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Numero do processo: 12448.724761/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. INDEDUTIBILIDADE.
Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, efetuados pelo contribuinte, e relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. INDEDUTIBILIDADE. Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, efetuados pelo contribuinte, e relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Recurso Voluntário Negado.
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PREVIDÊNCIA. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente JAMIL GEDEÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. INDEDUTIBILIDADE. Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, efetuados pelo contribuinte, e relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 47 61 /2 01 1- 41 Fl. 117DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 12448.724761/201141 Acórdão n.º 2402005.656 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem representar os fatos ocorridos até então, reproduzimos o relatório da decisão recorrida (fls. 67/71): Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 2008, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 07/12, em que foram apuradas as infrações de Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi no valor de R$ 16.580,56 e de Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 1.534,73. Em virtude de tais alterações, foi alterado o imposto a restituir apurado na declaração para R$ 3.481,15. Cientificado da notificação de lançamento, o Interessado apresentou em 16/12/2010 a impugnação de fls. 02/05, na qual alega em síntese: 1) que o valor declarado de contribuição a Previdência Privada ou Fapi não passa do 12% dos rendimentos tributáveis declarados e anexa os comprovantes da BRASILPREV, das filhas, no valor total de R$ 25.043,36. 2) Em relação as glosa de despesas médicas, concorda com o valor glosado da CETOL (R$ 300,00) e questiona somente o valor glosado de R$ 864,18. Apresenta as cópias dos recibos comprobatórios que dispõe do Laboratório Sérgio Franco, as cópias dos recibos de Milton Coji (R$ 310,00) e de Nelson Shigueru Kagohara (R$ 410,00). A impugnação foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que manteve a glosa total da dedução de contribuição à previdência privada e Fapi (fl. 08), no valor de R$ 16.580,00 e acatou parte dos comprovantes de despesas médicas, mantendo somente a glosa de R$ 1.016,22 neste título. O sujeito passivo ingressou com recurso voluntário (fls. 73/74), em 10/07/2013, alegando, em síntese que: 1. que a filha Kátia Gedeão é sua dependente legal, por ser inválida, por incapacidade visual, conforme documentos que anexa. Requer que seja considerada válida a dedução da contribuição para a previdência privada em seu nome, no valor de R$ 7.734,48; 2. apresenta cópia legível do comprovante de pagamento ao sr. Coji Ito, com local de trabalho, CPF e inscrição municipal. Requer que seja considerada válida a dedução no valor de R$ 310,00; 3. que o valor de R$ 270,00 em despesas médicas correspondem a coleta domiciliar para exames laboratoriais, realizada pela empresa "Colhedores Especiais LTDA" conforme recibos que anexa. Requer que seja considerada a dedução da despesa médica. Fl. 119DF CARF MF 4 Juntou documentos (fls. 75/84). O julgamento foi convertido em diligência (fls. 90/93) para a autoridade preparadora informar a data em que o contribuinte foi intimado da decisão da DRJ. No entanto, a diligência não teve êxito e, conforme despachos (fls. 95/114), não foi possível identificar a data da ciência pelo sujeito passivo. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 12448.724761/201141 Acórdão n.º 2402005.656 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Não havendo, nos autos, comprovação da data da ciência do acórdão da DRJ pelo sujeito passivo, e em homenagem ao princípio da ampla defesa e do contraditório, é de se considerar tempestivo o recurso voluntário (fls. 73/74) apresentado em 10/07/2013. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido. Das deduções de despesas com previdência O recorrente argui que a filha Kátia Gedeão, maior de 16 anos, é sua dependente legal por ser portadora de incapacidade visual. Anexa certidão de nascimento (fls. 75/76) e atestado médico (fl. 77) de que a sra. Kátia Gedeão é portadora de cegueira legal de forma irreversível. Poderão ser considerados dependentes, nos termos da Lei no 9.250/1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. Fl. 121DF CARF MF 6 § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. Em que pese a condição da sra. Kátia Gedeão, não há, nos autos, comprovação de que seja inválida para o trabalho, consoante exigido pelo inciso III, do art. 35, da Lei no 9.250/1995. A declaração de designação de dependente (fl. 78) é ato voluntário do interessado, não servindo de prova da dependência para fins tributários, conforme exigido pela lei. Desse modo, a filha não pode ser considerada dependente, pelo que deve ser mantida a glosa da dedução da contribuição para a previdência privada em seu nome, no valor de R$ 7.734,48. Recurso rejeitado na matéria. Das deduções de despesas médicas Na determinação da base de cálculo do IRPF é possível a dedução de diversas despesas com saúde ("despesas médicas"), desde que devidamente comprovadas, de acordo com a Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 122DF CARF MF Processo nº 12448.724761/201141 Acórdão n.º 2402005.656 S2C4T2 Fl. 5 7 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] (Grifamos) Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, com suporte nos §§ 3º a 5º, do art. 11, do DecretoLei nº 5.844/1943, estabelece a necessidade de comprovação das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPF e a possibilidade de glosa de deduções indevidas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima, para que seja lícita a dedução de despesas médicas e odontológicas da base de cálculo do imposto de renda, essas têm que dizer respeito a pagamentos especificados, comprovados e efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes legais. Ainda de acordo com os normativos cotejados, a autoridade administrativa pode, a seu juízo, exigir a comprovação ou justificação das despesas objeto de dedução com o fim de verificar sua efetiva ocorrência e o atendimento dos requisitos prescritos em lei e, caso o pagamento dessas despesas não restem comprovados ou verifiquemse ausentes outras condições legalmente estabelecidas, as deduções serão glosadas por meio do lançamento respectivo. Em face dos dispositivos legais sob comento, a DRJ/BHE restabeleceu as deduções para as despesas comprovadas pela contribuinte com base em documentos hábeis e idôneos para tal. Manteve, no entanto, a glosa no valor de R$ 1.016,22. Com o recurso, o sujeito passivo apresenta cópia de recibo de R$ 310,00, pago por serviços de massagem terapêutica. Escrito à mão, foi consignado no recibo "acupuntura". Tais serviços não estão compreendidos naqueles descritos na alínea "a", do inciso II, do art. 8o, da Lei no 9.250/1995 (médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, Fl. 123DF CARF MF 8 fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais, exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias), pelo que resulta impossível a sua dedução. Melhor sorte não assiste ao recorrente em relação ao recibo, no valor de R$ 270,00, de pagamento efetuado à empresa Colhedores Especiais LTDA (fls. 82). O serviço de coleta de sangue em domicílio também não se encontra dentre aqueles enumerados na alínea "a", do inciso II, do art. 8o, da Lei no 9.250/1995. Logo, tais despesas não podem ser deduzidas, devendo a glosa ser mantida. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002007/2002-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Não serão considerados, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).
Numero da decisão: 9202-004.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a tributação da diferença entre o total de créditos na conta da Caixa Econômica Federal e o valor dos alvarás recebidos pela recorrida, bem como da totalidade dos créditos na conta do Banco Bilbao Vizcaya, vencidas as Conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997, 1998, 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Não serão considerados, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1778; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 558 1 557 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.002007/200264 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.557 – 2ª Turma Sessão de 23 de novembro de 2016 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MIRIAM BARTHOLOMEI CARVALHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997, 1998, 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Não serão considerados, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para restabelecer a tributação da diferença entre o total de créditos na conta da Caixa Econômica Federal e o valor dos alvarás recebidos pela recorrida, bem como da totalidade dos créditos na conta do Banco Bilbao Vizcaya, vencidas as Conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 07 /2 00 2- 64 Fl. 558DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2102002.265, proferido pela 1º Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls. 260/267, referente aos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999, motivada pela omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, constituído o crédito tributário no valor de R$ 417.009,66, acrescida de multa de ofício no valor de R$ 313.766,36. Conforme apresentado no relatório do acórdão recorrido, que adoto em parte, a presente ação fiscal foi instaurada a partir de requisição do Ministério Público Federal (fl. 17). A autoridade ministerial, ancorada em denúncia anônima apresentada junto à PRR3ª Região, noticiando que a contribuinte havia efetuado diversos depósitos em conta conjunta mantida na Caixa Econômica Federal, com valores não declarados ao fisco, repassou a delação para a competente ação do Fisco. A contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os extratos de suas contas bancárias, bem como a justificar a origem dos depósitos efetuados (fls. 3 a 7), quedandose silente, o que obrigou a autoridade autuante a solicitar a emissão das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF (fls. 38 a 45). Atendendo às RMFs, vieram as instituições financeiras e acostaram os extratos bancários da contribuinte aos autos (fls. 46 a 191). Ato contínuo, em 10/12/2002, a autoridade autuante discriminou um rol de depósitos levados a efeito em contas de depósito da Caixa Econômica Federal e do banco Bilbao Vizcaya Argentaria Brasil BBV e intimou a contribuinte a justificar a origem de cada crédito. Ademais, inquiriu a contribuinte a discriminar a participação percentual do Sr. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.002007/200264 Acórdão n.º 9202004.557 CSRFT2 Fl. 559 3 Maurício Souto Mayor Junior, cotitular das contas de depósito e cônjuge da contribuinte, na propriedade dos depósitos relacionados. Por fim, alertou à fiscalizada que, ausente a comprovação requerida, incidiria, na espécie, os efeitos da presunção da omissão de rendimentos regulada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 (fls. 08 a 15). Inconformado com a autuação, a contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 192/247), deduzindo os seguintes fatos: trabalhava junto ao Escritório de Advocacia Clovis Beznos e, diante da impossibilidade do profissional antes nominado patrocinar causas em desfavor da fazenda pública, em decorrência de cargo público por este ocupado, recebeu procurações de empresas clientes do Escritório para intentar demandas judiciais tributárias em face da Fazenda Federal, e, no bojo de tais litígios, houve depósitos judiciais, sendo, ao final, com o sucesso dos autores, levantados os depósitos, com trânsito pela conta bancária da fiscalizada, mantida no Posto de Atendimento Bancário da Caixa Econômica Federal; informou que seu cônjuge não tinha qualquer participação na movimentação financeira de suas contas bancárias, sendo seu nome incluído como cotitular apenas por questão de segurança, para que, no caso de morte da fiscalizada, pudessem os valores ser levantados, pois não pertenciam à contribuinte; os valores creditados na conta bancária da fiscalizada eram repassados às empresas vitoriosas nas demandas judiciais, com retenção dos honorários advocatícios em favor do Sr. Clóvis Bezno; ocorre que, no lapso temporal dos anoscalendário em debate, a fiscalizada passou a ter problemas de ordem psiquiátrica, que a levou a se assenhorear de recursos de terceiros. Por essa conduta passou a figurar como ré em ações penais; juntou longa relação de feitos propostos junto à Justiça Federal em que funcionou como advogada (fls. 196 a 226); juntou cópia de duas denúncias oferecidas pelo Ministério Público de São Paulo, como incursa no tipo do art. 168, § 1º, III, do Código Penal (apropriação indébita, em razão da profissão), e de duas ações ordinárias condenatórias, estas objetivando a devolução de valores indevidamente recebidos pela advogada, ora fiscalizada (fls. 227 a 238); juntou dois laudos médicos psiquiátricos, os quais reconheceram a inimputabilidade penal em face de crimes de apropriação indébita (fls. 240 a 247). Analisando as petições iniciais das denúncias e das ações de cobrança, a autoridade autuante identificou a origem dos depósitos de R$ 247.871,22, em 10/05/99 (histórico CRED AUTOR), e R$ 51.652,47, em 02/08/99 (histórico CRED AUTOR), excluindoos do rol de depósitos de origem não comprovada. Na sequência, encerrou o procedimento fiscal, considerando os demais depósitos com origem não comprovada, estribandose na presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A 4ª Turma de Julgamento da DRJFortaleza (CE), por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, em decisão de fls. 322 a 333. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 7.294, de 9 de dezembro de 2005. Fl. 560DF CARF MF 4 A Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 342), pugnando pela declaração de nulidade do julgamento de 1ª instância por indeferir o pedido de diligência da autuada, condição essencial para identificar a matéria tributável e arrostar a presunção legal em que se ancorou o lançamento, e, caso não fosse decretada nulidade da decisão recorrida, requereu que fossem excluídos os valores creditados na conta da Caixa Econômica Federal, pois decorrentes de alvarás em benefícios de terceiros. Por fim, confirmando pleito deduzido na impugnação, pediu para que a Caixa Econômica Federal fosse intimada a informar a que título os depósitos de fls. 316 e 317 foram efetuados. A então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pela Resolução nº 10601.460, converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora tomasse as seguintes providências: intimar o PABCaixa Econômica Federal a informar a que título foram efetuados os depósitos de fls. 316 e 317, bem como acostar aos autos cópias dos cheques relacionados nas fls. 277 e 278; intimar o Escritório de Advocacia Clovis Bezno a explicar se mantinha relação de emprego com a fiscalizada, e, em caso positivo, no tocante aos valores dos depósitos de fls. 316 e 317, informar se tais valores são de propriedade de terceiros. Em cumprimento, a Caixa Econômica Federal discriminou a origem da grande maioria dos créditos elencados, os quais tinham origem em levantamento de alvarás judiciais, juntando ainda cópias dos cheques descritos nas folhas acima (fls. 383 a 411). Já o representante do Escritório de Advocacia Clovis Beznos informou que a autuada exerceu a advocacia em regime de associação, sem vínculo trabalhista, com o Advogado Clóvis Beznos, em causas em que foram outorgadas procurações a ambos, para agir em conjunto ou separadamente. Alegou desconhecer a origem dos depósitos bancários na conta da CEF da autuada (fls. 416 e seguintes). Intimada a contribuinte do teor da documentação acima, apresentou petição asseverando que sua defesa restou comprovada, não tendo, entretanto, acesso à documentação que comprovaria todos os depósitos porque havia saído do Escritório Clóvis Beznos em fins de 1999 e lá tinha ficado tal documentação. A 1º Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 490/496, deu provimento ao Recurso Ordinário, determinando a exclusão dos créditos da Caixa Econômica Federal do lançamento, pois concluiu, após a verificação do resultado da diligência, que as informações prestadas pela Caixa Econômica Federal comprovaram que os recursos financeiros movimentados naquele banco eram provenientes de alvarás judiciais. Assim, a conta bancária da contribuinte era utilizada como repositório de alvarás em prol de terceiros, para os quais a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não poderia ser aplicada, pois se estaria a presumir como rendimentos da autuada créditos bancários, quando se apreendeu que foram em benefícios de terceiros. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 498/502, no qual argumentou que o colegiado considerou justificados os depósitos bancários sem que houvesse uma exata correspondência entre eles e os recursos indicados como origem, com coincidência de datas e valores. Já o acórdão paradigma concluiu que o contribuinte, para elidir a presunção legal relativa do art. 42 da Lei nº 9.430/96, deve trazer aos autos provas com coincidência de datas e valores para provar a origem dos rendimentos omitidos. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.002007/200264 Acórdão n.º 9202004.557 CSRFT2 Fl. 560 5 Às fls. 281/288, em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao Recurso Especial, pois, em que pese os argumentos do Conselheiro relator quanto a ser plausível que os valores pertençam a terceiros, os acórdãos paradigmas adotaram posicionamentos diferentes quanto à forma de comprovação individualizada da origem dos recursos. Assim, verificouse a divergência entre os paradigmas e o acórdão recorrido. Devidamente cientificado, a Interessada apresentou contrarrazões às fls. 517/525, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls. 260/267, referente aos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999, motivada pela omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, constituído o crédito tributário no valor de R$ 417.009,66, acrescida de multa de ofício no valor de R$ 313.766,36. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário, determinando a exclusão dos créditos da Caixa Econômica Federal do lançamento, concluindo, após a verificação do resultado da diligência, que as informações prestadas pela Caixa Econômica Federal comprovaram que os recursos financeiros movimentados naquele banco eram provenientes de alvarás judiciais, servindo, a conta bancária da contribuinte, como repositório de alvarás em prol de terceiros, para os quais a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não poderia ser aplicada, pois se estaria a presumir como rendimentos da autuada créditos bancários, quando se apreendeu que foram em benefícios de terceiros. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional, trouxe para análise a divergência jurisprudencial no sentido de que o colegiado considerou justificados os depósitos bancários sem que houvesse uma exata correspondência entre eles e os recursos indicados como origem, com coincidência de datas e valores. Já o acórdão paradigma concluiu que o contribuinte, para elidir a presunção legal relativa do art. 42 da Lei nº 9.430/96, deve trazer aos autos provas com coincidência de datas e valores para provar a origem dos rendimentos omitidos. Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo (se for o caso) prova em contrário, por parte do contribuinte. A lógica utilizada pelo acórdão recorrido utilizase das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em Fl. 562DF CARF MF 6 discussão. Assim, "presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Podemos deste dispositivo destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art. 42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. Observando o acórdão "a quo" percebese que na análise das provas carreadas aos autos o colegiado considerou que o contribuinte logrou êxito em comprovar a origem dos depósitos, pois, após a diligência, com as informações prestadas pela Caixa Econômica Federal, restou comprovado que os recursos financeiros movimentados naquele banco eram provenientes de alvarás judiciais decorrentes do recebimento de parcelas dos clientes da contribuinte. Assim, assiste razão o acórdão recorrido ao consider que a conta bancária da contribuinte era utilizada como repositório de alvarás em prol de terceiros, para os quais a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não poderia ser aplicada, pois se estaria a presumir como rendimentos da autuada créditos bancários, os quais correspondiam a benefícios de terceiros. E nesse ponto entendo que assiste razão ao contribuinte, e o voto recorrido foi escorreito neste sentido. Não há dúvidas de que quando regularmente intimado cabe ao contribuinte colaborar com a fiscalização e indicar a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, pois é ônus seu elidir a imputação tributária que lhe esta sendo apresentada, por força do art. 42 da Lei 9430/96, o que ocorreu no caso dos autos cujos esclarecimentos trazidos pelo contribuinte trouxeram elementos suficientes para que o fiscal fosse em Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.002007/200264 Acórdão n.º 9202004.557 CSRFT2 Fl. 561 7 frente com sua investigação a qual demonstrou se tratar de recursos de terceiros oriundos de ações judiciais de clientes da contribuinte. Contudo, no presente caso não restaram outros depósitos a serem analisados além daqueles esclarecidos através de diligência dirigida a Caixa Econômica Federal. Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento, mantendo o acórdão recorrido na sua integralidade. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento da Conselheira Relatora ouso discordar quanto ao ônus adicional ali estabelecido para a autoridade fiscal no caso de utilização do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, e, consequentemente, quanto ao não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. A propósito, acerca da matéria, estabelece o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 564DF CARF MF 8 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Quanto à aplicação do referido dispositivo, adoto posicionamento bastante restritivo no que diz respeito à comprovação capaz de elidir a aplicação da presunção, que, para tal fim, deve ser feita de forma individualizada, com correspondência de datas e valores e através de documentação hábil e idônea que comprove não só a procedência, mas a origem dos recursos, aqui abrangida sua natureza. Mais detalhadamente a propósito, é cediço que, a partir de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996, em seu art. 42 e parágrafos, estabeleceu uma presunção legal (g.n.) de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Do dispositivo acima, defluem: a) a força probatória de extratos onde constem créditos em contas titularizadas pelo contribuinte, bem como, b) a nítida inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, o contribuinte titular da conta de depósito bancário é quem deve demonstrar a origem do numerário creditado (dos depósitos), sob pena da autoridade fiscal poder, com base na presunção legal, caracterizá los como renda tributável deste, que é o contribuinte legalmente determinado. Caberia à autuada, na forma disposta pela Lei, refutar a presunção legal através de documentação hábil e idônea, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário. No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTECRJ1979 pg. 806, José Luiz Bulhões Pedreira defende com muita clareza essa posição: Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.002007/200264 Acórdão n.º 9202004.557 CSRFT2 Fl. 562 9 “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Por comprovação de origem, aqui, há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Ainda quanto à citada presunção, atendome agora ao cerne da questão sob análise no presente feito, entendo que decorre de disposição expressa do §3o. do art. 42 em questão a necessidade de se comprovar cada depósito de forma individualizada, vedado assim que se tente justificar determinado somatório de depósitos de forma genérica, em perfeito alinhamento com o argumento trazido à baila pela recorrente. Quanto à necessidade de coincidência de datas e valores, entendo que se deva, porém, fazer ressalva. Em meu entendimento, o que deve haver é uma correspondência (e não coincidência) unívoca entre cada depósito realizado e a respectiva documentação suporte, hábil e idônea comprobatória de sua origem (abrangendo sua natureza), permitido, assim, haver divergência entre datas e valores dos documentos comprobatórios e dos depósitos realizados, mas somente, notese, no caso em que tal divergência seja devidamente esclarecida pelo autuado, também com base em suporte probatório hábil e idôneo. Assim, tanto quanto ao valor principal constante da documentaçãosuporte e àquele que compõe eventual diferença, necessária a anexação, pelo autuado, de elementos que comprovem que os recursos, provenientes da transação alegada como origem de recursos, transitaram pela conta corrente em questão. Exemplificando sob uma ótica prática, entendo que possa se aceitar que o valor da nota fiscal de determinada operação mercantil sirva como comprovação para depósito de valor mais elevado realizado posteriormente à transação, uma vez que se deva esta diferença a encargos pactuados pela dilação do prazo de pagamento, desde que, notese, reste devidamente comprovada a incidência de tais encargos e o pagamento de principal e encargos pelo devedor referente à transação na conta do credor. Incabível, assim, em meu entendimento, que a autoridade fiscal ou o julgador possa assumir que a não coincidência individual se deva a este ou àquele motivo, considerandose, aqui, o ônus da prova claramente estabelecido pelo dispositivo de forma a recair, in casu, sobre o contribuinte. Ou seja, nestas hipóteses acima exemplificadas e em outras de natureza similar, entendo que ainda que não haja a exata coincidência de datas e valores entre a documentaçãosuporte e o depósito efetuado, podese, sim, a partir de detalhada alegação acompanhada do devido suporte probatório, estabelecer a correspondência unívoca entre a documentação comprobatória apresentada (abrangendo a natureza da operação) e o depósito efetuado, sendo, uma vez estabelecida tal correspondência, também nestas hipóteses de se elidir a aplicação da presunção do referido art. 42. Fl. 566DF CARF MF 10 Para o caso em questão, a partir da análise dos autos, verifico que: a) Quanto aos valores referentes à conta da Caixa Econômica Federal na qual a autuada alegadamente recebia os alvarás de seus clientes, verifico que, conforme muito propriamente analisado pelo voto do Acórdão recorrido, somente parcela dos montantes objeto de tributação puderam ser efetivamente justificados pelo total de alvarás recebidos, consoante demonstrativos de efls. 389 e ss. Assim, permanecem como não comprovados, através de documentação hábil idônea, os seguintes valores creditados, cuja tributação, destarte, é de se restabelecer consoante demandado pela Fazenda Nacional: AnoCalendário Valores justificados por alvarás recebidos consoante efls. 389 a 391 Valores cuja tributação se restabelece TOTAL DE CRÉDITOS OBJETO DE LANÇAMENTO EM LITÌGIO CONTA CEF 1997 R$ 914.794,28 R$ 50.708,78 R$ 965.503,06 1998 R$ 318.412,67 R$ 27.683,92 R$ 346.096,59 1999 R$ 111.546,59 R$ 73.004,02 R$ 226.550,61 R$ 42.000,00 (Depósito reconhecido pela DRJ) = R$ 184.550,61 b) Quanto aos valores transitados na Conta do Banco Bilbao Vizcaya, nenhuma comprovação adicional foi obtida em sede de recurso ordinário. Assim, de se restabelecer a totalidade da tributação quanto aos depósitos não comprovados objeto de tributação, creditados na referida conta. Ainda a propósito, de se ressaltar que entendo, com a devida vênia ao recorrido, que os valores em litígio não permitem a utilização do dispositivo citado pelo voto condutor(art. 42, §3o., II da Lei no. 9.430, de 1996). Assim, a partir do acima disposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a tributação da diferença entre o total de créditos na conta da Caixa Econômica Federal e o valor dos alvarás recebidos pela recorrida para os anos calendários de 1997, 1998 e 1999, consoante coluna grifada do quadro acima reproduzido, bem como da totalidade dos valores objeto de tributação decorrentes de créditos não comprovados na conta do Banco Bilbao Vizcaya para o anocalendário de 1997. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.002007/200264 Acórdão n.º 9202004.557 CSRFT2 Fl. 563 11 Fl. 568DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.720816/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
CONDOMÍNIO PRO INDIVISO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Os condomínios na propriedade de imóveis não serão considerados sociedades de fato, ainda que deles façam parte também pessoas jurídicas (art. 7º do Decreto-lei nº 1.381/74).
Os co-proprietários que se organizam para explorar atividade de Shopping Center em condomínio pro indiviso são os verdadeiros sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o retorno econômico do empreendimento.
Numero da decisão: 1201-001.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente).
Nome do relator: Relator
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ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Os condomínios na propriedade de imóveis não serão considerados sociedades de fato, ainda que deles façam parte também pessoas jurídicas (art. 7º do Decretolei nº 1.381/74). Os coproprietários que se organizam para explorar atividade de “Shopping Center” em condomínio pro indiviso são os verdadeiros sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o retorno econômico do empreendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 16 /2 00 8- 73 Fl. 1135DF CARF MF 2 EDITADO EM: 05/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Terceira Turma da DRJ Belém/PA que julgou procedente o lançamento da contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS), regime cumulativo, relativa ao período de apuração 01 de janeiro a 01 de dezembro de 2003, acrescida de juros de mora equivalentes à taxa Selic e de multa proporcional de 75%. O Contribuinte tomou ciência da decisão de lançamento a preposto da sociedade empresária em 10 de dezembro de 2008. Nos termos apresentados pela denúncia fiscal, a exação é decorrente de receitas de aluguéis e de outras receitas auferidas mensalmente, escrituradas no livro razão, mas não oferecidas à tributação. Além da COFINS, esse fato deu azo à exigência do IRPJ, da CSLL, e da contribuição para o PIS. Após ter sido regularmente intimada do lançamento, o contribuinte apresentou defesa conforme constas às fls. 330 a 358. Em síntese, apresentou ali nulidade no lançamento: assevera inexistente a especificação da receita supostamente omitida. No mérito, as razões iniciais estão sintetizadas no fragmento que transcrevo: A tese que embasa o lançamento consiste na afirmação de que o condomínio, apesar de não constituir pessoa jurídica, deve ser tributado como tal no momento em que exerce atividade empresarial, que seria estranha à finalidade de sua constituição. O Lançamento está também embasado em algumas decisões proferidas pela Delegacia Regional de Julgamento e pelo Conselho de Contribuintes, que entendem que o Condomínio Edilício, quando explora atividade de prestação de serviço de Estacionamento e percebe alugueis, auferindo receita e renda em razão disso, deve ser equiparado à pessoa jurídica, enquadrandose na condição de contribuinte dos tributos federais incidentes sobre o faturamento e sobre a renda. No que concerne à tese que embasa o Auto de Lançamento, em que pese estar amparada em algumas decisões de determinadas DRJs, a incidência pretendida, [...], ofende de forma flagrante os Princípios Constitucionais básicos que protegem o Contribuinte, principalmente o princípio da Tipicidade Cerrada. Este Princípio assegura que, em matéria tributária, a incidência da Norma de Tributação só ocorra quando o Fato Gerador acontecer de forma idêntica à prevista na Norma. Todos os seus cinco elementos (material, pessoal, temporal, espacial e quantitativo), devem ser idênticos à previsão legal. Somente assim surgirá a obrigação de pagar o Tributo. A importância deste princípio é tamanha que renomados doutrinadores como Geraldo Ataliba e Aires Fernandino Barreto o consideram verdadeiro corolário do Princípio da Reserva Legal. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10280.720816/200873 Acórdão n.º 1201001.555 S1C2T1 Fl. 3 3 Dessa forma, podese afirmar que a equiparação do Condomínio à pessoa jurídica ofende de forma flagrante o mencionado princípio, basicamente pela dissonância entre o critério pessoal eleito pela Regra Matriz de Incidência e o Fato efetivamente ocorrido, como será amplamente demonstrado nesta impugnação no momento oportuno. Mas não é apenas a tese acima mencionada que embasa a presente impugnação. Há elementos no fato tributado que o distinguem das situações analisadas nas decisões que embasam o Auto de Lançamento. Como já mencionado acima, o fundamento do Auto de Lançamento consiste única e exclusivamente na equiparação do condomínio ordinário à pessoa jurídica. Com isso, ele seria sujeito passivo dos tributos federais mencionados, e por isso foi lavrado o Auto de Lançamento. Ainda que prevaleça a tese referida, ou seja, mesmo que se considere que o Condomínio pode ser sujeito passivo, é necessário que ele efetivamente realize os fatos geradores, dos tributos, para que então nasça a Obrigação Tributária. O tributo objeto do Auto de Lançamento é a COFINS, que tem como fato imponível o Faturamento. Ocorre que o Condomínio não é proprietário das áreas que possibilitaram a cobrança e o recebimento de aluguéis, mas sim as pessoas jurídicas que o constituíram. Ao contrário das decisões colacionadas, o condomínio não é o destinatário das receitas. No caso ora sob análise, o Impugnante não é locatário ou cessionário, de modo que não é sequer possuidor da área, e portanto não detém sobre ela quaisquer dos direitos inerentes à propriedade, que lhe autorizem a exercer a atividade de recebimento de alugueis em seu benefício próprio. Aliás, não pode exercer qualquer direito de propriedade, visto que o condomínio confundese com a própria propriedade do imóvel que é compartilhada por diversas pessoas, estes sim, os beneficiários dos alugueres gerados pelo imóvel, de acordo com as regras inerentes à copropriedade da coisa indivisível. A conseqüência direta e lógica desta situação é que o condomínio ora impugnante não aufere a Receita decorrente [sic] cobrança de alugueres dos locatários das lojas existentes na propriedade imobiliária em questão. Se não aufere a receita, obviamente não obtém faturamento, e muito menos renda, pois não experimenta acréscimo patrimonial. A Receita e o possível Acréscimo Patrimonial são experimentados pela coletividade de pessoas, organizada em forma de condomínio, que compartilha o direito de propriedade sobre o imóvel, já que estas pessoas não transferiram este direito a ninguém. O Impugnante constitui apenas uma ficção jurídica, consistente em modalidade de comunhão que recai sobre um determinado bem (coisa res), sendo o seu objeto, no presente caso, as unidades autônomas (lojas) do Shopping Iguatemi Belém e seus consectários decorrente do regime de incorporação adotado pela edificação. Por isso, o Condomínio Civil representa apenas um mecanismo jurídico de organização e operação da propriedade compartilhada. Fl. 1137DF CARF MF 4 Ao Condomínio não é destinada a Receita. A simples constatação de que os valores pagos pelos locatários ingressam temporariamente na posse do Impugnante não é suficiente para configurar o Fato Gerador dos tributos. Ele recebe tais valores em no [sic] nome das pessoas jurídicas que o constituíram, e logo após os transfere aos legítimos proprietários, atuação esta que não só é lícita como é muito comum. A título de exemplo, mutatis mutandis, podem ser citadas as corretoras de imóveis. Recebem os aluguéis e os transferem aos proprietários, sendo estes os sujeitos passivos do IR. As corretoras não praticaram o Fato Gerador do imposto, assim como o contribuinte autuado não realizou o Fato Gerador dos tributos indicados na autuação. No que se refere ao pedido, o Contribuinte requereu: 1 Seja a presente impugnação recebida, juntamente com os documentos que a acompanham e encaminhada à DRJ/BEL para julgamento. 2 Seja imediatamente determinada a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, nos termos do Art. 151, III do CTN. 3 Seja dado total provimento à presente impugnação, pelas razões de fato e de direito acima expostas, para que seja o auto de lançamento e infração impugnado julgado totalmente improcedente. 4 Pelo principio da eventualidade, na remota hipótese de não serem acolhidas as razões de mérito que tornam o lançamento totalmente insubsistente, espera o impugnante [...] que seja julgada improcedente a autuação na parte em que exige do impugnante o pagamento de multa e juros moratórios. 5 Pelo princípio da eventualidade, na remota hipótese de não serem acolhidas as razões de mérito que tornam o lançamento totalmente insubsistente, espera o impugnante [...] que seja julgada parcialmente improcedente a autuação na parte em que inseriu os valores mencionados no referido item CNA Base de Cálculo dos tributos lançados. Da Decisão da DRJ Em decisão de 10/11/2009, a DRJ julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. COFINS. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONDOMÍNIO. PRÁTICA DE ATOS DE COMÉRCIO. RECEITAS DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10280.720816/200873 Acórdão n.º 1201001.555 S1C2T1 Fl. 4 5 O condomínio que, exercendo atividade comercial típica, aufere receitas de aluguéis e outras decorrentes do exercício de atividades manifestamente empresariais, equiparase à pessoa jurídica contribuinte da Cofins relativamente a tais atividades, sujeitandose a. incidência tributária respectiva. COFINS. CONDOMÍNIO CIVIL. RECEITAS DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Na hipótese do desempenho de atividades comerciais típicas, a receita decorrente integra a base de cálculo da Cofins devida pelo condomínio, sem prejuízo da eventual incidência da referida contribuição sobre o ulterior faturamento auferido pelos condôminos, não havendo que se falar em bitributação, haja vista tratarse de pessoas jurídicas e receitas absolutamente distintas e independentes. Recurso Voluntário Foi apresentado Recurso Voluntário por meio do qual a Recorrente ratifica seus argumentos de Impugnação. Da decisão da 1° TO da 1° Câm. da 3° Seção O processo foi distribuído para julgamento na 1° Turma da 1° Câmara da 3° Seção de Julgamento que em decisão de 07/07/11, não conheceu do recurso por incompetência, conforme ementa abaixo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA. COFINS. No âmbito na segunda instância administrativa, estão inseridas na competência da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o processamento e o julgamento de recursos em face de lançamento da Cofins lastreada em fatos igualmente utilizados para caracterizar a prática de infração à legislação do IRPJ. Recurso voluntário não conhecido." Em seguida, o processo foi distribuído na Primeira Seção e sorteado para minha relatoria. É o relatório! Fl. 1139DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O presente recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Competência Tendo em vista que os mesmos fatos lastrearam lançamento do IRPJ, entendo que, não obstante o presente processo tratar de COFINS, a competência para julgamento do presente processo é da 1. Seção de Julgamento, conforme previsto no Regimento Interno deste Conselho, assim, acertada a decisão 1° Turma da 1° Câmara da 3° Seção de Julgamento. Mérito O ponto central para deslinde do mérito, reside no exame desse colegiado sobre a questão da existência de uma sociedade em comum dos condôminos, quando houver exploração de atividade tributável em condomínio pro indiviso. Cabe ressaltar a lacuna legal referente ao tratamento do instituto “Shopping Center” no ordenamento jurídico brasileiro. A doutrina tradicional prevê três formas de estruturação de um “Shopping Center”: por meio de condomínio pro indiviso; por meio de condomínio edilício; ou por sociedade. No condomínio pro indiviso, o imóvel onde é explorado a atividade é de co proprietários, sendo que cada condômino (coproprietários) é titular de uma fração ideal, sendo patente a existência de uma única propriedade, pois, o imóvel não está dividido em unidades autônomas. Assim como em outra decisão deste Conselho que trata de matéria idêntica, me socorro dos apontamentos do Professor Venosa: “Os cotitulares exercem no ao mesmo tempo em quotas ideais sobre a propriedade indivisa. A divisão não é material, mas idealizada. Nesse diapasão, cada condômino exerce a propriedade em sua plenitude, respeitando o direito dos demais, No sistema romano a quota é a medida da propriedade. De acordo com essa fração, repartemse os benefícios e ônus, direitos e obrigações entre os comunheiros. (...) Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10280.720816/200873 Acórdão n.º 1201001.555 S1C2T1 Fl. 5 7 A tradição românica adotada por nosso ordenamento traduz a natureza do condomínio como modalidade de propriedade em comum com partes ideais. Afasta se a idéia de pessoa jurídica ou sociedade por lhe faltar ou não ser essencial a devida affectio. Existe uma coletividade de proprietários no mesmo bem, regulada pelo direito. A sociedade pode ser criada para administrar o bem comum, mas com o condomínio não se confunde. Portanto, o ordenamento não pode deixar de reconhecer o exercício simultâneo da propriedade por mais de um sujeito. Importa estabelecer seu regime legal para que a propriedade atinja suas funções sociais, em benefício dos comunheiros e da coletividade. A aplicação da noção romana facilita também a distribuição equitativa de direitos de forma homogênea, em relação à noção exclusivista do direito de propriedade. Cada condômino é proprietário, pode exercer os poderes inerentes à propriedade sobre a coisa; no entanto, seu ius utendi, fruendi et abutendi apresenta limitação imposta pela convivência dos mesmos direitos com outros consortes . Com relação a terceiros, todavia, como regra geral, não se limita o direito de propriedade de cada um.” Acerca desta característica vale trazer trecho do voto do Ministro José Delgado nos Eresp 662.978/PE, quando sustenta que: “O lojista deve obedecer às normas de administração impostas pelo empreendedor, sob pena de subverter a ordem do negócio e prejudicar o empreendimento: deve obedecer a horários de trabalho, campanhas promocionais, decoração homogênea etc. A estas disposições normativas adere o lojista, as quais ficam fazendo parte integrante da relação jurídica. O desatendimento a essas regras, que regulam essa minicomunidade, constituirá infração contratual, permitindo o despejo (art. 9º, II), e será óbice à renovação (art. 71, II).”. Assim, patente o equívoco da autoridade lançadora ao tratar a recorrente como sendo um condomínio edilício, pois, a recorrente não está dividida em unidades autônomas (lojas, box etc.) pertencentes cada uma a um proprietário. O bem em tela é uno, indivisível, pois, forma um condomínio pro indiviso. Entender a natureza jurídica da recorrente, para diferenciar dos condomínios edílicios é vital para o bom entendimento da questão em discussão. Cabe aqui, trazer transcrição do art. 1.332 do Código Civil, que trata da constituição de condomínio edilício, in verbis: “Art. 1.332. Instituise o condomínio edilício por ato entre vivos ou testamento, registrado no Cartório de Registro de Imóveis, devendo constar daquele ato, além do disposto em lei especial: I ) a discriminação e individualização das unidades de propriedade exclusiva, estremadas uma das outras e das partes comuns; II) a determinação da fração ideal atribuída a cada unidade, relativamente ao terreno e partes comuns; III) o fim a que as unidades se destinam.” Fl. 1141DF CARF MF 8 Resta claro que o imóvel que se constitui em um condomínio edilício está dividido em unidades de propriedades exclusivas e área comuns. Desta forma, num edifício residencial, os apartamentos são unidades de propriedades exclusivas, enquanto, por exemplo, o corredor de entrada, salão de festas, etc. são partes comuns. Notese que, nesse caso, a propriedade individual sobre determinado bem imóvel existe paralelamente com a propriedade comum das partes fundamentais à solidificação da comunhão dominial. No caso da Recorrente, o imóvel não está dividido em unidades de propriedades exclusivas e partes comuns. Se os condôminos da recorrente tivessem alugado todo o imóvel para um terceiro, deveria ser afastada qualquer alegação de existência de exploração econômica por meio de sociedade em comum. Todavia, não é a situação da Recorrente, pois, no caso ora em questão, os condôminos alugaram os espaços para vários locatários e contrataram uma outra pessoa jurídica para administrar o imóvel, conforme contrato a fls. 50 e segs. A sociedade em comum, disciplinada pelo Código Civil de 2002, engloba as antigas figuras das sociedades de fato e irregulares, na qual ou o contrato de sociedade não foi devidamente arquivado na Junta Comercial ou no Registro Público das PJ, ou então, sequer existe um contrato formalizado entre as partes, não obstante os sócios estejam efetivamente exercendo uma empresa. De toda forma, não seria correto afirmar que a simples exploração de um imóvel pelos seus coproprietários, tornemnos sócios, assim entendido aqueles que celebram contrato que os obriga a contribuir com bens e serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha de resultados (art. 981, CC). No presente processo o que existe é a exploração de um imóvel pertencente a um condomínio pro indiviso, o qual, ao ser explorado economicamente, logicamente, gera receitas e despesas que são dos condôminos na proporção de sua participação no condomínio. Assim, os coproprietários, ao se organizarem para explorar “Shopping Center”, no condomínio proindiviso, tornamse sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o retorno econômico do empreendimento, já que o condomínio não tem personalidade jurídica e os contratos de aluguel são celebrados pelos próprios condôminos. Existe a possibilidade de que o objeto de uma sociedade seja a exploração econômica de um bem imóvel, o que não significa que seja sempre necessário constituir uma sociedade para explorar economicamente uma copropriedade. Contudo, é necessário ainda saber se o fato de os coproprietários serem pessoas jurídicas que já exploram empresas implicaria em dizer que haveria obrigatoriamente um contrato de sociedade, ainda que em comum, para exploração da sociedade em comum. Tanto esse ponto como todo o entendimento até agora esposado, encontra resposta e amparo no art. 155 do RIR/99, cuja base legal é o art. 7º do Decretolei nº 1.381/74, in verbis: “Art. 7º Os condomínios na propriedade de imóveis não serão considerados sociedades de fato, ainda que deles façam parte também pessoas jurídicas. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10280.720816/200873 Acórdão n.º 1201001.555 S1C2T1 Fl. 6 9 Parágrafo único. A cada condômino, pessoa física, serão aplicados os critérios de caracterização da empresa individual e demais dispositivos legais como se fosse ele o único titular da operação imobiliária, nos limites de sua participação.”. Ou seja, ainda que os condôminos pessoas jurídicas explorem economicamente a copropriedade, não se formará por causa de tal atividade uma sociedade de fato. Reforça ainda tal entendimento o parágrafo único acima transcrito, pois ainda que o condomínio explore a atividade de incorporação imobiliária, quem responderá pelos tributos serão os condôminos, os quais, sendo pessoa física, serão equiparados a pessoa jurídica, por conta legislação do IR. Neste sentido, me socorro do acórdão 1302001.296 da 2° Turma da 3° Câmara desta 1° Seção, de relatoria do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que em julgamento da cobrança do IRPJ e da CSLL sobres os mesmos fatos deste mesmo Recorrente, assim decidiu: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SHOPPING CENTER. CONDOMÍNIO PRO INDIVISO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Os condomínios na propriedade de imóveis não serão considerados sociedades de fato, ainda que deles façam parte também pessoas jurídicas (art. 7º do Decretolei nº 1.381/74). Os coproprietários, ao se organizarem para explorar “Shopping Center” em condomínio pro indiviso, tornamse sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o retorno econômico do empreendimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL." Me parece claro que o legislador não só deu opções de que a copropriedade fosse explorada economicamente pelos condôminos, como vedou qualquer possibilidade de se impor um tratamento de sociedade em comum (ou “de fato” na dicção daquela época) para a empresa exercida. Cabe ressaltar, não há que se falar em competição desleal. Isso não é verdade, pois, ao não se constituir como sociedade, os condôminos se colocaram com sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o resultado econômico do “Shopping Center”. Por sua vez, se tivessem se constituído como sociedade, haveria a tributação na pessoa jurídica da sociedade e todo o resultado líquido seria distribuído aos sócios sem tributação. Fl. 1143DF CARF MF 10 Conforme o caso, a formação do condomínio pro indiviso pode ser até mais onerosa para os contribuintes, pois, a tributação de pessoas jurídicas, às vezes, leva a uma carga tributária menor, mesmo considerando o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, do que se os mesmos rendimentos fossem tributados apenas pelo IRPF. No caso em tela, não existe esse problema, pois, os condôminos eram todos pessoas jurídicas, logo, nominalmente, a carga tributária era a mesma, estivessem organizados como sociedade ou como condomínio pro indiviso. Aliás, caso mantida a autuação, existiria real risco de bis in idem, pois, os tributos ora exigidos devem ser pagos pelos condôminos. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito DAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator Fl. 1144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721021/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2001
DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas no artigo 62 do Regimento Interno, dentre as quais encontra-se a edição de Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal.
Uma vez que tenham sido declarados inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, está limitado a cinco anos o prazo decadencial para constituição do crédito tributário correspondente às Contribuições Sociais.
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETIVOS. DECADÊNCIA. DIES O QUO. PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 150 DO CTN.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, uma vez que tenha havido pagamento antecipado da exação, o prazo decadencial do direito que tem a Fazenda Pública de constituir o crédito tributário inicia-se na data da ocorrência do fato gerador.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-004.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 14/04/2017
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2001 DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas no artigo 62 do Regimento Interno, dentre as quais encontra-se a edição de Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal. Uma vez que tenham sido declarados inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, está limitado a cinco anos o prazo decadencial para constituição do crédito tributário correspondente às Contribuições Sociais. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETIVOS. DECADÊNCIA. DIES O QUO. PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 150 DO CTN. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, uma vez que tenha havido pagamento antecipado da exação, o prazo decadencial do direito que tem a Fazenda Pública de constituir o crédito tributário inicia-se na data da ocorrência do fato gerador. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 14/04/2017 Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
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PRAZO. CONTAGEM. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses previstas no artigo 62 do Regimento Interno, dentre as quais encontrase a edição de Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Uma vez que tenham sido declarados inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, está limitado a cinco anos o prazo decadencial para constituição do crédito tributário correspondente às Contribuições Sociais. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETIVOS. DECADÊNCIA. DIES O QUO. PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 150 DO CTN. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, uma vez que tenha havido pagamento antecipado da exação, o prazo decadencial do direito que tem a Fazenda Pública de constituir o crédito tributário iniciase na data da ocorrência do fato gerador. Recurso de Ofício Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 21 /2 00 8- 52 Fl. 254DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 14/04/2017 Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, do período de apuração de 01/01/2000 a 31/05/2001, no valor de R$ 2.876.724,88 (fl. 11), compreendendo principal, multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 30/09/2008. A autoridade fiscal, nos termos da descrição de fatos de fl. 13, informa que o contribuinte recolheu a menor contribuição para o PIS devido nos meses de janeiro/2000 a maio/2001 e que, intimado a esclarecer as diferenças de PIS não recolhidas nos referidos períodosbase não logrou comprovar os efetivos recolhimentos das diferenças apontadas nas planilhas anexas ao auto de infração. Cientificada do lançamento em 21/10/2008 (fl. 12), a contribuinte apresentou, em 19/11/2008, a impugnação de fls. 29/61, com as seguintes alegações: a) Preliminarmente, suscita a ocorrência da prescrição/decadência do direto do fisco de lançar os créditos tributários. Pretende a Fazenda cobrar contribuição referente às competências de janeiro/2000 a maio/2001, cujo direito ao lançamento já decaiu. Aduz que a extensão das regras inseridas no sistema tributário nacional às contribuições sociais é determinada pelo art. 149 da Constituição de 1988. Refere julgados judiciais e administrativos, concluindo que o lançamento não pode subsistir, dado que atingido pela decadência. b) Inexiste o débito lançado, pois que em sede de ação declaratória já transitada em julgado obteve o reconhecimento do direito de compensar, nos termos da Lei n° 8.383/91, valores pagos a titulo de PIS e considerados indevidos. c) O suposto débito objeto do lançamento diz respeito à compensação ultimada no regime de lançamento por homologação, relativos a créditos do PIS com débitos do próprio PIS, sendo o crédito resultante da inconstitucional majoração a que esteve submetida em face dos decretos 2.445 e 2.449. Assim, não há que se falar em crédito profisco, mas sim em compensação no regime de lançamento por homologação, ultimada pelo próprio contribuinte, do que foi cientificada a Fazenda através das guias de DARF, conforme cópias anexas. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10283.721021/200852 Acórdão n.º 3302004.021 S3C3T2 Fl. 3 3 d) A impugnante operacionalizou a compensação de seus créditos a titulo de PIS, originados das vigências dos fulminados DecretosLei, com valores vincendos do próprio PIS e, fazendose a justaposição destes valores, constatarseá que se ultimou a compensação somente dos valores que realmente foram indevidamente recolhidos. Não se pode ignorar o instituto da compensação, como fizeram os nobres fiscais. e) Continua a abordar a compensação que teria realizado, para afirmar que a mesma se reveste de legalidade e de justiça, posto que a Lei n° 8.383/91 autoriza a compensação de valores pagos indevidamente sem qualquer autorização tanto da Receita Federal quanto do poder judiciário. É um direito do contribuinte. Cita jurisprudência. Tece longa abordagem acerca daquilo que batiza de "compensação por autolançamento, voltando a referir jurisprudência”. f) A base de cálculo utilizada no lançamento fez uso da receita bruta, sem qualquer dedução, por conta das vendas baixadas. Como decorrência, houve notável majoração da contribuição. Dai que, acolhida a argumentação de direito, postulase pelo deferimento de prova pericial para provar a questão fática, eis que o volume de documentos inviabiliza a juntada dos mesmos. g) Volta ao tema compensação, para assinalar que tal direito decorre de manifestações reiteradas do STJ e do STF pela inconstitucionalidade dos Decretos 2.445/88 e 2.449/88, face a majoração do PIS promovida pelos referidos decretos. Transcreve jurisprudência. E retorna a afirmar que o direito à compensação decorre de autorização legal contida no art. 66 da Lei n° 8.383/91. Cita jurisprudência. h) Sustenta a inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic como fator de atualização monetária de tributos e a exorbitância da multa de oficio lançada, em ofensa ao principio do nãoconfisco. Refere doutrina e jurisprudência. Tomando em conta tais argumentos, pleiteia a improcedência do lançamento e, alternativamente, a redução da multa de oficio para vinte por cento. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2001 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. Declarada a inconstitucionalidade dos textos normativos que estabeleciam o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições sociais e havendo sido proferida, pelo STF, a Súmula Vinculante n° 08, concluise que a contagem do prazo decadencial dessas espécies tributárias regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o prazo decadencial de cinco anos tem inicio na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4º , do Estatuto Tributário. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 256DF CARF MF 4 Uma vez que tenha exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso de ofício. A matéria posta nos autos cingese à discussão acerca do prazo decadencial do direito que a Fazenda Pública tem constituir, pelo lançamento de ofício, a Contribuição para o PIS/Pasep, e à aplicação do critério de contagem desse prazo, se conforme o artigo 173 ou 150 do Código Tributário Nacional CTN. No que se refere à primeira questão, como é de sabença e já foi explicado com clareza na decisão de piso, há súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal afastando o prazo de dez anos pretendido pelo legislador ao promulgar a Lei 8.212/91. Súmula Vinculante nº 08 STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." A esse respeito, é também importante trazer a lume o disposto no artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como a seguir se lê. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; No que concerne à data em que se inicia a contagem do prazo decadencial de cinco anos para constituição do crédito tributário, me socorro das considerações feitas no Voto condutor da decisão recorrida. Na espécie, como a contribuinte antecipou o recolhimento de parte da contribuição social relativa aos períodos de apuração objeto do lançamento de oficio, conforme se vê às fls. 82/88, aplicase o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Nessa linha de raciocínio, o fato alusivo ao mês de maio/2001 (ultimo período de apuração lançado) aperfeiçoouse em 31/05/2001. Contados cinco anos a partir dessa data, o último dia para autuação seria 31/05/2006. Como a exação foi lavrada somente em 21/10/2008 (fl. 12), já se extinguira o direito da Fazenda Pública de cobrar o tributo respectivo. Por óbvio, o presente raciocínio estendese a todos os demais fatos geradores anteriores a 31/05/2001. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10283.721021/200852 Acórdão n.º 3302004.021 S3C3T2 Fl. 4 5 Como fica claro, fato que é atestado pela própria Autoridade Autuante às folhas 18 e 19 do processo, houve pagamento parcial da Contribuição exigida, o que remete à aplicação do artigo 1501 do Código Tributário Nacional para contagem do prazo decadencial do direito à constituição do crédito tributário, conforme decisão tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça em Regime de Recursos Repetitivos2, nos seguintes termos. Resp 973733/SC O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo 1 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 258DF CARF MF 6 inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Uma vez que o último fato gerador sobre o qual recaiu a revisão de ofício tenha ocorrido no dia 31/05/2001 e o auto de infração tenhase aperfeiçoado pela ciência ao contribuinte em 21/10/2008, resta fulminada pela decadência a integralidade do crédito tributário neste controvertido. VOTO por negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720246/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
É parcialmente nula a decisão de primeira instância que se recusa a apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação acerca da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para se pronunciar sobre matéria suscitada pela impugnante, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que se recusa a apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação acerca da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para se pronunciar sobre matéria suscitada pela impugnante, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.720246/201310 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302002.037 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2017 Matéria IRPJ e CSLL Lucros auferidos no exterior/Reorganização societária Ágio/ Glosa de juros Recorrente INTERCEMENT BRASIL S.A (ATUAL DENOMINAÇÃO DE CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que se recusa a apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação acerca da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para se pronunciar sobre matéria suscitada pela impugnante, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 02 46 /2 01 3- 10 Fl. 2935DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos pela empresa em epígrafe e pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, respectivamente, contra o Acórdão nº 1667.833/15, efls. 2640 a 2697, que decidiu considerar a impugnação: · por unanimidade de votos: (1) PROCEDENTE, quanto à glosa das despesas de juros e (2) PROCEDENTE EM PARTE, quanto à tributação de lucros no exterior, nos termos do voto do relator; e · por maioria de votos (vencido o relator): IMPROCEDENTE, quanto à glosa da amortização de ágio, nos termos do voto da julgadora Noêmia Naoe Murakami, designada para redigir o voto vencedor. Assim restou ementado o acórdão recorrido: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível falar em nulidade do Auto de Infração. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO E TRIBUTAÇÃO. REGRA GERAL. STF. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por controlada ou coligada no exterior para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Norma considerada inaplicável em relação às coligadas localizadas fora de "paraísos fiscais". TRATADO INTERNACIONAL BRASILARGENTINA. A aplicação do disposto no artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação que seguem o modelo da OCDE (no caso, firmado entre o Brasil a Argentina). CONCLUSÃO. EXIGÊNCIA EXONERADA EM PARTE. Exonerase a exigência relativa aos lucros no exterior auferidos por coligadas localizadas fora de "paraísos fiscais", mantendose a relativa aos lucros auferidos por controlada. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ANÁLISE DE FATOS PASSADOS. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA. A obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso em tela, a cada dedução indevida das despesas de amortização de ágio. Antes das amortizações, não poderia a fiscalização questionar a formação do ágio ou a sua transferência para a contribuinte, pois tais fatos não tinham, até então, reflexos fiscais (não representavam fatos geradores de obrigações tributárias). Alegação de preclusão rejeitada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESASVEÍCULO PARA ILEGAL PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10880.720246/201310 Acórdão n.º 1302002.037 S1C3T2 Fl. 3 3 Não se verifica, no caso, a figura de “empresasveículo”, utilizadas apenas para a execução de um ilegal planejamento tributário. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS VINCULADAS. LIMITAÇÃO INAPLICÁVEL. Não se aplica ao caso a limitação da amortização de ágio na “aquisição de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País”, visto que as empresas adquiridas, apesar de sociedades estrangeiras, não eram coligadas ou controladas. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO TRANSFERIDO EM SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL MEDIANTE APORTE DE INVESTIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a amortização fiscal do ágio transferido mediante aporte de investimento proveniente da sociedade investidora, que efetivamente suportou o pagamento do ágio, por ausência de previsão legal e porque tal hipótese possibilitaria o duplo aproveitamento fiscal do ágio. DESPESA DE JUROS ENTRE COLIGADAS. REGISTRO NO BACEN. Ao se equiparar o lançamento de FRNs com mútuo entre coligadas, há também que se equiparar o registro dessas FRNs no BACEN (efetuado pela contribuinte) ao registro de contrato de mútuo, admitindose como dedutíveis “os juros determinados com base na taxa registrada”, exonerandose a exigência correspondente à glosa das despesas de juros. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto que não faz parte da presente lide, concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. (grifos não pertencem ao original) Sem adentrarse ao mérito das questões confrontadas entre as partes neste momento, deparase com questão processual, deflagrada de pronto, pelo que até aqui é o suficiente para este relatório. A empresa recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 25/05/2015 (e fls. 2701) e interpôs, devidamente representada, o Recurso Voluntário, efls. 2703 a 2862, em 23/06/2015 (efls. 2703). Em sessão, fez sustentação oral pela recorrente, dr. Roberto Quiroga. OAB/SP nº 83.755. Fl. 2937DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Em prejudicial, esta Turma Julgadora tem se manifestado contrariamente ao entendimento esposado no acórdão recorrido sobre o declínio da atividade do julgamento de matéria suscitada pela empresa impugnante no concernente à incidência dos juros sobre a multa de ofício. Esta matéria foi, inclusive, suscitada no recurso interposto. Aproveito o voto proferido no recente Acórdão nº 1302001.948, em sessão realizada em 09 de agosto de 2016, de lavra do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, integrante deste colegiado, sobre a questão: Preliminarmente, ressalto que a decisão recorrida expressamente se esquivou de apreciar questão levantada pela defesa em sua peça impugnatória, se não vejamos o seguinte excerto do voto condutor da referida decisão: “Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, cabe ressaltar que essa matéria não faz parte da presente lide, pois na exigência consubstanciada nos Autos de Infração objeto do presente processo os juros de mora estão incidindo apenas sobre o valor do tributo, e não sobre a multa de ofício. Quanto à possibilidade de isso vir a ocorrer, cumpre observar que o efetivo cálculo dos juros configura matéria a ser discutida no âmbito da cobrança do tributo lançado, no qual não atua esta Delegacia de Julgamento, em função de sua atribuição específica. Os juros serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após tornarse definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado. Assim, esta autoridade julgadora não se manifesta a respeito dos critérios legais de cálculo dos juros incidentes sobre o crédito tributário a ser recolhido em fase de cobrança administrativa.” Com a devida vênia, não tem razão a autoridade de primeira instância, pois a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício é um dos efeitos de eventual decisão pela manutenção da multa de ofício e o fato de o valor (dos juros sobre a multa) não estar mensurado no auto de infração não pode ser óbice ao exercício do direito de defesa da recorrente. Todavia, mais grave do que isso é o fato de que, tendo sido renovada a questão no recurso voluntário, não poderá este CARF enfrentála, sob pena de restar configurada a supressão de instância, com flagrante cerceamento do direito de defesa da recorrente. Ressalto que a jurisprudência pacífica deste Colegiado é de que a questão em tela deve ser enfrentada pela instância administrativa. Em situações processuais parecidas com a ora posta em julgamento, o Supremo Tribunal Federal tem decidido pela nulidade parcial da sentença, se não vejamos o seguinte Acórdão: “Processo: HC 94888 SP Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10880.720246/201310 Acórdão n.º 1302002.037 S1C3T2 Fl. 4 5 Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Órgão Julgador: Segunda Turma PENAL. HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA DA PENA. NULIDADE PARCIAL DA SENTENÇA. PRECEDENTES STF. ORDEM DENEGADA. 1. A presente impetração visa ao reconhecimento de nulidade da sentença condenatória prolatada em desfavor do paciente, sob o fundamento de ausência de fundamentação na dosimetria da pena aplicada. 2. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento de que nulidade quanto à dosimetria da pena "não vicia inteiramente a sentença e o acórdão das instâncias inferiores, mas diz respeito, apenas ao critério adotado para a fixação da pena. Tudo o mais neles decidido é válido, em face do princípio utile per inutile non vitiatur." (HC 59.950/RJ, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 01.11.1982). 3. Habeas corpus denegado.”. Mutatis mutandi, por mais que me cause espécie a declaração parcial de nulidade de sentença, sustento que seja essa a melhor solução processual para o presente caso. Destarte, há que se obstar o julgamento deste litígio e devolvêlo para a complementação da sentença a quo com a devida apreciação da matéria suscitada pela impugnante. Voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para se pronunciar sobre a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Resta prejudicado o julgamento do recurso de ofício no presente momento, devendo ser sobrestado e aguardar a nova decisão de DRJ para prosseguir a sua apreciação em conjunto à totalidade do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 2939DF CARF MF 6 Fl. 2940DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.003993/2006-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/12/2002
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A DIPJ possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DIPJ sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício destas parcelas não confessadas.
ÔNUS PROBATÓRIO. Oportunizada a apresentação de documentos pela empresa autuada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a legitimidade do lançamento, necessária sua manutenção. Não apresentados nos autos quaisquer documentos que pudessem comprovar que foram incluídas na base de cálculo da COFINS sobre os valores relativos ao crédito-prêmio de IPI, sendo, portanto, descabida a determinação de sua exclusão por esta Corte.
TAXA SELIC. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF.
Incidem sobre os créditos tributários os encargos correspondentes a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal, sendo que ao CARF não é permitido se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nºs. 04 e 02.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2002
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A DIPJ possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DIPJ sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício destas parcelas não confessadas.
ÔNUS PROBATÓRIO. Oportunizada a apresentação de documentos pela empresa autuada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a legitimidade do lançamento, necessária sua manutenção. Não apresentados nos autos quaisquer documentos que pudessem comprovar que foram incluídas na base de cálculo do PIS/Pasep sobre os valores relativos ao crédito-prêmio de IPI, sendo, portanto, descabida a determinação de sua exclusão por esta Corte.
TAXA SELIC. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF.
Incidem sobre os créditos tributários os encargos correspondentes a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal, sendo que ao CARF não é permitido se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nºs. 04 e 02.
Embargos Acolhidos com efeito modificativo, negando-se provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3402-003.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os Embargos de Declaração com efeito modificativo para sanar as omissões e obscuridades apontadas pela Embargante e, no mérito, também por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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AUTO DE INFRAÇÃO. PIS/COFINS Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM JUNDIAÍ Interessado LUCIANE PRODUTOS PARA VEDAÇÃO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/12/2002 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A DIPJ possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DIPJ sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício destas parcelas não confessadas. ÔNUS PROBATÓRIO. Oportunizada a apresentação de documentos pela empresa autuada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a legitimidade do lançamento, necessária sua manutenção. Não apresentados nos autos quaisquer documentos que pudessem comprovar que foram incluídas na base de cálculo da COFINS sobre os valores relativos ao crédito prêmio de IPI, sendo, portanto, descabida a determinação de sua exclusão por esta Corte. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Incidem sobre os créditos tributários os encargos correspondentes a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal, sendo que ao CARF não é permitido se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nºs. 04 e 02. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2002 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 39 93 /2 00 6- 64 Fl. 369DF CARF MF 2 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A DIPJ possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DIPJ sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício destas parcelas não confessadas. ÔNUS PROBATÓRIO. Oportunizada a apresentação de documentos pela empresa autuada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a legitimidade do lançamento, necessária sua manutenção. Não apresentados nos autos quaisquer documentos que pudessem comprovar que foram incluídas na base de cálculo do PIS/Pasep sobre os valores relativos ao créditoprêmio de IPI, sendo, portanto, descabida a determinação de sua exclusão por esta Corte. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Incidem sobre os créditos tributários os encargos correspondentes a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal, sendo que ao CARF não é permitido se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nºs. 04 e 02. Embargos Acolhidos com efeito modificativo, negandose provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os Embargos de Declaração com efeito modificativo para sanar as omissões e obscuridades apontadas pela Embargante e, no mérito, também por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13839.003993/200664 Acórdão n.º 3402003.842 S3C4T2 Fl. 370 3 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Informação Fiscal de fls. 346347 e Despacho de fl. 344 proferidos pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM JUNDIAÍ nas quais, como autoridade fiscal competente, informam a impossibilidade de se dar cumprimento da determinação indicada por este CARF no Acórdão n.º 3402002.359, considerando a documentação acostada aos autos. Referido acórdão, proferido em 27/03/2014 e ementado nos termos abaixo, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa autuada para excluir os valores relativos ao crédito prêmio de IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS, exigidas com amparo na Lei n.º 9.718/98: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/07/2002, 31/12/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. CONCEITO DE FATURAMENTO. INAPLICABILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, DO RICARF. A base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, exigidas sob a égide da Lei nº 9.718/98, é o faturamento e, em virtude da inconstitucionalidade do seu art. 3°, §1°, declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Os valores provenientes do indébito do crédito prêmio de IPI, sejam escriturados como redução de custos ou como outras receitas não se revestem da natureza de faturamento, estando, consequentemente, afastados da tributação das citadas contribuições na vigência do art. 3º, I, da Lei n° 9.718/98. Aplicação do art. 62A do RICARF. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Incidem sobre os créditos tributários os encargos correspondentes a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal, sendo que ao CARF não é permitido se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nºs. 04 e 02. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 371DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/12/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. PIS E COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. CONCEITO DE FATURAMENTO. INAPLICABILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, DO RICARF. A base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, exigidas sob a égide da Lei nº 9.718/98, é o faturamento e, em virtude da inconstitucionalidade do seu art. 3°, §1°, declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Os valores provenientes do indébito do crédito prêmio de IPI, sejam escriturados como redução de custos ou como outras receitas não se revestem da natureza de faturamento, estando, consequentemente, afastados da tributação das citadas contribuições na vigência do art. 3º, I, da Lei n° 9.718/98. Aplicação do art. 62A do RICARF. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Incidem sobre os créditos tributários os encargos correspondentes a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal, sendo que ao CARF não é permitido se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nºs. 04 e 02. Recurso Voluntário Provido em Parte" (fls. 322323) Após o retorno dos autos para a DRF de origem, foi proferido o Despacho de Encaminhamento de fls. 344, no qual foi evidenciada a impossibilidade de cumprimento do acórdão do CARF considerando que em nenhum momento dos autos a Recorrente identificou quais seriam os valores relativos ao crédito prêmio de IPI que estariam supostamente inseridas na base de cálculo do PIS e da COFINS autuados. Por conseguinte, os autos foram direcionados para a autoridade fiscal autuante: "O presente processo foi encaminhado a esta EQCOB/DRF/JUN para ciência do Acórdão de Recurso Voluntário (fls. 322 a 334). De acordo com a decisão do CARF, houve provimento do Recurso “apenas para excluir do lançamento os valores relativos ao valores de Crédito Prêmio de IPI lançados nos períodos anteriores à aplicabilidade, para o contribuinte, das Leis n°s. 10.637/2002 com relação a contribuição PIS, já que quanto à COFINS os períodos lançados não atingem o início da vigência da Lei n° 10.833/2003.” Todavia, consultando os autos anexados ao processo não foi possível identificar os valores individualizados relativos ao Crédito Prêmio de IPI que compuseram a Base de cálculo para apuração do PIS. Registrese que em consulta ao demonstrativo de diferenças apuradas pelo AFRF (folha 05), verificouse que o lançamento deuse em função da diferença entres os valores apurados na DIPJ (folha 103 a 108) e os valores declarados em DCTF (folhas 116 a 127). Pelo exposto, proponho o encaminhamento do processo ao SEFIS/DRF/JUN/SP (autoridade lançadora) para que se manifeste em relação aos valores relativos ao Crédito Prêmio de IPI que compuseram a Base de cálculo para apuração do PIS, para que possamos implementar o resultado de julgamento nos sistemas de cobrança da Receita Federal." (fl. 344 grifei) Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13839.003993/200664 Acórdão n.º 3402003.842 S3C4T2 Fl. 371 5 Em sua Informação Fiscal, a autoridade fiscal autuante novamente consignou a impossibilidade de se identificar os valores do crédito prêmio de IPI diante da realidade dos autos: "O presente processo foi encaminhado para manifestação deste SEFIS em relação ao Crédito Prêmio de IPI que teria composto a Base de cálculo para apuração do PIS, conforme despacho de fls. 344. A princípio, deve ser esclarecido que o crédito tributário objeto deste processo foi constituído no curso de procedimento de revisão fiscal, o qual se ateve ao confronto entre o débito do PIS apurado pelo próprio contribuinte e informado em DIPJ com valores por ele declarados em DCTF, exigindose as diferenças não declaradas em DCTF e/ou não recolhidas. Não houve, por parte do fisco, nenhuma análise da base de cálculo utilizada para a apuração da Contribuição devida, apuração essa que foi feita exclusivamente pelo contribuinte. Caso nela estivesse incluída receita proveniente do alegado Crédito Prêmio de IPI, caberia ao contribuinte ter apresentado valores e documentos comprobatórios desse fato, tanto durante o procedimento fiscal como na fase do contraditório, o que não foi feito, conforme se verifica consultando os autos e também conforme parte do relatório do julgamento na DRJ, transcrita a seguir: “De qualquer forma, a contribuinte limitase a alegar eventual influencia do créditoprêmio do IPI sem demonstrar a efetividade dessa repercussão ou a magnitude em que ela se daria. Nesse contexto, os argumentos da defesa revelamse meras alegações sem o condão de afetar o crédito lançado de oficio”. Sabese que administrativamente não é aceita a compensação do Crédito Prêmio de IPI com qualquer tributo federal. Isso somente seria possível mediante decisão judicial transitada em julgado, fato que em momento algum foi mencionado pelo contribuinte. No entanto, sabendose que nas DCTFs analisadas consta a compensação de parte dos débitos de PIS com créditos, os quais, conforme informado na DCTF, teriam origem na ação judicial Processo/DCOMP 9806066324, por cautela, consultamos no site do TRF da 3a. Região e constatamos que a referida ação trata de recurso de apelação e remessa oficial da sentença, proferida nos autos da ação de rito ordinário no qual o contribuinte foi autorizado judicialmente a compensar valores recolhidos indevidamente ao PIS apenas com valores vincendos do próprio PIS, nada tendo a ver portanto com o mencionado Crédito Prêmio do IPI. Assim, considerando todos os elementos que fazem parte do processo, nos parece que a decisão do CARF, no sentido de determinar a exclusão da base de cálculo do PIS de valores do Crédito Prêmio do IPI, não se aplica neste caso, em razão do exposto acima e principalmente pelo fato do contribuinte não ter juntado, em nenhum momento, qualquer elemento de prova ou mesmo de indícios da existência desse Crédito Prêmio IPI, bem assim da inclusão do valores a esse título na base de cálculo por ele mesmo composta e utilizada na apuração dos débitos do PIS. Isto posto, retorno o processo ao SECAT para prosseguimento dos trabalhos de sua alçada." (fls. 346347 grifei) Diante das obscuridades evidenciadas pela situação narrada pela autoridade fiscal de origem, estas intervenções da DRFJUNSP foram admitidas como Embargos de Declaração pelo I. Presidente desta Turma, conforme Despacho de Admissibilidade de fls. 353 357, tendo sido os autos, em seguida, distribuídos a esta Relatora: Fl. 373DF CARF MF 6 "Tendo em vista a impossibilidade de implementar o resultado do julgamento do Acórdão nº 3402002.359 (fls. 322 a 334), conforme explicações no despacho de fl. 344 e da Informação Fiscal de fls. 346 e 347, acolho a intervenção da DRFJUN SP como embargos de declaração, para que o Colegiado Recursal se manifeste a respeito das obscuridades, esclarecendo, em caso de confirmação do acórdão embargado, quais seriam os valores relativos aos valores de Crédito Prêmio de IPI que devem ser excluídos do lançamento. Incluase o presente processo em lote a ser sorteado a um dos conselheiros da 2ª TO/4ª C/3ª S/CARF." (fl. 356 grifei) Por trazer uma síntese do processo até a prolação do acórdão do Recurso Voluntário, transcrevese abaixo o relatório do Acórdão embargado: "Tratase de Autos de Infração de PIS, referente a fatos geradores ocorridos entre julho e dezembro de 2002, no montante de R$ 15.025,35 e, também, de COFINS, referente a fatos geradores ocorridos no mês de janeiro e entre julho e dezembro de 2002, perfazendo o montante de R$ 52.778,18, ambos já com o valor do principal, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Tais Autos de Infração têm por fundamento o procedimento de revisão das DCTF e DIPJ apresentadas pela contribuinte, onde constataram as diferenças entre valores pagos e declarados/escriturados das referidas contribuições. IMPUGNAÇÃO A contribuinte tomou ciência em 25/10/2006, apresentando, tempestivamente, impugnação em 21/11/2006, alegando, preliminarmente: (i) nulidade dos autos de infração por não ter sido notificada acerca do encerramento do MPF; (ii) ferimento dos princípios da tipicidade fechada e legalidade, pois que o ônus da prova quanto às supostas diferenças apontadas entre os valores escriturados caberia à fiscalização, não podendo esta se valer de presunção para apurar os elementos da norma matriz de incidência tributária; e (iii) deveria a autoridade fiscal afastar norma que entenda inconstitucional. Quanto ao mérito argumentou, em apertada síntese, que a ampliação da base de cálculo das citadas contribuições (art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98) seria inconstitucional, pois que a dita lei foi publicada antes da edição da Emenda Constitucional nº 20/98, que veio a alterar o art. 195 da Constituição Federal, ampliando o conceito de faturamento. Aduz, portanto, que o ICMS não poderia ser incluído na base de cálculo das contribuições sociais em discussão, assim como o Crédito Prêmio de IPI, que teria natureza de repetição de indébito de tributos pagos sobre os custos de exportação. Ressalta, ainda, que “a multa por falta ou insuficiência de recolhimento caracterizaria confisco, vedado pelo artigo 150, IV, da Constituição Federal”, bem como que “a taxa SELIC não poderia ser utilizada na correção de débitos fiscais, sob pena de violação do artigo 150, I, da Constituição Federal e do artigo 161 do CTN”. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), houve por bem em considerar procedente o lançamento, proferindo o Acórdão nº. 0525.092. No que tange às preliminares arguidas, entende, em apertada síntese, que: (i) a falta do encerramento da ação fiscal não configura irregularidade, uma vez que os atos subsequentes fornecem integral compreensão do feito, sem incorrer em qualquer prejuízo do feito; e (ii) a via administrativa não é o foro competente para discussão acerca de constitucionalidade de lei, cabendo ao Poder Judiciário tal competência. Acerca da alegação da contribuinte de que o créditoprêmio de IPI pode ser considerado receita para fins de composição da base de cálculo de PIS e COFINS, aduz que o créditoprêmio de IPI possuía natureza de benefício fiscal, e não Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13839.003993/200664 Acórdão n.º 3402003.842 S3C4T2 Fl. 372 7 restituição de indébito conforme quer a contribuinte. Destaca, ainda, que a contribuinte limitase a alegar eventual influência do créditoprêmio de IPI sem demonstrar, de fato, a efetividade desta repercussão. Assim, tais argumentos revelamse meras alegações sem o condão de afetar o crédito lançado de ofício. Quanto às argumentações acerca da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ou o alargamento da base de cálculo implementado pelas Leis nº 9.715/98 e 9.718/98, destaca inicialmente que os debates sobre a constitucionalidade de normas não frutificam em esfera administrativa. Ademais, não merece razão o inconformismo da contribuinte quanto à inclusão do ICMS na apuração da base de cálculo das contribuições, de acordo com legislação e jurisprudência esposada. No que tange os argumentos sobre o créditoprêmio de IPI, bem como à pretendida exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, ressalta que a contribuinte as discute somente em tese, não demonstrando sequer os efeitos que eventual êxito de suas argumentações teria sobre o crédito constituído, não observando o teor do art. 16, III do Decreto 70.235/72. Ao que se refere à alegação da autuada de que o ônus da prova, acerca das exigências fiscais, caberia à autoridade autuante, não podendo esta se fundar em presunções, destaca que pautouse, a fiscalização, no confronto entre a DCTF e DIPJ, ambas oriundas do contribuinte, que não pode, portanto, alegar desconhecimento das referidas declarações e dados de sua escrituração. Por fim, ressalta que a correção dos débitos tributários pela taxa SELIC é matéria já sumulada no âmbito dos Conselhos de Contribuintes e, ainda, que a multa por insuficiência de recolhimento encontra guarida no art. 44, I da Lei nº 9.430/96 e sua atual redação, dada pela Lei nº 11.488/07. Ao final, votou por julgar procedente o lançamento. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 23/04/2009, conforme AR de fl. 296– n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 298/310) em 19/05/2009, repisando os mesmos argumentos já levantados em sede de Impugnação, especialmente a busca da verdade material, falta de cumprimento, pela autoridade autuante, do art. 142, do CTN, impossibilidade de incidência da SELIC, e que, por respeito à brevidade, não os repetirei. Ao final, requer seja o lançamento de cobrança julgado insubsistente e, por consequência, reste extinto definitivamente o crédito tributário lançado, dandose, assim, provimento a seu recurso. DO 1º JULGAMENTO NO CARF – SOBRESTAMENTO. Em sessão do dia 24 de outubro de 2013, em atenção a Portaria CARF n° 01, os membros desta turma, por unanimidade de votos, entenderam por bem sobrestar o julgamento do processo em discussão, pois que a matéria discutida nos autos encontrase comprovadamente sobrestada pelo Supremo Tribunal Federal. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 321 (trezentos e vinte e um), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF." (fls. 323v324v) Por meio da Resolução n.º 3402000.812, de 23/08/2016, o processo foi convertido em diligência por esta Relatora em razão do potencial efeito modificativo dos aclaratórios, para que a Recorrente tivesse a oportunidade de se manifestar sobre seu conteúdo, em especial quanto à ausência de documentos neles apontados. Fl. 375DF CARF MF 8 Sem manifestação da Recorrente, os autos retornaram a esse Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne Presentes os pressupostos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, adentro em seu mérito. Como relatado no próprio acórdão embargado, os Autos de Infração de PIS e COFINS lavrados no presente PTA decorrem de divergência entre a DIPJ e a DCTF apresentados pela empresa ora Interessada. Atentandose para os documentos acostados aos autos, vislumbrase que a empresa foi intimada para apresentar esclarecimentos das razões da divergência entre os referidos documentos fiscais (fl. 612). Transcorrido o prazo previsto na intimação sem manifestação por parte da empresa interessada, foi lavrado o termo de constatação fiscal, informando da lavratura dos Autos de Infração (fl. 14). As diferenças do PIS e da COFINS foram identificadas, respectivamente, nas memórias de cálculo das fls. 10 e 12 do processo eletrônico, que instruíram os Autos de Infração lavrados, e foram confirmadas por esta Relatora pela análise das próprias DIPJs e DCTFs anexadas ao processo. Abaixo, identificamse os valores constantes das DIPJs e das DCTFs do período autuado, com as correspondentes fls. do processo eletrônico nas quais foram localizadas: PIS código de receita 8109 Competência DIPJ DCTF Diferença (objeto do AI) fls. Processo eletrônico (DIPJ e DCTF) jul/02 7.763,53 7.167,33 596,20 206, 232 e 234 ago/02 7.515,78 6.964,73 551,05 208, 236 e 238 set/02 6.793,52 5.701,31 1.092,21 210, 240 e 242 out/02 8.172,77 7.560,96 611,81 212, 244 e 246 nov/02 8.146,17 7.247,55 898,62 214, 248 e 250 dez/02 3.031,44 543,82 2.487,62 216, 252 e 254 Soma 41.423,21 35.185,70 6.237,51 COFINS código de receita 2172 Competência DIPJ DCTF Diferença (objeto do AI) fls. Processo eletrônico (DIPJ e DCTF) jan/02 32.167,83 32.146,38 21,45 218, 256 e 258 jul/02 35.831,66 33.108,01 2.723,65 220 e 260 ago/02 34.688,20 32.144,90 2.543,30 222 e 262 set/02 31.354,70 26.313,76 5.040,94 224 e 264 out/02 37.720,49 34.896,72 2.823,77 226 e 266 nov/02 37.597,70 33.450,23 4.147,47 228 e 268 dez/02 34.727,54 30.204,60 4.522,94 230, 270 e 272 Soma 244.088,12 222.264,60 21.823,52 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13839.003993/200664 Acórdão n.º 3402003.842 S3C4T2 Fl. 373 9 Pela análise da Impugnação apresentada (fls. 40167), comprovase que em nenhum momento a Interessada apresentou documentos suscetíveis de confirmar a ausência da divergência apontada pela fiscalização. Com fulcro em argumentos genéricos, afirmou que não seria cabível a inclusão do ICMS e do crédito prêmio na base de cálculo das contribuições, sem apresentar, reiterase, qualquer documento para respaldar sua alegação. Na análise da defesa, a autoridade julgadora de 1ª instância deixou clara a não apresentação de documentos por parte da empresa autuada, que simplesmente aventou teses sem trazer qualquer documentação contábil ou fiscal para respaldar suas alegações. Vejamse os trechos da decisão de primeira instância: "Enfim, ainda que apenas para fins de argumentação, se admitisse o sucesso das argumentações apresentadas, nenhum fato foi apontado de modo que dele pudesse derivar algum direito subjetivo para a autuada. No ataque ao mérito dos autos de infração, não basta a impugnante desfilar teses. Necessário demonstrar o efeito que eventual êxito de determinada linha de argumentação teria sobre o crédito constituído de oficio. Parece a impugnante, nesse ponto, esquecerse do teor artigo 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, que requer a exposição de motivos de fato e de direito da impugnação. Cabe analisar a afirmação da autuada de que o ônus da prova quanto As exigências fiscais caberia A autoridade autuante, não podendo esta fundarse em informações preliminares ou presunções. Este questionamento foi apresentado como preliminar de nulidade, mas nele reside o cerne da lide. A fiscalização pautouse no confronto entre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários —DCTF e a DIPJ, este fato encontrase perfeitamente consignado no conjunto de documentos formado pelo Termo de Intimação Fiscal, fl. 03, pelos Demonstrativos de Diferenças Apuradas pelo AFRF, fls. 05/06, pelo Termo de Constatação Fiscal, fl. 07, e em cada Auto de Infração, fls. 10/12 e 15/17. De se esclarecer que tais fontes de informação, em que se apoiou a autoridade fiscal, são oriundas da contribuinte, tendo por ela sido elaboradas e apresentadas pelos instrumentos próprios. Pontuese, não é admissivel dizerse do desconhecimento por parte da impugnante das declarações prestadas ao fisco ou de dados de sua escrituração." (fl. 286) Ora, a fiscalização se pautou na informação prestada pela própria empresa ora Interessada na DIPJ, sendo certo que, para afastar qualquer elemento da autuação, caberia à ela comprovar o alegado, na forma do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, trazendo os elementos comprobatórios do seu direito. Mas não foi o que ocorreu na hipótese: em sua impugnação, a Interessada somente apresentou alegações genéricas de não inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores de crédito prêmio de IPI e do ICMS sem trazer, contudo, qualquer elemento comprobatório suscetível de demonstrar o seu direito. Insta frisar que, no Recurso Voluntário apresentado (fls. 298310), novamente a Interessada deixou de apresentar documentos suscetíveis de comprovar suas alegações e afastar a validade dos Autos de Infração. E foi exatamente para evidenciar essa realidade fática (ausência de documentos) que a autoridade fiscal de origem emitiu o Despacho de fls. 344 e apresentou a Informação Fiscal de fls. 346347, admitidas por esta turma como Embargos de Declaração. Fl. 377DF CARF MF 10 Com efeito, considerando toda a documentação acostada aos presentes autos, não se vislumbra qualquer comprovação das alegações trazidas pela interessada em suas defesas, em especial, quanto à inclusão na base de cálculo das contribuições autuadas do crédito prêmio de IPI, cujo direito foi concedido no Acórdão embargado. E esse fato foi desconsiderado no voto proferido no acórdão recorrido (fls. 325327v), no qual o I. Conselheiro Relator focou, apenas, nas questões de direito trazidas. Assim, vislumbro com clareza os vícios de omissão e obscuridade evidenciada pelos Embargos apresentados quanto à realidade fática que envolve os presentes autos, os quais devem ser sanados para a prolação de novo acórdão diante dos fatos acima esclarecidos. Ora, considerando a ausência de elementos para afastar a validade das autuações, realizadas com fulcro nas informações prestadas pela Interessada na DIPJ por ela apresentada, merecem ser mantidos os Autos de Infração constantes deste PTA. Como é assente, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ é um instrumento de prestação de informações para o fisco quanto à diversos tributos federais, dentre os quais o PIS e a COFINS. Diferentemente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, a DIPJ não possui o condão de confissão de dívida. À época dos fatos geradores autuados (2002), estas duas declarações eram disciplinadas pelas Instruções Normativas n.º 126/98 (DCTF) e n.º 127/98 (DIPJ). Contudo, por se tratar de uma informação validamente prestada pelo sujeito passivo, as informações prestadas na DIPJ relativas aos débitos não regularmente quitados considerando as informações constantes da DCTF, pode ser considerada pela fiscalização como base para um lançamento de ofício, como ocorrido no presente caso. Essencial frisar que deve ser devidamente oportunizado ao sujeito passivo a prestação de esclarecimentos quanto às divergências identificadas entre as diversas declarações prestadas pelo sujeito passivo ao fisco federal, tais como a DIPJ e a DCTF. De fato, quando comprovada a existência de meros equívocos materiais no preenchimento das declarações ou mesmo quando justificáveis as diferenças, o lançamento fiscal não pode ser realizado às luz do princípio da verdade material amplamente aplicado por este CARF. No caso, contudo, vislumbrase que foi emitido termo de intimação ao sujeito passivo para informar qual o efetivo valor de débito devido, aquele informado na DIPJ ou aquele informado na DCTF. Contudo, regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou qualquer esclarecimento. Mesmo no curso desse processo administrativo o sujeito passivo não trouxe qualquer esclarecimento quanto às razões efetivas das diferenças. É entendimento reiterado neste Conselho quanto à validade do lançamento de ofício realizado como no presente caso, em razão da informação de débitos à menor na DCTF em relação à DIPJ. Abaixo, trazemos alguns julgados nesse sentido, inclusive um relatado pelo I. Presidente desta Turma: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do ano calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13839.003993/200664 Acórdão n.º 3402003.842 S3C4T2 Fl. 374 11 IRPJ. CSLL. LUCRO REAL. DESPESAS OPERACIONAIS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL A COMPROVAÇÃO. O contribuinte que realiza apuração do IRPJ e CSLL pelo regime do Lucro Real deve manter sua contabilidade detalhada a fim de realizar as inclusões e exclusões, ou seja, as despesas lançadas em contabilidade pelo contribuinte devem e ou deveriam estar vinculadas a documentos hábeis à comprovação de tais despesas. (...) Pois bem. É cediço que o crédito tributário é constituído pelo lançamento [notificação do lançamento] ou pela confissão de dívida mediante o cumprimento do dever instrumental de entrega da DCTF reproduzindo o resultado e a verdade da escrita fiscal, quanto à apuração dos tributos devidos. Se não há reprodução fidedigna dos valores devidos na DCTF, informálos na DIPJ não supre a inexatidão, esta constitui mero instrumento de prestação de informações, não se constituindo em instrumento apto para confissão de dívida, mas, no quanto se mostrar insuficiente a declaração (DCTF) do contribuinte, legal é o procedimento do lançamento de ofício. (...) Como visto a autoridade exigiu o demonstrativo e a documentação de suporte dos lançamentos escriturados em algumas contas selecionadas, não tendo sido atendida glosou a dedução destes valores na apuração do lucro tributável porque a contribuinte não apresentou a documentação que suporta os lançamentos." (Processo n.º 10580.727077/200947. Sessão 20/01/2016 Relator Paulo Jakson da Silva Lucas. Acórdão n.º 1301001.903 grifei) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 01/01/2007 DIPJ. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A teor do DecretoLei nº 2.124/84 e das IN SRF 126/98 e 127/98, é legítimo o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário não declarado em DCTF, ainda que tenha sido informado na DIPJ. (...) COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. À luz do art. 12 do Decreto Lei nº 1.598/77 e do art. 4º da IN SRF nº 51/78, o ICMS deve ser incluído na base de cálculo da COFINS, por integrar a receita bruta do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao CARF negar vigência a acordo internacional, lei ou decreto em razão de arguição de inconstitucionalidade. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Estando a penalidade e os encargos da mora expressamente previstos em lei, só cabe à autoridade administrativa e aos órgãos administrativos de julgamento verificarem a presença dos pressupostos de fato para sua inflição. JUROS DE MORA. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso provido em parte." (Processo n.º 10930.000387/200731 Relator Antonio Carlos Atulim Acórdão n.º 3403003.003 grifei) Essencial novamente salientar que foi oportunizado ao sujeito passivo demonstrar qual a correta informação do débito no presente processo o que não foi feito em nenhuma oportunidade. Assim, diante da ausência de documentos suscetíveis a respaldar as alegações de direito trazidas pela Recorrente (não inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS do ICMS e do créditoprêmio de IPI), não seria cabível dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado. Fl. 379DF CARF MF 12 Cumpre mencionar que não merece reparo o entendimento externado no Acórdão embargado quanto à multa e a taxa SELIC. Com efeito, no Recurso Voluntário apresentado, o sujeito passivo se pautou a sustentar a inconstitucionalidade da taxa SELIC e da multa moratória (não aplicada na hipótese) em razão do confisco, não reiterando o argumento inicialmente trazido na impugnação da impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício aplicada (argumento precluso). Assim, neste ponto, adoto integralmente as razões de decidir trazidas no acórdão embargado, abaixo transcrito: "III. Legalidade da incidência da SELIC sobre os valores lançados: Finalmente, quando à irresignação da Recorrente quanto a suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade da incidência da SELIC sobre os valores lançados, temse que não merece guarida o pleito da Recorrente. Isto porque, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, nos termos em que já pacificado neste Tribunal através da Súmula CARF nº 4. Além disso, nos termos da Súmula nº 2 deste Conselho, não cabe a este Conselho o pronunciamento sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como vemos pela sua redação: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com efeito, na proporção em que houver o lançamento de ofício, sobre o valor do tributo deve incidir a SELIC." (fl. 327v) Diante do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração de fls. 344, 346 e 347 em razão da obscuridade e omissão do Acórdão embargado quanto à realidade fática que envolve o presente processo, vez que ausentes quaisquer documentos fiscais ou contábeis a respaldar as alegações de mérito trazidas (em especial, quanto ao crédito prêmio de IPI, acolhida no acórdão embargado). Por conseguinte, no mérito, sanando a obscuridade e omissão apontadas, sejamlhes dado efeito modificativos para que sejam substituídas as razões do Acórdão n.º 3402002.359 pelo presente, mantendo integralmente o crédito tributário objeto deste PTA. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 13653.720241/2015-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. NÃO DECLARADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos em prol de tratamento próprio ou de dependente. É dever do contribuinte realizar sua declaração na forma devida e comprovar as operações. Não se desincumbiu de suas obrigações, não comprovando que possui dependente.
Inteligência do art. 80, § 1º, II, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. NÃO DECLARADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos em prol de tratamento próprio ou de dependente. É dever do contribuinte realizar sua declaração na forma devida e comprovar as operações. Não se desincumbiu de suas obrigações, não comprovando que possui dependente. Inteligência do art. 80, § 1º, II, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
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DEPENDENTE. NÃO DECLARADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos em prol de tratamento próprio ou de dependente. É dever do contribuinte realizar sua declaração na forma devida e comprovar as operações. Não se desincumbiu de suas obrigações, não comprovando que possui dependente. Inteligência do art. 80, § 1º, II, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 72 02 41 /2 01 5- 21 Fl. 50DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13653.720241/201521 Acórdão n.º 2402005.551 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, trata o presente processo de Notificação de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, fls. 9/12, referente ao ano calendário 2012, que constatou dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 7.218,39 por falta de previsão legal para sua dedução. Cientificado do lançamento em 18/06/2015 (fl. 26), o interessado apresentou a impugnação de fl. 02, em 03/07/2015, acompanhada dos documentos de fls. 04/06, alegando que o valor de R$ 3.608,96 referese a despesas com o dependente Rodrigo Franco Grippi Cavalcanti, que seria seu filho com idade inferior a 21 anos. Em relação ao valor não impugnado efetuou o recolhimento do respectivo crédito tributário, conforme darf de fl. 07. A decisão de primeira instância (fls. 3335) julgou improcedente a impugnação, por considerar que apenas são dedutíveis as despesas referente aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Tendo em vista que na declaração de ajuste anual do anocalendário 2012 (fls. 18 a 23), não consta a inclusão de Rodrigo Franco Grippi Cavalcanti como dependente do contribuinte, a autoridade de origem considerou que não pode ser acolhida a dedução de despesas de plano de saúde em tal nome, devendo ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. Cientificado da decisão de primeira instância em 07/03/2016 (fl. 41), o interessado interpôs, em 18/03/2016, o recurso voluntário de fls. 43 e segs. Nas razões recursais, o recorrente afirma que conforme ação de divórcio judicial, foi acordado que seria de sua obrigação o pagamento do plano de saúde dos seus filhos menores, que ficarão sob posse e guarda da mãe. Sendo assim, não os declarava como dependente já que a posse e guarda era da mãe, mas arcava de fato com as despesas médicas. Juntou documentos. É o relatório. Fl. 52DF CARF MF 4 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 07/03/2016, interpôs recurso voluntário no dia 18/03/2016, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Em analise ao caso, verificase que uma vez que o contribuinte declarou despesa com seu plano de saúde no valor de R$ R$ 7.218,39 e comprovou apenas parte mesma, procedeu a autoridade fazendária, corretamente, à glosa da diferença não comprovada, no valor de R$ 3.608,96. Alegou o contribuinte que o restante se trata de valores de seu dependente, entretanto, não constam dependentes em sua declaração. Ao exame da Declaração de Ajuste Anual, constatase que o Rodrigo Franco Grippi Cavalcanti não foi informado como dependente, conforme havia sido explicitado pela DRJ. Assim, sabese que quanto a dedução de despesa médica dos rendimentos tributáveis para a apuração da base de cálculo do imposto devido, o art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda/99 estabelece: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Tendo em vista o acima, entendo, desta forma, na mesma linha que o julgador originário, que a despesa relativa a Rodrigo Franco Grippi Cavalcanti não pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis para apuração da base de cálculo do imposto devido, pois o art. 80, § 1º, inciso II, prevê a dedução das despesas médicas relativas aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para seu próprio tratamento e dos dependentes. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13653.720241/201521 Acórdão n.º 2402005.551 S2C4T2 Fl. 4 5 Como tal dependente não foi declarado na condição de dependente tributário a despesa a ele correspondente não é dedutível em razão da ausência de previsão legal. Firme no entendimento exposto, voto por CONHECER, mas NEGAR PROVIMENTO ao recurso de forma a manter o Crédito Tributário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001694/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.604
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
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score : 1.0
Numero do processo: 10240.001433/2004-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E DESPESAS ADMINISTRATIVAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS.
A dedução de honorários advocatícios e despesas administrativas do total de rendimentos recebidos em virtude de ação judicial requer não só a comprovação dos pagamentos, mas também a juntada de documentos que possibilitem estabelecer o vínculo entre esses pagamentos e ação judicial que levou à percepção do rendimento.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543-B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento.
Numero da decisão: 2402-005.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo, que davam provimento parcial no sentido de que o crédito tributário fosse recalculado de acordo com o regime de competência.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: Ronnie Soares Anderson
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E DESPESAS ADMINISTRATIVAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS. A dedução de honorários advocatícios e despesas administrativas do total de rendimentos recebidos em virtude de ação judicial requer não só a comprovação dos pagamentos, mas também a juntada de documentos que possibilitem estabelecer o vínculo entre esses pagamentos e ação judicial que levou à percepção do rendimento. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543-B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1522; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 41 1 40 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.001433/200445 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.772 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de abril de 2017 Matéria IRPF Recorrente NILTON ARAGÃO DE ARAÚJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E DESPESAS ADMINISTRATIVAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS. A dedução de honorários advocatícios e despesas administrativas do total de rendimentos recebidos em virtude de ação judicial requer não só a comprovação dos pagamentos, mas também a juntada de documentos que possibilitem estabelecer o vínculo entre esses pagamentos e ação judicial que levou à percepção do rendimento. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 14 33 /2 00 4- 45 Fl. 155DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo, que davam provimento parcial no sentido de que o crédito tributário fosse recalculado de acordo com o regime de competência. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Acórdão n.º 2402005.772 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo aos anoscalendário 1999 e 2000. Tratandose de retorno de processo, no bojo do qual a autoridade lançadora apurou as infrações de classificação indevida de rendimentos e de omissão de rendimentos, assim descritas no seguinte excerto do relatório fiscal (fls. 74/75): Cabe ressaltar que, conforme documento constante nesta fiscalização, a Procuradoria da União no Estado de Rondônia requereu, ad cautela, que fosse intimada a Receita Federal para auxiliar no cálculo do IRRF do processo, porém este mesmo pedido foi indeferido, no dia 22/09/1999, pela Exma. Sra. Juíza do Trabalho Ana Carla dos Reis que, neste mesmo despacho, indicou que os exeqüentes ficariam encarregados de elaborar os cálculos dos encargos tributários devidos. Este fato somente confirma que os cálculos foram efetuados de forma inexata pelos responsáveis. O cálculo exato do valor devido, considerando as deduções legais pleiteadas e comprovadas pelo contribuinte consta nesse processo. O contribuinte também informou que no cálculo do Imposto devido foi descontado o valor de 20% relativos a despesas administrativas, porém, não forneceu nenhuma documentação que comprovasse a respectiva despesa, sendo a mesma desconsiderada no cálculo do tributo devido. Dentre os documentos apresentados pelo contribuinte consta o DARF datado de 20/12/1999 no valor de R$ 28.245,60. Este valor foi pago e consta confirmação nos sistemas da SRF, e também uma Guia da Previdência Social — GPS — no valor de R$ 7.774,71 recolhido em 20/12/1999, sendo os mesmos compensados na apuração do crédito devido. No ano calendário de 1999 o contribuinte informou, indevidamente, na sua DIRPF 2000 Rendimento Sujeito a Tributação Exclusiva os valores recebidos através do precatório, no montante de R$ 159.157,51, sendo este, Autuado como Classificação Indevida, e a diferença restante, de R$ 8.770,21, Autuada como Omissão de Rendimentos. Na DIRPF 2001, ano base 2000, não consta nenhum valor recebido como Precatório Judicial, sendo então, todo o valor recebido neste exercício, R$ 65.780,68, considerado como Omissão de Rendimentos. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 89/96), porém a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 119/128), em acórdão assim ementado: RENDIMENTOS DO TRABALHO. AÇÃO JUDICIAL. VALORES ACUMULADOS. AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE. As diferenças salariais recebidas acumuladamente mediante ação judicial submetemse ao ajuste anual. Fl. 157DF CARF MF 4 AÇÃO JUDICIAL. DESPESAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. As despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos são passíveis de serem deduzidas. Obrigatória, entretanto, a comprovação das mencionadas despesas mediante documentação hábil. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/4/2007 (fls. 132/140), postulando a desconstituição do Auto de Infração e arguindo que: não sonegou imposto de renda, apenas, ao recolhêlo, aplicou as alíquotas relativas aos anos de aquisição do direito e não as alíquotas relativas ao ano da disponibilização jurídica ou econômica ou física dos valores, citando decisões judiciais no sentido da correção do seu procedimento; teve despesas com honorários e peritos, as quais não foram deduzidas pelo fiscal na apuração do imposto devido. Em 19/9/2012 a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, mediante a prolação da Resolução nº 2202000.319 (fls. 145/152), decidiu, considerando que o Recurso Extraordinário 614.406/RS, o qual versa acerca da matéria, tivera sua repercussão geral reconhecida e ainda se encontrava pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sobrestar o julgamento nos termos do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente. Com a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A daquele Regimento Interno pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545/2013, sem respaldo quedou o sobrestamento do feito, que foi ao final redistribuído a este Conselheiro. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Acórdão n.º 2402005.772 S2C4T2 Fl. 43 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo a sua apreciação. De pronto, deve ser rejeitado o pleito para que sejam deduzidos honorários advocatícios e despesas administrativas outras do montante de rendimentos recebidos e objeto do lançamento de ofício, a título de omissão de rendimentos. Isso porque carecem os autos de documentação que permita a aferição das aventadas despesas, tais como recibos assinados pelos patronos, peritos; contratos de prestação de serviços, peças do processo em que constem ditos prestadores como signatários, etc. Na ausência de vestígio sequer de suporte probatório apropriado, já requerido tanto em sede de fiscalização quanto à ocasião do julgamento vergastado, não há como prosperar o pedido formulado. O exame do mérito do restante da controvérsia requer a colação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização Essa opção do legislador, no sentido de que os rendimentos recebidos acumuladamente fossem tributados pelo regime de caixa, foi objeto de questionamento judicial por parte dos contribuintes por diversas razões, dentre as quais se destaca a possibilidade de a incidência de uma só vez, do imposto de renda sobre o somatório das prestações mensais devidas, causar violação aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, visto que se tivessem os beneficiários recebidos na época própria, poderiam estar dentro dos limites de legais de isenção do tributo. Estando a discussão desde 2005 na esfera do Superior Tribunal de Justiça (STJ), este, em sua missão constitucional de uniformizar a interpretação da lei federal, submeteu o tema ao rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), ensejando a prolação da seguinte decisão no REsp nº 1.118.429/SP, julgado pela 1ª Seção (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), cuja ementa transcrevo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo Fl. 159DF CARF MF 6 segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por força do § 2º do art. 62 do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), tornouse obrigatória a reprodução dessa decisão no julgamento dos recursos na esfera do CARF. Persistiu dissenso no âmbito das Turmas componentes da 2ª Seção do CARF, contudo, no tocante à aplicação dessa decisão em recurso repetitivo nos litígios envolvendo lançamentos realizados com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Em linhas gerais e apertada síntese, podese dividir os entendimentos divergentes em duas vertentes principais, sendo que a primeira concedia parcial provimento aos recursos interpostos contra tais lançamentos, determinando que fossem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido originalmente pagos. Já a segunda corrente entendia que tal aplicação implicaria em alteração substancial do critério jurídico adotado no lançamento, o qual, consequentemente, deveria ser cancelado devido à não observância da norma fixada pelo STJ em recurso repetitivo, dando provimento integral ao recurso voluntário. Entrementes, e paralelamente, a controvérsia acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente assumiu contornos constitucionais, com o reconhecimento de sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 20/10/2010, no decorrer de julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, face à declaração da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em sede de controle difuso. Expliquese que na Arguição de Inconstitucionalidade nº 2002.72.05.000434 0/SC, a Corte Especial daquele e. Tribunal declarou em 22/10/2009 a "inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a Constituição" do art. 12 da Lei nº 7.718/88, "no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, como na situação vertente, recebidos a menor pelo contribuinte em cada mêscompetência e cujo recolhimento de alíquota prevista em lei se dê mês a mês ou em menor período". Interposto então o RE nº 614.406/RS pela União para afastar a aplicação dessa declaração de inconstitucionalidade em dado caso sob litígio (cujo processo de origem foi a ação ordinária de nº 2008.71.13.00016588/RS), formouse com base nesse leading case o Tema 368 "Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebido acumuladamente" de repercussão geral, o qual foi submetido ao rito regrado pelo art. 543B do CPC . O julgamento do recurso representativo da controvérsia restou findo em 23/10/2014, sendo que o Tribunal Pleno, por maioria, decidiu a matéria negando provimento ao recurso e exarando acórdão cuja ementa foi assim redigida: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Acórdão n.º 2402005.772 S2C4T2 Fl. 44 7 A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) No Informativo STF de nº 764, referente ao período compreendido entre 20 e 24 de outubro de 20101, consta o seguinte resumo da conclusão da votação em apreço: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles.RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Merecem transcrição, também, os seguintes excertos do voto condutor de lavra do Ministro Marco Aurélio e dos debates então verificados, cuja leitura permite melhor esclarecer o posicionamento do STF sobre o tema: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br//arquivo/informativo/documento/informativo764.htm>. Acesso em 30/01/2015. Fl. 161DF CARF MF 8 mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Mantenho o acórdão. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) Nega provimento? O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Porque, de outro modo, o contribuinte – como disse – será apenado, quer dizer, o devedor não satisfaz a parcela, compeleo a entrar em Juízo e, posteriormente, cobra o imposto pela alíquota maior. (grifei) O acórdão em comento transitou em julgado em 9/12/2014, sem interposição de recurso por qualquer das partes, ou atribuição de modulação aos efeitos dessa decisão. Destarte, restou assim consolidado o entendimento de que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas acumuladamente deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na época em que a verba deveria ter sido paga, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmandose, por conseguinte, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 quanto a esse aspecto. Nos termos do inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não se aplica a vedação aos órgãos de julgamento administrativo fiscal ao afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos de lei que tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF no mesmo passo, temse o disposto no art. 62 do RICARF. Cumpre observar, por oportuno, que as decisões do STF exaradas nos moldes do art. 543B do CPC possuem o caráter de palavra final e definitiva daquele tribunal sobre as questões jurídica nelas objetivamente decididas, conforme já alertava, com propriedade, o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011. E, nesse contexto, o § 2º do art. 62 do RICARF contém a seguinte regra: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B do CPC deverá ser reproduzida por este Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Acórdão n.º 2402005.772 S2C4T2 Fl. 45 9 colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. No caso concreto, o Auto de Infração vergastado foi amparado na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido observada a tese jurídica vinculante fixada em sede de repercussão geral, segundo a qual "O Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Então, não ocorreu apenas uma mera desconformidade superficial ou diminuta entre a base de cálculo apurada e a correta, passível de correção ou ajuste mediante o expurgo do excesso eventualmente constatado, a ser efetuado pela administração tributária. Diversamente, o consequente normativo da regra matriz de incidência tributária foi inequivocamente desatendido no seu aspecto quantitativo, visto que tanto a base de cálculo quanto as alíquotas aplicadas para o cômputo do imposto devido afastaramse em sua essência do entendimento sufragado pelo STF para situações do gênero, acarretando em elevado e significativo gravame tributário a afligir a capacidade contributiva do sujeito passivo. Deve ser registrado não ser o caso de se cogitar de nulidade, ao menos nos termos regrados pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72, visto ter sido o lançamento realizado por autoridade competente, com o devido respeito ao direito de defesa. Contudo, não se vislumbra, de um modo geral, a possibilidade de seu aproveitamento ou recálculo, já que evidenciado flagrante grau de descompasso entre suas facetas constitutivas e a decisão do STF acerca do tema, e tendo em mente a ausência de competência do julgador administrativo em determinar a reconstituição do crédito tributário, quanto mais nessa amplitude. Importa observar alguns aspectos adicionais da situação, como fecho desta fundamentação. Primeiramente, vale anotar que sob o mecanismo de repercussão geral, a suprema corte não gera uma disposição, necessariamente, que se pronuncie acerca da constitucionalidade de uma norma jurídica, à semelhança do que ocorre quando atua no controle concentrado da leis, mas sim julga o mérito de uma determinada questão em controle difuso, em decisão que atinge uma série de processos que versem sobre tal tema. Sob essa ótica, o enunciado da ementa do "leading case" não prescinde de conter uma prescrição explícita declarando uma norma, parcialmente ou no todo, inconstitucional, porém veicula conclusão definitiva daquele tribunal sobre a matéria controversa, gerando previsibilidade no direito aplicável às contendas travadas em outras esferas judiciais ou administrativas. À ocasião, o caso versava justamente sobre a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo TRF da 4ª Região, a qual, não obstante o recurso da União, quedou mantida por razões de mérito, como evidencia a fundamentação da decisão do STF. Fl. 163DF CARF MF 10 Salvo melhor juízo, se essa Corte decidiu no RE nº 614.406 que tal declaração do Tribunal Regional era perfeitamente harmônica com o texto constitucional, firmouse então entendimento quanto à inconstitucionalidade daquela norma. Lembrese que a ementa do acórdão sintetiza as conclusões do Colegiado, não podendo ser lida abstraindose das razões do julgamento. Também merece ser registrado que não caberia ao STF tecer considerações, nas disposições conclusivas do julgamento, acerca dos efeitos da decisão então acordada sobre eventuais autuações do Fisco realizadas com base na malfadada norma, visto que o exame travado naquela seara deuse, reiterese, debruçado sobre declaração de inconstitucionalidade exarada no TRF da 4ª Região, direito em tese, e não, por exemplo, à luz de ação anulatória de débito fiscal ou lide similar. Além disso, cabe frisar que a eventual inexistência de prejuízo consequente à realização de recálculo do lançamento não serve de escusa para a sua manutenção, quando revelada sua desconformidade com o ordenamento constitucional. Tal conclusão persevera, ainda que tal conhecimento não fosse facultado à autoridade fiscal, quando da autuação. Como remate, necessário alertar que tanto a infração de classificação indevida de rendimentos quanto a de omissão de rendimentos restam insubsistentes frente às razões supra aduzidas, pois o cálculo do imposto de renda devido a elas associado foi efetuado pelo regime de caixa, em dissonância com o entendimento do STF. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento recurso voluntário, para fins de cancelar a exigência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13771.001483/2007-65
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ – INATIVA. BAIXA DE INSCRIÇÃO NO CNPJ. A baixa da inscrição no CNPJ, à época da vigência da IN SRF nº 27/98, surtia efeitos que independiam do cancelamento do registro do contribuinte junto aos competentes órgãos mercantis ou registrais. Nesse cenário, não há que se exigir a apresentação de qualquer declaração de rendimentos ou de informações, aplicando-se, a quem as entregue extemporaneamente, qualquer tipo de penalidade.
Numero da decisão: 1803-000.832
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13771.001483/200765 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803000.832 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente KERAJOTHISA COMÉRCIO VAREJISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ – INATIVA. BAIXA DE INSCRIÇÃO NO CNPJ. A baixa da inscrição no CNPJ, à época da vigência da IN SRF nº 27/98, surtia efeitos que independiam do cancelamento do registro do contribuinte junto aos competentes órgãos mercantis ou registrais. Nesse cenário, não há que se exigir a apresentação de qualquer declaração de rendimentos ou de informações, aplicandose, a quem as entregue extemporaneamente, qualquer tipo de penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13771.001483/200765 Acórdão n.º 1803000.832 S1TE03 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório O presente processo tem origem no auto de infração de fl. 08, cientificado à interessada em 24/10/2007, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 10, por meio do qual é exigida multa equivalente a R$ 200,00 (duzentos reais), derivada de atraso na entrega da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – DSPJ – Inativa pertinente ao exercício de 2006 (anocalendário de 2005). Inconformada, a interessada apresentou, em 14/11/2007, a impugnação de fl. 01, por meio da qual controverteu o auto de infração, afirmando que, no exercício de 2006, estava com sua inscrição baixada. A 5ª TURMA – DRJ – RIO DE JANEIRO – RJ I, ao analisar a peça impugnatória, houve por bem indeferila, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA DSPJ INATIVA. PESSOA JURÍDICA NÃO EXTINTA. Ainda que com a inscrição baixada no CNPJ, a pessoa jurídica não extinta no órgão de registro competente está obrigada à apresentação da declaração de inatividade, por cujo atraso na entrega se sujeita à multa prevista na legislação de regência. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13771.001483/200765 Acórdão n.º 1803000.832 S1TE03 Fl. 3 3 Lançamento Procedente” Cientificado da decisão, interpôs o contribuinte, em 29/04/2009, tempestivo Recurso Voluntário a este Conselho, por meio do qual aduziu, em suma, que: a baixa do CNPJ da autuada se deu em 24/06/1998. Logo, não pode a decisão inferior justificar seu entendimento nos ditames da Instrução Normativa SRF nº 748, editada apenas em 28/06/2007; a baixa em questão se deu por inatividade da empresa – hipótese prevista no artigo 80A da Lei nº 9.430/96, mas ignorada pela estresida IN; ao contrário do defendido pelo colegiado a quo, o pedido de baixa foi, sim, deferido, conforme se pode comprovar da Certidão colacionada à fl. 07; o restabelecimento do CNPJ não significa que a baixa não tenha se aperfeiçoado, na pertinente época. A exigência do cancelamento do registro da empresa, perante a Junta Comercial, é condição que só veio a ser trazida pela IN SRF nº 748/07; a MP nº 449/08 dispensa, em relação às empresas baixadas até 31/12/2008, a apresentação de qualquer declaração, bem como o pagamento de qualquer penalidade derivada do descumprimento desta espécie de dever acessório. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. O auto de infração em estudo trata de multa punitiva decorrente de intempestiva entrega de Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – DSPJ – Inativa, atinente ao anocalendário de 2005. A postulante, em suas manifestações, ventilou, em suma, que não estava obrigada à apresentação da encimada declaração, dado que sua inscrição dn CNPJ estava baixada desde 24/06/1998, na forma comprovada pelo documento de fl. 07. Opondose a este entendimento, o aresto recorrido consignou que a aventada baixa cadastral só geraria efeitos a partir do correlato cancelamento junto ao órgão de registro mercantil competente. Na falta deste – evidenciada pelo fato de a inscrição da autuada no CNPJ ter sido reativada, nos idos do ano de 2007 –, deverseia considerar a recorrente como mera empresa inativa, adstrita à necessidade de entrega de DSPJ. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13771.001483/200765 Acórdão n.º 1803000.832 S1TE03 Fl. 4 4 Pois bem. A despeito da construção erigida pelo aresto guerreado, antevejo razão nas palavras da peticionária. Resta indubitável, para mim, o fato de a postulante ter obtido a baixa de sua inscrição perante o cadastro fiscal. A certidão de fl. 07, nesse sentido, não dá margens a questionamentos. O que resta debater, portanto, é a amplitude dos efeitos desta baixa, inequivocamente verificada. A toda evidência, como bem recordado pela decisão a quo, as normas infralegais que ora regem a matéria determinam, efetivamente, que a baixa junto ao CNPJ só gerará efeitos a partir da extinção civil ou comercial do contribuinte. Não ocorrendo esta, entendese, com efeito, que a empresa está apenas desprovida de atividade, restando vigorante o dever de cumprir as pertinentes obrigações acessórias. Analisando os diplomas que se sucederam, é possível vislumbrar, no entanto, que tal sorte de disposição só veio a ser trazida, inauguralmente, pela IN SRF nº 82, de 30/06/1999. Ao tempo da baixa da inscrição da autuada, ocorrida em 24/06/1998, regia o assunto a IN SRF nº 27, de 05/03/1998 – diploma totalmente omisso a respeito do átimo de início dos efeitos da voluntária extrusão cadastral, conforme se depreende de seu artigo 19, abaixo transcrito: “Art. 19. O pedido de baixa de inscrição no CNPJ, por extinção da pessoa jurídica ou de qualquer de seus estabelecimentos, será único e simultâneo para todos os entes convenientes a que estiver sujeito. § 1º O pedido de baixa será formalizado por meio da FCPJ. § 2º A baixa no CNPJ será solicitada em qualquer unidade cadastradora com jurisdição sobre o domicílio do estabelecimento a que se referir o pedido. § 3º Não será deferido o pedido de baixa de inscrição no CNPJ de pessoa jurídica em relação à qual conste, nos registros do CNPJ, estar submetida a ação fiscal por qualquer dos convenientes. § 4º Sem prejuízo de posteriores verificações fiscais, constatada a inexistência de pendência nos arquivos do CNPJ, relativamente a todos os órgãos convenientes da jurisdição da pessoa jurídica ou do estabelecimento requerente, o pedido de baixa será deferido. § 5º Concedida a baixa da inscrição, será emitido e entregue ao representante da empresa, pela unidade cadastradora do domicílio fiscal da pessoa jurídica, a Certidão de Baixa no CNPJ.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13771.001483/200765 Acórdão n.º 1803000.832 S1TE03 Fl. 5 5 Parece evidente, destarte, que a situação baixada da recorrente irradiou força, para todos os efeitos, desde o momento de seu deferimento. A partir daquele momento, não estava mais ela, pois, adstrita a apresentar declarações – em especial, a DSPJ – Inativa, ora debatida. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso, a fim de cancelar o auto de infração formalizado. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
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