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Numero do processo: 13609.001434/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS
Não se admite, para fins de determinação do lucro real, a dedução de custos e despesas não comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, exige a comprovação do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTO. NEXO CAUSAL. INEXISTÊNCIA.
Lançamento com fundamento em custos/despesas não comprovadas e cuja multa foi qualificada por utilização de interposta pessoa na administração da pessoa jurídica. Não há nenhum nexo causal entre a infração e a interposição de pessoas, uma vez que em nenhum momento serão chamados à sujeição passiva os administradores, ainda que mantida a citada qualificação. É que a qualificação acontece quando presente a sonegação ou a fraude e, neste caso, a modificação "das condições pessoais de contribuinte" ou "das características essenciais do fato gerador" por utilização de interpostas pessoas é impossível, haja vista que o sujeito passivo da obrigação é somente a pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1302-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e de suspensão do processo, e, no mérito, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos voluntários, para afastar a multa qualificada e a responsabilidade solidária dos responsáveis arrolados, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Rogério Aparecido Gil, que mantinham a qualificação da multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS Não se admite, para fins de determinação do lucro real, a dedução de custos e despesas não comprovados mediante documentação hábil e idônea. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. A atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, exige a comprovação do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTO. NEXO CAUSAL. INEXISTÊNCIA. Lançamento com fundamento em custos/despesas não comprovadas e cuja multa foi qualificada por utilização de interposta pessoa na administração da pessoa jurídica. Não há nenhum nexo causal entre a infração e a interposição de pessoas, uma vez que em nenhum momento serão chamados à sujeição passiva os administradores, ainda que mantida a citada qualificação. É que a qualificação acontece quando presente a sonegação ou a fraude e, neste caso, a modificação "das condições pessoais de contribuinte" ou "das características essenciais do fato gerador" por utilização de interpostas pessoas é impossível, haja vista que o sujeito passivo da obrigação é somente a pessoa jurídica.
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CSLL. CUSTOS. DESPESAS. Recorrente PATRÍCIA PEREIRA CARDOSO, MARCUS VINÍCIUS PEREIRA CARDOSO, MARCELO PEREIRA CARDOSO, PAULO VICTOR CARDOSO E FERNANDA PEREIRA CARDOSO (Responsáveis solidários no processo instaurado em face de SOCIEDADE CEREAIS UNAI LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS Não se admite, para fins de determinação do lucro real, a dedução de custos e despesas não comprovados mediante documentação hábil e idônea. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. A atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, exige a comprovação do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTO. NEXO CAUSAL. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 14 34 /2 01 0- 18 Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.447 2 Lançamento com fundamento em custos/despesas não comprovadas e cuja multa foi qualificada por utilização de interposta pessoa na administração da pessoa jurídica. Não há nenhum nexo causal entre a infração e a interposição de pessoas, uma vez que em nenhum momento serão chamados à sujeição passiva os administradores, ainda que mantida a citada qualificação. É que a qualificação acontece quando presente a sonegação ou a fraude e, neste caso, a modificação "das condições pessoais de contribuinte" ou "das características essenciais do fato gerador" por utilização de interpostas pessoas é impossível, haja vista que o sujeito passivo da obrigação é somente a pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e de suspensão do processo, e, no mérito, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos voluntários, para afastar a multa qualificada e a responsabilidade solidária dos responsáveis arrolados, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Rogério Aparecido Gil, que mantinham a qualificação da multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório Tratamse de Recursos Voluntários apresentados em relação ao Acórdão nº 0232.172, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 995 a 1.029), que julgou improcedentes as impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.448 3 Não se admite, para fins de determinação do lucro real, a dedução de custos e despesas não comprovados mediante documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO PERCENTUAL DE APLICAÇÃO Aplicase a multa de ofício no percentual de 150% se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ARGUIÇÃO DE NULIDADE FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ACOMPANHAR A AÇÃO FISCAL A fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal somente se instaura com a impugnação das exigências fiscais. As intimações para prestar esclarecimentos ou documentos durante a fase de fiscalização ou preparação do lançamento são realizadas apenas no interesse da administração tributária e quando esta as julgar necessárias. Não constitui causa de nulidade nem cerceamento do direito de defesa deixar de intimar o sujeito passivo para acompanhar o trabalho fiscal do qual resultou o lançamento de ofício." O processo tem por objeto autos de infração lavrados contra SOCIEDADE CEREAIS UNAI LTDA (fls. 486 a 495), para a exigência de IRPJ e CSLL, em relação ao ano calendário de 2005, no montante total de R$ 25.820.271,15 (juros de mora calculados até 30/09/2010). O Acórdão recorrido sintetiza o procedimento fiscal nos seguintes termos: "Fiscalização O procedimento fiscal foi instaurado por meio do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 06.1.13.002008001287. Em 16/05/2008, lavrouse o termo de início da ação fiscal, cuja ciência deuse por via postal em 23/05/2008 (fls. 04). A contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar, além de cópia do contrato social, os seguintes elementos, todos relativos Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.449 4 ao anocalendário de 2005:livros Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Diário, Razão e de Apuração do Lucro Real (LALUR), bem como extratos de conta mantida no Banco Itaú S.A. (fls. 02/03 e 06/08). Às fls. 224/404, juntaramse cópias dos principais documentos entregues. Mediante termo de fls. 13, solicitouse à Sociedade Cereais Unaí Ltda que os sócios por ela responsáveis encaminhassem, por escrito, os números de telefone por meio dos quais pudessem ser diretamente contactados. Mas não houve resposta. Depois, foi intimada e reintimada a apresentar (fls. 15/30): (i) todos os documentos fiscais referentes às aquisições relacionadas no termo de fls. 15, as quais foram escrituradas na conta contábil "13101 Mercadorias p/ revenda"; (ii) todos os documentos fiscais e comprovantes dos pagamentos referentes às despesas escrituradas nas contas contábeis "32041 Luz", "32042 Telefone", "00018 Fretes e Carretos", "00037 Embalag (Plast. Prot. Merc. Emb. /Barb. / Amar)" e "00039 Conservante / Imunizante de Feijão". Em resposta, com relação aos documentos solicitados, foram entregues apenas as contas de telefone e energia (contas contábeis: 32041 e 32042). Foram ainda apresentadas cópias do livro Razão (novamente) e das DAPI Declaração de Apuração e Informação do ICMS, nas quais Paulo Victor Cardoso consta como responsável/sóciogerente. Intimouse a contribuinte, ainda, a apresentar extratos das contas mantidas no Banco Itaú Unibanco S.A. (n° 309804 da agência n° 0003 e n° 007441 da agência n° 1505), relativas ao anocalendário 2005, tendo em vista que as informações enviadas anteriormente não foram completas (fls. 56/58). Mas não houve nenhuma resposta. Verificações preliminares A contribuinte está sediada em Unaí/MG e, no anocalendário fiscalizado (2005), explorava, entre outras, as atividades de comercialização, industrialização, importação e exportação de alimentos em geral, conforme 25° alteração contratual de fls. 224/231. Iniciou suas atividades em maio de 1959. Interposição de pessoas / sócio oculto De acordo com a 23ª alteração do contrato social, datada de 20/07/1995, constavam como sócios da Sociedade Cereais Unaí Ltda: Paulo Victor Cardoso, Fernanda Pereira Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso, Marcus Vinícius Pereira Cardoso e Patrícia Pereira Cardoso. Paulo Victor Cardoso figurava como administrador da sociedade. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.450 5 Mediante a 24ª alteração do contrato social datada de 25/08/2004 e registrada na junta comercial em 24/09/2004 (fls. 232/239) passa a fazer parte da sociedade Carmo de Paiva, que integraliza em moeda corrente a quantia de R$ 400.000,00. A administração da sociedade passa a ficar a cargo deste somente. Mediante a 25ª alteração do contrato social datada de 05/10/2004 e registrada na junta comercial em 19/10/2004 (fls. 224/231) passa a fazer parte da sociedade Vanda Maria da Silva, que integraliza em moeda corrente a quantia de R$ 3.000,00. Neste mesmo ato, retiramse da sociedade Paulo Victor Cardoso, Fernanda Pereira Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso, Marcus Vinícius Pereira Cardoso e Patrícia Pereira Cardoso, transferindo a Carmo de Paiva as respectivas quotas, no total de R$ 200.000,00. Assim, restaram apenas os sócios Carmo de Paiva e Vanda Maria da Silva. A administração da sociedade continuou a cargo somente de Carmo de Paiva. Mas tanto Carmo de Paiva como Vanda Maria da Silva não possuem suporte financeiro em suas declarações de ajuste anual do imposto sobre a renda da pessoa física (DIRPF) de fls. 405/413 para serem os reais proprietários da Sociedade Cereais Unaí Ltda, que movimentou mais de R$ 23.000.000,00 em vendas no ano de 2005, conforme documentos por esta entregues às fls. 262/404. Vanda Maria da Silva reside em Contagem/MG e apresentou declaração de isento relativamente ao exercício de 2004. Quanto aos exercícios de 2005 e 2006, apresentou DIRPF informando um único bem: as quotas da sociedade no valor de R$ 3.000,00. Carmo de Paiva reside na rua Dr. Romeu Lages n° 721, Bairro Santa Cruz, Betim/MG e, relativamente aos exercícios de 1998 até 2004, apresentou declarações de isento. Na DIRPF do anocalendário de 2004, Carmo de Paiva se qualifica como "gerente ou supervisor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços", declarando, contudo, rendimentos recebidos exclusivamente de pessoas físicas no valor de R$ 13.500,00 (fls. 405/407). A título de bens e direitos, declara exclusivamente as quotas sociais adquiridas em 2004, no valor de R$ 600.000,00. Declara ainda, a título de dívidas e ônus reais, um empréstimo em dinheiro concedido pela IMFA Indústria Mineira de Fabricação de Alimentos Ltda no mesmo valor de R$ 600.000,00, a serem pagos no prazo de oitenta meses. A IMFAIndústria Mineira de Fabricação de Alimentos Ltda figurava como inativa nos cadastros da RFB. Na DIRPF do anocalendário de 2005, Carmo de Paiva se qualifica como "vendedor e prestador de serviços do comércio, ambulante, caixeiroviajante e camelô", declarando rendimentos recebidos exclusivamente de pessoas físicas no total de R$ 15.000,00, o que se mostra em discordância com a condição de Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.451 6 sócio majoritário e administrador da Sociedade Cereais Unaí Ltda. Carmo de Paiva foi intimado e reintimado a apresentar: comprovação do efetivo recebimento do valor de R$ 600.000,00 a título de empréstimo; contrato de mútuo respectivo; comprovantes dos pagamentos das parcelas previstas no contrato de mútuo; e número de telefone por meio do qual pudesse ser diretamente contactado (fls. 189/194). Mas não houve resposta. Já Fernando da Mota Júnior, responsável pela IMFAIndústria Mineira de Fabricação de Alimentos Ltda foi intimado e reintimado a apresentar: comprovação da efetiva entrega do valor de R$ 600.000,00 a título de empréstimo; contrato de mútuo respectivo; e comprovantes do efetivo recebimento das parcelas previstas no contrato de mútuo (fls. 198/200 e 203/205). Mas não houve resposta. Por sua vez, a contribuinte foi intimada e reintimada a comprovar o efetivo recebimento de R$ 400.000,00 entregues por Carmo de Paiva quando de sua admissão como sócio, conforme 24ª alteração contratual, bem assim a apresentar contrato de locação de seu estabelecimento relativamente aos anoscalendários 2004 e 2005 (fls. 45/50). Em atendimento, não foi apresentado o contrato de locação exigido, mas apenas os seguintes documentos (fls. 51/55): i) resposta assinada pelo próprio Carmo de Paiva, informando que R$ 400.000,00 seria o valor correto do empréstimo (e não R$ 600.000,00 conforme declarado em sua DIRPF de fls. 405/407); ii) cópia simples de contrato particular de mútuo em dinheiro, no valor de R$ 400.000,00, sem reconhecimento de firma, sem identificação das testemunhas e apresentando divergência entre a cláusula 2ªa (que estipula quitação em 80 meses, com 2 anos de carência) e a cláusula 4ª (que estipula quitação em 36 meses, com carência de 1 ano); iii) cópias de recibos de envio de TED (Transferência Eletrônica Disponível). A IMFAlndústria Mineira de Fabricação de Alimentos Ltda teve declarada inapta sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) pelo Ato Declaratório Executivo n°97, de 29/06/2010, por omissão quanto às suas declarações desde 2003 e por não ter sido localizada no endereço informado no CNPJ (fls. 207). Também teve sua inscrição estadual cancelada pela Receita Estadual, com efeitos a partir de 19/08/2005 (fls. 206). Fernando da Mota Júnior, responsável pela IMFAIndústria Mineira de Fabricação de Alimentos Ltda, outorgou diversas procurações concedendo amplos poderes de administração à Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.452 7 esposa de Paulo Victor Cardoso, Viviane Mendes Pena Cardoso, e ao irmão desta, Gustavo Mendes Pena Cardoso, para que controlassem as empresas IBFAIndústria Brasileira de Fabricação de Alimentos Ltda e Moda ÍtaloBrasileira Ltda (fls. 65/66, 68/69 e 71). Para vender um automóvel Mercedes Bens 300 SE que seria de sua propriedade, Fernando da Mota Júnior outorgou procuração a Gustavo Mendes Pena Cardoso (fls. 70). Fernando da Mota Júnior residente na rua Conchas n° 84, bairro Coqueiros, Belo Horizonte tem renda declarada incompatível com a condição de sócio das empresas e veículo citados. Concluise pela invalidade do instrumento de mútuo apresentado como comprovação de recursos que teriam sido conseguidos por Carmo de Paiva para a compra da sociedade. Como Carmo de Paiva declarou que o empréstimo foi de apenas R$ 400.000,00 e não de R$ 600.000,00, ficou sem explicação a origem dos R$ 200.000,00 pagos pelas quotas dos exsócios, conforme 25ª alteração contratual. Intimado a comprovar o efetivo pagamento das quotas, ele não apresentou nenhuma resposta (fls. 195/197). Intimado a comprovar o efetivo recebimento dos R$ 38.168,00 pela transferência de suas quotas a Carmo de Paiva, Paulo Victor Cardoso informou que teria recebido o valor em moeda corrente e que o recibo seria o próprio instrumento de alteração contratual. Não se comprovou o efetivo recebimento dos recursos do mútuo por Carmo de Paiva. Também não se comprovou que tenha quitado alguma das parcelas previstas no contrato. Concluise que ele não obteve nenhum empréstimo real para a integralização das quotas no valor de R$ 400.000,00. Não se demonstrou a real origem desse dinheiro, que nunca pertenceu a Carmo de Paiva. Evidenciase, assim, a simulação de sua entrada na sociedade, que se concretizou com capital de outra pessoa, cuja identidade não se conseguiu apurar. Deste modo concluise pela invalidade da 24ª alteração contratual. Ainda que fosse real, o contrato de mútuo cobriria apenas os R$ 400.000,00 da integralização do capital, deixando sem lastro os R$ 200.000,00 da aquisição das quotas dos sócios retirantes, conforme 25ª alteração contratual. Concluise pela invalidade também da 25ª alteração contratual, por simulação da venda das quotas dos exsócios para Carmo de Paiva, havendo indícios suficientes para considerálo interposta pessoa de Paulo Victor Cardoso, Fernanda Pereira Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso, Marcus Vinícius Pereira Cardoso e Patrícia Pereira Cardoso. Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.453 8 Informações sobre a movimentação financeira da contribuinte foram requisitadas ao Banco Itaú S.A. (fls. 115), que enviou, entre outros documentos, os instrumentos de procuração de fls. 125 e 126, lavrados em 19/11/2004 e 13/03/2008, respectivamente. Pelo primeiro instrumento, a Sociedade Cereais Unaí Ltda, representada por Carmo de Paiva, confere amplos poderes de administração a Ricardo Francisco da Silva e Geraldo Luiz de Melo. Pelo segundo, ela confere os mesmos poderes a Antônio Carlos Tellechea Costa. Novamente intimado (fls. 144), o Banco Itaú S.A enviou, entre outros documentos, o instrumento de fls. 169, pelo qual Ricardo Francisco da Silva e Geraldo Luiz de Melo substabelecem em favor de José Carlos Mariano os poderes que lhe foram outorgados pela Sociedade Cereais Unaí Ltda. De acordo com os dados disponíveis nos sistemas da RFB, os procuradores Ricardo Francisco da Silva, Geraldo Luiz de Melo, Antônio Carlos Tellechea Costa e José Carlos Mariano não possuem suporte financeiro nas DIRPF apresentadas, para estarem na direção de uma empresa que movimenta anualmente dezenas de milhões de reais. A partir de dados sobre empregados da contribuinte obtidos nos sistemas da RFB, contactouse, por telefone, conforme termo de constatação fiscal de fls. 221, o exempregado Ivone Rodrigues da Silva, o qual declarou: que trabalhou por cerca de 20 anos para a contribuinte, desde 2008 não mais; que em 2005 la trabalhava; que em 2005 o dono da empresa era Marcelo Pereira Cardoso, junto com seus sócios; que Marcelo estava sempre lá; que Paulo Victor Cardoso era um dos donos e aparecia regularmente por lá; que não conhecia Carmo de Paiva, pois nunca o tinha visto por lá; que Ricardo Francisco da Silva também gerenciava a empresa. Concluise que os proprietários de fato da Sociedade Cereais Unaí Ltda continuam sendo os antigos sócios, tendo sido elaborado um esquema de controle daquela por meio de interpostas pessoas, como ficou demonstrado. Apuração IRPJ e CSLL A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2005 foi entregue após o início da fiscalização, com perda da espontaneidade. Optouse pela tributação com base no lucro real, com apuração anual do IRPJ e CSLL. Foi declarado o total de R$ 28.216.846,71 a título de receita líquida das atividades (fls. 240/261). A contribuinte foi intimada e reintimada a comprovar custos e despesas constantes dos livros contábeis apresentados, conforme termos de fls. 15/16 e 29. Entretanto, limitouse a apresentar os comprovantes de despesas referentes ao consumo de energia e telefone, no valor total de R$ 77.305,72. Portanto, foram glosados os demais custos e despesas, perfazendo o total de R$ Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.454 9 25.209.445,58 (fls. 433). Foram então apurados os valores de IRPJ e CSLL devidos, conforme cálculos dos respectivos autos de infração. Infrações Penalidades Demonstrouse um esquema de instituição de interpostas pessoas para administrar a Sociedade Cereais Unaí Ltda, inclusive simulando a sua venda. Por isso, caracterizouse, em tese, a fraude e a simulação no intuito de impedir ou retardar a constituição do crédito tributário, ou mesmo a sua exigência, tendo sido aplicada multa de ofício agravada de 150%, conforme art. 44,1, § Io , da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. Responsabilidade pelo crédito tributário Nos termos dos arts. 121, II, e 124, I, do CTN, qualificamse como solidariamente responsáveis pelo crédito tributário: Paulo Victor Cardoso, Patrícia Pereira Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso, Marcus Vinícius Pereira Cardoso e Fernanda Pereira Cardoso. Considerações finais Formalizouse o processo de representação fiscal para fins penais de n° 13609.001478/201030." A pessoa jurídica apresentou impugnação ao lançamento (fls. 516 a 540), resumida do seguinte modo: a) suscitou a nulidade do lançamento, já que os documentos solicitados pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil não puderam ser apresentados nas datas aprazadas, por estarem retidos, em virtude de procedimento fiscalizatório da Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais; bem como por as despesas terem sido glosadas por mera presunção, sem as necessárias averiguações e desprezando o conteúdo dos livros contábeis e fiscais; b) não teria sido caracterizada a interposição de Carmo de Paiva perante a sociedade, sendo este o efetivo gestor da pessoa jurídica; c) seria competência exclusiva do Poder Judiciário a declaração de invalidade ou nulidade das alterações contratuais registradas na Junta Comercial; d) o Sr. Carmo de Paiva, apesar de não possuir boas condições financeiras, mas com longo conhecimento do mercado de corretagem de cereais, ofereceuse para participar do quadro social, mediante a integralização de R$ 400.000,00 tomados de empréstimo. A partir do ingresso de Carmo de Paiva, houve abrupto aumento da atividade social, o que comprova a sua aptidão e lhe retira a pecha de "laranja" atribuída pelo fisco; e) não se comprovou a existência de outros beneficiários dos resultados empresariais além de Carmo de Paiva, pelo que não se pode afirmar que há "sócios ocultos" ou interposição de pessoas, e sendo, ainda, necessário declarar a nulidade do auto de infração, por não comprovação das fraudes em tese perpetradas; Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.455 10 f) a multa qualificada não poderia ser aplicada por não conter o trabalho fiscal provas suficientes e inequívocas do intuito deliberado do dolo ou de fraude; g) a imposição de multa no patamar estipulado configuraria o confisco dos bens da contribuinte, violando princípios constitucionais. Os responsáveis solidários também apresentaram impugnações, de idêntico teor (fls. 545/595, 617/668, 704/759, 818/869 e 906/946), que podem ser assim sintetizadas: a) não possuem legitimidade passiva para figurar como responsáveis solidários, por, desde outubro de 2004, não mais fazerem parte do quadro societário da pessoa jurídica autuada, não possuindo nenhuma relação com a sociedade no período dos fatos geradores dos tributos cobrados, e por não haver sido colhida nenhuma prova contundente que impute aos impugnantes o exercício de atos de comando, locupletamento ou obtenção de proveito econômico com a atividade da sociedade, tampouco o seu controle por meio de interposta pessoa; b) a ação fiscal teria sido realizada sem ter sido dado conhecimento do inteiro teor do trabalho fiscal aos impugnantes, o que constituiria violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório; c) não haveria nenhuma prova cabal construída pela fiscalização que sustente a ocorrência do fato gerador. A tributação teria se efetivado com base em presunções, indícios e ficções, o que violaria em especial o princípio da capacidade contributiva;. d) a autoridade administrativa não possui competência para descaracterizar a personalidade jurídica da empresa, a fim de atribuir responsabilidade a terceiros, o que consistiria em usurpação da competência do poder judiciário, conforme entendimento do STJ, bem como feriria o princípio da legalidade; e) caso admitido que a autoridade administrativa possa descaracterizar a personalidade jurídica da autuada, a responsabilidade solidária deveria ser atribuída apenas aos atuais sócios, jamais aos impugnantes, que não participaram do quadro social no período fiscalizado; f) a multa no patamar de 150% deve ser afastada, por não haver prova quanto ao dolo, apenas presunções, sem nexo causal, sem elementos formais e documentais e sem provas da intenção do agente em fraudar o erário; g) da suposta sonegação não se demonstrou nenhuma vantagem às pessoas envolvidas, nem sequer foi alegado o enriquecimento pelo fisco; h) a sonegação se consumaria no esforço de encobrir o fato gerador, segundo o tipo penal descrito no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, e não na tentativa de frustrar a cobrança do crédito tributário, conforme decidiu o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o que não se aplicaria ao caso, já que o ato de sonegação seria a transferência de quotas do capital social a pessoa sem suporte financeiro. A decisão de primeira instância (fls. 995 a 1.029) indeferiu os pedidos de produção posterior de prova documental, invocando o art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, posto que ausente qualquer das hipóteses ali tratadas; e pericial, tendo em Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.456 11 vista que o pedido foi formulado em termos genéricos, não atendendo às exigências do art. 16, inciso IV, do referido Decreto. Foi rejeitada a arguição de nulidade por ausência de intimação dos responsáveis solidários para o acompanhamento da ação fiscal, uma vez que a legislação vigente não exige tal acompanhamento, e ausente qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que estes foram assegurados quando da intimação para recolhimento do crédito tributário resultante do procedimento fiscal. Foram, ainda, mantidas integralmente as exigências referentes ao IRPJ e à CSLL, posto que os custos e despesas registrados contabilmente não foram comprovados por documentos hábeis; assim como as multas qualificadas, já que teria ocorrido sonegação, consistente na ocultação dos verdadeiros titulares da pessoa jurídica fiscalizada. Por fim, foi mantida a atribuição de responsabilidade em relação a todos os solidários. As razões para a manutenção foram a ausência de condições econômicofinanceiras dos supostos adquirentes da pessoa jurídica (Carmo de Paiva e Vanda Maria da Silva); e a ausência de comprovação de real existência de mútuo em favor dos supostos adquirentes, por parte de pessoa jurídica vinculada aos responsáveis solidários (IMFA Indústria Mineira de Fabricação de Alimentos Ltda), de modo que se entendeu que a retirada dos sócios Paulo Victor, Patrícia, Marcelo, Marcus Vinícius e Fernanda se deu apenas no plano formal, mediante interposição fraudulenta de pessoas, tendo estes permanecido como sócios de fato da fiscalizada, o que caracterizaria o interesse comum, de que trata o art. 124, inciso I, do CTN. A princípio, apenas a pessoa jurídica autuada foi intimada da decisão a quo (fls. 1.030 a 1.034), de modo que o responsável solidário Paulo Victor Cardoso ingressou com o Mandado de Segurança nº 000104270.2016.4.01.3812, no qual foi proferida decisão liminar determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário de que tratam os presentes autos, em relação ao impetrante (fls. 1.083 a 1.116). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sete Lagoas/MG reconheceu a nulidade de todos os atos posteriores ao Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e promoveu nova intimação da pessoa jurídica e a intimação de todos os responsáveis solidários, em relação à decisão de primeira instância (fls. 1.117 a 1.121 e fls. 1.132 a 1.143). O sujeito passivo principal não apresentou Recurso Voluntário. Os responsáveis Patrícia, Marcelo, Marcus Vinícius e Fernanda apresentaram Recursos de idêntico teor, nos quais alegam os mesmos fundamentos já constantes das impugnações, consistindo, em síntese, em que jamais "exerceram qualquer cargo de gestão que implicasse na gerência da empresa, nunca participaram de sua administração, nem tampouco receberam participação dos lucros e dividendos da sociedade", sendo meros sócios cotistas, até a retirada da sociedade, em 19/10/2004, quando esta continuou em atividade. No mérito da autuação, alegam a ausência de comprovação pela autoridade fiscal dos fatos que motivaram a constituição do crédito tributário. Contestam, ainda, a aplicação da multa qualificada, posto que não teria sido provado dolo ou fraude por parte dos Recorrentes. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.457 12 Por fim, alegam que a autoridade fiscal teria promovido a desconsideração da personalidade jurídica da pessoa jurídica, sem que detivesse competência para tanto. O responsável Paulo Victor sustenta, inicialmente, em seu Recurso, a preliminar de impossibilidade de prosseguimento do processo administrativo, em decorrência de liminar concedida no referido Mandado de Segurança; e o equívoco na sua intimação para a apresentação de Recurso Voluntário, posto que o documento foi endereçado em nome da pessoa jurídica autuada. No mais, repete os mesmos argumentos dos demais solidários, quanto ao mérito e à atribuição de responsabilidade solidária. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1 DO CONHECIMENTO DOS RECURSOS Após haver sido sanada a ausência de intimação dos responsáveis solidários, estes foram regularmente cientificados da decisão de primeira instância, sendo Patrícia, Marcelo, Marcus Vinícius e Fernanda em 29 de junho de 2016 (fls. 1.132 a 1.135, 1.138 e 1.139 e 1.142 e 1.143), e Paulo Victor, em 30 de junho de 2016 (fls. 1.140 e 1.141). Os primeiros responsáveis solidários já haviam apresentado Recurso Voluntário, em 18 de março de 2016, mas reiteraram seus termos em 20 de julho de 2016 (fls. 1.266 a 1.389), prazo inferior aos 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de modo que os Recursos são, indubitavelmente, tempestivos. O responsável solidário Paulo Victor Cardoso apresentou Recurso Voluntário em 1º de agosto de 2016 (fls. 1.392 a 1.435). O prazo para apresentação do Recurso se esgotou em 30 de julho de 2016, porém, considerando que esta data foi um sábado, e observado o disposto no art. 5º, Parágrafo único, do referido Decreto, temse que o dies ad quem passou a ser o próximo dia útil (1º de agosto de 2016), de modo que o Recurso apresentado é tempestivo. Os Recursos são assinados por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 596, 669, 799, 1.111, 1.263 e 1.321. A matéria objeto dos Recursos está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso II, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, os Recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. 2 DAS PRELIMINARES Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.458 13 2.1 Suspensão do processo O responsável solidário Paulo Victor Cardoso requer a suspensão do processo, por força da liminar concedida no âmbito do Mandado de Segurança nº 0001042 70.2016.4.01.3812. Conforme decisão de fls. 1.084 a 1.089, constatase que a determinação judicial foi tãosomente no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário de que trata o presente processo, em relação ao Impetrante. A sentença de primeira instância, exarada em 13 de setembro de 2016 (fls. 1.439 e 1.440), por outro lado, reconhecendo inexistir nulidade de todo o processo administrativo, e, entendendo que a declaração de nulidade de todos os atos processuais praticados após o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento acarretou a perda superveniente do objeto da ação, denegou a segurança pleiteada e extinguiu o processo sem resolução do mérito. De fato, o vício processual verificado na ausência de intimação dos responsáveis solidários foi plenamente sanado, de modo que estes exerceram seu direito à apresentação de recurso à segunda instância administrativa, inexistindo razão para que este processo não siga o seu fluxo normal. Ademais, eventual, e improvável, decisão que venha a reconhecer a nulidade de todo o processo administrativo alcançará este, independentemente da fase processual. Rejeito, portanto, o pedido de suspensão do processo. 2.2 Nulidade da nova intimação O mesmo responsável solidário Paulo Victor Cardoso requer ainda o reconhecimento de nulidade da nova intimação a ele dirigida, por ter sido endereçada em nome da pessoa jurídica autuada. O Aviso de Recebimento de fl. 1.140 permite a constatação de que o Recorrente recebeu pessoalmente a intimação a ele dirigida. De fato, o documento é endereçado à "SOCIEDADE CEREAIS UNAI LTDA", mas, em seguida, consta "Aos cuidados de PAULO VICTOR CARDOSO", e foi remetido ao endereço do responsável solidário. Foi remetida ao Sr. Paulo Victor a Intimação nº 44/2016, com intimação para pagamento ou apresentação de Recurso Voluntário, bem como a cópia do Acórdão proferido pela DRJ. Embora o Aviso de Recebimento e a Intimação pudessem ser mais claros quanto à condição do Recorrente de responsável solidário, não se enxerga qualquer prejuízo capaz de ensejar a nulidade da intimação, nos termos dos art. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.459 14 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Não há como entender de que o fato de constar o nome da pessoa jurídica no Aviso de Recebimento seria capaz de causar qualquer dúvida ao Recorrente de que era ele o destinatário da correspondência, na condição de responsável solidário por débitos imputados à referida pessoa jurídica, até porque ele tinha ciência desta condição, anteriormente, tanto que havia impugnado o lançamento. Não houve, igualmente, qualquer violação ao direito de defesa do Recorrente, prova disso que este, tempestivamente, apresentou o seu Recurso Voluntário, que ora é analisado. Plenamente cabível, in casu, a aplicação do princípio pas de nullité sans grief, que determina que, para a declaração de nulidade, é necessária a efetiva comprovação de prejuízo à parte. Deste modo, voto por rejeitar também a preliminar de nulidade da referida intimação. 3. DO MÉRITO Em relação ao mérito da autuação, todos os Recorrentes sustentam que a autoridade fiscal não comprovou os fatos que motivaram a constituição do crédito tributário. Para eles, a autoridade fiscal se valeu apenas de presunções, deixando de apresentar qualquer prova documental da infração e, ainda, afrontando o princípio da capacidade contributiva. Tratase de reprise de argumentos já apresentados nas impugnações, e enfrentados pelo Acórdão recorrido. A observação do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 472 a 485) revela que o sujeito passivo fiscalizado foi intimado e reintimado a comprovar custos e despesas constantes Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.460 15 dos seus assentamentos contábeis, em um total de R$ 25.286,751,30 (conforme Termos de fls. 20/21 e 35). Não obstante, comprovou apenas o montante de R$ 77.305,72, de modo que todos os demais custos e despesas foram glosados. Os custos e despesas cuja comprovação deveria ser realizada pelo sujeito passivo são perfeitamente identificados no Termo de Intimação e no citado Relatório, inclusive com identificação das contas contábeis e cópias do Livro Razão. O enquadramento legal da infração é realizado com precisão nos Autos de Infração. Neste sentido, concordo com a conclusão a que chega a decisão a quo: "Contudo, a objeção dos impugnantes é totalmente infundada e somente poderia ser feita por quem não leu ou não compreendeu o Relatório de Auditoria Fiscal e não examinou os documentos aos quais ele se refere. Podese não concordar com as conclusões do auditorfiscal, ou até mesmo demonstrar que elas estão erradas, ou que as provas em que se baseiam são insuficientes ou inválidas. Mas é inegável que sua exposição é clara, coerente e muito bem minuciosa. Mais importante ainda é que, ao contrário do alegado pelos impugnantes, suas afirmações e argumentos são amparados pela documentação probatória juntada aos autos, à qual faz constante referência, indicando a folha em que se encontra. Não há, portanto, falar em amontoado aleatório de documentos. Diante do texto solidamente fundamentado do relatório de auditoria fiscal, seja pela exposição lógica e minuciosa, seja pela confirmação proporcionada pelo amplo conjunto de provas, tornase incompreensível a arguição dos impugnantes de que as exigências fiscais seriam baseadas em presunções infundadas ou meros indícios." De fato, não há como se concordar com os Recorrentes, no sentido de que a autuação falhou em descrever com precisão a infração e todos os elementos exigidos pelo art. 142 do CTN. Ademais, conforme perfeitamente afirmado no Acórdão combatido, nos termos do art. 923 do RIR/99, a escrituração somente faz prova em favor do contribuinte, quando comprovada por documentos hábeis, sendo que, apenas quando apresentados os referidos documentos é que caberia à autoridade administrativa o ônus de provar a sua inveracidade, conforme art. 924 do RIR/99. Se é oferecida ao sujeito passivo a oportunidade de apresentar os documentos comprobatórios dos custos e despesas constantes de sua escrituração contábil e este deixa de fazêlo, cabe à autoridade administrativa apenas rejeitar tais dispêndios na apuração do IRPJ e da CSLL. A constituição do crédito tributário, ao contrário do afirmado, não se embasou em qualquer presunção; e fundouse em valores registrados pelo sujeito passivo em Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.461 16 sua contabilidade, e utilizados para reduzir a base de cálculo dos referidos tributos, sem qualquer comprovação documental. Por fim, de nada aproveita aos Recorrentes, a menção a suposta violação ao princípio da capacidade contributiva, previsto no art. 145, §1º, da Constituição Federal. Em primeiro lugar, a mera leitura do dispositivo permite a fácil constatação de que o destinatário da norma é o legislador infraconstitucional, que recebe parâmetros para a instituição de impostos, e a administração tributária, apenas para receber a faculdade de identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, de modo a conferir efetividade ao citado Princípio. No caso do IRPJ, a apuração sobre o Lucro Real presta homenagem ao citado princípio, na medida em que se permite ao contribuinte deduzir de suas receitas os custos e despesas incorridos na sua obtenção, de modo a que a tributação alcance apenas o efetivo lucro obtido. Ocorre que, para tal dedução, é necessário que o sujeito passivo demonstre a existência de tais dispêndios, cabendolhe então o ônus de tal comprovação (conforme o já citado art. 923 do RIR/99) e da conservação dos livros e documentos a ele relacionados (na forma do art. 264 do RIR/99). Descabida, portanto, a alusão ao mencionado Princípio. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento aos Recursos Voluntários quanto a tal tópico, mantendo integralmente o crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL. 4. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Todos os Recorrentes rejeitam a atribuição de responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos em relação à pessoa jurídica autuada. Segundo os irmãos Patrícia Pereira Cardoso, Marcus Vinícius Pereira Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso e Fernanda Pereira Cardoso, jamais "exerceram qualquer cargo de gestão que implicasse na gerência da empresa, nunca participaram de sua administração, nem tampouco receberam participação dos lucros e dividendos da sociedade", sendo meros sócios cotistas, até a retirada da sociedade, em 19/10/2004, quando esta continuou em atividade. O Sr. Paulo Victor Cardoso, por sua vez, sustenta que não ficou comprovada qualquer relação sua com atos/negócios praticados pela pessoa jurídica autuada, após a sua retirada em outubro de 2004, nem ainda efetivo proveito econômico derivado das operações da empresa. O Acórdão recorrido manteve a atribuição da responsabilidade solidária, por entender que a alteração do quadro societário da fiscalizada ocorreu apenas no plano formal, de modo que os antigos sócios permaneceram como sócios de fato e, nesta condição, teriam o interesse comum que leva à responsabilidade solidária. Neste ponto, entendo haver falha no procedimento fiscal, e divirjo da decisão a quo. Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.462 17 É que, conquanto tenham sido reunidos elementos que permitam a conclusão de que os Srs. Carmo de Paiva e Vanda Maria da Silva foram utilizados como interpostas pessoas no quadro societário da pessoa jurídica fiscalizada, não foram apresentadas provas suficientes para comprovar que os Srs. Patrícia Pereira Cardoso, Marcus Vinícius Pereira Cardoso e Fernanda Pereira Cardoso permaneceram como sócios de fato desta e detinham interesse comum em suas atividades capaz de ensejar a responsabilização solidária, nos termos do art. 124 do CTN. Inexiste a comprovação de qualquer ato praticado pelos referidos contribuintes antes, durante ou após a alteração do quadro societário em relação à pessoa jurídica autuada. Não se evidencia, ainda, qualquer elemento de vinculação dos citados contribuintes com as pessoas físicas ou jurídicas envolvidas na citada alteração ou na gestão de fato da pessoa jurídica. A autoridade fiscal reúne alguns elementos de prova em relação aos contribuintes Paulo Victor Cardoso e Marcelo Pereira Cardoso: apresentou provas da ausência de capacidade econômicofinanceira das pessoas físicas que passaram a figurar no quadro societário da pessoa jurídica; o Sr. Paulo Victor Cardoso, sócioadministrador até a 24ª alteração contratual, apesar de intimado, não logrou comprovar a efetiva transferência da sua participação societária; o Sr. Fernando da Mota Júnior, responsável pela pessoa jurídica IMFA, que supostamente teria realizado operação de mútuo em favor dos novos sócios, outorgou diversas procurações concedendo amplos poderes de administração à esposa e cunhado do Sr. Paulo Victor; o Sr. Ivone Rodrigues da Silva, exfuncionário da pessoa jurídica fiscalizada, testemunhou que a administração desta era realizada pelos Srs. Paulo Victor e Marcelo. Tais elementos, contudo, no meu entender, não são suficientes à comprovação do interesse comum, indispensável à responsabilização solidária. Não se prova a existência de qualquer ato praticado pelos citados contribuintes em relação à pessoa jurídica, no anocalendário sob ação fiscal. Não há comprovação de qualquer proveito econômicofinanceiro em favor destes, proveniente das atividades da pessoa jurídica. Não há uma simples procuração com outorga de poderes de gestão aos referidos contribuintes. Ademais, a mesma testemunha que atribuiu a administração da pessoa jurídica aos Srs. Paulo Victor e Marcelo imputou, em reclamação trabalhista, a titularidade da fiscalizada aos Srs. Ricardo Francisco da Silva e Geraldo Luiz de Melo (fls. 949 a 970). Transcrevo trecho da Petição Inicial: "O Reclamante começou a trabalhar na Sociedade de Cereais Ltda. na data de 19/06/1988 quando o sócio e proprietário era o Sr. Marcelo. Porém, no ano de 2004, o Sr. Marcelo arrendou a empresa para o Sr. Ricardo e o Sr. Geraldo que passaram a tomar conta da empresa e posteriormente a compraram." Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.463 18 Mais que isso, constam do processo (fls. 122 e 123), instrumentos de procuração por meio dos quais o Sr. Carmo de Paiva, em 19/11/2004 e 20/08/2008, outorga plenos poderes aos Srs. Ricardo Francisco da Silva e Geraldo Luiz de Melo, para gerir as atividades da sociedade empresária autuada. À fl. 208, por sua vez, os referidos procuradores, em 16/05/2005, substabelecem sem reservas os poderes recebidos ao Sr. José Carlos Mariano. Nos documentos de movimentação de contas bancárias da pessoa jurídica fiscalizada reunidos no processo, há apenas um documento, sem data (fls 152 e 153), em que consta o nome dos responsáveis solidários apontados pela autoridade fiscal; em todos os demais documentos, figuram exatamente os três procuradores acima indicados. Assim, os fortes elementos de prova reunidos no sentido de comprovar que o ingresso dos novos sócios e a retirada dos sócios anteriores, em especial do Sr. Paulo Victor Cardoso, foram meramente fictícios, são o ateste apenas da permanência destes no quadro societário da pessoa jurídica. Entendo, porém, que não resta comprovada a vinculação das pessoas físicas imputadas como responsáveis solidárias com os fatos geradores que originaram o crédito tributário de que trata o presente processo, de modo que não é possível a responsabilização com base no art. 124, inciso I, do CTN. Voto, portanto, por dar provimento aos Recursos Voluntários, no que diz respeito a afastar a atribuição de responsabilidade solidária aos Srs. Patrícia Pereira Cardoso, Marcus Vinícius Pereira Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso, Paulo Victor Cardoso e Fernanda Pereira Cardoso. 5. DA MULTA QUALIFICADA Os Recorrentes contestam a aplicação da multa qualificada, posto que não teria sido provada a ocorrência de dolo ou fraude, sendo a autuação baseada em presunção. A errônea idéia de que a autuação fiscal se embasou em presunções já foi afastada alhures neste Voto. O Acórdão recorrido, por outro lado, manteve a qualificação posto que fundada na sonegação, conforme definida pelo art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, o que estaria configurada pela interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica: "Viuse que os fatos geradores do crédito tributário exigido pelos lançamentos de ofício ocorreram em anocalendário no qual, comprovadamente, foi ocultada a verdadeira identidade dos proprietários da Sociedade Cereais Unaí Ltda. Esse artifício tende a impedir o conhecimento por parte das autoridades fazendárias das condições pessoais dos contribuintes e, em consequência, dificultar ou tornar vãs a cobrança e a execução do crédito tributário. Ao contrário do que argumentam os impugnantes, o autuante não presumiu que houve dolo, fraude ou conluio. As Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.464 19 circunstâncias que legitimam e determinam a aplicação da multa qualificada estão, em verdade, materialmente comprovadas." Apesar de haver discordado da imputação de responsabilidade solidária aos Srs. Patrícia Pereira Cardoso, Marcus Vinícius Pereira Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso, Paulo Victor Cardoso e Fernanda Pereira Cardoso exclusivamente, por ausência de provas relacionadas a estes, entendo que restou plenamente comprovada a interposição fraudulenta dos Srs. Carmo de Paiva e Vanda Maria da Silva como sócios de direito da pessoa jurídica. Não se comprovou os beneficiados pela interposição, mas se evidenciou aqueles que ostentaram ficticiamente a condição de sócios da pessoa jurídica. A interposição fraudulenta de pessoas é conduta grave, que se adequa ao conceito de sonegação trazida pelo art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964: "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." Maria Rita Ferragut (As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumento para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 235) destaca a gravidade da conduta e o inafastável dolo nela configurado: "O primeiro e mais contundente dos fatos tipificadores da fraude é a demonstração da utilização, pelo sujeito passivo, de interposta pessoa, considerada como sendo a pessoa física ou jurídica que oculta, esconde, encobre o verdadeiro interessado no negócio. É aquela que se envolve em determinado ato jurídico em nome próprio, mas no interesse de outrem, substituindoo e encobrindoo: a interposta pessoa age em lugar do verdadeiro interessado que, por razões normalmente ilícitas, deseja ocultar sua participação no ato negocial É assim denominada por ‘interporse entre o sujeito ativo e o ‘real’ sujeito passivo, com o objetivo central de evitar que este último integre a relação jurídica tributária. (...) Não temos dúvidas de que a constatação da existência de interposta pessoa é prova do dolo." A jurisprudência do CARF é farta em decisões neste sentido, a exemplo do recente Acórdão nº 2201003.811 (1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão, Relatora Dione Jesabel Wasilewski, sessão de 09 de agosto de 2017): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 30/09/2012 (...) Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.465 20 MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO.É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais." Isto posto, voto no sentido de negar provimento aos Recursos Voluntários, quanto a este tema, mantendo a aplicação da multa qualificada. 6. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de: a) rejeitar as preliminares de suspensão do processo e nulidade da intimação do Recorrente Paulo Victor Cardoso; b) no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL aos Recursos Voluntários apresentados pelos Srs. Patrícia Pereira Cardoso, Marcus Vinícius Pereira Cardoso, Marcelo Pereira Cardoso, Paulo Victor Cardoso e Fernanda Pereira Cardoso, tão apenas para afastar a responsabilidade solidária a eles atribuída, em relação aos créditos de que tratam o presente processo; c) Fica mantido, portanto, o crédito tributário constituído, a multa qualificada e os respectivos juros de mora, em relação ao sujeito passivo principal, Sociedade Cereais Unaí Ltda. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Em que pese o brilhantismo, sempre presente nos votos do I. Relator, peço venia para discordar somente quanto à qualificação da multa de ofício. O auto de infração tem fundamento em despesas não comprovadas. Apesar do montante elevado de despesas sem nenhuma comprovação, em nenhum momento se tentou caracterizar como fraude ou sonegação esta conduta do contribuinte. O único fundamento invocado para a qualificação da multa é a utilização de interposta pessoa, uma vez que em alterações do contrato social operadas em 2004 entraram na sociedade pessoas que não tinham condições financeiras de fazêlo, substituindo os sócios reais da Empresa Isto seria suficiente para caracterizar a fraude, uma vez que estaria presente a intenção de alterar as características pessoais do fato gerador. Contudo, só há sentido nesta qualificação quando o nexo causal está presente. Explico. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 13609.001434/201018 Acórdão n.º 1302002.616 S1C3T2 Fl. 1.466 21 A infração que deu causa à autuação (despesas não comprovadas) não teve a multa qualificada (se não pela interposição de pessoas), ou seja, não foi caracterizada sonegação, fraude ou conluio. E não estou entrando no mérito da infração para chegar a esta conclusão, pois que foi a conclusão constante dos autos, adotada pela fiscalização e pelo acórdão recorrido. Apenas estou reconhecendo o fato, pois ao julgador não é dado inovar. Isto fica claro quando a única justificativa apresentada na tentativa de qualificála é a interposição de pessoas. É esta a infração que está sendo qualificada: despesas não comprovadas, uma vez que interposição de pessoas, isoladamente, nada representa. O fundamento desta qualificação não tem nenhuma relação de causa e efeito com a infração em si, ou seja, a existência de interpostas pessoas não interfere em nada e em nenhum momento no fato de as despesas não serem comprovadas. É, em verdade, uma situação circular, tautológica. Da forma como está posta (infração comum x interposta pessoa) a responsabilidade tributária não chegaria aos reais dirigentes apontados, de forma que a interposição em si não interfere na composição subjetiva da relação jurídico tributária: os sujeitos passivos serão os mesmos havendo ou não a interposição citada. Não nos cabe conjecturar sobre possíveis objetivos relacionados à interposição de pessoas, mas certamente estaria vinculada a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, conforme prevê o artigo 135, III do Código Tributário Nacional (CTN), o que não ocorre no caso concreto, ante uma infração normal, na ótica fiscal, sequer qualificável. Entendo que, como único fundamento, a interposição de pessoas tem peso quando efetivamente houver a modificação ou a possibilidade de modificação dos sujeitos da relação jurídico tributária estabelecida no auto de infração, quando, aí sim, a situação se revestiria das características legais de fraude, como descrito no artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim sendo, afasto a qualificação da multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Fl. 1466DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.100186/2005-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 86 /2 00 5- 81 Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11065.100186/200581 Acórdão n.º 9303005.301 CSRFT3 Fl. 354 2 Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 312 a 327) interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais R1CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 20403.442, de 5 de setembro de 2008, fls. 225 a 232, prolatado pela extinta 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que manteve o indeferimento do pedido de atualização monetária do valor do ressarcimento de contribuições sociais não cumulativas. A decisão está assim ementada: PREJUDICIAL DE MÉRITO SUSCITADA DE OFÍCIO PELO CONSELHEIRO RELATOR. Não se tratando de matéria de ordem pública, nem havendo expressa autorização legal para que seja conhecida de oficio, a prejudicial de mérito, não argüida pela contribuinte, não deve ser conhecida por este Colegiado. Prejudicial rejeitada. PIS. NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Em face da expressa vedação legal, não é permitida a atualização dos créditos de PIS e Cofins apurados sob o regime não cumulativo, (arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003) Recurso provido em parte A divergência suscitada pelo Recorrente diz respeito ao direito à atualização monetária dos créditos das contribuições sociais apuradas sob a sistemática não cumulativa. Requer conhecimento e provimento ao apelo para o fim de se reconhecer o direito de atualização pela variação da taxa Selic de seus ressarcimentos de créditos de PIS e Cofins, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento até aquela em que o respectivo numerário foi ou será disponibilizado. O apelo foi admitido por despacho do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção, fls. 343 e 344. A Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões, fls. 346 a 350, pugnando pelo improvimento do recurso em decorrência da existência de expressa vedação legal à pretensão recursal. É o relatório. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11065.100186/200581 Acórdão n.º 9303005.301 CSRFT3 Fl. 355 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais pressupostos de admissibilidade, razão para dele conhecer. No mérito, a divergência jurisprudencial é de rápido deslinde. É que há expressa disposição legal sobre a matéria, no art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. O art. 15, inc. VI, da lei acima citada estendeu a vedação de atualização monetária aos valores ressarcidos a título de PIS. Assim, em estrita observância do princípio da legalidade, regente da atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que manteve o indeferimento ao pedido de atualização monetária do ressarcimento, e negar provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Peço vênia ao ilustre Conselheiro Presidente em exercício Rodrigo da Costa Pôssas para apresentar meu entendimento acerca da matéria. Para tanto, recordase que a divergência suscitada pelo sujeito passivo diz respeito ao direito à atualização monetária dos créditos das contribuições sociais apuradas sob a sistemática não cumulativa – exportação. Eis que o sujeito passivo é uma empresa fabricante de calçados – e sua totalidade de produção é destinada ao exterior. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11065.100186/200581 Acórdão n.º 9303005.301 CSRFT3 Fl. 356 4 Vêse que, nos termos do art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei 10.833/03, os créditos constituídos podem ser utilizados mediante dedução do valor das mesmas contribuições a recolher ou para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, podendo, inclusive, ser objeto de ressarcimento em pecúnia se, até o final de cada trimestre do ano civil, a pessoa jurídica não conseguir utilizar o crédito nas formas prescritas em lei. Não obstante, tal ressarcimento deve observar a legislação específica aplicável à matéria. Confira (Grifos meus): “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Nos termos do § 2º do art. 6º da Lei, a pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º do mesmo artigo, poderá solicitar o ressarcimento em dinheiro OBSERVADA A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA APLICÁVEL À MATÉRIA. Sendo assim, não há como se aplicar a vedação de se atualizar monetariamente ou aplicar os juros Selic trazida pelo art. 13 da lei para todos os casos de ressarcimento, eis que se deve observar a legislação “específica” aplicável à matéria. Para melhor elucidar a aplicação desse dispositivo, importante recordar os dizeres dos arts. 13 e 15 da Lei 10.833/03 (Grifos meus): Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11065.100186/200581 Acórdão n.º 9303005.301 CSRFT3 Fl. 357 5 “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Em breve leitura, podese entender que há vedação expressa para atualizar o crédito de PIS e Cofins não cumulativo passível de ressarcimento de que trata o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. No entanto, tal como traz o art. 6, §2º da Lei 10.833/03 – no ressarcimento devese observar a legislação aplicável à matéria. Considerando esse dispositivo, é de se ressurgir à jurisprudência assentada pelo STJ, que entende que o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em outros termos, é preciso que fique caracterizada a "resistência ilegítima do Fisco", na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ. O que, por conseguinte, vêse que o requisito da "resistência ilegítima do Fisco" também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento. Conforme lição do Ministro Mauro Campbell Marques, temse que: "(...) a lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada 'resistência ilegítima' exigida pela Súmula n. 411/STJ [...]” Sendo assim, antes de se analisar se cabe ou não juros compensatórios no ressarcimento solicitado pelo sujeito passivo, devese observar o dispositivo que trata dessa matéria – qual seja, o art. 24 da Lei 11.457/2007, conforme expressamente impõe o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. Tal enunciado impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, nos seguintes termos: “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11065.100186/200581 Acórdão n.º 9303005.301 CSRFT3 Fl. 358 6 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” Considerando o conjunto da norma aplicável, vêse que o deferimento dos pedidos de ressarcimento deve observar o prazo legal. O que, por conseguinte, se for observado o prazo legal, não há que se falar em atualização monetária, eis que não haveria "resistência ilegítima". Caso contrário, devese aplicar sobre o crédito a ser ressarcido a taxa Selic desde a data de sua constituição até a data em que ocorrer o ressarcimento ou for utilizada para compensação. Frisese tal entendimento o recente REsp 1607697/RS, apreciado pelo STJ em 23 de agosto de 2016, que consignou a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. REQUISITO. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. MORA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DO PRAZO LEGAL PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. HISTÓRICO DA DEMANDA 1. Cingese a controvérsia a definir o termo inicial da correção monetária no ressarcimento de créditos de PIS e Cofins não cumulativos pagos, no âmbito administrativo, após o transcurso do prazo de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/2007). 2. No presente caso, a resistência ilegítima imputada ao Fisco diz respeito exclusivamente à mora observada para satisfação do crédito. 3. O acórdão recorrido decidiu que a atualização monetária é devida desde a data do protocolo dos processos administrativos. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO FISCO: PRESSUPOSTO PARA A CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITO FISCAL (SÚMULA 411/STJ) 4. Segundo a jurisprudência assentada pelo STJ, o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em outros termos, é preciso que fique caracterizada a 'resistência ilegítima do Fisco', na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ: 'É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco' (REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 3/8/2009, sob o regime do art. 543C do CPC). 5. O requisito da 'resistência ilegítima do Fisco' também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento caso dos autos , como aliás, ficou definido na fundamentação do acórdão paradigma (EAg Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11065.100186/200581 Acórdão n.º 9303005.301 CSRFT3 Fl. 359 7 1.220.942/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/4/2013). TERMO INICIAL CONDICIONADO À VERIFICAÇÃO DO ILEGÍTIMO ÓBICE ESTATAL, IN CASU, A MORA 6. No que concerne à sistemática do PIS e da Cofins não cumulativos caso dos autos , cumpre destacar que a própria legislação impede expressamente a correção monetária dos créditos fiscais quando aproveitados regularmente sob a forma de ressarcimento (arts. 6°, § 2°, 13 e 15, VI, da Lei 10.833/2003). 7. O art. 24 da Lei 11.457/2007 impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. 8. Nesse contexto, o deferimento dos pedidos de ressarcimento no prazo legal, ou seja, antes de escoados 360 dias do protocolo, não dá ensejo à atualização monetária, justamente pela ausência do requisito referente à 'resistência ilegítima'. 9. Em recente julgado, a Primeira Seção assentou que a correção monetária somente pode ser aplicada após o transcurso do aludido prazo do art. 24 da Lei 11.457/2007 (AgRg nos EREsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 1°/7/2015). No Mesmo sentido: AgRg no REsp 1.468.055/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 26/5/2015; AgRg no REsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 9/3/2015; AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015. 10. A lógica dessa orientação decorre da premissa de que, 'no caso do contribuinte acumular créditos escriturais em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, não havendo resistência ilegítima do Fisco para a pronta utilização do crédito, afigurase indevida a incidência de correção monetária, salvo se houver disposição legal específica para tanto' (AgRg no REsp 1.159.732/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 11/6/2015). 11. Não se está a confundir correção monetária com juros de mora, mas a reconhecer que a mora é a resistência ilegítima que dispara o cômputo da correção monetária. 12. Recurso Especial provido" Em vista do exposto, é de se concluir que caso o sujeito passivo acumule créditos em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, e restar caracterizada a resistência ilegítima para a pronta utilização do crédito, é de se aplicar a incidência dos juros compensatórios – taxa Selic, conforme preceitua o art. 6, § 2º, da Lei 10.833/03, não se podendo aplicar de forma genérica o art. 13 da mesma Lei a todos os casos de ressarcimento. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11065.100186/200581 Acórdão n.º 9303005.301 CSRFT3 Fl. 360 8 No presente caso, considerando ainda o prazo para se afastar a glosa do crédito decorrente das transferências de ICMS a terceiros, é de se dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900324/2006-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ESTIMATIVA. IRPJ EFETIVAMENTE DEVIDO. RESTITUIÇÃO.
ABATIMENTO - Sendo o valor pago por estimativa superior ao valor
efetivamente devido de IRPJ ao final do ano calendário, deve ser restituída apenas a diferença entre o pago por estimativa e o efetivamente devido.
Numero da decisão: 1103-000.395
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Eric Castro e Silva
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO • Processo n° 10510.900324/2006-47 Recurso n° 166.223 Voluntário Acórdão n° 1103-00.395 — 1' Câmara / 3' Turma Ordinária Sessão de 25 janeiro de 2011 Matéria CSLL — Ex(s): 2007 Recorrente BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ESTIMATIVA. IRPJ EFETIVAMENTE DEVIDO. RESTITUIÇÃO. ABATIMENTO - Sendo o valor pago por estimativa superior ao valor efetivamente devido de IRPJ ao final do ano calendário, deve ser restituida apenas a diferença entre o pago por estimativa e o efetivamente devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente j ALO A SILVA - Presidente ERIC CASTRO E SILVA - Relator EDITADO EM: D 4 A Eill 2, -- Participaram do presente julgamento, sot Conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervasio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva,. Ausente o Conselheiro Hugo Correia Sotero (Vice presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que, nos termos do despacho decisório, reconheceu em parte o direito do contribuinte à restituição da CSLL pago a maior por estimativa no período de apuração de abril de 2001 e que homologou em parte a compensação de débitos da CSLL do período de apuração de abril de 2003. Para a decisão recorrida, não seria possível restituir na integra o valor de R$ 218.826,95 pago por estimativa para o período de abril de 2001, vez que, ao final do exercício, apurou- se que para aquele mesmo período de abril de 2001 era devido o valor de R$ 38.927,27. Assim, para a decisão ora recorrida a restituição haveria que se limitar A. diferença entre o valor inicialmente pago via DARF por estimativa e o valor efetivamente devido ao final do exercício, o que corresponde a R$ 179.899,68. Inconformado, vem o contribuinte no seu Recurso Voluntário de fls. 941 114 alegar, preliminarmente, a necessidade de julgamento simultâneo entre a presente lide e o processo administrativo n° 10510.900.320/2006-69, vez que a decisão recorrida se fundamenta nas decisões oriundas daquele processo administrativo. No mérito, sustenta o Recorrente que "o DARE recolhido em 31 de maio de 2001 no valor de R$ 218.826,95 NUNCA foi utilizado para fins de guitar o valor da estimativa da CSLL de abril/2001, DEVENDO SER CONSIDERADO PAGAMENTO A MAIOR QUE 0 DEVIDO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO VIGENTE, cabendo a Recorrente a sua integral restituição, operacionalizada através das compensações realizadas" (fls. 107 — original com destaque). 0 Recorrente aduz que o valor da estimativa de abril/2001 foi quitada da seguinte forma: "Com efeito. A Recorrente, ao contnirio do alegado por esta Administração, realizou o pagamento pertinente à CSLL do mês de abril/2001 com base no valor de R$ 157.445,49 (cento e cinqüenta e sete mil, quatrocentos e ,quarenta e cinco reais e quarenta e nove centavos) mediante: a) o recolhimento via DARE no valor de R$ 100.250,00 (cem mil, duzentos e cinqüenta reais); b) a recuperação de créditos de CSLL (1/3 da COFINS) no valor de R$ 47.233,65 (quarenta e sete mil, duzentos e trinta e três reais e sessenta e cinco centavos) e c) a compensação com créditos apurados no mês de outubro o valor de R$ 25.154,26 (vinte e cinco mil, cento e cinqüenta e quatro reais e vinte e seis centavos) (.) "Ou seja, além da compensação de fato realizada no valor de R$ 38.927,27 através da DCOMP n° 17269.22817.1.3.04-0840, a Recorrente ainda teria realizado em relação a estimativa de CSLL do mês de abril/2001, pagamentos e compensações no montante de R$ 172.638,01 (cento e setenta e dois mil, seiscentos e trinta e oito reais e um centavo), o que demonstra o equivoco do procedimento de compensa cão de oficio realizada pela douta Delegacia da Receita Federal" (fis. 106/107) Com base nas considerações acima, também aduz que a homologação parcial confirmada pela decisão recorrida ofenderia A. moralidade administrativa e o direito à compensação, vez que o débito efetivamente devido do período de abril/2001 (R$ 38.929,27), por ter sido objeto de Processo no 10510.900324/2006-47 Acórdão n.° 1103-00.395 S1-C1T3 Fl. 2 compensação própria (DCOMP no 17269.22817.240903.1.3 condição resolutória, portanto não haveria que se falar na recorrida. .04-0840) já se encontrava extinto sob compensação homologada pela decisão Com tais considerações, pede o provimento valor por estimativa pago em abril de 2001. o relatório. do Recurso para a restituição integral do 3 Voto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, 0 recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo a ingressar nas suas razões recursais. 1 — Preliminar: da Conexão. 0 ponto controvertido que ora se discute no presente processo de compensação é relativo ao quantum que deve ser restituído ao contribuinte, isto 6, se o mesmo deve receber o valor integral pago em maio/2001 a titulo de estimativa da CSLL do período de apuração de abril/2001 (R$ R$ 218.826,95) ou apenas a diferença entre o que foi pago por estimativa naquele período e o valor efetivamente apurado como devido ao final do exercício (R$ 179.899,68). 0 crédito aqui perseguido pelo contribuinte (R$ 218.826,95) originou o presente pedido de compensação de débito da CSLL do período de abril/2003, bem como outros pedidos de compensação de outros débitos, tombados no Processo Administrativo n° 10510.900.320/2006-69. Por tal razão, requer o contribuinte, preliminarmente, a suspensão do presente processo para que este seja julgado concomitantemente com o Processo Administrativo n° 10510.900.320/2006-69. Não há razão para a suspensão deste julgamento. Isto porque, como veremos ao analisar o mérito, o Processo Administrativo n° 10510.900.320/2006-69 não influencia no deslinde da controvérsia ora posta, já que a extinção do crédito ora pleiteado, se houver, terá reflexos naquele julgamento, não sendo o contrário verdadeiro. Por tais razões voto para rejeitar a preliminar. 2 — Mérito: Da ocorrência do Pagamento. No mérito, não há como dar provimento ao presente recurso, já que, de fato, ao se encerrar o ano calendário de 2001 e se apurar o valor efetivamente devido a titulo de IRPJ (R$ 38.927,27), outra alternativa não restaria A. Administração a não ser abater o valor já pago a titulo de estimativa (R$ 218.826,95), restituindo apenas a diferença (R$ 179.899,68). Isto porque, sendo o valor global já pago a titulo de estimativa superior ao valor efetivamente devido ao final do ano calendário, tem-se que reconhecer que o valor efetivamente devido também já se encontrava pago, ou seja, incluído no valor pago por estimativa. Consequentemente, não há pagamento indevido a ser restituído. 0 valor de R$ 38.927,27 era devido e foi integralmente quitado, como bem asseverou a decisão recorrida, cujos fundamentos também aqui adoto. Na realidade, corno adiantei no Relatório, o que ocorre é que o presente julgamento influencia o deslinde do Processo Administrativo n° 10510.900.320/2006-69, já que naquele outro processo o que se discute é justamente a extinção por compensação do valor de R$ 38.927,27, que, como aqui exposto, já foi extinto por pagamento. 4 ERIC CASTRO E SILVA Processo n° 10510.900324/2006-47 . Acórdão n.° 1103 -00.395 S1 -C1T3 Fl. 3 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao presente processo, mantendo na integra a decisão recorrida. E como voto. 5
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Numero do processo: 10314.728231/2015-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, para que o Fisco se manifeste quanto às alegadas incorreções materiais do acórdão recorrido.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Acompanhou o julgamento o representante da Fazenda Nacional, o procurador Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, para que o Fisco se manifeste quanto às alegadas incorreções materiais do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Acompanhou o julgamento o representante da Fazenda Nacional, o procurador Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272.
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Resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, para que o Fisco se manifeste quanto às alegadas incorreções materiais do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Acompanhou o julgamento o representante da Fazenda Nacional, o procurador Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272. Relatório Tratase de Autos de Infração de Pis e Cofins, no valor total original de R$ 342.775.743,55, relativo aos meses de 01/2001, 02/2011 e 03/2011, decorrente de auditoria procedida pela AuditoraFiscal da Receita Federal Cristiane Bruno Della Rocca. Para início do relatório, reproduzo trecho do relatório de primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 28 23 1/ 20 15 -9 6 Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10314.728231/201596 Resolução nº 3201001.289 S3C2T1 Fl. 642 2 Segundo os Termos de Constatação – PIS – REFRI e COFINS REFRI, de fls. 117/157 e 158/196, a autuação, cientificada em 10/12/2015 (fls. 207/208 e 210/213), ocorreu devido à constatação de que bonificações feitas em bebidas, consideradas pela contribuinte como descontos incondicionais, foram excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins (incidência nãocumulativa), apuradas de acordo com o Regime de Tributação de Bebidas Frias (“REFRI”), relativamente aos períodos de apuração 01/2011 a 03/2011. Consta do Termo de Constatação, também, que devido ao não atendimento de intimações para a apresentação de demonstrativos de bases de cálculo relativamente aos valores não recolhidos sobre as ditas bonificações, o lançamento foi efetuado com apoio nas planilhas “Demonstrativo do PIS devido sobre bonificações através do Regime de Apuração – REFRI” e “Demonstrativo da COFINS devida sobre bonificações através do Regime de Apuração – REFRI”. Consta, ainda, que a multa de ofício de 75% foi aumentada de 50%, nos termos do art. 44, § 2º, I da Lei nº 9.430, de 1996, e suas alterações e que a relação das notas fiscais de bonificação, CFOP 5910 e 6910, das empresas incorporadas foram extraídas do sistema Receitanetbx – notas fiscais eletrônicas. Em 11/01/2016, a interessada, por meio de procuradores, ingressou com a impugnação de fls. 217/238, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, após breve relato dos fatos, aduz que as autuações fiscais não podem subsistir, pois: Dissertando sobre a ilegitimidade das exigência de PIS e Cofins sobre produtos saídos em bonificação (item 2 da impugnação), a interessada diz que a legislação impõe o pagamento de PIS/Cofins sobre os volumes de bebidas vendidos ou revendidos e que, da mesma forma, o preço de referência que define o valorbase de PIS/Cofins aplicável a cada produto também só leva em consideração o respectivo preço médio de venda praticado no varejo ou pelo sujeito passivo. Salienta o disposto no art. 27, § 2º do Regulamento do REFRI (Decreto nº 6.707/2008). Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10314.728231/201596 Resolução nº 3201001.289 S3C2T1 Fl. 643 3 Reforça que excluiu da apuração das contribuições as bebidas transferidas gratuitamente a terceiros, a título de bonificação e que assim procedeu porque não há, nesse caso, comercialização que gere receita tributável, mas uma espécie de doação. Afirma que a fiscalização entendeu que as bonificações seriam o mesmo que descontos incondicionais, “cuja exclusão só é prevista para a base de cálculo do Regime Geral (art. 1º, da Lei nº 10.833/2003), o qual não pode ser usado para justificar a não inclusão das bonificações ou outros descontos incondicionais na base de cálculo do Regime Especial de Tributação, que é a quantidade vendida.” Salienta, contudo, que a autuação é ilegal, primeiro porque não se confundem juridicamente as bonificações e os descontos incondicionais, embora os seus efeitos econômicos possam, em alguns casos, ser equivalentes, sendo certo que as mercadorias cedidas graciosamente não geram receita alguma (acréscimo patrimonial) para o vendedor (mas apenas para o adquirente), e. dessa forma, estão fora do campo de incidência das contribuições, quer no regime geral, quer no especial, depois porque, segundo afirma, o regime especial de apuração não pode ensejar o pagamento de tributo fora das hipóteses que configuram o respectivo fato gerador. Conclui, dizendo que só há obrigação de recolher PIS/Cofins em relação às quantidades de bebidas vendidas e não às bonificadas. A seguir, no item 3 (Nulidade. Iliquidez dos lançamentos. Adoção de valores tributáveis sabidamente dissonantes das quantias previstas na legislação. Desconsideração de saldo credor detido pelo contribuinte.) a contribuinte diz que a autoridade fiscal não identificou a tabela aplicável ao tipo de tributo para, em seguida, proceder ao enquadramento da tributação da litragem dada em bonificação por marca comercializada, tendo simplesmente verificado o tipo de bebida e utilizado os maiores valores de PIS e Cofins da categoria, abstendo se de avaliar quais as quantidades, por marcas, conferidas em concreto a título de bonificação, tudo em um desacordo consciente com a legislação. Diz, ainda, que qualquer que seja a sistemática (ad valorem ou ad rem) a legislação assegura o desconto de créditos decorrentes da aquisição de insumos, nacionais e importados, inclusive vasilhames e que, assim sendo, competia à fiscalização apurar os créditos porventura acumulados para fins de desconto dos débitos levantados. Salienta que só a incorporada Londrina Bebidas Ltda possuía saldo credor de PIS/Cofins não utilizado nas demais operações em março/2011, conforme se constata pelo Dacon, em montante suficiente para abater a totalidade dos débitos que a fiscalização alega existir. Insiste na existência de vício material e pede o cancelamento da autuação. No item seguinte, (4. Improcedência da majoração da multa em 50%. Ausência de embaraço à fiscalização. O contribuinte não está obrigado a proceder aos cálculos daquilo que o agente fiscal considera ser a matéria tributável.) diz que a existência de resposta, satisfatória ou não, é suficiente para afastar a imposição de penalidade. Salienta que atendeu tempestivamente a todas as solicitações que foram feitas e que a “eventual discordância ou desapontamento da fiscalização com os Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10314.728231/201596 Resolução nº 3201001.289 S3C2T1 Fl. 644 4 termos da resposta dada não dá ensejo a se falar em omissão na colaboração com os agentes fiscais.” Aduz, ainda, que a pretensão fiscal foi a de “delegar a impugnante a tarefa de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido” mas que tal competência é privativa, vinculada, obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, da própria autoridade administrativa. Entende, em decorrência, não ser aplicável a penalidade majorada. A DRJ/Curitiba/PR – 3ª Turma, por meio do Acórdão 0654.839, de 25/05/2016, decidiu pela procedência parcial da Impugnação. Reproduzo a ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A pessoa jurídica optante pelo regime especial de apuração e pagamento previsto no artigo 52 da Lei nº 10.833, de 2003, deverá determinar o valor do PIS e da Cofins, correspondentes aos produtos abrangidos pelo referido regime, multiplicando a quantidade de litros comercializada no mês pelo valor fixado em reais por unidade de litro do produto, sendo incabível a exclusão de bonificações em mercadorias concedidas, mesmo quando equiparadas a descontos incondicionais, uma vez que tal exclusão somente é admitida na hipótese de determinação da contribuição com base na receita bruta da venda de bens e serviços. REFRI. EMPRESA OPTANTE. BONIFICAÇÕES CONCEDIDAS. PIS E COFINS. CÁLCULO. DECRETO Nº 6.707, DE 2008. A pessoa jurídica optante pelo regime especial de apuração e pagamento previsto no artigo 52 da Lei nº 10.833, de 2003 (REFRI) deve calcular as contribuições devidas a título de PIS e de Cofins sobre as mercadorias concedidas sob a forma de bonificação nos termos do previsto no Decreto nº 6.707, de 23 de dezembro de 2008. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. No regime da não cumulatividade, os créditos apurados e indicados nos Dacon como não tendo sido utilizados e que não tenham sido glosados em decorrência de procedimento fiscal, podem ser descontados dos débitos apurados a título de PIS e de Cofins, nos termos da legislação de regência. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. É faculdade da contribuinte apurar os créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS e da Cofins, cabendo à RFB apenas auditar tais informações. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. ESCLARECIMENTOS. Quando se constatar que a contribuinte atendeu as intimações recebidas e prestou esclarecimentos à fiscalização, não deve ser aplicado o agravamento da multa. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10314.728231/201596 Resolução nº 3201001.289 S3C2T1 Fl. 645 5 Em função da exoneração de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, houve Recurso de Ofício. A empresa então interpôs o Recurso Voluntário, onde reforça os argumentos de defesa, acrescentando: que a decisão recorrida teria alterado o fundamento do lançamento; o lançamento teria como fundamento a impossibilidade de exclusão de descontos incondicionais no regime especial ad rem e o acórdão da DRJ impôs requisitos para que a bonificação em mercadoria fosse considerada desconto incondicional; que as alíquotas utilizadas no lançamento foram alteradas pelo acórdão recorrido; que a DRJ baseia suas conclusões em normas aplicáveis em matéria de IRPJ, e que não se pode utilizar analogia para exigir tributo indevido, cf. art. 108, §1º do CTN1; que somente há fato gerador de Pis e Cofins na venda onerosa; que o bônus é espécie de doação; colaciona jurisprudência em seu favor; que o bônus não é desconto incondicional; que diferem juridicamente desconto e bonificação; as bonificações configuram custos de prática comercial; que o REFRI não pode ser aplicado a mercadorias que não sejam vendidas. É o relatório. Voto No Recurso Voluntário, a recorrente sustenta a nulidade do lançamento por vício material, ao utilizar alíquotas incorretas. Ainda, que a correção das alíquotas pelo acórdão recorrido teria caracterizado inovação no lançamento, por alteração da motivação fática e legal, conforme entendeu. Mais, sustenta que, em vista dessa circunstância, estaria sumetida ao dever de conferir a exatidão dos cálculos refeitos pela DRJ, caso o acórdão recorrido prevalecesse. In verbis (fl 394): Entretanto, a prevalecer a decisão da DRJ, a Recorrente estaria obrigada a: (a) se defender de acusação até então não formulada, qual seja, a suposta inobservância de requisitos formais no preenchimento das notas fiscais; e (b) analisar a exatidão das alíquotas e valores lançados de ofício pela DRJ. Nesse caso, estarseia admitindo que a instância julgadora usurpasse a competência autoridade lançadora e, ao mesmo tempo, deixasse de exercer a função jurisdicional que lhe é inerente. Como consequência, o CARF teria de apreciar, em primeira mão, o inconformismo do contribuinte, caracterizandose evidente supressão de instância. O direito de defesa seria frontalmente violado. 1 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: (...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10314.728231/201596 Resolução nº 3201001.289 S3C2T1 Fl. 646 6 No Recurso Voluntário, a recorrente não apontou especificamente nenhum erro de cálculo da DRJ. Não obstante, em sessão de julgamento, a recorrente apresentou documento nominado “Nota de Julgamento”, na qual aponta erros específicos. Procedi à juntada de tal nota ao processo, fls. 635 e seguintes. Em vista de alegação de possível erro material, abrangida pela dialética processual em vista da arguição do dever de conferência no Recurso Voluntário, como pedido subsidiário ao pedido principal, entendeu a Turma, por bem, por converter o julgamento em diligência para que tais erros sejam objeto de completa análise pelas partes, a fim de que o julgamento no Carf resulte em decisão líquida e certa, caso superada a suscitação de nulidade do lançamento. Desse modo, o processo deve retornar à origem para que a empresa seja intimada a apresentar peça completa acerca de suas reclamações contra o recálculo feito pela DRJ. Após, deve o Fisco manifestarse quanto a essas reclamações, oportunizando, ainda, à recorrente, manifestarse sobre o posicionamento fiscal, no prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. É como voto. Marcelo Giovani Vieira, Relator. Fl. 653DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.002728/2003-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1988 a 31/01/1989
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF/2015.
Em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015, tem-se que não servirá como paradigma acórdão que, na data da análise da admissibilidade do Recurso Especial, contrariar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil.
No caso vertente, o recurso especial de 26 de julho de 2007 somente foi admitido em 2015 através do Despacho de Reexame de Admissibilidade. Ou seja, após a tese contrária promovida pela parte ter sido pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário 566.621/RS (04/08/2011) que, por sua vez, considerou ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
Numero da decisão: 9303-006.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF/2015. Em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015, temse que não servirá como paradigma acórdão que, na data da análise da admissibilidade do Recurso Especial, contrariar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. No caso vertente, o recurso especial de 26 de julho de 2007 somente foi admitido em 2015 através do Despacho de Reexame de Admissibilidade. Ou seja, após a tese contrária promovida pela parte ter sido pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário 566.621/RS (04/08/2011) que, por sua vez, considerou ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 27 28 /2 00 3- 17 Fl. 313DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 20310.482, do 2º Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa (Grifos nossos): “PIS. DECADÊNCIA. DIREITO CREDITORIO RELATIVO A RECOLHIMENTOS OCORRIDOS MEDIANTE AS REGRAS ESTABELECIDAS PELA LEI COMPLEMENTAR N° 7/70. Pedido efetuado em 31/03/2003. O prazo para o pedido de restituição de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 435.835SC). ” Para melhor elucidar, nos termos do relatório do acórdão, considerouse que o pedido de restituição do PIS foi formulado em 31 de março de 2003 e se referia a recolhimentos a maior ou indevido relativos aos períodos de apuração de janeiro/90 a dezembro/90, sob a égide dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 considerados inconstitucionais pelo STF. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10768.002728/200317 Acórdão n.º 9303006.770 CSRFT3 Fl. 314 3 Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração contra o r. acórdão, alegando omissão e requerendo que os embargos sejam providos com efeito modificativo. Em Despacho à fl. 177, foi dado seguimento aos Embargos de Declaração. O Colegiado, assim, após apreciar os embargos, por unanimidade de votos, conheceu e negou provimento aos embargos, consignando no acórdão nº 20312.073 a seguinte ementa (Grifos meus): “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1990 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada omissão no julgado, relativa a tema relevante para o deslinde do litígio, que consta da peça recursal, cabe complementálo. NORMAS PROCESSUAIS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO NÃO AMPARADO EM AÇÃO JUDICIAL. IRRELEVANCIA DESTA. Na situação em que pedido de restituição, na via administrativa, não é amparado em ação judicial que discutiu a inexigibilidade dos valores a repetir, a data de ingresso do processo judicial é irrelevante para a contagem do prazo decadencial de repetição de indébito na esfera administrativa. ” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra a r. decisão, trazendo, entre outros, que: · Interrompida a prescrição por conta do requerimento judicial, não há que se falar decadência de direito · Tendo protocolado seu pedido de restituição em 08/04/2002, portanto, dentro do prazo de 5 ( cinco ) anos capitulado no art. 168, I do CTN, restaria cristalino o direito do contribuinte em se ver restituído daquilo que pagou indevidamente. · Não faltam razões para a reforma do acórdão guerreado, visto ter a contribuinte agido dentro dos prazos determinados em lei para se ver Fl. 315DF CARF MF 4 restituído, na sua integralidade, daquilo que pagou indevidamente, uma vez que interrompeu o prazo de prescrição em 28/10/1991, com o protocolo de requerimento judicial, e ainda: dentro do prazo de 5 anos após a publicação da Medida Provisória 1.621, em sua 36a edição, que passou a permitir a restituição, a requerimento do contribuinte, de quantias pagas indevidamente do tributo em discussão. Em Despacho às fls. 220 a 221, não foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. O sujeito passivo apresentou Agravo de Instrumento contra a decisão que negou seguimento ao seu recurso. Em Despacho às fls. 302 a 303, foi dado seguimento ao recurso especial com concordância do nobre exPresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · Conforme se colhe da decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, o STF pacificou o entendimento de que para os pedidos de restituição apresentados antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o prazo de dez anos, contados do fator gerador. Este, aliás, foi o entendimento adotado pelo acórdão recorrido; · O Regimento não admite como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); · De acordo com a orientação firmada pelo STF, para os pedidos de restituição apresentados antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o prazo de dez anos, contados do fator gerador; · No caso, como o fato gerador mais recente ocorreu em 12/1990, o contribuinte teria até 12/2000 para efetuar o pedido de restituição. Como somente foi apresentado em 02/04/2003, o pedido se mostra totalmente intempestivo. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10768.002728/200317 Acórdão n.º 9303006.770 CSRFT3 Fl. 315 5 É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que não devo conhecêlo, em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015. Recordo, para tanto, o dispositivo (Grifos meus): “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 A da Constituição Federal; II Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; [...]” Sendo assim, considerando que o recurso especial de 26 de julho de 2007 somente foi admitido em Despacho de Reexame de Admissibilidade de 2015, ou seja, após a tese ter sido pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011) que, por, sua vez, considerou ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão Fl. 317DF CARF MF 6 somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 É de se não conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Ademais, proveitoso trazer que o sujeito passivo indicou como paradigma os acórdãos 30131891 e 30131257 da 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Não obstante, quanto ao acórdão 30131891 da sessão de julgamento de 16 de junho de 2005 – foi consignada a seguinte ementa: “FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para o contribuinte requerer a restituição dos valores indevidamente recolhidos é de 5 anos, contado de 12/06/98, data da publicação da Medida Provisória nº 1.621/98, instrumento pelo qual o Poder Executivo reconheceu a ilegitimidade da cobrança e o direito à restituição. Precedentes do Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes. Afastada a decadência. Retorno à DIU para exame do pedido de restituição RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” Porém, em 17 de junho de 2008, a CSRF reformou o r. acórdão, dando provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda – indicando precedente do STJ: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1988 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. O prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição/compensação de indébito relativo a tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser contado a partir do término do prazo para homologação do pagamento (5 + 5 = 10 anos). Jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça.” Já o acórdão nº 30131.257 da sessão de 16 de junho de 2004, havia sido consignada a seguinte ementa: “FINSOCIAL — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — PRAZO PRESCRICIONAL — O prazo prescricional de cinco anos para o contribuinte requerer a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL, tem termo inicial na data da publicação da Medida Provisória n°. 1.62136, de 10/06/98 (D.O.U.de 12/06/98) que emana o Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10768.002728/200317 Acórdão n.º 9303006.770 CSRFT3 Fl. 316 7 reconhecimento expresso ao direito à restituição mediante solicitação do contribuinte. MÉRITO — Em homenagem ao princípio de duplo grau de jurisdição, a materialidade do pedido deve ser apreciada pela jurisdição a que, sob pena de supressão de instância. Recurso provido para afastar a decadência e determinar a devolução do processo à DRJ de origem para exame do mérito. ” Mas, em 29 de agosto de 2012, o acórdão foi reformado pela CSRF: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62ª do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Recurso extraordinário provido em parte.” Independentemente da reforma dos acórdãos que não considerou a tese pacificada pelo STF em RE 566.621, eis que foram julgados anteriormente, entendo que, em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015, não devo conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 319DF CARF MF 8 É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.004844/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 11/03/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. NÃO SUJEIÇÃO AO RITO DO DECRETO Nº 70.235/1972.
A compensação considerada não declarada não se sujeita ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, falecendo competência a este conselho para apreciar as razões dos contribuintes em face de tal decisão, nos termos dos §§ 12 e 13 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 11/03/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. NÃO SUJEIÇÃO AO RITO DO DECRETO Nº 70.235/1972. A compensação considerada não declarada não se sujeita ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, falecendo competência a este conselho para apreciar as razões dos contribuintes em face de tal decisão, nos termos dos §§ 12 e 13 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido.
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NÃO SUJEIÇÃO AO RITO DO DECRETO Nº 70.235/1972. A compensação considerada não declarada não se sujeita ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, falecendo competência a este conselho para apreciar as razões dos contribuintes em face de tal decisão, nos termos dos §§ 12 e 13 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 48 44 /2 00 7- 39 Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10283.004844/200739 Acórdão n.º 3302005.464 S3C3T2 Fl. 1.003 2 Relatório Trata o presente de declarações de compensação entregues em papel pela NITRIFLEX DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, CNPJ 04.807.608/000183 de débitos próprios com créditos objeto do pedido de restituição/ressarcimento n ° 10283.100796/200547, que por sua vez se refere à aquisição junto a Nitriflex S/A (CNPJ 42.147.496/000170) de créditos de 1PI reconhecidos por meio de decisão judicial transitada em julgado em 18/04/2001 no MS n ° 98.00166580 e habilitado administrativamente no processo n ° 13746.000191/200551, ou seja, compensação com créditos de terceiros. A EQMACO da DRF/Nova Iguaçu proferiu o Parecer 138/2010, considerando as compensações não declaradas, em razão do indeferimento do pedido de habilitação no processo nº 13746.000191/200551 pelo Despacho Decisório nº 70/2005, em vigor à época em vista da sentença que denegava a segurança no MS 2005.51.10.0026900. Assim, por ter apresentadas as compensações após o indeferimento do pedido de habilitação, infringiu os artigos 26, §3º e 51 da IN SRF nº 600/2005 Além disso, as compensações tratavam de créditos de terceiros, vedado pelo artigo 40 da referida instrução normativa. Adicionalmente, os créditos de terceiros foram indeferidos no processo nº 10735.000001/9918, mediante o Parecer SEORT n ° 496/2008, cujaa decisão foi mantida pela DRJ. Diante das constatações acima, a RFB decidiu que os créditos não possuíam os atributos de liquidez e certeza, afrontando os artigos 170 e 170A do CTN. Em manifestação de inconformidade,a recorrente aduziu que: 1. As compensações não podem ser consideradas não declaradas por terem sido amparadas em decisões judiciais e administrativas, tendo o crédito sido homologado em 2000 em razão do direito ao crédito de IPI obtido no MS MS 98.00166580, pelo direito de compensar com créditos de terceiros obtido no MS 2001.51.10.0010250, afastando a vedação da IN SRF nº 41/2000 e por decisão favorável no MS 2005.51.10.0026900 contra o indeferimento do pedido de habilitação do crédito; 2. O Parecer 496/2008 não indeferiu o direito creditório, mas apenas não homologou algumas compensações, sendo que os créditos deferidos nos processos 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970 permaneceriam líquidos e certos, bem como devem ser corrigidos conforme decisão no MS 99.00605420, com juros e expurgos inflacionários; 3. As disposições dos §12 e 13 do artigo 74 da Lei 9.430/96 instituídas pela Lei nº 11.051/2004 e a IN SRF 600/2005 não se aplicam às compensações pleiteadas, uma vez que a decisão que originou o crédito de IPI transitou em julgado em 18/04/2001; 4. Que o regime jurídico da compensação regese pela data de impetração do MS 98.00166580 em 21/07/1998; 5. O reconhecimento das compensações como declaradas e da petição como manifestação de inconformidade , a fim de suspender a exigibilidade dos débitos compensados. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10283.004844/200739 Acórdão n.º 3302005.464 S3C3T2 Fl. 1.004 3 Ato contínuo, a recorrente impetrou mandado de segurança visando o reconhecimento do direito de processamento da petição como manifestação de inconformidade nos termos dos §§ 9º e 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuja decisão afastou a vedação do §13 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (efl.556). Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ proferiu o Acórdão nº 0940.491, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE COLIGADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. 1. Não há previsão legal na legislação tributária que atribua às pessoas jurídicas o direito de compensar créditos de coligada como próprios. 2.As compensações declaradas a partir de 1o de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívocas disposições legais MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002 e na Lei nº 11.041, de 2004 impeditivas de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos da requerente com crédito de terceiros, declaradas após 1o de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade. Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10283.004844/200739 Acórdão n.º 3302005.464 S3C3T2 Fl. 1.005 4 Em 09/12/2014, a PRFN da 2º Região/RJ encaminhou ofício à DRF/Nova Iguaçu, informando que fora cassada a sentença proferida no MS 2011.51.20.0006327, que determinava o processamento da manifestação de inconformidade e a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários. Conforme despacho de saneamento de efls.1000/1001, o processo foi distribuído a este relator por conexão com o de nº 10735.000001/9918. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. A PRFN da 2º Região/RJ encaminhou o Ofício PRFN/2º REGIÃO/DIDE Nº 034/2014, informando que fora cassada a sentença proferida no MS 2011.51.20.0006327, que determinava o processamento da manifestação de inconformidade e a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, conforme a decisão proferida pelo TRF 2º Região, cuja ementa transcrevese (efls. 995/996): EMENTA MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. ARjTIGO 74, § 12, II, "A", DA LEI N° 9.430/96, NA REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI N° 11.051/2004. 1 O cerne da questão reside em apurar a possibilidade jurídica de compensação envolvendo créditos de terceiro, questão prejudicial para a análise do mérito propriamente dito da demanda o cabimento, na espécie, do recurso administrativo chamado de "manifestação de inconformidade" pelo art. 74, § 9º, da Lei n° 9.430/96. 2 A compensação tributária, modalidade de extinção do crédito tributário, é matéria a ser regulada por lei ordinária, estando a autoridade fazendária autorizada a estipular as instruções e condições para o seu cumprimento, consoante previsão expressa no art. 170 do CTN. 3 A compensação termos do que preceitua pressupõe créditos e débitos entre as mesmas pessoas, nos o artigo 368 do Código Civil. 4. A atual redação cio art. 74 da Lei 9.430/96 veda expressamente a utilização de créditos de terceiros, considerando como não apresentada a declaração de compensação em que os créditos sejam de terceiros (art. 74, § 12, II, "a", na redação dada pela Lei 11.051/2004. Precedentes do STJ. 5. No caso, a declaração de compensação foi protocolizada em 20/08/2007 e a manifestação de inconformidade foi apresentada Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10283.004844/200739 Acórdão n.º 3302005.464 S3C3T2 Fl. 1.006 5 em janeiro de 2011, quando já se encontravam em vigor as limitações impostas pela Lei n° 9.430/96, com a redação dada conferida pela Lei n° 11.051/2004, razão pela qual essas limitações merecem ser aplicadas. 6 Remessa necessária e apelação providas. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Decide a Egrégia Quarta Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2a Região, por maioria, dar provimento à remessa necessária e à apelação, nos termos do relatório e voto constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Custas, como de lei. Rio de Janeiro, 25 de fevereiro de 2014. LUIZ ANTONIO SOARES DESEMBARGADOR FEDERAL RELATOR Assim, o rito processual atribuído à petição de efls. 206/237 não é o do Decreto nº 70.235/1972, não cabendo à DRJ, nem, por consequência, a este Conselho conhecer de qualquer alegação relacionada ao Despacho Decisório que considerou as compensações como não declaradas, tornando sem efeito o Acórdão de Manifestação de Inconformidade e atos posteriores. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1006DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901093/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901093/201417 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.055 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 10 93 /2 01 4- 17 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901093/201417 Acórdão n.º 1402003.055 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901093/201417 Acórdão n.º 1402003.055 S1C4T2 Fl. 4 3 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901093/201417 Acórdão n.º 1402003.055 S1C4T2 Fl. 5 4 DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901093/201417 Acórdão n.º 1402003.055 S1C4T2 Fl. 6 5 Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901093/201417 Acórdão n.º 1402003.055 S1C4T2 Fl. 7 6 Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901093/201417 Acórdão n.º 1402003.055 S1C4T2 Fl. 8 7 Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.916011/2009-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo somente podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado.
Numero da decisão: 3001-000.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo somente podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo somente podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e no mérito, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 60 11 /2 00 9- 86 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10380.916011/200986 Acórdão n.º 3001000.302 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que não reconheceu do direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 26/05/2008, transmitiu PER/DCOMP nº 15123.23801.260508.1.1.011330 com pedido de ressarcimento de IPI correspondente ao saldo credor ajustado conforme RAIPI do 2º Trimestre de 2007, no valor de R$ 170.680,80 vinculado a Declaração de Compensação nº 26750.49931.300508.1.3.015542 referente a débito de IRPJ código 2362, do período de apuração 04/2008. Do Despacho Decisório A DRF de Fortaleza em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (eFls.42), apontando que o crédito reconhecido (R$ 169.387,30) é inferior ao solicitado, resultado da efetivação de procedimento fiscal implantado junto à interessada. A parte não homologada no valor de R$ 1.293,50 foi objeto de intimação para pagamento pela indevida compensação realizada, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 46), justificando: 1 – que o Despacho Decisório ora em exame fora realizado mediante sistema eletrônico, sem qualquer apreciação/acompanhamento por algum Auditor Fiscal, tornandose um despacho falho, inconsistente e obscuro, com embasamento em presunção; 2 – que a autuação levada a termo via MPF nº 03101002009012474, foi apurada de forma flagrantemente errada, resultado da utilização equivocada de alíquota diversa nas suas operações, com débitos listados no Auto de Infração nº 10380.720906/201051; 3 – que a contribuinte detinha para abril de 2007 um saldo credor no valor de R$ 1.003.263,32 aferido por diligência fiscal, do qual deveria ter sido abatido os débitos apurados no MPF nº 03101002009012474 e não do crédito alocado no presente pedido de compensação; 4 – que houve diligência fiscal na qual se apurou crédito acumulado, bem como fora verificado que no período compreendido entre abril/2005 a março/2008 algumas operações do contribuinte ocorreram com erro de classificação fiscal e/ou alíquota, o que resultou na cobrança de tais débitos por meio de autuação fiscal; 5 apela para o princípio da verdade material no caso concreto, em face de haver imputação de débito sem qualquer averiguação probatória, algo inadmissível, seja na esfera judicial ou administrativa, não podendo restringirse a presunções ou achismos; 6 observa ainda, o fato de não ter havido em nenhum momento qualquer prejuízo financeiro ao fisco, e caso seja encontrado débito, poderá de ofício, ser compensado com créditos existentes, como no caso presente; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10380.916011/200986 Acórdão n.º 3001000.302 S3C0T1 Fl. 4 3 7 requer também, a realização de perícia em todos os seus livros e documentos fiscais, colocados de imediato à disposição do fisco. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/BEL, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse resumidos na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO. Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo somente podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado. Em sede de ressarcimento e compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. No âmbito da legislação processual tributária, inexiste previsão para a realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento de primeira instância. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. À autoridade julgadora de primeira instância cabe indeferir, motivadamente, o pedido de perícia que considerar prescindível. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.90). Repisando todas as alegações de sua Manifestação de Inconformidade pugna pela reforma do acórdão recorrido e o reconhecimento do direito creditório de IPI, os quais foram glosados, de forma que seja homologada em sua totalidade a compensação praticada. Inicialmente o presente processo foi distribuído para a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que em sessão do dia 25 de setembro de 2012, Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10380.916011/200986 Acórdão n.º 3001000.302 S3C0T1 Fl. 5 4 resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência (Resolução 3403000.378), nos termos do voto do Relator: Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O despacho decisório homologou em parte as compensações, sob a justificativa de que o ressarcimento pleiteado foi insuficiente para amortizar os débitos indicados para compensação, em virtude da autoridade administrativa ter abatido débitos apurados em procedimento fiscal. Por outro lado, o contribuinte alegou que foi feita uma reconstituição da escrita fiscal no processo nº 10380.720906/201051, que culminou na lavratura de um auto de infração de IPI, o qual teria sido liquidado por meio da apresentação do PER/DECOMP nº 31617.45150.220410.1.3.01 8762, cujo recibo de entrega foi anexado ao recurso voluntário. Aparentemente o contribuinte extinguiu o débito do auto de infração em 22/04/2010, ou seja, antes da expedição do despacho decisório de homologação parcial das compensações (19/05/2010). Verificase, ainda, que o voto condutor do Acórdão da DRJ – Belém fez menção a uma informação fiscal que não está anexada a este processo, pois “estaria disponível para consulta no sítio da Secretaria da Receita Federal”. No caso, apenas com o que está anexado aos autos, não é possível saber se os débitos apurados pela fiscalização discriminados no demonstrativo de análise do crédito estão relacionados com os débitos supostamente apurados no processo nº 10380.720906/201051. Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que a autoridade administrativa: Responda os quesitos a seguir enumerados, de forma conclusiva, acompanhado de documentação hábil a comproválas e que o contribuinte seja intimado do que for constatado para que, querendo, possa se manifestar no prazo de dez dias (art. 44 da Lei nº 9.784/99). Após, os autos deverão retornar ao colegiado para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento a Resolução emanda do CARF (3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento), consta às fls. 242 Relatório de Diligência Fiscal com as respostas as perguntas formuladas: a) juntar ao processo acima referido a informação fiscal “que estaria disponível para consulta no sítio da Secretaria da Receita Federal”, mencionada no voto condutor do Acórdão da DRJ Belém; R) Documento juntado às fls.116/120. b) informar qual o objeto do processo nº 10380.720906/201051, juntando cópias de suas principais peças, inclusive o demonstrativo da reconstituição da escrita fiscal, se houver, Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10380.916011/200986 Acórdão n.º 3001000.302 S3C0T1 Fl. 6 5 esclarecendo, ainda, se na reconstituição de escrita eventualmente existente a fiscalização levou em consideração (ou não) os estornos relativos aos pedidos de ressarcimento; R) O objeto do processo nº 10380.720906/201051 é auto de infração de IPI para lançamento de multa pelo não recolhimento do tributo ou pelo recolhimento com erro de classificação fiscal e/ou alíquota. Na reconstituição de escrita a fiscalização levou em consideração, sim, os estornos relativos aos pedidos de ressarcimento. O auto de infração e a reconstituição da escrita foram juntados à fls. 207/238. c) informar se o processo nº 10380.720906/201051 foi impugnado, assim como sua situação atual; R) O processo nº 10380.720906/201051 foi impugnado; sua situação atual é “ARQUIVADO”, pois os débitos foram extintos por compensação, conforme documento de fl. 239. d) informar se os débitos eventualmente lançados no processo nº 10380.720906/201051 são os mesmos débitos que foram abatidos do valor pleiteado a título de ressarcimento de IPI neste processo (PER/DECOMP 15123.23801.260508.1.1.011330) R) Os débitos lançados no processo nº 10380.720906/201051 são multas pelo não recolhimento de IPI ou pelo recolhimento com erro de classificação fiscal e/ou alíquota. Já os débitos que foram abatidos do valor pleiteado a título de ressarcimento de IPI no presente processo (PER/DCOMP 15123.23801.260508.1.1.011330) são os valores de IPI (principal) não recolhidos ou recolhidos com erro de classificação fiscal e/ou alíquota. Portanto, os débitos lançados no processo nº 10380.720906/201051 são distintos daqueles abatidos no presente processo. e) Verificar se o auto de infração objeto do processo nº 10380.720906/201051 versou somente sobre a multa de ofício, pois o IPI não lançado nas notas fiscais contaria com cobertura de credito. Em caso de resposta afirmativa, informar conclusivamente se os débitos de IPI apurados e abatidos do saldo credor do livro no momento da reconstituição da escrita foram os mesmos que posteriormente foram abatidos do pedido de ressarcimento da análise do PER/DECOMP e averiguar se tais débitos não foram descontados em duplicidade; R) Sim, o auto de infração objeto do processo nº 10380.720906/201051 versou somente sobre a multa de ofício, pois o IPI não lançado contava com cobertura de crédito (ver documentos de fls.207/238). Quanto aos débitos de IPI apurados e abatidos do saldo credor do livro no momento da reconstituição da escrita, esses foram, sim, os mesmos que posteriormente foram abatidos do pedido de ressarcimento da análise do PER/DCOMP. Todavia, não houve duplicidade de desconto, uma vez que da reconstituição da escrita fiscal resultou um auto de infração apenas de lançamento de multa de ofício. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10380.916011/200986 Acórdão n.º 3001000.302 S3C0T1 Fl. 7 6 Os débitos apurados pela fiscalização não são registrados no livro RAIPI do contribuinte, porém, o estorno do valor total do pedido de ressarcimento, e não somente do valor deferido, se presta a abater da escrita fiscal o valor desses débitos. A sistemática do SCC (sistema que gerencia os PER/DCOMP) é diferente. NO SCC o sistema capta, a partir de informações da empresa, os créditos relativos às entradas e os débitos referentes às saídas, não sendo computados, para efeito de apuração do saldo credor, os estornos de ressarcimento. Assim, os débitos e glosas apurados pela fiscalização são lançados no sistema para ajustamento do valor do saldo credor ressarcível. f) informar se o PER/DECOMP 31617.45150.220410.1.3.01 8762, cuja cópia do recibo de entrega foi anexada com o recurso voluntário, incluiu os débitos que teriam sido lançados no processo nº 10380.720906/201051, bem como a data de sua transmissão e a situação dessa compensação (se foi homologada ou não, ou se ainda está pendente de apreciação por parte da autoridade administrativa); R) O PER/DCOMP 31617.45150.220410.1.3.018762 incluiu, sim, os débitos lançados no processo nº 10380.720906/201051, com redução de 50%. A data de sua transmissão é 22/04/2010 e a situação atual é “HOMOLOGAÇÃO TOTAL”(ver documento de fl. 241). Cientificado a Recorrente via Domicílio Fiscal Eletrônico (efls.248), não houve manifestação com relação a Informação Fiscal encaminhada, retornando o processo ao CARF para prosseguimento do julgamento. Dandose seguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Os fatos dizem respeito a Pedido de Ressarcimento de IPI via PER/DCOMP nº 15123.23801.260508.1.1.011330, correspondente ao saldo credor ajustado conforme RAIPI do 2º Trimestre de 2007, no valor de R$ 170.680,80 vinculado a Declaração de Compensação nº 26750.49931.300508.1.3.015542 referente a débito de IRPJ código 2362, do período de apuração 04/2008. Conforme Despacho Decisório de fls.42 houve a homologação parcial, com reconhecimento do crédito no valor de R$ 169.387,30. A glosa no valor de R$ 1.293,50 foi apontada no referido despacho como resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10380.916011/200986 Acórdão n.º 3001000.302 S3C0T1 Fl. 8 7 O detalhamento da compensação que deu suporte ao Despacho Decisório, com seus demonstrativos de créditos e débitos do período relacionado, consta do processo às folhas 43 e 44. O Sujeito Passivo do crédito tributário quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, já anunciou ter pleno conhecimento da causa da glosa fiscal, quando expôs que "algumas operações do contribuinte ocorreram com erro de classificação fiscal e/ou alíquota". Portanto, o foco da discussão, a questão central da controversa, não foi o valor da glosa, mas sim, porque esse valor não foi abatido do crédito acumulado existente em conta gráfica. A DRJ/BEL, quando de sua decisão, que confirmou integralmente os termos do despacho decisório tinha conhecimento de que a glosa de crédito aplicada ao pedido de ressarcimento de IPI era resultante de MPF, de cujos termos, como também, do auto de infração dele proveniente não foram disponibilizados no presente processo. A recorrente, valendose dessa situação, lançou dúvidas sobre a veracidade e procedência da cobrança do valor da glosa do crédito de IPI requerido. A questão da dúvida conforme abordada no recurso, se efetivamente estaria ocorrendo uma cobrança em duplicidade, é que levou o CARF a baixar o presente processo em diligência, via Resolução, para que a unidade de origem prestasse as informações pertinentes. Em resposta aos quesitos contidos na Resolução 3403000.378 (fls.108), a DRF de Fortaleza trouxe aos autos, (fls.242), Relatório de Diligência Fiscal, detalhando, ponto por ponto, cada item da diligência. A clareza e objetividade das respostas deixam em evidência a total improcedência de qualquer direito recursal quanto a lide processual, tanto que a recorrente mantevese silente após cientificada do relatório. Os valores objeto da glosa fiscal são referentes a constatação de erro de classificação fiscal e/ou alíquota de IPI em operação de venda de produtos, no que resultou no não recolhimento do tributo e/ou no recolhimento a menor que o devido. Diante desse fato, a sua repercussão está diretamente associada a apuração do crédito do trimestre envolvido no processo de restituição, não há como associálo a estorno de crédito, transferindo seu efeito a outro período de apuração; Não há cobrança em duplicidade, o auto de infração reuniu apenas multa, o imposto foi motivo de reconstituição da escrita fiscal com repercussão direta no pedido de ressarcimento de IPI. Quanto ao processo resultante do auto de infração de cobrança de multa, não foi objeto de impugnação, vindo a ser liquidado via PER/DCOMP com pedido de compensação. O direito a restituição de crédito de IPI é aquele apurado a cada trimestre calendário, portanto, do confronto dos débitos e créditos levantados no trimestre correspondente é que resulta o valor que irá servir de base da restituição (art. 11 da Lei nº 9.779/99). Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10380.916011/200986 Acórdão n.º 3001000.302 S3C0T1 Fl. 9 8 Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900674/2006-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente e Redator do Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Redator do Voto Vencedor. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 06 74 /2 00 6- 93 Fl. 98DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1436.633, da 6ª Turma da DRJ/RPO, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação PER/DCOMP 05848.22766.120803.1.3.048447 (fls. 06/11), cujo voto reproduzo (parcialmente) a seguir: Voto A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. Conforme relatado, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba (fl. 03) não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de IRPJ. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para a pessoa jurídica optante pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do período de apuração anual, proceder ao confronto entre os valores recolhidos por estimativa e o valor devido do IRPJ apurado. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99, mais exatamente os artigos 221 a 232, .. Da leitura do texto legal podemos inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10865.900674/200693 Acórdão n.º 1001000.551 S1C0T1 Fl. 99 3 Conforme legislação acima, a interessada está obrigada, considerando que é optante pelo lucro real, a apuração anual bem como a pagar mensalmente o imposto de renda devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Pode também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, o imposto apurado deve ser deduzido dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, o saldo negativo de IRPJ a pagar, calculado ao final do período de apuração, se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações do imposto de renda devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de três premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; e 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ e, por conseguinte, o saldo negativo de IRPJ. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeita ao regime de apuração do imposto com base no lucro real, esta deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do imposto, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), nos termos dos artigos 7º e seu § 4º, e 8º, inciso I, ambos do DecretoLei nº 1.598, de 1977, ...:. Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos Fl. 100DF CARF MF 4 nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º)”. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a tão somente alegar que o indébito é proveniente de saldo negativo de IRPJ, apuração anual, do anocalendário de 2002. Ora, tal qual o pagamento de tributos, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, o pagamento a maior também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Voto Vencido Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: · apurou o imposto pelo lucro real anual, efetuou os recolhimentos por estimativa e apurou saldo credor de IRPJ, no valor de R$5.863,23; · parte deste crédito foi utilizado para compensação de débitos futuros e o restante utilizado para compensação do imposto refere aos meses de abril, maio e junho de 2003; Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10865.900674/200693 Acórdão n.º 1001000.551 S1C0T1 Fl. 100 5 · consta que o referido crédito foi alocado, integralmente, ao DB Cod 5993 PA 30/06/2002, o que não se justifica pois efetuou o recolhimento do valor de R$2.529,60 (fl 04); · a fim de apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, anexou para análise, cópia do Razão Analítico Contábil que confronta a DIPJ que apresenta saldo negativo de IRPJ 2002/2003; · alega que o saldo negativo é passível de restituição/compensação, conforme art. 74, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, que está em consonância com o art. 170, do Código Tributário Nacional (CTN); · que a DRF pode e deveria ter efetuado análise das parcelas de composição do crédito na DIPJ, inclusive , o pagamento do período 06/2002, através do cruzamento de informações que dispõe. Por último transcrevo a parte final de seu recurso: De fato, verificase nos autos, que houve uma alocação indevida do valor do saldo negativo de IRPJ ao débito de 30/06/2002, conforme apresentado no despacho decisório (fl 3), posto que a recorrente anexou cópia do DARF comprovando o devido recolhimento (fl 4). Verificase, também, através da DIPJ (fl 23) que, de fato, a recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, posto que recolheu antecipações deste imposto (fls 4 e 5) em valor superior ao devido no anocalendário. De acordo com o acórdão, verificase que a DRJ baseou a sua decisão no seguinte: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Fl. 102DF CARF MF 6 Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: E mais: No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a tãosomente alegar que o indébito é proveniente de saldo negativo de IRPJ, apuração anual, do anocalendário de 2002. Esses documentos não são requeridos ao contribuinte quando da apresentação da PER/DCOMP. Entendo que, se fosse o caso, deveriam ter sido solicitados pela DRF ou que houvesse uma diligência para que a autoridade, se esta assim o entendesse, para formar o seu convencimento. Entendo que a recorrente apresentou a documentação suficiente para comprovar a origem do crédito. Em seu recurso, afirma ter anexado cópia do Razão, entretanto, não a encontrei nos autos, mas, não entendo que pudesse acrescentar algo que modificasse a minha decisão diante das outras documentos anexadas. Portanto, dou provimento ao presente recurso e reconheço o direito a compensação pleiteada. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do voto vencedor Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. O pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação manifestação de inconformidade, efl. 66) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Neste sentido, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. As informações declaradas que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP, mas é imprescindível Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10865.900674/200693 Acórdão n.º 1001000.551 S1C0T1 Fl. 101 7 confirmar os valores com a escrita fiscal e contábil. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente pretende trazer pela primeira vez documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 104DF CARF MF 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos contábeis hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.005549/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/03/2000, 25/05/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos de declaração quando for constatada omissão do colegiado em relação a ponto sobre o qual deveria pronunciar-se ou houver decidido sobre determinada matéria sem contudo apresentar os fundamentos que ampararam essa decisão. Demonstrada a omissão, impõe-se a sua correção, em sede de embargos de declaração, no caso concreto ensejou efeitos infringentes.
MATÉRIA NÃO PREQUESTIONADA. PRECLUSÃO TEMPORAL. MANIFESTAÇÃO DO JULGADOR. INCABÍVEL.
Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, questão não provocada a debate em primeira instância com a apresentação da petição impugnativa inicial, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, tampouco demandada em sede de Recurso Voluntário, constitui matéria sob a qual incidira a preclusão temporal, restando definitivamente constituído o respectivo lançamento, inexistindo valor jurídico eventual manifestação por parte do julgador de segundo grau, relativamente a essa matéria.
Embargos Acolhidos em parte, com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-004.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão de Recurso Voluntário nº 3101-01.637, de 24/04/2014, integrado pelo Acórdão nº 3301-002.765 (Embargos Inominados), de 27/01/2017, retificando-o para tornar sem efeito as manifestações e decisões acerca da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Vencidos os Conselheiros Valcir Gassen, Semíramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Marcelo Costa Marques D'Oliveira.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for constatada omissão do colegiado em relação a ponto sobre o qual deveria pronunciarse ou houver decidido sobre determinada matéria sem contudo apresentar os fundamentos que ampararam essa decisão. Demonstrada a omissão, impõese a sua correção, em sede de embargos de declaração, no caso concreto ensejou efeitos infringentes. MATÉRIA NÃO PREQUESTIONADA. PRECLUSÃO TEMPORAL. MANIFESTAÇÃO DO JULGADOR. INCABÍVEL. Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, questão não provocada a debate em primeira instância com a apresentação da petição impugnativa inicial, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, tampouco demandada em sede de Recurso Voluntário, constitui matéria sob a qual incidira a preclusão temporal, restando definitivamente constituído o respectivo lançamento, inexistindo valor jurídico eventual manifestação por parte do julgador de segundo grau, relativamente a essa matéria. Embargos Acolhidos em parte, com efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 55 49 /2 00 4- 60 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301004.636 S3C3T1 Fl. 299 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por voto de qualidade, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão de Recurso Voluntário nº 310101.637, de 24/04/2014, integrado pelo Acórdão nº 3301002.765 (Embargos Inominados), de 27/01/2017, retificandoo para tornar sem efeito as manifestações e decisões acerca da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Vencidos os Conselheiros Valcir Gassen, Semíramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Marcelo Costa Marques D'Oliveira. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301004.636 S3C3T1 Fl. 300 3 Relatório Cuidase de Embargos Declaratórios interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão de Recurso Voluntário no 310101.637, de 24/04/2014, da 1ª Turma Ordinária, da Primeira Câmara, com a redação dada pelo Acórdão nº 3301 002.7651 (Embargos Inominados), de 27 de janeiro de 2016; por suposta contradição/omissão desse decisum. O Acórdão embargado nº 3101001.637, com a retificação promovida pelo Acórdão n º 3301002.765, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/03/2000, 25/05/2000 ISOPAR C. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos “óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios” da posição “2710.10.1”, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99. ISOPAR L. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos “óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios” da posição “2710.10.1”, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. DESCRIÇÃO CORRETA DA MERCADORIA. MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. São descabidas as multas de ofício e de controle administrativo das importações nos casos de erro de classificação em que as mercadorias estiverem corretamente descritas, com todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário, em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 1 O Acórdão 3301.002765 (Embargos de Declaração, acolhidos como Inominados) retificou o Acórdão 3101 001.637 (Original), para corrigir a redação da decisão, fazendo constar que houve Provimento Parcial do Recurso Voluntário, conquanto a redação original constou que o colegiado teria negado o provimento. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301004.636 S3C3T1 Fl. 301 4 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Embargante alega existência de vícios no Acórdão nº 3101001.637, integrado pelo Acórdão nº 3301002.765, que demandam a sua retificação. Os vícios, segundo a PGFN, encontramse na decisão do Colegiado em relação à multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 e na multa do art. 633, inciso II, "a" do Decreto nº 4.543/2002, em face de inexistir litígio inaugurado quanto às matérias. O contribuinte não se insurgiu, nesses pormenores, nem na impugnação nem no recurso voluntário. Argumenta a PGFN que "A decisão embargada, assim, foi omissa quanto às razões que levaram o Colegiado a conhecer a matéria e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do auto de infração a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, nada obstante a ausência de insurgência do interessado quanto a essa matéria na impugnação e no recurso voluntário. Além disso, não se manifestou também sobre a impugnação intempestiva em relação à multa prevista no artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002, haja vista que o autuado somente se manifestou sobre essa matéria após conclusão de diligência que nada alterou ou influiu na imposição da penalidade." Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, na síntese oportuna. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Os Embargos foram admitidos por despacho do presidente da Turma, fls. 286/288, portanto, deles tomo conhecimento. A autuação deuse para exigir diferença de tributo em face de erro na classificação de mercadoria importada, bem assim de multa ao controle administrativo e de Ofício. O voto condutor da decisão do colegiado fundamentouse no entendimento de que "devem ser afastadas as multas de ofício e de controle administrativo das importações", nos seguintes termos: No caso concreto, as mercadorias estão corretamente descritas nas DI’s nºs 03/03345424 e 03/05262747, constantes todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário. Além disso, não foi Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301004.636 S3C3T1 Fl. 302 5 comprovado pela autoridade alfandegária nenhuma prática de ato ilícito, com dolo ou máfé da Recorrente, motivo pelo qual entendo que devem ser afastadas as multas de ofício e de controle administrativo das importações em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997. Segundo a Embargante, a decisão embargada foi omissa quanto às razões que levaram o Colegiado a conhecer a matéria em relação a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 e à multa prevista no artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002. Aduz que, sobre essas matérias terseia operado a preclusão administrativa, pois não foram objetos de insurgência específica no tempo e modo oportunos, nem na impugnação nem no recurso voluntário. Portanto, referida matéria não foi devolvida para apreciação do CARF, sendo definitiva a exigência, nos termos dos art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72. Sobre a matéria , imperioso trazer a baila o que preconiza o Decreto nº 70.235/72, no que interessa para o momento: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” [Destaquei] Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301004.636 S3C3T1 Fl. 303 6 No caso concreto, são duas as omissões que a Embargante alega ter ocorrido no Acordo embargado, em face de o Colegiado não ter apresentado as razões para que tenha conhecido as seguintes matérias: (i) impugnação intempestiva em relação a multa prevista no artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002, haja vista que o autuado somente se manifestou sobre essa matéria após conclusão de diligência que nada alterou ou influiu na imposição da penalidade. (ii) exclusão da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, nada obstante a ausência de insurgência do interessado quanto a essa matéria na impugnação e no recurso voluntário. Assiste parcial razão ao embargante, vejamos: 1.1 DA IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA MULTA PREVISTA NO ARTIGO 633, INCISO II, “A” DO DECRETO Nº 4.543/2002 Conforme visto, alega a Embargante que o Colegiado não se manifestou sobre a impugnação intempestiva em relação à multa prevista no artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002, haja vista que o autuado somente se manifestou sobre essa matéria após conclusão de diligência que nada alterou ou influiu na imposição da penalidade. Compulsando os autos vêse que, diversamente do que alega a Embargante, a matéria foi suscitada na Impugnação, vejase à fl 52. É fato que, na peça impugnatória inaugural, houve apenas manifestação genérica sobre a matéria, todavia, em momento oportunizado pela DRJ, em diligência, a autuada apresentou aditamento à sua impugnação, acolhidos como tempestivo pelo colegiado de 1º grau, conforme os seguintes excertos do respectivo Acórdão: Cientificada do resultado da diligência (fl. 136), a interessada apresentou aditamento à sua impugnação as folhas 137 a 141 [...] [...] Requer o cancelamento da multa administrativa em face da correta descrição das mercadorias importadas e, que as futuras intimações sejam realizadas no endereço que especifica à folhas 141. [...] A interessada apresentou na declaração de importação descrição relacionada ao nome comercial das mercadorias e a indicação de que se tratava de solvente parafinico, classificando em código da NCM destinado a nafta, situação que se demonstrou não condizer com a mercadoria efetivamente importada. Logo, constatase que de fato a descrição prestada não possui todos os elementos necessários à identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, não sendo possível aplicar ao caso o disposto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 12/1997. 0 Parecer CST n° 477/1988 já determinava a correta descrição e especificação da mercadoria, o que não se vislumbra no presente caso. Assim, a conclusão é de que não existe licenciamento para as mercadorias que foram efetivamente importadas, razão pela qual é perfeitamente Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301004.636 S3C3T1 Fl. 304 7 cabível a penalidade aplicada por considerar a importação desamparada de guia ou documento equivalente. [...] Igualmente, em sede de Recurso Voluntário, a matéria é novamente questionada, fls. 181, 182, 189, 191 e 193, ensejando apreciação do colegiado, conforme Acórdão ora embargado. Portanto, nesse pormenor não vislumbro omissão do Colegiado quanto às razões de ter conhecido da matéria, conquanto há prequestionamentos da mesma, em sede de Impugnação. Assim, sou por Não acolher os Embargos Declaratórios, por inexistir omissão (ausência de manifestação) em relação à multa prevista no artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002. 1.2 EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 44 DA LEI 9.430/96. A Embargante alega ter ocorrido omissão no Acordo embargado, em face de o Colegiado não ter apresentado as razões para conhecer do questionamento acerca da exclusão da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, nada obstante a ausência de insurgência do interessado quanto a essa matéria na impugnação e no recurso voluntário. De fato, essa matéria não consta da Impugnação, tampouco do Recurso Voluntário. A manifestação do Colegiado deuse sem que se explicitasse as razões do conhecimento da matéria, conquanto inexistentes questionamentos ou prequestionamentos. Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal, relativamente a essa matéria, restando definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. No caso concreto, tratase de questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, tampouco demandada em sede de Recurso Voluntário, portanto constitui matéria sob a qual incidira a preclusão temporal2, da qual inexistirá valor jurídico eventual manifestação por parte do julgador de segundo grau, sobre citada matéria. 2 Preclusão é gênero, e constitui suas espécies (MONTENEGRO FILHO, 2013, p. 273): a) da preclusão temporal, marcada pela fluência do prazo sem a prática de qualquer ato (como a fluência do prazo de quinze dias para a apresentação da contestação, sem que o réu pratique qualquer ato), podendo ser ilustrada por meio da expressão não ato; b) da preclusão lógica, que representa prática de ato processual incompatível com outro ato praticado no âmbito extraprocessual ou processual, como a interposição da apelação no curso de ação de despejo por falta de pagamento, após o réu (locatário) ter sido procurado pelo locador, que a ele entregou as chaves do imóvel locado, comportamento que demonstra a aceitação tácita aos termos da sentença, sendo obstáculo para o conhecimento da espécie recursal (art. 503 do CPC),12 podendo ser ilustrada com a expressão atos antagônicos; Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301004.636 S3C3T1 Fl. 305 8 1.3 DISPOSITIVO Assim, forçoso é Acolher parcialmente os Embargos Declaratórios, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão de Recurso Voluntário no 3101 01.637, de 24/04/2014, da 1ª Turma Ordinária, da Primeira Câmara, com a redação dada pelo Acórdão nº 3301002.765 (Embargos Inominados), de 27 de janeiro de 2017, retificandoo para tornar sem efeito as manifestações e decisões acerca da multa de Ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. O presente Acórdão de Embargos passa a integrar o Acórdão embargado para todos os efeitos legais, especialmente para fins de sua execução. É como voto. José Henrique Mauri Relator c) da preclusão consumativa, representando a prática do ato de forma incompleta, como ocorre com a interposição do recurso sem a realização do preparo, infringindo o art. 513 do CPC, podendo ser ilustrada com a expressão ato incompleto. Poderíamos resumir, “ordinariamente” a título de exemplo, que a preclusão temporal verificase quando o contribuinte podendo realizar um ato, não o fez; a preclusão lógica como o fato da parte na fase recursal apresentar novas “informações” e; a preclusão consumativa se dá quando o CSRF profere a decisão terminativa, onde não há a possibilidade de interposição de novo recurso. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/30474/preclusaoeverdadematerialnoprocesso administrativofiscalfederal Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301004.636 S3C3T1 Fl. 306 9 Fl. 306DF CARF MF
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