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Numero do processo: 10675.900216/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2007
RECURSOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EFEITO TRANSLATIVO.
A profundidade do efeito devolutivo do recurso (efeito translativo) abrange matéria examinável de ofício, bem como questões acessórias, incidentais ou de mérito que se relacionarem àquilo que foi impugnado (objeto litigioso).
No âmbito do processo administrativo fiscal, o efeito translativo dos recursos pode também ser aplicado, nos termos do art. 15 do CPC, eis que não há qualquer incompatibilidade com o disposto nos art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72.
No caso, embora o julgador a quo não tenha se pronunciado propriamente sobre a questão de que o art. 138 do CTN abriga somente a hipótese de pagamento, mas não de compensação; trata-se de matéria que se relaciona diretamente àquilo que foi impugnado, que pode ser apreciada pelo tribunal ad quem como fundamento para a solução do objeto litigioso recursal em face do efeito translativo do recurso.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Às declarações de compensação não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96.
Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora.
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e a Thais de Laurentiis Galkowicz, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2007 RECURSOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EFEITO TRANSLATIVO. A profundidade do efeito devolutivo do recurso (efeito translativo) abrange matéria examinável de ofício, bem como questões acessórias, incidentais ou de mérito que se relacionarem àquilo que foi impugnado (objeto litigioso). No âmbito do processo administrativo fiscal, o efeito translativo dos recursos pode também ser aplicado, nos termos do art. 15 do CPC, eis que não há qualquer incompatibilidade com o disposto nos art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72. No caso, embora o julgador a quo não tenha se pronunciado propriamente sobre a questão de que o art. 138 do CTN abriga somente a hipótese de pagamento, mas não de compensação; tratase de matéria que se relaciona diretamente àquilo que foi impugnado, que pode ser apreciada pelo tribunal ad quem como fundamento para a solução do objeto litigioso recursal em face do efeito translativo do recurso. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 02 16 /2 01 2- 30 Fl. 209DF CARF MF 2 COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e a Thais de Laurentiis Galkowicz, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Dcomp – Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para a Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração setembro de 2007, no valor de R$ 6.108,85, com débito de CSLL, incidente em junho de 2009, transmitido através da Dcomp nº 06470.91614.110809.1.3.042402. O crédito já havia sido utilizado no PER/Dcomp inicial nº 38533.92802.310709.1.3.047294. A autoridade administrativa homologou parcialmente a compensação, tendo em vista que o pagamento indicado no PER/Dcomp como origem do direito creditório seria insuficiente para amortizar totalmente o débito, restando saldo devedor. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) suspensão da exigibilidade do débito objeto da compensação (art. 151, Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10675.900216/201230 Acórdão n.º 3402006.310 S3C4T2 Fl. 210 3 III do CTN); b) configuração da denúncia espontânea; e c) necessidade de exclusão da multa de mora. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A homologação parcial da compensação ocorreu em razão da incidência de acréscimo de multa de mora sobre o débito a ser compensado, pois o mesmo estaria vencido: sendo o vencimento 31/07/2009, a Dcomp foi transmitida apenas em 11/08/2009. Os acréscimos moratórios estão previstos no artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Portanto, quando o recolhimento é intempestivo, a incidência da multa moratória é determinada por lei, e é devida inclusive quando ocorre denúncia espontânea. Sempre que se verifique pagamento efetuado após o vencimento do prazo, é devida a multa de mora, que não tem natureza de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento. Quanto à Súmula 360 do STJ, a extinção do crédito tributário pela compensação ocorreu concomitantemente com sua confissão por meio do próprio PER/DCOMP. Como o PER/Dcomp foi transmitido em 11/08/2009, e, portanto, após o vencimento do tributo (31/07/2009), há incidência de multa moratória. Cientificada dessa decisão em 07/07/2014, a interessada interpôs o recurso voluntário em 28/07/2014, repisando as alegações da manifestação de inconformidade acerca do cabimento da denúncia espontânea e da não incidência da multa de mora. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Não há controvérsia acerca do fato de que é cabível a suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativamente aos débitos confessados pela contribuinte na declaração de compensação, como já esclarecido pela DRJ: Realmente, aplicase à manifestação de inconformidade o disposto no inc. III do art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN, ou seja, sua apresentação suspende a exigibilidade do crédito tributário, até que ocorra o julgamento, conforme § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, incluído pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003: A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 211DF CARF MF 4 É verdade também, como alega a recorrente, que o entendimento acerca da impossibilidade de exclusão da multa de mora no instituto da denúncia espontânea já foi superado pela jurisprudência pacífica do STJ1, o que foi objeto do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2113 /20112, que vincula a própria Receita Federal nos atos de sua competência por força do art. 19 da Lei nº 10.522/2002. Também não se desconhece que o STJ, em julgamentos realizados na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que configura denúncia espontânea a confissão do contribuinte acerca do débito em atraso, inclusive em DCTF original ou retificadora, apresentada posteriormente ou concomitantemente ao pagamento do tributo devido e dos juros de mora, desde que não efetuada após qualquer procedimento de ofício.3 Contudo a questão acerca da configuração ou não da denúncia espontânea nas declarações de compensação é matéria que ainda não está pacificada, não existindo decisão judicial ou súmula que vincule o CARF em suas decisões. No caso, não houve declaração prévia do débito compensado, ou seja, ele não constou em DCTF anteriormente à transmissão da Dcomp, como informado pela recorrente: 1 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. 1. O art. 138 do CTN não estabelece distinção entre a multa moratória e a punitiva, de modo que ambas são excluídas pela denúncia espontânea. Precedentes. 2. Recurso especial não conhecido. (RESP RECURSO ESPECIAL – 922206, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJE DATA:22/08/2008) TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. LEI 8.212/91, ART. 35, I. COMPATIBILIDADE COM O ART. 138 DO CTN. 1. É desnecessário fazer distinção entre multa moratória e multa punitiva, visto que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea. Precedentes. 2. O art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009, era inteiramente compatível com o instituto previsto no art. 138 do CTN. 3. Recurso especial a que se nega provimento. (RESP RECURSO ESPECIAL – 774058, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJE DATA:15/10/2009) Nesse mesmo sentido: REsp 922.206, rel. min. Mauro Campbell Marques; REsp 1062139, rel. min. Benedito Gonçalves; REsp 922842, rel. min. Eliana Calmon; REsp 774058, rel. min. Teori Albino Zavascki e AGRESP 200700164263, rel. min. Humberto Martins. 2 PARECER PGFN/CRJ/Nº 2113 /2011: Denúncia espontânea. Exclusão da multa moratória. Inexistência de distinção entre multa moratória e multa punitiva, visto que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea. Inteligência do art. 138 do Código Tributário Nacional. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização do(a) Sr(a). Procurador(a)Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. 3 REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010 REsp 962.379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10675.900216/201230 Acórdão n.º 3402006.310 S3C4T2 Fl. 211 5 Sobre a multa de mora, ocorre que, como a transmissão da declaração de compensação ocorreu em 11/08/2009 e o débito vencera em 31/07/2009, teria que ser observado o disposto no art. 61 e 74, §§1º, 2º e 14 da Lei nº 9.430/96 e do art. 36 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, abaixo transcritos: Lei nº 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (...) Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 (Publicado(a) no DOU de 31/12/2008) (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012) Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. Fl. 213DF CARF MF 6 § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Contudo, restaria se saber se o art. 138 do CTN teria o condão de excluir a multa de mora na hipótese em que não houve o pagamento do tributo, mas a compensação como forma de extinção do crédito tributário. Argumenta a recorrente que, como teria entregue sua DCTF após o "pagamento do tributo", deveria se beneficiar da exoneração da multa de mora na denúncia espontânea, conforme entendimento veiculado na Súmula nº 360 do STJ, nestes termos: "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". No caso, embora a confissão do débito com o Fisco tenha ocorrido com a transmissão da declaração de compensação e não anteriormente, de forma que a Súmula nº 360 do STJ não seria, em si, óbice à pretensão da recorrente. No entendimento desta Relatora, a questão relevante é que o art. 138 do CTN abriga somente uma das hipóteses de extinção do crédito tributário, qual seja, o pagamento, mas não as outras modalidades mencionadas no art. 156 do CTN. Essa matéria foi recentemente submetida a este Colegiado no Acórdão nº Acórdão nº 3402005.981– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 29 de novembro de 2018, sob a relatoria desta Conselheira, tendo sido assim decidido: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (...) Dessa forma, no presente caso, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, utilizo como fundamento de decidir o Voto proferido no Acórdão nº 3402005.981, no seguinte sentido: Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10675.900216/201230 Acórdão n.º 3402006.310 S3C4T2 Fl. 212 7 VOTO (...) Nos termos do art. 156 do CTN, o pagamento (inciso I) e a compensação (inciso II) são modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que, no caso da compensação, nos termos do art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, a extinção se dá sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação declarada. Na hipótese de não ocorrer a homologação (tácita ou expressa) da compensação declarada, não há que se falar mais em extinção do crédito tributário, sendo cabível a cobrança dos débitos confessados. Na hipótese de lançamento por homologação, tratada separadamente no inciso VII do art. 156 do CTN, o pagamento antecipado somente extinguirá o crédito tributário se for acompanhado da homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte. O Professor Paulo de Barros Carvalho4 bem diferencia o "pagamento" a que se refere o inciso I do art. 156 do CTN do "pagamento antecipado" de que trata o inciso VII, nos seguintes termos: Não obstante o pagamento antecipado seja uma forma de pagamento, a legislação aplicável requer que ele se conjugue ao ato homologatório a ser realizado (comissiva ou omissivamente) pela Administração Pública. Apenas dessa maneira darseá por dissolvido o vínculo, diferentemente do que ocorre nos casos de pagamento de débito tributário constituído por lançamento, em que a conduta prestacional do devedor tem o condão de por fim, desde logo, à obrigação tributária. No denominado "lançamento por homologação", quando ainda não ocorrida a homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte, constatando o Fisco a inexatidão da atividade prévia por ele exercida, deverá apurar o montante suplementar do tributo devido e constituir o crédito tributário por lançamento de ofício supletivo, nos termos do art. 149 do CTN. Nessa hipótese, obviamente, a parcela do crédito tributário objeto do pagamento antecipado é considerada extinta por pagamento (parcial), vez que excluída do lançamento de ofício supletivo. Dessa maneira, nos incisos I, II e VII do art. 156 do CTN, são descritas três formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, conferir eventualmente o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" está a dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. Nessa mesma linha, no voto vencedor do Redator Designado Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão nº 1402002.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 15 de setembro de 2016, restou esclarecido que às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN): (...) Portanto, embora pagamento e compensação extingam o crédito tributário, cada um o faz com suas características e consequências peculiares: enquanto no pagamento não mais se discute a extinção do crédito tributário, na compensação extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), ou seja, a declaração de compensação pode ter seus efeitos revertidos pela autoridade administrativa. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 490. Fl. 215DF CARF MF 8 O art. 138 do CTN, ao dispor que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a meu ver, limitou a possibilidade de sua aplicação a uma das modalidades de extinção do crédito tributário, qual seja, o pagamento. Quisesse o legislador que outras hipóteses de extinção fossem aplicáveis para fins de denúncia espontânea, assim o teria feito expressamente. Conforme abordado pelo i. Conselheiro Relator, a posição do STJ sobre o tema não é unânime. Tanto assim que, posteriormente ao entendimento firmado no julgamento nos EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, sessão de 20/08/2015, citado no r. voto do i. Conselheiro Relator, a mesma Segunda Turma julgadora do STJ julgadora decidiu de modo divergente na apreciação do AgRg no REsp 1461757 / RS em sessão realizada no mês seguinte, dia 03/09/2015. Vejase sua ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01481347 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03/09/2015 Data da Publicação/Fonte DJe 17/09/2015 Ementa: (...) 3. "A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) 4. Agravo regimental não provido. (...) No mesmo sentido, pronunciouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303006.011– 3ª Turma, de 29 de novembro de 2017, sob voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, nestes termos: (...) Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (...) VOTO (...) A matéria a ser decidida neste julgamento, como já dito, é somente se compensação (via Declaração de Compensação) equivale ou não a pagamento, para fins de cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de transmissão da DCOMP a destempo, mas antes do início do procedimento fiscal. Para o pagamento, o tema não é mais passível de discussão no CARF (a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno), haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, no RE nº 1.149.022/SP (isto se o pagamento for realizado antes ou concomitantemente à confissão da dívida, conforme Súmula nº 360, também do STJ), em Acórdão submetido à sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/73, antigo Código de Processo Civil. Já para a compensação, não existe decisão judicial ou súmula que vincule este Colegiado. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10675.900216/201230 Acórdão n.º 3402006.310 S3C4T2 Fl. 213 9 Como bem colocou a PGFN, pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, conforme estabelece o Código Tributário Nacional (art. 156, I e II, já transcritos), recepcionado como lei complementar, a única capaz de estabelecer normas gerais sobre crédito tributário, como reza a nossa Constituição Federal (grifei): (...) Alega o contribuinte, em suas Contrarrazões, que o pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação – como a própria denominação desta forma de constituição diz – também está sujeito à condição de sua ulterior homologação. Mas o CTN diz algo mais a respeito (grifei): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Assim, na compensação, é o valor confessado em DCOMP está sob condição resolutória de ulterior homologação, enquanto no pagamento, na realidade, é o que não foi quitado. Isto está claro na lei. O § 1º do art. 150 do CTN fala “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”, enquanto o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 fala em “sua ulterior homologação” Em termos simples: “pagou está pago”; se compensou, há cinco anos para a Administração decidir em que dimensão o crédito está extinto, até o limite compensado. Não se pode equiparar, então, homologação do lançamento com homologação da Declaração de Compensação. (...) São formas de extinção distintas, com conseqüências distintas. Não há dúvida. Assim, não se pode aplicar a mesma jurisprudência de uma para a outra – ainda que o STJ já tenha feito isto, mas em decisão não vinculante (Resp nº 1.136.372/RS, citado pelo contribuinte). (...) Ex positis, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (...) Melhor sorte não assiste à recorrente quanto ao argumento de que não teria ocorrido a "extemporaneidade no pagamento" do tributo devido, vez que os débitos e créditos objeto de compensação referemse a tributos atinentes ao mesmo período de apuração e mesma data de vencimento. Ocorre que, na hipótese de compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória, dáse somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96: (...) Dessa forma, não tendo sido os débitos pagos no prazo da legislação específica, nem tampouco sido considerados extintos antes do vencimento do tributo pela transmissão da declaração de compensação tempestiva, estão sujeitos à multa Fl. 217DF CARF MF 10 de mora, nos termos do art. 61 e 74, §§1º, 2º e 14 da Lei nº 9.430/96 e do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004: (...) Com efeito, no caso, houve a incidência da multa de mora em face de o débito não ter sido pago no prazo da legislação específica, nem tampouco sido considerado extinto antes do vencimento do tributo pela transmissão da declaração de compensação tempestiva, sendo que tal multa não poderia ser excluída pela denúncia espontânea, pois não houve pagamento do débito, mas a sua extinção por compensação. Por fim, há que se esclarecer que a análise por parte deste Colegiado na forma efetuada acima está em consonância com o efeito translativo dos recursos (efeito devolutivo na dimensão vertical ou de profundidade), como ensinam Didier Jr. e Cunha5: A profundidade do efeito devolutivo determina as questões que devem ser examinadas pelo órgão ad quem para decidir o objeto litigioso do recurso. Tratase da dimensão vertical do efeito devolutivo. A profundidade identificase com o material que há de trabalhar o órgão ad quem para julgar. (...) (...) A profundidade do efeito devolutivo abrange: a) questões examináveis de ofício (art. 485, §3º, CPC); b) questões que, não sendo examináveis de ofício, deixaram de ser apreciadas, a despeito de haverem sido suscitadas abrangendo as questões acessórias (ex. juros legais), incidentais (ex. litigância de máfé), questões de mérito e outros fundamentos do pedido e da defesa. (...) A extensão do efeito devolutivo determina os limites horizontais do recurso; a profundidade, os verticais. A extensão delimita o que se pode decidir; a profundidade, o material com o qual o órgão ad quem trabalhará para decidir a questão que lhe foi submetida. A extensão relacionase ao objeto litigioso do recurso (a questão principal do recurso); a profundidade, ao objeto do conhecimento do recurso, às questões que devem ser examinadas pelo órgão ad quem como fundamentos para a solução do objeto litigioso recursal. É preciso, porém, fazer uma advertência: o efeito devolutivo limita o efeito translativo, que é o seu aspecto vertical: o tribunal poderá apreciar todas as questões que se relacionarem àquilo que foi impugnado e somente àquilo. O recorrente estabelece a extensão do recurso, mas não pode estabelecer a sua profundidade. Isso, aliás, está claro na parte final do §1º do art. 1.013 e no parágrafo único do art. 1.034, ambos do CPC. Capítulo não impugnado transita em julgado e, por isso, não pode ser reexaminado pelo tribunal. É por isso, também, que o art. 1.008 do CPC determina que somente haverá substituição da decisão recorrida pela decisão do recurso nos limites do que foi impugnado. (....) No âmbito do processo administrativo fiscal, o efeito translativo dos recursos pode também ser aplicado, nos termos do art. 15 do CPC, eis que não há qualquer incompatibilidade com o disposto nos art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcritos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; 5 DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo Carneiro da. Curso de direito processual civil Meios de Impugnação às Decisões Judiciais e Processo nos Tribunais. v. 3. 14. ed. reform. Salvador: Ed. JusPodivm, 2017, p. 169/172. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10675.900216/201230 Acórdão n.º 3402006.310 S3C4T2 Fl. 214 11 III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Com efeito, no presente caso, embora o julgador a quo não tenha se pronunciado propriamente sobre a questão de que o art. 138 do CTN abriga somente a hipótese de pagamento, mas não de compensação; tratase de matéria que se relaciona diretamente àquilo que foi impugnado6, que pode ser apreciada pelo tribunal ad quem como fundamento para a solução do objeto litigioso recursal em face do efeito translativo do recurso. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula 6 O objeto litigioso é a possibilidade de exclusão de multa de mora pela denúncia espontânea. Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.905221/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.754
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 52 21 /2 01 2- 39 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10675.905221/201239 Acórdão n.º 3201004.754 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09053.146, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09053.146. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10675.905221/201239 Acórdão n.º 3201004.754 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10675.905221/201239 Acórdão n.º 3201004.754 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10675.905221/201239 Acórdão n.º 3201004.754 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.186) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903507/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/12/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.713
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 35 07 /2 01 2- 93 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.903507/201293 Acórdão n.º 3302006.713 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de PIS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.573. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.903507/201293 Acórdão n.º 3302006.713 S3C3T2 Fl. 4 3 . Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903507/201293 Acórdão n.º 3302006.713 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903507/201293 Acórdão n.º 3302006.713 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903507/201293 Acórdão n.º 3302006.713 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722563/2015-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção.
NULIDADE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO
A vedação do art. 146 do CTN acontece diante de um mesmo cenário fático, do mesmo contribuinte e em relação a período já fiscalizado, em que a autoridade fiscal não pode se valer de duas formas distintas de apurar a matéria tributária e a respectiva base de cálculo.
Entretanto, o ordenamento jurídico pátrio permite que, em períodos de apuração diferentes, ocorram mudanças nos fundamentos da autuação, até porque no Direito podem ocorrer mudanças interpretativas em virtude da sua construção dialética. Não há engessamento da atividade tributante por conta do dispositivo do art. 146 do CTN, haja vista o dever de proceder ao lançamento da forma estabelecida pelo art. 142 do CTN.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL. NATUREZA DISTINTA DOS DIVIDENDOS
A partir da distinção estabelecida pelo STJ quanto a natureza jurídica dos JCP e do dividendo, não se justifica que a distribuição dos JCP não obedeça a proporção existente no capital social investido, razão porque não é possível a aplicação da possibilidade contida na norma do art. 1007 do Código Civil que permite a distribuição de lucros de forma desproporcional, em virtude de acordo de negociação entre os sócios.Súmula CARF nº 108
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2401-006.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. NULIDADE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO A vedação do art. 146 do CTN acontece diante de um mesmo cenário fático, do mesmo contribuinte e em relação a período já fiscalizado, em que a autoridade fiscal não pode se valer de duas formas distintas de apurar a matéria tributária e a respectiva base de cálculo. Entretanto, o ordenamento jurídico pátrio permite que, em períodos de apuração diferentes, ocorram mudanças nos fundamentos da autuação, até porque no Direito podem ocorrer mudanças interpretativas em virtude da sua construção dialética. Não há engessamento da atividade tributante por conta do dispositivo do art. 146 do CTN, haja vista o dever de proceder ao lançamento da forma estabelecida pelo art. 142 do CTN. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL. NATUREZA DISTINTA DOS DIVIDENDOS A partir da distinção estabelecida pelo STJ quanto a natureza jurídica dos JCP e do dividendo, não se justifica que a distribuição dos JCP não obedeça a proporção existente no capital social investido, razão porque não é possível a aplicação da possibilidade contida na norma do art. 1007 do Código Civil que permite a distribuição de lucros de forma desproporcional, em virtude de acordo de negociação entre os sócios.Súmula CARF nº 108 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. NULIDADE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO A vedação do art. 146 do CTN acontece diante de um mesmo cenário fático, do mesmo contribuinte e em relação a período já fiscalizado, em que a autoridade fiscal não pode se valer de duas formas distintas de apurar a matéria tributária e a respectiva base de cálculo. Entretanto, o ordenamento jurídico pátrio permite que, em períodos de apuração diferentes, ocorram mudanças nos fundamentos da autuação, até porque no Direito podem ocorrer mudanças interpretativas em virtude da sua construção dialética. Não há engessamento da atividade tributante por conta do dispositivo do art. 146 do CTN, haja vista o dever de proceder ao lançamento da forma estabelecida pelo art. 142 do CTN. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL. NATUREZA DISTINTA DOS DIVIDENDOS A partir da distinção estabelecida pelo STJ quanto a natureza jurídica dos JCP e do dividendo, não se justifica que a distribuição dos JCP não obedeça a proporção existente no capital social investido, razão porque não é possível a aplicação da possibilidade contida na norma do art. 1007 do Código Civil que permite a distribuição de lucros de forma desproporcional, em virtude de acordo de negociação entre os sócios.Súmula CARF nº 108 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 63 /2 01 5- 53 Fl. 707DF CARF MF 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP (DRJ/SPO) que, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente e manteve o Crédito Tributário, conforme ementa do Acórdão nº 1681.042 (fls. 601/613): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011,2012,2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. No processo administrativo fiscal, são nulos apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. VALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração contém descrição clara dos fundamentos de fato e de direito que embasam o lançamento tributário. Não há Fl. 708DF CARF MF Processo nº 11516.722563/201553 Acórdão n.º 2401006.068 S2C4T1 Fl. 3 3 nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre capital próprio são despesas financeiras para a empresa e espécie do gênero remuneração para o sócio beneficiário. Os valores pagos ao sócio a título de juros sobre capital próprio, além do que lhe seria devido pela aplicação do percentual correspondente à sua participação no capital social, deve sofrer a incidência de imposto de renda com base na tabela progressiva. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício porque esta integra o crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 440/450), lavrado contra o Contribuinte em 11/11/2015, relativo aos anoscalendário 2011, 2012 e 2013, decorrente de classificação indevida de rendimentos recebidos da pessoa jurídica A. Angeloni & Cia Ltda, informados nas Declarações de Ajuste Anual como Juros sobre o Capital Próprio (JCP) sujeitos à tributação exclusiva, no qual é exigido R$ 4.415.566,40 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 3.311.674,80 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 1.186.403,81 de Juros de Mora, calculados até 11/2015, ficando o Crédito Tributário no valor total de R$ 8.913.645,01. De acordo com Relatório Fiscal (fls. 452/473), temos que: 1. O sujeito passivo recebeu nos anoscalendário 2011, 2012 e 2013, a título de Juros sobre o Capital Próprio, valores desproporcionais à sua participação no capital social da empresa, de modo que os valores recebidos excedentes à sua participação foram considerados Rendimentos Tributáveis de acordo com a tabela progressiva do Imposto de Renda Pessoa Física; 2. O lançamento tributário contempla a diferença de Imposto de Renda resultante da reclassificação do valor excedente de JCP, que passou de Rendimentos Tributados Exclusivamente na Fonte à alíquota de 15% para Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica sujeitos à tabela progressiva. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 16/11/2015 (AR fl. 478) e, em 10/12/2015, apresentou sua Impugnação de fls. 481/520, instruída com os documentos nas fls. 521 a 597. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPO para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1681.042, em 18/12/2017 a 11ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, Fl. 709DF CARF MF 4 rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPO, via Correio, em 26/12/2017 (AR fl. 615) e, inconformado com a decisão prolatada, em 24/01/2018, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 620/681, instruído com os documentos nas fls 682 a 701, por meio da qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta: 1. Preliminarmente, sobre: a. A nulidade do Acórdão recorrido em razão da ausência de fundamentação, na medida em que não enfrentou especificamente os argumentos de defesa suscitados pelo Contribuinte em sua peça impugnatória (Item II.1 fls. 625/633); b. A nulidade do lançamento fiscal em razão da impossibilidade de alteração do Critério Jurídico adotados pela autoridade administrativa em 2015 para exigir o IRPF referente aos anosbase de 2011 a 2013 (Item II.2 fls. 633/639); c. A nulidade do lançamento tributário em razão da ausência de identificação objetiva de eventual norma infringida (Item II.3 fls. 639/646); 2. No Mérito, assevera sobre: a. A ausência de vedação legal para pagamento de JCP desproporcionalmente ao capital investido e a inexistência de obrigação de pagamento proporcional (Item III.1 fls. 647/655); b. A necessidade de respeito à opção legal do Contribuinte e a impossibilidade de ingerência do Fisco nos negócios particulares (Item III.2 fls. 655/659); c. A natureza jurídica dos JCP e a possibilidade de serem pagos de forma desproporcional (Item III.3 fls. 659/678); d. A ilegalidade da cobrança de Juros sobre a Multa (Item III.4 fls. 678/680). Finaliza seu RV requerendo seu provimento para que determine o cancelamento do Acórdão recorrido em razão da ausência de fundamentação. No caso de assim não se entender, requer, subsidiariamente, a reforma integral do Acórdão recorrido e consequente cancelamento integral do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Fl. 710DF CARF MF Processo nº 11516.722563/201553 Acórdão n.º 2401006.068 S2C4T1 Fl. 4 5 Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Nulidade da decisão de primeira instância O Recorrente pleiteia a nulidade da decisão recorrida por carecer da necessária fundamentação. Afirma que a Turma julgadora deixou de analisar diversos argumentos de defesa, em total violação ao devido processo legal. Em que pese a irresignação do contribuinte, foram enfrentados todos os argumentos defensivos apresentados em sede de impugnação e, consoante os elementos de fato e de direito contidos nos autos do processo administrativo, o julgador formou seu livre convencimento, apresentando fundamentos suficientes e claros para refutar as alegações deduzidas. A decisão foi fundamentada, de forma adequada e suficiente, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Destarte, a despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto nº 70.235/1972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ademais, cabe destacar que o órgão julgador deve analisar os argumentos de defesa suscitados, porém, sem a obrigatoriedade de rebater um a um todos os elementos aduzidos pelo contribuinte em sua peça de defesa, mas os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. 1 Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Nulidade do lançamento Mudança de critério jurídico O Recorrente alega a nulidade do lançamento, tendo em vista que o agente fiscal buscou aplicar critério jurídico introduzido em 2015 para exigir o IRPF referente aos anos base de 2011 a 2013. Assevera que em 2012 foram lavrados autos de infração em face da sociedade A. Angeloni & Cia Ltda. para exigir IRPJ e CSLL referente aos anos base de 2006 a 1 EDcl no AgRg no AREsp 575.844/GO, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 13/11/2018, DJe 22/11/2018 Fl. 711DF CARF MF 6 2010, por entender que as despesas referentes ao JCP pagos ao Recorrente em desproporção à sua participação no capital social seriam indedutíveis. Afirma que o entendimento manifestado pelas autoridades fiscais foi de que os JCP pagos de forma desproporcional manteria a sua natureza jurídica. Com efeito, o Código Tributário Nacional determina em seu artigo 146 que a mudança de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no lançamento, somente poderia ocorrer, em relação a um mesmo sujeito passivo, com relação a fato gerador realizado posteriormente à sua introdução. Assim, diante de um mesmo cenário fático, do mesmo contribuinte e em relação a período já fiscalizado, a autoridade fiscal não pode se valer de duas formas distintas de apurar a matéria tributária e a respectiva base de cálculo. Entretanto, o ordenamento jurídico pátrio permite que, em períodos de apuração diferentes, ocorram mudanças nos fundamentos da autuação, até porque no Direito podem ocorrer mudanças interpretativas em virtude da sua construção dialética. Não há engessamento da atividade tributante por conta do dispositivo do art. 146 do CTN, haja vista o dever de proceder ao lançamento da forma estabelecida pelo art. 142 do CTN. No caso em debate, embora o lançamento seja concernente ao pagamento de JCP de forma desproporcional à participação do sócio no capital social, se refere a período e sujeito passivo distintos da situação anterior. Não existem fatos já tributados no presente lançamento e nem sobreposição da exigência fiscal. A questão trazida aos autos diz respeito à exigência de IRPF com base na tabela progressiva, sobre os valores pagos ao sócio a título de Juros Sobre Capital Próprio, de forma desproporcional ao que lhe seria devido pela aplicação do percentual correspondente à sua participação no capital social da empresa, e em face dessa desproporcionalidade, os pagamentos excedentes efetuados à título de JCP foram considerados rendimentos tributáveis. O Processo Administrativo nº 11516.721632/201269, relativo aos anos calendários de 2006 a 2010, se refere a exigência de IRPJ e CSLL. Segundo a decisão proferida no Acórdão nº 1402002.204, o procedimento da empresa de efetuar pagamento de JCP de forma desproporcional à participação no capital social teve o efeito de reduzir indevidamente a tributação total do lucro por ela gerado não na forma pretendida pelo legislador, manipulando a proporção dos juros que é destinada a cada um de seus sócios. Com a manobra, a autuada e os seus sócios obtiveram ilicitamente uma vantagem fiscal superior àquela prevista na legislação. Vejamos trecho da ementa: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL Os juros sobre capital próprio que são dedutíveis na apuração do resultado tributável são somente os que são pagos ou creditados individualizadamente a cada titular, sócio ou acionista a título de remuneração do capital. Não se enquadram como tal e são indedutíveis os juros pagos ou creditados que excederem ao que beneficiário teria direito de acordo com sua participação no capital social da empresa. No presente caso não se aplica a vedação contida no artigo 146 do CTN, portanto, rejeito a preliminar suscitada. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 11516.722563/201553 Acórdão n.º 2401006.068 S2C4T1 Fl. 5 7 Nulidade do lançamento – Ausência de identificação objetiva da norma infringida Nos termos do artigo 142 do CTN: Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. As disposições normativas que embasaram o lançamento, contidas nos artigos 37, 38, 43, 45 e 83 do RIR/99, vigente à época dos fatos geradores, se referem ao fato imponível do Imposto de Renda, qual seja, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, com clareza na motivação, e o contribuinte teve ampla oportunidade de defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. Não vislumbro qualquer prejuízo ao Recorrente em seu direito à ampla defesa. Conforme se verifica dos autos, foi devidamente instaurado o procedimento administrativo, com a devida identificação do Auditor Fiscal responsável, realização de intimações necessárias para os esclarecimentos dos fatos analisados. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular e balizou sua conduta dentro das provas obtidas e carreadas ao processo. Assim, não procede as alegações de nulidade do auto de infração. Mérito Pagamento de JCP desproporcional ao capital investido Afirma o contribuinte que inexiste vedação legal para o pagamento de JCP de forma desproporcional ao capital investido, consoante artigo 9º da Lei nº 9.249/95, razão porque a administração deve agir sem discricionariedade, da forma em que preceitua a lei e sem ingerência nos negócios e liberdade individual dos contribuintes. Assevera que no aspecto societário/contábil é indiscutível que a natureza jurídica dos JCP é a mesma da distribuição de resultado/lucro, na forma de dividendos e que ambos estão atrelados à existência de lucro, elemento imprescindível para a distribuição do resultado da atividade econômica. E que no tocante ao aspecto tributário, diferente do que acontece com os dividendos, a lei trouxe previsão de dedução do lucro real e da base de cálculo da CSLL os valores pagos a título de JCP, limitando a dedutibilidade ao resultado da aplicação da TJLP pro rata dia sobre o valor do patrimônio líquido. Fl. 713DF CARF MF 8 O Juros sobre o Capital Próprio JSCP foram introduzidos na legislação brasileira através da Lei nº 9.249/1996, como forma alternativa de remuneração pelo capital investido, os quais poderiam ser deduzidos como custo ou despesa operacional para fins de apuração do lucro real, conforme normas abaixo citadas: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; [...] § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. [...] Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Consoante se verifica às fls. 454 e seguintes do Relatório Fiscal, constatouse que os Juros sobre o Capital Próprio pagos pela empresa A. Angeloni & Cia Ltda. ao contribuinte, nos anoscalendário 2011, 2012 e 2013, foram realizados em valores desproporcionais ao capital investido pelo Recorrente na sociedade, desnaturando sua natureza jurídica. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 11516.722563/201553 Acórdão n.º 2401006.068 S2C4T1 Fl. 6 9 Pois bem. Dentro dos limites da liberdade individual de autonomia da empresa, caberia a ela a análise e realização do que lhe seria mais vantajoso em termos de economia tributária, pagar dividendos aos sócios, dentro da sua margem de negociação entre os integrantes da sociedade, sem a incidência de imposto de renda, ou remunerálos mediante JCP, sendo nesse caso dedutíveis como despesas operacionais para fins de apuração do lucro real, quando distribuídos de forma proporcional. Como visto, há tratamento fiscal diverso quanto à distribuição dos resultados. Os JCP são considerados despesas financeiras para a empresa e receitas para o beneficiário, limitada a dedutibilidade à variação da TJLP. O seu pagamento remunera o capital próprio do sócio/acionista que foi investido na empresa. As posições doutrinárias divergem quanto a sua natureza jurídica, pois para alguns doutrinadores os dividendos e os JCP possuem os mesmos pressupostos essenciais, e para outros, o entendimento é que existem pressupostos distintos o que diferenciam a sua natureza jurídica2. Ocorre que independente das divergências de posições doutrinárias acerca do tema em debate, o Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 1.200.492RS, publicado em 22/02/2016 e submetido à sistemática do artigo 543 C, firmou entendimento sobre a natureza jurídica dos Juros sobre o Capital Próprio, em Acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. 1. A jurisprudência deste STJ já está pacificada no sentido de que não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, permitindo tal benesse apenas para a vigência da Lei n. 9.718/98. Precedentes da Primeira Turma: AgRg nos EDcl no REsp 983066 / RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 01.03.2011; AgRg no Ag 1209804 / RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 16.12.2010; REsp 1018013 / SC, Rel. Min. José Delgado, julgado em 08.04.2008; REsp 952566 / SC, Rel. Min. José Delgado, julgado em 18.12.2007; REsp 921269 / RS, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 22.05.2007. Precedentes da Segunda Turma: REsp 1212976 / RS, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 9.11.2010; AgRg no Ag 1330134 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 19.10.2010; REsp 956615 / RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 13.10.2009; AgRg no REsp 964411 / SC, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 22.09.2009. 2. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre 2 COELHO, Fabio Ulhôa Curso de Direito Comercial, 9ª edição, São Paulo, Saraiva, 2006, vol.2, p. 342343 EIZIRIK, Nelson A Lei das S/A Comentada, São Paulo: Quartier Latin, 2011, vol. 4, p. 104 Fl. 715DF CARF MF 10 o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 3. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Verificase que a razão de decidir da decisão proferida foi a distinção da natureza jurídica dos JCP e dos dividendos, conforme restou definido no voto do Ministro Mauro Campbell Marques: No caso concreto pretende a REFINARIA DE PETRÓLEO IPIRANGA S/A deduzir da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor que destina a seus acionistas a título de juros sobre o capital próprio, invocando: a) o emprego por analogia do art. 9º caput da Lei nº 9.249/95, que permite a dedução de tais valores da base de cálculo do lucro real; b)que a natureza jurídica desses valores seria a de lucro e dividendos, o que permitiria a incidência do art. 1º, §3º , V, "b", da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, que retiraram da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas referentes a lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Ora, em que pese os juros sobre o capital próprio, a exemplo dos lucros ou dividendos, serem destinações do lucro líquido, para fins tributários sua semelhança acaba aí, havendo uma série de tratamentos distintos na legislação que evidencia a diferença de sua natureza jurídica, a saber: (...) Desse modo, ainda que se diga que os juros sobre o capital próprio não constituam receitas financeiras, não é possível simplesmente classificálos para fins tributários como “lucros e dividendos” em razão da diferença de regimes aplicáveis, de modo que não incidem o art. 1º, §3º, V, "b", da Lei n. 10.637∕2002 e o mesmo dispositivo da Lei n. 10.833∕2003. A partir da distinção estabelecida pelo STJ quanto a natureza jurídica dos JCP e do dividendo, não se justifica que a distribuição dos JCP não obedeça a proporção existente no capital social investido, razão porque não é possível a aplicação da possibilidade contida na norma do art. 1007 do Código Civil que permite a distribuição de lucros de forma desproporcional, em virtude de acordo de negociação entre os sócios. É cediço que a relação entre os sócios de uma sociedade limitada pode ser pautada de acordo com as disposições por eles estabelecidas. Assim, embora a distribuição dos dividendos tenha por regra a proporcionalidade às respectivas quotas, existe margem para negociação entre os integrantes da sociedade. No entanto, o caso em apreço trata de pagamento de parcela diversa da distribuição de dividendos. Com efeito, embora o parágrafo primeiro da cláusula 29 da consolidação do contrato social da empresa A. Angeloni & Cia. Ltda., preveja que “a sociedade deliberará, em reunião de quotistas devidamente convocada para este fim, a respeito da distribuição dos resultados positivos ou negativos, e da remuneração do trabalho e do capital próprio, proporcional ou não aos seus percentuais de participação no capital social, segundo autoriza o artigo 1.007 da Lei n.º10.406, de 10 de janeiro de 2.002 (Código Civil)” (fls.79 e seguintes), bem como nas atas de reuniões de cotistas (fls.134 e seguintes) estabeleça o pagamento Fl. 716DF CARF MF Processo nº 11516.722563/201553 Acórdão n.º 2401006.068 S2C4T1 Fl. 7 11 desproporcional dos Juros sobre o Capital Próprio sob o respaldo do dispositivo normativo do Código Civil (art. 1007) a deliberação adotada pela empresa não tem poder de contrariar a legislação tributária, nos termos do art. 123 do CTN que estabelece, salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Dessa forma, em face do posicionamento firmado no âmbito do STJ no sentido de que os Juros sobre Capital Próprio não tem a natureza jurídica de dividendo, não seria possível aplicar a norma do artigo 1007 do Código Civil que possibilita a distribuição de lucros de forma desproporcional. Assim, tendo em vista que o contribuinte, na condição de sócio, recebeu JCP em percentual que extrapola a sua participação societária, o excesso deve ser tributado por não obedecer a proporção existente no capital social. Assim, deve ser mantida a decisão e piso. Juros sobre a multa Com relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, destaquese o verbete da Súmula nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Dessa forma, não acolho o pleito aduzido no recurso. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGOLHE provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 717DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915908/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.770
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 08 /2 01 3- 38 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.278 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915908/201338 Acórdão n.º 3301005.770 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 361DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.012185/2001-22
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Relatório
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 12 18 5/ 20 01 -2 2 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Cuida o presente processo da lavratura – contra o sujeito passivo discriminado em epígrafe – do Auto de Infração que consta às fls. 21 a 28, cuja ciência se deu à vista do esclarecimento disposto à fl. 59, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor total de R$13.689,04, que inclui o valor devido de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), multa e juros de mora (calculados até 30/11/2001), cujos períodos de apuração se referem a 0101, 0102, 0103, 0104, 0105 e 0106/1997. Eis que os fatos e o enquadramento legal constam à fl. 22. 2. Irresignada com os lançamentos, em 28/12/2001 (fl. 3), apresentou a Contribuinte sua Impugnação às fls. 3 a 6, bem como juntou documentos aos autos. Eis, abaixo, os argumentos aduzidos, nestes exatos termos: [...] a Impugnante foi surpreendida pelo Auto de Infração em referência, que consubstancia a cobrança de valores supostamente devidos a título da Contribuição para Programa de Integração Social PIS, multa punitiva e juros de mora. No Termo de Constatação integrante do Auto de Infração a Autoridade Fiscal não considerou o fato da Impugnante ter impetrado Mandado de Segurança, distribuído automaticamente na Primeira Instância em 10/04/96, à 20.ª Vara Cível Federal de São Paulo, sob n.° 96.00099650 com pedido de liminar, objetivando a concessão de segurança para o fim de eximiremse do recolhimento do PIS nos termos da Medida Provisória n.° 1.286/96 e suas reedições, conforme demonstra a Certidão de Objeto e Pé (doc. 4). O D. Juízo, em 21 de maio 1996, julgou procedente a ação e concedeu a segurança requerida, para fim de garantir à Impetrante o direito ao pagamento do PIS nos moldes da Lei Complementar n.° 7/70, e não nos da Medida Provisória n.° 1.212/95 e suas reedições, conforme demonstra a Certidão supra citada. Assim sendo, em relação ao crédito tributário a pagar para o primeiro semestre de 1997, encontrouse a ora Impugnante completamente amparada por decisão judicial, o que impede que se proceda a lavratura de auto de infração, uma vez que não há, em relação à conduta seguida pela Impugnante, infração alguma a ser apurada. Conforme se pode verificar da simples leitura do presente auto de infração a D. Autoridade Administrativa tinha Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 4 3 conhecimento da Medida Liminar. Isto porque a Impugnante, na sua declaração de contribuições e tributos federais (DCTF), referiuse ao processo acima mencionado para sustentar o não pagamento da Contribuição para Programa de Integração Social devido à suspensão da exigibilidade. Ademais a D. Autoridade Administrativa tinha de ter conhecimento da concessão da medida liminar e destarte da suspensão da exigibilidade do crédito "ex officio ", tendo em vista ser parte do processo referido. [...]Diante de todo o exposto, servese a Impugnante da presente para requerer seja cancelado o Auto de Infração em análise em todos os seus efeitos. Requer, outrossim, que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório nesta Capital do Estado de São Paulo, na Rua Padre João Manoel, n° 923, 8º andar, em atenção ao Dr. RICARDO LACAZ MARTINS, bem como sejam enviadas cópias à Impugnante, no endereço constante destes autos. Protesta ainda a Impugnante por todos os tipos de provas admitidas em direito. [...] 3. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia por meio do despacho à fl. 59. 4. É o relatório. A 9ª Turma da DRJ São Paulo I proferiu decisão, dando parcial provimento à impugnação, tendo exonerado a multa de ofício, mas mantendo a exigência com relação ao principal. Eis o teor da ementa do aresto recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 AÇÃO ORDINÁRIA. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. COISA JULGADA. A decisão judicial definitiva em ação ordinária constituise coisa julgada que jamais pode sofrer alteração no processo administrativo, pois, do contrário, violar seja a Constituição Federal de 1988, que adota o modelo de jurisdição una, por meio do qual são soberanas as decisões judiciais. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833, DE 2003. Com a edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, não cabe mais imposição de multa, excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, em face da retroatividade benigna (ex vi alínea “c”, inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 5 4 FASE LITIGIOSA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Na fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o momento processual para apresentação de provas é o definido pelo disposto no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972 e alterações posteriores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que a decisão de primeira instância teria, na verdade, cancelado o auto de infração e efetuado novo lançamento, inovando nos fundamentos: o fundamento da autuação seria a não comprovação de processo judicial informado em DCTF pela recorrente "proc. jud. não comprovad.", enquanto que a decisão recorrida teria consignado, como fundamento, o trânsito em julgado do processo judicial, o qual teve desfecho desfavorável à recorrente. Subsidiariamente, a recorrente sustenta que o lançamento da multa de mora é indevido, uma vez que, no caso concreto, estando amparada por medida judicial, não teria ocorrido mora. É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. O litígio se resume à questão de saber se a autuação é subsistente pelos seus próprios fundamentos e se teria havido mudança de fundamento da autuação pela instância a quo. Analisando as DCTFs de fls. 61 a 66, verificase que a recorrente declarou, para os períodos de apuração de 01/1997 a 06/1997, que os débitos de PIS/PASEP estavam com exigibilidade suspensa em virtude de medida judicial, processo nº. 96.03.0360929. Compulsando os autos, no campo "Ocorrência" do ANEXO I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS, às fls. 23/24, integrante do Auto de Infração eletrônico às fls. 20 a 28, podese verificar que a infração que teria dado azo à atuação é descrita como "Proc. Jud. não comprova", tendo sido indicado, em declaração do sujeito passivo, o processo judicial nº. 96.03.0360929, conforme está descrito no campo "NÚMERO DO PROCESSO", constante do mesmo ANEXO I (fls. 23/24). Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 6 5 Observase, assim, que a autuação se deu porque o processo judicial informado em DCTF, como razão para o não recolhimento do PIS/PASEP dos períodos de janeiro a junho de 1997, não foi comprovado pelos sistemas da então Secretaria da Receita Federal. Tal é o fundamento da autuação. Apreciando a questão, a decisão recorrida assim se manifestou (grifei algumas partes): Do mérito 7. Segundo o que consta às fls. 21 a 28, foi a Contribuinte cientificada da lavratura de Auto de Infração, por meio do qual foram realizados lançamentos de PIS relativamente aos períodos de apuração de 0101, 0102, 0103, 0104, 0105 e 0106/1997. Tratase de lançamentos realizados por conta de terem sido verificadas diferenças entre os débitos declarados em DCTF e os respectivos créditos ali vinculados (fls. 60 a 66), haja vista que os sistemas informatizados da Fazenda Pública não conseguiram confirmar a existência de processo(s) judicial(is) que se relacionaria(m) às Exigibilidades Suspensas informadas, tal como discriminado na tabela abaixo (cujos valores estão em reais):(...) 7.1. Cabe destacar que a Contribuinte declarou em DCTF (fls. 61 a 66) que as referidas Exigibilidades Suspensas se referem ao processo judicial de n.º 96.03.0360929. 7.2. Em sua Impugnação, noticia a Contribuinte a existência do processo judicial de n.º 96.00099650, relativamente à ação de mandado de segurança impetrado na 20ª Vara Cível Federal de São Paulo, [...] com pedido liminar, objetivando a concessão de segurança para o fim de eximiremse do recolhimento do PIS nos termos da Medida Provisória n.° 1.286/96 e suas reedições, conforme demonstra a Certidão de Objeto e Pé (doc.4). 7.3. Para o deslinde do litígio, inicialmente, valese do que consta à fl. 53, que cuida de parecer da Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito Tributário Sub Judice da Derat em São Paulo, que esclarece o seguinte: Este AIDCTF cuida de débitos de PIS com vinculação à exigibilidade suspensa pelo MS 96.00099650 (Agravo de Instrumento n° 96.03.0360929). O MS pleiteou o afastamento da MP 1.212/95 e suas reedições. Não houve êxito por parte do contribuinte (apenas "anterioridade nonagesimal") e o trânsito em julgado ocorreu em 18/12/2009 no STF. Portanto, quanto à medida judicial, o débito é passível de cobrança. Na esfera administrativa há impugnação. [...]7.4. De fato, consta à fl. 45 que ajuizou a Contribuinte, na Justiça Federal, ação de mandado de segurança, [...] objetivando afastar a Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 7 6 exigência do PIS na forma instituída pela Medida Provisória n.º 1.212/95 e suas sucessivas reedições, para que lhe seja garantido o direito ao seu recolhimento nos termos da Lei Complementar 07/70. O M.M. Juízo "a quo" concedeu a ordem. Submeteuse ao reexame necessário. Irresignada, apela a União, pugnando pela reforma do julgado, sustentando a constitucionalidade da MP 1212/95 e reedições. Com contrarazões, vieram os autos a esta Corte [é dizer, Tribunal Regional Federal da 3ª Região], tendo o Ministério Público Federal opinado pelo improvimento da apelação. À fl. 46, consta, no Voto da Desembargadora Federal Salette Nascimento, que a [...] questão acerca da cobrança da contribuição ao PIS, nos termos preconizados pela MP n° 1212/95 e suas reedições, já foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, bem assim por nossas Cortes Regionais, firmandose entendimento no sentido da inexigibilidade da exação antes de decorrido o prazo nonagesimal, a partir da veiculação da medida provisória, de forma que, por unanimidade, o Tribunal Regional da 3ª Região concedeu parcial provimento à apelação da União que sustentava a constitucionalidade da Medida Provisória n.º 1.212, de 1995. À fl. 67, consta que apresentou a Contribuinte recurso extraordinário que foi negado, havendo ocorrido o trânsito em julgado em 18/12/2009 (fl. 51). 7.5. Diante do exposto, não resta dúvida de que não está judicialmente amparada a Contribuinte no que toca a afastar a exação de PIS relativamente aos períodos de apuração de 0101, 0102, 0103, 0104, 0105 e 0106/1997. 7.6. A propósito, salientase que, dado que as decisões judiciais se tornaram definitivas, estáse diante de coisa julgada que jamais pode sofrer alteração no processo administrativo – pois tal procedimento feriria a Constituição Federal de 1988, que adota o modelo de jurisdição una, por meio do qual são soberanas as decisões judiciais –, bem como que, havendo pronunciamento definitivo da parte da Justiça, não há como reconhecerse litígio administrativo a ser dirimido na instância julgadora administrativa. À Administração Pública cabe, tão somente, acatar a decisão judicial transitada em julgado, e, assim, deverá ser feito. 7.7. Manifestase a Contribuinte acerca de que a [...] Autoridade Administrativa tinha de ter conhecimento da concessão da medida liminar e destarte da suspensão da exigibilidade do crédito "ex officio ", tendo em vista ser parte do processo referido. 7.8. Suscita a Contribuinte que não deveria ter sido lavrado o Auto de Infração por conta de que seu objeto estaria sendo discutido na Justiça Federal. Ocorre que, no que toca à lavratura do Auto de Infração, é de se esclarecer que a formalização do crédito tributário pelo lançamento, consoante o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a Autoridade Fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de praticálo, ainda que a exigibilidade esteja suspensa. Uma vez que surge a obrigação tributária, nasce, também, para a Administração e Autoridades Tributárias o dever de realizar o lançamento correspondente, sob pena de responsabilidade funcional, Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 8 7 conforme dispõe o citado dispositivo legal, transcrito abaixo, in verbis:(...) 7.10. Ademais, certo é que, à época da lavratura do Auto de Infração, ainda que houvesse discussão judicial sobre a matéria, não estava mais amparada a Contribuinte por nenhuma medida judicial que determinasse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de maneira que não havia como aplicar ao caso o disposto no art. 62 do Decreto n.º 70.235, de 1972 e alterações posteriores, transcrito a seguir in verbis: Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Dos excertos da decisão recorrida, verificase que o colegiado a quo entendeu pela procedência do auto de infração, assinalando razões para tanto: (i) o processo judicial teve desfecho desfavorável à recorrente; (ii) não há impedimento para constituição do crédito tributário para prevenir a decadência; (iii) à época da lavratura do Auto de Infração, o crédito tributário objeto de lançamento não estava com sua exigibilidade suspensa. Dentre tais fundamentos, aquele que, na verdade, motivou a autuação foi a suposta inexistência de processo judicial, à época da lavratura, apto para suspensão da exigibilidade dos débitos de PIS informados em DCTF. Assim, a questão fundamental dos autos consiste em saber se os referidos débitos de PIS estavam ou não com exigibilidade suspensa por medida judicial em favor da recorrente. Como visto acima, o aresto recorrido assinala que, à época do lançamento, a exigibilidade dos referidos débitos de PIS não estava suspensa. De maneira diversa, a recorrente sustenta, por sua vez, que, à época da autuação, havia medida liminar a seu favor, garantindo a suspensão da exigibilidade dos débitos de PIS confessados em DCTF: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 9 8 Analisando os autos, não há como concluir se, à época da autuação, existia provimento judicial suspendendo a exigibilidade dos créditos atinentes ao PIS dos períodos de 01 a 06/1997. Embora tenham sido trazidas certidões de objeto e pé da Justiça Federal e acórdão do TRF da 3ª Região, não constam, dos autos, cópias da sentença de primeira instância, do despacho de admissibilidade da apelação e da decisão no Agravo de Instrumento que teria concedido a liminar, documentos fundamentais para sabermos o alcance dos provimentos judiciais e se, ao tempo da autuação 09/11/2001, os débitos controversos de PIS estavam realmente com exigibilidade suspensa. Embora a recorrente sustente que gozava, à época da autuação, de suspensão da exigibilidade em razão do Agravo de Instrumento (AI) nº. 96.03.0360929, fato é que, em 07/04/1997 antes mesmo das DCTFs serem transmitidas , deuse o julgamento do referido agravo, tendo a decisão sido vazada nos seguintes termos (decisão obtida em consulta à página da justiça federal e trazida ao presente processo à fl. xx): Tal decisão foi publicada no DJU em 23/04/1997, conforme se observa na certidão juntada aos autos à fl. 32. Verificase, assim, que, à época da autuação, não vigorava mais o AI nº. 96.03.0360929, uma vez que restou decidido, pelo Tribunal, que sua apreciação foi prejudicada em face da prolação de sentença de mérito na primeira instância, no curso do mandado de segurança nº. 96.00099650, a qual veio a ser reformada pelo acórdão do TRF da 3ª Região, julgado em 02/10/2002, cópia às fls. 44 a 50 ou seja, após a lavratura do auto de infração. Desse modo, pelo que se pode deduzir, prima facie, da análise das certidões, relatórios de andamento processual e peças processuais disponíveis, ao tempo da lavratura do auto de infração, vigorava sentença de mérito no mandado de segurança nº. 96.00099650. No entanto, como não foram juntadas cópias da sentença e do despacho de admissibilidade da apelação não disponíveis na página da Justiça Federal , não há como saber qual o teor e alcance da sentença e quais os efeitos do recurso interposto pela União se unicamente devolutivo ou, também, suspensivo. Considerando a lacuna de informações, sobretudo pela falta de algumas peças fundamentais do processo judicial, cujos efeitos podem incidir diretamente no resultado do presente processo, voto por converter o presente julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11610.012185/200122 Resolução nº 3003000.013 S3C0T3 Fl. 10 9 1. Analisar se, à época da lavratura do auto de infração, objeto do presente processo, havia alguma decisão judicial em vigor que garantia a suspensão da exigibilidade dos débitos de PIS atinentes aos períodos de apuração de 01/1997 a 06/1997, confessados nas DCTFs integrantes do presente processo. 2. Intimar a recorrente a apresentar: cópia da decisão de mérito no mandado de segurança nº. 96.00099650; cópia da decisão de admissibilidade da Apelação; quaisquer outros documentos (sentenças e despachos judiciais) que sirvam para demonstrar que, à época da autuação, existia (ou inexistia) suspensão da exigibilidade dos débitos de PIS objeto da autuação ora analisada. 3. Apresentar relatório, com parecer conclusivo, esclarecendo, de forma fundamentada e minuciosa, a análise descrita no item 1, devendo trazer todos os elementos e documentos que o embasem, inclusive as peças processuais referidas no item 2. 4. Verificar se os débitos autuados foram objeto de algum parcelamento, trazendo, aos autos, parecer conclusivo com todos os documentos e elementos necessários para embasálo. 5. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator. Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004783/2003-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DCTF. ERRO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão de ordem técnica e/ou processual, para fins de afastar a exigência fiscal correspondente.
A mera alegação de eventual existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada do respectivo conjunto probatório, enseja a manutenção do lançamento.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
De acordo com a Sumúla CARF nº 11, não é aplicável o instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 DCTF. ERRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão de ordem técnica e/ou processual, para fins de afastar a exigência fiscal correspondente. A mera alegação de eventual existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada do respectivo conjunto probatório, enseja a manutenção do lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. De acordo com a Sumúla CARF nº 11, não é aplicável o instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DCTF. ERRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão de ordem técnica e/ou processual, para fins de afastar a exigência fiscal correspondente. A mera alegação de eventual existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada do respectivo conjunto probatório, enseja a manutenção do lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. De acordo com a Sumúla CARF nº 11, não é aplicável o instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 47 83 /2 00 3- 49 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 3 2 Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratase de processo administrativo fiscal decorrente do auto de infração nº 0004689 (fls. 31/39), referente à cobrança de IRPJ do ano calendário de 1998. Inicialmente o montante exigido totalizava R$ 111.980,39, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. 2. Segundo o auto de infração, a exigência decorre da "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”, referente aos períodos de apuração do 3° e 4° trimestres/98, por débitos de IRPJ (cód. 3373), informados nas DCTF’s nºs: (i) 100199800567508, com vinculação de DARF's nos valores de: R$ 13.024,38 e R$ 601,00, tidos como "Compensação com pagamentos não localizado"; e (ii) 100199900038150, com vinculação de DARF no valor de: R$ 29.701,06, tido como "pagamento não localizado". 3. Devidamente intimada do lançamento (AR em 10/07/2003, fl. 30), a contribuinte apresentou Impugnação (fl. 01), na qual trouxe as seguintes razões de defesa (fls. 54): "a) compensação do valor do imposto a pagar com o pagamento não localizado, conforme demonstrativo anexo, referese ao pagamento de DARF no valor de R$ 79.930,43; valor total de R$ 1.073,67 (Lucro Inflacionário); R$ 1.585,48 de retenção por Órgãos Públicos; compensação de R$ 12.757,30, referente a pagamento a maior nos I e II trimestres/98 e R$ 1.217,82, referente à compensação da Cofins dos I e II trimestres do mesmo ano, conforme planilhas de demonstração de pagamentos e relatórios de faturamento em anexo, bem como cópias de documentos comprobatórios juntados nos processos 10120.004330/9821 e 10120.004331/9893 e respectivas cópias de entrega de Declaração; b) com relação ao pagamento não localizado (R$ 29.701,06), demonstrado no anexo 1b do relatório de sua auditoria, apresenta cópia do DARF pago no vencimento." 4. Em 06/09/2007, foi proferido o Despacho Secat/DRF/GOI nº 3.584/2007 (fls. 59/65) que constatou o seguinte: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 4 3 4.1. Os valores declarados pela contribuinte a título de compensação, no montante de R$ 13.625,38, não se encontram confirmados nos sistemas da Receita e não foram adequadamente comprovados; 4.2. A planilha apresentada, bem como o relatório de faturamento, não estão lastreados pela documentação fiscal e contábil da empresa; 4.3. Os alegados "documentos comprobatórios" juntados nos processos 10120.004330/9821 e 10120.004331/9893 não se encontram anexados aos autos; 4.4. A solicitação de Retificação de DCTF referente aos I e II trimestres de 1998, realizada pela peticionante através dos processos anteriormente citados, foi parcialmente deferida e não contemplou a retificação de IRPJ e CSLL de ambos os períodos; 4.5. Ao se analisar a decisão proferida nos Despachos Decisórios (processos 10120.004330/9821 e 10120.004331/9893, às fls.16/20), o julgador observa que em relação às alterações pretendidas (IRPJ, CSLL) não há elementos fiscais ou contábeis que comprovem o exercício correto e que deem base de convencimento quanto ao pretendido; 4.6. A contribuinte foi capaz de comprovar que efetuou o recolhimento (Cód. 3373) no valor de R$ 29.701,06, conforme DARF apresentado e consulta nos sistemas internos; 5. Em seguida, a DRF revisou de ofício o lançamento, cancelou o montante originário de R$ 29.701,06 e manteve o montante originário de R$ 13.625,38. 6. Em sessão de 26 de março de 2009, a 4ª Turma da DRJ/BSA, por unanimidade dos votos, julgou procedente em parte o lançamento deste processo, para manter apenas o originário de R$ 13.625,38 e os acréscimos correspondentes, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0330.068 (fls. 75/77), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PROVAS/DCTF Se na fase impugnatória a contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão qualquer, há que se cancelar a importância da exigência fiscal correspondente. Por outro lado será mantido o valor do crédito tributário cujo recolhimento não for comprovado. Lançamento Procedente em Parte”. 7. Cientificada da decisão (AR de 17/04/2009, fls. 82), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 90/101), em 18/05/2009 e, além de reiterar os seus argumentos de defesa, sustenta que a exigência foi alcançada pela prescrição, vez que foi intimada do r. acórdão da DRJ (17/04/2009) após ter transcorrido prazo superior a cinco anos da constituição definitiva do suposto crédito tributário (10/07/2003). Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 8. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questão Preliminar I. Da Inocorrência de Decadência ou Prescrição no Caso Concreto 9. A Recorrente afirma que o crédito exigido teria sido alcançado pela prescrição, tendo em vista que, no momento da cientificação do acórdão da DRJ (17/04/2009) já teria transcorrido o prazo de cinco anos contados a partir da constituição da exigência (10/07/2003). Afirma ainda que a fiscalização teria até o dia 10/07/2008 para concluir o processo administrativo e não o fez. 10. Claramente a contribuinte confunde, em sua linha argumentativa, os institutos da decadência e da prescrição em matéria tributária. 11. In casu, não há que se falar na ocorrência de prescrição, pois o prazo de 5 anos a contar da constituição definitiva do crédito tributário para apresentação de Execução Fiscal sequer foi iniciado. Uma vez que o processo administrativo fiscal está em trâmite, inclusive para apreciação de Recurso Voluntário por esta relatoria, não há que se falar em constituição definitiva do crédito tributário. 12. O artigo 174 do CTN é claro neste sentido: "Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva." 13. No mais, o prazo decadencial (artigo 150, §4º, do CTN) foi devidamente respeitado pela douta autoridade fiscal quando da lavratura do auto de infração exigência de IRPJ, períodos de apuração do 3° e 4° trimestres de 1998, sendo certo que a contribuinte foi intimada em 10/07/2003 (fl. 34). 14. Ademais, conforme Súmula CARF nº 11, o processo administrativo fiscal não comporta a prescrição intercorrente. Confirase: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. 15. Diante do exposto, afasto a alegação de prescrição suscitada pela ora Recorrente. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 6 5 Questões de Mérito I. Da Manutenção da Exigência 16. Conforme relatado, o presente processo trata de lançamento em função da não localização de pagamentos no valor de R$ 43.326,44. Na revisão de oficio o valor de R$ 29.701,06 e acréscimos correspondentes foram excluídos, restando um saldo remanescente de R$ 13.625,38, relativo ao 3º trimestre de 1998. 17. O montante de R$ 13.625,38 é referente a valores declarados pelo sujeito passivo a título de “Compensação com DARF’s”. 18. Conforme o Anexo 1b do auto de infração, a fiscalização não encontrou os pagamentos que supostamente fundamentam as referidas compensações: 19. Por sua vez, a Recorrente afirma que efetuou recolhimentos a maior que o devido, para o 1º e 2º trimestres de 1998, na importância de R$ 12.618,43 e R$ 195,06, respectivamente. Tais montantes seriam passíveis de restituição e teriam sido utilizados para compensar parte do IRPJ devido no 3º trimestre de 1998. 20. Afirma também que, “não existem, isoladamente, os DARF de R$ 13.024,38 e R$ 601,00, por serem valores recolhidos a maior que o devido, nos 1° e 2° Trimestres de 1998”. 21. Para comprovar suas alegações apresenta diversos documentos no curso do processo, como: (i) planilha de demonstração de pagamentos (fl. 5); (ii) relatório de faturamento (fl. 4); (iii) cópia de entrega de DCTF (fl. 18); e (iv) DARFs relativos ao período de apuração de 31/01/98 a 30/09/98, cujos códigos de receita são 3373 e 3320. 22. Entretanto, conforme já indicado no despacho Secat (fls. 54/60) e r. acórdão da DRJ (fls. 75/77), a Recorrente não apresenta sua escrituração contábil e fiscal capaz de comprovar suas alegações e as informações dispostas em suas declarações (DCTF e DIPJ): Despacho Secat “a) A impugnante argumenta tratarse de compensação de R$ 12.757,30 e R$ 1.217,82, referente a pagamento a maior de IRPJ e da Cofins, respectivamente, referentes ao I e II trimestres do Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 7 6 anobase 1998, conforme planilhas apresentadas e documentos juntados ao processo (fls. 15/20); b) A planilha apresentada, bem como o relatório de faturamento, não estão lastreados pela documentação fiscal e contábil da empresa; c) Os alegados "documentos comprobatórios" juntados nos processos 10120.004330/9821 e 10120.004331/9893, não se encontram anexados aos autos; d) A solicitação de Retificação de DCTF referente aos I e II trimestres de 1998, realizada pela peticionante através dos processos anteriormente citados, foi parcialmente deferida e não contemplou a retificação de IRPJ e CSLL de ambos os períodos. Mesmo quanto ao PIS e a Cofins, houve deferimeto parcial; e) Ao se analisar a decisão proferida nos Despachos Decisórios (processos 10120.004330/9821 e 10120.004331/9893, às fls.15/20), o julgador observa que em relação às alterações pretendidas (IRPJ, CSLL) não há elementos fiscais ou contábeis que comprovem o exercício correto e que deem base de convencimento quanto ao pretendido. Aduz ainda que os balancetes e o Lalur demonstram apuração mensal e que o balanço do trimestre não foi transcrito no Diário”.(grifo nossos). Acórdão DRJ “Acrescentase ainda, com base, na revisão de oficio, letra "c", folha 57, que a interessada não apresentou os documentos comprobatórios, bem como que a planilha apresentada e o relatório de faturamento não estão lastreados pela documentação fiscal e contábil da empresa (item "b", folha 57)”. (grifos nossos) 23. Em linha com as conclusões acima transcritas, considero que não basta a Recorrente alegar e apresentar demonstrativos e/ou limitarse a juntar cópia da DIPJ e dos DARF’s. Para dar lastro ao suposto direito creditório e afastar a presente cobrança, a contribuinte deveria ter apresentado documentação fiscal e contábil comprobatória da origem do suposto crédito (LALUR, Livros Diário e Razão) juntamente com a cópia do processo administrativo específico que trata da citada compensação, inclusive alvo de análise pelo próprio despacho SECAT (trecho supra transcrito). 24. A escrituração contábil e fiscal capaz de suportar as alegações da Recorrente também não foram trazidas em sede de Recurso Voluntário. A contribuinte limitase a arguir que “tinha o direito à restituição das importâncias recolhidas a maior que o devido nos 1º e 2º trimestres de 1998, quando optou por compensálas”, e que seu direito está devidamente comprovado pela documentação apresentada nos autos. 25. Diante do exposto, entendo que a exigência do montante de R$ 13.625,38, referente a valores declarados pelo sujeito passivo a título de “Compensação com DARF’s”, deve ser mantida. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10120.004783/200349 Acórdão n.º 1201002.715 S1C2T1 Fl. 8 7 Conclusão 26. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000148/2002-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO.
A fruição do direito a ressarcimento de IPI decorrente de crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS incididas nas aquisições de insumos adquiridos para industrialização de produtos destinados à exportação, depende do cumprimento de deveres instrumentais que forneçam ao Fisco elementos necessários ao calculo e/ou conferência do valor pleiteado. Indeferido o pedido de ressarcimento com fundamento na impossibilidade do cálculo do crédito presumido, não sendo tal preliminar de prejudicialidade objeto de recurso e não havendo a regularização das faltas apontadas, fica prejudicada a apreciação das demais matérias suscitadas no Recurso Voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente à época).
Nome do relator: Relator
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CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO. A fruição do direito a ressarcimento de IPI decorrente de crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS incididas nas aquisições de insumos adquiridos para industrialização de produtos destinados à exportação, depende do cumprimento de deveres instrumentais que forneçam ao Fisco elementos necessários ao calculo e/ou conferência do valor pleiteado. Indeferido o pedido de ressarcimento com fundamento na impossibilidade do cálculo do crédito presumido, não sendo tal preliminar de prejudicialidade objeto de recurso e não havendo a regularização das faltas apontadas, fica prejudicada a apreciação das demais matérias suscitadas no Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Seção (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente à época). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 01 48 /2 00 2- 14 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3101000.763 S3C1T1 Fl. 582 2 Relatório Nos termos do art. 17, III1, e art. 19, VII2, do Regimento Interno do CARF, o Senhor Presidente da 3ª Seção designoume redator para formalizar o presente acórdão, mediante despacho de fls. 579/580, tendo em vista que o relator originário, exConselheiro Luiz Roberto Domingo, deixou de integrar o Colegiado antes da formalização do acórdão com a devida correção, vez que o primeiro foi excluído, em razão de erros nele identificados. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado pelo Conselheiro Luiz Roberto Domingo, conforme a seguir: Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP que manteve a o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e a não homologação da Compensação respectiva, referente a Crédito Presumido do IPI formulado com fundamento na Portaria MF nº 38/97 e na Lei nº 9.363/96, com período de apuração nos quatro trimestres do ano 2001, sob o fundamento de que a Recorrente: (i) não instruiu satisfatoriamente seu pedido, por não trazer aos autos os valores de estoques finais e iniciais de cada mês a fim de subsidiar o cálculo mensal dos insumos, (ii) não apresentou a ficha de apuração do crédito constante da DCTF; (iii) adotou forma inadequada para realizar seu pedido ao apresentálo em um único formulário para o ano calendário de 2001 todo, enquanto que o correto, segundo a legislação aplicável seria um pedido para cada trimestre. Além disso, pronunciouse acerca do mérito do direito ao ressarcimento aduzindo que: (i) os conceitos de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) são subsidiariamente dados pela legislação do IPI, a qual não abrange os produtos adquiridos para manutenção de máquinas e equipamentos da empresa; (ii) aquisições de energia elétrica não dão direito ao crédito presumido do IPI por não estar prevista na Lei 9.363/96, bem como não consta no conceito de MP, PI e ME dado pelo RIPI/98, além de ser expressamente excluído pelo Parecer Normativo CST nº 65/79; e, (iii) aquisições de pessoas físicas e sociedades cooperativas não dão direito ao crédito presumido porque não se enquadram como sujeitos passivos das contribuições do PIS e da COFINS. Destacase também o seguinte argumento da fiscalização, presente às fls. 365: Tendo em vista o prazo exíguo e as possíveis repercussões tributárias dos fatos apontados em relatório advindas do deferimento do crédito sem a devida fiscalização, bem como da insuficiente instrução por parte da requerente (não obstante se tratar de interesse da própria), proponho o INDEFERIMENTO do presente Pedido de Ressarcimento e que NÃO SEJAM HOMOLOGADAS os 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo colegiado e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; (...) 2 Art. 19. Aos presidentes das Seções incumbe, ainda: (...) VII praticar atos inerentes à presidência de Câmara vinculada à Seção nas ausências simultâneas do presidente da Câmara e de seu substituto. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3101000.763 S3C1T1 Fl. 583 3 Pedidos de Compensação, convertidos em Declarações de Compensação por força da Lei n° 10.637/02. Discordando desse posicionamento, a Recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto, que, além de ratificar os fundamento da repartição de origem, escorouse nos fundamentos apresentados pela seguinte ementa (fls. 420): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. INSUMOS. ENERGIA ELÉTRICA E FRETE. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e frete. Solicitação Indeferida Intimada dessa decisão em 19/02/2009 (fls. 432 – verso) a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/03/2009 (fls. 450/481), aduzindo em síntese que: i) é indevida a glosa das aquisições feitas junto a pessoa física e a sociedades cooperativas porque a Lei nº 9.363/96 não traz esse tipo de vedação e que a norma contida na IN nº 23/97 não é competente para trazer tal proibição por ter natureza infralegal; ii) essas aquisições suportam a incidência do PIS e da COFINS na medida em que seu preço contém o custo das incidências anteriores ao longo da cadeia produtiva; iii) a energia elétrica compõe parcela substancial do cálculo do benefício e que o contato físico com a mercadoria produzida não é condição dada pelo RIPI, mas pelo parecer CST nº 65/79, que não tem competência para tanto; iv) o ICMS, tributo análogo ao IPI, prevê o consumo da energia elétrica na tomada de seu crédito; v) a Lei nº 10.276/2001 inclui a energia elétrica como insumo passível de contabilização na base de cálculo do benefício; vi) a glosa dos valores pagos pelo frete é indevida e que o fundamento para sua realização foi confuso; vii) o frete pago entrou no custo de suas MP, PI e ME; viii) ao final protesta pela suspensão da exigibilidade do crédito referente aos tributos objeto do pedido de compensação não homologado. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3101000.763 S3C1T1 Fl. 584 4 É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, que assim dispõe: Conheço do Recurso por ser tempestivo e atender aos requisitos de admissibilidade. Apesar de todas as matérias de mérito debatidas nos autos serem de relevante importância na apuração do quantum devido a título de ressarcimento de IPI decorrente de crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS incididas nas aquisições de insumos adquiridos com o fim de industrializar produtos destinados à exportação, fato é que os autos carecem de instrumentalidade bastantes e suficiente para prova das exportações e para viabilizar a apuração desses créditos. O principal fundamento do indeferimento é o não atendimento aos requisitos necessários à apreciação do pedido de ressarcimento, conforme pode ser colhido nos seguintes trechos do Despacho formulado pela Autoridade fiscal de origem: “O ressarcimento foi apresentado em pedido único no valor de R$ 737.949,00 para todo anocalendário 2001, em desacordo, portanto, ao que dispõe a Portaria MF n° 38/1997 (o pedido deve ser por trimestrecalendário).” Fls. 352 (grifos acrescidos) ... “1) Da instrução do processo verificações preliminares: a) o Pedido de ressarcimento foi assinado pelo representante legal da empresa, conforme disposto nos documentos de constituição da empresa; b) os débitos compensados no presente processo constam declarados em DCTF (fls. 337 a 350); c) verificamos que os débitos de código 9438 (C1DE — Combustíveis — Importação) compensados às folhas 25 e 29 nos montantes de R$ 72.746,96 e R$ 78.373,46, respectivamente, foram declarados no código 9331 (CIDE — Combustíveis — Mercado Interno) em DCTF (conforme folhas 341 e 349); d) em pesquisa ao sistema da Receita Federal, verificamos que a empresa, não apresentou DCP referente ao período em análise.” (fls. 352/353) (grifos acrescidos) ... “2) Quanto ao cálculo do Crédito Presumido: Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3101000.763 S3C1T1 Fl. 585 5 a) dos insumos: • as MP,PI,ME foram apurados de acordo com as aquisições em cada mês do anocalendário 2001, em desacordo, portanto, ao que dispõe a Portaria MF n°38/1997; • a empresa não apresentou documentos que evidenciassem a forma de apuração das MP,PI,ME por sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração contábil ou relação de quantidades e valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem em estoque no final de cada período de apuração que permitissem calcular o montante utilizado na industrialização dos produtos vendidos em cada mês; • dos insumos relacionados, verificamos que a interessada incluiu indevidamente na base de cálculo das MP,PI,ME aquisições não admitidas pela Lei n° 9.363/96 e Portaria n° 38/97; • foram verificadas aquisições de MP,PI,ME de pessoas físicas e cooperativas, conforme planilha apresentada pela empresa intitulada "RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIAPRIMA PARA FINS DE CRÉDITO PRESUMIDO IPI EXPORTAÇÃO" (112 a 123); ... • à partir das planilhas retificadas acima e tendo em vista a impossibilidade de apurar os montantes em cada mês de MP,PI,ME utilizados em cada mês pela inexistência de dados dos estoques finais de cada período ou porque a empresa não possui sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração contábil, apuramos o montante das aquisições de MP, PI, ME que dão direito ao crédito presumido, conforme tabela a seguir:” Fls 354 (grifos acrescidos) Portanto, a Fiscalização acusa que diante das informações prestadas pela Recorrente e da falta de cumprimento das obrigações acessórias, tais como apresentação de DCP e do cálculo objeto do pedido administrativo de forma trimestral, não há possibilidade de realização e/ou conferência do direito creditório pretendido. Desta forma, antes mesmo da apreciação das questões acerca do tipo de aquisição que dá direito a crédito, objeto da peça recursal, há questão procedimental que mereceria apreciação. Nesse sentido é a decisão de primeira instância que ratifica: “Inicialmente cabe lembrar à impugnante que o crédito presumido legalmente foi estabelecido, não para viabilizar o princípio da nãocumulatividade do IPI, mas para ressarcir o exportador das contribuições incidentes sobre as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de produtos exportados, a ser calculado nos termos da Lei n° 9363/96 e Portaria MF n° 38/97. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3101000.763 S3C1T1 Fl. 586 6 Portanto, se o contribuinte deixa apresentar a ficha de apuração do crédito presumido, constante na DCTF, além de apurar as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem pelo valor das aquisições, sem apresentar os valores de estoques finais e iniciais de cada mês, não houve subsídios para que a SRF refizesse o cálculo do crédito presumido.” (fls. 421) Ocorre que a Recorrente, além de não se insurgir contra esses fundamentos de prejudicialidade da apreciação do direito creditório, não trouxe aos autos elementos de fato ou de direito que pudessem subsidiar tal apreciação. Suponho que a Recorrente tenha direito ao ressarcimento, pois exportou e adquiriu insumos no mercado interno utilizados nos bens exportados. Contudo, é dela o ônus de fornecer os elementos necessários para viabilizar o cálculo do direito creditório, ou conferência do cálculo apresentado. Curioso notar que a Recorrente formalizou pedido de ressarcimento de IPI relativamente ao anocalendário de 2000, nos autos do processo administrativo fiscal n° 10820.001642/200115, distribuído para mim e pautado para julgamento nesta sessão, com os mesmos vícios deste feito. Naquele caso, intimada da constatação de tais vícios, a Recorrente promoveu a regularização, em 08/11/2006, antes mesmo da despacho inicial dado pela autoridade de origem. Momento em que poderia ter regularizado, também, o presente feito. Diante das irregularidades apontadas e da ausência de contestação das irregularidades apontadas, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicada a apreciação das demais questões suscitadas. Eis o voto que me coube redigir. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 586DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.970719/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição/compensação de Cofins, com origem no período de apuração de março de 2008. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 16/11/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 14566.35387.280409.1.3.040574, nos termos do despacho decisório emitido em 07/10/2009 pela Derat Rio de Janeiro (rastreamento nº 848605440). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 70 71 9/ 20 09 -8 5 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 15374.970719/200985 Resolução nº 3201001.817 S3C2T1 Fl. 560 2 Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 28/04/2009, a contribuinte indicou um crédito de R$ 128.086,55 (que corresponde a uma parte do pagamento de Cofins – Importação de Serviços, efetuado em 17/04/2008, sob o código 5442, no valor de R$ 230.700,58) para extinguir débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 116.023,11. Segundo o despacho decisório, cientificado em 20/10/2009, a compensação não foi homologada porque o pagamento indicado como indevido (que foi localizado) encontravase totalmente alocado ao débito de Cofins – Importação de Serviços (cód 5442) do período de apuração “17/04/2008”. Na manifestação apresentada a contribuinte discorre resumidamente sobre os fatos e diz que o valor foi recolhido erroneamente pois corresponderia, na realidade, à locação de equipamentos no exterior. Diz estar juntando cópia do contrato de câmbio, planilha com o cálculo da contribuição e cópia “das invoices” que geraram o pagamento indevido. A seguir, salienta que a IN SRF nº 320, de 2003, trouxe novas regras para a apresentação de pedidos de compensação e que a IN RFB nº 900, de 2008, prevê o respectivo direito. Insiste que não houve serviço, mas locação de equipamentos (“que não se enquadra como fato gerador”), e que o valor indevidamente recolhido deve ser devolvido com o acréscimo de taxa Selic. Informa que apresentou DCTF retificadora e pede o acolhimento de sua manifestação com a consequente homologação da compensação. Em 13/01/2017, consoante despacho de fl. 97, o processo foi encaminhado para esta DRJ em Curitiba, para análise e julgamento. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CTA n.º 06 58.871, de 26/04/2017 (fls. 98 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 17/04/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A alegação do direito desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período e, ainda, de documentos que comprovem inequivocamente tanto a celebração de contratos de locação de equipamentos, quanto os pagamentos correspondentes, não é suficiente para demonstrar que determinados valores foram indevidamente incluídos na base de cálculo da contribuição. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 15374.970719/200985 Resolução nº 3201001.817 S3C2T1 Fl. 561 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário de fls. 144 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega, em síntese: Nulidade Há nulidade do Despacho Decisório, ao se negar o direito sem maior análise do direito creditório. É nulo o acórdão recorrido, pois houve mudança de critério jurídico, uma vez que se destacou que não se poderia homologar a compensação, ao fundamento de que não havia prova suficiente que demonstrasse o pagamento indevido. Mérito Acostou todos os documentos necessários à comprovação do crédito (comprovante de pagamento, planilha com a composição da base de cálculo, notas fiscais de locação de equipamentos e contrato de câmbio, através do qual remetidos valores ao exterior para o pagamento das locações). Para que não pairem dúvidas, acosta os livros e documentos contábeis que demonstram a composição da base de cálculo do tributo e cópia do contrato de locação firmado com a empresa estrangeira. Não se pode desconsiderar a retificação, apenas pelo fato de ter não sido realizada no momento oportuno. Por meio da petição de fls. 519/520, a Recorrente requer a juntada de contrato firmado com a empresa Southern Shlumberger S/A, com base no qual efetuou as remessas ao exterior. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior do PIS/Cofins, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Contestada a decisão, a DRJ julgoua improcedente. E fêlo, no nosso entender, com a devida vênia, equivocadamente. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 15374.970719/200985 Resolução nº 3201001.817 S3C2T1 Fl. 562 4 Não porque havia prova suficiente para o deferimento do pleito, mas porque havia indício bastante para ao menos baixar os autos em diligência, a fim de dirimir a dúvida que a própria DRJ suscitou. Vejam o que constou do voto do acórdão recorrido: No caso em questão, para comprovar o seu direito a contribuinte apresentou cópia de demonstrativos, de faturas (invoices) emitidas por empresa situada em Montevidéu – Uruguai (com informações não preenchidas no vernáculo), de contrato de câmbio e de DCTF. Analisandose a documentação apresentada – devendose ressaltar que os contratos (traduzidos para o vernáculo) relativos às alegadas locações não foram apresentados – resta claro que, embora a contribuinte alegue possuir o crédito, não comprovou inequivocamente a sua liquidez e certeza. De fato, os documentos apresentados, desacompanhados da escrituração contábil e, também, dos contratos firmados com o alegado locador internacional, até trazem indícios de que houve uma operação de câmbio (tendo como recebedora a mesma empresa emitente das faturas ou “invoices” constantes dos autos), mas tais indícios de modo algum comprovam a locação informada, desautorizando, assim, qualquer decisão diversa da que já foi tomada, ou seja, de que a confissão originalmente realizada em 08/05/2008, com a transmissão da DCTF, está correta, estando correto também o despacho decisório questionado. Cabe ressaltar que as invoices referidas trazem a informação, embora não no vernáculo, de tratarse de aluguel, não de importação de serviços. Pelo exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise os documentos acostados aos autos pela Recorrente, inclusive ao Recurso Voluntário. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 562DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914210/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 23/04/2007
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas.
VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
Numero da decisão: 2201-004.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 23/04/2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 201 1 200 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.914210/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.984 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOB SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 23/04/2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 10 /2 00 9- 81 Fl. 215DF CARF MF 2 Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 76/81) por sua precisão: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 23 a 28 (PER/DCOMP nº 10140.67389.240507.1.3.040553), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 5286) relativo ao pagamento efetuado em 23/04/2007. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 20 o contribuinte foi cientificado, em 19/10/2009 (fls. 73), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Tendo sido o pagamento vinculado ao débito de IRRF, declarado em DCTF (período de apuração 23/04/2007). 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 25.483,38). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou, em 17/11/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 02 e 10, informando e alegando, em suma, o seguinte: 4.1 O pagamento a maior de IRRF, código 5286, foi gerado pois o manifestante efetuou retenção a maior de imposto de renda da empresa "LOMBARD ODIER DARIER HENTSCH", ocasionado por aplicação de alíquota de 15% sobre rendimentos apurados em aplicação em cotas do Fundo Dynamo Cougar, quando a correta seria 10%. A diferença gerou um imposto retido a maior no montante de R$ 22.355,80. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 16327.914210/200981 Acórdão n.º 2201004.984 S2C2T1 Fl. 202 3 4.2 O cotista supra citado está situado na Suiça e o fundo é de ações, de forma que, pelo inciso I do artigo 39 da IN 25/01 e por não estar o citado país na lista da IN 188/02, a alíquota a ser aplicada seria mesmo de 10%. 4.3 Houve devolução da quantia retida indevidamente ao cliente e o recolhimento indevido foi feito, juntamente com outras retenções, no DARF de R$ 253.984,83. 4.4 O principio da legalidade (150, I da CF) veda a cobrança de tributos sem previsão legal e pelo principio da verdade material a consequência tributária somente ocorrerá se o evento efetivamente se verificar no plano fenomênico. No presente caso não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar incidência tributária. O que ocorreu foi equívoco no preenchimento da DCTF, onde o manifestante informou no campo "débito apurado" valor maior do que o devido. Erro esse prontamente retificado (doc. 11). O Conselho de Contribuintes decidiu reiteradamente em 3 favor dos contribuintes no tocante ao "erro de fato", conforme se depreende das ementas colacionadas. 4.5 Por todo o exposto requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade para que: (i) sejam homologadas compensações atreladas ao presente processo e (ii) sejam efetuadas diligências para comprovação das alegações antes mencionadas. 2 A manifestação de inconformidade do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 23/04/2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de diligências quando não forem cumpridos os requisitos estabelecidos na legislação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 217DF CARF MF 4 03 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 90/103. É o relatório do necessário. Voto Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 Conheço do recurso. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. 5 Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. 6 No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. 7 A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. 8 Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. 9 A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16327.914210/200981 Acórdão n.º 2201004.984 S2C2T1 Fl. 203 5 exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). 10 A alegação de erro de fato nessa instância recursal, no caso, deve vir acompanhada de documentos incontestes quanto a esse fato, posto que tais oportunidades de esclarecimentos e juntada de novos documentos que comprovam a veracidade das razões recursais, o foram analisadas quando do julgamento de primeiro grau constatando a não comprovação do alegado direito pelo contribuinte. 11 Alega o contribuinte em seu recurso: 12 Contudo, entendo que os documentos juntados e reproduzidos também em recurso voluntário foram devidamente analisados pela instância a quo, como bem evidenciado pela decisão de piso no qual tomo como razões de decidir, verbis: 7. Na peça recursal ora em análise, o manifestante alega que o valor de R$ 22.355,80 foi indevidamente retido do cliente "LOMBARD ODIER DARIER HENTSCH", uma vez que por se tratar de rendimentos decorrentes de investimento realizado em fundo de ações e ser o cotista residente na Suiça, a alíquota do imposto de renda a ser aplicada deveria ser de 10% e não 15% como utilizada para o cálculo do IR anteriormente declarado e recolhido. Para a comprovação do alegado erro juntase a planilha de fls. 31 com o cálculo incorreto e a de fls. 33 com aquele supostamente correto, além de documentos a comprovar a residência do citado cliente na Suiça, cópia do regulamento do Fl. 219DF CARF MF 6 mencionado fundo, extratos bancários a comprovar a devolução dos valores ao cliente e cópia da conta que informa o IR a compensar. 7.1 Analisando os documentos apresentados há que fazer as seguintes considerações: I) De fato, os documentos de fls. 35 a 42, demonstram estar o cliente "LOMBARD ODIER DARIER HENTSCH" estabelecido na Suiça e o regulamento do fundo Dynamo Cougar revela ser o mesmo destinado a investimentos em ação, estando, portanto seus rendimentos sujeitos à alíquota de 10%, conforme o disposto no inciso I do artigo 39 da IN SRF 25/01. II) As planilhas de fls. 31 e 33 apontam uma diferença de R$ 22.355,74 no cálculo do IR ocasionado pela diferença de alíquota. III) Os extratos de fls. 50 a 54, indicam que realmente houve a retenção e a devolução dos valores mencionados, considerando que no valor de R$ 558.024,20, lançado a título de "estornos de tarifas", estão contidos, além dos valores referentes a este processo, também aqueles constantes nos processos 16327.914211/200925 e 16327.914212/200970. 7.2 Em que pese as verificações acima, faltou ao manifestante demonstrar ser mesmo o imposto retido referente a rendimentos do Fundo Dynamo Cougar, auferido pelo cliente " LOMBARD ODIER DARIER HENTSCH". As planilhas de fls. 31 e 33, desacompanhadas de outros elementos que lhe confiram certeza, não são bastantes para tal comprovação. O interessado não anexou qualquer documento que mostrasse ser o mencionado cliente cotista do referido Fundo de Ações e tampouco evidenciou , por meio de extratos, quais teriam sido os rendimentos que serviram para o cálculo do IR, restando assim ilíquido e incerto o direito creditório pleiteado. 7.2.1 Além disso, o contribuinte também não comprovou estar o pagamento a maior inserido no DARF de R$ 253.984,83. Nota se que no documento de fls. 58 existem apenas anotações que apontam a existência de imposto a recolher e de recolhimento nos valores mencionados, no entanto não há indicação de qualquer relação existente entre tais valores. Quais teriam sido os outros valores de IR que, juntamente com o do crédito aqui pleiteado, estaria compondo o DARF de R$ 253.984,83? 13 Cabe, portanto, à Recorrente, a demonstração da origem e liquidez de seu crédito pleiteado. A Recorrente trouxe aos autos, em seu recurso voluntário, e na manifestação de inconformidade documentos que parece não ter a menor pertinência para o deslinde da causa para respaldar a origem e formação do seu crédito. No entanto, caberia à Recorrente realizar uma conciliação com a escrita fiscal e contábil, que, aliás, foi apresentada de forma insuficiente, com vistas a esclarecer os fatos de seu interesse e respaldar o direito de seu pedido. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16327.914210/200981 Acórdão n.º 2201004.984 S2C2T1 Fl. 204 7 14 No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que os documentos juntados aos autos atestam, de forma inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade, é um simples demonstrativo de cálculo, o valor do recolhimento e o crédito objeto do pedido de restituição/compensação. Estes demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais. 15 Nem mesmo diligência fiscal poderia esclarecer e confirmar a existência do crédito pleiteado. É de total interesse da Recorrente, em casos de pedidos de ressarcimento e compensação, o esclarecimento e a prova de seu crédito. Apenas apresentar documentos aleatórios sem nenhum critério de conexão, como por exemplo o livro razão de uma única conta contábil, que não se mostra suficiente para a causa, ou invocar a verdade material para afirmar que é dever da fiscalização analisar a documentação e conferir com a DCTF retificada não são suficientes para evidenciar a liquidez e certeza de seu crédito. 16 É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa e nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201 004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Fl. 221DF CARF MF 8 Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16327.914210/200981 Acórdão n.º 2201004.984 S2C2T1 Fl. 205 9 Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) 17 Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, tomo como razões de decidir parte do Voto do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001000.545 j. 17/10/2018, verbis: Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o Fl. 223DF CARF MF 10 que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. omissis Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplicarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manter se fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Conclusão 18 Diante do exposto, conheço do recurso e NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 224DF CARF MF Processo nº 16327.914210/200981 Acórdão n.º 2201004.984 S2C2T1 Fl. 206 11 Fl. 225DF CARF MF
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