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Numero do processo: 10980.012740/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68.
Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, porquanto tal verba tem natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
Numero da decisão: 2402-007.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, porquanto tal verba tem natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. Recorrente WAGNER FURTADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, porquanto tal verba tem natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 27 40 /2 00 7- 31 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.012740/200731 Acórdão n.º 2402007.276 S2C4T2 Fl. 46 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 4ª Tuma da DRJ/CTA, consubstanciada no Acórdão nº 0624.357 (fl. 24), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra o contribuinte, foi emitido o Auto de Infração de fl. 10, por meio do qual a fiscalização apurou infração à legislação tributária, assim descrita na peça acusatória: Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ou Física, decorrentes de trabalho coro vínculo empregatício. Inclusão de R$ 9.979,20 de rendimentos omitidos, auferidos junto ao COMANDO DO EXÉRCITO, conforme PIRE daquela fonte pagadora. Apresentou declaração retificadora, solicitando isenção do IMPOSTO DE RENDA sobre verbas relativas a ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO, o que não representa a realidade na Legislação Atual. Cientificado, o contribuinte apresentou a competente impugnação, aduzindo que a própria Lei 8.852/94 é explicita ao considerar no seu artigo I". Inciso 111, e suas alíneas, especificamente a letra "n", que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 0624.357 (fl. 24), cuja ementa reproduzse a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS, ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. Os rendimentos recebidos a título de adicional por tempo de serviço são tributáveis, uma vez que não há, na legislação tributária, dispositivo que os definam como isentos. Impugnação Improcedente Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 32 / 43, reiterando o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.012740/200731 Acórdão n.º 2402007.276 S2C4T2 Fl. 47 3 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Cingese a controvérsia em definir se incide ou não imposto de renda sobre a verba denominada "Adicional por Tempo de Serviço", excluída do conceito de remuneração pelo art. 1º, inciso III, da Lei nº 8.852/1994, assim descrito: Art. 1º. Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: n) adicional por tempo de serviço; De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e art. 39 do RIR, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica não estão contemplados. Assim, os rendimentos destacados pelo recorrente encontramse incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1° do mesmo Diploma Legal. Portanto, o “Adicional por Tempo de Serviço” está sujeito ao imposto de renda, porquanto tal verba tem natureza remuneratória e não está beneficiado por norma de isenção, que, a propósito, deve ser interpretada literalmente (CTN, art. 111, II) e ser concedida mediante lei específica (CF/1988, art. 150, § 6º). Registro, por importante, que o entendimento acima exposto está em consonância com a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ: TRIBUTÁRIO. ADICIONAL OU GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO. IMPOSTO DE RENDA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. O acórdão recorrido encontrase em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de que o adicional ou gratificação por tempo de serviço possui natureza remuneratória e reflete "acréscimo patrimonial" sujeito à incidência do Imposto de Renda (RMS 23.970/ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.012740/200731 Acórdão n.º 2402007.276 S2C4T2 Fl. 48 4 Marques, Segunda Turma, DJ e 21.10.2010; REsp 976.226/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 3.10.2007, p. 195; AgRg no REsp 848.413/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ 20.11.2006, p. 289). 2. Recurso Especial não provido. (REsp 1.339.596 / ES, julgado em 02/10/2012). xxx AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. GRATIFICAÇÕES DE ATIVIDADE POLICIAL FEDERAL, DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA E DE ATIVIDADE DE RISCO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. 1. “Incide Imposto de Renda sobre a 'gratificação de atividade policial federal', a 'gratificação de compensação orgânica' e a 'gratificação de atividade de risco', pagas aos delegados de polícia federal antes do advento da Lei 11.358/2006, visto que tais gratificações possuem natureza remuneratória, segundo consta do acórdão recorrido. Com efeito, as gratificações em questão estão sujeitas ao Imposto de Renda, pois configuram acréscimo patrimonial e não estão beneficiadas por isenção.” (AgRgREsp nº 1.148.279/CE, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, in DJe 24/8/2010). 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1230195 / CE, julgado em 03/03/2011). Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 68, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.011836/2006-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA.
Tributam-se, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO CARNÊ-LEÃO. UTILIZAÇÃO DE CONTA POR TERCEIROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA APLICADA ISOLADAMENTE DO CARNÊ-LEÃO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
No tocante aos fatos geradores implementados até o ano-calendário de 2006 a concomitância da aplicação da multa aplicada isoladamente e da multa de oficio não se afigura legítima quando incidente sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 2401-006.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda (carnê-leão).
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. Tributam-se, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO CARNÊ-LEÃO. UTILIZAÇÃO DE CONTA POR TERCEIROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. MULTA DE OFÍCIO E MULTA APLICADA ISOLADAMENTE DO CARNÊ-LEÃO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. No tocante aos fatos geradores implementados até o ano-calendário de 2006 a concomitância da aplicação da multa aplicada isoladamente e da multa de oficio não se afigura legítima quando incidente sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda (carnê-leão). (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. Tributamse, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO CARNÊLEÃO. UTILIZAÇÃO DE CONTA POR TERCEIROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. MULTA DE OFÍCIO E MULTA APLICADA ISOLADAMENTE DO CARNÊLEÃO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. No tocante aos fatos geradores implementados até o anocalendário de 2006 a concomitância da aplicação da multa aplicada isoladamente e da multa de oficio não se afigura legítima quando incidente sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 18 36 /2 00 6- 66 Fl. 158DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda (carnêleão). (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife – PE (DRJ/REC) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1125.321 (fls. 120/137): PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos consubstanciadores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais e, não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova quanto à origem dos recursos que justifiquem seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É de se julgar procedente o lançamento fundado em acréscimo patrimonial a descoberto quando o contribuinte não demonstra, por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem desse acréscimo. SUJEIÇÃO PASSIVA. Nenhum acordo ou convenção particular podem ser opostos à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF MEDIANTE CARNÊLEÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. EFEITOS. Não apresentada contestação expressa quanto a item da autuação, pressupõese a concordância do impugnante, o que implica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 19647.011836/200666 Acórdão n.º 2401006.164 S2C4T1 Fl. 3 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que ocorra um dos fatos previstos no § 40 do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Lançamento Procedente O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 6/8), lavrado contra a Contribuinte em 29/12/2006, relativo ao exercício 2002, decorrente da omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto e de rendimentos sujeitos ao carnêleão, no qual é exigido a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF o valor de R$ 30.505,17, Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 22.878,87, Multa Aplicada Isoladamente, passível de redução, no valor de R$ 5.884,85 e Juros de Mora, calculados até 11/2006, no valor de R$ 24.108,23, ficando o Crédito Tributário exigido no montante total de R$ 83.377,12. De acordo com o Relatório de Acompanhamento Fiscal (fls. 13/16): 1. Conforme documento de fl. 75, a contribuinte recebeu rendimentos, em 2001, da Sra. Maria Cecília da S. Pires Lobo no montante de R$ 44.108,00. Intimada a informar a natureza do ato negociai e a operação que ensejaram esse recebimento (fl. 71), a contribuinte não atendeu à intimação. Tendo em vista que esses rendimentos não foram informados pela contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, procedemos a este lançamento de crédito tributário.; 2. Conforme Demonstrativo de Variação Patrimonial de fls. 77 e 78, houve omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de janeiro e fevereiro de 2001. Esse demonstrativo foi elaborado considerandose Origem de Recursos: 2.1 Rendimentos recebidos pela contribuinte da Sra. Maria Cecília da S. Pires Lobo (documento de fls. 75 e 76) e objeto do lançamento de crédito tributário referido no item anterior; 2.2 Aplicação de Recursos Fl. 160DF CARF MF 4 2.3 Aquisição de US$ 31.650,00 nos meses de janeiro, fevereiro, junho e dezembro, conforme documentos de fls. 22 a 57, e relacionados no demonstrativo de fl. 70. 2.4 Depósitos nos valores de R$ 20.060,00 e R$ 16.369,00 efetuados na conta bancária da Sra. Hilarina da Fátima Alexandre da Silva, conforme documentos de fls. 58 a 61. 3. Conforme descrito no item 1 acima, a contribuinte recebeu rendimentos de pessoas físicas em 2001. Esses rendimentos estão sujeitos ao recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão. Tendo em vista que a contribuinte não efetuou esse recolhimento, procedemos ao lançamento da multa determinada pelo artigo 44, § 1°, III da Lei 9.430/1996. A Contribuinte foi cientificada do Auto de Infração, via Correio, em 04/01/2007 (AR fl. 98) e, em 05/02/2007, apresentou sua Impugnação de fls. 99/105, instruída com os documentos de fls. 106 a 113. O Processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1125.321, em 11/02/2009 a 2ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o lançamento. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/REC, via Correio (AR fl. 143), em 05/08/2009 e, inconformada com a decisão prolatada, em 04/09/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 145/155, por meio da qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta que: 1. Os travelers cheques adquiridos em nome da Recorrente eram, em verdade, utilizados pela empresa em que laborava para realizar o pagamento da aquisição de aparelhos celulares da empresa que os fornecia, sendo a Recorrente mera intermediária; 2. Quanto aos depósitos realizados na conta da Sra. Hilariana de Fátima Alexandre da Silva, CPF/MF n.° 178.330.94404, os mesmos igualmente se tratavam de meio utilizado para realizar o pagamento dos aparelhos adquiridos pela empresa em que trabalhava; 3. Destaca que apenas percebia R$800,00 mensais, não possuía condições econômicas de efetuar depósitos nos valores mencionados, demonstrando que tais verbas somente poderiam ser fruto das negociações travadas pela empresa na qual trabalhava. 4. Com relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, mais especificamente o recebimento da guarda de R$ 44.108,00, através de depósito em cheque na conta corrente da Recorrente, procedimento de fiscalização MPF n.° 04.1.01.002005000565, tratase de uma situação em que a Recorrente disponibilizou sua conta corrente para mera compensação e viabilização do saque da quantia para entrega à própria Sra. Maria Cecília da S. Pires Lobo 5. No que toca à multa aplicada em razão de descumprimento de obrigação tributária, a partir do momento que a obrigação principal Fl. 161DF CARF MF Processo nº 19647.011836/200666 Acórdão n.º 2401006.164 S2C4T1 Fl. 4 5 passa a não existir no mundo jurídico, automaticamente desaparece a obrigação decorrente de seu descumprimento, qual seja a multa; 6. Que a presunção da Lei não é suficiente para respaldar o lançamento efetuado, posto que a Recorrente comprovou que praticou todas as condutas com dinheiro da Panamericana Distribuidora Ltda., empresa para qual trabalhava. Finaliza seu RV requerendo preliminarmente seja conferido o efeito suspensivo ao presente recurso, que seja decretada a nulidade do Auto de Infração uma vez que os fatos ali elencados não constituem presunção legal para a constituição do crédito e, ao final que seja revogado o lançamento de ofício do imposto suplementar, juros de correção de mora e multa, efetuados pela Receita Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Acréscimo Patrimonial a descoberto Restou constatado pela autoridade fiscal um acréscimo patrimonial a descoberto experimentado pela Recorrente, consubstanciado a) na aquisição de moeda estrangeira nos meses de janeiro, fevereiro, junho e dezembro de 2001, nos valores de R$ 11.830,00, R$ 34.270,00, R$ 14.580,00 e R$ 6.360,00, respectivamente e b) depósitos nos valores de R$ 20.060,00 e R$ 16.369,00,efetuados na conta bancária da Sra. Hilarina de Fátima Alexandre da Silva, nos meses de janeiro e fevereiro de 2001. Questionada acerca dos recursos utilizados para a realização de tais aplicações a recorrente limitouse a informar – e repetir em sua impugnação e recurso voluntário – que os recursos utilizados para a realização das citadas operações não eram de sua propriedade, mas sim da empresa Panamericana Distribuidora Ltda para a qual trabalhava à época. Informou que a empresa tinha como atividade a compra e venda aparelhos celulares e que os adquiria da empresa JML Importação e Exportação Ltda. Segundo a Recorrente a empresa para a qual laborava entregavalhe os recursos para adquirir os travelers cheques junto às instituições financeiras, os quais eram utilizados para o pagamento da empresa fornecedora, frisando que as moedas estrangeiras bem como os recursos utilizados para adquirilas jamais lhe pertenceram, sendo a mesma mera intermediária da negociação entre as citadas empresas. Fl. 162DF CARF MF 6 Quanto aos depósitos efetuados na conta da sra. Hilariana de Fátima repete à exaustão que, da mesma forma que na aquisição das moedas estrangeiras, os recursos pertenciam à sua empregadora e lhe eram entregues para que efetuasse o pagamento da compra das mercadorias, novamente atuando como mera pessoa interposta. Argumenta, desta feita, inexistir acréscimo patrimonial a descoberto. Pois bem. A legislação tributária define o acréscimo patrimonial a descoberto como fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) No mesmo sentido temos o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, in verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Grifei) Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver Fl. 163DF CARF MF Processo nº 19647.011836/200666 Acórdão n.º 2401006.164 S2C4T1 Fl. 5 7 justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: Art. 55. São também tributáveis: [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei no 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Grifamos). Como se verifica, a própria lei define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presumese a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Destarte, para que o contribuinte não sofra a tributação do Imposto de Renda após a constatação da variação patrimonial a descoberto, necessário se faz que ele demonstre que os acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Passamos assim à análise da documentação apresentada pelo Recorrente. No caso presente, por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia à Recorrente a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que os recursos jamais lhe pertenceram. Entretanto, através da análise da documentação apresentada pela mesma não há qualquer comprovação de sua alegação capaz de ilidir a presunção sobre a qual fundase a autuação fiscal. Desta feita, provada pelo fisco a aquisição de bens e aplicações de recursos, bem como não logrando êxito a Recorrente em fazer prova do contrário há que ser mantida a autuação. Da omissão de rendimentos sujeitos ao carnêleão Fl. 164DF CARF MF 8 Apurouse ainda que a Recorrente recebeu, por meio de depósito bancário em sua conta corrente, a monta de R$44.108,00 da pessoa física da pessoa física Cecília da S. Pires Lobo. A Lei n° 7.713 de 1988, seu artigo 6º preceitua claramente a incidência de tributação sobre os rendimentos percebidos por pessoa física: Art. 8° Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. (Vide: Lei n° 8.012, de 1990, Lei n°8.134, de 1990, Lei n°8.383, de 1991, e Lei n°8.848, de 1994, Lei n°9.250, de 1995) (Grifei) Do que fora acima colacionado extraise que ao receber da sra. Cecília a quantia de R$44.108,00 deveria ter procedido ao recolhimento do imposto sobre a renda nos moldes devidos. Entretanto justifica a Recorrente não haver procedido ao recolhimento pelo fato de ter cedido sua conta bancária para que a sra. Cecília compensasse um cheque recebido e que, tão logo os valores foram creditados em sua conta, os entregou em espécie à sua real proprietária. Sobre o assunto há que se observar o que preceitua Súmula promulgada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Há, portanto, presunção juris tantum de que os depósitos realizados na conta do contribuinte são de sua propriedade, apenas admitindose alegações em contrário quando munidas de documentação com força probante capaz de demonstrar o uso da conta por terceiros. No presente caso, a Recorrente limitase a argumentar o uso de sua conta por uma terceira pessoa para compensar o cheque objeto do depósito, entretanto não juntou aos autos qualquer meio de prova de suas alegações. Não pode, pois, prosperar seu argumento. Da multa de ofício e da multa isolada Ao final considera a Recorrente que no tocante à multa aplicada em razão de descumprimento de obrigação tributária, a partir do momento que a obrigação principal passa a não existir no mundo jurídico, automaticamente desaparece a obrigação decorrente de seu descumprimento, qual seja a multa. Ocorre que, em razão de entenderse pela manutenção do lançamento (obrigação principal) ainda é devida a obrigação acessória de pagamento da multa. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19647.011836/200666 Acórdão n.º 2401006.164 S2C4T1 Fl. 6 9 Entretanto, percebese do Auto de Infração que estão sendo exigidas concomitantemente as multas de ofício e a aplicada isoladamente, sendo ambas decorrentes do mesmo fato gerador, qual seja, a omissão de rendimentos percebidos de pessoa física e ausência de recolhimento de IRPF a título de carnêleão. Vale salientar que até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 inexistia havia previsão legal para a incidência cumulativa das penalidades supramencionadas. Tal entendimento já se encontra pacificado no seio deste Órgão, uníssono à ementa da CSRF: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo”. (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/200219, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Em relação aos fatos geradores ocorridos até o anocalendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. (Acórdão nº 2201002.54107/10/2014) Desta feita, no caso em análise, levandose em consideração que o fato gerador ocorreu em 2001, portanto antes do ano calendário de 2006, afigurase ilegal a cobrança cumulada de ambas as penalidades, devendo a multa isolada ser cancelada. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para cancelar a exigência da multa aplicada isoladamente do CarnêLeão. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.903978/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 2201-004.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.903975/200923, paradigma deste julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 39 78 /2 00 9- 67 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.903978/200967 Acórdão n.º 2201004.965 S2C2T1 Fl. 3 2 "Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista o preenchimento indevido da DCTF. Diante do equívoco a Recorrente efetuou a retificação da DCTF, informando os valores corretos e a existência do crédito tributário a que teria direito. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que a Recorrente deveria ter apresentado cálculos a fim de demonstrar a composição do erro com as respectivas explicações, se o valor errado foi descontado na folha de salários e constou no Informe de Rendimentos. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário." Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.903975/200923, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2201004.962 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.903978/200967 Acórdão n.º 2201004.965 S2C2T1 Fl. 4 3 contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°). Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201 004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.903978/200967 Acórdão n.º 2201004.965 S2C2T1 Fl. 5 4 A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portanto, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prová lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Sendo assim, ante a falta de comprovação dos créditos a que alega ter direito, não há como concluir pela legitimidade do crédito. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento." Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.903978/200967 Acórdão n.º 2201004.965 S2C2T1 Fl. 6 5 Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 11853.000781/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/03/2003
OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP/GRFP.
Determina a lavratura de auto de infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP/GRFP, conforme art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n." 8.212/91.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119. E PORTARIA CONJUNTA RFB/PGFN Nº 14/09.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019), nos termos da Súmula CARF nº 119 c/c a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/09
Numero da decisão: 2401-006.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) excluir da multa apurada os valores correspondentes aos fatos geradores lançados nas NLFDs n° 35.403.998-9 e 35.360.572-7; e b) rever o valor final da multa nos termos da Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/09 e Súmula CARF nº 119. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado)
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado) .
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Determina a lavratura de auto de infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP/GRFP, conforme art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n." 8.212/91. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119. E PORTARIA CONJUNTA RFB/PGFN Nº 14/09. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019), nos termos da Súmula CARF nº 119 c/c a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/09 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) excluir da multa apurada os valores correspondentes aos fatos geradores lançados nas NLFDs n° 35.403.9989 e 35.360.5727; e b) rever o valor final da multa nos termos da Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/09 e Súmula CARF nº 119. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 07 81 /2 00 7- 01 Fl. 871DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado) . Relatório O presente AutodeInfração foi lavrado por ter a empresa descumprido obrigação acessória ao deixar de incluir na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária referentes ao período de janeiro de 1999 a junho de 2002, infringindo, assim, o disposto no § 4º e § 5° do artigo 32, da Lei 8.212/91. De acordo com o disposto no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04/07, os fatos geradores mencionados no item acima referemse aos constantes nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD's lavradas durante a fiscalização realizada na empresa, bem como ao fato gerador atinente ao recolhimento efetuado pela empresa, em 20/12/2002, referentes às rubricas Licença Remunerada, Gratificação de Férias, Indenização de Gratificação de Férias e Licença Remunerada. Inconformada a Interessada apresentou Impugnação, às fls. 62/288, e teceu considerações contrárias aos levantamentos realizados nas NFLD's, bem como ao procedimento da equipe fiscal que efetuou o reenquadramento do SAT, de acordo com a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes graus de risco, prevista no Anexo V, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, o que resultou em alteração da alíquota destinada ao cálculo da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa de 1% (um por cento) para 3% (por cento), nas competências a partir de 09/1998, período este posterior à privatização, exceto com relação à Companhia Riograndense de Telecomunicações CRT, cujos fatos geradores somente estão sujeitos à alíquota de 3%, a partir de janeiro de 2001. Quanto ao SAT, a notificada alega, principalmente, que a fiscalização agiu em desrespeito à legislação previdenciária (§3° do art. 202, do Decreto 3.048/99), já que os auditores fiscais não constataram, através de prova inequívoca, a atividade preponderante da empresa, a fim de justificar o reenquadramento de ofício. Em 02/04/2004 a notificada juntou documentos (planilhas) na tentativa de demonstrar que as atividades exercidas por seus empregados são eminentemente internas, alegando não haver nesta relação funcionários de construção civil e afins que justifiquem a alteração da alíquota do SAT efetuada pela fiscalização. Alega ainda que a Brasil Telecom não Fl. 872DF CARF MF Processo nº 11853.000781/200701 Acórdão n.º 2401006.204 S2C4T1 Fl. 3 3 dispunha dessa documentação à época da fiscalização, haja vista tratarse de informações complexas, colhidas das diversas filiais e, posteriormente, compilada em uma planilha única". Após realização de diligência, a Secretaria de Receita Previdenciária do Distrito Federal, às fls. 422/430, proferiu o Despacho Decisório nº 23.401.4/16/2007 para: a) Retificar o valor da autuação em epígrafe, que passará a ser de R$ 1.695.563,82 (um milhão, seiscentos e noventa e cinco mil, quinhentos e sessenta e três reais e oitenta e dois centavos). b) Dispensar esta Decisão do Recurso de Ofício, nos termos do artigo 366, § 2°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, e do artigo 1°, inciso II, da Portaria MPS n° 158, de 11 de abril de 2007; c) Notificar a autuada, remetendolhe cópia desta decisão, abrindolhe prazo de 15(quinze) dias para apresentação de nova defesa, caso considere necessário. Cientificado da decisão proferida após cumprimento da diligência realizada, o contribuinte apresentou, tempestivamente, novas considerações, às fls.447/594, onde reitera as alegações apresentadas na defesa, acrescentando as que se seguem: Com relação aos parâmetros utilizados para o cálculo da multa, entende que estes devem ser revistos, a fim de que a fiscalização passasse a considerar não a integralidade dos empregados da impugnante, mas apenas o número de funcionários que não tiveram suas informações previdenciárias repassadas corretamente ao Fisco por meio de GFIP, respeitandose, assim, segundo o seu entendimento, a adequação entre a infração cometida e a penalidade imposta. Afirma ter ocorrido erro na aplicação do multiplicador de acordo com o número de segurados das sucedidas nos anos de 1999 e 2000; Quanto ao mérito, alega que deve ser afastada a aplicação de qualquer penalidade ao contribuinte, nos termos dos artigos 132 e 133 do CTN e da jurisprudência pátria, pois os atos ditos infratores da legislação decorrem de pessoa jurídica sucedida, cuja responsabilidade é pessoal, não podendo ser atribuída à sucessora, ora impugnante. Ainda inconformado com o lançamento fiscal retificado, em sua nova Impugnação ( fls. 453/602), requer: a) o recebimento e o processamento da presente impugnação fiscal, tempestivamente apresentada, em acordo com as regras do Decreto 70.235/72; b) a exclusão do presente da lançamento dos períodos já anteriormente fiscalizados (TEAF's), sob pena de afronta à Constituição, às disposições infraconstitucionais e ao próprio ato homologatório do fisco, nos termos do art. 146 e 149 do CTN c) o cancelamento do presente auto de infração, por impingir Fl. 873DF CARF MF 4 penalidade à empresa sucessora, nos termos do disposto no art. art. 132 do CTN; d) a retificação da multa para que considere somente como número de funcionários que' tiveram informações incorretamente informadas como grandeza a ser multiplicada pelo valor mínimo descrito no art. 284, I do Decreto n° 3.048/99; e) o cancelamento do presente auto de infração, uma vez a os valores lançados pela fiscalização não fazem parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias, cumulativamente: f.1) a exclusão dos valores atinentes à participação nos lucros ou resultados por não integrarem o salário de contribuição dos funcionários da Impugnante da presente notificação fiscal de lançamento de débito; f.2) a exclusão dos valores referentes ao Abono Acordo Coletivo, indevidamente lançado como parte integrante do salário de contribuição dos funcionários da Impugnante; f.3) a exclusão dos valores atinentes à gratificação aposentadoria da presente notificação fiscal de lançamento de débito por não se materializarem parte integrante do salário de contribuição dos funcionários da Impugnante; f.4) a exclusão dos valores atinentes aos "Signing Bônus" e a "Ajuda Instalação" da presente notificação por não se materializar parte integrante do salário de contribuição dos funcionários da Impugnante; f.5) a exclusão dos valores atinentes ao seguro de vida em grupo como parte integrante do salário de contribuição dos funcionários da Impugnante, entendendo se por indevida referida exigência; ou, a realização de perícia técnicocontábil em todo o período lançado, ante as evidências de erros na quantificação da base de cálculo das contribuições, supostamente, devidas pela empresa; f.6) a realização de perícia nos recibos de pagamentos dos funcionários que estão ou estiveram necessitando do auxílio doença; ou, a realização de perícia técnicocontábil em todo o período lançado, ante as evidências de erros na quantificação da base de cálculo das contribuições, supostamente, devidas pela empresa; f.7) o cancelamento total da dos débitos originários da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.404.0677, em face de toda argumentação apresentada, principalmente pela gritante ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e presunção de inocência, na constituição das provas que embasaram o presente lançamento fiscal; • g) sejam reconhecidas indevidas em relação à Impugnante, as contribuições para o Financiamento da Complementação das Prestações por Acidente do Trabalho SAT, Salário Educação, INCRA, SESC, SENASC e SEBRAE; Fl. 874DF CARF MF Processo nº 11853.000781/200701 Acórdão n.º 2401006.204 S2C4T1 Fl. 4 5 Após análise dos autos , sobreveio então o Acordão de Impugnação nº 0322.081 da 5ª Turma da DRJ/BSA, às fls. 610/623, julgando procedente em parte o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em parte. Confirase: (...) Cumpre esclarecer, neste momento, que os argumentos apresentados, envolvendo questões preliminares e de mérito, pertinentes, exclusivamente, aos lançamentos fiscais, já foram detidamente analisados quando do julgamento das notificações fiscais de lançamento de débito (NFLD), o que resultou, inclusive, na emissão de DespachoDecisório n° 23.401.4/16/2007, em virtude da declaração de improcedência dos seguintes fatos geradores: Diferença de SAT, declarados improcedentes nas NFLD's n° 35.404.0120 e 35.404.0146; Seguro de Vida em Grupo, correspondentes ao período de 12/1999 a 06/2002, com exceção dos valores lançados nas filiais Telepar, Teleacre e CTMR, nos termo da decisão proferida na NFLD n° 35.403.9989; Participação nos Resultados, com exceção dos levantamentos 8PR e FBG, conforme decisão proferida na NFLD n" 35.360.6278; e os valores excluídos da NFLD n° 35.404.0677, referentes à indenização reestruturação — PDV. Quanto aos demais (fatos geradores), em que pesem os argumentos contrários apresentados pela empresa que, frisese, já foram objeto de apreciação em momento adequado, qual seja, quando do julgamento das NFLDs, estes foram julgados procedentes/procedentes em parte, mantendose o crédito tributário. Assim, por não terem sido tais fatos geradores informados em GF1P, correta a lavratura do auto de infração que, conforme visto, foi constituído com observância das formalidades legais e regulamentares próprias. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário às fls. 627/704, cujas razões apresentadas são, em síntese, as seguintes: Preliminarmente, reitera que, ao realizar a fiscalização na empresa e nas filiais, a autoridade fiscal não considerou as fiscalizações anteriormente realizadas, com, inclusive, lavratura de NFLDs, configurando bis in idem, já que não se vislumbra, no caso concreto, a ocorrência de nenhuma hipótese prevista no art. 149, do CTN, autorizadora de revisão do lançamento. Insurgese contra o cálculo da multa aplicada, defendendo que a autoridade fiscal considerou o número total de segurados empregados da empresa ao quantificar o valor Fl. 875DF CARF MF 6 da multa, e não apenas aqueles cujas informações foram prestadas irregularmente em GFIP, o que fere o princípio da proporcionalidade das sanções tributárias. No mérito, sustenta que não se aplicam, à sucessora, as multas e juros moratórios decorrentes de infrações cometidas pelas empresas sucedidas no período anterior à sucessão, já que o art. 133 do CTN limita a responsabilidade exclusivamente aos tributos, institutos de natureza jurídica totalmente diversa, e colaciona jurisprudência administrativa e judiciária para reforçar suas alegações. Discorre sobre o andamento das NFLDs correlatas e sobre cada uma das verbas na tentativa de demonstrar que o pagamento das rubricas lançadas não é fato gerador da contribuição previdenciária por não possuírem natureza salarial. Relativamente às contribuições ligadas aos fatos geradores questionados, alega ilegalidade e inconstitucionalidade das contribuições ao Salário Educação, ao INCRA, ao SEBRAE, SESI, SENAC, SESC, SENAI e SENAR. E, ao final requer: a) o recebimento e o processamento da presente recurso, tempestivamente apresentado, em acordo com as regras do Decreto 70.235/72; b) a exclusão do presente lançamento dos períodos já anteriormente fiscalizados (TEAF's), sob pena de afronta à Constituição às disposições infraconstitucionais e ao próprio ato homologatório do Fisco,nos termos do artigo 146 e 149 do CTN; c) o cancelamento do presente auto de infração, por impingir penalidade à empresa sucessora, nos termos do disposto no art. 132 e 133 do CTN; d) a retificação da multa para que considere somente o número de funcionários que tiveram informações incorretamente informadas como grandeza a ser multiplicada pelo valor mínimo descrito no art. 284, I do Decreto n° 3.048/99; e) o cancelamento do presente auto de infração, uma vez a os valores lançados pela fiscalização não fazem parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias, cumulativamente: e.1) a exclusão dos valores atinentes à participação nos lucros ou resultados por não integrarem o salário de contribuição dos funcionários da Recorrente; e.2) a exclusão dos valores referentes ao Abono Acordo Coletivo, indevidamente lançado como parte integrante do salário de contribuição dos funcionários da Recorrente; Fl. 876DF CARF MF Processo nº 11853.000781/200701 Acórdão n.º 2401006.204 S2C4T1 Fl. 5 7 e.3) a exclusão dos valores atinentes à gratificação aposentadoria por não se materializarem parte integrante do salário de contribuição dos funcionários da Recorrente; e.4) a exclusão dos valores atinentes aos "Signing Bônus" e a "Ajuda Instalação" da presente notificação por não se materializar parte integrante do salário de contribuição dos funcionários da Recorrente; e.5) a exclusão dos valores atinentes ao seguro de vida em grupo como parte integrante do salário de contribuição dos funcionários da Recorrente; e.6) a exclusão dos valores atinentes ao auxilio doença como parte integrante do salário de contribuição dos funcionários da Recorrente; e.7) o cancelamento total da dos débitos originários da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.404.0677, em face de toda a argumentação apresentada; f) sejam reconhecidas indevidas em relação à Recorrente, as contribuições para o Salário Educação, INCRA, SESC, SENASC e SEBRAE; Em julgamento perante este E. CARF, a 1ª TO da 4ª Câmara da 2ª Sessão de Julgamento, proferiu a Resolução nº 2401.00.036, às fls. 718/721, converteu o julgamento em diligência , fundamentando na forma a seguir: o Auto em tela foi lavrado pelo fato de a recorrente não ter declarado, em GFIP, fatos geradores referentes ao período de 01/99 a 06/2002, que foram objeto de vários lançamentos listados no item 2 do Relatório Fiscal (fls. 2). No entanto, não é possível saber, pelo que consta dos autos, se já houve o julgamento definitivo das NFLDs que lançaram as contribuições previdenciárias cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do presente AI. Referida omissão impossibilita que esta autoridade julgadora tenha conhecimento pleno de todos os fatos, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Assim, considerando que o julgamento do auto em questão depende da procedência das Notificações que lançaram as contribuições omissas em GFIP, e em face da necessidade de mais informações a respeito do andamento das referidas NFLDs, entendo que o processo deva ser baixado em diligência para que o órgão de origem preste os esclarecimentos solicitados acima, necessários para revestir a decisão de plena convicção. Fazse necessário, ainda, que seja elaborado um demonstrativo com os resultados dos julgamentos de cada NFLD, contendo informações sobre as contribuições que foram mantidas em cada uma delas e os levantamentos excluídos nos casos de provimento parcial ou total dos recursos. Fl. 877DF CARF MF 8 No caso de não terem sido julgados definitivamente todos os lançamentos correlatos, entendo que o presente processo deva ficar sobrestado até o trânsito em julgado administrativo das NFLDs que lançaram as contribuições relativas aos fatos geradores omitidos em GFIP. E, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem apresentados pela fiscalização e aberto novo prazo para sua manifestação. Já às Fls. 736 foi juntado Despacho referente ao Processo nº 11853.000781/200701, da 1ª TO da 3ª Câmara da 2ª Sessão de Julgamento deste CARF, declarando a existência de conexão entre aquele e este processo, determinando que os mesmos fossem apensados, reunidos e distribuídos ao primeiro Relator que recebeu o processo da empresa recorrente. Em cumprimento ao Despacho acima mencionado, às fls 738, foi proferida a seguinte manifestação: Embora tenhamos envidado esforços no sentido de localizar todas as NFLD descritas no Relatório Fiscal, não foi impossível localizálas para proceder a conexão (fls. 736). Devolvo à Conselheira Relatora, Bernadete de Oliveira Barros, indicando uma possível diligência à unidade de origem da Receita Federal do Brasil para a identificação dos processos. DATA DE EMISSÃO : 23/09/2014 Verificar Procedimentos / LUIZ TREZZI NETO SECAM/3ªCÂMARA/2ªSEJUL/CARF/MF 3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF 2ª SEJUL/CARF/MF/DF DF CARF MF. Notese ainda que os "Despachos de Encaminhamento"constantes às fls. 739 a 741, e posteriormente às fls 746, referemse às sucessivas redistribuições destes autos à Conselheiros Relatores que, antes de relatarem e pautarem, renunciavam ao mandato perante este Colegiado. Nessa esteira dos acontecimentos, o Contribuinte às fls. 744, em 20/07/2016, peticiona no presente feito requerendo sua distribuição e inclusão em pauta , tendo em vista que o Auto de Infração foi lavrado desde 2008. Já, em 11/02/2019, o Contribuinte junta MEMORIAIS DE JULGAMENTO às fls. 749/761, anexando Consultas às Informações do Crédito da Dívida Ativa da PGFN, atualizadas. E, por fim, em 15/02/2019, às fls. 774/806 a Recorrente apresenta Petição de Manifestação, requerendo: a); preliminarmente, o provimento do presente recurso para fins de revisão do lançamento fiscal para exclusão da multa correspondente às NFLDs n° 35.403.9970, 35.403.9989, 35.404.1410, 35.360.5727 e 35.404.0693, extintas integralmente, e NFLD 35.360.6251, extinta parcialmente, por inocorrência dos fatos geradores; b) sucessivamente, o provimento do presente recurso para cancelamento da multa correspondente às NFLDs 35.404.0677, Fl. 878DF CARF MF Processo nº 11853.000781/200701 Acórdão n.º 2401006.204 S2C4T1 Fl. 6 9 35.404.0685, 35.360.5638, 35.360.6278, 35.360.5654, 35.360.5662, 35.360.5646, 35.360.5719, 35.360.6294 e 35.360.5689, por inocorrência da hipótese de incidência da contribuição previdenciária; c) alternativamente, na hipótese de manutenção da multa, o que admite apenas para fins de argumentação, requerse a revisão do lançamento para aplicação da penalidade mais benigna prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/1991, por força do princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, III, “c” do CTN. Em anexo à referida petição às fls. 807/870, junta novamente, Consultas às Informações do Crédito da Dívida Ativa da PGFN, atualizadas, bem como colacionando o Acórdão nº 240101.940, de 28/07/2011, proferido por esta Turma de Julgamento e Discriminativos Analíticos do Débito Retificado DADR nos autos do Processo nº 37284.005531/200400. É o Relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 19/03/2008 conforme A.R às fls. 626, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 18/04/2008 (fl. 627/704), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DO MÉRITO a) REVISÃO DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES DA MULTA Conforme consta no Relatório Fiscal de fls. 04/07, e nos termos do Despacho Decisório nº 23.401.4/16/2007 (fls. 422/430), proferido pela Delegacia da Receita Previdenciária do DF, o presente lançamento, após revisão em sede de diligência, referese à imposição de MULTA, pelo fato da Requerente ter deixado de incluir nas GFIP`s valores correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, constantes das NFLD´s abaixo: NFLD n° 35.403.9970; NFLD nº 35.360.5654; NFLD nº 35.403.9989; NFLD nº 35.360.5662; NFLD nº 35.404.1410; NFLD nº 35.360.5646; NFLD nº 35.360.5727; NFLD nº 35.360.5719; NFLD nº 35.404.0693. NFLD nº 35.360.6294; Fl. 879DF CARF MF 10 NFLD nº 35.404.0677; NFLD nº 35.360.5689; NFLD nº 35.360.6251; NFLD nº 35.360.5670; NFLD nº 35.404.0685; NFLD nº 35.404.0146; NFLD nº 35.360.5638; NFLD nº 35.404.0120; NFLD nº 35.360.6278; NFLD nº 35.404.1428 Ocorre que, durante o curso processual, os créditos representados pelas NFLD´s: n° 35.403.9970, 35.403.9989, 35.404.1410, 35.360.5727 e 35.404.0693, foram extintos integralmente por decisão judicial; conforme se verifica da documentação juntada pela Recorrente às fls. 774/806. Dessa forma determino a revisão do lançamento, para exclusão da multa correspondente às referidas NFLD´s, por inocorrência dos fatos geradores. Já a NFLD 35.360.6251, constante nos autos do Processo nº 37284.005531/200400, foi extinta parcialmente, por este Colegiado, por intermédio do Acórdão nº 240101.940 que declarou a decadência do lançamento até a competência 11/1997 e no mérito deu provimento parcial para excluir do lançamento a rubrica AUXÍLIO MEDICAMENTO, bem como para alterar a alíquota SAT de 3% para 1%. Assim, determino a revisão para exclusão da multa lançada, somente nos termos provido no julgado em comento. Noutro giro, em relação as NFLD´s nº 35.360.6294; 35.404.0677; 35.404.0685; 35.360.5638; 35.360.5654; 35.360.5719; 35.360.5662; 35.360.6278; 35.360.5646; 35.360.5689; 35.360.5670; 35.404.0146; 35.404.0120 e 35.404.1428, embora estejam sendo questionadas judicialmente, não há nos presentes autos nenhum elemento de prova apto a autorizar o afastamento da exigência da multa por eventual inocorrência de hipótese de incidência de contribuição previdenciária; ao contrário, a Recorrente afirma que as referidas NFLD´s foram mantidas no âmbito administrativo, e, na ausência de determinação judicial decidindo pelo contrário, não há como acolher a pretensão recursal. Razão pela qual indefiro o afastamento da multa nas NFLDs descritas neste parágrafo. b) MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA O presente Auto de Infração tem como fundamento o artigo 32, § 4ª e §5º, da Lei nº 8.212/91 que, na redação vigente à época dos fatos sujeitava o infrator à penalidade correspondente à multa por descumprimento de obrigação acessória de 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada ao valor mínimo previsto no artigo 92 da mesma lei, em função do número dos segurados. Assim, determino a revisão do valor final da multa nos termos da Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/09 e Súmula CARF nº 119 :"No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019)." 3. CONCLUSÃO: Fl. 880DF CARF MF Processo nº 11853.000781/200701 Acórdão n.º 2401006.204 S2C4T1 Fl. 7 11 Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para : a) excluir da multa apurada os valores correspondentes aos fatos geradores lançados nas NLFDs n° 35.403.9989 e 35.360.5727; e b) rever o valor final da multa nos termos da Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/09 e Súmula CARF nº 119. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 881DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.722015/2018-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
DEPENDENTES. DEDUÇÃO.
Apenas poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual aqueles que se enquadrarem nas hipóteses previstas na legislação de regência, desde que comprovada essa condição através de documentação hábil e idônea.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas ou com instrução do próprio contribuinte, de seus dependentes, e de seus alimentandos quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2002-000.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÃO. Apenas poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual aqueles que se enquadrarem nas hipóteses previstas na legislação de regência, desde que comprovada essa condição através de documentação hábil e idônea. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas ou com instrução do próprio contribuinte, de seus dependentes, e de seus alimentandos quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 20 15 /2 01 8- 66 Fl. 94DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 43/50) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2016 (efls. 58/69), onde se apurou: Dedução Indevida com Dependentes, Dedução Indevida com Despesa de Instrução e Dedução Indevida de Despesas Médicas. O contribuinte apresentou Impugnação parcial (efls. 02/09), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 77/78): Esclarece que declarou Bruna Cardoso Rodrigues e Amanda Cardoso Rodrigues como suas dependentes por serem suas enteadas, filhas de Lucimara Cardoso com quem mantém união estável desde 2007, conforme faz prova a declaração de união estável apresentada. Quanto à prova de coabitação afirma que ambos moram no mesmo endereço à Rua Padre João Crisostomo 296 nas unidades 301 e 303, ambas de sua propriedade, para maior conforto de todos os membros da família. Junta contas de luz, escritura dos apartamentos e diz que o endereço residencial do casal consta da declaração de união estável. Considerando superada a questão da comprovação da relação de dependência, alega que é o responsável por arcar com todos os custos de Bruna e Amanda que dependem financeiramente dele para subsistência. Assim, requer que sejam restabelecidas as despesas com instrução (R$ 3.651,50 com Faculdade UniBH) e médicas (R$ 3.932,81 com Fundação Libertas e R$ 1.200,00 com Louise Freitas) glosadas por ausência de comprovação da relação de dependência. No que diz respeito aos pagamentos efetuados ao profissional Soteres Macial de Macedo e Marques, defende que a despeito de os cheques terem sido assinados por sua companheira Lucimara Cardoso, o ônus financeiro foi percebido por ele. Sustenta que o simples ato de entregar um cheque ao seu médico não confere a Sra. Lucimara a figura de efetiva pagadora do serviço, mas o que causará esse efeito são os recibos emitidos pelo profissional em nome do impugnante. Concorda com as glosas de despesas médicas com Climep Clínica de Medicina Preventiva (R$ 715,00) e Instituto Hermes Pardini (R$ 177,00). A Impugnação foi julgada improcedente pela 20ª Turma da DRJ/RJO (efls. 75/80). Fl. 95DF CARF MF Processo nº 15504.722015/201866 Acórdão n.º 2002000.988 S2C0T2 Fl. 95 3 Cientificado do acórdão de primeira instância em 22/08/2018 (efls. 82), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 20/09/2018 (efls. 86/90) com os argumentos a seguir sintetizados. Apresenta breve descrição dos fatos processuais. Afirma que, visando a comprovação de coabitação com a Sra. Lucimara Cardoso, apresentou comprovante de energia elétrica referente ao ano calendário 2018 em nome da mesma, constando o endereço em que ambos residem com Bruna e Amanda, suas enteadas e dependentes. Alega, contudo, que, no entendimento do julgador de primeira instância, tal comprovação não foi suficiente para a finalidade pretendida por não contemplar os últimos 5 anos. Por conseguinte, indica a juntada de Declaração da Data de Ligação assinada pela CEMIG Distribuição Ltda dando conta que a instalação situada à Rua Padre João Crisóstomo 296 apto. 301 tem como titular a Sra. Lucimara Cardoso desde 27/07/2010, prazo superior aos 5 anos mencionados no acórdão combatido. Transcreve voto vencedor de acórdão da CSRF do CARF sobre o tema. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal procedeu à glosa das dependentes Bruna Cardoso Rodrigues e Amanda Cardoso Rodrigues e, em decorrência, das despesas médicas e com instrução das mesmas (efls. 45/48). O julgamento de primeira instância manteve as infrações apuradas por não restar demonstrada a condição de companheira de Lucimara Cardoso, mãe de Bruna e Amanda. Cabe reproduzir trechos do acórdão recorrido com as razões de decidir do Colegiado a quo, as quais acompanho (efls. 79/80): Assim, como pressuposto para dedução de Bruna Cardoso Rodrigues e Amanda Cardoso Rodrigues na condição de enteadas, há que se verificar se a mãe delas Lucimara Cardoso já detinha em 2015 a condição de companheira do contribuinte, o que, conforme a legislação reproduzida, se demonstra mediante a comprovação de vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho. Em não havendo filho resultante da união, a comprovação de vida em comum pode ser feita através de cópias de contas de luz, água, energia elétrica, telefone, etc... em nome de sua Fl. 96DF CARF MF 4 companheira comprovando a residência desta no mesmo domicílio fiscal do notificado, ou mesmo prova de bens imóveis em comum, conta bancária em conjunto, etc. Neste sentido, as provas carreadas aos autos não são hábeis a comprovar a coabitação pelo prazo legal exigido de 5 (cinco) anos. [...] Portanto, não restando caracterizada a condição de companheira de Lucimara Cardoso e, conseqüentemente, a condição de enteadas de Bruna Cardoso Rodrigues e Amanda Cardoso Rodrigues no ano calendário de 2015, as glosas das dependentes mostramse corretas. [...] Considerando que não se confirmou a relação de dependência de Bruna e Amanda, o contribuinte, em sua declaração, só pode deduzir as despesas médicas próprias, sendo incabível os valores relativos a despesas de terceiros, ainda que as despesas tenham sido arcadas por ele como alega em relação aos pagamentos efetuados ao profissional Soteres Macial de Macedo e Marques, mas cujos serviços profissionais foram prestados para tratamento de Bruna e Amanda (fls. 29/30). Assim, deve ser mantida a glosa com as despesas médicas impugnadas visto que foram realizadas com não dependentes. Da mesma forma, somente são dedutíveis as despesas com instrução do contribuinte e dos dependentes informados na Declaração de Ajuste, conforme disposto no artigo 8º, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.250, de 1995. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte apresenta uma declaração da Cemig Distribuição S.A. com o intuito de comprovar a coabitação com Lucimara Cardoso no ano calendário em exame por período superior a 5 anos (efls. 91). Não obstante, verificase que tal documento não é hábil para a finalidade pretendida, uma vez que se refere a endereço distinto do cadastrado nos sistemas da RFB para o sujeito passivo. Ainda que o interessado alegue que a união estável existia mesmo com a habitação em apartamentos diferentes (unidades 301 e 303 da Rua Padre João Crisóstomo nº 296), não há nos autos nenhum elemento de prova que demonstre, de maneira inequívoca, tal situação. Cumpre ressaltar que todas as deduções na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas a comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Assim, havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao contribuinte o ônus de comproválas sem deixar margem a dúvidas. Importa mencionar, por fim, que a decisão trazida pelo recorrente somente vincula as partes envolvidas naquele litígio, não podendo ser estendida genericamente a outros casos. Apenas a jurisprudência do CARF espelhada nas decisões reiteradas e uniformes de seus Colegiados e consolidada através de súmula é de observância obrigatória no julgamento dos Recursos, não sendo este o presente caso. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 15504.722015/201866 Acórdão n.º 2002000.988 S2C0T2 Fl. 96 5 Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.010749/2006-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. INDÉBITO CARACTERIZADO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula Carf nº 84)
Numero da decisão: 9101-004.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. INDÉBITO CARACTERIZADO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula Carf nº 84) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 49 /2 00 6- 91 Fl. 229DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo de compensação, no qual o sujeito passivo, por meio de Declaração de Compensação (“DCOMP”) transmitida em 16/01/2004 (efls. 13 a 22), buscou compensar débitos próprios com créditos de suposto Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, no valor de R$ 5.000,03, referente a estimativa do mês de maio de 2002. O Relatório de Informação Fiscal (efls. 8 a 11) concluiu pela inexistência do direito creditório da declarante, com base no artigo 10, da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, não homologando, portanto, as compensações discriminadas no Demonstrativo presente às efls. 10 a 11. O Despacho decisório (efl. 27), de 15 de março de 2007, ratificou a conclusão do relatório anteriormente mencionado. Ciente de tal decisão em 02/04/2007 (efl.15), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/04/2007 (efls. 34 a 48), alegando que: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, pois não poderia estabelecer uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei, no caso o artigo 74, da Lei n° 9.430/1996; b) a compensação foi realizada em janeiro de 2004, quando vigia a IN SRF nº 210/02 que não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela IN SRF nº 460/04 e repetida pelo artigo 10 da IN SRF nº 600/05; c) se não fosse realizada a compensação da CSLL de janeiro de 2003 recolhida a maior, haveria saldo negativo ao final do ano; d) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Sob o Acórdão nº 1127.539 – 3ª Turma da DRJ/RECPE, julgado em 14 de setembro de 2009 (efls. 101 a 110), a solicitação da manifestante foi indeferida. Vejase a ementa de tal decisão: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo da contribuição, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução da CSLL devida ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo da contribuição do período. Assunto : Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19647.010749/200691 Acórdão n.º 9101004.157 CSRFT1 Fl. 230 3 Assunto : Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Ciente do acórdão da DRJ em 03/12/2009, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 16/12/2009 (efls. 113 a 130), repisando seus argumentos. Ato contínuo, em 15/12/2010, sob o Acórdão nº 180300.726 (efls. 1 a 10), a 3ª Turma Especial negou provimento ao recurso da contribuinte. Acompanhese a ementa de tal decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos. O valor a ser restituído corresponde ao saldo negativo apurado ao final do exercício, sobre o qual incidem juros calculados com base na taxa Selic a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração Cientificada de tal decisão em 10/11/2011, a Contribuinte interpôs Recurso Especial em 10/11/2011 (efls. 172 a 184), alegando divergência jurisprudencial da decisão proferida. Apresentou os seguintes Acórdãos paradigmas: Acórdão nº180100.485, de 22.02.2011: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data do seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. Acórdão nº 140100.421, de 26.01.2011: Fl. 231DF CARF MF 4 ESTIMATIVA APURADA POR MEIO DE BALANÇO OU BALANCETE SUSPENSÃO REDUÇÃO. IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Dessa feita, caso o contribuinte recolha, à título de estimativa, montante superior àquele devido segundo o balancete por ele registrado, referido excesso não será levado à composição do tributo adiantado para fins do ajuste anual, tratandose, pois, de tributo pago indevidamente, podendo o mesmo ser restituído. IN SRF n° 460/04. IN n° 600/05. A vedação das instruções normativas em reconhecer a possibilidade de devolução de valores pagos indevidamente a título de estimativa e que não integram o crédito de tributo pago no curso do ano pelo regime de balancete suspensão/redução quando do ajuste anual, torna referidas instruções normativas ilegais O Despacho de Admissibilidade (efls. 217 a 223) deu seguimento ao recurso, admitindo os dois acórdãos paradigmas anteriormente citados. Por fim, não foram apresentadas Contrarrazões pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19647.010749/200691 Acórdão n.º 9101004.157 CSRFT1 Fl. 231 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo (efls. 172 a 184) defende a possibilidade de se considerar uma estimativa paga a maior ou indevidamente como um indébito passível de restituição ou compensação a partir de seu recolhimento. O Despacho de Admissibilidade (efls. 217 a 223) admitiu o recurso por ser tempestivo e satisfazer todos os requisitos necessários para a sua admissão. Reexaminando tais requisitos, concordo plenamente com a primeira análise, especialmente, no tocante a demonstração da divergência jurisprudencial. Enquanto o acórdão recorrido (efls. 1 a 10) entendeu que somente com a formação do saldo negativo, quando do ajuste anual, seria possível utilizar o mecanismo da compensação, ou seja, apenas o saldo negativo seria um crédito apto para realizar tal forma de extinção do crédito tributário (art. 156, II, CTN), os acórdãos paradigmas nº 180100.485 e 140100.421 se manifestaram no sentido de que os valores pagos a maior ou indevidamente, a título de estimativa, caracterizam indébito passível de restituição ou compensação na data do seu recolhimento. Desta forma, considerando, ainda, que não foram apresentadas Contrarrazões pela Procuradoria, valendome do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99, concordo e adoto as razões do i. Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Mérito Em síntese, a recorrente busca por intermédio de seu recurso especial o reconhecimento da possibilidade de se utilizar numa compensação estimativa paga a maior como crédito. Mais especificamente, tratase de pedido de compensação (efls. 13 a 22) que visa compensar estimativa paga a maior referente a maio de 2002 (crédito) com estimativa de outubro de 2002 (débito). Recebendo negativas desde a emissão do despacho decisório (efls.23 a 27) que não homologou a compensação em comento, declarando a inexistência de crédito, até a prolação do acórdão recorrido, que se fundamentaram na aplicação do art. 10 da IN SRF nº 600/2005, a recorrente se defende alegando em seu recurso que tal ato administrativo não possui amparo legal, não poderia ter sido aplicado retroativamente e que, se o argumento exarado pelo acórdão recorrido de que não há vinculação alguma entre o presente processo e o processo administrativo nº 19647.009690/200699, ao ponto deste alterar o saldo negativo daquele, deve o julgador administrativo considerar como crédito o saldo negativo de ano calendário de 2002 apurado pela recorrente, no valor de R$ 22.823,95. Fl. 233DF CARF MF 6 O tema discutido nestes autos não é inédito. O reconhecimento de estimativas pagas a maior ou indevidamente como indébito já foi inclusive sumulado por este Conselho em dezembro de 2012, senão vejamos: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Aliás, há inúmeros julgados neste Conselho aplicando a súmula CARF nº 84 em casos muito semelhantes ao destes autos e, via de regra, também aplicam a IN SRF nº 900/2008 retroativamente, uma vez tal ato ter substituído a IN SRF nº 600/2005, afastando dispositivo restritivo aplicável aos recolhimentos por estimativa constante neste última. A título exemplificativo, tomese o acórdão nº 9101002.903, julgado em 08 de junho de 2017, sob o regime dos repetitivos, relatado pelo Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, em que foi julgado recurso especial da Procuradoria contra o contribuinte CEB LAJEADO S/A, tendo sido negado provimento ao recurso da União por unanimidade de votos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do Fl. 234DF CARF MF Processo nº 19647.010749/200691 Acórdão n.º 9101004.157 CSRFT1 Fl. 232 7 saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. (Grifos meus) Inclusive, neste voto é citada a Solução de Consulta COSIT nº 19, de 2011, que assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.O art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1ºde janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1ºde janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2ºe 74; IN SRF nº460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº900, de 30 de dezembro de 2008. (Grifos Meus) Demonstrado o não ineditismo do tema neste Conselho, convém aterse ao presente caso, e aqui destaco um dos próprios precedentes da súmula CARF nº 84, o acórdão nº 110100.330, julgado em 09 de julho de 2010, cujo voto vencedor foi da Conselheira Edeli Pereira Bessa, porque exprime com objetividade e clareza os fundamentos utilizados nos acórdãos até agora citados, aos quais me filio e, porque responde aos questionamentos da Fl. 235DF CARF MF 8 recorrente perfeitamente. Portanto, com a devida vênia, reproduzo abaixo trechos do citado voto condutor, acompanhese: Divirjo do I. Relator quanto à eficácia dos atos normativos que vedaram a compensação de estimativas, pois neles não vislumbro a regulamentação de procedimentos para utilização de indébitos de estimativas, mas sim a interpretação das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPI ou da CSLL. É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda — RIR199 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5º incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória IV 66/2002, atualmente transportado para o §14 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei n°10 637, de 2002) [...] §14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto a fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a Fl. 236DF CARF MF Processo nº 19647.010749/200691 Acórdão n.º 9101004.157 CSRFT1 Fl. 233 9 atenção da Administração Tributária, especialmente quanto à eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do ano calendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativos e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n°460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008,), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo. Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPT ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPT ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF re 600, de 28 de dezembro de 2005 An. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRP.T ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de MN ou de CSLL do período. Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPT ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n" 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. Fl. 237DF CARF MF 10 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 40 do art 39 da Lei N° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9 430196, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2°. Art.2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art 15 da Lei n° 9,249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1 0 e 2° do art, 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9065, de 20 de junho de 1995. §1° O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2° A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a RS 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3° A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1° e 2° do artigo anterior. §4" Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4' do art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo (negrejouse) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19647.010749/200691 Acórdão n.º 9101004.157 CSRFT1 Fl. 234 11 com juros à taxa SEL1C a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por consequência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subsequente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, §4º da Lei nº 9.250/95 c/c/art. 73 da Lei nº 9.532/97. Em consequência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou. da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda corno indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem.(...) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de janeiro/2005, e assim apontou o indébito constituído em fevereiro/2005 (mês do recolhimento) para compensações com outros tributos, antes da apuração do ajuste anual em 31/12/2005. Fl. 239DF CARF MF 12 Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de janeiro/2005, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 2,260.477,87, e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPI devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. (Grifos Meus) Diante do exposto, entendo que a recorrente possui razão. Ainda, apenas para registro, aproveito o gancho dado pelo acórdão acima reproduzido no tocante à preocupação com duplo aproveitamento do crédito pelo contribuinte, e sinalizo que o mesmo cuidado deve recair sobre o Estado, como bem apontou o acórdão paradigma 140100.421 indicado pela recorrente em seu recurso; vejase (efl. 213): Do que se extrai da decisão recorrida, por não existir previsão em instrução normativa da Receita Federal, permissa vênia, referidos valores simplesmente não seriam passíveis de devolução, passando a integrar os cofres públicos de forma definitiva, ainda que injustificada. Referido entendimento, salvo melhor juízo, implicaria em enriquecimento injustificado do Estado. Segundo o disposto no art. 165, inciso I, do CTN, o contribuinte que promove pagamento espontâneo de tributo indevido tem direito à restituição do mesmo. Da mesma forma o art. 74 da lei n° 9.430/96 garante a devolução de valores pagos a título de tributo que se mostraram indevidos. Em verdade, a vedação das instruções normativas em reconhecer a possibilidade de devolução de valores pagos indevidamente a título de estimativa e que, repisese, não integraram o crédito de tributo pago no curso do ano pelo regime de balancete suspensão/redução, torna referidas instruções normativas ilegais. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19647.010749/200691 Acórdão n.º 9101004.157 CSRFT1 Fl. 235 13 Quanto ao último argumento da recorrente sobre a vinculação do presente processo com o processo administrativo nº 19647.009690/200699, há informação nos autos, mais especificamente no Relatório Fiscal deste último processo (efl. 139), item 6, que os pagamentos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados no ajuste anual para dedução do IRPJ e da CSLL no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, nos termos do art. 10, da IN SRF nº 600/2005. Como bem se manifestou a Conselheira Edeli Pereira Bessa no acórdão citado anteriormente, admitese a possibilidade de utilizar uma estimativa paga a maior como indébito para restituição e compensação, contudo, não é possível, neste momento, me manifestar quanto a homologação da compensação pleiteada, pois a existência, a suficiência e a disponibilidade do indébito alegado precisa ser averiguada pela unidade preparadora, já que o despacho decisório, acórdão da DRJ e acórdão recorrido apenas refutaram a utilização das estimativas como indébitos, sem se manifestar sobre a situação do crédito em si, ou seja, o mérito da compensação. Ante o exposto, voto POR CONHECER E DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Contribuinte reconhecendo, por força da súmula CARF nº 84 que valores pagos a maior ou indevidamente a título de estimativa, caracterizam indébito passível de restituição ou compensação na data de seu recolhimento, com retorno dos autos à Delegacia de Origem para o exame da existência, suficiência e disponibilidade do crédito informado em DCOMP. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 241DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.720384/2016-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA RELATIVA A OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49.
Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1002-000.669
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA RELATIVA A OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 03 84 /2 01 6- 87 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10240.720384/201687 Acórdão n.º 1002000.669 S1C0T2 Fl. 36 2 Aílton Neves da Silva Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 26) interposto contra o Acórdão n° 11 57.539, proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC (efls. 15/18), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF . O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitarseá a multa especificada na legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera como denúncia espontânea o cumprimento de obrigações acessórias depois de decorrido o prazo legal para seu adimplemento. A multa aplicada decorre da impontualidade do contribuinte e não tem qualquer vínculo com a existência de fato gerador de tributo. DCTF OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA INSTITUÍDA POR INSTRUÇÃO NORMATIVA. O Secretário da Receita Federal do Brasil é competente para instituir obrigações acessórias, com fundamento no art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, na Portaria MF nº 118, de 1994, e no art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999. Por bem descrever os fatos até este momento processual, peço vênia para transcrever e adotar o relatório produzido pela instância a quo em sede de impugnação ( efl. 16): Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrada a Notificação de Lançamento para cobrança da multa por atraso na entrega da DCTF, referente ao mês de março de 2013, correspondente à multa no valor de R$ 617,32 Cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação, alegando, em síntese, o seguinte: Em sua impugnação a contribuinte afirma que apresentou sua DCTF antes de qualquer procedimento fiscal devendo ser aplicada a determinação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea). Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10240.720384/201687 Acórdão n.º 1002000.669 S1C0T2 Fl. 37 3 Afirma que não há previsão legal para a instituição da DCTF e da exigência da multa por atraso. Alega que a criação da DCTF foi por Instrução Normativa baixada pela RFB sob o fundamento do art. 5º do decretoLei 2.124/84. Afirma que a partir da Constituição federal de 1988 so0mente por Lei é que podem ser criados tributos e obrigações acessórias. Finaliza requerendo a declaração de improcedência da multa aplicada. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário de efls. 26, no qual alega que: " De forma espontânea foi apresentado a DCTF’ do mês de Março de 2013, por iniciativa do contribuinte sem que houvesse interferência do órgão arrecadador. De fato há previsão para cobrança de multa para o contribuinte que entrega declaração em atraso, isto é, se for uma solicitação do fisco, se houver a espontaneidade esta obrigação desaparece conforme decisão do Supremo Tribunal de Justiça – STJ ao julgar o recurso Especial 169.877, que ora vem esclarecer, exatamente a questão da espontaneidade com relação a entrega de declarações fora do prazo, uma vez que o artigo 138 do Código Tributário Nacional não distingue quais os tipos de multas que se isenta o contribuinte da penalidade, desta forma diz o supremo que: as multas, principais e acessórias quando for feito o recolhimento fica esta isenta no caso de espontaneidade. Quando falamos em penalidades, estas têm como objetivo precípuo o cumprimento da obrigação no seu devido tempo, com fulcro as normas supra citadas, as mesmas são claras ao afirmar que a espontaneidade é um excludente destas penalidades, conforme dispõe o art. 138 do CTN." É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10240.720384/201687 Acórdão n.º 1002000.669 S1C0T2 Fl. 38 4 Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso na entrega da declaração e ao cálculo do valor da multa exigida, o que torna o fato incontroverso. Os argumentos do Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, baseiamse no instituto da denúncia espontânea, haja vista ter efetuado a entrega da declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Não vejo como acolher o pleito do Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, conforme consta de trechos do voto condutor do acórdão recorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlos e, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e do §3º do art. 57 do RICARF, adotálos, desde já, como razões de decidir: "(...) No tocante às alegações expendidas na peça impugnatória, equivocase a contribuinte ao alegar que a apresentação espontânea exclui a responsabilidade pela infração cometida, pois, tratandose no caso de obrigação acessória a qual estão sujeitos todos os contribuintes, é inaplicável o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Não é demais lembrar que o artigo 113 do CTN dispõe, em seu § 2º, que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária, permanecendo, portanto, a sua natureza jurídica de mero crédito tributário e não de tributo. Sobre o assunto em tela, trata, com propriedade, o texto elaborado por Aldemario Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, extraído do Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, demonstrando a inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória, como se depreende a seguir: 'Com efeito, o objetivo da denúncia espontânea, conforme explícita previsão legal, é afastar a responsabilidade por infração contida na composição do crédito tributário impago. Quando o tributo não é pago em tempo hábil gera um crédito com, pelo menos, os seguintes componentes: PRINCIPAL tributo, MULTA penalidade pecuniária e JUROS DE MORA. A denúncia espontânea afasta justamente a parte punitiva e mantém, com toda sua intensidade quantitativa, o PRINCIPAL tributo. Esta estrutura de débito, a única referida no citado Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10240.720384/201687 Acórdão n.º 1002000.669 S1C0T2 Fl. 39 5 art.138 do CTN, obviamente só existe no caso de descumprimento de obrigação tributária principal. O descumprimento de obrigação tributária acessória, não contemplado explicitamente no art. 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: PRINCIPAL multa (penalidade pecuniária) e MULTA inexistente. Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito, simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denúncia espontânea não afeta o PRINCIPAL do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Uma última ponderação parece ratificar estas considerações. Admitir a denúncia espontânea para o descumprimento de obrigação acessória significa negar, em regra, a obrigatoriedade do adimplemento da obrigação de fazer ou não fazer, isto porque a sanção decorrente poderia ser afastada, a qualquer tempo, justamente a partir da realização daquela ação originalmente com prazo certo. O raciocínio seria o seguinte: apresento a declaração quando quiser, sendo, em princípio, irrelevante o marco temporal legal, porque a apresentação depois do prazo seria denúncia espontânea e afastaria a multa, única conseqüência da intempestividade, salvo ação fiscal extremamente improvável. De toda sorte, as multas moratórias são sempre devidas, com ou sem denúncia espontânea, porquanto fixadas em lei e de natureza indenizatória, nitidamente apartadas das penalidades pecuniárias.' " Pelo exposto, concluise que a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na Denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso porque a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois o simples fato da sua inobservância convertea em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, como bem lembrado no acórdão de impugnação, o assunto encontrase sumulado no enunciado 49 do CARF, sendo despiciendas maiores digressões sobre a matéria. Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem acolhimento. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10240.720384/201687 Acórdão n.º 1002000.669 S1C0T2 Fl. 40 6 Aílton Neves da Silva Fl. 40DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.002822/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o Ministério da Ciência e Tecnologia a informar se foi emitido ato autorizativo de migração publicado no Diário Oficial em benefício do recorrente, em conformidade com o disposto no § 2º do art. 15 do Decreto nº 5.798/06, juntando a correspondente cópia do ato, bem como esclarecendo, sendo o caso, o alcance temporal dos respectivos efeitos. Na sequência, deve ser intimado o contribuinte, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 1460.392 proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .0 02 82 2/ 20 07 -7 5 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10530.002822/200775 Resolução nº 2202000.846 S2C2T2 Fl. 263 2 DRJ/RPO, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve "o Despacho Decisório recorrido, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando a DCOMP tratada no processo em apenso, de n° 10530.000493/200817". (fls. 222/231 e 237/243). Do Pedido de Restituição/Compensação No tocante ao pedido de restituição/compensação, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/RPO (fl. 223) mencionou o seguinte: Tratase de manifestação de inconformidade contra a decisão do Serviço de Tributação da Delegacia da Receita Federal de Santo André que indeferiu a solicitação de restituição/compensação de R$ 60.227,50. Segundo a contribuinte o direito creditório corresponderia a 20% do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre remessa ao exterior a título de pagamento de royalties efetivada no âmbito do benefício fiscal concedido pelo Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI. Da Análise do Pedido de Restituição/Compensação De acordo com o Despacho Decisório (fls. 153/155), a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório pleiteado, indeferiu o pedido de restituição e não homologou a compensação: "Em conformidade com a competência que me foi delegada pela Portaria DRF/SAE nº 75, de 07 de outubro de 2011, Indefiro o pleito do interessado e Não Homologo a compensação vinculada ao processo nº 10530.000493/200817." (fl. 155). Regularmente intimada do indeferimento do pedido de restituição/compensação, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 162/174), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO (fls. 222/231). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/RPO apreciou a Manifestação de Inconformidade e proferiu o acórdão nos seguintes termos (fls. 222): "Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade." Conforme ementas a seguir transcritas (fls. 222): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006 INCENTIVOS FISCAIS. PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. ROYALTIES. CRÉDITO DE 10% DO IRRF. Não apresentado o ato autorizativo requerido pela legislação em vigor para fruição do regime previsto na Lei nº 11.196/2005, inviável reconhecer o crédito ora pleiteado, não se homologando, por conseguinte, as compensações em litígio. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10530.002822/200775 Resolução nº 2202000.846 S2C2T2 Fl. 264 3 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados à ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Pirelli Pneus Ltda, devidamente intimada da decisão da DRJ/RPO, em 12/05/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fls. 235), apresentou, conforme termo de juntada (fl. 236), recurso voluntário, em 31/05/2016 (fls. 237/243). Em sede de recurso voluntário, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/RPO, alegando que: Conforme já apontado nos Fatos, entendeu a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), ser improcedente o pleito da ora recorrente, com base na suposta não comprovação da migração para o programa PDTI, conforme exigência do §2°, do art. 15, do Decreto 5.798/06. Ocorre que a exigência de "ato autorizativo da migração" mencionada, com causa de se negar o direito da recorrente, utilizando como base legal o princípio da legalidade, conforme exposto na decisão recorrida, se demonstra uma exigência demasiadamente formalista e que sobrepõe o princípio da legalidade ao princípio da verdade real que deve instruir o processo administrativo tributário e garantir o direito da recorrente. A requerente juntou nos autos da Manifestação de Inconformidade diversos documentos comprovando a validade da migração para o programa PDTI, documentos estes como o Relatório Anual de Utilização dos Incentivos Fiscais da Lei n° 11.196/2005, relatório este emitido pelo próprio Ministério da Ciência e Tecnologia (órgão que por Lei é o competente para fiscalizar a legalidade da migração), e que expressamente legitima a Pirelli Pneus Ltda., como migrada para o novo regime em 2006. Não há outra interpretação a ser conferida aos fatos (princípio da verdade real) que não a de que o PDTI conferido na Portaria MCT n° 769, de 9 de dezembro de 2002, foi migrado para outro ato concessivo de PDTI, senão como se explicaria a inclusão da Pirelli no "Relatório Anual da Utilização dos Incentivos Fiscais Ano Base 2006". Assim, a argumentação apresentada pelo recorrente de que a Portaria MCT n° 823 de 31 de outubro de 2006 não só revogou a Portaria MCT n° 769, de 9 de dezembro de 2002, como por consequência lhe garantiu a migração, conforme autorizado/determinado pela Lei 11.196/2005. Repisase: A apresentação do "Relatório Anual da Utilização dos Incentivos Fiscais Ano Base 2006", editado pelo MCT, em que a Pirei li consta como empresa beneficiada pela Lei do Bem, ou seja, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10530.002822/200775 Resolução nº 2202000.846 S2C2T2 Fl. 265 4 beneficiada pelo PDTI, é prova mais do que suficiente (princípio da verdade real) de que a empresa migrou seu PDTI, de forma devidamente autorizada e legal pelo órgão competente para tanto Ministério de Ciência e Tecnologia. Em todo caso, apresenta a recorrente neste ato OFICIO/GAB/SETEC/N0 112/2013, emitido em 06.08.2013, pelo MCT, em que comprova a migração conforme exigido pela legislação de referência, transcrita abaixo; o que atende também à formalidade do princípio da legalidade explanado pelos i. julgadores. Pela simples leitura desta declaração, emitida pelo Secretário Geral do Ministério da Ciência e da Tecnologia MCT comprovase o "ato autorizativo de migração" exigido pelo §2°, do art. 15, do Decreto 5.798/06, devendo ser reformada a decisão ora recorrida. Ressaltamos ainda, que como este documento foi expedido após o início deste processo administrativo, não havia como ter sido juntado à data do protocolo da impugnação, como exigido pelo Decreto 70.235/1972, pelo que deverá ser devidamente considerado para fins de julgamento e, mais uma, vez, predominância do princípio da verdade material, em prol do da estrita legalidade. Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que (fls. 243): Ante todo o exposto, não restando dúvidas acerca do fato de que a Requerente teve seu pedido de migração do regime deferido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, e tendo sido juntado aos autos deste processo administrativo o "ato autorizativo de migração" a Requerente pede e espera que a presente decisão recorrida seja reformada, reconhecendose o direito da recorrente para o fim de ser deferida a restituição pleiteada, com a homologação da compensação objeto do Processo Administrativo 10530.000493/200817. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De início, cabe registrar que a DRJ/RPO analisou todos os documentos apresentados pela empresa Pirelli Pneus Ltda, inclusive o OFICIO/GAB/SETEC/Nº 112/2013, Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10530.002822/200775 Resolução nº 2202000.846 S2C2T2 Fl. 266 5 emitido em 06/08/2013, pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia MCT (fls. 211/214 e 244), do mesmo modo todos os documentos serão apreciados na fase recursal também. Analisando os autos, percebese que a controvérsia se instalou devido a contestação do recorrente se insurgindo contra a decisão da DRJ/RPO, a qual decidiu que havia necessidade de apresentar o "ato autorizativo requerido pela legislação em vigor para fruição do regime previsto na Lei nº 11.196/2005". Neste caso, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, apreciando o pleito, concluiu que: "o pedido fundamentase em incentivo fiscal, inicialmente concedido mediante a Portaria do Ministro da Ciência e Tecnologia (MCT) nº 769, de 09 de dezembro de 2002, posteriormente revogada pela de nº 823, de 31 de outubro de 2006." (fl. 226). Além disso, a DRJ/RPO entendeu que houve a revogação do incentivo promovida pela Portaria nº 823, de 31 de outubro de 2006, mas não houve a publicação de ato normativo permitindo migrar para o novo regime, nos seguintes termos: " (...) a portaria nº 823 objetivava tão somente revogar o benefício, sem nada mencionar, contudo, acerca da migração para o novo regime. Para tanto, caberia a publicação de ato autorizativo da migração pleiteada. Ato este que não fora apresentado, conforme prevê o Decreto n° 5.798/06, em seu artigo 15: Logo, inexistindo o ato autorizativo da migração, inviável reconhecer o direito ora pleiteado." (fl. 229). Por outro lado, o recorrente contestou afirmando que: "assim, a argumentação apresentada pelo recorrente de que a Portaria MCT n° 823 de 31 de outubro de 2006 não só revogou a Portaria MCT n° 769, de 9 de dezembro de 2002, como por consequência lhe garantiu a migração, conforme autorizado/determinado pela Lei 11.196/2005." (fl. 240). Com o mesmo propósito, o recorrente continuou afirmando que: "repisase: a apresentação do "Relatório Anual da Utilização dos Incentivos Fiscais Ano Base 2006", editado pelo MCT, em que a Pirelli consta como empresa beneficiada pela Lei do Bem, ou seja, beneficiada pelo PDTI, é prova mais do que suficiente (princípio da verdade real) de que a empresa migrou seu PDTI, de forma devidamente autorizada e legal pelo órgão competente para tanto Ministério de Ciência e Tecnologia." (fl. 240) Além do mais, o recorrente apresentou Ofício do Gabinete do Ministério da Ciência e Tecnologia para corroborar sua tese: "em todo caso, apresenta o recorrente neste ato OFICIO/GAB/SETEC/N° 112/2013, emitido em 06.08.2013, pelo MCT, em que comprova a migração conforme exigido pela legislação de referência, transcrita abaixo; o que atende também à formalidade do princípio da legalidade explanado pelos i. julgadores." (fl. 240). Dessa forma, para o deslinde da questão, fazse necessário verificar qual o critério estabelecido para usufruir o incentivo fiscal para capacitação tecnológica da indústria por meio de Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI . Inicialmente, convém esclarecer que o benefício fiscal de que trata este processo foi estabelecido com base na Lei nº 8.661, de 02 de junho de 1993, regulamentada pelo Decreto nº 949, de 5 de outubro de 1993, que contemplava diversos incentivos fiscais para a capacitação tecnológica da indústria, por meio de PDTI e dentre estes incentivos, a lei facultava ao titular do Programa o direito ao crédito de 20% do IRRF sobre os valores pagos, Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10530.002822/200775 Resolução nº 2202000.846 S2C2T2 Fl. 267 6 remetidos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior, a título de “royalties”. (o percentual de 20% foi estabelecido pelo art. 2°, inciso II, da Lei n° 9.532/97). Todavia, com a revogação da Lei nº 8.661/93, o benefício fiscal tratado neste processo passou a ser regulado pelo art. 17, inciso V, alínea “a” da Lei n° 11.196/2005, e pelo art. 3°, alínea “a” e parágrafo 4° do Decreto n° 5.798 de 2006. De acordo com o autos, notase que o favor tributário concedido ao recorrente, com base na Lei nº 8.661, de 02 de junho de 1993, regulamentada pelo Decreto nº 949, de 5 de outubro de 1993, por meio da Portaria MCT 769 de 09/12/2002, foi revogado pela Portaria nº 823 de 31/10/2006 do Ministério da Ciência e Tecnologia (fl. 210). No entanto, mesmo após a revogação do benefício fiscal pela Portaria nº 823 de 31/10/2006 do Ministério da Ciência e Tecnologia, o recorrente poderia continuar usufruindo o incentivo fiscal para capacitação tecnológica da indústria por meio de Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI instituído pelo art. 17, inciso V, alínea “a” da Lei n° 11.196/2005, e pelo art. 3°, alínea “a” e parágrafo 4° do Decreto n° 5.798 de 2006. desde que solicitasse ao Ministério da Ciência e Tecnologia a migração para o novo regime especificado na Lei n° 11.196/2005, nos termos do art. 15 do Decreto n° 5.798/06, que assim dispõe: Art.15. os Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI e Programas de Desenvolvimento Tecnológico Agropecuário PDTA, e os projetos aprovados até 31 de dezembro de 2005 continuam regidos pela legislação em vigor na data de publicação da Lei n° 11.196, de 2005. §1°as pessoas jurídicas executoras de programas e projetos referidos no caput deste artigo poderão solicitar ao Ministério da Ciência e Tecnologia a migração para o regime da Lei no 11.196, de 2005, devendo, nesta hipótese, apresentar relatório final de execução do programa ou projeto. §2° a migração de que trata o §1° acarretará a cessação da fruição dos incentivos fiscais concedidos com base nos programas e projetos referidos no caput, a partir da data de publicação do ato autorizativo da migração no Diário Oficial da União. (grifei). Dessa forma, entendo que para o recorrente usufruir o benefício fiscal pleiteado, seria necessário observar as condições estabelecidas nos §1° e §2° do art. 15 do Decreto n° 5.798/06, solicitando ao Ministério da Ciência e Tecnologia a migração para o novo regime, a qual seria realizada por meio do ato autorizativo de migração. Contudo, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a publicação do referido ato autorizativo, porém, como elemento de prova, o recorrente apresentou Ofício do Gabinete do Ministério da Ciência e Tecnologia (211/214 e 244/245) e Relatório Anual dos Incentivos Fiscais no Ano Base de 2006 (fls. 196/205), que no nosso entendimento, não tem o condão de substituir o ato autorizativo do Ministério da Ciência e Tecnologia, por falta de previsão legal. Com efeito, notase que a não apresentação do ato autorizativo estabelecido pelo § 2º do art. 15 do Decreto nº 5.798/06, impede o reconhecimento do direito ao benefício fiscal de que trata a Lei n° 11.196/2005, por outro lado o contribuinte alegou que houve a migração Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10530.002822/200775 Resolução nº 2202000.846 S2C2T2 Fl. 268 7 para o novo regime apresentando outros documentos, como o Ofício do Gabinete do Ministério da Ciência e Tecnologia e o Relatório Anual dos Incentivos Fiscais no Ano Base de 2006 . Diante desse panorama, proponho então a conversão do julgamento em diligência, para fins de que a Unidade de Origem, intime o Ministério da Ciência e Tecnologia para que informe se foi emitido ato autorizativo de migração publicado no Diário Oficial em benefício do recorrente, nos termos dispostos no § 2º do art. 15 do Decreto nº 5.798/06, juntando a correspondente cópia do ato, bem como esclarecendo, sendo o caso, o alcance temporal dos respectivos efeitos. Na sequência, devese intimar o contribuinte, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.720132/2013-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. RECEITAS ORIUNDAS DA ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
No caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando o contribuinte tem a pretensão de associá-los a receitas oriundas da atividade rural, deve estabelecer vinculação individualizada de data e valores e, necessariamente, comprovar a receita de tal atividade por intermédio de documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual.
Numero da decisão: 2402-007.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. RECEITAS ORIUNDAS DA ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando o contribuinte tem a pretensão de associá los a receitas oriundas da atividade rural, deve estabelecer vinculação individualizada de data e valores e, necessariamente, comprovar a receita de tal atividade por intermédio de documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 01 32 /2 01 3- 86 Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.852 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0965.257, fls. 1.757 a 1.782, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Juiz de Fora/MG, que manteve o Imposto de Renda lançado no auto de infração de fl. 1.682, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos os seguintes excertos do julgado a quo: De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 1683, foi apurada a infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósito bancários de origem não comprovada, referente ao ano calendário de 2008, no total de R$13.512.474,77. Esclareceu a autoridade lançadora, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1548/1552, que em cumprimento ao MPF 07.1.03.002011003510 a ação fiscal foi levada a efeito no período do ano calendário de 2008, especialmente em razão da expressiva movimentação financeira, incompatível com os rendimentos declarados, DAA a fls. 3/22. [...] Com base nos extratos bancários entregues foi efetuada a conciliação bancária entre as contas correntes do contribuinte, sendo identificados: os depósitos correspondentes às devoluções/estornos, em razão da coincidência de datas e valores (planilha de fls. 1229/1236; as devoluções/estornos que, por falta de coincidência da datas e valores, não foram identificadas correspondências com depósitos realizados (planilha de fls. 1553/1681), e os depósitos a comprovar as respectivas origens (planilhas de fls. 1238/1536). Após conciliação, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal de fl. 1237, no qual foram anexadas as planilhas dos depósitos a comprovar fls. 1238/1536. Deste Termo foi dada ciência ao contribuinte em 19/07/2012 fl. 1537, e no dia 02/08/2013, por meio de procurador, foi requerida prorrogação do prazo para atendimento fls. 1538/1540. Em 24/08/2012, foi apresentada resposta ao citado TIF, e, de início, informou que desenvolve exclusivamente a atividade de produtor rural, e que em seu livro Caixa todas as operações estão descritas, diariamente e individualmente, com documentação à disposição da Fiscalização. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.853 3 [...] A autoridade fiscal, após analisar a resposta ao TIF acima mencionado, relata que não procede a argumentação do contribuinte de que a receita bruta da atividade rural declarada, somada aos cheques devolvidos, praticamente perfaz o valor total dos depósitos de origem não comprovada, e traz à fl. 1550 a tabela: Com relação à questão levantada pelo contribuinte, de estar a tributação das receitas da atividade rural limitada a 20%, rebateu: Concluiu a autoridade tributária, por fim: Cientificado do lançamento, o Contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 1.694 a 1.716, alegando, em síntese: Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.854 4 A decadência do crédito lançado, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; Quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; Que os valores dos créditos constantes nas contas correntes do Banco do Brasil e HSBC são, exclusivamente, da atividade rural desenvolvida pelo impugnante; Que, “embora tenha sido excluído o montante de R$ 10.796.900,04 de cheques devolvidos (tabela 1), uma outra lista destes, no montante de R$ 243.771,49, inacreditavelmente, não foi também excluída, ou seja, estes não foram somados àqueles”; Ao julgar a impugnação, a 6ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, em 7/12/17, conforme assim restou ementado no decisum: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Na presente situação, tendo o contribuinte entregue seus extratos bancários à autoridade tributária perdeu o sentido da discussão sobre quebra de sigilo bancário. Mesmo que assim não fosse, é lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. FATO GERADOR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O fato gerador do imposto de renda relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada é anual, aperfeiçoandose no dia 31 de dezembro de cada ano, havendo a impossibilidade de ocorrência de decadência parcial, em bases mensais, dentro de cada exercício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/1996, autoriza o lançamento, como omissão de rendimentos, dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.855 5 não comprove, de forma individualizada, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. RECEITAS ORIUNDAS DA ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando o contribuinte tem a pretensão de associálos a receitas oriundas da atividade rural, deve estabelecer vinculação individualizada de data e valores e, necessariamente, comprovar a receita de tal atividade por intermédio de documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. Aditese à questão que o interessado no demonstrativo constante de sua DAA/2009 apurou o resultado de sua atividade rural pela regra geral, receitas x despesas, ou seja, não exerceu, na época oportuna, a opção de tributação com base em vinte por cento da receita bruta, portanto, fica impedido de fazêlo após procedimento de ofício, pois configuraria retificação da declaração de rendimentos. A legislação regente dá ao contribuinte, e somente a ele, opção de tributar o resultado de sua atividade rural no limite de 20% do montante anual da receita bruta, mas não impõe à autoridade fiscal, no caso de apuração de omissão de rendimentos, quando não exercida a opção pelo contribuinte, que se faça a tributação máxima sobre apenas 20% do valor omitido. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINAS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Da mesma forma, as doutrinas que servem especialmente como fontes de consultas. DILIGÊNCIA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância somente determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências/perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Cientificada da decisão de primeira instância, em 18/12/17, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1.786, a representante do espólio de Hilton Raposo (vide sentença de fl. 1.811) apresentou o recurso voluntário de fls. 1.787 a 1.810, em 8/1/18, alegando, em síntese, que: [...] discorda veementemente do Sr. Agente Fiscal Relator, quando ele conclui de maneira simplória, sem maiores explicações, de que os valores constantes da planilha acostada Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.856 6 aos autos fls. 1.229/1.236, no montante de R$ 243.771,49, não foram excluídos da base tributável autuada nos autos de R$ 13.512.474,77, porque não fizeram parte da planilha dos depósitos a comprovar a origem de fls. 1.238/1.536 no valor de R$ 74.903.884,98. [...] Não há nos autos nenhuma prova de que o valor de cheques devolvidos, no montante de R$ 243.771,49, não estaria contido no montante da coluna “a” do Termo de Verificação Fiscal! Tornase, portanto, óbvio a sua exclusão da base tributável porque são cheques devolvidos. Outro ponto que merece destaque é fato de o Sr. Hilton Raposo, sempre ao longo de sua vida desenvolveu essa atividade de produção de frangos para alimentação humana, fato esse que por si só se comprova, quando da análise da DIRPF da ano calendário de 2008, exercício de 2009, onde se encontra declarado uma receita bruta montante de R$ 49.327.521,66. [...] Ressaltase que a receita bruta da atividade rural declarada pelo Sr. Hilton Raposo em 2008, alcançou o valor de R$ 49.327.521,66 e foi minuciosamente comprovada e atestada pelo Sr. Agente Fiscal autuante, sendo, portanto, a receita bruta tributada apurada também da atividade rural, como se observa no discorrer da narrativa do TVF de autoria daquela autoridade fiscal autuante. Outro ponto de realce que merece ser repisado é o fato de que o Sr. Hilton Raposo à época da fiscalização dispunha de dezenas de empregados, cujas folhas de pagamento foram escrituradas em seu livro caixa, as quais foram conferidas e atestadas pelo Sr. Agente Fiscal autuante, ou seja, referido senhor era um grande empreendedor rural, produzindo. Seguindo em seu recuso, a Recorrente transcreve trecho da decisão de primeira instância do qual extraímos o seguinte excerto: Em relação a essa parte, assim rebate a Recorrente: Ora, ficou consignado sim no TVF da lavra do Sr. Agente Fiscal autuante, com nítida clareza nas tabelas 1 e 2 do TVF, de que o valor de R$ 13.512.474,77 era advindo da atividade rural (por favor, veja as tabelas 1 e 2 do TVF) e por que? Porque não faria o menor sentido deduzir todos os valores consignados nas citadas tabelas 1 e 2 do TVF em comento, considerando que o cerne da autuação estaria concentrado na questão da falta de comprovação das origens dos valores mensais discriminados na coluna “a” da tabela 1 do TVF (art. Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.857 7 42 da Lei nº 9.430, de 1966), no valor total de R$ 74.903.884,98 (montante de créditos cuja comprovação das origens não foi comprovada pela recorrente). Fácil, portanto, concluir que o valor tomado como base tributável na autuação em litígio de R$ 13.512.474,27, teria sido considerada pelo Sr. Agente Fiscal autuante como sendo da atividade rural, porque ao fazer as citadas deduções (tabelas 1 e 2 do TVF), admitiu o que sempre foi arguido pela recorrente durante o discorrer da ação fiscal, bem como na peça impugnatória de que, repisese: a base tributável considerada na autuação fiscal em litígio adveio das supostas omissão de rendimentos da recorrente da atividade rural! Portanto, Senhores Julgadores desta colenda Turma Julgadora do CARF, mesmo o Sr. Agente Fiscal autuante tendo considerado no enquadramento legal da autuação o citado artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, na realidade, como acima demonstrado, o “modus operandi” utilizado foi outro quando da narrativa e das tabelas “1” e “2” descritas no Termo de Verificação Fiscal – TVF, o que veio demonstrar, sem quaisquer sombras de dúvidas de que a base tributável utilizada na autuação fiscal adveio da suposta omissão de rendimentos da atividade rural, como não poderia deixar de ser, pois sempre foi essa a atividade desenvolvida pelo saudoso Sr. Hilton Raposo. Na sequencia a Recorrente alega quebra indevida de sigilo bancário do Sr. Hilton Raposo, fazendo uma longa explanação legal, jurisprudencial e doutrinária sobre essa questão, e informando que não teriam sido entregues, espontaneamente, os extratos bancários das contas do Banco do Brasil e do HSBC, segundo asseverado pela fiscalização. Continuando sua peça defensiva, a Recorrente repisa a alegação de que os rendimentos apurados pela fiscalização, como omitidos, diriam respeito à atividade rural e como tal deveriam ser tributados no percentual de 20% sobre a receita bruta, bem como repisa suas alegações quanto aos cheques devolvidos, no montante de R$ 243.771,49, e requer a sua exclusão da base de cálculo. E, por fim, resumidamente, a Recorrente pede: 1 – O cancelamento integral da exigência tributária, considerando a inaplicabilidade da base de cálculo apurada com base no art. 42 da Lei 9.430/96 e que as supostas omissões são advindas da atividade rural, com aplicabilidade prevista no § 2º do art. 60 do RIR/99 (20% da receita bruta), e, caso a Turma entenda de maneira divergente; 2 Que a base de cálculo apurada de R$ 13.512.474,77 seja convertida em receita da atividade rural; 3 – Que se proceda ao arbitramento em 20% sobre a receita bruta da atividade rural, em respeito ao disposto no art. 5º da Lei 8.023/90; 4 – Seja excluído da base de cálculo o valor de R$ 243.771,49, por tratarse de cheques devolvidos e que não foram excluídos; Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.858 8 5 – Por fim, que se declare a invalidade e inconstitucionalidade do crédito tributário constituído mediante utilização de simples MPF expedido pela autoridade fazendária. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Da alegada receita da atividade Rural Segundo a Recorrente, a base de cálculo apurada pela fiscalização teria advindo da atividade rural desenvolvida pelo Sr. Hilton Raposo e, dessa forma, requer o cancelamento integral do lançamento por não ser aplicável a regra do art. 42 da Lei 9.430/96 ou, caso esse não seja o entendimento deste Colegiado, requer a aplicação da alíquota de 20%, prevista no § 2º do art. 60 do Decreto 3.000, de 26/3/9. Como se nota, a Recorrente não questiona a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização, mas apenas alega que o rendimento omitido seria decorrente da atividade rural do Sr. Hilton Raposo e que, por tal motivo, não teria sido aplicável, ao caso, a regra do art. 42 da Lei 9.430/96, motivo pelo qual requer o cancelamento do lançamento ou a aplicação da alíquota de 20%. Pois bem, tendo em vista que a Recorrente, basicamente, repete as alegações da sua impugnação, reproduziremos, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos e adotamos: O contribuinte afirma que sua única ocupação é a atividade rural, requerendo que o valor lançado a título de depósitos bancários de origem não comprovada sejam adicionados aos rendimentos da atividade rural, e, mais, que a tributação das receitas dessa atividade estariam limitadas a 20% do seu valor bruto. A lei não atribui à autoridade lançadora qualquer aprofundamento no procedimento para fins de indicar nexo de causalidade entre depósitos e renda. Não há necessidade de demonstrar o exercício de atividade diversa à rural. Constatada a existência de ingressos bancários sem a respectiva comprovação de origem, está autorizada a formalização do lançamento em virtude da infração de omissão de rendimentos. Ao constatar a existência de créditos bancários de origem não comprovada, em contas bancárias ou de investimento do sujeito Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.859 9 passivo, ainda que informe, exclusivamente, rendimentos da atividade rural, que não é o caso, pois há rendimentos declarados, a fls. 3/22, como recebidos de pessoas jurídicas e físicas, a autoridade lançadora não pode presumir que a eventual omissão de rendimentos, apurada por presunção, decorra da atividade rural. Com efeito, somente o contribuinte pode elidir a presunção legal, provando, mediante documentação idônea, a existência de origens de recursos, aptas a justificar os créditos bancários. Registrese que no TVF, fls. 1548/1552, não se observa qualquer afirmativa da autoridade fiscal de que teve o convencimento de que os valores creditados nas contas correntes do contribuinte observados na movimentação financeira vincularseiam à atividade rural. Observase que a legislação exige a comprovação da receita da atividade rural por intermédio de documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais, a exemplo de notas fiscais, conforme art. 61, § 5º, do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art.61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. [...] §5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Portanto, a alegação do contribuinte de que valores incluídos em sua conta bancária estão vinculados à atividade rural, não pode ser acatada pelo simples fato de que não está acompanhada de documentos, hábeis e idôneos, que, de forma individualizada, identifique que o depósito bancário está associado à receita da atividade rural, haja vista ser esta a única forma prevista na lei para que seja afastada a presunção legal sob lide (§ 3º do artigo 42 da Lei 9.430/1996), não por meras alegações, as quais não tem qualquer valor probante, motivo pelo qual não afastam a omissão de rendimentos dela decorrente. Deveria o defendente vincular, individualizadamente, as datas e valores de cada ingresso apontado nos extratos bancários pelo Fisco Federal com documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais, mas, nenhum documento relativo a esta atividade foi anexado aos autos. Nos termos do disposto no artigo 42 da Lei n.º 9.430/96, há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.860 10 crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a “comprovação” dos créditos em conta feita de forma genérica com indicação de uma receita, rendimento ou da natureza das atividades do sujeito passivo. A atividade rural é uma atividade específica em face de preceito legal, tem tributação mais benéfica, e, justamente por isso, resta necessária a prova de que a renda referese à atividade rural. Em sendo feita essa comprovação, a tributação específica deve ser aplicada, caso contrário, em não se comprovando que a renda é referente à atividade rural, temse a aplicação da regra geral de tributação. Sobre a forma de apuração do resultado da atividade rural, é relevante destacar os seguintes artigos do RIR/1999: Art.63. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 14). [...] Art. 65. O resultado positivo obtido na exploração da atividade rural pela pessoa física poderá ser compensado com prejuízos apurados em anoscalendário anteriores (Lei nº 9.250, de 1995, art. 19). § 1º A pessoa física fica obrigada à conservação e guarda do Livro Caixa e dos documentos fiscais que demonstram a apuração do prejuízo a compensar (Lei nº 9.250, de 1995, art. 19, parágrafo único). [...] Art.71. À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do anocalendário, observado o disposto no art. 66 (Lei nº 8.023, de 1990, art. 5º). § 1º Essa opção não dispensa o contribuinte da comprovação das receitas e despesas, qualquer que seja a forma de apuração do resultado. Os dispositivos legais acima indicam que o contribuinte deve oferecer à tributação o resultado real da atividade rural, na forma geral, ou seja, correspondente à diferença entre os valores das receitas e das despesas de custeio e de investimentos pagos no anocalendário, opcionalmente, pode se valer do resultado presumido, correspondente a 20% do valor da receita bruta do anocalendário. É evidente que, ao preencher a declaração de ajuste anual, o contribuinte opta pela forma de tributação que lhe é mais favorável. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.861 11 Verificase que o interessado optou por tributar o resultado de sua atividade rural, no ano calendário de 2008, pelo confronto entre receitas e despesas e não pela utilização da proporção de 20% da receita bruta, conforme Declaração de Ajuste Anual IRPF/2009 à fls. 12. No caso, verificando a omissão de receitas da atividade rural, cabe, única e exclusivamente, à fiscalização, para fins de apuração do efetivo resultado tributável dessa atividade, o respeito à opção do declarante quanto à forma de tributação da atividade rural, pela apuração de resultado na forma do artigo 63 do RIR/1999. Consolidada a opção, no ato da entrega da DAA/IRPF, não pode mais ser alterada a forma de tributação escolhida, seja dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, pessoas físicas, e, como no caso, quando oriundos da atividade rural, na espécie, da regra geral receita x despesas para o percentual presumido de vinte por cento da receita bruta. Consoante dito, o contribuinte tem de fazer a opção pelo modelo de tributação que seja mais favorável para a sua atividade, se pela diferença entre receitas e despesas no livro caixa ou pela aplicação de 20% diretamente sobre a receita bruta, nos termos da previsão contida no art. 5º da Lei nº 8.023/90 (art. 71 do RIR/99), devendo ser exercida quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual DAA, no anexo da atividade rural. Acatar o pedido de troca na forma de tributação implicaria retificação da declaração após o início do procedimento fiscal e a consequente exclusão da espontaneidade do sujeito passivo, procedimento inadmissível perante as normas tributárias de regência. Assim, não há como mudar a opção de apuração do resultado da atividade rural após o início do procedimento fiscal. Salientese que, pela opção do contribuinte, a tributação sobre o resultado bruto ocorreria nos mesmos moldes do que a da omissão de rendimentos observada, ou seja, na alíquota de 27,5%. Quanto à alegação de que a tributação das receitas da atividade rural estaria com limite máximo de 20% de seu montante bruto, inclusive nos casos de omissão de receitas apurada pela Fiscalização, esta é descabida. A legislação que trata da matéria, transcrita anteriormente, não determina isso. O que é estabelecido é que a regra geral para tributação é a do confronto entre receitas e despesas, podendo optar o produtor rural, e somente ele, pelo arbitramento de 20% sobre a receita bruta, se não optar na época oportuna vale a regra geral. Assim, a lei regente não impõe à autoridade fiscal, na apuração de omissão de receitas da atividade rural, que seja o valor apurado tributado na proporção de 20%, como quer o contribuinte. Repisese que a autoridade fiscal deve respeitar a opção do contribuinte trazida na DAA por ele entregue, e assim foi feito. Cabe comentar que, mesmo que se fosse o caso da imposição alegada de haver limite para a tributação discutida, a base de Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.862 12 cálculo do tributo não seria muito diferente da apurada no Auto de Infração de fls. 1682/1690, assim vejamos: Receita Bruta Total Declarada (fl. 12) .........................R$49.327.521,66 (+) Omissão de Rendimentos Apurada nos autos..........R$13.512.474,77 (=) Total da Receita Bruta.............................................R$62.839.996,43 20% do total da receita bruta.........................................R$12.567.999,29 Portanto, seria uma diferença na base de cálculo de 7% e não de 80% como aventado pelo impugnante à fl. 1714. Consoante se vê, de tudo o que foi transcrito aqui, fica claro o descabimento do argumento passivo de que a autoridade fiscal, na ânsia de autuar a qualquer custo, constituiu o crédito tributário ao arrepio da legislação, bem superior ao previsto e desproporcional à capacidade contributiva do impugnante. Da exclusão pleiteado do montante de R$ 234.771,49 Nos termos da defesa, a fiscalização não teria excluído, da base de cálculo do lançamento, o montante de R$ 243.771,49 e pede a sua exclusão por se tratar de cheques devolvidos. A Recorrente aduz, ainda, que a decisão recorrida, “de maneira simplória” e “sem maiores explicações” manteve a não exclusão sob o argumento de que esse montante não teria feito parte da planilha dos depósitos a comprovar a origem dos recursos, no total de R$ 74.903.884,98. Para uma melhor análise da alegação ora ventilada, vejamos qual foi o entendimento da decisão de primeira instância a esse respeito: Com relação à reclamação de que os valores que constaram da planilha de fls. 1229/1236, no montante de R$ 243.771,49, não foram excluídos da base de cálculo do imposto lançado, de fato não o foram, única e exclusivamente, porque não fizeram parte da planilha dos depósitos a comprovar a origem, fls. 1238/1536. Isso, em razão de que para tais depósitos foram verificadas devoluções e estornos com coincidências de datas e/ou valores. Logo, se não fizeram parte da exigência de comprovação, é óbvio que não poderiam ser excluídos. (Grifos no original) Como se vê na transcrição acima, de fato, consta a informação de que o montante de R$ 243.771,49 não foi excluído porque não constou da planilha de depósitos cuja origem deveria ser comprovada pelo sujeito passivo. É que na leitura feita pelo Relator da decisão recorrida, não teria como excluir esse montante se ele sequer chegou a constar da planilha de depósito a comprovar, ou seja, ele teria que ter constado da planilha para que pudesse ser excluído. Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.863 13 E isso fica muito claro quando examinamos a planilha referente ao montante de R$ 243.771,49, fls. 1.229 a 1.236: Conforme se observa, o título da planilha deixa muito claro que os valores de depósito, nela relacionados, foram excluídos da planilha de depósitos cuja origem deveria ser comprovada pelo sujeito passivo, uma vez que correspondem a devoluções e estornos demonstrados mediante coincidência de datas e/ou valores. Sendo assim, improcedem as alegações recursais quanto a esse ponto. Da alegada invalidade e inconstitucionalidade do crédito constituído A Recorrente pede que se declare a invalidade e inconstitucionalidade do crédito tributário constituído mediante utilização de simples MPF expedido pela autoridade fazendária, e também alega quebra de sigilo bancário e que os extratos não teriam sido apresentados espontaneamente pelo contribuinte. Contudo, tal pedido e alegações não se sustentam. O procedimento fiscal foi realizado na forma definida pelo art. 42, da Lei 9.430/96, que permite a tributação do imposto de renda de valores de depósito cuja origen não é comprovadas pelo contribuinte. Nesse ponto, insta transcrevemos os seguintes excertos da decisão recorrida, que bem esclarecem o procedimento: [...] o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que não logrando o titular comprovar a origem individualizada dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Portanto, há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Nesse contexto, há que se considerar que a comprovação da origem aludida pela norma legal não é satisfeita, por exemplo, pela simples atribuição de serem decorrentes de atividades Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 15563.720132/201386 Acórdão n.º 2402007.180 S2C4T2 Fl. 1.864 14 legalmente exercidas, mas pela comprovação da operação específica que teria dado origem aos recursos creditados, acompanhada da documentação indispensável a ela inerente, que descaracterize o crédito/depósito bancário como sendo uma aquisição de disponibilidade econômica que a lei elegeu como fato gerador do imposto de renda (rendimento isento e não tributável) ou que comprove já ter sido tributado exclusivamente ou no ajuste anual. [...] Com o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os recursos para os depósitos. Não poderia ser mais ponderado, afinal, é o contribuinte que participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Ademais, não houve qualquer quebra de sigilo bancário, tendo os extratos bancários sido apresentados espontaneamente pelo contribuinte, como assim asseverou a fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal, fl. 1.549: E não há qualquer elemento, nos autos, capaz de demonstrar o contrário. Conclusão Portanto, diante de todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1864DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.911685/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 23/05/2012
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
PRINCÍPIO LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO.
O princípio da legalidade aparece expressamente na Constituição Federal/88 em seu art. 37, caput, e dispõe que a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Assim a atividade funcional do fiscal autuante, dos membros deste Colegiado, e de todos que atuam na Administração Pública, está subordinada aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, deles não devendo se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e expor-se à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso.
Numero da decisão: 2401-006.479
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 23/05/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. PRINCÍPIO LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. O princípio da legalidade aparece expressamente na Constituição Federal/88 em seu art. 37, caput, e dispõe que a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Assim a atividade funcional do fiscal autuante, dos membros deste Colegiado, e de todos que atuam na Administração Pública, está subordinada aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, deles não devendo se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e expor-se à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. PRINCÍPIO LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. O princípio da legalidade aparece expressamente na Constituição Federal/88 em seu art. 37, caput, e dispõe que ‘’a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência’. Assim a atividade funcional do fiscal autuante, dos membros deste Colegiado, e de todos que atuam na Administração Pública, está subordinada aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, deles não devendo se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 16 85 /2 01 2- 37 Fl. 244DF CARF MF 2 Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. . Relatório Tratase de Declaração de Compensação apresentada pelo Recorrente, por via eletrônica (fls. 45 a 50) PER/DCOMP nº36589.72054.270712.1.3.048430), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 0916) relativo ao pagamento efetuado em 23/05/2012, no valor de R$34.005,38. Ato contínuo foi proferido o Despacho Decisório de fls.60 , onde o contribuinte foi cientificado, em 14/11/2012 (fls. 70), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”, tendo sido o pagamento vinculado ao débito, no mesmo valor, de IRRF, declarado em DCTF (período de apuração 20/05/2012). Diante desses fatos, a compensação realizada não foi homologada e o interessado foi intimado a recolher o débito indevidamente compensado. Após intimação a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando a legalidade da compensação realizada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1659.709 da 8ª Turma da DRJ/SPO, às fls. 73/76, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Inconformada, a empresa APLUB CAPITALIZAÇÃO S.A apresentou Recurso Voluntário às fls. 80/84, alegando em síntese que: a) A decisão recorrida não merece prosperar pois a Recorrente cumpriu o procedimento indicado na legislação para sanar o erro no preenchimento da DCTF, onde foi feito o pagamento à maior; b) Que apresentou o DARF de R$ 58.933,24 e recolheu a maior o valor de R$ 28.800,00, em DARF apartado , o que foi comprovado na ficha razão conta nº 2036; Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11080.911685/201237 Acórdão n.º 2401006.479 S2C4T1 Fl. 3 3 c) Não houve dolo da Recorrente, tampouco tentativa de sonegar as informações necessárias, o que ocorreu foi simplesmente a retificação de um erro, passível de ocorrer, conforme comprovam os documentos anexados. Notese que o PERD/COMP foi feita antes da retificação da DCTF; d) A falha ocorrida não foi de voluntariedade da Empresa, fato que descaracteriza qualquer infração administrativa (cita diversos excertos doutrinários a corroborar essa narrativa). A falta de consciência da suposta ilicitude esvazia qualquer chance de sancionamento, pois faltaria o elemento subjetivo básico; e) Assim, requer a reforma da decisão combatida e o provimento do recurso em tela, julgando procedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 04/05 dos autos. É o relatório Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. DA ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 11/09/2014 conforme A.R às fls. 83, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 10/10/2014 (fl. 85/89), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. MÉRITO A Recorrente alega que a r. decisão combatida não merece prosperar pois cumpriu o procedimento indicado na legislação para sanar o erro no preenchimento da DCTF, onde foi realizado o pagamento à maior. Que não houve dolo ou sonegação de informações necessárias, o que ocorreu foi simplesmente a retificação de um erro, passível de ocorrer, conforme comprovam os documentos anexados. Que a falha ocorrida não foi de voluntariedade da Empresa, fato que descaracteriza qualquer infração administrativa e que a falta de consciência da suposta ilicitude esvazia qualquer chance de sancionamento, pois faltaria o elemento subjetivo básico. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme previsão legal constante no artigo 147 do Código Tributário Nacional, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise reduzir ou excluir tributo, só é admitida mediante comprovação e antes de notificado o lançamento, hipóteses que não ocorreram no caso concreto. Fl. 246DF CARF MF 4 O § 1º do artigo 147, do CTN assim dispõe: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.(g.n) Nessa mesma esteira de entendimento temse o artigo 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124/84, ao estabelecer que a DCTF constitui confissão de dívidas e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo que a sua retificação, no sentido de redução de tributo exige que o erro seja efetivamente comprovado, conforme o disposto no § 1º do artigo 147 do Código Tributário Nacional. No presente caso, impende ressaltar que o Recorrente alega apenas que parte do débito de IRRF declarado na DCTF sob o código 0916 era indevido juntando parte do razão analítico que supostamente estaria a comprovar o indébito, entretanto, não traz qualquer outro elemento que justifique o suposto recolhimento a maior do que o devido, não justificando sequer a razão pela qual declarou e confessou o débito de R$ 28.800,00 em DCTF e nem o motivo de ter sido indevidamente declarado, restringindo sua defesa ao campo das alegações genéricas. Conforme demonstrado na legislação supra, o débito confessado em DCTF só pode ser reduzido se apresentada justificativa e motivo para tanto. Em reforço, temse ainda os comandos constantes no artigo 166 do CTN, in verbis: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Assim, por se tratar de Imposto de Renda Retido na Fonte, pretensamente retido e recolhido indevidamente ou a maior, deve ainda a Recorrente, além de atender os dispositivos legais mencionados acima, deve comprovar que também atende aos requisitos previstos no art. 166 do CTN, para que o direito creditório lhe seja reconhecido. E, segundo estabelece o aludido art. 166, “a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Não obstante toda legislação de regência mencionada até o momento, fazse necessário ainda a observância das normas infralegais que determinam que, para que o crédito possa ser utilizado na compensação, deve a interessada (fonte pagadora) tomar as providências previstas no art. 8º, da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012, a saber: Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11080.911685/201237 Acórdão n.º 2401006.479 S2C4T1 Fl. 4 5 forma do §1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. (grifos incluídos) Assim, com também não consta nos presentes autos quaisquer das medidas constantes na norma acima mencionada, também por estes motivos, não restou demonstrado que a Recorrente é titular do direito creditório em questão. É importante registrar que todo o procedimento legal para realizar a compensação/restituição é descrito em lei, e nenhum agente público pode decidir em desacordo com as normas positivadas para esse fim, em respeito ao princípio da legalidade, basilar na gestão da administração pública. O princípio da legalidade aparece expressamente na nossa Constituição Federal em seu art. 37, caput, que dispõe que ‘’a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência’. Significa dizer que toda a atividade funcional do fiscal autuante, dos membros deste Colegiado, e de todos que atuam na Administração Pública, estão sujeitos aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, deles não devendo se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. Assim, a não homologação nos presentes autos, deriva de critérios legais, positivados na norma, não podendo ser afastada ainda que a falha ocorrida não decorra da vontade da Recorrente. A falta de consciência da suposta ilicitude, não possui o condão de esvaziar o dever de aplicação da norma por parte do Fisco ou deste Colegiado. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. Fl. 248DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 249DF CARF MF
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