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Numero do processo: 11128.009420/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 17/03/2004
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do Recurso interposto após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de 1ª instância.
Numero da decisão: 3401-005.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 17/03/2004 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso interposto após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de 1ª instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 17/03/2004 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso interposto após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de 1ª instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 94 20 /2 00 8- 05 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.009420/200805 Acórdão n.º 3401005.381 S3C4T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Auto de Infração (fls.4/18) lavrado para cobrança de diferenças de tributos, Imposto de Importação (II) e IPI, com relação a Declaração de Importação nº 04/02529680 (Adições 001 e 002), parametrizada no canal vermelho de conferência aduaneira; no ato do desembaraço da mercadoria foram retiradas amostras para exame Laboratorial, Pedido nº 707/04/GCOF, de 24/03/2004, resultando nos Laudos nº 0834.01, nº 0834.02 (Adição 001) e nº 0834.03 (Adição 002), demonstrando que a mercadoria fora classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); em função dos erros apontados foram aplicadas multas, estipulada no inciso I do art. 84 da MP nº 2.158, de 24/08/2001. A interessada foi regularmente cientificada do lançamento fiscal e apresentou, tempestivamente, impugnação (fls.56/63), alegando em síntese: a) que existe sobreposição de multas, multa de ofício e multa de regulamentar, motivadas pelo mesmo fato, ou seja, erro de classificação fiscal, o que seria ilícito; b) demonstrada a improcedência da autuação, requer o cancelamento das multas aplicadas. A decisão recorrida observa que a impugnante insurgese apenas contra a dupla penalização, para as quais busca o cancelamento e que deixou de se manifestar sobre a classificação tarifária proposta pela autoridade fiscal, razão pela qual se considera tal matéria não impugnada; quanto a matéria contestada pela impugnante, aplicação de multas de ofício e administrativa, não há ilicitude na condução da fiscalização, visto que agiu de acordo com o expressamente previsto na legislação; conclui julgando improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário apurado. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, sendo o processo remetido ao CARF para julgamento. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O Recurso Voluntário foi encaminhado ao CARF com o seguinte despacho (fls.132): O contribuinte solicitou a juntada do Recurso Voluntário e documentos instrutivos, conforme fls. 101129 dos autos. Embora a representação processual esteja regular de acordo com o item 3 e subitens 3.1 a 3.3 da Nota Técnica CODAC (Nota eProcesso Nº 001/2015, de 28 de janeiro de 2015), a Petição não foi protocolada dentro do prazo estabelecido no caput do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 06 de março de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, e dá outras providências. A ciência do Acórdão de Impugnação ocorreu na data de 23/05/2017, nos termos do documento de fl. 97, e a apresentação do Recurso Voluntário deuse Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.009420/200805 Acórdão n.º 3401005.381 S3C4T1 Fl. 4 3 em 26/06/2017 (fl. 99), ou seja, depois de findo o prazo recursal, que se encerrou no dia 22/06/2017. Diante disto, proponho o envio dos autos ao CARF, tendo em vista o disposto no art. 35 do Decreto nº. 70.235/72, de que “o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção”. A decisão de piso foi registrada na Caixa Postal da contribuinte, considerada como Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante RFB, na data de 22/05/2017, conforme Termo de fls.96: A Recorrente tomou ciência do Acórdão de impugnação por abertura de mensagem em sua Caixa Postal (fls.97) na data de 23/05/2017 e fez a abertura de documento na data de 25/05/2017, conforme Termo de fls.98: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.009420/200805 Acórdão n.º 3401005.381 S3C4T1 Fl. 5 4 Já o Recurso Voluntário foi juntado ao processo por solicitação da Recorrente na data de 26/06/2017 (fls.99): Ambas as datas, de ciência por abertura de mensagem (23/05/2017) ou de abertura de documento (25/05/2017), confrontadas com a data de protocolo do Recurso (26/06/2017), ultrapassam o prazo de 30 (trinta) dias previstos para sua interposição, nos termos dos artigos. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Feita a contagem do prazo na forma determinada pela legislação de regência, temos que: o dia do ciente da decisão recorrida foi (23/05/2017) terçafeira, iniciandose a contagem dia 24/05/207, portanto, o prazo para interposição do Recurso Voluntário se encerrou no dia 21/06/2017 (segundafeira). Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.009420/200805 Acórdão n.º 3401005.381 S3C4T1 Fl. 6 5 Compulsando os autos, fls.99, verificase que a data do protocolo do Recurso Voluntário foi 26/06/2017, logo, transcorridos 5(cinco) dias após o encerramento do prazo. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário do Contribuinte por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726133/2015-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente MARIA HELENA MARIZ PINTO GAIDZINSKI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 61 33 /2 01 5- 78 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11080.726133/201578 Acórdão n.º 2002000.393 S2C0T2 Fl. 136 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 6/10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar de R$6.245,99 para saldo de imposto a pagar de R$16.973,74. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$39.010,00, consignando: Clínica Psiquiátrica Geral Desp. realizada com não dependente. Não comprovou o gasto. Tânia Mara Mattiello Rosseto Falta nº reg. no Conselho de classe. Emitente informou na DIRPF ser professora ensino fundamental Rosina Sievert Falta nº reg. no Conselho de classe. Emitente informou na DIRPF ser enfermeira, nutricionista ou farmacêutica Eloísa Helena Pufal Gandzinski Falta nº reg. no Conselho de classe. Emitente informou na DIRPF ser Técnica em saúde humana. Daniele Raul Rodrigues Falta de comprovação do efetivo pagamento Fábio Peng Kruger Falta de comprovação do efetivo pagamento Álvaro Luiz Vanzin Falta de comprovação do efetivo pagamento Impugnação Cientificada à contribuinte em 14/4/2015, a NL foi objeto de impugnação, em 12/5/2015, à fl. 2/32 dos autos, assim sintetizada na decisão de piso: Em sua defesa a contribuinte concorda com a glosa de dedução da despesa com relação à Clínica Psiquiátrica Geral, no valor de R$ 3.000,00 e não se manifesta sobre a glosa de R$ 2.585,00, declarada como pagamento feito para Rosina Sievert. ... Sobre as demais glosas, a contribuinte alega que por recomendação médica fez tratamento de Arteterapia com a Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11080.726133/201578 Acórdão n.º 2002000.393 S2C0T2 Fl. 137 3 profissional Tânia Mara Mattiello Rosseto, cujo registro junto ao Ministério do Trabalho está em andamento. Diz que a profissional Eloísa Helena Pupal Gandizinski tem registro no CREFITO, o que dirime as dúvidas sobre sua habilitação. Quanto às despesas declaradas como pagamentos feitos para Daniele Raul Rodrigues, Fábio Peng Kruger e Álvaro Luiz Vanzin em relação às quais foi intimada a comprovar o efetivo pagamento, alega não ser justificável a exigência de apresentação de extratos bancários para pinçar depósitos a dar suporte ao pagamento declarado; que possui rendimento bastante para realizar o gasto e que ‘não há impedimento para que se utilize de serviços médicos em locais distintos de seu domicílio. A impugnação foi apreciada na 9ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, julgoua impugnação improcedente (fls. 52/56). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 17/5/2016 (fl. 60), a contribuinte, em 3/6/2016 (fl. 62), apresentou recurso voluntário, às fls. 62/130, no qual alega, em apertado resumo, que: requer a revisão do processo, citando as exigências feitas a ela no tocante aos profissionais Fábio, Daniele e Álvaro. diz que buscou junto às instituições bancárias informações sobre os pagamentos realizados em 2010, juntando a sua defesa extratos que consignariam os saques efetuados ao longo do ano. Ressalta que os saques efetuados em três das instituições bancárias remontam o valor de R$23.787,00 e que está aguardando os extratos de outra instituição bancária, que serão juntados aos autos tão logo os receba. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Delimitação do litígio Foram levadas a efeito na autuação glosas de despesas médicas com uma clínica e seis profissionais (fl.7). Em seu recurso (fl.62), a recorrente limitase a fazer Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11080.726133/201578 Acórdão n.º 2002000.393 S2C0T2 Fl. 138 4 referência às glosas das despesas informadas com Daniele Rodrigues, Fabio Kruger e Alvaro Vanzin. Dessa feita, não cabe a este colegiado se manifestar sobre as demais despesas glosadas. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11080.726133/201578 Acórdão n.º 2002000.393 S2C0T2 Fl. 139 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte indica a juntada de extratos bancários, informando que o somatório dos saques efetuados perfaz R$23.787,00. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Tal poderdever da autoridade fiscal independe da existência de súmula de documentação ineficaz para os profissionais declarados. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11080.726133/201578 Acórdão n.º 2002000.393 S2C0T2 Fl. 140 6 No caso concreto desses autos, ainda que intimada a fazer a prova do efetivo pagamento das despesas informadas com três profissionais médicos (fl.31), a contribuinte limitouse a apresentar os recibos de fls. 22/31, acrescentando que não se lembrava como efetuara os pagamentos. Em sua impugnação, ela não juntou qualquer documento, defendendo que os recibos seriam os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Em sede de recurso, a recorrente junta extratos bancários, apontando que o somatório dos saques seria suficiente para justificar as despesas glosadas. Repisese que o ônus probatório é da contribuinte, não podendo ela simplesmente juntar documentos e esperar que o julgador faça a ligação entre as diversas despesas e os extratos. Não obstante, verifico que, para dois profissionais, ela teria pago, para cada um, a quantia mensal de R$1.000,00 (fls.25/28) e, para outro profissional, pagamentos de R$500,00 de julho a outubro, sendo que no mês de julho teria efetuado quatro pagamentos e no mês de agosto dois pagamentos no valor indicado (fls.22/24). Do exame dos extratos apresentados, não vislumbro operações, com datas e valores compatíveis, que dêem respaldo aos mencionados recibos. Por fim, é de se esclarecer que a sua eventual capacidade econômica e financeira não serve para justificar as despesas em comento, uma vez que lhe foi exigida a comprovação do efetivo pagamento de cada uma delas. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720225/2016-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014
IRRF. ERRO NO REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CORREÇÃO MEDIANTE SIMPLES CÁLCULOS ARITMÉTICOS. NÃO OCORRÊNCIA DE NULIDADE.
O erro no reajustamento da base de cálculo, quando da apuração do Imposto de Renda na fonte, pode ser corrigido mediante simples cálculos aritméticos, assim sendo esse erro não gera nulidade do lançamento.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PAGAMENTO SEM CAUSA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.
Cabe a exigência de Imposto de Renda na fonte, por pagamento sem causa, quando não ficar comprovada a efetiva prestação do serviço, a pretexto do qual o pagamento foi feito.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NOTA FISCAL. INIDONEIDADE. INDÍCIOS DE FALSIDADE.
Não servem como prova da efetiva prestação de serviços as notas fiscais cuja inidoneidade tenha sido tacitamente admitida pelo contribuinte, bem como nos casos em que existam fortes indícios de falsidade dos dados inseridos nos documentos.
DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO.
O termo inicial do prazo de decadência para constituir crédito tributário mediante lançamento de ofício é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido feito, quando estiver caracterizada a simulação ou qualquer expediente doloso praticado com a finalidade de lesar o Fisco.
SIMULAÇÃO E INIDONEIDADE DOS DOCUMENTOS FISCAIS. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Aplica-se multa qualificada aos casos em que ficar demonstrada a simulação ou a inidoneidade documental, gerando falta de recolhimento de tributo.
ADMINISTRADORES. PRÁTICA DE ATO COM INFRAÇÃO DE LEI. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Respondem pelo crédito tributário os administradores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica, quando pratiquem atos com infração de lei, devendo o lançamento descrever a conduta que caracteriza o ato ilícito.
Numero da decisão: 1301-003.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, declarar a nulidade parcial do lançamento no que se refere à cobrança do IRRF sobre os pagamentos feitos à SMP SUANNO; (ii) por maioria de votos: a) rejeitar a arguição de decadência; b) dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica para reduzir a base de cálculo do lançamento em razão da duplicidade de reajustamento da base de cálculo; c) negar provimento aos recursos dos coobrigados, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por acolher a arguição de decadência e dar provimento integral aos recursos voluntários da pessoa jurídica e dos coobrigados. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Júnior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ERRO NO REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CORREÇÃO MEDIANTE SIMPLES CÁLCULOS ARITMÉTICOS. NÃO OCORRÊNCIA DE NULIDADE. O erro no reajustamento da base de cálculo, quando da apuração do Imposto de Renda na fonte, pode ser corrigido mediante simples cálculos aritméticos, assim sendo esse erro não gera nulidade do lançamento. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PAGAMENTO SEM CAUSA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Cabe a exigência de Imposto de Renda na fonte, por pagamento sem causa, quando não ficar comprovada a efetiva prestação do serviço, a pretexto do qual o pagamento foi feito. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NOTA FISCAL. INIDONEIDADE. INDÍCIOS DE FALSIDADE. Não servem como prova da efetiva prestação de serviços as notas fiscais cuja inidoneidade tenha sido tacitamente admitida pelo contribuinte, bem como nos casos em que existam fortes indícios de falsidade dos dados inseridos nos documentos. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. O termo inicial do prazo de decadência para constituir crédito tributário mediante lançamento de ofício é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido feito, quando estiver caracterizada a simulação ou qualquer expediente doloso praticado com a finalidade de lesar o Fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 02 25 /2 01 6- 30 Fl. 9022DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.023 2 SIMULAÇÃO E INIDONEIDADE DOS DOCUMENTOS FISCAIS. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Aplicase multa qualificada aos casos em que ficar demonstrada a simulação ou a inidoneidade documental, gerando falta de recolhimento de tributo. ADMINISTRADORES. PRÁTICA DE ATO COM INFRAÇÃO DE LEI. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Respondem pelo crédito tributário os administradores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica, quando pratiquem atos com infração de lei, devendo o lançamento descrever a conduta que caracteriza o ato ilícito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, declarar a nulidade parcial do lançamento no que se refere à cobrança do IRRF sobre os pagamentos feitos à SMP SUANNO; (ii) por maioria de votos: a) rejeitar a arguição de decadência; b) dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica para reduzir a base de cálculo do lançamento em razão da duplicidade de reajustamento da base de cálculo; c) negar provimento aos recursos dos coobrigados, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por acolher a arguição de decadência e dar provimento integral aos recursos voluntários da pessoa jurídica e dos coobrigados. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Júnior Redator Designado Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 9023DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.024 3 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ ( a fls. 664 e segs.); Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (a fls. 739 e segs.); e Imposto de Renda Retido na Fonte (a fls. 802 e segs.), pelas razões apresentadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 824893, assim sumarizadas: a) IRPJ/CSLL Glosa da redução do lucro líquido decorrente de custos e despesas operacionais derivadas de negócios celebrados com empresas inexistentes de fato e/ou prestadoras de serviços simulados e de notas fiscais inidôneas. As prestadoras de serviços são as seguintes, e serão destarte referidas pelo termo em destaque: BRATEC CONSULTORIA S/S LTDA – ME – CNPJ: 08.265.018/000127 HEFESTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA – CNPJ: 04.067.717/000101 FERREIRA BASTOS ENGENHARIA, CONSULTORIA E PROJETOS LTDA EPP – CNPJ: 07.238.465/000124 CBM CONSULTORES LTDA ME – CNPJ: 08.753.705/0001 91 EPGN ENGENHARIA LTDA – CNPJ: 05.759.392/000190 PLACON PLANEJAMENTO, CONSULTORIA E ASSESSORIA LTDA EPP – CNPJ: 07.222.299/000178 FIDELITY INVESTIMENTOS, PARTICIPACOES E CONSULTORIA LTDA ME – CNPJ: 12.147.798/000188 A fiscalização concluiu que as prestações de serviço advindas das empresas acima não poderiam ser consideradas despesas dedutíveis pois as notas fiscais que as substanciam "são documentos inidôneos, pois em alguns casos foram emitidas por pessoa jurídica que não existe de fato, apesar de constituída formalmente, ou seja não possui existência de fato, e cuja inscrição no CNPJ foi baixada no órgão competente, não produzindo, esses documentos, quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros por se caracterizarem como uma hipótese de inidoneidade, e também pela falta de documentação que comprove a real prestação dos serviços" (fl. 869/870) e pela ausência de prova da efetiva prestação. b) IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Aplicação do art. 61, §1º da Lei nº 8.981/1995, em razão da não comprovação da causa dos pagamentos efetuados. c) Aplicação de multa qualificada de 150% em razão de fraude fiscal, nos termos do art. 44, I, §1º c/c art. 72 da Lei nº 4.502/64. d) Sujeição passiva solidária, com fundamento no art. 135, III do CTN, sobre os sóciosadministradores: Fl. 9024DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.025 4 MARCO ANTÔNIO DA ROCHA TRISTÃO, CPF nº 094.215.56704, ODILIO MÁRCIO MAUAD FERREIRA, CPF nº 031.927.847 68 Cientificada em 10/11/2016, o Contribuinte apresentou três impugnações, uma para cada auto de infração (IRPJ, CSLL e IRRF), aduzindo as seguintes razões: a) Nulidade de TDPF por omissão da ordem de serviço que autorizaria a atuação de auditorfiscal em exercício em região diversa; b) Cerceamento do direito de defesa por omissão da autuação quanto a provas indispensáveis dos ilícitos nela descritos; c) Inconsistência da autuação por invocar precedentes sem explicar a vinculação deles ao caso; d) Decadência de parte dos períodos autuados; e) Descabimento da multa qualificada de 150%; f) Ocorrência de um "duplo reajustamento" da base de cálculo do IRRF, para fazer incidir, então, a alíquota de 35%, de modo ilegal; g) Os destinatários dos pagamentos são pessoas jurídicas regularmente constituídas e identificadas e que, se em um único caso, foi suspenso o registro de uma delas no CNPJ, o fato ocorreu muito tempo após a contratação da empresa pela impugnante e os pagamentos dos serviços por ela prestados; h) Que não se justifica a desqualificação dos negócios a que os pagamentos se vincularam: ainda que se considerem os documentos e as eviden̂cias produzidos insuficientes para sustentar os dispêndios como despesas dedutíveis, a circunstância não os torna inexistentes ou irreais, mas, simplesmente, impede que afetem o lucro tributável; i) Que não foi posta em dúvida a efetividade do pagamento realizado; j) Que a fiscalização não tem competência para declarar, sem o procedimento legal previsto, a inaptidão das empresas e a inidoneidade dos documentos fiscais; k) Impossibilidade de aplicação do art. 61 da Lei nº 8981/95 nos casos em que o pagamento foi comprovado, e a despesa tenha sido objeto de glosa; Os responsáveis tributários apresentaram suas impugnação aduzindo idênticas razões: a) Ausência de indicação da precisa hipótese legal de responsabilidade e dos motivos fáticos para a responsabilização; b) Cerceamento do direito de defesa; c) Inaplicabilidade do art. 135, III do CTN ao presente caso; d) Ausência de prova do dolo; Fl. 9025DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.026 5 A DRJ/Brasília julgou as impugnações improcedentes através do Acórdão nº 0376.487 (fls. 8369 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013, 2014 GLOSA DE DESPESAS. DEVIDA. Se não é possível identificar sequer as causas dos pagamentos, muito menos saber se eram relativos a despesas lícitas e necessárias às atividades da impugnante e a manutenção da respectiva fonte produtora. MULTA QUALIFICADA. DEVIDA. Há que se manter a qualificação da multa, uma vez demonstrada a conduta dolosa com o fito de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco das circunstâncias materiais do fato gerador, pela simulação de contratos de prestação de serviços, com o fito de dissimular os verdadeiros fins dos pagamentos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. É nítida a responsabilidade tributária dos sócios administradores, com base no art. 135, III, do CTN, quando resta demonstrado que houve simulação de contratos de prestação de serviços, para dissimular os fins pagamento feitos, sendo que tais contratos simulados serviram também para lastrear os lançamentos contábeis desses pagamentos como despesas dedutíveis das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. O art. 61 da Lei 8.981/95 encontra seu fundamento de validade no parágrafo único do art. 45 do CTN, sendo perfeito o enquadramento da situação fática nele, quando a real causa de pagamentos é dissimulada por meio de contratos de prestação de serviços simulados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. IRRF. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL e do IRRF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignados, o Contribuinte principal e os responsáveis apresentaram Recursos Voluntários. O Recurso do Contribuinte versou sobre os seguintes pontos, em síntese (fls. 8445/8525): Fl. 9026DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.027 6 i) Inicialmente, aduz que os lançamentos relativos ao IRPJ e a CSLL foram objeto de parcelamento nos moldes do Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), razão pela qual essa matéria não será mais objeto do presente processo; ii) Nulidade do acórdão pelos seguintes motivos: a) omissão do acórdão recorrido na apreciação da preliminar de nulidade da ação fiscal, suscitada na defesa por ausência de regular Termo de Distribuição de Processamento Fiscal autorizativo, e indevida invocação da Súmula CARF nº 27, impertinente ao questionamento; b) omissão na apreciação de preliminar da demonstrada nulidade do auto de infração por sonegação à parte dos elementos de comprovação de ilícitos apontados, em violação dos arts. 25 e 38, §1º, do decreto nº 7.574, de 29.09.2011; c) desconsideração das razões da defendente na demonstração da deficiência do autodeinfração quanto aos pressupostos em que se fundamentaria a ação fiscal relativamente a cada uma das empresas arroladas como emissoras de documentos fiscais irregulares; d) omissão e silêncio quanto à aplicação dos preceitos dos artigos 1º a 4º, da Portaria Ministerial nº 187/93, de 23.04.1993, transcritos na defesa; e) desatendimento das alegações da defesa fundadas na Instrução Normativa SRF nº 1.634, de 06.05.2016, do Sr. Secretário da Receita Federal, chamada à colação na impugnação ao autodeinfração; f) total omissão quanto a fato processual, inconteste, denunciado pela impugnante, qual seja a inexistência de qualquer justificação relativamente aos lançamentos vinculados a pagamentos à empresa SMP Suanno; g) carência de fundamentação na rejeição dos argumentos de defesa por meras afirmativas ex cathedra de convicções intimas dos julgadores, sem explicitação de motivações jurídicas, aplicação de conceitos indeterminados que se prestariam a justificar qualquer outra decisão e reprodução ipsis litteris da motivação do próprio autodeinfração impugnado; e h) subversão dos princípios básicos que regem a prova legal. iii) Erro de fato no lançamento de IRRF dúplice reajustamento das bases de cálculo; iv) Inobservância dos critérios regulamentares para caracterização de inidoneidade dos documentos e da inexistência de fato de empresas, e a efetividade dos serviços prestados por terceiros à Recorrente; v) Inaplicabilidade do art. 61 da Lei 8981/1995. vi) Descabimento da multa qualificada; vii) Decadência de parte do crédito tributário. Dentro do prazo recursal legal, o Contribuinte apresentou aditamento ao seu Recurso Voluntário, aduzindo que a escrituração contábil faz prova em favor do sujeito passivo, que o sigilo fiscal inibe o acesso da Recorrente à contabilidade e registro das Fl. 9027DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.028 7 prestadoras de serviço, e que caberia à fiscalização realizar essa prova de que a documentação fiscal não seria idônea. Quanto aos Recursos Voluntários dos responsáveis, limitaramse a reiterar as razões de suas Impugnações. É o relatório, em síntese. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Os Recursos Voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos por este Colegiado. Em relação ao aditamento ao Recurso Voluntário do Contribuinte (fls. 8635/8640), entendo que o mesmo deva ser conhecido e considerado como parte integrante do Recurso Voluntário originalmente apresentado, afastando eventual alegação de preclusão consumativa em razão da aplicação analógica do art. 38 da Lei nº 9.784/99, verbis: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. O dispositivo, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal federal, traz um temperamento à preclusão consumativa determinada pelo art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), autorizando a apresentação de novas alegações e provas até o momento da decisão. Tendo em vista que o alegado no aditamento já fora, inclusive, objeto da Impugnação, não vislumbro óbices ao procedimento realizado, sobretudo por ter se dado dentro do interregno recursal ordinário. Ademais, há que se frisar que a parcela do crédito tributário relativa ao IRPJ e CSLL, conforme informado pelo Contribuinte, foi objeto de parcelamento, atraindo a aplicação do art. 78, §2º do Anexo II do RICARF, verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Fl. 9028DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.029 8 Como o pedido de parcelamento foi apenas de uma parte dos créditos tributários, há que se reconhecer a desistência parcial sobre a matéria discutida inicialmente. Ademais, tal ressalva seria até despicienda, já que o RV não versou sobre a matéria objeto do parcelamento, reduzindo a matéria objeto do efeito devolutivo do recurso. I) Preliminares O Recorrente apresenta diversos fundamentos de nulidade do acórdão que serão tratados a seguir, sucessivamente. Em primeiro lugar, aduz que a autoridade fiscalizadora seria incompetente para a fiscalização, por não apresentar a ordem de serviço necessária para que seja realizado procedimento fiscalizatório em outra jurisdição fiscal que não a sua, nos termos da Portaria RFB nº 1.687/2014, e que a decisão da DRJ deixou de se manifestar sobre este ponto. Quanto à omissão, entendo inexistente, pois houve resposta expressa a esse pleito, conforme reproduzido abaixo (fl. 8376): Sustenta a impugnante que o procedimento fiscal é nulo porque expedido por autoridade fiscal incompetente, pois entende que haveria necessidade de autorização do Coordenador Geral de Fiscalização, para que o auditorfiscal atuasse em região diversa da de sua lotação. Observo que o impugnante não aponta qual a norma legal que respalda seu entendimento, mas não o faz porque justamente não existe tal norma. Por sua vez, sobre a competência do AuditorFiscal para atuar fora da “jurisdicã̧o” de atuaçaõ da sua Delegacia de lotação, tratase de questão já há muito tempo superada pela jurisprudência administrativa, tanto que foi expedida a Súmula CARF nº 27, cujo verbete assim dispõe: “Súmula CARF nº 27: É valido o lanca̧mento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.”. A ordem de serviço a que se refere a Portaria indicada pelo Contribuinte é um documento relativo à organização interna da Receita Federal, para fins de designação de responsáveis para o cumprimento da fiscalização, sendo alheio ao procedimento administrativo fiscal, que tem início, no presente caso, com a ciência do contribuinte do TDPF, nos termos do art. 7º, I do Decreto 70.235/72: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; O legislação é clara ao frisar que para iniciar o procedimento administrativo não basta ato de qualquer servidor de qualquer AuditorFiscal da RFB mas apenas daquele que possua competência para tanto, termo este que designa um feixe de poderes e deveres funcionais atribuídos a um determinado servidor público. Nesse caso, a competência específica para iniciar o procedimento fiscalizatório decorre do Mandado de Procedimento Fiscal (respeitadas as exceções expressas), conforme art.2º do Dec. 3.724/2001, verbis: Fl. 9029DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.030 9 Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB serão executados por ocupante do cargo efetivo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e terão início mediante expedição prévia de Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal TDPF, conforme procedimento a ser estabelecido em ato do Secretário da Receita Federal do Brasil. Da leitura, depreendese que o TDPF é ordem específica, isto é, não se trata de um cheque em branco dado ao agente administrativo, mas de um atoregra que determina as balizas específicas sob as quais aquela atividade fiscalizatória irá se desenvolver, apontando assim quem será o contribuinte, que será o servidor competente, o prazo que deverá durar a fiscalização etc. Ultrapassadas os limites do TDPF, cessa a competência específica do agente administrativo relativa àquele procedimento fiscalizatório. O TDPF é, ao mesmo tempo, uma espada à mão da RFB, a ser apontada aos fiscalizados, e um escudo à mão dos Contribuinte, cuja sujeição encontrase a priori balizada de forma precisa em um ato administrativo prévio. Nesse sentido é a precisa lição de Maria Teresa Martínez e Marcos Vinícius Neder, em obra de fôlego sobre o tema (NEDER, Marcos Vinícius; LÓPEZ, Maria Teresa M. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ªed. São Paulo: Dialética, 2010. P.143): Nesse diapasão, os órgãos administrativos têm amplo poder de ser organizar, direcionando sua força de trabalho de forma a melhor cumprir sua atribuição. (...) Via de regra, esse disciplinamento é apenas interno, ou seja, seu descumprimento só acarreta responsabilização interna corporis. O MPF, contudo, inovou ao dar conhecimento do conteúdo dessas diretrizes internas ao contribuinte. Tratase de um instrumento que visa permitir ao fiscalizado assegurarse da autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, pois dálhe conhecimento do tributo que será objeto de investigação, dos períodos a serem investigados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do agende que procederá à fiscalização. Nasce, a partir da ciência, o direito subjetivo de que esse procedimento seja efetivamente obedecido no curso dos trabalhos. (grifouse) Ora, ou o TDPF tem eficácia vinculante para a Administração, ou se trata de ato administrativo despiciendo, desprovido de qualquer efeito normativo em relação à atividade fiscalizatória. Parecenos que esta última opção é largamente contrária à dicção da legislação citada anteriormente e à própria vereda da legalidade à qual está sujeito o agente público, podendo agir apenas em seu limites estritos. Caso assim não fosse, qualquer fiscal poderia realizar a fiscalização em qualquer contribuinte, pelo tempo que quisesse, e abrangendo sua atividade a quaisquer períodos e tributos que seu alvitre alcançasse. Estaríamos diante de um verdadeira arbítrio fiscal, sob o fundamento, invocado na argumentação que esvazia de normatividade o TDPF, de que a competência do AuditorFiscal decorre da lei, e não daquele ato. A competência fiscalizatória concreta do AuditorFiscal decorre parcialmente da sua investidura em tal cargo, mas deve ser integrada pela expedição do Fl. 9030DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.031 10 MPF, como condição de início da sua atividade de fiscalização em relação a determinado contribuinte. Basta que pensemos analogamente no princípio do juiz natural, usual no processo civil: a competência dos juízes para julgar decorre da investidura em tal cargo, mas não apenas disto, devendo ser integrada pelas regras estabelecidas de determinação da jurisdição de cada juiz, e estando absolutamente adstritos a elas, sob pena de nulidade da decisão. Além disso tudo, há autorização expressa no art. 9º, §2º do Decreto 70.235/72, que determina expressamente a competência de auditor fiscal de jurisdição diversa do contribuinte: Art. 9º (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Desse modo, estando constatada a regularidade do TDPF, não há dúvidas quanto à competência do auditorfiscal responsável pela autuação, razão pela qual há que se reiterar a aplicação, ao caso, da Súmula CARF nº 27. Em segundo lugar, aduz que o auto de infração é nulo pela ausência de apresentação dos elementos de comprovação dos ilícitos apontados, e que a decisão da DRJ teria se omitido quanto a isso. Da mesma forma, entendo não haver nos autos a carência probatória geral mencionada pelo Recorrente, tampouco a omissão alegada. A DRJ enfrentou a questão expressamente em fl. 8376 e seguintes: Da mesma forma, não procede a alegação de que a ação fiscal é nula por cerceamento do direito de defesa da contribuinte, pois o Termo de Verificação Fiscal (a fls. 824 e segs.) descreve com clareza os fatos que são imputados à impugnante, relacionandoos aos elementos de prova colhidos durante o procedimento de fiscalização. Por exemplo, Sobre esse ponto, a impugnante alega que: 5.23. No que respeita à EPGN – Engenharia Ltda, repetemse os fundamentos que resultariam na inadmissibilidade dos documentos fiscais por ela emitidos para a comprovação dos dispen̂dios da ATNAS, fundamentos estes que se amparariam em provas cujo conhecimento, entretanto, é recusado à autuada. Ora , o TVF traz claramente as razões pelas quais glosou as despesas com pagamento de serviços prestados pela EPGN, se não vejamos: “6.6.4. Também em relação à EPGN não foram apresentados pela ATNAS nenhum documento, relatório, parecer, plano elaborado por esta sociedade. Dos documentos apresentados pela ATNAS, se resumem a: (...) Pelo contrário, há que se aplaudir o analítico levantamento probatório realizado pela fiscalização e sumariado ao final do TVF (fls. 892/893), com a compilação de todas as notas fiscais de serviços prestados pelas empresas consideradas inaptas ou inexistentes de fato pela fiscalização. Da mesma forma, o TVF é exaustivo ao analisálas individualmente, como será abordado posteriormente. Fl. 9031DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.032 11 Desse modo, tampouco parece ter havido subversão dos princípios probatórios do processo administrativo, pois a autuação atende expressamente ao art. 9º do Decreto 70.235/72: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Há que se distinguir, naturalmente, duas situações diferentes: o juízo preliminar, acercar do atendimento aos requisitos de lavratura do auto de infração, incluindo aí as exigências probatórias, através do qual se pode concluir pela nulidade da autuação; e o juízo meritório, no qual se efetuará a valoração das provas existentes, para verificar o atendimento integral de todos os ônus probatórios envolvidos e a verificação da procedência ou não das alegações fiscais. Neste momento, cabe fazer apenas o juízo preliminar, cabendo a análise das provas a momento posterior. Sob este prisma, há que se reconhecer que há diversos indícios probatórios nos autos que corroboram a narrativa fiscal, estando atendido a exigência mínima para manutenção formal da autuação. Não vislumbro, portanto, a nulidade arguida nesses pontos. Em terceiro lugar, aduz o Recorrente a omissão e silêncio quanto à aplicação dos preceitos dos artigos 1º a 4º, da Portaria Ministerial nº 187/93, de 23.04.1993, transcritos na defesa e desatendimento das alegações da defesa fundadas na Instrução Normativa SRF nº 1.634, de 06.05.2016. As disposições mencionadas aduzem a necessidade de procedimento fiscal autônomo para apuração de inidoneidade de documentos que o auditorfiscal entenda suspeito de falsidade material ou ideológica. O Recorrente também não possui razão nesse ponto. Como se verifica no art. 82 da Lei 9.430/96, além da declaração de inaptidão da empresa, há várias outras formas de reconhecimento da inidoneidade documental: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. A regra mencionada diz respeito ao procedimento para apurar a inidoneidade nos casos em que há simples suspeitas a partir de indícios. Quando a autoridade fiscal logra comprovar a frade ou simulação na elaboração do documento, nos termos do art. 149, IV e VII do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 9032DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.033 12 IV – quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; No presente caso, a fiscalização entendeu que ter comprovado integralmente a inexistência de fato das pessoas jurídicas que prestaram serviços para a Recorrente, razão pela qual afastou a eficácia da documentação fiscal apresentada. A DRJ, inclusive, reconhece a ocorrência de simulação em sua decisão, conforme trecho de fl. 8387: Fica claro assim que estamos diante de indícios harmônicos, convergentes e concatenados da simulação dos contratos de prestação de serviços em tela, sendo que tais indícios podem ser assim resumidos: Portanto, em nível de juízo preliminar, há que se afastar a arguição de nulidade do auto de infração e de omissão da decisão recorrida. Em quarto lugar, tampouco há qualquer nulidade na imputação de responsabilidade tributária, visto que a fiscalização apontou precisamente o dispositivo que a fundamentou (art. 135, III do CTN), bem como justificou no TVF (fls. 889/890) a atribuição aos sóciosadministradores da empresa, pelas infrações que foram apontadas ao longo da fiscalização. Novamente, em nível de juízo preliminar, não vislumbramos aqui qualquer vício. Por fim, em quinto lugar, aduz total omissão quanto a inexistência de qualquer justificação relativamente aos lançamentos vinculados a pagamentos à empresa SMP SUANNO. Nesse ponto, parece ter razão o Recorrente. Como se verifica no TVF e no Acórdão da DRJ, a SMP SUANNO não foi objeto de qualquer consideração da fiscalização quanto às razões para a consideração de inidoneidade das notas fiscais emitidas. Diferentemente das demais empresas, que receberam narrativas próprias da fiscalização, justificando as ilações da fiscalização quanto à incapacidade operacional das mesmas, a empresa SMP somente foi mencionada no TVF em uma oportunidade em uma planilha de fls. 832, onde é arrolada em uma planilha como uma empresa inexistente de fato ou prestadora de serviço simulado. Tanto é assim que no Acórdão recorrido, o nome dessa empresa não é mencionada uma vez sequer, mesmo considerando que em fls. 8380 e seguintes foram integralmente reproduzidos os fundamentos para a consideração da simulação nos contratos de prestação de serviços: A impugnante tenta desqualificar o valor probatório de indícios, quando não sejam premissas de presunções legais, o que seria de todo procedente se estivéssemos diante de um único ou de poucos indícios desconectados. Ora, a Fiscalização levantou uma série de indícios harmônicos, convergentes e concatenados a demonstrar que houve efetivamente simulação nos contratos de Fl. 9033DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.034 13 prestação de serviços, com o propósito de dissimular a verdadeira causa dos pagmentos. Nesse sentido, vale a transcrição dos seguintes trechos do TVF: (...) As empresas cuja simulação foi objeto de alguma fundamentação por da fiscalização foram apenas aquelas já mencionadas no relatório que acompanha este voto. No caso da SMP, não há qualquer motivação da fiscalização, escoimandose apenas no fato de não ter sido comprovado pelo contribuinte o serviço prestado. Ora, retomando a distinção entre o juízo preliminar e meritório, este caso parece ser relativo à primeira hipótese, pois a ausência de qualquer menção a um fundamento de desconsideração das operações realizadas entre a Recorrente e a SMP implica em contrariedade a dois dispositivos: a) por um lado, há um desrespeito ao art. 9º do Decreto 70.235/72; e b) por outro, há um cerceamento claro de defesa, diante da impossibilidade do Recorrente se defender da autuação neste ponto, por desconhecer os indícios considerados pela fiscalização, implicando em nulidade da autuação neste ponto. No auto de infração, é ônus da prova da fiscalização comprovar todas os atos ilícitos verificados, bem como a adequada identificação dos fatos geradores. Uma vez atendido esse ônus, cabe à instância julgadora analisar o mérito da autuação, manifestandose sobre a correção ou não das valorações e ilações realizadas pelo fiscal. No presente caso, não há qualquer elemento de prova a ser valorado, mas simplesmente a imputação do IRRF no montante de 35% sobre os pagamentos feitos à SMP, pelo simples fato dela constar entre as empresas que prestaram serviços para a Recorrente. Desse modo, em juízo preliminar, reconheço a nulidade parcial do auto de infração, no que se refere à cobrança do IRRF sobre os pagamentos feitos à SMP SUANNO, listados na planilha de fl. 645, e rechaço as demais preliminares arguidas. Entretanto, em atendimento ao art. 59, §3º do Decreto 70.235/72, em sendo possível o provimento de mérito favorável ao Contribuinte, não há que se pronunciar a nulidade apontada. II) Mérito a) Erro de fato dúplice reajustamento na base de cálculo do IRRF Alega a Recorrente que o auto de infraçaõ incide em erro matemático e de critério jurídico nos lançamentos que efetiva, ao proceder a dúplice reajustamento no cálculo das bases de que se vale para determinação do IRRF. Inicialmente, calha reproduzir o dispositivo integral do art. 61 da Lei nº 8981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não Fl. 9034DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.035 14 for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Como se verifica da simples leitura do §3º, o valor líquido do pagamento será utilizado para fins de reajustamento do rendimento bruto sobre o qual incidirá o IRRF, aplicandose a seguinte forma: Base Reajustada = Pagamento Líquido/(1 0,35). Tratase de uma metodologia simples de cálculo. Pois bem, a DRJ assim se manifestou sobre o pleito do contribuinte: Ao se analisar a planilha a fls. 810, verificase primo ictu oculi que não há qualquer duplo reajustamento das bases de cálculo. O § 3º do art. 61 da Lei 8.981/95 dispõe que: “O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto”. Assim, correta a apuração do IRRF feita pela Fiscalização por meio da tabela a fls. 810, o que pode ser facilmente constatado ao se verificar que a soma do rendimento pago mais o valor do imposto apurado é exatamente o valor do rendimento reajustado (ou base de cálculo reajustada), o que significa que, em obediência ao referido § 3º, foi considerado que o rendimento pago era líquido do IRRF. Reproduzo abaixo, para facilitar a conferência, a planilha que consta do Auto de Infração, em fl. 810 e seguintes, apurando o IRRF devido: Como se pode ver, algumas linhas foram assinaladas por este relator, para fins de correspondência com as planilhas de fls. 639 (IRRF BRATEC) e 644 (IRRF PLACON), que serão usadas como amostragem da metodologia utilizada pela fiscalização: Fl. 9035DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.036 15 Com a devida vênia à decisão recorrida, é imediatamente possível verificar o erro na metodologia aplicada pela fiscalização. Ao elaborar as planilhas de cálculo da base reajustada (no exemplo tomado, em fls. 644 e 639), o fiscal já realizou o reajustamento da base de cálculo, levandose em conta a nota fiscal de serviço vejamos a linha marcada em verde: 19.896,20/0.65 = 30.609,54. Uma vez reajustada a base, o procedimento para apuração do IRRF devido seria a aplicação da alíquota de 35% sobre 30.609,54, chegandose ao valor de 10.713,34. Entretanto, ao montar a planilha de apuração no auto de infração (fl. 810), o fiscal tomou a base reajustada como valor líquido do rendimento pago, submetendoa a novo reajustamento: 30.609,54/0.65 = 47.091,60, e sobre esse valor aplicou a alíquota de 35%, chegando o IRRF devido de 16.482,06. O mesmo procedimento foi efetuado nas demais linhas marcadas, com o transporte da base ajustada nas planilhas elaboradas pela própria fiscalização, para o auto de infração, na condição de rendimento líquido pago, submetendoa a um segundo reajustamento, o que gerou uma ampliação absolutamente indevida do valor dos pagamentos em relação ao que consta nas notas fiscais, bem como um aumento ilegal da base de cálculo do IRRF. O próprio Recorrente, diligentemente, apresentou planilha de fls. 8249/8252, na qual apresenta a apuração correta do IRRF devido, à partir das planilhas elaboradas pela fiscalização, o que contribui para evidenciar o erro sistêmico ocorrido na apuração. Para pegar apenas as linhas marcadas nas imagens acima, reproduzo abaixo a planilha juntada pelo Contribuinte: Fl. 9036DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.037 16 O equívoco tampouco resiste à uma prova matemática básica a divisão do valor do tributo apurado na planilha do contribuinte pelo valor apurado pela fiscalização no auto de infração terá como resultado sempre o valor de 0,65. Expandido a operação temse o seguinte: 10.713,34/16.482,06 = 0,65 [(19.896,20/0,65) x 0,35]/{[(19.896,20/0,65)/0,65] x 0,35} = 0,65 [(19,896,20/0,65)/ [(19.896,20/0,65)/0,65] = 0,65 1/(1/0,65) = 0,65 0,65 = 0,65. Não houve um erro nas informações fáticas apresentadas pelo Contribuinte, mas sim quanto ao cálculo do tributo devido, através de uma apuração equivocada da base de cálculo adequada. Desse modo, constatando a ocorrência de erro de fato, e carecendo a este Colegiado ao próprio CARF competência para promover a reapuração do tributo devido, de forma correta, entendo que o lançamento tributário deva ser considerado nulo. Portanto, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do auto de infração em razão de erro de fato na apuração do pagamento líquido das operações. b) Inidoneidade dos documentos e da inexistência de fato de empresas, e a efetividade dos serviços prestados por terceiros à Recorrente. A fiscalização baseou a glosa das despesas efetuadas pela Recorrente com a prestação dos serviços por parte das contratadas no seguinte argumento: 6.1. Demonstraremos a seguir que a ATNAS contratou as pessoas jurídicas abaixo indicadas através de contratos simulados, fictícios, NÃO tiveram a contraprestação dos serviços, ou seja, não houve qualquer justificativa econômica lícita que desse respaldo aos pagamentos, as notas fiscais emitidas serviram unicamente para a ATNAS dar saída de dinheiro dos seus cofres como se fosse um pagamento regular e estas notas fiscais apresentadas são ideologicamente falsas e não têm aptidão para comprovar que os gastos foram efetivamente realizados. Portanto, a premissa inicial da fiscalização é a natureza simulada dos contratos de prestação de serviços, maculando assim a causa dos dispêndios efetuados. Em seguida, o TVF traz uma justificação pormenorizada das razões pelas quais o Fisco entendeu que os documentos fiscais seriam inidôneos, a qual foi competentemente sumarizada na Fl. 9037DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.038 17 decisão recorrida em fls. 8387 e seguintes, e reproduzida abaixo com alguns complementos necessários: a) com relação à BRATEC: a.1) é uma empresa que nunca teve existência de fato, tanto que restou baixado o seu CNPJ, além do fato de que a impugnante não conseguiu provar a efetiva prestação dos serviços; a.2) não tinha registro ou inscrica̧õ em qualquer Conselho Regional ou Federal de regulamentacã̧o de profissões ou entidades de classes; a.3) não dispunha de patrimônio e, em nenhum momento, apresentou qualquer documento que demonstre a sua capacidade técnica, operacional para prestar serviços para grandes empreiteiras que atuam no ramo de grandes empreendimentos, nem mesmo autorização para prestar servico̧s no ramo da construção civil; a.4) não tinha empregados, tanto que apresentou GFIP zerada e não apresentou DIRF como declarante; a.5) era omissa na entrega de DIPJ, apesar de ter receita declarada em DIRF (como beneficiário) de R$ R$ 30.683.340,00; a.6) não fez contabibilidade e não possuía os documentos que serviriam de lastro para fazêla; a.7) informou que os serviços elaborados eram prestados pela Proficenter, mas, quando intimada, não apresentou qualquer documento que comprovassem tal relação; a.8) não tinha ativos mínimos para a prestação de serviço contratada com a impugnante, tais como, móveis de escritório (mesas e cadeiras), utensílios, telefones, programas de informática, impressoras; a.9) não tinha qualquer prova de que prestou os serviços à impugnante; b) com relação à HEFESTO: b.1) não tinha empregados; b.2) Marco Antônio da Rocha Tristão (sócio da Recorrente) era o sócio da Hefesto, sendo ele quem teria supostamente executado serviços à Recorrente (Atnas) no valor de 3,22 milhões de reais; b.3) estava domiciliada no mesmo endereço da filial da ATNAS – CNPJ: 01.847.705/000292, local também que seria o domicílio da Ferreira Bastos Engenharia (cujo sócio era Odílio Márcio Mauad Ferreira, sócio também da impugnante Atnas); b.4) nem a impugnante nem a Hefesto conseguiu apresentar qualquer prova da efetiva prestação do serviço; b.5) apresentou as GFIP – Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previden̂cia Social, nos anos calendários de 2010 a 2013, sem movimento, ou seja, não declarou nenhum funcionário ou pagamento à contribuintes individuais (remuneraca̧õ à autônomos) durante todo este período c) com relação à Ferreira Bastos Engenharia: Fl. 9038DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.039 18 c.1) não tinha empregados; c.2) Odílio Márcio Mauad Ferreira (sócio da Recorrente) era o sócio da Ferreira Bastos, sendo ele quem teria supostamente executado serviços à Atnas no valor de 4,68 milhões de reais; c.3) estava domiciliada no mesmo endereço da filial da filial da ATNAS – CNPJ: 01.847.705/000292, local também que seria o domicílio da Hefesto (cujo sócio era Marco Antônio da Rocha Tristão, sócio também da impugnante Atnas); c.4) nem a impugnante nem a Ferreira Bastos conseguiu apresentar qualquer prova da efetiva prestação do serviço; d) com relação à Placon Planejamento: d.1) não tinha empregados; d.2) os seus sócios, Aurélio Ponzio e Alexandre Ponzio, eram empregados da Recorrente (Atnas), sendo que eles teriam supostamente prestado o serviço para a Atnas no valor de 1,082 milhão de reais, ou seja, a empresa dos empregados da Atnas foi contratada para que os empregados da Atnas prestassem serviços para a Atnas; d.3) estava domiciliada no mesmo endereço da filial da filial da ATNAS – CNPJ: 01.847.705/000292, local também que seria o domicílio da Hefesto e da Ferreira Bastos Engenharia; d.4) nem a impugnante nem a Placon conseguiu apresentar qualquer prova da efetiva prestação do serviço; e) com relação à CBM Consultores: e.1) o contrato com a impugnante dispunha que a CBM iria fornecer: levantamentos de materiais e serviços, elaboração de servico̧s tećnicos, planejamento executivo, cotaçaõ de insumos, orçamento de custos, avaliação de riscos, preparo de propostas, e a empresa insiste em afirmar que não foram produzidos nenhuma documentaçaõ formal que sustente estas alegações; e.2) o único documento apresentado pela ATNAS para a comprovação da real prestação dos servico̧s por esta prestadora e ́ um Estudo de Viabilidade para Aquisição de Um Imóvel, razão pela qual o valor pago por este serviço foi retirado desta análise; e.3) desde a constituição da sociedade até o presente momento não existe nenhuma informação ou recolhimento de impostos relativos à contratação de funcionários, prestadores de servico̧s pessoas físicas, confirmando que uma empresa de prestacã̧o de servico̧s de engenharia, com contratos milionários e serviços especializados, não teria condicõ̧es de operar sem a existen̂cia de funcionários para lhe prestar serviços; e.4) nem a impugnante nem a CBM conseguiu apresentar qualquer prova da efetiva prestação do serviço; f) com relação à EPGN: f.1) os objetos dos contratos são totalmente genéricos sem qualquer especificação dos servico̧s contratados, pois a contratação da EPGN é para “serviços Fl. 9039DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.040 19 de engenharia e consultoria técnica nas áreas de petróleo e gás”; f.2) apresentou as GFIP – Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previden̂cia Social, nos anos calendários de 2010, 2013 e 2014, sem movimento, ou seja, não declarou nenhum funcionário durante este período, já nos anos calendários de 2011 e 2012 com apenas dois funcionários administrativos; f.3) apresentou DIRF como declarante, sem a informação de nenhuma contrataca̧õ de funcionários ou mesmo prestadores de serviços Pessoa Física (autônomos); f.4) nem a impugnante nem a EPGN conseguiu apresentar qualquer prova da efetiva prestação do serviço; g) com relação à Fidelity: g.1) apresentou as GFIP – Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previden̂cia Social, nos anos calendários de 2011 a 2013, sem movimento, ou seja, não declarou nenhum funcionário durante este período; g.2) apresentou DIRF como declarante, sem a informação de nenhuma contrataca̧õ de funcionários ou mesmo prestadores de serviços Pessoa Física (autônomos); g.3) a ATNAS foi intimada a apresentar os documentos hábeis e idôneos que comprovassem a real prestação dos serviços pela sociedade FIDELITY, mas não foram apresentados nenhuma documentaca̧õ nem mesmo o contrato de prestação de serviços, ou seja, em relaçaõ a esta sociedade não foi apresentado nenhuma prova da real prestação dos servico̧s vinculadas nas notas fiscais apresentadas. Uma primeira circunstância que salta aos olhos da transcrição acima foi exatamente à ausência de qualquer menção à SMP SUANNO, que já foi tratada nas preliminares, ratificando assim o que lá fora decidido. Pois bem, avançando na determinação da causa de inidoneidade utilizada pelo fiscal, verificase em fl. 876 que ele fundamenta a desconsideração das notas fiscais no art. 217 do RIR/99, correspondente ao art. 82 da Lei nº 9.430, que aduz: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Essa conclusão é corroborada pela própria narrativa do TVF, onde o fiscal constantemente mencionada que a inidoneidade poderia ser ilidida no caso de prova da efetiva prestação dos serviços (e.g. parágrafo 7.5, fl.870): 7.4. O mandamento inserido no artigo 217 do RIR/99 corresponde à glosa do custo ou da despesa, centrada na inidoneidade do documento que daria lastro ao dispêndio, pois a legitimidade de uma despesa lançada na contabilidade de uma Fl. 9040DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.041 20 empresa não se sustenta apenas porque uma nota fiscal foi emitida e o imposto foi pago. Qualquer custo ou despesa só é admitido se for necessária à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora dos bens ou serviços por ela gerados e estiverem suportadas por documentos hábeis e idôneos. 7.5. O parágrafo único do artigo 217 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR (Decreto 3.000, de 26 de março de 1999) dispõe que “o disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços”. Pois bem, a fiscalização concluiu que a inidoneidade dos documentos fiscais seria decorrente da inaptidão das pessoas jurídicas prestadoras de serviço. Entretanto, os efeitos dessa inidoneidade não se dão de forma automática, ou sem parâmetros normativos pelo contrário, a Instrução Normativa SRF nº 1.183/2011, vigente à época dos fatos, traz um regramento absolutamente minucioso acerca da eficácia dos documentos fiscais perante a atividade do auditor. É o que prescreve o seu art. 43: Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para fins deste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. §3º O disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 38, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica não localizada; Fl. 9041DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.042 21 II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 40. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Da leitura do §3º deste artigo, se verifica que existem marcos temporais a serem considerados para fins de reconhecimento ou não da inidoneidade dos documentos fiscais exarados por empresas consideradas inaptas pela fiscalização. Em se tratando de empresa omissa de declarações e demonstrativos exigidos pela legislação tributária, o §3º, I, "a" do art. 43 é expresso em determinar que a inidoneidade somente passa a valer "a partir da data de publicação do ADE" que reconheceu essa inaptidão. No caso da BRATEC, aduz o Recorrente que a inaptidão da empresa, com correspondente baixa do seu CNPJ, se deu apenas a partir de 19/08/2016, razão pela qual os efeitos dessa inaptidão devem ser implementados somente a partir desta data. Além disso, explica que a BRATEC faz parte do grupo PROFICENTER, e que sua estrutura está concentrada em outras empresas do grupo. A Fiscalização, por sua vez, aduz que foi realizada diligência junto à BRATEC para apurar a sua existência de fato ou não, e que a empresa não apresentou a documentação fiscal quando solicitada, sob fundamento de que havia trocado de contador. Entretanto, é preciso frisar que não há nos autos qualquer documento que ateste, demonstre ou pelo menos substancie a realização da diligência ou as suas conclusões. Mesmo depois de uma busca minuciosa deste relator, não logrei localizar a documentação que comprovasse a inexistência de fato da BRATEC, limitandose assim, em nível probatório, às alegações da fiscalização no TVF. Frisese que o mesmo se repete em relação a todas as demais empresas abaixo: HEFESTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA – CNPJ: 04.067.717/000101 FERREIRA BASTOS ENGENHARIA, CONSULTORIA E PROJETOS LTDA EPP – CNPJ: 07.238.465/000124 Fl. 9042DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.043 22 CBM CONSULTORES LTDA ME – CNPJ: 08.753.705/0001 91 EPGN ENGENHARIA LTDA – CNPJ: 05.759.392/000190 PLACON PLANEJAMENTO, CONSULTORIA E ASSESSORIA LTDA EPP – CNPJ: 07.222.299/000178 FIDELITY INVESTIMENTOS, PARTICIPACOES E CONSULTORIA LTDA ME – CNPJ: 12.147.798/000188 Todas elas foram consideradas pela fiscalização como empresas inexistentes de fato, ou sem capacidade operacional para a prestação das atividades para as quais foram contratadas, mas não logrou apresentar uma prova sequer de tais fatos. Na verdade, o fiscal pretendeu realizar uma inversão do ônus da prova ao demandar que fosse provada a realização efetiva de todos os serviços representados pelas notas fiscais, e imputando como efeito da ausência dessa prova a consideração de que os serviços não foram prestados efetivamente. Não há nos autos, por exemplo, qualquer uma das GFIP – Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previden̂cia Social, que não constariam qualquer funcionário das empresas, para comprovar a falta de capacidade operacional. Não há qualquer documentação fiscal DIPJ, DCTF etc. das empresas, sequer para verificar se elas ofereceram os valores recebidos à tributação. O Recorrente traz, em seu Recurso Voluntário, as DIPJs de algumas empresas que lhe prestaram serviço, indicando o recebimento de recursos dessa prestação, com identificação correta dos tomadores de serviço. Vejamos, por exemplo, tanto a DIPJ 2013, anocalendário 2012, quanto a DIPJ 2012, ano 2011, da FERREIRA, demonstram na ficha 57 (fl. 8720 e 8743) que a empresa prestou serviços não apenas à ATNA, mas também à PLANAVE S/A ESTUDOS E PROJETOS DE ENGENHARIA. De fato, a DIPJ não comprova a prestação dos serviços, mas ser como indício probatório de que a empresa não seria simulada, visto que atende a mais de um cliente, que não foi em qualquer momento mencionado pela fiscalização. Da mesma forma, aduziu a fiscalização em fl. 855 que "a C B M apresentou as GFIP – Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social, nos anos calendários de 2010 a 2013, sem movimento, ou seja, não declarou nenhum funcionário ou pagamento à contribuintes individuais". Por outro lado, o contribuinte apresentou o extrato das contribuições previdenciárias recolhidas por essa empresa no anocalendário de 2012 e 2013 (fls. 8676 e seguintes) infirmando assim um dos fundamentos da autuação. É preciso que se frise, mais uma vez, que não há qualquer documentação que comprove a diligência da fiscalização junto às empresas prestadoras de serviço todas as afirmações constantes no TVF se encontram sem lastro probatório nos autos seja pela inexistência das circunstâncias relatadas, seja por um lapso fatal ao auto de infração do fiscal, motivo este que não cabe aqui especular. Quanto à HEFESTO, compulsado a ficha 57 da DIPJ 2011, ano 2010 (fl. 8766), verificase que essa empresa prestou serviço a diversas outras empresas, pela discriminação de fontes pagadoras, a exemplo das seguintes: GALVAO ENGENHARIA, Fl. 9043DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.044 23 CCDL CONS DUTOS, CONSORCIO NOVO CENPES, CONST ANDRADE GUTIERREZ e CARIOCA CHRISTIAN NIELSEN ENG, inclusive recebendo valores muito maiores que aquelas pagos pela ATNA. O mesmo se repete na DIPJ referente ao ano seguinte (2012), que na ficha 57 (fl. 8801) indica novos tomadores de serviço, como a SCHAHIN ENGENHARIA. Por fim, na DIPJ 2014, ano 2013 (fl. 8818), há novos tomadores, como a MENDES JUNIOR ENGENHARIA e a FUZO PRODUCOES LTDA. Como foi dito anteriormente, a DIPJ por si só não tem força probante dos fatos lá declarado, mas há que se reconhecer que, diante do lapso probatório da autuação, a variedade de tomadores de serviço indica uma existência econômica incompatível com o relator fiscal. Em síntese, o que há nos autos é o relato feito pelo auditor no TVF, desacompanhado de provas ou indícios de que as empresas prestadoras de serviço para a Recorrente seriam inexistentes de fato, ou que os contratos de prestação de serviço sejam simulados. O simples fato da fiscalização intimar o contribuinte a apresentar prova da prestação do serviço o que foi feito, por exemplo, no caso da CMP e da EPGN. Diante do contexto probatório insuficiente, e de alegações desprovidas de maiores provas, a leitura do caso feito por este relator é a seguinte: Em relação à HEFESTO, PLACON, e FERREIRA, o que nos parece diante do contexto probatório dos autos e das alegações do auditor, é que as empresas era utilizadas pelos sócios da Recorrente (HEFESTO e FERREIRA) ou funcionários dela (PLACON) para a prestação de serviços de alto valor agregado na condição de pessoa jurídica, "reduzindo" o tributo que seria incidente sobre eventuais salários recebidos pelos prestadores já que todas elas são optantes do lucro presumido. É dizer, a Recorrente estava sujeita ao Lucro Real, apurando trimestralmente os tributos devidos, mas subcontratava as empresas HEFESTO, PLACON e FERREIRA (que estavam no Lucro Presumido) para a prestação dos serviços, deduzindo os valores pagos de seu lucro líquido, e sujeitando os valores a uma tributação favorecida, bem como à distribuição de dividendos sem a incidência de IRPF. Em relação à CBM, EPGM e FIDELITY, se verifica que são empresas sem qualquer espécie de vinculação com a Recorrente, que se encontravam com CNPJ ativo à época dos negócios, de modo que não há como se presumir a inocorrência das operações retratadas pela documentação fiscal. A aplicação do art. 61 da Lei nº 8981/95 não pode se dar por mera presunção ou especulação da fiscalização, mas deve se dar através da construção de um contexto probatório que evidencie a simulação nos pagamentos realizados ou a sua ausência de causa, visto que, diante da regularidade formal da operação e das partes envolvidas, não há como se presumir que o contribuinte promoveu pagamentos sem causa. Nesse sentido, inclusive, já se manifestou esse CARF no Acórdão 1302000.463, de relatoria do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães: DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. Fl. 9044DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.045 24 A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. À empresa cumpre comprovar a operação mediante documentação idônea contratos, notas fiscais, registros contábeis etc., que foram apresentados ao passo que à fiscalização cumpre demonstrar que a operação foi simulada, através da apresentação de provas da inexistência fática do prestador de serviço. No presente caso, esta segunda prova não foi realizada pelo fiscal. Desse modo, pareceme claro não haver fundamento, tampouco provas, para o tratamento das notas fiscais como inidôneas, devendose reconhecer como legítimas as operações realizadas. Assim, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário para afastar a cobrança de IRRF. c) Inaplicabilidade do art. 61 da Lei nº 8981/1995 nos casos de glosa de despesa dedutível fictícia. Discutese, no presente caso, a impossibilidade de cobrança simultânea de IRRF por pagamento sem causa sobre a mesma operação que tenha sido reconhecida contabilmente como despesa dedutível do lucro líquido, na apuração do IRPJ e CSLL sob a premissa adotada pela fiscalização de que a efetiva prestação do serviço não foi comprovada, hipótese em que sequer se cogitaria a aplicação do art. 61 da Lei nº 8981/95. Da leitura do art. 47 da IN SRF nº 1.634/2016, a questão parece ser de uma aparentemente fácil solução, pois dispõe a interpretação da Receita da legislação que: Art. 47. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por entidade cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta ou baixada. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Fl. 9045DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.046 25 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. (...) § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Segundo a IN em comento, em se tratando de nota fiscal inidônea, a prestação nela substanciada não pode ser deduzida como custo ou despesa, na apuração do IRPJ e CSLL (§1º, I), e caso não se comprove a efetiva prestação do serviço e o pagamento do preço, estará sujeita também ao IRRF à alíquota de 35% (§6º). Nessa leitura, não haveria qualquer óbice à cobrança cumulativa desses dois tributos. Para verificar a possibilidade dessa interpretação, entretanto, parecenos ser necessário algum aprofundamento no histórico legislativo dessa forma de tributação dos pagamentos sem causa ou sem beneficiário determinado. A tributação "majorada" dos pagamentos sem beneficiário determinado (sem entrar aqui na discussão sobre a própria constitucionalidade da utilização do tributo como forma de penalização) remete à Lei nº 4.154/62, que alterou a tributação dos rendimentos de títulos que à época, por força do art. 96 do RIR/1959, sujeitavase ao imposto cobrado antecipadamente na fonte pagadora, e sujeito a abatimento posterior na declaração anual. A alteração promovida pela Lei nº 4.154/62 determinou que os rendimentos decorrentes de títulos fossem classificados na cédula "F" (a tributação da renda da pessoa física era em bases cedulares), salvo nos casos em que o beneficiário não quisesse ser identificado, hipótese em que o rendimento estaria sujeito a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 45% (art. 3º, §2º), e posteriormente teve sua alíquota aumentada para 60%, pela Lei nº 4.357/64 (juntamente a um empréstimo compulsório instituído pela Lei n 4242/63). Esse tratamento também era estendido aos pagamento sem causa, por força do §4º da Lei nº 4.154/62. A redação do dispositivo era nos seguintes termos: art. 3º (...) §2º O beneficiário dos rendimentos referidos neste artigo poderá optar pela não identificação, caso em que o impôsto será cobrado na fonte à razão da taxa de 45% (quarenta e cinco por cento), não servindo essa tributação para base de reajustamento do impôsto devido pelos residentes ou domiciliados no estrangeiro. Fl. 9046DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.047 26 §3º Aplicarseá também o disposto neste artigo aos rendimentos declarados como pagos ou creditados por sociedades anônimas, quando não forem atendidas as condições estabelecidas no § 4º do art. 37 do Regulamento referido no art. 1º desta lei. Por outro lado, o art. 37, §4º do RIR/59 tratava do aspecto da composição do lucro real, à luz dos rendimentos pagos a beneficiários não identificados e as operações sem causa de origem: Art. 37. (...) § 4º Não são dedutíveis as importâncias que forem declaradas como pagas ou creditadas a título de comissão, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não fôr indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. Com a elaboração do RIR/80 (Decreto nº 85.450/80), incorporouse a redução de alíquota do DecretoLei nº 157/67 (para 40%), bem como os §§ 3º e 4º da Lei 4.154/62, na redação do seu art. 570: “Art. 570. Estão sujeitas ao desconto do imposto na fonte, à alíquota de 40% (quarenta por cento), as importâncias declaradas como pagas ou creditadas por sociedades anônimas, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário (Lei n° 4.154/62, art. 3°, § 3º, e DecretoLei n° 157/67, art. 19).” Como se vê, a utilização da tributação exclusiva na fonte, em alíquota superior à "normal", para os casos de pagamento sem causa ou de beneficiário não identificado, tem raízes antigas no Direito Tributário brasileiro, entretanto apresentava um alcance restrito às sociedades anônimas. Por outro lado, os demais rendimentos pagos por sociedades estavam sujeitos a controle na cédula "F" da declaração dos beneficiários, estabelecendo assim um regime favorecido para estar. Tal situação, entretanto, foi objeto de modificação com o art. 8º do Decreto Lei nº 2.065/83, que estendeu a tributação exclusiva na fonte aos casos de omissão de receita ou outros meios de redução do lucro líquido do exercício: Art. 8º A diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica, por omissão de receitas ou por qualquer outro procedimento que implique redução no lucro líquido do exercício, será considerada automaticamente distribuída aos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e, sem prejuízo da incidência do Imposto sobre a Renda da pessoa jurídica, será tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). Da leitura do art. 8º, se verifica que a condição de incidência do IRRF é apenas a apuração de diferença na determinação dos resultados em razão de expediente utilizado para a redução do lucro líquido naturalmente, tratase aqui de expedientes ilícitos diferença essa que passa a ser considerada como distribuída, havendo ou não prova do pagamento efetivo, com a cobrança de IRRF à alíquota de 25% sobre a diferença. Fl. 9047DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.048 27 À luz desse dispositivo, nos parece fora de dúvidas que a criação de despesas inexistentes para fins de redução do lucro líquido se enquadraria na hipótese de incidência do IRRF. A redação do art. 8º do DecretoLei 2.065/83 ainda foi mais aclarada no art. 44 da Lei nº 8.541/92, que passou a valor a partir de 1993, com a seguinte redação: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Ocorre que em 1995 foi promulgada a Lei nº 8981/95, que trouxe o dispositivo em análise no seu art. 61: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Ambos os dispositivos coexistiram normativamente durante o ano de 1995, o art. 44 da Lei nº 8.541/92 e o art. 61 da Lei nº 9.981/95, com a autorização expressa do caput do art. 61, que ressalvava o disposto em normas especiais. Há, portanto, campos de incidência distintos para essas duas regras: a) Em se tratando de qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, incluindo aí as despesas inexistentes, cobrase o IRRF à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do IRPJ, nos termos do art. 44 da Lei nº 8.541/92; b) Em se tratando de pagamento a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a causa do pagamento, cobrase o IRRF à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.981/95; O art. 61 teve a finalidade de abarcar situações que não eram atingidas pelo art. 44 da Lei nº 8.541/92, como no caso de despesas e pagamentos não contabilizados (e que portanto não afetariam o lucro líquido) não é a toa que um dispositivo não revogou o outro, mas ambos coexistiram normativamente válidos durante um período. Ocorre que com a Lei nº 9.249/95, o art. 44 da Lei nº 8.541/92 foi expressamente revogado, restando apenas a outra hipótese, de alcance mais restrito e que não prevê a possibilidade de incidência conjunta do IRPJ. Fl. 9048DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.049 28 Desse modo, não pode a fiscalização, em razão da revogação do dispositivo mencionado, transportar para o art. 61 da Lei nº 8981/95 todo o conteúdo normativo que foi retirado do sistema jurídico, buscando abarcar nele procedimentos de redução indevida do lucro líquido. Nessa linha, reproduzo trecho do voto da Conselheira Ivete Malaquias, em Acórdão nº 0401.094, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Nesse novo quadro, temos o desaparecimento do art. 44 que tinha por fim tributar as situações em que, por presunção de que a receita omitida e/ou a redução do lucro líquido era distribuída a sócios que, repetindo, não comportavam a utilização do art. 61 da Lei n°. 8.981/95. Em outras palavras, significa dizer que o art 61 da Lei n. 8.981/95, evidentemente, não pode ser aplicado às situações que anteriormente eram acobertadas pelo art. 44 da Lei n". 8.541/95. Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro líquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real. No mesmo sentido, menciono o Acórdão CARF nº 140200.441, de relatoria do Conselheiro Antonio José Praga: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. A tributação do IR Fonte por pagamento sem causa, não se confunde com a glosa de despesas, por falta de comprovação da necessidade, ainda que baseados nos mesmos elementos de prova. Toda a constatação de que a empresa efetivamente realizou os pagamentos, não autoriza, por si só, a tributação do IR fonte com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995. Recurso Voluntário Provido. Ainda que se adote uma linha mais ampliativa na aplicação do art. 61 da Lei nº 8981/95, cabe menção também à Solução de Consulta COSIT nº 11/2013, cuja ementa é assim vertida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ O registro contábil de despesa amparado em nota fiscal inidônea não autoriza, por si só, além da exigência do IRPJ (em face da glosa da despesa inexistente ou não comprovada), a cobrança pelo Fisco do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.A glosa de custo ou despesa, Fl. 9049DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.050 29 baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. Dispositivos Legais: Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/1999), arts. 217, 299 e 674. Apesar de falar em "efetivo pagamento", o que se verifica na fundamentação é que a autoridade fiscal entendeu pela aplicação do art. 61 nos casos em que se verificar que a operação ocorreu de fato. Na fundamentação da Solução de Consulta, fica claro o entendimento fiscal. Apontase que o RIR/99, em seu art. 217, ao tratar da declaração de inidoneidade, por exemplo, determina que não produzirá efeitos tributários os documentos inidôneos, em especial os emitidos por pessoas jurídicas declaradas inaptas. Esse mesmo artigo, porém, esclarece, em seu parágrafo único, que produzirá efeitos tributários, na situação em que haja a comprovação do efetivo pagamento e o recebimento dos bens ou utilização do serviço. E concluem: (...)No caso do art. 217 do RIR/1999 não se deve prejudicar o terceiro de boafé que consiga comprovar que houve o pagamento OU a efetiva utilização dos serviços. 16. O caput do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, instituiu a tributação exclusiva na fonte sobre rendimentos pagos a beneficiários não identificados. Tal norma se justifica uma vez que, em razão do anonimato do beneficiário, o Fisco se vê impedido de alcançar de forma direta o beneficiário do rendimento. Igualmente, o seu § 1º aplica a mesma tributação quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Neste caso, embora se conheça o beneficiário do rendimento, persiste a dúvida sobre a natureza do rendimento vinculado ao referido pagamento. Sem a certeza sobre o fato ocorrido, não há segurança para a aplicação da norma geral de tributação. Portanto, o referido artigo traz uma regra de tributação que supre a insegurança sobre o fato passível de tributação. (...) 20. O lançamento não pode ser feito de forma automática, ou seja, a despesa amparada por nota fiscal inidônea não autoriza, por si só, a cobrança do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Se houver comprovação por parte da autoridade fiscal da existência concreta do pagamento, deverá ser feito o lançamento do IRRF. 21. Caberá à autoridade fiscal demonstrar concretamente a existência de pagamento. Havendo a identificação do pagamento relacionado à nota fiscal inidônea, e sendo ela indicada pelo contribuinte como razão ou causa do pagamento, caberá a exigência do IRRF sobre o valor pago. Mesmo na linha adotada pela Receita Federal, dependese de prova, por parte da fiscalização, de que se trata de pagamento sem causa e amparado por nota inidônea, prova Fl. 9050DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.051 30 esta que, como já foi demonstrado anteriormente, não consta nos presentes autos. Tampouco se provou que os pagamentos se tratariam de rendimentos de outro tipo, que não remuneração pela prestação dos serviços. Até então, à luz do acervo probatório, não há também como se considerar inidôneas as notas fiscais apresentadas. Retomando a linha exposta anteriormente, se verifica que a presente autuação se baseia justamente no efeito reflexo da glosa de despesa que reduz indevidamente o lucro líquido, como apontado pela fiscalização em fl. 871, ao citar o Acórdão 10707.940, do 1º CC: Quando um gasto não corresponder a algo recebido, a hipótese tributária caracterizarsea como redução indevida do resultado do exercício, com possíveis reflexos no IRFonte. O gasto indedutível atinge o lucro liquido ajustado (o lucro real); o inexistente, o próprio resultado do exercício (o contábil). Portanto, entendo que não basta a glosa da despesa utilizada para a redução do lucro líquido para que se justifique a incidência do art. 61, sendo preciso prova específica da fiscalização de que o pagamento não possui causa, ou que o beneficiário não é identificado. Em não existindo tal prova nos autos, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a cobrança do IRRF. c) Da multa qualificada. Na esteira do voto apresentado e em razão do provimento meritório, fica prejudicada a análise da multa qualificada, que é afastada como consequência do voto anteriormente apresentado. d) Da responsabilidade dos sócios. O art. 135, III do CTN exige, para imputar a responsabilidade pessoal aos sócios, a demonstração de que os mesmos agiram dolosamente, com infração à lei ou estatuto social. No TVF, entretanto, não é imputada nenhuma conduta dolosa aos sócios, afirmandose apenas que: Agora o mais estranho é que, tanto a ATNAS como a HEFESTO informaram que era o SR MARCO ANTÔNIO DA ROCHA TRISTÃO quem prestava os serviços de forma personalíssima, inferese que o mesmo prestava “serviços para ele mesmo”, “representava ele mesmo”, através das duas sociedades, numa operação ilegal e que denota total confusão patrimonial. A ATNAS informou que quem prestava os serviços de forma personalíssima era o SR ODILIO MÁRCIO MAUAD FERREIRA, inferese que o mesmo prestava “serviços para ele mesmo”, “representava ele mesmo”, através das duas sociedades, numa operação ilegal e que denota total confusão patrimonial. Fl. 9051DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.052 31 O fato dos sócios administradores da HEFESTO e FERREIRA prestarem serviços para a ATNA, empresa da qual também são sócios, não é, per si um ato ilícito, mas muito menos é fato gerador de qualquer tributo, de modo a justificar a aplicação do art. 135 do CTN. Não há, portanto, imputação de conduta dolosa deles na realização dos pagamentos às prestadoras do serviço (fato gerador do IRRF), visto que o mesmos eram recebedores dos rendimentos, no caso. Assim, pareceme carente de provas da responsabilidade tributária dos sóciosadministradores, razão pela qual voto por excluílos do pólo passivo da autuação. e) Decadência Como a análise da decadência resta prejudicada por questões de mérito, é de bom tom a sua análise apenas após o tratamento dos demais tópicos. Uma vez afastada a ocorrência de conduta fraudulenta no presente caso, por ausência de provas por parte da fiscalização, devese aplicar o art. 150, §4º do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. Em se tratando de IRRF, o dies a quo deve ser a data do pagamento consubstanciando o fato gerador do tributo. Como o pagamento mais antigo lançado é datado de 10/01/2011, e a recorrente ATNAS teve ciência do auto de infração em 10/11/2016., é de se reconhecer a decadência do IRRF sobre pagamentos realizados antes do dia 10/11/2011. Desse modo, dou provimento ao pleito para reconhecer a decadência do IRRF sobre pagamentos realizados antes do dia 10/11/2011. III) Conclusão Ante o exposto, voto por dar PROVIMENTO INTEGRAL aos Recursos Voluntários interpostos. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 9052DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.053 32 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior Redator designado Peço licença para divergir das questões de mérito tratadas no voto do ilustre Conselheiro Relator. Em primeiro lugar, sublinho o fato de que o trabalho de fiscalização foi deflagrado a partir de elementos fáticos reunidos na chamada "Operação Lava Jato", conforme registrado no Termo de Verificação Fiscal TVF. Confirase: 4.1. Esta ação fiscal na ATNAS ENGENHARIA LTDA CNPJ: 01.847.705/000101, doravante simplesmente ATNAS, iniciouse dentro da chamada OPERAÇÃO LAVA JATO, deflagrada pelo Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e Receita Federal do Brasil (RFB), que desbaratou um esquema de corrupção na Petrobrás, envolvendo as maiores empreiteiras do país. Este procedimento foi aberto para a verificação da relação entre empresas tomadoras de serviços que contrataram empresas prestadoras de serviços, muitas delas de fachada, através de contratos simulados para levantarem recursos financeiros em espécie para o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos e privados. Através de texto sumarizado extraído da página do Ministério Público Federal reproduzimos abaixo os contornos da denominada OPERAÇÃO LAVA JATO, a qual continua em desenvolvimento na presente data. (g.n.) (fl. 826) Não creio que o fato de uma pessoa, física ou jurídica, estar sendo investigada em um caso rumoroso, como o da Lava Jato, autorize a presunção de que ela, de antemão, seja culpada de qualquer ilícito tributário imputado pelo Fisco, independentemente de prova, o que seria arbitrário e, por conseguinte, incompatível com o estado de direito. Entretanto, se é verdade que não se pode pretender um direito excepcional para casos graves como o da Lava Jato, também é verdade que essa circunstância não pode ser ignorada quando do exame e da valoração do quadro probatório. Nem a Fiscalização, nem o órgão julgador podem abstrair o fato de que empresas eram contratadas pela Petrobrás e, em razão desses contratados, recebiam vultosas quantias como remuneração por serviços a serem prestados. Tais empresas, por sua vez, contratavam de forma simulada outros prestadores de serviços, muitos dos quais constituídos apenas formalmente, para quem eram vertidas enormes quantias em dinheiro, sem que houvesse real contrapartida. Nesses casos, os serviços prestados pelas empresas "de fachada", não por coincidência, eram na maioria das vezes assessoria ou consultoria. O TVF bem descreve esse expediente fraudulento, perpetrado para lesar a Petrobrás. Nesse contexto, a simples apresentação de uma nota fiscal, ainda que contenha todos os elementos formais de validade, não pode ser considerada por si só como prova da efetiva prestação do serviço. É correto que a autoridade fiscal peça que o contribuinte apresente outros elementos que demonstrem que o serviço foi prestado; sobretudo, frisese, em se tratando de valores expressivos e relevantes na apuração do resultado (lucro/prejuízo) do Fl. 9053DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.054 33 tomador do serviço. Notese que não se está falando aqui de pequenos serviços, como pintura de parede ou conserto de máquinas. Pequenas despesas se comprovam com a nota fiscal. Mas despesas de grande monta, sobretudo em situações como essa trazida à luz pela "Operação Lava Jato", exigem provas que vão além da simples nota fiscal. Ademais, exigir que o Fisco prove que serviços de consultoria ou de assessoria não foram prestados, é exigir prova de fato negativo. Ao Fisco cabe reunir elementos que enfraqueçam a força probante do documento fiscal apresentado, daí em diante o ônus da prova passa a ser do contribuinte. O segundo ponto a ser considerado diz respeito aos autos de infração lavrados como resultado da fiscalização empreendida. A autoridade fiscal glosou despesas que reduziam as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo em vista a inidoneidade dos respectivos documentos fiscais. Ao mesmo tempo, exigiu IRRF em razão de pagamentos sem causa, relativamente às mesmas notas fiscais tidas como inidôneas. A recorrente parcelou os débitos e, assim, desistiu de contestálos; mas o fez apenas em relação ao IRPJ e à CSLL, prosseguindo na discussão do lançamento do IRRF. Aqui se tem uma contradição. É que os três lançamentos se baseiam na mesma matéria fática. Assim, do ponto de vista lógico, é impossível admitir como corretos os autos de infração de IRPJ e de CSLL, e contestar o lançamento do IRRF, salvo invocando questões que tocam aspectos formais do lançamento, sem tangenciar os fatos em si. Os lançamentos de IRPJ e de CSLL foram motivados por inidoneidade dos documentos relativos a despesas com prestação de serviços. Ocorre que a legislação em vigor (art. 82 da Lei nº 9.430/1996) deixa claro que a inidoneidade da nota fiscal não impedirá a dedução da despesa, se ficar comprovado o recebimento dos bens ou a utilização do serviços. No caso em tela, a recorrente, ao aderir ao parcelamento, não apenas admitiu a inidoneidade dos documentos fiscais, como tacitamente admitiu que os serviços não foram prestados, o que inviabiliza na prática a contestação dos fatos no processo de exigência de IRRF. Por uma questão de lógica, ou o fato existe ou não existe: se não houve prestação de serviços para fins de lançamento de IRPJ e de CSLL, também não houve para o IRRF. Considerando essas circunstâncias e tendo em vista os elementos levantados pela Fiscalização, bem resumidos no voto do ilustre Conselheiro Relator, entendo que os documentos fiscais, desacompanhados de qualquer outro elemento probatório, não comprovam a realização dos serviços, sobretudo em se tratando de valores expressivos. Por essas razões, tenho como caracterizada a existência de pagamentos sem causa, aptos a ensejar a exigência do IRRF. Tal conclusão, entretanto, não impede que se reconheça que houve erro de cálculo dos montantes do crédito tributário. Como destacado pelo ilustre Relator, a autoridade fiscal reajustou duas vezes a base de cálculo do IRRF. Essa constatação é indiscutível. Discordo, no entanto, dos efeitos que se pretende atribuir a esse erro. Não se trata de erro de critério jurídico, nem de erro na interpretação do direito ou dos fatos. Esses vícios não poderiam, em nenhuma hipótese, ser corrigidos pelo Fl. 9054DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.055 34 órgão julgador. Mas, no caso, houve mera incorreção material no cálculo, fruto de erro de transposição de números de uma planilha para outra. A correção do equívoco cometido pela autoridade lançadora não envolve mudança de critério jurídico, inovação na matéria fática ou alteração dos fundamentos do auto de infração. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões admitindo a possibilidade de retificação de Certidão de Dívida Ativa CDA, quando isso dependa apenas de simples cálculos aritméticos. Confirase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC SÚMULA 284/STF AUSÊNCIA DE PREOUESTIONAMENTO SÚMULA 211/STJ EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DE ALÍQUOTA INDICADA NA CDA POSSIBILIDADE CÁLCULOS MERAMENTE ARITMÉTICOS. 1. E deficiente a fundamentação relativa ao art 535 do CPC quando o recorrente não aponta com clareza e precisão as teses e os dispositivos de lei federal sobre os quais o Tribunal de origem teria sido omisso. Aplicação da Súmula 284/STF. 2. Não se admite recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. Súmula 211/STJ. 3. A jurisprudência desta Corte tem entendido que as alterações que possam ocorrer na certidão de dívida por simples operação aritmética não ensejam nulidade da CDA, fazendose no título que instrui a execução o decote da majoração indevida. Prosseguimento da execução pelo valor remanescente. Precedentes desta Corte. (g.n.) 4. Recurso especial conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (REsp 1.121.032/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 15.06.2010, DJe 22.06.2010) TRIBUTÁRIO. ICMS. ILIQUIDEZ DO TÍTULO. RECORTE DE 1% DO ICMS. 1. Alegações genéricas quanto às prefaciais de afronta ao artigo 535 do Código de Processo Civil não bastam à abertura da via especial pela alinea "a" do permissivo constitucional, a teor da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 2. A falta de prequestionamento dos dispositivos tidos por violados artigos 3o, 142 e 146 do Código Tributário Nacional justifica a incidência da Súmula 211/STJ. 3. Esta Corte de Justiça, apreciando a questão do recorte referente à diferença de alíquota de 17% para 18%, vem entendendo que à hipótese deve ser aplicado o entendimento de que o excesso na cobrança expressa na CDA não macula a sua liquidez, desde que os valores possam ser revistos por simples cálculos aritméticos. (g.n.) 4. Precedentes: EDcl no REsp 696711/SP, Rel. Min. Castro Meira, DJU de 21.11.05; AgRg no REsp 1126132/SP, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de Fl. 9055DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.056 35 11.11.09; REsp 810.787/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 03.08.06, AgRg nos EDcl no REsp n° 686588/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, DJU de 16.05.05; AgRg no Ag n° 868.538/SP, Rel. Min. José Delgado, DJU de 22.10.07; Ag 1216144 SP, Rei. Min. Herman Benjamin, DJe de 09.11.09. 5. Recurso especial não provido. (REsp 1.151.559/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 19.11.2009. DJe 27.11.2009) Portanto, devem ser corrigidos os cálculos, a fim de eliminar o duplo reajustamento da base de cálculo. Quanto à decadência, penso, na linha do acórdão recorrido, que o termo inicial, no caso concreto, é fixado pela regra do art. 174, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, tendo em vista a prática de atos dolosos, caracterizados por simulação relativamente a contratos e notas fiscais de prestação de serviços, cuja existência não restou comprovada. Pela mesma razão, se mostra cabível a qualificação da penalidade. Por fim, cabe examinar a sujeição passiva dos sócios administradores Marco Antônio da Rocha Tristão e Odílio Márcio Mauad Ferreira. A alegação basicamente é de que não houve identificação dos atos que pudessem, de forma individual, ser atribuídos a cada um deles. Essa afirmação é desmentida pelo TVF, como se pode constatar do trecho abaixo reproduzido: 11.2.1. MARCO ANTÔNIO DA ROCHA TRISTÃO, CPF n° 094.215.567 04, sócio administrador (30/04/1997 até o presente momento), e que conforme alteração contratual e Contrato Social Consolidado registrado na JUCERJ Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro NIRE: 33205766355 Protocolo: 0020161282393 de 28/03/2016, o elegeu administrador da sociedade para atuar "isoladamente ou em conjunto, representando a sociedade ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, podendo praticar todos os atos necessários a seu regular funcionamento, tais como assinar contratos de um modo em geral, inclusive empréstimos, garantidos ou não, (i.i) admitir ou demitir empregados, (i.i.i) diligenciar registros do interesse da sociedade, (i.v) receber citação e comparecer perante tribunais e repartições governamentais, (v) propor, apresentar defesa e desistir de ações, (v.i) fazer acordos e transigir; (v.i.i) constituir em nome da sociedade, procuradores "ad judicia" e "ad negotia"" Atuava na condição de administrador da ATNAS, responsável pela tomada de decisões na empresa, incluindo a assinatura dos contratos simulados, celebrados com empresas de fachada. 11.2.2. ODÍLIO MÁRCIO MAUAD FERREIRA, CPF n° 031.927.84768, sócio administrador (30/04/1997 até o presente momento), e que conforme alteração contratual e Contrato Social Consolidado registrado na JUCERJ Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro NIRE: 33205766355 Protocolo: 0020161282393 de 28/03/2016, o elegeu administrador da sociedade para atuar "isoladamente ou em conjunto, representando a sociedade ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, podendo praticar todos os atos necessários a seu regular funcionamento, tais como assinar contratos de um modo em geral, inclusive empréstimos, garantidos ou não, (i.i) admitir ou demitir empregados, (i.i.i) diligenciar registros do interesse da sociedade, (i.v) receber citação e comparecer perante tribunais e repartições governamentais, (v) propor, apresentar defesa e desistir de ações, (v.i) fazer acordos e transigir; (v.i.i) constituir em nome da Fl. 9056DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.057 36 sociedade, procuradores "ad judicia"e "ad negotia"" Atuava na condição de administrador da ATNAS, responsável pela tomada de decisões na empresa, incluindo a assinatura dos contratos simulados, celebrados com empresas de fachada. (g.n.) (fls. 889 e 890) A Fiscalização afirmou que os contratos de prestação de serviços eram simulados e que foram assinados pelos recorrentes, na condição de administradores e representantes da pessoa jurídica autuada. O ato praticado com violação de lei originouse a partir de condutas imputáveis aos recorrentes. É importante frisar que a exigência de individualização de condutas para que se possa responsabilizar administradores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas pelo crédito tributário, na forma do inciso III do art 135 do CTN, não tem o mesmo rigor do Direito Penal. É que, em se tratando de crime, a pena deve levar em conta a culpabilidade do agente, além de vários aspectos pessoais. A pena a ser aplicada aos acusados pela prática do mesmo crime pode variar, em razão do princípio da individualização da pena. É diferente, entretanto, a responsabilidade por ilícitos administrativos tributários, para os quais, na maioria das vezes, se exige tão somente a comprovação de que a pessoa era administradora, de direito ou de fato, da empresa ao tempo da infração. Nesse sentido, a decisão do E. STJ no Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 948.795 AM: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIOGERENTE. SÓCIO QUE NÃO INTEGRAVA A GERÊNCIA DA SOCIEDADE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. I A jurisprudência da Segunda Turma do STJ entendia que, para que fosse possível o redirecionamento seria necessário demonstrar que o sócio era detentor da gerencia tanto na época da dissolução irregular da sociedade, como na época da ocorrência do fato gerador da obrigação. II Entretanto, a Segunda Turma STJ, no julgamento do REsp 1.520.257/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, alterou o seu entendimento e passou a exigir, tão somente, a permanência do sócio na administração da sociedade no momento de sua dissolução irregular, tomandose irrelevante a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. III O simples exercício da gerencia, naturalmente, não implica responsabilidade para aquele dela encarregado. A sua responsabilidade somente é irradiada em caso de prática do ato ilícito. No caso da dissolução irregular, esse é o ato infracional, que é desvinculado da obrigação tributária. O que desencadeia a responsabilidade tributária é a infração de lei evidenciada na existência ou presunção de ocorrência da dissolução irregular nos termos do enunciado n. 435 da Súmula do STJ. É justamente essa desvinculação que torna irrelevante perquirir quem exercia a gerência da empresa na data de ocorrência do fato aerador. IV Assim, o atual entendimento da Segunda Turma para autorizar o redirecionamento da execução fiscal em face do sócio é de que basta a verificação do responsável pela gerência da empresa ao tempo em que ocorreu a dissolução irregular, ou seja, ainda que a gerência seja posterior à data de ocorrência do fato aerador. (g.n.) Fl. 9057DF CARF MF Processo nº 15956.720225/201630 Acórdão n.º 1301003.342 S1C3T1 Fl. 9.058 37 V Agravo interno impróvido. A pena aplicada pela prática de crime é pessoal e intransferível, não se admitindo que outra pessoa possa cumprila pelo condenado. Já nos ilícitos tributários, inclusive naqueles praticados com dolo, havendo mais de uma pessoa no polo passivo, na condição de devedor solidário, o pagamento feito por um aproveita aos demais, sendo irrelevante o grau de envolvimento ou de culpa de cada um dos codevedores. Mesmo no processo penal, a despeito da necessidade de individualização rigorosa da conduta, há decisões do E. STJ mitigando, nos crimes societários, a exigência de descrição exaustiva da conduta dos acusados, na denúncia. Confirase: PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. Em se tratando de crime societário, não há nulidade na denúncia que deixa de individualizar as condutas dos acusados, sendo prescindível a descrição pormenorizada da participação de cada um (Precedentes). (g.n.) Recurso desprovido. (REsp 687.594/CE, Rel. Ministro Felix Fischer, DJe 27.11.2009) Do voto do Ministro Relator se extrai o seguinte trecho: Se, por um lado, a imputação não pode ser, ex vi do art. 41 do CPP, vaga e genérica, por outro lado, em determinadas formas delituosas, entre as quais, nos crimes societários, etc., tal exigência se apresenta como relativa. É simplesmente impossível, de regra, que aí se possa ter uma descrição minudente da conduta delituosa. Os crimes contra a ordem tributária, quando realizados na administração de sociedades, eles o são, a toda evidência, levados a efeito às ocultas. A denúncia deve apresentar, o que in casu se verifica, uma imputatio concreta da qual o réu possa se defender e não exteriorizar, necessariamente, informações despiciendas que possam interessar a simples satisfação de curiosidades. Em suma, as condutas das pessoas físicas foram suficientemente descritas, permitindolhes o exercício do direito de defesa. Por essas razões, os recorrentes, sócios administradores da empresa, devem permanecer no polo passivo da autuação. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso de Atnas Engenharia Ltda., apenas para eliminar a duplicidade do reajustamento da base de cálculo do IRRF; e por negar provimento aos recursos dos coobrigados. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 9058DF CARF MF
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Numero do processo: 13706.003441/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil.
AUSÊNCIA DE NULIDADE
O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento.
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Indefere-se o pedido de perícia quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. Além disso, o não atendimento dos requisitos legais para fins de pedido de prova pericial enseja o indeferimento do pleito.
Numero da decisão: 2401-005.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de perícia quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. Além disso, o não atendimento dos requisitos legais para fins de pedido de prova pericial enseja o indeferimento do pleito.
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Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. Além disso, o não atendimento dos requisitos legais para fins de pedido de prova pericial enseja o indeferimento do pleito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 34 41 /2 00 7- 42 Fl. 3371DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima qualificado, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD 37.107.9748, em decorrência das inconsistências lançadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 434.316,52 (quatrocentos e trinta e quatro mil e trezentos e dezesseis reais e cinquenta e dois centavos). Consta do Relatório de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD 37.107.9748 (fls. 85/88) que a autuação é decorrente de apuração de inconsistências lançadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP no período de fiscalização de 01/1999 a 12/2002, tendo como fato gerador “[...] as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestem serviços a empresa, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma.” Devidamente cientificado do lançamento em 09/07/2007 (fl. 130), o Interessado apresentou impugnação tempestiva (fls. 133/152), alegando, em síntese: (i) preliminarmente, a decadência dos fatos geradores referentes ao período de janeiro/1999 a junho/2002; e (ii) no mérito, que houve erro na determinação das bases de cálculo, o que teria ocasionado a apuração de valores excessivos a título de contribuição previdenciária; (iii) que as contribuições apuradas pela autoridade fiscal superam aquelas efetivamente devidas e recolhidas; Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 13706.003441/200742 Acórdão n.º 2401005.725 S2C4T1 Fl. 3 3 (iv) que o lançamento é nulo, pois não permite verificar se os limites máximos dos salários de contribuição foram devidamente respeitados pela autoridade fiscal; (v) que fosse determinada a realização de perícia contábil para a verificação de todos os documentos originais em sua sede, para se verificar, portanto, se o lançamento é devido ou não. Ao final, requer: (a) o reconhecimento da decadência; (b) o cancelamento do lançamento fiscal, sob o argumento de que ocorreram diversos erros na determinação e apuração dos valores. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1218.752 da 12ª Turma da DRJ/RJO1, às fls. 1617/1625, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de Apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DAS NORMAS. PROVAS POSTERIORES. PRECLUSÃO. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social é de dez anos. O foro administrativo é inapropriado para as discussões relativas à inconstitucionalidade ou ilegalidade dos dispositivos legais utilizados nos lançamentos de crédito tributário. No processo administrativo as alegações devem vir acompanhadas de provas, quando existentes, precluindo o direito a sua apresentação posterior. Será indeferido o pedido dde perícia que não atenda às determinações normativas. Lançamento Procedente” Após o referido julgamento, a Equipe de Controle de Débitos Previdenciários encontrou o aditamento à impugnação apresentado pela Recorrente (fls. 1.630/3.256), informando que a impugnação havia sido julgada sem a análise do referido aditamento (fls. 3.260). Assim, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal para apreciação. Deste modo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1222.424 da 12ª Turma da DRJ/RJOI, às fls. 3.262/3.271, julgando procedente em parte a impugnação apresentada. Recordese: Fl. 3373DF CARF MF 4 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO. ALEGAÇÃO NÃO COMPROVADA. PRECLUSÃO. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em face da Súmula Vinculante n° 08, que declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, o crédito devido à Seguridade Social deve ser constituído dentro do lapso qüinqüenal de que trata o Código Tributário Nacional, devendo ser excluídas do débito as competências fulminadas pela decadência. Não serão conhecidos os argumentos desprovidos de provas, precluindo o direito de apresentálas após o prazo de impugnação. Será indeferido o pedido de perícia que não atenda às determinações normativas. Lançamento Procedente em Parte” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 3295/3307, argumentando o que segue: (i) Que seria desnecessária a análise do Livro diário para a verificação dos valores lançados, bastando o cotejo dos valores lançados nas guias GFIP com os indicados nas folhas de pagamento; (ii) Que foram utilizadas bases de cálculo superiores, o que resultou em uma apuração de valores excessivos; (iii) Que o mero erro no lançamento contábil não pode ensejar a exigência de contribuições previdenciárias; (iv) Que a autoridade fiscal não especificou quais foram os segurados que receberam remunerações consideradas como fato gerador referente às contribuições previdenciárias, o que cerceou o seu direito de defesa; e (v) Que os quesitos apresentados quando do pedido de perícia contábil, são imprescindíveis para o julgamento do presente procedimento administrativo. Deste modo, pleiteia a declaração de nulidade do auto de infração e que seja reconhecida a improcedência do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 13706.003441/200742 Acórdão n.º 2401005.725 S2C4T1 Fl. 4 5 A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 21/06/2011 conforme Termo de Ciência e Recebimento de Acórdão às fls. 3.290, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 21/07/2011, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. PRELIMINAR 2.1 Do cerceamento de defesa A Recorrente alega cerceamento do seu direito à ampla defesa sob o argumento de que não foi possível aferir se o limite máximo do salário de contribuição, previsto no artigo 25, § 5º, da Lei 8.212/91, foi respeitado pela fiscalização ao apurar a contribuição devida pelo segurado empregado e contribuinte individual. Contudo, a tese recursal não merece acolhimento. De acordo com o Relatório Fiscal, percebese que a autoridade fiscal, para a apuração das contribuições sociais, informa as alíquotas aplicadas de acordo com a faixa salarial dos segurados, o que vai de encontro com a tese defendida do Recurso Voluntário. No caso em tela, pela leitura dos Fundamentos Legais do Débito (fls. 69/74) e pelo Relatório Fiscal (fls. 85/89), notase claramente que o Auto de Infração se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com a legislação vigente. Isso suficiente não fora, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Recorrente apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento, razão pela qual afasto a alegada nulidade. Assim, não está evidenciado o alegado cerceamento do direito de defesa, sendo inviável, portanto, a nulidade do lançamento relativo às contribuições dos segurados e dos contribuintes individuais. Desta forma, nego provimento ao Recurso Voluntário. 3. DO MÉRITO 3.1 Da apuração dos valores A Recorrente sustenta, em seu Recurso Voluntário, que para a verificação da correção dos valores apresentados nas GFIP’s, ao contrário do exposto no acórdão recorrido, não seria necessária a apresentação do Livro Diário, pois poderia ser constatada a partir do cotejo das GFIP’s com os valores indicados nas folhas de pagamento. Para defender sua tese, a Recorrente argumenta que procedeu à retificação de todas as GFIP’s que apresentavam inconsistências e as juntou aos autos por meio da petição protocolada em 14/11/2007, onde constato ser o aditamento de fls. 1630/3256. Fl. 3375DF CARF MF 6 Além disso, sustenta que a apuração dos valores ocorreu de forma irregular, pois foram utilizadas bases de cálculo superiores às realmente devidas, o que teria resultado um valor excessivo ao devido. Pois bem. Cumpre destacar que a GFIP é um documento que pode ser retificado a qualquer momento, não podendo ser utilizada apenas a guia retificada para que as informações nela contidas sejam consideradas como a verdadeira base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, deveria ser analisado, em conjunto com as guias GFIP’s o livro contábil da Recorrente, o que não ocorreu, uma vez que foram juntados aos autos o livro diário do anocalendário 2003 (fls. 2.192/2.419) e as guias retificadoras referentes ao ano 2002 (fls. 2094/2190), impossibilitando a apuração das informações constantes da GFIP com o Livro Diário, já que não são do mesmo período. Ademais, por diversas vezes a Recorrente afirma que as guias GFIP apresentavam inconsistências e que estavam sendo retificadas, o que corrobora com o lançamento fiscal. Com relação à argumentação de que a apuração dos valores se deu de forma irregular, não há como se acolher a tese recursal, haja vista a ausência de irregularidade na citada apuração. Ora, o Relatório de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 85/84) explica claramente como foram apuradas as divergências de recolhimento, inexistindo a aplicação de bases de cálculo superiores às efetivas. Recordese: “3 DO DÉBITO APURADO Face ao descrito acima, foram apuradas divergências de recolhimentos nas competências objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, tomandose como base o valor total do salário de contribuição apurado nas folhas de pagamentos, nas GFIP Guia do FGTS e Informação a Previdência, nos recibos de férias, nas rescisões informadas ou não na Guia Rescisória do FGTS GRFP, os salários maternidades, os rendimentos pagos a contribuintes individuais (pro labore e prestadores de serviços), deduzido tão somente o salário família, visto que na época não cabia dedução de salário maternidade que era pago diretamente pelo Instituto. O montante do débito corresponde assim, aos valores devidos mediante aplicação das alíquotas abaixo discriminadas, sobre as remunerações pagas nas competências, devidamente abatido das importâncias recolhidas à Seguridade Social a aos valores parcelados em levantamentos anteriores.” Desta forma, inexistindo as irregularidades apontadas, nego provimento ao Recurso Voluntário nesse ponto. 3.2 Dos repasses a profissionais da área médica Com relação ao tema em debate, a Recorrente confessa que registrava equivocadamente, no Livro Diário, os repasses a profissionais da área médica como valores pagos a pessoas físicas, nas competências relativas ao período de janeiro/2002 a Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 13706.003441/200742 Acórdão n.º 2401005.725 S2C4T1 Fl. 5 7 dezembro/2002. Assim, defende que no Livro Diário do anocalendário 2002, a rubrica destinada a pessoas físicas sem vínculo de emprego correspondem, em verdade, aos repasses a esses profissionais. Contudo, a tese recursal não merece acolhimento. Conforme já informado alhures, a Recorrente juntou os autos apenas o livro diário do anocalendário 2003 (fls. 2.192/2.419), impossibilitando a comprovação de fatos relacionados ao anocalendário 2002. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil vigente. Portanto, era dever da Recorrente apresentar documentação comprobatória das suas alegações, ônus do qual não se desincumbiu. Assim, diante da ausência de comprovação acerca dos argumentos lançados na peça recursal, não há como se acolher a tese ali apresentada. Desta forma, nego provimento ao Recurso Voluntário também nesse particular. 3.3 Da prova pericial A Recorrente impugna o acórdão recorrido sob o argumento de que os quesitos apresentados, quando do pleito da prova pericial, são imprescindíveis para o julgamento do presente procedimento administrativo. Contudo, as alegações recursais não merecem acolhimento. Ora, a Recorrente requereu a prova pericial com o intuito de comprovar os alegados equívocos ao se apurar os débitos aqui discutidos. Com relação à prova pericial, assim é expõe o artigo 16, IV, § 1º, do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 3377DF CARF MF 8 Nesse diapasão, devese considerar que não é necessário conhecimento técnico para a análise do presente processo, não sendo, portanto, imprescindível o exame dos quesitos apresentados pela Recorrente por um profissional técnico, uma vez que podem ser respondidos com base na análise do próprio relatório fiscal, que está muito bem fundamentado. Ademais, a Recorrente não cumpriu com todos os requisitos previstos no artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72, pois não indicou o endereço e qualificação completa de seu perito, sendo considerado como não formulado o pedido de perícia, conforme § 1º, do mesmo dispositivo, fato confessado pela própria Recorrente em seu Recurso Voluntário. Sendo assim, mantenho o indeferimento da prova pericial, negando, portanto, provimento ao Recurso Voluntário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 3378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000770/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE A CONCLUSÃO DO VOTO E OS DEMAIS ELEMENTOS QUE O INTEGRAM. EXISTÊNCIA.
A contradição entre a conclusão do voto e os demais elementos que o integram (ementa, resultado e fundamentação) deve ser eliminada, devendo a conclusão do voto ser retificada para nela constar o parcial provimento do recurso, para excluir do cômputo da multa os valores relativos ao auxílio-creche.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA. NÃO INCLUSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. NECESSIDADE DE CORREÇÃO INTEGRAL DA GUIA EM COMPETÊNCIA(S) ABRANGIDA(S) NA AUTUAÇÃO.
A relevação parcial da multa por não inclusão em GFIP de dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições social objeto da declaração será aplicada sobre o valor da multa correspondente a cada ocorrência para a qual houver correção da falta.
Em se tratando de GFIP, cada competência corresponde a uma ocorrência.
Não tendo se verificado a correção integral de GFIP em relação a qualquer das competências abrangidas na autuação, não há que se falar em relevação parcial da multa.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRÊMIO ABSENTEÍSMO. PPR. PREVIDÊNCIA PRIVADA. PLANO DE SAÚDE. SEGURO DE VIDA. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
1. O colegiado, sob outra composição e seguindo a fundamentação constante do voto do então relator, admitiu que o salário-de-contribuição seria extremamente amplo, para abarcar a totalidade dos rendimentos, pouco importando o título ou a forma pela qual eles seriam pagos, devidos ou creditados.
2. Ao adotar tal premissa, aquela composição do colegiado consequentemente excluiu a premissa sobre a qual se fundamentava o recurso.
3. Revolver tal fundamentação, em sede de embargos, poderia implicar modificação do acórdão de recurso voluntário em expediente que, sabidamente, não tem a finalidade de modificar o conteúdo decisório.
Numero da decisão: 2402-006.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, de modo a eliminar a contradição apontada, reconhecendo-se a exclusão, da base de cálculo da multa, dos valores relativos ao auxílio-creche. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que votaram também pela relevação da multa aplicada na medida da correção das faltas, em decorrência da retificação das GFIP objeto da autuação. Designado para redigir o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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CONTRADIÇÃO ENTRE A CONCLUSÃO DO VOTO E OS DEMAIS ELEMENTOS QUE O INTEGRAM. EXISTÊNCIA. A contradição entre a conclusão do voto e os demais elementos que o integram (ementa, resultado e fundamentação) deve ser eliminada, devendo a conclusão do voto ser retificada para nela constar o parcial provimento do recurso, para excluir do cômputo da multa os valores relativos ao auxílio creche. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA. NÃO INCLUSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. NECESSIDADE DE CORREÇÃO INTEGRAL DA GUIA EM COMPETÊNCIA(S) ABRANGIDA(S) NA AUTUAÇÃO. A relevação parcial da multa por não inclusão em GFIP de dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições social objeto da declaração será aplicada sobre o valor da multa correspondente a cada ocorrência para a qual houver correção da falta. Em se tratando de GFIP, cada competência corresponde a uma ocorrência. Não tendo se verificado a correção integral de GFIP em relação a qualquer das competências abrangidas na autuação, não há que se falar em relevação parcial da multa. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRÊMIO ABSENTEÍSMO. PPR. PREVIDÊNCIA PRIVADA. PLANO DE SAÚDE. SEGURO DE VIDA. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. 1. O colegiado, sob outra composição e seguindo a fundamentação constante do voto do então relator, admitiu que o saláriodecontribuição seria extremamente amplo, para abarcar a totalidade dos rendimentos, pouco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 07 70 /2 00 8- 82 Fl. 447DF CARF MF 2 importando o título ou a forma pela qual eles seriam pagos, devidos ou creditados. 2. Ao adotar tal premissa, aquela composição do colegiado consequentemente excluiu a premissa sobre a qual se fundamentava o recurso. 3. Revolver tal fundamentação, em sede de embargos, poderia implicar modificação do acórdão de recurso voluntário em expediente que, sabidamente, não tem a finalidade de modificar o conteúdo decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, de modo a eliminar a contradição apontada, reconhecendose a exclusão, da base de cálculo da multa, dos valores relativos ao auxíliocreche. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que votaram também pela relevação da multa aplicada na medida da correção das faltas, em decorrência da retificação das GFIP objeto da autuação. Designado para redigir o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo em face de acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, cuja ementa é a seguinte: PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE INFORMAÇÕES Toda empresa está obrigada a prestar todas as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13971.000770/200882 Acórdão n.º 2402006.585 S2C4T2 Fl. 3 3 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4o , DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PRÊMIO ASSIDUIDADE. PLANOS DE SAÚDE. SEGURO DE VIDA. O salário de contribuição é compreendido como a remuneração, na qual se considera a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive as gorjetas. Somente são permitidas as exclusões expressamente previstas no artigo 28, § 9 o da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO CRECHE. O auxílio creche, concedido pelas empresas aos filhos de seus funcionários menores de 06 (seis) anos, a teor do art. 28, 9o , "m", da Lei 8., não integram o salário de contribuição, possuindo nítido caráter indenizatório, sendo dispensada a comprovação dos gastos efetuados conforme iterativa jurisprudência. A decisão foi registrada nos seguintes termos: ACORDAM os membros da 4.ª câmara / 2.ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do cálculo da multa as contribuições apuradas até a competência 11/2002, anteriores a 12/2002, com fundamento no artigo 173,1 do CTN, nos termos do voto do relator.Vencido o Conselheiro Rogério Lellis de Pinto, que vota em aplicar o §4°, Art. 150 do CTN. No mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do cálculo da multa os valores relativos a auxíliocreche e recalcular a multa conforme a Lei 11.941/2009, para utilização do novo cálculo, caso seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do relator. O sujeito passivo foi cientificado do acórdão em 21/09/2011, fl. 414, e opôs embargos de declaração em 26/09/2011, fls. 415/418. Foram apontadas nos aclaratórios as seguintes máculas: a) no voto condutor do acórdão e na parte dispositiva há o encaminhamento pela exclusão da verba "auxíliocreche", todavia não há na conclusão do voto essa menção, afirmandose ali que no mérito o recurso deveria ser desprovido; b) o acórdão incorreu em erro de fato, posto que consta no voto do relator a afirmação de que a contribuinte "não nega que pagou aos seus empregados verbas a título de (...) prêmio assiduidade(...)". Tal afirmação está em dissonância com o contexto do recurso apresentado, haja vista que a verba em questão no entender da empresa é "Programa de Participação nos Resultados PPR"; Fl. 449DF CARF MF 4 c) em razão do erro de fato acima apontado, o acórdão deixou de enfrentar as questões relacionadas à verba PPR; d) deixaram de ser apreciados os fundamentos e os pedidos em relação aos seguintes pontos do recurso voluntário: relevação da multa; aplicação ao caso da Lei Complementar n.º 109/2001, para afastar a tributação sobre as contribuições para plano de previdência privada; cumprimento dos requisitos legais relativos à isenção dos valores pagos a título de plano de saúde; cumprimento dos requisitos legais relativos à isenção dos valores pagos a título de seguro de vida; erro no cálculo da multa, em razão da utilização de valores atualizados para a data da lavratura e não aqueles vigentes na data da infração; definição da multa em função do número total de segurados, quando deveria se ter levado em conta apenas a quantidade de trabalhadores relacionados à infração. Ao final pede o conhecimento e acolhimento dos aclaratórios. No exame de admissibilidade dos embargos, o ilustre Presidente desta Turma manifestouse nos seguintes termos: Auxíliocreche De fato a fundamentação do voto condutor e a parte dispositiva do acórdão deixam claro que o colegiado entendeu pela exclusão da verba auxíliocreche da base de cálculo da multa, todavia, na conclusão do voto, quanto ao mérito, o encaminhamento é pela negativa de provimento ao recurso. Tal contradição enseja saneamento. Portanto, observase que é procedente a alegação de contradição apontada nos embargos, devendo o processo retornar ao colegiado para o seu saneamento. Prêmio absenteísmo/Programa de Participação nos Resultados PPR O recurso voluntário encontrase às fls. 259/299, nos itens 81 102 o sujeito passivo alega que o que a verba que o fisco tratou como "prêmio absenteísmo" na verdade se tratava da participação dos empregados nos lucros e, partir dessa premissa, passou a argumentar pela não incidência de contribuição previdenciária sobre a verba, a qual estaria albergada pela isenção/imunidade prevista na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Observase que com relação as alegações da empresa para afastar a verba, o acórdão hostilizado não se pronunciou, o que representa omissão que merece ser saneada. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13971.000770/200882 Acórdão n.º 2402006.585 S2C4T2 Fl. 4 5 Omissões diversas O pedido de relevação parcial da multa, constante nos itens 611 do recurso não foi enfrentado, assim como, a exclusão das parcelas pagas a título de contribuição para previdência privada concedida aos diretores (itens 104117); plano de saúde de diretores e conselheiros (124137); seguro de vida (140150) e erros no cálculo da multa (170176). Assim, tendo sido constatada a existência das máculas acima apontadas, cabível o acolhimento dos embargos de forma a integrar o acórdão embargado, no sentido de que a prestação jurisdicional administrativa seja prestada na sua inteireza. Como se vê, os embargos foram admitidos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento No entender deste relator, o juízo positivo e prévio de conhecimento dos embargos de declaração, pelo Presidente da Turma, não é definitivo, uma vez que nem o Regimento Interno deste Conselho RICARF e nem o Código de Processo Civil contêm qualquer disposição nesse sentido. Em sendo assim, deve ser preservada a soberania da decisão colegiada, motivo pelo qual estão sendo novamente analisados os pressupostos de admissibilidade recursal. Observase, nesse contexto, que os embargos são tempestivos e que foi objetivamente apontado o ponto que, no entender da embargante, deveria ser clareado, razões pelas quais o recurso deve ser conhecido, naquilo que já foi objeto de admissibilidade prévia. 2 Do auxíliocreche Quanto ao auxíliocreche, a embargante afirmou que no voto condutor do acórdão e na parte dispositiva haveria o encaminhamento pela exclusão da verba, ao passo que não haveria na conclusão do voto essa menção. Ao contrário, na conclusão teria constado que o recurso estaria sendo desprovido. Realmente, a conclusão do voto condutor do acórdão está em contradição com a sua fundamentação, com a sua ementa e com o resultado do julgamento. Com efeito, a fundamentação foi no sentido de excluir a verba auxíliocreche da base de cálculo das contribuições e, consequentemente, da multa, como se vê na passagem abaixo reproduzida: Fl. 451DF CARF MF 6 Entretanto, no que se refere aos valores pagos a título de auxíliocreche, em face da recente orientação jurisprudencial firmada sobre o assunto, nas Turmas da Segunda Seção deste Eg. Conselho, tenho que a pretensão recursal merece guarida, na medida em que não mais é exigível a comprovação dos gastos efetuados sobre esta rubrica para que possa o recorrente usufruir do beneficio legal. A ementa do voto é igualmente clara ao expressar a ideia de que o citado auxílio não deve integrar a base de cálculo do lançamento: SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO CRECHE. O auxílio creche, concedido pelas empresas aos filhos de seus funcionários menores de 06 (seis) anos, a teor do art. 28, 9o , "m", da Lei 8., não integram o salário de contribuição, possuindo nítido caráter indenizatório, sendo dispensada a comprovação dos gastos efetuados conforme iterativa jurisprudência. Por essa razão, o colegiado acordou, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base imponível os valores relativos ao auxíliocreche: No mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do cálculo da multa os valores relativos a auxíliocreche e recalcular a multa conforme a Lei 11.941/2009, para utilização do novo cálculo, caso seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do relator. Logo, a contradição entre a conclusão do voto e os demais elementos que o integram (ementa, resultado e fundamentação) deve ser eliminada, devendo a conclusão do voto ser retificada para ali constar o parcial provimento do recurso, para excluir do cômputo da multa os valores relativos ao auxíliocreche. 3 Do Prêmio absenteísmo/Programa de Participação nos Resultados PPR Em seu recurso voluntário, a empresa teria alegado que a verba que o fisco teria tratado como "prêmio absenteísmo" na verdade seria participação dos empregados nos lucros. A partir dessa premissa, a contribuinte defendeu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a verba, a qual estaria albergada pela isenção/imunidade constante da alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. No entender da empresa, o acórdão embargado não teria se pronunciado sobre essa questão. Ao fazer o exame de admissibilidade, o ilustre Presidente deste colegiado se manifestou nos seguintes termos: Observase que com relação as alegações da empresa para afastar a verba, o acórdão hostilizado não se pronunciou, o que representa omissão que merece ser saneada. É fácil concluir, mesmo num rápido exame, que os embargos de declaração têm potenciais efeitos infringentes, uma vez que a norma encimada exclui do saláriode contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, ao passo que o acórdão embargado adotou um conceito mais amplo Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13971.000770/200882 Acórdão n.º 2402006.585 S2C4T2 Fl. 5 7 de remuneração, para nele incluir os rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título e sob qualquer forma. Pois bem. No entender deste relator, o colegiado, sob outra composição e seguindo a fundamentação constante do voto do então relator Lourenço Ferreira do Prado, admitiu que o saláriodecontribuição seria extremamente amplo, para abarcar a totalidade dos rendimentos, pouco importando o título ou a forma pela qual eles seriam pagos, devidos ou creditados. Isto é, ao adotar tal premissa, aquela composição do colegiado consequentemente excluiu a premissa sobre a qual se fundamentou o recurso voluntário. Revolver tal fundamentação, em sede de embargos, poderia implicar modificação do acórdão de recurso voluntário em expediente que, como sabido, não tem a finalidade de modificar o conteúdo decisório, mas apenas de suprir omissão, esclarecer obscuridade ou eliminar contradição, observadas, evidentemente, as hipóteses em que tais providências inevitavelmente conduzem aos conhecidos efeitos infringentes. No presente caso, insistase, a alegação sobre a qual se fundamenta o recurso voluntário não seria capaz de, em tese, modificar a conclusão adotada por aquele colegiado, que compreendia o saláriodecontribuição como sendo mais amplo. É bem verdade que este Conselho realmente entende que a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei, não integra a base de cálculo das contribuições, mas esta não foi a conclusão esboçada por aquele colegiado, sob outra composição. Mas não é só. Esse alegado erro de fato foi igualmente suscitado em sede de embargos opostos no PAF 13971.000771/200827, que abriga o lançamento das próprias contribuições. Ao julgálos, o próprio relator, Dr. Lourenço Ferreira do Prado, votou nos seguintes termos: Ademais, no que se refere ao erro de fato cometido pelo julgamento ora embargado, também não vejo como acatar as considerações levadas a efeito pelo embargante. Neste ínterim, sustenta o mesmo que este se verificou na medida em que aquilo que a fiscalização chamou de 'prêmio absenteísmo/assiduidade', na realidade, corresponde aos valores pagos aos funcionários em decorrência do PPR (Programa de Participação nos Resultados), verba prevista pela própria legislação (art. 30 da Lei no 10.101/00, art. 28, § 9 0 , "j", da Lei no 8.212/91 e art. 7o, XI, da CF) como não sujeita às contribuições previdenciárias. Todavia, conforme consta expressamente do relatório fiscal, o PPR fora adotado pela empresa somente em 2007, como forma de substituição dos pagamentos do premio absenteísmo/assiduidade, que ressaltese, em anos anteriores tinha inclusive pagamentos mensais. Ainda sobre o assunto, há de se esclarecer que o lançamento somente fora efetuado até o ano de 2006, de modo que o implemento do PPR em 2007, sequer fora objeto do presente lançamento. Logo, não verifico Fl. 453DF CARF MF 8 ter havido, sob este aspecto, qualquer erro de fato a ser reconhecido na presente oportunidade. Logo, os embargos não devem ser acolhidos neste tocante. 4 Da previdência privada, do plano de saúde e do seguro de vida Assim como já foi exposto acima, não subsistem as omissões apontadas neste tópico. Para ilustrar, vejase o seguinte trecho do voto condutor do acórdão: No presente caso, não restam dúvidas que as verbas pagas pela empresa a título de participação dos administradores nos resultados, prêmio assiduidade, previdência privada, plano de saúde e seguro de vida não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9o , art. 28, da Lei 8.212/91, devendo, portanto, serem incluídas no salário de contribuição. Nos embargos opostos no PAF que abriga a obrigação tributária principal, assim se manifestou o relator: Verificase que a argumentação de que o v. acórdão embargado fora omisso na análise da matéria de defesa argüida em sede de recurso voluntário não merece prosperar, na medida em que o v. acórdão embargado expressamente entendeu que todas as rubricas lançadas além do auxíliocreche, não se tratavam de rubricas previstas nas exceções previstas no no § 9°, art. 28, da Lei 8.212/91, de sorte que, por tal motivo, foram consideradas como saláriocontribuição. Ou seja, resta incontroverso que sobre a incidência ou não das rubricas que o ora embargante sustenta não ter se manifestado o acórdão, este de fato o fez, entendendo que todas encontravam se inclusas dentre as componentes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fato é que os embargos, a meu ver e sob este aspecto, pretendem obter a rediscussão da causa neste momento, o que é inadmissível de acordo com o artigo 65 do RICARF, senão pela interposição competente recurso cabível. Em sendo assim, os embargos não devem ser acolhidos neste particular. 5 Da relevação da multa Em seu recurso, o sujeito passivo reafirmou a tese de relevação da multa aplicada neste lançamento, fazendoo nos seguintes termos: 6. Com base no Decreto n° 3.048/99 (art. 291, § 1º ) e na IN SRP n° 3/05 (art. 656), a contribuinte pleiteou a relevação parcial da multa, o que não foi acatado pelo Acórdão recorrido. Neste ponto, a Recorrente entende que o Acórdão merece ser revisto. 7. Como atestam os documentos anexados à Impugnação (docs. nºs 4 a 15), a Recorrente apresentou GFIPs retificadoras Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13971.000770/200882 Acórdão n.º 2402006.585 S2C4T2 Fl. 6 9 corrigindo parte das "omissões" apontadas pela fiscalização, devendo a multa correspondente ser relevada. As GFIPs foram retificadas para declararem, como fatos geradores de contribuição previdenciária, as remunerações pagas a autônomos no período de 03/2003 (inclusive) em diante, como relacionadas no Auto de Infração. Essa questão foi resolvida pela DRJ, mas, ao julgar o recurso voluntário, o CARF realmente não a enfrentou, subsistindo, aí, a omissão que deve ser suprida. No entender do acórdão de impugnação, a possibilidade de relevação proporcional da multa teria deixado de existir com a revogação do § 6º do art. 656 da IN MPS/SRP 3/05, pela IN MPS/SRP 23/07. Pois bem. A possibilidade de relevação da multa somente deixou de existir com a revogação do art. 291, § 1º, do Decreto 3048/99, pelo Decreto 6727/09. Ou seja, até 2009, havia a possibilidade de relevação da multa. Vejase: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.(Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. § 3º Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Fl. 455DF CARF MF 10 Como este lançamento foi realizado em março de 2008, ainda era aplicável a relevação, de conformidade com o Decreto 3048/99, residindo a controvérsia em saber se é possível ou não a sua relevação de forma proporcional. De início, cabe observar que o anexo "Fatos Geradores NãoDeclarados em GFIP Multa Aplicada", fls. 107 e seguintes, demonstra que a multa, em várias competências, foi de 100% sobre o montante da contribuição não declarada. Ou seja, a penalidade infligida à recorrente também foi proporcional ao valor das contribuições, de tal forma que, num primeiro momento, já se vislumbra a possibilidade de relevação proporcional, na forma do Decreto regulamentar, mesmo porque toda penalidade deve guardar certa relação de proporcionalidade com a conduta reprovável. Desta forma, e no entender deste relator, nem sempre é cabível a menção feita pelo acórdão de impugnação ao disposto no § 4º do art. 656 da MPS/SRP 3/05, e nem ao disposto no art. 647, pois tais dispositivos aludem à cada ocorrência, ou cada competência. Vejase: Art. 647. Nas situações abaixo, cada competência em que seja constatado o descumprimento da obrigação, independentemente do número de documentos não entregues na competência, é considerada como uma ocorrência: Art. 656. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação do AutodeInfração. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) § 4º Para fins de atenuação ou relevação da penalidade pecuniária, considerase cada ocorrência, conforme descrito nos arts. 646 a 648, uma falta. Como já dito, a penalidade imposta ao sujeito passivo, em várias competências, foi de 100% da contribuição não declarada, de modo que a declaração da contribuição, ainda que parcial, resulta na sua exclusão da base de cálculo da penalidade. Por outro lado, entendese que a revogação do § 6º do art. 656 da IN MPS/SRP 3/05, pela IN MPS/SRP 23/07, não implicou, automaticamente, a possibilidade de relevação parcial da multa, mormente porque o art. 291, § 1º, do Decreto 3048/99, ainda estava vigente, dispositivo este que não fazia qualquer restrição. Acrescentese, ainda, como razões de decidir, a seguinte fundamentação constante do voto condutor do acórdão 2402005.844, deste colegiado, relatado pelo então conselheiro Kleber Ferreira de Araújo: Há de se salientar que regra de hermenêutica do art. 112 do CTN preconiza que deva se dar a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte, no que diz respeito a lei tributária que defina infrações, nas situações em que menciona, in verbis: [...] A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve aterse à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13971.000770/200882 Acórdão n.º 2402006.585 S2C4T2 Fl. 7 11 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: [...] A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' (§2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição Federal. Com efeito, nos termos do art. 96 do CTN, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTN), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado' ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art.5°, II), demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário. Portanto, as obrigações tributárias acessórias, incluídas as possibilidades de atenuação ou relevação de multa, não podem ser criadas ou extintas via de atos normativas da Administração Tributária. Vale transcrever, ainda, o seguinte julgado, de outro colegiado deste CARF: [...] RELEVAÇÃO DA MULTA. Com supedâneo na legislação vigente à época do lançamento, impõese reconhecer o direito da contribuinte quanto à relevação da multa com relação a todas as faltas corrigidas até a decisão de primeira instância, inclusive as GFIPs corrigidas parcialmente. (Número do Processo 36624.000801/200760, Contribuinte ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL LTDA, Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO e RECURSO VOLUNTÁRIO, Data da Sessão 05/12/2017, Relator(a) ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Acórdão 2401005.146) Como se vê, o suprimento da omissão implica a alteração do resultado do julgamento, a fim de que seja determinada a relevação proporcional da multa em relação às GFIPs retificadoras apresentadas, o que deverá ser apurado em sede de liquidação. Fl. 457DF CARF MF 12 Em sendo assim, este relator entende que o voto deve ser retificado nos seguintes termos: A sua ementa deve ser integrada pelo seguinte trecho: RELEVAÇÃO DA MULTA. Com supedâneo na legislação vigente à época do lançamento, impõese reconhecer o direito da contribuinte quanto à relevação da multa com relação a todas as faltas corrigidas até a decisão de primeira instância, inclusive as GFIPs corrigidas parcialmente. A conclusão do voto deve ser integrada pela seguinte passagem: [...] dar parcial provimento do recurso, para excluir do cômputo da multa os valores relativos ao auxíliocreche e determinar a relevação da multa até o limite da correção da infração, o que deverá ser apurado em sede de liquidação. 6 Dos erros de cálculo O acórdão de recurso voluntário foi igualmente omisso em relação aos seguintes pontos suscitados em sede recursal: 171. Refutando pedido formulado pela empresa, o Acórdão recorrido assentou que a multa deveria ser aplicada de acordo com o valor base vigente na data da lavratura do Auto de Infração. 172. Ao assim decidir, entretanto, a Recorrente entende que o Acórdão recorrido acabou aplicando a legislação de forma retroativa. Com efeito, se alguma multa fosse devida (o que se considera somente para efeito de argumentação), deveria ser calculada pelo valor base aplicável na data das supostas infrações. 173. A Recorrente também não pode aceitar o Acórdão recorrido, no ponto em que este defende que o valor máximo da multa poderia variar em função do número total de funcionários da empresa. 174. Ora, ao dispor que a multa varia em razão do número de segurados, o art. 284 do Decreto n° 3.048/99 e o art. 32 da Lei n° 8.212/91 certamente se referem aos segurados relacionados diretamente à suposta infração. E somente a eles! Passase a suprir tais omissões. O § 1º do art. 284 do Regulamento prevê que o valor mínimo será o vigente na data da lavratura do auto. Vejase: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13971.000770/200882 Acórdão n.º 2402006.585 S2C4T2 Fl. 8 13 I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Por fim, tanto a lei como o Decreto estabelecem que o número de segurados a serem considerados para a aferição do multiplicador é o número total de segurados da empresa, e não apenas dos segurados diretamente relacionados à infração, tanto é assim que a multa independe do recolhimento das contribuições. Logo, os embargos devem ser rejeitados neste tocante. 7 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER os embargos de declarações e ACOLHÊLOS PARCIALMENTE, inclusive com efeitos infringentes, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Redator Designado Embora concorde com o i. Relator em praticamente todas as questões objeto dos presentes aclaratórios, especificamente quanto relevação da multa aplicada em razão da suscitada correção das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP entendo de modo diverso. Segundo a recorrente, foram apresentadas GFIP retificadoras informando as remunerações de trabalhadores autônomos para o período de 03/2003 em diante. Argumenta que a decisão de primeira instância administrativa, que concluiu pela impossibilidade de relevação parcial da multa, estaria em desacordo com o § 1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 e encontraria óbice no § 5º do art. 656 da Instrução Normativa SRP nº 3/2005, vigente à época da impugnação. Para uma melhor análise da situação em debate, insta reproduzir o caput e o § 1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social – RPS, além do caput e §§ 1º 2º e 5º do art. 656 da Instrução Normativa SRP nº 3/2005: REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do Fl. 459DF CARF MF 14 prazo para impugnação.(Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007)(Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. [...] INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP Nº 3/2005 Art. 656. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação do AutodeInfração. § 1º A multa será relevada, ainda que não contestada a infração, se o infrator: I formular pedido dentro do prazo de impugnação e comprovar a correção da falta no prazo referido no caput; II for primário; e III não tiver incorrido em circunstância agravante. § 2º A multa será atenuada em cinqüenta por cento, se o infrator tiver corrigido a falta no prazo referido no caput. [...] § 5º A relevação ou a atenuação de que tratam os § § 1º e 2º será aplicada sobre o valor da multa correspondente a cada ocorrência para a qual houve correção da falta. [...] De acordo com o § 1º do art. 291 do RPS e com as demais disposições normativas relacionadas à matéria, a atenuação ou relevação da multa está sujeita à correção integral da falta, ainda que somente em relação a determinadas competências abarcadas na autuação. Entretanto, no presente caso, embora a recorrente aduza ter incluído em GFIP a remuneração de trabalhadores autônomos, o Auto de Infração diz respeito a diversas outras rubricas, em relação às quais inexistem evidências de sua inclusão na referida declaração. Em relação ao argumento de que o § 5º do art. 656 da Instrução Normativa possibilitaria a relevação parcial por estabelecer que essa seria aplicada “sobre o valor da multa correspondente a cada ocorrência para a qual houve correção da falta”, convém esclarecer que, embora isso seja possível, essa relevação parcial pressupõe, repisese, que a GFIP de uma ou mais competências seja integralmente corrigida, o que não ocorreu no caso concreto. Observese que, ao revés do que infere a embargante, a própria Instrução Normativa SRP nº 3/2005 esclarece que, em se tratando de GFIP entregue com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições social, cada competência em que seja constatado o descumprimento da obrigação corresponde a uma ocorrência. Senão vejamos: Art. 647. Nas situações abaixo, cada competência em que seja constatado o descumprimento da obrigação, independentemente Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13971.000770/200882 Acórdão n.º 2402006.585 S2C4T2 Fl. 9 15 do número de documentos não entregues na competência, é considerada como uma ocorrência: [...] III GFIP ou GRFP entregue com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições sociais. [...] Desse modo, face a ausência de indícios de que a embargante tenha corrigido integralmente qualquer das GFIP abrangidas na autuação, não vejo como acolher as razões recursais para relevar a multa aplicada, ainda que parcialmente. Conclusão Ante o exposto voto por acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, de modo a eliminar a contradição apontada, reconhecendo a exclusão, da base de cálculo da multa, somente dos valores relativos ao auxíliocreche. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.004135/2002-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RESTITUIÇÃO.
A restituição de saldo negativo do IRPJ, com a posterior compensação, condiciona-se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, preenchidos nos termos da legislação aplicável.
Numero da decisão: 1001-000.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RESTITUIÇÃO. A restituição de saldo negativo do IRPJ, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, preenchidos nos termos da legislação aplicável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 41 35 /2 00 2- 89 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10875.004135/200289 Acórdão n.º 1001000.806 S1C0T1 Fl. 204 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição, protocolado em 15 de agosto de 2002, por meio do qual a interessada pleiteia a restituição do saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2000, em valor original de R$ 155.003,04, cumulado com Declarações de Compensação retificadoras, protocoladas em 22 de setembro de 2003, vinculadas aos PAF n ° 10875.001274/200331 e 10875.000961/200330: Relatório 2. A autoridade fiscal deferiu em parte o pleito da contribuinte, nos termos do Despacho Decisório de fls. 118/120, que se transcreve: "A interessada solicita, nos autos, a restituição/compensação de eventual saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2000, e sua compensação com débito de COFINS do período de maio de 2003. (...) A interessada, optante pelo lucro real anual, alega ter apurado, ao final do anocalendário de 2000, um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 155.003, 04. (...) Dessa ficha depreendese que o saldo negativo de IRPJ é originário, exclusivamente, da dedução relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte. Em pesquisa ao sistema SIEF/DIRF (fls. 97 a 117), constatouse que a empresa Codema Comercial e Importadora Ltda (matriz e filial) sofreu retenções de imposto de renda na fonte na importância de R$ 98.779, 94. Portanto, o valor máximo que poderia ser alocado na FICHA 12 A/linha 13 para compor o saldo negativo de IRPJ é de R$ 98.779, 94, e não de R$ 155.003, 04, como feito. Assim, procedendose aos ajustes necessários, verificase que a interessada é detentora de um direito creditório no valor de R$ 98.779,94, decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2000. 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do Termo de Ciência de fl. 121, em 12 de novembro de 2007, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 11 de dezembro de 2007, fls. 126/131, com as alegações que se seguem. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10875.004135/200289 Acórdão n.º 1001000.806 S1C0T1 Fl. 205 3 3.1. Faz um breve resumo dos fatos que culminaram no reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado. 3.2. Referese à legislação que disciplina a forma de liquidação das estimativas mensais apuradas, inclusive no que se refere às deduções permitidas, entre elas o Imposto de Renda Retido na Fonte, e à implementação de compensação com saldos negativos. 3.3. Afirma que através de seus registros contábeis apurou retenções do IRRF sobre receitas que integraram a base de cálculo do IRPJ, no valor de R$ 155.003,04, informado na DIPJ. 3.4. Argumenta que está anexando os Informes de Rendimentos, nos termos dos artigos 815 e 942, do Regulamento do Imposto de Renda, que comprovariam a retenção do IRRF no montante de R$ 144.630,13, valor superior ao reconhecido pelo Despacho Decisório, embora inferior ao pleiteado, e informado na declaração de rendimentos. 3.5. Finaliza, pleiteando seja reconhecida a diferença de direito creditório. 4. Foram juntados aos autos os processos administrativos números: 10875.001274/200331, onde consta a Declaração de Compensação original de fls. 01/02, retificada pela de fls. 28/29; 10875.000961/200330, Declaração de Compensação original de fls. 01/02, retificada pela de fls. 17/18, sendo que as retificadoras têm por objeto o mesmo direito creditório objeto deste. 5. Em consulta ao sistema SINCOR, verificase que os débitos declarados nas Declarações de Compensação retificadoras encontramse alimentados no Sistema/Profisc, vinculados aos processos administrativos especificados acima, fls. 154/155. Cientificada em 12/03/2009, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 09/04/2009. Voto Vencido Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente apresenta uma descrição dos fatos, tal como no relatório, acima transcrito. Argumenta, basicamente que: · O total do crédito declarado na DIPJ originalmente pela Contribuinte foi de R$ 155.003,04 (cento e cinquenta e cinco mil, três reais e quatro centavos). Estes valores foram apurados segundo os registros contábeis da empresa; Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10875.004135/200289 Acórdão n.º 1001000.806 S1C0T1 Fl. 206 4 · 2) O total do crédito reconhecido pela autoridade administrativa foi de R$ 98.779,94, confirmados através do sistema SIEF/DIRF; · 3) Todavia, a Contribuinte comprova créditos no montante de R$ 144.630,13, através de comprovantes de rendimentos. O restante do valor declarado não foi possível comprovar em virtude do tempo transcorrido entre o fato gerador e a presente lide, diante da inércia da empresa em obter os documentos e comprovantes adequados por ocasião do registro e apresentação da DIPJ; · 4) Dentre o valor confirmado de R$ 98.779,94, os seguintes informes que a Contribuinte apresentou foram considerados como legítimos pela autoridade administrativa: · (...) · 5) Porém, a lide se instaura acerca do valor de R$ 50.811,09, para o qual a empresa apresentou o comprovante de rendimentos emitido pela Scania Administradora de Consórcios Ltda., cujo CNPJ é o de n 96.479.2581000191, porém, a autoridade o rejeitou, considerandoo inapto a integrar o seu direito creditório, por não atender as condições previstas na Instrução Normativa SRF n° 119, de 28 de dezembro de 2000. · Depreendese, portanto, que não há discussão acerca do direito material, ou seja, da possibilidade ou não de a empresa utilizarse de crédito oriundo de saldo negativo, como foi fundamentado na Manifestação de Inconformidade. A recorrente reconhece que, de fato, o comprovante de rendimentos, apresentado por ocasião da Manifestação de Inconformidade não estava revestido das formalidades previstas na referida Instrução Normativa e afirma que: · Contudo, a contribuinte, ao elaborar sua defesa, preocupouse em demonstrar as razões, assim entendido como os fatos e respectivos documentos contidos em sua escrituração, que ensejaram a utilização do seu crédito. · Assim sendo, o comprovante apresentado era o documento que havia recebido da fonte pagadora por ocasião de sua obrigatoriedade, e que ratificavam os valores retidos durante o anocalendário, registrados em sua escrita pelo recebimento a menor do serviço prestado, em contrapartida à retenção realizada pela Fonte Pagadora. Para a contribuinte, tais fatos eram suficientes para comprovar seu direito ao crédito, sem se preocupar com as formalidades da mencionada Instrução Normativa, afinal, o direito material previsto no Regulamento do Imposto de Renda deveria prevalecer sobre as formalidades instituídas para a fruição do direito do contribuinte. Não imaginou que a formalidade iria prevalecer sobre o direito material. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10875.004135/200289 Acórdão n.º 1001000.806 S1C0T1 Fl. 207 5 · Assim, no intuito de superar tais vícios, adicionalmente ao que foi apresentado na defesa de primeira instância, e com base no que dispõe o artigo 3° da Lei 9.784/99, a contribuinte apresenta juntamente a este recurso, os seguintes documentos: · 1) Novo comprovante de rendimentos, revestido das formalidades legais exigidas (fl 186); · 2) Comprovante obtido da Fonte Pagadora, da DIRF entregue em 2001, relativamente ao anocalendário 2000, no qual consta informado o valor da retenção em favor da Contribuinte (fls 187). Inclui alguns julgados sobre a prova das retenções e termina: · Neste caso,queremos enfatizar nosso entendimento acerca da possibilidade da própria administração de fazer averiguações suplementares através de seus sistemas informatizados. · Diante de todo o exposto, há que se reconhecer legítimo o direito à restituição parcial do valor declarado, no montante de R$ 144.630,13 (cento e quarenta e quatro mil, seiscentos e trinta reais e treze centavos). · DO PEDIDO FINAL · • Demonstrada a lisura, requer, à Vossa Senhoria, seja julgado procedente o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, a fim de reconhecer o direito creditório no montante de R$ 144.630,13 (cento e quarenta e quatro mil, seiscentos e trinta reais e treze centavos) e de homologar integralmente as compensações declaradas. Em seu voto, a DRJ alegou, basicamente, que os comprovantes de retenção, apresentados pela recorrente (fls 139 e 140), não atendem ao que dispõe a IN 119/2000. 15. No que se refere aos documentos de fls. 139/140, que comprovariam a retenção nos valores de R$ 50.811,09 e R$ 805,82, a Instrução Normativa SRF n.° 119, de 28 de dezembro de 2000, ao aprovar o modelo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, relativo a rendimentos pagos ou creditados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, sujeitas à retenção na fonte, assim determinava: (...) Continuando: 16. Da análise dos documentos apresentados, verificase que embora neles conste o código de retenção "8045", não está especificada a natureza do rendimento. 17. Verificase também que não estão atendidas as condições previstas no artigo 5° do ato normativo transcrito acima, além da ausência das assinaturas, uma vez que os documentos apresentados não atendem ao disposto no artigo 6°. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10875.004135/200289 Acórdão n.º 1001000.806 S1C0T1 Fl. 208 6 18. Por outro lado, o documento que trata do imposto no valor de R$ 805,82 referese ao anocalendário de 1997, e não ao ano de 2000, sendo que tal imposto, ainda que fosse comprovado, somente poderia ser deduzido na apuração do IRPJ do AC de 1997. 19. Dessa forma, rejeitamse os documentos de fls. 139/140. 20. Em conseqüência, não há direito creditório adicional a ser reconhecido, tendo em vista que todos os comprovantes apresentados pela interessada, que se encontram conforme a legislação aplicável, já foram considerados pela autoridade fiscal no valor deferido pela DRF de origem. 21. As consultas complementares que subsidiaram este acórdão foram juntadas às fls. 153/160 dos autos. Entendo que assiste o direito a recorrente, na medida em que, os comprovantes de retenção foram apresentados, tempestivamente, muito embora, não estivessem em linha com o disposto na IN 119/2000, como a própria recorrente reconheceu. Este fato, por si só, não deveria ter sido determinante para a glosa do crédito da recorrente, no meu entendimento. De acordo com a IN 119/2000, este fato deveria ensejar uma penalidade administrativa, conforme os artigos 8° e 9° da IN: Art. 8º A pessoa jurídica que deixar de fornecer aos beneficiários, dentro do prazo estabelecido no artigo anterior, ou fornecer com inexatidão o documento a que se refere esta Instrução Normativa ficará sujeita ao pagamento de multa de R$ 41,43 (quarenta e um reais e quarenta e três centavos) por documento. Os comprovantes de retenção apresentados (fls 139 e 140) são suficientes para provar a retenção sofrida, glosálas seria uma medida de inteira injustiça. A recorrente apresentou novos comprovantes de rendimentos (fl 177). Observese que a DRJ negou provimento baseada no argumento de que os documentos não estavam em acordo com o disciplinado pela IN 119/2000, portanto, entendia haver o direito. A DRJ afirmou que: o documento que trata do imposto no valor de R$ 805,82 referese ao anocalendário de 1997, e não ao ano de 2000, sendo que tal imposto, ainda que fosse comprovado, somente poderia ser deduzido na apuração do IRPJ do AC de 1997. Em princípio, está correta a afirmação da DRJ, entretanto, se a recorrente tiver escriturado o rendimento no mesmo exercício, ainda que fora regime de competência, nos termos do artigo 273, caso, da postergação não tivesse resultado em prejuízo para o Fisco, haveria o direito à compensação no mesmo exercício em que contabilizado. Como não há provas nos autos de que não tenha havido a tributação do correspondente rendimento, naquele exercício e nem que tenha sido gerado prejuízo ao Fisco a eventual postergação do lançamento, o procedimento adotado pela recorrente deve ser aceito. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10875.004135/200289 Acórdão n.º 1001000.806 S1C0T1 Fl. 209 7 Assim, dou provimento ao presente recurso, direito creditório mantido e homologadas as compensações declaradas nos processos apensados 10875.001274/200331 e 10875.000961/200330. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Voto Vencedor Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Redator Designado. Observase no recurso voluntário os mesmos argumentos apresentados em sede de primeira instancia, argumentos estes fundamentadamente afastados no voto condutor da decisão recorrida e com os quais concordo plenamente, razão pela qual adiro desde já, como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. O motivo de estar disposto no art. 2º da IN 119/2000, a obrigação de constar no comprovante de retenção do imposto de renda a indicação o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) e a descrição do rendimento é possibilitar a verificação de que este rendimento fez parte dos rendimentos que integraram a base de cálculo do imposto. Assim, tornase imprescindível a obediência às disposições da IN 119/2000, para que os valores pleiteados gozem de certeza e liquidez, não assistindo razão à recorrente quando alega que "não há discussão acerca do direito material, ou seja, da possibilidade ou não de a empresa utilizarse de crédito oriundo de saldo negativo, como foi fundamentado na Manifestação de Inconformidade". Outrossim, mesmo após a decisão de primeira instância, a Recorrente volta a apresentar comprovante sem as especificações destes serviços, ou seja, sem as formalidades legais exigidas, como reconhece a própria recorrente em seu recurso, não sendo necessário a verificação complementar para concluir o presente julgado. Quanto ao imposto retido em 1997, no valor de R$ 805,82, o art. 11 da IN 1300/2012 (bem como o art. 23 da IN 1717/2012 que revogou a IN 1300), veda expressamente a compensação do imposto retido em ano diverso (2000). Também não lhe socorre o art. 273 do RIR/99, pois este trata de lançamento de tributo e não de glosa. Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto sobre a renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Quanto à alegação da busca pela verdade material, cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10875.004135/200289 Acórdão n.º 1001000.806 S1C0T1 Fl. 210 8 Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação das normas citadas, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Por fim, no que tange aos julgados citados, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Pelo exposto, por voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instancia. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.721008/2015-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/11/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972. Demonstrada a intempestividade nos autos, não se conhece do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972. Demonstrada a intempestividade nos autos, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 10 08 /2 01 5- 88 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11128.721008/201588 Acórdão n.º 3002000.490 S3C0T2 Fl. 118 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 12095.110 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) julgou a Impugnação improcedente, por Acórdão que restou dispensado de ementa, conforme Portaria RFB nº 2.724, de 2017. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11128.721008/201588 Acórdão n.º 3002000.490 S3C0T2 Fl. 119 3 Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (105/113), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Das decisões de primeira instância, cabe Recurso Voluntário dentro de trinta dias, contados da ciência do Acórdão recorrido, de acordo com o estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O mesmo diploma legal dispõe sobre a regra geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, assim como sobre a definitividade das decisões administrativas, respectivamente, no art. 5º e no art. 42, que se transcreve: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) No presente caso, a ora recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 22/02/18, quintafeira, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 101). Logo, o Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11128.721008/201588 Acórdão n.º 3002000.490 S3C0T2 Fl. 120 4 prazo de 30 dias para a interposição de recurso iniciouse em 23/02/18 e finalizouse em 26/03/18, segundafeira. Todavia, a recorrente somente apresentou seu recurso em 29/03/18, conforme carimbo de recebimento (fl. 105), ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto na legislação para sua apresentação. Em seu Voluntário, a contribuinte protesta pela tempestividade, contudo, apenas alegando ter tido ciência do Acórdão recorrido em 28/03/18. Essa alegação, pelo relatado acima, não merece prosperar, pois não corresponde às provas presentes nos autos. Ademais, ressaltese que o próprio recurso apresentado foi datado em 20/03/18, o que, a princípio, contraria o alegado. Desta forma, tendo o contribuinte apresentado o Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não houve o cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, estando, portanto, tal recurso intempestivo e não devendo ser conhecido por este colegiado, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário e, portanto, manter o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.902973/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 97 3/ 20 08 -1 3 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10875.902973/200813 Resolução nº 3301000.958 S3C3T1 Fl. 460 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Tratase de Manifestação de Inconformidade, proposta em razão da expedição de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica ("PER/DCOMP"), cujos dados são os seguintes: [...] O Despacho Decisório assim fundamentou a não homologação da compensação pretendida pelo Contribuinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, ..., mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado o Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade, afirmando que seria detentor do crédito declarado, já que teria realizado recolhimento a maior e que teria, inclusive, retificado a respectiva DCTF, da qual apresenta cópia. Requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, porque estaria"... demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/2004 A 29/02/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10875.902973/200813 Resolução nº 3301000.958 S3C3T1 Fl. 461 3 No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender às disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, basicamente repisando os argumentos antes apresentados. Em síntese, alega que sobre os redutores de velocidade que fabrica estaria reduzida a zero a alíquota de Cofins e a impossibilidade de desconsideração da DCTF e da DACON retificadoras. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Seção de Julgamento emitiu a Resolução convertendo o julgamento em diligência, para "que a DRF competente verifique e confirme, à luz da DCTF retificadora apresentada, a existência ou não do crédito alegado pela Recorrente nestes autos ". Sobreveio então informação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Campinas, sobre a qual se manifestou a contribuinte. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10875.902973/200813 Resolução nº 3301000.958 S3C3T1 Fl. 462 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário foi dado por tempestivo na dita resolução1. A recorrente dá conta de que retificou DCTF e DACON após o despacho decisório que deu pela não homologação a compensação pretendida, o que, a seu ver, teria ocorrido única e exclusiva em virtude da ausência de retificação destas declarações. Um exame da conclusão do acórdão da DRJ aponta que esta só consideraria retificações anteriores ao despacho decisório (ainda que não tenha afirmado categoricamente o aceite ou não das retificações posteriores): Finalmente, e considerando os pressupostos (informações e documentos), sobre os quais se assenta o Despacho Decisório recorrido (cronologicamente: DCTF original e retificação anterior ao Despacho Decisório, respectivas DARF e PER/DCOMP); e, considerando os demais documentos e elementos constantes dos autos, impõese a inexorável constatação de que o Contribuinte, tendo deixado de atender as exigências legais do Decreto 70.235/1972, não logrou demonstrar a efetiva existência do crédito, do qual pretendia se compensar. Entendo que a retificação extemporrânea da DCTF não causa prejuízo ao direito alegado, desde que comprovado por outros meios. Na mesma linha apontou o Resolução citada. Sigo jurisprudência do CARF: RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10875.902973/200813 Resolução nº 3301000.958 S3C3T1 Fl. 463 5 (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/ 200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). Alega a recorrente o seu direito a crédito em função de que sobre os redutores de velocidade que fabrica estaria reduzida a zero a alíquota de Cofins, pelo art. 3º da Lei 10.485/04. Segue, em sua versão original: Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1o, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. De fato, como lá informa: Aduz ter equivocadamente aplicado a alíquota de 3% a tais produtos, apontando planilhas, tendo havido indevido pagamento a maior a justificar seu crédito: Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10875.902973/200813 Resolução nº 3301000.958 S3C3T1 Fl. 464 6 [...] A informação fiscal decorrente da diligência determinada pela dita resolução concluiu que "apurandose, com base nas notas fiscais anexadas, que o contribuinte, a princípio, faria jus a um crédito de COFINS de [...]" (grifos do original), mas deu pela "ausência de registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas relativas às notas fiscais". Reproduzo o trecho completo: Pois bem. Juntamente ao Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: Recibos de Entrega de DCTF e sua cópia parcial (fls.188 a 197), Recibos de Entrega de DACON e sua cópia parcial (fls. 198 a 213), Planilha de Vendas, de Compras, de Devolução de Compras e de Devolução de Vendas referentes ao mês de fev/2004 (fl.217, 219, 221 e 223), Demonstrativo com a apuração da base de cálculo e desconto de créditos da COFINS do mês de fev/2004 (fl. 225), Planilha com a relação das notas fiscais de vendas de redutores de velocidade – período fev/2004 (fls.226 e 227), Cópia de notas fiscais de saídas – (fls.228 a 232), Memória de Cálculo dos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e COFINS (fls. 234, 236 a 241) e Demonstrativo com a relação dos débitos compensados por pagamentos indevidos ou a maior (fl.243). Embora o contribuinte tenha evidenciado na Planilha de Vendas e na Memória de Cálculo dos pagamentos indevidos ou a maior (fls.226 e 227, 234 e 239) o montante de R$ 1.433.464,30 (um milhão, quatrocentos e trinta e três mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e trinta centavos), oriundo das vendas de redutores de velocidade no mês de fevereiro de 2004, o que Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10875.902973/200813 Resolução nº 3301000.958 S3C3T1 Fl. 465 7 teria acarretado, aplicandose a alíquota de 7,6%, na apuração indevida da COFINS de R$ 108.943,29 (cento e oito mil, novecentos e quarenta e três reais e vinte e nove centavos), fez a anexação aos autos de notas fiscais, cuja somatória monta apenas em R$ 438.228,43 (quatrocentos e trinta e oito mil, duzentos e vinte e oito reais e quarenta e três centavos). Considerando que a nota fiscal é o documento hábil para a comprovação da operação comercial, para fins de determinação do valor do crédito da COFINS passível de compensação, serão utilizadas tão somente as notas fiscais carreadas aos autos. Assim, de conformidade com o determinado na Resolução nº 3202 000.137, expedida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), foram averiguadas as alegações contidas na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, bem como examinados os documentos juntados aos autos, o que inclui a DCTF retificadora, ainda que transmitida em data posterior à emissão do Despacho Decisório Eletrônico, apurandose, com base nas notas fiscais anexadas, que o contribuinte, a princípio, faria jus a um crédito de COFINS de R$ 33.305,35 (trinta e três mil, trezentos e cinco reais e trinta e cinco centavos): [...] No entanto, em razão da ausência de registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas relativas às notas fiscais, para as quais foi calculado o crédito da COFINS, foram de fato contabilizadas na base de cálculo da contribuição inicialmente apurada, tornase prejudicada a emissão de qualquer juízo de valor acerca do direito do contribuinte ao referido crédito. Em sua manifestação quanto à relatada informação fiscal, a recorrente esclarece: [...] 28. Não bastasse o exposto, e exclusivamente para que não haja qualquer dúvida acerca de seu direito creditório, a Recorrente acosta aos presentes autos a integralidade das Notas Fiscais de venda dos redutores de velocidade (doc. 03), relacionadas na planilha de fls. 226/227, que bem demonstra o valor indevidamente tributado e que foi utilizado na PER/DCOMP que deu origem à presente discussão. 29. A Recorrente junta também o razão da conta COFINS À RECOLHER (doc. 04 – documento não paginável), que permite a identificação precisa, nota por nota, do valor creditado na conta contábil com base nas Notas Fiscais de venda. À título exemplificativo, vejase o registro realizado nessa conta em razão da emissão da Nota Fiscal n.º 87874 (fls. 227): [...] Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10875.902973/200813 Resolução nº 3301000.958 S3C3T1 Fl. 466 8 30. Como se vê, a Nota Fiscal n.º 87874 foi emitida no valor de R$ 164.170,30, sendo esse valor composto pela venda de redutores de velocidade, cujas receitas estavam sujeitas à alíquota zero. [...] 34. Por fim, à Recorrente cumpre sinalizar que, em 09/03/2012, acostou aos autos mídia digital [...] com a integra dos lançamentos contábeis da Recorrente nos anos de 2003 e 2004, conforme comprovante de fls. 244/245, de modo que a DRF não poderia ter deixado de realizar juízo de valor acerca do direito creditório em questão sob a justificativa de inexistência de registros contábeis comprobatórios, assim como o fez. Tratouse de evidente desrespeito às determinações deste E. CARF. Identifiquei que, de fato, a contribuinte anexou aos autos: a) na sequencia da referida manifestação sobre a informação fiscal, diversas notas fiscais (fls. 307 a 454), e um arquivo não paginável de conta de livro razão "COFINS 2004" (fl. 455), com milhares de registros; e b) antes da resolução que determinou a diligência, "Recibos de Entrega de Arquivos Digitais" em CD/DVD (fls 244 a 246), que pode bem ser a "mídia digital [...] com a integra dos lançamentos contábeis da Recorrente nos anos de 2003 e 2004", como manifestado pela contribuinte. Pelo exposto, considerando a busca pela verdade material e tendo em vista que há nos autos demonstrativos contábeis que podem comprovar os indébitos apontados, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Delegacia de Origem: 1) Verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados, com base nos elementos constantes e mencionados dos autos; intimando a contribuinte a apresentar informações e documentos que entender necessários; e 2) Conceda prazo de trinta dias para a contribuinte se manifestar, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 466DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.924267/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado.
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INOCORRÊNCIA. Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 42 67 /2 00 9- 06 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.924267/200906 Acórdão n.º 3402005.697 S3C4T2 Fl. 0 2 direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 06 036.906proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a negativa de homologação da compensação. O Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, alegou inexistência de saldo de crédito para a compensação requerida. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Regularmente cientificada da decisão do colegiado a quo a Contribuinte tempestivamente interpôs o Recurso Voluntário com os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE: NULIDADE DO ACÓRDÃO COM BASE NO ARTIGO 59, II, DO DECRETO Nº 70.235/1972, EM RAZÃO DE NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO ARTIGO 31 DO MESMO DIPLOMA LEGAL. MÉRITO: INCONSTITUCIONALIDADE DA ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PELA LEI Nº 9.718/98 E DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.924267/200906 Acórdão n.º 3402005.697 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.686, de 23 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.922906/200991, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.686): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Preliminar A Recorrente invoca os Artigos 31 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, arguindo a nulidade do Acórdão recorrido em razão de ausência de análise dos argumentos expostos em manifestação de inconformidade, sob alegação de falta de competência para analisar a inconstitucionalidade de lei. Sem razão. A Contribuinte havia alegado em manifestação de inconformidade (fls.12 a 17) que apurou crédito tributário de PIS e COFINS com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, aproveitando parte do referido crédito para compensar com débitos de natureza tributária, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Alegou que extinguiu o débito da COFINS, conforme declarado em DCTF, com DARF referente ao período de apuração 31/12/2002 (código de receita 2172) recolhido em 15/01/2003 e, posteriormente, utilizou o crédito tributário referente à COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 746,94, sendo indicado no preenchimento do PERD/COMP que o crédito estava vinculado ao DARF em que deu origem ao recolhimento. Invocou o artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório por concluir que não foi apresentada prova documental sobre a origem do crédito em referência, não Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.924267/200906 Acórdão n.º 3402005.697 S3C4T2 Fl. 0 4 cabendo à autoridade administrativa reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais, uma vez não se enquadrar nas hipóteses previstas nos Artigos 1º e 4º, Incisos I, II, III, IV e Parágrafo Único do Decreto nº 2.346/1997. Neste caso, não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do decreto nº 70.235/1972, considerando que foram analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade, além de não restar configurada a alegada preterição do direito de defesa. Portanto, afasto a preliminar invocada no recurso em análise e passo à análise das razões de mérito invocadas pela defesa. Mérito A Recorrente invoca o reconhecimento da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da COFINS pela Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para tanto, fundamenta pela repercussão geral conferida ao RE nº 585.235 do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Com razão. O PER/DCOMP n° 33473.53599.130706.1.7.041974 (FLS. 6 a 11), com Código da Receita 585601 (Cofins não Cumulativa), transmitido em data de 13/07/2006 em retificação ao PERD/COMP nº 26378.85333.130706.1.3.044105, teve origem no pagamento indevido ou a maior de COFINS (Código da Receita: 2172), realizado em 15/01/2003 no valor de R$ 71.869,87 (setenta e um mil, oitocentos e sessenta e nove reais e oitenta e sete centavos). O crédito indicado se refere a R$ 746,94 (que corresponde a uma parte deste pagamento efetuado em 15/01/2003), e um débito de Cofins, do período de apuração 06/2006, vencido em 14/07/2006, no valor original de R$ 74,99. Considerando o vencimento do tributo em data de 14/07/2006 e a transmissão do PER/DCOMP em data de 13/07/2006, considerase tempestivo o pedido, afastando a incidência da mora. O despacho decisório (Rastreamento nº 842579517) de fls. 2 a 5, não homologou a compensação declarada por concluir pela localização de um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Manifestação de Inconformidade (fls. 1217) demonstrou a origem do crédito com base na declaração de Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.924267/200906 Acórdão n.º 3402005.697 S3C4T2 Fl. 0 5 inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, em Sessão Plenária de 09/11/05, apontando a base de cálculo utilizada para apuração deste crédito. Cabe consignar que o RE 357.950/RS foi precedente reconhecido em Plenário para julgamento do RE 585235RG QO, com repercussão geral (TEMA 110) e cuja Ementa se transcreve: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Ao que pese o precedente reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e vinculado ao RE 585235, a 3ª Turma da DRJ/CTA embasou a decisão por não atribuir o efeito erga omnes ao 357.950/RS. Vejamos o texto extraído da decisão recorrida: Ou seja, apesar de não ser esse o entendimento da contribuinte, claro está que a atribuição dos julgadores está limitada a afastar a aplicação apenas de leis declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de forma inequívoca e definitiva, atendendo ainda a determinação do Secretário da Receita Federal. É de se ressaltar contudo que, no caso em análise, apesar da existência de entendimentos do STF, expressos em julgamentos proferidos, não foram comprovadas as condições descritas no citado decreto para a sua aplicação, afinal, as decisões mencionadas foram proferidas apenas em relação a casos específicos envolvendo, também, partes específicas (que não a contribuinte). Sobre o assunto, aliás, é oportuno mencionar também o que dispõe o enunciado nº 2 do CARF do MF: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Este, a propósito, também é o comando contido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.924267/200906 Acórdão n.º 3402005.697 S3C4T2 Fl. 0 6 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Desse modo, e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar as alegações da impugnante, já que a exigência em questão encontra respaldo em leis válidas e vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada – com os efeitos erga omnes – pelo STF, não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado (pois não restou caracterizado o pagamento a maior). Quanto à jurisprudência apresentada, não há como considerálas, seja pela inexistência de norma legal para lhes conferir eficácia normativa, seja pelo seu caráter inter partes. Da análise dos autos, verificase que o ponto controvertido invocado pela DRJ/CTA para negar o crédito requerido pela Contribuinte cingese à produção de efeitos do RE 357950, não havendo dúvidas levantadas quanto à origem e valores lançados na declaração de compensação. Considerando que a matéria suscitada versa sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, o que é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585235, já citado, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito tempestivamente informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Está correta a Recorrente ao afirmar pela aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.924267/200906 Acórdão n.º 3402005.697 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, colacionase precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Por tais razões, deve ser reconhecido o direito creditório da Contribuinte, para que seja analisado o PERD/COMP afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal e, após a devida apuração, proceda à compensação para fins de extinção do crédito tributário, nos termos previstos pelo artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional cumulado com artigo 74, § 2º da Lei nº 9.430/96. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido, afastando a preliminar de nulidade e, no mérito, reconheço a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.924267/200906 Acórdão n.º 3402005.697 S3C4T2 Fl. 0 8 apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer o Recurso Voluntário e julgálo parcialmente provido, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, reconhecer a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001156/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhe-se embargos de declaração que apontam omissão no acórdão de recurso voluntário, sanando-a, embora isso não permita a atribuição de efeitos infringentes ao recurso.
Numero da decisão: 1302-003.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.458 1 1.457 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001156/200800 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302003.156 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS Embargante RAIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Acolhese embargos de declaração que apontam omissão no acórdão de recurso voluntário, sanandoa, embora isso não permita a atribuição de efeitos infringentes ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 31/03/2008 que constituiu crédito tributário relativo ao anocalendário de 2003, imputando à Contribuinte as seguintes infrações: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 56 /2 00 8- 00 Fl. 1458DF CARF MF 2 a) dedução indevida de despesas incorridas com o Programa Raia Agradece, pois, segundo a Fiscalização, eram despesas com brindes; b) inobservância dos requisitos legais para a dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos; c) dedução indevida dos saldos lançados na conta Prêmios a Pagar, que, segundo a Fiscalização, seriam, na verdade, provisões indedutíveis; d) dedução indevida dos gastos com manutenção de equipamentos e hardware, que, ao ver da autoridade fiscal, estariam sujeitos às regras de depreciação, eis que implicariam em aumento da vida útil do bem do ativo permanente. Apresentada impugnação, esta foi parcialmente provida na DRJ de São Paulo 1, que assim ementou a decisão quanto à infração "c" acima apontada: Inconformada, a Empresa apresentou recurso voluntário, alegando, em relação à infração "002 PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS Valor apurado na conta "Prêmios a Pagar", o seguinte: a) as lojas e funcionários alcançam metas estabelecidas pela administração; b) quando as metas são alcançadas, lançase o valor devido na conta prêmios a pagar que tem natureza de passivo, e, mensalmente, vai se dando baixa em tal conta na medida do pagamento de tais valores; c) há épocas em que o reconhecimento e o pagamento são contemporâneos, todavia é comum ocorrer o reconhecimento da despesa e o pagamento se dar nos meses seguintes. Isso se deve ao atingimento da meta (despesa incorrida) ocorrer e a decisão sobre a participação de cada funcionário no valor ser tomada posteriormente; d) o valor total da despesa com prêmios a pagar é certo, líquido e determinado, mas a parcela de cada um é definida pela análise da contribuição individual; e) ante o regime de competência, a despesa deve ser reconhecida quando incorrida; f) portanto o fato de a Fiscalização considerar que é uma provisão somente pelo fato de não ter sido paga a despesa não tem respaldo na legislação, tampouco nas regras de contabilidade; g) provisões são relacionada a eventos futuros, incertos e estimados, que podem ou não acontecer, características sem nenhuma relação com a despesa apontada, já que, Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 19515.001156/200800 Acórdão n.º 1302003.156 S1C3T2 Fl. 1.459 3 como se verifica no razão de 2004 (ano seguinte ao da autuação), o valor glosado de R$277.293,71 foi totalmente pago em abril (doc. 13 da impugnação); h) esses valores não se confundem com antecipações de participação nos resultados da empresa (PRL), que dependem de futura apuração de lucros pela Sociedade; i) não obstante o fato de o histórico de lançamento fazer menção à participação no resultado, em nada se assemelha à distribuição de lucros da Lei nº 10.101/00, que possui regras próprias. A menção diz respeito ao fato de os prêmios dizerem respeito às metas de cada loja/funcionário, sendo pagos nos termos acima descritos, sem relação com o PRL legal; j) ainda que se admita que a conta seja de provisão, a Fiscalização nada poderia lançar, já que, conforme se verifica da conta prêmios a pagar, o seu saldo inicial em janeiro de 2003 era de R$314.576,27 e o saldo final de R$277.293.71, ou seja, não houve majoração de tal conta no ano de 2003, mas sim sua diminuição, o que demonstra que esse valor não foi criado em 2003. k) além disso, como dito alhures, deveria ser considerado o efeito de postergação, já que a suposta provisão teria deixado de ser provisão no anocalendário seguinte. Em acórdão de nº 1302001.064, em sessão de 9 de abril de 2013, esta Turma Ordinária decidiu, quanto ao tema provisões não dedutíveis: Entendo que ao trilhar a linha argumentativa de que a conta de prêmios a pagar é conta de passivo, deveria a recorrente ter colacionado elementos que demonstrassem de forma inequívoca a certeza e liquidez dos valores provisionados e deduzidos do lucro real, o que não logrou fazer. No que tange à alegação quanto ao efeito da postergação, mantenho o quanto decidido no item (a) A Recorrente opõe embargos de declaração, cuja admissibilidade foi assim deferida: Alega a embargante que o acórdão embargado deixou de observar parte da argumentação do contribuinte, a qual refutava o embasamento da autuação com relação ao item “Prêmios a Pagar”, pois o voto condutor ao negar provimento ao Recurso voluntário no tocante a tal item, o fez baseandose apenas no fato de que a conta de prêmios a pagar seria uma conta de provisão, e que, portanto, a embargante deveria ter colacionado elementos que demonstrassem de forma inequívoca a certeza e liquidez dos valores provisionados e deduzidos do lucro real para que pudesse ser caracterizado como conta de passivo. Assim, entende a embargante que houve omissão quanto ao ponto levantado no recurso voluntário, o qual sustentou que, ainda que se admitisse que a conta contábil se tratasse de provisão, o lançamento não poderia ter sido realizado pelo fato de que o saldo inicial da conta “Prêmios a Pagar” diminuiu ao longo do mês de janeiro de 2003, o que demonstraria que o valor não havia sido criado naquele ano. Realmente, este ponto da defesa, que consta do recurso voluntário a fls. 1037, não é um mero argumento, o qual possa ser considerado implicitamente superado pelos fundamentos do julgado, mas sim questão autônoma que deveria ter sido Fl. 1460DF CARF MF 4 enfrentada pelo acórdão recorrido, pois, ela, por si só, tem o potencial, caso acolhida, de alterar as conclusões do julgado. Veio o processo por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Compulsandose os autos verificase que: (i) a fiscalização juntou às folhas 372/382 e a Recorrente às folhas 662/672 uma planilha com informações acerca dos lançamentos realizados na conta contábil de passivo 2103104, à qual foi, pelo Fisco, atribuída natureza de provisão; (ii) nesta planilha estão registrados lançamentos a crédito, aumentando, e a débito, diminuindo o saldo da conta. Nada se fala sobre a contrapartida desses lançamentos, apenas havendo o histórico para nos socorrer. A recorrente pretende afastar a tributação pelo fato de a conta apresentar diminuição quando comparados o saldo inicial e o saldo final. Entendo que o argumento apresentado pela recorrente faria sentido se estivéssemos tratando de uma conta de resultado, todavia, em se tratando de uma conta de passivo, na qual, com base na planilha apresentada, foram feitos lançamentos a crédito de mais de 800.000,00 reais, superando em muito o saldo inicial apontado, além de numerosos lançamentos a débito, o fato desta conta ter saldo final menor que o inicial em nada ajuda a Recorrente, pois tratase de conta patrimonial. Houve lançamentos a débito de expressivo valor, como o de 7 de fevereiro de 2003, de R$385.160,41, que levou o saldo a pouco mais de 5.500,00; e em 7 de agosto de 2003, no valor de R$490.777,37. Desnecessário lembrar que o valor levado a resultado não é o saldo da conta de provisão, mas os valores lançados à credito no passivo em contrapartida de conta de resultado. Assim, conheço dos embargos para suprir a omissão, sem efeitos infringentes, nos termos acima tratados. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 19515.001156/200800 Acórdão n.º 1302003.156 S1C3T2 Fl. 1.460 5 Fl. 1462DF CARF MF
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