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Numero do processo: 11080.900495/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
NULIDADE DE DECISÃO. NÃO CONHECIMENTO DA DEFESA. PROCEDÊNCIA DO RECURSO.
É nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada, quando os fundamentos do despacho decisório que não homologou a DCOMP foram devidamente enfrentados.
Numero da decisão: 1302-003.649
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 NULIDADE DE DECISÃO. NÃO CONHECIMENTO DA DEFESA. PROCEDÊNCIA DO RECURSO. É nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada, quando os fundamentos do despacho decisório que não homologou a DCOMP foram devidamente enfrentados.
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NÃO CONHECIMENTO DA DEFESA. PROCEDÊNCIA DO RECURSO. É nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada, quando os fundamentos do despacho decisório que não homologou a DCOMP foram devidamente enfrentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito de pagamento indevido ou maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 04 95 /2 00 9- 99 Fl. 423DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.649 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.900495/2009-99 Após análise, a DRF/Porto Alegre não homologou a compensação por não ter apurado crédito disponível, uma vez que o pagamento estaria totalmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando resumidamente: => entregou sua DIPJ referente ao ano-calendário de 2003, em 30 de junho de 2004; => em 04 de fevereiro de 2005, tal declaração foi retificada, mas, por lapso, deixou de retificar a DCTF; => ao retificar a DIPJ, viu que foram pagos IRPJ e CSLL a maior, em setembro, outubro e dezembro de 2003, e por ter pago tributos a maior, efetuou pedidos de restituição de CSLL e IRPJ e compensação com outros débitos; => entretanto, a RFB não reconheceu essa diferença paga a maior, pois confrontou somente as DCTFs com os DARFs, sem analisar a DIPJ retificadora, e portanto, não reconheceu o crédito, nem homologou o pedido de compensação. A 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre decidiu não conhecer da manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário:2009 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. COMPETÊNCIA. O julgamento pela DRJ de manifestações de inconformidade contra despachos decisórios só é possível quando, cumulativamente (a) essas se refiram a questões expressamente apreciadas no despacho decisório e (b) a contribuinte demonstre sua irresignação contra o que foi decidido. Questões não apreciadas na origem transbordam a competência de julgamento das DRJ (art. 229, IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010). No entendimento da Turma da DRJ, o contribuinte não teria atacado os fundamentos do Despacho Decisório, uma vez que alterou a questão de fato conhecida da decisão, consistente nos dados declarados na DCTF na qual confessou os débitos objeto da apreciação pela DRF. Concluiu que houve concordância tácita com o Despacho Decisório. Entende que a nova situação de fato originada a partir da entrega da nova DCTF não pode ser conhecida por aquela Delegacia de Julgamento por não ter sido objeto de apreciação prévia pela DRF. O recurso voluntário foi apresentado trazendo as seguintes alegações: Preliminarmente: da violação do devido processo legal - artigo 74 da Lei nº 9.430/96. - o julgador se equivocou, afirmando que atacou os fundamentos da decisão, pois, objetivando evidenciar a origem do crédito, elencou os fatos ocorridos para impugnar o Despacho Decisório, sendo incorreto o entendimento nas razões de decidir. Fl. 424DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.649 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.900495/2009-99 - em sua manifestação aduziu que não assiste razão ao julgador quando sustenta que todo o valor havia sido utilizado para o adimplemento dos tributos, mas que houve apenas ausência de retificação da DCTF, existindo crédito de IRPJ e CSLL para compensação. - naquela defesa alegou, ainda, que não pode ser prejudicada pelo falho sistema da Receita Federal. que deixou de verificar os dados constantes da DIPJ retificadora, acrescentando ainda que "erros ou equívocos, seja por parte do Fisco, seja por parte do contribuinte, não têm o condão poder de transformarem em fatos geradores de obrigação tributária." - conclui que houve a impugnação dos argumentos do Despacho Decisório, e que a decisão ora atacada violou o devido processo legal, suprimindo seu direito de defesa, e afrontando o artigo 74,§§ 9º e 11º da Lei nº 9.430/96, o que acarreta sua nulidade nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. No mérito, repete as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Posteriormente, protocolou documento onde informa que o nome empresarial foi alterado de INNOVA S/A para VIDEO-LAR S.A, assim como o CNPJ também foi alterado para 04.229.761/0001-70. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lúcia Miceli, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Assiste razão à recorrente quanto à alegação de nulidade da decisão recorrida. A manifestação de inconformidade atacou as razões de decidir do Despacho Decisório, questionando o fato de tão somente se fundamentar nas informações constantes na DCTF apresentada, deixando de verificar outras declarações também disponíveis nos Sistemas da Receita Federal, no caso a DIPJ/2004 retificada desde 2005. Isto é uma questão de mérito, e precisa ser enfrentada pelo julgador a quo, sob pena de cerceamento ao direito de defesa, como de fato ocorreu no presente caso. Se a retificação da DCTF estiver lastreada em documentos hábeis e idôneos que comprovem a sua retidão, o direito creditório deve ser reconhecido caso verificado que houve o pagamento a maior ou indevido. Corroborando este entendimento, a própria Administração emitiu Parecer Normativo COSIT nº 2, de 01/09/2015, admitindo a retificação de DCTF após a ciência de Despacho Decisório que não homologa a compensação. Abaixo, transcrevo a ementa: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, Fl. 425DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.649 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.900495/2009-99 podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto-lei nº 2.124, de 13 de junho Fl. 426DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.649 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.900495/2009-99 de 1984; art. 18 da MP nº 2.189-49, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. Conclusão Diante de todo o exposto, por entender que se aplica o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de nulidade da decisão recorrida, para que os autos sejam devolvidos à primeira instância administrativa e seja proferida nova decisão, na boa e devida forma. Maria Lúcia Miceli - Relatora Fl. 427DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003577/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. LIMITE DE RECEITA ULTRAPASSADO. CARACTERIZAÇÃO DA HIPÓTESE LEGAL.
Verificado que um dos sócios da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do Simples detinha a participação em percentual superior a 10% no capital de outra empresa e que as receitas brutas das empresas somadas ultrapassam o limite legal para a opção para o Simples, resta caracterizada a hipótese de exclusão, cujos efeitos devem se dar a partir do primeiro mês subsequente ao que incorrida a situação excludente.
Numero da decisão: 1302-003.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. LIMITE DE RECEITA ULTRAPASSADO. CARACTERIZAÇÃO DA HIPÓTESE LEGAL. Verificado que um dos sócios da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do Simples detinha a participação em percentual superior a 10% no capital de outra empresa e que as receitas brutas das empresas somadas ultrapassam o limite legal para a opção para o Simples, resta caracterizada a hipótese de exclusão, cujos efeitos devem se dar a partir do primeiro mês subsequente ao que incorrida a situação excludente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-28T18:09:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-28T18:09:02Z; Last-Modified: 2019-06-28T18:09:02Z; dcterms:modified: 2019-06-28T18:09:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-28T18:09:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-28T18:09:02Z; meta:save-date: 2019-06-28T18:09:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-28T18:09:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-28T18:09:02Z; created: 2019-06-28T18:09:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-06-28T18:09:02Z; pdf:charsPerPage: 1727; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-28T18:09:02Z | Conteúdo => S1-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11516.003577/2008-45 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-003.648 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2019 Recorrente FUSIL FUNDICAO USIPE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. LIMITE DE RECEITA ULTRAPASSADO. CARACTERIZAÇÃO DA HIPÓTESE LEGAL. Verificado que um dos sócios da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do Simples detinha a participação em percentual superior a 10% no capital de outra empresa e que as receitas brutas das empresas somadas ultrapassam o limite legal para a opção para o Simples, resta caracterizada a hipótese de exclusão, cujos efeitos devem se dar a partir do primeiro mês subsequente ao que incorrida a situação excludente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 35 77 /2 00 8- 45 Fl. 144DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.648 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003577/2008-45 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 07- 14.580 - 6” Turma da DRJ/Florianópolis/SC, proferido em 21/11/2008, que rejeitou a manifestação de inconformidade e manteve o Ato de Exclusão do Simples da empresa recorrente, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Período: 2003 a 2006 SITUAÇÃO EXCLUDENTE Comprovado que a pessoa jurídica se enquadra em uma das situações excludentes impostas pela norma que rege o Simples, permanecem válidos os efeitos do ato declaratório. Cientificada em 30/12/2008 (fls. 130), a interessada apresentou recurso voluntário em 27/01/2008, na qual repete integralmente as razões trazidas em sua impugnação, que foram bem sintetizadas no acórdão recorrido, verbis: Irresignada com sua exclusão do Simples, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade (impugnação), às fls. 67/78, juntamente com os anexos de fls. 79/ 1 13, com os argumentos que se expõe abaixo, em breve síntese: Do direito Sob este item, explica que, à época da inclusão da empresa ao Simples, visto a recente legislação, e com base no entendimento do setor contábil da empresa, entendia não haver vedação à opção ao Simples em decorrência das participações societárias, analisando a situação de cada sócio isoladamente; que o percentual de participação dos sócios em ambas as sociedades, Usipe e Fusil, era de conhecimento da Secretaria da Receita Federal na época da janeiro de 2007 procedeu à alteração desta condição, optando pelo regime do Lucro Presumido adesão ao Simples; e, que, não obstante ter permanecido no Simples desde 1997, em 12 de Alega, após expor os fatos acima, que o pedido de exclusão do Simples Federal, por opção da empresa, partir de 01 de janeiro de 2007 cria óbice intransponível à exigência dos tributos; que o ato jurídico perfeito operou-se no momento em que o fisco concordou com o pedido de exclusão da empresa, ocorrendo a homologação de todos os tributos que pela manifestante foram recolhidos. Ainda, que ninguém pode ser excluído de algo que já não faz parte, sendo improcedente o Ato declaratório n°. 18, o qual pretende excluir o manifestante do Simples, por estar eivado do vício insanável da nulidade. No mérito O impugnante reporta-se ao princípio da irretroatividade da lei tributária e a diversos dispositivos do Código Tributário Nacional (CTN) para aduzir novamente que os efeitos da exclusão do Simples só podem surtir efeitos a partir da sua Fl. 145DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.648 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003577/2008-45 publicação, não sendo possível a exigência tributária desde 01/03/2003, no seu entendimento. Alega que o inciso II do art. 15 da Lei n°. 9.317/96, com a redação dada pelo art. 3°. da Lei n°. 9.732/98 determinava que os efeitos da exclusão se dariam a partir do mês subseqüente ao da exclusão. Assevera, ainda, que a situação motivadora da exclusão era de conhecimento da Receita Federal desde 1997, a qual não deveria ter aceitado a opção. Das fls. 72 a 77 de sua defesa remete a acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, do Superior Tribunal de Justiça, para alegar, em suma, que a exclusão somente poderia ser realizada enquanto a empresa ainda estava no Simples e que, desde o protocolo do pedido de exclusão, esta não mais está sujeita aos efeitos da legislação deste sistema de tributação. No restante da defesa, o impugnante faz referência ao prazo decadencial previsto no art. 150, § 4°, do CTN, para afirmar que, mesmo que se entendam como válidos os efeitos do Ato Declaratório n°. 18 de 16 de maio de 2008, cujo ciente à manifestante foi dado em 10/06/2008, estes não podem retroagir além dos 5 anos contados da data de ciência deste ato, surtindo efeitos a partir de 01/07/2003 e não a partir de 01/03/2003 como estipulado no citado Ato Declaratório. Por fim, requer que se reconheça a preliminar de nulidade do Ato declaratório de exclusão do Simples; que se decrete, no mérito, a nulidade do referido Ato, haja vista a expedição do mesmo em data que a manifestante não era mais optante do Simples; que, subsidiariamente, este surta efeitos a partir da data de sua publicação; e que, em última e remota possibilidade, se reconheça a decadência tributária de período superior a 5 (cinco) anos da data de ciência do Ato Declaratório n°. 18, nos termos do CTN. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.648 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003577/2008-45 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. Tendo em vista que a recorrente não apresenta qualquer argumento novo em seu recurso, reiterando literalmente as razões expendidas na impugnação e considerando que o acórdão recorrido analisou, ao meu ver, de modo irretocável as matérias em litígio, valho-me do disposto no art. 57, § 3ºdo Anexo II do Ricarf para reproduzir o voto condutor do acórdão recorrido, adotando-o integralmente como razões de decidir do recurso e propondo sua confirmação colegiado. A decisão recorrida foi proferida nos seguintes termos: Preliminar A impugnante alega que já não era optante pelo Simples quando da representação administrativa, por consequência, o objeto do ato é irrealizável, tomando-o nulo. Todavia, há que considerar falaciosos os seus argumentos, posto que parte de uma premissa que não sustenta as suas conclusões: o fato de a empresa já não constar como optante pelo Simples em 16/06/2008, não significa que a mesma não esteve sob o manto deste sistema nos demais anos-calendário; assim sendo, também não se pressupõe a inexistência do objetivo do ato administrativo ora combatido, qual seja, a exclusão de ofício do Simples com efeitos a partir de 01/03/2003, por força das razões que motivaram a referida representação fiscal. Mérito Pelos termos da manifestação de inconformidade depreende-se que a manifestante reconhece o enquadramento da empresa às vedações da opção pelo Simples no período de 2003 a 2006, nos termos do art. 9°., inciso IX da Lei n°. 9.317/96, ín verbis: Art. 9°Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (---) IX- cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°; A manifestante não discute que, ao menos neste período, a empresa possuía uma sócia titular que fazia parte do quadro social de outra empresa, detendo mais de 10% do capital social daquela e que o total do faturamento das duas empresas em conjunto superaram os limites para o devido enquadramento da insurgente. Limita-se a alegar que tal situação deveria ter sido verificada pela Receita Federal no momento da opção, devendo a mesma ter sido negada à época, evitando que se processasse cobranças a posteriori. Fl. 147DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.648 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003577/2008-45 Nota-se que a abordagem do contribuinte é inoportuna para a questão em foco. Com um simples olhar ao dispositivo acima transcrito, já se verifica que existem duas condições concomitantes que implicam na exclusão do sistema simplificado de tributação: o titular ou sócio participa com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita bruta das duas empresas ultrapassam os limites de isenção. Observe-se que o cadastro da empresa, por si só, não permite à Receita Federal do Brasil identificar todos os fatos que se configuram na situação de vedação, tal como os verificados na ação fiscal que deflagrou no Ato Declaratório em apreço. É evidente que é obrigação da empresa verificar a possibilidade de auto-enquadramento, proceder à opção da empresa ao Simples e se manter nesta condição, se cumpridos todos os requisitos legais. Manter-se na condição de optante em situação que se configura como vedada, inadvertidamente ou não, implica em assumir as conseqüências deste ato e consiste pura e simplesmente em responsabilidade da empresa. Dos seus argumentos, extrai-se que a manifestante tenta inverter a obrigação que é imposta obrigatoriamente aos optantes do Simples e da qual não se desimcumbiu (sic) no momento oportuno, a teor do que consta no art. 13 da Lei n°. 9.317/96: Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar-se-á: I - por opção; 11 - obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º. (---) § 3°. No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: a) até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, nas hipóteses dos incisos 1 e 11 do art. 9°; b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alínea "b" do inciso 11 deste artigo. c) Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I - exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) (g.n.) Logo, em que pesem as considerações quanto aos supostos equívocos de interpretação cometidos pelo setor contábil da interessada, era de seu conhecimento que a sócia da empresa Sra. Sirlei Maria de Araújo Bressan era também sócia da empresa USIPE Indústria e Comércio de peças, detendo mais de 10% do capital da mesma e que, concomitantemente, a receita bruta global ultrapassou o limite anual de R$ 1.200.000,00, o que se constituía em condição impeditiva para enquadramento no Fl. 148DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.648 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003577/2008-45 Simples. Portanto, a manifestante estava obrigada a efetuar comunicação até o último dia útil do mês subsequente àquele em que ocorreu a situação impeditiva. Considero, da mesma forma, descabida a alegação de ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, haja vista a Lei n° 9.317/1996 ter produzido seus efeitos a partir de 1° de janeiro de 1997, conforme disposto no seu art. 30, enquanto o momento em que se operam os efeitos da exclusão foi tratado nos seu artigos15 e 16, in verbis: “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I - a partir do ano-calendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; 11 - a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9°.; (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001) (Revogado pela Lei n° 11.196, de 2005) (...) Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ” (g.n.) Para o caso em comento, reitere-se, houve a constatação fiscal de que a empresa, ao menos, a partir do ano de 2003, não se enquadrava na condição de optante em vista da procedimento de ofício de exclusão do Simples conforme Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n°. 18 de 16 de maio de 2008. Quanto ao prazo decadencial previsto no art. 150, § 4°. do CTN, saliente-se que é matéria impertinente ao presente processo, visto dizer respeito a tributos, estando fora do contexto do ato declaratório objeto da manifestação de inconformidade que ora se analisa, o qual trata apenas dos motivos legais da exclusão e do período de abrangência dos seus efeitos, os quais encontram-se previstos na Lei 9.317/96, conforme já tratado neste voto. A questão da decadência, se for o caso, será apreciada no processo que trata da apuração do crédito tributário decorrente desta exclusão, oportunamente. Conclusão Assim, carecem de consistência os argumentos da manifestante, os quais considero insuficientes para contrapor os fatos levantados pela autoridade fiscal e que tiveram, como uma de suas conseqüências, a exclusão da requerente do Simples. Posto isso, entendo ser procedente a exclusão da manifestante do Simples, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 18, de 16 de maio de 2008 (fl. 62) e, em conseqüência, há que ser indeferida a sua solicitação. Do voto acima transcrito, resta claro que a situação da recorrente se amolda perfeitamente aos ditames legais que impõem sua exclusão do Simples, com efeitos à partir da do mês subsequente ao que se configurou a situação excludente, devendo ser mantido o Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão. Fl. 149DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.648 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003577/2008-45 Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.901227/2008-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2000
RECURSO ESPECIAL. CONVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando o acórdão paradigma e o recorrido convergem em não permitir que seja deferida a restituição de tributo retido e exigir que a retenção sofrida seja confrontada com o montante bruto devido ao final do período de apuração, para dedução.
Numero da decisão: 9303-008.774
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando o acórdão paradigma e o recorrido convergem em não permitir que seja deferida a restituição de tributo retido e exigir que a retenção sofrida seja confrontada com o montante bruto devido ao final do período de apuração, para dedução. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de pedido de compensação, em PER/DCOMP eletrônico que restou denegado em Despacho Decisório Eletrônico, da DRF em Florianópolis SC, em razão da não confirmação da existência do crédito informado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 12 27 /2 00 8- 77 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10983.901227/200877 Acórdão n.º 9303008.774 CSRFT3 Fl. 0 2 Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual informa que sofreu retenção, por parte de órgão público, de tributos (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) na fonte, mas não deduziu esses créditos ao final do período de apuração. Pretendendo efetuar compensação dos valores pagos a maior, realizou diligência pela qual verificou a existência de valores passíveis de utilização, forte no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Assim, requer o reconhecimento do direito creditório bem como a reforma do despacho decisório. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, que afirmou que a contribuinte não poderia "ter se valido da DCOMP para se aproveitar dos valores retidos, sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar relativos às contribuições objeto das retenções e aos períodosbase a que pertencem". Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, no qual afirma, em resumo que: (a) nunca utilizou os valores retidos para compensação; (b) a retenção sofrida equivale à pagamento; e (c) não é razoável deixar de homologar compensação sob o fundamento de inadequação do procedimento. Em apreciação do recurso voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, decidiu converter o julgamento em diligência, para que a DRF de origem, em face das informações prestadas pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade e recurso voluntário, se manifestasse novamente sobre o pedido da interessada, após verificar se houve retenção e não foi aproveitado o valor para dedução do devido ao fim do período de apuração. Após a realização da diligência, os autos seguiram para julgamento do recurso voluntário na mesma Turma da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3401002.056, que tem a seguinte ementa: PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracterizase como “pagamento indevido ou a maior” a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do “recolhimento/pagamento” da contribuição, e não a data em que houve a retenção. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10983.901227/200877 Acórdão n.º 9303008.774 CSRFT3 Fl. 0 3 Nessa decisão, o colegiado reconheceu a ocorrência da retenção e seu não aproveitamento, porém, caracterizou o indébito apenas ao final do período de apuração (e não no momento da retenção). Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, para rediscutir a questão do indébito do tributo referente à retenção sofrida. Tomando por base o acórdão paradigma nº 180500.013, o Procurador afirma que somente com a dedução do valor da retenção sofrida, ao final do período de apuração, após a apuração da base de cálculo do tributo e do valor bruto devido é que se pode verificar a ocorrência de indébito, referente a saldo negativo do tributo. O então Presidente da 4ª Câmara, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões da contribuinte Cientificada dos acórdãos exarados pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e do seu despacho de admissibilidade, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, na qual questiona a interpretação da legislação apresentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pede que seja negado provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.768, de 13 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10983.901111/200838, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.768): "Conhecimento O recurso especial de divergência é tempestivo, contudo dele não conheço. Ocorre que tanto a decisão recorrida quanto o paradigma convergem em não permitir que seja deferida a restituição de tributo retido e exigir que a retenção sofrida seja confrontada Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10983.901227/200877 Acórdão n.º 9303008.774 CSRFT3 Fl. 0 4 com o montante bruto devido ao final do período de apuração, para dedução. Somente no caso de a retenção ser superior ao valor devido é que surgiria um saldo negativo passível de caracterizar indébito, para fins de repetição. O recálculo havido na diligência que levou à decisão recorrida corrobora isso. Sendo assim, não há divergência comprovada no recurso especial da Procuradora e por essa razão ele não deve ser conhecido. Conclusão Por todo o exposto, não conheço do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720378/2007-04
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/07/2004
DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO.
A comprovação documental dos valores transacionados que confirma a existência de recolhimento indevido ou a maior demonstra a liquidez e certeza e enseja o reconhecimento do respectivo direito creditório.
Numero da decisão: 1001-001.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/07/2004 DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. A comprovação documental dos valores transacionados que confirma a existência de recolhimento indevido ou a maior demonstra a liquidez e certeza e enseja o reconhecimento do respectivo direito creditório.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. A comprovação documental dos valores transacionados que confirma a existência de recolhimento indevido ou a maior demonstra a liquidez e certeza e enseja o reconhecimento do respectivo direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 03 78 /2 00 7- 04 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10805.720378/200704 Acórdão n.º 1001001.290 S1C0T1 Fl. 162 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 125/131) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às folhas 49/50, do qual a contribuinte foi cientificada em 25/06/2008, que não homologou a compensação declarada na DCOMP nº 40314.26704.180804.1.3.048996; de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 6.812,17, período de apuração 14/07/2004, código de receita 0422, valor do principal R$ 45.414,47, valor da multa R$ 149,87, valor total do DARF R$ 45.564,34, data de arrecadação 14/07/2004, tendo em vista inconsistência entre as informações da DCTF e da DCOMP em relação ao valor do débito. Pela Intimação SEORT nº 1503/2007 (folha 09), a contribuinte foi intimada em 17/09/2007 pela DRF Santo André a apresentar em 20 dias cópias autenticadas das páginas do livro Razão Analítico, onde foi contabilizado o débito de IRRF (código 0422) referente a 14/07/2004. Após solicitar prorrogação de prazo por duas vezes, num acréscimo total de 25 dias (folhas 11 e 12), a contribuinte, à folha 13, informa que o débito referese a fechamento de câmbio para remessa ao exterior, que no fechamento provisório era de R$ 45.414,17 mas no fechamento de câmbio definitivo foi de R$ 38.602,30, resultando no recolhimento a maior de R$ 6.812,17. Apresentou os extratos de razão às folhas 18 e 19, bem como o demonstrativo de movimento bancário à folha 20 para comprovação do alegado. Apresentou, ainda, os contratos de câmbio e documentos correlatos às folhas 22/27. Às folhas 25/26, constam informações relativas à alteração descrita, com a instrução de alterar dados de tributo por conta do pagador para tributo por conta do recebedor. A contribuinte, mediante a Intimação SEORT nº 167/2008 (folha 38) foi intimada em 25/02/2008 a esclarecer por que o referido débito encontravase com o valor não retificado em DCTF. À folha 40, a contribuinte esclarece que deveria ter retificado a DCTF mas não o fez até aquele momento por questões operacionais. Na manifestação de inconformidade (folhas 55/57), a contribuinte informou que efetuou retificação da DCTF em 09/06/2008, porém de forma equivocada (folhas 102/103), tendo corrigido as informações em nova retificação efetuada em 16/07/2008 (folhas 105/106). No acórdão a quo, a não homologação foi mantida, tendo em vista que "os esclarecimentos oferecidos pela interessada não se mostraram suficientes para explicar e detalhar os diversos valores presentes nos documentos apresentados, de forma a comprovar, cabalmente, que teria havido um recolhimento indevido de R$ 6.812,17". Ciência do acórdão DRJ em 09/06/2010 (folha 134). Recurso voluntário apresentado em 12/07/2010 (folha 135). Recurso voluntário às folhas 135/148, no qual a recorrente, em breve síntese, não menciona a questão da tempestividade, relata o histórico do processo e alega, em síntese, que efetivamente ocorreu o indébito tributário e que a retificação extemporânea da DCTF não pode impedir a correta apuração da verdade material, além de afirmar a impossibilidade da exigência de multa. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10805.720378/200704 Acórdão n.º 1001001.290 S1C0T1 Fl. 163 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, considerando que o dia 9 de julho, uma sextafeira em 2010, é feriado estadual em SP. Portanto, dele conheço. Apesar da inércia da contribuinte em proceder à solicitada retificação da DCTF ter justificado a não homologação da compensação pelo despacho decisório, já que daquela DCTF original constava confissão de dívida em valor que não gerava qualquer crédito no DARF indicado, após os relatos e documentos apresentados pela contribuinte, bem como a devida retificação, a situação foi completamente esclarecida. Uma primeira operação de remessa de recursos ao exterior, sujeita a IRRF de código 0422, IRRF ROYALTIES E ASSISTÊNCIA TÉCNICA RESIDENTES EXTERIOR, e cujo valor de retenção foi recolhido, foi substituída, conforme demonstram contratos de câmbio e relatórios contábeis constantes do processo, por outra remessa de valor inferior, tendo sido acordado entre as partes a remessa do valor excluído de tributos. A remessa efetivamente ocorrida, de valor menor, gerou retenção devida menor que a previamente recolhida, nos exatos valores constantes da documentação anexa aos autos. Sendo assim, não se vislumbra o cabimento de questionamentos outros. Cabe apenas reconhecer o crédito pleiteado pela contribuinte, correspondente ao IRRF a maior por ela pago previamente, conforme valores abaixo: Operação Remessa Retenção (15%) Prevista 302.763,14 45.414,47 Real 257.348,67 38.602,30 Diferença 45.414,47 6.812,17 valores em reais Esclareçase à recorrente, apenas, que, no caso de não homologação, é sim cabível a cobrança de multa de mora, por expressa determinação art. 61 da Lei nº 9.430/96. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 6.812,17 e homologar a compensação em tela até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926688/2016-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/11/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.408
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 23/11/2012 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 88 /2 01 6- 77 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926688/201677 Acórdão n.º 3401006.408 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.926688/201677 Acórdão n.º 3401006.408 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.661897/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO.
A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação.
Numero da decisão: 3401-006.319
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO. A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 18 97 /2 01 2- 80 Fl. 82DF CARF MF 2 (...) CRÉDITO DISPONÍVEL PARA RESTITUIÇÃO. O crédito disponível para restituição é o valor comprovado do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizado em compensações ou pedido de restituição anterior. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou o Recurso Voluntário para repisar os argumentos da Manifestação de Inconformidade, sustentando que a decisão recorrida seria contraditória, uma vez que a compensação, já homologada, teria origem no pedido de restituição, o qual não poderia ser indeferido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.308, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.661882/201211. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.308): "A controvérsia posta nos autos diz respeito à análise do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP. O crédito pleiteado decorre de recolhimento a maior de PIS/COFINS e foi utilizado para compensar débitos de PIS/COFINS por meio do PER/DCOMP, transmitido antes da análise do pedido de restituição.. A decisão recorrida manteve a denegação do pedido de restituição por entender que só é passível de restituição o saldo remanescente de pagamento indevido ou a maior que não tenha sido utilizado em compensações anteriores, ao que a Recorrente sustenta que o deferimento do pedido de restituição é pressuposto da efetivação da compensação, devendo ser deferida a restituição do crédito no presente processo como imperativo lógico da homologação da compensação em que foi empregado este mesmo crédito. O direito à compensação decorre da existência de duas relações obrigacionais, em que o credor de uma é devedor de outra e viceversa. Significa dizer que a compensação tributária exige a prévia existência de um direito de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, o que ocorre quando este tem direito à restituição de tributo pago a maior ou indevidamente. O atual regime de compensação de tributos e contribuições, previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996, após as modificações Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.661897/201280 Acórdão n.º 3401006.319 S3C4T1 Fl. 3 3 introduzidas pela Lei n° 10.637/2002, passou a permitir que o contribuinte efetuasse a compensação independentemente de prévia autorização administrativa, apresentando uma declaração de compensação em que são registrados o crédito a ser aproveitado e o débito a ser quitado pelo encontro de contas, extinguindose este sob condição resolutória da ulterior homologação. A Recorrente afirma que ao registrar o segundo PER/DCOMP, convertera o pedido de restituição em “pedido de compensação”. Este instrumento não encontra previsão na sistemática instituída pela legislação em vigor. Em verdade, ao registrar o segundo PER/DCOMP, transmitiu uma declaração de compensação, com a qual se operou a compensação pretendida pela Recorrente, extinguindose o débito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação, a qual já ocorreu. Isto significa que o direito de crédito discutido nos presentes autos já foi plenamente reconhecido quando da análise da declaração de compensação. Não faria sentido a administração ter homologado uma compensação que pretendia aproveitar crédito ainda pendente de reconhecimento. A análise fiscal da declaração de compensação abrangeu a análise do direito creditório. Perdeu objeto o presente pedido de restituição, pois o direito à restituição do valor pago a maior já foi reconhecido e satisfeito através da compensação. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 84DF CARF MF 4 Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920335/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/04/2005
INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.133
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/04/2005 INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-03T16:33:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-03T16:33:38Z; Last-Modified: 2019-07-03T16:33:38Z; dcterms:modified: 2019-07-03T16:33:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-03T16:33:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-03T16:33:38Z; meta:save-date: 2019-07-03T16:33:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-03T16:33:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-03T16:33:38Z; created: 2019-07-03T16:33:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-07-03T16:33:38Z; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-03T16:33:38Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.920335/2012-55 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.133 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente GRAFICA E EDITORA POSIGRAF LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/04/2005 INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que indeferiu a restituição solicitada por meio de Pedido de Restituição Eletrônico - PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 03 35 /2 01 2- 55 Fl. 77DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.133 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920335/2012-55 Dito pedido foi indeferido, após análise eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em despacho decisório assinado pelo titular da unidade, apontou-se, como causa do indeferimento do pedido de restituição, o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, o valor correspondente teria sido totalmente utilizado em outra declaração de compensação ou na extinção de outro débito. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em que relata que o pedido de restituição refere-se a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e/ou Cofins em razão da inclusão do ISS na base de cálculo dessas contribuições. Ao defender a legalidade do crédito pleiteado, argumenta que, de acordo com as Leis instituidoras da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como o art. 195 da Constituição Federal vigente, caberia à Receita Federal “reconhecer como base de cálculo para o PIS e a COFINS a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ISS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento. O valor do ISS está embutido no preço dos serviços prestados. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento.” Aduz que a base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Invoca o art. 110 do Código Tributário Nacional, alegando que “há que se atentar, também, para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações. Argumenta que os contribuintes do PIS e da Cofins não faturam ISS, porque tal imposto não é receita da empresa, mas um desembolso que beneficia o Município, o qual detém a competência para cobrá-lo. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que: (i) o ISS compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão; e (ii) inexistiriam nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente. Regularmente cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese que o ISS não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme já decidido no RE 574.706 que trata do ICMS, aplicável ao caso sob análise. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.101, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920300/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 78DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.133 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920335/2012-55 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.101): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 24161.20960.061108.1.2.04-0381 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito tem origem no recolhimento indevido da COFINS incidente sobre o ISS. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender (i) que o ISS compõe a base de cálculo da COFINS e (ii) inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Pois bem. A controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A matéria já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins”. A questão, portanto, encontra-se pacificada, de modo que não cabe mais discussão a esse respeito. Tal entendimento, baseado no fato de o ICMS não compor o faturamento, base de cálculo das contribuições, também pode ser aplicado ao ISS, eis que este também não a integra, o que garante a segurança jurídica em relação ao tema. A aplicação da decisão proferida do RE nº 574.706 ao presente caso, foi alvo de decisão proferida no RE 592.616, onde restou decidido por sobrestar o feito até julgamento daquele RE. Neste eito, entendo que razão assiste à Recorrente. Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 79DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.133 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920335/2012-55 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 80DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii
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Numero do processo: 19675.000557/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem efetue as providências discriminadas na conclusão do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Ricardo Chiavegatto de Lima, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles e Ronnie Soares Anderson. Ausente o conselheiro Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: ANDREA DE MORAES CHIEREGATTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem efetue as providências discriminadas na conclusão do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Ricardo Chiavegatto de Lima, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles e Ronnie Soares Anderson. Ausente o conselheiro Rorildo Barbosa Correia. Relatório Como Redator ad hoc, sirvome da minuta inserida pela Relatora no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro: O presente caso já foi objeto de julgamento por esta 2ª Turma Ordinária, em 14/04/2014, conforme Acórdão nº 2202002.611 (fls. 773/803). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 75 .0 00 55 7/ 20 07 -1 1 Fl. 943DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 944 2 O relatório do então Conselheiro Relator Antonio Lopo bem descreveu os fatos até aquele momento, pelo que peço vênia para abaixo reproduzilo: “Em desfavor do contribuinte, WALTER FARIA, foi lavrado, em 15/03/2007, o Auto de Infração às fls. 263273, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, ano calendário 2002, por meio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$.8.602.699,49, dos quais R$ 2.797.928,76 correspondem a imposto, R$ 4.050.771,04, a multa proporcional, e R$ 1.748.425,67, a juros de mora, calculados até 28/02/2007, além de multas exigidas isoladamente no valor total de R$ 5.574,02. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 270/272), o procedimento resultou na apuração das seguintes infrações: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações, conforme item 11.1 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 252262). MULTAS ISOLADAS PELO NÃORECOLHIMENTO IRPF CARNE LEÃO. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 252262), cabe consignar as seguintes observações da autoridade fiscal responsável pelo procedimento: Não foi aceita, para comprovação do depósito de US$ 3.650.000,00 efetuado na conta do Banco Jacob Safra —Agência Zurich Suisse, em 17/05/2002, a documentação apresentada pelo contribuinte, devido, em sua grande maioria, serem cópias não autenticadas, sem firma reconhecida e sem registro em Cartório, bem como porque não foi apresentado nenhum documento, da instituição financeira que recebeu o depósito, que identificasse inequivocamente o depositante. Não foram aceitas as notas fiscais das empresas Franco Fabril Alimentos Ltda e Taurus Com. de Bovinos Ltda, que foram apresentadas para justificar alguns depósitos bancários, devido aos documentos não serem idôneos face à. situação cadastral INAPTA das referidas empresas, bem como por não haver coincidências em valores e datas. Demais depósitos foram contestados apenas com alegações, sem apresentação de qualquer documentação que pudesse vinculálos exatamente aos valores constantes do extrato bancário. Cientificado do Auto de Infração em 27/03/2007 (fl. 275), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 26/04/2007, acompanhada dos documentos às fls. 278369, a impugnação de fls. 370416, alegando, em síntese, que: Fl. 944DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 945 3 EM PRELIMINARES MPF INVALIDO O auto de infração em tela foi lavrado com base em Mandado de Procedimento Fiscal ineficaz, porque já extinto pelo decurso de seu prazo de validade. O MPF de n° 0811000.2006.001406 tinha o prazo de validade até 09.08.2006, e não foram comunicadas prorrogações ao impugnante que, portanto, não tomou ciência da ocorrência de referidas prorrogações; o AFRF responsável pelo procedimento fiscal não forneceu ao contribuinte, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo, após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas; posteriormente, em 27 de março de 2007, o contribuinte foi surpreendido com a lavratura do presente auto de infração fiscal. O auto de infração lavrado, foi assinado pelos AFRF's. Estando extinto pelo decurso do prazo, o Mandado originalmente emitido não mais surtia efeitos, e a competência administrativa especifica por ele atribuída aos Auditores Fiscais também não mais prevaleciam. Não se diga que a competência do Auditor Fiscal é exclusivamente aquela que lhe é dada pela lei. A lei atribui, é verdade, a competência genérica para constituição do crédito tributário e, portanto, a lavratura de auto de infração ao servidor ocupante do cargo de AFRF. É a competência estabelecida no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Todavia, existe a competência administrativa específica, consubstanciado no MPF, regularmente emitido pela autoridade responsável, pela qual, a determinado Auditor Fiscal, é atribuída a competência para efetuar determinados procedimentos em relação a um determinado sujeito passivo. Assim, o auto de infração lavrado, na ausência de MPF válido, é ato praticado por Auditor Fiscal que não detinha a competência administrativa específica para fazêlo. Sendo este o caso concreto, uma vez que o MPF se extinguira pelo decurso de seu prazo de validade, o auto de infração lavrado contra o Recorrente é nulo de pleno direito, à vista do disposto no artigo n° 59 do Decreto n° 70.235/72. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO SEM AUTORIZAÇÃO DO DELEGADO. A fiscalização do contribuinte foi interrompida e posteriormente reaberta sem que a autoridade fiscal tivesse a autorização prevista do artigo n° 906 do RIR/99. O MPFF em questão, teve seu prazo de validade extinto após o dia 09.08.2006, sem que o contribuinte fosse notificado (como da primeira vez quando de sua emissão em 11 de abril de 2006) do prosseguimento da fiscalização, conforme determina o parágrafo 3° do artigo 13 da Portaria SRF n° 6.087/2005. 0 fiscal responsável pelo procedimento fiscal deverá fornecer ao sujeito passivo, após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPFF emitido e as prorrogações efetuadas. 0 artigo 15, inciso II, dessa Portaria ensina que extingue o MPFF "pelo decurso de prazo a que se referem os art. 12 e 13". Ainda o art. 16 dessa mesma Portaria ensina: "A hipótese que trata o inciso II do artigo anterior não implica a nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pelo mandato extinto, determinar e emissão de novo MPF para a conclusão do Fl. 945DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 946 4 procedimento fiscal. § único — Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado mesmo AFRF responsável pela execução do mandato extinto." Portanto extinto o MPFF, com ausência de ciência ao contribuinte e com a falta de substituição dos fiscais responsáveis, extinta está a verificação fiscal iniciada sem novo MPF. A fiscalização foi encerrada. Seria admissível a continuidade se a administração emitisse novo MPFF e com novos fiscais, fato não ocorrido, de modo que não cabe uma refiscalização, pois esta deve respeitar o que preceitua o artigo 904 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99. DECADÊNCIA. O imposto foi lançado sem observar a disponibilidade financeira do contribuinte inerente a este imposto. E mais, lançaram mensalmente, entendendo ocorrido o fato gerador do imposto, puxando para si a pretensa prerrogativa de suspender a decadência, pois se escolheram o lançamento mensal ao lançamento anual, abraçam o prazo de decadência de 05 (cinco) anos do fato gerador, sem o direito do contribuinte abater suas despesas. Assim sendo, o CTN impede o lançamento, não permitindo sua constituição decorridos mais de 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador do imposto. Os meses de janeiro e fevereiro de 2002 estão prescritos, pois a ciência do lançamento ocorreu somente em 27.03.2007, passados assim mais de 05 (cinco) anos da ocorrência, sem que fosse permitida apresentar as despesas e abatimentos. coisa que o contribuinte gostaria de fazer mas foi impedido. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A desconsideração total de toda a documentação apensada aos autos (notas fiscais e contratos já citados) por não serem originais ou cópias autenticadas, que comprovavam a legitimidade de todas as operações praticadas pelo impugnante; pela falta de acesso aos extratos do sistema CNPJ para verificação ou comprovação e apresentação dos documentos que consubstanciaram as afirmações da pena aplicada; ausência de ciência ao autuado acerca do processo de inaptidão da Frigoalta e Taurus, mesmo porque as peças não estam apensadas nos autos; e ausência de indicação da base legal para se rejeitar os documentos apresentados pelo contribuinte, restou caracterizado prejuízo e cerceamento de defesa ao autuado, eis que restringiu a capacidade de análise e apresentação de defesa segura e convincente em sentido oposto aos argumentos lançados no auto de infração. NO MÉRITO. A autoridade fiscal afirma, "0 contribuinte tentou justificar o depósito de U$ 3.650.000,00 efetuado em sua conta no Banco Jacob Safra — Agência Zurich Suisse, em 17.05.2002, vinculandoo à alienações de participações societárias declaradas no quadro 8 — itens 8 e 9 de sua DIRPF. Contudo, os documentos por ele exibidos não são hábeis e nem idôneos para tal vinculação." Podemos afirmar que este contribuinte explicou a movimentação financeira ocorrida, pois esta operação, estava declarada em sua DIRPF no anocalendário em questão (fls.05 á. 16) qual seja, as participações societárias alienadas. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 947 5 A realidade dos fatos dessa movimentação financeira, reflete fidedignamente a operação comercial de alienação das participações societárias descritas nas declarações de rendimentos. Mas, talvez por desconhecimento dos fatos, os senhores agentes do Fisco, tenham tentado aleatoriamente construir um entendimento que não corresponde ao encadeamento natural e verdadeiro dessa operação comercial. O Contribuinte desconhece as razões porque essa organização recusa os documentos apresentados, alegando não serem hábeis nem idôneos. E até a lavratura do presente Auto não identificou o amparo legal ou razões para tal ato discricionário, não foram oferecidas suas razões de recusa para não recepcionálos, impedindo o contribuinte de contestá los e de expor defesa na fase desse procedimento. As fls. 255, em seu penúltimo parágrafo, continuam a manter a forma de acusação a este contribuinte , não aceitam cópia reprográfica apresentada da 5a alteração contratual da "Copacabana Comércio de Bebidas Ltda", acostada às fls 173/175, alteração esta, onde indica o endereço da sede e filial, o CNPJ e o registro de seu contrato social sob n°: 33205202770 em 06.12.1994, na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, e mais, novamente a olhos vivos, esse documento trás estampado em todas as suas páginas o registro de alteração contratual realizado pelo contribuinte em 22.12.00 pela JUCERJA. Está declarado nesse documento a alteração realizada como também o registro em cartório público que é a Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro. Afirmam liminarmente que o presente contrato não pode ser recepcionado porque não atende aos seus critérios; creio ser pessoais ou íntimos; da forma de proceder, recusandose de reconhece lo, afirmando ser cópia "xérox", mas é cópia reprográfica fiel, reproduzindoo integralmente. Afirma que documentos de alteração contratual e constituição de sociedades para registro em Juntas está dispensada do reconhecimento da firma dos subscritos. A indiferença maior ao documento apresentado é a não aceitação como prova o registro público da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro. Pois Sr. Julgador, as três afirmações desse parágrafo não subsistem, não é Xerox, está registrado, a Lei dispensa o reconhecimento de firmas para alteração contratual de sociedades em Juntas Comerciais, restando apenas aos agentes da Secretaria da Receita Federal, exercerem suas funções de diligenciar as informações recebidas, através de solicitação a Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, acerca da certidão de registro dessa alteração na Junta da cidade do Rio de Janeiro, ou ainda através de oficio enviado a própria Junta Comercial, solicitando a certidão dessa 5ª alteração contratual, ali depositada e registrada, mas não o fez, negandose a sua responsabilidade e obrigação funcional de verificar a autenticidade das informações constante no contrato, descritos de forma clara e legível por este contribuinte. Aproveita a oportunidade para juntar a cópia autenticada da 5ª alteração contratual da firma "Copacabana de Bebidas e Cereais Ltda". (ANEXO 04). e provar que este contribuinte demonstrou os fatos para anular e tornar improcedente o que diversamente foi alegado pelos agentes do fisco: "a pessoa física tentou lastrear a venda de outra Fl. 947DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 948 6 participação societária (ver item 9 do quadro 8 da DIRPF)", grifo nosso. Vale lembrar, que não houve retificação da DIRPF e o registro ocorreu muitos anos antes de iniciar a fiscalização, como poderia alterar os dados? Poderseia, por economia processual, simplesmente respeitar os fatos e exercer o poder da diligência para constatar essa verdade e encurtar esse procedimento bastante doloroso a este contribuinte. No primeiro parágrafo da página 256, do presente processo, os senhores agentes do fisco, questionam o documento recebido do fiscalizado, constante as fls 239 e sua tradução as fls 238, qual seja, uma carta do banco "BNP Paribas", para o Sr. Walter Faria, confirmando a operação de transferência eletrônica efetuada em 02 de maio de 2002 de U$ 3.650.000,00, do "BNP Paribas" para o "Banco Safra" em Genebra na Suíça, por ordem de "Sicilia Business Corp", constando ainda na tradução desse documento, as fls 238, o endereço deste banco em Place de Hollande 2, Caixa Postal, CH1211 Geneve 11, Fone: +41 (0) 5821221111 — Fax: +41 (0) 582122222 —472794. Entre as diversas arguições apresentadas fiscalização, a que causou maior espanto, foi a contestação utilizada no "Termo de Constatação", às fls 252 a 262, para justificar a recusa em reconhecer o documento, editando a pergunta como segue ; "....0 que / quem é BNP Paribas ?" Aqui um alerta que se julga oportuno e se faz necessário, pois que esse Termo é o elemento base das razões ou exposição dos entendimentos, utilizados pelos agentes do Fisco para estribar a fundamentação desse lançamento de Oficio, ora totalmente contestado. Novamente a já comentada e exposta divergência de entendimento deste contribuinte com a fiscalização sobre a documentação apresentada, poderia ser facilmente dirimida em sua diferença e encontrada a verdade, com uma simples consulta pelo Fisco, a rede mundial de computadores, conhecida como WEB, nonde no endereço eletrônico, www.bnpparibas.com , para consultas ao banco no exterior e www.bnpparibas.com.br, para consultas ao banco no Brasil; como na apresentação de algumas das páginas desse banco impressas por este contribuinte (ANEXO 06), mostrando indicações desse ente financeiro como um dos maiores do mundo, fundado em 1820 e há mais de 50 anos no Brasil. A necessidade da apresentação de carta do banco BNP Paribas ao fisco, que gerou toda essa incansável e desnecessária polêmica, emergiu pela também não aceitação do extrato bancário emitido pelo mesmo Banco Safra em Genebra em 05.2002, apresentado que foi, em carta de 10.05.2006, acostado aos autos na página 23, indicando a presença de depósito bancário no "Banco Safra/Zurich — Suisse" proveniente do Banco BNP Paribas em sua segunda linha, desse demonstrativo da conta n°: 601.814, a mesma conta descrita no documento às fls 69, onde este mesmo contribuinte a indica a SICILIA Business Corp. para depósito, também não aceita na época pela fiscalização e constante nos Autos. Vem agora afirmado neste Termo, que se tivesse existido tal documento, tudo estaria esclarecido. Pois agora está, apresenta extrato via internet (anexo 07). Junta neste ato Fl. 948DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 949 7 cópia reprográfica autenticada, com firma reconhecida em 09/07/2002, no 5° Oficio — Cartório Gimenes em Duque de Caxias / RJ citada às fls. 69 ( anexo 21). No segundo parágrafo da página 256, no referido "Termo de Constatação", os agentes do Fisco afirmam o que segue: "0 fiscalizado não comprovou que possuía as participações societárias, aliás, sequer demonstrou que existiam. Ulna das empresas seria brasileira, ou seja, de maior facilidade para comprovação. A outra, no Uruguai, seria de propriedade exclusiva do sujeito passivo. A empresa compradora seria do Panama. Sua existência não foi comprovada.". Novamente as mesmas afirmações contidas nesse Termo sem o exercício das diligências determinadas pelo art. 911 do RIR199, "... realizarão as diligências e investigações necessárias a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas...", os senhores fiscais deixaram de apurar a verdade dos fatos, responsabilizando o autuado com penas elevadíssimas, querendo substituir para este, sua obrigação do Oficio abraçado. O artigo 911 citado não dispensa diligência a documentos sem cópia autenticada, mas sim obriga a autoridade que tomou conhecimento dos fatos a constatar sua veracidade, "para cumprimento das obrigações fiscais". O art. 924 dispõe que "Cabe a autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do artigo anterior", e o art. 923 dispõe que, "A escritura mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". Primeiramente cita a empresa brasileira "Copacabana Comércio de Bebidas e Cereais Ltda", de cuja sociedade foi carreada aos autos cópia reprográfica da 5ª alteração contratual dessa sociedade, às fls 173/175, não aceita por não ser cópia autenticada, contrato esse já esclarecido acima, que contém todos os elementos necessários para uma completa averiguação de sua veracidade, juntandose, agora, cópia autenticada dessa alteração contratual (anexo 04), completamente idêntico ao anterior, corroborando com a afirmação na apresentação anterior desse mesmo, constando na segunda cláusula a transferência das cotas para "Sicilia Business Corp". Com relação a segunda empresa citada, "Labinco Internacional S/A", empresa Uruguaia, foi carreada aos autos cópia reprográfica, indicando todos os dados necessários para sua verificação, às fls. 168, também não aceita por não ser autenticada. Apresentase (anexo 08), certidão — cópia autenticada emitida pelo registro da notária Nelly Klegkin Steinberg — n° 04729/5, no Papel Notarial n° 929648 da Republica Oriental del Uruguai, e outros documentos de registro pública dessa República, com tradução juramentada. A terceira e última empresa citada, "Sicilia Business Corp", empresa essa com sede no Panama, carreada aos autos cópia reprográfica, as fls 167, indicando todos os dados necessários a sua identificação, também não aceita pelos agentes do fisco, por não ser cópia autenticada. Apresentase agora (anexo 09), cópia autenticada de Fl. 949DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 950 8 certidão, cópia autenticada, emitida pelo "Registro Público de Panamá", da República do Panamá, reconhecida a firma da autoridade local, pelo cônsul brasileiro no Panamá, Sra. Sônia Regina Reis Costa, com tradução juramentada, certidão esta que atesta a existência dessa sociedade, constituída desde 1998 até nossos dias, o número de registro, e os sócios e dirigentes. Fica novamente provada a regularidade da transferência financeira para o Brasil, com documentos originais obtidos no exterior, alguns de titularidade de terceiros, ora juntados aos autos, como indicam os anexos. Contesta demais depósitos não aceitos apresentando algumas cópias autenticadas de notas fiscais, algumas constantes da planilha as fls. 393395, e alega ter sido incabível o fato de desconsideração das notas fiscais emitidas pelas empresas Franco Fabril e Taurus pelo motivo das mesmas se encontrarem com a situação cadastral INAPTA e requer ainda que sejam efetuada diligência junto A. SEFAZ/MT — Mirassol do Oeste/ MT e Pontes Lacerda para a formação de convicção e elementos de prova suficientes para estancar o crédito tributário indevidamente lançado pela autoridade fiscal, visto estarem depositadas em órgão público tributário, as notas fiscais e AIDFS que fazem provas a favor deste contribuinte, bem como para mostrar que as empresas Frigoalta e Taurus, não só existiam de fato e de direito, como também exerciam suas atividades com autorização do Fisco Estadual, onde obtinham autorização para impressão de notas fiscais. A exigência fiscal do tributo não pode estar assentada unicamente em extratos ou comprovantes de depósitos bancários, porque estes por si só não constituem, na realidade, fato gerador do imposto de renda, porquanto não caracterizam disponibilidade econômica e jurídica de renda ao abrigo do que dispõe o artigo 43 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Assim, é ilegítimo e nulo de pleno direito o lançamento com base em extratos e depósitos bancários, quando não demonstrada qualquer relação entre os valores depositados e supostas receitas auferidas e não declaradas. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes e argumenta que é ilegítimo e nulo de pleno direito o lançamento com base em extratos e depósitos bancários, quando não demonstrada qualquer relação entre os valores depositados e supostas receitas auferidas e não declaradas. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Não há porque se falar de representações fiscal para fins penais no presente Processo Administrativo Fiscal, visto que não ocorreram a condições previstas, quais sejam, obstrução ou impedimento aos agentes do fisco em conhecer os fatos 2eradores do tributo. Todos os fatos alegados desde o "Termo de Inicio de Fiscalização" são mantidos, e os documentos rejeitados agora são apresentados em cópias reprográficas autenticadas, para justificar e esclarecer as questões em tela nesse processo. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 951 9 JUROS SELIC. 4.32 Não bastasse a impropriedade das exações impostas, sobre o tributo lançado foi acrescida à cobrança de exorbitantes juros, calculados pela taxa denominada SELIC. 4.33 0 artigo 161 do Código Tributário Nacional estipula que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1% "se a lei não dispuser de modo diverso". Para esse fim, não se prestam os juros denominados SELIC. Primeiro, por inexistência de legislação que defina essa taxa. 0 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC foi criado para a custódia e liquidação de títulos públicos federais. Inexiste, fora das circulares expedidas pelo Banco Central, legislação que institua forma ou critérios para fixação da taxa hoje denominada simplesmente "taxa SELIC" ou "juros SELIC". Se o Código Tributário Nacional, que é Lei Complementar, remete à lei ordinária dispor sobre a taxa de juros a serem cobrados a título de mora, só a lei poderia estabelecer o cálculo e a forma de apurála. 4.34 Por conseqüência, ainda que julgada pertinente a absurda exigência fiscal, o que se admite apenas para argumentar, os juros cobrados não poderiam superar o percentual de 1% ao mês. 4.35 Requer. ao final, que autoridade Julgadora. declare nulo o presente Auto de Infração, pelas razões expostas. A DRJ julga a impugnação procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL INVALIDO. A competência da Autoridade Administrativa no que tange ao procedimento fiscal de constituição do lançamento, uma vez deferida, de forma exclusiva, ao Auditor Fiscal da Receita Federal, não cabe ser discutida à luz do Mandado de Procedimento Fiscal, já que essa competência só pode ser invalidada ou retirada por norma veiculada em legislação complementar ou ordinária. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. Não caracteriza novo exame de período já fiscalizado o fato do procedimento fiscal ter sido continuado sem ter havido prorrogação formal com ciência ao contribuinte, uma vez que, como reexame, subentendese nova fiscalização após já encerrada a anterior. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. 0 fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, por ser complexivo com período anual, ocorre em 31 de dezembro do respectivo ano calendário, expirando o prazo decadencial em 5 (cinco) anos, a contar desta data, nos casos de lançamento por homologação. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 952 10 Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não importa em cerceamento do direito de defesa o fato do impugnante, em decorrência do sigilo fiscal, não ter tido ciência de processo que declarou a inaptidão de empresas das quais o mesmo apresentou notas fiscais para comprovação de depósitos bancários, bem como lido acarreta cerceamento de defesa a falta de indicação de base legal para rejeitar cópias de documentos não autenticadas. Preliminar rejeitada. MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DE CARNÊ LEÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, ou com a qual o contribuinte concorda, devendo ser mantido o lançamento decorrente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Inócuo o pedido de diligência para que seja efetuada a comprovação de notas fiscais, perante a autoridade fazendária estadual, quando a documentação apresentada pelo impugnante, por cópias autenticadas, é aceita pelo julgador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO POR NORMAS ESPECÍFICAS. Devem ser excluídos da base de cálculo apurada para fins de omissão de rendimentos por depósitos bancários, os valores cujas origens tiverem sido devidamente comprovadas, sendo que os mesmos devem ser submetidos as normas de tributação especificas, que no caso concreto seria, por receitas da atividade rural. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%). CANCELAMENTO. A multa de oficio de 150% não prevalece, quando o imposto principal que as deu origem for exonerado no julgamento devendo outrossim, a multa ser reduzida para 75%, quando o respectivo crédito bancário for objeto de declaração, e não houver a comprovação de fraude pela fiscalização. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 953 11 Lançamento Procedente em Parte A DRJ entendeu por bem cancelar parte da exigência pois em seu entendimento estaria devidamente demonstrado mediante o acolhimento de notas fiscais apresentadas. De igual modo a autoridade resolveu afastar a multa qualificada quando aplicada. Merece destaque entretanto as razões que levaram a DRJ a manter no lançamento o valor relativo ao um depósito bancário no exterior: Apesar da farta documentação apresentada, que demonstra existência das empresas envolvidas na transação relativa alienação das participações societárias, um ponto importante ficou prejudicado, que foi a falta de coincidência entre as datas envolvidas com o depósito de US$ 3.650.000,00, pois o documento às fls. 342345, que é o Termo de Confissão de Dívida assinado entre a empresa SICILIA BUSINESS CORP e o interessado, devidamente registrado em Cartório no ano de 2002, cujo objeto da dívida foi o restante do pagamento da venda das ações da empresa LABINCO INTERNACIONAL S.A e total do pagamento das quotas da empresa COPACABANA COMÉRCIO DE BEBIDAS E CEREAIS LTDA, consta que o depósito, correspondente ao valor de US$ 3.650.000,00, deveria ser efetuado no dia 10/05/2002, já o documento do Banco BNP Paribas, à fl. 239, com a tradução juramentada à fls. 238, confirma um pagamento, no mesmo valor, no Banco J Safra, Genebra, na data de 09/05/2002, sem mencionar o número da conta corrente. De fato, aparenta ser o mesmo depósito bancário objeto de tributação no presente lançamento, porém, como no extrato à fl. 304, consta o crédito da data de 17/05/2002, ou seja, 8 (oito) dias depois, sem qualquer esclarecimento das instituições bancárias envolvidas, no sentido de ter havido algum lapso temporal em relação ordem de pagamento e ao efetivo crédito, não há como acatar a exclusão do mesmo da base de cálculo apurada, face a tal divergência." Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação, em especial aqueles relativos ao depósito no exterior. Aponta que teria realizado o pagamento parcial do auto de infração no que toca multa isolada pelo não recolhimento e os depósitos bancários mantidos no auto de infração. No que toca ao depósito bancário no exterior, indica que não merece prosperar essa parte do lançamento. Entende não pairar dúvidas quanto a documentação apresentada pelo Recorrente que demonstra cabalmente correlação do depósito efetuado em sua conta corrente com a operação praticada à época. Inclusive os próprios julgadores reconheceram que a farta documentação "demonstra a existência das empresas envolvidas na transação relativa à alienação das participações societárias." Ocorre que, a justificativa exposta pelo julgador, qual seja o lapso temporal de 8 (oito) dias para não reconhecer a exclusão do Fl. 953DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 954 12 lançamento da base de cálculo apurada é de longe equivocada e estarrecedora. É notório no meio empresarial que as instituições financeiras brasileiras são de longa data, muito superiores tecnologicamente, as instituições bancárias de outros países. Inclusive recentemente, face a atual crise financeira que estamos passando os países altamente desenvolvidos reconheceram que o sistema bancário brasileiro é o mais regulamentado e seguro de todos. Desta feita, a título de exemplificação, no Brasil, o Banco Central do Brasil editou a Consolidação das Normas de Câmbio, a qual visa regulamentar as operações praticadas a esse título. Juntamente com aludida norma, existe também a Circular no 3.231, editada em 02.04.2004 e atualizada pelo CNC 326/ Cap. 1 no 48, onde em seu item 3 dispõe o seguinte As operações de câmbio de compra de natureza financeira sujeitas a registro no Banco Central do Brasil/ Departamento de Capitais Estrangeiros e Câmbio podem ser contratadas para liquidação futura, pelo prazo máximo de sessenta dias, sendo admitida a liquidação em data anterior à data originalmente pactuada no contrato de câmbio. ..." Verificase que no Brasil, a liquidação do câmbio e consequente crédito em conta corrente do beneficiário pode ocorrer em até 60 (sessenta) dias, ou seja, não é anormal e tampouco as instituições financeiras se veem obrigadas a ter que esclarecer qualquer fato a alguém. O que dizer ainda dos depósitos em cheque efetuados em conta corrente, que dependendo do valor ficam bloqueados por 48 (quarenta e oito) horas e somente é efetivamente creditados apenas no terceiro dia??? O lapso temporal de 8 (oito) dias praticado pelas instituições financeiras internacionais é infinitamente menor que o praticado pelas instituições bancárias brasileiras e em hipótese alguma causa qualquer tipo de estranheza, mormente, porque se trata exclusivamente de prática normal de mercado. Para corroborar o alegado acima, o Recorrente efetuou várias operações de câmbio de compra de natureza financeira, na mesma época dos fatos fiscalizados, onde o lapso temporal médio para liquidação do crédito pela instituição financeira brasileira, na conta corrente do beneficiário, foi de 7 (sete) dias. O processo foi colocado em pauta em fevereiro, tendo sido determinada a vista coletiva. Em março, o recorrente solicita o adiamento do processo, tendo o mesmo sido transferido para esta sessão de abril. O recorrente traz novos documentos onde busca demonstrar que não há outro depósito bancário na conta corrente do recorrente, tal como teria sido aventado nas discussões. É o relatório.” Um ponto que acabou não sendo ressaltado no relatório acima reproduzido foi que também houve a interposição de recurso de ofício, tendo em vista que a decisão da DRJ/SPO cancelou parcialmente a autuação com relação a diversos depósitos bancários Fl. 954DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 955 13 relativos à atividade rural, conforme detalhado nas tabelas de fls. 452/453, bem como em razão da redução da multa qualificada de 150% para 75%. Ambos os recursos foram julgados em 14/04/2014 por esta 2ª Turma Ordinária, sendo exarada a seguinte decisão: “(...) QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator) e Dayse Fernandes Leite que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Rafael Pandolfo.” O referido julgamento foi formalizado no Acórdão nº 2202002.611 (fls. 773/803), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003 MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelase inconciliável com o estado democrático de direito. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido.” Devidamente intimada, a Fazenda Nacional informa à fl. 806 que não haveria a interposição de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por sua vez, também não foi manejado recurso por parte do contribuinte, razão pela qual os autos foram encaminhados para arquivo em 08/01/2015 (fls. 821). O presente processo, contudo, retornou para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para a realização de novo julgamento dos recursos voluntário e de ofício, tendo em vista que, no processo administrativo nº 15169.000069/201663 (Representação de Nulidade) apenso a estes autos, foi proferida decisão anulando o Acórdão nº 2202002.611 (fls. fls. 773/803). Fl. 955DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 956 14 O processo foi distribuído a esta Conselheira para relatar e julgar. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Como Redator ad hoc, verifiquei que a minuta de voto inserida pela Relatora no repositório oficial do CARF estava em desconformidade com a decisão do colegiado, haja vista que o voto da Relatora foi modificado durante a sessão de julgamento, de forma oral, acompanhando o posicionamento dos demais componentes da Turma, no sentido de que fosse convertido o julgamento em diligência, decisão a qual se deu por unanimidade de votos. Assim, tendo participado do julgamento, apresento o voto abaixo, o qual está em consonância com o que restou decidido pela Turma: O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. É objeto do referido recurso o lançamento de imposto de renda referente a depósito bancário creditado na conta do contribuinte em conta bancária no Banco Jacob Safra – Agência Zurich Suisse, em 17/05/2002, no valor de US$ 3.650.000,00 (três milhões seiscentos e cinquenta mil dólares). Conforme relatado, o fundamento específico para a DRJ não aceitar a prova foi tão somente a existência de um lapso de 8 (oito) dias entre a informação de remessa do valor do BNP PARIBAS e a data em que o valor efetivamente foi creditado na conta do contribuinte no banco Safra, na Suíça. Esta prova é importante para comprovar se a quantia de US$ 3.650.000,00 decorre ou não da alienação das participações societárias para a empresa Sicilia coorp. No entanto, o lapso de temporal, de oito dias, entre as datas deixam dúvidas se o valor remetido pelo BNP PARIBAS seria o mesmo que foi creditado no Banco Safra, razão pela qual compreendese necessária a realização de diligência. Para que não hajam dúvidas quanto a referida prova, propõese, portanto, a conversão do julgamento em diligência, conforme conclusão deste voto, de modo que a unidade de origem intime a instituição BNP PARIBAS para que essa, por meio de sua representação no Brasil, ou ainda, t mediante comunicação com sua filial na Suíça, informe especialmente se o documento de fl. 245 (ou fl. 239 na numeração do processo físico), datado de 18/10/2016 é autêntico e se os signatários deste documento eram, à época que firmado o documento, vinculados à instituição BNP PARIBAS; ainda, que se esclareça se o depósito da quantia de USD 3.650.000,00 (três milhões e seiscentos e cinquenta mil dólares norte americanos), a qual foi realizada em conta bancária do Banco Safra em 17/05/2012, de titularidade de Walter Faria, conforme extrato bancário de fl. 316 (ou fl. 304 na numeração do processo físico), corresponde à remessa no mesmo valor do BNP PARIBAS em 09/05/2012, referida à fl. 245, especificando os números das contas envolvidas e o motivo do intervalo de tempo entre a remessa em questão e o depósito, sendo o caso. Fl. 956DF CARF MF Processo nº 19675.000557/200711 Resolução nº 2202000.838 S2C2T2 Fl. 957 15 Conclusão Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue as providências a seguir discriminadas: 1. Promova a intimação da instituição bancária BNP PARIBAS, por meio de sua representação no Brasil e, se necessário, mediante comunicação com sua filial na Suíça, para que a instituição bancária: a) informe se o documento de fl. 245, datado de 18/10/2016, é autêntico; b) confirme se os signatários do documento referido no item acima (item 1.a), eram, à época, empregados, agentes ou prepostos da instituição BNP PARIBAS, indicando o nome completo destes; c) ainda, que esclareça se o depósito da quantia de USD 3.650.000,00 (três milhões e seiscentos e cinquenta mil dólares norteamericanos), a qual foi realizada em conta bancária do Banco Safra (Banque Jacob Safra Suisse SA) em 17/05/2012, de titularidade de Walter Faria, conforme extrato bancário de fl. 316, corresponde à remessa de igual valor do BNP PARIBAS em 09/05/2012, referida à fl. 245, indicando, de modo que possa ser verificada a origem e destino de tal valor, as agências bancárIas envolvidas, o número de cada conta bancária e a titularidade destas; sendo caso, esclareça a razão na qual o intervalo de tempo entre a remessa em questão (09/05/2012) e o depósito (17/05/2012) foi de 8 (oito) dias; d) se no esclarecimento do item acima (item 1.c) for informado que o valor depositado em conta bancária do Banco Safra (Banque Jacob Safra Suisse SA) em 17/05/2012 (fl. 316) na conta de Walter Faria decorre de outra transferência bancária que não a de 09/05/2012 (fl. 235), necessário que seja realizado um outro esclarecimento, devendo a instituição BNP PARIBAS informar para qual conta bancária foi efetivamente transferido o valor remetido em 09/05/2012 (fl. 245), indicando banco, agência, número de conta, titularidade da mesma e data do depósito; ainda, seja apontada a origem do valor depositado na conta bancária do Banco Safra (Banque Jacob Safra Suisse SA) em 17/05/2012, de titularidade de Walter Faria, informando a agência, número de conta, data da remessa e o titular da conta bancária; 2. A intimação acima referida deve ser encaminhada à instituição bancária BNP PARIBAS acompanhada de cópia dos seguintes documentos, os quais constam nestes autos: a) documento de fl. 245 (ou fl. 239 na numeração do processo físico), datado de 18/10/2016; b) extrato bancário de fl. 316 (ou fl. 304 na numeração do processo físico); c) a presente resolução (nº 2202000.838, de 16/01/2019); 3. Após realizadas as diligências acima, seja dado ciência ao contribuinte e à PGFN do retorno da diligência; 4. Por fim, retornem os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Fl. 957DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917919/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.972
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Trata o presente de PER/DCOMP apresentada eletronicamente, que restou indeferida, consoante razões consignadas no Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho decisório é nulo porque não buscou a verdade material que é o elemento fundamental da validade dos atos administrativos; que o valor recolhido a título de COFINS se tornou indevido por ter incidido sobre as demais receitas nãooperacionais uma vez que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que havia dado suporte à referida exigência foi declarado inconstitucional; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 91 9/ 20 11 -8 6 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.917919/201186 Resolução nº 3201001.972 S3C2T1 Fl. 3 2 que as informações constantes na DCTF não são válidas porque o cálculo do débito declarado considerou as prescrições contidas no dispositivo declarado inconstitucional; que para provar o alegado, juntou cópia da ficha Razão com o registro das “outras receitas” que foram, também, tomadas como base de cálculo para a incidência das contribuições declaradas inconstitucionais e cópia da ficha Razão da conta de Cofins e PIS a recolher, na qual há o registro da apuração dessas contribuições sobre as demais receitas, cujos valores foram recolhidos nos DARF indicados nos PER/Dcomp; que no caso das provas contábeis apresentadas serem insuficientes para formar o juízo que seja determinada a realização de diligência; A DRJ julgou improcedente a impugnação. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: I Dos Fatos A Recorrente expõe que o objeto do presente processo consiste no pedido de restituição (PER) decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (REsp 346.084/PR), que permitia a incidência do PIS/COFINS sobre toda e qualquer receita do contribuinte. II Do Direito A Recorrente relata que os fundamentos da negativa do pedido de restituição são dois: no despacho decisório, foi o de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte; na decisão recorrida, foi o da ausência de provas da base de cálculo da COFINS que se pretende restituir. Em seguida discorre sobre a PER/DCOMP como tendo força constitutiva e autônoma. Conclui afirmando que houve pagamento a maior vinculado a DARF. A Recorrente alega que não pode ser responsabilizada pela não apresentação de DCTF retificadora. Nessa linha, o despacho decisório seria nulo pois não buscou a verdade material. A decisão ora recorrida também não observou o princípio da verdade material. Alega a legitimidade do crédito pleiteado em razão dos valores indevidamente recolhidos. Relata a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que erroneamente considerou como base de cálculo a receita bruta. Cita jurisprudência do CARF. Passa a descrever os efeitos da declaração de inconstitucionalidade e alegar quanto a invalidade das declarações preenchidas com base no dispositivo declarado inconstitucional. Sustenta que o débito confessado em DCTF está majorado, pois foi apurado de forma inválida. Argumenta quanto a superficialidade do exame centrado apenas na DCTF. No tocante a prova do crédito requerido, a Recorrente alega que juntou a folha do livro razão. Em continuidade, diz que uma simples análise da DIPJ evidencia que o valor recolhido a título de COFINS foi indevido. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.917919/201186 Resolução nº 3201001.972 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente tem plena certeza das razões e provas acostadas aos autos, e em caso de dúvidas requer a realização de diligência fiscal. Elenca os quesitos para a diligência. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.968, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10830.917911/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.968): "Inicialmente cabe reforçar o alegado pela Recorrente quanto a declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/98 em decisão plenária do STF. Além disso, o mesmo foi revogado pela Lei n.º 11.941/09, não havendo, portanto, mais que se falar na ampliação da base de cálculo da COFINS às receitas financeiras. Assim o ponto relativo a inconstitucionalidade está pacificado. O cerne do presente processo está, todavia, na capacidade de comprovação do crédito por parte da Recorrente. No processo administrativo fiscal, incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Assim, para o caso concreto que trata de pedido de restituição, as alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Nesse ponto, a Recorrente acredita ser suficiente a apresentação de folha do livro razão e da DIPJ. Diante da existência de escrituração do contribuinte, comprovada por meio da apresentação do livro Razão, bem como da apresentação da DIPJ, surge a dúvida quanto ao recolhimento indevido sobre receitas financeiras da COFINS. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa fé. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.917919/201186 Resolução nº 3201001.972 S3C2T1 Fl. 5 4 Estabelecem os arts. 16, §§4º e 6 e 29 do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Neste sentido cito os seguintes precedentes desta Turma: "Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento." (Processo nº 10880.685730/200917; Resolução nº 3201001.298; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/07/2018) Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.917919/201186 Resolução nº 3201001.972 S3C2T1 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando a documentação juntada, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se levando em conta o livro razão, bem como a DIPJ, há o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando a documentação juntada, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se levando em conta o livro razão, bem como a DIPJ, há o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira . Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900642/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900562/2014-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schluckin.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-12T12:53:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-12T12:53:21Z; Last-Modified: 2019-06-12T12:53:21Z; dcterms:modified: 2019-06-12T12:53:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-12T12:53:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-12T12:53:21Z; meta:save-date: 2019-06-12T12:53:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-12T12:53:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-12T12:53:21Z; created: 2019-06-12T12:53:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-06-12T12:53:21Z; pdf:charsPerPage: 2221; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-12T12:53:21Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.900642/2014-18 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.252 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2019 Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900562/2014-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schluckin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 42 /2 01 4- 18 Fl. 70DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.252 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900642/2014-18 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900562/2014-54, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 71DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.252 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900642/2014-18 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900562/2014-54, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.246 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 72DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.252 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900642/2014-18 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 73DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.252 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900642/2014-18 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 74DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.252 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900642/2014-18 Fl. 75DF CARF MF
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