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Numero do processo: 16004.720220/2016-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se deve conhecer de recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. Caso em que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional.
CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO NORMATIVO.
Não cabe a Autoridades Administrativas apreciar a constitucionalidade de normas regularmente integradas ao ordenamento jurídico, função precípua do Poder Judiciário.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO.
Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais.
PORCENTUAL ABUSIVO DA MULTA APLICADA. APLICAÇÃO INDEVIDA DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DEVIDOS.
Nos termos do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, não compete à Autoridade Administrativa afastar norma sob fundamento de inconstitucionalidade.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
A comprovação de existência de grupo econômico, embora possa ser apta a gerar efeitos nas esferas societária e trabalhista, por exemplo; não pode, isoladamente, gerar efeitos na seara tributária tendo em vista a necessidade de adequação ao tipo legal que, neste caso, determina a existência de interesse comum.
MULTA QUALIFICADA.
A míngua de prova da prática de atos fraudulentos, simulados ou concretizados em conluio com terceiro, nos termos dos arts. 71 a 73, descabe a qualificação da multa de ofício.
DECADÊNCIA NÃO VERIFICADA NO CASO CONCRETO.
Não há decadência do direito de constituir os créditos referentes ao período fiscalizado, pois aos fatos examinados aplica-se o disposto no art. 173, I, do CTN.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ART. 135, III, DO CTN. Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica o administrador por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela comprovação da atividade essencialmente ilícita do empreendimento da fiscalizada, desde que tal atividade tenha contribuído diretamente para a concretização do fato gerador de parte da exigência fiscal.
EQUÍVOCO NO PORCENTUAL ADOTADO PARA O CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL
Não merece prosperar o cálculo efetuado pela fiscalizada com base em Solução de Consulta da DISIT da 10a Região Fiscal, de aplicação exclusivamente interpartes.
Numero da decisão: 1302-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, a) também por unanimidade, em manter a exigência principal; b) por maioria de votos, em afastar a aplicação da multa qualificada, vencidos os conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator) que mantinha integralmente e Maria Lúcia Miceli e Flávio Machado Vilhena Dias que afastavam a qualificação apenas com relação às exigências de IRPJ e CSLL; c) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso do responsável solidário Paulo Roberto Brunetti, quanto à responsabilidade sobre os créditos de IRPJ e CSLL, vencido o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator) que votou por manter o vínculo integralmente; e, d) por unanimidade, em dar provimento aos recursos, para exonerar a responsabilidade dos responsáveis solidários AUN ADM E PLADE, JOEL RIBEIRO DOS REIS, ALEXANDRE BARROS CONSULTORIA TRIBUTARIA- EIRELI, TADEU ASCHENBRENNER, WILSON ROGERIO CONSTANTINOV MARTINS, RASTELLI & ADVOGADOS ASSOCIADOS, KETLIN MARIA DO NASCIMENTO FIG, VALTER FERNANDES DE MELLO, HERMINIO SANCHES FILHO, GUSTAVO MENDES PEQUITO, CESAR SOUSA BOTELHO, FIVE CONSULTORIA-EIRELI-ME, EXACTHUS ASSESSORIA CONTABIL, M. INOUE- CONSULTORIA LTDA-ME, GILBERTO JOSÉ TORRES- ME, QUILES PARTICIPAÇÕES LTDA- ME, JOSEMEIRE MOREIRA, REAL ASSESSORIA LTDA - ME, MARCELO LISCIOTTO ZANIN, GERSON LUIZ LAMB, LOGUS ASSESSORIA CONS TREINAMENTOS E INFORMÁTICA LTDA-ME, BORIM & ASSOCIADOS CONSULTORIA TRIBUTARIA LTDA.-ME, HAMILTON CESAR LEAL DE SOUSA, NILTON DO CARMO CHAGAS, HMP X, MAURO SÉRGIO THOME, AP CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDA-ME, LEANDRO ANTUNES ZERATI, UDELCIO DEMCZUK, BARROS & ROSSI ASSESSORIA CONTABIL LTDA-ME, TOTAL CONSULTORIA LTDA ME, VICENTE LAURIANO FILHO, MC RIO PRETO PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA-ME, EDU MARIANO DE SOUZA JUNIOR, MARCOS ANTONIO CAVILHA, KELLY CRISTINA ATHAYDE, SP CONSULT SÃO PAULO CONSULTORES ASSOSSIADOS LTDA, DIAGRAMA PLANEJAMENTO E CONSULTORIA LTDA e EFRATA CONSULTORIA JURÍDICA E TRIBUTARIA LTDA, votando pelas conclusões do relator, quanto a este ponto, os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se deve conhecer de recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. Caso em que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO NORMATIVO. Não cabe a Autoridades Administrativas apreciar a constitucionalidade de normas regularmente integradas ao ordenamento jurídico, função precípua do Poder Judiciário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais. PORCENTUAL ABUSIVO DA MULTA APLICADA. APLICAÇÃO INDEVIDA DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DEVIDOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 20 /2 01 6- 29 Fl. 31235DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.236 2 Nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não compete à Autoridade Administrativa afastar norma sob fundamento de inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. A comprovação de existência de grupo econômico, embora possa ser apta a gerar efeitos nas esferas societária e trabalhista, por exemplo; não pode, isoladamente, gerar efeitos na seara tributária tendo em vista a necessidade de adequação ao tipo legal que, neste caso, determina a existência de interesse comum. MULTA QUALIFICADA. A míngua de prova da prática de atos fraudulentos, simulados ou concretizados em conluio com terceiro, nos termos dos arts. 71 a 73, descabe a qualificação da multa de ofício. DECADÊNCIA NÃO VERIFICADA NO CASO CONCRETO. Não há decadência do direito de constituir os créditos referentes ao período fiscalizado, pois aos fatos examinados aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ART. 135, III, DO CTN. Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica o administrador por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela comprovação da atividade essencialmente ilícita do empreendimento da fiscalizada, desde que tal atividade tenha contribuído diretamente para a concretização do fato gerador de parte da exigência fiscal. EQUÍVOCO NO PORCENTUAL ADOTADO PARA O CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL Não merece prosperar o cálculo efetuado pela fiscalizada com base em Solução de Consulta da DISIT da 10a Região Fiscal, de aplicação exclusivamente interpartes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, a) também por unanimidade, em manter a exigência principal; b) por maioria de votos, em afastar a aplicação da multa qualificada, vencidos os conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator) que mantinha integralmente e Maria Lúcia Miceli e Flávio Machado Vilhena Dias que afastavam a qualificação apenas com relação às exigências de IRPJ e CSLL; c) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso do responsável solidário Paulo Roberto Brunetti, quanto à responsabilidade sobre os créditos de IRPJ e CSLL, vencido o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator) que votou por manter o vínculo integralmente; e, d) por unanimidade, em dar provimento aos recursos, para exonerar a responsabilidade dos responsáveis solidários AUN ADM E PLADE, JOEL RIBEIRO DOS REIS, ALEXANDRE BARROS CONSULTORIA TRIBUTARIA EIRELI, TADEU ASCHENBRENNER, WILSON ROGERIO CONSTANTINOV MARTINS, RASTELLI & ADVOGADOS ASSOCIADOS, KETLIN MARIA DO NASCIMENTO FIG, VALTER FERNANDES DE MELLO, HERMINIO SANCHES FILHO, GUSTAVO MENDES PEQUITO, CESAR SOUSA BOTELHO, FIVE CONSULTORIAEIRELIME, EXACTHUS ASSESSORIA CONTABIL, M. INOUE CONSULTORIA LTDAME, GILBERTO JOSÉ TORRES ME, QUILES PARTICIPAÇÕES LTDA ME, JOSEMEIRE MOREIRA, REAL ASSESSORIA LTDA ME, MARCELO LISCIOTTO ZANIN, GERSON LUIZ LAMB, LOGUS ASSESSORIA CONS TREINAMENTOS E Fl. 31236DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.237 3 INFORMÁTICA LTDAME, BORIM & ASSOCIADOS CONSULTORIA TRIBUTARIA LTDA.ME, HAMILTON CESAR LEAL DE SOUSA, NILTON DO CARMO CHAGAS, HMP X, MAURO SÉRGIO THOME, AP CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDAME, LEANDRO ANTUNES ZERATI, UDELCIO DEMCZUK, BARROS & ROSSI ASSESSORIA CONTABIL LTDAME, TOTAL CONSULTORIA LTDA ME, VICENTE LAURIANO FILHO, MC RIO PRETO PROCESSAMENTO DE DADOS LTDAME, EDU MARIANO DE SOUZA JUNIOR, MARCOS ANTONIO CAVILHA, KELLY CRISTINA ATHAYDE, SP CONSULT SÃO PAULO CONSULTORES ASSOSSIADOS LTDA, DIAGRAMA PLANEJAMENTO E CONSULTORIA LTDA e EFRATA CONSULTORIA JURÍDICA E TRIBUTARIA LTDA, votando pelas conclusões do relator, quanto a este ponto, os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ, complementandoo ao final: Tratase de autos de infração, às fls. 17.71417.883, lavrados para exigir de LANCE CONSULTORIA EMPREENDIMENTOS E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI, do titular da entidade, senhor Paulo Roberto Brunetti, e de mais 69 pessoas físicas e jurídicas às quais foi atribuída responsabilidade passiva solidária, crédito tributário total de R$ 25.358.869,27, cf. discriminado abaixo, em razão de haverem sido apuradas: a) aplicação indevida do percentual de determinação do lucro presumido do IRPJ e da Base de Cálculo Presumida da CSLL, no anocalendário de 2012; e b) pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, nos anoscalendário de 2011 e de 2012. Fl. 31237DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.238 4 2. A Fiscalização, informa, no Temo de Descrição dos Fatos, lavrado em 08/10/2016, às fls. 17.55717.655 dos autos do processo, que o objetivo social da fiscalizada, até 08/02/2010, era a impressão de material para uso publicitário, tratamento de dados, provedores de serviço de aplicação e serviços de hospedagem na internet, atividades de cobrança e informações cadastrais e que, a partir de 09/02/2010, passou a ser: outras atividades de serviços financeiros não especificados anteriormente. 3. Acrescenta que o titular da entidade, senhor Paulo Roberto Brunetti, em concurso com outras pessoas fisicas e jurídicas, utiliza se da Lance para alienar a terceiros Títulos da Dívida Pública — TDP, do início do século XX, com o propósito de os adquirentes — devedores da Fazenda Pública — liquidarem débitos tributários constituídos, valendose de "créditos podres". 4.Informa a Autoridade Fiscal a quo: Para se ter uma ideia do montante arrecadado nas vendas de créditos atrelados a títulos públicos antigos, a Lance/Consutec teve movimentação bancária a crédito de quase R$ 140 milhões de reais de 2008 a 2013. Declarou receita bruta em torno de R$ 120 milhões, acarretando o reconhecimento (confissão) de débitos de tributos e contribuições em mais de R$ 29 milhões (atualizados) (Vinte e nove milhões de reais). Destes milhões confessados, recolheu apenas 274 mil reais. (...) PRB [Paulo Roberto Brunetti] obtinha a cártula, relativa ao título, conseguia "laudo pericial" de autenticidade duvidosa. Providenciava também o valor atualizado do título em montante astronômico, por meio de laudos de avaliação, emitidos com amparo em premissas falsas aplicadas a partir de sua emissão, considerando o seu valor de face. Para ter noção dos valores cedidos ou vendidos, firmou cerca de 400 contratos de cessão de direitos sobre títulos prescritos, ilíquidos e/ou imprestáveis, cujos montantes negociados com os adquirentes ultrapassou a cifra de 2 bilhões de reais. 5.. Ao investigar as atividades da Lance, a Fiscalização apurou as seguintes infrações à legislação tributária: Fl. 31238DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.239 5 · aplicação indevida do percentual de determinação do lucro presumido (8% em vez de 32%,) e da CSLL (12% em vez de 32%,), no anocalendário de 2012. · pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou pagamentos sem causa, ensejadores da constituição de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, nos termos do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, em razão de 606 lançamentos a débito em contas bancárias da entidade no total de R$ 107.573.347,23, realizados no período entre 01/01/2009 e 31/12/2012. Tais lançamentos encontramse discriminados em tabela às fls. 17.56517.611 do feito. Aplicação de porcentual incorreto 6. No que diz respeito à primeira infração, a Autoridade Fiscal a quo destaca que, no anocalendário de 2011, a contribuinte ofereceu suas receitas a tributação sob o percentual de 32%, cf. DIPJ às fls. 730; entretanto, modificou os porcentuais para 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) no anocalendário de 2012. 7.Os dispositivos que regem a matéria são o art. 15, §10, III, ‘c', da Lei n° 9.249, de 1995 para o IRPJ e art. 20 do mesmo diploma legal para a CSLL; ambos estipulam o porcentual de 32% para se chegar a base de cálculo dos tributos. 8. Informa, em seguida, que intimou 69 intermediários — mais tarde responsabilizados solidariamente pelos créditos tributários — a justificar os porcentuais adotados; a grande maioria se baseou na Solução de Consulta COSIT n° 177 de 26/12/2012, publicada em 25/02/2013, (na verdade tratase da Solução de Consulta SRRF 10/DISIT n° 177) segundo a qual os valores obtidos referentes à cessão de precatórios adquiridos de terceiros configurariam receita bruta de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido cujo objeto social fosse transacionar créditos judiciais e, nesses casos, a base de cálculo do IRPJ deveria ser apurada com a utilização do percentual de presunção de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. 9. A Fiscalização se antecipa em rebater essa argumentação com fundamento no art. 100 da Constituição em vigor que exige a prolação de sentença judicial para assegurar o registro de precatório. Nos casos analisados, tais sentenças não existem e repisa que a cessão de direitos dos supostos créditos são a fonte de receita para a fiscalizada. 10. Destaca, por fim, que a Solução de Consulta COSIT n° 223, de 14/08/2014, esclarece que, para a atividade da contribuinte e seus agregados, o porcentual a ser empregado é de 32%. Pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado Fl. 31239DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.240 6 11. Autoridade Fiscal a quo esclarece que já no Termo de Intimação n° 5, recebido em 05/07/2013, requisitou que fossem apresentadas explicações concernentes a 606 lançamentos a débito na conta bancária da fiscalizada no montante de R$ 107.573.347,23, no período entre 01/01/2009 e 31/12/2012. Adiante, na Intimação n°07, recebida em 11/11/2013, foram solicitados esclarecimentos referentes a 2.995 lançamentos a débito totalizando R$ 24.886.323,31. Seguiramse novas intimações, solicitando diversos esclarecimentos a respeito dos débitos, quais sejam as de n° 12, 13, 17, 19, 20, 21, 22 e 23, às fls. 535544, 589600, 647804 e 887, 11071115, 12171220, 12331236, 11.07011.141 respectivamente. 12. No período investigado, apurou que a contribuinte não confessou em DCTF, nem recolheu qualquer valor associado a IRRF. 13. As respostas apresentadas por Lance/Consutec ultrapassaram 7.700 registros e excederam a cifra de R$ 112 milhões, por esse motivo, foram organizadas notas explicativas minuciosas para a tabela juntada às fls. 17.65617.713 do feito, que consolida toda a apuração realizada pela Autoridade Fiscal a quo sobre eventos fáticos não esclarecidos pela fiscalizada no curso da Ação Fiscal. 14. O fundamento legal da exação, segundo a Fiscalização, encontra se no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, que determina a incidência de IRRF à alíquota de 35% a todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa demonstrada. Imputação de Responsabilidade Tributária Paulo Roberto Brunetti 15. Informa a Fiscalização: [grifouse] A partir da Intimação Fiscal n° 16 de 13/04/2015, passamos a efetuar duas intimações idênticas, contendo após seu número, as alíneas "A" e "B": "A": endereçada para o domicílio efetivo do contribuinte, cujo endereço é o escritório de Advocacia Paulo Brunetti & Advogados Associados, CNPJ 08.215.053/000131 e; "B": para o endereço de uma sala situada na cidade de São Paulo, cujo representante legal insiste em identificálo como domicílio fiscal da fiscalizada. Foi a única forma de proporcionar ciência aos RL da fiscalizada, tendo em vista que as correspondências encaminhadas ao domicílio fiscal declarado de oficio são rejeitados pelos recebedores. 16. Por fim, o domicílio da contribuinte foi alterado de oficio para o escritório de advocacia do titular da entidade, por meio de procedimento tratado no PAF n° 16004.720242/201427, no qual consta impugnação oferecida contra a decisão da Administração Tributária, bem como o julgamento que confirmou a alteração do domicílio que transitou em julgado em sede administrativa em 06/2016. Fl. 31240DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.241 7 17. Foi imputada responsabilidade ao senhor Paulo Roberto Brunetti, em razão de atos praticados com excesso de poderes ou infração a lei no comando da entidade cf. estatui o art. 135, III, da Lei n° 5172/66, o Código Tributário Nacional CTN, porque a despeito de assumir o comando da fiscalizada em 26/05/2011, ele era, segundo a Fiscalização, o dirigente de fato da entidade desde 13/07/2006. 18. Informa a Autoridade Fiscal: A despeito do constante no Contrato Social (fls. 10948/10952), demonstraremos com provas robustas que Paulo Roberto Brunetti é o proprietário de fato, com poderes de administração da empresa, há pelo menos dez anos, ou desde que os senhores Carlos Alberto Brunetti e Valdeir Dias do Prado "teriam" adquirido cotas da empresa em 13/07/2006. (..) Paulo Roberto Brunetti é o idealizador das fraudes que culminaram na percepção das receitas de Lance/Consutec. É o operador do direito que sempre figurou como o advogado das partes das dezenas de processos de execução de títulos em face da União. Conforme pode ser verificado, anexamos (Fls. 11036), telas de dez processos dos mais de trinta protocolizados por PRB na Justiça Federal/DF Em todos se verifica a atuação de Paulo Roberto Brunetti como advogados dos autores. 19.Outros sócios que sucederam o irmão do senhor Paulo Roberto Brunetti, Carlos Alberto Brunetti, e o senhor Valdeir Ramos, irmão do sócio de Paulo Roberto Brunetti em seu escritório de advocacia, assim como eles, não dispunham de capacidade empresarial e também estavam envolvidos com a fraude, a ponto de um deles: Geraldo Povoas, chegar a ser preso pela Polícia Federal por ser sócio de uma entidade de fachada, podendo até mesmo ser caracterizado como um "laranja profissional". 20.Em reforço aos argumentos de incapacidade técnica, acrescenta a Fiscalização que há uma procuração pública por meio da qual a contribuinte concedeu, ainda em 23/02/2010, poderes ilimitados ao senhor Brunetti, juntada à fl. 11.048. Por fim arremata afirmando que o senhor Brunetti deixou de cumprir obrigações acessórias sendo responsabilizado também por esse motivo. Pessoas que efetuaram intermediação de negócios nas vendas ou cessões de TDP 21. Além do senhor Brunetti, foi imputada responsabilidade passiva solidária a outras 69 pessoas físicas e jurídicas que intermediaram títulos em parceria com a fiscalizada, cujos valores representaram parte das receitas da atividade desta, cf. indicado na tabela abaixo. Fl. 31241DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.242 8 Fl. 31242DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.243 9 Antes de mencionar os elementos que a levaram a autuar as demais 69 pessoas físicas e jurídicas, a Autoridade Fiscal a quo descreve ainda uma vez o esquema fraudulento de venda de Títulos da Dívida Pública — TDP encabeçado pela fiscalizada Lance e seu titular, verbatim: [Grifouse] No período de 2006 a 2012, o mentor intelectual de fraudes tributárias Paulo Roberto Brunetti e vendedores, acordados entre si de maneira estável e permanente, induziram seus clientes representantes de pessoas jurídicas a adquirirem supostos créditos exequendos contra a União Federal, fundados em títulos da dívida externa brasileira prescritos ou sem valor, e utilizaremnos indevidamente para suspensão da exigibilidade de tributos fazendários federais e compensação de contribuições sociais previdenciárias. Primeiramente, Brunetti e parceiros associados incitaram seus clientes pessoas jurídicas a adquirirem supostos créditos Lastreados em títulos da dívida pública emitidos no início do século XX da empresa Lance/Consutec, atualizados monetariamente em valores exorbitantes para incluílos no polo ativo de ações de execução contra a União Federal, propostas em varas da Seção Judiciária do Distrito Federal (Fls. 10.969). Em seguida, após levarem essas pessoas jurídicas ao polo ativo das ações executivas, Brunetti, patrono da maior parte delas, e demais associados, induziram seus clientes a inserirem a falsa informação de exigibilidade suspensa dos tributos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) e DASN (Declaração Anual do Simples Nacional) por forca de supostas decisões proferidas nas citadas ações e/ou por supostos depósitos no montante integral. Entretanto, essas ações não tratam de matéria tributária e os depósitos foram efetivamente efetuados no montante irrisório de dez ou quinze reais, por tributo por período de apuração, recolhidos por meio de documento de arrecadação oficial, a fim de passar a falsa ideia de atender as condições necessárias para a suspensão da exigibilidade prevista no art. 151 do Código Tributário Nacional. Ressaltese que, de início, alguns clientes levaram ao conhecimento do Judiciário as cobranças efetivadas pela Receita Federal, mediante a impetração de mandados de segurança, solicitando a suspensão da exigibilidade, tendo em vista a apresentação de manifestações de inconformidade, estavam sob o manto do Decreto 70.235/72. Não só a tese foi rechaçada como o Judiciário aplicou multas por litigância de máfé superiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), conforme processos 000506355.2011.4.05.8500, 0005064 40.2011.4.05.8500, 000506525.2011.4.05.8500,0005067 922011.405.85000, 000506877.2011.4.05.8500,0005066 10.2011.4.05.8500. No caso da GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), ou seja, da declaração Fl. 31243DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.244 10 das contribuições sociais previdenciárias, as entidades foram induzidas a inserir um valor no campo "Compensação" suficiente para zerar os valores a pagar da contribuição previdenciária referente à parte patronal. Por intermédio desses procedimentos fraudulentos, o empresário obtém a suspensão temporária da exigibilidade do seu débito fiscal até que seja constatada a irregularidade pela autoridade tributária. Enquanto isso, consegue emitir certidões de regularidade fiscal via Internet e beneficiarse da contagem do prazo prescricional referente à extinção do crédito tributário. Importante esclarecer que os títulos públicos objeto do litígio contra a União Federal foram considerados prescritos em todas as ações de execução julgadas até apresente data (Fls. 10.999). Além disso, consta em sentenças proferidas que o Ministério Público Federal suspeita "que o material probatório anexado à inicial obedece a um padrão, que permite a sua aplicação em distintos processos". (sentença proferida em 17.07.2013 no processo n. 1566323.2011.4.01.3400). Simultaneamente, partir do segundo semestre de 2012, em função de medidas adotadas pela Receita Federal do Brasil (RFB) para coibir essa fraude, observouse mudança no modus operandi adotado pelo mentor intelectual de fraudes tributárias e seus associados, utilizandose de outras empresas e parceiros para as celebrações dos contratos, os quais estão sendo apurados em outros procedimentos fiscais. 23. Em seguida a Autoridade Fiscal a quo remete aos Processos Administrativos Fiscais — PAF n° 16004.720566/201201 e 16004.720241/201482, igualmente julgados por esta 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR, para esclarecer que, entre 2008 e meados de 2010, a fiscalizada não se valia de Sociedades em Conta de Participação — SCP, desse modo: Na auditoria fiscal, em face dos pagamentos de comissões a tais vendedores, ficou constatado ter havido a subsunção descrita no parágrafo primeiro do artigo 61 da Lei 8981/95, o qual estabelece que estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todos os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros pela pessoa jurídica, quando não comprovada a sua causa. Esclareçase que a falta de liame objetivo entre os pagamentos aos corretores e as celebrações contratuais das vendas, os quais não preveem as intermediações (Vide contratos de fls. 11147 a 12949) Naqueles dias, como poderiam os representantes legais da Lance/Consutec justificar tais pagamentos? Já que não havia relação negocial entre eles. A consequência foi o lançamento Fl. 31244DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.245 11 sobre todos os pagamentos a tais intermediários, pelos motivos mencionados. 24. A partir do anocalendário de 2010, porém, a situação se modificou, os responsáveis engendraram um artificio para tentar impedir os lançamentos que constituíam créditos tributários contra a fiscalizada; passaram a constituir Sociedades em Conta de Participação — SCP entre os intermediários vendedores dos títulos (na condição de sócios participantes) e a fiscalizada (na condição de sócia ostensiva). Nessas circunstâncias, destaca a Autoridade Fiscal a quo: [Grifouse] (.) o capital integralizado, para todos os contratos de SCP é de apenas R$ 1.000,00 para as duas partes, nos mesmos descrevese que os valores já foram totalmente integralizados. A quase totalidade das SCP foram assinados no início de 2011 ou durante 2010. Não há registro contábil, para os Contratos até 31/12/2010, pois a fiscalizada se auto arbitrou, não apresentando comprovação de tais integralizações. Para os contratos pós 01/2011, verificando os lançamentos da Lance/Consutec, não se identifica lançamentos demonstrando as integralizações, tampouco saldo de contas exprimindo as integralizações das centenas de Sociedades em conta de participação (Fls. 13156/13856). Intimada Lance/Consutec em 15/09/2016 (Fls. 11060), para o atendimento aos requisitos dispostos na IN (RFB) 179/87, para a apresentação da escrituração das operações das SCP, nada foi apresentado. 25. Acrescenta que, entre 2010 e 2014, foram celebrados mais de 400 contratos de SCP com mais de noventa vendedores e distribuídos, a título de comissões, "mais de quarenta e seis milhões de reais", entre 2011 e 2012. 26. Sustenta que tais arranjos societários não estavam de acordo com a lei, porque, depois de intimar os sócios participantes, obteve informações frágeis sobre os negócios entabulados. Ademais, dada a ilicitude do negócio subjacente — a negociação de TDP vencidos —, os contratos de SCP seriam nulos nos termos do art. 104 do Código Civil, Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que disciplina a validade dos negócios jurídicos. 27. Sobre o contrato de cessão propriamente dito, a Autoridade Fiscal, depois de mencionar o objeto envolvendo TDP, conclui: Portanto, é cristalino que, à luz da legislação, exigese que, para que eventuais adquirentes de tais "direitos", levassem seus créditos à compensação com os débitos tributários, necessária e imprescindível o trânsito em julgado. Evidentemente não está a dizerse aqui que aos contratantes é vedada a atividade de comercializar, ceder, vender, comprar Fl. 31245DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.246 12 eventuais "direitos" que entendam ter valoração no mundo das coisas. O que é vedado aos contraentes celebrar pactos com ofensas a lei, o que neste caso é patente e inquestionável. Tanto é verdadeiro, que houve condenação pelo do Juiz da primeira vara cível desta cidade Rio Preto (Processo n° 400724816.2013.8.26.0576), em face de Lance/Consutec e Paulo Roberto Brunetti em mais de 18,5 milhões a título de danos materiais e morais em virtude da cessão de títulos podres à Unimed do Centrooeste e Tocantins, conforme fls. 11033. Em Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa, processo 000259839.2012.4.05.8500, que tramita na Justiça Federal em Sergipe, Paulo Roberto Brunetti foi condenado a ressarcir o valor de R$ 3.033.611,35 (três milhões, trinta e três mil e seiscentos e onze reais e trinta e cinco centavos), por ter vendido créditos "podres" à Prefeitura de Muribeca (SE) com o intuito de compensar contribuições previdenciárias referente às cotas patronal e dos segurados. Paulo Roberto Brunetti foi também condenado a mais de quatro anos de prisão em ação penal, processo n° 0003827 97.2013.4.05.8500, por pratica do crime de responsabilidade em conjunto com a prefeita de Muribeca. Na sentença restou demonstrado que o advogado orquestrou e executou a fraude tributária (Fls. 12950). Portanto as comprovações de fartas provas materiais demonstram inequivocamente que: O grupo de fraudadores reuniuse com o propósito de oferecimento a empresários de pretensos direitos, sem que tivesse havido a chancela do poder judiciário, reconhecendo a pretensão deduzida em juízo; A lei proíbe relação contratual que celebre direitos e obrigações baseados em apenas pretensões sobre direitos em face da União, sem que tenha havido o transito em julgado, visando compensação com tributos federais; Consequência do não atendimento aos princípios contratuais, que tais contratos são considerados nulos; Com base no que foi exposto no presente item, sobre a sujeição passiva solidária, não há qualquer proteção jurídica aos vendedores dos títulos, em vista da nulidade absoluta dos contratos de SCP, cujas receitas obtidas motivaram a constituição das infrações dos presentes autos. 28. O fundamento legal da imputação de responsabilidade solidária foi o art. 124, I, do CTN, a respeito do qual a Autoridade Fiscal sustenta: Fl. 31246DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.247 13 (..) sem se falar em fraude, (..) por força da nulidade absoluta dos contratos de SCP ilegais, tais vendedores amoldamse com o interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador, acarreta a responsabilidade solidária, porque tais comissionados envolveramse na prática da atividade tipificada pela norma tributária (ajudaram a vender os títulos e foram regiamente pagos pelo trabalho). (..) pressupõe ter havido fraude ou conluio, em face dos adquirentes e fazenda pública. Doutrina e Jurisprudência declaram ser pacífica a responsabilidade tributária. Multa qualificada 29. Em face da ilicitude intrínseca dos negócios do grupo de entidades envolvidos, a multa foi qualificada no caso concreto nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c o art. 71 (sonegação) da Lei n° 4.502, de 1964 30. Informa, por fim, a Autoridade Fiscal a quo sobre os pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa: [Grifouse] (..) também se constata nos autos de infração contidos nos processos administrativos 16004.720566/201201 e 16004.7202412/201482. Nos autos presentes, não se comprova saídas de recursos da empresa, em quase mil lançamentos, cujo montante ultrapassa 10 milhões de reais. A intenção de subtrair recursos da fiscalizada se agrava, principalmente pelo fato de que a empresa é devedora à Fazenda Pública Federal em quase trinta milhões (débitos atualizados) e que ela, tampouco o sócio de fato não possui bens a fim de satisfazerem os débitos tributários. 31. Antecipase ainda em afastar alegações de decadência argumentando que o dolo antes atrai a aplicação do art. 173, I do CTN. Representação Fiscal para fins Penais 32. Foi elaborada representação fiscal para fins penais, "em face de tais pessoas ou representantes legais, em cumprimento ao disposto no Decreto n.° 2.730, de 19 de agosto de 1998 e Portaria SRF n°2439/2010". Ciência e Impugnação 33. A contribuinte foi intimada em 14/10/2016, cf. cópia de Aviso de Recebimento — AR à fl. 18.154 e apresentou sua impugnação em 14/11/2016 a qual foi juntada às fls. 19.10119.139 dos autos. 34. O senhor Paulo Roberto Brunetti, titular da EIRELI, a quem foi imputada responsabilidade tributária foi intimado em 13/10/2016, cf. Fl. 31247DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.248 14 AR à fl. 18.166 e apresentou impugnação em 11/11/2016, que foi juntada ao feito às fls. 20.01020.025. 35. As demais 69 pessoas físicas e jurídicas imputadas foram intimadas nas datas indicadas às fls. 1 8.1041 8.265. 36. A tabela a seguir indica as pessoas imputadas que não apresentaram impugnação, cuja revelia foi declarada pela Autoridade Preparadora, nos termos do art. 21 do Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972. 37. Finalmente, a sociedade empresária Igaratec apresentou impugnação intempestividade, cf. indicado na tabela abaixo. Impugnação de LANCE CONSULTORIA EMPREENDIMENTOS E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI Descrição dos Fatos Fl. 31248DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.249 15 38. A impugnante informa que sua atividade econômica principal — CNAE 66.19399 — Outras atividades auxiliares dos serviços financeiros não especificadas anteriormente consiste na cessão de créditos judiciais (títulos públicos externos) que dependem de execuções contra a Fazenda Nacional e são negociados de acordo com o DecretoLei n° 6.019, de 1943. 39. A Autoridade Fiscal aponta a ocorrência de duas infrações à legislação tributária: a) aplicação indevida de percentual de determinação do lucro presumido, 8% em vez de 32% no caso do IRPJ e também 12% em vez de 32% no da CSLL; e b) exação de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF referente a pagamentos a beneficiários não identificados ou a pagamentos sem causa. 40. A Fiscalização desconsiderou os contratos de SCP celebrados pela impugnante, na posição de sócia ostensiva, com parceiros comerciais, que ocupavam a posição de sócios participantes. Dada a suposta existência de fraude, foi aplicado ao caso o art. 173, I, do CTN e qualificada a multa de ofício. 41. Houve ainda Representação Fiscal para Fins Penais, em virtude de supostas práticas que configurariam crime contra a ordem tributária. Questões preliminares Duração exagerada da Fiscalização 42. Restaria extrapolado o tempo razoável do processo, previsto pelo art.5º LXVIII, da Constituição em vigor c/c art. 196 do CTN, porque a impugnante permaneceu submetida a procedimento fiscalizatório por mais de cinco anos, dado que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal — TDPF n° 08.1.90.002011.021356 foi emitido em 22/06/2011. Sobre o assunto, traz ao feito notável jurisprudência. Decadência parcial do crédito tributário 43. Os créditos tributários em tela — argumenta — envolvem tributos sujeitos à modalidade do lançamento por homologação; nesse regime, o art. 150 do CTN obriga o sujeito passivo a antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da Autoridade Administrativa qual posteriormente o homologará. Nos termos do §4° do mesmo dispositivo, determinase que, caso a lei não fixe prazo outro para essa homologação, ele será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 44 . Apenas em casos de fraude seria possível cogitar a regra estipulada pelo art. 173 do mesmo diploma legal, que também estabelece prazo de cinco anos, porém contado a partir do primeiro Fl. 31249DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.250 16 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 45. No caso concreto, sustenta: (..) a Impugnante é pessoa jurídica que figura como sócia ostensiva de SCP. Por meio dos contratos de SCP celebrados, a Impugnante, atuando como sócia ostensiva, efetua a cessão dos direitos creditórios (..)aos cessionários, por meio do devido contrato de cessão de direito, e recebe as quantias pagas pela cessão dos créditos judiciais (..) A receita destas cessões dos créditos judiciais (..), o que corresponde à atividade principal da Impugnante, é devidamente dividida (divisão de lucros) entre a Impugnante e os demais sócios participantes da SCP. Pois então, a parcela que cabe à Impugnante, repitase, na figura de sócia ostensiva, é devidamente submetida à tributação pelo IRPJ/CSLL sob o regime do lucro presumido. Por sua vez, como já dito, a outra parcela é repassada pela Impugnante aos seus sócios participantes na SCP. Foram justamente esses pagamentos (devidamente registrados e comprovados documentalmente pela Impugnante durante todo o procedimento fiscalizatório) é que foram apontados pela Fiscalização como sendo feitos a beneficiários não identificados e por isso indevidamente submetidos ao lançamento de oficio do IRRF (35%) pela Fiscalização. Ocorre que, como fica muito bem demonstrado pela Impugnante no Relatório de Arrecadações via DARFs (sob todos os códigos de receita) (doc.03), documento este emitido pela própria Receita Federal. Como se nota, nos anos fiscalizados (AC 2011 e 2012) constam diversos recolhimentos a título de IRRF (código 1708). Desta feita, uma vez que há o efetivo recolhimento do IRRF, mesmo que eventualmente a menor, o prazo decadencial aplicável é aquele previsto especificamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, isto é, o do art. 150, §4°, do CT1V. 46. Traz ao feito importante jurisprudência judicial e administrativa sobre a matéria decadência. Percentual de Presunção do IRPJ e da CSLL no regime do lucro presumido 47. Inicialmente, a contribuinte descreve a legislação de regência, a saber, o art. 15 da Lei n°9.249, de 1995, reproduzido abaixo, que estabelece um porcentual de 8% para a determinação da base de cálculo do IRPJ na modalidade do lucro presumido e, em seus parágrafos, dispõe sobre exceções que se sujeitam a outros percentuais. Fl. 31250DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.251 17 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei n° 12.973, de 2014) (Vigência) 48. No caso da CSLL — acrescenta — o porcentual correspondente é o de 12% nos termos do art. 22 da Lei n.° 10.684, de 2003, que alterou a redação do art. 20 da Lei no 9.249/99. 49. Traz ao conhecimento o teor da solução de consulta — Solução de Consulta n° 177, de 2012 — que responde a indagação de qual o porcentual deveria ser aplicado no caso de entidades cuja atividade principal fosse a cessão de direitos creditórios ou precatórios adquiridos de terceiros. Segundo a Administração Tributária, deveriam ser aplicados os percentuais de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. [Grifouse] Solução de Consulta n° 1 77, de 26 de dezembro de 2012 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Os valores obtidos referentes à cessão de precatórios adquiridos de terceiros configuram receita bruta de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido cujo objeto social é transacionar esses créditos judiciais. A base de cálculo do IRPJ deve ser apurada com a utilização do percentual de presunção de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta. (..) Os valores obtidos referentes à cessão de precatórios adquiridos de terceiros configuram receita bruta de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido cujo objeto social é transacionar esses créditos judiciais. A base de cálculo da CSLL deve ser apurada com a utilização do percentual de presunção de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta. 50. Argumenta que a Solução de Consulta referida vincula apenas a parte que a formulou, contudo, acrescenta: “ o entendimento nelas exarado sem sombra de dúvidas servem (sic) como verdadeiras nortes a serem seguidos pelos demais contribuintes que se encontrem em idêntica situação fálica e de direito". Fl. 31251DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.252 18 51. Reconhece que o entendimento sobre a matéria foi alterado em 2014, por meio da Solução de Consulta COSIT nº 223, de 2014 que abordou precisamente o entendimento anteriormente fixado na referida Solução de Consulta n° 177, de 2012, entretanto, afirma que não é cabível a retroação in pejus no caso em tela tendo em vista a data de ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, e mesmo porque, nos termos do art. 100 do Decreto 7.574, de 2011, alterações sobre entendimentos antes firmados atingirão apenas fatos geradores posteriores à ciência do consulente. Regra com a mesma essência se verifica no art. 146 do CTN. 52. Recorre ainda ao art. 9º da IN RFB nº 1.396, de 2013, segundo o qual, as soluções de Consulta da COSIT têm efeito vinculante no âmbito da RFB a partir da data de sua publicação e respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser ele o consulente, "desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento". 53. No que diz respeito a essa discussão acrescenta a mudança de posição somente foi tomada em 14.08.2014, o que a leva a concluir: Assim, o entendimento fixado pela COSIT em Solução de Consulta vincula não somente a consulente, mas também os demais contribuintes que se encontrem em situação idêntica. Tal vinculação ocorre, contudo, a partir da publicação da respectiva Resposta. Assim, o entendimento fixado pela COSIT em Solução de Consulta vincula não somente a consulente, mas também os demais contribuintes que se encontrem em situação idêntica. Tal vinculação ocorre, contudo, a partir da publicação da respectiva Resposta. 54. Como o lançamento se baseou nesse segundo entendimento, arremata afirmando que, em relação ao percentual aplicável nas atividades da impugnante, no ano calendário de 2012, a Autoridade Fiscal a quo não pode se valer de entendimento exarado pela COSIT no ano de 2014 e que só se tornou vinculante a partir de 14.08.2014. Pagamentos realizados a beneficiários não identificados 55. Afirma a contribuinte que os créditos judiciais que se encontram no fundo de toda a exação são provenientes da dívida pública externa emitida em libras esterlinas. A matéria é disciplinada pelo Decreto Lei n° 6.019, de 1943, e os títulos negociados são reconhecidos como válidos pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central do Brasil. 56. Para destacar a plena validade dos créditos judiciais de que era detentora nos anoscalendário de 2011 e 2012, a impugnante pretendeu juntar aos autos, às fls. 19.14219.277, diversos documentos, como cópias de correspondências eletrônicas e notas da Secretaria do Tesouro Nacional e do Banco Central do Brasil sobre os títulos discutidos, além de cópias de legislação, pareceres de especialistas e certidões de pé sobre processos em tela. Tal intento, Fl. 31252DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.253 19 contudo, foi frustrado porque o conteúdo das folhas 19.14219.209 foi repetido às fls. 19.21019.277, como se verá adiante neste relatório. 57. No corpo da impugnação, esclarece que, no modelo de negócio adotado, figurava como sócia ostensiva de contratos de SCP e, assim, assumia toda a responsabilidade perante os cessionários dos TDP. Depois da conclusão dos negócios de cessão angariados pelos sócios participantes, as receitas assim auferidas eram divididas entre a Lance e seus parceiros de acordo com a participação de cada um nos termos de cada contrato de SCP específico. 58. Argumenta que, a despeito de toda a documentação apresentada durante Ação Fiscal, a Fiscalização considerou que esses pagamentos eram sem causa ou a beneficiários não identificados. Acrescenta que tais pagamentos nunca foram ocultados, e tanto isso é verdade que os beneficiários foram identificados pela Autoridade Fiscal para fins de imputação de responsabilidade solidária. 59. O mesmo se aplica, segundo a impugnante, aos demais pagamentos efetuados a terceiros que não os sócios participantes da SCP. Insiste que todos foram identificados, razão pela qual requer que: (..) sejam aplicados o percentual quanto às saídas/pagamentos as pessoas jurídicas o percentual de 1,5% (IRRF) e para as pessoas físicas a tabela progressiva de (7,5% a 27,5%) se for o caso. Desta feita, não sendo possível se sustentar neste ponto, haja vista a perfeita identificação dos pagamentos feitos com base nos contratos de SCP (vide exemplo contido no doc. 05), a autuação busca se apegar na suposta invalidade ou, como prefere, na "podridão" dos títulos negociados. (..) Ora, a suposta invalidade dos títulos (a qual, frisese, sequer foi comprovada pela Fiscalização) é irrelevante para o curso do processo administrativo e, sobretudo, não constitui fato gerador de obrigação tributária. (..) 60. Nesses termos, requer o afastamento da infração, dada a demonstração da origem dos pagamentos questionados bem como de seus beneficiários. Inexistência de fraude ou dolo 61. Reconhece que a legislação tributária art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 dispõe que a multa pelo lançamento de ofício será qualificada (alíquota de 150%) nos casos de sonegação, fraude ou conluio, e que a existência de práticas dolosas ensejam a substituição do prazo decadencial previsto no art. 150, §4°, do CTN, pelo prazo do art. 173, inciso I, do mesmo Código. 62. Tais condutas dolosas, contudo, não podem ser meramente alegadas pela Autoridade Fiscal, mas cabalmente comprovadas, cf. Fl. 31253DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.254 20 pacífica jurisprudência administrativa e judicial. Refere a Súmula n° 14 do CARF, segundo a qual a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa, sendo necessária a comprovação do intuito de fraude do sujeito passivo. 63. Argumenta a contribuinte: (..) o Agente Fiscal limitouse a alegar que a Impugnante agiu mediante fraude e sonegação, sem, contudo, demonstrar de forma consistente a intenção da Impugnante em sonegar ou fraudar o Fisco (aspecto subjetivo), tampouco a efetiva prática do ilícito (aspecto objetivo). 64. Considera absurdo entendimento da Fiscalização de que os percentuais de presunção do IRPJ e da CSLL 8% e 12%, respectivamente ratificados pela Receita Federal por meio da Solução de Consulta n° 177, de 2012 tenham sido adotados pela impugnante com intuito de sonegar o recolhimento dos tributos. 65. Sobre a não autenticidade dos TDP, acrescenta: (..) é pacificado o entendimento no CARF de que a compensação de títulos públicos não comporta, por si só, a aplicação de multa qualificada, devendose aplicar sobre o principal apenas o percentual de 75%. No mesmo sentido, é o posicionamento quanto à compensação de créditos sem decisão judicial transitada em julgado (..) 66. Não haveria, pois, elementos passíveis de corroborar o lançamento da multa qualificada de 150%, devendo esse ser afastado e, com ele, a repercussão sobre o prazo decadencial antes referido. Petitório 67. Requer o recebimento da impugnação e, em caráter preliminar, a declaração de nulidade dos Autos de Infração em virtude da delongada duração da Ação Fiscal e o reconhecimento da decadência parcial dos créditos lançados referentes a fatos geradores ocorridos antes de outubro de 2011, nos termos do art. 150, §4°, do CTN. 68. No mérito, pede o acolhimento da impugnação pelas razões expostas na peça impugnatória, ou, alternativamente, o afastamento da qualificação da multa. 69. Protesta, por fim, pela posterior juntada de documentação que eventualmente não tenha sido acostada à peça impugnatória, nos termos do art. 16, §§4° e 5° do Decreto n° 70.235, de 1972. Impugnação do senhor Paulo Roberto Brunetti Fl. 31254DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.255 21 70. Depois de descrever resumidamente os fatos, o impugnante repete a argumentação da EIRELI fiscalizada sobre nulidade dos autos de infração em razão da supostamente longa duração do procedimento fiscal. Ausência de responsabilidade pessoal do impugnante 71. No que toca ao mérito, sustenta que meras alegações em torno do percentual de presunção adotado pela pessoa jurídica em determinado anocalendário, ou sobre eventuais pagamentos sem causa ou a terceiros não identificados não possuem força suficiente para ensejar a responsabilização pessoal do titular da entidade, posto que o art. 135, III, do CTN, não possui a amplitude pretendida pela Autoridade Fiscal. 72. Repete a argumentação da EIRELI sobre os percentuais empregados por ela, questiona a ausência de demonstração de dolo que justificasse a qualificação da multa aplicada. 73. Repete igualmente os argumentos da pessoa jurídica no que diz respeito aos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. 74. Acrescenta que: De fato, o mencionado dispositivo do CTN impõe que a legislação sancionatória deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida, quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação (...) Desta feita, como não há qualquer comprovação efetiva por parte da Fiscalização de que o Impugnante tenha atuado com dolo, intuito fraudulento ou excesso de poderes em relação às infrações imputadas à empresa Lance, não resta dúvida de que a aplicação do art. 135, III, do CTN (sic) deve ser inteiramente afastada. 75. Conclui requerendo o acolhimento da impugnação e o afastamento da responsabilidade pessoal do impugnante. Impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários 76. Por uma questão de economia processual, tendo em vista a elevada quantidade de responsáveis solidários, as impugnações semelhantes ou idênticas serão tratadas em conjunto. Elas foram apresentadas pelas seguintes pessoas físicas e jurídicas. Fl. 31255DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.256 22 77. Em brevíssimo resumo, as pessoas imputadas alegam que: a) há contratos legítimos de SCP celebrados entre as imputadas e a fiscalizada, de acordo com as normas do Direito Civil brasileiro e que não há sinal de dolo nos negócios efetuados; b) ainda de acordo com o Direito Civil que deve ser acompanhado pelo Direito Tributário em SCPs a responsabilidade por todas as obrigações, da sociedade recaem sobre o sócio ostensivo, in casu, LANCE CONSULTORIA EMPREENDIMENTOS E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI; c) nula, ao contrário, é a desconsideração da SCP promovida pela Autoridade Fiscal; d) exceto pelo contrato de SCP, não há outros vínculos entre a fiscalizada e as imputadas, e muito menos a formação de grupo econômico; Fl. 31256DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.257 23 e) a receita que circulou entre a fiscalizada e as imputadas consiste de distribuição legítima de lucros nos termos dos contratos de SCP; f) não existe interesse comum entre o valor individual auferido pelas imputadas e o resultado global da fiscalizada, em outras palavras não há interesse comum de todos os negócios desta, com os negócios daquela; g) na ausência de dolo, não há lugar para qualificação da multa no caso concreto. 78. Esses impugnantes alegam que: a) não firmaram contratos de SCP, mas de prestação de serviços; b) um dos interessados: Alexandre de Barros Consultoria Tributária Eireli traz ao conhecimento laudo grafotécnico dando conta de falsidade da assinatura aposta no contrato de SCP apresentado pela Fiscalização; c) a fraude alegada não pode ser presumida e que não houve simulação no caso concreto, além de que não há provas em sentido contrário contra elas; d) não possuem interesse comum com a fiscalizada que justifique a imputação de responsabilidade solidária e que as notas fiscais emitidas, em razão dos contratos celebrados são válidas; e) os eventuais fatos geradores específicos de cada uma delas, não podem ser associados a todos os atos supostamente ilícitos praticados pela fiscalizada; 79. Alegam, por fim, ainda ter havido violação a princípios constitucionais, questionam a qualificação da multa aplicada, a aplicação de juros SELIC no caso concreto e a representação fiscal para fins penais. 80. Quiles Participações argumenta a favor da legalidade do contrato de SCP e sustenta se houve ato praticado com excesso de poder, esse deve ser atribuído ao titular da fiscalizada. 81. Sustenta ademais que haveria decadência no caso concreto, em virtude de haver ocorrido pagamento que atrairiam a aplicação do prazo estipulado pelo art. 150 do CTN. Fl. 31257DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.258 24 Impugnação de Gerson Luiz Lamb 82. O senhor Gerson Luiz Lamb se insurge contra a desconsideração da SCP, que considera nula, dada a licitude de sua constituição. Argumenta que toda a responsabilidade tributária, nos termos da legislação de regência, deve ser atribuída ao sócio ostensivo. 83. Ademais, defendese alegando que não podem ser exigidos dele créditos que não transitaram por suas contas. Impugnação de Joel Ribeiro dos Reis 84. Preliminarmente, o senhor Joel Ribeiro dos Reis alega que sofreu cerceamento no exercício de seu direito de defesa por não lhe ser dado acesso ao procedimento em curso e a documentos da ação fiscal. 85. Acusa a inexistência da SCP e reclama que só pode ser responsabilizado no limite de seus atos. 86. Sustenta, por fim, que não existe vínculo entre ele e a fiscalizada e, por esse motivo, não lhe pode ser imputada responsabilidade solidária. Impugnação de AP Consultoria e Planejamento e Sointeg Consultoria 87. Em singelas impugnações, AP Consultoria e Planejamento e Sointeg Consultoria, se insurgem contra a imputação de responsabilidade solidária sob o argumento de que não há vínculo entre ela e a fiscalizada, muito menos grupo econômico e, desse modo, não há interesse comum que justifique atribuição elaborada pela Autoridade Fiscal. Impugnações de Luís Augusto Antunes Rodrigues e Udelcio Demczuk 88. Os senhores Luiz Augusto Antunes Rodrigues e Udelcio Demczuk afirmam que não há SCP entre eles e a fiscalizada e desse modo não há que se falar em grupo econômico ou interesse comum no caso concreto. Impugnação de Rastelli & Advogados Associados 89. Rastelli & Advogados reconhece a existência de contrato de SCP, mas, dada a licitude do objeto, esse não seria apto a ensejar responsabilidade solidária por supostos ilícitos cometidos pela fiscalizada. Impugnação de BKA Serviços 90. BKA contesta a desconsideração do contrato de SCP com base em presunções, dado que se trata de ajuste legítimo protegido pelo Fl. 31258DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.259 25 ordenamento jurídico nacional e que não foi provada a existência de fraude ou dolo. 91. Acrescenta que tal contrato não implica a existência de vínculo permanente com a fiscalizada, nem tampouco a formação de um grupo econômico. Diligência requerida por esta 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR 93. Conforme antes mencionado, constatouse a ausência nos autos de parte da documentação comprobatória referida na peça de impugnação às fls. 19.14219.277, por esse motivo, o feito retornou em diligência à Unidade de Origem, em 05/05/2017, para que a contribuinte fosse intimada a apresentálos. 94. Cumprida a diligência, retornam os autos para julgamento acrescidos de adendo à impugnação, às fls. 24.21024.215, e documentos comprobatórios às fls. 24.216/27.644. 95. É o que importa relatar. Após análise dos argumentos lançados pela fiscalização, pelo contribuinte e pelos responsáveis, a DRJ exarou o seguinte acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO NORMATIVO. Não cabe a Autoridades Administrativas apreciar a constitucionalidade de normas regularmente integradas ao ordenamento jurídico, função precípua do Poder Judiciário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da Fl. 31259DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.260 26 autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais. PORCENTUAL ABUSIVO DA MULTA APLICADA. APLICAÇÃO INDEVIDA DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DEVIDOS. Nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235, de 1972, não compete à Autoridade Administrativa afastar norma sob fundamento de inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. DECADÊNCIA NÃO VERIFICADA NO CASO CONCRETO. Não há decadência do direito de constituir os créditos referentes ao período fiscalizado, pois aos fatos examinados aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN em função da autoridade lançadora ter demonstrado à existência fraude nas infrações praticadas. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ART. 135, III, DO CTN. Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica o administrador por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela comprovação da atividade essencialmente ilícita do empreendimento da fiscalizada. EQUÍVOCO NO PORCENTUAL ADOTADO PARA O CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL Não merece prosperar o cálculo efetuado pela fiscalizada com base em Solução de Consulta da DISIT da loa Região Fiscal, de aplicação exclusivamente interpartes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 31260DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.261 27 Inconformados com a referida decisão, alguns dos responsáveis, bem como o contribuinte, interpuseram recursos voluntários, nos quais, em síntese, reafirmaram os argumentos expendidos em sede de impugnação. Tais pontos serão detalhados quando da análise dos referidos recursos, por questão de economia processual. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Da admissibilidade A tabela a seguir indica as pessoas imputadas que apresentaram recurso voluntário. Vejamos: NOME DATA DA CIÊNCIA DATA DO RECURSO FLS. TEMPESTIVO LANCE CONSULTORIA 30/06/17 25/07/17 FLS.29.332 29.371 SIM AUN ADM E PLADE 10/07/17 01/08/17 FLS.30.564 A 30.599 SIM JOEL RIBEIRO DOS REIS 11/07/17 10/08/17 FLS. 31.001 A 31.014 SIM ALEXANDRE BARROS CONSULTORIA 07/07/17 10/08/17 Fls. 29.176 A fls. 29.229 SIM TADEU ASCHENBRENNER 10/07/17 27/07/17 Fls. 30.155 A 30.190 SIM WILSON ROGERIO CONSTANTINO MA 10/07/17 27/07/17 Fls. 30.195 A 30.230 SIM RASTELLI & ADVOGADOS ASSOCIADOS 07/07/17 08/08/17 FLS. 31.057 A 31.098 SIM KETLIN MARIA DO NASCIMENTO FIG 10/07/17 27/07/17 FLS. 29.579 A 29.514 SIM VALTER FERNANDES DE MELLO 11/07/17 03/08/17 FLS. 30.816 A 30.858 SIM HERMINIO SANCHES FILHO 11/07/17 25/07/17 FLS. 29.396 A 29.432 SIM Fl. 31261DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.262 28 PAULO ROBERTO BRUNETTI 11/07/17 25/07/17 FLS. 29.374 A 29.393 SIM GUSTAVO MENDES PEQUITO 11/07/17 27/07/17 FLS. 29.636 A 29.671 SIM CESAR SOUSA BOTELHO 10/07/17 03/08/17 FLS.30.720 A SIM FIVE CONSULTORIA 07/07/17 27/07/17 FLS.29.823 A 29.858 SIM EXACTHUS ASSESSORIA CONTABIL 10/07/17 27/07/17 FLS.29.865 A 29.900 SIM M. INOUE CONSULTORIA LTDAME 07/07/17 27/07/17 FLS. 29.729 A 29.764 SIM GILBERTO JOSÉ TORRES 10/07/17 31/07/17 FLS. 30482 A 30518 SIM QUILES PARTICIPAÇÕES LTDA ME 10/07/17 07/08/17 FLS. 30861 A 30896 SIM JOSIMEIRE MOREIRA 07/07/17 03/08/17 FLS. 30634 A 30671 SIM REAL ASSESSORIA LTDA – ME 08/08/17 (EDITAL) * 28/07/17 FLS. 30249 A 30284 SIM MARCELO LISCIOTTO ZANIN* 03/08/17 27/07/17 FLS.29915 A 29950 SIM GERSON LUIZ LAMB 11/07/17 09/08/17 FLS. 31123 A 31142 SIM LOGUS ASSESSORIA CONS TREINAMENTOS 12/07/17 08/08/17 FLS. 30903 A 30921 SIM BORIM & ASSOCIADOS CONULTÓRIO 11/07/17 27/07/17 FLS. 29776 A 29811 SIM HAMILTON CESAR LEAL DE SOUSA 11/07/17 09/08/17 FLS. 30964 A 30985 SIM NILTON DO CARMO CHAGAS 11/07/17 27/07/17 FLS. 29997 A 30032 SIM Fl. 31262DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.263 29 HMP – X 12/07/17 28/07/17 Fls. 30095 A 30140 SIM MAURO SÉRGIO THOME 11/07/17 27/07/17 NÃO POSSUI SIM AP CONSULTORIA E PLANEJAMENTO 11/07/17 10/08/17 (data da postagem) FLS. 31099 A 31112 SIM LEANDRO ANTUNES ZERATI 11/07/17 31/07/17 FLS. 30610 A 30613 SIM UDELCIO DEMCZUK 12/07/17 10/08/17 FLS. 31017 A 31042 SIM IGARATEC 11/07/17 28/07/17 FLS.30392 A 30427 SIM BARROS & ROSSI – ASSESSORIA 12/07/17 19/07/17 FLS. 29.125 A 29.169 SIM TOTAL CONSULTORIA LTDA ME 11/07/17 28/07/17 FLS. 30433 A 30468 SIM VICENTE LAURIANO FILHO 13/07/17 28/07/17 FLS. 30353 A 30388 SIM MC RIO PRETO PROCESSAMENTO 11/07/17 27/07/17 FLS.29533 A 29568 SIM EDU MARIANO DE SOUZA JUNIOR 11/07/17 09/08/17 FLS. 30940 A 30960 SIM MARCOS ANTONIO CAVILHA 24/07/17 (EDITAL) 27/07/17 FLS. 29491 A 29526 SIM KELLY CRISTINA ATHAYDE 11/07/17 27/07/17 FLS.29675 A 29710 SIM SP CONSULT SÃO PAULO CONSULTOR 25/09/17 ( EDITAL) 27/07/17 FLS. 30038 A 30073 SIM DIAGRAMA PLANEJAMENTO 25/08/17 (EDITAL) 28/07/17 FLS. 30292 A 30327 SIM EFRATA CONSULTORIA JURIDICA 24/08/17 (EDITAL) 03/08/17 FLS. 30674 A 30710 SIM Fl. 31263DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.264 30 Cabe inicialmente esclarecer que a empresa Igaratec por mais que tenha apresentado Recurso Voluntário Tempestivamente, ele não deve ser conhecido tendo em vista que o regramento do processo administrativo fiscal estipula que somente se instaura a fase litigiosa a impugnação tempestiva (apresentada dentro do prazo de 30 dias, contados da ciência do lançamento). No presente caso, a impugnação apresentada foi tida como intempestiva, mediante decisão de primeira instância (vide fls. 27.658). Não conhecida a impugnação não se instaura o litígio administrativo e sequer há que se falar em possibilidade de interposição de recurso voluntário. Feitas essas considerações, conheço dos recursos voluntários conforme a tabela acima. Do Mérito Da análise das Questões Preliminares e do mérito propriamente dito da autuação No que diz respeito a Lance, a lide versa, em caráter preliminar, sobre a decadência de parte da exação e, finalmente, sobre a imputação de pagamentos sem causa, haja vista que tais transferência supostamente estariam relacionadas à divisão de lucros auferidos por meio de contratos de SCP. No mérito, discutese a aplicação de Solução de Consulta da SRRF 10/DISIT referente aos porcentuais aplicados para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e também a legalidade dos negócios envolvendo os TDP em tela, o que, em sendo legítimos, implicaria a ausência de dolo no caso concreto com reflexos na ocorrência da decadência antes mencionada. O titular da entidade, senhor Paulo Roberto Brunetti, repete os mesmos argumentos da fiscalizada em relação às infrações apontadas pela Fiscalização e contesta a imputação de responsabilidade solidária em virtude de não estarem presentes os pressupostos estipulados pelo art. 135, III, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN. As questões levantadas pelos demais responsáveis solidários que apresentaram Recurso Voluntário, notadamente no que se refere a aplicação do artigo 124, I ao presente caso, serão apreciadas em momento posterior do presente voto. Não há reparos a fazer a decisão de 1ª instância quanto as questões acima suscitadas. Assim, nos termos do art. 57, §3º, do RICARF, adoto as razões de decidir da DRJ que abaixo transcrevo, verbis: Questões preliminares 106. Decisões administrativas proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF são ineficazes para conformar decisões neste momento do processo, pois não constituem normas complementares de Direito Tributário, nos termos do art. 100, II, do C'TN, e desse modo se aplicam apenas aos limites dos casos concretos em que foram proferidas. 107. Sob este aspecto, o Parecer Normativo CST n° 390, de 1971, já se manifestou com relação a esse assunto, nos seguintes termos: Fl. 31264DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.265 31 3. Necessário esclarecer, na espécie, que, embora o Código Tributário Nacional, em seu art. 100, inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos Conselhos de Contribuintes, a eficácia de seus acórdãos limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 4. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência se não aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. 108. No que concerne às decisões judiciais trazidas ao feito, do mesmo modo, elas somente se tornam vinculantes para a Administração Tributária, nos termos expostos pelo Parecer PGFN/CDA/CRJ n° 396, de 2012, aprovado pelo Ministro da Fazenda, depois de ser publicada nota da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que uniformize a atuação da Fazenda Nacional. 109. Assim, não disporia de força vinculativa constituindose tãosomente elementos formadores de convicção a abundante jurisprudência referida pela impugnante. 110. No que diz respeito às alegações de ofensa a princípios e garantias estabelecidos pela Constituição em vigor, como cerceamento de direito defesa ou violação ao contraditório, alegados por diversas impugnantes, a própria apresentação das peças impugnatórias contradiz os argumentos nesse sentido e, no que tange à ilegitimidade de normas aplicadas pela Autoridade Fiscal a quo não cabe a esta Autoridade Julgadora apreciar a inconstitucionalidade ou invalidade dessas normas uma vez que se encontram formalmente integradas ao ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada exclusivamente ao Poder Judiciário. É inócuo, pois, suscitar tais questões na esfera administrativa. 111. Registrese que essa é, ademais, a determinação do art. 26A do Decreto 70.235, de 1972 verbatim: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 112. Restam prejudicados, portanto, todos os argumentos nesse sentido formulados por todas as impugnantes pessoas físicas e jurídicas. Nulidade 113. Não estão presentes, no caso em tela, as hipóteses de nulidade estatuídas pelo art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal PAF, verbatim: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 31265DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.266 32 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1°A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei n°8.748, de 1993) 114. A lavratura em tela foi produto da ação de um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil sem preterição ao direito de defesa que ora se manifesta para todos os impugnantes no momento processual adequado. 115. Não merece acolhida esse tipo de argumento, portanto. 116. Fazse um parêntese para objetar um argumento solto oposto pelo senhor Joel Ribeiro dos Reis, a quem foi imputada responsabilidade solidária, segundo o qual teria sofrido cerceamento de direito de defesa porque não teve acesso ao andamento do feito durante a Ação Fiscal. 117. Não merece prosperar essa linha de raciocínio, porque a Fiscalização de procedimento inquisitorial e que a fase litigiosa se inaugura com a formalização de impugnação nos termos dos art. 14 e 15 do Decreto n° 70.235, de 6 março de 1972, não procede o argumento oferecido, contraditado pela própria peça que o veicula. 118. Alega a fiscalização que está sujeita à ação do Fisco há 5 anos, dado que a ciência do Termo de Início de Fiscalização, lastreado no MPF n° 0819002011021356, ocorreu em 05/07/2011, cf. fls. 26 dos autos; restaria violado, assim, o princípio da duração razoável do processo estatuído no art. 50, LXXVIII, da Constituição em vigor. 119.Esquece a impugnante, contudo, que os autos em tela dizem respeito ao terceiro lançamento efetuado pela Fiscalização em atenção ao mencionado MPF n° 0819002011021356, os outros dois foram objeto dos PAFs n° 16004.720566/201201 e 16004.720241/201482 nos quais se trata de créditos tributários relativos aos anoscalendário de 2008 e 2009 respectivamente. 120. Tendo em vista a complexidade da matéria, envolvendo além das questões tributária, aspectos penais — haja vista as representações que foram elaboradas pelas Autoridades Lançadoras — e ainda a limitação dos recursos à disposição da Fazenda Pública, não se pode alegar que houve morosidade ou retardo na condução da investigação nos casos referidos, ademais, importa registrar que a Ação Fiscal vista em conjunto culminou com a constituição de créditos tributários em todos os casos, dois deles mantidos por esta Turma de Julgamento. 121. Não merece acolhida, portanto, essa questão preliminar. Fl. 31266DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.267 33 122. As demais questões preliminares levantadas pela fiscalizada: inexistência de pagamentos sem causa, dado que as transferências de numerário apontadas pela Fiscalização decorreriam de distribuição de lucros de SCP e a decadência incidente sobre parte do crédito tributário em razão do disposto no art. 150, §4° do CTN, dependem do juízo a ser proferido sobre a idoneidade dos negócios jurídicos empreendidos por Lance e seus associados e colaboradores, que será elaborado em seguida neste voto. Existência de dolo no caso concreto e fundamento da imputação de responsabilidade solidária 123. Dado que se trata de matéria fundamental para a resolução dos múltiplos problemas a serem decididos neste feito, fazse necessário, em primeiro lugar, apreciar com uma grande lente o esquema de negócios construído pela fiscalizada em parceria com as pessoas físicas e jurídicas as quais foi imputada responsabilidade solidária. 124. O diagrama a seguir sintetiza a estrutura da organização 125. Como bem destacou a Autoridade Fiscal a quo, a finalidade última dos negócios jurídicos entabulados pela fiscalizada juntamente com seus parceiros, denominados acima angariadores, independentemente da forma jurídica manejada SCP ou outros contratos de prestação de serviços , era ceder aos clientes, mediante pagamento, TDPs carentes de decisão transitada em julgado, com o propósito de serem empregados esses em compensações de débitos tributários dos adquirentes. 126. Importa, en passant, registrar que tais adquirentes não eram inocentes logrados pelo esquema revelado pela Fiscalização, mas pessoas jurídicas igualmente dedicadas a obter vantagens tributárias per fas et nefas. Fl. 31267DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.268 34 127. Esse tipo de compensação de créditos tributários submetese, desde 2001, ao disposto no art. 170A do CTN reproduzido abaixo. [Grifouse] Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp n°104, de 2001) 128. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a hipótese legal foi disciplinada pelos arts. 70 e 71 da IN/RFB n° 900, de 2008, vigente ao tempo dos eventos fáticos em tela. Cabe reproduzir os dispositivos normativos mencionados. [Grifouse] DOS CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO Art. 70. São vedados o ressarcimento, a restituição, o reembolso e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (Redação dada pelo (a) Instrução Normativa RFB n°973, de 27 de novembro de 2009) §1° A autoridade da RFB competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento, do reembolso ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão. (Redação dada pelo (a) Instrução Normativa RFB n°973, de 27 de novembro de 2009) §4° A restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darse ão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicilio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; IIcertidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; (..) Fl. 31268DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.269 35 § 6° O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4°. 129. A artimanha da fiscalizada de constituir Sociedades em Conta de Participação — SCP para afastar a responsabilidade da maioria dos seus representantes comerciais ocorreu somente a partir do anocalendário de 2011, não tendo sido verificada nos outros dois PAF julgados por esta 1ª Turma. 130. A Fiscalização deixou claro que não foram encontrados lançamentos contábeis referentes à constituição ou movimentação financeira associados a tais SCP na escrituração da contribuinte, matéria não contestada em sede de impugnação. [Grifouse] Para os contratos pós 01/2011, verificando os lançamentos da Lance/Consutec, não se identifica lançamentos demonstrando as integralizações, tampouco saldo de contas exprimindo as integralizações das centenas de Sociedades em conta de participação (Fls. 13156/13856). Intimada Lance/Consutec em 15/09/2016 (Fls. 11060), para o atendimento aos requisitos dispostos na IN (RFB) 179/87, para a apresentação da escrituração das operações das SCP, nada foi apresentado. 131. Toda sistemática referida no Termo de Descrição dos Fatos consiste, portanto, em mera prática de planejamento tributário espúrio, na qual os negócios intermediários SCP ou contratos de prestação de serviços de assessoria consistem em degraus de uma escada que conduz no fim das contas à compensação fraudulenta de tributos de competência da União. 132. A intenção das partes, segundo uma visão finalista do Direito Civil, é inegavelmente elemento de interpretação dos contratos. O plano em tela envolve uma sequência de atos ou negócios pretensamente isolados em que cada etapa posterior depende da que a antecede e todas não possuem outra razão de ser que não a produção dos efeitos pretendidos pelos planejadores tributários — in casu a compensação ilícita de tributos. 133. No caso concreto; podese perceber a seguinte sequência de "step transactions" perseguida pelos envolvidos depois da elaboração do seu modelo de negócio: a) aquisição por valores irrisórios de títulos do início do século XX vencidos; b) elaboração de perícias viciadas que multiplicam imensamente o valor supostamente corrente desses papeis; c) organização da rede de angariadores; d) constituição (na maioria dos casos) de Sociedades em Conta de Participação para eliminar a responsabilidade desses agentes, sejam pessoas físicas ou jurídicas; d) celebração de negócios com os clientes (futuros sonegadores) envolvendo a cessão dos títulos públicos com deságio do valor calculado pela perícia fraudulenta antes referida juntamente com serviços de assessoria jurídica tributária prestados pelo titular da entidade, serviços esses necessários para levar adiante o fim último colimado, que merece ser repetido: deixar de recolher créditos tributários devidos. Fl. 31269DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.270 36 134. A motivação final, sem a qual essa longa cadeia de atos e fatos jurídicos aparentemente lícitos, mas em essência simulados, é apenas e tão somente a sonegação fiscal. Analisar formalmente cada elemento de modo isolado, perdendo de vista o conjunto corresponderia a adotar uma atitude míope incompatível com uma hermenêutica lúcida e atenta aos fins do ordenamento jurídico. 135. A simulação em tela reside na atribuição de valor monetário fictício a papéis desprovidos de importância econômica; Orlando Gomes, há mais de 40 anos, afirmava que a simulação não está no plano da vontade, mas no da causa do negócio — in Introdução ao Direito Civil, 4a edição, Rio de Janeiro: Forense, 1974, p. 423. A causa no caso concreto é ilícita ab ovo. 136. Recapitulando, no caso em tela, a exposição da Autoridade Fiscal a quo, no Termo de Descrição dos Fatos, informa sobre a situação de engenharia fraudulenta em casos apreciados pelo Poder Judiciário: [Grifouse] (..), de início, alguns clientes levaram ao conhecimento do Judiciário as cobranças efetivadas pela Receita Federal, mediante a impetração de mandados de segurança, solicitando a suspensão da exigibilidade, tendo em vista a apresentação de manifestações de inconformidade, estavam sob o manto do Decreto 70.235/72. Não só a tese foi rechaçada como o Judiciário aplicou multas por litigância de máfé superiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), conforme processos induzidas a inserir um valor no campo "Compensação" suficiente para zerar os valores a pagar da contribuição previdenciária referente à parte patronal. 137. Mas a atividade da organização encabeçada pela fiscalizada não deixava de produzir resultados ilícitos, cf. informa ainda a Fiscalização: [ Grifouse] Por intermédio desses procedimentos fraudulentos, o empresário obtém a suspensão temporária da exigibilidade do seu débito fiscal até que seja constatada a irregularidade pela autoridade tributária. Enquanto isso, consegue emitir certidões de regularidade fiscal via Internet e beneficiarse da contagem do prazo prescricional referente à extinção do crédito tributário. 138. Importa registrar igualmente a informação fornecida pela Autoridade Fiscal a quo de que todos esses títulos públicos objeto de litígio contra a União foram considerados prescritos nas respectivas ações de execução julgadas até a presente data, cf. cópias de decisões judiciais acostadas, a título de exemplo, às fls. 10.99911.030. 139.Repetese ainda, dada a relevância, as informações trazidas ao conhecimento pela Fiscalização referentes ao andamento das demandas promovidas pela Lance e seu titular — arquitetos do planejamento tributário em tela perante o Poder Judiciário que demonstram o rechaço Fl. 31270DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.271 37 do mundo jurídico às práticas ilícitas da organização concebida e articulada pelo senhor Paulo Roberto Brunetti. [Grifouse] (..) houve condenação pelo do Juiz da primeira vara cível desta SJ Rio Preto (Processo n° 400724816.2013.8.26.0576) em face de Lance/Consutec e Paulo Roberto Brunetti em mais de 18,5 milhões à título de danos materiais e morais em virtude da cessão de títulos podres à Unimed do Centrooeste e Tocantins, conforme fls. 11033. Em Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa, processo 0002598 39.2012.4.05.8500, que tramita na Justiça Federal em Sergipe, Paulo Roberto Brunetti foi condenado a ressarcir o valor de R$ 3.033.611,35 (três milhões, trinta e três mil e seiscentos e onze reais e trinta e cinco centavos), por ter vendido créditos 'podres" à Prefeitura de Muribeca (SE) com o intuito de compensar contribuições previdenciárias referente às cotas patronal e dos segurados Paulo Roberto Brunetti foi também condenado a mais de quatro anos de prisão em ação penal, processo n° 000382797.2013.4.05.8500, por pratica do crime de responsabilidade em conjunto com a prefeita de Muribeca. Na sentença restou demonstrado que o advogado orquestrou e executou a fraude tributária (Fls. 12950). Reproduzse abaixo, o dispositivo da sentença referida, juntado à fl. 12.955 dos autos. 4. Dispositivo Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido, para condenar SANDRA MARIA DA SILVA CONSERVA, INDYRA CLEO DA SILVA CONSERVA, CONSUTEC SERVIÇOS DE COBRANÇA, ADMINISTRADORA DE BENS E CRÉDITO LTDA. PAULO ROBERTO BRUNETT1 E GERALDO ANTÔNIO POVOAS, às sanções aplicadas conforme dosimetria estabelecida no item n 3 desta sentença. Condeno os réus, ainda, nas custas processuais. Sem honorários. Com o trânsito em julgado, adotemse as providências de registro e comunicação acerca da presente condenação. Defiro o pedido de suspensão do sigilo dos autos e determino que a documentação relativa aos dados fiscais e bancários dos réus permaneçam nos autos em envelope lacrado, somente sendo autorizada sua abertura na Secretaria do Juízo, na presença do Diretor de Secretaria ou do Supervisar do Setor, Publiquese. Registrese. Intimemse. Propriá/SE, 26 de janeiro de 2016. TIAGO JOSÉ BRASILEIRO FRANCO Fl. 31271DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.272 38 Juiz Federal respondendo pela 90 Vara Ato no 895/CR, de 21 de outubro de 2015 AVAB Processo n.o: 000259E339.2012.4.05.8500 141. Resta bem assentada, portanto, a natureza ilícita dos negócios perpetrados por Lance e seus angariadores, à luz da finalidade almejada pelo planejamento tributário abusivo, abstraindose de eventual correção formal de suas etapas intermediárias; nessa circunstância, é correta a interpretação dada pela Autoridade Fiscal a quo de que estaria ausente o requisito de validade "objeto lícito" exigido pelo art. 104 do Código Civil, reproduzido abaixo. [Grifouse] Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I agente capaz; II objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III forma prescrita ou não defesa em lei. 142. Acolhese igualmente a conclusão a que chegou a Fiscalização, qual seja a de que um grupo de fraudadores se reuniu com o propósito de oferecer a terceiros supostos direitos, sem a necessária chancela do Poder Judiciário, levando a Juízo pretensão sem chance de sucesso. 143. Observese que até o momento, durante a Ação Fiscal ou em sede de impugnação, nenhum dos interessados logrou trazer ao feito uma demonstração de que as teses encontradas na base das negociações dos TDP e que geraram renda para todos eles seriam minimamente sustentáveis. 144. Registrese que os documentos trazidos ao feito em virtude da diligência requerida em 05/05/2017, juntados às fls. 24.29424.400, consistem de elementos tópicos: correspondência eletrônica ("email") entre particulares; notas do Banco do Brasil e da Secretaria do Tesouro Nacional desacompanhadas das planilhas demonstrativas referidas nelas mesmas ou sujeitas a avaliação de outro órgão (PGFN); leis orçamentárias; parecer encomendado e certidões de pé. 145. Com exceção das certidões de pé, nenhum deles associa um título específico a um negócio celebrado pelos interessados e mesmo as certidões referidas apenas revelam a fragilidade intrínseca do planejamento tributário em tela, comprovado pela ausência de sucesso em ao menos uma ação isolada. (...) Outras conclusões preliminares — decadência e natureza da relação jurídica entre Lance e seus angariadores 150. Dadas as conclusões anteriores passase a analisar a alegação de decadência formulada pela fiscalizada e por Quiles participações ltda. Fl. 31272DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.273 39 151. Recapitulando o raciocínio da impugnante, ela assevera que a) não teria sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e b) ocorreram recolhimentos de tributos no período em exame, logo, não haveria dúvida quanto ao termo de início para a contagem do prazo decadencial nesse contexto: a data da ocorrência dos respectivos fatos geradores, nos termos do art. 150, §4°, do CTN. 152. Com efeito, o lançamento do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ — revestese da modalidade de lançamento por homologação e, como tal, sujeitase ao prazo decadencial do art.150 do CTN, exceto se restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipóteses que atraem a incidência do art.173, I, do mesmo diploma legal, reproduzido abaixo. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 153. Dada a existência da fraude nos negócios comandados por Lance, comprovada além de qualquer dúvida razoável, conforme demonstrado nos parágrafos anteriores, o art. 173 é o dispositivo normativo a ser empregado no caso em tela. Ora, como os anoscalendário fiscalizados foram os de 2011 e 2012, e a ciência dos Autos de Infração se deu em outubro de 2016 para todos os interessados no feito, não há que se falar em decadência no caso concreto. Aplicandose o mesmo raciocínio aos pagamentos efetuados sem demonstração individualizada de suas causas, suscetíveis de tributação cf. art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995. (...) Responsabilidade solidária do senhor Paulo Roberto Brunetti 177. Neste momento, cabe discutir a responsabilidade solidária imputada ao senhor Paulo Roberto Brunetti, titular da entidade fiscalizada, enquadrado no art. 135. III, do CTN, reproduzido a seguir. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (..) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 178. Os argumentos comuns do impugnante com a fiscalizada serão analisados adiante quando se abordar o mérito da constituição do crédito tributário. 179. No caso concreto, observase que, apesar de a pessoa jurídica possuir personalidade própria e distinta de seus sócios ou acionistas, Fl. 31273DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.274 40 sendo, assim, capaz por si mesma de gozar de direitos ou contrair obrigações independentemente da vontade individual daqueles ela é a responsável por seus atos somente se não for comprovado a ocorrência de vício de vontade. 180. É de se notar que o requisito do art. 135, III, do CTN imputa responsabilidade ao autor do ato ilícito seja esse diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado. Destaquese que o fundamento da responsabilização das pessoas elencadas no dispositivo não é sua qualidade de sócio, sua função tanto pode ser a de "sócio gerente" — expressão consagrada na jurisprudência — como de mero representante, gerente ou diretor contratado. Repetese: não é a condição de sócio que determina a responsabilidade pessoal, mas a prática de atos ilícitos — organizar o esquema de distribuição de títulos ilícitos, assesssorar juridicamente os futuros sonegadores a obter o benefício — que foram comprovados acima de qualquer dúvida razoável. 181. Não há excludente, portanto, para a atuação do senhor Paulo Roberto, dada sua participação direta na concepção e operação do empreendimento ilícito, verificamse, pois, os requisitos do inciso III do art. 135 do CTN, e assim é procedente a responsabilização pessoal do impugnante. Multa Qualificada 182. Conforme visto anteriormente, na seção em que se discutiu a responsabilidade solidária, restou comprovada a existência de dolo no caso concreto e no cometimento de fraude nos termos definidos pelos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 183. A existência de fraude atraem a aplicação do art. 44, I e §10, da Lei n° 9.430, de: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei n°10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007A) 184. Andou bem a Autoridade Fiscal a quo na aplicação precisa da Lei ao caso concreto, qualificando a multa imposta à contribuinte e aos responsáveis solidários; e ainda ao formalizar Representação Fiscal para Fl. 31274DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.275 41 Fins Penais nos termos dos arts. 1° e 2° da Portaria RFB n°2.439, de 21 de dezembro de 2010. Valor abusivo da multa e inaplicabilidade da taxa SELIC aos juros calculados 185. Em ambos os casos, não merece acolhida em sede administrativa, discussões contra legem, nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235, de 1972. 186. Exauridas as questões preliminares ou acessórias, passa se a apreciar o mérito da lide. Mérito Apreciação indevida dos dados 187.A fiscalizada alega que os dados por ela apresentados não foram devidamente apreciados no curso da Ação Fiscal. Tal raciocínio é insustentável, o que se observa nos autos, da parte da Autoridade Fiscal, é um tratamento meticuloso dos valores apurados indicados por meio de tabelas com legendas, datas e valores, enquanto a contrapartida da impugnante se reveste exclusivamente de uma defesa retórica despida das explicações sonegadas desde a ação fiscal. 188. Ao contrário do que pretende a impugnante, na peça elaborada pela Autoridade Fiscal a quo restam consignados todos os elementos configuradores da Norma Jurídico Tributária, cf. Lição de CARVALHO, P. de B., reproduzida abaixo — retirada de Curso de Direito Tributário, 17ª ed., São Paulo: Saraiva, 2005, pp. 348349. 189. Em que: Njt — Norma Jurídica Tributária; Ht = Hipótese Tributária; Cm =Critério Material; v = Verbo; c = Complmento; Ce = Critério espacial; Ct = Critério temporal; DSn = DeverSer neutro; DSm = Dever Ser modalizado; Cst = Consequência tributária; CP = Critério pessoal; As = Sujeito ativo; Sp = Sujeito passivo; Cq = Critério quantitativo; bc = Base de cálculo e ai = Alíquota. 190. Em brevíssimo resumo, o quadro indica que presente os elementos próprios da hipótese tributária: o critério material indicado por um verbo e seus complementos, um lugar e um espaço, seguese inexoravelmente a obrigação tributária apurada segundo um critério pessoal (sujeitos ativo e passivo) e outro quantitativo (base de cálculo x alíquota). Fl. 31275DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.276 42 191.No caso em tela, em termos técnicos, a impugnante discute o critério material da hipótese tributária, alega que ele não existe 192. Verificando com cuidado os autos de infração, porém, verificase os termos: "aplicação indevida de percentual de determinação da base de cálculo..." perfeitamente claros e expressos. 193. O mesmo se aplica ao disposto no art. 673 do RIR de 1999, em relação a pagamento sem causa. 194. Não merece prosperar, portanto, tais alegações das impugnantes Equívoco na aplicação de porcentuais para a definição da base de cálculo 195. O argumento da fiscalizada sobre essa questão pode ser sintetiza do seguinte modo: 1) o porcentual aplicado por ela no cálculo dos tributos (8% para o IRPJ e 12% para a CSLL, em vez de 32% nos dois casos) se baseou na Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 177, de 2012; 2) tal Solução de Consulta possuía (reconhece) eficácia interpartes; entretanto 3) deveria ser aplicada pela Autoridade Fiscal a quo à situação concreta. 196. Tal raciocínio, porém, não merece prosperar, porque a solução de consulta referida pela fiscalizada foi proferida por uma divisão regional e tem alcance limitado ao caso concreto que foi chamada a esclarecer, e especialmente em face do teor da Solução de Consulta Cosit n° 223, de 14 de agosto de 2014 — cuja ementa se encontra reproduzida abaixo — e que veio a se tornar vinculante para a Administração Tributária depois de sua publicação em 26/08/2014. [Grifouse] SOLUÇÃO DE CONSULTA COSTT N° 223, DE 14 DE AGOSTO DE 2014 Publicado (a) no DOU de 26/08/2014. Seção 1 PAG 20 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO CESSÃO DE DIREITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Os valores auferidos com a cessão de direitos adquiridos de terceiros, inclusive precatórios, configuram receita bruta de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido cujo objeto social seja transacionar esses créditos. A base de cálculo do IRPJ deve ser apurada com a utilização do percentual de presunção de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta. DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição Federal/1988, com alterações da EC n° 62, de 2009, art. 100, caput e §§ 2°, 3°, 5°, 13 e 14; Lei n°9.249, de 1995, art. 15; Lei n° 9.430, de 1996, arts. 1° e 25, inciso I; Lei n° 8.981, de 1995, art. 31 e parágrafo único. ASSUNTO: CONTRIBUICÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO — CSLL EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Fl. 31276DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.277 43 Os valores auferidos com a cessão de direitos adquiridos de terceiros, inclusive precatórios, configuram receita bruta de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido cujo objeto social seja transacionar esses créditos. A base de cálculo da CSLL deve ser apurada com a utilizacão do percentual de presunção de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n° 9.249, de 1995, arts. 15 e 20; Lei n° 9.430, de 1996, art. 29; Lei n°8.981, de 1995, art. 31 e parágrafo único; IN SRF n°390, de 2004, arts. 85 e 88. 197. Vejase o que dispõe a legislação que rege a matéria arts. 15 e E 20 DA Lei nº 9.249, de 1995, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei n° 12.973, de 2014) (Vigência) § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória n° 232, de 2004) (...) c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2°, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § lo do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei n°12.973, de 2014) (Vigência) 198. O que pretende a impugnante Lance? Simplesmente que a Autoridade Fiscal ignore o disposto na lei e aplique um entendimento administrativo com eficácia interpartes, local (da 10a Região Fiscal) e já caduco — a referida Solução de Consulta SRRF I 0/DISIT n° 177, de 2012. Deve, adicionalmente, ignorar entendimento posterior, que oferece uma interpretação autêntica e que, em reforço, tomouse vinculante para todos os operadores do Direito no âmbito da Receita Federal do Brasil. 199. Não merece acolhida essa parte da impugnação por se tratar de um evidente disparate lógico. Deve, portanto, ser mantida a autuação nos termos em que foi calculada pela Autoridade Fiscal a quo nos Autos de Infração lavrados. Fl. 31277DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.278 44 Pagamentos a beneficiários sem causa 200. As tabelas a seguir reproduzem os valores constantes de retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF no sistema DIRF, nos anoscalendário de 2011 e 2012. 201. Ademais, como bem explicitou a Autoridade Fiscal a quo, não foram confessadas retenções na fonte nas DCTF do período fiscalizado. 202. Observase que os valores retidos pela contribuinte — R$ 8.096,76 somandose os dois anoscalendários — situamse muito longe do valor do imposto apurado pela Fiscalização: R$ 5.513.676,71. 203. Com efeito, ao longo da Ação Fiscal — ou ainda em sede de impugnação — cabia à EIRELI demonstrar de modo exaustivo, com documentos comprobatórios, a razão de ser de cada um dos pagamentos discriminados pela Autoridade Lançadora inicialmente nas intimações referidas acima e, finalmente, nos Autos de Infração lavrados. Fl. 31278DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.279 45 204. Limitouse, contudo, a elaborar uma defesa retórica esquivandose de esclarecer o que lhe foi demandado pela Autoridade Fiscal a quo. Nessas circunstâncias, aplicase ao caso concreto o disposto no art. 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, reproduzido abaixo. Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n°8.383, de 1991. §2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto 205. Não merece acolhida, portanto, também esse argumento da contribuinte. Da responsabilidade solidária. Aplicação do art. 124,I do CTN Segundo a DRJ a responsabilidade solidária resta caracterizada pelos seguintes motivos, litteris: 146. Igualmente correta é a imputação de responsabilidade solidária com fundamento no interesse comum nos fatos geradores envolvidos, nos termos do art. 124, I, do CTN, reproduzido abaixo. Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 147. Dada a articulação entre as partes, condição necessária para levar adiante o planejamento tributário concebido pela Lance, e ainda a simulação essencial que permeia todo esquema fraudulento, concluise que a todos os envolvidos interessa a empreitada, independentemente da roupagem jurídica formal que os associe à fiscalizada ou dos resultados auferidos. 148. Nesse sentido aproveitase o teor do RESP 28168SP, Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro, DJ de 07081995, p. 23026, verbatim: Importante distinguir, pois, interesse comum no resultado da exploração da atividade econômica ensejadora do fato gerador da obrigação tributária, com o interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador. Fl. 31279DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.280 46 Aquele é irrelevante para gerar da responsabilidade solidária. Este acarreta a responsabilidade solidária, porque as pessoas envolvidas praticam conjuntamente a atividade tipificada pela norma tributária. 149. Depois dessas considerações, chegase a duas conclusões preliminares: 1) os negócios praticados pela fiscalizada em conjunto com as pessoas físicas e jurídicas referidas nos autos pela Autoridade Fiscal a quo são fraudulentos e 2) a responsabilidade solidária que foi imputada aos 69 angariadores desses negócios ilícitos é procedente independente da forma jurídica adotada para fazer parte da organização encabeçada pela EIRELI Lance. (...) Interesse comum dos responsáveis solidários 154. Como vista acima, não importa a forma adotada nos negócios entre a fiscalização e seus angariadores com o propósito de circunscrever a responsabilidade dos membros da organização, seja a de SCP, seja a de contratos de prestação de serviços. Se o objeto último do contrato é ilícito, o instrumento adotado é inválido nos termos do art. 104, II, do Código Civil. 155. Não é possível, pois, a qualquer dos 69 angariadores alcançados pela imputação dos Autos de Infração e, em particular, aos 45 que formalizaram impugnação, evadirse da responsabilidade solidária, por possuírem inegável interesse comum nos termos do art. 124, I, do CTN. 156. O argumento recorrente adotado pelos impugnantes solidários é o do importa distinguir o interesse econômico comum na exploração da atividade, que é indiscutível no caso concreto, com o interesse jurídico comum nas situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias; vale dizer, aquele relacionado com a situação mesma que constitui o núcleo da exação tributária. Com efeito, doutrina e jurisprudência são uníssonas em exigir que seja comprovada a relação jurídica entre as pessoas que se supõe estar vinculadas pela solidariedade. 157. Importa, antes de continuar, entender o que significa "interesse comum"? 158. Há situações econômicas em que mais de uma pessoa ocupa uma mesma posição na relação jurídica em relação a outras na concretização de negócios jurídicos. No caso em tela o que se verifica é a existência de uma organização especializada na distribuição de títulos ilíquidos com o propósito de serem aproveitados em pedidos de compensação formulados por terceiros desavisados ou malintencionados. Notese que os agentes dessa organização não estão em posição oposta uns em relação aos outros, mas são, de facto, sócios do empreendimento ilícito. 159. Nesse contexto, resta caracterizada a responsabilidade solidária na forma prevista no artigo 124, I, da prevista no artigo 124, I, do CTN, posto Fl. 31280DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.281 47 que todos participavam em conjunto do negócio de distribuição de papeis vencidos, vale dizer, estavam ligados à materialidade do fato gerador da obrigação principal e, portanto, tinham interesse comum na sua ocorrência. 160. O vínculo se dava pela gerência e pela operação conforme descrito pela Autoridade Fiscal a quo e reproduzidas antes neste voto. O que se verifica é a existência de um grupo econômico de fato criado com o propósito exclusivo de reduzir riscos que age, contudo, como uma unidade nos benefícios auferidos e como entidades distintas em relação às externalidades negativas dos negócios em especial a incidência de tributos. 161. É pacifico o entendimento que, nessas circunstâncias, o que se verifica é a ocorrência de abuso de direito, conforme estatuído no art. 187 do Código Civil reproduzido abaixo. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 162. São solidariamente responsáveis pelos débitos tributários, pois, as pessoas jurídicas envolvidas em grupos econômicos de fato, por serem, na verdade, integrantes de uma mesma sociedade em sentido lato. O interesse comum, assim constituído, enseja a responsabilidade solidária pois decorre da unidade de interesse jurídico das várias pessoas físicas e jurídicas associadas. 163. Segundo Rubens Gomes de Souza in Compêndio de Legislação Tributária 3ª edição, RJ, Ed Financeiras, 1964, p. 67, é solidária a pessoa, física ou jurídica, que realiza, conjuntamente com outra ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação, ou seja, todas as pessoas que tiram uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado, 164. E ainda segundo CAMELO, B. T. L. in Grupo Econômico de Fato. RDDT170/16, nov/09: (..) quando as várias pessoas jurídicas atuam em conjunto para o benefício de uma só atividade (como vários sócios de uma sociedade de fato), há claro interesse comum nos atos negociais (de propriedade e de circulação). 165. Depreendese, portanto, que forçosamente há uma só entidade ocupando um dos poios de uma relação jurídica, atuando em conjunto para o benefício da atividade ilícita perseguida, com uma mesma estrutura física, confundindose, conforme relato fiscal, administrativa e operacionalmente. 166. Desse modo, escorreita é a conclusão da Fiscalização: todas as pessoas autuadas participavam em conjunto da materialização do fato gerador da obrigação principal, amoldandose, assim, ao que dispõe o art. Fl. 31281DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.282 48 124, I, do CTN. Resta então configurada a responsabilidade tributária de todos os 69 envolvidos, conforme pormenorizadamente identificados nos Termos de Sujeição Passiva Solidária e no Termo de Verificação Fiscal Final juntados aos autos. Em brevíssimo resumo, as pessoas imputadas e as quais tiverem o recurso voluntário conhecido, alegaram em síntese: a) exceto pelo contrato de SCP, não há outros vínculos entre a fiscalizada e as imputadas, e muito menos a formação de grupo econômico; b) a receita que circulou entre a fiscalizada e as imputadas consiste de distribuição legítima de lucros nos termos dos contratos de SCP; c) não existe interesse comum entre o valor individual auferido pelas imputadas e o resultado global da fiscalizada, em outras palavras não há interesse comum de todos os negócios desta, com os negócios daquela; d) não possuem interesse comum com a fiscalizada que justifique a imputação de responsabilidade solidária e que as notas fiscais emitidas, em razão dos contratos celebrados são válidas; e) os eventuais fatos geradores específicos de cada uma delas, não podem ser associados a todos os atos supostamente ilícitos praticados pela fiscalizada; f) se houve ato praticado com excesso de poder, esse deve ser atribuído ao titular da fiscalizada; g) não há vínculo entre ela e a fiscalizada, muito menos grupo econômico e, desse modo, não há interesse comum que justifique atribuição elaborada pela Autoridade Fiscal; h) O contrato de SCP não implica a existência de vínculo permanente com a fiscalizada, nem tampouco a formação de um grupo econômico. Pois bem. Passemos a análise. Com relação à imputação de responsabilidade solidária capitulada no art. 124, I, do CTN efetuada pela fiscalização, passo a demonstrar minha divergência quanto ao entendimento da Turma Julgadora “a quo”, haja vista que a DRJ, ratificando os termos da autuação, atribuiu responsabilidade aos recorrentes pelos seguintes fatos: “1) os negócios praticados pela fiscalizada em conjunto com as pessoas físicas e jurídicas referidas nos autos pela Autoridade Fiscal a quo são fraudulentos e 2) a responsabilidade solidária que foi imputada aos 69 angariadores desses negócios ilícitos é procedente independente da forma jurídica adotada para fazer parte da organização encabeçada pela EIRELI Lance.” Fl. 31282DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.283 49 Relativamente à formação do grupo econômico, a autoridade fiscal apurou o seguinte: O grupo de fraudadores reuniuse com o propósito de oferecimento a empresários de pretensos direitos, sem que tivesse havido a chancela do poder judiciário, reconhecendo a pretensão deduzida em juízo; A lei proíbe relação contratual que celebre direitos e obrigações baseados em apenas pretensões sobre direitos em face da União, sem que tenha havido o transito em julgado, visando compensação com tributos federais; Consequência do não atendimento aos princípios contratuais, que tais contratos são considerados nulos; Com base no que foi exposto no presente item, sobre a sujeição passiva solidária, não há qualquer proteção jurídica aos vendedores dos títulos, em vista da nulidade absoluta dos contratos de SCP, cujas receitas obtidas motivaram a constituição das infrações dos presentes autos. (..) sem se falar em fraude, (..) por força da nulidade absoluta dos contratos de SCP ilegais, tais vendedores amoldamse com o interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador, acarreta a responsabilidade solidária, porque tais comissionados envolveramse na prática da atividade tipificada pela norma tributária (ajudaram a vender os títulos e foram regiamente pagos pelo trabalho). (..) pressupõe ter havido fraude ou conluio, em face dos adquirentes e fazenda pública. Ratificando as razões do lançamento fiscal, portanto, a Turma Julgadora “a quo” entendeu que o fato dos negócios praticados pela fiscalizada em conjunto com as pessoas físicas e jurídicas são fraudulentos, sendo fato suficiente à caracterização do interesse comum inscrito no art. 124, I, CTN. Contudo, não se pode perder de vista que a caracterização do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária é condição imprescindível à configuração da responsabilidade solidária em corolário do disposto em lei, isto é, no art. 124, I, CTN. Isto porque, o direito tributário impõe à administração fiscal a obediência aos primados da tipicidade e estrita legalidade tributária, máxime no que tange à cobrança dos tributos. Ocorre que, só com a efetiva comprovação de fraude perpetrada pelos responsáveis solidários é que atrai a atribuição de responsabilidade tributária a todos os “angariadores” dos negócios do devedor principal. Fl. 31283DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.284 50 Não há disposição legal que justifique a imputação do efeito tributário da “responsabilidade” ante a verificação da existência de nulidade dos contratos firmados pela Lance e os “angariadores” de seus negócios. Conforme orienta Paulo de Barros Carvalho (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17ª ed., São Paulo: Editora Saraiva, 2005, p.317), a expressão interesse comum, sendo vaga, “não é um roteiro seguro para a identificação do nexo que se estabelece entre os devedores da prestação tributária”, ou seja, para efeito da solidariedade deve prevalecer o critério de que duas ou mais pessoas estejam colocadas sob uma mesma hipótese de incidência tributária, como ocorre no caso do IPTU incidente sobre um mesmo imóvel, pertencente a várias pessoas.” Em outras palavras, não basta que haja um suposto interesse genérico, mas sim um interesse jurídico, no qual há direitos e deveres comuns entre as pessoas situadas em um mesmo lado da relação jurídica que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Logo, a solidariedade que se refere o inciso I, do art. 124, do CTN pressupõe que não haja bilateralidade no centro do fato jurídico tributário, ou seja, pressupõe que os partícipes do fato tributado não estejam em posições contrapostas, com objetivos antagônicos. Portanto, somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum (art. 124, I do CTN) nos lançamentos fiscais se a Autoridade Fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude, situação não evidenciada no presente caso. Nesse sentido é o entendimento do STJ (Resp. 884.845/SC). Vejamos a Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃOFISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO.SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC.INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 2. A Lei Complementar 116/03, definindo o sujeito passivo da regramatriz de incidência tributária do ISS, assim dispõe: "Art. 5º. Contribuinte é o prestador do serviço."6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido Fl. 31284DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.285 51 dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). 11. In casu, verificase que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. Fl. 31285DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.286 52 12. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A. (Grifei) Como se pode observar, a análise da própria estrutura do CTN leva à conclusão de que a solidariedade prevista no artigo 124,I não é espécie de sujeição passiva tributária por responsabilidade indireta, pois o instituto encontra regulamentação em seção distinta e apartada do Capítulo V, que trata da sujeição passiva indireta (responsabilidade tributária). Segundo Misabel Derzi, “a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias”. Sendo assim, não pode a fiscalização, lançando mão da solidariedade por “interesse comum”, ampliar a sujeição passiva do tributo, sob pena de infringência frontal ao Princípio da Estrita Legalidade e ao Princípio da Tipicidade (delimitador dos aspectos estruturais da hipótese de incidência) Ante o exposto, dou provimento aos recursos voluntários dos abaixo enumerados para excluílos do polo passivo da presente obrigação tributária. NOME CNPJ/CPF AUN ADM E PLADE 00.874.116/000150 JOEL RIBEIRO DOS REIS 099.931.95820 ALEXANDRE BARROS CONSULTORIA TRIBUTARIA EIRELI 10.328.512/000135 TADEU ASCHENBRENNER 007.037.68832 WILSON ROGERIO CONSTANTINO MA 177.913.90809 RASTELLI & ADVOGADOS ASSOCIADOS 10.358.451/000148 KETLIN MARIA DO NASCIMENTO FIG 955.336.13315 VALTER FERNANDES DE MELLO 025.845.92800 Fl. 31286DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.287 53 HERMINIO SANCHES FILHO 202.639.43852 GUSTAVO MENDES PEQUITO 195.746.77893 CESAR SOUSA BOTELHO 277.450.00874 FIVE CONSULTORIAEIRELIME 09.337188/000132 EXACTHUS ASSESSORIA CONTABIL 56.561.871/000139 M. INOUE CONSULTORIA LTDAME 10.413.621/000150 GILBERTO JOSÉ TORRES ME 10.267.286/000120 QUILES PARTICIPAÇÕES LTDA ME 09.609.676/000151 JOSEMEIRE MOREIRA 106.483.51807 REAL ASSESSORIA LTDA – ME 08.721.034/000187 MARCELO LISCIOTTO ZANIN 169.681.60846 GERSON LUIZ LAMB 589.850.50915 LOGUS ASSESSORIA CONS TREINAMENTOS E INFORMÁTICA LTDA ME 68.221.050/000132 BORIM & ASSOCIADOS – CONULTORIA TRIBUTARIA LTDA.ME 72.868.896/000136 HAMILTON CESAR LEAL DE SOUSA 519.249.19168 NILTON DO CARMO CHAGAS 331.791.23834 Fl. 31287DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.288 54 HMP – X 13.420.214/000169 MAURO SÉRGIO THOME 926.782.89834 AP CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDAME 26.636.357/000154 LEANDRO ANTUNES ZERATI 322.303.31817 UDELCIO DEMCZUK 600.459.22934 BARROS & ROSSI – ASSESSORIA CONTABIL LTDAME 08.684.610/000163 TOTAL CONSULTORIA LTDA – ME 13.984.326/000142 VICENTE LAURIANO FILHO 980.901.27800 MC RIO PRETO PROCESSAMENTO DE DADOS LTDAME 12.437.391/000176 EDU MARIANO DE SOUZA JUNIOR 704.947.20182 MARCOS ANTONIO CAVILHA 309.132.09953 KELLY CRISTINA ATHAYDE 005.169.03900 SP CONSULT SÃO PAULO CONSULTORES ASSOSSIADOS LTDA 13.983.694/000176 DIAGRAMA PLANEJAMENTO E CONSULTORIA LTDA 04.674.914/000199 EFRATA CONSULTORIA JURIDICA E TRIBUTARIA LTDA 82.269.960/000116 Conclusão Fl. 31288DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.289 55 De todo exposto, voto por: 1) não conhecer do recurso voluntário da empresa IGARATEC; 2) Na parte conhecida, rejeito as preliminares suscitadas, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da Lance Consultoria e do seu sócio Paulo Roberto Brunetti, mantendo na íntegra os autos de infração em relação a EIRELI Lance e também por manter a imputação de responsabilidade a seu titular, senhor Paulo Roberto Brunetti, CPF n° 080.810.20870, com fundamento no art. 135, III, do CTN; 3) Dar Provimento aos recursos voluntários dos abaixo enumerados para excluílos do polo passivo da presente obrigação tributária; NOME CNPJ/CPF AUN ADM E PLADE 00.874.116/000150 JOEL RIBEIRO DOS REIS 099.931.95820 ALEXANDRE BARROS CONSULTORIA TRIBUTARIA EIRELI 10.328.512/000135 TADEU ASCHENBRENNER 007.037.68832 WILSON ROGERIO CONSTANTINO MA 177.913.90809 RASTELLI & ADVOGADOS ASSOCIADOS 10.358.451/000148 KETLIN MARIA DO NASCIMENTO FIG 955.336.13315 VALTER FERNANDES DE MELLO 025.845.92800 HERMINIO SANCHES FILHO 202.639.43852 GUSTAVO MENDES PEQUITO 195.746.77893 CESAR SOUSA BOTELHO 277.450.00874 FIVE CONSULTORIAEIRELIME 09.337188/000132 Fl. 31289DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.290 56 EXACTHUS ASSESSORIA CONTABIL 56.561.871/000139 M. INOUE CONSULTORIA LTDAME 10.413.621/000150 GILBERTO JOSÉ TORRES ME 10.267.286/000120 QUILES PARTICIPAÇÕES LTDA ME 09.609.676/000151 JOSEMEIRE MOREIRA 106.483.51807 REAL ASSESSORIA LTDA – ME 08.721.034/000187 MARCELO LISCIOTTO ZANIN* 169.681.60846 GERSON LUIZ LAMB 589.850.50915 LOGUS ASSESSORIA CONS TREINAMENTOS E INFORMÁTICA LTDA ME 68.221.050/000132 BORIM & ASSOCIADOS – CONULTORIA TRIBUTARIA LTDA.ME 72.868.896/000136 HAMILTON CESAR LEAL DE SOUSA 519.249.19168 NILTON DO CARMO CHAGAS 331.791.23834 HMP – X 13.420.214/000169 MAURO SÉRGIO THOME 926.782.89834 AP CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDAME 26.636.357/000154 LEANDRO ANTUNES ZERATI 322.303.31817 Fl. 31290DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.291 57 UDELCIO DEMCZUK 600.459.22934 BARROS & ROSSI – ASSESSORIA CONTABIL LTDAME 08.684.610/000163 TOTAL CONSULTORIA LTDA – ME 13.984.326/000142 VICENTE LAURIANO FILHO 980.901.27800 MC RIO PRETO PROCESSAMENTO DE DADOS LTDAME 12.437.391/000176 EDU MARIANO DE SOUZA JUNIOR 704.947.20182 MARCOS ANTONIO CAVILHA 309.132.09953 KELLY CRISTINA ATHAYDE 005.169.03900 SP CONSULT SÃO PAULO CONSULTORES ASSOSSIADOS LTDA 13.983.694/000176 DIAGRAMA PLANEJAMENTO E CONSULTORIA LTDA 04.674.914/000199 EFRATA CONSULTORIA JURIDICA E TRIBUTARIA LTDA 82.269.960/000116 4) Destaco que ficam mantidas as demais pessoas físicas e jurídicas como devedores solidários, exonerandose do encargo somente os listados no item 3 da parte dispositiva do presente acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 31291DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.292 58 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado. Permissa venia ao D. Relator, mormente quanto a qualificação da multa e a responsabilidade do Sr. Paulo Roberto Brunetti, mais especificamente quanto ao lançamento concernente ao IRPJ e a CSLL, entendo, no que fui acompanhado pela maioria de meus pares, que a demanda encerra uma solução distinta daquela constante o voto vencido. Com efeito, particularmente quanto a exigência do IRPJ e da CSLL, notese que o trabalho fiscal apontou como sua causa justificadora, o erro de apuração dos tributos pela adoção de percentual/base de cálculo equivocada. Isto, não obstante encerrar, de fato, a falta de recolhimento ou recolhimento por valores inferiores aos efetivamente devidos, não permite, outrossim, inferir a ocorrência de qualquer ato ou fato que possa, de alguma forma, tipificar um ato evasivo, fraudulento, simulado ou, de qualquer sorte, tendente à ocluir o próprio fato gerador das exações ou de se lhe modificar os elementos essenciais. Tratase, para além de dúvidas razoáveis, de simples erro material incorrido no cômputo dos montantes devidos, assemelhandose, à toda evidência, ao simples inadimplemento da obrigação principal por equívoco quanto a interpretação da legislação ou mesmo, mero engano quando do ato do preenchimento das competentes declarações. E isto, nem de longe, implica a verificação de quaisquer das hipóteses preconizadas pelo arts. 71 a 73 da Lei 4.502/68, não autorizando, igualmente, a aplicação da grave imputação descrita pelo art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96. Outrossim, e mesmo quanto ao IRRF, também não se vislumbram, aqui, quaisquer elementos suficientes para a imposição da multa qualificada, não bastando, no caso, para gravar de forma tão onerosa a penalidade, a identificação de pagamentos de causa nebulosa, sendo essencial que se decline a prática de atos fraudulentos ou simulados ou, ainda, praticados em conluio com terceiros. E, digase, a existência de interpostas pessoas ou, mesmo, a prática dos atos atentatórios à justiça consistentes na venda de "títulos podres", não obstante criticáveis sob o prisma da responsabilidade civil e, mesmo, sob o foco da moral e do senso de justiça, não indicia a fraude "fiscal"; isto é, estes atos não foram erigidos (ao menos em se considerando os elementos das autos) com o fito de evadirse a tributação, pelo que, evidente também quanto ao IRRF, a impossibilidade de se exigir a multa qualificada. Quanto a responsabilidade do Sr. Paulo Roberto Brunetti, o seu afastamento se impõe, quanto ao IRPJ e a CSLL, como consequência lógica do que foi decidido em relação à qualificação da multa. Se não há provas sobre a prática de atos infracionários, à luz dos preceitos dos arts. 71 a 73, da já citada Lei 4.502, inexiste, igualmente, qualquer possibilidade de se lhe imputar a responsabilidade com espeque nos preceitos do art. 135, III, do CTN, notadamente a luz dos preceitos da Súmula 430 do STJ, cujo enunciado reproduzo a seguir: SÚMULA N. 430. O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Fl. 31292DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.293 59 Quanto ao Fonte, a Turma acompanhou integralmente o Relator, mantendo se, pois, a responsabilidade do Sr. Paulo Roberto Brunetti notadamente por entender que o desenvolvimento de uma atividade ilícita pela empresa, sob a batuta de seu gestor, seria suficiente para demonstrar a prática do ato contrário ao estatuto ou contrato social, descrita no art. 135, III, do CTN. O exercício de tal atividade, todavia, não contribuiu para a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, justificandose, aí, o afastamento da responsabilidade tributária exclusivamente quanto a estes dois tributos. A luz dos exposto, voto por dar parcial provimento Recurso Voluntário do contribuinte tão só para afastar a qualificação da multa de ofício. Quanto ao recurso voluntário do devedor solidário Paulo Roberto Brunetti, voto, igualmente, por dar parcial provimento a fim de excluir a sua responsabilidade somente em relação aos créditos relativos ao IRPJ e à CSLL. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 31293DF CARF MF
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Numero do processo: 13681.000008/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1999, 2000
RECOLHIMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ainda que o recolhimento se mostre indevido, por ser decorrente de exigência prevista em preceito legal declarado inconstitucional pelo STF, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contado da extinção do crédito tributário pelo pagamento.
Numero da decisão: 2201-004.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1725; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 38 1 37 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13681.000008/200942 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.841 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria RESTITUIÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente SERGIO MARCOS SOARES DE BRITO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 1999, 2000 RECOLHIMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ainda que o recolhimento se mostre indevido, por ser decorrente de exigência prevista em preceito legal declarado inconstitucional pelo STF, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contado da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata o presente de recurso formalizado em face do Despacho Decisório nº 186/2009, exarado por delegação de competência do Titular Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros/MG, fl. 32 e 33. O objeto da lide administrativa, formalizada em 05 de janeiro de 2009, é um requerimento de restituição de valores indevidos recolhidos à Previdência Social, no período de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 1. 00 00 08 /2 00 9- 42 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13681.000008/200942 Acórdão n.º 2201004.841 S2C2T1 Fl. 39 2 01/1999 a 12/2000, com base na alínea "h" do art. 12 da lei 8.212/91, que tinha a seguinte redação: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) h) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; O pleito foi indeferido, em caráter preliminar, em razão do que prevê o art. 3º da IN MPS/SRF nº 15/20061, que disciplinou especificamente a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Cientificado do indeferimento do pleito, o contribuinte formalizou, tempestivamente, o recurso de fl. 35 e 36, em que apresenta, em síntese, sua convicção de que o prazo para pleitear a restituição deve ser contado a partir do reconhecimento da dívida por parte do INSS e, portanto, não se deve falar em início da contagem de tal prazo antes de se tornar definitiva a decisão judicial sobre o tema. Ademais, sustenta que as Instruções Normativas MPS/SRP não poderia retroagir nem revogar um direito líquido e certo. É o relatório necessário. 1 Art. 3º O direito de efetuar compensação ou de solicitar restituição a que se refere esta Instrução Normativa prescreve em cinco anos, contados a partir do pagamento. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRP nº 18, de 10 de novembro de 2006) Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender às demais condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. A questão em tela não é nova nesta Corte administrativa e restringese a se definir o momento do início da fluência do prazo decadencial para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em razão de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. É fato que a contribuição previdenciária, na condição de empregado, do exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, que não estivesse vinculado a regime próprio de previdência social, prevista na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, foi declarada inconstitucional em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13681.000008/200942 Acórdão n.º 2201004.841 S2C2T1 Fl. 40 3 nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná, dando azo à Resolução do Senado Federal nº 26/2005 determinando a suspensão da vigência do texto legal, gerando assim efeitos erga omnes. A limitação temporal que motivou o indeferimento do pedido de restituição, embora tenha sido citado pela decisão que esta se deu ao amparo da IN MPS/SRP nº 15/2006, tem seu lastro legal de validade no art. 168 da Lei 5.172/66 (CTN), que assim dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Portanto, não há de se falar em retroação ou revogação de direito líquido e certo levadas a termo por Instrução Normativa. A previsão contida no inciso II acima não alcança o presente caso concreto, já que o valor pleiteado não decorreu de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, mas tão só de recolhimento efetuado de forma regular, no que se conhece por lançamento por homologação que, nos termos do art. 150 do mesmo CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Portanto, o caso ora sob apreço, enquadrase no inciso I do citado art. 168, por corresponder a cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior. Assim, tendo em vista que o referido comando legal não traz em seu bojo qualquer ressalva, é evidente que o marco inicial para contagem do prazo decadencial é a data da extinção do crédito tributário, que, neste caso, ocorreu com o pagamento. É neste momento que ocorre a violação do direito e, portanto, ocorre o pagamento indevido. Tanto é assim que a Lei Complementar nº 108/2005 tratou de "interpretar" o citado inciso I, prevendo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966– Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Em julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, o Supremo Tribunal Federal concluiu: RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13681.000008/200942 Acórdão n.º 2201004.841 S2C2T1 Fl. 41 4 DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13681.000008/200942 Acórdão n.º 2201004.841 S2C2T1 Fl. 42 5 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido O instituto da decadência se caracteriza pela extinção de um direito por não ter sido exercido no prazo legal, o que leva ao perecimento do próprio direito pela inércia de seu titular. Portando, deveria o contribuinte, no prazo especificado, promover a ação necessária à tutela do seus interesses, já que até o dia 08 de junho de 2005, ainda remanescia intacto seu direito de pleitear a restituição do valor que se discute no presente. Após essa data, aplicável o prazo fixado no art. 168 do CTN e reproduzido no art. 3º da IN MPS/SRF nº 15/2006, cuja fluência, sem o exercício do direito, resulta no necessário reconhecimento de que a inércia do seu titular levou a sua extinção. Assim, não há mácula que imponha a reforma da decisão recorrida. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660248/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/07/2001
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.022
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/07/2001 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 48 /2 01 1- 81 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.660248/201181 Acórdão n.º 3201004.022 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da apuração equivocada da contribuição sobre receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual (ZFM), que em hipótese alguma deviam ser tributadas, tendo em vista que o art. 4º do Decreto nº 288/1967 equiparara as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus àquelas destinadas à exportação, imunes às contribuições por força do art. 149 da Constituição Federal. Alegou, ainda, que, mesmo diante da ausência de retificação das declarações (DCTF e DIPJ), o crédito deveria ser reconhecido, pois, uma vez constatada a existência de erro de fato conforme demonstrativo e documentos apresentados , era dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício, em conformidade com os princípios da verdade material, da moralidade administrativa e da vedação ao enriquecimento ilícito. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.226, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a isenção das contribuições, a partir de 18 de dezembro de 2000, alcançava exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, com fim específico de exportação, e para as empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. Segundo a DRJ, as vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, deviam ser tributadas normalmente. Afastou a DRJ o pedido alternativo de realização de diligência e as arguições de nulidade e de afronta a princípios constitucionais. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.660248/201181 Acórdão n.º 3201004.022 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.013, de 23/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.660222/201132, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.013): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.660248/201181 Acórdão n.º 3201004.022 S3C2T1 Fl. 5 4 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.660248/201181 Acórdão n.º 3201004.022 S3C2T1 Fl. 6 5 verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução histórica dos dispositivos legais e regulamentares Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.660248/201181 Acórdão n.º 3201004.022 S3C2T1 Fl. 7 6 anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4º: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.660248/201181 Acórdão n.º 3201004.022 S3C2T1 Fl. 8 7 O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.660248/201181 Acórdão n.º 3201004.022 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifouse) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.660248/201181 Acórdão n.º 3201004.022 S3C2T1 Fl. 10 9 exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decreto lei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretos leis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.660248/201181 Acórdão n.º 3201004.022 S3C2T1 Fl. 11 10 estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.660248/201181 Acórdão n.º 3201004.022 S3C2T1 Fl. 12 11 Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720291/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA. PRESUNÇÃO DE SAÍDA DE MERCADORIA. EXIGÊNCIA DO IPI CORRESPONDENTE.
Comprovada a omissão de receitas em virtude de depósitos bancários com origens não comprovadas, considera-se proveniente de vendas não registradas, exigindo-se o IPI correspondente.
APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA. EXIGÊNCIA COM BASE NA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA.
Uma vez que foram apuradas receitas cuja origem não foi comprovada, e sendo o contribuinte fabricante de produtos sujeitos a alíquotas distintas, a exigência deve ser feita com base na alíquota mais elevada.
Numero da decisão: 1402-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA. PRESUNÇÃO DE SAÍDA DE MERCADORIA. EXIGÊNCIA DO IPI CORRESPONDENTE. Comprovada a omissão de receitas em virtude de depósitos bancários com origens não comprovadas, considerase proveniente de vendas não registradas, exigindose o IPI correspondente. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA. EXIGÊNCIA COM BASE NA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. Uma vez que foram apuradas receitas cuja origem não foi comprovada, e sendo o contribuinte fabricante de produtos sujeitos a alíquotas distintas, a exigência deve ser feita com base na alíquota mais elevada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 91 /2 01 1- 45 Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 1402003.612 S1C4T2 Fl. 1.016 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 1402003.612 S1C4T2 Fl. 1.017 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 1144.537 2ª Turma da DRJ/REC, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Tratase de Impugnação contra Auto de Infração do IPI, lançado com multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo a duas infrações: 1 – venda sem emissão de nota fiscal apurada em decorrência de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, durante todos os meses de 2008 (infração reflexa de lançamento do IRPJ, objeto de processo diverso); 2 – recolhimento a menor relativo ao período de apuração encerrado em 31/01/2008. Conforme o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades que integra o lançamento, na infração 1 foi aplicada a maior alíquota do IPI (5%) os valores correspondentes às receitas mensais presumidamente omitidas, procedendose em seguida à reconstituição da escrita fiscal, com inclusão dos débitos decorrentes da omissão de receita e aproveitamento dos saldos credores escriturados pela contribuinte nos meses de fevereiro e dezembro de 2008. Na Impugnação, tempestiva, a contribuinte menciona inicialmente que vem tentando desde o início da fiscalização, junto ao Banco Itaú S/A, sucessor do Unibanco, a obtenção de cópias dos contratos de antecipação de recebíveis futuros, como já informado ao AuditorFiscal. Em seguida adentra no mérito, citando o art. 146, III, da Constituição Federal, arguindo ter havido erro nas autuações, por um “motivo simples” (fl. 933): embora os créditos bancários, em tese, possam identificar indícios de receitas omitidas, tais operações não caracterizam, por si só, receita ou faturamento. Uma mesma quantidade de dinheiro pode circular pelas contas corrente de uma pessoa seguidas vezes, por força de saques e depósitos, descontos de títulos, empréstimos sem que, obviamente, tenha havido qualquer rendimento adicional. Para a Impugnante, “Compete à fiscalização, diante da existência de depósitos que o contribuinte não consiga comprovar a origem o que nem sempre é possível, sobretudo por uma pequena empresa que não dispõe de maiores recursos humanos , desenvolver os trabalhos, com vistas à Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 1402003.612 S1C4T2 Fl. 1.018 4 identificação de outros elementos seguros, que possam comprovar omissão de receita.” Informa ter criado um departamento especial para cobrar os clientes inadimplentes, que logrou receber mais de R$ 640.000,00 (seiscentos e quarenta mil reais) de créditos referentes às vendas efetuadas nos anos de 2004/05/06/07, cujas vendas foram devidamente tributadas. Contesta a forma como foi apurada a suposta falta de recolhimento de IPI, “imposto que dever ser apurado, entre a diferença das compras e das receitas, que neste caso não foi feito, tomouse por base a suposta falta de emissão de nota fiscal de saída, para tributar como produtos com incidência de IPI” (fl. 934), num procedimento que segundo a Impugnante não encontra amparo legal, pois para o IPI existe até livro fiscal próprio, além do que em 2006 os produtos aplicados na construção civil tiveram as alíquotas reduzidas, chegando a zero, acarretando saldo credor desde fevereiro de 2006 por força do Decreto nº 5.697, de 2006. No tópico DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO CARACTERIZA RENDA NEM RENDIMENTOS AUFERIDOS, trata da base de cálculo do Imposto sobre a Renda, reportandose ao art. 43 do CTN e ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e considerando que a única interpretação possível é no sentido de que o legislador admitiu que o depósito bancário fosse tido como indício de receita auferida, cabendo ao Fisco investigar e identificar, por meio de outros elementos seguros, “o fato gerador do IRPF” (sic). Assevera, então, que a presunção estabelecida por uma lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado pelo CTN, mencionando em prol de sua argumentação jurisprudência do STF (RE 1178876SP), do TRF da 4ª Região, da CSRF do Primeiro Conselho de Contribuintes e a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Em seguida contesta a multa de ofício aplicada, supostamente ofensiva aos princípios da segurança das relações jurídicas (alega que há mais de cinco anos, em momento algum, foi notificada pela Receita Federal) e com caráter confiscatório (alega não ter fraudado o Fisco nem sonegado dados ou informações, tampouco agido de máfé), bem como os juros de mora, tidos como abusivos. Requer, ao final, em face de ilegalidade da obrigação principal e inconstitucionalidade de multa e juros, “seja decretada a nulidade do procedimento fiscal e do Auto de Infração, ou, se conhecido seu mérito, que seja julgada improcedente a exigência atacada”, e também seja cancelado o arrolamento de bens que deu origem ao processo nº 16095.720292/201190. É o relatório." Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 1402003.612 S1C4T2 Fl. 1.019 5 O Acórdão de Impugnação nº 1144.537 2ª Turma da DRJ/REC julgou a impugnação improcedente, conforme a seguinte ementa: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA. PRESUNÇÃO DE SAÍDA DE MERCADORIA. EXIGÊNCIA DO IPI CORRESPONDENTE. Comprovada a omissão de receitas em virtude de depósitos bancários com origens não comprovadas, considerase proveniente de vendas não registradas, exigindose o IPI correspondente. RECOLHIMENTO A MENOR. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autorizam o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, irrelevante a boa fé do contribuinte por não se tratar de infração dolosa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Processo Administrativo Fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. Não é nulo o auto de infração que atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência." Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 1402003.612 S1C4T2 Fl. 1.020 6 Recurso Voluntário Inconformada com a decisão a quo, a recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera que: (a) “os valores dos depósitos bancários não podem ser considerados como receita omitida para efeitos dos tributos ora exigidos”; (b) Acrescenta ainda que questionou a alíquota de 5% em sua impugnação, informando que por força do Decreto no 5.697/2006 a alíquota de mais de 90% de seus produtos foi reduzida a “zero”. Declinação de Competência Em sessão de 1/12/2014, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento prolatou o Acórdão nº 3403003.463 no qual declinouse da competência de julgamento à Primeira Seção do Carf, com o entendimento que "Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do RICARF)". Transcrevese excertos do voto condutor do acórdão nº 3403003.463 que declinou da competência para a Primeira Seção do Carf: " O recurso voluntário apresentado versa sobre autuação referente a IPI, mas efetuada diante de procedimento fiscal no qual foram ainda lançados IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Para a única matéria que não era decorrente do lançamento de IRPJ (diferença em relação às vendas contabilizadas no Livro Razão e não contabilizadas no Livro de Saídas) operouse a preclusão, diante da negativa de impugnação. Assim, resta a analisar no presente processo tão somente a matéria reconhecidamente reflexa da autuação de IRPJ, como atesta expressamente o próprio Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (TVCI), à fl. 859: A matéria tributável (receitas mensais presumidamente omitidas), sobre a qual incidiu a alíquota de 5%, acima referida, encontrase discriminada no anexo 5 ao presente Termo. Esta infração é reflexa do lançamento relativo ao IRPJ. Aquele imposto, bem como os reflexos de CSLL, PIS e COFINS foram apurados em processo distinto, em virtude do disposto na Portaria SRF n° 666/2008, que não autoriza a formalização do processo administrativo fiscal de IPI em conjunto com os demais tributos aqui mencionados. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo dos respectivos Autos de Infração de cada tributo. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 1402003.612 S1C4T2 Fl. 1.021 7 Verificada a identidade de base fática, com a correspondente conexão dos processos, impõese a competência estabelecida no art. 2o, IV do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009, atribuída à Primeira Seção deste CARF: "Art. 2o À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ;" (grifo nosso) Assim, ainda que a autuação verse sobre tributo diverso (IPI), resta deslocada a competência para a Primeira Seção se a exigência for lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente ao IRPJ. Sendo inequívoco que a matéria em discussão nestes autos, em relação a IPI, está lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, como se percebe cristalinamente do teor do excerto transcrito do TVCI, concluise pela incompetência desta turma de julgamento (em verdade, desta Seção de Julgamento) para análise do recurso voluntário. Incumbese, então, declinar da competência para julgamento em favor da Primeira Seção deste CARF, na forma do art. 2o, IV do Anexo II do RICARF, na linha do que já decidiu unanimemente esta turma, também em processo referente a IPI: "AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF) (Acórdão n. 3403002.580, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24.out.2013) Diante do exposto, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF." Em seguida o processo foi distribuído no âmbito da 1ª Seção. É o relatório. Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 1402003.612 S1C4T2 Fl. 1.022 8 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Conforme já relatado, o recurso voluntário apresentado versa sobre autuação referente a IPI, mas efetuada diante de procedimento fiscal no qual foram ainda lançados IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Para a única matéria que não era decorrente do lançamento de IRPJ (diferença em relação às vendas contabilizadas no Livro Razão e não contabilizadas no Livro de Saídas) operouse a preclusão, diante da negativa de impugnação. Assim, resta a analisar no presente processo tão somente a matéria reconhecidamente reflexa da autuação de IRPJ, como atesta expressamente o próprio Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (fls. 853 a 907): A matéria tributável (receitas mensais presumidamente omitidas), sobre a qual incidiu a alíquota de 5%, acima referida, encontrase discriminada no anexo 5 ao presente Termo. Esta infração é reflexa do lançamento relativo ao IRPJ. Aquele imposto, bem como os reflexos de CSLL, PIS e COFINS foram apurados em processo distinto, em virtude do disposto na Portaria SRF n° 666/2008, que não autoriza a formalização do processo administrativo fiscal de IPI em conjunto com os demais tributos aqui mencionados. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo dos respectivos Autos de Infração de cada tributo. Verificase que o presente processo é reflexo do processo principal nº 16095.720290/201109, referente ao lançamento de lançados IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, que se encontra na unidade preparadora, em fase posterior à ciência do Acórdão de Impugnação nº 1160.533 4ª Turma da DRJ/REC. Observase, no processo principal, que transcorrido o prazo legal, não consta anexado aos autos recurso voluntário. Por não haver a apresentação de recurso voluntário e por conseqüência não existir um pronunciamento de 2ª instância no processo principal, passase a apreciação do mérito do recurso voluntário do processo reflexo de IPI. Em relação à omissão por falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, é importante frisar que o art. 42 da Lei 9.430/96 dispõe tão somente de um meio de prova indireta de receitas, ou seja, de uma presunção juris tantum que autoriza a Fiscalização a concluir pela existência de receitas omitidas, e somente na hipótese de o contribuinte não lograr êxito em demonstrar a origem de ingressos na sua conta bancária. Tratase, assim, de uma presunção relativa, cabendo prova em contrário, o que não foi realizado a contento pela Recorrente. Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 1402003.612 S1C4T2 Fl. 1.023 9 É importante ainda ressaltar que o art. 42 da Lei 9.430/96 é apenas um meio de prova da existência de receitas omitidas, aplicandose a todos os tributos federais, pois não trata de um aspecto da hipótese de incidência do IRPJ. Conforme já abordado, embora tal presunção legal admitisse a prova em contrário, a Recorrente nada trouxe aos autos que pudesse comprovar a origem dos ingressos nas suas contas bancárias, restando configurada a omissão de receitas. Portanto, cumpridas as exigências previstas no art. 42 da Lei 9.430/96 a fim de apurar receitas omitidas, não há necessidade de se fazer levantamento fiscal distinto para apuração do IPI, sendo que eventual incorreção no lançamento poderia ser alvo de demonstração por parte da Recorrente, o que não ocorreu no caso concreto. Quanto ao questionamento da alíquota aplicável na apuração do IPI, verifica se com base no disposto nos parágrafos §§ 1º e 2º do art. 108 da Lei nº 4.502/641, uma vez que foram apuradas receitas cuja origem não foi comprovada (§ 1º), e sendo o contribuinte fabricante de produtos sujeitos a alíquotas distintas, a autoridade fiscal formalizou a exigência com base na alíquota mais elevada (§ 2º), no caso 5%. Desse modo, conforme se observa, a exigência foi realizada em absoluto compasso com a legislação vigente, sendo que a aplicação da maior alíquota de IPI no período baseouse em expressa disposição de lei. Assim sendo, o lançamento mostrase irretocável, devendo ser mantido em sua integralidade. 1 Art . 108. Constituem elementos subsidiários para o cálculo da produção o correspondente pagamento do impôsto de consumo dos estabelecimentos industriais, o valor ou quantidade da matériaprima ou secundária adquirida e empregada na industrialização dos produtos, o das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãode obra empregada e o dos demais componentes do custo da produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas ou secundárias. § 1º Apurada qualquer diferença, será exigido o respectivo impôsto de consumo, que, no caso, de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas diversas, será calculado com base na mais elevada quando não fôr possível fazer a separação pelos elementos da escrita do contribuinte. § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, será sôbre elas, exigido o impôsto de consumo, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 1402003.612 S1C4T2 Fl. 1.024 10 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1024DF CARF MF
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Numero do processo: 18050.010713/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 42/2003. ALÍQUOTA DE 0,38%. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. NÃO OCORRÊNCIA. RE 566.032-RG.
A Emenda Constitucional nº 42/2003 que prorrogou a CPMF e manteve a alíquota de 0,38% para o exercício de 2004, não se equipara à majoração de tributo. Não houve violação ao princípio da anterioridade nonagesimal (art. 195, §6º da CF). Matéria decidida pelo STF no RE 566.032-RG.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 42/2003. ALÍQUOTA DE 0,38%. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. NÃO OCORRÊNCIA. RE 566.032-RG. A Emenda Constitucional nº 42/2003 que prorrogou a CPMF e manteve a alíquota de 0,38% para o exercício de 2004, não se equipara à majoração de tributo. Não houve violação ao princípio da anterioridade nonagesimal (art. 195, §6º da CF). Matéria decidida pelo STF no RE 566.032-RG. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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ALÍQUOTA DE 0,38%. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. NÃO OCORRÊNCIA. RE 566.032RG. A Emenda Constitucional nº 42/2003 que prorrogou a CPMF e manteve a alíquota de 0,38% para o exercício de 2004, não se equipara à majoração de tributo. Não houve violação ao princípio da anterioridade nonagesimal (art. 195, §6º da CF). Matéria decidida pelo STF no RE 566.032RG. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 01 07 13 /2 00 8- 17 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 18050.010713/200817 Acórdão n.º 3301005.590 S3C3T1 Fl. 110 2 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza o litígio: Tratam os presentes autos de Pedido de Restituição formulado pela contribuinte identificada no preâmbulo (fls. 01 e seguintes), no qual alega recolhimento a maior de CPMF nos períodos de apuração de 01/01 a 31/03/2004, sob o fundamento de que a alíquota aplicável no período seria de 0,08% e não 0,38%, em razão de a Emenda Constitucional nº 42, de 2003, ter introduzido majoração da contribuição sem observância do prazo de 90 dias previsto no art. 195, § 6º, da Constituição da República. No Despacho Decisório às fls. 52/54, exarado pela DRF Salvador/BA, o pedido foi indeferido com a argumentação de que o pleito tem caráter de arguição de inconstitucionalidade de uma Emenda Constitucional, matéria que extrapola a competência da autoridade administrativa, por ser de alçada exclusiva do Poder Judiciário, no seu âmbito de controle difuso e concentrado da constitucionalidade. Cientificada em 28.08.2013 (fl. 55), a contribuinte interpôs em 25.09.2013 a Manifestação de Inconformidade acostada às fls. 57/79, na qual, em sede introdutória, aborda a tempestividade da manifestação e os fatos motivadores do pedido, e, no mérito, volta a acentuar o direito ao crédito, repetindo os mesmos argumentos com que fundamentou a peça inicial. A 2ª Turma da DRJ/BSB, acórdão nº 0359.646, negou provimento à manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: "MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não são detentores de competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade." Tempestivamente, a Recorrente interpôs peça recursal, na qual repisa os exatos termos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 18050.010713/200817 Acórdão n.º 3301005.590 S3C3T1 Fl. 111 3 Entende a Recorrente que houve recolhimento indevido de CPMF, entre 1º de janeiro e 31 de março de 2004, porquanto a alíquota aplicável à exação seria 0,08%, e não 0,38%, conforme retido pela instituição financeira. Aduz que a Emenda Constitucional nº 42, de 31/12/2003, ao acrescentar o art. 90 ao ADCT, teria prorrogado o prazo de vigência da alíquota de 0,38% para a CPMF, quando o referido ADCT, originalmente, em seu art. 86, já teria previsto a alíquota de 0,08% para o ano de 2004. Logo, tal contexto se equipararia à majoração da CPMF, sem observância da anterioridade nonagesimal prescrita no §6º do art. 195 da CF/88. Não merece acolhida o pleito da contribuinte, por duas razões: a) a Súmula CARF n° 2 e b) a decisão proferida pelo STF no RE n° 566.032, em sede de repercussão geral. O juízo de observância pela EC 42 do período nonagesimal disposto no art. 195, §6°, da CF/88, implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF n° 2. Ademais, o STF decidiu no RE n° 566.032, em sede de repercussão geral, que não houve violação ao princípio da anterioridade. Confirase: 1. Recurso extraordinário. 2. Emenda Constitucional nº 42/2003 que prorrogou a CPMF e manteve alíquota de 0,38% para o exercício de 2004. 3. Alegada violação ao art. 195, §6º, da Constituição Federal. 4. A revogação do artigo que estipulava diminuição de alíquota da CPMF, mantendose o mesmo índice que vinha sendo pago pelo contribuinte, não pode ser equiparada à majoração de tributo. 5. Não incidência do princípio da anterioridade nonagesimal. 6. Vencida a tese de que a revogação do inciso II do §3º do art. 84 do ADCT implicou aumento do tributo para fins do que dispõe o art. 195, §6º da CF. 7. Recurso provido. Referido acórdão foi publicado em 23/10/2009 e transitou em julgado em 20/11/2009. E, de acordo com o art. 62, §2º do RICARF, essa decisão é de observância obrigatória neste julgamento. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.907888/2011-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/02/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO RECONHECIDA. PROVIMENTO DO RECURSO COM EFEITOS INFRINGENTES.
É omisso o acórdão que ignora a impertinência do fundamento legal invocado pelo contribuinte em seu recurso voluntário em face do período do crédito vindicado pelo contribuinte.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. AUSÊNCIA DE CONTRAPOSIÇÃO AO FUNDAMENTO LEGAL DA GLOSA.
Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático-jurídico pertinente ao caso decidendo, por absoluta ausência de dialeticidade.
Numero da decisão: 3402-006.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para suprir a omissão do acórdão embargado para, com efeitos infringentes, não conhecer o Recurso Voluntário interposto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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OMISSÃO RECONHECIDA. PROVIMENTO DO RECURSO COM EFEITOS INFRINGENTES. É omisso o acórdão que ignora a impertinência do fundamento legal invocado pelo contribuinte em seu recurso voluntário em face do período do crédito vindicado pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. AUSÊNCIA DE CONTRAPOSIÇÃO AO FUNDAMENTO LEGAL DA GLOSA. Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fáticojurídico pertinente ao caso decidendo, por absoluta ausência de dialeticidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para suprir a omissão do acórdão embargado para, com efeitos infringentes, não conhecer o Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 78 88 /2 01 1- 27 Fl. 115DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em julgamento adoto como meu parte do relatório desenvolvido no acórdão CARF n. 3802004187 fls. 90/97), o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.510, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 11526.60171.040705.1.2.048079, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472851). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 04/07/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 787,07, referente ao pagamento efetuado em 14/02/2003, de PIS/Pasep, código de receita 8109, no valor total de R$ 65.483,40. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109, do período de apuração de 31/01/2003, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10930.907888/201127 Acórdão n.º 3402006.049 S3C4T2 Fl. 116 3 adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso... É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/02/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. Fl. 117DF CARF MF 4 (...). 2. Devidamente processado, o recurso voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 46/49) foi julgado procedente pelo aludido voto, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 14/02/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. 3. Diante deste quadro, a Fazenda Nacional interpôs os embargos de declaração de fl. 99, ao fundamento de que o acórdão embargado seria omisso e obscuro, na medida em que ignorou o fato de que o período objeto de pedido de compensação referiase ao mês de fevereiro de 2003, ou seja, já sob a égide do regime nãocumulativo para o PIS, nos termos da MP n. 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na lei 10.637/02. 4. Tais embargos foram admitidos pelo r. despacho de fls. 101/104 e, em razão do seu potencial efeito infringente, foi dado vista ao contribuinte (despacho de fls. 105/107) que, uma vez intimado (fl. 110), restou inerte. 5. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10930.907888/201127 Acórdão n.º 3402006.049 S3C4T2 Fl. 117 5 Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro I. Do não conhecimento do recurso voluntário interposto 6. Os embargos de declaração interpostos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. 7. De fato, o acórdão embargado foi omisso, na medida em que deixou de analisar a efetiva situação fática que lhe fora posta por intermédio do recurso voluntário de fls. 46/49, qual seja, a inconformidade do contribuinte em relação a glosa de uma compensação referente a um crédito de fevereiro de 2003. E isso porque o referido acórdão abordou o crédito como se ele estivesse sujeito à incidência do disposto na lei 9.718/98, declarada inconstitucional pelo STF por intermédio do precedente firmado no âmbito do RE n. 357.950. 8. Acontece que, como visto, o crédito vindicado pelo contribuinte decorre de pagamento supostamente indevido de PIS realizado em 14 de fevereiro de 2003, referente a competência de janeiro de 2003, ou seja, quando já vigente o conceito de receita estampado na MP 66, de 29 de agosto de 2002, in verbis: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. 9. Convém destacar que, superada a anterioridade nonagesimal, referida incidência passou a vigorar em 30 de novembro de 2002, i.e., antes do período de apuração (janeiro de 2003) objeto de pedido de compensação por parte do contribuinte. 10. Logo, o fundamento legal que deveria ter sido combatido pelo contribuinte, para fins de afastar o despacho decisório de fl. 5, deveria ter sido o disposto no art. 1o da MP 66/02, posteriormente convertida na lei 10.637/02, e não o prescrito no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. 11. Percebese, portanto, que nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário do contribuinte se contrapõem ao fundamento legal do despacho que denegou a compensação perpetrada, o que, por sua vez, conflita com a ideia de dialeticidade, própria das irresignações de caráter judicativo e, em especial aquelas apresentadas no plano recursal, na medida em que o dever de fundamentação analítica da decisão judicial implica o ônus de fundamentação analítica da postulação1. Tal exigência é ainda mais rígida em casos como o aqui tratado, na medida em que o contribuinte contesta ato administrativo, o qual goza de presunção legal de certeza e liquidez. 1 CUNHA, Leonardo Carceiro da. DIDIER JÚNIOR, Fredie. "Curso de direito processual civil". 14a ed. Salvador: JusPodivm. v. 5. 2017. p. 148. Fl. 119DF CARF MF 6 12. É por isso, portanto, que recursos carentes de dialeticidade vêm sendo reiteradamente refutados por este Tribunal Administrativo e, em particular, por esta Turma julgadora. É o que se observa, v.g., da ementa do acórdão n. 3402003.253, da lavra do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. DIALETICIDADE. O Contribuinte deve, em seu Recurso Voluntário, indicar os fundamentos de fato e de Direito pelos quais se insurge contra a decisão recorrida. Não pode ser conhecida a peça recursal que não traz qualquer fundamento, apenas pretendendo juntar novas provas. (...). 13. No mesmo sentido é o acórdão n. 3402003.237, de relatoria da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz que, em preciso voto, assim se manifestou: (...). Isto porque tanto a legislação que rege o processo administrativo fiscal (“PAF”), como o processo civil no âmbito do Poder Judiciário – aplicável subsidiariamente ao PAF , são claras sobre a necessidade de apresentação das razões de fato e de direito em sede recursal, atacando especificamente os fundamentos da decisão recorrida, sob pena de inadmissibilidade da peça recursal. Efetivamente, o Decreto 70.235/72, que rege o PAF, estabelece que: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Muito embora tais dispositivos refiramse textualmente só às “impugnações” ao lançamento tributário, aplicamse igualmente aos “recursos voluntários” apresentados pelos contribuintes ao CARF, haja vista a lógica do efeito devolutivo recursal e o princípio da dialeticidade. Sobre esse último, vale realçar a definição doutrinária sobre o seu conteúdo e alcance. Nas palavras de Nelson Nery Junior: A doutrina costuma mencionar a existência de um princípio da dialeticidade dos recursos. De acordo com este princípio, exige se que todo recurso seja formulado por meio de petição pela qual a parte não apenas manifeste sua inconformidade com o ato judicial impugnado, mas, também e necessariamente, indique os Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10930.907888/201127 Acórdão n.º 3402006.049 S3C4T2 Fl. 118 7 motivos de fato e de direito pelos quais requer o novo julgamento da questão nele cogitada. Rigorosamente, não é um princípio: tratase de exigência que decorre do princípio do contraditório, pois a exposição das razões de recorrer é indispensável para que a parte recorrida possa defenderse. Justamente no sentido de conferir o devido valor ao princípio da dialeticidade, ao não conhecer recursos voluntário apresentados por “negativa geral”, vem se posicionando a jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos julgados abaixo colacionadas: Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/03/1999 a 31/12/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. NEGATIVA GERAL. Recurso voluntário que não declina expressamente as matérias recorridas, limitandose negativa geral, não merece ser conhecido por carência de objeto. (Processo 19647.000531/200467, Data da Sessão 09/12/2010, Acórdão 380301.067). Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NEGATIVA GERAL. As alegações de defesa devem vir acompanhadas dos fundamentos de fato e de direito. Não se admitem, no processo administrativo fiscal, a negação geral, nem as alegações desvinculadas dos elementos constantes do processo administrativo fiscal. (Processo 10880.008813/9811, Data da Sessão 25/08/2009, Acórdão 180300027). Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 RELATÓRIO FISCAL QUE DESCREVE OS FATOS GERADORES E APONTA AS NORMAS QUE ENSEJARAM À AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Ao narrar com clareza os fatos geradores e apontar a legislação que dá suporte à lavratura, o fisco possibilitou ao sujeito passivo todos os dados necessários ao exercício da ampla defesa. NEGATIVA GERAL DA ACUSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Fl. 121DF CARF MF 8 Na defesa/recurso o sujeito passivo deve indicar especificamente os pontos do lançamento que merecem sofrer alteração, não se aceitando a contestação por negativa geral da ocorrência do fato gerador. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia formulado sem que sejam mencionados os quesitos acerca da matéria controvertida e feita a indicação do perito. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DESNECESSIDADE Por ser um benefício concedido pela legislação processual tributária, não há necessidade de se pedir no recurso a suspensão da exigibilidade do crédito. Recurso Voluntário Negado. (Processo 10325.721798/201421, Data da Sessão 12/04/2016, Acórdão 2402005.183). Como já destacado acima, o regime processual civil prevê expressamente a obrigatoriedade de definição específica e clara das razões de apelação, para fins de admissibilidade. Era o antigo texto do artigo 514, inciso II do Código de Processo Civil de 19732 que abrangia tal situação, hoje disciplinada pelo artigo 1.010 do Novo Código de Processo Civil, que manteve o mesmo mandamento normativo. In verbis: Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau, conterá: I os nomes e a qualificação das partes; II a exposição do fato e do direito; III as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade; IV o pedido de nova decisão. Os precedentes do Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) sobre a matéria corroboram o entendimento aqui apresentado: Ementa: PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO E AGRAVO REGIMENTAL. PRECLUSÃO. UNIRRECORRIBILIDADE. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10930.907888/201127 Acórdão n.º 3402006.049 S3C4T2 Fl. 119 9 FUNDAMENTOS DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE NÃO ADMITIU O RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DO ART. 544, § 4º, I, DO CPC. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE, QUE IMPÕE O ATAQUE ESPECÍFICO AOS FUNDAMENTOS. INSUFICIÊNCIA DE ALEGAÇÃO GENÉRICA. PRECEDENTES. MANUTENÇÃO DA DECISÃO ORA AGRAVADA. RECURSO MANIFESTAMENTE INFUNDADO E PROCRASTINATÓRIO. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 557, § 2º, CPC. [...] 4. À luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, compete à parte agravante, sob pena de não conhecimento do agravo, infirmar especificamente os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao reclamo, sendo insuficiente alegações genéricas de não aplicabilidade do óbice invocado. Precedentes. 5. O recurso revelase manifestamente infundado e procrastinatório, devendo ser aplicada a multa prevista no art. 557, § 2º, do CPC. 6. Agravo regimental de fls. 445.448 não conhecido. Pedido de reconsideração de fls. 439.443 recebido como agravo regimental a que se nega provimento, com aplicação de multa (RCD no AREsp 581.722/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 06/11/2014, DJe 11/11/2014). Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. APELAÇÃO. FUNDAMENTOS DA SENTENÇA NÃO IMPUGNADOS. INÉPCIA. (...) É inepta a apelação quando o recorrente deixa de demonstrar os fundamentos de fato e de direito que impunham a reforma pleiteada ou de impugnar, ainda que em tese, os argumentos da sentença. Recurso especial não provido. (REsp 1320527/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/10/2012, DJe 29/10/2012). Ementa: PROCESSUAL CIVIL – RECURSO ESPECIAL – RAZÕES RECURSAIS QUE NÃO ATACAM OS FUNDAMENTOS DA SENTENÇA – AUSÊNCIA DA REGULARIDADE FORMAL – DISSÍDIO NÃO CONFIGURADO. 1. Não merece ser conhecida a apelação se as razões recursais não combatem a fundamentação da sentença Inteligência dos arts. 514 e 515 do CPC Precedentes. Fl. 123DF CARF MF 10 2. Inviável o recurso especial pela alínea "c", se não demonstrada, mediante confrontação analítica, a existência de similitude das circunstâncias fáticas e do direito aplicado. 3. Recurso especial não conhecido. (REsp 1006110/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/09/2008, DJe 02/10/2008). (...). 14. Patente está, portanto, a impertinência da peças defensivas (manifestação de inconformidade e recurso voluntário) apresentadas pelo contribuinte, motivo pelo qual a "insurgência" pretensamente delineada sequer merece conhecimento. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos de declaração interpostos, suprindo a omissão do acórdão embargado para, com efeitos infringentes, não conhecer o recurso voluntário interposto. 6. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.916363/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.158
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 63 63 /2 00 9- 07 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10783.916363/200907 Acórdão n.º 3302006.158 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, por não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que, considerando a alteração do regime constitucional das contribuições (PIS/Cofins) por meio da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, eram inconstitucionais as Medidas Provisórias n° 66/2002 e nº 135/2003 que alteraram as suas base de cálculo e alíquota, carecendo de validade, por conseguinte, as Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003 delas decorrentes. Arguiu, também, o então Manifestante a inexigência da multa moratória, em razão da denúncia espontânea. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1332.102, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de não comprovação do indébito fiscal e da incompetência da autoridade administrativa para apreciar arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.147, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10783.912698/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.147): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10783.916363/200907 Acórdão n.º 3302006.158 S3C3T2 Fl. 4 3 Conforme exposto anteriormente, as alegações da Recorrente se restringem a inconstitucionalidade da MP 135/2003, a saber: l. Considerando que o regime constitucional da COFINS foi alterado pela Emenda Constitucional n” 20, de 15 de dezembro de 1998, concluise ser inconstitucional a Medida Provisória n° 135/2003 que alterou a base de cálculo e alíquota da COFINS; 2. Nesse sentido, carece de validade a Lei n° 10.833/2003, pois decorre de medida provisória inconstitucionalmente editada; 3. Sendo assim, restam indevidos recolhimentos efetuados pela contribuinte com à alíquota majorada de 7,6%, pois deveria ter sido aplicada à alíquota de 3,0%. Neste cenário, impõese observar e aplicar a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, à Medida Provisória nº 135/2003 e à Lei nº 10.833/2003, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, à Medida Provisória nº 66/2002 e à Lei nº 10.637/2002. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660227/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/08/2000
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.017
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/08/2000 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/08/2000 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 27 /2 01 1- 65 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.660227/201165 Acórdão n.º 3201004.017 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da apuração equivocada da contribuição sobre receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual (ZFM), que em hipótese alguma deviam ser tributadas, tendo em vista que o art. 4º do Decreto nº 288/1967 equiparara as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus àquelas destinadas à exportação, imunes às contribuições por força do art. 149 da Constituição Federal. Alegou, ainda, que, mesmo diante da ausência de retificação das declarações (DCTF e DIPJ), o crédito deveria ser reconhecido, pois, uma vez constatada a existência de erro de fato conforme demonstrativo e documentos apresentados , era dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício, em conformidade com os princípios da verdade material, da moralidade administrativa e da vedação ao enriquecimento ilícito. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.208, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a isenção das contribuições, a partir de 18 de dezembro de 2000, alcançava exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, com fim específico de exportação, e para as empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. Segundo a DRJ, as vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, deviam ser tributadas normalmente. Afastou a DRJ o pedido alternativo de realização de diligência e as arguições de nulidade e de afronta a princípios constitucionais. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.660227/201165 Acórdão n.º 3201004.017 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.013, de 23/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.660222/201132, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.013): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.660227/201165 Acórdão n.º 3201004.017 S3C2T1 Fl. 5 4 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.660227/201165 Acórdão n.º 3201004.017 S3C2T1 Fl. 6 5 verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução histórica dos dispositivos legais e regulamentares Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.660227/201165 Acórdão n.º 3201004.017 S3C2T1 Fl. 7 6 anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4º: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.660227/201165 Acórdão n.º 3201004.017 S3C2T1 Fl. 8 7 O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.660227/201165 Acórdão n.º 3201004.017 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifouse) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.660227/201165 Acórdão n.º 3201004.017 S3C2T1 Fl. 10 9 exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decreto lei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretos leis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.660227/201165 Acórdão n.º 3201004.017 S3C2T1 Fl. 11 10 estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.660227/201165 Acórdão n.º 3201004.017 S3C2T1 Fl. 12 11 Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000065/2005-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE
Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
EMPRESA DE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS DESPESAS COM RESÍDUOS DA PRODUÇÃO POSSIBILIDADE DE CRÉDITO
As despesas com disposição final de resíduos da produção são UTILIZADAS direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção de alimentos); são INDISPENSÁVEIS para a produção de alimentos e estão RELACIONADAS ao objeto social do contribuinte.
Numero da decisão: 9303-007.720
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. EMPRESA DE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS DESPESAS COM RESÍDUOS DA PRODUÇÃO POSSIBILIDADE DE CRÉDITO As despesas com disposição final de resíduos da produção são UTILIZADAS direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção de alimentos); são INDISPENSÁVEIS para a produção de alimentos e estão RELACIONADAS ao objeto social do contribuinte.
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NÃO CUMULATIVIDADE Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. EMPRESA DE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS DESPESAS COM RESÍDUOS DA PRODUÇÃO POSSIBILIDADE DE CRÉDITO As despesas com disposição final de resíduos da produção são UTILIZADAS direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção de alimentos); são INDISPENSÁVEIS para a produção de alimentos e estão RELACIONADAS ao objeto social do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 00 65 /2 00 5- 12 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 9303007.720 CSRFT3 Fl. 236 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3302001.865, de 25 de outubro de 2012 (fls. 186 a 205 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de crédito nas despesas com disposição final de resíduos da produção. A discussão dos presentes autos tem origem na declaração de compensação protocolizado pelo Contribuinte em 28/02/2005, no qual consta a indicação de um crédito de R$ 32.543,10, que adviria de PIS Mercado Externo do 4 º trimestre de 2004. Conforme despacho decisório de fls. 125 e 126 foram efetuados os trabalhos da compensação de débitos informados na declaração protocolizada pelo Contribuinte, utilizando o valor deferido de R$ 32.172,71, tendo remanescido, como não homologada, a compensação de R$ 370,39, relativo ao código de tributo “1097”, do período de apuração 01/2005. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: seu pedido de ressarcimento de créditos do PIS, apurados no regime da nãocumulatividade no 4° trimestre de 2004, seriam decorrentes de operações de exportação, Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 9303007.720 CSRFT3 Fl. 237 3 sendo que o fisco entendeu que do valor requerido de R$ 32.543,10, somente R$ 32.172,71, seria legitimo, posto que as despesas indiretas com pessoal (entre essas: alimentação, transporte para o local de trabalho, cestas básicas, despesas com viagens, remédios, uniformes e equipamentos de segurança) e despesas administrativas indiretas (como projetos de produtos, assessoria empresarial, honorários advocatícios, disposição final de resíduos da produção, serviços e telefonia fixa e móvel e vigilância de seus estabelecimentos) não se enquadram no conceito de insumo e não podem ser considerados para fins de apuração dos créditos de PIS não cumulativo; as despesas consideradas indiretas pelo fisco, que consistem em “bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda”, de modo que seria legitimo o seu creditamento, dizendo que o conceito de insumo não pode ficar restrito àqueles produtos e serviços que irão, efetivamente, compor o produto final, e que se tratariam, no caso, de despesas relativas à uniformes e equipamentos de segurança, ao custo de desenvolvimento de produtos, assessoria empresarial, entre outras, as quais, sem dúvida alguma, consistiriam em custos necessários ao desenvolvimento de suas atividades; a base de cálculo que utilizou na apuração de seus créditos encontra total amparo nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não se podendo admitir a interpretação que lhes foi atribuída pelo fisco, que violaria a nãocumulatividade do PIS. Por fim, requer seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade, de modo que o crédito requerido seja integralmente deferido. A 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de crédito nas despesas com disposição final de resíduos da produção, conforme acórdão assim ementado, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 9303007.720 CSRFT3 Fl. 238 4 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, tratase de definição própria. Para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. EMPRESA DE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS DESPESAS COM RESÍDUOS DA PRODUÇÃO POSSIBILIDADE DE CRÉDITO As despesas com disposição final de resíduos da produção são UTILIZADAS direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção de alimentos); são INDISPENSÁVEIS para a produção de alimentos e estão RELACIONADAS ao objeto social do contribuinte. Crédito deferido. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 208 a 219), a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao conceito de insumo para fins de reconhecimento do direito a créditos do PIS e da Cofins não cumulativos, aplicado, no caso, as despesas com disposição final de resíduos da produção. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 20219.127. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição de inteiro teor da ementa do acórdão paradigma no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 221 a 226, sob o argumento que na decisão paradigma foi reconhecido o direito a crédito da contribuição apenas em relação às matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e insumos outros que entrem em contato físico com o produto em fabricação, ou seja, foi adotado o conceito de insumo próprio da legislação do IPI (PN CST 65/79). Por outro lado, na decisão recorrida foi adotado um conceito de insumo mais Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 9303007.720 CSRFT3 Fl. 239 5 abrangente, qual seja se as despesas são utilizadas e indispensáveis no processo produtivo, e se está relacionado à atividade da empresa, independente de entrar em contato físico com o produto em fabricação, tais como os créditos com as despesas com disposição final de resíduos da produção. Com essas considerações, entendeuse ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões e não se manifestou, conforme se verifica às fls. 228 e 232. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 221 a 226. Mérito No mérito, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao conceito de insumo para fins de reconhecimento do direito a créditos do PIS e da Cofins não cumulativos, aplicado, no caso, as despesas com disposição final de resíduos da produção. Inicialmente, destaco que sempre tive o entendimento que é necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 9303007.720 CSRFT3 Fl. 240 6 E que diante disto, sempre entendi não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Essa discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa, até que sobreveio a decisão do STJ, no REsp 1.221.170, em sede de recurso repetitivo, que definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, devendo observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Diante desta decisão, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através da Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, traz que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Ademais, ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se entender que determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Para melhor elucidar, transcrevo trechos da Nota PGFN: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 9303007.720 CSRFT3 Fl. 241 7 “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” (...) 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 9303007.720 CSRFT3 Fl. 242 8 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei n,º 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei n,º 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. No presente caso, recordo que a lide envolve valores referentes concessão de créditos na sistemática não cumulativa do PIS para as despesas com disposição final de resíduos da produção. Ressalta que a contribuinte é uma empresa do ramo de alimentação. Fls,73/74. O ilustre Auditor Fiscal responsável pela análise dos débitos considerou que as: "despesas indiretas com pessoal — entre essas: alimentação transporte para o local de trabalho, cestas básicas, despesas com viagens, remédios, uniformes e equipamentos de segurança — e despesas administrativas indiretas como projetos de produtos; assessoria empresarial, honorários advocaticios, disposição final de resíduos da produção, serviços e telefonia fixa e móvel e vigilância de seus estabelecimentos, evidentemente no se enquadram no conceito de insumo e não podem ser considerados para fins de apuracdo dos créditos de PIS/I'ASEP e COFINS nãocumulativos". Em vista da atividade da empresa, o colegiado, a quo por maioria, entendeu que as despesas com disposição final de resíduos da produção foram utilizadas direta ou Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 9303007.720 CSRFT3 Fl. 243 9 indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção de alimentos); são indispensáveis para a produção de alimentos e estão relacionadas ao objeto social do contribuinte. Geralmente, numa indústria de alimentos, em todas as etapas do processo produtivo, seja o produto final que industrializa, há o descarte de resíduos industriais, em decorrência da transformação da matériaprima. Como os resíduos são orgânicos, por uma questão de saneamento e de procedimento sanitário, procede se o tratamento dos resíduos industriais que consiste no descarte apropriado dos materiais orgânicos. Assim, pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas ambientais, devendo proceder ao tratamento de resíduos. Referida obrigação guarda caráter de essencialidade com o processo produtivo, pois sem o adequado tratamento dos resíduos industriais, a produção seria inviabilizada mediante embargo do órgão ambiental competente. Entendo que no caso dos autos, é inegável que as despesas com a destinação final dos resíduos dos produtos se encaixam no conceito de insumo estabelecido pelo STJ, qual seja: que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 9303007.720 CSRFT3 Fl. 244 10 Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.723076/2013-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/06/2013
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 76 /2 01 3- 70 Fl. 82DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON correspondente ao mês de apuração de outubro/2012. O prazo final de entrega da declaração findou em 07/06/2013, sendo o DACON apresentado apenas em 05/09/2013, conforme indicado na notificação. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação da DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega da DACON. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 53) Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10665.723076/201370 Acórdão n.º 3402006.092 S3C4T2 Fl. 83 3 Intimada desta decisão em 29/05/2015 (efl. 60), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 29/06/2015 (efls. 61/79) alegando, em síntese: (i) o envio das informações relacionadas ao PIS e a COFINS no SPED Sistema Público de Escrituração Digital, inexistindo qualquer prejuízo para a entrega a destempo da declaração; (ii) a ausência de lesão ao fisco que justifique a aplicação da penalidade, vez que todos os tributos apurados foram pagos; (iii) a aplicação do instituto da retroatividade benigna do art. 106, do CTN, vez que o DACON foi definitivamente extinto com o advento da IN RFB 1.441/2014. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo, e cabe ser conhecido. Inicialmente em seu Recurso, a empresa traz dois argumentos visando afastar a multa aplicada: a prestação das informações no SPED e a ausência de qualquer lesão ao erário, vez que os tributos foram devidamente pagos. Primeiramente, destaquese que, considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. Com efeito, descumprido o dever instrumental de enviar a declaração prevista na legislação tributária no prazo previsto pela Receita Federal, o contribuinte pode ser penalizado pela multa prevista no art. 7º, da Lei n.º 10.426/2002, que expressa: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de Fl. 84DF CARF MF 4 entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" (grifei) Quanto à duplicidade das informações solicitadas no DACON em relação à EFDContribuições, ainda que as informações efetivamente pudessem ser por vezes duplicadas, observase que a Receita Federal, até 2014, buscou manter a obrigação de transmissão das duas declarações, como obrigações acessórias distintas. Com efeito, como bem pontuado pela r. decisão recorrida, especificamente para as empresas tributadas pelo lucro real, como a Recorrente, foi mantida, concomitantemente, as obrigações de envio tanto da EFD Contribuições, como do DACON: "Quanto à primeira alegação, é verdade que determinadas empresas obrigadas a adotar e escriturar a EFDContribuições foram dispensadas da entrega da DACON. É o que ocorreu, por exemplo, com as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2013 (art. 1º, caput, da IN RFB nº 1.305, de 26/12/2012). Esta dispensa, porém, não alcançou as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, que continuaram obrigadas a entregar a DACON em relação aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2013 (IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, c/c IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014). Considerandose que a Interessada, no anocalendário em análise, foi tributada com base no lucro real (cfr. pesquisa, fl. 52), não há como dispensála da entrega da DACON referente ao mês 10/2012." (efl. 55) Com efeito, a exigência da transmissão do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013 é depreendida da expressão da Instrução Normativa n.º 1.441/2014, que extinguiu a referida declaração: "Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso." Assim, uma vez que a transmissão da EFDContribuições não dispensou a transmissão do DACON, o envio a destempo desta última declaração pode ser penalizada na forma da lei. Sob esta mesma perspectiva que, a meu ver, não se pode falar na hipótese de retroatividade benigna. Com efeito, a previsão do art. 106, II, do CTN é no sentido de garantir a aplicação retroativa da lei "quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo." No presente caso, a omissão do sujeito passivo, de entregar a Declaração a destempo, nunca deixou de ser penalizada pela legislação, mantendose irretocável a previsão do art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, acima transcrita. O que ocorreu foi a extinção de uma obrigação acessória anteriormente prevista (DACON), para a substituição por outra para evitar Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10665.723076/201370 Acórdão n.º 3402006.092 S3C4T2 Fl. 84 5 o envio duplicado de informações (EFDContribuições), sendo que a partir de 2014 esta última declaração passou a abranger todas as informações anteriormente solicitadas no DACON. E, quando da extinção do DACON, a legislação tributária indicou com clareza a manutenção da exigência da entrega, tempestiva, da declaração, até os fatos geradores ocorridos em 31/12/2013. Assim, a entrega em atraso do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2013 não deixou de ser tratado como contrário à lei, sendo cabível a aplicação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. A multa pela apresentação em atraso da DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento." (Número do Processo 10320.722002/2011 55Data da Sessão 20/08/2014 Nº Acórdão 3802003.535 Relator Solon Sehn Redator designado Francisco José Barroso Rios grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2010 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. As obrigações tributárias acessórias, como o DACON, podem ser instituídas por instrução normativa da Receita Federal. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Fl. 86DF CARF MF 6 Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento" (Número do Processo 10980.002055/201000 Data da Sessão 19/08/2014 Relator Bruno Maurício Macedo Curi Redator designado Francisco José Barroso Rios Nº Acórdão 3802003.393 grifei) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 87DF CARF MF
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