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Numero do processo: 11686.000095/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 09 5/ 20 08 -8 1 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000095/200881 Resolução nº 3302000.332 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/07/2007 a 30/09/2007 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no mercado interno. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da Fl. 287DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000095/200881 Resolução nº 3302000.332 S3C3T2 Fl. 4 3 NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação da Cofins não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para A Cofins devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita no mercado interno, referente ao 3º trimestre de 2007. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000095/200881 Resolução nº 3302000.332 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000095/200881 Resolução nº 3302000.332 S3C3T2 Fl. 6 5 Ementa: NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO Fl. 290DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000095/200881 Resolução nº 3302000.332 S3C3T2 Fl. 7 6 III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000095/200881 Resolução nº 3302000.332 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no inciso I, do § 1º, do art. 4º da IN SRF nº 660/2006. Além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Fl. 292DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000095/200881 Resolução nº 3302000.332 S3C3T2 Fl. 9 8 Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins. Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pela IN SRF nº 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000095/200881 Resolução nº 3302000.332 S3C3T2 Fl. 10 9 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 294DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 19515.004838/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/1992, 31/05/1992, 30/06/1992, 31/07/1992, 31/08/1992, 30/09/1992, 31/10/1992, 30/11/1992, 31/12/1992
Decadência
Superado o prazo legalmente deferido para a realização do lançamento, forçoso é reconhecer a extinção do crédito, em razão da decadência
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário, face à sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Não se toma conhecimento de recurso interposto fora do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/1992, 31/05/1992, 30/06/1992, 31/07/1992, 31/08/1992, 30/09/1992, 31/10/1992, 30/11/1992, 31/12/1992 DECADÊNCIA Superado o prazo legalmente deferido para a realização do lançamento, forçoso é reconhecer a extinção do crédito, em razão da decadência Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário, face à sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 38 /2 00 3- 51 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004838/200351 Acórdão n.º 3102001.709 S3C1T2 Fl. 288 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Em procedimento fiscal de verificações obrigatórias sobre a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração de COFINS (fls. 77/74) relativo a fatos geradores ocorridos entre 30/04/1992 a 31/12/1992. A autuação teve como enquadramento legal: “001 COFINS. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. Valor apurado conforme relatado em Termo de Verificação Fiscal em anexo. Fato Gerador Val. Tributável ou Contribuição Multa (%) 30/04/1992 Cr$ 32.711.323.692,00 75,00 31/05/1992 Cr$ 38.745.256.370,00 75,00 30/06/1992 Cr$ 49.585.843.953,00 75,00 31/07/1992 Cr$ 67.221.437.483,00 75,00 31/08/1992 Cr$ 75.158.663.954,00 75,00 30/09/1992 Cr$ 78.698.351.784,00 75,00 31/10/1992 Cr$ 119.976.042.273,00 75,00 30/11/1992 Cr$ 124.060.219.377,00 75,00 31/12/1992 Cr$ 179.994.375.298,00 75,00 Enquadramento legal: Arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91”. O crédito tributário constituído, computados a multa proporcional e os juros calculados até 28/11/2003, perfaz o montante de R$ 3.675.156,37 (três milhões, seiscentos e setenta e cinco mil, cento e cinqüenta e seis reais e trinta e sete centavos). Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 68/70: a fiscalização iniciouse em função de ter a contribuinte efetuado pagamentos de COFINS relativa aos períodos de apuração de abril a dezembro de 1992 em 27/01/1994, em Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004838/200351 Acórdão n.º 3102001.709 S3C1T2 Fl. 289 3 valores inferiores às contribuições devidas e sem multa e juros de mora; intimada, a contribuinte informou que não recolheu os valores a título de juros de mora ou de complementação porque os períodos em referência teriam sido objeto de processo administrativo de consulta, nº 10880.042202/9224; a fiscalização constatou em pesquisa ao sistema “Comprot” que invocado processo tratava de “CONSULTA (CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO) – II;IPI” (fl. 55) e, além disso, no sistema “SRF – Decisões” não havia registros sobre o processo mencionado, tampouco apontava decisões de consultas formuladas pela contribuinte acerca de pagamento da COFINS; para apurar os créditos tributários constituídos de ofício, foram consideradas as bases de cálculo informadas na DIRPJ/93 e descontados os pagamentos efetuados pela contribuinte em 27/01/1994, com imputação proporcional. Irresignada com a autuação, da qual tomou ciência em 19/12/2003 (AR a fl. 80), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 83/91, na qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas: 1. o Auto de Infração é nulo, por inobservância ao art. 142 do Código Tributário Nacional, pois ao contrário do exposto pela autoridade fiscal, a consulta formulada no processo administrativo nº 10880.042202/9224, protocolada em 24/07/1992 (FLS. 130/137), diz respeito, sim, à constitucionalidade da COFINS ante a Lei Complementar nº 70/91, e nele foi proferida decisão desfavorável em 10/12/93 – decisão nº 10804/DT (fls. 138/140), contra a qual foi interposto recurso em 17/02/94 (FLS. 141/148); 2. a autoridade fiscal não observou as formalidades previstas Pela Portaria SRF nº 3.007/01, que regulamenta o MPF; 3. Os períodos apontados na autuação (abril/92 a dez/1992) foram atingidos pela decadência, em dez/97, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; 4. os juros são indevidos porque o crédito tributário encontravase suspenso por força de consulta administrativa (art. 161, § 2º do Código Tributário Nacional); não houve atraso, omissão ou desvio de pagamento de tributos devidos, ou seja, não foi configura mora que determinasse a sujeição da contribuinte ao recolhimento de multa e juros. 5. os pagamentos efetuados em 27/01/94 produziram o efeito inerente à denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, qual seja a dispensa de todos os acréscimos moratórios sobre o valor principal do tributo devido. Tal espontaneidade é patente, visto que a Receita Federal somente iniciou os procedimentos de verificação fiscal em 2003. No caso Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004838/200351 Acórdão n.º 3102001.709 S3C1T2 Fl. 290 4 em tela, não se aplica a previsão do art. 155A, já que os pagamentos foram realizados à vista e anteriormente à edição de tal dispositivo; 6. requer, por fim, seja declarada nula a ação fiscal e, ao final, cancelado o crédito tributário exigido no Auto de Infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/1992, 31/05/1992, 30/06/1992, 31/07/1992, 31/08/1992, 30/09/1992, 31/10/1992, 30/11/1992, 31/12/1992 AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. DECADÊNCIA O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, e o termo inicial deve ser verificado à luz do artigo 173, inciso I, do CTN. Devem ser afastados os valores constituídos correspondentes a períodos já alcançados pela decadência no momento da autuação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/1992, 31/05/1992, 30/06/1992, 31/07/1992, 31/08/1992, 30/09/1992, 31/10/1992, 30/11/1992, 31/12/1992 CONSULTA INEFICAZ. EFEITOS. A consulta ineficaz não produz quaisquer efeitos, não gerando direitos em favor do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Proferida decisão administrativa que declare ineficaz a consulta formulada pela contribuinte, não há vedação na legislação tributária para instauração de procedimento fiscal devidamente autorizado em MPF. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. NORMAS PROCESSUAIS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. A responsabilidade excluída pela denúncia espontânea referese a infrações tributárias, nas quais não se incluem os juros e a multa moratória. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004838/200351 Acórdão n.º 3102001.709 S3C1T2 Fl. 291 5 Lançamento Procedente em Parte Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Foi apresentado recurso de ofício relativamente à fração exonerada. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Analiso separadamente os recursos de ofício e voluntário. 1 Recurso de Ofício Inicialmente, detenhome sobre a matéria que é alvo de recurso de ofício para ratificar a decisão de primeira instância. Mesmo que se considerasse aplicável o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, sabidamente afastado pela Súmula Vinculante nº 08, do Egrégio Supremo Tribunal Federal1, não haveria como deixar de concluir que se operou a decadência sobre os fatos geradores ocorridos entre 30/04/1992 e 30/11/1992. Como bem destacado, o sujeito passivo só tomou ciência da autuação no dia 1/12/2003, conforme AR à fl. 80. Nego provimento ao recurso de ofício. 2 Recurso Voluntário Não vejo como tomar conhecimento do recurso voluntário. Conforme Aviso de Recebimento à fl. 208, a recorrente foi intimada da decisão recorrida em 6 de fevereiro de 2008, uma quartafeira. Por outro lado, como é cediço, o prazo para interposição do recurso está previsto no art. 33, que deverá ser computado nos termos do art. 5º do Decreto no 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 1 Súmula vinculante n°8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1 977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004838/200351 Acórdão n.º 3102001.709 S3C1T2 Fl. 292 6 (...) Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Assim sendo, em face de que 2008 é um ano bissexto, a data limite para a apresentação de recurso voluntário seria o dia 7 de março, uma sextafeira. Ocorre que a recorrente só apresentou o presente recurso no dia 10 de março, conforme carimbo de protocolo à fl. 209. Sendo o recurso extemporâneo, voto no sentido de não conhecêlo. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso de ofício e não tomo conhecimento do recurso voluntário Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10932.720060/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls.211255) interposto por RAGI REFRIGERANTES LTDA contra decisão proferida pela Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, SP (DRJ/RPO) (fls. 191205) que, por unanimidade de votos, declarou procedente o lançamento. Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 32 .7 20 06 0/ 20 12 -2 7 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO D E CASTRO MOREIRA JUNIOR Processo nº 10932.720060/201227 Resolução nº 3202000.101 S3C2T2 Fl. 260 2 Preto, SP (DRJ/RPO), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade constante do presente processo, in verbis: “Consoante capitulação legal consignada à fl. 24, foi lavrado o auto de infração de fl. 23, em 17/05/2012, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Luciano Cresta, para exigir R$ 38.569.670,87 de multa regulamentar. Segundo o termo de verificação fiscal, de fls. 28/41, a contribuinte é empresa que atua, conforme o contrato social, na área de industrialização de refrigerantes, importação de máquinas, equipamentos para uso na industrialização de refrigerantes, refrigerantes e bebidas em geral, serviços de envasamento, empacotamento e armazenagens de bebidas, próprias e de terceiros. Os refrigerantes produzidos, segundo a TIPI, têm as posições NCM 2201 e 2202, com e sem adição de açúcar. A instalação de equipamentos contadores de produção para as pessoas jurídicas que industrializam, inclusive, os sobreditos refrigerantes, foi determinada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 58T, c/c arts. 58A e 58V, e disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008. A instalação de instrumentos contadores de produção é obrigatória e houve a publicação do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 42, de 22/09/2009, com a exigência de utilização do SICOBE no prazo de 30 dias (termo final em 22/10/2009), tendo sido caracterizada a ocorrência descrita na Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Descumprido o sobredito prazo, foram desencadeados os procedimentos administrativos que deram azo à constituição de crédito tributário pela falta de instalação do SICOBE nos processos nº 10932.000408/201002 e 10932.720028/201161. Posteriormente às exigências fiscais mencionadas, a contribuinte adotou medidas em abril de 2011 tendentes à instalação pela Casa da Moeda do Brasil para a instalação dos equipamentos contadores do SICOBE, o que resultou na publicação do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 08, de 26/04/2011, com a revogação do ato normativo anterior e com a exigência de utilização do SICOBE a partir de 1º/05/2011, de acordo com a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Aduz a autoridade fiscal: “Os equipamentos contadores que compõem o SICOBE efetuam o registro fotográfico das unidades produzidas e aplicam sobre as mesmas um jato de tinta que produz um carimbo identificador da origem do produto. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO D E CASTRO MOREIRA JUNIOR Processo nº 10932.720060/201227 Resolução nº 3202000.101 S3C2T2 Fl. 261 3 A remuneração pela aplicação do carimbo do SICOBE consiste em ressarcimento a ser efetuado a Casa da Moeda do Brasil no mês seguinte ao da produção mediante pagamento por meio de "DARF" com código de receita 0075 e a base legal que disciplina a sua cobrança encontrase descrita no artigo 58T da Lei 10.833 de 29 (vinte e nove) de dezembro de 2003 e no parágrafo 3° do artigo 28 da Lei n° 11.488 de 15 (quinze) de junho de 2007”. (destaque do original) Desde o mês de abril de 2011 a empresa não efetuou o recolhimento dos valores devidos alusivos ao ressarcimento da Casa da Moeda do Brasil pelos serviços prestados pelo SICOBE, conforme o Relatório Técnico de Ocorrências – SICOBE nº 06/2011 da CMB transcrito no termo de verificação fiscal à fl. 34. Consequentemente, foi publicado o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 68, de 18/11/2011, com a caracterização da anormalidade do funcionamento do SICOBE da empresa epigrafada. O valor da multa regulamentar foi determinado conforme o disposto na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, art. 30, II e § 1º: 100% do valor comercial da mercadoria produzida se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, com o valor global não inferior a R$ 10.000,00. Tudo conforme o demonstrativo encartado no próprio termo de verificação fiscal (fls. 39 e 40), com os totais mensais de vendas escriturados no livro Registro de Apuração do IPI, de janeiro a março de 2012, conforme segue: Período de Apuração Valor em Reais Janeiro 11.226.951,07 Fevereiro 16.092.830,29 Março 11.249.889,51 Total 38.569.670,87 Regularmente cientificado da peça acusativa em 21/05/2012 por via postal, conforme o aviso de recebimento de fl. 42, apresentou o sujeito passivo a impugnação de fls. 49/89 em 18/06/2012, subscrita pelo patrono devidamente constituído, em que, basicamente, sustenta que: a) cumpriu a determinação constante do Caderno de Requisitos de Instalação (RQI) em abril de 2011; b) apesar das custosas alterações na planta industrial, foi imposta multa pela DRFB em São Bernardo, SP; c) é exorbitante a taxa de manutenção de integração do SICOBE exigida como ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, sendo impossível o respectivo recolhimento sem o comprometimento da atividade da empresa; d) a declaração de anormalidade e a imposição da multa espúria são ilegais e arbitrárias: d.1) a declaração de anormalidade e posterior desligamento do SICOBE implica Fl. 261DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO D E CASTRO MOREIRA JUNIOR Processo nº 10932.720060/201227 Resolução nº 3202000.101 S3C2T2 Fl. 262 4 violação do princípio da livre iniciativa e é uma forma de coação ilegal imposta à empresa para a exigência de tributo; d.2) a taxa cobrada a título de ressarcimento viola os princípios da legalidade e da tipicidade, sendo inconstitucional; representa ofensa à proporcionalidade da Lei nº 11.488/2007 tendo em conta a capacidade produtiva da empresa; também constitui ofensa à isonomia tributária prevista na Constituição Federal, pois não reflete a capacidade contributiva dos diversos fabricantes de refrigerantes controlados pelo SICOBE; e) a exigência é improcedente, pois representa uma violação do princípio da estrita legalidade porque uma instrução normativa não pode prever penalidade para a infração, indo muito além do preconizado na lei; f) há nítida violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois a cobrança da taxa de ressarcimento e da multa em 100% do valor comercial das operações não refletem os verdadeiros custos incorridos pela CMB para a instalação e manutenção do sistema; g) há, outrossim, evidente violação do princípio do nãoconfisco, pois a multa equivale à própria base de cálculo do IPI; h) deve ser assegurada a compensação da taxa de ressarcimento à CMB com créditos relativos a insumos provenientes da Zona Franca de Manaus declarados em PER/DCOMP; i) há decisão proferida no âmbito do TRF da 2ª Região infensa à cobrança da taxa de ressarcimento à CMB pela instalação/manutenção do SICOBE, com cópia juntada aos autos. Por fim, repisa a argumentação e requer o conhecimento da impugnação e que esta seja julgada procedente ao final, sendo afastada integralmente a multa imposta, com a produção de todos os meios de prova admitidos em direito para a demonstração da veracidade das alegações, notadamente a oferta de novos documentos, realização de diligências, perícia técnica e outras providências porventura necessárias, além da juntada das cópias anexas de documentos, declaradas autênticas pelo patrono e necessários à instrução da impugnação”. A ementa do acórdão da DRJ/POR é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/01/2012, 29/02/2012, 31/03/2012 MULTA. FALTA DE INSTALAÇÃO DO SICOBE NO PRAZO ESTIPULADO. Na falta de instalação do SICOBE, apesar de instado a tal, o estabelecimento industrial envasador de bebidas incide em multa correspondente a 100% do valor comercial da mercadoria produzida em cada período de apuração, a partir do término do prazo estipulado, em montante global não inferior a R$ 10.000,00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2012, 29/02/2012, 31/03/2012 IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO D E CASTRO MOREIRA JUNIOR Processo nº 10932.720060/201227 Resolução nº 3202000.101 S3C2T2 Fl. 263 5 Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou de perícia, e, outrossim, que não apresente seus motivos e não contenha a formulação dos quesitos e a indicação do perito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com tal decisão, a Recorrente tempestivamente apresentou recurso voluntário, reafirmando as alegações trazidas na impugnação, em breve síntese, quais sejam: a) elevada a taxa de manutenção de integração do SICOBE exigida como ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil; b) a declaração de anormalidade e a imposição da multa são ilegais e arbitrárias, violando o princípio da livre iniciativa e é uma forma de coação ilegal imposta à empresa para a exigência de tributo; c) a taxa cobrada é inconstitucional, pois viola os princípios da legalidade, tipicidade, proporcionalidade, isonomia tributária; d) a multa representa uma violação ao princípio da estrita legalidade porque uma instrução normativa não pode prever penalidade para a infração, indo muito além do preconizado na lei; e) violação ao princípio do nãoconfisco, pois a multa equivale à própria base de cálculo do IPI; f) seja reconhecida a compensação da taxa de ressarcimento à CMB com créditos relativos a insumos provenientes da Zona Franca de Manaus declarados É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO D E CASTRO MOREIRA JUNIOR Processo nº 10932.720060/201227 Resolução nº 3202000.101 S3C2T2 Fl. 264 6 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de analisar as questões de direito trazidas pela Recorrente, cumpre salientar que em consulta ao sítio eletrônico do Tribunal Regional da 3ª Região, é possível verificar a existência de Mandado de Segurança, impetrado pela ora Recorrente em 21.11.11, em face de ato coator do Delegado da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, São Paulo, autuada sob o n° 000888586.2011.4.03.6114, em que se discute questões relacionadas ao SICOBE. Diante da probabilidade da existência de concomitância da discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, o que implicaria na renúncia à instância administrativa – Súmula 01 do CARF, imperiosa se mostra a realização de diligência para averiguação de tal hipótese. Deste modo, à luz de tal questionamento, converto o julgamento em diligência para que sejam juntados aos presentes autos, cópias da petição inicial, informações da autoridade coatora, sentença, acórdãos, eventuais agravos de instrumento e certidão de objeto e pé dos autos do Mandado de Segurança n° 000888586.2011.4.03.6114, impetrado pela ora Recorrente, em trâmite perante a 1ª Vara Federal da Comarca de São Bernardo do Campo, bem como demais peças processuais relevantes para o deslinde da questão. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 264DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO D E CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10980.005828/2005-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005
MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidou-se no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 9101-001.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros: Valmar Fosênca de Menezes, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Plínio Rodrigues Lima e João Carlos de Lima Junior. Fez sustentação oral o advogado Dr. Ricardo Fernandes OAB/SP nº 183.220.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidou-se no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros: Valmar Fosênca de Menezes, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Plínio Rodrigues Lima e João Carlos de Lima Junior. Fez sustentação oral o advogado Dr. Ricardo Fernandes OAB/SP nº 183.220. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann.
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O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros: Valmar Fosênca de Menezes, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Plínio Rodrigues Lima e João Carlos de Lima Junior. Fez sustentação oral o advogado Dr. Ricardo Fernandes OAB/SP nº 183.220. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 58 28 /2 00 5- 34 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório Gonvarri Brasil Produtos Siderúrgicos S.A. interpôs recurso especial em face da decisão consubstanciada no Acórdão n° 10809.355, mediante o qual a antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por voto de qualidade, deu provimento parcial a recurso voluntário para, aplicando retroatividade benigna, reduzir o valor das multas isoladas lançadas para 50% do valor de estimativas de IRPJ não recolhidas. Alegou a Recorrente que a interpretação dada pela Câmara a quo diverge da adotada por outros colegiados quanto a duas matérias, a saber: (i) a limitação da base de calculo da multa ao imposto apurado ao final do anocalendário e (ii) a retirada do ordenamento jurídico da multa isolada. Foi dado seguimento ao recurso apenas em relação à primeira matéria, não tendo sido acolhido o agravo contra o despacho de não deu seguimento quanto à segunda matéria. No que diz respeito ao tema para o qual foi admitido o recurso, o acórdão vergastado afirma que, nos casos de falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, a base de cálculo para aplicação da multa isolada seria o valor das estimativas não recolhidas. Os acórdãos indicados como paradigmas, diferentemente, manifestam entendimento de que, a partir da apuração do lucro real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é o imposto devido com base nesse lucro. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Perfeitamente caracterizado o dissenso jurisprudencial, o recurso atende os requisitos que o legitimam. Dele conheço. O Recurso Especial de Divergência tem como escopo a uniformização da jurisprudência entre diferentes Colegiados que integram o CARF, alcançando os integrantes dos antigos Conselhos de Contribuintes. Não constituindo uma terceira instância de julgamento, seu campo de atuação restringese em definir qual das duas interpretações confrontadas deve prevalecer. Assim, a questão a ser definida nesta sentada é se a multa pela falta de recolhimento das estimativas, quando aplicada após o encerramento do anocalendário, tem por base de cálculo o valor total das estimativas não recolhidas ou se a base de cálculo fica limitada ao valor do imposto devido apurado com base no lucro real anual. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.005828/200534 Acórdão n.º 9101001.547 CSRFT1 Fl. 3 3 A questão se centra na multa incidente sobre a falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais aplicada com fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430/96, com sua redação original, que estabelecia: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (...) A sanção prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 decorre do descumprimento do dever de pagar o tributo. Para quem opta pela tributação pelo lucro real anual, o pagamento dáse mediante antecipações do valor estimado e ajuste ao final do período, quando efetivamente se apura o tributo devido. A jurisprudência desta Câmara Superior consolidouse no sentido de que as duas condutas (antecipação e ajuste), embora distintas, estão materialmente ligadas, eis que o cálculo do valor estimado repercute na apuração do ajuste ao final do período. Nesse passo, a primeira conduta (o dever de antecipar), só existe antes do encerramento do período de apuração, e apenas até esse termo seu descumprimento será alcançado pela penalização. Após o encerramento do período, a conduta exigível é o dever de apurar e pagar o tributo devido no ajuste. Dessa inteligência da norma resulta que, encerrado o anocalendário, não mais existe o dever de antecipar, e assim, a multa pelo descumprimento do dever de pagar o tributo só incide sobre a diferença entre o tributo devido no período e o já pago (quer sobre forma de estimativas, quer sobre forma de ajuste). Essa é a interpretação que orientou as manifestações da CSRF todas as vezes que instada a se manifestar sobre o tema, como se constata das ementas a seguir transcritas, a título de ilustração: Fl. 745DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI 4 Acórdão n° CSRF/ 0105.629 26 de março de 2007. CSLL — MULTA ISOLADA — FALTA DE PAGAMENTO DA CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO — A regra é o pagamento com base no lucro real no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento da CSLL e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o pagamento da CSLL devida a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro líquido do período em curso (Lei n° 8.981/95, art. 35 c/c art. 2° Lei n°9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor da CSLL do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei n° 9.430/96 44 § 1° inciso IV c/c art. 2°). A base de cálculo da multa é o valor da CSLL calculada sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do imposto anual. A partir da apuração da CSLL anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a CSLL devida com base nesse lucro (Lei n° 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1° inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1° letra “b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores quando a empresa não tenha apurado imposto ou contribuição na apuração anual. Recurso especial negado CSRF/0105.838, Sessão de 14 de abril de 2008 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.005828/200534 Acórdão n.º 9101001.547 CSRFT1 Fl. 4 5 Recurso especial negado.. Acórdão 9101000.762 –Sessão de 14 de dezembro de 2010 MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A multa isolada tem natureza tributária e está relacionada ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada, quando o valor das estimativas recolhidas superam o tributo (CSLL) devido ao final do período. 9101 000.844 Sessão de 22 de fevereiro de 2011 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Acórdão 910100879 — Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Assunto: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica 1RPJ Exercícios: 2002 a 2005 Ementa: MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. 0 tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI 6 Acórdão 9101001.034 Sessão de 25 de maio de 2011 IRPJ FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS – MULTA ISOLADA Descabe exigir multa por falta ou insuficiência das estimativas mensais após o encerramento do ano calendário. Ac. 9101001.225 Sessão de 18 de outubro de 2011 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercícios: 00, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Conforme precedentes deste Colegiado, a exigência da multa de lançamento de oficio isolada, sobre estimativas de CSLL não recolhidos mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Em havendo apuração de base de cálculo negativa no período, há de ser afastada a cobrança de multa isolada com base nas estimativas no recolhidas no curso do anocalendário. Recurso Especial do Procurador não provido. 9101001.224 – Sessão de 18 de outubro de 2011 Exercícios: 00, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Conforme precedentes deste Colegiado, a exigência da multa de lançamento de oficio isolada, sobre estimativas de CSLL não recolhidos mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Em havendo apuração de base de cálculo negativa no período, há de ser afastada a cobrança de multa isolada com base nas estimativas no recolhidas no curso do anocalendário. Acórdão 9101001.307 Sessão de 24 de abril de 2012 Ano calendário: 1998 (...) MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa Fl. 748DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.005828/200534 Acórdão n.º 9101001.547 CSRFT1 Fl. 5 7 preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Ac. 9101001.335– Sessão de 26 de abril de 2012 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano calendário. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Portanto, pacífica a jurisprudência desta 1ª Turma da CSRF de que, após o encerramento do anocalendário, não cabe a aplicação da multa isolada de que se trata. Obviamente, na linha dessa jurisprudência, e utilizando o argumento lógico a fortiori, não há como fazer prevalecer o entendimento o acórdão recorrido, de que é cabível a multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. Dou provimento ao recurso especial do contribuinte. Sala das Sessões, em 22 de janeiro de 2013 Valmir Sandri Fl. 749DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000030/2003-27
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
ERRO MATERIAL. CORREÇÃO VIA EMBARGOS.
Presentes os pressupostos exigidos pelo §2º do art. 66 do Regimento Interno do CARF, conheço dos embargos e lhe dou provimento com caráter infringente, para reconhecer a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos termos do acordo judicial.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2802-001.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os Embargos inominados para re-ratificar o acórdão 2802-001.421, de 12 de março de 2012 e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que sejam excluídas as glosas de dedução de pensão alimentícia, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 19/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 ERRO MATERIAL. CORREÇÃO VIA EMBARGOS. Presentes os pressupostos exigidos pelo §2º do art. 66 do Regimento Interno do CARF, conheço dos embargos e lhe dou provimento com caráter infringente, para reconhecer a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos termos do acordo judicial. Embargos Acolhidos
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CORREÇÃO VIA EMBARGOS. Presentes os pressupostos exigidos pelo §2º do art. 66 do Regimento Interno do CARF, conheço dos embargos e lhe dou provimento com caráter infringente, para reconhecer a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos termos do acordo judicial. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os Embargos inominados para reratificar o acórdão 2802001.421, de 12 de março de 2012 e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que sejam excluídas as glosas de dedução de pensão alimentícia, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar e Sidney Ferro Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 00 30 /2 00 3- 27 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório O contribuinte apresenta “Recurso Especial” contra decisão proferida por esta C. 2ª Turma Especial, recebido pela Presidente da 2ª Câmara como Embargos Declaratórios e processados pelo i. Presidente da Turma como Embargos Inominados, com fulcro no § 2º do art. 66 do Regimento Interno do CARF. Alega o contribuinte que o acórdão não levou em consideração a juntada de cópia da decisão homologatória do acordo judicial referente a pensão alimentícia cujos valores foram glosados e mantidos por este E. Sodalício. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Recebo a peça apresentada pelo contribuinte como Embargos Inominados, com fulcro no §2º do art. 66 do Regimento Interno do CARF. Razão assiste ao Embargante. Na decisão pela mantença da glosa dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia, por um lapso, não houve apreciação do valor probante do acordo judicial de fls. 202 a 207. Lá se encontra a convalidação dos pagamentos feitos 1998 a 2007 e se estipula expressamente o valor mensal correspondente a R$ 2.200,00 (4,73 Salários Mínimos) a ser pago pelo Embargante a título de pensão alimentícia. Posto isso, presentes os pressupostos exigidos pelo §2º do art. 66 do Regimento Interno do CARF, conheço dos embargos e lhe dou provimento com caráter infringente, para reconhecer a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos termos do acordo judicial de fls. 202 a 207. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10825.000030/200327 Acórdão n.º 2802001.931 S2TE02 Fl. 288 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão em epígrafe. Brasília/DF, 19 de junho de 2013 (assinado digitalmente) JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 290DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15471.000522/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO 30 (TRINTA) DIAS. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 5° e 33, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do Ministério da Fazenda, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintídio legal.
Numero da decisão: 2201-002.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes, Marcio de Lacerda Martins e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO 30 (TRINTA) DIAS. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 5° e 33, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do Ministério da Fazenda, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintídio legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes, Marcio de Lacerda Martins e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO 30 (TRINTA) DIAS. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 5° e 33, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do Ministério da Fazenda, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintídio legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes, Marcio de Lacerda Martins e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 05 22 /2 01 0- 12 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 15471.000522/201012 Acórdão n.º 2201002.134 S2C2T1 Fl. 72 2 Relatório Notificação de Lançamento foi emitida para o contribuinte acima identificado em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF, referente ao exercício de 2009, que resultou no imposto a restituir ajustado de R$ 4.960,72. Conforme o documento Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fls. 05 e 06, foi apurada Dedução Indevida de Despesas médicas no valor de R$ 17.414,39 provocada pela alteração do valor de R$ 27.933,18 para R$ 10.518,79 pagos à Amil Assistência Médica Internacional Ltda. Da Impugnação O Contribuinte apresentou impugnação ao lançamento esclarecendo que do valor total pagos à AMIL Assistência Médica Internacional Ltda corresponde à soma dos valores de R$ 17.414,39, R$ 6.545,41 e R$ 3.973,38 referentes ao contribuinte, à Liz Mary (cônjuge dependente)e à Roberta (filha dependente). Anexa os comprovantes da AMIL e solicita que a restituição de R$ 4.788,95 seja depositada em sua conta corrente. Da decisão de 1ª Instância A 7ª Turma de julgamento da DRJ do Rio de Janeiro II por meio do Acórdão 1338.977, de 13/12/2011, julgou a impugnação improcedente por falta de comprovação adequada da despesa com plano de saúde no valor de R$27.933,18. A Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, ao tratar da comprovação de tais dispêndios dispõe: Art. 46. A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Assim, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme preceitua a legislação aplicável. Não foi acatado pela autoridade lançadora o valor de R$ 17.414,39, pago ao plano de saúde Amil Assistência Médica Internacional, motivado pela falta de discriminação de valor por beneficiário no documento apresentado. O Contribuinte apresentou o “demonstrativo de pagamentos efetuados em 2008” da Amil Assistência Médica Internacional, fls. 16. O documento apresentado não Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 15471.000522/201012 Acórdão n.º 2201002.134 S2C2T1 Fl. 73 3 esclarece se o Contribuinte é o único beneficiário do plano de saúde ou se existem outros beneficiários incluídos no plano. Assim, não tendo sido comprovado que o valor pago ao plano de saúde de R$ 17.414,39 referese exclusivamente ao Impugnante, não ficou sanada a falta indicada pela fiscalização de ausência de discriminação de valor por beneficiário. Dessa forma, mantémse a glosa de despesa médica apurada. Do Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão 1338.977 em 19/01/2012, AR fl. 47, apresentou o Recurso Voluntário de fl. 50 em 08/03/2012 acompanhado de cópia da “Declaração de Pagamento da AMIL” e outros documentos (fls. 51 a 63) visando comprovar a despesa glosada. Requer a reforma do Acórdão uma vez comprovada a despesa como plano de saúde e a restituição do valor de imposto pago a maior. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins A legislação faculta ao contribuinte a apresentação de Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de primeira. instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Neste caso, o Acórdão nº 1338.977, foi encaminhado ao contribuinte pelos Correios e recebeu ciência em 19/01/2012, conforme consta no Aviso de Recebimento (AR) de fl. 47 e a entrega de seu Recurso Voluntário somente ocorreu em 8/03/2012, fl. 50, quando já havia transcorrido o prazo limite de trinta dias legalmente definido para a entrega do apelo. A conferir, cientificado em 19/01/2012 (quintafeira), a contagem dos trinta dias somente se iniciou no dia 23/01/2012 (segundafeira) por causa do feriado do dia 20/01/2012 no Rio de Janeiro e terminou no dia 21/02/2012 (feriado do carnaval) transferindo se para o primeiro dia útil posterior, o dia 22/02/2012 (quarta feira). Portanto, no dia 08/03/2012, quando foi entregue o Recurso Voluntário o prazo já havia se esgotado. Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso interposto, por intempestividade. Brasília, Sala de Sessões, 15 de maio de 2013 (Assinado digitalmente) Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 15471.000522/201012 Acórdão n.º 2201002.134 S2C2T1 Fl. 74 4 Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 21/05 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.004328/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 24/02/2006, 03/05/2006
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO. COMPETÊNCIA DO AFR F13 PARA APLICAÇÃO
O Auditor-Fiscal é competente para lavrar auto de infração para exigir a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, prevista no parágrafo 3° do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/76, em razão de as mercadorias estrangeiras, às quais poderia ser aplicada a pena de perdimento, não terem sido localizadas ou terem sido transferidas a terceiro ou consumidas.
PROCEDIMENTO FISCAL. MPF.
A instituição do MPF visa ao melhor controle administrativo das ações fiscais da Secretaria da Receita Federal; no entanto, tal disciplinamento dirigido aos recursos humanos daquele órgão não
pode ser entendido corno instrumento capaz de afastar a inculação da autoridade administrativa à Lei, sujeita a sua atividade à responsabilidade funcional, nos exatos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional, em seu artigo 142. O Auditor Fiscal da Receita Federal, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o Lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional, em função de determinada portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores do Código Tributário Nacional.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PELA INFRAÇÃO.
Caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados por parte de todas as empresas que participaram da operação de importação, respondem solidariamente pela penalidade aplicada todas as empresas que concorreram para sua prática, ou dela se beneficiaram.
RECURSOS VOLUNTÁRIOS NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.177
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento.
Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Nereides Balir Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento parcial à Mtrading para reduzir a multa a 10% e negar provimento às demais responsáveis.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Celso Lopes Pereira Neto
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/02/2006, 03/05/2006 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO. COMPETÊNCIA DO AFR F13 PARA APLICAÇÃO O Auditor-Fiscal é competente para lavrar auto de infração para exigir a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, prevista no parágrafo 3° do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/76, em razão de as mercadorias estrangeiras, às quais poderia ser aplicada a pena de perdimento, não terem sido localizadas ou terem sido transferidas a terceiro ou consumidas. PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. A instituição do MPF visa ao melhor controle administrativo das ações fiscais da Secretaria da Receita Federal; no entanto, tal disciplinamento dirigido aos recursos humanos daquele órgão não pode ser entendido corno instrumento capaz de afastar a inculação da autoridade administrativa à Lei, sujeita a sua atividade à responsabilidade funcional, nos exatos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional, em seu artigo 142. O Auditor Fiscal da Receita Federal, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o Lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional, em função de determinada portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores do Código Tributário Nacional. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PELA INFRAÇÃO. Caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados por parte de todas as empresas que participaram da operação de importação, respondem solidariamente pela penalidade aplicada todas as empresas que concorreram para sua prática, ou dela se beneficiaram. RECURSOS VOLUNTÁRIOS NEGADO.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS; • . ,r4 .isj dis(4:,- n: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 12466.004328/2006-19 Recurso n" 139.657 Voluntário Acórdão n" 3201-00.177 — 2" Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria MULTA DIVERSA Recorrente MTRAD1NG COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LEDA. Recorrida DRJ-FLOR IANOPOLIS/SC ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/02/2006, 03/05/2006 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO. COMPETÊNCIA DO AFR F13 PARA APLICAÇÃO O Auditor-Fiscal é competente para lavrar auto de infração para exigir a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, prevista no parágrafo 3° do artigo 23 do Decreto-lei IV 1.455/76, em razão de as mercadorias estrangeiras, às quais poderia ser aplicada a pena de perdimento, não terem sido localizadas ou terem sido transferidas a terceiro ou consumidas. PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. A instituição do MPF visa ao melhor controle administrativo das ações fiscais da Secretaria da Receita Federal; no entanto, tal disciplinamento dirigido aos recursos humanos daquele órgão não pode ser entendido corno instrumento capaz de afastar a vinculação da autoridade administrativa à Lei, sujeita a sua atividade à responsabilidade funcional, nos exatos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional, em seu artigo 142. O Auditor Fiscal da Receita Federal, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o Lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional, em função de determinada portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores do Código Tributário Nacional. I INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PELA INFRAÇÃO. Caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados por parte de todas as empresas que participaram da operação de importação, respondem solidariamente pela penalidade aplicada todas as I empresas que concorreram para sua prática, ou dela se beneficiaram. RECURSOS VOLUNTÁRIOS NEGADOS. U.-\\-1Via2 Processe) n" 12466.004328/2006-19 53-C21.1 Acórdão n." 3201-00.177 H. 446 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2" Câmara / 1" Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Nereides Balir Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento parcial à Mtrading para reduzir a multa a 10% e negar provimento às demais responsáveis. • M • CELO GUERRA DE CASTRO Presidente a Jar._42 CELSO LOPES PEREIRA NETO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Irene Souza da Trindade Torres. Processo n° 12466.0(14325/2005-19 S3-C2.1.1 Acórdão n." 3201-00.177 Fl. 447 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis — DRJ/FNS, através do Acórdão n" 07-9.814, de 01 de junho de 2007. Por bem descrever os fatos ; adoto o relatório componente da decisão recorrida, de tis. 328/331, que transcrevo, a seguir: Trata o presente de Auto de Infração onde é exigida a multa proporcional ao valor aduaneiro prevista no art. 23, § 3." do Decreto-Lei n." 1.455/76, no valor de RS197321,46. Foram apontados como responsáveis solidários pelo crédito tributário os contribuintes ALLCOMEX — CONSULTORIA, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, CNP! 07.537.588/0001-66, OPEN TRADE LOGISTICA INTERNACIONAL LTDA. CNPJ 03.579.843/0001-82 e AN SPRING BLIOUTERIA LIDA, CNR103.874.827/0001-12. A autuação foi originada de revisão aduaneira procedida nas lirs mus 06/0225678-4 e 06/0500984-2, por ter sido a empresa Allcomex incluída em procedimento especial previsto na IN SRF n."228/2002. Nas DR referidas as importações foram promovidas pela autuada, Mtrading. por conta e ordem da Allcomex. A fiscalização apurou que os pagamentos não )(aram assumidos pela real adquirente e sim pelo despachante, Open 'Frade. N'ão foram localizados débitos ou transferência nos extratos bancários da Allcomex (fls. 89/96). A .fiscalização concluiu que houve uma simulação de operação cie comércio exterior, ocultando o real sujeito passivo. De fato, a interveniente Open Trade, que atuou como empresa encarregada do despacho aduaneiro, constou no campo -Nolifj,- no BI, referente a Dl n." 06/0500984-2 (fl. 173) e .foi quem pagou as despesas de nacionalização (fls. 143, 177 e 191). A Allcomex, apesar de constar como importadora por conta e ordem, não assumiu os custos da importação, recebendo remuneração pela D1 desembaraçada. conforme planilha de fls. 192. Até os impostos foram pagos pela empresa OpCll Trade (débitos em conta corrente, fls. 143 e 177) e não constam nos extratos bancários da Allcomex qualquer transferência para este fim. Também foi verificado que as notas .fiscais de venda da Allcomex para a empresa AN Spring foram emitidas segundo as instruções da Open Trade (fls. 190). Até mesmo quando intimada a apresentar o contrato formulado entre a Allcomex e a Mtrading. a Allcomex se socorreu da Open 'Frade que enviou cópia via Jax para atender aos questionamentos .fiscais (fls. 105/112). O fechamento do câmbio1bl efetuado com a empresa ACCESS CHINA LTD, quando as exportadoras infirmadas nas faturas apresentadas à Receita Federal era a empresa BAO TOU YING SHI TRADE CO. L7D. Estas .faturas divergentes encontram-se às fls. 174 E 176 (para a D1 n."06/0500984-2) e os contratos de cámbio as .11s. 153/158 e 197/202. erèp7 Processo 11" I 2466.004328/2006-19 S3-C2T1 Acórdão n." 3201-00.177 Fl. 448 Além destes , Mtos foi constatado também que a Allcomex recebeu dois depósitos creditados em sua conta bancária, Um originado da Empresa Virgili Lida no valor de R$83.709,63, identificado C01710 pagamento do contrato de cambio n." 06/001633 que envolve a Dl n."06/0500984-2 e outras (fls. 203). Outro depósito no valor de R$ 90.961,00, cuja origem não foi identificada, para cobertura do contrato de câmbio 11." 06/000380, referente à D1 n."06/0225678-4 e outras (fls. 159). Também foi yen'. icado que a empresa Allcome.x não possuiu sistema informatizado de emissão de notas .fiscais e no entanto emitiu duas vezes as notas . fiscais de n. "s 10 a 12 e 101 a 104 na forma manuscrita e informatizada (fls. 147/152 e 182/189). Apesar da Allcomex ser a importadora por sua conta e ordem, na verdade a operação . foi toda simulada para ocultar a verdadeira importadora. pois esta nunca foi a mandante das importações e sim a Open Trade. A empresa AN Spring Bijouterias Lida adquiriu a totalidade das mercadorias importadas, assumindo a condição de real adquirente das 171eSMCIS. Quando intimada, a mesma não esclareceu devidamente o pagamento das . faturas em questão. A ,fiscalização, então, lançou a empresa AN Spring como solidária nas infrações. Diante das provas levantadas pela fiscalização foi constatada a interposição fraudulenta de terceiros, com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, nos termos do art. 23. V, §§ 1." e 2." do Decreto-Lei n°1.455/76. Como já descrito acima, foi constatada pela .fiscalização que os documentos apresentados na operação de importação não traduzem a verdade dos acontecimentos, já que omitem o real comprador (real importador), caracterizando falsidade ideológica. Estas razões motivariam a aplicação da pena de perdimento, mas como comprovam as notas fiscais de saída das mercadorias as mesmas ,foram remetidas para consumo o que tornou impossível sua apreensão. Desta fôrma, por aplicação do art. 23, § 3.", do Decreto-Lei n." 1.455/76, a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Tendo em vista a ocorrência das .fraudes apontadas no auto de infração, a .fiscalização rejeitou os valores de transação infamados nas DI's e procedeu ao arbitramento do valor aduaneiro, com base na Medida Provisória n." 2.158- 35/2001, estabelecendo um índice médio de subjaturamento praticado, de acordo com os dados constantes em outro processo de n." 12466.0003679/2006- 02. que tem a empresa Allcoma como contribuinte responsável. Demonstra através do quadro de fis. 33 os valores arbitrados para as D1 j.s. Com base no novo valor aduaneiro foi calculada a multa substitutiva da pena de perdimento. A fiscalização detalha a ocorrência da fraude no auto de infração as .fls. 33/44. A solidariedade foi atribuída às empresas Allcomex, Open Trade e AN Spring, além da sujeição passiva da empresa autuada, Mtrading. C0171 base nos art. 124, do CTN, 32 e 95 do Decreto-Lei n."37/66. U..\\\;- Processo o" 12466.004328/2006-19 S3-C2]I Acórdão o.' 3201-00.177 R. 449 Intimadas, as autuadas apresentaram impugnações com as seguintes alegações: OPEN TRADE (fis. 228/255): I- Preliminarmente protesta pela incompetência legal do AFRF para aplicar a pena de perdimeino e conseqüentemente em convertê-la em multa. Alega que a competência é exclusiva do Ministro da Fazenda e que não pode o fiscal, por ato próprio, converter a pena diretamente em multa sem que houvesse uni despacho decisório da autoridade competente. Desta . fOrma o ato esta eivado de nulidade. 2- Também preliminarmente alega a . falta dos requisitos essenciais para validade e eficácia do mandado de procedimento .fiscal: ausência do devido termo de prorrogação e de instauração de procedimento especial de fiscalização. Nos termos da Portaria ME n." 1.265/99. o MPE deve apontar a motivação, objetividade e fundamentação para sua instauração. Além disto na fls. 01 do auto de infração consta outro número de MPE. o qual não se encontra nos autos, o que impossibilita saber se foi dada a devida ciência do mesmo à empresa adquirente. Estas razões constituem vício formal, que viola as normas expressas sobre MPF, devendo este ser considerado insubsistente. 3- O prazo de conclusão dos procedimentos . fiscais não foi obedecido no medida em que o prazo marcado para 18/10/2006 ultrapassava o legalmente previsto que seria de noventa dias, prorrogáveis por mais noventa, O decurso do prazo resulta na impossibilidade de o , fiscal continuar atuando no feito. e por isso torna nulo o procedimento fiscal. 4- No mérito contesta a instauração dos procedimentos especiais contra si por irregularidades praticadas pela empresa Allcomex. Alega que, conforme reconhecido expressamente pela .fiscalização, é empresa prestadora de serviços na área de logística internacional, aduaneira e de entrega das mercadorias importadas. A infração que lhe está sendo atribuída é a "não comprovação da origem dos recursos financeiros aplicados nas importações". quando só recebia os valores para implementar as importações. 5- Além do que a autuada não está relacionada com o auto de infração n." 12466.002194/2006-93 que originou a presente autuação. Também não poderia se defender das infrações de outro processo haja vista que não foram juntadas cópias do mesmo nestes autos, prejudicando a ampla defesa e o exercício do contraditório. 6- O ônus de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos .financeiros aplicados nas importações é da adquirente das mercadorias, no caso, a empresa Allcomex. Não há dispositivo legal que imponha à Open 'frade identificar ou saber da origem dos recursos depositados em sua conta para promover a importação. 7- Não há previsão legal para atribuir responsabilidade solidária à impugnante mediante a presunção de que ela deveria saber quem seria o remetente das importâncias creditadas em sua conta. Ressalta que todos os débitos feitos em sua conta para quitação de tributos referentes às importações sempre ocorriam por conta de remessas recebidas e creditadas anteriormente ou nas vésperas de cada importação. Alega que prestava serviços na área aduaneira e que por isso Processo n" 12466.004328/2006-19 S3-C2T1 Acórdão n." 3201-00.177 Fl. 450 recebia um percentual de 5% como forma de remuneração pelos serviços prestados. O fato de a empresa Allcomex não dispor de importâncias , financeiras para operar nas importações não pode servir de argumento para atribuir solidariedade à autuada. Nos termos do art. 105 do Regulamento Aduaneiro, não consta que a empresa que providenciou o despacho aduaneiro seja responsável solidária. Ademais a responsabilidade é quanto aos tributos e não quanto à penalidades. 8- Quanto ao fato de constar o nome da empresa Open Trade no campo "Non' ft Parly - dos conhecimentos de transportes, explica que isto é cotidianamente utilizado e que serve apenas para notificar a chegada da carga sem que exista dispositivo legal indicando a solidariedade por este fino. 9- Quanto ao arbitramento do valor aduaneiro, primeiramente alega que os parámetros utilizados . foram de outro processo administrativo, sem que tenha sido dada cópia ou infbrmação do mesmo. Somente para argumentar, afirma que a fiscalização não aplicou a Medida P,ovisói-ia n." 2.158-35/2001, art. 89, pois não seguiu os métodos na ordem seqüencial, aplicando o arbitraniento, sem a instam-ação do procedimento de exame conclusivo, não comprovando que o valor declarado pela importadora não correspondia ao valor efetivo da transação internacional. 10- Quanto à suposta ocultação do sujeito passivo, alega que a IN SRE 11.1) 225/2002, mencionada no auto de infração visa coibir a ocultação da adquirente das mercadorias, o que não é o presente caso, visto que já referiu diversas vezes que a empresa Open Trade é responsável pelo despacho aduaneiro. A única prova que a ,fiscalização traz para esta presunção é o • fato de os pagamentos referentes aos tributos, taxas e despesas terem sido debitados de sua coma. Incabível a presunção de ocultação do sujeito passivo haja vista que a fiscalização teve oportunidade de acessar o livro caixa, identificando os respectivos compradores. 11- Com referência a outro interveniente, a empresa Comercial Virgili, que teria repassado valores à empresa Allcomex, alega que não há incidência de qualquer relação tributária sobre este fato e que não foi identificada qualquer participação da impugnante. Por todas estas razões pede a improcedência do Auto de Infração, bem como a posterior juntada de documentos que julgar necessário. ALLCOMEX (fls. 278/302): I- Preliminarmente alega a incompetência do AFRF para aplicar a pena de perdimento e converter esta pena em multa. Não foi instaurado o processo de perdimento, presunündo o Auditor que as mercadorias tenham sido consumidas, sem proceder a qualquer diligência. Com isto pretendeu substituir o Inspetor, convertendo a pena de perdimento em multa. A Lei 10.833/2003, art. 73, dispõe que o processo de perdimento seja extinto, assim é necessário que ele exista. E não basta a afirmação de que as mercadorias foram consumidas, é necessária diligência para sua comprovação. Por esta razão entende que o inciso II do art. 12 da IN SRF n." 22/2002. a partir da vigência da Lei n." 10.833/2003, é ineficaz. A fiscalização não demonstrou ter realizado qualquer diligência no \\/st> :::>" Processo ti° 12466.004328/2006-19 S3-C2T1 Acórdrio ri." 3201-00.177 Fl. 451 sentido de localizar as mercadorias, apesar de saber exatamente para quem .1bram vendidas, confim-177e consta nas notas fiscais acostadas aos autos. Também alega que como a empresa AN Spring é parte integrante desta ação fiscal, a venda feita a ela das mercadorias não poderia ser considerada como consumida. 2- Para o procedimento especial de fiscalização previsto na IN SIZE n." 228/2002 é necessário a expedição de MPF específico e não um apenas para fiscalização de II e IPI no período de 01/2005 a 06/2006. Assim o Auditor agiu além dos limites de sua competência, já que é nítida a distinção entre a .fiscalização com objetivo de efetuar o lançamento tributário e a atividade de controle administrativo (aduaneiro. no caso). Desta forma o Termo de Inicio lavrado pela .fiscalização é indo, sendo nulo também o Auto de Inftvção porque este decorre da ação fiscal originada no MPE-F. 3- Também o MPF-E não foi prorrogado, sendo seu prazo de conclusão dia 18/10/2006 e o encerramento da ação fiscal se dado em 04/01/2007. Desta firma o Auditor lavrou o Auto de Infração quando não possuía mais competência para fazê-lo, o que o torna nulo. 4- No mérito, inicialmente alega que as irregularidades relativas aos fatos relatados no processo n." 12466.002194/2006-93, não autorizam a presunção de que tenha havido irregularidade no presente caso, 5-Alega que contratou a empresa Mtrading para prestar serviços por sua conta e ordem, declarando devidamente nas DI's, nos termos da legislação de regência. 6- A itnpugtzante afirma que desenvolveu o negócio, acertando as condições de compra das mercadorias com o . fbrnecedor estrangeiro. Depois buscou compradores potenciais no mercado interno, contando com serviços de agenciamento de negócios, nos termos da lei civil. A empresa Open Trade, que presta serviços de despacho aduaneiro e logística para Mtrading, funcionou como colaboradora, identificando potenciais clientes para adquirir suas mercadorias. Por este serviço a Open lrade foi remunerada. 7-Todos os recursos utilizados têm origens licita e perfeitamente identificáveis. O fato de se obter um empréstimo com a Open Trade para apresentação de garantia exigida para liberação da mercadoria é irrelevante para os fins pretendidos pela .fiscalização, uma vez que a Open Trade possui capacidade para arcar com tal garantia. Não há ilegalidade nisso. 8- Também não há óbice ao . fato de que um adquirente de mercadorias receba adiantamento de uma empresa interessada na compra destas mercadorias, uma vez que não é a adquirente (Allcomex) que realiza a importação e sim outra empresa importadora por sua conta e ordem. A presunção de que tal operação foi realizada por terceiro que forneceu os recursos, não é oponível ao adquirente por sua conta e ordem e ao importador de direito (Mtrading). Não caracteriza a prática de infração o fato de receber adiantamentos de terceiros e para estes terceiros vender a mercadoria. Também não está obrigado a informar a importadora prestadora de serviços por sua conta e ordem se recebeu ou não qualquer antecipação. >V. Processo 11" 12466.004328/2006-19 S3-C2T1 Acõrrlilo 0. 0 3201-00.177 Fl. 452 9- Justifica o .fáto de que não remeteu numerário à empresa Open Trade acusado pela fiscalização, alegando que ao realizar a venda das mercadorias para seus clientes, determina que o comprador deposite o valor diretamente na conta de quem irá cuidar do despacho aduaneiro. Trata-se de uma cessão de créditos: se a impugnante deve adiantar numerário para o débito dos tributos ao despachante e já é credora do cliente que dela adquiriu as mercadorias, nada impede que a impugnante determine a este cliente que faça o pagamento diretamente ao despachante. 10- Descabida a acusação da fiscalização de que teria havido falsificação das faturas. Ora a impugnante efetuou um pedido de mercadorias em seu próprio nome e o exportador emitiu as finuras comerciais, sem qualquer falsidade. A fiscalização nem tentou verificar a legitimidade das faturas junto ao exportador. preferindo seguir a via das suposições infundadas. 11- Para enquadramento no tipo legal do art. 23, I/. 2.". do Decreto-Lei n." 1.455/1976, é necessário que a ocultação do sujeito passivo tenha sido obtida mediante fraude ou simulação. Além disto também é imprescindível que a origem, di.sponibilidade e transferência de recursos não seja comprovada. A .fiscalização não auditou devidamente os livros da impugnante, sendo inaplicável, portanto, a presunção. 12-Alega que a 11V SRE n."22/2002 foi editada com o objetivo de implementar a política governamental de combate à lavagem de dinheiro. coibindo a interposição fraudulenta que visa limpar o dinheiro de origem criminosa. Assim a fiscalização está desvirtuando completamente a .finalidade da edição da referida norma ao utilizá-la indiscriminadamente como Inea1171.51770 punitivo contra o planejamento tributário. 13- Diz que cumpriu todos os requisitos do ADI n." 07/02 e por isso não pode .ficar caracterizada simulação de operação de comércio exterior. Diz ainda que a . fiscalização não verificou os livros comerciais da empresa Brandão Armarinhos, dita real compradora das mercadorias, onde poderia comprovar a origem dos recursos. Limitou-se a afirmar que não possível comprova,- a origem dos valores envolvidos. 14- Como o negócio que praticou é licito, .falta tipicidade a permitir a punição da impugnante. 15- A .fiscalização também traz como . fundamento, indevidamente, a .falsidade dos documentos utilizados no despacho. Não existe falsidade ideológica, como já comprovado, e quanto à falsidade material, nada de concreto foi apontado pela fiscalização, além de não ter sido realizada perícia. 16- Quanto ao fato de que a fatura emitida em dólares com os números separados da mesma forma que no Brasil não possui significação relevante. Não há nada de irregular nisto. Até é normal que o importador brasileiro receba uma minuta de fatura para revisá-la e adequá-la à burocracia nacional e com isto os valores sejam alterados para o padrão brasileiro. 17- Também fbi mal interpretada pela fiscalização a remessa do pagamento para outra pessoa que não o exportador. Isto é possível, desde que indicado na fatura comercial. Trata-se de operação regular e com!!!!) o exportador contratar uma trading company para realizar a operação de exportação. \J\ Processo n" 12466.004328/2006-19 S3-C2T1 Acórdão ft' 3201-00.177 Fl. 453 18- A fiscalização acusou a duplicidade de notas fiscais (uma digitalizada e outra não). Verifica-se que as notas fiscais digitalizadas serviram apenas para mostrar para o cliente de que a venda fora concretizada e que as notas fiscais originais eram enviadas juntamente com as mercadorias. 19- Quanto à situação cadastral dos compradores das mercadorias a impugnante nada tem a ver com isto. Cabe a SRF fiscalizá-los e mesmo que quisesse, a impugnante não teria como ter acesso a informações sigilosas. 20- Protesta quanto ao arbitramento do valor aduaneiro, alegando que, segundo o CTN, art. 148, o arbitramento só é possível para fins de cálculo do tributo e não para aplicação de multa. Não há qualquer elemento que indique que o valor das faturas não corresponda ao que efetivamente lbi contratado. A Medida Provisória 17." 2.158-35/2001, art. 88 também revela que seu objetivo é determinar a base de cálculo dos tributos e não de multa aduaneira. De qualquer forma, a ,fiscalização utilizou elementos de outro processo (12466.003679/2006-02) cujas mercadorias são cartuchos de toner, portanto distintas das mercadorias objeto destas importações. Desta forma o arbitramento desrespeitou os critérios estabelecidos na lei. Finalmente não há prova que tenha havido .s . ubfaturamento das mercadorias e o valor da multa deve se limitar ao valor declarado nas importações. 21- Ao final requer seja declarado nulo o auto de infração. Caso o auto não seja julgado nulo, requer que o julgamento seja convertido em diligência para exame dos livros contábeis e comerciais das empresas interessadas. Por eventualidade requer seja a empresa AN Spring intimada a apresentar as mercadorias a esta ,fiscalização para fins de apreensão e perdimento. MTRAD1NG (fls. 308/320: I- Preliminarmente alega incompetência do AFRE para aplicar pena de perdimento ou a sua conversão em multa. A legislação é clara quando confere ao Auditor Fiscal a competência para lavrar o auto de infração propondo a aplicação da pena de perdimento da mercadoria ao Delegado/Inspetor que se pronunciará. Portanto não pode o Auditor aplicar a pena de perdimento e conseqüentemente aplicar a multa em sua substituição. Desta firma o auto de infração é um ato eivado de nulidade. 2- Protesta pela ausência dos requisitos formais para validade e eficácia do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) quais sejam: o MPE não aponta a motivação, objetividade e fundamentação para sua instauração, falta de prorrogação, tendo ocorrido o vencimento do MPE em 18/10/2006, não podendo o mesmo AERF continuar atuando o feito o que torna nulo os atos praticados pelo mesmo. 3- No mérito alega que figura como importadora por conta e ordem de terceiro, citada na declaração de importação como sendo a empresa Allcomex. Esta é a encomendante-adquirente, sendo responsável pelo reconhecimento dos tributos devidos na importação. 4- Que ao ser intimada pela fiscalização atendeu a todas as solicitações. p\V PrOCCSSO n° 12466.004328/2006-19 S3-C2.1-1 Acórdão n.' 3201-00.177 Fl. 454 5- Alega que realizou todas as operações dentro da modalidade por conta e ordem e como tal todos os valores envolvidos foram enviados pela empresa encomendante-adquirente. 6-A empresa Open Trade, prestadora de serviços da impugnante durante o ano de 2006 na qualidade de despachante aduaneiro, atuou no caso em tela • prestando serviços na área de logística de entrega do produto ao encomendante-adquirente. Os atos praticados pelo despachante aduaneiro, excludentes de seu contrato C0177 a impugnante, são de responsabilidade do mesma 7-A importadora de fato é a Allcotnex e ela que é a responsável pelo pagamento dos tributos. A impugnante é apenas prestadora de serviços.. 8- Alega que não teria motivo contrário para realização das operações de importação tendo em vista que seu cadastro na Receita está regular. Que o processo administrativo impede ou restringe o regular desenvolvimento da livre iniciativa, direito constitucional. 9- No tocante à valoração efetivada pela . fiscalização, não poderia a mesma adotar como parâmetro para arbitrar o novo valor aduaneiro inMrmações coletadas em outro processo do qual não lhe foi dada qualquer informação ou fornecido documentos. Para desconsiderar os valores de transação a autoridade aduaneira deveria ter determinado a instauração do procedimento do exame conclusivo, através da aplicação dos métodos substitutivos e seqüenciais previstos no art. 85 do Decreto n." 4.543/2002. Não basta comparar o peço de duas importações para demonstrar que o valor atribuído é inferior ao outro. É necessário comprovar com provas materiais e indiciarias que o valor não corresponde ao efetivo da transação internacional. Ao .final, pede a exclusão de qualquer responsabilidade, a improcedência do Auto de Infração e juntada posterior de documentos suplementares. AN SPIUNG BLIOUTERIA LTDA Foi lavrado Termo de Revelia às fls. 306, tendo em vista que a empresa em causa não apresentou impugnação ao Auto de 10-ação. do qual tomou ciência em 02/01/2007 (AR de fls. 304). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis considerou procedente, em parte, o lançamento efetuado, mantendo a multa substitutiva da pena de perdimento, porém recalculando seu valor tomando-se como base o valor aduaneiro informado nas Declarações de Importação e não o valor arbitrado pela fiscalização Transcrevemos a ementa do referido Acórdão DM/FM n°07-9.814, de 01 de junho de 2007: "ASSUNTO.' PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do falo gerador: 24/02/2006, 03/05/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF O MPF contém dois aspectos um interno e outro externo. No interno trata-se de uma ordem de serviço do superior hierárquico (delegado/inspetol) a seu subordinado, sobre cujo cumprimento, ou não, os julgadores administrativos de primeira e segunda instância não têm competência para emitir opinião, por estarem estruturalmente dissociados daquele ramo de hierarquia. É da\\./ à nei), Processo n" 12466.004328/2006-19 S3-C2T1 Aenitlfto n." 3291-00.177 Fl. 435 competência exclusiva do delegado/inspetor autorizado a emitir o respectivo MN'. mandar dar seguimento ou arquivar o lançamento processado com vícios nesse documento. No aspecto externo o MPF é o instrumento pelo qual se assegura ao contribuinte, desde o início do procedimento fiscal, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, em especial em relação aos tributos e períodos a serem examinados, com fixação de prazo para a sua execução, dando a ele (contribuinte), certos direitos que antes não dispunha. A ausência. ou a extinção do MPF dá ao contribuinte o direito de resistência passiva, ou seja, o direito de não responder às intimações da autoridade fiscal, ou apresentar os documentos solicitados. Instituído por legislação inft-alegal, apenas especifica a competência genérica que detém o AERF, por expressa disposição legal, portanto, seus vícios (do MPE) e mesmo sua ausência não geram problemas de incompetência. Os vícios ou a ausência do MN'. tampouco são capazes de provocar vicio .formal, haja vista que, por definição legal, o vício de forma somente ocorre na violação de firma prescrita ou não defesa em lei e não em legislação. A violação na . forma prescrita em legislação infralegal, em sede de processo administrativo fiscal, constitui mera irregularidade. Mesmo quando a forma for prescrita em lei, se não houver expressa cominação de nulidade, para os casos de sua infringéncia, o julgador deve, pelo principio da economia processual, considerar válido o ato que realizado sem essa .formalidade alcançar sua finalidade. COMPETÊNCIA DO AFRF PARA APLICAÇÃO DA MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO- O A FRE é competente para aplicar a multa substitutiva da pena de perdimento, uma vez que a legislação de regência desta matéria determina que a pena prevista, e não a pena aplicada, pode ser convertida em multa, ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/02/2006, 03/05/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS - SUJEITO PASSIVO E RESPONSA' VEL SOLIDÁRIO PELA INFRAÇÃO - Caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados por parte de todas as empresas que participaram da operação de importação, respondem as mesmas solidariamente pela penalidade aplicada. Lançamento Procedente em Parle. Intimada da decisão (AR — fls. 348v), a empresa Mtrading apresentou Recurso Voluntário de [is. 354/365, no qual reitera os argumentos apresentados em sua impugnação e aduz, ainda, que: - a autoridade julgadora fez uma análise equivocada do art. 23 do Decreto-Lei n° 1.455/76, que estabelece, de forma cristalina, a incompetência do AFRF em aplicar a pena de perdimento e sua conversão em multa, sendo necessário a instauração do processo de perdimento da mercadoria; ‘).\- Processo e" 12466004328/2006-19 53-C2T1 Acórdão o." 3201-00.177 Fl. 456 - a conversão da pena de perdimento em multa somente é cabível quando a mercadorias, sujeita à pena de perdimento, não for localizada, o que não se verifica no presente caso pois, no momento da lavratura do auto de infração, as mercadorias importadas encontravam-se armazendas em recinto alfandegado e o seu desembaraço foi posterior a instauração do AI, ou seja, o AFRF foi totalmente negligente ao aplicar a pena de multa, tendo em vista que a penalidade seria outra; - o MPF pode vir a ser prorrogado quantas vezes forem necessárias, mas com seu referido termo de prorrogação e, tendo o prazo de conclusão do MPF expirado em 18/10/2006 e a lavratura do auto ocorrido em 13/12/2006, fica patente que o AFRF não mais possuía competência para fazê-lo, o que torna nulo o auto de infração; - cabe à autoridade a autoridade fazendária fazer a prova dos fatos que alega, não podendo basear a autuação em meros indícios ou presunções. Requer, ao final, que seja o presente Recurso conhecido e apreciado, e que lhe seja dado "integral provimento, afim de se julgar insubsistente o Processo .4dministrativo Fiscal, anulando-se o auto, ordenando seu arquivamento, de sorte a anular todas as penalidades nele previstas, por se tratar de uma questão de Direito." Intimada da decisão (AR — lis. 352v), a empresa Allcomex, apresentou seu Recurso Voluntário de tls. 378/395 e 398/403, no qual reitera os argumentos apresentados em sua impugnação e aduz, ainda, que não há qualquer prova de que as faturas tenham sido emitidas por qualquer outra pessoa que não o vendedor estrangeiro e que o próprio relator consigna em seu voto que a apresentação numérica dos valores nas faturas não é motivo suficiente para caracterizar falsidade material das mesmas. Requer, ao final, seja o presente recurso julgado totalmente procedente, com a conseqüente declaração de nulidade do auto de infração. Por eventualidade, caso o auto não seja declarado nulo ou improcedente, ou o julgamento a quo anulado, requer "seja o julgamento convertido em diligência, a ser realizada preferencialmente por outro auditor- fiscal, para .fins de se examinar os livros COMeltiaS e a escrita contábil das empresas interessadas, como forma de se atender ao principio da ampla defesa e da busca da verdade material, que devem nortear o processo administrativo.- Paralelamente, requer a conversão do julgamento em diligência para intimar a empresa AN SPR1NG a apresentar as mercadorias para fins de apreensão e perclimento, e, se inexistentes, a apresentar o inventário do estoque na data de lavratura do auto de infração. Intimada da decisão (AR — lis. 350v), a empresa Open Trade apresentou seu Recurso Voluntário de fls. 408/436, no qual reitera os argumentos apresentados em sua impugnação e aduz, ainda, que: - não lhe foi dada ciência do conteúdo ou objeto da fiscalização proveniente do MPF emitido com base nos dispositivos da IN SRF n°228/02; - o MPF não foi prorrogado, e não foi concluída a fiscalização no prazo previsto, havendo violação do art. 196 do CTN; - não houve manifestação ou ciência do Delegado/ Inspetor quanto à prorrogação das fiscalizações e dos motivos justificadores para tal fim; - não foi designado outro AFRF para prosseguir nos trabalhos de fiscalização, vez que esgotados os prazos anteriormente concedidos; itp Processo n" 12466.004328/2006-19 S3-C21'1 Acórdão 3201-00.177 Fl. 457 - a não observância dos dispositivos legais para emissão e cumprimento do MPF viola os direitos da ampla defesa e do contraditório; - não há previsão legal permitindo que a revisão aduaneira seja promovida por outra alfândega a não ser aquela em que se deu o desembaraço aduaneiro, o que afasta a competência jurisdicional do AFRF, maculando de nulidade o auto de infração; - pela ausência de tipicidade, padece de completa nulidade o presente auto de infração, pois fere o principio de tipicidade (art. 5", XXXIX, da CF), que é insito ao da Legalidade (art. 5", II, da CF). Ao final, requer seja provido o presente Recurso, para os fins de julgar improcedente o presente auto de infração. É o relatório. \\ )1/4) (t.2 13 Processo n' 12466.004328/2006-19 53-C2T1 Acórdão n." 3201-00.177 Fl, 459 Os princípios que norteiem; o processo administrativo fiscal têm como pilares os princípios constitucionais. e dentre eles o da ampla defesa, que ficaria extremamente prejudicado diante deste arbitramento feito pela .fiscalização que não disponibilizou aos autuados o método utilizado para que pudessem exercer este direito. Diante deste . fato, Mio aceitando este arbitramento, poder-se-ia cogitar novo arbitramento, tendo em vista a constatação de . fraude. Porém como já 111eS1110 declarado pela própria .fiscalização (fls.. 32), não fói possível adotar outro critério estabelecido na Lei, por isso arbitrou os valores a partir das importações e subfaturamento praticados pela empresa Allcomer. Desta forma, julgo prejudicado o arbitramento realizado pela fiscalização por entender que não seja razoável, ferindo o direito da ampla defesa de todas as (Mil 10(hIS, COMO também a tentativa de proceder a outro arbitramento diante das alegações da .fiscalização. Assim mantenho o valor aduaneiro declarado nas Dl 's em causa. Por todas as razões expostas acima. VOTO no sentido de julgar parcialmente procedente o lançamento, mantendo a multa substitutiva da pena de perdimento, porém recalculando seu valor tomando-se como base tributária o valor aduaneiro declarado nas Dl 's. Mantenho, portanto, o valor do crédito tributário de R$54.625,07.- Cinge-se a controvérsia, portanto, ao valor mantido pela DRJ, de forma que os argumentos a respeito do arbitramento do valor aduaneiro das mercadorias não serão aqui anal isados. Preliminares de nulidade É levantada a preliminar de nulidade do Auto de Infração pela incompetência do AFRF em aplicar a pena de perdimento e sua conversão em multa, sendo necessária a instauração do processo de perdimento da mercadoria. Entendo não assitir razão às recorrentes pois não houve aplicação de pena de perdimento que seria de competência do Ministro da Fazenda, que a delegou aos chefes das Unidades da Receita Federal: Delegados e Inspetores. No entanto, nos presentes autos, o que se exige é a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, prevista no parágrafo 3" do artigo 23 do Decreto-lei n" 1.455/76, em razão de as mercadorias estrangeiras, às quais poderia ser aplicada a pena de perdimento, não terem sido localizadas ou terem sido transferidas a terceiro ou consumidas. Portanto, não sendo caso de aplicação de pena de perdimento e sim, desde o inicio, de exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, competente era o Auditor Fiscal para a lavratura do Auto de Infração a ela referente. Também não assiste razão às recorrentes quando alegam que seria necessário, primeiramente, aplicar a pena de perdimento para depois convertê-la em multa, ou ainda iniciar o processo de perdimento para depois extingui-lo para instaurar o procedimento visando à aplicação de multa. Não tendo sido localizadas as mercadorias ou já tendo sido transferidas terceiro ou consumidas, deve-se, diretamente, aplicar a multa equivalente ao valor aduaneiro das mecadorias. As recorrentes ainda alegam que, no momento da lavratura do auto de infração, as mercadorias importadas encontravam-se armazendas em recinto alfandeuad x e o \1/4)- a;7 Processo n" 12466.004328/2006-19 S3-C2T1 Acórdão n." 3201-00.177 Fl. 460 seu desembaraço foi posterior à instauração do AI, ou seja, o AFRF foi totalmente negligente ao aplicar a pena de multa, tendo em vista que a penalidade seria outra, sendo nulo o Auto de Infração lavrado. A alegação da recorrente Mtrading de que, no momento de lavratura do auto de infração, as mercadorias encontravam-se em recinto alfandegado não pode properar à luz dos documentos encontrados nos autos. A data de lavratura do auto foi 13/12/2006, sendo-lhe dada ciência em 04/01/2007 As Declarações de Importação, objeto do presente auto, foram desembaraçadas nas seguintes datas: 24/02/2006 (Dl n° 06/0225678-4) e 03/05/2006 (Dl 06/0500984-2) e as Notas Fiscais de saída destas mercadorias foram emitidas, respectivamente, em 28/02/2006 e 04/05/2006 (fls. 147 a 152 e 182 a 189). Além disso, o livro Registro de Entradas da AN SPRING mostra que a entrada das mercadorias na empresa deu-se em fevereiro e maio de 2006 (fls. 126 a 129). Ou seja, do ponto de vista do comércio exterior a mercadoria tinha sido consumida. As recorrentes alegam que houve vícios na emissão e cumprimento do MIN' o que violaria os direitos da ampla defesa e do contraditório e que o auto ou o julgamento de primeira instância devem ser declarado nulos para que se atenda ao princípio da ampla defesa. Entendo que esta argumentação não merece ser acolhida, conforme conforme será demonstrado seguir: O Mandado de Procedimento Fiscal foi instuído pela Podaria SRF n" 1.265, de 22 de novembro de 1999, e consiste em uma ordem específica emitida por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal para que servidor(es) a ela subordinado(s) proceda(m), no caso de fiscalização, à verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF, bem como da correta aplicação da legislação do comercio exterior, e, se for o caso, à constituição do credito tributário devido ou à apreensão de mercadorias em situação irregular. À época da lavratura do auto de infração, era vigente a Portaria MF n." 6.087/2005, que manteve, porém, estas mesmas disposições. O Mandado de Procedimento Fiscal tem por escopo o planejamento e o controle, por parte da Receita Federal, das atividades de fiscalização dos tributos e contribuições federais a serem desenvolvidas em cada exercício fiscal. Por outro lado, o Mandado de Procedimento Fiscal visa também a permitir ao sujeito passivo assegurar-se da autenticidade da ação fiscal contra ele instaurada, pois, dentre outros dados, o MPF informa a natureza, a abrangência, o prazo máximo e as pessoas designadas para a execução dos trabalhos fiscais, alem do código de acesso à Internet que possibilita identificar a procedência do MPF. Tal instituto, no entanto, por ser medida meramente disciplinadora visando à administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 142, acerca do lançamento tributário: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcula, o montante do tributo devido. identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. \\V ifj 16 Processo ir 12466.004323/2006-19 S3-C2T1 Aeórdiio o." 3201-00.177 H. 461 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento á vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." O auto de infração, que constitui o crédito guerreado foi lavrado com observância das disposições do Código Tributário Nacional, por pessoa competente para tal, com adequada capitulação legal dos fatos e tendo sido garantido à autuada todos os meios de defesa previstos na Legislação de regência. Por fim, mas não menos importante, cabe a análise do artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/1972, que assim dispõem: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; li Os despachos e decisões proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa §§- ()Mi An. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não trilharem na solução do litígio. A teor desse dispositivo, as irregularidades que tomariam nulo o lançamento fiscal resumem-se aos casos de atos e termos lavrados por servidor incompetente, ou aos de despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com cerceamento do direito de defesa. Afora as hipóteses retrocitadas, as demais irregularidades que possam vir a ocorrer no processo fiscal não acarretariam nulidade do lançamento fiscal, nos termos deste dispositivo legal. Também não se dá a hipótese de aplicação do artigo 53 da Lei 9.784/99, que estabelece o dever da administração de anular os seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade. Não há por que, com base em alegação de eventual descumprimento de uma Portaria dirigida à administração dos recursos humanos de fiscalização, que se macular o procedimento fiscal de nulidade. Ainda mais que, do que consta dos autos, considero não ter havido vicio na emissão e cumprimento do MPF e considero Metocavel a decisão de primeira instância no tocante a esta matéria. Voto, portanto, por rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas. Do Mérito A utilização de terceiros, agentes fictícios das operações de comércio exterior, constitui-se em flagrante burla ao Estado, uma vez que a ação contra esses terceiros fica inviabilizada pela incapacidade econômica de assunção dos prejuízos causados ao fisco. Além deste aspecto, a simulação realizada com a substituição do real importador por terceiro r\ 2t Processo n" I 2466.004328/2006-19 S3-C2T1 Acórdão n." 3201-00.177 Fl. 462 interfere na avaliação do risco da operação, dificultando o controle exercido pela SRF em função dos perfis e históricos cadastrais dos importadores. Dai porque, os órgãos do Poder Executivo, em especial o Ministério da Fazenda, no âmbito da Receita Federal, do Banco Central do Brasil e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras — COAF vêm desenvolvendo um esforço coordenado de combate à interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior, tendo em vista as freqüentes ligações desse ilicito com os crimes contra a Administração Pública, contra a Ordem Tributária, contra o Sistema Financeiro Nacional e, o que é mais grave, com o crime de "lavagem" de dinheiro. Segundo o dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, interposição de pessoa representa a "simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado num ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar". Como seria impossível prever, elencar e combater todas as conseqüências nefastas do uso da interposição fraudulenta, o Poder Executivo, a exemplo das demais administrações tributárias e policiais de outros países, optou em combater esse meio de execução, com especial enfoque para os recursos empregados nas operações (foliou, the money — sigam o dinheiro). Somente através do controle dos fluxos financeiros é que se poderá identificar os verdadeiros responsáveis pelas infrações, que muitas vezes, em determinado ponto da cadeia aparecem como "adquirentes" das mercadorias maculadas de irregularidade, importadas por empresas que, não raras vezes sequer possuem movimentação bancária que dê respaldo para a liquidação do contrato de câmbio e para o recolhimento dos tributos devidos na .• importação. Normalmente, introduz-se a mercadoria no Pais mediante o uso de um artificio que reduza o montante de tributos que incidiria sobre aquela operação, por exemplo através de beneficios fiscais concedidos pelos Estados, e a seguir, o "importador" emite uma nota fiscal no valor acordado para um adquirente, que normalmente é o verdadeiro responsável pela operação ou um terceiro com quem este último tenha contratado aquela venda. Sem a presença desse intermediário e a expedição do documento fiscal formalmente verdadeiro, mas ideologicamente falso, em algum ponto da cadeia haveria a tributação do verdadeiro responsável pela saída de mercadorias. A intermediação visa, assim, basicamente a dois objetivos: conceder "status" de legalidade a mercadorias maculadas com entradas irregulares e a concessão ao "comprador" de créditos ilegais de impostos, a exemplo do 1CMS incidente na importação. Nesse espirito é que foi editada a Medida Provisória if 66, de 29 de agosto de 2002 (mini-reforma tributária), que foi convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (Publicada no DOU de 31/12/2002). Tal diploma, em seu artigo 59, alterou o art. 23, do Decreto-Lei n" 1.455/76, de maneira a incluir-lhe o inciso V, que passou a punir a ocultação do sujeito passivo com a aplicação de pena de perdimento às mercadorias: "V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador t>5V i?>ç, Processo n" 12466.004328/2006-19 53-C2T Acórdão n.° 3201-00.177 Fl. 463 ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros." (grifei) Considerando a gravidade do problema, a mesma medida provisória incluiu, no parágrafo segundo do mesmo diploma legal, a presunção de que a não comprovação da origem dos recursos empregados caracteriza a interposição que se pretende combater: ,Y; 2" Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. O raciocínio para definição dessa regra é muito simples: ninguém consegue operar em volume superior ao seu patrimônio ou sua capacidade de endividamento. Ou seja, quem opera acima desse limite, opera com amparo de terceiros. É preciso identificar a origem dos recursos para saber quem é o verdadeiro responsável pela operação. E essa presunção torna-se necessária porque, em tais operações simuladas não existe prova cabal da simulação e sim um quadro indiciário forte, com fatos provados que levam à presunção. E presunção legal, segundo o magistério de Pontes de Miranda (Pontes de Miranda, apial Maria Rita Ferragut, Presunções no Direito Tributário. São Paulo, Dialética, 2001, p. 58.), "em vez de meio de prova, é o conteúdo de regras jurídicas que estabelecem a existência de fato, fato jurídico (e.g. direito) sem que se possa provar o contrário (praesumptio iuris et de jure, presunções legais absolutas) ou enquanto não se prova o contrário (presunções legais relativas)" Nessa mesma linha advoga Alberto Xavier, citando Gaivão Telles (Manual dos Contratos em Geral, apud, Xavier, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo, 2001, Dialética, p. 76): "Em regra, porém, dado que os simuladores procuram . furtar-se a olhares indiscretos e dado que as contra-declarações são entre nós pouco utilizadas, não existe prova direta da simulação. Esta terá que provar-se indiretamente, através de presunções. A simulação deixa quase sempre vestígios que a denunciam: há fatos, circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou índices do caráter fictício ou imaginário de um ato jurídico.... Os indícios que fazem presumir a simulação serão particularmente se se tornar aparente uni motivo simulatório "(grifei) A fim de disciplinar o procedimento de investigação, o Ministro da Fazenda editou a Portaria MF n° 350, de 16 de outubro de 2002, fazendo uso da delegação fulcrada no art. 53 do Decreto-Lei n°37, de 18 de novembro de 1966, o qual, após alteração levada a efeito nos termos do art. 2° do Decreto-Lei n°2.472, de 1° de setembro de 1988, dispõe: "Art. 53. O Ministro da Fazenda poderá autorizar a adoção, em casos determinados, de procedimentos especiais com relação à mercadoria introduzida no Pais sob fundada suspeita de ilegalidade, com o ,fim especifico de facilitar a identificação de eventuais responsáveis." Desse modo, a autoridade mencionada, estando legalmente apta a definir as situações em que serão aplicados os referidos procedimentos especiais, determinou: Li\Y v (2,7 Processo n" 12466.004328/2006-19 S3-C2T1 Acórdão o.' 3201-00.177 Fl. 464 "Art. I- A Secretaria da Receita Federal (SRF) e o Banco Central do Brasil (BC) estabelecerão, no âmbito de suas respectivas competências de atuação, procedimentos especiais de investigação e controle das operações de comércio exterior, com vistas a coibir a ação.fraudttletaa de interpostas pessoas, como meio de dificultar a identificação cia origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração contra os sistemas tributário e financeiro nacionais. Art. 2" Os procedimentos especiais a serem estabelecidos pela SIZE, para efeito do disposto no art 1", poderão abranger: I - a exigência de prestação e comprovação de informações relativas à estrutura e constituição da empresa, previamente à habilitação de seus representantes no Sistema Integrado do Comércio Exterior (SISCOMEX); II - a exiaência de comprovação, pelo adquirente ou vendedor das mercadorias, da origem lícita dos recursos empreaados na operação e da efetiva condução da transação comercial junto ao vendedor ou adquirente das mercadorias no exterior: (.);" (grifei) Um dos procedimentos especiais estabelecidos para este fim foi aquele previsto na IN SRF 228/2002, que se baseia na premissa de que a existência de aparente incompatibilidade entre a capacidade operacional, econômica e financeira das empresas e os volumes transacionados no comércio exterior denota indício de interposição de terceiros e, por conseguinte, sugere a necessidade de verificação, especialmente quanto à origem dos recursos empregados e a condição de real importador. Nas importações objeto do presente Auto de Infração, a importadora ostensiva, ou seja, aquela que procedeu ao despacho aduaneiro de importação, foi a empresa MTRADING, que teria feito a importação na modalidade "por conta e ordem de terceiros", em que a real adquirente das mercadorias seria a empresa ALLCOMEX. A empresa ALLCOMEX, por ser a real adquirente e portanto importadora de fato, teria que demonstrar que possuía recursos financeiros para proceder às operações de comércio exterior. Vários indícios de irregularidades naquelas operações motivaram a inclusão da empresa ALLCOMEX nos procedimentos especiais de fiscalização, nos termos da IN SRF 228/2002. Conforme determina o inciso II, do art. 4", da IN SRF n." 228, a empresa sob tal procedimento especial de fiscalização deverá comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações de comércio exterior. A fiscalização comprovou, conforme farta documentação juntada aos autos, que foram utilizados na importação não recursos da ALLCOMEX, mas de terceiros, e que o pagamento das importações eram feitos por uma terceira empresa a OPEN TRADE que, por sua vez, ainda não era a verdadeira destinatária das mercadorias e sim uma quarta empresa. As três primeiras empresas da estrutura montada para proceder às importações eram sempre a MTRADING, ALLCOMEX e OPEN TRADE. A destinatária final das mercadorias variava de operação para operação. No caso do presente processo, a quarta Processo n° I2466.004328/2006-19 S3-C2T1 Acórdào n.° 3201-00.177 Fl. 465 empresa do esquema era a AN SPRING, que recebeu todas as mercadorias importadas através das DIs objeto do presente processo. As alegações da ALLCOMEX de que os recursos provinham de antecipações dos destinatários finais da mercadoria e que seriam feitas diretamente à Ol'EN TRADE, para que esta procedesse aos pagamentos na operação de importação não restaram comprovados, pois não foram apresentados contratos entre ela e estes futuros compradores para que os referidos adiantamentos fosse feitos, nem a prova da origem dos recursos, nem sequer que as transferências foram efetivamente feitas. Foi comprovado que todos os pagamentos, nas importações, foram feitos pela empresa OPEN TRADE, que não negou tal fato e também não justificou a origem de tais recursos. Além disso, mesmo que alguns destes pagamentos tivessem sido feitos por conta de alguns adiantamentos dos mencionados compradores, destinatários finais da mercadoria, o que não se provou, ainda assim uma parte dos recursos estaria faltando e, portanto, deveriam ter sido transferidos pela ALLCOMEX para a OPEN TRADE, o que não foi demonstrado. Às fls. 89/96 encontramos extratos bancários que comprovam que nenhum recurso referente às importações em tela foi proveniente da ALLCOMEX e a empresa não contestou tal fato nem apresentou provas para afastar esta afirmação da fiscalização. Mais ainda, ficou comprovado que a ALLCOMEX (fls. 86) recebia uma espécie de "comissão" por declaração de importação após o faturainento das mercadorias conforme demonstra a planilha de fls. 192, referente à Dl 06/0500984-0. A participação da empresa MTRADING, como importadora ostensiva, tornou-se necessária ao esquema, em virtude dos beneficios fiscais estaduais que possuía, tanto em Santa Catarina como no Espirito Santo. Os documentos trazidos aos autos demonstram que a MTRADING agia conforme instruções da OPEN TRADE e não da ALLCOMEX que, formalmente, aparecia como real adquirente ou real importadora das mercadorias. A MTRADING, assim como a ALLCOMEX que recebia comissão, repassava as mercadorias importadas cobrando pelo "serviço prestado" como importadora. Portanto estas mercadorias não foram "vendidas" e sim "entregues" ao verdadeiro adquirente (AN SPRING) com cobrança de "comissão" pela prestação de serviço. Comissão esta intennediada pela empresa OPEN TRADE. Todos as empresas autuadas participaram e beneficiaram-se com a operação simulada, respondendo conjuntamente pela infração. Portanto, não procede o pedido de exclusão do pólo passivo da obrigação, uma vez que há previsão legal para esta solidariedade. De fato, o art. 95, do Decreto-lei ri' 37, de 18/11/1966 - DOU 21/11/1966 dispõe, in verbis: "Ari, 95. Respondem pela infração: I - conjunta ou isoladamente, quem quer que de qualquer fOrnia, concorra_para sua prática ou dela se beneficie: IV - a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. I jS‘ • Processo o' 12466.004328/2006-19 S3-C2T1 Acórdão rã° 3201-00.177 Fl. 466 V - conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. VI - conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. "(grifei) Ante todo o exposto, considero ocorrida a infração tipificada no art. 23, V, e § 2", do Decreto-Lei n." 1.455/76, com alteração da Lei n.° 10.637/2002, sendo devida a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, prevista no parágrafo 3" do referido artigo: "Art. 23. Consideram-se dano ao erário as infrações relativas às mercadorias: V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1" O dano do erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo, será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2" Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3" A pena prevista no § 1" converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida. (..)" (grifei) Da aplicação do artigo 33 da Lei n" 11.488, de 2007 Outra questão a ser decidida por este Colegiado é se, nos casos semelhantes ao do presente processo, a penalidade prevista no art. 33 da Lei n" 11.488, de 2007 deve ser aplicada ao importador ostensivo (MTRAD1NG, no presente caso), em substituição àquela prevista nos §§ 1" e 3' do art. 23 do Decreto-lei n" 1.455, de 1976, em atendimento ao art. 106, 11, "c", do CTN que prevê aplicação da lei a atos pretéritos, não definitivamente julgados, quado lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A conduta prevista no inciso V do artigo 23 do Decreto-lei n" 1.455, de 1976, é a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, no caso de importação de mercadorias estrangeiras ou exportação de mercadorias nacionais, sendo equiparada à interposição fraudulenta, pelo §2° do mesmo artigo, a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Esta conduta é apenada (art. 23, §§ 1" e 3°) com o perdimento das mercadorias ou multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que não sejas localizadas ou que tenhas sido consumidas : U. 1/4 1/(r2 2 Processo n" 12466.004328/20061 9 S3-C2T1 Acórdão n." 3201-00.177 FI. 467 "Decreto-lei n°1.455/76 Ar! 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluido pela Lei n" 10.637, de 30.12.2002) § 1" O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei n" 10.637, de 30.12.2002) § 2" Presume-se interposição .fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da. origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei n" 10.637, de 30.12.2002) § 3"A pena prevista no § I" converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluldo pela Lei n" 10.637, de 30.12.2002) Por outro lado, a conduta prevista no art. 33 da Lei n" 11.488/2007 é "ceder, a pessoa ju. rídica, seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários" e será punida com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). O parágrafo único do citado artigo 33 prevê, ainda, que, nestes casos, não se aplica o disposto no art. SI da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ou seja, não é declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas - CNPJ. Há quem defenda que, a infração tipificada no art. 33 da Lei n" 11.488, de 2007, que tem como agente o importador ou exportador ostensivo, corresponderia materialmente àquela capitulada no art. 23, V e § 2' do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, de forma que não mais seria possível aplicar a pena de perdimento, ou a sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, àquele importador ou exportador que cedesse seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Entendo, no entanto, que a pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei n" Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena não-pecuniária de declaração de inaptidão, que era prevista para as hipóteses em que se veirifcasse a conduta de "ceder o nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários". O parágrafo único do art. 33 da Lei n" 11.488 prevê que, a quem realiza a conduta prevista no caput deste artigo, não mais se aplica o disposto no artigo 81 da Lei n" 9.430, de 1996. Este último artigo trata exatamente declaração de inaptidão da pessoa jurídica no CNPJ: "Lei n°9.430/96 FL)\ 2:*>#7 Processo n° 12466.004328/2006-19 S3-C2T1 Action() n." 3201-00.177 H. 468 Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em uni ou mais exercícios e não jOr localizada no endereço inibi-macio à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato." (gr i fei) Fazendo uso da delegação contida no capta deste último artigo transcrito, a Receita, no art. 37, III da Instrução Normativa SRF n°200, de 13 de setembro de 2002 equiparou à inexistência de fato a cessão do nome da pessoa jurídica, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários: "IN SRF ti" 200/2002 Art. 37. Será considerada inexistente delato a pessoa jurídica: (••) III - que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobenamento de seus • reais beneficiários;' Interpretando-se este dispositivo literalmente, seria suficiente que a pessoa juridica cedesse seu nome uma única vez para que fosse declarada inapta. Tratava-se de uma punição desproporcional à falta cometida e, além disso era uma pena decorrente de uma "ampliação" de alcance da lei, dada por urna Instrução Normativa, quando estabeleceu a presunção de inexistência de fato da pessoa jurídica a partir da constatação de que ela havia cedido seu nome para operações de comércio exterior. Tal presunção somente poderia ser estabelecida em uma lei, em sentido estrito e não em uma norma infi-alegal, pois pelo artigo 97, V, do CTN, somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas e a Instrução Normativa, através da presunção estabelecida, estaria cominando penalidade a uma conduta não apenada por lei. O art. 33 da Lei n° 11.488/2007 veio, justamente, corrigir tal distorção. Não é por outra razão que a hipótese ali descrita é a mesma do inciso III do art. 37 da IN SRF n°200, de 2002. E o parágrafo único vem reforçar que não se pode mais, nestes casos, declarar a inaptidão da pessoa jurídica e sim aplicar-lhe uma penalidade pecuniária. Estou convicto, portanto, que a pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei n" Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena não-pecuniária de declaração de inaptidão e não a pena de perdimento. Tal convicção foi reforçada pelo art. 727 do Decreto ri' 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 — Regulamento Aduaneiro, quando, ao regulamentar o art. 33 da Lei n" Lei n" 11.488, trouxe norma expressamente interpretativa no seu parágrafo 3' quando afirma que a aplicação da multa de 10% não prejudica a aplicação da pena de perdimento: 'Ar!. 727. Aplica-se a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a 24 Processo n" 12466.004328/2006-19 S3-C2T1 Aeórdzio n." 3201-00.177 Fl. 469 realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. • § 39 A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas." De se concluir, portanto, que as infrações não são idênticas e nessa condição podem ser aplicadas, coneomitantemente as penas a ela correspondentes. De fato, urna conduta é ceder o nome para urna operação de comércio exterior, outra conduta é participar de uni esquema que vise, sistematicamente, a ocultar o verdadeiro adquirente de mercadorias estrangeiras, caracterizando a interposição fraudulenta. Ante todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTARIOS.. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2009. et/La CELSO LOPES PEREIRA NETO - Relator e25 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10530.901188/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Ester Manques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 01 18 8/ 20 09 -1 7 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Resolução nº 1802000.228 S1TE02 Fl. 330 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls.309/317 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 302/304) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 25/05/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 25844 . 69556 . 250505. 1.3. 04 8873 (fls.36/40), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA abril/2005, data de vencimento 31/05/2005, assim especificado: principal: R$ 2.657,12; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 2.657,12. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 2.324,49 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 31/05/2004, DARF valor de R$ 15.380,95 (valor original), data do recolhimento 30/06/2004. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 16), consta, quanto ao PA 31/05/2004, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 15.380,95, com base na receita bruta e acréscimos (fl. 198). Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado da CSLL = R$ 15.380,95 (fl. 64). Por isso, o despacho decisório da DRF/Feira de Santana, de 25/03/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (fl. 34), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 15.380,95. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Resolução nº 1802000.228 S1TE02 Fl. 331 3 (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 30/04/2009, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 03/19 em 13/05/2009, conforme protocolo (fls. 268/269) e despacho de fl. 301. Em sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte, em síntese, aduziu: que a compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, pela inexistência do crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála; que, em seguida, faz longo arrazoado acerca da impossibilidade de se evitar a compensação integral dos prejuízos, sob pena de se criar tributação sobre o patrimônio, e não sobre o lucro e renda. Transcreve o art. 42 da Lei n° 8.981, de 1995, e o art. 15 da Lei n° 9.065, de 1995, que tratam do limite para a compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores até o limite de 30% do lucro líquido ajustado, por entender que foram esses dispositivos legais que motivaram a negativa de homologação da compensação em litígio; que, ainda, cita trechos doutrinários, assim como jurisprudência administrativa e judicial acerca da trava de 30% e, por último, requer a procedência da sua defesa, para se declarar a homologação da compensação; A Manifestação de Inconformidade veio acompanhada dos documentos de fls. 20 a 275, dentre os quais se destacam cópias: das DCTF originais relativas aos anoscalendário de 2004 e 2005; dos Darf correspondentes aos recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL dos períodos de apuração ocorridos em 2004; da DIPJ 2005, anocalendário 2004; do Balanço Patrimonial; Demonstração dos Custos dos Serviços; Demonstração do Custo das Mercadorias e Demonstração do Resultado dos Exercícios de 2004 e 2005. Posteriormente, por meio do requerimento de fl. 286, datado de 14/07/2009, e com o intuito de comprovar a existência do crédito utilizado na compensação em análise, a Contribuinte solicitou a juntada das DCTF retificadoras, relativas aos quatro trimestres do ano calendário de 2004, "zerando" todos os débitos relativos às estimativas mensais de IRPJ e de CSLL anteriormente confessados para os períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2004, que se encontram às fls. 287/299. Por sua vez, a DRJ/Salvador, apreciando a lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (fls. 302/304), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Resolução nº 1802000.228 S1TE02 Fl. 332 4 O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Obs: a decisão recorrida rejeitou o direito creditório como se fosse decorrente de IRPJ estimativa mensal, mas na verdade o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP referese à CSLL estimativa mensal, recolhimento 30/06/2004. Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 (fls. 309/317) , conforme Despacho de Encaminhamento (fl. 327). Nas razões do Recurso Voluntário consta, in verbis: (...). O credito foi originário do DARF 5993 IRPJ de maio/2004 para pagamento de debito (CSLL) referente a abril de 2005. A compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, por entender inexistir o crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála. Apresentada manifestação de inconformidade fora a mesma julgada improcedente não sendo reconhecido o crédito e consequentemente negando a compensação efetuada no sentido de que: ...os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurar pagamento indevido ou a maior, ao final do ano calendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. Examinando a Ficha 9A – Demonstração do Lucro Real da DIPJ/2005 (fl. 188), vêse que a pessoa jurídica apurou base prejuízo fiscal, referente ao ano calendário de 2004, no montante de R$ 675.524,73. Entretanto, todos os campos de preenchimento de valores da Ficha 12A Calculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real. encontramse zerados. ... o contribuinte não apresentou prova documental de que o valor do recolhimento da estimativa do IRPJ, relativa ao mês de maio de 2004, não foi apurado em consonância com as determinações legais... Dessa forma, o recolhimento da estimativa do IRPJ do mês de maio de 2004, efetuado pela Contribuinte, no valor constante do DARF Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Resolução nº 1802000.228 S1TE02 Fl. 333 5 utilizado para a compensação em analise, não constitui pagamento indevido ou a maior, (...). Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n. 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, a luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo do IRPJ na Ficha 12A e, posteriormente, proceder a compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Contudo tal decisão não merece prosperar pelos motivos que passaremos a expor. (...) I IMPOSSIBILIDADE DE SE EVITAR A COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS POR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. = DESARRAZOABILIDADE E DESPROPORCIONALIDADE. Entendeu o Nobre Julgador por desconsiderar o crédito objeto da compensação pleiteada tendo em vista o erro no preenchimento da DIPJ/2005 e DCTF. (...), tal erro se deu devido ao fato de estar zerado na DIPJ/2005 a FICHA 12A e, a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12A. Contudo, tal retificação não pode ser feita neste momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto a apresentação. Diante disto não pode ser prejudicada a ora recorrente pelo mero erro formal apontado. O crédito existe! Tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial (em anexo), o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$675.524,73. (...) Obs: Como mencionado no relatório, na DCOMP objeto dos autos a contribuinte utilizou direito creditório atinente à CSLL estimativa mensal, e não do IRPJ estimativa mensal. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Resolução nº 1802000.228 S1TE02 Fl. 334 6 VOTO Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 25/05/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 25844 . 69556 . 250505. 1.3. 04 – 8873 (fls.36/40), informando que compensara débitos da CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, dos PA abril/2005, data de vencimento 31/05/2005, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA maio/2004, data do recolhimento 30/06/2004. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois o valor integral do referido recolhimento de 30/06/2004 já fora, integralmente, consumido ou utilizado para quitação do débito da CSLL estimativa mensal do PA março/2004, declarado na respectiva DIPJ/DCTF. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: a) que tem direito à restituição do que pagara indevidamente a título de CSLL estimativa mensal do PA março/2004, pois apurara prejuízo no encerramento do ano calendário, conforme declaração de ajuste anual; b) que, diversamente do entendimento da decisão recorrida, não tem como apresentar DIPJ retificadora para corrigir a declaração original, em face do prazo decadencial/prescricional já decorrido; que, não obstante, não pode ser prejudicada, pois apresentou a DCOMP tempestivamente; Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2004 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em Fl. 334DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Resolução nº 1802000.228 S1TE02 Fl. 335 7 estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração de eventual prejuízo no encerramento do anocalendário não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário ou na hipótese dos pagamentos por estimativa terem superado o valor apurado da exação fiscal na declaração de ajuste anual, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele extrapola, não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), ainda no próprio anocalendário de apuração, sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA maio/2004: a) embora a recorrente alegue a apuração de prejuízos no encerramento do ano calendário 2004 e que a Ficha 17 da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou, seja, de forma incompleta, sem indicação da CSLL paga por antecipação desse anocalendário e sem apuração do saldo negativo, há necessidade de análise da escrituração contábil se a CSLL estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência; b) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de preenchimento da citada Ficha 17, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípío da verdade mterial; c) entretanto, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados ou formados, rigorosamente, na escrituração contábil. Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DRF/Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 17 da DIPJ 2005, anocalendário 2004; Fl. 335DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Resolução nº 1802000.228 S1TE02 Fl. 336 8 b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou o imposto apurado no ajuste foi superado pelas estimativas recolhidas; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Por todas essas razões, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 336DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10240.000141/2003-12
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
ITR - DECADÊNCIA - PAGAMENTO ANTECIPADO - ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
No caso, o contribuinte efetuou recolhimento de ITR, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas um diferencial e não o valor integral eventualmente devido.
Lançamento atingido pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 ITR DECADÊNCIA PAGAMENTO ANTECIPADO ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, o contribuinte efetuou recolhimento de ITR, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas um diferencial e não o valor integral eventualmente devido. Lançamento atingido pela decadência. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 01 41 /2 00 3- 12 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000141/200312 Acórdão n.º 9202002.693 CSRFT2 Fl. 361 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de SM Construção e Comércio Ltda., CNPJ n° 45.233.749/000117, foi lavrado o auto de infração de fls. 0209, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1998, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada, relativamente ao imóvel denominado Lote Nova Esperança, situado no município de Porto Velho (RO). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 07): Em 22/11/2002, foi enviada intimação ao contribuinte com solicitação de documentos que confirmassem os dados informados, nos seguintes termos: 1Certidão de inteiro teor ou Matrícula Atualizada do Registro Imobiliário; 2ADA (Ato Declaratório Ambiental) — lbama / órgão delegado por convênio; Como o contribuinte não respondeu à intimação, foram refeitos os cálculos do ITR/98, considerandose como áreas tributáveis aquelas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, tendo em vista a falta de comprovação destas ares (sic) como declaradas. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas de 392,0 ha para 0,0 ha e de 7.999,9 ha para 0,0 ha, respectivamente (fls. 05). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000141/200312 Acórdão n.º 9202002.693 CSRFT2 Fl. 362 3 A ciência do lançamento se deu em 04/02/2003 (fls. 11), sendo que há comprovação de recolhimento do ITR/1998 para o imóvel em questão (fls. 100). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) considerou o lançamento procedente (fls. 245259). Apreciando o recurso voluntário interposto pela empresa, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 30239.466, que se encontra às fls. 304310, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DISPENSA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. O comando legal expresso no parágrafo sétimo do artigo 10° da lei 9.393/96 dispensa a apresentação de qualquer documento para obter a isenção decorrente de área de preservação permanente. O ônus de comprovar eventual erro constante da DITR recai sobre a autoridade fiscal, que não logrou provar a inexistência fática da de preservação permanente. ITR. GLOSA DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A ausência de comprovação hábil é motivo ensejador da não aceitação da área de Utilização limitada como excluída da área tributável do imóvel rural. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente, vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa e, também por maioria de votos, negou provimento ao recurso com relação à área de reserva legal, vencidos os Conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena (Relatora), Luciano Lopes de Almeida Moraes e Marcelo Ribeiro Nogueira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Intimada do acórdão em 16/01/2009 (fls. 325), a contribuinte, devidamente representada, interpôs recurso especial às fls. 326336, acompanhado dos documentos de fls. 337341, no qual, após historiar os fatos, alegou em apertada síntese que: a) O cerne da questão que se discute no presente feito referese à inclusão na área tributável do ITR da reserva legal, por suposta ausência de comprovação hábil da mesma, apesar de terse carreado para os autos o ADA protocolizado junto ao IBAMA e apresentado um LAUDO TÉCNICO assinado por profissional devidamente habilitado, nos quais a sua existência está claramente caracterizada; b) O acórdão recorrido adotou a posição no sentido de ser indispensável, para fins de exclusão da reserva legal da área tributável do ITR, a apresentação de alguma comprovação hábil de sua existência; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000141/200312 Acórdão n.º 9202002.693 CSRFT2 Fl. 363 4 c) Diversamente, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF e a Terceira Câmara do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes proferiram paradigmas (acórdãos nos CSRF/0305.499 e 30335.352) assentando que a exclusão da área de reserva legal da base tributável do ITR não está sujeita a prévia comprovação, ficando, todavia, o declarante responsável pelo pagamento do imposto caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, o que digase de passagem não é o caso dos autos; d) Neste caso, tanto a área de reserva legal como a de preservação permanente são áreas de interesse ambiental de acordo com o Código Florestal, que, uma vez constituídas, não possibilitam a sua reversão sem autorização ou aprovação do órgão ambiental competente; e) É como se fosse áreas de terceiros dentro de uma propriedade rural privada, sem nenhuma utilização permitida, sendo justo, portanto, não fazerem parte da área aproveitável do imóvel, esta sim sujeita a exploração da atividade rural e a tributação pelo ITR; f) A exclusão daquelas áreas da base de cálculo do ITR, não corresponde a nenhuma finalidade extrafiscal de política socialeconômica e, sim, apenas a uma questão ambiental objetivando a proteção do ecossistema, haja vista serem as mesmas inexploráveis e sob a tutela do estado; g) Registrese, por pertinente, que a recorrente começou no ano de 2002 a tomar as providências preliminares para a averbação em questão, junto à SEDAM/RO e ao INCRA, a qual só se efetivou em 28/06/2004, conforme o Registro do Imóvel do 2° Ofício Registral de Porto Velho/RO (AV 002007921) — cópias nos autos; h) Cabe observar, que o importante para os objetivos da legislação florestal, é que a floresta exista, esteja preservada e inexplorada comercialmente, fato devidamente comprovado nestes autos através do laudo técnico plenamente aceito pelo fisco, elaborado por profissional devidamente habilitado, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, cumprindo o estabelecido pelas normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT; i) Neste documento legal fica claramente comprovada a existência de 7.999,9 ha de área de reserva legal no ano de 1997, corroborado pelo Parecer 65/08/2001, do Núcleo de Sensoriamento Remoto e Climatologia — NUSERC da Secretaria do Estado de Desenvolvimento Ambiental — SEDAM do Governo do Estado de Rondônia; j) A delimitação da reserva legal é exigida pelo Código Florestal (§ 2°, art. 16) apenas quando o particular decida explorar a floresta, sendo então no caso, imposto a averbação à margem da matrícula do imóvel, no registro competente. Em não sendo o caso de exploração, poderá não ocorrer a averbação por desnecessária; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000141/200312 Acórdão n.º 9202002.693 CSRFT2 Fl. 364 5 k) Assim, o fato da não averbação da área de reserva legal junto ao Cartório de Registro de Imóveis, está sujeito a penalidades previstas no artigo 29 do Código Florestal, não cabendo, SMJ, penalidade de ordem tributária pois tratase de uma exigência de ordem ambiental; l) A averbação da reserva legal é um ato declaratório, que vale perante terceiros para garantir que o futuro adquirente do imóvel fique ciente de que a terra está gravada como reserva legal, não podendo ser feita qualquer exploração sem autorização do IBAMA. Portanto, entendese que as maiores provas da existência daquela área foram o laudo técnico apresentado e o Ato Declaratório Ambiental — ADA protocolizado junto ao IBAMA em 28/11/2011; m) Ademais, conforme dispõe o par. 7°, artigo 10, da Lei n. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, alterada pela Medida Provisória n. 2.16667, de 24 de agosto de 2001, essas áreas não estão sujeitas a prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos na legislação fiscal, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira. Não sendo a situação do imóvel em questão, pois são verdadeiras e cabalmente comprovadas a existência das mesmas no imóvel autuado; n) O caráter interpretativo do art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/1996, instituído pela MP no 2.16667/2001, possui o condão mirífico da retroatividade, nos termos do art. 106, I, do CTN, dispensando de prévia apresentação pelo contribuinte do ADA expedido pelo IBAMA, nos termos da INSRF n° 43/1997, vigente a época do fato gerador; o) Não se consegue entender a interpretação do voto vencedor do acórdão atacado no que tange a reserva legal, quando diz: "que é dispensada a "prévia" comprovação do declarado, contudo alguma comprovação é necessária, se o declarante for instado a comprovar o quanto declarado". Nos autos tem muito mais do que "alguma comprovação" da reserva legal, tem um LAUDO TÉCNICO e um ADA, documentos legais que comprovam de forma cabal a existência da mesma no imóvel; p) Requer seja admitido e provido o recurso, a fim de retificar o acórdão ora recorrido, no sentido de considerar a área de reserva legal de 7.999,9 ha excluída da base tributável do ITR/1998, restabelecendose, assim, o imposto originalmente declarado. Admitido o recurso por intermédio do despacho n° 220000.208 (fls. 343 347), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contrarrazões às fls. 350359, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000141/200312 Acórdão n.º 9202002.693 CSRFT2 Fl. 365 6 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da exigência a área de preservação permanente de 392,0 hectares. A recorrente insurgiuse contra a manutenção do lançamento no que se refere à glosa da área de reserva legal, alegando que tal área está comprovada por laudo técnico, pelo ADA e pela própria averbação ocorrida em 28/06/2004, argumentando que a regra do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, incluída pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, por ser interpretativa, aplicase retroativamente, dispensando a prévia apresentação de ADA. Entendo que o recurso especial do contribuinte merece provimento, mas por força da decadência, que suscito de ofício. Pois bem, a Lei n° 9.393/96 trouxe significativas alterações para o ITR, sendo que em seus artigos 1° e 10 está previsto o seguinte: Art. 1°. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Portanto, o fato gerador do imposto sobre a propriedade territorial rural tem seu marco temporal no dia 01 de janeiro de cada anocalendário, sendo que, a partir do ano calendário 1997, com a vigência da Lei n° 9.393/96, ele passou a ser tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000141/200312 Acórdão n.º 9202002.693 CSRFT2 Fl. 366 7 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que, no caso em apreço, o fato gerador do ITR ocorreu em 01/01/1998 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 04/02/2003 (fls. 11), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento. Na visão deste julgador, como a penalidade aplicada foi de 75% e não se está diante de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000141/200312 Acórdão n.º 9202002.693 CSRFT2 Fl. 367 8 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000141/200312 Acórdão n.º 9202002.693 CSRFT2 Fl. 368 9 disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento do ITR no caso em apreço. A existência de pagamento antecipado é inquestionável, devendose ressaltar que no próprio auto de infração a autoridade lançadora considerou como pago a título de imposto o valor de R$ 502,11 (fls. 05). Ademais, às fls. 100 está juntado DARF de recolhimento de ITR da propriedade em questão relativamente ao exercício 1998. Assim, com relação aos fatos ocorridos no exercício 1998 o prazo decadencial de cinco anos expirou em 31/12/2002, de modo que a decisão recorrida não pode prevalecer. A decadência, suscitada de ofício por este julgador, fulminou o crédito tributário. Por esse motivo, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 10830.918769/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 23/01/2009
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 23/01/2009 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 87 69 /2 00 9- 11 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação formalizado por meio de PER/DCOMP, cujos créditos referemse a pagamento indevido de IPI. Em procedimento de auditoria eletrônica, o pedido de compensação não foi homologado, em razão do DARF informado não ter sido localizado nos sistemas informatizados da Receita Federal. Irresignda, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade. alegando a existência de créditos de IPI que não teriam sido escriturados no período correto, assim, teria identificado a existência de valores recolhidos a maior, apresentando cópias de folhas do livro de apuração do IPI para o período em discussão. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve o indeferimento do pedido de compensação, por entender não ter sido apresentado prova do crédito alegado. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/01/2009 RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, nem comprovado o direito ao ressarcimento, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ONUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando a existência do DARF que confirmaria o pagamento a maior do imposto, que optou pela manifestação de inconformidade e não apresentou redarf, em razão da falta de orientação da Receita Federal. Quanto ao mérito, discorre sobre o procedimento adotado de lançar na escrita fiscal os créditos não apurados na data oportuna, como créditos extemporâneos, com as devidas aplicações de juros e correção monetária. Ao final pede a realização de perícia contábil para apuração do indébito tributário. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.918769/200911 Acórdão n.º 3102001.786 S3C1T2 Fl. 176 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente afirma o seu direito a compensação, sob o arrimo que teriam existidos créditos de IPI não lançados na data correta e assim, refazendo a escrituração teria lançado todo este crédito como extemporâneo, e a apuração do imposto para este período resultou em montante inferior ao pagamento realizado, assim protocolou o pedido de compensação com os créditos deste pagamento a maior. O procedimento adotado pela Recorrente, do ponto de vista escritural, não foi a motivação do indeferimento da homologação da compensação, conforme pode ser visto na decisão do acórdão da primeira instância (fls. 61 a 62), do qual transcrevo os trechos abaixo. "Portanto, créditos que não foram aproveitados na devida ocasião podem ser escriturados extemporaneamente, o que, no caso de restar saldo credor no período em que se constatou o crédito que deixou de ser aproveitado e não retroativamente como constou na "simulação" apresentada, inserese no instituto do ressarcimento e não da restituição de pagamento indevido. Disto não resulta apenas um erro formal na petição, mas, devido a legislação aplicável diferentemente aos institutos da restituição e do ressarcimento, que, neste último caso, não exista previsão legal para a imputação de juros ou correção monetária sobre direito credit6rio alegado. Contudo, ainda que o contribuinte tivesse apurado saldo credor no período correto, a "simulação" apresentada não prova que as supostas aquisições foram de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, assim considerados nos termos da legislação aplicável, oneradas pelo IPI. ... Assim, por não restar configurado pagamento indevido, não se ter apurado saldo credor ressarcivel de acordo com a legislação do IPI, nem se provado a certeza e liquidez dos alegados créditos extemporâneos, voto que se julgue a manifestação como improcedente.." Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Conforme pode ser visto na decisão guerreada, a motivação para o indeferimento do pedido foi a falta de comprovação da existência dos créditos, em que pese a discussão da forma escritural utilizada pela Recorrente. A decisão da primeira instância deixou cristalino, que as aquisições de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários não foi comprovada na impugnação. Para melhor enfrentar a questão, vejamos o enunciado do artigo 170, do Código Tributário Nacional – CTN, que ao disciplinar o instituto da compensação, exige certeza e liquidez dos créditos alegados. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do despacho decisório. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por informações constantes da PER/DCOMP. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do erro alegado. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação dos fatos constantes do recurso. O Fisco decidiu utilizando as informações apresentadas pela própria Recorrente e no caso em tela alegou pagamento indevido ou a maior e, na Manifestação de Inconformidade alegou que o crédito não se tratava de pagamento indevido ou a maior, mas de crédito básico de IPI, apurado nas aquisições de matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem. A autoridade de primeira instância considerou as alegações constantes da manifestação e não vislumbrou a existência de provas nos autos que pudessem provar as alegações da Recorrente. Posteriormente, já ciente da decisão da autoridade a quo, veio a Recorrente aos autos e interpôs recurso, mas novamente, apresentou somente cópias de parte do livro de apuração do IPI, sem demonstrar a origem dos valores ali escriturados, não foram trazidas Notas Fiscais, ou quaisquer outras informações que pudessem confirmar a existência de aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários que não tenham sido escriturados na data correta. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non para a compensação. Reconhecer créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. Apreciando a matéria, podemos nos socorrer do entendimento de Luciano Amaro, que resolve a questão ao reafirmar a necessidade da prova para obtenção do indébito tributário. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.918769/200911 Acórdão n.º 3102001.786 S3C1T2 Fl. 177 5 “O pagamento de certa quantia, a título de tributo, embora sem nenhuma ressalva, não implica, portanto, “confissão de dívida tributária”. Isso não significa que, em toda e qualquer situação, nunca se tenha de provar matéria de fato no âmbito da repetição de indébito tributário. Se alguém declara à Fazenda Federal a obtenção de rendimento tributável, não pode pleitear a devolução com a mera alegação de que não percebeu aquele rendimento; requerse a demonstração de que o rendimento efetivamente não foi percebido ou que, dada a sua natureza, não era tributável. Isso porque a declaração feita se presume verdadeira. Recordese que, como referimos ao tratar do lançamento por declaração, o art. 147 do Código admite a retificação da declaração, provado o erro em que se fundamente o pedido. Da mesma forma, na restituição de tributo cobrado sobre a venda de certo produto, podese éter dilação probatória sobre a natureza, composição química, destinação etc. do produto, com vistas a classificálo como não tributável ou sujeito a menor alíquota, para o fim de definir eventual indébito, total ou parcial.”. 1 Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 2 Diante do exposto, por ausência de provas da existência do indébito tributário, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira 1 Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 16ª ed., p. 448. 2 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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