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Numero do processo: 19515.001680/2005-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
APRECIAÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS.
A autoridade julgadora de primeira instância é livre para formar sua convicção na apreciação de provas, podendo determinar a realização de diligências ou perícias quando entendê-las necessárias e indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Numero da decisão: 2002-000.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 APRECIAÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância é livre para formar sua convicção na apreciação de provas, podendo determinar a realização de diligências ou perícias quando entendê-las necessárias e indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
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INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância é livre para formar sua convicção na apreciação de provas, podendo determinar a realização de diligências ou perícias quando entendêlas necessárias e indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 80 /2 00 5- 20 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 19515.001680/200520 Acórdão n.º 2002000.990 S2C0T2 Fl. 105 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 59/64) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anos calendário 2001 e 2002. O lançamento decorre da apuração de Dedução Indevida de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Despesa com Instrução, conforme detalhado no Termo de Constatação (efls. 57/58). O contribuinte apresentou Impugnação (efls. 68/69) cujos argumentos foram sintetizados no relatório do acórdão recorrido (efls. 81/82). O lançamento foi julgado procedente em parte pela 2ª Turma da DRJ/BEL em decisão assim ementada (efls. 79/88): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Descabe a argüição de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em ato de controle administrativo funcional, quando houve a devida prorrogação do prazo de validade do ato e a ciência do sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A realização de diligência não se presta à produção de provas que O sujeito passivo tinha O dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, quando forem prescindíveis para O deslinde da questão a ser apreciada ou se O processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. , ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas restringese a gastos próprios ou com dependentes e limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Cientificado do acórdão de primeira instância em 05/08/2009 (efls. 98), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 10/08/2009 (efls. 99/100) com os argumentos a seguir sintetizados. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 19515.001680/200520 Acórdão n.º 2002000.990 S2C0T2 Fl. 106 3 Expõe que a decisão recorrida acolheu quase a totalidade dos argumentos e das provas, exceto quanto à realização de diligência para a comprovação de gastos com anuidades escolares, necessária e justificada ante a mudança de domicilio. Entende que a providência requerida poderia ter sido resolvida com uma correspondência simples ao largo dos mais de quatro anos decorridos desde a impugnação. Alega que a decisão de piso ignorou vários princípios, como o da verdade material e o da exatidão legal, para não mandar realizar a diligência pleiteada. Defende que não havia motivo para a negativa. Solicita o arquivamento destes autos sob os auspícios do disposto no art. 14 da Lei 11.941/09 (remissão). Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Relativamente ao pedido de remissão, devese esclarecer ao recorrente que o CARF não possui competência para decidir sobre a matéria, não cabendo o seu pronunciamento nesse ponto. Quanto ao indeferimento da diligência pelo Colegiado a quo, importa ressaltar que a autoridade julgadora de primeira instância é livre para formar sua convicção na apreciação de provas, podendo determinar a realização de diligências ou perícias quando entendêlas necessárias e indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, nos termos dos art. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. Impõese observar, ainda, que a finalidade da realização de diligências é elucidar questões comprometidas e não produzir provas em favor do contribuinte. Dessa forma, considerando que o relator analisou a solicitação do sujeito passivo e expôs suas razões para o indeferimento da mesma (efls. 84/85), não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 106DF CARF MF Processo nº 19515.001680/200520 Acórdão n.º 2002000.990 S2C0T2 Fl. 107 4 Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000304/2009-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa se manifeste a respeito das questões formuladas pela Turma com posterior retorno para continuidade do julgamento.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa se manifeste a respeito das questões formuladas pela Turma com posterior retorno para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) RELATÓRIO Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 0335.739, de 25 de fevereiro de 2010 da 4ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 30 4/ 20 09 -4 1 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 14033.000304/200941 Resolução nº 1003000.056 S1C0T3 Fl. 341 2 Por bem retratar os fatos com concisão até o momento processual anterior ao julgamento da Manifestação de Inconformidade e por economia processual, transcrevo e adoto parte do relatório contido no acórdão a quo, complementandoo mais adiante. Cuidam os autos de DCOMP, crédito de Saldo Negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2007, valor original de R$ 16.289.261,48, com débitos diversos na importância principal de R$ 17.892.496,50. Irresignada com a homologação parcial da compensação pela instancia "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Há diferença de R$ 5.523,76 a favor da contribuinte no total da CSLL retida por órgão público; A CSLL retida na Fonte é de R$ 71.532,89, diferente do informado no Quadro 4, fl. 129, que é de R$ 43.540,45; A retenção do Detran foi efetuada em dezembro sobre o valor de R$ 6.422.015,78 quando o SERPRO só recebeu R$ 6.149.044,12. A diferença será lançada na DIPJ/2009 pois os pagamentos só foram recebidos em 2008; Na retenção da Coordenação Geral de Recursos Logísticos foi utilizado o percentual de 1,615004965% ao invés de 1%; Assim, requer a revisão dos fundamentos que consubstanciararm os termos do Despacho Decisório. Para fundamentar sua decisão de não reconhecer os créditos pleiteados a DRJ refutou os argumentos da contribuinte, ora Recorrente, nos seguintes termos: A diferença de R$ 5.523,76 reclamada não procede vez que apresenta valores de receita bruta diferentes dos apurados pela Receita Federal ao calcular a CSLL retida por órgão público (ver fls. 128 e 166); Igualmente, a retenção alegada de R$ 71.532,89 não é correta porquanto a receita bruta apurada é de R$ 3.696.036,98 para o código 5952 e não R$ 3.995.268,41, e para o código 5987 não há receita bruta informada, apenas a retenção de R$ 6.579,98 (ver fls. 129 e 166/167); Referentemente à retenção do Detran, quando diz que a diferença será lançada na DIPJ/2009, o entendimento da empresa está equivocado dado que o regime é de Competência e não de Caixa, sendo que a retenção na fonte se dá por ocasião do auferimento de receita (pagamento ou crédito) e não pelo recebimento do dinheiro (o valor retido pode ser deduzido do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou compor o saldo negativo do período, IN SRF 600/2005, art. 10); A reclamação de que foi aplicado percentual de 1,615...% em vez de 1%, no que tange à retenção da Coordenação Geral de Recursos Logísticos, também não procede, tendo em vista que a retenção foi reconhecida à interessada de acordo com comprovantes em DIRF e retenção por telas do sistema SIAFI, conforme fls. 156, itens 8 e 9; Fl. 341DF CARF MF Processo nº 14033.000304/200941 Resolução nº 1003000.056 S1C0T3 Fl. 342 3 Quanto aos clientes Advocacia Geral da União e Ministério das Relações Exteriores o assunto será tratado no processo 14033.003335/200872, como bem menciona a contribuinte. Conclui portanto que não procedem as alegações da contribuinte. Cientificada do acórdão em 12/04/2010 (efl. 321), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 12/05/2010 (efls. 325329), no qual alega o seguinte: Que a planilha elaborada pela Receita Federal apresenta erro no somatório, que totaliza R$ 15.033.786,41 quando o valor correto é R$ 15.039.310,17. Apresenta um quadro com os totais de retenção por código de receita (efl. 327); Que o valor informado no Quadro 4, fl. 129 que é de R$ 43.540,45 não procede, haja vista que a retenção da CSLL retida na fonte é de R$ 71.532,89, vide comprovantes juntados ao processo, bem como os valores informados nas demonstrações a seguir, foram declaradas pelas fontes nas DIRF's do ano calendário de 2007, constando como receita bruta declarada no código 5952 o valor de R$ • 3.995.268,41 que corresponde a R$ 39.952,68 da CSLL e para o código 5987 foram declaradas como receita bruta o montante de R$ 3.158.020,70 o que representa R$ 31.580,21 de CSLL. Apresenta quadro demonstrativo (e fl. 327328); Que o Departamento Nacional de Trânsito — CNPJ05.465.9861000199, informa no comprovante anual que reteve do Serpro no mês de Dezembro o valor de R$ 6.422.015,78, quando de fato as retenções sobre os pagamentos recebidos totalizam R$ 6.149.044,12 e a CSLL compensada pelo Serpro foi de R$ 650.692,50, caracterizando que informou uma retenção cujo pagamento ao Serpro não foi realizado. Com relação a reclamação de que foi aplicado percentual de 1,615...% em vez de 1%, no que tange à retenção da Coordenação Geral de Recursos Logísticos, cliente do Serpro, equivocadamente informou no DARF e na DIRF o código de receita 6147 , quando deveriam ter informado 6190, aplicou o percentual de 9,45% em conformidade a legislação, ou seja, pagou ao Serpro a importância de R$ 6.405.008,00 e descontou a título de tributos a importância de R$ 605.273,26, Portanto, não procedem as argumentações, de que: "0 percentual aplicado para a retenção foi reconhecida à interessada de acordo com comprovantes em DIRF e retenção por telas do sistema SIAFI, conforme fis. 156, item 8 e 9; Requer ao final que seja homologada a DCOMP para a liquidação do débito no valor de R$ 16.289.261,48, que seja solicitado aos contribbuintes Departamento Nacional de Trânsito CNPJ 05.465.986/000199 que comprove os pagamentos ao SERPRO em conformidade com as DIRFs enviadas e que o SERPRO seja isento de quaisquer multas lançadas em virtude de acertos que porventura seja obrigado a fazer. É o relatório. VOTO O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 14033.000304/200941 Resolução nº 1003000.056 S1C0T3 Fl. 343 4 Verificase a efl. 157, que a Recorrente apurou saldo negativo de CSLL na DIPJ/2008 de R$ 16.289.261,48, com a seguinte composição: O saldo negativo apurado pelo Fisco foi de R$ 16.240.650,02, de acordo com o que consta no parágrafo 14 (efl.159) do Despacho Decisório. A diferença de R$ 48.611,46 (16.289.261,48 16.240.650,02) entre o apurado pelo Fisco e pela Recorrente, segundo esta última, seria devido aos seguintes ítens: 1 Diferença de R$ 5.523,76 entre o apurado pela Recorrente e pelo Fisco, relativo a CSLL retida por órgão público; 2 Diferença de R$ 27.992,54 entre o valor apurado pela Recorrente e pelo Fisco nas retenções com código de receita código 5952 e 5987; 3 Diferença entre o valor apurado pela Recorrente e pelo Fisco nas retenções realizadas pelo Departamento Nacional do Trânsito; 4 Valores reconhecidos de retenção pela Coordenação Geral de Recursos Logísticos. Passo a analisar cada uma das questões controversas. Item 1 Diferença de CSLL retida por órgão público. A apuração pelo Fisco foi a seguinte (Quadro 3 efl. 130): Código de Receita fls Percentual Receita Bru Retenção de CSLL 6147 142 1,00 1.891.506,90 18.915,07 6175 142 1,00 2.584,33 25,84 6190 142 1,00 1.501.467.369,31 15.014.673,69 6190(F2) 143 1,00 17.180,00 171,80 6190(F8) 145 1,00 387.943,47 3.879,43 6190(F9) 146 1,00 121.265,21 1.212,65 6190(F11) 148 1,00 36.769,70 367,70 6190(F19) 150 1,00 6.399,07 63,99 15.033.786,41 De fato, verificase erro na totalização dos valores retidos da CSLL que deveria ser de R$ 15.039.310,17 e não 15.033.786,41, diferença de R$ 5.523,76. Portanto assiste razão à Recorrente quanto a ao item 1; Fl. 343DF CARF MF Processo nº 14033.000304/200941 Resolução nº 1003000.056 S1C0T3 Fl. 344 5 Item 2 Diferença nas retenções com código de receita código 5952 e 5987 O valor apurado de CSLL retida por empresa privada foi a seguinte, conforme Quadro 4 (efl. 131) informado pelo Fisco: Cód. Descrição fls. Rec. Bruta Perc. Imposto Retido 5987 CSLL RETENÇÃO EMPRESA PRIVADA (F9) 146 1% 6.579,98 5952 CSLL RETENÇÃO EMPRESA PRIVADA (F9) 146 1.837.488,60 1% 18.374,89 5952(M) CSLL RETENÇÃO EMPRESA PRIVADA 142 1.805.868,38 1% 18.058,68 5952(F10) CSLL RETENÇÃO EMPRESA PRIVADA 147 51.000,00 1% 510,00 5952(14) CSLL RETENÇÃO EMPRESA PRIVADA 149 1.680,00 1% 16,80 SUBTOTAL 43.540,35 De acordo com a Recorrente o valor informado no Quadro 4, de R$ 43.540,45 estaria errado, e que o correto seria R$ 71.532,89, conforme comprovantes juntados ao processo, e conforme planilha apresentada às efls 327328, cujo resultado consolidado seria seguinte: Cod. Receita Receita Bruta Percentual Imposto Devido 5952 3.995.268,41 1% 39.952,68 5987 3.158.020,70 1% 31.580,21 Total 71.532,89 A informação acima teria origem, de acordo com a Recorrente no Portal eCAC do Fisco, conforme consta a efl.170, o quadro abaixo é a transcrição da informação prestada pela Recorrente: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 14033.000304/200941 Resolução nº 1003000.056 S1C0T3 Fl. 345 6 A Recorrente apresenta ainda descrição analítica das fontes pagadoras e do valor retido, cujo total coincide com o por ela informado (efl. 121122). Entendo, dessa forma, ser verossímil suas alegações. Tendo em vista que as informações são divergentes, e ambas originadas dos sistemas do Fisco Federal, não é possível uma conclusão, sendo necessário diligências pela unidade preparadora, de modo que se esclareça: Quais as fontes pagadoras, o valor da receita bruta informada e o imposto retido do anocalendário 2007 sob os código de receita 5952 e 5987, tendo a Recorrente como beneficiária, juntando aos autos, se possível, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); Intime a Recorrente, caso entenda necessário, a justificar a divergência entre o valor de CSLL retido de R$ 71.532,89 com os códigos de receita 5952 e 5987, por ela informado (e de acordo com a mesma, oriunda do eCAC) e a informação do Fisco de R$ 43.540,35. Item 3 Diferença entre o valor apurado pela Recorrente e pelo Fisco nas retenções realizadas pelo Departamento Nacional do Trânsito Em sede manifestação de inconformidade a Recorrente afirma que: "Quadro 05 fls. 130: O declarante Departamento Nacional de Trânsito, CNPJ 05.465.986/000199 informa no comprovante anual que reteve do SERPRO no mês de dezembro o valor de R$ 6.422.015,78, quando de fato as retenções sobre os pagamento recebidos totalizam R$ 6.149.044,12 e a CSLL compensada pelo SERPRO foi de R$ 650.692,50 (vide pág 53 da ficha 54 — DIPJ 2008). Fl. 345DF CARF MF Processo nº 14033.000304/200941 Resolução nº 1003000.056 S1C0T3 Fl. 346 7 A diferença de . R$ 272.971,66 será lançada na DIPJ 2009, pois os pagamentos só foram recebidos pelo SERPRO em 2008." Nesse caso, como a DIRF apresentada pelo DENATRAN foi de retenção de R$ 6.422.015,78 (segundo a Recorrente), utilizandose o percentual de retenção de 9,45% (para código de arrecadação 6190) chegase a receita bruta de R$ 67.957.838,94 e portanto a CSLL retida de R$ 679.578,39 (retenção de 1%). Como a Recorrente alega que compensou R$ 650.692,50, há uma diferença de R$ 28.885,89 (679.578,39 650.692,50), caso isso tenha ocorrido. Por seu turno a DRJ afirma que: "Referentemente à retenção do Detran, quando diz que a diferença será lançada na DIPJ/2009, o entendimento da empresa está equivocado dado que o regime é de Competência e não de Caixa, sendo que a retenção na fonte se dá por ocasião do auferimento de receita (pagamento ou crédito) e não pelo recebimento do dinheiro (o valor retido pode ser deduzido do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou compor o saldo negativo do período, IN SRF 600/2005, art. 10)." A Recorrente, por sua vez, em sede de recurso voluntário alega que: "3 O Departamento Nacional de Trânsito — CNPJ05.465.986/000199, informa no comprovante anual que reteve do Serpro no mês de Dezembro o valor de R$ 6.422.015,78, quando de fato as retenções sobre os pagamentos recebidos totalizam R$ 6.149.044,12 e a CSLL compensada pelo Serpro foi de R$ 650.692,50, caracterizando que informou uma retenção cujo pagamento ao Serpro não foi realizado. 3.1 A DIRF segundo definição da própria RFB. é a "Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf é a declaração feita pela FONTE PAGADORA, com o objetivo de informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil o valor do imposto de renda e/ou contribuições retidos na fonte, dos rendimentos pagos ou creditados para seus beneficiários . 3.2 A RFB esclarece, também, que: se o declarante não efetuou nenhum pagamento em que estivesse obrigado a efetuar o desconto do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)e das contribuições referidas na pergunta 3, está obrigado a apresentar a Dírf ? Resposta: Não"e, 3.3 Entendemos que, por forca das instruções normativas da RFB, e em última análise os clientes nessa situação não estariam sujeitos a apresentar DIRF, tendo em vista que o valor informado não foi pago no período declarado, nesse caso, deverá ocorrer a retificação da DIRF e a apresentação de Redarf (para corrigir o erro detectado ou a comprovação junto a SRF dos pagamentos realizados pelo órgão declarante" Em que pese haver uma questão de direito a ser decidida quanto ao período a ser considerado para fins de reconhecimento da receita e da retenção do imposto na fonte, entendo serem necessárias algumas informações que não foram carreadas aos autos pela Recorrente e não questionadas pela DRJ, quais sejam. Em relação a fonte pagadora Departamento Nacional de Trânsito DENATRAN , CNPJ base 05.465.986/000199 e suas filiais, qual o valor da receita bruta reconhecida pela Recorrente e qual o valor da CSLL retida na fonte no anocalendário 2007 que constam na sua escrituração contábil. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 14033.000304/200941 Resolução nº 1003000.056 S1C0T3 Fl. 347 8 Qual o valor da CSLL retida da fonte pagadora Departamento Nacional de Trânsito DENATRAN, CNPJ base 05.465.986/000199 foi considerado pelo Fisco na elaboração do Quadro 03 Percentual de CSLL do total retido na fonte por Órgãos Públicos (e fl. 130). Para fins de esclarecer os fatos, deverá a unidade de jurisdição da Recorrente responder as questões acima, e caso entenda necessário, intimar a Recorrente a esclarecer com documentos contábeis e fiscais (livro diário, livro razão, balancete, DCTF, DACON, Notas Fiscais) para demonstrar qual o valor da receita reconhecida e o valor da CSLL retida no ano calendário 2007 relativamente a fonte pagadora Departamento Nacional de Trânsito DENATRAN , CNPJ base 05.465.986. 4 Valores reconhecidos de retenção pela Coordenação Geral de Recursos Logísticos. A Recorrente em sede de manifestação de inconformidade alega que : O Declarante Coordenação Geral de Recursos Lógicos CNPJ 00.489.828/0003 17 — fls 130, mês de junho, código 6147 foi utilizado um percentual de 1,615004965% sobre R$ 6.405.008,17 = 103.441,20, ao invés de R$ 6.405.008,17 x 1% = 64.050,08. A DRJ alega que "a reclamação de que foi aplicado percentual de 1,615...% em vez de 1%, no que tange à retenção da Coordenação Geral de Recursos Logísticos, também não procede, tendo em vista que a retenção foi reconhecida à interessada de acordo com comprovantes em DIRF e retenção por telas do sistema SIAFI, conforme fls. 156, itens 8 e 9;: Em sede de recurso voluntário, a Recorrente aduz que a Coordenação Geral de Recursos Logísticos, cliente do Serpro, equivocadamente informou no DARF e na DIRF o código de receita 6147 , quando deveriam ter informado 6190, aplicou o percentual de 9,45% em conformidade a legislação, ou seja, pagou ao Serpro a importância de R$ 6.405.008,00 e descontou a título de tributos a importância de R$ 605.273,26. Acrescentou ainda que " Não faz parte da natureza do Serpro o previsto na aplicação do código de receita 6147, para realização de retenções, conforme previsto no anexo 1 da IN SRF 539/2005, o fornecimento de alimentação, energia elétrica, serviços prestados com emprego de materiais; construção Civil por empreitada com emprego de materiais; serviços hospitalares; transporte de cargas, exceto os relacionados no código 8767 Mercadorias e bens em geral. Diferentemente do que alega, na sua manifestação de inconformidade a Recorrente concorda com os valores apurados pelo Fisco na totalização da CSLL retida na fonte por Órgãos Públicos (Quadro 03 à efl. 130), afirmando a efl. 169, ipsis litteris: "Eis o demonstrativo. Senão vejamos: (...) Quanto aos códigos 6147 e 6175, os valores informados conferem." (grifei) Dessa forma, não há diferença a ser considerada quanto ao código 6147. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 14033.000304/200941 Resolução nº 1003000.056 S1C0T3 Fl. 348 9 Dispositivo Por todo o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que sejam respondidas as seguintes questões: 1 Informe quais foram as fontes pagadoras, o valor da receita bruta informada e o imposto retido do anocalendário 2007 sob os código de receita 5952 e 5987, tendo a Recorrente como beneficiária, juntando aos autos, se possível, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); 2 Intime a Recorrente, caso entenda necessário, a justificar a divergência entre o valor de CSLL retido de R$ 71.532,89 com os códigos de receita 5952 e 5987, por ela informado (se possível com a juntada da tela ou relatório emitido do eCAC) e a informação do Fisco de R$ 43.540,35. 3 Informe, relativamente a fonte pagadora Departamento Nacional de Trânsito DENATRAN , CNPJ base 05.465.986/000199 e suas filiais, qual o valor da receita bruta econhecida pela Recorrente e qual o valor da CSLL retida na fonte no anocalendário 2007 que constam na sua escrituração contábil. 4 Informe qual valor da CSLL retida da fonte pagadora Departamento Nacional de Trânsito DENATRAN, CNPJ base 05.465.986/000199 foi considerado pelo Fisco na elaboração do Quadro 03 Percentual de CSLL do total retido na fonte por Órgãos Públicos (efl. 130). Para fins de esclarecimento dos fatos, e caso entenda necessário, fica desde já a unidade de origem autorizada a intimar a Recorrente a esclarecer com documentos contábeis e fiscais (livro diário, livro razão, balancete, DCTF, DACON, Notas Fiscais) para demonstrar qual o valor da receita reconhecida e o valor da CSLL retida no anocalendário 2007 relativamente a fonte pagadora Departamento Nacional de Trânsito DENATRAN , CNPJ base 05.465.986. A unidade de origem deverá elaborar um relatório circunstanciado com as respostas às questões formuladas e, caso entenda pertinente complementálo com outras informações para o deslinde da controvérsia. Por fim, destaco que, em razão do princípio da ampla defesa, que seja o contribuinte intimado do resultado da diligência para, querendo, manifestarse sobre as informações ali prestadas. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003113/2006-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 1401-003.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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score : 1.0
Numero do processo: 10580.906457/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE.
O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste.
REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tão-somente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DCOMP. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste. REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
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PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste. REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 64 57 /2 01 2- 41 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10580.906457/201241 Acórdão n.º 1401003.296 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito de Declaração de Compensação, por meio da qual o contribuinte pretende compensar pagamento indevido ou a maior de Simples (código de receita 6106) com débitos vencidos ou vincendos. A DComp que declara a compensação foi apresentada em 2010. Segundo as informações prestadas nessa declaração, o pagamento a maior ou indevido teria ocorrido em 2004 e o PER/DComp formalizando o crédito do contribuinte perante a Fazenda Nacional teria sido apresentado tempestivamente em 2005. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal não homologou a compensação porque, na data da transmissão da DComp já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação e a data da transmissão. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, em síntese, alega que (i) apresentou tempestivamente o PER/DComp por meio do qual formalizou o crédito e compensou parcialmente com débitos; (ii) como o saldo não lhe foi restituído, teria direito a usálo, ainda que em 2010; (iii) ainda que não se homologue a compensação, há de se reconhecer a prescrição dos débitos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Em seu entendimento, não é possível homologar compensações efetuadas após extinto o direito de pleitear a restituição do pagamento indevido ou a maior, nos termos do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional. Em relação à alegação do contribuinte de que teria transmitido PER/DComp formalizando o crédito dentro do prazo prescricional, a DRJ argumentou que o primeiro PER/DComp transmitido pelo contribuinte não tinha natureza de "Pedido de Compensação", mas de "Declaração de Compensação". Assim, o crédito agora sob exame somente teria sido objeto de Pedido de Restituição em 2010. Quanto ao pedido do contribuinte para que se reconheça a prescrição dos débitos indevidamente compensados, a DRJ argumentou que a apresentação de DCTF em 2008 constituiu os créditos tributários. E a apresentação da DComp, ora submetida ao contencioso fiscal no rito do Decreto nº 70.235/72, suspenderia o prazo prescricional. Inconformado com o indeferimento de seus pedidos, o contribuinte manejou o recurso voluntário, no qual reitera as razões da Manifestação de Inconformidade. Resumidamente, era o que havia a relatar. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10580.906457/201241 Acórdão n.º 1401003.296 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1401003.293, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10580.906454/2012 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.293): À partida, neste voto, é preciso delinear a questão à qual cinge se o presente feito. Está sob análise tãosomente a homologação da compensação declarada pelo contribuinte em 2010. Não integra a presente lide o exame da liquidez e certeza do crédito formalizado no PER/DComp apresentado pelo contribuinte em 2005. E, no que diz respeito à compensação declarada, tenho que a decisão a quo deve ser reformada, conforme passo a expor. Inicialmente, impende destacar que o Despacho Decisório da DRF baseou a decisão de não homologar a declaração de compensação exclusivamente na extinção do direito a utilizar o crédito em função do exaurimento do prazo prescricional quinquenal. A DRF não trouxe nenhuma análise de que não houvesse o crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido. Destarte, o ponto central a ser analisado é se, em 2010, havia sido extinto o direito do contribuinte de efetuar a compensação de débitos com o crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido em 2004 e formalizado em 2005. O direito à repetição de indébito, no caso de pagamento indevido ou a maior, é previsto no artigo 165 do CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.906457/201241 Acórdão n.º 1401003.296 S1C4T1 Fl. 5 4 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. O exercício do direito à repetição do indébito tem limitação temporal determinada pelo artigo 168 do CTN nos seguintes termos: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Para fins de contagem do prazo quinquenal, o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 determinou que, no caso de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação, o termo a quo das hipóteses previstas no artigo 168, I, do CTN seria o momento do pagamento antecipado. A mudança do critério jurídico por meio da LC nº 118/2005 inovou no sistema jurídico e, assim, foi acolhida pelo Poder Judiciário com efeitos prospectivos e não retroativos, conforme se pode depreender do acórdão abaixo, exarado sob a égide do artigo 543B do Código de Processo Civil/73, no qual o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º do diploma legal citado, que dispunha sobre a aplicação do disposto no artigo 3º a fatos pretéritos: EMENTA DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.906457/201241 Acórdão n.º 1401003.296 S1C4T1 Fl. 6 5 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566.621/RS, julgamento em 04/08/2011). (Grifei) A decisão do Supremo Tribunal Federal com fulcro no disposto no artigo 543B do CPC/73 deve ser observada pelos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina o artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF. Tal entendimento está consolidado na Súmula CARF nº 91, que tem efeito vinculante de acordo com a Portaria MF nº 277/2018, verbis: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso em tela, o PER com a formalização do crédito foi transmitido em 2005 e, portanto, era tempestivo, de acordo com a norma aplicável. É mister destacar, no entanto, que o prazo do artigo 168 do CTN referese ao Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.906457/201241 Acórdão n.º 1401003.296 S1C4T1 Fl. 7 6 (PER). Não se deve confundir com a Declaração de Compensação (DComp). A compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, conforme artigo 156 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II a compensação; O prazo quiquenal de que trata o artigo 168 do CTN não se refere à compensação. Mas, é preciso que o PER tenha sido formalizado antes desse prazo. Essa é a inteligência do artigo 34, § 10, da IN RFB nº 900/2008, que era vigente no momento em que foi transmitida a DComp ora sob análise: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. [...] § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Então, no momento da transmissão da DComp, 2010, não havia sido extinto o direito de utilizar o crédito formalizado tempestivamente (2005) para efetuar a compensação pleiteada. Mas, há que se observar a parte final do dispositivo, que requer a observação das condições postas no parágrafo 5º do mesmo dispositivo. O parágrafo 5º mencionado diz: § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB; e II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.906457/201241 Acórdão n.º 1401003.296 S1C4T1 Fl. 8 7 Como dito anteriormente, o crédito que foi formalizado no PER original (transmitido em 2005) não se encontra sob exame neste feito. Mas, a homologação da compensação somente pode darse no limite das forças do crédito reconhecido naquele PER. A DRJ menciona que o crédito utilizado na DComp em comento não foi formalizado no PER transmitido em 2005. Mas, não há nenhum elemento probatório nos autos que permita chegar a essa conclusão. Ademais, descaberia o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito formalizado em 2005 pelas autoridades julgadores, como se pode depreender da lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) De outra banda, é possível à autoridade administrativa na Delegacia da Receita Federal do Brasil efetuar a revisão de Despacho Decisório que não tenha homologado a compensação declarada, nos termos do nos termos do no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014: REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.906457/201241 Acórdão n.º 1401003.296 S1C4T1 Fl. 9 8 Nestes termos, afastada a incidência da prescrição, que foi o motivo alegado pela autoridade administrativa no Despacho Decisório que não homologou a compensação, a DRF pode proceder à revisão deste Despacho e homologar a compensação, no limite das forças do crédito formalizado tempestivamente. Conclusão. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição. Restituase os autos à delegacia de origem para que a autoridade administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para homologar a compensação declarada até o limite do crédito formalizado no PER apresentado em 2005, que não tenha sido indeferido, aproveitado em outra compensação ou tenha sido objeto de ordem de pagamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição. Restituase os autos à delegacia de origem para que a autoridade administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para homologar a compensação declarada até o limite do crédito formalizado no PER apresentado em 2005, que não tenha sido indeferido, aproveitado em outra compensação ou tenha sido objeto de ordem de pagamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720501/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECADÊNCIA.
No tributos sujeitos à homologação da Administração Tributária, não tendo havido antecipação, ainda que parcial, do valor devido, a contagem do prazo decadencial é regida pelo art. 173, §1º, do Código Tributário Nacional.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de direito creditório consubstanciado em lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2402-007.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECADÊNCIA. No tributos sujeitos à homologação da Administração Tributária, não tendo havido antecipação, ainda que parcial, do valor devido, a contagem do prazo decadencial é regida pelo art. 173, §1º, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de direito creditório consubstanciado em lançamento fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva - Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 268 1 267 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720501/201100 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente AFRANIO PIO DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECADÊNCIA. No tributos sujeitos à homologação da Administração Tributária, não tendo havido antecipação, ainda que parcial, do valor devido, a contagem do prazo decadencial é regida pelo art. 173, §1º, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de direito creditório consubstanciado em lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 01 /2 01 1- 00 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10283.720501/201100 Acórdão n.º 2402007.196 S2C4T2 Fl. 269 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 190) pelo qual o recorrente se indispõe contra acórdão que decidiu pela procedência meramente parcial de impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, no valor de R$ 542.349.93 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre renda auferida em processo judicial, omitida da declaração de ajuste anual do exercício de 2007. Colacionase abaixo excerto da decisão recorrida onde consta o relato dos fatos verificados no processo até então: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10283.720501/201100 Acórdão n.º 2402007.196 S2C4T2 Fl. 270 3 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10283.720501/201100 Acórdão n.º 2402007.196 S2C4T2 Fl. 271 4 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10283.720501/201100 Acórdão n.º 2402007.196 S2C4T2 Fl. 272 5 Ao analisar o processo, entendendo a autoridade de piso 1) que o ônus da prova desconstitutiva do lançamento é do contribuinte; 2) que o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito não foi atingido pela decadência; 3) que a base de cálculo efetiva era menor que a apontada pelo fiscalização, e 3) que o rendimento foi de fato auferido pelo sujeito passivo constante do lançamento, decidiu pela procedência parcial da impugnação. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário trazendo, em síntese, os mesmos argumentos apresentados no primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da decadência Relativamente à alegação de que o fato gerador teria ocorrido no ano de 1998 e que, por isso, o direto de constituição do crédito estaria decaído ao ser realizado o lançamento Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10283.720501/201100 Acórdão n.º 2402007.196 S2C4T2 Fl. 273 6 ano de 2011, deve observar que o contribuinte somente veio à auferir a renda no momento em que lhe foi disponibilizado os valores em conta corrente, ou seja, no decorrer do anocalendário de 2006 (parágrafo único, do art. 38, do Decreto 3000/99), cuja obrigação de declarar e pagar a o tributo incidente somente venceu em 30.04.2007. Assim, considerando que não consta nos autos qualquer informação sobre antecipação, ainda que parcial, de pagamento de tal obrigação tributária, a ensejar a aplicação do art. 150, §4º, da Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional CTN), deve ser aplicada a regra decadencial prevista no art 173, I, do CTN. in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ou seja, o prazo para constituição do crédito somente teve início no primeiro dia do ano de 2008 e teria seu término fixado para o final de 2012, não fosse o lançamento ter ocorrido antes disso, em 10.06.2011. Vale destacar, no entanto, que mesmo se utilizada a contagem prevista no §4º art. 150, do CTN, o direito de constituição do crédito não teria sido atingido, posto que a data extintiva seria ao final do ano de 2011. Assim, entendese que o crédito foi constituído no prazo legal, não cabendo razão ao impugnante. Da renda auferida e de seu titular Sobre a alegação do contribuinte de que não é o titular da renda paga na ação judicial em apreço; conforme restou demonstrado nos autos, e o próprio contribuinte afirma, os valores que envolvem o fato gerador examinado foram efetivamente disponibilizados em 25.08.2006, mediante depósito em favor do contribuinte, em conta bancária pertencente a terceiro, por ele indicada. Tal depósito, realizando em conta de outrem, não tem o condão de alterar o destinatário da renda e nem a titularidade do direito, pois tal depósito foi realizado conforme pedido do próprio contribuinte, nos autos do processo judicial. Quanto ao alegado acordo de alienação (doação) do direito judicialmente discutido antes da efetiva quitação da obrigação judicial em 2006, tal avença, nos termos do art. 123, do CTN, não tem o condão alterar regra de direito tributário, que fixa critérios relacionados ao fato gerador e ao contribuinte do tributo incidente (IRPF), cuja aplicação não permite outra interpretação que não ter o fato gerador ocorrido no momento da efetiva disponibilização da renda ao titular do direto, nos termos do art. 34, do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), instrumento regulamentar em vigor à época dos fatos: Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10283.720501/201100 Acórdão n.º 2402007.196 S2C4T2 Fl. 274 7 recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. No que tange aos demais argumentos do recorrente, por já terem sido devidamente analisados pela autoridade de piso na decisão recorrida e pelo posicionamento adorado naquela decisão coincidir com o entendimento a ser adotado no presente voto, colacionase abaixo excerto daquela acórdão recorrido, tratando da matéria: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10283.720501/201100 Acórdão n.º 2402007.196 S2C4T2 Fl. 275 8 Conclusão Posto isso, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000846/2010-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PLR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos, bem como a ausência de formalização do acordo previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba.
Numero da decisão: 9202-007.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos, bem como a ausência de formalização do acordo previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 46 /2 01 0- 63 Fl. 774DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.249.0913), totalizando R$ 288.314,99 e consolidado em 27/08/2010, referente à contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, referentes ao período de apuração de 01/2006 a 12/2006, conforme discriminadas no Relatório Fiscal: a remuneração paga aos empregados a título de abono, lançada no Levantamento AB –Abono; a remuneração paga a empregados a título de alimentação, lançada no Levantamento AL – Alimentação; a remuneração paga a empregados, relativa a diferenças de pagamento do mês anterior, lançada no Levantamento DI – Dif. mês anterior; a remuneração paga a empregados a título de material escolar, lançada no Levantamento ME – Material Escolar; a remuneração paga a empregados a título de participação nos resultados; e a remuneração paga a empregados, relativa a reembolso educacional superior, lançada no Levantamento RE – Reembolso Educacional. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de janeiro/RJ julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 26/01/2016, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401004.029, (efls. 554/627) com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em darlhe provimento parcial para: i) por maioria de votos, em excluir os lançamento relativos ao abono único pago em razão de ACT, vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; ii) por maioria de votos, em excluir os lançamentos relativos ao auxílioalimentação pago em Ticket Refeição, vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins; iii) por maioria de votos, em excluir os lançamento relativos ao auxílio material escolar e os decorrentes dos cursos apontados no relatório, vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva (os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rayd Santana Ferreira votaram pelas conclusões neste item. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira;; iv) por maioria de votos, em manter o lançamento relativo ao PLR; vencida a Conselheira Relatora, Luciana Matos Pereira Barbosa; v) por unanimidade, em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Apresentará declaração de voto em separado e Fl. 775DF CARF MF Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 9202007.610 CSRFT2 Fl. 3 3 também o voto vencedor referente à PLR e às multas, o Conselheiro de Arlindo da Costa e Silva”. O acórdão encontra se assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ABONO ÚNICO PAGO POR FORÇA DE ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Abono extensivo a todos os trabalhadores e pago em única parcela visa indenizar o trabalhador por perdas passadas, não representando, portanto, parcela remuneratória passível de integrar o saláriodecontribuição. ALIMENTAÇÃO IN NATURA E VALE ALIMENTAÇÃO O pagamento in natura do auxílioalimentação e o valor pago a título de ticket alimentação não sofrem a incidência de contribuição previdenciária, independente da inscrição no referido PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. MATERIAL ESCOLAR E REEMBOLSO DE DESPESAS COM EDUCAÇÃO SUPERIOR Não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, os valores despendidos pela empresa com seus empregados a título de reembolso de despesas com material escolar e educação superior. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor Fl. 776DF CARF MF 4 multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. O processo foi encaminhado para ciência, que ocorreu em 20/05/2016, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. O sujeito passivo, então, interpôs Recurso Especial (efls. 415/427) em 06/06/2016, tempestivo portanto. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação a decisão que negou provimento ao seu Recurso Voluntário em relação à data de assinatura do acordo da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho da 4ª Câmara, de 24/10/2017 (efls. 736/746), levandose em consideração como paradigmas os Acórdãos nº 2301003.571 e nº 2402004.109. Argumenta o Sujeito Passivo: · A Lei nº 10.101/2000 não determina prazo para assinatura do acordo para pagamento da PLR e que haveria entendimentos de que seria possível a assinatura do acordo em momento posterior ao período de apuração, desde que houvesse conhecimento prévio do plano por parte dos trabalhadores. · Assevera ainda que teria cumprido todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000 a medida que firmou acordo com os funcionários e promoveu a participação dos mesmos na elaboração do acordo, inclusive com a participação do sindicato da categoria, entendendo que a falta de assinatura seria um mero requisito formal. · Vejamos trechos: Ou seja, segundo o r. acórdão recorrido, a falta de assinatura prévia implicaria na exigência da contribuição social, ainda que tenha sido comprovada a efetiva participação dos funcionários. Mas tal entendimento diverge frontalmente daqueles esposados pela 3ª Câmara/1ªTurma Ordinária e da 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, ambos da 2ª Seção de Julgamento, ao analisar situação fática semelhante. No caso analisado pelo acórdão paradigma nº 2301003.571, tanto a ementa quanto o trecho do Voto transcrito abaixo deixa claro que não há na Lei nº 10.101/2000 qualquer determinação sobre o prazo de assinatura dos Termos que preveem o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados, tampouco a exigência de que sejam veiculados no ano imediatamente anterior ao exercício no qual serão apuradas as metas. [...] Fl. 777DF CARF MF Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 9202007.610 CSRFT2 Fl. 4 5 Percebese que, nos acórdãos paradigmas, ao contrário do posicionamento exarado no r. acórdão recorrido, a assinatura prévia do acordo ou termo de participação nos lucros e resultados não é requisito essencial para reconhecimento da nãoinicidência das contribuições sociais sobre tais valores, desde que os demais requisitos da Lei 10.101/00 tenham sido atendidos. [...] A simples falta da data de assinatura, ou seja, um mero requisito formal não pode sobressair ao efetivo cumprimento do comando normativo contido no texto legal pela Recorrente, sob pena de supressão dos princípios da verdade material e da razoabilidade. [...] Apesar de falta do referido requisito formal, é inequívoco que o pacto efetuado entre a Recorrente e os seus empregadores teve eficácia real, tendo sido cumprido. A sua força cogente seria decorrente diretamente do acordo efetuado entre as partes, sendo que qualquer Corte iria determinar o seu cumprimento, desconsiderando o efeito da falta de formalidade. (Com os grifos e marcações do original.) · Em suas alegações finais, o sujeito passivo requer que seu Recurso Especial seja provido, para que seja reformado o acórdão recorrido, cancelandose a autuação fiscal na parte relativa à incidência da contribuição sobre as verbas pagas à título de PLR. A Fazenda Nacional foi cientificada do Acórdão nº 2401004.029, do Recurso Especial do sujeito passivo e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do sujeito passivo em 1º/11/2017 e apresentou, em 13/11/2017, portanto, tempestivamente, contrarrazões (efls. 748/753). Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional: · Contrapõe a argumentação da recorrente, defendendo a manutenção da decisão exarada no acórdão recorrido. · A representante da Fazenda Nacional afirma ainda que os requisitos para a aquisição do benefício são cumulativamente necessário e que o art 2º da Lei nº 10.101/2000 estaria violado, uma vez que o acordo entre empregador e empregados seria inválido, por ter sido firmado no último mês do período de apuração. · Assevera sua posição de que, somente com a assinatura prévia do acordo, estariam postos os efeitos jurídicos da PLR. · Vejamos alguns trechos das contrarrazões da PGFN: Fl. 778DF CARF MF 6 Inicialmente, verificase a necessidade de cumulatividade dos requisitos para a aquisição do benefício, quais sejam, existência de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas. Tais requisitos são decorrentes da interpretação teleológica do art. 2° da Lei 10.101/2000, encontrandose epistemologicamente ligados, eis que para adquirir o benefício, o trabalhador precisa alcançar metas, resultados, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, mediante fixação de regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, nos termos de acordo ou convenção coletiva, obviamente, fixados em caráter prévio à apuração dos lucros e resultados. Diante dos elementos sob exame, é indiscutível que houve vulneração do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000, face à patente invalidade da convenção firmada entre empregador e empregados no último mês do período de apuração. [...] Nesse contexto, é importante assinalar, como bem registrou o acórdão paradigma, que somente com a assinatura, considerase concluída a negociação entre as partes, tornandose apta a produção de efeitos jurídicos. Assim, não há como considerar a existência de acordo prévio, se a sua assinatura ocorreu posteriormente ao pagamento da PLR. (Com os grifos e marcações do original.) · A representante da Fazenda Nacional encerra suas contrarazões encaminhando o pedido de que seja negado o provimento do Recurso Especial do sujeito passivo. É o relatório. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 9202007.610 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 736/746. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Basicamente, cingese a discussão em torno do PLR sobre o aspecto da data da pactuação. Para melhor delimitar a fundamentação pela manutenção do lançamento, dado o descumprimento das exigências legais previstas na Lei 8212/91 em consonância com a CF/88 e lei 10.101/2000, passo, primeiramente, a esclarecer o meu entendimento acerca do tema, analisando os aspectos legais, frente a imputação fiscal de descumprimento legal de requisitos para que tais valores estejam excluídos do conceito de salário de contribuição. Em relação ao mérito do cumprimento dos requisitos exigidos para pagamento de PLR, passo a transcrever as razões pelas quais entendo correto o lançamento realizado. Quanto aos levantamentos de PLR, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição. O lançamento foi efetuado e mantido em primeira e segunda instâncias, no que tange ao pagamento de PLR, ao argumento de que a ausência de data no Acordo Coletivo de Trabalho impossibilitou que se afirmasse se o pacto foi anterior ao pagamento da PLR. Diante de tal lacuna, efetuouse a cobrança da contribuição previdenciária sobre tais verbas, já que realizado em desacordo com a Lei nº 10.101/00, e, dessa forma, ao arrepio da norma constante no artigo 28, inciso I, §9º, “j”, da Lei nº 8.212/91. Devemos inicialmente considerar que o pagamento de PLR nada mais é do que uma forma de remunerar o empregado, contudo, por força constitucional, dita verba, encontrase desvinculada do salário, desde que paga nos exatos termos de lei, ou seja, tendo a lei 10.101/2000 descrito a forma como o PLR deve ser distribuído, bem como estabelecido regras para o seu pagamento, deverá o interessado cumprila, para usufruir do benefício constitucional. Dessa forma, ao descumprir quaisquer dos preceitos descritos, assume o recorrente o risco de não mais ter esses pagamentos desvinculados do salário, passando a ter natureza salarial e por conseguinte faz nascer a obrigação de efetivar recolhimentos à título de contribuições previdenciárias sobre o PLR. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria, para que possamos cotejar seu cumprimento. Fl. 780DF CARF MF 8 Vejamos os pontos colacionados no acordão recorrido sobre as razões de descumprimento: Alertese que a estipulação de metas e a divulgação estática dos resultados alcançados no final do período de apuração não se confundem com descrição dos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. A Lei nº 10.101/2000 exige ambas. Não se basta só com a primeira. De outro eito, decorre por dedução lógica e, principalmente, pelas disposições expressas na lei, que a definição e formalização em documento próprio das condições de contorno do plano de PLR têm que estar concluídas e tornadas públicas aos empregados previamente ao período de apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o trabalhador tenha o perfeito e exato conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado pela empresa para fazer jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na negociação coletiva REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando e quanto precisam fazer para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Por isso, os trabalhadores, antes do início do período de apuração, necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. O espirito da lei pautase na transparência, conhecimento e registro documental prévio dos direitos subjetivos dos trabalhadores na participação nos lucros e resultados da empresa, bem como das condições e dos fins excepcionais que deverão de ser atingidos com o empenho incentivado pelo plano, para a consecução de tal ganho patrimonial. Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como mera peça decorativa na indigitada lei específica, mas, sim, como documento formal para o registro dos fins extraordinários a serem alcançados pelo corpo funcional da empresa, das regras claras e objetivas referentes aos direitos Fl. 781DF CARF MF Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 9202007.610 CSRFT2 Fl. 6 9 substantivos dos empregados, ou seja, do incentivo contraprestacional que irão auferir caso atinjam os objetivos do plano, e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na entidade sindical da categoria, como garantia dos direitos dos trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam, como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. A Lei nº 10.101/2000 não se satisfaz com o mero convite ou carta de convocação aos sindicatos. Ela exige a participação efetiva dos sindicatos na mesa de negociações! [...] Diante dos aludidos dispositivos, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. · O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR, de maneira que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Ø O desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; Ø O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, Fl. 782DF CARF MF 10 obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída e assinada previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente ao período de execução do plano na entidade sindical dos trabalhadores; · A PLR não pode substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; No caso em apreço, apurou a Fiscalização a ocorrência de pagamentos de Participação nos Resultados PR em fevereiro, março e abril de 2006, relativos ao período aquisitivo de cumprimento das metas durante o exercício de 2005. A empresa foi então intimada, mediante Termo próprio, a apresentar o regulamento da participação nos lucros ou resultados da empresa, sendo apresentada cópia do Acordo de Participação nos Resultados/Exercício 2005, sem constar a data de assinatura. O contribuinte foi então intimado, mediante Termo de Intimação Fiscal, a apresentar o original do referido acordo, ao que a empresa apresentou o documento original, a fls. 176/190, porém, outra vez, sem data de assinatura. Compulsando os autos, em especial o “TERMO DE ACORDO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS RESULTADOS DO TERMINAL VILA VELHA – TVV, exercício 2005, verificamos que neste não consta consignada a data de assinatura, o que inviabiliza a aferição do requisito de assinatura prévia do Acordo. Merece ser mencionado que carimbo aposto na Folha de Rosto do citado Termo de PLR indica que o acordo houvese por arquivado no Sindicato Unificado da Orla Portuária do Espírito Santo (Suport ES) tão somente em 21/10/2005, ou seja, após percorrido quase 5/6 do período de apuração das metas e do desempenho de cada trabalhador. Malgrado o Termo de PLR tenha sido levado ao SUPORTES, inexiste no Termo de Acordo qualquer indício da efetiva participação de representante indicado pelo sindicato da Fl. 783DF CARF MF Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 9202007.610 CSRFT2 Fl. 7 11 categoria na Comissão da PR, escolhida pelas partes para a Negociação entre Empresa e Empregados. A cláusula 2.3 do acordo estatui que “A apuração da participação nos resultados farseá de forma proporcional à frequência do empregado no exercício de 2005, obedecidas, para tanto, e no particular, as mesmas regras e critérios utilizados para o pagamento da gratificação natalina”. Ou seja, basta não faltar ao trabalho para fazer jus ao PLR. Como visto, inexiste no plano de PLR da Recorrente qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior à habitual, por parte dos trabalhadores, na medida em que tal comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador frequentou os estabelecimentos da empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral. Se teve faltas não justificadas ao serviço, recebe na mesma proporção da gratificação natalina. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo ou desleixo, é indiferente. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. A única coisa que importa, no caso, é a fração do ano em que o trabalhador se manteve vinculado à empresa. Recebem participação nos lucros até se a empresa não tiver lucros !!!! Onde estará o incentivo à produtividade exigido pela Lei ? Perdeuse no caminho ! A Fiscalização apurou, igualmente, que no Termo de Acordo de PLR não havia critérios nem mecanismo de aferição do pactuado, etc. A PLR era paga, meramente, pela realização do trabalho ordinário, usual e rotineiro decorrente do contrato de trabalho. Tal trabalho é remunerado mediante salário, e não por meio de PLR. Por tais razões, os valores pagos foram considerados pela Fiscalização como Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/1991. O encaminhamento do voto, acatou a argumentação fiscal de descumprimento das regras, conforme REFISC: 3.5.2 Para o caso em questão, foram constatados pagamentos de Participação nos Resultados PR em fevereiro, março e abril de 2006, relativos ao período aquisitivo de cumprimento das metas durante o exercício de 2005. 3.5.3 Através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (RA/7.12) o contribuintefoi intimado a apresentar, entre outros documentos, o regulamento da participação noslucros ou resultados da empresa. O contribuinte apresentou cópia do Acordo deParticipação nos Resultados/Exercício 2005 (RA/7.24) sem constar a data de assinatura. Fl. 784DF CARF MF 12 O contribuinte foi então intimado a apresentar o original do referido acordo através do Termo de Intimação Fiscal TIF2 (RA/7.14); ao que a empresa apresentou o documento original, porém, outra vez, sem data de assinatura, cuja cópia autenticada segue em anexo (RA/7.25). 3.5.4 A falta da data de assinatura no acordo torna o documento ineficaz para efeitosde concessão de um plano de participação nos resultados, uma vez que os termos doacordo não foram comprovadamente pactuados antes do início do período deobtenção de metas. Assim como em qualquer outro documento ou termo, a falta da data de assinatura no Acordo de PR significa a falta da data de início, ou seja, a falta do ponto de partida em que as regras incluídas no mesmo passariam a valer para a contagem na obtenção das metas. De outra maneira, se teria uma situação absurda de dispor de um acordo pronto e acabado, sem data de assinatura, que a qualquer momento, mesmo anos depois, poderia ser apresentado para validar um termo que deveria ter sido feito antes do início de obtenção das metas. 3.5.5 O Acordo de PR deveria ter a data de assinatura até o dia 31/12/2004, já que operíodo para cumprir as metas iniciou em 01/01/2005 e terminou em 31/12/2005, sendoo pagamento da PR efetuado no início de 2006; satisfazendo assim o que determina alegislação. Cabe ressaltar que, no original do acordo consta um carimbo do sindicato da categoria dos empregados com a data de outubro de 2005. Mesmo se fosse considerar secundariamente tal data como o inicio do pacto para obtenção de metas, ainda assim estaria longe de janeiro de 2005, situandose mais próximo do final do período aquisitivo. 3.5.6 De todo o exposto concluise que o pagamento da Participação nos Resultados PR não cumpriu as regras estabelecidas na legislação específica, e deste modo, passou aintegrar o saláriodecontribuição dos empregados. Tal conclusão está de acordo com o artigo 214,1, § 10°, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, onde se adverte que as parcelas de qualquer benefício, "quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriode contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis ". Desta forma, os valores relativos à participação nos resultados da empresa foram lançados como saláriodecontribuição dos empregados no Relatório de Lançamentos RL, sendo extraídos da folha de pagamento, mais especificamente das seguintes rubricas consolidadas por competência: 0348 Proventos do Mês Participação nos Resultados; 1348 Provento Difer Mês Anterior Participação nos Resultados. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 9202007.610 CSRFT2 Fl. 8 13 Considerando os pontos trazidos, passo a apreciar os dispositivos legais sobre a materia, para que possamos concluir pelo cumprimento dos requisitos legais da lei 10.101/2000 Da Definição de Salário de Contribuição De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição: Art.28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, mesmo que desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adequam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. É nesse ponto, que autorizado está o auditor ao identificar pagamentos outros, dos mais diversos títulos, como no caso do PLR, intimar o contribuinte a apresentar os fundamentos para o referido pagamento. Ao depararse com esses instrumentos e considerando as alegações da empresa para o pagamento em questão, verificar se aquele pagamento é ou não fator gerador de contribuições previdenciárias. Não se trata, portanto de desconsiderar um acordo firmado, ou interferir nas tratativas ali acordadas, MAS TÃO SOMENTE, IDENTIFICAR SE O PLANO ATENDE AS EXIGÊNCIAS LEGAIS QUANTO AO PAGAMENTO DESVINCULADO DO SALÁRIO. Falando mais objetivamente, no caso de pagamento de PLR, compete ao auditor verificar a norma que autoriza o pagamento, e se ela encontrase em conformidade (dentro dos limites) para que os pagamentos sob elas consubstanciados estarão excluídos do Fl. 786DF CARF MF 14 conceito de salário de contribuição, ou seja, cumprem a função prevista no próprio texto constitucional. Da Exigências Legais Para Formalização Do Acordo A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) (grifei) Assim, voltase novamente a uma questão nuclear, qual o limite para interpretação dos dispositivos da lei 10.101/2000. Nesse ponto argumenta o recorrente, de que a essência da lei foi cumprida, e que as restrições atribuídas pelo auditor não se sustentam. Ora, não quisesse o legislador estabelecer limites, regras claras, revisão do acordo, averiguação do cumprimento de metas, participação de órgãos protetores dos trabalhadores na negociação, qual seria a necessidade de esmiuçar a legislação de PLR. No caso, se acatássemos o entendimento do recorrente o texto constitucional seria o suficiente, ou no mínimo a lei 10.101/2000, precisaria ter apenas 2 artigos, conforme os 2 primeiros acima transcritos. Data vênia, aos que entendem que o auditor tem levado ao extremo as averiguações do cumprimento da lei 10.101/2000, entendo ser da competência dos órgãos colegiados, justamente corrigir os exageros, ou mesmo as interpretações equivocadas, mas de forma alguma ignorar a existência de dispositivos legais, e de exigências legais para a referida Fl. 787DF CARF MF Processo nº 15586.000846/201063 Acórdão n.º 9202007.610 CSRFT2 Fl. 9 15 desvinculação, que nada mais são do que reflexos da vontade legislativa acerca das limitações do pagamento de participações nos lucros e resultados desvinculadas do salário. Cumprimento do art. 2 da lei 10.101/00 e MP anteriores Notemos, que em relação aos termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo de trabalho. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto, porém ao elegêlos, deveriam ter cumprido o rito procedimental para sua formalização, o que não restou demonstrado em todos os casos. Da Pactuação Prévia O requisito pactuação prévia foi indicado pelo auditor como descumprimento de exigência legal, razão pela qual merece ser apreciado. Segundo o recorrente a lei não exige pacto prévio ao exercício. Em que pese o posicionamento adotado por ilustres colegas desse colegiado, não me filio a essa tese. Acredito ser o argumento pacto prévio o mais importante para que se possa definir o regularidade dos planos, sendo determinante para procedência da autuação. Devemos ter em mente a natureza do pagamento PLR e de sua finalidade, qual seja, estimular o empregado a participar do capital da empresa, onde seu maior esforço gerará maiores lucros, que serão com ele repartidos. Entendo, ser o requisito pacto prévio, fundamental, para que se faça cumprir os preceitos da lei 10.101/00. No caso em questão a autoridade fiscal, conforme descrito no relatório fiscal, procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros sob o fundamento de falta de acordo prévio ao período em que se baseava os pagamentos. No caso, o recorrente apresentou o Acordo de Participação nos Resultados/Exercício 2005 sem constar a data de assinatura, impossibilitando aferir o requisito relativo à assinatura prévio do acordo e o prévio conhecimento pelos trabalhadores de quais as regras e metas para pagamento da PLR norteariam seu engajamento. Se não se exigisse acordo prévio ao trabalho desempenhado, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho trarlheá de resultados, até para que verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se ele não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos Fl. 788DF CARF MF 16 de participação. É nesse sentido que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do período a que será aplicado o PLR, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras, critérios (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Nesse sentido, concluo que o requisito pacto prévio restou descumprimento, eis que a ausência da data de assinatura no acordo inviabiliza a verificação de sua anterioridade ao período em que se pretendeu distribuir PLR. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, NEGARlhe PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 789DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.720008/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente é necessária a comprovação dessa área por meio de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou.
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de interesse ecológico, é necessário o reconhecimento da área por ato específico conforme previsto no art. 10, §1º, inciso II, alínea "b", da lei 9.393/96, no qual se declare a área como de interesse ambiental, ampliando as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal.
Numero da decisão: 2301-005.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente é necessária a comprovação dessa área por meio de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou. GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de interesse ecológico, é necessário o reconhecimento da área por ato específico conforme previsto no art. 10, §1º, inciso II, alínea "b", da lei 9.393/96, no qual se declare a área como de interesse ambiental, ampliando as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente é necessária a comprovação dessa área por meio de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou. GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de interesse ecológico, é necessário o reconhecimento da área por ato específico conforme previsto no art. 10, §1º, inciso II, alínea "b", da lei 9.393/96, no qual se declare a área como de interesse ambiental, ampliando as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 72 00 08 /2 00 8- 71 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 18471.720008/200871 Acórdão n.º 2301005.967 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.963, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 18471.720023/200819, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do Exercício: 2006, relativo ao imóvel “Sitio São Sebastião” (NIRF 4.095.2436), com área declarada de 17,9 ha, localizado no município do Rio de Janeiro RJ. O contribuinte foi regularmente intimado a apresentar diversos documentos para comprovar informações prestadas em sua Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Em resposta, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo. A fiscalização, então, efetuou a glosa das áreas informadas de preservação permanente e de interesse ecológico, além de desconsiderar o VTN declarado, arbitrando novo valor, com o conseqüente aumento das áreas tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota de cálculo do ITR, pela redução do grau de utilização do imóvel (GU), resultando no lançamento do imposto suplementar. Contra a notificação foi apresentada impugnação, com os seguintes argumentos: § que discorda do procedimento fiscal, pois solicitou novo prazo para atender à intimação inicial, tendo então recebido a notificação de lançamento, por não comprovar as citadas áreas ambientais e o VTN declarado; § preliminarmente, alega que a RFB não se manifestou sobre seu pedido de prorrogação do prazo e, sendo o imóvel um condomínio, deveriam ser intimados e notificados todos os condôminos; § apresenta parecer técnico emitido pelo Parque Estadual da Pedra Branca, informando que o Sítio do Carretão situase dentro do referido parque, considerado área de preservação permanente e interesse ecológico, sendo improcedente seu enquadramento legal relativo a esses itens e ao VTN, conforme a referida notificação de lançamento. § Ao final, requer seja acolhida a impugnação, para cancelar o débito. Em seguida, foi proferido o acórdão da DRJ (1ª instância administrativa), considerando a impugnação improcedente e mantendo o crédito tributário. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, argumentando o seguinte: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 18471.720008/200871 Acórdão n.º 2301005.967 S2C3T1 Fl. 4 3 § que o acórdão da DRJ cometeu lapso na leitura e análise do Parecer Técnico emitido pelo Parque Estadual da Pedra Branca e que este Parecer é conclusivo quanto à área do Sítio do Carretão estar situada totalmente dentro da unidade de conservação da natureza, conforme texto assinalado no Parecer, que transcreve; § que ao analisar de forma incorreta e parcial o Parecer Técnico emitido pelo Parque Estadual de Pedra Branca (PEPB) refuta documentação oficial comprobatória da localização da área, que neste caso é isenta do ITR; § que não procede o afirmado no acórdão de que o parecer técnico e anexos apresentados não quantificam a área do imóvel efetivamente inserida nos limites do citado Parque Estadual, de modo a justificála para fins de exclusão do cálculo do ITR, sem apresentação de ADA; e § que o Parque Estadual da Pedra Branca, órgão do Estado do Rio de Janeiro é o gestor desta unidade do Sistema de Unidades de Conservação da Natureza, aonde se localiza a área Sitio São Sebastião. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.963, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 18471.720023/200819, paradigma deste julgamento. Apresentase, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2301005.963, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na forma descrita a seguir. O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. Da delimitação da lide Inicialmente cumpre registrar que o VTN arbitrado pela fiscalização com base no Sistema SIPT, em razão da falta de laudo técnico de avaliação com ART, não foi objeto de contestação no recurso. A matéria é tida, portanto, como não contestada. Do Mérito Das Áreas de Preservação Permanente e de Interesse Ecológico Fl. 87DF CARF MF Processo nº 18471.720008/200871 Acórdão n.º 2301005.967 S2C3T1 Fl. 5 4 Argumenta a recorrente que teria direito à isenção de ITR em relação às áreas declaradas como de Preservação Permanente e de Interesse Ecológico e que tais áreas foram reconhecidas por meio de Parecer do Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), órgão do Estado do Rio de Janeiro. Destacou que a propriedade como um todo estaria inserida no Parque. Entretanto, verificase no Parecer Técnico PEPB nº 18/2008, de 30/12/2008 as seguinte afirmativas que demonstram estar a propriedade apenas parcialmente inserida no Parque Estadual: B Unidade de Conservação e entorno: A propriedade em questão está parcialmente inserida dentro limites (SIC) geográficos do Parque Estadual da Pedra Branca, Unidade de Conservação da Natureza (Lei Federal nº 9.985/2000, Lei Estadual nº 2.377/1974, Decreto Federal nº 4.340/2002 e Decreto Estadual nº 39.172/2006). Porém, parte da citada propriedade encontrase dentro da zona de amortecimento (limites) desta Unidade de Conservação, (Resolução CONAMA nº 13/1990). O artigo 2º da Resolução CONAMA 13/1990, citada no Parecer, reza: Art. 2º Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota, deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente. (grifei) Parágrafo Único O licenciamento a que se refere o caput deste artigo só será concedido mediante autorização do responsável pela administração da Unidade de Conservação. Ou seja, nas áreas circundantes é possível a realização de atividades, desde que licenciadas, possibilitando sua classificação na categoria de área utilizável, o que implica, não se tratar de uma área automaticamente isenta de ITR. Para obter a isenção tributária é necessário o atendimento a outros requisitos legais. Além de preservar e declarar tais áreas, por força da legislação ambiental, elas devem ser documentadas, regularizadas e atualizadas, a fim de serem contempladas com a isenção. Com respeito à exigência de Ato Declaratório Ambiental (ADA), como requisito para gozo da isenção do ITR nas Áreas de Preservação Permanente e de Interesse Ecológico, primeiramente cumpre registrar que sua apresentação passou a ser obrigatória com a Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 18471.720008/200871 Acórdão n.º 2301005.967 S2C3T1 Fl. 6 5 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) Entretanto, o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu, sobre tal assunto, o Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016, por meio do qual adequou sua atuação ao entendimento pacífico do STJ, resultando em nova redação para o item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer da PGFN (lista essa relativa a temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016). O Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016 não tem efeito vinculante para esta instância administrativa. Mas, entendo ser pertinente alinhar o entendimento deste Colegiado à atuação da PGFN, uma vez que a disputa poderia ser levada à esfera judicial, resultando num dispêndio desnecessário de recursos públicos. Assim, me filio à tese adotada no Parecer citado para que seja dispensada a apresentação do ADA para reconhecimento da isenção no caso da área de preservação permanente. Quanto à existência da Área de Preservação Permanente (APP), em que pese o afastamento da exigência de ADA, esta precisa ser demonstrada por meio de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal. A recorrente não apresentou esses documentos. Assim, considero que não restou comprovada a área de preservação permanente declarada, devendo ser mantida sua glosa. Quanto à Área de Interesse Ecológico, a recorrente apresenta como prova de sua existência apenas o Parecer do Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB) citado. Tal Parecer apenas afirma que a propriedade está parcialmente inserida no Parque. Por sua vez, o Parque foi criado pela lei estadual nº 2.377, de 28 de junho de 1974. Essa lei se reveste de caráter genérico, não específico com relação a determinado imóvel e, por tal motivo, não cumpre a exigência de haver o reconhecimento da área por ato específico, conforme previsto no art. 10, §1º, inciso II, alínea "b", da lei 9.393/96. Nos termos desse artigo, a área deve ser declarada como de interesse ambiental, ampliando as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Segue o texto da lei: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II – área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 18471.720008/200871 Acórdão n.º 2301005.967 S2C3T1 Fl. 7 6 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso prevista na alínea anterior; (grifei) (...)". Transcrevo ainda abaixo acórdão do Tribunal Regional da 1ª Região com entendimento nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ITR IMÓVEL RURAL ÁREA ESTADUAL DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ISENÇÃO (ART. 10, § 1º, II, B, DA LEI Nº 9.393/96): AUSENTE PROVA INEQUÍVOCA (ART. 273 DO CPC)AGRAVO PROVIDO. (...) 4 O simples fato de o imóvel estar, em princípio, localizado dentro de área estadual de "Proteção Ambiental" não induz, só por si, isenção tributária. A Lei nº 9.393/96 (em leitura apropriada) parece reclamar mais. Não tributáveis seriam, sim, as "partes" de qualquer imóvel rural (encravado ou não em área de proteção ambiental) que, porventura (comprovadamente, na forma da lei), fossem "de preservação permanente"; "de reserva legal"; "de interesse ecológico"; ou "comprovadamente imprestáveis para exploração econômica". 5 Imóvel rural, pois, ainda que localizado em área de proteção ambiental, pode estar sujeito ao ITR, desde que nele estejam contidas glebas de terras economicamente aproveitáveis (com limitações ambientais, que sejam) não enquadráveis na exceção legal: isenção favor legal reclama interpretação restrita (art. 111, II, do CTN). (grifei) 6 Decidir em oposto sentido, afastando crédito tributário da ordem de quase R$ 60.000,00, reclama prova inequívoca, aqui ausente, que só ampla instrução poderá, se o caso, evidenciar. (...) Assim, não basta que o imóvel esteja localizado no perímetro e/ou nas áreas circundantes de uma Unidade de Conservação Ambiental para que reste comprovada a existência de áreas de interesse ecológico com direito à isenção do ITR dentro da propriedade. Portanto, pelo conjunto fático, não cabe o afastamento das glosas das áreas não tributáveis promovidas no lançamento. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. João Maurício Vital Relator Fl. 90DF CARF MF Processo nº 18471.720008/200871 Acórdão n.º 2301005.967 S2C3T1 Fl. 8 7 Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.004835/2002-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF
Data do Fato Gerador: 11/04/1997
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora
de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2101-001.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por intempestividade.
Nome do relator: GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA
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RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. LUIZ ANTÔNIO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka Fl. 157DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 141/153) interposto em 24 de março de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (SP), (fls. 127/135), do qual o Recorrente teve ciência em 29 de janeiro de 2008 (fls.139), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 06/10, lavrado em 23 de fevereiro de 2002, em decorrência de falta de recolhimento de imposto de renda na fonte, no valor de R$ 186.829,41 mais cominações legais. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 11/04/1997 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. Na hipótese em que o recolhimento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorre em desconformidade com a legislação aplicável, e, por conseguinte, procedese ao lançamento de oficio (CTN, art. 149), o prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173, I, do CTN, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que esse lançamento (de oficio) poderia ter sido realizado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. Lançamento Procedente Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 141/153), no qual traz as alegações a seguir resumidas: Em preliminar argui que é nulo o Auto de Infração uma vez que o mesmo foi lavrado fins cobrança de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, tributo sujeito a lançamento por homologação, sendo aplicável ao caso as disposições do § 4º do artigo 150 do CTN, estando caracterizada, portanto, a decadência. No mérito pugna: a) Pela ocorrência de prescrição intercorrente; b) Pelo estorno da multa e dos juros de mora aplicados; c) Pela incidência ilegal da Taxa SELIC. Por fim, requer a reforma da decisão recorrida e a improcedência do lançamento. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10845.004835/200221 Acórdão n.º 2101001.862 S2C1T1 Fl. 2 3 O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 156, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Consta dos autos que o Recorrente tomou ciência da Decisão de primeiro grau em 25/01/2008, uma sextafeira, conforme Aviso de Recebimento à fl. 120. O recurso ao CARF deve ser interposto no prazo máximo 30 (trinta) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Considerando que 25/01/2008 foi uma sextafeira, dia de expediente normal na repartição de origem, o início da contagem do prazo começou a fluir a partir de 28/01/2008, uma segundafeira, primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, sendo que neste caso o último dia para a apresentação do recurso seria 27/02/2008, uma quartafeira. Acontece que o recurso voluntário somente foi apresentado à repartição fiscal em 24/03/2008 (fl. 121), quando já havia transcorrido o prazo regulamentar. Portanto, nos termos do artigo 42 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a decisão a quo tornouse definitiva: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Dispõe o artigo 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Em face ao exposto, o recurso voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não conheço. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.731521/2017-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-001.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos recebidos da PETROS.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos recebidos da PETROS. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos recebidos da PETROS. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 15 21 /2 01 7- 67 Fl. 100DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 29 a 35), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, omissão de rendimentos de alugueis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas e rendimento indevidamente considerados como isentos por moléstia grave não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 20.861,30, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 18 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Cientificado em 04/12/2017 (fl. 37) e inconformado, apresentou, na data de 19/12/2017 (fl. 2), impugnação (fls. 3 e 4) juntamente com demais documentos, alegando que: 1) Com relação à Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vinculo Empregatício, no valor de R$ 175.532,14, da fonte pagadora Estaleiro Atlântico Sul S/A, não concorda com o valor cobrado, pois o mesmo já foi declarado e pago em 2013. 2) Concorda com a infração de Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas, no valor de R$ 7.800,00. 3) No tocante à infração de Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado, no valor de R$ 75.521,30, não concorda com essa cobrança e acosta documento emitido por médico especializado que atesta a existência de doença grave. A impugnação foi apreciada na 18ª Turma da DRJ/RJO e, por unanimidade, em 13/04/2018, no acórdão 1297.609, às efls. 55 a 58, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 60 a 92 no qual alega, em síntese: · Com relação aos rendimentos recebidos da Estaleiro Atlântico Sul, na DAA de 2013, ano calendário 2012, digitou erroneamente o valor de R$194.504,97, ao invés de R$ 175.532,14. Emitiu DARF e pagou o imposto devido · que é portador da moléstia indicada pelo CID B24, síndrome da imunodeficiência desde o ano de 1995 e aposentado do INSS desde o Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10480.731521/201767 Acórdão n.º 2002001.018 S2C0T2 Fl. 99 3 ano 2000, motivo pelo qual, a partir desta data, seus rendimentos seriam isentos. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 15/06/2018, efls. 56, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 26/06/2018, efls. 60, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, omissão de rendimentos de alugueis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas e rendimento indevidamente considerados como isentos por moléstia grave não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. Para fins de delimitação da lide, o contribuinte concordou com omissão de rendimentos de alugueis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas, como se vê pela decisão da DRJ: Inicialmente, cumpre destacar que o contribuinte concorda com o lançamento relativo à Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas, no valor de R$ 7.800,00, tratandose de matéria não impugnada, consolidandose a exigência fiscal a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal. Quanto a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, a DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: Quanto à Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vinculo Empregatício, no valor de R$ 175.532,14, da fonte pagadora Estaleiro Atlântico Sul S/A, o impugnante não concorda com o valor cobrado, pois o mesmo já teria sido declarado e pago em 2013. Em pesquisa nos arquivos eletrônicos da RFB – DIRF, verifica se, todavia, que no anocalendário de 2013, o contribuinte auferiu rendimentos do Estaleiro Atlântico Sul S/A, em outro montante, ou seja, de R$ 194.504,97. E, de acordo com o mencionado sistema eletrônico DIRF, no anocalendário em análise (2012) observase que o interessado percebeu dessa Fl. 102DF CARF MF 4 fonte pagadora exatamente os rendimentos apontados na notificação de lançamento, no valor total de R$ 175.532,14. Fazse mister frisar que caberia ao interessado, no intuito de corroborar suas ponderações, ter trazido aos autos o comprovante de rendimentos anual, o contrato de trabalho celebrado com a mencionada empresa ou qualquer outro documento comprobatório que pudesse alterar as informações prestadas por meio de DIRF. Ressaltese que, ainda que o contribuinte tivesse declarado e pago os rendimentos considerados omitidos em anocalendário posterior, tal fato não o exime da obrigação dos rendimentos serem tributados no anocalendário correspondente ao recebimento. Logo, inexiste reparo a ser feito no trabalho efetuado pela fiscalização. A nossa Carta Magna de 1988 erigiu competências tributárias aos três entes, rigidamente postas, sobretudo quanto a criação de impostos. Conforme artigo 153 do texto constitucional, compete a União, dentre outros, a instituição do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. (...) Segundo define o parágrafo 2º, do supracitado artigo, o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade. O princípio da generalidade permitirá a efetivação dos princípios da universalidade, pessoalidade e capacidade contributiva, na medida em que atua no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência tributária, determinando que todas as pessoas físicas – a integralidade desse universo que esteja no território nacional, que auferir renda e proventos de qualquer natureza terá obrigação de efetuar o pagamento do imposto, salvo exceções prevista na própria lei. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10480.731521/201767 Acórdão n.º 2002001.018 S2C0T2 Fl. 100 5 Já o princípio da universalidade atuará sobre o aspecto material do antecedente da regra matriz de incidência tributária, afinal determina que a incidência do imposto alcançará todas as rendas e proventos, de qualquer espécie, independente da denominação ou fonte. Por fim, o princípio da progressividade também será aplicado sobre o critério quantitativo do conseqüente da rega matriz, nesse caso para a fixação da alíquota do imposto. Tal princípio implicará na incidência gradativa, em percentual maior e, pretensamente de modo progressivo, à medida que se dá o correspondente aumento da base de cálculo do imposto ou acréscimo patrimonial, ou seja, quanto maior o acréscimo patrimonial maior será a alíquota do imposto devido pelo contribuinte. Logo, a regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação. Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações. É o que se extrai do caput do artigo 176 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ainda, conforme o inciso II, do artigo 111 do mesmo diploma legal, interpretase literalmente as hipóteses de isenção: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. De fato, conforme documento de efls. 74, há comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda retido na fonte emitido pela pessoa jurídica Estaleiro Atlântico Sul S/A, referente ao ano calendário 2012, no valor de R$ 175.532,14, valor este que não foi declarado em sua DAA, conforme às efls. 20 a 25. Logo, configurada a omissão de rendimentos. Fl. 104DF CARF MF 6 Quanto a autuação pelos rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, a DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: No caso em análise, quanto à moléstia tipificada no texto legal, observase que o laudo médico, de fl. 17, emitido pelo Hospital Municipal Carlos Tortelly da Prefeitura de Niterói, informa ser o interessado portador da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (CID 10 B 24), diagnosticada em junho de 1995. Todavia, tal documento é ineficaz para a comprovação da doença uma vez que não apresenta a matrícula do médico na unidade de saúde. (...) Quanto à outra condição indispensável para a concessão da isenção do imposto de renda, qual seja, a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, cabe destacar que o impugnante não acostou aos autos nenhum documento comprobatório de sua aposentadoria, tal como o Comprovante de Rendimentos Anual e/ou a Carta de Concessão/Memória de Cálculo. Cumpre destacar que em pesquisa nos arquivos eletrônicos da RFB – DIRF, tratase de rendimento do trabalho assalariado, auferido sob o código de receita 0561. Logo, não restou comprovado tratarse de rendimento proveniente de aposentadoria ou sua complementação. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10480.731521/201767 Acórdão n.º 2002001.018 S2C0T2 Fl. 101 7 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial Fl. 106DF CARF MF 8 emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Às efls. 65, 72, 73, 92, há laudo constatando que desde 1995 o contribuinte é acometida de moléstia grave. Já às efls. 76 a 78 há comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte referente ao ano calendário 2012, emitido pela PETROS, que indica a natureza do rendimento enquanto "benefício da providência oficial (convênio INSS/patrocinadora/PETROS)", que confirma que os rendimentos são oriundos de aposentadoria. Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito darlhe parcial provimento, para conceder isenção dos proventos recebidos da PETROS. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.720311/2016-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2016
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2016 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13873.720284/201601, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 03 11 /2 01 6- 37 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13873.720311/201637 Acórdão n.º 1201002.800 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de notificação de lançamento lavrado para a cobrança de multa, no montante de R$ R$ 6.261,21, decorrente de atraso na entrega da DCTF, referente ao mês de março de 2016. A contribuinte teria entregue a referida declaração apenas em 07/06/2016, com 02 meses de atraso. Segundo consta na descrição dos fatos do Auto de Infração, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e de R$ 500,00 nos demais casos”. Devidamente intimada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual afirma que o auto de infração não merece prosperar, seja em razão da ocorrência da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN), seja porque exige multa com caráter confiscatório e desproporcional, já que foi calculada com base em percentual dos tributos informados na declaração. Em sessão de 11 de setembro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1157.586, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2016 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitarseá a multa especificada na legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera como denúncia espontânea o cumprimento de obrigações acessórias depois de decorrido o prazo legal para seu adimplemento. A multa aplicada decorre da impontualidade do contribuinte e não tem qualquer vínculo com a existência de fato gerador de tributo. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13873.720311/201637 Acórdão n.º 1201002.800 S1C2T1 Fl. 4 3 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO OBRIGATORIEDADE DO CERTIFICADO DIGITAL E VALOR DA MULTA APLICADA. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão (AR de 11/10/2017), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2017, onde reitera as razões apresentadas em sede impugnação para requerer o afastamento da multa exigida considerando a denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) e o efeito de confisco da exigência (vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal). É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.774, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13873.720284/2016 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.774): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Da Aplicação da Súmula CARF nº 49 Conforme exposto no relatório, a exigência em questão referese a multa decorrente de atraso na apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referente a janeiro de 2014. A Recorrente não cumpriu o prazo do dia 25/03/2014 e apresentou a declaração apenas em 07/06/2016. Em sede recursal, a Recorrente afirma que apresentou a declaração de forma espontânea, antes de qualquer manifestação do Fisco. Segundo ela, a espontaneidade enseja a exclusão de qualquer penalidade. Para corroborar sua alegação, apresenta jurisprudência judicial e doutrina. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13873.720311/201637 Acórdão n.º 1201002.800 S1C2T1 Fl. 5 4 De antemão, vale registrar que o instituto da denúncia espontânea foi altamente debatido por este E. CARF e, inclusive, é objeto da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. (Grifos nossos). A partir da edição da referida Súmula, não há que se aplicar o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, para afastar penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Nesse mesmo sentido são as ementas abaixo transcritas, verbis: “MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso”. (Processo nº 13770.002101/200721, Acórdão nº 1001000.973, Turma Extraordinária / 1ª Seção, Sessão de 04 de setembro de 2018) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49 Ainda que o contribuinte efetue a regularização da entrega de obrigação acessória (DIFPapel Imune) antes de iniciado procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do STJ. Existência de súmula desse Colegiado, o que impede decisão em contrário.” (Processo nº 19515.000850/200559, Acórdão nº 3401004.461, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 3ª Seção, Sessão de 22 de março de 2018) Assim, como situação fática apresentada nos presentes autos configura a hipótese tratada pela Súmula CARF nº 49, a multa exigida (fl. 17) no lançamento deve ser mantida. II. Da Alegação do Caráter Confiscatório da Multa Outro argumento manifesto pela Recorrente é o do caráter confiscatório da multa exigida, o que seria vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Alega que o cálculo da exigência, a partir de percentual do valor declarado, é ilógico e que deveria ter sido aplicado o princípio da proporcionalidade. Em que pese a inconformidade da Recorrente, cumpre consignar que a exigência da multa está compreendida no artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. E, em análise da composição da exigência, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13873.720311/201637 Acórdão n.º 1201002.800 S1C2T1 Fl. 6 5 constatei que a autoridade fiscal realizou o lançamento corretamente e de acordo com o dispositivo mencionado. O argumento da Recorrente caracteriza a arguição de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte à penalidade aplicada e, a respeito, não cabe à Administração Pública afastar a legislação vigente. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais tem esse poder. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 63DF CARF MF
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