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Numero do processo: 15586.000733/2005-09
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
PRECLUSÃO. MATÉRIA ANALISADA PARA APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL.
Não se configura preclusão quando a turma, a fim de subsumir à norma ao caso concreto, necessita verificar requisito presente no lançamento.
No presente caso, para a definição da regra decadencial a ser aplicada, a turma entendeu ser necessária e obrigatória a verificação da necessidade da demonstração de dolo, fraude ou simulação.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No demonstrativo de Apuração (fls. 325) consta valor de imposto pago para o ano calendário de 1999 (exercício 2000) antecipação de pagamento. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1999 dá-se no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 10/11/2005, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999.
Numero da decisão: 9202-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso em relação à multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator-Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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MATÉRIA ANALISADA PARA APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL. Não se configura preclusão quando a turma, a fim de subsumir à norma ao caso concreto, necessita verificar requisito presente no lançamento. No presente caso, para a definição da regra decadencial a ser aplicada, a turma entendeu ser necessária e obrigatória a verificação da necessidade da demonstração de dolo, fraude ou simulação. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No demonstrativo de Apuração (fls. 325) consta valor de imposto pago para o ano calendário de 1999 (exercício 2000) antecipação de pagamento. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1999 dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 10/11/2005, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 33 /2 00 5- 09 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso em relação à multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres– Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 584 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 106 16.920, proferido pela antiga 6ª Câmara do 1º CC em 29/05/2008 (fls. 474/495), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade e recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 499/514). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento argüidas e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e acolher a preliminar de decadência do lançamento do ano calendário de 1999. Segue abaixo sua ementa: “MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO PRAZO DECADENCIAL NOS LIMITES DO ART. 150, § 4°, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa fisica é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano calendário. Para esse tipo de lançamento, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Dessa forma, o instituto da decadência fulminou o direito de lançar da Fazenda Nacional no tocante ao anocalendário 1999. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001 PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA INAPLICABLIDADE LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE DA ADMINISTRATIVA FISCAL RETROATIVIDADE Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1 0, do CTN, podese utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando essa amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias, mormente quando a transferência do sigilo bancário para o fisco foi Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 autorizada por autoridade judicial. Recurso voluntário parcialmente provido.” A recorrente entende que o acórdão recorrido, ao determinar de ofício a desqualificação da multa de ofício prevista no art. 44, II da Lei 9430/96, por considerar que não houve a comprovação do evidente intuito de fraude, avançou sobre matéria que não foi impugnada pelo contribuinte, afrontou diretamente o art. 17 do Decreto 70.235/72 e divergiu de vários precedentes dos Conselhos de Contribuintes. Explica que a divergência entre o aresto atacado e o paradigma que apresenta se evidencia na medida em que, nos dois casos, não houve impugnação por parte do contribuinte. E no acórdão da 7a Câmara entendeuse que a matéria não poderia ser apreciada pela autoridade julgadora, tendo em vista a preclusão operada pela inércia do contribuinte; por outro lado, no acórdão ora recorrido, a desqualificação da multa isolada partiu exclusivamente do entendimento do douto Conselheiro, já na instância recursal, vale dizer, hipótese em que a matéria estava preclusa. Ressalta que a decisão em comento violou o art. 17 do Decreto 70.235/72 e o art. 302 do CPC porque apreciou matéria preclusa, porquanto não incluída no objeto de defesa. Em seguida, cita outra divergência, explicando que para o acórdão recorrido, conduta reiterada de omitir receitas, ainda que repetidas mensalmente, não seria suficiente para demonstração do dolo, enquanto que o paradigma que indica firmou entendimento segundo o qual a reiteração da conduta revela a máfé do contribuinte, portanto, passível da aplicação da multa no patamar de 150%. Considera escorreito o entendimento firmado no acórdão paradigma, segundo o qual a comprovação da prática reiterada de omissão de receitas é suficiente para a qualificação da multa. No caso dos autos foram pelo menos 2 anos de operações escamoteadas dentro mesmo anocalendário, com valores quase infinitamente superiores àqueles declarados pelo contribuinte. Sustenta que deve permanecer a qualificação da multa nos autos, vez que o fiscal bem fundamentou a sua pertinência pelo fato de que o contribuinte ludibriou a fiscalização ao omitir os ingressos nas respectivas contas bancárias reiteradamente, ao largo da tributação, assim como porque não justificou os significativos ganhos auferidos. Desse modo, solicita que, na eventualidade de não ser acolhida a tese de preclusão da matéria concernente à desqualificação da multa de ofício, devese reformar o acórdão recorrido para que seja aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, tendo em vista a reiterada omissão de receitas caracterizadas por excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados. Quanto ao acolhimento da preliminar de decadência para o lançamento do IRPF em relação ao fato gerador ocorrido em 1999, mediante aplicação do art. 150, §4º do CTN, apresenta paradigma segundo o qual o prazo decadencial para os casos disciplinados no art. 149, V do CTN é o previsto no art. 173, I do mesmo diploma legal. Observa que no caso em tela o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. Sendo lançamento de ofício, a contagem do prazo decadencial segue o disposto no art. 173, I do CTN. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 585 5 Ao final, solicita que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a desqualificação da multa de oficio, mantendose o a decisão proferida pela ia instância. Na eventualidade de não ser acolhido o pedido descrito acima, requer o restabelecimento da qualificação da multa de ofício considerando as condutas praticadas pelo contribuinte, aplicandose o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN. Caso não seja atendido o segundo pedido, requer seja afastado o prazo decadencial ancorado no art. 150, § 40 do CTN, aplicandose o art. 173, I do CTN ao caso em comento. Nos termos do Despacho n.º DDF106151179_433 (fls. 516/523), foi dado seguimento parcial ao pedido em análise, para que se reaprecie apenas a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento. Irresignada, a PGFN apresentou agravo às fls. 526/528, tratando somente da questão da preclusão da qualificação da multa de ofício, tendo alegado que tanto o acórdão recorrido quanto o paradigma tratam da mesma matéria, a aplicação do art. 17 do Decreto 70235/72. Nos termos do Despacho n.º 21000011/2010 (fls. 530/530verso), foi acolhido o agravo regimental. O contribuinte não apresentou contrarazões. Eis o breve relatório. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Vencido Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento O acórdão paradigma ao aplicar o princípio da preclusão, não conhece de recurso interposto pelo contribuinte por considerar que a matéria não expressamente contestada considerase não impugnada dando origem à preclusão processual, assim ementado: “IRPJ – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO PROCESSUAL – A matéria não expressamente contestada considerase não impugnada dando origem à preclusão processual. Recurso não conhecido.” Por seu turno, o voto condutor do acórdão recorrido, norteado pelo princípio da legalidade, por entender que “o Conselho de Contribuintes tem o dever controlar a legalidade do lançamento, devendo, mesmo de oficio, afastar a exação que vulnere o princípio da legalidade”, de ofício, desqualificou a multa lançada. A doutrina especializada defende que em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa julgadora tem o dever de buscar a verdade material no processo administrativo fiscal. Tanto o princípio da verdade material como o princípio da preclusão são princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Segundo definido no Dicionário Jurídico da Academia Brasileira de Letras Jurídicas, Forense Universitária, 9ª ed., preclusão significa a “perda do exercício de ato processual pela inércia da parte, no lapso de tempo prescrito em lei ou ditado pelo juiz. (que precluiu, art. 183 e 245, do CPC)” Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo essa regra de preclusão, o contribuinte não poderá mais contestála na fase recursal, pois, na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem dirigirse contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas no primeiro grau de julgamento. Conforme asseverado anteriormente, em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa julgadora tem o dever de buscar a verdade material no processo administrativo fiscal. Constatada a ocorrência do fato gerador do tributo, a autoridade fiscal procede ao lançamento formal do crédito tributário que o contribuinte, não concordando com a imputação poderá impugnála. Instalado o contraditório, o julgador deve empreender no sentido de comprovar se a hipótese abstratamente prevista na norma ocorreu de verdade, sem limitarse ao alegado e apresentado como prova. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 586 7 Ou seja, ao se aplicar o princípio da verdade material (acórdão recorrido), isto é, sem que o julgador se limite a apreciar ao alegado ou apresentado como prova, negase aplicação ao princípio da preclusão (acórdão paradigma). Ou seja, primeiro ponto a ser apreciado referese a divergência apontada pela Fazenda Nacional acerca da aplicação do princípio da preclusão, conforme o acórdão paradigma, ou o princípio da verdade material, de acordo com o acórdão recorrido. Ocorre a preclusão do direito de discutir no processo administrativo quando a parte não impugna determinada matéria, sendo que não é permitido inovar ou redirecionar a discussão em sede recursal. A aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material. Pois o Princípio da Verdade Material está em permanente tensão com o da Preclusão e toca ao julgador ponderálos adequadamente. Os princípios podem ser cumpridos em diferentes graus, ou seja, os princípios apresentam razões as quais podem ser afastadas por razões opostas, não trazendo em si determinações acerca da forma pela qual deverá ser eliminada a tensão entre a razão que a contém e aquela que eventualmente se apresente como oposta. O conflito de princípios somente tem existência diante de um caso concreto, enquanto os conflitos entre as regras têm existência em abstrato. No caso das regras o conflito somente será resolvido se for introduzida uma cláusula de exceção, pois a aplicação de uma afasta a outra, ou se uma delas for declarada não válida. Ou seja, as regras são vistas segundo a sua estrutura dinâmica, utilizando a terminologia de Kelsen, assim, ou valem ou não valem (juízo de validade), o que não significa não possam as mesmas ser densificadas com base no princípio da razoabilidade. Os princípios, em específico, não estão submetidos, tãosomente, a um juízo de validade, mas especialmente a uma ponderação, a um balanceamento; não se declara válido ou não válido um princípio, não há uma norma de exceção. A solução é diversa: as circunstâncias concretas motivadoras da aplicação dos princípios conflitantes devem ser analisadas, observandose qual o princípio prevalecerá no caso concreto, uma vez que eles têm peso diferente. Na escolha do princípio a incidir deverá ser utilizada a máxima da proporcionalidade. Não há, portanto, verdadeira hierarquia entre os princípios, uma vez que ora poderá prevalecer um ora outro, deve ser feito o teste de proporcionalidade, para decidir qual regerá o caso concreto. Há, pois, uma hierarquização em função do caso concreto. O princípio da verdade material é decorrente do Princípio da Legalidade e vinculado ao Princípio da Oficialidade. Por isso, a Administração tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos (Medauar, 1993, p. 121, apud Néder e López, 2002, p. 63). Garante a Constituição Federal aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. O contraditório é, de certa forma, o instrumento à ampla defesa. "No processo administrativo Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestar se sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte” (MACHADO, Hugo de Brito. "O Devido Processo Legal Administrativo Tributário e o Mandado de Segurança". In: Processo Administrativo Fiscal. São Paulo, Dialética, 1995, p. 83). ANTÓNIO DA SILVA CABRAL, na obra "Processo Administrativo Fiscal", assim se pronunciou acerca dos princípios de direito processual aplicáveis ao processo administrativo: No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Por isso, no processo fiscal o julgador tem mais liberdade do que o juiz. Para formar sua convicção, pode o julgador mandar realizar diligências e, se for o caso, perícia. (..) Na realidade, está em jogo a legalidade da tributação. Se o tributo só será devido se estiver previsto em lei, o que as parte alegam não conta tanto como no processo judicial. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Por outro lado, a opinião pessoal do julgador não importa. (...) É que o importante, nesse terreno, é a prova, é a verificação dos fatos. Isto faz com que o processo fiscal se diferencie do processo judicial, pois o juiz se atém às provas mencionadas pelas partes, enquanto no campo fiscal o julgador pode mandar fazer outras investigações para obter a verdade material.” (Destaques do original) No presente caso, a Câmara Recorrida aplicou o princípio da verdade material em detrimento do princípio da preclusão, por entender que contribuinte não atacou diretamente a pertinência da multa qualificada nos seguintes termos: “Antes de decidir a matéria decadencial, mister apreciar a pertinência da multa de ofício qualificada, lançada em conjunto com o imposto devido, que tem impacto direto na forma de contagem do prazo decadencial. Diferentemente do afirmado no recurso (fls. 443 a 446), a comprovação do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n e 4302/64 tem o condão de transferir a contagem do prazo decadencial do tributo por homologação do art. 150, § 4° para o art. 173, I, ambos do CTN. Devese atentar que a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN é motivada pela comprovação da conduta tipificada e não pela mera imputação da multa qualificada. A multa qualificada tem que ter substrato na comprovação das condutas em foco. O contribuinte não atacou diretamente a pertinência da multa qualificada, socorrendose, apenas, da tese da decadência mensal, com contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 40, do CTN, o que fulminaria a exação lançada até novembro de 2000, pois o auto de infração referese aos anos calendário 1999 e 2000, e a ciência da autuação ocorreu em 10/11/2005. Apesar de o contribuinte ter afirmado que a decisão Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 587 9 recorrida, em "uma tentativa desesperada de dar fundamento jurídico ao auto natimorto, citando os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64" (fis.445), reconhecese que não houve uma irresignação direta contra a multa qualificada. Entretanto, o Conselho de Contribuintes tem o dever controlar a legalidade do lançamento, devendo, mesmo de oficio, afastar a exação que vulnere o princípio da legalidade. Na linha acima, independentemente de uma irresignação direta contra a multa de oficio qualificada, mister identificar nos autos a ocorrência das hipóteses normativamente previstas para qualificação da multa de oficio. Assim, necessário verificar se a conduta dos autos pode se subsumir à hipótese normativa da qualificação da multa de oficio, como estatuído no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação vigente na época dos fatos geradores (nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis), bem como com a atual redação da matéria dada pela Lei n° 11.488/2007, que determina que nos casos de lançamento de oficio, será aplicada multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original, que mandava aplicar a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários, motivando a autuação na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Ademais, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. Não se pode dizer que houve conluio, ou seja, que ocorreu o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando sonegar ou fraudar o fisco. Nos autos, a imputação da conduta foi feita apenas ao recorrente. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Igualmente não se comprovou a fraude, na forma do art. 72 da Lei n° 4.502/64, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Como antes dito, houve, apenas, uma presunção de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários. Não se especificou uma ação ou omissão dolosa a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. No caso da presunção legal de que os depósitos bancários de origem não comprovada são considerados rendimentos omitidos, estamos diante de uma presunção legal relativa, passível de prova em contrário. Na espécie, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar que o depósito não é rendimento omitido. No caso dos autos, o contribuinte não comprovou, documentalmente, a origem dos depósitos, o que manteve íntegro o auto de infração. Caso o recorrente tivesse comprovado a origem dos depósitos, a autoridade autuante, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/96, iria verificar se tais depósitos tinham sido submetidos a regular tributação. Caso negativo, iria submetêlos às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Na última situação do parágrafo acima, a autoridade fiscal iria analisar a gênese do fato gerador do imposto omitido, e, eventualmente, poderia identificar as condutas dolosas de sonegação, fraude ou conluio. Entretanto, somente poderíamos afiançar que o contribuinte agiu dessa forma com o conhecimento do real fato gerador do tributo. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 588 11 Qualificar a multa para o caso vertente seria equiparar a conduta do recorrente, exemplificadamente, as seguintes hipóteses: emissão de nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro ("laranja"), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, falsidade documental, falsidade ideológica, emissão de nota fiscal calçada, emissão de notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), subfaturamento na exportação, superfaturamento na importação. No extremo, qualquer omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto de renda seria meio hábil para qualificar a multa de oficio, pois a omissão poderseia ser encarada como sonegação (toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente). Esse não pode ser o melhor entendimento. Na espécie, ocorreu apenas uma omissão de rendimentos, estribada em uma presunção legal relativa. Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizado pela Súmula 1° CC n° 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Como exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionamos a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1' de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei na. 9.430, de1996. Recurso parcialmente provido. (grifei) Ainda, na linha do aqui decidido, citamos: Acórdão n° 103 23151, sessão de 08/08/2007, relator o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento; Acórdão n° 10616389, sessão de 23/05/2007, relatora a conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Por tudo, apesar de o contribuinte não ter atacado diretamente a multa de oficio qualificada, entendo que a hipótese dos autos não pode ensejar o exasperamento da multa, como acima declinado, o que me faz reconhecer de oficio a desqualificação da multa lançada.”(grifos originais) Por relevante, transcrevo excertos do recurso voluntário do contribuinte que aborda a questão da qualificação da multa, especificamente acerca da inaplicabilidade arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (fls. 445): Desta feita, tornase inequívoca a ocorrência da referida decadência nos períodos anteriores a novembro de 2000, tornando o referido Auto de Infração absolutamente nulo, vez que, como o mesmo representa o início do processo administrativo fiscal, todos os atos administrativos viciados adotados na sua constituição maculam todos os subseqüentes, assim como uma árvore envenenada empeçonho todos os seus frutos. Entretanto, a i. Turma Julgadora, decidiu ultrapassar seu papel julgador e pôsse a legislar, informando que no caso em tela, não aplicaria o cristalino art. 150, §4°, uma vez que a fiscalização "tipificou o comportamento como doloso e configurador de evidente intuito de fraude", o que, segundo o soi disant legislador, importaria na marginalização do referido artigo para que se aplique a regra incidente nos lançamentos feitos de ofício, talhada no art. 173, I do CTN. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 589 13 Tratase, porém, de um absurdo jurídico. Não há qualquer dispositivo no ordenamento jurídico que permita essa inversão, que somente pode ser explicado pela desejo de abarrotar os cofres públicos a qualquer custo, mesmo se isto signifique o abandono da legalidade. Certamente este E. Conselho não permitirá que isto aconteça. Basta acompanhar o desenvolvimento "lógico" do pensamento da i. 3ª Turma para verificar que falta em seus argumentos um dos elementos mais importantes para a Administração Pública, a legalidade. Assim, não há em momento algum no relatório da i. 3°. Turma Julgadora qualquer referência ao dispositivo legal que permitiria este tipo de inversão. Há sim uma tentativa desesperada de dar fundamento jurídico ao auto natimorto, citando os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Entretanto, nestes artigos não há qualquer permissão que sustente o absurdo proposto pela Turma Julgadora.” (grifos originais) Para o deslinde da controvérsia, transcrevo, ainda, a manifestação da autoridade fiscal acerca da qualificação da multa de ofício (fls. 319/320): 7. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O contribuinte ALONSO RIBEIRO FREGUETE omitiu, nos anos calendários de 1999 e de 2000, em sua Declaração de Ajuste Anual DIRPF, livre e conscientemente, rendimentos tributáveis decorrentes de valores creditados/depositados em contas correntes de sua titularidade. O montante de créditos/depósitos bancários verificados nas contas de depósito do contribuinte ALONSO RIBEIRO FREGUETE aponta para o valor expressivo de R$ 2.722.413,47 (dois milhões setecentos e vinte e dois mil quatrocentos e treze reais e quarenta e sete centavos) no anocalendário 1999 e de R$ 5.978.664,31 (cinco milhões novecentos e setenta e oito mil seiscentos e sessenta e quatro reais e trinta e um centavos) no anocalendário 2000. Utilizandose do procedimento de omitir rendimentos tributáveis que deveriam constar em suas Declarações de Ajuste Anual, o autuado logrou êxito em eximirse do pagamento do Imposto de Renda Pessoa Física devido, no montante de R$ 2.390.605,23 (dois milhões trezentos e noventa mil seiscentos e cinco reais e vinte e três centavos). Demonstrativo Consolidado dos Créditos às fls. 003. A omissão de informações que deveriam constar em sua declaração anual de rendimentos foi expediente utilizado pelo fiscalizado para dificultar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação principal de recolher tributos. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 O contribuinte revelou seu intuito de fraude, conforme definido nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30/11/64, ao eximir se do recolhimento tributário cabível, omitindo à autoridade fazendária, por dois anos consecutivos, valores expressivos de sua movimentação financeira. Em vista do exposto, agravei a penalidade de ofício sobre o valor dos tributos devidos, conforme determina o artigo 44, inciso II Lei n° 9.430, de 27/12/1996.” (grifos originais) Inicialmente, saliento que diferentemente do que concluiu o acórdão recorrido entendo que o contribuinte insurgiuse especificamente contra a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, em decorrência de a autoridade fiscal têlos aplicado, ensejando duas conseqüências: i) a qualificação da multa de ofício, conforme prevê o artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430, de 27/12/1996; e aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN. Quanto a desqualificação da multa aplicada, inicialmente há de se observar que, conforme precedentes desta 2ª Turma da CSRF, a omissão de informações que deveriam ser prestadas à administração fazendária, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996: “ NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa ao dispositivo de lei indicado. O recurso especial apresentado demonstrou, fundamentadamente, que a decisão recorrida seria contrária à lei, merecendo ser conhecido. A aplicação da súmula nº 14 do 1º Conselho de Contribuintes somente pode ser invocada quando, de forma peremptória, restar caracterizada a simples omissão de receita ou de rendimentos. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. A omissão de informações que deveriam ser prestadas à administração fazendária, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada Fl. 601DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 590 15 de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. A esposa do contribuinte, constava como sua dependente na Declaração de Ajuste Anual. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. No caso. Aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do fato gerador.” (Acórdão nº 920200.326, de 27/10/2009, Relator: Conselheiro Elias Sampaio Freire) Ademais, ainda de acordo com precedentes desta 2ª Turma da CSRF, não configura evidente intuito de fraude a omissão que tenha se dado por dois anos consecutivos e decorra de valores expressivos: “IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. E MONTANTE OMITIDO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente de ter reiterado a conduta em dois anos consecutivos no caso 2000 e 2001 e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. Recurso Especial Negado.” (Acórdão nº 920202.078, de 22/03/2012, Relator: Conselheiro Elias Sampaio Freire) “(...) IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4302/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pela decisão de primeira instância e pelo acórdão recorrido. O valor dos rendimentos omitidos ou a omissão Fl. 602DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 reiterada de rendimentos, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracterizam o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. (Acórdão nº 920200.969 — 2ª Turma da CSRF, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage) Destarte, na apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, a omissão de informações que deveriam ser prestadas à administração fazendária, independentemente de ter reiterado a conduta em dois anos consecutivos e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Portanto, não merece reparo o acórdão recorrido, no ponto em que concluiu pela desqualificação da multa aplicada. A segunda questão controvertida posta à apreciação tratase da fixação do termo inicial para o transcurso do prazo decadencial. Transcrevo trecho da ementa do REsp 857614 / SP, Dje em 30/04/2008, em que resta claro que a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento da relevância da antecipação de pagamento para a fixação do termo inicial para se definir o termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por homologação: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. ISS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. INOCORRÊNCIA. ARTS. 150, § 7º DA CF/88 E 128 DO CTN. VÍCIO NA CITAÇÃO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. LEI MUNICIPAL Nº 1.603/84. DIREITO LOCAL. SUMULA 280 DO STF. ARGÜIÇÃO DE PRESCRIÇÃO EM SEDE DE EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. POSSIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. JUNTADA DA LEI MUNICIPAL À INICIAL DA AÇÃO . NÃO OBRIGATORIEDADE. ................. 5. A Primeira Seção consolidou entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, no caso em que não ocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, como no caso sub judice, o poder dever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.(GRIFEI) 6. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento Fl. 603DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 591 17 da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte (Precedentes da Primeira Seção: AgRg nos EREsp 190287/SP, desta relatoria, publicado no DJ de 02.10.2006; e ERESP 408617/SC, Relator Ministro João Otávio de Noronha, publicado no DJ de 06.03.2006). 7. Todavia, in casu, para o deslinde da controvérsia relativa à decadência dos créditos tributários em tela, fazse mister a interpretação de lei local, qual seja, a Lei Municipal nº 1.603/84, porquanto necessário perscrutar o momento de ocorrência da hipótese de incidência tributária, determinado pelo referido diploma legal, mormente quando a sentença e o acórdão recorrido consideraram diferentes critérios temporais. Destarte, revelase incabível a via recursal extraordinária para rediscussão da matéria, ante a incidência da Súmula 280/STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". (Precedentes: AGA 434121/MT, DJ 24/06/2002; RESP 191528/SP, DJ 24/06/2002). 8. Isto porque, consoante assentado pelo juízo singular, in verbis: "A lei municipal nº 1.063/84 já contemplava o ISS, seu fato gerador, lista de serviços e a possibilidade de cobrar o imposto do responsável tributário, o dono da obra (...) Com a sucessão de leis no tempo, entrou em vigor o atual Código Tributário Municipal (Lei Complementar nº 25/97), que manteve as disposições da lei anterior (...) A decadência, enquanto forma de extinção do crédito tributário, somente se opera após 05 (cinco anos) contados do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Ora, mesmo considerando o término da obra em 1997, como alega a excipiente, o fisco teria 05 anos para efetuar o lançamento, a contar de 01/01/98. Portanto, a decadência somente se operaria em 01/01/03. Ocorre que o lançamento, que constitui o crédito tributário se deu antes, em 23/04/99 (fls. 39 e informação de fls. 41). Realizado o lançamento, não se fala mais em decadência, e a partir daí tem o fisco novo prazo de 05 (cinco) anos, de natureza prescricional, para ajuizar a ação para a cobrança do crédito tributário, contado da data da sua constituição definitiva." .................. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 18 Portanto, o prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. No demonstrativo de Apuração (fls. 325) consta valor de imposto pago para o ano calendário de 1999 (exercício 2000) antecipação de pagamento. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1999 dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 10/11/2005, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 605DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 592 19 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento sobre o conhecimento da alegação recursal sobre preclusão. Como muito bem descrito, a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, em decorrência de a autoridade fiscal têlos aplicado, enseja conseqüências: 1. A qualificação da multa de ofício, conforme prevê o artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430, de 27/12/1996; e 2. A aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN. Na época em que o acórdão recorrido foi analisado e decidido em que não havia a determinação contida no Art; 62A do Regimento Interno do CARF (obediência aos recursos repetitivos do Superior Tribunal de Justiça) – a definição da regar decadencial a ser aplicada era: 1. Não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, para tributos sujeitos a lançamento por homologação, a regra decadencial a ser aplicada era a expressa no I, Art. 173 do CTN; e 2. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, para tributos sujeitos a lançamento por homologação, a regra decadencial a ser aplicada era a expressa no § 4º, Art. 150 do CTN. Portanto, para a análise da regar decadencial a ser aplicada, foi necessária e obrigatória a análise sobre os motivos da qualificação da multa (dolo, fraude, simulação). Se os motivos para a qualificação estivessem comprovados, a regra decadencial aplicada seria a do I, Art. 173 do CTN, em caso contrário, seria a do § 4º, Art. 150 do CTN. Por esse motivo, em nosso entender, houve a análise por parte da turma que proferiu o acórdão recorrido. E não seria cabível, nem lógico, nem eficiente, que a turma concluísse que os motivos para a qualificação da multa não existiriam para a definição da regra decadencial, mas se encontravam preclusos para a qualificação da multa. Portanto, por entender que a avaliação dos motivos para a qualificação da multa são oriundos da análise para a definição da regra decadencial a aplicar, entendo que não Fl. 606DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 20 houve a preclusão, pois a matéria consta da impugnação, quando foi solicitada a aplicação da regra decadencial prevista no § 4º, Art. 150 do CTN. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto por não conhecer do recurso em relação à multa qualificada, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 607DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721481/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL - RPPN. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE.
Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, com existências comprovadas por laudos técnicos do IBAMA, e reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Averbação firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade de fiscalização ambiental.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 1.592,92ha. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin..
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL - RPPN. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE. Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, com existências comprovadas por laudos técnicos do IBAMA, e reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Averbação firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade de fiscalização ambiental. Recurso Voluntário Provido.
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AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE. Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN, com existências comprovadas por laudos técnicos do IBAMA, e reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Averbação firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade de fiscalização ambiental. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 1.592,92ha. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin.. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 14 81 /2 00 9- 24 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 131 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/SBS (Fls. 105), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Pela notificação de lançamento n° 01201/000932009 (fls. 01), o contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 349.496,71, correspondente ao lançamento do ITR/2006, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda Pau d'Arco" (NIRF 4.209.0083), com área total de 2.291,1 ha, localizado no Município de Britânia GO. A descrição dos fatos, os enquadramentos legais das infrações e o demonstrativo da multa de oficio e dos juros de mora encontramse as fls. 01 (verso) e 02/04. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2006 (fls. 06/07), iniciouse com o termo de intimação de fls.08, para o contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA requerido ao IBAMA, matricula do registro imobiliário, com a averbação da área de RPPN, e comprovante de sua localização; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo ou, alternativamente, avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais e Municipais e pela Emater, a preços de 01/01/2006. Em atendimento, o contribuinte apresentou as correspondências e os documentos fls. 10, 13/22 e 28/58. Na análise desses documentos e da DITR/2006, a autoridade fiscal glosou integralmente as áreas ambientais declaradas de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN (1.592,6 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 1.039.885,00 (R$ 453,88 ha), arbitrandoo em R$ 1.943.677,60 (R$ 848,36/ha), com conseqüentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota aplicada no lançamento, disto resultando o imposto suplementar de R$ 166.205,40, conforme demonstrativo de fls. 03 (verso). Cientificado do lançamento em 18/11/2009 (fls.79), o contribuinte protocolou em 18/12/2009, a impugnação de fls. 81/83, exposta nesta sessão, acompanhada dos documentos de fls. 86/98. Em síntese, alega e requer o seguinte: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 132 3 de inicio, discorda do procedimento fiscal e informa que a área ambiental declarada de RPPN, de 1.592,5984 ha, correspondente a 69,5 % da área total do imóvel, foi reconhecida por Portaria do IBAMA e averbada no registro imobiliário em 02/12/2002, conforme certidão anexada, além de ter sua existência comprovada por laudo técnico e mapas feitos com base em imagens de satélite; não será questionado o VTN arbitrado com base no SIPT, mesmo considerando que o imóvel possui uma grande área alagável que o deprecia. Ao final, o contribuinte espera e requer seja acolhida a presente impugnação e, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, seja cancelado o crédito tributário reclamado. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/SBS entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DA ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL RPPN Para ser excluída do ITR/2006, a área de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN declarada, além de averbada à margem da matricula do imóvel, deveria ter sido objeto de ADA, protocolado em tempo hábil no IBAMA. DO VTN ARBITRADO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada o Valor da Terra Nua – VTN arbitrado pela autoridade fiscal para o ITR12006, por não ter sido expressamente contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Cientificada em 10/05/2010 (Fls. 112), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/06/2010 (fls. 121), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, e acrescentando basicamente que: (...) o ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA), não é exigível por força da Medida Provisória n° 2.16667, de 24 de agosto de 20001. 0 parágrafo 7 0 do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, com a redação oferecida pela MP m° 2.16667,(...) (...) Entendese, destarte, que com a "novel" disciplina, inserta no § 70 do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, não é mais necessária a apresentação pelo contribuinte de ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA, como requerido pela Receita Federal do Brasil e pelo IBAMA. (...) Conclusão: não há previsão legal para a exigência do ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA), sendo indevidas as Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 133 4 multas lançadas pela Receita Federal do Brasil, considerada e/ou dada sua inexistência. Cabe apenas ao órgão fiscalizador a verificação da veracidade da declaração do contribuinte e, se inverídicas, ai sim efetuar o lançamento fiscal devido. Ainda cabe lembrar que o lançamento de tal divida sem o devido processo legal, a lembrar, o administrativo, com a produção de provas pela autoridade a respeito da não veracidade da informação prestada pelo contribuinte, sendo admissível ainda o processo judicial para desconstituir o auto de infração e o lançamento em divida bem como todas as provas. Relativamente a exclusão pelo próprio contribuinte de áreas que não estão sujeitas a tributação pelo I.T.R (IMPOSTO TERRITORIAL RURAL), é essencial que se faça a seguinte colocação: a Medida Provisória n° 1.95653, trouxe no ano de 2000, louvável disposição em favor dos contribuintes rurais, assegurandoos contra os desmedidos abusos então cometidos pelo fisco. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No mérito, cingese a discussão em saber se a averbação no RGI e a apresentação do ADA tempestivo são elementos essenciais e indispensáveis para que as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN possam ser isentas de tributação. Nesse sentido, cabe destacar, com relação à matéria, o que prevê o art. 10 da Lei 9.393/96, o qual disciplina a apuração do ITR: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior.” A exclusão das áreas de preservação permanente e RPPN para fins de apuração da área tributável do ITR, por sua vez, está prevista nas alíneas “a”e “b”, do inciso II, §1º, do artigo supramencionado: “§ 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 134 5 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior;” Até o Exercício de 2000, o ADA, segundo entendimento amplamente dominante desse Egrégio Conselho, não era indispensável para efetiva comprovação quanto à existência das áreas passíveis de serem excluídas de tributação, de modo que admitiase a comprovação mediante a produção de outras provas. Isso se dava, principalmente, em razão de à época, inexistir previsão legal no sentido de caracterizar aquele documento como requisito para o gozo da isenção. A exigência se dava tãosomente através de instrumentos infralegais, com o que entendiase não ser possível exigirse o ADA como requisito indispensável ao benefício. Ocorre que, em 2000, com o advento da Lei nº 10.165/00, que incluiu o art. 17O, § 1º, à Lei nº 6.938/81, a exigência de apresentação do ADA passou a ter fundamento legal, expressandose o dispositivo no seguinte sentido: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” É certo que a Administração Pública, em razão do disposto no art. 37, caput, da Constituição Federal, que prevê o princípio da legalidade, deve, necessariamente, cumprir as determinações dos ditames legais, salvo se contrários a alguma norma constitucional – o que parece não ser o caso do dispositivo acima mencionado. Assentese, assim, que, em consonância com tal dispositivo, o ADA passou a ser documento indispensável para fruição da isenção. Todavia, em 24 de agosto de 2001, foi editada a MP 2.16667, que inseriu o §7º ao art. 10 da Lei nº 9.393/96: “Art. 10. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 135 6 correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” Denotase, assim, que a regra que foi inserida pela Medida Provisória em comento diverge daquela prevista no art. 17O, § 1º, à Lei nº 6.938/81. Em consonância com as regras de resolução de antinomias entre regras jurídicas previstas na Lei de Introdução do Código Civil, segundo a qual as normas mais novas revogam as anteriores no que forem divergentes, entendemos que, hoje, encontrase em vigor, sendo plenamente aplicável, a regra do art. 10, §7º, da Lei nº 9.393/96, que não condiciona a isenção à prévia apresentação do ADA. É clara a norma decorrente do art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 ao determinar que a isenção de ITR não dependerá da prévia apresentação do ADA, com o que se pode concluir que admitese a posterior apresentação do mesmo no caso em que a Fiscalização tenha dúvidas quanto à efetiva possibilidade de determinado beneficiário gozar do benefício, ou mesmo a apresentação de outros documentos que tenham força probante suficiente para corroborar as informações da declaração. A respeito da comprovação é importante destacar a previsão da Lei nº 4.771/96 (Código Florestal), que no § 2º do art. 16 (incluído pela Lei nº. 7.803/89) define que “reserva legal é a área de, no mínimo, 20% de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso”, e no § 8º prevê que tal área “deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão a qualquer título, ou de desmembramento da área”. De acordo com artigo acima mencionado do Código Floresta a averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel é maneira legalmente prevista de comprovar a preservação e conseqüentemente a existência das áreas de Reserva Legal e RPPN. Ressaltese que o recorrente pleiteia, conforme DITR/2006 1592,92 ha de RPPN. Observase que consta da matrícula do imóvel, às fl. 31, a averbação, em 31/08/2002, do Termo de Responsabilidade de Compromisso de Conservação de RPPN firmado entre o contribuinte/proprietário do imóvel e a autoridade florestal, segundo o qual a área de 1592,92 ha ficou gravada como de RPPN. Da análise dos requisitos para isenção do ITR, especificamente a comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental e averbação na matrícula do imóvel da referida área, cabe computar a área a área de 1592,92 ha como área de RPPN, excluindoa, desse modo, da área tributável pelo ITR no exercício em exame. Ante tudo acima exposto, e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a área de RPPN de 1592,92 ha. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 136 7 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10480.905181/2010-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 81 /2 01 0- 41 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn. Relatório Este processo decorre da não homologação de compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP (retificadora), uma vez que, para a quitação do débito apontado pela suplicante, não foi confirmado o direito creditório por esta alegado, relativamente à COFINS de fevereiro de 2004, no valor de R$ 402,16. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que o direito creditório estaria demonstrado na DACON retificadora do período e que, por limitação técnica da Receita Federal, não procedera à correspondente retificação da DCTF. Tais argumentos, todavia, não foram acolhidos pela 2a Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, fundamentada, basicamente, na não comprovação do direito creditório alegado (vide fls. 69/75). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 01/03/2012 (fls. 78). Inconformada, a autuada apresentou, em 21/03/2012, o recurso voluntário de fls. 81/84, onde alega que a receita apontada como “outras receitas” na DIPJ do anocalendário de 2004, trata se exclusivamente de receita financeira, não tendo o contribuinte, no período, nada faturado a título de resultado de sua atividade de prestação de serviços. Ressalta, ainda, que a análise da ficha 06A da DIPJ (que alega anexar) seria suficiente para se chegar à conclusão de que nada recebera pela prestação de serviços (linha 08), portanto, o faturamento e a receita bruta do período corresponderiam a zero. Por sua vez, a receita financeira, indicada na linha 24 da DIPJ, não entraria na composição da Receita Bruta. Defende que a Lei no 11.941/09, ao revogar expressamente o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, mudou o conceito anterior de receita bruta, deixando claro que esta corresponde ao faturamento. Assim, a receita financeira, mera compensação parcial do capital de giro no tempo, não poderia ser confundida com a “receita do faturamento”, a qual decorre principalmente das vendas e revendas de mercadorias e da prestação de serviços. Por todo o exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para a sua aceitação. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10480.905181/201041 Acórdão n.º 3802001.358 S3TE02 Fl. 88 3 A discussão diz respeito à existência ou não de direito creditório decorrente de alegado pagamento indevido da COFINS de competência de fevereiro de 2004 (regime não cumulativo). É verdade que a Lei no 11.941, de 27/05/2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da COFINS. Este dispositivo, contudo, já fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ao entender que o alargamento do conceito de faturamento prescrito pela norma em evidência estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. O alcance desse entendimento, em relação à COFINS regida pelo regime da nãocumulatividade, prevaleceu até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, que trouxe nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade, dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998. A ampliação da base de cálculo para as empresas submetidas ao novo regime edificado pela norma em evidência – da nãocumulatividade – passou a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, referida ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, alcança o período cujo direito creditório é reclamado pela empresa (fevereiro de 2004). Consequentemente, considerando a natureza jurídica da reclamante – empresa de natureza comercial –, para o mês de fevereiro de 2004, a exigência da contribuição sobre receitas outras além das originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, em tese, é legítima (ressalvadas as exceções legais). Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 25 da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante Fl. 89DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10120.908109/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 81 09 /2 00 9- 21 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.908109/200921 Acórdão n.º 3801001.567 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.908109/200921 Acórdão n.º 3801001.567 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 15464.42423.150506.1.3.044007, transmitida eletronicamente em 15/5/2006, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/8/2004 5856 13.677,18 15/9/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1680323271 13.677,18 DB: cód 5856 – PA 31/8/2004 13.677,18 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 12), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 849,57. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 37), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.908109/200921 Acórdão n.º 3801001.567 S3TE01 Fl. 13 4 teria sido tomada em 27 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.908109/200921 Acórdão n.º 3801001.567 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.908109/200921 Acórdão n.º 3801001.567 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.908109/200921 Acórdão n.º 3801001.567 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.908109/200921 Acórdão n.º 3801001.567 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.915384/2009-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Sep 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1949; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 3 1 2 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.915384/200961 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.400 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 23 de setembro de 2012 Assunto PERDCOMP Recorrente BANCO ITAU S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de recurso Voluntário interposto pelo Banco Itaú S/A decorrente da decisão que manteve o indeferimento de compensação declarada em Per/Dcomp nº 18598.63260.24.0608.1.3.040130 de crédito oriundo de CPMF recolhidos a maior do que o devido com débitos de IOF relativo ao período de apuração de junho de 2008. Sustenta a Interessada que o indeferimento ocorreu sob o fundamento de que não teria sido confirmada a existência de crédito em razão do DARF consignado em Perd/Comp ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, motivo pelo qual não se homologou as compensações declaradas. Diz, ainda, que a DCTF original deixou de contemplar o valor desse crédito, no entanto, a DCTF original foi retificada em 26/10/2009, apresentando o crédito controvertido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 15 38 4/ 20 09 -6 1 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.915384/200961 Resolução nº 3403000.400 S3C4T3 Fl. 4 2 A decisão recorrida manteve a negativa de compensação e homologação sobre o fundamento de que: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR A CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito credit6rio tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhadas dos elementos de prova do erro alegado não têm o condão de tornar a DCTF original irregular. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS FINANCEIRO. A restituição ou compensação de tributo retido a maior do que o devido, depende da demonstração de que o ônus financeiro foi assumido pela contribuinte”. O Recorrente traz à colação planilhas e cópia do razão contábil com o objetivo de demonstrar a origem do crédito, CPMF, dezembro de 2005 utilizados na compensação que deseja ver homologada. Em razões recursais manteve a mesma alegação e acrescentou o inconformismo com o fundamento destacado no voto de que a restituição ou compensação de tributo retido a maior do que o devido, depende da demonstração de que o ônus financeiro teria sido assumido pela interessada. É o relatório. Voto Tratase de controvérsia relativa a existência de crédito proveniente de DARF recolhido a maior do que o valor devido a título de CPMF, cuja pretensão da Recorrente é utilizalo em processo de compensação de débito próprio. A recusa do reconhecimento decorreu de erro material contido na DCTF original, retificada posterior ao Despacho Decisório que deixou de reconhecer a existência do suposto crédito pretendido sobre o fundamento de que o recolhimento alegado estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Como indício de prova no sentido de confirmar a existência do crédito foi carreada aos autos cópias do razão e planilha. Em obediência ao princípio da verdade material vislumbro a possibilidade de transformar o julgamento em diligência no sentido da fiscalização proceder à análise na contabilidade do Recorrente com o objetivo de apurar com base nos assentamentos contábeis, razão anexado, se de fato houve recolhimento superior ao devido para CPMF no período de apuração indicado nestes autos. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.915384/200961 Resolução nº 3403000.400 S3C4T3 Fl. 5 3 Com essas considerações voto no sentido de transformar o julgamento em diligência para apurar se houve pagamento a maior do que o devido com base nos razões trazidos à colação. Dêse vista o Recorrente, para que tenha ciência e se manifeste, se entender necessário no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 201DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13896.908345/2009-64
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2005
ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/11/2005 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2005 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 83 45 /2 00 9- 64 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 31 de maio de 2006, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da contribuição para o PIS não cumulativa efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor de R$ 47.252,91. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, protestou pela juntada de outros documentos e outras provas e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o erro cometido no preenchimento da DCTF não poderia invalidar o direito de compensação e o reconhecimento de ofício do crédito líquido e certo; b) o Fisco deveria observar o princípio da verdade material e aceitar a documentação acostada aos autos; c) inexistiria possibilidade de incidência de multa ou de imputação de juros pelo fato de não haver débitos a serem liquidados; d) no caso, caberia apenas multa por descumprimento de obrigação acessória. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do contrato social consolidado, do despacho decisório, do Dacon, da DCTF retificadora entregue em 29/09/2008, da declaração de compensação, do DARF relativo ao pagamento sob comento e do Razão Acumulado. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração Fl. 160DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.908345/200964 Acórdão n.º 3803003.661 S3TE03 Fl. 160 3 retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para guitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de divida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Segundo o relator a quo, o contribuinte não providenciou a retificação da DCTF que pudesse refletir a alteração pretendida, não tendo havido, ainda, comprovação, com documentação hábil e idônea, do crédito pleiteado. Na sequência, afirmou que o Dacon não se prestava à comprovação do indébito, por ter cunho apenas informativo, não se constituindo em confissão de dívida. Em relação aos juros e multa, argumentou o julgador que, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, eles seriam devidos por se referirem a valores da contribuição compensados em DCOMP transmitida em data pretérita. Ao final, indeferiuse o pedido de sustentação oral por ausência de previsão legal. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa, protesta pela juntada de novos documentos e requer a homologação da compensação ou a baixa do processo à repartição de origem para que se confirmem as informações trazidas aos autos, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: i) o Dacon não tem cunho apenas informativo, pois, se assim fosse, não haveria necessidade de sua existência; ele contém os dados detalhados sobre a base de cálculo e serve para comprovar a contribuição efetivamente devida; ii) uma vez que a contribuição informada no Dacon perfaz o total de R$ 12.451,83 e o declarado em DCTF de R$ 59.704,74, temse a diferença que corresponde ao crédito pleiteado nos autos: R$ 47.252,91; iii) o pagamento indevido ou a maior tem origem na reversão contábil de uma receita de R$ 2.863.812,88 que foi indevidamente lançada no mês de outubro de 2005, por se referir a receita auferida no mês de setembro de 2005; iv) para comprovar a incorreção, junta aos autos cópia do Razão Analítico, na parte referente à conta Receita de Vendas Mercado Interno, que evidencia a receita no mês de setembro de 2005 e o estorno desse mesmo valor no mês de outubro do mesmo ano; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 v) a falta de retificação da DCTF não desnatura o direito creditório pleiteado, devendo este ser reconhecido de ofício pela Administração tributária; vi) o Dacon não pode ser desconsiderado como prova, pois ele fornece os elementos de composição da base de cálculo do tributo; vii) todo erro de forma que não turbe o direito material é passível de retificação, havendo sempre a possibilidade, seja na esfera judicial ou na administrativa, de revisão de procedimentos, declarações e decisões conflitantes, de ofício ou por provocação das partes; viii) a presente demanda deveria ser baixada à Fiscalização para se apurar o erro de fato informado, a fim de descer no detalhe através da documentação acostada aos autos. Anexos à peça recursal, o contribuinte traz aos autos os seguintes documentos: 1) Doc. 01 – cópia da decisão de primeira instância (fls. 97 a 105); 2) Doc 02 – cópia do Razão Acumulado referente aos períodos de 01/10/2004 a 30/09/2005 e de 01/10/2005 a 30/06/2006 (fls. 107 a 108); 3) Doc 03 – cópias de notas fiscais (fls. 110 a 139); 4) Docs. 04, 05, 06 e 07 – planilhas referentes ao faturamento mensal e à apuração das bases de cálculo da contribuição (fls. 141 a 155); É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. O contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.908345/200964 Acórdão n.º 3803003.661 S3TE03 Fl. 161 5 Alegou o então Manifestante que o crédito pleiteado seria líquido e certo e que, em face do princípio da verdade material, ele não poderia ser obstado por meros erros formais no preenchimento da DCTF, nada dizendo sobre a sua origem. Somente no Recurso Voluntário o contribuinte informou que o direito creditório decorreria da reversão contábil de uma receita de R$ 2.863.812,88 que foi indevidamente lançada no mês de outubro de 2005, por se referir a receita auferida no mês de setembro de 2005. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar, em razão do que eles não serão apreciados neste Conselho. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas as razões e as alegações somente trazidas aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. Na primeira instância administrativa foram trazidos aos autos apenas cópia do Dacon, do DARF, da DCTF retificadora e do Razão Acumulado do período de outubro de 2005 a junho de 2006. A DCTF apresentada, embora retificadora, não traz qualquer alteração relativamente aos dados considerados na emissão do despacho decisório, pois o valor da contribuição ali apurado coincide com o recolhido pelo sujeito passivo (R$ 59.704,74). O Dacon não veio acompanhado da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia e o Razão Acumulado não abrange o mês de setembro de 2005, período esse alegado pelo Recorrente como sendo o do auferimento da receita. O Recorrente, para se contrapor à decisão de primeira instância que não homologou a compensação pleiteada, se reporta ao princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade administrativa estaria obrigada a proceder às investigações necessárias à apuração dos fatos, independentemente da retificação da DCTF. Contudo, ressaltese que não existem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. O princípio da verdade material deve ser sopesado dialeticamente com os princípios da celeridade processual, da eficiência, da oficialidade, dentre outros, na tarefa de se reconstruir os fatos sob análise no processo. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do Fl. 163DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). Os motivos de fato e de direito devem ser apresentados desde a primeira instância e as provas trazidas aos autos a destempo somente podem ser acatadas se devidamente justificada e fundamentada a razão de sua intempestividade, nos termos do art. 16, caput, e § 4º do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cujo teor segue transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.908345/200964 Acórdão n.º 3803003.661 S3TE03 Fl. 162 7 O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os motivos e os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Ainda que, em tese, se superasse a ocorrência de preclusão temporal, temse que as provas apresentadas no Recurso Voluntário não são bastantes para comprovar a existência do alegado indébito. Na cópia do Razão Acumulado que abrange o mês de setembro de 2005, consta a receita de R$ 2.863.812,88 (fl. 107), mas na cópia relativa ao mês de outubro do mesmo ano, há apenas o débito de mesmo valor, sem a contrapartida da receita que justificasse a dedução, ou estorno, conforme afirmado pelo Recorrente (fl. 108). As cópias de notas fiscais trazidas aos autos na fase recursal, totalizando aproximadamente R$ 2.820.000,002, foram todas elas emitidas no mês de outubro de 2005, sendo que, prevalecendo a tese do Recorrente, deveriam se referir ao mês de setembro, caso fosse esse o efetivo mês do faturamento respectivo (fls. 110 a 139). As planilhas referentes ao faturamento mensal e à apuração das bases de cálculo da contribuição (fls. 141 a 155) não se encontram acompanhadas da escrituração contábilfiscal respectiva, tratandose de meros demonstrativos elaborados pelo interessado, mas desprovidos da documentação hábil e idônea que os sustentasse, não tendo, por conseguinte, valor probante. Nem mesmo o DARF relativo ao pagamento da contribuição devida no mês de setembro de 2005 foi trazido aos autos pelo Recorrente. Esse elemento probatório se torna imprescindível para se confirmar o recolhimento em duplicidade, em setembro e outubro de 2005, do mesmo valor ora reclamado. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia juntado aos autos cópia do DARF do mês de outubro no valor de R$ 59.704,74, mas nos DARFs relativos ao mês de setembro, também juntados na ocasião, não há a autenticação bancária, conforme ocorre no primeiro, não servindo, portanto, como elemento de prova. Nesse contexto, não se mantêm as alegações do Recorrente. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao sugerir que esta Turma converta o julgamento em diligência para que a Fiscalização confirme os dados informados no Dacon. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 O cálculo aproximado se deve ao fato de que algumas cópias de notas fiscais não se encontram totalmente legíveis. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.908345/200964 Acórdão n.º 3803003.661 S3TE03 Fl. 163 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13896.908345/200964 Interessada: VOITHMONT MONTAGENS E SERVIÇOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.661, de 25 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 25 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11543.004306/2003-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1998 a 30/06/2003
Ementa:
RESPONSABILIDADE PESSOAL DE TERCEIROS.
Incabível a responsabilização pessoal de terceiros (art. 137, I do CTN), se a autuada não logra nem afastar a sua própria responsabilidade, nem vincular eventual ação dolosa de mandatários aos fatos narrados na autuação.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 se configurado o intuito doloso conformador da situação descrita no art. 72 da Lei no 4.502/1964.
MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA.
Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, a Lei no 9.430/1996, art. 44).
PARCELAMENTO. PAES. EXCLUSÃO. APROVEITAMENTO DE PARCELAS PAGAS.
No caso de exclusão do PAES pela não desistência de recurso administrativo, as parcelas já pagas, se disponíveis, podem ser alocadas para quitação parcial dos débitos.
Numero da decisão: 3403-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1998 a 30/06/2003 Ementa: RESPONSABILIDADE PESSOAL DE TERCEIROS. Incabível a responsabilização pessoal de terceiros (art. 137, I do CTN), se a autuada não logra nem afastar a sua própria responsabilidade, nem vincular eventual ação dolosa de mandatários aos fatos narrados na autuação. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 se configurado o intuito doloso conformador da situação descrita no art. 72 da Lei no 4.502/1964. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, a Lei no 9.430/1996, art. 44). PARCELAMENTO. PAES. EXCLUSÃO. APROVEITAMENTO DE PARCELAS PAGAS. No caso de exclusão do PAES pela não desistência de recurso administrativo, as parcelas já pagas, se disponíveis, podem ser alocadas para quitação parcial dos débitos.
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COMISSÁRIA DE CAFÉ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1998 a 30/06/2003 Ementa: RESPONSABILIDADE PESSOAL DE TERCEIROS. Incabível a responsabilização pessoal de terceiros (art. 137, I do CTN), se a autuada não logra nem afastar a sua própria responsabilidade, nem vincular eventual ação dolosa de mandatários aos fatos narrados na autuação. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 se configurado o intuito doloso conformador da situação descrita no art. 72 da Lei no 4.502/1964. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, a Lei no 9.430/1996, art. 44). PARCELAMENTO. PAES. EXCLUSÃO. APROVEITAMENTO DE PARCELAS PAGAS. No caso de exclusão do PAES pela não desistência de recurso administrativo, as parcelas já pagas, se disponíveis, podem ser alocadas para quitação parcial dos débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 43 06 /2 00 3- 75 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 110 a 1321), para exigência da Contribuição para o PIS/Pasep, referente aos períodos de apuração de 11/1998 a 6/2003, acrescida de multa de ofício qualificada e de juros de mora. No Relatório de Infrações Apuradas da autuação (fls. 110 a 116), afirmase que: a) durante o ano de 1998 a empresa passou a adquirir café de produtores pessoas físicas, determinando como local de entregaarmazenagem as dependências da Giucafé Exportação e Importação LTDA (e posteriormente da Giucafé Armazéns Gerais LTDA, ambas as empresas do grupo Giuberti), sendo que no momento da emissão das notas fiscais de venda para as empresas do grupo Giuberti, o café já se encontrava em suas dependências; b) foi constatado que grande parte dos pagamentos consignados na contabilidade da Giucafé como quitação das compras feitas na recorrente haviam sido pagos a outros beneficiários, inclusive à própria Giucafé e a pessoas físicas a ela ligadas (v.g. cheque 21756, pago ao Sr. Jonas Giuberti, mas contabilizado como pagamento à recorrente); c) a Sra. Marlene Giuberti Marcon, gerente financeira, com amplos poderes de administração dos negócios da Giucafé Exportação, é irmã dos sócios gerentes das empresas componentes do grupo Giuberti, e tem ainda procuração para abrir e movimentar contas bancárias em nome da recorrente em todos os estabelecimentos bancários do Espírito Santo; d) o Sr. Carlos Alberto Giuberti (um dos sócios gerentes das empresas componentes do grupo Giuberti), e o Sr. Sérgio Afonso Poltroniere (diretor comercial da Giucafé Exportação) também possuem procuração para representar a recorrente junto a todos os estabelecimentos bancários do Espírito Santo; 1 Toda numeração de folhas indicada nesta decisão se refere à paginação eletrônica no "eprocessos". Fl. 323DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11543.004306/200375 Acórdão n.º 3403001.825 S3C4T3 Fl. 323 3 e) as evidências apresentadas, cooperação financeira, operacional e unicidade de comando, demonstram que a recorrente (apesar de seu quadro societário distinto das empresas do grupo Giuberti) tem sua administração totalmente subordinada à Giucafé Exportação, sendo por ela controlada, em benefício das empresas do grupo Giuberti; f) em observância aos arts. 128 e 135, III do CTN, os créditos tributários lançados contra a ecorrente têm como coresponsáveis as empresas Giucafé Exportação, Giucafé Armazéns, que possuem idêntico quadro societário (composto pelo Sr. Alfredo Giuberti 50%; pelo Sr. Pedro Giuberti 20%, pelo Sr. Carlos Alberto Giuberti 20%, e pelo Sr. Augusto Giuberti 10%); g) em todo o período fiscalizado (1998 a 2002), a recorrente omitiu em suas declarações a totalidade das receitas de vendas de mercadorias, constando na documentação examinada somente as receitas de serviços; h) intimada (em 26/09/2003 fls. 10/11) a justificar a não inclusão nas declarações do referido período do total das receitas de vendas efetuadas em seu nome e apuradas pela fiscalização por meio dos livros fiscais, a recorrente informa (em 02/10/2003 fls. 12) que as diferenças, quando verificadas, foram confessadas à RFB, e parceladas (PAES), estando em dia os pagamentos das parcelas; i) a opção pelo PAES ocorreu em 16/07/2003 (fls. 158), portanto, após o início da fiscalização, que se deu em 20/06/2003 (fls. 2); j) confrontando os valores do faturamento escriturado nos livros fiscais com os declarados nas DIPJ e os débitos informados nas DCTF, verificase que os valores constantes nas DIPJ e DCTF são inferiores aos devidos a título de contribuição para o PIS/Pasep em todos os meses e anos sob ação fiscal; k) o levantamento das bases de cálculo da contribuição foi feito a partir de demonstrativos preenchidos pela recorrente, confirmados com os valores constantes dos livros contábeis, excluindose as exportações comprovadas; l) a consolidação das diferenças encontrase no Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada (fls. 104 a 109); e Fl. 324DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 4 m) além do lançamento de que trata este auto, foram ainda lançados crédito tributários referentes a COFINS, CSLL e IRPJ (na forma de apuração de lucro arbitrado), todos com juros de mora e multa qualificada de 150% (pelo evidente intuito de fraude ação ou omissão dolosa visando evitar ou diferir o pagamento de tributos devidos), e efetuada a correspondente representação fiscal para fins penais. Ciente da autuação em 10/11/2003 (fls. 118), a empresa apresenta solicitação de inclusão dos débitos referentes ao presente processo no PAES, em 14/11/2003 (fls. 156), e impugnação, em 18/11/2003 (fls. 169 a 180), alegando que: a) os débitos foram confessados à RFB por ocasião do pedido de parcelamento datado de 27/8/2003, conforme atesta o Termo de Adesão consoante a Lei no 10.684/2003, já tendo a empresa recolhido quatro parcelas mensais (30/7, 29/8, 30/9 e 30/10) em 2003; b) o parcelamento é modalidade suspensiva tanto da pretensão punitiva quanto da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, VI do CTN), constituindo obstáculo à validade do auto de infração lavrado, e resguardando a empresa quanto à caracterização de crime contra a ordem tributária (Lei no 8.137/1990); c) a empresa não tem quadro societário comum às do Grupo Giuberti, e não integra tal grupo, não estando as empresas relacionadas como coresponsáveis ligadas ao fato gerador da obrigação principal descritas nos autos (sendo elas responsáveis pelo recolhimento de tributos em relação a suas próprias operações comerciais); d) o próprio relatório fiscal relata que a entrega de produtos rurais ocorria na Giucafé Armazéns (em virtude de a recorrente não ter local apropriadao para armazenamento e conservação dos produtos); e) não é possível à autoridade fiscal atribuir responsabilidade ao sóciogerente da empresa, nem a terceiros, por não ser automática a aplicação do art. 135 do CTN e por não ter havido crime; f) os instrumentos de mandato que a fiscalização alega comprovarem a máfé foram efetuados por instrumento público, dentro da lei, e por período certo (1 ano); e g) não possui o agente autorização legal para aplicar penalidade que não lhe compete (referindose à representação para fins penais). Em 2/7/2007, é emitido despacho na DRF Vitória (fls. 234 e 235), informando que a solicitação de inclusão dos débitos do presente proceso no PAES (cf. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11543.004306/200375 Acórdão n.º 3403001.825 S3C4T3 Fl. 324 5 solicitada pela recorrente em 13/11/2003), ocorreu sem a desistência de impugnação administrativa, como exige o art. 4o, II da Lei no 10.684/2003. No despacho, propõese a exclusão da empresa do PAES, o que é feito em 6/7/2007 (fls. 237). Em 22/8/2007, o órgão julgador de primeira instância envia o processo à DRF/Vitória (fls. 241), para que esta informe sobre a ciência e eventual interposição de recurso contra a decisão pela exclusão do PAES. No despacho de fls. 242 (11/9/2007), destacase que a empresa não foi excluída do PAES, mas apenas foram excluídos do parcelamento os débitos referentes ao presente processo, tendo em vista a continuidade da discussão administrativa. A ciência ocorre em 9/12/2009 (AR às fls. 246), e o envio à DRJ em 16/12/2010 (fls. 250). No julgamento de primeira instância, acordase que: a) não se considera instaurado o litígio em relação às empresas assinaladas como coresponsáveis nos termos dos arts. 128 e 135, e a ciência destas e a decorrente impugnação consta apenas do processo no 11543.004307/200310 (referente à autuação de IRPJ e CSLL); b) não se identificou cerceamento de defesa no processo, e a ausência de oitiva quanto à lavratura de representação fiscal para fins penais não enseja nulidade processual; c) o lançamento, em relação aos valores da contribuição, considerase não impugnado, limitandose a empresa a informar que solicitou o parcelamento de tais montantes; d) iniciado o procedimento fiscal (em 20/6/2003), o sujeito passivo perdeu a espontaneidade em relação à matéria, por ter feito a opção pelo PAES em 16/7/2003, e incluído os débitos do presente processo somente em 14/11/2003; e) o lançamento é correto, vez que os débitos em questão foram excluídos do PAES, conforme despacho da DRF/Vitória, em função de não ter sido formalizada a desistência de recurso administrativo; e f) a multa deve ser qualificada, pois o intuito doloso restou comprovado perante a autoridade fiscal a partir da repetição da mesma infração ao longo de todo o período fiscalizado (56 meses), consistente em não declarar as receitas auferidas, registradas na contabilidade da empresa, decorrentes da venda de mercadorias, atividade predominante exercida pela autuada, entendimento alinhado à jurisprudência do CARF. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 6 Cientificada do resultado do julgamento em 27/10/2011 (AR às fls. 268), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 28/11/2011 (fls. 270 a 278), defendendo que: (a) aplicase ao caso descrito nos autos o art. 137, I do CTN, que responsabiliza pessoalmente o agente na prática de infrações que constituam crime; (b) a recorrente ajuizou prestação de contas em face de ditos agentes, tombada sob o no 024.05.0197367, objetivando reconhecer e declarar o ilícito praticado por estes (já havendo decisão transitada em julgado desde 2009 condenando as pessoas citadas a prestarem contas das movimentações financeiras realizadas durante o exercício dos poderes a elas concedidos); (c) a recorrente requer que seja reconhecida a responsabilidade pessoal de tais agentes para excluir a sua condição de sujeito passivo em relação à multa; (d) a recorrente é vítima, assim como o fisco, de ato doloso e de máfé praticado pelos Srs. Carlos Alberto Giuberti, Marlene Giuberti Marcon e Sérgio Afonso Poltronieri, que violaram acordo de vontades pactuado entre as partes e estampado pelos instrumentos procuratórios outorgados; (e) para aplicação da multa de 150% (qualificada), é necessário que se comprove o intuito doloso, o que não ocorre nos presentes autos, isso porque jamais houve por parte da recorrente o intuito de cometer tal ilícito; (f) a recorrente tomou ciência das irregularidades tão somente por conta do início do procedimento de fiscalização (em 20/6/2003) e um mês após fez opção pelo PAES, o que prova que não agiu com dolo, sendo tratada como mais um braço deste suposto esquema; (g) a multa de 150% se reveste de caráter confiscatório, pois no caso em comento não é proporcional aos atos da recorrente, que sequer tinha conhecimento dos atos e ilícitos cometidos pelos agentes e principalmente pelo Sr. Dálcio; e (h) os pagamentos efetuados no parcelamento em que a empresa foi excluída devem ser tomados em conta no presente processo. É o relatório. Voto Fl. 327DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11543.004306/200375 Acórdão n.º 3403001.825 S3C4T3 Fl. 325 7 Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A controvérsia restringese a três tópicos: a) responsabilização de terceiros; b) qualificação da multa de ofício; e c) caráter confiscatório ou não da multa de ofício. Apresentase, ao fim, solicitação para que sejam tomados em consideração eventuais pagamentos efetuados (durante o período de inclusão no PAES) na execução administrativa da decisão proferida por este colegiado. Da responsabilização de terceiros Compulsando os autos, percebese que o Recurso Voluntário apresentado, no que se refere à responsabilização de terceiros, constitui substancial inovação argumentativa. Enquanto na impugnação apresentada ao julgador de primeira instância a empresa argumentava no sentido de expurgar a responsabilidade do chamado “Grupo Giuberti”, afirmando que este não tinha relação com o fato gerador da obrigação, e defendiase da outorga de poderes a pessoas ligadas a tal grupo (para movimentar contas bancárias da recorrente) sustentando que tinha ampla liberdade para fazêlo, agora, no Recurso Voluntário, afirma ter havido atuação com dolo exatamente por parte de tais mandatários, pedindo sua responsabilização pela prática das infrações. Vejamos, para maior clareza, os seguintes excertos da peça impugnatória apresentada ao julgador de primeira instância: “No caso da presente impugnação, a empresa peticionária obteve renda com a alienação e exportação de café captado por seus agentes, contudo, as demais empresas apontadas como co responsáveis encontramse no exercício de suas próprias operações mercantis, não estando diretamente ligadas ao fato gerador da obrigação principal. Destarte, não pode a responsabilidade tributária ser atribuída a outra empresa, posto que não é sua sucessora, sua adquirente, tampouco permanece na continuidade de suas atividades econômicas. [...] As hipóteses de responsabilidades tributárias previstas no art. 135 do CTN não se fundam no mero inadimplemento da sociedade, mas na conduta dolosa ou culposa especificamente apontada pelo legislador, que vem a ser a ocorrência de ato praticado com excesso de poder, infração a lei ou violação do contrato social, por parte do gestor da pessoa jurídica. Caberá, então, se for o caso, ao juiz competente tomar as cautelas de estilo, pela suposta prática de crime, respeitando os limites traçados na lei, não sendo possível ao fiscal ou qualquer outra autoridade administrativa atribuir ao sócio gerente da JD Comissária qualquer conduta criminal com vias a aplicação do art. 135 do CTN, tampouco pretender estender a responsabilidade tributária a terceiros, não sócios da empresa sob comento.” Fl. 328DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 8 No Recurso Voluntário, a empresa admite a responsabilidade pelos tributos, mas não pela multa, que propugna ser aplicável aos mandatários que livremente contratou, na forma do art. 137, I do CTN. Sobre tal artigo, sustenta a recorrente: “É neste sentido que o artigo 137 do CTN trata das excepcionais hipóteses de responsabilidade pessoal do agente. Transcreve o dispositivo: Art. 137. A responsabilidade é pessoal do agente: I quanto a infrações cometidas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular da administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito;” [...] Tal dispositivo enumera situações em que a própria pessoa jurídica sofre os danos causados pela condenável ação daquele que atua em seu nome, de forma que a punição deve ser imposta ao agente, permanecendo a pessoa jurídica na condição de sujeito passivo do tributo, mas não da multa. Temos que o inciso I se relaciona com o presente caso, uma vez versar acerca de infrações mais graves, que, além de agressão à legislação tributária, configuram ilícitos penais. Conforme distinguimos, em matéria criminal, a regra é a punição das pessoas físicas, os agentes e não das entidades em nome das quais atuam. [...] Isto porque jamais houve por parte da recorrente o intuito de cometer tal ilícito, sendo necessário esclarecer que a mesma (sic), assim como o fisco, é vítima do ato doloso e de máfé praticado pelos Srs. Carlos Alberto Giuberti; Marlene Giuberti Marcon e Sérgio Afonso Poltronieri, que ao infringirem o ordenamento jurídico, infringiram de forma grave o acordo de vontades pactuado entre as partes e estampado pelos instrumentos procuratórios que lhe foram outorgados. Neste sentido, é novamente oportuno citarmos a ação de prestação de contas ajuizada pela recorrente em face dos demais, tombada sob o no 024.05.0197367 que objetiva declarar e reconhecer o ilícito praticado por aqueles, aproveitandose dos poderes que lhe foram outorgados, para ao final ser caracterizada (sic) o dolo e responsabilidade pessoal daqueles”. (grifo nosso) Analisandose o exposto pela recorrente, tãosomente em prol da verdade material, face à preclusão consumativa elencada no art. 17 do Decreto no 70.235/1972, temse que esta ou aquela argumentação são igualmente ineficazes para afastar a sua responsabilidade. Como informa a fiscalização, a empresa, em todo o período fiscalizado (1998 a 2002), omitiu em suas declarações a totalidade das receitas de vendas de mercadorias, constando na documentação examinada somente as receitas de serviços. Não há propriamente uma relação entre a ausência de declaração por parte da recorrente e as procurações outorgadas às citadas pessoas para movimentarem contas bancárias em nome da Fl. 329DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11543.004306/200375 Acórdão n.º 3403001.825 S3C4T3 Fl. 326 9 recorrente. Se tais pessoas agiram dolosamente prejudicando a empresa nas movimentações bancárias, compete à empresa civilmente buscar a reparação. Mas isso não tem nexo causal com a total falta de declaração das vendas por parte da recorrente (cuja principal atividade é a venda) durante cinco anos. As procurações foram tãosomente usadas pelo fisco como elemento de vinculação da recorrente ao chamado “Grupo Giuberti”, buscando demonstrar co responsabilidade. Contudo, na presente autuação, constou na sujeição passiva apenas a recorrente, como reconheceu o julgador a quo, que considerou não instaurado o litígio em relação à responsabilização tributária de terceiros envolvidos nos fatos apurados pela fiscalização. De qualquer sorte, a argumentação da recorrente não logra nem afastar a sua própria responsabilidade, nem vincular eventual ação dolosa de mandatários aos fatos narrados na autuação (principalmente a omissão sistemática/reiterada de receitas). Da qualificação da multa de ofício As hipóteses de qualificação da multa de ofício de que trata o art. 44 da Lei no 9.430/1996 estão intimamente ligadas à existência de evidente intuito de fraude (caracterizador das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964, nas quais o elemento comum é o intuito doloso). As situações caracterizadoras do intuito doloso (e a fraude art. 72), apontadas pela autuação e pelo julgador a quo não são objeto de refutação no Recurso Voluntário, limitandose a recorrente a informar que não resta comprovado o dolo e que solicitou, logo após o início da fiscalização, a inclusão no PAES (o que comprovaria que não agiu com dolo). É preciso, aqui, reiterar que restou comprovado que a empresa omitiu em suas declarações todo o faturamento de vendas registrado em sua contabilidade em todo o período fiscalizado (anoscalendário de 1998 a 2002). Destaquese, ademais, que a atividade de venda é a principal atividade da empresa. Aliandose tais fatores aos elementos apontados na autuação, que indicam fortemente a ligação da empresa, à época, a pessoas e atividades do chamado “Grupo Giuberti” (pessoas essas que agora, no Recurso Voluntário, a recorrente vem a reconhecer como infratores), difícil afastar o elemento volitivo. Acrescentemse ainda dois outros excertos do Recurso Voluntário: “Destarte, requer seja reconhecida a ilegitimidade da recorrente no que diz respeito à aplicação da multa em comento, haja vista que esta sequer tinha conhecimento dos fatos na época em que o ilícito ocorreu, impossibilitandoa assim de ter atuado com o dolo tipificado nos artigos supramencionados. [...] conforme já demonstrado, sequer tinha conhecimento dos atos e ilícitos cometidos pelos agentes e principalmente pelo Sr. Dálcio não podendo ser autuada da mesma forma e rigidez que aqueles que evidentemente cometeram o ilícito com dolo”. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 10 É de se reiterar que se afigura irrazoável crer que uma empresa que tenha como principal atividade a venda só tenha descoberto por um procedimento fiscal que não havia declarado nenhuma durante os cinco anos fiscalizados. Procedente, assim, a qualificação da multa de ofício, por estar configurado o intuito doloso conformador da situação descrita no art. 72 da da Lei no 4.502/1964 (fraude). Da natureza da multa qualificada A discussão sobre eventual caráter confiscatório e razoabilidade da multa legalmente prevista extrapola as competências desta corte administrativa, por buscar guarida constitucional para afastar a aplicação de comando legal. O tema já é sumulado no âmbito deste CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Dos pagamentos efetuados no PAES A recorrente foi excluída do parcelamento (PAES) pela não desistência do recurso administrativo. No entanto, informa que já havia pago algumas parcelas antes da exclusão. Assim, requer que seja “deferida a compensação dos valores pagos a título de parcelamento com os valores que ainda são devidos à (sic) título de crédito tributário ora em análise”. O que a recorrente objetivou pagar no parcelamento foi exatamente parte do débito que se discute no presente processo. Assim, cabível a alocação destes pagamentos, se disponíveis, para a quitação parcial dos créditos com exigibilidade mantida no presente julgamento. Pelo exposto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendose integralmente os créditos tributários exigidos na autuação, com os devidos acréscimos (juros de mora) e a multa qualificada, e reconhecendose a possibilidade de aproveitamento, na execução do acórdão, de eventuais parcelas disponíveis que tenham sido pagas em relação a estes mesmos créditos, no parcelamento do qual a empresa foi excluída (PAES). Rosaldo Trevisan Fl. 331DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 16327.001341/2005-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo obscuridade no acórdão quanto aos efeitos práticos da aplicação das teses vencedoras às particularidades específicas do caso, devem ser acolhidos os embargos para esclarecer em que medida a aplicação daquelas teses afeta os valores lançados no caso concreto.
Numero da decisão: 1102-000.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, acolher os embargos interpostos pela contribuinte, para sanar obscuridades contidas no acórdão nº 1102-00.151, de 29.01.2010, para esclarecer que os montantes tributáveis mantidos por esse acórdão são: R$ 32.624,00, para a CSLL do ano-calendário de 2000, e R$ 3.987.215,31, para ano-calendário de 2002, para efeito de IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Albertina Silva Santos de Lima - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Havendo obscuridade no acórdão quanto aos efeitos práticos da aplicação das teses vencedoras às particularidades específicas do caso, devem ser acolhidos os embargos para esclarecer em que medida a aplicação daquelas teses afeta os valores lançados no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, acolher os embargos interpostos pela contribuinte, para sanar obscuridades contidas no acórdão nº 1102 00.151, de 29.01.2010, para esclarecer que os montantes tributáveis mantidos por esse acórdão são: R$ 32.624,00, para a CSLL do anocalendário de 2000, e R$ 3.987.215,31, para ano calendário de 2002, para efeito de IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 41 /2 00 5- 72 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos interpostos pela contribuinte contra a decisão proferida no Acórdão nº 110200.151, de 29 de janeiro de 2010, que restou assim ementado e decidido: “LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996 E 1997 LEI N° 9.249/95 ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 IMPOSSIBILIDADE DECADÊNCIA Antes do advento da Lei n° 9.532/97, o regime de tributação dos lucros das controladas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei n° 9.249/95 qualquer elemento que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Os lucros auferidos durante os anoscalendário de 1996 e 1997 deveriam ser adicionados ao lucro real em 31 de dezembro de 1996 e 1997 respectivamente, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. O lançamento de ofício sob a égide do art. 25 da Lei n° 9.249/95 deve, portanto, reportarse a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador. TAXA DE CÂMBIO a taxa de câmbio a ser observada para conversão dos lucros auferidos pela coligada/controlada estrangeira é o dia 31 de dezembro de cada ano calendário em que foram apurados, pois é nesta data que ocorre o encerramento de cada período base, nos termos dos artigos 25 da Lei n° 9.249/95 e 6°, § 2° da IN SRF n.° 213, de 07/10/2002. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA SOBRE LUCROS APURADOS _ ANTES DE 01/10/1999, POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL Até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 29/06/1999, a CSLL não incidia sobre os lucros oriundos do exterior. Somente a partir de 01/10/1999 os lucros apurados no exterior passaram a integrar a base de cálculo da CSLL, em virtude de sua incidência ter sido instituída pela MP n° 1.8586/99. LEI N° 9.532/97 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL EMPREGO DO VALOR DISPONIBILIZAÇÃO A integralização de capital mediante entrega da participação acionária de controlada no exterior configura o emprego dos lucros em favor da investidora brasileira e caracteriza a disponibilização do valor para fins de tributação, a teor das disposições da Lei n° 9.532/97, em seu art. 1°, § 2°, alínea "b", item 4. (...) ACORDAM os Membros da Primeira Câmara da Segunda Tumia Ordinária em: I Por maioria de votos, RECONHECER a decadência em relação aos lucros auferidos em 1996 e 1997, vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Pires e Sandra Maria Faroni; II DAR provimento PARCIAL ao recurso nos seguintes teimos: Fl. 546DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 4 3 1) Pelo VOTO de QUALIDADE, manter a exigência relacionada à disponibilização dos lucros representada pela transferência da participação societária para integralização de capital de outra empresa. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), José Carlos Passuello e Natanael Vieira dos Santos. Designada para redigir o voto vencedor quanto a esta matéria a Conselheira Sandra Maria Faroni; 2) Por unanimidade de votos: a) AFASTAR a alegação de duplicidade em relação a uma parcela do lançamento; b) AFASTAR a parcela da exigência decorrente da divergência entre a taxa de conversão utilizada pelo contribuinte no oferecimento à tributação e a adotada pela fiscalização; c) AFASTAR a tributação pela CSLL em relação aos lucros apurados até outubro de 1999; d) DETERMINAR a compensação do imposto pago no exterior, nos termos da lei; e) ADEQUAR a exigência a título de compensação indevida de prejuízos ao decidido no presente acórdão”. A autuação fiscal decorre de irregularidades apontadas no Termo de Verificação Fiscal no que diz respeito à disponibilização e à quantificação dos lucros apurados por quatro controladas da embargante, situadas no exterior, quais sejam: 1. Suzanopar Consultoria e Investimentos Lda., situada em Portugal; 2. Suzanopar Consultoria e Investimentos Ltd., situada nas Bahamas; 3. Saligna International; e 4. Nemo International. Segundo a embargante, a decisão embargada, ao analisar conjuntamente os itens objeto do recurso voluntário, sem identificar com precisão em que medida cada item julgado se aplica a cada uma de suas controladas, teria se revelado obscura e omissa, e que a obscuridade e omissão se evidenciaria de forma mais clara ao se verificar que a autoridade fiscal responsável, na Delegacia da Receita Federal de origem, ao tentar quantificar a exigência fiscal remanescente, simplesmente não compreendeu o comando decorrente da decisão proferida pela Turma Julgadora, tendo cometido diversos equívocos na interpretação do julgado, conforme passa a apontar e demonstrar. Tendo em vista que o relator originário do acórdão embargado, bem assim a relatora designada para redigir o voto vencedor quanto à única matéria em que o relator originário restou vencido, não mais integram este Colegiado, foram os presentes embargos a mim redistribuídos para relato, nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF), e, por despacho, foram eles admitidos, a fim de serem apreciados pela Turma. A seguir uma síntese das divergências apontadas. 1. Suzanopar Consultoria e Investimentos Lda., situada em Portugal Fl. 547DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 5 4 A autuação fiscal está calcada no fato de que a transferência, pela contribuinte, de suas quotas nesta controlada para capitalização da Suzanopar Investimentos Ltd. (Bahamas), em 31.07.2000, configura hipótese de emprego de valor, em favor da beneficiária, e, portanto, configura a disponibilização dos lucros por ela auferidos, nos termos da legislação de regência. Consoante o Termo de Verificação Fiscal, foram os seguintes os resultados apurados pela controlada, conforme suas demonstrações financeiras (valores em Escudos): Ano Valor 1996 PTE 971.633.342,00 1997 PTE 1.280.093.450,00 1998 – PTE 1.715.386.168,00 1999 – PTE 3.801.998.127,00 jun/00 PTE 4.000.290.703,00 Observando a determinação contida no parágrafo 1o do art. 5o da IN SRF no 38/96, no que toca à compensação de prejuízos apurados no exterior com os lucros auferidos por uma mesma controlada ou coligada, registrou a fiscalização que o resultado acumulado em junho de 2000 a ser oferecido à tributação totalizava PTE 734.633.200,00. A seguir, converteu o, pela taxa de câmbio de 30.06.2000, para o valor tributável em reais de R$ 6.298.818,52. A decisão embargada assim decidiu, no que importa à análise dos presentes embargos: a transferência das quotas em questão constitui hipótese de emprego de valor e configura a disponibilidade dos lucros; reconheceu a decadência em relação aos lucros auferidos em 1996 e 1997; determinou que a taxa de câmbio aplicável é a da data do encerramento do período de apuração relativo às demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros; afastou a tributação pela CSLL com relação aos lucros apurados até outubro de 1999. A Delegacia da Receita Federal de origem, ao elaborar a “minuta de cálculo” para demonstrar a aplicação concreta do quanto decidido no acórdão embargado à situação específica dessa controlada, observou que: “... os lucros contábeis acumulados dos períodos, 1996 e 1997, não foram objeto de imposição tributária pelo IRPJ ou pela CSLL. Até porque, foram absorvidos integralmente pelos prejuízos correspondentes aos anos de 1998 e 1999, ou seja, o que foi submetido à tributação foi o lucro auferido em 2000 e não aquele correspondente aos períodos em relação aos quais foi reconhecida a decadência pelo acórdão sob comento.” Assim, concluiu que o reconhecimento da decadência sobre os lucros auferidos em 1996 e 1997 não teve efeitos práticos, visto que a imposição tributária ocorreu sobre os lucros acumulados em junho de 2000. Pelos mesmos motivos, tampouco o Fl. 548DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 6 5 afastamento da tributação da CSLL em relação aos lucros apurados até 1999 alteraria a imposição fiscal. A embargante, por sua vez, entende que a correta aplicação dos termos da decisão embargada, ao reconhecer a decadência sobre os lucros auferidos em 1996 e 1997, conduziria à inevitável conclusão de que a controlada possuiria resultado acumulado negativo no momento da transferência de ações, não restando qualquer base tributável para a controlada brasileira, no tocante ao IRPJ. E que, com relação à CSLL, considerandose a não tributação no período anterior à 1999, bem como a taxa de câmbio verificada no dia 31 de dezembro de cada ano de apuração, a base de cálculo tributável pela CSLL deveria ser retificada para R$ 32.624,00, conforme demonstra. 2. Suzanopar Consultoria e Investimentos Ltd., situada nas Bahamas A autuação fiscal está calcada exclusivamente na diferença entre a taxa de câmbio que a fiscalização entendia ser correta (da data dos eventos que caracterizaram disponibilização de lucros, respectivamente 24.09.2001, 30.10.2001, 30.11.2001, por força de duas cisões parciais e uma efetiva distribuição de lucros, e 31.12.2002, por força do parágrafo único do art. 74 da MP 215835, de 24.8.2001), para aquela aplicada pela contribuinte (31.12.2000, para os três primeiros eventos citados, e 31 de dezembro de cada ano em que os lucros foram apurados, no último caso). A decisão embargada assim decidiu, no que importa à análise dos presentes embargos: determinou que a taxa de câmbio aplicável é a da data do encerramento do período de apuração relativo às demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros; reconheceu o direito da contribuinte à compensação do imposto pago no exterior; A Delegacia da Receita Federal de origem, ao elaborar a “minuta de cálculo” para demonstrar a aplicação concreta do quanto decidido no acórdão embargado à situação específica dessa controlada, observou que, com relação aos três primeiros eventos citados, deveria ser utilizada a taxa de câmbio de 31.12.2001, o que fez reduzir os valores devidos, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. A seguir, efetuando a compensação do imposto pago no exterior, conforme determinado pelo acórdão embargado, concluiu que o valor do IRPJ devido em 2001 seria de R$ 8.230.005,08, e o da CSLL seria de R$ 979.193,80. Com relação ao ano de 2002, não é feita qualquer menção expressa, senão quanto ao demonstrado em tabela inserta no início da “minuta”, de que o valor dos tributos devidos neste ano já era zero quando da decisão de primeira instância. A embargante, por sua vez, entende que a correta aplicação dos termos da decisão embargada, ao determinar expressamente o afastamento “da parcela da exigência decorrente da divergência entre a taxa de conversão utilizada pelo contribuinte no oferecimento à tributação e a adotada pela fiscalização”, nada mais fez que validar o procedimento adotado pela contribuinte, i.e., reconheceu que os cálculos por ela efetuados estavam corretos, o que conseqüentemente acarreta o integral cancelamento da exigência em tela. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 7 6 Além disto, destaca a embargante que o cancelamento da exigência implica a recuperação, na mesma medida, dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL apurados pela contribuinte, e compensáveis em outros períodos, fato este que repercutiria na quantificação da matéria tributável em questão no processo no 16327.001342/200517, o que não teria sido levado em conta, contrariando o disposto na decisão embargada, que determinou que fosse feita a adequação da exigência fiscal com respeito à compensação de prejuízos. 3. Saligna International A autuação fiscal, neste caso, também está calcada exclusivamente na diferença de entendimentos sobre a aplicação da taxa de câmbio para conversão dos lucros auferidos pela controlada no exterior. Consoante o Termo de Verificação Fiscal, foram os seguintes os resultados apurados pela controlada, conforme suas demonstrações financeiras (valores em dólares americanos): Ano Valor 1996 US$ 8.394,79 1997 US$ 38.284,52 1998 US$ 37.260,38 1999 – US$ 381,48 2000 – US$ 3.136,73 Observando a determinação contida no parágrafo 1o do art. 5o da IN SRF no 38/96, no que toca à compensação de prejuízos apurados no exterior com os lucros auferidos por uma mesma controlada ou coligada, registrou a fiscalização que o resultado acumulado a ser oferecido à tributação em setembro de 2000, quando do encerramento de suas atividades, totalizava US$ 80.421,48. A seguir, converteuo, pela taxa de câmbio de 29.09.2000, para o valor tributável em reais de R$ 148.273,08, do qual deduziu o valor espontaneamente oferecido pela recorrente, de R$ 90.308,15, conforme sua DIPJ. A decisão embargada assim decidiu, no que importa à análise dos presentes embargos: reconheceu a decadência em relação aos lucros auferidos em 1996 e 1997; determinou que a taxa de câmbio aplicável é a da data do encerramento do período de apuração relativo às demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros; afastou a tributação pela CSLL com relação aos lucros apurados até outubro de 1999. A Delegacia da Receita Federal de origem, na já citada “minuta de cálculo”, não fez qualquer expressa referência a essa controlada, contudo, pela análise dos valores tributáveis por ela considerados mantidos, podese perceber que considerou que a decisão embargada não teve qualquer efeito prático sobre os valores lançados, a exemplo do que exposto no item 1 acima, com relação à controlada Suzanopar Consultoria e Investimentos Lda. (Portugal). Fl. 550DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 8 7 A embargante, por sua vez, entende que a correta aplicação dos termos da decisão embargada, ao determinar expressamente o afastamento “da parcela da exigência decorrente da divergência entre a taxa de conversão utilizada pelo contribuinte no oferecimento à tributação e a adotada pela fiscalização”, nada mais fez que validar o procedimento adotado pela contribuinte, i.e., reconheceu que os cálculos por ela efetuados estavam corretos, o que conseqüentemente acarreta o integral cancelamento da exigência em tela. Além disto, não se poderia desconsiderar que o reconhecimento da decadência em relação aos lucros auferidos em 1996 e 1997 já teria, de qualquer sorte, reduzido significativamente o valor da exigência fiscal. E, que, com relação à CSLL, a decisão do CARF pela sua não incidência nos períodos anteriores à 1999, inevitavelmente levaria à conclusão de que não haveria nenhum valor a ser oferecido à tributação da CSLL, em vista dos prejuízos ocorridos em 1999 e 2000, conforme tabela acima. 4. Nemo International A autuação fiscal está calcada exclusivamente no não oferecimento à tributação, pela contribuinte, de lucros auferidos pela controlada no exterior, com base na previsão do art. 74, da Medida Provisória no 2.15835/2001, conforme tabela a seguir: Ano Valor 2001 US$ 77.493,55 2002 US$ 1.077.576,00 Consolidando o valor, e convertendoo para reais pela taxa de câmbio de 31.12.2002, apurou a fiscalização o valor tributável de R$ 4.081.207,24. A decisão embargada assim decidiu, no que importa à análise dos presentes embargos: determinou que a taxa de câmbio aplicável é a da data do encerramento do período de apuração relativo às demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros; reconheceu o direito da contribuinte à compensação do imposto pago no exterior; Conforme já referido, a Delegacia da Receita Federal de origem, na já citada “minuta de cálculo”, não fez qualquer menção expressa com relação ao ano de 2002, constando da referida minuta tão somente as tabelas que referem que o valor dos tributos devidos neste ano já era zero quando da decisão de primeira instância, e que assim permaneceu após a “adequação dos sistemas da RFB, ao Acórdão proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais”. A embargante, por sua vez, entende que com a aplicação dos dois pontos acima referidos (taxa de câmbio e compensação do imposto pago no exterior), a exigência deveria ser integralmente cancelada, com reflexos na apuração dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL compensáveis em outros períodos. É, em síntese, o relatório. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os embargos foram apresentados tempestivamente e preenchem os pressupostos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Conforme relatado, muito distintas foram as interpretações extraídas a partir do quanto decidido por este colegiado, pelo que cumpre esclarecer devidamente os pontos suscitados. É o que se faz a seguir, por ordem, para cada uma das empresas controladas. 1. Suzanopar Consultoria e Investimentos Lda., situada em Portugal O ponto fulcral para a divergência de interpretações, para o IRPJ, reside na questão da decadência sobre os lucros auferidos em 1996 e 1997, e, para a CSLL, na questão da não tributação dos resultados auferidos nos períodos anteriores a outubro de 1999. Para a embargante, desconsiderandose os lucros auferidos nesses dois anos, o resultado acumulado relativo aos anos seguintes até o momento da transferência de ações seria negativo, pelo que não haveria base tributável para o IRPJ. Já a autoridade administrativa entendeu que a imposição tributária ocorreu efetivamente apenas sobre os lucros acumulados em junho de 2000, vez que os lucros contábeis de 1996 e 1997 teriam sido absorvidos integralmente pelos prejuízos subsequentes, apurados em 1998 e 1999. Penso ser relevante, inicialmente, esclarecer os contornos do raciocínio expendido no acórdão embargado, que conduzem ao reconhecimento da decadência relativa àqueles anos, o que pode ser aqui feito por estar claramente exposto tanto na ementa quanto ao longo do voto condutor, proferido pelo i. Cons. João Carlos de Lima Junior. Conforme ali exposto, antes da Lei n° 9.532/97, aplicável somente aos lucros auferidos a partir de 1998, vigia a Lei n° 9.249/95, que determinava que os lucros auferidos no exterior, no caso, de 1996 e 1997, deveriam ser adicionados ao lucro real em 31 de dezembro de 1996 e 1997, respectivamente. Ainda segundo o relator, não há na Lei n° 9.249/95 qualquer elemento que considere a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência, portanto, a data do fato gerador a ser considerado é, respectivamente, 31 de dezembro de 1996 e 1997, pelo que encontrase decadente, neste aspecto, o lançamento efetuado em 2005. Este foi o entendimento que prevaleceu no aresto embargado, pelo voto da maioria de seus membros, conforme se pode constatar na própria ementa. Neste contexto, o raciocínio expendido pela autoridade administrativa encarregada da execução do acórdão, portanto, não pode prevalecer. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 10 9 Vejase: ressalvando minha posição pessoal em contrário ao que foi decidido pelo colegiado naquele momento, a questão é de fácil compreensão. O lançamento que deveria ter sido feito, no entender da maioria dos presentes àquele julgamento, deveria considerar o fato gerador ocorrido em 1996 e 1997, e não em 2000, como o foi. Aliás, se se pudesse tomar o ano de 2000 como o da ocorrência do fato gerador (pela disponibilização), não estaria o lançamento relativo aos lucros de 1996 e 1997 decadente. Portanto, se alguma disponibilização ocorreu em 2000 — e a Turma entendeu que sim, houve um evento de disponibilização em 30.06.2000 — este evento não pode, de forma alguma, alcançar os lucros auferidos em 1996 e 1997, posto que estes já deveriam ter sido tributados em outro momento. Vale repetir: ao entendimento manifestado pela Turma no acórdão embargado, do qual respeitosamente divirjo, é fácil ver que o lançamento que deveria ou poderia ter sido feito com relação aos anos de 1996 e 1997 não levaria em consideração, portanto, o prejuízo apurado em anos a eles posteriores. Assim, o raciocínio desenvolvido pela autoridade administrativa, de compensar os resultados contábeis positivos de 1996 e 1997 da controlada Suzanopar Consultoria e Investimentos Lda. (Portugal) com os prejuízos de 1998 e 1999, apurados por essa mesma controlada, antes de se determinar qual o montante dos lucros disponibilizados por ocasião da transferência de quotas para capitalização da Suzanopar Investimentos Ltd. (Bahamas) em 2000, somente teria lugar se se considerasse que o referido evento de disponibilização pudesse alcançar os resultados de 1996 e 1997, o que, conforme restou decidido, não pode. Portanto, aplicandose aos lucros auferidos as taxas de câmbio da data do encerramento dos respectivos períodos de apuração, conforme decidido no acórdão embargado, temse que os valores dos lucros passíveis de disponibilização por força do evento de transferência de quotas ocorrido são os constantes na tabela a seguir: Ano Valor em Escudos Taxa Valor em R$ 1998 –1.715.386.168,00 0,0070386 12.073.917,08 1999 –3.801.998.127,00 0,0090127 34.266.268,52 jun/00 4.000.290.703,00 0,0085741 34.298.892,52 * taxas disponíveis na página do Banco Central do Brasil (http://www4.bcb.gov.br) Portanto, resta evidenciado que simplesmente não há matéria tributável relativa ao IRPJ. Com relação à CSLL, tendo em vista a não incidência dessa contribuição sobre os lucros apurados até outubro de 1999, conforme decidido pelo colegiado, e tomandose os mesmos valores constantes da tabela acima, temse que a sua base de cálculo, no caso, corresponde a R$ 32.624,00. 2. Suzanopar Consultoria e Investimentos Ltd., situada nas Bahamas A autuação fiscal, neste caso, conforme já relatado, foi calcada exclusivamente na diferença de entendimentos quanto à taxa de câmbio aplicável para a conversão dos lucros auferidos pela controlada no exterior. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 11 10 Rememorando, foram quatro eventos que caracterizaram disponibilização de lucros: cisão parcial em 24.09.2001, cisão parcial em 30.10.2001, distribuição de lucros em 30.11.2001, e, por fim, disponibilização de lucros em 31.12.2002, nos termos do parágrafo único do art. 74, da MP 215835/2001. Neste caso, não houve propriamente uma divergência de interpretações, entre a autoridade administrativa encarregada da execução do acórdão e a embargante, posto que ambas entenderam que a decisão do colegiado determinou que a taxa de câmbio aplicável é a da data do encerramento do período de apuração relativo às demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros, e que a taxa utilizada pela fiscalização não podia prosperar. A divergência ocorre, no caso, porque, mesmo assim, a embargante e a autoridade administrativa utilizaram taxas diferentes. Tomandose os valores dos resultados desta controlada em dólares americanos, extraídos do Termo de Verificação Fiscal, e aplicandose as taxas de câmbio das respectivas datas de encerramento dos períodos de apuração, elaboramos o quadro abaixo: A embargada considerou, para os três primeiros eventos antes citados, a taxa de câmbio de 31.12.2000, conforme demonstrado na tabela a seguir: A autoridade administrativa, por sua vez, utilizou a taxa de câmbio de 31.12.2001, conforme demonstrado na tabela a seguir: Evidenciase, assim, o equívoco incorrido pela autoridade administrativa encarregada da execução do acórdão, pois é evidente que, dispondo a controlada de um montante de US$ 160.070.623,00 de lucros apurados no ano de 2000, por certo que os lucros que foram disponibilizados nos três eventos ocorridos em 2001, no montante de US$ 91.534.500,00, são aqueles que foram apurados pela controlada em 2000, e não em 2001. Ano Valor em US$ Taxa Valor em R$ 2000 160.070.623,00 1,9554 313.002.096,21 2001 28.055.295,00 2,3204 65.099.506,52 2002 3.569.859,89 3,5333 12.613.385,95 Data Lucros disponibi lizados (em US$) Taxa Lucros disponibi lizados (em R$) 24.09.2001 30.801.922,00 1,9554 60.230.078,28 31.10.2001 50.732.578,00 1,9554 99.202.483,02 30.11.2001 10.000.000,00 1,9554 19.554.000,00 Total 91.534.500,00 1,9554 178.986.561,30 Data Lucros disponibi lizados (em US$) Taxa Lucros disponibi lizados (em R$) 24.09.2001 30.801.922,00 2,3204 71.472.779,81 31.10.2001 50.732.578,00 2,3204 117.719.873,99 30.11.2001 10.000.000,00 2,3204 23.204.000,00 Total 91.534.500,00 2,3204 212.396.653,80 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 12 11 Assim, ratificase o cálculo procedido pela embargante, pelo que não há qualquer matéria tributável, no caso. Com relação ao último evento (disponibilização de lucros em 31.12.2002, nos termos do parágrafo único do art. 74, da MP 215835/2001), desnecessária seria qualquer demonstração, posto que, conforme relatado, sequer há divergência de cálculo ou de entendimento entre a embargante e a autoridade administrativa. Contudo, em prol da clareza, se o faz abaixo: Com isto, ratificase o cálculo da contribuinte e ora embargante, efetuado precisamente nos moldes acima, e confirmase que também deste evento não remanesce qualquer matéria tributável, posto que ela mesma já ofereceu à tributação, de forma espontânea, em sua DIPJ, o referido valor (cfe fls. 227 e seguintes, do Termo de Verificação Fiscal). Para finalizar o tópico, conquanto não seja possível, apenas com os elementos constantes dos autos, confirmar a informação dada pela embargante de que a autoridade administrativa não lhe teria restabelecido os prejuízos apurados, em montante equivalente ao cancelamento desta exigência, fato este que repercutiria na quantificação de matéria tributável em discussão em outro processo (PAF no 16327.001342/200517), tendo em vista os desacertos incorridos pela autoridade administrativa até aqui relatados, e a fim de que reste definitivamente esclarecida a questão, observo que a decisão prolatada pelo colegiado é expressa neste sentido, sendo evidente que o cancelamento das exigências deve se refletir não somente na redução do imposto devido, quando for o caso, mas também na redução da glosa ou redução de prejuízos que tenha sido promovida pela fiscalização. 3. Saligna International A autuação fiscal, conforme já relatado, também foi calcada exclusivamente na diferença de entendimentos quanto à taxa de câmbio aplicável para a conversão dos lucros auferidos pela controlada no exterior. Rememorando, esta controlada encerrou suas atividades em setembro de 2000, ocasião em que a fiscalização considerou disponibilizados os lucros por ela apurados desde 1996. A “minuta de cálculo” elaborada pela Delegacia da Receita Federal de origem, conforme relatado, não fez qualquer referência expressa a essa controlada nem qualquer demonstração de cálculo. Contudo, pela análise dos valores tributáveis do ano de 2000 por ela considerados mantidos — aliás, em montante idêntico ao que havia sido mantido pela decisão de primeira instância — percebese que simplesmente não foi levado em consideração nada do que foi decidido pelo CARF no acórdão ora embargado. Ano Valor em US$ Taxa Valor em R$ 2000 68.536.123,00 1,9554 134.015.534,91 2001 28.055.295,00 2,3204 65.099.506,52 2002 3.569.859,89 3,5333 12.613.385,95 Total 100.161.277,89 211.728.427,38 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 13 12 Neste aspecto, portanto, a obscuridade e omissão, na verdade, encontramse na referida minuta, e não no acórdão proferido. De qualquer sorte, impõese demonstrar, portanto, com a devida e necessária clareza, o que foi decidido pelo colegiado. Tomandose os valores dos resultados desta controlada em dólares americanos, extraídos do Termo de Verificação Fiscal, e aplicandose as taxas de câmbio das respectivas datas de encerramento dos períodos de apuração, elaboramos o quadro abaixo, naturalmente já desconsiderando os resultados auferidos nos anos de 1996 e 1997, pelos motivos já expostos neste voto quando da análise do item 1 (Suzanopar Consultoria e Investimentos Lda – Portugal): Ano Valor em US$ Taxa Valor em R$ 1998 37.260,38 1,2087 45.036,62 1999 381,48 1,7890 682,47 2000 3.136,73 1,9554 6.133,56 Total 33.742,17 38.220,59 * taxas disponíveis na página do Banco Central do Brasil (http://www4.bcb.gov.br) A fiscalização, como se sabe, havia calculado um valor muito superior (R$ R$ 148.273,08), tanto pela utilização de taxa de câmbio diversa, quanto pela consideração dos lucros de 1996 e 1997. Entretanto, antes de consolidar a matéria tributável, a autoridade fiscal deduzira deste montante o valor que já havia sido espontaneamente oferecido pela ora embargante à tributação, conforme sua DIPJ, ou seja, R$ 90.308,15 (cfe fls 229 dos autos), do que restara, portanto, o valor considerado tributável, pela fiscalização, de R$ 57.964,93. Assim, demonstrado que a embargante de fato ofereceu à tributação valor superior ao que seria passível de exigência de ofício, resta improcedente a autuação, não remanescendo, neste ponto, nenhuma matéria tributável. Por outro lado, e ainda que não se esteja nos autos a tratar de repetição de pagamento a maior ou indevido, nem tampouco haja qualquer alegação neste sentido, é fácil perceber que nada há de indevido no oferecimento à tributação, pela embargante, de valor maior que o calculado de acordo com o que decidido pelo CARF. O valor dos lucros oferecido à tributação de forma espontânea pela contribuinte resulta superior porque ela, ao efetuar o cálculo dos lucros disponibilizados quando do encerramento das atividades de sua controlada, corretamente levou em consideração os lucros auferidos em 1996 e 1997. Por fim, com relação à CSLL, tendo em vista a não incidência dessa contribuição sobre os lucros apurados até outubro de 1999, conforme decidido pelo colegiado, e tomandose os mesmos valores constantes da tabela acima, é fácil perceber a inexistência de matéria tributável, em razão da ocorrência tão somente de resultados negativos em 1999 e 2000. 4. Nemo International A autuação fiscal, conforme relatado, está calcada no não oferecimento à tributação, pela contribuinte, de lucros auferidos pela controlada no exterior, com base na Fl. 556DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 14 13 previsão do art. 74, da Medida Provisória no 2.15835/2001, lucros aos quais a fiscalização aplicou, para sua conversão em reais, a taxa de câmbio de 31.12.2002. Superando o fato de não haver qualquer manifestação a respeito na “minuta de cálculo” efetuada pela autoridade administrativa, e indo direto ao ponto, demonstrase a seguir o cálculo correto do valor dos lucros disponibilizados, consoante o que foi decidido pelo colegiado: De se ressaltar que, neste caso, não houve o oferecimento espontâneo, pela ora embargante, dos referidos lucros, conforme se pode comprovar na DIPJ/2003 (fls. 65), que, neste aspecto, reflete tão somente a adição, em 2002, dos lucros disponibilizados pela Suzanopar Consultoria e Investimentos Ltd. (Bahamas), já analisados no item 2 deste voto. Portanto, até aqui, temse que o acórdão proferido pelo CARF reduziu o valor tributável lançado de ofício para o demonstrado na tabela acima. Ocorre que o colegiado também decidiu que o contribuinte tinha direito à compensação do imposto pago no exterior, nos termos da lei, e de acordo com os comprovantes por ele acostados aos autos, compensação esta que não havia sido aceita pela decisão recorrida. Confirase a ementa: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara da Segunda Tumia Ordinária em: (...) 2) Por unanimidade de votos: (...) d) DETERMINAR a compensação do imposto pago no exterior, nos termos da lei;” Neste aspecto, cumpre também transcrever a manifestação do relator do acórdão ora embargado a respeito (grifos acrescidos): “Por fim a Recorrente requereu que, após o julgamento dos itens precedentes, caso ainda fosse mantida alguma cobrança, esta deveria ser compensada com o valor do IRPJ pago no exterior sobre os lucros derivados da Nemo International nos anos de 2001 e 2002, nos termos do artigo 9o da Medida Provisória n° 2.15835 de 24 de agosto de 2001, visto que a Nemo International controla a Clear Springs Holding Corporation, que por sua vez controla a Sun Paper and Board Ltd (Inglaterra), nos anos de 2001 e 2002 teve resultado positivo, devidamente oferecido à tributação, conforme comprovantes acostados aos autos. Ano Valor em US$ Taxa Valor em R$ 2001 77.493,55 2,3204 179.816,03 2002 1.077.576,00 3,5333 3.807.399,28 Total 1.155.069,55 3.987.215,31 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 15 14 A DRJ ao apreciar este tópico entendeu que a análise desta matéria estava prejudicada, pois até a data do julgamento da impugnação por aquele órgão, a Recorrente não havia juntado os documentos pertinentes. No Recurso Voluntário a Recorrente informou que não dispunha de outros documentos comprobatórios que não os comprovantes já apresentados e que esses eram suficientes para comprovar o seu direito. Nesta oportunidade, ao apreciar ambas as alegações, bem como, os comprovantes juntados aos autos, este E. Conselho entendeu que os comprovantes juntados pela Recorrente eram suficientes para corroborar sua alegação. Assim, diante da constatação da existência dos comprovantes nos presentes autos e tendo em vista a legislação permissiva sobre essa matéria, voto no sentido de determinar que a autoridade competente proceda a requerida compensação. Pelas razões acima expostas, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade arguida, acolher parcialmente a preliminar de decadência dos autos de infração referentes aos anos calendários de 1996 e 1997 e, quanto ao mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da Recorrente para afastar a exigência correspondente a conferência de capital como espécie de disponibilização dos lucros, decorrente da reorganização societária dentro do mesmo grupo econômico, uma vez que não houve o uso do valor adicionado pelo lucro em seu beneficio; afastar a tributação da CSLL incidente sobre os lucros apurados até outubro de 1999, bem como determinar que a taxa de câmbio a ser observada na conversão dos resultados é a do dia 31/12 de cada ano calendário em que foram apurados, procedendo a compensação do imposto pago no exterior, nos termos da lei.” Do quanto acima transcrito, o que se conclui é que os documentos acostados pela contribuinte foram considerados pelo CARF hábeis a comprovar as alegações da recorrente. Ou seja, os documentos comprovam que a Sun Paper and Board Ltd (Inglaterra) pagou imposto sobre os seus lucros apurados em 2001 e 2002. Entendo que o CARF, conforme exposto pelo relator do acórdão embargado, também deu guarida ao entendimento de que, por ser a Sun Paper and Board Ltd (Inglaterra) controlada pela Clear Springs Holding Corporation, a qual por sua vez é controlada pela Nemo International, que por seu turno teve os lucros considerados disponibilizados para a embargante, pode esta última servirse do imposto pago pela primeira para fins de compensação com o montante devido no Brasil. Por outro lado, ficou ressalvado que a compensação há de ser feita nos termos da lei, aliás, nem poderia ser outra a decisão proferida pelo CARF. Portanto, necessário se faz esclarecer o que determina a lei a respeito dessa compensação, e, para tal fim, transcrevo o artigo 26 da Lei no 9.249/95, na parte que reputo necessária e suficiente à análise: “Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital Fl. 558DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 16 15 auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. (...)” Do referido dispositivo, extraise que só se há de falar sobre compensação de imposto pago no exterior se houver imposto a ser pago no Brasil. Ocorre que, no caso concreto, no ano da disponibilização dos lucros (2002), a pessoa jurídica não auferiu lucro real positivo. De fato, mesmo com a adição espontânea de R$ 211.728.426,42 relativos aos lucros disponibilizados pela Suzanopar Consultoria e Investimentos Ltd. – Bahamas (item 2 deste voto), a contribuinte apurou prejuízo fiscal de R$ 203.759.036,92, conforme demonstra sua DIPJ (fls. 65). Portanto, a adição de R$ 3.987.215,31, relativa aos lucros disponibilizados pela Nemo International em nada irá alterar o quadro, quanto ao fato de inexistir tributo devido em 2002. Portanto, nada há a ser compensado, no presente auto de infração, a título de imposto pago no exterior. Consolidando e normatizando o quanto disposto nas diversas leis que trataram da matéria, o artigo 14 da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 esclarece precisamente como deve ser feito o cálculo do valor a ser compensado (parágrafos 7o a 11), bem como ressalva, no parágrafo 15, à pessoa jurídica que tenha apurado prejuízo fiscal no respectivo anocalendário em que oferecer à tributação os lucros auferidos no exterior, o direito a compensar o imposto eventualmente pago nos anos subsequentes. Nesta circunstância específica poderia, eventualmente, incidir a embargante. Contudo, tal questão por certo desborda totalmente dos limites da presente lide. Transcrevo abaixo o citado dispositivo: “Compensação do imposto pago no exterior com o imposto de renda devido no Brasil Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. § 1º Para efeito de compensação, considerase imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada ou o relativo a rendimentos e ganhos de capital, o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem. § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento. § 3º Caso a moeda do país de origem do tributo não tenha cotação no Brasil, o seu valor será convertido em Dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em Reais. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 17 16 § 4º A compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais. § 5º Tratandose de filiais e sucursais, domiciliadas num mesmo país, poderá haver consolidação dos tributos pagos, observado o disposto no § 2º do art. 3º e § 5º do art. 4º. § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. § 8º Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal. § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. § 12. Observadas as normas deste artigo, a pessoa jurídica que tiver os lucros de filial, sucursal e controlada, no exterior, apurados por arbitramento, segundo o disposto nas normas específicas constantes desta Instrução Normativa, poderá compensar o tributo sobre a renda pago no país de domicílio da referida filial, sucursal ou controlada, cujos comprovantes de pagamento estejam em nome desta. § 13. A compensação dos tributos, na hipótese de cômputo de lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior, na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá ser efetuada, desde que os comprovantes de pagamento sejam colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal antes de encerrado o ano calendário correspondente. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 18 17 § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá colocar os documentos comprobatórios do tributo compensado à disposição da Secretaria da Receita Federal, a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente ao da compensação. § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. § 16. Para efeito do disposto no § 15, a pessoa jurídica deverá calcular o montante do imposto a compensar em anoscalendário subseqüentes e controlar o seu valor na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). § 17. O cálculo referido no § 16 será efetuado mediante a multiplicação dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real, considerados individualizadamente por filial, sucursal, coligada ou controlada, pela alíquota de quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional, ou pela alíquota de vinte e cinco por cento, se exceder. § 18. Na hipótese de lucro real positivo, mas, em valor inferior ao total dos lucros, rendimentos e ganhos de capital nele computados, o tributo passível de compensação será determinado de conformidade com o disposto no § 17, tendo por base a diferença entre aquele total e o lucro real correspondente. § 19. Caso o tributo pago no exterior seja inferior ao valor determinado na forma dos §§ 17 e 18, somente o valor pago poderá ser compensado. § 20. Em cada anocalendário, a parcela do tributo que for compensada com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, ou com a CSLL, na hipótese do art. 15, deverá ser baixada da respectiva folha de controle no Lalur. Compensação com a CSLL devida no Brasil Art. 15. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição.” Concluindo o presente item, deve ser mantido o valor tributável de R$ 3.987.215,31 para o ano de 2002. 5. Conclusão Consolidando tudo o que foi exposto, da aplicação do quanto decidido pelo colegiado no acórdão embargado ao caso concreto, restam mantidos os valores tributáveis abaixo discriminados: Fl. 561DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16327.001341/200572 Acórdão n.º 1102000.812 S1C1T2 Fl. 19 18 Portanto, é com base nestes valores acima referidos que deve a autoridade administrativa calcular: a) o valor dos tributos devidos; e/ou, se for o caso, b) o montante da redução dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa declarados pela embargante, o que pode implicar reflexos em outros procedimentos fiscais e/ou períodos futuros de apuração. Pelo exposto, acolho os presentes embargos para o fim de integrar o acórdão com as considerações feitas no presente voto, de modo a esclarecer os montantes tributáveis mantidos pela decisão em comento. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Ano IRPJ CSLL Detalhamento 2000 0,00 32.624,00 v. item 1 2002 3.987.215,31 3.987.215,31 v. item 4 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/ 12/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 13811.002396/2001-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas De Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerson Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas De Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerson Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.002396/200116 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.584 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de outubro de 2012 Assunto RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente COLÉGIO AUGUSTO LARANJA Recorrida DRJ SÃO PAULO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas De Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerson Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto RELATÓRIO Cuidam os autos de pedidos de compensação com alegado direito creditório relativo à contribuição para financiamento da Seguridade Social COFINS recolhida entre abril de 1992 e dezembro de 1996. Alega a entidade, supostamente uma sociedade civil constituída para a prestação de serviços relativos a profissão legalmente regulamentada prevista no decretolei 2.397/98, que tais recolhimentos seriam indevidos em face da isenção prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 70/91. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 11 .0 02 39 6/ 20 01 -1 6 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/01/2 013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13811.002396/200116 Resolução nº 3401001.584 S3C4T1 Fl. 6 2 O pedido de restituição que dá suporte às pretendidas compensações foi formalizado junto à SRF em 26 de outubro de 2001, motivo pelo que a decisão guerreada entendeu fulminados quaisquer eventuais recolhimentos efetuados anteriormente a 26 de dezembro de 1996 por aplicação do art. 168 do CTN na forma preconizada pela Lei Complementar 118/2005. Em março de 2001 coloqueio em pauta com proposta de sobrestamento de seu julgamento em observância do art. 62A do Regimento Interno desta Casa. Nos termos então definidos, o recurso foi retirado de pauta pela Sra. Presidente da Segunda Turma desta Câmara. A providência se justificava, então, em razão da pendência, à época, do julgamento do recurso extraordinário nº 561.098 no âmbito do e. Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral determinada, em que o excelso Pretório definiria, como de fato definiu, a retroatividade do art. 4º daquela Lei Complementar. Como sabido de todos, a matéria se encontra já resolvida, tendo a Suprema Corte afastado tal retroatividade e reafirmado que às ações de repetição de indébito ajuizadas anteriormente a 08 de junho de 2005 tem aplicação a tese do prazo de restituição ter o seu marco inicial na data em que se cumprir a homologação prevista no § 4º do art. 150 nos casos de tributos submetidos à espécie de lançamento aí prevista. E este Conselho tem entendido que essa regra se aplica também aos pedidos administrativos de restituição. O julgamento deve, pois, ser retomado. No presente caso, indene de dúvidas, não houve qualquer atividade de homologação expressa relativamente aos períodos de apuração alcançados no pedido, de sorte que somente após a fluência dos cinco anos de homologação tácita é que se iniciaria, em relação a eles, o prazo para a restituição. Afastarseia, pois, por esse motivo a negativa plasmada na decisão recorrida quanto aos períodos de apuração ocorridos entre abril de 1992 e outubro de 1996. Ocorre que esse não foi o único motivo para a denegação do pedido. É que, embora en passant, afirmou o relator da decisão recorrida: 39. No caso em questão, não restou comprovado que o contribuinte efetuou recolhimentos indevidos ou a maior da COFINS nos períodos de apuração compreendidos entre 04/1992 e 11/1996, sendo mantido o indeferimento do pedido. O recurso voluntário traz tópico, aparentemente direcionado a combater essa afirmação, nos seguintes termos: Na decisão recorrida, alega o FISCO que a recorrente não apresentou os documentos de arrecadação de tributos ; e que as DARF‘ s não constam a autenticação bancária, hábil à comprovação do pagamento dos mesmos, constatando somente a expressão COMPENSADOS CONFORME LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA autuado sob o no 97.00574091 (7a Vara) ou 97.00574113 (1ª Vara) Notase que a resposta da Recorrida é a própria fundamentação. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/01/2 013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13811.002396/200116 Resolução nº 3401001.584 S3C4T1 Fl. 7 3 A Compensação é uma das formas de pagamento prevista no artigo 368 do Código Civil, exatamente no Capítulo VIII do Título III "Do adimplemento e extinção das obrigações". Assim, resta claro que as DARF's apesar de não terem sido recolhidas no banco, foram compensados, ou seja, pagos sob outra modalidade, qual seja, a própria compensação, ADEMAIS, todas as guia darfs pagas, já constam do sistema informatizado da SRF, dispensandose a sua juntada, face ao enorme volume de documentos. Nos termos em que formulada, tal resposta induz a achar que a entidade considerou que a decisão estivesse a contestar a existência dos próprios recolhimentos de COFINS, supostamente indevidos, quando, aparentemente, o n. relator a quo apenas os considerara inexistentes em face da decadência reconhecida. Se correta essa dedução, estaria ela a afirmar que, de fato, nada recolheu, mas sim compensou os débitos de COFINS com algum outro tributo também indevidamente recolhido. Essa conclusão, no entanto, se mostra em desacordo com as provas dos autos: DARF às fls. 31/125 em que constam claramente as autenticações bancárias comprobatórias dos recolhimentos. A outra fundamentação do acórdão de primeiro grau foi a inexistência do direito em razão de a entidade – reconhecida como sendo mesmo uma sociedade civil enquadrada nas disposições do decretolei 2.397 – ter optado pela tributação pelo lucro real. Enfatizo que não tem relevância, no caso, a revogação da isenção prevista na Lei 9.430 – embora sobre ela se tenham estendido a postulante e o relator a quo – pois todos os períodos objeto do pedido lhe são anteriores. Apresentou, posteriormente, a entidade petição de desistência de seu recurso no que respeita às compensações com débitos de IRRF (fls. 988 e ss), mantendoo, todavia, quanto à decadência e à existência do indébito. É o Relatório. VOTO Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A tempestividade do recurso já fora aferida quando o coloquei em pauta pela primeira vez. Ratificoa aqui para justificar que dele conheçamos. Procurei deixar registrado no relatório que apenas lidamos aqui com os períodos de apuração anteriores à entrada em vigor das disposições da Lei nº 9.430. Nesses termos, a fundamentação relevante para o indeferimento do pleito do contribuinte – afastada a decadência por força da decisão do STF – é, tãosomente, a opção por ela feita quanto à tributação pelo imposto de renda. Deveras, a decisão guerreada, assumindo tratarse mesmo de uma sociedade civil enquadrável nas disposições do Decretolei nº 2.397, apenas negou o direito postulado porque a isenção prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 70 restaria afastada quando tais sociedades optassem por recolher o IR sobre o lucro real apurado. Não comungo tal entendimento, como já tive oportunidade de registrar em outras ocasiões: a apuração do IR em nada afeta a isenção concedida; o que se tem de apurar é Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/01/2 013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13811.002396/200116 Resolução nº 3401001.584 S3C4T1 Fl. 8 4 se a entidade, de fato, se enquadra nas disposições daquele decreto, isto é, se é mesmo uma sociedade constituída para que seus sócios exerçam uma atividade civil regulamentada em lei. A entidade afirma em seu recurso ser este o caso da profissão de professor, citando a lei que a regulamenta, e que é constituída apenas por dois sócios, ambos legalmente habilitados a tanto. Ocorre que as exigências do Decretolei, a meu ver, não param aí. De fato, como acima indiquei, o que pretendeu ele alcançar foram aquelas pessoas jurídicas constituídas por profissionais legalmente habilitados ao exercício de uma profissão e que a isso, efetivamente, se dedicam. Em outras palavras, uma sociedade de professores em que os sócios – professores que são – exercem, por meio da pessoa jurídica constituída, a sua profissão. Não por outro motivo, tais disposições alcançam escritórios de advocacia, contabilidade, economia etc, bem como consultórios médicos, odontológicos e assemelhados em que os próprios sócios exercem suas atividades. A contrário senso, no entanto, não alcançam colégios, clínicas, laboratórios e que tais, ainda que essas pessoas jurídicas contem entre os seus sócios apenas com professores, médicos, biomédicos etc legalmente habilitados ao exercício das profissões nelas exercidas por outros profissionais assalariados. E nesse sentido, chama a atenção o fato de que a postulante – um colégio, como já dito – juntou DARF de recolhimento por quatro CNPJ diferentes, indicando ser constituída por quatro estabelecimentos distintos. Improvável, nesses termos, que as atividades de ensino aí empreendidas o sejam pelos dois únicos sócios constantes de seu contrato social. Improvável, no entanto, não é certo, de modo que vejo a necessidade de que o processo seja baixado em diligência para que a fiscalização confirme, ou não, que as atividades de ensino desempenhadas o são de forma exclusiva ou pelo menos preponderante pelos sócios constantes de seu contrato social, bem assim que estes realmente detêm a habilitação necessária. Tal providência se mostra imprescindível, ao meu ver, especialmente porque, até esse momento, tal exigência não foi mencionada em nenhuma das decisões já proferidas, tendo, tanto a DRF como a DRJ, denegado o pedido por outros fundamentos. E apenas se cumpridos os requisitos, deve a fiscalização apurar o montante pleiteado mesmo nos períodos de apuração para os quais as decisões anteriores entenderam prescrito o direito. Imprescindível também que dos resultados da diligência seja dada ciência à empresa para se pronunciar, se quiser, no prazo de trinta dias. Voto, pois pela conversão do julgamento em diligência que: 1. apure se os sócios da entidade no período de abril de 1992 a novembro de 1996 estavam habilitados ao exercício da profissão de professor e se efetivamente a exerceram na entidade postulante ainda que existam outros professores assalariados; 2. na hipótese de cumprimento do requisito acima para que a entidade possa ser considerada uma sociedade civil para prestação de serviços de profissão regulamentada, e apenas nessa hipótese, verifique o montante do indébito decorrente dos recolhimentos comprovados relativos aos períodos de apuração ocorridos entre abril de 1992 e novembro de 1996; Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/01/2 013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13811.002396/200116 Resolução nº 3401001.584 S3C4T1 Fl. 9 5 3. esclareça quais os objetos das demandas judiciais dos mandados de segurança nºs 97.00574091 e 97.00574113 impetrados pela entidade. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/01/2 013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000018/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE
A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso Voluntário Negado
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RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 00 18 /2 01 0- 64 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000018/201064 Acórdão n.º 2402003.015 S2C4T2 Fl. 267 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento realizado em 19/01/2010. O crédito é decorrente da receita bruta auferida pelo produtor rural pessoa física proveniente da comercialização da sua produção. As contribuições lançadas não foram descontadas dos produtores rurais por ocasião da comercialização do produto rural (operação de compra) para que fossem repassadas à Previdência Social ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (órgãos competentes para fiscalizar e arrecadar a contribuição). Seguem transcrições do relatório fiscal da infração e do acórdão recorrido: 1. Este relatório é parte integrante do AI Auto de Infração — DEBCAD n° 37.266.8313 (Processo n° 14098.000018/201064) referente a contribuições devidas e não recolhidas a Outras Entidades e Fundos (ou recolhidas em valor inferior), cujos recolhimentos não foram comprovados pela autuada, bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação da Receita Federal do Brasil. ... 5.Assim, constituem fatos geradores dos tributos ora lançados neste Auto de Infração: 5.1 Levantamento PR e PR1 Período de lançamento: 01 a 11/2005 Do confronto entre os documentos e informações apresentados no curso da ação fiscal e as informações constantes do sistema de informações da Receita Federal do Brasil, prestadas através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou proceder ao recolhimento das contribuições destinadas ao SENAR, por ela devidas, alíquota de 0,2%, na condição de sujeito passivo subrogado (Lei 8212/91, artigo 30, inciso IV), em vista disso, foram constituídos, através deste Auto de Infração, os créditos correspondentes. ... PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O julgamento, no processo administrativo fiscal, consiste na verificação da consentaneidade do lançamento à legislação cm vigor. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. É devida a contribuição do produtor rural pessoa física para o Serviço Nacional de Aprendizado Rural, incidente sobre a comercialização da produção, a ser recolhida, por subrogação, pela empresa adquirente. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Inicialmente, não podemos deixar de anotar que, desde a Roma antiga há uma preocupação com o estabelecimento de penas pecuniárias excessivas, ensejando que as multas estabelecidas além dos limites de pagamento do devedor eram nulas e não podiam ser convertidas em outra espécie de pena. Dessa forma, todo o sistema de incidência de penalidades pecuniárias deve guardai o estabelecimento de multas em valores limitados à condição de pagamento do contribuinte, sem abusos e dentro de limites, sob pena de nulidade da aplicação da pena. A existência de um limite na imposição das multas é instrumento de proteção que não pode ser ignorado. Rui Barbosa Nogueira relata os absurdos que aconteciam na Rússia pela participação de fiscais na arrecadação das multas, os quais, visando a uma maior remuneração, extrapolavam no estabelecimento das penalidades, nestes termos: Para estimular estes esbirros o Ukase instituía tentadora recompensa: os fiscais passaram a ter participação no resultado das multas que impunham. Tal instigação oficial à delação gerou o mais odioso abuso de poder. Os fiscais se transformaram em inquisidores e interessados. Sob ameaça de terríveis acusações extorquiam resgates de sua vítimas. Mesmo os inocentes se apavoravam só com as ameaças de denúncias ou falsas acusações. Porém, em justa revisão, o Oberfiskal Nesterov foi condenado por falsidades e malversações. Este velho de cabelos brancos, que tanto vinha apavorando os lares russos foi, inicialmente, submetido a suplícios lentos e gradativos. Depois, o carrasco, arrastandoo até o rompimento de seus braços e pernas, chegou ao cepo, sobre o qual lhe decepou a cabeça. " Por tudo isso é que, Pedro, o Grande, suprimiu a instituição do Oberjiscal" Nesse sentido, existe toda a base filosófica e histórica para levarmos a destaque a discussão de que, se as multas fiscais, mesmo sendo penalidades, e por conseguinte não tendo a natureza jurídica de tributos, observam princípios adstritos à tributação. Na nossa visão, as multas fiscais devem observar os princípios e limitações ao poder estatal de imposição de tributos, sob pena da possibilidade de haver violação de direitos e garantias dos contribuintes pela via oblíqua da imposição de penalidades tributárias. Os comentários sobre o tema de Ramon Costa, Nelly Blengio e Arenco Sayagues são no seguinte sentido: (transcreve lição doutrinária) Dessa forma, não há dúvida que a aplicação das penalidades fiscais não pode extrapolar direito e garantias do contribuinte. A conclusão da aplicação às multas fiscais dos limites constitucionais ao poder de tributar passa pelo seguinte parâmetro inicial: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000018/201064 Acórdão n.º 2402003.015 S2C4T2 Fl. 268 5 1. Uma regra que obriga um elemento principal deve ser válida para os elementos acessórios. 2. Deve haver a unidade de princípios que regulamentam toda a tributação, sob pena da possibilidade de não cumprimento das garantias do contribuinte através da inobservância dos princípios no estabelecimento das multas, com conseqüente fragilização das proteções em face a abusos do Fisco. A nossa idéia não é nova, já que J. Rildo Medeiros Guedes assim entendeu: "Tanto os juros de mora como as multas, que representam um decréscimo patrimonial, têm caráter de reparação e de penalidade, como conceituadas, respectivamente, nas legislações civil e penal e, por conseguinte, constituem acessório do principal. E, na qualidade de acessório, por uma questão de lógica e princípio acompanha o principal, constituindose, a partir daí, num todo indivisível, como acontece, por exemplo, com um imóvel edificado, onde o terreno é o principal e a construção o acessório. " Com efeito, na formação do estabelecimento do vínculo obrigacional tributário, que decorrerá da lei, deverá o legislador infraconstitucional observar os ditames previstos nas limitações ao poder de tributar. Ou seja, na edição de lei instituidora que balizará a formação da relação obrigacional devem ser observadas as limitações constitucionais sob pena de inexistência de vínculo jurídico obrigacional e conseqüente impossibilidade de cobrança do tributo. Nesse viés, não se pode olvidar os princípios constitucionais tributários nas normas relativas à exigência de obrigação tributária principal. Nessa linha de raciocínio, não podemos esquecer que o acessório segue o principal e que, se na edição das normas relativas à obrigação principal, é compulsória a observância de princípios constitucionais de limitação ao poder de tributar, da mesma forma e com razão, nas normas que dispõem sobre obrigações acessórias também devem observar as limitações ao poder de tributar. Não haverá cobrança de multa se a obrigação principal deixar de existir por vício no vínculo obrigacional, qual seja, a lei. A lei que estabelece o vínculo principal deve ser elaborada dentro dos limites constitucionais, se assim não for, as multas fiscais, principalmente as moratórias, também não serão exigíveis, em vista da descaracterização da obrigação principal. A argumentação de que multa não é tributo, e por isso não pode na sua imposição observar os princípios tributários, não procede, uma vez que não se está tributando atividade ilícita, mas tão somente se verificando que na atividade de tributação os princípios de proteção ao contribuinte devem ser regrados de Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 maneira una e indivisível, sob pena de inobservância por via oblíqua da própria Constituição. Assim, o tratamento dispensado às multas fiscais deve ser o mesmo atribuído aos tributos, pois ambos têm a mesma natureza e integram originariamente os créditos tributários, como expressamente declara o Código Tributário Nacional." Por tudo isso, chegamos à conclusão de que, na edição de leis que estabelecem sanções relativas ao não pagamento de tributos no prazo e de outros deveres formais, o legislador está obrigado a observar os princípios das limitações ao poder de tributar, uma vez que a essência de formação do vínculo jurídico está adstrita àqueles princípios, independentemente de, na origem, o valor devido ser pela incidência de penalidade, tendose que ao final os valores serão convertidos em obrigação principal com todas as garantidas para o Fisco e para o contribuinte (limitações constitucionais ao poder de tributar). E mais que: Em se tratando de lançamento de oficio de multa de 75% (setenta e cinco por cento), consagrada como teto menor foge a qualquer parâmetro de normalidade, pois está acrescido dos juros moratórios que dobram o valor do lançamento originário em aproximadamente 36 meses. É o Relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000018/201064 Acórdão n.º 2402003.015 S2C4T2 Fl. 269 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito, verificase que se trata de lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2005 a 31/12/2005, quando já vigente a Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/1998 que incluiu a competência para a instituição de contribuição previdenciária sobre a receita e o faturamento. Logo, a atual decisão do STF pela inconstitucionalidade formal do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 não se aplica ao presente caso. Reproduzo o voto da ilustre Conselheira Ana Maria Bandeira que aborda ampla e pontualmente os fundamentos adotados por este relator: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000018/201064 Acórdão n.º 2402003.015 S2C4T2 Fl. 270 9 É sabido que está em julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Ou seja, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não estava albergada na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97. Tal inconstitucionalidade residiria no fato de que seria necessária lei complementar para a instituição da contribuição incidente sobre a comercialização da produção do empregador rural pessoa física. Esta exigência decorreria do art. 195, §4º, da Carta Magna Até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável. Assim, a Lei nº 8.540/1992 ao instituir contribuições sobre receita bruta sobre a comercialização da produção dos produtores rurais pessoas físicas levou ao questionamento sobre sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do STF no julgamento do RE 363.852. No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao art. 195, inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que: Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição Federal passa a admitir a receita como base tributável para as contribuições previdenciárias. Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Cumpre enfatizar que o fundamento jurídico adotado pelo Relator no julgamento do RE 363.852 demonstra que apenas foi abordada a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei 8.212/91 conferida pela Lei 8.540/92, não havendo apreciação da constitucionalidade da redação atual do art. 25 da Lei de Custeio, conferida pela Lei 10.256/01 e, segundo o Ministro Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC 20/98 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, ao menos no que tange à necessidade de Lei Complementar para sua instituição, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: ...conheço e dou provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, Fl. 275DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000018/201064 Acórdão n.º 2402003.015 S2C4T2 Fl. 271 11 fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. (g.n.) Asseverese que a contribuição lançada com fulcro no dispositivo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a constitucionalidade confirmada pelo Judiciário conforme se depreende da decisão abaixo colacionada: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) No presente caso, a contribuição cuja omissão em GFIP levou à lavratura do presente Auto de Infração, referese a período posterior à edição da Lei nº 10.256/2001, portanto, sob a vigência da mesma. Além disso, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito que ampararam o lançamento da obrigação principal correspondente, cujo recurso também foi objeto de análise por parte desta conselheira, verificase que a contribuição foi lançada com fundamento nos dispositivos já na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Assim, a meu ver, não há que se sobrestar os presentes autos em razão de não estarmos diante recurso que se enquadre no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Com relação à multa aplicada, verifico que a fiscalização realizou comparativo entre multa de mora e multa de ofício para que a recorrente se beneficiasse da retroatividade benéfica e, no caso, como sustenta a recorrente não foi aplicada multa de ofício. Por fim, a recorrente insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais; no entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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