUIVADO  Veja­se  que  o  segundo  resultado  obtido  na  busca  é  exatamente  o  que  tem  como processo de origem o de no 96.1103796­1, indicado nas DCTF de janeiro e fevereiro (e,  com um zero a mais, na DCTF de março).  Verificando o processo, percebe­se que a decisão do TRF (em 1998)  foi no  seguinte sentido:    Assim, o processo não só existe como trata de compensação com base na Lei  no  8.383/1991,  de  FINSOCIAL  com  COFINS.  E  a  documentação  constante  do  recurso  voluntário  (petição  de  fls.  124  a  130,  decisão  liminar  de  fls.  135/136,  despacho  de  fl.  137,  acórdão de fls. 138 a 145, e decisão de fls. 147/148) só endossa o que aqui se verificou.  Aliás,  a  DRJ  parecia  já  ter  confirmado  a  existência  do  processo  judicial  quando  literalmente  afirma,  no  despacho  de  fls.  36/37  (em  08/10/2012),  que  “a  autuação  é  resultante da não comprovação, pela SRF, do processo judicial informado pelo sujeito passivo  na DCTF” e que “o contribuinte comprova a existência do referido processo judicial, fato que  evidencia a necessidade de revisão do lançamento pela autoridade administrativa”.  Mas em nova decisão, passa a acordar que o processo não foi localizado pela  autoridade preparadora, nem pelo julgador. E endossa o argumento de inexistência do processo  pelo fato de a impugnante sequer tê­lo mencionado em sua peça de defesa.  De  fato,  a  impugnação  não deu a devida atenção ao  tema, que  foi  somente  suscitado especificamente em sede de recurso voluntário.  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN     6 Ao  que  parece,  nem  a  parte  nem  o  fisco  se  preocuparam  com  afinco  em  realmente  atestar  a  existência  da  referida  ação  judicial.  E  bastaria  uma  consulta  com  busca  avançada,  como  a  aqui  efetuada,  para  concluir  que  a  ação  judicial  existe,  com  os  números  informados em DCTF (documentos já presentes nestes autos ao tempo do julgamento de piso),  ressalvado um zero a mais no mês março.  Diante do exposto,  resta maculado o fundamento da autuação, não havendo  que  se  falar  em  nulidade, mas  em  improcedência  desta,  visto  que  a  fundamentação  adotada  (“proc. jud. não comprova”) não ampara a autuação.  Assim, descabe a continuidade da análise do recurso voluntário apresentado,  visto  que  já  afastada  a  razão  da  autuação:  o  processo  foi  comprovado  e  trata  do  direito  creditório que se afirma ter utilizado em compensação (FINSOCIAL).  Nesse  sentido  reiteradas decisões deste CARF,  aqui  sintetizadas  em análise  recente de Recurso Especial da PGFN pela Câmara Superior de Recursos Fiscais:  “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração:  01/01/1997  a  30/06/1997  NORMAS  PROCESSUAIS.  IMPROCEDÊNCIA  DA  FUNDAMENTAÇÃO  DO  LANÇAMENTO.  Comprovado  que  o  processo  judicial  informado na DCTF existe e  trata do direito creditório que se  informa  ter  utilizado  em  compensação,  deve  ser  considerado  improcedente  o  lançamento  “eletrônico”  que  tem  por  fundamentação “proc.  jud. não comprova”. Recurso negado.”  (grifo  nosso)  (Acórdão  n.  9303­002.326,  Rel.  Cons.  Henrique  Pinheiro Torres, unânime, sessão de 20.jun.2013)  Esta turma já apreciou caso semelhante também recentemente:  “AUTO  DE  INFRAÇÃO  ELETRÔNICO.  FUNDAMENTAÇÃO  DO  LANÇAMENTO.  IMPROCEDÊNCIA.  Comprovado  que  o  processo judicial  informado na DCTF existe e  trata do direito  creditório  que  se  informa  ter  utilizado  em  compensação,  deve  ser  considerado  improcedente  o  lançamento  “eletrônico”  que  tem  por  fundamentação  “proc.  jud.  não  comprova”.  (grifo  nosso) (Acórdão n. 3403­002.870, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan,  unânime, sessão de 26.mar.2014)    Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário.  Rosaldo Trevisan                              Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10865.001646/2001­87  Acórdão n.º 3403­003.125  S3­C4T3  Fl. 157          7   Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN

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Numero do processo: 10530.900017/2008-90
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Decidiu o Supremo Tribunal Federal que o prazo prescricional para as ações de repetição do indébito tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para os pedidos realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 - junho de 2005 (RE nº 566.621/RS). DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 1801-001.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA   2  Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen  Ferreira Saraiva,  Leonardo Mendonça  Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.  Relatório    Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos:     Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  (fls.  36  a  49)  transmitida em 30/01/2004, cujo crédito é oriundo da apuração do saldo negativo do  IRPJ apurado em 31/12/1998 (Lucro real anual).  Por meio de Despacho Decisório  (fl. 50) a Delegacia da Receita Federal  de  Feira  de  Santana  entendeu  decaído  o  direito  do  contribuinte  de  pleitear  a  compensação  e  assim  concluiu  pela  não  homologação  da  mesma,  conforme  transcrito a seguir.  ...constatou­se  que  na  data  de  transmissão  do  PER/DCOMP  com  demonstrativo de crédito, já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo  em  virtude  do  decurso  do  prazo  de  cinco  anos  entre  a  data  de  transmissão  do  PERIDCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo  negativo:31/12/1998. Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do  crédito: 30/01/2004  Cientificada  do  Despacho  Decisório  em  19/03/2008  (fl.  53),  o  contribuinte  apresentou,  em  17/04/2008,  manifestação  de  inconformidade  (fls.  01  a  31),  alegando, em síntese, o seguinte:  a)  "trata­se de despacho que não homologou a Declaração de Compensação  apresentada  pela  requerente,  no  valor  original  de  R$  565.278,17  (quinhentos  e  sessenta e cinco mil, duzentos e setenta e oito reais e dezessete centavos), referente  ao IRPJ devido no 4° trimestre de 1999 e 4° trimestre de 2003. 0 crédito utilizado  para  a  referida  compensação  é  oriundo  de  apuração  de  saldo  negativo  no  ano­ calendário  ,  1998,  informado  na  DIPJ  de  1999  (Doc.  03),  em  face  dos  valores  recolhidos por regime de estimativa (Doc. 04)";  b)  "para  fundamentar  a  não  homologação  da  compensação  pleiteada  pela  requerente, a requerida, alegou, singelamente, a ocorrência da decadência, haja vista  que o saldo negativo foi apurado em dez/1998 e a DCOMP somente transmitida em  30/01/2004 (Doc. 05);  c) "no entanto, tal alegação é completamente desprovida de fundamento, uma  vez que a requerente ainda detinha o direito de efetuar a compensação em questão, já  que dentro do prazo previsto na Lei n° 9.430/96 de 05 (cinco) anos da entrega da  DIPJ";  d) para comprovar  seu direito, o  impugnante  transcreveu o art. 6° da Lei n°  9.430/1996, alegando que "6 idêntico ao determinado pelo artigo 858 do RIR/99, o  direito do contribuinte pleitear a restituição/compensação do saldo negativo apurado  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10530.900017/2008­90  Acórdão n.º 1801­001.550  S1­TE01  Fl. 3          3 começa a fluir momento em que entrega sua Declaração de Rendimentos, fato este  que só é possível a partir do mês de abril do ano seguinte";  e) "em razão de tal orientação, se faz totalmente equivocado o entendimento  esposado  pelo  D.  Delegado,  uma  vez  que  em  31/12/98  a  requerente  sequer  era  detentora do direito de pleitear a devolução dos valores recolhidos a maior. Ora, pelo  que está na lei, o prazo decadencial é contado a partir da entrega da Declaração de  Rendimento, não da ocorrência do fato gerador em 31 de dezembro";  f)  "a  decadência  do  direito  para  pedir  restituição,  por  principio,  pode  ser  contada  a  partir  do  momento  em  que  o  direito  pode  ser  exercido.  Se  a  restituição/compensação  somente  pode  ser  pleiteada  a  partir  da  entrega  da  Declaração, então, só a partir dai que pode ser contado o prazo de decadência. Isto  porque a Declaração é instrumento hábil para fazer o encontro de contas entre aquilo  que foi antecipado durante o período e aquilo que é devido no balanço";  g)  "portanto,  repita­se,  tal  pleito  somente  passou  a  ser  possível  quando  da  entrega  da  DIPJ,  o  que,  neste  período  ­base,  extraordinariamente,  ocorreu  em  29/10/1999", evidente, portanto, que o direito a requerente pleitear a compensação  de seu credito somente estaria prescrito em 29/10/2004, data muito superior Aquela  em  que  houve  a  efetiva  entrega  da DCOMP",  trazendo  diversas  jurisprudências  a  respeito.  h)  transcreve  o  Ato  Declaratório  SRF  n°  03/2000  que  trata  do  prazo  para  restituição  ou  compensação  do  IRPJ  ou  CSLL  apurados  anualmente,  concluindo  também  que  "somente  ao  final  do  mês  de  janeiro  é  que  ocorre  a  opção  do  contribuinte por encerrar o período de apuração com o pagamento ou manter o saldo  negativo  para  compensações  nas  competências  seguintes.  Por  isso,  após  o  encerramento do mês de janeiro é que começaria a fluir o prazo (isso no caso de não  se aceitar o disposto na Lei n° 9.430/96)".  Finaliza  a  sua  defesa,  declarando  que  "em  hipótese  alguma,  teria  decaído  o  direito da requerente a utilização de seus créditos a titulo de saldo negativo de modo  que a DCOMP apresentada é completamente válida e merece ser homologada".  A  decisão  da  DRJ  manteve  o  despacho  decisório  ratificando  o  prazo  decadencial  qüinqüenal  contado  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador,  que  no  caso  seria  31/12/1998.   Intimada  em  15  de  abril  de  2010  interpõe  Recurso  Voluntário  tempestivamente em 14 de maio de 2010.   Argumenta  em  síntese  não  ter  ocorrido  a  decadência  do  seu  direito  a  restituição por considerar a data da entrega da DIPJ como termo inicial da contagem do prazo  decadencial e não a data do fato gerador, como constou na decisão recorrida.   É o relatório.        Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA   4 Voto             Conselheiro  Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator.  Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo.  No mérito assiste razão à Recorrente.   Primeiramente cabe destacar que a controvérsia submetida a julgamento nesta  Tuma  refere­se  ao  prazo  prescricional  e  não  decadencial  de  que  dispõe  o  contribuinte  para  restituir/compensar o indébito tributário.   O cerne do litígio está na apreciação da ocorrência de prescrição do direito a  repetição do indébito tributário, objeto do Per/Dcomp emitido pela recorrente.   Note­se que  a perdcomp  foi  transmitida em 30/01/2004,  tendo como crédito  saldo  negativo de IRPJ em 31/12/1998  Com efeito, para pedidos de repetição ou compensação formulados até junho  de 2005 o prazo prescricional do qual dispõe o contribuinte é de dez anos, conforme pacificado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  decisão  proferida,  no  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  566.621/RS (em 04/08/11, publicada em 11/10/11), e processada sob o rito do artigo 543­B do  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  ao  apreciar  a  Lei  Complementar  nº  118/05  e  a  constitucionalidade do artigo 4º e seus efeitos retroativos:   “DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE  INDÉBITOS AOS PROCESSOS  AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC  118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que,  para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para  repetição ou  compensação  de  indébito  era  de  10  anos  contados  do  seu  fato  gerador,  tendo  em  conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC  118/05,  embora  tenha  se  auto­proclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos  contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade,  inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada  como  lei  nova.  Inocorrência  de  violação à autonomia e  independência dos Poderes, porquanto a  lei  expressamente  interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto  à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo  para  a  repetição  ou  compensação  de  indébito  tributário  estipulado  por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando  da  publicação  da  lei,  sem  resguardo  de  nenhuma  regra  de  transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de  proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando­se as aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no  mais,  a  eficácia  da  norma,  permite­se  a  aplicação do prazo  reduzido  relativamente às ações ajuizadas após a vacatio  legis,  conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do  Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas  que  tomassem  ciência  do  novo  prazo,  mas  também  que  ajuizassem  as  ações  necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil,  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10530.900017/2008­90  Acórdão n.º 1801­001.550  S1­TE01  Fl. 4          5 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na  maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se  trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida  a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando­se válida  a aplicação do novo prazo de 5 anos tão­somente às ações ajuizadas após o decurso  da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do  art.  543­B,  §  3º,  do  CPC  aos  recursos  sobrestados.  Recurso  extraordinário  desprovido.  Destarte,  a  prescrição  qüinqüenal  não  alcança  a  situação  dos  contribuintes  que protocolizaram os pedidos de  restituição dos  indébitos  tributários antes da edição da Lei  Complementar  nº  118/05,  ou  seja,  09  de  junho  de  2005  (destaquei),  restando  decidido  o  cabimento dos pedidos no prazo de dez anos a contar do fato gerador. A questão encontra­se  definitivamente julgada.  Este  órgão  julgador,  por  força  do  artigo  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF – Ricarf, está vinculado às decisões proferidas pelo STF, processadas sobre o rito do art.  543­B e C do CPC:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  A recorrente emitiu, eletronicamente, o Per/Dcomp em 30 de janeiro de 2004,  pleiteando saldo negativo de IRPJ relativo ao ano­calendário de 1998, razão pela qual o pedido  não pode ser declarado prescrito, conforme julgado da Corte Suprema ora transcrito.  Os  efeitos do  afastamento da declaração de prescrição  impõe o  retorno  dos  autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja,  a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da contabilidade da recorrente, registros  no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação  a outros processos administrativos fiscais etc.  Dessa  forma,  voto  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  afastando  a  prescrição declarada, e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do  mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio.   (assinado digitalmente)   Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira                  Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA   6                 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA

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Numero do processo: 16045.000829/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiram o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO Versam os presentes autos sobre Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada. Segundo consta do Relatório Fiscal (proc. fls. 42 a 58), a ação fiscal teve início em 25/11/2005. Em 15/12/2005, o fiscalizado apresentou parte dos documentos solicitados. Da análise dos mesmos, a autoridade fiscalizadora constatou “enormes incongruências em milhares de notas fiscais de saída, com discrepâncias na relação VALOR NF/PESO para mesmos produtos”, verificando uma diferença de até 1000% no quilo do produto. Ademais, verificou-se preço de venda menor que o próprio custo do produto. Intimado a entregar arquivo magnético das notas fiscais emitidas, o fiscalizado “apresentou o arquivo de forma incompleta, sem os pesos bruto e líquido das notas fiscais, com a clara intenção de dificultar o mapeamento das ilicitudes”. Ante tal constatação, o contribuinte foi novamente intimado, dessa vez para apresentar os extratos bancários. De posse dos extratos, a autoridade fazendária verificou “a completa inconsistência dos valores em confronto com as declarações de CPMF e os livros diário e razão”, o que desencadeou na emissão de Requisição de Informação sobre a Movimentação Financeira RMF. Obtidas as informações das instituições financeiras, o auditor fiscal constatou que a fiscalizada utilizou-se de contas não escrituradas em seus livros contábeis. Após circularização junto aos clientes do contribuinte, a autoridade administrativa concluiu pela existência de verdadeiro conluio. Verificou-se que as vias dos clientes e da fiscalizada registravam os mesmo valores, no entanto, o valor de cobrança, registrado em contas não escrituradas, era bem maior. O auditor fazendário procedeu a conciliação entre as contas bancárias, para excluir as transferências entre contas correntes, e intimou o fiscalizado a justificar a origem dos depósitos bancários. Mesmo após a concessão de prorrogação de prazo, a empresa não comprovou a origem dos créditos. Destarte, em 17/12/2007, a fiscalização procedeu a lavratura dos Autos de Infração de IRPJ (proc. Fls. 04 a 07), PIS (proc. Fls. 12 a 16), COFINS (proc. Fls. 23 a 27) e CSLL (proc. Fls. 34 a 37) com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a presunção legal de omissão de receitas. E em 20/12/2007, foi lavrado o Auto de Infração de IPI (proc. Fls. 989 a 996) por omissão de rendimentos apurada em decorrência de receita não comprovada. Todos com multa de 225%. A autoridade lançadora entendeu restar patente a intenção dolosa de adiar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, tendo em vista a sistemática e reitera omissão ao longo dos anos, a não contabilização/escrituração de contas de depósitos, bem como o subfaturamento das notas ficais/faturas. Tendo em vista que mesmo após prévio agendamento com os representantes da empresa, os mesmos não compareceram à DRF em Taubaté para tomar ciência de vários Termos pertinentes à ação fiscal e dos Autos de Infração de IRPJ e reflexos, bem como para devolução dos livros e documentos contábeis. O auditor fiscal então se dirigiu à sede da empresa, mas não foram encontradas pessoas competentes para aptas a tomar ciência. Destarte, foi lavrado o Termo de Recusa (proc.Fls. 796 e 797), considerando o contribuinte cientificado em 27/12/2007. Em 24/01/2008, o contribuinte apresentou Impugnação (proc. Fls. 801 a 830). Preliminarmente o Impugnante alegou que sempre forneceu elementos, livros fiscais, informações bancárias, entre outros documentos, solicitados pelos agentes fiscais no curso da ação fiscal, e a despeito disto foi aplicada multa de 225% sob os argumentos de que o contribuinte tentou fraudar o fisco, lesar o erário e dificultar o trabalho da fiscalização. Referente ao Termo de Recusa, o interessado afirmou que a impossibilidade de comparecimento do diretor presidente à DRF em Taubaté foi devidamente comunicada e, inclusive, se foi sugerido que outro representante da empresa comparecesse, o que foi rechaçado pela autoridade fazendária e desencadeou na lavratura do Termo de Recusa, bem como na entrega dos Termos e do Auto de Infração na sede a empresa como é de praxe. Este comportamento do auditor fiscal exemplifica a intenção de fazer parecer que o contribuinte ofereceu resistência. No mérito, o Impugnante mencionou que a despeito de todo o arrazoado erigido pela fiscalização com intuito de demonstrar que houve saída de mercadorias sem nota, conluio com os clientes etc., ao fim da fiscalização todos esses trabalhos foram descartados e o crédito tributário foi integralmente lançado com base na presunção de ato ilícito, apoiado em confronto das informações financeiras obtidas com o extrato da CPMF. O Fisco entendeu como fraude a diferença de preço por quilo do produto. Esclareceu o fiscalizado que discrepância se dá devido a defeito na bobina padrão vendida. O cliente, apesar de adquirir a bobina no peso padrão, paga apenas pelo que for utilizável, descartando o material com defeito. Devido a questões técnicas, não é viável emendas na bobina, o que impede que a empresa elimine a parte com defeito dentro de seu estabelecimento. Desta forma, a depender da metragem de falha em uma bonina, o preço do produto varia. Mais uma vez o Impugnante ressaltou que a despeitos de todos os elementos disponíveis para apuração do efetivo crédito tributário, a autoridade lançadora optou utilizar-se de presunção legal. O contribuinte manifestou-se contrário à utilização da CPMF para fins de lançamento de crédito tributário sob o argumento de que as retenções da contribuição não são aptas a retratar os acréscimos patrimoniais auferidos. Ademais, o Impugnante alegou a inconstitucionalidade do art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e ressaltou que a violação ao sigilo de dados e informações somente pode ocorrer mediante ordem judicial. Outro ponto combatido pelo fiscalizado diz respeito à presunção de auferimento de receita, em decorrência de diferenças entre saldos bancários e movimentação de CPMF. Entendeu o contribuinte que a presunção somente deve ser admitida em casos extremos, em que a recusa do contribuinte em colaborar justifique. Já no que diz respeito à multa aplicada, o Impugnante afirmou que houve cerceamento do seu direito de defesa tendo em vista que o incorreto enquadramento legal. Ademais, a multa no percentual de 225% além de ser confiscatória, não se colacionou provas robustas de fraude, conluio ou sonegação fiscal. Após discorrer sobre o fato gerador do imposto de renda e sobre os prejuízos fiscais acumulados, o Impugnante alegou que caso seja entendido que o crédito tributário é legitimo e deverá ser mantido, não há fundamento legal para que a fiscalização impedir que o contribuinte compense a parcela de 30% do lucro tributável, com o prejuízo fiscal acumulado até 31/12/2007, escriturado na parte B do Lalur. Por fim, o fiscalizado aduzir ser inconstitucional a utilização da taxa Selic. Em 26/03/2008, 10/06/2008 e 18/06/2008, foram protocolizados Aditamentos à Impugnação (proc. Fls. 843 a 845, 977 a 979 e, 851 a 856). O contribuinte afirmou que a fiscalização se equivocou ao utilizar a mesma base de cálculos para apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pois para apurar o IRPJ e a CSLL, devem-se deduzir os valores correspondentes ao PIS/COFINS e demais consequitários. Ademais, o fiscalizado alegou que ao analisar seus extratos bancários, percebeu que vários dos ingressos na verdade são transferências de valores de uma conta para outra. Alertou ainda que a fiscalização majorou indevidamente o crédito tributário apurado. Como exemplo, a fiscalização apontou como entrada no dia 30/04/2003 do montante de R$ 755.001,00 quando na verdade o valor é de R$ 7.550,01 conforme se pode constatar à fl. 765. O mesmo se deu à fl. 789 em que o fisco apontou como valor creditado R$ 28.676,00 quando na verdade o montante é de R$ 2.867,60 Ainda em seus aditamentos à Impugnação, o contribuinte requereu a dedução do IPI apurado no lançamento de ofício da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em 05/09/2008, converteu o julgamento em diligência para apuração dos fatos apontados pelo contribuinte às fls. 852 a 854 (proc. Fls.1027 a 1028). Vou encaminho ao contribuinte Termo de Intimação em cumprimento à Diligência (proc. Fls. 1037 a), por meio do qual se se intimou o contribuinte a: Comprovar a efetiva entrada de recursos na conta Caixa de alguns lançamentos; Apresentar documentação hábil e idônea das movimentações financeiras mencionadas na Impugnação às fls. 852/854 (transferências entre contas não contabilizadas, e as divergências de valores apurados pela fiscalização). O interessado apresentou manifestação, em 29/01/2009 (proc. Fls. 1042 a 1049). O contribuinte relatou que procedeu a uma auditoria em suas contas bancárias e além dos valores já relatados em sua Impugnação, verificou cheques emitidos pelas contas bancárias não contabilizadas, cujo destino foram outras contas bancárias também não contabilizadas, todos objeto de autuação, o que constitui exemplo típico de dupla tributação. No que toca aos valores indicados pela autoridade fazendária, item 1 do Termo de Intimação, o fiscalizado afirmou que os valores foram lançados a débito da conta Caixa e a crédito na conta Banco. Juntou cópias dos Livros Razão e Diário. Já concernente ao item 2, o contribuinte afirmou que “até a data de 30/09/2003, nossa contabilidade não era integrada com o sistema financeiro, assim, os valores lançados não eram individualizados, porém, os lançamentos contemplam pelos valores globais as importâncias questionadas”. Em seus esclarecimentos, o Impugnante mencionou que os valores transferidos entre as contas não contabilizadas chega ao montante de R$2.558.803,85. Requereu a exclusão dos mesmos da base de cálculo. Em resposta à diligência realizada, em 13/02/2009, a autoridade fazendária prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 1065 e 1066): Os valores transferidos de uma conta corrente contabilizada para outra não contabilizada, não elidem a omissão de receita; Tais valores constam na contabilidade da empresa como transferência a débito da conta CAIXA, conforme informação do próprio contribuinte e Livro Razão. Desta forma, comprova-se a omissão de receitas com esses lançamentos fictícios (CAIXA A BANCO), pois “as quantias mencionadas não representaram efetivo ingresso de recursos na empresa e foram assim lançadas apenas com o intento de evitar o surgimento de saldo credor de CAIXA, conquanto nem sempre a interessada logra êxito”. Vários dos débitos na conta CAIXA não podem ser individualizados, pois como informado pelo sujeito passivo, até 30/09/2003 a contabilidade não era integrada com o financeiro. Concernente à divergência de valores indicada pelo contribuinte, verifica-se que de fato houve um equívoco e tais diferenças devem ser excluídas da base de cálculo dos tributos devidos. Já quanto os valores transferidos entre contas não contabilizadas, os mesmos deverão ser excluídos da base de cálculo caso o órgão julgador não considerar ocorrida a preclusão prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70. 235/72. Em 07/05/2009, a 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu Acórdão julgando procedente em parte o lançamento (proc. fls. 1070 a 1088). De início a DRJ asseverou que a autoridade administrativa não tem competência para analisar a inconstitucionalidade da legislação tributária plenamente em vigor. Desta forma, as manifestações de inconformidade, sob o argumento de inconstitucionalidade, levantadas pelo Impugnante, no tocante ao percentual da multa de ofício, a utilização da taxa Selic e a quebra do sigilo bancário, não podem ser apreciadas pelo Colegiado. Referente à quebra do sigilo bancário, o órgão julgador a quo ainda relatou que a Constituição Federal outorga à administração tributária o poder de identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, com a finalidade de atender ao objetivo da capacidade contributiva, o que não tira o direito à privacidade, uma vez que a Fazenda Pública tem obrigação de conservar o sigilo. No mérito, a Turma asseverou que o lançamento se deu com base nos depósitos bancários não contabilizados tendo com fundamento legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ressaltou que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos no curso da ação fiscal. Apenas depois de autuado, o Impugnante apresentou demonstrativos alegando que não foram consideradas as transferência entre contas. Frente às informações prestadas pela DRF em resposta à diligência requerida, o Colegiado entendeu que não há como não considerar justificados os valores transferidos de uma conta corrente contabilizada para outra não contabilizada. Concluiu que tais valores devem ser excluídos da tributação. No que diz respeito aos erros de transcrição apontados pelo interessado, a Turma determinou a imediata correção dos valores no lançamento. Referente ao pedido de compensação de prejuízos fiscais acumulados, o órgão julgador administrativo afirmou que desde o ano-calendário de 1995, a redução do lucro real, em razão do aproveitamento de prejuízos acumulados, ficou limitada a 30%. Ocorre que o contribuinte apurou no ano-calendário de 2003, o IRPJ pelo lucro presumido, portanto, não há que se falar em compensação de prejuízos nesse ano-calendário. Já no ano-calendário de 2004, apurado pelo lucro real, a contribuinte possuía em 31/12/3004, saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores a compensar. Tal saldo é inferior ao limite de 30% mencionado, podendo ser compensado no referido ano-calendário. A Turma assinalou que com relação aos argumentos apresentados pelos 3 aditamentos, por terem sido trazidos ao processo intempestivamente, não podem ser acatadas as alegações trazidas a destempo (arts. 15 e 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72). Concernente à multa de ofício, o Colegiado aduziu que tendo em vista que o contribuinte amplamente debateu a imputação da multa quando da Impugnação, afastou-se o cerceamento do direito de defesa por não constar no Auto de Infração a alteração legal no respectivo dispositivo da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a multa. Ainda quanto à aplicação da multa, o órgão fazendário afirmou que a comprovação do subfaturamento das notas fiscais, bem como a falta de escrituração de contas bancárias, comprovam, de maneira inequívoca, o proposito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, reputando-se, portanto, aplicável ao caso concreto a multa na sua forma qualificada. O Fisco, no entanto, afastou a aplicação do agravamento da multa, pois entendeu que o contribuinte apresentou os arquivos solicitados, não causando obstá-los à fiscalização. Por fim, no que diz respeito ao questionamento da aplicação da taxa Selic, os julgadores relataram que existe previsão legal para a sua aplicação, bem como súmula do Conselho de Contribuintes neste sentido. Portanto, entendeu correta a aplicação da taxa Selic. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1115 a 1131. De início o Recorrente questionou a não apreciação dos argumentos trazidos nos aditamentos. Ressaltou que o próprio auditor fiscal atestou a autenticidade dos valores comprovados e, no entanto, a DRJ, em afronta ao Princípio da Verdade Material, não os analisou alegando que os documentos deveriam ter sido apresentados quando da Impugnação. Ainda como base neste Princípio, o Postulante afirmou que deu prosseguimento ao levantamento específico, crédito a crédito das contas corrente envolvidas, e apurou novos valores referentes a transferências ou cheques, com identidade de emitente e favorecido, nas mesmas contas utilizadas pelo auditor fiscal como receita omitida. Colacionou aos autos planilhas com estes novos valores. O Postulante alegou a inconsistência da base de cálculo. Argumentou que, tendo em vista que o montante inicialmente apontado como omitido corresponde a cerca de 61,77% do valor por ele declarado em DIPJ do ano-calendário de 2004, sua escrituração mostrou-se no mínimo insuficiente para apuração pela sistemática do Lucro Real. Desta forma, requereu o arbitramento do lucro. O Recorrente ainda mencionou que a DRJ não se manifestou sobre as demonstrações de possíveis fraudes em notas fiscais, a despeito de manifestação em sede de Impugnação. É o relatório.
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiram o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO Versam os presentes autos sobre Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada. Segundo consta do Relatório Fiscal (proc. fls. 42 a 58), a ação fiscal teve início em 25/11/2005. Em 15/12/2005, o fiscalizado apresentou parte dos documentos solicitados. Da análise dos mesmos, a autoridade fiscalizadora constatou “enormes incongruências em milhares de notas fiscais de saída, com discrepâncias na relação VALOR NF/PESO para mesmos produtos”, verificando uma diferença de até 1000% no quilo do produto. Ademais, verificou-se preço de venda menor que o próprio custo do produto. Intimado a entregar arquivo magnético das notas fiscais emitidas, o fiscalizado “apresentou o arquivo de forma incompleta, sem os pesos bruto e líquido das notas fiscais, com a clara intenção de dificultar o mapeamento das ilicitudes”. Ante tal constatação, o contribuinte foi novamente intimado, dessa vez para apresentar os extratos bancários. De posse dos extratos, a autoridade fazendária verificou “a completa inconsistência dos valores em confronto com as declarações de CPMF e os livros diário e razão”, o que desencadeou na emissão de Requisição de Informação sobre a Movimentação Financeira RMF. Obtidas as informações das instituições financeiras, o auditor fiscal constatou que a fiscalizada utilizou-se de contas não escrituradas em seus livros contábeis. Após circularização junto aos clientes do contribuinte, a autoridade administrativa concluiu pela existência de verdadeiro conluio. Verificou-se que as vias dos clientes e da fiscalizada registravam os mesmo valores, no entanto, o valor de cobrança, registrado em contas não escrituradas, era bem maior. O auditor fazendário procedeu a conciliação entre as contas bancárias, para excluir as transferências entre contas correntes, e intimou o fiscalizado a justificar a origem dos depósitos bancários. Mesmo após a concessão de prorrogação de prazo, a empresa não comprovou a origem dos créditos. Destarte, em 17/12/2007, a fiscalização procedeu a lavratura dos Autos de Infração de IRPJ (proc. Fls. 04 a 07), PIS (proc. Fls. 12 a 16), COFINS (proc. Fls. 23 a 27) e CSLL (proc. Fls. 34 a 37) com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a presunção legal de omissão de receitas. E em 20/12/2007, foi lavrado o Auto de Infração de IPI (proc. Fls. 989 a 996) por omissão de rendimentos apurada em decorrência de receita não comprovada. Todos com multa de 225%. A autoridade lançadora entendeu restar patente a intenção dolosa de adiar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, tendo em vista a sistemática e reitera omissão ao longo dos anos, a não contabilização/escrituração de contas de depósitos, bem como o subfaturamento das notas ficais/faturas. Tendo em vista que mesmo após prévio agendamento com os representantes da empresa, os mesmos não compareceram à DRF em Taubaté para tomar ciência de vários Termos pertinentes à ação fiscal e dos Autos de Infração de IRPJ e reflexos, bem como para devolução dos livros e documentos contábeis. O auditor fiscal então se dirigiu à sede da empresa, mas não foram encontradas pessoas competentes para aptas a tomar ciência. Destarte, foi lavrado o Termo de Recusa (proc.Fls. 796 e 797), considerando o contribuinte cientificado em 27/12/2007. Em 24/01/2008, o contribuinte apresentou Impugnação (proc. Fls. 801 a 830). Preliminarmente o Impugnante alegou que sempre forneceu elementos, livros fiscais, informações bancárias, entre outros documentos, solicitados pelos agentes fiscais no curso da ação fiscal, e a despeito disto foi aplicada multa de 225% sob os argumentos de que o contribuinte tentou fraudar o fisco, lesar o erário e dificultar o trabalho da fiscalização. Referente ao Termo de Recusa, o interessado afirmou que a impossibilidade de comparecimento do diretor presidente à DRF em Taubaté foi devidamente comunicada e, inclusive, se foi sugerido que outro representante da empresa comparecesse, o que foi rechaçado pela autoridade fazendária e desencadeou na lavratura do Termo de Recusa, bem como na entrega dos Termos e do Auto de Infração na sede a empresa como é de praxe. Este comportamento do auditor fiscal exemplifica a intenção de fazer parecer que o contribuinte ofereceu resistência. No mérito, o Impugnante mencionou que a despeito de todo o arrazoado erigido pela fiscalização com intuito de demonstrar que houve saída de mercadorias sem nota, conluio com os clientes etc., ao fim da fiscalização todos esses trabalhos foram descartados e o crédito tributário foi integralmente lançado com base na presunção de ato ilícito, apoiado em confronto das informações financeiras obtidas com o extrato da CPMF. O Fisco entendeu como fraude a diferença de preço por quilo do produto. Esclareceu o fiscalizado que discrepância se dá devido a defeito na bobina padrão vendida. O cliente, apesar de adquirir a bobina no peso padrão, paga apenas pelo que for utilizável, descartando o material com defeito. Devido a questões técnicas, não é viável emendas na bobina, o que impede que a empresa elimine a parte com defeito dentro de seu estabelecimento. Desta forma, a depender da metragem de falha em uma bonina, o preço do produto varia. Mais uma vez o Impugnante ressaltou que a despeitos de todos os elementos disponíveis para apuração do efetivo crédito tributário, a autoridade lançadora optou utilizar-se de presunção legal. O contribuinte manifestou-se contrário à utilização da CPMF para fins de lançamento de crédito tributário sob o argumento de que as retenções da contribuição não são aptas a retratar os acréscimos patrimoniais auferidos. Ademais, o Impugnante alegou a inconstitucionalidade do art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e ressaltou que a violação ao sigilo de dados e informações somente pode ocorrer mediante ordem judicial. Outro ponto combatido pelo fiscalizado diz respeito à presunção de auferimento de receita, em decorrência de diferenças entre saldos bancários e movimentação de CPMF. Entendeu o contribuinte que a presunção somente deve ser admitida em casos extremos, em que a recusa do contribuinte em colaborar justifique. Já no que diz respeito à multa aplicada, o Impugnante afirmou que houve cerceamento do seu direito de defesa tendo em vista que o incorreto enquadramento legal. Ademais, a multa no percentual de 225% além de ser confiscatória, não se colacionou provas robustas de fraude, conluio ou sonegação fiscal. Após discorrer sobre o fato gerador do imposto de renda e sobre os prejuízos fiscais acumulados, o Impugnante alegou que caso seja entendido que o crédito tributário é legitimo e deverá ser mantido, não há fundamento legal para que a fiscalização impedir que o contribuinte compense a parcela de 30% do lucro tributável, com o prejuízo fiscal acumulado até 31/12/2007, escriturado na parte B do Lalur. Por fim, o fiscalizado aduzir ser inconstitucional a utilização da taxa Selic. Em 26/03/2008, 10/06/2008 e 18/06/2008, foram protocolizados Aditamentos à Impugnação (proc. Fls. 843 a 845, 977 a 979 e, 851 a 856). O contribuinte afirmou que a fiscalização se equivocou ao utilizar a mesma base de cálculos para apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pois para apurar o IRPJ e a CSLL, devem-se deduzir os valores correspondentes ao PIS/COFINS e demais consequitários. Ademais, o fiscalizado alegou que ao analisar seus extratos bancários, percebeu que vários dos ingressos na verdade são transferências de valores de uma conta para outra. Alertou ainda que a fiscalização majorou indevidamente o crédito tributário apurado. Como exemplo, a fiscalização apontou como entrada no dia 30/04/2003 do montante de R$ 755.001,00 quando na verdade o valor é de R$ 7.550,01 conforme se pode constatar à fl. 765. O mesmo se deu à fl. 789 em que o fisco apontou como valor creditado R$ 28.676,00 quando na verdade o montante é de R$ 2.867,60 Ainda em seus aditamentos à Impugnação, o contribuinte requereu a dedução do IPI apurado no lançamento de ofício da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em 05/09/2008, converteu o julgamento em diligência para apuração dos fatos apontados pelo contribuinte às fls. 852 a 854 (proc. Fls.1027 a 1028). Vou encaminho ao contribuinte Termo de Intimação em cumprimento à Diligência (proc. Fls. 1037 a), por meio do qual se se intimou o contribuinte a: Comprovar a efetiva entrada de recursos na conta Caixa de alguns lançamentos; Apresentar documentação hábil e idônea das movimentações financeiras mencionadas na Impugnação às fls. 852/854 (transferências entre contas não contabilizadas, e as divergências de valores apurados pela fiscalização). O interessado apresentou manifestação, em 29/01/2009 (proc. Fls. 1042 a 1049). O contribuinte relatou que procedeu a uma auditoria em suas contas bancárias e além dos valores já relatados em sua Impugnação, verificou cheques emitidos pelas contas bancárias não contabilizadas, cujo destino foram outras contas bancárias também não contabilizadas, todos objeto de autuação, o que constitui exemplo típico de dupla tributação. No que toca aos valores indicados pela autoridade fazendária, item 1 do Termo de Intimação, o fiscalizado afirmou que os valores foram lançados a débito da conta Caixa e a crédito na conta Banco. Juntou cópias dos Livros Razão e Diário. Já concernente ao item 2, o contribuinte afirmou que “até a data de 30/09/2003, nossa contabilidade não era integrada com o sistema financeiro, assim, os valores lançados não eram individualizados, porém, os lançamentos contemplam pelos valores globais as importâncias questionadas”. Em seus esclarecimentos, o Impugnante mencionou que os valores transferidos entre as contas não contabilizadas chega ao montante de R$2.558.803,85. Requereu a exclusão dos mesmos da base de cálculo. Em resposta à diligência realizada, em 13/02/2009, a autoridade fazendária prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 1065 e 1066): Os valores transferidos de uma conta corrente contabilizada para outra não contabilizada, não elidem a omissão de receita; Tais valores constam na contabilidade da empresa como transferência a débito da conta CAIXA, conforme informação do próprio contribuinte e Livro Razão. Desta forma, comprova-se a omissão de receitas com esses lançamentos fictícios (CAIXA A BANCO), pois “as quantias mencionadas não representaram efetivo ingresso de recursos na empresa e foram assim lançadas apenas com o intento de evitar o surgimento de saldo credor de CAIXA, conquanto nem sempre a interessada logra êxito”. Vários dos débitos na conta CAIXA não podem ser individualizados, pois como informado pelo sujeito passivo, até 30/09/2003 a contabilidade não era integrada com o financeiro. Concernente à divergência de valores indicada pelo contribuinte, verifica-se que de fato houve um equívoco e tais diferenças devem ser excluídas da base de cálculo dos tributos devidos. Já quanto os valores transferidos entre contas não contabilizadas, os mesmos deverão ser excluídos da base de cálculo caso o órgão julgador não considerar ocorrida a preclusão prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70. 235/72. Em 07/05/2009, a 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu Acórdão julgando procedente em parte o lançamento (proc. fls. 1070 a 1088). De início a DRJ asseverou que a autoridade administrativa não tem competência para analisar a inconstitucionalidade da legislação tributária plenamente em vigor. Desta forma, as manifestações de inconformidade, sob o argumento de inconstitucionalidade, levantadas pelo Impugnante, no tocante ao percentual da multa de ofício, a utilização da taxa Selic e a quebra do sigilo bancário, não podem ser apreciadas pelo Colegiado. Referente à quebra do sigilo bancário, o órgão julgador a quo ainda relatou que a Constituição Federal outorga à administração tributária o poder de identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, com a finalidade de atender ao objetivo da capacidade contributiva, o que não tira o direito à privacidade, uma vez que a Fazenda Pública tem obrigação de conservar o sigilo. No mérito, a Turma asseverou que o lançamento se deu com base nos depósitos bancários não contabilizados tendo com fundamento legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ressaltou que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos no curso da ação fiscal. Apenas depois de autuado, o Impugnante apresentou demonstrativos alegando que não foram consideradas as transferência entre contas. Frente às informações prestadas pela DRF em resposta à diligência requerida, o Colegiado entendeu que não há como não considerar justificados os valores transferidos de uma conta corrente contabilizada para outra não contabilizada. Concluiu que tais valores devem ser excluídos da tributação. No que diz respeito aos erros de transcrição apontados pelo interessado, a Turma determinou a imediata correção dos valores no lançamento. Referente ao pedido de compensação de prejuízos fiscais acumulados, o órgão julgador administrativo afirmou que desde o ano-calendário de 1995, a redução do lucro real, em razão do aproveitamento de prejuízos acumulados, ficou limitada a 30%. Ocorre que o contribuinte apurou no ano-calendário de 2003, o IRPJ pelo lucro presumido, portanto, não há que se falar em compensação de prejuízos nesse ano-calendário. Já no ano-calendário de 2004, apurado pelo lucro real, a contribuinte possuía em 31/12/3004, saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores a compensar. Tal saldo é inferior ao limite de 30% mencionado, podendo ser compensado no referido ano-calendário. A Turma assinalou que com relação aos argumentos apresentados pelos 3 aditamentos, por terem sido trazidos ao processo intempestivamente, não podem ser acatadas as alegações trazidas a destempo (arts. 15 e 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72). Concernente à multa de ofício, o Colegiado aduziu que tendo em vista que o contribuinte amplamente debateu a imputação da multa quando da Impugnação, afastou-se o cerceamento do direito de defesa por não constar no Auto de Infração a alteração legal no respectivo dispositivo da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a multa. Ainda quanto à aplicação da multa, o órgão fazendário afirmou que a comprovação do subfaturamento das notas fiscais, bem como a falta de escrituração de contas bancárias, comprovam, de maneira inequívoca, o proposito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, reputando-se, portanto, aplicável ao caso concreto a multa na sua forma qualificada. O Fisco, no entanto, afastou a aplicação do agravamento da multa, pois entendeu que o contribuinte apresentou os arquivos solicitados, não causando obstá-los à fiscalização. Por fim, no que diz respeito ao questionamento da aplicação da taxa Selic, os julgadores relataram que existe previsão legal para a sua aplicação, bem como súmula do Conselho de Contribuintes neste sentido. Portanto, entendeu correta a aplicação da taxa Selic. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1115 a 1131. De início o Recorrente questionou a não apreciação dos argumentos trazidos nos aditamentos. Ressaltou que o próprio auditor fiscal atestou a autenticidade dos valores comprovados e, no entanto, a DRJ, em afronta ao Princípio da Verdade Material, não os analisou alegando que os documentos deveriam ter sido apresentados quando da Impugnação. Ainda como base neste Princípio, o Postulante afirmou que deu prosseguimento ao levantamento específico, crédito a crédito das contas corrente envolvidas, e apurou novos valores referentes a transferências ou cheques, com identidade de emitente e favorecido, nas mesmas contas utilizadas pelo auditor fiscal como receita omitida. Colacionou aos autos planilhas com estes novos valores. O Postulante alegou a inconsistência da base de cálculo. Argumentou que, tendo em vista que o montante inicialmente apontado como omitido corresponde a cerca de 61,77% do valor por ele declarado em DIPJ do ano-calendário de 2004, sua escrituração mostrou-se no mínimo insuficiente para apuração pela sistemática do Lucro Real. Desta forma, requereu o arbitramento do lucro. O Recorrente ainda mencionou que a DRJ não se manifestou sobre as demonstrações de possíveis fraudes em notas fiscais, a despeito de manifestação em sede de Impugnação. É o relatório.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16045.000829/2007­19  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1101­000.090  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  08 de agosto de 2013  Assunto  Sobrestamento  Recorrente  Cruzeiro Papeis Industriais Ltda.  Recorrida  Fazenda Nacional    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR o  julgamento,  por  se  tratar  de  tema  em  repercussão  geral,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram o presente  julgado. Divergiram o Conselheiro  José Ricardo da Silva e o Presidente  Marcos Aurélio Pereira Valadão.    (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente     (documento assinado digitalmente)  NARA CRISTINA TAKEDA TAGA ­ Relatora.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira  Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice­Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto  Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 45 .0 00 82 9/ 20 07 -1 9 Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 3          2 RELATÓRIO    Versam  os  presentes  autos  sobre  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou parcialmente  procedente a Impugnação apresentada.  Segundo consta do Relatório Fiscal (proc. fls. 42 a 58), a ação fiscal teve início  em 25/11/2005.  Em 15/12/2005, o fiscalizado apresentou parte dos documentos solicitados. Da  análise  dos  mesmos,  a  autoridade  fiscalizadora  constatou  “enormes  incongruências  em  milhares  de  notas  fiscais  de  saída,  com  discrepâncias  na  relação  VALOR  NF/PESO  para  mesmos produtos”, verificando uma diferença de até 1000% no quilo do produto.  Ademais, verificou­se preço de venda menor que o próprio custo do produto.  Intimado a entregar arquivo magnético das notas fiscais emitidas, o fiscalizado  “apresentou o arquivo de forma incompleta, sem os pesos bruto e líquido das notas fiscais, com  a  clara  intenção  de  dificultar  o  mapeamento  das  ilicitudes”.  Ante  tal  constatação,  o  contribuinte foi novamente intimado, dessa vez para apresentar os extratos bancários.  De  posse  dos  extratos,  a  autoridade  fazendária  verificou  “a  completa  inconsistência  dos  valores  em  confronto  com  as  declarações  de  CPMF  e  os  livros  diário  e  razão”, o que desencadeou na emissão de Requisição de  Informação sobre a Movimentação  Financeira RMF.  Obtidas  as  informações  das  instituições  financeiras,  o  auditor  fiscal  constatou  que a fiscalizada utilizou­se de contas não escrituradas em seus livros contábeis.  Após  circularização  junto  aos  clientes  do  contribuinte,  a  autoridade  administrativa  concluiu  pela  existência  de  verdadeiro  conluio.  Verificou­se  que  as  vias  dos  clientes  e  da  fiscalizada  registravam  os  mesmo  valores,  no  entanto,  o  valor  de  cobrança,  registrado em contas não escrituradas, era bem maior.  O  auditor  fazendário  procedeu  a  conciliação  entre  as  contas  bancárias,  para  excluir as transferências entre contas correntes, e intimou o fiscalizado a justificar a origem dos  depósitos bancários.  Mesmo após a concessão de prorrogação de prazo, a empresa não comprovou a  origem dos créditos. Destarte, em 17/12/2007, a fiscalização procedeu a lavratura dos Autos de  Infração de IRPJ (proc. Fls. 04 a 07), PIS (proc. Fls. 12 a 16), COFINS (proc. Fls. 23 a 27) e  CSLL (proc. Fls. 34 a 37) com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a presunção  legal de omissão de receitas.  E em 20/12/2007, foi lavrado o Auto de Infração de IPI (proc. Fls. 989 a 996)  por omissão de rendimentos apurada em decorrência de receita não comprovada.  Todos com multa de 225%.  Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 4          3 A  autoridade  lançadora  entendeu  restar  patente  a  intenção  dolosa  de  adiar  o  conhecimento  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  principal,  tendo  em  vista  a  sistemática e reitera omissão ao longo dos anos, a não contabilização/escrituração de contas de  depósitos, bem como o subfaturamento das notas ficais/faturas.  Tendo em vista que mesmo após prévio agendamento com os representantes da  empresa,  os  mesmos  não  compareceram  à  DRF  em  Taubaté  para  tomar  ciência  de  vários  Termos pertinentes à ação fiscal e dos Autos de Infração de IRPJ e reflexos, bem como para  devolução dos livros e documentos contábeis.  O auditor fiscal então se dirigiu à sede da empresa, mas não foram encontradas  pessoas  competentes  para  aptas  a  tomar  ciência.  Destarte,  foi  lavrado  o  Termo  de  Recusa  (proc.Fls. 796 e 797), considerando o contribuinte cientificado em 27/12/2007.  Em 24/01/2008, o contribuinte apresentou Impugnação (proc. Fls. 801 a 830).  Preliminarmente  o  Impugnante  alegou  que  sempre  forneceu  elementos,  livros  fiscais,  informações  bancárias,  entre  outros  documentos,  solicitados  pelos  agentes  fiscais  no  curso da ação fiscal, e a despeito disto foi aplicada multa de 225% sob os argumentos de que o  contribuinte tentou fraudar o fisco, lesar o erário e dificultar o trabalho da fiscalização.  Referente ao Termo de Recusa, o interessado afirmou que a impossibilidade de  comparecimento  do  diretor  presidente  à  DRF  em  Taubaté  foi  devidamente  comunicada  e,  inclusive,  se  foi  sugerido  que  outro  representante  da  empresa  comparecesse,  o  que  foi  rechaçado  pela  autoridade  fazendária  e  desencadeou  na  lavratura  do Termo  de Recusa,  bem  como na entrega dos Termos e do Auto de Infração na sede a empresa como é de praxe. Este  comportamento  do  auditor  fiscal  exemplifica  a  intenção  de  fazer  parecer  que  o  contribuinte  ofereceu resistência.  No mérito, o Impugnante mencionou que a despeito de todo o arrazoado erigido  pela fiscalização com intuito de demonstrar que houve saída de mercadorias sem nota, conluio  com os clientes etc., ao fim da fiscalização todos esses trabalhos foram descartados e o crédito  tributário foi integralmente lançado com base na presunção de ato ilícito, apoiado em confronto  das informações financeiras obtidas com o extrato da CPMF.  O Fisco entendeu como fraude a diferença de preço por quilo do produto.  Esclareceu  o  fiscalizado  que  discrepância  se  dá  devido  a  defeito  na  bobina  padrão vendida. O cliente, apesar de adquirir a bobina no peso padrão, paga apenas pelo que  for  utilizável,  descartando  o material  com  defeito. Devido  a  questões  técnicas,  não  é  viável  emendas na bobina,  o que  impede que  a  empresa elimine  a parte  com defeito dentro de  seu  estabelecimento. Desta  forma, a depender da metragem de  falha em uma bonina, o preço do  produto varia.  Mais  uma  vez  o  Impugnante  ressaltou  que  a  despeitos  de  todos  os  elementos  disponíveis para apuração do efetivo crédito tributário, a autoridade lançadora optou utilizar­se  de presunção legal.  O  contribuinte  manifestou­se  contrário  à  utilização  da  CPMF  para  fins  de  lançamento de crédito tributário sob o argumento de que as retenções da contribuição não são  aptas a retratar os acréscimos patrimoniais auferidos.  Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 5          4 Ademais, o Impugnante alegou a inconstitucionalidade do art. 11, § 3º da Lei nº  9.311/96,  e  ressaltou que  a violação ao  sigilo de dados  e  informações  somente pode ocorrer  mediante ordem judicial.  Outro ponto combatido pelo fiscalizado diz respeito à presunção de auferimento  de receita, em decorrência de diferenças entre saldos bancários e movimentação de CPMF.  Entendeu o  contribuinte que a presunção  somente deve ser  admitida em  casos  extremos, em que a recusa do contribuinte em colaborar justifique.  Já  no  que  diz  respeito  à  multa  aplicada,  o  Impugnante  afirmou  que  houve  cerceamento do seu direito de defesa tendo em vista que o incorreto enquadramento legal.  Ademais,  a  multa  no  percentual  de  225%  além  de  ser  confiscatória,  não  se  colacionou provas robustas de fraude, conluio ou sonegação fiscal.  Após  discorrer  sobre o  fato  gerador  do  imposto de  renda  e  sobre os  prejuízos  fiscais  acumulados,  o  Impugnante  alegou  que  caso  seja  entendido  que  o  crédito  tributário  é  legitimo e deverá ser mantido, não há fundamento legal para que a fiscalização impedir que o  contribuinte compense a parcela de 30% do lucro tributável, com o prejuízo fiscal acumulado  até 31/12/2007, escriturado na parte B do Lalur.  Por fim, o fiscalizado aduzir ser inconstitucional a utilização da taxa Selic.  Em 26/03/2008, 10/06/2008 e 18/06/2008, foram protocolizados Aditamentos à  Impugnação (proc. Fls. 843 a 845, 977 a 979 e, 851 a 856).  O contribuinte afirmou que a fiscalização se equivocou ao utilizar a mesma base  de cálculos para apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pois para apurar o IRPJ e a CSLL,  devem­se deduzir os valores correspondentes ao PIS/COFINS e demais consequitários.  Ademais, o fiscalizado alegou que ao analisar seus extratos bancários, percebeu  que vários dos ingressos na verdade são transferências de valores de uma conta para outra.  Alertou  ainda  que  a  fiscalização  majorou  indevidamente  o  crédito  tributário  apurado. Como exemplo, a fiscalização apontou como entrada no dia 30/04/2003 do montante  de R$ 755.001,00 quando na verdade o valor é de R$ 7.550,01 conforme se pode constatar à fl.  765. O mesmo se deu à fl. 789 em que o fisco apontou como valor creditado R$  28.676,00  quando  na  verdade  o  montante  é  de  R$  2.867,60  Ainda  em  seus  aditamentos  à  Impugnação,  o  contribuinte  requereu  a  dedução  do  IPI  apurado  no  lançamento  de  ofício  da  base de cálculo do IRPJ e da CSLL.  A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em 05/09/2008, converteu o julgamento  em  diligência  para  apuração  dos  fatos  apontados  pelo  contribuinte  às  fls.  852  a  854  (proc.  Fls.1027 a 1028).  Vou  encaminho  ao  contribuinte  Termo  de  Intimação  em  cumprimento  à  Diligência (proc. Fls. 1037 a), por meio do qual se se intimou o contribuinte a:  Comprovar a efetiva entrada de recursos na conta Caixa de alguns lançamentos;   Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 6          5 Apresentar  documentação  hábil  e  idônea  das  movimentações  financeiras  mencionadas na Impugnação às fls. 852/854 (transferências entre contas não contabilizadas, e  as divergências de valores apurados pela fiscalização).  O interessado apresentou manifestação, em 29/01/2009 (proc. Fls. 1042 a 1049).  O contribuinte relatou que procedeu a uma auditoria em suas contas bancárias e  além  dos  valores  já  relatados  em  sua  Impugnação,  verificou  cheques  emitidos  pelas  contas  bancárias  não  contabilizadas,  cujo  destino  foram  outras  contas  bancárias  também  não  contabilizadas, todos objeto de autuação, o que constitui exemplo típico de dupla tributação.  No que toca aos valores indicados pela autoridade fazendária, item 1 do Termo  de Intimação, o fiscalizado afirmou que os valores foram lançados a débito da conta Caixa e a  crédito na conta Banco. Juntou cópias dos Livros Razão e Diário.  Já concernente ao item 2, o contribuinte afirmou que “até a data de 30/09/2003,  nossa contabilidade não era integrada com o sistema financeiro, assim, os valores lançados não  eram  individualizados,  porém,  os  lançamentos  contemplam  pelos  valores  globais  as  importâncias questionadas”. Em seus esclarecimentos, o Impugnante mencionou que os valores  transferidos entre as contas não contabilizadas chega ao montante de R$2.558.803,85.  Requereu a exclusão dos mesmos da base de cálculo.  Em  resposta  à  diligência  realizada,  em  13/02/2009,  a  autoridade  fazendária  prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 1065 e 1066):  Os  valores  transferidos  de  uma  conta  corrente  contabilizada  para  outra  não  contabilizada,  não  elidem  a  omissão  de  receita;  Tais  valores  constam  na  contabilidade  da  empresa  como  transferência  a  débito  da  conta  CAIXA,  conforme  informação  do  próprio  contribuinte  e  Livro  Razão.  Desta  forma,  comprova­se  a  omissão  de  receitas  com  esses  lançamentos fictícios (CAIXA A BANCO), pois “as quantias mencionadas não representaram  efetivo ingresso de recursos na empresa e foram assim lançadas apenas com o intento de evitar  o  surgimento  de  saldo  credor  de CAIXA,  conquanto  nem  sempre  a  interessada  logra  êxito”.  Vários dos débitos na conta CAIXA não podem ser individualizados, pois como informado  pelo sujeito passivo, até 30/09/2003 a contabilidade não era integrada com o financeiro.  Concernente à divergência de valores indicada pelo contribuinte, verifica­se que  de  fato  houve  um  equívoco  e  tais  diferenças  devem  ser  excluídas  da  base  de  cálculo  dos  tributos devidos.  Já  quanto  os  valores  transferidos  entre  contas  não  contabilizadas,  os  mesmos  deverão  ser  excluídos  da  base  de  cálculo  caso  o  órgão  julgador  não  considerar  ocorrida  a  preclusão prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70. 235/72.  Em  07/05/2009,  a  3ª  Turma  da  DRJ  em  Ribeirão  Preto  proferiu  Acórdão  julgando procedente em parte o lançamento (proc. fls. 1070 a 1088).  De início a DRJ asseverou que a autoridade administrativa não tem competência  para  analisar  a  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária  plenamente  em  vigor.  Desta  forma,  as  manifestações  de  inconformidade,  sob  o  argumento  de  inconstitucionalidade,  Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 7          6 levantadas pelo Impugnante, no tocante ao percentual da multa de ofício, a utilização da taxa  Selic e a quebra do sigilo bancário, não podem ser apreciadas pelo Colegiado.  Referente à quebra do sigilo bancário, o órgão julgador a quo ainda relatou que  a Constituição Federal outorga à administração tributária o poder de identificar o patrimônio,  os  rendimentos  e  as  atividades  econômicas  do  contribuinte,  com  a  finalidade  de  atender  ao  objetivo  da  capacidade  contributiva,  o  que  não  tira  o  direito  à  privacidade,  uma  vez  que  a  Fazenda Pública tem obrigação de conservar o sigilo.  No mérito, a Turma asseverou que o lançamento se deu com base nos depósitos  bancários não contabilizados tendo com fundamento legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96.  Ressaltou que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos no curso da  ação fiscal.  Apenas  depois  de  autuado,  o  Impugnante  apresentou  demonstrativos  alegando  que não foram consideradas as transferência entre contas.  Frente às informações prestadas pela DRF em resposta à diligência requerida, o  Colegiado  entendeu  que  não  há  como  não  considerar  justificados  os  valores  transferidos  de  uma  conta  corrente  contabilizada  para  outra  não  contabilizada.  Concluiu  que  tais  valores  devem ser excluídos da tributação.  No que diz respeito aos erros de transcrição apontados pelo interessado, a Turma  determinou a imediata correção dos valores no lançamento.  Referente ao pedido de compensação de prejuízos fiscais acumulados, o órgão  julgador administrativo afirmou que desde o ano­calendário de 1995, a redução do lucro real,  em  razão  do  aproveitamento  de  prejuízos  acumulados,  ficou  limitada  a  30%.  Ocorre  que  o  contribuinte apurou no ano­calendário de 2003, o IRPJ pelo lucro presumido, portanto, não há  que se falar em compensação de prejuízos nesse ano­calendário.  Já no ano­calendário de 2004, apurado pelo lucro real, a contribuinte possuía em  31/12/3004, saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores a compensar. Tal saldo é inferior ao  limite de 30% mencionado, podendo ser compensado no referido ano­calendário.  A  Turma  assinalou  que  com  relação  aos  argumentos  apresentados  pelos  3  aditamentos, por terem sido trazidos ao processo intempestivamente, não podem ser acatadas  as alegações trazidas a destempo (arts. 15 e 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72).  Concernente  à multa  de  ofício,  o Colegiado  aduziu  que  tendo  em  vista  que  o  contribuinte amplamente debateu  a  imputação da multa quando da  Impugnação,  afastou­se o  cerceamento  do  direito  de  defesa  por  não  constar  no Auto  de  Infração  a  alteração  legal  no  respectivo dispositivo da Lei nº 9.430/96 que versa sobre a multa.  Ainda  quanto  à  aplicação  da  multa,  o  órgão  fazendário  afirmou  que  a  comprovação do subfaturamento das notas fiscais, bem como a falta de escrituração de contas  bancárias, comprovam, de maneira inequívoca, o proposito deliberado de impedir ou retardar o  conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, reputando­se,  portanto, aplicável ao caso concreto a multa na sua forma qualificada.  Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 8          7 O Fisco, no entanto, afastou a aplicação do agravamento da multa, pois entendeu  que o contribuinte apresentou os arquivos solicitados, não causando obstá­los à fiscalização.  Por  fim, no que diz  respeito  ao questionamento da  aplicação da  taxa Selic,  os  julgadores  relataram  que  existe  previsão  legal  para  a  sua  aplicação,  bem  como  súmula  do  Conselho de Contribuintes neste sentido. Portanto, entendeu correta a aplicação da taxa Selic.  O contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1115 a 1131.  De início o Recorrente questionou a não apreciação dos argumentos trazidos nos  aditamentos.  Ressaltou  que  o  próprio  auditor  fiscal  atestou  a  autenticidade  dos  valores  comprovados  e,  no  entanto,  a  DRJ,  em  afronta  ao  Princípio  da  Verdade  Material,  não  os  analisou alegando que os documentos deveriam ter sido apresentados quando da Impugnação.  Ainda como base neste Princípio, o Postulante afirmou que deu prosseguimento  ao  levantamento específico, crédito a crédito das contas corrente envolvidas, e apurou novos  valores  referentes  a  transferências ou  cheques,  com  identidade de  emitente  e  favorecido, nas  mesmas  contas  utilizadas  pelo  auditor  fiscal  como  receita  omitida.  Colacionou  aos  autos  planilhas com estes novos valores.  O Postulante alegou a inconsistência da base de cálculo. Argumentou que, tendo  em vista que o montante inicialmente apontado como omitido corresponde a cerca de 61,77%  do valor por ele declarado em DIPJ do ano­calendário de 2004, sua escrituração mostrou­se no  mínimo  insuficiente  para  apuração  pela  sistemática  do  Lucro Real. Desta  forma,  requereu  o  arbitramento do lucro.  O  Recorrente  ainda  mencionou  que  a  DRJ  não  se  manifestou  sobre  as  demonstrações de possíveis  fraudes em notas  fiscais,  a despeito de manifestação em sede de  Impugnação.  É o relatório.    Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 9          8 VOTO  Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora  O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazem­se necessárias algumas  observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF.  A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite  às  instituições  financeiras, por meio de RMF, as  informações pertinentes ao contribuinte  sob  fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei.   A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle  concentrado  de  constitucionalidade  como  em  Recurso  Extraordinário,  estando  ambos  pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal.  De  acordo  com  o  previsto  no  art.  62­A,  §  1º  do  Regimento  Interno  deste  Conselho ­ RICARF (Portaria MF nº 256/2009),  reconhecida a repercussão geral em sede de  Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser  sobrestados. Confira­se:  Art.  62­A. As decisões definitivas de mérito,  proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B. (grifei)  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes.   Ocorre  que  desde  23/10/2009,  o  STF  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir:  “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre  Movimentação  Financeira,  diretamente  ao  Fisco,  sem  prévia  autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de  aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência.  Relevância  jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”.  Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre  RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o  julgamento  da  repercussão  geral  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  tendo  em  vista  que  cabe  a  este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico.    Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000829/2007­19  Resolução nº  1101­000.090  S1­C1T1  Fl. 10          9 É como voto.  (documento assinado digitalmente)  Nara Cristina Takeda Taga ­ Relatora        Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10640.907764/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 05/10/2007 DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO Baixado o processo em diligência e concluído que não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior, improcede o recurso apresentado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Júlio César Alves Ramos - Presidente. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Júlio César Alves Ramos - Presidente. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 137          1 136  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10640.907764/2009­92  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.552  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de março de 2014  Matéria  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Recorrente  RIVELLI COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 05/10/2007  DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO  Baixado o processo em diligência e concluído que não há direito creditório a  ser  reconhecido  a  título  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  improcede  o  recurso apresentado.  Recurso Voluntário Negado  Crédito Tributário Mantido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou­se provimento  ao recurso nos termos do voto do relator.     (assinatura digital)  Júlio César Alves Ramos ­ Presidente.     (assinatura digital)  Fernando Marques Cleto Duarte ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 77 64 /2 00 9- 92 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Alves  Ramos  (Presidente),  Robson  Jose  Bayerl  (Substituto),  Jean  Cleuter  Simoes  Mendonca,  Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  contribuinte  RIVELLI  COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA em face de acórdão proferido pela Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora  (MG),  que,  por  unanimidade  de  votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade.   Cinge­se  a  controvérsia  em  pedido  de  compensação  efetuado  pela  contribuinte com fundamento em crédito oriundo de suposto pagamento indevido de Cofins.  Em  oportunidade  anterior,  este  Colegiado  converteu  o  julgamento  em  diligência para que  a  fosse  apurado o  valor que é devido, o  valor que  foi  efetivamente  pago e,  sendo assim, se a contribuinte possuía direito creditório em caso de pagamento a maior.  Por oportuno, transcrevo o relatório da resolução que converteu o julgamento em  diligência, verbis:  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  emitida  em  13.1.2006, cujo objetivo é compensar o débito nela declarado,  com crédito  consequente do pagamento indevido da COFINS, no valor de R$ 11.420,65.  Em  7.10.2009,  através  de  despacho  decisório  (fl.25),  a  DRF  Juiz  de  Fora  não  homologou  a  compensação  pleiteada,  dado  que  o  pagamento  foi  utilizado  na  quitação  de  outro  débito  da  contribuinte,  não  restando  saldo  disponível para compensação.  A empresa apresentou,  tempestivamente, em 19.11.2009, a Manifestação de  Inconformidade  (fl.1)  na  qual  alega  que:  “informou  no  referido  PER/DCOMP um DARF no valor de R$ 11.420.65  sendo que  erradamente  não retificou a DCTF ref ao 2º Semestre 2005, para corrigir a  informação  que estava incorreta na DCTF (...).”  Na decisão de 4.5.2011, a 2ª Turma da DRJ/JFA julgou a Manifestação de  Inconformidade improcedente, já que esta não leva aos autos a prova de que  o valor retificado fora apurado e declarado à Receita Federal do Brasil em  data anterior à  transmissão da DCOMP nº4093.92993.051007.1.3.04­1018,  ou que houve de fato erro na informação prestada em DCTF, contrariando  assim, o inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada  pela  Lei  º  8.748/93,  que  estabelece  que  a  “a  impugnação  mencionará  os  motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância  e as razões e provas que possuir”.  A DCTF apresentada constitui­se em confissão de dívida, logo os débitos não  declarados  e  não  pagos  são  exigíveis  ,  sendo  passíveis  de  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União  para  futura  execução  fiscal.  Sendo  assim,  o  pagamento  efetuado  foi  corretamente  alocado  ao  débito  declarado  pela  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10640.907764/2009­92  Acórdão n.º 3401­002.552  S3­C4T1  Fl. 138          3 empresa,  não  existindo  saldo  disponível  a  ser  usado  em  compensação,  na  data da transmissão da DCOMP.  Em  22.6.2.11,  a  contribuinte  foi  cientificada  do  acórdão  da  2ª  Turma  da  DRJ/JFA e , em 22.7.2011, apresentou recurso voluntário, no qual alega, em  síntese, que:   a)  A  omissão  da  Declaração  da  contribuinte  que  causou  a  retificação  da  DCTF fora do prazo, não significa que a contribuinte não tenha provado o  seu erro;  b)  Apesar  do  detalhamento  exaustivo  da  legislação  tributária  brasileira  acerca da compensação tributária, o que importa é apurar se o devedor, que  passa à condição de credor, tem o seu direito creditório legítimo ou não. E  se  esse  direito  creditório  é  legítimo,  não  pode  o  erro  na  declaração  de  vontade do devedor desconstituir absolutamente o seu direito de crédito;  c) Os argumentos da DRJ de que a contribuinte não provou as alegações da  Impugnação  são  improcedentes,  já  que  a  DCTF  retificadora  foi  encaminhada  à  SRF  como  a  decisão  reconhece.  Por  fim,  a  contribuinte  requer a reformulação do acórdão e, consequentemente, a homologação da  compensação realizada pela recorrente.  É o relatório.  Em  atendimento  à  diligência  solicitada,  a Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil em Juiz de Fora/MG apresentou a informação fiscal de fls. 122/126, na qual conclui que  que o pagamento da COFINS cumulativa, efetuado sob o código 2172, relativo ao período de  12/2005,  arrecadado  em  13/01/2006,  no  valor  de  R$  11.420,65  deve  ser  integralmente  vinculado  ao  respectivo  débito,  não  havendo  direito  creditório  a  ser  reconhecido  a  título  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  passível  de  utilização  na  DCOMP  nº  40933.92993.051007.1.3.04­1018.  A contribuinte tomou ciência da informação fiscal em 11.04.2013 (fls. 128) e  se  manifestou  por  meio  das  razões  adicionais  de  fls.  129/134,  requerendo  sejam  desconsiderados  os  novos  fundamentos  jurídicos  da  autoridade  fiscal,  bem  como  as  provas  apresentadas no bojo da diligência realizada, reconhecendo­se, portanto, o seu direito creditório  e a consequente compensação.  Após  a manifestação da  contribuinte,  os  autos  regressaram a  este Conselho  para julgamento do Recurso Voluntário.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte  DA ADMISSIBILIDADE  Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     4 O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a  sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço.  DO NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO  O  presente  processo  foi  devidamente  elucidado  pela  diligência  solicitada,  restando informado que a consultando os sistemas da RFB verifica­se que a empresa entregou a  Declaração do  Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ nº 0913760 (original), do exercício  financeiro  de  2006,  ano­calendário  de  2005,  em  29/06/2006,  utilizando  o  lucro  real  como  forma de tributação dos rendimentos, ao passo que efetuou, para o ano­calendário de 2005, os  pagamentos do IRPJ com código 2089 e da CSLL com código 2372, esses específicos de lucro  presumido, conforme telas anexadas às págs. 84/85.  Quanto  aos  débitos  da  COFINS,  esses  estão  demonstrados  nas  DACON  trimestrais  do  ano­calendário  de  2005,  apurados  com  base  na  incidência  cumulativa.  Os  respectivos débitos foram confessados nessa modalidade nas DCTF originais e recolhidos em  DARF sob o código 2172 (págs. 86/91 e 92).  Em 18/11/2009, a interessada retificou as DCTF alterando o código da receita  (5856),  passando  a apurar os débitos  da COFINS, para os meses de março a maio  e  julho  a  dezembro, com base na incidência não cumulativa (págs. 93/94). Para extinguir esses débitos  foram transmitidas diversas DCOMP com a utilização dos pagamentos da COFINS cumulativa,  código  2172,  supostamente  considerados  indevidos  pela  contribuinte.  No  presente  caso,  o  recolhimento  da COFINS,  referente  ao mês  de  abril,  no  valor  de R$ 10.002,50  foi  utilizado  como crédito na DCOMP nº 29132.43953.190207.1.3.04­6745 na quitação dos novos débitos  da  COFINS  não  cumulativa,  dos  meses  de  maio,  julho  e  agosto  de  2005,  apurados  pela  empresa, de acordo com a DCTF retificadora e vinculados à compensação (págs.95/97).  Ocorre que,  como  será  visto  a  seguir,  a opção  pela  tributação  com base no  lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira ou quota única do IRPJ devido  correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano­calendário  e  será definitiva em  relação  a  todo  o  ano­calendário.  E  mais,  nos  termos  do  inciso  II  do  artigo  8º  da  Lei  nº  10.637/02  e  do  inciso  II  do  artigo  10  da  Lei  nº  10.833/03,  a  pessoa  jurídica  tributada  pelo  imposto  de  renda  com  base  no  lucro  presumido  está  excluída  do  regime  não­cumulativo,  ficando  obrigada  ao  regime  cumulativo.  Consequentemente,  os  pagamentos  da  COFINS  cumulativa,  efetuados  sob  o  código  2172,  devem  ser  alocados  aos  respectivos  débitos  referentes  ao  ano­calendário  de  2005,  inexistindo  pagamento  indevido  ou  a  maior  para  ser  utilizado em DCOMP.  A mudança de opção do lucro presumido para o lucro real foi abordada com  precisão na Decisão SRRF/6ªRF/DISIT Nº 15, de 28/01/1999, abaixo transcrita.  Dispõe o artigo 26 da Lei nº 9.430/1996:  Art. 26 ­ A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada  em  relação  a  todo  o  período  de  atividade  da  empresa  em  cada  ano­ calendário.  § 1º ­ A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da  primeira  ou  única  quota  do  imposto  devido  correspondente  ao  primeiro  período de apuração de cada ano­calendário.  § 2º  ­ A pessoa  jurídica que houver  iniciado atividade a partir do segundo  trimestre manifestará a opção de que trata este artigo com o pagamento da  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10640.907764/2009­92  Acórdão n.º 3401­002.552  S3­C4T1  Fl. 139          5 primeira ou única cota do  imposto devido relativa ao período de apuração  do início de atividade.  §  3º  ­  A  pessoa  jurídica  que  houver  pago  o  imposto  com  base  no  lucro  presumido  e  que,  em  relação  ao  mesmo  ano­calendário,  alterar  a  opção,  passando  a  ser  tributada  com  base  no  lucro  real,  ficará  sujeita  ao  pagamento de multa e juros moratórios sobre a diferença de imposto paga a  menor.  § 4º ­ A mudança de opção a que se refere o parágrafo anterior somente será  admitida quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de  rendimentos e antes de  iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer  dos períodos de apuração do respectivo ano­calendário.  Ressalte­se  que  o  artigo  46  da  Lei  nº  10.637/02  alterou  o  limite  de  receita  bruta, nos seguintes termos: A partir de 01/01/2003, a pessoa jurídica cuja receita bruta total,  no  ano­calendário  anterior,  tenha  sido  igual  ou  inferior  a R$  48.000.000,00  (quarenta  e  oito  milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de  meses de atividade do ano­calendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar  pelo regime de tributação com base no lucro presumido.  Oportuno esclarecer que de acordo com os Manuais do Imposto de Renda, só  é  admitida  a  retificação  da declaração de  informações do  lucro presumido,  se o  contribuinte  comprovar  ter  formulado sua opção  irregularmente, ou seja, na hipótese em que a  legislação  fiscal torne obrigatória a tributação de sua atividade com base no lucro real, inclusive quando  tal fato tenha sido constatado em decorrência de procedimento de ofício.  Segundo  os  dados  informados  à  RFB,  e  observando­se  as  determinações  contidas no artigo 246 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), a empresa não se encontra obrigada à  apuração do lucro real, no ano­calendário de 2005, senão vejamos:  a) não possui receita superior a R$ 48.000.000,00 no ano­calendário de 2004;  b) não é instituição financeira ou assemelhadas;  c) não possui lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior;  d) não usufrui incentivos fiscais relativos à isenção ou redução do imposto de  renda;  e) não efetuou nenhum recolhimento a título de estimativa;  f) não é factoring.  Portanto, no caso vertente, não resta dúvida que a opção pela tributação com  base no lucro presumido, manifestada pela empresa com o pagamento do IRPJ (código 2089),  correspondente ao primeiro período de apuração do ano­calendário de 2005 é definitiva para  todo  ano­calendário,  razão  pela  qual  não  poderá  modificar  sua  opção  inicial  para  qualquer  outro sistema de tributação.  Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     6 Por  último,  verifica­se  na  legislação  que  não  são  contribuintes  da  contribuição para PIS/PASEP e da COFINS, no  regime não­cumulativo, as pessoas  jurídicas  tributadas pelo lucro presumido. A vedação encontra­se inserida no inciso II do artigo 8º da Lei  nº 10.637/02 (PIS/PASEP) e no inciso II do artigo 10 da Lei nº 10.833/03 (COFINS), in verbis:  Lei nº 10.637/02  Art. 8º ­ Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para  o  PIS/Pasep,  vigentes  anteriormente  a  esta  Lei,  não  se  lhes  aplicando  as  disposições dos arts. 1º a 6º:  (...);  II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro  presumido ou arbitrado.  Lei nº 10.833/03  Art. 10 ­ Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes  anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a  8º:  (...);  II ­ as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro  presumido ou arbitrado.  Diante  do  exposto,  pode­se  concluir  que  o  pagamento  da  COFINS  cumulativa,  efetuado  sob  o  código  2172,  relativo  ao  período  de  04/2005,  arrecadado  em  13/05/2005, no valor de R$ 10.002,50 deve ser integralmente vinculado ao respectivo débito.  Consequentemente, não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido  ou a maior passível de utilização na DCOMP nº 29132.43953.190207.1.3.04­6745. Portanto,  correto o despacho decisório emitido pela Autoridade Administrativa de não homologação da  compensação pleiteada.  CONCLUSÃO  Pelo exposto, conheço do recurso e, no mérito, nego­lhe provimento.  (assinatura digital)  Fernando Marques Cleto Duarte ­ Relator                               Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE

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Numero do processo: 10120.911585/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou da DACON, que contenham erro material. A DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicitar outras sempre que necessário. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 03/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou da DACON, que contenham erro material. A DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicitar outras sempre que necessário. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 03/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES     2 EDITADO EM: 03/07/2014  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva  (Presidente),  José  Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Maria  da  Conceição  Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.    Relatório  Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório  produzido pela DRJ de Brasília:  Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de  nº  02278.25830.  180507.1.3.044002,  transmitida  eletronicamente em 18/5/2007, com base em créditos relativos à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  Cofins.  A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  cujo  DARF  apresenta as seguintes características:  (...)  A  partir  das  características  do  DARF  foi  identificado  que  o  referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo  que não existia  crédito disponível para efetuar a  compensação  solicitada.  Assim,  em  7/10/2009,  foi  emitido  eletronicamente  o  Despacho  Decisório (fl. 44), cuja decisão não homologou a compensação  dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do  principal  correspondente  aos  débitos  informados  é  de  R$  76.104,27.  Considerado  cientificado  dessa  decisão  em  22/10/2009,  bem  como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito  passivo  apresentou  em  23/11/2009,  manifestação  de  inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa  A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação  dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o  crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar  o  valor  que  seria  realmente  devido.  Anexa  cópias  das  declarações retificadas.  Ao final, requer:  a)  Caso  não  haja  satisfeita  com  as  provas  juntadas  a  esta,  solicitar procedimento fiscalizatório para confirmá­las, voltando  a  vosso  crivo  com o  objetivo  de  confirmar  as  compensações  e  cassando o despacho decisório;  b) Ou satisfeito com os documentos ora anexados confirmar as  compensações cassando o despacho decisório.  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10120.911585/2009­29  Acórdão n.º 3302­002.224  S3­C3T2  Fl. 100          3 A  par  dos  argumentos  lançados  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  a  DRJ  entendeu  por  bem  indeferir  a  solicitação,  em  decisão  que  assim  ficou  ementada:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Ano calendário: 2007   APRESENTAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA.  PROVA  INSUFICIENTE  PARA  COMPROVAR  EXISTÊNCIA  DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.  Para  se  comprovar  a  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  a  maior,  comparativamente  com  o  valor  do  débito  devido  a  menor,  é  imprescindível  que  seja  demonstrado  na  escrituração  contábil  fiscal,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada  período  de  apuração.  A  simples  entrega  de  declaração  retificadora,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência de pagamento indevido ou a maior.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito passivo a demonstração, acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO.  A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte)  só  pode  ser  efetuada  com  crédito  líquido  e  certo  do  sujeito  passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada  nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o  crédito pleiteado é inexistente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   Contra  esta  decisão  foi  apresentado  Recurso  onde  são  reprisados  os  argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada  É o relatório.  Voto             Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES  O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e  dele tomo conhecimento.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES     4 Em  síntese,  a  Recorrente  advoga  a  existência  de  pagamentos  indevidos  e  junta  ao  processo  a  Dacon  retificadora  transmitida  em  data  anterior  ao  despacho  decisório  exarado pela DRF.  Por  outro  lado,  o  Acórdão  recorrido  assim  fundamenta,  em  síntese,  sua  decisão:  No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria retificado  a  Dacon  do  período,  o  que  comprovaria  erro  cometido  ao  informar  originalmente  os  valores  dos  débitos  referentes  às  contribuições.  Nota­se,  então,  que  o  crédito  que  a  interessada  alega  possuir  seria  decorrente  de  apuração  de  valor  devido  a  menor, apurado em data posterior à época da entrega da DCTF  original.Como  já me manifestei neste colegiado, entendo que a  retificação  da  DCTF  é  medida  que  obriga  a  autoridade  a  promover a verificação dos créditos alegados pelo contribuinte.  No  entanto,  neste  momento  processual,  para  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  informado  na  Declaração  de  Compensação  é  imprescindível  que  seja  demonstrada  na  escrituração  contábil  fiscal  da  contribuinte,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  a diminuição do valor do débito  correspondente a cada período de apuração.  Ainda,  neste  caso,  o  ônus  da  prova  recai  sobre  a  contribuinte  interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem  nenhuma dúvida quanto ao fato questionado.  (...)  Logo,  a  simples  entrega  da  declaração  retificadora,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência  de  pagamento  a  maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte  em sua Declaração de Compensação, ainda que esta declaração  tenha sido enviada antes da emissão do Despacho Decisório.  Assim,  uma  vez  não  comprovada  nos  autos  a  existência  de  direito  creditório  líquido  e  certo  do  contribuinte  contra  a  Fazenda  Pública  passível  de  compensação,  não  há  o  que  ser  reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa  A  existência  de  pagamento  indevido  ou  a maior  em  nenhum momento  foi  avaliada  pela DRF  de  Florianópolis,  que  se  limitou  a  informar  que  o  alegado  crédito  estava  totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF.  Ora,  como  tenho  me  manifestado  em  diversas  ocasiões,  no  âmbito  do  processo  administrativo  impera  o  princípio  da  verdade  material,  que  obriga  a  autoridade  administrativa  a  analisar  exaustivamente  os  fatos  alegados  pelos  contribuintes,  solicitando  inclusive  diligencias  e  apresentação  de  novas  provas  das  alegações  existentes  no  processo  administrativo fiscal.  A  existência  de  informação  na  DCTF  ou  na  DACON,  em  nada  altera  a  existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratarem a DCTF e a DACON,  de instrumentos de controle da própria Receita Federal.  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10120.911585/2009­29  Acórdão n.º 3302­002.224  S3­C3T2  Fl. 101          5 Sobre  este  tema,  são  elucidativas  as  conclusões  exaradas  pelo  eminente  Conselheiro  Walber  José  da  Silva,  que  assim  se  manifestou  no  processo  nº  10283.900064/2009­83, julgado recentemente por esta turma:  Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação  de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do  Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o  indeferimento  do  pedido  de  restituição  e,  conseqüentemente,  para  a  não  homologação  da  compensação  declarada  pela  Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB  apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando  todas  as  provas  trazidas  aos  autos  e  outras  que  julgar  imprescindível  para  apurar  a  verdade  material  e  formar  sua  convicção.  Nesta  linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da  liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros  mais  que  entender  necessários,  intimando  o  contribuinte  para  apresentá­los,  se  necessários,  tendo  por  norte  o  princípio  da verdade material,  e,  no  caso de  serem os  créditos  suficientes,  homologar  as  compensações  efetuadas.  Caso  contrário,  sejam  compensados  os  débitos  declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de  manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações.  Pro todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  presente recurso.   (assinado digitalmente)  Relator ALEXANDRE GOMES – Relator.                                Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES

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Numero do processo: 11065.000259/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. O creditamento relativo a depreciação de ativo atinge somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo industrial. TAXA SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. O ressarcimento das contribuições não-cumulativas deve ser feito pelo valor nominal, a teor do disposto no art. 13 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de vício formal, levantada de ofício pelo relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, não se conheceu parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negou-se provimento. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. O creditamento relativo a depreciação de ativo atinge somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo industrial. TAXA SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. O ressarcimento das contribuições não-cumulativas deve ser feito pelo valor nominal, a teor do disposto no art. 13 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2015; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 199          1 198  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11065.000259/2005­35  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.149  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de janeiro de 2014  Matéria  PIS NÃO­CUMULATIVO  Recorrente  H. KUNTZLER & CIA. LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  Ementa:  PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA  DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial  proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia  às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01.  DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO.  O  creditamento  relativo  a  depreciação  de  ativo  atinge  somente  os  bens  adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 e que sejam utilizados no processo  industrial.  TAXA SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS.  O ressarcimento das contribuições não­cumulativas deve ser feito pelo valor  nominal, a teor do disposto no art. 13 da Lei nº 10.833/2003.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  rejeitar  a  preliminar de vício formal, levantada de ofício pelo relator. Vencidos os conselheiros Antônio  Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de  votos, não se conheceu parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negou­se provimento.   RODRIGO DA COSTA PÔSSAS ­ Presidente.     BERNARDO MOTTA MOREIRA ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 02 59 /2 00 5- 35 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 200          2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.    Relatório    Por  bem  retratar  a  matéria  versada  no  presente  processo,  transcrevo  o  relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre:  1.  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Ressarcimento  de  Créditos  de PIS/Pasep  pela  sistemática da  não­cumulatividade,  entregue  em  27/01/2005,  sendo  que  o  valor  pleiteado  no  montante de R$ 214.828,37.  2.  A  delegacia  de  origem,  reconheceu  parcialmente  o  direito  creditório em favor da requerente, até o valor de R$ 182.449,06,  relativo ao saldo credor da contribuição em comento, dado que  a  interessada  deixou  de  oferecer  à  tributação  as  receitas  decorrentes da  transferência de créditos do ICMS a  terceiros e  bem  como  os  valores  relativos  ao  crédito  presumido  de  IPI,  assim  como  incluiu  indevidamente  na  base  de  cálculo  dos  créditos a descontar o valor  total  das despesas de depreciação  incorridas no mês.  3.  A  interessada  apresentou,  tempestivamente, manifestação  de  inconformidade  endereçada  a  esta  Delegacia  de  Julgamento,  alegando  que  o  entendimento  da  transferência  de  ICMS  como  receita está destituído de qualquer alicerce jurídico ou contábil.  Explica que só se pode caracterizar uma operação como receita  se, uma vez ocorrida, houver alteração patrimonial da empresa,  através de lucro ou prejuízo. Assim, conta contábil de "Receita"  é caracterizada como uma "conta de resultado". Também alega  que a transferência de ICMS não modifica as receitas/resultados  da empresa, pois débito e crédito não são registrados em contas  de "Receitas", e sim em contas Patrimoniais.  4. Também discorda quanto à inclusão do crédito presumido do  IPI  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  [...].  Ressalta  a  impugnante que é plenamente legítimo atualizar, pela taxa Selic,  seus  créditos  indevidamente  indeferidos,  desde  a  apresentação  do  pedido  até  o  devido  ressarcimento.  Requer  seja  deferido  o  ressarcimento da contribuição para o Pis objeto da glosa fiscal  ora  impugnada,  no  valor  de  R$  32.329,31,  acrescido  da  taxa  Selic.  A  par  dos  argumentos  lançados  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  a  DRJ  entendeu  por  bem  indeferir  a  solicitação  em  decisão  que  assim  ficou  ementada:  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 201          3 Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  Ementa: CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL  A  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda,  de  ação  judicial  ­  por  qualquer  modalidade  processual  ­,  antes  ou  posteriormente  à  autuação,  com  o  mesmo  objeto,  importa  a  renúncia  às  instâncias  administrativas,  ou  desistência  de  eventual recurso interposto.  Solicitação Indeferida  Isto é, por meio do Acórdão nº 7.677, de 6 de abril de 2006, a 2ª Turma da  DRJ em Porto Alegre: a) não tomou conhecimento da questão da incidência de PIS e Cofins na  cessão de créditos de ICMS, por concomitância com o mandado de segurança interposto; e b)  negou o direito de corrigir o ressarcimento pela taxa Selic.  Em tempo hábil, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho  alegando,  preliminarmente,  que  impetrara  mandado  de  segurança  preventivo  (sob  o  nº  2005.71.08.010774­8), em 18 de outubro de 2005, no sentido de que a autoridade coatora se  abstivesse de  considerar  como  receita os valores  referentes  às  transferências de  ICMS que  a  impetrante  realiza  para  terceiros,  e  com  isso  se  abstivesse  de  glosar  dos  pedidos  de  ressarcimento/compensação os valores correspondentes à incidência da contribuição para o PIS  e  a  COFINS  sobre  os  referidos  valores.  A  liminar  foi  concedida  em  sede  de  agravo  de  instrumento perante o TRF da 4ª Região. A liminar foi cientificada à autoridade coatora, que, a  partir daquela ciência, ficava impossibilitada de exigir as contribuições sobre as transferências  de  ICMS. No entanto, em momento algum essa decisão surtiu efeito em relação ao passado,  tanto  que  os  pedidos  apresentados  anteriormente,  os  quais  já  tinham  sido  impugnados  administrativamente não foram pagos à empresa. Logo, não analisar o mérito sob o argumento  de que o mesmo estaria sendo analisado na via judicial, não prospera neste caso, na medida em  que  o  processo  impugnado  é  anterior  à  impetração  do mandado  de  segurança. Desta  forma,  requer  o  acolhimento  desta  preliminar  para  que  o mérito  de  sua  impugnação  seja  analisado  pelos  fundamentos  que  passa  a  expor.  Relativamente  à  questão  das  cessões  de  créditos  de  ICMS alegou, em síntese, que os valores recebidos não se caracterizam como receita passível  da incidência do PIS e da COFINS. Requereu que o ressarcimento sofra a correção pela taxa  Selic.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Bernardo Motta Moreira  O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e  dele tomo conhecimento.  Constata­se que, no caso em comento, a Fiscalização, ao analisar o pedido de  ressarcimento de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS, entendeu por bem glosar  parte dos créditos pleiteados sob o argumento de que a Recorrente deixou de incluir na base de  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 202          4 cálculo da contribuição declarada e recolhida valores relativos as transferências para terceiros  de seus saldos credores de ICMS.  Ou  seja,  independentemente  da  questão  de  se  tratarem  ou  não  de  novas  receitas  nos  termos  da  Lei  10.637/02,  tema  objeto  do  mandado  de  segurança  que  levou  à  potencial  renúncia  à  esfera  administrativa,  percebo  que  há  um  tema  de  fundo  que  merece  análise  preliminar,  qual  seja,  a  modificação  da  base  de  cálculo  do  tributo  em  sede  de  declaração de compensação.  A matéria tratada é de ordem pública, podendo ser conhecida de ofício pelo  julgador  administrativo,  pois  claramente  ofende  o  princípio  da  legalidade,  afrontando  o  disposto nos artigos 13, § 1º; 114, 115, 116,  incisos  I e  II, 142, 144 e 149,  todos do Código  Tributário Nacional.  O  Conselho  Administrativo  de  Recurso  Fiscais  tem  reiteradamente  se  manifestado a respeito do tema, como na ementa abaixo transcrita:  Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005  CONTRIBUIÇÃO  AO  PIS  NO  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  GERADOS.  PEDIDO  DE,  COMPENSAÇÃO  DOS  CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS. FISCALIZAÇÃO PARA  APURAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CONTRIBUIÇÃO  NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO.  A  sistemática  de  creditamento  da  COFINS  e  do  PIS  não­ cumulativos  não  permite  que,  em pedido  de  compensação,  seja  sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de  valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor,  decorrentes  da  revisão  da  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição.  Se a  fiscalização entende que valores como o de  transferências  de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da Contribuição,  tem de promover a  sua exigência necessariamente por meio de  lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do  crédito que o  contribuinte utilizou para o pagamento de outros  tributos, que ficariam a descoberto.  Recurso Voluntário Provido.  Do voto do eminente Conselheiro Ivan Alegretti, cito e adoto como razão de  decidir o seguinte trecho:  “Assim, por  entender que o contribuinte  teria deixado de  fazer  incidir  a  Contribuição  ao  PIS  em  relação  aos  valores  correspondentes  à  venda  de  créditos  de  ICMS,  a  Fiscalização  utilizou  parte  do  saldo  de  créditos  para  o  pagamento  do  valor  que corresponderia ao débito de PIS relativo à venda de créditos  de ICMS.  Na  linha  de  manifestações  anteriores  deste  Conselho,  entendo  que o procedimento é equivocado.  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 203          5 A  sistemática  não  cumulativa  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  não  funciona  tal  como  a  sistemática  de  apuração  do  IPI, como parece pretender a Fiscalização.  No caso do IPI se promove a escrituração de créditos e débitos  para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre  tais  valores,  obter­se  (a)  ou  um saldo credor  que  é  transferido  para  aproveitamento  no  período  subseqüente  (b)  ou  um  saldo  devedor ­ que implica em recolhimento do tributo.  No  caso  do  PIS  e  da  COFINS  a  incidência  e  a  apuração  não  dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência  se  dá  sobre  a  receita  ou  o  faturamento,  determinando  o  valor  devido,  independente  da  existência  de  créditos  que  possam  ser  usados para redução deste valor.  Com  efeito,  a  única  diferença  da  sistemática  não  cumulativa  reside em permitir que "Do valor apurado na forma do art. 2º a  pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação  (...)" (art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10833/2003).  É  nítido,  portanto,  que  os  créditos  gerados  no  sistema  não  cumulativo da COFINS e do PIS não compõem nem  interferem  na apuração da base de cálculo destas mesmas Contribuições.  No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de PIS  não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do  crédito  a  titulo  de  "irregularidade",  reduzindo  o  saldo  de  créditos  ­  como  meio  indireto  para  promover  a  revisão  e  ampliação da base de cálculo da Contribuição, para o efeito de  cobrança  dos  valores  que  entende  devidos.  Se  a  Fiscalização  entende  que  determinado  valor  recebido  pelo  contribuinte  configura  receita  sujeita  às  referidas  Contribuições,  de  modo  que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que  o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito  pelo meio próprio: o lançamento.  Confira­se,  ademais,  que  o  presente  entendimento  reitera  a  jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores:  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  COFINS  NÃO  CUMULATIVA.  BASE  DE  CÁLCULO  DOS  DÉBITOS  DIFERENÇA  A  EXIGIR  NECESSIDADE  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  A  sistemática  de  ressarcimento  da  COFINS  e  do  PIS  não­cumulativos  não  permite  que,  em  pedidos  de  ressarcimento,  valores  como o de  transferências de  créditos de  ICMS,  computados  pela  fiscalização  no  faturamento,  base  de  cálculo  dos  débitos,  sejam  subtraídas  do montante  a  ressarcir.  Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja  efetuado lançamento de oficio.  RESSARCIMENTO.  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  JUROS  SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam  os  juros  Selic,  inconfundível  que  é  com  a  restituição  ou  compensação,  sendo  que  no  caso  do  PIS  e  COFINS  não­ Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 204          6 cumulativos os  arts.  13  e 15, VI,  da Lei  nº  10833/2003,  vedam  expressamente tal aplicação.  Recurso provido em parte.  (Acórdão  2031.1852,  Recurso  Voluntário  nº  130.611,  Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS D.O.U de  06/06/2007, Seção I, pág. 49)  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  LANÇAMENTO.  Constatado  que,  na  apuração  do  tributo  devido,  no  âmbito  do  lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à  tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõe­se  o  lançamento para formalização da exigência  tributária, pois a  mera  glosa  de  créditos  legítimos  do  sujeito  passivo  configura  irregular  compensação  de  oficio  com  crédito  tributário  ainda  não  constituído  e,  portanto,  destituído  da  certeza  e  da  liquidez  imprescindíveis a sua cobrança.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  PIS  NÃO­ CUMULATIVO  .  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA  .  INCABÍVEL.  É incabível a atualização monetária do saldo credor do PIS não  cumulativo objeto de ressarcimento.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  (Recurvo  Voluntário  nº  140.760,  PA  nº  11065.002884/200511,  Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, j. 22/07/2008)  No mesmo sentido cito ainda:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002  Ementa:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  PIS/Pasep  NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ERRO NA BASE DE  CÁLCULO  DO  PIS/Pasep  .  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  A  sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo não  exime a  autoridade  fiscal  de  proceder  ao  lançamento  de  ofício  para exigir eventual diferença da contribuição deduzida do valor  do  crédito  para  fins  de  ressarcimento.  No  caso,  a  autoridade  fiscal limitou­se a reduzir o valor do saldo a ressarcir mediante  mero  ajuste  escritural,  aumentando o  valor da  contribuição ao  PIS/Pasep  diminuída  do  ressarcimento,  em  detrimento  de  lançamento  de  ofício  para  a  constituição  do  crédito  tributário  correspondente.  RESSARCIMENTO PIS/PASEP REGIME NÃO­CUMULATIVO.  ATUALIZAÇÃO  MONETÁRIA  E  JUROS.  O  artigo  15,  combinado com o artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003,  vedam  expressamente  a  aplicação  de  qualquer  índice  de  atualização  monetária  ou  de  juros  para  este  tipo  de  ressarcimento.  Recurso provido em parte  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 205          7 (Processo n° 11065.005339/200315. Recurso n° 134.005 Relator  ODASSI GUERZONI FILHO. J 27/01/2007).”  Como se vê, é fato inconteste que, havendo discordância da base de cálculo  utilizada para a apuração da contribuição devida no mês é dever da autoridade fiscal promover  o respectivo lançamento, não sendo­lhe permitido, em substituição a este, promover a glosa de  créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação.  Diante  dos  precedentes  citados,  entendo  que  as  glosas  decorrentes  da  não  inclusão  na  base  de  calculo  do  PIS  dos  valores  relativos  as  transferências  para  terceiros  de  saldos  credores  do  ICMS  devem  ser  canceladas,  e  eventual  discussão  acerca  da  incidência  sobre as operações efetuadas pela Recorrente deverá ser tratada mediante lavratura de auto de  infração.  Tendo sido superada a preliminar de nulidade por vício formal levantada por  este Relator,  é  forçoso  reconhecer que, conforme  relatado pela própria Recorrente, o mesmo  direito discutido neste processo foi submetido ao Poder Judiciário no mandado de segurança nº  2005.71.08.010774­8.  Existindo  discussão  simultânea  da  mesma  questão  nas  vias  administrativa e judicial, incide o enunciado da Súmula CARF nº 1, na consolidação efetuada  por meio da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009:  Súmula  CARF  n°  1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do  lançamento  de  oficio,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do processo judicial.  Isso implica no não conhecimento parcial do Recurso Voluntário.  Quanto  à  parte  conhecida,  no  que  diz  respeito  às  glosas  de  pretendidos  créditos  relativos  a valores  referentes  à depreciação, vejo que  andou bem a decisão da DRJ,  uma vez que, no caso dos autos, os bens não foram utilizados no processo produtivo. Trata­se  dos  bens  relacionados  nas  fls.  79/80  do  e­processo  (balcões  para  a  recepção,  arquivos,  bebedouros,  computador,  impressora,  “no  break”,  licença  de  software,  manutenção  de  computadores,  veículos,  peças  para  veículos,  etc),  que,  evidentemente,  não  são  utilizados  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço, conforme os demonstrativos  apresentados pela própria contribuinte.  Ademais,  o  recurso  trouxe  a  fundamentação  da  questão  relativa  à  natureza  jurídica das cessões de crédito do ICMS e o pedido de correção pela taxa Selic. No tocante à  questão da correção do ressarcimento pela taxa Selic, a matéria foi regulada expressamente na  Lei nº 10.833/03, cujo art. 13 assim estabelece:  “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art.  3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2ºdo art. 6º, bem como do § 2º e inciso  II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária  ou incidência de juros sobre os respectivos valores”.  Fl. 210DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000259/2005­35  Acórdão n.º 3301­002.149  S3­C3T1  Fl. 206          8 Em face do exposto, tendo sido superada, por maioria, a preliminar por mim  levantada,  voto  no  sentido  não  conhecer  parcialmente  o  recurso  e,  na  parte  conhecida,  em  negar provimento.     Bernardo Motta Moreira   Relator                               Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 11070.900206/2008-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 40          1 39  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11070.900206/2008­90  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­004.160  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de abril de 2013  Matéria  PIS – COMPENSAÇÃO  Recorrente  IRMÃOS SALVATI LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 15/01/2004  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  COMPROVAÇÃO.  Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e  fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena  de  acatamento  do  ato  administrativo  realizado,  em  momento  processual  previsto em lei.  DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO.  DCTF  e  DACON  retificadores  apresentados  após  a  ciência  do  despacho  decisório  somente  produz  efeitos  quando  acompanhada  de  documentação  capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso.  À  exceção  do  Relator  os  demais  Conselheiros  e  Suplentes  votaram  pelas conclusões.  [assinado digitalmente]  Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício  [assinado digitalmente]  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa  (Presidente),  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Juliano  Eduardo  Lirani,  Paulo  Guilherme     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 02 06 /2 00 8- 90 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA     2 Deroulede,  Hélcio  Lafetá  Reis,  Adriana  Oliveira  e  Ribeiro.  Ausente  justificadamente  o  Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.  Relatório  Trata­se de PER/DCOMP transmitido em 13/08/2004 que buscou compensar  créditos de PIS/Pasep alegadamente pago  indevidamente ou a maior, de período de apuração  dezembro de 2003, com débitos de COFINS e PIS/Pasep, ambos de competência de julho de  2004, no valor total de R$ 3.980,44  Através de Despacho Decisório eletrônico,  recebido em 24/04/2008, a DRF  em  Santo  Ângelo/RS  não  homologou  o  pedido  do  contribuinte  indicando  que,  a  partir  das  informações do DARF  indicado  foram  localizados pagamentos, mas  integralmente utilizados  para a quitação de débitos do sujeito passivo.  Irresignado  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  que  transcreveremos, em sua integralidade, abaixo:    Anexou DACON e DCTF retificadores transmitidos em 19/05/2008.  A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação apresentada. Fundamentou  sua  decisão  na  falta  de  provas  para  se  comprovar  o  direito.  Discorre  acerca  da  falta  de  espontaneidade da retificação da DCTF e DACON após o inicio do procedimento fiscal, e em  consequência, a falta do caráter probatório destas. Ementou como se segue:  Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900206/2008­90  Acórdão n.º 3803­004.160  S3­TE03  Fl. 41          3   Inconformada  o  contribuinte  protocolou  Recurso  Voluntario  sucinto  que  transcreverei a seguir na sua íntegra:    Anexa  “planilha  de  calculo  contábil  de  PIS”,  extratos  de  balancete  de  verificação, copias do Razão Analítico e Diário Geral.  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator  Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA     4 O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento.  Das  retificações  da  DCTF  e  da  DACON  posteriores  ao  Despacho  Decisório.  Especificamente  em  relação  à  redução  dos  débitos  tributários,  é  oportuno  ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON  retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindo­as integralmente.  Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não  pode  mais  ser  admitida  como  prova  suficiente  para  redução  do  valor  do  tributo  devido.  Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº  1.110, de 24 de dezembro de 2010 e do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 543,  de 20 de maio de 2005, a seguir transcritos:  “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas  hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação  de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas  normas estabelecidas para a declaração retificada.  § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada  e  servirá  para  declarar  novos  débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados  ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.  §  2  º  A  retificação  não  produzirá  efeitos  quando  tiver  por  objeto:  I ­ reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições:  a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­ Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  para  inscrição  em  DAU,  nos casos em que importe alteração desses saldos;  b)  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas  prestadas  na  DCTF,  sobre  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  já  tenham  sido  enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou  c)  que  tenham  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização.  II  ­  alterar  os  débitos  de  impostos  e  contribuições  em  relação  aos  quais  a  pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada  de  início  de  procedimento fiscal.  § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte  em alteração do montante do débito  já  enviado à PGFN para  inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame  em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada  pela  RFB  nos  casos  em  que  houver  prova  inequívoca  da  ocorrência  de  erro  de  fato no  preenchimento  da  declaração  e  enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos”  “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no  Dacon  serão  formalizados  por  meio  de  Dacon  retificador,  Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900206/2008­90  Acórdão n.º 3803­004.160  S3­TE03  Fl. 42          5 mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  o  demonstrativo retificado.  §  1º  O  Dacon  retificador  terá  a  mesma  natureza  do  demonstrativo  originariamente  apresentado,  substituindo­o  integralmente, e  servirá para declarar novos débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos  informados  em  demonstrativos  anteriores.  § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar  os  débitos  relativos  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  à  Cofins:  I  ­  que  já  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição  em Dívida  Ativa  da União,  nos  casos  em que o pleito importe alteração desses débitos;  II ­ em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em  procedimento  de  ofício,  relativas  às  informações,  indevidas  ou  não  comprovadas,  prestadas  no  Dacon  original  e  que  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição em Dívida Ativa da União; ou  III ­ em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado  do início de procedimento fiscal. Grifamos”  O  contribuinte  retificou  a DCTF  e DACON  do  período,  após  a  ciência  do  despacho  decisório,  com  isso  as  declarações  retificadoras,  não  produzem  os  efeitos  modificativos dos débitos originalmente confessados.  Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito.  O  reconhecimento  de  direito  creditório  contra  a  Fazenda  Nacional  exige  averiguação  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  a  maior  de  tributo.  A  fim  de  comprovar  a  certeza  e  liquidez  do  crédito,  a  interessada  deve  instruir  sua  manifestação  de  inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos  artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972:  “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará: (...)  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)”  No  caso  em  análise,  o  contribuinte  esclarece  que  teria  apurado  créditos  de  PIS/Pasep, contudo, para comprovar a  liquidez e certeza do crédito informado na Declaração  de  Compensação  é  imprescindível  que  seja  demonstrada  através  da  escrituração  contábil  e  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA     6 fiscal  da  contribuinte,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos  a  diminuição  do  valor  do  débito correspondente a cada período de apuração.  A  Contribuinte  não  juntou  aos  autos,  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade, nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza  do credito apontado.  Da apresentação das provas.  O  mesmo  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/72  em  seu  §  4º  determina  o  momento  processual  para  a  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo  fiscal,  bem  como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir:  “§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:    a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.”  A  analise  da  norma  supracitada  é  clara  e  direta  ao  estabelecer  o momento  correto  a  serem carreadas  as provas  a  fim de  substanciar os  argumentos da  interessada, qual  seja, na manifestação de inconformidade.  A mesma norma elenca as possibilidades para a apresentação de provas em  outro momento processual. Nenhuma das hipóteses acima alberga o caso do sujeito passivo. O  direito da contribuinte em arrolar documentos probatórios está precluso.  Ressaltamos que em sede de Recurso Voluntário o contribuinte carreou aos  autos tão somente, partes do que chamou de balancete de verificação onde aparece apenas as  contas de Passivo, o mesmo em relação às contas razão, bem como Diário do mês de maio, não  trazendo  documentos  fiscais  de  compras  das  mercadorias  de  pessoas  físicas  nem  mesmo  a  escrita fiscal que registrou tais entradas.  Conclusão  A  retificação  da  DCTF  e  da  DACON  após  o  conhecimento  do  despacho  decisório não produz os efeitos pretendidos pela requerente, restava ao contribuinte comprovar  seu  direito  creditório  em  manifestação  de  inconformidade,  não  o  fez.  Somente  em  recurso  voluntario  anexa  escrituração  contábil,  porém  nesse  momento  processual  as  provas  só  são  admitidas nos casos elencados no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo o caso  da  contribuinte.  Mesmo  que  fossem  admitidas  as  provas  anexadas  em  sede  de  Recurso  Voluntario,  estas  se  mostram  insuficientes  a  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  direito  perseguido. Nada a reparar na decisão da DRJ/POA.  Pelo  exposto  voto  por NEGAR PROVIMENTO e  não  reconhecer o  direito  creditório.  É como voto.  Sala das Sessões, 25 de abril de 2013.  Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900206/2008­90  Acórdão n.º 3803­004.160  S3­TE03  Fl. 43          7 (assinado digitalmente)  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator                            Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA

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