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Numero do processo: 10855.000135/2005-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003
IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETO-LEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO
Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decreto-lei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64.
Numero da decisão: 9303-002.265
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Alegretti, que substituiu a Conselheira Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que davam provimento. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto substituiu a Conselheira Susy Gomes Hoffmann e votou pelas conclusões. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda fará declaração de voto.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Alegretti, que substituiu a Conselheira Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que davam provimento. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto substituiu a Conselheira Susy Gomes Hoffmann e votou pelas conclusões. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda fará declaração de voto. LUIZ EDUARDO DE OLVEIRA SANTOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 01 35 /2 00 5- 91 Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/11/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Ivan Alegretti, em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente justificadamente, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez Lopez e Gileno Gurjão Barreto, que substituiu a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, ausente justificadamente. Ausente, também justificadamente, o Presidente Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A sociedade empresária acima qualificada apresenta recurso contra a decisão da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara do CARF que, pelo voto de qualidade, ao negar provimento ao seu recurso voluntário, entendeu exigível o imposto sobre produtos industrializados (IPI) sobre a atividade que ela desempenha. A sociedade adquire, no mercado interno, películas plásticas autoadesivas e sobre elas imprime, após cortálas nos tamanhos adequados, dizeres e expressões indicados pelos seus clientes. Desse modo, defende que sua atividade se enquadra na definição de “composição gráfica por encomenda” prevista no decretolei nº 406/68 e na Lei Complementar nº 116/2003 como sujeitas “apenas ao imposto sobre serviços”. Em vista disso, defende estar afastada a incidência do IPI. O acórdão guerreado, da lavra da i. relatora Nayra Bastos Manatta, restou assim ementado, na parte que interessa aqui: IPI. SERVIÇOS DE ARTES GRÁFICAS PERSONALIZADOS. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8°, § 1°, do DL n°406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. Em seu voto, a relatora a quo afirma inaplicável a Súmula 146 do extinto TFR, bem como a de nº 156 do STJ, porquanto esta última apenas afasta a incidência cumulativa de ISS e ICMS e, no entender da relatora, teria substituído a anterior. Ademais, procurou demonstrar que a atividade exercida pela autuada configura industrialização e não corresponde a qualquer uma das hipóteses de exclusão previstas no art. 5º da Lei nº 4.502/64. O recurso repete os argumentos que vêm sendo expostos desde a impugnação, consistentes na impossibilidade de tributarse o mesmo fato pelo ISS e pelo IPI, o que restaria claro nas Súmulas acima mencionadas bem como em diversas decisões judiciais e administrativas que deram aplicação a elas e consideraram que a atividade exercida não configura industrialização “por ser nítida prestação de serviço”. Tempestivas contrarazões da PFN copiam a decisão de Primeiro Grau. Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/11/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10855.000135/200591 Acórdão n.º 9303002.265 CSRFT3 Fl. 11 3 É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A admissibilidade do recurso especial foi, a meu ver, bem reconhecida, na medida em que se têm dois acórdãos que, debruçandose sobre os mesmos fatos, a eles deram interpretações diametralmente opostas. Dele conheço. Como relatado, a questão a ser dirimida é única: cabe IPI sobre atividade que conste na lista de serviços anexa ao Decretolei 406/68 e na Lei Complementar 116/2003? Entendo que sim. É que, a meu ver, ditas listas – e isso fica claro ao menos depois da promulgação da Carta Política de 1988 – destinamse exclusivamente a dirimir conflitos de competência entre os Estados e Municípios no que tange à incidência do ISS e do ICMS, dado que a Constituição expressamente impediu sua cumulação. Nada nela há, contudo, que impeça a cumulação de IPI com ISS, assim como não há para evitar que se tribute o IPI numa atividade já submetida ao ICMS. Essa consideração inicial já é suficiente para afastar a pretensão da recorrente de que se aplique hoje a Súmula 143 do extinto Tribunal Federal de Recursos: embora ela, de fato, mencione o IPI, foi editada na vigência da Carta anterior. Nela, como aliás reconhecido pelos renomados doutrinadores citados pela i. relatora que me antecedeu, havia dúvidas quanto à possibilidade de cumulação do IPI com o ISS. Realmente, faço coro com as abalizadas considerações expendidas pelas autoridades julgadoras de primeiro grau que peço vênia para transcrever O que se debate nos autos consiste em saber se existe alguma incompatibilidade entre a incidência do IPI, do ISS e do ICMS numa operação econômica em que para se prestar um serviço é necessário industrializar um produto e entregar uma mercadoria, tal como se dá no caso do serviço de artes gráficas. Tendo em conta que o debate versa sobre competência tributária, a investigação deve principiar pela Constituição Federal, pois os âmbitos de incidência dos tributos estão predefinidos na Carta pelos respectivos arquétipos constitucionais. O art. 153 da CF/88 ao dizer que "...Compete à União instituir impostos sobre: ... IV produtos industrializados;"e que o IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior;" revela que o Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/11/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 critério material da hipótese de incidência tributária é a execução de uma operação de industrialização. Esta é também o critério quantitativo da regra matriz de incidência, porquanto, ao estabelecer que o IPI "...será nãocumulativo, compensando se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;" o dispositivo constitucional nada mais fez do que dizer que a base de cálculo do imposto é o valor de cada operação da qual resulte num produto industrializado. O art. 155 da CF/88, por seu turno, ao fixar a regramatriz de incidência do ICMS estabelece que "Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, (...)". Depreendese daí que o aspecto material da hipótese de incidência do imposto estadual é a realização de operações relativas à circulação de mercadorias ou sobre a prestação dos serviços indicados. O imposto não incide sobre a mercadoria e nem sobre a circulação, incide sobre operações relativas à circulação, ou seja, negócios jurídicos de natureza mercantil que importem a transferência de domínio sobre a mercadoria. Estas operações relativas à circulação de mercadorias, consubstanciando negócios jurídicos de natureza mercantil, encerram duas obrigações de dar (entregar a mercadoria e pagar o preço). Relativamente ao ISS, sua regramatriz insculpida no art. 156 da CF/88 estabelece que ".... Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) III serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar."Ou seja, o imposto municipal incide sobre todos os serviços não inseridos na órbita de incidência do imposto estadual. (...) Conforme o termo de verificação, os clientes do autuado, ao encomendarem as etiquetas mediante o envio das especificações técnicas, estão em verdade encomendando uma prestação de serviço, consistente na execução personalizada de etiquetas impressas em suportes de plástico (art. 8° do DL n° 406/68). Para que a encomenda possa ser executada, o autuado é obrigado a adquirir insumos no mercado interno e a transformá los em um novo produto que, posteriormente, sairá do estabelecimento no momento da entrega ao cliente (arts. 4°, I e 32, II do RIPI/98). Finalmente, ao consumar a prestação do serviço, mediante a tradição da coisa e do recebimento do preço, promove a circulação de uma mercadoria (art. 2°, I, da LC n° 87/96). Inequívoco, portanto, que neste caso, a prestação de serviço (obrigação de fazer algo) não pode existir sem a execução de uma operação de industrialização, seguida da entrega de uma mercadoria (obrigação de dar). Logo, para poder prestar o serviço o autuado pratica os fatos geradores dos três impostos, Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/11/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10855.000135/200591 Acórdão n.º 9303002.265 CSRFT3 Fl. 12 5 IPI, ISS e ICMS, tudo dentro de uma mesma operação econômica. Resta verificar se existe alguma vedação constitucional para esta tríplice incidência tributária. A CF/69, quando tratava da competência dos Municípios para instituir impostos, excluía expressamente a competência municipal, diante de fatos sujeitos às competências da União e dos Estados, conforme se pode verificar em seu art. 25, verbis: Art 25 Compete aos Municípios decretar impostos sobre: ' I— (omissis); II serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência tributária da União ou dos Estados, definidos em lei complementar. Como na CF/88 esta exclusão de competência foi mantida apenas em relação ao ICMS (art. 156, III, da CF88), a conseqüência jurídica disto é que nos casos como no dos autos, quando a obrigação de fazer consistente na prestação do serviço se consubstanciar numa operação de industrialização, é perfeitamente possível a incidência do IPI e do ISS, á. luz das respectivas regrasmatrizes de incidência fixadas na constituição vigente Portanto, uma vez promulgada a Constituição vigente, tal cumulação só é expressamente impedida entre o ISS e o ICMS. Outra não é, a propósito, a razão para que a Súmula 156 do STJ, esta sim já editada na vigência da atual Carta Política, apenas faça referência ao ICMS, nenhuma menção havendo ao IPI. Nesse primeiro ponto, pois, não divirjo das decisões proferidas nos autos: não há Súmula oriunda de tribunal superior que indique a impossibilidade de cumulação pretendida. Superado esse argumento, imprescindível examinar se a atividade desenvolvida configura ou não industrialização nos termos da legislação do IPI. E a resposta também é afirmativa. Isso porque, nos dizeres da própria recorrente, ela adquire um determinado insumo (películas autoadesivas de plástico) e com elas elabora um novo produto: etiquetas personalizadas mediante a aposição de dizeres do interesse do seu cliente. Ela mesma ressalta que não recebe do seu cliente a etiqueta para, sobre ela, apenas apor os dizeres convenientes. Entendo que apenas nessa última hipótese é que se poderia cogitar da discussão proposta aqui pela recorrente, e ainda assim se além das etiquetas todos os demais insumos necessários fossem remetidos pelo seu cliente. Nesse caso, e só nele, a mesmíssima operação constitui, a um só tempo, serviço para efeito do ISS e industrialização para efeito do Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/11/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 IPI. Na hipótese, se tem a industrialização por encomenda com remessa de insumos (todos) em que a atividade exercida pelo industrial apenas consiste no emprego de mãodeobra para obtenção da mudança no objeto fornecido. No caso dos autos, porém, sequer é isso que ocorre. É a própria recorrente quem adquire os insumos necessários e, com eles, modifica as películas, deixandoas no formato e com as demais características requeridas pelo seu cliente. Não vejo como se possa dizer não se tratar de industrialização no conceito previsto na Lei 4.502. Registro que diversas decisões, tanto administrativas quanto judiciais, afirmaram que a atividade ora analisada – e outras assemelhadas – não seriam industrialização em face de ser exercida por encomenda e ter na mãodeobra o seu principal elemento. Também quanto a isso peço vênia para divergir. É que, como muito bem afirmado no voto atacado, a exclusão do conceito de industrialização que se poderia cogitar exige, cumulativamente, que a atividade seja exercida na residência do confeccionador ou em oficina e que o trabalho seja preponderante. Nenhuma dessas condições é comprovadamente preenchida pela recorrente. Com efeito, cediço que não se trata de residência, a condição relativa ao estabelecimento exigiria que se tratasse de uma mera oficina. Mas ela é precisamente definida na legislação do IPI: tratase de estabelecimento que empregue, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não disponha de potência superior a cinco quilowatts. Não se tem tal informação nos autos, mas parece improvável que uma indústria (como a própria empresa se denomina) o atenda. De todo modo, há mais uma condição: que o trabalho seja preponderante. O é aquele que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo, com sessenta por cento. Ambas as definições constam de todos os Regulamentos do IPI. Destarte, bem ao contrário do que supõem várias das decisões trazidas à colação pela recorrente, longe está de ser “nítido que não se trata de industrialização porque é serviço”. Em verdade, é de industrialização que se cuida e, como tal, sujeita ao imposto que a ela grava. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso ofertado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Declaração de Voto Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/11/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10855.000135/200591 Acórdão n.º 9303002.265 CSRFT3 Fl. 13 7 Em que pesem os doutos fundamentos expendidos pelo Ilustre Conselheiro relator, entendo, com todas as vênias, que eles não merecem prosperar. E isso porque, notadamente em face da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, penso que não há industrialização para fins de incidência do IPI em hipóteses como a presente, em que a contribuinte adquire, no mercado interno, películas plásticas autoadesivas e sobre elas imprime, após cortálas nos tamanhos adequados, dizeres e expressões indicados pelos seus clientes. Deveras, não há como se negar que há trabalho gráfico nas operações do contribuinte em razão do contido nos próprios autos. Apontouse no voto relator, todavia, que nos termos da legislação do IPI há industrialização e, por conseqüência, o referido tributo é devido. Pois bem, a primeira observação relevante para se dirimir a presente controvérsia é que pouco importa saber se pode ser separada ou não a atividade industrial da atividade de prestação de serviço gráfico personalizado. O que cabe indagar, efetivamente, para se perquirir a incidência ou não do IPI, ou ainda, de ISS, é se há ou não prestação de serviço gráfico personalizado. Pelo conteúdo dos autos, há serviço gráfico personalizado na atividade da contribuinte. A sua produção se limita à obtenção de produtos decorrentes do corte e impressão de dizeres e expressões indicados pelos clientes da contribuinte sobre películas plásticas auto adesivas adquiridas no mercado. Cabe indagar, então, o seguinte: a contratação do contribuinte se dá pela sua atividade industrial, ou seja, pelo corte das películas plásticas autoadesivas adquiridas no mercado, ou pela sua atividade gráfica, o rótulo ou etiqueta personalizada? O que é mais importante para o contratante? Pareceme, com todas as vênias daqueles que comungam de entendimento diverso, que o serviço gráfico, no caso, é nitidamente preponderante. Não se nega que, em tese, há industrialização – produção de etiquetas mas isso, por si só, não significa que deva incidir o IPI. De fato, uma empresa como a CocaCola, por exemplo, antes de solicitar apenas um rótulo plástico adesivo devidamente cortado, quer a sua marca perfeitamente estampada nele, o que configura serviço gráfico personalizado. Da mesma forma, a fabricante de fraldas Cremer, por exemplo, espera que a sua marca e todos os dizeres necessários estejam aplicados na embalagem das suas fraldas, de nada valendo a embalagem plástica sem a aplicação gráfica. Portanto, a entrega de embalagens, rótulos ou etiquetas, fabricados ou adquiridos pela contribuinte, não é determinante para a incidência do IPI. De fato, com a prestação do serviço gráfico personalizado e, por conseqüência, da sua previsão como serviço tributado pelo ISS, por constar da lista do Decreto Lei nº 406/68, não há incidência de IPI. Essa linha de entendimento já é adotada há muito tempo pela jurisprudência pátria, sendo de se destacar, neste sentido, as próprias súmulas do antigo Tribunal Federal de Recursos e do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria: Súmula nº 143 (TFR) Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/11/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Serviços de Composição e Impressão Gráficas ISS e IPI Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no artigo 8º, par. 1º, do DecretoLei nº 406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo DecretoLei nº 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. Súmula nº 156 (STJ) A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, de fato, já tratou por diversas vezes de situações, se não idênticas, bastante semelhantes às dos presentes autos, nos casos em que se discutiu a incidência de IPI sobre embalagens e rótulos. Destacamse os seguintes julgados: 1) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 966184/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/2008, DJe 19/12/2008) (grifos nossos) 2) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMBALAGENS. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. INCIDÊNCIA DO ISS. PRECEDENTES. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. REEXAME DE PROVA. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Revelase improcedente argüição de ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil na hipótese em que o Tribunal de origem tenha adotado fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia, atentandose aos pontos relevantes e necessários ao deslinde do litígio. 2. O recurso especial não é sede própria para rever as premissas ensejadoras de julgamento se, para tanto, fazse necessário o revolvimento dos elementos fáticoprobatórios considerados ao longo do feito. Inteligência da Súmula n. 7/STJ. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/11/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10855.000135/200591 Acórdão n.º 9303002.265 CSRFT3 Fl. 14 9 3. É iterativa a orientação do STJ de que impressos encomendados e personalizados, como rótulos, embalagens e etiquetas, são considerados serviços de composição gráfica, razão pela qual estão sujeitos ao ISS, e não ao ICMS. Incidência da Súmula n. 156/STJ. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e parcialmente provido. (REsp 578466/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2007, DJ 19/03/2007, p. 303) (grifos nossos) 3) PRODUÇÃO DE EMBALAGENS, SERVIÇOS PERSONALIZADOS. INCIDÊNCIA DO ISS. SÚMULA 156/STJ. ICMS. NÃOINCIDÊNCIA. I A atividade de composição gráfica, entre as quais, a confecção de embalagens folhetos e etiquetas, não descaracteriza a natureza de prestação de serviços. Aplicação da Súmula 156/STJ:"A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes: REsp nº 542.242/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 08.11.2007; REsp nº 578.466/SP, JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 19.03.2007 e REsp nº 493.749/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 28.02.2005. II Não há se falar em incidência da súmula 7/STJ, quando se encontram apresentados no acórdão recorrido os dados factuais necessários à avaliação da questão de direito vinculada. III Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 937803/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/12/2007, DJe 12/03/2008) (grifos nossos) Além disso, é de se ressaltar que a própria jurisprudência administrativa também já corroborou esse entendimento, conforme se depreende dos seguintes julgados: IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO DE ADESIVOS POR ENCOMENDA. Os serviços gráficos personalizados, ainda quando envolvam o fornecimento de mercadorias, ficam sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. In casu, a atividade de elaboração de películas adesivas sob encomenda desenvolvida pela Recorrente não se enquadra na hipótese de incidência do IPI, posto que é nítida a prestação de serviço. Recurso provido. Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/11/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 (RV 219196, Processo 11080.011458/9638, Acórdão 202 15523, rel. Cons. Marcelo Marcondes MeyerKozlowski) (grifos nossos) IPI. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decreto Lei nº 406/68. Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI. Recurso provido. (RV 110313, Processo 13603.000708/9837, Acórdão 201 78.520, rel. Cons. Gustavo Vieira de Melo Monteiro) (grifos nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com todas as vênias aos que comungam de posicionamento contrário, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial para reformar o v. acórdão recorrido e considerar insubsistente o lançamento consubstanciado no auto de infração. RODRIGO CARDOZO MIRANDA Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 14/11/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10680.012245/2004-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Não se conhece de recurso especial quando ausente o interesse recursal.
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
Não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido quando não demonstrada pela Recorrente a divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-001.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, em: 1) não conhecer do recurso da Fazenda Nacional; e 2) não conhecer do recurso do contribuinte.
Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente.
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
EDITADO EM: 14/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues Lima, João Carlos de Lima Júnior e Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Não se conhece de recurso especial quando ausente o interesse recursal. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. Não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido quando não demonstrada pela Recorrente a divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, em: 1) não conhecer do recurso da Fazenda Nacional; e 2) não conhecer do recurso do contribuinte. Otacilio Dantas Cartaxo Presidente. Plínio Rodrigues Lima Relator. EDITADO EM: 14/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues Lima, João Carlos de Lima Júnior e Suzy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 22 45 /2 00 4- 63 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Contra EDIFICADORA S.A. constam os autos de infração descritos a seguir com base no Acórdão da DRJ/BHE n° 7.879, de 23 de fevereiro de 2005 (Fls. 272 a 293): Os autos de infração a folhas 5 a 15 exigem do sujeito passivo crédito tributário no montante total de R$ 10.904.177,89, assim discriminado: TRIBUTO JUROSDEMORA MULTA Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 3.902.096,37 1.185.847,08 2.926.572,27 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) 1.406.914,74 427.561,38 1.055.186,05 DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS I Auto de infração de IRPJ Fazendo remissão ao termo de verificação fiscal à folha 1 a 30, as autuantes imputam à autuada duas infrações, das quais adiante se faz uma síntese, segundo o que consta no auto de infração. 1. FALTA DE ADIÇÃO DE LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL — Na determinação do lucro real não foi adicionado o valor de lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controlados ou coligadas. Data do fato gerador: 31.12.2002. Enquadramento legal: artigo 25, §§ 2° e 3° , da Lei n° 9.249, de 1995; artigo 16 da Lei n° 9.430, de 1996; artigo 3° da Lei n° 9.959, de 2000; artigos 249, inciso II, e 394 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.03.1999 (RIR 1999). 2. CÔMPUTO DE EXCLUSÃO INDEVIDA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL — Efetuada a glosa, por falta de comprovação, de valor excluído na apuração do lucro real a título de despesa com variações cambiais passivas. Data do fato gerador: 31.12.2002. Enquadramento legal: artigo 9° da Lei n° 9.718, de 1996; artigo 30 da MP n° 1.85810, de 1999; artigos 250, inciso I, 251 e 923 do RIR 1999. II — Auto de infração de CSLL Atribuemse à autuada exatamente as mesmas infrações já descritas na subseção deste relatório que trata do auto de infração de IRPJ. Data do fato gerador: 31.12.2002. Enquadramento legal indicado: artigo 2° e seus parágrafos, da Lei n° 7.689, de 1988; artigo 19 da Lei n°9.249, de 1995; artigo 1° da Lei n°9.316, de 1996; artigo 28 da Lei n°9.430, de 1996; artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 1999, e reedições. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.012245/200463 Acórdão n.º 9101001.685 CSRFT1 Fl. 3 3 Cientificada das autuações fiscais em 08 de outubro de 2004, em 08 de novembro de 2004 a autuada apresentou impugnação às Fls. 228 a 260, a seguir sintetizada pela autoridade julgadora de primeira instância: 1ª INFRAÇÃO: Quanto ao direito • Os autuantes, para efeito de determinar o lucro presumidamente distribuído à controladora, estipularam o percentual de 0,999066 sobre o lucro arbitrado da controlada nos exercícios de 1996 a 2002, considerando como tal o percentual de 38,4% de sua receita bruta. Esta, por sua vez, foi obtida mediante informações idênticas as que lhe foram fornecidas pela controladora quanto às despesas realizadas. Estranhamente considerouse que mereciam fé os valores relativos à receita, mas não os relativos às despesas, sem nenhuma justificativa lógica ou jurídica para a discriminação, pois receitas e despesas legalmente admissíveis são definidas pelos países onde estão sediadas as empresas controladas, e não pelo Brasil, onde está sediada a controladora. • Não se admite que, além de presumir a aquisição de disponibilidade econômica, ainda que não ocorrida materialmente, possa ser igualmente presumido o lucro constante do balanço. Não pode o fisco inventar a ocorrência de lucro inexistente no balanço, considerar que foi disponibilizado e que, enfim, sonegado, justificandose até a imposição de multa. • A autuada apresentou à SRF os documentos da MJICO que, segundo os artigos 25, 26 e 27 da Lei n° 9.249, de 1995, deve ter em seus arquivos. Não se justificam o arbitramento e a imposição da penalidade, porque merecem fé os documentos apresentados. • É permitido à administração rever os seus próprios atos. Assim, de acordo com a melhor doutrina nacional, pode negar execução ao ato normativo considerado inconstitucional, ou que não se coadune com a lei, quando for o caso. Em abono do argumento, citamse passagens atribuídas a Dejalma de Campos e a Mary Elbe Queiroz Maia, e acórdão atribuído ao Superior Tribunal de Justiça STJ. • Em respeito ao princípio da anterioridade estabelecido pelo artigo 150, inciso III, b, da Constituição Federal, são tributáveis apenas os lucros auferidos no exterior a partir da vigência da Lei Complementar n° 104, de 10.01.2001, isto é, a partir de 01.01.2002. Não se pretende discutir nesta impugnação a constitucionalidade do artigo 74 da MP no 2.15835, de 2001, nem a do artigo 43 do CTN, acrescido pela LC n° 104, de 2001, porque é suficiente no caso o reconhecimento da impossibilidade de aplicar retroativamente as normas em questão. • Reservase à Constituição Federal a função de outorgar ou limitar a competência tributária o exercício dessa competência Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 deve ser regulado por lei complementar, conforme dispõe o artigo 146 da mesma Constituição. Existe uma seqüência lógica inalterável para a edição das normas tributárias, a saber: a Constituição outorga a competência; lei complementar define os fatos geradores, as bases de cálculo e os contribuintes; por fim lei ordinária do ente federado competente institui o tributo. A Constituição Federal, quanto ao aspecto temporal, proíbe a cobrança de tributo em relação a fato gerador ocorrido antes da vigência da lei que o haja instituído ou aumentado. Proibe ainda, mediante o principio da anterioridade, que se faça a cobrança de tributo novo ou alteração onerosa para o sujeito passivo no mesmo exercício financeiro em que isso tenha ocorrido. Seguese ser impossível juridicamente a exigência de IRPJ em bases mundiais em período anterior à promulgação da LC n° 104, de 2001. • Não se diga que antes mesmo da LC n° 104, de 2001, já era possível a tributação da renda auferida no exterior. Isso equivaleria ao absurdo de concluir que os acréscimos dos §§ 1° e 2° ao artigo 43 do CTN foram inúteis, pois o fato gerador previsto no caput do artigo não seria suficiente para tanto. • De acordo com as suas demonstrações financeiras, já entregues à fiscalização, a MJICO não obteve receita bruta no anocalendário de 2002, sendo igual a zero o lucro arbitrado pela fiscalização para o período. Como também foi apurado prejuízo contábil, não há falar em CSLL e IRPJ para o período em causa. • A hipótese de a receita ou rendimento proveniente do exterior ser considerada renda tributável antes que se incorpore efetivamente ao patrimônio do contribuinte constitui ficção jurídica de duvidosa constitucionalidade que se encontra em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de não se pretender o reconhecimento da inconstitucionalidade, a matéria deve ser referida. • A autuada não está protelando, por meio do poder que exerce sobre sua controlada, a distribuição dos lucros auferidos, pois esses lucros simplesmente não existem, conforme informado à SRF mediante a entrega dos balanços da MJICO. Constituiria absurda e dupla ficção considerálos disponíveis, pois não existem e sua distribuição seria forçada. Assim, não se aplica ao caso o artigo 74 da MP n°2.15835, de 2001. • Apoiandose em abstrusa interpretação do artigo 74 da MP n° 2.15835, de 2001, as autuantes arbitraram o lucro desde 1996, como se não existissem normas sobre decadência do direito de constituir crédito tributário e rever as declarações dos contribuintes. Aquela MP não revogou as normas do CTN sobre a constituição de créditos, pois não poderia fazêlo devido à hierarquia das leis. • A fiscalização não poderia ter arbitrado o lucro, pois já se achava extinto o direito de constituir o crédito tributário. Esse direito no nasceu em 31.12.2002, pois a regra do artigo 74 da MP n°2.15835, de 2001, diz respeito somente a lucros constantes dos balanços e não tem o condão de modificar regras Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.012245/200463 Acórdão n.º 9101001.685 CSRFT1 Fl. 4 5 de contagem de prazo d'e lcaancl, priyativas de lei complementar. Assim, devem ser considerados extintos os créditos referentes?àós an .catenddrios de 1995, 1996, 1997 e 1998. • Quanto à CSLL, os lucros auferidos no exterior somente devem ser adicionados A. sua base de cálculo a partir de outubro de 1999 (Ato Declaratório n° 75, de 17.08.1999). Caso, porém, não sejam acolhidos os argumentos até aqui expostos, pedese que o crédito tributário seja reduzido a R$ 3.820.038,65, conforme demonstrado na impugnação. 2ª INFRAÇÃO: Quanto ao mérito • O AI está inquinado de erros materiais e de direito. A autoridade tem o poderdever de corrigir de oficio o lançamento, em face da determinação legal contida nos artigos 134, inciso III, e 149, inciso V, do CTN. Em abono da afirmação, citamse passagens atribuidas a Antônio da Silva Cabral e Mary Elbe Queiroz Maia, e também ementa de acórdão atribuído ao Conselho de Contribuintes. • O artigo 30 da MP n° 2.15825, de 2001, determina o cômputo das variações cambiais pelo regime de caixa, podendo o contribuinte optar pelo regime de competência. Quando os direitos e obrigações forem realizados, conforme consta na IN SRF n° 345, de 2003, as despesas financeiras serão computadas na base de cálculo da CSLL e do IRPJ por meio de exclusão, e as receitas por meio de adição. • A autuada optou pelo regime de caixa, a partir do ano calendário de 2000, o que pode ser comprovado pelas DIPJ entregues desde então. Portanto, a opção pode ser comprovada pela própria SRF. • Apesar das explicações e documentos anexados A. resposta aos termos de intimação n° 8 e 9, a fiscalização entendeu indevida a exclusão das variações cambiais. Ao que parece, a fiscalização reputou que a autuada não comprovou a existência de contrato escrito da conta corrente mantida com a MJICO, nem dos documentos que apóiam a escrituração respectiva. A fiscalização afirmou ainda que a autuada se esquivara de prestar informações sobre sua controlada. A autuada, porém, enviou à fiscalização os livros diários de 1999 a 2002, cópia dos razões contábeis e outros documentos; somente não apresentou a documentação da MJICO, uma vez que se encontrava na sede dessa empresa, assim como ocorre com outras empresas, até mesmo as estatais. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 • Quanto à exigência de contrato escrito da conta corrente, a autuada respondeu que não existia, uma vez que de acordo com a doutrina (referese à obra de Fran Martins) tal contrato se classifica como bilateral, oneroso, comutativo e consensual. Esse contrato não conta com disciplina específica na legislação brasileira, embora não haja divergência quanto a ser desnecessária juridicamente a forma escrita, pois vigora o princípio da liberdade de contratar. Não sendo exigido em lei, não foi elaborado pelas partes, e a fiscalização não pode exigi lo, sob pena de ferir o artigo 5°, inciso II, da Constituição Federal. • Sendo contrato consensual, pode ser provado por todos os meios permitidos no artigo 122 do Código Comercial, entre os quais os livros dos comerciantes. O artigo 432 do mesmo Código diz ainda que as verbas creditadas ao devedor e lançadas nos livros comerciais devem presumir o pagamento. • A conta corrente é um instrumento largamente utilizado pelos contribuintes justamente para alocar as despesas A. parte a que realmente competem, como determina a legislação comercial e a fiscal, principalmente a última. • Pode ser ainda verificada a existência da conta corrente na correspondência observada na contabilidade da MJICO, particularmente nas demonstrações financeiras entregues fiscalização, conforme os saldos da conta "affiliated and associated companies". • A conta corrente foi formada por registros apoiados em avisos de lançamentos entre as partes, que substancialmente se referem a variação cambial. Quando se lastrearam em outros documentos, estes foram anexados. • Conforme sintetizado em tabela constante da impugnação, 99,75% da movimentação ocorrida entre 1999 e 2001 referese à variação cambial, cujos lançamentos só podem ser comprovados por meio de planilhas que apoiam os valores contabilizados e que podem ser conferidos graças a mera operação matemática. Na impugnação discriminamse ainda, mês a mês, as variações cambiais escrituradas na conta corrente e que foram adicionadas As bases de cálculo da CSLL e do IRPJ. • Ocorreram pequenas divergências, no montante de R$ 10,00, em relação aos valores adotados para fins fiscais e os escriturados, sobretudo em virtude de processamento de balancetes. Todavia não houve prejuízo para o fisco, conforme demonstrado em tabela constante da impugnação. • Na AGE já mencionada (anexo 1), a MJICO decidiu reduzir o capital, além de distribuir dividendos, os quais foram quitados com o saldo da conta corrente que lhe era favorável. Uma liquidação de semelhante natureza só se pode provar com um único documento: a AGE da MJICO (cuja ata foi devidamente registrada sob as leis das Ilhas Cayman anexo 1), com os lançamentos contábeis respectivos. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.012245/200463 Acórdão n.º 9101001.685 CSRFT1 Fl. 5 7 • A compensação de débitos e créditos é também um instituto previsto na legislação, em particular pelo artigo 439 do Código Comercial e pelo artigo 1.009 do Código Civil de 1916. • Compõem o anexo 2, juntado à impugnação, os seguintes documentos: a) fichas do lucro real e da base da CSLL, parte das DIPJ dos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002; b) páginas do livro razão em que se acha escriturada a conta corrente de 1999 a 2002; c) planilhas de cálculo das variações cambiais contabilizadas. • Também gerou variações cambiais a divida da autuada para com a Morrison Knudsen do Brasil Ltda. A obrigação foi liquidada em 17.10.2000, mediante a dação por escritura pública de direitos creditórios, em caráter irrevogável e irretratável. Os direitos creditórios pertenciam Mendes Junior Engenharia S.A. e foram cedidos à. autuada no mesmo ato. • Essas variações cambiais geraram um direito liquido de exclusão, no anocalendário de 2000, no montante de R$ 872.203,61. Entretanto, ern relação à liquidação da obrigação, nada foi excluído nos anoscalendários de 2000 e 2001, como provam as fichas de apuração da CSLL e do IRPJ das DIPJ respectivas (anexo 3). Não obstante, por erro ao elaborar a D1PJ, a autuada não levou em conta tal exclusão, mas fez os seguintes ajustes na parte B do LALUR em 2002: Variação cambial ativa realizada e adicionada referente MKE anobase 2000 1.265.187,52 Variação cambial passiva realizada e excluída referente MIKE anobase 2000 (1.421.639,53) Soma 156.152,01 • Ao computar as variações em questão na determinação da base de cálculo da CSLL e do IRPJ, a autuada lançou somente o valor que também indevidamente fora considerado como passível de adição, a saber, R$ 1.265.487,52. Desta forma, demonstrase a legitimidade da exclusão de R$ 508.162.679,99, feita em 31.12.2002. Com esse procedimento, a autuada prejudicou a si mesma, pois poderia ter excluído não k$ 508.162.679,99, mas sim R$ 510.300.371,12. Os documentos comprobatórios dessa alegação compõem o anexo 3. • Os fatos expostos conduzem A. conclusão de que todo o procedimento foi feito de acordo com a lei e que tudo ficou comprovado com a documentação anexa. Perguntase o que mais se pode exigir da autuada e o que mais resta a provar. • Questionase ainda: a) as adições e exclusões referentes aos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002, discriminadas nos parágrafos precedentes, nada provam? b) se mantida a glosa da exclusão, o prejuízo fiscal seria nos montantes adicionados em cada um dos períodos de apuração em causa, A. revelia do declarado pela autuada? Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 • O artigo 30 da MP n° 2.15835, norma de direito público e portanto cogente, determina a escrituração das variações segundo o regime de caixa. Tendo a autuada adotado essa opção, perguntase se as autuantes poderiam desconsiderála. • Na busca da verdade material, a administração devese pautar pela imparcialidade que pressupõe o afastamento de todos os interesses estranhos ao interesse público, bem como pelos diversos interesses juridicamente presentes no caso sob exame. Em abono do argumento citase passagem atribuida a Marcos Vinicius Neder. • Comprovada a legalidade da exclusão não deve o crédito tributário subsistir. • A própria fiscalização reconhece que só são computáveis na base de cálculo da CSLL os lucros auferidos no exterior (quando existentes) a partir de 10 de outubro de 1999, conforme a MP n° 1.8586, de 19.06.1999, e o Ato Declaratório n° 75, de 17.08.1999. Todavia, as autuantes não consideraram tal norma em seus cálculos. Logo, caso não sejam acolhidas as preliminares de mérito, deve ser retificado o valor dos lucros do exterior arbitrados na base da CSLL. A não retificação significa o descumprimento do principio da legalidade e dos próprios atos da SRF, aos quais a autoridade está jungida, nos termos da Lei n° 8.112, de 1990, e do artigo 37 da Constituição Federal. • Compõe o anexo 4 a demonstração da segregação do resultado da MJICO relativo ao período de 01.01.1999 a 30.09.1999. Sendo impossível a tributação de lucros auferidos no exterior, ainda que arbitrados, o montante que seria arbitrado na base de cálculo da CSLL seria de R$ 6.678.502,44, e não R$ 16.175.890,01, conforme demonstrado na impugnação. • As autuantes esqueceramse de compensar os saldos acumulados até o anocalendário de 2002 de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL, cujos montantes são indicados na impugnação. A obrigatoriedade da compensação constitui entendimento pacifico tanto entre as delegacias de julgamento como no Conselho de Contribuintes. Para ilustrar a afirmação citase ementa de acórdão atribuído à DRJ/Fortaleza. • Na hipótese de vir a ser mantida a glosa da exclusão das variações cambiais, é requerido que sejam acolhidas as alegações dos tópicos IV.3, IV.4 e IV.5. Assim, o crédito tributárioreferente à CSLL e ao IRPJ seria reduzido aos montantes demonstrados na impugnação. Quanto à perícia • Não sendo suficientes as provas documentais juntadas aos autos, é requerido nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, que seja elaborada perícia ou diligência a fim de comprovar as alegações formuladas, especialmente: a) a existência de conta corrente entre a autuada e a MJICO; b) a contabilização das variações cambiais, sua adição para fins fiscais nos anos de 2000, 2001 e 2002, e a propriedade do valor excluído; c) comprovação da adequação dos valores contabilizados a titulo de variação cambial e sua Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.012245/200463 Acórdão n.º 9101001.685 CSRFT1 Fl. 6 9 correspondência aos montantes adicionados e excluídos nas DIPJ dos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002; d) comprovação da liquidação das obrigações que deram origem às variações cambiais. • A impugnante aponta como seu perito a empresa Target Consultoria Empresarial S/C Ltda, qualificada pelo seu endereço, inscrição no CNPJ/MF e no CRC/MG. Pedido • A impugnante requer que se acate: a) a impossibilidade de arbitrar lucros no exterior e, não havendo lucros por tributar, a improcedência do auto de infração; b) ou a impossibilidade da aplicação retroativa da LC n° 104, de 2001, e da aplicação do artigo do artigo 74 da MP n°2.15835; nesse caso, não havendo lucro por tributar, a improcedência do auto de infração; c) o direito da autuada excluir as variações cambiais realizadas, de modo que não restará nenhum valor por tributar e em conseqüência cumprirá retificar o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL; d) a caducidade do direito de a Fazenda Pública constituir créditos tributários sobre lucros arbitrados anteriores a 1999 (CSLL a partir de outubro de 1999), retificandose em conseqüência o valor do AI; e) os seguintes pedidos para conseqüentemente reduzir o valor do AI para R$ 6.363.336,19: impossibilidade de arbitrar lucros anteriores a outubro de 1999; compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, e cálculo correto do adicional do IRPJ. Deciciu a DRJ/BHE quanto à 1ª INFRAÇÃO que não houve fundamento legal para o arbitramento efetuado, tornandose improcedentes as exigências fiscais dele decorrentes e recorreu de Ofício em função da exoneração do crédito tributário ser superior ao limite de alçada (art. 2° da Portaria MF n° 375, de 7 de dezembro de 2001). Quanto à 2ª INFRAÇÃO, julgou a DRJ/BHE inaceitável a exclusão das variações monetárias vinculadas à conta corrente com a MIJCO, por ausência de comprovação das respectivas operações. Deste item, recorreu a autuada em 11 de maio de 2005 (Fls. 303 a 317). Transcrevese a seguir a ementa do julgamento em primeira instância: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: ARBITRAMENTO DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR SOCIEDADE CONTROLADA — Somente se pode arbitrar lucro auferido no exterior por meio de sociedade controlada quando esta não dispõe de sistema contcibil que permita a apuração de seus resultados. VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS' — CONDIÇÃO PARA DEDUÇÃO OU EXCLUSÃO — A partir da vigência do artigo Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 30 da Medida Provisória n° 1.85810, de 1999, o contribuinte que optar pela escrituração das variações cambiais passivas segundo o regime de caixa somente poderá efetuar a sua dedução ou exclusão se comprovar com documentação hábil a origem e a respectiva liquidação das operações a que se referirem. LANÇAMENTO DECORRENTE — CSLL decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. Lançamento Procedente em Parte. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou ambos os Recursos por meio do Acórdão n° 10195.874 (Fls. 319 a 342), transcritos a seguir o respectivos dispositivo e ementa: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de oficio, para restabelecer em parte a exigência, tomandose como base de cálculo do arbitramento dos lucros auferidos no exterior os lucros correspondentes aos anos de 1998 a 2001, vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido (Relator), Sandra Maria Faroni e Paulo Roberto Cortez que deram provimento integral ao recurso de oficio, e, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: ARBITRAMENTO DE LUCROS AUFERLDOS NO EXTERIOR POR SOCIEDADE CONTROLADA — cabe à sociedade controladora domiciliada no Brasil a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais que deram base a apuração dos resultados de pessoa jurídica controlada, no exterior e que tiveram repercussão na sua própria apuração de resultados. A não apresentação de tais livros e documentos poderá ensejar o arbitramento do lucro da controlada, na forma do inciso II do a rtigo 16 da Lei n° 9.430/1996. LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996 E 1997 — LEI 9.249/95 — ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA 111136TESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 — IMPOSSIBILIDADE — Antes do advento da Lei 9.532/97, o regime de tributação dos lucros de filiais, controladas e coligadas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei 9.249/95 qualquer elemento Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.012245/200463 Acórdão n.º 9101001.685 CSRFT1 Fl. 7 11 que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Os lucros auferidos durante os anoscalendário de 1996 e 1997 deveriam ser adicionados em 31 de dezembro de cada ano, na proporção da participação societária, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. O lançamento de oficio deve, portanto, reportarse a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador. VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS GLOSA DE DESPESAS — COMPROVAÇÃO o contribuinte que optar pela escrituração das variações cambiais passivas segundo o regime de caixa, na forma do artigo 30 da MP n° 185810/1999, deverá efetuar a comprovação, por documentos hábeis e idôneos, da origem das operações que lhes deram causa, bem como, de sua liquidação. LANÇAMENTO REFLEXO O decidido em relação ao tributo principal aplicase à exigência reflexa em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Cientificada em 08 de janeiro de 2008, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em 14 de janeiro de 2008 (Fls. 346 a 351), sob os fundamentos do art. 7°, I, do RICSRF (Anexo II da Portaria MF n° 147/2007). Deuse seguimento conforme exame de admissibilidade às Fls. 353. Intimada em 08 de agosto de 2008 (Fls. 356), a contribuinte opôs embargos de de declaração em 18 de agosto de 2008 (Fls. 359 a 375), cuja rejeição ocorreu por Despacho em 29 de setembro de 2008 (Fls. 378), e apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional em 25 de agosto de 2008 (Fls. 383 a 401). Cientificada do Despacho que rejeitou os embargos de declaração (Fls. 378) em 18 de junho de 2010 (Fls. 406 ), a autuada interpôs Recurso Especial de divergência em 05 de junho de 2010 (Fls. 407 a 438). Deuse seguimento conforme exame de admissibilidade às Fls. 450 a 455. Intimada em 14 de julho de 2011, a Fazenda Nacional interpôs contrarrazões ao Recurso Especial do contribuinte em 19 de julho de 2011 (Fls. 457 a 462). Encaminharamse os autos ao CARF em 19 de julho de 2011, sorteados a este Conselheiro em 12 de outubro de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima Fl. 11DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional e Recurso Especial do Contribuinte. Pela ordem cronológica de apresentação dos recursos, inicio a análise pelo primeiro. A apreciação do presente recurso considera o disposto nos arts. 7°, inciso I, e 15, do RICSRF (Anexo II da Portaria MF n° 147/2007) c/c o art 4° da Poraria MF n° 256/2009, a seguir transcritos: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; (...) §1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. (...) Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. §1º Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. (...) Art. 4° Os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Argumenta a Recorrente quanto ao cabimento do Recurso Especial (Fls. 348 e 349) : O r. voto condutor do aresto recorrido não foi acompanhado pela unanimidade da e. Camara a quo. Outrossim, as provas existentes nos autos, apesar do entendimento esposado pelo r. acórdão recorrido, demonstram que a escrituração contábil da Recorrida, apresentada à fiscalização de forma incompleta, a despeito de intimações especificas, não observou as regras contábeis, de forma que restou inviabilizada a apuração do lucro real. Ademais, o entendimento da ilustre maioria contraria o art. 16, II da Lei n° 9.430/96 e o art. 530 do RIR199. Vejamos: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.012245/200463 Acórdão n.º 9101001.685 CSRFT1 Fl. 8 13 Lei n° 9.430/96 "Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: (..); II arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas, quando não for possível a determinação de seus resultados, com observância das mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real". (Grifos nossos) RIR/99 "Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 1°): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527". (Grifos nossos) No caso presente caso, o arbitramento está fundamentado no fato do Recorrido não ter apresentado os documentos contábeis exigidos pela fiscalização. Entende a jurisprudência majoritária deste Conselho de Contribuintes que a recusa é causa para a imposição do arbitramento, que fica configurada independentemente da possibilidade de que o documento requerido pela fiscalização exista, ou mesmo que seja apresentado posteriormente. (...) Quanto ao mérito do presente recurso, argumenta a Recorrente (Fls. 350 e 351), pugando ao final pelo restabelecimento integral do lançamento: A discussão que ocorre no presente processo administrativo se resume em saber se a recusa em apresentar a escrituração contábil é ou não apta a fundamentar o arbitramento. (...) Enfim, o momento para que a Recorrida comprovasse a regularidade da sua escrita contábil seria no atendimento à intimação da autoridade autuante. Ocorre que tal demonstração não foi possível porque, como visto, a Recorrida não apresentou sua escrita contábil. Está correto, portanto, o arbitramento. As informações contidas neste relatório e nos autos dão conta da tempestividade do presente recurso. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Quanto ao requisito da contrariedade à lei ou à evidência de prova, confrontandose os argumentos recursais supracitados com o Acórdão em sede de Recurso Voluntário, comprovase que a discussão entre as teses vencedora e vencida gravita apenas em torno do aspecto temporal da hipótese de incidência prevista no art. 25 da Lei n° 9.249/95 em relação aos períodos de apuração de 1996 e 1997. Senão, vejamos: Voto vencido (Conselheiro Caio Marcos Cândido): (...) Durante o julgamento, no transcorrer do debate, foi arguida a ocorrência da decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário em relação aos lucros auferidos no anocalendário de 1996 e 1997, em face de terem sido auferidos sob a égide do artigo 25 da Lei n° 9.249/1995, que estabelecia que os lucros auferidos no exterior deveriam ser computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Tal matéria já foi debatida nesta Camara quando do julgamento do recurso n° 144.538 que deu origem ao acórdão n° 101 95.476, da sessão de 26 de abril de 2006. Naquela oportunidade acompanhei o voto condutor da Conselheira Sandra Maria Faroni, que entendeu que a Instrução Normativa SRF n° 38/1996 que, dando interpretação ao citado dispositivo estabeleceu que a tributação se daria no dia 31 de dezembro do ano da disponibilização dos lucros. Confirmo neste voto a posição adotada naquela oportunidade, pelo quê peço vênia à Ilustre Conselheira para reproduzir as razões de decidir daquele voto. (...) Entendendo não ter ocorrido a decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário e, tendo em vista, que o lançamento foi elaborado com base na legislação de regência da matéria. Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso de oficio para restabelecer a exigência como formulada. Voto Vencedor (Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior): Peço vênia ao Conselheiro Relator para discordar com relação aos lucros gerados nos anoscalendário de 1996 e 1997, ainda que disponibilizados posteriormente. “(...) Manifesteime no Acórdão 10195.476 pela ilegalidade da IN SRF 38/96, conforme os seguintes argumentos: (...) Minha divergência está fulcrada na ilegalidade da IN SRF 38/96, na extensão dos dispositivos da mesma que modificaram o aspecto temporal da hipótese de incidência prevista na Lei 9.249/95. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.012245/200463 Acórdão n.º 9101001.685 CSRFT1 Fl. 9 15 (...) Mas há mais. Ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Tendo em vista que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo apenas em 25/09/2003, já decorrido mais de um lustro dos fatos geradores, caduco o direito de lançar." O caso dos presentes autos possui premissa idêntica, ou seja, os lucros de 1996 e 1997 deveriam ter sido lançados com base no fatosgerador de 31 de dezembro de cada um dos períodos de apuração. Meu fundamento com certeza é diverso do adotado pela decisão recorrida para afastar a tributação. Apenas os lucros gerados a partir da edição da Lei 9.532/97 é que têm como fato gerador a efetiva disponibilização. Para esses acompanho a Relator, dando provimento parcial ao recurso de oficio. Destarte, a discussão que ocorre no presente processo não guarda relação alguma com a validade do arbitramento decorrente da recusa pelo contribuinte em apresentar a escrituração contábil, como infere a Recorrente. Nesse ponto, a Fazenda Nacional tornouse vencedora desde o Acórdão em Recurso Voluntário, cuja ementa a seguir transcrita informa com precisão a matéria que originou a falta de unanimidade: LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996 E 1997 — LEI 9.249/95 — ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA 111136TESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 — IMPOSSIBILIDADE — Antes do advento da Lei 9.532/97, o regime de tributação dos lucros de filiais, controladas e coligadas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei 9.249/95 qualquer elemento que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Os lucros auferidos durante os anoscalendário de 1996 e 1997 deveriam ser adicionados em 31 de dezembro de cada ano, na proporção da participação societária, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. O lançamento de oficio deve, portanto, reportarse a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador. Pelo exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, considerase o disposto nos arts. 67 e 68, do Anexo II, da Portaria MF n° 256/2009: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos Fl. 15DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.{1} § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Art. 68. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da ciência da decisão. § 1° Interposto o recurso especial, compete ao presidente da câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negarlhe seguimento. § 2° Se a decisão contiver matérias autônomas, a admissão do recurso especial poderá ser parcial. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.012245/200463 Acórdão n.º 9101001.685 CSRFT1 Fl. 10 17 Art. 69. Admitido o recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, dele será dada ciência ao sujeito passivo, assegurandolhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contrarrazões e, se for o caso, apresentar recurso especial relativa à parte do acórdão que lhe foi desfavorável (sem grifos no original). Argumenta a Recorrente quanto ao cabimento do Recurso Especial : EDIFICADORA S.A, já qualificada nos autos do processo administrativo ern epígrafe, ainda inconformada, concessa vênia, com a r. decisão consubstanciada no Acórdão n° 101 95.874, de 09/11/2006, proferida pela Egrégia então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto contra o decisum da autoridade julgadora de primeira instância, mantendo parte substancial da exigência fiscal formalizada no mencionado Processo Administrativo, vem, com fundamento no disposto nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria ME n° 256/2009, aptesentar RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA (Fls. 407). (...) Irresignada com parte da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, a contribuinte interpôs, tempestivamente, recurso voluntário ao Egrégio 1° Conselho de Contribuintes, reiterando suas razões inaugurais, tendo a Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes negado provimento ao Recurso Voluntário, e dado provimento parcial ao recurso de oficio, restabelecendo em parte o crédito tributário, sob a égide dos fundamentos consubstanciados no acórdão n° 10195.874, com sua ementa abaixo transcrita: (Fls. 408) (...) Foi precisamente o que ocorreu no presente caso. A decisão consubstanciada no v. acórdão ora recorrido divergiu, frontalmente, de inúmeras outras proferidas pelas demais Câmaras desse Conselho, assim também da Camara Superior de Recursos Fiscais a propósito da obrigatoriedade de apresentação da escrituração contábil de empresa controlada sediada/domiciliada no exterior, como passaremos a demonstrar.(Fls. 412) (...) Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, constatase que, em relação ao item 1 do Auto de Infração, o cerne da questão é a possibilidade do arbitramento de lucros procedido pela fiscalização, tendo em vista a falta de Fl. 17DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 apresentação da escrituração contábil da empresa estrangeira MIJCO, controlada pela recorrente.(Fls. 412) Conforme consta do relatório, tratase de recurso tempestivo. A ora Recorrente insurgiuse contra a possibilidade de arbitramento dos lucros da controlada no exterior em face da apresentação, pela controladora no país, da documentação que embasa as demonstrações financeiras da controlada. O acórdão recorrido, n° 10195.874, na parte em que interessa ao recurso especial, tem a seguinte ementa, fls. 319: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: ARBITRAMENTO DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR SOCIEDADE CONTROLADA cabe à sociedade controladora domiciliada no Brasil a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais que deram base a apuração dos resultados de pessoa jurídica controlada, no exterior e que tiveram repercussão na sua própria apuração de resultados. A não apresentação de tais livros e documentos poderá ensejar o arbitramento do lucro da controlada, na forma do inciso II do artigo 16 da Lei n° 9.430/1996. LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996 E 1997 LEI 9.249/95 ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 IMPOSSIBILIDADE Antes do advento da Lei 9.532/97, o regime de tributação dos lucros de filiais, controladas e coligadas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei 9.249/95 qualquer elemento que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Os lucros auferidos durante os anoscalendário de 1996 e 1997 deveriam ser adicionados em 31 de dezembro de cada ano, na proporção da participação societária, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. 0 lançamento de oficio deve, portanto, reportarse a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador.[...]". A recorrente apresentou o Acórdão Paradigma n° 10322.451 (Fls. 420 e 421): "IRPJ DECADÊNCIA LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADAS NO EXTERIOR A contagem do prazo decadencial iniciase a partir da disponibilidade econômica ou jurídica dos lucros, que se (la nas hipóteses do art. 1', §1", aliena "b" e §2`), da Lei if 9.532/97. REDUÇÃO DE CAPITAL SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA Consoante o que está disposto no art. 1" da Lei Fl. 18DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.012245/200463 Acórdão n.º 9101001.685 CSRFT1 Fl. 11 19 9.532/97 e, nas suas alterações, redução de capital, com devolução ao sócio de parte do capital investido na sociedade, mediante ações de empresa controlada no estrangeiro, não caracteriza hipótese de incidência de MPJ. RECURSO DE OFÍCIO ARBITRAMENTO DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR SOCIEDADE CONTROLADA Somente se pode arbitrar lucro auferido no exterior por meio de sociedade controlada quando a empresa controladora não apresentar a documentação das operações realizadas pela empresa estrangeira cujo capital participa, conforme normas especificas previstas nas 1Ns SRF 38/96 e 213/2002. RECURSO DE OFÍCIO ARBITRAMENTO DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR SOCIEDADE CONTROLADA A falta de apresentação dos documentos que tenham servido de suporte à escrituração contábil de empresa controlada no exterior não autoriza o arbitramento dos lucros da controladora no Brasil. O arbitramento do lucro no exterior, só terá lugar se as filiais, sucursais ou controladas fora do Pais não dispuserem de sistema contábil que permita apuração de seus resultados, ou se as demonstrações financeiras dessas empresas deixarem de ser apresentadas à fiscalização no Brasil. Recurso de oficio negado. Recurso de oficio negado. Quanto à divergência, fazse necessária a sua demonstração fundamentada e comprovada, ou seja, a recorrente deve demonstrar que em situações fáticas semelhantes, o acórdão recorrido e o paradigma chegam a conclusões distintas. Desta forma, não logrou êxito a Recorrente em demonstrar a divergência, pois, limitou se a transcrever a ementa do acórdão paradigma e não indicou os pontos específicos no Acórdão paradigma que diverjiam dos correpsondentes no Acórdão recorrido. Portanto, entendo não atendido o disposto no §6° do art. 67 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, e NÃO CONHEÇO do presente Recurso. Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial Fazenda Nacional e NÃO CONHEÇO do Recurso Especial do Contribuinte. Plínio Rodrigues Lima Relator Fl. 19DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 20 Fl. 20DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 12898.000828/2009-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RESTITUIÇÃO INDEVIDA NÃO RECEBIDA. EXIGÊNCIA IMPROCEDENTE
Deve ser cancelada a exigência referente ao valor da restituição considerada indevida, quando restar comprovado que o contribuinte não recebeu a correspondente quantia.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento a exigência do imposto a restituir apurado pelo contribuinte, no valor de R$ 12.260,80, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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EXIGÊNCIA IMPROCEDENTE Deve ser cancelada a exigência referente ao valor da restituição considerada indevida, quando restar comprovado que o contribuinte não recebeu a correspondente quantia. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento a exigência do imposto a restituir apurado pelo contribuinte, no valor de R$ 12.260,80, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 08 28 /2 00 9- 36 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 12898.000828/200936 Acórdão n.º 2801003.186 S2TE01 Fl. 167 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II (fls. 121/123), que restou assim ementado: MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento contra a qual o contribuinte não apresenta óbice. RESTITUIÇÃO INDEVIDA RESGATADA. CALCULO DO IMPOSTO DE RENDA A PAGAR. No calculo do imposto a pagar deve ser acrescentado o valor de restituição indevida apurada na declaração de ajuste anual que foi resgatada pelo Contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Assim como na impugnação o recorrente não se insurge contra a glosa das indevidas despesas e a aplicação da multa qualificada. Apenas sustenta que não recebeu o valor que lhe foi imputado pela fiscalização como restituição, relativamente ao anocalendário 2006, exercício 2007. Conforme Resolução nº 2801000.100 (fls. 151/15), o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade preparadora esclarecesse se foi efetivamente pago algum valor a título de restituição ao recorrente, referente ao anocalendário 2006, juntando a documentação resultante desta pesquisa e informação, como decorrente do resultado do processamento da aludida declaração. Em resposta, a autoridade incumbida da diligência carreou aos autos os documentos de fls. 156/163, juntamente com as informações prestadas à fl. 164. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. De acordo com o Temo de Verificação Fiscal, à fl. 71, verificase que o valor de R$ 12.683,23 do imposto de renda pessoa física apurado pela fiscalização, referente ao ano calendário 2006, exercício 2007, corresponde ao somatório do imposto a restituir apurado pelo contribuinte, no valor de R$12.260,80, e do imposto a pagar apurado após as alterações, no valor de R$ 422,43. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 12898.000828/200936 Acórdão n.º 2801003.186 S2TE01 Fl. 168 3 Conforme relatado, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade preparadora esclarecesse se foi efetivamente pago algum valor a título de restituição ao recorrente, referente ao anocalendário 2006. O processo retornou da diligência instruído com os documentos de fls. 156/163, juntamente com as informações prestadas à fl. 164, reproduzidas abaixo: Em atendimento à determinação contida na Resolução (fls.151/153), apurouse que o contribuinte NÃO recebeu o valor de R$ 13.176,68, resultante do processamento da DIRPF 2007, ano base 2006, conforme demonstrado nos documentos de folhas 156 a 160. A confirmação pelo SISBACEN do bloqueio e devolução do valor acima mencionado para esta RFB está documentada nas folhas 161 a 163. Dessa forma, restando comprovado que o contribuinte não recebeu a restituição indicada em sua DIRPF/2007, deve ser excluída a correspondente exigência, mantendose tãosomente o imposto suplementar apurado de R$ 422,43, acrescido dos acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), resultado das alterações procedidas pela fiscalização na DIRPF do exercício de 2007, que não foram objeto de litígio. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para excluir do lançamento a exigência do imposto a restituir apurado pelo contribuinte, no valor de R$12.260,80. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10945.902127/2012-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 27 /2 01 2- 09 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902127/201209 Acórdão n.º 3803004.977 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902127/201209 Acórdão n.º 3803004.977 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902127/201209 Acórdão n.º 3803004.977 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902127/201209 Acórdão n.º 3803004.977 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902127/201209 Acórdão n.º 3803004.977 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Se este é o entendimento que se tem sob égide da Lei nº 9.718/98, não há distinção quando se considera a ampliação da base de cálculo implementada pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porquanto não se está a tratar de receita outra que se agregue à de venda de mercadorias e serviços. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13558.001159/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADO. MULTA.
A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas incidentes sobre todas as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços.
LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS
Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
DA MULTA
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg- e a -Relação de Vínculos - VÍNCULOS-, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em excluir do lançamento os responsáveis Ana Maria Ferreira de Queiroga Cavalcante e Josafá Leôncio Santos da Silva, nos termos do voto da Relatora. Redator: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiro: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADO. MULTA. A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas incidentes sobre todas as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços. LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. DA MULTA As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2185; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 299 1 298 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.001159/200933 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.545 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente MEDASA MEDEIROS NETO DESTILARIA DE ÁLCOOL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADO. MULTA. A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas incidentes sobre todas as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços. LISTA DE CORESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de coresponsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. DA MULTA As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 11 59 /2 00 9- 33 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em excluir do lançamento os responsáveis Ana Maria Ferreira de Queiroga Cavalcante e Josafá Leôncio Santos da Silva, nos termos do voto da Relatora. Redator: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiro: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13558.001159/200933 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 300 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais. Conforme Relatório Fiscal (fls.40), constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento, pela notificada, de prólabore da diretoria (lev. PRO), de fretes realizados por transportadores pessoas físicas (lev. PST e PS1), e de remuneração a demais prestadores de serviços pessoas físicas, segurados contribuintes individuais, pelos serviços a ela prestados (lev. SPF). Integra, ainda, o AI, o levantamento DAL, relativo a acréscimos legais. A autoridade autuante informa que valores que serviram de base de cálculo foram extraídos dos lançamentos contábeis da empresa, não tendo sido informados pela empresa em GFIP e que foram apropriadas os valores recolhidos por meio de GPS. Esclarece que, em observância ao disposto no art. 106, do CTN, foi feito um comparativo das multas vigentes antes e após à MP 449/08, tendo sido aplicada a mais benéfica ao contribuinte para cada levantamento e competência, resultando na aplicação da multa de 75% para o levantamento PS1, nos termos do art. 35A, da Lei 8.212/91. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1524.865, da 6° Turma da DRJ/SDR, (fls. 196), julgou o lançamento procedente em parte, excluindo do débito, por decadência, o valor lançado na competência 07/2004, com a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 218), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste na nulidade do lançamento por ter sido lavrado fora do estabelecimento da empresa e por equívoco no valor constante do AI, resultado da aplicação de multa e juros em um percentual de 91,1938% sobre o valor lançado. Insurgese contra a responsabilização dos sócios, administradores e diretores da empresa pelo débito e requer que seja excluída, do pólo passivo do presente auto de infração, a Sra Ana Maria Ferreira de Queiroga Cavalcanti, por não fazer mais parte da diretoria da empresa desde 04/2003. Requer, ainda, que seja retirado do Relatório de Vínculo, o exfuncionário Sr. Josafá Leôncio Santos da Silva, uma vez que o mesmo não era o contador da recorrente à época e alega decadência dos valores lançados de 01/2004 a 07/2004. No mérito, reafirma que em nenhum momento foi caracterizado dolo para configuração de crime de apropriação indébita, conforme quer fazer crer a Administração Pública, qualificando tal argumento de absurdo, uma vez que a empresa declarou corretamente Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 todas as competências nas GFIPs, que foram disponibilizadas e entregues diretamente ao Auditor Fiscal. Sustenta que não é possível o ajuizamento de demanda criminal enquanto não houver decisão definitiva no procedimento administrativo, e reitera a inexistência de dolo necessário à configuração do tipo. No que pertine a não incidência de multa e juros, alega que é plenamente possível a análise da matéria em sede administrativa, uma vez que a Administração Pública não só tem legitimidade como o dever de afastar do lançamento leis instituidoras de exações que são inconstitucionais ou não válidas, e insiste em afirmar o efeito confiscatório da multa aplicada. Insurgese contra a multa e juros aplicados, alegando ilegalidade e bis in idem, e reafirmando a ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC aos débitos fiscais. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13558.001159/200933 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 301 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do lançamento por ter sido lavrado fora do estabelecimento da empresa. Todavia, a Lei 8.212.91, no § 7º do art. 33, dispõe que o AI é um dos meios de constituição do crédito para a Seguridade Social, e em nenhum momento há a determinação de que sua lavratura seja realizada nas dependências da autuada. Da mesma forma, a IN 03/2005, vigente à época do lançamento, em nenhum momento estabelece o local para a lavratura do AI, mas apenas dispõe, no art. 662, sobre os meios da cientificação ao sujeito passivo de sua lavratura. Ademais, cumpre observar que tal matéria é objeto da súmula nº 4, do Conselho Pleno do CSRF, transcrita a seguir: Súmula nº 04 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. É oportuno lembrar que as súmulas do Pleno do CSRF são de observância obrigatória pelos membros do CARF, conforme estabelecido no artigo 72, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Assim o agente autuante, ao constatar, durante a ação fiscal desenvolvida na empresa, o descumprimento das obrigações principais e acessória, lavrou corretamente o presente auto de infração, em consonância com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o lançamento. Da mesma forma, não cabe a alegação de equívoco no valor lançado. A fiscalização deixou muito claro que o fato gerador foi a remuneração paga pela recorrente a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, bem como pagamento de prólabore, conforme lançamentos no Livro Razão. A recorrente em nenhum momento nega que tenha remunerado os segurados conforme apontado pela fiscalização, mas apenas insiste em afirmar que apresentou todas as GFIPs. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Porém, deixou de informar, em GFIP, bem como de recolher a contribuição devida incidente sobre os valores relacionados pela autoridade autuante nos relatórios que integram o AI, extraídos das contas do Livro Razão indicado pela fiscalização, apresentado pela própria recorrente. E a constatação da existência de diferenças entre os valores contabilizados a título de pagamento a pessoas físicas e aqueles declarados em GFIP motivou o lançamento da diferença da contribuição devida. Portanto, a motivação do ato do lançamento está estampado de forma cristalina no Relatório Fiscal do AI Restou claro, nos autos, que os valores que serviram de base para o lançamento foi fornecido pela própria recorrente. Verificase que o relatório DAD discrimina, por competência, as bases de cálculos apuradas, as alíquotas aplicadas, e os valores lançados e o RL informa, de forma clara, quais os fatos geradores considerados e o RDA lista todos os recolhimentos efetuados e considerados para abater o valor do débito. O Relatório Fiscal está claro e preciso, e as planilhas anexas ao Relatório Fiscal discrimina, por competência, os valores constantes das contas contábeis citadas e os declarados em GFIP, como a diferença entre eles. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, constatase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do AI, pois o lançamento foi corretamente motivado, e todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa da recorrente encontramse nos relatórios integrantes da Autuação. Ainda em preliminar, a recorrente alega decadência dos valores lançados de 01/2004 a 07/2004. Todavia, não são objeto do lançamento em tela as competências 01/2004 a 06/2004, uma vez que o débito se inicia em 07/2004. E observase que decisão recorrida já excluiu do débito a competência 07/2004, por decadência. Nesse sentido, restaram prejudicadas as alegações da recorrente para demonstrar a decadência de parte do débito, uma vez que esse fato já foi reconhecido pelos julgadores de primeira instancia administrativa. A autuada requer, ainda, que seja afastada a responsabilidade dos diretores, sócios e administradores, pelo débito lançado. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13558.001159/200933 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 302 7 Todavia, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido no AI em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório do AI, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, este colegiado vem decidindo reiteradamente deixar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Ademais, cumpre informar que essa matéria também é objeto de súmula do Conselho Pleno do CSRF, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, acato o requerimento formulado pela recorrente, para aplicar a súmula 88 do CSRF. A autuada requer, também, que seja excluída, do pólo passivo do presente auto de infração, a Sra Ana Maria Ferreira de Queiroga Cavalcanti, por não fazer mais parte da diretoria da empresa desde 04/2003, e que seja retirado do Relatório de Vínculo, o ex funcionário Sr. Josafá Leôncio Santos da Silva, uma vez que o mesmo não era o contador da recorrente à época da ocorrência dos fatos geradores. De fato, a recorrente demonstrou o alegado em relação à Sra Ana Maria e ao Sr Josafá, apresentando a documentação pertinente, devendo, portanto, tais pessoas serem excluídos dos relatórios de coresponsáveis e de vínculos. No mérito, a autuada afirma que em nenhum momento foi caracterizado dolo para configuração de crime de apropriação indébita, conforme quer fazer crer a Administração Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Pública, qualificando tal argumento de absurdo, uma vez que a empresa declarou corretamente todas as competências nas GFIPs, que foram disponibilizadas e entregues diretamente ao Auditor Fiscal. Porém, em nenhum momento a autoridade autuante alegou crime de apropriação indébita, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente, como também não há a necessidade de comprovação de dolo para que se aplique juros ou multa por descumprimento de obrigação principal ou acessória. Constatase que a autoridade autuante aplicou a multa prevista nos normativos legais vigentes à época da lavratura do AI. Assim, basta que a empresa deixe de recolher ou informar, em GFIP, todas as contribuições previdenciárias para que fique configurada a infração, devendo ser aplicada a penalidade prevista na legislação para esse tipo de infração. A autuada demonstra seu inconformismo pelo fato da auditoria fiscal haver formalizado Representação Fiscal para Fins Penais pela ocorrência em tese de crime de sonegação. Entende que seria necessário aguardar a decisão final administrativa. A meu ver, não cabe manifestação a respeito da oportunidade em que a auditoria fiscal deveria efetuar a citada representação, pois o lançamento, objeto do recurso, não guarda qualquer relação de dependência com o possível ilícito praticado. Ademais, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime de sonegação previdenciária tipificado no art. 377A, I do Código Penal. Também não cabe nesta instância administrativa discutir a ocorrência ou não de crime, devendo a recorrente apresentar suas alegações perante o órgão competente para a apuração do ilícito. Cumpre salientar que a autoridade fiscal notificante não é titular da pretensão punitiva estatal, cabendolhe apenas representar ao órgão competente, no caso, ao Ministério Público Federal, a quem caberá tipificar o fato e oferecer ou não a denúncia. Logo, o que é pertinente na Representação Fiscal para Fins Penais é tãosomente o relatório dos fatos e não a sua tipificação penal, devendose enfatizar, ainda, que o resultado da persecução penal não interfere no julgamento do processo administrativo fiscal, eis que distintos os seus objetos. Em relação aos argumentos caráter confiscatório da multa, cumpre esclarecer que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. A vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal, dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento. Assim, concluise que, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13558.001159/200933 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 303 9 Portanto, conforme restou comprovado nos autos, a recorrente não recolheu a totalidade da contribuição previdenciária devida. E, diante de tal constatação, por meio da análise dos registros contábeis da recorrente, a fiscalização, cuja atividade é vinculada aos mandamentos legais, lavrou o competente AI, fazendo incidir multa e juros tendo em vista o não pagamento no prazo legal. A cobrança da multa moratória, de caráter irrelevável, é de natureza objetiva, isto é, não sendo recolhido no vencimento, incidirá multa, independente da intenção do agente.Conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No que concerne à aplicação da SELIC, há que se cumprir a determinação do art. 34 da Lei n°8.212/91 cuja regulamentação está no art. 239, II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Não há ilegalidade, portanto, na aplicação da taxa SELIC. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de multa e juros aplicados, vez que a sua cobrança possui amparo legal. Conforme nos ensina Hans Kelsen: “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). E, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Reiterase que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35A do mesmo diploma legal. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Ressaltese que tais matérias também são objeto das Súmulas nº 02 e 03, do CSRF, transcritas a seguir: Súmula nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Quanto ao entendimento de que é plenamente possível a análise de ilegalidade e inconstitucionalidade de dispositivos legais em sede administrativa, uma vez que a Administração Pública não só tem legitimidade como o dever de afastar do lançamento leis instituidoras de exações que são inconstitucionais ou não válidas, é oportuno esclarecer que a Portaria 10.875/2007, que rege o Contencioso Administrativo Fiscal, estabelece que: Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta, após a Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13558.001159/200933 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 304 11 publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. Esse também é o entendimento manifestado pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, conforme Parecer/CJ nº 2.547/2001: (...) Ante o exposto, esta Consultoria Jurídica posicionase no sentido de que a Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. Assim, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, e para excluir dos relatórios de co responsáveis e de vínculos, a Sra Ana Maria Ferreira de Queiroga Cavalcanti e o Sr Josafá Leôncio Santos da Silva. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes: DA APLICAÇÃO DA MULTA Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 1. No que se refere à aplicação da multa, caso o Fisco identifique benefício penalidade nova ao contribuinte, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991, assim disposto: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 2. E o citado art. 61, da Lei 9.430/96, por sua vez, assevera: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 3. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 4. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, se mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 5. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja aplicada a multa prevista no art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. 6. Acompanho a relatora nas demais questões recursais. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13558.001159/200933 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 305 13 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001261/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
REMUNERAÇÕES DEVIDAS E NÃO PAGAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
O art. 22, inciso I da lei 8.212/91 determina que as contribuições incidem sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas e não, somente sobre as remunerações pagas. Estando as remunerações devidas, posto que anotadas em folha de pagamento, estão aptas a compor a base de cálculo das contribuições.
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LISTADOS EM ANEXO CORESP OU SIMILAR. APLICAÇÃO DA SÚMULA 88 DO CARF.
Súmula CARF nº 88: A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA
Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.816
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, a fim de definir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg - e a - Relação de Vínculos - VÍNCULOS - , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em analisar os efeitos da retroatividade benigna, do Art. 106 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não analisar a questão; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O art. 22, inciso I da lei 8.212/91 determina que as contribuições incidem sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas e não, somente sobre as remunerações pagas. Estando as remunerações devidas, posto que anotadas em folha de pagamento, estão aptas a compor a base de cálculo das contribuições. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LISTADOS EM ANEXO CORESP OU SIMILAR. APLICAÇÃO DA SÚMULA 88 DO CARF. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 12 61 /2 00 7- 14 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, a fim de definir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em analisar os efeitos da retroatividade benigna, do Art. 106 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não analisar a questão; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 2301003.816 S2C3T1 Fl. 268 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento. O processo teve início com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.117.9998, lavrada em 23/11/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa e de contribuintes individuais, bem como contribuições de terceiros apuradas no confronto entre Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP) e Folhas de Pagamento, bem como encontradas na contabilidade da interessada, no período de 01/2004 a 12/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 16.046.476,63, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 31/08/2007, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 191/201, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 13ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, no Acórdão de fls. 225/233, julgou o lançamento procedente. A interessada foi cientificada em 26/05/2008. O recurso voluntário, apresentado em 23/06/2008, fls. 239/250, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Relata a situação da empresa e defende a inexistência do fato gerador, pois as remunerações não foram pagas. Apresenta diversos argumentos fundados em inconstitucionalidade de leis e/ou decretos. Prossegue sustentando a ilegalidade da contribuição destinada ao INCRA. Reclama da lista de responsáveis constante dos autos. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Com relação ao argumento de que não teria ocorrido o fato gerador, pois as remunerações não teriam sido pagas, mas apenas constavam da folha de pagamento, este não prospera em virtude do conteúdo do art. 22, inciso I da lei 8.212/91 que determina que as contribuições incidem sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas e não, somente sobre as remunerações pagas. Estando as remunerações devidas, posto que anotadas em folha de pagamento, estão aptas a compor a base de cálculo das contribuições, conforme bem concluiu a fiscalização. Sobre argumentos fundados em inconstitucionalidade, temos Súmula deste Colegiado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da contribuição ao INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 2301003.816 S2C3T1 Fl. 269 5 LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) II O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; Fl. 272DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ...” Vale enfatizar, porque importante, que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sobre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 2301003.816 S2C3T1 Fl. 270 7 IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. “ Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: “PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original).” A seu turno, destaquese ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido.” Desta forma, não vislumbro reparos na decisão recorrida neste ponto. Responsabilidade dos representantes legais da empresa Sobre a responsabilidade dos representantes legais foi editada pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) a Súmula CARF 88 com o seguinte conteúdo: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Feitas essas considerações, acato esta preliminar a fim de concluir, em harmonia coma Súmula CARF 88, que a Relação CORESP não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a Fl. 275DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 2301003.816 S2C3T1 Fl. 271 9 apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em Fl. 276DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 2301003.816 S2C3T1 Fl. 272 11 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 2301003.816 S2C3T1 Fl. 273 13 Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA 14 · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a: (a) aplicar a Súmula CARF 88; e (b) limitar a multa aplicada a 20%. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 281DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902998/2011-64
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 98 /2 01 1- 64 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902998/201164 Acórdão n.º 3803005.124 S3TE03 Fl. 97 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da totalidade do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/10/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902998/201164 Acórdão n.º 3803005.124 S3TE03 Fl. 98 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902998/201164 Acórdão n.º 3803005.124 S3TE03 Fl. 99 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902998/201164 Acórdão n.º 3803005.124 S3TE03 Fl. 100 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10950.904945/2012-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3803-005.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A atividade da autoridade administrativa é obrigatória e vinculada, devendo se observar os comandos normativos presentes em leis vigentes e válidas, não lhe sendo facultado o poder de afastar o cumprimento de lei sob alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 45 /2 01 2- 69 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904945/201269 Acórdão n.º 3803005.146 S3TE03 Fl. 104 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada por meio de Declaração de Compensação (DCOMP), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação declarada, com a devida atualização do direito creditório com base na taxa Selic, bem como a suspensão da exigência dos valores compensados até o julgamento definitivo na esfera administrativa do processo de crédito nº 10950.904766/2012 21, por força do previsto no art. 48, § 3º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, art. 66, § 5º, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, e art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). Requereu, ainda, o julgamento em conjunto deste processo com o processo administrativo nº 10950.904840/201218, por conter este os documentos probantes do direito pleiteado. Aduziu o então Manifestante que o pagamento a maior decorreria da falta de exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores de vendas não recebidos que, segundo ele, por não se referirem a acréscimo patrimonial, não poderiam se submeter à tributação, sob pena de dupla lesão patrimonial e de ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade. No seu entendimento, as perdas advindas do inadimplemento das vendas se subsumiriam no conceito de “vendas canceladas”, em razão do cancelamento do contrato decorrente da falta de pagamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, da DCOMP, de partes do livro Razão e de relatórios relativos à movimentação de títulos vencidos há mais de 6 meses baixados como perda. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 29/04/2005 PIS/PASEP. VENDAS. INADIMPLÊNCIA. DEDUÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal de dedução da base de cálculo do PIS/PASEP de valores advindos do mero inadimplemento relativamente às vendas efetuadas. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904945/201269 Acórdão n.º 3803005.146 S3TE03 Fl. 105 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Nos termos do relatório supra, a controvérsia nos autos se restringe ao alegado direito à exclusão, no cômputo da base de cálculo da contribuição, dos valores relativos a perdas decorrentes do inadimplemento de vendas. O direito creditório que o Recorrente pretende compensar neste processo com débitos de sua titularidade encontrase em discussão no processo administrativo nº 10950.904766/201221, em julgamento nesta mesma sessão, encontrandose controvertidos em ambos os mesmos argumentos de fato e de direito. De início, devese ressaltar que alegações de afronta a princípios constitucionais fogem à competência da autoridade tributária administrativa, uma vez que os dispositivos legais vigentes presumemse revestidos do caráter de validade, não havendo a possibilidade de negarlhes execução, em conformidade com o contido no art. 26A do Decreto n° 70.235/1972 – salvo nas hipóteses ali excepcionadas –, bem como no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Além disso, conforme preceitua a Súmula CARF nº 2, este órgão colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. No mérito, tratase de matéria disciplinada no art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “b”, da Lei nº 10.637, de 2002, nos seguintes termos: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904945/201269 Acórdão n.º 3803005.146 S3TE03 Fl. 106 4 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. (grifei) Com base no excerto supra, é possível concluir que a exclusão da base de cálculo dos valores recuperados de créditos baixados como perda denota que, quando do inadimplemento do contrato de venda, o valor respectivo não é excluído da receita bruta para fins de cálculo da contribuição. Somente com base nesse entendimento se concebe a exclusão supra identificada, pois, do contrário, terseia uma dupla exclusão relativa a um mesmo fato: a primeira no momento da ocorrência do inadimplemento da venda e a segunda quando da recuperação da respectiva perda, esta expressamente autorizada por lei. Notese que essa mesma intelecção consta da decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região a seguir reproduzida em parte (AC 2002.72.05.0063860, 2ª T., maio/2004): PIS/PASEP. COFINS. ANALOGIA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DEDUÇÃO. CRÉDITO NÃO RECEBIDO DE VENDA EFETUADA. VENDA CANCELADA. NÃO SE CONFUNDE. NÃOAPLICABILIDADE DO RIR ÀS CONTRIBUIÇÕES. PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Não há previsão legal de exclusão da base de cálculo da COFINS (faturamento) dos valores relativos às vendas cujos pagamentos não foram adimplidos. Isso porque venda cancelada é venda inexistente não ocorreu o fato gerador; enquanto venda cujo pagamento não foi adimplido é venda existente ocorreu o fato gerador. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904945/201269 Acórdão n.º 3803005.146 S3TE03 Fl. 107 5 2. Para que ocorra a tributação, in casu, basta que haja faturamento/receita bruta, sendo indiferente à lei se os valores relativos ao negócio ingressam ou não 'em caixa'. Tanto é assim que, a fim de evitar o 'bis in idem' quando da recuperação desses créditos, a Lei nº 9.718/98, no artigo 3º, § 2º, II, exclui da receita bruta as 'recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas'. 3. Inaplicáveis ao caso dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda, considerando que cada tributo é regido por legislação própria. 4. Não configura ofensa à isonomia o tratamento conferido pela lei, posto que não se apresentam entes de mesmas características. Ao contrário. Tratase de pessoas jurídicas sujeitas a regimes jurídicos diversos ente público e sociedade empresarial pelo que, em se tratando de situações desiguais, deve ser conferido tratamento desigual. 5. Não há violação ao princípio da capacidade contributiva porque, por determinação constitucional, a Seguridade Social é financiada por toda a sociedade (art. 195), sendo que a pretensão da autora só pode ser atendida de lege ferenda (lei a ser criada). 6. Mantida a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios tal como fixado em sentença, posto que em conformidade com o artigo 20 do CPC e em consonância com os parâmetros desta Turma. (grifei) Conforme já havia destacado o relator do acórdão recorrido, as perdas decorrentes de inadimplemento não se subsumem no conceito de “vendas canceladas”, pois estas representam “a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços”1, enquanto que eventuais perdas ou ganhos decorrentes da transação não devem afetar a referida receita. Os elementos probatórios trazidos aos autos pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade indicam que o fato controvertido se refere a valores baixados como perdas por falta de recebimento e não por desfazimento da operação de venda. O termo “vendas canceladas” se refere às devoluções das mercadorias ao fornecedor, cujo valor respectivo deve ser deduzido, em conta própria, do valor da receita bruta de vendas. O seguinte trecho de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) corrobora com essa intelecção. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. (...). EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. "VENDAS INADIMPLIDAS". ALEGADA EQUIPARAÇÃO COM "VENDAS CANCELADAS". ANALOGIA/EQÜIDADE. INAPLICABILIDADE. ARTIGOS 111 E 118, DO CTN. OBSERVÂNCIA. 1 IN SRF n.º 51, de 3 de novembro de 1978. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904945/201269 Acórdão n.º 3803005.146 S3TE03 Fl. 108 6 (...) 4. Entrementes, o inadimplemento do consumidor não equivale ao cancelamento da compra e venda, no qual ocorre o desfazimento do negócio jurídico, denotando a ausência de receita e, conseqüente, intributabilidade da operação. 5. Isto porque o cancelamento da venda caracterizase pela devolução da mercadoria vendida ante a rescisão ou resilição do negócio jurídico, em virtude da inadimplência do comprador ou sua desistência ou de ambos os contratantes, entre outros motivos, implicando na anulação dos valores registrados como receita de vendas e serviços. (...) 8. Ademais, o posterior inadimplemento de venda a prazo não constitui condição resolutiva da hipótese de incidência das exações em tela, uma vez que o Sistema Tributário Nacional estabeleceu o regime financeiro de competência como a regra geral para apuração dos resultados da gestão patrimonial das empresas. Mediante o aludido regime financeiro, o registro dos fatos contábeis é realizado a partir de seu comprometimento e não do efetivo desembolso ou ingresso da receita correspondente. 9. Os pactos privados não influem na relação tributária, pela sua finalidade plurissubjetiva de satisfação das necessidades coletivas, não sendo lícito ao contribuinte repassar o ônus da inadimplência de outrem ao Fisco. É nesse sentido que o artigo 118 dispõe: "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." 10. Outrossim, a exclusão das reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda da base de cálculo do PIS e da COFINS, ex vi do inciso II, do § 2º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, corrobora o entendimento de que as "vendas inadimplidas" não se encontram albergadas na expressão "vendas canceladas", não podendo, por analogia, implicar em exclusão do crédito tributário, tanto mais que a isso equivaleria afrontar o artigo 111, do CTN, verbis: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904945/201269 Acórdão n.º 3803005.146 S3TE03 Fl. 109 7 III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." 11. A analogia não pode implicar em exclusão do crédito tributário, porquanto criação ou extinção de tributo pertencem ao campo da legalidade. 12. No plano póspositivista da Justiça Tributária, muito embora receita inadimplida economicamente não devesse propiciar tributo, é cediço que o emprego da eqüidade não pode dispensar o pagamento do tributo devido (§ 2º, do artigo 108, do CTN). (...) 14. Destarte, a opção legislativa em não inserir as "vendas inadimplidas" entre as hipóteses de exclusão do crédito tributário atinente ao PIS e à COFINS não pode ser dirimida pelo intérprete, mesmo que a pretexto de aplicação do princípio da capacidade contributiva, notadamente em virtude da ausência de perfeita similaridade entre os eventos econômicos confrontados. 2 (grifei) Nesse sentido, repisese, as vendas inadimplidas não se encontram albergadas pelo termo “vendas canceladas”, inexistindo, na espécie, a necessária devolução da mercadoria que caracteriza o cancelamento da compra e venda. O fato de o comprador não honrar seu compromisso financeiro não afasta a tributação incidente sobre o faturamento ou receita bruta, este apurado com base no regime da competência, em que os fatos são contabilizados a partir de seu comprometimento e não do efetivo ingresso do valor correspondente. Registrese que, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 586.482, ocorrido em 5 de junho de 2008, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral na matéria relativa à exclusão das vendas inadimplidas da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Contudo, de acordo com consulta ao sítio do STF na internet, realizada em 9 de dezembro de 2013, constatouse que o referido RE ainda não teve o mérito julgado, em razão do que não há que se invocar a regra contida no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Destaquese do relatório do referido RE a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que fora ementada nos seguintes termos: PIS. COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS A PRAZO INADIMPLIDAS. A legislação que disciplina o PIS e a COFINS não autoriza a exclusão da base de cálculo das vendas a prazo inadimplidas, bem como dos créditos incobráveis dos adquirentes dos produtos e/ou serviços por inadimplemento. Eventos que tais, 2 REsp 1029434 / CE, Relator(a) Ministro LUIZ FUX, 1ª Turma, julg. 20/05/2008, publicação 18/06/2008. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904945/201269 Acórdão n.º 3803005.146 S3TE03 Fl. 110 8 compreendidos pelo próprio risco da atividade, não maculam a obrigação tributária. Não há falar que as vendas inadimplidas são equiparáveis às vendas canceladas. Quando ocorre o cancelamento do negócio, na verdade, o fato gerador do tributo não chega a existir e por essa razão é prevista como caso de exclusão da base de cálculo das contribuições art. 3º da Lei ns 9.715/98 e art. 3º, § 2º, Lei nº 9.718/98, bem como na legislação posterior, Leis ns 10.637/2002 e 10.833/93; situação outra é o inadimplemento das vendas a prazo. Nesta o fato gerador subsiste perfeito e acabado, como no caso dos autos, em que não houve demonstração de cancelamento das vendas, mas mera narração de inadimplemento de alguns dos adquirentes, que não tem o condão de desconstituir o fato gerador dos tributos em tela. (grifei). O excerto supra caminha no mesmo sentido, qual seja, a obrigação tributária não é afastada nos casos de inadimplência, não se equiparando tal evento às vendas canceladas, estas, sim, previstas em lei como hipótese de exclusão da base de cálculo das contribuições. No presente caso, por se tratar de contribuição não cumulativa, que não alcança as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido (art. 8º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002), não há que se perquirir acerca do direito à apuração da contribuição com base no regime de caixa, direito este exclusivo das pessoas jurídicas que adotam o regime presumido de tributação (MP n º 2.15835, de 2001, art. 20; e IN nº 247, de 2002, art. 14 e art. 85). Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10283.003158/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 21/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. RELATÓRIO Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Versa o presente processo sobre auto de infração n° 4797 (fls.28/29) para exigência multa de mora e juros de mora nos valores de R$ 1.265,98 e R$ 216,14, respectivamente, os quais teriam sido pagos a menor/não pagos em relação ao tributo CIDE, fatos geradores novembro/2003 e dezembro/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 03 15 8/ 20 09 -1 1 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10283.003158/200911 Resolução nº 3101000.296 S3C1T1 Fl. 4 2 Os anexos de fls.30/32 demonstram os valores lançados, os pagamentos efetuados e as respectivas alocações. Tendo tomado ciência do lançamento em 20/03/2007 (fl.195), o contribuinte apresentou impugnação (fls.1/10) em 18/04/2007, via procurador (fl.14/15), alegando em síntese que: 1. Tendo em vista o entendimento da Receita Federal, que, não obstante a disposição expressa do artigo 138 do CTN, considera devida a multa de mora em hipóteses de denúncia espontânea, a impugnante impetrou, perante a 4' Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Amazonas, o Mandado d Segurança n° 2004.32.00.0023427 (doc.05), visando a afastar a cobrança da multa de mora pelo Delegado da Receita Federal em Manaus/AM; 2. A fim de suspender a exigibilidade do suposto crédito tributário relativo multa de mora não recolhida, nos termos do artigo 151, II do CTN, a impugnante depositou judicialmente seu montante integral (docs.06 e 07); 3. Não pode haver dúvida de que o valor que deixou de ser recolhido a titulo de multa de mora no pagamento serôdio da CIDE incidente sobre serviços técnicos profissionais, relativa aos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2003, encontrase entre os valores depositados no Mandado de Segurança n° 2004.32.00.0023427; 4. De fato, o valor da CIDE incidente sobre serviços técnicos profissionais, relativa aos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2003, resultou, respectivamente, no montante principal de R$ 4.882,21 e R$ 2.528,40; 5. 0 montante principal, acrescido do valor dos juros resultou, respectivamente, em R$ 5.045,76 e R$ 2.580,99 (doc.06); 6. Os valores totais foram devidamente pagos, nos termos dos DARF's constantes (doc.09); 7. As parcelas que seriam devidas a titulo de multa de mora nesse caso — não houvesse se verificado a denúncia espontânea — corresponderia a R$ 976,44 e R$ 505,68; valores esses que estão incluídos, juntamente com o valor das multas de mora dos demais recolhimentos, no depósito judicial no montante total de R$ 3.486.669,99, vinculado ao referido processo (doc.06); 8. Estando, como sobejamente demonstrado, os valores que foram lançados com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, II do CTN, não há fundamento para a manutenção do auto de infração; 9. Os juros demora já foram pagos pela impugnante, havendo sido o crédito tributário extinto; Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10283.003158/200911 Resolução nº 3101000.296 S3C1T1 Fl. 5 3 10. Havendo a impugnante depositado em juizo os valores discutidos no Mandado de Segurança e encontrandose o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não se verifica mora apta a legitimar a incidência de juros de mora; (transcreve ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes) 11. A utilização da taxa SELIC no âmbito do Direito Tributário revelase absolutamente ilegal, não podendo, por isso, ser admitida; 12. Em matéria tributária, os critérios de correção monetária e do calculo dos juros de mora devem estar definidos em lei; (transcreve o artigo 161 do CTN) 13. Requer seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que o lançamento seja julgado improcedente. Na decisão de primeira instância, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, no acórdão 0113.918, considerou improcedente o lançamento dos juros de mora, cancelando o crédito tributário a eles relativo; não conheceu a Impugnação, no que se refere ao lançamento da multa de mora, considerando o crédito tributário a ela relativo definitivamente constituído; e determinou o prosseguimento da cobrança do crédito tributário relativo à multa de mora. O referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÓMICO CIDE Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. Tendo o contribuinte impetrado ação judicial para a discussão acerca da incidência da multa de mora, eventual impugnação apresentada não deve ser conhecida, estando definitivamente constituído o crédito tributário na esfera administrativa. JUROS DE MORA. PAGAMENTO EFETUADO COM 0 ACRÉSCIMO CABÍVEL. Comprovado que o contribuinte efetuou o recolhimento do tributo com os juros de mora cabíveis, não pode prosperar o lançamento efetuado. Lançamento Improcedente Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde alega não haver coincidência entre a matéria versada no Mandado Segurança n° 2004.32.00.0023427 e a matéria vertida na Impugnação, requerendo: (a) nos termos do parágrafo 3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, julgar integralmente insubsistente o Auto de Infração; ou, sucessivamente, (b) nos termos do inciso II do caput do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, declarar a nulidade do r. Acórdão DRJ/BEL n° 0113.918 e determinar o retorno do presente Processo Administrativo para a DRJ/BEL, a fim de que esta examine a Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10283.003158/200911 Resolução nº 3101000.296 S3C1T1 Fl. 6 4 Impugnação apresentada pela Recorrente, também no que diz respeito ao nãocabimento do lançamento dos valores relativos à multa de mora alegadamente devidos, na medida em que tais valores encontram depositados em Juizo; e, em qualquer caso; (c) seja reformado o r. Acórdão DRJ/BEL n° 01.13.918, pelo menos no que determina o prosseguimento da cobrança do suposto crédito tributário objeto do presente Processo Administrativo, uma vez que o mesmo se encontra suspenso, nos termos do inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional, em virtude do depósito de seu montante, realizado no Mandado de Segurança n° 2004.32.00.0023427, sendo determinada a suspensão de qualquer procedimento administrativo ou judicial tendente a sua cobrança, até a decisão definitiva a ser proferida no citado Mandado de Segurança. A unidade de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O referido recurso ataca o não conhecimento da Impugnação pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, no julgamento de 1ª instância administrativa, quanto ao nãocabimento do lançamento de valores objeto de depósito judicial, por entender que esses valores já estavam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional, não havendo fundamento para sua constituição mediante Auto de Infração. A recorrente alega que não se trata de concomitância, visto que o objeto da Impugnação apresentada pela Recorrente, no que diz respeito à multa de mora, não guarda qualquer relação com o Mandado de Segurança n° 2004.32.00.0023427, por ela impetrado, cuja discussão limitavase à possibilidade de se cobrar a multa de mora nos casos de denúncia espontânea, matéria essa estranha à Impugnação. Não havendo coincidência entre a matéria versada no Mandado Segurança n° 2004.32.00.0023427 e a matéria vertida na Impugnação, o prévio ajuizamento daquele em nada prejudica o conhecimento desta. Como a Delegacia de Julgamento não conheceu da impugnação em decorrência da ação judicial impetrada pelo contribuinte, tornase necessário conhecer os objetos das discussões administrativa e judicial, para o deslinde da questão. Como nos presentes autos não constam todos os elementos do processo administrativo fiscal nº 10283.002133/200720, que são fundamentais para a análise desse colegiado, especialmente a impugnação administrativa originária, tornase necessário a complementação da instrução processual, por meio da conversão do julgamento em diligência. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10283.003158/200911 Resolução nº 3101000.296 S3C1T1 Fl. 7 5 Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para o retorno dos autos à unidade de origem para anexar aos presentes autos, de forma digitalizada, o inteiro teor do processo administrativo fiscal nº 10283.002133/200720. Após a conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindo lhe o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das sessões, em 25 de setembro de 2013. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11080.930897/2011-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 97 /2 01 1- 32 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.367, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930897/201132 em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as 4 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, 6 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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