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Numero do processo: 15504.003375/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por KARINA RIBEIRO DE FARIA.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 03 37 5/ 20 10 -1 6 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, KARINA RIBEIRO DE FARIA, foi lavrado o Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, , que lhe exige crédito tributário. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal e dá conta dos seguintes aspectos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMFs foi encaminhada a instituições financeiras, fls. 162 a 163. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.003375/201016 Resolução nº 2202000.384 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 354DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.003375/201016 Resolução nº 2202000.384 S2C2T2 Fl. 5 4 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 355DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.003375/201016 Resolução nº 2202000.384 S2C2T2 Fl. 6 5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 356DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.003375/201016 Resolução nº 2202000.384 S2C2T2 Fl. 7 6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 357DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11065.003521/2004-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE CONTRAPRESTAÇÕES DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE SALDOS CREDORES DE ICMS. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Excelso Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, acolheu a tese da inconstitucionalidade da incidência da COFINS não cumulativa sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, como na presente hipótese.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto Convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE CONTRAPRESTAÇÕES DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE SALDOS CREDORES DE ICMS. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Excelso Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, acolheu a tese da inconstitucionalidade da incidência da COFINS não cumulativa sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, como na presente hipótese. Recurso Especial do Procurador Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto Convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE CONTRAPRESTAÇÕES DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE SALDOS CREDORES DE ICMS. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Excelso Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, acolheu a tese da inconstitucionalidade da incidência da COFINS não cumulativa sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, como na presente hipótese. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 35 21 /2 00 4- 12 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 2 Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto Convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 211 a 226) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 197 a 208) que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao ressarcimento do saldo credor da COFINS sem a incidência da SELIC. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE CONTRAPRESTAÇÕES DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE SALDOS CREDORES DE ICMS. DESCABIMENTO. A cessão onerosa de saldo credor acumulado de ICMS não oferece em contrapartida para a pessoa jurídica cedente a percepção de receitas, motivo pelo qual é descabida a exigência de Cofins sobre referidas importâncias. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. TAXA SELIC. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização ou a remuneração de créditos do PIS e da Cofins nãocumulativos nos pedidos de ressarcimento, é inadmissível a aplicação da Selic aos créditos não aproveitados na escrita fiscal por insuficiência de débitos no respectivo período de apuração, devendo o ressarcimento de tais créditos se dar pelo valor nominal. Recurso voluntário provido em parte. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros com a finalidade de recebimento de vantagens patrimoniais configura receita que deve ser considerada na base de cálculo da COFINS. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 11065.003521/200412 Acórdão n.º 9303002.797 CSRFT3 Fl. 258 3 O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 236 a 237. Contrarrazões às fls. 241 a 253. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Com relação ao mérito, especificamente quanto à cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, com a finalidade de recebimento de vantagens patrimoniais, configurar receita que deve ser considerada na base de cálculo da COFINS, é de se destacar que o Excelso Supremo Tribunal Federal já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise de recurso extraordinário com a observância do requisito da repercussão geral. O precedente proferido tem a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 4 IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 11065.003521/200412 Acórdão n.º 9303002.797 CSRFT3 Fl. 259 5 (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Excelso Supremo Tribunal Federal a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, como na presente hipótese. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Excelso Supremo Tribunal Federal deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 6 Por conseguinte, em face de todo o exposto, com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 288DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100829/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Borges..
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Borges.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Borges.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 29 /2 00 9- 10 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100829/200910 Acórdão n.º 3801004.269 S3TE01 Fl. 105 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100829/200910 Acórdão n.º 3801004.269 S3TE01 Fl. 106 3 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento tributário (auto de infração) consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon. A contribuinte apresentou impugnação alegando ser irrazoável a punição da contribuinte de forma quantitativamente igual à descumpridores da obrigação principal. Que não houve por dolo de sua parte, cabendo, no seu entendimento, ser aplicada a sanção no valor mínimo, especialmente porque o atraso ocorreu em virtude das constantes alterações nas orientações e sistemas do Fisco e da insegurança causada em contribuintes cumpridores das normas, como é o seu caso e por conta de intermitências no sistema. Apontou, ainda, argumentos acerca da inadequação da punição em relação ao prejuízo do fisco. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a improcedente a impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DACON MULTA POR ATRASO A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, após o prazo previsto pela legislação tributária, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente, autoriza o lançamento da multa por atraso correspondente. DACON. ENTREGA FORA DO PRAZO. MULTA. CONGESTIONAMENTO. PROBLEMA TÉCNICO. INTERMITÊNCIA. EXCEÇÕES. PROVA. Eventual problema intermitente de congestionamento no sistema ocorrido no último dia de entrega de declaração resolvese com sucessivas tentativas de transmissão, pois quando há indisponibilidade permanente no sistema de recepção, a própria Administração reconhece tal fato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Apresenta a Recorrente o presente recurso voluntário reprisando as alegações da impugnação. É o que importa relatar. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100829/200910 Acórdão n.º 3801004.269 S3TE01 Fl. 107 4 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A multa pelo atraso na entrega do Dacon estava positivada no art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, in verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100829/200910 Acórdão n.º 3801004.269 S3TE01 Fl. 108 5 I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” (grifei) A própria Recorrente afirma na impugnação e no recurso que entregou as DACON’s em datas diversas da estipulada pela legislação vigente na época. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, por meio de Instrução Normativa n.º 1.441/2014, publicada no DOU de 21.1.2014, extinguiu o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Extinta a DACON extinguemse igualmente as suas penalidades. Nos termos do art. 106 do CTN a legislação deve ser aplicada a ato ou fato pretérito quando o processo não tenha se encerrado e quando a conduta deixe de ser considerada infracional, não implique em falta de pagamento do tributo e não decorra de ato fraudulento, expressandose do seguinte modo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que é o que ocorreu no presente processo. Sobre esse tema cito a lição de Luciano Amaro, assim expressa (Direito Tributário, 12ª Ed., 2006, Ed. Saraiva, fls. 202/203): Já em matéria de sanção as infrações tributárias (recordese que sanção de ato ilícito não se confunde com tributo, nem é compreendida no conceito deste), o Código Tributário Nacional, inspirado no direito penal, manda aplicar retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao acusado do que a lei vigente à época da ocorrência do fato. Prevalece, pois, a lei mais branda (lex mitior). Diz o Código Tributário Nacional que a lei se aplica a ato ou fato pretérito, "tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática" (art. 106,II). Fl. 108DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100829/200910 Acórdão n.º 3801004.269 S3TE01 Fl. 109 6 Nas alíneas a e c temos a clara aplicação da retroatividade benigna: se a lei nova não mais pune certo ato, que deixou de ser considerado infração (OU se o sanciona com penalidade mais branda), ela retroage em benefício do acusado, eximindoo de pena (ou sujeitandoo a penalidade menos severa que tenha criado). É óbvio que, se a lei nova agravar a punição, ela não retroage. (destaquei). Portanto, em matéria de penalidade pelo descumprimento da legislação tributária a regra é a retroatividade da lei mais benigna. No caso em questão, considerando que a Lei não manteve a penalidade pelo atraso na entrega da DACON tenho que é premente a aplicação do disposto no art. 106 do CTN e o cancelamento do lançamento. Nesse sentido, julgo procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100829/200910 Acórdão n.º 3801004.269 S3TE01 Fl. 110 7 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. Muito embora a Instrução Normativa RFB Nº 1441, de 20 de janeiro de 2014 tenha extinto o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), os lançamentos efetuados para cobrança da multa pela sua apresentação a destempo constituem atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram elaborados. A IN RFB 1.441/2014 extingue apenas o DACON relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014 e ressalva que a apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, ou seja, ela não isenta a apresentação da DACON para períodos anteriores, como é o caso, mantendose a penalidade pelo atraso na sua entrega, não cabendo, assim, a alegada retroatividade da lei mais benigna prevista no art. 106 do CTN. Quanto as alegações de violação a princípios constitucionais é defeso a esse Conselho questionar a validade da norma legal devidamente inserida no ordenamento jurídico nacional e pontuo ainda que a alegação de inconstitucionalidade de lei é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11070.000585/2010-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.264
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 00 58 5/ 20 10 -3 1 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000585/201031 Resolução nº 2403000.264 S2C4T3 Fl. 83 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente CONPLAN ORGANIZAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA contra Acórdão nº 0935.966 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.276.2174 (parte empresa), com valor consolidado de R$ 46.909,83 e do AIOP nº 43.996.9344 (parte empresa), constante do processo nº 13061.720039/201488, com valor consolidado de R$ 5.718,71, na competência 11/2008. Observase que o processo nº 13061.720039/201488 foi desmembrado anteriormente do presente processo nº 11070.000585/201031 AIOP nº. 37.276.2174, na competência 11/2008, porque houve desmembramento automático efetivado pelo sistema RFB/SICOB em função de inclusão no parcelamento especial da Lei 11.941/2009. Ocorre que tal inclusão no parcelamento especial não foi confirmada haja vista a não renúncia expressa ao Recurso Voluntário, motivo pelo qual, para efeitos de saneamento dos processos, a Unidade da RFB de jurisdição do contribuinte CONPLAN ORGANIZAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA, às fls. 11, comunicou que estava apensando o processo nº 13061.720039/201488 ao presente processo nº 11070.000585/201031 AIOP nº. 37.276.217 4: PROCESSO/PROCEDIMENTO: 13061.720039/201488 INTERESSADO: CONPLAN ORGANIZACAO DE SERVICOS LTDA EPP DESTINO: GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF RECEBER PROCESSO TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Trata o presente processo do Auto de Infração nº 43.996.9344, referente à Contribuição Previdenciária, relativa à competência 11/2008, desmembrada do AIOP nº 37.276.2174(Proc. 11070.000585/201031), automaticamente, pelo Sicob, em razão da inclusão indevida deste processo no parcelamento da Lei 11.941/2009, tendo em vista, que, não houve desistência expressa do Recurso Voluntário em julgamento no CARF. Diante do exposto, encaminhese o presente processo ao CARF/MF/DF, para apensação ao processo nº 11070.000585/201031. DATA DE EMISSÃO : 27/02/2014 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000585/201031 Resolução nº 2403000.264 S2C4T3 Fl. 84 3 Segundo o Relatório Fiscal, as contribuições providenciarias devidas à Seguridade Social, referentes às contribuições a cargo da empresa: Contribuição da empresa, na alíquota de 20%, Lei 8.212/91, artigo 22, inciso I, com a redação dada pela Lei 9.876/99, incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados. Contribuição da empresa, na alíquota de 20%, Lei 8.212/1991, artigo 22, inciso III, na redação dada pela Lei 9.876/99, incidentes sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais; Contribuição da empresa, na alíquota de 1%, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa GILRAT decorrente dos riscos ambientais do trabalho, artigo 22, inciso II da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.732/98, incidentes sobre os valores pagp? aos segurados empregados. O Relatório Fiscal aponta que a empresa informa em GFIP ser optante do SIMPLES: 2 A empresa apresentou as Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, nas competências 07/2007 a 12/2009, como OPTANTE do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. A empresa foi excluída do Simples COMPROT 11070.000435/201027, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SAO N° 009, de 29 de março de 2010, com efeitos retroativos a 1º de julho de 2007. O Relatório Fiscal aponta os Códigos de Levantamento: 4 Constituiu o fato gerador destas contribuições o salário de contribuição dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais (levantamento E1). E1 EXCLUSÃO DO SIMPLES ATÉ 11/2008, incidentes sobre os valores declarados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFlP's. A decisão de primeira instância informa que o sujeito passivo foi excluído do SIMPLES de acordo com o processo nº 11070.000435/201027, na qual houve julgamento em 1º grau tendo sido confirmada a exclusão e seus efeitos, estando, atualmente aguardando julgamento de Recurso Voluntário. Em relação ao cálculo da multa, informa o Relatório Fiscal, que foi realizado o comparativo de multas, conforme as alterações advindas da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, com a incidência da mais benéfica ao contribuinte: 6 Foi aplicada a multa mais benéfica de ofício 75%, por ser menos onerosa que a multa de 24% mais o Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória A I OA CFL 68. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 08/2007 a 11/2008. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000585/201031 Resolução nº 2403000.264 S2C4T3 Fl. 85 4 A Recorrente teve ciência do auto de infração em 08.04.2010, às fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: O sujeito passivo apresentou impugnação (folhas 32 a 39) em 10/5/2010 onde alega, em síntese, que o presente processo deve ter suspensa a exigibilidade visto que "é decorrente da exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional)", devidamente impugnada, até que seja julgada. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0935.966 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 30/11/2008 SIMPLES. SUSPENSÃO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do Simples não tem o condão de suspender o regular processamento de lançamento decorrente, por falta de previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. Io da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Por ocasião do pagamento ou parcelamento do débito, deverá ser verificada a aplicação da multa, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) Questiona a autuação fiscal tendose em vista que o processo de exclusão da empresa no SIMPLES Nacional, processo nº Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000585/201031 Resolução nº 2403000.264 S2C4T3 Fl. 86 5 11070.000435/201027, está sendo julgado em instância administrativa. Nos autos, às fls. 76, a Unidade da RFB informa que apesar do contribuinte ter aderido ao parcelamento especial da Lei 11.941/2009 houve a manifestação formal do Recorrente pela continuação do Recuso Voluntário: A pessoa jurídica manifestou formalmente pela continuidade dos recursos interpostos nos processos administrativos 11070.000585/201031 (37.246.2542), 11070.000583/201041 (37.246.0550), 11070.000584/201096 (37.246.0569), 11070.000585/201031 (37.276.2174), 11070.000586/201085 (37.276.2174) e 11070.000435/201027, os quais foram incluídos indevidamente na consolidação do parcelamento da Lei nº 11.941/09, na forma da análise realizada no despacho de intimação de fls. 58/60. Diante do exposto, proponho a exclusão dos débitos dos processos supra relacionados das respectivas modalidades de parcelamento da Lei nº 11.941/09. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000585/201031 Resolução nº 2403000.264 S2C4T3 Fl. 87 6 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS PRELIMINARES DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente CONPLAN ORGANIZAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA contra Acórdão nº 0935.966 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.276.2174 (parte empresa), com valor consolidado de R$ 46.909,83 e do AIOP nº 43.996.9344 (parte empresa), constante do processo nº 13061.720039/201488, com valor consolidado de R$ 5.718,71, na competência 11/2008. Segundo o Relatório Fiscal, as contribuições providenciarias devidas à Seguridade Social, referentes às contribuições a cargo da empresa: Contribuição da empresa, na alíquota de 20%, Lei 8.212/91, artigo 22, inciso I, com a redação dada pela Lei 9.876/99, incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados. Contribuição da empresa, na alíquota de 20%, Lei 8.212/1991, artigo 22, inciso III, na redação dada pela Lei 9.876/99, incidentes sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais; Contribuição da empresa, na alíquota de 1%, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa GILRAT decorrente dos riscos ambientais do trabalho, artigo 22, inciso II da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.732/98, incidentes sobre os valores pagp? aos segurados empregados. Por outro lado, a empresa faz referência nos autos ao seu enquadramento no sistema do SIMPLES Nacional, veiculado pela Lei Complementar 123/2006. A decisão de primeira instância informa que o sujeito passivo foi excluído do SIMPLES de acordo com o processo nº 11070.000435/201027, na qual houve julgamento em 1º grau tendo sido confirmada a exclusão e seus efeitos, estando, atualmente aguardando julgamento de Recurso Voluntário. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000585/201031 Resolução nº 2403000.264 S2C4T3 Fl. 88 7 Em consulta ao sistema COMPROT, em 12.05.2014, http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp, temse que o processo nº 11070.000435/2010 27 encontrase na fase de julgamento de Recurso Voluntário no CARF, no âmbito da 2 ª Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. Por fim, registrese que a Recorrente apresentou tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, dentre outros argumentos, o de que se enquadra na sistemática do SIMPLES Nacional, na Lei Complementar 123/2006. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento do processo administrativo nº 11070.000435/201027, de exclusão do SIMPLES Nacional, posto que tal processo produz efeitos diretamente no presente processo nº 11070.000585/201031. Anotese ainda que a competência para o julgamento de processo de exclusão do SIMPLES Nacional é da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme se depreende do art. 2º, V, do Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; {2} V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000585/201031 Resolução nº 2403000.264 S2C4T3 Fl. 89 8 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe o resultado final do julgamento do processo administrativo nº 11070.000435/201027, de exclusão do SIMPLES Nacional, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como, também informe se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.004408/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros JORGE CELSO FREIRE DA SILVA (Presidente), ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, MAURICIO PEREIRA FARO, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, ANTONIO BEZERRA NETO, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, KAREM JUREIDINI DIAS.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros JORGE CELSO FREIRE DA SILVA (Presidente), ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, MAURICIO PEREIRA FARO, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, ANTONIO BEZERRA NETO, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, KAREM JUREIDINI DIAS. Cuidase de Recurso de Ofício interposto em face do acórdão de n° 1430.774, da 3ª Turma da DRJ/RPO, proferido em sessão de 2 de setembro de 2010. Em procedimento de verificação de cumprimento das obrigações tributárias pela empresa SNC INDÚSTRIA DE COSMÉTICOS LTDA. foi apurada omissão de receita, nos anoscalendário de 2004 e 2005, caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários. Diante disso, lavrouse contra a Contribuinte Auto de Infração (fls. 4215/4239) para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 40 8/ 20 09 -2 5 Fl. 12026DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.004408/200925 Resolução nº 1401000.318 S1C4T1 Fl. 3 2 exigência de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI, acrescidos de multa qualificada de 150% e juros de mora em relação aos valores de origem não comprovada. O contribuinte apresentou Impugnação às fls. 4241/4273 na qual aduziu em sua defesa, dentre outros, os seguintes argumentos: · A fiscalização tomou como base para lavrar o auto de infração operações bancárias realizadas em, aproximadamente, vinte instituições financeiras, no período de 2004 e 2005, além do que lavrou o auto de infração em 18/12/2009, inviabilizando a obtenção de todas as provas documentais necessárias para combater a autuação dentro do prazo exíguo de trinta dias (art. 15 do Decreto nº 70.235/72). · Conseguiu comprovar a origem de alguns depósitos bancários, demonstrando que o auto de infração foi lavrado de forma precária e, até aqui, revelase insubsistente, suscitando dúvidas a respeito das circunstâncias materiais do fato ou à natureza ou extensão de seus efeitos, devendo a legislação, de acordo com o Código Tributário Nacional (CTN), art. 112, ser interpretada de forma favorável ao contribuinte. Além disso, a Constituição Federal (CF) também assegura a todos que litigam no processo administrativo e judicial o direito de se defenderem amplamente, o que significa apresentar todos os documentos necessários à comprovação de suas alegações. Requereu, assim, prazo complementar de noventa dias a contar da data da apresentação da Impugnação para apresentar o restante da documentação. · Ocorreu a decadência do direito de lançar o crédito tributário relativo ao período de janeiro a setembro de 2004, nos termos do art. 150, §4º do CTN, uma vez que a contagem do prazo decadencial iniciase com a entrega das DCTF, independentemente de ter o sujeito passivo efetuado o pagamento. Não se aplica o art. 173, I, do CTN, pois não há comprovação de dolo, fraude ou simulação. Os fatos relativos ao processo crime que tramita na Justiça Federal de Minas Gerais, utilizados pelo autuante, não podem ser considerados nesse processo fiscal, uma vez que são controvertidos naquela ação, e, antes da decisão judicial transitada em julgado não se pode invocalos como se já tivessem sido julgados. · Foram consideradas na base de cálculo as transferências de recursos financeiros entre contas bancárias de mesma titularidade, contrariando o art. 42, §3º, I, da Lei nº 9.430, de 1996. · A autoridade fiscal também fez incluir indevidamente na base de cálculo do IRPJ e demais tributos os valores relativos às operações denominadas "Redução Saldo Devedor CPMF". Ora, essas operações são internas e feitas pela instituição financeira para a liquidação da CPMF, sendo lançadas, no mesmo dia, tanto a débito quanto a crédito, não se configurando como valor tributável. Tais operações são demonstradas no Anexo II, conta corrente Bradesco n° 339.4344, no total de RS Fl. 12027DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.004408/200925 Resolução nº 1401000.318 S1C4T1 Fl. 4 3 10.394.820,14, e no Anexo VI, conta corrente n° 339.4352, Bradesco, no total de RS 1.461.977,23. · Quanto aos valores relativos às operações de liquidação de cobrança, foram escriturados em sua contabilidade e as receitas foram oferecidas à tributação. · Da mesma forma, foram indevidamente tributadas as operações de desconto de duplicatas, que foram escrituradas e tributadas; · A multa qualificada deve ser cancelada até que venha a se comprovar os fatos no juízo criminal. · Requereu o reconhecimento da decadência, determinando a extinção do crédito tributário apurado no período compreendido entre janeiro e setembro de 2004. Ainda, foram lavrados Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de Eilen de Oliveira Pedrosa Vargas, que apresentou Impugnação de fls. 4.897 a 4.920, e Ayrton Ricardo Vargas, com a Impugnação de fls. 5.043 a 5.086. Foi anexado ao processo, em 20/04/2010, o documento de fls. 5.981 a 6.046, por meio do qual a contribuinte tenta comprovar a origem de vários créditos bancários, em sua maioria relativos à liquidação de cobrança, alguns referentes a transferências entre contas bancárias e outros a desconto de duplicatas. Foram juntados os documentos de fls. 6.047 a 8.618. Foi apresentada, em 15/06/2010, nova solicitação de juntada de documentos (fls. 8.621 a 8.687), relativos a liquidação de cobrança e desconto de duplicatas, os quais passaram a compor os Anexos I a VIII. Sobreveio o acórdão de n° 1430.774, da 3ª Turma da DRJ/RPO que, por maioria de votos, não conheceu os argumentos contra a imputação de sujeição passiva solidária a terceiros e deu provimento parcial à Impugnação, rejeitando as preliminares e o pedido de perícia, e mantendo parcialmente o IRPJ e reflexos, com juros de mora e multa de 150% , em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo o para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Fl. 12028DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.004408/200925 Resolução nº 1401000.318 S1C4T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos da contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese, por prescindível, o pedido de perícia, quando não existir nos autos matéria que necessite de opinião de perito para ser decidida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004, 2005 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. COF1NS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O acórdão prolatado considerou que não se aplica no caso concreto o prazo decadencial previsto pela regra do art. 150, §4º, do CTN, por estar caracterizada a ocorrência de fraude, o que estaria fundamentado na verificação de que teria sido realizado um planejamento com finalidade de fraudar as leis fiscais e comerciais e fugir do pagamento dos impostos. Tal constatação foi feita a partir do conjunto de documentos constantes no processo Fl. 12029DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.004408/200925 Resolução nº 1401000.318 S1C4T1 Fl. 6 5 nº 2006357980, da 4ª Vara da Justiça Federal de MG. Deslocouse, então, a contagem do prazo decadencial para o art. 173, I, do CTN. Ressaltouse, ainda, que a circunstância de haverem sido arrolados responsáveis solidários autoriza a formação de litisconsórcio passivo no momento da cobrança do crédito e nesse momento é que será apropriado discutir se aquelas pessoas físicas possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. A esse respeito, caberia, conforme o acórdão proferido, à Procuradoria da Fazenda Nacional a análise das circunstâncias relatadas pela fiscalização e não ao Colegiado, que deve se abster de emitir julgamentos a respeito. No mérito, o acórdão proferido reconheceu a comprovação parcial da origem dos recursos depositados nas contas correntes do contribuinte, entre esses valores estão transferências de recursos financeiros entre contas bancárias de mesma titularidade e operações de “Redução Saldo Devedor CPMF”, que foram excluídos da tributação (fl. 9.248). Em fl. 9226, foi determinada a apreciação do recurso de ofício pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Des esclarecer que o contribuinte foi intimado por meio do Edital de fl. 8733, não se encontrando nos autos a intimação dos responsáveis solidários. É o relatório. Em primeiro lugar, de se consignar que há recurso de ofício, o qual corresponde à exclusão parcial do crédito tributário consubstanciado no lançamento. Verifico que as Impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários Eilen de Oliveira Pedrosa Vargas e Ayorton Ricardo Vargas não foram conhecidas. Segundo o acórdão proferido pela DRJ/POR, “a circunstância de haverem sido arrolados responsáveis solidários autoriza a formação de litisconsórcio passivo no momento da cobrança do credito. Nesse momento, portanto, será apropriado discutir se aquelas pessoas físicas possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. E necessário registrar, portanto, que não somente o momento, mas também a autoridade incumbida de decidir essa questão, será outra”. Ademais, não se encontra nos autos qualquer intimação dos responsáveis solidários, cujas Impugnações não foram conhecidas. Neste ponto, entendo que deve ser sanado o processo antes da análise do Recurso de Ofício, evitandose, assim, sua nulidade. Devem os autos retornarem à origem, a fim de que os responsáveis solidários, que impugnaram o lançamento, sejam devidamente intimados do acórdão da DRJ, inclusive para que, se assim desejarem, possam interpor Recurso Voluntário. Esclareço que todos os responsáveis tributários arrolados no processo têm direito à apresentação de Impugnação e de Recurso Voluntário, conforme estabelece a Portaria RFB 2284/2010 que, em seu artigo 3º, determina que “Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. (...)”. Fl. 12030DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 19515.004408/200925 Resolução nº 1401000.318 S1C4T1 Fl. 7 6 Nesse mesmo sentido é a Súmula CARF nº 71: “Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade”. Após saneado o processo, com a devida intimação do acórdão recorrido aos responsáveis solidários, com o decurso do prazo ou a apresentação de Recurso, devem os autos retornar para julgamento, com a apreciação do Recurso de Ofício e de eventuais Recursos Voluntários, se interpostos pelos solidários, inclusive para se, se entender necessário, complementação do acórdão recorrido. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, a fim de se determinar a remessa do processo à origem para intimação dos responsáveis tributários do acórdão recorrido, a fim de que tenham oportunidade de apresentar Recurso Voluntário, se assim desejarem. Sala das Sessões, em 26 de agosto de 2014. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 12031DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000260/2006-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 20/02/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. JULGAMENTO ANTERIOR. EMBARGOS DECLARATÓRIOS PENDENTES DE JULGAMENTO. DUPLICIDADE. OMISSÃO.
Demonstrada a omissão na apreciação dos embargos declaratórios opostos anteriormente, bem como no tocante à existência de acórdão anterior, devem ser acolhidos os embargos de declaração para fins de anulação do segundo julgado, remetendo-se os autos para o relator dos primeiros embargos.
Embargos Acolhidos.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-003.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 20/02/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. JULGAMENTO ANTERIOR. EMBARGOS DECLARATÓRIOS PENDENTES DE JULGAMENTO. DUPLICIDADE. OMISSÃO. Demonstrada a omissão na apreciação dos embargos declaratórios opostos anteriormente, bem como no tocante à existência de acórdão anterior, devem ser acolhidos os embargos de declaração para fins de anulação do segundo julgado, remetendo-se os autos para o relator dos primeiros embargos. Embargos Acolhidos. Aguardando Nova Decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 20/02/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. JULGAMENTO ANTERIOR. EMBARGOS DECLARATÓRIOS PENDENTES DE JULGAMENTO. DUPLICIDADE. OMISSÃO. Demonstrada a omissão na apreciação dos embargos declaratórios opostos anteriormente, bem como no tocante à existência de acórdão anterior, devem ser acolhidos os embargos de declaração para fins de anulação do segundo julgado, remetendose os autos para o relator dos primeiros embargos. Embargos Acolhidos. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 02 60 /2 00 6- 12 Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Em 22 de dezembro de 2008 (fls. 925 e ss.), a 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I/RJ, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente. Referida decisão foi objeto de recurso voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 938 e ss.), distribuído à 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Terceira Seção. Esta, por sua vez, negou provimento ao recurso, conforme Acórdão nº 320100.602, de 08 de dezembro de 2010 (fls. 972), relatado pela Conselheira Mércia Helena Trajano D’ Amorim. Em 09 de novembro de 2011, o sujeito passivo opôs embargos declaratórios, pendentes de julgamento (fls. 986). Ocorre que, em 25 de abril de 2013, o processo foi distribuído indevidamente a esta 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, sob minha relatoria. O acesso ao autos ocorreu por meio de cópia digital, enviada fisicamente pela Secretaria (DVD), uma vez que, naquele período, o Relator encontravase sem acesso ao e processo, consoante email de 06 de maio de 2013, enviado às 15hs e 48min, sob o título E Processo DVD”. A versão enviada, contudo, encontravase incompleta, o que motivou a inclusão do recurso voluntário em pauta, bem como o julgamento em duplicidade na sessão do dia 26 de junho de 2013, por meio do Acórdão nº 3802001.867 (fls. 1002 e ss.). A duplicidade foi constatada pela unidade de origem, por meio do despacho de encaminhamento de fls. 1008, com o seguinte teor: “Retornese ao CARF para verificação de possível duplicidade de julgamento do recurso voluntário, tendo em vista constar no processo o acórdão 320100.602 do CARF de 08/12/2010, fls. 972, com ciência em 27/10/2011, fls. 985. Ressaltase que em 09/11/2011 o contribuinte apresentou embargos de declaração, fls. 986.” Essa manifestação da DRF de Vitória foi conhecida pela Presidente da Turma, por meio do despacho de fls. 10131014, como embargos declaratórios, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o breve relato. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator Inicialmente, cumpre destacar que nada obsta o conhecimento da manifestação da DRF de Vitória como embargos de declaração. De acordo com o art. 65, § 1º, V, Anexo II, do Regimento Interno: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15586.000260/200612 Acórdão n.º 3802003.673 S3TE02 Fl. 116 3 § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: [...] V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão.” Com efeito, a prolação do despacho da DRF ocorreu no mesmo dia da ciência do acórdão, o que denota a tempestividade da manifestação (fls. 1008). Presentes, assim, os pressupostos para o conhecimento da mesma como embargos de declaração. No mérito, notase que, de fato, houve omissão da Turma na apreciação na apreciação dos embargos declaratórios de fls. 986, opostos em face do Acórdão nº 320100.602, de 08 de dezembro de 2010 (fls. 972), da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Terceira Seção, assim como no tocante à própria existência deste acórdão anterior. Portanto, o julgamento ocorrido na sessão de 26 de junho de 2013 e, por conseguinte, o Acórdão nº 3802001.867 (fls. 1002 e ss.), da 2ª Turma Especial, são nulos de pleno direito, uma vez que o recurso voluntário já havia sido julgado pela 1ª Turma Ordinária, sendo desta, outrossim, a competência para exame dos embargos declaratórios pendentes de julgamento (fls. 986), conforme art. 49, § 7º, do Regimento Interno: “Art. 47. [...] § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.” A 2ª Turma Especial, assim, deveria ter declinado a competência para a 1ª Turma Ordinária, a quem compete o julgamento dos embargos, sob pena de nulidade. Por conseguinte, sendo incompetente a 2ª Turma Especial, mostrase nulo o Acórdão nº 3802001.867, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” [...] § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.” Votase, assim, pelo provimento dos embargos declaratórios, para fins de anulação do Acórdão nº 3802001.867 (fls. 1002 e ss.), remetendose os autos para a 1ª Turma Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ordinária, da 2ª Câmara, para designação de relator “ad hoc” para exame dos embargos declaratórios de fls. 986, na forma do art. 49, § 7º, Anexo II, do Regimento Interno. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16327.915352/2009-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 01/01/2007 a 10/01/2007
LANÇAMENTO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO.
Deve a verdade material prevalecer sobre a formal, pelo que se demonstrado que o erro pelo preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade. "(CSRF, Acórdão n° 01-1-854).
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-003.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 01/01/2007 a 10/01/2007 LANÇAMENTO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Deve a verdade material prevalecer sobre a formal, pelo que se demonstrado que o erro pelo preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade. "(CSRF, Acórdão n° 01-1-854). Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 01/01/2007 a 10/01/2007 LANÇAMENTO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Deve a verdade material prevalecer sobre a formal, pelo que se demonstrado que o erro pelo preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade. "(CSRF, Acórdão n° 011854). Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 53 52 /2 00 9- 65 Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão da instância inferior que manteve na integra o indeferimento de aproveitamento de crédito decorrente de pagamento a maior para a CPMF no valor de R$ 16.056,93, relativo ao período de apuração 01/01/2007 a 10/01/200, Perd/Comp n° 11509.76479.170507.1.3,046621, teria sido integralmente utilizada para quitação dos débitos do contribuinte e por tal razão não restaria crédito disponível à compensação dos débitos informado. Diz que o débito correto declarado do período de apuração de janeiro de 2007, após retificação em 30.09.2009 é da ordem de R$ 138.994.559,01. e teria recolhido o valor por meio de DARF’s a importância de R$ 140.830.033,10, que representa o somatório dos DARF’s no valores de R$ 29,52; R$ 40,59; R$ 12.606,10; R$ 20.385,00; e R$ 140.796.971,89. Em sendo assim, se utilizou do valor proveniente do DARF com o valor principal de R$ 140.796,971, 89 para proceder à compensação desejada. Aduz o Recorrente que o erro no preenchimento da DCTF decorre de retenção equivocada sobre operações não tributadas em razão da natureza do cliente, Instituto Profissional Maria Auxiliadora não são tributadas, por se tratar a mesma de instituição beneficente e, portanto, imune à tributação, inclusive pela CPMF, conforme prescrição do artigo 195, § 7 ° da Constituição Federal, reiterada pelo artigo 3 o, inciso V, da Lei n ° 9.311, de 24.10.1996. Diz que a Resolução n° Resolução n° 03, de 23/01/200907, comprova a natureza jurídica de entidade beneficente da Associação Jesuíta de Educação e Assistência Social. De modo que, a retenção da CPMF da conta de titularidade de tal entidade deuse equivocadamente, razão pela qual a Recorrente efetuou o estorno do respectivo valor, como evidenciado no extrato anexado. Afirma também que foi o Recorrente quem assumiu o encargo financeiro do pagamento da CPMF, uma vez que o valor retido a tal título foi devidamente estornado na respectiva conta, conforme extrato anexado. Assevera que a DCTF original foi retificada em 30/09/2009. Diz, ainda, que o referido crédito foi devolvido aos clientes, para tanto, incluiu extrato das contas correntes e cartões CNPJ que comprova atividade econômica sujeitas à alíquota zero da CPMF. Sustenta tratarse de erro material e as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas porque demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento da DCTF. A negativa decorreu do fato de que o pagamento discriminado no PER/DCOMP embora tivesse sido localizados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, de modo a não restar saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Autoridade julgadora fundamenta de que se trata de declaração eletrônica e o exame dáse de forma eletrônica, constando inexistência de saldo credor relativo aos DARF informados, há que se indeferir o pleito. Essa Turma decidiu baixar o feito em diligência para que fosse examinada com base na contabilidade a veracidade das alegações, concluídos os trabalhos foi emitida a informação fiscal, aqui transcrita: Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.915352/200965 Acórdão n.º 3403003.316 S3C4T3 Fl. 7 3 “PROCESSO: 16327.915352/200965 INTERESSADO: ITAÚ UNIBANCO S.A CNPJ: 60.701.190/000104 Sr Chefe da DIORT O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT em diligência pela 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Resolução nº 3403000.448 de fls. 78 a 80, para que fosse “juntado aos autos cópia da DCTF retificadora” e que fosse “verificado via contabilidade, razão da conta de CPMF, a literalidade do montante devolvido a Instituição” Intimado, conforme Termo de Intimação nº 175 de fls. 82 a 83 o interessado apresentou a documentação de fls. 86 a 134. Nela é detalhada a cobrança da CPMF dos clientes nas operações listadas, bem como o estorno destes valores na conta dos clientes, no valor total de R$ 16.056,93. São apresentadas cópias da escrituração contábil correspondente, conforme solicitado pelo CARF. Em fls. 128 a 133 são juntadas cópias das DCTF Original e Retificadora, conforme solicitado pelo CARF À consideração superior. MF/RFB/SRRF08/DEINF _________________________________________________ LUCIO FABIO MULLER VALENTE Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil SIPE: 00065370 De acordo. Intime se o interessado a tomar ciência da presente informação, facultado o direito de se manifestar no prazo de 10 dias. Após encaminhe se o processo a 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MF/RFB/SRRF08/DEINF _________________________________________________ EDUARDO CERQUEIRA LEITE Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil SIPE: 0065.192” É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. No caso desse processado a DCTF retificadora foi apresentada em 30.09.2009 e o Despacho Decisório foi emitido em 01 de outubro de 2009. Este Colegiado recentemente teve oportunidade de examinar casos parecidos com o trazido neste caderno. O entendimento é de que o fato da DCTF não ter sido retificado ou retificado após o Despacho Decisório temse decido, reiteradamente, no sentido de que essa Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 circunstância, de ordem meramente formal, não afasta a existência do pagamento indevido e, tampouco, impede o reconhecimento dos direitos de crédito e de compensação. De modo que, tomo emprestado parte do voto do Conselheiro Marcos Ortiz Tranchesi, com objetivo motivar a razão de decidir, o qual transcreve abaixo: “A matéria não é nova, e resumese em decidir qual o desfecho do pedido de compensação cujo crédito está vinculado a débito confessado em DCTF previamente transmitida e não retificada. “A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF é inconsistente e excessivamente formal. Distanciase do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF nº 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Esta imperfeição procedimental, contudo, não é, a meu ver, drástica o bastante para nulificar a decisão. Penso assim porque o processo administrativo serve justamente para que o contribuinte possa provar o seu direito com vistas a alcançarse a tão almejada verdade material aludida acima. A teor dos arts. 74, §11 da Lei nº 9.430/96 e 14 do Decreto nº 70.235/72, é a manifestação de inconformidade que deflagra a fase litigiosa do processo administrativo de compensação, a partir da qual os princípios do contraditório e ampla defesa fazemse mandatórios. Antes da manifestação de inconformidade, vivese a fase inquisitiva do procedimento administrativo, que atende às conveniências da própria Administração apenas. Nesse sentido, a lição precisa de James Marins: “Na etapa fiscalizatória, não há, porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento (...). Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao processo administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.915352/200965 Acórdão n.º 3403003.316 S3C4T3 Fl. 8 5 discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos” (in Direito processual tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2001. p.222). Chamando a etapa inquisitória de “procedimento administrativo”, conclui este mesmo doutrinador: “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte”. É dizer, por mais que a colheita de provas, por iniciativa do Fisco, antes do indeferimento da Dcomp seja recomendável e até sugerida pelo art. 65 da IN/RFB nº 900/08, tratase de providência sob juízo de conveniência da Administração” O caso tratado nestes autos se refere ao fato do Recorrente ter identificado em sua contabilidade retenção de CPMF indevido de alguns clientes por serem Fundos de Investimentos estarem sujeitos à alíquota zero conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 9.311/96, que após devolver os valores indevidamente retidos e declarados em DCTF, ajustou a contabilidade, momento que identificou ter declarado valor maior do que o devido e retificou as declarações originais, ajustando desse modo o valor devido. O despacho decisório, como menciona a decisão de piso, por tratarse de decisão “eletrônica”, parametrizada, o sistema informatizado não visualizou em seus arquivos à presença das declarações retificadoras. E, desse modo, constatou que os DARF pagos e localizados no sistema tinha sido todos locados a débitos declarados, motivo pelo qual não enxergou saldo credor decorrente dos pagamentos indicados em DCOMP. A negativa no caso específico desses autos se atém ao valor original do débito declarado e pagamento indicado em DCOMP, erro material retificável, cuja correção é autorizada pela legislação instituidora da DCTF. Se a rejeição amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar o débito confessado em DCTF é inconsistente e excessivamente formal, o contrário, isso é, quando há a retificadora do débito para menos e negase o direito ao crédito pleiteado. Extraíse dos ensinamentos de Marcos Vinicius Neder e Teresa Maria López da obra “Processo Administrativo Fiscal Federal, comentado (. 3a ed., 2010, p. 305), que se transcreve novamente a título de convencimento do desacerto da Administração em negar o reconhecimento do direito e da legitimidade do crédito pleiteado quando há retificadora: “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3a ed., 2010, p. 305). A verificação nesses casos, havendo indícios de pedido de compensação de saldo credor decorrente de pagamento a maior do que o devido, não vinculado, é direito e obrigação da Administração, o que não se pode negar o direito sem profundada análise dos fatos. Cito também a título convencimento o argumento contido no Acórdão 3403001.732 COELBA de lavra do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que assegura: “Relativamente ao fato da DCTF não ter sido retificada, este Colegiado tem decidido reiteradamente no sentido de que essa circunstância, de ordem meramente formal, não afasta a existência do pagamento indevido e, tampouco, impede o reconhecimento dos direitos de crédito e de compensação”. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para modificar a decisão da instância inferior e deferir o direito do crédito pleiteado. Domingos de Sá Filho Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 18471.000627/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 62 7/ 20 06 -8 3 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 626 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 251 a 258, integrado pelos demonstrativos de fls. 259 a 263, pelo qual se exige a importância de R$425.890,26, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, em virtude da apuração das seguintes infrações: 1. Omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, anocalendário 2002; 2. Omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável, anocalendário 2002; 3. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, anoscalendário 2001 e 2002; e 4. Omissão de ganho de capital na alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, anocalendário 2001. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 271 a 293, instruída com os documentos de fls. 294 a 518, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 522 a 523 ): Em 05/09/2006, o Interessado, apresentou a impugnação de fls. 277 a 293, valendose, em síntese, dos argumentos abaixo: 1) o lançamento seria nulo em razão de ter sido constituído em desacordo com o preceito do § 4o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, e do §3o do art. 849, do RIR/99, que determinaria que, em se tratando de pessoa física, o lançamento seja efetuado com base nos depósitos/créditos apurados no mês de competência, utilizando a tabela progressiva do imposto de renda da pessoa física; 2) teria ocorrido a decadência do direito de constituir o imposto relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/07/2001, nos termos do art. 150, § 4o , do CTN, e conforme entendimento jurisprudencial do Conselho de Contribuintes; 3) se a autoridade Autuante estivesse em busca da verdade da mesma forma como afastou o sigilo bancário, também poderia solicitar aos bancos as provas de todos os depósitos, bem como dos cheques emitidos pelo Impugnante; 4) toda origem da movimentação bancária teria sido fruto de patrimônio declarado em períodos anteriores e acumulado ao longo de anos de trabalho no Brasil e no exterior como funcionário do Banco Central e /ou como VicePresidente da Sul América e empréstimo em 30/05/2000, Fl. 626DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 627 3 no valor de R$ 650.000,00 ao amigo e exdiretor da Sul América Zolfang Alfonso Guerreiro Nunez, conforme faria prova a cópia da escritura pública lavrada em 30/05/2000, relativa a um imóvel pago integralmente com cheques de emissão do Impugnante; 5) o Impugnante não se enquadraria em nenhuma das hipóteses estabelecidas no caput do art. 3o do Decreto no 3.724/2001 e seus incisos, tendo o Fiscal Autuante indevidamente desconsiderado o patrimônio do Impugnante que no anocalendário de 1999 possuiria aplicações financeiras da ordem de R$ 156.382,10, R$ 430.918,00 e R$ 99.689,00 nos bancos Unibanco, Bank Boston e Citibank respectivamente, e mais R$ 587.000,00 em espécie; 6) o auto de infração teria sido lavrado em dissonância aos princípios constitucionais e legais vigentes, devendo ser anulado parte do citado auto; 7) os depósitos bancários em questão teriam origem em dinheiro em espécie no valor de R$ 294.000,00 e R$ 288.200,00, referente ao crédito junto ao amigo Zolfang Alfonso Guerreiro Nunez, exdiretor da Sul América, tudo constante da declaração de bens do exercício 2001; 8) não teriam sido considerados depósitos e transferências bancárias justificadas, tais como restituições da CEDAE, nos valores de R$ 5.559,62 e três parcelas de R$ 1.853,20; transferências da empresa New Infinity Participação Ltda., de R$ 55.000,00, sacado contra o Banco Safra, e R$ 17.918,01, sacado contra o Unibanco, e também o recebimento de R$ 105.000,00 em dezembro de 2001 e R$ 420.000,00 recebidos em janeiro, março e maio de 2002 referentes à cessão de direitos de assento no Conselho Deliberativo junto à Empresarial de Previdência Privada; 9) o Interessado nunca teria recebido, nem jamais teria se recusado a receber o Termo de Intimação lavrado em 27/09/2005, tendo o referido termo sido devolvido pelos correios; 10) teria ocorrido a inépcia da autoridade fiscalizadora por mais de 60 dias, tendo o Interessado readquirido a espontaneidade prevista no §2°, do art. 7o , do Decreto no 70.235, de 1972; 11) em relação à omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, no anocalendário de 2002, não teria ocorrido omissão de rendimentos, pois a variação cambial teria sido declarada como rendimento isento e o imposto apurado na ação fiscal teria sido recolhido pelo Contribuinte; 12) o Fiscal Autuante teria cometido um erro ao apurar o resultado da venda do saldo de 3.000.000 ações da TELESP CL PA em 03/06/2002, sendo o resultado correto um prejuízo de R$ 7.190,00 e não um lucro de R$ 9.305,00, como equivocadamente apontado no Demonstrativo de Apuração de Ganhos Líquidos em Renda Variável, acarretando uma majoração de R$ 18.610,00 no ganho apurado que, na verdade, seria de R$ 23.011,67 e não de R$ 41.621,67, como calculado pelo Fisco; 13) com a correção do erro praticado pelo Fisco em relação à venda de ações da Telesp, a omissão de ganhos líquidos no mercado de renda Fl. 627DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 628 4 variável, obtidos em operações na Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa, não poderia prosperar, pois o imposto apurado no auto de infração seria inferior ao valor efetivamente recolhido pelo Impugnante, conforme fariam prova os Darfs anexados; 14) o ganho de capital auferido na alienação de moeda estrangeira mantida em espécie não poderia prosperar, em virtude de já ter sido informada ao Fisco por meio da resposta de 27/12/2005, tendo o Auditor ignorado que os valores apurados coincidiam com o demonstrativo de apuração dos ganhos de capital moeda estrangeira, bem como desconsiderado o valor original de R$ 35.551,35, relativo ao imposto calculado constante do Darf recolhido em 14/11/2005 no valor de R$ 64.927,43, já apresentado em 2006 pelo Interessado. Ao final de sua impugnação, o Interessado solicita o cancelamento da exigência tributária lançada. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro II (RJ) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 1327.599 (fls. 521 a 531), de 22/12/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. Inexistindo, no procedimento fiscal e no auto de infração lavrado, qualquer ofensa a dispositivo constitucional ou descumprimento de requisitos legais, não há que se cogitar de nulidade. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. CIÊNCIA. Na intimação por via postal, é suficiente, para darse por cientificado o sujeito passivo, que a mesma seja encaminhada e recebida no domicílio fiscal eleito por ele, correspondente ao endereço constante dos cadastros da Receita Federal. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS E PAGAMENTOS POSTERIORES AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 629 5 O início do procedimento de ofício exclui a espontaneidade do contribuinte quanto à matéria e períodos fiscalizados e enseja a cobrança de multa de ofício sobre as infrações apuradas do imposto de renda. Não se consideram espontâneos as declarações retificadoras e os pagamentos efetuados após o início do procedimento fiscal. GANHOS DE CAPITAL. ENTRADA DE VALORES EM MOEDA ESTRANGEIRA. RENDIMENTOS AUFERIDOS EM REAIS. O ganho de capital nas internações de valores em moeda estrangeira oriundos de rendimentos auferidos originariamente em reais sujeitase a incidência do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. Incide o imposto de renda mensal sobre os ganhos líquidos auferidos na compra e venda de ações em Bolsa de Valores. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE MOEDA ESTRANGEIRA. Está sujeita ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de moeda estrangeira mantida em espécie. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AJUSTE ANUAL. A partir da edição da Lei n° 8.134/1990, o imposto de renda pessoa física é devido mensalmente, à medida que os rendimentos são auferidos, devendo submeterse, ainda, ao ajuste anual. Em consonância com essa diretriz, reiterada por expressa disposição legal, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não justificados deve ser apurada no mês em que forem considerados recebidos, sem prejuízo do ajuste anual. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. É regular a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), quando o Contribuinte, regularmente intimado, não fornecer as informações sobre sua movimentação financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A decisão a quo acolheu parcialmente os argumentos do contribuinte, no diz respeito à omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável, como se observa pelo seguinte trecho do voto condutor (fl. 526): Fl. 629DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 630 6 Analisandose o demonstrativo de fl. 247, observase que assiste razão ao Impugnante no que tange ao custo de aquisição a ser considerado para as 3.000.000 de ações da TELESP CL PA vendidas em 03/06/2002. Efetivamente, o custo de aquisição é composto pelo somatório de duas parcelas: 1) 2.000.000 de ações a um preço de R$ 7,7250 por mil ações; 2) 1.000.000 ações por um preço de R$ 7,73000 por mil ações. Chegase, então, a um custo de aquisição de R$ 23.180,00, que supera o valor de venda de R$ 15.990,00. Não há, portanto, ganho líquido na operação em estudo de R$ 9.305,00, mas sim um prejuízo de R$ 7.190,00, exatamente como o Interessado havia calculado em sua impugnação. Contudo, diferentemente do alegado pelo Autuado, não ocorreu uma majoração de R$ 18.610,00 no ganho líquido em renda variável no mês de junho de 2002 apurado no demonstrativo de fl. 247, mas sim um incremento de R$ 16.495,00, que corresponde ao ganho de R$ 9.305,00, incorretamente apurado pelo Fisco, somado ao prejuízo não computado de R$ 7.190,00. Isso posto, deve ser reduzido o montante de ganho líquido em renda variável no mês de junho de 2002 de R$ 41.621,67 para R$ 25.126,67. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 13/04/2011 (vide AR de fl. 533 verso), o contribuinte interpôs, em 13/05/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 559 a 593, expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 03, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 12/03/2012, veio digitalizado até à fl. 6241. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 533 (fl. 557 da digitalização). Fl. 630DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 631 7 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontrase prejudicada por uma questão prejudicial, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tratase de lançamento no qual foram apuradas as seguintes infrações: (a) omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, anocalendário 2002; (b) omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável, ano calendário 2002; (c) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, anoscalendário 2001 e 2002; e (d) omissão de ganho de capital na alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, anocalendário 2001. Numa análise preliminar dos autos, observase que parte das infrações apuradas originaramse do exame de extratos bancários que foram entregues diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 237 a 239, do qual se extrai o seguinte excerto (fl. 239): O sigilo bancário do contribuinte foi afastado administrativamente, por solicitação de RMF aos Bancos Bank Boston e Unibanco com fundamento no Dec.3724 de 2001, baseado na incompatibilidade dos rendimentos declarados (tributáveis, isentos e não trib. e trib. exclusivamente na fonte) em sua DIRPF do ano base de 2000, no valor Fl. 631DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 632 8 de R$48.340,00, e sua movimentação financeira, base de cálculo do CPMF, no valor de R$2.530.875,56. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontramse sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, por força do disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil. Concluise, assim, que parte da discussão no presente processo referese à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal e, portanto, o julgamento do mesmo deve ser sobrestado, nos termos do art. 62, §1o, do RICARF. Com o resultado do julgamento do RE no 389.808, de 15/12/2010, em que o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de a Receita Federal ter acesso aos dados bancários do contribuinte, sem prévia autorização judicial, gerando, para alguns, dúvidas quanto ao rito processual a ser adotado nos casos em que a matéria objeto de recurso no CARF tivesse sido reconhecida como de repercussão geral, sem que a decisão de mérito tivesse sido proferida pelo STF. Convém ressaltar que o RE no 389.808 tratase de uma situação excepcional, pois o próprio relator do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, que reconheceu a existência de repercussão geral, no que diz respeito ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, mencionou expressamente em seu voto que o tema era objeto de discussão em diversos processos, dentre eles, a “AC 33/PR, esta com julgamento já iniciado pelo Plenário, e por meio da qual se que busca dar efeito suspensivo ao RE 389.808/PR.” (grifei). Além disso, conforme consulta ao site do STF, a PFN embargou o RE no 389.808/PR, encontrando o processo “conclusos ao(à) Relator(a)”, desde 09/11/2011. Entendo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF tem como conseqüência direta o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários que Fl. 632DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 633 9 versem sobre a mesma matéria, sendo oportuno transcrever orientação contida no site da Suprema Corte nesse sentido2 (grifos nossos): PROCEDIMENTO NOS TRIBUNAIS E TURMAS RECURSAIS DE ORIGEM [...] RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS [...] II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideramse não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de maio de 2007 (§ 2º do art. 543B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguardase a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestandose recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideramse prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminha se o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543B do CPC). Ressaltese que o STF tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no tocante ao tema em discussão, citandose como exemplo o RE 488993, julgado em 09/02/2011, e o RE 602945, julgado em 01/08/2011. Concluise, assim, que o no caso de controvérsias sobre o acesso direto do fisco às informações bancárias do contribuinte, sem prévia autorização judicial e a retroatividade da Lei no 10.174, de 2001, os julgamentos dos processos administrativos no âmbito do CARF devem ser sobrestados. Por fim, cabe trazer a colação a Resolução no 220200.200, de 17/04/2012, em que este Colegiado, por unanimidade, decidiu pelo sobrestamento do julgamento de caso semelhante, cujo relator foi o Conselheiro Rafael Pandolfo, a quem peço vênia para parte do voto condutor em que ele trata aborda com muita propriedade a matéria: Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema 2 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo acessado em 13/08/2012 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 634 10 do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua conseqüência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as conseqüências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal. Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em Dje213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM Fl. 634DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 635 11 (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificasse que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA –RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em Dje158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em Dje100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Fl. 635DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 18471.000627/200683 Resolução nº 2202000.387 S2C2T2 Fl. 636 12 Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 636DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10940.000945/00-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996, 01/04/1998 a 31/08/1998, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 28/02/2000, 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/07/2000 a 31/07/2000
Ementa:
RECURSO ESPECIAL. COFINS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de COFINS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91.
Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
COFINS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. PAGAMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Havendo pagamento parcial, aplica-se o disposto no § 4º do artigo 150 do CTN.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014, e o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996, 01/04/1998 a 31/08/1998, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 28/02/2000, 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/07/2000 a 31/07/2000 Ementa: RECURSO ESPECIAL. COFINS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de COFINS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. COFINS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. PAGAMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 09 45 /0 0- 48 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Havendo pagamento parcial, aplicase o disposto no § 4º do artigo 150 do CTN. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014, e o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto por AFFONSO DITZEL & CIA. LTDA. (fls. 236 a 253) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 224 a 229) que: I) por unanimidade de votos, não conheceu do recurso, em parte, por falta de objeto; e II) na parte conhecida, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário quanto à alegação de decadência. A ementa do julgado ora recorrido é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO AUSÊNCIA DE OBJETO. Por não se configurar a lide, não é susceptível de apreciação pelo Conselho de Contribuintes matéria já vencida na primeira instância, favoravelmente à recorrente, salvo nos casos de recurso de oficio. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10940.000945/0048 Acórdão n.º 9303003.002 CSRFT3 Fl. 305 3 COFINS — DECADÊNCIA — A Lei n° 8.212/91 estabeleceu o prazo de dez anos para a decadência da COFINS. Além disso, o STJ pacificou o entendimento de que o prazo decadencial previsto no artigo 173 do CTN somente se inicia após transcorrido o prazo previsto no artigo 150 do mesmo diploma legal. Recurso não conhecido, em parte, por falta de objeto, e negado na parte conhecida. Irresignada, a contribuinte interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, com base em divergência jurisprudencial, que o § 4º do artigo 150 do CTN determina que o prazo decadencial é de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, e não o do artigo 45 da Lei n° 8.212/91. O recurso foi admitido quanto à decadência através do r. despacho de fls. 255 a 258. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 287 a 303. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso merece ser conhecido. Com efeito, a matéria ora controvertida diz respeito, apenas, ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de COFINS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive com a edição da Súmula Vinculante nº 08, cujo teor é o seguinte: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Na presente hipótese, cuidase de débitos de COFINS relativos aos seguintes períodos de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996, 01/04/1998 a 31/08/1998, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 28/02/2000, 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/07/2000 a 31/07/2000. Foram realizados pagamentos parciais, conforme planilhas da fiscalização acostadas às fls. 116 a 140. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 A ciência do auto de infração se deu em 14/11/2000 (fls. 141). Pois bem, como foram realizados pagamentos parciais, deve ser aplicado à espécie o disposto no § 4º do artigo 150 do CTN. Com efeito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10940.000945/0048 Acórdão n.º 9303003.002 CSRFT3 Fl. 306 5 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Contrariu sensu, havendo pagamento parcial, aplicase o § 4º do artigo 150. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 6 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o auto de infração, cuja ciência se deu em 14/11/2000, diz respeito a créditos tributários referentes à COFINS dos seguintes períodos de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996, 01/04/1998 a 31/08/1998, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 28/02/2000, 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/07/2000 a 31/07/2000. Foram realizados pagamentos parciais, conforme planilhas da fiscalização acostadas às fls. 116 a 140. Pelo que consta dos autos, especificamente das planilhas confeccionadas pela própria fiscalização e acostadas às fls. 116 a 140 dos autos, verificase que houve pagamento parcial antecipado. Assim, havendo pagamento parcial antecipado, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase à espécie o disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. O termo final, portanto, para as parcelas referentes a 01/11/1995, é o dia 01/11/2000. Como a ciência se deu em 14/11/2000, as parcelas cujos fatos geradores são anteriores a 14/11/1995 foram fulminadas pela ocorrência da decadência. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela contribuinte para considerar a decadência da COFINS relativa aos fatos geradores anteriores a novembro de 1995. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10940.000945/0048 Acórdão n.º 9303003.002 CSRFT3 Fl. 307 7 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 13971.001963/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE
Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma.
PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Por meio do art. 40 da Lei 9.430/1996 passouse a se caracterizar omissão de receita a falta de escrituração de pagamentos efetuados. Tratase de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo.
TEORIA DA APARÊNCIA
A teoria da aparência, possui aplicabilidade garantida pela Constituição Federal de 1988 em proteção a boa-fé, deve, também, e com mais razão ter sua aplicabilidade garantida nos casos em que for argüida fraude, nos casos que prevalecer a boa-fé do contribuinte, como notado no caso em tela, que custeou seus dependentes tendo emv istas estes não serem auto-suficientes economicamente falando
MULTA QUALIFICADA.
A utilização de interposta pessoa aliada com atitude dolosa visando à sonegação dos tributos, justifica a aplicação da multa qualificada de 150%.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 1401-001.271
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar à preliminar e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Jorge Celso Freire da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freira da Silva (presidente), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta (Relator).
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Por meio do art. 40 da Lei 9.430/1996 passouse a se caracterizar omissão de receita a falta de escrituração de pagamentos efetuados. Tratase de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. TEORIA DA APARÊNCIA A teoria da aparência, possui aplicabilidade garantida pela Constituição Federal de 1988 em proteção a boafé, deve, também, e com mais razão ter sua aplicabilidade garantida nos casos em que for argüida fraude, nos casos que prevalecer a boafé do contribuinte, como notado no caso em tela, que custeou seus dependentes tendo emv istas estes não serem autosuficientes economicamente falando MULTA QUALIFICADA. A utilização de interposta pessoa aliada com atitude dolosa visando à sonegação dos tributos, justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. Recurso Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 19 63 /2 01 0- 75 Fl. 722DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 101 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar à preliminar e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freira da Silva (presidente), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta (Relator). Fl. 723DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 102 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa constante do acórdão nº 1445.490 proferido pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP, constante das fls. 650 e segs, até aquela fase: “Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração (fls. 02/33), exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 1.330.952,80 (fl. 511), Contribuição para o PIS de R$ 89.426,83 (fl. 523), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 487.783,00 (fl. 517) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 411.905,55 (fl. 531), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 6.952.108,39, em virtude de omissão de Receita Operacional, no anocalendário de 2005, caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários em conta de interposta pessoa. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0920400.2008.00108 deuse início em 18/03/2008 ao Procedimento Fiscal junto à pessoa física de IVO DA CUNHA SILVEIRA (Termo de Início de fl. 34), intimando o a apresentar, no prazo de cinco (05) dias, comprovantes de rendimentos e despesas dedutíveis e extratos bancários. Em atendimento, o contribuinte apresentou os extratos da conta corrente 12.6551 e 32.4043 mantida no Banco Bradesco (fls. 43/ 110) de sua titularidade. Posteriormente, foi o contribuinte intimado a apresentar os extratos de movimentação de contas de poupança e investimentos mantidas no Banco BRADESCO (fl.111), o que foi atendido com a apresentação dos extratos de fls. 117/118. Em 26/09/2008, o contribuinte foi novamente intimado, desta vez para apresentar os extratos da conta de poupança da qual se originou os créditos efetuados na conta corrente n° 32.4043, descritos no correspondente extrato como ‘BAIXA AUTOM POUPANCA’ e, anda, cópia dos cheques relacionados na intimação (fl. 119). Em resposta, o contribuinte informou não ter condições de apresentar os extratos no prazo concedido, nem as cópias dos cheques por não possuir tais documentos. Em 10/10/2008 procedeuse a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF) de IVO DA CUNHA SILVEIRA junto ao Banco Bradesco, com fundamento no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, informando ter apurado “Presença de indicio de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato” (fl. 124/128). Em atendimento, o banco Bradesco apresentou os documentos de fls. 130/252. De posse dos documentos bancários, a fiscalização, em 22/12/2008, intimou o contribuinte Ivo Da Cunha Silveira a comprovar, com documentos hábeis e idôneos e de forma individualizada, a origem de cada crédito relacionado no demonstrativo anexo (fls.254/274) denominado de "Créditos de origem a ser comprovada", Fl. 724DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 103 4 efetuado na conta de poupança nº 32.404, mantida na Agencia 337 do banco BRADESCO. Em resposta, o contribuinte Ivo da Cunha Silveira alegou que ao longo de muitos anos concedeu empréstimos a várias pessoas e também trocava cheques pré datados, cobrando juros, mas que não tinha documentos para comprovar cada depósitos e que tais créditos, exceto os juros cobrados, não representavam rendimentos. Diante disso, foram requisitadas informações bancárias junto ao Banco Bradesco (fls. 277/281), Banco do Brasil (fls 350/353), BANCO DO ESTADO DE SANTA CATARINA S/A (fl. 355) e BANK OF BOSTON (fl. 357) tendo sido apresentados os documentos de fls. 282/349, 354, 359). Foram realizadas diligências junto a alguns beneficiários de cheques sacados da conta investigada intimandoos a justificar os pagamentos recebidos. A seguir, as intimações e as respostas recebidas: Por meio do Termo de Diligência/Solicitação de Documentos de fl. 360, datado em 04/03/2009, foi a empresa JCJ TEXTIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA intimada (Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 09204.2009.00086 a justificar, com documentação hábil e idônea, os pagamentos recebidos de IVO DA CUNHA SILVEIRA por meio do cheque nº 009906, do Banco Bradesco, cópia em anexo, emitido em 02/02/2005 no valor de R$ 36.214,81. Em resposta, a empresa JCJ TEXTIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA informou à fl. 368 “Que o valor recebido do Sr. IVO DA CUNHA SILVEIRA, por meio do cheque n° 009906, do Banco Bradesco, emitido em 02.02.2005, no valor de R$ 36.214,81, foi fruto de uma operação de descontos de cheques recebidos de terceiros (= operação de factoring), por conta da aquisição, por estes, de mercadorias/produtos industrializados pela empresa ora informante”. A fiscalização intimou ADILSON ALMEIDA ANTUNES (Termo de Diligência/Solicitação de Documentos de fls. 369/370) a “justificar, por escrito e com documentos hábeis e idôneos, todos os pagamentos recebidos por meio de Cheques emitidos no ano de 2005 por IVO DA CUNHA SILVEIRA, como os da cópia em anexo, indicando especialmente a natureza e finalidade de cada pagamento e identificando todas as pessoas com as quais teve contato para realização dos eventos e operações vinculados aos pagamentos”. Em resposta (fl. 371), Adilson Almeida Antunes informou que ocasionalmente efetuava venda de serragem verde para a indústria MULTICOLOR TEXTIL LTDA, com sede no município de Agrolandia/SC; que o cheque emitido pelo senhor IVO DA CUNHA SILVEIRA, contra o Banco Bradesco, agencia de Brusque/SC, no valor de R$ 4.500,00, foi recebido da indústria acima citada, correspondente ao pagamento das citadas vendas, não sabendo se recebeu da referida indústria outros cheques emitidos pelo senhor IVO DA CUNHA SILVEIRA. A MALHARIA LC LTDA também foi intimada (fl. 376) a justificar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, os pagamentos recebidos de IVO DA CUNHA SILVEIRA por meio dos cheques de cópia em anexo, nos valores de R$ 100.000,00, R$ 75.000,00 e R$ 127.000,00. Em resposta, a empresa informou que os referidos cheques “se tratavam de operações de mútuo havidas entre o emitente Fl. 725DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 104 5 das cártulas, que era o mutuante, e a empresa intimada, na ocasião, mutuaria” e acrescentou não possuir documentação para fazer prova da operação, uma vez que realizada na condição de confiança do mutuante com a empresa. Também foram realizadas diligências junto a depositantes, descritas a seguir: A fiscalização intimou a empresa WARUSKY COMERCIO INDUSTRIA E REPRESENTAÇÕES LTDA (fl. 384/385) a apresentar os “documentos fiscais e comprovantes efetivos dos pagamentos relacionados abaixo, efetuados na conta corrente n° 32.4043, mantida na agencia 03379 do BRADESCO, situada no município de Brusque/SC, em favor de IVO DA CUNHA SILVEIRA, inscrito , no CPF sob n° 129.695.32972. Em atendimento, a empresa Warusky Comércio Industria e Representações Ltda apresentou os documentos de fls. 386/419 e informou que “tratase de compras de matéria prima para amostras, efetuadas na empresa Malharia LC Ltda., sito a Rua Maximilian Furbringer, 221, Bairro Jardim Maluche, em Brusque/SC, CNPJ: 79.386.371/000103 e Inscrição Estadual n° 251.338.843 e que os pagamentos foram efetuados através de transferência bancaria em nome do Sr. Ivo da Cunha Silveira, Banco Bradesco S.A Agência 3379 Conta Corrente 32.4043”. A empresa VALDIRENE MENDES FOGLIETTIEPP também foi intimada (fls. 420/421) a apresentar os “Documentos fiscais e comprovantes efetivos dos pagamentos relacionados, efetuados em favor de MALHARIA LC LTDA. Referida empresa informou à fl. 426 que estaria apresentando “cópia de todas as notas fiscais de mercadorias adquiridas da empresa Malharia LC Ltda., no ano de 2005 (doc. de fls. 427/455), ressaltando que nenhuma das notas fiscais em anexo possui valor idêntico ao relacionado no termo de diligência fiscal, pois jamais esta empresa adquiriu mercadorias nestes valores”. Apresentou ainda os comprovantes de pagamentos efetuados em nome de Ivo da Cunha Silveira (fls.459/463). Intimada a empresa JUNCTION MODAS LTDA a apresentar os “documentos fiscais e comprovantes efetivos dos pagamentos relacionados, nos valores de R$ 2.964,87 e R$ 2.326,76, efetuados em favor de MALHARIA LC LTDA” (fl. 464), esta apresentou as notas fiscais de fls. 468/469. Do resultado das diligências a fiscalização concluiu o seguinte (fl. 541): “Os fatos apurados e, especialmente, a evidência de que todos os depositantes da conta bancária de IVO DA CUNHA SILVEIRA diligenciados tinham relação comercial com a autuada e que a própria autuada favoreceuse de vários cheques, todos de valores significativos, sem justificativas comprovadas, autorizam concluir que a conta bancária de IVO DA CUNHA SILVEIRA era, de fato, controlada pela autuada, por meio de CARLOS CID DA CUNHA SILVEIRA, sócio e filho do interposto”. A fiscalização, entendendo que estaria comprovada a responsabilidade direta da empresa MALHARIA LC LTDA sobre os recursos movimentados na conta de IVO DA CUNHA SILVEIRA expediu, em 12/04/2009, intimação (fls. 473) para a MALHARIA LC LTDA apresentar: (1) Justificativas para a existência de movimentação financeira de seus clientes na conta bancária de IVO DA CUNHA SILVEIRA, acompanhadas de documentação hábil e idônea que comprove as Fl. 726DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 105 6 alegações; (2) Livro Diário; (3) Livro Razão; (4) Livro de Saídas; (5) Notas fiscais relacionadas. Em resposta, a empresa MALHARIA LC LTDA informou (fl. 475) em relação ao item 1 “que as relações da Malharia LC Ltda. com os seus clientes é de compra e venda mercantil, consubstanciada pela contabilidade da empresa, documentos e livros fiscais, não incluindo controle ou acesso de informação das movimentações financeiras dos clientes”, e que estaria apresentando os documentos solicitados nos itens 2, 3, 4 e 5. Às fls. 476/484 constam cópia das notas fiscais solicitadas. Segundo a fiscalização (fl. 542), a empresa apresentou os livros e as notas fiscais requisitadas, onde se verificou a regularidade na emissão e escrituração das notas fiscais, o que indica que os depósitos efetuados na conta de IVO por clientes da autuada visavam pagamento de mercadorias adquiridas de forma irregular, sem emissão de notas fiscais. A MALHARIA LC LTDA foi novamente intimada (fl. 485), desta vez para: (1) comprovar a origem dos depósitos relacionados em anexo (fls. 486/508), efetuados por seus clientes e fornecedores na conta de IVO DA CUNHA SILVEIRA, de número 32.4043, mantida na agencia 3379 do banco BRADESCO; e (2) identificar e comprovar as transferências entre a conta referida no item anterior e contas de sua titularidade. Em resposta (fl. 510), a MALHARIA LC LTDA informou: (1) Com relação ao item 1, não temos condições de comprovar a origem dos depósitos relacionados, uma vez que a conta informada não é de titularidade da Malharia LC Ltda.; (2) Quanto ao item 2, não identificamos nenhuma transferência da conta informada (Ivo da Cunha Silveira, conta n° 32.4043, agência 3379, Bradesco) para as contas de nossa titularidade. No Termo de Verificação Fiscal o autor do procedimento assim concluiu (fls. 542/544): “Os fatos comprovam o uso de conta corrente titulada por terceiro interposto, relacionado com a empresa por vinculo de parentesco com um dos sócios administradores, para movimentar recursos financeiros creditados sem o devido registro na escrituração contábil e fiscal e sem origem comprovada, visando fraudar a tributação. (...) Os fatos apurados demonstraram claramente que a autuada omitiu receitas operacionais auferidas pela venda de mercadorias de forma irregular, cujos pagamentos não foram escriturados e oferecidos à tributação, sendo depositados na conta de IVO DA CUNHA SILVEIRA, interposta pessoa e pai de um dos sócios da autuada, visando fraudar a fiscalização. Nessas circunstancias, os valores creditados constituem receitas omitidas, cuja determinação deve ser efetuada em relação ao real titular da conta depositária, ao teor do art. 42 da Lei no 9.430/96. A titularidade simulada do genitor octogenário do sócio da autuada, caracterizada pela movimentação de recursos depositados por clientes da autuada, evidencia a hipótese do § 5º, reorientando a sujeição passiva de forma a responsabilizar o titular de fato. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 106 7 Assim, os valores dos depósitos/créditos bancários foram levados à tributação, mediante a lavratura dos autos de infração, para exigência do IRPJ e das contribuições (CSLL, PIS e COFINS) devidos. Inconformada, a empresa autuada ingressou com a impugnação de fls.568/601 aduzindo como razões de defesa o seguinte: PRELIMINARES: 1. Nulidade por vicio formal — Ausência de MPF válido ao inicio do Procedimento Fiscal. Alegou que ao realizar uma consulta perante o sitio da internet da Receita Federal do Brasil, conforme código de acesso consignado no termo de inicio do procedimento fiscal, verificouse que o MPF não existe, logo também não houve ciência prévia do contribuinte. Concluiu afirmando que tendo sido os Autos de Infração originados de procedimento fiscal que se iniciou sem o competente MPF e sem a ciência do contribuinte acerca dele, contaminados estão de vicio formal, razão pela solicitou que seja reconhecida a nulidade, julgandose procedente a presente impugnação. 2. Nulidade por vicio formal — Falta de termo de abertura de procedimento fiscal em relação Impugnante Malharia LC Ltda. Alegou que os procedimentos de fiscalização iniciaram tendo como sujeito passivo o Sr. Ivo da Cunha Silveira e terminaram com autos de infração contra a empresa Malharia LC Ltda, sem que tenha havido a abertura solene e inequívoca do procedimento de fiscalização em relação à Impugnante Malharia LC e sem a ciência inequívoca do inicio de procedimento de fiscalização em relação à impugnante. Esses fatos, segunda a impugnante, implicaria no reconhecimento da nulidade dos autos de infração, porque a falta de menção expressa quanto ao inicio da fiscalização em relação à Impugnante acarreta da preterição do direito de defesa. 3. Nulidade por vicio formal — Ausência de intimação em relação à Impugnante Malharia LC. Ltda quanto ao inicio do procedimento fiscal. Alegou que é condição sine qua non para validade do procedimento administrativo a ciência do sujeito passivo acerca do MPF autorizador do inicio do procedimento fiscal e, no caso, a Impugnante Malharia LC Ltda., que foi responsabilizada pelos reflexos tributários dos créditos efetuados na conta de Ivo da Cunha Silveira, não foi devidamente cientificada sobre a existência de processo de fiscalização com relação à pessoa do Sr. Ivo, ou seja sobre o inicio da fiscalização, bem como sobre a existência do MPF que ensejou o inicio dos trabalhos em 13/03/2008, conforme fls. 18, razão pela qual solicitou que seja declarado nulo o procedimento fiscal, declarandose igualmente nulos os autos de infração. 4. Nulidade por vicio formal — Ausência de MPF referente às diligências que embasaram a verificação fiscal. Alegou que a diligência realizada perante os contribuintes Adilson Almeida Antunes e Waruslcy Comércio e Indústria e Representações Ltda, conforme termo de fls. 350 e 364, estão desprovidos do necessário e imprescindível MPFD. Acrescentou que referidos MPFsD, ao contrario do que dizem os termos de fls. 350 e 364, são tidos como inexistentes pelo sitio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, Fl. 728DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 107 8 consoante se pode observar das cópias dos resultados das consultas que seguem em anexo. Concluiu que sendo inexistentes os MPFs autorizadores das diligencias promovidas, contrariando as normas de regência, contaminado estaria todo o processo administrativo (Teoria dos Frutos da Arvore Envenenada). 5. Nulidade por vicio formal — Inobservância de prazo para conclusão da fiscalização. Alegou que a prorrogação do prazo para conclusão dos trabalhos fiscais, que é de cento e vinte dias, prorrogáveis, quantas vezes for necessário por mais 60 dias, pressupõe necessidade e, no caso, ao que tudo indica, houve prorrogação de prazos sem haver necessidade. A fiscalização iniciouse em 13/03/2008, tendo assim até 13/09/2008 para concluir os trabalhos, ou então haver prorrogações sucessivas de 60 dias para 13/11/2008, 13/01/2009, 13/03/2009, 13/05/2009, 13/07/2009, 13/09/2009, 13/11/2009, 13/01/2010, 13/03/2010, 13/05/2010. Segundo a impugnante, durante o curso do processo administrativo a fiscalização ficou totalmente paralisada em duas oportunidades, uma vez por 137 dias, ou seja, mais de quatro meses e outra vez por 106 dias, quase quatro meses sem que houvesse qualquer necessidade, sem que houvesse qualquer ato praticado no processo que impedisse ou dificultasse o andamento do procedimento fiscal ou a sua conclusão. o que se verifica às fls.345 a 348, quando a empresa JCJ Têxtil Ltda. respondeu à diligência fiscal em 30/04/2009 (fl. 349). Depois disso, nada ocorreu no processo até a data de 15/09/2009, quando somente a partir dai o processo teve continuidade, através de novas diligências (fls. 350 e 354). No período entre essas duas datas, nada houve que justificasse a prorrogação para a conclusão dos trabalhos. Igualmente se constata isso às fls. 350352, quando o Sr. Adilson Almeida Antunes respondeu à diligencia em data de 30/09/2009 e o processo administrativo somente voltou ao seu curso em 15/01/2010 (fl. 399), quando se efetuou nova diligência. Também nesse período não consta nada que motivasse a prorrogação do processo. Concluiu que as duas oportunidades retratadas superaram em muito o prazo máximo de prorrogação previsto nos arts. 11 e 12 da Portaria RFB 11.371/2000 e sem que houvesse necessidade, razão pela qual solicitou que seja declarada a nulidade do procedimento fiscalizatório por não atender os prazos legais previstos. NO MÉRITO 1. IMPROPRIEDADE DA RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DA IMPUGNANTE. Alegou que a conclusão fiscal de que teria havido interposição de pessoa quanto às movimentações financeiras de Ivo da Cunha Silveira, entendendo que o real titular das contas seria a Impugnante, não está pautada na realidade que se descortina do processo e foi motivada por critérios vagos, infundados e totalmente subjetivos, o que não pode prosperar, conforme precedentes do Conselho de Contribuintes que transcreveu. Alegou que as provas e elementos colhidos no processo, além de não dar sustentação às autuações, apontam em sentido diverso, que transcrevo: 1) Segundo se observa do processo, o efetivo titular das contas, Sr. Ivo, foi intimado pela fiscalização, respondeu às intimações que lhe foram endereçadas, apresentou Fl. 729DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 108 9 os extratos que lhe foram solicitados, afirmando, embora com simplicidade, mas categoricamente, que os depósitos em sua conta "eram referentes aos cheques que trocava e aos pagamentos dos empréstimos" uma vez que, como afirmou, utilizava de suas economias "para fazer empréstimos a várias pessoas e também trocava cheques prédatados" (fls. 259). Esse tipo de atividade é bastante comum, realizada por diversas pessoas detentoras de capital e não se pode tomála simplesmente como inveridica. 2) Ao responder diligência formulada pela Fiscalização, a empresa JCJ Têxtil Indústria e Comércio Ltda., respondeu em sentido idêntico: "Que o valor recebido do Sr. IVO DA CUNHA SILVEIRA, por meio do cheque n° 009906, do Banco Bradesco, emitido em 02.02.2005, no valor de RS 36.214,81, foi fruto de uma operação de descontos de cheques recebidos de terceiros (= operação de factoring)" (fls. 349). Portanto existe comprovação de terceira pessoa que dá conta da veracidade da afirmação efetuada pelo Sr. Ivo, ou seja, efetivamente tratavamse de operações de factoring. Nas duas hipóteses acima, é plenamente justificável e verossímil a ausência de documentos comprobatórios, uma vez que tais operações, de troca de títulos de crédito informais, são operadas por simples tradição, sem outra documentação adicional. 3) Malharia LC Ltda., ao ser intimada para justificar três cheques nominais a seu favor, também informou tratarse de operação de empréstimo: "Os cheques a que se refere o Termo de Diligencia Fiscal se tratavam de operações de mútuo havidas entre o emitente das cártulas, que era o mutuante, e a empresa intimada, na ocasião, mutuaria" (fls. 359/364). 4) O Contribuinte Adilson Almeida Antunes, ao atender intimação fiscal para ele endereçada, também esclareceu que "O cheque emitido pelo senhor IVO DA CUNHA SILVEIRA, contra o Banco Bradesco, agencia de Brusque, SC, no valor de R$ 4.500,00, conforme cópia anexa ao presente Mandado de Procedimento Fiscal, foi recebido da indústria acima citada (MULTICOLOR TÊXTIL LTDA.), correspondente ao pagamento das citadas vendas" (fls. 352). Diferente dos casos acima, esse esclarecimento, deveria ser comprovado através do correspondente documento fiscal, por se tratar de compra e venda mercantil, na hipótese, venda de serragem verde. Esse esclarecimento não faz qualquer referencia a eventual relação de Ivo com a Impugnante. No mais, como já dito anteriormente, essa diligência não pode ser considerada válida porque produzida sem o competente e necessário MPF (item 4 da preliminar). 5) Com relação as informações trazidas por Warusky Com. Ind. e Repres. Ltda., tal diligência também foi realizada sem MPF, não podendo ser admitida como prova para justificar a autuação da Impugnante. Não obstante essa realidade, a veracidade das informações prestadas por Warusky ficaram por conta exclusiva da sua afirmação unilateral. Não existe nos autos outra informação similar a da Warusky. Nem mesmo há prova efetiva de que os documentos por ela carreados ao processo tenham relação com a Malharia LC Ltda. Ao contrário, consta dos relatórios de autorizações para depósito bancário (fls. 366 a 397) o nome do fornecedor da Warusicv com sendo "IVO DA CUNHA SILVEIRA" Fl. 730DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 109 10 FORNECEDOR: IVO DA CUNHA SILVEIRA, e não a Impugnante. Ali constam fornecedores diversos, como Indústria Têxtil Loostex, Aradefe Malhas, Ind. E Com. de Malhas RVB, HJ Malhas e diversos outros, nenhum deles como sendo Malharia LC Ltda.. Diz expressamente que o FORNECEDOR é IVO DA CUNHA SILVEIRA. As informações prestadas por tal empresa às fls. 398, talvez tenham origem no fato de, atualmente, a Impugnante ser uma de suas maiores concorrentes. 6) Valdirene Mendes Foglietti, através do ofício de fls. 403, atendeu ao um Termo de Diligência que assim estava consignado: fica o contribuinte intimado a apresentar: (..) documentos fiscais e comprovantes efetivos dos pagamentos relacionados abaixo, efetuados a favor de Malharia LC Ltda., situada em Brusque/SC e inscrita no CNPJ sob o n° 79.386.371/0001403". É de se reparar que tal diligência não procurava mais qualquer esclarecimento, uma vez que tais depósitos foram feitos na conta de IVO DA CUNHA SILVEIRA. A intimação induzia e direcionava o contribuinte para uma resposta, de que os depósitos, antes de tudo, já seriam em favor da Impugnante Malharia LC Ltda.. Nenhum elemento nos autos apontava para a relação entre a Impugnante e depósitos de Valdirene, mesmo assim procurouse direcionar a resposta do contribuinte que apresentou as correspondentes notas fiscais de relações comerciais havidas com a Impugnante informando expressamente que "nenhuma das notas fiscais em anexo possui valor idêntico ao relacionado no termo de diligência fiscal, pois jamais esta empresa (Valdirene) adquiriu mercadorias nestes valores. Importante ressaltar que esta empresa não adquiriu mercadorias da empresa Malharia LC Ltda. nos valores informados por Vossa Senhoria". Mais uma vez ficou esclarecido que tais operações existentes na conta de Ivo não possuíam relação com a empresa Impugnante. Mais adiante, a contribuinte Valdirene voltou a afirmar: "encaminhamos em anexo o comprovante dos pagamentos em nome do Senhor Ivo da Cunha Silveira" e não em nome da Malharia LC Ltda. como concluiu a fiscalização. 7) A diligencia de fl. 440, também foi elaborada nos mesmos termos que a anterior. Já direcionava o contribuinte a dar resposta em relação Impugnante, e não pretendia os devidos e necessários esclarecimentos quanto aos depósitos, que se referiam a Ivo. Igualmente neste caso, a empresa Junction Modas Ltda. Trouxe documentos que não guardavam correspondência com os valores depositados na conta de Ivo (fl. 442). Apenas respondeu à diligência, que direcionava questionamentos partindo do pressuposto que os depósitos já eram referentes à Impugnante, porque assim lhe foi solicitado pela diligência. 8) Destarte, ficou demonstrado nas diligências, que as operações existentes entre a Impugnante e Valdirene Mendes Foglietti (fls. 403432), com Junction Modas Ltda. (fls. 442444) estavam todas comprovadas com a documentação fiscal correspondente, bem corno devidamente contabilizadas e escrituradas, não havendo que se falar em qualquer irregularidade fiscal. 9) Para justificar o direcionamento das infrações em face da Impugnante, deduziu se que "a conta bancária de IVO DA CUNHA SILVEIRA era, de fato, controlada pela autuada, por meio de CARLOS CID DA CUNHA SILVEIRA, sócio e filho do interposto". A premissa não é valida porque o Sr. Carlos não é filho único do Sr. Ivo que pudesse estabelecer relação de causa e efeito de que a aludida conta era por ele Fl. 731DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 110 11 movimentada. De outra banda, em resposta a diligência fiscal, o Banco Bradesco respondeu, sem qualquer sombra de dúvidas, o seguinte "Informamos que as contas supracitadas (do Sr. Ivo) não eram movimentadas por terceiros" (ver fls. 203). Assim, a conclusão fiscal é contrária a prova dos autos, porque ficou constatado que não há na hipótese interposição de pessoa. 10) Diante das informações do BRADESCO, de que as contas não eram movimentadas por terceiros, caem por terra as insinuações de "suspeição sobre autenticidade material e ideológica dos documentos assinados por IVO, ao longo do procedimento". Verificase que a idade do Sr. Ivo, "um octogenário", como consigna o termo de Verificação Fiscal, não guarda a mínima relação com a insinuada falta de eficiência da sua capacidade. 11) Por outro lado, nada ficou comprovado quanto a alegada incapacidade do Sr. Ivo de responder as diligências fiscais. Também nada ficou comprovado ou demonstrado quanto as diferenças sutis ou grosseiras das assinaturas. Essas conclusões superficiais, destituídas de qualquer prova que apontasse para a sua veracidade, estão embasar a autuação da Impugnante, uma terceira em relação ao titular da conta, ao pagamento de quase R$ 7 milhões! 12) Outra situação é a inexistência de transferências bancárias entre a conta do Sr. Ivo e qualquer das contas da Impugnante, evidenciando a impropriedade da conclusão fiscal. Vale enfatizar que se está diante da aplicação do § 5°, do art. 42, da Lei n° 9.430/96 que diz o seguinte: "Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento". A prevalecer as autuações em face da Impugnante, estaríamos diante de uma contrariedade ao § 5°, do art. 42, da Lei n° 9.430/96, na medida que a regra estabelece ser necessária a comprovação de que os valores creditados pertencem a terceiro e no caso dos autos o vinculo foi estabelecido mediante simples hipótese e distante da prova, o que não se revela legal. Quando muito, seria caso de aplicação do art. 42 caput da Lei n° 9.430/96, considerandose como omissão de receita os valores creditados na conta do Sr. Ivo e imputando a sua pessoa as responsabilidades tributárias decorrentes, não Impugnante. Mas também essa vertente estaria afastada, porque ficou constatado que a conta era utilizada para créditos e débitos decorrentes de operações informais de atividade de fomento mercantil. Concluiu que, desse modo, devem ser reconhecidos como nulos os autos de infração lavrados. 2. BASE DE CALCULO E ALÍQUOTAS Alegou que são infundadas as conclusões do fisco no sentido de atribuir à Autuada as responsabilidades tributárias pelos créditos na conta do Sr. Ivo, mas ainda que estivessem amparadas na realidade, o que somente se admite para o debate e por cautela, todos os depósitos/créditos efetuados na conta de Ivo da Cunha Silveira foram considerados como lucro da empresa impugnante, o que não é verdadeiro e contraria até as conclusões do Fisco, pois ao afirmar tratarse de venda de Fl. 732DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 111 12 mercadorias, cujos pagamentos não foram escriturados, implicaria o arbitramento do lucro. Alegou haver flagrantes irregularidades no que se refere às alíquotas e bases de cálculo (IRPJ e CSLL) dos tributos objeto dos autos de infração, bem como a desconsideração da nãocumulatividade inerente as contribuições PIS e COFINS, devendo, também por esses motivos ser acolhida a presente impugnação. 3. DECADÊNCIA Alegou que, quando da ciência dos autos de infração, 24/05/2010, já estariam os fatos geradores alcançados pela decadência, nos termos do §4º do art. 150 do CTN. 4. MULTA Alegou não haver razão para aplicação da multa de 150% e solicitou o afastamento da multa ou a sua redução. Por fim, requereu o cancelamento do débito fiscal, quer seja pelas questões preliminares nºs 1, 2 3, 4 e 5, quer seja pelas questões de mérito nºs 1, 2 3 e 4”. A 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP, em sessão de 10/10/2013, ao analisar a impugnação apresentada, proferiu o acórdão n° 1445.490 entendendo “por por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial, para efeito de exigência de tributo sujeito ao regime de homologação, em lançamento "ex officio", quando comprovada a fraude, simulação ou dolo, é regido pelo artigo 173, I, do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM CONTA DE INTERPOSTA PESSOA. Submetemse à tributação os valores creditados em contascorrentes mantidas tanto em nome de interposta pessoa, em relação aos quais o titular de fato não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA DE 150%. Impõese a aplicação de multa qualificada, se as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção da pessoa jurídica de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, mediante a utilização de contacorrente em nome de interposta pessoa. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS). Aplicamse aos processos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do processo matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas”. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/10/2013 (AR constante das fls. 689), a MALHARIA LC LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1445.490, apresenta recurso voluntário em 20/11/2013 constante das fls 690 e segs, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a Fl. 733DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 112 13 reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa, mas sem acrescentar novos argumentos em decorrência da decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 113 14 Voto Conselheiro SEGIO LUI Z BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de entrar no mérito, esclareço que mesmo diante dos argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 1445.490, a Recorrente, no recurso voluntário, limitouse a reproduzir, “ipsis literis” as preliminares e as razões de mérito constantes da peça impugnatória sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP. Na verdade não houve qualquer insurreição contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada. Assim procedendo, a Recorrente feriu o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem ser dialéticos e discursivos; devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. Na verdade o princípio da dialeticidade consiste no dever do recorrente de indicar todas as razões de direito e de fato que dão base ao seu recurso, visto ser impossível ao CARF avaliar os vícios existentes na decisão de primeiro grau, sem que o interessado apresente e comprove todas as suas razões. Sobre o assunto, leciona Nelson Nery Júnior: “(...) o recurso deverá ser dialético, isto é, discursivo. O recorrente deverá declinar o porquê do pedido de reexame da decisão. (...) As razões do recurso são elemento indispensável a que o tribunal, para o qual se dirige, possa julgar o mérito do recurso, ponderandoas em confronto com os motivos da decisão recorrida. A sua falta acarreta o não conhecimento. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal, é necessária a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da referida decisão judicial” (Nelson Nery Júnior in “Teoria geral dos Recursos”. São Paulo; Ed. Revista dos Tribunais, 2004, p. 176 e 177). Analisando o tema o Superior Tribunal de Justiça, assim decidiu “verbis”: “(...) o presente recurso não tem porte para infirmar a decisão recorrida, pois restringiuse o agravante, a reiterar ipsis literis, os motivos expendidos no especial; Consequentemente, o presente agravo não impugna, como seria de rigor, o fundamento da decisão recorrida, circunstância que obsta, por si só, o acolhimento da pretensão recursal” (AG nº. 479378/RJ, rel. Ministro Barros Monteiro, DJ de 14/2/2003). Fl. 735DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 114 15 “(...)Ao interpor o recurso de apelação, deve o recorrente impugnar especificamente os fundamentos da sentença, não sendo suficiente a mera remissão aos termos da petição inicial e a outros documentos constantes nos autos. Precedentes.” (REsp nº. 722.008/RJ, rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, j. em 22/5/2007). Diante a ação deliberada da Recorrente em desconsiderar todos os argumentos apresentados pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP para refutar as alegações, principalmente em relação às preliminares, na sessão de 10/10/2013, que ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1445.490, meu entendimento inicial conduzia para não reconhecer do recurso voluntário. Porém, buscando o fim maior do processo administrativo fiscal, que é a verdade material, passo a analisar a decisão de decisão de primeiro grau como se o recurso estivesse posto. Assim, quanto às preliminares apresentadas na impugnação e repetidas no recurso voluntário mantendo a decisão da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP pelos seus próprios fundamentos. Passando ao mérito, observando o Termo de Verificação Fiscal (fls. 539 e segs), constatase a existência de depósitos realizados em contas bancárias mantidas à margem da escrituração e em nome de Ivo da Cunha Silveira, inscrito no CPF/MF sob o nº. 129.695.32972, à época com 88 anos e que vem a ser pai do Sr. Carlos Cid da Cunha Silveira, brasileiro, CPF/MF sob o n° 248.564.44972 administrador da Recorrente, conforme pode ser visto abaixo: Fl. 736DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 115 16 Os fatos apurados na fiscalização e consolidados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 539 e segs), levam a concluir que todos os depósitos foram realizados na conta bancária do Sr. Ivo da Cunha Silveira, inscrito no CPF/MF sob o nº. 129.695.32972, por empresas que mantinham relação comercial com a Recorrente, tendo é que algumas das empresas contabilizavam tais depósitos na “conta Ivo”. Porém, grande parte da peça recursal apresentada pela Recorrente, que nada mais é do que uma copia da impugnação, contudo não encontrei nos autos qualquer comprovação que a Recorrente tenha conseguido comprovar a sua tese que tais valores eram descontos de cheques realizados pelo Sr. Ivo da Cunha Silveira, inscrito no CPF/MF sob o nº. 129.695.32972; muito menos que a contabilidade tenha espelhado tais operações, declarações de IRPF. Isso simplesmente não aconteceu, segundo as informações e os documentos constantes dos autos. Na verdade, tanto a impugnação quanto o Recurso Voluntário tentam desclassificar a autuação e não conseguem comprovar depósitos bancários sem origem na o Sr. Ivo da Cunha Silveira, inscrito no CPF/MF sob o nº. 129.695.32972 e as afirmações das empresas e pessoas físicas constante dos autos da relação comercial com a Recorrente e o pagamento ao Sr. Ivo da Cunha Silveira, inscrito no CPF/MF sob o nº. 129.695.32972 (fls. 419, 460); e caberia a Recorrente comprovar as suas alegações; o que não o fez. O que aconteceu foi que tanto a Recorrente quanto o Sr. Ivo da Cunha Silveira, mesmo tendo sido intimados para a apresentação dos documentos simplesmente trouxeram a baila alegações sem qualquer prova. Dante deste fato, não tenho duvida em dizer que o art. 40, da Lei nº 9.430/1996, por sua vez, é aplicável ao caso, sendo cristalino ao determinar que a presunção de omissão de receitas na medida da ocultação de pagamentos através da não escrituração dos mesmos, o que denota a tentativa de ocultação de receitas não declaradas que ficaram à margem da contabilidade e depositados na conta do pai de um dos administradores da Recorrente. Desta forma e com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não comporta restrições de qualquer ordem, sendo que é ônus exclusivo da Recorrente e do Sr. Ivo da Cunha Silveira, comprovar e justificar a origem dos recursos movimentados na conta bancária do segundo que pertenciam a primeira. Isso demonstra que de forma geral, os suprimentos de caixa efetuados entre pais e filhos estariam fora do alcance de qualquer fiscalização, visto a possibilidade das empresas interligadas e familiares emitirem a qualquer tempo documentos que pudesse fundamentar uma operação fictícia; ou transferir tais recursos para a conta corrente da Recorrente. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 116 17 Mais que isso, o alcance de tais premissas respaldamse também nos Princípios Gerais de Direito Privado, mais precisamente na Teoria da Aparência. Confere o artigo 109 do Código Tributário Nacional condição para que sejam aplicados tais princípios no que toca à pesquisa da definição, conteúdo e alcance dos institutos de Direito Tributário. A teoria da aparência emergiu da necessidade de o Direito tutelar situações fáticas que simplesmente representam uma situação jurídica verdadeira considerada aparentemente como real, motivo pelo qual o Direito, visando precipuamente à justiça, não se omite em relação aos interesses de quem de forma escusa e de boafé iludiuse. Observando a situação fática dos autos, percebese uma movimentação de recursos por um senhor de mais de 88 anos, à época, pai de um dos sócios da Recorrente e que teve depósitos realizados por empresas terceiras que mantinham reações comerciais com o a Recorrente, o que não comprova uma ligação entre os recursos, mas salta aos olhos uma situação que tangencia o padrão de normalidade. Trago a tona a definição do vocábulo “aparência”, que deriva do latim “apparentía” e, que segundo o Dicionário Lello Universal, significa “aquilo que se mostra à primeira vista, o aspecto exterior”; “probabilidade, exterioridade ilusória” (LELLO UNIVERSAL. GRAVE, João (org.). Novo Dicionário Enciclopédico LusoBrasileiro. VaI. I. 2. ed. Porto: Lello e Irmão Editores, 1950. p. 148.) . Aqui resulta uma primeira idéia acerca desse conceito: A da coincidência ou descoincidência entre a manifestação exterior e a essência do objeto manifestado. A aparência implica assim a existência de duas realidades, uma realidade exterior e outra realidade interior. A realidade exterior compreende a exteriorização de um fato, de uma realidade visível e imediatamente apreendida, que é o fenômeno manifestante, ou aparente. A realidade interior é aquela manifestada mediatamente pelo fenômeno manifestante Conforme se constata, a autoridade fiscal cumpriu as determinações da norma legal, solicitando informações, fazendo circularização. Ou seja, durante todo o curso do processo, cabia então a Recorrente ou do Sr. Ivo da Cunha Silveira, efetuar a comprovação demonstrando a origem dos créditos e depósitos, correlacionandoos eventualmente com a receita bruta já declarada e comprovando a origem um a um dos créditos/depósitos. Verificase que tal propósito ficou prejudicado com a ausência deliberada de informações durante todo o processo administrativo, fato que evidentemente acabou voltando se contra a própria Recorrente. E, como a questão dos autos trata de omissão de receita. Aqui temos que identificar se a conduta da Recorrente e do Sr. Ivo da Cunha Silveira (ou a ausência dela) pode ser tipificada a luz do que determina o art. 42 da lei n°. 9.430/96, a seguir transcrito: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição Fl. 738DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 117 18 financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 539 e segs) trouxe uma serie de situações que, smj, não foram contestadas, até a presente data, pela Recorrente; até porque a questão é muito simples: Houve ou não suprimento de numerário? Na verdade a Recorrente silenciou sobre os argumentos do Termo de Verificação Fiscal; e, na falta de outros elementos e diante das respostas efetuadas pelas empresas, o fisco pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de rendimentos. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP. Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse a origem dos recursos depositados na conta corrente do Sr. Ivo da Cunha Silveira e que não tinham sido levados a tributação. Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente ou pelo Sr. Ivo da Cunha Silveira. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” Fl. 739DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 118 19 “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente e ao Sr. Ivo da Cunha Silveira; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada; e, isso não foi feito! Aqui, não se está falando em indicio de receita tributável, mas em presunção definida em lei, que autoriza, no caso de ausência de comprovação por meios hábeis e idôneos, da existência de receita omitida pela Recorrente que, pela ausência de contestação, espontaneamente confessou a sua conduta. Por conta do que consta dos autos, não vejo como divergir da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP, tendo em vista que entendo configurada, de uma maneira cristalina, a prática reiterada de ações, com interposição de pessoa, com o objetivo mascarar a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. Isso porque, a qualificação da multa depende da existência e demonstração da conduta prevista em lei por parte do sujeito passivo, conforme determina o art. 44 da Lei nº. 9.430/1996, a seguir transcrito: “Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 740DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 119 20 II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Pela leitura do dispositivo acima, fica claro que há necessidade de existência e demonstração, pois o lançamento deve ser devidamente motivado, do evidente intuito de fraude. Essa é a posição dos arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/1964, “verbis”: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. Assim, cabe ao Fisco apresentar os elementos que ensejaram a qualificação da multa e, demonstrar claramente a reiteração da conduta da Recorrente. Para que seja justificada a duplicação da penalidade, com a aplicação de uma multa de 150% (cento e cinquenta por cento) deve estar provado nos autos, de forma inequívoca, a absoluta, cabal e evidente certeza, o intuito de fraude e que tais requisitos constem de forma clara na autuação. Vejo que na qualificação da multa, ficou comprovado as duas características que entendo serem pressupostos validadores na ação do sujeito passivo: (i) O pressuposto evidente Quando a fiscalização comprova a qualidade daquilo que não admite dúvida; e, (ii) O pressuposto intuito – Quando o propósito na realização de um ato visa esconder ou minimizar o fato gerador da obrigação tributária. Ou seja, pela leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 539 e segs) e pela ausência de alegações da Recorrente e do Sr. Ivo da Cunha Silveira, restou comprovada, de forma cabal, com absoluta certeza, que o propósito da Recorrente foi, ao praticar os atos, de impedir o conhecimento para reduzir o tributo devido. Esse é o entendimento Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, quando do julgamento do Processo nº. 10247.000157/200438, consubstanciado através do Acórdão nº. 10617.015, que peço vênia para reproduzir: Fl. 741DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 120 21 “(...) Primeiro, devese discutir a pertinência da qualificação da multa de oficio. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicavase a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários. Por fim, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. (...) Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos consequências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. (...) Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizada pela Súmula 1°CC n° 14: ‘A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo’. Como exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionase a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: (...) PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÓNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência Fl. 742DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 121 22 das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei no. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido”. Desta forma, entendo que a conduta da Recorrente aponta para o intuito consciente e deliberado de reduzir a base tributável, e sim um erro que tem a sua punição prevista na norma legal. Nessas condições, a multa qualificada deve ser mantida por configurar a hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, acima transcrito. Referido entendimento encontra amplo respaldo na jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme pode ser visto abaixo: “Ementa: MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A qualificação da multa de ofício depende da demonstração do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. No caso, o evidente intuito de fraude não foi demonstrado e a multa não deve ser qualificada. Recurso Especial do Procurador Negado” (CSRF Processo nº 11543.005082/200319 Acórdão nº 920202.185 – 2ª Turma Sessão de 27 de junho de 2012) “MULTA QUALIFICADA Aplicase a multa em percentual de 150% nos casos em que tipificada a situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fica evidenciada a intenção dolosa de tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte não contabiliza toda sua vultosa movimentação bancária, que abriga receitas de aplicações financeiras e ganhos em operações de cessão de crédito omitidos” (CSRF Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão nº 9101001.393 – 1ª Turma Sessão de 17 de julho de 2012). “Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. CONDUTA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 122 23 O agravamento da multa de ofício somente se justifica quando o sujeito passivo busca, com dolo, dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Somase a esse fato a relevante constatação de que a ausência de informação não prejudicou a atuação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado” (CSRF Processo nº 13808.001188/200230 Acórdão nº 9202002.229 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2012). Diante de tudo que vimos acima e para que seja agravada a multa deve ser observado um dos princípios balizadores que lastreiam o processo administrativo fiscal: O Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. O Principio da Legalidade determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe. Já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. Assim, para que seja imputada a Recorrente a multa qualificada e também a multa agravada fazse necessário que o auto de infração comprove, com uma clareza meridiana a conduta eivada de dolo, com o objetivo de dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Não tendo comprovada que a Recorrente, deliberadamente agiu a margem da legislação visando omitir ou reduzir a base tributável de forma reiterada não se pode retirar a inclusão da multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento). Passando agora para o pedido de perícia ou diligencia entendo que tal pleito não pode ser acolhido, pois tais fatos não apenas poderiam, como deveriam ter sido esclarecidos pela própria Recorrente quando da impugnação ou do recurso voluntário, conforme os arts.15 e 16, ambos do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo do Decreto nº 70.235/72, a realização de diligências ou perícias justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: “Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 13971.001963/201075 Acórdão n.º 1401001.271 S1C4T1 Fl. 123 24 A Recorrente não anexou qualquer elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma diligência ou perícia, tendo o acórdão recorrido sido proferido em conformidade com a legislação de regência, não merecendo reparo. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, entendo que a decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto PR deve ser mantida integralmente, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter a imposição tributária referente aos lançamentos relativos ao IRPJ e a CSLL. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 745DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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