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Numero do processo: 10325.721252/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
LITÍGIO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA MANIFESTADA.
O pedido de parcelamento comprovado, nos termos da legislação que rege a matéria, enseja desistência do litígio administrativo.
Numero da decisão: 2401-005.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 LITÍGIO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA MANIFESTADA. O pedido de parcelamento comprovado, nos termos da legislação que rege a matéria, enseja desistência do litígio administrativo.
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PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA MANIFESTADA. O pedido de parcelamento comprovado, nos termos da legislação que rege a matéria, enseja desistência do litígio administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 72 12 52 /2 01 1- 28 Fl. 1050DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados, em 12/12/2011, os seguintes Autos de Infração de Obrigação Acessória, relativos ao período de 01/2006 a 12/2008: AIOA DEBCAD 51.015.7785, referente ao Código de Fundamento Legal 30, por ter deixado o autuado de preparar as folhas de pagamento nos moldes especificados pela legislação e por não ter incluído nas mesmas, os segurados contribuintes individuais. AIOA DEBCAD 51.015.77933, Código de Fundamento Legal 59, por não ter a autuada procedido ao desconto da contribuição previdenciária das remunerações dos segurados. AIOA DEBCAD 51.015.7807, referente ao Código de Fundamento Legal 35, porque não foram apresentados os arquivos digitais da contabilidade e das folhas de pagamento, no formato definido pelo Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, previsto na Instrução Normativa MPS/SRP nº 121/2006. A ciência se deu em 14/12/2011 na pessoa do Presidente da Câmara Municipal de Itinga do Maranhão (fl. 387; 390; 400). Fora apresentada Impugnação tempestiva (fls. 402/418), alegando, em síntese: (i) Apesar dos documentos juntados ao presente processo, requer concessão de prazo razoável para junta de novos documentos, com fundamento no art. 16, §4º, ‘a’ e § 5º do Decreto nº 70.235/72; (ii) A autuação não merece prosperar, pois na há provas suficientes nos autos que justifiquem a cobrança ora combatida; (iii) A responsabilidade é pessoal do gestor, quando da infração de lei; (iv) Caducou o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao anocalendário de 2006; (v) Houve violação ao princípio do contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal; (vi) Por fim, Encerra sua defesa requerendo que se declare a nulidade dos Autos de Infração de números: 37.364.8561, 37.364.8553, 37.364.857 0, 37.364.8588, com respectivo arquivamento do processo administrativo 10325.721251/201183. Após a impugnação, os autos foram baixados em diligência (Resolução nº 8.002.357 – fls. 427/433) para que o Município fosse cientificado das autuações procedidas, Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10325.721252/201128 Acórdão n.º 2401005.470 S2C4T1 Fl. 3 3 uma vez que tinham sido encaminhadas apenas ao Presidente da Câmara Municipal, a qual não possui personalidade jurídica para responder pelos débitos. Assim, o Município, na pessoa de seu representante legal foi cientificado dos autos de infração lavrados e lhe foi aberto prazo de defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0823.786 da 5ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 969/78, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. CFL 30 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CFL 35. Deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO A CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais a seu serviço, constitui infração ao art. 30, inciso I, alínea “a”, e alterações posteriores, da Lei nº 8.212/91. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 983/999, resumidamente, com as seguintes argumentações: (i) Que os gestores da época dos fatos geradores devem ser intimados, pois os autos de infração referemse aos exercícios financeiros de 2006, 2007 Fl. 1052DF CARF MF 4 e 2008, de responsabilidade do Sr. Francisco Valbert Ferreira de Queiroz, sendo Prefeito o Sr. Domingos Fernandes dos Reis e Presidente da Câmara a Sra. Ivone Maria Franciscetto; (ii) Que o período fiscalizado está confessado em parcelamento da Lei n.º 11.960, de 29/06/2009; (iii) Que os autos de infração contém várias ilegalidades com ausência de clareza dos dispositivos legais que os sustentam; (iv) Que a fixação do valor da multa não obedeceu a teoria dos motivos determinantes, pois os fatos imputados pela fiscalização não aconteceram. Ao final, requer o acolhimento do recurso para cancelar o débito fiscal. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Todavia, os autos novamente foram baixados em diligência (Resolução nº 2302000.270) para que as Autoridades autuantes providenciem cópias datadas e assinadas do Mandado de Procedimento FiscalMPF, que sustentou os lançamentos consubstanciados nos autos de infração DEBCAD 51.015.7807 DEBCAD 51.015.7793, DEBCAD 51.015.7785. (fls. 1.002/1.008). Na sequência, sobreveio informação fiscal (fl. 1.013/1.014) concluindo que “com base na análise dos papéis de trabalho relacionados à fiscalização, arquivados no Núcleo de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz/MA, não se pode comprovar que o Município de Itinga do Maranhão Câmara municipal teve ciência, por intermédio do prefeito, de que estava sob ação fiscal”. O Contribuinte às fls. 1037/1049 junta Pedido de Parcelamento de seus débitos previdenciários, inclusive de obrigações acessórias, realizado com supedâneo na MP nº 778/2017. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 14/08/2012 conforme Aviso de Recebimento acostado à fl. 982, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 05/09/2012, entretanto, conforme mencionado no relatório, foi juntado aos autos Pedido de Parcelamento no qual o contribuinte formaliza, nos termos facultado pela lei, sua desistência total do recurso interposto fls. 1.037/1.049. Referida petição foi apresentada em razão da adesão do contribuinte ao programa de parcelamento de débitos federais instituído pela MP 778/2017 Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10325.721252/201128 Acórdão n.º 2401005.470 S2C4T1 Fl. 4 5 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para não conhecer do recurso voluntário, em razão da desistência do litígio administrativo manifestada em decorrência de inclusão do débito em questão em parcelamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1054DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13055.000122/2001-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1991 a 28/02/1996
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do fato gerador.
Numero da decisão: 9303-006.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para considerar prescritos o pedido de restituição de fatos geradores anteriores a 22.6.91.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1991 a 28/02/1996 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do fato gerador.
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TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 5. 00 01 22 /2 00 1- 00 Fl. 257DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para considerar prescritos o pedido de restituição de fatos geradores anteriores a 22.6.91. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3302002.441 da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 28/02/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E ERROS. Uma vez constatado erro por ocasião do Acórdão, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13055.000122/200100 Acórdão n.º 9303006.769 CSRFT3 Fl. 258 3 antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da Contribuição para o PIS, eleita pela Lei Complementar nº 7/70, art. 6º, parágrafo único, permaneceu incólume e em pleno vigor até o início da vigência da MP nº 1.212/95. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos.” Os Embargos de Declaração foram acolhidos para reconhecer o direito de a empresa interessada pleitear a restituição dos valores objeto de seu Pedido de Restituição e declarar que o indébito deve ser calculado pela DRF com observância da semestralidade da base de cálculo do PIS. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O pedido de restituição foi formulado em 22.6.01 e o sujeito passivo pretende reaver valores recolhidos a título de contribuição para o PIS dos períodos de 1/91 a 2/96; · Adotando a decisão do STF, a conclusão mais correta seria de dar parcial provimento ao recurso voluntário para declarar a decadência do direito de pedir a restituição em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 22.6.91. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015. Fl. 259DF CARF MF 4 No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recurso repetitivo, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13055.000122/200100 Acórdão n.º 9303006.769 CSRFT3 Fl. 259 5 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos Fl. 261DF CARF MF 6 “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido (Grifos meus): “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13055.000122/200100 Acórdão n.º 9303006.769 CSRFT3 Fl. 260 7 aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos contado do fato gerador. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Fl. 263DF CARF MF 8 Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Em vista de todo o exposto, temse que, no caso vertente, o pedido de restituição foi protocolado em 22.6.01 e o sujeito passivo pretende reaver valores recolhidos a título de contribuição para o PIS dos períodos de 1/91 a 2/96, concordo com a manifestação da Fazenda em recurso para declarar a decadência do direito de pedir a restituição em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 22.6.91. Isto posto, dou provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720148/2015-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. AUSÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO
A redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa.
Numero da decisão: 1301-003.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, dar provimento aos recursos voluntários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. . Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. AUSÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO A redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, dar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 48 /2 01 5- 33 Fl. 3309DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.310 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. . Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório CONSTRUTORA COVEG LIMITADA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) DRJ/RPO (fls. 2.600/2.682), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do contribuinte, mantendose o crédito tributário de IRPJ e CSLL decorrente de ganho de capital que incidiria à alíquota de 34% sobre a autuada, fazendoa incidir em 15% no ganho de capital obtido pelas pessoas físicas (sócios), no anocalendário de 2010, com a incidência de multa qualificada de 150% e juros de mora, com base no art. 3º da Lei 9.249/95 e arts. 247, 248, 249, II, 251, 418 e 426 do RIR/99. IRPJ R$51.228.782,13 CSLL R$18.442.361,58 Total R$69.671.143,71 Houve ainda, a emissão do Termo de Responsabilidade Solidária contra os Srs. Fabio Vettori e Claudio Dinucci Giannella, nos termos do art. 124, I do CTN. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação (fls. 1.596 e ss) e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: A negociação concluída em 03/08/2010, conforme contrato de compra e venda, quando a COMPANHIA DE PARTICIPAÇÕES EM CONCESSOES S/A – CPC , adquiriu a participação da empresa HOLDING G4 PARTICIPAÇÕES S.P.E. LTDA. – HOLDING G4 , que detinha 20,16% de participação acionária na empresa RODOVIA INTEGRADAS DO OESTE S/A SPVIAS. A autuação se refere a transferência de parte (25%) da participação da sociedade G4, à época detida pela COVEG (autuada), para as pessoas físicas Fabio Vettori e Claudio Dinucci Giannella, ocorrida entre a definição do valor da venda (18/03/10) e fechamento do contrato de compra e venda (25/08/10) referente à negociação da venda da G4 para a CPC, com objetivo claro de economizar tributos na ordem de 19%, ou seja, 34% (pessoa jurídica) para 15% (pessoas físicas). Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 2.054 e ss, que aduziu os seguintes argumentos: II – DO DIREITO II. 1 Preliminarmente Da Ausência de Fundamento Jurídico para a Lavratura do Lançamento Fiscal No mencionado TVF a Autoridade Fiscal não indicou qualquer dispositivo da legislação que teria sido infringindo ou, então, não teria sido observado pela Fl. 3310DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.311 3 Impugnante, justificando a acusação fiscal exclusivamente com base em suposto "planejamento abusivo em conluio com as demais proprietárias da SPVIAS". Tanto não houve infração a qualquer dispositivo legal que no item 7 do TVF, "Da Legislação", foram apenas citados dispositivos genéricos referentes à apuração do IRPJ e da CSLL, os quais não trazem qualquer tipificação relacionada ao suposto "planejamento abusivo" que teria sido apurado durante a fiscalização. Ou seja, em momento algum o Sr. Agente Fiscal citou quais foram os dispositivos legais infringidos pela Impugnante e seus sócios em razão da operação de redução de capital e posterior alienação das cotas pelas pessoas físicas. Além disso, não foi feita qualquer correlação dos dispositivos apontados no citado item "Da Legislação" com a suposta infração mencionada no citado item 6 do TVF, confirase: [...] Mencionese, desde já que a ausência de fundamentação legal para os lançamentos em questão, por parte do Sr. Agente Fiscal, decorre do simples fato de que a operação praticada pela Impugnante foi feita de acordo com as normas legais vigente e a jurisprudência administrativa consolidada sobre o assunto (conforme será demonstrado adiante, item II.3). Todavia, a ausência de fundamentação legal macula o crédito tributário exigido, tornandoo nulo. De fato, em um Estado Democrático de Direito, que determina a observância da estrita legalidade em matéria tributária, não pode ser admitida a exigência de tributos com fundamento exclusivamente em "suposto planejamento tributário" com vistas em reduzir a carga tributária sobre uma operação, tal como ocorreu no caso concreto. Com efeito, nos termos do inciso II do artigo 5º da Constituição Federal de 1988, "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Ao assim proceder constituindo o crédito tributário em questão em face da Impugnante sem qualquer fundamentação a fiscalização acabou por violar o princípio constitucional da estrita legalidade especifico em matéria tributária, previsto no inciso I do artigo 150 da Constituição Federal: [...] Por sua vez, prescreve o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional que: "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funciona!"{destaques da Impugnante). O parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional não deixa qualquer margem de dúvida quanto à efetiva submissão do ato administrativo de lançamento tributário ao previsto em Lei. Assim, a exigência de tributos sempre deverá estar conforme o previsto em Lei, que descreve (no plano geral e abstrato) a hipótese de incidência tributária. Confirase, a propósito, o entendimento de Sacha Calmon Navarro Coelho: "O princípio da legalidade originariamente cingiase a requerer lei em sentido formal, continente de prescrição jurídica abstrata. Exigências ligadas aos princípios éticos da certeza e segurança do Direito, como vimos de ver, passaram a requerer que o fato gerador e o dever tributário passassem a ser rigorosamente previstos e descritos pelo legislador, daí a necessidade de tipificar a relação jurídicotributária. (...) Em terceiro lugar, a tipicidade tributária é cerrada para evitar que o administrador ou o juiz, mais aquele do que este, interfiram na sua modelação, pela via interpretativa ou integrativa. (...) No Direito Tributário, além de se exigir seja o fato gerador tipificado, o dever de pagar o tributo também deve sêlo em todos os seus elementos, pois aqui importantes são tanto a previsão do tributo quanto o seu pagamento, baseado nas fórmulas de quantificação da prestação devida, e que a Fl. 3311DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.312 4 sociedade exige devam ser rígidas e intratáveis." (Curso de Direito Tributário Brasileiro. 11 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 179) Dessa forma, e considerandose que a exigência de tributos sempre deverá estar conforme o previsto em Lei, é evidente que, na motivação do lançamento tributário (ato administrativo vinculado), a fiscalização deve, necessariamente, indicar o dispositivo da legislação que teria sido infringindo ou, então, não teria sido observado pelo contribuinte, o que não ocorreu no presente caso. Como foi visto, no TVF jamais foi apontado o dispositivo legal que teria sido infringido pela Impugnante (e seus sócios), ficando as acusações apenas na órbita do subjetivismo do planejamento fiscal (como se o simples fato de pagar, legalmente, menos tributo fosse uma infração, o que não é, conforme será demonstrado no decorrer da presente impugnação). A reforçar a ausência de fundamentação do lançamento de ofício ora combatido, devese mencionar, ainda, que no enquadramento legal dos autos de infração ora foi mencionado apenas o art. 6º, § 1º, da Lei n° 9.430/96, que dispõe sobre o pagamento do IRPJ por estimativa, ora foram mencionados diversos dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda que se referem a regras de apuração do imposto, bem como o art. 3º da Lei n° 9.249/95, que trata da alíquota do IRPJ: [...] Com relação à CSLL, foram citados dispositivos genéricos de apuração do tributo, os quais não foram infringidos pela Impugnante, de modo que não podem sustentar a autuação fiscal em questão: [...] Ou seja, da leitura do enquadramento legal dos autos de infração em conjunto com a legislação apontada no TVF fica ainda mais evidente que a Impugnante não infringiu nenhum dispositivo da lei tributária ao proceder a redução de capital com a devolução dos bens aos sócios a valor contábil. Efetivamente não qualquer dispositivo no ordenamento jurídico brasileiro que proíba tal operação societária. Ao contrário, há dispositivo que admite, de forma expressa, a conduta praticada pela Impugnante, conforme será demonstrado adiante. Mesmo que, por absurdo, se entenda que a Impugnante teria infringido os dispositivos apontados no enquadramento legal dos autos de infração, o fato é que a falta de menção a estes mesmos dispositivos no TVF, macula o lançamento, já que cabe à fiscalização fazer a devida subsunção dos fatos apurados com as normas supostamente infringidas, o que não ocorreu. De fato, a leitura do TVF não permite concluir que a Impugnante teria infringido quaisquer dos dispositivos mencionados no enquadramento legal dos autos de infração. Até porque, a acusação contida no TVF é de "planejamento tributário supostamente abusivo", enquanto nos autos de infração foram apontados dispositivos genéricos relacionados à apuração das estimativas do IRPJ e à apuração da CSLL. A descrição precisa da conduta praticada pelo contribuinte (motivação de fato) e a indicação da legislação infringida (motivação de direito) são requisitos imprescindíveis para a edição de quaisquer atos administrativos, inclusive o de lançamento tributário, nos termos do artigo 97 e do parágrafo único do artigo 142, todos do Código Tributário Nacional, sob pena de nulidade por ausência de motivação legal e específica. Nesse exato sentido, confirase o entendimento categórico estampado em acórdão da antiga 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes: "PIS. MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento tributário é espécie de ato administrativo, e, por tal, deve ser motivado, sob pena de mal ferir o direito de propriedade e cercear a ampla defesa do contribuinte. A motivação deve apontar a causa e os elementos determinantes da prática do ato, bem como o dispositivo Fl. 3312DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.313 5 legal Carente o lançamento de motivação, ou sua precariedade, inquinam o mesmo de nulidade." (Processo Administrativo n° 13808.001409/9911, Recurso n° 127.715, Acórdão n° 20216.104, Relator Conselheiro Jorge Freire, antiga 2a Câmara do 2a Conselho de Contribuintes, sessão de julgamentos de 26/01/2005, g.n.) Inclusive, acerca desse assunto, o E. Conselho já pacificou o entendimento pela nulidade do auto de infração que não contém os requisitos legais, como a ausência da devida capitulação legal da infração, conforme ementas transcritas: "AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O ato administrativo deve ser motivado, com indicação dos fatos e dos Fundamentos jurídicos quando impõe ou agrave dever, encargo ou sanção. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, não dando margem a dúvidas. A inobservância desta norma dá causa para declaração da Nulidade do lançamento. Recurso de Ofício Negado. (Acórdão n° 3403003.267 CARF Sessão de 17/09/2014) "AUTO DE INFRAÇÃO DESCRIÇÃO DO FATO. Se, no Auto de Infração, não ficam consignados a descrição dos fatos e o enquadramento legal, a exigência fiscal não pode prosperar já que maculada de vício formal." "AUTO DE INFRAÇÃO DESCRIÇÃO DO FATO. O Auto de Infração deve descrever com clareza e objetividade os fatos que estão sendo imputados ao sujeito passivo, inclusive mencionando especificamente o correto enquadramento legal, sob pena de configurarse restrição ao direito de defesa, afrontando dispositivos da Carta Magna e do Decreto n. 70.235/72." "AUTO DE INFRAÇÃO DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. O lançamento tributário, por constituirse em Ato Administrativo, está sujeito aos princípios da Legalidade e da Publicidade, nos termos do art. 37, caput, da Constituição Federal. E assegurado ao contribuinte, o direito ao contraditório e ampla defesa (CF, art. 5o, inciso LV), o que somente se verifica quando a matéria tributária estiver adequadamente descrita, com o conseqüente enquadramento legal das infrações apuradas. A falta desses requisitos essenciais, torna nulo o Ato Administrativo de Lançamento, e , de conseqüência, insubsistente a exigência do crédito tributário constituído. Declarada a nulidade do Lançamento Tributário." Desta feita, são nulos os autos de infração ora impugnados, pois, reiterese, a Autoridade Fiscal não citou qualquer dispositivo legal para fundamentar o presente lançamento e demonstrar que a operação societária de redução de capital, realizada a valor contábil pela Impugnante, seria um procedimento ilegal. De fato, o Sr. Agente Fiscal se limitou a suscitar a ocorrência de um "suposto planejamento abusivo" com a finalidade de redução indevida de tributos. Portanto, não resta dúvida de que a autoridade administrativa não indicou no TVF, tampouco nos autos de infração, qualquer dispositivo da legislação que teria sido infringindo ou, então, não teria sido observado pela Impugnante (e seus sócios), razão pela qual os autos de infração de IRPJ e CSLL são insubsistentes por ausência de motivação legal e específica, e, portanto, devem ser integralmente cancelados. II.2 – Da Análise dos Fatos Efetivamente Realizados – “Análise do Filme” Conforme mencionado anteriormente, a ausência de fundamentação legal para os autos de infração em questão apenas corrobora o quanto será explorado neste e nos próximos itens a respeito da legalidade da operação praticada pela Impugnante e pelos seus sócios. Confirase. De acordo com o Sr. Agente Fiscal, a Impugnante teria realizado "movimentos societários", revestidos de legalidade, com vistas a deslocar a tributação do ganho de capital da pessoa jurídica (com carga tributária de 34%) para as pessoas físicas Fl. 3313DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.314 6 (tributadas a alíquota de 15%), o que caracterizaria, como já mencionado, um "planejamento tributário abusivo": A autuação ora empreendida se refere a transferência de parte (25%) das ações da sociedade G4, à época detidas pela COVEG para pessoas físicas (Fabio Vettorí e Cláudio Dinucci Giannella), ocorrida entre a definição do valor da venda (18/03/10) e fechamento do contrato de compra e venda (25/08/10) referente à negociação da venda da G4 para a CPC, com objetivo claro de economizar tributos na ordem de 19%, ou seja, 34% (pessoa jurídica) para 15% (pessoa física) como veremos no decorrer deste termo e com base nas documentações levantadas, (fls. do TVF) Ocorre que, antes mesmo de se demonstrar o equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal, devese ressaltar que os "movimentos societários" questionados não podem ser analisados simplesmente do ponto de vista dos atos societários considerados isoladamente (em que pese o Sr. Agente Fiscal ter reconhecido, inclusive, que tais atos foram revestidos de legalidade). Ou seja, não se pode analisar a operação "quadro a quadro", é necessário analisá la como um todo. Vale dizer: não basta ver os fatos tais como descritos fotografia a fotografia, mas sim analisar o filme como um todo. No mesmo sentido é o entendimento do Conselho de Contribuintes, amparado na doutrina de Marco Aurélio Greco: "Como bem diz o Prof. Greco: '..., ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa) é importante interpretar a estória (conjunto).'" (Acórdão n° 10196.724; g.n.) Assim, necessária se fez a busca pela verdade dos fatos, por meio da análise das operações praticadas pela Impugnante, ou seja, a análise do "filme", para se compreender o propósito das operações societárias realizadas que acarretaram na alienação do investimento pelos sócios pessoas físicas. Portanto, passase a destacar as principais "fotografias", reproduzidas a seguir de maneira simplificada, que compõem o "filme" da operação implementada para a segregação das atividades da Impugnante, nas quais se perceberá a validade de cada passo adotado, bem como o propósito de toda essa operação realizada nos exatos termos da legislação em vigor à época dos fatos: (i) Estrutura Societária Inicial: Como foi relatado pelo Sr. Agente Fiscal no seu TVF, a autuação fiscal ora combatida abrange a participação societária originalmente detida pela Impugnante (Coveg). Por esse motivo, com a finalidade de melhor esclarecer os fatos ocorridos, será demonstrada a estrutura societária da Coveg no período autuado: Fl. 3314DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.315 7 Analisandose a estrutura da Impugnante, desde já há um elemento muito importante e que deve ser considerado por essa Turma Julgadora, qual seja, as pessoas físicas que realizaram a alienação das ações da G4, sempre foram sócias da Coveg (doc. 03) e jamais tal participação foi simbólica, já que detinham, cada um deles, cerca de 25% das cotas, o que representava, à época, R$ 12.843.761,00. (ii) Em 12/09/2008, a Coveg deliberou, nos termos dos arts. 1.082, II e 1.084 do Código Civil, pela redução de capital, em razão deste ser excessivo, em favor dos sócios Cláudio Giannella ("Cláudio") e Fabio Vettori ("Fabio"), no valor de R$ 4.190.286,00. Tal ata foi publicada no Diário Oficial do Estado em 27/09/2008. Essa deliberação foi complementada pela reunião de 15/03/2010, na qual se resolveu pela redução de capital da Impugnante em mais R$ 400.000,00. Mencionese, desde já, que a redução de capital em questão da Coveg cumpriu com todos os requisitos exigidos pela legislação e não houve qualquer tipo de impugnação por parte de terceiros, o que demonstra, por si só, que o ato foi plenamente válido e eficaz. Nem mesmo a fiscalização questionou essa operação, conforme se pode verificar da leitura do TVF. (iii) Em 23/06/2010 deliberouse pela concretização da redução de capital da Coveg com a devolução das cotas da G4 aos seus sócios pessoas físicas Cláudio e Fabio e o pagamento em dinheiro. Assim sendo, nesta data foram celebrados dois instrumentos particulares de alteração do contrato social da Coveg: (i) 79ª que determinava a devolução do capital equivalente a R$ 4.190.286,00 em cotas da G4 e (ii) 80ª que determinava a devolução do capital equivalente a R$ 400.000,00, sendo R$ 244.124,00 em cotas da G4 e o restante em dinheiro (R$ 155.876,00) Portanto, quanto ao questionamento feito pelo Sr. Agente Fiscal acerca da deliberação da redução de capital da Coveg, em 12/09/2008, e sua efetivação, em 23/06/2010, devese esclarecer que se fez necessário aguardar a regularização da integralização do capital da G4, sociedade detida pela Coveg, por meio da integralização das suas respectivas participações na SPVIAS em uma única sociedade (doc. 04 ata da 2a alteração do contrato social da G4). De fato, tendo em vista que a redução de capital da Coveg implicaria na devolução das cotas da sociedade G4 aos sócios, cujo capital ainda não estava formalmente integralizado, aguardouse a aprovação de terceiros para tal ato, quais sejam: Fl. 3315DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.316 8 (i) Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (responsável pela concessão rodoviária). Tal solicitação foi feita pela SPVIAS, por meio de carta encaminhada à agência reguladora em questão, em 15/07/2009, e tal autorização se deu por meio de publicação no DOE, no dia 24/10/2009 (docs. 05); (ii) Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com o qual também estava em vigor contrato de financiamento. A solicitação foi feita pela SPVIAS, em 29/10/2009, logo após a autorização pela ARTESP, e foi aprovada em 25/03/2010, por meio de carta resposta encaminhada pelo BNDES (docs. 06); e (iii) Caixa Econômica Federal, com a qual estava em vigor contrato de financiamento. A solicitação foi feita por meio de carta enviada pela SPVIAS, em 25/11/2009, sendo que a concordância do banco em questão foi recebida, também por meio de carta, em 08/04/2010 (docs. 07). Como se pode perceber, a última autorização para a integralização de capital da G4, com as ações da SPVIAS, se deu apenas em 08/04/2010. Na sequência, em 22/04/2010, foi realizada alteração do contrato social da G4, ratificando as aprovações de aumento do capital social deliberada em 05/01/2009. Dessa forma, tendo em vista que a última autorização foi concedida apenas em 08/04/2010 e que a G4 ratificou a integralização do seu capital em 22/04/2010, não procede a alegação do Sr. Agente Fiscal de que a efetivação da redução de capital da Coveg, que se deu em 23/06/2010, teria sido "propositadamente" postergada para o momento da suposta concretização das negociações da venda da SPVIAS. Assim sendo, como já mencionado, logo após as mencionadas autorizações e a regularização da integralização do capital G4, a Impugnante (Coveg), em 23/06/2010, concretizou a sua redução de capital mediante a entrega das cotas da G4 aos sócios pessoas físicas. Assim, o capital social da Impugnante que era de R$ 50.200.000,00 passou a ser de R$ 45.609.714,00. Com isso, a Coveg deixou de ser acionista da G4, passando o controle de tal empresa a ser exercido pelos sócios Cláudio e Fabio: Notase que, com essa alteração, a participação direta de Cláudio e Fabio na Coveg foi reduzida de 25,58% para 23,12%. Ou seja, a participação dos sócios pessoas físicas na Coveg continuou bastante expressiva, tendo sido segregado do seu patrimônio apenas a participação na SPVIAS. Além disso, merece destaque o fato de que a Coveg continuou exercendo normalmente as suas atividades que envolvem serviços de terraplanagem, pavimentação, canalização etc. , em outros empreendimentos, mesmo após a devolução das cotas da G4 para os seus sócios. Tanto isso é verdade, que o seu capital social continuou bastante significativo (mais de R$ 45 milhões), demonstrandose, assim, que não houve o esvaziamento da empresa e cumprindose com o propósito da segregação dos negócios/atividades. Fl. 3316DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.317 9 (iv) Em 03/08/2010, Fabio e Cláudio celebraram contrato preliminar de compra e venda (anexado pela fiscalização — fls. 764 dos autos) com a Companhia de Participações e Concessões (CCR). Tal contrato, por possuir cláusulas que implementaram condições suspensivas conforme mencionado pela própria fiscalização em seu TVF tem caráter preliminar e preparatório para a celebração do instrumento definitivo, que somente será assinado se aquelas condições suspensivas forem cumpridas; (v) Em 22/10/2010, após o cumprimento das condições suspensivas, foi assinado o termo de fechamento da operação (doc. 08). Tal documento equivale ao instrumento definitivo de compra e venda, uma vez que somente após a sua assinatura o negócio se tornou definitivo, com a transferência das cotas da G4 para a adquirente, e o pagamento do preço em 22/10/2010, 22/11/2011 e 30/11/2012, conforme demonstrativos de apuração do ganho de capital de Cláudio e Fabio anexos (docs. 09). O contrato preliminar, de acordo com Caio Mário é "aquele por via do qual ambas as partes ou uma delas se comprometem a celebrar mais tarde outro contrato, que será o principal". Assim, os contratos preliminares têm a função de tornar obrigatória, no futuro, a contratação, quando as partes não querem ou não podem, desde logo, contratar definitivamente. O caráter de contrato preliminar do instrumento assinado em 03/08/2010 é confirmado pelo fato de que, naquela data, as partes não tinham a intenção de contratar definitivamente, uma vez que foi convencionado que o negócio só seria concretizado se cumpridas as condições ali impostas e mediante a assinatura de um termo de fechamento: Assim, antes do fechamento da operação, não havia certeza de que a venda iria se concretizar. Consequentemente, somente com a assinatura do termo de fechamento é que a venda das cotas da G4 foi efetivamente realizada. Portanto, tendo em vista que a redução de capital da Coveg, com a devolução das cotas da G4 para as pessoas físicas, se deu em 23/06/2010 e a alienação somente se efetivou em 22/10/2010 (assinatura do termo de fechamento da operação), ou seja, mais de quatro meses após o recebimento das cotas por Cláudio e Fabio, evidente o equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal ao considerar a ora Impugnante como vendedora. (vi) Para melhor visualização, a operação objeto de análise pela fiscalização pode ser resumida na linha do tempo abaixo: Fl. 3317DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.318 10 Em suma, como se pode ver, não "houve movimentações" societárias, como afirmou a fiscalização. O que ocorreu foi apenas a retirada de parte do investimento (SPVIAS) feito pelos próprios sócios na sua empresa (ora Impugnante) e, posteriormente, a venda desses ativos pelas pessoas físicas. É importante mencionar, ainda, que Cláudio e Fabio não recapitalizaram a Coveg após a venda das cotas da G4 (fato que pode ser confirmado pela cópia do Contrato Social da Coveg anexo vide doc. 01), reforçandose o fato de que (i) a operação de redução de capital da Coveg foi legítima, (ii) o ganho apurado efetivamente foi das pessoas físicas e (iii) realmente houve a retirada de parte do investimento (SPVIAS), não tendo ocorrido, portanto, como foi alegado pela fiscalização, "planejamento abusivo" com a prática de operações artificiais. Assim sendo, pela análise do "filme" todo podese afirmar, ao contrário do quanto presumido pelo Sr. Agente Fiscal, que a redução de capital da Impugnante efetivamente ocorreu, com a devida transferência das cotas da G4 para os sócios pessoas físicas os quais fizeram a alienação de tais ativos, recolheram o IRPF sobre o ganho de capital e permaneceram com o produto decorrente desse ganho. Vale mencionar, ainda, que o Sr. Agente Fiscal, na tentativa de reforçar a sua tese absurda de que a venda teria sido feita pela Impugnante e não pelas pessoas físicas, alega que haveria previsão de pagamento de um sinal de 35.653.795,26 às pessoas físicas, quando a Impugnante (Coveg) ainda era proprietária das cotas da G4: Contudo, a informação contida no TVF acerca do suposto pagamento de um "sinal" no valor de R$ 35.653.795,26 às pessoas físicas está totalmente equivocada. Referido pagamento jamais existiu. E a prova disso está nas Declarações de Imposto de Renda do anobase 2010 de Cláudio e Fabio (docs. 10). Nelas é possível verificar que houve um único ganho de capital apurado no ano de 2010, qual seja, o referente ao fechamento da operação, em 22/10/2010, o qual implicou em um pagamento a cada uma das pessoas físicas, no valor de R$ 29.722.637,86, gerando o ganho de capital apurado por cada um deles naquele ano, no valor de R$ 23.379.617,93: Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.319 11 Tais valores, como se pode ver, não guardam qualquer relação com o suposto sinal que teria sido recebido de R$ 35.653.795,26, reforçandose o equivocado entendimento do Sr. Agente Fiscal. De fato, reiterese, o contrato de compra e venda foi assinado em 03/08/2010 e o fechamento da operação ocorreu em 22/10/2010, ou seja, as duas situações fáticas ocorreram após a redução de capital da Impugnante, com a devolução das cotas da G4 para os seus sócios pessoas físicas, que se deu em 23/06/2010. Desta forma, não havendo relação entre as datas e os valores efetivamente recebidos pelas pessoas físicas (declarados nas suas DIRPFs) e os que supostamente teriam sido recebidos a título de sinal, deve ser desconsiderada a informação contida no TVF a esse respeito, por não corresponder com a verdade dos fatos. Alegou, também, a fiscalização que o contrato de compra e venda possuiria clausula mencionando a alienação de controle indireto. Tal fato seria a evidência, no entender precipitado do Sr. Agente Fiscal, de que o vendedor de fato das ações era a Impugnante (Coveg) e não as pessoas físicas: Fl. 3319DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.320 12 Contudo, a interpretação da cláusula contratual por parte da fiscalização está uma vez mais totalmente equivocada, o que deixa evidente a falta de credibilidade com relação às informações trazidas pelo Sr. Agente Fiscal em seu TVF. A cláusula 3.1 do contrato de compra e venda tem a seguinte redação: Por outro lado, a cláusula 2.1.1. do contrato de compra e venda esclarece que a compra e venda envolve o controle das ações da Rodovias (SPVIAS): Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.321 13 Assim, considerandose que a intenção do comprador era de adquirir o controle da SPVIAS e que esta era detida indiretamente pela G4, a qual era controlada elas pessoas físicas, é evidente que o objeto da compra e venda foi a aquisição indireta da SPVIAS. A prova de que os alienantes indiretos da SPVIAS eram as pessoas físicas e não a Coveg está no anexo 3.1 do próprio contrato de compra e venda, onde há descrição das participações indiretas: Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.322 14 Da cláusula em questão fica claro que quando há menção à participação indireta, está se referindo às pessoas físicas, que possuíam cotas da G4 e, consequentemente, detinham indiretamente participação na SPVIAS. Portanto, é totalmente equivocada a interpretação do Sr. Agente Fiscal, no sentido de que o termo "alienação indireta", contido no contrato, faria referência à Coveg. Como se vê, a fiscalização buscou suportar a sua tese de que teria ocorrido uma negociação prévia por parte da Coveg (ora Impugnante), com base em factoides. Não há, portanto, nenhum elemento concreto que permita a conclusão da fiscalização de que as negociações teriam sido feitas pela Impugnante e não pelos seus sócios, Cláudio e Fabio, como efetivamente ocorreu. Notase, portanto, que o propósito da operação realizada pela Impugnante foi, efetivamente, a reorganização societária do grupo, segregandose as atividades da Coveg e culminandose com a devolução do capital aos sócios, por ser excessivo. A venda das cotas da G4, pelas pessoas físicas, ocorreu posteriormente, e representou a realização do lucro de seu investimento (produto do capital investido), sem qualquer recapitalização do valor auferido. Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.323 15 Assim sendo, do exame desse simples histórico já é possível perceber que o procedimento questionado pela fiscalização foi feito de acordo com a legislação vigente, não é artificial, não ofendeu a qualquer dispositivo da legislação tributária (como já foi demonstrado em preliminar o Sr. Agente Fiscal não citou qualquer norma que teria sido infringida pela Impugnante que justificasse os lançamentos em questão) e está totalmente de acordo com a jurisprudência do CARF, sendo um equívoco o questionamento feito pelas autoridades fiscais, como será demonstrado adiante. II.3 Da Legalidade e Legitimidade das Operações Realizadas Ausência de "Planejamento Abusivo" Após detalhar o "filme" das operações praticadas pela Impugnante, passase, nesse momento, a analisar e comprovar a legitimidade e a licitude da devolução das cotas da G4, pela Coveg, aos seus sócios Cláudio e Fabio, os quais, posteriormente, efetivamente negociaram e realizaram a venda dessa participação recebida como devolução de capital a terceiros. Como já mencionado, de acordo com o Sr. Agente Fiscal os sócios da Impugnante teriam alcançado economia tributária indevida, a partir de procedimentos societários abusivos, em data próxima ao desfecho do final da negociação: O objetivo de economia tributária foi realizado através de procedimentos societários abusivos, para dar caráter de legalidade em datas próxima ao desfecho final da negociação. (...) e encerrando em 31/07/10. Neste período é clara a demonstração de planejamento tributário abusivo, pois indica a transferência das quotas da G4 então detida pela pessoa jurídica em exame (COVEG) para as pessoas físicas de Fabio Vettori e Cláudio D. Giannella, consubstanciando, efetivamente e deliberadamente a intenção de economia tributária. Ocorre, contudo, que como foi demonstrado no item "II.2 – Da Análise dos Fatos Efetivamente Realizados 'Análise do Filme"' da presente impugnação, as operações realizadas são lícitas e legítimas, de modo que não é possível sustentar a acusação fiscal de que se estaria diante de um "planejamento tributário abusivo". Isso porque, reiterese, o exame do "filme" completo das operações realizadas pela Impugnante e, posteriormente, pelos seus sócios, evidencia que os atos praticados tiveram, sim, uma finalidade legítima, qual seja, a reorganização societária, segregação das atividades da Impugnante, com a devolução de ativos que compunham o capital social da pessoa jurídica para os seus sócios, nos exatos termos da legislação. Ora, é notável que os bens que compõem o capital social da pessoa jurídica têm origem no patrimônio dos seus sócios, os quais investiram esses montantes na pessoa jurídica com a finalidade de se obter um retorno. Ademais, o Código Civil, nos arts. 1.082 e 1.084, como não poderia deixar de ser, permite que as pessoas jurídicas devolvam aos seus sócios parte do capital investido, desde que seguidas as formalidades ali expressas nos casos de capital excessivo, tal como ocorreu no presente caso. A leitura dos parágrafos 1º e 2º do art. 1.084 do CC, deixa claro que as formalidades contidas no dispositivo em questão envolvendo a redução de capital refletem a preocupação do legislador com credores que poderiam ser prejudicados em razão de tal operação, motivo pelo qual a redução somente pode ser averbada no registro público (parágrafo 3º), se não for impugnada por aqueles credores no prazo de noventa dias. Quanto a esse ponto, não há dúvidas de que todos os requisitos exigidos para a redução de capital foram seguidos pela Impugnante, já que, reiterese, não houve Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.324 16 impugnação de credores no prazo legal e nem questionamentos quanto a isso por parte da fiscalização. Por outro lado, pela simples leitura do art. 22 da Lei n° 9.249/95, notase que a legislação de regência permite expressamente que seja feita a opção pela devolução de capital por valor contábil ou de mercado. "Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. (...) § 3o Para o titular, sócio ou acionista, pessoa física, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão informados, na declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do respectivo anobase, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica. § 4o A diferença entre o valor de mercado e o valor constante da declaração de bens, no caso de pessoa física, ou o valor contábil, no caso de pessoa jurídica, não será computada, pelo titular, sócio ou acionista, na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido." (g.n.) Interpretando o citado dispositivo legal mencionese os ensinamentos de Ricardo Mariz de Oliveira: "Acontece que o art. 22 da Lei n. 9249 admite, na devolução de capital mediante a entrega de bens, que a avaliação dos bens da pessoa jurídica seja feita pelo valor contábil ou pelo valor de mercado, sendo que o receptor da devolução deve registrar os bens recebidos pelo valor que tinha a participação, no caso de avaliação, e apenas nesta hipótese a lei determina a incidência, exclusivamente sobre a pessoa jurídica que tiver efetuado a devolução." (Oliveira, Ricardo Mariz de, Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 783/784 g.n.) O CARF, inclusive, já decidiu no sentido de que são válidas operações baseadas no art. 22 da Lei 9.249/95, com a finalidade de transferir os ganhos da pessoa jurídica para a pessoa física. Confiramse os trechos dos acórdãos citados a seguir "Ora, a própria legislação fiscal reforça o entendimento de que a prática da redução de capital social a valor contábil é legítima, possibilitando e tornando costumeiros os planejamentos tributários com base no art. 22 da Lei n°. 9249/95, para transferência de ganhos de capital da pessoa jurídica para a pessoa física. Ou seja, a opção fiscal exercida pela pessoa física diante da situação concreta, como conduta legítima e autorizada pelo ordenamento, não pode ser encarada como planejamento fiscal ilícito. (...) Com efeito, à luz das razões explicitadas, forçoso concluir que estamos diante da hipótese de opção fiscal legalmente estabelecida (devolução de participação no capital social a valor contábil), que torna legítima a conduta adotada pelos acionistas pessoas físicas. " (Acórdão n° 1402001.472, j. em 09/10/2013 fls. 11 g.n.) "O artigo 22 da Lei n° 9.249, de 1995, confere coerência ao sistema tributário e em nada afronta as disposições do artigo 60, I, VII, do DecretoLei n° 1.598, de 1977 (que trata da distribuição disfarçada de lucros). São normas que devem ser interpretadas de forma harmônicas. No momento em que a legislação dispõe que as pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado, devendo tributar a diferença nos casos em que a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração, nada mais coerente que, na hipótese de devolução do capital social integralizado, isto também possa ocorrer pelo valor contábil ou valor de mercado. Ou seja, é juridicamente protegido o procedimento levado a efeito pelas Companhias e seus acionistas por meio do qual se devolve a estes, pelo valor Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.325 17 contábil, bens e direitos do ativo da pessoa jurídica (art. 22, caput, da Lei n° 9.249, de 1995). (Acórdão n° 1301¬001.302, j. em 09/10/2013 fls. 25 g.n.) "Não se pode exigir imposto de renda da pessoa jurídica nos casos de restituição do investimento pelo valor contábil. O fato dos acionistas planejarem a redução do capital social visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, se constitui em procedimento expressamente previsto no artigo 22 da Lei n° 9.430, de 1996, que é norma indutora de comportamento, colocada no sistema como uma das formas de atrair investimentos às empresas e, a partir de tal fato, alavancar o desenvolvimento econômico." (Acórdão n° 1402001.477, j. em 09/10/2013 fls. 18g.n.) Aplicandose o entendimento jurisprudencial pacífico, citado anteriormente, ao caso concreto, temse, de forma clara e evidente, que a Impugnante fez escolhas previstas na legislação ao (i) reduzir o seu capital, nos termos dos arts. 1.082 e 1.084 do CC; e (ii) ao entregar as cotas da G4 a valor contábil, aos seus sócios, Cláudio e Fabio, nos termos do art. 22 da Lei n° 9.249/95, os quais, após se tornarem proprietários de tais cotas, negociaram e concretizaram a sua venda a terceiros, com o devido recolhimento do IRPJ sobre o ganho de capital auferido. De fato, pela simples análise (i) das atas das assembléias realizadas pela Impugnante; (ii) do balanço da G4 reproduzido pelo Sr. Agente Fiscal no TVF; e (iii) das declarações da IRPF dos sócios Cláudio e Fabio notase que a transferência das cotas da G4, em redução de capital da COVEG se deu pelo valor de livros, qual seja R$ 4.434.409,00. Além disso, também não se pode alegar que houve infração à legislação tributária por parte da Impugnante ou das pessoas físicas, já que (i) a devolução de capital realizada pela Impugnante a valor contábil não implica na apuração de ganho de capital; e (ii) as pessoas físicas, ao realizarem a venda das cotas da G4, por valor superior ao que foi registrado no seu patrimônio, submeteram essa diferença à tributação pelo imposto de renda à alíquota de 15%, em razão do ganho de capital apurado na operação. De fato, de acordo com o art. 117 do RIR/99, o fato gerador do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, na alienação de bens ou direitos, é justamente auferir o ganho de capital na venda do aludido bem: "Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza", (g.n.) Assim, tendo em vista que no presente caso não há acusação de que teria havido simulação, prevalecem os efeitos dos negócios jurídicos praticados (e mesmo que houvesse tal acusação, esta não podería ser considerada procedente, pois, como foi demonstrado, os atos são plenamente válidos e legítimos e foram devidamente publicados). Ou seja, nos termos da legislação fiscal, o sujeito passivo da obrigação tributária, decorrente da apuração do ganho de capital, claramente é o vendedor dos bens e direitos: no caso em questão, Cláudio e Fabio. Desta forma, ad argumentandum, mesmo que a negociação tivesse sido efetivada pela pessoa jurídica, como o contrato de compra de venda foi firmado entre a compradora (Companhia de Participações em Concessões "CPC") e as pessoas físicas (o que foi reconhecido pela própria fiscalização diversas vezes em seu TVF), insistase, o fato gerador do imposto de renda, qual seja, auferir ganho de capital na alienação de um bem, foi praticado pela pessoa física e não pela jurídica, independentemente de quem realizou as negociações. A adquirente das cotas da G4 jamais realizou pagamentos à Impugnante. Nesse ponto, o CARF também já se manifestou no sentido de que deve ser verificado a quem foi realizado o pagamento para que se possa alcançar o sujeito passivo do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital: Fl. 3325DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.326 18 "Não há ilicitude no procedimento realizado pelos acionistas. Pretender exigir imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido da empresa POLPAR S/A, quando esta sequer recebeu qualquer importância relacionada à venda que os acionistas fizeram à PETROBRÁS, é procedimento que não encontra base jurídica para tal, indo contra à própria orientação contida nas perguntas e respostas existentes no sítio da Receita Federal como forma de orientar os contribuintes. Neste sentido, observo a pergunta de número 443, a seguir transcrita: "443 Qual o tratamento a ser adotado no caso de devolução de capital em bens ou direitos ao titular, sócio ou acionista da pessoa jurídica? Na hipótese de devolução de capital ao titular, sócio ou acionista da pessoa jurídica, os bens ou direitos entregues poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Quando a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens e direitos entregue será considerada ganho de capital, o qual deverá ser computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. Quando a devolução realizarse pelo valor contábil do bem ou direito não há diferença a ser tributada quer pela pessoa jurídica que estiver devolvendo o capital, quer pelo titular, sócio ou acionista que estiver recebendo a devolução Notas: O titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, que tiver recebido a devolução da sua participação no capital deverá registrar o ingresso do bem ou direito pelo valor contábil ou de mercado, conforme a avaliação da pessoa jurídica que estiver devolvendo o capital. A diferença entre o valor de mercado dos bens ou direitos e o valor contábil da participação extinta não constituirá ganho de capital tributável para fins do imposto de renda, podendo ser excluída na determinação do lucro real ou não ser computada na base de cálculo do lucro presumido ou arbitrado. Normativo: Lei n 9 9.249, de 1995, art. 22; RIR/1999, art. 419; e IN SRF n9 11, de 1996, art. 60." (Acórdão n° 1402001.477, j. em 09/10/2013 fls. 17 g.n) A tese fiscal é tão absurda que, se for considerada como válida, chegarseia ao despautério de se considerar que, por exemplo, um intermediário teria incorrido no fato gerador do tributo no lugar do proprietário do bem, somente porque as negociações foram conduzidas por ele. Não importa, para fins da legislação de regência imposto de renda/contribuição social, quem negociou. O que importa é quem realizou a venda. E no presente caso é incontroverso que a venda das cotas da G4 foi concretizada por Cláudio e Fabio, e não pela Impugnante. Mencionese, novamente, o entendimento do CARF que, por diversas vezes já se manifestou sobre a improcedência de autuações fiscais que, a exemplo do que ocorreu no presente caso, desconsideraram operações de redução de capital a valor contábil com o intuito de devolver os bens para a pessoa física: (...) II.3.1 Da Impossibilidade de Ingerência do Fisco na Atividade do Contribuinte Da Opção Legal da Impugnante Da descrição feita no tópico "II.2 Da Análise dos Fatos Efetivamente Realizados 'Análise do Filme'", aliada aos esclarecimentos feitos no item anterior, é possível constatar que a operação realizada pela Impugnante é legítima, consubstanciada em legislação expressa, e não representa um "planejamento abusivo", com a prática de atos artificiais ou abuso de forma, de modo que os autos de infração lavrados são totalmente improcedentes. Consequentemente, é evidente que os autos de infração ora combatidos consistem em interferência do Fisco (decorrente de seu mero inconformismo) na atividade da Impugnante, o que não pode ser admitido, conforme se passa a demonstrar. Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.327 19 É cediço que não pode o Fisco adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares realizados na administração da sociedade empresária. Deveras, a liberdade de autoorganização sempre foi tida como resultado das garantias asseguradas por diversos princípios constitucionais. O mais importante deles, o princípio da legalidade, é basilar em nosso ordenamento jurídico, estando previsto de forma genérica no artigo 5o, inciso II, da Constituição Federal, e, dada sua cabal importância, adotado específica e expressamente para fins tributários no artigo 150, inciso I, do mesmo diploma. Neste exato sentido, confiramse as lições do doutrinador Alberto Xavier a respeito do tema, afirmando a impossibilidade de o Fisco, por razões de ordem fiscal, reprimir a liberdade de gestão do contribuinte: "(...) os princípios da legalidade e da tipicidade da tributação constituem uma garantia individual que tem por objeto proteger os direitos do homem consistentes no direito de propriedade e no direito de liberdade econômica, no qual se inclui a liberdade de contratar, facultando a segurança jurídica de que os atos sujeitos a tributação são exclusivamente os que constam de um catálogo taxativo de tributos. (...) Por sua vez, o princípio da liberdade de contratar, corolário do princípio da livre iniciativa não está, nem pode estar, sujeito a qualquer restrição infraconstitucional com fundamento em razões de ordem fiscal. (...) A liberdade econômica é um 'direito fundamental'. A Constituição considera a livre iniciativa fundamento da República Federativa do Brasil." (g.n.). Este entendimento é também adotado pelo Professor Luís Eduardo Schoueri, que complementa o fato de os empreendedores terem o direito de se organizar da forma que melhor lhes convier, em razão da liberdade de iniciativa. Vejamse estas lições: "Ganha relevância, na Ordem Constitucional, o princípio da livreiniciativa, arrolada, juntamente com a valorização do trabalho, como fundamentos da Ordem Econômica, no artigo 170, da Constituição Federal. Liberdade de iniciativa exige autonomia privada: os empreendedores devem poder organizarse da forma como melhor lhes convier, inclusive buscando a menor carga tributária possível. Não cabe ao Estado tolher a liberdade de autoorganização, já que a Ordem Econômica prevê que da criatividade do empresário se atinge maior eficiência entre os agentes econômicos. D", (g.n.) Efetivamente, havendo norma que permita à pessoa jurídica realizar a operação de determinada maneira, não se pode proibir o contribuinte, como ocorreu no caso concreto, de agir em conformidade com a legislação, partindose de premissas baseadas exclusivamente em fins arrecadatórios, sob pena de se afrontar a liberdade contratual; a liberdade de exercício da atividade econômica e a autonomia da vontade das partes contratantes, que são verdadeiros princípios constitucionais. Nesse mesmo sentido, mencionese novamente trecho do acórdão n° 1402001.472: "Com efeito, à luz das razões explicitadas, forçoso concluir que estamos diante da hipótese de opção fiscal legalmente estabelecida (devolução de participação no capital social a valor contábil), que toma legítima a conduta adotada pelos acionistas pessoas físicas." (fls. 11 g.n.) Também vale mencionar os ensinamentos do prof. Humberto Ávila17, o qual leciona que o Estado não tem apenas o dever de não restringir o modo que o contribuinte realizará seus negócios jurídicos (em observância da lei), mas também tem o dever de proteger esta liberdade, verbis. "(...) A Constituição Federal assegura o direito fundamental de liberdade geral (artigo 5°) e de liberdade de exercício da atividade econômica, (artigo 170). Fl. 3327DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.328 20 2.2.2.1.2. Essa liberdade abrange a autonomia da vontade e esta inclui a liberdade contratual. Esta liberdade abrange a livre decisão com relação a se, com quem e sobre o que o negócio jurídico será celebrado. A liberdade contratual envolve, portanto, a liberdade quanto à forma, ao conteúdo e aos sujeitos dos negócios jurídicos. 2.2.2.1.3. Sendo assim, o Estado, seja na instituição da lei, seja na sua aplicacão. não pode obrigar o contribuinte a adotar determinada forma societária, a escolher as sociedade com quem irá contratar, a definir o tempo de duração da sociedade que deseja criar ou a fixar o modo como vai adquirir e pagar por uma participação societária. Mais ainda, o Estado não tem apenas o dever de não restringir essa liberdade, como também tem o dever de protegêla. (...) 2.2.2.1.5. Isso significa que o cidadão deve poder acreditar que a Administração e o Judiciário não irão ultrapassar as hipóteses normativas. Mais, ele deve poder exercer os atos de disposição de sua liberdade e da sua propriedade com fundamento na base legal que lhe é imposta e da qual tenha conhecimento" Segundo esse entendimento, conjugada aos princípios da livre iniciativa e o da garantia à propriedade privada, dispostos no artigo 170 da Constituição Federal, temse que o planejamento tributário é legítimo quando se vale de meios não vedados expressamente em lei para produzir o efeito da economia fiscal18. Neste diapasão, citese o entendimento proferido pelo I. Conselheiro do E. CARF, Alberto Pinto, relator do Acórdão n° 1302001.150, verbis: "O entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária (causa extra tributária) é apenas uma teoria sem amparo no Direito posto. A finalidade da sociedade empresária é maximizar seus lucros, pelo aumento do faturamento e redução de custo, o que é legítimo desde que suas condutas sejam lícitas. Ademais, ainda que não houvesse a vontade de perpetuar a BERTOLINO, não houve simulação na geração do ágio, pois esse seria gerado fosse a subscrição feita diretamente pela 1700480 ONTARIO INC ou por meio da sua controlada brasileira BERTOLINO. Por sua vez, a opção legal de fazer a subscrição por meio da BERTOLINO, de forma a possibilitar a transferência do ágio para a MTE foi possibilitada por expressa autorização legal do art. 8º da Lei 9.532/97. (...) De plano afasto essa hipótese, pois, diante de dois caminhos legais, não estaria obrigado o investidor estrangeiro a optar pelo mais oneroso tributariamente (...). (g.n.) Como se vê, o próprio CARF admite que se o contribuinte pode encontrar na legislação mais do que um caminho, sendo um deles, inclusive, menos oneroso, mas perfeitamente legítimo, poderá escolhêlo posto que representa uma opção (legal) que lhe for mais conveniente. Ressaltese, ainda, que a opção legal deve, necessariamente, estar no campo da legalidade, devendo existir uma norma de apoio para que o contribuinte faça a opção mais econômica. Assim sendo, aplicandose os entendimentos acima ao presente caso, não é possível falar em "planejamento tributário abusivo", uma vez que foi feita uma redução de capital a valor contábil, o que é expressamente permitido pelo já transcrito art. 22 da Lei n 9.249/95. Ou seja, a Impugnante cumpriu exatamente o quanto disposto no texto legal. Não há "planejamento abusivo" ou abuso de forma, nem qualquer infração que justifique a manutenção dos lançamentos em questão. Com efeito, reiterese, por meio do art. 22 da Lei 9.249/95 o legislador facultou ao contribuinte (pessoa jurídica) devolver bens do seu ativo para seus sócios a valor contábil e não de mercado. A consequência dessa opção legal é que a tributação Fl. 3328DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.329 21 incidirá sobre a pessoa física, quando da venda de tais bens, e não mais sobre a jurídica. A tributação menos onerosa é mera consequência da própria legislação do imposto de renda que distingue as alíquotas incidentes sobre o ganho de capital quando este ganho é apurado na empresa ou pelo sócio. Sendo assim, se o próprio legislador permite ao contribuinte (pessoa jurídica) reduzir o capital com a devolução de bens avaliados a valor contábil a seus sócios, para que não incida tributação sobre eventual ganho de capital, não há qualquer lógica em considerar tal opção um "planejamento abusivo" ou decorrente da prática de abuso de forma, como ocorreu no presente caso. Caso contrário, assumirseia que o art. 22 da Lei 9.249/95 é letra morta, uma vez que a aplicação do valor de mercado seria obrigatória, para que o contribuinte não corresse o risco de ser autuado por suposto "planejamento abusivo", sendo obrigado a pagar o IRPJ e a CSLL, acrescidos de juros e multa, em hipótese que o próprio legislador possibilitou seu diferimento para o momento da alienação do bem pelo sócio. Vale mencionar, ainda, que nem mesmo a redução de capital a valor de mercado afastaria o risco de autuação, segundo o entendimento presuntivo e inadequado do Sr. Agente Fiscal. Isso porque, imaginandose que a Impugnante tivesse apurado prejuízo no ano de 2010 e a redução de capital tivesse sido feita a valor de mercado, o ganho apurado pela pessoa jurídica seria neutralizado pelo prejuízo, implicando na ausência de tributação desse ganho. Nesse caso, certamente a RFB autuaria a Impugnante por considerar que a operação seria abusiva, com vistas a evitar a tributação do ganho de capital por ter sido realizada em um anobase no qual se apurou prejuízo fiscal. Esse exemplo ilustra claramente que o que se pretende com os autos de infração ora combatidos é, tão somente, interferir no direito de escolha do contribuinte sobre a melhor forma de gerir seus negócios, em razão de puro inconformismo por parte da autoridade fiscal. O antigo Conselho de Contribuintes, em inúmeras oportunidades se manifestou quanto à impossibilidade do Fisco interferir na gestão empresarial dos entes privados, como se pode depreender das ementas abaixo reproduzidas: "IRPJ DEDUTIBILIDADE DE DESPESA EM FUNÇÃO DA SUA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA. O fundamento de que o negócio realizado não seria necessário ou não guardaria pertinência com a atividade da empresa, não se mostra suficiente para justificar a glosa de despesa gerada pelas perdas originadas de operações no mercado financeiro, mesmo porque que a decisão sobre o tipo de operação que se deva realizar, visando a obtenção de lucros legítimos, acoplados à manutenção da saúde financeira da empresa, é uma questão essencialmente gerencial que traz consigo um componente de risco que deve ser levado em consideração, descabendo a terceiros o direito de interferir ou fazer injunções a respeito da oportunidade ou viabilidade da operação." (Acórdão n° 10706934; g.n.) "GLOSA INDEVIDA DE DESPESAS FINANCEIRAS A fiscalização não pode se investir no papel de empresário para julgar a forma pela qual os contribuintes devem gerir seus próprios recursos." (Acórdão n° 10804.820; g.n.) Aplicandose o entendimento já sedimentado da doutrina e da jurisprudência administrativa ao caso concreto podese concluir, perfeitamente, pela indevida ingerência do Fisco na atividade empresarial da Impugnante ao classificar a operação de redução de capital e devolução das cotas da G4 aos sócios Cláudio e Fabio como "planejamento tributário abusivo". Diante de todo o exposto, constatase que o procedimento adotado pela Impugnante é completamente legítimo, à luz da legislação de regência e dos princípios constitucionais, que asseguram o direito a livre iniciativa do contribuinte, sendo, portanto, absolutamente válida a opção legal pela redução de capital, a valor contábil, para a devolução de patrimônio aos sócios, nos exatos termos expostos no Fl. 3329DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.330 22 presente processo, motivo pelo qual esta E. Turma Julgadora deverá determinar o cancelamento das autuações originárias do presente processo administrativo II.4 Da Impossibilidade da Imputação da "Multa Agravada/Qualificada" Demonstradas a legalidade e a legitimidade da operação realizada pela Impugnante, cabe analisar a improcedência da grave e descabida acusação de que teria havido algum tipo de sonegação, fraude ou conluio, nos termos da Lei n° 9.430/96 com o intuito de se diminuir o tributo devido. No Termo de Verificação Fiscal, o Sr. Agente Fiscal considerou aplicável a multa agravada no percentual de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º da Lei n° 9.430/96. Para tanto, alega o Sr. Agente Fiscal, sem maiores justificativas, como já mencionado, que teria havido uma espécie de fraude, com base em "planejamento tributário abusivo e fraudulento", com o objetivo de reduzir o valor dos tributos devidos: Por tudo o que foi demonstrado entendemos ter ficado patente a pratica, deliberada, de planejamento tributário abusivo e fraudulento, justificandose a qualificação da multa, pois ficou inequívoca a intenção da contribuinte em se aproveitar de um procedimento, unicamente, que propiciasse a econômica tributária. (fls. do TVF) Contudo, não pode prosperar a imposição da multa agravada por parte do Sr. Agente Fiscal, uma vez que não houve, no presente caso, dolo ou qualquer tipo de sonegação, fraude ou conluio nas operações societárias realizadas pela Impugnante. De fato, como já mencionado de forma exaustiva, a Impugnante cumpriu exatamente com o quanto disposto na Lei n° 9.249/95, que autoriza a redução de capital a valor contábil, com a devolução dos bens aos sócios. Ainda, a posterior venda de tais bens pelos sócios pessoas físicas, aplicandose a alíquota no percentual de 15% sobre o ganho auferido, é mera consequência, também amparada pela legislação fiscal. Assim sendo, antes de mais nada, é preciso mencionar ser impossível sustentarse a aplicação de multa qualificada no presente caso, pois, como foi demonstrado no decorrer da presente impugnação, além da previsão legal expressa autorizativa da operação em questão (art. 22 da Lei n° 9.249/95), há diversos precedentes do CARF, em casos análogos, validando o procedimento adotado pela Impugnante. Esse fato excluí, por si só, o elemento necessário para a qualificação da multa, qual seja, o dolo. De fato, não há que se falar em dolo em sonegar ou fraudar, quando há farta jurisprudência administrativa referendando exatamente o mesmo procedimento condenado nos autos pela fiscalização. Ademais, um outro fator que corrobora a necessidade do cancelamento da multa qualificada é que o Sr. Agente Fiscal qualificou genericamente a conduta da Impugnante como fraudulenta, sem apontar expressamente se se trataria de sonegação, fraude ou conluio condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 , às quais o artigo 44, § 1º da Lei n° 9.430/96 faz referência. Houve apenas a citação de tais artigos pelo Sr. Agente Fiscal sem qualquer correlação com os fatos praticados pela Impugnante. Nesses termos, o fato de a Fiscalização sequer ter esclarecido, de maneira pormenorizada, que a operação praticada pela Impugnante estaria, supostamente, eivada por sonegação, fraude ou conluio, por si só, já é suficiente para o cancelamento da multa qualificada, pela ausência de fundamentação. É manifesto que cada uma das alegações fiscais deve ser devidamente motivada, e quando isto não ocorre, a alegação é infundada, devendo ser afastada pela Autoridade Julgadora (tal como desenvolvido de forma exaustiva em sede de preliminar item II.1). Fl. 3330DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.331 23 Conforme se demonstrou nos presentes autos, a Impugnante não incorreu em nenhuma ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e (ii) das condições pessoais de contribuintes, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Também não houve pela Impugnante a pratica de atos tendentes a modificar as características do fato gerador do ganho de capital. Reiterese que a alienação das quotas da G4 se deu pelos sócios pessoas físicas, que efetivamente apuraram o ganho de capital (fato gerador) e ofereceram o montante auferido a tributação a alíquota de 15%, tal como dispõe a legislação acerca da matéria. De fato, nenhuma dessas ações ou omissões dolosas foi praticada pela Impugnante, razão pela qual não há como se admitir a alegação de que teriam sido praticados atos com o "intuito de diminuir o tributo devido" já que todas as operações realizadas pela Impugnante foram declaradas e jamais foram omitidas de nenhuma Autoridade. Segundo De Plácido e Silva, para que fique caracterizado o dolo, indispensável para a configuração da fraude e da sonegação, é necessário que se verifiquem os seguintes requisitos: "a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; b) que a manobra ou artifício tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada; c) uma relação de causa e efeito entre o artifício empregado e o contrato por ele conseguido; d) a participação intencional de um dos contraentes no dolo." (g.n.) Assim, de acordo com o renomado jurista, o dolo "é ato de máfé, razão por que se diz fraudulento, sendo, como é, o intuito da própria fraude, ou de fraudar, pois sem fraude ou prejuízo preconcebido não se terá dolo em seu exato sentido." (g.n.) Com efeito, age com dolo todo aquele que tem o ânimo de prejudicar ou fraudar alguém; todo aquele que intencionalmente adota uma conduta com o objetivo de fraudar. Neste sentido, o que distingue os institutos viciantes dos negócios jurídicos do erro e do dolo é que: (i) no erro a circunstância que acarreta o vício é espontânea, (ii) no dolo o vício é provocado, é praticado intencionalmente por uma das partes. Ainda, para que se caracterize o vício do dolo em uma relação jurídica, não basta que uma das partes atue com a vontade de prejudicar outrem. É necessária, também, a prova cabal de que houve a intenção perniciosa. São estes, também, os ensinamentos de Celso Antonio Bandeira de Mello: "Inexiste no Direito qualquer princípio que erija a má fé em regra ou em critério de interpretação. Pelo contrário, notadamente em matéria de penalizações, tenham o caráter que tiverem, é vedada presunção de tão desabusado teor. A assertiva parece óbvia, dispensando justificações. Com efeito, os administrados não estão, ante o Estado, na posição de suspeitos de malícia até prova em contrário, mas, opostamente, na posição de insuspeitos desta coima até prova adversa. O que se vem de dizer é, quando menos, uma inerência do Estado de Direito. Este se caracteriza por uma posição de respeito aos cidadãos, donde não pode assumir, em face deles, atitude inquisitorial. Demais disso, a prova negativa, como se sabe, é extremamente tormentosa. Se fora dever do administrado provar a boa fé em seus atos, pena de ser havido por malicioso, sua posição jurídica revestirseia da mais completa insegurança idéia Fl. 3331DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.332 24 igualmente antinômica à de Estado de Direito, cujo objetivo é conferir garantia, segurança, aos cidadãos perante os poderes constituídos. Maiormente ante o jus puniendi do Estado, quer se manifeste na via penal, quer se expresse na via administrativa, inclusive tributária, incumbe ao Poder Público provar má fé no comportamento do contribuinte, se quer tomála como embasamento para apenálo. Por isso não faz sentido exigir do administrado, como condição para eximir se de um apenamento, que prove ter atuado de boa fé, quando a conduta em si mesma, não seja contrária ao Direito. É dizer: se a contradição com o Direito depende, para sua caracterização, da existência de má fé, não se pode pretender que o administrado preliminarmente faça prova de que não incidiu neste vício. Em casos que tais, é o Poder Público quem deve provar a má fé de alguém ao qual irrogue estar incurso neste vício. Calha referir, ademais, que sequer é admissível deduzila com base em mera suspeita. Suspeita não é prova. Nem mesmo se pode supor que o simples indício autorize concluir pela má fé. Indício não é prova; é elemento de suspeita. Prova é fator de convencimento. Corresponde ao fato ou concurso de fatos cuja existência ou relacionamento conduzem a uma convicção. O indício faz irromper uma dúvida e leva à suspeita. A prova dirime a dúvida e confirma a suspeita, por que desemboca na demonstração, que gera o convencimento. Assim, se a infração fiscal depender de uma ausência de boa fé por parte do contribuinte, o Fisco só pode apenálo se houver prova de má fé. Reversamente, se a infração independe de má fé, a boa fé será irrelevante para descaracterizála, donde será um sem sentido pleitear do administrado que a demonstre como meio de absolverse do apenamento. Sem sentido, igualmente, será o penalizálo, em hipótese desta ordem, argüindo que não fez prova da lisura de intenção." (g.n.) No mesmo sentido, Lourival Vilanova, que bem demonstra a necessidade de prova produzida pela autoridade administrativa, como fundamento de cobrança de um tributo e aplicação de penalidades: "A necessidade de haver prova cabal do cometimento de ilícito fiscal que envolva sonegação, fraude ou conluio como condição para a aplicação das correspondentes sanções, incumbindo ao fisco o ônus da prova, tem sido reconhecida pela jurisprudência de nossos Tribunais, conforme se pode ler nas seguintes considerações expedidas pelo exPresidente do Tribunal Federal de Recursos, Min. Armando Rollemberg, ao indeferir o processamento de recurso extraordinário interposto pela União Federal, em despacho posteriormente confirmado pelo Supremo Tribunal Federal: É de notarse, que, no caso, cumpria ao fisco comprovar objetivamente o desvio, não podendo contentarse com simples possibilidade. De fato, a quem denuncia incumbe provar a denúncia. E adiante não tem o fisco como impregnar a declaração, justo por isso que não pode provar o contrário. Consequentemente, qualquer lançamento ou multa com fundamento apenas nessa dúvida ou suspeita é ilegal, pois não se pode presumir a fraude que necessariamente deverá ser demonstrada." (g.n.) Pontes de Miranda caminha na mesma linha: "A prova do dolo como causa de anulabilidade, incumbe a quem pede a anulação". Também é este o entendimento manifestado pelo antigo E. Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, inclusive para definir exatamente a aplicação ou não da multa agravada: "IRPJ MULTA AGRAVADA DOLO PROVA PROCEDÊNCIA Comprovado o intuito de reduzir a base de cálculo do IRPJ, mediante a utilização de documentos manifestamente falsos, é cabível a aplicação da multa agravada de 150% art. 72, Lei 4.502/64." (Acórdão n° 10321.204; g.n.) Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.333 25 "1RPF PENALIDADE QUALIFICADA A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada, não presumida, as hipóteses de fraude, dolo ou simulação; assim o descumprimento de obrigação acessória apresentação de DIRPF, não justifica, nem fundamenta a exigência." (Acórdão n° 10419.303; g.n.) "MULTA AGRAVADA A multa agravada somente subsiste quando, nos autos, existe prova inequívoca de fraude, dolo ou simulação, o que não é o caso." (Acórdão n° 10321.280; g.n.) "MULTA AGRAVADA não havendo nos autos elementos de prova suficientes que autorizem o convencimento de prática de fraude ou qualquer outro procedimento no qual o dolo específico seja elementar não prospera a multa agravada." (Acórdão n° 10319.619; g.n.) Deveras, quem age com intuito de fraude/sonegação realiza operações proibidas, não as escritura em seus registros comerciais e fiscais e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações. E mais, adultera documentos, utilizase de documentos calçados e paralelos, pessoas inexistentes ou "laranjas" e de documentos falsos e inidôneos. No presente caso, nenhuma destas condutas foi praticada pela Impuqnante, tendo em vista que: (i) a Impugnante prestou informações que estavam ao seu alcance e forneceu todos os documentos solicitados, que estavam a sua disposição, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho realizado pelo Sr. Agente Fiscal; e (ii) todas as operações foram devidamente registradas e arquivadas nas juntas comerciais competentes e declaradas ao Fisco Federal por meio do cumprimento de todas as obrigações acessórias. Nesse sentido, confirase alguns trechos do TVF que demonstram a apresentação dos documentos solicitados pelo Sr. Agente Fiscal, relacionados à operação em exame, bem como o fato de que o próprio Sr. Agente Fiscal reconhece que as operações societárias praticadas foram registradas nos órgãos competentes: Sobre o assunto, a Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes já se posicionou, conforme se extrai do acórdão abaixo ementado: Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.334 26 "(...) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INEXISTÊNCIA — IMPROCEDÊNCIA Nos chamados 'planejamentos tributários', constituídos de atos devidamente registrados, feitos às claras e cumpridas todas as obrigações acessórias, quando é dado ao fisco conhecer, sem dificuldade alguma, toda a extensão dos negócios engendrados, não cabe a qualificação da penalidade. quando não provada presença de alguma das figuras delituosas." (Acórdão n° 10709.169; g.n.) O Conselheiro Relator do acórdão mencionado, Luis Martins Valero, assim se manifestou em seu voto: "Não vislumbro o intuito de fraude sustentado pela fiscalização a justificar a qualificação da penalidade, pois os negócios jurídicos perpetrados pela recorrente efetivamente ocorreram, são lícitos e foram feitos às claras. (...) Ainda que estivéssemos diante do chamado 'planejamento tributário evasivo', com a única finalidade de economizar tributos, ou seja, com a realização de atos sem propósito negocial, não há como se aplicar a penalidade qualificada. () Nos chamados 'planejamentos tributários', constituídos de atos devidamente registrados, feitos às claras e cumpridas todas as obrigações acessórias, quando é dado ao fisco conhecer, sem dificuldade alguma, toda a extensão dos negócios engendrados, não cabe a qualificação da penalidade, porque não provadas as figuras delituosas requeridas pela lei." (g.n.) Citese, também, por oportuno, a seguinte decisão proferida pela "(...) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INEXISTÊNCIA IMPROCEDÊNCIA As operações societárias praticadas pela recorrente, desqualificadas pelo FISCO porque imputadas de dissimuladas (simulação relativa) porém tidas como possíveis em face de parcela da doutrina e de decisões ainda recentes deste Tribunal, que sustentam tratarse de negócio jurídico indireto , pelas suas próprias características, não podem ser consideradas como praticadas com evidente intuito de fraude, inclusive porque realizadas com toda publicidade aue os atos exigiram. (...)" (Acórdão n° 107 08.837; g.n.) No referido acórdão, o E. Conselheiro Natanael Martins assim manifestouse: Ora, se as operações realizadas pela recorrente, todas elas, foram dotadas da máxima carga de publicidade; se as operações praticadas resultaram informações ao FISCO de sua ocorrência; se as operações foram realizadas com base em doutrina e jurisprudência que lhe atestavam a validade e eficácia; se os atos praticados pelo contribuinte não foram simulados (aqui entendido como simulação absoluta); se, por fim, os atos societários praticados, isoladamente considerados, são válidos daí a afirmação da recorrente de que em verdade praticara negócio jurídico indireto , não vejo como manterse a multa qualificada. Isso em razão da própria aplicação do art. 112 do CTN, ou porque, sobretudo, dos autos do processo não vejo como extrairse das condutas praticadas pela recorrente a presença de dolo específico como vontade de agir, pressuposto da aplicação, penso, da multa qualificada.(...)" (g.n.). Outras decisões do antigo Conselho de Contribuintes caminharam exatamente nesse mesmo sentido, como se depreende da leitura das ementas abaixo colacionadas: "PENALIDADE QUALIFICADAINOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE ERRO DE PROIBIÇÃO ARTIGO 112 DO CTN SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudenciais contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.335 27 na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal." (Acórdão n° 10195.537; g.n.) "MULTA AGRAVADA Descabe o agravamento da multa de ofício prevista no inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96, quando não devidamente comprovado pela fiscalização o evidente intuito de fraude, mormente quando o contribuinte não ocultou a operação praticada, registrando na sua escrita comercial e fiscal toda a operação." (Acórdão n° 10195.141; g.n.) "(...) MULTA QUALIFICADA Ainda que se possa vislumbrar nas condutas da autuada as figuras doutrinárias, e hoje positivadas na legislação civil, da fraude à lei e do abuso de direito, se os atos negociais foram devidamente registrados, feitos às claras e cumpridas todas as obrigações acessórias, quando foi dado ao fisco conhecer, sem dificuldade alguma, toda a extensão dos negócios engendrados, não cabe a qualificação da penalidade, porque não provadas as figuras delituosas requeridas pela lei que autoriza a exasperação da penalidade." (Acórdão n° 107 09.587; g.n.) Não dissente desse entendimento a Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, também afastou a multa agravada imposta pelo Fisco em operações consideradas fraudulentas, justamente porque o contribuinte atendeu a todas as solicitações feitas pelo Fisco e observou a legislação societária, como ocorreu no presente caso: "(...)PENALIDADE QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INOCORRÊNCIA SIMULAÇÃO RELATIVA A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos. (...)" (Acórdão n° 10809.037; g.n.) Vale também transcrever trechos do voto proferido pela I. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro no acórdão acima destacado: "E aqui vemos uma empresa que se partiu mas continuou existindo, o que obriga a considerar tal fato. Diante dessa circunstância, tenho dificuldades para caracterizar a 'evidência' exigida pela lei, cumulada com o 'intuito de fraude' (esta de caráter manifestamente subjetivo), porque as operações ditas simuladas como se tratou de uma sociedade anônima, todos os atos praticados impuseram divulgação e registro nos órgãos públicos, o que foi feito; todas as operações estavam devidamente lançadas na escrituração comercial e fiscal, foram cumpridas, junto à Receita Federal e demais órgãos públicos, as formalidades próprias aos atos de incorporação. O que não deixou dúvidas foi a intenção do Recorrente em economizar imposto. Ele praticou todos os atos que entendeu válidos, na forma da lei para tal fim. Não conseguiu materializar sua vontade mas este é outro aspecto da questão. Contudo não tenho segurança de afirmar que esteve configurado um 'evidente' intuito de fraude, como saltou a vista nos casos anteriormente analisados por este Colegiado nos quais os negócios eram realizados apenas 'de fachada' sem respaldo na verdade material. O Código Tributário Nacional, em seu Livro II Normas Gerais de Direito Tributário, no capítulo IV, onde trata da Interpretação e Integração da Legislação Tributária, deverá ser observado. Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.336 28 Em face das diretrizes estabelecidas pelo art. 112 do CTN, acima transcrito, e ante as circunstâncias apontadas, entendo não estar configurada a evidência do intuito de fraude, exigência legal para agravamento da penalidade, a recomendar a aplicação da multa destinada às infrações não dolosas, prevista no art. 957, inciso I, do RIR/94, então vigente. (...)" (g.n.) Em conclusão: quem age de má fé, quem dissimula, quem simula, perpetra fraude, oculta fatos geradores de tributos, quem quer sonegar tributo certamente não é aquele que (i) leva a registro todos os atos societários relacionados à operação; (ii) apresenta todas as informações ao Fisco Federal, por meio das declarações e obrigações acessórias; (iii) presta todos os esclarecimentos requeridos pela Fiscalização; e (iv) oferece ao Sr. Agente Fiscal todos os documentos que estão ao seu alcance para auxiliar na investigação. Evidente, portanto, a ausência de atos fraudulentos praticados pela Impugnante e a necessidade de cancelamento, por essa E. Turma Julgadora, da multa qualificada lançada nas autuações ora combatidas por não restarem tipificadas as condutas da fraude e sonegação previstas nos artigos 72 e 71, respectivamente, da Lei n° 4.502/64. Por fim, para que não restem quaisquer tipo de dúvidas acerca da necessidade de cancelamento da multa qualificada em questão, nem se alegue, ainda, que a Impugnante teria agido em conluio. Com efeito, o Sr. Agente Fiscal faz menção, no decorrer do TVF, à existência de conluio entre a impugnante e as outras empresas que alienaram as suas participações e adotaram o mesmo procedimento que a Impugnante: Todavia, conforme será demonstrado, não se pode admitir a aplicação da multa agravada em questão pela simples menção feita pelo Sr. Agente Fiscal à prática do conluio. Isso porque, considerase conluio a combinação, um "conchavo", doloso, efetuado entre duas ou mais pessoas, com o objetivo de enganar uma terceira pessoa, ou se furtarem ao cumprimento da lei. Para De Plácido e Silva conluio pode ser assim definido: "Derivado do latim colludium, de cum e ludus, possui, originariamente, o sentido de com jogo. E, na linguagem jurídica, tem, mais ou menos, esta significação, pois que conluio, com o mesmo sentido de colusão (arranjo, combinação), designa o concerto, conchavo, ou combinação maliciosa ajustada entre duas ou mais pessoas, Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.337 29 com o objetivo de fraudarem ou iludirem uma terceira pessoa, ou de se furtarem ao cumprimento da lei." (g.n.) Ora, obviamente não há que se falar em conluio no presente caso. Conluio de quem? Da Impugnante com quem? Para prejudicar quem? Como já foi asseverado anteriormente pela Impugnante, o equívoco do Sr. Agente Fiscal é evidente. Quem auferiu o ganho com a venda da G4 foram as pessoas físicas. A Impugnante não recebeu nenhum benefício econômico decorrente dessa alienação, portanto, é patente a ausência de conluio. Além disso, não houve qualquer descumprimento de norma. Ao contrário, cumpriuse exatamente o quanto disposto na já citada Lei n° 9.249/95. Também já se demonstrou que não houve dolo na operação praticada pela Impugnante; quer pelo fato de ter sido observada estritamente a legislação da regência; quer pelo fato de a jurisprudência administrativa ser pacífica sobre a legalidade da redução de capital societário a valor contábil e a posterior venda pelos sócios pessoas físicas. Assim sendo, tendo em vista a legislação autorizativa {Lei n° 9.249/95), a jurisprudência do CARF que referenda as operações realizadas pela Impugnante, bem como pelas outras empresas apontadas pela fiscalização, é natural que todos os sócios procedessem da mesma forma. Portanto, somente o fato de todos terem realizado operações semelhantes não significa que houve o "conluio" entre eles. O Sr. Agente Fiscal, para sustentar tal acusação, precisaria ter se cercado de provas contundentes de uma combinação por parte das empresas, o que não ocorreu. Isso só demonstra a imprecisão para a tipificação desse tipo penal, que, reiterese, deve ser provado e não presumido. Não há prova nos autos de que a Impugnante tenha praticado qualquer irregularidade. O que há é apenas a alegação, subjetiva e presuntiva, de que a Impugnante teria realizado um "planejamento tributário abusivo" e que, portanto, teria cometido irregularidades em sua reorganização societária. Assim, a acusação fiscal formulada não é razoável, é desproporcional e evidencia ofensa aos princípios da legalidade tributária, da razoabilidade e da utilidade. O poder discricionário das autoridades administrativas, que geralmente se traduz em atos administrativos, deve obedecer limites, sob o risco de se tornar uma ferramenta para atos arbitrários. Sobre esse assunto, vale mencionar a manifestação do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte contra os abusos do poder discricional, como se observa de uma histórica decisão proferida nos autos da Apelação n° 1.422, tendo por Relator o Desembargador Canindé de Carvalho (Revista Forense, 121, de 1949, página 209), a seguir transcrita em parte: "Mas, onde se diz competência discricionária não se diz arbítrio. A competência discricionária não se exerce acima ou além da lei, senão como toda e qualquer atividade executória, com sujeição a ela; não autoriza, adverte GOODNOW, 'tomar medidas arbitrárias, caprichosas, inquisitoriais ou opressivas' (Les Príncipes du Droit Administratif des EtatsUnis, pág. 383). (...) Idêntico é o critério preconizado por FLEINER; 'Não são apenas as limitações extrínsecas que a autoridade tem de respeitar, senão também certas limitações internas que são impostas ao seu poder discricionário: à autoridade é proibido expedir ordens por capricho, utilizando a sua competência; ao exercer aquele seu poder discricionário não pode impor o seu arbítrio em cada caso particular, mas, sim, atender aos fatores que a lei quer que se tenham em consideração. Juridicamente falando, o abuso do poder discricionário equivale a uma exorbitância dos limites legais'", (g.n.) Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.338 30 Resta claro, assim, que a exigência fiscal, com a aplicação de penalidade qualificada extrapolou qualquer limite, seja do exercício do poder discricionário inerente à Administração Pública, seja imposto pela legislação em vigor. Vale mencionar, novamente, que a Impugnante não alterou ou dissimulou o fato gerador da obrigação tributária e tampouco excluiu ou modificou as suas características essenciais. A estrutura societária adotada foi implementada e realizada com total transparência de propósitos, devidamente registrada e informada aos órgãos competentes, e de acordo com a legislação vigente (art. 22 da Lei 9.249/95). Portanto, pelo exposto, não restou comprovada qualquer prática dolosa pela Impugnante, não houve a fraude, sonegação ou conluio necessários à imposição da multa agravada no presente caso, razão pela qual deve essa E. Turma Julgadora cancelar os lançamentos correspondentes à aplicação da multa de ofício no percentual de 150% incidente sobre os valores cobrados nos autos desse processo. II.5 Da Impossibilidade de Exigência da Multa em caso de Dúvida Além disso, há outro fator capaz de afastar, na remota hipótese de os argumentos acima não serem acolhidos por esta E. Turma Julgadora, a exigência da multa formalizada contra a Impugnante. Isso porque, caso seja decida pela manutenção dos lançamentos que deram origem a este processo, o que se alega ad argumentandum, pelo voto de qualidade, isto é, por meio de julgamento em que houve empate de votos, é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração. Ocorre que, a exigência de valores a título de penalidades não se coaduna com a dúvida, conforme se afere do artigo 112 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado/ em caso de dúvida quanto: (...)". Nesse sentido, entendimento de Luís Eduardo Schoueri, o qual, fazendo alusão às infrações, assevera que "não poderá prevalecer o tratamento mais gravoso decidido por estreita maioria — ou, ainda mais evidente, pelo voto de qualidade deixando de lado a dúvida objetivada peio entendimento da minoria" (g.n.). Deste modo, caso reste inequívoca a presença da dúvida quanto à correção das autuações originárias da presente lide, requerse que esta E. Turma Julgadora reconheça, ao menos, que não será possível manter a multa de ofício exigida da Impugnante. II.6 Ad Argumentandum Da Vedação ao Confisco Como se não bastassem os argumentos acima, suficientes para o cancelamento da multa qualificada, há que se mencionar ainda que a multa de ofício aplicada tem caráter confiscatório, não devendo prevalecer, conforme entendimento do plenário do Supremo Tribunal Federal, inclusive em sede de Repercussão Geral. II.8 Ilegalidade da Cobrança dos Juros sobre a Multa Ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. É o que se passará a demonstrar. Os responsáveis solidários também apresentaram impugnação, alegando, em síntese, às fls. 1.735/2.050): II DAS PRELIMINARES Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.339 31 II. 1 Da Falta de Motivação da Responsabilidade Solidária Atribuída ao Impugnante II.2 Da Confusão Entre Institutos de Solidariedade Tributária que Não se Relacionam / Excludentes Entre Si Artigo 124 (Licitude) X Artigo 135 (Ilicitude) III DO DIREITO III. 1 Das Razões Expostas pela Construtora Coveg Limitada em sua Impugnação III.2. Inexistência de Responsabilidade Tributária do Impugnante III.2.1 Inaplicabilidade do Inciso I do Artigo 124 Não caracterização da Responsabilidade Solidária em Razão da Ausência de "Interesse Comum" III.2.2 Da Falta de Comprovação de Intuito Doloso – Impossibilidade de Aplicação do Artigo 135 do CTN III.2.3 — Da não Ocorrência de Atos Praticados com Excesso de Poderes ou Infração de Lei, Contrato Social ou Estatutos III.3 Da Não Ocorrência de Fraude e da Inexistência de Dolo – Impossibilidade de Aplicação da Multa Agravada III.4 – Ad Argumentandum Da Indevida Desconsideração pela Autoridade Fiscal do Imposto de Renda Recolhido pela Pessoa Física Em julgamento realizado em 26 de janeiro de 2017, a 1ª Turma da DRJ/RPO considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1464007 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PRELIMINAR. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO JURÍDICO. DESCABIMENTO. Não há razão a alegação, em preliminar, de ausência de fundamento jurídico, quando a Autoridade Lançadora, em face de operação simulada, lança de ofício com fulcro no art. 149, inciso VII do CTN, descrevendo no Termo de Verificação Fiscal e nos Autos de Infração os dispositivos legais que amparam a constituição do crédito tributário. ANÁLISE DOS FATOS EM CONJUNTO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. É justamente com a análise sistêmica dos atos que se permite concluir que não houve o propósito negocial dos negócios celebrados, os quais existiram apenas para surtir efeitos tributários. AUSÊNCIA DE PLANEJAMENTO ABUSIVO. LEGALIDADE E LEGITIMIDADE DAS OPERAÇÕES. Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.340 32 Para produzir efeitos tributários, é necessário que os eventos sejam apresentados de acordo com a substância dos atos e não meramente com forma lícita. Não se deve aceitar como lícito um planejamento tributário que envolva contratos “vazios”, desprovidos de causa geradora, porquanto visam retratar negociação que existe apenas para economizar tributos que são devidos. IMPOSSIBILIDADE DE INGERÊNCIA DO FISCO NA ATIVIDADE DO CONTRIBUINTE. Ao Fisco sempre foi possível, conforme comando do art. 149 do CTN, socorrerse aos conceitos de direito privado (simulação) para afastar meras formalidades em detrimento da materialidade da obrigação tributária. Não se trata de faculdade, e sim de dever, consoante o parágrafo único do art. 142 do CTN, visto que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo transparecer o que de fato ocorreu para o surgimento da obrigação tributária correspondente. Sob a égide da livre iniciativa, não pode o interessado praticar atos unicamente para eximirse das obrigações tributárias, devendo a Autoridade Fazendária, em face dessa circunstância, obrigatoriamente, identificar o real fato gerador e efetuar o lançamento dos tributos devidos. MULTA QUALIFICADA. Não há como afastar a imputação fiscal de planejamento tributário abusivo e fraudulento e a consequente aplicação da multa qualificada se descritas pela Fiscalização circunstâncias que demonstram a ocorrência de negócios jurídicos simulados, os quais foram celebrados com o único objetivo de esquivarse da tributação que, de qualquer outra forma escolhida, seria incidente. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA EM CASO DE DÚVIDA. Demonstrada evidente intenção de se burlar a norma e se esquivar do pagamento do tributo devido, não há dúvida quanto ao cabimento da multa tributária. VEDAÇÃO AO CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA NAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. Nos termos do § 5º do art. 19 da Lei 10.522/02, somente após a manifestação da PGFN é que as decisões dos órgãos julgadores devem reproduzir o entendimento sobre as matérias a que se refere o caput do citado artigo. DESCONSIDERAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RECOLHIDO PELA PESSOA FÍSICA. Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.341 33 Para que haja a compensação, os débitos devem ser próprios, ou seja, pertencer ao mesmo sujeito passivo que apurou o crédito que se deseja compensar. ILEGALIDADE DA COBRANÇA DOS JUROS SOBRE A MULTA Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Demonstrado pela autoridade lançadora que os envolvidos agiram, com interesse comum, celebrando negócios unicamente para não recolher os tributos que são devidos conforme previsão legal, devem então ser obrigatoriamente incluídos no polo passivo da exigência tributária. AUSÊNCIA DE INTERESSE COMUM. É solidária a pessoa que atua de forma direta, que realiza individualmente ou com outras pessoas os atos que resultam na situação que dissimula o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação ativa com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE INTUITO DOLOSO. Celebrar negócio jurídico, sem propósito negocial, unicamente para eximirse do pagamento de tributo devido, configura o intuito doloso. NÃO OCORRÊNCIA DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO SOCIAL. Podese evitar o surgimento da obrigação tributária, pois ninguém é obrigado a realizar o fato gerador do tributo. Também em face de diversas opções, pode o interessado escolher aquela que haja menor incidência tributária. Não pode, no entanto, com o único fim de pagar menos tributos, simular um negócio sem causa que justifique a sua existência. Agindo desse modo, há a ilicitude repelida pela ordem jurídica. SIMULAÇÃO. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a prática de atos simulados, com o único propósito de esquivar se das obrigações tributárias, realizados por meio de uma fraude perpetrada entre as partes envolvidas, deve ser qualificada a multa de ofício exigida. PEDIDO DE REGULARIZAÇÃO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. Pedido de Regularização Fiscal apresentado não será conhecido por tratar de matéria que não se submete ao rito do Decreto 70.235/72, portanto estranha à competência deste órgão julgador, nos termos do art. 233 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela PORTARIAMFNº203,DE14 DE MAIO DE 2012 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.342 34 Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 2.704/2.803, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Preliminarmente: Esclarecimentos Iniciais sobre o Presente Caso e a Decisão ora Recorrida; Do Direito: Da Ausência de Fundamento Jurídico para a Lavratura e Manutenção do Lançamento Fiscal; Da Análise dos Fatos Efetivamente Realizados – “Análise do Filme”; Da Legalidade e Legitimidade das Operações Realizadas – Ausência de “Planejamento Abusivo”; Da Impossibilidade de Ingerência do Fisco na Atividade do Contribuinte – Da Opção Legal da Recorrente; Da Impossibilidade da Imputação da “Multa Agravada/Qualificada”; Inexigibilidade de Multa e Juros nos Termos do Inciso III do Artigo 100 do CTN; Da Impossibilidade de Exigência da Multa em caso de Dúvida; Ad Argumentandum Da Vedação ao Confisco; Da Indevida Desconsideração pela Autoridade Fiscal do Imposto de Renda Recolhido pelas Pessoas Físicas; Ilegalidade da Cobrança dos Juros sobre a Multa; Esclarecimentos sobre o Comunicado CADIN Emitido em Face da Recorrente e o Pedido de Regularização Fiscal não Conhecido pela DRJ; Os responsáveis solidários apresentaram também Recursos Voluntários às fls. 2902/3.074 e 3.077/3.249, alegando, em síntese: Preliminarmente: Esclarecimentos Iniciais sobre o Presente Caso e a Decisão ora Recorrida; Da falta de motivação da Responsabilidade Solidária atribuída ao Recorrente; Da confusão entre institutos de solidariedade tributária que não se relacionam/Excludentes entre si art. 124 (licitude) x Artigo 135 (ilicitude); Do Direito: Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.343 35 Das Razões expostas pela Construtora Coveg Limitada em Seu Recurso Voluntário; Da inexistência de responsabilidade Tributária do Recorrente Da Inaplicabilidade do inciso I do art. 124 Não caracterização da responsabilidade Solidária em razão da ausência de "Interesse Comum" Da falta de comprovação de intuito doloso impossibilidade de aplicação do art. 135, do CTN; Da não ocorrência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; Da não ocorrência de fraude, sonegação ou conluio e da Inexistência de dolo impossibilidade de aplicação da multa agravada; Do princípio da pessoalidade da pena; Ad Argumentandum Necessidade de compensação do IRPF recolhido sobre o Ganho de Capital pelo Recorrente; A PGFN apresentou Contrarrazões aos Recursos Voluntários, às fls. 3.257/3.306, com os seguintes pontos: Das operações formalmente realizadas; Das preliminares suscitadas pela recorrente Da suposta falta de fundamento legal do lançamento; Do fundamento do auto de infração em casos de planejamento tributário; Da caracterização do planejamento tributário abusivo; – planejamento tributário abusivo – ausência de propósito negocial na reorganização; – problemas apontados pela autoridade responsável pelo lançamento; Da vantagem do planejamento tributário abusivo; Da aplicação da multa qualificada de 150%; Da inaplicabilidade do art. 112 do ctn em caso de voto de qualidade; Da incidência de juros sobre a multa. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 20/09/2017. Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.344 36 É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ e CSLL no regime do lucro real, relativo ao anocalendário de 2010, totalizando o crédito tributário de R$69.671.143,71, incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. Atribuiuse ainda responsabilidade solidária aos diretores da empresa autuada, nos termos dos arts. 124, I, do CTN. A recorrente foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RPO e intimada ao recolhimento dos débitos em 15/02/2017 (AR de fl. 2.699), e apresentou em 15/03/2017, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 2.704/2.806. Os responsáveis solidários também foram intimados na mesma data (AR de fls. 2.700 e 2.701), e também apresentaram os respectivos Recursos Voluntários na mesma data, às fls. 2.902/3.074 e 3.077/3.249. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivos, deles conheço. A ação fiscal identificou planejamento tributário abusivo e fraudulento, o que teria possibilidade a tributação do ganho de capital apurado na venda das cotas da Holding G4 Participações S. P. E. Ltda (G4) pela alíquota de 15% ao invés de 34%. Preliminarmente, alega a recorrente que a ausência de fundamento jurídico para a lavratura e manutenção do lançamento fiscal. Sustenta que o lançamento fiscal não possuía qualquer base legal capaz de sustentálo, de tal forma que a DRJ entendeu que o crédito tributário cobrado teria fundamento no art. 149, VII c.c. com o art. 142, do CTN. Que no TVF a autoridade fiscal não indicou qualquer dispositivo da legislação que teria sido infringido ou não observado pela recorrente., justificando o lançamento tãosomente em planejamento abusivo em conluio com as demais proprietárias da SPVIAS. Da análise do TVF verificamos que o autoridade fiscal efetuou o lançamento em decorrência da apuração de ganho de capital não tributado pelo recorrente, tendo havido em seu entendimento um planejamento tributário abusivo, por parte da recorrente ao alienar a participação societária que detinha na G4. Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.345 37 E de fato, disso se defende muito bem a recorrente em suas razões de defesa a serem enfrentadas à frente na análise do mérito. Assim, não entendo que tenha ocorrido nenhum tipo de cerceamento de defesa ou falta de fundamentação legal que levasse a isso, ou à nulidade do lançamento. Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, deixo de conhecer de quaisquer preliminares argüidas. Do mérito Inicialmente, cabe relatar o passo a passo das operações realizadas que levaram ao lançamento tributário, a fim do entendimento da realidade, conforme TVF. O fator determinan ee para abertura deste exame foi a negociação concluída em 03/08/2010, conforme contrato de compra e venda, quando a COMPANHIA DE PARTICIPAÇÕES EM CONCESSOES S/A, CPC, adquiriu a participação acionária da empresa HOLDING G4 PARTICIPAÇÕES S.P.E. LTDA. G4, que detinha 20,16% de participação acionária na empresa RODOVIA INTEGRADAS DO OESTE S/A SPVIAS, da fiscalizada, da CCI CONCESSÕES S/A), da NF MOTTA CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA e da SERVE SERVIÇOS GERAIS LTDA, detentoras, cada uma, de 25% do patrimônio líquido da G4 já mencionada. A autuação ora empreendida se refere a transferência de parte (25%) das ações da sociedade G4, à época detidas pela COVEG para pessoas físicas (Fabio Vettori e Claudio Dinucci Giannella), ocorrida entre a definição do valor da venda (18/03/10) e fechamento do contrato de compra e venda (25/08/10) referente à negociação da venda da G4 Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.346 38 para a CPC, com objetivo claro de economizar tributos na ordem de 19%, ou seja, 34% (pessoa jurídica) para 15% (pessoa física) como veremos no decorrer deste termo e com base nas documentações levantadas. O objetivo de economia tributária foi realizado através de procedimentos societários abusivos, para dar caráter de legalidade em datas próxima ao desfecho final da negociação. A recorrente por sua vez, entende que não houve qualquer ilegalidade na operação realizada. Necessário para tanto a análise de todos os atos como um filme e não quadro a quadro. Relatam que os sócios pessoas físicas, Fábio e Cláudio sempre fizeram parte da Coveg, não apenas simbólica, possuindo cada um deles 25% das cotas, cerca de R$12.843.761,00. E em 12/09/2008, a Coveg deliberou pela redução de capital em razão de seu excesso, em favor dos sócios, Fabio e Claudio, no valor de R$4.190.286,00, deliberação que foi complementada pela reunião de 15/03/2010, em mais R$400.000,00. (Aqui o fiscal alega que apesar de ter sido aprovada a redução em 12/09/2008, somente 24 meses depois em 2010 é que a implementação ocorreu). O cerne da questão aqui a ser enfrentado está na análise da possibilidade ou não de redução de capital social com a consequente entrega de ativos ao acionista pelo valor contábil. E no entendimento da recorrente não há nenhum dispositivo no ordenamento jurídico vigente que se vede a operação societária levada à efeito. Ao contrário, há sim dispositivo que admite a prática efetuada. Ademais, esclarece que a redução de capital em questão da Coveg cumpriu com todos os requisitos exigidos pela legislação, sem qualquer impugnação por parte de terceiros, demonstrando que o ato foi plenamente válido e eficaz, não se verificando sequer questionamento por parte da fiscalização e/ou da DRJ. Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.347 39 De igual forma, frisa que a Junta Comercial é o órgão competente para realizar o controle de legalidade dos atos societários promovidos por sociedades mercantis, e ela entendeu pela integral regularidade da operação em análise, no entanto, de acordo com a Fiscalização e a DRJ a redução de capital realizada deveria ser totalmente desconsiderada. Esclarece ainda que, no que tange à deliberação da redução de capital da Coveg, em 12/09/2008, e sua efetivação, em 23/06/2010, se fez necessário aguardar a regularização da integralização do capital da G4, sociedade detida pela Coveg, por meio da integralização das suas respectivas participações na SPVIAS em uma única sociedade (doc. 04 anexo à impugnação – ata da 2ª alteração do contrato social da G4). Continua, explicando que tendo em vista que a redução de capital da Coveg implicaria na devolução das cotas da sociedade G4 aos sócios, cujo capital ainda não estava formalmente integralizado, aguardouse a aprovação de terceiros para tal ato, quais sejam: (i) Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (responsável pela concessão rodoviária). Tal solicitação foi feita pela SPVIAS, por meio de carta encaminhada à agência reguladora em questão, em 15/07/2009, e tal autorização se deu por meio de publicação no DOE, no dia 24/10/2009 (doc. 05 anexo à impugnação); (ii) Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, com o qual também estava em vigor contrato de financiamento. A solicitação foi feita pela SPVIAS, em 29/10/2009, logo após a autorização pela ARTESP, e foi aprovada em 25/03/2010, por meio de carta resposta encaminhada pelo BNDES (docs. 06 anexo à impugnação); e (iii) Caixa Econômica Federal, com a qual estava em vigor contrato de financiamento. A solicitação foi feita por meio de carta enviada pela SPVIAS, em 25/11/2009, sendo que a concordância do banco em questão foi recebida, também por meio de carta, em 08/04/2010 (docs. 07 anexo à impugnação). Como se pode perceber, a última autorização para a integralização de capital da G4, com as ações da SPVIAS, se deu apenas em 08/04/2010. Na sequência, em 22/04/2010, foi realizada alteração do contrato social da G4, ratificando as aprovações de aumento do capital social deliberada em 05/01/2009. Dessa forma, tendo em vista que a última autorização foi concedida apenas em 08/04/2010 e que a G4 ratificou a integralização do seu capital em 22/04/2010, não procede a alegação do Sr. Agente Fiscal de que a efetivação da redução de capital da Coveg, que se deu em 23/06/2010, teria sido “propositadamente” postergada para o momento da suposta concretização das negociações da venda da SPVIAS17. Assim sendo, como já mencionado, logo após as referidas autorizações e a regularização da integralização do capital G4, a Recorrente (Coveg), em 23/06/2010, concretizou a sua redução de capital mediante a entrega das cotas da G4 aos sócios pessoas físicas. Assim, o capital social da Recorrente que era de R$ 50.200.000,00 passou a ser de R$ 45.609.714,00. Com isso, a Coveg deixou de ser acionista da G4, passando o controle de tal empresa a ser exercido pelos sócios Claudio e Fabio: Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.348 40 Além disso, destacou que a Coveg continuou exercendo normalmente as suas atividades que envolvem serviços de terraplanagem, pavimentação, canalização etc. , em outros empreendimentos, mesmo após a devolução das cotas da G4 para os seus sócios. Tanto isso é verdade, que o seu capital social continuou bastante significativo (mais de R$ 45 milhões), demonstrandose, assim, que não houve o esvaziamento da empresa e cumprindose com o propósito da segregação dos negócios/atividades. Segue a linha do tempo da ocorrência dos fatos, nos termos da recorrente: A DRJ assim entendeu: Entretanto, verificase claramente no quadro apresentado no TVF (fls. 1607 e ss.), no qual cronologicamente a Autoridade Lançadora resume os fatos, que já havia negociação preliminar acerca do interesse da CPC pela aquisição das ações da Rodovias possuídas indiretamente pela autuada. Ainda, considerando a simetria dos atos praticados pelas outras pessoas jurídicas sócias da HoldingG4 (fls. 261/421), as quais, em um período muito Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.349 41 curto (entre maio de 2010 a julho de 2010), retiramse da sociedade, cedendo suas quotas para as pessoas físicas (sócias), que consequentemente as alienam, demonstra que a real intenção da autuada e suas sócias é unicamente a economia de tributos. Ou seja, não passa de uma forma elaborada e tortuosa para alienar as participações com carga tributária menor que aquela que de fato incide na operação em questão. Em face do abuso de direito, não se pode afastar a substância do ato, quando o motivo determinante para sua efetivação não condiz com aquele que o ampara. Em outras palavras, considerando os fatos ocorridos, a redução de capital com a cessão das cotas para as pessoas físicas que as alienam posteriormente, demonstra claramente a falta de propósito negocial da respectiva cessão, sendo inafastável o lançamento de ofício nos termos do art. 149, VII c/c o parágrafo único do art. 142, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade que assim não o efetivar. No caso em questão, houve abuso do direito, visto que os interessados praticaram atos plenamente lícitos, no entanto, existiram apenas para suscitar efeitos tributários benéficos às partes. Correta, portanto, a desconsideração dos atos celebrados sem causa justificadora feita pela Autoridade Lançadora. Contudo, como demonstrado na impugnação apresentada pela Recorrente, a informação contida no TVF acerca do suposto pagamento de um “sinal” no valor de R$ 35.653.795,26 às pessoas físicas está totalmente equivocada. Fato que comprova a total improcedência de tal alegação é que ela sequer foi analisada na decisão recorrida, não existindo qualquer menção sobre o pagamento do suposto “sinal” às pessoas físicas. E nem poderia ter sido diferente, uma vez que o referido pagamento jamais existiu. E a prova disso está nas Declarações de Imposto de Renda do anobase 2010 de Claudio e Fabio (doc. 10 anexo à impugnação). Nelas é possível verificar que houve um único ganho de capital apurado no ano de 2010, qual seja, o referente ao fechamento da operação, em 22/10/2010, o qual implicou em um pagamento a cada uma das pessoas físicas, no valor de R$ 29.722.637,86, gerando o ganho de capital apurado por cada um deles naquele ano, no valor de R$ 23.379.617,93, com pagamento do IRPF devido. Já julgamos casos semelhantes aqui no Colegiado, e realmente, a análise dos fatos é de vital importância, e o entendimento de que a redução do capital social da empresa autuada deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e também não seja hipótese de simulação. Cito como exemplo o Acórdão 1301002.582, do Ilustre Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza também nesse sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. A redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Fl. 3349DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.350 42 Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa. Aprovada a deliberação pela redução do capital social, a entrega de bens e direitos a acionistas, em devolução de capital, pode ocorrer em conformidade com o que dispõe o artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995. E dessa maneira, os sócios é quem tem todo o respaldo na direção do negócio e as suas necessidades. No que tange à redução do capital, há previsão legal no art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995, que possibilitou que as pessoas jurídicas, ao entregarem bens ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, avaliassem esses bens pelo valor contábil ou de mercado: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. (...) § 3º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa física, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão informados, na declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do respectivo anobase, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica. § 4º A diferença entre o valor de mercado e o valor constante da declaração de bens, no caso de pessoa física, ou o valor contábil, no caso de pessoa jurídica, não será computada, pelo titular, sócio ou acionista, na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Desta forma, a lei dá ao contribuinte a possibilidade de escolher quando da devolução de bens e direitos a sócio ou acionista, a título de devolução do capital social, entre devolver os ativos a valor de mercado, apurando, então ganho de capital na operação (§1º do art. 22 da Lei nº 9.249/95), ou devolver os bens e direitos a valor contábil, sem ganho de capital. De igual forma, o Código Civil, em seus arts. 1082 e 1084, permitem que as pessoas jurídicas devolvam aos seus sócios parte do capital investido, desde que seguidas as formalidades expressas nos casos de capital excessivo. Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: I depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; II se excessivo em relação ao objeto da sociedade. Art. 1.084. No caso do inciso II do art. 1.082, a redução do capital será feita restituindose parte do valor das quotas aos sócios, ou dispensandose as prestações ainda devidas, com Fl. 3350DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.351 43 diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal das quotas. § 1o No prazo de noventa dias, contado da data da publicação da ata da assembléia que aprovar a redução, o credor quirografário, por título líquido anterior a essa data, poderá oporse ao deliberado. § 2o A redução somente se tornará eficaz se, no prazo estabelecido no parágrafo antecedente, não for impugnada, ou se provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. § 3o Satisfeitas as condições estabelecidas no parágrafo antecedente, procederseá à averbação, no Registro Público de Empresas Mercantis, da ata que tenha aprovado a redução. Ou seja, tratase de opção do contribuinte. E o Fisco não pode nem deve impor ao contribuinte uma opção mais onerosa. Ademais, de se ressaltar que as pessoas físicas, já que (i) a devolução de capital realizada a valor contábil não implica na apuração de ganho de capital; e (ii) as pessoas físicas, ao realizarem a venda das cotas da G4, por valor superior ao que foi registrado no seu patrimônio, submeteram essa diferença à tributação pelo imposto de renda à alíquota de 15%, em razão do ganho de capital apurado na operação. Aqui não há que se falar em simulação. Em que pese haver entendimento nesse sentido por parte da DRJ: Em nenhum momento a autoridade fiscal demonstrou a falta de elementos essenciais, ou no sentido de que o contribuinte apenas tivesse o desejo de engodo. Os fatos ocorreram, as partes existem, a redução de capital é permitida e assim foi feita. No caso concreto, a autoridade fiscal ao efetuar o lançamento quis impor ao contribuinte a opção mais onerosa. Entretanto, se o próprio legislador deixa à pessoa jurídica a opção, ao Fisco não cabe escolher a mais onerosa, a não ser que se verifique alguma fraude, simulação, o que não verifico no caso em questão. Nessa linha, temos o lições do doutrinador Alberto Xavier a respeito do tema, afirmando a impossibilidade de o Fisco, por razões de ordem fiscal, reprimir a liberdade de gestão do contribuinte: “(...) os princípios da legalidade e da tipicidade da tributação constituem uma garantia individual que tem por objeto proteger os direitos do homem consistentes no direito de propriedade e no Fl. 3351DF CARF MF Processo nº 16561.720148/201533 Acórdão n.º 1301003.023 S1C3T1 Fl. 3.352 44 direito de liberdade econômica, no qual se inclui a liberdade de contratar, facultando a segurança jurídica de que os atos sujeitos a tributação são exclusivamente os que constam de um catálogo taxativo de tributos. (...) Por sua vez, o princípio da liberdade de contratar, corolário do princípio da livre iniciativa não está, nem pode estar, sujeito a qualquer restrição infraconstitucional com fundamento em razões de ordem fiscal (...) A liberdade econômica é um ‘direito fundamental’. A Constituição considera a livre iniciativa fundamento da República Assim, de se cancelar o lançamento. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer dos Recursos Voluntários, afastar a preliminar arguida e no mérito DARLHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 3352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904930/2011-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL.
É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado.
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR.
Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp.
Numero da decisão: 3301-004.482
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
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PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 49 30 /2 01 1- 67 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10840.904930/201167 Acórdão n.º 3301004.482 S3C3T1 Fl. 283 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 176/182), abaixo transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou a compensação declarada, no valor de R$ 22.748,88, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação, em decorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O Fisco esclareceu que a ação fiscal, que deu origem ao auto de infração (processo administrativo nº 13603.724419/201174), teve por objeto a verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pelo contribuinte. Relatou que a empresa em comento ingressou com Ação de Rito Ordinário com pedido de Antecipação de Tutela em face da União (Fazenda Nacional) distribuída perante a 6a vara da Justiça Federal de São Paulo em 16/10/2003, sob n° 2003.61.00.0295233, visando o não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados por ela e acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, alegando flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade do Decreto n° 4.542/02 e posteriores, que viessem em dissonância ao Decreto Lei n° 400/68. Obtida a tutela antecipada e sentença favorável, o Fisco decidiu proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial, já que a empresa não fez o destaque nem escriturou o IPI devido nas saídas em comento. Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado.Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado. Em decorrência do auto de infração, verificouse alterações nos saldos da escrita fiscal, resultando no aparecimento de saldos devedores até então inexistentes ou na redução de saldos credores apurados pelo contribuinte, o que teve influência nos valores de ressarcimento pleiteados. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10840.904930/201167 Acórdão n.º 3301004.482 S3C3T1 Fl. 284 3 Regularmente cientificada da nãohomologação da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. No que tange a saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, a requerente, a partir do 3o decêndio de outubro/03, buscou autorização judicial para não incidência do IPI sobre esses produtos, face a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que o instituiu, qual seja, Decreto n° 4.542/02. Em razão disso, a requerente acumulou saldo credor de IPI, o que lhe permite, a cada trimestre calendário, utilizálo em compensações com débitos de outros tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto é legítima a compensação, nos termos autorizados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação conferida pela Lei n° 10.637/02 e artigo n°. 26 e seguintes da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, vigente à época das compensações. Deveria ser, portanto, declarada homologada a compensação dos créditos de IPI que a requerente efetuou com seu débito de COFINS de junho de 2006, vez que possuía saldo credor suficiente. 2. A Delegacia da Receita Federal, em 09/12/2011, lavrou o Auto de Infração e Imposição de Multa Processo Administrativo MPF n° 0611000/00639/11, visando prevenir a decadência do crédito tributário de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela requerente, acondicionados em embalagens com capacidade superiora 10Kg, sendo assim, imperioso que o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade aguarde o julgamento da referida Impugnação Administrativa, pois, certamente a mesma será julgada totalmente procedente, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e o restabelecimento da Escrita Fiscal, o que ensejará a homologação da presente compensação em sua integralidade. 3. A Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 em nada poderá alterar os valor pleiteado na presente compensação, vez que, conforme bem demonstrado anteriormente, o saldo credor utilizado pela requerente foi derivado de aquisição de matérias primas, produtos industrializados e materiais de embalagem, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, não tendo nenhuma pertinência com a referida Ação. É certo que se ao final a Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 for julgada improcedente, a DRF terá o direito de exigir os valores de IPI não destacados nas Notas Fiscais de saída, motivo pelo qual a legislação prevê a possibilidade de se lavrar o Auto de Infração com a exigibilidade suspensa, com a finalidade de prevenir a decadência. 4. Evidente que a requerente, mediante autorização judicial a qual foi concedida em sede de antecipação de tutela, não deveria proceder ao destaque do IPI em suas Notas Fiscais de saída e por conseqüência, deveria seguir com sua Escrita Fiscal, sob pena de perder o objeto a referida Ação. Totalmente descabida a Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10840.904930/201167 Acórdão n.º 3301004.482 S3C3T1 Fl. 285 4 pretensão da DRF no sentido de que a Requerente não poderia utilizar os saldos credores apresentados ao final dos trimestres calendários, pois se assim fosse, estaria desconsiderando a decisão judicial que lhe foi concedida. 5. Da mesma forma, resta cristalino que a DRF está descumprindo determinação judicial contida na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233, qual seja, absterse de exigir da Requerente o IPI sobre alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens acima de dez quilos. 6. Verificase que a compensação procedida pela Requerente está em consonância com a legislação pertinente sobre a matéria, haja vista ser o crédito legítimo. Por fim, solicitou seja recebida e acolhida a Manifestação de Inconformidade apresentada a fim de reformar integralmente o Despacho Decisório proferido nos autos, uma vez que amplamente comprovado que a Requerente possuía crédito de IPI passível de ser compensado e protestou pela produção de todas as demais provas admitidas em direito, inclusive, a oral. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1448.981 8ª Turma da DRJ/RPO, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual se alegou, em síntese: · que a Recorrente estava amparada por decisão judicial que autorizava a não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · indevida reconstituição da escrita fiscal em razão da não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · impossível a glosa dos créditos de IPI em razão da mencionada decisão judicial; e Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10840.904930/201167 Acórdão n.º 3301004.482 S3C3T1 Fl. 286 5 · não incidência de IPI sobre produtos enquadrados na posição 2309.10.00 da TIPI; · inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005; · necessidade de julgamento simultâneo ao processo no 0611000/639/11 Posteriormente, a Recorrente junta aos autos a informação de que, após a interposição do Recurso Voluntário, a Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100 transitou em julgado de forma favorável às suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no 0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber: 13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor nele Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10840.904930/201167 Acórdão n.º 3301004.482 S3C3T1 Fl. 287 6 apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito líquido e certo ao ressarcimento em discussão. Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10840.904930/201167 Acórdão n.º 3301004.482 S3C3T1 Fl. 288 7 VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10840.904930/201167 Acórdão n.º 3301004.482 S3C3T1 Fl. 289 8 Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10840.904930/201167 Acórdão n.º 3301004.482 S3C3T1 Fl. 290 9 Fl. 290DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.000491/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO EM CASO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU DÚVIDA.
Havendo contradição entre a fundamentação e a parte do dispositiva do acórdão, os embargos de declaração devem ser acolhidos.
Numero da decisão: 2301-004.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e acolhê-los, para esclarecer que no caso concreto aplica-se o art. 150, § 4º, do CTN.
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data da formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fabio Piovesan Bozza Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: Relator João Bellini Júnior
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CABIMENTO EM CASO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU DÚVIDA. Havendo contradição entre a fundamentação e a parte do dispositiva do acórdão, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e acolhêlos, para esclarecer que no caso concreto aplicase o art. 150, § 4º, do CTN. João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fabio Piovesan Bozza Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo e Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 91 /2 00 7- 70 Fl. 1557DF CARF MF 2 Relatório Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira responsável pelo voto vencedor ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratam de embargos de declaração, aviados, tempestivamente, nos termos do art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010 pela i. Procuradora da Fazenda Nacional, fundamentada no artigo 65 do RICARF, face a decisão da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF que proferiu o acórdão nº 2301004.297, ora embargado, o qual decidiu: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006 NFLD DEBCAD sob nº 37.126.5037 Consolidado em 06/11/2007 SAMARCO Consolidado em 18/01/2012 Devedoras Solidárias DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO. Prazo decadencial para a apuração e cobrança das contribuições previdenciárias, pelo CTN, regra geral, é o previsto no artigo 173, inciso I. Regra específica definida no artigo 150, § 4º do CTN. Lançamento por homologação desde que o sujeito passivo apure, declare e antecipe o pagamento, sem prévio exame do FISCO. No caso em tela não há nos autos comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impondo aplicação da regra geral, ou seja, inciso I do art. 173 do CTN. DECADÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO Aplica a regra do artigo 150, § 4º do CTN, e a Súmula CARF 99 se a Recorrente comprova nos autos recolhimento parcial do crédito previdenciário. Para efeitos da contagem do prazo decadencial, tem início o dia da cientificação do lançamento do último coobrigado. No caso em tela o último coobrigado tomou notícia em 18 de janeiro de 2012. Estando abarcado pela decadência todo o lançamento. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; b) com a decisão sobre a contagem do prazo decadencial, em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em contar o início do prazo decadencial a partir da ciência do último coobrigado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em contar o prazo decadencial a partir da ciência do primeiro coobrigado. MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 15504.000491/200770 Acórdão n.º 2301004.738 S2C3T1 Fl. 3 3 WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Natanael Vieira Dos Santos E Wilson Antonio De Souza Correa ” Alega a Procuradora da Fazenda Nacional que o acórdão, ora guerreado, encontrase manchado pelo condão de vícios da contradição e omissão. No voto condutor do acórdão, ora embargado, ficou consignado que: “RECURSO DE OFÍCIO. (...) Recentemente foi incorporada às súmulas do CARF a Súmula 99 que reza: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ela seria aplicável à espécie se houvesse nos autos a comprovação de recolhimento, ainda que parcial, de contribuição previdenciária, ainda que fosse de exação de outra natureza. Todavia, compulsando os autos não verifico nenhuma comprovação de recolhimento de contribuição previdenciária, razão pela qual mantenho a decisão singular. (...) RECURSOS VOLUNTÁRIOS (...) Em relação a Recorrente BHP, urge dizer que ela encontrase abarcada pela decadência, eis que somente tomou ciência do lançamento em 18/01/2012, e mesmo com a regara decadencial do artigo 173, I, do CTN, os créditos previdenciários até dezembro de 2006 estão decaídos. RECURSO VOLUNTÁRIO DA SAMARCO DECADÊNCIA Diz a Recorrente que há de se aplicar a regra do artigo 150, § 4º do CTN, eis que o FISCO cobralhe diferença de contribuição previdenciária, ficando entendido que ela, de uma forma ou de Fl. 1559DF CARF MF 4 outra, ainda que em valores parciais e de outras rubricas, contribuiu, compelindo a aplicação do dispositivo mencionado. Conforme antes mencionado a Súmula CARF trás o mesmo teor normativo, entretanto, há de ser comprovado o recolhimento ainda que parcial e ou de outra rubrica, o que não ocorre nos autos, devendo ser mantido o artigo 173, I do CTN. Prossegue a Recorrente alegando que, ainda que seja mantido o artigo 173, I do CTN a DRJ realizou a contagem do prazo equivocadamente, uma vez que o mês de dezembro de 2001 também está abarcado pela decadência, já que o mencionado dispositivo determina a contagem do prazo, onde o início é o primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido efetuado o lançamento, ou seja, no caso em tela, 01/01/2002, extinguindose no dia 01/01/2007. (...) Assim, como o último coobrigado teve ciência do lançamento somente em 18 de janeiro de 2012, pela regra do artigo 150, § 4º do CTN, está abarcado todo o lançamento pela decadência, eis que compreende a autuação de 01/02/1997 a 31/12/2006. Como razão a Recorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que os Recursos aviados encontramse em consonância com a legislação processual, razão pela qual deles conheço, sendo que para o Recurso de Ofício NEGOLHE PROVIMENTO. Aos Recursos Voluntários DOULHES PROVIMENTO, para aplicar a regra imposta pelo Artigo 150, § 4º do CTN, estando abarcados pela decadência os créditos previdenciários do lançamento, porque, para efeito da decadência o prazo flui a partir da ciência do último coobrigado que ocorreu em 18 de janeiro de 2012, conforme artigo 34, § 4º da Portaria 520/2004 RFB.” Em suas declarações de fls. 1524/1534, a PGFN sustenta a tese que "o vício da contradição fica patente na medida em que, em que pese constar no voto condutor e na ementa do aresto o acerto da decisão de primeira instância ao aplicar o artigo 173, inciso I, do CTN, bem como a afirmação expressa no sentido de que “compulsando os autos não verifico nenhuma comprovação de recolhimento de contribuição previdenciária, razão pela qual mantenho a decisão singular (...) há de ser comprovado o recolhimento ainda que parcial e ou de outra rubrica, o que não ocorre nos autos, devendo ser mantido o artigo 173, I do CTN”, (grifamos) na ementa e no próprio texto do acórdão e do voto, ao final, consta a conclusão pela aplicação do artigo 150, § 4º do CTN, como se vê abaixo: Artigo 173, Inciso I, do CTN Voto “Ela [Súmula CARF nº 99] seria aplicável à espécie se houvesse nos autos a comprovação de recolhimento, ainda que parcial, de contribuição previdenciária, ainda que fosse de exação de outra natureza. Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 15504.000491/200770 Acórdão n.º 2301004.738 S2C3T1 Fl. 4 5 Todavia, compulsando os autos não verifico nenhuma comprovação de recolhimento de contribuição previdenciária, razão pela qual mantenho a decisão singular. (...) Conforme antes mencionado a Súmula CARF trás o mesmo teor normativo, entretanto, há de ser comprovado o recolhimento ainda que parcial e ou de outra rubrica, o que não ocorre nos autos, devendo ser mantido o artigo 173, I do CTN.” Ementa “DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO. Prazo decadencial para a apuração e cobrança das contribuições previdenciárias, pelo CTN, regra geral, é o previsto no artigo 173, inciso I. Regra específica definida no artigo 150, § 4º do CTN. Lançamento por homologação desde que o sujeito passivo apure, declare e antecipe o pagamento, sem prévio exame do FISCO. No caso em tela não há nos autos comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impondo aplicação da regra geral, ou seja, inciso I do art. 173 do CTN.” Artigo 150, § 4º, do CTN Voto “Assim, como o último coobrigado teve ciência do lançamento somente em 18 de janeiro de 2012, pela regra do artigo 150, § 4º do CTN, está abarcado todo o lançamento pela decadência, eis que compreende a autuação de 01/02/1997 a 31/12/2006. Como razão a Recorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que os Recursos aviados encontramse em consonância com a legislação processual, razão pela qual deles conheço, sendo que para o Recurso de Ofício NEGOLHE PROVIMENTO. Aos Recursos Voluntários DOULHES PROVIMENTO, para aplicar a regra imposta pelo Artigo 150, § 4º do CTN, estando abarcados pela decadência os créditos previdenciários do lançamento, porque, para efeito da decadência o prazo flui a partir da ciência do último coobrigado que ocorreu em 18 de janeiro de 2012, conforme artigo 34, § 4º da Portaria 520/2004 RFB.” Ementa “DECADÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO Aplica a regra do artigo 150, § 4º do CTN, e a Súmula CARF 99 se a Recorrente comprova nos autos recolhimento do crédito previdenciário. Para efeitos da contagem do prazo decadencial, tem início o dia da cientificação do lançamento do último coobrigado. No caso em tela o último coobrigado tomou notícia em 18 de janeiro de 2012. Estando abarcado pela decadência todo o lançamento.” Fl. 1561DF CARF MF 6 Acórdão “ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; b) com a decisão sobre a contagem do prazo decadencial, em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em contar o início do prazo decadencial a partir da ciência do último coobrigado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em contar o prazo decadencial a partir da ciência do primeiro coobrigado.” Continua afirmando que "resta patente a existência do vício da contradição, uma vez que no voto e em parte da ementa do julgado consta a conclusão pela aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, em face da ausência de comprovação nos autos da realização de pagamentos parciais. Por outro lado, no voto, na ementa e no texto do acórdão, há conclusão em sentido totalmente diverso, aplicando ao caso a regra estampada no artigo 150, § 4º do CTN." No que concerne ao vício de omissão, sustenta a PGFN, resta o mesmo verificado "pois, se aplicada a regra de contagem do prazo decadencial prevista no artigo 150, § 4º, do CTN, não foram indicadas em quais provas se baseou o Colegiado para concluir pela existência de pagamentos parciais em todas as competências consideradas decaídas." Também, sustenta a existência de outra omissão no julgado, quando o voto condutor afirma que: “Em relação a Recorrente BHP, urge dizer que ela encontrase abarcada pela decadência, eis que somente tomou ciência do lançamento em 18/01/2012, e mesmo com a regra decadencial do artigo 173, I, do CTN, os créditos previdenciários até dezembro de 2006 estão decaídos. (...) Prossegue a Recorrente alegando que, ainda que seja mantido o artigo 173, I do CTN a DRJ realizou a contagem do prazo equivocadamente, uma vez que o mês de dezembro de 2001 também está abarcado pela decadência, já que o mencionado dispositivo determina a contagem do prazo, onde o início é o primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido efetuado o lançamento, ou seja, no caso em tela, 01/01/2002, extinguindose no dia 01/01/2007. Reza o mencionado dispositivo: CTN – Lei nº 5.172 de 25 de Outubro de 1966 Artigo 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Neste sentido, vejo razão ao Recorrente e tenho, por isto, que está decaído todo o período autuado, considerando com Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 15504.000491/200770 Acórdão n.º 2301004.738 S2C3T1 Fl. 5 7 convalidado o lançamento da cientificação do último contribuinte solidário, nos termos da Portaria 520 / RFB e de conformidade com o pensamento da CSRF, que abaixo transcrevo.” Em seus fundamentos sustenta que, o acórdão, ora embargado, foi omisso ao não considerar o entendimento exposto no enunciado nº 101 da Súmula do CARF: “Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” Nesse cotejo exemplifica: "Tomandose como exemplo a competência de dezembro de 2006, e sendo aplicado para a contagem do prazo decadencial o disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, concluise que o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, data na qual se exigia o pagamento antecipado, ou seja, a partir de janeiro de 2007. Assim, o prazo de decadência, possui, como termo de início, a teor do art. 173, inciso I, do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1º de janeiro de 2008, o qual findaria somente em 31 de dezembro de 2012, estando decaído a partir de 1º de janeiro de 2013.Logo, fica demonstrada a pertinência do esclarecimento acerca de qual norma será aplicada ao caso para a contagem do prazo decadencial (artigo 150, § 4º do CTN ou artigo 173, inciso I, do CTN), pois, ainda que se considere como termo final da contagem do prazo de decadência a ciência do último coobrigado como entendeu a Turma a qua, que para esses fins elegeu a data de 18/01/2012, é cediço que, aplicado o art. 173, inciso I, do CTN, a competência de 12/2006 não estaria decaída." Em fls. 1537/1539, foram prestadas, pelo Relator que nos antecedeu, Informações de Embargos, cujas conclusões transcrevemos: Nesse sentido, estando o acórdão recorrido em consonância em parte com os dispositivos legais que regulam a matéria, proponho o CONHECIMENTO e ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, com efeitos infringentes, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas, exclusivamente, para alterar o dispositivo legal para efeito de decadência o artigo 173, I do CTN, estando decadentes os lançamentos anteriores a dezembro de 2006, inclusive, após, restituindo o processo à Secretaria para que sejam tomadas as providências cabíveis, após análise do ilustre Presidente, conforme previsão Regimental. Entende que, diante da obscuridade apontada, fazse necessária a integração do julgado por meio dessa via recursal. É o relatório. Fl. 1563DF CARF MF 8 O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 09/02/2017, em face de a conselheira relatora, Gisa Barbosa Gambogi Neves, ter renunciado ao seu mandato antes da formalização do acórdão. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira responsável pelo voto vencedor ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Recebo os embargos de declaração, vez que opostos tempestivamente, considerando o disposto na Portaria MF n. 527/2010, art. 7º, § 5°, bem como atende os pressupostos legais de admissiilidade. Dispõe o art. 37 do Dec. nº 70.235/1972, na redação da Lei nº 11.941/2009, que “o julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF farseá conforme dispuser o regimento interno.” Embargos de declaração está previstos no art. 65, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes aprovado pela Portaria n.º 256,de 22/06/2009, sendo o recurso por meio do qual as partes se valem para pedir ao prolator de decisão, que a esclareça em seus pontos obscuros, bem como a complete, quando omissa, ou, ainda, sejam reparados ou eliminados supostas contradições que porventura maculem o decisum, com função de afastar do acórdão qualquer omissão necessária na solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão. O NCPC, em seu art. 1.022, dispõe que: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III corrigir erro material. Parágrafo único. Considerase omissa a decisão que: I deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento; Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 15504.000491/200770 Acórdão n.º 2301004.738 S2C3T1 Fl. 6 9 II incorra em qualquer das condutas descritas noart. 489, § 1o. Em atenção ao consignado no relatório podemos verificar que a i. FAZENDA NACIONAL suscita suposta obscuridade, omissão e contradição no r. acórdão prolatado nos autos do processo n° 15504.000491/20077, vez que consta no corpo do voto condutor aplicação de um dispositivo legal, já na decisão recorrida, outro, bem como não há apontamento em quais fls. dos autos estão acostados os comprovantes de recolhimento que fundamentaram o julgado a aplicar o disposto no artigo 150, § 4º do CTN. Isto posto, considerando os argumentos apresentados pela Embargante, fundamentada pela legislação pertinente, entendo estar presente o vício apontados no decisum, ora embargado. Todos os vícios apontados têm origem na aplicação de dispositivo do CTN, ou seja o artigo 150, § 4º do CTN, cujo qual foi aplicado na decisão recorrida. ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. Conclusão Nesse sentido, estando o acórdão recorrido em consonância em parte com os dispositivos legais que regulam a matéria, CONHEÇO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, ACOLHEMENDO, mantendo para esclarecer que, in casu, deverá ser mantida a aplicação do artigo 150, § 4º do CTN. É como voto. ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Fl. 1565DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.001406/2004-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/06/2000
REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A suposta diferença entre o valor retido da contribuinte pela refinaria (substituto tributário) e o valor que seria devido pela substituída, se adotado como base de cálculo do PIS e da Cofins o preço efetivamente praticado no mercado varejista, não é passível de restituição por absoluta falta de previsão legal.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMORA NA ANÁLISE. EFEITOS.
Por falta de previsão legal, ressalvando-se a hipótese de atualização pela taxa Selic, no caso de eventual reconhecimento do direito creditório, o atraso na análise de um pedido de restituição, mesmo após decorridos cinco anos (ou mais) de sua protocolização, não autoriza, por esse único motivo, o deferimento do pleito.
Numero da decisão: 3301-004.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Jose Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques dOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) eValcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A suposta diferença entre o valor retido da contribuinte pela refinaria (substituto tributário) e o valor que seria devido pela substituída, se adotado como base de cálculo do PIS e da Cofins o preço efetivamente praticado no mercado varejista, não é passível de restituição por absoluta falta de previsão legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMORA NA ANÁLISE. EFEITOS. Por falta de previsão legal, ressalvandose a hipótese de atualização pela taxa Selic, no caso de eventual reconhecimento do direito creditório, o atraso na análise de um pedido de restituição, mesmo após decorridos cinco anos (ou mais) de sua protocolização, não autoriza, por esse único motivo, o deferimento do pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Jose Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) eValcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 14 06 /2 00 4- 17 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10980.001406/200417 Acórdão n.º 3301004.579 S3C3T1 Fl. 169 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Inicialmente, cabe esclarecer que o presente processo foi objeto de digitalização e que, em função disso, sofreu a renumeração de suas folhas; assim, as referências que são feitas no presente julgamento (relatório e voto) dizem respeito a essa nova numeração (salvo quando mencionadas em transcrições). Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário) de PIS, protocolizado em 08/03/2004, o qual, consoante demonstrativo integrante do pedido, corresponde a recolhimentos efetuados em relação aos períodos de apuração 12/1999 a 06/2000, no montante atualizado (até 29/02/2004) de R$ 7.721,42. À fl. 03, no quadro destinado à descrição do motivo do pedido constam os seguintes esclarecimentos: 'Pagamento da contribuição ao PIS – Substituição Tributária – sobre aquisição de gasolina e óleo diesel da revendedora (distribuidora), nos termos dos arts. 4º a 6º da Lei nº 9.718/98 alterada pelo art. 3º da Lei nº 9.990/2000, art. 6º da IN/SRF nº 06/99 alterada pela IN/SRF nº 24/99, e arts. 42 e 92, II, da Medida Provisória nº 2.15835/2001.' Consta do pedido, ainda, que 'as bases de cálculo para apuração do crédito a restituir foram obtidas nas notas fiscais de aquisição de gasolina e óleo diesel diretamente da revendedora (distribuidora) cujas planilhas estão em anexo.' Em 05/03/2012, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel, despacho decisório às fls. 120/125, em face da falta de previsão legal capaz de autorizar a restituição. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 18/03/2012 (fl. 126), a interessada interpôs, em 13/04/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 131/137, cujo teor será sintetizado a seguir. Primeiramente, após breve relato dos fatos, discorre sobre o seu direito e afirma que, independente da fundamentação exposta 'o fato é que passados mais de 5 (cinco) anos do protocolo da Declaração de Compensação, o FISCO não proferiu nenhuma manifestação/despacho, nem para instrução do feito, nem para julgamento.' Salienta que o direito buscado foi tacitamente homologado 'por ausência total do FISCO em analisar tal pedido.' Acrescenta que, por não ter analisado o pedido no prazo de cinco anos, houve infração a dispositivos da Lei nº 9.784, de 1999, e que 'não cabe ao FISCO alegar insuficiência de provas, pois os procedimentos administrativos instaurados foram iniciados com todas as Notas Fiscais adquiridas pelo Contribuinte/Contribuinte (sic).' Transcreve dispositivos da Lei nº 9.430, de 1996 e diz que 'apesar de muitos não acreditar (sic) na existência de lacunas na Lei, existe nesse caso, uma lacuna exposta, que garante ao contribuinte o direito de ser restituído por valores pagos a Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10980.001406/200417 Acórdão n.º 3301004.579 S3C3T1 Fl. 170 3 maior após decurso de prazo por parte do FISCO sem qualquer decisão quanto ao pedido formulado.' Insiste que o silêncio do Fisco importa o reconhecimento do pedido e, após citar doutrina, diz que a Administração pode anular seus atos. Afirma, ainda, que não está enquadrado no rol do parágrafo terceiro do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que limita o direito à compensação/restituição. Ao final, requer o recebimento da manifestação apresentada e o reconhecimento de seu direito à restituição, inclusive, com a incidência de juros (de 1%) e correção monetária (pela Selic), desde a data de protocolo do pedido, nos termos da legislação de regência. Conforme despacho de fl. 139, em 15/05/2012 o presente processo foi encaminhado para esta DRJ em Curitiba, para fins de julgamento. É o relatório." A DRJ em Curitiba (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0638.271 foi assim ementado: "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/1999 a 30/06/2000 REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A suposta diferença entre o valor retido da contribuinte pela refinaria (substituto tributário) e o valor que seria devido pela substituída se adotado como base de cálculo do PIS e da Cofins o preço efetivamente praticado no mercado varejista não é passível de restituição por absoluta falta de previsão legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMORA NA ANÁLISE. EFEITOS. Por falta de previsão legal, ressalvandose a hipótese de atualização pela taxa Selic no caso de eventual reconhecimento do direito creditório, o atraso na análise de um pedido de restituição, mesmo após decorridos cinco anos (ou mais) de sua protocolização, não autoriza, por esse único motivo, o deferimento do pleito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10980.001406/200417 Acórdão n.º 3301004.579 S3C3T1 Fl. 171 4 Voto O recurso voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Em 08/03/04, o contribuinte, atuante no comércio varejista de gasolina e óleo diesel, protocolizou Pedido de Restituição (fl. 03) de parte do PIS cobrado pelas refinarias de petróleo, na condição de contribuintes substitutos. Os recolhimentos eram relativos aos períodos de apuração 12/1999 a 06/2000, no montante atualizado (até 29/02/2004) de R$ 7.721,42. Por meio do Despacho Decisório n° 048/2012 (fls. 117 a 125), datado de 05/03/12 (15/03/12 foi a data da ciência da decisão pelo contribuinte) , o pedido de restituição foi indeferido, sob a alegação de que não tinha respaldo legal. Em suas peças de defesa, a recorrente sustentou que: i) Com base no § único do art. 4° da Lei n° 9.718/98, as refinarias cobraram PIS sobre bases de cálculo equivalentes a quatro vezes o seu preço de venda, que se verificaram "bem maiores do que as efetivamente praticadas pelo contribuinte no momento da revenda final dos produtos comercializados". Por este motivo, houve cobrança a maior de PIS e, por conseguinte, o direito à restituição. ii) Adicionalmente, alega que o pedido teria sido tacitamente homologado, haja vista terem se passado mais de cinco anos entre a data da apresentação e a do despacho decisório, pois a forma de atuar da fiscalização teria infringido os artigos 2°, 3° e 7° e 48 da Lei n° 9.784/98. iii) Apesar de não existir previsão expressa que trate de homologação tácita de pedido de restituição, deve ser adotado, por analogia, o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que dispõe que é de cinco anos o prazo para homologação tácita de declaração de compensação. iv) Pleiteia que o crédito seja reconhecido, "com juros de 1% e correção monetária taxa Selic desde a data do protocolo administrativo". A DRJ ratificou o procedimento fiscal. Reiterou que inexiste previsão legal sobre o direito alegado. E refutou os argumentos que defendiam a homologação tácita: i) em razão da demora na apreciação do pedido de restituição, por falta de respaldo legal; e ii) pela aplicação do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, pois este trata, exclusivamente, de homologação tácita de pedido de compensação, não podendo ser aplicado o princípio da analogia. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10980.001406/200417 Acórdão n.º 3301004.579 S3C3T1 Fl. 172 5 A decisão de primeira instância não merece retoques, pelo que faço dela minha razão de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e § 3° da Portaria MF n° 343/15 (RICARF). Assim, transcrevo o voto condutor do Acórdão DRJ n° 0638.271, de 26/10/12: "Voto A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva. Dela se toma conhecimento. Da alegação de crédito – da substituição tributária A contribuinte discorre sobre o seu direito e afirma que “apresentou pedido de restituição do PIS relativo às operações que julga ter pago imposto a maior” em face do disposto no art. 4º, par. único da Lei nº 9.718, de 1998. O regime de substituição do PIS foi instituído pelo art. 6 º da MP n.º 1.212, de 1995, após sucessivas reedições convertida na Lei n.º 9.715, de 1998. O referido dispositivo trazia a seguinte redação: 'Art. 6º. A contribuição mensal devida pelos distribuidores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o menor valor, no País, constante da tabela de preços máximos fixados para venda a varejo, sem prejuízo da contribuição incidente sobre suas próprias vendas.' (Grifouse) Como se pode observar, inicialmente o substituto tributário era o estabelecimento atacadista (distribuidora). Posteriormente a Lei n.º 9.718, de 1998 introduziu algumas modificações sobre a matéria, as quais entraram em vigor em 01/02/1999. Embora tenha mantido o regime de substituição, esse diploma legal transferiu o papel de substituto nas operações com derivados de petróleo da distribuidora para a refinaria, alterando também a base de cálculo para efeito de recolhimento da parcela relativa à substituição. Passouse a tomar como referência não mais o preço de varejo fixado em tabela, mas o preço da operação de venda da refinaria de petróleo. Tais inovações achamse no art. 4 º da lei em questão, abaixo transcrito: 'Art. 4º. As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro.' (Grifouse) Mais adiante, foi editada a MP n º 1.807, de 28 de janeiro de 1999, cujo art. 4 º, reproduzido a seguir, alterou novamente o valor tributável supramencionado, ficando tal modificação no entanto restrita às vendas de óleo diesel: 'Art. 4º O disposto no art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, aplicase, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva e óleo diesel. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10980.001406/200417 Acórdão n.º 3301004.579 S3C3T1 Fl. 173 6 Parágrafo único. Nas vendas de óleo diesel ocorridas a partir de 1º de fevereiro de 1999, o fator de multiplicação previsto no parágrafo único do art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, fica reduzido de quatro para três inteiros e trinta e três centésimos.' (Grifouse) Convém observar que, muito embora tenha sido extinto posteriormente, o regime de substituição vigorava nos moldes da sistemática acima descrita na época objeto do pedido de restituição: fevereiro/1999 a junho/2000. Em sua manifestação a interessada informa que acredita ter pago imposto a maior já que as bases de cálculo estimadas foram bem 'maiores que as efetivamente praticadas pelo contribuinte no momento da revenda final dos produtos comercializados.' Pois bem, a Instrução Normativa SRF n.º 06, de 29 de janeiro de 1999, que regulamentava a Lei n.º 9.718, de 1998, previa em seu art. 6º a seguinte hipótese de restituição: 'Art. 6° Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1° Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. § 3° O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4° O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7° a 14 desta Instrução Normativa.' (Grifouse) Posteriormente, foi editada a Instrução Normativa SRF n.º 24, de 25 de fevereiro de 1999, a seguir reproduzida, que alterou apenas o § 2º do dispositivo transcrito: O Art. 1º § 2º do art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 006, de 1999, passa a vigorar com a seguinte redação:” ‘Art.6º.............................................................................................. § 2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10980.001406/200417 Acórdão n.º 3301004.579 S3C3T1 Fl. 174 7 mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente.' Assim, a legislação pertinente à matéria arrola portanto apenas uma hipótese de restituição aplicável ao PIS e à Cofins incidentes sobre a comercialização de combustíveis derivados de petróleo, como ficou visto acima. Ocorre, contudo, que a contribuinte não se enquadra nessa previsão. Com efeito, a IN SRF n.º 06, de 1999, alterada pela IN SRF n.º 24, de 1999, autorizava o ressarcimento apenas aos consumidores finais pessoas jurídicas, caso houvessem adquirido o combustível diretamente da distribuidora, ao passo que a contribuinte, na qualidade de revendedora de combustíveis, não pode evidentemente ser qualificada como consumidora final. Não há, portanto, possibilidade de estender o benefício fiscal à interessada, posto que inexiste legislação que o autorize. Na verdade a argumentação da interessada pretende evidenciar uma retenção indevida já que haveria, ao seu ver, uma diferença entre o preço de venda no mercado varejista e a base de cálculo utilizada pela substituta tributária. Tal linha de argumentação, no entanto, não encontra respaldo na legislação. Ao contrário, consoante a sistemática introduzida pela Lei n.º 9.718, de 1998, o cálculo do PIS e Cofins a ser retido pela refinaria independe do preço efetivamente praticado pela substituída ao revender o produto no mercado varejista, conforme deixa claro o art. 4º do referido diploma legal, que, na redação dada pela MP n.º 1.807, de 1999, elege como base de cálculo o preço de venda da substituta multiplicado por quatro, no caso de gasolina automotiva, ou três inteiros e trinta e três centésimos, no caso de óleo diesel. Ora, se tal sistemática de recolhimento (por substituição tributária) é fixada pela lei, não se pode falar em pagamento indevido ou a maior que o devido, não havendo razão para o pedido de restituição. De resto, admitir a possibilidade da restituição pleiteada implicaria admitir também que, no sentido oposto, ou seja, na hipótese de o preço no mercado varejista ser superior à base de cálculo utilizada na retenção, caberia a cobrança da diferença em favor da Fazenda Pública, o que na verdade não ocorre, visto não haver previsão legal nesse sentido, o que evidencia não ser essa a lógica do regime de substituição em exame. Ademais, é oportuno assinalar que os valores retidos pela refinaria compõem o custo da mercadoria para a substituída, de modo que, além de ser repassado ao consumidor final, é contabilizado como despesa, reduzindo destarte tanto o valor do imposto de renda a pagar quanto o da contribuição social sobre o lucro líquido. Em suma, não existem reparos a serem feitos no despacho decisório reclamado, já que seu autor, em face da legislação pertinente à matéria, procedeu corretamente ao indeferir o pedido de restituição em exame. Do prazo para decisão – da alegação de “homologação tácita” A contribuinte discorre sobre o seu direito e afirma que, independente da fundamentação exposta “o fato é que passados mais de 5 (cinco) anos do protocolo Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10980.001406/200417 Acórdão n.º 3301004.579 S3C3T1 Fl. 175 8 da Declaração de Compensação, o FISCO não proferiu nenhuma manifestação/despacho, nem para instrução do feito, nem para julgamento.” Salienta que o direito buscado foi tacitamente homologado “por ausência total do FISCO em analisar tal pedido.” Diz que houve infração a dispositivos da Lei nº 9.784, de 1999 e que o contribuinte tem o direito de ser restituído por valores pagos a maior após decurso de prazo “por parte do FISCO sem qualquer decisão quanto ao pedido formulado.” Insiste no direito à restituição. A interessada confunde as normas aplicáveis à espécie, principalmente quando clama para si o direito de, por analogia, ter a sua restituição homologada tacitamente em face do decurso do prazo de cinco anos. Com efeito, tratando de pedido de restituição – em que pesem não haver como censurar suas considerações acerca da demora na elaboração da decisão por parte da autoridade administrativa – é importante asseverar que nas normas de regência não há previsão de qualquer penalidade ou mesmo a previsão de reconhecimento tácito do direito buscado pela contribuinte em função de uma eventual demora na análise do pedido. Quanto ao previsto no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a sua simples leitura parece ser totalmente esclarecedora: 'Art. 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......................................................................................................... § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.' Ou seja, a lei não diz que o prazo para o reconhecimento do direito de restituição que for pleiteado é de cinco anos sob pena de reconhecimento tácito. Diz, apenas, que o prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos. São institutos distintos. Sendo coisas diversas, evidente que não razão na argumentação desenvolvida, sendo totalmente descabida a aplicação de analogia. Em suma – e ainda que existam previsões no direito comparado –, não há, no direito pátrio, qualquer previsão legal no sentido de autorizar a restituição de supostos pagamentos indevidos em função da mera demora do fisco em analisar o pedido. O fato de o fisco ter silenciado por mais de cinco anos para só então negar o direito não autoriza o seu reconhecimento (lembrese que, na hipótese de ser reconhecido o pleito, nessa ou em qualquer outra instância, eventual demora acabaria sendo compensada pela atualização do valor pleiteado, com base na taxa Selic). Nesse sentido, não há como alterar o entendimento já manifestado, mantendo se os termos do despacho decisório. Conclusão Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.001406/200417 Acórdão n.º 3301004.579 S3C3T1 Fl. 176 9 Posto isso, voto para que não sejam acolhidas as razões de inconformidade e para que sejam mantidos os termos do despacho decisório recorrido. [Assinado digitalmente] Edirlei Aureo Saldanha Raffo – Relator" Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720062/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando as motivações das glosas foram devidamente descritas nos documentos de lançamento.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSÁRIA.
As diligências e perícias são deferidas nos casos em que se prestarem a esclarecer pontos obscuros, incontroversos ou duvidosos, necessários à solução da lide, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. São desnecessárias as diligências nos casos em que objetivarem uma reanálise dos documentos juntados aos autos ou a obtenção de novos documentos para comprovação dos custos e exclusões glosados pela fiscalização.
GLOSAS DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. GLOSAS MOTIVADAS. PROCEDÊNCIA.
Alegações genéricas de que as despesas estão relacionadas aos objetivos sociais da pessoa jurídica, bem assim, de que a documentação acostada aos autos seria hábil à comprovação dessas despesas não têm o condão de afastar o lançamento quando as glosas realizadas pela fiscalização foram individualizadas e devidamente motivadas.
BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTOS. IMPOSSIBILIDADE.
A contabilização de gastos com reparos e manutenção de natureza permanente como custos operacionais contraria o disposto no art. 301 do Decreto nº 3.000/99. Referidos valores devem ser registrados no ativo permanente para posterior contabilização das despesas com depreciação/amortização.
EXCLUSÕES INDEVIDAS AO LUCRO LÍQUIDO. AJUSTES DE DEPRECIAÇÃO NÃO COMPROVADOS. VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. REGIME DE CAIXA. EFETIVO PAGAMENTO.
A falta de comprovação das diferenças entre as taxas adotadas pela empresa incorporada e pela recorrente impede a exclusão dos ajustes a título de depreciação
Os valores relativos às variações cambiais passivas do programa de opção de compra de ações da fiscalizada, em favor de seus empregados, somente podem ser excluídos da apuração do lucro real na data do efetivo pagamento à matriz no exterior pois sujeitas ao regime de caixa.
MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE PRINCIPAL E MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora devidos à taxa Selic.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1301-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência de multa isolada, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento integral ao recurso. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão para também cancelar a incidência de juros sobre a multa de ofício, entendimento vencido por voto de qualidade. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando as motivações das glosas foram devidamente descritas nos documentos de lançamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSÁRIA. As diligências e perícias são deferidas nos casos em que se prestarem a esclarecer pontos obscuros, incontroversos ou duvidosos, necessários à solução da lide, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. São desnecessárias as diligências nos casos em que objetivarem uma reanálise dos documentos juntados aos autos ou a obtenção de novos documentos para comprovação dos custos e exclusões glosados pela fiscalização. GLOSAS DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. GLOSAS MOTIVADAS. PROCEDÊNCIA. Alegações genéricas de que as despesas estão relacionadas aos objetivos sociais da pessoa jurídica, bem assim, de que a documentação acostada aos autos seria hábil à comprovação dessas despesas não têm o condão de afastar o lançamento quando as glosas realizadas pela fiscalização foram individualizadas e devidamente motivadas. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTOS. IMPOSSIBILIDADE. A contabilização de gastos com reparos e manutenção de natureza permanente como custos operacionais contraria o disposto no art. 301 do Decreto nº 3.000/99. Referidos valores devem ser registrados no ativo permanente para posterior contabilização das despesas com depreciação/amortização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 62 /2 01 5- 54 Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 2.996 2 EXCLUSÕES INDEVIDAS AO LUCRO LÍQUIDO. AJUSTES DE DEPRECIAÇÃO NÃO COMPROVADOS. VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. REGIME DE CAIXA. EFETIVO PAGAMENTO. A falta de comprovação das diferenças entre as taxas adotadas pela empresa incorporada e pela recorrente impede a exclusão dos ajustes a título de depreciação Os valores relativos às variações cambiais passivas do programa de opção de compra de ações da fiscalizada, em favor de seus empregados, somente podem ser excluídos da apuração do lucro real na data do efetivo pagamento à matriz no exterior pois sujeitas ao regime de caixa. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE PRINCIPAL E MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora devidos à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência de multa isolada, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento integral ao recurso. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão para também cancelar a incidência de juros sobre a multa de ofício, entendimento vencido por voto de qualidade. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 2.997 3 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0958.731, proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora recorrente e manteve os autos de infração de IRPJ e CSLL, em que foi apurado crédito de IRPJ no valor de R$ 4.386.535,00 e CSLL de R$ 1.579.152,60, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%. Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Por meio do procedimento fiscal efetuado junto ao sujeito passivo em epígrafe, constante dos autos, foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL objeto da presente análise, nos quais foram apuradas as seguintes infrações à legislação tributária: Custos, Despesas Operacionais e Encargos Infração: Bens de Natureza Permanente deduzidos como custo. Bens de natureza permanente deduzidos indevidamente como custo, apurados conforme detalhadamente relatado do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e seus anexos, ... ; Custo dos Bens Vendidos e/ou Serviços Prestados Infração: Custos não comprovados. Glosas de custo não comprovados, apurados conforme detalhadamente relatado no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e seus anexos, ... ; Exclusões/Compensações não autorizadas na Apuração do Lucro Real Infração: Exclusões Indevidas. Exclusões indevidas do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real, apuradas conforme detalhadamente relatado do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e seus anexos, ... ; Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 2.998 4 Multa ou Juros Isolados Infração: Insuficiência de Recolhimento do IRPJ sobre a Base de Cálculo Estimada. Insuficiência de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de redução, apurado conforme detalhadamente relatado do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e seus anexos, ... . Consoante consta do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais, no Anocalendário de 2010, em decorrência das glosas apuradas pela AuditoriaFiscal, o LUCRO REAL ANTES DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ANTERIORES e a BASE DE CÁLCULO DA CSLL ANTES DA COMPENSAÇÃO DE BC NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES saltaram de R$ 88.823.264,72 (valor apurado pelo sujeito passivo) para R$ 113.889.178,97 (valor apurado pela Fiscalização). Todavia, considerando que o sujeito passivo possui Prejuízos Fiscais do IRPJ e valores de Base Negativa da CSLL de anos anteriores passíveis de serem compensados (vide Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ e Demonstrativo da Base Negativa da CSLL extraídos do SAPLI, sistema da Receita Federal responsável pelo acompanhamento desses valores), compensamos de ofício o valor de R$ 7.519.774,27, sendo que o saldo compensado no período saltou de R$ 26.646.979,42 para R$ 34.166.753,69. Foi lavrada multa de ofício no percentual de 75% e aplicado juros de mora à Taxa SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente. A contribuinte apresentou impugnação, na qual, após um breve relato dos fatos, em síntese, assim alega: preliminarmente, alega Falta de Demonstração da Motivação, para logo em seguida aduzir a Necessidade da Realização de Diligência/Perícia dos Documentos que suportam as Razões de Direito; no mérito, defende a Regularidade das Deduções relacionadas às Despesas Operacionais da Impugnante infração 1, sob os argumentos ali aduzidos; em seguida, também defende a Regularidade das Deduções relacionadas a Bens com vida útil inferior a um ano infração 2, sob os argumentos ali aduzidos; prossegue defendendo a Regularidade das Deduções realizadas em sua DIPJ infração 3, bem como dos Ajustes de Depreciação e Amortização no Lucro Líquido de 2010 infração 3.1, e Da Variação Cambial/Bônus sobre valor pagos aos seus empregados infração 3.2, conforme razões por ela ali aduzidas; alega ainda a Suficiência dos Recolhimentos Mensais por Estimativa do IRPJ e da CSLL infração 4; suscita a Necessidade de Cancelamento da Compensação de Ofício do Prejuízo Fiscal do IRPJ e da Base Negativa da CSLL; aduz, por derradeiro, a Necessidade de Cancelamento da Multa de Ofício e a Inaplicabilidade dos Juros Selic sobre a Multa de Ofício. Em resumo, alega que a referida autuação não pode prosperar, porquanto entende restar comprovado em sua defesa a regularidade de (i) todas as despesas e custos incorridos pela empresa, na medida em que aquelas são necessárias à sua atividade social e devidamente suportadas por documentação hábil e idônea, e estes têm prazo de vida útil inferior a um ano, sendo, portanto, dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (ii) todas as exclusões realizadas pela empresa em sua Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 2.999 5 DIPJ/2011 referentes a ajustes de depreciação e amortização no Lucro Líquido do período e à variação cambial/bônus anual em favor dos seus colaboradores; e (iii) todos os recolhimentos a título de IRPJ e CSLL nas antecipações mensais e na apuração do fim do período, não havendo falta de recolhimento ou pagamento de tributo em espécie. É o relatório." Ao apreciar a impugnação na sessão realizada em 16/12/2015, a 1ª Turma da DRJ/JFA a julgou improcedente, conforme acórdão nº 0958.731, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DEDUÇÕES INDEVIDAS. GLOSA DE CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS. Cabe à empresa comprovar que o dispêndio, simultânea e inequivocamente, é lícito, necessário, usual, efetivo e documentado. A ausência ou falha em qualquer dos requisitos elencados impossibilita o incurso do ato ou fato econômico à categoria de despesa, permanecendo mero dispêndio, aquém da possibilidade de dedução no sistema jurídicotributário de determinação do lucro tributável. Assim, correta a glosa dos valores indevidamente deduzidos na apuração do lucro tributável. DEDUÇÕES INDEVIDAS. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO. No caso, face aos elementos coletados no curso do procedimento fiscal, apurouse que a fiscalizada contabilizou indevidamente como custo operacional diversos valores que deveriam ter sido lançados no ativo permanente, para futura depreciação/amortização, ou seja, bens de natureza permanente foram deduzidos indevidamente como custo. Assim, correta a glosa dos valores indevidamente deduzidos na apuração do lucro tributável. EXCLUSÕES INDEVIDAS NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. GLOSA. AJUSTES DE DEPRECIAÇÃO. A simples informação dos valores excluídos por meio de planilhas ou a mera transcrição dos valores contábeis não são suficientes para comprovar a legitimidade da exclusão. Intimada e reintimada a comprovar as exclusões procedidas, a contribuinte não logrou êxito em fazêlo. EXCLUSÕES INDEVIDAS NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. GLOSA. VARIAÇÃO CAMBIAL. Sendo adotado para o respectivo anocalendário o regime de caixa, a empresa não poderia ter reconhecido as perdas decorrentes da variação cambial passiva no respectivo ano, porquanto ainda não houve a liquidação da obrigação que deu origem à variação cambial. MULTA OU JUROS ISOLADOS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Insuficiência de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de redução, decorrente das infrações apuradas no curso do procedimento fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.000 6 MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Cabível a imposição da multa de ofício no percentual de 75% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas disposições da legislação tributária aplicável à matéria. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Os juros incidem sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, e não simplesmente sobre tributos e contribuições. Portanto, como a multa decorre do tributo, sobre ela também deve incidir os juros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e nos arts. 10 e 11 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço, não havendo que se falar em nulidade por falta de motivação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de Diligência/Perícia quando esse procedimento mostrarse prescindível para a solução da lide, porquanto presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificada do Acórdão DRJ/JFA nº 0958.731, em 06/01/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fls. 2.896), a recorrente apresentou, em 04/02/2016, recurso voluntário (fls. 2.899 a 2.935) alegando, em síntese, as questões abaixo relacionadas, as quais serão detalhadas por ocasião do voto: Preliminarmente, alega a nulidade do lançamento fiscal por cerceamento do direito de defesa, em razão da ausência de motivação da autuação. Afirma que a autoridade fiscal não descreveu de forma individualizada os fatos e fundamentos das infrações, deixando de explicar o motivo pelo qual entendeu que as despesas comprovadas pela recorrente não eram usuais ou necessárias à sua atividade, ou mesmo, que os custos seriam referentes a bens cujo prazo de vida útil seria superior a um ano; Defende a necessidade de realização de diligência fiscal para análise dos documentos carreados aos autos, hábeis a comprovar a realização, efetividade e regularidade das despesas, bem assim, a origem das exclusões efetuadas ao lucro líquido na apuração do lucro real; Contesta a glosa das despesas operacionais sob o argumento que as despesas atendem aos requisitos de dedutibilidade por estarem umbilicalmente relacionadas com seu objeto social, serem essenciais e indispensáveis à manutenção de suas atividades. Discorda da afirmação de que suas alegações seriam genéricas pois demonstrou de forma específica e individualizada, inclusive com exemplos dos erros das autoridades fiscais nas glosas efetuadas; Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.001 7 Refuta o fundamento da decisão recorrida de que os serviços descritos nas notas fiscais não permitem a análise da necessidade da despesa nem sua correlação com os contratos de prestação de serviços, sob o argumento que contratada poderia prestar outros serviços não descritos no contrato, conforme previsão contratual Discorda da afirmação da decisão recorrida que nenhum dos documentos juntados comprovaria a efetiva prestação dos serviços, uma vez que a recorrente possui todos comprovantes de pagamento relacionados às notas fiscais e contratos exigidos pela fiscalização. Cita exemplo de serviço essencial à atividade, cuja contratação e efetividade foram demonstrados e afirma que os documentos juntados à impugnação comprovam a efetividade em relação às demais operações; Alega que ao contrário do constatado pela decisão recorrida, além da escrituração fiscal declarações enviadas à RFB, é imprescindível a análise da natureza dos bens envolvidos, sendo certo que os bens glosados pela fiscalização possuem vida útil inferior a um ano ou foram aplicados em simples reparos ou manutenção, não sendo bens do seu ativo permanente; Afirma que procedeu corretamente com as exclusões relativas aos ajustes de depreciação, pois é proprietária do bem por incorporação, suportou o encargo econômico e realizou a operação em montante que não ultrapassou o valor total do bem, conforme indicado na auditoria independente feita em seu balanço; Contesta a glosa das exclusões realizadas pela fiscalização referentes à variação cambial dos bônus pagos a seus empregados mediante a entrega a eles de ações da matriz no exterior e a assunção da obrigação de pagar o valor das ações à matriz. Afirma que no momento da entrega das ações aos empregados a dívida tornouse efetiva sendo totalmente dedutível, inclusive a parcela relativa à variação cambial, ainda que o pagamento à matriz não tenha sido realizado. Acrescenta que a fiscalização acabou por confundir duas operações totalmente distintas, pois a dívida assumida pela recorrente perante a GlobalEUA em nada se relaciona com a liquidação do bônus perante os empregados da recorrente; Contesta a decisão recorrida que manteve a multa isolada decorrente da insuficiência dos recolhimentos mensais por estimativa, sob o argumento de que não cometeu nenhuma das infrações descritas na autuação fiscal, sendo, portanto, indevidas quaisquer exigências a título de complementação dos valores antecipados de IRPJ e CSLL Sob o mesmo argumento acima, requer o cancelamento das compensações de ofício do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa; Afirma que não há que se falar em falta de recolhimento do IRPJ e CSLL e, consequentemente, a multa de ofício de 75% deve ser cancelada; Defende a improcedência da aplicação de juros Selic sobre a multa de ofício, em vista da ausência de previsão legal para cobrança. É o relatório" Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.002 8 Voto Vencido Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora Do exame das peças processuais foi constatado que na procuração anexada aos autos às fls. 2.719, o recorrente outorgou poderes aos subscritores do recurso voluntário (fls. 2.899 a 2.935) para representálo perante a Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional, não tendo sido localizado no processo outra procuração conferindo poderes a Vinícius Jucá Alves OAB/SP nº 206.993, Guilherme de Almeida Costa OAB/SP nº 299.892 e Andreza Aparecida Streinterberger OAB/SP nº 314.765, advogados signatários do recurso voluntário, para representar o contribuinte perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, por meio do despacho de saneamento de 17/02/2017, anexado às fls. 2.979 a 2.980, os autos foram enviados à unidade de jurisdição do contribuinte, para que o mesmo fosse intimado a apresentar procuração que conferiu poderes aos mencionados advogados para representálo perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Em atendimento à intimação da unidade preparadora, a recorrente anexou aos autos instrumento de procuração lavrado em 09/03/2017 (fls. 2.989 a 2.992), outorgando poderes aos signatários do recurso voluntário para representálos perante o CARF. Assim, considerando que o recurso voluntário apresentado pela recorrente é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Em sede de preliminares, a recorrente requer a decretação da nulidade do lançamento fiscal por cerceamento do direito de defesa, em razão da ausência de motivação da autuação. Afirma que a autoridade fiscal não descreveu de forma individualizada os fatos e fundamentos das infrações, deixando de explicar o motivo pelo qual entendeu que as despesas comprovadas pela recorrente não eram usuais ou necessárias à sua atividade, ou mesmo, que os custos seriam referentes a bens cujo prazo de vida útil seria superior a um ano; Diversamente do alegado pela recorrente, da leitura do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais, e seus anexos, é possível identificar, detalhadamente, as motivações das glosas. No Anexo 2 Glosa de Custos Não Comprovados Analítico (fls. 52 a 88) e no Anexo 3 GLosa de Bens de Natureza Permanente Deduzidos Indevidamente como Custo Analítico (fls. 90 a 92) foram discriminados para cada lançamento contábil, individualizadamente, a motivação da glosa do custo. Ainda que contrárias aos interesses da recorrente, as motivações das glosas foram devidamente descritas nos documentos de lançamento, sendo improcedentes as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa. No recurso voluntário apresentado a recorrente defende a necessidade de conversão do julgamento em diligência, para realização de perícia contábilfiscal com o escopo de analisar os documentos carreados aos autos, hábeis a comprovar a realização, efetividade e regularidade das despesas, bem assim, a origem das exclusões efetuadas ao lucro líquido na apuração do lucro real. Faz tal consideração após afirmar que a fiscalização não analisou com a Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.003 9 devida cautela todos os documentos necessários e que são aptos a comprovar a realização, efetividade e regularidade das despesas glosadas. Os arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, ao tratarem das diligências no curso do processo administrativo fiscal, assim dispõem: Art. 16. A impugnação mencionará: [..] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De acordo com os dispositivos legais acima transcritos, as diligências e perícias podem ser solicitadas tanto pelo impugnante como pelo julgador e serão deferidas nos casos em que necessárias à solução da lide. Assim, via de regra as diligências se prestam a esclarecer pontos obscuros, controversos ou duvidosos, porém, no caso em questão, a recorrente requer a realização de diligência para que seja efetuada uma reanálise dos documentos juntados aos autos, bem assim, que sejam obtidos outros documentos porventura necessários à comprovação dos custos e exclusões glosados pela fiscalização. Dessa forma, por entender que a análise da documentação acostada aos autos é suficiente para solução da lide, julgo desnecessária a realização de diligência/perícia e indefiro o pedido da recorrente. DO MÉRITO INFRAÇÃO 1 CUSTOS NÃO COMPROVADOS Defende a recorrente a regularidade das deduções relacionadas às suas despesas operacionais sob o argumento de que as despesas atendem aos requisitos de dedutibilidade por estarem umbilicalmente relacionadas com seu objeto social e serem essenciais e indispensáveis à manutenção de suas atividades. O art. 290 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), ao tratar dos custos de produção de bens e serviços vendidos, assim dispôs: Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.004 10 Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). Em seguida, o art. 299 do mesmo diploma legal, definiu quais seriam as despesas necessárias a serem computadas na apuração do lucro operacional: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Da leitura dos dispositivos legais acima transcritos verificase que são dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas operacionais necessários à atividade da empresa e manutenção da fonte produtora. Assim, com o objetivo de verificar a dedutibilidade dos custos e despesas, a fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal, de 23/05/2014, solicitando a apresentação de documentação comprobatória e a comprovação do efetivo pagamento dos lançamentos relacionados no Anexo I, do referido termo, sendo que Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.005 11 para os lançamentos referentes à prestação de serviços foi também solicitada a comprovação da efetividade da prestação. Nos Anexos I dos Termos de Intimação Fiscal de 28/08/2014 e 10/12/2014, a fiscalização relacionou novamente os lançamentos contábeis cuja documentação comprobatória tinha sido solicitada nos termos de intimação anteriores mas não havia sido apresentada a documentação por parte da empresa ou a documentação apresentada estava incompleta ou insuficiente. Nesses termos foi relacionado, para cada um dos lançamentos, na coluna "Providências" dos anexos, a documentação necessária à comprovação dos custos. No Termo de Intimação Fiscal de 29/04/2015 foi também solicitada a apresentação de documentação comprobatória dos lançamentos nele relacionados, bem assim, os contratos e os documentos comprobatórios da efetiva prestação do serviço e esclarecimentos sobre a finalidade do custos. Após a análise da documentação apresentada pela recorrente em atendimento às intimações, restaram não comprovados os lançamentos relacionados no "Anexo 2 Glosa de Custos Não Comprovados Analítico". Para cada uma das glosas efetuadas a fiscalização relacionou na coluna "Observação " do anexo, a motivação da glosa do custo. A recorrente afirma no recurso voluntário que as despesas estavam relacionadas a seus objetivos sociais, sendo portanto essenciais e indispensáveis à manutenção de suas atividades, bem assim, que a fiscalização teria confundido os conceitos de descrição genérica com descrição objetiva. A despeito das alegações da recorrente, da análise da documentação acostada aos autos não é possível identificar a necessidade dos custos glosados. No campo "Observações" do Anexo 2 ao auto de infração, constatase que a descrição dos serviços nas notas fiscais apresentadas é, de fato, genérica, contendo termos que impossibilitam a verificação da necessidade das despesas à manutenção das atividades sociais, como por exemplo: "serv. de consultoria/dba/outsurcing", "construção de infraestrutura externa", "elaboração de projetos", "serviços de consultoria em informática", "instalação", "serviço de instalação e configuração", etc.... Vale ressaltar que, apesar de ainda no curso da ação fiscal a recorrente ter sido cientificada da necessidade de apresentação de documentação complementar através das intimações a ela encaminhadas, não foi apresentada a documentação solicitada à fiscalização, bem assim, não foram anexados quaisquer documentos à impugnação e ao recurso voluntário hábeis à comprovação da necessidade dos custos glosados pela fiscalização. Discorda a recorrente da afirmação da decisão a quo de que suas alegações na impugnação foram genéricas, pois teria demonstrado de forma específica e individualizada os motivos pelos quais não concordava com a autuação fiscal, inclusive com exemplos dos erros das autoridades fiscais nas glosas efetuadas. Não assiste razão à recorrente. Tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, a recorrente limitase a fazer alegações genéricas de que despesas estão relacionadas a seus objetivos sociais, bem assim, que teria sido fornecida a documentação de suporte aos lançamentos, como notas fiscais e contratos, sem contestar, especificamente, as motivações das glosas realizadas pela fiscalização e relacionadas na planilha constante do anexo 2 aos autos de infração. Nos únicos três exemplos citados no recurso voluntário, em que a recorrente defendese especificamente dos itens 7, 13 e 1, referentes ao anexo A do Termo de Intimação Fiscal de 29/04/2015, também não lhe assiste razão: Item 7 do TIF de 29/04/2015: Custo de Instal. Data Center 04/01/2010 R$ 32.0000,00: A decisão recorrida considerou o custo indedutível pelos seguintes motivos: (i) a descrição na nota fiscal de serviços prestados não guardaria correlação com aquela constante Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.006 12 no contrato de prestação de serviços; (ii) não teriam sido apresentados documentos comprobatórios da efetiva prestação do serviço; (iii) esclarecimentos de forma genérica e sem documentação comprobatória e (iv) gasto referese a bem do ativo permanente, o qual não se coaduna com custo/despesa operacional, devendo ser ativado para posterior depreciação/amortização. Em sua peça recursal, alega que a cláusula 1.1 do contrato de prestação de serviços apresentado demonstra que a contratada poderia prestar outros serviços não descritos que, se acordados entre as partes, fariam parte do contrato. Apesar da decisão recorrida ter identificado diversos motivos pelos quais referido custo seria indedutível, a recorrente se limita a apontar a existência de cláusula contratual apta a permitir a prestação de serviços diversos dos originalmente contratados. Assim, ainda que se admita que os serviços prestados estariam contemplados com referida cláusula, subsistiriam as demais motivações da glosa, ou seja: falta de comprovação da efetiva prestação do serviço, falta de esclarecimentos específicos sobre a finalidade do gasto e, por fim, gastos com serviços de instalação de infraestrutura os quais devem ser ativados, não se identificando como custos/despesas operacionais. Item 13 do TIF de 29/04/2015: Custo de Instal. Terrestre 19/04/2010 R$ 43.718,30: A decisão recorrida afirmou que apesar das intimações a resposta da recorrente teria sido genérica e que não teriam sido apresentados documentos comprobatórios da efetiva prestação do serviço. Aduziu que o contrato, por si só, sem seus anexos, relatório ou outros documentos que comprovem a natureza do bem/serviço, não fariam prova quanto à dedutibilidade dos gastos. A recorrente esclarece que a cláusula 1.1 do contrato de prestação de serviços demonstra que a contratada poderia prestar serviços eventuais não descritos no contrato original, bem assim, que a decisão recorrida é extremamente vaga pois teria deixado de identificar quais documentos além dos já apresentados seriam necessários para comprovar a regularidade das deduções. De igual forma ao decidido no item anterior, a existência de cláusula contratual prevendo a realização de serviços diversos dos originais não tem o condão de afastar a glosa efetuada pela fiscalização, porque não foi comprovada a efetividade dos serviços. Com relação aos argumentos de que a decisão teria sido genérica, sem identificar quais documentos além dos já apresentados seriam necessários para comprovação da regularidade das deduções, não assiste razão à recorrente. Consta da motivação da glosa para referido item no Anexo 2 à autuação, que a própria cláusula primeira do contrato previa a apresentação de relatórios técnicos com detalhamento de serviços e/ou testes realizados, entretanto, nenhum desses documentos foi apresentado à fiscalização. Alega ainda a recorrente que os argumentos da decisão de que os contratos não guardariam relação com os lançamentos, pois não teriam sido juntados seus anexos, ou não estariam registrados em cartório, não merecem prosperar pois eventuais valores préacordados pelas partes para alguns serviços não excluem a possibilidade de ajustes entre as partes para prevenir o enriquecimento sem causa. De fato, eventuais valores préacordados pelas partes não excluem a possibilidade de ajustes e devem ser pagos para preservar a equidade e prevenir o enriquecimento ilícito, entretanto, os serviços prestados devem ser efetivamente comprovados, quer seja por meio de relatórios técnicos com detalhamento dos serviços, ou por qualquer outro meio de prova, de forma a permitir sua dedutibilidade. Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.007 13 Item 1 do TIF de 29/04/2015: Custo de Instal. Data Center 13/07/2010 R$ 22.000,00: A decisão recorrida afirmou que a descrição dos serviços na nota fiscal foi genérica, inviabilizando o trabalho fiscal de averiguação da necessidade da despesa, bem como de sua natureza. Aduziu que o contrato, por si só, sem seus anexos, relatórios e outros documentos não faz prova quanto à dedutibilidade, todavia, apesar de intimada e reintimada, a recorrente limitouse a responder de forma genérica, sem apresentar documentos que comprovassem suas alegações. No recurso voluntário a recorrente esclarece que a cláusula 5.1 do contrato de prestação de serviços demonstra que a vigência do contrato se iniciou em 01/02/2010, assim , a nota fiscal de 13/07/2010 e os serviços ali constantes estão abrangidos pelo contrato. Refuta as afirmações da decisão recorrida de que nenhum dos documentos juntados comprovaria a efetiva prestação dos serviços descritos nas notas fiscais, uma vez que a recorrente possui todos os comprovantes de pagamento relacionados às notas fiscais e contratos exigidos pela fiscalização. Novamente, não assiste razão à recorrente. Apesar da intimação enviada à recorrente em 29/04/2015, ter solicitado a apresentação de documentos que comprovassem a efetiva prestação do serviço, bem assim, esclarecimentos sobre a finalidade do gasto, a nota fiscal de serviços apresentada possui descrição genérica e não foi apresentado nenhum relatório ou planilha que comprovasse a efetiva prestação do serviço. Afirma a recorrente que possui todos os comprovantes de pagamento relacionados às notas fiscais e contratos exigidos pela fiscalização, conforme documento 6 anexado à impugnação, todavia, dentre os documentos anexados à impugnação de fls. 2.683 a 2.845 não foram anexados os citados comprovantes de pagamentos. Com o objetivo de comprovar suas alegações a recorrente transcreve exemplo de um serviço que classificou como essencial e necessário à sua atividade, cuja contratação e efetividade estariam plenamente comprovados pela documentação de suporte. Tratase do item 1 Item 1 do TIF de 29/04/2015: Custo de Instal. Data Center 13/07/2010 R$ 22.000,00, acima analisado. Dessa forma, apesar de ter transcrito no recurso voluntário os esclarecimentos prestados à fiscalização, trecho do contrato de prestação de serviços firmado com a Allmax Tecnologia e Comunicação Empresarial Ltda, bem assim, cópia da nota fiscal de prestação de serviços e comprovante de pagamento, não foi apresentado nenhum relatório ou planilha que comprovasse a efetiva prestação do serviço. Requer a recorrente, com fundamento no princípio da verdade material e da oficialidade, a análise de toda documentação acostada aos autos pois, uma vez comprovada a essencialidade, usualidade e necessidade dos serviços prestados à atividade da recorrente, a decisão recorrida deve ser reformada. Acrescenta que a autoridade fiscal teria ignorado a vinculação entre os pagamentos efetuados e a sua atividade fim, e a decisão recorrida sequer analisou referida documentação. Novamente, a recorrente pleiteia a reforma da decisão recorrida com argumentos genéricos. Considerando que a fiscalização identificou, individualizadamente, a motivação para cada uma das glosas efetuadas, a recorrente também deveria especificar os motivos pelos quais entende que a documentação acostada aos autos seria hábil a comprovar cada uma das glosas efetuadas. A simples alegação genérica de que teriam sido acostados aos autos documentos comprobatórios dos custos glosados, tais como contratos e comprovantes de Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.008 14 pagamentos, sem identificálos e vinculálos às glosas efetuadas, não tem o condão de afastar as glosas realizadas pela fiscalização. Ademais, não foram acostados aos autos, seja em sede de impugnação ou recurso voluntário, novos documentos hábeis a modificar as conclusões da fiscalização, motivo pelo qual improcede o pedido da recorrente para que os julgadores, com fundamento nos princípios da verdade material e da oficialidade, verifique novamente a documentação já analisada pela fiscalização quando sequer foram contestadas identificados os pontos de discordância entre as motivações das glosas e as razões da recorrente . Diante do exposto, entendo que não merece reparos o acórdão recorrido que concluiu pela manutenção das glosas efetuadas pela fiscalização. INFRAÇÃO 2 BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTOS A recorrente insurgese contra o acórdão da DRJ/JFA que decidiu que os gastos com reparos e manutenção foram indevidamente contabilizados como custo operacional, visto que tais valores deveriam ter sido lançados no ativo permanente para futura depreciação/amortização. Da leitura do "Anexo 4 Glosa de Bens de Natureza Permanente Deduzidos Indevidamente Como Custo Analítico" ao auto de infração, constatase que a autoridade fiscal identificou que a recorrente contabilizou diversos bens de natureza permanente, com valores unitários superiores a R$ 326,61 e prazo de vida útil superior a um ano, os quais não poderiam ter sido deduzidos como custos/despesas, nos termos do art. 301 do Decreto nº 3.000/99: Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). §1 Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2ºSalvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). No recurso voluntário apresentado a recorrente afirma que, ao contrário do constatado pela decisão recorrida, além da escrituração fiscal e declarações enviadas à RFB, é imprescindível a análise da natureza dos bens envolvidos, sendo certo que os bens glosados pela fiscalização possuem vida útil inferior a um ano ou foram aplicados em simples reparos ou manutenção, não sendo bens do seu ativo permanente. Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.009 15 De fato, assiste razão à recorrente quando afirma ser imprescindível a análise da natureza dos bens envolvidos e foi, justamente após analisar a natureza dos bens, e os prazos de vida útil definidos pela Instrução Normativa SRF nº 162/98, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 130/99, que a autoridade fiscal identificou que os bens adquiridos por meio das notas fiscais apresentadas pela recorrente possuíam vida útil superior a um ano e valores superiores a R$ 326,61. Alega a recorrente em sua peça recursal a necessidade de realização de perícia para demonstrar que os itens glosados não duram mais que um ano. Conforme já decidido em sede de preliminares, as diligências e perícias se prestam a esclarecer pontos obscuros, controversos ou duvidosos, porém, no caso em questão, a recorrente requer a realização de perícia para produção de prova que de deveria ter sido por ela apresentada juntamente com a impugnação, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72: Art. 16 A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Dessa forma, considerando que não foram apresentados documentos comprobatórios de suas alegações, entendo que não merecer reparos a decisão recorrida que manteve as glosas efetuadas. INFRAÇÃO 3 EXCLUSÕES INDEVIDAS Insurgese a recorrente contra a infração relativa às exclusões indevidas na apuração do lucro real decorrentes dos ajustes de depreciação no lucro líquido e da variação cambial/bônus sobre os valores pagos a seus empregados. Com relação aos ajustes de depreciação e amortização, esclarece que após análise global dos itens de seu ativo foram identificadas diferenças no saldo de depreciação acumulada, decorrentes da incorporação do ativo imobilizado da empresa "SAC Brasil" pela recorrente, quando foram utilizadas as informações dos ativos da empresa incorporada. Alega que as depreciações acumuladas destes itens levavam em conta taxas adotadas pela empresa originária, que foi incorporada em sua totalidade, mas continuouse a calcular a depreciação com a informação original, entretanto, as taxas praticadas pela recorrente eram diferentes, o que levou a recorrente a promover um ajuste na depreciação acumulada destes itens. Aduz que para alguns itens as taxas de depreciação não estavam atualizadas, razão pela qual também foram ajustadas. Da análise da documentação anexada aos autos verificase que, apesar de intimada e reintimada a apresentar documentação comprobatória das exclusões relativas aos ajustes de depreciação, a recorrente limitouse a encaminhar as planilhas elaboradas pela empresa, entretanto, não foi acostou nenhum documento que comprovasse a origem dos valores informados na planilha, não esclareceu do que se tratava os itens da planilha, nem forneceu explicações sobre os cálculos efetuados. Os únicos documentos encaminhados que supostamente suportariam as exclusões foram: alteração de seu contrato social, de 30/05/2008, tratando da incorporação da SAC Brasil II; relatório de auditoria independente realizada pela Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.010 16 Ernst & Young Terco; e o instrumento particular de deliberação do sócio da SAC Brasil II, acerca de sua incorporação pela fiscalizada, porém, referidos documentos não fazem qualquer referência aos supostos ajustes de depreciação que constam da planilha enviada à fiscalização. O art. 305 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) trata da dedutibilidade das despesas com depreciação de bens do ativo permanente: Art. 305 Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57). § 1º A depreciação será deduzida pelo contribuinte que suportar o encargo econômico do desgaste ou obsolescência, de acordo com as condições de propriedade, posse ou uso do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 7º). § 2º A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 8º). § 3º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de depreciação não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 6º). § 4º O valor não depreciado dos bens sujeitos à depreciação, que se tornarem imprestáveis ou caírem em desuso, importará redução do ativo imobilizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 11). § 5º Somente será permitida depreciação de bens móveis e imóveis intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Por sua vez , os arts. 309 e 310 do Decreto nº 3.000/99, dispõem sobre as quotas e taxas de depreciação aplicáveis sobre os bens depreciáveis: Art. 309 A quota de depreciação registrável na escrituração como custo ou despesa operacional será determinada mediante a aplicação da taxa anual de depreciação sobre o custo de aquisição dos bens depreciáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 1º). § 1º A quota anual de depreciação será ajustada proporcionalmente no caso de período de apuração com prazo de duração inferior a doze meses, e de bem acrescido ao ativo, ou dele baixado, no curso do período de apuração. § 2º A depreciação poderá ser apropriada em quotas mensais, dispensado o ajuste da taxa para os bens postos em funcionamento ou baixados no curso do mês. § 3º A quota de depreciação, registrável em cada período de apuração, dos bens aplicados exclusivamente na exploração de Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.011 17 minas, jazidas e florestas, cujo período de exploração total seja inferior ao tempo de vida útil desses bens, poderá ser determinada, opcionalmente, em função do prazo da concessão ou do contrato de exploração ou, ainda, do volume da produção de cada período de apuração e sua relação com a possança conhecida da mina ou dimensão da floresta explorada (Lei nº 4.506, de 1964, arts. 57, § 14, e 59, § 2º). Art. 310. A taxa anual de depreciação será fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar utilização econômica do bem pelo contribuinte, na produção de seus rendimentos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 2º). § 1º A Secretaria da Receita Federal publicará periodicamente o prazo de vida útil admissível, em condições normais ou médias, para cada espécie de bem, ficando assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seus bens, desde que faça a prova dessa adequação, quando adotar taxa diferente (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 3º). § 2º No caso de dúvida, o contribuinte ou a autoridade lançadora do imposto poderá pedir perícia do Instituto Nacional de Tecnologia, ou de outra entidade oficial de pesquisa científica ou tecnológica, prevalecendo os prazos de vida útil recomendados por essas instituições, enquanto os mesmos não forem alterados por decisão administrativa superior ou por sentença judicial, baseadas, igualmente, em laudo técnico idôneo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 4º). § 3º Quando o registro do imobilizado for feito por conjunto de instalação ou equipamentos, sem especificação suficiente para permitir aplicar as diferentes taxas de depreciação de acordo com a natureza do bem, e o contribuinte não tiver elementos para justificar as taxas médias adotadas para o conjunto, será obrigado a utilizar as taxas aplicáveis aos bens de maior vida útil que integrem o conjunto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 12). Assim, as quotas de depreciação dedutíveis como custo ou despesa operacional são determinadas mediante a aplicação da taxa anual de depreciação, fixada pela Receita Federal do Brasil em função do prazo de vida útil, sobre o custo de aquisição dos bens depreciáveis. É facultado ao contribuinte adotar taxa de depreciação efetivamente adequada às condições de depreciação de seus bens, entretanto, deve fazer prova dessa adequação. No caso concreto, a recorrente alega que devem ser aceitas as exclusões realizadas por estarem relacionadas à diferença na taxa de depreciação utilizada por ele e pela empresa incorporada, entretanto, não foi apresentado nenhum documento que dê suporte às taxas adotadas. Relativamente ao pedido de perícia contábilfiscal, conforme já decidido em sede de preliminares, as diligências e perícias se prestam a esclarecer pontos obscuros, controversos ou duvidosos, porém, no caso em questão, a recorrente requer a realização de Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.012 18 perícia para produção de prova que de deveria ter sido por ela apresentada juntamente com a impugnação, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72 Diante do exposto, correta a decisão recorrida que manteve a infração referente às exclusões indevidas decorrentes dos ajustes de depreciação. Contesta também a recorrente as glosas realizadas pela fiscalização referentes às exclusões da variação cambial dos bônus pagos a seus empregados mediante a entrega a eles de ações da matriz no exterior e a assunção da obrigação de pagar o valor das ações à matriz. Afirma que no momento da entrega das ações aos empregados a dívida tornouse efetiva sendo totalmente dedutível, inclusive a parcela relativa à variação cambial, ainda que o pagamento à matriz não tenha sido realizado. Acrescenta que a fiscalização acabou por confundir duas operações totalmente distintas, pois a dívida assumida pela recorrente perante a GlobalEUA em nada se relaciona com a liquidação do bônus perante os empregados da recorrente. Consta da autuação que, intimada a justificar o motivo pelo qual teria realizado exclusão na apuração do lucro real no valor de R$ 2.894.364,18, a recorrente esclareceu a mesma seria referente à reversão de provisão registrada em período anterior para pagamento de bônus a seus empregados. Afirmou que o valor provisionado de R$ 2.559.675,77 foi pago em ações da companhia no exterior, emitidas diretamente pela Global Crossing Limited, e a recorrente ficou responsável pelo reembolso do valor à matriz. Acrescentou que o valor do bônus era controlado em dólares e, no momento do efetivo pagamento do bônus, o valor em dólares convertido em reais era de R$ 2.894.364,10, o qual se tornou uma dívida efetiva com a matriz no exterior. Assim, entendeu que o valor de R$ 336.011,60, referente à variação cambial do programa de opção de compra de ações da fiscalizada em favor de seus empregados deveria ser excluído da apuração do lucro real, apesar de ainda não ter efetuado reembolso do pagamento à matriz. O art. 30 da Medida Provisória 2.15835/2001, ao tratar da tributação das variações monetárias em função da taxa de câmbio, assim dispõe: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1o À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2o A opção prevista no § 1o aplicarseá a todo o ano calendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.013 19 De acordo com o dispositivo legal acima transcrito, as variações monetárias das obrigações das pessoas jurídicas, em função da taxa de câmbio, para efeito de apuração do IRPJ e CSLL, são consideradas quando da liquidação da operação, caso a contribuinte tenha optado pelo regime de caixa, ou pelo regime de competência. No caso da recorrente, consta do Termo de Verificação que a contribuinte fez opção pelo regimes de caixa e tal fato é incontroverso. Assim, as variações cambiais somente podem ser computadas na apuração do lucro líquido por ocasião do efetivo reembolso à matriz no exterior, responsável pela outorga das ações. Alega a recorrente que a liquidação da operação se deu no momento do efetivo pagamento do bônus, sendo que a totalidade da dívida em dólares convertida em reais, no montante de R$ 2.894.364,10, tornouse uma dívida efetiva da recorrente, motivo pelo qual o valor poderia ter sido totalmente excluído da apuração do lucro real. Ora, diversamente do alegado pela recorrente, o que deu origem à variação cambial não foi o pagamento do bônus aos empregados, mas sim a dívida assumida pela recorrente junto à matriz no exterior pela outorga de suas ações em favor dos empregados. Assim, considerando que no anocalendário de 2010 não foi efetuado o efetivo pagamento das variações cambiais, entendo que não merece reparos a decisão recorrida que concluiu pela manutenção das glosas efetuadas. INFRAÇÃO 4 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO MENSAL DA ESTIMATIVA A recorrente opõese ao acórdão a quo que manteve a multa isolada decorrente da insuficiência dos recolhimentos mensais por estimativa, sob o fundamento de que com o indeferimento do pleito da recorrente quanto aos itens anteriores, estaria mantida essa infração. No recurso voluntário a recorrente alega que não cometeu nenhuma das infrações descritas na autuação fiscal, sendo, portanto, indevidas quaisquer exigências a título de complementação dos valores antecipados de IRPJ e CSLL. Tendo em vista que a presente infração tem como origem as diferenças entre as bases de cálculo mensais apuradas pela recorrente e pela fiscalização, e decorre da inclusão das infrações acima analisadas, as quais foram julgadas procedentes, não merece reparos o acórdão recorrido que manteve a exigência das multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais. Aponta também a recorrente a necessidade de cancelamento das compensações de ofício do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa realizadas pela fiscalização, bem assim, da multa de ofício de 75% aplicada, pois teria demonstrado no recurso a improcedência das infrações 1, 2 e 3. Diversamente do alegado pela recorrente, o presente acórdão decidiu pela procedência das infrações 1, 2 e 3, motivo pelo qual devem ser mantidas as compensações de ofício realizadas pela fiscalização e as multas de ofício aplicadas nos autos de infração. Ao final do recurso, questiona a improcedência da aplicação de juros Selic sobre a multa de ofício, em vista da ausência de previsão legal para cobrança. Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.014 20 O art. 113 § 1º do Código Tributário Nacional, ao definir o que seria a obrigação tributária principal, assim estabeleceu: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação tributária principal consiste na obrigação de "dar" uma importância em moeda, diferentemente das obrigações acessórias que tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer) determinado ato. Do comando legal acima transcrito inferese que a obrigação tributária principal engloba tanto o pagamento do tributo quanto a penalidade pecuniária, no caso, a multa de ofício. Ao afirmar que a obrigação tributária principal extinguese juntamente com o crédito dela decorrente verificase que ambas são faces de uma mesma relação jurídica. O crédito tributário é a obrigação tributária quantificada pelo Fisco e constituída pelo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido, o art. 139 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Em seguida, o art. 161 do Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O crédito tributário constituído nos lançamentos de ofício inclui o tributo, bem assim, as multas de ofício e, quando não pagos no vencimento sujeitamse aos juros de mora. O parágrafo primeiro estabeleceu ainda que referidos juros são calculados à taxa de 1% ao mês nos casos em que a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu que os débitos com a União, quando decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.015 21 Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01/01/1997, estão sujeitos aos juros Selic quando não pagos nos prazos previstos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Os débitos a que se referem a Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário objeto do art. 161 do Código Tributário Nacional, visto sob a ótica do sujeito passivo. Conforme acima demonstrado, o crédito tributário compreende os tributos, bem assim, as multas de ofício previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A jurisprudência deste Conselho é majoritária a favor da incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 1301001.976, Sessão de 05/04/2016) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão n° 1302000.959, Sessão de 07/08/2012) Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício. Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.016 22 DO REFLEXO DE CSLL Aplicase a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão dos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o entendimento da ilustre Relatora quanto à possibilidade de exigência de multa isolada no caso em apreço, durante as discussões em sessão surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Assim, passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegaram o colegiado acerca dessa matéria. A multa isolada aplicada tem como origem as diferenças entre as base de cálculo mensais apuradas pela recorrente e pela fiscalização, e decorre das glosas efetuadas em procedimento de fiscalização, que constatou entre outras infrações, deduções indevidas de despesas/custos na apuração do lucro real do período. Não decorre do não recolhimento de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual. Penso que as discussões relacionadas à aplicação da multa isolada devem levar em conta o motivo que levou a autoridade fiscal a aplicála, pois ela não se destina a punir casos de omissão de receita, deduções indevidas de despesas, exclusões não autorizadas ou falta de adição ao lucro líquido. Nessas infrações, deve ser aplicada apenas a multa de ofício, ao contrário do que ocorre na hipótese do não recolhimento (total ou parcial) de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual, onde se aplica a denominada multa isolada. Isso porque, no meu sentir, a multa isolada foi instituída para punir apenas os contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixavam de recolher as estimativas mensais. É que encerrado o ano base, já não é juridicamente possível exigir as estimativas, vez que elas possuem natureza de antecipação do tributo a ser apurado no final do período. Assim, encerrado o período, o Fisco só pode exigir o Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.017 23 valor devido e não as antecipações. Vale dizer, as estimativas só podem ser exigidas no curso do respectivo período de apuração. Assim, para que a norma que determina o recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa seja imperativa, e não reduzida a mera recomendação, instituiuse a multa isolada, com o propósito específico de punir o descumprimento da norma que impõe a estes contribuintes o recolhimento mensal por estimativa. Por isso, a aplicação da referida multa isolada deve limitarse apenas ao caso em que foi concebida. Aplicála a casos de glosas de despesas efetuadas em procedimento de fiscalização, como é a hipótese dos presentes autos, é uma forma de exacerbar a penalidade sem previsão legal. Ademais, existe entendimento de que a aplicação da multa de ofício afastaria, pelo princípio da consunção, a multa isolada. O E STJ tem decisões nesse sentido, das quais é exemplo a decisão proferida no REsp nº 1.496.354/PR. Confirase sua ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.018 24 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1496354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) Do voto condutor da decisão, da lavra do eminente Ministro Humberto Martins, se pode extrair o trecho abaixo: “Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 16095.720062/201554 Acórdão n.º 1301002.736 S1C3T1 Fl. 3.019 25 Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo.” Assim, ao abrigo do princípio da consunção, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Logo, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa do que o ilícito principal. É o que os penalistas, à propósito, denominam de "princípio da consunção". Conclusão Com esses fundamentos, afastase a exigência da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas, devendo ser mantida apenas a multa de ofício. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 3019DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002203/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 03 /2 01 0- 49 Fl. 141DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 142DF CARF MF Processo nº 19515.002203/201049 Acórdão n.º 2201004.213 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 143DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 19515.002203/201049 Acórdão n.º 2201004.213 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 145DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003143/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO PRÓ-LABORE. EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS.
Incide a contribuição previdenciária em relação à remuneração paga ou creditada a qualquer título aos segurados contribuintes individuais.
Integram o salário de contribuição do empregado os valores pagos como reembolso e ressarcimento de despesas de viagem, quando não comprovados.
A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação.
A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível.
As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas.
É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional.
Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastando-se qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante).
Numero da decisão: 2402-006.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior, que lhe deram provimento parcial, para abater do lançamento os valores recolhidos nas empresas do Simples relativos à contribuição previdenciária. Votou pelas conclusões o conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO PRÓ-LABORE. EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS. Incide a contribuição previdenciária em relação à remuneração paga ou creditada a qualquer título aos segurados contribuintes individuais. Integram o salário de contribuição do empregado os valores pagos como reembolso e ressarcimento de despesas de viagem, quando não comprovados. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional. Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastando-se qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior, que lhe deram provimento parcial, para abater do lançamento os valores recolhidos nas empresas do Simples relativos à contribuição previdenciária. Votou pelas conclusões o conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO PRÓLABORE. EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS. Incide a contribuição previdenciária em relação à remuneração paga ou creditada a qualquer título aos segurados contribuintes individuais. Integram o salário de contribuição do empregado os valores pagos como reembolso e ressarcimento de despesas de viagem, quando não comprovados. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional. Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 43 /2 01 0- 15 Fl. 644DF CARF MF 2 Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastandose qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior, que lhe deram provimento parcial, para abater do lançamento os valores recolhidos nas empresas do Simples relativos à contribuição previdenciária. Votou pelas conclusões o conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 475/630 em face do Acórdão n. 10 40.981 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) e fls. 438/470 , que julgou improcedente a impugnação de efls. 86/223 e manteve o crédito tributário constituído pelo lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4044 consolidado no valor total de R$ 93.300,40 na data de 09/11/2010 Período de Apuração: 01/2007 a 12/2009 ciência do contribuinte em 18/11/2010 (efls. 02/46) com fulcro em descumprimento de obrigação principal referente a contribuições destinadas à Seguridade Social Segurados Empregados e Contribuintes Individuais , conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 69/84. A Recorrente foi regularmente cientificada do AI DEBCAD n. 37.274.4044 (efls. 02/46) em 18/11/2010, e, irresignada, apresentou a impugnação de efls. 86/223. O crédito tributário de natureza previdenciária no AI DEBCAD n. 37.274.4044 (efls. 02/46) foi mantido no julgamento de primeiro grau, nos termos do Acórdão n. 1040.981 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) efls. 438/470, que sumarizou seu entendimento conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 AI Debcad nº 37.274.4044 Fl. 645DF CARF MF Processo nº 11065.003143/201015 Acórdão n.º 2402006.182 S2C4T2 Fl. 102 3 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INCONSTITUCIONALIDADE/ ILEGALIDADE. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO/PRÓ LABORE. EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie não gera a nulidade do lançamento. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo possibilitando que este exerça plenamente o seu direito à defesa. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Incide a contribuição previdenciária em relação à remuneração paga ou creditada a qualquer título aos segurados contribuintes individuais. Integram o salário de contribuição do empregado os valores pagos como reembolso e ressarcimento de despesas de viagem, quando não comprovados. O desconto da contribuição do segurado se presume feito regular e oportunamente pela empresa a isso obrigada. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. A utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do Acórdão n. 1040.981 (efls. 438/470) em 07/02/2013 (efls. 472/473), e, em 08/03/2013, interpôs o Recurso Voluntário de efls. 475/630, guerreando contra a decisão a quo de forma total, conforme destaca na retrocitada peça recursal, esgrimindo, em linhas gerais, os argumentos apresentados na impugnação de efls. 86/223, abaixo resumidos: i) Inexistência de interposição de sociedades; ii) Inexistência de grupo econômico; iii) Isenção legal da divisão de lucros nos exercícios 2008 e 2009; iv) Inaplicabilidade do art. 201, II, do RPS face a imunidade veiculada no art. 7°., XI, da CF; Fl. 646DF CARF MF 4 v) Isenção legal Lei n. 8.212/91; vi) Regularidade da terceirização falta de lei que defina atividadefim; vii) Competência da Justiça do Trabalho não aplicação na matéria fiscal; viii) Competência da Justição do Trabalho para declarar a existência de vínculo empregatício; ix) Inexistência de pessoalidade na prestação de serviços (terceirização); x) Inexistência de subordinação; xi) Excesso de cobrança tributária; xii) Despesas consideradas como salário são, de fato, efetivos ressarcimentos; xiii) Inaplicabilidade do Direito do Trabalho na esfera do Direito Tributário; xiv) Inaplicabilidade do princípio da primazia da realidade para constituição de créditos previdenciários; xv) Inaplicabilidade do art. 126, III, do CTN ao caso concreto; xvi) Inaplicabilidade do art. 9°. e 444 da CLT ao caso concreto; xvii) Inversão do ônus da prova; xviii) Dilação probatória (perícia técnica); xix) Inexistência de simulação; xx) Inexistência de fraude; xxi) Inexistência de conluio; xxii) Inaplicabilidade da multa majorada; xxiii) Proibição de confisco e observância ao princípio da capacidade contributiva; xxiv) Não incidência de juros e atualização monetária sobre as multas aplicadas; xxv) Limite dos juros em 1% a.m; xxvi) Inconstitucionalidade na cobrança e exigência das contribuições de fundações e terceiros; xxvii) Inconstitucionalidade da exigência da contribuição denominada atualmente de GIILRAT. Este processo tem como processoraiz o de n. 11065.003141/201026, ao qual encontrase apenso (efl. 437). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 11065.003143/201015 Acórdão n.º 2402006.182 S2C4T2 Fl. 103 5 O Recurso Voluntário (efls. 475/630) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, o Recurso Voluntário de efls. 475/630 guerreia contra o Acórdão n. 1040.981 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) efls. 438/470 , que julgou improcedente a impugnação de efls. 86/223 e manteve o crédito tributário constituído pelo lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4044, que teve como objeto o descumprimento de obrigação principal referente a contribuições destinadas à Seguridade Social Segurados Empregados e Contribuintes Individuais , conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 69/84. É oportuno esclarecer que o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4044 (efls. 02/46), em litígio, é parte de uma ação fiscal que deu origem à lavratura dos Autos de Infração infra discriminados: Neste processo a discussão está restrita às contribuições vinculadas às remunerações e folha de pagamentos do Recorrente (contribuinte fiscalizado) referentes aos levantamentos: L1, L3 e L32 REMUNERAÇÃO SÓCIOS PROLABORE; L2 e L22 REMUNERAÇÃO EMPREGADOS; L42, L5 e L52 REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, consignados no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4044 (efls. 02/46), que dizem respeito à contribuição previdenciária patronal incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e contribuintes individuais. Isto posto, passo ao julgamento, adotando a metodologia utilizada pela DRJ/POA quanto à compartimentação dos tópicos, de forma a racionalizar a abordagem dos questionamentos trazidos pela Recorrente, tendo em vista a pulverização e amplitude dos pedidos no Recurso Voluntário de efls. 475/630. De plano, é oportuno destacar que não serão apreciadas quaisquer alegações da Recorrente referentes à ilegalidade/inconstitucionalidade, vez que falece competência ao julgador administrativo para tal mister. Com efeito, assim informa o enunciado de Súmula CARF n. 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O enunciado acima alinhase ao disposto no art. 26A do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, in verbis: Fl. 648DF CARF MF 6 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Com relação aos questionamentos quanto aos adiantamentos a sócios/acionistas, iniciase a discussão pela Ata de Assembléia realizada em 01/04/2010 (efls. 347/348), que aprova o pagamento de dividendos, trazida aos autos pela Recorrente. Conforme bem salienta a decisão recorrida: nesta data a Assembléia Geral da autuada aprovou “de forma unânime provisão da parcela de lucros de R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais), para pagamento de dividendos aos acionistas da companhia” conforme se lê do documento de fls. 347/348. Registrese que a outra Ata de Assembléia, realizada em 30/04/2009, não faz alusão ao pagamento de dividendos (efl. 349). A seguir transcrevo as conclusões da decisão recorrida, no tocante ao pagamento de dividendos, mediante distribuição de lucros, em apreço: "Como se viu, o dividendo se converte em direito de crédito contra a companhia quando a assembléia geral ordinária delibera a sua distribuição. Em assim sendo, somente a partir de 01/04/2010 existiu a possibilidade de distribuição de dividendos aos acionistas da companhia autuada. Em decorrência, concluise que nos exercícios de 2008 e 2009 a autuada não estava autorizada pela assembléia geral da companhia a distribuir lucros/dividendos aos sócios acionistas, ainda que os Balanços Patrimoniais do período fiscalizado (exercícios 2007/2008/2009) tenham apontado a existência de lucro. Assim, a apresentação de registros contábeis do Livro Razão em 2010, fazendo referência a dividendos “adiantados no período de 2008” (acionistas Daniel Jung e Luis Eduardo Jung) ou “adiantados no período de janeiro/2008 a janeiro/2010” ao acionista Valério Jung, como fez a autuada (fls. 350/351), não é capaz de alterar o crédito lançado, eis que nos exercícios 2008 e 2009 a autuada não estava autorizada pela assembléia geral da companhia a distribuir dividendos aos sócios acionistas. Frisese que as declarações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) da autuada nos anos calendários do período impugnado 2008 e 2009 não fazem menção ao pagamento de lucros ou dividendos a nenhum dos sócios/acionistas, estando em consonância com a conclusão anterior e corroborando o lançamento fiscal (fls. 78/79). Portanto, no caso concreto, a análise da escrituração contábil da empresa e de outros documentos demonstrou que os valores sob exame são relativos à remuneração paga ou creditada aos sócios/acionistas, devendo integrar a base de cálculo oferecida à tributação. [...] Por todo o exposto, concluise que os valores pagos pela autuada aos sócios/acionistas nos exercícios de 2008/2009 a título de adiantamento, se constituem de fato, em remuneração paga ou creditada a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, sobre a qual incide a contribuição social, nos moldes do art. 22, III, da Lei n.º 8.212/91 (com as alterações da Lei nº 9.876/99) e art. 201, II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, in verbis: Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11065.003143/201015 Acórdão n.º 2402006.182 S2C4T2 Fl. 104 7 IIvinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) (...) § 1º São consideradas remuneração as importâncias auferidas em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvado o disposto no § 9º do art. 214 e excetuado o lucro distribuído ao segurado empresário, observados os termos do inciso II do § 5º. (sem grifo no original) Frisese que o art. 201, II, do Decreto nº 3.048/99 foi utilizado pela fiscalização para embasar a contribuição a cargo da empresa e incidente sobre a remuneração de contribuinte individual. Está em plena vigência e em nada se confunde com a legislação relativa à distribuição de lucros/dividendos a sócios/acionistas. No caso, a hipótese de distribuição de lucros, aventada pela autuada, não foi confirmada pela fiscalização e também não restou comprovada na peça impugnatória, razão pela qual não subsiste." Em decorrência do exposto no tópico anterior, não se caracteriza, no caso concreto, a imunidade informada no art. 7°., XI, da CF/88, bem assim resta afastada a isenção prevista no art. 28, § 9°., alínea "j", da Lei n. 8.212/91, vez que descaracterizada a aludida participação nos lucros ou resultados da empresa. A alegação da Recorrente quanto à inexistência de vínculo laboral e, ipso facto, prejudicada a exigência de contribuição previdenciária "em razão da absoluta impossibilidade de ocorrência concreta do fato gerador da obrigação tributária", bem assim da suposta inclusão de sócios cotistas que sequer participam da administração da sociedade, é despicienda, a um, pelo elementos de prova acostados aos autos e já relatados, e a dois, por tratarse de acusação genérica, que sequer aponta os segurados nessa situação e o período em que tais fatos ocorreram, conforme bem ressalta a decisão a quo. Os levantamentos L3 e L32 REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS , através dos quais a autoridade lançadora efetuou o lançamento de remunerações ou retribuições Comissões, Adiantamentos pagas ou creditadas aos Contribuintes Individuais – Sócios ou Acionistas discriminados no Relatório Fiscal (efls. 81/96), no período de 02/2007 a 11/2008 e de 12/2008 a 12/2009, respectivamente, são bastante elucidativos, dispensando maiores considerações, acrescentandose ainda que a decisão da instância de piso, neste ponto, também é por demais esclarecedora (efls. 456/458 do Acórdão n. 1040.981). Concluise, assim, que não merece reparo a decisão de primeira instância quanto aos questionamentos acima enfrentados. No que diz respeito às despesas, a Recorrente reclama de lançamento equivocado como se salários fossem, vez que, nas suas palavras, os pagamentos assinalados pela Fiscalização são efetivamente reembolso e/ou adiantamento de viagem, comprovados, segundo ele, por documentos anexados. Conforme destaca a decisão recorrida, "os segurados empregados, contribuintes individuais ou trabalhadores avulsos podem ser remunerados, em contraprestação pelos serviços que prestam, sob as mais diversas denominações. Em regra, considerase que as despesas necessárias para o trabalho não são tributáveis, ao passo que aquelas que forem custeadas pelo empregador para conceder ao trabalhador uma Fl. 650DF CARF MF 8 contraprestação pelos serviços prestados (pelo trabalho) são tributáveis. Assim, para determinar se as parcelas devem ou não ser incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias, fazse necessário analisar a origem e característica das mesmas." Da análise dos autos, bem assim da realidade fática neles evidenciada, e, considerandose, ainda, a apreciação pontual das situações trazidas pela Recorrente, efetuada de forma exaustiva pela instância de piso, que elucida a natureza e características das despesas em litígio efls. 459/464 do Acórdão n. 1040.981 , resta procedente o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4044 (efls. 02/46), com fundamento nas informações veiculadas nos seguintes documentos: i) recibo de pagamento a autônomos (RPA); ii) comprovantes de despesas de viagens/ressarcimento segurado empregado Paulo Roberto Lima Filho; iii) comprovantes de despesas de viagens/ressarcimentos Sr. Daniel Jung; e iv) GFIP de 04 a 11/2008. Cabe destacar que não há previsão legal para apropriação dos valores recolhidos pelas empresas IBS e IM para fins de abatimento do crédito tributário em apreço, vez que o sujeito passivo da obrigação principal é a empresa Balanças Saturno S/A CNPJ 02.169.172/000119 e os recolhimentos em apreço não só dizem respeito a terceiros , empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples) , bem como repercutiram na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastandose qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado pela Recorrente. Quanto à dilação probatória e perícia técnica, arguidas pela Recorrente na peça recursal de efls. 475/630, cabe destacar que: i) o prazo para interposição de recurso voluntário, acompanhado do conjunto probatório, é de 30 (trinta) dias, conforme disposto no art. 15 do Decreto n. 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal. Tratase de prazo peremptório; ii) inexiste previsão legal para dilatação do prazo consoante solicitado pelo Recorrente; iii) a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos em que seja demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, ou refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pressupostos não demonstrados. Não sendo o caso dos autos, indeferese o pedido. É o que dispõe o art. 16, § 4°., do Decreto n. 70.235/72; iv) o pedido de perícia, conforme o art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, é facultado ao Recorrente, mas fica sujeito ao juízo do julgador decidir sobre a sua realização, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n. 70.235/1972). No caso concreto, a instância de piso entendeu por indeferir, vez que não atende aos pressupostos do art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, pois a impugnante deixou de apresentar os quesitos referentes aos exames desejados, o que resulta no seu indeferimento, e, além disso, não foram aresentados dados concretos que indicassem possíveis erros na apuração das contribuições lançadas; v) a indicação e nomeação de perito, apresentada em 07/02/2011, consubstanciada às efls. 428/434 não se amolda aos pressupostos do art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, bem assim visa à verificação de documentos probatórios já apreciados pela Fiscalização, no que se torna despiciendo, e Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11065.003143/201015 Acórdão n.º 2402006.182 S2C4T2 Fl. 105 9 documentos que serão juntados, já alcançados pela preclusão, vez que todas as provas deveriam acompanhar o Recurso Voluntário de efls. 475/630. Isto posto, sigo o entendimento da DRJ/POA no sentido de considerar prescindível a perícia solicitada e indeferir o pedido da Recorrente neste ponto, a teor do art. 57, § 3°., do Anexo II do RICARF. É cediço que o ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, abrigados, inclusive, no Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015), que àquele se aplica, ainda que subsidiariamente. Destarte, não resta dúvida de que no processo administrativo fiscal, para apuração e exigência do crédito tributário, inclusive em sede de lançamento de ofício, o autor é o Fisco e é deste o ônus de provar a ocorrência da hipótese de incidência tributária (fato gerador). No tocante à inversão do ônus da prova, suscitada pela Recorrente na peça recursal de efls. 475/630, é oportuno destacar a presunção de legitimidade do ato administrativo, que tem natureza relativa. Essa presunção, como não poderia deixar de ser, não elide o dever do Fisco de comprovar a ocorrência do fato gerador, da incidência da hipótese tributária em face do caso concreto, bem assim das circunstâncias em que esta ocorreu, concretizouse. O lançamento do crédito tributário é ato administrativo vinculado e regido, dentre outros, pelos princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada, do que decorre a necessária e cabal demonstração da ocorrência dos fatos e motivos que àquele deram suporte, forte no art. 9°. do Decreto n. 70.235/72. Assim, da falta de comprovação do fato gerador deflui a invalidade do lançamento tributário, vez que não há no ordenamento jurídico pátrio norma jurídica que lhe imponha a presunção de legitimidade. No caso em tela, é farta a documentação acostada aos autos pela autoridade lançadora no sentido de fundamentar o lançamento em litígio, colhidas no curso da ação fiscal, oportunidade em que, frisese, foi concedido amplo direito de defesa e contraditório ao Recorrente, consubstanciados nos termos de intimação fiscal, consoante registrado às efls. 58/66 e 224/425. Em sede de impugnação (efls. 86/223), a Recorrente trouxe ainda aos autos diversos documentos de efls. 224/425, inclusive solicitação de perícia (efls. 428/434), que foram devidamente apreciados pelo órgão julgador de primeira instância de forma exaustiva e minuciosa, nos termos do Acórdão n. 1040.981 (efls. 438/470). Todavia, todo o conjunto probatório ao qual a Recorrente se socorreu não se mostrou com força suficiente para elidir a existência dos fatos geradores de contribuições sociais para os quais não foram efetuados os recolhimentos devidos, conforme previsto na legislação previdenciária. Destarte, o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4044 (efls. 02/46) tem suporte em provas suficientes da ocorrência da hipótese de incidência tributária, o que lhe confere muito mais do que apenas presunção de legitimidade, vez que os elementos probatórios opostos pela Recorrente não têm força bastante a ilidilo. Com relação à alegação da Recorrente em face da multa aplicada, é bastante elucidativo e suficiente o posicionamento da decisão recorrida, mais precisamente no tópico específico "Da Multa aplicada" efls. 466/467 do Acórdão n. 1040.981, verbis: Fl. 652DF CARF MF 10 "Da multa aplicada A impugnante insurgese ainda contra as multas aplicadas ao lançamento.Ora pede a aplicação da multa máxima de 75%. Ora alega que este percentual caracteriza confisco. Aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/2008 a multa moratória era disciplinada pelo artigo 35, incisos I, II e III da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999, em percentuais que aumentavam conforme o momento do pagamento. Em 04/12/2008 foi publicada a Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, que alterou a legislação e acrescentou o artigo 35A à Lei nº 8.212/1991, disciplinando as multas no lançamento de ofício, as quais então passaram a ser aplicadas nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, nas situações que envolvam falta de pagamento ou recolhimento e ausência ou inexatidão da declaração. Em razão da alteração na legislação previdenciária devem ser observados os termos do artigo 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional (CTN), que determina a aplicação da legislação menos severa ao contribuinte, comparandose a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (multa de mora de 24% somada à multa do AI 68 – apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores) e a imposta pela legislação superveniente (multa de ofício de 75%). A fiscalização demonstrou por meio da planilha “Comparativo da Multa” anexa ao Relatório Fiscal (fls. 83/84) a comparação das multas para todas as competências do crédito (multa de mora de 24% em Auto de Infração de obrigação principal somada à multa por descumprimento de obrigação acessória – AI 68) e o resultado da comparação das multas em cada competência para a aplicação da menos severa ao contribuinte. O exame comparativo do valor das multas foi feito mês a mês pela fiscalização, aferindose matematicamente os valores por uma ou outra metodologia, contemplando, por competência, a penalidade mais branda. Portanto, a autoridade fiscal aplicou a legislação, respeitando o disposto na alínea “c”, inciso II, do art. 106 do CTN, ou seja, a multa mais benéfica ao contribuinte no período de 01/2007 a 11/2008. No período de 01/2007 a 11/2008 foi aplicada a multa de 24%, prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores e disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999. No período de 12/2008 a 12/2009 foi aplicada a multa com base na legislação atual, ou seja, a multa no percentual de 75%, prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91 porque não há mais comparação a ser feita, não assistindo razão à autuada quando alega que a multa de ofício não se aplica ao caso concreto. A multa, nos moldes exigidos no presente lançamento, foi calculada em consonância com a legislação que rege a matéria, não podendo a Administração Pública deixar de aplicála, por se tratar de ato vinculado e obrigatório. A aplicação da multa de mora calculada por atraso à taxa de 0,33% ao dia, limitada a 20% (artigo 61, §§1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996), como solicita a autuada, só deve incidir para os tributos vencidos e pagos antes do procedimento fiscal, hipótese que não se aplica aos autos. A legislação citada anteriormente também afasta a aplicação do percentual de 2% (dois por cento) previsto no Código de Defesa do Consumidor CDC (Lei nº 8.078, de 1990, alterada pela Lei 9.298, de 1996). Não são aplicáveis as disposições Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11065.003143/201015 Acórdão n.º 2402006.182 S2C4T2 Fl. 106 11 do Código do Consumidor às relações jurídicotributárias, que têm natureza pública. Por todo o exposto e considerando o caráter irrelevável da multa e ainda, que não foi demonstrada pela autuada a existência de qualquer inconsistência na sua aplicação, mantémse as multas, nos percentuais aplicados. Os argumentos de que a multa aplicada fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade e que tem caráter confiscatório não são passíveis de reconhecimento na esfera administrativa, eis que o que determina a aplicação da multa é a legislação pertinente. A vedação constitucional ao confisco dirigese ao legislador, devendo este observá la no momento da elaboração da lei. À autoridade administrativa cabe apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu, em razão de sua atividade vinculada e obrigatória, sendolhe defeso reduzila ou dispensála. A multa aplicada nos estritos limites previstos na legislação não caracteriza confisco e não ofende os princípios constitucionais invocados pela autuada, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de inconstitucionalidade da legislação vigente. Sendo fixada em lei, deve ser exigida sob pena de responsabilidade funcional." É relevante destacar que a autoridade lançadora procedeu ao comparativo de multas (sistemática atual e anterior) previsto na Instrução Normativa RFB n. 971/2009 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, conforme informa a decisão recorrida, bem assim o Relatório Fiscal de efls. 69/84. A despeito da acusação da Recorrente, não houve aplicação de juros sobre as multas aplicadas, conforme bem destacado na decisão a quo com base no Discriminativo de Débitos (DD) efls. 05/19 e sim sobre o valor principal apurado. No tocante à aplicação do art. 161, 1°., do CTN que impõe a limitação dos juros em 1% ao mês , bem assim a exclusão da taxa SELIC, ambos alvo da irresignação do Recorrente, cabem as seguintes considerações: i) O art. 161, § 1°., do CTN não exclui a capitalização dos juros de mora; ii) A capitalização dos juros não é vedada em matéria tributária, bem como é legal a utilização da taxa SELIC; iii) O art. 161, § 1°., do CTN estabelece taxa de juros em caráter supletivo tão somente "se a lei não dispuser de modo diverso". Ocorre que, relativamente aos tributos federais, há lei tratando da matéria, de modo que não se aplica taxa de 1% a.m, mas, sim, a taxa SELIC; iv) Existe legislação específica fixando a taxa de juros a ser observada, tanto para todos os tributos, inclusive as contribuições sociais, conforme disposto no art. 84 da Lei n. 8.981/95; art. 13 da Lei n. 9.065/95; art. 61, § 3°., da Lei n. 9.430/96, através da remissão ao seu art. 5°. É nesse sentido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ): "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MASSA FALIDA. JUROS MORATÓRIOS. ATIVO SUFICIENTE PARA PAGAMENTO DO PRINCIPAL. 1. Está firmado no âmbito da 1ª Seção o entendimento da legitimidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fl. 654DF CARF MF 12 Fazenda Nacional, bem como, havendo lei estadual nesse sentido, também em relação a tributos cobrados pelos Estados [...]". (STJ, 1ª. Turma, REsp 1048710/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgamento 12/08/2008 DJe 21/08/2008). Não é diferente o posicionamento do CARF consolidado nos enunciados de Súmula CARF n. 4 e n. 5, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com relação à correção monetária sobre o valor da multa, verificase, da análise dos autos, que esta incidiu sobre o principal , conforme denunciado no Discriminativo de Débito (DD) efls. 05/19, destacandose que a atualização monetária para fins de correção de créditos tributários foi extinta a partir de janeiro de 1995. No tocante à cumulação de multa moratória e juros de mora, consoante questionamento da Recorrente, cabem as seguintes ponderações: i) a multa de mora encontra abrigo no art. 161 do CTN e tem como infração pressuposta , pura e simplesmente, o não pagamento do débito no respectivo vencimento; ii) os juros moratórios têm como objetivo a recomposição do valor do débito devido e não pago no vencimento, e são expressamente previstos no art. 61, § 3°., da Lei n. 9.430/96; iii) a multa de mora e os juros moratórios têm natureza e finalidades distintas, o que possibilita a cumulação e afasta a incidência de bis in idem. Nessa perspectiva, concluise que a decisão recorrida não merece reparo. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 475/630), e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 655DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721091/2015-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS. DIRETOR EMPREGADO. ADMINISTRADOR. INDEDUTIBILIDADE.
O início do exercício de cargo de diretoria retira a condição de empregado, passando a condição de administrador. Destarte, os valores pagos a diretores nesta condição, a título de participação nos lucros são indedutíveis, nos termos do art. 303 do RIR/1999.
MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO NÃO PAGO NO VENCIMENTO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, integrando o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios após seu vencimento.
TRIBUTOS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE.
Os tributos e contribuições poderão ser deduzidos, de acordo com o regime de competência, para fins de apuração do lucro real, exceto se houver quaisquer das causas suspensiva de sua exigibilidade previstas no art. 151 do CTN.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Ante a ausência de norma específica para adicionar determinada despesa na apuração da base de cálculo da CSLL, não se deve aplicar de forma reflexa a legislação aplicável ao IRPJ, ferindo o princípio da legalidade. Disposição expressa no Anexo I da IN RFB nº 1.700, de 2017 sobre o tema.
Numero da decisão: 1402-002.966
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade para cancelar ou anular a autuação fiscal; no mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a tributação da CSLL, vencido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, que dava provimento integral.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Julio Lima de Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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DIRETOR EMPREGADO. ADMINISTRADOR. INDEDUTIBILIDADE. O início do exercício de cargo de diretoria retira a condição de empregado, passando a condição de administrador. Destarte, os valores pagos a diretores nesta condição, a título de participação nos lucros são indedutíveis, nos termos do art. 303 do RIR/1999. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO NÃO PAGO NO VENCIMENTO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, integrando o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios após seu vencimento. TRIBUTOS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Os tributos e contribuições poderão ser deduzidos, de acordo com o regime de competência, para fins de apuração do lucro real, exceto se houver quaisquer das causas suspensiva de sua exigibilidade previstas no art. 151 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Ante a ausência de norma específica para adicionar determinada despesa na apuração da base de cálculo da CSLL, não se deve aplicar de forma reflexa a legislação aplicável ao IRPJ, ferindo o princípio da legalidade. Disposição expressa no Anexo I da IN RFB nº 1.700, de 2017 sobre o tema. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 91 /2 01 5- 62 Fl. 1581DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade para cancelar ou anular a autuação fiscal; no mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a tributação da CSLL, vencido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, que dava provimento integral. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima de Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.582 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 12a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, que julgou IMPROCEDENTE, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Abaixo, aproveito e transcrevo os trechos do aresto recorrido para descrever a autuação e a impugnação, pela adequada precisão e concisão da narrativa processual, com eventuais ajustes e/ou complementos da minha parte, em virtude dos elementos agregados na peça recursal. Da autuação: Tratase de lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 17.774.494,46, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 10.600.642,36, acrescida de juros de mora e multa de ofício de 75%, dos anos calendários de 2010, 2011 e 2012, com fundamento na indedutibilidade das participações nos lucros atribuídas a administradores. Do Relatório Fiscal de fls. 1.032/1.044, destacase, em suma, os seguintes fatos: De acordo com os artigos 18 e 22 do seu Estatuto Social, a administração sociedade compete ao Conselho de Administração e à Diretoria, sendo esta composta pelo Comitê Executivo e Diretores Estatutário; Não obstante a previsão estatutária, o contribuinte considera (com exceção do Conselho de Administração e do Diretor Presidente) seus diretores como empregados regidos pela CLT, conforme demonstram as GFIP, DIRF e DIPJ; Na GFIP, os diretores são declarados na “Categoria 1 – Empregado”; Na DIRF, no código de retenção “0561 – Rendimentos do Trabalho Assalariado”; e na DIPJ, como “Diretores com Vínculo Empregatício”; Em razão da classificação atribuída aos diretores, os pagamentos de participações nos lucros a eles atribuídas foram consideradas como despesas dedutíveis para fins de apuração do lucro real; Além da previsão estatutária, o enquadramento dos diretores como administradores tem fundamento nos artigos 138, 145 e 146 da Lei 6.404/76; Os valores pagos a administradores a título de participação nos lucros não podem ser deduzidos na apuração do lucro real, conforme disposto nos artigos 249, inciso I, 303, 357, parágrafo único, inciso I, e 463, do RIR/99, nem tampouco na apuração do resultado do exercício, base de cálculo da CSLL, conforme disposto no art. 45, § 3º, da Lei 4.506/64; A Solução de Consulta COSIT nº 89, em seu item “11.2”, dispõe que as participações nos lucros atribuídas a administradores, inclusive os que tenham Fl. 1583DF CARF MF 4 vínculo de emprego, devem ser adicionadas ao lucro real e à base de cálculo da CSLL; Da Impugnação: Em 13 de janeiro de 2016, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, alegando, em síntese, que (fls. 1.080/1.120): Nulidade dos Autos de Infração De acordo com o Auditor Fiscal, a PLR foi paga não com base na Lei 10.101/00, mas sim com base no art. 152 da Lei 6.404/76, motivo pelo qual seria indedutível para fins de IRPJ e CSLL, sem, no entanto, ter demonstrado os elementos empíricos verificados durante a fiscalização que o teria levado a tal conclusão, de modo a comprovar suas alegações; O art. 152 da Lei 6.404/76 traz requisitos específicos para pagamento de participação nos lucros dos administradores, como: i) previsão estatutária de distribuição de, no mínimo, 25% do dividendo; ii) efetivo pagamento do mencionado dividendo mínimo; e iii) impossibilidade de a PLR superar a remuneração anual dos administradores, nem 10% dos lucros, prevalecendo o menor desses limites; No Relatório Fiscal não há demonstração de que os requisitos da Lei 6.404/76, acima listados, tenham sido atendidos para pagamento da PLR; Menciona apenas que os diretores empregados seriam administradores (o que não corresponde à realidade), como se isso fosse suficiente para reenquadrar os valores pagos a título de PLR da Lei 10.101/00 como sendo o previsto na Lei 6.404/76; A PLR paga aos diretores cumpre todos os requisitos da Lei 10.101/00, motivo pelo qual a autuação não pode prevalecer; Os autos de infração devem ser cancelados por falta de liquidez e certeza, porquanto não há fundamentação para a autuação relacionada à dedutibilidade da PLR; Contradição com o Crédito de Contribuições Previdenciárias Em relação aos mesmos diretores, nos autos do PA nº 16327.720237/201552, também foi constituído crédito tributário de contribuição previdenciária sob a justificativa de que os planos de PLR não atendiam aos requisitos legais, e que, por esta razão, os valores pagos integrariam o salário de contribuição (doc. 03); Se a participação nos lucros se enquadra na hipótese de não incidência da Lei 8.212/91, é dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que paga nos termos da Lei 10.101/00; se é considerada remuneração, incidindo contribuição previdenciária, também é dedutível da base do IRPJ e da CSLL, por se tratar de despesa operacional; Nestes autos de infração a fiscalização tratou as verbas como “nãosalariais” para glosar a respectiva despesa, e no auto de infração de contribuição previdenciária tratou estas mesmas verbas como “salariais” para cobrar a exação; Essa incoerência é suficiente para que os autos de infração sejam cancelados; Regra Geral para Dedutibilidade de Despesas Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.583 5 De acordo com a regra geral de dedutibilidade prevista no art. 299 do RIR/99, despesas operacionais são aquelas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora; Cita o Parecer Normativo CST nº 32, de 17/08/81, doutrina e jurisprudência do CARF abordando os conceitos de necessidade, usualidade e normalidade; Ainda que os pagamentos realizados pela empresa a título de PLR sejam considerados remuneração, o que se admite apenas a título de argumentação, é certo que tais despesas são operacionais e, portanto, dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; Dedutibilidade das Despesas com PLR dos Diretores Empregados Os pagamentos realizados pautaramse em instrumentos firmados nos termos da Lei 10.101/00, diploma este que não faz qualquer restrição ao pagamento de PLR aos diretores empregados; O art. 12 da Lei 8.212/91 e o art. 10, § 2º, do Decreto 2.173/97, preveem a possibilidade de contratação de diretores empregados regidos pela CLT; O Parecer MPAS/CJ nº 1.704, de 16 de março de 1999, diz que o diretor somente não será considerado empregado caso não exista subordinação jurídica, e que não existe uma regra geral quanto à natureza da relação de trabalho existente entre diretores e as sociedades anônimas, podendo ou não existir subordinação; A relação de emprego não se define pela “qualificação dada pelo contribuinte”, como afirmou a fiscalização, mas sim quando a relação fática do trabalhador com o empregador se amoldar à situação hipotética descrita na lei (art. 3º da CLT); A autuação fiscal revelase completamente insubsistente, na medida em que não possui suporte fático ou jurídico e que está calcada em mera presunção de que os diretores empregados seriam, na verdade, administradores sem vínculo empregatício, não elegíveis, portanto, ao recebimento da PLR prevista na Lei 10.101/00; O vínculo empregatício foi desconsiderado meramente com base em disposições estatutárias isoladas, superficialmente interpretadas, sem qualquer prova concreta que suportasse tal desconsideração, o que é inadmissível; Se a fiscalização tivesse analisado a realidade dos fatos e o Estatuto Social de forma mais detida, teria verificado que os diretores estatutários e celetistas da empresa estão subordinados ao diretor presidente, ao Conselho de Administração e à Assembléia Geral, não gozando de autonomia necessária para serem considerados contribuintes individuais, havendo, pois, subordinação hierárquica, conforme organogramas de fls. 1.094/1.096; O diretor comercial, por exemplo, não tem poderes para definir aleatoriamente os clientes que deverão ser visitados, qual será o foco e o mercado de atuação e quais valores poderão ser contratados, ou seja, todas essas questões são definidas conforme as diretrizes da instituição; O artigo 19 do Estatuto Social estabelece que cabe ao Conselho de Administração fixar as diretrizes procedimentais contábeis, administrativas, financeiras e operacionais, expedir normas e regulamentos necessários à melhor Fl. 1585DF CARF MF 6 consecução dos objetivos sociais, bem como eleger e destituir os diretores, fixando lhes as atribuições; O próprio artigo 23, transcrito pela fiscalização, deixa claro que a diretoria está subordinada às diretrizes do Conselho de Administração e da Assembléia Geral, devendo, apenas, implementálas sem qualquer autonomia, ou seja, cumprindo ordens e exercendo função subordinada; O artigo 17 estatui que somente o diretor presidente pode participar do Conselho de Administração, sem direito a voto, sendo inconteste a subordinação hierárquica dos demais diretores ao diretor presidente e a este órgão; De acordo com o § 6º do artigo 20, cabe ao diretor presidente, dentre outras atribuições, dirigir a execução das atividades relacionadas com o planejamento geral do Banco e exercer supervisão geral das atividades da diretoria; O Tribunal Superior do Trabalho – TST já decidiu exaustivamente sobre a possibilidade de o diretor estatutário ser empregado, conforme demonstram os precedentes colacionados às fls. 1.100/1.101; Além disso, o CARF também já se posicionou no Acórdão nº 2403022.336 no sentido de que o pagamento de PLR a diretores estatutários está isento de contribuições previdenciárias, o que levou a própria RFB a reconhecer, através da Solução de Consulta COSIT nº 368, DOU de 31/12/14, essa possibilidade, desde que o diretor estatutário seja empregado, como ocorreu no caso; Cita entendimento de Fábio Ulhoa Coelho admitindo a possibilidade de sujeição dos diretores estatutários ao vínculo trabalhista desde que presentes os requisitos do art. 3º da CLT, em especial a subordinação e a nãoeventualidade, independentemente do conteúdo de eventuais documentos firmados com observância do direito societário; Com base no princípio da primazia da realidade, o TST reconheceu o vínculo de emprego de diretor de sociedade anônima que “não detinha poderes de gestão da sociedade, ao contrário, obedecia a metas e diretrizes traçadas pelos órgãos de administração do empregador”, estando “juridicamente subordinado aos órgãos superiores” do empregador (Processo nº TSTAIRR124690027.1998.5.09.0651), 13/03/13, 2ª Turma); Cita, ainda, outros precedentes do CARF reconhecendo a subordinação de diretores (Acórdãos nº 10179.382 e 10194.975); Corroborando a existência da subordinação, junta aos autos, por amostragem, cópias das fichas de registro de empregados, bem como contratos e carteiras de trabalho, comprovando que os diretores foram contratados como empregados e foram promovidos até alcançarem aquele cargo (doc. 05); As referidas fichas de registro demonstram todos os requisitos inerentes à relação de emprego, tais como a filiação sindical, horário de trabalho, férias concedidas e históricos dos cargos ocupados; A título de exemplo, vejase a ficha dos diretores reproduzidas às fls. 1.104/1.107, diante das quais resta clara a presença da subordinação hierárquica e de dois aspectos de extrema relevância para configuração do vínculo empregatício, quais sejam, o cumprimento de horários de trabalho predefinidos e a continuidade do vínculo empregatício e das funções exercidas, pois, exerciam funções de gerentes ou gestores e foram designados como diretores, permanecendo no exercício das mesmas funções; Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.584 7 Cita entendimento de Sérgio Pinto Martins no sentido de que o diretor subordinado à presidência ou à vicepresidência ou a diretor superintendente da empresa, que praticamente decide tudo e a quem presta contas, não lhe dando margem a qualquer decisão, é um verdadeiro empregado. Aduzindo, ainda, que, quando o diretor é recrutado do quadro de funcionários da própria empresa, a relação de emprego tornase mais aparente, caso em que a pessoa era empregada e continua a fazer o mesmo serviço como diretor, sem qualquer acréscimo de atribuições; A existência da subordinação hierárquica tornase mais evidente no âmbito da PLR quando se verifica que os diretores, assim como os demais empregados, definem suas metas com os seus superiores e são avaliados com o mesmo rigor; A própria RFB reconheceu que os diretores da empresa são empregados e constituiu crédito tributário de contribuições para Terceiros nos autos do PA nº 16327.720131/201478 (doc. 06); A fiscalização não se desincumbiu do seu ônus de comprovar que os diretores não exerciam suas funções em regime de subordinação; A eleição de diretor estatutário, no que se refere à diretoria técnica, é uma exigência do Banco Central que em nada interfere na efetiva subordinação ao comando hierárquico do diretor presidente; Ainda que se imagine que os diretores não sejam empregados, a Constituição Federal e a legislação que se lhe seguiu permite a concessão do benefício com imunidade tributária a todos os trabalhadores; Mesmo que se admita que os pagamentos de PLR se fundamentaram no art. 152 da Lei 6.404/76, ainda assim estes enquadrarseiam na Lei 10.101/00, sendo, portanto, dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL, conforme Acórdão nº 2403002.336, do CARF; Dedutibilidade da Remuneração dos Administradores Com relação à acusação que a PLR não teria sido paga nos termos da Lei 10.101/00, mas sim com base na Lei 6.404/76, não foi produzida pela fiscalização qualquer prova demonstrando o cumprimento dos requisitos previstos para pagamento da participação de que trata o art. 152, §§ 1º e 2º, do referido diploma legal, pelo que não se pode considerar que estejamos diante de uma participação estatutária; Não sendo PLR da Lei 10.101/00, nem participação da Lei 6.404/76, os valores pagos só podem ser parte da remuneração dos administradores prevista no caput do art. 152 da Lei das SA, cuja dedutibilidade é assegurada pelo caput do art. 357 do RIR/99; Inexistência de Previsão Legal para Adição das Despesas com Pagamento de PLR na Base de Cálculo da CSLL Ainda que se entenda tratar de participação paga a administradores, não há qualquer previsão legal que ampare a adição desses valores à base de cálculo da CSLL; O legislador, ao determinar a base de cálculo da CSLL, de forma exaustiva, através do art. 2º e §§ da Lei 7.689/88, não elencou como hipótese de adição ao lucro líquido o valor correspondente à PLR; Fl. 1587DF CARF MF 8 A própria RFB já decidiu pela inexistência de norma que determine a indedutibilidade das gratificações pagas a dirigentes de pessoas jurídicas, raciocínio que se aplica também à PLR, porquanto esta verba, igualmente, não foi contemplada pela legislação da contribuição em questão; Erro na Apuração do IRPJ e da CSLL Se no PA nº 16327.720237/201552, ainda pendente de julgamento, prevalecer o entendimento de que as contribuições previdenciárias são devidas, o correto é levar em consideração na reapuração do IRPJ e da CSLL o valor daquele tributo incidente sobre os pagamentos realizados, de acordo com o regime de competência, independentemente do pagamento, nos termos do art. 344 do RIR/99; Se a fiscalização considerou devidas as contribuições previdenciárias, a dedutibilidade destas já estava assegurada de acordo com o regime de competência, sendo irrelevante o fato, no momento do lançamento de ofício, em razão da impugnação apresentada, da suspensão da exigibilidade do crédito constituído; Apesar de o art. 344 do RIR/99 não permitir a dedução de tributos com exigibilidade suspensa, o fato é que o lançamento de ofício retroage ao momento da ocorrência do fato gerador; e, àquela época, não havia qualquer causa suspensiva da exigibilidade do tributo, motivo pelo qual, inclusive, as contribuições previdenciárias são exigidas com multa de ofício; Necessidade de Sobrestamento do Feito até Julgamento do PA nº 16327.720237/201552 A decisão acerca da subsistência ou não das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos da PLR aos diretores da empresa terá impacto direto na apuração do IRPJ e CSLL, na medida em que tais tributos têm sua dedutibilidade garantida no art. 344 do RIR/99, pelo que se reputa imperioso o sobrestamento do presente feito até que seja proferida decisão final nos autos do PA nº 16327.720237/201552; Descabimento da Cobrança de Juros sobre a Multa Os juros calculados com base na taxa Selic não poderão incidir sobre a multa de ofício ora lançada por absoluta ausência de previsão legal, conforme assentado no Acórdão nº 20178.718 do então Conselho de Contribuintes e no Acórdão nº 02 03.133 da CSRF; Da decisão da DRJ: A ementa da decisão recorrida é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS. DIRETORES DE SOCIEDADES ANÔNIMAS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. A diretoria é um dos órgãos que compõem a administração das sociedades por ações, motivo pelo qual as participações nos lucros atribuídas aos diretores das SA são indedutíveis para efeito de apuração do lucro real, nos termos do caput do art. 463 Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.585 9 do RIR/99, ainda que aqueles trabalhadores mantenham vínculo empregatício com a companhia. CSLL. BASE DE CÁLCULO. RESULTADO DO EXERCÍCIO. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS A ADMINISTRADORES. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO PARA DEDUTIBILIDADE. De acordo com o art. 2º da Lei nº 7.689/88, a base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação tributária, motivo pelo qual a dedutibilidade das participações nos lucros atribuídas a administradores depende de expressa previsão legal autorizativa. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO NÃO PAGO NO VENCIMENTO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. O crédito relativo à multa de ofício não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora calculados pela taxa Selic. TRIBUTOS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Os tributos e contribuições poderão ser deduzidos, de acordo com o regime de competência, para fins de apuração do lucro real, exceto se houver quaisquer das causas suspensiva de sua exigibilidade previstas no art. 151 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que gerou a ementa supra, cuja votação no colegiado da primeira instância administrativa foi unânime, aproveito, complementarmente, os seguintes argumentos: a sustentação do recorrente que haveria contradição entre o presente processo (autuação de IRPJ e CSLL tratou a PLR como verba "nãosalarial") e o processo nº 16327.720237/201552, que discute crédito de contribuição previdenciária (em que tratou o PLR como verba "salarial"), não prospera, pois ao constatar o descumprimento dos requisitos da Lei 10.101/00, para a exigência das contribuições previdenciárias, não tornam as despesas operacionais dedutíveis das bases do IRPJ e CSLL. Eventuais requisitos gerais para dedutibilidade não afastam eventuais regras específicas previstas, como, por exemplo, o art. 463 do RIR/99, invocado pela fiscalização para fundamentar o presente lançamento. Da mesma forma, no processo de autuação da contribuição previdenciária, o fundamento foi o descumprimento de requisitos da Lei 10.101/00, que impossibilitou a fruição da isenção prevista no art. 28, § 9º, alínea "j" da Lei 8.212/91 (o descumprimento não transformou os valores pagos aos diretores em salário); No mérito, a imputação fiscal está ancorada na indedutibilidade dos lucros distribuídos a administradores. No caso, apesar dos administradores terem vínculo Fl. 1589DF CARF MF 10 empregatícios, não atenderia o art. 359 do RIR/99, e sim se aplicaria o art. 463 do RIR/99, em que não há qualquer ressalva quanto ao fato dos administradores terem qualquer vínculo empregatício. Reforça sua análise com análise do art. 12 da Lei 8.212/91 e arts. 138 e 139 da Lei nº 6.404/76, em que apesar de haver a figura do diretorempregado, a lei atribui única e exclusivamente aos diretores os poderes da administração das sociedades anônimas em geral, e não ao conselho de administração. Ademais, os poderes de administração não são ilimitados, devendo sempre ser estabelecidos pelo estatuto social, conforme art. 143, inciso IV e § 2º da Lei 6.404/76. Como descreve o relator: Em suma, o fato de os diretores estarem sujeitos a limitações legais e estatutárias no exercício de suas atribuições e à prestação de contas aos demais órgãos que compõem a administração da corporação, não os submetem, per se, ao regime jurídico trabalhista – caso tal fato fosse relevante para o deslinde da controvérsia , nem tampouco os excluem do conceito de administradores. Tratam se, na verdade, de limitações impostas pela lei das SA com o objetivo de proteger os interesses da sociedade, dos acionistas e do mercado de um modo geral. Igualmente, apesar de alegado pela impugnante, não se aplica o caput do art. 357 do RIR/99 os valores pagos seriam parte da remuneração dos administradores. Não houve a desclassificação da natureza da verba paga aos diretores continuam sendo "participação nos lucros", e foram objetos de lançamento por não terem sido cumpridas regras específicas de isenção/dedutibilidade. E além do mais, há o inciso I do mesmo art. 357 do RIR/99, que não permite a dedução de valores que não correspondam à remuneração mensal fixa dos diretores pela prestação de serviços; No que tange à base de cálculo da CSLL, ao qual a defesa alega a distribuição da participação nos lucros seria anterior a sua formação, não se aplicando pois a autuação, não procede, pois a dedução não está prevista na legislação do tributo, e o art. 187, inciso V da Lei 6.404/76, as participações nos lucros são deduzidas após a apuração do resultado do exercício; No tocante à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, argumenta que aplicandose o art. 161, conjugado com o art. 139 do CTN, em que estabelece que o crédito tributário será acrescido de juros de mora, e este é decorrente da obrigação principal, o que incluiria a multa de ofício. Cita acórdão do CARF, em caráter exemplificativo; Sobre as contribuições previdenciárias apuradas no processo administrativo nº 16327.720237/201552, que deveriam ter sido deduzidas, é que os valores em discussão em tal processo estão com a exigibilidade suspensa, o que lhe confere incerteza quanto ao deslinde, dandolhe o caráter de provisão a esses valores, motivo pela qual não podem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (regra geral das provisões); Quanto ao pedido de sobrestamento do presente processo administrativo, até o julgamento do auto de infração de contribuição previdenciária, não há previsão legal para tanto, sendo indeferido. Do Recurso Voluntário: Em 03 de novembro de 2016, o contribuinte recebeu mensagem com acesso ao Acórdão de Impugnação na sua caixa posta DTE (Domicílio Tributário Eletrônico) (fl. 1313), a qual acessou, e por conseguinte, tomou ciência, no mesmo dia (fls. 1314 e 1315). Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.586 11 No dia 02 de dezembro de 2016 apresentou Recurso Voluntário e anexos, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 1330. O Recurso Voluntário (fls. 1331 a 1396) repisa, na essência, o que foi alegado na sua peça impugnatória. Cabe, contudo, apresentar os seguintes elementos constantes, em síntese: o direito tributário deve se valer do instituto que se referem a subordinação e a condição de empregado de outros ramos do direito. "A Fiscalização e a DRJ jamais poderiam ter desconsiderado os efeitos jurídicos do vínculo empregatício entre os diretores e o Recorrente, como fizeram, ainda que sob a afirmação de que o faziam apenas para fins fiscais". Entende que jamais deveria ter sido criado uma realidade autônoma e exclusiva do Direito Tributário, o que entende que tal fato já conduziria para a necessidade de reforma do acórdão recorrido e cancelamento das autuações. a delimitação da controvérsia seria, nas suas palavras: (i) existe, para fins de IRPJ e CSLL, a figura do diretor (estatuário) empregado? (ii) é possível "cumular" "condições", como ser simultaneamente empregado e administrador para fins tributários? (iii) o que prevalece para fins de dedutibilidade, ser empregado ou administrador? Destaca que até entende existir a figura híbrida de diretor empregado, contudo, ela não se repercutiria em questões tributárias. evoca o art. 110 do CTN, em que determina: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. há várias normas legais que atribuem a espécie de diretor empregador, quais sejam: a súmula nº 269, do TST; artigo 12 da Lei 8.212/91; Solução de Consulta Cosit nº 368/2014; artigo 10, § 2º do Decreto nº 2.173/97; Parecer MPAS/CJ nº 1704/99; a Solução de Consulta nº 89/2015, utilizada pela Fiscalização e pela DRJ reconhece a figura do diretor empregado. Contudo, sua fundamentação decorre dos artigos 337 e 338 do RIR/99, que autorizaria unicamente a dedutibilidade destinada a pagamentos a empregados, e não a figura do diretor empregado, em que destacase o seguinte ponto: Ora, a Solução de Consulta Cosit nº 89/2015, amplamente utilizada pela Autoridade Fiscal e pelo acórdão recorrido, é contundente em confirmar que a provisão só é dedutível para aqueles "dirigentes e administradores com vínculo empregatício regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)", de tal modo que eventuais provisões de pagamentos de décimo terceiro salário e férias de "dirigentes e Fl. 1591DF CARF MF 12 administradores" que não possuem vínculo empregatício não são dedutíveis. o próprio CARF, em julgados recentes, reconheceria a figura do diretor empregado, citando trechos do acórdão nº 2301004.728; nesta construção, conclui pela existência a figura do diretor (estatutário) empregado para fins de IRPJ e CSLL; aceitandose a existência cumulativa das condições de empregado e administrador, seria incompatível o reconhecimento de repercussões tributárias incompatíveis entre si. Destarte, a condição que se impõe, prevalece, é que estabelece os efeitos tributários pertinentes no caso concreto não considerado e demonstrado pela Fiscalização, a quem deveria comprovar qual condição é a prevalente. E a recorrente afirma que "prevalece" a "condição" de empregado. Nestes termos, pede o cancelamento (nulidade) dos autos de infração lavrados por insuficiência e erro de fundamentação, restando incompleto a aplicação do artigo 142 do CTN. argui da ausência de fatos e provas para a desconsideração dos efeitos do vínculo empregatício existente entre os diretores empregados e o Recorrente , já que aqueles são empregados. O Relatório Fiscal admite o vínculo empregatício existente, mas os desconsiderou meramente com base em disposições isoladas no Estatuto Social do Recorrente, com superficial interpretação, e sem qualquer prova concreta que suportasse tal desconsideração. Na mesma linha seguiu o acórdão recorrido, ignorando completamente os esclarecimentos e os documentos apresentados pelo Recorrente na sua Impugnação que evidenciam a verdade material. Complementa este raciocínio com o seguinte excerto: Entretanto, se a Fiscalização ou a DRJ tivessem examinado, como deveriam, a realidade dos fatos ou pelo menos o Estatuto Social do Recorrente de forma mais detida, teriam verificado que os diretores do Recorrente estão subordinados ao Diretor Presidente, ao Conselho de Administração e, por óbvio, à Assembléia Geral, motivo pelo qual não gozam da autonomia necessária para serem considerados contribuintes individuais. Há, pois, subordinação hierárquica. cita os acórdãos do CARF 1402002.266 e 1201001.394, que julgaram pela dedutibilidade de PLR paga a diretores empregados de instituição financeira, em que se decidiu que todos os diretores eram indistintamente empregados. Contudo, não seria o caso do Recorrente, pois há a figura híbrida de diretor empregado. No caso do Recorrente, seus diretores devem observar as diretrizes fixadas pelo Diretor Presidente e pelo Conselho de Administração. Para demonstrar tal situação, evoca vários artigos do seu Estatuto Social de 2012; traz referências à Lei 6.404/76, aos seus artigos 122, 143 e 154, que os diretores devem submissão ao Conselho de Administração e à Assembléia Geral, em que se destaca o seguinte ponto: Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.587 13 Como se depreende das disposições da Lei nº 6.404/76, os diretores exercem função administrativa da sociedade de acordo com as determinações dos órgãos societários, o que, evidentemente, lhes retira a suposta autonomia que no entender do Sr. Auditor Fiscal e da Turma Julgadora teria sido outorgada pelo Estatuto Social. os argumentos do v. acórdão recorrido, com base nos artigos 138 e 139 da Lei 6.404/76, que a diretoria é o órgão de administração por excelência, não tem fundamentação e são inaplicáveis, pois os artigos se referem a companhias fechadas, e o Recorrente é companhia aberta; na Recorrente, os diretores se submetem, principalmente, ao Diretor Presidente, que não é empregado, e por consequencia, não percebe valores de PLR de acordo com o plano firmado sob o regramento da Lei 10.101/2000. Após, faz uma análise de vários artigos do seu estatuto social que demonstram a subordinação dos diretores ao diretor presidente, inclusive que aqueles tem alçada (limite) de valor a decidir sem a aprovação deste; destaca a existência do Estatuto do Comitê Executivo, para fins de execução e supervisão da implementação de comandos expedidos pelo Conselho de Administração, que atribui responsabilidade a toda sua estrutura, nela incluída todos os diretores, à exceção do Diretor Presidente; numa tentativa a mais de demonstrar a configuração do vínculo empregatício dos diretores, o Recorrente afirma: A configuração do vínculo empregatício dos diretores foi comprovada pela juntada de cópias de diversas fichas de registro de empregados, bem como de contratos e carteiras de trabalho (vide Doc. 06 da peça impugnatória), demonstrando a continuidade de seu vínculo e a ausência de suspensão dos contratos de trabalho. Das referidas fichas de registro extraemse informações que apenas confirmam que os diretores à exceção do diretor presidente possuem filiação sindical, regramento acerca de seu horário de trabalho, registro de férias concedidas e histórico dos cargos ocupados. Todos esses elementos confirmam a existência de um vínculo subordinado com a Recorrente. E tudo isso converge para demonstrar a manifesta insubsistência da desconsideração de sua condição de empregados. a Lei nº 10.101/00, que trata em artigo específico da dedutibilidade de pagamentos a título de PLR é posterior aos dispositivos citados pela Autoridade Fiscal, pelo acórdão recorrido e até pela Solução de Consulta Cosit nº 89/2015; Nestes termos, pede a reforma da decisão recorrida, e julgar improcedente o lançamento fiscal efetivado. questiona os fundamentos legais que amparam as disposições do RIR utilizadas na autuação, pois a indedutibilidade foi arguida com base nos artigos 303, 357 e 463 do RIR, aos quais se amparam nas disposições da Lei n º 4.506/64, do DecretoLei nº 5.844/43 e do DecretoLei nº 1.598/77, respectivamente. Contudo, estes dispositivos legais já foram Fl. 1593DF CARF MF 14 revogados tacitamente por normas posteriores e específicas, que tratam da matéria em sua integralidade. Portanto, mesmo que se queira insistir na ótica que os diretores empregadores são administradores, os autos de infração careceriam de lastro legal; posterior, reforça o seguinte ponto, excertado: Nesse cenário, mesmo que se admitisse alguma razão ao entendimento adotado pela Fiscalização, somente a título de argumentação, de que os pagamentos de PLR se fundamentaram pelo artigo 152 da Lei nº 6.404/76, ainda assim, estes enquadrarseiam no disposto da Lei nº 10.101/00, sendo, portanto, dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL. Conforme foi amplamente decidido pelo CARF em processos envolvendo contribuições previdenciárias (casos análogos ao presente, já que, se é PLR da Lei nº 10.101/00, é dedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL): E cita o acórdão nº 2403002.336. E nestes termos, caso ainda não baste os argumentos anteriores, pede a este Conselho reconhecer a ausência de fundamento legal de normas infralegais, e cancelar os autos de infração. alega a inexistência de previsão legal para adição das despesas com o pagamento de PLR à base de cálculo da CSLL. Não haveria qualquer legislação aplicável para fundamentar a suposta necessidade de adição, das despesas com remuneração dos diretores empregados, à base de cálculo da CSLL. O v. acórdão recorrido não traz qualquer fundamento legal a autorizar expressamente a adição, preferindo discorrer sobre a suposta composição da base de cálculo da contribuição. Destarte, nada se vê sobre a obrigatoriedade de adição destas despesas à base de cálculo da CSLL; neste raciocínio sobre a adição ou não à CSLL, destacase o seguinte excerto: Ora, se não há normas que tratem da sua indedutibilidade da base de cálculo da CSLL, também não há suporte a sua adição. E esse mesmo raciocínio é válido para a PLR, já que esta verba também não foi contemplada pela legislação que trata da contribuição social em questão. E, na sequência, cita que diversos julgados do CARF que tratam especificamente da dedutibilidade de PLR conferida a diretores empregados, por muitas vezes, a CSLL é sequer cobrada. Destarte, se o ordenamento foi silente quanto à adição da parcela da PLR paga aos administradores, não caberia à Autoridade Fiscal exigir o que a lei não exige. E nestes termos, caso ainda não baste os argumentos anteriores, pede a este Conselho reconhecer a insubsistência da cobrança "reflexa" de CSLL, diante da ausência de fundamento legal. aponta erro na apuração do IRPJ e da CSLL supostamente devidos, pois na reapuração dos mesmos, em virtude da suposta indedutibilidade da PLR paga aos diretores empregados do Recorrente. As contribuições previdenciárias supostamente devidas sobre a PLR paga pelo Recorrente aos seus diretores empregados já foi objeto de lançamento de ofício Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.588 15 no processo administrativo nº 16327.720237/201552, o qual aguarda julgamento de seu recurso voluntário. Destarte, se o entendimento for de devido estes tributos exigidos, o correto seria leválos em consideração quando da reapuração do IRPJ e CSLL. Para tanto, evoca o artigo 344 do RIR/99. E nestes termos, caso ainda não baste os argumentos anteriores, pede a este Conselho considerar os valores das contribuições previdenciárias lançadas de ofício no PA nº 16327.720237/201552, quando da reapuração das bases de IRPJ e da CSLL. questiona a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, por absoluta ausência de previsão legal. O artigo 61 da Lei nº 9.430/96, apontado no auto de infração como fundamento à incidência de juros prevê apenas sobre tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, e a multa não seria tributo, e sim uma penalidade pecuniária. E nestes termos, caso ainda não baste os argumentos anteriores, pede a este Conselho reformar a decisão recorrida e determine expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre as multas de ofício lançadas nos autos de infração que deram origem ao presente processo administrativo. Destarte, conclui pedindo o conhecimento e o provimento do presente Recurso Voluntário, com a reforma do acórdão recorrido, e a consequente desconstituição dos créditos tributários exigidos e o respectivo cancelamento integral dos autos de infração. A PGFN não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1595DF CARF MF 16 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto n° 70.235 de 06/03/1972. Assim, conheço e passo ao exame da matéria. Das preliminares: Inicialmente, em preliminar, a recorrente questiona a postura adotada, tanto pela autoridade fiscal quanto pela v. decisão a quo, sobre o direito tributário, no caso a autoridade fiscal, subverter institutos pertencentes a outros ramos do direito, ao desconsiderar os efeitos jurídicos do vínculo empregatício entre os diretores. Define isso como uma realidade autônoma e exclusiva do Direito Tributário, o que, já ensejaria o cancelamento das autuações. Posteriormente, na sua peça recursal, a recorrente pede o cancelamento (nulidade) dos autos de infração lavrados por insuficiência e erro de fundamentação, restando incompleto a aplicação do artigo 142 do CTN. Em seu recurso voluntário, alega que, aceitandose a existência cumulativa das condições de empregado e administrador, seria incompatível o reconhecimento de repercussões tributárias incompatíveis entre si. Destarte, a condição que se impõe, prevalece, é que estabelece os efeitos tributários pertinentes, e no caso concreto não foi considerado e nem demonstrado pela Fiscalização, a quem deveria comprovar qual condição é a prevalente, a qual a recorrente afirma que prevalece a condição de empregado. Primeiramente, no caso concreto, ao desconsiderar os efeitos jurídicos do vínculo jurídico trabalhista, a autoridade fiscal está buscando a realidade dos fatos que sobrepõem, dadas as circunstâncias, independentemente das relações jurídicas existentes, que podem ser consideradas (e até prevalecerem) ou serem desconsideradas. Assim, não vislumbro uma realidade autônoma do Direito Tributário, como alega a recorrente, e sim, afastamento, para fins tributários, da situação trabalhista alegada, em primazia à situação evocada pela autoridade fiscal de atuarem os diretores como administradores. Dependendo das circunstâncias encontradas e analisadas, poderia primar a situação empregatícia alegada pela recorrente, o que não é o caso. Secundariamente, em relação à alegada incompletude da aplicação do art. 142, decorrente da não definição, por parte da autoridade fiscal, de qual a situação é prevalente na relação jurídica entre os administradores e a recorrente, não vislumbro tal situação. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.589 17 A própria recorrente, na sua peça recursal, expõe o seguinte: Ou seja, o Recorrente sustenta que seus diretores são empregados e, nessa condição, sua remuneração variável é dedutível. Por seu turno, a Autoridade Fiscal e a DRJ sustentam que, embora os diretores possam possuir vínculo de emprego, para fins de dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL, tais diretores são considerados "administradores", atraindo para si a regra da indedutibilidade da remuneração variável. E posteriormente, alude que não era relevante a existência fática do vínculo empregatício para fins exclusivos de dedutibilidade, o que se mostraria inviável e inútil a verificação dos fatos e provas. Na sua peça recursal passa a discorrer da existência da condição do diretor empregado, e sua aceitação na jurisprudência, contudo, enfatizando que a primazia da condição de administrador só ocorreria para fins tributários. Contudo, sem adentrar no mérito do cerne da questão, que abordarei logo a frente, não vislumbro tal situação. Vislumbro aqui que Autoridade Fiscal, no mesmo sentido enunciado anterior, deu primazia à condição de administrador, mesmo existindo uma relação de emprego. Conforme a Autoridade Fiscal, e analisando em preliminar ainda, no momento que passa a atuar como administrador da empresa, não haveria mais uma relação de emprego, e sim uma atuação como administrador do diretor. O termo diretor empregado, criado com certa liberdade pela doutrina e adotado em algumas jurisprudência objetiva demonstrar mais adequadamente a situação do empregado que vira diretor e/ou administrador superior, passando a praticar a partir de então, atos de gestão que estarão de acordo com as finalidades institucionais. Neste entendimento é que ocorreu a autuação. Destarte, NEGO as preliminares de cancelamento e anulação da autuação fiscal. Do mérito: A autoridade fiscal considerou que os diretores da recorrente exercem a função de administradores, conforme tópico 3 DA ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE, do Relatório Fiscal. Em essência, para basear sua decisão, recorre ao próprio Estatuto Social da recorrente, no que tange aos seus artigos 18, 22 e 23, em que há, em síntese, os seguintes termos utilizados: Artigo 18 O Banco será administrado por um Conselho de Administração e por uma Diretoria (...) Artigo 22 § 2º Os temas que fugirem à competência do Comitê Executivo serão objeto de deliberação por toda a Diretoria; Cabe destaque todo o conteúdo que consta nos parágrafos 8, 11 e 12 deste artigo, que tratam das competências do Diretor Presidente, Fl. 1597DF CARF MF 18 Diretor VicePresidente de Mercado de Capitais e ao Diretor VicePresidente Comercial, respectivamente. Artigo 23 A Diretoria (...) terá poderes de administração e gestão de negócios sociais, para a prática de todos os atos. Ou seja, acima, no próprio Estatuto, há toda uma definição e competências atribuídas à diretoria da recorrente. A autoridade fiscal destacou também alguns artigos da Lei nº 6.404/76: "Art. 138. A administração da companhia competirá, conforme dispuser o estatuto, ao conselho de administração e à diretoria, ou somente à diretoria". "Art.145 As normas relativas a requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos administradores aplicamse a conselheiros e diretores." "Art. 146 Poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no País, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei 10.194/01)". Já a recorrente argui que há um vínculo empregatício regido pela Consolidação das Leis do Trabalho destes diretores, e o que prevalece é serem empregados. Atribui, inclusive, a condição de diretores empregados, o que daria respaldo ao tratamento tributário adotado pela recorrente quanto à dedutibilidade da PLR na apuração do IRPJ e da CSLL (e contestada pela Autoridade Fiscal, e ratificada pela decisão a quo). Expõe adicionalmente a recorrente que os diretores estão subordinados hierarquicamente ao Diretor Presidente, ao Conselho de Administração e à Assembléia Geral, o que não lhes daria autonomia necessária. A recorrente evoca que na sua estrutura organizacional há a peculiaridade do Conselho de Administração e um Diretor Presidente que não são empregados, e todos os demais diretores tem vínculo de emprego e subordinados ao Conselho de Administração e ao Diretor Presidente. Destaca tal situação para contrapor à situação encontrada nos acórdãos 1402002.266 e 1201001.394, em que entende totalmente diferente por serem todos os diretores indistintamente empregados. Dito o acima, e resumindo, o cerne da questão envolve em definir se os valores pagos a diretores da autuada, a título de participação nos lucros estaria enquadrados na hipótese de indedutibilidade do art. 303 do RIR/99, ou, como alega a recorrente, estas despesas tem o caráter de pagamentos feitos a empregados com vínculo regido pela Consolidação das Leis do Trabalho CLT, o que seriam dedutíveis. A questão ainda se aprofunda na questão de um diretor, que mantém um contrato de trabalho ascende ou não à condição de administrador, e se sim, qual sua amplitude. Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.590 19 Recorrendose ao âmbito do direito trabalho, aproveito a conceituação de Maurício Godinho Delgado1, ao tratar da figura do diretor empregado. Em sua obra, já no início, cita seguinte evolução das relações de trabalho: (...) a ideia de direção temse afastado cada vez mais da ideia de propriedade (e, portanto, da noção de sócio), descolandose do padrão clássico característico dos primórdios do processo industrial e organizacional do sistema econômico contemporâneo. Surge, assim, o claro interesse em se discutir ou não sobre os diretores não proprietários das normas próprias à relação de emprego. Neste momento da obra, distingue a figura do sócio recrutado externamente e da situação do empregado que é alçado ao cargo de diretor da mesma organização a que sempre se vinculou empregaticiamente. E continua: Enfatizese que, em qualquer das duas situações, estáse considerando apenas o efetivo diretor, com inquestionável (e estatutária) soma de poderes de mando, gestão, representação, concentrando em sua pessoa o núcleo básico e central do processo decisório cotidiano da organização empresarial envolvida. E após, melhor conceitua o empregado eleito diretor: B) Empregado Eleito Diretor O exame dessa hipótese sócio jurídica (empregado antigo que é alçado a diretor da empresa) conduziu a que a doutrina justrabalhista brasileira se dividisse em quatro principais posições diferenciadas. Não obstante existam pontos de identificação entre essas quatro posições hermenêuticas e as teses características das duas vertentes interpretativas acima expostas, há algumas variações específicas percebidas pelos juristas no presente caso. A primeira posição interpretativa esta bem enfatizada pelo autor Mozart Victor Russomano. Este entende que a elevação do empregado ao patamar de efetivo diretor provoca a extinção de seu antigo contrato empregatício, dada a incompatibilidade dos cargos e funções. Délio Maranhão adere à segunda posição interpretativa. Nesse quadro, o autor percebe que semelhante alteração qualitativa no status da pessoa física do antigo empregado na empresa (que passa a diretor) não chega a provocar a extinção do vínculo precedente. Contudo, a incompatibilidade de situações jurídicas provocaria a suspensão do contrato de emprego. A favor desta tese hermenêutica, existe o texto expresso da Súmula 269, TST: “Empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o 1 Curso de Direito do Trablho, Maurício Godinho, 2015, fls. 386 e segs. Fl. 1599DF CARF MF 20 tempo de serviço deste período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego.” Uma terceira vertente interpretativa compreende verificarse, no caso em referência, mera interrupção da prestação de serviços, de modo que o período despendido na diretoria é computado no tempo de serviço do empregado. Tratase de uma exegese construída a partir do art. 499 da CLT. Contra si, essa tese faz despontar o argumento de que o referido preceito celetista reportase, na verdade, ao empregado ocupante de cargo de confiança não se aplicando caso a situação fáticojurídica concreta diga respeito a efetivo diretor (isto é, profissional não subordinado). De par com isso, a tese não é equânime, pois autoriza o somatório puro e simples das vantagens trabalhistas do empregado (interrupção contratual, relembrese) às vantagens civis do diretor. A quarta posição, defendida por Antero de Carvalho e Octavio Bueno Magano, sustenta que "a eleição não altera a situação jurídica do empregado que continua, como empregado, a desfrutar dos direitos inerentes a essa condição. A tese defendida por Antero de Carvalho e Octavio Bueno Magano é mais perfeita, juridicamente, do que a da simples interrupção da prestação de serviços empregatícios: afinal, ela evita o artificial acúmulo de vantagens de situações contratuais de natureza diversa, envolvendo o mesmo período de labor. Desse modo, se se entende que o diretor mantémse como empregado, cabe enquadrálo como ocupante de elevado cargo de confiança, com as consequências jurídicas daí advindas (art. 62, CLT). Ou seja, através da doutrina, há controvérsias do assunto, mas todas colocam o empregado como diretor em outro patamar na hierarquia organizacional, mais afeitas à administração. Isso é indiscutível. Não prevalece o argumento da recorrente que seus empregados que foram alçados ao posto de empregado continuam subordinados ao Conselho de Administração e ao Diretor Presidente, pois isto estaria no seu limite de atuação. Definir competências e alçadas a um gestor é o normal à uma organização, não lhe afetando a condição de seus interesses procurarem estar mais alinhados aos interesses da organização, pois seus benefícios virão quanto mais se destacar a organização. Muito distinto é a relação de empregado, sem ser diretor, em que apesar procurar benefícios pelo eventual participação nos lucros, não foi alçado à condição de alguém cuja atividade é regrada pelo próprio estatuto da organização, e sim, tem, uma situação mais ordinária e precária, e bem mais limitada, na sua atuação na organização. Assim, como já dito anteriormente, não vislumbro a desconsideração da existência da condição do vínculo empregatício por parte da Autoridade Fiscal, ratificada pela v. decisão a quo, e sim que, apesar de terem este vínculo, sua condição na organização (no caso, da recorrente) modificouse, passando a atuar como diretor, tendo características mais afeitas à administração a partir do momento que ascenderam a este cargo. Da mesma forma, não procede a argumentação da recorrente de que a Lei nº 10.101/00, que trata de pagamentos a título de PLR, ser posterior aos dispositivos citados pela Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.591 21 Autoridade Fiscal. O fato da fiscalização ter constatado o descumprimento dos requisitos da supracitada Lei, passa a analisar pela legislação aplicável ao caso, o que no caso seriam se os valores pagos aos diretores, no caso, participação nos lucros dos administradores, são dedutíveis ou não. Então procedem os dispositivos citados pela Autoridade Fiscal. Igualmente, não procedem as alegações que os dispositivos do RIR/99 utilizados na autuação fiscal (artigos 303, 357 e 463) cujas referências, que estão nos seus dispositivos originais (Lei n º 4.506/64, do DecretoLei nº 5.844/43 e do DecretoLei nº 1.598/77, respectivamente), já foram revogados tacitamente por normas posteriores e específicas, que tratam da matéria em sua integralidade. Analisando estes artigos e seu contexto, não comungo do pensamento externado pela recorrente acerca da possível revogação "tácita" arguida, e os entendo aplicáveis aos casos inerentes. Neste trilhar, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. DA INSUBSISTÊNCIA DA COBRANÇA "REFLEXA" DA CSLL A recorrente alega a inexistência de previsão legal para adição das despesas com o pagamento de PLR à base de cálculo da CSLL. Não haveria qualquer legislação aplicável para fundamentar a suposta necessidade de adição, das despesas com remuneração dos diretores empregados, à base de cálculo da CSLL. Analisandose a legislação pertinente da CSLL, no geral, compartilha das mesmas regras relacionadas à apuração e pagamento do IRPJ, mas mantendo sua própria base de cálculo, conforme consta no art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, conforme transcrito abaixo: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Destarte, há situações, poucas, mas há, na legislação que não se estende de forma direta à determinação do resultado do resultado ajustado aplicável ao IRPJ também para à CSLL o que suscita muitas controvérsias na jurisprudência da matéria. O DL nº 1.598/1977, criado para adaptar a legislação do IRPJ às inovações da Lei nº 6.404/76, apesar das várias alterações no seu teor ao longo dos anos, nunca contemplou a CSLL ao determinar a adição dos valores pagos a título de distribuição de lucros a administradores à base de cálculo do IRPJ no art. 58. A CSLL só surge no cenário nacional com a constituição de 1988, através da Medida Provisória nº 22, de 6 de dezembro de 1988, pouco depois convertida na Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. De qualquer forma, não deve ser aplicado no nosso ordenamento tributário a tributação por analogia, prevalecendo o princípio da estrita legalidade, e por conseguinte, as hipóteses de tributação devem vir descritas em lei em hipóteses fechadas. Fl. 1601DF CARF MF 22 Dessarte, não se deve aplicar a legislação do IRPJ para a composição de base de cálculo da CSLL, a não ser que exista dispositivo legal voltado para esta última explicitamente. Com a edição da Instrução Normativa RFB nº 1.700, de 14 de março de 2017, que dispõe, dentre outros assuntos, sobre a determinação e o pagamento de imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro líquido das pessoas jurídicas. Nesta instrução normativa consta, no seu anexo I, uma tabela de adições ao lucro líquido, e dispõe não ser aplicada à CSLL a adição do art. 58 do DL nº 1.598, de 1977. Isto tudo posto, e para o caso concreto, em que há manifestação expressa e direta sobre a matéria, pelo órgão responsável pela administração dos tributos de competência da União, posicionamento que discordo, entendo que deva ser afastada esta parte da autuação fiscal. Destarte, dou PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar a autuação fiscal relativa à CSLL. Da dedução dos valores das contribuições previdenciárias lançadas no processo 16327.720237/201552 O processo administrativo 16327.720237/201552 , que versa sobre autuação em que foram apuradas contribuições previdenciárias, cujo situação processual na data da presente sessão é aguardando indicação de pauta para julgamento de embargos na 2ª Seção deste CARF. Ou seja, o processo não transitou em julgado administrativamente. Destarte, há ainda incertezas quando ao seu deslinde, o que não poderiam ser deduzidos seus valores das bases de c cálculo do IRPJ e da CSLL. Neste teor, acompanho o raciocínio do v. acórdão recorrido, a qual aproveito os seus fundamentos, tornandoos meus nesta decisão: Ao discorrerem acerca do § 1º do art. 41 da Lei 8.981/95, que é a matriz legal do § 1º do art. 344 do RIR/99, Hiromi Higuchi, Fábio H. Higuchi e Celso Higuchi, asseveram que (Imposto de Renda das Empresas, IR Publicações, São Paulo, 35ª edição, págs. 359/360: “(...) Essa lei veio dar coerência à dedutibilidade dos tributos contestados pelos contribuintes, ou seja, se alegam que a sua cobrança é ilegal ou inconstitucional não poderão, ao mesmo tempo, dizer que se tratam de despesas incorridas. (...) (...) Despesa incorrida é irreversível enquanto a provisão pode resultar em despesa incorrida ou não, dependendo da decisão final na esfera administrativa ou judicial.” Ou seja, enquanto não transitado em julgado em definitivo, não pode ser evocado como dedutível algo que se contesta inválido pelo recorrente. Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 16327.721091/201562 Acórdão n.º 1402002.966 S1C4T2 Fl. 1.592 23 Destarte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. Dos juros sobre multas de ofício O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Ocorre que uma análise mais sistemática do CTN, percebese que os juros são devidos sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Como dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O credito não integralmente pago no vencimento e acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal e o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de crédito tributário esta esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa de ofício imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. Conclusão: Dado o todo exposto anteriormente, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, afastando da autuação fiscal a parte concernente à tributação da CSLL, negando os demais pleitos constantes da peça recursal. Fl. 1603DF CARF MF 24 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Fl. 1604DF CARF MF
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