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Numero do processo: 15586.720537/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
NULIDADE. Não há reparos ao lançamento que observa os requisitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/72.
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações de imposto devido constantes das declarações de informações econômico-fiscais da pessoa jurídica (DIPJ) não constituem confissão de dívida, devendo ser constituído de ofício o lançamento respectivo se não foram confessados em DCTF.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. LIMITES. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa (Súmula CARF nº 3).
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas. BALANCETES DE SUSPENSÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. Os prejuízos e bases negativas acumulados podem ser utilizados para reduzir, dentro do limite legal, a base de cálculo mensal apurada em balancetes de suspensão ou redução.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-000.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal em litígio; 3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à quantificação da multa isolada; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa proporcional; e 6) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Não há reparos ao lançamento que observa os requisitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações de imposto devido constantes das declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) não constituem confissão de dívida, devendo ser constituído de ofício o lançamento respectivo se não foram confessados em DCTF. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. LIMITES. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa (Súmula CARF nº 3). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. BALANCETES DE SUSPENSÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. Os prejuízos e bases negativas acumulados podem ser utilizados para reduzir, dentro do limite legal, a base de cálculo mensal apurada em balancetes de suspensão ou redução. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 37 /2 01 2- 75 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 3 2 pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal em litígio; 3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à quantificação da multa isolada; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa proporcional; e 6) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório YARA ALIMENTOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de JaneiroI que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 12/07/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 3.785.638,14. O lançamento decorre da falta de declaração em DCTF e de recolhimento dos débitos de IPRJ e CSLL informados pela contribuinte nas DIPJ referentes aos anoscalendário 2007 e 2008. Os valores foram apurados na sistemática do lucro real anual e estão em conformidade com a escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR da contribuinte. A autoridade lançadora também exigiu multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL que deixaram de ser recolhidas ou declaradas em períodos de apuração mensais nos anoscalendário de 2007 e 2008. Os valores foram apurados a partir dos balancetes de suspensão/redução escriturados pela contribuinte. Impugnando a exigência, a contribuinte argüiu a nulidade do lançamento, dado que a autoridade fiscal incumbida do lançamento não identificou os fatos geradores, não determinou a matéria tributável, nem efetuou o cálculo do montante do tributo devido, desrespeitando o art. 142 do CTN. Ainda, por não conter a descrição do fato tributável e nem a correta determinação da exigência, o lançamento deveria ser cancelado por ofender o art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72. Citou doutrina e jurisprudência a respeito dos requisitos essenciais do lançamento. No mérito, argüiu que o débito já foi objeto de confissão de dívida via DIPJ, e observou que nos anoscalendários de 2007 e 2008, nos meses de janeiro, fevereiro e maio de 2007, os lucros apurados em balancetes de suspensão/redução foram compensados com os prejuízos de exercícios anteriores, conforme demonstrado no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, na parte B. Destacou que os prejuízos são superiores aos lucros apurados, pleiteou seu abatimento, e afirmou correta a sua conduta de não apresentar a DCTF, nem recolher os tributos nos períodos autuados. Pediu, assim, a declaração de nulidade do lançamento. Por fim, questionou a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, bem como afirmou a abusividade e o efeito confiscatório da multa aplicada (que afirmou ser de 150%), e a existência de bis in idem exigência da multa de mora e da multa isolada. A autoridade julgadora de 1a instância rejeitou a argüição de nulidade do lançamento, porque observados os requisitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Observou, ainda, que a DIPJ tem caráter meramente informativo, mas admitiu parcialmente as compensações de prejuízos e bases negativas anteriores, até o limite legal de 30% do lucro apurado. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 5 4 Esclareceu que a multa de ofício aplicada foi de 75%, e validou a exigência de multa isolada. Por fim, afirmou legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O crédito tributário exonerado correspondeu ao principal de R$ 180.752,75, a título de IRPJ, e de R$ 66.511,00, a título de IRPJ, não se sujeitando a reexame necessário. A autoridade julgadora observou que embora no Termo de Verificação de Infração tenha sido mencionado que a contribuinte deduziu da apuração do Lucro Líquido despesas com multas no ano calendário de 2008 no valor de R$ 1.949.917,33 sem adicioná las ao lucro real, posto que são indedutíveis e que na linha 19 da ficha 05A da DIPJ 2008 só foi considerado indedutível o valor de R$ 92.367,98, na presente exação não houve correspondente tributação. Assim, preliminarmente encaminhou os autos ao SEFIS/DRF/VIT/RJ para conhecimento deste fato, e, em sendo o caso e observadas suas prioridades inicie procedimentos de fiscalização. Na informação fiscal de fl. 294/295 consta que a contribuinte adicionou os valores em referência na apuração do lucro informado na DIPJ. Cientificada da decisão de primeira instância em 28/11/2012 (fl. 307), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 26/12/2012 (fls. 309/325). Argüi a nulidade do lançamento pelas mesmas razões expostas na impugnação; destaca que a compensação de prejuízos e bases negativas deve repercutir, também, na apuração das estimativas mensais; insiste na compensação de 100% do lucro apurado com prejuízos e base negativas anteriores; reitera a ilegalidade da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício; reputa confiscatória a penalidade mesmo no percentual de 75%, ainda que na suposta alegação de dolo, vez que apresentada regular escrituração; e discorda de sua aplicação concomitante com a multa isolada. Em seu pedido, requer a declaração de insubsistência e improcedência do lançamento, não só em razão de sua nulidade e das ilegalidades na exigência de juros e multa, como também porque os tributos está sendo cobrada em odioso e ilícito “bisinidem” tributário, visto que os valores já foram confessados via DIPF e tempestivamente apresentada (sic). Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A autoridade julgadora de 1a instância bem demonstrou que os lançamentos foram validamente formalizados: Constatase que o lançamento foi efetuado por AuditorFiscal, agente competente para este mister, e com observância dos requisitos do artigo 142 da Lei 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, aos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 06/03/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF). Os fatos geradores foram adequadamente descritos no auto de infração e Termo de Verificação de Infração pois ficou claro que a autuação baseouse nos valores tributáveis declarados pela própria contribuinte em sua DIPJ e escriturados no LALUR cujos correspondentes débitos não foram informados em DCTF ou mesmo recolhidos. A multa incidente sobre as estimativas não recolhidas do IRPJ e CSLL também foram adequadamente descritas e indicada as respectivas receitas sobre as quais incidiram conforme quadros demonstrativos constantes do relatório e que são os mesmos do Termo de Verificação da Infração, parte integrante do auto de Infração. As argumentações que a contribuinte traz demonstram claramente que houve pleno entendimento do que lhe fora imputado. Há remissões na impugnação apresentada que indicam pleno conhecimento da motivação do feito fiscal como as argumentações constantes das letras “c” a “e” e “h” do relatório. Portanto, entendo que inexistem vícios que maculem a exação ora examinada que deem causa à sua anulação. Por estas razões, deve ser REJEITADA a preliminar de nulidade do lançamento. Quanto à alegada confissão dos débitos lançados em DCTF, inexiste prova neste sentido. A autoridade fiscal constatou que nenhum débito foi declarado; em impugnação a contribuinte argüiu a declaração em DIPJ, demonstrada imprópria para fins de confissão de dívida; e em recurso voluntário a alegação surge desacompanhada de qualquer demonstração neste sentido. Subsiste incólume, assim, a exigência. Com referência à compensação integral de prejuízos e bases negativas da CSLL, a vedação está expressa nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, e a validade deste limite reconhecida na Súmula CARF nº 3 (Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa). Por sua vez, como relatado, a autoridade julgadora de 1a instância admitiu a compensação dos prejuízos e bases negativas no ajuste anual de 2007 e 2008. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 7 6 Assim, relativamente às parcelas remanescentes do principal exigido, correspondentes ao IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual de 2007 e 2008, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Com referência às multas isoladas, foram elas calculadas sobre as estimativas não recolhidas, apuradas a partir de balancetes de suspensão/redução elaborados pelo próprio sujeito passivo, nos meses de janeiro, fevereiro e maio/2007, bem como nos meses de fevereiro, julho e agosto/2008. A recorrente questiona sua exigência concomitante com a multa proporcional aplicada sobre o ajuste anual. Ocorre que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 8 7 Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%, o que inclusive motivou a aplicação de retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, pela autoridade lançadora. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 9 8 Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: o fato típico que enseja a multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e o fato típico que enseja a multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. Contudo, a recorrente tem razão quando defende a repercussão da compensação de prejuízos e bases negativas também nos balancetes de suspensão/redução. Os demonstrativos de fls. 54/57 prestaramse como suporte fático às apurações fiscais e neles observase que o cálculo dos tributos devidos tomou por base o lucro tributável sem qualquer compensação de prejuízos ou bases negativas anteriores. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 93/97 deixa claro que tais compensações são possíveis, e não produzem efeitos na Parte B do LALUR, assim não afetando o saldo de prejuízos e bases negativas disponíveis para compensação no ajuste anual: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, exceto, nos balanços ou balancetes levantados de janeiro a novembro, as seguintes adições: a) os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior; b) as parcelas a que se referem os arts. 18, § 7º; 19, § 7º e 22, § 3º da Lei nº 9.430/96. [...] Art. 13. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 12, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário; II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real, correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. (negrejouse) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 10 9 A autoridade julgadora de 1a instância confirmou os prejuízos fiscais e bases negativas disponíveis para utilização do sujeito passivo a partir de 2007 (R$ 18.963.813,09 a título de prejuízos fiscais e R$ 18.964.251,46 a título de base de cálculo negativa da CSLL), e com base nestas informações é possível admitir transitoriamente a compensação destes valores também nos balancetes de suspensão/redução apresentados à Fiscalização, visto que os maiores valores passíveis de compensação nos balancetes mensais de 2007 e 2008 – considerando que a apuração em balancetes de suspensão é acumulada mensalmente –, uma vez somados, não superariam o limite disponível. As multas isoladas, portanto, são assim recalculadas: a) IRPJ, anocalendário 2007: a. Apuração fiscal: 2007 Lucro Inform. IRPJ Adicional Estim.Anterior Estim. Devida Multa (50%) Janeiro 3.750.945,15 562.641,77 373.094,52 935.736,29 467.868,14 Fevereiro 5.809.769,42 871.465,41 576.976,94 (935.736,29) 512.706,07 256.353,03 Março 4.248.194,02 637.229,10 418.819,40 (1.448.442,36) (392.393,85) Abril 4.477.884,44 671.682,67 439.788,44 (1.448.442,36) (336.971,25) Maio 7.371.317,05 1.105.697,56 727.131,71 (1.448.442,36) 384.386,91 192.193,45 Junho 3.587.505,34 538.125,80 346.750,53 (1.832.829,26) (947.952,93) Julho 4.085.467,35 612.820,10 394.546,74 (1.832.829,26) (825.462,43) Agosto 5.639.987,56 845.998,13 547.998,76 (1.832.829,26) (438.832,37) Setembro 2.908.961,86 436.344,28 272.896,19 (1.832.829,26) (1.123.588,80) Outubro 3.531.868,62 529.780,29 333.186,86 (1.832.829,26) (969.862,11) Novembro 4.745.467,72 711.820,16 452.546,77 (1.832.829,26) (668.462,33) Dezembro 1.035.418,47 155.312,77 79.541,85 (1.832.829,26) (1.597.974,65) b. Reconstituição com compensação de prejuízos: 2007 Lucro Inform. Comp.Prej. Lucro Real IRPJ Adicional Est. Anterior Est. Devida Multa (50%) Janeiro 3.750.945,15 (1.125.283,55) 2.625.661,61 393.849,24 260.566,16 654.415,40 327.207,70 Fevereiro 5.809.769,42 (1.742.930,83) 4.066.838,59 610.025,79 402.683,86 (654.415,40) 358.294,25 179.147,12 Março 4.248.194,02 (1.274.458,21) 2.973.735,81 446.060,37 291.373,58 (1.012.709,65) (275.275,70) Abril 4.477.884,44 (1.343.365,33) 3.134.519,11 470.177,87 305.451,91 (1.012.709,65) (237.079,87) Maio 7.371.317,05 (2.211.395,12) 5.159.921,94 773.988,29 505.992,19 (1.012.709,65) 267.270,84 133.635,42 Junho 3.587.505,34 (1.076.251,60) 2.511.253,74 376.688,06 239.125,37 (1.279.980,48) (664.167,05) Julho 4.085.467,35 (1.225.640,21) 2.859.827,15 428.974,07 271.982,71 (1.279.980,48) (579.023,70) Agosto 5.639.987,56 (1.691.996,27) 3.947.991,29 592.198,69 378.799,13 (1.279.980,48) (308.982,66) Setembro 2.908.961,86 (872.688,56) 2.036.273,30 305.441,00 185.627,33 (1.279.980,48) (788.912,16) Outubro 3.531.868,62 (1.059.560,59) 2.472.308,03 370.846,21 227.230,80 (1.279.980,48) (681.903,48) Novembro 4.745.467,72 (1.423.640,32) 3.321.827,40 498.274,11 310.182,74 (1.279.980,48) (471.523,63) Dezembro 1.035.418,47 (310.625,54) 724.792,93 108.718,94 48.479,29 (1.279.980,48) (1.122.782,25) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 11 10 b) CSLL, anocalendário 2007: a. Apuração fiscal: 2007 Lucro Inform. CSLL Est.Anterior Est. Devida Multa (50%) Janeiro 3.750.945,15 337.585,06 337.585,06 168.792,53 Fevereiro 5.809.769,42 522.879,25 (337.585,06) 185.294,18 92.647,09 Março 4.248.194,02 382.337,46 (522.879,25) (140.541,79) Abril 4.477.884,44 403.009,60 (522.879,25) (119.869,65) Maio 7.371.317,05 663.418,53 (522.879,25) 140.539,29 70.269,64 Junho 3.587.505,34 322.875,48 (663.418,53) (340.543,05) Julho 4.085.467,35 367.692,06 (663.418,53) (295.726,47) Agosto 5.639.987,56 507.598,88 (663.418,53) (155.819,65) Setembro 2.908.961,86 261.806,57 (663.418,53) (401.611,97) Outubro 3.531.868,62 317.868,18 (663.418,53) (345.550,36) Novembro 4.745.467,72 427.092,09 (663.418,53) (236.326,44) Dezembro 1.035.418,47 93.187,66 (663.418,53) (570.230,87) b. Reconstituição com compensação de bases negativas: 2007 Lucro Inform. Comp. BCN Lucro Liquido CSLL Est.Anterior Est. Devida Multa (50%) Janeiro 3.750.945,15 (1.125.283,55) 2.625.661,61 236.309,54 236.309,54 118.154,77 Fevereiro 5.809.769,42 (1.742.930,83) 4.066.838,59 366.015,47 (236.309,54) 129.705,93 64.852,96 Março 4.248.194,02 (1.274.458,21) 2.973.735,81 267.636,22 (366.015,47) (98.379,25) Abril 4.477.884,44 (1.343.365,33) 3.134.519,11 282.106,72 (366.015,47) (83.908,75) Maio 7.371.317,05 (2.211.395,12) 5.159.921,94 464.392,97 (366.015,47) 98.377,50 49.188,75 Junho 3.587.505,34 (1.076.251,60) 2.511.253,74 226.012,84 (464.392,97) (238.380,14) Julho 4.085.467,35 (1.225.640,21) 2.859.827,15 257.384,44 (464.392,97) (207.008,53) Agosto 5.639.987,56 (1.691.996,27) 3.947.991,29 355.319,22 (464.392,97) (109.073,76) Setembro 2.908.961,86 (872.688,56) 2.036.273,30 183.264,60 (464.392,97) (281.128,38) Outubro 3.531.868,62 (1.059.560,59) 2.472.308,03 222.507,72 (464.392,97) (241.885,25) Novembro 4.745.467,72 (1.423.640,32) 3.321.827,40 298.964,47 (464.392,97) (165.428,51) Dezembro 1.035.418,47 (310.625,54) 724.792,93 65.231,36 (464.392,97) (399.161,61) c) IRPJ, anocalendário 2008: a. Apuração fiscal: 2008 Lucro Inform. IRPJ Adicional Estim.Anterior Estim. Devida Multa (50%) Janeiro (874.548,86) Fevereiro 560.786,97 84.118,05 52.078,70 136.196,74 68.098,37 Março 15.645,82 2.346,87 (136.196,74) (133.849,87) Abril (5.445.630,09) (136.196,74) (136.196,74) Maio (3.482.961,72) (136.196,74) (136.196,74) Junho 81.886,52 12.282,98 (136.196,74) (123.913,76) Julho 1.501.841,75 225.276,26 136.184,18 (136.196,74) 225.263,70 112.631,85 Agosto 5.017.422,58 752.613,39 485.742,26 (361.460,44) 876.895,21 438.447,60 Setembro 102.246,06 15.336,91 (1.238.355,65) (1.223.018,74) Outubro (75.510,85) (1.238.355,65) (1.238.355,65) Novembro (1.804.630,12) (1.238.355,65) (1.238.355,65) Dezembro 1.428.042,19 214.206,33 118.804,22 (1.238.355,65) (905.345,10) Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 12 11 b. Reconstituição com compensação de prejuízos: 2008 Lucro Inform. Comp.Prej. Lucro Real IRPJ Adicional Est. Anterior Est. Devida Multa (50%) Janeiro (874.548,86) (874.548,86) Fevereiro 560.786,97 (168.236,09) 392.550,88 58.882,63 35.255,09 94.137,72 47.068,86 Março 15.645,82 (4.693,75) 10.952,07 1.642,81 (94.137,72) (92.494,91) Abril (5.445.630,09) (5.445.630,09) (94.137,72) (94.137,72) Maio (3.482.961,72) (3.482.961,72) (94.137,72) (94.137,72) Junho 81.886,52 (24.565,96) 57.320,56 8.598,08 (94.137,72) (85.539,64) Julho 1.501.841,75 (450.552,53) 1.051.289,23 157.693,38 91.128,92 (94.137,72) 154.684,59 77.342,29 Agosto 5.017.422,58 (1.505.226,77) 3.512.195,81 526.829,37 335.219,58 (248.822,31) 613.226,65 306.613,32 Setembro 102.246,06 (30.673,82) 71.572,24 10.735,84 (862.048,95) (851.313,12) Outubro (75.510,85) (75.510,85) (862.048,95) (862.048,95) Novembro (1.804.630,12) (1.804.630,12) (862.048,95) (862.048,95) Dezembro 1.428.042,19 (428.412,66) 999.629,53 149.944,43 75.962,95 (862.048,95) (636.141,57) d) CSLL, anocalendário 2008: a. Apuração fiscal: 2008 Lucro Inform. CSLL Est.Anterior Est. Devida Multa (50%) Janeiro (874.548,86) Fevereiro 560.786,97 50.470,83 50.470,83 25.235,41 Março 15.645,82 1.408,12 (50.470,83) (49.062,70) Abril (5.445.630,09) (50.470,83) (50.470,83) Maio (3.482.961,72) (50.470,83) (50.470,83) Junho 81.886,52 7.369,79 (50.470,83) (43.101,04) Julho 1.501.841,75 135.165,76 (50.470,83) 84.694,93 42.347,47 Agosto 5.017.422,58 451.568,03 (135.165,76) 316.402,27 158.201,14 Setembro 102.246,06 9.202,15 (451.568,03) (442.365,89) Outubro (75.510,85) (451.568,03) (451.568,03) Novembro (1.804.630,12) (451.568,03) (451.568,03) Dezembro 1.428.042,19 128.523,80 (451.568,03) (323.044,24) b. Reconstituição com compensação de bases negativas: 2008 Lucro Inform. Comp. BCN Lucro Liquido CSLL Est.Anterior Est. Devida Multa (50%) Janeiro (874.548,86) (874.548,86) Fevereiro 560.786,97 (168.236,09) 392.550,88 35.329,58 35.329,58 17.664,79 Março 15.645,82 (4.693,75) 10.952,07 985,69 (35.329,58) (34.343,89) Abril (5.445.630,09) (5.445.630,09) (35.329,58) (35.329,58) Maio (3.482.961,72) (3.482.961,72) (35.329,58) (35.329,58) Junho 81.886,52 (24.565,96) 57.320,56 5.158,85 (35.329,58) (30.170,73) Julho 1.501.841,75 (450.552,53) 1.051.289,23 94.616,03 (35.329,58) 59.286,45 29.643,23 Agosto 5.017.422,58 (1.505.226,77) 3.512.195,81 316.097,62 (94.616,03) 221.481,59 110.740,80 Setembro 102.246,06 (30.673,82) 71.572,24 6.441,50 (316.097,62) (309.656,12) Outubro (75.510,85) (75.510,85) (316.097,62) (316.097,62) Novembro (1.804.630,12) (1.804.630,12) (316.097,62) (316.097,62) Dezembro 1.428.042,19 (428.412,66) 999.629,53 89.966,66 (316.097,62) (226.130,96) Por estas razões, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir as multas isoladas aos valores acima reconstituídos. Com referência às alegações de inconstitucionalidade da penalidade aplicada, em razão de seu caráter confiscatório, estando seu percentual previsto em lei, resta apenas invocar a Súmula CARF nº 2, no sentido de que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 13 12 Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75%. Por fim, quanto à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, adotase aqui as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória Fl. 360DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 14 13 § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 15 14 No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720537/201275 Acórdão n.º 1101000.928 S1C1T1 Fl. 16 15 Portanto, também aqui deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, declarando válida a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para reduzir as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, consoante acima demonstrado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 363DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10925.003076/2009-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1710; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 2 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.003076/200965 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.507 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 26 de setembro de 2013 Assunto PIS NÃOCUMULATIVO Recorrente AGROFRANGO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Simultaneamente, a ora recorrente aviou pedido de ressarcimento de saldos credores da contribuição ao PIS e da COFINS resultantes da apuração das exações sob o regime nãocumulativo das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, com relação ao quarto trimestre de 2008. Após investigação acerca da existência e da extensão do alegado direito creditório, a DRF em Joaçaba/SC proferiu despacho decisório por meio do qual reconheceu RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 03 07 6/ 20 09 -6 5 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10925.003076/200965 Resolução nº 3403000.507 S3C4T3 Fl. 3 2 apenas em parte o pleito, em razão de ter constatado irregularidades supostamente praticadas pela interessada na determinação do saldo credor postulado. Sucede que as provas documentais em que a fiscalização se fundamentou para justificar as glosas a que procedeu estão anexadas somente ao feito no qual se discute o saldo credor da COFINS – autos no 10925.003094/200947 – sem que tenham sido trasladadas por inteiro para os autos ora em análise, nos quais o debate respeita à contribuição para o PIS relativamente ao mesmo quarto trimestre de 2008. O mesmo se passa com documentos produzidos pela própria recorrente, já que parte deles, especialmente os juntados durante a fase de fiscalização, encontrase encartada apenas aos autos que têm por objeto o ressarcimento dos créditos da COFINS. Em pesquisa no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (http://comprot. fazenda.gov.br), este relator pode verificar que os autos pertinentes ao ressarcimento da COFINS não foram remetidos a este órgão até o momento e, o que é mais importante, não se tem notícia sequer do resultado do julgamento de Primeira Instância ou mesmo da interposição de recurso voluntário que assegure que aqueles autos serão, de fato, encaminhados a julgamento pelo CARF. É o relatório. Voto Recurso voluntário tempestivo e bem preparado, do qual se conhece. Diante das circunstâncias relatadas acima, não é possível a este Colegiado convencerse acerca do direito creditório alegado pela interessada ou da procedência das glosas a que a fiscalização procedeu nestes autos sem que se conheça dos elementos probatórios produzidos por ambas as partes nos autos afeitos ao ressarcimento do saldo credor de COFINS pertinente ao mesmo trimestre calendário. É por este motivo que proponho ao Colegiado a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a instância preparatória traslade para estes autos (em autos apensados, se possível), cópia integral do PAF no 10925.003094/200947. Cumprida a determinação, retornem os autos para a conclusão do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 345DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/10/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10865.906008/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 06 00 8/ 20 09 -1 0 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.906008/200910 Resolução nº 1802000.334 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1433.109, às fls. 48 a 56: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 11/2004. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que “a Requerente promoveu a compensação em virtude do pagamento do DARF ter sido realizado em valor maior que o devido”; que o valor do débito de IRPJestimativa apurado em 11/2004 seria R$ 156.837,84, tendo sido vinculados, em DCTF, créditos no valor total de R$ 161.088,70. A diferença, no valor de R$ 4.250,86, teria sido utilizada em compensações mediante PER/DCOMP n.° 34260.76373.081205.1.3.043157 e n° 35490.93722.230605.1.3.04 7040; que “há um problema de ordem funcional, onde o sistema de processamento de dados fazendários não está permitindo o encontro dos dados apontados pela Requerente, e de forma equivocada, imputa valores que não são devidos”. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, “que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência”. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.906008/200910 Resolução nº 1802000.334 S1TE02 Fl. 4 3 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 11/2004), a qual, inclusive, se mostra em “valores exatos” (R$ 83.000,00), corroborando esta afirmativa; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 156.837,84, o qual fora quitado da seguinte forma: Fl. 774DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.906008/200910 Resolução nº 1802000.334 S1TE02 Fl. 5 4 · R$ 64.381,97 mediante compensação (DComp 00555.98350.211204.1.3.04 0728, transmitida em 21/12/2004 Processo de Crédito 10865.901.806/200866), mediante crédito apurado na competência anterior (IRPJestimativa, 10/2004), decorrente do mesmo problema de escrituração contábil; · R$ 13.706,73 Darf recolhido em 10/01/2005, com multa e juros, totalizando R$ 14.341,35; · R$ 78.749,14 utilizado do referido recolhimento de R$ 83.000,00. desta forma, a diferença não utilizada desta guia de estimativa (R$ 4.250,86) corresponderia ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de pedido de ressarcimento/compensação por meio da presente e apenas apontado/interpretado como “Tipo do Crédito” a ser preenchido na Per/Dcomp, conforme restou consignado no r. despacho decisório, “Pagamento Indevido ou a Maior” ao invés de Saldo Negativo do IRPJ (anocalendário de 2004); todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao “tipo de crédito” informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido montante recolhido indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual a Recorrente junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, bem como se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo “tipo do crédito”; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores “pagos a maior” (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a “renda” ou contribuição social sobre o “lucro líquido”, o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra; Fl. 775DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.906008/200910 Resolução nº 1802000.334 S1TE02 Fl. 6 5 DO PEDIDO desta forma e por todo o exposto, requer, respeitosamente, o reconhecimento do crédito e, conseqüentemente, a homologação das compensações efetuadas com este em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.906008/200910 Resolução nº 1802000.334 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 08/12/2005 (fls. 2 a 6), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de novembro/2004, no valor total de R$ 83.000,00. A compensação é para quitação de débito de PIS com data de vencimento em 15/12/2005, no valor de R$ 4.529,40. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 83.000,00 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (cód. 2362, PA 30/11/2004), e que por isso não restava crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, conforme o Despacho Decisório de fls. 7. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que o valor do débito de IRPJestimativa apurado em 11/2004 seria de R$ 156.837,84, e que para a quitação deste débito teriam sido vinculados créditos no valor de R$ 161.088,70, o que caracterizaria o pagamento a maior no valor de R$ 4.250,86, utilizado no presente PER/DCOMP e também no PER/DCOMP de nº 35490.93722.230605.1.3.047040. Estes R$ 161.088,70, relativos à quitação da estimativa de novembro/2004, corresponderiam à soma de um outro PER/DCOMP apresentado para a quitação da estimativa de novembro/2004 (R$ 64.381,97), de um DARF de R$ 13.706,73 (rubrica principal) e do DARF mencionado acima (R$ 83.000,00). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) consignou que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário não seriam pagamentos passíveis de compensação, e que, assim, caberia examinar a eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo no período em questão. Contudo, diante do que havia nos autos, concluiu a DRJ que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.906008/200910 Resolução nº 1802000.334 S1TE02 Fl. 8 7 Assim, ao final do anocalendário, caso a contribuinte apure saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, este sim passível de restituição ou compensação, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Certo, por outro lado, que a diferença de antecipação realizada a maior pode ser deduzida do imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes ao longo do anocalendário em curso, mas assim se permite justamente porque envolvidas parcelas de antecipação da mesmo natureza, sem incidência de qualquer índice de correção. [...] Por tudo isso, concluise que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN e no art. 74, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo ou contribuição, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente antecipação a ser computada, ao final do período, na apuração de eventual saldo negativo passível de repetição. No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de IRPJestimativa mensal, código de arrecadação 2362. Sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência, como acima demonstrado, há que se examinar a eventual apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa e as retenções na fonte (IRRF) são considerados pela Lei como antecipações do imposto devido (IRPJ). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. No que se refere ao IRRF, somente poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar e, eventualmente, contribuir para a formação do saldo negativo de IRPJ, se atender ao previsto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção, bem como, cumulativamente, atender ao Fl. 778DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.906008/200910 Resolução nº 1802000.334 S1TE02 Fl. 9 8 disposto no § 2° do art. 76 da Lei n° 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF será permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto, in verbis: [...] Como corolário do exposto, esta 5ª Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo de IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de IRPJ, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou tais elementos, limitandose às alegações acima referenciadas. As cópias de PER/DCOMP e DCTF juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 779DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.906008/200910 Resolução nº 1802000.334 S1TE02 Fl. 10 9 Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. (grifos acrescidos) O primeiro ponto a esclarecer é que não mais subsiste o argumento contido na decisão recorrida defendendo restrições para restituição ou compensação de recolhimentos indevidos ou a maior a título de estimativas mensais. A matéria inclusive já foi sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, não há óbice para que a Contribuinte busque a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. Um segundo aspecto importante para a solução do presente processo é que as considerações contidas na decisão recorrida a respeito da comprovação do direito creditório valem tanto para indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa, quanto para indébito decorrente de apuração de saldo negativo no ajuste anual. As duas situações exigem a comprovação dos atributos de certeza e liquidez em relação ao indébito. Para o seu aproveitamento, ele precisa existir, ter o seu valor definido, e ainda estar disponível para a compensação. Inicialmente, a Delegacia de origem confirmou a existência do pagamento apresentado como origem do crédito, mas consignou que ele já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (a própria estimativa de IRPJ do mês de novembro). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento admitiu a possibilidade de restituição/compensação do indébito como saldo negativo, porém concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez de seu direito creditório. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Não há nem mesmo uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a Fl. 780DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.906008/200910 Resolução nº 1802000.334 S1TE02 Fl. 11 10 apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Foi essa dinâmica de produção de prova que orientou a evolução do presente processo, não obstante a decisão recorrida tenha defendido restrições preliminares quanto à compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. No caminhar do processo, a Contribuinte foi se insurgindo contra os óbices apontados pela Administração Tributária, no que toca à existência e à disponibilidade de seu direito creditório. E essa formação gradativa da prova é comum aos processos de restituição/ compensação, conforme exposto acima. Nesse momento cabe então examinar os documentos que a Contribuinte juntou aos autos nessa fase recursal, em razão das considerações contidas na decisão recorrida sobre a necessidade de comprovação do indébito. Procurando comprovar a existência e a disponibilidade de seu direito creditório, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário: DCTF´s trimestrais referentes ao anocalendário 2004; DIPJ do anocalendário 2004; Balancete Analítico de novembro e dezembro de 2004; cópia do Livro Diário contendo Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos no Período, referentes a 2004 e 2005; Demonstrativo da composição da receita bruta mensal e Balancete de Verificação de novembro de 2004; Balancete Analítico de janeiro de 2005; e cópias do LALUR de 2004, referente aos meses em que as estimativas foram apuradas com base em balancetes de suspensão/redução. Pela ficha 11 da DIPJ, e também pela DCTF, o valor da estimativa de novembro/2004 seria de R$ 156.837,84. As estimativas foram apuradas mediante balancetes de suspensão/redução até o mês de junho, e a partir do mês de julho a apuração das estimativas se deu com base na “receita bruta e acréscimos”. De acordo ainda com a DIPJ, a Contribuinte apurou imposto devido no ajuste, no montante de R$ 2.338.429,75, e após realizar deduções a título de IR retido na fonte (R$ 26.579,03) e IR mensal pago por estimativa (R$ 1.777.391,07), apurou saldo a pagar de IRPJ no valor de R$ 534.459,65. Essa apuração de ajuste englobou o valor de R$ 156.837,84 como estimativa de novembro. A indicação, portanto, é de que houve recolhimento a maior para a referida estimativa, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria, em princípio, a sua disponibilidade para as compensações realizadas pela Contribuinte, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.906008/200910 Resolução nº 1802000.334 S1TE02 Fl. 12 11 Embora a indicação seja de que o alegado excedente não tenha sido aproveitado na apuração de ajuste, o fato de haver base de cálculo positiva no período anual demanda alguns esclarecimentos adicionais. É que uma eventual não confirmação dos valores deduzidos a título de antecipações (retenções e estimativas) poderia gerar saldo em aberto no ajuste, o que prejudicaria o reconhecimento do reivindicado crédito por pagamento a maior relativo à estimativa de novembro, já que este pagamento seria total ou parcialmente absorvido para a quitação do ajuste, dependendo do montante do saldo que restasse em aberto. Dada a relação entre as estimativas mensais e o ajuste no final do período, não seria correto deixar o ajuste de IRPJ a descoberto, e utilizar a estimativa para a quitação de débito de outra natureza. Com efeito, a disponibilidade do alegado excedente no mês de novembro/2004 depende de o saldo final a pagar no ajuste estar totalmente quitado. Além disso, a quitação da própria estimativa de novembro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outra compensação, fato que também repercute na caracterização ou não do alegado excedente mensal. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de novembro/2004; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e outras compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF nº 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 782DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13656.720147/2011-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. CREDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
O descumprimento de obrigações principais gera por decorrência lógica o descumprimento de obrigações acessórias, impondo ao infrator, além de multa pecuniária, os demais consectários legais.
O lançamento foi realizado em estrita observância às regras previstas, ou seja, a autoridade administrativa respeitou integralmente as determinações do art. 142 do CTN, bem como as previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/72.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.611
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. CREDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. O descumprimento de obrigações principais gera por decorrência lógica o descumprimento de obrigações acessórias, impondo ao infrator, além de multa pecuniária, os demais consectários legais. 2. O lançamento foi realizado em estrita observância às regras previstas, ou seja, a autoridade administrativa respeitou integralmente as determinações do art. 142 do CTN, bem como as previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. 3. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 4. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 5. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 01 47 /2 01 1- 18 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 2803002.611 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 2803002.611 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 14 de setembro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008 DEBCAD 37.322.8708, 37.322.8716, 37.322.8724, 37.322.8732, 37.322.8740, 37.322.8759 ATIVIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL. PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Somente à fase contenciosa da atividade administrativa, que se consubstancia no processo administrativo fiscal e se inicia com a impugnação tempestiva, se aplicam os princípios do contraditório e da ampla defesa. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. PRODUÇÃO DE PROVAS. O Processo Administrativo Fiscal não oferece oportunidade para a produção de provas testemunhais e as documentais devem ser apresentadas na impugnação. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: AI nº 37.322.8078. Preliminares. Documentação Imprópria – Ineficácia. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 2803002.611 S2TE03 Fl. 5 4 O auto de infração ora impugnado foi lavrado baseado em documentação que não possui força probante, vez que trazido aos autos apenas os débitos relativos a “diferenças” apuradas em confrontação com uma média calculada pelo agente fiscal, o que não há razão de ser. Portanto, a autuada não reconhece as diferenças apontadas. Da inexistência de intimações para esclarecimentos. No mérito. O auto de infração pretende cobrar da autuada valor que não lhe é devido, pois apresentou toda documentação exigida pelo senhor agente fiscal. Pois do contrário, seria o mesmo que autuar através de aferição indireta, o que não é permitido. A base utilizada para respaldar o auto de infração não tem motivação idônea e pertinente. Os meios empregados para concretizar o AI são absolutamente inidôneos. Como não há qualquer dívida também não espaço para a cobrança de mora e muito menos de juros. Tal cobrança não tem qualquer causa legítima ou legal. Os índices de correção monetárias utilizados pelo fisco estão em total desobediência à legislação pertinente. Que seja julgado insubsistente o AI nº 37.322.8708 e seja cancelada a exigência feita, com a consequente extinção e arquivamento do processo administrativo, como medida de inteira justiça. AI nº 37.322.8716. Argumentos idênticos aos utilizados no RV do AI nº 37.322.8078. AI nº 37.322.8724. Argumentos idênticos aos utilizados no RV do AI nº 37.322.8078. AI nº 37.322.8732. Argumentos idênticos aos utilizados no RV do AI nº 37.322.8078. AI nº 37.322.8740 Argumentos idênticos aos utilizados no RV do AI nº 37.322.8078. AI nº 37.322.8759 Argumentos idênticos aos utilizados no RV do AI nº 37.322.8078. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 2803002.611 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Este processo abrange um total de 06 (seis) DEBCAD`s e versa sobre o descumprimento de obrigações principais e acessórias. Tais obrigações estão disciplinadas no art. 113 do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. No que diz respeito ao descumprimento das obrigações principais, apurouse que no período de 01/2006 a 06/2008, o contribuinte não arrecadou e recolheu corretamente as contribuições dos segurados empregados, da empresa, contribuintes individuais e GILRAT, bem como as contribuições destinadas aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE). Com efeito, o descumprimento de obrigações principais gera por decorrência lógica o descumprimento de obrigações acessórias, impondo ao infrator, além de multa pecuniária, os demais consectários legais. No período apurado, contatouse o descumprimento de obrigações acessórias, conforme os seguintes códigos de fundamentos legais: CFL 34, CFL 38 e CFL 68. Neste último, no que diz respeito à multa, deve ser observada a nova regra instituída pela MP 449/2008. Notase, pois, que o lançamento foi realizado em estrita observância às regras previstas, ou seja, a autoridade administrativa respeitou integralmente as determinações do art. 142 do CTN, bem como as previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. O contribuinte, por seu turno, apresenta recursos idênticos para situações diversas e afirma, em preliminar, que os autos de infrações foram lavrados baseados em Fl. 496DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 2803002.611 S2TE03 Fl. 7 6 documentos que não possui força probante e que inexistiu, no procedimento fiscalizatório, intimações para esclarecimentos. No ponto sem razão o recorrente. Rejeito as duas preliminares. No mérito, melhor sorte não assiste ao recorrente, tendo em vista que os recursos apresentados foram elaborados de forma extremamente genéricas, não atacando os pontos levantados pela fiscalização. Ao deixar de impugnar expressamente as matérias discutidas no processo, o contribuinte perdeu a oportunidade de se defender efetivamente, situação que atrai a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Contudo, em relação ao Auto de Infração nº 37.322.8749 (CFL – 68), não se pode perder de vista que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 497DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 2803002.611 S2TE03 Fl. 8 7 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 2803002.611 S2TE03 Fl. 9 8 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10783.725316/2011-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre o cerceamento de defesa quando devidamente presente a descrição da ocorrência do fato gerador da obrigação, apresentada a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e, aplicada a penalidade cabível.
ALIMENTAÇÃO IN NATURA
Somente sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Vale refeição ou ticket não se caracterizam como alimento in natura.
MULTA. NOVAS REGRAS
Quando a legislação estabelece novas regras para a multa, deve-se comparar a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a regra posterior, com prevalência da mais benéfica à recorrente.
ALEGAÇÃO SEM PROVA
Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2403-002.173
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa até a competência 11/2008, limitando a 20%, com base no Artigo 35 da lei 8.212/91. Vencidos o Relator Carlos Alberto Mees Stringari e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Vencidos os conselheiro Marcelo Magalhães Peitoxo e Maria Anselma Croscato dos Santos na questão da alimentação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peitoxo.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Marcelo Magalhães Peixoto
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre o cerceamento de defesa quando devidamente presente a descrição da ocorrência do fato gerador da obrigação, apresentada a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e, aplicada a penalidade cabível. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Somente sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Vale refeição ou ticket não se caracterizam como alimento in natura. MULTA. NOVAS REGRAS Quando a legislação estabelece novas regras para a multa, devese comparar a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a regra posterior, com prevalência da mais benéfica à recorrente. ALEGAÇÃO SEM PROVA Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 53 16 /2 01 1- 62 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa até a competência 11/2008, limitando a 20%, com base no Artigo 35 da lei 8.212/91. Vencidos o Relator Carlos Alberto Mees Stringari e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Vencidos os conselheiro Marcelo Magalhães Peitoxo e Maria Anselma Croscato dos Santos na questão da alimentação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peitoxo. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.725316/201162 Acórdão n.º 2403002.173 S2‐C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 12045.104 da 14ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Da autuação O presente processo identificado no sistema COMPROT com o nº 10783.725316/201162, abrange os lançamentos identificados pelos DEBCAD nº 37.295.6874 (concernente ao levantamento ALALIMENTAÇÃO SERVIDORES) e 37.295.6882 (concernente ao levantamento FPFOLHA DE PAGAMENTO). 2. Conforme esclarece o relatório fiscal de fls. 24/31: 1. O MUNICÍPIO DE VIANA, pessoa jurídica de direito público interno, dotado de autonomia política, administrativa e financeira, nos termos assegurados nas Constituições Federal e Estadual, regese pela Lei Orgânica Municipal promulgada em 03 de abril de 1990. Os órgãos públicos da administração direta são centros internos de competência administrativa, que não têm personalidade jurídica, instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem. A responsabilidade pelos créditos previdenciários é imputada à entidade a qual estão vinculados, ou seja, a União, Estado, Município ou Distrito Federal. De acordo com o art. 15, inciso I, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 12, inciso I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional, são considerados como empresa em relação aos segurados que lhes prestam serviços, quando não amparados por Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), ficando sujeitos em relação a Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 estes, ao cumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Dispõe o art. 9º do RPS: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) ... o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluindo suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações,, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; m) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante de emprego público; n) ... p) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Redação dada pelo Decreto nº 5.545, de 2005) (...) 3. Este Relatório Fiscal integra o PROCESSO – COMPROT nº 10783.725316/201162, relativo aos Autos de Infração abaixo relacionados: AIOP/DEBCAD nº 37.295.6874, lavrado por descumprimento de obrigação principal. Referese às contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores do benefício Vale Alimentação fornecido aos servidores municipais regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS, em desacordo com a legislação previdenciária. Auto de Infração – AIOP/DEBCAD nº 37.295.6882, lavrado por descumprimento de obrigação principal. Referese às contribuições previdenciárias, incidentes sobre diferenças de remunerações pagas ou creditadas a Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.725316/201162 Acórdão n.º 2403002.173 S2‐C4T3 Fl. 4 5 servidores municipais regidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS. (...) 5. Dos Autos de Infração que compõem o processo administrativo fiscal: Auto de Infração – AIOP/DEBCAD nº 37.295.6874 O Município de Viana deixou de recolher, em épocas próprias, as contribuições previdenciárias, previstas no artigo 22, inciso I e II, da Lei nº 8.212/91, combinado com os artigos 201, inciso I e 202, do RPS, incidentes sobre as remunerações relativas ao benefício Vale Alimentação, não declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, fornecido a servidores municipais regidos pelo RGPS, em desacordo com a legislação previdenciária. (...) O lançamento do débito referese ao período de jan/2008 a out/2008 e dez/2008, envolvendo o seguinte levantamento no Discriminativo do Débito – DD: AL – ALIMENTAÇÃO – SERVIDORES: referese a benefício fornecido a servidores municipais a título de ALIMENTAÇÃO em desacordo com a Lei nº 6.321, de 14/04/1976, e não considerado pelo contribuinte como saláriodecontribuição. Para que essa parcela “in natura” não integre o saláriode contribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, sendo irrelavante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. O PAT é um programa instituído pela Lei nº 6.321, de 14/04/1976, destinado a melhorar o estado nutricional do trabalhador visando, antes de tudo, a promover a saúde e prevenir as doenças profissionais, decorrentes de uma alimentação deficiente, sendo necessário que a empresa beneficiária do programa esteja inscrita no mesmo. Para tanto, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O contribuite não apresentou documentos comprobatórios de inscrição no referido programa, mesmo assim, verificamos através do site (www.mte.gov.br) sobre sua situação junto ao PAT e constatamos que o mesmo não é cadastrado no referido programa no período fiscalizado. A Lei nº 8.212, de 24/07/1991, em seu art. 28, I, § 9º, “c”, combinado com o art. 214, I, § 9º, III, do RPS, aprovado Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e alterações posteriores, estabelece que não integra o salário de contribuição a parcela in natura recebida de acordo com o programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 14/04/1976. O contribuinte adquiriu vales alimentação da empresa Sodexo Pass do Brasil Serviços e Comércio S.A. – CNPJ: 69.034.668/000156 e distribuiu a servidores municipais (...) a regra é que integra o salário de contribuição “(...) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades (...) (grifamos), nos termos do art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91. Excepcionalmente, e sob condições, são elencadas exaustivamente na lei as hipóteses de exclusão, nas quais não se enquadra a parcela in natura recebida a título de alimentação sem a devida inscrição no PAT. Desta forma, como o contribuinte não apresentou o termo de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e a confirmação de que o mesmo não está inscrito no programa, o fornecimento de alimentação a servidores municipais está em desconformidade com a legislação, integrando assim o valor relativo a esse benefício, a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Auto de Infração – AIOP/DEBCAD nº 37.295.6882 O município de Viana deixou de recolher, em épocas próprias, contribuições previdenciárias patronais, previstas no artigo 22, inciso I e II, da Lei nº 8.212/91, combinado com os artigos 201, inciso I e 202, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, incidentes sobre as remunerações, não declaradas ou declaradas a menor em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, pagas ou creditadas a servidores municipais sujeitos ao RGPS. (...) O lançamento do débito referese ao período de jan/2008 a abr/2008, jun/2008, ago/2008 a out/2008 e dez/2008, inclusive décimo terceiro salário, envolvendo o seguinte levantamento no Discriminativo do Débito – DD. FP – FOLHA DE PAGAMENTO A diferença do salário de contribuição sobre o qual incide as contribuições previdenciárias foi apurado com base em valores constantes em folhas de pagamentos apresentadas Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.725316/201162 Acórdão n.º 2403002.173 S2‐C4T3 Fl. 5 7 em arquivos digitais pelo contribuinte, confrontados com os valores declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas as remunerações pagas ou creditadas a servidores municipais que prestaram serviços ao município de Viana, não declaradas ou declaradas a menor em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. O valor originário do débito corresponde, assim, em cada competência, ao montante das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salário de contribuição apurado sobre os fatos geradores acima citados, abatido deste, os valores recolhidos através de Guias da Previdência Social – GPS. (...) Observando o princípio da retroatividade benigna, os Autos de Infração foram lavrados de acordo com a legislação posterior à edição da MP 449/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009, com a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte nas competências de 01/2008 a 10/2008. A partir da competência 11/2008 aplicamse as disposições previstas na Lei nº 8.212/91, incluídas pela MP nº 449, de 03/12/2008 (DOU – 04/12/2008), convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009 (DOU – 28/12/2009). As bases de cálculo e as respectivas contribuições previdenciárias apuradas em cada competência constam em planilhas anexas. Os cálculos do comparativo das multas aplicadas estão demonstrados em planilha anexa. 3. Acompanham o relatório as planilhas explicativas de fls. 32/450. Da impugnação 4. Intimada pessoalmente em 09/12/2011, como é possível verificar às fls. 3 e 12, a empresa autuada ingressou com a impugnação de fls. 888/905, protocolada em 05/01/2012. 5. Alega a Impugnante que: 13. O Auto de Infração, “data vênia”, deve ser considerado nulo de pleno direito, pois a “descrição do fato” considerado infracional não encontra amparo no Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 “dispositivo legal” supostamente violado ou que comina a sanção, não sendo nem citado, no aludido Relatório, quais dispositivos foram infringidos pelo Município de Viana/ES. 6. Em resumo, o Contribuinte alega que: o relatório fiscal é confuso e pouco claro, carecendo de informações indispensáveis para a confecção da sua defesa, que, por isso, foi cerceada; o auxílio alimentação, mesmo não sendo o Município inscrito no PAT, tem natureza indenizatória, não estando sujeito à incidência de contribuições previdenciárias, conforme é assente na jurisprudência; os fatos geradores não foram devidamente demonstrados; o Impugnante “repassou integralmente os valores ao INSS das folhas de pagamento”; a Lei 8.460/1992, que disciplina o auxílio alimentação dos servidores federais, incluídos os da Receita Federal do Brasil, é taxativa no sentido de atribuir ao referido auxílio natureza indenizatória, sendo que a legislação municipal apenas repetiu as disposições da legislação federal; o lançamento engloba auxílio alimentação pago a servidores municipais efetivos, não vinculados ao INSS, e, sim, à regime próprio de previdência social do Município. 7. O Impugnante juntou aos autos documento de identificação da Prefeita (fl. 906); diploma registrando a eleição da Sra. Angela Maria Sias para o cargo de Prefeita (fl. 907); portarias de nomeação de procuradores do Município de Viana (fls. 908/909); atas da Câmara Municipal de Viana (fls. 910/914); cópias do lançamento fiscal 10783.725316/201162 (fls. 915/961). 8. É o relatório. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Cerceamento de defesa. No auto de infração não consta a indicação de inúmeras informações em as quais não há possibilidade de defesa técnica e, sobretudo, sem as quais não há justa causa para a atribuição do dever de pagar . · Auxílio alimentação não deve ser tributado. · Alimentação. O AI contemplou servidores vinculados ao regime próprio. · Lei 8.460/92, que disciplina o auxílio alimentação dos servidores federais é taxativa no sentido de atribuir natureza indenizatória ao auxilio alimentação. Legislação municipal só repetiu o texto federal. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.725316/201162 Acórdão n.º 2403002.173 S2‐C4T3 Fl. 6 9 · Pagou toda a contribuição devida. · Multa confiscatória. É o relatório. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente alega cerceamento de defesa afirmando que no auto de infração não consta a indicação de inúmeras informações em as quais não há possibilidade de defesa técnica e, sobretudo, sem as quais não há justa causa para a atribuição do dever de pagar. Não concordo com tal alegação. O Relatório Fiscal, em parte acima transcrito, descreve adequadamente os fatos geradores objetos do lançamento. O cálculo do tributo é apresentado de forma analítica. A fundamentação legal é apresentada em detalhes. As diferenças entre as folhas de pagamento e as GFIP foram apresentadas em planilhas, conforme já detalhado no acórdão recorrido. 11.2. A Auditoria Fiscal propiciou à empresa autuada todas as informações necessárias para que a mesma pudesse checar se o valor das bases de cálculo do lançamento foram corretamente apuradas. 11.3. Dessa forma, foram elaboradas as planilhas de fls. 32/154, correspondente ao batimento folhas de pagamento x GFIP, dos servidores municipais. Referidas planilhas indicam por estabelecimento e por competência: a categoria, o NIT e o nome de cada um dos servidores, bem como em relação a cada um deles o valor da remuneração e das contribuições devidas (apuradas nas folhas de pagamento), assim como a remuneração e contribuições devidas declaradas em GFIP; por fim, as referidas planilhas indicam o valor das divergências apuradas. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.725316/201162 Acórdão n.º 2403002.173 S2‐C4T3 Fl. 7 11 11.4. A planilha de fl. 155 totaliza os valores das planilhas acima referenciadas. Também para a alimentação foram apresentadas planilhas bem detalhadas. 11.5. Os valores relativos ao pagamento de alimentação foram discriminados por trabalhador em planilhas específicas, juntadas nas fls. 350/449. A planilha de fl. 450 totaliza os valores das planilhas em questão. Não percebi os vícios apontados e, portanto, não entendo cabível a nulidade. ALIMENTAÇÃO A fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou o auxílio alimentação tributável. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 O § 9º do artigo 28 limita a não incidência para a alimentação a "in natura". Conforme Relatório Fiscal o pagamento é por meio de vales. O contribuinte adquiriu vales alimentação da empresa Sodexo Pass do Brasil Serviços e Comércio S.A. – CNPJ: 69.034.668/000156 e distribuiu a servidores municipais No final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Entendo que tanto a Lei 8.212/91 quanto o Ato Declaratório PGFN nº 3/2011 referemse a alimentação in natura. Apresento abaixo definição para a expressão in natura: Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.725316/201162 Acórdão n.º 2403002.173 S2‐C4T3 Fl. 8 13 A expressão in natura é uma locução latina que significa "na natureza, da mesma natureza". É utilizada para descrever os alimentos de origem vegetal ou animal que são consumidos em seu estado natural, como por exemplo as frutas. Traduzida à letra, a expressão in natura quer dizer apenas «na natureza». No entanto, os contextos em que é habitualmente utilizada autorizam e requerem traduções mais amplas: «no estado que se encontra na natureza», «no seu estado natural», «não transformado». A expressão utilizase sobretudo para caracterizar certos produtos alimentares, tanto de origem vegetal como animal, quando estes são distribuídos ou consumidos no seu estado natural, ou seja, sem terem sido sujeitos a qualquer transformação ou processamento. Por exemplo, os frutos e as hortaliças são freqüentemente consumidos in natura, há importações de carne in natura, e o leite já não pode ser vendido in natura (sem ser pasteurizado). No entanto, nada impede a utilização da expressão em contextos não alimentares. No Brasil, por exemplo, o «salário in natura» é o conjunto dos benefícios concedidos pelo empregador como gratificação pelo trabalho desenvolvido ou pelo cargo ocupado pelo empregado: alimentação, habitação, viatura, vestuário, etc. Neste caso, o conceito de «naturalidade», julgo eu, resulta do contraste entre estes bens, que são imediatamente utilizáveis, e o dinheiro proveniente do salário «tradicional», o qual não pode ser utilizado sem ser previamente «transformado» em bens por meio de uma operação chamada «compra». Extraído do sítio http://pt.wikipedia.org/wiki/In_natura em 28/06/2012. Em todas acepções que encontro, alimentação in natura é alimento. A hipótese e de incidência é para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Vale ou Ticket não é alimento, portanto, não se enquadra na hipótese de não incidência. Para a questão de que o AI contemplou servidores vinculados ao regime próprio, observo que é uma alegação desprovida de provas. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Lembro que foi apresentada planilha bem detalhada, inclusive nominando cada servidor que recebeu o auxílio. 11.5. Os valores relativos ao pagamento de alimentação foram discriminados por trabalhador em planilhas específicas, juntadas nas fls. 350/449. A planilha de fl. 450 totaliza os valores das planilhas em questão. Quanto à Lei 8.460/92, que disciplina o auxílio alimentação dos servidores federais, o que se observa é que não se aplica ao caso em questão. A Lei de Custeio do Regime Geral de Previdência Social é a Lei 8.212/91. Entendo correta a tributação. TOTAL PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES A Recorrente afirma que pagou a totalidade dos tributos devidos: “repassou integralmente os valores ao INSS das folhas de pagamento”. Novo caso de alegação sem prova. Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal. MULTA Conforme apresentado, em obediência ao princípio da retroação benigna, se efetuou comparativo entre a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a vigente quando da ação fiscal, com prevalência da mais benéfica à recorrente. Entendo legal a multa aplicada. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.725316/201162 Acórdão n.º 2403002.173 S2‐C4T3 Fl. 9 15 CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Voto Vencedor Não obstante as colocações do ilmo. Relator, entendo que não deve persistir a manutenção da multa aplicada, pelas seguintes razões. O período de apuração do presente processo compreende as competências de 01/2008 a 12/2008, inclusive, 13º Salário. Portanto, deve ser realizado o recálculo da multa aplicada, nos seguintes termos. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.725316/201162 Acórdão n.º 2403002.173 S2‐C4T3 Fl. 10 17 desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar o recálculo da multa de mora até 11/2008, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto – Redator Designado Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913866/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADA EXTEMPORANEAMENTE. PROVA. NECESSIDADE.
O direito creditório deve ser reconhecido, se comprovado o erro na declaração apresentada originalmente.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADA EXTEMPORANEAMENTE. PROVA. NECESSIDADE. O direito creditório deve ser reconhecido, se comprovado o erro na declaração apresentada originalmente. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 38 66 /2 00 9- 18 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Conforme apuração e informações declaradas pela manifestante em DACON e em DCTF, cujos documentos foram juntados aos autos, há saldo de crédito disponível para a compensação feita, tendo em vista que a COFINS apurada e o recolhimento feito via DARF, também anexado aos autos, referemse a pagamento a maior. Desta forma, não prospera a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP com a fundamentação de inexistência de saldo disponível para compensação. Como a manifestante somente tardiamente constatou que efetuou o pagamento da COFINS a maior, a DCTF e a DACON foram posteriormente retificadas e transmitidas, informando à autoridade fazendária o seu montante apurado. Assim sendo houve recolhimento a maior, restando claro o saldo de crédito disponível para a utilização em compensações. Diante do exposto requer que a compensação declarada seja integralmente homologada, e que os efeitos do Despacho Decisório sejam suspensos até julgamento final desta Manifestação de Inconformidade. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP não acolheu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/CPS n.º 36.335, de 14/12/2011: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10830.913866/200918 Acórdão n.º 3201001.380 S3C2T1 Fl. 99 3 COMPROVAÇÃO DO ERRO. DACON. APURAÇÃO DO CRÉDITO NO MOMENTO DO DESPACHO DECISÓRIO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao Sujeito Passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Inexiste pagamento indevido quando o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito compensado foi utilizado para quitar débito apurado em DACON e confessado em DCTF, devendo a aferição da comprovação da disponibilidade de crédito ser considerada no momento da decisão exarada pela autoridade competente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nestes autos a existência de direito creditório suficiente para validar as compensações pretendidas pela recorrente. Embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DACON, o fato é de que o CARF vem relativizando esse entendimento, sempre buscando a chamada verdade material. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperado, o contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado. Nesse sentido, há diversos julgados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Na medida em que a recorrente não comprovou nos autos as bases para sua alegação de erro no envio original dos valores devidos, não á como validar o crédito pleiteado. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 20 de agosto de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726360/2011-63
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA ATRASO NA ENTREGA DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA ATRASO NA ENTREGA DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 60 /2 01 1- 63 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 40) emitida em virtude de entrega intempestiva da DACON. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e da notificação de lançamento, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0639.994, de 27 de março de 2013 (fls. 46/50), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2010 a 28/02/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação do DACON é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 26/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 54), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726360/201163 Acórdão n.º 1803001.849 S1TE03 Fl. 82 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega da DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DACON antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre descumprimento de obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917631/2009-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 3801-002.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 76 31 /2 00 9- 97 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917631/200997 Acórdão n.º 3801002.015 S3TE01 Fl. 191 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (..) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Conforme apuração e informações declaradas pela manifestante em DACON e em DCTF, cujos documentos foram juntados aos autos, há saldo de crédito disponível para a compensação feita, tendo em vista que o montante de PIS apurado e o recolhimento feito via DARF, também anexado aos autos, referemse a pagamento a maior ou indevido. Desta forma, não prospera a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP com a fundamentação de inexistência de saldo disponível para compensação. Como a manifestante somente tardiamente constatou que efetuou o pagamento do PIS indevidamente, a DCTF e a DACON foram posteriormente retificadas e transmitidas, informando à autoridade fazendária o seu montante apurado. Assim sendo houve recolhimento indevido, restando claro o saldo de crédito disponível para a utilização em compensações. Diante do exposto requer que a compensação declarada seja integralmente homologada, e que os efeitos do Despacho Decisório sejam suspensos até julgamento final desta Manifestação de Inconformidade.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), às fls. 56/60, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917631/200997 Acórdão n.º 3801002.015 S3TE01 Fl. 192 3 Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. DACON. APURAÇÃO DO CRÉDITO NO MOMENTO DO DESPACHO DECISÓRIO. Consideramse confissões de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao Sujeito Passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Inexiste pagamento indevido quando o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito compensado foi utilizado para quitar débito apurado em DACON e confessado em DCTF, devendo a aferição da comprovação da disponibilidade de crédito ser considerada no momento da decisão exarada pela autoridade competente. .Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 64 a 69, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917631/200997 Acórdão n.º 3801002.015 S3TE01 Fl. 193 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS, referente ao mês de setembro/2003, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DACON e da DCTF do 3° trimestre/2003, conforme cópia às fls. 22/36. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DACON e DCTF originais e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917631/200997 Acórdão n.º 3801002.015 S3TE01 Fl. 194 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000080/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada e que permita estabelecer um vínculo claro entre cada depósito e a correspondente origem.
Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Celia Maria de Souza Murphy (Presidente em exercício), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Ausente momentaneamente o Presidente Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada e que permita estabelecer um vínculo claro entre cada depósito e a correspondente origem. Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção. Recurso negado.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada e que permita estabelecer um vínculo claro entre cada depósito e a correspondente origem. Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Presidente em exercício (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 80 /2 01 0- 06 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 19311.000080/201006 Acórdão n.º 2101002.243 S2C1T1 Fl. 146 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Celia Maria de Souza Murphy (Presidente em exercício), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Ausente momentaneamente o Presidente Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 133/136) interposto em 27 de março de 2012 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 120/128), do qual o Recorrente teve ciência em 29 de fevereiro de 2012 (fl. 132), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 85/88 (fls. 86/89 do PDF), lavrado em 10 de março de 2010, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada no ano calendário de 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 120). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 133/136), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, cumpre tecer breves esclarecimentos acerca do tema que motivou a lavratura do auto de infração, qual seja, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Como é pacífico na jurisprudência deste Conselho, desde 1997, após a edição da Lei n.º 9.430/96, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 19311.000080/201006 Acórdão n.º 2101002.243 S2C1T1 Fl. 147 3 havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa. Nesse sentido, conforme preceitua o artigo 42 da Lei n.º 9.430/96: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de a refutar. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. A 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da qual esta 1ª Turma Ordinária teve origem, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n.º 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 19311.000080/201006 Acórdão n.º 2101002.243 S2C1T1 Fl. 148 4 “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) Nesse sentido, verificase, a partir de um breve compulsar dos autos, que o presente caso cingese à análise de depósitos realizados em contascorrentes de titularidade do Recorrente, ao longo do ano de 2006. Em que pesem as alegações ventiladas pelo Recorrente, fato é que, muito embora tenha ficado comprovada a ocorrência das enchentes no Município de Atibaia no período sob análise, não há documentos suficientes para comprovar que, conforme alegado, os depósitos feitos em suas contas originaramse de valores provenientes de atividade rural, pelo que deixou de acostar aos autos provas contundentes que comprovassem a origem dos valores depositados. Como muito bem decidiu o acórdão recorrido: “Concluindo, no presente caso, em que pese a apresentação de documentação pelo contribuinte interessado, não há como estabelecer a origem dos depósitos, pois não se sabe a que título os créditos foram feitos. Não há como, com a documentação acostada aos autos, estabelecer correlação entre os valores creditados em contas de titularidade do contribuinte e o exercício da atividade rural” (fls. 127). Se isso não bastasse, deve ser afastada a alegação do Recorrente de que teria havido erro no relatório do acórdão recorrido, no sentido de que não teria havido recebimento de rendimentos tributáveis de pessoas jurídicas, enquanto constou do relatório a afirmação de que esses rendimentos não teriam sido recebidos de pessoas físicas. Ora, tratase de mero erro material que não tem qualquer relevância na apuração do tributo, inclusive no que se refere à alíquota aplicável. Por fim, necessário se faz esclarecer que uma nota fiscal, uma declaração do Sindicato Rural de Santa Cruz do Rio Pardo e uma consulta da declaração cadastral da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo não são hábeis e idôneos para comprovar que Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY Processo nº 19311.000080/201006 Acórdão n.º 2101002.243 S2C1T1 Fl. 149 5 toda a movimentação financeira apontada em relação à contacorrente do Recorrente diz respeito à atividade rural do Recorrente. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/07/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY
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Numero do processo: 10240.720196/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
Ementa:
SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS.
As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3302-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 01 96 /2 01 0- 63 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Trata o processo de PERELETRÔNICO RESSARCIMENTO DE IPI, fls. 01, e DCOMP fls 14 e 15, cujo PARECER SAORT/DRF/PVO N° 093/2010 (fls. 34/37), aprovado pelo Despacho Decisório de fls. 38, não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas, sob a justificativa de que a interessada, usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para registro de negócios e atividades econômicas e financeiras, deixou de apresentar, após sucessivos pedidos de prorrogação, os arquivos digitais dentro das especificações técnicas do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 2001, alterado pelo ADE Cofis n° 55, de 2009, contendo as informações contábeis e fiscais necessárias à apreciação do pleito, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001. Discordando do Despacho Decisório, o interessado ingressou com manifestação de inconformidade em 23/07/2010 (fls. 42/55), acompanhada dos documentos (fls. 56/67), comprovado pelo carimbo de Recebimento do protocolo da ARF/CHAPECO/SC, fls. 42. Em 27/07/2010 apresenta requerimento dirigido ao delegado da DRJ/Belém solicitando que sejam recebidas e processadas as informações que seguem em CD anexo.que, segundo alega, referese aos dados das exportações e memória de cálculo do crédito presumido de IPI referente ao processo em epígrafe, eis que não foram incluídas no CD originalmente apresentado por erro de gravação, conforme documentos fls. 69/95. As alegações apresentadas, em síntese, conforme relatório do Acórdão recorrido: “a) Tece comentários sobre o crédito presumido, afirmando ser empresa industrial dedicada ao beneficiamento, comercialização e exportação de madeira; b) Informa haver cumprido todas as normas estabelecidas pelos atos que regulam o crédito presumido, tendo apresentado os arquivos fiscais e contábeis solicitados em conformidade com a capacidade de seu sistema operacional; c) Não dispõe de programas de processamento de dados com capacidade e tecnologia para gerar arquivos no leiaut exigidos pelos atos da Receita Federal; d) ‘É lamentável que o direito do contribuinte exportador, fixado em Lei Federal seja simplesmente negado por que o Fisco não se dispõe a verificar os dados fornecidos pela empresa ou o que é pior, não se dispõe a conceder prazos para que a recorrente efetue os ajustes necessários à geração de dados aos critérios e parâmetros dos programas utilizados pela Receita Federal’; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720196/201063 Acórdão n.º 3302002.255 S3C3T2 Fl. 147 3 e) A Receita Federal não considerou os sistemas e formatos utilizados pelas empresas, impondo de forma arbitrária a forma a ser utilizada; f) Requer que sejam acolhidos os arquivos anexados em CD, na forma fixada pelo ADE n° 15/2001; g) Contesta a não homologação da compensação, tendo em vista haver atendido as exigências relativas ao crédito; h) Solicita a suspensão da cobrança dos débitos envolvidos; i) Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos e a reforma do Despacho, conforme fls. 54/55.” No relatório do Acórdão recorrido consta a seguinte informação acerca do conteúdo do CD apresentado depois da peça impugnatória: “5. Verificandose o conteúdo do referido CD, foram encontradas três planilhas em Microsoft Excel denominadas: "Relação das Notas Fiscais de Exportação", "Estoques" e "Análise Final", na qual foram apresentados quadros demonstrativos do crédito presumido.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), por meio do Acórdão nº 0120.294– 3ª Turma da DRJ/BEL (doc. fls 105/111), proferido na Sessão de 11 de janeiro de 2011, por unanimidade de votos, decidiu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, consoante se constata pela ementa e dispositivos postos a seguir: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade”. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Cientificada do Acórdão nº 0120.294 – 3ª Turma da DRJ/BEL em 23/03/2011 (fl. 112), ainda irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 116/133), em 25/04/2011, no qual repisa os argumentos da impugnação, complementandoos, em face do acórdão proferido, elaborando a seguinte ressalva: “Apesar das tentativas de gerar os arquivos nos termos solicitados, a Recorrente novamente incorreu em erro ao tentar gerar os dados para o segundo CD juntado à Manifestação de Inconformidade. Assim, novamente a Recorrente requer que seu pedido seja avaliado a partir dos arquivos e documentos que dispõe, mas que infelizmente, por diversos problemas de ordem tecnológica, não consegue hoje gerar informações de 2006 nos parâmetros hoje em vigor. Assim, o que se requer de imediato é que seja reformado o Acórdão em debate e que seja analisado o pedido da Recorrente com base nos preceitos fixados pelas leis que regulam o crédito presumido de IPI e para tanto sejam verificadas as operações de exportações realizadas, o valor dos insumos, matériasprimas e embalagens aplicados nestes produtos e todas as demais informações pertinentes. Também se requer que seja verificado o DCP Demonstrativo de Crédito Presumido de IPI, bem como as informações constantes no Pedido Eletrônico Perdcomp protocolado para o trimestre. O pedido acima toma por base as Leis 9.363/96 e 10.276/2001, bem como as Instruções Normativas relativas ao crédito presumido de IPI e as demais informações necessárias a realização do pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. Assim, sendo esta a norma prescrita, por que estes documentos e informações não foram verificados??” Sobre a compensação requerida e não homologada, argúi: “A decisão ora guerreada por qualquer ângulo que se verifica é infundada, incorreta e fere duplamente os direitos da Recorrente, pois ao não reconhecer as compensações efetuadas o agente julgador tenta, por via indireta, ratificar a despacho decisório de indeferimento do crédito, fato este que não pode prosperar, já que as compensações só poderão ser julgadas após decisão em relação ao crédito.” Ao final, elabora o seu requerimento nos seguintes termos: “a. Seja recebido e processado o presente Recurso Voluntário; b. Seja reformado o Despacho Decisório proferido no processo ora guerreado para o fim de reconhecer a atividade industrial exercida pela Recorrente e como tal reconhecer o direito da ora Recorrente ao Crédito Presumido do IPI relativo 3º trimestre de 2008, pelas razões de fato e de direito acima ofertados, em homenagem ao Direito e como medida da mais elevada Justiça; c. Que sejam considerados para a análise do processo da Recorrente os documentos ficais e contábeis que comprovam as operações realizadas, bem como sejam verificados os dados já apresentados, as memórias de cálculo, o DCP e o PERDCOMP já apresentados neste processo, eis que contém os dados Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720196/201063 Acórdão n.º 3302002.255 S3C3T2 Fl. 148 5 necessários para analise do pleito, independentemente da linguagem tecnológica aos mesmos; d. Reconhecido o direito crédito da Recorrente na forma dos itens b e c, acima, sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao processo, eis que foram efetuadas na forma prescrita em lei; e. Se assim não entender este Egrégio Conselho que seja determinado o retorno deste processo à Delegacia da Receita Federal de origem e disponibilizada a reabertura de prazo para que a Recorrente passa adequar as informações do período de 2008 aos parâmetros tecnológicos fixados e exigidos no MPF de origem. f. Se acolhido o pedido da Recorrente na forma do item e acima, que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho novo decisório definitivo.” Na forma regimental, os autos foram a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Por isso, acolhoo. A empresa industrial, dedicada ao beneficiamento, comercialização e exportação de madeira, apresentou PerRessarcimento de IPI, conforme folha 01, cujo pleito consubstanciase no crédito presumido do IPI do período de apuração do 3º trim/08. Constatase que a lide resumese à questão comprobatória do crédito pleiteado, haja vista a contribuinte, ora recorrente, não ter apresentado os arquivos digitais dentro das especificações técnicas previstas no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 2001, alterado pelo ADE Cofis n° 55, de 2009, contendo as informações contábeis e fiscais necessárias à apreciação do pleito, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001. É que a empresa é usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para registro de negócios e atividades econômicas e financeiras e nesta condição encontravase obrigada a manter e apresentar, quando solicitada pelos agentes da RFB, os respectivo arquivos digitais e sistemas, em conformidade com a legislação específica, que foi bem demonstrada e analisada no Acórdão ora recorrido, cujo trecho se reproduz a seguir: “8. O art. 11 da Lei 8.218, de 29 de agosto de 1991, prescreve: ‘Art 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 atividades econômicas ou Financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, peio prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) ... §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória n° 2158 35, de 2001) §4º Os atos a que se refere o § 3a poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal .(Incluído pela Medida Provisória n° 215835, de 2001)’ (grifouse) 9. Com base no dispositivo acima, a Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22.10.2001, conforme abaixo: ‘Art. 1º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei n 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2 As pessoas jurídicas especificadas no art. 1, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Art. 3° Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º. § 1° Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo Coordenador Geral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3° Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações.’ (grifouse) 10. Como consequência, foram baixadas as regras para apresentação dos arquivos através do ADE Cofis n° 15, de 2001, que segue transcrito: ‘Art. 1° As pessoas jurídicas de que trata o art. 1 da Instrução Normativa SRF n286, de 2001, quando intimadas por AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1º de janeiro Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720196/201063 Acórdão n.º 3302002.255 S3C3T2 Fl. 149 7 de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. §1º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I registros contábeis; II fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. §2º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único. Art. 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata §1º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos.’ 11. O que se extrai dos dispositivos acima transcritos é que a utilização de sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal é facultativo para as pessoas jurídicas que, caso optem por essa forma de controle, ficam sujeitas às exigências previstas no art. 11 da Lei n° 8.212, de 1991, e legislação correlata. Os arquivos digitais são validados através do Sistema Integrado de Coleta — SINCO — Arquivos Contábeis, disponível para "download" no "site" www. receita. fazenda. gov. br. A exigência de tais especificações técnicas se dá pela necessidade de padronização de arquivos, pelo o fato de a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, buscando cumprir seus objetivos estratégicos, adotar sistemas eletrônicos para análise e manipulação dos dados fornecidos pelos contribuintes. A própria contribuinte demonstrou ter consciência dessa necessidade, quando assim manifestouse em sua impugnação e recurso: “Considerando as inúmeras empresas do país e os milhares de processos que precisam ser analisados é compreensível que se estabeleçam regras e critérios.” Pois bem, a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22 de outubro de 2001, publicada no DOU de 23.10.2001 , teve vigência a partir da data da sua publicação, produzindo Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 efeitos a partir de 1 º de janeiro de 2002, consoante disposto no seu art.5º. Portanto, quando da apresentação, pela contribuinte, do PER Ressarcimento nº 06237.00209.201008.1.1.013603, em 20/10/2008, já havia decorrido mais de seis (6) anos da efetividade da referida regra, tempo suficiente para que a contribuinte tomasse as medidas cabíveis para a devida adaptação dos seus sistemas, principalmente, tendo em vista, o seu interesse em ser ressarcida de créditos presumidos de IPI. Não obstante tal fato, quando solicitou, sucessivamente, no decorrer da auditoria, a prorrogação de prazo para que pudesse atender às intimações, de acordo com as exigências legais, ao contrário do que alega, teve, sim, o deferimento dessas prorrogações, consoante se vê pelas anotações expressas constantes nos documentos de fls.28 e 29 e pelas prorrogações tácitas que se deram em seguida, tendo em vista que a última solicitação de prorrogação de prazo, dita final e definitiva pela requerente, se deu em 12/05/2010 (doc. fl. 32), e o Despacho Decisório de fl. 38 foi somente emitido em 10/06/2010, sem que a contribuinte tivesse apresentado os arquivos nas especificações exigidas na legislação atinente, para bem demonstrar o direito ao ressarcimento do crédito presumido alegado. Ressaltese, inclusive, que a auditoria só teve início em 24/11/2009 (doc. fl. 19). Portanto, mais de um (1) ano depois da apresentação de seu pedido de ressarcimento. Assim, lá se vão quase oito anos da vigência da norma. O que demonstra total desinteresse da contribuinte. Da mesma forma, quando da impugnação, a contribuinte apresenta dois “CD”, que, também, não atendiam às especificações exigidas, consoante registra a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, no trecho a seguir transcrito: “12. No caso presente, a empresa apresenta dois CD's onde estariam os arquivos requeridos pela Fiscalização, juntamente com recibo emitido pelo sistema de validação de arquivos digitais (fl. 56) no qual estão relacionados nove arquivos de texto (extensão TXT), sem conteúdo informado. Além disso o referido recibo não identifica a empresa, o responsável, o responsável técnico, estando assinada, aparentemente (comparouse a assinatura com a da fl. 73), pelo procurador da empresa, Sr. Edson Monteiro, que também fez as vezes de técnico responsável pela geração dos arquivos. 13. No primeiro CD (fl. 57) não foi possível a verificação dos arquivos contidos. Considerando que estão sendo apreciados em conjunto vários processos da interessada, referentes a outros trimestres, procurouse nos demais processos um CD no qual pudesse ser verificado o conteúdo, localizandose o pertencente ao processo 10240.720193/201020. 14. Nele, observouse a presença de três pastas, referentes aos anos de 2006, 2007 e 2008 (períodos envolvidos nos processos apreciados), estando cada uma dessas pastas subdivididas em outras três pastas denominadas "Contábil", "Fiscal" e "Folha", sendo que somente os arquivos constantes da pasta "Fiscal" estão relacionados no recibo, do qual não consta a validação dos demais. 15. Dos nove arquivos constantes da pasta Fiscal/2008, dois estão zerados e os demais, apesar de serem arquivos de texto, contém caracteres desconexos. Apenas em dois deles podem ser Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720196/201063 Acórdão n.º 3302002.255 S3C3T2 Fl. 150 9 lidos nomes de pessoas jurídicas e materiais, sem a possibilidade de se extrair nenhuma informação dos mesmos. 16. No segundo CD foram encontradas três planilhas em Microsoft Excel denominadas: "Relação das Notas Fiscais de Exportação", "Estoques" e "Análise Final", na qual foram apresentados quadros demonstrativos do crédito presumido. 17. Acerca da apresentação dos arquivos, o Anexo do ADE n° 15, de 2001, prescreve: ‘2. Autenticação Os arquivos digitais, entregues na forma do item 1.3, deverão ser autenticados utilizandose aplicativo a ser disponibilizado na pásina da RFB na internet, o qual, mediante varredura nos arquivos eletrônicos, irá qerur um códiso de identificação utilizando o algoritmo MD5 – ‘MessageDigest algorithm 5’, ou superior, podendo ser utilizado a qualquer tempo para verificação da autenticidade dos arquivos fornecidos. No documento a que se refere o item 3.2, constarão os códisos gerados, que identificarão de forma única os arquivos digitais entregues. 3. Documentação de Acompanhamento Os documentos mencionados no item 3.1 devem, também, ser gravados como arquivo texto denominado LEIAME. TXT e entregue juntamente com o arquivo a que se refere. 3.1 Descrição Detalhada do Arquivo Descrição completa dos campos de cada registro do arquivo, incluindo sua seqüência e formato (tipo, posição inicial, tamanho e quantidade de casas decimais), seu significado, valores possíveis, com a descrição dos conceitos envolvidos na especificação deste valor, definição de seus componentes, incluindo fórmulas de cálculo e eventual relação com o conteúdo de outros campos. Quando, para manter a integridade e correção da informação, for necessária a apresentação de dados não previstos nos arquivos padronizados, eles deverão ser incluídos nos arquivos correspondentes, mediante acréscimo de campos ao final do registro. Caso qualquer campo seja de tamanho superior ao previsto neste Ato, prevalecerá o tamanho utilizado pela pessoa jurídica. Em ambas as situações, exige se, como parte da documentação de acompanhamento, a apresentação do leiaute correspondente aos arquivos. 3.2 Recibo de entrega Os arquivos digitais serão entregues acompanhados do Recibo de entrega que conterá a identificação dos arquivos e os códigos gerados pelo sistema mencionado no item 2± dentre outras informações. Esse documento deverá ser assinado pelo AFRFB requisitante, após a conferência do respectivo código de autenticação, pelo técnico/empresa responsável pela geração dos arquivos e pelo contribuinte/preposto. ....’ (grifouse) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 18. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito, tendo trazido ao processo arquivos sem autenticação e sem o cumprimento das regras exigidas pelo ADE. Ademais, os poucos arquivos autenticados possuem extensão de texto, o que leva à conclusão da inexistência do arquivo principal.” A contribuinte, em seu recurso voluntário, nada traz de novo, de modo a infirmar as conclusões do acórdão recorrido. Apenas reprisa seus argumentos e requer, principalmente: a) “Que sejam considerados para a análise do processo da Recorrente os documentos ficais e contábeis que comprovam as operações realizadas, bem como sejam verificados os dados já apresentados, as memórias de cálculo, o DCP e o PERDCOMP já apresentados neste processo, eis que contém os dados necessários para analise do pleito, independentemente da linguagem tecnológica aos mesmos; b) Se assim não entender este Egrégio Conselho que seja determinado o retorno deste processo à Delegacia da Receita Federal de origem e disponibilizada a reabertura de prazo para que a Recorrente passa adequar as informações do período de 2008 aos parâmetros tecnológicos fixados e exigidos no MPF de origem.” Nenhuma das solicitações requeridas e acima mencionadas é possível de atendimento. A primeira delas, porque, consoante já demonstrado, tratase de exigência legal que vincula a administração e, a segunda, porque é na manifestação de inconformidade/impugnação que a contribuinte deve trazer todos os meios de prova que dispõe para comprovar seus argumentos. E, ademais, a contribuinte já teve tempo suficiente para adaptarse às regras e não o fez, inclusive, já manifestou sobre a dificuldade de fazêlo, segundo o trecho destacado: “Assim, apesar das mudanças que foram necessárias para atender a Intimação 579/2009 e de acordo com o informado nas solicitações de prorrogação de prazos, a Recorrente tentou adequar seu sistema operacional para gerar os arquivos e dados solicitados nos parâmetros fixados pelo ADE cofis 15/2001, alterado pelo ADE Cofis 55/2009. Apesar das tentativas de gerar os arquivos nos termos solicitados, a Recorrente novamente incorreu em erro ao tentar gerar os dados para o segundo CD juntado à Manifestação de Inconformidade. Assim, novamente a Recorrente requer que seu pedido seja avaliado a partir dos arquivos e documentos que dispõe, mas que infelizmente, por diversos problemas de ordem tecnológica, não consegue hoje gerar informações de 2006 nos parâmetros hoje em vigor.” Podese até entender que, não havendo a análise do mérito nos presentes autos, face a indisponibilidade dos arquivos, e não havendo nenhum impedimento legal, a contribuinte, conseguindo adequar os seus arquivos às especificações técnicas exigidas na Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720196/201063 Acórdão n.º 3302002.255 S3C3T2 Fl. 151 11 legislação de regência, possa efetuar novo pedido de ressarcimento, caso o faça dentro do prazo prescricional e na forma prevista em lei. DA COMPENSAÇÃO Tem razão a contribuinte quando afirma que o pedido de compensação fica vinculado ao reconhecimento do pedido de ressarcimento. Contudo, tendo sido ambos os pedidos submetidos à julgamento da Administração Tributária por meio do mesmo processo, nada obsta que a decisão sobre o reconhecimento, ou não, do direito de ressarcimento e a homologação, ou não, da compensação requeridos seja efetuada num mesmo ato administrativo. Não havendo, ao contrário do alegado, nenhuma irregularidade na decisão assim proferida e nenhum prejuízo à contribuinte. Pelo o contrário, tal procedimento atende aos princípios da celeridade do Processo Administrativo e ao da Economia Processual. SUSPENSÃO DA COBRANÇA DOS DÉBITOS E, sobre a suspensão da cobrança dos débitos, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa já esclareceu que o Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, e a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, já garantem a suspensão dos débitos compensados na hipótese de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, não havendo, portanto, litígio neste sentido. CONCLUSÃO Por tudo o que acima foi exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a decisão proferida no Acórdão ora recorrido e, em conseqüência, não reconhecer o crédito presumido de IPI pleiteado e não homologar as compensações declaradas. É como voto. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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