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Numero do processo: 19515.004686/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 68 6/ 20 10 -1 6 Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004686/201016 Resolução nº 2401000.421 S2C4T1 Fl. 2.555 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS, em face do acórdão de fls. que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.312.6263, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que o lançamento foi realizado em razão da recorrente terse declarado como entidade isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, informação esta inverídica, tendo em vista que esta não cumpria os requisitos legais para usufruir tal benesse. Foram considerados como motivos que afastavam o seu direito à isenção: (i) A empresa possui o Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS, mas não possui um Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido, conforme resolução n° 73, de 15 de outubro de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 23 de outubro de 2008, que anulou o julgamento anterior que deferia a renovação do referido certificado. (ii) Além de não possuir o certificado, o fiscal aderiu às suas razões o fato de a que a empresa possuía um ato de isenção deferido o qual, no entanto, foi cancelado em 25/04/2007 com a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais n. 001/2007 por infração aos incisos III, IV e V do artigo 55 da lei n° 8.212/91 (por não promover assistência social beneficente e por conceder remuneração/vantagens aos diretores e sócios). Fora constatado o descumprimento aos incisos III e IV desde janeiro de 1995 e do inciso V, todos do art. 55 da lei 8.212/1991, a partir de janeiro de 2004. Contra o Ato Cancelatório, a empresa apresentou recurso, o qual chegou a ser objeto de apreciação por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que através do acórdão n. 2401000.064, negoulhe provimento, mantendo incólume o Ato Cancelatório de isenção. O período apurado compreende a competência de 01/2004 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/12/2010 (fls. 1.721). A DRJ reconheceu a decadência com base no art. 173, I do CTN, excluindo do lançamento as competências até 11/2004. Em seu recurso, sustenta que a decadência deve ser aplicada com base no disposto no art. 150, §4o do CTN. Defende que deve ser reconhecida como entidade isenta das contribuições, já que, diferentemente daquilo o que restou decidido no acórdão de primeira instância, possui o registro no CNAS e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido para Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004686/201016 Resolução nº 2401000.421 S2C4T1 Fl. 2.556 3 todo o período o objeto do presente Auto de Infração, não havendo que se falar no descumprimento dos requisitos legais ou mesmo afastamento de seu cara´ter filantrópico. Que em razão de estar acobertada por uma imunidade, não há que se exigir da recorrente regras ou condições impostas por legislação infraconstitucional, no caso a Lei 8.122/91. Aponta que de acordo com seu estatuto social se caracteriza como entidade filantrópica, sem fins econômicos, que tem por finalidade o desenvolvimento de atividades associativas, científicas, culturais, esportivas, assistenciais, sociais e de lazer, sendo que nenhuma de suas atividades remunera seus diretores e mesmo o patrimônio da associação não é partilhado entre os seus sócios em caso de dissolução da mesma, cumprindo, assim os requisitos do art. 14 do CTN. Argui que não possui finalidade econômica de forma a atrair a incidência das contribuições previdenciárias por não possuir faturamento, entendido como a receita proveniente da venda de bens e serviços, na forma da redação do art. 195, I, da Constituição Federal, mas apenas por auferir receitas decorrentes de recebimentos de caráter geral pelo exercício de sua finalidade filantrópica. Alega que diante de entendimento equivocado o CNAS cassou a isenção que possuía para o triênio de 2000 a 2003, sendo que tal providência não tem o condão de determinar a cassação da isenção para o período objeto do presente lançamento, nos anos de 2004 a 2006, período em que cumpria os requisitos legais. Afirma que o indeferimento de seu pedido de isenção na data de 25/04/2007 não pode retroagir para reconhecer que esta não possuía o benefício da isenção para o período de 2004 a 2006 Arremata repudiando a inclusão de verbas consideradas como indenizatórias na base de cálculo das contribuições previdenciárias, a exemplo do abono de férias e aviso prévio indenizado, as quais devem ser extirpadas do lançamento. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004686/201016 Resolução nº 2401000.421 S2C4T1 Fl. 2.557 4 VOTO Conselheiro Igor Araujo Soares Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Antes mesmo de se adentrar ao mérito das alegações constantes no Recurso Voluntário, ao analisar detidamente os autos do presente processo, entendo ser necessário um prévio esclarecimento acerca de situação fática que envolve o lançamento. Conforme já relatado, as contribuições objeto do presente Auto de Infração foram lançadas em decorrência do reconhecimento de que a recorrente não mais possuía o direito à isenção das contribuições patronais, por não possuir o CEBAS válido para o período da autuação, a teor da Resolução n. 73/2008 do CNAS. Verifico que o ilustre fiscal também aderiu às suas razões o fato da recorrente ter sido alvo de fiscalização anterior que culminou na cassação de sua isenção no período dos anos de 1995 a 2005, conforme Ato Cancelatório n. 01/2007. Fato é que são cobradas pela via do presente processo as contribuições dos anos de 2004 a 2006, as quais, em parte, estariam englobas no período em que fora cassada a isenção da recorrente em decorrência do julgamento do Ato Declaratório n. 01/2007. Todavia, ao analisar o teor da Resolução 73/2008, verifico que dela não consta o período no qual entendeu o CNAS a recorrente não possuía o CEBAS válido, mas tão somente a indicação do processo administrativo do qual se originou e os motivos da sua não renovação. Às fls. 1.545 dos autos consta o inteiro teor da Resolução 73/2008 do CNAS, sobre a qual fez referência o relatório fiscal do Auto de Infração. Confirase: RESOLUÇÃO N' 73, DE 15 DE OUTUBRO DE 2008 0 CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CNAS, em reunião realizada nos dias 14, 15 e 16 de outubro de 2008, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art 18 da Lei N' 8.742, de 7 de dezembro de 1993, resolve: I ANULAR o julgamento anterior que deferiu o pedido de Renovado do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, simultaneamente, INDEFERIR o pedido de RENOVAÇÃO DO CEAS (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social) das seguintes entidades, por elo atenderem aos requisites legais constantes nos Decretos N' 752, de 16 de fevereiro de 1993, N' 2.536, de 6 de abril de 1998, e na Resolução CNAS N' 177, de 24 de agosto de 2000: I) Processo N' 71010.002491/200311 • ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS APCD Sao Paulo/SP CNPJ: 47.331.822/000119. Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004686/201016 Resolução nº 2401000.421 S2C4T1 Fl. 2.558 5 Motivo: 1) Inciso 1, art. 63 da Lei N' 9.784/99 (o recurso ela seri conhecido quanto interposto: fora do prazo); 2) Incise 1, da Resolução CNAS N' 66, publicada no DOU em 17/04/2003 (não está em conformidade com os princípios contábeis) ; 3) Inciso X, art. 4° da Resolução N' 177/00 e inciso II, art. 3° do Deem° 2.536/98 (documento de inscrição da entidade no Conselho Estadual de Assistência Social do Município CMAS, se houver, ou Conselho Estadual de Assistência Social do Distrito Federal) ; 4) § union, art. I°, da Resolução N' 191/2005 (não an caracterizam como entidades e organizações de assistência social as entidades reli giosas, temples, clubes esportivos, partidos politicos, grEmies estudantis, sindicatos, e associa ções que visem somente no beneficio de seta associados que dirigem suas atividades a publica rertrito, cate goria ou classe). Resta claro que referido documento não faz qualquer alusão ao período a que se refere a não renovação do CEBAS. Dessa forma, entendo que para uma completa análise dos autos do presente processo, sobretudo a própria tese de defesa objeto do recurso voluntário, há de se apurar sobre qual o período se referia a Resolução 73/2008 do CNAS, extraída dos autos do processo administrativo n. 71010.002491/200311, de modo a se perquerir se a isenção fora cassada durante todo o período objeto do presente lançamento ou apenas parte dele. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando a baixa dos autos do presente processo para que sejam juntadas aos autos as decisões tomadas nos autos do processo administrativo n. 71010.002491/200311 e para que informe o ilustre fiscal a quem incumbir o cumprimento da presente resolução qual o período no qual a recorrente não possuía o CEBAS válido e que fora considerado como justificativa ao presente lançamento. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 p or ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.722515/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. O Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto declarou-se impedido.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. O Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto declarou-se impedido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.722515/201157 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.480 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2014 Assunto RESSARCIMENTO PIS E COFINS Recorrente SADIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. O Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto declarouse impedido. Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de PIS e Cofins e consectários legais, relativo à aquisição de insumos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 22 51 5/ 20 11 -5 7 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722515/201157 Resolução nº 3201000.480 S3C2T1 Fl. 94 2 O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep referente ao segundo trimestre de 2005, no valor de R$ 1.647.583,94. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus créditos. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722515/201157 Resolução nº 3201000.480 S3C2T1 Fl. 95 3 Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito a se defender desta decisão. Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, as Declarações de Compensação, além de que, da sua apresentação até a ciência do despacho decisório à contribuinte, não teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722515/201157 Resolução nº 3201000.480 S3C2T1 Fl. 96 4 Quanto ao ônus probatório, afirma que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, reiterouse os argumentos iniciais, sendo que o patrono da Recorrente, apresentou protocolo de juntada de laudo técnico, no qual se descreveria e demonstraria, a aplicação dos itens em relação aos quais se pleiteia os créditos, protocolado aos presentes autos. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Nesse contexto, a Recorrente apresenta laudo técnico, de instituição abalizada, que suportaria essas alegações. Ademais, do andamento processual, verificase que, em 31/08/2012, há termo de juntada física aos autos, de CDs que, em tese, conteriam as informações requeridas pela fiscalização, conforme se verifica do teor do documento: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. O posicionamento adotado por essa Relatora é no sentido de prestigiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal, e, por conseguinte, aceitar a juntada, ainda que extemporânea, de documentação que seja relevante para o deslinde da controvérsia. Não obstante, e, especialmente, por se tratar de fase adiantada do rito processual administrativo, essa exceção, deve, da mesma forma, resguardar os interesses fazendários, de sorte que deve ser aberta a oportunidade para que a Fazenda Nacional manifestese, em homenagem ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. Em face do exposto, proponho a conversão do presente processo em diligência, a fim de que a autoridade preparadora disponibilize o conteúdo dos CDs anexados no e processo, para que seja possível analisar o seu conteúdo. Após, seja dada ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional para que, querendo, manifestese, e após, retornem os autos a essa Turma de Julgamento, para o prosseguimento da apreciação do litígio. (assinado digitalmente) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722515/201157 Resolução nº 3201000.480 S3C2T1 Fl. 97 5 Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 357DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10768.901857/2006-24
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 57 /2 00 6- 24 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Rio de Janeiro II (fls. 93/99 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO. Na ausência de intimação ao contribuinte e comprovação do valor devido de contribuição por parte da Delegacia de Jurisdição, é de se acatar os valores declarados em DCTF e DIPJ, registrados nos sistemas da RFB, quando da ciência do Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. Os juros compensatórios e os acréscimos moratórios deverão incidir sobre os créditos e os débitos, respectivamente, até a data da entrega da Declaração de Compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, não afasta a exigência da multa de mora por pagamento em atraso de tributo. Rest/Ress. Deferido Comp. Homologada em Parte Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito (referente ao recolhimento do PIS ocorrido em 15/12/1999, no valor de R$ 73.006,25) já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901857/200624 Acórdão n.º 3802003.379 S3TE02 Fl. 172 3 d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, deferiu em parte a manifestação de inconformidade protocolizada pela interessada, tendo considerado os dados apresentados na última DCTF retificadora, posto que esta já se encontrava à disposição da Receita Federal quando da ciência do despacho decisório que indeferira a compensação. Nesse sentido, o seguinte trecho da decisão a quo: Em consulta ao sistema da RFB, cujo extrato anexei aos autos às fls. 88, verificase que relativamente ao quarto trimestre de 1999 houve mais de uma DCTF retificadora. A última foi transmitida em 08.07.2005, posteriormente ao envio da PER/DCOMP, que ocorreu em 06.06.2003. Entretanto quando da ciência do Despacho Decisório de fls. 08, ou seja, em 07.02.2008, a declaração em comento já se encontrava à disposição para consulta da Delegacia de jurisdição do contribuinte, indicando um débito apurado de contribuição para o PIS no valor de R$ 29.883,82 (fl. 89). Ao que tudo indica, tal declaração não foi considerada quando da emissão do referido Despacho Decisório. Acrescentese, ainda, que em consulta ao sistema de Declarações de IRPJ, cujos extratos anexei às fls. 90 a 91, constatase que na declaração em vigor, entregue em 30.12.2004, o valor da contribuição para o PIS devido é o mesmo indicado na última DCTF transmitida, ou seja, R$ 29.883,82. Assim, considerando a inexistência de comprovação por parte da Delegacia jurisdicionante da correta base de calculo da contribuição para [o] PIS, correspondente ao período de apuração novembro/1999 que nos possibilitasse refutar os valores declarados pelo contribuinte, é de se acatar o direito creditório alegado no valor de R$ 48.749,25. (vide fls. 95/96 do processo eletrônico) Não obstante tenha sido considerado o débito declarado pelo sujeito passivo na última DCTF retificadora, destacou a instância recorrida que o contribuinte não fez incidir juros e multa sobre o débito a ser compensado, bem como não calculou juros sobre o crédito a ser utilizado. Assim, a compensação só foi homologada até o limite do direito creditório reconhecido. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em tempestiva, nos termos do despacho de fls. 169 (fls. 169). Inconformada, a mesma apresentou, em 17/09/2010, o recurso voluntário de fls. 110/130, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância – notadamente concernentes à incidência de multa e juros –, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda se concentra na contestação da incidência de juros de mora e de multa de mora, uma vez que o débito declarado pelo sujeito passivo na última DCTF retificadora apresentada foi admitido pela primeira instância de julgamento. Há, ainda, discussão concernente à suposta caracterização de denúncia espontânea, que abordaremos adiante. Primeiramente, cumpre ressaltar que é legítima a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos vencidos declarados em DCOMP. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901857/200624 Acórdão n.º 3802003.379 S3TE02 Fl. 173 5 A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. No que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento integral do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento integral do tributo ou de sua quitação completa via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Por fim, com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação integral pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários em aberto, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10580.722434/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. SERVIÇOS. PREVISÃO CONTRATUAL.
Caracteriza-se omissão de receitas a ausência de registro na contabilidade dos valores das receitas de prestação de serviços objeto de contrato realizado entre a contribuinte e terceiros, quando, regularmente intimado no decorrer da diligência fiscal, o contribuinte não demonstra a alegada dispensa de sua cobrança.
CUSTO E DESPESAS. GLOSA. NECESSIDADE. DESPESAS DE TERCEIROS. LIBERALIDADE.
Deve ser mantida a glosa dos custos e despesas sobre as quais a contribuinte, no decorrer do processo administrativo fiscal, não logrou demonstrar serem elas necessárias para o desempenho de suas atividades, configurando-se em mera liberalidade a assunção de despesas de terceiros, as quais não podem ser deduzidas na apuração do lucro real.
GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO.
Para a comprovação de custos ou despesas efetuados são necessários, além do registro contábil, é preciso colacionar documentos que comprovem a sua dedutibilidade na apuração do lucro real.
MULTA DE OFÍCIO. MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVA DO IRPJ. HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA.
Por decorrerem de distinta motivação, não concorrem, entre si, as multas de ofício incidentes sobre os tributos devidos em razão de irregularidades apuradas e aquelas exigidas isoladamente pela falta de recolhimento da estimativa do IRPJ, haja vista que suas hipóteses de incidência estão expressamente previstas na legislação pátria.
PAGAMENTO SEM CAUSA. EFETIVA OCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO OU CAUSA.. IRRF
Cabível a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os pagamentos efetuados ou sobre os recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, por expressa determinação legal.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Aplicam-se aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos, exceto no que se refere a aspectos peculiares àqueles tributos.
Numero da decisão: 1301-001.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. SERVIÇOS. PREVISÃO CONTRATUAL. Caracterizase omissão de receitas a ausência de registro na contabilidade dos valores das receitas de prestação de serviços objeto de contrato realizado entre a contribuinte e terceiros, quando, regularmente intimado no decorrer da diligência fiscal, o contribuinte não demonstra a alegada dispensa de sua cobrança. CUSTO E DESPESAS. GLOSA. NECESSIDADE. DESPESAS DE TERCEIROS. LIBERALIDADE. Deve ser mantida a glosa dos custos e despesas sobre as quais a contribuinte, no decorrer do processo administrativo fiscal, não logrou demonstrar serem elas necessárias para o desempenho de suas atividades, configurandose em mera liberalidade a assunção de despesas de terceiros, as quais não podem ser deduzidas na apuração do lucro real. GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO. Para a comprovação de custos ou despesas efetuados são necessários, além do registro contábil, é preciso colacionar documentos que comprovem a sua dedutibilidade na apuração do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVA DO IRPJ. HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA. Por decorrerem de distinta motivação, não concorrem, entre si, as multas de ofício incidentes sobre os tributos devidos em razão de irregularidades apuradas e aquelas exigidas isoladamente pela falta de recolhimento da estimativa do IRPJ, haja vista que suas hipóteses de incidência estão expressamente previstas na legislação pátria. PAGAMENTO SEM CAUSA. EFETIVA OCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO OU CAUSA.. IRRF Cabível a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os pagamentos efetuados ou sobre os recursos entregues a terceiros, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 34 /2 01 0- 14 Fl. 3185DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, por expressa determinação legal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicamse aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos, exceto no que se refere a aspectos peculiares àqueles tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Fl. 3186DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase de autos de infração através dos quais são exigidos da recorrente acima identificada créditos tributários, referentes ao Ano Calendário de 2006, relativos ao Imposto de Renda (IRPJ), no valor original de R$ 222.371,40; ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor original de R$ 281.206,02; ao Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$ 2.998,28; à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor original de R$ 80.053,70; e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), no valor original de R$ 13.810,28. Consta dos autos o Termo de Verificação Fiscal, fls. 46 a 54, no qual a Auditora Fiscal responsável pelo lançamento descreve fatos ocorridos no curso da fiscalização e os fatos que deram origem ao nascimento da obrigação tributária. Nesse sentido afirma que a empresa fiscalizada foi constituída em 20/07/2000 para exercer a atividade de prestação de serviços de produção, promoções de eventos artísticos, culturais e recreativos, serviços de programas turísticos, transportes de passageiros e locação de bens móveis. Afirma também que a Central do Carnaval, em relação ao Ano Calendário 2006, optou pela tributação com base no lucro real anual e recolhimentos do IRPJ e CSLL mensais com base em balanços de suspensão ou redução para fins de apuração. Dispõe que ela pertence a um grupo empresarial composto pelas seguintes empresas: Cara Caramba Produções Artísticas Ltda. – proprietária dos blocos “Voa Voa”, “Skol D+”, “Gula” e do “Camarote da Central”; Camaleão Produções Artísticas Ltda. – proprietária do bloco “Camaleão”; Boutique da Central Comercial Ltda.; NABA Produções Artísticas Ltda. – proprietária do bloco “Nana Banana” e do “Camarote do Nana”; PVC Produções Artísticas Ltda.; AZ Empreendimentos Artísticos e Publicidade Ltda.; CL Participações e Licenciamentos Ltda.; CCB Produções Artísticas Ltda.; e MANZANA Empreendimentos Artísticos e Publicidade Ltda. Discorre que, em relação ao Ano Calendário 2006, a única empresa do grupo que optou pela tributação pelo lucro real foi a Central do Carnaval, todas as demais se tributaram pelo lucro presumido e a Boutique da Central se tributou pelo Simples. A respeito da forma como a Impugnante executa as suas atividades a Auditora Fiscal afirma: A Central do Carnaval celebra contratos de prestação de serviços, na condição de contratada (prestadora), para intermediar a venda de kits fantasias (abadas) e ingressos para camarotes durante o período de Carnaval. Estes contratos celebrados são praticamente todos iguais, ou seja, as cláusulas são padrões, variando somente o percentual de comissão que será cobrado (retribuição) e o valor unitário (taxa) que é cobrada para a entrega dos abadas. Dessa forma, através destes contratos firmados a Central do Carnaval se compromete a: Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 vender kits fantasias de acesso aos desfiles carnavalescos. A tomadora dos serviços da Central do Carnaval se obriga a cumprir as seguintes obrigações, dentre outras: 1) pagar a retribuição estipulada em percentual sobre a receita bruta apurada com a venda dos kits fantasias (este percentual varia de 10 a 20%); 2) pagar o valor estipulado por unidade de kit de fantasia entregue, a título de ressarcimento de custos com a entrega de fantasias (este valor varia de R$ 2,00 a R$ 3,90 por unidade entregue); 3) arcar com os custos das taxas cobradas pelas administradoras de cartões de crédito e débito, no valor de 3,25%; 4) arcar com as despesas havidas com a CPMF; 5) ressarcir custos realizados na estrutura de entrega dos abadas; 6) providenciar, por sua exclusiva conta, a comunicação e a obtenção de todas as licenças e autorizações junto aos poderes públicos, particularmente junto a SUCOM, Juizado de Menores e ECAD, quitando regularmente, todos os impostos, taxas, encargos e penalidades administrativas que venham a incidir sobre o desfile carnavalesco anual. Embora os contratos de prestação de serviços celebrados entre a Central do Carnaval, na qualidade de prestadora, sejam padrões, ou seja, as cláusulas são as mesmas, não importando quem seja o tomador (cliente); com relação às empresas do grupo, o percentual de retribuição estipulado em contrato não é exigido, já que o valor cobrado das tomadoras é uma remuneração fixa mensal, intitulada de "Receita de taxa administrativa empresas administradas". A empresa PVC Produções Artísticas Ltda, CNPJ n° 02.818.621/000102, embora não seja constituída de sócios comuns às demais empresas do grupo (conforme se verifica no item "d",5, acima), ela é sediada no mesmo endereço da Central da Carnaval, Cara Caramba e Camaleão e a retribuição que lhe é tribuída pela Central do Carnaval, guarda relação com as demais empresas do grupo, ou seja, a PVC paga a Central do Carnaval uma remuneração fixa mensal, intitulada de "Receita de taxa administrativa empresas administradas". No que tange ao registro contábil das atividades da fiscalizada, assim dispõe a Auditora Fiscal: A Central do Carnaval procedeu ao registro das seguintes receitas em sua contabilidade de 2006; conta contábil 311.02.001 Receita de Comissão de Vendas blocos totalizando no ano o montante de R$ 3.590.448,05; conta contábil 311.02.003 Receita de Taxa Administrativa Empresas administradas totalizando no ano o montante de R$ 1.234.573,24; 3) conta contábil 311.02.006 Receita de Veiculação da Marca.. Os tributos lançados tiveram por fundamento nos seguintes fatos: I – GLOSA DE DESPESAS ABATIDAS DO CÁLCULO DOS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE O LUCRO – R$ 707.771,36. 1. Lançamento de despesas de terceiros (despesas das empresas que compõem o grupo econômico a que pertence) em sua contabilidade, fato que resultou em redução do lucro apurado e por conseqüência redução do valor do IRPJ e da CSLL; 2. Glosa das despesas de aluguel e condomínio dos imóveis localizados no Aeroclube Plaza Show em função de estes serem utilizados pelas empresas Cara Caramba e Camaleão; Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 13 5 3. Glosa das despesas de viagem e hospedagem pagas para beneficiários que fazem parte do quadro societário de outras empresas do grupo, bem como a terceiros estranhos aos quadros da fiscalizada; 4. Glosa das parcelas das despesas com seguro de vida e seguro saúde relativas a pagamentos de colaboradores de terceiros e sócios das empresas do grupo; 5. Glosa de outras despesas que, em função da natureza do pagamento ou do histórico constante do razão, constatouse tratarse de pagamento de obrigações de terceiros, ou seja outras empresas componentes do grupo. A discriminação das glosas efetuadas encontramse na “Planilha Demonstrativa das Glosas de Despesas – Ano Calendário de 2006 – Feitas pela Fiscalização”, às fls. 36 a 41. II – OMISSÃO DE RECEITA – R$ 181.714,29 Omissão de receitas referente à taxa de entrega de abadás no mês de fevereiro de 2006. Cálculo constante da planilha “Levantamento dos contratos celebrados pela Central do Carnaval na qualidade de ‘PRESTADORA DE SERVIÇOS’”, fls. 42. III – PAGAMENTOS SEM CAUSA – R$ 522.240,00 Pagamento de camisetas, mochilas, abadás e sacolas para uso dos foliões dos blocos geridos pelas empresas do grupo. Cálculo constante da planilha “Levantamento dos valores pagos com incidência do IR exclusivo ‘pagamento sem causa’”, fls. 43. IV – GLOSA DE DESPESAS QUE NÃO ENSEJAM DIREITO A CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVA Abatimento de despesas que não ensejam direitos a crédito, como despesas com contador, com advogado, alugueis pagos à pessoa física, recarga de cartuchos, dentre outras. V – MULTAS ISOLADAS Em virtude das glosas de despesas feitas na apuração do lucro real, novas bases estimadas foram recalculadas, incidindo assim em valores não recolhidos a título de IRPJ e CSLL apurados com base em balanços de suspensão/redução, fato que resultou na apuração de multas isoladas. Cálculo constante da planilha “Demonstrativo do cálculo da estimativas do IRPJ devidas no ano calendário 2006”, fls. 44. Em sua impugnação, fls. 1.543 a 1.589, o sujeito passivo apresenta os argumentos a seguir resumidos: CONEXÃO DOS AUTOS Aduz que, em função do contido no art. 1º, I, da Portaria nº 666/2008, a sua defesa abrangerá as cinco exigências tributárias (IRPJ, PIS, Cofins, CSLL e IRRF), que deverão compor um único processo administrativo. Dispõe que, considerando que o julgamento do processo em apreço influenciará diretamente no julgamento dos processos administrativos nos Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 10580.722437/201058, 10580.722436/201011 e 10580.722435/201069, requer que a sua defesa seja apreciada concomitantemente ou antes das decisões referentes a tais processos. OMISSÃO DE RECEITA No que tange ao lançamento tributário decorrente de omissão de receita por falta de registro contábil e tributação da taxa de entrega de abadás, alega que não se trata de omissão, posto que, em que pese a ocorrência de previsão contratual específica, tal verba nunca fora efetivamente exigida isoladamente dos clientes, sendo a retribuição mensal a receita existente entre as partes, na qual está incluída a mencionada taxa, que não é exigida em apartado pela Impugnante, conforme comprovaria relatório anexo à defesa. Afirma também que o procedimento de estimativa da base de cálculo do tributo utilizado pela Auditora Fiscal para estimar a suposta omissão de receita, não guarda qualquer consonância com a base legal utilizada, visto que, analisando a legislação pátria sobre o tema, assim como o item 2.2 do Termo de Verificação Fiscal, podese afirmar que a Auditora adotou um critério distinto e absolutamente estranho ao legalmente previsto para encontrar a suposta base de cálculo do tributo, o que tornaria absolutamente nulo o lançamento fiscal neste particular. O critério utilizado pela Auditora, além de não encontrar respaldo em qualquer norma jurídica, conteria as seguintes imprecisões que maculariam frontalmente o procedimento utilizado: (i) utilização de média aritmética simples das taxas de entrega de abadas contratualmente previstas, quando o correto seria a media aritmética ponderada em função de o suposto valor da taxa, para fins de aferição da suposta receita omitida, guardar relação direta com a quantidade de abadás vendidos em favor de cada entidade contratante, não sendo a média aritmética simples o procedimento legal para tal situação; (ii) utilização, para efeito da estimativa da receita, de variáveis pertinentes a contratos celebrados após fevereiro 2006, competência da suposta omissão; (iii) a aquisição de 72000 passaportes de acesso não guarda qualquer correlação com a efetiva utilização parcial ou integral dos mesmos, como fonte de receita passível de tributação. Com respeito a este último ponto a Defendente acrescenta: Por fim, ainda neste particular da estimativa da base de cálculo da suposta omissão de receita em fevereiro de 2006, a Nobre Auditora, após encontrar a desvirtuada taxa média apurada, multiplicou tal grandeza pelo número de passaportes adquiridos pela Central do Carnaval para a entrega dos seus mais variados produtos, no montante de 72000 (setenta e dois mil) passaportes. Ocorre que o fato da Central do Carnaval ter adquirido 72000 passaportes para a entrega de seus produtos não quer dizer, em hipótese alguma, nem ao menos estimada, que o Contribuinte vendeu e auferiu receita decorrente da entrega de 72.000 abadas, até porque tais passaportes são utilizados para uma gama enorme de funções (eventos, abadas, ingresso de festas, etc....) durante todo o exercício, não tendo tal fato qualquer vinculação com a estimada e ilegal suposta omissão de receitas. TANTO O ACIMA É VERDADEIRO, QUE A EXPRESSÃO "ENTREGA DE ABADAS" É DE AUTORIA EXCLUSIVA DA NOBRE FISCAL, POSTO QUE CONSTA NO RAZÃO ÀS FLS. 825/826, EM ANEXO, Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 14 7 CONTA CONTÁBIL 31314001, AO CONTRÁRIO DO LANÇADO NO RELATÓRIO COMO SENDO 31313018, EM ANEXO, O SEGUINTE HISTÓRICO: “PAG 72000 PASSAPORTES P/ ENTREGA 2006” NO PRESENTE CASO, NÃO HÁ QUALQUER VINCULAÇÃO DA AQUISIÇÃO DOS PASSAPORTES QUE, REPITASE SERVEM PARA ACESSOS DE FESTAS, EVENTOS, ETC..., COM A ENTREGA DE ABADÁS, PROVANDO A INCONSISTÊNCIA DA EQUIVOCADA ESTIMATIVA PROMOVIDA PELA FISCALIZAÇÃO. Ademais, é importante frisar, a fiscalização não se deu ao mínimo trabalho de intimar o contribuinte a explicar tais procedimentos, […] Transcreve o art. 284 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR) e ementas de julgados administrativos, requerendo, ao fim, que, quanto a este tópico, o auto seja julgado nulo. GLOSA DE DESPESAS No que tange às glosas, alega que todas as despesas deduzidas da base de cálculo do IRPJ estavam intrinsecamente relacionadas com a prestação dos seus serviços e, para comprovação do alegado, apresenta a razão por que cada uma delas foi considerada como dedutível, conforme segue: Despesa de pagamento de abadás / etiquetas do Camaleão, Nana Banana, Voa Voa e Skol D+. Alega que o valor referente a tal despesa não foi utilizado como redutor da base de cálculo do IRPJ, em função de ter sido integralmente estornado da conta de despesa em 28/02/2006, conforme poderia ser verificado no lançamento contábil da conta 31302001 (pág. 758) a débito da conta contábil 21301001 – Adiantamento de Clientes (pág. 1153). Portanto, requer, a exclusão do valor de R$ 114.673,91 do computo da glosa. Despesas com aluguel, condomínio / energia elétrica Aduz que os gastos com aluguel, condomínio/energia elétrica, registrados nas contas 3.1.3.13.001, 3.1.3.13.007, respectivamente, são referentes aos vários imóveis (salas) conjugados onde se encontram todas as instalações administrativas e gerenciais da Central do Carnaval, necessárias ao desenvolvimento das atividades sociais. Afirma também que, no caso em particular, as denominadas terceiras beneficiadas por tais pagamentos (Camaleão e Cara Caramba), que supostamente justificariam a glosa do crédito indicado, pagam a ela uma retribuição mensal fixa, a título de comissão de vendas e ressarcimento de custos fixos mensais (aluguel, condomínio, energia e outras). Tais receitas seriam lançadas na conta contábil 3.1.1.02.003 (Receita de Taxas Administrativas – Empresas Administradas), conforme comprovaria cópia do Razão Contábil, além de terem sido integralmente tributadas. Dessa forma, estaria provada a legalidade da utilização do crédito, posto que não seria de terceiro, mas exclusivamente da Peticionante. Fl. 3191DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 Despesas com seguro de vida e seguro saúde dos colaboradores Alega que teria apresentado à Fiscalização uma extensa lista de beneficiários do seguro de vida e do seguro saúde e que esta promoveu glosa parcial sem identificar quais seriam os “colaboradores de terceiros” e “sócios das empresas do grupo” que justificariam tais exclusões, fato que representaria cerceamento do direito de defesa do contribuinte e justificaria a nulidade do procedimento em questão. Despesas com viagens e hospedagens Argumenta que sob este título foram glosadas despesas de viagens e hospedagens que, em verdade, foram gastas com empregados e prestadores de serviço da Impugnante, que viajaram e ficaram hospedados no exercício das atividades desenvolvidas pela Defendente. Como exemplo cita os seguintes nomes: Luciene Maia Vilas Boas Pinto (empregada); Roberto Melo (prestador de serviço); e Pedro da Rocha (prestador de serviço). Transcreve ementa de julgado e afirma ter comprovado a nulidade do auto de infração neste particular. Despesas com o pagamento para Camarote da Central/Campo Grande e Camarote do Nana Afirma que as despesas glosadas a título de aluguel de espaços, decorrem basicamente das despesas pagas pela Impugnante a pessoas jurídicas a título de locação de espaço onde funcionaram os Camarotes da Central do Carnaval/Camarote Campo Grande e Camarote do Nana. Além disso, dispõe que o fato de as locações terem sido efetivadas em nome da Impugnante, conforme documentos que alega colacionar a sua defesa, por si só, justificaria a utilização das despesas indevidamente glosadas. Quanto a este ponto, ainda apresenta algumas das obrigações assumidas pela Central do Carnaval junto aos seus patrocinadores, a seguir transcritas: a) A Central do Carnaval é legítima e exclusiva titular dos direitos e espaços publicitários dos Camarotes da Central do Carnaval, Nana Banana (Contrato com a Diageo Brasil Ltda); b) A Central do Carnaval é única e exclusiva responsável pelo pagamento aos TERCEIROS por ela contratados e envolvidos direta ou indiretamente neste contrato... (Contrato com a Diageo Brasil Ltda); c) A Central, por sua conta e risco, promoverá, organizará e instalará 2 (dois) camarotes com vistas para os desfiles carnavalescos do circuito Campo Grande e Barra / Ondina (Contrato com a Primo Schincariol); d) Todas as autorizações/licenças/registros/alvarás que sejam necessárias à perfeita execução do objeto o contratual, a serem expedidas perante os órgãos públicos e particulares competentes, serão única e exclusivamente suportadas e custeadas pela CENTRAL; (Contrato com a Primo Schincariol) e) Entregar os Camarotes em perfeitas condições de uso, segurança e higiene (Contrato com a Primo Schincariol); Fl. 3192DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 15 9 f) Objeto do evento patrocinado: Camarote Nana Banana e Camarote da Central do Carnaval (Contrato com a TIM); g) Arcar com todas as despesas necessárias à integral realização do evento (Contrato com a TIM); h) Responsabilizarse pelo recolhimento de todo tributo que incida ou venha a incidir sobre as atividades inerentes à execução do objeto contratual (Contrato com a TIM); i) Obter todas as permissões, autorizações, licenças e alvarás necessários à realização do evento (Contrato com a TIM); j) Objeto do evento patrocinado: Camarote Nana Banana e Camarote da Central do Carnaval (Contrato com a SOUZA CRUZ); A partir dessas informações afirma que se pode verificar que auferiu receita com a veiculação de marcas/patrocínios dos eventos, cuja receita fora integralmente tributada, razão pela qual, e de acordo com o princípio contábil do confronto (receitas x despesas), deve a respectiva despesa, por estar legalmente prevista, ser deduzida da base de cálculo do tributo em comento. Afirma também que, como contrapartida da receita obtida e tributada com a veiculação de marcas e patrocínio, a Central assume gastos necessários à operação e montagem dos Camarotes, tais como pagamentos de alugueis, dentre outras, que é legalmente prevista e vinculada à receita obtida e tributada, razão pela qual, neste particular, tais glosas não devem prevalecer. Despesas com pagamento de fardamento/Despesas com pagamento de ônibus para eventos. Dispõe que as despesas de fardamento dos promotores de vendas e de locomoção destes para eventos artísticos produzidos pela Central do Carnaval são de sua responsabilidade, conforme comprovantes que teria juntado. Assim estaria provado, de acordo com o princípio contábil do confronto, a procedência, utilidade e necessidade de tais despesas, o que tornaria a glosa efetuada improcedente. Transcreve o item 9.5 do “contrato padrão de prestação de serviço” celebrado entre ela e os seus clientes e informa ter colacionado, por amostragem, quatro desses contratos à sua defesa. Despesa com pagamento de frete Argumenta que, no curso da Fiscalização, comprovou que tais despesas estão vinculadas ao pagamento de frete de equipamentos, material promocional e ingressos pertinentes aos eventos comercializados e produzidos pela Central do Carnaval (previsão no objeto social), eventos estes que produzem receita sujeita a tributação, demonstrando, de acordo com o princípio contábil do confronto, a procedência, utilidade e necessidade de tais despesas, confirmando a improcedência da glosa efetuada. Fl. 3193DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 Transcreve o item 9.5 do “contrato padrão de prestação de serviço” celebrado entre ela e os seus clientes e informa ter colacionado, por amostragem, quatro desses contratos à sua defesa. Dessa forma, estaria provada a obrigação contratual da Defendente junto aos seus Clientes, no sentido de ela promover, às suas expensas, a aquisição e o frete de equipamentos, material promocional e ingressos, demonstrando que as despesas de frete são necessárias, usuais e vinculadas ao objetivo social da Defendente e à obtenção de sua receita bruta tributada. Despesa com manutenção de Home Page A respeito deste ponto, alega que seu sítio na internet é utilizado como instrumento de venda dos produtos por ela comercializados, sendo o principal instrumento de marketing e de efetivação das receitas tributáveis, cujos gastos são necessários e intrínsecamente vinculados aos seus objetivos sociais, constando, inclusive, como obrigação específica da prestadora (ora impugnante) nos contratos de prestação de serviços com os seus clientes. Transcreve o item 8.1 do “contrato padrão de prestação de serviço” celebrado entre ela e os seus clientes. Afirma juntar também, à sua defesa, relatório que demonstra a existência de milhares de acessos durante o ano, o que justificaria o pedido de manutenção de tais despesas na dedução da base de cálculo do tributo em apreço. Transcreve também ementa de julgado da 10º Turma da DRJ de São Paulo que seguiria seu entendimento. Despesas com pagamento do seguro e IPVA do caminhão Volvo / Pagamentos a Tim Trios Elétricos Dispõe que o caminhão Volvo foi adquirido com o objetivo de aumentar o leque de receitas, inclusive por conta das obrigações assumidas junto aos seus patrocinadores quanto à veiculação de marcas no Carnaval de Salvador, conforme comprovariam os contratos de patrocínio colacionados a sua peça. Também como estratégia comercial, teria cedido a diversos clientes, tendo como contrapartida a necessária autorização para veiculação dos patrocínios captados, cujos valores somariam bem mais do que a simples locação, a qual, prossegue: exigiria a não veiculação do patrocínio indicado (patrocínio da Central do Carnaval), mostrandose a estratégia comercial e financeiramente mais rentável para a Impugnante. A fim de provar seu argumento, afirma que tal procedimento se mostrou vitorioso, visto que, no Carnaval de 2007, cuja receita teria sido auferida no exercício de 2006, conforme poderia ser comprovado através do livro Razão, a Impugnante teria captado patrocínio junto ao Condomínio Shopping Center Iguatemi, cujas receitas teriam sido integralmente tributadas. Dessa forma, entende que estaria provado que os pagamentos realizados para a aquisição do mencionado veículo seria indispensável à obtenção de receitas com veiculação de patrocínio no mesmo. Transcreve também ementa de julgado da 6º Turma da DRJ do Rio de Janeiro que seguiria seu entendimento e conclui requerendo a declaração da improcedência da glosa sob comento. Despesas com Outdoor Fl. 3194DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 16 11 Afirma que, como empresa prestadora de serviços de intermediação de vendas, a utilização de mídias de divulgação dos seus serviços e produtos é instrumento necessário à realização de vendas e execução dos seus objetivos sociais, constando, inclusive, como obrigação específica da prestadora (ora impugnante), nos contratos de prestação de serviços com os seus clientes. Transcreve o item 9.5 do “contrato padrão de prestação de serviço” celebrado entre ela e os seus clientes e informa ter colacionado, por amostragem, quatro desses contratos à sua defesa. Transcreve também ementa de julgado da 4º Turma da DRJ do Fortaleza que seguiria seu entendimento e conclui requerendo a declaração da improcedência da glosa sob comento. Despesas com pagamento de aluguel de equipamento Afirma, quanto a este tópico, que anexa comprovante de despesas com aluguel de equipamentos utilizados na execução de seus objetos sociais, tais como, placas de ramais telefônicos, aparelhos de ar condicionado, computadores, entre outros, os quais teriam sido implantados no Hangar do Aeroclube Plaza Show, que seria o local destinado à entrega dos abadás, constando, inclusive, como obrigação específica da prestadora (ora impugnante), nos contratos de prestação de serviços com os seus clientes. Transcreve o item 8.2 do “contrato padrão de prestação de serviço” celebrado entre ela e os seus clientes e informa ter colacionado, por amostragem, quatro desses contratos à sua defesa. MULTA ISOLADA No que se refere à multa isolada aplicada, argumenta que esta penalidade, fundamentada no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não mais existiria, posto que fora expressamente revogada pela Lei nº 11.488/07. Dessa forma não restaria dúvida quanto à absoluta nulidade do presente lançamento. Transcreve ementa de decisão administrativa que apresentaria o mesmo entendimento. Com base nos Princípio da Eventualidade e da Concentração da Defesa, alega a impossibilidade de aplicação cumulada da multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 com a multa de ofício prevista no art. 44, I da mesma Lei, ambas aplicadas em função de falta de recolhimento do IRPJ, sob pena de dupla penalidade sobre a mesma infração, razão pela qual requer a declaração da improcedência da autuação. Transcreve ementa de decisão administrativa que apresentaria o mesmo entendimento. IRRF Transcreve o art. 674 do RIR/94, que trata sobre a incidência do IRPJ exclusivamente na fonte, e conclui que para a sua aplicação seria necessária a satisfação dos seguintes requisitos: (i) pagamento efetuado a beneficiário não identificado; (ii) falta de comprovação da operação que gerou o pagamento tributado; e (iii) falta de comprovação da causa da operação que gerou o pagamento tributado. Fl. 3195DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 Em seguida, argumenta que, no caso sob julgamento, todos os pagamentos tributados sob esta rubrica estariam perfeitamente contabilizados e regularmente identificados, além disso, as operações e suas causas restariam absolutamente justificadas e comprovadas, sendo a autuação, dessa forma, improcedente. Com o fito de melhor esclarecer, desmembra os fatos que teriam justificado a autuação e apresenta as provas e justificativas que comprovariam a improcedência do lançamento: Dos valores pagos na aquisição do Caminhão Volvo: Alega que a compra do veículo teve por finalidade proporcionar a captação de recursos com o patrocínio para a veiculação de marcas no Carnaval de Salvador, conforme previsão contratual. Além disso, como estratégia comercial, tal veículo teria também sido cedido a diversos clientes, tendo como contrapartida a necessária autorização para veiculação dos patrocínios captados, cujos valores somariam bem mais do que a simples locação, que exigiria a não veiculação do patrocínio indicado (patrocínio da Central do Carnaval), mostrandose a estratégia comercial e financeiramente mais rentável para a Impugnante. Tal procedimento teria se mostrado vitorioso, visto que, de logo, para o primeiro Carnaval de 2007, cuja receita teria sido auferida no exercício 2006, a Defendente teria captado patrocínio junto ao Condomínio Shopping Center Iguatemi, cujas receitas teriam sido integralmente tributadas, fato que provaria que os pagamentos realizados para a aquisição do mencionado veículo seria indispensável à obtenção de receitas com a veiculação de patrocínios no mesmo. Dessa forma, seria improcedente a tributação dos pagamentos efetuados na aquisição do Caminhão Volvo. Dos valores pagos na aquisição de mochilas personalizadas da Central do Carnaval Afirma que os gastos com mídias de divulgação da marca “Central do Carnaval” estão intrinsecamente vinculados à prestação dos seus serviços, inclusive com previsão estipulada em contrato junto aos seus clientes e aumento da sua receita bruta. Dessa forma, para distribuição junto aos seus clientes, parceiros, fornecedores, canais de divulgação, entre outros, a Impugnante teria adquirido mochilas personalizadas junto à YESIM INDÚSTRIA E CONFECÇÕES DE BRINDES LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 74.154.113/000188, com logomarca da Central do Carnaval, cujos pagamentos teriam restados corretamente comprovados e contabilizados, não havendo motivos para se tributar tais pagamentos a título de IRRF. Aquisição de sacolas, abadas do Nana Banana, Camaleão e Voa Voa Destaca que as aquisições de tais itens foram feitas junto à empresa Camisetas da Bahia Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 40.617.581/000120, as quais teriam sido comprovadas e contabilizadas e em sua defesa afirma: Conforme narrado no próprio Auto de Infração, ora combatido, a Central do Carnaval celebra contratos de prestação de serviços para intermediar a venda de Kits fantasias (abadas) e ingressos para camarotes durante o período de carnaval, auferindo, para a execução deste serviço, um percentual de comissão e/ou um valor fixo (taxa). Fl. 3196DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 17 13 De acordo com o contratualmente estipulado entre as partes, a Central do Carnaval recebe integralmente o valor pago pelos foliões na aquisição dos Kits, devendo, a posteriori, prestar contas às empresas contratantes, quando, após apuração dos efetivos recebimentos, são repassados aos clientes/contratantes os valores já disponíveis (recebidos) obtidos em virtude das vendas de seus produtos. Dos valores repassados, é abatida a retribuição (comissão) e/ou taxa contratualmente firmada, calculada sobre as vendas realizadas, cuja parcela é reconhecida como receita e emitida a respectiva nota fiscal de prestação de serviços pela Central do Carnaval contra o respectivo Cliente. Além deste procedimento ordinário, para fins de redução de custos e obtenção de melhores negociações no mercado, com descontos pelos pagamentos antecipados, em alguns casos, a Central do Carnaval promove a antecipação deste repasse devidos aos Clientes para terceiros (fornecedores dos Clientes/Blocos), visando adquirir os kits de abadas e respectivas sacolas, fazendo um adiantamento aos fornecedores por conta e ordem de terceiro (Clientes/blocos) conta contábil n° 11401001. Assim, ao invés da Central do Carnaval realizar o repasse diretamente aos blocos parceiros, ela antecipa ao fornecedor dos mesmos, por conta e ordem, pela aquisição dos kits de fantasias e respectivas sacolas, repassando aos blocos os valores líquidos, de acordo com a prestação de contas efetivada. OU SEJA, A CENTRAL DO CARNAVAL NÃO PAGA A TERCEIROS NÃO VINCULADOS A SUA ATIVIDADE SOCIAL, MAS ANTECIPA PAGAMENTO DE SEUS CLIENTES AOS FORNECEDORES DESTES, POR SUA CONTA E ORDEM, RAZÃO PELA QUAL NÃO HÁ COMO SE COGITAR A EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO SEM CAUSA, POSTO QUE PAGAMENTO NÃO HÁ, MAS MERA ANTECIPAÇÃO DE REPASSE DEVIDO AOS SEUS CLIENTES. REITERASE A INFORMAÇÃO DE QUE ESTAS ANTECIPAÇÕES NÃO FORAM CONTABILIZADAS COMO DESPESAS DA PETICIONANTE E SE DEPREENDE DE LANÇAMENTO CONTÁBIL INICIALMENTE EFETUADO A CONTA 11401001 ADIANTAMENTO A FORNECEDORES, E, POSTERIORMENTE, DEBITADO, EM EXERCÍCIOS SEGUINTES, A CONTA ADIANTAMENTO DE CLIENTES (CONTA CONTÁBIL N. 21301001). Assim, não haveria como se aplicar a regra contida no art. 674 do RIR, visto que os beneficiários estariam identificados e as operações justificadas. Transcreve ementa de decisões administrativas. PEDIDO Requer o conhecimento da impugnação, para se julgar o auto de infração totalmente nulo e improcedente, arquivando definitivamente o lançamento fiscal; a imediata e integral extensão dos efeitos da decisão para todos os tributos apurados com base nos mesmos elementos de prova, quais seja, a CSLL, o PIS e a COFINS, por se tratarem de reflexos da tributação do IRPJ; a produção de todos os meios de prova acaso necessários para o deslinde da questão; e a juntada de outros documentos em prova e contraprova. Fl. 3197DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 14 Na sessão do dia 03 de fevereiro de 2012, o julgamento deste PAF foi, por maioria dos votos, convertido em diligência por meio de Resolução de nº. 1581, nos termos transcritos no Voto vencedor. A seguir, consta do relatório a íntegra do voto vencido e voto vencedor. Com o retorno dos autos de diligência a DRJ/SALVADOR (BA) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1532.248, de 18/04/2013 (fls.3006 e s.s), decidindo, por maioria de votos, quanto ao mérito, julgar procedente em parte a impugnação e, por unanimidade votos rejeitas as preliminares de nulidade e de produção de novas provas, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 AUTOS DE INFRAÇÃO. APENSAÇÃO. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. Cabível a apensação e os posteriores julgamentos em conjunto de dois processos administrativos fiscais, quando se encontram presentes os pressupostos processuais que justifiquem tais atos. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. PROVAS. PROTESTO PELA PRODUÇÃO. Resta esvaziado o protesto para a produção de provas, se após Impugnação ou após a Contribuinte ter se pronunciado sobre o resultado de diligência fiscal realizada, não foi anexado qualquer documento ou elemento que demonstrasse o seu exercício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. SERVIÇOS. PREVISÃO CONTRATUAL. Caracterizase omissão de receitas a ausência de registro na contabilidade dos valores das receitas de prestação de serviços objeto de contrato realizado entre a contribuinte e terceiros, quando, regularmente intimado no decorrer da diligência fiscal, o contribuinte não demonstra a alegada dispensa de sua cobrança. CUSTO E DESPESAS. GLOSA. NECESSIDADE. DESPESAS DE TERCEIROS. LIBERALIDADE. Deve ser mantida a glosa dos custos e despesas sobre as quais a contribuinte, no decorrer do processo administrativo fiscal, não logrou demonstrar serem elas necessárias para o desempenho de suas atividades, configurandose em mera liberalidade a assunção de despesas de terceiros, as quais não podem ser deduzidas na apuração do lucro real. GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO. Para a comprovação de custos ou despesas efetuados são necessários, além do registro contábil, é preciso colacionar documentos que comprovem a sua dedutibilidade na apuração do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVA DO IRPJ. HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA. Fl. 3198DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 18 15 Por decorrerem de distinta motivação, não concorrem, entre si, as multas de ofício incidentes sobre os tributos devidos em razão de irregularidades apuradas e aquelas exigidas isoladamente pela falta de recolhimento da estimativa do IRPJ, haja vista que suas hipóteses de incidência estão expressamente previstas na legislação pátria. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos elativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. ASSUNTO: IMPOSTO RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2006 PAGAMENTO SEM CAUSA. EFETIVA OCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO OU CAUSA. Cabível a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os pagamentos efetuados ou sobre os recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, por expressa determinação legal. É o relatório. Fl. 3199DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 16 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Na peça recursal, com algumas variações a respeito do quanto decidido em primeira instância, as argumentações e fundamentos são as mesmas da inicial (impugnação), sintetizadas nos tópicos que a seguir passamos a análise na mesma seqüência que apresentados. I – DA SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA PELA FALTA DE CONTABILIZAÇÃO E TRIBUTAÇÃO DA TAXA DE ENTREGA DE ABADÁS. ILEGALIDADE NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. Aqui a acusação fiscal é de omissão de receitas relacionada à não escrituração de taxa por venda de 72.000 abadas no valor unitário de R$ 2,60 perfazendo o montante de R$ 181.714,29. Para sua apuração utilizouse do valor médio entre tais taxas (R$ 2,52) multiplicado pelo número de 72.000 abadás vendidos no período, o qual foi apurado a partir da verificação do lançamento contábil do dia 20/01/2006 registrado no livro razão analítico, de fls. 1174, com o seguinte histórico: “PAG 72000 PASSAPORTE P/ENTREGA 2006”. Para o deslinde da questão, neste tópico, importa reproduzir os seguintes fragmentos da decisão recorrida: “Pelo aqui relatado e fartamente comprovado, fica evidente e afirmado pela contribuinte que os passaportes foram adquiridos para a entrega de abadas no carnaval de 2006 e que tais custos constam em contratos celebrados pela fiscalizada e embora, esta não tenha apresentado os relatórios de prestação de contas, conforme faz menção o recibo emitido pelo bloco Timbalada, as despesas constantes em contrato (dentre elas a taxa de entrega de abadas) são sim cobradas pela diligenciada. [...] Para o cálculo do número de abadás por bloco, ao invés de utilizar o total de abadás de 72.000, foi utilizado o total de 70061 (72.000 – 1.939), isso porque do referido total foi subtraído o nº de abadás vendidos para o bloco timbalada (1939 adadás), já que em seu contrato com a Contribuinte não há previsão de pagamento da referida taxa por venda de abadá. Por fim, cabe trazer aos autos a redação do artigo 276 do RIR/99, demonstrando que a forma de apuração da omissão de receita utilizada neste PAF encontra respaldo na legislação pátria: Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informações ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer Fl. 3200DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 19 17 outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Sendo assim, acato parcialmente estas alegações da Contribuinte para manter a omissão de receita no montante de R$ 174.822,23. Logo, a lide se concentrará no valor controvertido de R$ 174.822,23 (do total de R$ 181.714,29). Na peça de defesa alega a ora recorrente: Neste particular e conforme maciçamente comprovado ao longo dos autos, não houve qualquer omissão de receita e muito menos ausência de contabilização e tributação da referida taxa de entrega de abadás, posto que, em que pese a ocorrência de previsão contratual específica, tal verba nunca fora efetivamente exigida isoladamente dos clientes, sendo a retribuição mensal a receita existente entre as partes, na qual está incluída a mencionada taxa, que não é exigida em apartado pela Recorrente. Alem disso, o procedimento de estimativa utilizado pela Auditora Fiscal e mantido pela 1a. Turma da DRJ/SDR, POR MAIORIA, não guarda consonância com a base legal utilizada, posto que, de acordo com o quanto disposto no item 2.2 do Termo de Verificação Fiscal,especificamente quanto a apuração da base de cálculo do referido tributo, foi feita por ESTIMATIVA DA BASE DE CALCULO, através da media aritmética simples das taxas de entrega de abadas previstas contratualmente, multiplicadas pelo numero de passaportes adquiridos para a entrega destes kits. O critério utilizado pela Douta Auditora encontrar a suposta receita omitida não encontra respaldo em qualquer norma jurídica, alem de conter imprecisões que maculam frontalmente o procedimento utilizado (...). Assim, concluise que o valor referente à omissão de receita não pode prosperar, visto que tomou por base a quantidade de passaportes adquiridos e não os entregues. Alem disso, não há nos autos qualquer menção nem prova da quantidade de kits fantasias entregues no mês de fevereiro de 2006. Alem de considerar no cômputo da indicada estimativa, contratos celebrados após a suposta omissão (fevereiro de 2006) e são vinculados a entrega de abadas para o carnaval seguinte (2007). Pois bem, inicialmente, cabe ressaltar que a recorrente foi solicitada em tempo de diligência a se pronunciar em relação ao auferimento destas receitas relativas as taxas por venda e não o fez, tão somente, afirma que teria cobrado a mencionada taxa por venda de abadás conjuntamente com a retribuição mensal também prevista em contrato (lançada na mesma conta contábil), entretanto não trouxe aos autos quaisquer documentos que comprovassem tal afirmativa. Observase que a própria Contribuinte reconhece que tais receitas de venda dos abadás, ou kits fantasia, foram, realmente, auferidas. Da leitura dos autos concluise que, dentre as obrigações assumidas pelas empresas contratantes da Central do Carnaval, encontravase o pagamento do percentual de comissão (retribuição) e do valor unitário (taxa), previsões que correspondem a indício da ocorrência das referidas receitas. Fl. 3201DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 18 Tendo constatado a falta de registro contábil do valor unitário (taxa) referente à competência do mês de fevereiro de 2006, a Autoridade Fiscal buscou identificar o seu valor através da estimativa das vendas de kits fantasias ocorridas na referida competência. Neste caso, até entendo que no cálculo realizado pela fiscalização deveria ter sido levado em conta a quantidade de passaportes entregues (vendidos) e, não a quantidade de passaportes adquiridos. Entretanto, isto, por si só, não é motivo para a exoneração de tais omissões dos lançamentos tributários em questão, mesmo porque, como já visto, em diligência fiscal, a autuada foi intimada a demonstrar e valorar (em relatório conclusivo e com base nos documentos contábeis) o oferecimento à tributação das receitas auferidas no ano calendário de 2006 correspondentes aos 72.000 passaportes supracitados, os quais serviram de base para a omissão de receita alvo dos lançamentos objeto do presente processo e, não logrou em comprovar. Desta forma não há como acatar as alegações de defesa. II DA ILEGALIDADE DA GLOSA DOS CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS EFETIVAMENTE INCORRIDAS. Neste ponto, sustenta a recorrente: Nobres julgadores, quanto a este item, cabe destacar que a 1a. Turma acatou parcialmente os argumentos expostos pela Recorrente na sua peça de defesa, sendo o presente recurso fixado apenas na parte das glosas remanescentes, a saber: Despesas de aluguel, condomínio e energia elétrica; Despesas com viagens e hospedagens; Despesas com seguro saúde e de vida. Despesas com o pagamento de despesas do Camarote da Central/Campo Grande e Camarote do Nana; Despesas com pagamento de fardamento e de ônibus para eventos Seguro e IPVA do Caminhão Volvo/Pagamentos a Tim Trios Elétricos; Aduz, que tais despesas são necessárias às transações ou operação da empresa e usuais e normais na atividade desenvolvida ou à manutenção de sua fonte produtiva (art. 299 do RIR/1999). A seguir contesta item a item. No primeiro item relativo a glosa de “Despesas de Aluguel, Condomínio e Energia Elétrica”, afirma que tais despesas se referem aos vários imóveis (salas) conjugadas onde se encontram todas as instalações administrativas e gerenciais da Central do Carnaval. No caso, as terceiras denominadas beneficiadas por tais pagamentos (Camaleão e Cara Caramba), que supostamente justificariam a glosa (segundo a fiscalização e a 1a. Turma), pagam à Recorrente uma retribuição mensal FIXA, a título de COMISSÃO DE VENDAS E RESSARCIMENTO DE CUSTOS FIXOS MENSAIS (ALUGUEL, CONDOMÍNIO, ENERGIA E OUTRAS). RECEITA ESTA INTEGRALMENTE TRIBUTADA (Conta Contábil 3.1.1.02.003Receita de Taxa Administrativa/Empresas Administradas), conforme cópia do Razão Contábil às fls. 724/725. Compulsando os autos, chego as mesmas conclusões do voto combatido, que a seguir transcrito. Fl. 3202DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 20 19 A defendente junta, às fls. 1.637 a 1.684, contratos celebrados entre ela e o Consórcio Parques Urbanos, concessionária responsável pela administração do empreendimento comercial denominado de Aeroclube Plaza Show, além de apresentar livro Razão Analítico da conta 3.1.1.02.003, fls. 1.686 e 1.687, e planilha que discrimina o valor da receita por cliente, fls. 1.685. As alegações da Defendente, todavia, não contrapõem a afirmação da Auditoria Fiscal, item 2.1 do Termo de Verificação Fiscal, de que os “bloquetos de pagamento trazem em seu bojo que se trata de aluguel/condomínio pertencente a Cara Caramba e ao Camaleão”. Também não justifica a razão de constar dos históricos do livro Razão Analítico a informação de que se tratava de pagamento de aluguel e de condomínio do escritório da Cara Caramba ou do Camaleão. Tal informação pode ser verificada pela leitura da Planilha Demonstrativa das Glosas de Despesas, fls. 36 a 41, comparada com as folhas do livro Razão Analítico, fls. 1.152, 1.153, 1.155, 1.156. Em verdade, como bem assentado no TVF, da análise da documentação apresentada, do Livro Razão e Diário, constatase, principalmente, da escrituração contábil, que a fiscalizada, sistematicamente, contabilizou despesas de terceiros (relativas a empresa do mesmo grupo a que pertence) em seu resultado, reduzindo por conseqüência seu lucro apurado e por reflexo a tributação do IRPJ e da CSLL. Vejamos, por exemplo, as despesas analisadas neste item (aluguel/condomínio/energia elétrica). Tratamse, como já assinalado, de despesas relativas aos imóveis localizados no Aeroclube Plaza Show e, muito embora os contratos de locação firmados apontam que a locatária é a Central do Carnaval, os bloquetos de pagamento registram que se trata de aluguel/condomínio pertencentes a Cara Caramba e ao Camaleão. Registrese que os próprios históricos do Livro Razão assinalam neste sentido. Fechando o raciocínio, repitase que a única empresa do grupo que opta pela apuração dos resultados com base no Lucro Real é a ora recorrente. As demais optaram pela tributação do IRPJ através do Lucro Presumido e, distribuíram expressivos lucros sem qualquer tributação. Dessa forma, as alegações apresentadas pelo sujeito passivo não se sustentam e, por conseqüência, as glosas efetuadas de despesa a que se referem este item sob análise devem ser mantidas (Planilha Demonstrativa das Glosas de Despesas às fls. 36 a 41). O segundo item relacionase a “GLOSA DE DESPESAS COM VIAGENS E HOSPEDAGENS”. Aqui alega a recorrente que, ao contrário do entendimento da 1ª Turma de Julgamento, afirmando não haver provas de que tais despesas se relacionam a serviços prestados diretamente por seus empregados, resta provado, no caso, que Luciene Maia Vilas Boas Pinto é sua empregada (fls. 1689 a 1693), Roberto Melo seu advogado prestador de serviços (fls. 1694 a 1696) e, Pedro da Rocha é prestador de serviços de Criação de Marcas (fls. 1697 a 1704). A glosa, neste item, traz como fundamento que as Despesas de viagens e hospedagem contabilizadas além de estarem desacompanhadas de documentos, tais como bilhetes de passagens, faturas de hotéis e relatórios de viagens que demonstrem a utilidade dessas viagens para os fins a que se propõe a Central do Carnaval, verificase que diversos pagamentos referemse a beneficiários que são atrelados às demais empresas do grupo (item 2.1 do TVF). Fl. 3203DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 20 Analisando a documentação retratada na peça recursal, consta o registro como sua empregada de Luciene Maia Vilas Boas Pinto e os demais citados são prestadores de serviços, no entanto, a recorrente não trás aos autos a prova de que as viagens e hospedagem a que se referem as contas contábeis código 31314004 e 31314005, respectivamente, listadas pela Auditoria Fiscal em sua Planilha Demonstrativa das Glosas de Despesas, fls. 36 a 41, de fato, tiveram como objetivo o desempenho das atividades inerentes a ela. Dessa forma, as alegações apresentadas pelo sujeito passivo não se sustentam e, por conseqüência, as glosas efetuadas de despesa a que se referem o tópico sob análise devem ser mantidas. Terceiro item. Aqui, da mesma forma que o item anterior, no entender da 1a. Turma de Julgamento as DESPESAS COM SEGURO DE VIDA E SEGURO SAÚDE DOS COLABORADORES, nos valores glosados de R$ 59.543,08 e, R$ 49.248,50, respectivamente, pertencem aos sócios de empresas do mesmo grupo econômico ou parentes de funcionários da empresa autuada. Afirma a recorrente que, na realidade, os documentos colacionados às fls. 1883/1900 e 2822/2850, comprovam que tais despesas diz respeito a pagamento de plano de seguro de saúde dos seus funcionários. Da análise dos documentos colacionados, bem como da Planilha Demonstrativa das Glosas de Despesas (fls. 36/41) e, respectivas contas contábeis (Razão Analítico de fls. 1.140/1.142), concluo e alinhome aos fundamentos expendidos pela decisão recorrida, a saber: Ao analisar as informações trazidas ao PAF pela autoridade preparadora em resposta (fls. 2946 a 2948) ao pedido de diligência formulado por esta autoridade julgadora (fls. 2948 a 2949), restou comprovado que tais despesas (fls. 863 a 927, 928 a 996) pertencem a sócios de empresas do mesmo grupo econômico ou parentes de funcionários da Impugnante. No fito de chegar a tal conclusão, a documentação supracitadas foi analisada em conjunto com a lista de sócios das empresas do grupo (pertencente ao termo de verificação fiscal em suas fls. 48 a 49), na qual constam inclusive os sócios da Impugnante. A autoridade fiscal faz citação ao artigo 360 do RIR/1999 e artigo 4o. da Lei nº. 11.053/2004 que discorre sobre a dedutibilidade das despesas com seguro de vida com cláusula de sobrevivência, evidenciando que tais despesas para serem consideradas devem estarem relacionadas diretamente com funcionários ou dirigentes da empresa. Neste passo, cabe ressaltar que será exonerada dos autos de infração em epígrafe, parte da glosa com as despesas com seguro de vida no valor original de R$ 4.615,37 (R$ 59.543,08 – R$ 54.927,37), justificados pela recorrente e acatados pela autoridade fiscal em sua resposta a já relatada diligência fiscal. Portanto, neste item, mantenho os termos da decisão recorrida. Quarto item. Relativo a glosa de DESPESAS COM O PAGAMENTO PARA O CAMAROTE DA CENTRAL/CAMPO GRANDE E CAMAROTE DO NANA no total de R$ 154.983,34. Aqui, afirma a recorrente que as despesas glosadas decorrem basicamente das despesas pagas pela Impugnante a pessoas jurídicas a título de locação de espaço onde Fl. 3204DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 21 21 funcionaram os Camarotes da Central do Carnaval/Camarote Campo Grande e Camarote do Nana. Além disso, dispõe que o fato de as locações terem sido efetivadas em nome da Impugnante, conforme documentos que alega colacionar a sua defesa, por si só, justificaria a utilização das despesas indevidamente glosadas. O Termo de Verificação Fiscal traz como fundamento para tal glosa o seguinte: Glosa de outras despesas que, em função da natureza do pagamento ou do histórico constante do razão, constatouse tratarse de pagamento de obrigações de terceiros, ou seja outras empresas componentes do grupo. Extraise os seguintes fragmentos do voto condutor recorrido: A alegação apresentada pela Impugnante não procede, visto que o simples fato de as locações terem sido efetivadas em nome da Impugnante não justifica, por si só, a sua dedutibilidade do lucro real. A Defendente também apresenta uma lista de obrigações assumidas frentes aos patrocinadores e junta ao seu instrumento de impugnação os contratos celebrados com estes, fls. 1.716 a 1.753. Da leitura dos citados contratos, verificase que a Defendente assumiu junto a seus patrocinadores a obrigação de promover, organizar e instalar, por sua conta e risco, 2 (dois) camarotes com vista para os desfiles carnavalescos do circuito do Campo Grande e Barra/Ondina, durante o Carnaval de 2006 da cidade de Salvador/BA. A instalação de tais camarotes viabilizaria o recebimento das receitas nele previstas, que são patrocínios pela veiculação de marcas e de garantia na exclusividade da comercialização de produtos. Logo, as atividades contratadas e as despesas delas decorrentes são compatíveis com o objeto social da Defendente (CENTRAL DO CARNAVAL), visto que, o item 1.3 do seu contrato social, fls. 1.029, assim dispõe: 1.3 – O objetivo da Sociedade é de prestação de serviços de produção, promoções de eventos artísticos, culturais e recreativos, serviços de programas turísticos, transportes de passageiros e locação de bens móveis. Logo, concluise que os gastos com os camarotes do NANA BANANA e da Central (CARA CARAMBA) foram assumidos pela Impugnante por mera liberalidade e em total desacordo com o princípio contábil da entidade, o que configura a ocorrência de pagamentos por conta de terceiro (Naba Produções artísticas LTDA, verdadeira dona do camarote do NANA e Cara Caramba Produções Artísticas Ltda, verdadeira dona do camarote da Central), restando fulminada a dedutibilidade de tais despesas por não serem normais, nem usuais e nem necessárias as atividades e a operações da Contribuinte em epígrafe, o que motiva a manutenção da glosas de tais despesas no total de R$ 154.983,34 (fls. 36 a 41). Dessa forma, a glosa das despesas concernentes à promoção, organização e instalação dos camarotes da Central/Campo Grande e do Nana deve ser mantida no valor de R$ 154.983,34. Fl. 3205DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 22 Registrese que os documentos carreados aos autos, além dos balancetes analíticos, a sua maioria diz respeito a de simples recibos, por exemplo, emitidos pela empresa Yesim Industria de Confecções e Brindes Ltda., nos valores de R$.52.360,00 (pagamento 2a. parcela do bloco NANA BANANA); R$ 56.280,00 (Kit fantasia do bloco CAMALEÃO); R$ 16.800,00 (duas parcelas pagamento de mochilas) e, recibos emitidos por Camisetas da Bahia Ltda (sem indicação sequer do CNPJ) nos valores de R$ 60.000,00 (adiantamento de produção dos abadas dos blocos Nana Banana, Camaleão e Voa Voa); R$ 85.950,00 (parte pagamento dos blocos carnaval 2006); R$ 16.125,00 (parte pagamento do Camarote da Central), etc. Quinto item. Da mesma forma com relação ao item anterior afirma a ora recorrente, em suma, que as DESPESAS COM PAGAMENTO DE FARDAMENTO/ÔNIBUS PARA EVENTOS E FRETE, são decorrentes da execução das atividades inerentes ao seu objeto social e que decorrem de previsão de contrato de prestação de serviço. Aduz que “juntou aos autos comprovante de que as despesas de fardamento dos promotores de vendas e locomoção dos mesmos para eventos artísticos produzidos pela Central do Carnaval (previsão no objeto social), são de sua responsabilidade, provando, de acordo com o princípio contábil do confronto, a procedência, utilidade e necessidade de tais despesas, demonstrando a improcedência da glosa efetuada.” No entanto, o que se vê do conjunto dos documentos juntados, com relação a este item (Fardamento/Conta 31309011), não passa de simples recibos emitidos por Camisetas da Bahia Ltda., conforme alhures já explicitados (no valor de R$ 2.995,00). Não encontramos nos autos documento hábil e idôneo, ou mesmo, qual quer justificativa plausível com relação a despesas com ônibus e frete, até mesmo na impugnação a autuada deixou de tecer qualquer comentário sobre o item “Despesas com pagamento de ônibus para eventos”. Forçoso concluir, também, com relação a este item, não proceder as alegações de defesa. Sexto item: DESPESAS COM PAGAMENTO DO SEGURO E IPVA DO CAMINHÃO VOLVO E A TIM TRIOS ELÉTRICOS. Neste item entendeu a fiscalização e autoridade julgadora de primeira instancia que a aquisição deste veículo teve por objeto a cessão gratuita do mesmo para os blocos pertencentes às empresas do grupo econômico ao qual a Recorrente participa e a cessão de bens de sua propriedade a terceiros não faz parte do objeto social. Argumenta a recorrente que tal premissa é completamente equivocada, visto que adquiriu o caminhão visando aumentar o leque de suas receitas, inclusive, por compromissos contratuais. Pois bem. As alegações da recorrente que a cessão foi efetuada de modo gratuito em função de obrigações assumidas junto a seus patrocinadores, mas, sem nenhum respaldo em documento hábil e idôneo que comprove tal assertiva, não merece respaldo no sentido da desconsideração das glosas efetuadas, mesmo porque o simples fato de ter obtido patrocínio junto a diversas companhias não significa ter assumido a obrigação de ceder bens de sua propriedade para blocos carnavalescos. Desse modo, mantenho as glosas das despesas referentes ao veículo adquirido com o fim de ser cedido gratuitamente, inclusive das despesas ditas de conserto do referido veículos junto ao Tim Trio Elétrico. Fl. 3206DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 22 23 DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/PAGAMENTOS SEM CAUSA. Nesta fase recursal este item restringese à parte controvertida remanescente, qual seja, a glosa das despesas na aquisição de sacolas e abadas dos blocos Nana Banana, Camaleão e Voa Voa, por ausência de causa nos termos do art. 674 do RIR/1999. Alega a recorrente que para a sua aplicação seria necessária a satisfação dos seguintes requisitos: (i) pagamento efetuado a beneficiário não identificado; (ii) falta de comprovação da operação que gerou o pagamento tributado; e (iii) falta de comprovação da causa da operação que gerou o pagamento tributado. Em seguida, argumenta que, no caso sob julgamento, todos os pagamentos tributados sob esta rubrica estariam perfeitamente contabilizados e regularmente identificados, além disso, as operações e suas causas restariam absolutamente justificadas e comprovadas, sendo a autuação, dessa forma, improcedente. Do voto condutor ora recorrido se extrai os seguintes fragmentos. Com relação aos valores pagos pelo caminhão Volvo no montante de R$ 320.000,00, esta autoridade julgadora considera que o beneficiário do pagamento foi identificado, o desembolso e a causa da compra do caminhão também restaram comprovados, isto porque o caminhão é um veículo que pode ser usado para muitos fins, como por exemplo: transportar os quites fantasia recebidos dos Blocos carnavalescos contratantes da Central do Carnaval em suas atividades comerciais, transportar equipamentos para os pontos de venda da Central e para os eventos por ela produzidos. Também, com relação aos valores pagos na aquisição de mochilas personalizadas da Central do Carnaval no montante de R$ 33.600,00, esta autoridade julgadora considera que o beneficiário do pagamento foi identificado, o desembolso e a causa na aquisição de mochilas também restaram comprovados, isto porque a Central do Carnaval detém a posse do camarote da Central/Campo Grande que é uma das fontes de renda da Impugnante, sendo prática normal produzir tais mochilas para divulgar o referido camarote, e na divulgação da venda dos abadas para os blocos carnavalescos contratantes da Central. Já com relação aos valores pagos na aquisição de sacolas, abadas do Nana Banana, Camaleão e Voa Voa no montante de R$ 168.640,00, esta autoridade julgadora considera que o beneficiário do pagamento foi identificado e o desembolso comprovado. Entretanto, a causa das referidas aquisições não restou comprovada, pelos motivos suscitados a seguir. a Central do Carnaval não detém a posse dos blocos carnavalescos NANA BANANA, VOA/VOA e CAMALEÃO contratantes da Central exclusivamente para a venda dos seus abadás. Isto resta comprovado por intermédio de trechos do contrato padrão firmado entre os blocos a Central do Carnaval para a venda de abadás, como se vê cláusula 1.3: Fl. 3207DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 24 1.3 Os serviços a serem executados pela PRESTADORA serão exclusivamente de venda dos kits fantasias de acesso aos desfiles anuais do "BLOCO VOAVOA", não lhe cabendo qualquer outro encargo ou obrigação de fazer; Como pode ser comprovado no item 1.3 do contrato supracitado, a Central não tinha nenhuma obrigação para com a compra de abadás dos referidos blocos, só a de recebêlos para repassálos aos clientes; Quanto à alegação de que tais gastos teriam sido excluídos nos repasses feitos aos blocos (receita com vendas menos os valores de retribuição (comissão) pelo serviço prestados de vendas menos despesas com abadás), não há nos autos nenhuma prova contábil ( livros contábeis), outras documentações hábeis e idôneas de que tal forma de repasse efetivamente tenha ocorrido; e Para comprovar a causa dos referidos pagamentos, a Impugnante deveria ter usufruído diretamente das mercadorias pelas quais pagou e não o fez, isso porque foi contratada para vender tais mercadorias as quais deveriam ser repassadas pelos blocos sem ônus para aquela. Tal entendimento é corroborado pelo acórdão do, então, Conselho de Contribuintes em seu acórdão de nº. 10421.958 aqui transcrito, in verbis: PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADO – PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA – ARTIGO 61 DA LEI Nº. 8981/95 – CARACTERIZAÇÃO – A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens e direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços, referidos em documentos idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento à beneficiário não identificado ou pagamento sem causa. É condição para a incidência do imposto a demonstração da ocorrência do pagamento. Sendo assim, por ter restado comprovado que a Impugnante pagou indevidamente pelos abadás, mantenho parcialmente o lançamento tributário relativo ao IRRF (35%) por pagamento sem causa. Pelo exposto, com relação ao tópico da peça recursal “II DA ILEGALIDADE DA GLOSA DOS CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS EFETIVAMENTE INCORRIDAS” acompanho o quanto decidido em primeira instância. DA NULIDADE DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. DA IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA CUMULATIVAMENTE COM A MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. Aqui, entende a ora recorrente que o fisco aplicou, ao caso, multa isolada prevista no art. 44, parágrafo 1o., inciso IV, da Lei 9.430/96, base legal revogada pela Lei 11.488, de 2007, pelo que requer a nulidade do feito. Em razão da omissão de receitas, o Recorrente deixou de recolher valores a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas. Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 23 25 A legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do ano calendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, aplicase o disposto na Lei nº 9.430/96, art. 44, § 1º, inciso IV, originalmente assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...] Assim, optou o legislador que na falta de antecipação de estimativas ou recolhimento a menor e, para que não ficasse impune a contribuinte, fixouse, no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual. A Lei nº. 11.488, de 15 de junho de 2007 deu nova redação ao artigo 44 acima transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 3209DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 26 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. No que importa à presente análise a nova redação dada ao dispositivo legal promoveu sutil alteração apartando as infrações distintas em incisos distintos e alterando, apenas, o valor da multa isolada, originariamente exigida na alíquota de 75%, reduzindoa para 50%. Nesse contexto o conteúdo jurídico, a dicção do dispositivo não deixa margem de dúvida acerca do seu alcance. A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo, ou seja, é aplicável em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever – não observado de recolher antecipações, mediante estimativas, pouco importando se estas possuem apenas um caráter provisório, pois o que se busca é punir a conduta do contribuinte que, espontaneamente, abandonou a regra geral de tributação lucro real trimestral, sem respeitar o requisito para o ingresso na sistemática do lucro real anual, cujas estimativas mensais antecipatórias são de recolhimento imprescindível. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada. Inadmissível, assim, a interpretação de que as multas isoladas originalmente estabelecidas no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, foi expressamente revogada pela Lei nº. 11.488, de 2007 lhe deu nova redação. Ressaltese, que aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a Lei prevê a multa de ofício (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. O fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. A variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Ou seja, as aplicação de uma multa não exclui a aplicação da outra por terem fatos geradores distintos. A multa isolada de 50% tem como fato gerador o não adimplemento da estimativa mensal, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no ano calendário correspondente. A multa de ofício de 75% tem como fato gerador, neste caso, o tributo apurado anualmente e não pago. LANÇAMENTOS REFLEXOS Quanto aos autos de infração relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS, uma vez que são decorrentes da apuração do IRPJ, ou seja, com base nos mesmos pressupostos fáticos e em face das mesmas razões de defesa, aplicase mutatis mutantis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 3210DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10580.722434/201014 Acórdão n.º 1301001.548 S1C3T1 Fl. 24 27 Fl. 3211DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002935/2007-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL
É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Não logrando o contribuinte justificar a origem das movimentações financeiras, é de se manter a autuação por omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42, da lei n. 9.430.
SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso negado
Numero da decisão: 2802-003.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 21/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não logrando o contribuinte justificar a origem das movimentações financeiras, é de se manter a autuação por omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42, da lei n. 9.430. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 21/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
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VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não logrando o contribuinte justificar a origem das movimentações financeiras, é de se manter a autuação por omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42, da lei n. 9.430. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 35 /2 00 7- 33 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 21/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Trata de Auto de Infração de fls. 135/138, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, no valor de R$ 51.608,90, acrescido dos juros de mora e multa de ofício, calculados de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorre de omissão de rendimentos constatada mediante confronto com dados apresentados pela operadoras de cartões de crédito e demais movimentações financeiras efetuadas. Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente, por não ter o Recorrente comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados, bem como manteve a autuação por omissão de rendimentos provenientes de ganho de capital na alienação de bem móvel (automóvel) e conseqüente acréscimo patrimonial a descoberto, em face da constatação de rendimentos não declarados. Rejeitadas as alegações quanto à inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário por ato de autoridade administrativa, por não caber à autoridade julgadora se manifestar sobre argüições de inconstitucionalidade de normas (fls. 192/200). Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário (fls. 181/185) com vistas a obter a reforma do julgado, alegando em pequena síntese: a) ilegalidade da imputação de “embaraço à fiscalização”; b) ofensa ao princípio constitucional da proteção ao sigilo de dados bancários; c) inadmissibilidade de prova ilícita, tudo com fulcro nas mesmas razões já apresentadas por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB pelos seguintes bancos: Banco Citicard S.A, Bradesco S/A e Citibank S/A, realizada com a finalidade de verificar se os valores referente às movimentações financeiras com cartões de crédito e demais movimentações financeiras efetuadas no ano calendário de 2003 pela Recorrente, são proporcionais aos rendimentos declarados em DIRF (fls. 123/127). Fl. 217DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002935/200733 Acórdão n.º 2802003.084 S2TE02 Fl. 3 3 Não há impugnação específica sobre a natureza dos depósitos ou justificativa sobre a origem dos rendimentos. Os dados bancários que sustentam o presente lançamento foram obtidos mediante a expedição de RMF e lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização. De início, faço a ressalva a respeito do meu entendimento pessoal sobre a inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário sem prévia ordem judicial, em face da decisão do Pleno do STF no RE n. 389.808/PR. Entretanto, esta C. Turma tem decidido reiteradamente pela possibilidade do acesso a dados bancários sem previa ordem judicial, de acordo com os seguintes fundamentos. As decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. De outro giro, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I, do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão proferida no RE n. 389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de n. 601314; este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Rejeitada a preliminar, passo à análise do mérito do recurso. Toda a argumentação sobre o mérito da autuação e feita em sede de Voluntário se apóia na inconstitucionalidade das leis aplicadas e na impossibilidade da aplicação do embaraço à fiscalização às pessoas físicas por ausência de fundamento legal. Rejeito o argumento sobre a inconstitucionalidade das leis aplicáveis com fundamento na Súmula CARF n. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária De igual modo, rejeito o argumento sobre a impossibilidade da aplicação da pena de embaraço à fiscalização às pessoas físicas, por ausência de fundamento legal, dada a previsão expressa do artigo 33, I, da lei n. 9.430, em sentido contrário ao afirmado pelo recorrente. A esse respeito, destaco trecho da decisão recorrida: Notese que, o contribuinte, quando procura justificar que o referido dispositivo só é aplicável A pessoa jurídica, destaca que o mesmo requer, para caracterização do "embaraço A fiscalização" a não exibição dos livros contábeis, contudo, como se pode observar do texto legal, não faz só referencia aos livros contábeis, mas também "... não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado,...". Fl. 218DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Ademais, sequer houve a aplicação da pena de embaraço a fiscalização; apenas o aviso sobre a possibilidade de aplicação na hipótese de não entrega dos extratos bancários à autoridade fiscalizadora no prazo fixado. Dada a não comprovação da origem dos rendimentos, é de se manter o lançamento. Ante o exposto, conheço e nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 219DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/10/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001075/2002-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2002
RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO.
Consoante o art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática de recursos repetitivos devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62-A do RI-CARF - REsp 993164)
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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REPRODUÇÃO. Consoante o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática de recursos repetitivos devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62A do RI CARF REsp 993164) Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 10 75 /2 00 2- 91 Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13888.001075/200291 Acórdão n.º 3403003.381 S3C4T3 Fl. 1.581 2 Relatório FBA FRANCOBRASILEIRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL formulou recurso voluntário contra o Acórdão n° 1435.777, de 8 de novembro de 2011, fls. 1.312 a 1.321, da 8ª Turma da DRJ/POR, que negou provimento a Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Piracicaba (SP), que lhe deferiu parcialmente o pleito de ressarcimento do crédito presumido do IPI referente aos trimestres mediados pelas datas de 01/01/2000 e 31/03/2002. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2002 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2002 Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DESISTÊNCIA PARCIAL. A desistência da manifestação de inconformidade encerra o litígio na via administrativa e implica o não conhecimento de seu teor. Em conseqüência, a desistência parcial da manifestação de inconformidade encerra o litígio na parte em que renunciada, prosseguindo a discussão na parte em que mantido o questionamento Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário, fls. 1.334 a 1.346, FBA controverte o direito de incluir na base de cálculo do benefício fiscal o valor das aquisições de canadeaçúcar a produtores rurais pessoas físicas. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. Modo sintético, é o Relatório. Voto Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13888.001075/200291 Acórdão n.º 3403003.381 S3C4T3 Fl. 1.582 3 Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.334 a 1.346 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO8ª Turma nº 1435.777, de 8 de novembro de 2011. Ressalvando meu entendimento pessoal e observando o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, reproduzo a decisão proferida pelo Ministro Luiz Fux no REsp 993164, em julgamento conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ, transitada em julgado em 06/08/2012 e à qual me curvo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. 2. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. 3. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando se aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13888.001075/200291 Acórdão n.º 3403003.381 S3C4T3 Fl. 1.583 4 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13888.001075/200291 Acórdão n.º 3403003.381 S3C4T3 Fl. 1.584 5 benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13888.001075/200291 Acórdão n.º 3403003.381 S3C4T3 Fl. 1.585 6 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Forte no art. 62A do RICARF, reconheço o direito do recorrente de incluir o valor das aquisições de canadeaçúcar a produtores rurais pessoas físicas, devidamente comprovadas nos autos, na composição da base de cálculo do do CPIPI, modalidade da Lei n° 9.363, de 16 de dezembro de 1996, reformandose a decisão recorrida que vetou essa utilização. Sala de sessões, em 11 de novembro de 2014 Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904894/2012-26
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/09/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/09/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 94 /2 01 2- 26 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904894/201226 Acórdão n.º 3801003.699 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904894/201226 Acórdão n.º 3801003.699 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904894/201226 Acórdão n.º 3801003.699 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904894/201226 Acórdão n.º 3801003.699 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904894/201226 Acórdão n.º 3801003.699 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904894/201226 Acórdão n.º 3801003.699 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000434/2005-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO.
Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas.?
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-leão. Vencidas as Conselheiras Acácia Sayuri Wakasugi (relatora) e Núbia Matos Moura. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos
Presidente à época da formalização
Assinado digitalmente.
Carlos André Rodrigues Pereira Lima
Redator Ad Hoc
Assinado digitalmente.
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
Redatora do voto vencedor
EDITADO EM: 17 de maio de 2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), ATILIO PITARELLI, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI.
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-leão. Vencidas as Conselheiras Acácia Sayuri Wakasugi (relatora) e Núbia Matos Moura. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc Assinado digitalmente. Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Redatora do voto vencedor EDITADO EM: 17 de maio de 2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), ATILIO PITARELLI, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI.
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CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada do carnêleão. Vencidas as Conselheiras Acácia Sayuri Wakasugi (relatora) e Núbia Matos Moura. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc Assinado digitalmente. Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 04 34 /2 00 5- 00 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 2 Redatora do voto vencedor EDITADO EM: 17 de maio de 2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), ATILIO PITARELLI, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI. Relatório Contra o contribuinte ANDRÉ LUIS VIZZACARO, CPF Nº 213.685.098 94, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 23/03/2005, Auto de Infração (fls. 03 a 17), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente ao exercício 2002, com o lançamento do imposto de renda pessoa física no valor de R$ 39.312,71. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: i. Imposto R$ 13.080,72; ii. Juros de Mora (cálculo até 28/02/2005) R$ 6.662,01; iii. Multa Proporcional (passível de redução) R$ 9.810,54; iv. Multa Exigida Isoladamente R$ 9.759,20; v. Total do Crédito Tributário R$ 39.312,47. A infração apurada pela autoridade fiscal e detalhada no Auto de Infração demonstra que o contribuinte omitiu rendimentos oriundos de trabalho sem vínculo empregatício de pessoas físicas em sua DAA/Exercício 2002, tendo as seguintes motivações: i. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNÊ LEÃO. OMISSÁO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS ii. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO O contribuinte foi regularmente intimado, em 05/05/2005 (fls. 99) a prestar esclarecimentos quanto às omissões acima mencionadas, apresentando impugnação ao auto de infração em 06/06/2005 (fls. 100102), de onde se extrai os seguintes argumentos: O lançamento de oficio na forma preconizada no Auto de Infração mencionado, não tem consistência legal em razão de se ter apurado as verbas pelo meio individualizado dos rendimentos mensais, durante o exercício de 2001, enquanto que a forma correta seria pela declaração de ajuste apresentada no exercício de 2002. (...) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 13830.000434/200500 Acórdão n.º 2102002.070 S2C1T2 Fl. 11 3 Evidente assim, que ao ser demonstrado o valor líquido de R$ 53.236,56 (cinqüenta e três mil, duzentos e trinta e seis reais e cinqüenta e seis centavos), como sendo diferença apurada de rendimento omitido, não se coaduna com o que está prescrito na legislação do Imposto de Renda. (...) Assim visto, caso prevaleça o entendimento de que houve omissão de receita, justo e correto que se adicione o mesmo valor em sede de nova declaração, tido como conetiva do lançamento fiscal. (...) É que a norma bem define que a multa só é devida quando ocorre a falta de pagamento ou recolhimento após o prazo, ou ainda, falta de declaração e nos termos de declaração inexata.” Juntou documentos, tais como, recibos de pagamento realizados por pessoas físicas em contrapartida ao serviços prestados pelo contribuinte como psicólogo. A 1ª Turma da DRJ/FOR, em 23 de janeiro de 2009, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, para reduzir a multa exigida isoladamente aplicada no percentual de 75%, para o percentual de 50%, tendo em vista a aplicação do princípio da retroatividade benigna da legislação tributária , conforme acórdão de fls. 107115, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. BASE DE CÁLCULO. É de se refazer os cálculos do imposto devido quando se constata erro na apuração de sua base de cálculo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 CARNÊLEÃO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. Tendo, o contribuinte, percebido rendimentos de pessoas físicas, conforme demonstrado na Declaração de Ajuste Anual, e tendo Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 4 havido insuficiência de recolhimento, por omissão de rendimentos, é exigível a multa de ofício isolada, com fundamento no art. 44, § 1°, III, da Lei 9.430, de 1996. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. REDUÇÃO. Impõese reduzir a multa exigida isoladamente aplicada no percentual de 75%, para o percentual de 50%, em decorrência do princípio da retroatividade benigna da lei tributária. MULTA DE MORA. BENEFÍCIO. A argüição do contribuinte que não foi alertado para o disposto no artigo 47 da Lei 9.430, de 1996, durante o Processo n° 13830.000434/200500 Acórdão n.° 0814.700 procedimento fiscal não o beneficia, tendo em vista que a ninguém é dado alegar que não conhece a lei. Lançamento Procedente em Parte. Salientae que a decisão da DRJ deixa claro a aplicação das multas de oficio e multa isolada, sendo que quanto a multa isolada a decisão aplicou a Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, reduzindo o percentual de 75% para 50%. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 11/03/2009 (fls. 122), cujo qual interpôs recurso voluntário postado em 30/03/2009 (fls. 123), aduzindo: · Que equivocase o fisco, pois o levantamento de seus rendimentos deveria ser feito pelo sistema de declaração anual, uma vez que os rendimentos recebidos no último mês do ano calendário de 2001, eram de ser declarados no ajuste do exercício de 2002; · A declaração de ajuste apresentada pelo contribuinte, mesmo com erro encontrado a posteriori, não deve ser desconsiderada para os efeitos legais, já que na ótica da fiscalização e devido acerto, era de ser reclamada a legalização, com a concessão de prazo e, pagamento de eventual diferença. · Aduz acrescer ainda, que a exigibilidade de recolhimento mensal não pode ser suplantada pela condição da legislação de pertinência, mesmo porque os valores encontrados têm encosto em documentos emitidos no mês de dezembro de 2001, fator que por si só determina que a declaração tome por termo referido mês, mas não se voltar aos meses anteriores. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 13830.000434/200500 Acórdão n.º 2102002.070 S2C1T2 Fl. 12 5 O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo ao exame. No presente caso, não merece qualquer reparo a decisão da DRJ, na qual analisou a perfeição o caso em tela, portanto transcrevo e reportome aqui parte da fundamento do voto da Nobre Relatora da DRJ: Do MÉRITO: DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS A defesa, em sua impugnação, argüiu, em síntese, que o lançamento não tem consistência legal em razão de se ter apurado os rendimentos mensais, enquanto a forma correta seria pela declaração de ajuste anual. Alegou, ainda, que caso prevaleça o entendimento de que houve omissão de rendimentos, que o imposto correto é de R$ 10.786,19 após o aproveitamento do imposto já pago. A Lei n° 7.713, de 1988, em seu art. 8°, estabelece que os rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, recebidos por pessoa física de outra pessoa física no país, ou de fontes situadas no exterior, sujeitamse ao pagamento mensal do imposto (carnêleão). Por seu turno, a Lei n° 8.134, de 1990, art. 4°, inciso I, determinou que o imposto de que trata a Lei n° 7.713, de 1988, art. 8°, seria calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês. Ocorre que, além de estarem sujeitos ao recolhimento mensal, os rendimentos de que trata o art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988, compõem também a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual, conforme determina a Lei n° 9.250, de 1995, em seu artigo 7°, a seguir transcrito: Art. 70 A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano calendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (grifei) Observase que a autoridade fiscal considerou omitido o total de R$ 50.966,45 e calculou o imposto devido sobre referido montante. Esclarecese ao contribuinte que a autoridade fiscal apurou mês a mês o montante de rendimentos recebidos pelo autuado de pessoas físicas, a fim de verificar se havia, e em qual mês, rendimentos acima do limite para recolhimento do carnêleão. No presente caso, somente no mês de dezembro foi que se apurou rendimentos acima do limite de isenção, incidindo, portanto, sobre esses rendimentos, recolhimento de imposto a título de carnêleão. Pelo exposto, correta a forma pela qual a autoridade fiscal apurou o imposto devido sobre os rendimentos considerados omitidos. Contudo, quanto ao valor do imposto devido, temse que assiste, em parte, razão ao contribuinte. É que a autoridade fiscal ao subtrair, equivocadamente, a parcela relativa ao desconto simplificado a ser utilizada, a saber: R$ 8.000,00 — R$ 3.529,89 (desconto simplificado utilizado na declaração de rendimentos) = R$ 4.470,11, do rendimento considerado omitido em dezembro, apurou um valor de imposto maior que o devido. Assim sendo, é de se refazer os cálculos para apuração do imposto devido, conforme tabela abaixo, utilizando, para melhor entendimento, a nomenclatura constante da Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício 2002, anocalendário 2001: (...) Apenas a título de comprovação, se partíssemos da base de cálculo apurada na declaração de rendimentos, como fez a autoridade fiscal (R$ 14.119,25) e somássemos a ela os rendimentos considerados omitidos, conforme planilha de fls. 08 (R$ 53.096,56), encontraríamos o total de rendimentos tributáveis de R$ 67.215,81, que deduzido da parcela de desconto simplificado ainda a ser utilizada (R$ 4.470,11), obteríamos a mesma nova base Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 6 de cálculo apurada na tabela acima, a saber: R$ 67.215,81 — R$ 4.470,11 R$ 62.745,70, ou seja, a diferença entre uma forma de cálculo e a outra é de apenas R$ 0,31, o que não modifica o valor do imposto suplementar a pagar. Portanto, o imposto suplementar a pagar é de R$ 12.437,22 e não de R$ 11.163,66 como afirma o contribuinte, importando frisar que o mesmo apenas informou tal valor em sua defesa, sem, contudo, demonstrar como apurou referido montante. DAS MULTAS DE OFÍCIO O Auto de Infração foi lavrado em decorrência de infração de omissão de rendimentos, apurandose imposto de renda suplementar, multa de ofício e multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão. Conforme se verifica da documentação de instrução do mencionado Auto de Infração, os rendimentos, tidos como omitidos, foram percebidos de pessoas físicas pelo exercício da atividade de prestação de serviço de psicólogo. Desta forma os rendimentos sujeitavamse a recolhimento mensal de carnêleão. (...) Verificase, assim, de acordo com o dispositivo legal acima transcrito, que não havendo o recolhimento mensal, deve ser exigida a multa isolada, independentemente de ter sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste anual. Salientese que a multa é "isolada", sem tributo, pois o imposto é cobrado na respectiva declaração de ajuste, pela inclusão, junto aos demais rendimentos tributáveis recebidos no anocalendário, dos rendimentos sujeitos ao pagamento do carnêleão. O objetivo da norma é inequívoco: estabelecer uma distinção entre aquele contribuinte que honra sua obrigação de recolher o carnêleão, mês a mês, nas datas previstas na legislação, e o contribuinte que nada paga, oferecendo à tributação os rendimentos sujeitos ao carnê leão apenas quando da entrega de sua declaração de ajuste, cujo resultado, não raro, tendo em vista as deduções previstas na legislação, acaba por indicar imposto a restituir. Regulamentando a matéria, a Instrução Normativa SRF n° 46, de 13/05/1997, determina que, nas hipóteses de fatos ,geradores ocorridos a partir de 01 de janeiro de 1997, o imposto de renda devido pelas pessoas físicas sob a forma de recolhimento mensal, quando não pago, sujeitase aos seguintes procedimentos: (...) Diante dos dispositivos citados, depreendese que duas são as multas de ofício: uma a ser lançada sobre o imposto mensal devido e não recolhido (multa isolada), e outra que incide sobre o imposto suplementar apurado na declaração de ajuste, se for o caso. Isso porque duas são as infrações cometidas, que têm bases de cálculos distintas. Na hipótese em questão, conforme demonstrado acima, foi apurado imposto suplementar devido à infração de omissão de rendimentos. Sobre o imposto de renda suplementar, incidiu multa de ofício de 75%, com base no art. 44, incisos I, da Lei n° 9.430, de1996. Ocorre que, como houve falta de recolhimento de carnêleão, cabível, também, a aplicação da multa isolada. Por fim, há que se esclarecer o contribuinte que com relação a seu entendimento de que não há que se cobrar multa sobre o imposto devido, tendo em vista que a Fiscalização deveria têlo alertado para o disposto no artigo 47 da Lei n° 9.430, de 1996, temse que: 1) quando o citado artigo determina que a pessoa física submetida à ação fiscal pode pagar até o 200 dia do recebimento do Termo de Início de Fiscalização o imposto já lançado ou declarado com os "acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo", isto que dizer que o imposto deverá ser pago acrescido de multa de mora e de juros de mora, ou seja, jamais se falou em pagamento de imposto sem multa após o vencimento daquele, e, em assim sendo não procede a argumentação do autuado, e; 2) de acordo a Lei de Introdução ao Código Civil, Decretolei n° 4.657, de 04 de setembro de 1942, art. 3 0, ninguém pode alegar que não conhece a lei. Ademais, o contribuinte não pode atribuir a si "ato de espontaneidade", quando já se encontrava sob procedimento fiscal. Durante citado, procedimento fiscal, observase que o contribuinte negou que omitira Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 13830.000434/200500 Acórdão n.º 2102002.070 S2C1T2 Fl. 13 7 rendimentos, conforme se depreende de sua resposta à autoridade fiscal, fls. 15, entendendo que nada devia aos cofres da União. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75% e a multa de ofício exigida isoladamente, conforme consubstanciadas no presente Auto de Infração. DA REDUÇÃO DA MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE Com relação à multa exigida isoladamente, devese observar, ainda, o estabelecido pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, que alterou o referido percentual de 75% para 50%, nos termos do seu artigo 14 a seguir transcrito: (...) Assim, por força do princípio tributário da retroatividade benigna, consignado no artigo 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN que abaixo se transcreve, impõese a aplicação do percentual de 50% aos atos pretéritos, não definitivamente julgados, no qual se enquadra o presente caso. Tendo em vista que o contribuinte, não traz nada de novo em seu recurso voluntário, repisando os mesmos argumentos já exarados na impugnação ao auto de lançamento, não juntando quaisquer outras provas que comprovassem o equivoco por parte do fisco, não há como acolher o recurso do contribuinte. Ademais, a simples argumentação do contribuinte de que – “E é exatamente nessa pontificação de estratégia fiscal, que repousa o pecado do fisco, pois que tudo está a documentar que o levantamento deveria ser feito pelo sistema de declaração anual, já que os rendimentos recebidos no último mês do ano calendário de 2001, com a devida certeza, eram de ser declarados pela Declaração de Ajuste do exercício de 2002, mesmo porque nenhum prejuízo era de ser aferido à Recorrida.” – não tem qualquer ampara na legislação tributária, haja visto que o contribuinte requer seja alterado a forma de tributação do imposto de renda pessoa física. Considerando por fim que a própria DRJ já julgou parcialmente procedente a impugnação ao auto de lançamento para p fim de considerar devidos o imposto, no valor de R$ 12.437,22, acrescido dos encargos legais pertinentes, e a multa exigida isoladamente, no valor de R$ 6.506,13, não a mais nada o que acolher em sede de CARF. Nestes termos e por tudo mais que do processo consta, verifico que correto está o entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, não merecendo quais reparos a decisão exarada pela DRJ. Isto posto, Voto por Negar Provimento ao Recurso. Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc Voto Vencedor Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 8 Em que pese o respeito que tenho pela ilustre relatora, tomo a liberdade discordar de seu entendimento acerca da manutenção da exigência da multa de ofício isolada sobre a falta de recolhimento do carnêleão. Quanto a esta parcela do lançamento, impende ressaltar que este Conselho vem decidindo de forma reiterada que a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão não pode ser exigida em conjunto com a multa de ofício quando as mesmas incidirem sobre a mesma base de cálculo. É o que se vê do seguinte julgado: MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas.Recurso provido. (Ac. 10615.639, Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) No mesmo sentido o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0104.987, Rel. Cons. Leila Maria Scherer Leitão) E foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, pois basta uma análise do demonstrativo de fls. 10 para que se perceba que a base para a exigência dos valores relativos à multa isolada é exatamente aquela utilizada pela fiscalização para a exigência do IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Assim, em razão da concomitância entre a aplicação destas duas multas (isolada e de ofício), voto no sentido de excluir a parcela da multa isolada do lançamento. Diante de todo o exposto, meu voto é no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir do lançamento a multa exigida de forma isolada. Assinado digitalmente. Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Numero do processo: 10380.913367/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. LUCRO REAL.
Nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e voto que integra o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ESTIMATIVAS MENSAIS. LUCRO REAL. Nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e voto que integra o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 33 67 /2 00 9- 68 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10380.913367/200968 Acórdão n.º 1803001.721 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo da Declaração de Compensação DCOMP de fls. 01/04, apresentada em 08/05/2008 por meio eletrônico através do aplicativo PER/DCOMP 3.3, na qual a interessada acima identificada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública no valor original de R$ 1.076.730,28, decorrente de pagamento indevido da antecipação do imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.876.090,74, referente ao período de apuração de julho de 2005. Utilizando o crédito que alega possuir, a interessada busca extinguir por compensação débitos de IRRF, período de apuração abril de 2008. Foi proferido o Despacho Decisório de fl. 05/06, o qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que o crédito pleiteado não existe, vez que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informado no PER/DCOMP. O enquadramento legal mencionado no Despacho Decisório é o seguinte: artigos 165 e 170 da lei no 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996. Inconformada com a aludida decisão, a empresa apresentou impugnação sustentando em síntese que ao findar o ano, finalizado o período de apuração do IRPJ, foi apurado que a contribuinte teve, em verdade, um prejuízo fiscal. Desta forma, inexistindo lucro no período de apuração de 2005, não se configurou a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ. Sustenta ainda, que o valor recolhido por estimativa, referente a apuração realizada no mês de julho de 2005, foi, de fato, indevido, conforme constatado no fechamento do período de apuração anual em 2005, como dito, houve prejuízo fiscal. E, sendo indevido, a TERMOCEARÁ LTDA utilizouse desse crédito para compensar valores a pagar no ano de 2008, sendo que a presente PER/DCOMP utilizouse de parte desses créditos. Em sede de cognição ampla a DRJ manteve o lançamento impugnado, sob o fundamento de que as antecipações efetuadas através das estimativas não configuram pagamento a maior do tributo. A hipótese de indébito tributário somente pode se dar ao final do período de apuração, com a ocorrência do respectivo fato gerador do tributo, ocasião em que poderá ser verificado se o somatório dos pagamentos e antecipações efetuados no decorrer do período se revela superior ao valor do tributo devido ao final do anocalendário. Por ato contínuo, a autuada interpôs Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos que respaldaram a impugnação. É o simples relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10380.913367/200968 Acórdão n.º 1803001.721 S1TE03 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman – Relator Admito o Recurso Voluntário por observar os requisitos legais, mormente quanto a sua tempestividade. Pois bem, nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Em virtude do exposto, improvejo o Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10166.720564/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2402-004.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos opostos, vencido o conselheiro Thiago Taborda Simões. Os conselheiros Thiago Taborda Simões e Luciana de Souza Espíndola Reis apresentarão declaração de voto.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos opostos, vencido o conselheiro Thiago Taborda Simões. Os conselheiros Thiago Taborda Simões e Luciana de Souza Espíndola Reis apresentarão declaração de voto. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 05 64 /2 01 0- 11 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pelo contribuinte contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Alega a embargante que o acórdão teria incorrido em omissões. Segue transcrição: Da omissão quanto ao arbitramento Como demonstrado no Recurso Voluntário às páginas 34 a 36, o procedimento de arbitramento é instituto admitido em direito apenas em situações muito específicas e excepcionais, vale dizer, é um instituto jurídico de exceção. Transcrevase o seguinte trecho, presente na página 34 do Recurso voluntário: ... Talvez por julgar estar diante dessa barreira intransponível, a Autoridade Fiscal procedeu ao arbitramento, o qual apresentou diversas falhas já apontadas e devidamente atacadas no Recurso Voluntário (páginas 34 a 46), mas foi omissa ao não demonstrar tal intransponibilidade. Essa demonstração seria necessária para justificar o arbitramento. ... Da omissão quanto à fundamentação legal do arbitramento Conforme se demonstrou no Recurso Voluntário, diante da ausência de procedimento específico previsto na lei 8.212/91, a Autoridade Fiscal criou um procedimento de arbitramento não previsto no ordenamento jurídico. Tal procedimento seguiu critérios pouco claros, imprecisos e sem qualquer previsão legal. ... A despeito da demonstração parcialmente transcrita acima, o acórdão embargado foi omisso, pois não se manifestou sobre o argumento da Embargante, de que o arbitramento deveria seguir os critérios do Decreto 3.048/99 (o Regulamento da Previdência Social). ... Da omissão quanto à produção da prova negativa O Recurso Voluntário também foi claro e preciso ao defender que não se pode exigir prova negativa de quem alega não ter Fl. 606DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10166.720564/201011 Acórdão n.º 2402004.173 S2C4T2 Fl. 2.693 3 pagado valores sujeitos a tributação, pois isso implica exigir do contribuinte a produção de prova impossível. A Embargante demonstrou, assim, que a Autoridade Fiscal deveria apresentar a prova dos pagamentos realizados para que fosse permitida a inversão do ônus da prova quanto aos valores supostamente pagos, pois sem tal comprovação a inversão do ônus da prova é ilegal. ... A despeito das alegações da embargante, o acórdão recorrido foi omisso, pois não se manifestou acerca da alegação do contribuinte, de que a inversão do ônus da prova não seria aplicável no caso em questão e tampouco explicou como poderia o contribuinte produzir a prova requerida no caso, a qual era manifestamente impossível. ... 4. Da omissão quanto ao fundamento legal para o arbitramento Além de não justificar a não aplicação do artigo 201 § 3o, do Decreto n° 3.048/99, a Autoridade Fiscal afirmou às fls. 504, que "a apuração da importância devida pode ser realizada por outros meios que se mostrem razoáveis ". ... Seja ou não razoável o método, fato é que o acórdão embargado foi omisso ao não apontar o fundamento legal de sua decisão, de maneira que o acórdão embargado merece integração, para que sejam afastadas as omissões apontadas, manifestandose sobre cada um dos argumentos sobre os quais não se manifestou. ... 5. Da omissão quanto à desconsideração da escrita contábil sem motivação No item 6.1, que se inicia na página n° 41 de seu Recurso Voluntário, a Embargante alegou que a Autoridade Fiscal não poderia presumir a omissão de receitas correspondentes às corretagens que supostamente teria repassado aos Corretores Independentes. Isso, pois tal alegação demandaria desconsideração de sua escrita contábil e não há no Auto de Infração alegação de erro de contabilização pela Embargante. ... Vejase, o conhecimento deste argumento faria cair por terra integralmente o Auto de Infração em questão, motivo pelo qual é de suma importância a manifestação do acórdão sobre ele. Contudo, o Acórdão Recorrido foi omisso ao não abordar este tópico. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 4 Portanto, o acórdão embargado merece integração, para que sejam afastadas as omissões apontadas, manifestandose sobre cada um dos argumentos sobre os quais não se manifestou. ... Concluise pela necessidade de integração do acórdão embargado, por padecer de vícios de omissão quanto: à ausência de necessidade de arbitramento; à impossibilidade de produção da prova negativa; à existência de procedimento legalmente previsto para o arbitramento, não utilizado pela Autoridade Fiscal; ao fundamento legal do arbitramento com base em "outros procedimentos razoáveis"; e à desconsideração da escrita contábil sem seu devido questionamento. É o Relatório. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10166.720564/201011 Acórdão n.º 2402004.173 S2C4T2 Fl. 2.694 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o preenchimento dos requisitos formais dos embargos opostos, e portanto, passo a examinálos. Primeiramente, ressaltase que mesmo em procedimento administrativo os embargos de declaração representam uma via estreita, não se prestando para a modificação da decisão embargada que não contenha omissão, contradição ou obscuridade. Adotada essa primeira premissa, passo ao exame do recurso. Peço vênia ao Conselheiro Carlos Henrique Oliveira para reproduzir sua análise trazida aos autos na informação em embargos. As decisões em recursos não são omissas pelo fato de não enfrentar pontoa ponto as alegações do recorrente. Cabe ao julgador examinar todas as questões fáticas e jurídicas apresentadas pelas partes e fundamentar sua decisão, sem que necessariamente seja pautada pela concatenação dialética do recorrente. É permitido ao julgador organizar seus fundamentos e conclusões na ordem que compreenda mais adequada para sua exposição. Esse entendimento é esposado por Theotonio Negrão ( in Código de Processo Civil e legislação Processual em vigor. 29ª ed. Saraviva, 1998, p. 448, item 17a), que assevera que “o juiz não está obrigado a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se obriga a aterse aos fundamentos indicados por elas e tampouco a responder um a um todos os seus argumentos”. Nesse sentido é a jurisprudência do STJ: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA. APLICAÇÃO DA PENABASE. AMBIGUIDADE, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. MANIFESTAÇÃO QUANTO À TESE LEVANTADA NO PARECER MINISTERIAL. DESNECESSIDADE. SUPOSTA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DESTE STJ. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VÍCIO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Nos limites estabelecidos pelo art. 619, do Código de Processo Penal, os embargos de declaração destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade ou eliminar contradição eventualmente existentes no julgado. 2. O julgador não está obrigado a se manifestar acerca de todas as alegações suscitadas pelas partes, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 6 3. A revisão da pena imposta pelas instâncias ordinárias via hábeas corpus é possível em situações de manifesta ilegalidade ou abuso de poder reconhecíveis de plano, sem maiores incursões em aspectos circunstanciais ou fáticos e probatórios, consoante orientação pacificada neste Superior Tribunal. 4. O Superior Tribunal de Justiça não é competente para se manifestar sobre suposta violação de dispositivo constitucional, sequer a título de prequestionamento. Exegese do art. 105 da CF/88. 5. A pretensão de rejulgamento da causa, na via estreita dos declaratórios, mostrase inadequada. 6. Inexistente na decisão monocrática embargada qualquer ambigüidade, obscuridade, contradição ou omissão, não há como se acolher os declaratórios. 7. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no HC 164356 / DF EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS 2010/00394014; relator Ministro JORGE MUSSI (1138); T5 – Quinta Turma, DJ 26/06/2012) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL E CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. RECURSO PROVIDO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO. EMBARGOS REJEITADOS. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição ou omissão (CPC, art. 535), sendo inadmissível a sua oposição para rediscutir questões tratadas e devidamente fundamentadas na decisão embargada, já que não são cabíveis para provocar novo julgamento da lide. A contradição apta a abrir a via dos embargos declaratórios é aquela interna ao decisum, existente entre a fundamentação e a conclusão do julgado ou entre premissas do próprio julgado, o que não se observa no presente caso. A omissão que autoriza o manejo dos embargos declaratórios diz respeito à questão fundamental ao deslinde da controvérsia não examinada no julgado. No caso, todas as questões foram decididas, nos limites necessários julgamento da causa. Embargos declaratórios rejeitados. (Edcl. no Recurso Especial nº 1.193.789SP; Rel. Min. Raul Araújo; DJ 22/10/2013) (grifei) Nessa análise, estaremos apresentando a alegação do embargante e o respectivo trecho extraído do acórdão para que se examine a efetiva omissão. Da omissão quanto ao arbitramento e sua fundamentação legal Sendo método excepcional para o lançamento, a autoridade fiscal não teria demonstrado sua necessidade. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10166.720564/201011 Acórdão n.º 2402004.173 S2C4T2 Fl. 2.695 7 Entendo que o acórdão enfrentou essa questão no seguinte trecho: “Outro ponto de inconformismo da recorrente seria o procedimento de arbitramento utilizado pela auditoria fiscal. Cabe relembrar que o que levou a auditoria fiscal a utilizar a aferição indireta foi o fato da recorrente haver deixado de apresentar documentos e ao incorrer em tal conduta tomou para si o ônus de demonstrar a improcedência do lançamento.” (grifei) ... “A recorrente alega que a auditoria fiscal mencionou para amparar o procedimento de arbitramento a redação do § 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991, vigente anteriormente à alteração promovida pela Medida Provisória n° 448/2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/2009, que dizia o seguinte: § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Após a edição da citada medida provisória, o dispositivo acima passou a vigorar com a seguinte redação: §3oOcorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. No entendimento da recorrente, a auditoria fiscal não poderia mais efetuar o lançamento de quantias que reputasse devidas, mas somente das quantias efetivamente devidas. Cumpre lembrar o que dispõe o art. 144 do CTN, segundo o qual, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, portanto, correta a transcrição efetuada pelo auditoria fiscal. No entanto, por amor ao debate, não se pode acolher a tese da recorrente, uma vez que, um fato é inconteste, a recorrente deixou de apresentar documentos e prestar informações, situação que se manteve no dispositivo como suficiente para o lançamento.” (grifei) Da omissão quanto à produção da prova negativa e omissão quanto à desconsideração da escrita contábil sem motivação Fl. 611DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 8 Alega que seria improcedente exigirse da embargante comprovação de um fato que não teria ocorrido. Seria uma produção de prova negativa. A fiscalização considera que determinado fato ocorreu e a partir dessa presunção exige da recorrente os documentos que registram esse fato. No caso, como a fiscalização presumiu o pagamento de comissões de compra pela recorrente, dela exigiu as relações e recibos de pagamento bem como os lançamentos contábeis correspondentes. Uma vez que esses registros não existiam, a fiscalização desconsiderou a escrituração contábil e realizou o arbitramento. A matéria foi assim enfrentada: Resta claro que o que se espera da recorrente é que esta mantenha equipe de vendas, composta de corretores experientes para o cumprimento do acordado. Além disso, conforme bem observou a decisão recorrida, o argumento de que a recorrente funcionaria como vitrine de imóveis e, mediante os meios de comunicação, atrairia a atenção do público consumidor também não se sustenta, haja vista que no contrato já mencionado ficou estabelecido que as despesas para a realização do acordado correriam por conta da contratante e não da recorrente, conforme se observa do trecho transcrito: ... “A recorrente questiona a utilização, dentre os demais documentos analisados pela auditoria fiscal, do contrato juntado como suporte para o lançamento. Argumenta que seria uma situação específica que não poderia ser tomada de forma generalizada. Ocorre que conforme já mencionado, a recorrente deixou de apresentar a totalidade dos documentos solicitados pela auditoria fiscal, no entanto, nada impediria que trouxesse aos auto outros contratos onde pudesse ser verificada conduta diversa, uma vez que ao deixar de apresentar os documentos necessários à ação fiscal, a recorrente toma para si o ônus de demonstrar que as conclusões da auditoria fiscal não corresponderiam à realidade. No entanto, analisandose os documentos apresentados pela recorrente nos presentes autos, verificase que se trata de uns poucos contratos firmados entre os compradores de imóveis e a empresa vendedora, alguns recibos de corretagem, ou seja, nada que pudesse levar à convicção de que as situações verificadas no contrato em questão não ocorreriam perante as demais empresas contratantes.” (negritei) ... O Código Tributário Nacional em seu artigo 121 define com precisão quem seria o sujeito passivo, ou seja, a pessoa obrigada a recolher o tributo. De acordo com o inciso I do § único deste artigo, considerase sujeito passivo, na condição de contribuinte, aquele que possui uma relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10166.720564/201011 Acórdão n.º 2402004.173 S2C4T2 Fl. 2.696 9 O simples fato da recorrente haver transferido o ônus do pagamento das comissões para os compradores não desqualifica sua relação pessoal e direta com o fato gerador, na condição de verdadeira tomadora dos serviços dos corretores autônomos. Embora a recorrente adote como prática que o comprador do imóvel deva arcar com o pagamento da taxa de corretagem, esta se revela irregular em face de o pagamento dos honorários de corretagem ser devido por quem efetivamente seja o tomador dos serviços destes profissionais. Para corroborar o entendimento de que a conduta adotada pela recorrente em considerar que os corretores estariam a serviço dos compradores e não dela própria não corresponde à realidade, vale mencionar que em situação análoga o Ministério Público de São Paulo por meio da Promotoria de Justiça do Consumidor, diante do grande número de reclamações efetuadas por adquirentes de imóveis nos órgãos de defesa do consumidor, resolveu agir. ... Como inicialmente exposto, adotamos que os embargos não se prestam para rediscussão das matérias enfrentadas no acórdão recorrido. Embora este conselheiro tenha adotado a tese da embargante, compreendendo que o arbitramento e todo o lançamento teve gênese na presunção de que seria inadmissível o pagamento da comissão de compra pelo próprio comprador e não pela empresa imobiliária, não pode por essa via permitir, na ausência dos pressupostos da omissão, o reexame pelo colegiado do mérito. Em suma, não se verificam as omissões alegadas no presente embargo de declaração, pois todos as questões supostamente suprimidas da decisão foram enfrentadas, seja diretamente, seja de forma englobada, deixando claro que as alegações da recorrente fizeram parte da análise da decisão colegiada porém restando vencidas. Assim, voto no sentido de rejeitar os embargos opostos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 613DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 10 Declaração de Voto Thiago Taborda Simões Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Recorrente em face do acórdão prolatado por esta Turma, que negou provimento ao Recurso Voluntário para manter o crédito tributário discutido. É cediço que instrumento processual dos embargos declaratórios não permite a rediscussão de matéria apreciada pela decisão recorrida, servindo apenas para corrigir eventuais hipóteses de omissão, contradição ou obscuridade naquela. Não obstante, o julgador não é obrigado a enfrentar todo e qualquer argumento apresentado pelo contribuinte na peça recursal (em especial quando esta apresenta extensas 59 páginas), mas sim subsidiar sua decisão com os elementos mínimos e nucleares necessários à garantia da realização do direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, de modo a sustentar a lógica que inferiu a incidência normativa. No caso analisado, tratase de lançamento realizado pelo método da aferição indireta, conforme previsão dos artigos 148 do CTN e 33 da Lei 8.212/1991. Tal procedimento, como hipótese de exceção, deve necessariamente caminhar nos estreitos contornos normativos, sob pena de excesso da exação. Conforme entendimento já firmado nessa turma, a aferição indireta não é do fato imponível, mas da sua base de cálculo. A determinação da base de cálculo é elemento nuclear na instrução do lançamento por arbitramento. Encaminho meu voto no sentido de que o acórdão recorrido foi omisso e contraditório na apreciação de argumentos e documentos indispensáveis à mensuração da base de cálculo, constantes dos autos e do Recurso Voluntário. Conforme p. 43 da peça recursal: “v) ainda que tivesse havido repasse de comissões, a simples existência de uma norma do CRECI permitiria que todas s 1200 comissões devidas no período terial sido rateadas, entre a Recorrente e os Corretores Autônomos, segundo a taxa de 50%? Eis o cúmulo da presunção. Nos documentos acostados aos autos, a Recorrente apresenta diversas vendas em que a razão existente entre as comissões da Recorrente e do Corretor Autônomo (se fosse o caso de se aferir tal razão, já que, como visto, os pagamentos foram independentes, feitos por devedores diversos) era inferior a 50%. Se considerada a razão originalmente presente no Auto de Infração, enquanto a Recorrente contabilizava 50% das comissões, os Corretores Autônomos recebiam valores que variavam de cerca de 3,3% a 18% do total (presumido) das comissões. O fato é que, ainda que fosse aplicada corretamente o critério (sic) de rateio, de modo que o total de receitas contabilizado correspondesse a 100% das comissões, ainda assim não se vislumbraria a razão de 50% entre as supostas comissões dos Corretores Autônomos e da Recorrente, pois, como evidenciam os documentos trazidos aos autos, essa razão não passou dos 35%, chegando a ser de 7,43% em um dos casos. Somese a isso, ainda, o fato de que a prática de mercado não consiste em Fl. 614DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10166.720564/201011 Acórdão n.º 2402004.173 S2C4T2 Fl. 2.697 11 aplicar rigidamente a tabela do CRECIDF, e, por fim, lembrese: estáse, aqui, diante de uma presunção simples, que somente pode ser confirmada se ela é apta a afastar as situações contrárias à presumida; comprovada, como está sendo, a existência de situações diversas da presumida, o procedimento utilizado, como um todo, perde sua legitimidade.” (...) E na p. 57: (iii) a aferição indireta de que se valeu a autoridade fiscal é ilegal, no presente caso, porque: (...) (d) a Recorrente demonstrou, documentalmente, que em diversas ocasiões a razão entre a receita total de comissões presumida pela autoridade fiscal, e a comissão recebida pelos Corretores Autônomos, paga por seus clientes, era bem inferior a 50%, circunstância que se mostra suficiente a ensejar a dúvida razoável que derruba a presunção simples de que se valeu o Auto de Infração; e” (grifos nossos) Já o acórdão hostilizado, quando analisa a base de cálculo, assim dispõe: “A auditoria fiscal tomou por base a tabela de honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região CRECI – DF, segundo a qual a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária ocorreria na razão de 50% para cada parte e que constituiria infração grave ao código de ética instituído pela Lei Federal n° 6.530, de 12/05/1978 o pagamento de valor inferior. A recorrente ainda mantendo seu argumento de que os corretores de imóveis estariam efetuando corretagem de compra, ou seja, prestando serviços aos compradores de imóveis, alega a impropriedade da utilização da tabela de honorários. A meu ver, tendo os corretores de imóveis prestado serviços efetivamente à recorrente, configurase a situação considerada pela auditoria fiscal, qual seja, empresa procedendo à venda de imóveis por meio de corretores a ela vinculados, razão pela qual a comissão deveria ser rateada em partes iguais. Se a recorrente utilizou o expediente de transferir o ônus do pagamento das comissões para os compradores, não efetuou qualquer registro contábil destas e tampouco apresentou documentos que comprovassem que as comissões dos corretores seriam diferenciadas das suas, não pode querer desqualificar o método utilizado pela auditoria fiscal. Tal expediente também impediu que a auditoria fiscal verificasse quais os segurados estiveram a serviço da recorrente, suas remunerações, bem como aplicasse o limite do salário de contribuição previsto na legislação. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 12 Embora a recorrente questione o fato de a auditoria fiscal não haver observado o limite máximo do salário de contribuição previsto no art. 28, § 5º da Lei nº 8.212/1991 e de haverse furtado de individualizar os segurados contribuintes individuais, tal fato ocorreu unicamente em razão da conduta irregular da recorrente e da sua negativa em apresentar a totalidade dos documentos e informações solicitadas. Assim, não acolho a alegação.” (grifos nossos) Considerando os trechos transcritos, vejo no acórdão indigitado a presença de omissão e contradição: Omissão na medida em que se abstém de analisar as alegações do Recurso Voluntário de que as comissões dos corretores considerados como contribuintes individuais eram percentualmente inferiores a 50%; Contradição quando declara a inexistência de apresentação pelo Contribuinte de documentos que comprovem que as comissões dos corretores seriam diferenciadas das suas, o que vai de encontro com os documentos constantes nas fls. XX dos autos. Sistemática de incidência da aferição indireta O arbitramento não é uma caixa vazia cujo conteúdo a autoridade pode preencher discricionariamente. Esse método de aferição pressupõe a observação de provas robustamente indiciárias da materialidade dos fatos imponíveis.Sua aplicação demanda derivação próxima da prova ao fato. Percebese que a presunção tem como elemento nuclear a probabilidade. Probabilidade da ocorrência de determinado fato que se busca admitir como certo, a partir de outro fato sabidamente certo. O nexo entre fato certo e presumido assentase na observação da reiteração de idêntico fenômeno sempre que o fato ou os fatos certos sejam verificados no mundo fenomênico. O risco de falha reside justamente no ponto em que, por maior que seja a probabilidade do sucesso de determinado fato, resiste ainda a probabilidade mínima de sua inexistência, ponto em que reside a perversidade de sua aplicação para fins fiscais. Isso não significa que o arbitramento não seja juridicamente autorizado, uma vez que positivado, mas sim enfatizar a necessidade de cautela na aplicação, bem como justificar imperativamente que no lançamento, toda presunção é relativa, não havendo espaço para realidades jurídicas absolutas quando introduzidas pelo método presuntivo1. Considerando a presunção como construção lógica do raciocínio a partir da observação da reiteração da manifestação de fatos em decorrências de outros fatos, podemos construir um arquétipo da fenomenologia da presunção na aferição indireta tributária: O aplicador (agente investido para realização do ato administrativo) encontra obstaculação na identificação de subsídio necessário à instrução do lançamento (omissão de informação ou resistência do contribuinte) gerando a impossibilidade de identificação do fato imponível; 1 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional Tributário. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 446. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10166.720564/201011 Acórdão n.º 2402004.173 S2C4T2 Fl. 2.698 13 Incide a norma autorizadora da aferição indireta; para preencher a lacuna, o agente busca outros fatos conhecidos que conduzam à conclusão da ocorrência do fato presumido. Essa conclusão baseiase: a) na correlação lógica entre os fatos; e b) na observação fenomênica da reiteração de relações semelhantes; Identificados os fatos conhecidos, estes constituem prova indireta2, indício robustamente provável da ocorrência do fato imponível; a incidência da norma de presunção transforma o incerto fato presuntivo em fato jurídico, instaurando a relação jurídica tributária. Os fatos de suporte devem necessariamente ser aqueles que se relacionem com o fato presuntivo por processos de inferência e de observação. É necessária a comprovação pelo agente fiscal de que no mundo em que vivemos os fatos conhecidos de que se dispõe (fatos presuntivos) habitualmente, reiteradamente, acarretam a ocorrência do fato desconhecido (fato presumido). É necessária, portanto, a conjugação de três elementos: a) a comprovação do fato presuntivo; b) a demonstração do nexo lógico fato presuntivo/fato resumido; e c) a comprovação da reiteração do fenômeno fato presuntivo/fato presumido. Outrossim, mesmo caminhando a fiscalização no perímetro normativamente autorizado, persiste o risco da subsistência da distorção. Assim também a mínima probabilidade de resultado diverso da conduta esperada é passível de concretização. De acordo com Roque Antonio Carrazza: “Indício, como genialmente percebeu Shakespeare, na famosa peça O mercador de Veneza, “só conduz às portas da verdade”. Nunca – permitimo nos acrescentar –à certeza da verdade. Por isso, é próprio do indício não concluir certamente, mas apenas inferir, conjecturar. Ele sempre deixa no ar um clima de incerteza.”3 A única maneira de corrigir essa distorção, para fins tributários, é reconhecer a natureza relativa da presunção: 2 Como toda prova. 3CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 488. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 14 “A presunção é um elemento importantíssimo na dialética jurídica, pois torna verdadeiros fatos apenas possíveis, dando maior segurança às relações entre as pessoas (intersubjetivas). Fruto do raciocínio, pouco importa se obtida por dedução ou indução. (...) As presunções em nosso Direito, derivam da lei (por isso mesmo, presunções legais) ou do senso comum (presunções hominis. Algumas presunções legais – as iure et de iure ou absolutas – eliminam completamente a prova em contrário, criando, assim, total certeza diante de um determinado fato. Outras – as iuris tantum ou relativas admitem que a parte contrária demonstre a inveracidade daquilo que lhe está sendo irrogado. Têmse por verdadeiras até prova em contrário, comportando, deste modo, dilação probatória.”4 Todo lançamento deve ser pautado pela busca da verdade material. Dessa proposição deriva imperativamente que, uma vez demonstrado que a ficção normativa contrasta com a realidade, deve ser fulminada. De outra maneira, seria configurada a inaceitável hipótese de incidência vazia, ocorrendo o nascimento da obrigação tributária descolado da prática do fato imponível, por desvio de inferência. Da mensuração da base de cálculo No caso em tela, não cuidamos agora de analisar o pressuposto da aplicação do método da aferição indireta, o que foge ao escopo dos embargos declaratórios (em que pese meu entendimento no sentido de que a fiscalização solicitou provas diabólicas documentos e informações impossíveis de serem fornecidos, se considerarmos a sistemática operacional apresentada pelo contribuinte). A presente análise restringese ao critério escolhido pela fiscalização para determinação da base de cálculo, vez que esta é justamente o objeto da aferição. O critério no caso adotado foi a TABELA REFERENCIAL DE COMISSÕES E SERVIÇOS IMOBILIÁRIOS do CRECIDF, aprovada pela AGE de 22/11/1996: DIVISÃO DE COMISSÃO ENTRE CORRETORES DE IMÓVEIS Corretor de Imóveis e/ou empresa imobiliária de vendedor 50% Corretor de Imóveis e/ou empresa imobiliária de comprador 50% Corretor de Imóveis, em regime de coparticipação com empresa imobiliária, na venda de imóveis de terceiros, somadas as comissões de captação e venda 30% Corretores de Imóveis de plantão de incorporação mínima 25% Corretagem de participação entre imobiliárias 50% Referida tabela, conforme própria disposição, é referencial, ou seja, não imperativa, servindo a orientar parâmetros de composição entre as partes tuteladas pelo poder 4 Idem. p. 446. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10166.720564/201011 Acórdão n.º 2402004.173 S2C4T2 Fl. 2.699 15 de polícia exercido pelo CRECI, na hipótese de concorrência de dois ou mais agentes na viabilização de determinado negócio. Nada obsta, entretanto, que tais referências não sejam adotadas. Não ignoro posições diversas, como a evidenciadas pelo acórdão recorrido, de que se trata de norma cogente, cujo descumprimento tem consequências sancionatórias. Tais consequências, entretanto, não interessam à incidência tributária, que se restringe à comprovação ou não da ocorrência do fato imponível, e em que medida efetivamente se efetivou, em homenagem ao princípio da verdade material. Os documentos acostados às fls. XX dos autos demonstram claramente que, naquelas hipóteses, o percentual da comissão devido aos corretores autônomos variou de 3,3 a 35% do valor total. Tais fatos, considerando a inexistência de outros elementos trazidos ao procedimento fiscal, deveriam pautar eventual lançamento que considere a ocorrência do fato imponível. A utilização de presunção que fuja a essa sistemática deve ser instruída por um critério suficiente para infirmála. No caso, foi adotada a referida tabela. Ocorre que da simples leitura observase que os percentuais de divisão dos honorários podem ser de 25, 30 ou 50% do valor da comissão, de acordo com a atividade de intermediação imobiliária realizada. De acordo com o relatório fiscal, uma das razões que levaram ao convencimento pela realização da hipótese tributária foi a realização de plantões pelos corretores de imóveis, a que se referencia a alíquota de 25%. A fiscalização, que dispunha da informação de que os percentuais foram efetivamente praticados em valores por vezes inferiores à tabela, optou discricionariamente por utilizar o percentual máximo, sem instruir seu ato de qualquer justificativa que desconsiderasse a informação prestada pelo contribuinte. Não quero com isso dizer que em todos os negócios jurídicos realizados pelo contribuinte os corretores autônomos receberam 3,3% do valor das comissões pagas. Mas é fato que não existe motivação alguma no relatório fiscal que sustente a aplicação do percentual de 50%. Cuido aqui da motivação intrínseca do instituto da aferição indireta, aquela que subsidia a decisão do agente fiscal pela adoção do critério mensurador da base de cálculo imponível. Entender o contrário é o mesmo que sujeitar o contribuinte à discricionariedade do agente para arbitrar, independente de qualquer fato concreto, o que evidentemente não conforma ao direito. Por essas razões não vejo como permitir a manutenção do crédito tributário. Conclusão Diante do exposto, voto por CONHECER os embargos declaratórios, para a eles DAR PROVIMENTO para anular o crédito tributário por vício material. Thiago Taborda Simões Fl. 619DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 16 Luciana de Souza Espíndola Reis LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA apresenta embargos de declaração em face do acórdão n° 2402003.188 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, no qual, após relatar os fatos, argui que o referido acórdão padece de vício de omissão em relação aos pontos que serão abordados após as considerações preambulares que passo a expender. Acompanho o relator em sua premissa de que os embargos de declaração representam uma via estreita, não se prestando para a modificação da decisão embargada, exceto para sanar eventuais omissão, contradição ou obscuridade. Também o acompanho em suas referências doutrinárias e jurisprudenciais das quais se depreende que o órgão julgador não está obrigado a responder todas as alegações dos interessados, nem se obriga a aterse aos fundamentos por eles indicados e, tampouco, a responder pormenorizadamente a todos os seus argumentos, por mais importantes que lhes pareçam, bastando a explicitação dos motivos norteadores do convencimento, pertinentes ao núcleo da lide e suficientes para seu deslinde. Quanto ao acórdão embargado, na parte pertinente aos embargos ora examinados, verifico que por maioria de votos não foi dado provimento ao recurso voluntário, razão pela qual foi mantida a exigência correspondente à contribuição previdenciária devida pela empresa sobre a remuneração dos corretores de imóveis que lhe prestaram serviços, restando vencida a tese de defesa de que esses segurados não lhe prestaram serviço nem a eles foi paga remuneração por parte da empresa. Passo ao exame das omissões arguidas. 1. OMISSÃO RELATIVA AO ARBITRAMENTO Alega a embargante que o arbitramento é instituto excepcional, que somente pode ser admitido quando o fisco se vê em uma situação intransponível, que impossibilite a recomposição do fato gerador de forma mais precisa e menos onerosa para o contribuinte e que, quando não demonstrada, macula gravemente o lançamento. Aponta como jurisprudência no sentido o acórdão n° 240102.161 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária e sugere procedimento alternativo que poderia ter sido adotado pela autoridade fiscal. A omissão residiria na falta de explicitação dos motivos que impediriam a aferição da base de cálculo de modo direto, e não pelo arbitramento. Para exame dessa questão, salutar trazer os seguintes excertos do voto proferido no acórdão n° 240102.161 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, mencionado pela embargante, com grifos acrescentados: (...) Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas Fl. 620DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10166.720564/201011 Acórdão n.º 2402004.173 S2C4T2 Fl. 2.700 17 fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem com a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mão obra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. (...) Percebese que o precedente invocado referese a lançamento em que os fatos que levaram ao arbitramento não se relacionavam com a remuneração dos empregados e que não houve omissão comprovada de documentos relativos à remuneração de empregados ou demonstração de que a remuneração neles consignada seria irreal. Por outro lado, o relatório fiscal do lançamento combatido estabeleceu, em seu item 26, que a remuneração dos segurados não foi considerada pela empresa como hipótese de incidência e não foi informada na folha de pagamentos e na Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP). Na falta do registro dos segurados e de seus salários de contribuição nesses documentos, o fisco solicitou as informações mediante (item 5.2 do relatório) planilhas com a relação dos valores de cada unidade de imóvel vendida por empreendimento, por competência e os correspondentes comprovantes de comissões recebidas e/ou pagas aos corretores, (...) planilha com a relação discriminada de todos os corretores de imóveis a seu serviço (nome, CPF, NIT/PIS, remuneração por competência e por empreendimento, registro no CRECI e período trabalhado) Essas informações poderiam subsidiar a aferição direta da base de cálculo, e sua falta motivou o lançamento arbitrado e o procedimento de aferição indireta, com os fundamentos legais apontados no item 13 do relatório fiscal do lançamento. O procedimento adotado pela autoridade lançadora foi examinado tanto do ponto de vista fático como legal pela relatora do acórdão embargado, como se constata em seu voto, nas 15ª e 16ª laudas: Cabe relembrar que o que levou a auditoria fiscal a utilizar a aferição indireta foi o fato da recorrente haver deixado de Fl. 621DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 18 apresentar documentos e ao incorrer em tal conduta tomou para si o ônus de demonstrar a improcedência do lançamento. ................. Assim como ninguém pode se beneficiar da própria torpeza, não é possível concluir que a auditoria fiscal deveria ficar inerte, diante da impossibilidade de apuração dos valores com base em documentos da empresa. Asseverese que a apuração da importância devida pode ser realizada por outros meios que se mostrem razoáveis como ocorreu no presente caso. A auditoria fiscal tomou por base a tabela de honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região CRECI– DF, segundo a qual a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária ocorreria na razão de 50% para cada parte e que constituiria infração grave ao código de ética instituído pela Lei Federal n° 6.530, de 12/05/1978 o pagamento de valor inferior. Percebese que o relatório fiscal do lançamento já demonstrava o grave óbice existente à aferição direta da base de cálculo da exação, e que a relatora do acórdão embargado seguiu esse entendimento como razoável e em conformidade com os dispositivos legais que regem a matéria, no que foi acompanhada pela maioria da turma. De acordo com as premissas inicialmente postas, uma vez verificada a legalidade e razoabilidade do procedimento efetivamente adotado, não haveria necessidade de analisar minudentemente procedimentos alternativos que poderiam ser eventualmente adotados na já superada fase de constituição da exação. Por essas razões, entendo que não cabe a integração pretendida pela embargante com relação a esse primeiro ponto. 2. OMISSÃO QUANTO À FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO ARBITRAMENTO Argumenta que a autoridade fiscal criou critério não previsto no ordenamento jurídico, pouco claro e impreciso, e que deveria ser utilizado o procedimento previsto no art. 201, § 3°, do Decreto 3.048/99. De sua redação, vêse que o dispositivo regulamentar em questão é aplicável aos segurados de que tratam as alíneas "e" a "i" do inciso V do art. 9° do mesmo Regulamento, que são segurados contribuintes individuais em condições distintas dos segurados de que tratou o lançamento. Assim, de forma similar ao exame do ponto precedente, uma vez verificada a legalidade e razoabilidade do procedimento efetivamente adotado, não haveria necessidade de analisar critério regulamentar que não se aplica à situação fática constatada. Por essas razões, entendo que não cabe a integração pretendida pela embargante também com relação ao segundo ponto. 3. OMISSÃO QUANTO À PRODUÇÃO DE PROVA NEGATIVA Fl. 622DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10166.720564/201011 Acórdão n.º 2402004.173 S2C4T2 Fl. 2.701 19 No tocante a esse ponto, afirma a embargante não terem sido apreciados seus argumentos relativos ao não cabimento da inversão do ônus da prova e à impossibilidade de produção da prova negativa no caso em questão. A leitura do acórdão embargado mostra que a tese vencedora foi a de que, embora a recorrente defenda atuar sob um modelo de negócio em que os corretores não lhe prestam serviços, a realidade fática é distinta, como se vê no voto do acórdão embargado, 16ª lauda: Como os corretores de imóveis prestaram serviços efetivamente à recorrente, configurase a situação considerada pela auditoria fiscal, qual seja, empresa procedendo à venda de imóveis por meio de corretores a ela vinculados, razão pela qual a comissão deveria ser rateada em partes iguais. Se a recorrente utilizou o expediente de transferir o ônus do pagamento das comissões para os compradores, não efetuou qualquer registro contábil destas e tampouco apresentou documentos que comprovassem que as comissões dos corretores seriam diferenciadas das suas, não pode querer desqualificar o método utilizado pela auditoria fiscal. O conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, ao declarar seu voto no acórdão embargado, salientou, na 23ª lauda: Assim, embora a Recorrente realize a venda de diversos imóveis, não se tem neste processo informações detalhadas acerca destes, e tampouco dos corretores que atuam nos stands de venda da própria empresa. Ao invés da Recorrente buscar minimizar o contrato juntado pela fiscalização que bem delimita como se dá a relação da empresa com a incorporadora , deveria ter juntado aos autos os demais contratos firmados com as incorporadoras (que certamente detém), para buscar o reconhecimento dos fatos apontados em seu recurso. Não pode a Recorrente, ante à ausência de entrega de documentos, se pautar no fato de que a fiscalização não buscou comprovar efetivamente a ocorrência de fatos geradores da contribuição previdenciária. Assim, na visão majoritária do colegiado, os corretores de imóveis prestaram serviços à embargante, a qual não apresentou provas, por exemplo, os contratos firmados com outras incorporadoras, que pudessem levar ao reconhecimento como fatos os argumentos trazidos com seu recurso. Em suma, a prova seria possível, apenas não foi produzida no caso em concreto. Quanto à prova contrária do valor da base de cálculo, ordinariamente se faria pela escrituração contábil regular, acompanhada dos documentos que deram suporte a sua escrituração, conforme estatui o Código Civil, art. 226 e do Código de Processo Civil, art. 378. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 20 Em sua falta, elementos subsidiários poderiam ter sido apresentados, como também apontou o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, na 23ª lauda do acórdão embargado: Cabe ressaltar que há uma grande dificuldade neste processo de vincular as operações dos corretores à Recorrente, pois esta não apresentou planilha com a relação dos valores das unidades imobiliárias e empreendimentos vendidos, tampouco a relação de todos os corretores de imóveis que participaram das correspondentes vendas, sob o argumento de que estes não lhe prestavam serviços, conforme exposto no item 5.2 do Relatório Fiscal. Vêse assim que a decisão embargada considerou as questões apontadas, razão pela qual não cabe a integração pretendida pela embargante. 4. OMISSÃO QUANTO AO FUNDAMENTO LEGAL DO ARBITRAMENTO Busca a embargante saber, nesse ponto, o fundamento legal para a afirmação da autoridade fiscal de que “a apuração da importância devida pode ser realizada por outros meios que se mostrarem razoáveis”. O fundamento legal, § 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212/1991, foi tratado pela relatora do acórdão embargado, na 15ª lauda, inclusive quanto à sua vigência no tempo, e também pelo Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, em sua declaração de voto, na 25ª lauda: A alegação da Recorrente de que a alteração promovida pela MP nº 448/2008 no art. 33 § 3º, da Lei nº 8.212/91, que substituiu a expressão “inscrever de ofício a importância que reputarem devida” pela expressão “lançar de ofício a importância devida”, teria o condão de determinar que apenas as importâncias efetivamente devidas poderiam ser lançadas, está equivocado. Como bem delimitou a i. Relatora, tal alteração foi promovida após os fatos geradores autuados, não podendo ser aplicada neste processo. Também não há que se falar na aplicação da retroatividade benigna, posto que totalmente incabíveis quaisquer das hipóteses previstas no art. 106 do CTN. De qualquer forma, nos casos de arbitramento, é impossível obter o montante efetivamente devido pela empresa. Tal alteração legislativa, na verdade, só reforça o fato de que o montante arbitrado deve ser apurado levandose em conta critérios razoáveis e proporcionais, e não qualquer quantia que a autoridade fiscalizadora repute como devida. Assim, tendo sido indicados tanto o dispositivo legal quanto sua interpretação, desnecessária a integração postulada pela embargante. 5. OMISSÃO QUANTO À DESCONSIDERAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL SEM MOTIVAÇÃO O cerne do argumentado com relação a esse ponto dos embargos encontrase no seguinte trecho, transcrito pela embargante a partir do recurso voluntário: Fl. 624DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10166.720564/201011 Acórdão n.º 2402004.173 S2C4T2 Fl. 2.702 21 “Se é verdade que os Corretores Autônomos trabalharam em nome da Recorrente, ou seja, foram por ela contratados, então toda a receita de corretagem (a parte da Recorrente e a parte dos Corretores Autônomos) estaria contabilizada na conta de receitas (301523). Logo, não se sustenta, contabilmente, a presunção de que apenas 50% das receitas (valor liquido) teriam sido contabilizados, pois este seria um erro contábil que não foi citado nem provado pela autoridade fiscal.” Embora procure a embargante estabelecer esse ponto como controverso, o fato é que em todo o processo, desde o relatório fiscal do lançamento, há razoável concordância entre fisco, empresa e instâncias julgadoras de que o fluxo financeiro correspondente à remuneração dos corretores autônomos não foi registrado na contabilidade da embargante. A questão foi tratada pela relatora do acórdão embargado na 16ª lauda: Se a recorrente utilizou o expediente de transferir o ônus do pagamento das comissões para os compradores, não efetuou qualquer registro contábil destas e tampouco apresentou documentos que comprovassem que as comissões dos corretores seriam diferenciadas das suas, não pode querer desqualificar o método utilizado pela auditoria fiscal. E pelo Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, em sua declaração de voto, na 21ª lauda: Pela análise dos recibos de pagamento, seria possível concluir, em tese, que os corretores recebem suas comissões diretamente dos compradores. Com base nessa premissa, assim concluiu a Recorrente (fls. 443/444): “Como se vê, o fluxo financeiro da operação corrobora o fato de terem os Corretores Autônomos trabalhado por conta própria. Por outro lado, fica claro que a Recorrente não manteve qualquer relacionamento com os compradores de imóveis, pois emitiria as competentes notas fiscais contra os seus clientes, verdadeiros devedores das suas comissões.” Cumpre observar adicionalmente que o argumento recursal é contraditório, posto que se as comissões dos corretores autônomos tivessem sido contabilizadas como receitas, também deveria ter sido contabilizada a correspondente despesa pelo pagamento da comissão a título de remuneração, o que, a toda evidência, não ocorreu. Desta forma, mais uma vez de acordo com as premissas inicialmente postas, uma vez verificada a legalidade e razoabilidade do procedimento efetivamente adotado, não há necessidade de analisar minudentemente o argumento apontado, ainda mais pela contradição interna que traz. Incabível, portanto, a integração do acórdão embargado em relação a esse último ponto. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 22 Assim, voto no sentido de rejeitar os embargos opostos. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 626DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 14/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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