Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15889.000622/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003
IRPJ. CSLL. DESPESAS OPERACIONAIS. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. DEDUTIBILIDADE.
Na sistemática do lucro real não se cogita da tributação de receitas, mas sim do resultado, assim entendida a confrontação entre as receitas auferidas e o esforço despendido com esse fim. O ágio pago na aquisição de debêntures é parte integrante do preço pago, sem a qual não se realizaria o negócio e, especialmente, não seriam auferidas as receitas dele decorrentes. Assim, desconsiderar essa parcela significaria, em última análise, tributar as receitas sem a consideração de parte do esforço incorrido para auferilas. O que estaria sendo alcançado pela tributação não seria o resultado do negócio, mas tão somente as receitas.
Numero da decisão: 1301-000.546
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 IRPJ. CSLL. DESPESAS OPERACIONAIS. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. DEDUTIBILIDADE. Na sistemática do lucro real não se cogita da tributação de receitas, mas sim do resultado, assim entendida a confrontação entre as receitas auferidas e o esforço despendido com esse fim. O ágio pago na aquisição de debêntures é parte integrante do preço pago, sem a qual não se realizaria o negócio e, especialmente, não seriam auferidas as receitas dele decorrentes. Assim, desconsiderar essa parcela significaria, em última análise, tributar as receitas sem a consideração de parte do esforço incorrido para auferilas. O que estaria sendo alcançado pela tributação não seria o resultado do negócio, mas tão somente as receitas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 15889.000622/2007-41
conteudo_id_s : 5531116
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.546
nome_arquivo_s : Decisao_15889000622200741.pdf
nome_relator_s : Waldir Veiga Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 15889000622200741_5531116.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
id : 6146395
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125226090496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 134 1 133 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000622/200741 Recurso nº 515.330 Voluntário Acórdão nº 130100.546 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2011 Matéria IRPJ Recorrente COMPANHIA AGRÍCOLA ZILLO LORENZETTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 IRPJ. CSLL. DESPESAS OPERACIONAIS. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. DEDUTIBILIDADE. Na sistemática do lucro real não se cogita da tributação de receitas, mas sim do resultado, assim entendida a confrontação entre as receitas auferidas e o esforço despendido com esse fim. O ágio pago na aquisição de debêntures é parte integrante do preço pago, sem a qual não se realizaria o negócio e, especialmente, não seriam auferidas as receitas dele decorrentes. Assim, desconsiderar essa parcela significaria, em última análise, tributar as receitas sem a consideração de parte do esforço incorrido para auferilas. O que estaria sendo alcançado pela tributação não seria o resultado do negócio, mas tão somente as receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 135 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório COMPANHIA AGRÍCOLA ZILLO LORENZETTI, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1420.525, de 22/09/2008, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, abaixo transcrito: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado apurouse que houve amortização de ágio na aquisição de debêntures emitidas por sociedade do mesmo grupo sem comprovação do seu fundamento. A amortização mencionada alterou o resultado do anocalendário de 2002, diminuindo o valor apurado a título de IRPJ e de CSLL, razão pela qual as diferenças foram lançadas por meio dos autos de infração de que trata o presente processo administrativo. 2. Conforme descrito no “Termo de Verificação” de fls. 2428, as sociedades COMPANHIA AGRÍCOLA ZILLO LORENZETTI e AÇUCAREIRA ZILLO LORENZETTI S/A têm por titulares do seu capital social as mesmas pessoas físicas e jurídicas, nas mesmas proporções percentuais. Ademais, a administração das empresas é exercida pelas mesmas pessoas físicas. 2.1. A COMPANHIA AGRÍCOLA ZILLO LORENZETTI adquiriu, em 1997 e em 2002, debêntures emitidas pela AÇUCAREIRA ZILLO LORENZETTI S/A, com valores de face, respectivamente, de R$ 60.000.000,00 e de R$ 55.000.000,00. Nestas operações, houve incidência de ágio, respectivamente, de R$ 24.000.000,00 e de R$ 22.000.000,00. Conforme o “Contrato de Subscrição de Debêntures”, os títulos garantem ao seu titular: a) juros Selic, calculados mensalmente, sem capitalização, pagáveis trimestralmente, no dia 1º do primeiro mês do trimestre subseqüente; b) participação nos lucros da emitente, à razão de 50% do valor acumulado entre o mês da emissão e o do resgate, conforme apurado em balanço, considerandose, para tanto, o resultado antes do cômputo das despesas com CSLL e com IRPJ e após as participações atribuídas às debêntures de séries precedentes, participação esta que será devida e paga acumuladamente, no resgate, juntamente com o principal. 2.2. Na sociedade emitente das debêntures, o ágio foi contabilizado como reserva de capital, conforme autoriza o art. 442, III, do RIR/99. Na sociedade adquirente, o ágio foi contabilizado em conta do ativo circulante e do realizável a longo prazo e, posteriormente, os valores foram levados a resultado do exercício por meio de amortizações contabilizadas em contas de despesas. Ao assim proceder, a COMPANHIA AGRÍCOLA ZILLO LORENZETTI diminuiu o resultado do exercício sujeito à incidência do IRPJ e da CSLL, sem que fosse alterado o resultado sujeito à incidência destes mesmos tributos na AÇUCAREIRA ZILLO LORENZETTI S/A. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 136 3 2.3. A amortização do ágio pago em debêntures é admitida pelo art. 325, I, “c”, do RIR/99. A autoridade autuante intimou o emitente das debêntures a comprovar o fundamento do ágio pago. Em resposta, o contribuinte afirmou que, quanto às debêntures emitidas em 1997, o ágio foi fixado com base em expectativas de receitas atípicas, não decorrentes da operação normal da companhia, no período abrangido pela participação das debêntures, e ajuste para compatibilizar o percentual da participação fixado à contribuição econômica das debêntures para o resultado. As receitas extraordinárias para o período de dezembro de 1997 a novembro de 2002 foram estimadas em R$ 115.000.000,00, de modo que, considerando a participação de 50% dos debenturistas nos lucros (R$ 57.000.000,00), resulta num valor presente, descontado a juros de 1% ao mês, de R$ 35.900.000,00. Para ajustar o percentual da participação à contribuição das debêntures para o resultado, partiuse da relação debêntures/PL [valor das debêntures/(patrimônio líquido + debêntures)], de 87%, resultando em uma insuficiência de 37%. O resultado estimado das atividades para o período de dezembro de 1997 a novembro de 2002 era de R$ 50.000.000,00, de modo que o valor da insuficiência de participação foi calculado em R$ 18.500.000,00. Esta montante, trazido a valor presente a taxa de 1% ao mês, resulta em R$ 11.562.500,00. Subtraindose das receitas extraordinárias o ajuste para compatibilizar o percentual da participação à contribuição das debêntures para o resultado, chegase ao valor de R$ 24.337.500,00, que foi, ao final, arredondado para R$ 24.000.000,00. 2.4. Para as debêntures emitidas em 2002, afirma o contribuinte que o ágio foi fixado em montante suficiente para compatibilizar o percentual da participação fixado à contribuição econômica das debêntures para o resultado. Assim, considerando que a relação debêntures/PL [valor das debêntures/(patrimônio líquido + debêntures)] é de 39% e que o percentual fixado para a participação das debêntures no resultado é de 50%, concluise que há um excesso de 11%. Partindo se da estimativa de resultado das atividades, para o período de dezembro de 2002 a novembro de 2007, de R$ 315.000.000,00, concluise que o valor do excesso de participação das debêntures no resultado é de R$ 34.650.000,00. Este valor, trazido a valor presente mediante o desconto de juros de 1% ao mês, perfaz o total de R$ 21.656.250,00, que, ao final, foi arredondado para R$ 22.000.000,00. 2.5. As debêntures foram colocadas mediante negociação privada, diretamente pela emitente, sem qualquer intermediação, estando deliberado na assembléia que decidiu pela emissão que o ágio não seria inferior a 40% do valor correspondente ao valor de face. Assim, os acionistas comuns das duas empresas decidiram criar uma reserva de capital na AÇUCAREIRA ZILLO LORENZETTI S/A, tendo como contrapartida um encargo de amortização de ágio para a COMPANHIA AGRÍCOLA ZILLO LORENZETTI. 2.6. Para a realização desta operação, não houve a produção de qualquer documento por terceiro especializado, desvinculado dos interesses dos contratantes, que corroborasse o fundamento e a legitimidade do ágio estipulado. A emitente dos títulos limitouse a informar a forma de cálculo do ágio, valor este assumido pela adquirente em negociação privada, sem qualquer intermediação, negociação esta, repitase, realizada entre empresas que têm os mesmos sócios e os mesmos administradores. 2.7. Diante de todos estes elementos, concluiu a autoridade autuante que o ágio pago na emissão das debêntures não foi devidamente fundamentado, razão pela qual a glosa da respectiva amortização foi efetuada, resultando na lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo administrativo. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 137 4 3. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 29/11/2007, o contribuinte apresentou, em 28/12/2007, a impugnação de fls. 7078, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. A autoridade autuante não desenvolveu qualquer esforço no sentido de apontar as possíveis inconsistências na formulação do valor do ágio cobrado na aquisição das debêntures emitidas pela AÇUCAREIRA ZILLO LORENZETTI S/A, limitandose a desqualificálo porque produzida pelos próprios interessados, sem suporte em documento emitido por terceiro. Ocorre que nem a lei societária, nem a legislação fiscal, exigem a elaboração de laudo técnico de terceiro como elemento de sustentação do ágio na emissão de debêntures. Quem fixa o preço de emissão é a assembléia geral de acionistas da emitente, que é livre para requisitar, ou não, o auxílio de terceiro para este fim. Apenas nas hipóteses passíveis de configuração de distribuição disfarçada de lucros a lei cuida de laudo de terceiro, não como requisito de validade da operação para efeitos fiscais, mas como simples elemento de inversão do ônus da prova (art. 465, § 4º, do RIR/99). A autoridade autuante não concedeu prazo adequado para a obtenção de laudo que justificasse o ágio pago e sequer revelou no curso da ação fiscal que, de acordo com seu entendimento, tal documento é imprescindível. De resto, também os laudos elaborados por terceiros independentes podem conter erros ou impropriedades. 3.2. As debêntures, como estruturadas no direito pátrio, constituem um instrumento bastante versátil, na medida em que, a par de propiciar a captação de recursos, permite à empresa tomadora capitalizarse, via ágio, contabilizando parcela do aporte diretamente no patrimônio líquido ao invés de fazêlo integralmente no passivo, como se dá com as demais formas de empréstimo. Tal mecanismo é, inclusive, incentivado pelo legislador (art. 442, III, do RIR/99), ao prescrever que não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte receber a título de prêmio na emissão de debêntures. 3.3. A única causa que justifica a cobrança de ágio sobre um título de crédito, sobretudo quando as empresas têm a mesma composição societária, é a sua rentabilidade futura, revelada pelas perspectivas de resultados da investida no período de vigência das debêntures, tendo em vista o percentual a elas atribuído a título de participação nos resultados, mais os juros. As emissões, sob esta perspectiva, pautaramse por critérios lógicos e razoáveis. Na emissão de debêntures de 1997, o ágio correspondeu a 40% do valor de face e teve como fundamento uma estimativa de receitas extraordinárias (reversão de passivos fiscais em função do final com êxito de demandas que se encontravam em curso), que efetivamente vieram a se concretizar, incrementando a rentabilidade dos títulos sem que o aporte propiciado pelas debêntures houvesse contribuído para tal incremento, subtraído de um deságio destinado a compatibilizar a rentabilidade dos títulos à sua contribuição para o resultado operacional da empresa, sem a necessidade de elevar o percentual de participação no resultado, fixado em 50%, inferior à relação entre o montante aportado por meio da subscrição das debêntures e o patrimônio líquido da emitente. Na segunda emissão, de 2002, foi mantida a participação de 50% no resultado e estipulado ágio também de 40% do valor de face, suficiente para compatibilizar a rentabilidade dos títulos à sua contribuição para o resultado da empresa. A despeito do risco de as projeções não se concretizarem, no caso concreto as projeções foram superadas pela emissão de 1997 e a emissão de 2002 ficou aquém das projeções. Ambas não se afastaram do razoável. Quanto à emissão de 1997, para uma rentabilidade estimada de 134% nos cinco anos de vigência dos títulos (média de 1,4% ao mês), a rentabilidade efetiva foi de 184,18% (média de 1,75% ao mês). No tocante à emissão de 2002, o estimado foi de 240% (média de 2,06% ao mês), tendo Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 138 5 o efetivo alcançado 202,22% (média de 1,86% ao mês). A emissão de 1997 superou o CDI acumulado do período 1997/2002 (166,73%), assim como a de 2002, já que no período de 2002/2007 o CDI acumulado foi de 120,29%. Assim, o ágio está plenamente justificado. 3.4. Por fim, pede o contribuinte que seja cancelado o auto de infração, por improcedente. Registro, por oportuno, que o presente processo foi juntado por apensação, em 19/09/2008, ao processo de nº 15889.000244/200887, conforme despacho à fl. 89. O outro processo cuida de autuação da mesma matéria, por fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2003, 2004, 2005 e 2006. A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1420.526, de 22/09/2008 (fls. 170/177), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 ÁGIO NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES – PROVA DO FUNDAMENTO – AMORTIZAÇÃO – ABUSO DE DIREITO – PESSOAS JURÍDICAS LIGADAS Deve o contribuinte provar o fundamento do ágio pago na aquisição de debêntures, máxime quando a operação é realizada entre pessoas jurídicas que têm os mesmos acionistas e a mesma diretoria. Na falta de fundamentação adequada do ágio, devese afastar a respectiva amortização realizada pela adquirente das debêntures, tendo em vista a caracterização de abuso de direito. Ciente da decisão de primeira instância em 10/10/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 99, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/11/2008 conforme carimbo de recepção à folha 100. No recurso interposto (fls. 100/113), a interessada alega preliminarmente a nulidade da decisão recorrida, por mudança no critério jurídico do lançamento. Por sua ótica, haveria inovação na acusação em face da afirmação, “até então inédita, de que teria havido, no caso, abuso de direito”. A nulidade, por violação ao art. 146 do CTN, residiria em que os fundamentos jurídicos adotados pela fiscalização no ato do lançamento diferem da motivação do ato administrativo posterior que pretendeu mantêlo. Colaciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. No mérito, a recorrente traz os argumentos abaixo sintetizados: A infração apontada pelo Fisco consistiria em simples e preconcebida desconfiança de que o contribuinte pudesse terse excedido em negociação com sociedade que possuía os mesmos acionistas e direção. Não haveria exigência, em lei, de prova pré constituída, mediante laudo técnico independente. A prova da irregularidade na operação caberia ao Fisco. Invoca, em seu favor, a decisão proferida no acórdão nº 10195.365 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. A interessada acrescenta que todos os elementos comprobatórios por ela considerados relevantes e pertinentes teriam sido trazidos aos autos e Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 139 6 desconsiderados pelo Fisco. Não teria havido, por parte deste último, a especificação de quais elementos seriam tidos por necessários (maior detalhamento das estimativas de receitas, projeções de resultados etc.), com o que se evidenciaria falha na condução da fiscalização e instrução processual, a qual não pode ser imputada à recorrente. A recorrente se volta, então, contra o fundamento do acórdão recorrido, e busca demonstrar a inexistência de abuso de direito. Transcreve trecho da doutrina mencionada no aresto combatido, da qual extrai que o abuso do direito estaria muito mais relacionado com o objetivo do negócio que com o mecanismo da sua comprovação. Se há razões empresariais que justifiquem o negócio, os efeitos fiscais por eles produzidos serão legítimos; caso contrário, poderão ser considerados lesivos ao Erário e, como tal, recusados para fins de tributação. Nesse sentido, a constatação de suposta abusividade na operação em exame passaria pelo questionamento da regularidade e procedência da emissão das debêntures, além da razoabilidade dos encargos e rendimentos estipulados, mais do que os instrumentos adotados para evidenciálos. Aduz, então, que não teriam sido levantados questionamentos quanto à regularidade da emissão dos títulos e que, quanto à razoabilidade dos encargos (ágio), está demonstrado que se teria orientado por valores de mercado. A comparação seria simplesmente entre a rentabilidade do negócio em si e o custo de oportunidade. Tal comparação seria, agora, muito fácil, desde que as debêntures já completaram o período de vigência originalmente previsto. Mesmo pagando ágio, a recorrente teria logrado rentabilidade superior à que obteria no mercado financeiro, o que evidenciaria a razoabilidade da operação, inclusive o ágio estipulado, de forma até mais incisiva do que um laudo de terceiros, afastando a hipótese de abuso de direito. Por outra via, sustenta também que, para que se pudesse cogitar de abuso de direito, teria que haver a “utilização de meio lícito para obter resultado ilícito”. No seu caso, tendo havido um motivo empresarial, um propósito extratributário para o negócio, não se caracterizaria o abuso. Haveria, por sua ótica, benefícios não fiscais para ambas as empresas envolvidas. Tratarseia, então, de “exercício regular de direito, mediante operação comum no mercado, tendo sido observadas todas as finalidades do instituto de direito privado envolvido” e, ainda, sem “excesso, anormalidade ou desvio de conduta nos atos praticados, mas conformação exata com os propósitos normativos”. A recorrente argumenta, ainda, sobre a impossibilidade de qualificação das operações como abusivas, e sua desconsideração, antes da regulamentação do art. 116, § único, do CTN. O Fisco não teria competência para desconsiderar operações válidas perante o direito privado, ainda que pudessem causar prejuízo à Fazenda Nacional. O Decreto nº 70.235/1972 seria insuficiente para procedimentos tendentes à averiguação de abuso de direito. Conclui com o pedido de reforma da decisão recorrida (caso antes não se reconheça sua nulidade), improcedência da autuação e cancelamento do presente procedimento. Encontro também nos autos, às fls. 123/125, expediente recebido pela Administração em 31/08/2009, em que a interessada, não obstante se considere a tanto desobrigada, afirma apresentar laudo técnico, elaborado por empresa de auditoria independente, com o exame das operações por ela praticadas e pede sua juntada aos autos. O Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 140 7 documento mencionado é o “Relatório referente à análise de informações relativas aos valores de emissão e aquisição de debêntures”, datado de junho de 2009, elaborado por Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda., e consiste no Anexo 01 (fls. 01 a 150) ao presente processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Antes de enfrentar o mérito do recurso, duas questões preliminares devem ser abordadas. A primeira diz respeito à alegação de nulidade da decisão recorrida, por mudança no critério jurídico do lançamento. Pela ótica da recorrente, haveria inovação na acusação em face da afirmação, “até então inédita, de que teria havido, no caso, abuso de direito”. A nulidade, por violação ao art. 146 do CTN, residiria em que os fundamentos jurídicos adotados pela fiscalização no ato do lançamento diferem da motivação do ato administrativo posterior que pretendeu mantêlo. Não assiste razão à recorrente. As despesas com a amortização de ágio na aquisição de debêntures foram glosadas pelo Fisco por falta de comprovação e fundamentação do referido ágio. Entendeu a fiscalização que, nessas condições, a despesa não poderia ser tida por necessária (RIR/99, art. 299) e seria indedutível. Confirase o Termo de Verificação (fls. 27/28): Diante do exposto, por injustificado o fundamento e à falta de documento, emitido por terceiro especializado e desvinculado dos interesses dos contratantes, comprobatório da legitimidade do mesmo fundamento e dos valores, será formalizado o crédito tributário, através de Auto de Infração, por não ser dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL o ágio amortizado no anocalendário de 2002, no montante de R$ 4.583.789,72. Disso não discrepa a conclusão a que chegou a Autoridade Julgadora em primeira instância, que manteve o lançamento por seus próprios méritos, ou seja, a falta de comprovação e fundamentação do ágio amortizado, conforme se depreende dos parágrafos a seguir transcritos (fls. 96/97): 5.9. Na hipótese de que trata o presente processo administrativo, não se discute a conveniência ou a oportunidade da emissão de debêntures pela AÇUCAREIRA ZILLO LORENZETTI S/A. Tampouco se contesta que tais valores mobiliários tenham sido adquiridos pela COMPANHIA AGRÍCOLA ZILLO LORENZETTI, empresa que tem os mesmos acionistas e a mesma diretoria daquela. Questionase apenas a fixação de ágio na emissão das debêntures, já que tal ágio foi amortizado pela COMPANHIA AGRÍCOLA ZILLO LORENZETTI, reduzindo o valor do IRPJ e da CSLL. A autoridade autuante, no curso da ação fiscal, tentou Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 141 8 elucidar as razões do ágio pago, mas não logrou êxito. O contribuinte, em sua impugnação, também não logrou apresentar elementos de prova que o justificassem. 5.10. Tendo em vista a ligação entre as duas empresas, que compartilham os mesmos acionistas e a mesma diretoria, evidentemente a prova da causa do ágio deve ser apresentada para que se admita a respectiva amortização. Vejase que a coincidência de acionistas e de diretoria entre as duas empresas permite qualificar a transação realizada entre ambas, nas palavras de Marco Aurélio Greco, como "operação preocupante". [...] 5.11. Agiu com acerto, portanto, a autoridade autuante ao investigar as razões do ágio pago na emissão das debêntures. As coincidências de acionistas e de diretoria entre as duas empresas são aspectos que tornam "preocupante" a fixação de ágio. Daí a necessidade de sua fundamentação pelo contribuinte. Esta prova não foi produzida, limitandose o impugnante a afirmar que os resultados obtidos com a operação estão dentro dos parâmetros do mercado. Restou caracterizada, assim, a prática de abuso de direito na utilização da autorização para amortização de ágio a que se refere o art. 325, I, "c" do RIR/99. A referência ao abuso de direito surgiu como reforço à correção do procedimento da fiscalização ao exigir a comprovação, por parte da então fiscalizada, dos requisitos de dedutibilidade da despesa questionada. Melhor explicando: diante da situação concreta, em que o negócio foi firmado entre partes relacionadas – empresas sujeitas ao mesmo controle societário e dirigidas pelas mesmas pessoas físicas –, o cuidado deveria ser ainda maior, em face da possibilidade também maior de que negócios sejam conduzidos com o propósito único de burlar o Fisco. Mas o fundamento principal da decisão continuou sendo aquele empregado por ocasião do lançamento, qual seja, a falta de comprovação e fundamentação do ágio na aquisição das debêntures, posteriormente amortizado. Diante disso, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. O segundo aspecto a ser examinado, ainda em preliminares, é a possibilidade de acolher como prova o documento que consta às fls. 01/150 do Anexo 01 ao processo, intitulado “Relatório referente à análise de informações relativas aos valores de emissão e aquisição de debêntures”. Tal documento foi acostado aos autos em 31/08/2009, juntamente com o expediente de fls. 123/125 e, segundo alega a interessada, consiste em laudo técnico, elaborado por empresa de auditoria independente, com o exame das operações por ela praticadas. Em primeira análise, já teria precluído o direito da interessada de carrear provas ao processo. Compulsando os autos, constato que, durante o procedimento de fiscalização, em nenhum momento a interessada foi intimada, de modo específico, a apresentar um laudo emitido por terceiro independente como forma de comprovação/fundamentação do ágio. No item 4 do Termo de Início de Fiscalização (fl. 30), datado de 27/09/2007, consta tão somente a intimação para “apresentar o fundamento do ágio pago na aquisição das debêntures”, o que a interessada buscou fazer com os elementos de que dispunha e que considerava suficientes. A menção à necessidade, do ponto de vista da fiscalização, de um documento emitido por terceiros somente surgiu no processo por ocasião do encerramento do procedimento fiscal, em 26/11/2007, vide Termo de Verificação, fl. 27. A decisão recorrida reforçou esse entendimento embora empregando a expressão “fundamentação consistente” (vide fl. 94, § 5.2). Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 142 9 É inconteste que a interessada não possuía referido documento por ocasião da fiscalização, nem mesmo quando da impugnação, vejase que o contrato com a consultoria independente somente foi firmado em 17/11/2008 e o resultado do trabalho apresentado em 29/06/2009 (fl. 02 do Anexo 01). Entretanto, entendo que havia dúvidas, no início da lide, sobre a efetiva necessidade de tal documento, e que isso somente ficou patente para a interessada após a decisão de primeira instância, quando se apressou a providenciálo (embora ainda protestando a tanto estar desobrigada). Desta forma, e em homenagem ao princípio da verdade material, que deve orientar o processo administrativo fiscal, tenho por atendidos os requisitos estabelecidos pelo § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, e admito nos autos o documento que consta às fls. 01/150 do Anexo 01 ao processo, intitulado “Relatório referente à análise de informações relativas aos valores de emissão e aquisição de debêntures”. Desde já ressalto que sua admissão no processo não implica automaticamente a validação nem a aceitação das informações nele contidas, o que se fará oportunamente, durante a discussão do mérito. No mérito, a lide gira em torno da admissibilidade, como despesa dedutível, da amortização do ágio pago na aquisição de debêntures. Entendeu o Fisco que, diante das condições do negócio, especialmente o fato de que a emitente das debêntures era empresa sujeita ao mesmo controle societário e administrada pelas mesmas pessoas físicas que a adquirente, e da falta de documento emitido por terceiro especializado e independente que pudesse fundamentar o ágio, sua amortização seria indedutível. Já se discorreu neste processo acerca da natureza das debêntures como títulos mobiliários que fornecem à companhia emitente recursos a longo prazo para financiar suas atividades. Vejamos o que leciona o conhecido Manual de Contabilidade Societária1 sobre o ágio ou prêmio na emissão de debêntures: As companhias podem emitir debêntures com prêmio, ou seja, valores recebidos na emissão de debêntures acima do valor nominal determinado para a liquidação desses valores mobiliários. Esse prêmio pode vir a ocorrer quando as condições de emissão das debêntures sejam tão vantajosas que os investidores estema dispostos a pagar por ele, como na hipótese de haver atualização monetária, juros acima da média de mercado e, ainda, eventual participação nos lucros. A esta altura, cabe pequena digressão para trazer à colação os conceitos de custo e de despesa, contidos na mesma obra referida: [...] o custo dos produtos vendidos ou o custo dos serviços prestados a serem computados no exercício devem ser correspondentes às receitas de vendas dos produtos e serviços reconhecidos no mesmo período. De fato, como menciona o item II do art. 187 da Lei nº 6.404/76, deve ser computado na Demonstração do Resultado do Exercício o “custo das mercadorias e serviços vendidos” no exercício, o qual, deduzido das receitas correspondentes, gera o lucro bruto. 2 As despesas operacionais constituemse das despesas pagas ou incorridas para vender produtos e administrar a empresa e, dentro do conceito da Lei nº 6.404/76, abrangem também as despesas líquidas para financiar suas operações; os resultados 1 IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARTINS, Eliseu, GELBCKE, Ernesto Rubens, SANTOS, Ariovaldo dos, FIPECAFI. MANUAL DE CONTABILIDADE SOCIETÁRIA. 1ª Edição, 3ª reimpressão. São Paulo : Atlas, 2010, p. 311. 2 IUDÍCIBUS, Sérgio de, e outros, Obra Citada, p. 504. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 143 10 líquidos das atividades acessórias da empresa são também considerados operacionais. 3 Na sistemática do lucro real não se cogita da tributação de receitas, mas sim do resultado, assim entendida a confrontação entre as receitas auferidas e o esforço despendido com esse fim. Tal esforço pode ser tido, genericamente, como custo ou despesa. Será custo, quando diretamente vinculado a uma receita; despesa, quando a vinculação for indireta, ou não puder ser feita a uma receita específica, mas ao seu conjunto. Desta forma, não se há de falar na indedutibilidade de custos e, mesmo quanto às despesas, as restrições legais à sua dedutibilidade devem ser entendidas como aplicáveis àquelas situações em que não se pode vislumbrar qualquer relação com as receitas auferidas. Em outras palavras, quando as despesas se revelarem desnecessárias, mera liberalidade, de tal sorte que, com ou sem elas, as receitas teriam sido auferidas da mesma forma. Outra abordagem deve ser dada à necessidade da comprovação de custos e despesas. No caso concreto, não há dúvidas de que o ágio/prêmio tenha sido efetivamente incorrido. A controvérsia se estabeleceu acerca de sua dedutibilidade, pois o Fisco teve por incomprovado seu fundamento, vale dizer, não estaria comprovada a necessidade do ágio para que as receitas decorrentes das debêntures adquiridas fossem auferidas. Toda a argumentação da recorrente, desde a etapa procedimental, se dirige para a necessidade do ágio para a concretização do negócio, o qual, ao final, veio a comprovar se lucrativo para a adquirente, como se anunciava quando foi inicialmente firmado. Nesse sentido, o documento intitulado “Relatório referente à análise de informações relativas aos valores de emissão e aquisição de debêntures”, elaborado por Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda., Anexo 01 (fls. 01 a 150) ao presente processo, apresenta a seguinte conclusão (fl. 17): As análises realizadas, elaboradas com base nos critérios apresentados, permitiram constatar o fundamento econômico do ágio e utilizaram como base premissas de mercado de taxas de juros e prêmios de risco de mercado. Mas essa conclusão é a posteriori, ou seja, leva em conta os lucros efetivamente auferidos pela emitente, não há qualquer menção à previsão ou expectativa de lucros, feita à época das emissões de debêntures. A análise é muito mais simples do que a explicação dada à época da autuação (expectativa de lucros atípicos em face da reversão de passivo contingente na empresa emitente etc.). A conclusão é, meramente, de que a operação, ao fim e ao cabo, foi financeiramente vantajosa para a adquirente, ou seja, que o valor pago (investimento + ágio) foi menor do que o valor recebido (principal + remuneração), se considerados à mesma data (trazidos a valor presente). O documento não se revela, assim, como aquele documento hábil a comprovar o fundamento do ágio pago por ocasião da aquisição das debêntures. Seu valor, entretanto, não pode ser desprezado, principalmente em face das condições atípicas de que se revestia o negócio. As debêntures possuíam como forma de remuneração, além dos juros, a expressiva participação de 50% nos lucros auferidos pela emitente acumulados durante o período de vigência. O valor a ser pago pelos títulos, então, por certo não poderia deixar de levar em consideração a expectativa de lucros futuros, a justificar o pagamento de valor superior ao valor de face a título de ágio ou prêmio. 3 IUDÍCIBUS, Sérgio de, e outros, Obra Citada, p. 509. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 144 11 A falta de um documento que, à época, quantificasse essa expectativa e a traduzisse em sobrevalor com relação ao valor de face das debêntures, de fato, poderia levar à conclusão de que a amortização do ágio, inicialmente contabilizado a débito do ativo e, a seguir, levado a débito de resultado ao longo do período que antecedeu o resgate dos títulos, seria indedutível. No entanto, essa parcela (o ágio) é parte integrante do preço pago, sem a qual não se realizaria o negócio e, especialmente, não seriam auferidas as receitas dele decorrentes. Assim, desconsiderar essa parcela significaria, em última análise, tributar as receitas sem a consideração de parte do esforço incorrido para auferilas. O que estaria sendo alcançado pela tributação não seria o resultado do negócio, mas tão somente as receitas. Ainda que, por hipótese, se pudesse descaracterizar como ágio o sobrevalor pago e, com isso, também sua amortização, mesmo assim tal parcela integraria o total do custo de aquisição do investimento a débito do ativo, e caberia sua apropriação ao resultado, reduzindoo, no momento do resgate das debêntures. E, desde que as debêntures emitidas em 1997 já haviam sido resgatadas no momento do lançamento4, e que o contribuinte apurou lucro real e base de cálculo da CSLL positivos no anocalendário 2002, a autuação, quanto a esta parcela, se resumiria aos efeitos da inobservância do regime de competência, causada pela antecipação de despesas. O mesmo aconteceria acaso se cogitasse da indedutibilidade da amortização do ágio por não estar intrinsecamente relacionada à produção e comercialização de bens e serviços (Lei nº 9.249/95, art. 13, III). Mas tratase de mera hipótese, visto que o lançamento não tratou de inobservância do regime de competência. Também poderia o Fisco, se esse fosse seu entendimento, ter descaracterizado a operação por completo. Mas para isso seria necessário que restasse comprovado tratarse de negócio jurídico fraudulento, engendrado para causar prejuízo. Nessa hipótese, teria que ser desprezado o resultado do negócio como um todo, ou seja, a totalidade do prejuízo fraudulento, resultante de despesas superiores às receitas. No entanto, mais uma vez, tratase de situação hipotética e estranha aos autos, especialmente em face da demonstração de que a operação foi financeiramente vantajosa, do ponto de vista da adquirente das debêntures, com receitas superando o conjunto das despesas. Situação semelhante, embora não exatamente igual, foi enfrentada pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão nº 10195.028, de 16/06/2005. Lá a autuada foi também a adquirente de debêntures, com ágio (na proporção de 2 de investimento para 51 de ágio), remuneradas com 95% dos lucros apurados pela emitente. O fundamento do ágio foram as projeções de rentabilidade futura da emitente. A adquirente era controladora da emitente (99,98%). O relator entendeu que, do ponto de vista da adquirente (embora, talvez não do lado da emitente), havia uma motivação para o negócio, e afastou a tributação. Os demais conselheiros acompanharam pelas conclusões. A declaração de voto do Conselheiro Mário Junqueira Franco Junior esclareceu seu entendimento, com base no Ac. 10194.986, de que o que se paga como remuneração desse tipo de debêntures é na verdade lucro, não tributável. Portanto, na adquirente das debêntures, o equilíbrio entre receitas e amortização do ágio não traz conseqüência tributária. O lançamento correto seria na emitente, por indedutibilidade dos encargos pagos. Ao final, o aresto foi ementado como segue: 4 Data da ciência do lançamento: 29/11/2007 (fl. 03). Para as debêntures emitidas em 1997: Data do vencimento das debêntures: 01/12/2002 (fl. 71v do Anexo 01). No anocalendário 2002 o contribuinte apurou lucro real e base de cálculo da CSLL positivos, tanto nas atividades em geral quanto na atividade rural (fl. 115 do processo 15889000244200887). Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15889.000622/200741 Acórdão n.º 130100.546 S1C3T1 Fl. 145 12 IRPJ — CUSTOS. DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. — ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. — DEDUTIBILIDADE. O Ato Administrativo de Lançamento requer seja produzida a prova da ocorrência de fato que, inequivocamente, se subsuma à hipótese descrita pela norma jurídica. A fundamentação da glosa de custos ou despesas operacionais realizadas e contabilmente apropriadas pelo sujeito passivo, há de ser acompanhada de elemento probatório, produzido pela Fiscalização, de que os gastos suportados não são necessários à atividade da empresa ou à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. O ágio pago na aquisição de debêntures, satisfeitas as condições legalmente estabelecidas, por se tratar de despesa necessária é dedutível para efeito de se determinar o lucro real. (Acórdão nº 10195.028, de 16/06/2005, Relator Cons. Sebastião Rodrigues Cabral). Por todo o exposto, considero que, da forma como levado a efeito, o lançamento não pode subsistir. Em conclusão, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19647.005621/2005-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo, para a finalidade da não-cumualtividade do PIS/Pasep e Cofins, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, ocupa uma posição intermediária entre a acepção de matéria-prima, produto intermediário e de embalagem, segundo a legislação do IPI, e despesas operacionais e custo de aquisição, da legislação do IRPJ, alcançando os bens e serviços utilizados diretamente na produção, industrialização ou prestação do serviço, ainda que não se desgastem ou percam as características físico-químicas em função do contato direto exercido ou sofrido com o bem em produção ou serviço prestado.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo, para a finalidade da não-cumualtividade do PIS/Pasep e Cofins, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, ocupa uma posição intermediária entre a acepção de matéria-prima, produto intermediário e de embalagem, segundo a legislação do IPI, e despesas operacionais e custo de aquisição, da legislação do IRPJ, alcançando os bens e serviços utilizados diretamente na produção, industrialização ou prestação do serviço, ainda que não se desgastem ou percam as características físico-químicas em função do contato direto exercido ou sofrido com o bem em produção ou serviço prestado. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19647.005621/2005-25
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572416
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.009
nome_arquivo_s : Decisao_19647005621200525.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 19647005621200525_5572416.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos - Presidente Robson José Bayerl - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6300201
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125238673408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.005621/200525 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.009 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria COFINS Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA VALE DO PINDARÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE PRODUÇÃO. ÔNUS. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO. Consoante art. 333, I do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, nos feitos que consubstanciam pedidos de ressarcimento ou restituição de tributos, o ônus da prova do direito alegado é do contribuinte requerente, prova esta exclusivamente documental, cujo momento de produção é a apresentação do recurso inaugural, com as exceções textualmente previstas, ex vi do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo, para a finalidade da nãocumualtividade do PIS/Pasep e Cofins, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, ocupa uma posição intermediária entre a acepção de matériaprima, produto intermediário e de embalagem, segundo a legislação do IPI, e despesas operacionais e custo de aquisição, da legislação do IRPJ, alcançando os bens e serviços utilizados diretamente na produção, industrialização ou prestação do serviço, ainda que não se desgastem ou percam as características físicoquímicas em função do contato direto exercido ou sofrido com o bem em produção ou serviço prestado. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 56 21 /2 00 5- 25Fl. 922DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa, relativo ao 1º trimestre/2005, reconhecido parcialmente e, na mesma medida, homologadas as compensações atreladas ao direito creditório. Narra a fiscalização que as glosas decorreram da apropriação de créditos de carvão vegetal, cujos documentos fiscais foram emitidos pelo próprio requerente; bens e serviços não enquadrados como insumo (combustíveis, lubrificantes, produtos intermediários, etc.); ausência e/ou imprestabilidade de documentário fiscal para determinados insumos e aquisições de pessoas físicas. Em manifestação de inconformidade o contribuinte rebateu a imprestabilidade e/ou falta de apresentação de documentos fiscais, pugnando por perícia contábil; defendeu que o conceito de insumo equivale ao conceito de despesa operacional (art. 299 do RIR/99); que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no transporte de matériasprimas ou produtos semi acabados, devendo ser admitidos como insumos; e, por fim, requer perícia contábil. A DRJ Fortaleza/CE manteve as conclusões do despacho decisório, em decisão assim ementada: “PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.005621/200525 Acórdão n.º 3401003.009 S3C4T1 Fl. 11 3 Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. PESSOA FÍSICA. AQUISIÇÕES. Não dá direito a crédito o valor referente à aquisição de bens e serviços de pessoas físicas, por expressa disposição legal. RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. MATERIAL DE CONSUMO. MANUTENÇÃO PATRIMONIAL. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de bens destinados à venda devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. MANUTENÇÃO PATRIMONIAL. Também se consideram insumos, para os mesmos fins, os serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviços, que não acrescentem vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie. RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição, sendo que, no caso do PIS e da Cofins nãocumulativos, os Fl. 924DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente tal aplicação.” O recurso voluntário exaltou, preliminarmente, a busca da verdade material e, no mérito, destacou a jurisprudência atual do CARF acerca do conceito de insumo; aduziu que esta acepção açambarca o bem ou serviço pertinente e essencial ao processo produtivo, quer empregado direta ou indiretamente; que as aquisições de carvão, cujo crédito foi apropriado, foram realizadas apenas de pessoas jurídicas; que as autoridades fiscais não verificaram a forma de utilização dos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo; que os produtos intermediários glosados atendiam aos requisitos de pertinência e essencialidade com o processo produtivo; e, requereu a possibilidade de reapresentação dos documentos considerados inservíveis pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Tocante à preambular de observância ao princípio da verdade material, verifico que se tratou de discurso eminente teórico, sem questionamentos específicos neste tópico, mas recorrente ao longo do arrazoado, logo, entendo que não há necessidade de manifestação própria a seu respeito. Quanto ao mérito, inicio pela definição de insumo. Como já abordado pelo próprio recorrente, aludida acepção já se encontra hodiernamente mais ou menos abalizada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, consoante o qual insumo corresponderia ao bem ou serviço empregado no processo de produção, industrialização ou prestação do serviço, ainda que não se consuma ou sofra alterações físicoquímicas por contato direto com o bem em produção ou o serviço prestado. Este conceito situase em posição intermediária entre a tese defendida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o equipara às matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem, segundo a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, e aquela defendida pelo ora recorrente, equivalente o seu alcance às despesas operacionais, a teor do art. 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). Esta situação foi captada com percuciência pelo voto proferido pelo eminente membro desta turma julgadora, Cons. Bernardo Leite de Queiroz Lima, no julgamento do Acórdão nº 3401002.859, cujo excerto peço licença para transcrever: Os dispositivos das instruções normativas definiram como insumos na fabricação de bens destinados à venda, os bens que se enquadrem como matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. No que tange aos serviços, este serão Fl. 925DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.005621/200525 Acórdão n.º 3401003.009 S3C4T1 Fl. 12 5 considerados insumos quando forem aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Na prestação de serviços, serão considerados insumos os bens e serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Percebese que as instruções normativas adotaram o conceito de insumo utilizado na legislação atinente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, ao restringir os insumos a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, bem como outros bens que tenha desgaste em contato com o bem produzido. Este é um conceito bastante restrito, coerente com a materialidade do IPI, que está intrinsecamente relacionada ao processo de industrialização, a um ciclo econômico em que é possível aferir as diferentes etapas e identificálas de forma a impedir a indevida onerosidade em cada uma delas, de forma a garantir a nãocumulatividade. Não é, contudo, o caso do PIS e da COFINS, cujo fato gerador o "faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", não se relacionando diretamente a um determinado produto e sua industrialização, mas às receitas decorrentes da atividade empresarial como um todo. Não é possível, portanto, adotar para o PIS e a COFINS um conceito de insumo originário da legislação do IPI, uma vez que a materialidade daquelas contribuições e deste imposto são distintas, não guardando semelhança a justificar que se aproveite definições deste naquelas. Da mesma forma, a materialidade do PIS e da COFINS, conquanto mais próxima àquela do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, haja vista que o faturamento também é elemento que afeta este imposto, não se confundem. É cediço que, para se apurar o lucro de determinada pessoa jurídica, é necessário verificar o faturamento e as receitas desta para se alcançar o lucro líquido e, posteriormente, o lucro real, base de cálculo do imposto no regime de apuração real. Isto não significa, contudo, que as definições contidas na legislação do IRPJ são aplicáveis ao PIS e à COFINS, posto que, mesmo com suas semelhanças, tratamse de tributos distintos. Outrossim, caso aplicados os conceitos do IRPJ ao PIS e à COFINS, corre se o risco de descaracterizar a materialidade destas contribuições. Assim, não é possível afirmar que o conceito de insumos corresponde exatamente ao de despesas necessárias do art. 299 do Decreto nº 3000/99 ou do custo de produção trazido no art. 290 deste mesmo decreto, não obstante algumas semelhanças entre o conceito de insumo e estas definições. Neste sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais desta 3ª Seção, no acórdão nº 3302001.916, em que foi adotado um conceito próprio de insumo, distinto tanto daquele previsto Fl. 926DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 na legislação do IPI quanto da legislação do IRPJ, para fins de apuração dos créditos de PIS e COFINS. Por partilhar deste entendimento, segue transcrição de trecho do voto proferido naquele acórdão, o qual permite elucidar de forma clara a questão dos insumos: (...) Em suma, em busca de um conceito de insumo que esteja em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI; bem como não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Adotando o conceito a que se chegou a CSRF no acórdão acima, é possível definir insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Partindo deste conceito, deve ser feita uma análise pormenorizada dos créditos de COFINS glosados no auto de infração e determinar se, dentro do conceito de insumo adotado, podem tais créditos serem mantidos ou não.” Destas colocações, ressalvo apenas o entendimento pessoal em relação à possibilidade de se admitir a qualificação de insumo aos bens e serviços utilizados indiretamente no processo produtivo, na fabricação ou na prestação dos serviços. É que, a meu ver, permitir que o emprego indireto dos bens/serviços na produção possa gerar direito de crédito conduz justamente à incerteza que o conceito formulado pretende afastar, porquanto indiretamente todas as despesas concorrem para a formação do produto final ou serviço prestado pelo contribuinte. Assim, a minha compreensão do termo “insumo”, tal como insculpido nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, alberga tãosomente os bens e serviços que são utilizados diretamente na produção, industrialização e prestação de serviços. Essa definição, em que pese a aparente objetividade, ainda padece de um certo grau de abstração e subjetividade prática, eis que exige a análise casuística de cada item, tomado no contexto do processo produtivo e/ou de prestação de serviço do requerente, vicissitude esta inerente a todas as formulações até hoje apresentadas. Nesta vereda, passo ao exame, na ordem proposta pelo recurso, às glosas de carvão vegetal. Aqui o recorrente insiste que aproveitou créditos apenas de aquisições de pessoas jurídicas, todavia, como salientado pela decisão reclamada, as glosas se restringiram às operações cujos documentos fiscais de entrada foram emitidos pelo próprio requerente, que, segundo os registros contábeis, correspondiam, sim, a aquisições de pessoas físicas: “Inicialmente, cumpre observar que não está devidamente firmada a origem do carvão documentado mediante notas fiscais de entrada emitidas pelo próprio contribuinte. Com efeito, enquanto na resposta à fiscalização (fl 143) o requerente informa que adquiriu o carvão de fornecedores, na impugnação Fl. 927DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.005621/200525 Acórdão n.º 3401003.009 S3C4T1 Fl. 13 7 ele afirma que o insumo é de fabricação própria (fl 601 do processo relativo ao ressarcimento de PIS/Pasep do mesmo trimestre nº 19647.007697/200595). Compulsando o razão analítico juntado com a impugnação (fls 668/725), fica evidente que o carvão é adquirido de vários produtores pessoas físicas (embora o impugnante diga o contrário), circunstância tal que inviabiliza o creditamento deste insumo, por expressa vedação legal (art. 3º, §3º, I, da Lei nº 10.637, de 2002).” Considerando que todas as pessoas jurídicas, segundo a legislação tributária, estão obrigadas à emissão de nota fiscal ou documento equivalente legalmente estipulado, aludidas notas fiscais (de emissão do recorrente) não poderiam se referir a “aquisições de pessoas jurídicas”. De outra banda, não é possível apropriar créditos em operações comerciais se é que assim se possa considerar onde o vendedor e o adquirente da mercadoria sejam a mesma pessoa. Se as aquisições se referem à produção própria de carvão vegetal, como aventado na manifestação de inconformidade, não é a “aquisição” deste produto que gera direito ao crédito, mas sim, observadas as circunstâncias do caso concreto, os insumos utilizados na produção do carvão vegetal. Outrossim, como não houve exclusão de aquisições de pessoas jurídicas, salvo as notas fiscais de entradas por ele mesmo emitidas, improcedente a argumentação do recorrente. Quanto aos combustíveis e lubrificantes, as autoridades administrativas procederam à sua exclusão por não haver demonstração da forma de utilização destes insumos no processo produtivo. O recorrente, por seu turno, apenas alega que não foram feitas as verificações necessárias, acrescentando de forma genérica que o combustível é utilizado nos veículos para transporte de matériasprimas ou produtos semiacabados. Em minha opinião, o busílis da questão reside especialmente na distribuição do ônus probatório, isto é, a quem competiria demonstrar a procedência do direito: aquele que alega ou aquele que contesta. No caso vertente, a prova necessária ao deslinde da celeuma é eminentemente documental. Neste diapasão, o Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, dispõe em seu art. 16, que a prova documental, de interesse do contribuinte, será trazida aos autos no recurso, precluindo o direito de fazêla em outro momento processual. Já o art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, aponta que seria atribuição do contribuinte a demonstração e prova do direito alegado, eis que, segundo o dispositivo, o ônus de provar o fato constitutivo do direito incumbe ao autor, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento de tributos, impõese ao sujeito passivo, que é o titular do direito, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário, este encargo é imputado ao sujeito ativo, o Estado, representado pela Administração Tributária. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Nestes autos, então, a responsabilidade pela prova caberia ao requerente, que não se desvencilhou de produzila, razão porque não se pode acatar o pedido de perícia contábil, eis que as diligências e perícias não têm por escopo suprir deficiência probatória do titular do direito vindicado, seja a Administração Tributária, seja o contribuinte. O recorrente, neste item, aduz de forma lacônica e aleatória que o combustível fora empregado em veículos de transporte para movimentação de matériasprimas ou produtos semiacabados, no entanto, não especificou, por exemplo, quais seriam estas matériasprimas, tampouco quais os bens em produção movimentados, com indicação dos percursos realizados, estabelecimentos da pessoa jurídica envolvidos nesta operação de produção/industrialização seqüenciada, a respaldar o trânsito de mercadorias em produção. Não há sequer um princípio de prova coligido aos autos, de maneira que o argumento como alegação genérica que não embasa o direito de crédito pleiteado, não sendo possível admitilo nestas condições, valendo o princípio jurídico consoante o qual alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. (“allegatio et non probatio, quasi non allegatio”). Demais disso, entendo que o combustível utilizado no transporte de insumos não pode ser enquadrado na categoria de “insumo” devido ao fato que, nesta etapa logística, a produção propriamente dita, isto é, na definição até aqui adotada, ainda não se iniciou. O mesmo raciocínio acima estampado é extensível aos documentos não aceitos pela fiscalização em virtude do (mal) estado de conservação, o que impediu a identificação dos produtos a que se referiam, especificamente quanto à nota fiscal nº 18.226, da Companhia Vale do Rio Doce. Aqui mais uma vez o recorrente tenta inverter o ônus da prova, alegando que a fiscalização não realizou as averiguações necessárias ao esclarecimento da situação e que não poderia serlhe obstado o direito de reapresentação do documento. Ocorre que não foi colacionado qualquer elemento que suprisse a imprestabilidade do documento fiscal. Como acentuado pela decisão sob vergasta, o contribuinte não trouxe aos autos quaisquer documentos que pudessem esclarecer qual a operação realizada por intermédio daquela nota fiscal, menos ainda qual o produto por ela acobertado. Mais uma vez, como adrede exposto, o ônus da prova não é da fiscalização, mas sim do contribuinte requerente. Na seqüência, concernente aos produtos intermediários glosados, também uma vez mais o contribuinte simplesmente aduz que são bens enquadráveis no conceito de insumo. Do exame da planilha de exclusão elaborada pela fiscalização, fls. 333/340, tais bens consistem em peças para veículos, pneus, lona, câmera fotográfica e acessórios, formicida, herbicida e fosfato natural. À luz do conceito de insumo engendrado neste voto é possível afastar, de plano, as peças para veículos, pneus, lona e câmera fotográfica, porquanto não são produtos utilizados diretamente na produção, mas apenas indiretamente (discutível para a lona e máquina fotográfica), o que não se compaginaria com o escopo da lei. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.005621/200525 Acórdão n.º 3401003.009 S3C4T1 Fl. 14 9 Tocante aos herbicidas, formicidas e fosfato natural, considerando que se trata de uma siderúrgica, cuja atividade, segundo o próprio recorrente descreve, é a produção de ferrogusa, estes produtos são, no mínimo, estranhos ao seu processo produtivo. Por outro lado, não há qualquer indício que a pessoa jurídica exerça, também, atividade agrícola ou agroindustrial, tampouco foi trazida aos autos qualquer alegação nesse sentido, a justificar a admissão destes produtos na qualidade de insumos. A mesma sorte se reserva aos serviços glosados, haja vista que não são empregados diretamente na produção, mas, quando muito, indiretamente. A teor da planilha elaborada pela fiscalização, fl. 343, os serviços correspondem a serviços em veículos, peças para veículos, grama em placas, arrendamento de veículo, projeto topográfico, perfuração de poço artesiano, serviço de transporte tomado de pessoa física, material elétrico, placas indicativas, serviços de torno e solda em veículos, serviços em pneus, dentre outros. Enfim, ainda que não se acolha o conceito de insumo adotado pelas instâncias recorridas, a conclusão dos trabalhos, quanto às glosas realizadas, deve ser mantida. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 930DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000939/2007-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1995 a 30/11/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Recurso Especial do Procurador não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fez sustentação oral a Dra. Vanessa Aparecida Mendes Baese, OAB/DF nº 32.576.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1995 a 30/11/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Recurso Especial do Procurador não conhecido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11330.000939/2007-33
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5559937
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.670
nome_arquivo_s : Decisao_11330000939200733.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 11330000939200733_5559937.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fez sustentação oral a Dra. Vanessa Aparecida Mendes Baese, OAB/DF nº 32.576. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6258102
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125264887808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.676 1 1.675 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11330.000939/200733 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.670 – 2ª Turma Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Decadência momento de interrupção do prazo decadencial Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PETROBRAS PETROLEO BRASILEIRO S/A E OUTRO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 30/11/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Recurso Especial do Procurador não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fez sustentação oral a Dra. Vanessa Aparecida Mendes Baese, OAB/DF nº 32.576. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 09 39 /2 00 7- 33 Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase da exigência de Contribuições Previdenciárias relativas aos períodos de apuração de 06/1995 a 11/1997. A Contribuinte em epígrafe foi autuada na condição de responsável solidária em face dos serviços prestados por Aeroleo Taxi Aéreo SA. A ciência do lançamento ocorreu em 29/09/2003 para a tomadora e em 21/10/2003 para a prestadora (Debcad nº 35.605.9081, fls. 1). Em 23/11/2004, o Conselho de Recursos da Previdência Social proferiu o Acórdão nº 1.956 (fls. 193 a 197), anulando a DecisãoNotificação, conforme ementa a seguir: "PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador de serviços). Somente diante da não apresentação ou da apresentação deficiente (pelo prestador de serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anulação da decisãonotificação." O INSS manifestouse contrariamente ao acórdão acima e solicitou a sua revisão (fls. 198 a 202). Em 09/08/2005, o Conselho de Recursos da Previdência Social proferiu o Acórdão nº 1.061 (fls. 220 a 228), não conhecendo do pedido de revisão do acórdão anterior, conforme a seguinte ementa: "Não cabe a revisão do Acórdão proferido quando deixarem de ser atendidas as determinações previstas art. 60, do Regimento Interno do CRPS, aprovado pela PORT/MPS n s 88/2004. Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, visando a mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. PEDIDO DE REVISÃO NAO CONHECIDO." O Fisco aditou seu relatório fiscal (fls. 263 a 265) e as duas empresas manifestaramse (fls. 269a 276 e 296 a 304). A DRJ Rio de Janeiro/RJ I considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 30/11/1997 DECADÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.CRÉD1TO LANÇADO NA TOMADORA. Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11330.000939/200733 Acórdão n.º 9202003.670 CSRFT2 Fl. 1.677 3 1 O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. II A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. Lançamento Procedente" Os Contribuintes interpuseram Recurso Voluntário ao CARF, prolatandose o Acórdão nº 240101.536, de 1º/12/2010 (fls. 926 a 928), assim ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1995 a 30/11/1997 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" O voto assim conclui: "No caso vertente, a ciência do lançamento pela tomadora deu se em 29/09/2003 e pela prestadora em 21/10/2003, sendo o período do crédito de 06/1995 a 11/1997. Assim, por quaisquer das regras de contagem do prazo decadencial, estariam decadentes todas as contribuições lançadas." Cientificada do acórdão em 22/02/2011 (Termo de Ciência de fls. 929), a Fazenda Nacional interpôs, em 23/02/2008 (fls. 931), o Recurso Especial de fls. 932 a 957, visando rediscutir o momento de interrupção do prazo decadencial se na ciência do Auto de Infração ou na ciência do Termo de Início da Ação Fiscal/MPF no caso de lançamento de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 169/2011, de 21/03/2011 (fls. 958 a 960). Em seu Recurso Especial a Fazenda Nacional alega, em síntese: a questão cingese ao marco inicial para a contagem do prazo decadencial, eis que superada a questão relativa ao art. 45 da Lei 8212, de 1991, pela publicação da súmula vinculante nº 281; tratase de lançamento de ofício efetuado para exigência de contribuições previdenciárias apuradas em relação aos fatos geradores ocorridos entre 06/1995 e 11/1997. Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 no caso presente, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo; por conta disso, se aplica ao lançamento de ofício em questão o disposto no art. 173 do CTN, que assim dispõe: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." (destaques da Recorrente). o STJ entende que o prazo decadencial para o lançamento de ofício segue a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único, do CTN. Confirase: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO [ PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, D O CPC. PRESCRIÇÃO D O DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: 'Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.' 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11330.000939/200733 Acórdão n.º 9202003.670 CSRFT2 Fl. 1.678 5 doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3a Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que "o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5S , I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de t r i b u to sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex Iege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido." (AgRg no REsp 1203986 / MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 24/11/2010) da leitura do art. 173 do CTN, norma aplicável ao caso de lançamento de ofício, percebese que o inciso I se aplica para fins de incidência do parágrafo único; em outras palavras, se, segundo a contagem estabelecida no art. 173, I, do CTN, os fatos geradores não foram alcançados pela decadência até a ciência do MPF, medida preparatória indispensável ao lançamento, aplicase o parágrafo único do mesmo dispositivo legal na contagem do prazo para a constituição do crédito tributário em procedimento de ofício; no presente caso, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 12/1996 e 11/1997, o lançamento poderia ter sido realizado 1997, logo, segundo a norma constante no art. 173, I do CTN, o prazo decadencial se inicia em 01/01/1998, primeiro dia do exercício seguinte, encerrandose em 01/01/2003, com o transcurso de 5 anos. logo, o aludido fato gerador não foi alcançado pela decadência na data ciência do MPF ao sujeito passivo em 10/10/2002 (fls. 28), que passa a ser o marco inicial do prazo decadencial, na forma prevista no parágrafo único do art. 173 do CTN; o termo final para a constituição do crédito tributário em análise, portanto, é dia 10/10/2007, e como sua ciência ao contribuinte ocorreu em 29/09/2003, o lançamento se mostra tempestivo em relação aos fatos geradores de 12/1996 a 11/1997. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido o recurso e, no mérito, que lhe seja dado provimento para reformar o r. acórdão recorrido. Cientificadas em 14/04/2010 (AR de fls. 964), a Pretrobras não ofereceu Contrarrazões e a Aeróleo ofereceu, em 12/05/2011, as Contrarrazões de fls. 978 a 988. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir sobre o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. As Contrarrazões foram oferecidas intempestivamente, portanto não podem ser conhecidas. A matéria suscitada pela Recorrente é o momento de interrupção do prazo decadencial se na ciência do Auto de Infração ou na ciência do Termo de Início da Ação Fiscal/MPF no caso de lançamento de ofício. Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11330.000939/200733 Acórdão n.º 9202003.670 CSRFT2 Fl. 1.679 7 Preliminarmente, esclareçase que a divergência jurisprudencial somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, sobre as quais incidiu a mesma norma, são adotadas soluções diversas, tendo em vista interpretação divergente dada à norma. No caso do acórdão recorrido, tratase de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias, e o relator entende que se trata de lançamento por homologação, tanto assim que cita o julgado do STJ, com este entendimento. Com efeito, o lançamento por homologação, diferentemente do lançamento de ofício, constitui a única modalidade que comporta pagamento antecipado, que pode ser efetuado ou não, daí a homologação ou não, por parte do Fisco. Confirase o voto do acórdão recorrido: "Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.° 8.212/1991, aplicase às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173,1, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. E o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL nº 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS). OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de l% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento pela tomadora deuse em 29/09/2003 e pela prestadora em 21/10/2003, sendo o período do crédito de 06/1995 a 11/1997. A Assim, por Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 quaisquer das regras de contagem do prazo decadencial, estariam decadentes todas as contribuições lançadas. Deixo, por razões de economia processual, de me manifestar sobre outros aspectos dos recursos. Voto, assim, pelo provimento dos recursos, ao reconhecer a decadência de todas as contribuições lançadas." (grifei) Assim, resta claro que no acórdão recorrido mantevese o entendimento, no sentido de que o lançamento de Contribuições Sociais Previdenciárias é por homologação, sendo que, por economia processual, não se perquiriu se teria ou não havido pagamento antecipado, já que a decadência operarseia de qualquer sorte. Destarte, do acórdão recorrido extraemse duas conclusões: o lançamento de Contribuições Sociais Previdenciárias é por homologação; não se perquiriu acerca da efetivação ou não de pagamento antecipado. Quanto ao Recurso Especial, a Fazenda Nacional assim assevera: "Verificase claro dissídio entre os acórdãos posto em cotejo. Enquanto o acórdão recorrido aplica simplesmente o art. 173, I do CTN no lançamento de ofício, o acórdão paradigma aplica não só a aludida norma, como também o parágrafo único do art. 173 do Código Tributário. (...) Tratase de lançamento de ofício efetuado para exigência de contribuições previdenciárias apuradas em relação aos fatos geradores ocorridos entre 06/1995 e 11/1997. No caso presente, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo. Por conta disso, se aplica ao lançamento de ofício em questão o disposto no art. 173 do CTN, que assim dispõe:" Assim, constatase que a Fazenda Nacional, ao contrário do que se entendeu no acórdão recorrido, desconsidera o lançamento por homologação, constituindose esta a primeira divergência cujo paradigma por ela indicado deveria contemplar. Ademais, parte da premissa de que não ocorreu pagamento antecipado, quando isso sequer foi tratado no recorrido. Nesse passo, cabe compulsar o julgado indicado à guisa de paradigma, a ver se trataria também de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias, em que o lançamento não tenha sido considerado como incluído na modalidade por homologação. Confirase a ementa do paradigma, bem como o trecho colacionado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial: "NORMAS TRIBUTÁRIAS. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO. As presunções iuris tantum, ou relativas, admitem que a parte contrária demonstre a inveracidade daquilo que lhe está sendo imputado. Inexistindo dilação probatória contra os fatos Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11330.000939/200733 Acórdão n.º 9202003.670 CSRFT2 Fl. 1.680 9 atribuídos ao sujeito passivo e logrando o Fisco provar sua efetiva ocorrência, deixam de ser presunções para se tornarem provas constituídas da prática do ilícito. DECADÊNCIA. O parágrafo único do art. 173 do CTN estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se, definitivamente, com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. IRRETROATIVIDADE DE LEI. O § 1º do art. 146 do CTN prevê a utilização de legislação posterior à ocorrência do fato gerador que tenha por finalidade ampliar os poderes de investigação das autoridades administrativas. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Aplicase a multa qualificada, conforme dispõe o art. 957, inc. II, do RIR/99, no caso de procedimentos como o adotado e comprovado nos autos. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Toda norma regularmente promulgada, no sistema jurídico brasileiro, enquanto não declarada ilegal ou inconstitucional pelos órgãos judiciários competentes, goza da presunção de legalidade em nome da segurança e estabilidade das relações reguladas pelo direito. Recurso negado. (...) Verificase, às fls. 01 a 04, que o procedimento fiscal se iniciou em 06/06/2002, data em que foram lavrados o Termo de Início de Ação Fiscal e o Mandado de Procedimento Fiscal. (...) Conclusão lógica e jurídica desses fatos é que a decadência somente se operaria a partir de 06/06/2007, porquanto o primeiro ato de ofício foi lavrado pela autoridade competente ainda no curso do prazo decadencial que se conta do primeiro dia do exercício seguinte do qual o lançamento poderia ser efetuado. Em outras palavras: o ano fiscalizado foi 1998. O início da contagem do prazo da decadência deuse a partir de 01/01/1999. Se o prazo fluísse sem qualquer interferência do sujeito O1 ativo, a decadência operarseia a partir de 01/01/2004 como quer a recorrente. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 Entretanto, havendo sido iniciada a ação fiscal destinada a constituir o crédito tributário aquele prazo decadencial foi definitivamente seccionado e extinto. Se, por sua vez a autoridade fiscal houvesse iniciado a ação fiscal e não a tivesse concluído pelo auto de infração no prazo de cinco anos, contados da data de início do procedimento, o direito da Fazenda Pública de lançar estaria extinto também. Não é o que ocorre nos presentes autos, na medida em que a ação fiscal foi iniciada em 06/06/2002 e encerrada em 30/09/2004, ou seja, antes de transcorridos cinco anos do início." Como se pode constatar, o paradigma não trata de Contribuições Sociais Previdenciárias. O trecho colacionado pela Recorrente permite que se constate apenas que tratouse de autuação fundada em presunção juris tantum. No presente caso, a divergência somente restaria demonstrada com a colação de paradigma em que, tratandose de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias, se entendesse que a modalidade de lançamento não seria por homologação, e sim de ofício, aplicandose o entendimento de que a ciência do Termo de Início da Ação Fiscal/MPF lograria interromper o prazo decadencial. Ainda que se pudesse aceitar, para demonstrar divergência ligada estritamente à modalidade de lançamento, paradigma que sequer trata da mesma espécie de incidência o que se admite apenas para argumentar ainda teria de ser ultrapassado outro óbice, a seguir explicitado. Tratase do dispositivo que a Fazenda Nacional quer ver aplicado no presente processo, que é o parágrafo único, do art. 173, do CTN: " Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim, ainda haveria a necessidade de se perquirir se a medida preparatória seria indispensável ao lançamento, o que diz respeito à norma que regula cada incidência específica. Nesse passo, observase que, na maciça maioria das incidências, a medida preparatória não é indispensável ao lançamento, uma vez que o procedimento fiscal é inquisitorial, podendo a Fiscalização lavrar o Auto de Infração sem a oitiva do sujeito passivo, desde que já disponha de todos os elementos para efetuar o lançamento. Com efeito, a medida preparatória indispensável ao lançamento diz respeito às autuações por presunção juris tantum, já que esse tipo de autuação comporta a apresentação de prova em contrário, daí a imprescindibilidade de intimação ao autuado. Aliás, esse é o caso do paradigma, cuja fiscalização teve início com o exame de extratos bancários. Confirase: Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11330.000939/200733 Acórdão n.º 9202003.670 CSRFT2 Fl. 1.681 11 "1.1 O inicio do procedimento fiscal se iniciou em 06.06.2002, com a lavratura do Termo | de Inicio de Ação Fiscal e Mandado de Procedimento Fiscal, de fls. 01 e 04. 1.2 Esse procedimento foi levado a efeito em decorrência da verificação de grande I movimentação financeira, no ano de 1998, em conta bancária do Sr. Aristides Rodrigues, conforme dados da declaração da CPMF, enviada pelos Bancos à Secretaria da Receita Federal, a qual se mostrou incompatível com os valores declarados em sua declaração de rendimentos. Intimado em 05.04.2001, fls. 228, a apresentar justificativa dessa movimentação, o contribuinte, na pessoa da filha e procuradora da viúva, fls. 230, não logrou fazêlo." (grifei) Como se pode constatar, no acórdão recorrido não houve aplicação de presunção juris tantum, portanto não se pode dizer que a intimação do Contribuinte relativamente ao início da ação fiscal seria indispensável ao lançamento, como ocorreu no paradigma. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, por não ter sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720707/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA TRABALHISTA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 - B e 543 - C do CPC. Art. 62, §2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA TRABALHISTA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 - B e 543 - C do CPC. Art. 62, §2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.720707/2011-71
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5559611
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.048
nome_arquivo_s : Decisao_11080720707201171.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 11080720707201171_5559611.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6255758
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125304733696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 164 1 163 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.720707/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.048 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria IRPF Recorrente VALDIR FERRAZ DE ABREU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA TRABALHISTA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC. Art. 62, §2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 07 07 /2 01 1- 71 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.048 S2C2T2 Fl. 165 2 Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, por bem descrever os fatos (fl. 72), complementandoo ao final: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 05/09, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância de R$ 50.710,46, incluídos os juros de mora e a multa de ofício calculados até 30/12/2010, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual do exercício de 2008, ano calendário de 2007, de fls. 62/67 dos autos. Conforme informado na descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 07, ficou constatada omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual do notificado decorrente de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 230.392,99. Na Complementação da Descrição dos Fatos a fiscalização observa que os rendimentos recebidos por meio da ação judicial – Proc. 00688.2007.027.0400, movida contra o Banco SANTADER BANESPA S/A totalizaram em R$ 644.610,65 sendo: R$ 538.292,09 – total devido ao autor conforme Alvará datado em 17/08/2007; IR recolhido no valor de R$ 106.318,56. Para efeito do cálculo do rendimento sujeito ao ajuste anual, foi utilizado o cálculo pericial constante nas fls. 649 do processo judicial trabalhista, ficou demonstrado que 5,01% dos rendimentos são isentos e que 94,99% estão sujeitos à tributação no ajuste anual. De acordo com o relatório, foi considerado isenta a importância de R$ 32.091,73 (valor original) e tributável R$ 612.334,55 (R$ 644.610,65 X 94,99%). O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, anexada às fls. 02/03 dos autos. Argumentou que a fiscalização ao apurar o valor do imposto devido não considerou a parcela isenta de tributação no valor de R$ 255.305,07, indicada na folha 658 do Processo Judicial Trabalhista nº 00688200702704000. Segundo destacou, partindo do valor total de R$ 643.827,80, subtraída a parcela isenta e não tributável de R$ 255.305,07 o total tributável é de R$ 388.522,74, valor este informado pelo Banco SANTANDER BANESPA S/A. Observou também que deste valor deve ser subtraído os honorários advocatícios, que totalizaram em R$ 128.489,50. Assim, entende que o valor sujeito à tributação é aquele que foi informado na declaração de Fl. 173DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.048 S2C2T2 Fl. 166 3 ajuste anual de R$ 260.033,24. Complementando disse que a diferença de R$ 782,85, entre o total de R$ 643.827,80 e o valor levantado por meio de Alvará na Caixa Econômica Federal + IR, R$ 644.610,65, se refere à correção de valores decorrente do transcurso do período entre o momento da realização dos cálculos (14/08/2007) e a data do levantamento por meio de Alvará (23/08/2007). O contribuinte referiu que o valor de R$ 255.305,07, foi informado na declaração de ajuste como rendimento isento e não tributável. (sublinhei para destacar) Ao analisar a manifestação de inconformidade do contribuinte, conforme acima resumido, a DRJ em Porto Alegre/RS estabeleceu que rendimentos isentos são apenas aqueles aos quais a lei se refira expressamente e que o contribuinte não lograra êxito em comprovar, nestes autos, a natureza dos rendimentos em discussão, a fim de que se pudesse reputálos isentos. Lado outro, a Fiscalização apresentou detalhadamente a forma de cálculo do imposto lançado de ofício, a partir da análise pormenorizada das verbas componentes da decisão judicial. Assim, concluiu que: "Considerando que os argumentos apresentados pelo contribuinte não são suficientes para modificar o entendimento esposado pela fiscalização, mantenho o crédito tributário na forma lançada".(grifei) Cientificado dessa Decisão em 21/03/2012 (AR na folha 78), o Contribuinte, ainda inconformado, apresentou recurso voluntário em 19/04/2012, com protocolo na folha 79. Em sede de recurso, discute a questão da isenção de parte dos rendimentos recebidos em decorrência da já relatada ação judicial trabalhista, dizendo que o Juiz do Trabalho homologara os cálculos apresentados e ratificados pelas partes, portanto, tal discriminação de verbas seria imutável, após o trânsito em julgado daquela Sentença; grande parte dessas verbas que reputou isentas referese a juros de mora que no seu entender são de fato isentos, como depreende da leitura dos autos do Recurso Especial nº 1.227.133/RS, julgado pelo STJ. Pede que seja cancelada a Notificação de Lançamento, acolhendose os valores de apuração apresentados pelo Contribuinte na sua DIRPF/2008, considerandose a parcela isenta dos rendimentos, conforme declarado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Fl. 174DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.048 S2C2T2 Fl. 167 4 Primeiramente, sinto necessário esclarecer ao Recorrente dois pontos: primeiro entendo que o fato de se ter homologado cálculos na Justiça do Trabalho não confere isenção a nenhuma espécie de rendimento. A isenção é concedida sempre por lei específica que deve ser interpretada literalmente, conforme dispõe os artigos 176 e 111, do Código Tributário Nacional, respectivamente, e o trânsito em julgado da decisão que resolve questão de cunho trabalhista entre empregado e empregador não inibe a análise da questão tributária; segundo, a decisão do STJ, mencionada pelo Recorrente e anexada aos autos, em última análise, conforme esclarecido em sede de Embargos Declaratórios, pelo próprio Tribunal, sobre a tributação de juros de mora decorrentes de rendimentos trabalhistas em virtude de ação judicial, é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITO MODIFICATIVO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. 1. Cuidase de matéria que trata de verbas de natureza trabalhista, e não previdenciária. 2. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.089.720/RS (j. 10.10.2012, Rel. Min. Mauro Campbell Marques), ratificou o entendimento de que se aplica o IRPF sobre juros moratórios, mesmo se fixados em reclamatória trabalhista, levandose em conta duas exceções: a) isenção quando pagos no contexto de despedida ou rescisão de contrato de trabalho (REsp 1.227.133/RS repetitivo); e b) isenção ou não incidência se atinentes a verba principal igualmente isenta ou fora do âmbito do imposto (accessorium sequitur suum principale). ... 4. A apuração do tributo devido sobre os juros de mora deve observar individualmente as parcelas mensais atrasadas, de modo que será devido o Imposto de Renda apenas quando essa tributação ocorrer sobre a mencionada prestação. Relativamente às parcelas mensais não tributadas, igualmente não poderá incidir a exação sobre os respectivos juros de mora.(destaquei/sublinhei) 5. Embargos de Declaração acolhidos, com efeito modificativo. (Edcl no Agrg no Aresp 229308/RS Resp 2012/01853136) DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. VERBAS TRABALHISTAS. Bem, dirigindome agora à solução do litígio, apesar de não acolher as teses levantadas pelo Recorrente, observo que o lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte. Conforme Notificação, na fl. 07: "...constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 230.392,99, auferidos pelo titular..." Fl. 175DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.048 S2C2T2 Fl. 168 5 Tais rendimentos, que se referem a diversos períodos pretéritos, entre 05/1992 e 11/1996, conforme cálculos de liquidação de Sentença (fl. 20), foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, em agosto de 2007 (Alvará, fl. 10), como se depreende da Notificação de Lançamento. Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos tributáveis, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Em 23/10/2014, a Suprema Corte assim decidiu, em relação à matéria: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.048 S2C2T2 Fl. 169 6 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria, vencida a relatora, Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Voto. Ministra Ellen Gracie Relatora: O Acórdão recorrido considerou inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/88, que determinou a incidência do imposto por ocasião do recebimento dos valores, sobre a sua totalidade. Entendeu violados os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, nos termos do que restou sintetizado na ementa do acórdão relativo à argüição de inconstitucionalidade julgada pela Corte Especial daquele Tribunal Regional Federal da 4ª Região: (...) Voto Ministro Marco Aurélio Redator do Acórdão: Não passa pela minha cabeça que o sistema possa apenar o contribuinte duas vezes. Explico melhor: o contribuinte não recebe as parcelas na época devida. É compelido a ingressar em Juízo para ver declarado o direito a essas parcelas e, recebendo as posteriormente, há a junção para efeito de incidência do Imposto de Renda, surgindo, de início, a problemática da alíquota, norteada pelo valor recebido. (...) Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva... (...) Ou seja, o fato de o direito haver sido resistido e de se ter que acionar garantia inerente à cidadania, que é a do ingresso em Juízo, implicaria a majoração da alíquota. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também já havia se manifestado sobre a matéria, como lembraramse os Ministros do STF, inclusive atribuindo aos recursos a Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.048 S2C2T2 Fl. 170 7 sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1.118.429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.048 S2C2T2 Fl. 171 8 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) O que os Tribunais Superiores ratificam, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.048 S2C2T2 Fl. 172 9 Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Observo assim a aplicação do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF: Artigo 62, §2º. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, mais recentemente, o STF entendeu pela sua inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Vinhamse verificando, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Pois bem, como se observa aqui, neste Voto, concordo em parte com o entendimento lá proferido pela Colenda Turma Ordinária, contudo, peço vênia para divergir em relação à parte que entende ser cabível devolver à Receita Federal os autos, para que se faça Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.048 S2C2T2 Fl. 173 10 novo cálculo do tributo devido, aplicando as tabelas progressivas vigentes à época de cada competência (mês) dos rendimentos recebidos. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome mais uma vez na doutrina de REGINA HELENA COSTA: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.048 S2C2T2 Fl. 174 11 não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. CONCLUSÃO Lembrando que consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista em face do Banco Santander Banespa S/A, no valor de R$ 230.392,99, consubstanciada na Notificação de Lançamento, cabendo à Unidade de origem, então, observar os reflexos dessa decisão em relação à declaração/apuração efetuada pelo Contribuinte em sua DIRPF/2008. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933886/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Não comprovado o alegado cerceamento ao direito de defesa é de se afastar a preliminar de nulidade alegada
ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO.
Pagamento indevido ou a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que não tenha sido utilizado na dedução do valor da CSLL devida no ajuste anual.
Numero da decisão: 1201-001.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não comprovado o alegado cerceamento ao direito de defesa é de se afastar a preliminar de nulidade alegada ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Pagamento indevido ou a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que não tenha sido utilizado na dedução do valor da CSLL devida no ajuste anual.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10680.933886/2009-68
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5574876
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.380
nome_arquivo_s : Decisao_10680933886200968.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Ester Marques Lins de Sousa
nome_arquivo_pdf_s : 10680933886200968_5574876.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6310126
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125312073728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.933886/200968 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1201001.380 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de março de 2016 Matéria PER/DCOMP Recorrente ARCELOR BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não comprovado o alegado cerceamento ao direito de defesa é de se afastar a preliminar de nulidade alegada ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Pagamento indevido ou a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que não tenha sido utilizado na dedução do valor da CSLL devida no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 38 86 /2 00 9- 68 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.933886/200968 Acórdão n.º 1201001.380 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por considerar pertinente e economia processual adoto o relatório da decisão recorrida, fls.86/87, que a seguir transcrevo: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 147.563,80. 2. As compensações declaradas pelo contribuinte, sinteticamente: DCOMP : 26762.76919.100308.13.045200 Data: 10/03/2008 Crédito utilizado Origem: Pagto indevido/a maior Valor R$ 154.040,64 Débitos compensados Valor do principal R$ 147.563,80 Código 2362 Vencimento 28/11/2003 Despacho Decisório da DRF 3. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório n° 848540593 anexado à fl. 44, exarado aos 07/10/2009, que assim se manifestou: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado. Foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". 3.1 Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 1966 ( CTN) e art. 74 da Lei n°9.430, de 1996. 4. Tendo em vista as razões acima expendidas, a DRF NÃO HOMOLOGA a compensação declarada pelo contribuinte na DCOMP identificada no item 2. Manifestação de Inconformidade 5. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 20/10/2009, conforme documento à fl. 80. Irresignado, o contribuinte apresenta em 19/11/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 12, onde, em síntese, argumenta: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.933886/200968 Acórdão n.º 1201001.380 S1C2T1 Fl. 4 3 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 "Por se tratar de crédito vinculado a um único DARF, no valor de R$ 5.096.939,95, para a solução da questão basta perquirir se para o período de competência nele consignado, da comparação entre a apuração da empresa e os pagamentos realizados, houve um montante recolhido a maior na competência 04/2003 — decorrência de ajustes de créditos de CSLL que não haviam sido apropriados no momento oportuno". Nulidade 5.3 Preliminarmente, propugna pela "nulidade, por vicio substancial do despacho decisório eletrônico". Argumenta que tais despachos "não substituem a inteligência fiscal e não permitem uma cognição integral dos fatos pertinentes ao objeto da exigência tributária". Acrescenta que "busca o fisco, assim, na atividade dos órgãos julgadores, a fundamentação hábil a declarar com certeza e exatidão a existência ou não de crédito tributário inadimplido e a sua real magnitude, esquecendose que este era o seu dever previamente à decisão proferida no processo de compensação." 5.4 Neste contexto alega cerceamento de defesa, propugnando pela nulidade do Despacho Decisório, trazendo em seu amparo manifestações da DRJ de Salvador/BA, o art. 65 da IN RFB n°900, de 2008 e art. 59 do Decreto n° 70.235,de 1972. 5.5 Descrevendo a origem do crédito utilizada na DCOMP, o manifestante esclarece que a CSLLEstimativa Mensal apurada no mês de abril/2003 e informada na DIPJ é a mesma constante da DCTF retificadora. Acrescenta que o valor apurado importa em R$ 5.580.018,60, enquanto os créditos vinculados ao débito alcançam a soma de R$ 5.734.059,25, considerando os débitos suspensos no importe de R$ 637.119,30. 5.5.1 Desta feita, assevera que possui um crédito passível de compensação no importe de R$ 154.040,65, utilizado na DCOMP em litígio neste processo. 5.6 Acrescenta que, "ao preencher suas obrigações acessórias a requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito". Informa a retificação da DCTF antes da emissão do Despacho Decisório. 5.7 Invoca o art. 165 do CTN ao pleitear o seu direito à restituição do indébito e cita passagem de Ives Gandra Martins em amparo ao seu direito à compensação deste indébito. 5.8 Por fim, o manifestante propugna pela procedência da manifestação de inconformidade, com a declaração de nulidade do Despacho Decisório, a homologação das compensações e a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.933886/200968 Acórdão n.º 1201001.380 S1C2T1 Fl. 5 4 extinção do crédito tributário correspondente. Protesta por todos os meios de prova em Direito admitidos. 6. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.81). A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Belo Horizonte/MG), conforme decisão proferida no Acórdão nº 0227.410, de 30 de junho de 2010 (fls.84/93), cientificado ao interessado em 16/08/2010 (Aviso de Recebimento, AR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que inexiste previsão legal para a restituição/compensação do valor antecipado a maior antes do término do período de apuração, de modo que a restituição/compensação de estimativas mensais ainda que pagas a maior somente poderá ocorrer após a apuração do ajuste anual em 31 de dezembro. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 03/08/2012 no qual, reitera a nulidade, por vicio substancial, do despacho decisório eletrônico e no mérito, essencialmente, alega que de acordo com a legislação e a jurisprudência, inexiste qualquer vedação do imediato aproveitamento do pagamento a maior de estimativa e conclui que: (i) o montante de R$ 154.040,65 foi recolhido a maior em DARF pelo código da estimativa de abril de 2003 (2484); (11) ao contrário do afirmado no despacho decisório, a legislação e a jurisprudência administrativas permitem a compensação de pagamento a maior de estimativa; (iii) se o pagamento a maior compusesse o saldo negativo, ainda assim o mesmo crédito seria Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.933886/200968 Acórdão n.º 1201001.380 S1C2T1 Fl. 6 5 devido, e neste caso a inconsistência da informação da origem do crédito na PER/Dcomp não obstaria seu aproveitamento. Finalmente requer seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório n° 848540593, com a conseqüente homologação da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 26762.76919.100308.1.3.045200 (fls.48/52), transmitido em 10/03/2008, em que a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ: R$ 147.563,80, código 2362, estimativa mensal relativa ao mês de outubro de 2003, com a utilização de crédito no valor de R$ 154.040,64, decorrente de pagamento a maior relativo ao DARF CSLL, código: 2484; período de apuração: 30/04/2003; valor: R$ 5.096.939,95; data de arrecadação: 30/05/2003. Por intermédio do DESPACHO DECISÓRIO nº 848540593, de 07 de outubro de 2009, anexado à fl. 44, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima mencionado, foi localizado o pagamento no valor de R$ 5.096.939,95, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De inicio, cabe registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos em consonância com o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN. A Recorrente argúi, nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa, porque não lhe foram ditos os motivos que levaram a autoridade administrativa a desconsiderar o seu crédito. Afirma que o despacho decisório, não logrou demonstrar a ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos, hábeis a negar o direito do contribuinte ao exercício da compensação. Do Relatório consta o seguinte trecho extraído da manifestação de inconformidade da contribuinte: 5.6 Acrescenta que, "ao preencher suas obrigações acessórias a requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito". Informa a retificação da DCTF antes da emissão do Despacho Decisório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.933886/200968 Acórdão n.º 1201001.380 S1C2T1 Fl. 7 6 A alegação da Recorrente de cerceamento ao direito de defesa, é improcedente, na medida em que apresentado o PER/DCOMP pelo interessado, a autoridade competente após a análise devida expediu o despacho decisório. Sendo facultado ao sujeito passivo, a apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. Apresentada a manifestação de inconformidade, em sede de primeira instância, foi julgada improcedente pelos fundamentos consubstanciados no acórdão recorrido sendolhe ainda oportunizada a apresentação do recurso voluntário com a defesa e provas necessárias a comprovação do indébito tributário indicado no PER/DCOMP. Como se vê, não há falar em cerceamento ao direito de defesa em relação a análise do PER/DCOMP e o procedimento da autoridade administrativa que ao proferir o despacho decisório o fez com fundamentação baseada nos elementos indicados no PER/DCOMP e observância aos procedimentos que norteiam o processo administrativo determinado pelo Decreto nº 70.235/72, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, não comprovado o alegado cerceamento ao direito de defesa é de se afastar a preliminar de nulidade alegada. Sobre a origem do crédito utilizado no PER/DCOMP, desde a Manifestação de Inconformidade a contribuinte sustenta que a CSLLEstimativa Mensal apurada no mês de abril/2003 e informada na DIPJ/2004 é a mesma constante da DCTF retificadora. Acrescenta que o valor apurado importa em R$ 5.580.018,60, enquanto os créditos vinculados ao débito alcançam a soma de R$ 5.734.059,25, daí a diferença a maior na ordem de R$ 154.040,64 informado no PER/DCOMP. Verifico que na data da entrega do PER/DCOMP (10/03/2008) já havia ocorrido a retificação da DCTF (30/01/2008). Na DCTF Retificadora (fl.73/76) consta o débito da CSLL no valor de R$ 5.580.018,60, com os seguintes créditos vinculados: Pagamento: R$ 4.942.899,30 Suspensão: R$ 637.119,30 (Motivo da Suspensão: Liminar em Mandado de Segurança) A Recorrente demonstra o crédito de R$ 154.040,65, objeto do PER/DCOMP, como se segue: Pagamento Principal Total Valor Pago do Débito Diferença DARF 5.096.939,95 4.942.899,30 154.040,65 Suspensão 637.119,30 637.119,30 Débito/Diferença: (5.580.018,60 637.119,30) 5.096.939,95 = 154.040,65 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.933886/200968 Acórdão n.º 1201001.380 S1C2T1 Fl. 8 7 Como cediço, a retificação da DCTF para excluir ou reduzir o débito goza de presunção relativa de veracidade quando apresentada em espontaneidade, isto é, antes da ciência do despacho decisório. Confrontandose o valor demonstrado na DCTF Retificadora (fls.73/76) com o valor dito recolhido por meio de DARF, no valor de R$ 5.096.939,95 temse aparentemente o direito da Recorrente ao crédito do recolhimento a maior de CSLL no valor de R$ 154.040,65 (5.096.939,95 4.942.899,30). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/BH julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve a não homologação da compensação, por entender que o pagamento a maior de estimativa mensal informado como origem do crédito no PER/DCOMP somente poderia ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo em 31 de dezembro do ano calendário pertinente. Tal entendimento não prospera. O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação No entanto, para fazer jus à compensação da estimativa paga a maior, é mister que o contribuinte não tenha utilizado referido crédito no ajuste anual. À obviedade, essa utilização faz consumir o crédito no próprio ajuste anual, seja diminuindo o imposto/contribuição a pagar, seja aumentando o saldo negativo, não havendo mais como utilizálo novamente, sob pena de utilização indevida em duplicidade. A Recorrente juntou aos autos cópia de DIPJ/2004 (Retificadora sem indicação de recepção pela Receita Federal) na qual consta à fl.68, a CSLL a pagar por estimativa no valor de R$ 5.580.018,60 referente ao mês de abril de 2003, Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. No presente caso, na apuração do saldo negativo do ajuste anual a contribuinte computou a título de estimativa o valor total de R$ 5.580.018,60, portanto, superior ao DARF: R$ 5.096.939,95, inferindose o aproveitamento de suposto pagamento a maior. Reiterese que, é possível a caracterização de PAGAMENTO INDEVIDO relativos a débitos de ESTIMATIVA de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do PAGAMENTO, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período Havendo o contribuinte apresentado o PER/DCOMP, em que se utiliza do mesmo crédito já utilizado para compor o saldo negativo da CSLL no ano calendário de 2003, não pode pretenso crédito ser objeto de pedido de restituição ou de compensação com outros débitos do contribuinte, portanto, é de não se homologar a compensação efetuada pelo contribuinte por lhe faltar liquidez e certeza desse crédito, a teor do artigo 170 do CTN. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.933886/200968 Acórdão n.º 1201001.380 S1C2T1 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002357/00-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1990 a 31/10/1995
PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para declarar decaído o período anterior a setembro/1990. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Júlio César Alves Ramos - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1990 a 31/10/1995 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10640.002357/00-51
anomes_publicacao_s : 201511
conteudo_id_s : 5544304
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-003.208
nome_arquivo_s : Decisao_106400023570051.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NANCI GAMA
nome_arquivo_pdf_s : 106400023570051_5544304.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para declarar decaído o período anterior a setembro/1990. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Júlio César Alves Ramos - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
id : 6175321
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125322559488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2150; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 127 1 126 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10640.002357/0051 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.208 – 3ª Turma Sessão de 27 de novembro de 2014 Matéria PIS/PASEP Recorrente Fazenda Nacional Interessado Souza Materiais de Construção Ltda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1990 a 31/10/1995 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para declarar decaído o período anterior a setembro/1990. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 23 57 /0 0- 51 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10640.002357/0051 Acórdão n.º 9303003.208 CSRFT3 Fl. 128 2 Júlio César Alves Ramos Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de nº 20402.056, proferido pela Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte pleitear, em 20 de setembro de 2000, restituição/compensação de valores de PIS referentes ao período compreendido entre março de 1990 a novembro de 1995 e, paralelamente, reconheceu a semestralidade da base do cálculo de referida contribuição. Para tanto, a Quarta Câmara considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Inconformada, a Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso especial aduzindo que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário e, por conseguinte, violação aos artigos 165 e 168, I, do CTN. O ilustre Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em despacho de fls. 117/118, deu seguimento ao recurso especial. Intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões requerendo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 126, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais de redigir o presente acórdão. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 05/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10640.002357/0051 Acórdão n.º 9303003.208 CSRFT3 Fl. 129 3 Ressaltese que a relatora original entregou os relatório, voto e ementa aqui transcritos à secretaria da Câmara Superior, mas, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Eis o voto proferido pela Conselheira Nanci Gama, que foi acompanhado por todos: O recurso especial é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento, razão pela qual dele conheço. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, e que, portanto, considerando a data em que o pedido de restituição foi protocolado, 28 de setembro de 2000, seu pedido já estaria parcialmente prescrito. Considerando que o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, § 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº. 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº. 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 129DF CARF MF Impresso em 05/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10640.002357/0051 Acórdão n.º 9303003.208 CSRFT3 Fl. 130 4 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo Fl. 130DF CARF MF Impresso em 05/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10640.002357/0051 Acórdão n.º 9303003.208 CSRFT3 Fl. 131 5 de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto por darlhe parcial provimento para reconhecer a prescrição do período anterior a setembro de 1990, eis que o pedido de ressarcimento foi protocolado em 28 de setembro de 2000, e o período objeto do pedido é de março de 1990 a novembro de 1995. Com base nesses fundamentos, a relatora original deu provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para declarar decaído o período anterior a setembro de 1990, sendo acompanhada pela unanimidade do Colegiado, e esse é o acórdão que me coube redigir. Júlio César Alves Ramos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 05/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001234/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Na situação analisada, o fisco já não poderia lançar a multa relativa ao período de 01 a 11/2001.
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP com omissões/incorreções caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. Incorre nesta conduta o sujeito passivo que declara remuneração paga a determinado segurado em nome de outro.
VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO NA GFIP.
Por possuir natureza de indenização, o vale-transporte, mesmo quando pago em pecúnia, não sofre incidência de contribuições sociais, não consistindo em infração a falta de sua declaração na GFIP.
CORREÇÃO DA INFRAÇÃO ATÉ A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RELEVAÇÃO DA MULTA.
Até 31/01/2007, data anterior a publicação do Decreto n.º 6.032, que revogou o art. 291 do RPS, a correção da falta para fins de relevação da penalidade deveria ser procedida até a ciência da decisão de primeira instância. A correção parcial da infração enseja a relevação da multa na proporção das remunerações declaradas na GFIP antes do mencionado marco temporal.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base no revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, somada à multa por inadimplemento da obrigação principal, deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da mesma lei, para definição da norma mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, acatar a decadência até a competência 11/2001, inclusive, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (a) afastar a multa relativa ao pagamento de vale-transporte em pecúnia; e (b) relevar a multa relativa às remunerações pagas aos segurados Antonio Gonçalves de Macedo, Marcos Rubens Nascimento, Reinaldo Cândido de Moura e Romilson Nascimento Soares na competência 06/2003. II) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que, caso mais benéfico, seja efetuado o recálculo da multa, devendo esta ficar limitada ao valor previsto no art. 44, inciso I, da Lei n. 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias no LDC n.º 37.057.577-6. Vencido o Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON que encaminhava por não admitir apreciação de ofício da multa.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Na situação analisada, o fisco já não poderia lançar a multa relativa ao período de 01 a 11/2001. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP com omissões/incorreções caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. Incorre nesta conduta o sujeito passivo que declara remuneração paga a determinado segurado em nome de outro. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO NA GFIP. Por possuir natureza de indenização, o vale-transporte, mesmo quando pago em pecúnia, não sofre incidência de contribuições sociais, não consistindo em infração a falta de sua declaração na GFIP. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO ATÉ A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. Até 31/01/2007, data anterior a publicação do Decreto n.º 6.032, que revogou o art. 291 do RPS, a correção da falta para fins de relevação da penalidade deveria ser procedida até a ciência da decisão de primeira instância. A correção parcial da infração enseja a relevação da multa na proporção das remunerações declaradas na GFIP antes do mencionado marco temporal. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base no revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, somada à multa por inadimplemento da obrigação principal, deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da mesma lei, para definição da norma mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10167.001234/2007-18
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5575997
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.847
nome_arquivo_s : Decisao_10167001234200718.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10167001234200718_5575997.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, acatar a decadência até a competência 11/2001, inclusive, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (a) afastar a multa relativa ao pagamento de vale-transporte em pecúnia; e (b) relevar a multa relativa às remunerações pagas aos segurados Antonio Gonçalves de Macedo, Marcos Rubens Nascimento, Reinaldo Cândido de Moura e Romilson Nascimento Soares na competência 06/2003. II) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que, caso mais benéfico, seja efetuado o recálculo da multa, devendo esta ficar limitada ao valor previsto no art. 44, inciso I, da Lei n. 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias no LDC n.º 37.057.577-6. Vencido o Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON que encaminhava por não admitir apreciação de ofício da multa. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6315785
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125373939712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 753 1 752 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10167.001234/200718 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.847 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CONSTRUTORA MOURA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Na situação analisada, o fisco já não poderia lançar a multa relativa ao período de 01 a 11/2001. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP com omissões/incorreções caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. Incorre nesta conduta o sujeito passivo que declara remuneração paga a determinado segurado em nome de outro. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO NA GFIP. Por possuir natureza de indenização, o valetransporte, mesmo quando pago em pecúnia, não sofre incidência de contribuições sociais, não consistindo em infração a falta de sua declaração na GFIP. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO ATÉ A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. Até 31/01/2007, data anterior a publicação do Decreto n.º 6.032, que revogou o art. 291 do RPS, a correção da falta para fins de relevação da penalidade deveria ser procedida até a ciência da decisão de primeira instância. A correção parcial da infração enseja a relevação da multa na proporção das remunerações declaradas na GFIP antes do mencionado marco temporal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 7. 00 12 34 /2 00 7- 18 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base no revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, somada à multa por inadimplemento da obrigação principal, deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da mesma lei, para definição da norma mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, acatar a decadência até a competência 11/2001, inclusive, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (a) afastar a multa relativa ao pagamento de valetransporte em pecúnia; e (b) relevar a multa relativa às remunerações pagas aos segurados Antonio Gonçalves de Macedo, Marcos Rubens Nascimento, Reinaldo Cândido de Moura e Romilson Nascimento Soares na competência 06/2003. II) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que, caso mais benéfico, seja efetuado o recálculo da multa, devendo esta ficar limitada ao valor previsto no art. 44, inciso I, da Lei n. 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias no LDC n.º 37.057.5776. Vencido o Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON que encaminhava por não admitir apreciação de ofício da multa. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10167.001234/200718 Acórdão n.º 2402004.847 S2C4T2 Fl. 754 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 21.182 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou procedente o Auto de Infração AI n.º 37.057.5784, todavia relevou parcialmente a multa imposta. Conforme Relatório Fiscal da Infração de fls. 17, a lavratura foi motivada pelo fato da empresa supracitada haver deixado de declarar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, entre as competências janeiro/2001 e dezembro/2005, os valores correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Os fatos geradores omitidos podem ser visualizados na tabela: Período Fato Gerador 01/2001 a 12/2003 valetransporte pago em pecúnia 01/2001 a 12/2004 pagamentos a contribuintes individuais constantes na conta contábil "Serviços Prestados Pessoas Físicas" 01/2001 a 12/2005 pagamentos efetuados a advogado e a contador constantes na conta "Honorários Profissionais" 01/2001 a 12/2003 pagamentos efetuados aos contribuintes individuais Reinaldo Cândido e Enilson Barbosa As contribuições decorrentes desses fatos geradores foram incluídas no Lançamento de Débito Confessado LDC n.º 37.057.5776. Cientificado do lançamento em 09/02/2007, o sujeito passivo ofertou impugnação na qual afirmou haver corrigido a falta e, por isso, mereceria a relevação da multa. A decisão de primeira instância, fls. 332/339, declarou procedente o lançamento, porém relevou a parte da multa relativa aos fatos geradores que considerou declarados. No acórdão consta a relação das remunerações que não foram objeto de correção da falta. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 345/352, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) os valores concernentes aos pagamentos de valetransporte em dinheiro foram integralmente informados nas GFIP retificadoras; Fl. 755DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 b) quanto aos serviços prestados por pessoas físicas (conta n.º 500534) houve a integral informação das remunerações envolvidas, todavia, para os segurados que a empresa não dispunha dos identificadores perante a Previdência, os valores foram alocados para outras pessoas devidamente cadastradas, conforme orientação prestada verbalmente pelo Auditor Fiscal Lídio Cezar de Vasconcelos; c) os "Honorários Profissionais" foram integralmente informados nas GFIP retificadoras, todos no nome de Raimundo Bernardo da Silva, que mantinha escritório contábil em sociedade com Marcelo Andrade de Lima. Também para o mesmo identificador foram alocadas as remunerações do Advogado, haja vista que a empresa não possuía o NIT deste; d) afirma que os valores relativos às remunerações de Reinaldo Cândido e Enilson Barbosa, no período de 01/2001 a 12/2003, foram integralmente informados nas GFIP retificadoras; e) não conseguiu identificar as divergências apontadas pela DRJ para as competências 08/2001; 11/2001; 09/2002 e 01/2003; f) Quanto às competências 11/2003 e 12/2003, não há qualquer erro nos valores declarados, pois as diferenças ali apuradas foram devidamente declaradas e recolhidas na obra CEI 387200521576 (INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÕES E CIÊNCIAS) — TOMADOR DE SERVIÇOS PRESTADOS PELA CONSTRUTORA MOURA LTDA), além de que os valores declarados no CNPJ da empresa (00.817.127/000106) se referem apenas aos vales transportes recebidos pelos funcionários em dinheiro, ora ali regularizados; g) os julgadores apontam que na competência 06/2003 os segurados Antonio Gonçalves de Macedo, Marcos Rubens Nascimento, Reinaldo Cândido de Moura e Romilson Nascimento Soares não teriam sido informados na GFIP retificadora do período, todavia, há erro nestas informações, pois a GFIP do período em epígrafe foi corrigida, tempestivamente, estando ali claramente relacionados estes segurados e os valores por eles recebidos. Ao final, afirma haver prestado todos esclarecimentos e se coloca à disposição para o que for necessário, podendo, inclusive, retificar as GFIP, pois, pelo resultado do acórdão exarado, acredita que foi mal orientada quando da confecção das guias retificadoras. Mediante a Resolução n.º 2401000.451, de 10/02/2015, a Turma do CARF converteu o julgamento em diligência para que fossem acostados os relatórios do sistema informatizado que serviram como base para a conclusão de que as informações prestadas nas guias retificadoras não corrigiram integralmente a infração. O fisco acostou, fls. 733/748, relatório denominado "Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP", onde consta a relação de todos os segurados declarados pela empresa em GFIP no período analisado. Em adição, afirmouse que os códigos/número de controle das GFIP apresentadas pelo contribuinte em sua impugnação conferem com os constantes da planilha de apuração gerada, sendo o bastante para que se faça a devida análise/julgamento da questão. A empresa foi cientificada do pronunciamento fiscal, conforme AR de fl. 749 e não se manifestou. É o relatório. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10167.001234/200718 Acórdão n.º 2402004.847 S2C4T2 Fl. 755 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Embora não alegada, é cabível a apreciação de ofício da decadência do direito do fisco de lançar a multa. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal.Na lavratura em tela, por se tratar de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplica se para contagem do lapso decadencial a regra do inciso I do art. 173 do CTN. Na lavratura em tela, por se tratar de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicase para contagem do lapso decadencial a regra do inciso I do art. 173 do CTN. Considerandose que a ciência do AI ao contribuinte deuse em 09/02/2007, não poderiam nele ser incluídas competências anteriores 12/2001. Nesse sentido, devem ser expurgadas da lavratura as competências de 01/2001 a 11/2001. Da infração e do seu saneamento A obrigação acessória de declarar os fatos geradores de contribuições previdenciárias na GFIP encontrase fundamentada no inciso IV do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela Lei n.º 9.528/1997, nos seguintes termos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (redação vigente à época dos fatos geradores). Esse dispositivo foi regulamentado pelo Decreto n.º 2.803/1998, tendo a GFIP sido implantada a partir de janeiro de 1999. Esta guia informativa, além de ter natureza de confissão de dívida fiscal, é instrumento essencial para concessão dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. É isso que consta do § 2.º do mesmo artigo: §2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. Destacase desse dispositivo que, ao contrário do que defende a recorrente, a GFIP não tem finalidade apenas arrecadatória, mas traz as informações indispensáveis para o reconhecimento dos direitos previdenciários dos segurados da Previdência Social. Os dados coletados alimentam o Cadastro Nacional de informações Sociais (CNIS) que serve de base para o reconhecimento de direitos e concessão dos benefícios do RGPS. Assim, caso o empregador informe na GFIP a remuneração recebida por João indicando os dados identificadores de Antônio, a guia terá sido informada incorretamente, posto que, embora para fins de cálculo das contribuições a base de cálculo seja numericamente Fl. 758DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10167.001234/200718 Acórdão n.º 2402004.847 S2C4T2 Fl. 756 7 correta, as informações que migrarão para o CNIS não corresponderão à realidade e será prejudicado o trabalhador que não participou do movimento da GFIP. Nesse sentido, não devemos aceitar como retificada as GFIP em que o sujeito passivo, sob a justificativa de que não possuía os dados de determinado segurado, informou a sua remuneração como se fora percebida por outro. Passemos então a enfrentar os pontos tratados no recurso. Vale Transporte O motivo que levou o fisco a incluir na base de cálculo da multa os valores relativos ao vale transporte, foi o fato dos pagamentos terem sido efetuados em pecúnia. Acerca dessa exação, já não há mais celeumas entre o fisco e os contribuintes. É que se curvando a jurisprudência da Corte Máxima, que em decisão plenária, no bojo do RE n.º 478.410, afastou a incidência de contribuições sociais sobre o valetransporte pago em pecúnia, a Advocacia Geral da União editou a Súmula n.º 60, em 08/12/2011, assim redigida: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Assim, deve ser afastada, por improcedência, a parcela da multa decorrente da incidência de contribuições sobre o valetransporte pago em dinheiro. Serviços de Pessoas Físicas e Honorários Profissionais Alega a recorrente que apresentou informações para os trabalhadores de que dispunha os dados de cadastro na Previdência Social, para aqueles que não foi possível obter esses dados, fez a informação usando os dados cadastrais de outro trabalhador. Vale a pena transcrever excerto da peça recursal: "Há, porém, a ressalva de que para se confeccionar as GFIPs retificadoras se fazia necessário dados identificadores dos prestadores de serviços como contribuintes da Previdência Social. A CONSTRUTORA MOURA LTDA não tinha tais dados em mãos, nem condições de localizálos a tempo de confeccionar as GFIPs retificadoras. Assim sendo, após consulta verbal ao Auditor Fiscal LÍDIO CESAR DE VASCONCELOS, foi sugerido que fossem substituídos os prestadores de serviços sem condições de identificação por outros que pudessem ser identificados junto ã Previdência Social, pois assim seria alcançado o principal objetivo da fiscalização, qual sejam, a declaração e recolhimento das Contribuições Previdenciárias sobre os valores pagos a título de serviços prestados por pessoas físicas; Conforme já ponderamos acima a informação de remuneração de um segurado utilizando dados de outro trabalhador não atende ao objetivo da GFIP, posto que esta não retratará a realidade para fins de alimentação do CNIS, provocando prejuízo ao segurado que recebeu a remuneração e não foi incluído na guia informativa. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Nessa toada, andou bem a DRJ quando não considerou corrigida a falta para esses casos, mesmo porque, apesar da empresa declarar que confeccionou as guias retificadoras conforme orientação prestada por Auditor Fiscal, não há nos autos qualquer elemento hábil a comprovar esse fato. Remuneração de Reinaldo Cândido e Enilson Barbosa Segundo o relatório fiscal, esses segurados prestaram serviço à autuada na função de contínuo/mensageiro e, conforme informações da empresa, eram contribuintes individuais. Na tabela juntada à fl. 28, consta que Reinaldo Cândido atuou no período de 01/2001 a 09/2001 e Enilson Barbosa de 10/2001 a 12/2003. Excluindo o período decadente (01 a 11/2001), observamos que a tabela juntada pela DRJ, onde se apresenta as remunerações não declaradas, consta o nome de Enilson Barbosa para as competências 12/2001 e de 01 a 03/2002. Foi anexada ao recurso, às fls. 348/352, tabela de retificação contendo a assinatura do contador Marcelo Andrade de Lima, na qual consta para as competências 12/2001 e de 01 a 03/2002 que as remunerações do segurado Enilson Barbosa, todas no valor de R$ 60,00, teriam sido informadas como se recebidas por Reinaldo Cândido. Explicase assim a razão pela qual o órgão a quo não considerou corrigidas as falhas decorrentes da falta de declaração das remunerações recebidas pelo segurado Enilson Barbosa para as competências 12/2001 e de 01 a 03/2002. Divergências nas competências 08/2001; 11/2001; 09/2002 e 01/2003 Neste tópico apreciaremos apenas os valores relativos às competências 09/2002 e 01/2003, posto que as demais foram afastadas por se encontrarem decadentes. Vejamos quais as remunerações foram consideradas como não informadas pela DRJ: Comp Segurado Remuneração não declarada 09/2002 LUIZ MÁRIO GUIMARÃES R$ 338,86 09/2002 MARCELO ANDRADE DE LIMA R$ 400,00 01/2003 JÂNIO DA SILVA SANTANA R$ 50,00 01/2003 LANÇAMENTO CONTÁBIL SEM NOME DO SEGURADO R$ 114,00 01/2003 LANÇAMENTO CONTÁBIL SEM NOME DO SEGURADO R$ 1.000,00 01/2003 MARCELO ANDRADE DE LIMA R$ 400,00 Apreciando a tabela juntada no recurso, verificase que para ambas as competências a remuneração de Marcelo Andrade de Lima foi declarada como recebida por Fl. 760DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10167.001234/200718 Acórdão n.º 2402004.847 S2C4T2 Fl. 757 9 Raimundo Bernardo da Silva, justificando, assim, a posição da DRJ de não considerar a falha como saneada. As remunerações em que o lançamento contábil não indicou o nome do beneficiário, segundo a tabela de retificação contendo a assinatura do contador Marcelo Andrade de Lima, foram alocadas para o segurado Dariosdey Machado, em razão da empresa não haver localizado os dados das pessoas que efetivamente prestaram o serviço. Da mesma forma, não há de se aceitar essa retificação para fins de relevação da multa. Todavia, a manutenção das remuneração dos segurados Luiz Mário Guimarães e de Jânio da Silva Santana no cálculo da multa não deve subsistir. É que, de acordo com o relatório fiscal, Luiz Mário recebeu na competência 09/2002 apenas quantia a título de valetransporte, o que também ocorreu para Jânio Santana na competência 01/2003. Declaração de segurados na obra CEI 3872005215/76 Afirma a recorrente que nas competências 11/2003 e 12/2003, não há qualquer erro nos valores declarados, pois as diferenças ali apuradas foram devidamente declaradas e recolhidas na obra CEI 387200521576 (INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÕES E CIÊNCIAS) — TOMADOR DE SERVIÇOS PRESTADOS PELA CONSTRUTORA MOURA LTDA), além de que os valores declarados no CNPJ da empresa (00.817.127/000106) se referem apenas aos vales transportes recebidos pelos funcionários em dinheiro, ora ali regularizados. Vejamos quais as remunerações foram consideradas como não informadas pela DRJ: Comp Segurado Remuneração não declarada 11/2003 LUIZ MÁRIO GUIMARÃES R$ 1.211,47 11/2003 FRANCISCO DE SOUZA R$ 541,20 11/2003 EDILSON DA SILVA BRITO R$ 541,20 11/2003 LÁZARO DONIZETE DA SILVA R$ 505,10 11/2003 MARCELO ANDRADE DE LIMA R$ 480,00 12/2003 LUIZ MÁRIO GUIMARÃES R$ 1.211,47 12/2003 FRANCISCO DE SOUZA R$ 541,20 12/2003 EDILSON DA SILVA BRITO R$ 541,20 12/2003 LÁZARO DONIZETE DA SILVA R$ 632,00 12/2003 MARCELO ANDRADE DE LIMA R$ 960,00 Apreciando a tabela juntada no recurso, verificase que para ambas as competências a remuneração de Marcelo Andrade de Lima foi declarada como recebida por Raimundo Bernardo da Silva, justificando, assim, a posição da DRJ de não considerar a falha Fl. 761DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 como saneada. Observese que se trata de contribuinte individual, o contador, não devendo ser acatada a tese de que o valor pago referese a vale transporte. Da mesma forma deve ser mantida a multa sobre as remunerações de Lázaro Donizete da Silva, posto que de acordo com a mesma tabela, a informação foi prestada em nome de Dariosdey Machado. Todavia, os pagamentos aos segurados Luiz Mário Guimarães, Francisco de Souza e Edilson Silva Brito recebidas nas competências 11 e 12/2003 referemse apenas a vale transporte, portanto, devem ser excluídos do cálculo da multa. Competência 06/2003 Afirma a recorrente que as remunerações dos segurados Antonio Gonçalves de Macedo, Marcos Rubens Nascimento, Reinaldo Cândido de Moura e Romilson Nascimento Soares foram integralmente declaradas na competência 06/2003, não havendo razão para manutenção da multa sobre tais valores. De fato, com a informação prestada pelo fisco em sede diligência fiscal, observase que a afirmação da recorrente está com consonância com os dados constantes no CNIS, sendo improcedente a multa incidente sobre a remuneração destes segurados na competência 06/2003. Exclusões por improcedência Diante das considerações acima deve ser excluída por improcedência a multa calculada sobre o valetransporte pago em pecúnia, conforme planilha do item 12 do relatório fiscal. Exclusões por relevação A multa relativa às remunerações dos segurados Antonio Gonçalves de Macedo, Marcos Rubens Nascimento, Reinaldo Cândido de Moura e Romilson Nascimento Soares para a competência 06/2003, merece ser relevada, posto que as remunerações foram declaradas na GFIP enviada no dia 20/12/2006 (conforme informação em diligência), portanto, antes da apresentação da defesa, atendendo assim a exigência do § 1.º do art. 291 do RPS, vigente quando da correção da falta. Observese que os outros requisitos para a relevação já haviam sido aferidos pelo órgão de primeira instância, que concedeu relevação parcial da penalidade. Aplicação da multa mais benéfica Embora não alegado no recurso, devemos de ofício nos posicionar sobre a possibilidade de aplicação da legislação posterior aos fatos geradores, se mais benéfica ao sujeito passivo, posto que quando este apresentou o recurso ainda não tinha ocorrido mudança legislativa que implicou na alteração da multa relacionada infração decorrente de informações incorretas/omissas na GFIP. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10167.001234/200718 Acórdão n.º 2402004.847 S2C4T2 Fl. 758 11 Na sistemática anterior, quando havia falta de recolhimento do tributo acompanhada da infração de omitir fatos geradores em GFIP, aplicavase a multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991), cumulada com a penalidade decorrente do descumprimento da obrigação acessória, esta punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991). A multa aplicada sobre as contribuições lançadas variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Atualmente, de acordo com o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de pena administrativa com a multa pela falta de pagamento do tributo , condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante dessas considerações, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabível, então, após as exclusões por improcedência e relevação, limitar a multa do presente AI ao valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias no LDC n.º 37.057.5776. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 763DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Conclusão Voto por conhecer do recurso, por declarar a decadência para o período de 01 a 11/2001 e, no mérito, por darlhe provimento parcial para: I) afastar a multa relativa ao pagamento de valetransporte em pecúnia; II) relevar a multa relativa às remunerações pagas aos segurados Antonio Gonçalves de Macedo, Marcos Rubens Nascimento, Reinaldo Cândido de Moura e Romilson Nascimento Soares na competência 06/2003 e III) para que se efetue o recálculo da multa, devendo esta ficar limitada ao valor previsto no art. 44, I, da Lei n.. 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias no LDC n.º 37.057.5776. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000564/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1202-000.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar do julgamento do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10665.000564/2009-29
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567332
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1202-000.186
nome_arquivo_s : Decisao_10665000564200929.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10665000564200929_5567332.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar do julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
id : 6275736
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125411688448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.000564/200929 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1202000.186 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 08 de maio de 2013 Assunto sigilo bancário Recorrente JAMIR DE SOUZA MACHADO e Responsáveis tributários: Jamir de Souza Machado e Glauciane Maria de Sousa Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar do julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 00 56 4/ 20 09 -2 9 Fl. 4018DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.000564/200929 Resolução nº 1202000.186 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pelo contribuinte acima identificado em face de decisão que manteve a autuação descrita no relatório que, com a devida vênia, reproduzo parcialmente abaixo, por bem esclarecer os fatos de interesse para o julgamento: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 02/13 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 31/03/2009, no montante de R$6.350.074,61, abrangendo fatos geradores compreendidos nos exercícios de 2005 e 2006. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, intimado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termos de intimação em anexo, deixou de apresentálos, limitandose a informar que as operações foram feitas de forma precária e incipiente, não possuindo controles, documentos e livros. Enquadramento legal: art. 530, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999. 001 — Receita operacional omitida (atividade não imobiliária) — Prestação de serviços financeiros Omissão de receitas da prestação de serviços financeiros apuradas com base nos créditos bancários não comprovados, oriundos de pagamentos dos empréstimos mútuos concedidos pelo contribuinte e diversos clientes, conforme detalhamento feito no Termo de Verificação Fiscal n° 001 (TVF) e seus anexos. Em síntese, os fatos mais relevantes são os seguintes: A — As contas bancárias mantidas na Credipeu e na Caixa Econômica Federal (CEF) em nome de Glauciane Maria de Sousa foram movimentadas para efetuar operações de empréstimos a terceiros, tendo como financiador (emprestador) Glauciane e/ou Jamir de Souza Machado. B — Essas contas bancárias eram movimentadas com assinaturas da correntista Glauciane ou seus procuradores, muito embora o Sr. Jamir também possuísse procuração específica e ampla para movimentar essas contas. Na realidade, as movimentações dessas contas atendiam aos interesses da correntista e do Sr. Jamir, não sendo possível identificar a propriedade dos recursos de cada um, embora Glauciane nunca tenha demonstrado condições econômicas e financeiras compatíveis. Assim, sendo, pela falta de informação das partes, foram rateados proporcionalmente aos dois utilizadores dos benefícios das contas bancárias, os créditos bancários sujeitos à comprovação e Fl. 4019DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.000564/200929 Resolução nº 1202000.186 S1C2T2 Fl. 4 3 caracterizados como omissão de receita nos termos do art. 42 e seus parágrafos da Lei n° 9.430, de 1996, principalmente os parágrafos 5° e 6°, incluídos pela Lei n° 10.637, de 2002. C — Essas operações de empréstimos são atividades de pessoas jurídicas e sujeitam o responsável à inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas — CNPJ, voluntariamente ou de oficio. D — As operações deverão ser escrituradas, com base em documentos, obedecidas as demais normas de controle e autorizações do Banco Central do Brasil (Bacen) estabelecidas pela Lei n° 4.595, de 1964. A tributação dessa atividade é pelo regime do lucro real ou pelo lucro arbitrado. E — Glauciane foi intimada várias vezes, não tendo apresentado nenhum documento ou escrituração, o que motivou o arbitramento do lucro. A tributação é feita com a base apurada em cada tipo de origem dos créditos, quando identificados, ou pelo arbitramento com aplicação do maior percentual relativo às atividades desenvolvidas, quando não é possível apurar cada atividade em separado, sobre os créditos relacionados com os valores dos empréstimos pagos pelos clientes, conforme preceituam os arts. 841 e 845 c/c arts. 530, 532, 533 e 537 do RIR/1999. F A multa de oficio cabível é de 150%, tendo em vista: o montante omitido; a ocorrência de sonegação, fraude e conluio e o exercício de atividades financeiras sem autorização do Bacen. Em decorrência da omissão de receitas, também foram lavrados os autos de infração de CSLL, PIS e Cofins, com multa de oficio de 150%. Foram arroladas como responsáveis solidários as pessoas físicas Glauciane Maria de Sousa e Jamir de Souza Machado, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 001 (fls. 53/55). A DRJ julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE Há de se rejeitar as preliminares de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, e o autuado, devidamente cientificado, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os sócios da sociedade em comum ou sociedade de fato. Fl. 4020DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.000564/200929 Resolução nº 1202000.186 S1C2T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2005, 2006 PESSOA FÍSICA EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA As pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, equiparamse à pessoa jurídica, e devem inscreverse no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Legitimada a equiparação operada no lançamento, o contribuinte passa a estar obrigado a todos os procedimentos e à observância da legislação próprios das pessoas jurídicas, inclusive no que atine às regras de tributação pelo lucro real, presumido ou arbitrado e às exigências de escrituração contábil e fiscal. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA X FACTORING Fica afastada a possibilidade de tributação sob as regras aplicáveis às empresas de factoring, quando constatado em procedimento fiscal que, dentre as atividades do contribuinte, está a realização de empréstimo de mútuo, de forma habitual e sistemática, própria de instituição financeira. OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA INTERPOSTA PESSOA E CONTA CONJUNTA Comprovado que a conta bancária individual serviu para a realização de operações de interesse do titular e de terceiro, fica evidenciada a interposta pessoa e justificada a tributação proporcional ao número dos efetivos titulares. ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, na condição de instituição financeira, sujeito à tributação com base no lucro real, devidamente intimado, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO – INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS O contribuinte que realiza operações de empréstimos de mútuo próprias das instituições financeiras e não apresenta nenhum documento comprobatório da origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias especificadas no lançamento, fica sujeito ao coeficiente de arbitramento no percentual de 45%, específico dessas instituições. Fl. 4021DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.000564/200929 Resolução nº 1202000.186 S1C2T2 Fl. 6 5 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Cientificado dessa decisão em 13/10/2009 (AR, fl.1952, v.), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário em 12/11/2009 (fls.2256), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação. A responsável solidária Glauciane Maria de Sousa foi cientificada em 07/10/2009 (AR, fl.1957, v.) e apresentou recurso voluntário em 05/11/2009 (fls.19622022), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 4022DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.000564/200929 Resolução nº 1202000.186 S1C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Contudo, do exame dos autos depreendese a impossibilidade de julgamento do recurso neste momento, pois, dentre as matérias afetas ao julgamento está a quebra do sigilo bancário do contribuinte. O Termo de Verificação Fiscal nº1 esclarece que os valores da movimentação financeira da contribuinte, utilizados como base da autuação, foram obtidos com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, que trata de nova instituição da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), consoante trechos abaixo reproduzidos: 14) Foram feitas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira a diversos Bancos, com base na falta de apresentação de documentos e presença de indícios de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato, com base e definições estabelecidas pelos artigos 3°, Incisos VII e XI do Decreto 3.724/2001, c/c Inciso I do parágrafo 2° do artigo 3° deste mesmo Decreto e artigo 33, Inciso I da Lei 9.430/1996, tendo em vista os seguintes fatos: (fls.73, v.) ............................................................................................ 18) Analisando acuradamente os documentos obtidos nas Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras e as diligências realizadas, como descrito nos itens anteriores, concluise que as contas correntes n°s 47195 da agência 1426 da Caixa Econômica Federal e 31.6415 da agência 3161 da CREDIPÉU foram movimentadas com as seguintes finalidades e características, com predominância quase total de operações de empréstimo: [...] (fl.75,v.) As Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls.870893, foram emitidas em consonância com o disposto no art. 4º, §6º, do Decreto nº 3.724, de 10/10/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida Fl. 4023DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.000564/200929 Resolução nº 1202000.186 S1C2T2 Fl. 8 7 ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral.(destacouse) Cabe, assim, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida. Recentemente, o STF vem utilizando a regra prevista no § 2o do art.543C, que se refere ao STJ, para expedir atos nesse sentido. Vale lembrar que, quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existiam processos já admitidos pelos tribunais de origem pendentes de julgamento no STF e no STJ. Em relação a esses processos ou a todos quanto chegarem ao STF Fl. 4024DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.000564/200929 Resolução nº 1202000.186 S1C2T2 Fl. 9 8 tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (destacouse) O dispositivo transcrito acima prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. A questão do sigilo bancário também está sendo tratada no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, no qual a Suprema Corte, em 20/11/2009, reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos seguintes moldes: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Embora naqueles autos inexista pronunciamento específico do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário, sobre o mesmo tema, verificouse que, no exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, o mesmo relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral proferiu, em 19/10/2010, a seguinte decisão: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse Fl. 4025DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.000564/200929 Resolução nº 1202000.186 S1C2T2 Fl. 10 9 processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.000564/200929 Resolução nº 1202000.186 S1C2T2 Fl. 11 10 para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (destacouse) A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, a meu ver, evidencia o sobrestamento, exatamente nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, que atribui tal procedimento ao relator ou ao Presidente da Corte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, não é possível, nesta instância administrativa, discutir sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001 e da Lei nº 10.174, de 2001. Por outro lado, quanto ao processamento e julgamento junto ao CARF, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 [....] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Assim, a partir da constatação de que, no caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficassem sobrestados, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP, concluise pela ocorrência de hipótese de sobrestamento previsto no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf (RICARF). Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.000564/200929 Resolução nº 1202000.186 S1C2T2 Fl. 12 11 Diante disso, votase pelo sobrestamento do julgamento até decisão do E.STF sobre o tema sigilo bancário, à luz do RICARF. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721219/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DIRF x DARF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE E DO RECOLHIMENTO POR DARF. RELAÇÃO DE PARENTESCO DO CONTRIBUINTE COM A FONTE PAGADORA.
Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, bem como que esta efetuou o recolhimento do tributo, devem ser afastados estes lançamentos, sendo todavia mantido os lançamentos que não tenham comprovação de retenção e/ou recolhimento do tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o valor de R$ 19.259,51 da glosa realizada. O Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA deu provimento parcial pelas conclusões.Vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA, que entenderam pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin ca Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DIRF x DARF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE E DO RECOLHIMENTO POR DARF. RELAÇÃO DE PARENTESCO DO CONTRIBUINTE COM A FONTE PAGADORA. Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, bem como que esta efetuou o recolhimento do tributo, devem ser afastados estes lançamentos, sendo todavia mantido os lançamentos que não tenham comprovação de retenção e/ou recolhimento do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10510.721219/2013-72
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5576220
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.109
nome_arquivo_s : Decisao_10510721219201372.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 10510721219201372_5576220.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o valor de R$ 19.259,51 da glosa realizada. O Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA deu provimento parcial pelas conclusões.Vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA, que entenderam pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin ca Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6316012
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125462020096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 103 1 102 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.721219/201372 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.109 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente AMINTHAS MAYNART GARCEZ VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DIRF x DARF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE E DO RECOLHIMENTO POR DARF. RELAÇÃO DE PARENTESCO DO CONTRIBUINTE COM A FONTE PAGADORA. Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, bem como que esta efetuou o recolhimento do tributo, devem ser afastados estes lançamentos, sendo todavia mantido os lançamentos que não tenham comprovação de retenção e/ou recolhimento do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o valor de R$ 19.259,51 da glosa realizada. O Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA deu provimento parcial pelas conclusões.Vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA, que entenderam pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 12 19 /2 01 3- 72 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin ca Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10510.721219/201372, em face do acórdão nº 1532.767, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), na sessão de julgamento de 17 de julho de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju (SE) emitiu em nome do contribuinte acima identificado Notificação de Lançamento (fls. 8/10) referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2012; anocalendário 2011. Detectada compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, de R$ 19.290,74, apurouse imposto de renda pessoa física de R$ 17.625,54, em substituição a saldo de imposto de renda a restituir declarado, de R$ 1.665,20. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da infração está especificado que a fonte pagadora, José Carlos Maynart Garcez Vieira, CPF 038.858.44591 (Cartório do 5º Ofício, CNPJ 13.176.722/000143), foi inscrita no programa Dirf x Darf porque detectadas inconsistências no recolhimentos do imposto de renda retido na fonte informado em Dirf, e o contribuinte, na condição de pessoa ligada ao responsável pela fonte pagadora, intimado, deixou de apresentar a comprovação do recolhimento do imposto de renda retido declarado. O contribuinte impugna o lançamento (fls. 2/6) e alega que que elaborou sua declaração de ajuste anual corretamente, fazendo juá à restituição de R$ 1.665,20, porque o imposto devido anual é de R$ 17.625,54 e houve retenção sobre seus rendimentos, de R$ 19.290,74. requer a procedência da impugnação. Anexa à impugnação comprovante de rendimentos (fl. 11). A 3ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Salvador entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2011 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10510.721219/201372 Acórdão n.º 2202003.109 S2C2T2 Fl. 104 3 IRRF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Subsiste o lançamento quando a compensação indevida de imposto de renda na fonte apontada não é descaracterizada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Relatora da DRJ do acórdão ora recorrido fundamentou do seguinte modo o seu voto: Registrase que o comprovante de rendimentos, assim como cópias da Carteira de Trabalho (fls. 4/6) foram apresentadas à fiscalização e integram o Dossiê Malha. No caso em concreto, o imposto de renda retido na fonte foi devidamente informado pela fonte pagadora em Dirf mas o confronto destas informações com os recolhimentos (pagamentos) do imposto de renda retido pela fonte pagadora apresentou divergências. Adicionalmente, o contribuinte e a fonte pagadora José Carlos Maynart Garcez Vieira, CPF 038.858.44591 (Cartório do 5º Ofício, CNPJ 13.176.722/000143) têm, além da relação de emprego, relação pessoal, posto que são irmãos. Daí, estar explicitado no lançamento que o contribuinte não comprovou o recolhimentos do imposto de renda retido na fonte. Agora, na impugnação, o contribuinte limitase a alegar que a retenção existiu, mas não apresenta qualquer elemento para comprovar o recolhimento. Sequer apresenta os contracheques e os depósitos em conta corrente para comprovar a efetividade da retenção do imposto de renda na fonte. Considerando que o autuado é irmão de José Carlos Maynart Garcez Vieira, CPF 038.858.44591, a própria “fonte pagadora” que, em tese, efetuou a retenção do imposto mas não fez o recolhimento respectivo, é razoável exigir a prova do recolhimento. Isso posto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, com os acréscimos pertinentes. Considerando que o autuado é irmão de José Carlos Maynart Garcez Vieira, CPF 038.858.44591, a própria “fonte pagadora” que, em tese, efetuou a retenção do imposto mas não fez o recolhimento respectivo, é razoável exigir a prova do recolhimento. Isso posto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, com os acréscimos pertinentes. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Inconformado com a improcedência da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário à fls. 41/43, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação. Ainda, anexa o contribuinte ao recurso voluntário os seguintes documentos: 1) Comprovantes de retenção mensal em contra cheque de 2011, à fls. 53/60; 2) Cópia da Declaração do IRPF 2012 (anocalendário 2011), à fls. 63/69; e 3) Relação do IRRF mensal para comparação com o DARF pago; Comprovantes de arrecadação com código 0561; Informe de Rendimentos do ano de 2011 (em fls. 70/98); É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, temos que o acórdão recorrido fundamentou a improcedência da impugnação pelo fato de o contribuinte ter se limitado a alegar que a retenção existiu, porém teria deixado de apresentar qualquer elemento para comprovar o recolhimento. Ainda, segundo o voto, o contribuinte sequer apresentou contracheques e depósitos em conta corrente para comprovar a efetividade da retenção do imposto de renda na fonte. O contribuinte, quando da impugnação, de fato deixou de apresentar documentos comprobatórios de que a retenção do imposto de renda ocorreu, bem como que teria sua fonte pagadora, no caso, seu irmão, efetuado o recolhimento do referido tributo. Entendo que o dever de comprovar a retenção na fonte cabe a fonte pagadora, e não ao contribuinte. Porém tratase de caso atípico, pois há relação de parentesco entre eles, sendo o contribuinte irmão de sua fonte pagadora. Verificase, todavia, que não consta nos autos qualquer intimação do contribuinte para apresentar contracheques ou comprovantes da retenção do imposto de renda na fonte. Assim, quando o acórdão da DRJ aponta que o contribuinte não trouxe elementos comprobatórios, imperioso que se diga que estes jamais foram solicitados ao contribuinte. O contribuinte ao ser intimado do resultado do julgamento da DRJ, apresentou recurso voluntário, anexando a este diversos documentos que comprovariam que as retenções ocorreram e, ainda, que o imposto teria sido recolhido por DARF's. Em nome do princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, acolho os documentos apresentados como elementos de prova do direito do contribuinte. Face a isto, passo a análise destes. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10510.721219/201372 Acórdão n.º 2202003.109 S2C2T2 Fl. 105 5 O contribuinte apresentou contracheques de todo o período (a exceção do mês de março/2011), bem como discriminação dos valores pagos pela fonte pagadora (a exceção de dezembro/2011 e 13º salário). Deste modo, tenho que o contribuinte comprovou que os valores foram efetivamente retidos pela fonte pagadora, tendo demonstrado também que o IRRF foi efetivamente recolhido, pois apresentou os DARF's pagos de todos os meses. Todavia, o contribuinte não demonstrou quais valores foram retidos em março/2011, pois não apresentou o contracheque daquele mês, tendo a discriminação de valores da fonte pagadora do referido mês somente ter constado o IRRF referente as férias. Ainda, o contribuinte também não demonstrou que o imposto de renda retido referente ao 13º salário tenha sido recolhido pela fonte pagadora, tendo apenas apresentado o contracheque onde comprova a retenção do valor. Assim, compreendo que restou demonstrado que sua fonte pagadora reteve o referido valor, logo, não pode ser dele exigido tal valor. Com a finalidade de melhor análise do caso, apresento a tabela abaixo: Mês (ano 2011) IRRF no contracheque Discriminação dos valores pela fonte pagadora DARF recolhida pela fonte pagadora Janeiro R$ 1.395,61 (fl. 53) fl. 72 R$ 15.386,27 (fls. 70/71) Fevereiro R$ 1.395,61 (fl. 53) fl. 75 R$ 17.441,76 (fls. 73/74) Férias R$ 2.128,94 (fl.54) no mês de março (fl. 78) DARF de março (fls. 76/77) Março não apresentado fl 78 R$ 17.525,06 (fls. 76/77) Abril R$ 1.364,44 (fl. 55) fl. 81 R$ 12.617,01 (fls. 79/80) Maio R$ 1.364,44 (fl. 55) fl. 83 R$ 22.210,33 (fl. 82) Junho R$ 1.364,44 (fl. 56) fl. 85 R$ 12.077,12 (fl. 84) Julho R$ 1.364,44 (fl. 56) fl. 87 R$ 13.457,18 (fl. 86) Agosto R$ 1.364,38 (fl. 57) fl. 89 R$ 18.560,86 (fl. 88) Setembro R$ 1.364,38 (fl. 57) fl. 91 R$ 12.360,00 (fl. 90) Outubro R$ 1.364,38 (fl. 58) fl. 93 R$ 18.255,65 (fl. 92) Novembro R$ 1.364,38 (fl. 58) fl. 95 R$ 12.532,52 (fl. 94) Dezembro R$ 1.364,38 (fl. 59) não apresentado R$ 29.650,78 (fl. 96) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 13º salário R$ 1.364,38 (fl. 59) não apresentado não apresentado Férias R$ 2.090,92 (fl. 60) valor confere ao retido R$ 2.090,92 (fl. 97) Conforme consta na Declaração de Ajuste Anual, bem como na Notificação de Lançamento, o valor que teria sido retido do contribuinte pela sua fonte pagadora a título de IRRF seria de R$ 19.290,74. Pelos contracheques apresentados, verificase que o contribuinte comprovou que lhe foi retido R$ 19.259,51, ou seja, R$ 31,24 a menos que apontou na Declaração de Ajuste Anual. Deste modo, afasto o valor de R$ 19.259,51 da glosa realizada, devendo ser esta considerada em somente R$ 31,24. Assim, deve a unidade de origem da Receita Federal do Brasil, antes de proceder a restituição do imposto ao contribuinte, realizar a prévia compensação destes valores. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar o valor de R$ 19.259,51 da glosa realizada. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000457/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 19/02/2008, 24/03/2008
CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO.
Em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, o produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, relacionado no item 338 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, é beneficiado com redução à zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição.
Numero da decisão: 3201-001.994
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 19/02/2008, 24/03/2008 CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. Em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, o produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, relacionado no item 338 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, é beneficiado com redução à zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10111.000457/2008-86
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5570783
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-001.994
nome_arquivo_s : Decisao_10111000457200886.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10111000457200886_5570783.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6294655
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125467262976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10111.000457/200886 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.994 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria PIS E COFINS IMPORTAÇÃO Recorrente EMS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 19/02/2008, 24/03/2008 CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. Em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, o produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 338 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, é beneficiado com redução à zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 04 57 /2 00 8- 86 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 2 Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos farmacêuticos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 43/63 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação)e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 107.318,35 (cento e sete mil, trezentos e dezoito reais e trinta e cinco centavos) e, ainda, da multa de que trata o art. 69, § 2º, inc. III, da Lei nº 10.833, de 29/12/03 no valor de R$ 5.142,17 (cinco mil, cento e quarenta e dois reais e dezessete centavos). Na descrição dos fatos, a fiscalização consignou que o interessado por meio das Declarações de Importação (DI) nº 08/02550058 e 08/04377582, registradas, respectivamente, em 19/02/08 e 24/03/08, submeteu a despacho o produto cefaclor monoidratado, identificandoo nas DI apenas como cefaclor e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1° do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. No entender do autuante, apenas o produto cefaclor é citado na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante do Anexo I do citado decreto, assim, o produto monoidratado que foi importado não se enquadraria entre aqueles que fazem jus ao benefício fiscal. Ainda segundo o fiscal, “a hidratação do produto é um detalhamento considerado pelo legislador no Decreto 5.821/2006, como se pode observar, por exemplo, no caso da AMOXICILINA, da AMPICILINA e da CEFALEXINA” e “A distinção entre os produtos químicos pode ser observada através do número CAS, um número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000457/200886 Acórdão n.º 3201001.994 S3C2T1 Fl. 94 3 American Society, também utilizado pela Secretaria da Receita Federal na elaboração da Instrução Normativa 701/2006, que trata sobre Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística – NVE”. O autuante ainda registra que nas DI o importador faz menção ao processo administrativo de consulta nº 11610.008872/200739, protocolado em 11/09/07, e que versa sobre interpretação da legislação tributária e aduaneira, formulada pela entidade de classe representativa da categoria empresarial da indústria fabricante de medicamentos genéricos PRO GENÉRICOS Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos, pela qual o importador alega ser representado, tendo como objeto o mesmo assunto aqui em discussão, no entanto, afirma o fiscal, de acordo com o art. 15, inc. V, da então vigente IN SRF nº 740, de 02/05/07, tal consulta não produz efeitos, uma vez que o importador na data do protocolo já se encontrava sob procedimento fiscal relacionado à mesma matéria consultada, por força do registro das DI nº 06/09202728, de 04/08/06; 06/10336708, de 29/08/06; 06/11004792, de 14/09/06; 06/13184739, de 31/10/06; 07/11075284, de 17/08/07; 07/06602476, de 22/05/07 e 07/09997331, de 30/07/07. Cientificado dos autos de infração em 07/07/08, conforme fls. 43, 48 e 55, o interessado apresentou em 18/07/08 a impugnação de fls. 70/90, onde solicita preliminarmente a realização de laudo técnico (perícia) indicando os quesitos que anseia ver respondidos, porém sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, passando em seguida a apresentar os argumentos de mérito, afirmando, em síntese, que o cefaclor é considerado gênero, que comporta as espécies cefaclor anidro (CAS 53994733)e cefaclor monoidrato (CAS 70356035); que a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística especificou o cefaclor com o CAS correspondente ao cefaclor monoidrato, conforme literatura técnica, corroborando o entendimento da empresa quando da aplicação da redução de alíquotas. O impugnante assevera que o Decreto nº 5.821/06 em seu anexo I, sem quaisquer outras informações técnicas, possui, na posição n° 338 o cefaclor, em seu termo mais genérico, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, defende, ao contemplar o gênero, o legislador reduziu a zero a alíquota da Pis/Pasep Importação e da Cofins Importação para todas as espécies e, “não é dado ao aplicador da norma (no caso em concreto, da autoridade fiscalizadora) [dar] entendimento diverso dos conceitos consagrados pelas Ciências Farmacêuticas”. Em 20/09/10, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls. 118/119, por meio do qual o interessado solicitou a juntada de perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 120/155), afirmando que o estudo “acata a tese da IMPUGNANTE no sentido de que o Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 4 termo CEFACLOR referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras como entendeu a D. Autoridade autuante”. Em 23/05/12, a empresa novamente compareceu aos autos para noticiar sobre o Relatório Fiscal emitido pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira, da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos, que, após análise técnica e pericial, indicou pelo encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0817700 2009 001503 que tinha como objeto a “auditoria da Operação Fiscal nº 42111 – Classificação Fiscal e 49112 – PIS e COFINS NA IMPORTAÇÃO para os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA E AZITROMICINA” e solicitou que tais documentos fossem acatados como prova emprestada e que o presente Auto de Infração fosse julgado improcedente (fls. 159/172). A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/02/2008, 24/03/2008 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 19/02/2008, 24/03/2008 CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O cefaclor monoidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/Pasep Importação. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/02/2008, 24/03/2008 DESCRIÇÃO INEXATA DA MERCADORIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Configurado nos autos que o importador descreveu de forma completa e exata a mercadoria, não se sustenta a fundamentação para a aplicação da multa, devendo a exação correspondente ser afastada. Impugnação Procedente em Parte Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000457/200886 Acórdão n.º 3201001.994 S3C2T1 Fl. 95 5 Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, [...]” No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 6 Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão: Por outro lado, a empresa argui, com razão, que na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), divulgada à época dos fatos geradores, por meio da IN SRF nº Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000457/200886 Acórdão n.º 3201001.994 S3C2T1 Fl. 96 7 701, de 27/12/065, o produto envolvido na lide era apresentado da seguinte forma: Subitem 29419033 Cefaclor e cefalexina monoidratados, cefalotina sódica Atributos e Especificações de Nível 'U' Atributo AA CAS/DCB Especificações: 0001 070356035/ Cefaclor [...] Vêse que dentro da NVE, que procura destacar o produto sob o ponto de vista da sua relevância, seja quanto ao valor, seja quanto à importância estatística ou comercial ou ambos, foi eleito como único atributo o número de registro no Chemical Abstracts Service (CAS) associado à Denominação Comum Brasileira (DCB). Na especificação 0001 foi consignado o CAS nº 070356035, que se refere ao produto monoidratado, associado à denominação cefaclor. No entanto, pelo que até aqui foi exposto, entendese que o que ocorre é uma impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente o termo monoidratado e que deve ser corrigida, tendo em vista que, conforme dito, os documentos oficiais devem obedecer a lista DCB e esta associa o CAS nº 070356035 ao cefaclor monoidratado. A decisão manteve a multa de ofício, por ser multa aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Finalmente, exonerou a multa de 1%, por entender que houve a correta descrição dos produtos químicos importados nas declarações de importação. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Ainda, posteriormente, foi juntado laudo técnico do Professor Ricardo Isidoro da Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dessa forma, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse dada ciência e oportunidade para que a Fazenda Nacional se pronunciasse. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 8 Foram juntadas aos autos a Informação Safia nº 20/2015, da Alfândega Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília, na qual a fiscalização manifestouse nos seguintes termos: Tendo em vista a decisão da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da CARF, por meio da Resolução nº 3201000.517 ( fls.93 a 97), de encaminhar os autos do presente processo a esta Alfândega de Brasília, para ciência do alegado pelo contribuinte e eventual oferta de contrarazões por parte da autoridade fiscal lançadora e considerando o disposto nas Soluções de Consulta SRRF08/DISIT nº 75/2015 e 8.052/2015, informamos que esta fiscalização mantém, em parte, o entendimento exarado no Auto de Infração objeto do presente processo, com relação ao produto importado “Azitromicina”, uma vez que as supracitadas Soluções de Consulta se referem exclusivamente aos produtos Cefadroxila e Cefaclor Monoidratado, respectivamente. Ademais, foi juntada a Solução de Consulta n. 8052 SRRF 8/DISIT, proposta pela PróGenéricos, Associação da Indústrias de Medicamentos Genéricos, para balizar o entendimento do presente voto, e que possui a seguinte ementa: É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele não tomo conhecimento. Tal como relatado, pelas Declarações de Importação 08/02550058 e 08/04377582, registradas, respectivamente, em 19/02/08 e 24/03/08, a Recorrente submeteu a despacho o produto cefaclor monoidratado, identificandoo como “cefaclor” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Fl. 333DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000457/200886 Acórdão n.º 3201001.994 S3C2T1 Fl. 97 9 Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 338 CEFACLOR Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão monoidratada de cefaclor, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. A Recorrente, em sua defesa, alega que “cefaclor” seria o gênero, de sorte que o decreto contemplaria todas as espécies da substância. Conforme mencionado na decisão recorrida, na página na internet da ANVISA, pode ser encontradas diversas informações sobre a nomenclatura oficial de fármacos, no Brasil. Destarte, as bases da referida nomenclatura surgiram no início da década de 1970, no encontro da necessidade de harmonização. Em janeiro de 1981 o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), publicou no Diário Oficial da União a primeira lista oficial de nomes genéricos, que passaram a ser obrigatórios na solicitação de registro de novos medicamentos (Portaria SNVS 8/1981). A normativa propunha a padronização da nomenclatura e a adoção de códigos numéricos que permitissem rápida identificação das substâncias ou preparados em uso no Brasil e sua correlação com substâncias de estrutura semelhante. A partir de então, periodicamente são publicadas consolidações da nomenclatura, a tabela das Denominações Comuns Brasileiras, que devem ser observados pelo órgãos governamentais, bem como os operadores desse mercado. A última consolidação data de 2007 e está disponível na página da internet da ANVISA, com a denominação “Lista DCB 2007 – Consolidada”(http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/dcb/lista_dcb_2007.pdf). Fl. 334DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 10 Ao se consultar referida lista, de fato, encontramos códigos distintos para “cefaclor” e “cefaclor monoidratado”, como se depreende: 01824 cefaclor 53994733 09368 cefaclor monoidratado 70356035 De acordo com pesquisas feitas pela Relatora, bem como perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 120/155), a denominação “cefaclor” é empregada para designar a forma anidra da substância (ou seja, que não contém água em sua composição), ao passo que a sua forma hidratada, é identificada pela expressão “cefaclor monoidratado” (o termo "monoidratado" significa que à molécula do fármaco está associada uma molécula de água). O cefaclor é uma cefalosporina (grupo de antibióticos) que se apresenta de diversas formas, como se verifica de excertos do laudo técnico, do Eng° José Carlos Sperandéo, acostado aos autos às efls.120 e ss.: 1.4 CEFACLOR Cefaclor é um antibiótico da classe das cefalosporinas. É considerada uma cefalosporina de segunda geração por apresentarem maior atividades contra bactérias Gram negativas. [7] [8] Encontrase registrado no Chemical Abstract Service sob o no 53994733 na forma anidra e 70356035 para a forma monohidratada com o nome químico, Acido [6R[6a, 7[3(R*M 7[(aminofenilacetil)amino]3cloro8oxo 5tia1 azabiciclo[4.2.0] octa2eno2carboxilico monohidrato. [7] [8] [9] [10] [12] [13] Os medicamentos à base de cefaclor são indicados para tratamento de infecções do trato respiratórios inferior e trato superior; tratamento de infecções da pele e do trato urinários causados por microorganismos. [7] [8] Cefaclor apresenta as seguintes formulas molecular, estrutural molecular: Fórmula Molecular: C 15 11 14 CIN 304 S x H 20 Peso Molecular:[9] Forma anidra — 367,81 Forma monoidratada — 385,82 [...] A molécula de cefaclor é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresenta várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma diidratada. [9] [14] Fl. 335DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000457/200886 Acórdão n.º 3201001.994 S3C2T1 Fl. 98 11 Nas referências bibliográficas e farmacopéias indicam somente o uso da forma monohidratada, considerada a mais estável e de fácil dissolução. A potência ou o teor deve ser indicado em relação à sua forma anidra. [7] [8] [9] [10] [12] [13] [14] Cefaclor monohidratado pode ser obtido pelo tratamento do Cefaclor amorfo que é um produto de reação de sal de dana de Dfenilglicina, como a etil3 a carboxibenzilaminocrotonato •de potássio(obtido pela reação de Dfenilglicina e etilacetoacetato de etila), com sal de trimetilamina de ácido 7 amono3cloro3cefem4 carboxilico em meio da mistura de acetonitrila/dimetilformamida/água e isolando um produto cristalino pela acidificação da mistura e correção do pH para 4,5. [15] Cefaclor cristalino é obtido por uma simples filtração com resfriamento, e depois é suspenso em água, acidificado até a completa dissolução e ajustando novamente para pH 4,5 e resfriando lentamente onde começa a cristalização do Cefaclor monohidratado que é recuperado por filtração. Nessa etapa pode ser adicionado um cristal de Cefaclor monohidratado que funcionará como semente. [15] A denominação Cefaclor encontrase registrado na lista de denominação comum brasileira, lista DCB consolidada 2007, com o número código de posição 01824 e CAS 53994733 referente a Cefaclor anidra. [11]. Nas Farmacopéias também se encontra indexado somente com a denominação Cefaclor que engloba todas as formas de hidratação. [7], [8], [9] [10] [16] [18] Cefaclor também é a denominação que se encontra indexado no INN (Internacional Nonproprietary Names for Pharmaceutical Substances da Organização Mundial da Saúde (WHO). [8] Mais adiante, já na resposta aos quesitos, temse: 7) Qual a diferença entre CEFACLOR, CEFACLOR ANIDRO E CEFACLOR MONOHIDRATADO? Explique detalhadamente (aplicação, função principal e secundária, formula estrutural, característica físicas e químicas, etc.). Cefaclor na forma monohidratada é um insumo farmacêutico ativo que apresenta atividade antibiótica. È utilizado na formulação de medicamentos indicados para tratamento de infecções do trato respiratório inferior e trato superior; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 12 tratamento de infecções da pele e do trato urinários causados por microorganismos.[7] [8] Cefaclor apresenta a seguintes formulas molecular, estrutural e peso molecular: A molécula de cefaclor é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresenta várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma dihidratada. [9] [14] Nas referências bibliográficas e farmacopéias indicam somente o uso da forma monohidratada, considerada a mais estável e de fácil dissolução. A potência ou o teor deve ser indicado em relação à sua forma anidra. [7] [8] [9] [10][12] [13] [14] A denominação cefaclor encontrase registrado na lista de denominação comum brasileira, lista DCB consolidada 2007, com o número código de posição 01824 e CAS 53994733 referente a cefaclor anidra. [11] Nas Farmacopéias também se encontra indexado somente com a denominação cefaclor que engloba .todas as formas de hidratação. [7], [8], [9] [10] [16] [18] Cefaclor também 6 a denominação que se encOntra indexado no INN (International Nonproprietary Names for Pharmaceutical Substances da Organização Mundial da Saúde (WHO). [8]). Observese que a presença da água na estrutura cristalina não se relaciona, conforme leitura de informe técnicos, com a impureza da substância e, com base nesse e outros argumentos, a Recorrente afirma que CEFACLOR referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras ou hidratadas. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000457/200886 Acórdão n.º 3201001.994 S3C2T1 Fl. 99 13 Verificase que não há controvérsia quanto ao fato de haver distinção entre os produtos (na forma anidra e na forma hidratada), chegando a empresa a registrar isto expressamente na fl. 87: “É importante ora firmar, que em momento algum, a IMPUGNANTE afirmou que o CEFACLOR existe tão somente na forma monoidratado”. Na Tarifa Externa Comum, o cefaclor está assim classificado: 2941.90.33 Cefaclor e cefalexina monoidratados, cefalotina sódica Portanto, poderseia deduzir que como a Nomenclatura não faz a distinção, e que o produto químico, em suas formas anidra ou hidratada, não se diferenciam em seus efeitos químicos, que o benefício contemplaria o princípio ativo, indistintamente. Não obstante, como apontou a fiscalização, a cefalexina, que, da mesma forma está classificada na NCM 2941.90.33, é apontada em ambas as versões no Anexo I do Decreto n. 6426/2008: 340 CEFALEXINA 341 CEFALEXINA MONOIDRATADA Aliandose essa informação com o fato de que o CEFACLOR é identificado na classificação farmacológica, em códigos distintos para forma hidratada e anidra, poderia se inferir que o legislador não estendeu o benefício fiscal para o CEFACLOR monoidratado. O fato de a NVE consignar como “CEFACLOR” a sua versão monoidratada, utilizandose do código CAS respectivo, não é suficiente para se constituir uma exegese segundo a qual as normas jurídicas tributárias não distinguiriam o regime jurídico para as diversas formas de apresentação da substância. Isto porque, as NVEs prestamse ao controle estatístico do comércio exterior, não se revestindo do mesmo rigor ao qual devem ser submetidas as normas jurídicas que concedem benefícios fiscais. Postos os argumentos que respaldam os posicionamentos,vêse que a questão é bastante controversa, havendo fundamento para decidir pela extensão ou não do benefício. Contudo, vêse que a própria Administração dá um norte para dirimir a lide, com a edição da Solução de Consulta COSIT n. 75, de 17 de março de 2015 , trata especificamente da redução à zero das alíquotas das contribuições sociais, possuindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Benefício fiscal concedido a um produto químico especificado na forma genérica, pelo ato concedente, aproveita a suas espécies se não houver restrição às espécies derivadas. Nesse sentido, o benefício fiscal concedido ao produto “Cefadroxila” abrange as espécies “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, caso inexista restrição a qualquer espécie derivada. Dispositivos Legais: Decreto nº 5.821, de 2006, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339; e Decreto nº 6.426, de 2008, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 14 Nos fundamentos da decisão, temse: [...] 12. As espécies apresentadas pela consulente como “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, conforme Laudo Técnico abaixo transcrito, são derivadas do gênero Cafadroxila, produto amparado com a redução de alíquota pelo Decreto nº 5.821, de 2006, bem como pelo Decreto nº 6.426, de 2008. O Laudo Técnico juntado ás fls. 126 à 162, diz, “A molécula da Cefadroxila é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresentar várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma hemihidratada”. Os citados Decretos não fazem restrição a qualquer espécie derivada da Cefadroxila na concessão da redução da alíquota. 13. O citado Laudo Técnico constante às fls. 156, da presente consulta responde a pergunta formulada, “in verbis”: “o) Podemos afirmar que CEFADROXIL é um gênero que comporta as espécies CEFADROXIL ANIDRO E CEFADROXIL MONOHIDRATADO ? Resp: SIM” 14. Importante observar que a concessão do benefício fiscal estabelecida pelos Decretos em tela indicou como objeto o produto “Cefadroxila” no item 339, do seu Anexo I, e não vinculou para aplicação da redução da alíquota um código, ou seja, não o restringiu à nomenclatura (NCM ou NVE). 15. Portanto, o benefício da redução prevista no Decreto nº 5.821, de 2006, e posteriormente no Decreto nº 6.426, de 2008, no item 339, do Anexo Único, abrange a Cefadroxila em suas várias formas de cristalização: anidra, monohidratada e hemihidratada. Conclusão 16. O produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Observese que, embora o art.15 da INRFB 1464/2014 estabeleça que o efeito vinculante das soluções de consulta proferidas pela COSIT passam a produzir efeitos para os fatos geradores posteriores à publicação da decisão, e que , a rigor, não se trata do mesmo produto, trata a Solução de Consulta n. 75, de importante orientação da Administração para uma questão extremamente tormentosa. Por essa razão, entendese que se estende para a questão posta nos autos. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000457/200886 Acórdão n.º 3201001.994 S3C2T1 Fl. 100 15 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
score : 1.0
